ÍNDICE DE CAMINHABILIDADE DE BLUMENAU EM SANTA CATARINA/BRASIL:
uma análise do Cen o e do bai o Baden u
Ra aela Viei a, Gab iel Zunino Packe , Ra aela Nascimen o Meneses
Uni e sidade Regional de Blumenau
Coo denado a da pesquisa; bolsis a de Iniciação Cien í ica; bolsis a de Iniciação Cien í ica
Email: a qui e u a. a
[email protected]; gab ieel.p@ho mail.com; nm. a
[email protected]
RESUMO
A cidade é um sis ema dinâmico em cons an e ans o mação, cujos e lexos são ambém e idenciados em
sua in aes u u a u bana, den e elas as calçadas, cuja qualidade pa a os deslocamen os pode se a aliada
pelo Índice de Caminhabilidade (IC). O obje i o ge al da pesquisa é analisa se e como em oco ido
ae olução do ICdo Cen o e bai o Baden u no município de Blumenau. A pesquisa é do ipo explo a ó ia e
desc i i a, de ca á e quali-quan i a i a. Fo am u ilizadas écnicas de pesquisa documen al, bibliog á ica e
de campo, cujos dados o am a ados com auxílio do so wa e A cGis 10.3. Os esul ados indicam que de
2005 pa a 2015 hou e uma pequena edução no IC do Cen o e um signi ica i o aumen o des e índice no
Baden u . A pesquisa ge ou impo an es subsídios pa a o p ocesso de planejamen o e i o ial, is o queo
Plano de Mobilidade U bana, exigência da Lei no.12.587/2012, es á em elabo ação no município.
Pala as-cha es: calçadas; caminhabilidade; mobilidade; acessibilidade.
ABSTRACT
The ci y is a dynamic sys em in cons an change, whose e ec s a e also e iden in i s u ban in as uc u e,
among hem he sidewalks, whose quali y o he displacemen can be measu ed by walkabili y. The o e all
objec i e o hiswo k is o analyze whe he and how has been he e olu ion o he walkabili yo he Cen e
and Baden u neighbo hood in he ci y o Blumenau. The wo k is explo a o y and desc ip i e, wi h quali a i e
and quan i a i e cha ac e . The e ha e been used echniques o documen a y, bibliog aphic and ield
esea ch, whose da a we e p ocessed wi h he help o so wa e A cGIS 10.3. The esul s indica e ha om
2005 o 2015 he e was a small educ ion in walkabili yin he Cen e and a signi ican inc ease in his index in
Baden u . The esea ch has led o impo an bene i s o he e i o ial planning p ocess, since he U ban
Mobili y Plan, equi ed by law no.12.587/2012, is being p epa ed in he ci y.
Keywo ds: sidewalks; caminhabilidade; mobili y; accessibili y.
1 INTRODUÇÃO
A cidade é um sis ema dinâmico em cons an e ans o mação. Com o su gimen o de no as ecnologias e
modos de anspo e mo o izados, as á eas u banas pude am se expandi . Os in es imen os em
in aes u u a odo iá ia, bem como o aumen o da capacidade de consumo e uso do au omó el,
modi ica am as o mas u banas que assumi am con igu ações dispe sas, segundo Domingues (2006).
Isso se aduz ambém em impac os ambien ais, de ido o aumen o da ex ensão de á eas as al adas. S eine
(2009) a i ma que a ualmen e os eículos são esponsá eis po 20% da emissão dos gases que p o ocam o
e ei o es u a, ha endo p e isão que a o a mundial de ca os e caminhões le es iplica á a é 2050.
Pa alelamen e a ais p ojeções, O o-Zimme mann e Suei o (2009), a i mam que mui as cidades es ão
ol ando a descob i os mé i os do anspo e público, do anda de bicicle a e do caminha .
Todos somos pedes es em algum momen o do dia e o a o de caminha é a o ma de locomoção da maio
pa e das pessoas. Segundo a ANTP (2012), a maio pa e das iagens ealizadas em 2011 nos municípios
com mais de 60.000 habi an es o am ealizadas a pé, pe azendo mais de 36% dos deslocamen os. Assim,
é de undamen al impo ância a ga an ia de uma boa qualidade das calçadas pa a ais deslocamen os. Is o
mo i a ia as pessoas a ado a o caminha como o ma de deslocamen o, esga ando a i alidade u bana.
