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Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 3 PREÂMBULO A realização da presente Dissertação, enquadrada na Unidade Curricular A50 de Projecto – Dissertação, apresenta-se no âmbito do Mestrado Integrado em Arquitectura e Urbanismo da Escola Superior Gallaecia, tendo como objectivo a obtenção do grau de Mestre. A Dissertação foi desenvolvida no ano lectivo de 2017/2018 pela discente Juliana Mina Ferraz, com orientação da Prof.ª Doutora Goreti Sousa e da Prof.ª Doutora Mariana Correia. O estudo “Habitar o Centro Histórico de Viana do Castelo“, aborda as questões levantadas pelas novas formas de habitar o espaço doméstico urbano, e as problemáticas associadas aos centros históricos. A presente dissertação não foi realizada segundo o novo acordo ortográfico, por opção da candidata.
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Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 5 AGRADECIMENTOS Este trabalho foi elaborado para a obtenção do grau de Mestre no âmbito da Dissertação de Mestrado em Arquitectura e Urbanismo da Escola Superior Gallaecia. Gostaria antes de mais, de agradecer a todos os Professores da Escola Superior Gallaecia que contribuíram para a elaboração da dissertação, mas em especial às minhas Orientadoras, Prof.ª Doutora Mariana Correia e Prof.ª Doutora Goreti Sousa, pelos incentivos que me transmitiram e pela disponibilidade que sempre mostraram. Não posso deixar de agradecer a todas as pessoas e entidades que prestaram colaboração e forneceram informações para a investigação desenvolvida. Designadamente à Câmara Municipal de Viana do Castelo, ao Arquivo de Viana do Castelo e à Biblioteca Municipal de Viana do Castelo. De referir igualmente, os meus agradecimentos ao arq. José Loureiro, ao arq.º Paulo Vieira e à arq. ª Marta Monteiro. Gostaria também de agradecer honrosamente, aos meus pais, irmãos e amigos, que, desde o início me acompanharam e me motivaram para que este trabalho se concretizasse.
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Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 7 RESUMO Esta dissertação foca-se no estudo das novas formas de habitar o espaço doméstico urbano, tendo como base de análise conceitos de autores de referência e o estudo de caso de uma rua do Centro Histórico de Viana do Castelo. Este estudo encontra-se abrangido pela ARU (Área de Reabilitação Urbana) da Câmara Municipal de Viana do Castelo, que tem como intuito incentivar a reabilitação do centro histórico até 2020, fornecendo apoios de carácter financeiro, entre outros incentivos, atribuídos pelo Plano de Pormenor do Centro Histórico. A arquitectura da habitação doméstica urbana depara-se com desafios consequentes de uma sociedade em constante e rápida transformação, o que levou à investigação dos novos conceitos de conforto, de flexibilidade tipológica, materiais de construção e de adaptabilidade na transformação dos usos do espaço doméstico urbano. O estudo de caso desenvolve-se num específico contexto arquitectónico, sociocultural e histórico e procura encontrar respostas para a problemática das novas formas de habitar o espaço doméstico. A dissertação apresenta a seguinte estrutura: o capítulo I refere-se à identificação da problemática, aos objectivos, à metodologia, à justificação da investigação e à estrutura dos conteúdos; o capítulo II, refere-se às problemáticas associadas aos centros históricos, ao papel da habitação na conformação da forma urbana, às componentes e terminologia sobre as novas formas de habitar o espaço doméstico urbano e aos conceitos de conforto, de flexibilidade tipológica, de materiais construtivos e de adaptabilidade à transformação de usos; o capítulo III aborda a evolução dos tipos de
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 8 espaço doméstico urbano no centro histórico de Viana do Castelo, a evolução e a diversidade dos tipos de espaços domésticos urbanos e as diferentes abordagens na problemática da reabilitação; o capítulo IV foca-se na análise morfológica e tipológica e na análise individual e comparativa dos estudos de caso e respectiva interpretação. Por último, o capítulo V apresenta a síntese dos resultados e respectivas conclusões. Desta forma, através da análise individual das fichas de estudo de caso, e da análise comparativa, elaborada nos quadros síntese, conclui-se que a maioria das habitações do estudo da rua do Centro Histórico de Viana do Castelo reúne as condições necessárias para introdução dos conceitos estudados. Palavras chave: habitar, conforto, flexibilidade e adaptabilidade.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 9 ABSTRACT This dissertation focus on the study of new ways of inhabiting the urban domestic space, based on the analysis of concepts from authors and a case study in Viana do Castelo. The urban domestic housing architecture is facing challenges resulting from a society that is in constant and rapid transformation. The new concept of flexibility, together with the versatility and adaptability of the domestic space is important in urban housing to fit modern lifestyles, in order to meet the needs and the interests of the users. The case study theme is developed in an architectural, socio– ultural and historical context and tries to find answers to the research problem associated to the new ways of inhabiting the domestic space. The Dissertation is structured as follows: Chapter I refers to the identification of the problem, the objectives, the methodology, the state of the art and the content structure. Chapter II refers to new theoretical concepts about the urban dwelling; the contemporary specificity of housing in cities with an historic center; the role of housing in shaping urban form. Chapter III discusses the evolution of the types of domestic space in the historic city of Viana do Castelo. Chapter IV provides a morphological and typological analysis of case studies with their related synthesis. Finally, Chapter V presents the summary of results and conclusions. Thus, through the individual analysis of each of the case study sheets, the comparative analysis and their conelation, it is concluded that the majority of the dwellings regarding the study of a street located in of the Historical Center of Viana do Castelo meet the necessary conditions for the introduction of thestudied concepts. Key words: living, comfort, flexibility and adaptability.
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Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 11 ÍNDICE Preâmbulo Agradecimentos Resumo Abstract Capítulo I : Introdução 1.1 Identificação da problemática……………………………….…………………15 1.2 Objectivos………………………………………………………………………………..16 1.3 Metodologia…………………………………………………………………………….17 1.4 Justificação da Investigação…………………………………………………….18 1.5 Estrutura dos conteúdos………………………………………………………….19 Capítulo II : Cidade e Residência: o conceito do Habitar Urbano 2.1 Problemáticas associadas aos centros históricos……………….…...23 2.2 Papel da habitação na conformação da forma urbana………..….37 2.3 Componentes e terminologia sobre as novas formas de habitar o espaço doméstico urbano………………………………………………………..41 2.3.1 Conforto…………………………………………………………………..45 2.3.2 Flexibilidade tipológica…………………………………………....49 2.3.3 Materiais construtivos……………………………………………..63 2.3.4 Adaptabilidade à transformação de usos………………..77 Capítulo III : A habitação no Centro Histórico de Viana do Castelo 3.1 Evolução e diversidade dos tipos de espaços domésticos………..85 3.2 Diferentes abordagens na problemática da reabilitação ………….95
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 18 Os estudos de caso foram realizados através de documentos fornecidos pelos residentes das habitações juntamente com documentos camarários. 1.4 Justificação da Investigação O estudo dedica-se à problemática no âmbito da reabilitação dos centros históricos pela importância e necessidade de intervenção que estes têm vindo a assumir nas políticas urbanísticas. As condições de habitação dos edifícios dos centros históricos não se encontram ainda em conformidade com os padrões de conforto e salubridade exigíveis numa cidade e numa sociedade que se quer moderna e desenvolvida. Nesta actual sociedade em construção, as cidades podem desempenhar um papel chave, pois constituem locais privilegiados de concentração de populações e de actividades económicas e culturais capazes de imprimir um dinamismo cada vez mais atractivo. O interesse pelo desenvolvimento deste estudo, justifica-se pelo carácter inovador, original e singular de que se reveste. A primeira razão relaciona-se com o facto de a rua do Tourinho não possuir um suporte documental quantitativo dedicado ao centro histórico de Viana do Castelo. Ainda que possam existir, em repositórios abertos de outras universidades, alguns documentos de investigação científica e académica inseridas em Provas Finais, Teses de Mestrado ou Doutoramento, relacionados com estudo da habitação doméstica nos centros históricos de algumas cidades, relativamente à rua do Tourinho não se encontram estudos documentados referentes ao tema em estudo. Um outro factor incisivo na escolha desta temática advém do particular interesse pelo estudo de uma rua que, pelas suas características físicas, sociais e culturais, é propícia a uma investigação mais aprofundada. A escolha desta problemática para desenvolver como Dissertação passa também pela sua singularidade, atendendo-se ao insuficiente número de estudos tipológicos e morfológicos existentes sobre a rua
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 19 do Tourinho. A rapidez e a profundidade das mutações urbanas pugnam por uma planificação coordenada da requalificação do centro histórico, no âmbito do conceito de flexibilidade e de adaptabilidade das habitações domésticas urbanas. 1.5 Estrutura do trabalho O corpo deste trabalho está estruturado em cinco capítulos. Capitulo I O capítulo I refere-se ao capítulo introdutório onde se apresentam as razões da presente dissertação e se determinem parâmetros em que a mesma se desenvolve. Neste capítulo será realizado a identificação do objecto de estudo, a problemática de investigação, a definição dos objectivos, a referência das fontes consultadas e as metodologias adoptadas na elaboração desta investigação. Capitulo II O capítulo II, aborda os conceitos teóricos do habitar urbano, a problemática do habitar nos centros históricos, o papel da habitação na conformação da forma urbana e os componentes e a terminologia sobre as novas formas de habitar o espaço doméstico urbano como o conforto, a flexibilidade tipológica e a adaptabilidade à transformação de usos. Capitulo III Este capítulo dedica-se ao enquadramento da habitação no centro histórico de Viana do Castelo, com o estudo dos aspectos gerais sobre a evolução e diversidade dos tipos de espaços domésticos urbanos e as diferentes abordagens na problemática da reabilitação habitacional do centro histórico de Viana do Castelo.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 20 Capitulo IV O capítulo IV baseia-se na análise morfológica e tipológica de estudos de caso na Rua do Tourinho no centro histórico de Viana do Castelo. Neste capítulo são elaboradas análises individuais dos estudos de caso através das fichas que integram o levantamento de cada habitação e o estudo da sua organização espacial. Com base na referida análise individual é elaborada uma análise comparativa dos mesmos onde são elaborados quadros – síntese e analisado o nível de adequação das terminologias das novas formas de habitar, estudados no capítulo II. O capítulo V refere-se às conclusões gerais e específicas da investigação. Na realização desta dissertação torna-se fundamental recorrer à revisão de diferentes autores de referência, de forma a enquadrar os conceitos apresentados. Numa primeira fase realizou-se a revisão da literatura relacionada com a problemática da investigação e posteriormente foi realizada uma selecção e revisão de bibliografia mais específica.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 21 CAPÍTULO II Cidade e Residência: o conceito do Habitar Urbano
