Um parque natural para Aveiro - Encontro entre o natural e o urbano ao longo do corredor linear da variante à EN.109.
Abstract
Dissertação de Mestrado Integrado em Arquitetura apresentada à Faculdade de Ciências e Tecnologia
Full text
UM PARQUE NATURAL PARA AVEIRO ENCONTRO ENTRE O NATURAL E O URBANO AO LONGO DO CORREDOR LINEAR DA VARIANTE À EN109
AGRADECIMENTOS Agradeço ao professor João Paulo Cardielos, pela confiança, paciência e pelos ensinamentos passados em longas discussões sobre temas de interesse desta dissertação. A minha mãe que me permitiu a oportunidade ímpar de estudar na Universidade de Coimbra. A minha família, que apesar da distância, da saudade, do fuso-horário e de todas adversidades estiveram sempre presentes. Aos meus amigos, pela companhia nas longas noites de trabalho, pelos conselhos, pelo apoio e pelos bons momentos passados nestes últimos anos. Aqueles que sempre abriram os braços, espero vê-los de novo, nesta ou na outra margem do Atlântico.
RESUMO A presente dissertação surge a partir dos desafios lançados nas disciplinas teórico-práticas de Atelier de Projecto II e Laboratório de Projecto, assentes nos objectivos de reinventar Aveiro através da transformação da Estrada Nacional 109. Este trabalho se lança na discussão sobre a origem dos problemas presentes na realidade desconexa, procurando compreender os factores que activamente contribuem para seu desenvolvimento destas relações dissonantes presentes na paisagem local, fortalecidas pela presença de infraestruturas de grande intensidade que delimitam o território entre duas realidades, Aveiro, a cidade consolidada ao entorno do assentamento secular à beira da Ria e sua periferia dispersa pelo território. Ao longo do desenvolvimento deste trabalho de grupo, as trocas de ideias e o empenho na busca de como entender esse território, o tema inicial foi sendo ampliado para abranger relações tais como: desenvolvimento sustentável, definição da paisagem, a conexão entre cidade difusa e consolidada, a proposição de percursos de mobilidade suave, entre outros temas. A abordagem individual inicia pela desqualificação da EN 109, transformando esse corredor de intensidade em uma via urbana com carácter social e pretendendo permear os temas ressaltados na pesquisa. Durante este processo, o protejo amplia suas intenções com a proposta de interacção entre comunidade e natureza, que desenvolve-se sob a temática de estabelecer o centro de comunicação entre a cidade consolidada e a cidade difusa. A proposta final de um Parque Urbano / Natural / Rural busca desenvolver um espaço em que a população se permita desfrutar de sensações, da contemplação da natureza, do desporto e do lazer. Para além dos elementos acima observados, o projecto possibilita a reflexão sobre a imagem reconhecível de Aveiro, pela proximidade entre os seus residentes como comunidade, mas como com a espaço social agora criado. Reconhecendo a união entre a cidade difusa e consolidada em uma realidade comum a todos residentes. Palavras-chave: Desenvolvimento sustentável, Paisagem, Território, Parque Natural e Urbanismo
ABSTRACT The present dissertation arises from the challenges launched in the theoretical-practical by Atelier de Projeto II and Laboratório de Projecto, based on the objectives of reinventing Aveiro through the transformation of the national road, EN 109. The work launched the discussion about the dissonant relations present in the local landscape, strengthened by the presence of intense infrastructures that fractures the territory forcing the confrontation between two realities, Aveiro, the city developed around the secular settlement on the edge of the Ría and its dispersed periphery by the territory. Throughout the development of the group work, the exchange of ideas and the commitment in the research for understanding the territory, contributed for a plurality of concepts to be introduced on the project, expanding the relations such as: sustainable development, the question of the landscape, the connection between diffuse city and consolidated, the proposal of smooth mobility routes, among other topics. The individual approach begins with the disqualification of the EN 109, transforming this corridor of intensity into an urban road with a social character, which intends to permeate the themes highlighted in the research. During the individual process, the project expands its intentions with the proposal of interaction between community and nature, which develops with the thematic of establishing a communication cent re between the city and the diffuse city. The final proposal of a Natural / Rural Urban Park seeks to develop a space that allows the population to enjoy sensations, contemplating nature and sports and leisure. In addition to the elements noted above, the project allows the space of connection between the two cities to provide a meeting place. The proposal finally seeks to develop a program to serve the peri-urban population of the city, endowing it with a unique character for the place, developed in order to generate social and cultural dynamics along the linear corridor with the purpose of reconnect the population with the nature spaces. Keywords: Sustainable Development, Landscape, Territory, Natural Park and Urbanism.
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1 INTRODUÇÃO A atividade de pesquisa do Mestrado Integrado em Arquitectura, oportunamente apresentada neste documento, desenvolve-se a partir do trabalho proposto na disciplina de Atelier de Projecto II, a qual aborda o objectivo de explorar o tema denominado “Território e Paisagem - Reinventar Aveiro: Visões urbanas de uma urbanidade complexa” . A região onde hoje se assenta Aveiro apresenta um território que evidencia, como reflexo direto de sua ocupação e da introdução de intensas infraestruturas de mobilidade, a exemplo da Linha de Caminhos-de-Ferro do Norte e da Estrada Nacional 109, o impacto negativo dos citados elementos, os quais afetam diretamente a vida dos residentes, tornando-se algo notório ao longo dos estudos sobre a história, a morfologia e a demografia locais. Demonstrando, assim, que coexistem ali duas distintas realidades urbanas; a primeira (e mais antiga) da cidade hoje consolidada de Aveiro e, também, a realidade da cidade difusa da periferia. De forma a enfrentar as adversidades impostas pelo seu contexto, de Atelier de Projecto II, a empreitada foi dividida entre diferentes grupos de forma a explorar alternativas de desenho urbano articulando os distintos centros populacionais assentados ao entorno da Estrada Nacional 109, pontuando uma análise temática no campo de palavras do desenvolvimento sustentável. Pretendendo, desse modo, compor alternativas que reorganizem o território através do desenvolvimento de propostas que vinculem a união entre os interesses da comunidade com a elementar preservação do atual contexto natural observado naquele espaço. Com essa intenção, o desenvolvimento do trabalho procura observar a morfologia urbana, transformando os corredores ribeirinhos, como também a EN 109, através da promoção de percursos de mobilidade suave, com a consequente desclassificação da estrada nacional. Percursos estes que passam agora a conectar novos espaços públicos e volumes de forma a aproximar as realidades ali presentes. O projecto individual tem como pretensão desenvolver o desenho concebido pelo grupo sobre um dos fragmentos do território analisado, assumindo características como a valorização da estrutura natural autóctone e a definição da imagem intermédia entre a densidade de Aveiro e a ruralidade de sua periferia. Deste modo, o desenho enfatiza a desclassificação da EN109 através da introdução de cobertura vegetal junto desta, o que ao longo do processo projectual assume a definição de um corredor linear paralelo à EN109 que, posteriormente, migra para o interior do terreno pelo desenho do parque, conformando a imagem da paisagem por meio da preservação da cobertura vegetal natural e rural presentes. Como metodologia de desenvolver estratégias frente ao desafio proposto pela atividade de pesquisa, o trabalho foi dividido em duas fases. A primeira fase diz respeito ao trabalho desenvolvido pela turma e pelo trabalho em grupo na disciplina de Atelier de Projecto II. Essa primeira fase teve como principio norteador o desenvolvimento e uma analise geral e o definição de estratégias de compreensão do território.
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3 A Primeira fase , centrada na análise das deficiências e potencialidades do território. A partir da observação do território a escala municipal para desenvolver estratégia de desclassificação da estrada nacional e o plano urbano de suporte a estratégias de comunicação entre a cidade difusa e consolidada, e ambas com o meio natural existente. A segunda fase, objecto deste documento, trata do projecto individual que consiste no desenvolvimento de uma secção do trabalho de grupo com o desenho do Parque Natural para a cidade de Aveiro. Situando Aveiro no centro das preocupações da atividade de pesquisa, a fase de compreensão do território foi realizada através de uma série de metodologias que permitissem uma compreensão refinada sobre o território de Aveiro incluindo desenvolvimento de pesquisa documental e bibliográfica, visitas de campo, levantamento fotográfico, analise de mapas e fotografias aéreas que pudessem compor a compreensão da realidade pesquisada. A partir dessa primeira fase de pesquisa observamos que foi possível compreender Aveiro como espaço de incidentes modificações associada a introdução de intensas infraestruturas de mobilidade, Linha de Caminhos-de-ferro do Norte e a Estrada Nacional 109, com impacto negativos sobre a ocupação do território que lesa o quotidiano dos residentes. Factores evidentes ao longo dos estudos sobre história, morfologia e demografia local, demonstra assim que existem duas realidades urbanas, a primeira e mais antiga da cidade consolidada de Aveiro e a cidade difusa da periferia. Com o desenrolar dessas observações e da avaliação do território, o ponto de partida para o trabalho em grupo foi o desenvolvimento de estratégias individuais de projeto na busca de desenvolver os objectivos inerentes ao grupo e individual, sobre o desenho do terreno individual na busca de soluções para a melhoria de qualidade de vida da população envolvente. Neste sentido, o trabalho de grupo serviu para construir a matriz para o desenvolvimento dos diferentes trabalhos individuais. Deste modo, o desenvolvimento individual procura refletir sobre a imagem da realidade urbana com a consciente necessidade de construir uma resposta sustentável segundo perspectiva de responder a eminente ameça imposta pelos impactos do aquecimento global, utilizando a morfologia urbana presente como instrumento de transformação sobre a EN 109 e a identidade local, com a promoção de moficações sobre estrutura agricola e natural, através da promoção de percursos de mobilidade suave, promoção de espaços sociais e a intensificação do cobertor vegetal. Deste modo, o desenho enfatiza a desclassificação da EN109 com a introdução de cobertura vegetal, que ao longo do processo projectual assume a definição de um corredor linear paralelo a EN109 e posteriormente migra para o interior do terreno pelo desenho de parque, formalizando a imagem da paisagem pela preservação da cobertura vegetal natural e rural presentes. Diante deste escopo, a atividade de projecto pretende criar novos espaços e equipamentos que preservem o meio natural e a biodiversidade através de uma proposta de Parque Natural como aproximação da população a natureza, compreendendo que o cuidado por essas áreas surge dessa aproximação e da definição da imagem da identidade local.
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5 Neste sentido, o debate sobre desenvolvimento sustentável se torna central neste documento consciente das alterações da biosfera que põem em risco comunidades e ecossistemas, dado a evidências apontadas nas últimas décadas acredito ser de extrema pertinência enfatizar as mais recentes informações sobre este tema como ilustrar perspectivas de combate a este eminente perigo. Pretende assim, compor alternativas que reorganizem o território através do desenvolvimento de propostas de união entre os interesses da comunidade com a preservação do contexto natural. Na primeira parte desse documento, intitulada Aveiro são desenvolvidas analises sobre o território objecto de analise apresentando o seu contexto histórico, de como se deu a ocupação do território, dados estatísticos e planos urbanos. Premissa, o tema do desenvolvimento sustentável é abordado pela leitura de relatórios, acordos internacionais e demais documentos que vão nortear a abordagem projectiva aqui presente que busca compreender como o desenvolvimento de propostas de reorganização de território interagem com essa problemática. Nesta parte do documento são tratados os temas as alterações climáticas e a sua relação com a ocupação do solo como orientação para uma atividade individual de projeto que atenta para a busca de soluções baseadas na natureza. Na terceira parte desse documento, Exemplos, são tratados dois casos de estudo selecionados através de duas dinâmicas de parques e ecossistemas de rios trazidos das cidades italianas de Milão e Florença. Nos casos de parques estudados, Parco Sud Milano, nos arredores da cidade de Milão e Parco Della Piana, nos arredores da cidade de Florença, são analisadas as alternativas de aproximação das comunidades com áreas de cobertura natural e de como essas alternativas puderam ser integradas para as soluções que são apresentadas nesse documento para a constituição de um Parque Natural para a cidade de Aveiro. A quarta parte do documento, intitulada Resposta se desenvolve a estrategia de projecto apresentando uma primeira delimitação atenta ao desenvolvimento do trabalho em grupo e identificação das estratégias de pesquisa, seguida da apresentação do Parque Natural e exposição de que alternativas de projeto individual foram utilizadas para o atendimento das necessidades identificadas.