P io iza a u ilização dos modos cole i os e não mo o izados de anspo e con ibuindo pa a
sus en abilidade ambien al, incluindo nes e caso o caminha , é uma das di e izes da Polí ica Nacional de
Mobilidade U bana, ins i uída pela Lei Fede al no.12.587 de 03/01/2012. O e e ido apa a o legal, enquan o
ins umen o da polí ica de desen ol imen o u bano no B asil, es abelece den e seus obje i os, a in eg ação
en e os dis in os modos de anspo e e melho ia das condições de acessibilidade e mobilidade. Pa a an o,
as calçadas de em possui ca ac e ís icas que ga an am a acessibilidade.
Segundo a NBR 9050/2015, a acessibilidade é de inida como:
possibilidade e condição de alcance, pe cepção e en endimen o pa a u ilização,
com segu ança e au onomia, de espaços, mobiliá ios, equipamen os u banos,
edi icações, anspo es, in o mação e comunicação, inclusi e seus sis emas e
ecnologias, bem como ou os se iços e ins alações abe os ao público, de uso
público ou p i ado de uso cole i o, an o na zona u bana como na u al, po
pessoa com de iciência ou mobilidade eduzida. (ABNT, 2015, p.2).
A acessibilidade é uma ob iga o iedade de odos os espaços de uso público ou p i ados des inados ao uso
cole i o, de endo se acessí eis às pessoas com de iciência ou com mobilidade eduzida, segundo a Lei
Fede al nº 10.098 de 19/12/2000 (BRASIL, 2000a). Is o inclui as calçadas que de em se acessí eis pa a a
ga an ia de a a i idade do espaço u bano.O não cump imen o desse aspec o p e is o em lei, com
ap o ação de cons ução, ampliação ou e o ma de espaços inacessí eis inco e em in ação, inclusi e de
se ido ou de che ia esponsá el pela epa ição pública, segundo o A . 6o. da Lei Fede al no. 10.048 de
08/11/2000 (BRASIL, 2000b). O Dec e o no. 6.949 de 25 de agos o de 2009 p omulgou a Con enção
In e nacional sob e os Di ei os das Pessoas com De iciência e seu p o ocolo acul a i o, assinado pela
O ganização das Nações Unidas em 2007, co obo ando a impo ância e necessidade de ga an ia da
acessibilidade das pessoas po ado as de de iciência ou com mobilidade eduzida.
Em ní el nacional, a Cons i uição Fede al ga an e a igualdade de odos pe an e a lei, sem dis inção de
qualque na u eza, ga an indo a in iolabilidade do di ei o à ida, à libe dade, à igualdade, à segu ança e à
p op iedade, o di ei o de i e i , ou seja, libe dade de locomoção, o que engloba, den e ou os aspec os, a
mobilidade u bana.
A mobilidade co esponde à in e ação do deslocamen o de pessoas e bens com a cidade, segundo a Lei
Fede al no. 12.587 de 03/01/2012, que ins i ui a Polí ica Nacional de Mobilidade U bana (BRASIL, 2012).
Po an o, a qualidade das calçadas é uma das condições que in luenciam na acessibilidade e na mobilidade
u bana. De e-se, po exemplo, quali ica as calçadas p óximas ao sis ema de anspo e cole i o, pois
p ecisa se con enien e caminha a é uma es ação ou e minal, enco ajando os usuá ios a u iliza em al
sis ema (ARIAS e al., 2008).
A caminhabilidade é um índice que se e e e a qualidade das calçadas pa a os deslocamen os. Es imula,
po an o, a sus en abilidade u bana que es á inculada às ques ões de habi abilidade, equidade (social,
ísica, dis ibu i a, en e ou as) e meio ambien e, cuja complexidade es á ligada aos limi es dos ecu sos
na u ais de uma cidade. O Índice da Caminhabilidade e ela ques ões mui o signi ica i as de uma cidade,
en e elas: educação, polí ica, u banidade, saúde, bem-es a e á ios ou os aspec os. Pa a Ghidini (2011,
p. 22), “[...]a caminhabilidade é uma qualidade do luga ; o caminho que pe mi e ao pedes e uma boa
acessibilidade às di e en es pa es da cidade[...]” sejam c ianças, idosos ou pessoa com de iciência.
Des aca a impo ância de anda a pé, alo iza a caminhabilidade nas cidades.
T a a-se de um anspo e de baixo cus o, não poluen e, de baixo consumo
ene gé ico, capaz de desen ol e boa elocidade pa a cu as dis âncias, com
lexibilidade o al de ho á io e i ine á io. O espaço eque ido pa a ci culação é
mínimo, e a á ea necessá ia pa a es acionamen o é nula. Além disso, caminha é
conside ado um dos melho es exe cícios ísicos em qualque idade.
(Siebe &Lo enzini, 1998, p. 91).