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Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 23 2.1 Problemáticas associadas aos centros históricos Nos últimos séculos, com a Revolução Industrial verificou-se um crescimento demográfico urbano e em contrapartida, um abandono do meio rural. A Revolução Industrial trouxe alterações estruturais nas cidades, mas o modernismo revolucionou a forma da cidade. Na primeira metade do séc. XX, após a Segunda Grande Guerra e até aos anos sessenta e aos anos setenta, a cidade tradicional foi substituída por um modelo novo (Lamas, 2010, p. 303) . Segundo Lamas (2010), a génese da cidade moderna teve dois grandes períodos. O primeiro, situado entre duas guerras, designa-se pelo período das formulações teóricas e experimentais em que os arquitectos “modernos” se lançaram em oposição à urbanística tradicional e se debruçaram sobre a organização da estrutura e sobre a morfologia da cidade. É neste contexto que o quarteirão, a rua e a praça dão prioridade às tipologias de torre, de banda e de bloco. O segundo período, marcado pelo fim da Segunda Guerra Mundial até aos anos setenta, recorre de forma acelerada, a cidade com habitação, bairros e centros urbanos. Este tipo de construção “moderna” em altura, foi seriamente criticada e contestada na época designada por Urbanística Operacional. Tratou-se de uma fase de diferentes conceitos como a cidade–jardim, a unidade vizinhança, as experiências alemãs, holandesas e austríacas, o racionalismo e funcionalismo da Carta de Atenas, as ideias de Le Corbusier e as iniciativas dos CIAM 1 . Estas experiências têm um objectivo comum: a rejeição da cidade tradicional e a implantação dos novos modelos de organização do espaço urbano, negando-se a estrutura tradicional do tecido urbano de matriz histórica. 1 CIAM – Congressos Internacionais de Arquitectura Moderna
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 24 Segundo a Carta de Atenas (ICOMOS.1933), a cidade é planeada num conceito de obrigatoriedade em isolar, separar e arrumar as principais funções da cidade, designadamente o habitar, o trabalhar, o lazer, o recrear e o circular bem como atender às deslocações necessárias para o desempenho destas actividades. A cidade desenha-se por zonas com funções diferenciadas e por sistemas independentes: sistemas de circulação, de habitação, de equipamentos, de trabalho e de recreio com funcionalidade autónoma ”A consequência deste processo será a autonomização e independência física dos vários sistemas entre si, ou seja, os vários elementos que estruturam a cidade deixarão de se relacionar espacial e formalmente“ (Lamas, 2010, p. 303) . A Carta de Atenas descreve: A vida da cidade manifesta-se através dos séculos por obras materiais, traçados ou construções, que lhe conferem personalidade própria e das quais nasce, pouco a pouco, a sua alma. Estas obras são os testemunhos preciosos do passado que serão respeitados, pelo seu valor histórico ou sentimental (CIAM, 1933, citado por Correia & Lopes, 2004, p.51). O Congresso Internacional de Arquitectura Moderna promove e publicita as ideias da arquitectura e da urbanística moderna. O congresso aprofunda o estudo da forma urbana e do desenho do espaço citadino que na década de sessenta, arquitectos, sociólogos, entre outros profissionais e a própria população manifestam reacções de contestação ao urbanismo da cidade moderna, Gordon Cullen valorizava as sequências espaciais em pequena escala e seus pormenores, Kevin Lynch recorre ao desenho da cidade, valorizando a imagem visual (Lamas, 2010, p. 386). Rossi inserido num movimento designado de Tendenza, defende a importância da cidade histórica, da arquitectura do desenho da cidade e da reabilitação das formas urbanas tradicionais. É nesta sequência de ideias, que a cidade antiga passa a ser considerada
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 25 como um lugar de grande valor. Emergem novas soluções e novos pensamentos, em relação ao futuro arquitectónico que se designou de “Novo Urbanismo” 2 . O novo urbanismo significa: “…a contestação à urbanística operacional burocrática a às suas formas, procurando novos caminhos no desenho da cidade” (Lamas, 2010, p. 389). A distinção entre o novo urbanismo e o urbanismo moderno é a influência das relações morfológicas presentes na cidade tradicional. Segundo Ascher (2010), esta revolução urbana foi evolutiva, estando já instalada uma revolução urbana moderna com “evoluções consideráveis nas práticas quotidianas dos citadinos, nas formas das cidades, equipamentos públicos e nos serviços, na tipologia dos lugares urbanos, nas atitudes em relação à natureza e ao património…” (2010, p. 61). Hoje vive-se uma revolução digital que afecta o assentamento humano, a forma de viver e de trabalhar. A sociedade vive em constante transformação, a um ritmo acelerado: “A diversidade aumenta igualmente em virtude da aceleração das mudanças dos modos de vida e dos sistemas de valores.” (Ascher, 2010, p. 42). Segundo Vegara e Rivas (2004), o inicio do século XXI atravessa uma das maiores transformações da história da humanidade, com consequências no espaço económico, político, social e arquitectónico. As dinâmicas urbanas dependem da evolução das tecnologias desde os primórdios da escrita à internet, passando pela invenção da imprensa, do caminho-de-ferro, do carro eléctrico, do elevador, do automóvel chamados sistemas de mobilidade, “sistemas bip” 3 . Podese dizer, que foi graças à invenção e ao avanço destas tecnologias que o crescimento das cidades se tornou possível. 2 New Urbanismo 3 Tecnologias de Transporte e Armazenamento de bens, de informações e de pessoas.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 26 A sociedade estruturada funciona como uma série de redes interligadas que asseguram uma mobilidade acrescida às pessoas, aos bens e à informação o que, num sistema económico internacional, se designa de globalização:” …a cidade se torna cada vez mais o lugar da diferença, acervo de minorias culturais, religiosas, linguísticas, étnicas, de níveis de renda, de estilos de vida, de arquitecturas … que advém em um período no qual todo o sujeito e toda actividade são cada vez mais fortemente atraídos em relação aos diversos aspectos da globalização (Secchi, 2006, p. 89).”. Graças ao desenvolvimento de transportes e das telecomunicações, este processo de urbanização passa por um crescimento urbano, organizado em redor das aglomerações mais importantes, a que se dá o nome de metropolização. As soluções adaptadas a diferentes contextos e a heterogeneidade fazem as cidades crescer de forma mais actual e diversificada, embora assente no edificado antigo. Portanto, construir a cidade é ter em conta a diversidade de situações, de espaços e de modos de vida. Ascher defende: “É preciso, portanto, acabar com uma representação nostálgica da cidade europeia que considera que tudo o que é urbano deve ser denso e contínuo” (Ascher, 2010, p. 107). Quando se fala na estruturação das cidades, implica a comercialização dos seus problemas, das suas potencialidades e da criação das melhores condições para os seus habitantes “…estruturar uma cidade sem nos alhearmos da totalidade dos problemas começa pelo criar de condições para os seus habitantes de modo a não se sentirem obrigados a abandoná-los para os grandes centros do país…” tornando o lugar mais adequado aos diferentes modos de vida e “implica sobretudo, satisfazer as necessidades básicas dos habitantes no meio urbano em que vivem se aí quiserem permanecer” (Portas, 2005, p. 158).
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 27 As novas formas de urbanização devem considerar o perfil das cidades existentes. Num esforço conjunto dos intervenientes no seu processo de estruturação, as cidades devem ser pensadas e planificadas caso a caso, atendendo aos seus valores culturais, sociais e patrimoniais. “Qualquer cidade tem elementos característicos que não são necessariamente considerados como património nacional mas que são importantes porque é através deles que o cidadão frequentemente se identifica como a sua “terra”. É esse património que constitui a originalidade de uma terra, sendo por isso um grande valor de cultura local e regional, e também um valor de cultura arquitectónica, histórica e emocional” (Portas, 2005, p. 160). É na relação das estruturas das cidades, que surgem como pontos de interesse urbanístico, os centros históricos. Segundo Lamas (2010), o centro histórico, é parte activa da cidade, é o núcleo central de um conjunto urbano. O centro histórico, na época da Revolução Industrial sofreu alterações a nível de assentamento tendo a expansão da cidade levado consigo os seus habitantes. Assistiu-se a uma desertificação dos centros históricos que viram a sua população reduzida a uma faixa etária socialmente envelhecida. Neste contexto de desenvolvimento das cidades, assistiu-se a que, em meados do séc. XIX, as cidades europeias tenham mudado o seu plano estrutural, em necessidade de resposta ao crescimento demográfico e ao desenvolvimento industrial. Estas alterações a nível de transportes, de circulação e de novos conceitos de higiene e de conforto, trouxeram para além da sua expansão, a renovação dos centros históricos. A partir da segunda metade do século XIX até ao fim da Segunda Guerra Mundial, no séc. XX torna-se premente a adaptação da cidade antiga aos ideais de uma nova vida social. Assiste-se deste modo a uma conjugação entre destruição/renovação no que concerne ao embelezamento, à circulação e ao funcionamento da cidade. Por volta dos anos sessenta, muitos dos centros históricos fazem parte da problemática urbanística passando a ser objecto de estudo.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 34 Restauro Artigo 9.º:O restauro é uma operação altamente especializada que deve ter um carácter excepcional. Destina-se a preservar e a revelar os valores estéticos e históricos dos monumentos e baseia-se no respeito pelos materiais originais e por documentos autênticos. Não devem ser empreendidos restauros quando se está em presença de hipóteses visando reconstituições conjecturais. Nestes casos, qualquer acrescento ou complemento, que se reconheça indispensável, por razões estéticas ou técnicas, deverá harmonizar-se arquitectonicamente com o existente e deixar clara a sua contemporaneidade. O restauro deverá ser sempre precedido e acompanhado de um estudo arqueológico e histórico do monumento. Sítios monumentais Artigo 14.º: Os sítios monumentais devem ser objecto de cuidados especiais a fim de salvaguardar a sua integridade e de assegurar a sua limpeza, organização harmoniosa e valorização. Os trabalhos de conservação e de restauro a efectuar nos sítios monumentais devem inspirar-se nos princípios enunciados nos artigos precedentes. (ICOMOS.1965) A Carta de Washington de 1987, diz respeito, mais precisamente, às cidades grandes ou pequenas e aos centros ou bairros históricos, que expressam os valores. Esta Carta defende os valores a preservar de carácter histórico da cidade e o conjunto de elementos materiais e espirituais que lhe determinam a imagem, em especial: - A forma urbana definida pela malha fundiária e pela rede viária; - As relações entre edifícios, espaços verdes e espaços livres; - A forma e o aspecto dos edifícios (interior e exterior) definidos pela sua estrutura, volume, estilo, escala, materiais, cor e decoração;
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 35 - As relações da cidade com o seu ambiente natural ou criado pelo homem; - As vocações diversas da cidade adquiridas ao longo da sua história. Qualquer ataque a estes valores comprometeria a autenticidade da cidade histórica (ICOMOS, 1987, citado por Lopes & Correia, 2004, p.215). A Carta de Cracóvia (2000), cita que tal estudo deve estar ligado à pesquisa pluridisciplinar: sobre materiais e tecnologias usadas na construção, reparação e no restauro do património edificado. A intervenção escolhida deve respeitar a função original e assegurar a compatibilidade com os materiais, as estruturas e os valores arquitectónicos existentes. Deve estimular-se o conhecimento dos materiais e técnicas tradicionais de construção, bem como a sua apropriada manutenção no contexto da sociedade contemporânea, considerando-as componentes importantes do património cultural (Carta de Cracóvia, 2000, citado por Lopes & Correia, 2004, p.293). Deste modo os planos de salvaguardas só deverão ser constituídos após a realização de estudos científicos realizados por equipas pluridisciplinares compostas por: - especialistas em conservação e restauro, incluído historiadores de arte;- arquitectos e urbanistas; - sociólogos e economistas;- ecologistas e arquitectos paisagistas; - especialistas em saúde pública e segurança social, e, em geral, por todos os especialistas em disciplinas relacionadas com a proteção e valorização dos conjuntos históricos (UNESCO, 1976, citado por, Lopes & Correia ,2004, p.179). No entanto, estes ideais não podem ser totalmente acolhidos, atendendo à evolução e às mudanças impetuosas nos modos de vida
