Insetos em Museus; Visitantes indesejaveis. Estudo de Caso Museu Municipal de Penafiel.
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2º Ciclo de Estudos em Museologia Patrícia da Conceição Freitas Soares INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. ESTUDO DE CASO MUSEU MUNICIPAL DE PENAFIEL. Relatório de Projeto Orientador: Paula Menino Homem Classificação final: 16 Setembro de 2012
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de Caso Museu Municipal de Penafiel. I AGRADECIMENTOS Dedico o mestrado ao meu irmão, por ter ensinado agarrar a vida com energia, sem já mais desistir. Agradeço aos meus pais, pela força que sempre me transmitiram, que me ajudou a concretizar mais uma etapa. E aos meus sobrinhos pela motivação. À orientadora Paula Menino Homem, pelo apoio na realização do projeto final e pelo apoio durante o mestrado. Ao museu municipal de Penafiel, muito obrigada, por me ter recebido, desde o primeiro trabalho para o mestrado, que desde logo me incentivou a realizar o trabalho final nesta instituição. Em especial, à Diretora Maria José Santos, à Dra. Rosário Marques e a Mestre Ana Anileiro, pela disponibilidade e apoio que me deram durante estes dois anos de mestrado. Ao arquiteto Ernesto Oliveira, que me auxiliou durante o mestrado, principalmente nesta fase. Muito obrigada, pelo carinho, paciência e por estar sempre presente. À Doutora Stéphanie de Jesus e à Dra. Carla Ribeiro pelo apoio e por serem um ombro amigo. Ao Mestre Frederico Matos e a todos os outros que ficaram por mencionar e que contribuíram, de forma direta ou indireta, para a realização do presente documento. À Dra. Luzia Sousa pela ajuda e disponibilidade, após a defesa do relatório.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de Caso Museu Municipal de Penafiel. II RESUMO O relatório de projeto foi realizado no âmbito do mestrado em museologia, no museu municipal de Penafiel, uma instituição qua abriu ao público em 2009, com um conceito museológico inovador que lhe garantiu o prémio de Melhor Museu Português. O projeto consistiu no estudo de infestações provocadas pelo ataque de insetos às coleções museológicas, constituídas por material orgânico, com intervenção prática nas reservas e sala de exposição do museu municipal. O estudo teórico abrangeu várias áreas, desde a biologia, geografia, arquitetura, engenharia civil, história, museologia e conservação preventiva, permitindo no estudo prático um caracter mais científico, pelo conhecimento das técnicas conservativas utilizadas noutras instituições. Abrangendo o conceito de infestação provocada pelo ataque de insetos para as coleções museológicas, foi necessário ter uma série de informação, ao nível do tipo de insetos, o tipo de coleção que degradam, os danos que provocam e como entram no museu ou na coleção. Com a teorização deste saber, tornaram-se mais específicos os processos de erradicação dos insetos, descrevendo os planos que realçavam as atitudes profiláticas, como a colocação de armadilhas, quarentena, inspeções periódicas e monitorização. Criando-se para o museu um mapeamento para a colocação das armadilhas nos espaços das reservas e sala de exposição. Sem eliminar a necessidade das desinfestações químicas, que ao serem escolhidas como meio de tratamento numa instituição, deve o responsável ter em conta as suas vantagens e desvantagens, para o objeto e saúde pública. PALAVRAS-CHAVE: Conservação preventiva, Coleção, Insetos xilófagos, Desinfestação, Armadilhas, Quarentena.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de Caso Museu Municipal de Penafiel. III ABSTRACT This project report was created in the context of the Master of Museology, in the Municipal Museum of Penafiel (Portugal), an institution that opened its doors in 2009, with an innovative museological concept that enabled the museum to win the best portuguese museum award. The project consisted in the study of the infestations caused by the attack of insects that damage the organic museological collections, with pratical interventions in the store rooms and the showroom of the municipal museum. The theoretical study embraces many areas, like biology, geography, architecture, civil engineering, History, museology and preventive conservation, which gave to the pratical study a more scientific feature, thanks to the knowledge of the conservation technics used in other institutions. Considering the concept of the infestation caused by the attack of prejudicial insects that damage the museological collections, we had to collect a number of informations, regarding the type of insects, the type of collections they damage, the damages they cause and the way they enter in the museum or in the collection. The theorisation of this knowledge allowed the specification of the process of eradication of the prejudicial insects as well as the description of a plan that enhanced the prophylactic attitudes, like the implementation of traps, the quarantine, the periodic inspections and the monitoring. Allowing the creation for the museum of a mapping for the setting up of traps in the store room as well as the showroom. Without eliminating the necessity of chemical disinfestations which would require, if chosen as treatment method in an institution, the evaluation by the person in charge of its advantages and disadvantages for the object and the public health. KEYWORDS: Preventive conservation, Collection, Xylophagous insects, Disinfestation, Traps, Quarantine.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de Caso Museu Municipal de Penafiel. IV RÉSUMÉ Ce rapport de projet a été réalisé dans le cadre du Master en Muséologie, au Musée Municipal de Penafiel (Portugal), une institution qui a ouvert ses portes au public en 2009, avec un concept muséologique innovant et qui lui a permis de recevoir le prix de meilleur musée portugais. Le projet a consisté en l’étude des infestations provoquées par l’attaque d’insectes préjudiciables aux collections muséologiques constituées par des matériaux organiques, avec des interventions pratiques dans les réserves et la salle d’exposition du musée municipal. L’étude théorique a pris en compte plusieurs domaines, tels que la biologie, la géographie, l’architecture, l’ingénierie civile, l’Histoire, la muséologie et la conservation préventive, ce qui a donné à l’étude pratique un caractère plus scientifique, de part la connaissance des techniques conservatives utilisées dans d’autres institutions. Compte tenu du concept d’infestation provoquée par l’attaque d’insectes préjudiciables pour les collections muséologiques, il nous a fallu recueillir une série d’informations, en ce qui concerne le type d’insectes préjudiciables, le type de collections qu’ils dégradent, les préjudices qu’ils provoquent et la façon dont ils entrent dans le musée ou la collection. La théorisation de ce savoir, a permis la spécification des processus d’éradication des insectes préjudiciables ainsi que la description de plans qui mettaient en avant les attitudes prophylactiques, comme la mise en place de pièges, la quarantaine, les inspections périodiques et la monitorisation. Permettant ainsi la création pour le musée d’un plan pour la mise en place des pièges dans les espaces de réserves ou la salle d’exposition. Sans éliminer la nécessité des désinfestations chimiques, qui si elles sont choisies comme moyens de traitement dans une institution, impliqueront une prise en compte par le responsable de ses avantages et de ses inconvénients pour l’objet et la santé publique. MOTS-CLEFS: Conservation préventive, Collection, Insectes xylophages, Désinfestation, Pièges, Quarantaine.