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Sermam da quarta dominga da quaresma

Ribeiro, Jerónimo (S.I.)

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SERMAM DA QVARTA !o DOMINGA DA QVARESMA "" PREGOU^ o P.M.IERONTMO RIBEIRO da Companhia de IESTJ. No Collegio de S. Antam,em Lisboa. Anno de 1645. EM COIMBRA. Co/W tnddc l.infiyir/f.ç Anno de M.DG.LXXXVI. cufla de loao Antunes mercador de livros . cr? ■ . i •» ,:Vü >i. \,.M ,#*• iw .r-\ i: 11 ^ x I r . /-r*\ f í ÂTJiA ui /v-x • M:í o^Mia.owr-i.ort i • . o-v/ ■ • • • • . A3 Ví)l .W «tòv?i')..*»uO ■ :,« .. .r.í r . .- - ■ \ ;> *J% •• s : * - -X" '' r> ' .;v,y»hfc «fcol *<0 <AQ i~ l < V<‘ : «tiiv;. '• 'VAM •; »/ .1 v'XXXJ , .-:í ■ . : ti*>• r \ .. ♦ » y. t » ‘ . t' : h*W/iva•,; . 4,V\ vk.mL Cum fubíevajjet ergo occulos lefus , vedifjct quia mdútndo maxima njenlt ad eum 9 dmt ad Pbilipfum: unde ememm panes? Ioann.ó. | E muito obriga o exemplo,maispòde o intercfle: ca f trègallc o Senhor aos màres de Galilea : Abijt trant warc Gáülui : hefeguidodcmuitos., Jetjffcbathteun* muluwdo w^^jnotcm arezam de o feguirí, vtdebant fignafttper his,qHtinfirmabantur;2LCÔipZLnhzòno arriicado;digo arrifcado ao parecer:acompanhaôno amicado;íeguemno por milagroío: moftraflearíifcado nos màres, rocftraííe milagroío nos males ; nam os leva o exempluno riíco; fegucm o interdle nas obras: fe^HehMtur 9 ^uiA vide^ant^g* Delèmbarca.fobe a hum monte,aílentaie p era banquetear aquelia gente. Cum Jcdiflet: no Ceo ler ve em pèjranficns mamjírabit:n% terra ban ^Uetea aílêntado; os banquetes na terra deviaõfer de paíTaB e m , no Ceofer deafiento:com tudo na terra os faz dcaíl'ento,c«w)tf^ fo ino Ceo os faz como de pafiàgem^^^.dizemmeq aqui.defcançoti ^osÀpoftolosj também no Ceo pudera deicançir nos Anjos: ora aqui íe ^ia a pobres;& entam 1 e aflenta,& dcícança Deos, quando vê comer *° pobre;por amor do pobre ie aílcnta,c«w J *diJ]et, poT amor do pobrç fe ^vanta ypropurgcmttHm pattptrts exurgam. O pobre aquicta,o pobre in*' 9uicU a Deos;o pobre dà delcanço, o pobre tira o deícanço a Deos ; na ^ftado,em q virdes o pobre,ncffeachareis a Deos: pera Deos ieafíentar ^oje ncíte montc.fww fedi/Jet\ mandou afl'entar'os pobres :f*ate tllos d if- ^^^í^ílentouíe o Senhor,& mandou lervir pelos Apoftolosjporque COrn o naõ era ainda aqui em ellado dcgloria,houve tãbe por hora de pri v 3r dejla a leu eórpòjícrvir aos homens cm peftoa.he parte de fua gloria; ' ^ftrajflViílq^óis gloriofo no Ceo exercita cfta acção.vniw/íí»; fniniftr,* V////V:a gloria,^ tq lio Ceo,r&o a quiz cõmimicar a teu corpo na-tesngy^ , ‘ ^í-iáserfiodàalfiiáan&õdotaí-natd-raafeuícorpoiviolenciasieriôdo; „° r po o nãofervir no mote aos pobres, pera (bas merecer a gloria dp os Cl vir no outit) mundo,tomou aqui neíte monte a pena de os nao ler vir,, Nvjta o Evangdiltfqquc era próximo o diada Paiiíhda^r^r antemã o Pdfih* ,dia em q lhe aviàode dada morte ^íepondiÇaQdaSçqhqiq â vilU de íiralesjfüalide ojxpor oblequiosa Cpíduh, pi ,U ' ! S , ^PP ^^decmewuspaHeítÔDnác comprarião paó. : untatis cnm\ ^ 0 v andóo,ôc examinandoo, a prova,& exame deSàn&o lic.n^clmolla,^ ^rnjren' cor dia;h*c San&o.quê helmoler;he juíh>,quê hemeíenco rdíp\ ;* m * m "”»?têtou Phillippe;alguns ha, q jàlarlbe em dai hvwefaote» Az 4 4 hc 4 Sermão da Quarta he tentàllos; pera elles hõa pequena elmola , he b wa tentaçaõgrave. Advcrtio Sam Loáo, que ainda que o Senhor tentou a Philippe, lábia o que X avia de fazer: Sciebat quid efet Çafturus, muy certo he Sara Ioaõ era fazer ®* cftas advertências, por parte da leiencia de Chrifto \fcicns, quta venit hora 3* eiurJeiens omuia> ventura, erantfuper eum\fciens y qma a Deo exivit , aqui fcicbatquidejfetfafturut.E advertindo,nosque o Se nhor o labe, tambeinfinua deíi,quelabô,oqueoSsnhorfabe, como companheiro de leus Jegredos Ioaó diz,que o Senhor labia o que avia de fazer;naó diz,que o Senhor fabia o quePhilippe lhe avia de rcíponder: a fíina como o Senhor fabia o que avia de fazer , naõ fabia també o que Philippe lhe avia de refponderf Sim, mas naó fe diz, que o fabe: porque o que o Senhor avia de fazer, era em favor dos pobres 4 , d and olhes efmola ,facite illòsdijcumbere , o. que Philippe avia de rdpõder, era era prejuízo dos pobres,diíficultan* dò a efmola ipaneinonfujficiur.pois dizfe Deoslaber rCioluçoês.que favo^- recé ao pobre,naõ íè diz íâbercõfelhos,que encontrão aopobrejeftesné os quer ouvir nem os queria laber. . Confutou a Philippe,porque rezaõ?ip/c enim Jciebat.Coiuitou a Philip pe, porque o Senhor labiaj parece, que avia de conlukar fe naõ loubeíle, mas confultar porque íãbia. ? Confukou porque labia, olhem a caufa ?ipje tnimfciebat ; Gmconfukaoquehcíábio ,õc porque o he: nao coníukao ignorante porque o hepiaohefo labío,o queda oconlclho mas também ó que opcde.Coníiiltoua Philippe,& André deu o confelho: E(t puer hic unus , cjui habst panes Jed hac <jutd funtinter tanta? que fora do conlchokal vezfedáo melhores confclhos. Philippe,& André peccaraó por cxceíTode virtudcs.Philippe dizia,que dc paó dc duzentos rçaes viria muy pouco a cada h\im.Ducentorum denatiorumpanes nonfuffictunt ut mo» chcum jaisaecipiat: André dezia,que não avia pera tantos Jedhac ejuidjuni inter tantos? Philippe antes a nenhum quer dar, quedara todos poucoj André antes nã >quisdaraalgu,qucdarahustudo,&outrc>s nada: An» dré naõ quizq o Senhor déllepcllo não ver dcGgual nodafj Fhilipe nao qfui^q oSsnhor deHc,pello não ver clcaç o no repartiricrravão.quc melh>r hedaratódospouco,qucatodosnada,6cmelhorhedara alguns,q amenhüs; menos mal he, que pereçam alguns â fome, que pereçam tedós. r Eraõos convidados. dizoEvangclifta, pouco mais, ou menos Imco ifuihjtic milita • como naó diz o numero ao certo/’ Olhe os termoÁjuafiqutn% w *//Mjpoucomais,ou mcnosmaõUbia oSpirito Sacto o nu mero ao ce< to, Sc indiviGvel nccc? qué duvidai* com o o não diz ao certo.Sc i n divifi v clmcté?contará DJos ao certoos lerviços, qnclhcta* zt\i não conta ao certo as merces,q je vos faz.como fc de corado mem°* aosferviç >à>qae as môrccsdegviio diiéurJb h» pouco Tomou gScnn°^ Dominga daQuarefina. y o pão em fua$mãos,deu graças,& diftribuio; Çnmgr*ci4t egiffetjiffribajt deu graças porqdava.nôs damos graças porq recebemos, Tãbé na iníti. cuição do divino Sacraméto deu as graças o Senhor,q od ava, & não os Apoftolos que o reccbiaó: Acctpics cMicègradas cgit\ mais graças deve a ^ eos 0 rico.quado dà ao pobre,q deve o pobre,quãdo recebe dorico.-errx ‘ mayores obrigações vos poz Deos,quãdo vos poz era cftadode dar, do <j quãdo vos poz era occafloés de receber? tomara que o entendereis bem. Manda recolher ofragraentos:- Colligite cftte, (np$raveruntfrAimtta, % que outro Evangelifta chamou relíquias,ôc foraò mais os fragmentos.Sc relíquias, que os paesde que fefizerao; os pacs trazia hum menino, os fra gmentos levarao doze homens; as relíquias, os pouços de Dc os faõ mais , que os voílbs muitos; naó foraõ os fragmentos ,quefobejaraó, mais que de paõ, & naõdo pejxe, efta duvida deixo aos curiofos,como tarabem \ codir o Senhora fome, 6c naõlje dizer, que acodia a fede.Refolveraõfea quclleshomens,queoSenho'reraPropheta,Scque aviadeviraomundo &afazercmnoRcy.Propheta? fim t porquevio ao diante ’ ; colkgite . V**fupcravcrunt , ntpcreant. Guardou cora providencia pera o futuro; ;y' Gor,masPropheta y quehide vlrao mundo, cftin mundumf tile é rajà vindo,ôceomo tal o vião:cra vindo,&prefci\tc o viaõ, mas a* ^avãonojnaõcomopofiuido,mascomoelperado; neftavida,maisfeaR)aobé,j fe efpera,q obc.q fe poflue;a elperança entretc ,a pofle enfafi l,a -Eq te Prophetacõ Rey?conhecéno Propheta,6c queremno Reyia quãto fervia hú Rey propheta,q viíle as cófequécias de í eu governo ao Jj Ia nte;q viífe de.prescte o coraçaó,osanimos r os péçamentos dc fetis la* 0s ialli vena cõ louvores na boca,odios no coração:có palavras dc liíója, Enjoes danadas. fo ^ 0n[l00 Senhor conheceo,que o queriaõ pera Rey, fugio;não fugio t ç ^ entca honra,q iflb, ainda q poucos, algüsofazem;mas fugindo an* ca Co Quicarem, fugio a gloria de a fugir ;itfoiaz Chritlo fomente, Cúm , ÇSc.fftffjt tn mantem ipfe[joltu ; sòChriftofoge agloria de fugir tm° nra i ooutro fezfe conliiltar pera o lugar, dignidadc,ôc prelacia, óc « H *tn i_ c r* _r:._- . _ fuo^ e fcuzaíe,quandy lha oíFbrçcem; fugio a gloria de fugir, 6c n Jl^ahonra, buícou, 6 c afFe&ou honra , não fugindo a gloria de a '* fu S io 0 Senhor do lugar alco, mas achoufc ncllc , f»gu m ^aõ^i 1 ac ^ o u ^ no niontc ! °s que fogem dos lugares altos, eíícs íc ag ar ^ ç ^ c > q fugir do lugaqaltp* í>e correr pera çllc. Quem foge do lu* jUiaisaltead > fica cora a fugida, que com a pofie : fngit in mon • P<‘ V r" d ‘ l lü ^ ü S'°-&uaopeitou;nãosô pella preflu , mas guir iY I t r ar »qucahonra, quer a quem a não quer; onde ha fugir,hà fealetr x a A que [ n fo g e >& quem fcgup; a honra fegue a quem a foge. 11 e ‘ • ** todas as Domingas da Qiiarcfoaa^npu a Igreja determinada matena; íK 6 Sermão da Quarta matéria;a primeira he do iejum,& tentaçuens^á.fegiyida da gloria; a ter¬ ceira da cõfiíTam,a quinta das verdadesjeih hea da efmola, della.me nao hey de fahir,nem do texto.E pera que vejáo quantos myfterios fe conte na letra,nenhum ey dc feguir, dos que expliquei , pera deícobrir outros, perrnosagraça. AVE MARIA. —~ lie univeriães faõosolho$di aquellagente,queoíeguia;como Q: ^ vhnos no bem fazerlno conhe ter temjfeu determinado obje&a; no bem fazer não tem certa esfe¬ ra: entraõeõ liberdade pellos objexbar.