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 36 da sociedade moderna. Se por um lado, as pessoas primam por uma adaptação às novas formas de vida mais confortável, por outro reagem quando o plano é excessivamente renovador, contestando o aniquilamento de bens aos quais estão estritamente ligados. A autenticidade do património urbano exige abertura na mentalidade e flexibilidade, sendo que cada caso é um caso e está inserido particularmente num universo socioeconómico, cultural e ambiental. “ En la cuidad conviven lo viejo y lo nuevo, lo que la história propone como valioso y lo que interesa para el futuro “ (Vegara & Rivas, 2004, p. 155). Em síntese, o centro histórico tem de dar resposta a problemas que se colocam hoje, como por exemplo a habitabilidade, os espaços verdes de recreio e lazer, o estacionamento na proximidade da residência e a oferta de equipamentos sociais, de ensino e desportivos e de comércio local essenciais à sua existência. A qualidade do espaço público ganha significativa importância na revitalização dos centros históricos uma vez que os espaços de lazer satisfazem o bem-estar dos cidadãos residentes e não residentes. A oferta de equipamentos colectivos e serviços ajustados às necessidades dos habitantes, que vão desde o parque infantil ao centro de dia ou a residências para idosos, escola básica, aos campos de jogos, aos ginásios e outros, passam a constituir uma mais-valia para a fixação da população residente. Desta forma, os espaços públicos e privados adoptaram uma relação de dualidade importante que se traduz na forma urbana na qual, os centros históricos poderão surgir como uma oportunidade e como uma primeira escolha de lugar para viver.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 37 2.2 O papel da habitação na conformação da forma urbana O conceito habitar, segundo Vegara e Rivas (2004 ), esteve historicamente condicionado pelas inovações que se criaram, o que alterou as formas de habitar, o modo de produzir, as relações sociais, a organização política, o território e as cidades. Segundo Lamas (2010), a forma urbana consiste na organização do espaço transformando-o como forma resolutiva dos problemas da cidade. As ciências urbanísticas e de arquitectura deverão ter sempre um espírito interventivo assente na articulação dos elementos morfológicos que constituem o espaço urbano. Cada rua ou cada praça têm a sua particularidade nos edifícios que as definem e as estruturam como unidades espaciais e como elementos morfológicos. A forma física de um espaço implica sempre uma dimensão e uma escala que, embora sem limite específico, constitui uma forma urbana. Os centros históricos constituem unidades de espaço urbano com forma própria. Segundo Cullen, os seus elementos morfológicos, as suas características e dimensões, os pavimentos, as cores, as texturas e a vegetação, organizados entre si, desenham a forma urbana. Para Lamas (2010) é através dos edifícios e com a sua organização diferenciada como a rua, a praça e o beco que se constitui o espaço urbano. Segundo o autor, cada espaço urbano tem a sua própria expressão arquitectónica que o caracteriza. As arcadas, as varandas são elementos caracterizadores de espaços próprios, dando-lhes singularidade e identidade particular. O autor Coelho (2009) afirma que para fazer cidade é necessário habitação e por conseguinte não faz sentido existir cidade sem habitação, deste modo e com apoio na análise das intervenções habitacionais consideradas mais adequadas, realizadas com base em projectos de arquitectura urbana,
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 38 Rossi defende que “ A cidade sempre foi amplamente caracterizada pela residência” (Rossi, 2001, p. 96), o espaço residencial faz parte da constituição do tecido urbano e sem ele a cidade deixa de existir. Os espaços residenciais e a caracterização das tipologias estão intimamente ligados à forma urbana. “A tipologia edificada determina a forma urbana, e a forma urbana é condicionadora da tipologia edificada, numa relação dialéctica “ (Lamas, 2010, p. 86). Fig. 3 Diferentes Formas Urbanas Fig. 4 A Forma Urbana da parte meridional de Manhattan, New York
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 39 Segundo Lamas (2010 ), é no período entre as duas guerras, período de evolução na arquitectura e no urbanismo, que se intensifica uma tipologia no habitat residencial. Esta tipologia teve início nos quarteirões dos bairros holandeses, alemães e na Unité d´Habitation de Le Corbusier em que o tipo edificado vai originar e determinar a forma urbana. A Unité d´Habitation, criada por Corbusier é apoiada na construção de tipo bloco colectivo e valoriza os princípios da evolução e da industrialização. Trata-se de um modelo urbanístico desenhado para desenvolver um sistema de cidade disposto na vertical. É neste período histórico, que a forma urbana se define não só como resultado mas também como promotora da tipologia edificada. Para Lamas (2010), as políticas para os centros históricos devem ser articuladas com as políticas que se desenham para a globalidade da cidade. A recuperação dos centros históricos implica, como já anteriormente referido, uma capacidade de dar resposta aos muitos problemas advindos aquando da estruturação da cidade e não isolarse como um núcleo fechado em si próprio. Os centros históricos são parte integrante na planificação do conjunto urbano do qual depende e se faz depender. De uma forma geral, as cidades históricas apresentam uma caracterização de uma tipologia de construção estreita e comprida e com variados tipos de cérceas com utilidade mista. Os pisos superiores destinavam-se a habitação, enquanto que o piso térreo, com ligação directa à rua, se desenvolvia numa multiplicidade de funções e ocupações geralmente comerciais nomeadamente lojas, oficinas, entre outros. A mistura funcional habitação / serviços é uma solução favorável. Enquanto a função residencial procura um ambiente mais calmo e recatado, as outras funções beneficiam de ambientes de maior dinamização.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 40 Segundo Lamas (2010), os princípios defendidos na Idade medieval passavam pela ideia de que viver era sinónimo de trabalhar. Daí o facto de as oficinas de artesãos e artistas serem extensões naturais da casa. A actividade principal desenvolvida na cidade medieval, o comércio, os serviços entre outros, contribuíam para a dinamização dos centros históricos, garantindo alguma segurança e bem – estar aos citadinos: “Os comerciantes de proximidade oferecem não somente serviços úteis para os citadinos mas desempenham também um papel importante na animação da vida urbana e na qualificação e segurança dos espaços públicos. Porque não ajuda-los?” (Ascher, 2010, p. 120). Esta actividade das cidades foi-se modificando ao longo dos tempos pela alteração no modo de vida das pessoas. Criou-se uma estrutura de vida muito irregular com a modificação das estruturas familiares, com horários incertos, mais tardios e também com a mobilidade dos locais de trabalho. As condições de circulação de transportes e de estacionamento adequadas à morfologia urbana continuam a fazer parte dos vários problemas para os centros históricos. Na maior parte dos casos não é possível criar estacionamento no interior dos lotes, dada a reduzida dimensão das fachadas e do próprio lote. A falta de equilíbrio da composição arquitectónica das fachadas e a estrutura interior do próprio edifício constituem também uma das condicionantes para a solução do referido problema, segundo Lamas (2010).
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 41 2.3 Componentes e terminologias genéricas relativas às novas formas de habitar o espaço doméstico urbano Nos tempos actuais, habitar os centros das cidades deveria constituir uma procura dos cidadãos e ser encarado como uma mais-valia à sustentabilidade. Segundo Secchi (2006), os centros urbanos, esquecidos no tempo em favorecimento das construções periféricas e metropolitanas, deverão passar a ser mais considerados e mais entendidos como uma forma de sustentabilidade. Na verdade, a reabilitação dos centros históricos pode ser pensada como conceito de sustentabilidade a vários níveis: económico, ecológico e ambiental. Habitar no centro histórico permite a flexibilidade de residir e trabalhar num mesmo espaço ou em fracções independentes ou mesmo a uma distância maior mas sempre com a possibilidade de se poder deslocar a pé ou de bicicleta optimizando custos de deslocação, de protecção da camada de ozono e até a prática de exercício físico tendo em conta a sustentabilidade ecológica. Outra vantagem em habitar o centro é a possibilidade de criar condições e espaços de cultivo próprio de alimentos necessários para autoconsumo. Este tipo de soluções tende a aumentar e a integrar-se no estilo de vida das pessoas. A maior parte deste tipo de habitações possui pequenos ou grandes logradouros que, cada vez mais são aproveitados. O Estado, juntamente com as autarquias, deve ter um papel fundamental na promoção da habitabilidade dos centros históricos, criando para isso condições atractivas e diversificadas. A própria tipologia de habitação deverá corresponder aos seus utentes atendendo às diferentes faixas etárias e às diferentes classes sociais e culturais. São estes factores, juntamente com a variedade de atracções culturais e de possibilidades da criação de empregos, que fazem as cidades crescer.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 42 Com o avançar dos tempos, as formas de viver dos cidadãos sofreram alterações paralelamente à mudança dos hábitos. “Cambios en los próprios modos de vida que hoy se adivinam sensibles – y, por tanto, también en las respuestas arquitectónicas a ellos referidas…” (Gausa & Devesa, 2010, p. 141). Fig. 5 Representação da estatura social da cidade contemporânea de 1853.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 43 É na sequência destas alterações que surge a necessidade de pensar a habitação, adaptando-a às novas realidades. O desenvolvimento das tecnologias, das telecomunicações e da sustentabilidade, ou seja, esta forma de comunicação em rede, veio facilitar a troca de informação tornando-a mais célere e mais globalizada. As novas formas de habitar o espaço doméstico urbano estão também associadas ao desenvolvimento dos materiais, por sua vez, aliados ao progresso dessas tecnologias, tornando o espaço de habitar, de lazer e de convívio mais flexíveis e mais versáteis. É nesta sequência que surge um novo conceito, o de mobiliário móvel, um conceito facilitador nas diferentes funções de compartimentos mutáveis ao longo do uso da habitação: “ Há cada vez mais a possibilidade dos âmbitos não serem só os da sala de refeições, cozinha, etc , mas que sejam antes o espaço para o relax , para a interacção ou o espaço com uma missão mais relacional onde se possam juntar funções em áreas mais amplas. Com as novas tecnologias, podemos falar do espaço do teletrabalho, da projecção e comunicação.” (Gausa & Devesa, 2010, p. 53). São factos resultantes do estudo destas alterações na forma de habitar o espaço doméstico urbano os autores de referência como, de entre outros, Allison e Peter Simthors, mentores do projecto “Casa del Futuro”, Chanéac com a aplicação de novos materiais na época, Shigeru Ban com a “Paper House”, uma criação de espaços amplos e flexíveis e Toyo Ito com o projecto da casa Pao em que a flexibilidade do espaço é utilizada ao extremo. Estes autores destacam-se pelo estudo que realizaram relativamente à transformação da forma de habitar, nomeadamente na utilização de espaços mais flexíveis segundo a Revista a+t (1999).
