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Adaptabilidade do Espaço - Adaptabilidade e Flexibilidade como Valências Contra o Rigor do Tempo

Marques, João Miguel Almeida

Abstract

Dissertação de Mestrado Integrado em Arquitetura apresentada à Faculdade de Ciências e Tecnologia

Full text

Dissertação no âmbito do Mestrado Integrado em Arquitetura, orientada pelo Professor Doutor Joaquim Carlos Pinto de Almeida e apresentada ao Departamento de Arquitetura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Dezembro de 2022 João Miguel Almeida Marques ADAPTABILIDADE DO ESPAÇO ADAPTABILIDADE E FLEXIBILIDADE COMO VALÊNCIAS CONTRA O RIGOR DO TEMPO ADAPTABILIDADE DO ESPAÇO Adaptabilidade e Flexibilidade como Valências Contra o Rigor do Tempo 3 Nota à edição: O documento segue o novo acordo ortográfico. O presente documento segue a norma de formatação APA (American Psychological Association), de acordo com as regras em vigor da formatação de dissertações, presente no site oficial da Universidade de Coimbra. 5 Agradeço, Ao Professor Joaquim Almeida, pela orientação, acompanhamento e disponibilidade; À minha família pelo apoio, confiança e amor incondicional que sempre demonstraram ao longo de todo o meu percurso académico; À Rita, por ter entrado na minha vida, pela paciência e por todos os momentos que vivemos juntos; A todos os meus amigos que me acompanharam durante todo este percurso e marcaram esta etapa tão importante. 7 RESUMO Um edifício tem, em média, um tempo de vida de cerca de 100 anos. Atualmente persiste a tendência em pensar a arquitetura de modo a priorizar o conceito de sustentabilidade. Desde a escolha dos materiais, a sistemas de fácil e rápida montagem/desmontagem e do cálculo das emissões de carbono em todo o processo daquilo que é o edifício, desde a matéria prima à sua reciclagem. Tudo isto resulta numa perda de identidade arquitetónica crescente pela sistemática efemerização do produto arquitetónico e pela sua impermanência no espaço. Face ao exposto, nesta dissertação é abordada outra forma de construir e de olhar a arquitetura, ao explorar temas como a adaptabilidade, a flexibilidade do espaço e a sua influência na durabilidade de um edifício. Por conseguinte, pretende-se perceber de que forma é benéfico desenhar um edifício capaz de se moldar à imprevisibilidade do tempo, e que se integre de forma “permanente” num local e até que ponto a escolha de certos materiais, a priori, menos sustentáveis, poderá exponenciar o tempo de vida do edifício e, assim, inverter a sua inviabilização. Esta abstração é explorada através do exercício desenvolvido na Unidade Curricular de Atelier de Projeto I e II B, através do projeto de um edifício de caráter educativo e de apoio à comunidade. Este foi pensado de forma a servir o programa a que é proposto, segundo uma estrutura que lhe possibilita transformar-se e adaptar-se a outros utilizadores e utilizações. O estrutural é desenhado enquanto arquitetura e, assim, o edifício será capaz de sobreviver e ser um ponto integrante e parte da identidade da urbe. Palavras-Chave: Adaptabilidade, Flexibilidade, Durabilidade, Permanente, Semi-Permanente 15 ESTRUTURA A presente dissertação de tese procura analisar o processo de desenvolvimento do exercício prático proposto pela unidade curricular de Atelier de Projeto. Este divide-se em duas fases espelhadas em dois capítulos. O primeiro capítulo é dedicado à primeira fase do trabalho, a escala urbana. Aqui é realizada uma contextualização histórica e geográfica da cidade de Coimbra com o objetivo de entender o seu crescimento urbano com especial enfoque na área de trabalho. Deste modo, é feita uma análise e levantamento do território para entender o envolvente e suas problemáticas e elaborar uma proposta de intervenção urbana capaz de integrar e organizar a urbe. Para tal, a documentação fotográfica e planificada do local foi essencial para confrontar as urbanidades envolventes com o terreno em foco e, assim, definir que elementos do conjunto teriam as condições mínimas para serem reintegrados no novo plano urbano. Por conseguinte, é delineada uma estratégia que insere parte do pré-existente e integra os principais eixos provenientes, tanto do envolvente, como inerentes ao terreno e, deste modo, dignificar e manter a identidade do local tanto ao nível da escala do edificado, como da organização do mesmo. O segundo capítulo é direcionado à proposta de equipamento público. Este vem resolver um ponto de grande tensão urbanística, dado que se implanta no ponto charneira entre Vila Franca e a urbanização da Quinta da Portela. Nesta fase, desenvolve-se o principal objeto do trabalho, um edifício que, situado num ponto de tamanha singularidade, vem criar um nó entre estas duas urbanidades ao desenhar um limite que tanto define o seu perímetro exterior, como resolve a problemática do ponto de tensão urbano. Dado o seu caráter educacional e de apoio à comunidade, e tendo em conta o local em que se insere, o desenvolvimento de um projeto desta natureza permite uma 17 abordagem a questões como a adaptabilidade e flexibilidade e como estas podem garantir uma maior a durabilidade e permanência do edifício enquanto organizador urbano. Estes tópicos levam ao estudo da estrutura enquanto objeto arquitetónico e em que medida pode promover a viabilidade do edifício aquando de uma mudança de função e/ou utilização que não aquela para a qual foi inicialmente concebido. A dicotomia entre permanente e semi-permanente ganha voz através do uso da materialidade que é aprofundada construtivamente no fim deste capítulo. Por fim, as propostas, tanto urbana, como do edifício são acompanhadas pelo correspondente material gráfico e, em anexo, os desenhos rigorosos na sua verdadeira escala. 19 PRÓLOGO “The architect is put under the greatest pressure to stick closely to the precisely worded requirements of the brief. This automatically produces buildings with all too specific quality. I’m not saying ‘fuck the programme’, just that each project must be suited to the brief - and so much more. So, you have to be aware that the programme is only a temporary thing that may even have lost its validity by the time the project is in place.” 