âf dos,& esferas dos maislentidos.ÔC íw.27. potências 5 elles entendem., occuli ich.tr .8 Domini dtfiurrunrxWt^ amáo, plajech.zo ktilt o cchIU m eU : ellesíaõ omnipo10 tctcSytithildiffiálc occhLu meu: elies podia levantar os olhos ? Chriíto via do monte,aqueltagente ficava iio vallcjhavia logo pera os ver, an bater,& não levitar os olhos.lílo e ' raõ pobres.ôc necefitados por os olhos nopobre f nucalie abater, içprc he levãtár ose(h os.-q alco^lutrii me q eçniaête objetoheuhu:p.ubr <?;,-q te Deosquando poé osolhos nelle, naó abate.màs levanta osolhos, ; Outra horaeftavao Senhor cm ichtirX perdoao ;pepercu occulns meus xlles falão,5c perguntão, pulpebre, e;us m - hrregjncfiltoshomuumidlçs,, fcnic t omõtecomleusApoftòlbs> d iz Q tangapHpilUm occuli mei icilesou- . texto,que olhando peraellcs.leva^ Vem ypfactiit lermo in peenlir meu. tou os olho)!:Elewtwcultsw dtfcf(\ Fez fua fermofura tãbem quiítos pnlosfuos , dvcebat eas. Se os dilcipU* aeftes olhos,queqs privilegiou pa loslhe ficavaó defrõte.comoie di» ra enti-arem oacificamcnte em as que levanta os olhos a e lies, eleva* jhriídiçoénsdos mais (entidos. De /ú ò&uli :as palavras, qiie fe leguem modòqüóosolhos Divinos íàoch - desfazem a duvida Ái'uhatbeAup^ tendiméto, faó vonrade, i ão omni¬ potência, laõ ouvidos, ião vós, íaõ taéto; pera eonheçer íao somente t>lhos; pera bem fazer, íàõ todas as potências; & fentidos. PoemoSepered\ alia va com elles.comdcóp^ bres, coníidcrovos, como pobres, bemaventurados,diz q fois pobresji porilío levãtou os olhosycomo pe-í ia coulãs altàSjôt.fublicnes:em qual» nhor ftusolhoá neítespbbfes, & q uer fitfb,q vosfiqueopobreídenf neccflitadòs, qodeguiaõ, &. logó pre vos fica obje&o alto.ôí eminc-; nos olhos íc lhe vi >todo oentédite ;vòs olhais pera opobrecódef'- mento, toda a vontade, toda a ©iprezo, 8í Deos olha pera o pobre* fencordia,toda a omnipotência; os có refpeito, creíce ò pobre nos v* 'ol iVos conhece ram,os olh'o£ íeupi * 1 hoéd tocos 1 ,djmihuè ivas Vift d» doj cdaraò;os olhos pcigarhraÓaPhihomem:quèliéeralidadedéólhoír 1 n.. j_ maligtírdadedé |ví (M ob bfc*f lippe;.i viítadòsólhosle muitipliquem; cou o pãot u d o ifto naceo dc hú m levantardeolhos, cumjubievAjJcs • ecculjr. ; levantou os olhos pera ver Ukfdaõjou avarentos iaó o pobre tem a grandeza^ 3 oS lhos de Deos lha daõj. 1 ^ lÜa J dnn:nn avarrnfos (aoOSíVoi 0 ' qi>c *qué Ihy.negão-ou limitados’, q lha •ftaó podem ,'dar ; fe o pobre a tem, verdadeiros-fa'õ os olhos de Deos, qlhavemifaliòs, ou cnvejofos os voílbsjq lha naóconhecé: os olhos divinos podem fazer graça,porque pede ver nácoufa a perfeição, que naõ tinha ; nofibs*olhos, quando : m tfitobon$ ysó pôdefti fazer juftiça,porq sò pòdem conhecer no ob je&oasperfeiço5s,qucterr). Naó quero feguir efte intento,qfe alte» aõ de vifta htms olhos,que lèpoera no pobre, que por os olhos 'no po¬ bre,he pôr os olhosno Ceo; figo o cõtrario,que pôr olhos no Ceo, he pôr olhos no pobre, ou que por os olhos em Deos,he pôr os olhos no Aquecia da vifta de Deos; os olhòs, 9ueattenEa5, ; ÔCadvirtem a Deos, Por confequècia, vaó logobuícar, demandar o pobre. Levantou ”9Íe oSenhop os olhos a feu Pa-, oíèntido comum daquellas P a Javras: Cum fublcvtffct oculos^uç kfeguictfdeu logo com clles em os P°orcs, & vicUjfct , <jt*U multttudo adetim . Deos vifto ^pg^&neceflita a vero pobre. , fe& a í a . va °Seiíh.or por lerichô,. n Süiaõ innumeravel gentc.eftàva j c *minho hum çego,que oivin* Jí^rondo.de tanta gente y e ‘*m r 0 a " e ttHy b*v* prAterentitem , intcrfi/fcà perguntou q ftit ^ U il^*^ 9 uatc ^ a n atureza de* lhft Ul ° a * aCc ll'gencia dos o* fid a !s tant0lhc «tibttituio dc curió* íern C nos ou . v i dos; como íc tcílaf- ^ *os ouvidos luas poílcs os o- 'Domingtt da Gjuarcfma. lhos,& por morte dos olhos enrral fem na herança.os ouvido-: relpon deraóá pergunta do cego, qerao Senhor que paliava,?