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de Caso Museu Municipal de Penafiel. V ÍNDICE GERAL AGRADECIMENTOS.....................................................................................................I RESUMO.........................................................................................................................II ABSTRACT...................................................................................................................III RÉSUMÉ........................................................................................................................IV ÍNDICE GERAL.............................................................................................................V ÍNDICE DE FIGURAS..............................................................................................VIII ABREVIATURAS......................................................................................................XIII INTRODUÇÃO.........................................................................................................XIV PARTE I – INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. O PROBLEMA....................................................................................................................1 CAPÍTULO 1 – OS INSETOS MAIS COMUNS EM MUSEUS. CONTEXTO INTERNACIONAL E NACIONAL. IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO………………………………………………………………….3 1.1 Coleoptera..................................................................................................................4 1.1.1 Anobiidae..................................................................................................................5 1.1.2 Bostrichidae..............................................................................................................7 1.1.3 Cerambycidae...........................................................................................................7 1.1.4 Lyctidae....................................................................................................................8 1.1.5 Dermestidae..............................................................................................................9 1.2 Isoptera.....................................................................................................................10 1.3.1 Rhinotermitidae......................................................................................................12 1.3.2 Kalotermitidae........................................................................................................12 1.3 Psocoptera................................................................................................................12 1.4.1 Liposcelidae............................................................................................................13 1.4 Lepidoptera..............................................................................................................14 1.5.1 Pyralidae.................................................................................................................15 1.5.2 Thinidae................................................................................................................. 15 1.5 Thysanura.................................................................................................................16 1.6.1 Lepismatidae...........................................................................................................16
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de Caso Museu Municipal de Penafiel. VI CAPÍTULO 2 – EFEITOS NAS COLEÇÕES. ..........................................................17 2.1 Ciclos de vida e metamorfoses dos insetos e sua relação com o controlo ambiental nos museus. ..................................................................................................17 2.2 Materiais, espécies e potenciais danos. .................................................................21 CAPÍTULO 3 – CONTROLO/ELIMINAÇÃO DE INSETOS. ...............................25 3.1 Produtos repelentes e inseticidas. ..........................................................................26 3.1.1 Toxicidade. Efeitos secundários nas pessoas. .......................................................26 3.1.2 Reatividade efeitos secundários nos materiais. .....................................................30 3.1.3 Segurança e Saúde. ................................................................................................32 3.2 Temperatura. ..........................................................................................................33 3.3 Atmosferas de anóxia. ............................................................................................36 PARTE II – O MUSEU MUNICIPAL DE PENAFIEL. ESTUDO DE CASO. ......38 CAPÍTULO 4 – OS RECURSOS HUMANOS. .........................................................39 4.1 Competências e funções. .........................................................................................39 CAPÍTULO 5 – O EDIFÍCIO. ....................................................................................40 5.1 Localização. .............................................................................................................40 5.2 Estrutura e tipo de construção. .............................................................................42 5.3 Espaço verde envolvente. .......................................................................................43 5.4 Espaços de exposição e de reserva. ........................................................................44 5.5 Manutenção preventiva e corretiva. .....................................................................46 CAPÍTULO 6 – AS COLEÇÕES. ...............................................................................46 6.1 Tipologias e materiais de suporte. .........................................................................46 6.2 Localização nos espaços do museu. .......................................................................48 6.3 Estruturas de acomodação em reserva. ................................................................49 6.4 Condições ambientais a que estão sujeitas. ..........................................................49 6.5 Manutenção preventiva e corretiva. .....................................................................52
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de Caso Museu Municipal de Penafiel. VII CAPÍTULO 7 – AVALIAÇÃO DE RISCO. ..............................................................52 7.1 Modelo de avaliação. ..............................................................................................52 7.2 Magnitudes de risco. Vulnerabilidades. ...............................................................53 CAPÍTULO 8 – INFESTAÇÃO. DIAGNÓSTICO DO PROBLEMA. ...................55 8.1 Inspeção e monitorização. Materiais e métodos. .................................................55 8.2 Resultados. ...............................................................................................................66 8.2.1 Identificação das espécies e localização. ...............................................................68 8.2.2 Identificação das evidências de dano. ....................................................................73 8.2.3 Identificação da origem do problema. ...................................................................74 8.3 DISCUSSÃO. ..........................................................................................................76 CAPÍTULO 9 – ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO. CONTRIBUTO PARA UM PLANO INTEGRADO DE CONTROLO DE INFESTAÇÕES. O QUE FAZER, POR QUEM, QUANDO E DE QUE MODO. ............................................77 9.1 Manutenção e inspeção dos espaços e das coleções. ...........................................79 9.2 Monitorização. .......................................................................................................82 9.3 Quarentena e desinfestação. .................................................................................90 CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................................................................XVI BIBLIOGRAFIA.....................................................................................................XXI APÊNDICE ANEXOS
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de Caso Museu Municipal de Penafiel. VIII ÍNDICE DE FIGURAS NÚMERO LEGENDA REFERÊNCIA PÁGINA Esquema nº1 Diferentes fases de atuação na incorporação ou receção de objetos. 96 Figura nº1 Inseto adulto, Anobium punctatum (Dgeer). (ARKIVE, 2003) 6 Figura nº2 PTININAE, macho adulto da família Ptinus tectus. (library.) 7 Figura nº3 Inseto adulto, Prostephanus truncatus (Horn). (library.) 7 Figura nº4 Larva do inseto, Prostephanus truncatus (Horn). (library.) 7 Figura nº5 Larva Hylotrupes bajulus a alimentar-se de um objeto lenhoso. (SIS, 2009) 8 Figura nº6 Inseto Hylotrupes bajulus adulto (Flickr, 2012) 8 Figura nº7 Inseto adulto da família Lyctidae. (MORESCHI, 2011) 9 Figura nº8 Larva do inseto Lyctidae. (MORESCHI, 2011) 9 Figura nº9 Inseto adulto e larva. (Heritage) 10 Figura nº10 Na parte superior encontra-se representado o alado, já adulto, com o aparelho reprodutor desenvolvido. (Flickr, 2012) 10 Figura nº11 Na parte inferior, à esquerda, uma térmita operária e à direita um soldado. O soldado é caracterizado por apresentar (Flickr, 2012) 10
