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Del Partido Socialista Português al Partido Socialista. Fundación y refundación del socialismo contemporáneo en Portugal

Peralta García, Beatríz

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Araucaria. Revista Iberoamericana de Filosofía, Política, Humanidades y Relaciones Internacionales, año 26, nº 57. Tercer cuatrimestre de 2024. Pp. 659-664. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 https://dx.doi.org/10.12795/araucaria.2024.i57.31 Del Partido Socialista Português al Partido Socialista. Fundación y refundación del socialismo contemporáneo en Portugal Marques, Fernando Pereira. O Socialismo e o PS em Portugal. Lisboa, Âncora Editora, 2017. Neves, José. Partido Socialista. Da génese à refundação (1875-1973). Lisboa, Âncora Editora, 2023. Beatriz Peralta García Universidad de Oviedo (España) En 1985 Francisco Salgado Zenha (1923-1993) escribía el «Prefácio» a O movimento socialista em Portugal (1875-1934), de Maria Filomena Mónica, donde afirmaba: «Nada de mais obscuro do que a história do partido socialista e do movimento socialista em Portugal. (…) Segundo a versão mais generalizada, o partido socialista teria sido fundado algures na Alemanha Federal em 1973 e só de vez em quando alguém recorda que afinal o partido socialista nasceu em 1875 sob a égide de Antero de Quental e outros. Mas o que foi o partido socialista de 1875 a 1973, eis um enigma de difícil resolução (…)»1. De la afirmación de este militante del Partido Socialista (PS) es necesario retener varias ideas: primero, el desconocimiento generalizado de la historia tanto del movimiento socialista como de las organizaciones que lo corporizaron en un amplio arco cronológico que comprende un siglo de existencia; después, la evidencia de esta continuidad para los socialistas más conscientes del desarrollo histórico del socialismo en Portugal; y finalmente, que esta percepción parece escapar a la lógica científica de la historiografía académica sobre el movimiento obrero. Desde la aparición de este volumen, que no es, como su título indica, un estudio del Partido, sino del movimiento socialista, aunque sea posible acompañar las vicisitudes por las que este pasó desde su fundación en 1875 hasta su desaparición debido a la ilegalización de los partidos políticos por el Estado Novo en 1934, hasta la actualidad, la historiografía contemporánea entorno al socialismo, y en general, 1 Zenha, Francisco Salgado, «Prefácio» a Mónica, Maria Filomena, O movimento socialista em Portugal (1875-1934), Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1985, p. 7. 660 Beatriz Peralta García Araucaria. Revista Iberoamericana de Filosofía, Política, Humanidades y Relaciones Internacionales, año 26, nº 57. Tercer cuatrimestre de 2024. Pp. 659-664. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 https://dx.doi.org/10.12795/araucaria.2024.i57.31 sobre el movimiento obrero, ha conocido avances significativos. Las primeras obras de Vítor de Sá2 sobre el desarrollo del liberalismo abrieron el camino para su estudio, que en el caso concreto de los socialistas fueron del interés de Carlos da Fonseca3, César Oliveira4, Fernando Piteira Santos5, Fernando Catroga6, y la ya citada Maria Filomena Mónica7 para el periodo comprendido entre los años 60 y el final de la centuria. Obsérvese cómo las limitaciones impuestas por el Estado Novo impidieron o dificultaron el análisis de la Edad Contemporánea, que a partir de la Revolución de los Claveles en 1974 cobra nuevo brío con trabajos dedicados a analizar los años de la Primera Internacional en Portugal, los orígenes del sindicalismo en las llamadas «asociaciones de clase» en lo que constituyeron estudios de caso, el desarrollo filosófico de las ideas socialistas y de sus teóricos, además de elementos de la cultura obrera, como la prensa y la literatura, para el 2 Sá, Vítor de, A crise do liberalismo e as primeras manifestações das ideias socialistas em Portugal (1820-1852, Lisboa, Seara Nova, 1964; 2ª ed., 1974; Lisboa, Livros Horizonte, 3ª ed., 1978; Evolução do movimento operário e do sindicalismo em Portugal, Porto, Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícos e Vestuário de Portugal, 1981. 