A má adequação das calçadas é o p incipal a o deses imulado dos deslocamen os a pé. O ma e ial e a
la gu a das calçadas de e iam se adequados pa a es imula o caminha . Es u u as ísicas de p o eção ao
sol e chu a e a p óp ia ege ação pa a ge ação de somb as de e iam se implan adas pa a uma melho
ci culação dos pedes es. Pa a San os e Vogel (1981) e Jacobs (2000) as calçadas são um dos ó gãos mais
i ais de uma cidade. Elas são obje os de uso cole i o pa a a p á ica de cidadania e do con í io.
O Código de T ânsi o B asilei o (CTB) (BRASIL, 1997) de ine as calçadas como sendo “pa e da ia,
no malmen e seg egada e em ní el di e en e, não des inada à ci culação de eículos, ese ada ao ânsi o
de pedes es e, quando possí el, à implan ação de mobiliá io u bano, sinalização, ege ação e ou os ins.”
Não há caminhabilidade sem calçadas nem pedes es. As calçadas são o espaço ísico cujas ca ac e ís icas
esul am em maio ou meno caminhabilidade e os pedes es são os sujei os que p a icam a
caminhabilidade.
Segundo Gold (2003, p.6)
Um pedes e é qualque pessoa que se locomo e a pé nas ias públicas. Como
quase odo mundo (exceções: bebês e po ado es de ce as limi ações ísicas e
men ais) caminha a pé, algumas pessoas mais equen emen e que ou as, a
pala a “pedes e” signi ica uma condição empo á ia de cada memb o da
população e não uma de e minada ca ego ia da população. As disciplinas de
planejamen o de anspo e e engenha ia de á ego às ezes pecam pela di isão,
implíci a ou explíci a, da população em pedes es e mo o is as. Pode-se di idi a
população en e pessoas que sabem e não sabem di igi , mas (quase) odo
mundo é pedes e.
Pessoas com de iciência ísica e que po en u a u ilizam a cadei a de odas como on e de locomoção
ambém são conside adas pedes es segundo Gold (2003), uma ez que possuem em média a mesma
elocidade de locomoção de pessoas a pé.
2 BREVE CONTEXTUALIZAÇÃO DOS ESTUDOS RELACIONADOS AO TEMA CAMINHABILIDADE
Es udos sob e o ema caminhabilidade o am iniciados pelo canadense Ch is B adshaw quando
come cian es e donos de imó eis u banos começa am a ques iona os impos os que paga am.
Segundo Ghidini (2011, p.25):
A caminhabilidade como um sis ema de a aliação ou um índice pode ia se usada
pa a calcula os alo es de impos os em unção de seu g au aplicado às quad as
ou zonas do bai o. O índice ambém pode ia se ú il a comp ado es de imó eis
que pode iam usá-lo pa a aze uma lei u a e a aliação das condições de
segu ança da ua [...]. Finalmen e, o uso de um indicado como uma agenda pa a
a ação cole i a. Assim que o índice osse aplicado a odo um bai o, a ação se ia
na u almen e cole i a e,ao longo do empo, os bai os pode iam melho a seus
indicado es a a és de mudanças.
Ainda na década de 1990, a me odologia de B adshaw (1993) oi adap ada à ealidade Blumenauense po
Siebe & Lo enzini (1998) que ealiza am um es udo pa a alguns bai os de Blumenau.
C ia um índice de caminhabilidade pode se usado pa a analisa a adequação de
cada bai o aos deslocamen os a pé, acili ando assim a de inição de p io idades
nos in es imen os municipais e es imulando as Associações de Mo ado es a
agi em na o ma de mu i ão em seu p óp io bene ício. Uma abo dagem
quan i a i a de uma ques ão is a a é en ão de o ma apenas quali a i a pode
aze esul ados al amen e posi i os. (Siebe &Lo enzini, 1998, p. 92).
Expe iências semelhan es pau adas na adap ação da me odologia canadense o am ealizadas em á ias
cidades b asilei as na década de 2000, endo sido e e uado ou o es udo pa a oda a ex ensão da á ea
u bana de Blumenau, em 2005, que a aliou a qualidade das calçadas pa a os deslocamen os. Seus 35
bai os o am pe co idos e suas calçadas a aliadas, as quais ob i e am no as que a ia am de 0 a 10,
esul ando em um IC de 4,1 pa a o município naquela época. Os esul ados possibili a am a ealização do
1o. Seminá io de Calçadas do Es ado de San a Ca a ina, naquele mesmo ano.Tais le an amen os o am
coo denados pelas p o esso as e pesquisado as Luciana Budag e Ra aela Viei a, da Uni e sidade Regional
de Blumenau e a iculados po um g upo de pesquisado es da Pon i ícia Uni e sidade Ca ólica/PR, po meio
do p o esso E and o Ca doso dos San os. Es e úl imo, coo dena a no país os Seminá ios sob e Calçadas
p omo idos pela Associação B asilei a de Cimen o Po land (ABCP) naquela época.
