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Dicionário (incompleto) de escritoras madeirenses e de textos de autoria feminina

Macedo, L. S. Ascensão de

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“DICIONÁRIO (INCOMPLETO) DE ESCRITORAS MADEIRENSES E DE TEXTOS DE AUTORIA FEMININA” AUTOR: Laureano Secundino Ascensão de Macedo dicionário (incompleto) de escritoras madeirenses e de textos de autoria feminina Créditos de imagens (da esquerda para a direita, de cima para baixo): Laura Veridiana de Castro e Almeida Soares, Maria Riddell, Lady Emmeline Stuart-Wortley, Maria Rita Schiappe Cadet, Alicia Helen Neva Bewicke Little, Viscondessa das Nogueiras, Matilde Olímpia Sauvaire da Câmara, Emmeline StuartWortley-Mackenzie (bis), Venerável Mary Jane Wilson, Maria Celina Sauvaire da Câmara, Eugénia Rego Pereira, Luzia, Serva de Deus Maria do Monte Pereira, Berta de Ataíde Fonte das imagens: Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira, Wikimedia Commons. Dicionário (incompleto) de escritoras madeirenses e de textos de autoria feminina do século XV até autoras nascidas em 1900 ERMELINDA Matri dilectissimae Índice Introdução ...................................................................................................................................... i Abreviaturas e sinalética ......................................................................................................... xxxvi Dicionário (incompleto) de escritoras madeirenses ..................................................................... 1 Índice de pseudónimos, iniciais e formas alternativas de nome .............................................. 153 Referências bibliográficas ......................................................................................................... 155 vii documental, considerando o arquipélago da Madeira como espaço de experiência de escrita e de criação lato sensu, onde a experiência de escrita não se limita a textos redigidos em português e a nacionalidade como um factor de exclusão. Omitir escritoras inglesas, alemãs e francesas da “literatura madeirense” significaria incorporar o paradigma que tem regido o sistema canónico-literário português de matriz continental para o âmbito insular 26 , ou seja, reproduzir uma lógica de hierarquização, de subordinação ou de exclusão. Seria uma perspetiva muito redutora para conhecer a dimensão da cultura escrita de autoria feminina na Madeira. Partilhamos a mesma perspetiva de Luísa Antunes quando refere que a literatura madeirense “deve ser entendida como riqueza, e não dissolvida numa categoria de provincianismo ou falta de qualidade” 27 . No entanto, rejeitamos a perspetiva prevalecente de considerar a “literatura madeirense” como um subsistema da “literatura portuguesa”, pelas razões que já foram acima apresentadas. Desta forma, em termos de organização deste dicionário, encontra-se estruturado da seguinte forma: esta introdução, para além da parte de apresentação, onde se identificaram os problemas subjacentes na construção deste dicionário, faremos uma <http://digituma.uma.pt/bitstream/10400.13/786/1/48Literaturamadeirenselegitimidadeouarbitrarieda decurricular.pdf> [acessado 4 maio 2019]; José António Gonçalves, “Breve panorâmica da moderna literatura madeirense”, in Cultura Madeirense: temas e problemas, org. José Eduardo Franco (Campo das letras, 2008), XVII, 139–50; Maria Mónica Teixeira, “Tendências da literatura na ilha da Madeira nos séculos XIX e XX” (Universidade Nova de Lisboa, 2005); TP dos Santos, “Madeira: reflexões à margem do sistema cultural português”, Veredas: Revista da Associação Internacional, 2009, 27–42 <http://revistaveredas.org/index.php/ver/article/download/101/101> [acessado 5 maio 2019]; Ernesto Rodrigues, “Olhares sobre a literatura madeirense contemporânea”, in Que saber{es} para o século XXI?: História, Cultura e Ciência na Madeira, org. José Eduardo Franco e Cristina Trindade (Lisboa: Esfera do Caos, APCA –Agência de Promoção da Cultura Atlântica, 2014), p. 413–23; Antunes, “Literatura e literatos: questões e contornos da literatura produzida na Madeira e sobre a Madeira”. 26 Cabral do Nascimento tinha presente esta problemática entre nacionalismos e regionalismos literários em 1925. Este autor tinha presente que as literaturas nacional ou regional não se podem confundir com nacionalismos ou regionalismos literrios, como explicita Salgueiro, “as primeiras como sistemas polifónicos e dinâmicos, constituídos por um repertório de textos e autores que lêem, escrevem e reescrevem (esses e outros textos), mas também por uma comunidade de leitores e instituições que, definindo os seus cânones, validam e/ou questionam os valores aí em circulação”, acrescentando também que “o nacionalismo ou regionalismo literários apenas seriam uma parcela constituinte do sistema literrio, cf. AS Rodrigues, “Nacionalismos/Regionalismos Literrios em Sistemas Literrios Nacionais/Regionais: Revisitação de uma Problemática em Tempos de Crise e de Globalização”, Newsletter CEHA: “Histria da Madeira–Questões e Problemas”, 15 (2012), 22–23 (p. 23) <http://www.madeira-edu.pt/Portals/31/CEHA/Newsletter/Newsletter_15.pdf#page=22> [acessado 6 maio 2019]. 27 Antunes, “Literatura e literatos: questões e contornos da literatura produzida na Madeira e sobre a Madeira”, p. 407. viii revisão de literatura sobre como as escritoras madeirenses têm sido (ou não) representadas nos instrumentos de acesso à informação e na historiografia literária insular; estabeleceremos os parâmetros metodológicos deste estudo, desde à recolha de dados até à sua análise e das regras e convenções utilizadas; apresentaremos os resultados preliminares deste estudo, apontando para pistas futuras de investigação e identificação das limitações encontradas. De seguida, apresenta-se o dicionário biobliográfico, contendo dados mínimos das autoras madeirenses e respectiva produção documental, complementado com bibliografia secundária (quando possível). No fim, apresenta-se as referências bibliográficas utilizadas nesta introdução. Revisão de literatura Curiosamente, um número razoável de escritoras madeirenses encontra-se representado na historiografia literária insular e nos catálogos bibliográficos referentes ao arquipélago da Madeira, contrariamente ao que acontece na produção congénere de âmbito nacional. Somente em obras muito específicas publicadas no continente é que podemos encontrar referências sobre escritoras madeirenses. Refira-se, por exemplo, a antologia “Poetisas Portuguesas” (1917) de Nuno Catarino Cardoso 28 e Teresa Leitão de Barros, em “Escritoras de Portugal: Génio Feminino revelado na Literatura Portuguesa” (1924) 29 . Cardoso foi mais abrangente na recolha de textos poéticos de autoria feminina, compilando textos e elencando autoras madeirenses como Berta de Ataíde, Joana de Castelbranco, Arsénia de Bettencourt Miranda, Maria da Costa Pereira, Luísa Maria Pereira (sic), Emília Acciaiolly Rego Sénior e Viscondessa das Nogueiras. No entanto, Barros criticou veementemente a compilação feita por Cardoso, considerando a produção poética de autoria feminina como não representativa da “boa literatura”. Barros considerou que muitos dos textos coligidos caracterizavam-se por estarem eivados de um “sabor açucarado e piegas” 30 , extraídos na sua maioria dos almanaques, 28 Nuno Catharino Cardoso, “Poetisas portuguesas, antologia contendo dados bibliograficos e biograficos acêrca de cento e seis poetisas.” (Lisboa: Edição e propriedade do auctor, 1917), p. xv, 295 p.. Refira-se que este autor foi marido da escritora madeirense Maria de Cabedo (Vide infra). 29 Teresa Leitão de Barros, Escritoras de Portugal : gnio feminino revelado na literatura portuguesa, 2 vols. (Lisboa: T.L. de Barros, 1924). 30 Barros, vol. II, p. 31. ix antologias, jornais ou monografias que elas “enramalhetaram à vontade, em rimas fáceis, todos os «amores» e «flores» dos seus simbólicos jardins” 31 . Ainda assim, as compilações mais recentes ignoraram a produção de autoras madeirenses anteriores ao século XX 32 , bem como os catálogos eletrónicos especializados 33 . Para identificar textos madeirenses de autoria feminina, é preciso considerar não só algumas obras de referência sobre a Madeira mas também uma panóplia de instrumentos de acesso à informação. Podemos considerar que há seis fontes principais para o conhecimento da produção de autoria feminina publicada na Madeira: nos periódicos literários insulares; nos almanaques e revistas; nas antologias literárias de autores insulares; na publicação monográfica da iniciativa das autoras; em catálogos bibliográficos sobre património documental insular e, por último, na historiografia literária. Passaremos a caraterizar cada um destes aspectos. Desde inícios do século XIX, os jornais madeirenses foram o principal (e por vezes o único) veículo para a publicação de textos literários 34 . É possível encontrar manifestações da “autoria feminina” em “O Patriota Funchalense” (1821) ou em periódicos mais especializados, como “O Beija-Flor” (1842), a “Aurora do Domingo” (1862), o “Archivo Litterario” (1863), “O Crepúsculo” (1865); ou “O Recreio” (18631864), “A Aurora Liberal” (1875-1876) e “A Grinalda Madeirense” (1880-1881), dinamizados pelos discentes do Liceu do Funchal. Os periódicos noticiosos continham, também, secções próprias em colunas ou em folhetins, onde os autores madeirenses publicavam os seus textos. Tais secções cobrem uma grande diversidade genológica, tanto em prosa como em verso, incluindo textos dramáticos. 31 Barros, p. vols. II, 163. 32 Por exemplo, cf. Vanda Anastcio, Uma antologia improvvel a escrita das mulheres, sculos XVI a XVIII (Lisboa: Relógio d’gua, 2013). 33 VV. AA., Escritoras: Women Writers in Portuguese before 1900 (2014). Este catálogo apenas menciona sóror Isabel da Madre de Deus e Matilde Isabel de Santana Vasconcelos. 34 Gina Guedes Rafael e Manuela Santos, Jornais e revistas portugueses do sculo XIX, Reimpressa (Lisboa: Ministério da Cultura, Biblioteca Nacional, 1998); Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira, Catálogo da Coleção de Jornais do Arquivo Regional da Madeira (Funchal, 2016) <https://abm.madeira.gov.pt/idd/QW82>; A. Lopes de Oliveira, Jornais e jornalistas Madeirenses (Braga: Livraria Editora Pax, 1969). x A literatura madeirense de autoria feminina encontrou na imprensa periódica um lugar insubstituível para dar-se a conhecer, subscrevendo anonimamente ou sob pseudónimo, com iniciais do seu nome ou por extenso. No caso do século XIX, a produção literária das escritoras madeirenses encontra-se dispersa em diversos periódicos insulares, na sua maioria, poesia lírica, sendo possível encontrar traduções de autores franceses e ingleses. O desconhecimento que se tem acerca da produção literária de autoria feminina neste meio de publicação deriva, em grande parte, da inexistência de catálogos analíticos, o que implica, na maior parte das vezes, compulsar cada jornal. Os textos de Arsénia Bettencourt Miranda, Joana de Castelbranco, Maria da Costa Pereira, Emília Acciaiolly Rego, entre outras, encontram-se disseminados neste tipo de publicações. Sobre a presença feminina nos jornais madeirenses, Antunes refere que a sua colaboração “demonstra que o processo de formação da mulher e da sua participação estava a desenvolver-se e que esta tinha consciência de que a imprensa podia ser, além de uma forma de divulgação das suas composições poéticas e artísticas, um meio eficaz de comunicação de ideias” 35 . Os almanaques constituem outro veículo de divulgação da produção textual feminina 36 , de periodicidade anual mas com um espaço de divulgação mais amplo do que o espaço insular. O “Almanaque de Lembranças”, fundado por Alexandre Magno de Castilho em 1850, depois “Almanach de Lembranças Luso-Brasileiro”, e, mais tarde, “Novo Almanach de Lembranças Luso-Brasileiro” (1851-1932), para além do “Almanach das Senhoras” (1870-1927), criada por Guiomar Torrezão e Albertina Paraíso, disponibilizavam às escritoras madeirenses um espaço mais alargado de colaboração literária e artística, ou seja, em contexto lusófono. Publicavam igualmente nos almanaques insulares, como no “Almanach Insulano para Açores e Madeira Estatístico, Histórico e Litterrio” (187435 Luísa Marinho Antunes, “‘Suaves modestos sons’ - mulher e poesia na imprensa madeirense da segunda metade do séc. XIX”, in As Mulheres e a Imprensa Periódica, org. Isabel Lousada e Vânia Chaves (Lisboa: CLEPUL, 2014), p. 189–209 (p. 203). 36 Cf. Rosa Maria Galvão e João Luís Lisboa, Os sucessores de Zacuto : o almanaque na Biblioteca Nacional do sculo XV ao XXI (Lisboa: Biblioteca Nacional de Portugal, 2002); Vania Pinheiro Chaves, Isabel Lousada e Carlos Abreu, As senhoras do Almanaque : catlogo da produo de autoria feminina (Lisboa: Biblioteca Nacional de Portugal; CLEPUL, 2014); Vanda Anastcio, “Almanaques: origem, géneros, produção feminina”, Veredas: Revista da Associação Internacional de, 18 (2012), 53–74 <http://www.revistaveredas.org/index.php/ver/article/download/63/63> [acessado 6 maio 2019]. xi 1875) 37 , no “Almanach de Lembranças Madeirense” (1908-1910) 38 e no “Almanach Ilustrado do Dirio da Madeira” 39 (1913), divulgando autoras não só dentro de um espaço inter-insular mas também junto das comunidades madeirenses e açorianas espalhadas pelo mundo. Neste tipo de publicações, as escritoras madeirenses colaboravam não só com textos poéticos mas também com textos em prosa ou com textos lúdicos, como por exemplo charadas, enigmas e logogrifos. No caso das antologias literárias sobre autores madeirenses, que surgem na segunda metade do século XIX, este tipo de publicações constituir-se-á a principal fonte de informação referente à atividade literária realizada no arquipélago 40 . Antologias poéticas como “Flores da Madeira” (1872), de José Leite Monteiro e Alfredo Cesar de Oliveira 41 , e “lbum Madeirense” (1884), de Francisco Vieira 42 , integraram textos de Luísa Maria da Costa Pereira, de Leolinda Jardim Vieira, de Georgina Dias de Almeida, Viscondessa das Nogueiras e Emília Henriqueta Acciaiolly Rego. Muitos dos aspectos relativos a dados biográficos foram elucidados por Alberto Gomes 43 . No entanto, nos inícios do século XX, estas antologias foram criticadas pela falta de refinamento na seleção dos autores 44 . 37 Almanach Insulano para Açores e Madeira Estatístico, Histórico e Litterário para o anno de 1875, org. Augusto Gil, Augusto Ribeiro, e F. J. Moniz de Bettencour (Angra do Heroismo: Typ. da Terceira, 1874); Almanach Insulano para Açores e Madeira Estatístico, Histórico e Litterário para o anno de 1874, org. Augusto Gil e Augusto Ribeiro (Angra do Heroismo: Typ. da Terceira, 1873). 38 Almanach de lembranças madeirense, org. António Feliciano Rodrigues e Jaime Câmara (J.M. da Rosa e Silva, 1908-1910). 39 Almanach Ilustrado do Diário da Madeira, org. Cruz Baptista Santos e Francisco da Silva Reis (Funchal: Empreza do Diário da Madeira, 1913). 40 Cf. Thierry Proença dos Santos e António Fournier, “Antologias, traduções e redefinição dos mapas da cultura – o caso madeirense”, Letras Convida, 6 (2012), 102–11 <http://aclrevistaliteraria.academiacanarialengua.org/la-poesia-en-madeira/> [acessado 7 maio 2019]. 41 Veja-se José Leite Monteiro e Alfredo Cesar de Oliveira, Flores da Madeira. Poesias de diversos authores madeirenses (Funchal: Typ. da Imprensa Livre, 1872). 42 Veja-se Francisco Vieira, Álbum Madeirense. Poesia de Diversos Autores Madeirenses (Funchal: Typographia Funchalense, 1884). 43 Alberto F. Gomes, “Algumas Notas sobre os Poetas das «Flores da Madeira»”, Das Artes e da História da Madeira, 3.14 (1953), 4; Alberto F. Gomes, “Algumas Notas sobre os Poetas das «Flores da Madeira» II”, Das Artes e da História da Madeira, 3.15 (1953), 5. 44 João Cabral do Nascimento, “Literatura madeirense: as poetisas (conclusão)”, Diário de Notícias (Funchal, 27 agosto 1918); Fernando Augusto da Silva, “Poetas Madeirenses. Alguns Subsídios para uma Antologia”, Das Artes e da História da Madeira, 4.24 (1956), 20–24. xii Em 1944, a editora “Eco do Funchal” publicou “Sete Poetas Madeirenses” 45 , contando com a colaboração de Eugénia Rego Pereira. No entanto, uma das antologias mais relevantes do século XX, introdutora de uma nova estética literária, “Arquipélago” (1952) 46 , não consta qualquer colaboração de autoria feminina. Encontraremos apenas em Luís Marino (pseudónimo de Luís Gomes da Silva) uma extensa compilação na sua “Musa Insular” (1959) 47 , que consiste numa abordagem “enciclopédica” sobre a produção poética realizada na Madeira. Já em contexto autonómico, publicaram-se, na esteira do “Arquipélago” (1952), as antologias “Ilha 2” (1978) 48 , “Ilha 3” (1991) 49 , “Ilha 4” (1994) 50 e “Ilha5” (2008) 51 , que reúne a produção poética de escritores madeirenses contemporâneos, já com participação feminina. Em 1986, contudo, publicou-se uma “Antologia Literria: Madeira” 52 , entre os séculos XV e XX (exceto o século XIX), onde a participação feminina anterior a 1900 é praticamente inexistente. Mais tarde, a falta de uma antologia de escritoras madeirenses foi realçada por Ana Margarida Falcão 53 , propondo uma publicação que não chegou a concretizar-se. As escritoras madeirenses coligidas para antologias literárias restringiram-se à produção feita, salvo raras exceções, no século XX e XXI 54 . Conforme se pode verificar, as antologias literárias foram produto das 45 Florival de Passos et al., Sete Poetas Madeirenses, num soneto a Shakespeare (folheto) (Funchal: Tipografia do “Eco do Funchal”, 1944). 46 Aragão Correia et al., Arquipélago ([Funchal]: Editorial Eco do Funchal, 1952). 47 Luís Marino, Musa Insular (Poetas da Madeira), org. Tipografia do Eco do Funchal (Funchal, 1959). Deixou manuscrita a sua continuação Cf. Maria Mónica Teixeira e Ftima Barros, “Arquivos de escritores e investigadores madeirenses: instrumentos descritivos”, Arquivo Histórico da Madeira, 23 (2016), 470– 501. 48 José Sainz-Trueva e José António Gonçalves, Ilha 2 (Funchal: Edição da Câmara Municipal do Funchal, 1979). 49 A. Vieira Freitas e José António Gonçalves, Ilha 3 (Funchal: Edição da Câmara Municipal do Funchal, 1991). 50 Ana Falcão e José António Gonçalves, Ilha 4 (Funchal: Edição da Câmara Municipal do Funchal, 1994) <https://www.worldcat.org/title/ilha-4/oclc/225748565&referer=brief_results> [acessado 7 maio 2019]. 51 Irene Lucília. Andrade, Ilha 5, 1. ed. (Vila Nova de Gaia: 7 dias 6 noites, 2008). 52 Isabel Stephan, ngela Borges e Rui Carita, Antologia literria : Madeira (Funchal: Governo regional da Madeira, Secretaria Regional de educação, 1986). 53 Ana Margarida Falcão, “Mulheres poetas: (Madeira - século XX)”, Margem 2. Funchal, 2005, 38–41; Margarida Falcão, Escritores - viajantes ([Funchal]: Edicarte, 1998). 54 Contos madeirenses, org. João Nelson Veríssimo (Porto: Campo das Letras, 2005); José de Sainz-Trueva et al., Cadernos de Santiago I : colectnea de poesia (Lisboa: Âncora, 2016); Hélder Teixeira e pref. Nelson Veríssimo, Antologia Francisco Álvares de Nóbrega (Machido: Junta de Freguesia, 2010); Giampaolo Tonini, Poeti contemporanei dell’Isola di Madera (Venezia: Centro internazionale della grafica, 2001); xiii circunstâncias e mundividências de cada época e dos critérios estético-literários adotados pelos seus compiladores. No que diz respeito a monografias, o número de publicações é escasso, mas muito representativo. É possível encontrar desde obras originais até traduções de autores estrangeiros, publicando no Funchal, Lisboa, Porto e Paris, por vezes sob forma de literatura de cordel. Entre as principais pioneiras deve-se fazer menção para os romances históricos de Maria do Monte de Santana e Vasconcelos, o romance histórico e texto didático da Viscondessa das Nogueiras, um ensaio histórico de Josefina Perestrelo e um diário de viagens de Celina Sauvaire da Câmara, os romances e narrativa autobiográfica de Luzia e poesias líricas de Berta de Ataíde, de Joana de Castelbranco e Eugénia Rego Pereira 55 . No caso das composições musicais, Amélia de Azevedo publicou em Paris e em Lisboa peças originais para piano e para canto. Quanto às traduções de autores estrangeiros (ou versões do português para língua estrangeira), algumas escritoras madeirenses possuem obras publicadas, com especial realce para Viscondessa das Nogueiras. No que diz respeito aos catálogos bibliogrficos insulares, faz-se especial realce para o “Catlogo bibliogrfico do arquipélago da Madeira” (1950) de José Joaquim Rodrigues 56 e para “Madeira, investigação bibliogrfica” (1982-1984) 57 , baseado no acervo da Biblioteca Municipal do Funchal. Embora muitos dos catálogos bibliográficos se encontrem disponíveis na web, não tem sido conduzida uma pesquisa retrospectiva mais abrangente sobre a produção de autoria feminina. A única abordagem feita neste sentido foi realizada por L. S. Ascensão de Macedo no seu guia biobibliogrfico “Da Voz Maria Aurora Carvalho Homem e Urbano Bettencourt, Pontos luminosos : Aores e Madeira : antologia de poesia do sculo XX (Porto: Campo das Letras, 2006); Lapinha de poesia : antologia de poetas madeirenses, org. Nelson Veríssimo, 1a. ed. (Funchal: IA, Imprensa Académica, 2017); Thierry Proença dos. Santos e Francisco Correia, Levadas da Madeira : uma antologia literria, 1a. ed. (Funchal: Imprensa Académica, 2017); Sainz-Trueva e Gonçalves; Freitas e Gonçalves; Falcão e Gonçalves; Andrade. 55 Sobre as autoras referenciadas, consulte-se a entrada correspondente deste dicionário. 56 José Joaquim Rodrigues, Catlogo bibliogrfico do arquiplago da Madeira (Funchal: Edição da Câmara Municipal, 1950). 57 Gilda Vieira e António de Aragão de Freitas, Madeira : investigao bibliogrfica. Vol. 3 Catlogo por assuntos (Funchal: Centro de Apoio de Ciências Histórias, 1984); Gilda Vieira e António de Aragão de Freitas, Madeira : investigao bibliogrfica. Vol. 2 Catlogo por assuntos (Funchal: Centro de Apoio de Ciências Histórias, 1984); Gilda Vieira e António de Aragão de Freitas, Madeira : investigao bibliogrfica. Vol 1 Catálogo onomástico (Funchal: Centro de Apoio de Ciências Histórias, 1982). xiv à Pluma” (2013) 58 , referente a escritoras da Macaronésia (Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde), de onde extraímos grande parte das informações. Além disto, como já referimos, estes instrumentos dão a existência de obras de autoria feminina mas raras vezes identificam qual a instituição onde esses textos se encontram custodiados (normalmente em arquivos e bibliotecas públicas, mas não necessariamente estas). Certas autoras, como a Serva de Deus Maria da Encarnação, que se conserva na Biblioteca da Ajuda (Lisboa), não aparecem nos catálogos eletrónicos e em suporte analógico. O mesmo se coloca no caso dos arquivos, onde as descrições das unidades documentais não evidenciam nos seus metadados descritivos de que estamos perante textos de autoria feminina. Este caso, por exemplo, é recorrente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo e no Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira. Conforme se pode verificar, os critérios de descrição de bens documentais em instrumentos de acesso à informação, qualquer que seja a convenção ou garantia literária de suporte, podem obscurecer o facto de determinado documento ser de autoria feminina. Sobre a produção enciclopédica 59 , o “Elucidrio Madeirense” (1921-1940) 60 , coordenado pelo Pe. Fernando Augusto da Silva e por Carlos Azevedo de Meneses, constitui uma das principais fontes de informação sobre a produção literária e não literária realizada na Madeira. Os autores do verbete “Literatura” referem que poucos escritores madeirenses deixaram o “nome aureolado na história literria do país” 61 . Apesar de ser possível recuperar várias autoras madeirenses ao longo destes volumes, os autores deste verbete apenas exemplificam como escritoras a Viscondessa das 58 L. S. Ascensão de Macedo, p. passim. 59 Não referiremos aqui o “Dicionrio Enciclopédico da Madeira” e o “Wikipedia”, por serem projetos em processo de contrução. 60 Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Menezes, Elucidrio madeirense, Vols. 1-2 (Funchal: Junta Geral do Distrito do Funchal, 1921); Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Menezes, Elucidrio madeirense, 2. ed., 3 (Funchal: [Typographia Esperança], 1940-1946). 61 Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Menezes, Elucidrio madeirense, 2. ed. (Funchal: [Typographia Esperança], 1940), p. 521. Sobre a frequência da palavra “escritora”, refira-se que, a título de exemplo, que, no volume 1, h 2 ocorrências da palavra, uma para “Câmara (D. Marta Celina Sauvayre da)” (sic) e outra referência a Ana de Albuquerque, esposa do militar Luís da Câmara Leme; no volume 2, há 4 ocorrências, referente a Mademoisselle de Loup (Judite Adriana Teixeira de Sousa Moniz) e Viscondessa das Nogueiras. Mas no caso de Olímpia Pio Fernandes (vol. 1), os autores do Elucidário Madeirense, referem que ela “cultivou as letras” (p. 29). No caso de “Almeida (D. Maria Helena Jervis de Atouguia e)” e “Castelo Branco (D. Joana de)” aparecem como “poetisas”. Sobre as compositoras e artistas madeirenses, os autores desta enciclopédia não criaram entradas próprias, apenas recuperável no verbete “Música”. xv Nogueiras e Joana Castelbranco. No caso das “Notas e Comentrios para a História Literária da Madeira” 62 do Visconde do Porto da Cruz, em três volumes, estruturado segundo uma abordagem cronológica, somente a partir do segundo e terceiro volumes é possível encontrar referências sobre escritoras. Porém, a perspetiva do Visconde do Porto da Cruz sobre as escritoras madeirenses revela uma condescendência paternalista ao criticar as suas (escassas) produções literrias, considerando “todas elas mais ou menos eivadas daquela pieguice” 63 , ou que “se destacam notavelmente da mediania das produções poéticas do elemento feminino dessa época” 64 , caracterizadas pelo “banalismo piegas, da época” 65 ou de “um banalismo atroz e sem o menor interesse literrio” 66 . Entre os comentários misóginos 67 e a admiração pela Viscondessa das Nogueiras, por Laura Veridiana de Castro e Almeida Soares, por Matilde de Sauvaire da Câmara, por Luzia, pela sua própria mãe, Ana Augusta de Castro Leal de Freitas Branco, entre outras, o Visconde do Porto da Cruz procurou realizar uma sistematização da produção literária madeirense, dentro da mundividência da época e das limitações que enfrentou durante a pesquisa 68 . Dentro do mesmo espírito enciclopédico e histórico, realce-se para “Registo bio-bibliogrfico de madeirenses: sécs. XIX e XX” (1986) de Luiz Peter Clode 69 , que contém referências biobibliográficas que ampliam informações sobre autoras madeirenses não presentes no “Elucidrio Madeirense” e nas “Notas e Comentrios para a História Literria da Madeira”. Porém, verifica-se a persistência da 62 Alfredo de Freitas Branco, Notas e comentrios para a histria literria da Madeira, 3 vols. (Funchal: Edição da Câmara Municipal, 1943). 63 Branco, vol. III sobre Leolinda Jardim Vieira. 64 Branco, vol. III sobre Georgina Dias de Almeida. 65 Branco, vol. III sobre Arsénia de Bettencourt Miranda. 66 Branco, vol. II sobre Maria José da Costa Pereira. 67 Repare-se, por exemplo, neste comentrio: “Devemos concordar que não era brilhante nem inigualvel esta Dama no campo da poesia”; em referência à Luzia: “Fialho dizia que uma Escritora que foge da banalidade deve chamar-se «um homem de génio». Na verdade, nas mais das Vezes as intelectuais capricham em exteriorizar uma certa masculinidade, no trajar e nos conceitos, que lhes tira a característica de mulheres. Com a Senhora Dona Luísa Grande não aconteceu assim, porque foi dos espíritos mais geniais e das Artistas de mais refinado gosto, sem nunca perder o seu aprumo e a sua dignidade de Senhora”, Branco, vol. III. 68 Cf. Sílvia Gilberta Gomes, “Memória e promoção cultural madeirense na obra do Visconde do Porto da Cruz” (Universidade da Madeira, 2014) <https://digituma.uma.pt/handle/10400.13/656> [acessado 6 maio 2019]. 69 Luiz Peter Clode, Registo bio-bibliogrfico de madeirenses : scs. XIX e XX (Funchal: Caixa Económica, 1986). xvi ausência de dados biográficos precisos sobre escritoras madeirenses 70 . Entre as produções mais relevantes para a historiografia literária do arquipélago da Madeira, realçamos o monumental dicionário biobibliográfico, em dezasseis volumes ainda inéditos, do “Panorama Literrio do Arquipélago da Madeira” (1959?-1986) de Luís Marino 71 , que se conservam no Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira. Este instrumento possui uma das mais abrangentes compilações biobibliográficas de textos e autores madeirenses desde o século XV até ao século XX. Além disto, permaneceram inéditos dois volumes de “Temas Literrios (Partes I e II)” que compilam “biografias, crítica literária, poesia, depoimentos, transcrições e inéditos de centenas de autores” 72 . No entanto, é indispensável olhar criticamente para cada uma das entradas, uma vez que não estão isentas de incorreções (por exemplo, dados biográficos dúbios, incompletude dos registos, critérios de inclusão). Em alguns casos, criaram-se pseudónimos sem qualquer fundamentação, como é o caso de “Lília Amada” 73 . Conforme se pode verificar, muito poucos estudos se versaram sobre a produção intelectual de autoria feminina na Madeira. Em síntese, um segmento significativo de textos de autoria feminina produzidos na Madeira entre os séculos XV e XIX permaneceu desconhecido do grande público e da comunidade científica. A dispersão das fontes e o obscurecimento da representação da autoria feminina em instrumentos de acesso à informação e na historiografia literária nacional e insular constituem condições que limitaram durante muito tempo o acesso e fruição dos seus textos e criações. A estratégia de transposição dos critérios axiológicos do mainstream historiográfico-literário nacional para o âmbito insular apenas serviu para gerar os mesmos efeitos de marginalização, de fragmentação e de latência de um legado documental de autoria feminina insular muito diverso. Por exemplo, as escritoras que nasceram ou que viveram na Madeira mas oriundas de comunidades estrangeiras 70 Cf. os casos de Olímpia Pio Fernades e Carolina Dias de Almeida. 71 Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira, “Panorama Literrio do Arquipélago da Madeira (PT/ABM/LMR/A/001)”, Archeevo - Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira, 2019 <https://arquivo-abm.madeira.gov.pt/details?id=661643> [acessado 6 maio 2019]; ver Teixeira e Barros. 72 Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira, “Fundo Luís Marino. Temas Literrios (PT/ABM/LMR/A/002)”, Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira - Archeevo, 2019 <https://arquivo-abm.madeira.gov.pt/details?id=57647> [acessado 6 maio 2019]. 73 Cf. infra verbete respetivo. xxiii autoras estrangeiras (nascidas na Madeira ou no estrangeiro) é de 29,8%, sendo maioritária a presença de escritoras inglesas (75,8%), de expressão alemã (22,4%) e de expressão francesa (1,7%). O corpus documental de autoria feminina que este instrumento colige evidencia uma grande diversidade de tipologias textuais e documentais. Identificámos diversos repositórios institucionais e classificámos documentos de arquivo, monografias, periódicos e outras tipologias documentais. A seguir caracterizaremos, sem ânimo de exaustividade, as principais características da cultura escrita de autoria feminina no arquipélago da Madeira. (1) Biografia, autobiografia, epistolografia e narrativas de viagens. O que este cluster de géneros literários tem em comum consiste no facto de serem textos escritos maioritariamente na primeira pessoa, partilhando do ponto de vista genológico alguns casos de hibridismo ou de contaminação. Algumas narrativas de viagem, por exemplo, encontram-se configuradas segundo as regras do género epistolar. A dimensão deste cluster corresponde a cerca de 27,8% da produção identificada, sendo a epistolografia e as narrativas de viagens os géneros literários mais frequentes. As mais antigas referências dizem respeito a correspondência administrativa, familiar e confessional. Realçamos o caso da Serva de Deus, Maria da Encarnação, do Convento de Nossa Senhora da Encarnação do Funchal 95 , cujas cartas foram compiladas e validadas por via notarial, para compor a Vida 96 redigida pelo Pe. João Ribeiro, S. I. É através desta correspondência que se pode conhecer dimensões desconhecidas sobre a vida privada e social das religiosas madeirenses. No entanto, pouca correspondência de autoria feminina sobreviveu, exceto algumas cartas de natureza familiar que se conservam, ainda inéditos, por exemplo, na Biblioteca da Ajuda, no Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira e no estrangeiro, como no Arquivo Secreto do Vaticano. Somente em finais do século 95 Entre outras que cultivaram este género, ver as sorores Antónia Angélica de Viterbo, Petronilha Rosa de São Pedro, Juliana Maria da Vitória e Josefa Maria Xavier. Cf. também Guiomar Madalena de Sá Vilhena. 