1 1 Leupen, B. (2006). Frame and generic space: A study into the changeable dwelling proceeding from the permanent, 82 Fig. 1 - Imagem Aérea Cidade de Coimbra 21 I. OBJETO DE TRABALHO 1.1. Análise do Objeto de Trabalho Localizada a sul da freguesia de Coimbra, Vila Franca é geograficamente delimitada pelo Pinhal de Marrocos a Norte, pela via automóvel N17 a Sul, e pela urbanização da Quinta da Portela e o Pólo Universitário II a Nascente e Poente, respetivamente. Este fragmento de terreno corresponde ao espaço remanescente entre os dois planos urbanos acima referidos que não estabelecem contacto e formam um vazio entre si. Ambos recentes intervenções (meados do século XX) no espaço urbano Conimbricense, derivam de dois tipos de expansão urbana de que a cidade de Coimbra é alvo ao longo da história, sob influência da Universidade, e independente da mesma. O Pólo II surge no seguimento do Pólo 0, na rua da Sofia, e do Pólo I, na Alta da cidade, juntamente com o Pólo III, com o objetivo de distribuir as faculdades da Universidade de Coimbra por áreas de estudo e, assim, providenciar melhores condições aos estudantes e exponenciar o crescimento e a qualidade do ensino. Com os planos de Mercês Vieira e Camilo Cortesão, o Pólo II transportou o crescimento urbano e a Faculdade de Ciências e Tecnologias para a zona sul do Pinhal de Marrocos. Mais tarde, motivada pela incrementação da urbanidade junto ao rio por parte do Pólo II, que acaba por promover uma nova dinamização e estruturação ao crescimento urbano, surge a urbanização Quinta da Portela, (em memória à herdade cuja área passou a ocupar para se implantar), segundo o plano urbano também da autoria de Mercês Vieira e Camilo Cortesão, como complemento a este novo centro funcional urbano. Esta urbanização vem gerar habitação, comércio e outros serviços essenciais à formação de um novo centro urbano, à semelhança de outros, como a Solum, o Bairro Norton de Matos e Celas, e afirma, uma vez mais, a cidade de 23 Coimbra como polarizada, e não monocêntrica como na sua época medieval em que se estruturava em torno de um único centro urbano. É nesta condição de vazio, de vácuo entre o limite de dois planos urbanos que não casam, que o objeto de trabalho se situa. Estende-se num sentido descendente norte-sul em direção ao rio Mondego, até ser recortado pela N17 que interseta o percurso natural do terreno. Esta via automóvel separa o terreno em duas partes, a norte, onde se encontra o Pólo II, Vila Franca e a urbanização Quinta da Portela e, a sul, uma área reservada a oscilações de caudal do rio Mondego na qual apenas são permitidas construções não permanentes por questões de preservação ambiental, como é o caso das estufas de apoio ao estudo académico, por parte do Pólo II. Contudo, apesar de ser um obstáculo físico de peso no território, visualmente, esta via acaba por não significar um grande impacto dado o fraco desnível geográfico do mesmo, e dar protagonismo à paisagem das margens do rio Mondego. Do ponto de vista urbano, é de sublinhar que são o Pólo II e a urbanização Quinta da Portela os principais fatores organizadores do terreno de Vila Franca. Ambos são limites penetráveis com personalidades bastantes próprias. A urbanização Quinta da Portela, por um lado, apresenta uma malha bastante regular e regrada que se destaca pelo contraste entre a sua densidade urbana e permeabilidade. Aqui, é possível identificar uma norma de prédios de habitação com serviços no piso térreo que se repete e adapta ao terreno. Há, no entanto, um elemento que se destaca do resto da urbanização, uma torre, que assume uma implantação diferenciada, num dos extremos mais altos da urbanização, que reclama um papel de protagonismo visível de qualquer ponto do terreno. O Pólo II, por outro lado, apresenta-se com uma malha urbana menos densa bidimensionalmente, na qual conseguimos destacar grandes “vazios” espectantes por construções que permitem respirar as grandes massas correspondentes às Faculdades. Estes planos, desenhados pelos mesmos arquitetos, estabelecem contacto através da N17, a sul, e através da rua Rebolim e da Rua Caminho do Cabeço, a norte. Ambos os percursos contornam o vazio entre planos, Vila Franca, à espera de uma futura ligação mais imediata, apenas percetível pelos arranques de vias automóveis Fig. 8 - Rua da Eira e envolvente próximo - direção urbanização Quinta da Portela Fig. 7 - Rua da Eira e envolvente próximo - direção urbanização Quinta da Portela Fig. 9 - Rua da Quinta da Portela Fig. 10 - Junção entre vias inacabadas - Rua da Eira com Rua da Quinta da Portela Fig. 12 - Rua Caminho do Cabeço Fig. 11 - Rua Caminho do Cabeço Fig. 13 - Rua Casa das Velhas Fig. 14 - Rua Vila Franca Fig. 16 - Nó entre Rua Vila Franca com torção para a Rua da Eira Fig. 15 - Nó entre Vila Franca com torção para a Rua da Eira Fig. 18 - Rua das Figueiras com prolongamento através de caminho de terra Fig. 17 - Rua das Figueiras Fig. 20 - Estado degradado de habitações - Rua das Figueiras Fig. 19 - Estado degradado de habitações - Rua das Figueiras Fig. 21 - Estado degradado de habitações em vielas perpemdiculares à rua da Eira Fig. 22 - Estado degradado de habitações em vielas perpendiculares à rua da Eira Fig. 23 - Prolongamento sul da rua Vila Franca 39 Fig. 24 - Terreno baldio - Vila Franca sul Fig. 25 - Armazéns do Calhabé - Possível eixo viário Fig. 26 - Diagrama do pré-existente e intenções de prolongamento e submissão de vias GSPublisherVersion 1205.0.0.100 GSEducationalVersion 1 2 4 4 321 3 Edificado do Envolvente Pré-existente Centro de Educação e Apoio à Social Edificado adjacente Área verde Envolvente Área verde Proposta para Vila Franca Edifício de Programa Complementar - Espaço Coworking UC Inproplant Edifício de Programa Complementar - Cafeteria Ponte de Conexão Sobre a N17 Fig. 36 - Planta Proposta Urbana 47 contra os limites viários pré-existentes recuperados. De forma mais regular, a sul da rua da Eira dada a malha mais ortogonal, com uma área de implantação modular de 10x10m, possuindo um pequeno jardim no alçado de contacto com a rua ou viela e outro no alçado tardoz, enquanto a norte assume uma área de implantação de 8x15m, de modo a permitir uma mais fácil articulação do espaço dada a maior irregularidade de declive e dos limites do terreno. Aqui, é ainda desenhada uma ligeira torção aquando a mudança de orientação da rua da Eira. Na variante norte, o módulo não possui jardim frontal, ao contrário do módulo sul, mas sim uma entrada direta para a rua ou viela e volta o alçado tardoz para um jardim posterior. As barras de habitação definem uma urbanidade díspar dos planos do seu envolvente, como tal, são definidos dois corredores verdes junto aos limites nascente e poente do bairro que pretendem, através de formas distintas, evitar uma colisão entre as diferentes escalas urbanas e mediar a sua transição. A poente, este véu natural é preexistente e é integrado na proposta de estratégia urbana dada a sua dimensão e peso no terreno. Este grande corredor, contudo, tem vínculos ao Pólo II, com intenções de construção de uma residência de estudantes. Posto isto, é assumido que, apesar de atualmente cumprir com a intenção da proposta, são garantidos acessos e condições para uma possível futura intervenção na área. A nascente, o contexto é diferente. O terreno era maioritariamente baldio o que facilita o seu desenho. Neste caso, o corredor verde serve não só um propósito de respiro entre urbanidades, mas também de servir as comunidades em seu redor como um grande jardim urbano que poderá trazer uma maior dinâmica a Vila Franca e/ou ser utilizado comunitariamente. Em pontos