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7 AVEIRO
8 80Km Portugal. Distrito de Aveiro. Município de Aveiro. 1. Aveiro em no contexto do território português.
9 CONTEXTO HISTÓRICO O município de Aveiro localiza-se na planície costeira da região centro de Portugal, possui um território pouco acidentado de altitude reduzida, resultado das interacções com o conjunto de bacias hidrográficas do Rio Vouga que desaguam na Ria de Aveiro, componente importante das atividades económicas e do processo de povoamento deste território. “Como cenário dessa ação temos o território do município de Aveiro, um espaço geograficamente multifacetado nas formas de povoamento e nos seus aspetos naturais, determinados pela presença de formações sedimentares diversas, de aspetos climáticos próprios e da cobertura vegetal e culturas variadas que acompanham o relevo e o solo de toda a área onde se inscreve.” (Arroteia, 2015,p.15). É incerto afirmar a idade da instalação dos primeiros povoamentos na região, o estudo arqueológico mostra que devido à acção das variações do nível do mar e das transgressões marinhas, com influência directa sobre a erosão e o traçado dos leitos dos principais cursos de água, grande parte destes testemunhos encontram-se perdidos. ”Pena é que de muitas delas não se tenha já qualquer referência. Se assim acontecesse, o seu conhecimento traria lume sobre as antigas condições de vida, povoamento e evolução da linha de costa marítima em tempos Neolíticos e anteriores...” (Arroteia, 2015,p.19). Considerando sua proximidade ao mar “sugere que esta povoação tenha sido visitada por navios fenícios, cartaginenses e romanos, que à época tinham acesso directo à foz do Vouga e aqui podiam realizar as suas transacções comerciais.” (Arroteia, 2015, p.19). A definição de Aveiro como núcleo citadino tem a sua origem no período romano durante o império de Marco Aurélio, já à época a cidade era atravessada pela estrada Olissipio-Bracara (LisboaBraga), uma das principais rotas comerciais da península Ibérica motivo que ascende a cidade como ponto importante nas trocas comerciais com o interior, onde o comércio e a pesca são as principais fontes de renda à época. A prosperidade local e a sua localização motivam sucessivos avanços e ocupações por suevos e visigodos, posteriormente sucedidas pelos mouros no século VIII. “... durante o período de Reconquista, entre os séculos VIII e XII.”(...)”verificou-se um período de interrupção do domínio e poderio cristão...”(...)”só alcançado depois da fixação da fronteira meridional e da conquista de Coimbra.”(Arroteia,2015,p.21). Por outro lado, no século XIII devido ao crescimento demográfico, vem a verificar-se uma intensa alteração do território. A carência de bens motiva uma transformação do território para a exploração de novas culturas, deste modo, são realizadas investidas ao território natural com o desenvolvimento do aproveitamento dos solos na área lacunar e desflorestação rumo ao interior, como forma de expandir os territórios para o cultivo de culturas agrícolas. A orografia local é favorável à cultura agrícola local uma vez que a relação entre a topografia do território, terrenos amplos e planos na proximidade da confluência do conjunto de rios da bacia do rio Vouga e seus afluentes, permite uma constante irrigação desse território, assim como a reposição de sedimentos
16 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 0 500100015002000250030003500 0-4 5-9 10-14 15-19 19-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49 50-54 55-59 60-64 65-69 70-74 75-79 80-84 85+ HM Gráfico A: Pirâmide Etária da População do Distrito de Aveiro, 2011. 300000 400000 500000 600000 700000 800000 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 Gráfico 2 : População Residente do Distrito de Aveiro entre 1911 e 2011. 70000 80000 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 76882 78095 Gráfico 3: População Residente do Distrito de Aveiro entre 2011e 2018. População Os gráficos seguintes 1,2 e 3 clarificam a população residente do distrito de Aveiro e as suas modificações ao longo do tempo. O gráfico 1 - Pirâmide Etária demonstra a variação da população Aveirense, segundo idade e sexo. De acordo com o gráfico, a maioria da população aveirense é do sexo masculino entre 25 e 54 anos, a que a população feminina apresenta similar concentração etária, apesar de possuir menor população total e em diferentes grupos etários com maior concentração da população entre 55 e 85+ anos. O gráfico 2 demonstra que a população aveirense testemunha a um consistente crescimento populacional entre os anos de 1911 e 2011. Ao longo deste século a população aveirense dobra a sua população, variando entre 336.243 (1911) e 714.200 (2011), o crescimento populacional é fomentado pelo crescimento econômico local, a migração de residentes de outros distritos e a instalação do polo universitário. Contudo, nos últimos 20 anos a população tem apresentado um crescimento diminuto. No gráfico 3, demonstra o crescimento da população residente do município de Aveiro, durante o período em destaque a população rescindiu entre 2011 e 2015. Acredita-se que deve-se a melhores condições de emprego das principais cidades do país e até mesmo do exterior. São Jacinto Vera Cruz Glória Cácia Esgueira Aradas São Bernardo Santa Joana Eixo Oliveirinha Nariz N.S.Fátima Requeixo Eirol Programa Os seguintes mapas ilustram a presença de algumas estruturas importantes para a compreensão sobre organização do território. As diferentes composições ajudam a compreender a diversidade dos programas ao longo da extensão territorial e a influência da cidade consolidada no contexto municipal. Neste contexto, observamos que a população residente habita moderadamente toda a extensão territorial do município e que a Cidade de Aveiro é o principal núcleo administrativo e econômico local, e onde se encontra densamente os principais núcleos de emprego e equipamentos de educação. 7. Gráfico 1 : Pirâmide Etária da População do Distrito de Aveiro. 8. Gráfico2 : População Residente do Distrito de Aveiro entre 1911 e 2011. 9. Gráfico 3: População Residente do Distrito de Aveiro entre 2011 e 2018. 10. Localização das Freguesias de Aveiro 11. Densidade Populacional no município de Aveiro. 12. Perfil Educacional da população de Aveiro. 13. Concentração de Comércio no município de Aveiro. 14. Concentração de Serviços no município de Aveiro.
17 DADOS ESTATÍSTICOS A partir dos dados do “Censos 2011” extenso conjunto de dados geográficos, demográficos e económicos do território português, é possível compreender a ocupação e uso do território desde o nível das freguesias ao municipal. Dentro de todo o território residem 78.463 habitantes, uma realidade que apresenta um pólo urbano influente nas dinâmicas quotidianas entre a zona urbana e os municípios próximos. Este perímetro urbano segue os limites acordados nos estudos elaborados pelo INEInstituto Nacional de Estatística e o PMMAPlano Municipal de Mobilidade de Aveiro, no qual definem o zoneamento do município de Aveiro, o perímetro urbano é definido ao entorno do centro histórico da cidade, com núcleo principal das freguesias de Glória e Vera Cruz, com adição das fracções de freguesias periféricas de Aradas, São Bernardo, Santa Joana e Esgueira, por representarem “subsecções estatísticas ou agregações da mesma...”. (Câmara Municipal de Aveiro, 2012) Dado todo o contexto de ocupação do território seria expectável que a população apresentasse grande representatividade dentro do perímetro urbano, principalmente nas freguesias de Glória e Vera Cruz, porém, apesar de possuir este núcleo citadino altamente densificado em comparação com os restante do território, as freguesias de Glória e Vera Cruz não apresentam valores tão significativos quando observa-se a totalidade do município, Imagem 10. As concentrações populacionais são moderadamente presentes ao longo de toda a extensão territorial, em que a maioria populacional aveirense habita principalmente as freguesias de Esgueira, Santa Joana, São Bernardo e Aradas, as quais constituem cerca de 45% da população residente do município. A cidade urbana que antigamente era o principal núcleo residencial do distrito tem sido modificada na composição com os processos da construção de infraestruturas, de investimento na indústria e no comércio que fomentou a ocupação do território periférico, enquanto o conglomerado urbano era substituído por comércio e serviços. “Em 2009, Aveiro, contribuía com 23% à 24% para o total de empresas do Baixo Vouga e 24% do número de pessoas ao serviço dessas empresas, posicionando o concelho na 1ª posição da sub-região” (Câmara Municipal de Aveiro,2012, p.14) dos quais, a cidade consolidada de Aveiro concentra cerca de 47% dos empregos da região e 24% dos residentes do município. Actualmente a distribuição residente por atividade económica é na sua grande maioria representada pelo sector terciário, das quais 63% das atividades económicas do município são realizadas pelo sector terciário, rivalizado por 35% do sector secundário e 2% do sector primário. A atividade agrícola é mais presente nas freguesias para o interior do continente como Oliveirinha e N. Sra. de Fátima. Ao longo do tempo, a população de Aveiro tem vindo a aumentar de forma constante, fomentado pela introdução da indústria e desenvolvimento do comércio e serviços que tem contribuído para a melhoria das condições de vida da própria população residente em Aveiro. No entanto, nos últimos 20 anos, o crescimento populacional está estagnado, inclusive apresentando
18 Vera Cruz - 35% Eirol - 70% Eirol - 4% Vera Cruz - 35% Vera Cruz - 0,9% Nariz - 5,6% Requeixo - 7% Vera Cruz - 16% Nível de Instrução Os mapas seguintes 5,6,7 e 8, ilustram o nível de instrução completa da população do município. A população apresenta maior representatividade no grau de escolaridade básico (40.375 residentes, cerca de 51% da população). As freguesias que apresentam maior concentração deste grupo estão em ambos extremos Este e Oeste do município( Oliveirinha,Eirol,Requeixo, N.S.Fátima, Nariz e São Jacinto). Algumas destas freguesias são também as com maior representatividade dentro dos grupos com nível de escolaridade nula (Oliveirinha, Eirol, Requeixo, Nariz e São Jacinto). Por sua vez, as freguesias do perímetro urbano da cidade de Aveiro contêm grande parte da população com nível de escolaridade e superior. As freguesias de Esgueira, Vera Cruz e Glória (núcleo urbano do município) abrigam cerca de 47% da população residente com secundário completo e cerca de 58% dos residentes com nível superior completo. Sectores de Produção Os mapas 2,3 e 4 ilustram a participação dos diferentes sectores na produção das respectivas freguesias. O município de Aveiro apresenta ao longo da sua extensão influente presença do sector terciário (comércio/serviços). Neste sector destaca-se as freguesias de Eixo, Vera Cruz e Glória. No caso da freguesia de Eixo, apresenta a maior representatividade deste sector dentro da sua freguesia, muito devido a escassez do sector primário e secundário nesta freguesia. Os sectores secundário (indústria)e primário (matériasprimas apresentam maior representatividade nas freguesias exteriores ao perímetro urbano. O sector secundário é mais influente, de moderada representatividade nas freguesias a Este e Cacia. Por sua vez, o sector primário tem bem diminuta participação dentro de todo território municipal. Apresenta maior importância nas freguesias do extremo Este e São Jacinto. Esgueira - 0,5% São Jacinto - 6% Eirol - 49,8% Eixo - 90% Eixo - 8,5% Eirol - 46% Conjunto de mapas representati vos do nível de instrução dos residentes do município de Aveiro. 15. Nível de Educação - Nulo. 16. Nível de Educação - Básico. 17. Nível de Educação - Secundário. 18. Nível de Educação - Superior. Conjunto de mapas representati vos da parti cipação da população de Aveiro nos sectores produti vos. 19. Sector Primário. 20. Sector Secundário. 21. Sector Terciário. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21.
