Oraçam funebre
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ORACAM ÍVNEBRE Que dijle O R. P. D. Rafael Blvteav Clérigo Regular Theatino da Diuina Prouidencia, no feu Con-» ucnco em o i.dia de Out ro deite anno de 1670. Nas exequias Do Excell mo S o r B a r à 6 deBatevill e Embai¬ xador extraordinário d' El-Rey de Caítella ao Princepe Noflb Senhor. Emprefença. DOS TRES ESTADOS DA CORTE, PR fi¬ lados^ Conuétuaesdas Rei ig ioés. OFFERECI D A Ao Excell m o S o r M a r q y ezdeMarialva, dos Confelhos d’Eftado,& Guerra,&c. t o R Pedro Lvpina feu Secretario, Beneficiado em Sacauem, Ad* miniftrador geral da Corte, Fortalezas da BarraíCafcaes, / P eniche, & Prouincia da Eftraroadura. EM LISBOA. Na Officina delo am da Costa." " M. DC~LXX Cm ted*s as Umç*i wiJfcri/Vi
.ilüí ' ■ ■ ' - - V-i. 0 / J . i \ ] S > ; Ai . • ■ ' . o;,;- .
A O £ X C E L L E N TIS SI M O SENHOR. D ANTONIOLVIS DE MENEZE S, marqvez dema ria lva, SEN HO R do Morgado de SaoSilueftre, das Villas de Gautanhede,Auellans, Aluaro,Attei, Mondim,Cerua, Medello, Heimcllo^Liomil, Pouôa Penella, Vailongo, Villar de Ferreiros,Bilhó,& Melres: Caual ro ProíeíTo da Ordem dè noíTo S o r Iêsvs Chrifto, Comendador dá Comenda de S a Maria de'Almonda da mefma Ordem: dos Confelhos dè Eftado,& Guerra do Princcpe noflfo S 0 1 : Veedorde fua Fazenda:Gouernador dás armas de Cafeaes^da-C orre, Prouincia daÈftrcmadura, ô^Gapicao General do. Exercico, &Proumcia de Alem-Tejq, HEGQV a meu poder a O rapam cjue o V, 2>om Ra fãel ‘Bluteau fes nasexeqmas do Exceüèntt fjim; Se¬ nhor Barao de Bateis Ur .digna-de maior ejiémafam pella eMellenàu do Orador^ \ ?j elo*
eloquência no difer , & elegancia no orar\ tf como he nafcida em Lijboa , por ventura que a emulaçam fe opufejfe, fe lhe faltafe o ampa¬ ro que V.E. lhe concede com feu excellentiffmo nome p ois nam he menor o perigo na boa,que na mâfama, como dijje Tácito: mas como V. E. he coflumado a fertilizar J ceptros , tambemofarà a plantas.Se nas exequias ome a ditta de terem oOrador.no fahir ao teatro vniuerfal a ora f ao, fendo Tortuguez.a, nam caminharia fegura.fe de V. E. namfojfe amparada ,• tf para a fama a conhecer, era confequencia infalliuel, que V. E. a deuiagraduar .pois de muitos amos a eftd parte nam defuia feu emprego das acçoens de de V.E. nemadmitte outro, com que de hoje em dtantepode voar figura, pçi s t em Excellentif fmo Senhor a VE.quelhecommunica alentos grandes. Trocuro que fe efiampe efle papel, porque ajfi como Tonugal amou o Baram em quanto vtuo, na fua aufencia teftemunhem os efeitos,dos affeãos doamor-, tff en do aorafáo digna de tanto Bar ao, tf o BaraÕ digno de tal Orador^ampque em efquecimento ejla Por tugueZA ucçam>qu,epara yV qualificar, Exctllen~, tijfmo Senhor, pede lhe déF. Excellencia nom fer,
fer comfua a ffifiencia. Na verdade digno de en< ueja na vida, çfna morte foi o B aram de Ba - teuille, navida, porfie mereceoo que confie guio morto, na morte por achar a Dom Rafael para recontar o que merecia vi ti o, que raras vezjes fiiccede auer verdade defpida da afieipam 5 £5* mais que tudo,tomar V. Excellencia por fita con: ta que 0 nome deV. Excellencia entregue d fa¬ ma 0 de fie grande Mini firo, para que fe eterniz>e, concedendolhe a morte a cafo a maior ven¬ tura : porque as felicidades nam fam grandes pelo ferem, mas pelas circmfiancias com que fuccedem. Nem he muitoJer V . Excellencia tnfirumento