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de Caso Museu Municipal de Penafiel. XV gestão de riscos. Assumindo importante relevância o conservador do museu, que deve possuir um vasto conhecimento da instituição e da coleção, tendo a consciência que é uma área interdisciplinar. O presente documento encontra-se disposto por duas partes que se subdividem por nove capítulos, para melhor encadeamento dos temas descritos. A primeira parte é a identificação dos insetos mais comuns em museus, a sua caraterização, morfologia, a forma como vivem, como se reproduzem e do que se alimentam. Em seguida, descreve a relação entre o tipo de controlo ambiental nos museus e o ciclo de vida dos insetos. Os efeitos de degradação que estes provocam nas coleções orgânicas, identificando o material vulnerável e o tipo de dano que pode ocorrer na presença de uma infestação. Apresentando também as intervenções mais praticadas nos museus para a eliminação deste problema, tais como desinfestações através de atmosfera de anóxia, de temperaturas extremas e permetrinas. Relacionando as vantagens e desvantagens de cada intervenção, com maior enfase na utilização de produtos tóxicos, descrevendo os efeitos secundários nas pessoas e nas coleções. A segunda parte do relatório é referente ao estudo de caso, o museu municipal de Penafiel, onde é identificada toda a informação necessária sobre a instituição e a sua coleção, para o desenvolvimento de estratégias de intervenção coerentes. Caraterizando as atitudes de conservação preventiva, como a monitorização, as inspeções, a manutenção dos espaços e das coleções e a quarentena. Após a teorização dos vários temas, é enumerado a forma como foi realizado o diagnóstico do problema e as práticas adotadas. Como a realização de inspeções aos espaços das reservas, às coleções e às armadilhas, colocadas em todas as salas. O mapeamento das armadilhas e a sua monitorização levaram à identificação das espécies que infestam a coleção, descrevendo a importância da sua utilização. Finalizando com a discussão da origem do problema e as medidas que o museu deveria adotar para eliminar a infestação.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 1 PARTE I INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. O PROBLEMA. Um dos grandes problemas da conservação das coleções nos museus é o ataque de insetos, pois os objetos são fonte de nutrientes, que em conjunto com um microclima propício, permite que estes se desenvolvam provocando vários danos. São os organismos responsáveis pelos mais graves problemas de degradação dos objetos museológicos pertencentes ao património, podendo chegar à sua perda total. E os museus são instituições vulneráveis ao seu ataque se a coleção for maioritariamente de natureza orgânica, como madeira, papel, têxteis, peles e outros espécimes de insetos. Pois os materiais orgânicos servem de alimento, podendo mesmo infestar as infraestruturas da própria instituição museológica. Os fatores que permitem a proliferação das infestações biológicas são os ambientes com TºC e H.R elevadas, sem ventilação, com sujidades (gorduras, poeiras, etc.), zonas sem manutenção (ocultas) e principalmente entrada de objetos contaminados para instituições sem planos de gestão de pestes (como inexistência de tratamentos preventivos, falta de controlo periódico, falta de manutenção e inspeção). Os insetos, como seres vivos necessitam de um clima ideal, que varia consoante a espécie, mas em geral as condições microclimáticas mais favoráveis rondam aproximadamente os 25-30ºC de temperatura e um índice de humidade relativa que ronde os 65%. Mas estes valores podem não ser fixos, pois existem espécies de insetos que sobrevivem em limites extremos de TºC e H.R, principalmente durante o estádio de ovo. Podem entrar de várias formas nos museus, como a voar ou a rastejar, encontrando no interior alimento, condições climatéricas favoráveis e proteção para depositar os seus ovos. Estes entram no museu através de portas e janelas, que não sejam estanques ou se encontrem abertas. Mas podem também entrar por contaminações como aquisições ou empréstimos, nestes casos os insetos vêm no interior dos objetos, num estádio de larva ou ovo. Os objetos vão diretamente para junto de outras coleções do museu, para exposição ou reserva, contaminando os objetos à sua volta, pois os insetos sofrem metamorfose transformando-se em adultos e saem para acasalar e depositar os seus ovos. É por estas razões que é muito importante que a instituição
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 2 implemente planos de gestão de insetos, com regras bem definidas na entrada de objetos, com planos de quarentena e inspeção bem delineada. A maioria dos insetos xilófagos1 degradam as coleções quando se encontram no estado larvar, pois é nesta altura que comem tudo o que os rodeia, para passar ao estado adulto. Ao alimentar-se do material de constituição dos objetos, como exemplo da madeira, estes fazem galerias (o diâmetro varia consoante a espécie) que vão consolidando com uma substância produzida pelos excrementos. Uma vez finalizada a fase larvar transformam-se em adultos e, perfuram a superfície dos objetos, deixando um pequeno orifício, emergindo para o exterior procurando um local oculto para poder depositar os ovos, proliferando. Os insetos da ordem Psocoptera, da família LIPOSCELIDAE (piolho-do-livro) degradam os livros, os excrementos amarelecem as fibras do papel, acidificando-as e tornando-as quebradiças. No caso de um livro, os insetos podem comer parte do texto, podendo tornar ilegível ou incompreensível a sua leitura, perdendo a sua função. São alguns exemplos de danos provocados por insetos nas coleções dos museus, mas existem mais e são específicos para o tipo de inseto e material degradado, são irreversíveis e, se não existir um controlo regular que evite a sua propagação, poderão ocorrer proliferações que causam danos irreparáveis num curto espaço de tempo, como o ataque de insetos xilófagos da ordem Isoptera, as designadas térmitas2, que são difíceis de detetar, devorando o seu interior. O conhecimento dos insetos, como o seu ciclo de vida, os seus comportamentos, o tipo de alimentação (qual o material orgânico suscitável ao ataque), o habitat, a forma como se realizam as deslocações e a sua morfologia, gere novos saberes, como a melhor forma de proteção das coleções e principalmente o método mais eficaz para a sua erradicação/desinfestação. Pois existem variadíssimas espécies de insetos, todos pertencem à mesma classe, mas cada ordem apresenta características distintas, mesmo em cada família as particularidades são específicas, assim deve existir um estudo prévio dos vários tipos de insetos para que a gestão seja realizada corretamente. 1 Ver glossário. 2 Por vezes, são designadas por formiga-branca, por se assemelharem com as formigas e viverem num sociedade organizada, mas as formigas pertencem à ordem Hymenoptera, à família Formicidae, enquanto as térmitas pertencem à ordem Isoptera.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 3 CAPÍTULO 1 - OS INSETOS MAIS COMUNS EM MUSEUS. CONTEXTO INTERNACIONAL E NACIONAL. IDENTIFICAÇÃO E CARATERIZAÇÃO. REINO: ANIMAL FILO: ARTHROPODA CLASSE: INSECTA Os insetos são animais invertebrados e os mais diversificados que existem na terra, subsistem várias ordens como os Odonata (libelinhas), Ortoptera (gafanhotos), Lepidoptera (borboletas), Diptera (moscas e mosquito), Hemiptera (afídios), Coleoptera (caruncho), Isoptera (térmita), Psocoptera (piolho-do-livro) e os Hymenoptera (abelhas). As espécies abordadas são as associadas à degradação das coleções nos museus, insetos que se alimentam dos constituintes dos objetos orgânicos expostos ou em reserva, como madeira, papel, têxteis, peles, etc. Estes insetos são de ordens diversas e, dentro da mesma ordem, poderão existir contaminações por insetos de famílias e espécies diferentes. Desta forma será analisado as várias ordens e dentro de cada família(s) a(s) mais comum(ns) no ataque às coleções dos museus. TABELA Nº 1. Lista de ordens e famílias dos vários tipos de insetos, os mais comuns na degradação das coleções museológicas. INSETOS ORDEM FAMÍLIAS NOME COMUM Coleoptera ANOBIIDAE Caruncho BOSTRICHIDAE Caruncho CERAMBICIDAE Caruncho LICTIDAE
