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A influência do método de musicoterapia de John Bean e da musicoterapia em geral na representação espacial do corpo de pessoas com paralisia cerebral (2004 -2010)

Fernández Batanero, José María; Rogão, Micaela Cardoso

Abstract

Believing in the principle of normalization implies believing that all people deserve a society that defends human rights. A society that respects each person’s characteristics and particularities, must respond differently to the needs of its constituents, whether or not they are “normal” or have problems. Thus, this article, based on a quantitative/qualitative research approach, discusses the influence of John Bean’s music therapy method and of music therapy in general on the spatial representation of the body in people with cerebral palsy.

Full text

343 Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v.16, n.3, p.343-358, Set.-Dez., 2010. A influência do método de musicoterapia de John Bean Relato de Pesquisa A INFLUÊNCIA DO MÉTODO DE MUSICOTERAPIA DE JOHN BEAN E DA MUSICOTERAPIA EM GERAL NA REPRESENTAÇÃO ESPACIAL DO CORPO DE PESSOAS COM PARALISIA CEREBRAL (2004 -2010) THE INFLUENCE OF JOHN BEAN’S MUSIC THERAPY METHOD AND OF MUSIC THERAPY IN GENERAL IN BODY SPATIAL REPRESENTATION IN PEOPLE WITH CEREBRAL PALSY (2004-2010) Jose M.ª Fernández BATANERO1 Micaela Cardoso ROGÃO2 RESUMO: acreditar no princípio da normalização, pressupõem acreditar que todas as pessoas merecem uma sociedade que atenda aos direitos humanos. Uma sociedade que vá ao encontro das características e das particularidades de cada pessoa, atendendo de modo diferenciado às necessidades dos seus elementos, sejam eles ditos “normais”, ou com problemáticas. Assim, este artigo, tendo por base um método de investigação quantitativo/qualitativo, aborda a influência do método de musicoterapia de John Bean e da musicoterapia em geral na representação espacial do corpo de pessoas com paralisia cerebral. PALAVRAS-CHAVE: Educação Especial; Musicoterapia; Método de musicoterapia de John Bean; Representação espacial do corpo; Paralisia cerebral. ABSTRACT: Believing in the principle of normalization implies believing that all people deserve a society that defends human rights. A society that respects each person’s characteristics and particularities, must respond differently to the needs of its constituents, whether or not they are “normal” or have problems. Thus, this article, based on a quantitative/qualitative research approach, discusses the influence of John Bean’s music therapy method and of music therapy in general on the spatial representation of the body in people with cerebral palsy. KEYWORDS: Music therapy; John Bean Method; Spatial Representation of the Body; Cerebral Palsy. 1 INTRODUÇÃO O recurso à musicoterapia remonta à antiguidade. Toro (2000) refere que já na Antiguidade Grega, em vários escritos, se fazem referências ao poder terapêutico – religioso do cântico. São várias as definições sobre o conceito de musicoterapia. Prieto refere que: […] La musicoterapia parte de la utilización de sonidos y músicas diversos como herramientas de intervenciones reeducatvas y terapéuticas. La música incide en el ser humano tanto en sus procesos fisiológicos como psicológicos, ya que no es posible encontrar la línea divisoria entre ambos, que están estrechamente interrelacionados. (PRIETO, 1999 ,p.141). A escolha concreta do método de musicoterapia de John Bean, neste artigo, deve-se ao fato de ser um método com atividades bem definidas, fazendo dele, 1 Universidade de Sevilha, Espanha – Ciências da Educação - [email protected] 2 Universidade de Sevilha, Espanha– Ciências da Educação - [email protected] 344 BATANERO, J.M.F.; ROGÃO, M.C. Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v.16, n.3, p.343-358, Set.