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Imigraçao e associativismo : O Caso da Associação de Ucranianos do Algarve

Lichtenberg, Maria de Fátima; González Monteagudo, José

Abstract

Este capítulo inscreve-se no domínio temático do associativismo imigrante e tem como objetivo principal analisar a participação associativa de três imigrantes ucranianos, pertencentes à Associação de Ucranianos do Algarve (AUA). Pretende-se analisar as motivações e os factores estruturais e individuais que levaram ao seu envolvimento associativo bem como compreender o papel que a participação associativa desempenha na vida destes imigrantes, especificamente no que respeita à sua integração na sociedade portuguesa. Os dados foram recolhidos através de três entrevistas semiestruturadas com base em relatos de vida. Os resultados obtidos confirmam que, a convergência entre factores estruturais e individuais influenciam o processo que leva à participação associativa e que o associativismo promove a visibilidade do grupo e a socialização dos imigrantes com a comunidade portuguesa contribuindo para a sua integração social.

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Editores Rosanna Barros António Fragoso INVESTIGAÇÃO EM EDUCAÇÃO SOCIAL Prática e reflexão VOLUME II Investigação em Educação Social – prática e reflexão 3 Este livro INVESTIGAÇÃO EM EDUCAÇÃO SOCIAL - PRÁTICA E REFLEXÃO - VOLUME II, com edição de Rosanna BaRRos e antónio FRagoso, Paginação por Miguel Guerreiro, do Mestrado em Design de Comunicação para Turismo e Cultura, ESEC-UAlg. Setembro 2021 ISBN: 978-989-9023-11-6 Investigação em Educação Social – prática e reflexão 5 ÍNDICE PREFÁCIO Sílvia Azevedo ............................................................................................................................................ 9 BREVE NOTA INTRODUTÓRIA Rosanna Barros & António Fragoso............................................................................................................15 I PARTE – ASPETOS TEÓRICO-CONCEPTUAIS E ÉTICOS DA EDUCAÇÃO SOCIAL 1. CONOCER PARA ACTUAR EN EDUCACIÓN SOCIAL Apuntes teóricos y contextuales en clave pedagógica-social José Antonio Caride ................................................................................................................................. 21 2. INTEGRIDADE PROFISSIONAL E CONHECIMENTO ÉTICO Isabel Baptista .......................................................................................................................................... 37 II PARTE – ASPETOS PRAXIOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO SOCIAL - CASOS EMPÍRICOS NO ÂMBITO DO MESTRADO EM EDUCAÇÃO SOCIAL (2014-2018) 1. Movimentos Sociais Digitais em Portugal: principais resultados de um estudo de caso múltiplo Adriana Sousa .......................................................................................................................................... 47 2. O LUGAR DA EDUCAÇÃO SOCIAL NO COMBATE À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA Estudo exploratório na Associação Portuguesa de Apoio à Vítima Mónica Pereira & Rosanna Barros ............................................................................................................ 63 3. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA – PERCURSOS DE VIDA DE MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA NO CONTEXTO FAMILIAR Nádia Cera & Sandra Valadas................................................................................................................... 83 4. EDUCAÇÃO SOCIAL E DESENVOLVIMENTO LOCAL: QUE CONTRIBUTOS? O Projeto n(d)o Município de Almodôvar Ricardo da Palma António & Joaquim do Arco ...................................................................................... 101 5. O PROCESSO DE TRANSIÇÃO DA VIDA ATIVA PARA A REFORMA O caso do concelho de Lagoa no Algarve Sandra Generoso & António Fragoso .................................................................................................... 117 Investigação em Educação Social – prática e reflexão 6. CARREIRA, QUOTIDIANO E SABERES PROFISSIONAIS DOS CUIDADORES FORMAIS DE ADULTOS E IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS Emília Pedro & Rosanna Barros ............................................................................................................... 133 7. ADULTOS MAIS VELHOS, SERVIÇOS E FAMÍLIA O triângulo mágico? Nilza Macedo & António Fragoso .......................................................................................................... 