19 diminuta redução populacional entre os anos de 2011 e 2015. É importante mencionar que Aveiro município, ao longo dos últimos anos, tem apresentado resultados pouco significantivos no nível de natalidade (nove nascimentos por cada 1000 hab), porém acredita-se que este índice de fraco crescimento da população residente é originado por melhores condições de vida em outros municípios do país, que resulta na menor fixação da população dentro do território aveirense, estes factores associados a uma população em envelhecimento resultam em um quadro de fraco crescimento populacional nos últimos anos. Segundo os dados do “Censos 2011”, a população de Aveiro com “65 ou mais anos” ultrapassou a faixa etária jovem “0–14” anos, a variação destes valores acentua o ritmo de envelhecimento da população. As maiores concentrações da população idosa ocorrem nas freguesias de Eirol (23% ), Oliveirinha (20%) e Requeixo (19%); ou seja, a população mais idosa apesar de apresentar maior população nas freguesias do perímetro urbano, apresenta maior representatividade nas comunidades periféricas. Relativamente ao nível de escolaridade da população aveirense (município), revela o grau de escolaridade da população residente (Censos, 2011), no qual a comunidade aveirense apresenta elevado índice de níveis de instrução básicos ou sem nenhum nível de instrução na sua população, das quais divergem as freguesias de Glória e Vera Cruz, com maior representatividade no ensino superior do município 30% Glória e 35% Vera Cruz, este último facto advém da proximidade ao Pólo Universitário de Aveiro, motivo que incentiva aos estudantes residirem dentro destes limites. As restantes freguesias apresentam graus inferiores de escolaridade, das quais as freguesias de Nossa Senhora, Requeixo, Nariz e São Jacinto apresentam os mais baixos índices de escolaridade, cerca de 1⁄5 da população não possui qualquer grau de escolaridade e 3⁄5 dos cidadãos tem nível de escolaridade básica. Tais dados podem estar associados ao abandono escolar precoce, a predominância da população idosa em e a representatividade do sector primário nas freguesias mencionadas. Para compreender o território em estudo, é também necessário perceber a relação desta cidade com o sistema viário local, na sua relação de proximidade com as localidades vizinhas e com o contexto nacional. Vale ressaltar que a ocupação portuguesa do território, possui historicamente uma intensa relação com o mar e portanto grande parte da sua população reside ao litoral e proximidades, esta relação é ainda mais evidente pela marcação dos principais eixos de deslocação no território nacional que interligam estes diferentes centros populosos de Norte a Sul. Dado a sua localização geográfica, entre as cidades de Coimbra-Porto e nas imediações do percurso Lisboa-Porto, Aveiro pertence a uma realidade irrigada pelas autoestradas A1 (LisboaPorto), A17 (Leiria – Aveiro) e A25 (AveiroSalamanca, Espanha) principais elementos de conexão entre Aveiro e o contexto nacional, estes percursos nas proximidades de Aveiro comunicam com a rede complementar das estradas nacionais que depois contactam com a vias urbanas aveirenses; EN 109 (Leiria-Espinho), EN 230 (Agueda-Aveiro), EN235 (Penacova-Aveiro), EN 335 (segmento da irradiação da EN 235). Além das linhas de caminho-de-ferro do Norte e do Vouga.
20 São Bernardo - 12% São Jacinto - 50% São Jacinto - 32% São Bernardo - 72% São Jacinto - 5% N. S. Fátima - 22% Mobilidade Em relação a mobilidade no município, podemos observar nas imagens 14 e 15 que as freguesias que apresentam maior trânsito interno são as freguesias de São Jacinto (79%) e Glória (64%), aspecto que demonstra a autonomia deste limites, ou seja os seus residentes não prescindiam deslocar para além dos seus limites durante o percurso casa-trabalho, casa-escola e comércio. No entanto, as freguesias a Este como Santa Joana (30%) e São Bernardo (34%), ou mesmo as freguesias mais para o interior como Eirol(39%) e Nariz(36%) do trânsito ao interior da freguesia. Como mencionado em análises anteriores, a maioria dos residentes encontram-se dispersos ao longo do território, mas existe uma grande concentração de programas e serviços no interior das freguesias de Glória, Vera Cruz e Esgueira que cativa o deslocação diária dos residente das demais freguesias. Em relação a Sub-Região de Aveiro, o município de Aveiro os principais deslocamentos são principalmente para o município de Ílhavo (26,9%) a Sul, dentro da região ainda destacam-se Albergaria-avelha (8,7%) e Estrarreja (7,2%) com valores bem inferiores ao primeiro, relativamente ao restante do território nacional os dois principais municípios para que o município cativa ou gera deslocamentos são os municípios de Coimbra (1) (3,2%) e Porto (2) (3,4%). (A) - Aveiro Mobilidade Modo Para melhor compreensão do território é também importante compreender como os residentes deste município se deslocam ao longo da sua extensão nos movimentos pendulares. Como evidente nas imagens o principal meio de deslocamento são automóveis motorizados, dentro desta realidade os residentes de freguesias que menos usam estes meios de transporte são os residentes de São Jacinto (32%), Vera Cruz (54%) e Glória (49%). Coincidem também com os maiores índices de deslocamento a pé e menores usos de transporte público. Enquanto os residentes das freguesias a Este da Estrada Nacional 109 apresentam os maiores valores de uso de automóveis, em destaque São Bernardo (72%) e deslocamentos em transporte público N.S.Fátima (22%).Estes valores podem estar associados com a concentração de programas e serviços dentro do perímetro urbano e o baixo investimento em estruturas e continuidades de meios leves e no transporte público. 22. Movimentos inter-concelhios. 23. Movimentos extra-concelhios. 24. Área de Influência nos movimentos pendulares a outros municípios. Modo do uso de mobilidades nos movimentos pendulares. 25. Deslocamento Pedonal. 26. Deslocamento Automóvel. 27. Deslocamento Transporte público. 1 2 A 22. 23. 24. 25. 26. 27.
21 Estes elementos contribuem para o rápido deslocamento do longo do território português, faz assim com que Aveiro, seja uma cidade com grande afluência de movimentos pendulares de trabalhadores, estudantes e turistas oriundas de outras partes do país. Característica que enfatiza a importância de Aveiro no contexto regional e local, presente de uma realidade de pólos importantes de movimentos pendulares de atracção, sendo Porto, Coimbra e Águeda presentes no quotidiano aveirense. A nível local, o concelho de Ílhavo gera aproximados 7000 (deslocações-dia) até Aveiro, das quais as viagens geradas são bastante inferiores a aquelas atraídas por Aveiro. Relativamente aos movimentos pendulares intra concelhos, os movimentos internos as freguesias são de 46% dos movimentos, dos quais as freguesias de Esgueira, Glória e Vera Cruz “são as que apresentam maior volume – naturalmente decorrente de uma maior população – mas não obrigatoriamente um maior grau de autonomia.” (Câmara Municipal de Aveiro, 2012, p.92). A autonomia destes concelhos mencionados, ou seja, concentração de emprego, e equipamentos públicos nas freguesias dos residentes, em parte é factor activo a circulação interna à freguesia, com destaque para a freguesia de S. Jacinto que apresenta 80% dos movimentos pendulares interiores ao seu território. Em contraponto, os concelhos de Santa Joana, Esgueira, Aradas e Vera Cruz; apresentam altos valores de movimentos pendulares exteriores à freguesia, este fenómeno atesta a importância da cidade consolidada de Aveiro, em relação ao território dos quais os habitantes dos concelhos periféricos transitam diariamente à cidade consolidada. A EN109 se faz elemento influente no quotidiano da população da região de Aveiro, este elemento é um dos principais conectores do tráfego local, influenciando a identidade do território e a multiplicidade de interacções que estabelece entre as infraestruturas principais e a comunidade. É, assim, a principal estrutura utilizada pela população residente, especialmente no percurso quotidiano (casa-emprego e casa-escola), entre as comunidades adjacentes e Aveiro. Dentro desta realidade, é importante notar que os deslocamentos são na sua maioria realizados por automóveis tanto nos movimentos extra-concelhios como inter-concelhios, porém, nos movimentos inter-concelhios as freguesias que apresentam maior frequência de deslocamentos também são responsáveis pelas maiores percentagens de deslocamentos a pé, estes factos possuem origem em múltiplos factores oriundos da ocupação do território, dado a maiores investimentos na infraestrutura dos percursos de mobilidade suave no centro histórico e entorno, a difusa e desordenada da periferia, a ocupação com maior concentração de residentes nas freguesias “periféricas” que quando se deslocam ao centro utilizam este modo, a ausência de estruturas e percursos que facilitem a deslocação pedonal e de mobilidades suaves nos localidades periféricas resultam em menor incidência de transporte a pé e ciclável desde as suas residências até o centro. Factor ainda agravado pela ruptura entre a malha urbana de Aveiro e as freguesias adjacentes, afiliado a grande concentração de atividades nas freguesias de Glória e Vera cruz, razão pela qual os cidadãos dos município são diariamente confrontados com o uso de mobilidades pesadas de longas distâncias. O estudo dos dados estatísticos é importante na compreensão da comunidade residente, de forma a estabelecer uma análise crítica e criteriosa sobre o território com o intuito de compreender as diferentes interacções quotidianas entre os cidadãos e o meio. Assim, este processo auxilia que a condução do projecto seja constantemente interpolada pelas evidências descobertos neste estudos, de modo a construir um desenho consciente do território para a comunidade que lá habita.
22 Fig. 18 - Rede Viária Urbana Proposta Fonte: AUZELLE, Roberi-Plano Director da Cidade, Aveiro, Câmara Municipal de Aveiro 1964, pl.65 28. Plano Director Cidade de Aveiro (1964). 29. Programa Polis (2004).
23 PLANOS URBANOS Em meados do século XIX com o desenvolvimento da linha de caminhos de ferro, a cidade de Aveiro presencia período de crescimento económico que atraiu movimentos migratórios de diferentes locais do país, além do processo de êxodo rural, que dado as melhores condições de saúde, educação e emprego nas cidades da costa litorânea portuguesa, atraem os habitantes de comunidades do interior do país. Já no século seguinte, durante o estado novo, são elaborados os primeiros planos urbanos da cidade, tendo como finalidade definir ordenamento territorial desta cidade em grande expansão . Observa-se que as intervenções de 1926 e 1945, respectivamente não fazem parte de um plano propriamente dito. Apesar de já inserida no Plano Geral de Urbanização realizado em 1934, a cidade de Aveiro terá a primeira versão de um plano de cidade apenas ao final da década de 40 daquele século, incluída em um suporte legislativo diferente. Nos projectos do Ante-plano de Urbanização (1945-1960) e Plano Director da Cidade (1964) as estratégias são orientadas segundo a centralidade da cidade consolidada de Aveiro, com destaque do arranjo da zona histórica e zona portuária, e o contacto com a Ria. O Plano Director da Cidade de Aveiro assume “tendências funcionalistas, influenciada pela Carta de Atenas e pela Teoria dos Lugares Centrais” (Ferreira, 2003, p.87), nos planos de 1964 é possível já observar o traçado da Estrada Nacional 109 bem como a ligação próxima a barra, que liga o eixo central da cidade a actual A25. Contudo não são executados na sua totalidade. No plano, o projecto urbanístico defende um esquema rodoviário que possibilite as ligações da cidade nas várias direcções norte e sul, este/oeste, de modo a que obter o isolamento completo do contexto urbano nas ligações de mobilidade mais rápida, Lisboa e Porto. A cidade à época pouco se estendia para além das linha de caminho de ferro, ao que a esta época é evidente o contraste entre uma realidade urbana da cidade consolidada de Aveiro frente aos extensos campos agrícolas exteriores à linha de caminho de ferros. Já naquela altura a plantação de árvores e a criação de cortinas de verduras está presente no Plano Director , para a protecção contra ventos dominantes, que remonta na posterior ampliação do Parque D. Pedro V. A cortina de verdura tinha a função de formalizar o limite da estrutura urbana do contexto rural. Ainda se seguem ao Plano Director da Cidade (1964), alguns projectos a sul do centro histórico, de definição da construção da universidade, Plano Geral da Universidade de Aveiro (1979), de centros populosos, Plano Integrado de Aveiro (1979) e ainda o Programa Polis (2004), os dois primeiros definem a expansão do território urbano para sul do centro histórico, com a construção do bairro de Santiago e o Pólo Universitário.