Na cidade de Blumenau, como consequência do le an amen o do Índice de Caminhabilidade em 2005 e da
ealização do 1o. Seminá io de Calçadas do Es ado de San a Ca a ina oi elabo ada uma ca ilha de
o ien ações pa a implan ação e manu enção das calçadas e ap o ada a Lei Complemen a no 550/2005 que
dispõe sob e a cons ução de passeios públicos ou calçadas no município. Segundo es e apa a o legal, a
calçada é de esponsabilidade do dono do e eno, seja ele cons uído ou não e que de e espei a as
no mas impos as pela P e ei u a. Os passeios públicos são conside ados como pa e da ia pública e são
des inados à ci culação de pessoas com a ga an ia de deslocamen o acessí el e segu o. A ca ilha pa a
implan ação e manu enção das calçadas passou po e o mulações em 2012 e 2015. Nes a úl ima
e o mulação, a p e ei u a municipal, po meio da Sec e a ia de Planejamen o U bano, lançou o p og ama
Calçada no a 10, cujo obje i o é sensibiliza os p op ie á ios pa a a melho ia da caminhabilidade, o nando
as calçadas acessí eis a odos.
A ualmen e o município de Blumenau es á elabo ando seu Plano Municipal de Mobilidade U bana, con o me
exigência da Lei Fede al no 12.587/2012 que es abelece:
A . 18.São a ibuições dos Municípios:
I - planeja , execu a e a alia a polí ica de mobilidade u bana, bem como
p omo e a egulamen ação dos se iços de anspo e u bano;
II - p es a , di e a, indi e amen e ou po ges ão associada, os se iços de
anspo e público cole i o u bano, que êm ca á e essencial;
III - capaci a pessoas e desen ol e as ins i uições inculadas à polí ica de
mobilidade u bana do Município. (BRASIL, 2012).
Ou as cidades de San a Ca a ina, den e elas I ajaí, I apema, Cambo iú e Blumenau (Budag & Vi o ino,
2005; Budag & T icá ico, 2009, Viei a & Mo as oni, 2013; Viei a, Pe ei a & Mussi, 2014) ambém possuem o
le an amen o de seu Índice de Caminhabilidade (IC).Ru z, Me ino & P ado (2007) ambém ealiza am o
es udos do IC pa a á ea cen al de Foz do Iguaçu.
3 PREMISSA E OBJETIVOS DA PESQUISA
Pa indo-se da p emissa que a cidade é um sis ema complexo e dinâmico, cujos e lexos são ambém
e idenciados na ans o mação de sua in aes u u a u bana, den e elas as calçadas, es abeleceu-se a
seguin e pe gun a de pesquisa: como se ap esen a a qualidade das calçadas do Cen o e bai o Baden u
em Blumenau, San a Ca a ina?
Es a pesquisa em como obje i o ge al analisa se e como em oco ido a e olução do Índice de
Caminhabilidade do Cen o e bai o Baden u em Blumenau que ap esen a am no ano de 2005 o melho
(7,6) e o pio (1,8) IC, espec i amen e.
Pa a an o, em-se como obje i os especí icos: (1) iden i ica e a ualiza o Índice de Caminhabilidade do
Cen o e bai o Baden u ; (2) indica di e izes que isem à melho ia das calçadas pa a mo ado es e
u is as, com base em subsídios écnicos e cien í icos ob idos com a a ualização do IC; (3) iden i ica as
ações ealizadas pelo município de Blumenau, após o p imei o le an amen o do IC, em 2005.
4 METODOLOGIA
4.1 Á ea de es udo
A á ea es udada cons i ui-se no Cen o e bai o Baden u , localizados no município de Blumenau, em San a
Ca a ina (G á ico 1). Segundo o IBGE (2000, 2010) a cidade de Blumenau, en e os anos de 2000 e 2010,
ap esen ou um c escimen o médio populacional de 1,67% ao ano. A ualmen e a cidade possui mais de
300.000 habi an es, que, em algum momen o do dia se desloca a pé, seja pa a acessa o anspo e
indi idual ou cole i o.
A de inição da amos a compos a pelo Cen o, inse ido na Mac ozona de Consolidação e bai o Baden u
da Mac ozona de Expansão, jus i ica-se, pois ap esen a am no ano de 2005 o melho e pio IC,
espec i amen e. Tais bai os ambém i e am as maio es axas de c escimen o populacional na p imei a
década do século XXI.