#^ Jejus NanaretiHs traufacty que paflava IESUS Nazareno. Comoaffimfpalfa infinita gente,coraoomeímo çe go {ente,ÔC ouve y eumaudijJet inrba pr&tcreuntemfc dizélhc íòrnente,q pafla Chrifto? quod Jejus Nazxrcnustranfirct? Refpondo,que hw a* quella géte taõ enlevada en Chi ifto,taô embebida em fua preiença, taópendentedefuavifta,, qadvirtindo tqdosa Chrifto,nenhum da-* va fè do outroia mageftade, & íermoíura do Senhor o ccupava a ca** daqualtodo ofentido: he muito verdadeira a repofta ,mas, padece efta inftãcia, fehiapwrn ablòrtos; em Chrifto; q cada qual, ad virtindo a Chrifto, naó dava fè dos com panheiros,pcra os ver comodnõfè do çego.q efta va no caminho,per a lhe reipõder;notem,tf>v*í mendicus , efte cego era pobre, ÔC mendigo; pois quanto mais advirtiaô a Chri¬ fto, tanto mais davão fè do pobre: a vifta do pobre era confequencia forçoíã da vifta de Chrifto; a vifta de Deos, quanto mais nos occupa osfentidos pera fy , tanto rnais nolos deiocupa pera o pobre ; a m uiva attençaó a Chrifto,tirava 05 . íenti* dos nos companheiros, mas accrefcentava a advertência ao pobre; hi aócmapertoens,& naó davaó fè hiudos outros* porq hiaõ abioi tos. cm Chrifto mas porque abfortos cm Chrifto,davaómayor fè do po brc ; Dcosviftofazhúa confcqucn NJ rr 3 Semfto da Quarta c.a rrccfiaria pera fe ver o pobre: £ggrayeis,parq feui Anjos cftãoyÉ >>. jKbltvajjet occuloS) vtdtjjst, do a face de meu Pay :que rezão he ^itlxmdo maxirxa venit <*d m, citar 1 quer dizer,^ feus Anjos atten . puzeites os olhos em Deos, taó,6c olhaõ pellos pobres, o jpyk ,a d.» h i não vaõ livres, mas necefíiterio eítà no modo de o dizer, pori..n . demandãoo pobre ;naó íaõ q feus Anjos vé a face de meu Pay, í orças,<j ha jalQO pobre, mas violen o mefrao he dizer, ierò Anjos vèm cias amoroías, q nos faz Deos, a lia face de meu Pay, que dizer, feus berdadede vero pobre eíteve maAnjos vcm,& attentaõ aos pobres: is atras na liberdade dc ver a Dcos; logo os pobres vemíe na facc (dc podids naõ olhar ao pobpe, porq Dcodogo Deos reprefenta ao popodieis naõ attender a Dcos ; mas bre,& a tace de Deos hc hüaj repre como cihaftesaDeos,jà mó pode ientaçaõ dos pobres,& parece, q q is naó advertir ao pobre ; he huma texto prelénte nos enfina efte íèn - corno í nlalliveiiyn&pathia , que as tido,porqae não diz, 1 q vedoChriviítasde hum excitem conheciítooPàynoCeo,dahi veyodemã mcniosdo outro. dar os pobres na terra; mas que faE que rezão hà pera q à viíla do ce do Pay viíta,ahi meftno fem depobreíejadedução,&coníequenclmar olhos,vio os pebrc$:Q*w/*- ciada viíta de Deos/he a rezão.por blcvajfet occhíos^J vtdtj]et,qHÍd rnfik q Deos reprefenta o pobre, Deos titnda mAxtmnvenit ndcum. ;* hehuma reprefentaçáo do pobre, He hüa paga mutua, hehüacof & quem ve a repreiêntaçaõ, hã de . refpondôcia reciproca,entre Deos neccüidadever,o quenelía fere- & entre o pobre: o pobre na terrá preienta. Que o p bre reprdéte a reprefenta a Deos t fttaduni tXfftu Deos, fim: mas q Deos reprefeté o mtnimtt fcci/iisjmhtfeciftu, acfnáol pobrertamòem : vejãodóde o tiro la, diz o Senhor,qucídais ao pobre, av iza o Senhor a todos, q nenhü fè a mim a dais, cu ,a tomo pella mão jatam atrevido.q lhe faça aggravo do pobre;eftà Dcos no pobre ,ncaalgü dos pequenos; f^iUeu neconceífitandocóo'pobrc; ella reccbc* • 1 iemndtis uriuht cxpofilUi iftis, não ie do com o pobre. Sacfantccduícno entendemfalguns o dizemjpeque paõ,pcra vos íubítetar a vòsiíaÇf'» 1, nos no corpofoc idade, que íaõroimentaíèno pobre pera otubíten* ni nos,más pequenos na condição, tar a elle: há efladiftcrcnça de ^ lU ou lortüna,q laô cs pobres; naó hc a outro Sacramento; q no da Eu * o mi nino, mas opobre òbjedtoarchariftia,a (utóhncia,6c realidades nicadoadeíprezo; Sc dá a rezão pe faó de Chriíto, ás rçprctènraçoens ra os naó aggitòvaré;porq feus An- & acci dentes dc paõ: jno da pobre* jos^di/' Jhió vcndoafaccdemeu za,osaccidcntcs,& r cprelcntaÇ ocS Pa v.- dbgeli cvrü(èmper videmfact • ÍÃÔ de Chriíto;as realidades,& lu cr> t.uffi mtt , jui cjt m ca/u: não os ítancia do pobre; q amou (tanto o Dominga àc pobre, q delle não quiz q nefte Sacramcco fe perdefíe a íubftancia,fefaltavãoosaccidentes. Emfimcon tem o p jbre nefta vida em fy aDecs,repreíenta na terra aDeosopobre:em correfpondeneia rcprelènta Deos no Ceo ao pobre,na face de Deos,como em eípelt;o,fe vè ao pobrejcànp efpelhovedesorófto, la no rofto de Deos eis de ver o po¬ bre,o rofto de Deos he hii efpelho do pobre: Angeli eoru fempcr vtdcnt factem P atris w«:trazei nos olho*,a quem Deos traz na, face:q prefumi dos íèrão huns olhçs, que defprézé ter,a quem bü rofto divino aftefta repreientar. Eíê ter os olhos em Deos,hc por os olhos porconfequencia nopobre^ti raros olhos de Deos; fera cm conlequenda tirar os olhos doj?ohre tenho rezão, ôc tenho prova:a r ezã j he, pórq dps contrarios(diz 0 Phdolopho ) he a mefma rezão: porosolhosem Dcos,heporo$oIhos no pobre logotiraros olhosde * freos, íeratiraros olhos do pobre: * prova tenho daqtislle tètf to de S. ■ ^uens:bradava o mendigo de JcriCho :lcfa fili David tf)t[ercrcmei\%- Cr efenraítí,7^' prdtibaut increpabatu f*#»:osqnc hiãodianrc rcprchendi Uo >6c desfa voreciin opr)brc;défgra Çfgrandefera, que os grandes ,o P r ‘ncipcs,os que vão diante, os que Ptcccdem nas dignidad.es, <jHÍpr£ique mais os podião favoreb ClT>, (? s q u c c omé á conta dos po- . 