24 30. Rede Ecológica Nacional (verde) e Rede Agrícola Nacional (Laranja). 31. Planta de Condicionantes PDM. 32. Planta de Ordenamento do PDM de Aveiro.
25 O Programa Polis, por sua vez actua no contacto entre a cidade de Aveiro e o contacto com a cultura lacunar, propõe o programa estrutura do na protecção da relação histórica deste meio e a sua biodiversidade, ainda para o interior do território no terreno “vazio” entre a linha de caminhosde-ferro e a E.N.109 é proposto o zoneamento do Parque Urbano. Este terreno é o mesmo ao que esta dissertação trabalha, no Programa Polis é ainda proposto ao terreno a construção de habitação em paralelo à EN109, contudo este projecto não veio a ser realizado e por isso pouco se sabe sobre a imagem desta proposta. O território em estudo é objecto de análise ainda de diferentes planos de ordenamento do território efectuados ao longo de anos, que procuram estruturar o crescimento urbano e definição do território. A partir da observação dos desenhos destes planos e ainda com o auxílio de imagens aéreas, podemos compreender o processo de formação da estrutura urbana e sua morfologia. Esta análise ainda é complementada com os dados estatísticos sobre a demografia, que ajuda a reiterar informações sobre as modificações do território através do testemunho da realidade da população residente. Já na Planta de Ordenamento (PDM), apesar da baixa qualidade da imagem, é compreensível que o território possui uma realidade urbana coesa à norte da estrada nacional 109, que a sul é fragmentada pelas infraestruturas de ferro e rodoviárias, como mencionado anteriormente fundamentadas no processo de ocupação do território. Assim, quando o processo de ocupação aconteceu, a população migratória ocupou estes terrenos, razão que produziu um desenho ramificado, originado pela segmentação dos lotes agrícolas, ao longo das vias as comunidades pontuaram os percursos com edificado em sua maioria de pequena dimensão e cariz uni-familiar. Com respeito ao uso do solo, apresenta o território dividido em três categorias principais: solo urbanizado, rural e estruturas ecológicas (imagem 30). Solo urbano, representa o conjunto edificado do município consoante a sua atividade, no qual é visível a concentração de equipamentos, habitação e de utilização mista ao entorno do centro histórico. Ao que, a sul da EN 109, parte uma realidade periférica em que a concentração é maioritariamente habitacional, pontuada por equipamentos e estruturas ecológicas, que quanto mais para o interior do município apresenta maior presença da estrutura ecológica. A isto deve-se as pressões citadinas de expansão do território urbano e agrícola. Nesta mesma imagem, é presente o desenho de conexão entre a cidade de Aveiro e Águeda que cruza o território a perpendicular da estrada EN109 ao interior da cidade,como veremos mais adiante esta opção é mantida segundo a proposta de grupo. Paralela à EN109 são propostas, a sul desta via, conexões viárias entre as freguesias de Aradas, São Bernardo e Santa Joana. Ao interior da cidade delimita-se a área de actuação do plano de urbanização da cidade, ao qual o programa polis propõe a requalificação da suas frentes de água e o investimento em infra-estruturas e espaços públicos, deste modo, propõe a criação de espaços públicos de forma a intensificar a relação entre a comunidade e a paisagem.
32 35. Objetivos do Milênio (ODM). 35. 36. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
33 Estas perspectivas se mantiveram em discussão ao longo dos séculos, contudo com o avanço da revolução industrial, acompanhado pelo desenvolvimento da produção agrícola e pecuária, razão que durante os séculos acompanhados por prosperidade económica e melhores condições de vida, temas desta classe não ressoavam com tanta importância. Em 1972, um grupo de investigadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology) simulou a esgotamento de recursos não renováveis e aumento do preços segundo os ritmos de crescimento populacional da época, a que os modelos apontavam para o colapso devido ao esgotamento dos recursos e neste período não existiam esforços significativos no combate da poluição e da preservação destes recursos. (Paul,2008) Neste mesmo ano, em Estocolmo ocorre a primeira Conferência das Nações Unidas convocada para discutir temas dedicados à resolução de questões ambientais, resultando com a criação da UNEP-United Nations Environmental Programme e a adopção de acordos internacionais com atenção para a poluição dos oceanos e para a preservação de espécies marítimas em risco de extinção. Desde o início dos debates dobre desenvolvimento sustentável existe o receio que a introdução de políticas e alternativas sustentáveis representem danos para a estabilidade económica dos países, uma vez que estes acordos apresentam limites ao uso de recursos e práticas produtivas, e que países principalmente em desenvolvimento não possuem flexibilidade económica para acompanhar as exigências e actualizar o sistema de produtivo de forma a respeitar as metas estabelecidas. Em 1983, a assembleia geral da Nações Unidas cria a “World Commisson on Environment and Development, uma comissão que anos mais tarde produziria o relatório “Our common Future”, documento que reflecte sobre as conquistas do acordo de Estocolmo e a definição de desenvolvimento sustentável. “Chegamos a um ponto na História em que devemos moldar nossas ações em todo o mundo, com maior atenção para as consequências ambientais . Através da ignorância ou da indiferença podemos causar danos maciços e irreversíveis ao meio ambiente, do qual nossa vida e bem estar dependem. Por outro lado, através do maior conhecimento e de ações mais sábias , podemos conquistar uma vida melhor para nós e para a posteridade, com um meio ambiente em sintonia com as necessidades e esperanças humanas”. (United Nations, 1972) A conferência seguinte, ECO-92 realizada na cidade do Rio de Janeiro, evento com grande participação activa da comunidade internacional, foi espaço do debate sobre a necessidade de colaboração entre economias desenvolvidas e em desenvolvimento que culminaram na “Rio declaration”, Agenda 21 e “Comission on Sustainable Development”, conjunto de documentos de incentivo às práticas de desenvolvimento sustentável mais compreensivo com as diferenças económicas díspares, contextos e realidades sócio-económicas, visando reduzir injustiças sociais e conjugar conceitos como qualidade de vida, uso eficiente dos recursos naturais e crescimento económico sustentável.
34 37. Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. 38. Fotografia:“Líderes mundiais aprovam o Acordo de Paris “ , Conferência das Partes - COP 21, em Paris,2015.
35 Em 1997, ocorre a conferência de Quioto sobre o aquecimento global, os países desenvolvidos acordaram em reduzir emissões de gases de efeito estufa em níveis inferiores aos constatados em 1990. No entanto, devido a discordâncias na forma de implementação das medidas, alguns países não homologaram as propostas, resultando que diferentes países membros não atingissem as metas estabelecidas. Em 2000, na Cimeira do Milénio realizada em Nova Iorque os líderes internacionais estabeleceram a composição de objectivos a comunidade internacional a serem cumpridos até o ano de 2015 nos quais expressam necessidade sobre o princípio de equilíbrio entre economia, direitos sociais e meio ambiente. UNDP - United Nations Development Programme estabeleceu os Objectivos do Desenvolvimento do Milénio - ODM, composto inicialmente de 8 eixos temáticos, cujas metas deveriam ser atingidas até 2015. Passados dois anos, é realizado o “The World Summit on Sustainable Development (WSSD) em Joanesburgo ( 2002), evento que aborda o cumprimento dos objectivos estabelecidos em Nova Iorque e a introdução de novas intenções como o acesso saneamento básico, redução de efeitos prejudicial de produtos químicos e a inibição da perda de biodiversidade. Após 20 anos da celebrada conferência ECO-92, a Conferência Internacional da ONU retorna ao Rio de Janeiro, nesta conferência é reforçado a necessidade da transição para uma economia internacional com menores impactos no meio ambiente, o desenvolvimento sustentável no contexto da erradicação da pobreza e a importância do uso de energias renováveis. Os estados membros acordam nos novos propósitos, Objectivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que vem a substituir os Objectivos do Milénio. Em 2015, é realizado a COP-21 em Paris, Conferência das Nações Unidas sobre as alterações climáticas do globo, nesta conferência, a pedido da ONU, a principal comunidade científica elaborou extenso relatório sobre as modificações do “Aquecimento Global”, em que aponta graves impactos para economias e ecossistemas a escala global. Nesta conferência os estados membros reconhecem a existência das alterações climáticas e assinam o celebrado Acordo de Paris, que estabelece a redução das emissões de gases de efeito estufa e enfrentamento dos impactos das alterações climáticas.
36 39. Dados IPCC sobre o ritmo de emissão de gases de efeito estufa.
37 ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS “No despertar do terceiro milênio, a humanidade acorda, distende os membros e esfrega os olhos. Restos de algum pesadelo horrível ainda atravessam sua mente. “Havia algo como arame farpado, e nuvens enormes em forma de cogumelo. Ah, bem, foi apenas um sonho ruim.” A humanidade vai até o banheiro, lava o rosto, examina as rugas diante do espelho, prepara uma xícara (chávena) de café e abre o jornal. “O que será que nos espera hoje?” (Harari, 2016, p.8). A história da humanidade reconta ao longo de séculos diferentes episódios do confronto entre o homem e a natureza, nos quais epidemias, fomes, secas e guerras são temas constantes destas fábulas. Eventos estes, como a peste negra no período medieval que dizimou entre 75 e 200 milhões na Euroásia, as longas secas e pragas que de forma recorrente rompiam as civilizações agrícolas como a egípcia e a mesopotâmica, que durante períodos de longas secas perdiam entre 5% a 10% da sua população, ou até mesmo mais recente na primeira guerra mundial com a gripe espanhola com cerca de 50 milhões entre 1918 e 1920. (Harari, 2016) A partir da revolução industrial, graças ao rápido crescimento económico promovido pela evolução tecnológica e produtiva, estes episódios desvanecem, surgem antibióticos e vacinas para combater as epidemias, sistemas de irrigação mais eficientes para aumentar as produções e combater inconstância climática, além de permitir a segurança alimentar da população mundial. Contudo, os últimos anos ou meses apavoram a comunidade internacional com intensas alterações climáticas de grande irregularidade, em profusa sequência de fenómenos meteorológicos de grande intensidade observados em diferentes pontos do globo como secas, inundações, tufões e nevasca. Ao longo dos anos, a comunidade científica internacional tem alertado sobre os perigos sobre os ritmos das contínuas emissões de gases de efeito estufa na atmosfera e seus impactos sobre alteração climática, perda de ecossistemas e saúde pública. O IPCC, principal organização científica sobre o tema,tem elaborado relatórios vários com base na análise de alterações naturais sentidas em diferentes partes do globo. Os diferentes relatórios têm com atenção formular análises sobre o contexto actual, projecções de emissões e efeitos, além de respostas específicas a diferentes ramos da economia e sociedade. Estes acontecimentos segundo estudos científicos apresentados pela IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) a pedido da ONU (Organização das Nações Unidas), apresentam origem nos efeitos nefastos do aquecimento global, ou seja, aumento médio da temperatura atmosférica global (durante o período de um ano em comparação com valores pré-revolução industrial), evento constatado ao longo das ultimas décadas com o crescente aquecimento da atmosfera e dos oceanos pela emissão de gases de efeito estufa (Dióxido de Carbono - CO2, Metano - CH4 e Óxido Nitroso - N2O). A emissão destes gases aumenta graduadamente a capacidade de características termodinâmicas da atmosfera de retenção de radiação solar sob forma de calor. Este efeito é promovido de forma natural pela atividade vulcânica de estruturas geológicas, porém estas emissões naturais representam uma fracção diminuta da totalidade dos gases emitidos. (IPCC,2014)
38 40. Gráficos da alteração climática global. 41. Emiissoes antropogenicas de GEEs. Fonte IPCC, AR5, Clinage Chande, 2014.