A delimi ação da amos a deu-se em unção do núme o limi ado de bolsis as e empo de pesquisa,
ga an indo sua exequibilidade. Em 2005 o am necessá ios 17 bolsis as pa a o le an amen o do IC de odos
os bai os do município. Tendo em is a o c escimen o populacional e u bano, a quan idade de bolsis as
pa a e e ua o mesmo le an amen o se ia consequen emen e maio , e in iabiliza ia a ealização da
pesquisa.
G á ico 1 – Localização das á eas es udadas
(Piazza e Viei a, 2016, no p elo)
Pa a iden i ica essas calçadas oi ealizado o seguin e p ocedimen o:
4.1.1 Le an amen o de dados do Município
Elabo ação de mapa u bano na escala 1:20.000 e iden i icação dos bai os, p incipais ias municipais,
classi icadas como a e iais e cole o as, densidade populacional po se o censi á io e p incipais
equipamen os u banos, pólos de a ação de população e usos concen ado es de pessoas: e minal de
anspo e odo iá io, cen os de educação in an il, escolas (ensino undamen al e médio - públicas e
pa icula es), pos os de saúde, á eas de laze , shopping cen e , cen os come ciais e ou os usos
come ciais concen ados.
4.1.2 De inição e o ganização dos echos de Pesquisa
O le an amen o de dados pa a análise do Índice de Caminhabilidade dos dois bai os de Blumenau oi
ealizado a a és da de inição dos echos de pesquisa que co espondem a uma ace de quad a. Fo am
pesquisados os echos de ua inse idos nos p incipais eixos de ci culação em um aio de 250m a pa i dos
p incipais pólos ge ado es de iagens. Es es echos são aqueles que concen am um g ande núme o de
pedes es po es a em p óximos aos equipamen os de uso cole i o, a i idades come ciais e de p es ação de
se iço.Fo am le an ados um o al de 259 echos de calçadas.
Pa a o ganiza a pesquisa, os echos o am nume ados po bai os. Cada bai o ecebeu uma nume ação
especí ica.
4.2. De inição do Índice de Caminhabilidade
Pa a a análise da adequação das calçadas do Cen o e Baden u de Blumenau aos deslocamen o, oi
ado ada a me odologia canadense p opos a po B adashaw (1993) e adap ada à ealidade local po Siebe
& Lo enzini (1998) e San os (2003). Cons i ui-se em uma análise quan i a i a, eliminando-se ao máximo os
a o es de análise quali a i a, em unção do seu al o g au de subje i idade. Con udo, en ende-se que as
di e enças de pe cepção en e pesquisado es podem oco e , não sendo nulas. Ado ou-se es a
me odologia, den e ou as disponí eis, po sua eplicabilidade e acilidade de en endimen o pelos
pesquisado es.
Na pesquisa de campo o am le an adas 10 a iá eis pa a cada echo de calçada, que se cons i ui em um
dos lados do qua ei ão: (1) la gu a da calçada; (2) condição do piso; (3) obs áculos; (4) ni elamen o; (5)
p o eção das in empé ies; (6) mobiliá io u bano; (7) iluminação; (8) uso lindei o; (9) a essia e (10)
ambien e psico-social. As a iá eis e pon uações ado adas pa a compo o Índice de Caminhabilidade são
ap esen ados no G á ico 2.
C i é io/Pon uação
Um pon o
Meio Pon o
Ze o pon os
La gu a da Calçada
com aixa li e de
ci culação de pelo menos
1,0 me o de la gu a
calçada com la gu a
in e io a 1,0 me o
calçada inexis en e, com o
deslocamen o do
pedes e se dando
pela pis a de
eículos
mo o izados.
Condição do piso
calçada com piso em boas
condições
piso mal conse ado
(esco egadios, com
bu acos ou
i egula idades)
calçada com piso
inexis en e
Obs áculos
calçada li e de obs áculos
ao deslocamen o dos
pedes es
calçada com obs áculos
que p ejudiquem o
deslocamen o dos
pedes es
obs áculos que impeçam o
deslocamen o dos
pedes es, o çando-os a
caminha pela ua
Ni elamen o
plana ou com decli idade
mínima (a é 2%)
calçada com decli idade
acen uada (mais que 2%)
calçada in e ompida po
deg aus ou ampas mui o
acen uadas
P o eção con a
in empé ies
com p o eção o al de sol e
chu a seja a a és
oldos,ma quises e c
calçada pa cialmen e
p o egida de sol e chu a
calçada sem somb a ou
ab igo da chu a
Mobiliá io U bano
equipada com bancos,
lixei as, ele ones públicos,
caixas de co eio
calçada com alguns
des es i ens de con o o
calçada sem mobiliá io
u bano
Iluminação
calçada bem iluminada
calçada pa cialmen e
iluminada
calçada sem iluminação
a i icial
Uso Lindei o
o ne ag adá el ao
caminha , como p aças,
lojas, ja dins bem
conse ados
calçada neu a, ou seja,
que não incen i e, mas
ambém não deses imule
p esença de depósi os de
lixo, esgo o a céu abe o
ou qualque ipo de
descon o o
T a essia
segu ança pa a pedes es
com ebaixo do meio- io,
aixa de segu ança e c.