defias em ambas as Efpanhas, pois no mundo todo com vozes viuas fe continuam a V ,, Excellencia louuores pelo que merece, que de nouoferdm mais a finadas, quando a protecção de V.Excellencia canontfa as acçoens de fua patria, que como mais empenhadofoi 0 Atlante que as fufientou em todo 0 tempo ; & na verda¬ de fe nam fora a dureft com que trata os filhos, poderá em cambio de beneficws{fem que chegaffeaparecerltfònja)cbamar a V.Excellencia A- *nor, £ 5 * Delicias da Patria, como diffe Suetonio franquiliOi de Tifo Vefpafiano. Perdoeme P . Ex-
Excellencia fu/pender À p enna,que me bjftará por pena,nam di&er o que dez>ejaua em occafiaô tanto do credito defle Reyno, mas orefpeito que a VExcellencia deao, me herenerente obftaculo â minha obngaçam,fe namhe que me efpera me¬ lhor tempo, para que de V. Excellencia publique § que lhe he deuido. JDeos ISl. Senhor guarde a Excellentiflima pejfoa de V. Excellencia dila¬ tados amos como lhe peço, para que os que fal¬ tam entre,os mortaes achem o amparo de Fofa Excellencia que os mmortalife , & os Quentes para etemifar fuas acçoens, Lijboa 14. de Outisbro de 1670» E X Ç E L L I N T I SS m o $EN H 0 f c T>eV' Excellencia entre feus CapdUfr, O menor* & mais obrigado, Que beija as maos deV. Excellencia; j i ; *,-• ." ' H ■ JPed Ro Lv p i n a i !
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$h rfi r& ríS 1 A $*' : &&'^ ' ■ A. f$5 rf? ^ 4& $g$ ■ && **# &* *** *** i?&i *** .»* «& «» ■ *** -s**-*** Siccinefeparatamara monl i.R eg.15.3z O m as mefmas palauras, com que a-; quelle forafteiro de Períia refpondeo em Roma a huma pergunta , que lhe fez o EmperadorConftantino, mefeja hojelicito a mim eftrangeiro em Por¬ tugal dar principio a efta fúnebre Oraçao. Pergun¬ tou o Emperador Conftantino a Hormifda nobre Perfiano,qual de todos os prodígios , que Roma oftentaualhe parecia mais digno deeípanto.Era Ro¬ ma naquelle tempo Rainha do Mundo, & Arbitra do Vniuerfo, Tantos eraó os que de todas as partes concorriao a venerar amageftade da íua grandeza* que prodigiofamenteíe viaó vnidososcoraçoéspara o rendimento, dos que na diuerfidade daslingoas* & coílumes tinhao a caufa das fuas difcordias;Viafe tao fumptuofa nos Templos, que chegou a dizer hum Gemio mo morauao os Deoíes com maior magcOade no Ceo, do que habitauaò em Roma ; com a magnificência dos efpe&aculos parecia arraftrar as quatro partes do Mundo atadas ao carro dos feus triunfos ; as fuas fontes mais erao mananciaes de marauilhas quede agoas; os jardins peníxles primero íuípendiao o juizo do que agradaütm A aos
trazerem nas fuas ; nas Cortes andou fèmpre nas palmas dos Reysj nos excrcitos, nas dosíoldados, & nosgouuernosque teue, nas dos pouosjnem eu me admiro de que todos o trouxeíTem nas Palmas, quando elle trazia a todos no coraçao.;aos Reys pelia fidelidade com que os feruia, aos Toldados peila brandura com que os trataua, & aos pouos pelloamor com que os gouernaua-, o que me efpanta he, que trazendoo os (eus natqraes nas palmas, nao houue terra eftranha a que chegaíTe em que nao deTej af* (em todos de o por na cabeça. Aquellas virtudes Heroicas herdadas do iiluftre fangue dos Teus Auòs, & augmentadas cada dia com Tuas obras , auuelle íaber triunfar de leus emulos com a fuauidade da cle¬ mência, mais que com o rigor da vingança , aílLn lhe forao encadeando as venturas, que verdadeira¬ mente parecia buícaremno as dignidades