estratégicos do parque urbano inserem-se ainda dois complexos que visam trazer mais vitalidade a Vila Franca, tratando-se de um espaço destinado a Coworking, inserido na interseção da rua Princesa Cindazunda com a rua Paul Harris, num ponto médio do parque e uma cafeteria no extremo sul com contacto direto com a zona mais ampla. Desta forma, este jardim passa a ter como limites a urbanização da Quinta da Portela a nascente, Vila Franca sul a poente, a rua da Eira a norte e a N17 a sul, sobre a qual se irá estabelecer contacto com a margem protegida do Mondego onde se pretende também requalificar os trilhos e acessos à praia de modo a valorizar ainda mais ambos os espaços. Apesar de ser algo que consideramos um fator positivo, de forma a regular Fig. 38Axonometria ilustrativa da inserção do equipamento - Maquete Virtual Fig. 37 - Axonometria ilustrativa da intervenção urbana - Maquete Virtual 49 e controlar a exposição solar em excesso, propomos a utilização de vegetação de folha caduca em arruamentos com direção este-oeste e corredores verdes, de modo a assegurar zonas sombreadas nos dias de Verão em que, na ausência destas zonas, a inexistência de sombras é um fator problemático e/ou desconfortável. São criados corredores de vento com o objetivo de proporcionar microbrisas diurnas e ruas arejadas e agradáveis, e, no inverno, com a queda da folha, permitir a existência de ruas iluminadas e sobre aquecimento solar. É também benéfico do ponto de vista energético e sustentável pelo que permite a utilização de painéis solares e/ou fotovoltaicos com eficiência. GSPublisherVersion 1205.0.0.100 GSEducationalVersion Parque Urbano de Vila Franca Cheios - Edificado Envolvente ao Edifício Proposto Arborização do Parque Urbano de Vila Franca Percursos Pedonais do Parque Urbano de Vila Franca Centro de Educação e Apoio Social Ponto de Entrada Fig. 39 - Planta Proposta Urbana 51 2.2. Proposta do Equipamento para o Centro de Educação e Apoio Social - CEAS 2.2.1. Inserção Urbana O projeto de intervenção para a instalação de um equipamento e espaço público é direcionado ao ensino de creche e/ou pré-escolar e de apoio à comunidade. A área destinada à sua implantação trata-se de um ponto de grande tensão entre duas urbanidades de escalas distintas, a urbanização da Quinta da Portela e Vila Franca. Este ponto consiste num espaço residual derivado da interseção da rua Caminho do Cabeço, da rua da Eira e da rua Eduardo Correia, e destaca um fragmento de terreno, cujas urbanidades não são capazes de integrar, o que torna o espaço ideal para a implantação de um edifício deste caráter. A inserção de um edifício com estas características possibilita transformar um ponto problemático do ponto de vista urbanístico, num ponto charneira que articula as diferentes urbanidades. Este edifício surge na espectativa de responder a três pontos fulcrais: coser o tecido urbano, transportar novas dinâmicas de apoio e interação com a comunidade e ser um edifício capaz de responder à imprevisibilidade do tempo, da sociedade e da economia. Fig. 41 - Planta de Cheios e Vazios - Implantação - Kindergarten Valdaora di Sotto - feld72 Fig. 40Kindergarten Valdaora di Sotto - feld72 Fig. 42Planta 1º. Piso - Kindergarten Valdaora di Sotto - feld72 Fig. 43 - Planta Proposta do equipamento e envolvente próximo GSPublisherVersion 1205.0.0.100 GSEducationalVersion Rua da Eira Rua da Eira Rua José Maria dos Santos Rua Casa das Velhas Rua Caminho do Cabeço Travessa Rua da Eira Rua Paul Harris Travessa Caminho do Cabeço Parque Urbano de Vila Franca Rua Eduardo Correia Rua Quinta da Portela Rua Princesa Cindazunda Rua José Maria dos Santos Rua Casa das Velhas Rua Caminho do Cabeço 53 O edifício proposto, que possui uma área de cerca de 2500m2, implanta-se no topo norte do corredor verde urbano e constrói o seu remate do lado norte da rua da Eira com a rua Caminho do Cabeço, de forma a estabelecer uma relação mais próxima com o mesmo. A intervenção procura construir o limite do local, inserindo-se de forma pacífica e subtil, e envolve-se dentro de muros tanto da própria massa como extensões suas, que acompanham o limite do terreno e desenham simultaneamente o espaço urbano e o edificado. Isto é algo que se verifica no ‘Kindergarten Valdaora di Sotto’ dos arquitetos feld42. Nesta obra, construída em 2016, os arquitetos desenvolvem um projeto que se implanta dentro de uma povoação, Valdaora di Sotto, em Tirol do Sul, Itália. De modo a transmitir uma sensação de segurança e tranquilidade, o edifício é inserido no extremo norte do terreno e estende uma parede-muro circunferencial ao mesmo, exponenciando, dessa forma, o máximo aproveitamento do espaço. Por outro lado, esse mesmo muro enquadra a proposta no contexto urbano de forma serena e impassível, permitindo breves vislumbres do edifício atrás inserido. A sul, o edifício constrói-se segundo um eixo diagonal com a rua da Eira proveniente da flexão da última barra de habitação precedente à intervenção em análise derivada da proposta do novo plano urbano previamente desenhado. Este distanciamento da rua da Eira possibilita ao edifício respirar e ganhar uma dimensão mais maciça e singular, tácito ao seu envolvente. Sobre este recuo, forma-se uma massa imperturbável de betão da qual se levanta um pesado volume com 25m em suspensão, que pretende receber e convidar à entrada no edifício, e apropriar-se do espaço público de uma forma neutra e natural, tal como acontece na obra do arquiteto Álvaro Siza Vieira, a Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, e a proposta apresentada de um concurso para uma Escola de Música em Itália da autoria dos arquitetos Aires Mateus. A Biblioteca Municipal de Viana do Castelo é uma das grandes referências desta proposta. A obra do arquiteto Álvaro Siza Vieira implanta-se na zona ribeirinha de Viana do Castelo. Situada entre o Centro Histórico e o rio Lima, o arquiteto desenha um edifício que se levanta parcialmente sobre o solo reforçando uma sensação de continuidade e coexistência com a margem do rio, apesar de ser uma estrutura pesada, esta procura encontrar equilíbrio e leveza com o seu envolvente. O grande volume Fig. 44 - Biblioteca Viana do Castelo - Álvaro Siza Fig. 45 - Biblioteca Viana do Castelo - Álvaro Siza Fig. 47 - Proposta em concurso para escola de música em Itália - Aires Mateus Fig. 46 - Proposta em concurso para escola de música em Itália - Aires Mateus 55 elevado de 45x45m que inclui um vazio de 20m2 no seu interior, é apoiado num volume térreo em forma de ‘L’ e em dois apoios também em forma de ‘L’. Trata-se de uma obra com uma identidade muito própria cuja estrutura é pensada enquanto arquitetura e só, desta feita, se tornou possível a sua construção. Por sua vez, a proposta apresentada de um concurso para uma Escola de Música em Itália da autoria dos arquitetos Aires Mateus apresenta valores muito semelhantes à Biblioteca Municipal de Viana do Castelo do