-Dez., 2010. segundo o próprio autor (1999, citado em Wigram, et al, 1999), um tipo de intervenção diretiva que permite ter segurança e clareza nos propósitos e atingir objetivos mais específicos. É também pertinente clarificar o conceito de esquema corporal, que segundo Aljuriaguerra e Stucki (1972, apud RODRIGUES, 1998, p.20), se define como: […] uma estrutura neuromotora que permite ao indivíduo estar consciente do seu corpo anatómico, ajustando-o rapidamente às solicitações de situações novas e desenvolvendo acções de forma adequada, num quadro de referência espaçotemporal dominado pela orientação direita-esquerda. No que se refere à paralisia cerebral, González (2003) refere que esta questão se define como um transtorno motor persistente, originado por uma lesão no cérebro ainda imaturo. Esta lesão ocorre no período pré-natal, neonatal ou pós-natal. Herceberg (2005, Maio-Junho) salienta que a lesão cerebral pode suceder durante a gestação, durante o parto ou durante os primeiros anos de vida. Esta mesma lesão pode dever-se a diferentes causas, nomeadamente uma infecção intrauterina, malformações cerebrais, nascimento prematuro, assistência incorreta durante o parto . Tendo em conta a musicoterapia em geral e conhecendo o método de musicoterapia de John Bean, o qual, como já foi referido, se apresenta como um método diretivo e com propostas bem definidas, as quais são destinadas ao movimento; ao controle da cabeça e ao controle dos membros superiores e inferiores, formula-se a seguinte questão: “ Qual a influência do método de musicoterapia de John Bean e da musicoterapia em geral na representação espacial do corpo de pessoas com paralisia cerebral?” Assim, é objetivo geral, deste artigo, abordar a influência do método de musicoterapia de John Bean e da musicoterapia em geral na representação espacial do corpo de pessoas com paralisia cerebral. Dentro deste objetivo geral, podem-se enunciar objetivos específicos relacionados com a representação espacial do corpo, sendo eles: Investigar a influência do método de musicoterapia de John Bean e da musicoterapia em geral na capacidade de reconhecimento do corpo; construção do corpo; representação do corpo; reconhecimento, construção e representação homolateral do corpo e reconhecimento, construção e representação heterolateral do corpo. 2 METODOLOGIA 2.1 METODOLOGIA QUANTITATIVA 2.1.1 AMOSTRA Tendo a Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra deferido o estudo alvo deste artigo que teve lugar na Quinta da Conraria, procedeu-se à definição da 345 Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v.16, n.3, p.343-358, Set.-Dez., 2010. A influência do método de musicoterapia de John Bean Relato de Pesquisa população. A mesma foi composta por todos os alunos que frequentavam a Quinta da Conraria, e quando me refiro a todos os alunos, refiro-me quer a alunos do sexo masculino, quer a alunas do sexo feminino, com paralisia cerebral e sem deficiência mental associada. Apesar do último critério (sem deficiência mental) ter reduzido substancialmente o número da população, tal fato justifica-se pela necessidade de clareza do estudo. Caso contrário, até que ponto poderíamos saber se os resultados obtidos no instrumento de recolha de dados se encontravam comprometidos devido a existência de um quociente intelectual considerado inferior. Através de amostragem aleatória, foi assim sorteado, dentro da população, um grupo experimental e um grupo de controle. Inicialmente, os grupos possuíam quatro elementos cada, mas com o decorrer do tempo, o grupo experimental perdeu dois elementos, restando-lhe apenas os outros dois. Vejamos, de acordo com os gráficos que se seguem, a caracterização da amostra. Gráfico 1 - Caracterização do Grupo de Controle 25% 25% 25% 50% 25% 50% 50% 50% 50% 50% 25% 25% 50% 25% 25% 50% 25% 25% 100% 75% 75% Sexo Feminino Sexo Masculino Idade 20 anos Idade 22 anos Idade 21 anos Área de Residência Coimbra Área de Residência exterior a Coimbra Critério Nosolólgico Paralisia Cerebral Mista Critério Topográfico Paralisia Cerebral Espástica Critério Topográfico Tetraparésica Critério Topográfico Diplégica Problemas associados sem problemas Problemas associados Epilepsia Problemas associados Convulções Coeficiência de inteligência Bordeline Coeficiência de inteligência Normal Lento Coeficiência de inteligência médio Escolaridade 9° ano Ensino Regular Escolaridade 9° ano com currículo adaptado Escolaridade 9° ano com currículo alternativo Formação Profissional Informática 346 BATANERO, J.M.F.; ROGÃO, M.C. Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v.16, n.3, p.343-358, Set.-Dez., 2010. Gráfico 2 - Caracterização Grupo Experimental. Constituídos os dois grupos, o grupo de controle e o grupo experimental, os mesmos foram inicialmente submetidos a uma fase de teste, mais propriamente ao teste experimental de representação espacial do corpo. Em seguida, numa fase de intervenção, o grupo experimental foi alvo do método de musicoterapia de John Bean, durante um período aproximado de cinco meses, uma vez por semana, tendo cada sessão a duração também aproximada de 45 minutos. Após a intervenção, os dois grupos foram submetidos a outra fase de teste, ou seja realizaram novamente o teste experimental de representação espacial do corpo. 2.1.2 INSTRUMENTO DE RECOLHA DE DADOS A utilização do teste experimental de representação espacial do corpo, do professor doutor David Rodrigues, devese ao fato do seu autor tê-lo elaborado para a população em questão e assim, tê-lo: 100% 50% 50% 100% 50% 50% 50% 50% 50% 50% 50% 50% 50% 50% 100% Sexo Masculino Idade 20 anos Idade 27 anos Área de Residência exterior a Coimbra Critério Nosolólgico Disquinética Critério Topográfico Ateosica Critério Topográfico Tetraparésica Critério Topográfico sem referência Problemas associados défict auditivo Problemas associados sem problemas Coeficiência de inteligência Normal Lento Coeficiência de inteligência médio Escolaridade 9° ano Ensino Regular Escolaridade 12° ano (DL 319/91) Formação Profissional Informática 347 Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v.16, n.3, p.343-358, Set.-Dez., 2010. A influência do método de musicoterapia de John Bean Relato de Pesquisa [...] concebido de forma a poder ser respondido através de modalidades várias: motoras e verbais. No caso limite de uma criança com uma importante disfunção motora que a impedisse, por exemplo, de apontar o objecto ou local pretendido... o teste poderia ser respondido unicamente através da dirrecionalidade do olhar. (RODRIGUES, 1998, p.97). Este teste experimental de representação espacial do corpo é composto por três partes distintas: Reconhecimento, Construção e Representação. Dentro da primeira e da segunda parte existem itens que são duplos e triplos, e que devem ser respondidos inicialmente de forma homolateral (prova homolateral), e depois de forma heterolateral (prova heterolateral). No que se refere à terceira parte, existem seis itens que devem ser respondidos na prova homolateral e quatro itens que devem ser respondidos na prova heterolateral. 2.2 METODOLOGIA QUALITATIVA 2.2.1 AMOSTRA Nesta parte da metodologia, a amostragem foi não probabilística por conveniência. Pois de todos os professores e instituições contatadas, foram realizadas entrevistas aos professores e alunos que mostraram interesse nesse sentido. O grupo de alunos entrevistados é composto por três elementos. Dois destes entrevistados fazem parte do grupo experimental submetido às sessões de musicoterapia de John Bean e ao teste experimental de representação espacial do corpo do Professor Doutor David Rodrigues, na já referida Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra, mais em concreto, na Quinta da Conraria. Esta amostra caracteriza-se por todos os seus elementos serem portadores de paralisia cerebral e serem do sexo masculino. A sua média de idade é de 23,3 anos. A área de residência é exterior a Coimbra e os seus elementos encontram-se, em média, na instituição há 14,2 anos. Como perspectivas para o futuro, surgem ambições como vir a trabalhar na área da informática, arranjar emprego, ou simplesmente colocar betume nos carros. São inúmeras as atividades desenvolvidas pelos alunos na instituição. Destaca-se em primeiro lugar a fisioterapia. Em seguida e em situação de empate: a terapia ocupacional e o curso de informática e depois também em situação de empate: a psicologia, o curso de bate chapas, o curso de estofador, a hipoterapia, a terapia da fala e a ocupação de tempos livres. Os três entrevistados, além das sessões de musicoterapia de John Bean, das quais afirmam terem gostado, não frequentaram, anteriormente, qualquer experiência do gênero. No que se refere aos professores entrevistados, a maioria é do sexo masculino, pois os professores representam 71%. Enquanto que as professoras entrevistadas representam, apenas 29%. 