3 Fonseca, Carlos da, A origem da 1ª Internacional em Lisboa, Lisboa, Estampa, 1973, 2º ed. 1978; Integração e ruptura operária, Lisboa, Estampa, 1975; História do movimento operário e das ideias socialistas em Portugal, 4 vols, s.l., Publicações Europa-América, 1979; La classe ouvriére portugaise entre la tradition et la modernité, Paris, Fondation Calouste Gulbenkian-Centre Culturel Portugais, 1982; O Primeiro de Maio em Portugal, Lisboa, Antígona, 1990. 4 Oliveira, César, O Congresso sindicalista de 1911, Porto, Afrontamento, 1971; O operariado e a a República democrática 1910-1914, Porto, Afrontamento, 1972; 2ª ed. Seara Nova, 1974; O socialismo em Portugal, Porto, ed. do autor, 1972; Rosa Luxemburgo, viva!, compilação e prefácio de César Oliveira, 1973; Imprensa Operária no Portugal Oitocentista, 1825-1905, Lisboa, 1973; A criação da União Operária Nacional, Porto, Afrontamento, 1973; M.F.A. e a revolução socialista, Amadora, Diabril, 1975; Revolução socialista e independência nacional, Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1975; 13 cartas para Portugal de Marx e Engels, Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1978; A Comuna de Paris e os socialistas portugueses, introdução, selecção de textos e notas, Porto, Brasília, 1980; O movimento sindical português. A primeira cisão, s.l., Europa-América, 1982; Antologia da Imprensa Operária 1837-1936, s.l., UGT-Perspectivas e Realidades, 1984; O operariado e a Primeira República (1910-1924), Lisboa, Alfa, 1990. 5 Santos, Fernando Piteira, O centenário da sociedade «Voz do Operário», Lisboa, A Voz do Operário, 1983; «José Fontana, militante do movimento operário português», Diário de Notícias, Lisboa, nº 41837, 22 de setembro de 1983, p. 7; «Marx e o movimento operário português», Vértice, nº. 453, março-abril, 1983, pp. 28-40; «Paul Lafargue e os inícios do movimento socialista em Portugal», en Chitas, Eduardo, y Resende, Hernâni A. (Coord.), Filosofia. História. Conhecimento. Homenagem a Vasco de Magalhães-Vilhena, Lisboa, Editorial Caminho, 1990, pp. 233-257. 6 Catroga, Fernando, Para um socialismo sem adjectivações, 1976; O problema político em Antero de Quental: um confronto com Oliveira Martins, Coimbra, 1981; Filosofia e sociologia. A ideia anteriana de socialismo, 1982; «Os primóridos do 1.º de Maio em Portugal. Festa, luto, luta», Revista de História das Ideias, vol. 11, 1989, pp. 445-499; Antero de Quental: história, socialismo, política, Lisboa, Notícias, 2001. 7 Mónica, Maria Filomena, y Matias, Maria Goretti, «Manuel Luís de Figueiredo, um socialista ignorado», Estudos e Documentos (ICS), Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Lisboa, ed. do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, 1986, pp. 5-21; Mónica, Maria Filomena, «Uma aristocracia operária: os chapeleiros (1870-1914)», Análise Social, vol. XV (60), 1979, 4.º, pp. 859-945; A formação da classe operária portuguesa. Antologia da imprensa operária (1850-1934), Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1982; «Indústria e democracia: os operários metalúrgicos de Lisboa (1880-1934)», Análise Social, vol. XVIII (72-73-74), 1982, 3.º-4.º-5.º, pp. 1231-1277; Poemas operários 1850-1926, Lisboa, Instituto de Ciências Sociais, 1983. «Negócios e política: os tabacos (1800-1890)», Análise Social, vol. XXVII (116-117), 1992, 2.º-3.º, pp. 461-879. 661 Del Partido Socialista Português al Partido Socialista. Fundación y refundación del socialismo contemporáneo en Portugal Araucaria. Revista Iberoamericana de Filosofía, Política, Humanidades y Relaciones Internacionales, año 26, nº 57. Tercer cuatrimestre de 2024. Pp. 659-664. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 https://dx.doi.org/10.12795/araucaria.2024.i57.31 siglo XIX; y el comportamiento de los socialistas durante la Primera República (1910-1926), para el siglo XX. Los historiadores que escriben sus obras a lo largo del presente siglo XXI: Maria João Castro8, Ana Paula Saraiva9, Licínio dos Santos10, Eduardo Peixoto Zenhas11, João Rodrigues12, Fausto Correia13, João Lázaro14, Joaquim Palminha Silva15, Augusto José Matias16, António Maria Pinto Queirós17, Constantino de Oliveira Gonçalves18, António Ventura19, Susana Martins20 y Dina Sofia das Neves Sebastião21, de entre una nómina que no pretende ser exhaustiva, mantienen buena parte de la tradición historiográfica del siglo anterior, demostrando con ello que la historia del Partido Socialista en Portugal está lejos de haber alcanzado su agotamiento. Destaco de este conjunto de investigadores los trabajos de Joaquim Palminha Silva, el primer intento por valorizar a las individualidades del movimento socialista creando un diccionário biográfico, y los de Susana Martins y Dina Sofia das Neves Sebastião porque avanzan significativamente en el conocimiento del Partido Socialista Português (PSP) en los difíciles años del Estado Novo, y por su componente de síntesis del período. Sin embargo, es el nuevo Partido Socialista, fundado por Mário Soares en 1973, el principal objeto de estudio de autores como Juliet Antunes Sablosky22, 8 Castro, Maria João de Abreu Mena Guimarães e, O Operário (1879-82) e o movimento socialista no Porto, Tese de Mestrado em História Contemporânea, Porto, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 1999. 9 Saraiva, Ana Paula Rocha da Costa, Associativismo mutualista em Lisboa na segunda metade do século XIX, Tese de Mestrado em História Moderna e Contemporânea, Lisboa, Instituto Universitário de Lisboa, 2011. 10 Santos, Licínio Manuel Moreira dos, Cultura e lazer operários em Gaia, entre o final da Monarquia e o início da República (1893-1914), Tese de Mestrado em História Contemporânea, Porto, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2014. 11 Zenhas, Eduardo Peixoto, O movimento operário portuense no final da Monarquia Constitucional (1909-1910), Tese de Mestrado em História Contemporânea, Porto, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2015. 12 Rodrigues, João Daniel Dias, O Protesto Operário e o socialismo em Portugal, 1882-1894, Tese de Mestrado em História Contemporânea, Porto, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2018. 13 Correia, Fausto Rafael dos Santos Teles, «Os socialistas portuenses e a Grande Guerra», História. Revista da FLUP, IVª serie, vol 8, nº 2, 2018, pp. 106-126. 14 Carvalho, João Lázaro Cavaleiro Diz de, O movimento operário na Monarquia Constitucional: do debate público à mobilização política (1865-1877), Tese de Doutoramento em História Moderna e Contemporânea, Lisboa, Instituto Universitário de Lisboa, 2020. 15 Silva, Joaquim Palminha, Dicionário do movimento socialista português, s.l., Fundação José Fontana, 1989. 16 Matias Augusto José, Católicos e socialistas em Portugal 1875-1975, Lisboa, Instituto de Estudos para o Desenvolvimento, 1989. 17 Queirós, António Maria Pinto, Oliveira Martins e os ideais socialistas, Porto, 1997. 18 Gonçalves, Constantino de Oliveira, O Partido Socialista nos primeiros anos da ditadura, Braga, 1999. 19 Ventura, António, Anarquistas, republicanos e socialistas em Portugal. As convergências possíveis (1892-1910), Lisboa, Cosmos, 2000. 20 Martins, Susana, Socialistas na oposição ao Estado Novo, Cruz Quebrada, Casa das Letras, 2005. 21 Sebastião, Dina Sofia das Neves, Partidos socialistas ibéricos e a integração europeia, 19451993, Coimbra, 2016. 22 Sablosky, Juliet Antunes, O PS e a transição para a democracia. Relações com os partidos 662 Beatriz Peralta García Araucaria. Revista Iberoamericana de Filosofía, Política, Humanidades y Relaciones Internacionales, año 26, nº 57. Tercer cuatrimestre de 2024. Pp. 659-664. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 https://dx.doi.org/10.12795/araucaria.2024.i57.31 Vitalino Canas23, João Silva24, Acácio Fernando de Sousa25, y David Castaño26, que enfatizan la organización de los socialistas portugueses a finales del siglo XX y su contribución a la democracia, en la que alcanza especial relevancia la figura estructurante de Mário Soares (1924-2017), aunque también comienzan a abordarse algunos estudios de caso, como la constitución de la agrupación de Leiria. La idea del desconocimiento del socialismo decimonónico tiene que ver con la destrucción de su archivo histórico, ocurrido en al menos dos momentos importantes: en 1873, tras la desaparición de la primera organización militante surgida en Portugal, sección regional de la Asociación Internacional de los Trabajadores, Fraternidade Operária (1872-1873); y cuando uno de sus militantes, José Correia Nobre França (1838-1920), quemó preventivamente la documentación superviviente que conservaba como Secretario General del Consejo Federal —y por lo tanto, interlocutor de Engels— en el transcurso de alguna de las revueltas acaecidas en el país entre 1875 y 1910. Los intentos de reconstitución de la memoria del Partido, a cargo de un joven militante integrante del Consejo Central durante los años de la Primera República, César Nogueira (1879-1973), en 1912, 1916, y 1926, fueron infructuosos. Solo en 2002 la compra a un particular de documentación para el periodo 1895-1930 ha permitido la conservación de parte de esa memoria en el Archivo Nacional Torre do Tombo (Lisboa), aunque la mayor parte hace referencia a la escisión marxista (18951909)27. Por todo ello, la obra de todos estos autores tiene un mismo denominador común, la distinción entre las dos organziaciones del movimiento socialista en Portugal: el PSP, fundado en 1875, como sus homólogos europeos, en la secuencia del Congreso de La Haya (1872), y el PS, surgido en 1973, por decisión de Mário Soares junto a sus colaboradores más cercanos de la Associação Socialista Portuguesa (ASP, 1964-1973). La historiografía científica, a cargo de historiadores profesionales, parece entrar en contradicción con la memoria militante de los socialistas del PS, que siempre fueron conscientes de que eran herederos de una tradición orgánica que hundía sus raíces en el siglo XIX, y lo demostraron desde la misma fundación del Partido. Recordando algunos años más tarde la transformación de la ASP en el PS, Tito de Morais escribía: «Nascia nesse dia 19 de Abril (ou renascia) o PARTIDO SOCIALISTA, que havia sido ilegalizado pela Ditadura após o 28 de socialistas, Lisboa, Notícias, 2000. 23 Canas, Vitalino (Org.), O Partido Socialista e a Democracia, Oeiras, Celta Editora, 2005. 24 Silva, João, O Partido Operário Socialista e o colonialismo de finais de oitocentos 1882-1891, Rio Tinto, Mosaico de Palavras, 2021. 25 Sousa, Acácio Fernando de, Socialistas em Leiria. Das primeiras lutas à constituição do partido, Leiria, Comissão Política Concelhia do PS, 2023. 26 Castaño, David, Mário Soares e a revolução, Alfragide, Dom Quixote, 2013; Mário Soares. Cartas e intervenções políticas no exílio, Lisboa, Temas e Debates-Círculo de Leitores, 2014. 27 Arquivo Nacional Torre do Tombo, «Fundo Partido Socialista Português», disponible en <https:// digitarq.arquivos.pt/details?id=4311278> (Última consulta, 8 de mayo de 2024) 663 Del Partido Socialista Português al Partido Socialista. Fundación y refundación del socialismo contemporáneo en Portugal Araucaria. Revista Iberoamericana de Filosofía, Política, Humanidades y Relaciones Internacionales, año 26, nº 57. Tercer cuatrimestre de 2024. Pp. 659-664. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 https://dx.doi.org/10.12795/araucaria.2024.i57.31 Maio»28. En 1979, durante la celebración de su tercer congreso, reivindicaron las figuras históricas de José Fontana (1840-1876), Antero de Quental (1842-1891), Angelina Vidal (1847-1917), y Eudóxio César Azedo Gneco (1849-1911). Meses después, la publicación del volumen coordinado por Isabel Soares Cem anos de esperança (1979), expresaba bien ese nexo de continuidad con el PSP al abrirlo con la reproducción en facsímil de Ecco dos Operários, el periódico del Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas (1852-1873), de caracter mutualista y fourierista, y acabarla con una fotografía de los líderes europeos arropando a Mário Soares en una reunión del socialismo internacional29. En vísperas del cincuenta aniversario del PS Fernando Pereira Marques coordinó la monografía O Socialismo e o PS em Portugal (2017) (327 pp.), cuyo desafío fue precisamente «(...) reunir ensaios que ajudasssem a inserir o socialismo do presente na sua história mais do que centenária no nosso país»30. A lo largo de