155 8. IMIGRAÇÃO E ASSOCIATIVISMO O Caso da Associação de Ucranianos do Algarve Maria de Fátima Lichtenberg & José González-Monteagudo ................................................................ 169 9. UMA ABORDAGEM À INTERVENÇÃO PSICOSSOCIAL EM MATÉRIA TUTELAR CÍVEL Isabel Alexandra Gonçalves ................................................................................................................... 185 CONCLUSÃO: REFLEXÕES A PROPÓSITO DA INVESTIGAÇÃO EM EDUCAÇÃO SOCIAL António Fragoso & Rosanna Barros ....................................................................................................... 201 169 IMIGRAÇÃO E ASSOCIATIVISMO O Caso da Associação de Ucranianos do Algarve MARIA DE FÁTIMA REIS REBOLA LICHTENBERG JOSÉ GONZÁLEZ-MONTEAGUDO RESUMO: Este capítulo inscreve-se no domínio temático do associativismo imigrante e tem como objetivo principal analisar a participação associativa de três imigrantes ucranianos, pertencentes à Associação de Ucranianos do Algarve (AUA). Pretende-se analisar as motivações e os factores estruturais e individuais que levaram ao seu envolvimento associativo bem como compreender o papel que a participação associativa desempenha na vida destes imigrantes, especificamente no que respeita à sua integração na sociedade portuguesa. Os dados foram recolhidos através de três entrevistas semiestruturadas com base em relatos de vida. Os resultados obtidos confirmam que, a convergência entre factores estruturais e individuais influenciam o processo que leva à participação associativa e que o associativismo promove a visibilidade do grupo e a socialização dos imigrantes com a comunidade portuguesa contribuindo para a sua integração social. PALAVRAS-CHAVE: Associativismo, imigrantes, capital social, integração. INTRODUÇÃO Nos últimos anos, a migração e a mobilidade têm-se generalizado. A globalização económica, os novos meios de transporte, as tecnologias da informação, as redes sociais, as crescentes desigualdades, os conflitos e as guerras conduziram a fluxos migratórios internacionais que afetaram todos os países do mundo. Migrantes, viajantes e estudantes internacionais estão a dar origem a novas formas de mobilidade e interdependência, ao desenvolvimento de empresas transnacionais, ao aumento da diversidade cultural e a formas recentes de cooperação bilateral, regional e global. Em 2007, as Nações Unidas estimaram que existiam 200 milhões de migrantes internacionais, definidos como pessoas que tinham vivido pelo menos um ano fora do seu país de nascimento. Isto representou cerca de 3% dos 6,5 bilhões de pessoas do mundo (Castles & Miller, 2009, p. 2-7). Esta migração deve ser vista como parte de um fenómeno global, complexo e mutável que implica tanto os que migram como os que recebem migrantes e que transforma as condições sociais e culturais de todos os cidadãos. Esta pesquisa está situada dentro de uma perspetiva intercultural, como garantia de Investigação em Educação Social – prática e reflexão uma adequada inclusão e integração social. Vale a pena especificar em que consiste esta abordagem, a fim de diferenciá-la de outros modelos menos inclusivos. É usual diferenciar três perspetivas teórico-práticas sobre migrações e diversidades: assimilacionismo, multiculturalismo e interculturalismo (Besalú, 2002, p. 64-66). O assimilacionismo considera a diversidade cultural um problema e um obstáculo, que tenta resolver, anulando as diferenças (Costa, 2015). Esta perspetiva concebe a diferença cultural como um deficit. O multiculturalismo é definido com base na prioridade dada ao grupo de pertença, a espacialização das diferenças, o reconhecimento do relativismo cultural e a expressão das diferenças no espaço público (Abdallah-Pretceille, 1999, p. 26-28). Levado ao seu extremo, o multiculturalismo leva à fragmentação social e educacional. O interculturalismo baseia-se no respeito, na igualdade e na tolerância; tem como objetivos “o reconhecimento do pluralismo cultural e o respeito pela identidade de cada cultura; e a construção de uma sociedade plural, mas coesa e democrática” (Besalú, 2002, p. 65). O interculturalismo assume os valores da democracia e da autonomia individual, procura a convergência entre a liberdade pessoal e a lealdade do grupo, promove um mínimo de coesão política e cultural e favorece os processos de mediação cultural (Gimeno, 2001). Portugal tem vindo a desenvolver nas últimas décadas, após a sua adesão à União Europeia em 1986, políticas e planos para o acolhimento, regularização e integração social dos imigrantes que têm recebido elogios internacionais, como