calçada com azoá el
segu ança onde a
a essia pode se ei a
calçada onde a a essia
não se dá em condições
de segu ança
Ambien e Psico-
Social
o al segu idade seja pela
boa densidade de
pedes es ou pela
p esença policial
calçada e ma ou azia,
causando ap eensão e
exigindo cau ela
calçada onde o pedes e
ique ulne á el a pon o de
p e e i ou o caminho
G á ico 2 – Va iá eis analisadas e pon uação
(Siebe e Lo enzini (1998) e San os (2003), adap ado pelos au o es)
Em cada echo de calçada o am analisadas dez a iá eis pon uadas em um, meio ou ze o pon o,
pe passando assim, de uma si uação ideal de caminhabilidade a uma si uação de o al e absolu a
inadequação ao pedes e.
De aco do com os in e alos do IC é es abelecida a p io idade de in e enção nas calçadas, con o me
G á ico 3.
Índice de caminhabilidade
P io idade de in e enção
0 a 1,9
Si uação c í ica
2,0 a 3,9
In e enção imedia a
4,0 a 5,90
In e enção a cu o p azo
6,00 a 10,00
Melho ias e ape eiçoamen o
G á ico 3 – Índice de Caminhabilidade e p io idade de in e enção
(San os, 2003)
Pa a complemen a a pesquisa, ambém o am le an ados: pa imen ação p edominan e, exis ência de
ebaixo de meio- io con o me a ABNT (NBR-9050/15), ipo de obs áculo p edominan e, exis ência de
sis ema de d enagem u bana.
4.3 Le an amen o de dados em campo
De inidos os c i é ios que compõem o Índice de Caminhabilidade, os pesquisado es o am em campo
le an a os dados e e en es às calçadas selecionadas. Cada echo oi pe co ido a pé pelos pesquisado es
que ano a am os dados em uma planilha em papel e ealiza am um egis o o og á ico nas ex emidades de
cada echo. Essas o os o am anexadas às planilhas de campo.
4.4 In en á io digi al das calçadas
Os dados le an ados em campo o am ano ados em planilhas de pesquisa pa a cada echo, imp essas em
papel. Tais dados o am abulados inicialmen e com auxílio do so wa e Excel, cujo soma ó io de pon os de
cada planilha, esul ou no Índice de Caminhabilidade de cada echo e de cada bai o.
Nes e momen o, os bolsis as pa icipa am de um cu so de A cgis ealizado pelo Labgeo da Uni e sidade
Regional de Blumenau, o que possibili ou a o ganização de um in en á io digi al das calçadas dos bai os
es udados. Es e in en á io oi es u u ado com a c iação de um banco de dados geoespacial em Sis emas
de In o mações Geog á icas, pe mi indo o dimensionamen o espacial dos dados com localização
geog á ica, assim como in e p e ações mais ap o undadas da qualidade das calçadas a a és de análise
espacial da base de dados.
4.5 Análise do Índice de Caminhabilidade
Os esul ados ob idos da abulação dos dados ap esen a am um pano ama da qualidade das calçadas em
Blumenau, podendo se obse adas as á eas que o e ecem as melho es ou pio es condições de ci culação
aos pedes es. Podem se a e iguados ambém os i ens que ap esen am as maio es qualidades e
de iciências nas calçadas. Essas análises se i ão de subsídio pa a de inição das p io idades de ação pa a
a melho ia da caminhabilidade nesses bai os de Blumenau.
5 RESULTADOS
No G á ico 4 pode-se obse a os le an amen os do Índice de Caminhabilidade ealizados em 2005 e 2015,
pe azendo um o al de 192 e 259 echos espec i amen e. No Cen o, em 2005 o am 149 echos e em
2015 hou e um aumen o pa a 196 echos le an ados. No Baden u , em 2005 o am le an ados 43 echos
e em 2015, 63 echos. Es e aumen o de echos oi con abilizado pa a um esul ado mais p eciso dos
bai os pesquisados. A nume ação já exis en e de 2005 não oi al e ada o que pe mi iu um compa a i o
di e o do ano de 2005 e 2015.