39 Ainda, segundo os estudos de registos das temperaturas anuais terrestres e da observação ao microscópio da estratificação de cristais de gelo nos pólos, indicam que desde meados do século XIX, a temperatura média global tem vindo aumentar em um ritmo alarmante. (IPCC,2014) As primeiras anomalias de alterações climáticas foram registadas durante o período da revolução industrial. Actualmente se sabe que este efeito resulta da queima de combustíveis fosseis para a produção de energia de edifícios e maquinarias, como durante a fabricação de bens e mercadorias. Deste modo, a acumulativa e continua emissão destes gases contribuiu para o aumento da temperatura global, valor relativo que actualmente ronda próximo a 0.9oC (relativo a média internacional no período pré-industrial entre os períodos de 1850 e 1900). De acordo com os dados IPCC (2018). The warning of 1,5oC : Special Report; o aquecimento global favorece a repercussão de um conjunto de processos físico-químicos em cadeia, que dado a interacção entre diferentes meios e processos naturais, põem em risco a existência diferentes ecossistemas, processo que afecta a comunidade internacional, com consequências na produção agrícola, economia e saúde pública. As alterações climáticas promovidas por este fenómeno actualmente têm carácter repentino e intenso, com secas na África, Ásia e Oceânia, tempestades tropicais no hemisfério sul e de nevasca no hemisfério norte, degelo de glaciares e calotas polares e consequente aumento do nível dos oceanos, entre numerosas outras. Condições abruptas que dado a fragilidades biológicas põem em risco a extinção e migração de espécies contribuindo para perdas em ecossistemas vários, sendo principalmente afectados habitats em processo de desertificação e os oceanos, efeitos similares são produzidos a espécie humana, uma vez que recentes estudos apontam a perda de nutrientes na produção agrícola e doenças associadas aos gases. (IPCC, 2019) Os resultados apresentados pelas instituições científicas como WMO - World Meteorological Organization, aponta que a última década é o decénio mais quente do último século, característica que contribui para regularidade de fenómenos meteorológicos de grande intensidade, como tufões e tempestades sazonais. Ainda, desertificação com efeitos semelhantes aos apresentados no fenómeno “El Niño”. Processo sazonal que acontece no hemisfério sul com impactos na Oceânia e América do Sul. O aquecimento sazonal das águas do oceano pacífico altera a orientação dos ventos dominantes que contribuem para a chuva na Oceânia, estas massas de humidade deslocam-se para Este e origina intensas precipitações na América do Sul, com consequentes secas na Oceânia. Este efeito lesa a produção agrícola, pecuária e pesca de ambos continentes produzindo impacto as economias locais. É importante mencionar que o aquecimento global produz impactos mais intensos aos países em desenvolvimento, pois as suas estruturas económica, política e social não estão preparadas para responder e prevenção frente a estas adversidades devido a instabilidade económica, baixo desenvolvimento tecnológico e dependência económica em campos como a agricultura, pecuária e pesca.
40 42. Vulnerabilidade das cidades relativamente ao nível de desenvolvimento.
41 Em resposta, a Organização das Nações Unidas, ao longo dos anos promove acordos internacionais, com o intuito de reduzir as emissões de gases nocivos ao meio ambiente. Em 2015, na 21ªConferência das Nações Unidas (COP21 - 21st Conference of the Parties), 195 nações comprometeram esforços em reduzir as emissões de CO2 (Acordo de Paris -2015), episódio celebrado pela comunidade internacional no combate dos efeitos produzidos pelo aquecimento global. Este Acordo assenta suas premissas em limitar gradativo aumento da temperatura média global à índices inferiores a 2°C (relativos a períodos pré-industriais entre 1850 e 1900), com esforços de limitar em valores inferiores a 1,5°C, porém o acordo não impõe limites sobre as emissões de GEEs, a que cada país define as suas estratégias e limites a que a cada cinco anos deverão apresentar os progressos de combate as alterações climáticas e as novas metas para este efeito. Aumentando as possibilidades de severos, disseminados e irreversíveis impactos para pessoas e ecossistemas. Limitar alterações climáticas requer substanciais e permanentes reduções em emissões de gases de efeito estufa, os quais, associados à adaptação podem limitar os riscos de alteração climática. (IPCC, 2014). Os estudos, IPCC - Climate Change 2014 e IPCC - Special Report:The Global warming of 1,5°C (2018); foram elaborados à pedido da UNFCCC (United Nations Framework Convention on Climate Change) o relatório de 2014 responde ao intuito de compreender os efeitos e gravidade das alterações climáticas, segundo valores entre 1.5oC e 2oC. Este documentos foram elaborados segundo os limites de alterações climáticas propostos em acordos internacionais, com a função de compreender os impactos produzidos por este efeito. No qual apresenta que sobre a emissão actual de gases de efeito estufa é urgente a redução significativa das emissões de gases de efeito estufa, para conseguirmos atingir zero emissões de GEEs para o ano de 2050 de forma a controlar a variação em 1,5oC. Como referido, os mesmos estudos assinalam a importância de optar por alternativas que mantenham os limites de alteração climática à projecções iguais ou inferiores a 1,5oC. Para valores superiores de 2 apresenta impactos de maior magnitude, com episódios de sazonais mais duradouros, maiores pressões no meio ambiente e ainda risco que o acúmulo dos gases de efeito estufa apresente efeitos termodinâmicos de aumento da temperatura que sejam irreversíveis. Risco de impactos climáticos resultantes de interacções de ameças climáticas (incluem eventos e tendências de risco) com a vulnerável exposição humana e de sistemas naturais, incluindo susceptibilidade de adaptação. Ritmos elevados e magnitudes de aquecimento e outras mudanças no sistema climático, acompanhado pela acidificação dos oceanos, eleva o risco abrupto, disseminado e em alguns casos irreversivos impactos nocivos. Alguns riscos são particularmente relevantes para regiões particulares, enquanto outras são globais. A generalidade dos riscos de futuros impactos de alterações climáticas podem ser reduzidos ao limitar o ritmo e magnitude das alterações climáticas, inclusive acidificação dos oceanos. Os níveis precisos de alterações climáticas necessários para desencadear abruptas e irreversíveis alterações continuam incertas, porém o risco associado a cruzar estes limites crescem com o aumento da temperatura (IPCC, 2014).
48 A arquitetura dita moderna e todos os seus desdobramentos, está baseada na aceitação da progressividade historicamente inevitável, de habitar em configurações urbanas, entendendo a natureza como fonte inesgotável, capaz de sustentar seus processos técnicos culturais. (Hickel, 2005). A reflexão coloca que o tema de sustentabilidade em Arquitectura e em Urbanismo não deve ser entendida pela subordinação desta a outras disciplinas, economia ou ciências ambientais, na busca de um novo formalismo, mas antes da redefinição de metodologias que partam da própria percepção do espaço, da prática de desenho, abordagem disciplinar e do esforço para integrar os diferentes olhares da comunidade sobre a pratica projectiva. Uma arquitetura para o presente deve considerar o já construído, afrontando a melhoria de entornos degradados em busca de um reequilíbrio ecológico na relação entre seres humanos e seu entorno artificial, sem cair em nostalgias de um passado perdido. (Hickel, 2005). Corroborando com essa discussão, o recente publicação da Organização das Nações Unidas, intitulado “Future is now. Science for achieving sustainable development”, que contem um compêndio de alertas sobre o actual estágio da crise ambiental , integrando uma série de “universal calls” , chamados universais , para os diferentes sectores da sociedade e correspondendo a uma actualização da perspectiva internacional sobre o tema no Global Sustainable Development Report de 2019. Neste documento, GSDR 2019, são identificados seis pontos de reflexão que podem oferecer as transformações necessárias para a transformação dos objectivos em realidade, em termos de escala e de urgência, imperativos para a agenda 2030. O desenvolvimento urbano e peri-urbano como estratégia para alcançar aos objectivos 2030 coloca a arquitectura em diálogo com o Global Report actualizado em 2019 que apresenta alguns dados preocupantes para o cenário de 2050, onde as cidades serão responsáveis por aproximadamente 70% da população mundial. Como alerta esse adensamento das cidades pode impor um custo muito alto para as áreas urbanas e áreas próximas, uma vez que no cenário tratado as cidades serão responsáveis pelo consumo de 90 biliões de toneladas por ano de matérias primas. Quando coloca em perspectiva a atividade da arquitectura em áreas costeiras, tais como Aveiro objeto da presente análise, o GSDR 2019 destaca que em muitos casos a “urbanização se dá de forma orgânica, sem planeamento, de modo tal que os centros urbanos se concentram em áreas costeiras, os residentes vivem com alto risco de inundações, deslizamentos de terras e outros desastres”.(United Nations, 2019).No apelo por acção como tónica do documento , as estratégias destacadas para as cidades de centra na “naturbanity”, expressão próxima do sentido de “naturalismo”, sugerindo aos diferentes actores um tipo de projecto urbanístico que permita uma aproximação entre população e natureza como modo de protecção da biodiversidade, destacando que “cidades mais habitáveis irão criar relações mais equânimes e simbólicas com as áreas próximas peri-urbanas e áreas rurais” (United Nations, 2019) .