destacado em recentes relatórios das Nações Unidas. Estas políticas estão ligadas a aspetos positivos como a igualdade, a tolerância e a fraternidade. As políticas migratórias têm enfatizado a igualdade de direitos e oportunidades, o diálogo intercultural, a intervenção a nível local e a flexibilidade para se adaptar às novas tendências migratórias (Padilla & França, 2016, p. 37-45). Os planos 2007 e 2010 para a integração dos imigrantes foram duas propostas positivas, que favoreceram a inclusão social, educativa e laboral das comunidades imigrantes (Costa, 2016). A complexidade do fenómeno migratório em Portugal torna necessária a adoção de uma abordagem de investigação em três vertentes, que tenha em conta as dimensões estrutural, intermédia e individual (Góis & Marques, 2018). “A política de integração dos imigrantes tem por objetivo promover a coesão social, criando condições para que eles possam se beneficiar de condições sociais, econômicas e culturais semelhantes ou aproximadas às nacionais, ao mesmo tempo em que procura gerar um sentimento de identificação com a comunidade nacional por meio do estabelecimento de laços de união e da partilha de valores e práticas entre todos os residentes de um determinado território” (Costa, 2015, p. 56). O sucesso das políticas de integração tem relação com três atores centrais: o Estado, os grupos e os indivíduos. A integração depende de uma grande variedade de factores, incluindo as políticas de gestão dos fluxos migratórios, o pluralismo existente na sociedade e a proximidade cultural entre imigrantes e nativos (Costa, 2015, 57). O modelo intercultural permite superar tanto o impasse da assimilação como as limitações do multiculturalismo, promovendo a interação e o diálogo entre diferentes culturas. Portanto, o modelo intercultural tem muito a contribuir para promover uma integração autêntica, baseada no respeito pelas identidades culturais e na criação de um espaço público compartilhado e 171 dialogado (Costa, 2015; Besalú, 2002). Neste contexto, a mediação intercultural constitui uma ferramenta fundamental para promover o diálogo, a compreensão, a tolerância, a resolução de conflitos e a convivência pacífica, numa perspetiva de integração dialógica e democrática (Marques, Vieira & Vieira, 2019). Perante esta realidade, a problemática sobre a qual se delineou a investigação centra-se na análise do processo de participação associativa de imigrantes ucranianos, identificando as motivações e os factores estruturais e individuais que levaram ao seu envolvimento associativo bem como compreender o papel que a participação associativa desempenha na sua vida, especificamente no que respeita à sua integração na sociedade portuguesa. A imigração ucraniana para Portugal começou nos últimos anos do século XX e cresceu muito rapidamente. Em 1996, havia apenas 71 ucranianos registados em Portugal. Seis anos mais tarde, em 2002, este número tinha subido para 62.448. Em 2014, os ucranianos constituíram a terceira nacionalidade estrangeira em Portugal, atrás apenas do Brasil e de Cabo Verde (Fonseca & Pereira, 2016, p. 179; Brito, 2014). A comunidade ucraniana em Portugal tem sido objeto de investigação em questões como o trabalho, a habitação, o estatuto legal, a educação, a religião e o acesso aos serviços de saúde (Fonseca & Pereira, 2016, p. 182). Entretanto, uma revisão da literatura parece indicar que o associacionismo não foi estudado. ENQUADRAMENTO METODOLÓGICO Tendo em atenção as questões que orientaram a investigação, analisar o papel da participação associativa na vida dos entrevistados e compreender o processo que conduziu a essa experiência, optou-se por uma pesquisa de natureza qualitativa e orientada pelo paradigma interpretativo, na medida em que se pretende compreender um fenómeno social a partir da perspetiva dos entrevistados (Bogdan & Biklen, 1994). Para isso foi necessário centrar a análise nos seus percursos, numa perspetiva diacrónica desde o início do processo migratório até ao momento atual e dessa forma aceder às suas experiências, à forma como as interpretam e vivenciam. A escolha dos participantes deveu-se ao facto de serem membros fundadores da AUA e ocuparem lugares de direção o que permitia uma reflexão mais aprofundada sobre o percurso associativo vivido. Inicialmente escolheram-se dois participantes (um homem e uma mulher) com trajetórias idênticas dentro da associação de modo a poder comparar os significados que cada uma atribuía às mesmas experiências. No entanto decidiu-se incluir um terceiro participante com uma