mais para fe acreditarem afi, que parã o honrarem a elle , & fe o famofo Iafon bufeou apTofao douro por ma¬ res nunca dantes nauegados , veio o Xoíao douro de Caftella a bufear em Poítugal ao noffo iiluftre Barao , como fe efta honra , que para os maiores Princepes he gra ça, foífe para elle tributo. Finalmente foi Éllrella entendida pois moderando comopefodaconíideraçao ovoo dosmais altos pe¬ iam entosfeguio fem pre os di&ames da mais apurada política, nas teuoluçoens de Nápoles com D. 1oaò de Auílria,nas negociaçoens de Bordèos com o Piincepe
Princepe de Conde naProuincia de Guipufcoâ que gouernou com o titulo de Capitão General, nas coferencias de D. Luis deHato com o Cardeal Mazarino, nas Fronteiras de França, çom ElRey Chriflianiffimo para a conclufao da paz, & para a exe¬ cução do cafamento,& vltimamente na Embaixada de Inglaterra, aonde conílituio o feu Palacio ampa¬ ro dos Fieis, & azilo dos Catholicos, conhecendo que a Fé hea columnados Impérios, & a piedade o íuflento das Monarchias. Mas cedao rodas eílas prerogatiuas ao íbberano titulo de Eílrella Real, poisilluílrando com o feu talento, &conferuando com o feu zelo as pazes en¬ tre Portugal, &í Caílella , influio grandes profperidades a huma, ôc outra Coroa, á de Portugal aamir zade de Caílella , á de Caílella as correfpondencias de Portugal. Logo com muita razão poílo dizer que realçauaeíla Eílrella no maior auge do feuluzímento, pois prefidia à vniãò de duas das maiores Coroas do Mundo. Prouo agora que o Eclipíedcíle Aílrofoi confequenciada altura em quefe achaua ; não percamos de viíla a Eílrella dos Magos, pois íendo Reys tiuerão por ventura de a feguir. Grande queíláo ha entre osExpoíitores íobre de¬ finir o lugar em que fc puzeíTe a Eílrella depois de fe apartar de Bclem , porque como afirma Euthimio não tornarão os Magos para a fua patria guia¬ dos da Eílrella, fenão acompanhados de hú Anjo : B An-.
inSiluctr* partam vtdfiént, jlèlla iumúm tis fiitie s tw %,hb. pfiíjUctm miem xnâerunt^ Angdm . Logo em oue veia 37^171. a P^rar efte Aftro^ern qiU fe reíolueo efte Plane- »*»5$• ta • Afirma S.GregoíioTuronenfe, allegado no pri¬ meiro tomo das obras ce Barradas, que efta tâo glo* riofa Eftrella, logo que fe apartou do prefepio , íe foi fepultar em hum poço que eftaua em Belem : Gseg.Tfir, C teidit in qtitndam j?utm Betblebem : pois porque não tomut ^ colocar entre as Eftrellas do Firmamento? & í.19^ 391 porque não fêleuantou à Esfera do Sol, emula da Ml.i.n, 39 fia gloria, & competidora dos (eus lu2Ía;étos?Oh t não íe deuia por com a plebe das Eftrellas, quem fe tinha ja vifto fobre fobre a cabeça dos Monarchas 9 & não neceffitaua de mendigar luzesdo Sol, quem tinha ja eommunicado fu as luzes a tresSoes-, a ra¬ zão do repentino eclipfe de tão lufido Planeta, he efta; huma Eftrella que tinha influído na reconci¬ liação de tres Mageftades coma Diuindade huma¬ nada , não podia afpirar a maior altura , & affi foi obrigada a occultar feus refplandores, pois fe achauâ fem efperança de aumentar fias grandezas. Efta fem duuida foi a razão v pela qual o noífo ínclito Heroe não tornou para a Corte de Caftellá. grangear applauíos, & íbllicitar recompenfas, mas antes caminhou para o feu occafo, pois tendo preíidido com tão venturofo fucceífo ãs felicidades de áoustao oppoftos Impérios, Portugal, & Caftella* reconciliados deípois de *8. anflos de guerra, não.