arquiteto Álvaro Siza Vieira. Nesta proposta, os arquitetos sugerem também um edifício que levanta uma grande massa convidativa à sua passagem. Aqui, no entanto, ao contrário do que acontece na obra de Álvaro Siza Vieira, ao passar o grande pórtico, o espaço a ele sucedido não é atravessado, mas sim percorrido através de uma rampa que contorna a periferia do átrio central, que por sua vez realiza o acesso ao edifício. Todo o átrio é funcional e é responsável pelo acesso exterior aos diversos pisos do edifício. Para o seu interior, viram-se grandes vãos de vidro mediados por grandes ripados de betão que desenham um ritmo em todo o redor do vazio central. Já o exterior do edifício é todo ele vãos cegos, limpos, que deixam à materialidade e a um vão pontual a responsabilidade da sua composição. Nestas obras, a monumentalidade, o peso da construção e, nomeadamente, o momento da entrada, não se impõe nem perturbam a sua envolvente, ao invés disso, afirmam a sua presença e despertam a curiosidade do público a visitar o espaço. Pode considerar-se que tanto o edifício proposto como as obras de referência funcionam, como os espaços de transição, utilizando estas soluções de suspenso, como espaços intermediários e mediadores entre a arquitetura e a cidade, que são convidativos à sua utilização e à ‘apropriação’ por parte da comunidade em que se inserem. São espaços com intenções específicas de um privado, mas que promovem a sua ocupação pelo público e impulsionam, desta forma, a unificação de diferentes vivências e urbanidades, que convergem num ponto comum que as contextualiza de forma natural e intuitiva. O projeto de intervenção para o Centro de Educação e Apoio Social procura não só coser o tecido urbano, como inserir um novo programa funcional e dinamizador da comunidade na qual se encontra inserido. 63 The frame is not just the permanent part of the building: it also embodies the building’s most important architectural and cultural values, which means that the building can react to changes in the requirements imposed on it over time without damaging its essential character.4 É isto que se pretende na proposta do edifício em estudo, um edifício que se consiga adaptar à imprevisibilidade do tempo, da sociedade e da economia. Por conseguinte, o edifício proposto acaba por seguir uma fusão dos conceitos dissertados por Bernard Leupen, um edifício cujos alçados são estruturais, o que possibilita uma maior liberdade de ocupação. No seu interior não é observada uma malha estrutural, vemos sim uma série de lâminas colocadas estrategicamente de modo a serem auxiliares dos principais planos estruturais. A distinção dos espaços não é feita através da convencional porta e guarnição, é conseguida através das diferenças de pé-direito, sendo que o teto assume um papel protagonista no projeto. Apesar de não ser um reflexo puro dos flex-buildings, cujo miolo é um openspace, livre para acolher qualquer tipo de utilização, o edifício é pensado segundo o programa que lhe é incutido e submete-se a uma vontade de responder à mudança. Como defendem René Heijne e Jacques Vink, este é estudado de modo a ser capaz de se adaptar a diferentes utilizações e os seus utilizadores devem ser capazes de adaptar facilmente o seu envolvente. Posto isto, podemos considerar que segue o conceito de flex-building de René Heijne e Jacques Vink é um edifício que se consegue facilmente transformar, independentemente de ter sido pensado segundo um propósito inicial e aceitar diferentes modos de ocupação com intervenções estruturais bastante limitadas. Nestes moldes, obtemos um edifício com uma elevada durabilidade cultural, capaz de se adaptar às circunstâncias sem perder a sua identidade. Ao desenhar uma estrutura enquanto objeto arquitetónico, estamos a reforçar a sua viabilidade e retardar uma possível demolição precoce com pretensão a ceder o espaço a outro edifício e/ou programa. bOb Van Reeth sublinha, Demolition is not sustainable and certainly not durable e, como tal, a estrutura e o edifício devem estar completamente sincronizados e exponenciarem-se mutuamente de modo a aumentar a durabilidade do edifício e, por consequência, também a sua sustentabilidade. 4 Leupen, B., Heijne, R. & Zwol, J. (2005). time-based Architecture, 18 65 2.2.4. Articulação do programa Após distribuir-se o programa esquematicamente pelo edifício e perceber-se a importância de uma arquitetura adaptável e flexível consoante o seu propósito, e como isso pode contribuir para a sua durabilidade, é importante compreender-se como este se articula. Os espaços são todos pensados de uma forma funcional e intuitiva na sua utilização, para estabelecerem contacto uns com os outros, sendo todo o edifício como uma rede de conexões. Paralelamente, a adaptabilidade e flexibilidade, anteriormente base de análise, são outro fator que pesa na definição espacial do edifício. Este assume a estrutura como identidade arquitetónica, sendo possível observar aquilo que é ou não é estrutural, de acordo com a materialidade utilizada. GSPublisherVersion 1205.0.0.100 GSEducationalVersion ALÇADO SU L ALÇADO POENT E ALÇADO NASCENT E Fig. 49 -Desenho Rigoroso - Alçado Sul Fig. 50 -Desenho Rigoroso - Alçado Poente Fig. 51 -Desenho Rigoroso - Alçado Nascente 67 A Entrada No seguimento do espaço exterior público dá-se uma sucessão de momentos até à entrada propriamente dita para o interior do edifício. Um primeiro momento trata-se da aproximação ao volume em betão claro e neutro, que se insere rigorosamente no terreno com a missão de articular todo o seu envolvente. O seu peso e imponência marcam presença junto de um grande suspenso com 25m de comprimento que esconde o seu interior por detrás de um alçado impenetrável que estimula à sua passagem. Chegamos ao segundo momento, o grande átrio exterior. Passada a massa suspensa, entra-se noutra realidade, um espaço aberto e acolhedor, cujos alçados já não são no tímido betão que preserva a verdadeira identidade do seu interior, mas sim grandes planos envidraçados que possibilitam uma breve perceção do que escondem, sobre um plano de betão que é transportado dos alçados exteriores para o piso superior do grande espaço descoberto. O átrio, é envolvido pelo grande suspenso que se prolonga pelas suas laterais, agora permitindo breves vislumbres do seu interior através de lâminas de betão que dão textura ao plano de vidro que se encontra num segundo nível mais reservado, criando um anel que pousa sobre os grandes planos de vidro térreos. Este anel, recua a norte de forma a soltar o piso inferior e criar a entrada principal do edifício. Possibilita também controlar a incidência de luz direta e indireta, de modo a otimizar a utilização do espaço. GSPublisherVersion 1205.0.0.100 GSEducationalVersion 46,5 44,0 Fig. 52 -Desenho Rigoroso - Planta à cota 44 GSPublisherVersion 1205.0.0.100 GSEducationalVersion CORTE AA ' CORTE BB ' Fig. 54 -Desenho Rigoroso - Corte BB’ Fig. 53 -Desenho Rigoroso - Corte AA’ 69 Espaços de Apoio Comunitário, Sociais e de Convívio (atividades sociais, culturais e associativas) Cafeteria/Foyer de Entrada e Auditório Após percorrer o átrio principal, delimitado pela volumosa massa betonada suspensa que fomenta a entrada monumental, surge um grande plano envidraçado que esconde o seu interior e reflete uma continuidade do exterior que se materializa ao abrir os grandes painéis de vidro ao difundir o exterior com o interior. A cafeteria desenvolve-se como o momento de entrada do edifício. Assume um papel protagonista no foyer de receção e desenha o balcão no seguimento de um grande volume estrutural (que integra desde a copa e a cozinha, a um grande espaço para arrumos e para a oficina de manutenção, e a casas de banho) de modo a voltar o espaço para o exterior, para onde se pode expandir e apropriar. Como elemento delimitador do espaço, ao lado oposto do balcão encontra-se a caixa de escadas que, para além da função de percurso e conexão que cumpre ao interligar os dois pisos, responde a uma função estrutural num plano recuado e cria, assim, um acesso dissimulado à área do elevador e outros serviços. É este elemento que vem servir de mediador entre o espaço do foyer de entrada com um espaço que este se encontra agregado, a sala do auditório. Com capacidade para acolher 100 lugares, a sala do auditório é um espaço relativamente mais complexo. Este é pensado segundo a premissa de ser um espaço polivalente e flexível ao permitir a sua utilização com ou sem bancadas através de um sistema de bancada retrátil que, quando retirados os gavetões, usufrui de 10 níveis de bancadas e quando retraídos, ficam sobrepostos por trás de grandes painéis lacados que permitem a sua arrumação oculta. Quando montadas as bancadas, podem ser acedidas tanto através do piso superior como do piso térreo, dado o duplo pé direito. Uma vez que se posiciona junto do alçado poente, praticamente cego, este espaço usufrui de três pontos de iluminação natural, a nascente, dos grandes alçados envidraçados em ambos os pisos, a poente, através de um vão enquadrado com a entrada do piso superior, e a sul, através do pátio suspenso no seguimento da biblioteca, que fornece luz zenital reforçando assim a profundidade da grande sala. GSPublisherVersion 1205.0.0.100 GSEducationalVersion CORTE C C' CORTE D D' Fig. 55 -Desenho Rigoroso - Corte CC’ Fig. 56 -Desenho Rigoroso - Corte DD’ 71 Área Administrativa e Espaços de atividades de OTL (Ocupação de Tempos Livres) O volume que se destina a estas parcelas do programa surge no prolongamento do grande alçado sul que, dado o seu afastamento da massa principal construída, permite um desenho do espaço por patamares num crescendo em torno de um vazio central, o átrio interior. No seguimento da área da cafeteria, que cria um afunilamento em direção a nascente, forma-se um segundo balcão, da secretaria, que conduz para o grande átrio com iluminação zenital que se difunde entre dois volumes maciços suspensos que pesam sobre o espetador e amplificam a profundidade espacial. Este grande vazio forma percursos de circulação na sua periferia sob a forma de patamares nivelados a diferentes cotas. No piso baixo, à cota 44, forma um pátio que possibilita o seu atravessamento e dá acesso a toda a zona administrativa que, por sua vez, se vira para o átrio principal de entrada. Através de duas escadarias, uma em cada ponta da nave, é possível o acesso às salas de atividades do OTL, à cota 46,5, e às salas de estudo e biblioteca à cota 49, no piso superior. A zona administrativa e as salas de atividades do OTL seguem o código material do edifício, inserem-se na estrutura de betão e são desenhadas através de elementos de CLT que as caracterizam e lhes atribuem a sua função. No piso térreo, este trabalho é feito através do desenho de móveis que se encostam às paredes estruturais e às lajes. São os próprios móveis que integram a porta de entrada para as salas da direção, de reuniões, do arquivo e do psicólogo. Da mesma forma que os móveis gerem o espaço administrativo, esta lógica repete-se no resto do edifício. No meio piso onde se inserem as salas de atividades do OTL, o peso do betão é acentuado ao pousar nos painéis de CLT. Aqui, o CLT desenha armários que recolhem as grandes portas de correr que dão acesso às salas. As salas são organizadas aos pares, formando um total de quatro salas de atividades. Todas elas possuem um grande vão continuo a nascente que dá acesso ao espaço exterior consequente do prolongamento dos muros do alçado poente. Cada uma usufrui também de uma sala de apoio em mezanino que se sobrepõe parcialmente sobre a área da sala de atividades, no seguimento do armário da entrada. É também GSPublisherVersion 1205.0.0.100 GSEducationalVersion 46,5 49,0 A E F F' B' C' D' E' 44,0 B CD Fig. 59 -Desenho Rigoroso - Planta à cota 49 79 Espaço de Educação Pré-Escolar e Creche Neste setor do edifício, dada a sua irregularidade, a forma como os espaços são trabalhados permite uma maior liberdade e criatividade, sendo tirado proveito de uma massa com um pé direito total de 4,25m que é trabalhado de modo a ser o próprio teto a assumir o papel protagonista na distinção e caracterização dos espaços. Como tal, após entrar no edifício pelo átrio, é visível um trabalho geométrico do teto que desenha o espaço à medida que é percorrido. É através deste foyer de entrada, num ambiente cujo ponto de fuga escapa por entre volumes localizado a poente, que o acesso aos espaços é consumado, à sua esquerda o pré-escolar, à direita a creche, e inseridos na reentrância que as massas criam para o vão, os sanitários comuns, a sala de reuniões para os encarregados de educação e a sala de cuidado médico. O espaço do pré-escolar corresponde à grande área da massa construída entre átrios. Esta é definida por um bloco de quatro salas com 50m2 cada, que corresponde à massa do anel laminado que recua 5m em relação ao átrio principal. Voltam-se para poente e destacam um pé direito total junto dos vãos de forma a possibilitar uma intensa iluminação, que é moderada pelas lâminas de betão. A transição destas salas para a grande sala polivalente é feita através do sistema de ‘boxes’ de CTL com porta de correr já utilizado. Neste caso, no entanto, as caixas são desenhadas de acordo com o programa onde se inserem. Enquanto, para o exterior, a sala polivalente, seguem a mesma linha das restantes, no interior integram uma área de cacifos na entrada, um balcão de serviço com lavatório voltado para a sala e, no seu interior, duas cabines de sanitários e um espaço para a utilitário e de arrumação auxiliar para penicos, dada a faixa etária das crianças. Esta ‘box’ é repetida nas quatro salas de atividades, afastando-se das paredes estruturais em betão que as dividem de modo a criar estreitas reentrâncias entre as salas. Dado que estes elementos são efémeros e não estruturais, admitem uma altura de 2,5m, pelo que, o teto rebaixa até aos 3m de modo a comprimir estes elementos sem nunca lhes tocar. Como elementos independentes definidores do espaço, inserido neste rebaixo do teto, surgem clarabóias que vêm iluminar o interior das boxes e salientar o afastamento do elemento com o teto e criar véu de luz difusa que também ajudará a criar a distinção espacial. 