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 50 tamaño , gran número de personas y de actividades.” e ”La casa es una sala que se coloniza gracias a los âmbitos que estos muebles sugieren por su disposición o por sua forma – como las camas com dosel que parecen reproducir una habitación“ (Monteys & Fuertes, 2001, p. 104). A sociedade transformou-se, o modo de vida alterou-se, a estrutura familiar sofreu mudanças, a educação adaptou-se, o carro, o telefone e a prática religiosa acompanharam as alterações da sociedade e o conceito de férias abriu novos horizontes. Mas o programa habitacional manteve-se o mesmo e coube aos arquitectos intervir de uma forma mais actual e adequada, adaptando os espaços interiores das habitações às novas formas de vida, segundo Monteys & Fuertes, (2001). É esta necessidade de mudança que vai redefinir o espaço doméstico público e privado. Isto é, vai reorganizar as compartimentações, como instalações sanitárias, quartos, cozinhas e armários de forma a tornarem o espaço de habitar mais flexível e mais versátil. O avanço das tecnologias, dos próprios sistemas arquitectónicos e dos sistemas construtivos permite uma diversa conjugação de espaços a escalas diferenciadas. Encontram-se também o uso dos electrodomésticos, sistemas de som, computadores, entre outros sistemas mais complexos como aspiração central, internet, cabo tv que, por se terem tornado cada vez mais imprescindíveis no dia-adia, têm de estar considerados na projecção dos diferentes espaços. Hoje, ao resultado do avanço das novas tecnologias, é possível criar num mesmo espaço, vários cenários distintos, através de elementos mecanizados como paredes amovíveis. Pode-se dizer que a transformação da sociedade resulta em parte da evolução das tecnologias e foi graças ao seu desenvolvimento que o crescimento das cidades se tornou possível. É o aparecimento de uma nova economia do conhecimento e da informação que caracteriza a sociedade actual. A expressão “nova economia” abrange
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 51 as novas tecnologias de informação e de comunicação (hardware e software), a net-economia, ou seja, as actividades económicas dependentes do uso da internet e ainda a economia cognitiva que compreende o uso da informação e dos procedimentos na produção, na venda e na aplicação dos conhecimentos nas actividades industriais e nos serviços segundo Ascher (2010). Esta nova economia exige uma articulação entre o capital cognitivo nas pessoas, nas máquinas e na organização. Há uma valorização dos saberes, do saber fazer, nas relações pessoais, na criatividade, etc. “O desenvolvimento da net - economia (comércio electrónico de retalho e entre empresas, o chamado e - comércio, a e - formação,e tele -sensino, e-recrutamentoe e-pessoal temporário, e-saúde e telemedicina, e-banco/seguros, e-bolsa, e-segurança e televigilancia , e e-informação e telejornais, etc.) muda os critérios de localização das actividades e participa nomeadamente na reconfiguração das centralidades e das especializações comerciais.” (Ascher, 2010, p. 54). A alteração de usos e mesmo das relações socioprofissionais levou, a que algumas pessoas deixassem o seu local de trabalho e passassem a trabalhar nos seus espaços domésticos. É neste contexto que as habitações urbanas, particularmente as dos centros históricos, permitem uma flexibilidade de função e de uso. A permeabilidade de habitar num piso e de trabalhar noutro e a agilidade de deslocação trazem uma mais-valia na sustentabilidade de custos, revelando-se adequadas aos modos de vida contemporâneos, segundo Ascher (2010). Resultante do período pós-industrial, esta versatilidade veio resolver e facilitar as questões de mobilidade, de comunicação e de trabalho com que o mundo de hoje se depara. Este tipo de estrutura social em rede alimenta uma nova solidariedade, criando interdependência
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 52 entre indivíduos mas sempre no sentido de desafio para uma solidariedade com interesses colectivos. Em forma de síntese, pode-se afirmar que o desenvolvimento das técnicas e tecnologias são factores determinantes na alteração das sociedades e, consequentemente, nas formas de repensar o espaço de habitação urbana. As terminologias flexibilidade e adaptabilidade convertem-se nas palavras - mãe para este tipo de vida.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 53 Fig 9 Estúdio de Artista em Soho de Manhattan Fig. 10 Casa de estudantes en Vaasa de Prjo e Matti Sanaksenaho
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 54 Enquadrado no âmbito do tipo de habitação flexível, o loft, surge como um fenómeno urbano nova-iorquino de grande interesse para a sociedade da época. O loft nasce em meados do século XX, com a ocupação por artistas, dos armazéns e das fábricas abandonadas na periferia das cidades. Andy Warhol e Donald Judd, dois artistas plásticos americanos, desenvolveram esta forma de habitação a par de um estilo de vida adoptado em favor da liberdade e da anarquia. O loft era essencialmente o modo de habitar preferido do artista que passou do mundo do underground para o estilo de vida rebel - chic. O loft surge como o local de trabalho e de habitação criando uma nova forma de vida urbana. Estes tipos de espaços são caracterizados pela sua grandeza de superfícies profundas, vazias e flexíveis. “la idea de loft como lugar de todos los posibles” (Gausa & Devesa, 2010, p. 145) . Este fenómeno urbano começou por ter uma conotação “alternativa” evoluindo para uma forma de pensar, projectar e habitar. Este tipo de habitar depressa encontrou projecção nos espaços da cidade nomeadamente, nos centros históricos. Habitados por grupos de amigos e artistas, o loft define-se também como manifestação na descrença de valores, nomeadamente nos valores de família, e de desejo de solidão. Este modo de vida traz um novo conceito de felicidade e de independência. O loft permite a máxima flexibilidade e a aptidão evolutiva de uma arquitectura que vence o tempo e o espaço. Desta forma, surge como primeira experiência do novo espaço de habitação moderna e é ainda hoje uma referência tipológica ao tema da investigação da habitação.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 55 Fig.11 Domestic Prototype . Livin Unit, 1994. Fig 12 Vinyl Mitford House, 1994
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 56 Cada vez se procura mais a criação de organização espacial por intermédio de elementos separadores móveis ou desmontáveis, mais do que paredes divisórias fixas. O mobiliário é um elemento que não constitui um componente da habitação, mas que poderá tornar o espaço mais ou menos funcional e tem cada vez mais sido levado em conta como organizador espacial. Este novo conceito de “mobiliário móvel” permite uma versatilidade de compartimentos facilmente mutáveis, conforme a funcionalidade necessária, podendo assim responder à exiguidade dos espaços. Estas áreas mínimas compartimentadas alternadamente por zonas de dormir, de trabalho e lazer podem satisfazer as necessidades dos seus utentes. Mesmo as áreas de serviço têm dado resposta ao grau de flexibilidade por mobilidade das peças sanitárias que podem ser retiradas ou recolocadas noutros locais da habitação. Steven Holl defende: ”Viver a experiência da poesia da luz e do espaço confirma o potencial estimulante da arquitectura.”. Defende também que: “O espaço quer-se meio plástico, um espaço articulado destinado a abrir o interior estreito dos apartamentos de portas ligeiras e pivotantes concebidas para permitir que os ocupantes possam transformar este espaço interior numa constante modificação dinâmica” (Patricio, 2001, p. 53). Desta forma, a importância destes elementos aumenta, enquanto organizadores espaciais, à medida que se pretende habitações com menor número de compartimentações - “open space”-, uma vez que são estes os componentes que acabam por definir os percursos internos da habitação Toyo Ito refere que: “Quando falo de refúgio ou de ritual, refiro-me à casa como ideal, para além dos tempos e das culturas”. Refere-se também à “casa contentor é como a casa–caixa, perversa, não é como a casa moderna, é uma caixa-multiusos, com flexibilidade”, assim como, “…a arquitectura é mais dinâmica em
Escola Superior Gallaecia todos os sentidos, é evolutiva e transformável.” representa a ideia de habitat pode inclua pro (Patricio, 2001, p. 53) Fig. 13 mobiliário de plásticos permitem conceber o sentar como um espaço interior Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 57 todos os sentidos, é evolutiva e transformável.” representa a ideia de habitat pode converterse numa inclua pro cessos evolutivos, combinatório e de transformação (Patricio, 2001, p. 53) . Fig. 13 Verner Panton fotografado na sua Pantower (19681969). Os módulos de mobiliário de plásticos permitem conceber o sentar como um espaço interior Fig.14 Cabrio let – Bed de Joe Colombo de 1969 HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO todos os sentidos, é evolutiva e transformável.” e “Tudo o que se numa lógica que de transformação ” 1969). Os módulos de mobiliário de plásticos permitem conceber o sentar como um espaço interior Bed de Joe Colombo de 1969
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 58 Como a maior parte dos espaços que comporem a casa, um dos compartimentos que sofreu mais alterações programáticas ao longo do espaço habitar foi a cozinha e pode-se considerar que é uma compartimentação da habitação multiforme e multifuncional. Como espaço exíguo da casa, requer um estudo previamente pensado pelo aproveitamento de todos os espaços dada a restrição da área mas também planificada como um espaço susceptível de adaptação e alteração. Multiforme pela sua disposição física variavelmente em U, em I ou em L de acordo com a orientação da luz a que está sujeita e á conformidade com os restantes espaços. Podendo ser a continuação desses mesmos espaços como por exemplo da sala ou como um compartimento á parte dos restantes divisões. Ou ainda escamoteado por diferentes soluções como painéis amovíveis, armários, paredes entre outros. A multifuncionalidade deste compartimento prende-se com as diferentes actividades em adequação ao seu número de ocupantes. A cozinha de uma pessoa que vive sozinha deverá ter um estudo diferente da cozinha destinada a um casal com ou sem filhos. Enquanto a cozinha na primeira situação poderá ser um local de necessidade espontânea, nos outros casos poderá ser até um local de encontros, partilhado comummente. Na verdade a cozinha deverá ser estudada de acordo com as alterações da vida das pessoas em que o primeiro caso poderá num curto espaço de tempo tornar-se um exemplo do segundo caso. A estrutura deste espaço deverá atender às diferentes condicionantes dos utentes, pessoas com mobilidade condicionada, pessoas com idade avançada ou outras barreiras pessoais.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 59 Fig. 15 Projecto de veiculo transportável e flexível para os sem abrigo que serve como uma casa móvel Fig 16 Espaço improvisado e flexível de refeição na mala de um autocarro