podia alcançar grandeza maior, & afli eraconus-; aiente que acabaíTe a vida, ja que não podia acreíV centar mais a gloria: Sc efta he a primeira defculpa quedáamorte do feu falecimento, defculpa que íefunda na razão natural, pois he ley da natureza, que em chegando as couías aò maior auge do íèu augmento, íe precipitem logo nas fombras do íeu occcafo. II. PARTE. Siccine fcpam amara mors l E S ta fundada a ícgunda defculpa da morte na politica, pois lendo ley entre os políticos o dillimular para reinar: Regnarenefcit cjuinefcit difsi «• ? nuUre^ razão era que onoííoMctoe diílimulafle hu aggrauo para confeguir hum triunfo. O aggrauo fcf deixar a vida quando a deuia perpetuar, o triunfo foi ficar na lembrança , que a lembrança he o tri¬ unfo da morte , aííi como a morte hc o triunfo da vida ; viuia o illuftre Baram para os applaulos; mas viue agora para os fentimentos, Sc efta fegunda vi¬ da he íüperioráprimeira, porque muito mais hefer chorado, que fer applaudido , pois os applauíos ral vez podem feriiíonja,o que ja remia o OradorRomano,quando diííe que não queria louuar por não parecer que adulaua : Noloejje landatome videar aduUtor, õc fempre as lagrimas forão demoftradoras B ij de
Jfytrcv. inepftt. Ghf Ly àz hu fineerofentir,&dehufentimentrofincero,ds tnais do que as lagrimas (ao pérolas que não cem pre* Ço>& os encomios íao palauras que te formão do ar, & que no ar morrem>& fe o Sol fora capaz de razão muito mais eftlmàra osoraalhos da noice que pare* cé lagrimas derramadas na fua aufencia,do que a fuauearmoniadas.aues quefeftejão o feu nafciraentó* AprouaS. Geronimo na epill. z, a opinião de En» mo,q enfina reros íubditos fobreos Princepes efta ventajem, que nasdefgraçis podéos íubditos defafogar a fuaddrcomfausfaçao, & não podé os Prin¬ cepes demoftrar fem indecência o fea fen ti mento : lÀcet Ucbrimare plebifâgi bontfle noy\,li c er.Maseftatío grade perda podem jfentir os Rty.s fem,defdouro da Mageftade t pois ; vejo que Deos não difti aiula os fen' timentQsyquándofao íamentaueisos fuccceflasi J\f, $kmao Liranoqueos Serafios represétauão a cruz nas azas que eítendiao, mas reparai, que eftas azas afifo nbrauaò ao roftro diuino no mefmo tecnpo em que moftrauao a figura da cruz-, Dnabus ytdabant, p o r - que a Deos me fino nao fe podia represétar a fombra da morte do feu Filho (em algüa fombra detrifteza: Dudbus Velabdnt, & quando eu confidero que eftas armas do nofío Heroe faó azas,vejo hueffeito fcmeIhante a efte das azasdosSeraphins.Voauao os Sera¬ fins com duas azas ^ D u abus^oUbant^ com duasoutras encobrião o rofto a Deos, & dnabus Vclabant ; VoouoBaráodeBateuilie com duas azas para a ou¬ tra vida > voUbatfa com duas outras ficou na Cor-,
ArSF *5 Corte de Portugal, & de Caftella aíTombrando aos Reys,& encubrindocom oveo datiiftezaas Mageftades .d iiabus Velabdt, com duas azas moftrou q era vaífalo da morte,pois lhe obedeceo voando, duabus \olabat,&t com outras duas oílentaíe em certo modo foperior aos Reys,pois chega a lhes dar penas, & a lhes ©ceafionar fentimentos: & duabus "velabat . Ifto que he obrigar aos Reys a demoliraçoens de dor>tenho para mim hea maior gloria que poílaal¬ cançar hü homem nefta vida,pois Chrifto a quis lo¬ grar naíua morte, o que prouo breuemente com hu