trajetória diferente dentro da associação por se entender que seria um contributo enriquecedor na medida em que sendo um caso diferenciado poderia trazer dados pertinentes que enriquecessem a investigação. Investigação em Educação Social – prática e reflexão um processo em constante mutação constatou-se que os entrevistados, a nível individual, já incorporaram elementos referentes à identidade portuguesa dos quais se destaca a gastronomia, hábitos de consumo e de lazer, permitindo uma redefinição identitária que leva Natália a dizer que já se sente cidadã farense e por isso meio portuguesa. A existência de diferenças nos valores e nas práticas culturais entre portugueses e ucranianos é referida pelos três, no entanto não revelam dificuldades no plano da interação quotidiana, só Igor, quando questionado se tem amigos portugueses, se refere a essas diferenças como um problema na intensidade das relações que estabelece com os portugueses. Por seu lado, Maria tem as melhores impressões acerca dos portugueses, verificando-se que estabeleceu relações mais profundas de amizade. Para Natália o convívio é feito através do seu trabalho na associação onde conhece portugueses com quem gosta de se relacionar, fala da necessidade de estabelecer pontes e construir relações de reciprocidade com a comunidade portuguesa através de projetos culturais conjuntos para aproximar as duas comunidades evidenciando a busca de um reconhecimento público. Esta necessidade de aceitação por parte da sociedade de acolhimento é importante na medida em que confere liberdade e respeito pela diferença, pois a falta ou recusa de reconhecimento, diz Taylor (1994), podem ser considerados formas de exclusão e de expressão de desigualdades, defendendo o carater dialógico do processo identitário. Por outro lado, nas identidades coletivas, de acordo com Apiah (1994) encontramos representações, quer positivas quer negativas, que têm um carácter seletivo na prática do reconhecimento. Neste sentido ao perguntarmos se a associação permitia sócios de outras nacionalidades a resposta foi positiva, mas nenhum deles concorda com isso o que demonstra que esta não é uma questão consensual dentro da Associação. Se por um lado ela promove a defesa da identidade nacional através de estratégias de exibição identitária de forma a obter reconhecimento, por outro lado essa mesma defesa identitária abrange processos de exclusão dos “outros”, daqueles que não fazem parte da comunidade, produzindo a alteridade de maneira negativa. Tendo em atenção os seus relatos no que diz respeito à manutenção da sua identidade nacional e cultural e ao seu nível de integração social na sociedade portuguesa, perguntou-se se pretendiam regressar definitivamente à Ucrânia. A primeira reação foi um silêncio demorado revelador das dificuldades emocionais e práticas que os imigrantes, com tempo de permanência longo no país de destino enfrentam quando pensam no regresso ao país de origem. Maria e Igor revelam que a estabilidade familiar e a felicidade dos filhos é motivo suficiente para que encarem a vida em Portugal sem prazo. Natália também evoca a necessidade de sustentar e dar uma boa educação aos filhos que vivem na Ucrânia. Apesar dos filhos serem o primeiro factor invocado para permanecerem, eles vão enunciando outros factores que os fazem ficar, como o agravamento da situação política e económica do 179 país e o facto de terem adquirido um novo estilo de vida de que sentem falta quando regressam à sua terra dificultando o regresso. Esta sensação de se repartir entre dois mundos sem pertencer a nenhum é notória na imigração de longa duração. Denys Cuche (1999) atribui este sentimento ao facto de se encontrarem desfasados da evolução cultural do seu país e da sua comunidade e por mais esforços que façam para permanecer fiéis à sua cultura depois de partirem, no regresso aos seus países já não os reconhecem. Talvez por isso a associação seja um espaço que os três entrevistados querem muito preservar pois como diz Maria a Associação “(…) é uma pequena Ucrânia aqui em Portugal”. CONCLUSÃO A problemática sobre a qual se delineou a investigação centra-se na compreensão do processo de participação associativa de imigrantes ucranianos, mediante a análise dos factores que condicionaram o envolvimento na associação e das interações entre a ação individual e o contexto social e político envolvente. Revendo a literatura disponível, Llevot-Calvet e López-Teulón (2018, p. 57) concluem que a participação social e o associativismo dos imigrantes facilitam a integração na sociedade de