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 66 No âmbito da aplicação das novas tecnologias na forma de habitar, surge Hitoshi Abe, um dos arquitectos mais transculturais da sua geração. A capacidade do homem ultrapassar os seus limites físicos, segundo o autor, deve-se à introdução das novas tecnologias. As novas tecnologias devem conduzir a um pensamento ocidental que se baseie na dualidade de espírito e matéria. O arquitecto defende nas suas obras um sistema de construção temporário, combinando materiais simples, num sistema de aplicação fácil permitindo ao público realizar a sua construção própria. Num dos seus colóquios, Hitoshi apresentou um sistema de estrutura transformável de fácil aplicação, adaptando os espaços a tamanhos e formas diferentes. Nos seus projectos revela preocupações por uma arquitectura em evolução do mundo do Homem com o ambiente. Hitoshi doutrina nas suas publicações, que o papel do arquitecto não é o papel de criar uma vida ideal, nem uma casa ideal mas sim de interagir entre a vida e o meio ambiente. Em muitos dos seus projectos de habitação Hitoshi recorreu à técnica da “banda flexível” em que a casa ganha o sentido de movimento, mas também de limite. Compara o sistema de construção de movimento e de limite como um estilista adapta o tecido ao corpo na configuração de envolvimento. Também Shigeru Ban, particularmente reconhecido pela sua arquitectura de”papel”, desenvolveu o conceito da flexibilidade em alguns dos seus projectos de habitação. Os projectos Paper Log House compreendem abrigos de urgência em cartão construídos, na sequência de diferentes catástrofes mundiais dada a sua sensibilidade para os problemas humanitários. Influenciado pelas regiões super povoadas do seu país, Japão, e pelas situações de catástrofes naturais, tenta conceber nos seus projectos
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 67 Fig.22Casas de Abrigo projectadas por Shigeru Ban Fig. 23Desenhos do Projecto Paper House de Shigeru Ban
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 68 espaços de liberdade, abertos e flexíveis, libertando as casas de paredes. É sua preocupação reduzir o número de compartimentos cingindo-se ao mínimo de paredes dando assim uma fluidez máxima ao espaço interior e ao prolongamento visual em direcção ao exterior. Na Naked House representa um espaço único sem separação onde os móveis se deslocam sobre rodas ao bel-prazer e necessidades da família. Na Curtain Wall House são as paredes que encerram o perímetro do andar da sala de estar fazendo a separação com paredes de vidro de correr. A “arquitectura de papel“ deste arquitecto em estudo define-se como um material de fácil transporte, barato, leve, com todas as dimensões desejados e a partir de papel reciclado. Influenciado pelos móveis de madeira de uma exposição de Alvar Aalto, ele cria tubos em cartão em substituição da madeira. É com base nas pesquisas realizadas no centro industrial e tecnológico de Tóquio que Shigeru Ban constrói a Paper Gallery e a Paper House, sua própria casa. A Paper House apresenta uma estrutura em tubos de cartão ligeiramente afastados entre si em forma de S, em conjugação com uma estrutura de vidro quadrada de 10 metros de lado, em que uma extremidade se prolonga até ao exterior. Neste espaço está inserido um jardim e uma casa de banho que se abre para o interior quase despido de mobiliário. A entrada de luz, Shigeru estudou-a sabiamente através dos afastamentos dos 110 tubos de cartão. Este espaço totalmente flexível abre-se para as varandas que culminam nos jardins japoneses.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 69 Fig. 24Prototipo da céllula Polivalente de Chanéac, 1960 Fig. 25Prototipo da céllula Polivalente de Chanéac, 1964
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 70 O aruitecto Chanéac, notabilizou-se com o estudo dos sistemas de habitação modulares flexíveis. Defende uma arquitectura orgânica, evolutiva e móvel caracterizada pela implantação livre de células individuais. São células em forma paralelepipédicas industrializadas e normalizadas de fácil transporte e montagem. Estas células abrem a uma reflexão sobre a estrutura modular na arquitectura. Este sistema modular possibilita a fácil remodelação do interior e o aumento ou redução das divisões. Os materiais sintéticos utilizados por Chanéac como poliéster, resina e espuma, prestam-se a servir uma arquitectura espontânea através da montagem de elementos pré – fabricados dando-lhes uma forma de curvatura mais versátil. Estes cascos têm a capacidade de ser adicionados conforme as necessidades podendo formar conjuntos que poderão atingir dimensões megalíticas. Chanéac defende esta combinação de elementos modulares volumétricos fabricados em massa como uma forma de responder aos problemas urbanísticos da época e de crescimento exponencial da cidade europeia. Com esta nova arquitectura o arquitecto não pretende descurar a estrutura da cidade primitiva mas sim apenas integrá-la na sua periferia. Criador do Emergem Design (associação de designers) Tom Wiscombe, prossegue pesquisas sobre problemas de globalização, tecnologia e materialidade. Este grupo de designers promove a criatividade junto dos clientes. O seu registo de intervenção vai desde o projecto de grande escala até a arquitectura de interiores. Emergem Design aborda a arquitectura como um produto de processos e sistemas materiais que determinam a urbanização e a cultura numa perspectiva mais economicista e artística. Defende um pensamento flexível e sistemático em que é imperativa uma articulação das forças globais e locais.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 71 Fig. 26 Micro - Multi House de Emergem Design, los Angeles, 2001
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 72 Emergem Design tenta estender a área de influência da arquitectura através de ideias realizáveis e em ruptura com a prática tradicional, num conceito de arquitectura de massa e não de exclusividade. Em 1985, surge a publicação do projecto de habitação flexível denominado Pao de las chicas nómadas de Tóquio, concebido pelo arquitecto, Toyo Ito. Este projecto de habitação prática e de curta duração está predestinada à mulher jovem, preocupada com a sua carreira profissional mas que precisa de um pequeno espaço para descansar e para os seus retoques da vida pessoal. É um estilo de ” uma mulher jovem, independente, ociosa e consumista, um sujeito em si mesmo banal, mas que, com sua mera presença – parasitária. Coloca em questão a trama social japonesa, altamente hierarquizada, sexista e tradicional” (Ábalos, 2003, p. 152). Fig. 27-Planta da Casa do Futuro de Alison e Peter Smithson
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 73 Fig. 28 a) b) c)-Iinterior e perfil da Casa do Futuro de Alison e Peter Smithson
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 74 Alison e Peter Smithson, segundo Vidotto (1997), desenvolveram uma forma de encontrar a flexibilidade no espaço de habitar, de forma a corresponder às exigências da vida quotidiana, como é exemplo a “ La Casa del Futuro” . Este projecto apresenta-se como o protótipo da casa ideal. Pretende ser uma casa de cidade, com jardim interior. O conceito geral baseia-se na disposição das divisórias enviesadas, como forma de criar privacidade, dos quais os compartimentos se fundem uns com os outros. Cada compartimento usufrui de tamanhos e alturas distintas. A estrutura é moldada em plástico e gesso fibroso. Trata-se de uma estrutura epidérmica composta por partes independentes cuja união resulta de juntas flexíveis que absorvem os movimentos térmicos. A iluminação pretende ser um elemento particular da casa criando, um carácter singular, na habitação. Pelo exterior, observa-se uma cobertura com duas curvaturas côncavas facilitando a entrada de luz natural. A cobertura reveste-se a alumínio para reflectir os raios solares. O casal Smithson desenvolveu também o conceito de Casas Electrodomésticos, caracterizadas pelas reduzidas dimensões dos espaços tradicionais e pela nova disposição dos equipamentos domésticos. A ideia já implementada nos Estados Unidos, previa uma projecção nos países da Europa. Esta forma de construção flexível é estruturada em cubículos destinados a diferentes compartimentos da habitação.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 75 Fig. 29 a) b) c)- Axonometria e Interior da Casa do Futuro de Alison e Peter Smithson
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 82
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 83 CAPÍTULO III A habitação no Centro Histórico de Viana do Castelo
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Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 85 3.1Evolução e diversidade dos tipos de espaços domésticos As origens de Viana do Castelo, à semelhança de muitas outras cidades, remontam à época castreja. Com a chegada dos Romanos, a população desce do cimo do Monte de Santa Luzia, local de vertente defensiva, para o vale e surgem então, segundo Almeida (2009 ). as primeiras habitações dispersas. Pela sua posição geográfica, Viana tem condições para as trocas comercias marítimas e fluviais. “São estas cidades portuárias…que, sem quebrarem o localismo de uma terra de rurais, anunciam, e pela intensa vida do mar, não só a pesca e a navegação de cabotagem, mas as relações distantes com outros continentes, outras gentes, outros produtos, a eles ligadas e deles separadas por um grande oceano que os seus naturais, antes de ninguém, aprenderam a percorrer” ( Fernandes, 1995, p.23). Segundo Lamas (2010), a formação da cidade histórica realiza-se organicamente com elementos das antigas estruturas romanas, sobrepondo-se o traçado ortogonal romano ao traçado radiocêntrico. A cidade medieval abandona a escala monumental da cidade romana, suscitando interesse pelo valor da cidade mais intimista através do desenho da forma à escala apoiando-se nas classes sociais de artesãos e comerciantes. Para Lamas, a rua passa a ser o elemento principal da urbe medieval. Caracterizadas por ruas estreitas, são destinadas e desenhadas para a passagem de peões e animais. A rua é definida pelos seus edifícios de fachadas com grande valor comercial. Nomeadamente, o piso térreo dos edifícios servia de loja, sendo uma extensão de mercado e de negócio de compra e venda enquanto os pisos superiores se destinavam à habitação. As habitações são regulares e uniformes, formando um plano de fachada e de cérceas com uma irregularidade volumétrica controlada, produzindo efeitos cénicos variados, que Sitte designa de pitorescos.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 86 As ruas delimitam quarteirões e estes subdividem-se em logradouros e em edifícios. É neste conjunto de quarteirão, logradouro, prédio e fachada que se definem as características da cidade da Idade Média e prolongam-se até aos dias de hoje. Morris desfaz a ideia de que “as cidades medievais fossem insalubres e excessivamente densas, pois a estreiteza das ruas seria compensada pela existência de hortas, jardins e espaços livres no interior dos quarteirões.” (Lamas, 2010, p. 154). Segundo Almeida (2009), no final da Idade Média, Viana do Castelo aparece como um pequeno núcleo, localizado junto ao rio. A orientação principal das ruas é paralela ao rio, cruzada com eixos distribuidores, praticamente perpendiculares. Apresenta uma regularidade no traçado que se pode explicar pelo facto da zona ter sido relativamente plana ou por ter existido uma primeira implantação da época romana. No entanto, a expansão da cidade surge de uma forma completamente descontínua. É abandonado o antigo castro e formado e um novo núcleo urbano, implantado para suprir as novas necessidades agrícolas. Está localizado numa posição defensiva, relativamente ao mar, e junto da antiga via romana. O seu tamanho reflecte, em parte, o abandono da vida citadina perpetrado durante a Idade Média. A forma urbana de Viana do Castelo, no final da Idade Média é caracterizada por ruas estreitas e parcelas exíguas. O traçado é regular, com influências romanas. Existem dois eixos principais bem marcados, no cruzamento dos quais nasce a zona principal deste pequeno núcleo com apenas um curto desvio que se pode explicar pela morfologia do terreno. Segundo Almeida (2009), o traçado da muralha, concluído em 1374, apresentava um perímetro ovalóide de 685 metros. As ruas do seu interior formavam um espaço contido e bastante regular. Aqui
