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Arte em rede em tempos de IA

Leote, Rosangella; Hernández Acuaviva, Helena

Abstract

Após o surgimento da chamada inteligência artificial (IA) nos anos 50, a tecnologia da computação evoluiu de forma exponencial. O amplo uso da internet e das redes sociais desde o início do século XXI, e a crescente implementação de algoritmos no espaço virtual, tem afetado substancialmente a arte. A arte adotou a internet como mais um espaço de criação e a IA como ferramenta de produção artística. Aqui tratamos de como a arte se adapta ao espaço da rede global e como a estética e a linguagem são moldadas com processos criativos que envolvem tecnologias automatizadas e compartilhamos uma classificação de três tipos de arte que envolvem redes. Baseamo-nos em propostas artísticas e autores comprometidos com a reflexão e a crítica sobre o uso da internet, das redes sociais e da IA.

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411 Arte em rede em tempos de IA Web art in times of AI Rosangella Leote, UNESP 1187 Helena Hernández-Acuaviva, Universidad de Sevilla 2188 Resumo Após o surgimento da chamada inteligência artificial (IA) nos anos 50, a tecnologia da computação evoluiu de forma exponencial. O amplo uso da internet e das redes sociais desde o início do século XXI, e a crescente implementação de algoritmos no espaço virtual, tem afetado substancialmente a arte. A arte adotou a internet como mais um espaço de criação e a IA como ferramenta de produção artística. Aqui tratamos de como a arte se adapta ao espaço da rede global e como a estética e a linguagem são moldadas com processos criativos que envolvem tecnologias automatizadas e compartilhamos uma classificação de três tipos de arte que envolvem redes. Baseamo-nos em propostas artísticas e autores comprometidos com a reflexão e a crítica sobre o uso da internet, das redes sociais e da IA. Palavras-chaves Arte em rede; Criação artística; Inteligência artificial; internet; Redes sociais. Abstract Since the emergence of so-called artificial intelligence (AI) in the 1950s, computer technology has evolved exponentially. The widespread use of the internet and social networks since the beginning of the 21st century, and the increasing implementation of algorithms in virtual space, has substantially affected art. Art has adopted the internet as another creative space and AI as a tool for artistic production. Here we address how art adapts to the global network space and how aesthetics and language are moulded by creative processes involving automated technologies, and we share a classification of three types of art involving networks. We draw on artistic proposals and authors committed to reflection and criticism on the use of the internet, social networks and AI. Keywords Artistic creation; Artificial intelligence; internet; Social networks; Web art. Introdução Atualmente, vivemos em uma era de mudanças sociais e avanços tecnológicos que se desenvolvem e se desenrolam em nossa sociedade em um ritmo cada vez mais acelerado. A arte, sempre em sintonia com seu tempo, não foi deixada para trás por estes desenvolvimentos. 187 Livre-docente doutora, rosangellale[email protected] 188 Doutoranda, [email protected] 412 Nesse contexto, a arte mais recente foi totalmente afetada pelo crescimento incessante da Web e pelo uso exponencial de dispositivos digitais. As telas se multiplicaram. Essas inovações necessariamente modificaram os formatos de criação, representação, observação e interação das práticas artísticas, especialmente as de natureza digital. Da mesma forma, o uso generalizado da internet e das redes sociais, desde o início do século XXI, juntamente com a crescente implementação de algoritmos no espaço virtual, afetou substancialmente a arte e vice-versa. Rapidamente, os artistas adotaram a internet como espaço de criação e a IA como ferramenta de produção artística. Tudo isso é ampliado pela estrutura econômica capitalista em que vivemos, que nos leva a consumir e produzir em ritmo acelerado, afetando principalmente nossos ciclos vitais e sociais, a ponto de chegarmos à "dissincronia" (HAN, 2016, p.9), termo proposto