81 A sala polivalente, com 150m2 é um espaço completamente amplo e acolhe a área do refeitório e do momento de entrada no edifício. Sem qualquer elemento de parede ou pilar é, uma vez mais, o trabalho do pé direito que dá pistas sobre os “limites” espaciais. Dado que se trata de uma sala polivalente, a polivalência, aliada à sua adaptabilidade e flexibilidade são as premissas no seu desenho. Como tal, o espaço pode ser usado tendo em conta os programas requeridos, sendo a área com pé direito mais elevado destinada à sala polivalente e, junto aos grandes vãos contínuos de vidro, a área de pé direito mais baixo direcionada ao espaço do refeitório e do foyer de receção. No entanto, caso seja necessário um espaço de maiores dimensões, a sala polivalente pode assumir a totalidade da área apenas retirando o mobiliário específico dos outros programas. Este espaço estabelece, ainda, contacto direto com o átrio exterior que lhe é próximo. À semelhança dos espaços da cafeteria e do auditório, aqui também o espaço interior se pode expandir para o átrio de entrada ao abrir os grandes painéis de vidro que os delimitam. Ao nível estrutural, coincidentes com o desenho das molduras dos caixilhos, são utilizadas lâminas de ferro maciças que suportam a viga sobre o vão e, em conjunto com as paredes estruturais, suportam a massiva cobertura sobre o vazio. Na área do refeitório e do foyer, o teto não é falso, assume o mesmo rebaixo visível no exterior, como forma de aumentar a incidência de luz no átrio de entrada. Posto isto, no seguimento viga suportada pelas lâminas de ferro, é utilizada uma viga em pescoço de cavalo a 90º, que vence não só um vão irregular com cerca de 10m no ponto de maior extensão, mas também molda a forma interior e exterior do edifício. A poente, no seguimento da parede estrutural do auditório, insere-se a área da cozinha, da copa, dos vestiários do pessoal e das instalações sanitárias comuns, que desenham o alçado poente da sala polivalente. O espaço do pré-escolar tem a possibilidade estabelecer contacto com o restante edifício. Através da caixa de escadas e do corredor superior do auditório que dá acesso à biblioteca, a circulação e utilização de ambos os espaços tornam-se mais acessíveis dado que o edifício pode ser usado fora do horário escolar. A norte do átrio de entrada insere-se o programa destinado à creche, sendo 83 utilizado o mesmo sistema organizativo do pré-escolar, o que possibilitará que os programas se possam juntar, no caso de o pré-escolar necessitar de se apropriar das salas da creche ou vice-versa. Como tal, as duas salas do berçário assumem uma dimensão idêntica às do pré-escolar e utilizam o mesmo sistema de ‘boxes’ com porta de correr, com a particularidade de o balcão servir agora como fraldário. A norte, as salas abrem-se para um pequeno pátio que ilumina as salas de forma controlada e permitem o contacto das crianças com o espaço exterior de modo seguro dadas as fragilidades próprias da faixa etária a que o espaço é destinado. Também à semelhança do pré-escolar, o espaço polivalente é usado como área de circulação e corresponde ao vazio entre os berçários e o plano de vidro que estabelece contacto com o átrio de entrada para onde, de forma idêntica, o espaço se pode expandir. Por último, a sala de snoezelen encontra-se localizada no ponto de torção do edifício entre as salas do berçário e do lado cego das salas de reuniões para os encarregados de educação e do acompanhamento médico. Este espaço apresenta um curto vão comum ao pátio dos berçários e desenha a sua entrada no seguimento das boxes de entrada dos mesmos, através de uma porta de correr que é recolhida angularmente para dentro de um armário da sala. O baixo nível de luminosidade é o indicado à finalidade do programa e situa-se estrategicamente num ponto intermédio entre os berçários e o resto do edifício, algo que permitirá reduzir o nível de ruído. Os espaços de circulação e polivalência destes dois programas possibilitam uma utilização contínua do espaço, no entanto a sua autonomia é assegurada através de um painel rotativo que funciona como limite parcial. 85 2.3. Definição Material e Construtiva O edifício acolhe programas distintos, a proposta procura conseguir soluções que sejam comuns e/ou sigam a mesma linguagem dado se tratar de um corpo único que, independentemente do programa que nele se insere e articula, a sua essência deve ser imutável. Por conseguinte, a análise e desenho da estrutura são fulcrais no desenvolvimento da proposta e seus espaços, até porque o edifício assume uma forma singular trabalhada em função do terreno, cujos limites e relevo apresentam uma elevada irregularidade. A proposta tem como intenção responder ao programa que lhe é incutido, representar algo capaz de enfrentar mudanças e adaptar-se à imprevisibilidade que o tempo motiva. Ao desenhar uma estrutura enquanto identidade arquitetónica, é possível garantir que, independentemente do que possa acontecer, o programa é o único aspeto que pode ser temporário pois não se está a desenhar um edifício apenas em função de um programa, mas sim um edifício que está preparado para a possibilidade de este programa lhe ser retirado e/ou alterado e, ainda assim, continuar a fazer sentido. O código material é simples, o betão e estrutura metálica representam aquilo que é estrutural e, pela mesma lógica, permanente. Os tetos falsos em gesso cartonado branco, representam elementos que não são estruturais, mas que definem a forma interior e transições espaciais dentro do edifício. Os elementos em CLT, dividem e desenham os espaços de modo a responder às necessidades do programa. São componentes destacáveis do edifício, que o caracterizam, mas não são estruturais. GSPublisherVersion 1208.0.0.100 GSEducationalVersion FCTUC - Departamento de Arquitetura. Dissertação de Mestrado em Arquitetura Adaptabilidade do Espaço. Adaptabilidade e Flexibilidade como Valências contra o Rigor do Tempo Orientador: Prof. Doutor Joaquim Carlos Pinto de Almeida João Miguel Almeida Marques Dezembro de 2022 AXONOMETRIA ESTRUTURA L CORTE BB' . ESC: 1.100 CORTE BB' FRACIONADO . ESC: 1.20 010 Escala: 1:20 Definição Construtiva Fig. 60 -Desenho Rigoroso - Pormenorização 1:20 87 2.3.1. Aspetos Estruturais A estrutura é um dos fatores de maior importância na conceção da proposta, desde a forma como aborda e assenta no terreno à forma como organiza o edifício e as suas espacialidades, existindo a estrutura, existe o edifício. O assentamento trata-se da estrutura base a todo o edifício e desenvolve-se a duas cotas