96 O género vida, apesar do cunho (auto)biográfico, tanto escritas pelas religiosas como pelos seus confessores, corresponde, por vezes, a casos em que as religiosas biografadas se encontram acusadas de heresia. xxiv XVIII e inícios do seguinte encontrámos relatos de viagens de autoras inglesas, alemãs, francesas e americanas, como Maria Riddell, Ida Pfeiffer, Albine-Hélène de Vassal, Elisabeth Phelps, Maria Dundas Callcott e Sarah Bowdich Lee. Encontrámos produção diarística ou narrativas de viagens, por vezes sob forma epistolográfica, em casos como Maria Phelps, Emily Smith, Helena Parham, Louisa Lowrie, Anna Maria von Werner, Ellen Taylor, Isabella de França, ou membros da realeza e nobreza europeias, como a imperatriz consorte do México, Carlota da Áustria. No caso das autoras nascidas na Madeira (de comunidades portuguesa e britânica) que cultivaram a narrativa de viagens refira-se para Alicia Bewicke Little, Celina Sauvaire da Câmara, Maria de Cabedo e Luzia. Importa mencionar, também, Elisabeth Josephine Craig pelo seu contributo na divulgação da gastronomia madeirense que se integra no domínio das narrativas de viagens. No caso das comunidades madeirenses em contexto de emigração, sob forma biográfica e epistolográfica, refira-se Jesuína Teresa Martins e Ana Martins Gouveia, escritos no Havaí. (2) Desenho, pintura e fotografia. As principais cultoras deste tipo de legado documental são autoras britânicas, correspondendo a 4,1% do conjunto de obras identificadas. A produção que se conhece vai do desenho científico da flauna e flora da Madeira – como Sarah Bowdich Lee, a Honourable Elisabeth Norton e Mary Young (colaboradoras do Reverendo Thomas Lowe), as irmãs Jane Wallas Penfold e Augusta June Robley, e as irmãs Du Cane – até representações da paisagem e costumes madeirenses, como Isabella de França, Susan Vernon Harcourt e Emily Smith. No campo da fotografia é indispensável realçar para Amélia Augusta de Azevedo (embora insuficientemente identificado) e Mildred Blandy. Desconhecem-se, por exemplo, as obras de Maria Ornelas e de Gabriela Tcherkessoff, dado não se dispor de estudos sobre artistas madeirenses no período em estudo. (3) Dissertações académicas, textos didáticos, ensaio e historiografia. Este segmento é residual (3,6%), mas significativo. Ainda que só no século XX é que se pode verificar um número significativo de autoras de textos académicos para obtenção de habilitações literárias, Cristina da Cunha publicou uma tese de doutoramento intitulado “Sobre o estudo estatístico e toxicológico dos envenenamentos pelo arsénio” (1925). No domínio da prosa didtica, é necessrio realçar os “Dilogos entre uma Avó e sua Neta” (1862), aprovado pelo Conselho Geral de Instrução xxv Pública, constituindo um texto pioneiro em termos de manuais didáticos publicados em Portugal. Outro manual didático, orientado para técnicas de canto, é da autoria de Gabriela Marcial Jardim Tcherkesoff, publicado em França sob o título “La Technique Vocale Simplement Expliquée” (1932). No âmbito do ensaio, Josefina Perestrelo é autora de um estudo histórico e biográfico sobre o Marquês de Pombal, publicado em Lisboa em 1882. (4) Poesia. Entre os géneros literários mais cultivados, correspondendo a cerca de 20,9% do conjunto de géneros e tipologias documentais constantes deste levantamento, a poesia ocupa um lugar de destaque. Grande parte da produção poética surge em inícios do século XIX, especialmente no segundo quartel da primeira metade do século, com Lília Amada, Mariana Pimentel Maldonado e Viscondessa das Nogueiras. Identificámos três cenários de publicação. Em primeiro lugar, os textos poéticos encontram-se dispersos em jornais, almanaques e antologias literárias, confirmando o que foi exposto atrás. As colaboradoras mais assíduas foram Arsénia Bettencourt Miranda, Joana de Castelbranco, Viscondessa das Nogueiras, Maria Isabel Gamito de Oliveira e Maria Luísa da Costa Pereira. Em segundo lugar, algumas escritoras reuniram em livro as suas produções poéticas, como Berta de Ataíde, Joana de Castelbranco, Mariana Xavier da Silva Freire, Maria Rita Chiappe Cadet, Eugénia Rego Pereira, as irmãs Luisa e Arabella Shore. No caso da poesia popular, devemos realçar Jesuína Teresa de Jesus Martins e Virgínia Gonçalves de Freitas Vieira, porque, sendo analfabetas, os seus textos sobreviveram através da mediação escrita masculina. Por último, há uma prevalência para o ineditismo, não sendo possível identificar o seu paradeiro dos seus manuscritos em casos como Carolina Matilde Esmeraldo, Emília Henriqueta Acciaiolly Rego, Lília Amada, Mariana Pimentel Maldonado, Margarida de Sabóia Pestana Pereira Pinto, entre outras, excentuando-se aquelas que destruíram manu propria. Há que ressalvar para presença de poesia infantil e juvenil para casos como Maria Francelina Morais de Lunet, Emília Acciaiolly Rego e Maria Elvira Gomes de la Mata Diniz. No entanto, as colaborações esporádicas ou o aparecimento e desaparecimento súbito de poetisas não deixavam indiferente os leitores 97 . Em termos gerais, os topoi mais 97 Uma leitora do “Dirio de Notícias” perguntava: “Que fim levou D. Arcenia B. Miranda? – E D. Joanna Castello-Branco? – E D. Marianna S. F.? – E D. Maria L. da Costa Pereira? – D. Marianna Belmira d’Andrade? xxvi recorrentes da poesia madeirense de autoria feminina - atendendo incidem sobre eventos familiares, como o aniversário de nascimento ou morte de um ente querido, a celebração da maternidade, a saudade em contexto de emigração, devoção religiosa, temas encomiásticos em torno de personalidades, instituições e de exaltação da beleza da ilha, a guerra civil de 1828 a 1834. O interesse pelo mito de Machim e Ana de Arfet foi cultivado por duas poetisas alemãs, Pauline Schanz e Amalie von Liebhaber, através de poemas épicos. (5) Prosa em jornais, revistas, artigos de opinião e discursos. Este segmento constitui um dos mais frequentes, por representar cerca de 16,39% do total de géneros e tipologias documentais identificados neste dicionário. Trata-se de uma dimensão muito heterogénea, contando entre as colaboradoras que publicam assiduamente em periódicos e as que não se conhece mais do que uma única publicação. Dado que os instrumentos de acesso à informação disponíveis sobre periódicos portugueses muitas vezes não catalogam o conteúdo, considera-se que a dimensão de colaboradoras madeirenses pode estar infradimensionada 98 . Verifica-se uma forte presença de pseudónimos, alguns correspondendo a uma espécie de “transgenerismo literrio”, como a “querela das freiras” de “O Patriota Funchalense” (Huma Freira Zelosa Da Verdade e Senhora Freira Constitucional, que se supõe ser de autoria masculina) e César Ortigão, para o caso de Olímpia Pio Fernandes. Algumas escritoras madeirenses reuniram em livro as suas publicações dispersas em periódicos insulares e nacionais, como Maria de Cabedo, Judite Moniz, Maria Rita Chiappe Cadet e Mariana Xavier da Silva Freire. Entre as mais prolíficas colaboradoras devemos realçar Júlia Graça de França e Sousa, mas há um conjunto de textos não identificados, como Maria Ornelas e Guilhermina Adriana Teixeira e Sousa Moniz, pelas dificuldades acima indicadas. Dentro deste segmento, importa integrar discursos, palestras, entrevistas ou conferências, que constituem um conjunto documental desconhecido, devido, em alguns casos, ao ineditismo e (…) porque razão, pois, t’os não mandam, e, se t’os enviam, porque lhes não ds publicidade?!”, In Dirio de Notícias. Funchal. N.º 223 (17-07-1877): p. 1. 98 Grande parte das entradas de autoras madeirenses do século XX constantes do “Panorama Literrio do Arquipélago da Madeira” de Luís Marino atesta a falta de elementos biobibliogrficos precisos. xxvii raridade de exemplares, sendo de realçar Maria de Cabedo, Isaura dos Passos Jardim, Júlia de França e Sousa e Margarida Olim Marote Ramos. (6) Romance, novela, conto e crónicas literárias. Este segmento corresponde a 6,9% do conjunto de escritoras que cultivaram estes géneros literários. Devemos realçar para as cultoras do romance histórico como Maria do Monte de Santa e Vasconcelos e Viscondessa das Nogueiras. No domínio do conto e das crónicas literárias, deve-se referir as obras de Luzia, Maria Augusta de Lima Vieira de Abreu, Maria da Soledade, Olímpia Pio Fernandes, Maria de Cabedo, que se encontram publicadas em monografias ou disseminadas na imprensa periódica. Verifica-se, também, a presença de escritoras britânicas que escreveram na Madeira, como a prolífica romancista e novelista Evelyn Everett-Green e Mary Saunders O’Malley. No caso do romance satírico, refira-se a autoria sob o pseudónimo Domingas de Ornelas Augusta, intitulado “O Ferreiro”, reeditado duas vezes no Funchal em 1872. No âmbito da literatura infanto-juvenil, importa referir os contos de Maria Francisca Teresa, Maria das Dores Sauvaire da Câmara e Maria Rita Chiappe Cadet. (7) Teatro, artes performativas, composição musical e cinema. O género dramático corresponde 4,5% do conjunto de autoras aqui identificadas. Contudo, grande parte das suas obras permaneceram inéditas ou em paradeiro incerto. Diversas peças de teatro foram estreadas no Funchal a partir da segunda metade do século XIX, com realce para Olímpia Pio Fernandes, Carolina Dias de Almeida, Matilde Olímpia Sauvaire da Câmara e Eugénia Rego Pereira. No que toca à música, é de realçar a presença de compositoras madeirenses, como Amélia Augusta de Azevedo e Matilde Olímpia Sauvaire da Câmara, cuja produção ainda se encontra dispersa e manuscrita. No âmbito do cinema, refira-se a participação de Eugénia Rego Pereira em “O Fauno das Montanhas” (1926) e de Maria Augusta de Lima Vieira de Abreu, como atriz em “A Calúnia” (1926), ambos de Manuel Luís Vieira. Há referências de Maria de Cabedo ter escrito um argumento para filme intitulado “A fascinação do Mar”, que permaneceu inédito. (8) Textos da atividade administrativa. Para os períodos do século XV até finais do século XVIII, pouco se sabe sobre a dimensão da cultura escrita de autoria feminina no arquipélago da Madeira até à introdução da tipografia em 1821. Uma das caraterísticas mais frequentes consiste na mediação da voz das mulheres em textos xxviii oficiais escritos por escrivães ou notários, como testamentos, correspondência e documentos administrativos. Por exemplo, no testamento de Maria de Bettencourt (1417-1494) é possível identificar a sua voz autoral, como Macedo refere, “entrecortada na estrutura formular da tradição amanuense” 99 . Apesar de o texto se encontrar enunciado na primeira pessoa, é um documento que simultaneamente não só cumpre fins administrativos e patrimoniais mas também é um texto com contéudo (auto)biográfico. Entre as mulheres que tiveram acesso à cultura escrita na Madeira, temos as escrivãs dos conventos madeirenses. Cerca de 21 autoras (9,4%) produziram textos de natureza administrativa, em áreas funcionais como a administração financeira, patrimonial, de registos vitais e da correspondência oficial 100 . No âmbito da documentação empresarial, identificámos Vera Way Marghab, que desenvolveu a sua atividade como mulher de negócios no setor do bordado da Madeira no Funchal, cujo acervo arquivístico, bibliográfico e museológico se encontra totalmente deslocado nos Estados Unidos da América. (9) Textos da tradição oral e popular. Num arquipélago onde as taxas de analfabetismo foram particularmente elevadas para o sexo feminino no período aqui considerado, verifica-se um número elevado de mulheres informantes de textos de tradição oral e popular na bibliografia compulsada para a presente recolha. As zonas rurais insulares constituem espaços onde se verifica maior preservação destes textos, devido ao seu isolamento e menor contacto com as zonas citadinas e meios de comunicação. Contudo, este tipo de textos sofreu forte declínio ao longo do século XX. Como refere Ferré, “os textos da literatura tradicional encontram-se fixados nas memórias dos seus portadores e nelas se reescrevem, no acto de aprendizagem, para, finalmente, se transmitirem, pela voz a outras memórias submetidas às mesmas regras” 101 . Apesar de os compiladores não terem fornecido elementos 99 Macedo, p. 10. 100 Veja-se, por exemplo, as religiosas Ana Josefa da Natividade, Antónia de Santa Rita, Antónia Rosa de Viterbo, Bibiana Narcisa do Lado, Carlota Matilde da Conceição, Clara Cecília de são José, Emília Romana do Empírio, Felisberta Cândida de São Bernardo, Joana Teresa da Glória, Josefa Maria da Encarnação, Maria Angélica da Nazaré, Maria da Exaltação, Maria do Lado, Maria Vitorina da Fé, Mariana Agostinha de Santa Gertrudes, Mariana da Paixão, Mariana da Vitória, Mariana de Santa Teresa, Petronila do Socorro, Teresa António do Amor Divino, Tomásia Delfina da Cantuária. 101 Pere Ferré, “Romanceiro e memória”, in Memória & Sabedoria, org. José Pedro Serra et al. (Lisboa: Centro de Estudos Clássicos/Centro de Estudos Comparatistas/Húmus, 2011), p. 435–58 (p. 441) <https://sapientia.ualg.pt/handle/10400.1/3011> [acessado 13 maio 2019]. xxix biográficos mais detalhados sobre as suas informantes, foi possível identificar, através da idade e data da recolha, textos e nomes como Ana de Araújo Longueira, Augusta Vieira, Cândida Gonçalves Telo, Guilhermina dos Santos, Cristina Vieira da Costa e Umbelina Teixeira Mendes. Este filão de guardiãs da cultura oral e popular evidencia que estas informantes cultivaram este tipo de textos, normalmente em ambiente doméstico e familiar, suportada na memorização e na repetição, com textos de conteúdo profano ou religioso 102 . Não pudemos, contudo, recuperar em Rodrigues de Azevedo, informação sobre eventuais informantes 103 . De igual forma, não tivemos acesso à obra de Joanne Burlingame Purcell (1938-1984), que realizou um levantamento nos Açores e na Madeira entre 1969 e 1971 104 . A principal fonte de informação para este dicionário proveio das pesquisas de Ferré e Boto 105 . Neste dicionário encontram-se representadas cerca de 3,6% das informantes, número muito inferior devido à falta de tratamento e divulgação de diversos textos recolhidos no passado e que se encontram ainda inacessíveis. (10) Tradução literária. Um número significativo de escritoras madeirenses dedicouse à atividade tradutícia, com prevalência para autores franceses e ingleses. A tradução (e retroversão) corresponde cerca de 2,5% da produção literária constante deste dicionário. As principais cultoras foram Carolina Matilde Esmeraldo, Matilde Laura Soares Pestana Coelho, Viscondessa das Nogueiras, Eliza Newton Smart e Maria Francisca Teresa, que publicaram em livro as suas traduções, exceto Josefina Perestrelo, que publicou apenas em periódicos insulares. O caso de “Enrico Le Prêtre” da Viscondessas Nogueiras, publicado em Paris em 1888, constitui um único caso de versão para francês do romance de Alexandre Herculano. Há, porém, que ter presente que muitas das traduções publicadas nos jornais madeirenses dos século XIX aparecem de forma anónima, não sendo possível aferir se se trata de textos de autoria feminina. 102 Paulo Jorge Correia, “conto de tradição oral”, Aprender Madeira, 2016 <http://aprenderamadeira.net/conto-de-tradicao-oral/+&cd=1&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt> [acessado 14 maio 2019]. 103 Alvaro Rodrigues de Azevedo, Romanceiro do archipelago da Madeira (Funchal: Typ. da “Voz do Povo”, 1880). 104 Cf. entrada em Macedo, seç. [185]. 105 Pere Ferré e Sandra Boto, Novo romanceiro do Arquiplago da Madeira (Funchal: Funchal 500 Anos, 2008). xxx Pelo que se sabe da produção textual de autoria feminina antes do século XIX, a dimensão da cultura escrita será predominantemente manuscrita e com fins utilitários. A mediação da voz feminina pela mão masculina permaneceu durante muito tempo em diversos documentos de arquivo, apesar de a estrutura diplomática do texto estar focalizada na primeira pessoa. Exemplo disto é o testamento de Maria de Bettencourt 106 , que corresponde a um dos mais remotos testemunhos de autoria feminina no espaço atlântico. No caso dos conventos femininos Madeirenses – especialmente os Conventos de Santa Clara, de Nossa Senhora da Encarnação e de Nossa Senhora das Mercês – pouco se estudou sobre a cultura escrita das religiosas madeirenses. Deve-se a Fountoura a chamada de atenção para a sua produção documental 107 , que, encontrando-se dispersa entre o Arquivo Regional da Torre do Tombo e o Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira, realçou a atividade das escrivãs dos conventos. De facto, as escrivãs dos conventos madeirenses detinham um nível de conhecimento que não se circunscrevia ao registo da atividade administrativa (financeira, patrimonial, da vida consagrada). Fontoura refere que as religiosas madeirenses cultivaram “a música sacra, a escrita, a aritmética, a caligrafia e as artes menores tais como o desenho, a pintura e a miniatura” 108 . É possível encontrar evidências referentes não só à atividade cronística, por exemplo a obra perdida de soror Isabel da Madre de Deus. Porém, não se conhece a existência de livrarias conventuais femininas na Madeira 109 nem existem estudos sobre a atividade dos cartórios conventuais femininos e hábitos de leitura 110 . É através da Vida da Serva de Deus Maria 106 Consulte-se verbete infra. 107 Otília Rodrigues Fontoura, As Clarissas na Madeira : uma presena de 500 anos, 1a ed. (Funchal: Centro de Estudos de História do Atlântico, Secretaria Regional do Turismo e Cultura, 2000) <https://www.worldcat.org/title/clarissas-na-madeira-uma-presenca-de-500anos/oclc/56943326&referer=brief_results> [acessado 6 maio 2019]. 108 Fontoura, p. 246. 109 Paulo J. S. Barata, “As livrarias dos mosteiros e conventos femininos portugueses após a sua extinção: uma aproximação a uma história por fazer”, Lusitania Sacra, 24 (2016), 125–52 <http://portal.cehr.ft.lisboa.ucp.pt/LusitaniaSacra/index.php/journal/article/view/209> [acessado 6 maio 2019]. Este estudo menciona erroneamente os conventos femininos madeirenses, por confusão com a transferência do cartório conventual para o Arquivo Nacional da Torre do Tombo. 110 Entre os estudos sobre a atividade conventual, não se fez especial realce para os cartórios, apesar de os estudos sobre estas instituições terem consultado os seus fundos documentais, como em Eduarda Maria de Sousa Gomes, O Convento da Encarnao do Funchal : subsdios para a sua histria, 1660-1777 (Funchal: Região Autónoma da Madeira, Secretaria Regional de Turismo e Cultura, 1995); João Sousa, O Convento de Santa Clara do Funchal, 1. ed. (Funchal: Secretaria Regional do Turismo Cultura e Emigração, 1991). Fontoura faz especial realce para este aspeto, cf. nota 96. xxxi da Encarnação que encontrámos referências na primeira pessoa o apoio do fundador do Recolhimento de Santa Teresa, cónego Henrique Calaça de Viveiros, e dos religiosos da Companhia de Jesus do Funchal em facilitar o acesso a autores como Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz, através do empréstimo, aquisição ou transcrição de textos para a religiosa leiga madeirense. Relativamente ao século XVIII, é possível identificar alguma atividade epistolar, mas estamos na presença de um período pouco estudado e identificado. O que vamos encontrar a partir da segunda metade do século XVIII e inícios do século XIX são textos de escritoras estrangeiras, especialmente relatos de viagens de expressão inglesa, alemã e francesa. Tais textos demonstram uma diversidade de propósitos que constituem um olhar exógeno sobre o arquipélago, desde o relato de experiências e vivências na Madeira enquanto destino de turismo terapêutico ou como destino para naturalistas e exploradoras, registados em narrativas ou em desenhos, ou simplesmente um retiro para a criação literária, como a escritora Evelyn Everett-Green. Todavia, encontrámos muitos casos de ineditismo, que constitui um dos elementos limitadores que dificultam a identificação e localização de exemplares. São muitas as referências e poucas as que efetivamente se conservam em arquivos e bibliotecas. Outro aspecto relevante em relação a textos madeirenses de autoria feminina consiste nos mecanismos de mediação da sua voz, presente não só em documentos de arquivo (testamentos, requerimentos, correspondência oficial), mas também em prefácios dos seus romances, livros de poesias ou na prosa jornalística, com raras exceções, como Joana de Castelbranco. Por exemplo, o “Código Civil” português de 1867 obrigava a que toda a criação intelectual de autoria feminina dependesse da bondade da tutela masculina, como refere o artigo 1187.º: “A mulher auctora não póde publicar os seus escriptos sem o consentimento do marido; mas pode recorrer á auctoridade judicial em caso de injusta recusa delle” 111 . Contudo, não é raro em Portugal encontrar mulheres que fundaram a sua própria tipografia para publicar em liberdade, como a cabo-verdiana Antónia Gertrudes Pusich (1805-1883) e a açoriana Alice Moderno (1867-1946). De acordo com Macedo, há dois factores determinantes para a epifania de escritoras e artistas madeirenses desde o século XIX: o acesso das mulheres à educação e a 111 Portugal, Codigo Civil Portuguez, 2.a ed. (Lisboa: Imprensa Nacional, 1868), seç. 208. xxxii introdução da tipografia na Madeira 112 . Em primeiro lugar, a introdução da tipografia na Madeira 113 , pela iniciativa do madeirense Nicolau Caetano Bettencourt Pita, em 1821, trouxe efeitos multiplicadores para uma comunidade insular maioritariamente analfabeta, de cultura de base oral e de circulação documental manuscrita. Representou uma importante revolução industrial de iniciativa Liberal para a Madeira no domínio da informação. Tal favoreceu não só a criação de um mercado livreiro e editorial, anteriormente inexistentes, como também facilitou a institucionalização de bibliotecas públicas, como a Biblioteca Municipal do Funchal (1838), aproveitando o contexto de confisco das livrarias conventuais ocorrido a partir de 1834, e desenvolver um serviço público de leitura. Em segundo lugar, o alargamento do acesso das mulheres madeirenses à educação pública. Ainda que a reforma pombalina de 1772 contemplasse a criação de escolas régias femininas na Madeira, persistia um preconceito relativamente à necessidade de as mulheres (e as classes populares) terem direito a uma educação letrada, conforme se pode verificar em diversos jornais madeirenses do século XIX. Marceliano Ribeiro de Mendonça (1805-1866), Comissário dos Estudos do Distrito do Funchal, referiu em 1856 114 , a propósito da criação da escola pública de meninas de Câmara de Lobos, que o destino da mulher se concretizava como mãe, filha, esposa e educadora da sociedade: “[só] quando a mulher for bem educada, poder educar bem a família que se criar de roda dela, à sombra do seu amor e solicitude maternal” 115 . Na verdade, as classes mais possidentes da Madeira dispunham de várias alternativas: ou entregavam a educação das primeiras letras ao cuidado dos conventos femininos; ou contratavam precetores ou precetoras para educarem as suas filhas em contexto 112 L. S. Ascensão de Macedo, Da Voz à Pluma: Escritoras e património documental de autoria feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde: guia biobibliográfico (Ribeira Brava: Ed. de autor, 2013) <https://doi.org/10.13140/rg.2.1.4595.1607>. 113 Porfírio Pinto, “O papel dos padres no desenvolvimento da imprensa periódica na Madeira”, in Diocese do Funchal:a primeira diocese global: História, Cultura e Espiritualidades, org. José Eduardo Franco e João Paulo Oliveira e Costa, Vol. II (Funchal; Lisboa: Diocese do Funchal; Esfera do Caos, 2015), p. 719–25. 114 No contexto do Decreto de 7 de maio de 1856, que criou no Distrito do Funchal doze cadeiras de instrução primária para o sexo masculino e oito para o feminino. Cf. http://legislacaoregia.parlamento.pt/V/1/31/11/p185. As vagas para escolas públicas femininas só foram criadas para Santa Cruz, Machico, Santana, S. Vicente, Porto Moniz, Calheta, Câmara de Lobos e Porto Santo. 115 Nelson Veríssimo, “A Escola Pública de Meninas do Concelho de Câmara de Lobos: o discurso inaugural do Comissrio de Estudos”, Revista Girão, 2.3 (2006), 53–57. 3 ALBINE-HÉLÈNE DE VASSAL (França; 1779 – Ibid; 1848) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Albine-Hélène de Vassal nasceu em Paris a 19 de dezembro de 1779. Era filha de Jean-André de Vassal, cavaleiro e senhor de Nesles, e de Anne Pas de Beaulieu. Albine-Hélène de Vassal foi amante de Napoleão Bonaparte, que o acompanhou no exílio para a ilha de Santa Helena, vivendo na casa de Longwood. Desta relação, tiveram uma filha natural, Marie Caroline Julie Elisabeth Joséphine Napoléone. Após à morte de Napoleão Bonaparte, em 1821, Albine-Hélène de Vassal casou-se com Charles Tristan de Montholon em Paris, tornando-se condessa de Montholon-Sémonville. Faleceu em Montpellier a 25 de março de 1848. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Albine-Hélène de Vassal escreveu uma narrativa de viagens a bordo do navio Northumberland. Nesse dirio relatou a sua estada na Madeira, passagem pelas Canrias e Cabo Verde, com destino à ilha de Santa Helena. O seu dirio foi publicado postumamente pelo seu neto, o Visconde Du Coudic de Kergoualer, sob o título “Souvenir de la Comtesse de Montholon sur Sainte Hélène” (1898). Na chegada ao Funchal, refere: “Ce coup de vent fut si violent et le siroco est si rare à Madère, que les habitants, fort superstitieux, prétendirent que c'était la présence de l'Empereur qui leur portait malheur. Nous aurions bien désiré descendre à Funchal; l'amiral ne lo permit pas; son secrétaire seul y passa une journée pour y prendre des provisions (…) L’aspect de l’île est charmant; les hauteurs sont très boisées: elles me rappelaient Nice. On sait que le climat de Madère est enchanteur” (p. 79). 3. DA AUTORA. Souvenirs de la comtesse de Montholon sur Sainte-Hélène: Publiés par le vicomte Du Coudic son petit-fils. Paris, aux Bureaux de la revue, 1898; Paris: Bereaux de la Revue, 1901. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Gonnard, Philippe, “Comtesse de Montholon, Souvenirs de Sainte-Hélène (18151816), Paris, 1901”, Revue d’Histoire Moderne & Contemporaine, n.º 3-5 (1901), p. 537-539; Martineau, Gilbert. La vie quotidienne à Sainte-Hélène au temps de Napoléon. Tallandier, 2005; Maury R., de Candé-Montholon F. L'énigme Napoléon résolue: l'extraordinaire découverte des documents Montholon, (Paris), PATAT, 2000. ALICIA HELEN NEVA BEWICKE LITTLE (Madeira; 1845 – Reino Unido; 1926) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Alicia Helen (ou Ellen) Bewicke nasceu no Funchal a 15 de abril de 1845, filha de Calverley Bewicke (de Hallaton Hall, Leicestershire) e de Mary Amelia Hollingsworthin, irmã de Honoria Bewicke, também nascida no Funchal em 1842. Alicia Bewicke foi baptizada na Igreja Inglesa da Madeira a 12 de maio de 1845 e passou no Funchal toda a sua infância e juventude no seio da comunidade britânica residente na ilha. Por volta de 1860, Alicia Bewicke partiu para Londres, onde se casou com o comerciante Archibald Little. A partir de 1886, o casal mudou-se para a China, regressando ao Reino Unido por volta de 1898. Alicia Bewicke Little foi uma reputada ativista contra a deformação dos pés das mulheres chinesas, os denominados pés-de-lótus ou pés atados (纏足, chánzú), que eram uma prática ancestral. Faleceu em Londres a 31 de julho de 1926. 2. LEGADO 4 DOCUMENTAL. Assinando os seus textos como Mrs. Bewicke Little, publicou o seu primeiro romance “Flirts and Flirts” (1868) e “My Diary in a Chinese Farm” (1898). Deixou dispersos em vários jornais britânicos textos da sua autoria. Publicou livros de viagens sobre a sua estada na China, descrevendo os costumes e paisagens desse país. 3. DA AUTORA. ●1. Flirts and flirts; or, a season at Ryde. London: Richard Bentley, 1868, 2 vols. (2, 306; 2, 288p.). ●2. Lonely Carlotta: "a crimson bud of a rose": a novel. London: R. Bentley & Son, 1874, 3 vols. (2, 309, 1; 4, 290; 2, 302 p.). ●3. Onwards! But whither? A life study. London: Smith, Elder, & Co., 1875, 2 vols. (vi, 308; vi, 293, 1 p.). ●4. Margery Travers. London: Hurst and Blackett Publishers, 1878, 3 vols. (iv, 248; iv, 247, 1; iv, 248 p.). ●5. Miss Standish; and by the Bay of Naples. London: F.V. White & Co., 1883. ●6. Mother darling!. London: Field and Tuer, the Leadenhall Press, E.C. Simpkin, Marshall & Co; Hamilton, Adams & Co, (1885), (6, 175; 1, 4 p.). ●7. A marriage in China. London: F.V. White & Co. 14 Bedford Street, Strand, W.C., 1896, (viii, 312 p.). ●8. Intimate China: the Chinese as I have seen them. London: Hutchinson, 1899, 615 p. ●The land of the blue gown. London: Ficher Unwin, 1902, 304 p; 2.ª ed. London: T.F. Unwin, 1908. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Martel, Carol M., “Little, Alicia E. Neva Bewicke”, In James Stuart Olson, Robert Shadle, Historical Dictionary of the British Empire, Westport, Conn., Greenwood Press, 1996, p. 657-673. AMALIE LOUISE HENRIETTE VON LIEBHABER (Alemanha; 1781 – Ibid; 1845) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Amalie Louise von Liebhaber nasceu em Wolfenbüttel, na Baixa Saxónia (Alemanha), a 28 de novembro de 1781. Era filha de um oficial de justiça Erich Samuel von Liebhaber e fez estudos em Wolfenbüttel e em Blatenburg. Foi dama de honra em Braunschweig e preceptora em Hamwer. Devido a dificuldades financeiras, Liebhaber teve auxílio do Mosteiro de Marienberg perto de Helmstedt. Faleceu em Berlim a 11 de maio de 1845. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Amalie Louise von Liebhaber foi dramaturga e poetisa. Entre as diversas obras que publicou, deve-se realçar o poema integrado no seu “Poetische Versuche” (1823), intitulado “Robert und Anna oder die Entdeckung von Madera in 3 Gesängen” (“Roberto e Ana ou a descoberta da Madeira em 3 cantos”). Trata-se de um poema épico em hexâmetros, que mereceu críticas positivas em recensões críticas publicadas na “Literatur-Blatt” (1823) e “Allgemeine Literatur-Zeitung” (1825). 3. DA AUTORA. “Robert und Anna oder die Entdeckung von Madera in 3 Gesängen”. Poetische Versuche: [Sammlung 1]. Braunschweig: Vieweg, p. 213-235. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Schindel, C. W, Die deutschen Schriftstellerinnen des neunzehnten Jahrhunderts: 1. Leipzig: Brockhaus, 1823; Allgemeines Repertorium der neuesten inund ausländischen Literatur: Verzeichniss der im Jahrgang 5 Von 1819-1832. (1820). Leipzig, C. Cnoblah, 1951. AMÉLIA AUGUSTA DE AZEVEDO (Funchal; ca. 1844 — Lisboa; 1914) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Amélia Augusta de Azevedo era filha de António Pedro de Azevedo (1814-1889), engenheiro militar, casado com Maria Teresa Rosa Bernes, oriunda de família de pintores e gravadores. Amélia Azevedo nasceu por volta de 1840 no Funchal. Era irmã do escritor madeirense Maximiliano Eugénio de Azevedo, afilhado de baptismo do príncipe Maximilian von Eichstätt, duque de Leuchtenberg. O meio familiar onde cresceu propicioulhe o gosto pelas artes. É referenciado que em 1863 foi uma fotógrafa amadora, constando fotografias nos arquivos militares de Lisboa, algumas das quais sendo como dadas da autoria do seu pai e não da filha. Amélia de Azevedo participou em eventos musicais funchalenses entre 1860 e 1866. A 4 de julho de 1873 matriculouse no Conservatório Nacional em Lisboa e no Conservatoire Nationale de Musique et de Declamation em Paris. Distinguiu-se como tangedora de machete de braga e como pianista, tendo realizado digressões em França em 1885, nomeadamente em Paris e em Lyon. Faleceu em Idanha, Lisboa, a 20 de novembro de 1914. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Amélia de Azevedo (assinando como Amélie Augusta d’Azevedo, Amélie A. d’Azevedo, A. d’Azevedo) notabilizou-se, também, como compositora, autora de “Recordações de Sintra: polka-mazurka para piano” (s.d.), “Alma minha: canto e piano com poema de Luís de Camões” (ca. 1880), “Le regret, op. 23: valsa para piano” (Paris: 1884-1891) e “Paris russophile” (1891), apresentado no “Concours International de Musique” no célebre Trocadéro (1889), durante a Exposição Universal em Paris, onde foi agraciada com o 2.º prémio. Há uma composição sua na colecção de John Philip Sousa (1845-1932), intitulada “Amérique: marche triomphale”, onde consta a informação “En hommage à Lafayette, dediée à Messieurs les Membres de la section des Etats-Unies d'Amérique à la Exposition de Paris, 1900 par Amélie Augusta d'Azevedo, 2ème Prix et diplôme au concours international de musique à l'Exposition universelle de Paris 1889". Algumas das suas obras encontram-se depositadas na Biblioteca Nacional de França e na Biblioteca Nacional de Portugal, apesar de muitas das suas partituras terem permanecido manuscritas e por identificar. Augustin Fournier no seu “En Atlantique: gloires du Portugal” (1902) referiu-se à Amélia de Azevedo com as seguintes palavras: “Je me rappelai qu'à l'exposition universelle de Paris 1889, le savant musicien de Lajarte, bibliothécaire de l'Opéra et secrétaire du concours international de musique pittoresque présidé par le maître Paladilhe, comprit dans son intéressant programme l'audition de musiciens champêtres de Madère. Mme Amélie d'Azevedo, native de cette île, fille d'un général de division, virtuose distinguée, compositeur de mérite, se chargea de réunir une petite troupe, mais elle ne put y réussir pour des causes indépendantes de sa volonté. Elle parut seule à la scène du palais du Trocadéro, contenant près de 10,000 spectateurs, et obtint un second prix, médaille de vermeil et diplôme du gouvernement, 6 pour l'arrangement des chants populaires de Madère et leur exécution sur le machète. Cette dame a donné des opéras-comiques de sa composition représentant des types du Portugal” (p. 83-84). 