como diagnóstico de nossa sociedade pelo filósofo sul-coreano Byung-Chul Han em seu livro O aroma do tempo. Um ensaio filosófico sobre a arte da demora189 , um ensaio sobre a crise temporal contemporânea em diálogo com Nietzsche e Heidegger, no qual assume que nada se conclui e o tempo escapa, sem rumo, efêmero e momentâneo. Concordando com ele, nos parece que as linguagens artísticas se transformam e se esvaem, configurando nosso senso estético, no qual a máquina tem papel de destaque, mesmo que não se esteja falando de arte. Entrar na criação artística hoje exige um grande esforço para entender, observar e ler imagens, pois a proliferação e homogeneização de processos de produção inteligentes desafiam nossas noções de arte. Estamos trazendo a classificação de tipos de arte na internet190: i) arte em rede ; ii) arte via rede ; e arte na rede . Consideramos que não é suficiente que um trabalho esteja na internet para ser considerado web art , assim como não é necessário a internet para que um trabalho seja feito em rede. Para a discussão apresentamos uma série de propostas em torno das práticas artísticas das novas mídias que vêm sendo desenvolvidas nas últimas décadas, trazemos referências de artistas desde o início do uso das redes telefônicas, da telemática via satélite, da internet e até a complexificação e ampliação dos recursos com a inteligência artificial. Usamos os seguintes 189 Título original: Duft der Zeit. Ein philosophischer Essay zur Kunst des Verweilens. 190 A classificação dos 3 tipos de arte envolvendo redes, aqui apresentada, foi criada por Rosangella Leote em 2010 e tem sido aplicada nas disciplinas de Mídias VI e VII, do curso de Bacharelado e Licenciatura em Artes Visuais, do Instituto de Artes da UNESP, Campus de São Paulo. 413 pensadores como base conceitual: em relação aos estudos e exemplos da arte em rede MARTÍN PRADA, J. (2015, 2018 e 2023), GREENE, R. (2006), HILDEBRAND e OLIVEIRA (2023) e NUNES, F. (2016); e, sobre arte com algoritmos, recorremos a LAURENTIZ, S. (2021). Diferenciamos arte em rede , arte na rede e arte via da rede para especificar o contexto de nossa abordagem, entendendo que não basta que uma obra esteja na internet para ser considerada arte em rede / web art / internet art , assim como não é necessária a internet para que uma obra seja feita em rede. Em suma, propomos refletir sobre os limites e as vantagens oferecidas pelo território digital em relação ao horizonte disponível para o artista e como a arte se adapta ao espaço global da rede conectada, também envolvendo IA, com linguagens e estéticas específicas do meio. Arte NA/VIA/EM rede A internet também propiciou novos circuitos de distribuição de arte, inclusive as digitais. Não há dúvidas de que, por meio dela, artistas conseguem atingir um grupo maior de pessoas de uma forma bastante autônoma. A interculturalidade permite também que novas formas de interpretação da arte surjam. As redes sociais, como Instagram e Facebook, acabam sendo uma porta de entrada bastante importante, especialmente para novos artistas ou aqueles que estão fora dos circuitos privilegiados de arte. Plataformas como o Patreon (2013), Ko-fi (2014) e o Buy Me a Coffee (2017)191 resgataram um aspecto de mecenato para os artistas, não apenas os de artes visuais, concedendo apoio para os artistas jovens e/ou não estabelecidos profissionalmente. Novos e poderosos espaços de comercialização estão presentes reunindo galerias e colocando a arte na mão do comprador como, por exemplo, as plataformas brasileiras: Blombo (2011) e SoulArt (2017) e as estrangeiras: Saatchiart (2006), Artsy (2009), Asia Art Archive e a Artnet, que existia desde 1989, mas ampliou o modelo de atuação na internet nos anos 2000192. Estes são modelos pelos quais obras de arte podem estar na rede. Ou seja, serem disponibilizadas, veiculadas, comercializadas, sem que sua natureza em si seja uma rede. São obras que trafegam na rede podendo inclusive ser NFT . A isto estamos chamando de Arte NA rede . 