acolhimento, melhora o envolvimento cívico, contribui para o empoderamento e é um bom meio de satisfazer as necessidades das comunidades imigrantes. Para compreender os processos que levam à prática associativa há que ter em conta as motivações e os recursos que cada um possui que permitam o envolvimento associativo porque de acordo com Verba, Scholzman e Brady (1995) é a convergência das motivações e dos recursos que cada individuo possui que o capacitam para o envolvimento associativo. Vários foram os motivos indicados pelos entrevistados para a sua participação associativa: ajudar a resolver os problemas da comunidade; criar um espaço de encontro e convívio entre os seus membros; promover a imagem positiva do grupo de pertença e conseguir um emprego. Tendo em consideração as motivações que conduziram ao início e continuidade da participação associativa constata-se que existe uma articulação entre motivos mais individualistas pela procura em satisfazer necessidades individuais como ter um espaço de convívio ou acesso a um emprego, e motivos mais altruístas, traduzidos na preocupação em resolver problemas que afetam a comunidade ucraniana. Os motivos invocados estão ligados a características pessoais que não sendo expressas nos seus relatos são facilmente percetíveis, como a consciência da necessidade de esforço individual para o bem-estar coletivo, autoconfiança, disponibilidade para se relacionarem socialmente e convicção para traçar objetivos, sobressaindo assim traços de personalidade que Goleman Investigação em Educação Social – prática e reflexão (1997) atribui à inteligência emocional. Em relação aos recursos, verifica-se que à data da entrada na associação, os entrevistados já possuíam uma situação socioeconómica estável que lhes permitia ter tempo e dinheiro para investir na associação. A influência das instituições políticas e religiosas portuguesas foram determinantes no processo que levou estes imigrantes ao associativismo. Foi com ajuda da igreja católica portuguesa que fundaram a Associação. Ao nível das instituições políticas que influenciaram a continuidade associativa destaca-se o CLAI e a Câmara Municipal de Faro que, em conjunto, promoveram eventos que permitiram o reconhecimento público da Associação e facultaram apoio logístico imprescindível para a vida associativa. A pertença à associação é percecionada como um recurso que potencia a visibilidade pública da comunidade Ucraniana na sociedade portuguesa, principalmente no que respeita à reprodução da sua identidade nacional e cultural. O trabalho associativo promove a cooperação institucional permitindo-lhes um relacionamento mais sustentado e fortalecido com as instituições públicas e a inserção em redes sociais que estabelecem pontes com a comunidade portuguesa promovendo, dessa forma, a sua integração no meio institucional. A participação associativa confere-lhes visibilidade social, não só no seio da própria comunidade mas também na sociedade portuguesa, através dos relacionamentos que promove. Os cargos que ocupam dentro das estruturas organizativas conferem-lhes o estatuto profissional que perderam no processo migratório e são ao mesmo tempo um importante estímulo intelectual o que potencia a sua integração social. A associação sendo um espaço de reprodução da cultura de origem, principalmente pela componente linguística, é também percecionada como um importante refúgio psicossocial que ajuda a ultrapassar o sofrimento causado pelas ruturas e dificuldades de inserção na sociedade portuguesa. Em síntese, salientamos que a convergência entre os factores individuais e factores estruturais influenciaram reciprocamente o processo que levou Natália, Igor e Maria á participação associativa e que essa participação, através das redes e das interações que promove, é uma importante fonte de capital social contribuindo para a sua integração na sociedade portuguesa. Portugal tem tido tradicionalmente uma fraca estrutura participativa e associativa. Neste contexto, é importante investigar os factores que dificultam e promovem a participação e o associativismo, particularmente em relação a grupos em risco de exclusão social e cívica, como os imigrantes (Ribeiro, Neves & Menezes, 2016, p. 839). Por esta razão, é essencial conhecer as perspetivas e experiências dos imigrantes, um objetivo sobre o qual a nossa investigação se centrou. 181 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS Abdallah-Pretceille, M. (1999). L’éducation interculturelle. Paris: PUF. Appiah, K. (1994). 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