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 4 DERMESTIDAE Isoptera RHINOTERMITIDAE Térmita KALOTERMIDAE Térmita da madeira seca Psocoptera LIPOSCELIDIDAE Piolho-do-livro Lepidoptera PIRADIDAE Traça TINEIDAE Thysanura LEPISMATIDAE Peixe-prata 1.1. COLEOPTERA. As larvas e os adultos apresentam aparelho bucal mastigador, as larvas podem ter ou não patas (ápodas) e a sua metamorfose é completa. Apresentam um exosqueleto rígido, um corpo diferenciado em três zonas, cabeça, tórax e abdómen, com um par de patas em cada segmento do tórax (PINNIGER, 2008.). Caracterizam-se por terem dois pares de asas, um designado por élitros que cobre o abdómen e o segundo por membranosas, que ficam escondidas quando recolhidas pelos élitros. O seu ciclo vital passa por quatro fases: ovo, larva, pupa e adulto3. A infestação inicia-se quando a fêmea adulta deposita os ovos e estes eclodem em larvas, que irão alimentar-se das coleções de natureza orgânica até atingirem a fase adulta. A fase larval normalmente é a mais longa e a principal responsável pela degradação dos objetos, no final desta fase, o inseto inicia a fase de pupa, onde ocorre a metamorfose para a fase adulta. Uma vez adulto perfura a madeira e sai para o exterior, é nesta fase que se pode observar o ataque, devido ao aparecimento de orifícios na superfície lenhosa, acompanhado com serrim resultante da escavação feita. Para a colocação dos ovos, a fêmea geralmente procura na madeira pequenas frestas ou antigos orifícios, colocando aí aproximadamente trinta ovos, os quais 3 Ver anexos. Caraterização dos insetos, pp.1 e 2.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 5 eclodem num período aproximado de dezasseis dias. As larvas vivem cerca de um ano, as pupas aproximadamente vinte dias e os adultos cerca de um mês. Estes são números estimados, pois a sua duração é variável, estando intrinsecamente ligado às espécies, às condições ambientais e aos nutrientes existentes. Estes insetos são os mais comuns no ataque de madeiras secas, ou seja, madeiras antigas, por se apresentar quimicamente modificadas, tornam-se mais atrativas, como é o caso do Anobium punctatum (BARREIROS). 1.1.1. ANOBIIDAE. Esta família é muito comum na presença de infestações em coleções lenhosas, são insetos pequenos, com forma cilíndrica e ocasionalmente oval, com o protórax4 a cobrir parcialmente a cabeça quando está curvada. As antenas podem ser formadas por onze segmentos e em algumas espécies os últimos segmentos são maiores. As asas, os élitros cobrem completamente o abdómen, a cor mais frequente é o castanho avermelhado ou negro, é designado normalmente como caruncho da madeira. Enquanto larva são arqueadas, brancas, peludas, com a zona da cabeça gorda, as patas bem visíveis, perfuram galerias entre os 1-2mm de diâmetro deixando um serrim granulado. Apresentam uma enorme variedade em relação aos tamanhos, oscilando entre os 1,5-9mm, o tipo de alimento varia entre os produtos secos de origem vegetal ou animal, das madeiras velhas e secas, da celulose e da lenhina, que através da ação simbiótica de certos microorganismos intestinais conseguem digerir o alimento, como exemplo, a espécie Anobium punctatum (Dgeer). Anobium punctatum tem um tamanho em adulto que ronda os 2-5mm sendo as fêmeas maiores, são bons voadores, de cor castanho-escura e avermelhada, o seu corpo está coberto de pelos curtos e amarelos e, sobre os élitros apresentam pequenas cavidades alinhadas. Enquanto adultos procuram outros habita para se reproduzir entre os meses de maio e agosto e, poderão viver entre três a quatro semanas no exterior, tempo no qual as fêmeas colocam os ovos nas zonas mais ocultas das madeiras, morrendo em seguida por não se alimentarem. Depois de quatro a cinco semanas os ovos eclodem e as larvas penetram no interior da madeira devorando-a no sentido das fibras. Passados quatro a cinco anos, dependendo dos nutrientes e do microclima, 4 O protórax é o primeiro dos três segmentos do tórax de um inseto.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 6 começam a transformar-se em pupa, junto da superfície para depois de seis a oito semanas sair como adultos, iniciando o ciclo. FIGURA Nº1. Inseto adulto, Anobium punctatum (Dgeer) (ARKIVE, 2003). Xestobium rufovillosum são muitas vezes confundidos com os A. punctatum apesar das suas asas serem bastante diferentes. Estes insetos produzem um som, que deriva do bater com a cabeça ou mandíbula contra as paredes dos orifícios. São xilófagos, as larvas produzem túneis circulares com 3mm de diâmetro, são de cor branco-amarelada, em forma de gancho, tem seis patas e o estágio larval pode variar entre um a doze anos ou, ainda mais, consoante as condições ambientais (Museumpests.net.). Geralmente preferem madeiras parcialmente deterioradas com crescimento de fungos e com humidade até aos 14%. Ptinus fur crescem até aos 4mm de comprimento, as suas asas apresentam manchas acentuadas e atravessadas por duas faixas de cor clara. As fêmeas e os machos diferem consideravelmente nesta espécie, sendo os machos de cor vermelhoacastanhada com o abdome estreito, enquanto as fêmeas são castanho-escura com o abdómen oval e as larvas são branco amareladas. Esta espécie vive em todo o mundo, assim como o seu parente próximo. FIGURA Nº2. PTINIDAE, macho adulto, Ptinus tectus. (library.)
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 7 1.1.2. BOSTRICHIDAE. Os insetos desta família alimentam-se principalmente dos suportes lenhosos. Os adultos caracterizam-se por ter o corpo cilíndrico, a cabeça coberta pelo protórax, não são rápidos por apresentarem patas curtas, mas geralmente são bons voadores. As larvas apresentam uma forma curvada, com três pares de patas que lhes conferem uma certa mobilidade. Estes insetos podem completar o seu desenvolvimento alimentando-se da madeira durante a sua secagem, com teores médios de humidade. Ex.: Bostrichus capucinus, bostriquídeo. FIGURA Nº3. Inseto adulto, Prostephanus truncatus (Horn), (library.). FIGURA Nº4. Larva do inseto, Prostephanus truncatus (Horn), (library.). 1.1.3. CERAMBICYDAE. Carateriza-se por apresentar um corpo achatado enquanto adulto, de tamanho entre os 3-200mm, dotado de grandes antenas comparado com os outros insetos da mesma ordem, em alguns casos, maior que o seu corpo. As larvas são dotadas de fortes mandibulas, criando galerias ovais que consolidam com serrim misturado e compactado com os excrementos. As galerias de saída apesar de apresentarem um diâmetro razoavelmente visível, estes deixam de ser percetíveis, porque os insetos criam uma camada fina à superfície tapando-os. É possível detetar a sua presença através do ruído que as larvas produzem enquanto estão a alimentar-se. Esta família de insetos CERAMBICYDAE existe por todo o planeta, vivendo na nossa área geográfica cerca de 275 espécies, sendo a mais conhecida Hylotrupes bajulus. Estes apresentam no seu estado adulto uma forma plana, de cor castanho-escura, com élitros cobertos com
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 8 pilosidade acinzentada e medem entre os 10-20mm. Alimentam-se de madeiras preferencialmente de coníferas quando estão secas. FIGURA Nº5. Larva Hylotrupes bajulus a alimentar-se de um objeto lenhoso. (SIS, 2009). FIGURA Nº6. Inseto Hylotrupes bajulus adulto. (Flickr, 2012). 1.1.4. LYCTIDAE. Os membros desta família alimentam-se principalmente da zona do borne, de madeiras ricas em amido, como no caso das folhosas. No estado adulto apresentam um tamanho pequeno que ronda os 2-5mm, a cabeça e o tórax estão bem definidos, a cor pode ser castanha, avermelhada ou negra, de hábitos noturnos. Toleram baixos teores de humidade relativa (< 12%) e o seu ataque é facilmente reconhecido pelo resíduo que deixam junto do orifício. Colocam os ovos nos poros e nos vasos da madeira sem chegar a perfurar no seu interior. Enquanto larva criam galerias circulares com um diâmetro normalmente menor que 1.5mm, a duração do ciclo biológico é muito variável, mas em condições ótimas de temperatura, H.R e alimento, esta pode ser de apenas quatro meses (BARREIROS). FIGURA Nº7. Inseto adulto da família Lyctidae. (MORESCHI, 2011). FIGURA Nº8. Larva do inseto Lyctidae. (MORESCHI, 2011).