191 Patreon: https://www.patreon.com; Ko-fi: https://ko-fi.com; Buy Me a Coffee: https://www.buymeacoffee.com. 192 Blombo: https://blombo.com; Artsoul: https://artsoul.com.br; Saatchiart: https://www.saatchiart.com/mixed-media; Artsy: https://www.artsy.net; AAA: https://asianartplatform.com; Artnet: http://www.artnet.com. 414 Então há um tipo de obra que trafega NA rede, outro que é construído a partir de elementos colhidos dessa rede, ou seja VIA rede, e um terceiro tipo que caracterizaria a arte EM rede é aquele onde, independentemente do seu processo criativo, ela só se atualiza como uma rede. Arte NA rede Destacamos que a arte na internet é, desde seus primórdios, tecnicamente sofisticada e exige conhecimento de informática para poder desenvolver trabalhos, seja do artista, seja de alguém que assuma o papel de desenvolvedor ou publicador. Esse é o exemplo do trabalho de Olia Lialina, que gira em torno de plataformas interativas, do uso da rede como suporte, de mecanismos de videogame adaptados para suas histórias, como a obra Agatha Appears (Imagem 1). Esse projeto de arte conta uma história sobre dois personagens, Agatha e um homem, que se encontram à noite. Ao navegar pelos atributos do título do link e clicar em vários elementos das páginas da Web, o usuário é imerso na narrativa do trabalho. A narrativa mistura tudo, desde montagem de filmes, documentos HTML e princípios de design de cenários até estereótipos comuns da internet e críticas à própria internet. A peça imita o processo de teletransporte193 de um URL para outro entre Agatha e o espectador, entrando em uma jornada compartilhada pela vastidão do espaço da internet (RHIZOME, 2004).194 No entanto, embora tenhamos a sorte de ainda ter acesso ao trabalho de Olia Lialina, hoje, com a rápida evolução dos dispositivos de computação, vale a pena ressaltar que, desde o surgimento da internet, inúmeros trabalhos foram criados e muitos deles não têm mais as máquinas originais nas quais foram criados e reproduzidos ou o acesso virtual para visualizálos. Não é de surpreender que existam repositórios culturais que servem de lar para essas obras, tentando simular o que elas foram um dia. Um desses espaços seria o RHIZOME195, que está em funcionamento desde 1996 e preserva um grande número dessas obras. 193 No processo de criação da obra de arte, surgiu um novo servidor chamado http://www.teleportica.org, no qual são armazenados dados de pessoas reais que desejam ser teletransportadas. Agatha Appears também foi o ponto de partida para dois outros projetos: http://will.teleportica.org e http://art.teleportica.org. 194 Este trabalho ainda pode ser visto na URL original: https://www.c3.hu/collection/agatha/. 195 RHIZOME: https://rhizome.org/ 415 Imagem 1 – Agatha Appears . Fonte: Olia Lialina (1997). https://www.c3.hu/collection/agatha/ Internet e as redes sociais: ferramentas na criação artística Desde o surgimento da segunda era da internet, ou Web 2.0, em 2004, a comunicação on-line deixou de ser apenas a leitura de conteúdo e passou a ser participativa. Uma revolução total do século XXI, já que mudou a maneira como nos relacionamos com as pessoas e as máquinas. Com o surgimento de espaços de compartilhamento de imagens e vídeos com acesso inclusivo a outros usuários, o uso da internet aumentou imensamente. Nós nos tornamos tão dependentes de nossos dispositivos digitais que estamos sujeitos a compromissos sociais online, quase de forma integral. Por exemplo: podemos estar respondendo a um e-mail do nosso chefe ou parabenizando uma amiga da escola pelo casamento, do qual soubemos por meio de um story do Instagram e, segundos depois, podemos estar fazendo uma videochamada com um amigo na Espanha e outro no Canadá, ao mesmo tempo em que respondemos a uma mensagem urgente do WhatsApp do nosso colega de trabalho. Embora isso faça parte do nosso dia a dia e pareça familiar, é uma dinâmica muito exigente que nos obriga a responder com instantaneidade e adaptação ao interlocutor do outro lado da tela. Nas palavras do filósofo Byung-Chul Han, isso poderia ser resumido como: "o meio digital é um meio de presença. Sua temporalidade é o presente imediato" (HAN, 2014, p.33). Discutir redes evoca duas questões importantes: o conceito de rede social e o conceito de rede em si mesmo. Então o que é uma rede? Em matemática, através da Teoria das