348 BATANERO, J.M.F.; ROGÃO, M.C. Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v.16, n.3, p.343-358, Set.-Dez., 2010. Cem por cento dos entrevistados exercem a sua profissão em instituições direcionadas para o ensino especial. É notória a variedade de problemáticas com que os professores de musicoterapia trabalham. Dentro desta variedade, destaca-se a paralisia cerebral que representa 30%, enquanto que as outras problemáticas representam, isoladamente, apenas 7%. Dois dos professores entrevistados declararam trabalhar com alunos com paralisia cerebral cujas idades vão dos doze aos dezesseis anos. Dos vários motivos que trouxeram os professores para o mundo da musicoterapia, destaca-se o fator “convite”com 44%. Verifica-se que os professores trabalham, na área da musicoterapia, entre os três e os dezesseis anos de serviço. O critério que é tido em maior conta na formação dos grupos, de alunos, de musicoterapia, é o critério da faixa etária. A duração das sessões de musicoterapia varia, no entanto, destacam-se as sessões de 45 minutos que representam 30% das opções. A frequência das mesmas varia, contudo a regularidade de duas vezes por semana apresenta maior percentagem. Das inúmeras atividades contempladas pelos professores, na reabilitação de pessoas com paralisia cerebral, a atividade que apresenta maior incidência é o relaxamento. 2.2.2 INSTRUMENTOS DE RECOLHA DE DADOS A elaboração da entrevista aos alunos que beneficiaram de sessões de musicoterapia e da entrevista aos professores de musicoterapia teve como base os objetivos já referidos neste artigo. A partir deles, foram construídas as categorias e a partir destas foram formulados os guiões das entrevistas3, ou seja, as perguntas. Validadas as ditas entrevistas foram as mesmas, finalmente, aplicadas. 3 ANÁLISE DE DADOS 3.1 ANÁLISE DE DADOS QUANTITATIVOS A tabela que se segue permite analisar os resultados, expressos em pontos, obtidos no teste experimental de representação espacial do corpo. 3 Roteiros de entrevistas. 349 Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v.16, n.3, p.343-358, Set.-Dez., 2010. A influência do método de musicoterapia de John Bean Relato de Pesquisa Tabela 1 - Resultados Obtidos no Teste Experimental de Representação Espacial do Corpo (totais expressos em pontos). Observando os resultados obtidos, verifica-se que excetuando os resultados da parte do reconhecimento em que o grupo experimental, após a intervenção, apresentou uma pontuação inferior (meio ponto), em todas as outras provas e partes, a pontuação de ambos os grupos foi sempre superior após a intervenção. Assim vejamos: ♦Na parte do reconhecimento, o grupo de controle obteve, antes da intervenção, 50 pontos e após a intervenção, obteve 55 pontos. Cinco pontos a mais após a intervenção. ♦Na parte da construção, o mesmo grupo conseguiu, antes da intervenção, 76 pontos e após a intervenção, 89,5 pontos. Treze pontos e meio a mais, após a intervenção. ♦Na parte da construção, o grupo experimental obteve, antes da intervenção, 45 pontos e após a intervenção, obteve 46,5 pontos. Um ponto e meio a mais, após a intervenção. ♦Na parte da representação, o grupo de controle conseguiu, antes da intervenção, 100,5 pontos e após a intervenção, 122 pontos. Vinte e um pontos e meio a mais, após a intervenção. ♦Na mesma parte, o grupo experimental obteve, antes da intervenção, 57,5 e após a intervenção, obteve 91,5 pontos. Trinta e quatro pontos a mais, após a intervenção. ♦No que se refere à prova homolateral, o grupo de controle somou, antes da intervenção, 104,5 e depois da mesma, 123,5. Dezenove pontos a mais, após a intervenção. ♦Relativamente