respetivas aos dois pisos que compreende, à cota 44 e à cota 49. Este integra uma laje de betão de 20cm, sobre duas camadas, betão de nivelamento e betonilha de regularização, ambas com 10cm de espessura e separadas por uma tela geotêxtil. A partir do embasamento desenvolvem-se elementos, fachadas e paredes estruturais em betão que se inserem em pontos fulcrais do projeto e, em simultâneo desempenham funções em termos de coerência e definição espacial segundo uma amálgama de conceitos relativos aos flex-Buildings, suport, carcass e frame. No caso, são usadas paredes com 25cm de espessura de betão armado com acabamento liso C30/37 e, no caso das fachadas, betão hidrófugo com o mesmo acabamento e uma camada de isolamento térmico de poliestireno extrudido de 8cm seguida de um revestimento interior de betão com acabamento idêntico ao previamente referido, com 12cm. O volume da biblioteca, em contrapartida, apresenta uma estrutura metálica que lhe permite vencer o grande vão de 25m sobre o qual se encontra suspenso. Esta estrutura consiste num sistema de treliças metálicas tipo Pratt, composta por perfis metálicos HEB 240 E 200, que correspondem a pilares e diagonais respetivamente, assentes sobre perfis metálicos HEB 900 que, por sua vez, são envolvidos em betão armado. Estas vigas têm como função amarrar as vigotas, cujos perfis são idênticos às diagonais e são espaçadas com 2,5m de intervalo e suportar o volume. Sobre e sob estas vigotas, ancoram as lajes estruturais, de cobertura em betão armado de 20cm e revestimento exterior em betão armado hidrófugo com acabamento liso C30/37, respetivamente. Estas lajes estruturais inserem-se numa laje com 1m de espessura revestidas pelo betão do alçado e são trabalhadas de formas distintas dadas as suas finalidades, uma de cobertura e outra com piso no interior e revestimento inferior. A laje da cobertura integra a laje estrutural superior. Sobre esta, é aplicado poliestireno extrudido de 10cm de modo a isolar termicamente a cobertura e então 95 Ao trabalhar a estrutura, enquanto elemento arquitetónico, e ao trazer os materiais na sua elementaridade para o projeto, foi possível desenvolver um trabalho sólido, que reflete investigação, experimentação e que resultou numa grande aprendizagem. 97 BIBLIOGRAFIA Consiglieri, V. (1995). A Morfologia da Arquitectura 1920-1970, 2ª ed. Lisboa: Editorial Estampa Deplazes, A. (2018), Constructing Architecture: Materials Processes Structures, 4ª ed. Suiça: Birkhauser Jodidio, P. (1996), Tadao Ando, TASCHEN Hertzberger, H. (2016). Lessons for students in Architecture, 7ª ed. Roterdão nai010 Koolhaas, R. & Mau, B. (1995). S, M, L, XL, The Monacelli Press Leupen, B., Heijne, R. & Zwol, J. (2005). time-based Architecture, Roterdão: 010 Publishers Leupen, B. (2006). Frame and generic space: A study into the changeable dwelling proceeding from the permanent, Roterdão: 010 Publishers Mangado, F. (2018), TC 134/135 - Francisco Mangado: Arquitetura 2017-2018, TC Cuadernos Mateus, A. (2020), TC 145 - Aires Mateus: Arquitectura 2003-2020, TC Cuadernos 99 Menos é Mais (2021), TC 111 - Menos é Mais: Francisco Vieira de Campos y Cristina Guedes - Arquitetura 2000-2013. TC Cuadernos Moura, E. (2012), TC 64 - Eduardo Souto de Moura: Arquitetura 1994-2004, TC Cuadernos Moura, E. (2016), TC 124/125 - Eduardo Souto de Moura: Arquitetura 2005-2016 . HABITAR, TC Cuadernos Rasmussen, S. (2012). La Experiencia de la arquitecturat, Barcelona: Editorial Reverté Siza, S. (1996), Obras e Projectos, Electa 101 WEBGRAFIA ARX Arquitectos: Casa em Leiria. Disponível em: https://www.arx.pt/projecto/casa-emleiria/ Cabral, A. (2018), Arquitetura e Memória: Proposta de meabilitação das moagens de Mértola. Disponível em: https://estudogeral.sib.uc.pt/handle/10316/81499 Coelho, C. (2017), Life within architecture from design process to space use: Adaptability in school buildings today - A methodological approach. Disponível em: https://eg.uc.pt/ handle/10316/86931 Correia, T. (2015), O Lado Solar do Tempo do Fascismo: Lisboa sob o olhar do Novo Cinema Português. Disponível em: https://estudogeral.sib.uc.pt/handle/10316/30056 Ferreira, C. (2007), Coimbra aos Pedaços:Uma Abordagem ao Espaço Urbano da Cidade. Disponível em: https://eg.uc.pt/handle/10316/13799 103 FONTES DE IMAGENS Fig. 1 - Vista Aérea de Coimbra, desenho do autor Fig. 2 - Rua José Manuel dos Santos, fotografia do autor Fig. 3 - Rua Abílio Fernandes, fotografia do autor Fig. 4 - Rua Abílio Fernandes, fotografia do autor Fig. 5 - Rua da Eira, fotografia do autor Fig. 6 - Rua da Eira e envolvente próximo - direção Pólo II, fotografia do autor Fig. 7 - Rua da Eira e envolvente próximo - direção urbanização Quinta da Portela, fotografia do autor Fig. 8 - Rua da Eira e envolvente próximo - direção urbanização Quinta da Portela, fotografia do autor Fig. 9 - Rua da Quinta da Portela, fotografia do autor Fig. 10 - Junção entre vias inacabadas - Rua da Eira com Rua da Quinta da Portela, fotografia do autor Fig. 11 - Rua Caminho do Cabeço, fotografia do autor Fig. 12 - Rua Caminho do Cabeço, fotografia do autor Fig. 13 - Rua Casa das Velhas, fotografia do autor Fig. 14 - Rua Vila Franca, fotografia do autor Fig. 15 - Nó entre Vila Franca com torção para a Rua da Eira, fotografia do autor Fig. 16 - Nó entre Rua Vila Franca com torção para a Rua da Eira, fotografia do autor Fig. 17 - Rua das Figueiras, fotografia do autor GSPublisherVersion 1198.0.0.100GSEducationalVersion FCTUC - Departamento de Arquitetura. Dissertação de Mestrado em ArquiteturaAdaptabilidade do Espaço. Adaptabilidade e Flexibilidade como Valências contra o Rigor do TempoOrientador: Prof. Doutor Joaquim Carlos Pinto de AlmeidaJoão Miguel Almeida MarquesDezembro de 2022 1232385671467854PLANTA DE INSERÇÃO URBANA001Escala: 1:1000Planta de Inserção Urbana Edificado do Envolvente Pré-existenteEdificado da Proposta Urbana para Vila FrancaEdificado adjacenteÁrea verde EnvolventeParque Urbano de Vila FrancaUC InproplantPinhal de MarrocosPólo Universitário IICentro de Educação e Apoio SocialEspaço de CoworkingUrbanização de Vila FrancaUrbanização da Quinta da PortelaCentro de Educação e Apoio SocialCafeteria do Parque Urbano de Vila Franca N17 Rua Luís Reis dos SantosRua Dom Francisco de LemosRua Sílvio Lima Rua Miguel Bombarda Rua da Eira Rua da Eira Rua Caminho do Cabeço Rua Caminho do Cabeço Rua Princesa CindazundaRua Maria Vitória Bourbon BoboneRua Maria Vitória Bourbon BoboneRua Princesa Cindazunda Rua Rebolim Rua FigueirasRua Vila Franca Rua José Maria dos Santos Rua José Maria dos Santos Rua Casa das VelhasRua Casa das Velhas Rua Caminho do Cabeço Rua Vila Franca Rua Vila FrancaRua Vila FrancaRua Abílio FernandesRua Abílio FernandesTravessa Rua da EiraTravessa Rua da Eira Rua Paul HarrisRua Paul HarrisRua Paul Harris Rua O ConimbricenseRua O Conimbricense Rua Eduardo CorreiaRua Eduardo CorreiaRua Eduardo CorreiaAlameda Marquesa de PomaresAlameda