reparo de S.Cirillo leroíolimitanò Na doença de Ezequias retro cede o o Sol,& na Paixao de Chriílo, o Sol fe eíeureceo^ual deftes doiis portentos eftimais o maior,o tornar i traz^ou o er>lutarfe?direi\o tornar a traz do Sol foi querer eu irar a moleítia da dor qu£ lhe podiacaufara mortede Ezechias,maso enlura fe era dar moftras de íentiméco que lhe occafiònauá a morte de Chrifto , &affi mujtb maior fineza foi enlutaríeo Rey dos Planetas na morte do RedeptOi do fvludo,do que retroceder na doença de huhome, ouçamos a S.CinlioiPw/^r E^cbum Sol renerfus ejh, pfo^ter C hrtftü vero Sol obfc uratusejl^non teftocédèns fei deficies.Sã o os Reys os Soes dos ímperiòs ) & ' cíles SoeS na morte dos feusvaí 3 aIos,maísf<c!lmentè retrocede com indiíferençajdo que efcireçao co fendméco 5 2 c affi para os mab vaífalos íào o s Rey s, S o es f écr o gado s; mas para o Barão de Batteuill: fio os maiores PrlQír&- pes-da Europa,Soes enlutados; S ulvbfcuratwcfl no rthrécedes Scd dcjiciens ; S v j V ois S.CjfiK Htrcfil. C*thec. j.
*4 Pois fe os Soes ficao eclipíados, em que eítado ficarão as Eftrellas, & fe os Reys fe moftrão fetitidos, que fentimento não moftrarà a Nobreza ,& % ■ Fidalguia ? dobrado íentimento hão de ter osTidah gos, porque quando padçce o SoUdqbrafc o pade¬ cer das Eftrellas.; o prouo; Nas futuras exequias. da Mundo , diz Su M.attheus.que o Sol íe elçurecerã^ Sol obfcurabitur, immediaramente deípoisaffirma, que as Eftrellas fe deíençaixarão do firmamento, & cahitào delmaiadas em terra , StelU caclcnt de Calo:,, queconnexâo tem o cair das Eftrellas com o efcu-, íecer do Sol } o efcurecer do Sol cauía eccIípfçs,nãQ occaíiona defmaios, logo fe fe eícurcce o Sol, vejaofe as Eftrellaseclypíadasno Ceo, Sc naoíe mo* ftrem delmaiadas na terra ; ah Pvejo a razão, no eclipfe do feu Monarca tem as, .Eftrellas dobrado o íentimento, amortalhãpfe emiombras, & desfale¬ cem em accidentes; participao a.s efcuridades do e< clipfe, & entrão nas anfus do defmaio; StelU cadent de Calo. Sucçede hoje neftas fúnebres memórias o que ba de acontecer nas exequias do Mundo-, nasexequias do Mundo enlutarfeha o Sol, & cahirão as Eftrel¬ las por delmaiadas, conferuarà porem o Sol aMageftade do Trono entre as fombras do fentimento, mas o exceíTuio da dorfarã com que as Eftrellas cahiãoda fua esfera amortecidas.; tal prodígio vemos hoje nas exequias que celebramos ; os Soes de Por-
<í tugâlj & Caíleíla moftraofe quando muito íentidos íem que perdão o decoro da foberania , & as Eftrel* las de Portugal, & de Caftella tanco fedeixárao leuar dofentimento, que as vemos mais que temidas, proftradas diante daquelle Maufoleo , Stelu cadem de Ccelüy &: com razao, porque fe aos Reys faltou hu Miniílro leal, perdeoa nobreza hum leal amigo, Se neíle amigo humthefouro, que aos amigos dàoEfpiritu Santo o titulo de tbefouros, imenit ilíüM ^ inuenit thefaurum , logo fe he verdade que o coraçaò eftá aonde tem o feu thefouro, eílarào feriu duuida todos os coraçoens da Nobreza íepultados, pois eítá fepultado õfeu thefoyro;/ Mas nao fe limita efta dor çntre os confins da Lüíitania, eftendefe a todas as maiores Prouinciás , & Reinos dc Europa, a Borgonha em que tem a iüu* ftre, & antiga origem dos feus Aubs, a Italia aonde nafceo, a Akmanha que