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 9 1.1.5. DERMESTIDAE. Nesta família existem cerca de 500 a 700 espécies em todo mundo, o tamanho no seu estado adulto varia entre 1-4mm, são ovais e cobertos por escamas. Alimentamse de objetos orgânicos, como lã, seda, peles, penas, mas podem também atacar objetos constituídos por fibras sintéticas, são também usados em museus para limpar esqueletos de animais, a maioria dos danos é feito pelo inseto na sua fase larval. A espécie mais comum desta família é o Anthrenus verbasci, o inseto adulto pode medir entre 1,7-3,5mm de comprimento, o dorso apresenta duas cores, branco e castanho-amarelo, com escamas brancas que se encontram ao longo das margens laterais do pronoto, as antenas são segmentadas (REBOLLEDO et al., 1994). Na sua forma larvar medem aproximadamente 4-5mm de comprimento, o seu corpo é normalmente mais largo na parte de trás, está coberto de um padrão de listas alternadas de castanho-escuro e tem três pares de tufos de pelos ao longo do seu abdómen, que utilizam para autodefesa. O ciclo de vida de Anthrenus verbasci enquanto larva pode durar entre 1 a 3 anos dependendo das condições ambientais, a sua época de reprodução é semelhante à dos insetos estudados anteriormente, ou seja, a eclosão dos seus ovos é na primavera e início de verão. Os locais de depósito dos ovos pelas fêmeas adultas são variados, muitas vezes em ninhos de pássaros ou em têxteis armazenados. As larvas alimentam-se de várias fibras naturais, esta caraterística torna-os numa praga bastante comum nos museus, podem degradar várias coleções, como têxteis, madeira, papel e coleções de espécimes de insetos. FIGURA Nº9. Inseto adulto e larva. (Heritage).
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 16 1.5. THYSANURA7. Estes insetos são conhecidos como traças-prateadas ou peixe-prata, o seu aspeto físico lembra um peixe prateado. Dependendo da espécie e clima, temperatura acima dos 20ºC, os ovos eclodem entre os 10 e 60 dias, a fase jovem para a adulta dura entre 1 a 3 meses, mas a 27°C só precisa de 3 semanas, sendo o ciclo de vida completo de 1 ano. As fêmeas colocam 100 a 200 ovos e a atividade máxima ocorre no período entre agosto e novembro (MARTIARENA, 1992). Infestam têxteis, documentos gráficos, frutas secas, grãos ou outros alimentos armazenados. A família mais comum é LEPISMATIDAE. 1.5.1. LEPISMATIDAE. Estes insetos medem de comprimento máximo 50mm, são ápteros, possuem corpo achatado e alongado, com três filamentos caudais, olhos reduzidos ou ausentes e antenas alongadas. Alimentam-se de substâncias ricas em proteínas, amido (cereais, farinhas de trigo, papel que contenham cola), têxteis (raramente atacam roupas de lã e outros produtos de origem animal), materiais em decomposição, entre os quais fungos de colas e tintas do papel. São noturnos, vivem em ambientes húmidos e escondem-se nas frestas dos objetos de madeira. A reprodução é sexuada e apresentam um desenvolvimento ametabólico, a fase jovem diferencia-se da adulta apenas pelo tamanho e maturidade sexual. Alguns insetos desta família adaptaram-se ao ambiente urbano, consideradas pestes domiciliares, como a lepisma saccharina, encontrada muitas vezes nos edifícios portugueses, como museus, bibliotecas, hotéis e em muitos outros estabelecimentos comerciais. E costumam causar danos em papel de parede, rótulos, selos postais e notas. FIGURA Nº16. Peixinho-de-prata, insetos adultos da ordem Thysanura (GONÇALVES, 2011). 7 Ou Zygentoma, designação mais recente.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 17 CAPÍTULO 2 – EFEITOS NAS COLEÇÕES. 2.1. CICLOS DE VIDA E METAMORFOSES DOS INSETOS E A SUA RELAÇÃO COM O CONTROLO AMBIENTAL NOS MUSEUS. O controlo ambiental nos museus apresenta várias implicações ao nível da criação de um microclima ideal para todos os interesses da instituição, pois visa a coleção exposta, as reservas, os funcionários e os visitantes. Torna-se importante criar um ambiente agradável para as coleções e para o homem, pois o museu é a coleção que acolhe e conserva, mas é também os seus visitantes, tornando-se dois polos essenciais para o tipo de microclima estabelecido. Poderá idealizar-se que a melhor forma de manter um microclima controlado num museu será através da utilização de ar-condicionado, que mantém a TºC e a H.R sempre estável. Pois a climatologia define os ideais para a preservação das coleções, especificando o intervalo estreito de condições que devem ser mantidas, sendo implicitamente assumido que a solução é um ambiente artificial, conseguido através de elevados padrões, pela estrutura do edifício e pelos serviços mecânicos de arcondicionado. Mas existem vários autores que defendem uma ideia contrária, referindose a experiências com instituições do sudeste Asiático e no Pacífico, "É mais importante ter um microclima estável do que os níveis específicos de temperatura e humidade relativa” (KING and PEARSON, 1992). Os museus com microclimas controlados por arcondicionado poderão apresentar maiores variações de TºC e H.R e, os valores de referência das flutuações semanais para os espaços museológicos são de ±5%, o que na prática é difícil de conseguir (CASSAR and FERNANDEZ, 1994). Mesmo até os melhores sistemas mecânicos produzem valores que oscilam dos valores de referência estabelecidos, podendo ser influenciados ou desequilibrados por fatores como as necessidades da coleção (se os objetos forem higroscópicos), o desempenho do edifício (espessura das paredes, isolamentos e fugas de ar), da exposição do edifício à radiação solar, do número de visitantes e do tipo de sistema de ar-condicionado (apresentam como vantagem a filtragem do ar). A grande problemática do uso de ar-condicionado regulado com temperatura acima dos 20ºC, é que mantém sempre a temperatura elevada, o que interfere no ciclo
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 18 de vida dos insetos, pois estes crescem e reproduzem-se a partir destas temperaturas. Regra geral, os insetos preferem temperaturas que rondem os 20-30ºC, com valores de H.R ≥65%, o que favorece a sua proliferação. O desenvolvimento dos insetos ocorre a partir dos 5-10°C até aos 37°C, com crescimento lento entre os 15-20°C e reprodução rápida entre os 21-30°C (KEOPANNHA, 2008). Por estas razões, para que um museu mantenha o microclima entre os valores 18-24ºC é necessário que a deteção da presença de ataque de insetos seja constante e rigorosa, pois o microclima é favorável ao seu desenvolvimento acelerando o seu ciclo vital, crescendo e reproduzindo-se mais rapidamente. Nos museus que não sejam climatizados artificialmente, os valores de TºC e H.R vão variando consoante o clima exterior, ou seja, eles são delimitados pelo tipo de clima geográfico do local onde o edifício museológico se encontra implantado. Em Portugal, os museus sem controlo ambiental vão apresentar anualmente