3. DA AUTORA. ●1. Recordações de Cintra: polka mazurka. (Lisboa): Lithographia da Imprensa Nacional, (18- -), (1, 4 p.). ●2. Paris russophile: galop pour piano. Paris: V. Durdilly, [1891], 3 p. ●3. Le regret: valse facile pour piano: (op.23). Ill. par A. Courtines. Paris: Choudens père & fils, [1885], 3 p. ●4. Estados Unidos da América. University Library, University of Illinois at UrbanaChampaign. Center for American Music. The Sousa Archives. Amérique: marche triomphale [ca. 1900], mss., 8 p. (para piano), (8 pages) ; 34 cm + 60 parts ; 20 x 26 cm. ●5. O Natal: polka para piano, op. 24. [Lisboa?: ed. do A., 19--]. ●6. Chasseur d'Afrique: galope brilhante para piano. [Lisboa: E. A., 18--], 7 p. ●7. O Balão: polka carnavalesca para piano podendo ser executada juntamente com guisos e cri-cri: op. 22. [Lisboa?: ed. de A. 18--]. ●8. Hinos: Estrella de Itlia: hymno a sua magestade a Rainha a Senhora D. Maria Pia de Saboya. [S. l.: s. n., 189-]. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Diário de Notícias, 03-08-1895: p. 1; Fauser, Annegret, Musical encounters at the 1889 Paris World's Fair. University of Rochester Press, 2005. ISBN: 9781580461856; Fournier, Auguste, En Atlantique: gloires du Portugal. S. l.: Émile Roux, 1902, p. 83-84; Harper, Nancy Lee, Portuguese Piano Music. An Introduction and Annoted Bibliography, The Scarecrow Press. Inc., Lanham, Toronto, Plymouth, 2013, p.53; Esteireiro, Paulo, “Educação, Emancipação e Criatividade Feminina através da Música na Madeira (18201930)”. Colóquio Internacional “a mulher em debate: passado e presente” (não publicado); Kitchen, John; Woolley, Andrew, Interpreting historical keyboard music: sources, contexts and performance. London: Routledge, 2016, p. 265-266; Esteireiro, Paulo, “A Música como Pretexto de Sociabilidade na Madeira (1880-1926)”. Acessível: http://www.recursos online.org; Esteireiro, Paulo (coord.), A Música para Piano na Madeira = The Music for Piano in Madeira, CD-Rom+Áudio. Funchal: Direcção Regional dos Assuntos Culturais e pelo Gabinete Coordenador de Educação Artística, 2008; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle. net/10316/44055; Pinto, Rui M. 2008. "Amélia Augusta de Azevedo (1840-?), compositora premiada em França", 16 p. Funchal: Associação de Amigos do Gabinete Coordenador de Educação Artística. ANA AUGUSTA DE CASTRO TELES DE MENEZES LEAL DE FREITAS BRANCO (Funchal, 1868 — Ibid.; 1934) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Nasceu no Funchal a 31 de julho de 1868, Ana Augusta de Castro Leal de Freitas Branco era filha de Alfredo de Freitas Leal e de Ana Rita Maria Josefa de Castro e Almeida Pimentel de Siqueira e Abreu, de ascendência nobre. Casou-se com Luís Vicente de Freitas Branco e foi mãe de Alfredo de Freitas Branco, Visconde do Porto da Cruz. Foi membro da “Associação das Damas da Caridade do 7 Funchal” e pertenceu à “Liga d’Acção Social Cristã”. Faleceu no Funchal a 3 de janeiro de 1934. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Ana Augusta de Freitas Branco colaborou na imprensa católica com cartas de teor edificante na revista “Esperança” e no jornal “Dirio de Notícias”, assinando os seus textos como XYZ. O Visconde do Porto da Cruz descrevia-a como uma mulher com “inteligência clara e magnífica cultura literria e artística” (p. 54). 3. DA AUTORA. ●1. “Mentiras”. Dirio de Notícias, n.º101 (13-02-1877): p. 1 (atrib.). ●2. “Em verdade vos digo”. In Revista Esperança, n.º 11, de 01-08-1925; ●3. “Portugal e a Imaculada”. In Revista Esperança, n.º 20, de 01-12-1925; ●4. “Adoração dos Reis Magos”. In Revista Esperança, n.º 23, de 01-01-1926; ●5. “Mês de Santa isabel”. In Revista Esperança, n.º 9, de 01-07-1926. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Branco, Alfredo de Freitas, Notas e Comentários para a História Literária da Madeira, III, Funchal, Câmara Municipal do Funchal, 1915-1953: p. 54-55; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: BRANCO, Ana Augusta de Castro Teles de Menezes Leal de Freitas [em linha], Funchal, 1986 [Consulta: 19-03-2019]. Disponível em: https://arquivoabm.madeira.gov.pt/viewer?id=666090 &FileID=1708913. ANA DE ARAÚJO LONGUEIRA (Calheta; 1891 — Ibid.; 1987) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Ana de Araújo Longueira (nascida Roseiras) nasceu no Jardim do Mar (Calheta) a 17 de janeiro de 1891, filha de João de Araújo das Roseiras e de Ana Nunes, ambos agricultores. Foi baptizada na Igreja Paroquial de Nossa Senhora do Rosário (Jardim do Mar). Casou-se com David Francisco Longueira (nascido em Puniki, ilha de Maui, Havaí) a 31 de janeiro de 1910, na Igreja Paroquial de Nossa Senhora do Rosário, de quem ficou viúva em 1943. Foi bordadeira e doméstica, moradora no sítio da Igreja, no Jardim do Mar. Faleceu a 1 de outubro de 1987 na freguesia onde nasceu. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Maria da Conceição Spínola foi uma informante de textos de tradição oral e popular, compilada por Pere Ferré e Vanda Anastácio a 20 de agosto de 1983, contando nessa altura com 91 anos de idade. O seu contributo integra os ciclos de romances tradicionais de assunto profano e devocional, sobre morte do príncipe D. Afonso e a Infanta Pejada. Recitou a “Dona Infanta na janela, casada de treze dias,/ ali passou um pombo branco, pergunta-lhe o que fazia” (III.48) e “Andava dona Silvana, servindo seu pai à mesa,/ seu braço arregaçado e a sua barriguinha tesa” (VI.31). 3. DA AUTORA. Na qualidade de informante da tradição oral e popular: ●1. “Dona Infanta na janela, casada de treze dias”. In Ferré, Pere e Boto, Sandra, Novo Romanceiro do Arquipélago da Madeira, Funchal: Funchal 500 Anos, 2008, p. 50-51 (n.º III.48); ●2. “Andava dona Silvana, servindo seu pai à mesa”. In Ferré, Pere e Boto, Sandra, Novo Romanceiro do Arquipélago da Madeira, Funchal: 8 Funchal 500 Anos, 2008, p. 86 (n.º VI.31); ●3 Pere Ferré e Vanda Anastcio, “012-092-001 - Muerte del Príncipe don Alfonso de Portugal,” Arquivo do Romanceiro Português, acedido 14 de Maio de 2019, https://arquivo.romanceiro.pt/items/s how/10147. ANA JOSEFA CORREIA VÁSQUEZ DE OLIVAL (Funchal; 1800? – Ibid.;?) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Filha de João Crisóstomo da Costa Silva e de Maria Vicência Francisca de Alemanha, casados na Sé em 1782, Ana Correia Vásquez de Olival nasceu na freguesia da Sé por volta de 1800. Casou-se com Pedro Anselmo de Olival na igreja paroquial de S. Pedro em 1818, com geração. É parente da família Ornelas e Vasconcelos. Desconhecem-se pormenores sobre a sua vida. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Ana Correia Vásquez de Olival escreveu cartas ao seu sobrinho, D. Aires de Ornelas e Vasconcelos, bispo do Funchal e arcebispo de Goa, as quais se conservam manuscritas no fundo da família Ornelas e Vasconcelos no Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira. Contém informação sobre factos da vida familiar e social na Madeira. 3. DA AUTORA. Portugal. Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira. Família Ornelas e Vasconcelos. Cartas de Ana Correia Vásquez de Olival (Cód. ref. PT-ARM-FAM-FOV/L/B.1/37). 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Ferreira, Maria Fátima Araújo de Barros (org.), Arquivo da Família Ornelas Vasconcelos. Funchal: Secretaria Regional do Turismo e Cultura, Direcção Regional dos Assuntos Culturais, Arquivo Regional da Madeira, 1998; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. ANA JOSEFA DA NATIVIDADE (Madeira; sécs. XVIII-XIX) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Sóror Ana Josefa da Natividade foi escrivã e religiosa do Convento de Nossa Senhora da Encarnação do Funchal, sob abadessado de sóror Ângela Maria da Anunciação, no triénio de 1811 a 1815. Não se conhecem outros dados sobre a sua vida. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Sóror Ana Josefa da Natividade escriturou as contas do mosteiro, tendo permanecido por identificar outros documentos deste núcleo que se conservam no Arquivo Nacional da Torre do Tombo e no Arquivo Regional da Madeira. 3. DA AUTORA. Portugal. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Convento de Nossa Senhora da Encarnação do Funchal. Receita e Despesa. Livro em que se hão de descrever os rendimentos de Foros, Juros, Alugueis de Cazas, Propriedades de rais, Pão, Vinho, e mais Miudezas, que pertencem as Relegiozas da Encarnação, e de toda a dispeza feita com as ditas e mais pençoens da sua Comunidade nos três anos em que servio 2.ª vez de Abbadeça a Nossa M[ui]to R[everen]da M[adr]e D[on]a Angela Maria da Annunciação. Ano 1811, Liv. 12 (Cód. ref. PT-TT-CNSEF008-0004). 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 9 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. ANA MARTINS GOUVEIA (Madeira; 1881 — Estados Unidos da América; 1981) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Apesar de dispormos de poucos dados biográficos, Ana Martins Gouveia casou-se com Francisco Gouveia com quem emigrou para o Havaí em inícios do século XX, a bordo do “Suveric”. No Havaí existia uma grande comunidade de madeirenses e açorianos, contratados para as plantações de açúcar em meados do século XIX. Faleceu no Havaí em dezembro de 1981. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Com a colaboração de Margaret Araújo na qualidade de informante, foi publicado no Havaí, “From Madeira to the Sandwich Islands: the Story of a Portuguese Family in Hawaii” (1975). Este pequeno livro constitui um relato autobiográfico da família Gouveia e da vivência dos madeirenses nessa região do Pacífico, documentado com diversas fotografias. 3. DA AUTORA. From Madeira to the Sandwich Islands: the Story of a Portuguese Family Hawaii. Honolulu: Hawaii University. Ethnic Resource Center for the Pacific, 1975, 31 p. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Bastos, Cristiana, "Portuguese in the cane: the racialization of labour in Hawaian plantations". In Aboim S, Granjo P, Ramos A., Changing societies: legacies and challenges, Vol. 1.: Ambiguous inclusions: inside out, outside in, Lisboa, Imprensa de Ciências Sociais, 2018, p. 65-96; Fagundes, Antonio Cota, “La experiencia inmigrante de los portugueses en los Estados Unidos a través de sus autobiografías”. Migraciones y Exilios, 11 (2010), p. 1128; Fagundes, Antonio Cota, “Portuguese Immigrant Experience in America in Autobiography”. Hispania, 88/4 (2005), p. 701-712; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. ANNA MARIA SABINE ALEXANDRINE VON WERNER (Alemanha; 1847 — Ibid.;1916) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Anne Maria Sabine von Werner nasceu em Berlim a 2 de junho de 1846, filha dos condes Edmund Eduard Karl Oscar Theodulf von Hacke e de Marie von Hacke. Anna Maria von Werner, condessa de Hacke, viveu em Berlim e, após a morte do seu pai (1859), em Viena e em Dresden. Casou-se com o contra-almirante Carl Bartholomäus von Werner, em 1866. A condessa de Hacke viveu em Berlim e em Kiel e, após à aposentação do seu esposo, a família passou a viver em Wiesbaden (1888), Darmstad (1890) e em Coblenza (1893). Faleceu em Oldenburg a 29 de abril de 1916. 2. LEGADO DOCUMENTAL. A Condessa de Hacke publicou em 1907 um diário das suas viagens pela Madeira, Canárias e Camarões realizada desde 1904, em forma epistolar, intitulado “Reisebriefe” (1907). 3. DA AUTORA. Reisebriefe: Madeira, Teneriffa, Gran Canaria, Kamerun. Dresden: Pierson, 1907, 409 p. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. 10 S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Rebok, Sandra, “Aproximación al estudio de los viajeros de habla alemana por Madeira en el siglo XIX”, As Ilhas e a Ciência. História da Ciência e das Técnicas, I Seminário Internacional. Secretaria Regional do Turismo e Cultura, Madeira. Funchal: Centro de Estudos de História do Atlântico, 2006, p. 245-263; Rebok, Sandra, “España en la lente de los viajeros científicos alemanes durante el siglo XIX”, Llull: Revista de la Sociedad Española de Historia de las Ciencias y de las Técnicas, n.º 32 (2009), p. 135-152; Rebok, Sandra, “La exploración naturalista de Madeira en el siglo XIX: Los viajeros alemanes y su interés por esta isla”. Arbor, n.º185/740 (2009), p. 1323-1337; Socas, Elia Hernandez, Las Islas canarias en viageras de lengua alemana. Frankfurt am Main: Peterlang, 2010, p. 294-296, ISBN 978-3-631-60831-9; Wilhem, Eberhard Axel, Visitantes e escritos germânicos da Madeira 18151915. Funchal: Direcção Regional dos Assuntos Culturais, 1997, p. 129. ANNE HOPE (Índia; 1809 – Reino Unido; 1887) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Nascida Fulton, Anne nasceu em Calcutá (Índia) a 7 de setembro de 1809. Era filha do comerciante John Williamson Fulton e de Anne Robertson. Casou-se com James Hope (1801-1841), médico do St. George's Hospital. Entre os anos de 1842 e 1850, Anne Hope viveu na Madeira para se curar de uma doença, que a deixou incapacitada. É possível que seja parente de dois James Fulton que viveram e faleceram na Madeira. Faleceu em Torquay, Hermitage, a 12 de fevereiro de 1887. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Durante o período em que esteve na Madeira, Anne Hope encontrava-se a preparar uma obra historiográfica sobre o cristianismo, que permaneceu inédita. Publicou “On SelfEducation with Formation of Character” (1843), “The Acts of the Early Martyrs” (1855), “Life of St. Thomas à Becket” (1868), “The Conversion of the Teutonic Races” (2 vols., 1872), “Franciscan Martyrs in England” (1878) e deixou artigos dispersos no “Dublin Review” (1874–1878). Postumamente, foi publicado “The First Divorce of Henry VIII” (1894). 3. DA AUTORA. Documento(s) escrito(s) na Madeira não identificado(s), produzidos entre 1842 e 1850. Realçamos: Memoir of the late James Hope, M.D., London: Hatchard, Churchill, 1842, 384 p. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Anon., ‘Hope, Anne (1809–1887)’, rev. Rosemary Mitchell. Oxford Dictionary of National Biography. Oxford: Oxford University Press, 2004; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. ANNIE BRASSEY (Reino Unido, 1839 — alto mar; 1887) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Nascida Annie Allnutt, em Londres a 7 de outubro de 1839, Lady e Baronesa de Brassey foi uma célebre viajante e escritora inglesa. Casou-se com Thomas Brassey, conde de Brassey e comandante do navio “Sunbeam”. Acompanhou o seu marido em diversas expedições científicas. Faleceu e foi sepultada no mar alto a 14 de setembro 11 de 1887. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Lady Brassey visitou a Madeira, os Açores, as Canárias e Cabo Verde e relatou a sua estada nestes arquipélagos em “In the Trades, the Tropics and the Roaring Forties” (1885) e em “A voyage in the Sunbeam our home on the ocean for eleven months” (1892). No “In the Trades, the Tropics and the Roaring Forties” (1885), Lady Brassey dedica um capítulo sobre a sua estada na Madeira, descrevendo aspectos sobre a receção da comunidade inglesa radicada na ilha, a história da Madeira, a lenda de Machim, a sua estada no Hotel Santa Clara e o acompanhamento do seu proprietário Sr. Reed, descrição dos frutos e árvores, o percurso pela ilha, pelo Rabaçal, visitando quintas, contendo ilustrações. A mesma experiência faz no “A voyage the Sunbeam our home on the ocean for eleven months” (1896). 3. DA AUTORA. ●1. In the Trades, the Tropics and the Roaring Forties. Londres: Longmans & Co., 1883]; reed. Cambridge, MA: Cambridge University Press, 2010, ISBN 978-1-108-02456-3. ●2. A voyage the Sunbeam our home on the ocean for eleven months by lady Brassey with 66 illustrations engraved on wood by G. Pearson Chiefly after drawings by the Hon. A. Y. Bingham. London: Longmans Green and Co, 1896; reed. Cambridge, MA: Cambridge University Press, 2010, ISBN 978-1-108-02089. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Baubeta, Patricia Odber de, “a madeira vista pelos ingleses”. In Aprender Madeira, 2018, Acessível via URL: < http://aprenderamadeira.net/amadeira-vista-pelos-ingleses> ; Branco, M. R. C., “Bibliografia das Obras de Viajantes Ingleses referentes à Madeira existentes em Bibliotecas de Lisboa”. Actas do I Colóquio Internacional de História da Madeira (Funchal, 1986), I. Funchal: CEHA, 1990, p. 241-242, 243; Branco, M. R. C., “Os Açores vistos por Lady Brassey”. Revista de Cultura Açoriana, n.º1/1 (1989): p. 81-87; Hoe, Susanna, Madeira: Women, History, Books and Places (Of Islands & Women). Oxford: Holo, 2004; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Saunders, Clare Broome (org.), Women, Travel Writing, and Truth, New York, Routledge, 2014. ANTÓNIA ANGÉLICA DE VITERBO (Madeira; sécs. XVIII – XIX) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Sóror Antónia Angélica de Viterbo foi religiosa capuchinha do Convento de Nossa Senhora das Mercês. Exerceu funções de porteira (1840-1841), enfermeira (1845-1846) e escrivã do convento. Pouco se saber sobre a sua vida. 2. LEGADO DOCUMENTAL. De Sóror Antónia Angélica de Viterbo apenas se conhece uma carta da sua autoria, permanecendo por identificar outros documentos de arquivo deste convento. 3. DA AUTORA. Portugal. Biblioteca da Ajuda. Carta de soror Antónia Angélica de Viterbo, abadessa do convento de N. Srª das Mercês do Funchal, e mais religiosas, para o rei [D. Luís I] felicitando-o pelo seu casamento com D. Maria Pia, (13-11-1862), (Cód. ref. Ms. Av. 54-X-32, n.º236). 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria 12 Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. ANTÓNIA DE SANTA RITA (Madeira; séc. XVIII) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Sóror Antónia de Santa Rita foi escrivã e religiosa do Convento de Nossa Senhora da Encarnação do Funchal. Desconhecem-se mais dados sobre a sua vida. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Escrivã e religiosa do Convento de Nossa Senhora da Encarnação do Funchal. Continuou o registo do “Livro 1.º dos obittos deste convento de N. S. da Encarnação que teve principio no anno de 1749”, iniciado por sóror Maria Angélica da Nazaré†, códice que se conserva no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. 3. DA AUTORA. Portugal. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Convento de Nossa Senhora da Encarnação. Livro de Assentamento de Óbito do Convento de Nossa Senhora da Encarnação do Funchal de 1749, Liv. 3 (Cód. ref. PT/TT/CNSEF/004/0001). 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. ANTÓNIA GERTRUDES PUSICH (Cabo Verde; 1805 — Lisboa; 1883) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Antónia Gertrudes Pusich nasceu na ilha de S. Nicolau (Cabo Verde), a 1 de outubro de 1805. Era filha do oficial da marinha, intendente da marinha e governador de Cabo Verde, António Pusich, natural de Dubrovnik (Croácia), e de Ana Maria Isabel Nunes. Antónia Gertrudes Pusich recebeu uma educação esmerada dada pelo seu pai. Com a irrupção da revolução liberal, a família Pusich passou por grandes tribulações depois de se mudar para Lisboa em 1821, que culminou com a demissão de António Pusich da marinha real portuguesa a 16 de setembro de 1833. Antónia Pusich casou-se, em 1820, com João Cardoso de Almeida Amado Viana Coelho; posteriormente, em segundas núpcias, com Francisco Henriques Teixeira e, em terceiras núpcias, com José Roberto de Melo Fernando de Almeida. Destes casamentos teve onze filhos. É considerada uma das primeiras mulheres jornalistas em Portugal, fundando e publicando autonomamente seus textos nos jornais que geria. Foi uma mulher notável e grande timoneira do feminismo português. Graças ao seu nível de instrução, defendeu publicamente a educação da mulher e a necessidade da sua participação na vida política. Foi presença assídua na Galeria das Senhoras da Câmara de Deputados. Faleceu em Lisboa, na Rua de São Bento, a 6 de outubro de 1883. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Antónia Pusich colaborou na imprensa periódica e nos almanaques com poesias, crónicas, romances, textos dramáticos e composições musicais. Iniciou a sua colaboração literria na “Revista Universal Lisbonense” (1841) e fundou “A Assembleia Literria” (1849-1850), “A Beneficência” (1852-1855) e “A Cruzada” (1858). Cultivou o romance gótico em verso em “Olinda ou a Abadia de Cumnor Place” (1848), baseado em “Kenilworth” de Walter Scott, e “Os dois 19 Manuel Francisco do Pão, em 1933, de quem ficou viúva em 1980. Faleceu a 30 de setembro de 1983 na sua freguesia natal. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Cândida Gonçalves Telo foi informante de textos de tradição oral e popular, compilada por Pere Ferré e Vanda Anastácio a 1 de setembro de 1983, contando a informante nessa altura com 89 anos de idade. O seu contributo integra os ciclos de romances religiosos, tendo recitado “Quinta-feira de endoença, estando o meu Senhor ceando,/com a santa humanidade, corria toda a cidade” (XXXIII.3). 3. DA AUTORA. Na qualidade de informante da tradição oral e popular: “Quinta-feira de endoença, estando o meu Senhor ceando”. In Ferré, Pere e Boto, Sandra, Novo Romanceiro do Arquipélago da Madeira, Funchal: Funchal 500 Anos, 2008, p. 577 (n.º XXXIII.3). CARLOTA DA ÁUSTRIA (Bélgica; 1840 – Ibid; 1927) 1. NOTA BIOGRÁFICA. De seu nome completo Maria Carlota Amélia Augustina Vitória Clementina Leopoldina, foi princesa da Bélgica, arquiduquesa de Áustria. Foi a última Imperatriz Consorte do Império Mexicano entre 1864 e 1867, por casamento com o imperador Maximiliano. Nasceu em Laeken a 7 de junho de 1840. Era a filha mais nova do Rei Leopoldo de Saxe-Coburgo (17901865) e de Luísa Maria de Orleães (1812-1850). Na ida para o México, Maximiliano e Carlota aportaram em dezembro de 1859 no Funchal a bordo do vapor de guerra austríaco “Elisabeth”. Viveram na Quinta Bianchi ou Quinta da Pontinha, então residência do cônsul da Áustria, Carlo de Bianchi (1834-1910). O casal imperial foi padrinho de baptismo de Ferdinando Maximiliano Bianchi (1859-1930). Na Madeira, Maximiliano e Carlota visitaram a ilha e os seus costumes. O casal partiu do Funchal a 15 de dezembro numa visita às ilhas Canárias e Cabo Verde. No regresso à Madeira, Carlota da Áustria permaneceu na ilha durante o inverno de 1859-1860, enquanto Maximiliano se dirigiu para o Brasil. Após à morte do esposo, em 1867, Carlota da Áustria ficou profundamente afetada psicologicamente. Faleceu na Bélgica, em Meise, a 19 de janeiro de 1927. 2. LEGADO DOCUMENTAL. A imperatriz Carlota da Áustria deixou um diário de viagem à Madeira, coescrito com o seu esposo, intulado “Un Hiver à Madère” (1863), na sua estada entre 1859 e 1860. O texto foi publicado anonimamente e com mensagem muito crítica sobre os habitantes da ilha. O texto possui 15 litografias sobre paisagens e costumes da Madeira, de autoria controversa. A autora refere a presença inglesa na ilha, referindo nestes termos: “se bem que tenha voltado a ficar oficialmente, em 1815, sob o domínio português, a Madeira nunca deixou de ser, de facto, uma espécie de colónia inglesa” (p. 90). A futura imperatriz enalteceu a exuberância dos jardins e das paisagens. Numa festa organizada no Palácio de S. Pedro, Carlota da Áustria ficou surpreendida com a qualidade do evento, como menciona, “um belíssimo baile, que teria feito as honras a um salão de Londres ou de Paris. Nunca se suspeitaria de que, no meio de uma pequena ilha do oceano, privada de comunicação com o mundo civilizado, se pudesse ostentar tanta elegância e tão bom gosto” (p. 127). 3. DA AUTORA. 20 Un Hiver à Madère: 1859-1860, Impremerie I. R. de la Cour et de l’Etat, Viena, 1863 traduzido para: Memórias da minha vida: um inverno na Madeira. Trad. Duarte Miguel Barcelos Mendonça. Parede: Sopa de Letras, 2011. 175 p. il. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Carita, Rui, “ustria, carlota de”. In AprenderMadeira, 2017, acessível via URL: http://aprenderamadeira.net/austriacarlota-de/. CARLOTA MATILDE DA CONCEIÇÃO (Madeira; sécs. XVIII-XIX) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Sóror Carlota Matilde da Conceição foi escrivã e abadessa do Convento de Santa Clara do Funchal. Desconhecem-se outros dados biográficos. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Sóror Carlota Matilde da Conceição efetuou, entre 1808 a 1811, o registo de diversos atos administrativos desse convento, especialmente a escrituração das receitas e das despesas sobre o triénio respeitante ao abadessado da Madre Inácia Maria da Conceição, eleita a 14 de setembro de 1808. Redigiu, também, os documentos de receita e despesa do Convento de Nossa Senhora da Encarnação em 1808. 3. DA AUTORA. ●1. Portugal. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Convento de Santa Clara do Funchal. Receita e Despesa (1808-1811), liv. n.º 66 (Cód. de ref. PT/TT/CSCF/011/0031). ●2. Portugal. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Convento de Nossa Senhora da Encarnação. Receita e despesa (18081815), liv. 30. ●3. Portugal. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Convento de Nossa Senhora da Encarnação. Receita e despesa (1808-1815), liv. 11. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Fontoura, Otília Rodrigues, As Clarissas na Madeira: uma presença de 500 anos. Funchal: Centro de Estudos de História do Atlântico, 2000, p. 81; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. CAROLINA DIAS DE ALMEIDA (Funchal, 1846 — Ibid.; 1895) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Filha de Joaquim Dias de Almeida e de Efigénia Carolina Escórcio, casados em 1839 na Paróquia de Santa Maria Maior, Carolina Dias de Almeida (possivelmente aparentada com Elisa, nascida a 15 de junho de 1846). Carolina Almeida evidenciou-se nas artes cénicas na Madeira, quer como actriz quer como cantora. Faleceu no Funchal a 5 de junho de 1895. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Carolina Dias de Almeira levou à cena a comédia “Henriette” (1887) e “Dona Francisquita”, peças exibidas no Teatro Municipal do Funchal. Não foi possível localizar exemplares da sua obra. Foi autora de canções que foram, de acordo com os jornais da época, interpretadas em saraus de beneficência. De acordo com Platon de Waxel na "Gazeta da Madeira" (1869), Carolina Dias de Almeida foi uma das melhores artistas da sua época, especialmente como cantora, sendo autora de textos poéticos adaptados para o canto. De acordo com o “Dirio de Notícias” de 1 de abril de 1891, foi estreada uma peça no Teatro Conde Canavial, “a esplêndida Zarzuela [com cenas de prosa, canto e dança] composição da Ex.ª Sr.ª D. Carolina Dias de Almeida, em benefício 21 de umas senhoras pobres (...)". A 2 de dezembro do mesmo ano a peça estreou estando "tomados todos os lugares, e não era de esperar menos [para] apreciar devidamente o espectáculo deveras encantador e brilhante" (cit. apud Almeida, 2011). Grande parte dos seus textos está na custódia dos descendentes da família Moniz Bettencourt. 3. DA AUTORA. ●1. "É na triste morada dos mortos". Citado por A. de A. F. –"A órphã no cemitério". Archivo Litterario,Funchal,n.º64 (09-091863): p. 147. ●2. Henriette: scena cómica. Funchal: s. n., 1887, 18 p. [NI]. ●3. Dona Francisquita (s. d.) [NI]. ●4. “Charada [em quatro sílabas] em coautoria com Matilde Olímpia Sauvaire da Câmara. ●5. Arquivo familiar da família Bettencourt, Oeiras, Fundo Musical Matilde Sauvayre da Câmara, Espólio de Jorge Croner de Vasconcelos. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Clode, Luís Peter, Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses: Sécs. XIX e XX, Funchal, Caixa Económica do Funchal, 1983, p. 30a e 152b; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Ventura, Ana, “ALMEIDA, Carolina Dias de”. Dicionrio Online de Músicos na Madeira [em linha], 2011, [Consultado 28-03-2019]. Available from: https://recursosartisticos.madeira.gov. pt/index.php/projetos/dmusicos/biografia/164-almeidacarolina-dias-de-1|https://arquivoabm.madeira.gov.pt/viewer?id=665898 &FileID=1708183, vol 1 p. 116. CAROLINA MATILDE ESMERALDO (S. Miguel, Açores; 1806 — Funchal; 1882) 1. NOTA BIOGRÁFICA. De ascendência madeirense, Carolina Matilde Esmeraldo nasceu em S. Miguel (Açores) a 20 de maio de 1806, filha do capitão José Joaquim de Bettencourt Esmeraldo e de Rita Berenguer de Araújo Lemilhana Esmeraldo, moradores na ilha de S. Miguel (Açores). Não se conhecem mais pormenores sobre a sua vida. Faleceu em S. Pedro (Funchal) a 12 de maio de 1882. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Dedicou-se à tradução e cultivou a poesia, que permaneceu manuscrita. Publicou uma tradução “A Esttua de S. Jorge”, possivelmente baseada em “La statue de saint Georges; imité de l’allemand de F. W”, publicado em 1835, de autor desconhecido. 3. DA AUTORA. ●1. A Estatua de São Jorge: imitado do Allemão de F. W., e traduzida do francez. Paris: Typ. Firmino Didot, 1844, 127 p. ●2. “Amisade”. Imprensa Livre, Funchal, n.º 18 (27-02-1869), p. 1 (atribuível, assinado como C. M. E.). ●3. O Máscara de ferro [NI, apud Inocêncio, Supl., t. 9, p. 47]. ●4. Poesias [tít. atrib.], mss., ca. 1867. [NI, apud Inocêncio, Supl., t. 9, p. 47]. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Nota biobibliográfica: Esmeralda, Carolina Matilde [em linha], 1986. Funchal. [Consulta: 19-03-2019]. Disponível em: https://arquivo- 22 abm.madeira.gov.pt/viewer?id=666474 &FileID=1709650; Silva, Innocencio Francisco, et al. Diccionario bibliographico portuguez: estudos. Vol. 9. Lisboa: Na Imprensa Nacional, 1862. CAROLINE ELIZABETH COUGER NORTON (Reino Unido; 1798 – Funchal; 1875) 1. NOTA BIOGRÁFICA. A honourable Caroline Elizabeth Couger Norton era filha de Fletcher Norton (1744-1820), Barão de Exchequer (Escócia) e de Caroline Elizabeth Norton (nascida Balmain). De acordo com Hoe, existe no cemitério britânico do Funchal uma inscrição “The Hon[oura]ble Caroline Eliz[abe]th Conyers Norton”, falecida a 22 de julho de 1875, com 77 anos de idade (Hoe, 2014, p. 104). Foi proprietária da Quinta das Maravilhas, onde viveu com a aguarelista, Maria Young†. Foi também proprietria de terrenos no Ribeiro Seco. A quinta e a propriedade foram doadas à sua amiga íntima Elizabeth Scott Gordon. Quem conheceu Caroline Norton foi Fanny Burney Wood†, recordada numa entrada de 22 de outubro de 1838. Emily Shore† refere-a também no seu diário. Sobre Norton, Burney refere que “having delicate health have chosen Madeira for their home” (Burney, 1926, cit. Hoe, 2014, 102). Burney recordou, ainda, o que a famosa freira madeirense Maria Clementina disse sobre a forma como a honourable Caroline Norton se vestia: “Elle est habillé exactement comme un Monsieur”. Este modo de estar de Norton causou algum escândalo na Madeira. A confusão com a grande escritora e defensora dos direitos das mulheres, a honourable Caroline Elizabeth Sarah Norton (nascida Sheridan) (1808-1877) deve-se ao facto de esta ter casado com o irmão mais novo de Caroline Elizabeth Couger Norton, George Chapple Norton (18001875). 2. LEGADO DOCUMENTAL. Caroline Elizabeth Couger Norton foi uma desenhadora e aguarelista que colaborou com o Reverendo Thomas Lowe com desenhos científicos no seu “A history of the fishes of Madeira” (1843-1860). 3. DA AUTORA. Lowe, Richard Thomas, A history of the fishes of Madeira, by Richard Thomas Lowe. With original figures from nature of all the species, by the Hon. C. E. C. Norton and M. Young, London, J. Van Voorst, 1843-1860. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Burney, Fanny Anne, A great-niece's journals; being extracts from the journals of Fanny Anne Burney (Mrs. Wood) from 1830 to 1842.Edited with preface and notes by her granddaughter Margaret S. Rolt and with eight illustrations. London: Constable & Company, Ltd., 1926; Hoe, Susanna, Madeira: Women, History, Books and Places (Of Islands & Women). Oxford: Holo, 2004; Saunders, Clare Broome (org.), Women, Travel Writing, and Truth, New York, Routledge, 2014, P. 102-103; Waterston, Charles D; Macmillan Shearer, A (July 2006). Biographical index of former fellows of the Royal Society of Edinburgh, 17832002: Biographical Index. II. Edinburgh: The Royal Society of Edinburgh. ISBN 978-0-902198-84-5, p. 700. CASTORINA ERMESINDA VIEIRA DE ANDRADE FERNANDES DE AZEVEDO (Funchal, 1893 – Lisboa, 1972) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Castorina Vieira de Andrade nasceu em São Pedro (Funchal) a 7 de outubro de 1893, filha de António José de Andrade e de Juliana Vieira de 23 Andrade. Casou civilmente com Daniel Fernandes de Azevedo, natural da Sé, a 30 de maio de 1918, na Rua da Penha de França, São Pedro, falecido a 14 de fevereiro 1957. Era irmã do capitão Osvaldo Gonçalves Vieira de Andrade. Castorina Vieira de Andrade faleceu em São Sebastião da Pedreira, em Lisboa, a 22 de janeiro de 1972. O seu nome aparece com outras grafias, como ‘Casturina’ e ‘Ermezenda’. 