correo , a Flandes aónde militou, ao Piemonte aonde triunfou, a Inglaterra aonde refplandeçeo, & fobre todos a Caftelláa que íeruioj&a Portugal em que morreoj eílendefe fi' nalmenteefte fentimento a todas as Prouinciás,pe« netra todos os Eftados,communicafe a todas as Mo¬ narquias, que o occafo de hum Sol, nao merece menos que as lagrimas de hum mundo i & aíTi nao parece mal fundada cfta ícgunda defculpa damotte, pois era neceíTado que õ noífo Varao diíTimulaíle a femrazao, que lhe fazia a natureza em lhe nao
Senec. in lib.de bre16 fíao dilatara vida,paraconfeguir o triunfo, que lhe forma a noííalembran ça, & eterniza a noíTa dor. III. P ARTE. Siccine feparas amara mors ? C O m duas difculpastem fatísfeito a morte h duas perguntas, que lhe fizemos, a terceira, &: vítima que dara nefta terceira parte, fera fundada Ho moral, porque fe o moral obriga a todos à ob* feruançia das Icys, heley vniuerfal para poderofos igualmente que para humildes o morrer ; Statutum efl ommbus homimhusfemel mori. Por ondeaffirmou o Seneca com grande acerto*que a moitc emen* daua os erros da fortuna, poíque íe a fortuna defrguala os homens na varia forte, com qae nafcem , a morte os iguala a todos na igualdade com que morrem : Errores fortuna mors ineuitabdis reformat, Aquella famofa eftatua que fe reprefentouaNabucodonofor.,era hüaeftatua fabricada dafortuna,pois nella fe diuifauão claramente diftindos os vários eftadosdos homens, na cabeça de ouro os Reys, nos braços de prata os Ricos,nas entranhas de bro* ze os foldidos, & no barro dos pès ospouos, mas a juftiçada morte emendou as defigualdades da for¬ tuna, porque ao improuifo golpe de huma pedrafe desfez a ellatua, & com o barro fe confundirão o ouro, prata, & bronze ; não dc outra force vemos» fe reduzem ao mefmo fim osRcys, & osfubditos, os
*7 os Princepes, Sc os pouos, os grandes, Sc os peque¬ nos, náo ficando do ouro da Magcftade, da prata da Fidalguia, Sc da valentia do bronze mais que hu pequeno de pô,& humas poucas cinzas: Contrita Danhl i; funt pariter ferrum , tefla } as , argentHm > O* àurum , &* vedaóia funt in fauillam, Efta meíma verdade eníinárão os Antigos,quanNauiis donos Templos que fabricauáo à morte, nao conílituiáo Miniftros, nem Sacerdotes/abendo que el- / ^ c.ij. Ja a todos facrifica, Sc quefobre o fanguinolento pbrfidodos feus Altares todos faóvidfcimas, Sc hoíòcauftos. Efte poder que Deos communiçaà mor¬ rerão hefo para moftrar a igualdade dos homens, íènáo também para emendar o deprauado dosco-» ftumes,porque naò ha efcola maior para o defengano da nofla vaidade, que hum fepulchro,& náo ha deípertador da noíTa cegueira mais efficaz,que hum morto. Efcreue Leonardo no liuro dasleys, que Adão não acabou de fe entregar a huma verdadeira penitencia,fenão quando vio afeu filho Abel^^j^ ‘ defunto ; concebeo Adam húíànto horror daquelpoe»it< lefunefto efpedaculo, Sc ficou tao mudado, Sc táo arrependido, que conforme efereuem Methodio,& <*- u /efh. Iofèph, chorou continuamcntc pelo eípaçodecem ctC *f* ** annõs, ate que vio no mar de íuas lagrimas o naum t r aU* fragiodos íeus peccados. L*b*t*?i ' Notauel fentença he efta do Cardeal Sam Pedro Damiáo, os homens náo morrem para fim,morrem C para
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