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51 Apesar da longa enumeração de adversidades que põem em risco a sobrevivência de toda a biosfera, algumas medidas de uso do solo apresentam resultados bastante positivos sobre a adaptação e inclusive fixação de gases poluentes em solo e vegetação. Como mencionado anteriormente neste trabalho, o mais recente dispositivo de análise da aderência aos objectivos do desenvolvimento sustentável, UNGlobal Sustainable Development Report, (2019) enfatiza a introdução de estratégias de desenvolvimento centradas na relação entre as cidades e as soluções baseadas na natureza, em especial destacando uma maior conexão entre o perímetro urbano e o peri-urbano. A mensagem do documento interage com a introdução do conceito de “naturbanity”, ou naturbanismo, que promove alternativas de baixo custo e preferencialmente rentáveis, fortalecendo as comunidades. As ideias pelo metabolismo urbano, conceptualizam a cidade como um ecossistema, em continua troca impulsionada por uma estrutura sustentável. Através da concepção da cidade nestes termos, tomadores de decisões podem priorizar energias renováveis, de baixo consumo ou não, baseadas em carbono e eficiência no uso da água, incluindo o reuso e a reciclagem de águas sujas, como também a produção de alimento a modo local e sustentável (United Nations, 2019). Neste sentido, a proposta de acção e o chamado universal contido no documento aponta que as alternativas que melhor se enquadram nestes aspectos, da cidade pensada como um ecossistema, são o incentivo à promoção do tecido vegetal, em diferentes zonas do território quer estas sejam urbanas, agrícolas ou naturais, e a introdução de corredores de mobilidade suave. A articulação desses conceitos permite observar a promoção da cobertura vegetal não somente como um “recurso natural”, no sentido de algo a ser explorado versus artificialidade, mas antes como solução do projecto arquitectónico que surge a partir de uma abordagem baseada na natureza. Como destaca o mesmo documento: Soluções baseadas na natureza, tais como a manutenção de áreas úmidas e espaços verdes para o apoio aos sistemas de abastecimento de água, escoamento urbano e regulação da temperatura das cidades, podem substituir formas de uso intensivo dos recursos e da energia. Parques, árvores, jardins urbanos, áreas costeiras e outros, podem oferecer benefícios inestimáveis em termos de meios de subsistência, construção comunitária, saúde para as populações, segurança alimentar e bem estar espiritual, colocando a natureza pela natureza como valor intrínseco. Estudos têm mostrado que a redução do contato com o meio ambiente e a biodiversidade podem de maneira adversa influenciar a relação simbiótica entre humano e microbiota, bem como o seu bemestar emocional e psicológico. (United Nations, 2019). AGROSSILVICULTURA EM ÁREAS PERI-URBANAS
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53 Através dos processos de fotossíntese a cobertura vegetal contribui para a transformação de gases de efeito estufa em oxigênio, enquanto há a fixação de carbono e a emissão de vapor d’água. Os efeitos combinados resultam em redução da temperatura pelo aumento da superfície em sombra e o aumento da humidade relativa do ar combatendo os efeitos do fenómeno de Ilha de Calor (aumento da temperatura em zonas urbanas devido a retenção de calor por materiais da construção de infraestruturas e edifícios combinado com as emissões de gases de efeito estufa pelos meios de transporte), redução de gases nocivos e efeitos psicológicos que contribuem para o bemestar dos residentes através do contacto visual e táctil. Há um vasto ramo de adaptações que estão disponíveis para reduzir riscos em ecossistemas naturais e protegidos (exemplos: adaptação, restauração do ecossistema e redução de degradação e desflorestamento, manejo da biodiversidade, plantações em Hidroponia e conhecimentos locais e indígenas), risco de aumento do nível do mar (Defesa da costa e construção de barreiras) e, também, riscos à saúde, subsistência, alimento, água e ao crescimento econômico, especialmente em áreas rurais (irrigação eficiente, segurança social, prevenção de desastres e adaptações das comunidades) e áreas urbanas (promoção de estruturas verdes, uso sustentável do solo e manejo, e uso sustentável de água). (IPCC,2019) Ainda, outros efeitos positivos podem ser sentidos pelas comunidades como o retorno de espécies autóctones e aumento da presença de chuvas e fertilidade dos solos. No relatório IPCC Special Report on Climate Change and Land Use (2019), existe a indicação de estudos sobre a interacção entre o cultivo agrícolas em zonas peri-urbanas, que sugere a protecção da estrutura agrícola pela preservação e / ou reflorestamento de vegetação autóctone. Este estudo tem mostrado as perspectivas positivas já mencionadas, como o aprisionamento de gases de efeito estufa no solo, aumento da produtividade e enriquecimento dos solos em sais minerais. Há suficiente literatura sobre os efeitos da irrigação em climas locais, regionais e globais uma vez que este aspecto é importante no manejo do solo. Existe uma alta confiança de que a irrigação aumenta a evapotranspiração, aumenta o total de vapor de água na atmosfera, e diminui a temperatura do solo durante o dia, um dos principais factores na perda de biodiversidade e alteração relacionada com processo de desertificação. (IPPC, 2019). Para o caso estudado da cidade de Aveiro, a opção de boulevares e da atividade projectiva centrada na natureza tem por objectivo interagir com a convocação contida em diferentes esferas de tomada de decisão e em instituições internacionais que privilegiem um maior engajamento entre a atividade projectual e a promoção de cidades sustentáveis, tendo o arquitecto como um agente para a agenda 2030.
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55 EXEMPLOS
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57 A arquitetura e a paisagem são um bem histórico e cultural e constituem parte significativa do património dos povos e das nações. A arquitetura e a paisagem são um testemunho vivo do passado coletivo, materializando em obra e sedimentando no espaço a cronologia do tempo histórico, a herança da própria História. Arquitetura e paisagem condensam memórias, registam vivências, simbolizam ideias e valores. (PNAP, 2015). Os casos de estudo escolhidos são dois exemplos italianos de restruturação da realidade periférica através da criação de parques agrícolas, estes exemplos representam importantes interações projectuais promovidas a nível urbanístico, político e paisagístico. A realidade italiana é bastante presente de contextos histórico, cultural e paisagístico. Ao longo da sua história o território italiano esteve presente a diferentes disputas sobre a soberania do território, que fruto ao desenvolvimento económico em diferentes períodos da história produziu efeitos a imagem urbana e paisagística, ao que ainda hoje são encontrados resquícios que recontam as histórias destas diferentes civilizações. Por isso, a preservação deste acervo, material e paisagístico é de elevada importância para a afirmação da identidade nacional e requer o cuidado pelas instituições do ordenamento do seu território. Estes conceitos, são salvaguardados pelo artigo 9 da constituição italiana que estabelece a Tutela a paisagem e o património histórico e artístico da Nação. CASOS DE ESTUDO
64 2km 51. Campos agrícolas ao entorno de Florença . Pintura de Guiseppe Zocchi, 1750. 52. Área de Intervenção “Parco della Piana”. 1 1 - Florença 2 - Prato 3 - Área Parque 2 3
65 PARCO DELLA PIANA A região em estudo faz parte do contexto metropolitano da cidade de Florença, uma cidade com um contexto histórico muito rico, que ao longo dos séculos é o centro da cultura italiana. Entre os séculos XIV a XVI, período renascentista, a região Toscana floresce no desenvolvimento econômico da cidade de Florença, local de intensas discussões de grandes pensadores que influenciaram grandes alterações históricas nos campos da arte, economia e engenharia. Este período de grande prosperidade econômica do núcleo urbano, incentiva a construção de grandes edificações, algumas das mais reconhecidas da arquitectura ocidental, como Santa Maria del Fiore (Il Duomo) de Filippo Brunelleschi e Santa Maria della Novella de Leon Battista Alberti. Além de obras de arte, paisagens e culinária que cativam até aos dias de hoje a viagem de inúmeros turistas a este local. No entanto, a este caso de estudo, é importante reconhecer o contexto urbano periférico e a relação com o território da planície entre as cidades de Florença-Pratto-Pistoia. O histórico deste elemento precede muito antes dos eventos mencionados, com a ocupação etrusca deste território, a qual executa modificações ao solo pela introdução de culturas agrícolas que alteraram a paisagem, permitindo assim a fixação da população ao longo deste território. O território da planície tem uma “relevância” histórica antiga, na época etrusca fazia parte da cidade-estado de Fiesole, expoente da sua rede hidráulica com um sistema de drenagem e mantido desde as centuriações de época romana. Este território ao longo dos séculos, devido ao crescimento económico e à intensa exploração produtiva teve a sua paisagem modificada para uma perspectiva de grande intensidade agrícola. A partir de eventos como o crescimento demográfico, a introdução de novas tecnologias a partir da revolução industrial assiste a ocupação do território entre as cidades de Florença e Pratto, influenciada pela introdução da indústria que era facilitada pela introdução de infraestruturas pesadas, a linha de caminho de ferros, o cruzamento entre as estradas nacionais A1 e A11, além de novas oportunidades de emprego que incentivam a fixação da população neste meio. Este cruzamento entre diversas infraestruturas, é motivado pela localização geográfica central ao território nacional, no intermédio entre importantes cidades de Milão e Roma, e ainda pela importância deste área metropolitana no contexto toscano e nacional. O caso de estudo do Parco della Piana, representa as intenções de integração entre projeto a nível urbanístico, político e paisagístico promovidos pela reestruturação de um território intermédio entre as cidades de Firenze (ou Florença), Pratto e Pistoia, esta extensão é muito influente na produção industrial local que produz contributos para a economia da região. Esta extensão é trabalho de planos de ordenamento do território (PIT - Piano di indirizzo territoriale) sobre articulação entre a presença de infraestruturas locais, o incentivo de culturas agrícolas e a preservação do ecossistema local. O processo projectual sobre o Parque della Piana é mencionado desde os finais dos anos 90, com o projeto a reorganização do Aeroporto de Risale, contudo, só a partir de modificações das jurisdições sobre os territórios administrativos entre os anos de 2007 e 2009, que o plano inicia a análise sobre o território e prática projetual.
66 53. Parco della Piana - Estrutura Verde. Sistema agrícola comum Sistema agrícola tradicional Áreas agrícolas à requaliicar Áreas marginais urbanas à requaliicar Áreas Críticas (operação de mitigação ambiental, produção de biomassa e captura de carbono no solo, etc...) Conexão Ecológica Rios Canais Áreas Humidas Parque Áreas Humidas Progecto Parque Projecto Corredor Verde Mitigação Expansão
67 Ao que, por diferentes motivos econômicos e políticos ao território, este agora, motivado à nova modificação do território com a introdução do projeto do Parque da Planície (Parco della Piana). O plano sugere que a estrutura deste território seja conduzida através da condução deste território por alternativas de promoção dos campos agrícolas e estrutura natural. Estas características cativaram a exploração de experiências alternativas em modelos italianos e europeus de optimização e planificação de qualidades de espaços verdes periféricos fundamentados em: -Recuperação, qualificação e o relance empresarial da atividade agrícola. -A pesquisa, promoção, tutela, acesso e divulgação de recursos culturais. -Tutela, valorização e restauração ambiental natural e paisagística. -Fruição índicos-esportiva-recreativa-reflexiva do território específico do Parque. (Regione Toscana,2011) Este processo pretende a colaboração com a comunidade residente, promovida pela discussão com os residentes, segundo temas como a conexão ecológica e aquífera, rede de mobilidade alternativa e a multifuncionalidade dos espaços públicos. As temáticas exploradas neste plano possuem origens em outros casos italianos e europeus, que sugerem a exploração de alternativas a parques urbanos periurbanos com o incentivo à agricultura e suporte do ecossistema envolvente. *GreenLink e PeriUrban Parks “O Parque como extensão de áreas agrícolas, com a regeneração do sistema de águas pelas funções hidráulicas, naturais e de produção agrícola, a requalificação dos assentamentos urbanos debruçados sobre o parque, a mitigação das obras infraestruturais de forte impacto territorial são apenas algumas dos objetivos que o projeto do Parque pretende perseguir, correlacionando as especificidade necessárias para sua realização, numa ótica global de reequilíbrio ecológico e de melhora das qualidades da vida de seus habitantes, trabalhadores ou simplesmente quem transita na planície.”(Regione Toscana,2011) O projeto assume ativamente a proposta de conectar o território pela promoção de percursos de mobilidade por toda a extensão, estes percursos apresentam alternativa ao transporte local, face à presença de infraestruturas pesadas que produzem barreiras ao território. A rede pretende interligar as diferentes comunidades residentes ao território difuso, como também comunicar com a rede de parques naturais próximos ao rio e, consequentemente, o contacto com a cidades de Pistoia-Pratto-Florença. Ao longo dos últimos anos, a implementação destas alternativas tem sido lentas, apesar de haver percursos de mobilidade suave, ainda não é presente e pavimentada em todo território como previsto no plano. De momento, o projeto está em desenvolvimento, sendo mais influente na ordenação do território dos terrenos agrícolas e naturais. Apresenta alguns resultados promissores, como a preservação da biodiversidade de fauna e flora originais da região, motivo de alguma presença turística.
68 54. Fotografia da paisagem área de Intervenção. 55. Fotografia área do entorno de Florença
69 Em relação a este projeto, observamos que apresenta semelhanças em relação ao contexto de Aveiro, apesar de registrarem escalas diferentes. Motivo que nos incentiva a explorar estas alternativas em nosso projeto, como a estruturação da rede de irrigação, ordenamento do lotes agrícolas, além do incentivo aos fundamentos do projeto.