2. LEGADO DOCUMENTAL. De acordo, com Luís Marino no seu ‘Panorama Literrio do Arquipélago da Madeira’, Castorina Vieira de Andrade cultivou a poesia, tendo deixado colaboração no ‘Almanaque Ilustrado do ‘Dirio da Madeira’ para 1915, e encontra-se representada na ‘Musa Insular’ de Marino, referindo também que a poetisa deixou inéditos diversos textos. O poema “Anseios” escrito no Funchal a 1 de junho de 1914, diz: “Viver de tudo e todos longe,/gostava, assim, tal qual um monge,/de viver só!/Não ter de mim em que pensar!/Viver, viver sem estimar,/e nem ter dó!//Afectos não os conhecer;/nem laços de família ter,/ mesmo ninguém!/Viver das solidões suaves;/ouvir cantar somente as aves;/ cantar também!//Nas raras horas de tristeza,/em que nos fala a Natureza/só viver dela!/Viver, viver sem ilusão;/e adormecer o coraçao!.../-Que vida bela!//Toda enlevar-me sem vaidade /pelo ceu da felicidade/que aqui não há!/Pois só assim eu passaria/melhor os dias de alegria/que tenho c!...”. 3. DA AUTORA. “Anseios”. In Almanach Ilustrado do Diário da Madeira, Funchal, Typ. do Diário da Madeira, 1912. Reeditado em Musa Insular. (Poetas da. Madeira), Funchal, Tipografia do Eco do Funchal, s. d. [1959], p. 335. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Marino, L.., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Castorina Ermesinda Vieira de Andrade Fernades de AZEVEDO [em linha], Funchal, 1986 [Consulta: 19-03-2019]. Disponível em: ; https://arquivoabm.madeira.gov.pt/viewer?id=666008 &FileID=1708410. CATARINA DA SILVA BRANDÃO (Madeira; séc. XVII — Antuérpia?; séc. XVII/XVIII) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Apesar de não se conhecerem aspetos particulares da sua vida, Catarina da Silva Brandão foi esposa de Jorge Dias Brandão, mercador e cristão-novo perseguido pela Inquisição portuguesa, de quem ficou viúva na Antuérpia. Conserva-se no Nederlandsch Economisch-Historisch Archief a correspondência de Duarte da Silva em Londres dirigidas a Jorge Dias Brandão (Bijzondere Colecties 471, Nr. 2.5.147). 2. LEGADO DOCUMENTAL. Catarina da Silva Brandão é autora de uma carta dirigida a António de Freitas Branco a requerer uma procuração para a venda de bens na Madeira. Esta carta conserva-se na Biblioteca da Ajuda. 3. DA AUTORA. Portugal. Biblioteca da Ajuda. Carta de D. Catharina da Silva Brandão para António de Freitas Branco, pedindo-lhe para lhe obter licença para vender a tença em duas vidas que tem na ilha da Madeira. 2101-1688, Antuérpia (Cód. ref. Ms. Av. 54-IX-45, n.º102). 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de 24 Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. CATHARINA MATHILDE VON POMMERESCHE (Alemanha; 1852 —Ibid.?; 1920) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Catharina Mathilde von Pommer-Esche nasceu em Berlim a 5 de dezembro de 1852. Era filha de Johann Friedrich von Pommer-Esche (1803-1870), Director-Geral dos Impostos do Estado Real da Prússia, e de Flora Gustava Christiana von PommerEsche, nascida Picht (1812-1910), pertencente a uma família da nobreza sueca. Casou-se com Johannes François Dieterich Horts, em 1903, importante proprietário de plantações de quem viria a divorciar-se em 1906. Visitou a Madeira a 22 de março de 1902, desembarcando no vapor Funchal e permaneceu no Jone’s Hotel Bella Vista, aparecendo noticiada nos jornais funchalenses. Partiu no vapor Dona Maria a 14 de maio de 1902. Visitou diversas regiões da Europa onde deixou vários escritos sobe Itália, sul de Espanha e Baleares. Faleceu por volta de 1920. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Publicou um opúsculo intitulado, “Madeira die Wald-Insel” (1902), que traduzimos como “Madeira, a Ilha Bosque”. Pommer-Esche escreveu outros relatos de viagens às Canrias, em “Die Canarischen Inseln” (1906). Os seus relatos retratam as suas viagens de lazer ou por motivos terapêuticos, devido aos problemas de saúde que a autora sofria. 3. DA AUTORA. Madeira die Wald-Insel. Berlin: H. Walther, 1902, 42 p. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Hernández, Elia Socas, Las Islas Canarias en viajeras de lengua alemana. Frankfurt an Main: Peter Lang, 2010, ISBN: 9783631608319, p. 290-292; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Rebok, Sandra,“La exploración naturalista de Madeira en el siglo XIX: Los viajeros alemanes y su interés por esta isla”. Arbor, n.º 185/740 (2009), p. 1323-1337; Wilhem, Eberhard Axel, Visitantes e escritos germânicos da Madeira: 1815-1915. Funchal: Direcção Regional dos Assuntos Culturais, 1997, 119-120. CHARLOTTE ALICE BAKER (Estados Unidos da América; 1833 — Ibid.; 1909) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Charlotte Alice Baker nasceu em Springfield, Massachusetts (Estados Unidos da América) a 4 de abril de 1833, filha de Dr. Matthew Bridge e de Catharine Baker. Alice Baker frequentou a Misses Stone’s School em Greenfield (Massachusetts) e em Deerfield Academy, onde foi uma das primeiras alunas desse estabelecimento de ensino. Foi professora e historiadora especializada sobre Nova Inglaterra. Viajou pelo Canada, especialmente em Montreal e Québec, para realizar as suas pesquisas históricas e visitou aldeias indígenas canadenses. Faleceu em Pittsfield, Massachusetts, a 22 de maio de 1909. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Alice Baker colaborou com artigos para revistas, jornais e magazines sobre botânica, arte e lavores femininos. É autora de textos infantis e historiográficos. A escritora americana visitou a Madeira e os Açores no outono de 1882 e publicou as suas impressões de viagens em “A summer the Azores, 25 with a glimpse of Madeira” (1882). Fez inicialmente um pléripo pelas ilhas açorianas e a partir das páginas 131 a 164, fez uma descrição sobre a sua estada na Madeira, entre 9 e 14 de setembro de 1882. No fim retorna aos Açores, rumando aos Estados Unidos da América. 3. DA AUTORA. A summer the Azores, with a glimpse of Madeira. Boston: Lee and Shepard, 1882, 174 p. http://purl.pt/22215. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. CLARA BROCKMANN (Alemanha; 1885 – Namíbia; 1959) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Clara Pauline Dorothea Johanna Brockmann é natural de Lübeck (Alemanha), onde nasceu em 1885, filha de Karl Friedrich Emil Brockmann e de Emma Sophia Margaretha Fiedler. Aos 27 anos partiu para o continente africano, onde viveu em Windhoek (Namíbia). Foi jornalista e funcionária pública. Sendo jovem e solteira, esteve de passagem por Tenerife, por Las Palmas e pela Madeira. Escreveu dois relatos das suas viagens pela África Subsariana, intitulado “Briefe eines deutschen Mädchens aus Südwest” (1912) e “Die deutsche Frau in Südwestafrika: ein Beitrag zur Frauenfrage in unseren Kolonien” (1910). Colaborou na revista “Kolonie und Heimat” (1909). Faleceu na Namíbia em 1959. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Como diversas viajantes alemãs, Clara Brockmann faz uma breve referência à Madeira no seu “Briefe eines deutschen Mädchens aus Südwest” (1910). Brockmann utiliza o género epistolar como forma de expressão do eu. Clara Brockmann compara as paisagens da Madeira e de Tenerife, como refere “Madeira gleicht in seinem geologischen Aufbau und seinem Straßenleben den beiden vorgenannten Inseln; es zeichnet sich vielleicht durch noch breitere, schönere Alleen aus. Viele Lungenleidende suchen Madeira und Teneriffa als Heilstätte auf, und es ist verwunderlich, daß dieses Paradies neben den üblichen Fahrten nach der Schweiz und Italien nicht mehr Zuspruch von reichen Vergnügungsreisenden findet.” (‘A Madeira assemelha-se às duas ilhas acima mencionadas na sua estrutura geológica e na sua vida nas ruas; pode ser caracterizado por avenidas ainda mais amplas e agradáveis. Muitos dos que sofrem de pulmões procuram a Madeira e Tenerife como um sanatório, e é surpreendente que este paraíso, para além das habituais viagens à Suíça e à Itália, já não seja popular entre os viajantes’, tradução livre). Brockmann é considerada como uma das vozes mais representativas da literatura colonial germânica. 3. DA AUTORA. Briefe eines deutschen Mädchens aus Südwest. Berlin: Ernst Siegfried Mittler & Sohn, 1910, p. 213-214. Acessível via URL: http://brema.suub.unibremen.de/dsdk/content/titleinfo/185 8516. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 26 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Socas, Elia Hernandez, Las Islas canarias en viageras de lengua alemana. Frankfurt am Main: Peterlang, 2010, p. 91, ISBN 978-3-631-60831-9; Mamozai, Martha, Herrenmenschen: Frauen im deutschen Kolonialismus. Reinbeck bei Hamburg: Rowohlt, 1982; Wildenthal, Lora, German women for empire, 18841945. Durham: Duke University Press, 2001. CLARA CECÍLIA DE SÃO JOSÉ (Madeira; séc. XVIII) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Sóror Clara Cecília de São José foi uma religiosa e escrivã do convento de Santa Clara do Funchal, cujos dados biográficos desconhecemos. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Sóror Clara Cecília de São José foi adjunta da escrivã sóror Petronila do Socorro† desde 1736, com textos ainda por identificar no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. 3. DA AUTORA. Documentos por identificar no Arquivo Nacional Torre do Tombo, com dados baseados em Portugal. Arquivo Nacional / Torre do Tombo. Convento de Santa Clara do Funchal. Livro das Eleições de Abadessas e mais Oficiais do Convento de Santa Clara de N.ª Senhora da Conceição do Funchal, 1733, liv. n.º 27, fól. 6v. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. CLARA VIRGINIA BIDDLE DAVIS (Estados Unidos da América; 1874 – Ibid; 1938) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Nascida em Filadélfia, nos Estados Unidos da América, em 1874, Clara Biddle, era filha do médico George Biddle e de Alice Long. Clara Davis esteve na Madeira em janeiro de 1909, na companhia do seu marido, o arquiteto Seymour Davis, no circuito de turismo do Mediterrâneo. Faleceu em fevereiro de 1938. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Clara e Seymour Davis são autores de impressões de viagens em “A Winter Journey to the Western Islands, Madeira, Gibraltar, Italy, Egypt, the Holy Land, Turkey, and Greece” (1909). Chegaram à Madeira a 17 de janeiro de 1909 a bordo do navio “Cedric”, depois de passarem pelos Açores, entre as páginas 12 e 15. Mrs. Davis aparece numa fotografia descendo num carro de cesto. Numa das passagens do diário, refere o espetáculo dos bomboteiros na chegada à ilha: “Madeira Harbor offers a beautiful vista. We are surrounded by small boats from which native boys dive for coins in the icy water. Although it is Sunday, the Cedric's decks have been converted into lace bazaars, where the natives expose for sale their bandembroidered linens” (p. 12-13). Referiu a experiência do casal num carro de bois, que descreve como “an antiquated model of Spanish cabriolet placed on wooden runners and drawn by two bullocks led by leather thongs threaded through the tips of their horns” (p. 13). Constam cartas inéditas insertas no fundo de Hulda Lashanska (New York Public Library). 3. DA AUTORA. A Winter Journey to the Western Islands, Madeira, Gibraltar, Italy, Egypt, the Holy Land, Turkey, and Greece. Philadelphia: Wagstaff, 1909, 145 p. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria 27 Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. CLÁUDIA JOVITA DE ORNELAS E ANDRADE (Madeira; fl. 1820) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Filha de Manuel José Vieira de Andrade, professor régio de primeiras letras no Funchal, e de Maria Valentina de Ornelas, casados em Machico em 1791, Cláudia Jovita de Ornelas e Andrade nasceu na freguesia de Santa Maria Maior. Cláudia de Ornelas e Andrade candidatou-se a um posto para a docência como mestra régia em escolas femininas no Funchal. Apenas se conhece correspondência dirigida às Cortes Régias a requerer autorização para o exercício da função. 2. LEGADO DOCUMENTAL. O seu requerimento visava a autorização para exercer como mestra régia, dado não existir na ilha uma “mestra paga pelas Rendas da Nação” e, assim, poder “ensinar gratuitamente às Meninas pobres, que por falta deste auxílio crescem e envelhecem na mais grosseira ignorância”. Realçou a impossibilidade de as classes mais pobres de recorrerem ao ensino privado, “por falta de Mão Poderosa que os auxilie e levante da sepultura de sua ignorancia” (AAR, Cx. 42, 18201821, doc. 23a). 3. DA AUTORA. Portugal. Arquivo Histórico da Assembleia da República. Correspondência recebida. [Requerimento], Cx. 42, doc. 23. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Fernandes, Rogério, “Educação e ensino popular na Madeira (século XVIII-1840).” Felgueiras,Margarida Louro et al. (Ed. Lit.), Rogério Fernandes: questionar a Sociedade, interrogar a História, (re)pensar a Educação, Porto, Afrontamento, 2004, p. 134-135; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. CRISTINA DA CUNHA (Funchal; 1898 — Coimbra; 1978) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Cristina da Cunha nasceu a 19 de março de 1898 em Santa Maria Maior (Funchal) e baptizada no Seixal (Porto Moniz) a 21 de setembro de 1898. Seus pais foram Jorge da Cunha, militar, e de Cristina Cândida Jardim, casados em 1889 na Igreja de São Jorge (Santana), de onde eram naturais. Cristina da Cunha fez estudos no Liceu do Funchal e ingressou na Universidade de Coimbra por volta de 1917-1918, onde fez os estudos preparatórios médicos. Graduou-se em medicina (1918-1923) e concluiu o seu percurso com um doutoramento (1924-1925). Exerceu medicina na Madeira na “Drogaria Insulana”, na estrada do Conde de Carvalhal. Foi médica interna do Hospital São José em Lisboa durante vários anos. Além da sua atividade profissional na área da saúde, fez parte do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas durante mais de vinte anos, ao lado de figuras como Adelaide Cabete (1867-1935). Desempenhou funções diretivas na Comissão de Higiene (1927; 1929; 1936-1940; 1943; 1945) e de vogal da direção dessa comissão (1945-1946), quando era presidida por Maria Lamas (1893-1983). 28 Embora as primeiras médicas formadas na Madeira pela Escola MédicoCirúrgica do Funchal – refira-se, Palmira Conceição de Sousa e Henriqueta Gabriela de Sousa – não tenham legado qualquer estudo conhecido, Cristina da Cunha foi a primeira mulher madeirense a adquirir grau académico em medicina e foi uma ativista reputada na defesa dos direitos das mulheres. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Cristina da Cunha publicou a sua tese de doutoramento intitulada “Sobre o estudo estatístico e toxicológico dos envenenamentos pelo arsénio” (1925), em Coimbra. Colaborou na revista “Alma Feminina” com diversos artigos de informação sobre higiene e saúde escolar e sobre toxicologia. 3. DA AUTORA. ●1. Sobre o estudo estatístico e toxicológico dos envenenamentos pelo arsénio. Coimbra: Tip. da Gráfica Conimbricense, 1925. ●2. Contribuição para o estudo estatístico da pré-tuberculose escolar. Lisboa: [s. n.], 1930. ●3. Escolas ao ar livre em Portugal. Lisboa: [s. n.], 1932. ●4. “As moscas”. Alma Feminina, n.º 2 (1927): p. 12-13. 3. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. “Assembleia Geral do ‘Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas’”. Alma Feminina, n.º 1 (Janeiro-Fevereiro, 1929): p. 3-5; “Corpos gerentes do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas”. Alma Feminina, n.º 3 (Maio-Junho, 1927): p. 24; Branco, Alfredo de Freitas, Notas & Comentário para a História Literária da Madeira, vol. III, Funchal, CMF, 19491953; Correia, Rosa de Lurdes Matias Pires. O Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas: a principal associação de mulheres da primeira metade do século XX (1914-1947). Diss. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, 2013; Esteves, João, “Cristina da Cunha”. In Castro, Zília Osório de; Esteves, João (dir.). Dicionário no feminino (séculos XIX-XX). (Lisboa: Livros Horizonte, 2005), p. 249b; Gomes, Joaquim Ferreira, “A mulher na Universidade de Coimbra”. Coimbra: Livraria Almedina, 1987; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Marino, L.,. Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Nota biobibliográfica: Cunha, Cristina [em linha], 1986. Funchal: f. 69. [Consulta: 19-03-2019]. Disponible en: https://arquivoabm.madeira.gov.pt/details?id=666416 . CRISTINA VIEIRA DA COSTA (Machico; 1885 — Ibid.?; c. 1980) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Não dispomos de dados biográficos precisos sobre esta informante. Cristina Vieira Costa era natural de Porto da Cruz (Machico), onde nasceu por volta de 1885. Desconhecemos data de falecimento, que terá ocorrido na década de 1980. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Cristina Vieira Costa foi informante de textos de tradição oral e popular, compilada por Albertina Nóbrega Abreu, Teresa Vasconcelos, Maria Gilda Mendonça e Gilda Vieira de Carvalho por volta de 1980, contando a informante nessa altura com 95 anos de idade. O seu contributo integra os ciclos de romances tradicionais de assunto profano, tendo recitado “Ia pelo mar 35 à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Smart, Elisa de [em linha], 1986. Funchal. [Consulta: 19-032019]. https://arquivoabm.madeira.gov.pt/details?id=667995 ; Methodist Episcopal Church. Missionary Society, The Gospel in All Lands by Missionary Society. S. l.: Methodist Episcopal Church, 1901; Valente, David, “Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal: contributo para a história da sua formação”. Lusitania Sacra, 16 (2004), p. 477-510. ELIZABETH HENRIETTA MACQUARIE (Reino Unido; 1778 – Ibid.; 1835) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Nascida Campbell, Elizabeth Henrietta nasceu a 13 de junho de 1778 em Kilcalmonell, Argyllshire na Escócia. Era filha mais nova de John Campbell e de Jane Campbell. Ela cresceu na casa do seu irmão e conheceu o coronel Lachlan Macquarie, que prestou durante mais de uma década serviço militar na Índia, e que veio a ser seu esposo. Casaram-se em Devon a 3 de novembro de 1807. Em 1809, o coronel Macquarie foi nomeado governador de Nova Gales do Sul (Austrália). Elizabeth Macquarie acompanhou-o nessa viagem, que durou sete meses a bordo do “Dromedary”. Quando chegaram a Sydney em dezembro de 1809, Elizabeth Macquarie interessou-se pela condição das mulheres condenadas e aborígenes e foi uma esposa dedicada, acompanhando o seu esposo em diversas expedições pela Austrália. O casal regressou à Inglaterra a 15 de fevereiro de 1822 no navio “Surry”. Faleceu em Gruline House, Loch Ba, ilha de Mull (Escócia), a 11 de março de 1835. LEGADO DOCUMENTAL. Elizabeth Macquarie deixou um diário da sua viagem à Austrália, onde refere a sua estada na Madeira, passagem por Cabo Verde, Rio de Janeiro e África do Sul, no ano de 1809. O casal esteve na Madeira em 12 de junho de 1809, recebidos pelo cônsul Henry Veitch e sua esposa. Elizabeth refere que, por motivo de doença, teve pena não ter conhecido a ilha: “My bad state of health prevented my being able to see much of the Island of Madeira, & what I regretted much more I fear I prevented Colonel Macquarie partaking of many invitations which could not fail to be agreeable”. No entanto, o casal visitou, no dia 16 desse mês, a igreja do Monte. No dia 18, Elizabeth descreve um evento religioso de entrada de uma noviça no convento e da despedida comovente da mãe, um momento que refere que “I cannot say that I ever felt so much distress at the fate of a stranger, as I did on this occasion; the impression was not that I could not hear the subject mention'd without considerable emotion for sometime after. I hope her situation does not feel to her, as it appear'd to me”. Acrescenta, além disso, a beleza da ilha em contraste com a extrema pobreza que presenciou não só dos espaços públicos mas também dos habitantes: “The Island of Madeira is certainly one of the most beautiful & romantic places to look at which I have ever seen, to Persons who have been 36 long at Sea, & who have suffer'd illness, and bad weather, the sight of Funchal is the most gratifying which can well be imagined; but by the time one has been a few days on shore, the want of air, and great heat; the total exclusion from all kinds of exercise, from the hardness of the roads; which are very steep, and paved with small stones; and above all the filth of the Inhabitants is so disgusting, that I think no time could reconcile one to witness it with indifference – all this serves to shew how many comforts are necessary to render life agreeable to a person who has been accustom'd to live in England”. 3. DA AUTORA. Austrália. State Library of New South Wales. Mitchell and Dixson Libraries Manuscripts Collection. Elizabeth Macquarie journal of a voyage from England to Sydney in the ship 'Dromedary', 15 May 1809 - 25 December 1809, 1809, cód. C 126 (Safe 1/303). 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Barnard, Marjorie, 'Macquarie, Elizabeth Henrietta (1778-1835)', in Australian Dictionary of Biography, National Centre of Biography, Australian National University, 2006, http://www.adb.online.anu.edu.au/bio gs/A020161b.htm; Cohen, Lysbeth, Elizabeth Macquarie: Her Life and Times, Wentworth, Sydney, 1979; 'Elizabeth Henrietta Macquarie of Airds (1778-1835)', in Lachlan and Elizabeth Macquarie Archive, Macquarie University, State Library of New South Wales, National Library of Scotland, Historic Houses Trust, National Library of Australia, National Museum of Australia, New South Wales State Records, Macquarie University, 2010, http://www.lib.mq.edu.au/digital/lema /biographies/embiog.html; Walsh, Robin, In her own words: the writings of Elizabeth Macquarie, Wollombi, N.S.W, Exisle Publishing, 2011. ELLA MARY DU CANE (Austrália; 1874 — Reino Unido; 1943) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Ella Du Cane nasceu em Hobart, na Tasmânia, a 4 de junho de 1874. Filha do administrador colonial Sir Charles Du Cane, de Braxted Park, e de Georgiana Susan Copley, Ella du Cane foi uma notável aguarelista e viajante britânica. Colaborou com a sua irmã, Florence du Cane†, com ilustrações de jardins em livros como “The flowers and gardens of Japan” (1908), “The flowers and gardens of Madeira” (1909) e “The Canary Islands” (1911). As suas pinturas foram exibidas na New Society of Painters in Water Colours. Faleceu em 1943, solteira, sem geração, sepultada na Igreja de Todos os Santos, em Braxted, Essex. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Ella Du Cane foi uma notável aguarelista britânica. Ganhou notoriedade em 1893 numa exposição da “New Society of Painters”. A sua notoriedade ganhou maior alcance ao publicar com a sua irmã as suas experiências de viagem. Várias pinturas da sua autoria foram adquiridas pela Rainha Vitória, interessada pela sua obra. Sobre os jardins da Madeira, Ella Du Cane produziu 24 ilustrações paisagísticas de jardins, caminhos e de quintas emblemticas do Funchal, como “Loo Rock, Funchal”, “A Drinking Fountain”, “Azaleas in a Portuguese Garden”, “Azaleas, Quinta Ilheos”; “Datura, Quinta Vigia”, “A Group of Senecio”, “Weigandia and Daisies”, “Cypress Avenue, Quinta Stanford”, “Aloes and Daisy Tree”, “Poinsettia on the Mount Road”, “The Scarlet Bougainvillea”, 37 “Wistaria, Santa Luzia”, “Roses, Santa Luzia”, “Pride of Madeira and Peach Blossom”, “Quinta do Til”, “On the Torrinhas Road”, “Wistaria, Quinta da Levada”, “Red Aloes”, “Almond Blossom”, “Pride of Madeira and Daisies”, “The Purple Bougainvillea”, “Bignonia Venusta”, “Jackaranda Tree” e “A Chapel Doorway”. DA AUTORA. The flowers and gardens of Madeira. London: Adam and Charles Black, 1909, vii, 150 p. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Clark, John (ed.), Japanese Exchanges in Art 1850s-1930s. Sydney: Power Publications, 2001, p. 237; Millar, Delia, “Ella Mary Du Cane (1874-1943)". In The Victorian Watercolours and Drawings in the Collection of Her Majesty the Queen. London: Philip Wilson, 1995, p. 284; Peralta, Yolanda, Diccionario de Creadoras Canarias del Siglo XIX-XX. La Laguna: Universidad de La Laguna, 2008; Redfoot, Alison, Victorian Watercolorist Ella Mary Du Cane: A study in resistance and compliance of gender stereotypes, the professional art world, Orientalism, and the interpretation of Japanese gardens for British society: MA thesis. California State: University at Long Beach, 2011. ELLEN MARIA TAYLOR (Madeira; 1832; — Reino Unido; ca. 1907) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Apesar de não ser seguro identificar a autora desta entrada, encontrámos alguns dados nos registos vitais da Igreja Inglesa na Madeira. Ellen Maria Taylor nasceu na Madeira 2 de julho de 1832, filha do comerciante James Taylor e de Elizabeth (sic) ou de Maria Elenor Hayward, residentes na ilha. De resto os Taylors têm grande presença no arquipélago. Ellen Taylor terá vivido no Reino Unido e visitou a Madeira entre janeiro de 1880 e janeiro de 1881. Esteve hospedada no hotel Santa Clara, na companhia de uma amiga que veio curar-se na ilha. Desconhecemos onde faleceu, que se presume no Reino Unido, por volta de 1907. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Com apoio de Charles Cossart, Robert White e James Yates Johnson, Ellen Maria Taylor publicou em Londres “Madeira: Its Scenery, and how to See it; with Letters of a Year's Residence, and Lists of the Trees, Flowers, Ferns, and Seaweeds” (1882). O conhecimento detalhado do arquipélago e da língua coloca a hipótese de autora ter estado anteriormente na Madeira. Na composição da sua obra, apoiou-se em autoridades locais e obras anteriores, como “Madeira. Its Clima and Scenery” de James Yate Johnson e os conhecimentos de Charles Cossart. Ellen Taylor oferece informações sobre hotéis, navios, restrições de bagagem, festividades e excursões, comércio, história local e costumes, incluindo um vocabulário português-inglês de apoio ao turista inglês e uma lista de grandes personalidades insulares. Além disso, publicou correspondência, que confere à obra uma experiência pessoal e autêntica. 3. DA AUTORA. Madeira: Its Scenery, and how to See it; with Letters of a Year's Residence, and Lists of the Trees, Flowers, Ferns, and Seaweeds. London: E. Stanford, 1882, p. 261; 38 London: E. Stanford, 1889, 269 p. (acessível archive.org/details/b24750876). 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Baubeta, Patricia Odber de, “a madeira vista pelos ingleses”. In Aprender Madeira, 2018, Acessível via URL: < http://aprenderamadeira.net/amadeira-vista-pelos-ingleses>; Hoe, Susanna, Madeira: Women, History, Books and Places (Of Islands & Women). Oxford: Holo, 2004; Robinson, Jane, Wayward women: a guide to women travellers. Oxford University Press, 1990; Saunders, Clare Broome (org.), Women, Travel Writing, and Truth, New York, Routledge, 2014; Silva, António Marques da, Passaram pela Madeira. Funchal: Empresa Municipal “Funchal 500 anos”. 2008, p. 213. EMÍLIA ACCIAIOLLY REGO (Madeira; fl. 1863) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Desconhecemos o verdadeiro nome da autora que tem sido confundida com Emília Henriqueta Acciaiolly Rego† e parente de Maria Eugénia Rego Pereira†. É possível ser filha de João António Acciaiolly Rego e de Carolina Augusta Jardim. 2. LEGADO DOCUMENTAL. A autora publicou textos poéticos e charadas no jornal do Liceu, “O Recreio” e na “Estrela Académica” e noutros jornais madeirenses, assinando os seus textos com pseudónimo A. (desdobrado num periódico “O Recreio” da Biblioteca Municipal do Funchal). Encontra-se representada na “Musa Insular” de Luís Marino. Os docentes do Liceu do Funchal incentivavam os seus alunos publicarem os seus textos em jornais escolares. 3. DA AUTORA. ●1. “Meditação”. O Recreio (jornal do Liceu do Funchal), 1863 = In Marino, Luís, Musa Insular, Funchal, Eco do Funchal, 1959, p. 98-99. ●2. “Aos anos de meu irmão”. O Recreio (jornal do Liceu do Funchal), n.º2 (1863), p. 14. ●3. “A lira quebrada”. O Recreio (jornal do Liceu do Funchal), n.º20 (1864), p. 154-155. ●4. “A charidade”. Estrella Academica: periódico de instrucção e recreio,Funchal,n.º2 (18-12-1875), p. 1 (Atribuível, assinado por A.). ●5. “A Constancia”. Estrella Academica: periódico de instrucção e recreio,Funchal,n.º2 (18-12-1875), p. 12 (atribuível, assinado por A.). ●6. “O nascimento do Messias”. Estrella Academica: periódico de instrucção e recreio, Funchal, n.º3 (25-12-1875), p. 12 (Atribuível, assinado por A.). ●7. “Os amigos”. Estrella Academica: periódico de instrucção e recreio,Funchal,n.º 2 (18-12-1875), p. 1-2. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Rego, Emília Acciaioly [em linha], 1986. Funchal. [Consulta: 1903-2019]. https://arquivoabm.madeira.gov.pt/details?id=667674 . EMÍLIA HENRIQUETA ACCIAIOLLY REGO (Santana; 1798 – ibid; 1849) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Nascida em Santana, em 1798, Emília Henriqueta Acciaiolly era filha do Coronel Filipe Joaquim Acciaiolly e de Ana Coleta de Freitas Acciaiolly. Emília Acciaiolly Rego casou- 39 se com o capitão António Francisco Rego, na Sé do Funchal em 1816. É parente das poetisas Emília Acciaioli Rego† e de Maria Eugénia de Afonseca Acciaiolli Rego Pereira†. Alguns autores chamam-na como Emília Acciaiolly Rego Sénior. Faleceu na Madeira em 1849. 2. LEGADO DOCUMENTAL. O seu poema “Arcoíris” foi publicado na antologia “Flores da Madeira (1871), tendo permanecido manuscritos os seus textos. A contemplação da natureza como manifestação divina: “Formoso arco celeste,/Que, nos céus, te vais curvando./E o alto firmamento/De mil cores matizando!/Aquele que com seu sopro/Tão acima te elevou,/E com variadas tintas/Sabiamente te pintou”. No entanto, vincula a beleza do fenómeno com o ideário cristão da paixão de Cristo: “Aquele que te sustenta/Com tanto brilho e beleza./Foi coberto em sua vida/Com o manto da pobreza./Aquele que te curvou/De modo mais majestoso,/Foi condenado a morrer/Como um facinoroso/. Com o seu sangue inocente/O seu rosto foi manchado —/Esse precioso sangue/Que por nós foi derramado/Todo o cálix da aflição/Sobre ele se esgotou;/E para nos libertar/Em tormentos expirou”. No “Panorama Literrio” de Marino refere que “deixou um livro de versos, cujo título desconhecemos”. 3. DA AUTORA. “Arco-íris”. In Monteiro, José Leite e Oliveira, Alfredo Cesar de (ed. lit.), Flores da Madeira. Funchal: Typ. da Imprensa Livre, 1872; republ. em Marino, Luís, Musa Insular, Funchal, Eco do Funchal, 1959, p. 63. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Gomes, Alberto, “Algumas Notas sobre os Poetas das Flores da Madeira”. Das Artes e da História da Madeira, 3/14 (1953), p. 22; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Rego Sénior, Emília Acciaioly [em linha], 1986. Funchal. [Consulta: 19-03-2019]. https://arquivoabm.madeira.gov.pt/details?id=667672 . EMÍLIA ROMANA DO EMPÍREO (Santana; 1801 – Funchal, 1883) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Filha de João José Moderno e de Antónia Rosa, natural do Arco de São Jorge, onde nasceu em 1801. Fez votos em 1816. Sóror Emília Romana do Empíreo (ou Empírio) foi escrivã e abadessa do Convento de Nossa Senhora da Encarnação do Funchal, no triénio de 1831 a 1833. Foi eleita durante vários triénios como abadessa do mosteiro (1837-1840, 1843-1846, 1849-1852, 1855-1858, 1861-1864, 1867-1870, 1873-1876 e 1879-1882). Faleceu a 11 de fevereiro de 1883. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Sóror Emília Romana do Empíreo consolidou as contas do convento e manteve correspondência com diversas entidades, documentos ainda por identificar. A administração do convento encontra-se descrita no arquivo do Convento de Nossa Senhora da Encarnação que se encontra repartido entre o Arquivo Nacional da Torre do Tombo e o Arquivo Regional e 40 Biblioteca Pública da Madeira. É indispensável realçar as dificuldades que os conventos femininos madeirenses enfrentaram com a extinção das ordens religiosas em Portugal, estipulado pelo Decreto e Instruções de 31 de maio de 1862, do Ministério e Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda, que executou a Lei de 4 de abril de 1861. Os registos feitos por esta religiosa dão conta das dificuldades que a instituição atravessava. 3. DA AUTORA. Portugal. Arquivo Nacional Torre do Tombo. Convento de Nossa Senhora da Encarnação do Funchal. Registo de receita e despesa, L. 38, L 46. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Fontoura, Otília Rodrigues, As Clarissas na Madeira: uma presença de 500 anos. Funchal: Centro de Estudos de História do Atlântico, 2000, p. 174, 189; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. EMILY GENEVIEVE SMITH (França; 1817 — Reino Unido; 1877) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Nascida Emily Geneviève Simpson, nasceu em Paris a 31 de agosto de 1817. Era filha de Henri Hanson Simpson, oriundo de Bath (Reino Unido), e de Mary Anne Duberley. Recebeu esmerada educação em piano, canto, pintura e arqueologia. Casou-se com o reverendo Reginald Southwell Smith a 25 de fevereiro de 1836 e tiveram doze filhos. A doença do seu marido obrigou à família a mudar-se para Ventnor, na ilha de Wight, e, posteriormente, para a ilha da Madeira, em outubro de 1840. Instalados no Funchal na Quinta da Nora, onde permaneceram cerca de dois anos, Emily Smith visitou a ilha e retratou paisagens madeirenses nas suas aguarelas, como o célebre naufrágio do brigue Dart, em 1842. Faleceu em Londres a 27 de abril de 1877. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Emily Geneviève Smith deixou diários (respeitantes aos anos de 1836, 1841, 1852, 1858 e 1866) e 98 aguarelas que se conservam no Museu Quinta das Cruzes no Funchal e no Dorset Archives Service. Publicou “A Panoramic view of the City of Funchal, in the Island of Madeira” (1844). Na parte introdutória faz uma síntese demográfica e geográfica sobre a Madeira. No Museu Quinta das Cruzes conservam-se diversas aguarelas da sua autoria: "An Artist's Study - Madeira", "Boy with Galinhas", "Câmara de Lobos", "Capela dos Milagres", "Country Woman of Madeira & boy with a Machette", "Dragon Trees at St. John's", "Entrance to the Valley of St. Vincent", "Entrance to the Valley of the Ribeiro Grande", "Homen em pé on the road to Pico Ruivo", "Ilheo Rock & Pontinha", "Largo do Chafariz", "Part of The Curral d' Pico Grande", "Peasant Girl. St. Vicente", "Quinta da Nora", "Quinta da Palmeira", "Quintas of the greater (...) Angustias", "Santa Cruz from Mrs Blandy's Quinta", "Scene on Madeira beach", "Scene on the Beach at Funchal", "Sketch of Government House", "St. Vicent Chapel & Rock", "The "Brazen Head". Bay of Funchal & Fort St. Iago", "The Peack Fort", "Tomato Boy", "View in the Serra d'Argoa Ravine", "Vista da Achada do Gramacho, e casa do Sr. Luiz Acciaoly - 41 Sta. Anna", "Vista do Faial - Penha d'Águia or Eagle's rock as seen from the Cortados range of mountains", "Wreck of the American Brig "Créole" (a slaver) during the great Storm at Madeira in 1842", "Wrecks of the Dart & Novo Beijinho". 3. DA AUTORA. ●1. A panoramic view of the city of Funchal the island of Madeira. Weymouth: B.Benson, 1844, 4 f. (http://purl.pt/24025). ●2. Reino Unido, Dorset Council. Dorset History Centre, Smith Family of West Stafford Archive (1836 – 19). Diário de Emily Smith (D-500-1/D-500-4). 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Governo Regional da Madeira, “Smith, Emily Geneviève”. Museus da Madeira: plataforma online, acessível https://museus.madeira.gov.pt/Detalh esAutor?authorId=765; Hoe, Susanna, Madeira. Women, history, books & places. Oxford: Holo Books, 2004; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Smith, Margaret, From Victorian Wessex The Diaries of Emily Smith 1836,1841,1852. Norwich: Solen Press, 2003. EMMELINE STUART WORTLEY MACKENZIE (Reino Unido; 1806 — Líbano; 1855) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Emmeline Charlotte Elizabeth Manners nasceu no Reino Unido a 2 de maio de 1806. Era filha de John Henry Manners, V Duque de Rutland, e de lady Elizabeth Howard. Lady Emmeline casou-se com o honourable Charles Stuart Wortley Mackenzie a 17 de fevereiro de 1831. Após à morte do seu esposo em 1844, continuou a viajar na companhia da sua filha. No ensejo de conhecer as terras dos cristãos primitivos, partiu para Beirute onde faleceu de desinteria a 20 de outubro de 1855. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Foi uma notável poetisa, dramaturga e viajante britânica que visitou os Estados Unidos da América, o norte da Europa e o Médio Oriente. Publicou diversas obras que a seguir listamos: “London at Night, and other Poems” (1834), “Unloved of Earth, and other Poems” (1834), “Travelling Sketches in Rhyme” (1835), “The Villager's Courtyard, and Other Poems” (1835), “The Knight and the Enchantress, with other Poems” (1835), “The Village Churchyard, and other Poems” (1835), “The Visionary: A Fragment, With Other Poems” (1836), “The Visionary, a Fragment, with other Poems” (1836), “Fragments and Fancies” (1837), “Hours at Naples, and other Poems” (1837), “Lays of Leisure Hours” (1838), “Queen Berengaria's Courtesy, and other Poems” (1838), “Sonnets, Written Chiefly During a Tour Through Holland, Germany, Italy, Turkey, and Hungary” (1839), “Angiolina del' Albano, or,Truth and Treachery: A Play, in Five Acts” (1840), “Eva, or, The Error: A Play in Five Acts” (1840), “Jairah: a Dramatic Mystery, and other Poems” (1840), “The Maiden of Moscow: A Poem” (1841), “Alphonso Algarves,’ a play in five acts in verse” (1841), “Lillia Branca, a Tale of Italy” (1841), “Moonshine,’ a comedy” (1843), “Adelaide” (1843), “Ernest Mountjoy,’ a comedietta in three acts in prose” (1844), “On the Approaching Close of the Great Exhibition, and Other Poems” 42 (1851), “Two poems on the Great Exhibition” (1851), “Travels in the United States, etc., during 1849 and 1850” (1851) “A Visit to Portugal and Madeira” (1854). 3. DA AUTORA. A Visit to Portugal and Madeira. London: Chapman and Hall, 1854, 483 p. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Silva, António Ribeiro Marques da, Passaram pela Madeira: textos de autores anglo-saxónicos que visitaram a ilha (1687-2000), Funchal, Empresa Municipal Funchal 500 Anos, 2008, p. 213. ESTELA DA SILVA (Funchal; 1891? – Ibid; ?) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Desconhecemos dados sobre a sua vida, devido à existência de várias Estelas da Silva coetâneas. Inclinámo-nos para o facto de ser filha do pintor Henrique Augusto da Silva e de Maria da Purificação da Silva, natural de Santa Luzia (Funchal), onde nasceu a 1 de dezembro de 1891. Desconhecemos quando faleceu. 2. LEGADO DOCUMENTAL. O único poema que se conhece intitula-se “Trovas” publicado no “Almanach madeirense para 1905”, sendo crível que tenha publicado aos 13 anos de idade uma canção de amor. 3. DA AUTORA. ”Trovas” (Incipit: “Tu és rutilante estrela”). In Rodrigues, Sabino Joaquim (ed.), Almanach madeirense para 1905. Funchal: Typ. do «Direito», 1904. EUGÉNIA MARIA CLARA DE NÓBREGA (Santana; 1880 — Funchal; 1970) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Eugénia Maria Clara de Nóbrega nasceu em Santana a 13 de dezembro de 1880 e baptizada na Igreja Paroquial de Santana. Era filha do docente e poeta Jorge Luís de Nóbrega (1850-1884) e da professora Maria Clara Pereira e Nóbrega, naturais do Funchal, mas casados em Santana, em 1879. Tal como seus pais, seguiu a carreira da docência, tendo servido nas Escolas Masculinas e Femininas de Câmara de Lobos, desde o ano de 1910 até à sua aposentação em 1944. Foi uma das fundadoras da “Associação das Damas de Caridade de Câmara de Lobos” em 1929. Eugénia Maria Clara de Nóbrega percenceu à Ordem de São Vicente de Paulo. Foi agraciada pelo Governo as insígnias de Oficial da Instrução Pública a 2 de abril de 1946. Foi, ainda, homenageada a 26 de agosto de 1966 em sessão solene da Câmara Municipal de Câmara de Lobos. Faleceu no Asilo de Mendicidade e Ófãos a 12 de outubro de 1970. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Eugénia Maria Clara de Nóbrega colaborou na imprensa funchalense, especialmente n’ “O Jornal”. No “Dirio de Notícias”, é descrita a cerimónia pormenorizadamente, parafraseando o discurso da “veneranda Professora” quando recebeu as insígnias da Ordem da Instrução Pública em 1945. Desconhecemos outra produção da sua autoria. 3. DA AUTORA. “Um sonho a bordo da fragata “D. Fernando”. In “O Jornal”, 11-10-1950. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Freitas, Manuel Pedro, “Associação das Damas de Caridade de Câmara de Lobos”. Câmara de Lobos - Dicionário Corográfico: Edição electrónica, s.d., s.l. 1986. Funchal. [Consulta: 19-03-2019]., http://www.concelhodecamaradelobos 43 .com/dicionario/associacao_damas_car idade_camara_lobos.html; Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Nóbrega, Eugénia Maria Clara de [em linha], 1986. Funchal. [Consulta: 19-032019]. https://arquivoabm.madeira.gov.pt/details?id=667410 . EULÁLIA ÁGUEDA ABREU NUNES PAQUETE (Funchal; 1886 — Ibid.; 1947) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Eulália Águeda Nunes Paquete nasceu em São Pedro (Funchal), a 5 de fevereiro de 1886. Era filha de João Augusto Nunes Diabinho, charadista e poeta, e de Carolina Adelaide Abreu Nunes e esposa do comendador Eduardo Simões Dias Paquete. Foi mãe de Dr. Eduardo Paquete, Renato Paquete e de Edite Paquete. Faleceu no Monte (Funchal) a 8 de abril de 1947. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Assinando os seus textos como Agda, deixou poesias e charadas na imprensa insular e em almanaques, como o “Novo Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro”, “Dirio Popular”, “Dirio da Madeira, Dirio de Notícia” se no “Almanaque Ilustrado do Dirio da Madeira”, grande parte por identificar. 3. DA AUTORA. ●1. “Velas”. In Marino, Luís, Musa Insular, Funchal, Eco do Funchal, 1959, p. 364. ●2. “Enigma pitoresco”. Novo almanaque de lembrancas Luso-Brasileiro para o ano de 1907, p.32. ●3. “Charada”. Novo almanaque de lembrancas LusoBrasileiro para o ano de 1908, p. 32. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Paquete, Eulália Agda Abreu Nunes [em linha], 1986. Funchal. [Consulta: 19-03-2019]. https://arquivoabm.madeira.gov.pt/details?id=667509 . EVELYN WARD EVERETT-GREEN (Reino Unido; 1856 — Funchal; 1932) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Evelyn Ward Everett-Green nasceu em Londres a 17 de novembro de 1856. Cresceu no seio de uma família dedicada às artes, filha de Mary Anne Everett Green e de George Pycock Green. Evelyn Everett-Green estudou no Bedford College (1872-1873) e no London Academy of Music. Em 1911, fixou residência na Madeira, onde viveu na Quinta Pico de São João, onde faleceu a 23 de abril de 1932. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Evelyn Everett-Green foi uma prolífica escritora inglesa, tendo publicado mais de 350 títulos de ficção, desde literatura infantil ao romance histórico, parte dos quais escritos na Madeira, com diversas reedições. Assinou textos com diversos pseudónimos, como H. E., Cecil Adair, E. Ward, Evelyn Dare. Ela foi uma das autoras mais vendidas da editora Stanley Paul. Porém, na viragem para o século XX, as suas personagens eram consideradas muito conservadoras. No entanto, as suas personagens femininas são retratadas em ambientes domésticos, para evidenciar uma forma de autoridade feminina. Eis alguns dos seus principais títulos: “Lady Temple's Grandchildren” (1883), “Paul Harvard's 44 campaign, or, A hero in hospital” (1883), “Lenore Annandale's Story” (1884), “Torwood's Trust” (1884), “Two London Homes” (1884), “Cuthbert Coningsby” (1884), “The Cottage and the Grange” (1885), “The Mistress of Lydgate Priory” (1885), “Mr. Hatherly's Boys” (1885), “Uncle Roger ou A Summer of Surprises” (1885), “True to Himself ou My Boyhood's Hero” ( True To The Last)” (1885), “The Eversley Secrets” (1886), “Winning the Victory” (1886), “The Heiress of Wylmington” (1886), “The Head of the House” (1886), “A Child without A Name” (1887), “The Last of the Dacres” (1887), “Joint Guardians” (1887), “Her Husband's Home” (1887), “Dulcie's Little Brother” (1887), “Our Winnie” (1887), “Temple's Trial” (1887), “Little Lady Clare” (1888), “Two Enthusiasts” (1888), “Dodo, an Ugly Little Boy” (1888), “Ruthven of Ruthven” (1888), “Dulcie and Tottie” (1889), “The Little Midshipman” (1889), “Marcus Stratford's Charge” (1889), “Miriam's Ambition” (1889), “My Black Sheep” (1889), “My Boynie” (1889), “Monica” (1889), “Vera's Trust” (1889), “Dorothy's Vocation” (1890), “The Secret of the Old House” (1890), “Clive's Conquest” (1890), “Daring Dot” (1890), “Miss Meyrick's Niece” (1890), “Little Ruth's Lady” (1890), “Dorothy's Vocation” (1890), “The Stronger Will” (1890), “Syd's New Pony” (1890), “A Summer Holiday” (1890), “Sir Aylmer's Heir” (1890), “Oliver Langton's Ward” (1890), “The Witch of the Quarry Hut” (1890), “Mischievous Moncton” (1890), “Fir-Tree Farm” (1891), “Dick Whistler's Tramp” (1891), “Bertie Clifton” (1891), “Dare Lorimer's Heritage” (1891), “Mrs Romaine's Household” (1891), “Dulcie's Love Story” (1891), “Sydney's Secret” (1891), “Loyal Hearts” (1891), “In the Wars of the Roses” (1892), “The Church and the King” (1892), “The Doctor's Dozen” (1892), “Wyhola” (1892), “A Holiday in a Manor House” (1892), “Old Miss Audrey” (1892), “Falconer of Falconhurst” (1892), “Don Carlos, Our Childhood's Hero” (1892), “Namesakes” (1892), “A Pair of Pickles” (1892), “Shadow-land” (1892), “The Lord of Dynevor” (1892), “Everybody's Friend” (1893), “The Great Show” (1893), “Little Miss Vixen” (1893), “Golden Gwendolyn” (1893), “Over the Sea Wall” (1893), “The Wilful Willoughbys” (1893), “Tom Heron of Sax” (1893), “St. Wynfrith and Its Inmates” (1893), “Ronald Kennedy” (1893), “In the Days of Chivalry” (1893), “A Hero of the Highlands” (1893), “Friends or Foes?” (1893), “St. Wynfrith and Its Inmates” (1893), “Maud Melville's Marriage” (1893), “Afterthought House” (1894), “Flats” (1894), “Miss Uraca” (1894), “Shut In” (1894), “My Cousin from Australia” (1894), “The Secret Chamber at Chad” (1894), “The Family” (1894), “Evil May-Day” (1894), “Keith's Trial and Victory” (1894), “Lost Treasure of Trevlyn” (1894), “The Phantom Brother and the Child” (col., 1894), “A Difficult Daughter” (1895), “Ralph Roxburgh's Revenge” (1895), “A Great Indiscretion” (1895), “The Sunny Side of the Street” (1895), “Judith, the Money-Lender's Daughter” (1895), “Eustace Marchmont” (1895), “Duff Darlington” (1895), “Pat, the Lighthouse Boy” (1895), “A Stepmother's Strategy” (1895), “His Choice - and Hers” (com H. Louisa Bedford, 1895), “Enid's Ugly Duckling” (com H. Louisa Bedford, 1896), “In Taunton Town” (1896), “Cycling For Ladies” (1896), “The 51 e pedagógica de confrontar e de contextualizar técnicas vocais muito diversas. Além disso, foi uma pintora autodidata, autora de telas como “Salon des Indépendents” e de retratos representando o príncipe Yuri Tcherkessof e Louis Strauss, subscrito como Gabriela Jefreite. 3. DA AUTORA. La Technique Vocale Simplement Expliquée, Boulogne-sur-Seine: Chez l'auteur, 1932, (73 p.), 19 cm. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Clode, Luís Peter, Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses: Sécs. XIX e XX, Funchal, Caixa Económica do Funchal, 1983, p. 466; Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Tcherkersoff, Gabriela Marcial Jardim [em linha], 1986. Funchal. [Consulta: 19-03-2019]. https://arquivoabm.madeira.gov.pt/details?id=668117 ; Telles, Ana, Luís de Freitas Branco (1890-1955): Parcours biographique et esthétique à travers l’oeuvre pour piano. Sciences de l’Homme et Société. Université de Paris 4, Paris Sorbonne, 2009 [Consulta: 19-03-2019]. Disponível em: <tel-01214464>. GEORGINA DIAS DE ALMEIDA (Funchal; fl. 1884) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Pouco se conhece a respeito desta autora, possivelmente aparentada com Carolina Dias de Almeida†. Apenas se conhece um poema publicado no poema na antologia “Album madeirense de Poesias” (1884) de Francisco Vieira. 2. LEGADO DOCUMENTAL. O poema de Georgina Dias de Almeida, o único que se conhece publicado, é dirigido a Leolinda, que de acordo com as “Notas & Comentários para a História Literária da Madeira” do Visconde do Porto da Cruz, pode tratar-se de D. Leolinda Jardim Vieira, embora no cabeçalho do poema seja referida D. Leolinda Dias D’Almeida. Este poema alude ao tópico da memória da inocência perdida, como refere “Lembra-te? Era eu jovem e tu gentil criança,/Brincávamos adorando o seixo, o escarcéu…/Tudo era nesse tempo, o quê? – um mar d’esperança!/Mas… crescemos ambas… toldou-se o nosso céu!/ […] Se poetisa eu fora, sim, da minha lira/Soltaria um cântico a ti, ó Leolinda!/Afetos desse tempo em versos escreveria,/Deixandote no lbum uma saudade infinda!” (Vieira, 1884, p. 235). 3. DA AUTORA. “Poesia: na 3.ª página do Album da minha amiga e prima, D. Leolinda Dias de Almeida”. In Francisco Vieira (ed. lit.), Album madeirense: poesias de diversos auctores madeirenses. Funchal: Typ. Funchalense, 1884, p. 235; republ. In Marino, Luís, Musa Insular, Funchal, Eco do Funchal, 1959, p. 160. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Branco, Alfredo de Freitas, Notas & Comentários para a História Literária da Madeira, vol. ii, Funchal, Edição Câmara Municipal do Funchal, s.d; Branco, Alfredo de Freitas, Notas & Comentários para a História Literária da Madeira, vol. ii, Funchal, Edição Câmara Municipal do Funchal, s.d., p. 30a; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Neves, Cludia, “almeida, georgina dias de” in Aprender Madeira (atualizado a 23.01.2017), http://aprenderamadeira.net/almeida- 52 georgina-dias-de/; Vieira, Francisco (org.), Álbum Madeirense, Poesias de Diversos Autores Madeirenses, Funchal, Typographia Funchalense, 1884. GERTRUDES COGOMILHO ACCIAIOLLY DE SAMPAIO (Funchal; 1885 — Ibid.; 1952) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Nasceu em Santa Maria Maior a 23 de janeiro de 1885. Gertrudes Sampaio era filha do capitão Guilherme Quintino de Sampaio e de Sebastiana Acciaiolly, sobrinha do charadista Pe. Carlos Acciaiolly Ferraz de Noronha. Faleceu em S. Gonçalo a 15 de junho de 1952. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Dedicou-se ao charadismo, à poesia e ao teatro, tendo representado numa escola particular em Santa Maria Maior com a comédia política, “Uma apreciação das grandes obras do progresso ou uma comédia de sadio regionalismo” do Pe. Carlos Acciaiolly. Colaborou na revista “Esperança” e n’ “O Jornal”, textos por identificar. 3. DA AUTORA. ●1. “São Francisco (1946)”. In Marino, Luís, Musa Insular, Funchal, Eco do Funchal, 1959, p. 359. ●2. “A ‘Esperança’, no seu XVI aniversrio”. In “Revista Esperança”, 01-03-1935. ●3. “Maio (versos)”. “Revista Esperança”, n.º 3, 01-05-1935. ●4. “O Morganho atrevido” (versos). In “Revista Esperança”, n.º 6, 01-08-1935. ●5. “Despedida”. In “Revista Esperança”, n.º 7, 01-10-1935. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Sampaio, Gertrudes Cogomilho Acciaioly de [em linha], 1986. Funchal. [Consulta: 19-03-2019]. https://arquivoabm.madeira.gov.pt/details?id=667798 . GUILHERMINA ADRIANA TEIXEIRA E SOUSA MONIZ (Câmara de Lobos; 1872 — Ibid.?; c. 1980) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Guilhermina Adriana Teixeira e Sousa nasceu em Câmara de Lobos a 1 de março de 1872. Era filha de João Gonçalves Teixeira e Sousa, natural do Seixal, e da proprietária Guilhermina Cândida Teixeira e Sousa, moradores no sítio de Jesus Maria José. Foi baptizada a 1 de julho de 1872 na igreja paroquial de São Sebastião de Câmara de Lobos. Casou-se com Abel da Silva Moniz em 1892 na igreja paroquial de Nossa Senhora da Graça do Estreito de Câmara de Lobos, moradora no sítio da Visinhança da Igreja. Foi mãe da escritora Judite Adriana Teixeira de Sousa Moniz† (Mlle. Loup) e de Henrique Ernesto Teixeira Moniz (18931972), destacado capitão que lutou na Flandres durante a Grande Guerra (1914-1918). Desconhece-se a data de falecimento. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Guilhermina Adriana Teixeira e Sousa colaborou na imprensa funchalense sob o pseudónimos de Marta Diniz. 3. DA AUTORA. Textos não identificados em periódicos. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Moniz, Guilhermina Adriana Teixeira de Sousa [em linha], 1986. Funchal. [Consulta: 19-03-2019]. https://arquivo- 53 abm.madeira.gov.pt/details?id=667331 . GUILHERMINA DOS SANTOS (Machico; 1896 — Ibid.?; c. 1980) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Guilhermina dos Santos nasceu no Caniçal (Machico) a 21 de maio de 1896, filha do lavrador João dos Santos e de Ludovina de Sousa. Foi baptizada na Igreja Paroquial de São Sebastião (Caniçal). Casou-se com José Alves a 9 de fevereiro de 1914, em Machico, de quem ficou viúva em 1962. Faleceu a 16 de janeiro de 1983 na freguesia do Caniçal (Machico). 2. LEGADO DOCUMENTAL. Guilhermina dos Santos foi informante de textos de tradição oral e popular, compilada por Pere Ferré e Ana Maria Martins a 4 de agosto de 1981, contando a informante nessa altura com 86 anos de idade. O seu contributo integra os ciclos de romances tradicionais de assunto profano, tendo recitado “Quem bate na minha porta, tantas horas de dormir?/ Senhora, é frei João, que vem para vos servir” (III.5), “Gandalucha, Gandalucha, filha do conde de Alvar,/bem podias, Gandalucha, (…) a meu mandar” (2), “Levantai-vos, dona Aninhas, da vossa cama real,/anda ver se são serenas qu’andam no mar a cantar”, “O conde da Alemanha é casado, tem família./Senhor pai, senhor pai, mesmo esse é qu’eu queria”. 3. DA AUTORA. Na qualidade de informante da tradição oral e popular: ●1.“Quem bate na minha porta, tantas horas de dormir?”. In Ferré, Pere e Boto, Sandra, Novo Romanceiro do Arquipélago da Madeira, Funchal: Funchal 500 Anos, 2008, p. 274-275 (n.º XVIII.5). ●2. “Levantai-vos, dona Aninhas, da vossa cama real”. In Ferré, Pere e Boto, Sandra, Novo Romanceiro do Arquipélago da Madeira, Funchal: Funchal 500 Anos, 2008, p. 64 (n.º VI.2). ●3. “Levantai-vos, dona Aninhas, da vossa cama real”. In Ferré, Pere e Boto, Sandra, Novo Romanceiro do Arquipélago da Madeira, Funchal: Funchal 500 Anos, 2008, p. 156-157 (n.º XIII.6). ●4. “O conde da Alemanha é casado, tem família”. In Ferré, Pere e Boto, Sandra, Novo Romanceiro do Arquipélago da Madeira, Funchal: Funchal 500 Anos, 2008, p. 214-215 (n.º XV.7). ●5. “Estava na minha janela, casada de treze dias”. In Ferré, Pere e Boto, Sandra, Novo Romanceiro do Arquipélago da Madeira, Funchal: Funchal 500 Anos, 2008, p. 31 (n.º III.7). ●6. “Donde vindes, cavaleiro? Senhora, venho da guerra”. In Ferré, Pere e Boto, Sandra, Novo Romanceiro do Arquipélago da Madeira, Funchal: Funchal 500 Anos, 2008, p. 101 (n.º X.5). ●7. “J s’apregoam as guerras, as guerras de D. João”. In Ferré, Pere e Boto, Sandra, Novo Romanceiro do Arquipélago da Madeira, Funchal: Funchal 500 Anos, 2008, p. 473 (n.º XXIX.7). GUIOMAR MADALENA DE SÁ VASCONCELOS BETTENCOURT MACHADO DE VILHENA (Funchal; 1705 — Ibid.; 1789) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Guiomar Madalena de Sá Vasconcelos Bettencourt Machado de Vilhena nasceu no Funchal a 24 de maio de 1705. Era filha de Francisco Luís de Vasconcelos e de Mariana Inês de Vilhena, de ascendência nobre. Guiomar de Sá Vilhena foi administradora de vários morgadios, capelas e propriedades rurais e urbanas. Por morte do seu irmão, João José 54 Vasconcelos Bettencourt, Guiomar de Sá Vilhena assumiu a direção da Confraria de S. José da Sé do Funchal como juíza, assinando diversos atos administrativos e dispondo de sinete próprio. Foi uma notável mulher de negócios e proprietária de uma frota de navios mercantes que estabeleciam rotas de comércio pela Europa, Ásia e América. Viveu no palacete onde é hoje a Quinta Vigia e no Palácio de D. Guiomar, à rua do Castanheiro. Faleceu solteira, sem geração, a 15 de março de 1789. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Conhecese correspondência derivada da sua atividade como empresária e proprietária de vastos domínios na Madeira. A sua correspondência encontra-se no Arquivo Histórico Ultramarino integrado do Arquivo Nacional da Torre do Tombo. 3. DA AUTORA. ●1. Portugal. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Arquivo Histórico Ultramarino. Coleção. [Carta de D. Guiomar Madalena de Sá e Vilena, para Martinho de Melo e Castro, agradecendo a protecção concedida facilitando a viagem da sua Galera “Flor do Funchal”], 14-05-1784, Caixa n.º4, doc. 712-713. ●2. Portugal. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Arquivo Histórico Ultramarino. Coleção. [Carta de D. Guiomar Madalena de Sá Vasconcelos Bettencourt, (para o Marquês de Angeja), pedindo-lhe a sua protecção a favor de seu irmão o Dr. João José de Sá. 04-06-1772, Caixa n.º17, doc. 4805. ●3. Portugal. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Arquivo Histórico Ultramarino. Coleção. [Requerimento de D. Guiomar Madalena de Sá Vilhena, pedindo passaporte para o Bergantim português“N. S. das Neves e Santo António”. comandado por Francisco dos Passos e Oliveira, poder embarcar e transportar para Calcuta, o resto das pipas de vinho, que não haviam cabido a bordo da Nau“N S. do Monte Carmo”. comandada por José Rodrigues Magalhães, nem da Galera“N. S. do Monte-Flor do Funchal”, comandada por Luiz de Freitas da Silva],cx.n.º4, doc. 706. ●4. Portugal. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Arquivo Histórico Ultramarino. Coleção. [Requerimento de Guiomar Magdalena de Sá e Vilhena, proprietária de uma casa de comércio na Ilha da Madeira, expondo o caso do envio de uma carga para a Ilha de S. Miguel e exigindo os seus direitos sobre a referida carga], 13-11-1734. Caixa n.º3, doc. 31. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Barros, Bernardete, Dona Guiomar de Sá Vilhena: uma mulher do século XVIII. Funchal: Centro de Estudos de História do Atlântico, 2001; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. HARRIET CHALMERS ADAMS (Estados Unidos da América; 1875 — França; 1937) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Harriet foi uma notável escritora de viajens, exploradora e fotógrafa americana. Nasceu em Stockton, San Joaquin County (Califórnia) a 22 de outubro de 1875, filha de Alexandre Chalmers e de Frances Wilkins. Harriet Adams realizou várias expedições por todo o mundo e publicou diversos artigos para revistas como “National Geographic Society”, “Harper's Magazine”, “New York 55 Zoological Society Bulletin”, “World's Work”, “Bulletin of the Pan American Unione Ladies Home Journal”. Por motivo de não admissão de mulheres como sócias da “National Geographic Society”, Harriet Chalmers Adams fundou a “Society of Woman Geographers” em 1925 e foi presidente desse organismo em 1933. Visitou a Madeira em 1934 e os Açores, em 1935. Faleceu em Nice (França) a 17 de julho de 1937. 2. LEGADO DOCUMENTAL. A sua visita à Madeira ocorreu entre setembro e dezembro em 1933. No entanto, Harriet Adams mencionou ter estado na Madeira em 1919. Publicou no n.º 66 (1934) o artigo "Madeira the Fluorescent", no “National Geographic Magazine”, com 20 fotografias a preto e branco e 13 a cores por Wilhelm Tobien. 3. DA AUTORA. "Madeira the Florescent". In National Geographic Magazine, n.º 66 (July 1934): p. 81-106. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Anema, Durlynn, 2004, Harriet Chalmers Adams. Aurora, Colo.: National Writers Press; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Silva, António Ribeiro Marques da, Passaram pela Madeira: textos de autores anglo-saxónicos que visitaram a ilha (1687-2000), Funchal, Empresa Municipal Funchal 500 Anos, 2008. HELENA BEATRICE RICHENDA PARHAM (Reino Unido; 1862 – Fiji; 1947) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Natural de Londres, onde nasceu a 18 de novembro de 1862, Helena Beatrice Richenda Saunders era filha de Richard Taylor Saunders e de Mary Caroline Lindon. Casou-se em África do Sul com o engenheiro de minas Charles John Parham em 1896, com geração. Faleceu em Suva (Fiji) a 18 de dezembro de 1847. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Helena Parham foi uma poetisa, viajante, naturalista e etnógrafa, autora de obras sobre regiões por onde passou como Madeira, África, Nova Zelândia e ilhas Fiji. Assinou textos sob pseudónimo como Haine Whyte e Ultra Marine. Publicou “Under serene skies” (s. d.); “Neta the Pigling: a crazy ballad” (s. d.); “The Call of the Sudan” (s. d.); “Lyrics of the Vei Kau: island melodies” (1928); “The Love Sonnets of Senora Carilla Das Flores” (1929); “In Yasi Land” (1931); “Names of a Few Fijian Plants and Their Botanical Equivalents” (1937); “Early History of Vanua Levu” (1937); “Tales of a new plantation: na cagi levu and Rejeli” (1937); “Fiji Before the Cession. Or, Early History of Vanua Levu” (1941); “Fiji Native Plants with Their Medicinal and Other Uses” (1943); “Miscellaneous Verses and Documents” (1947). Publicou com o pseudónimo Ultra Marine em “The Contents of a Madeira Mail-Bag, Or, Island Etchings” (1880), sobre a sua estada na Madeira na Quinta das Flores com uma tia. São um conjunto epistolar destinado à sua mãe que vivia em Londres. A sua estada na Madeira tê-la-á despertado o gosto pela botânica e etnologia, embora a sua visão sobre os habitantes insulares não escape da visão preconceituosa sobre os hábitos, fisionomias, curiosidades, estranhos aos ingleses. 3. DA AUTORA. The Contents of a Madeira Mail-Bag, Or, Island Etchings. London: Moran & Company, 1885, 129 p. (Pseud.Ultra 56 Marine). 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Baubeta, Patricia Odber de, ”a madeira vista pelos ingleses”. In AprenderMadeira, 2018, acessível via URL: http://aprenderamadeira.net/amadeira-vista-pelos-ingleses; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. HUMA FREIRA ZELOSA DA VERDADE (Madeira; fl. 1821) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Não se dispõe de dados a respeito da autoria por detrás deste pseudónimo, que se crê ser de um autor madeirense. 2. LEGADO DOCUMENTAL. O texto aparece no primeiro jornal publicado na Madeira fundado e redigido pelo médico madeirense Nicolau Caetano Bettencourt Pitta, mais especificamente no volume 1, número 28, de 6 de outubro de 1821. A carta é dirigida ao redator como crítica ao texto de “Huma Freira Constitucional”†, publicado no número 20 de 8 de setembro de 1821. Na missiva, refere que “Sendo eu huma das mais entusiasmadas em lêr o seu interessante Periodico, confesso-lhe francamente que naõ sentí o mesmo praser na leitura do N. 20, em rasaõ da Carta que nelle vi inserida de huma Freira Constitucional”. A “autora” vem em defesa sobre a crítica feita pela “Huma Freira Constitucional” sobre a deficiente administração dos conventos femininos. 3. DA AUTORA. [Carta ao Redactor]. In O Patriota Funchalense, Funchal, Vol. 1, n.º 28 (06-10-1821). 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Alves, José Augusto dos Santos, “O patriota funchalense ou o elogio do contrapoder”, In: Actas do II Colóquio Internacional de História da Madeira, Funchal, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1990, p. 379-400. IDA LAURA PFEIFFER (Áustria; 1797 — Ibid.; 1858) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Ida Pfeiffer nasceu em Viena (Áustria) a 14 de outubro de 1797, filha de um comerciante de nome Reyer. Casou-se com o médico Dr. Pfeiffer, em 1820. Depois de enviuvar em 1838 e de ter criado os seus filhos, aos 45 anos vendeu as suas propriedades e o seu piano e consumou o seu sonho de dar a volta ao mundo. Pfeiffer fez a sua primeira expedição partindo do porto de Hamburgo em 1846 com destino ao Rio de Janeiro, seguindo depois, em 1847, com destino a Valparaíso no Chile. Fez escala no Taíti, em Macau, Hong Kong, Singapura, Ceilão, Índia, Mesopotâmia, Pérsia, Arménia, Geórgia e Constantinopla e Atenas. Fez uma segunda expedição entre 1851 e 1854, partindo de Inglaterra até África do Sul, ilhas Molucas, Bornéu, Estados Unidos da América, Peru, Colômbia e Equador. Ao longo das suas viagens tomou nota dos hábitos e costumes. Foi a primeira mulher a ser aceite em sociedades de geografia em Paris e em Berlim e laureada pelo rei da Prússia pelo seu contributo à ciência. Faleceu em Viena, a 27 de outubro de 1858. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Notável exploradora e escritora, Ida Pfeiffer publicou “Reise nach dem skandinavischen Norden und der Insel Island” (1846), “Eine Frau fährt um die Welt” (1850). Neste livro menciona a sua passagem pelos arquipélagos da Madeira e de Porto 57 Santo e das Canárias. Entre as diversas viagens que a tornou a mais popular exploradora do seu tempo, publicou “Meine zweite Weltreise” (1856) e “Reise nach Madagascar” (1861). 3. DA AUTORA. Eine Frauenfahrt um die Welt: Reise von Wien nach Brasilien, Chili, Otahiti, China, Ost-Indien, Persien und Kleinasien. 3 vols. Wien: C. Gerold, 1850. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. ILDA FLORISBELA DE ASCENSÃO MIGUÉIS LEÇA (Funchal; 1890 — Funchal; 1973) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Ilda Florisbela Miguéis Leça nasceu em Santa Luzia (Funchal) a 17 de abril de 1890, filha de Manuel Miguéis e de Maria da Conceição Fernandes. Era irmã do major Manuel da Costa Dias. Casou-se com o comerciante José do Nascimento Leça, na Igreja Paroquial de São Pedro (Funchal) em 1910. Ilda Florisbela de Ascensão Miguéis formou-se no curso de desenho ornamental na Escola Industrial e Comercial de “António Augusto de Aguiar”, onde foi professora até 1962. Faleceu no Monte a 23 de abril de 1973. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Ilda Florisbela de Ascensão Miguéis é autora de um discurso em homenagem ao major João dos Reis Gomes, proferido em 1938. 3. DA AUTORA. “Discurso proferido na sessão de homenagem ao major João dos Reis Gomes no dia 28 de dezembro de 1938. In “Anurio da Escola Industrial e Comercial ‘António Augusto de Aguiar’, 1944-1945. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Leça, Ilda Floresbela Miguéis [em linha], Funchal, 1986 [Consulta: 19-03-2019]. Disponível em: https://arquivoabm.madeira.gov.pt/details?id=667112 . ISABEL ARUNDELL BURTON (Reino Unido; 1831 — Ibid., 1896) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Isabel Arundell nasceu em Londres a 20 de março de 1831, filha de Henry Raymond Arundell e de Eliza Isabel Arundell. Pertencia a uma respeitada e abastada família católica romana na Inglaterra, tendo sido educada num convento. Casou-se com Richard Burton, notável escritor britânico. Isabel Burton deixou numerosos escritos e ficou celebrizada pelas suas viagens à Síria e à Palestina. Publicou “The romance of Isabel Lady Burton: the story of her life told in part by herself and in part by W.H. Wilkins” (1897), onde menciona a sua estada, em 1863, na Madeira e nas Canárias. Faleceu em Londres a 22 de março de 1896.2. LEGADO DOCUMENTAL. No seu “The romance of Isabel Lady Burton” (1897), fez descrição sobre o Funchal e visita ao Pico do Arieiro e ao Cabo Girão. Lady Burton descreve a sua primeira impressão sobre a ilha nestes termos: “A glorious sight presented itself, producing a magical effect upon the cold, wet, dirty, sea-sick passenger who had emerged from his atrocious native climate but ten days before. Picture to yourself a deep blue sky, delicately tinted at the horizon, not a cloud to be seen, the ocean as blue as the Mediterranean. There was a warm sun, 58 and a soft and sweet-smelling breeze from the land, as of aromatic herbs. Arising out of the bosom of the ocean in splendour, a quarter of a mile off, but looking infinitely less distant, were dark mountain masses with fantastic peaks and wild, rugged sides, sharply defined against the sky and streaked with snow, making them resemble the fanciful castles and peaks we can imagine in the clouds” (p. 190). (“Uma visão gloriosa apresentou-se, produzindo um efeito mágico sobre o passageiro frio, húmido, sujo e doente do mar que emergira do seu atroz clima nativo, mas dez dias antes. Imagine para si um céu azul profundo, delicadamente tingido no horizonte, sem ver uma nuvem, o oceano tão azul quanto o Mediterrâneo. Havia um sol quente e uma brisa suave e adocicada da terra, como de ervas aromáticas. Surgindo do seio do oceano em esplendor, a um quarto de milha de distância, mas parecendo infinitamente menos distante, havia massas montanhosas escuras com picos fantásticos e lados selvagens e acidentados, nitidamente definidos contra o céu e riscados de neve, fazendo-os parecer os castelos e picos fantasiosos que podemos imaginar nas nuvens”, tradução livre). 3. DA AUTORA. The romance of Isabel Lady Burton: the story of her life told part by herself and part by W.H. Wilkins. New York: Dodd, Mead & Co., 1897, 2 vols. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Baubeta, Patricia Odber de. “a madeira vista pelos ingleses”. In Aprender Madeira, 2018, Acessível via URL: < http://aprenderamadeira.net/amadeira-vista-pelos-ingleses>; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. ISABEL DA MADRE DE DEUS (Madeira, sécs. XV-XVI) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Sóror Isabel da Madre de Deus foi uma religiosa do Convento de Santa Clara do Funchal, cujos dados biográficos desconhecemos. 2. LEGADO DOCUMENTAL. De acordo com a “História Serfica” de Fr. Francisco da Soledade, Sóror Isabel da Madre de Deus foi autora de uma crónica intitulada “Relação summaria de varias religiosas que florescerão em virtudes no Convento de Santa Clara da Cidade do Funchal”, cuja localização desconhecemos. Barbosa Machado criou uma entrada com base nesta informação. No tomo III da “História Seráfica” de Frei Francisco da Soledade, O. F. M., refere “Hũa memoria manuscritta lhe chama D. Isabel, mas nos lhe damos o nome, q[ue] o Papa lhe assigna" (p. 351). 3. DA AUTORA. Relação summaria de varias religiosas que florecerão em virtudes no Convento de Santa Clara da Cidade do Funchal, mss. [NI, apud Machado]. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Faria, Fr. Francisco Leite (coord) Santa Clara e as Clarissas em Portugal, VII Centenário do Nascimento de Santa Clara (1193/94-1993/94), Lisboa, Biblioteca Nacional, 1994, p. 92; Farinha, Bento José de Sousa, Summario de Bibliotheca Lusitana, Lisboa, na Officina da Academia Real das Sciencias, 1787, volume II, p. 424; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de 59 Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Machado, Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Luzitana: histórica, crítica e cronológica, Lisboa Occidental, na Officina de Antonio Isidoro da Fonseca, 1741-1759, volume II, p. 926; Soledade, Fernando da, Historia Serafica da Ordem dos Frades Menores de S. Francisco na Provincia de Portugal. Vol. 3. Lisboa: na Officina de Manoel, & Joseph Lopes Ferreyra, 1705, p. 351, col. 2. ISABEL FRANCISCA DE SÃO JOSÉ (Funchal; 1679 – ibid; 1717) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Sóror Isabel Francisca de São José nasceu no Funchal a 2 de abril de 1679. Era filha do capitão José de França Berenguer e de Maria de Castelo Branco, fundadores do Mosteiro de Nossa Senhora das Mercês do Funchal. Ingressou aos oito anos de idade nessa instituição religiosa como educanda e prosseguiu a vida religiosa nesse convento. De acordo com Noronha, Sóror Isabel de São José teve um percurso turbulento nesse cenóbio feminino. Faleceu no Funchal a 19 de maio de 1717. 2. LEGADO DOCUMENTAL. O irlandês Pe. Miguel de Vitus, S. I.,incentivou sóror Isabel Francisca de S. José a escrever as suas memórias. De acordo com Henrique Henriques de Noronha, que dedica um capítulo intitulado “Memorias de hua Serva de Deos a Madre Izabel Francisca de S. Jozeph”, refere que esta religiosa “escreveu em hum caderno, por ordem do Seu Director; mas recioza de que se viessem a saber o entregou ao fogo”. (Memórias seculares..., p.292-296). 3. DA AUTORA. Texto destruído pela autora, conforme revelado por Henrique Henriques de Noronha. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Fontoura, Otília Rodrigues Fontoura, As Clarissas na Madeira: uma presença de 500 anos. Funchal: Centro de Estudos de História do Atlântico, 2000, p. 264, 325-326; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Noronha, Henrique Henriques de, Memórias seculares e eclesiásticas para a composição da história da Diocese do Funchal na ilha da Madeira. Transc. Alberto Vieira. Funchal: Centro de Estudos de História do Atlântico, 1996, p. 292-296. ISABELLA HURST FRANÇA (Reino Unido; ca. 1795 — Ibid.; 1880) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Nascida em Kensington, Middlesex, por volta de 1795, Isabella Hurst era filha do arquiteto Aaron Henry Hurst. Casou-se em Greenwich com José Henrique de França (1802-1886), filho do morgado madeirense José Sebastião de França, comerciante em Londres. Isabella de França veio à Madeira a 23 de julho de 1853. Faleceu em Southampton a 20 de julho de 1880. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Isabella de França escreveu um diário sobre a sua estada na ilha em “Journal of a visit to Madeira and Portugal”, com aguarelas da sua autoria, que se conservam no Museu Frederico de Freitas no Funchal. O seu diário constitui uma espécie de relato de uma viagem de núpcias, dado que a autora casou aos 57 anos de idade. O casal partiu de Londres, no navio Eclypse, a 23 de julho de 1853, até ao 60 Funchal, onde permaneceram durante onze meses. Relatou a sua passagem por Lisboa, Vigo e regresso a Londres. Deixou também aguarelas que retratam momentos contados no seu diário de viagem, com temas como “The Broken Head”, “ Embarkation from Calheta”, “ Landing in Funchal”, “ Cintra. Road to the Cork Convent”, “Returning from a Picnic at Camacha”, “The Pinheiros. 3000 Feet above the Sea”, “Embarkation from Funchal. 4. A. M.”, “Judas”, “Theodosia”, “Rosa and Faísca”, “A Senhora ha de ter paciencia. Road to the Curral”, “The Entrance to Funchal”, “Going up to the Mount”, “Descent to the Rabaçal”, “The Feitor's Homage”, “Ladeira das Neves. Road to Caniço”, “The Arrival in Lisbon”, “St George”, “The Fountain at Cintra”, “Landing the Ladies at Gravesend”, “The Triumphal Car. Sto Antonio da Serra”, “The Lazaretto”, “Coming down from the Mount”, “Going to a Ball”. 3. DA AUTORA. ●1. Portugal. Museu Frederico de Freitas. Journal of a visit to Madeira and Portugal 1853-1854, mss. https://museus.madeira.gov.pt/Detalh esAutor?authorId=391 ●2. Jornal de uma visita à Madeira e a Portugal (18531854). Trad. Cabral do Nascimento. Funchal: Junta Geral do Distrito Autónomo, 1970. ●3. Vinte ilustrações do jornal de uma visita à Madeira: 18531854. 2.ª ed. [Funchal]: Casa-Museu Frederico de Freitas: DRAC, 1988. [72] p. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Livramento, Marco. “Madeira: a utopia de um paraíso no texto de Isabella de França”. Islenha n.º 52 (jan.- jun.-2013), p. 35-70; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Silva, António C. da, “Homens eternos no Funchal: impressões da leitura de pavana para Isabella de França de José Viale Moutinho: por um leitor da mão de sangue.” Islenha, n.º 29 (Jul.-Dez. 2001), p. 16-24; Silva, António Ribeiro Marques da, Passaram pela Madeira: textos de autores anglo-saxónicos que visitaram a ilha (1687-2000), Funchal, Empresa Municipal Funchal 500 Anos, 2008. ISAURA ASCENSÃO MACHADO PACHECO SOARES DOS PASSOS JARDIM (Funchal; 1899 — Ibid.; 1980) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Isaura dos Passos Jardim nasceu em S. Gonçalo a 10 de maio de 1899. Era filha de António Soares de Passos, administrador do jornal “O Madeirense”, redator da revista “Esperança” e proprietrio da Tipografia Camões, e de Amélia Capitolina Machado Pacheco Soares de Passos e, ainda, irmã do escritor madeirense Florival Hermenegildo de Passos. Isaura dos Passos casou-se com Dr. Alberto Figueira Jardim, antigo reitor do Liceu de Jaime Moniz e Governador Civil Substituto do Distrito do Funchal. Faleceu na cidade a 3 de março de 1980. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Isaura dos Passos Jardim notabilizou-se como poetisa, cronista, conferencista e colaboradora assídua da imprensa periódica, especialmente no “Dirio de Notícias”, “Dirio da Madeira”, “Eco do Funchal”, “Modas e Bordados” e “Pérola do Atlântico” (Porto). Publicou “Contos e Paisagens da Madeira” (1950) e “Uma rapariga moderna” (1961). 67 Porto da Cruz (Machico) a 18 de dezembro de 1896, filha de João de Castro e de Maria Marques de Jesus. Foi baptizada na Igreja Paroquial de Nossa Senhora de Guadalupe (Porto da Cruz). Casou-se com António Caldeira, a 10 de junho de 1920, na freguesia de Porto da Cruz, de quem ficou viúva a 1977. Faleceu a 15 de março de 1996 na freguesia do Monte (Funchal). 2. LEGADO DOCUMENTAL. Joana Caldeira foi uma informante de textos de tradição oral e popular, compilada por Pere Ferré a 6 de abril de 1981, contando a informante nessa altura com 86 anos de idade. O seu contributo integra os ciclos de romances tradicionais de assunto profano, tendo recitado “Hoje s’apregoam as guerras, as guerras de D. João,/ Hei-de ir por meu pai p’r’ à guerra, por meu leal coração.” (XXIX.35) e “Leonardo, Leonardo, /bem podias, Leonardo, estar duas horas comigo” (III.15). 3. DA AUTORA. Na qualidade de informante da tradição oral e popular: ●1. “Leonardo, Leonardo”. In Ferré, Pere e Boto, Sandra, Novo Romanceiro do Arquipélago da Madeira, Funchal: Funchal 500 Anos, 2008, p. 162 (n.º III.15). ●2. “Hoje s’apregoam as guerras, as guerras de D. João”. In Ferré, Pere e Boto, Sandra, Novo Romanceiro do Arquipélago da Madeira, Funchal: Funchal 500 Anos, 2008, p. 500 (n.º XXIX.35). JOANA HENRIQUES DE OLIVEIRA DE PAULA (Câmara de Lobos?; 1771 — Funchal; post. 1821) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Joana Henriques de Oliveira nasceu a 14 de dezembro de 1771, filha do capitão Manuel Henriques de Oliveira (natural do Estreito de Câmara de Lobos) e de Maria Antónia Galhardo de Ornelas Vasconcelos Castro Leal (natural de Câmara de Lobos). Foi baptizada na igreja paroquial de S. Pedro em 21 de dezembro de 1771. Casou-se com Dr. Francisco José de Paula em 1793 na igreja paroquial de S. Paula, com geração, moradores na rua das Pretas. Desconhece-se data de falecimento. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Como viúva de Francisco de Paula, Joana Henriques de Oliveira de Paula enviou um requerimento em 1821 às Côrtes Gerais queixando-se ser vítima dos "despóticos procedimentos" do corregedor da comarca do Funchal relativamente a uma herança que o padre Manuel Ferreira Jardim, falecido em 1762, deixou a sua mãe. O despacho de 29 de dezembro de 1821 referiu que não era da sua competência. 3. DA AUTORA. Portugal. Arquivo Histórico da Assembleia da República. Cortes Constituintes de 1821-1822. Comissão de Petições. Requerimentos não distribuídos às comissões. Requerimento de Joana Paula Henriques (PT-AHP/CGE/CPET/S2/ D787), 4 + 24 p. JOANA TERESA DA GLÓRIA (Madeira; sécs. XVII-XVIII) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Não se dispondo de dados biográficos precisos, sóror Joana Teresa da Glória foi religiosa e escrivã do Convento de Santa Clara do Funchal. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Sóror Joana Teresa da Glória foi responsável pela escrituração de atos administrativos do mosteiro de Santa Clara, no triénio que elegeu a Madre Rosa Maria do Céu, eleita como abadessa em 1727. Entre os códices da sua autoria refira-se a escrituração de receitas e de despesas efetuadas no triénio de 1727 a 1730, que se conserva 68 atualmente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. 3. DA AUTORA. Portugal. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Convento de Santa Clara do Funchal. Receita e despesa, 1727-1730 (Cód. ref. PT/TT/CSCF/011/0003). 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Portugal. Arquivo Nacional / Torre do Tombo. Convento de Santa Clara do Funchal. Livro das Eleições de Abadessas e mais Oficiais do Convento de Santa Clara de N.ª Senhora da Conceição do Funchal, 1733, liv. n.º 27, fól. 3. JOHANNA BOHNER (Alemanha, 1853 – Ibid., 1935) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Nascida em Mainz em 1853, Johanna Bohner era filha do comerciante Simon Krieg e de Luise Lipps. Em 1876 realizou uma viagem sozinha por África, onde conheceu o missioneiro Heinrich Bohner (1842-1905) com quem casou e teve três filhos. Pertenceu à Sociedade Missioneira de Basileia, que enviava jovens raparigas para África com o objetivo de poderem contrair o matrimónio com colonos europeus. Viveu na colónia britânica do Gana e, a partir de 1886, a família mudou-se para os Camarões, onde trabalharam na administração colonial alemã nessa região. Em 1902, a família regressou à Alemanha. Faleceu em Kaiserslauten, na Alemanha, em 1935. 2. LEGADO DOCUMENTAL. É autora de contos e de relatos de viagens, como “In Sturm und Wetter: eine gefahrvolle Fahrt nach Kamerun” (1915) com referências sobre a sua estada na Madeira, e de contos como “Paul, der Vielsprachige” (1915), “Heini, der kleine Kameruner” (1915) e “Paul, der Vielsprachige” (1916). No seu relato “In Sturm und Wetter” (“Contra ventos e marés”) refere a sua passagem a bordo do vapor Adolph Woerman, desde o porto de Hamburgo e passagem pela Madeira, Canárias até aos Camarões. Bohner refere-se à Madeira nestes termos: “wir vor wunderschönen Insel Madeira, wo ewiger Frühling herrscht” (“nós estivemos em frente à bela ilha da Madeira, onde impera a eterna primavera”, tradução livre). 3. DA AUTORA. “In Sturm und Wetter: Eine gefahrvolle Fahrt nach Kamerun”. Aus den Erinnerungen einer Missionsfrau. Vol. 23. Basel: Missionsbuchhandlung, 1914, 16 p. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Socas, Elia Hernández, Las Islas Canarias en viajeras de lengua alemana. Frankfurt an Main: Peter Lang, 2010, ISBN: 9783631608319; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. JOSEFA MARIA DA ENCARNAÇÃO (Madeira; séc. XVIII) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Escrivã e religiosa do Convento de Nossa Senhora da Encarnação do Funchal. Não dispomos de dados concretos sobre a sua vida. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Sóror Josefa Maria da Encarnação continuou o registo do “Livro 1.º dos obittos deste convento de N. S. da Encarnação que teve principio no anno de 1749”, iniciado por sóror Maria Angélica da 69 Nazaré†. 3. DA AUTORA. Portugal. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Convento de Nossa Senhora da Encarnação. Livro de Assentamento de Óbito do Convento de Nossa Senhora da Encarnação do Funchal de 1749-1890, Liv. 3 (Cód. ref. PT/TT/CNSEF/004). 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. JOSEFA MARIA XAVIER (Madeira; séc. XVII) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Sóror Josefa Maria Xavier foi religiosa do Convento de Santa Clara do Funchal. Era sobrinha de António de Freitas Branco, fidalgo da Casa Real e conselheiro do Conselho da Fazenda e doutor em Cânones (16591664). Desconhecemos outros dados sobre a sua vida. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Sóror Josefa Maria Xavier escreveu cartas de teor familiar dirigidas a António de Freitas Branco que se conservam manuscritas na Biblioteca da Ajuda. 3. DA AUTORA. Portugal. Biblioteca da Ajuda. Coleção de documentos avulsos. Cartas de Josefa Maria Xavier para seu tio [António de Freitas Branco], 28-09-1689 (Convento de Santa Clara), Ms. Av. 54-IX-47, n.º297; 1690-05-25 (Ibid.) Ms. Av. 54-IX-47, n.º300. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. JOSEFINA AMÉLIA PINTO CARNEIRO PERESTRELO (Porto Santo; 1844 – Funchal; ?) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Josefina Perestrelo era filha de José Pedro Perestrelo e de Elisa Adelaide Pinto Carneiro (natural do Rio de Janeiro, filha do major governador João Pinto Escórcio e de Mariana Jacinta Pinto Carneiro), a 16 de março de 1844, batizada na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Piedade a 29 de maio de 1844. Casou-se com o militar Rodrigo Maria José Pinto, de Lisboa, em 1862 na Sé do Funchal e morou na Rua dos Ingleses (Funchal). Não se dispondo de mais dados sobre a sua vida, desconhece-se a data de falecimento. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Colaborou no “Dirio de Notícias” do Funchal com traduções literrias em “A mariquinhas” de Eugène Muller e publicou em Lisboa “Factos notveis na história portuguesa e biografia do Marquês de Pombal” (1882), com introdução de Maria José da Silva Canuto. Refere Canuto que “S. ex.ª não se estreia com assumptos banaes. O seu livro é fructo de profundos e aprimorados estudos. Seduziu-a o grande vulto da actualidade: e s. ex.ª não se contentou com a apotheose do marquez de Pombal.. foi buscar a justificação dos seus actos nas leis primitivas da monarchia; no assentimento successivo das testas coroadas; e acompanha o illustre ministro até ao momento em que, desprendido dos enormes cuidados da sua vida laboriosissima adormece no duro leito da sepultura; e entra nos dominios da inexoravel posteridade” (p. 3). A autora refere na sua introdução, em jeito de “captatio beneuolentiae”, que “Não é meu intento, nem teria forças para tão 70 levantados vôos, escrever a historia circunstanciada do grande vulto que se chamou Sebastião José de Carvalho e Mello depois Conde de Oeiras e mais tarde Marquez de Pombal; pretendo apenas com os elementos que nos legaram historiadores e collectores de memorias da epocha, reduzir a breve transunto os traços principaes da sua, notavel administração, concorrendo assim com uma pequenina parte, porque pouco posso e sei, para remunerar, por occasião do seu centenario, factos que teem em si ensinamento, e que podem servir de estimolo e exemplo” (p. 4-5). 3. DA AUTORA. ●1. “A Mariquinhas: romance por Eugénio Muller, vertido em portuguez por D. Josephina Perestrello”. Diário de Notícias, Funchal, n.º446 (1604-1878), p. 1; n.º448 (17-04-1878), p. 1-2; n.º449 (18-04-1878), p. 1-2; n.º451 (27-04-1878), p. 1-2; n.º453 (28-041878), p. 1-2; n.º456 (30-04-1878), p. 1; n.º457 (01-05-1878), p. 1; n.º458 (0305-1878), p. 1; n.º459 (04-05-1878), p. 1-2; n.º460 (05-05-1878), p. 1-2; n.º461 (07-05-1878), p. 1-2; n.º462 (08-051878), p. 1-2; n.º464 (10-05-1878), p. 12; n.º465 (11-05-1878), p. 1-2; n.º466 (12-05-1878), p. 1-2; n.º467 (14-051878), p. 1-2; n.º469 (16-05-1878), p. 12; n.º471 (18-05-1878), p. 1-2; n.º472 (19-05-1878), p. 1-2; n.º475 (28-051878), p. 1; n.º477 (25-05-1878), p. 1-2; n.º478 (26-05-1878), p. 1-2; n.º479 (2805-1878), p. 1-2; n.º481 (30-05-1878), p. 1-2; n.º482 (01-06-1878), p. 1-2; n.º484 (04-06-1878), p. 1-2; n.º485 (06-061878), p. 1-2;n.º451 (27-04-1878), p. 12; n.º486 (07-06-1878), p. 1-2; n.º487 (08-06-1878), p. 1-2; n.º488 (09-061878), p. 1; n.º490 (13-06-1878), p. 2; n.º491 (14-06-1878), p. 1-2; n.º493 (1606-1878), p. 1-2; n.º494 (18-06-1878), p. 1. ●2. Factos notveis na história portuguesa e biografia do Marquês de Pombal. Lisboa: Tip. de Cristovâo Augusto Rodrigues, 1882, p. 53, [1] f. Acessível via URL http://www.gutenberg.org/files/32869 /32869-h/32869-h.htm. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. JUDITE ADRIANA TEIXEIRA DE SOUSA MONIZ (Funchal; 1894 – Ibid.; 1976) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Judite Teixeira Moniz nasceu na freguesia de Santa maria Maior a 16 de março de 1894. Era filha de Abel da Silva Moniz e de Guilhermina Adriana Teixeira de Sousa Moniz. Foi professora de lavores na Escola do Magistério Primário e tirou curso na “Escola Infantil de João de Deus” em Lisboa. Faleceu nesta cidade a 3 de janeiro de 1976 e sepultada no jazigo da família em S. Martinho a 9 de janeiro de 1976. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Judite Teixeira Moniz usou o pseudónimo Mlle. de Loup, tendo colaborado o “Dirio da Madeira”, onde dirigiu a secção feminina; colaborou, desde 1937, no “Jornal da Madeira” e no “Comércio da Madeira”. Participou com o Dr. William Clode na “Hora de Arte”, realizado no Liceu Nacional do Funchal em 1954. Foi autora de um opúsculo intitulado “Bosquejos: crónicas e impressões” (1922), que reúne textos publicados no jornal “Comércio da Madeira”, e contendo uma coleção de 37 perfis de 71 mulheres da sociedade madeirense. 3. DA AUTORA. Bosquejos: crónicas e impressões. Funchal: Comércio da Madeira, 1922. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Branco, Alfredo de Freitas, Notas & Comentário para a História Literária da Madeira, vol. III, Funchal, CMF, 1949-1953, p. 201; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Moniz, Judite Adriana Teixeira de Sousa [em linha], 1986. Funchal. [Consulta: 19-03-2019]. Disponível em: https://arquivoabm.madeira.gov.pt/details?id=667336 . JULIA ANNE ELIZABETH TOLLEMACHE ROUNDELL (Reino Unido; 1845 — Ibid.; 1931) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Nascida no Reino Unido a 25 de junho de 1845, Julia Anne Tollemache era filha de Wilbraham Spencer Tollemache e de Anne Tomkinson. Julia casou-se com Charles Savile Roundell, em 1874, jogador de críquete, advogado e político liberal na Câmara dos Comuns em dois períodos entre 1880 e 1895. Julia Roundell faleceu em 25 de junho de 1931. 2. LEGADO DOCUMENTAL. É autora de outros títulos, como “Cowdray: The History of a Great English House” (1884), “Ham house, its history and art treasures” (1904) e “Lady Hester Stanhope” (1909). Julia Anne Elizabeth Tollemache Roundell escreveu um relato das suas viagens aos Açores e à Madeira, em “A visit to the Azores: with a chapter on Madeira” (1889). 3. DA AUTORA. A visit to the Azores: with a chapter on Madeira. London: Bickers & Son, 1889, 197 p. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. JÚLIA DE MELO (Madeira; fl. 1877) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Não se conhecem dados sobre esta autora. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Júlia de Melo colaborou no “Dirio de Notícias” do Funchal, autora de uma carta crítico-satírica dirigida a Faustino Brazão: “O futuro é a Ideia. (…) Perdoe-me v. ex.ª o meu republicanismo de mulher. Não repare, peço-lhe. Sabe perfeitamente que não sou a primeira que fallo assim. Na America, nesse paiz maravilhoso, onde estudam junctos os rapazes e as raparigas, onde se denomina eschola – “une grande famille où il n’y a que des fréres et des soeurs qui se disputent le prix de l’étude,” j uma romacista, Beecher Stewe (sic), sentio o mesmo transporte, que nol-o sugere sempre qualquer pensamento grande e nobre”, recomendando a Faustino Brazão que “modere v. ex.ª um pouco o seu genio destruidor”. (p. 3). 3. DA AUTORA. "Folhetim”. Dirio de Notícias, n.º 97 (08-02-1877), p. 2-3. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias 72 e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. JÚLIA GRAÇA DE FRANÇA E SOUSA (Funchal; 1897 — Santa Cruz; 1978) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Natural de Santo António (Funchal), onde nasceu a 9 de janeiro de 1897, Júlia Graça de França e Sousa era filha de João Maria França e Sousa e de Isabel Glória de França e Sousa. Fez o Magistério Primário e exerceu a docência na freguesia de Gaula. Visitou a Santa Sé por volta de 1933 e foi um dos membros mais ativos da ação católica feminina na Madeira. Dedicou-se à benemerência, cujas ações resultaram na fundação, em 1961, do Refúgio de S. Vicente de Paulo para a Velhice Desamparada, hoje Casa da Sagrada Família e Refúgio de S. Vicente de Paulo. Faleceu em Gaula a 29 de março de 1978. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Júlia Graça de França e Sousa assinou os seus textos com o pseudónimo Uma Mulher. Distinguiu-se como escritora, jornalista, conferencista e poetisa. Colaborou prolificamente com artigos de conteúdo muito diverso no “Dirio da Madeira”, “Jornal da Madeira”, nas revistas “A Mocidade”, “Esperança”, “Acção Católica”, “O Proco” e “O Professor”. Orientou a uma publicação da Liga Escolar Católica, intitulada “A Nossa Escola”. Colaborou em vrios jornais católicos do continente como “A Voz” (1933) e “Pgina Feminina” (19351938). Publicou “Noivado de Duas Almas” (1940), “Luz do candeeiro” (1943), “Abri os olhos, oh mães!” (1950), “As pedras mudaram-se em rosas” (1953) e “Um arrojo: biografia do Pe. João Jorge Bettencourt” (1956). Encontra-se representada na antologia poética “Musa Insular” de Luís Marino. 3. DA AUTORA. ●1. “Quadros simples”. In “Revista A Mocidade” (vrios números). ●2. “A Calúnia”. In “Revista Esperança”, n.º 5 de 01-07-1932 (assin. Uma mulher) ●3. “A moda de vesturio”. In “Revista Esperança”, n.º 6 de 01-08-1932 ●4. “Uma carta”. In “Revista Esperança”, n.º 7 de 01-09-1932 ●5. “Considerações sobre uma carta”. In “Revista Esperança”, n.º 8 de 01-10-1932. ●6. “Cartas anónimas”. In “Revista Esperança”, n.º 9 de 01-11-1932 ●7. “Uma visita”. In “Revista Esperança”, n.º 10 de 01-12-1932 ●8. “Maria”. In “Revista Esperança”, n.º 11 de 01-011933 ●9. “Um passeio com Maria”. In “Revista Esperança”, n.º 12 de 01-021933 ●10. “Aquela pobre”. In “Revista Esperança”, n.º 1 de 01-03-1933 ●11. “A Caridade”. In “Revista Esperança”, n.º 2 de 01-04-1933 ●12. “A minha última desilusão”. In “Revista Esperança”, n.º 3 de 01-05-1933 ●13. “Carta aberta”. In “Revista Esperança”, n.º 5 de 01-071933 ●14. “Refutando”. In “Revista Esperança”, n.º 4 de 01-06-1933 ●15. “Uma noite sem luar”. In “Revista Esperança”, n.º 6 de 01-08-1933 ●16. “A lei das compensações”. In “Revista Esperança”, n.º 7 de 01-09-1933 ●17. “A simpatia”. In “Revista Esperança”, n.º 8 de 01-10-1933. ●18. “Recordando. Como vi e senti na minha viagem a Roma”. In “Revista Esperança”, n.º 9 de 01-11-1933; n.º 10 de 01-12-1933; n.º 11 de 01-01-1934; n.º 12 de 01-02-1934; n.º 1 de 01-03-1934; n.º 2 de 01-041934; n.º 3 de 01-05-1934; n.º 3 de 0105-1934; n.º 4 de 01-06-1934; n.º 5 de 01-07-1934; n.º 6 de 01-08-1934; n.º 7 de 01-09-1934; n.º 8 de 01-10-1934; n.º 9 de 01-11-1934; n.º 10 de 01-12-1934; 73 n.º 11 de 01-01-1935. ●19. “Ao Mrio”. In “Revista Esperança”, n.º 11 de 01-031934. ●20. “Não manda os filhos à Missa”. In “Revista Esperança”, n.º 1 de 01-03-1934; ●21. “A Madeira vestida de Noiva, Montanhas cobertas de neve em 1934”. In “Revista Esperança”, n.º 3 de 01-05-1934; “Novidades”, de 21-021938. ●22. “Resposta extemporânea”. In “Revista Esperança”, n.º 4 de 01-061934. ●23. “Como ela se vingou”. In “Revista Esperança”, n.º 5 de 01-051934. ●24. “A Nossa Casa”. In “Revista Esperança”, n.º 11 de 01-01-1935. ●25. “A Madeira a arder”. In “Revista Esperança”, n.º 12 de 01-02-1935; “As novidades: Pgina Feminina”, 1935; ●26. “Dois roubos”. In “Revista Esperança”, n.º 1 de 01-03-1935; n.º 2 de 01-04-1935; n.º 3 de 01-05-1935. ●27. “A surpresa de Maria ngela”. In “Revista Esperança”, n.º 4 de 01-061935. ●28. “Voltando atrs”. In “Revista Esperança”, n.º 5 de 01-07-1935. ●29. “Aquela manhã”. In “Revista Esperança”, n.º 6 de 01-08-1935. ●30. “Acabou uma entrevista”. In “Revista Esperança”, n.º 8 de 01-10-1935. ●31. “A passear”. In “Revista Esperança”, n.º 8 de 01-10-1935. ●32. “Jardim da Serra”. In “Revista Esperança”, n.º 9 de 01-11-1935. ●33. “Dois intelectuais”. In “Revista Esperança”, n.º 10-11 de 01-011936. ●34. “A bordo do ‘Gavião’”. In “Revista Esperança”, n.º 12 de 01-021936. ●35. “Se eu soubesse rezar assim”. In “Revista Esperança”, n.º 1 de 01-03-1936. ●36. “Ao cavalheiro de bordo do ‘Gavião’”. In “Revista Esperança”, n.º 2 de 01-04-1936. ●37. “Troca de cartas”. In “Revista Esperança”, n.º 3 de 01-05-1936. ●38. “O ch de Alice”. In “Revista Esperança”, n.º 4 de 01-06-1936. ●39. “O Mundo não se perde assim”. In “Revista Esperança”, n.º 5 de 01-07-1936; n.º 6 de 01-08-1936; n.º 7 de 01-09-1936; n.º 8 de 01-10-1936; n.º 9 de 01-11-1936; ●40. “Um adeus”. In “Revista Esperança”, n.º 5 de 01-07-1936; ●41. “Tens pena de partir” (poema). In “As Novidades”, 14-09-1936; ●42. “A maledicência”. In “Revista Esperança”, n.º 10-11 de 01-01-1937; ●43. “Ter um dia destes na vida”. In “Revista Esperança”, n.º 12 de 01-02-1937; ●44. “O que rendeu uma pergunta”. In “Revista Esperança”, n.º 1 de 01-031937; ●45. “E l foi… a Missa Nova”. In “Revista Esperança”, n.º 2 de 01-041937; n.º 3 de 03-05-1937. ●46. “Aquele rapaz”. In “Revista Esperança”, n.º 4 de 01-06-1937; ●47. “Cuidado!!!”. In “Revista Esperança”, n.º 5-6 de 01-071937; ●48. “Ter férias”. In “Revista Esperança”, n.º 9 de 01-11-1937; ●49. “Conversando”. In “O Jornal”, 18-121937. ●50. “Impressão de Verão”. In “Revista Esperança”, n.º 10-11 de 20-121937; ●51. “Até que enfim” (poemeto). In “As Novidades”, 24-01-1938. ●52. “Numa hora de verdade”. In “Revista Esperança”, n.º 12 de 01-02-1938; ●53. “Oiça, Sr. Redactor”. In “Dirio da Madeira”, de 18-02-1938; ●54. “O valor da oração sobre a acção”. In “Revista Esperança”, n.º 3 de 01-05-1938; ●55. “Milagres de Pé Tocklon”. In “Revista Esperança”, n.º 4 de 01-06-1938; ●56. “A vida tem tantas coisas”. In “Revista Esperança”, n.º 5 de 01-07-1938; ●57. “Acção Católica. Responsabilidade individual e colectiva da vida cristã”. In “O Jornal” de 03-07-1938; 10-07-1938; 16-07-1938; 24-07-1938; 30-07-1938; 06-08-1938; 13-08-1938; 20-08-1938. ●58. “Sede de sangue”. In “Revista Esperança”, n.º 6 de 01-08-1938; ●59. 74 “Foi assim tal e qual”. In “Revista Esperança”, n.º 6 de 01-08-1938; ●60. “Um estímulo”. In “Revista Esperança”, n.º 7 de 01-10-1938; ●61. “À luz do candeeiro”. In “O Jornal”, 19-11-1938; ●62. “De luz apagada”. In “O Jornal”, 1712-1938; ●63. “Vocês não têm remorsos”. In “O Jornal”, 16-12-1939; ●64. Noivado de Duas Almas: romance de apologética da doutrina católica e da moral cristã. Lisboa: Imprensa Artística, 1940, 263 p. ●65. Sessão solene de Congratulação de Fraternidade de Acção Católica Feminina. In “O Jornal” de 21-12-1940. ●66. “O trabalho da mulher”. In “O Jornal” de 10-05-1941. ●67. “Aragens de Gaula, Da minha janela”. In “Eco do Funchal”, de 21-101943 e 19-12-1943. ●68. À Luz do candeeiro. Funchal: Tip. Eco do Funchal, 1943, 320, [5] p. (Romance dedicado ao professorado primrio português). ●69. Abri os olhos, oh mães!: Conferência em prol da acção católica, feita em 15 de Março de 1948 no Salão Paroquial à uma assembleia de mães e Professoras. Funchal: [s. n.], 1950, 35 p. (homenagem à Nossa Senhora da Conceição). ●70. As pedras mudaram-se em rosas: no retalho do meu romance. Funchal: Eco do Funchal, 1953, 62, [2] p. (conferência feita aos alunos do Magistério Primário, no Liceu Nacional do Funchal a 20-04-1953). ●71. “Tenho pena desta gente. Discurso proferido na “Estação Rdio Madeira”, 2.ª sessão radiofónica Cultural de propaganda contra o analfabetismo e educação de adultos, promovida pelo jornal “O Comércio do Funchal” a 09-04-1954”. In “O Jornal da Madeira”, 15-04-1954. ●72. Rumo ao largo: panoramas vicentinos. Funchal: Livr. Popular, 1955, 112 p. Com prefácio do cón. Jorge de Freitas. ●73. Um arrojo: biografia do Pe. João Jorge Bettencourt. Pref. Pe. João Vieira Caetano. Funchal: [s. n.], 1956, 195 p. ●74. Vamos ao Refúgio, Vamos a Gaula. Funchal: tip. Popular, 1964 (publicado sem nome da autora). ●75. Um Namoro (uma recordação). Funchal, s. e., 1957, 223 p. ●76. Vamos ao Sótão (inéd.). ●77. “Refúgio de S. Vicente de Paulo” (benefício de “Refúgio” de S. Vicente, em Gaula). Março de 1967. ●78. “Vem comigo... ao panorama do Refúgio de Gaula”. Ed. Ilustrada, da Casa da Santa Família, 1974. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Branco, Alfredo de Freitas, Notas e Comentários para a História Literária da Madeira, III, Funchal, Câmara Municipal do Funchal, 1915-1953: p. 175-176; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Marino, Luís, Musa Insular, Funchal, Eco do Funchal, 1959, p. 440; Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Sousa, Júlia Graça de França e [em linha], 1986. Funchal. [Consulta: 19-03-2019]. https://arquivoabm.madeira.gov.pt/details?id=668068 . JÚLIA HENRIQUETA DE FREITAS DE ABREU ESMERALDO (Madeira; séc. XIX) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Júlia Henriqueta de Freitas de Abreu, natural de Ponta Delgada (S. Vicente), era filha do capitão Filipe Joaquim de Freitas e Abreu, natural da ilha de S. Miguel (Açores), e de Teresa Gertrudes Figueira da Silva, 75 natural de S. Vicente, ambos moradores na freguesia de S. Pedro. Casou-se com o morgado Francisco António Bettencourt Araújo Esmeraldo na Igreja de S. Pedro a 10 de maio de 1838. Foi mãe de João Bettencourt Araújo Carvalhal Esmeraldo, visconde do Ribeiro Real e 1.º conde do Ribeiro Real. Foi proprietária da capela de Sto. Amaro, que doou ao monsenhor Manuel Joaquim de Paiva. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Assinando os seus textos como Júlia Esmeraldo ou com pseudónimo E. na imprensa escrita madeirense, publicou um artigo “A mulher” no “Archivo Litterario” (1863). O seu texto revela uma visão sobre o que deve ser o papel da mulher na sociedade: “encontal-a-heis sempre derramando benefícios. – Aqui, a mãe carinhosa debruçada sobre o berço do filho; alli, a esposa, que sorri desarrugando a fronte sóbria do homem; acolá, mulher piedosa erguendo aos Ceus prece de amor; além, velando sollicita juncto ao leito do moribundo; - em todo o logar e sempre acompanhando o homem nos trabalhos da vida” (p. 73). Acrescenta que se “a mulher correspondendo aos decretos da Providencia, for mãe sábia e desvelada, esposa fiel, filha obediente e caridosa”, o homem também o ser. E realça que a educação da mulher é a chave para o seu progresso: “é preciso que uma sábia educação, como o habil cinzel do esculptor, venha desbastar a rudeza de seu espirito, e manifestar as belezas e virtudes que nelle se encerram.” (ibid.), considerando a religião como “regra e norma de toda a sua vida” (p. 74). 3. DA AUTORA. “A mulher”. Archivo Litterario, Funchal. Tomo 1 (17-06-1863): p. 73-74. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Antunes, Luísa, "Suaves modestos sons" - mulher e poesia na imprensa madeirense da segunda metade do séc. XIX". In “As Mulheres e a Imprensa Periódica”, Vol. II, org. Vânia Chaves, Isabel Lousada, Lisboa, CLEPUL, 2014, p. 189-209. JULIANA MARIA DA VITÓRIA (Madeira; séc. XVIII) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Sóror Juliana Maria da Vitória foi uma religiosa clarissa do Convento de Nossa Senhora da Encarnação, eleita abadessa para o triénio de 1782 a 1785. Não se dispõe de mais elementos sobre a sua vida. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Sóror Juliana Maria da Vitória manteve correspondência com familiares e foi responsável por atos administrativos do convento ainda por identificar em vários arquivos. 3. DA AUTORA. Portugal. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Arquivo Histórico Ultramarino. Coleção de documentos avulsos. Carta de Sóror Juliana Maria da Vitória, Abadessa do Convento de Nossa Senhora da Encarnação, da ilha da Madeira, para D. Joana Teresa de Campos, acerca da sua entrada e de suas irmãs, para o referido Convento. S. D., Cx. 5, doc. 1026. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. KÄTHE SCHMIDT KOLLWITZ (Prússia Oriental; 1867 – Alemanha; 1945) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Nascida em Königsberg (hoje, Caliningrado, Rússia) a 8 de julho de 1867, Käthe Kollwitz era filha de Karl Schmidt e de Katherina Schmidt. Käthe 76 cresceu no seio de uma família defensora dos ideais socialistas. Casouse com Karl Kollwitz, médico de profissão. Era conhecida como artista e estudou numa escola de artes femininas em Munique. Faleceu em Moritzburg na Saxónia (Alemanha) a 22 de abril de 1945. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Realizou exposições nas principais salas europeias e foi a primeira mulher a entrar na Academia das Artes da Prússia em 1920. Käthe Kollwitz escreveu um diário onde refere a sua passagem pela Madeira em abril de 1925. 3. DA AUTORA. Die Tagebuchblätter und Briefe. Berlin: Gebr. Mann, 1948, 191 p. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. KATHERINE ELIZABETH PERRY (Estados Unidos da América; 1814 – Ibid; 1884) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Katherine Perry nasceu em South Carolina (Estados Unidos da América) em 1814, filha de Phillip Perry. Katherine Perry casou-se em 1830 com Zachariah O'Neal, com geração. Faleceu em Trenton, Dade, no estado da Georgia a 10 de abril de 1884. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Katherine Perry escreveu um diário sobre a sua estada na Madeira em 1844, cujo manuscrito ficou na posse de Mrs. Maul e descendentes da família Welsh. 3. DA AUTORA. ●1. Extract from the diary of Miss Katherine E. Perry, who came to Madeira October 1844 and lived with her family at a villa rented from a Mr. Bianchi, mss. (col. part.). ●2. Madeira fragments/Edward Watkinson Wells, Katherine E. Perry. [Funchal?]: Graham Blandy, 1971. ●3. “A casa de campo de Veitch (trad. António Marques da Silva)”. Atlântico, n.º11 (1987), p. 233-238. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Silva, António Marques da, “A casa de campo de Veitch”. Atlântico, n.º11 (1987), p. 233-238; Islenha, n. 11 (1987). KLARA LOTZIN FINCKE (Alemanha; 1859 — Ibid.?; ?) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Klara Lotzin nasceu em Danzig (Alemanha) a 4 de dezembro de 1859. Casou em segundas núpcias com Gustav Fincke, com quem viveu na viveu na Madeira até 26 de março 1904, quando partiu para Lisboa no vapor alemão “Lucie Woermann”. Faleceu depois de 1915. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Publicou um artigo sobre a sua estada na Madeira no jornal “Die Grenzboten” (1907) e colaborou em diversos jornais de expressão germânica. 3. DA AUTORA. “Madeira”. Die Grenzboten: Zeitschrift für Politik, Literatur und Kunst, Vol. 66 (1907), Erstes Vierteljahr., p. 699-708. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Brümmer, Franz, Lexikon der deutschen Dichter und Prosaisten vom Beginn des 19. Jahrhunderts bis zur Gegenwart. Bd. 2. 6. Aufl. Leipzig, 1913, p. 209; Friedrichs, Elisabeth, Die deutschsprachigen Schriftstellerinnen des 18. und 19. Jahrhunderts: Repertorien zur deutschen Literaturgeschichte. Vol. 9. Springer-Verlag, 2016; Macedo, L. S. 83 pescadores, que se chama o Jardim do Mar e era então o que há de mais selvagem e primitivo. Ali habitava um triste casarão, velho solar da família do meu marido, junto a uma capela, onde estavam enterrados alguns dos seus avós. Havia semanas inteiras de temporal, que nos deixavam incomunicveis como Robinson Crusoé” (p. 12). Além disto, Luzia foi uma escritora em contínua procura da sua voz, como referiu em “Cartas do Campo e da Cidade” (1923): “eu não suporto aquelas escritoras de quem se diz: têm a inteligência viril, escrevem como um homem...” (p. 195). Luzia foi uma reconhecida e respeitada escritora do seu tempo, especialmente em círculos intelectuais e salões literários lisboetas. 3. DA AUTORA. ●1. “A lenda das estrelas” in Correio da Manhã, 08-01-1894 ●2. Os que se divertem: a comédia da vida. Lisboa: Succ. Galhardo & Gomes, 1920, 229 p. ●3. Rindo e chorando. Lisboa: Portuglia, 1922, 291 p. ●4. Cartas do campo e da cidade. Lisboa: Portugália, 1923, 222 p. ●5. Sôbre a vida... sôbre a morte: maximas e reflexões. Lisboa: [Imp. Lucas], 1931, 84 p. ●6. Almas e terras onde eu passei. Lisboa: Eds. Europa, 1936, 285 p. ●7. Última rosa de verão: cartas de mulheres. Lisboa: Livraria Portuglia, 1940, 329 p. ●8. Lições da vida. Lisboa: Portugália, 1941, 108 p. ●9. Dias que j l vão. Porto: Liv. Tavares Martins, 1946, 248, [2] p. ●10. Cartas d'uma vagabunda. Lisboa: Portugal Editora, [19--] 310, [2] p. ●11. “Ruas”, Bem Viver (dir. Fernanda Castro), ano 1, n.º 7, 1953, Lisboa; ●12. Portugal, Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira, Fundo Florival dos Passos, Prosas de Luzia (1913/1955) (cód. ref. PT/ABM/FPS/B/005-001) contendo os seguintes manuscritos: Cx. 1, doc. 95: "Maria de Sales". Paris, 26 Out. 1913; Cx. 1, doc. 96: "Manhãs do Hameau. II - O Rendez-vos". 1916-1924; Cx. 1, doc. 97: "Gabriel. Mon Repos". Nov. 1917; Cx. 1, doc. 98: "Clara". Lisboa, Mar. 1919; Cx. 1, doc. 99: "Valeria" e "Paraíso Perdido". Portalegre, Jun. 1922; Cx. 1, doc. 100: "Conto de jardim". Portalegre, Jun. 1922; Cx. 1, doc. 101: "Voz do Mar...". Mont'Estoril, Abr. 1924; Cx. 1, doc. 102: "Home Sweet Home". Portalegre, Mai. 1924; Cx. 1, doc. 103: "Ao Conde de A.". Lisboa, Avenida Palace, 14 Jan. 1926; Cx. 1, doc. 104: "Laura I. Na Grande Claridade". Lisboa, Set. 1927 e "[Laura] II. Estrelas Cadentes". Pau, Ago. 1928; Cx. 1, doc. 105: "Primavera". Pau, Mai. 1928; Cx. 1, doc. 106: "Dame un Peu Ancienne". Pau, Mai. 1928; Cx. 1, doc. 107: "Tia e Sobrinha". Hameau, Jun. 1928; Cx. 1, doc. 108: "A Capela". Hameau, Jul. 1928; Cx. 1, doc. 109: "Saudade". Hameau, Out. 1928; Cx. 1, doc. 110: "Casas que Morrem". Pau, Hotel Gassion, 09 Nov. 1928; Cx. 1, doc. 111: "Companheiras". Hameau, Out. 1930; Cx. 1, doc. 112: "Dia de Revolução". Funchal, 04 Abr. 1931; Cx. 1, doc. 113: "Amor". Funchal, Ago. 1931; Cx. 1, doc. 114: "Verão da Madeira". Monte, Madeira, Set. 1931; Cx. 1, doc. 115: "Matilde". Lisboa, Set. 1932; Cx. 1, doc. 116: "Margarida". Lisboa, Nov. 1934; Cx. 1, doc. 117: "Lisboa Elegante". Lisboa, Mar. 193. [sic]; Cx. 1, doc. 118: "Cartas a um Amigo". Funchal, Quinta da Palmeira, s.d; Cx. 1, doc. 119: "A Capela", texto publicado, s.l., s.d. (Cf. o manuscrito original arquivado nesta série, Cx. 1, n.º 108); Cx. 1, doc. 120: Folhas dispersas não identificadas. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Azambuja, 84 Maria da Graça, "Luzia uma Escritora Esquecida", Eco Literário (Eco do Funchal), 01-03-1955; Clode, Luís Peter, Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses: Sécs. XIX e XX, Funchal, Caixa Económica do Funchal, 1983, p. 251ab; Conde, José Martins dos Santos, Luzia: o Eça de Queiroz de saias. Portalegre: Edição do autor, 1990; Das artes e da História da Madeira. Funchal: Sociedade de Concertos da Madeira. V.5, n.º25 (1957), p. 12-13; Flores, Conceição, Constância Lima Duarte, and Zenóbia Collares Moreira. Dicionário de escritoras portuguesas: das origens à atualidade, Ilha de Sta. Catarina, Ed. Mulheres, 2009, p. 171; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Moniz, Ana Isabel, “«Eu passo em toda a parte, não fico em parte alguma». Luzia, um espírito crítico feminino”, In VilasBoas, Gonçalo e Outeirinho, Maria de Fátima, Annemarie Schwarzenbach e a literatura de viagens na Europa dos anos 30, Porto, Afrontamento, 2013, p. 151160; Neves, Cláudia Sofia Silva, O reino encantado de Luzia: A crónica da vivência e a eterna busca do Eu. Dissertação de mestrado, 2º Ciclo em Estudos Linguísticos e Culturais. (Funchal: Universidade da Madeira), 2013, http://hdl.handle.net/10451/28700; Rodrigues, Maria do Carmo, “Luzia no Funchal”. Margem 2, n.º 25. 135-140. MARGARET EMILY SHORE (Reino Unido; 1819 — Funchal; 1839) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Margaret Emily Schore nasceu em Bury St. Edmonds, Suffolk, a 25 de dezembro de 1819. Era filha de Thomas Shore (1793-1863) e de Margaret Anne Twopeny. Emily Shore cresceu numa família devotada à cultura. As irmãs, Arabella Shore† and Louisa Catherine Shore† (1824-1895), foram notáveis escritoras britânicas, comparadas com as irmãs Brontë. Emily Shore veio para a Madeira entre dezembro de 1838 e 1839 para se curar de tuberculose. A família veio a bordo do navio “David Lyon”. Emily faleceu no Funchal a 7 de julho de 1839. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Emily Shore deixou um diário que foi publicado postumamente em 1891, e foi autora de diversos textos que permaneceram inéditos. O original do seu diário, contendo o seu autoretrato, conserva-se na biblioteca da Universidade de Delaware (Estados Unidos da América). No seu diário, Emily Shore regista as suas vivências na Madeira, constituindo uma visão a partir de dentro sobre a vida de uma família britânica que se deslocou à ilha por motivos de saúde. Note-se que o texto original não corresponde necessariamente ao texto publicado pelas suas irmãs em 1891, que contém partes expurgadas. Gates considera que Emily era uma intelectual diligente e precoce, que se pode depreender através do seu diário. Abordou temas como economia, literatura mundial e ciências da Natureza. Como botânica e ornitóloga amadora, ela catalogou o que se passava à volta da casa da família e escreveu dois ensaios sobre comportamento de aves para a “The Penny Magazine”. Além disso, escreveu histórias dos gregos, romanos e judeus, além de peças teatrais e poemas. A 85 família Shore encarregava à Emily a educação das suas irmãs mais novas, Arabella e Louisa. A morte de Emily afectou-as profundamente, estando presente nas suas obras. No diário de Emily Shore refere “I have just heard it, but I know nothing more yet — the difficulties are found to be too great, and we cannot go to Australia… I have now heard of another plan suggested by Edward... He proposes to us to go out to Madeira. The climate would, in all likelihood, restore papa's health, which is breaking fast; living must be much cheaper there, and papa would take two little boys as pupils... Probably there would be in Madeira an ample field for a tutor like papa. Papa might also engage there in some literary work, which would just suit his taste, and perhaps be very successful” (1891, p. 280). 3. DA AUTORA. ●1. Estados Unidos da América. University of Delaware. Special Collections Department at the Morris Library. Journal. Mss. 097, item 104. ●2. Journal of Emily Shore. London: K. Paul, Trench, Trübner & Co., Ltd., 1891; Revised and expanded, edited by Barbara Timm Gates. Charlottesville: University Press of Virginia, 1991. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Gates, Barbara Timm, “When Life Writing Becomes Death Writing: The Journal of Emily Shore”. Literature and Medicine, n.º 24, no. 1 (Spring 2005), p. 70-92; Gates, Barbara Timm, “Shore, (Margaret) Emily (1819–1839)”. Oxford Dictionary of National Biography. Oxford: Oxford University Press, 2004 (http://www.oxforddnb.com/view/artic le/25454, accessed 7 Jan 2013; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Silva, António Ribeiro Marques, Passaram pela Madeira. Funchal: Funchal 500 anos, 2008, p. 120-126, 213. MARGARET MORLEY CLOUGH (Reino Unido; 1803 – Ibid.; 1840) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Margaret Morley Clough nasceu em Doncaster (Reino Unido) a 3 de novembro de 1803. Era filha de William Morley e passou a infância em Hull com os seus avós, que eram missionários metodistas. Pertenceu à organização "The Ladies' Wesleyan Missionary Association" de Doncaster. Faleceu no Reino Unido a 27 de novembro de 1840. 2. LEGADO DOCUMENTAL. É autora de cartas intituladas “Extracts from the journal and correspondence of the late Mrs. M.M. Clough, wife of the Rev. Benjamin Clough, missionary in Ceylon” (1829). Passou pela Madeira e Porto Santo em maio de 1825. Referiu-se ao Porto Santo e à Madeira nestes termos: “Early this morning, to our very great joy, land appeared; a fine range of mountains reared their majestic heads westward; the name of which is Porto Santo: they are extremely barren, quite uncultivated, and, I believe, the inhabitants few. Madeira we can just perceive nearly enveloped in clouds, the craggy tops of the mountains verging above the snowy clouds, which appear to have been arrested in their career by the towering rocks, which you might fancy would bid defiance to the hand of time: these lofty hills are bounded by the horizon. To the east we had a view 86 of several clusters of islands, called, from their sterility and want of inhabitants, Desertas: upon the whole, the view was interesting to one who had been deprived for nearly a month of the sight, of a near approach of land” (p. 44). 3. DA AUTORA. Extracts from the Journal and correspondence of the late Mrs M.M. Clough: Wife of the Rev. Benjamin Clough, Missionary in Ceylon. London: John Mason, 1840. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Twells, Alison, The Civilizing Mission and the English Middle Class, 1792-1857, Houndmills: Palgrave Macmillan, 2008. MARGARIDA DE OLIM MAROTE RAMOS (Machico; 1899 — Estados Unidos da América; 1953) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Margarida de Olim Marote Ramos nasceu em Machico a 27 de dezembro de 1899. Era filha do merceeiro José Augusto Olim Marote e de Maria Augusta de Ornelas de Olim. Residiu nos Estados Unidos da América e nos Açores. Foi presidente do conselho “Maria da Fonte” e da “Benemérita Associação Dia Madeirense” nos Estados Unidos da América. Visitou a sua terra natal em 1950 e colaborou em diversos jornais e revistas, com textos por identificar. Faleceu nos Estados Unidos da América em 1953. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Dedicou-se à poesia e à declamação. Publicou em 1950 um opúsculo “O emigrante e a saudade” (1950). Luis Marino refere no seu “Panorama Literrio” que tinha incluído na antologia “Musa Insular” por lapso “Adeus Machico” como sendo da sua autoria, retificando tratar-se de um familiar, João Crispim de Olim Marote, emigrado no Brasil. 3. DA AUTORA. “O emigrante e a saudade”. [s.l.]: Artes Gráficas, 1950, 14 p. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Ramos, Margarida de Olim Marote [em linha], 1986. Funchal. [Consulta: 19-03-2019]. https://arquivoabm.madeira.gov.pt/details?id=667661 . MARGARIDA DE SABÓIA PESTANA PEREIRA PINTO (Funchal; 1880 — Ibid.; post. 1975) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Margarida de Sabóia Pestana Pereira Pinto nasceu no Funchal a 27 de novembro de 1880 e baptizada na Sé Catedral (Funchal). Era filha do comerciante José Pereira da Ressurreição e de Maria Matilde Pestana Pereira, moradores na rua da Ponte Nova (Funchal), naturais de Câmara de Lobos. O seu pai foi proprietrio da mercearia “Pereira” na rua de João Gago. Fez estudos no Liceu Nacional do Funchal em 1918, especializando-se na área do comércio. Em 1919, Margarida de Sabóia e o seu pai emigraram o Brasil, estabelecendose no Rio de Janeiro. Em 1921, o seu pai faleceu no Brasil. Casou-se com o comerciante e proprietário, Albertino Pinto, de quem teve Cláudio José, Ana Margarida e Ruy Manoel. No Brasil, o seu esposo foi presidente do “Orfeão Português” no Rio de Janeiro, 87 acompanhando-o em diversos eventos sociais da comunidade. Margarida de Sabóia viajou pela Europa, passando por Portugal, França, Suiça e Itália. Visitou a Madeira em 1953 e regressou ao Brasil no transatlântico “Vera Cruz” a 19 de abril de 1953. Desconhece-se data de falecimento, que terá sido depois de 1975. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Luis Marino refere que Margarida de Sabóia reuniu vinte e oito poemas que intitulou “Pedaços d’Alma”, que permaneceram inéditos desde 1920. Desconhecemos outra produção da sua autoria. Encontra-se representada nos manuscritos “Musa Insular”, “Poetas da nossa Terra” e “Panorama Literrio do Arquipélago da Madeira”, onde diz que “No Brasil, a nostalgia e mgoas acerbas, fizeram desabrochar na sua alma, a flor da poesia”. Publicou no “Comércio do Funchal” com um poema “Soluço Nostlgico”, que reproduzimos: “Longe de ti, minha Pátria idolatrada,/Sinto minha alma quase a desfalecer./E o meu pobre coração, triste estremece/À ideia que distante posso morrer!// Acerba é a saudade que de ti sinto,/Causa-me um pesar que nem sei explicar./Como é tristíssimo viver-se no exílio,/Sem ter-se esperança de à Pátria voltar!// Não,não creio que o bom Deus permita tal./Queria antes de partir p’ra eternidade/Voltar ao meu querido torrão natal,/E lá expirar, mitigando essa saudade!”. 3. DA AUTORA. “Soluço nostlgico: à minha cantada Ptria, Ilha da Madeira”. In “Comércio do Funchal”. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Pinto, Margarida de Saboia Pestana Pereira [em linha], 1986. Funchal. [Consulta: 19-03-2019]. https://arquivoabm.madeira.gov.pt/details?id=667610 . MARGARIDA JACINTA DE SANTA ROSA (Madeira; séc. XVIII) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Sóror Margarida Jacinta de Santa Rosa foi escrivã e religiosa do Convento de Santa Clara do Funchal. Desconhecemse outros dados sobre a sua vida. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Durante o abadessado de sóror Coleta Rosa de Santo Agostinho, sóror Margarida Jacinta de Santa Rosa escriturou as entrevistas às noviças a partir de 1742. Redigiu, também, outros atos administrativos, documentos ainda por identificar nos arquivos. Foi eleita escrivã entre 1740 e 1747. 3. DA AUTORA. Lisboa. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Autos de Perguntas feitos às Novissas do Convento de Santa Clara do Funchal, 1742-1830 (Cód. de ref. PT/TT/CSCF/004/0001). 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. MARGARIDA LUÍSA CERVANTES (Funchal; séc. XVIII — Ibid.; ?) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Margarida Luísa Cervantes (ou Silvantes) natural da Sé, filha de Francisco António Sílvio e de Ana Maria Silvantes. Margarida Luísa Cervantes casou na Sé a 14 de maio de 1795 com Francisco Venceslau José, moradores na rua de Santa Maria, com geração. Desconhece-se a data de falecimento, que terá ocorrido entre 1830 e 1840. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Como viúva de 88 Francisco Venceslau José, o requerimento de 1822 de Margarida Cervantes refere "possuir os precisos conhecimentos para tratar da educação das pessoas do seu sexo", e pede que se crie naquela localidade uma escola de meninas, "sustentada pelo Estado", confiando-lhe a ela "a direcção". 3. DA AUTORA. Portugal. Arquivo Histórico da Assembleia da República. Cortes Constituintes de 1821-1822. Comissão de Instrução Pública. Requerimento de Margarida Luísa Cervantes, 1822-02-23 (PT-AHP/CGE/CIP/S1/D66), 1 p. MARIA ALDA DA CÂMARA LEME ESCÓRCIO DRUMOND DE GOUVEIA (Funchal; 1862 — Machico; 1927) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Nascida na freguesia de S. Pedro, no Funchal, a 13 de novembro de 1862, Maria Alda da Câmara Leme Escórcio Drumond era filha de João Escórcio Drumond da Câmara e de Cândida de Menezes Esmeraldo da Câmara Leme, avó materna do escritor Carlos Cristóvão da Câmara Leme Escórcio de Bettencourt. Faleceu em Machico a 11 de julho de 1927. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Maria Alda Drumond de Gouveia cultivou a poesia. Apenas se conhece um texto publicado por Luís Marino na sua “Musa Insular” intitulado a “A minha filha”. Trata-se de um poema de contemplação enternecedora de uma mãe ao recémnascido, como refere: “Em minha alma vai, enfim, aparecendo/Uma esperança e com ela vivo enlevada!/Vieste para mim, oh! Formosa alvorada!/Acendeste a luz que fraca ia morrendo!...//Quantas vezes em teu berço debruçada,/Quando em tua face vislumbro um sorriso,/Eu gozo contigo um belo paraíso…/Oh! Bendita sejas tu, filha adorada!//Alma pura, mais branca que o branco arminho,/Onde eu leio como em livro aberto o fundo,/Entras tão alegre e serena no mundo/Qual no aconchegado ninho o passarinho.//Eu era como esse dia que fenece,/Terá para mim a vida um fim agora:/Afastar as nuvens negras desta aurora/E ver raiar este dia que amanhece”. 3. DA AUTORA. “A minha filha”. In Marino, Luís, Musa Insular, Funchal, Eco do Funchal, 1959, p. 231. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Nota biobibliográfica: Gouveia, Maria Alda da Câmara Leme Escórcio Drumond de [em linha], 1986. Funchal [Consulta: 19-03-2019]. Disponível em: https://arquivoabm.madeira.gov.pt/details?id=666466 . MARIA AMÁLIA COLARES MENDES ROCHA DE GOUVEIA (Funchal; 1867 — Ibid.; 1945) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Filha de João Joaquim Mendes e de Maria Colares Mendes, Amália Colares Mendes nasceu no Funchal a 1 de maio de 1867. Casou-se com Abel Rocha de Gouveia, funcionário da Associação de Socorros Mútuos “4 de Setembro de 1862”, em 1901 na paróquia de Santa Maria Maior. Foi mãe de Henrique Rocha de Gouveia, coordenador e editor do “Almanaque do Anunciador”, e de Carlos Rocha de Gouveia e avó da poetisa Maria Lise Rocha de Gouveia e 89 de Abel Gabriel Rocha de Gouveia. Foi professora de piano e de música, dinamizando espetáculos, saraus e reuniões musicais na sua residência. Em junho de 1925 realizou um concerto de beneficência no Teatro Municipal. Colaborou em alguns jornais do continente e deixou algumas poesias inéditas, que não foi possível identificar. Como professora, fez parte do círculo de pianistas madeirenses como Elisa Drumond Carregal, Maria Adelaide de Meneses, Floripes Gomes, Elisa Gorjão Caires, Maria da Conceição de Meneses Santos Pereira, Angelina Pereira Freitas, Palmira Pereira, Leonor Ferraz Leça e Maria Helena Portugal Azevedo Ramos e Angélique de Beer Lomelino. Faleceu a 3 de janeiro de 1945. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Cultivou a poesia, porém apenas se conhece um texto publicado por Luís Marino na sua “Musa Insular” intitulado a “Adeus, Madeira”, usando o pseudónimo Lise. A partida da ilha revela-se como um processo de perda de identidade, onde a memória apenas recupera sons, cheiros, visões, sensações da natureza, versos repletos de sinestesias: “Adeus, minha terra linda,/Jardim das mais belas flores./Eu jamais olvidarei/Teus encantos, teus primores./Adeus campos da Madeira,/Onde meu amor cantei./Adeus brisa perfumada./Adeus tudo quanto amei./Quanta vez em teu regaço,/Repousando sobre flores,/Eu via uma ilusão,/A visão dos meus amores!/Sacrário dos meus segredos,/Tudo, tudo eu deixo em ti,/Sepulcro dos meus amores,/A minha alma paira ai”. Não se conhece outra produção poética da sua autoria, que terá permanecido inédita. 3. DA AUTORA. “Adeus, Madeira”. In Marino, Luís, Musa Insular, Funchal, Eco do Funchal, 1959, p. 250. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Esteireiro, Paulo, "O Piano no Funchal ao longo do século XIX: comércio, repertório e ensino feminino." In 5 Olhares sobre o Património Musical Madeirense. Funchal: Gabinete Coordenador de Educação Artística e Associação Musical e Cultural Xarabanda; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Gouveia, Amália Colares Mendes Rocha de [em linha], 1986, Funchal [Consulta: 19-03-2019], Disponível em: https://arquivoabm.madeira.gov.pt/details?id=666913 . MARIA AMÉLIA DE MENEZES VAZ (Santa Cruz; 1886 — Setúbal; 1958) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Maria Amélia de Menezes Vaz nasceu em Santa Cruz a 3 de dezembro de 1886. Era filha do poeta António Joaquim da Cruz Vaz, natural de Valença do Minho e funcionário da Câmara Municipal de Santana, e de Maria Matilde Pereira de Menezes Vaz. Era irmã do cónego Fernando Carlos de Menezes Vaz. Em 1925, Maria Amélia de Menezes Vaz partiu para França, onde fez o noviciado na Congregação da Apresentação de Maria, tendo regressado à Madeira, adotando o nome de religião Irmã da Eucaristia. Foi Superiora da Casa da sua Congregação (Prazeres, Calheta) e professora do 90 Lactário (1928-1939). Foi uma das fundadoras do Colégio da Apresentação de Maria (1934-1945). Em 1954, partiu para a África portuguesa para ser assistente num colégio católico e foi Superiora Geral do Colégio “D. António Barroso”. Regressou a Portugal, falecendo em Setúbal a 30 de março de 1958, por motivo de doença. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Dedicou-se à poesia, estando os seus textos dispersos no “Dirio da Madeira”, “Almanaque Ilustrado do Diário da Madeira” e “Heraldo da Madeira”, grande parte por identificar. Encontra-se representada na antologia “Musa Insular” de Luís Marino. 3. DA AUTORA. “Primavera”. In Marino, Luís, Musa Insular, Funchal, Eco do Funchal, 1959, p. 368. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Vaz, Maria Amélia de Menezes [em linha], 1986. Funchal. [Consulta: 19-03-2019]. https://arquivoabm.madeira.gov.pt/details?id=668232 . MARIA AMÉLIA DE OLIVEIRA PAIS (Funchal; 1861 — Brasil; 1890) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Maria Amélia de Oliveira Pais, ou Maria Amélia de Jesus, nasceu em São Martinho, residente no sítio da Chamorra, a 15 de agosto de 1861. Era filha de José Pereira de Oliveira e de Joaquina Arsénia de Jesus, irmã do poeta José de Oliveira Pereira Júnior. Casou-se com Manuel Gomes Pais na Igreja de Santo António em 1876. Partiu para o Rio de Janeiro em 1890, onde o casal faleceu, vítima de febre-amarela. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Maria Amélia de Oliveira Pais colaborou no “Novo Almanaque de Lembranças LusoBrasileiro” (1884), posteriormente reproduzido na “Revista Literria” (1902). O seu esposo Manuel de Oliveira Pais foi também poeta. O seu poema consiste numa celebração emotiva da maternidade. Começa com uns versos de Tomás Ribeiro que serve de mote para as suas Glosas. Trata-se do único poema que se conhece desta autora, que reproduzimos a seguir: “Tu és na vida a minha esperança bela./Tu és a estrela que no céu assoma,/Tu és no pranto meu, conforto breve!/Ai flor de neve com doirada coma!/Tu és um riso no sacrário da alma,/Tu és a palma que de amor colhi!.../Se um dia a sorte te roubar em suma!/Que alvor! que aroma! Se não perde aqui:/Tu és o lírio da mimosa pola,/Tu és a rola descantando a vida./Tu és a imagem que meu peito aninha,/Ai, rosa minha, de matiz vestida!/Tu és a nota que murmura: Elisa;/Tu és a brisa que meu seio hauri!.../Rosa de abril entre flores nascida;/Que amor! que vida! que sonhei por ti!”. 3. DA AUTORA. “Afectos”. Novo Almanach de Lembranças LusoBrasileiro para o anno de 1884 (1883), p. 296, p. 296; republ. In Marino, Luís, Musa Insular, Funchal, Eco do Funchal, 1959, p. 74. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira 91 Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Pais, Manuel Gomes [em linha], 1986. Funchal. [Consulta: 1903-2019]. https://arquivoabm.madeira.gov.pt/details?id=667502 . MARIA ANGÉLICA DA NAZARÉ (Madeira; 1703 – Ibid; 1785) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Filha de Manuel Rodrigues (ou Roiz) da Costa e de Teresa Campos Soares, casados na Sé em 1691, nasceu em 1703. Fez votos em 16 de janeiro de 1713 e professou em 1731. Foi escrivã e religiosa do Convento de Nossa Senhora da Encarnação do Funchal. Faleceu a 26 de abril de 1785. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Sóror Maria Angélica da Nazaré assumiu cargo de escrivã do Convento Nossa Senhora da Encarnação do Funchal. Compôs o “Livro 1.º dos obittos deste convento de N. S. da Encarnação que teve principio no anno de 1749”. 3. DA AUTORA. Portugal. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Convento de Nossa Senhora da Encarnação. Livro de Assentamento de Óbito do Convento de Nossa Senhora da Encarnação do Funchal de 1749,1749,Liv. 3 (Cód. ref. PT/TT/CNSEF/004/0001). 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. MARIA AUGUSTA DE LIMA VIEIRA DE ABREU (Funchal; 1900 – Lisboa; ?) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Nascida a 3 de dezembro de 1900, Augusta Vieira de Abreu era filha de João António Vieira e de Maria Augusta Vieira, irmã de João Sotero Vieira, Cristóvão Vieira, Jaime Severino Vieira, funcionário da Junta Autónoma dos Portos do Arquipélago da Madeira, do realizador e cineasta madeirense Manuel Luis Vieira. Maria Augusta Vieira de Abreu foi professora e diretora do Colégio Oficial em Ervadal, Alentejo, e no Colégio Santa Isabel. Aposentou-se em 1962 e residiu em Lisboa desde 1950. Participou no filme do seu irmão na qualidade de atriz em "A Calúnia" (1926), interpretando a personagem Luísa, mulher de um pescador. Não se conhecem mais elementos sobre a sua vida. 2. LEGADO DOCUMENTAL. De acordo com Luís Marino no seu monumental “Panorama Literrio do Arquipélago da Madeira” (volume 1), Maria Augusta de Vieira de Abreu é autora de um romance que permaneceu inédito. Deixou colaboração no "Eco do Funchal" entre 1944 e 1953. Entre os seus principais contributos, realçamos os contos “O ‘Câmara Nova’”, "O Sacrifício", "A Estatueta Quebrada", "Arrependimento Tardio" e "Jardim Maldito". Publicou a lenda "Lenda, sobre a fundação duma aldeia Alentejana". É possível que a sua produção literária se encontre dispersa nos jornais alentejanos e lisboetas. 3. DA AUTORA. ●1. "O "Câmara Nova" (Conto). In Eco do Funchal, de 26-04-1944; ●2. "Flores". In Eco do Funchal, de 24-121944; ●3. "O Sacrifício" (Conto). In Eco do Funchal, de 12-08-1945; ●4. "O Trabalho Rural". In Eco do Funchal, de 18-12-1945; ●5. "A Estatueta Quebrada" (Conto). In Eco do Funchal, de 30-04-1946; ●6. "Arrependimento 92 Tardio" (Conto). In Eco do Funchal, de 03-09-1946; ●7. "Lenda, sobre a fundação duma aldeia Alentejana". In Eco do Funchal, de 12-12-1946; ●8. "Amor perfeito". In Eco do Funchal, de 27-04-1950; ●9. "Penitência". In Eco do Funchal, de 25-12-1952; ●10. "Jardim Maldito" (Conto). In Eco do Funchal, de 08-03-1953. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Maria Augusta de Lima Vieira [em linha], Funchal, 1986 [Consulta: 19-03-2019]. Disponível em: https://arquivoabm.madeira.gov.pt/viewer?id=665850 &FileID=1708118. MARIA AUGUSTA DE ORNELAS E VASCONCELOS (Lisboa; 1869 — Paris; 1957) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Oriunda de uma família nobre madeirense dos Morgados do Caniço, filha do conselheiro Agostinho de Ornelas e Vasconcelos Esmeraldo Rolim de Moura e Teive, 14.