1Cs -cc do que hc dos pobres, que °s Principcs Ecclelialticos ef4 s ®s vexem , os cftoivcin de t Qiiarcfnia. 9 | Chrifto,efies os dêsfavoreção ir.a is J| A rneu intento: diz o texto, q os q ] hião diante de Criftopeprthédião -j & desfavorecião o pobre, não os q § virihãcmràs: notem a diífeiéciaos f que hião diante de Criftodavãoas coftas a Chrifto, le vavão ascoftas em ClirifrDjosqvinhão atras,leva vão os olhos em Chrifto qué levar os olhos era Chrifto,náotiraosoj lhos do pobre, aflim como os não tira deChrifto; quem dà as coitas a Chnfto.leva os olhosforadeChri fto,poishà[tambem de levalos fora do pobre, Não olha pera o pobre, quem não olha pera Chrifto • qué tira os olhos de Chrifto, heforçi tire os olhos do pobre: quivr&ibani mcrepAbanr^os que levavãoosolhos £jUC, fora de Chrifto, efies reprehédião o pobre, efies nãopühão feus olhos nelle:masquem os leva em Deos* efie os poem, & leva no pobre: CU Jubíevajfet ocufos& vidijje^^uta mal íitudo mnximx venit ad eu Levan tou Crifto os olhos ao Pay 6c logo * deu com eíles nos pobres: Et dixit ad Philippam vnde ementas pane> E pôde ler q cfta feria a rczã.inda q adiante anãoíiguojporq hojeoSenhor cõftilta mais a Philippe, que aos outros;ddejou elle,entre os ou tros,ver afaçe de DccSyofhdenebts pAtrem & /w#7c/f,pois tflho$,q bufi cavaóa Dcoj, avião tãbemdubuft ar cr pobre; feria l é vifto o pobre dc quem dcíejava ver a Deos. Não cfperou o Senhor,qcites ncccííitados lhe pedftlc o fotorro, cllc tevccuydado dcacodir: dtxit Philipptim: vnde ememutparet\ x B Naó i â Sermão da Quarta unidas como duas mã >s ,c > nunU rendahcalivio jondeacafahcprí-’ qué Ieusíegredos. ? acópaohã >(enos caminhos,nãole leparão na habitaçi^.hã aíe de dividir no íegred >?b e paucacorçfâançada mãoefqucrdá; he muita cautela nadireitàáod >s os maisíegredos comunique,os daefi mola nãojdcòda a direita à efquerdaaeímola,qfazpera maior lucro dopòbre; ião modos de dobrar, Sc multiplicar aeímola ,fe a mãoefquerda foubera.qa direita deu efmoía, derale oordelobrigadadc a dar,pois náo íaiba, peraq adotfábé quer Deos q a mão direita dèhiu efinola,&que aefquerda façaoutra.lão ardz, 8t invençõesq Deos ufa pera negociar pera o pobre tnul ciplicadas efmolas, vailho mu ltipli tãdo pelas (nãos.Sc vôs muito enfa¬ dado fe o pobre tal vez vos levou duas eímoIas ; Sc faz grandes dtligen cias oP]*eladonodardaeímoIa,pe ra q aconteça levar o mef no po* breduasclmolas, prendendoono pateotreshoras,tèfe acabar a eimola : prende o Prelad a o pobre humamanhãa peralhedar hú real de cobre, cntretãto ganhava elle tres, mal acó Jicionada efm olla,po¬ is íc dà c5 c ondiçoés de priz iõ j.pcra ííiir ó pobre da milena,primeiro ha de entrar em carccre, pera o li. berrar de hü laífliç iõ , aveis de fogeitalloaoutrajSc ve o pobreafair dallimaiscóntentecó lua foltura, q pagocõ outra clmola: avarenta redeçao, onde o reígatc de hú \ pcna,he có obfigaç.iõ,& cativeiro de outra-, p erniciofi troca,em q fe a pc m, Stic encarcera a peflba! ande a zaõ.Vòs digo muito en fadado co o pobre vos enganar,Sc levar duas ef molas.ôc Deosate&a enganarvos ou deícudarvos a mão ciquerda, mandando â direita, q lhe naódiga a elmola que deu, pera a efquerda daràíegunda. Accreícento,q aveis de dar ao pobre o q tendes & o q naõ tendes, o que naõ tendes? fim, aqui deu o Senhor o q avia,q eraô os finco pacs,Sc dous peixes, Sc o q naô avia, multiplicandotudo.A hum rcàcebo defejopj de íeguir ao Senhor, manda elle,q vã prim eiro vender tudo o que tem ,<k o que tirar da venda,d é aos pobres, F ade, & ven¬ de omnta , (Jhhí babes , & da pauperr £«qSenhor peraq faõ eítas vendas Sc compras. ? ha de dar o dinheiro aos pobres, và logo dar aspofles,as riquezas,os bens.as herdades, as alfayas,có que le acha aos pobres, pe¬ ra o primeiro vender a ricos,Sc em tãodar o dinheiro aos pobres? He gaitar tempo.dê logo tudo có q de pi denteie acha aos pobres, & lo¬ go vos f iguajnotem,quem vende ganha na venda, multiplica ,& aCcrefcenta o que tinha; vende 0 q M C comprou pormaisdot] òcóprou; pois vendei, diz o Senhor, pera dar ap pobre pera que lhe deis illb,que tendes multiplicado; aveis deem ao pobre,naõ sô os bens dafottuna que tendes.mascom os da fortuna, querendcs.osdáinduítriíijquenegoceardes:aveis de darlhe vollos bens accreíccntados, Sc multiphc* dus:cm fim o q tendes, & oí l ”^ Z>uc. . ‘ /-/A Dominga da Quarefma. 