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 87 existiam duas ruas principais: a da Praça Velha e a do Hospital, que ainda hoje conserva o nome de Hospital Velho. Estas duas ruas eram atravessadas por sete outras ruas transversais com os seguintes nomes: Rua do Cais, Rua da Viela Cega, Rua Grande, Rua da Judiaria, Rua do Tourinho, Rua do Poço e Rua dos Fornos. A muralha define as quatro portas da cidade:- Campo do Forno, da Ribeira, do Postigo e das Atafonas; que se correspondem com os quatro pontos cardiais e eram encimadas por imagens de santos. Fig.31 - Muralha da vila de Viana no século XVI Legenda: A: Porta de S. Pedro; B: Porta da Ribeira; C: Porta do Postigo; D: Porta de Santiago. E: Campo do Forno; F: Matriz; G: Praça Velha; H: Hospital Velho; I: Praça da Erva
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 88 A planta da cidade, no ano de 1756 identifica claramente o núcleo medieval e respectivos elementos defensivos assim como a constatação de um traçado pensado com quarteirões rectangulares relativamente uniformes, inseridos num plano ortogonal. De uma forma geral os traçados dos arruamentos do núcleo medieval matem-se até aos dias de hoje. Fig.32 – Planta de Viana, datada a 1756 A partir de 1868/1869 são perceptíveis as diferenças significativas em comparação com as plantas anteriormente apresentadas. Na carta cadastral da cidade de Viana do Castelo, de 1868-1869 (Fig.27), numa escala mais detalhada são observáveis os lotes. Pouco subsiste das tipologias existentes na Idade Média. Estes vestígios foram, muitas vezes, destruídos por sobreposição de novas tipologias. Contudo, sabe-se que os edifícios seriam sobretudo habitacionais, com ligação à agricultura. Segundo Abreu (2005), são tipologias de origem medieval, uma vez que as casas unifamiliares seriam de um piso com telhado de duas águas. São habitações de planta rectangular, a fachada principal, voltada para a rua, é ocupada pela
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 89 sala. A cozinha está localizada nas traseiras da casa e permite o acesso ao logradouro. Estes compartimentos faziam conexão através de um corredor que faz passagem para uma das alcovas (interiores). O aproveitamento do interior dos quarteirões é explorado para a agricultura de uso doméstico. Fig 33.-Planta 1868-1869
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 90 Legenda: espaço privado/quartos cozinha Fig 34Habitação medieval (1941) (plano geral de urbanização de Viana do Castelo, de 1942) Fig. 35 -Análise da configuração espacial (direita) No Período do Renascimento, a cidade cresce de forma contínua e racional. Resultantes do crescimento populacional das edificações extramuros. Segundo Fernandes (1995), surgiram por volta do séc. XV novas ruas e praças como a Praça do Campo do Forno e a rua Stª Ana, adjacentes à porta noroeste da muralha, a praça do Postigo e o largo S. Domingos. Para ocidente do espaço amuralhado surgiu a Rua da Bandeira e a Rua Nova de S. Bento para ocidente a rua de S. Sebastião, das Rosas e do Loureiro que ainda se mantêm. A cidade é aqui delimitada por uma cintura de conventos. O Forte de S. Tiago ergue-se como um local de interesse económico relacionado com o comércio ultramarino e também nacional. A implantação dos edifícios faz-se, sobretudo, linearmente, ao longo das vias de comunicação, prolongando o existente. espaço público /Hall espaço de circulação/corredor
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 91 Este núcleo adensa-se, ocupando o limite das vias onde persiste a parcela medieval desta malha urbana. Os centros dos quarteirões começam a ficar preenchidos com habitações. O facto de as casas se implantarem junto das vias de comunicação revela o regresso à vida urbana. Aumentou o comércio e a cidade extravasou o perímetro muralhado. O traçado das ruas é uma mistura entre o orgânico da Idade Média com uma implantação mais regular, fruto dos avanços na teoria urbana. As ruas são mais largas, resultado de legislação nacional que visava assegurar a salubridade. O Regulamento da Salubridade das Edificações Urbanas de 14 de Fevereiro de 1903, no seu capítulo II, faz referência aos materiais utilizados, à largura de vãos, às áreas e alturas mínimas e à salubridade dos prédios relativamente à altura das fachadas e à largura das ruas. Fruto das novas leis do crescimento da malha urbana e da abertura de novas ruas, o núcleo mais antigo de Viana ganha a sua característica, que permanece até aos dias de hoje. A tipologia renascentista é herança directa da gótica. Há um retorno à vida citadina e um emergir do comércio. Com ele, nasce uma nova classe social que usa a habitação como local de comércio. Assim, as tipologias contemplam sempre ou quase sempre um andar ao nível da rua onde existiria uma loja para usufruto do dono da habitação. A frente de rua ganha importância, muito por causa do comércio e torna-se o elemento principal destas habitações. Apesar dos lotes se configurarem em parcelas estreitas, ter uma casa com uma frente de rua, daria, em teoria, mais protagonismo ao negócio que aí se operava. O interior do quarteirão continua a servir necessidades alimentares dos residentes, com a agricultura doméstica. O perfil da rua apresenta características de cérceas irregulares. Cada andar expandia em altura conforme as condicionantes familiares.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 98 Nas obras de reabilitação e manutenção do edificado poderão existir descriminações positivas em termos de taxas municipais. Os proprietários dos edifícios englobados pela ARU, contributos propostos pelo Município de Viana do Castelo para a área de Reabilitação Urbana (ARU), para a realização de obras de reabilitação, são beneficiados pelos seguintes pontos Estes são os diversos: -fácil acesso ao financiamento para obras de reabilitação (CMVC, 2013); -simplificação dos procedimentos de licenciamento e de comunicação prévia de operações urbanísticas (CMVC, 2013); - isenção de imposto municipal sobre imóveis (IMI) num período de cinco anos, podendo ser renovado para os imóveis alvos de acções de reabilitação. (CMVC, 2016); - dedução de 30% dos encargos relacionados com a reabilitação do edificado, até ao limite de 500€, sobre o imposto, sobre o Imposto de Rendimento de Pessoas Singulares (IRS). - beneficiação de 5% sobre a taxa de tributação, decorrente do arrendamento de edifícios reabilitados (CMVC, 2016); - redução de 6% nas reabilitações realizadas na zona da ARU, com uma taxa de tributação sobre o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA); - redução de 50% do valor final das taxas de urbanização e edificação, relacionadas com o IMI e o IMT.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 99 A Inserção urbana e paisagística da edificação e articulação com o edificado existente e o espaço público envolvente (segundo o Plano de Pormenor do Centro Histórico de Viana do Castelo, publicado no D.R. li Série, n.2 183 de 9 de Agosto de 2002) Perante o nº 1 e 2 do artigo 11º, a utilização do edifício no piso térreo deve dar preferência a comércio, serviços e outras actividades compatíveis com a função dominante, enquanto no piso superior a utilização de área residencial deve cumprir com um mínimo de dois terços da área de construção. Os alinhamentos delimitam a implantação das construções na frente dos arruamentos existentes ou previstos, de acordo com o nº 1 do artigo 14º, estando registados na planta de implantação. Segundo os nº 1, 2 e 3 do artigo 15º, na fachada do pré-existente deve ser preservada a dimensão e a organização dos vãos, tal como ele se enquadra na classe 2; deve-se respeitar a métrica primitiva ao nível do piso térreo, enquanto no novo volume os vãos devem reproduzir a mesma proporção do contexto urbano. De forma a cumprir o regulamento no artigo 2Sº, para a altura dos perfis não é permitido ultrapassar o limite nos perfis existentes, pois trata-se de uma obra de construção. De acordo com os nº 1, 2, 3 e 4 do artigo 28º, as coberturas podem ter no mínimo duas águas vertentes, mantendo-se o mesmo sistema construtivo tradicional do já existente. Por se tratar de uma nova construção, poderá dispensar o uso de telha cerâmica de cor natural, devendo sempre ser elaborada uma justificação devidamente fundamentada, mantendo-se a obrigação da cor da cobertura se assemelhar à dos elementos cerâmicos em cor natural. Os anexos, segundo o nº 1 e 2 do artigo 34º, só são permitidos em logradouros com área superior a 60m2, desde que esse mesmo
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 100 anexo na área de logradouro não exceda 25% de 82 área de implantação, contendo área máxima de 50 m2 , com um só piso e com desvão interior de 2,4 metros, mantendo a área restante do logradouro com a vegetação mais significativa. Materiais e política de acabamentos (segundo o Plano de Pormenor do Centro Histórico de Viana do Castelo, publicado no D.R. li Série, n.II 183 de 9 de Agosto de 2002) De acordo com o nº 1 e 2 do artigo 182, as caixilharias devem ser de madeira pintada, podendo, nos edifícios de classe 1, serem metálicas com excepção do alumínio, enquanto nos vãos de entrada e nas montras se admite o uso da madeira ou metal, com excepção 1do alumínio, podendo nos edifícios da classe 1 serem em alumínio lacado. Não são permitidos, segundo o nº 1 do artigo 19º, as portadas exteriores e os estores exteriores ou com caixa exterior. O acabamento deve ser rebocado e pintado com tinta não texturizada, deve ser preservado o azulejo da época do imóvel, no novo edifício ou na reconstrução, classe 1. Pode ser permitido outro acabamento e revestimento, mas deve ser apresentado por documentação e ensaios dos materiais à Câmara Municipal, não sendo de todo permitida a pedra à vista com juntas refundadas, bem como a pedra polida, de acordo com os nº 1, 2, 3, 4 e 5 do artigo 20º. No que respeita às cores, e tal como referem os nº 1 e 2 do artigo 24º, são permitidas cores preexistentes ou pintado a branco nas superfícies rebocadas, assim como são admitidas as cores constantes da paleta admissível pela câmara municipal. As caleiras, rufos e vedações devem ser de chapa de zinco ou cobre, bem como as saídas e emboques aos tubos de queda, de acordo com o nº 1 e 2 do artigo 30º, que especifica igualmente que os tubos de queda das caleiras dos beirados não podem interferir com os elementos decorativos, ornamentais ou de composição das fachadas.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 101 CAPÍTULO IV Rua do Tourinho
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Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 103 4.1 Análise Morfológica Segundo Pires (2000), uma rua é caracterizada pelo ambiente criado através da textura e da estrutura espacial assim como pelos tipos de edificações existentes tornando esse lugar, num lugar personalizado. A rua é um elemento definido por dois pontos e caracterizada por fachadas por vezes contínuas, regulares e estreitas. Estas, que permitiam a circulação de carros de bois, hoje tornaram-se pedonais para que o cidadão possa apreciar e usufruir de um espaço de lazer. No entanto, sempre que as condições o exijam, o acesso automóvel está facultado. A rua da cidade reúne vários aspectos de ordem social, técnica e estética. ”… hoje, pode o mais comum dos cidadãos participar neste espaço vivo da história da cidade e do universo burguês .” ( Pires, 2000,p.75 ). A rua do Tourinho fica situada no centro histórico da cidade de Viana do Castelo de eixo viário rectilíneo, comprido de 84,00 metros de comprimento e 2 metros de largura e com uma pendente pouco acentuada de 2º. Esta rua liga com outras duas, que fazendo ligação entre a Rua do Hospital Velho e a Rua Aurora do Lima A Rua do Tourinho, caracteriza-se pela predominância de uma tipologia de lote que condiciona a tipologia habitacional. Esta, juntamente com os desenhos das fachadas e com as diferentes altimetrias do perfil da rua, desenha a rua da cidade. .