nueve capítulos los historiadores invitados trazaron la historia, esta vez sí, del Partido Socialista desde su fundación de la mano de uno de sus promotores históricos, José Fontana, hasta la actualidad. El estado de la investigación muestra el desconocimiento de esos orígenes decimonónicos, pues los dos primeros capítulos, de la autoría de Fernando Pereira Marques, y los dedicados a los años de la Primera República y el Estado Novo, de Joaquim Palminha Silva y Nuno Miguel, respectivamente, sintetizan en poco más de treinta páginas más de un siglo de historia socialista en Portugal. Los capítulos V a IX, de Antonio Sánchez Muñoz, António Reis, Paulo Ferreira da Cunha, Ángela Montalvão Machado y Miguel Coelho, bosquejan la historia del PS, desde que fue fundado con apoyo de la socialdemocracia alemana hasta la actualidad, con realce para su contribución a la democracia portuguesa posterior al 25 de Abril, su defensa del Estado de Derecho, y el coste ideológico y programático que ello supuso. No obstante este esfuerzo por colocar ambas organizaciones en una perspectiva histórica, la idea de la doble fundación orgánica es palpable en este volumen de autoría múltiple. La voluminosa obra de José Neves, significativamente titulada Partido Socialista. Da génese à refundação (1875-1973) (2023) (640 pp.), es un paso adelante en la idea de una misma organización que pasa por dos fases diferentes y bien marcadas de su historia. No hay ninguna duda de que su autor parte de la obra de Isabel Soares al hacer remontar los orígenes del movimiento socialista en Portugal al asociacionismo de mediados de siglo XIX encarnado en el Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas y su periódico de expresión, Ecco dos Operários. Obviando la existencia de Fraternidade Operária, dedica el capítulo II a la «Formação do Partido Socialista (1873-1909)», esto es, considerando el 28 Morais, Tito de, «A propósito do XX aniversário», Portugal Socialista. Órgão central do Partido Socialista, nº 210, abril de 1993, p. 4. Mayúsculas en el original. 29 En la fotografía puede distinguirse a Willy Brandt, François Mitterrand, y Felipe González, entre otros. Soares, Isabel (Coord.), Cem anos de esperença, Lisboa, Edições Portugal Socialista, 1979, p. 91. 30 «Apresentação» a Marques, Fernando Pereira, O Socialismo e o PS em Portugal, Lisboa, Âncora Editora, 2017, p. 11. 664 Beatriz Peralta García Araucaria. Revista Iberoamericana de Filosofía, Política, Humanidades y Relaciones Internacionales, año 26, nº 57. Tercer cuatrimestre de 2024. Pp. 659-664. ISSN 1575-6823 e-ISSN 2340-2199 https://dx.doi.org/10.12795/araucaria.2024.i57.31 nombre del Partido nacido en el siglo XX y no los que tuvo en el siglo XIX hasta la fijación definitiva en 1909: Partido Socialista Português; y el III, IV y V al período de la «Primera República» y la «Dictadura», hasta abordar la «(Re) fundação» (cap. VI). El cap. VII, finalmente, está dedicado a la transformación de la Associação Socialista Portuguesa en el Partido Socialista en 1973. Sin negar la discontinuidad orgánica, el autor sintetiza bien la tesis que estructura la monografía: «Entre a data em que o Partido Socialista Português (PSP) foi fundado, em 1875, e a data em que foi refundado, com a designação de Partido Socialista (PS), em 1973, ocorreram uma série de acontecimentos que têm todo o interesse em se conhecer para melhor podermos compreender o presente»31. La idea del «renacimiento» o «refundación», que como verbo significa «1. Volver a fundar algo. 2. Revisar la marcha de una entidad o institución, para hacerla volver a sus principios originales o para adaptar estos a los nuevos tiempos32», articula las dos monografías objeto de la presente reseña. El tiempo dirá si la historiografía mantiene la tesis de la doble fundación o asume el juicio de la refundación del Partido Socialista de Portugal. Este era, por cierto, su nombre cuando fue fundado en 1875. 31 Neves, José, Partido Socialista. Da génese à refundação (1875-1973), Lisboa, Àncora Editora, 2023, p. 22. 32 Real Academia Española, «Refundar», disponible en <https://dle.rae.es/refundar?m=form> (Última consulta, 8 de mayo de 2024)