19 fendes. Pera ofeguirem a cllesó chegou muito ao lÓge,& nnóchc H «t.B, manda largar bcns,<p* mn renmct - at Qimibusrftifi poffidet , »<?» poteft me m ejfe dijeiputus , pera dar a pobres manda vender , vende bens: por amor de Chrillo baila renunciaçaó debensjpor amor do pobre, ha de , aver venda de bensjquáto a Chrilto,baila pela renunciaçaó deixar o q tendes, pera o pobre aveis pcila vendaaequirir o qnaõ tendes. Pe¬ dira hü mancebo, quedefejavafeguir a Chrillo, licença pera ir pri¬ meiro dar fcpulturaa o pay, o Shor a naõ deu://«<? mortuos feplire morttt - os/mrfi guir a Chrillo toda aprefi fa,he o q mais importa.Senhor,fe o feguirvos a toda a preflà, he o que mais im porta; mandai dar os bens • aos pobres q fe faz mais deprefia,Sc gou ao perto; chegou ao longe: çií. jhblev<*(fet occulos , ate onde íe efeen deraó os olhosdivinos^tè os derra dciro$'qeílavão naquclles milhares;ha vofíã efmola dc chegar ao 16 ge.naõ sò ao pobre que vola pede à voíTa porta,mas ao pobre, q nccef- # fita em lua caía.Prelado,avtis de fa zer efmola,naõsóa voílas ovelhas, masàsalheas,naó sóacs davoífa, mas aos da Piccefi alheados eflranhos;vcde,eílédei os olhos ao lon¬ ge. Aquelledinheiro ,q Judas lan¬ çou no T éplo, não fe guardou, ré enthelòurou;mas tomoufe reíoluçaõ em confelho,q le cõpraflc delle hu campo pera enterro de pere¬ grinos, m JèpultHram peregrinoruwy & deule a razaõ em coníelhoj, quia M naó vender primeiro a ricos, ôc def pretiumfanguinis efi, porque hc pre pois dar aos pobres, que le executa ço do fanguede Chrillo; divina rc Vi? rr.ais de vagar. Sofi e Deosdeteças 4 m leu feguiméto, tê redundarem In proveito, & acreícetaméco dos pobresiobrade milencordia exerci tada com o proprio Pay , q detem, & retarda de Clirillo ,*naóa íofre: foie mortno$:o bra de miíericordia c xcrcitada có o pobre,q detem ,Ôc r etarda de Chrillo, naõ só afolre, Mas a ronfelha; nc sò acõlelha, mas Marulaa: vade vende, d.i t CS(eejucre **‘»ppr todas as vias quer Deos , Sc P r "cur.i,ie accrdccntc,creça, 8c le Multiplique a efmola a icus pobres , ncíta eimola,^ o Senhor h^je fcz.hu i cí ufa,q parece qcon1 a dÍ 2 1 1 ibe; alidade do Senhor, &C ? u l tit heaç; ódo puõj pa» ecc q cm ^Met.nafc conttaiia Ufa eíuiuii'» zão;di vi no cõfelho;ainda q dç Pha rileuslentendetaó.queopreço do langue de Chrillo naõleenrhdbu HBHHRÉÉ efra, que ha de abranger també í tranhos,5c peregrinos. Pieladoda Igreja,Ecclefiaílicos3eneficiad s voílas rendas faõprcç > do lãngue de Chrillo,laõ patnmonio lèu;pre ço de langue de Chnfto naõ fe enthcfoura,«o«//e« ets tmucrein c . rbonam t ejuÍA prctiü fang f ;imt cft. A y de vós Prelado, q ha tantrs ann. s cnthdc uraisperacompiar mayor Bifp?do,pei a negociai hú Capcllo . perafazerdesjo mòrgado aolobii- •nho.pera dutar afobnnha, pera cn grollardes a cala de voifo p ay, pera edificar grãdcs palaci ('S,qiM.toS,ca Ias de icacaçaõ,n.ió c^nhecus a C z na» •J; 20 Sermão da Quarta mturezadefteprcço, Sí dinheiro; ante:»-? pereant, olhai o fim .pcrácj he prcço'do langue de Chníío,he não perecemos os pobres; pera ou- ’ | patrimônio leu, tirado des pobres, tra occafiãó ;pera fegunda efmola: peraotornardesaospobres;(etenguardai vóa,& entheíourai, pera desfatisfeitojaaos voílbs,ainda naõ pobre có efte fim, ne pereant pera cõve lazer thefcü ro, acedi aos e itra lhe acudir nafotrje.ôcneceífidade J. nhos,aos peregrinos,*;; fepHltarãpe* ;1 • ‘regrilioxHm 9 quta pretium fangmms \ f/lSabeis oqeftaisenthdburãdò? & d - S.Bernardo o diíl e.Chrijh ojprobà f afparaflagclla.cUvosfinceam, Cf a sem , &'-mèrtcn* , hao o mm a in forna Ú cem a v.iriiit GonfUnt . protinm uni •verÇti titis fais marfdpij inclüderefeJH »4«r:enthefourais afrontas,os efcar neos,os á‘çoutes,os dpi nhos,os craí? vos.aCruz.amorredel&SVChri fto.-entheíüurais pera voííaavarezao preço do mundo todo.Pouco ! reteve ludas o preço do fangue de Chriftor raasellã breve retenção lhe rendeo hum bara ço.PecunUIu- ■ 0 » dam ad lacjueitcompHlermr^Qpãdh P a breve retenção baftou pera opor m forca,como a ladrãoitodos efte s fão Iadroens,S>C facrilegos;8c vôsq enthefourais os veftidos,Standao pobredelpido, vôs q enthefourais os mãtjmcntoSjÔc anda o pobre faminto;quãdo menos o cudais,a tra çavos deftruio os vdlidos, a cor¬ rupção ^ vos entrou com os mantinventos;deígtaciado,& mal aconle lhado homem,que nem fizefte the louro noCeo.nem o fizdte na ter- •ra, porque entregaftes eífes bens à cori úoçuo.-nê no Ceo/porq os não dep ditafte nas mãos dos pobres,* Dizeifne, que també m o Senhor h^jemãiou guardar, Sc entheiòti'. h\\\c9l’£in \he vcrdade,lede pordiôc entheíourai quanto quilerde;. Chegando efta efmola aol óge, não chegou como dizia, ao perto; chegou aos eftranhos, não chegou aos Apoftolos;não lemos,q osApo ftol os comeflé, pois tãtotinhaõjejuado,comoastur'6as;tantoacomo , ‘ panhado a Chrifto;ccmo logoban queteãdo as turbas,não banquetea os Apoftolos? comoapacentãio a. cft i ãhos,não da de comer aos feus? Poí q os Apoftolos ficavão, as tur¬ bas hrãofe, não neoefíitavão logo os Apoftolos de fubftéto, as turbas fim;declai?ome: o Senhor miofubftentou eftes homens por fome q padecelíem em lua vifta.