Marquesa de PomaresAlameda Marquesa de Pomares Rua Quinta da PortelaRua Quinta da PortelaRua Quinta da PortelaRua Princesa Cindazunda Rua Ruben A.Rua Ruben A.Rua Ruben A. N17 N17 N17 N17 Rua Albert Einstein Rua Albert Einstein Rua Albert Einstein Rua Pedro Hispano Rua Pedro Hispano Rua Pinhal de Marrocos Travessa Caminho do Cabeço Parque Urbano de Vila FrancaParque Urbano de Vila FrancaParque Urbano de Vila Franca Ponto de Entrada GSPublisherVersion 1198.0.0.100GSEducationalVersion FCTUC - Departamento de Arquitetura. Dissertação de Mestrado em ArquiteturaAdaptabilidade do Espaço. Adaptabilidade e Flexibilidade como Valências contra o Rigor do TempoOrientador: Prof. Doutor Joaquim Carlos Pinto de AlmeidaJoão Miguel Almeida MarquesDezembro de 2022002Escala: 1:1000Planta de Inserção Urbana - Cheios e Vazios Parque Urbano de Vila FrancaCheios - Edificado Envolvente ao Edifício PropostoArborização do Parque Urbano de Vila FrancaPercursos Pedonais do Parque Urbano de Vila FrancaCentro de Educação e Apoio SocialPonto de Entrada GSPublisherVersion 1198.0.0.100GSEducationalVersion FCTUC - Departamento de Arquitetura. Dissertação de Mestrado em ArquiteturaAdaptabilidade do Espaço. Adaptabilidade e Flexibilidade como Valências contra o Rigor do TempoOrientador: Prof. Doutor Joaquim Carlos Pinto de AlmeidaJoão Miguel Almeida MarquesDezembro de 2022 ESPAÇO DE COWORKINGCENTRO DE EDUCAÇÃO E APOIO SOCIAL PERFIL PP'P'PPLANTA DE INSERÇÃO URBANA003Escala: 1:500Planta de Inserção Urbana; Perfil PP' Rua da Eira Rua da Eira Rua Paul Harris Travessa Rua da Eira Rua Vila Franca Rua Abílio FernandesRua Abílio Fernandes Rua Luís Reis dos SantosRua Sílvio Lima Rua Rebolim Rua José Maria dos Santos Rua FigueirasRua Vila Franca Rua José Maria dos Santos Rua Casa das VelhasRua Casa das Velhas Rua Dom Francisco de Lemos Rua Princesa Cindazunda Rua Eduardo CorreiaRua Eduardo Correia Rua Quinta da Portela Travessa Caminho do Cabeço Rua Caminho do Cabeço Rua Caminho do Cabeço GSPublisherVersion 1199.0.0.100GSEducationalVersion FCTUC - Departamento de Arquitetura. Dissertação de Mestrado em ArquiteturaAdaptabilidade do Espaço. Adaptabilidade e Flexibilidade como Valências contra o Rigor do TempoOrientador: Prof. Doutor Joaquim Carlos Pinto de AlmeidaJoão Miguel Almeida MarquesDezembro de 2022 46,544,0 PLANTA À COTA 4423457810111612131415181691719004Escala: 1:150Planta à cota 44 1. Pátio de Entrada2. Espaço de Entrada e Receção3. Copa4. Cafeteria5. Arrecadação Geral e Oficina de Manutenção6. Instalações Sanitárias7. Sala Polivalente / Auditório8. Sala de Apoio para AVAC9. Pátio de Apoio10. Abrigo para Contentores do Lixo11. Secretaria12. Direção13. Gabinete de Atendimento14. Gabinete Psicólogo15. Sala de Reuniões16. Pátio Interior17. Espaço de Arrecadação18. Sala de Atividades Recreativas - OTL19. Espaço Exterior de Recreio e Lazer - OTL GSPublisherVersion 1198.0.0.100GSEducationalVersion FCTUC - Departamento de Arquitetura. Dissertação de Mestrado em ArquiteturaAdaptabilidade do Espaço. Adaptabilidade e Flexibilidade como Valências contra o Rigor do TempoOrientador: Prof. Doutor Joaquim Carlos Pinto de AlmeidaJoão Miguel Almeida MarquesDezembro de 2022 46,549,0AEFF'A'B'C'D'E'44,0BCD PLANTA À COTA 4920222123252426262719674531817161513141189102112 005Escala: 1:150Planta à cota 49 1. Espaço de Entrada2. Pátio de Entrada e Recreio - Creche e Pré-Escolar3. Área de Entrada e Receção - Creche e Pré-Escolar4. Sala Polivalente - Pré-Escolar5. Refeitório - Pré-Escolar6. Sala de Atividades - Pré-Escolar7. Box de Apoio - WC Crianças e Cacifos8. Sala de Atividades - Creche9. Berçário10. Box de Apoio - Fraldário e Cacifos11. Sala de Snoezelen12. Pátio de Apoio à Creche13. Gabinete de Apoio / Médico14. Sala de Atendimento aos Enc. Educação15. Instalações Sanitárias Visitantes16. Vestiários com Duche - Pessoal + Lavandaria17. Cozinha18. Arrecadação ao Serviço da Cozinha25. Salas de Apoio aos Estudos - OTL26. Instalações Sanitárias27. Sala Complementar - OTL19. Sala de Material Audiovisual e Projeção20. Pátio Interior21. Espaço de Estar22. Biblioteca23. Área Responsável pela Biblioteca + Arquivo24. Áreas de Estudos - OTL GSPublisherVersion 1198.0.0.100GSEducationalVersion FCTUC - Departamento de Arquitetura. Dissertação de Mestrado em ArquiteturaAdaptabilidade do Espaço. Adaptabilidade e Flexibilidade como Valências contra o Rigor do TempoOrientador: Prof. Doutor Joaquim Carlos Pinto de AlmeidaJoão Miguel Almeida MarquesDezembro de 2022544944544944544944ALÇADO NASCENTEALÇADO POENTEALÇADO SUL006Escala: 1:100Alçados Sul, Poente e Nascente GSPublisherVersion 1199.0.0.100GSEducationalVersion FCTUC - Departamento de Arquitetura. Dissertação de Mestrado em ArquiteturaAdaptabilidade do Espaço. Adaptabilidade e Flexibilidade como Valências contra o Rigor do TempoOrientador: Prof. Doutor Joaquim Carlos Pinto de AlmeidaJoão Miguel Almeida MarquesDezembro de 2022544944544944 SALA POLIVALENTE / AUDITÓRIOSALA DE MATERIAL AUDIOVISUAL E PROJEÇÃOSALA DE APOIO PARA AVACPÁTIO DE APOIOPÁTIO INTERIORABRIGO PARA CONTENTORES DO LIXOARRECADAÇÃO AO SERVIÇO DA COZINHACOZINHAVESTIÁRIOS C/ DUCHEPESSOAL + LAVANDARIAWC VISITANTESESPAÇO DE RECEÇÃOCRECHE E PRÉ-ESCOLARGABINETE ATENDIMENTO AOS ENC. EDUCAÇÃOSALA DE SNOEZELENPÁTIO DE APOIO À CRECHEESPAÇO DE ARRUMAÇÃO DAS BANCADASBIBLIOTECAÁTRIO DE ENTRADAESPAÇO EXTERIOR DE ENTRADA E RECREIOSALA DE ATIVIDADESPRÉ-ESCOLARBOX DE APOIOWC CRIANÇAS E CACIFOSSALA POLIVALENTEÁREA DE REFEIÇÕESÁTRIO DE ENTRADA E RECREIOCRECHE E PRÉ-ESCOLARSALA DE ATIVIDADESBOX DE APOIOFRALDÁRIO E CACIFOSBERÇÁRIOPÁTIO DE APOIO À CRECHE CORTE AA'CORTE BB' ESPAÇO DE ENTRADA E CAFETERIA 007Escala: 1:50Cortes Construtivos AA' e BB' GSPublisherVersion 1198.0.0.100GSEducationalVersion FCTUC - Departamento de Arquitetura. Dissertação de Mestrado em ArquiteturaAdaptabilidade do Espaço. Adaptabilidade e Flexibilidade como Valências contra o Rigor do TempoOrientador: Prof. Doutor Joaquim Carlos Pinto de AlmeidaJoão Miguel Almeida MarquesDezembro de 2022544944 SALA DE ATIVIDADES RECREATIVAOTL 544944 SALA COMPLEMENTAROTLÁTRIO INTERIORSECRETARIAHALL DE ENTRADABIBLIOTECAÁREA DE ESTUDOSOTLSALAS DE APOIO AOS ESTUDOSOTLESPAÇO DE ARRECADAÇÃOESPAÇO EXTERIOR DE ENTRADA À COTA 49 CORTE CC'CORTE DD'008Escala: 1:50Cortes Construtivos CC' e DD' GSPublisherVersion 1198.0.0.100GSEducationalVersion FCTUC - Departamento de Arquitetura. Dissertação de Mestrado em ArquiteturaAdaptabilidade do Espaço. Adaptabilidade e Flexibilidade como Valências contra o Rigor do TempoOrientador: Prof. Doutor Joaquim Carlos Pinto de AlmeidaJoão Miguel Almeida MarquesDezembro de 2022544944544944 SALAS DE ATIVIDADESÁTRIO INTERIORÁREA ADMINISTRATIVASALA DE APOIO AO ESTUDOOTLSALA POLIVALENTE/ AUDITÓRIOSALAS DE APOIO ÀS SALAS DE ATIVIDADESÁTRIO DE ENTRADA E RECREIOCRECHE E PRÉ-ESCOLARÁREA DE ENTRADA E RECEÇÃOCRECHE E PRÉ-ESCOLAR CORTE EE'CORTE FF' ACESSO AO JARDIM EXTERIOR 009Escala: 1:50Cortes Construtivos EE' e FF'