T echos 149 T echos 43 T echos 196 T echos 63
QUANTIDADE % QUANTIDADE % QUANTIDADE % QUANTIDADE %
La gu a li e supe io a um me o 137 91,95 7 16,28 182 92,86 48 76,19
La gu a li e in e io a um me o 11 7,38 0 0,00 11 5,61 2 3,17
Calçada inexis en e 1 0,67 36 83,72 3 1,53 13 20,63
Piso em boas condições 67 44,97 1 2,33 118 60,20 14 22,22
Piso mal conse ado 78 52,35 7 16,28 75 38,27 28 44,44
Piso inexis en e 4 2,68 35 81,40 3 1,53 21 33,33
Calçada li e de obs áculos ao deslocamen o de pedes es 110 73,83 1 2,33 155 79,08 30 47,62
Calçada com obs áculos 29 19,46 4 9,30 32 16,33 14 22,22
Calçada obs uída 10 6,71 38 88,37 9 4,59 19 30,16
Calçada com decli idade mínima no sen ido ans e sal (2%) 138 92,62 2 4,65 127 64,80 34 53,97
Calçada com decli idade acen uada (acima de 2%) 5 3,36 0 0,00 63 32,14 7 11,11
Calçada in e ompida po deg aus ou ampa 6 4,03 41 95,35 6 3,06 22 34,92
Calçada p o egida da chu a e do sol 35 23,49 0 0,00 61 31,12 0 0,00
Calçada pa cialmen e p o egida 82 55,03 25 58,14 68 34,69 8 12,70
Calçada sem somb a ou p o eção con a a chu a 32 21,48 18 41,86 67 34,18 55 87,30
Calçada do ada de i ens de con o o 36 24,16 0 0,00 46 23,47 0 0,00
Calçada do ada com pelo menos um i em de con o o 41 27,52 8 18,60 24 12,24 3 4,76
Calçada sem mobiliá io u bano 72 48,32 35 81,40 126 64,29 60 95,24
Calçada bem iluminada 113 75,84 2 4,65 123 62,76 21 33,33
Calçada pa cialmen e iluminada 36 24,16 40 93,02 21 10,71 13 20,63
Calçada sem iluminação no u na 0 0,00 1 2,33 52 26,53 29 46,03
Calçada com uso lindei o ag adá el 38 25,50 1 2,33 39 19,90 0 0,00
Calçada com uso lindei o neu o 110 73,83 33 76,74 157 80,10 62 98,41
Calçada com uso lindei o incompa í el 1 0,67 9 20,93 0 0,00 1 1,59
Calçada com boa segu ança 118 79,19 0 0,00 110 56,12 0 0,00
Calçada com azoá el segu ança 28 18,79 6 13,95 65 33,16 15 23,81
Calçada sem condições de segu ança de a essia 3 2,01 37 86,05 21 10,71 48 76,19
Calçada com boa densidade de pedes es e policiamen o 123 82,55 0 0,00 0 0,00 0 0,00
Calçada com média densidade de pedes es e sem policiamen o 25 16,78 7 16,28 191 97,45 54 85,71
Calçada em egião inóspi a, pe igosa e sem policiamen o 1 0,67 36 83,72 5 2,55 9 14,29
Pe i -Pa ê (mosaico po uguês) 0 0,00 0 0,00 3 1,53 0 0,00
Basal o 0 0,00 0 0,00 0 0,00 1 1,59
Lajo as ce âmica 0 0,00 0 0,00 2 1,02 0 0,00
CBUQ – Conc e o Be uminoso Usinado a Quen e – “an i-pó” 0 0,00 0 0,00 0 0,00 0 0,00
Conc e o, cimen ado, placas de cimen o 10 6,71 7 16,28 23 11,73 31 49,21
Lad ilho hid áulico 111 74,50 0 0,00 64 32,65 2 3,17
Blocos in e a ados de conc e o (pa e ) 26 17,45 0 0,00 101 51,53 0 0,00
Não possui pa imen ação (g ama, ma o ou lei o na u al) 2 1,34 35 81,40 3 1,53 26 41,27
Ou os 0 0,00 1 2,33 0 0,00 0 0,00
SIM 112 75,17 12,33 00,00 00,00
NÃO 37 24,83 42 97,67 00,00 00,00
Exis e ebaixo do meio- io e segue no ma ABNT 00,00 00,00
Exis e ebaixo do meio- io e não segue no ma ABNT 159 81,12 10 15,87
Não exis e ebaixo do meio- io 37 18,88 53 84,13
To al 11 5,61 13 20,63
Pa cial 32 16,33 812,70
Ca os es acionados sob e a calçada 8 18,60 2 9,52
Mobiliá io u bano mal posicionado 18 41,86 628,57
Á o es mal posicionadas ou com oncos o os 8 18,60 1 4,76