º Senhor do Morgado do Caniço, e de Maria Joaquina de Saldanha da Gama, Maria Augusta de Ornelas e Vasconcelos nasceu na Lapa, em Lisboa, 31 de maio ou 27 de outubro de 1869. Professou em França a 7 de setembro de 1899, na Congregação de São José de Cluny, adotanto o nome de religião de sóror Catarina de Jesus Cristo ou Catherine de Jésus-Christ. Foi madre superiora no Instituto Pasteur em Paris, considerada pelo Monsenhor Odelin como a “embaixatriz da Caridade, junto dos que sofrem”, condecorada com a Comenda da Legião de Honra de França a 3 de novembro de 1919 pelo Governo Francês pela forma heróica de como assistiu os feridos da Grande Guerra como superiora do hospital Pasteur. Foi assistente geral da congregação e vicepresidente da Associação Nacional das Enfermeiras do Estado Francês. Em Portugal, foi condecorada com a Comenda da Ordem Militar de Cristo de Portugal. Faleceu em Paris a 17 de março de 1957. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Catarina de Jesus Cristo este duas vezes na Madeira em 1941 e 1948, onde deu conferências sobre a sua atividade como enfermeira, religiosa e defensora dos direitos humanos. Publicou em em Paris “Au chevet de la souffrance: préceptes et conseils de morale hospitalière” (1936), com diversas edições e traduções em diversas línguas. 3. DA AUTORA. ●1. Au chevet de la souffrance: préceptes et conseils de morale hospitalière. Paris: École Saint-Joseph de Cluny, 1936, 172 p. ●2. “O Cristo no Garajau. Uma “Quinta” na Camacha”. In “Revista Esperança”, n.º 3, de 01-051929. ●3. Conferência sobre a lepra (inédito, realizado em 1935 no Instituto Católico de Paris). ●4. “Conferência realizada no Salão Nobre da Associação católica do Funchal, a convite do Prelado do Funchal, em 16 de novembro de 1941”. In “Dirio de Notícias”, 17 e 18 de novembro de 1941. ●5. “O Vale da Alegria: conferência realizada no Salão paroquial da Igreja de São Pedro, a 25 de fevereiro de 1948”. In “O Jornal”, de 2602-1948. ●6. L'Ame des filles de la vénérable Anne-Marie Javouhey, une des conférences de Drac donnée à la salle de la société de géographie, le 4 mars 1931. Paris (21 rue Méchain), (1932), 34 p.. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Guillermand, Jean, “Sœur Catherine de Jésus-Christ (1869-1957)”. In La revue de l'infirmière, n.º 59/157 (2010), p. 45-46, doi: REVINF-01-022010-59-157-1293-8505-101019- 99 leitura e acesso ao livro, cujo excerto transcrevemos: “Veiome neste ultimo de Lisboa hum liurinho do P[adr]e Frei Joaõ da Crus, descobrio lá com m[ui]ta deligencia em caminhada por hum frade carmelita huma terceira que lá está que estaua em casa de D. Maria Salamanca a senhora que me criou custou dous cruzados he da mesma impressam do que cá temos que nos deu D. Margaida que tem a Irmam Luzia, faziame mingoa ueyo quando Deus quis. Irmam Luzia notauelmente me combate que lhe cubro o meu interior sendo que lhe digo tudo o q[ue] se pode dizer e nada lhe emcubro senam aquellas materias que pasaram pello Natal porque nam comuem dizelas e ella he tam humilde que sempre cuida que tem os outros que lhe emcobrir mas a mim nada me molesta isto da sua pena me peza naõ tenho que contar mais que soledaõ e eso quero e me parece mui bem aquella cançaõ que dis – En soledad uiuia y en soledad ha puesto ya su nido. Tenho enfadam[en]te a Vossa Paternidade perdoeme nam se cance com a resposta que a qualquer ora basta Deus sobra se tanto em Seu Diuino amor que sempre esteia consumindose em lhamaradas e eu que entre tam bem na festa para sua mayor honrra e gloria. Oie 14 de Março de 1653, Filha espiritual de Vossa Paternidade. M[aria]” (1653-03-14: f512-516). 3. DA AUTORA. ●1. Portugal. Biblioteca da Ajuda. João Ribeiro, S. I., Vida da serva de Deus, Maria da Encarnação, nascida no Funchal em 1613 recolhida no Mosteiro da Encarnação do Funchal. Séc. XVII, ms. av. 54-V-24. O códice apresenta cartas enumeradas irregularmente de 11 a 70. Apresentamos a nossa própria enumeração, data de produção e fólios numerados do códice, a saber: 1. (164901-25): f84-89; 2. (1650-05-16): f90-94; 3. (1650-08-31): f115-119; 4. (1650-0902): f130-137; 5. (1650-09-22): f142145; 6. (1650-10-05): f147-150; 7. (1650-10-24): f151-153; 8. (1650-1112): f154-156; 9. (1650-11-13): f158162; 10. (1650-12-11): f162-166; 11. (1650-09-12): f166-167; 12. (1650?): f170-175; 13. (1650?) f175-179; 14. (1651-01-09): f186-190; 15. (1651-0123): f196-200; 16. (1651-01-23): f201205; 17. (1651-03-11): f211-216; 18. (1651-03-26): f216-217; 19. (1651-0410): f224-231; 20. (1651-04-15): f231233; 21. (1651-04-25): f237-240; 22. (1651-05-17): f240-244; 23. (1651-0531): f247-250; 24. (1651-06-06): f252256; 25. (1651-06-17): f256-260; 26. (1651-06-30): f262-268; 27. (1651-0811): f271-274; 28. (1651-08-14): f274278; 29. (1651-08-24): f284-288; 30. (1651-09-13): f289-291; 31. (1651-1204): f291-295; 32. (1651-12-08): f300305; 33. (1651-12-31): f307-311; 34. (1651-12-31): f312-314; 35. (1652-0120): f320-325; 36. (1652-01-28): f331335; 37. (1652-02-04): f352-354; 38. (1652-02-26): f362-368; 39. (1652-0304): f371-377; 40. (1652-07-24): f382387; 41. (1652-08-18): f388-393; 42. (1652-08-27): f398-401; 43. (1652-0828): f406-408; 44. (1652-09-06): f408414; 45. (1652-09-16): f419-423; 46. (1652-09-23): f427-428; 47. (1652-1003): f428-429; 48. (1652-10-10): f429431; 49. (1652-12-01): f431-433; 50. (1652-12-05): f436-439; 51. (1652-1207): f445-448; 52. (1652-12-22): f448451; 53. (1652-12-23): f457-461; 54. (1652-12-22): f466-468; 55. (1653-0105): f468-472; 56. (1653-01-08): f472474; 57. (1653-01-22): f483-487; 58. (1653-01.29): f488-489; 59. (1653-02- 100 05): f489-490; 60. (1653-02-17): f490494; 61. (1653-03-03): f497-501; 62. (1653-03-05): f503-504; 63. (1653-0314): f512-516; 64. (1653-04-30): f521523; 65. (1653-05-11): f528-535; 66. (1653-05-28): f542-545; 67. (1653-0627): f555; 68. (1653-07-06): f557-559; 69. (1653-07?): f564; 70. (1953-07?): f565. ●2. Portugal. BNP. Henrique Henriques de Noronha, Memórias seculares e eclesiásticas para a composição da história da Diocese do Funchal na ilha da Madeira, Cód. 10935, p. 459; reed. Trans. Alberto Vieira. Funchal: Centro de Estudos de História do Atlântico, 1996, p. 279 (Incipit: “Meu padre espiritual muito amado nas entranhas de Jesuz Christo…”). 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. De Backer, Augustin, Bibliothèque de la Compagnie de Jésus, Vol. 6. Louvain, Editions de la Bibliothèque S.J., 1894, p. 1770-1771; Fontoura, Otília Rodrigues, As Clarissas na Madeira: uma presença de 500 anos, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 2000; Gomes, Eduarda Maria de Sousa, O Convento da Encarnação do Funchal: subsídios para a sua História, 1660-1777, Funchal: Centro de Estudos de História do Atlântico, 1995; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Noronha, Henrique Henriques de, Memórias seculares e eclesiásticas para a composição da história da Diocese do Funchal na ilha da Madeira. Trans. Alberto Vieira, Funchal, Centro de Estudos de História do Atlântico, 1996, p. 279. MARIA DA EXALTAÇÃO (Madeira; séc. XVIII) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Sóror Maria da Exaltação foi escrivã e religiosa do Convento de Nossa Senhora da Encarnação do Funchal. Desconhecemos mais dados biográficos. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Compôs o “Livro 1.º dos obittos deste convento de N. S. da Encarnação que teve principio no anno de 1749”, iniciado por sóror Maria Angélica da Nazaré†. 3. DA AUTORA. Portugal. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Convento de Nossa Senhora da Encarnação. Livro de Assentamento de Óbito do Convento de Nossa Senhora da Encarnação do Funchal de 1749, Liv. 3. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Gomes, Eduarda Maria de Sousa Gomes, O Convento da Encarnação do Funchal: subsídios para a sua História, 16601777. Funchal: Centro de Estudos de História do Atlântico, 1995; Fontoura, Otília Rodrigues, As Clarissas na Madeira: uma presença de 500 anos. Funchal: Centro de Estudos de História do Atlântico, 2000. MARIA DAS DORES SAUVAIRE DA CÂMARA (Funchal; 1865 – Ibid.; 1941) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Maria das Dores Sauvaire da Câmara nasceu na freguesia de São Pedro a 12 de outubro de 1865. Era filha do morgado João Sauvaire da Câmara e Vasconcelos e de Matilde Lúcia de Santana e Vasconcelos Moniz de Bettencourt, irmã de Matilde† e Celina Sauvaire da Câmara†, neta da Viscondessa das Nogueiras†. Era considerada uma mulher culta e viajada. Faleceu no Funchal a 16 de maio de 1941. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Maria das Dores colaborou com a sua irmã, 101 Matilde Sauvaire da Câmara† na festa de gala oferecida aos Reis de Portugal durante a sua visita em 1901. Maria das Dores publicou os seus textos na “Revista Esperança”. 3. DA AUTORA. “Inez e Mimi” (dilogo). In “Revista Esperança”, n.º 24, de 15-02-1926. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Câmara, Maria das Dores Sauvaire da, 1986. Funchal [Consulta: 19-03-2019]. Disponível em: https://arquivoabm.madeira.gov.pt/details?id=666214 . MARIA DE BETTENCOURT (Lançarote, Canárias; ca. 1417 – S. Miguel, Açores; 1494) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Maria de Bettencourt foi uma nobre mestiça, nascida em Lançarote, por volta de 1417. Por vezes é confundida com Luísa ou Leonor de Bettencourt. Era filha de Teguise, ou D. Maria de Teguise, princesa indígena majo ou maho (segundo alguns genealogistas), e do cavaleiro francês e Senhor das Canárias, Maciot de Bettencourt, que vendeu a ilha de Lançarote ao Infante D. Henrique. Maria de Bettencourt veio com o seu pai para a Madeira, em 1448, fixando residência na Ribeira Brava. Sendo uma dama com vínculo à nobreza francesa, casou-se com Rui Gonçalves da Câmara, 3.º capitão do donatário da ilha de São Miguel, filho de João Gonçalves Zarco e de Constança Rodrigues de Sá, com quem passou a viver na ilha de S. Miguel (Açores). Faleceu em Vila Franca do Campo por volta de 1494, sem geração. Ainda assim, Rui Gonçalves da Câmara foi pai de vários filhos naturais. Maria de Bettencourt foi fundadora do morgadio de Água de Mel (freguesias de São Roque e de Santo António), no Funchal, e deteve direitos de venda do sabão. Fundou a capela do Espírito Santo, depois dos mártires de Marrocos, na igreja do Convento de São Francisco do Funchal. 2. LEGADO DOCUMENTAL. O seu testamento é um dos raros documentos autobiográficos desse período cuja voz autoral se pode vislumbrar entrecortada na estrutura formular da tradição amanuense. Porém, muitos documentos administrativos que poderíamos atribuir como “textos de autoria feminina” carecem, na verdade, de identificação sistemática nos arquivos. Maria de Bettencourt colocou no seu testamento que a sua alma seria herdeira de metade dos seus bens “porquanto não tenho outro herdeiro salvo a minha alma e dezerdo todos os meus parentes herdeiros que não herdem nada da dita minha metade e couza alguma”. Manifestou a 9 de fevereiro de 1491 a sua vontade de ser sepultada numa capela do Convento de São Francisco, referindo que os restos mortais da sua mãe, sepultada nas Canárias, deveriam estar com os dela e do seu sobrinho Henrique. A 5 de novembro de 1493, manifestou a sua vontade de ser sepultada na ilha de São Miguel, em Vila Franca do Campo. No seu testamento contém referências sobre a capela de S. Francisco, as armas dos Bettencourt, as alfaias para a capela, o deserdar de alguns parentes, o resgate de um captivo, o dote de uma orfã, a alforria de escravos, o contrato das saboarias, a nova sepultura e diversos legados. Estamos na presença de uma figura feminina que teve um papel singular no contexto dos descobrimentos e expansão marítimas 102 no Atlântico, tendo assistido ao genocídio e escravatura dos indígenas das Canárias, atravessando três arquipélagos, Canárias, Madeira e Açores. 3. DA AUTORA. Portugal, Arquivo Regional da Madeira. Juízo de Resíduo e Capelas. Traslado de testamento de Dona Maria de Bettencourt, mulher do 3.º Capitão da Ilha de S. Miguel, Rui Gonçalves da Câmara, filho de Zarco (1491 e 1493)”, publicado por João Cabral do Nascimento – “Testamentos: D. Maria de Bettencourt, mulher do 3º capitão da Ilha de S. Miguel, Rui Gonçalves da Câmara, filho de Zarco (1491 a 1493)”. Arquivo Histórico da Madeira. N.º 3 (1933): p. 55-62. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Costa, Maria Clara Pereira da, “Testemunhos Históricos acerca do papel de algumas mulheres no contexto social madeirense - séc. XV e XVI”, Actas do III Colóquio Internacional de História da Madeira. Vol. 3. Funchal, CEHA, 1993, p. 315-320; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. MARIA DO CARMO CASTRO LEAL DE FREITAS BRANCO (Funchal; 1894 — Ibid.; 1929) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Maria do Carmo Castro Leal de Freitas Branco nasceu em S. Pedro (Funchal) a 23 de julho de 1894, filha do comendador Luís de Freitas Branco e de Ana Augusta de Castro Leal de Freitas Branco, irmã de Alfredo Leal de Freitas Branco, Visconde do Porto da Cruz. Pertenceu à “Liga de Acção Social Cristã”. Faleceu no Funchal a 6 de março de 1989. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Devido à sua participação na “Liga de Acção Social Cristã”, é autora de um relatório datado de 1932, publicado na revista “Esperança”. Foi conferencista, tendo sido entrevistada em 1951 no Posto Emissor do Funchal sobre o abrigo “Nossa Senhora de Fátima”. 3. DA AUTORA. ●1. “Liga de Acção Social Cristã”. In Revista Esperança, n.º 12, 01-03-1932. ●2. “Abrigo “Nossa Senhora de Ftima”’. Palestra realizada no Posto Emissor do Funchal, proferida a 01-05-1951. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Branco, Maria do Carmo Castro Leal de Freitas [em linha], Funchal, 1986 [Consulta: 1903-2019]. Disponível em: https://arquivoabm.madeira.gov.pt/details?id=666104 . MARIA DO LADO (Madeira; séc. XVII) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Sóror Maria do Lado foi escrivã e religiosa do Convento de Nossa Senhora da Encarnação do Funchal, sob abadessado de sóror Teodora de Jesus†. Desconhecemos mais elementos sobre a sua vida. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Sóror Maria do Lado foi responsável pela consolidação de contas do convento no triénio de 1675-1679. O códice conserva-se no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. 3. DA AUTORA. Lisboa. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Livro de Receita e Despeza de todas as Rendas do Convento da Emcarnasão, 1675, Liv. 9 (Cód. ref. PT/TT/CNSEF/008/0001). 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria 103 Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055. MARIA DO MONTE DE SANTANA E VASCONCELOS (Funchal, 1810 — Ibid.; 1884) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Maria do Monte de Santana e Vasconcelos (por vezes aparece como Maria do Monte de Santana e Vasconcelos Moniz de Bettencourt ou abreviadamente, M.M.S.A. e Vasconcellos), nasceu em São Pedro (Funchal), a 21 de maio de 1810. Era filha de Pedro de Santana e Vasconcelos e de Jacinta de La Tuellière (ou Tullière), natural de Sto. António, descendente dos cônsules de França na Madeira desde 1757, neta de NicolasJacques-Philippe Sabois Anicet de La Tuellière (natural de Belém, Lisboa) e de Joaquina Monteiro de Gusmão (natural de Corpo Santo, Recife, Pernambuco, Brasil). Foi irmã de Jacinto Augusto de Santana e Vasconcelos Moniz de Bettencourt, 1.º Visconde das Nogueiras, e cunhada da Viscondessa das Nogueiras†. Diversos membros da família Santana e Vasconcelos Moniz de Bettencourt foram igualmente escritores, alguns dos quais educados em Londres, como o seu irmão Pedro de Santana e Vasconcelos (1799-1857). Maria do Monte de Santana e Vasconcelos foi inspetora para a Comissão Protetora da Escola Municipal de Meninas da freguesia de Santo António, ao lado de Maria Emília Drumond e Júlia Monteiro, nomeadas pela Câmara Municipal do Funchal. Manteve correspondência com personalidades ligadas à vida cultural, de âmbito nacional e internacional. Lamentavelmente, não se conhece o paradeiro das suas cartas, assim como a sua colaboração na imprensa periódica. De acordo com Luiz Peter Clode, viveu e faleceu num prédio da rua das Pretas. Faleceu solteira a 12 de agosto de 1884. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Maria do Monte de Santana e Vasconcelos foi uma das primeiras escritoras a cultivar o género de romance histórico em Portugal. Publicou, dentro do género de “literatura de cordel”, em 1855 o “O Cura de São Lourenço”, publicado em Lisboa, com 41 capítulos. Num prefácio de um certo F. P., em “Duas palavras ao leitor”, refere-se a este romance com estes termos: “um pequeno romance escripto com sentimento. A acção corre placida e naturalmente, e o desfecho é logico, e em harmonia com o fim que se propoz a auctora na sua composição: mostrar o perigo e a inconsistencia das theorias anti-religiosas, e sua influencia malefica sobre a familia e a sociedade” (p. IV). Mais à frente critica que “Pena é que sendo a auctora nascida em uma das mais bellas provincias da monarchia, na preciosa ilha da Madeira, que viajantes e poetas chamam a perola e a flor do Oceano, escolhesse para logar das scenas principaes do seu romance as regiões menos pittorescas da França, e adoptasse para os personagens d'elle nomes estrangeiros!” (p. IV). Mais tarde, publicou no Funchal “Bermudo e a mesa de prata de D. Dinis: romance original” (1879), com 249 pginas e 30 capítulos. No “Dicionrio Bibliogrfico Português” de Inocêncio Francisco da Silva (vol. VI, p. 162), fez-se confusão com Matilde Isabel de Santana e Vasconcelos Moniz Bettencourt†, informação depois corrigida no vol. XVI (pg. 356). Lamentavelmente, tal 104 confusão ainda é repercutida nos nossos dias, como no “Dicionrio de escritoras portuguesas: das origens à atualidade” (2009) de Conceição Flores, Constância Lima Duarte e Zenóbia Collares Moreira. As suas obras são recuperáveis na Biblioteca Nacional de Portugal, não se conhecendo, contudo, outros textos da sua lavra. Marino refere que Maria do Monte de Santana e Vasconcelos deixou colaboração em jornais madeirenses e manteve correspondência com importantes escritores e artistas portugueses e estrangeiros. É possível atribuir-se o artigo “Aos ateus” publicado n’ “A Aurora Liberal” a 25 de janeiro de 1876, assinado como D. M. M. de B. 3. DA AUTORA. ●1. O cura de São Lourenço: romance. Lisboa: Imprensa Nacional, 1855, 183 p.; reed. por Andreia Pinho e Tânia Fortunato, coord. Ângela Correia, Lisboa, Bibliotrónica Portuguesa, 2016, https://bibliotronica.popularjump.com/ livro/o-cura-de-s-lourenco-maria-domonte-de-santana-e-vasconcelos/ ●2. Bermudo e a Meza de Prata de D. Diniz: romance original. Funchal: 1879. ●3. “Aos ateus”. A Aurora Liberal. Funchal, n.º6 (25-01-1876), (assinado D. M. M. de B., Incipit: “Oh! Vós que duvidais tão cegamente”). 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Bettencourt, Jaime Moniz de, O Morgado de Vilar de Perdizes. Lisboa: Edição do Autor, 1ª Edição, 1986; Bettencourt, Jaime Moniz de, Os Bettencourt: das origens normandas à expansão atlântica. Funchal: Ed. de autor, 1993; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira: Nota biobibliográfica: Bettencourt, Maria do Monte de Sant’Ana e Vasconcelos Moniz de [em linha], 1986. Funchal [Consulta: 19-03-2019]. Disponível em: https://arquivoabm.madeira.gov.pt/viewer?id=666062 &FileID=1708472; Mézin, Anne, Les consuls de France au siècle des lumières (1715-1792), [Paris]: Ministère des affaires étrangères. Direction des archives et de la documentation, 1998; Torres, João Carlos Feo Cardoso de Castelo Branco e, Atestado genealógico da ascendência do senhor José Francisco de Sant’Anna e Vasconcellos Moniz de Bettencourt. Lisboa: Imprensa Nacional, 1857. MARIA DULCELINDA DA COSTA DE CABEDO CARDOSO (Funchal; 1899 — Lisboa; 1968) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Maria Dulcelinda da Costa de Cabedo nasceu em Santa Luzia (Funchal) a 4 de abril de 1899. Era filha do major de infantaria, João Augusto da Costa de Cabedo (1854-1917) e de Matilde Amélia Fernandes de Cabedo. Foi irmã do jornalista João Octávio da Costa de Cabedo (1880-1912). Maria Dulcelinda da Costa casou-se com o escritor caboverdiano, Nuno Catarino Cardoso (18871969), com geração. Viajou pela Europa e participou em diversas conferências realizadas na Madeira, em Lisboa e em Coimbra, especialmente no Teatro Politeama (Lisboa) e nos Colóquios Olissipianos. Maria de Cabedo manteve correspondência com Alfredo Augusto Lopes Pimenta entre 1935 e 1947. Na Casa da Madeira realizou serões 105 culturais para dar a conhecer em Lisboa escritores madeirenses. Foi sócia do Instituto de Sintra, do Grupo Cultural “Amigos de Lisboa” e do Instituto de Cultura Italiana. Foi sócia correspondente da Academia Literária Feminina, do Rio Grande do Sul (Brasil). Faleceu em Lisboa, a 12 de fevereiro de 1968. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Assinando os textos com o pseudónimo Yvett ou Yvette, Maria de Cabedo reuniu crónicas publicadas no “Dirio da Madeira”, “Crónica Feminina”, “Eva” (crónicas, contos, crítica de arte e relatos de viagem), no “Dirio de Notícias” do Funchal (na rubrica “No meu caderno”), “Novo Almanaque de Lembranças LusoBrasileiro” em livro, intitulado “Phantasias e Realidades” (1927) em Lisboa. Alguns dos seus textos foram reproduzidos em jornais açorianos e brasileiros. Nos jornais, “As Novidades”, “Revista Ribatejana”, revista “Portugal Feminino”, “Stella” e “Menina e Moça”, referente ao intercâmbio com intelectuais brasileiros. Na Madeira, colaborou no “Almanaque Ilustrado do Dirio da Madeira”. Deixou textos inéditos, especialmente contos, romance, argumento para filme, relato de viagens. No prefcio “Phantasias e realidade”, o escritor português Alfredo Pimenta (1882-1950) realçou as qualidades de escrita de Maria de Cabedo, as “tintas festivas”, as frases sonoras, a “alma estruturalmente emotiva, servida por uma imaginação exuberante”, o espírito culto, nascido e criado “num meio quase cosmopolita como o do Funchal” (p. 12-13). Maria de Cabedo realçou a importância da educação das mulheres. 3. DA AUTORA. ●1. “O violino da morta”. In ‘Almanaque do Dirio da Madeira’ para 1914. ●2. “Do Natural”. In ‘Dirio da Madeira, 1102-1914 (assinado Yvett). ●3. “Acordes ligeiros”. In ‘Dirio da Madeira, 04-041914 (assinado Yvett). ●4. “Indiscrição”. In ‘Dirio da Madeira, 13-07-1914 (assinado Yvett). ●5. “Conversando”. In ‘Dirio da Madeira, 22-11-1915 (assinado Yvett). ●6. “Quadro simples”. In ‘Dirio da Madeira, 05-03-1916 (assinado Yvett). ●7. “De longe. In ‘Dirio da Madeira, 17-09-1916 (assinado Yvett). ●8. “Carta para longe”. In ‘Dirio da Madeira, 14-02-1917 (assinado Yvett). ●9. “Quadro simples”. In ‘Dirio da Madeira, 01-05-1927 (assinado Maria de Cabedo). ●10. Phantasias e realidade: crónicas publicadas no Diário da Madeira. Prefácio de Alfredo Pimenta. Lisboa: Livr. Aillaud e Bertrand, 1927, 179 p. ●11. “Ler”. In ‘Revista Esperança’, n.º 9 de 01-11-1927. ●12. “O meu Caderno. O Dr. Mario e o Alienismo”. In ‘Dirio da Madeira, 02-08-1928 (assinado Maria de Cabedo). ●13. “A Ilha da Madeira”. In ‘Dirio da Notícias’, Funchal, 25-12-1931 (assinado Maria de Cabedo) ●14. “Um poeta madeirense desconhecido”, Novo Almanaque Luso-Brasileiro, Lisboa, 1932, p. 369-370. ●15. “A Minha Ilha”. In “Revista Modas e Bordados”, 24-011934 (contém foto da autora e do Castelo do Pico, número dedicado à Madeira). ●16. “A Infanta D. Maria de Portugal (Conferência realizada no salão de Festas do Jornal “O Século”, em maio de 1934 e no “Teatro Sousa Bastos (Coimba), agosto de 1934). ●17. “Voz da Terra”. In ‘Dirio da Madeira, 16-061940. ●18. “A Rainha Santa Isabel (Conferência feita na “Juventude Antoniana”, a 15-07-1940). ●19. “Mulheres Ilustres Brasileiras”. In ‘Revista Menina e Moça’, n.º 79, de 02- 106 1954. ●20. “Conto do Sbado. O violino da Morte”, In ‘Voz da Madeira’, de 1904-1957. ●21. “A Madeira – Terra de Maravilha” (Conferência realizada no “Teatro Politeama”, na festa em benefício da ‘Casa da Madeira’ em Lisboa). ●22. “O trabalho e redenção” (Conferência realizada no ‘Cine Royal’). ●23. “A Madeira e a Caraidade” (Conferência realizada no ‘Cine Royal’ em benefício dos sinistrados madeirenses). ●24. “Descobrimento da Madeira” (conferência realizada no “Instituto de Cultura Italiana”, dirigido pelo escritor e crítico italiano, Gino Saviobi). ●25. “A Música, a melhor expressão da vida” (conferência realizada no “Instituto de Cultura Italiana”). ●26. “As madonas de Rafael” (conferência realizada no “Instituto de Cultura Italiana”). ●27. “O Poeta Dr. Alberto Bramão” (conferência realizada no “Instituto de Cultura Italiana”). ●28. “O Amor através da poesia de Ada Negri” (conferência realizada no “Instituto de Cultura Italiana”). ●29. “Lola de Oliveira a Escritora Brasileira Amiga de Portugal”, feito em Lisboa em 1964. ●30. “Como os Escritores Brasileiros vêm Portugal” (conferência realizada no Salão dos “Amigos de Lisboa” a 01-11-1960). ●31. “Uma preciosa capela desconhecida do grande público”. In Olisipo: boletim do Grupo Amigos de Lisboa. - Lisboa. - A. 26, nº 103 (Jul. 1963), p. 142-147: il. ●32. Portugal. Guimarães. Arquivo Municipal Alfredo Pimenta. Fundo Alfredo Augusto Lopes Pimenta. Correspondência com Alfredo Augusto Lopes Pimenta [PT/AMAP/AALP/1342301], 1930/1947-06-19. ●33. “Crónicas autênticas” (conto inédito). ●34. “Os filhos” (Romance inédito). ●35. “Aventuras de Mimi” (conto infantil, inédito). ●36. “A fascinação do Mar” (argumento para filme, inédito). ●37. “Os inimigos da Mulher” (contos, inédito). ●38. “Através da Itlia e da França” (relato de viagens, inédito). ●39. “Varanda aberto sobre o mundo” (notas sobre países distantes). ●40. “Corpos e almas” (Conto, inédito). 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Clode, Luís Peter, Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses: Sécs. XIX e XX, Funchal, Caixa Económica do Funchal, 1983, p. 82; Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Marino, L., Panorama Literário do Arquipélago da Madeira, vol 2: Nota biobibliográfica: Cardoso, Maria Dulcelinda da Costa de Cabedo [em linha],Funchal, 1986 [Consulta: 19-032019]. Disponível em: https://arquivoabm.madeira.gov.pt/details?id=666245 ; Branco, Alfredo de Freitas, Notas e Comentários para a História Literária da Madeira, III, Funchal, Câmara Municipal do Funchal, 1915-1953: p. 164; Flores, Conceição, Constância Lima Duarte, and Zenóbia Collares Moreira. Dicionário de escritoras portuguesas: das origens à atualidade, Ilha de Sta. Catarina, Ed. Mulheres, 2009, p. 212; VV. AA., “Maria de Cabedo”. In dir. Castro, Zília Osório de; Esteves, João, Dicionário no feminino (séculos XIX-XX). Lisboa: Livros Horizonte, 2005, p. 656. MARIA DUNDAS GRAHAM CALLCOTT (Reino Unido; 1785 —Ibid; 1842) 1. 107 NOTA BIOGRÁFICA. Maria Dundas nasceu em Papcastle (Cockermouth, Cumberland, Reino Unido) a 19 de julho de 1785, filha de George Dundas e de Miss Thomson (ou Thompson). Lady Callcott foi educada numa escola em Manor House em Drayton (Oxford), onde aprendeu latim, francês, italiano, botânica, história, geografia, literatura inglesa, música e pintura. Viajou pela Índia, Europa e América do Sul entre 1808 e 1825. Em 1809, casou-se com Thomas Graham e, em segundas núpcias, com o pintor Augustus Wall Callcott, em 1827. Esteve em várias partes do mundo, especialmente no Brasil onde foi precetora da princesa D. Maria da Glória. Faleceu em The Mall, Kensington Gravel Pits (Reino Unido), a 21 de novembro de 1842. 2. LEGADO DOCUMENTAL. É autora de diários de viagem e de correspondência, que se conservam Biblioteca Nacional do Brasil (Rio de Janeiro) e na Bodleian Library (Reino Unido). Publicou diversos textos sobre as suas viagens, em “Memoirs of the war of the French in Spain” (1816), “Journal of a Residence in India” (1812), “Letters on India, with Etchings and a Map” (1814), “Three Months Passed in the Mountains East of Rome, during the Year 1819, 1820” (1821), “Memoir of the Life of Nicolas Poussin” (1820), “Journal of a Residence in Chile during the Year 1822. And a Voyage from Chile to Brazil in 1823” (1824); “Journal of a Voyage to Brazil, and Residence There, During Part of the Years 1821, 1822, 1823” (1824); “Voyage Of The H.M.S. Blonde To The Sandwich Islands, In The Years 1824-1825” (1826); “A Short History of Spain” (1828); “Description of the chapel of the Annuziata dell'Arena; or Giotto's Chapel in Padua” (1835); “Little Arthur's History of England” (1835); “Histoire de France du petit Louis” (1836); “Essays Towards the History of Painting” (1836); “The Little Bracken-Burners -A Tale; and Little Mary's Four Saturdays” (1841); “A Scripture Herbal” (1842). Por volta de 1821, Lady Callcott esteve na Madeira e na ilha de Tenerife, onde deixou as suas impressões no seu “Journal of a Voyage to Brazil, and Residence There” entre as páginas 77 a 82. A sua impressão sobre a ilha, que já a tinha conhecido doze anos antes da data da entrada no diário, suscitou-lhe um misto de expetativa e de desencanto: “The land is high and rocky, but near the town there is a good deal of verdure, and higher up on the land, extensive woods; a considerable quantity of wine is made there, which, being a little manufactured at Funchal, passes for true Madeira. As usual in Portuguese colonial towns, the church and convent are very conspicuous. When we passed Porto Santo, and the Desertas, and anchored in Funchal roads, I was disappointed at the calmness of my own feelings, looking at these distant islands with as little emotion as if I had passed a headland in the channel. Well do I remember, when I first saw Funchal twelve years ago, the joyous eagerness with which I feasted my eyes upon the first foreign country I had ever approached, the curiosity to see every stone and tree of the new land, which kept my spirits in a kind of happy fever” (p. 78). 3. DA AUTORA. Journal of a Voyage to Brazil And Residence There During Part of the Years 1821, 1822, 1823. London: Longman, Hurst, Rees, Orme, Brown, and Green, 1824 (assinado como Maria Graham). 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. 108 Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055; Mitchell, Rosemary, ‘Callcott, Maria, Lady Callcott (1785-1842)’. Oxford Dictionary of National Biography. Oxford: Oxford University Press, 2004. MARIA ELVIRA GOMES DE LA MATA DINIZ (Funchal; 1900 — Ibid.; 1922) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Elvira de la Mata Diniz nasceu no Funchal a 26 de março de 1900. Era filha de António Augusto Diniz e Maria da Conceição Gomes de la Mata. Esta jovem poetisa fez o curso completo na extinta Escola Normal do Funchal e na Escola do Magistério Primário, que não chegou a concluir por ter falecido muito nova, a 28 de março de 1922. 2. LEGADO DOCUMENTAL. Deixou um livro de versos inédito, um dos quais reproduzido por Luís Marino na sua “Musa Insular” intitulado “Quadras dispersas” (19-05-1920). 3. DA AUTORA. “Quadras dispersas”. In Marino, Luís, Musa Insular, Funchal, Eco do Funchal, 1959, p. 470. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Macedo, L. S. Ascensão de, Da Voz à Pluma. Escritoras e Património Documental de Autoria Feminina de Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde. Guia Biobibliográfico, Ribeira Brava, Edição L. S. Ascensão de Macedo, 2013; acessível via http://hdl.handle.net/10316/44055.htt ps://arquivoabm.madeira.gov.pt/details?id=666416 . MARIA ESPÍRIDA DE JESUS VITERBO DIAS (Guiana; 1899 – Funchal; ?) 1. NOTA BIOGRÁFICA. Nascida na Guiana Inglesa, a 18 de dezembro de 1899, Maria Espírida de Viterbo Dias era filha de Manuel de Jesus Monteiro e de Firmina de Jesus. Casou-se com Júlio Viterbo Dias, docente e redator do jornal “A Esperança” (1914). A sua família pertenceu à Igreja Evangélica, percurso encetado por Robert Reid Kalley (18091888). 2. LEGADO DOCUMENTAL. Marino, no seu “Panorama Literrio”, vol. 3 (p. 99), refere que Maria Espírida Dias colaborou no jornal “O Congresso” e jornais evangélicos e no jornal “A Esperança: órgão católico” (1914), em que o seu esposo foi redator. Igualmente poderão conter textos noutros jornais evangélicos funchalenses, como “Voz da Madeira” (fundado em 1908), “A Madeira Nova” (fundado em 1925) e “Madeira Evangelica” (fundado 1927). 3. DA AUTORA. “Vista retrospectiva”. In “O Congresso”, de 08-12-1928. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Ferreira, JoAnne S., “Madeiran Portuguese Migration to Guyana, St. Vincent, Antigua and Trinidad: A Comparative Overview”. Portuguese Studies Review, 14/2 (2006), p. 63-85; Leite, Rita Mendonça, “imprensa protestante”. In “Aprender Madeira”, 2017, url: http://aprenderamadeira.net/imprensa -protestante; Menezes, Mary Noel, Scenes from the History of the Portuguese in Guyana. London: [s.n.], 1986; Menezes, Mary Noel, “The Madeiran Portuguese Woman Guyanese Society 1830-1930”. In Bridget M. Brereton e Kevin A. Yelvington (Eds.), The Colonial Caribbean Transition: Essays on