grandes variações de TºC e H.R, na primavera/verão a TºC será mais elevada e a H.R por consequência será mais baixa e no outono/inverno os valores serão inversos, valores relacionados com o tipo de clima do país. Para os insetos este microclima é mais semelhante ao clima exterior, ou seja, não vai interferir tão intensamente no seu ciclo vital, aumentando a probabilidade de existir uma reprodução anual, do seu desenvolvimento e proliferação ser mais lenta que num museu climatizado artificialmente. Nestas instituições é necessário criar planos de gestão de pestes, regidas pela forma como os insetos vivem, assim é imprescindível conhecer as suas características para criar planos viáveis. Sabendo que os insetos saem do seu habitat para se reproduzirem na primavera, que gostam de temperatura amena ou alta, favorável ao seu crescimento, é nesta época que os técnicos responsáveis devem iniciar as inspeções, com colocação de armadilhas como forma de prevenção, se a temperatura se encontrar sempre alta a inspeção deve ser contínua. Os insetos enquanto estão no estádio larvar podem viver sem se desenvolver durante muito tempo, até anos, se as condições ambientais forem adversas, quando estas se tornam favoráveis terminam a sua metamorfose, passando para adultos, reproduzindo-se e encerrando o seu ciclo vital (BRUKHOLDER and PHILLIPS, 1988b). Os insetos da ordem Coleoptera, a fêmea adulta, em ambientes naturais, põe os seus ovos na primavera ou no verão, mas em ambiente museológico os ciclos podem alterar-se, como exemplo, a família LYCTIDAE apresenta uma duração do ciclo biológico bastante variável. Habitualmente é de um ano, mas em condições favoráveis
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 19 de alimento abundante e de temperatura elevada, estes ciclos podem tornar-se mais curtos, reproduzindo-se várias vezes anualmente, podendo encurtar para um ciclo de quatro meses. Outro exemplo, os insetos da família dos ANOBIIDAE, enquanto larva crescem dentro da madeira entre 1-4anos, favorecendo a sua metamorfose valores elevados de H.R e TºC entre os 22-24ºC8. Com um microclima monitorizado para temperaturas amenas o seu desenvolvimento é mais acelerado passando ao estado adulto mais rapidamente, permitindo que o processo cíclico estreite. Como é o caso da espécie mais comum desta família o Anobium punctatum, num ambiente não monitorizado, enquanto adulto sai para reproduzir-se entre maio e agosto, vivendo entre três a quatro semanas no exterior e morrendo em seguida. Num habitat onde o ambiente é controlado com temperaturas entre os 22-25ºC e H.R elevado entre os ≥65 o seu desenvolvimento e reprodução são mais rápido, possibilitando a proliferação da infestação pelo edifício, tornando-se mais difícil o seu controlo. Mas nem todos os insetos reagem à TºC e H.R da mesma forma, existem espécies que podem desenvolver-se em condições ambíguas, como é o caso dos insetos da ordem Lepidoptera que ficam ativos com H.R superior a 70%, alguns casulos da pupa podem absorver a humidade do ar promovendo a sua metamorfose para adulto (THOMSON, 1986). Algumas espécies podem tolerar índices de H.R baixos, como é o caso de Attagenus spp.9 que conseguem sobreviver com cerca de 20-30%, neste exemplo, as baixas percentagens de H.R não podem ser utilizadas como única solução de controlo dos insetos, mas geralmente, temperaturas baixas, na ordem dos 5-10ºC podem ser eficazes na sua redução. Um estudo científico divulgado no “Journal of Cultural Heritage” sobre a espécie de insetos Attagenus smirnovi (Coleoptera, DERMESTIDAE), que infestam as coleções de natureza orgânica, descreve a influência da TºC e da H.R no ciclo de vida destes insetos. A instituição em estudo é o museu nacional da Dinamarca, onde é comum encontrar-se esta praga. A espécie A. smirnovi consome relativamente grandes quantidades de alimento10, talvez devido ao pouco valor nutricional dos materiais, no estudo os autores concluíram que a larva A. smirnovi consumiu aproximadamente duas vezes mais com temperatura de 28ºC em comparação a 20ºC, com valores de 60% de 8 A H.R elevada torna a madeira mais macia permitindo que as larvas se alimentem mais facilmente e criem galerias com maior rapidez. 9 Estas duas espécies pertencem à ordem Coleoptera e família Dermestidae. 10 A dieta das larvas inclui materiais que contenham proteína animal e amido, tais como lã, seda, penas, couro e papel.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 20 H.R11. O que demonstra que pequenos aumentos na temperatura podem, levar a grandes danos nas coleções, pois esta ativa o desenvolvimento destes insetos (HANSENA et al., 2012). A TºC e a H.R ideal ao nível do conforto humano incentivam o desenvolvimento das infestações, ao contrário se estas forem mais baixas poderão, em certos casos, tornar-se mais lento o crescimento dos insetos ou torna-lo inviável. Por estas razões, o microclima em áreas que sejam visitáveis deverá estar equilibrado entre o ideal para os visitantes e para o tipo de objetos expostos, com maior relevância se estes objetos forem orgânicos. Nas áreas não visitáveis, como as reservas, o microclima deverá ser ideal para as coleções, tendo em conta o tipo de objetos e os seus materiais de constituição. Os seres humanos são muito sensíveis às alterações de temperatura, mas relativamente insensível a variações de humidade relativa, ao contrário dos objetos que são muito mais sensíveis a alterações no H.R do que a mudanças de TºC (CASSAR and FERNANDEZ, 1994). Não deve existir um valor rigidamente estipulado como ideal para cada coleção, deve ser adotado um microclima detalhado para as necessidades da instituição, o que não diminui a importância das tabelas de referência com os valores definidos como ideais. Estas devem ser seguidas por serem valores considerados os mais apropriados, valores atingidos após vários estudos das necessidades dos diferentes objetos das coleções, devendo ser utilizado como referência, mas cada coleção e museu deve ser visto como único. Pois alguns tipos de objetos são mais sensíveis que outros às oscilações de H.R e TºC, não sendo economicamente nem ambientalmente aceitável, manter as condições estritamente controladas, se não forem essenciais para a conservação das coleções (GRATTAN and MICHALSKI, 2011). É importante que os responsáveis dos museus tenham em conta que para manter um microclima com uma temperatura entre os 20-24ºC, estes se encontram mais suscetíveis ao ataque de insetos, por apresentar uma temperatura ideal para o seu rápido desenvolvimento e propagação. Devendo estar mais atentos, não se descurando da monitorização periódica com ajuda de mecanismos de controlo, como a utilização de armadilhas e quarentena como forma de prevenção e vigilância continua. 11 A investigação foi conduzida em combinações de três temperaturas (20, 24 e 28ºC) e dois níveis de humidade relativa (50 e 75%).