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71 RESPOSTA
72 56. Sequência de fotografias panorâmicas realizadas na pesquisa de campo no terreno de trabalho individual. 6 5 43 2 1 1Km 500m Estrada Nacional 109. Linha Férrea do Norte. Terreno Individual.
73 GRUPO Esta dissertação segue o tema de tese - PROJECTO URBANO SOBRE A VARIANTE À E.N. 109, AVEIRO; Território e Paisagem – Reinventar Aveiro: Visões urbanas para uma urbanidade complexa, ao que assume a perspectiva de transformar o território em função da desclassificação da via através da criação de propostas de urbanismo sustentável e de apoio à estrutura complexa de Aveiro, além da articulação dos confrontos entre periferia-urbano e urbano-rural. Nas primeiras aulas do semestre a turma foi separada em três grupos de trabalho para o desenvolvimento de diferentes documentos sobre análises do território, desenhos cartográficos e elaboração da maquete de turma. Ao mesmo tempo, os grupos foram desafiados a três subtemas que teriam de explorar durante o progresso para projecto de escala urbana, os temas eram desclassificação da Estrada Nacional 109 em Boulevard*1, transformação da Estrada Nacional em corredor natural e reestrutura da malha urbana. Inicia assim a partir da análise dos desenhos cartográficos e maquete de turma, ajudaram a compreender como as duas principais infraestruturas locais a zona de estudo, Estrada Nacional 109 e Linha de Caminhos de Ferro do Norte, influenciam o território e as dinâmicas quotidianas de seus residentes. A que concluímos que estes dois elementos quer pela a sua origem, intensidade e forma apresentam grande impacto no contexto local contribuindo para a fragmentação do território. A partir da análise dos desenhos cartográficos e maquete de turma, ajudaram a compreender como a estrada nacional, assim como a linha de caminho de ferro, produzem barreiras físicas ao longo do território pela diferença de cota em relação às suas margens e seus poucos atravessamentos, limitando o tráfego de automóveis e, com isso, acentuando o confronto entre três densidades urbanas. A primeira, a cidade de Aveiro o aglomerado edificado com forma definida com edifícios de diferentes volumetrias, uma estrutura intermediária entre a linha de caminhos de ferro e a estrada nacional, de vasto descampado que no meio da sua extensão é pontuado por um conjunto residencial e a terceira da cidade difusa, ramificações que percorrem uma vasta parte da periferia do município de Aveiro, pontuado por volumetrias de pequenas dimensão que por vezes é ladeado de corredores naturais. Durante este período ainda não tínhamos abordado os dados estatísticos e a história da cidade de Aveiro, porém o grupo já abordava a origem destas estruturas de diferentes formas, densidades e dimensões; a que acreditávamos ser decorrente da construção das infraestruturas que marcavam o terreno, posteriormente este facto vem a ser atestado nas aulas teóricas e pela análise da ocupação do território. Após a análise destes documentos, mencionadas nos capítulos anteriores, era evidente ao grupo a fragmentação do território, resultado do impacto da linha de caminho de ferro do norte e a EN109 na identidade do território, além da abundante presença de uma estrutura agrícola-natural dispersa ao longo de toda extensão, mais presentes nas freguesias ao interior do país. *1 sub-tema escolhido.
80 60. Planta Individual - Parque Agrícola. 61. Seções Transversais - Corredor Linear.
81 Realidade dissonante com o interior do terreno escolhido para o desenvolvimento do projecto individual, onde a imagem local é marcado pelos lotes agrícolas na sua maioria são pertencentes à Câmara Municipal, alguns ainda pertencem a residentes que ainda habitam este terreno, e pela presença de um diminuto fragmento da cobertura vegetal nati va. A solução destes problemas afl ora na refl exão sobre a paisagem urbana em contacto com a realidade renaturalizada proposto na ati vidade de grupo, uma vez que a população aveirense tem apresentado baixos índices de crescimento populacional e os diferentes elementos de grupo fazem propostas de densifi cação da periferia com a promoção de habitação, é sugerido que este terreno explore a conexão entre a cidade consolidada e difusa pela proposta de um parque de interesse sócio-cultural com o incenti vo da promoção vegetação presente ao local agrícola e natural. O terreno se consti tui um espaço social paralelo à via, com potencial para ser espaço para diferentes iterações entre os residentes em comunidade bem como com a sua paisagem natural, em que as pessoas tenham a opção entre percorrer o terreno a passeio, para exercício fí sico, durante o percurso casa-escola ou casa trabalho desde a periferia ao centro da cidade de Aveiro. Mas também pode ser um espaço de contemplação, onde as pessoas podem desfrutardo contacto com a natureza e o campo, da pacifi cidade do campo, um local que tenciona integrar os corredores naturais existentes e os campos já presentes dentro da realidade urbana de Aveiro. Este processo desenvolve-se a parti r da estrada nacional em direcção ao interior dos terrenos a sua margem, priorizando a formalização do boulevard e outras modifi cações à via. Alguns desafi os foram impostos ao projecto em detrimento do projecto de grupo e consequente interacção entre projectos individuais, assim sendo, os primeiros desafi os surgem a parti r da redução de velocidade e a introdução de mobilidades suaves que pudessem percorrer toda a extensão do território aveirense, facilitando os movimentos pendulares entre a cidade consolidada e a cidade difusa, além da promoção da mobilidade suave. A estrada actualmente possui uma intensidade que não compactua com as intenções de projecto, razão que moti vou o desvio por vias circulares auxiliares que realizam a comunicação entre os diferentes centros populosos. Ao longo da estrada nacional, é notável alguns momentos em que o contacto da com a malha urbana produz efeitos caóti cos, quando contacta vias da malha urbana, que por essa dimensão de manobra, produz congesti onamentos frequentes. De forma a responder a este problema, é proposto que a estrada nacional (agora boulevard) ao aproximar da realidade urbana percorra um longo túnel de forma a evitar estas eventuais interrupções do tráfego; a) posteriormente à linha de caminho de ferros existe outra infraestrutura que produz efeitos similares; b) por este moti vo esta “ponte\viaduto” é desarmada. Ao conti nuar este percurso, encontramos ainda outra infraestrutura, por onde é conduzido o atravessamento superior a via perpendicular do Parque de Exposições de Aveiro.
82 62. Seções Longitudinais - Corredor Linear. 63. Maquete Individual - Escala 1 /100.
83 Para este efeito, a cota da via é reduzida de forma a contactar a via perpendicular, com consequente eliminação das vias auxiliares. Esta intersecção busca eliminar as característi cas fí sicas que fragmentam o território e arti cular a conexão com os percursos de mobilidade suave que conectam com as demais propostas de grupo por onde anti gamente era permeada por corredores ribeirinhos e a biodiversidade que o acompanha, assim, podemos através do incenti vo da mobilidade suave, promover o refl orestamento de espécies locais, corredores ladeados por vegetação local de forma a tornar aprazível este percurso assombreado. Procuramos assim também o retorno à imagem local natural há muito tempo perdida. O corredor principal possui seu desenho modifi cado, priorizando a extensão de passeios e a introdução de percursos clicáveis. As alterações introduzidas à via fortalecem o realce do terreno a ser trabalhado, agora em um pequeno planalto em relação às vias urbanas e seu entorno. Esta característi ca auxilia a defi nir a imagem deste local, proporcionando de forma intensa a interacção com o ambiente rural e natural já presente a este terreno. A alteração da cota da via acentua o desnível entre o cota superior de uso socio-cultural e o a via agora urbana, acentuando a prioridade da proposta perante as deslocações do peão e ciclísta em relação ao automóvel. Possibilita o atravessamento perpendicular, através de percursos perpendiculares superiores a via que permeiam o contacto entre as margens oposta, estes percursos estendem (sinonimo) ao interior do terreno em ambas as margens, favorecendo o contacto entre a cidade de Aveiro e a periferia. As medidas produzidas tem a intenção de promover o percurso ciclável e pedonal, para isso o fl uxo de veículos motorizados é reconduzido para as vias auxiliares, a velocidade na via principal é reduzida para 30 km/h, as faixas reduzidas para uma em ambos senti dos e a consequente introdução de passeios e percurso ciclável com separação fí sica em relação aos carros. Assim surge uma hierarquização dos percursos, este anteriormente mencionado tem a função de transitar e conectar longas distâncias, o percurso do “Boulevard” surge nesta cota superior em ambas margens da via principal, assim, desponta um corredor permeado pela abundante presença de árvores de folha perene, este elemento é um amplo espaço para o quoti diano translado casaescola e casa-trabalho dos residentes das freguesias a Este do boulevard e a acti va promoção de diferentes ati vidades de lazer, desporto e outras sociais. A forma deste espaço surge pelo delinear dos muros de gabião que servem tanto para suporte da estrutura como para afi rmar as formas espaciais e desenho de mobiliario urbano, a intençao é apresentar uma solução que respeite a imagem desta nova realidade natural. Por sua vez, a concepção desta proposta pretende conduzir de forma ligeira a ocupação da superfí cie deste terreno, como contraste com o entorno de profulsa construção desordenada. Assim, possibilitando a afi rmação desta nova identi dade urbana, a que os volumes aqui demarcam os limites dos programas de atração de massa críti ca, a Norte de interesse socio-cultural e a Sul habitacional, conectados por pontuais volumes de restauração e comércio.
84 64. Cobertura Vegetal Proposta.