Ambulan es e ba acas de endedo es 0 0,00 0 0,00
La ões de lixo, sacos de lixo, papelão e papéis 1 2,33 0 0,00
Tapumes e can ei o de ob as 9 20,93 00,00
Bu acos, ped as sol as, desní eis, deg aus 16 37,21 13 61,90
Ma o, e a ou inexis ência de piso que pe mi a a ci culação 9 20,93 14 66,67
A anço do mu o ou edi icação 0 0,00 0 0,00
Exis e d enagem 174 88,78 49 77,78
Não exis e d enagem 22 11,22 14 22,22
Início ou im 87 44,39 22 34,92
Ambos 87 44,39 27 42,86
Em boas condições 165 84,18 38 60,32
Más condições 9 4,59 11 17,46
An es do aio de cu a 124 63,27 41 65,08
No aio de cu a 50 25,51 8 12,70
Tipo de obs áculo
p edominan e
D enagem
Rebaixo do
meio- io
CARACTERÍSTICAS DO ÍNDICE DE CAMINHABILIDADE DOS BAIRROS DE BLUMENAU
CARACTERÍSTICAS
Cen o
Baden u
Cen o
Baden u
2015
2005
La gu a da
Calçada
Condições do
Piso
Obs áculos
Ni elamen o
P o eção de
In empé ies
Mobiliá io U bano
Iluminação
Uso Lindei o
T a essia
Ambien e
Psico-social
Índice de Caminhabilidade
7,63
1,84
6,71
3,97
Pa imen o
p edomian e
G á ico 4 – Índice de Caminhabilidade – Cen o e Baden u - Blumenau
(au o ia p óp ia)
5.1 Cen o
O Índice de Caminhabilidade do Cen o em 2015 oi de 6,7, pa a o o al dos 196 echos le an ados,
iden i icados no G á ico 5. Se compa a mos somen e os 149 echos es udados em 2005, cujo IC e a de
7,6, pode-se a i ma que o IC esul an e do Cen o em 2015 oi meno , o alizando 7,1.
Es es esul ados suge em que não hou e a manu enção adequada das calçadas no Cen o, esul ando em
uma pequena edução do IC de 2005 à 2015.
5.1.1 C i é ios que con ibuí am pa a o aumen o do IC
Em elação ao núme o de echos, de 2005 pa a 2015, hou e melho ias nas calçadas em elação às
a iá eis: la gu a da calçada, condições de piso e obs áculos.
5.1.2 C i é ios que con ibuí am pa a a diminuição do IC
Em elação ao núme o de echos, de 2005 pa a 2015, hou e conside á eis e ocessos nas a iá eis:
ni elamen o, mobiliá io u bano, iluminação, uso lindei o, a essia e ambien e psico-social.
No c i é io p o eção con a in empé ies aumen ou o núme o de echos com pon uação máxima, mas
ambém com pon uação mínima, não con ibuindo pa a o aumen o ou diminuição do IC.
G á ico 5 – Índice de Caminhabilidade no Cen o – Blumenau (SC)
(Piazza e Viei a, 2016, no p elo)
5.2 Baden u
O IC do Baden u em 2015 oi de 3,9 pa a os 63 echos le an ados, especializados no G á ico 6. Se
compa ados os 43 echos es udados em 2005, cujo IC e a de 1,8, o IC de 2015 oi mais ele ado, sendo
3,9, ou seja, maio que o dob o do IC de 2005, ep esen ando uma melho ia das calçadas naquele bai o.
5.2.1 C i é ios que con ibuí am pa a o aumen o do IC
Em elação ao núme o de echos, de 2005 pa a 2015, hou e conside á eis melho ias nos aspec os: la gu a
da calçada, condições de piso, obs áculos, ni elamen o, uso lindei o e ambien e psicossocial.
5.2.2 C i é ios que con ibuí am pa a a diminuição do IC
Em elação ao núme o de echos, de 2005 pa a 2015, hou e conside á eis e ocessos nas a iá eis,
sendo eles: p o eção con a in empé ies, mobiliá io u bano e a essia.
Nos c i é ios iluminação aumen ou o núme o de echos com pon uação máxima, mas ambém com
pon uação mínima, não con ibuindo pa a o aumen o ou diminuição do IC.