redes e dos grafos, se sabe que uma rede é considerada uma organização de dígrafos - pontos interconectados por lógicas 416 específicas - de diferentes complexidades. Essas especificidades caracterizam o tipo de rede. “A rede pode ser definida, matematicamente, como um subconjunto dos grafos (...) Tanto as redes quanto os grafos são modelos do tipo não centrado” (HILDEBRAND e OLIVEIRA, 2023, p 200). Podemos utilizar a metáfora da rede matemática para entender o modo pelo qual conexões entre indivíduos se formam e progridem ampliando e diversificando as relações intersociais. O ser humano é um ser social, foi através das redes sociais, construídas em função da necessidade de sobrevivência, que a linguagem e a cultura se criaram. Uma rede social independe de tecnologias, mas sempre usará as disponíveis, mesmo que elas sejam a sinalização por fumaça. Um exemplo simples é a forma como as religiões se organizaram durante séculos. Igualmente, tanto a preservação dos clãs, quanto a destruição dos mesmos se dava através de redes sociais. Porém, estar numa rede social não significa estar envolvido ou envolvida de forma contributiva para a maioria. A tecnologia digital cria uma escala diversa de conexão entre indivíduos, onde é pela troca de dados digitais que os enlaces sociais acontecem e, com eles, todas as transformações paulatinas e às vezes repentinas das sociedades. Desde que a internet passou a exercer um papel importante na construção de novas redes sociais, agora hibridizadas pelo espaço virtual, era natural que os artistas produzissem arte neste contexto. Mas a arte em rede não nasceu com a internet. Há inúmeros trabalhos com uso das redes telefônicas - incluindo FAX- (NUNES, 2022), das telemáticas via satélite e mesmo obras sem tecnologias computacionais, como o caso da arte postal (HILDEBRAND e OLIVEIRA, 2023). Olhamos para a arte na internet196 até sua complexificação e ampliação de recursos com a inteligência artificial. Importa dizer que esta é uma linguagem artística presente e revitalizada com tais recursos. A exposição A web art morreu mas passa bem 197, que faz parte da Wrong Biennale198, e é uma curadoria de Fabio Fon e Soraya Braz reforça esta percepção. Segundo eles, “a chamada foi 196 Para a história da arte na internet vale visitar o livro de Rachel Greene, Internet Art (2006). Rachel Greene é coordenadora editorial e diretora da Rhizome.org. E indicamos também a série de palestras micro palestras do artista e pesquisador Fábio Fon, intitulada Bem Web Art que discutem sobre obras de arte recentes, incluindo brasileiras, que se qualificam como arte em rede. No mesmo espaço está disponível sua produção bibliográfica e artística (individual e colaborativa com a artista Soraya Braz). Disponível em https://fabiofon.com/bemwebart/ - acesso em 01 de junho de 2024. 197 A exposição está em sua segunda edição, integrando a mesma bienal. Esta edição está disponível em https://thewrong.org/NetArtDiedButIsDoingWell. Acesso em 01 de novembro de 2023. 198 A bienal abarca arte multimídia em geral e acontece de novembro de 2023 a março de 2024. Disponível em https://thewrong.org. Acesso em 01 de novembro de 2023. 417 aberta especialmente a trabalhos recentes, criados a partir de 2021. Como resultado, temos uma das maiores exibições recentes dedicadas a arte para a Internet, reunindo mais de 50 trabalhos de diferentes países; mesmo sendo um recorte de uma produção bastante eclética” (TheWrong Biennale, 2023-2024). As peças expostas se utilizam de diversos recursos tecnológicos, desde HTML até inteligência artificial. Segundo Juan Martín Prada, a conectividade digital entre as pessoas abriu as portas para uma infinidade de expressões no campo artístico, criando um amplo imaginário amateur , especialmente centrado na autorrepresentação e nas formas de identidade na esfera das redes on-line (PRADA, 2015, p.160). O tema da necessidade ansiosa das pessoas por fazer parte da rede digital e de ter certo protagonismo dentro dela chamou a atenção de artistas. Destacamos uma performance online nas redes sociais que reflete sobre isso: Excellences & Perfectio ns (Imagem 2), de Amalia Ulman, um projeto de quatro meses criado