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 21 TABELA Nº 2. Valores de humidade relativa e temperatura mais aconselhados, consoante o tipo de material orgânico. (THOMSON, 1986). 2.2. MATERIAIS, ESPÉCIES E POTENCIAIS DANOS. O tipo de coleção que a instituição museológica alberga vai definir o tipo de insetos possíveis numa infestação, sendo necessário que exista pelo menos uma coleção orgânica, porque estes não atacam materiais inorgânicos. Os insetos podem causar a perda total de várias coleções orgânicas, basta que para isso, se mantenha a TºC e H.R elevadas, sujidades nas coleções e nas zonas de armazenamento, infestações de fungos e zonas recônditas sem luz12. Como exemplo, os insetos da ordem coleoptera, as famílias estudadas no capítulo anterior, os ANOBIDAE, BOSTRICHIDAE, CERAMBICIDAE, LICTIDAE e DERMESTIDAE, são insetos xilófagos, por esta razão só infestam coleções constituídas por material lenhoso, e fazem-no para se alimentar, enquanto se encontram no estado larvar, criando galerias no interior dos objetos lenhosos, podendo estes ficar totalmente destruídos, reduzidos quase a pó ou parcialmente destruído pelos vários 12 A exposição regular ou prolongada das coleções à luz, natural ou artificial, pode causar danos irreparáveis nos objetos, por ser acumulativa e catalisador de reações químicas. Por estas razões, normalmente as coleções encontram-se em zonas sem luz. CONSTITUIÇÃO DOS OBJETO TEMPERATURA (°C) HUMIDADE RELATIVA (%) Madeira 19 - 21ºC 50% Pintura 18 - 22ºC 45 - 60% Têxteis 18ºC 40 - 60% Documentos Gráficos 18 +/- 2ºC 55 +/- 5% Couro, Pergaminhos 20ºC 50 - 55% Cerâmica 18+/-2ºC 40 - 60% Metais 15 - 20ºC 0 - 45%
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 22 túneis criados, que fragilizam a estrutura, acabando por partir. No final da sua metamorfose, na passagem para o estado adulto, estes insetos saem do interior da madeira deixando por vezes um rasto visível de destruição, centenas de pequenos orifícios, que numa coleção de escultura e pintura podem mesmo afetar a leitura do objeto, podendo perder-se partes fundamentais, tornando-se mais do que um simples problema estético. Outra ordem de insetos xilófagos é a ordem Isoptera, as famílias RHINOTERMITIDAE e KALOTERMIDAE, que por viver em colónia tornam-se mais perigosas, pois rapidamente devoram o objeto, deixando uma pequena película superficial intacta, que esconde a infestação, deixando o interior completamente vazio. Na falta de objetos lenhosos algumas das espécies desta ordem, como é o caso de Anthrenus verbaci da família DERMESTIDAE, alimentam-se de fibras naturais, podendo degradar várias coleções museológicas, como papel, têxteis e outros insetos, produzindo estragos em várias coleções de natureza orgânica que as instituições museológicas possuam. A ordem Psocoptera, conhecidos como o piolho-do-livro, degradam os documentos gráficos atraídos pelas gomas, amidos e pelos adesivos das encadernações, por serem mais fáceis de digerir que a celulose do papel (PERIS, 2005). Os danos causados nos documentos gráficos são mais do que estéticos, os túneis e orifícios, criam lacunas de várias dimensões que por cima do texto podem tirar ou desvirtuar o sentido das frases, perdendo-se informação. Os insetos da ordem Lepidoptera são atraídos pela queratina e pelas proteínas, principalmente as que contenham enxofre, que estão presentes na pele humana e animal. Infestando normalmente coleções têxteis, especialmente se estiverem sujas com alimentos, pois alimentam-se também de amido (Espinoza and Gruzmacher, 2002). Os danos causados nas coleções vão desde o desgaste, orifícios irregulares e lacunas de vários tamanhos. Os insetos da ordem Thysanura alimentam-se dos adesivos, das tintas, de fungos que possam existir nas coleções, provocando corrosão superficial, lacunas e manchas de tom amarelo, provocadas pela acidificação do material, que desencadeia outras reações de degradação. O grande problema de uma infestação é o dano físico que os insetos causam nos objetos, que também servem de catalisadores ou promovem reações químicas que provocam a continuidade da sua degradação, como alteração do pH (provoca manchas e corrosão) e desidratação das fibras (tornando-as quebradiças).
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 23 TABELA Nº3. Lista ilustrada de danos que demonstram a presença de ataque dos insetos xilófagos. INSETOS XILÓFAGOS ORDEM FAMÍLIAS DANO NAS MADEIRAS Coleoptera Caruncho ANOBIIDAE Galerias circulares ou ovais. Túneis superficiais que são consolidados com o pó do serrim e dos excrementos da larva. Orifícios de saída irregulares. BOSTRICHIDAE CERAMBICIDAE LICTIDAE DERMESTIDAE Isoptera Termita RHINOTERMITIDAE O interior do objeto é destruído, mas a superfície exterior é deixada intacta, consolidada pelos excrementos e saliva. KALOTERMIDAE Estes danos provocam pulverulência da madeira, diminui a resistência física e mecânica, podem provocar lacunas ou mesmo perda total ou parcial do objeto. IMAGENS DA DEGRADAÇÃO PROVOCADA POR INSETOS XILÓFAGOS NA MADEIRA. REFERÊNCIAS: HTTP://WWW.GOOGLE.COM/IMGRES [05/03/2012].
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 24 TABELA Nº4. Lista ilustrada dos danos que demonstram a presença de ataque de insetos nas coleções museológicas. INSETOS ORDEM MATERIAL DANO CAUSADO Psocoptera Piolho-do-livro Documentos gráficos Atraídas pelas gomas, adesivos e amidos, que são de mais fácil digestão que a celulose. Abrasão superficial. Lepidoptera Traça Têxteis Queratina, proteínas, amido (das farinhas e cereais) . Desgaste, orifícios irregulares, lacunas de vários tamanhos. Thysanura Peixe-prata Adesivos, tintas, amido e fungos. Erosão superficial com contorno irregular, manchas e lacunas. Estes danos provocam nos materiais acidificação das fibras, lacunas, diminuição da resistência física, amarelecimento e manchas. REFERÊNCIAS:HTTP://WWW.GOOGLE.COM/IMGRES [10/03/2012].