ôc prefença, íertáo pola fome, qne avião de padecer naauíênria;do Texto âÊ outro Oangelifta no meímomilagrc: St dimijero eo$ iefunos in àomn (uam^defent m via\ fe os mãdar Icfll comer, hão dcdesfalecernocami nho má > diz ,qpercccrão àfome, feostroixercôfigo,fcnãô fe os lar garde íydogo efte banquete foy acodir à fome,que avião de padecer nadeípedida ,& au lenda, ÔCnãoà fome ,q padeceílem na vifta, 6c |ore lença;efte banquute foy preveção ms a u ledas, não necemdade napre lençn: não foy remedio,foi prefervação.náo foircnediodefome q padeceílem na prefenç mas preJcrvação da forne, que haviaó de. pkdeccr na aufènda. Taesfão os •ienti mentos de huaaufettcia ,que melhor íè lhe acode napreíervação,doquefe curamno remedio, Os íantbs'Apoííülosficaviio na vi Tta,fccna prefeíiça,não neceííiravaologo defabltento.quc na viita, St preiehçá do Senhor «ao le fenre . forne na aafencia, fim. São asdifterençasdas viftas da humana, & di¬ vina fermofnra,porqle ambas di- • vertem o fubfféto à vida; a huma¬ na o faZ,perq repetida caufa faftio; a divina,porq cõtinuado tira a fome Aiè agora falei da efmola quan¬ to deu lugar o Texto Evangélico; duas rezoens vos proponho de fo< Dominga da Gfruareftna. valhame eíle pobre Lazaro ;por Lizaro me valei; noIuizo he valia o Sacramento;no Inferno tomafe por valia o pobre; he verdade, que ner.hüaaproveitou, nem valcono Inferno o pobre, nem valco no luizoo Sacramento j mas valeria no Iiiizo o pobre', ãonde não valeoo Sacra mento;4e aíTicomono Iuizo so réprobos tiiflerão.valhanos o Sa cramento, que tomamos; diflerão, valhanosopobre,que íocorremos revogàrate ,< omnãofe dor a contra ellesaièrttençaja perdição efteve, efurivi t { $ non <ta&/?M:cornungai ão. & condenarãoíe: falvai ãole, fe dc - rão efmola: o Sacratcèto recebido 'Ta parte,q vos hãe de obrigar a dar não argue infalivelmente a falvaCfmbJâtfao.a valia (pedes no pobre ção;perderãofe também ,cs que re o feiefecimét o q tirais da efmolà. ceberãoocorpo,6í fanguedeChri Não ha valia como hü pobre ,não fto;opobre íocorrido argueinfalihamerecimento,como o d ecimovelmentea íalvação,falvãoieosq fer:não ha valia como dc hü pobre locorrerão ao pobrera efmola infogtãde valia hc pera Dcos o Divino livelmere ncgocea a lalvação.os Sacra meto maior valia pareceo o quea nãoderão,perderáoíe;//* ma pobre, leal legardes qüc recebe ftes ledictinon dedifhsos que a derão °Sacramento;não lereis tão ouviíalvarão fc.Penitc beneditti , e[urivi , ^°>comofeallegardes,quefocorre {J dediftts, ^eso pobre:mil razoensallegarão Dai efmola pola valia da pobreultimo osrepfobos; ultimaza,dai eímolapclo merecimento jjj^nte le vaíero do divino Sacra- , .^nto: tnanducavimtis coram te,Ç$ * bt n>nf Senhor, nòs comelr) sà voflã meíà,nõs comemos vo °corpo',nòs bebemos voífolãn- ^ Uc jValhanos Voflb corpo Sc .voflb :'ir |gue;íejanosbom oriivino Sacra |v» v/v^lll UUI VilIU Uilv+l i* dn f°- v venCa gens|, ò excellcns d a valia de hum pobre. Eftà avarento no Inferno, & brada, - l tte LawfMm : Pay Abrahatq : daeíinolarqparece infinito: P eec»r ta tua , diz o Texto fagrado:e/<w»oDan.^ fmis redime: reígàtai,remi,vòflbspe ccadoscoma elraola:duai redemp çoens ha logo, & dous redempto¬ res de peccactaduas redepçoens, hüa he a Paixão de Ohrifto; òojtra a elmola; dous redemptores ,hurn Chrifto, outro o clmoler; pera re¬ mir, 8c rcígatnrdc peccad»,hamifter merecitncto infinito,redepção he Sermão da Quarta . J . . 1 he húi copra dejuftiça rigurofa , o peccado he offéça infinita,* acçaó, • | ÓCpefiba q ou verde remir delle, ha de ler infinita,q Chriílo, ÔC acçoés de Chriílo, qremitaõ dopeccado, fejaò mfi. atas, naõ temos duvida, mas qa cfmolaíèja de infinito valorq as acçoés de hu efmolcr fejiõ de infinito preço? As acções de te, *; J de eiperãça.deamor naó saõ de in¬ finito preç >,aelmolafim?0 fiel,o q eípera,oqamaa Deos, ! n aó he de dignidade infinita,’o elmolcr, & efmolafioFa e l m o lafim; porq leoq dá a efinola he peííba finita, o q a i c cebe hc pefiba infinitaras acções de Chriílo eraõ infinitos; d a parte da pefiba donde íahião,q ei a Chriílo, pefiba infinita, naõ da par te da pef1 foaa quê,ou posqué íe fazvaõ, q hc o homé, pefiba finita;a tfinojii lahe de pefiba finitaq he o hon.é , rece¬ be a pefibainfimta ,q he Chriílo: Wattsif. miht ^///íjdogoinfinita hc a redé çaõ do elmo ler,como o he a reden çaó de Chri llojco e fia difteréça. q a dcChrifto hc da pefiba dóde lahe a do elmpler da pefiba, q a recebe. là naõ duvido,q he maior o mere cimétodaefmola.qo da pobreza,o daefmolaqlefaz,doqodapqbreza q lepadece doq he eihnoler,q io iM.ittb.