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 104 Fig 36-Identificação da Rua do Tourinho no núcleo Viana do Castelo Através da observação, verifica-se que esta rua é caracterizada pela força do alinhamento e pelas sucessivas fachadas estreitas, relativamente idênticas e repetitivas. A altura das cornijas, a sucessão de linhas horizontais, as sacadas, as linhas dos telhados, as fachadas em pedra, assim como o alinhamento vertical das cérceas que acompanham a pendente da rua são elementos caracterizadores do perfil da rua do Tourinho. Consoante uma observação mais cuidada detecta-se que através das diferenças e variedades das fachadas as tipologias de habitação variam ligeiramente. A rua apresenta uma qualidade espacial de parcelas estreitas ocupadas totalmente por imóveis. A predominância da linha recta do ordenamento é caracterizada por elementos ricos como a utilização de ferro nas varandas e nas guardas das janelas, bandeiras de portas, cornijas e platibandas.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 105 4.2 Análise Tipológica Segundo Pires (2000 ) , as edificações que constituem a rua são elementos construídos à imagem das famílias e das pessoas que o compõem. Cada edifício corresponde a uma diferente forma de habitar e a eventuais diferentes funções a que se possa destinar. É através do estudo formal da habitação como a circulação, a distribuição espacial, a conjugação da volumetria, os materiais aplicados e a estrutura do edifício que permite uma reflexão sobre o/ a funcionalidade do espaço habitado. Pode-se dizer que o exterior do edifício permite uma leitura do espaço interior e de circulação, assim como a sua ocupação no lote. Estes conjuntos de factores recolhidos através da observação e de análise de tipologias ajudam a perceber as estruturas familiares, a relação entre indivíduos da mesma família e a relação entre vizinhos. Na rua do Tourinho predominam edificações de tipologia tradicional em que os lotes são, na sua maioria, de parcela estreita e comprida à excepção de dois lotes que apresentam áreas maiores e fachada mais larga. A rua é constituída por 27 parcelas das quais quatro são de serviços, duas de comércio e as restantes de habitação. Três destas parcelas encontram-se devolutas e em estado de degradação, cinco em bom estado de conservação, consequente de uma intervenção de reabilitação. As restantes apresentam um razoável estado de conservação. Catorze destas parcelas são de fracção única, três de fracções divididas entre esquerdo e direito e sete são fracções únicas por piso.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 106 Fig 37-Imagem satélite Localização – Rua do Tourinho Fig 38-Planta de Localização – Rua do Tourinho Fig 39-Perfil Sul da Rua do Tourinho Fig 40-Perfil Norte da Rua do Tourinho
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 107 4.3 Estudos de Caso 4.3.1 Análise Individual de estudos de caso A selecção dos estudos de caso foi feita com base nas opções de escolha de ruas inseridas no casco histórico da cidade de Viana do Castelo. Uma vez seleccionada a rua em estudo, Rua do Tourinho, esta opção foi delineada por motivos de fontes documentais, projectos já obtidos, assim como algumas referências bibliográficas. Os estudos de caso são cinco projectos inicialmente de habitações domésticas urbanas. Um deles, após realizada a reabilitação, transformou o seu uso em Atelier de Arquitectura. Destes cinco analisados, os estudos de caso nº 1 e 5 sofreram intervenção de reabilitação; o estudo de caso nº 2 está sob uma proposta de projecto e o estudo de caso nº 3 e 4 não sofreram nenhuma intervenção, mantendo a habitação tradicional existente. . Fig 41-Planta de localização dos estudos de caso da Rua do Tourinho
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 114 Esta habitação não apresenta condições de conforto Luz natural Ventilação natural Isolamento térmico Esta habitação não apresenta condições de flexibilidade. Estruturas rígidas Elementos divisórios rígidos Esta habitação não apresenta adaptabilidade aos usos do quotidiano. Não se adequa aos modos de vida actual Conforto Flexibilidade Adaptabilidade
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Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 117 ANÁLISE DO EXISTENTE Estudo de caso 2 Habitação Está inserido num lote medieval estreito e comprido com 6 metros de largura de fachada e 14 metros de comprimento. Apresenta uma habitação caracterizada por dois pisos. A habitação apresenta dois pisos e uma fachada que se encontra virada para a rua do Tourinho e que se encontra enquadrada com o perfil da rua. A fachada é de alvenaria de pedra e é composta por, no piso térreo com duas portas, uma que dá acesso ao piso térreo e outra ao piso 1. O piso 1 contém uma varanda com porta de duas folhas e uma janela de guilhotina. A cobertura é de quatro águas e de telha canudo. O piso térreo é composto por uma sala e cozinha e um vão de escadas que faz ligação ao piso 2. Este é composto por uma sala, cozinha, quarto e uma instalação sanitária Espaços compartimentados Espaço Público/Privado Diferenciação de espaço público e privado. Fachada de pedra e os vãos são compostos por madeira pintada de castanho. Estrutura de vigas e vigotas de madeira. Cobertura com vigas de madeira e pavimento de madeira. Materiais leves Descrição Tipologia Programa Circulação Configuração Espacial Materiais
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 118 Esta habitação não apresenta condições de conforto. Luz natural Ventilação natural Isolamento térmico Esta habitação não apresenta condições de flexibilidade. Estruturas rígidas Elementos divisórios rígidos Esta habitação não apresenta adaptabilidade aos usos do quotidiano. Não se adequa aos modos de vida actual Conforto Flexibilidade Adaptabilidade
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Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 122 ANÁLISE DO EXISTENTE Estudo de caso 3 Habitação Está inserido num lote medieval estreito e comprido com 6 metros de largura de fachada e 14 metros de comprimento. Apresenta uma habitação caracterizada por quatro pisos e três fracções. Neste estudo de caso foi apenas analisada a parte existente, não havendo proposta de intervenção de reabilitação. O edifício caracteriza-se por fachada estreita de reboco pintado, apresenta-se com duas varandas, quatro portas de folha dupla e duas janelas de folha dupla todas de caixilharia de madeira pintada. A cobertura é de quatro águas e de telha canudo. Esta habitação é constituída por dois pontos de entrada, uma para a habitação do piso térreo e outra para os restantes pisos. Tem características de lote estreito e comprido. O piso térreo é caracterizado pela 1º fracção, composta pela sala e cozinha separadas por uma parede rígida, dois quartos e uma instalação sanitária. O piso 1 corresponde à 2º fracção e é constituído por um elemento comum de sala e cozinha, por três quartos e por uma instalação sanitária. O piso 2, a última fracção, é constituído por sala e cozinha comum, um quarto e uma instalação sanitária; o último piso foi destinado para uma sala e uma segunda cozinha. Descrição Tipologia Programa
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 123 Espaços compartimentados Espaço Público/Privado Diferenciação de espaço público e privado Fachada de reboco pintado a branco e vãos de madeira pintada de verde e branco. Estrutura de vigas e vigotas de madeira. Cobertura com vigas de madeira e pavimento de madeira. Materiais leves Esta habitação tem compartimentos que não apresenta condições de conforto. Luz natural Ventilação natural Isolamento térmico Esta habitação não apresenta condições de flexibilidade. Estruturas rígidas Elementos divisórios rígidos Esta habitação não apresenta adaptabilidade aos usos do quotidiano. Não se adequa aos modos de vida actual Circula ção Configuração espacial Materiais Conforto Flexibilidade Adaptabilidade
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Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 131 ANÁLISE DO EXISTENTE Estudo de caso 5 Habitação Esta habitação ocupa dois lotes de tipologia medieval, estreito e comprido. Esta habitação é constituída por dois pontos de entrada, uma que fazia a ligação directa à sala para receberem as visitas, a outra dava acesso ao piso 1 mas com uma ligação ao Piso 0 através de uma porta de separação. A circulação interna vertical é realizada através de um vão de escadas que permite a ligação entre pisos. O piso térreo é composto pela sala, o compartimento mais importante da habitação doméstica urbana que ficava voltada para a rua de forma a poder receber as visitas. A cozinha era o compartimento que ficava voltado para a outra extremidade do lote. O logradouro era um dos espaços maiores da habitação onde antigamente usavam para guardar animais. No piso 1 dispõe de três quartos, uma instalação sanitária e uma cozinha. A instalação sanitária e o quarto da criada ficavam voltados para as traseiras. Espaços compartimentados Espaço Público/Privado Diferenciação de espaço público e privado Fachada de reboco pintado a branco e vãos de madeira pintada de vermelho. Estrutura de vigas e vigotas de madeira. Descrição Tipologia Programa Circulação Configuração espacial Materiais
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 132 Cobertura com vigas de madeira e pavimento de madeira. Materiais leves Esta habitação é constituída por compartimento que não apresentam condições de conforto. Luz natural Ventilação natural Isolamento térmico Esta habitação não apresenta condições de flexibilidade. Estruturas rígidas Elementos divisórios rígidos Esta habitação não apresenta adaptabilidade aos usos do quotidiano. Não se adequa aos modos de vida actual Conforto Flexibilidade Adaptabilidade
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 133 4.3.2.2 Análise da Intervenção