em sua conta pessoal do Instagram em 2014, no qual ela criou uma narração fictícia de si mesma, reproduzindo os padrões de celebridades ou influencers nessa rede social. Imagem 2 – Excellences & Perfections Fonte: Amalia Ulman: Excellences & Perfections, RHIZOME webenact (2014) https://webenact.rhizome.org/excellences-and-perfections/ 418 Arte VIA rede Outra forma de expressão da necessidade de ser visto, ouvido e lido foi canalizada por meio de videoblogs ou canais pessoais de vídeo, como o YouTube ou o Twitch. Tais espaços são recorrentes na criação de práticas artísticas. Esse aspecto fomentou a obra Hello World! or: How I Learned to Stop Listening and Love the Noise (Imagem 3), de Christopher Baker, um artista profundamente envolvido com as redes sociais, tecnológicas e ideológicas que existem na sociedade. Essa obra é uma instalação composta de fragmentos de milhares de diários pessoais gravados em vídeo e publicados na internet por pessoas comuns. O projeto criado em 2008 medita sobre a complexa situação atual da mídia participativa e o desejo compulsivo de ser ouvido. Ele consistiu na seleção, feita pelo artista, de 5.000 vídeos, nos quais cada indivíduo se apresenta de um espaço privado (quarto, banheiro, cozinha…) para um público potencialmente global e desconhecido. A instalação explora, por um lado, a maneira como cada pessoa se representa e, por outro lado, a maneira como o público navega pela instalação, onde o espectador pode ouvir as declarações individualmente ou mergulhar na cacofonia geral. Imagem 3 – Hello World! or: How I Learned to Stop Listening and Love the Noise Fonte: Christopher Baker, The Box (2021) https://www.theboxplymouth.com/past-projects/makingit/christopher-baker-hello-world Esses espaços próprios, também são chamados de vlogs pessoais, que inundam a internet hoje já estavam começando a surgir a partir dos blogs199 criados na Web 1.0, onde as reflexões 199 Blog: abreviação de weblog, predomina texto mas pode conter imagens fixas e em movimento, incluindo vídeo. Vlog : abreviação de videoblog (vídeo + blog), uma espécie de diário em vídeo. 419 textuais podiam ser publicadas em espaços conectados que podiam ser lidos por outras pessoas. Com essa segunda era em relação à arte e à internet, iniciada com sua própria dinâmica de compartilhamento em plataformas sociais, como vimos nos exemplos anteriores, abriramse caminhos para novas poéticas de conectividade. Um momento histórico no qual acreditamos que as propostas artísticas estão assumindo o protagonismo em relação à internet como um campo temático obrigatório, ou seja, como um elemento que vincula as novas práticas sociais, produtivas e comunicativas da atualidade. É nesse contexto que, de acordo com Juan Martín Prada, pode-se dizer que o termo pós-internet adquire seu significado por completo, pois nos encontramos em "...uma fase em que a internet se tornou um elemento onipresente e central em nosso contexto de vida, e sem o qual novas formas de vida e produção não seriam concebíveis" (PRADA, 2017, p. 46). A IA como um recurso criativo O desenvolvimento e o crescente avanço da IA está repercutindo em todos os lugares e, claramente, vemos como isso tem ecoado na Arte. A implementação da IA pode ser vista em uma variedade de formatos artísticos: instalações, vídeos, imagens, performances e música. A cocriação com a máquina se intensifica de forma constante, o que se presta para “alavancar a criatividade artística” (FOGLIANO e LEOTE, 2023, p. 147). Há muitos artistas aos quais poderíamos recorrer para ilustrar os desvios da arte usando IA em sua criação artística. Poderíamos mencionar, por exemplo, a arte generativa que é feita por meio de algoritmos. O conceito de “Pensamento Conformado” (2021, p. 1 e p. 12), desenvolvido por Silvia Laurentiz, auxilia na compreensão da arte com algoritmos. No seu entender, este pensamento se refere ao modo como somos modificados pelas tecnologias computacionais impactando na linguagem, comportamento, criatividade, entre outros. E por reconhecer ou intuir esse pensamento conformado que o artista dá lugar ao pensamento incornformado , aquele que foge a norma do uso e dos efeitos destas tecnologias.