ç, qvivepobre:fallãdooSn -rd ;spo * bres,diz :BeanpnHperet Jpmtx^uoui aipfcri* e jl regnit cdoru. ,béaveturados os pobres,perq iie leu oRey no do Ccoiporé n > ultimo dia. quu o ■ vay adar oCeo,dao ao efm. ler^r Azatt.ZJ. cipitc regrem efitnvi enim, -Jàe/Ujits mibiwc a fir <£ nefta vida deu oCco , aospobres,no üiaukimodaoaoel-’ moler. V ejaó a difiereça; o q o Se¬ nhor deu ncítavidaem quantojeà andou,tudo foi dc milèricordia;todas foraó datas de mifericordia, q c ra o lépo della.-o q dá no dia ultimo dao dc juíliça,todas faõ datas de ju- ' ítiça: ieu na vida mortal em quãto cà andou, o Ceo aos pobres, pois deulhe de mifericordia jdao nodia. doluizoaos efmoleres.poisdaode julliçajopobrelevaoCeode mife ricordiajo efmolcr leva oCeode ju ítiçadogo milhor o merece o efm° lev,q o pobre,ao pobre dafie, ao ri¬ co dcvcíe;nc só feargue fer maior o mercçimõto do efmoler, q o do po bre,pda maior obrigaçaõ com q fe lhe dá o primeiro:mas pelo differc te pnodo dç o gozar.-o pobrecfià no Ceo,do modo,qo Filho de Deos eíti>, o elmoler eilà no Geo do mo do q o Pad. e Eterno eftà.A gloria do FÍlho heeítar no feio do Padre: nmçsnitut Filius ejtu c(i m ftn» P^tris'. 1 a gi iria do Pay he ter o Filho é. leu feio:o pobre goza fua gloria no feip doefniolergolàfua gloria tendo o pobre enqfeu [i:\o\Vultt A’or ah ae lo . ge y ( j L.ÍZ.MHtn finit llâ XjW*.’ ro pobre no Paraizo no feio dc A" braliá elmoler^ éfià Abraliá ef m°" ler no Parailb có o pobre Cazaro c leu !C» >;demantira,ej gqu da divina cii’cuminícflaõ,q ha entre i Pa.y^ Fiiho eaiccrtouiodo,ha entre o d s moler.&o pubi c lá noCeo:ainda q he igual a gloriado Fdh< â*do Pay có tudo té o Pay a excclléc> ;l « c Filho no leu feiopê o etnu ler a t ecl iccia de cóter o p ;brc no leu, c pudera aver deíigualdadc cn j l C - a • - ; , Dominga da Ghmrefma. 23 . gloria do Pai,èa do Filho,ifora ma nao aflicõtraoq furta ao pobre, q ioradoPay,qcóànhajem ieu feio fuccedesêlcréçi na morte, vclhea oFilho:pôdeaver defigualdadeen * morte como por hei ãça :Ftlius mor tre a gloria do eí moler,ôcdo pobre m<r/?:heherdejro foi çado da mor • * tc.Oq naódàao pobrehc reo dc arctf j t> q furta ao pob re he filho pois hc maior agloria do cfwoler , q • cõ:é em fcu leio o pobré, tfLafaru in tini* cjt:s. O Pay he fonte,& origé de toda a gloria do Filho: oefinoler hc fótc & origé de toda a gloria do pobre. Rico lede efmoler, & nã envejeisomerccimétodopobreio mereciinéto do pobre he no fofriméto,& paeiécia do mal,o do elmo *ler hc na' charidade, & comunica¬ ção do bem.. Viftesas obrigaçóes;vi{les osintereíles da cfmola;era qué naõ iatif fiizaeftasobrigaçcés taó precitas; naõ a tinta,qué perde eftes interefmort da morte.Téde 0 coraçaô naquclle,enrj qué Deos emprega os olhos, frcõtal ddvello,que et» fcu favor não exercita sò officio de olhos, mas entrão nasjurifdiçócs dos ma¬ is fentidos, alteaõ de v iíta vofibsolhosfeíep 6no pobre ;q té Deos levanta os lcus,q üãdo os firm a nclle:ad verti a Deos,q logo attédereis ao pobre;tal he a fy mpathia de hüa 6t outra vifta:elpretai anecefiidade,naõ efpcreis petição, q milhores íaó nefla parte immunidadvs de mi fes taó evidétes;mas naõ iaô os peio fericordiofo,q obrigaçõesde jufto: fes os q não dão ao pobre, taó os pe naõ feja matéria de cóiultara q pede *oresosqfurtaó ao pobre; naõ ha maior culpa,q furtar ao pobre.Por Poz 0 Profeta Nataõ aquella para¬ noia a David Rcy;vinha a fer, q ca ^igomerecia hútico,qfurtava ao >xü °bre hüa ovelha,q era o íeu rem e • dio:Refponde David: vivit Dívtt, mortis Deos vivo, v *veDeos,q o talhe filho dc morJ c >noté naõd»flé,q era reode more -tnasq era filho de morieros mais £ rini es f aze a hü h o m é rcode rnoi fili? r t 0 4 tèfaz ao pobre,fiz ahu ho de mor tc;eílahe adifferença • c r co,6cFilho,q 0 reo fazle tal por ”OtCC.lTk 17.K ^ , U logo exccuçaõ:fazerdo melhor a eímola, q le a pede o pobre, Chriíl to a recebe;faô matérias era q o p 0 bre precede aChriftoipor todos os modos fc multipliquem ; frça húa efmola adircita.de outra a mão elquerda:dai 0 q tédes, & aequiri pe¬ ra dar o q naõ té destenha lõges tá* bé voíla liberalidade:8í fabei q ten des a mor valia no pobre q focorre ftes;o maior mercciméto nacfmolaq dettes: naõ sò naõ furtais, mas dai do q tédes ao pobre, que naõ sò naõ lereis reo da morte,mas fereislho d a vi jajifto hc Deos, por meio ^Ç*i°F,li;o liicccdenaherãça 'dagraça, penhor da gluria, ady** ^ C Ç fcõtra todas as mais culpas not pcrdicat Dmiiitt Qmmpotcns, Ucoi dc fui minar léíéç.t para fa Amcn. 0 culpado reo addiéfco as penas, F 1 N 1 S.