à mesma prova, o grupo experimental conseguiu, antes da intervenção, 53,5 e depois da mesma, 56,5. Três pontos a mais, após a intervenção. ♦No que se refere à prova heterolateral, o grupo de controle obteve, antes da intervenção, 122 e depois da mesma, 143. Vinte e um pontos a mais, após a intervenção. Partes e Provas do Teste /Grupos Grupo de Controle (N=4) Antes da intervenção Grupo de Controle (N=4) Depois da intervenção Grupo Experimental (N=2) Antes da intervenção Grupo Experimental (N=2) Depois da intervenção Reconhecimento 50 55 29.5 29 Construção 76 89.5 45 46.5 Representação 100.5 122 57.5 91.5 Homolateral 104.5 123.5 53.5 56.5 Heterolateral 122 143 78.5 110.5 350 BATANERO, J.M.F.; ROGÃO, M.C. Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v.16, n.3, p.343-358, Set.-Dez., 2010. ♦Relativamente à mesma prova, o grupo experimental somou, antes da intervenção, 78,5 e depois da mesma, 110,5. Trinta e dois pontos a mais, após a intervenção. A tabela que se segue permite analisar a média dos resultados, expressa em pontos, obtida no teste experimental de representação espacial do corpo. Tabela 2 - Média dos Resultados Obtidos no Teste Experimental de Representação Espacial do Corpo (média expressa em pontos). Observando a média dos resultados obtidos, verifica-se novamente que excetuando os resultados da parte do reconhecimento em que o grupo experimental, após a intervenção, apresentou uma pontuação inferior em vinte e cinco centésimas, em todas as outras provas e partes a pontuação de ambos os grupos foi sempre superior após a intervenção. Pois consideremos o seguinte: ♦Na parte do reconhecimento, o grupo de controle obteve, antes da intervenção, a média de 12,5 e após a intervenção, obteve a média de 13,75. Um vírgula vinte e cinco pontos a mais, após a intervenção. ♦Na parte da construção, o mesmo grupo conseguiu, antes da intervenção, a média de 19 pontos e após a intervenção, a média de 22,375. Três vírgula trezentos e setenta e cinco pontos a mais, após a intervenção. ♦Na parte da construção, o grupo experimental obteve, antes da intervenção, a média de 22,5 e após a intervenção, obteve a média de 23,25. Setenta e cinco décimas a mais, após a intervenção. ♦Na parte da representação, o grupo de controle conseguiu, antes da intervenção, a média de 25,125 e após a intervenção, a média de 30,5. Cinco vírgula trezentos e setenta e cinco pontos a mais, após a intervenção. ♦Na mesma parte, o grupo experimental obteve, antes da intervenção, a média de 28,75 pontos e após a intervenção, obteve a média de 45,75. Dezessete pontos a mais, após a intervenção. ♦No que se refere à prova homolateral, o grupo de controle somou, antes da intervenção, a média de 26,125 e depois da mesma, a média foi de 30,875. Quatro vírgula setecentos e cinquenta pontos a mais. Partes e Provas do Teste /Grupos Grupo de Controle (N=4) Antes da intervenção Grupo de Controle (N=4) Depois da intervenção Grupo Experimental (N=2) Antes da intervenção Grupo Experimental (N=2) Depois da intervenção Reconhecimento 12,5 13,75 14,75 14,5 Construção 19 22,375 22,5 23,25 Representação 25,125 30,5 28,75 45,75 Homolateral 26,125 30,875 26,75 28,25 Heterolateral 30,5 35,75 39,25 55,25 351 Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v.16, n.3, p.343-358, Set.-Dez., 2010. A influência do método de musicoterapia de John Bean Relato de Pesquisa ♦Relativamente à mesma prova, o grupo experimental conseguiu, antes da intervenção, 26,75 e depois da mesma, 28,25. Um ponto e meio a mais, após a intervenção. ♦No que se refere à prova heterolateral, o grupo de controle obteve, antes da intervenção, 30,5 e depois da mesma, 35,75. Cinco vírgula vinte e cinco pontos a mais, após a intervenção. ♦Relativamente à mesma prova, o grupo experimental somou, antes da intervenção, 39,25 pontos e depois da mesma, 55,5 pontos. Seis pontos a mais, após a intervenção. Veja-se agora a diferença da média dos resultados obtidos no teste experimental de representação espacial do corpo, diferença esta expressa em pontos. Tabela 3 - Diferença da Média dos Resultados