Posfacio [Epílogo]
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POSFACIO José González-Monteagudo PREPRINT [González-Monteagudo,0J.0(2022c)0Posfácio.0En0M.0dos0R.0Rodrigues0(2022).0Cultura' política' e' emancipação:' saberes' construídos' pelos' Movimento' Sociais.0 São0 Paulo:0 Editora0Dialética,0213-214.0ISBN:09786525222370]0 Sinto-me muito honrado e grato por ter a oportunidade de escrever este Posfácio. Tive a oportunidade de receber Maria dos Remédios na Universidade de Sevilha para uma visita técnica, que aconteceu em outubro de 2019. Esta visita ocorreu no contexto da preparação deste ensaio, que permitiu uma experiência de imersão cultural e social que parece ter tido um impacto importante no itinerário profissional e pessoal de Remédios. Posteriormente, participei da banca de qualificação de seu Mestrado e tive até o privilégio de ser co-orientador deste texto, sempre sob a liderança empática e intelectualmente brilhante do Dr. Rodrigo Matos de Souza, autor do prefácio deste livro e mentor central da formação universitária e intelectual de Remédios. A vida nos traz reviravoltas rápidas e intensas. E nada mais pode ser dito, observando que (dois anos após aquela visita de 2019) a Remédios se estabeleceu recentemente em Sevilha, para uma estadia de quatro anos. Na verdade, ela é agora uma estudante do programa de doutorado em educação da Universidade de Sevilha, sob minha orientação. O compromisso intelectual e político da Remédios a levou a mapear a interseção entre educação, cidadania democrática, empoderamento comunitário e movimentos sociais. A revisão destes temas fornece uma introdução útil às origens, características, evolução histórica, dinâmica e desafios dos três movimentos sociais que são o foco deste livro: o movimento dos trabalhadores rurais sem terra, o movimento feminista e o movimento negro. Este olhar interseccional, complexo e crítico nos ajuda a compreender e interpretar a realidade brasileira atual de forma lúcida e desafiadora, colocando no centro do debate as crescentes e intoleráveis desigualdades, as experiências de luta e resistência, as utopias da emancipação social e o papel central da educação crítica e cooperativa. Remédios reúne um grande número de pensadores, ativistas e formadores, como bel hooks, Pedro Demo, Paulo Freire, Franz Fanon e muitos outros. O diálogo com estas tradições intelectuais progressistas e críticas nos convida a selecionar algumas leituras para alimentar nossas preocupações sociais, democráticas, cívicas e pedagógicas. A apresentação equilibrada e informativa das correntes políticas, sociais e educacionais que nos permitem interpretar melhor os movimentos sociais estudados é um grande valor deste livro, que esperamos seja útil para um público amplo, dentro e fora dos movimentos sociais. Remédios não descreve e pensa apenas os movimentos sociais. Ela também vive esses movimentos da perspectiva de uma ativista honesta e inquieta, consciente de que seu sonho de uma sociedade humanista, justa e democrática é um ideal transversal em
muitas partes do mundo e em muitos contextos de práxis política e pedagógica comprometida com a transformação de nossas sociedades neoliberais, que consagram o mercado como o ídolo indiscutível da vida social. Um dos grandes sucessos deste livro é o estudo da dimensão formativa dos movimentos sociais, tanto na leitura atenta das experiências já realizadas quanto na atual dimensão emergente das mudanças radicais na sociedade, na economia, na cultura, nas tecnologias, no trabalho, na formação e na saúde. Remédios teoriza e qualifica o itinerário dos movimentos sociais, enquanto tenta construir propostas de formação para acompanhar os processos de mudança social promovidos por grupos tradicionalmente invisíveis, excluídos, reprimidos, violentados e negados em suas legítimas aspirações de "ser mais". Este livro pode se tornar uma ferramenta útil para combater os desvios autoritários e neofascistas que ganharam o apoio de uma parte importante do povo brasileiro, sugerindo caminhos alternativos de tolerância, justiça, igualdade, cooperação, participação, inclusão, reconhecimento e respeito, na perspectiva de fortalecer uma sociedade civil prudente, crítica, lutadora e resistente. Este livro pode ser uma arma na luta contra a violência, a exclusão e a arrogância das elites políticas, econômicas e religiosas que não podem ser uma referência nos tempos atuais. José González-Monteagudo Faculdade de Educação, Universidade de