85 A que o variado conjunto edificado apresenta a materialidade do gabião e da madeira, materiais de baixa energia incorporada, intensificando as intenções da proposta de baixo impacto ecológico. Assim, os volumes com excepção das residências surgem associados ao intervalo e a flexão dos muros, afirmando os momentos de pausa do vasto terreno e criando diferentes programas a serem usufruídos pela comunidade local. Este processo de conexão entre a comunidade e a realidade natural é estimulado pela introdução de momentos de pausa e convívio intercalado por volumes, este são cafés e comércio dos produtos cultivados nas hortas comunitárias, estes volumes são apenas de apoio a toda estrutura, a sua pequena dimensão e a franca relação entre interior-exterior incentivam aos utilizadores a permanecerem na explanada enquanto promovem o observar da paisagem do extenso campo agrícola, das hortas comunitárias e do cobertor verde natural. As hortas comunitárias são 10 lotes de cerca de 430m2 paralelos ao Boulevard, estes lotes são trabalhados com incentivos pedagógicos, através da activa produção de produtos alimentares, aromáticos e ornamentais que podem servir a comunidade, acreditando que o contacto quotidiano com uma realidade tão intensa de promoção destes conhecimentos para diferentes faixas etárias pode promover o incentivo comunitário necessário à preservação do meio ambiente. As culturas a serem plantadas nas hortas comunitárias respeitam a rotação de culturas, portanto, as comunidades seriam aconselhadas a plantar um conjunto diverso de hortículas que transitam de lote ao longo do ano, para evitar a saturação do solo em sais minerais. Vale relembrar que os diferentes lotes deste terreno pertencem em parte a proprietários privados e outra parte à câmara municipal, por este motivo, preve-se que este território possuiria uma pluralidade de culturas que, assim como as hortas comunitárias, variam de lote e cultura ao longo das estações. Para auxiliar a irrigação destas culturas será construído um curso dágua de pequenas dimensões à margem deste terreno agrícola, percorrendo toda sua extensão e vertendo em seguida em dois espelhos d’água, onde poderá ser armazenada. Pretende-se que a cobertura vegetal autóctone represente uma maior percentagem do território, promovendo a continuidade do desenho dos corredores ribeirinhos que percorrem o interior do município, fortalecendo a extensão deste elemento em paralelo a percursos de mobilidade suave. A preservação e promoção deste tecido serve como “buffer” a estratégia, o aumento da cobertura vegetal promove a redução da poluição atmosférica e sonora local, aumentando a umidade relativa do ar e combatendo os efeitos da ilha de calor. Cultivando a reconexão com o meio natural há muito tempo perdido, assim, são cultivadas árvores e arbustos indígenas da região, que pretende desta forma favorecer a presença de percursos com diferentes dinâmicas ao restante do programa. O segmento de vegetação natural presente no terreno é estendido ao longo dos percurso de atividade física e lazer, oferecendo a possibilidade de um percurso alternativo através de uma realidade intimista favorecido pela maior presença de árvores e potencial retorno de biodiversidade local. O contacto com realidades deste gênero podem ainda possibilitar melhorias na qualidade de vida das comunidades, pelo incentivo das práticas do
86 65. Volume Genérico (Comércio /Restauração)
87 lazer e desporto, redução dos níveis de partí culas em suspensão no ar e favorecer efeitos psicológicos pela interação sinestésica com realidades naturais. Retornando ao Boulevard, ao deslocar para norte, após percorrer a vasta extensão do terreno e observar os diferentes ti pos, formas e cores que a cobertura vegetal culti vado na estratégia pode assumir em diferentes épocas do ano, aquele que usufrui de tal contexto pode acompanhar o movimento da água pelos percursos paralelos a esta, que culminam em uma cota intermédia entre a via principal e o corredor linear, aqui a velocidade e movimento são de menor intensidade onde o residente das cidades difusa e consolidada podem confraternizar e refl eti r sobre pano de fundo da cidade em construção, dos diferentes movimentos e velocidades quoti dianos. O percurso até esta praça é faseado por terraços com diferentes culturas, em lotes que apresentam caráter diferente de acordo com a sua cota com a pretensão que seu percurso promova diferentes experiências espaciais e sinestésicas. As diferentes cotas representariam diferentes relações do espaço público e a sua interação com a cobertura verde promovida; no primeiro a relação é mais tí mida, observa-se a conti nuidade do curso d’agua, arbustos e vegetação rasteira, é um espaço indiscriminado, sem uma função estrita, sobre o qual as pessoas podem deambular livremente. No lote intermédio, o percurso pelo seu interior atravessa o pomar e a sequência de árvores, a proximidade do percurso intensifi ca as relações com estes elementos. A perspecti va aprofunda, com uma profusão de cheiros e cores, que depois abre a um largo com uma vista superior ao lote seguinte, o plano perspécti co abre para observação da paisagem natural e da cidade envolvente e seus edifí cios. Para o últi mo, pretende-se que seja o espaço de confraternização, onde deságua o curso que já irrigou todo o terreno agrícola e repousa no espelho d’água, ao lado as pessoas podem reunir-se quer sobre os bancos ou sentados sobre o relvado à frente de águas plácidas que refl etem as cores das árvores ou eventuais apresentações que podem ser feitas no pequeno palco do lote intermédio. Ao fi m, existe uma praça intermédia a dois volumes, o grande vazio será espaço de descanso do longo do percurso que se fez desde as cotas superiores, onde pode-se pousar a bicicleta ir tomar um café ao bar, sentar-se no banco ao longo do muro ou então adentrar ao centro comunitário. A seguir da defi nição da forma e imagem do parque, o projecto centrou-se sobre concepção do centro administrati vo e cultural desta nova realidade. Para o constante uso e manutenção do bom uso fruto do parque pelos residentes locais, é necessário que o parque promova ati vidades de atração de massa críti ca, promovendo o contacto pedagógico entre a comunidade dos centros populosos envolventes e o meio natural. Este elemento, o centro comunitário, será um local de reuniões, exposição artí sti ca e convívio entre os residentes deste novo contexto urbano. O equipamento é endereçado ao ati vo uso da comunidade local, com foco no grupo idoso que está a crescer. A intenção com esta iniciati va é oferecer aos residentes um local de convívio quoti diano pela promoção de ati vidades lúdicas e pedagógicas, fortalecendo as suas capacidades fí sicas e psicológicas de forma a combater o sedentarismo e seus efeitos secundários cada vez mais nocivos consoante a idade.
88 66. Centro Cívico. Alçado Nascente - Centro Cívico Seção B - Centro Cívico Planta A - Centro Cívico Planta BCentro Cívico
89 O volume do centro comunitário, assume o desenho do canto Norte da praça com a afirmação do remate da estratégia, aqui estabelece o fim do percurso com a definição do vazio que observa a cidade ao seu entorno, este elemento é organizado em dois pisos que apresentam materialidades diferentes, o piso térreo onde ocorrem as principais atividades sócio-culturais é representada pelo expressão tectônica do muro de gabião que delinea os limites do edificado servindo como embasamento para o repouso de um paralelepípedo orientado Norte-Sul em madeira. O volume superior é distanciado da praça de forma a apresentar uma linguagem convidativa em que o vazio entre os muros de gabião apresentam a condução do movimento dos percursos e acentua assim a entrada do edificado. O centro comunitário procura ser um volume puro e denso para o lado sul da praça pela condição da orientação do sol, que no lado posterior abre para a cidade de Aveiro consolidada e para a vegetação autoctonia. As funções do edifícios são divididas em dois, o térreo é andar público das variadas atividades socioculturais promovidas neste espaço, composto pela recepção, salas leitura e o auditório. Já no piso superior é formada pela ala administrativa, área de apoio e sala multiuso. Pretende-se que estes locais sirvam para o uso da comunidade local em geral, para conferências, exposições de arte e uso pessoal. Mas que assiduamente seria utilizada para aulas de interesse didático a comunidade idosa sobre temas de interesse pessoal a este conjunto etário como, o uso de medicamentos, prevenções contra acidentes e doenças, além de disciplinas dinâmicas de estimulo das capacidades físicas e mentais de forma a promover o ativo contacto entre os membros locais e possibilitando o acesso a educação e o convívio social. Assim a maioria dos espaços de interesse socio-cultural estão presentes no piso térreo Ainda há uma explanada virada poente onde se pode observar a densa estrutura vegetal natural existente, este espaço é endereçado ao uso das atividades pedagógicas locais que tenham interesse o contacto com o espaço exterior. No piso superior é dividida em dois, um sector privado da administração, responsável pela manutenção e coordenação das diferentes atividades do parque, das hortas comunitárias e do centro comunitário e sala multi uso de continuidade das atividades programáticas promovidas neste local, estas duas são separadas por uma sala de apoio, pequena cozinha que pode servir de apoio aos seus utilizadores.
050 100 200 300 Um Parque Natural para Aveiro, encontro entre o natural e o urbano ao longo do corredor à variante EN.109 Planta Geral de Implantação Dissertação de Mestrado Integrado em Arquitectura Universidade de Coimbra, 2019 - 2020 Lucas Santino Gomes Queiroz Terrazas 1/x 050 100 200 300 12-Unidades Habitacionais na Ribeirinha de Vilar 3-Parque Rural Municipal 4Pólo Desportivo 5-Complexo Residencial de Aradas 1 2 3 4 5 Planta Geral de Intervenção Edifícios de Intervenção Campos Agícolas Zonas Verdes Leito d’água 1 - Planta Geral Implantação 2 - Planta Terreno Individual 3 - Planta e Secções Corredor Linear 4 - Secções Transversais Boulevard (anti ga E.N.109) 5 - Volume Genérico (comércio /restauração) 6 - Plantas e Cortes Centro Comunitário 7 - Plantas e Cortes Centro Comunitário 1 /7 Um Parque Natural para Aveiro, encontro entre o natural e o urbano ao longo do corredor à variante EN109 Dissertação de Mestrado Integrado em Arquitetura Universidade de Coimbra, 2019-2020 Lucas Santino Gomes Queiroz Terrazas
0 100 200 300 Hortas Comunitárias Estrutura Natural Preexistente Campos Agícolas Zonas Verdes Leito d’água Edifícios Envolvente 1 - Centro Comunitário 2 - Volume Genérico (comércio/restauração) 3 - Estufas 4 - Habitação 1 2 3 4 Planta Estratégia Individual 2 /7 Um Parque Natural para Aveiro, encontro entre o natural e o urbano ao longo do corredor à variante EN109 Dissertação de Mestrado Integrado em Arquitetura Universidade de Coimbra, 2019-2020 Lucas Santino Gomes Queiroz Terrazas
2 /8 Um Parque Natural para Aveiro, encontro entre o natural e o urbano ao longo do corredor à variante EN109 Dissertação de Mestrado Integrado em Arquitetura Universidade de Coimbra, 2019-2020 Lucas Santino Gomes Queiroz Terrazas 010 20 50 Secção A Secção B A A’ B B’ D’ C C’ D Cota E.N.109 Planta e Perfis Corredor Linear - Boulevard 0 100 200 300 Hortas Comunitárias Estrutura Natural Preexistente Campos Agícolas Zonas Verdes Leito d’água Edifícios Envolvente 1 - Centro Comunitário 2 - Volume Genérico (comércio/restauração) 3 - Estufas 4 - Habitação 1 2 3 4 Planta Estratégia Individual 3 /7 Um Parque Natural para Aveiro, encontro entre o natural e o urbano ao longo do corredor à variante EN109 Dissertação de Mestrado Integrado em Arquitetura Universidade de Coimbra, 2019-2020 Lucas Santino Gomes Queiroz Terrazas
012 5m Alçado Nasente Secção A Alçado Poente Planta Volume - Cafeteria 1 - Balcão 2 - W.C. 3 - Área de Atendimento (comércio/restauração) 4 - Esplanada 1 2 3 4 Volume Genérico (Comércio/Restauração) A A’ 012 5m 025 10m Secção C Secção D Perfis Transversais Boulevard 4 /7 Um Parque Natural para Aveiro, encontro entre o natural e o urbano ao longo do corredor à variante EN109 Dissertação de Mestrado Integrado em Arquitetura Universidade de Coimbra, 2019-2020 Lucas Santino Gomes Queiroz Terrazas
012 5m Alçado Nasente Secção A Alçado Poente Planta Volume - Cafeteria 1 - Balcão 2 - W.C. 3 - Área de Atendimento (comércio/restauração) 4 - Esplanada 1 2 3 4 Volume Genérico (Comércio/Restauração) A A’ 012 5m 025 10m Secção C Secção D Perfis Transversais Boulevard 5 /7 Um Parque Natural para Aveiro, encontro entre o natural e o urbano ao longo do corredor à variante EN109 Dissertação de Mestrado Integrado em Arquitetura Universidade de Coimbra, 2019-2020 Lucas Santino Gomes Queiroz Terrazas
1 - Recepção 2 - Elevador 3 - Multi-uso 4 - Auditório 5 - Sala de Apoio 6 - Arrumos 7 - Sala de Leitura 8 W.C. 1 2 34 56 6 7 7 8 Planta e Perfis Centro Comunitário 0 2 5 10 Secção A Secção BCentro Comunitário -Piso Térreo A A’ BB’ 6 /7 Um Parque Natural para Aveiro, encontro entre o natural e o urbano ao longo do corredor à variante EN109 Dissertação de Mestrado Integrado em Arquitetura Universidade de Coimbra, 2019-2020 Lucas Santino Gomes Queiroz Terrazas
0 2 5 10 Alçado Nascente Alçado Norte Centro Comunitário - 1 Piso 9 10 10 10 11 3 9 - Sala de Reunião 10 - Escritório 11 - Cozinha Planta e Alçados Centro Comunitário 7 /7 Um Parque Natural para Aveiro, encontro entre o natural e o urbano ao longo do corredor à variante EN109 Dissertação de Mestrado Integrado em Arquitetura Universidade de Coimbra, 2019-2020 Lucas Santino Gomes Queiroz Terrazas