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Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 138 ANÁLISE DA INTERVENÇÃO Estudo de caso 1 Atelier de Arquitectura Está inserido num lote medieval estreito e comprido com 6 metros de largura de fachada e … metros de comprimento. Na fachada principal foi mantida a traça original O alçado do atelier integra-se no meio envolvente mantendo os ritmos das janelas contínuas tradicionais. O atelier é composto por dois pisos e manteve o traço da fachada antiga. Os piso térreo e apresenta uma sala de reuniões, uma área privativa de arquivo e uma instalação sanitária de serviço. Este é caracterizado por uma área ampla e ausência de elementos fixos e apresenta a sala de trabalho comum. A leitura entre pisos é feita através de um vão de escadas que faz ligação ao Piso 1. O atelier é caracterizado de fachada estreita em pedra, no piso 1 a casa contém uma varanda com porta de duas folhas e uma janela de guilhotina. No piso 0 o alçado apresenta dois vãos através de três portas, uma de folha única e a outra de folha dupla, todas de caixilharia de madeira pintada. A cobertura é de quatro águas e de telha canudo. Programa definido e bem estruturado Cumpre o regulamento de Materiais e política de acabamentos (segundo o Plano de Pormenor do Centro Histórico de Viana do Castelo, publicado no D.R. li Série, n.!! 183 de 9 de Agosto de 2002) Espaços de circulação simples e funcionais Diferenciação de espaço público e privado Descrição Tipologia Programa Circulação Configuração Espacial
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 139 Utilizou perfis metálicos para a estrutura, materiais sóbrios, como madeira de pinho ripada no pavimento permitindo a sensação de continuidade, escadas suspensas de estrutura em ferro, revestidas a madeira de pinho possibilitando a entrada de luz entre pisos. Paredes e tectos pintados de branco aproveitando o máximo de luminosidade e criando espaços mais amplos. Nas divisórias utilizou gesso cartonado introduzindo a flexibilidade entre espaços. As caixilharias, apesar de manterem a aparência original, possuem vidros duplos para um melhor isolamento interior. Materiais flexíveis: ferro, betão, madeiras e gesso cartonado. A reabilitação foi desenhada e construída de forma que o conforto fosse um elemento primordial para a utilização do espaço. Desta forma, o arquitecto aproveitou a cobertura para aproveitar a entrada de luz e a ventilação natural abrindo 6 janelas. Utilizou impermeabilização contra a humidade até ao conforto térmico e acústico Luz natural Ventilação Conforto térmico e acústico O arquitecto projectou áreas com espaços amplos e rejeitou a introdução de elementos fixos e rígidos, optando por espaços tipo “open-space”, permitindo maior flexibilidade. Espaços amplos Adapta-se ao uso do quotidiano Materiais Conforto Flexibilidade Adaptabilidade
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Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 148 . ANÁLISE DA INTERVENÇÃO Estudo de caso 5 Habitação Está inserido num lote medieval estreito e comprido com 6 metros de largura na fachada principal e 11 metros de largura na fachada secundária. Esta habitação ocupa dois lotes juntos lado a lado e um outro lote de maior comprimento. A habitação é de dois pisos e caracteriza-se por duas fachadas a principal está voltada para a Rua do Tourinho, a secundária encontrase na rua da Amália. A fachada principal é estreita e baixa e contém uma porta de folha simples de madeira pintada a branco. Esta mesma fachada dá acesso a um passadiço exterior que confina com a segunda fachada da habitação. Esta é composta por um amplo envidraçado que se prolongo até ao piso1. A cobertura é mista composta por cobertura inclinada de quatro águas com telha de canudo e plana em vidro. Esta habitação é constituída por 2 pisos e é caracterizada por lotes estreitos e compridos. Inicialmente a entrada principal encontrava-se orientada para a rua paralela à rua em estudo, mas com a intervenção passou a ter como fachada principal a rua do Tourinho, tendo sido utilizado o logradouro pré existente para uso de acesso à habitação. O piso térreo apresenta um primeiro hall exterior cuja fachada de vidro permite a entrada de luz natural e se prolonga para um segundo hall interior. Este espaço amplo, de entre várias funções pode ser utilizado como entrada principal da casa ou também como espaço lúdico. Descrição Tipologia Programa
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 149 Entre o hall interior e o acesso aos dois quartos e à instalação sanitária deste piso projecta-se um pátio exterior que permite a entrada de luz para os dois pisos. O acesso ao piso 1 é resultado através de dois lanços de escadas e é constituído por uma sala, uma cozinha, uma instalação sanitária e dois quartos, um deles com closet. Programa definido e bem estruturado Cumpre o regulamento de Materiais e política de acabamentos (segundo o Plano de Pormenor do Centro Histórico de Viana do Castelo, publicado no D.R. li Série, n.!! 183 de 9 de Agosto de 2002) Mantém traçada original Espaços de circulação simples e funcionais Espaço Público/Privado Utilizou materiais sóbrios como madeira de pinho ripada no pavimento conferindo aos espaços ao mesmo tempo uma sensação de continuidade. No sistema construtivo, destacam-se as novas paredes em betão desligadas das existentes. Estas paredes estão recobertas por um reboco hidrófugo e revestidas por um sistema de caixa-de-ar com isolamento térmico e placa dupla de gesso cartonado. As caixilharias, apesar de manterem a aparência original, possuem vidros duplos para um melhor isolamento interior. Utilizou perfis metálicos para a estrutura, materiais sóbrios, como madeira de pinho ripada no pavimento permitindo a sensação de continuidade, escadas suspensas de estrutura em ferro, revestidas a madeira de pinho possibilitando a entrada de luz entre pisos. Paredes e tectos pintados de branco aproveitando o máximo de luminosidade e criando espaços mais amplos. Circulação Configuração Espacial Materiais
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 150 Nas divisórias utilizou gesso cartonado introduzindo a flexibilidade entre espaços. As caixilharias, apesar de manterem a aparência original, possuem vidros duplos para um melhor isolamento interior. Materiais flexíveis: ferro, betão, madeiras e gesso cartonado. A reabilitação foi desenhada e construída de forma que o conforto fosse um elemento primordial para a utilização do espaço. Desta forma, o arquitecto preocupou-se no aproveitamento da luz e ventilação naturais, na criação de espaços flexíveis tipo “open-space” e na aplicação de materiais leves. A reabilitação foi desenhada e construída de forma que o conforto fosse um elemento primordial para a utilização do espaço. Desta forma, o arquitecto preocupou-se no aproveitamento da luz e ventilação naturais na cobertura e na criação de espaços flexíveis tipo “open-space” e na aplicação de materiais leves. Na cobertura inseriu janelas para iluminação dos espaços que não tinham nem luz nem ventilação natural. Utilizou impermeabilização contra a humidade até ao conforto térmico e acústico. Luz natural Ventilação Conforto térmico e acústico O arquitecto projectou áreas com espaços amplos e rejeitou a introdução de elementos fixos e rígidos, optando por espaços tipo “open-space”, permitindo maior flexibilidade. Pretendeu criar um espaço minimalista, dominado pelo branco, quer nas paredes, quer no pavimento em madeira, quer no mobiliário da Conforto Flexibilidade
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 151 cozinha, destacando-se apenas as escadas suspensas e abertas de estrutura de ferro revestida a madeira permitindo a entrada de luz natural entre pisos. A claridade interior, tendo o branco como cor dominante e dada a sua orientação solar, é potenciada pela luz que se pretende que penetre pelos grandes vãos. Espaços amplos Adapta-se ao uso do quotidiano Adaptabilidade
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Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 153 4.3.2 Análise comparativa de estudos de caso Após análise verificam-se diferenças entre as habitações existentes e as de intervenção. As habitações com intervenção passam a ser habitações com características de conforto, de flexibilidade de materiais construtivos flexíveis e de habitações adaptáveis aos diferentes usos do quotidiano. Relativamente ao programa habitacional alteram-se um pouco entre o existente e as intervenções. Principalmente no nº de cozinhas, antigamente usava-se mais que uma cozinha com lareiras para cozinhar e até aquecer as habitações enquanto nas intervenções só existe uma cozinha e muitas vezes fazendo parte do mesmo espaço da sala de estar e jantar. Criando espaços tipo “open-space”. Nos casos com intervenção os programas são mais flexíveis e os espaços são também multifuncionais, não têm um só uso o que não se verifica nas habitações existentes. A circulação e a configuração espacial também sofreram algumas diferenças. Enquanto nas habitações existentes os espaços eram mais compartimentados, nas intervenções primam os espaços quase sem divisórias o que torna os espaços maiores. Com base nas fichas de inventário, foram elaborados quadros de análise comparativa. Desta forma, nos quadros seguintes serão abordados as categorias de conforto, flexibilidade, o tipo de materiais usados e a adaptabilidade aos diferentes usos.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 154 a)- Categoria: Conforto Fig 43 - Quadro Síntese do Conforto analisada nos Estudos de Caso Conclui-se que os estudos de caso que tiveram intervenção apresentam boas condições de conforto como: - o aproveitamento de luz natural, - a adequada orientação solar e espaços de permanência, - a utilização da dimensão dos vãos consoante a orientação solar, - a aplicação preferencialmente do isolamento térmico exterior, - a qualidade do ar relativamente à ventilação e arrefecimento. Estas condições podem-se verificar a sua aplicação nas imagens da fig 43 e comparar o existente da intervenção. Os estudos que não sofreram intervenção não apresentam boas condições de conforto devido às condições de isolamento térmico e de ventilação natural que apresentam. Contudo, encontram-se em posição de boa orientação solar.
Escola Superior Gallaecia HABITAR O CENTRO HISTÓRICO DE VIANA DO CASTELO 155 Fig 43 -Imagens do existente e da intervenção