Obtidos no Teste Experimental de Representação Espacial do Corpo (diferença expressa em pontos). Analisando a diferença da média dos resultados obtidos pelo grupo experimental antes e depois da intervenção (segunda coluna), observamos que excetuando os resultados da parte do reconhecimento, em que o grupo em questão obteve -0,25, decorrente do resultado inferior obtido pelo grupo experimental após a intervenção; em todas as outras provas e partes, após a intervenção, o grupo experimental apresentou sempre uma diferença positiva. Poderíamos dizer que esta diferença foi mais significativa na parte da representação (17), em seguida na prova heterolateral (16), depois na prova homolateral (1,50) e finalmente na parte da construção (0,75). Analisando a diferença da média dos resultados obtidos entre o grupo de controle e o grupo experimental depois da intervenção (terceira coluna), observamos que excetuando os resultados da prova homolateral em que o grupo experimental obteve, após a intervenção, um resultado inferior ao grupo de controle (-2.625); em todas as outras provas e partes, após a intervenção, o grupo experimental apresentou sempre uma diferença positiva. Diferença esta que foi mais notável na prova heterolateral, em seguida na parte da representação, na parte da construção e finalmente na parte do reconhecimento. Partes e Provas do Teste /Grupos Grupo experimental antes e depois da intervenção Grupo de controle e grupo experimental depois da intervenção Reconhecimento Construção Representação Homolateral Heterolateral -0,25 0,75 17 1,50 16 0,75 0,875 15.25 -2.625 19.50 358 BATANERO, J.M.F.; ROGÃO, M.C. Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v.16, n.3, p.343-358, Set.-Dez., 2010. ♦Segundo todos os professores, são reconhecidos contributos, nomeadamente na área da: linguagem; lateralidade; discriminação e memória auditiva; motricidade; orientação espaçotemporal; comunicação de emoções; desenvolvimento de competências pessoais e de grupo, relacionais e cognitivas; melhoria da qualidade de vida; estimulação da curiosidade sensorial; alargamento das capacidades psicomotoras; desenvolvimento da capacidade de comunicação não verbal, da autoestima e da autoconfiança; desenvolvimento da capacidade de observação e de respeito pelas regras definidas; afirmação e reforço da personalidade; promoção e desenvolvimento da expressão, entre outros. As afirmações de todos os alunos, se bem que genéricas, vão ao encontro desta conclusão ao referirem que sentiram melhoras, após as sessões de musicoterapia. 5 IMPLICAÇÕES A conclusão final e a conclusão de âmbito mais geral deste estudo têm como implicação reconhecer que a musicoterapia pode assumir grande importância na ida ao encontro das necessidades sentidas por pessoas com paralisia cerebral. Poder-se-á olhar para a musicoterapia como uma terapia estimulante e agradável e que adquire no âmbito socioeducativo extrema importância por pretender desenvolver um meio musicoterapêutico a ser utilizado no tratamento/ intervenção da representação espacial do corpo de pessoas com paralisia cerebral. A sua utilização poderá implicar o melhoramento da qualidade de vida, não só destas pessoas, mas também dos pais, terapeutas, professores e outros que com elas sofrem as consequências de um comprometimento motor e de outras problemáticas que por vezes se encontram associadas a paralisa cerebral. REFERÊNCIAS AJURIAGUERRA, J. ; STUCKI, J. D. Developmental disorders of the body schem. North Holland: Publishing Co., 1972. GONZÁLEZ, J. N. Alteraciones del habla en la infancia. Madrid: Panamericana, 2003. HERCEBERG, P. La Parálisis Cerebral. Minusval, v151, p.13-15, 2005. PRIETO, A. Niños y niñas con parálisis cerebral. Madrid: Narcea S.A, 1999. RODRIGUES, D. A representação espacial do corpo em crianças com paralisia cerebral. Lisboa: Instituto Nacional de Investigação Científica, 1998. TORO, M. Fundamentos de musicoterapia. Madrid: Morata. 2000. WIGRAM, T. The art and science of music therapy. Singapore: Harwood Academic Publishers, 1995. Recebido em: 07/06/2010 Aprovado em: 04/11/2010