Sevilha, Espanha Me siento muy honrado y agradecido al tener la oportunidad de escribir este Posfacio. He tenido la oportunidad de recibir a Maria dos Remédios en la universidad de Sevilla, para una visita técnica, que fue realizada en octubre de 2019. Esta visita se realizó en el contexto de la preparación de este ensayo, lo que permitió una experiencia de inmersión cultural y social que parece haber tenido un impacto importante en el itinerario profesional y personal de Remédios. Posteriormente, participé en la banca de cualificación de su Mestrado y tuve incluso el privilegio de ser coorientador de este texto, siempre bajo el liderazgo empático e intelectualmente brillante del Dr. Rodrigo Matos de Souza, autor del prefacio de este libro y mentor central de la formación universitaria e intelectual de Remédios. La vida nos depara giros veloces e intensos. Y no otra cosa se puede decir, al constatar que (dos años después de esa visita de 2019) Remédios se ha instalado recientemente en Sevilla, para una estancia de cuatro años. En efecto, ella ahora es estudiante del programa del doctorado en educación de la universidad de Sevilla, bajo mi orientación. El compromiso intelectual y político de Remédios le ha llevado a mapear el cruce entre formación, ciudadanía democrática, empoderamiento comunitario y movimientos sociales. La revisión de estas temáticas nos ofrece una introducción útil sobre los orígenes, características, evolución histórica, dinámicas y desafíos de los tres movimientos sociales que constituyen el foco de este libro: el movimiento de los trabajadores rurales sin tierra, el movimiento feminista y el movimiento negro. Esta mirada interseccional, compleja y crítica nos ayuda a conocer e interpretar la realidad brasileira actual de una manera lúcida y desafiadora, poniendo en el centro del debate
las desigualdades crecientes e intolerables, las experiencias de lucha y resistencia, las utopías de la emancipación social y el rol central de la formación crítica y cooperativa. Remédios convoca a un gran número de pensadores, militantes y formadores, entre los que figuran bel hooks, Pedro Demo, Paulo Freire, Franz Fanon y muchos otros. El diálogo con estas tradiciones intelectuales progresistas y críticas nos invita a seleccionar algunas lecturas para alimentar nuestras inquietudes sociales, democráticas, ciudadanas y pedagógicas. La presentación equilibrada y divulgativa de las corrientes políticas, sociales y educativas que nos permiten interpretar mejor los movimientos sociales estudiados es un gran valor de este libro, que esperamos que pueda ser útil a una amplia audiencia, dentro y fuera de los movimientos sociales. Remédios no solo describe y piensa los movimientos sociales. Ella también vive estos movimientos desde la perspectiva de una militante honesta e inquieta, sabedora de que su sueño de una sociedad humanista, justa y democrática constituye un ideal transversal en muchos lugares del mundo y en muchos contextos de praxis política y pedagógica comprometida con la transformación de nuestras sociedades neoliberales, que consagran el mercado como ídolo indiscutible de la vida social. Uno de los grandes aciertos de este libro es el estudio de la dimensión formativa de los movimientos sociales, tanto en la lectura atenta de las experiencias ya realizadas como en la dimensión emergente actual de cambios radicales en la sociedad, la economía, la cultura, las tecnologías, el trabajo, la formación y la salud. Remédios teoriza y cualifica el itinerario de los movimientos sociales, al tiempo que intenta construir propuestas formativas para acompañar los procesos de cambio social promovidos por los grupos tradicionalmente invisibilizados, excluidos, reprimidos, violentados y negados en sus legítimas aspiraciones a “ser más”. Este libro puede convertirse en una herramienta útil para combatir las derivas autoritarias y neofascistas que han logrado el apoyo de una parte importante del pueblo brasileiro, sugiriendo senderos alternativos de tolerancia, justicia, igualdad, cooperación, participación, inclusión, reconocimiento y respeto, en la perspectiva del fortalecimiento de la sociedad civil prudente, crítica, luchadora y resistente. Este libro puede ser un arma de combate contra la violencia, la exclusión y la arrogancia de unas élites políticas, económicas y religiosas que no pueden constituir una referencia en los tiempos actuales. José González-Monteagudo Facultad de Educación, Universidad de Sevilla