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 25 CAPÍTULO 3 - CONTROLO/ ELIMINAÇÃO DE INSETOS. É importante proceder-se à desinfestação da coleção quando o técnico responsável pela área da conservação tem a certeza da presença de infestação ativa. Neste caso, o técnico deve conhecer a coleção que vai intervencionar, o tipo de insetos que vai combater, o tipo de instituição museológica e as várias formas de realização dos tratamentos de desinfestação. O conservador deve: 1. Conhecer os vários materiais de constituição da coleção, os seus comportamentos, o seu estado de conservação e principalmente conhecer as suas vulnerabilidades. 2. Deve conhecer o tipo de infestação, quais os insetos presentes, a causa da entrada, a propagação da infestação e os problemas associados. 3. Conhecer o edifício, as suas vulnerabilidades e os seus pontos fortes, para delinear estratégias de gestão de insetos. 4. Deve apresentar conhecimentos bastos dos vários tipos de desinfestações que existem, as suas vantagens e desvantagens tendo presente o tipo de coleção e o orçamento disponível pela instituição. No passado muitos métodos foram usados para erradicar insetos, utilizaram-se uma variedade de aplicações químicas, mas com o desenvolvimento científico e as novas pesquisas trouxeram a condenação destes métodos de controlo químico, os órgãos governamentais começaram a legislar contra o uso de substâncias nocivas para o homem e para o meio ambiente. Como é o caso do brometo de metilo utilizado para desinfestações, classificado como um composto que destrói o ozono e altamente nocivo, sendo proibido (Europeu, 16 de Setembro de 2009). Ainda existe outro inconveniente, no uso de qualquer produto químico, os insetos podem tornar-se resistentes a esses produtos, tornando-se cada vez mais difícil a sua erradicação.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 32 3.1.3. Segurança e saúde. Os inseticidas concernem uma vasta gama de substâncias ativas e preparações, de composição diferenciada, cobrem um amplo leque de utilizações, que concede uma dimensão económica assinalável e imprescindível atualmente. Trata-se de produtos com benefício para a proteção da saúde humana, dos animais e meio ambiente, mas acarreta um risco para os mesmos, o que necessita de medidas específicas de avaliação, controlo da comercialização e utilização. Desde 1960, com a publicação da Portaria nº 17 980 de 30/09/60, os produtos inseticidas foram objeto de medidas disciplinadoras, que obrigaram os agentes económicos à obtenção de autorizações de fabrico e comercialização, atribuído à Comissão Reguladora dos Produtos Químicos e Farmacêuticos. Mais tarde em 1976, é transferido para o Ministério do Comercio Interno, mas com o Decreto-Lei nº 306/90, de 27 de Setembro, esta competência passou para a área de aprovação de rótulos e embalagens. Com o Decreto-Lei nº 131/97, de 30 de Maio, todas as competências, quer no âmbito de autorizações provisórias de venda, na aprovação das embalagens e rótulos, passaram para a então criada, Direção-Geral da Proteção das Culturas. O Decreto-Lei nº 232/99, de 24 de Junho, inseriu um sistema de autorização de introdução no mercado, que tendo em conta os avanços técnicos e científicos, garante a avaliação dos inseticidas, garantindo os padrões exigidos de qualidade, eficácia e segurança. A adoção da Diretiva nº 98/8/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 16 de Fevereiro de 1998, relativa à colocação de biocidas no mercado, dos quais estão excluídos os inseticidas de uso agrícola, veio de encontro com a preocupação dos riscos que estes produtos podem acarretar, impondo à harmonização do quadro legislativo nacional e transpondo-as para a ordem jurídica interna. Permite a permanência no mercado de produtos já comercializados que contenham substâncias ativas não autorizadas e a manutenção transitória, por um período de 10 anos. O diploma prevê uma cláusula de salvaguarda que admite a retirada do mercado de produtos que se venham a constatar de risco inaceitável para a saúde humana, animal ou para o ambiente. Prevê igualmente, o uso por 120 dias de produtos derrogados, no caso de acontecer um perigo imprevisível que não possa ser combatido por outro meio, ou derrogações de produtos que tenham substancias ativas não autorizadas, mas que obedeçam aos requisitos, satisfazendo as condições impostas e não haja objeção por
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 33 parte das autoridades competentes. Permite ainda a utilização para expêriencias ou testes de investigação e desenvolvimento técnico e científico. Na rotulagem, embalagem e publicidade este diploma obriga à elaboração de fichas de segurança e, comunicação ao Centro de Informação Antivenenos de todas as informações de tratamento médico. A competência para passar as autorizações de venda de inseticidas foi atribuída a três entidades, a Direção Geral de Saúde (Ministério da Saúde) os inseticidas de uso no homem, uso doméstico e industrial; Direção-Geral de Veterinária; Direção-Geral do Ambiente. É criado uma Comissão de Avaliação Técnica, com parecer vinculativo, dos produtos biocidas, em que se encontram representados os Ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, da Saúde, do Ambiente e do Ornamento do Território. É definido uma autoridade de coordenação nacional, a Direção-Geral da Saúde, destinada a estabelecer a ligação entre os serviços e órgãos e, representação nacional a nível comunitário e internacional (Republica, 3 de Maio de 2002). As autorizações de venda são emitidas para cada produto, em nome da empresa responsável pela sua colocação no mercado nacional, deve ser acompanhado pela respetiva ficha de identificação, por dois dossiers técnicos do produto formulado e substancia ativa, mais dois projetos de rótulos. É também examinado a avaliação de risco e benefícios de cada produto pesticida tendo em conta o utilizador industrial, profissional ou público em geral. A introdução de uma substancia na lista carece de aprovação em Comité. Após aprovação é concedido a autorização de venda provisória, sendo necessário revalidar anualmente. Desta forma a “diretiva pretende harmonizar, a nível comunitário, a colocação de produtos biocidas no mercado e garantir um alto nível de proteção para o homem e o ambiente” (CARDOSO, 1997). 3.2. TEMPERATURA. O intervalo aceite pela generalidade dos insetos estabelece-se entre os 10-35ºC, por esta razão normalmente temperaturas extremas eliminam os insetos, o que pode ser usado como forma de desinfestação. O problema ocorre quando os materiais de constituição dos objetos da coleção não o permitem, são vulneráveis a temperaturas extremas, se este não se degradar com esta medida de controlo, poderá ser um método eficaz e inofensivo para a saúde pública.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 34 Para que a desinfestação seja mais controlada e sem ocorrer imprevistos, o processo deve ser realizado em micro ambientes utilizando cabines de ambiente controlado e realizado por empresas especializadas. O Thermo-Lignum® WARMAIR permite baixar a temperatura chegando aos 25ºC negativos, que durante um período de dois ou mais dias torna-se eficaz na eliminação dos insetos, como a utilização do tratamento inverso, com temperaturas acima dos 55ºC durante uma ou mais horas. O princípio que está por trás deste método é garantir a estabilidade da humidade nos objetos através da manutenção de humidade relativa dentro de uma faixa restrita, entre os 50-55%. Os métodos que utilizam altas temperaturas, como o uso de calor, da radiação gama e microondas, alguns especialistas defendem que os resultados não são tão satisfatórios (TRUCCO et al., 1998). Como exemplo, o calor para eliminar insetos em documentos gráficos ou objetos com material em papel, a sua utilização nos níveis necessários para matá-lo acelera a oxidação e o envelhecimento do papel, a radiação gama pode iniciar a oxidação e provocar a rotura das moléculas de celulose, com possibilidade de danificar seriamente o papel e o adesivo pode enfraquecer perdendo a sua função. O método de desinfestação por controlo da temperatura é totalmente ecológico e eficaz contra várias espécies de insetos que estejam a contaminar vários tipos de materiais, como a madeira, papel, peles (pergaminho, couro, etc.) e têxteis. O processo introduz apenas ar quente e água, é usado para as pestes-alvo, tais como os insetos da família ANOBIDAE (Anobium punctatum, Xestobium rufovillosum, para os insetos da família SIRICIDAE, para os insetos da ordem Lepidoptera sendo usado também para desinfeções de fungos). É necessário ter em conta a empresa que se contrata para a realização deste tipo de desinfestação, devem ser especializadas e com bons equipamentos, para que o tratamento seja realizado corretamente. Alguns equipamentos não são capazes de baixar a temperatura com suficiente rapidez, a lenta redução da temperatura permite que alguns insetos entrem em estádio de metamorfose, permitindo-lhes sobreviver ao tratamento (Chicora Foundation, 1994). O problema é que alguns objetos devem ser mantidos num ambiente controlado para atingir estas temperaturas lentamente e vice-versa, para não sofrer alterações estruturais, por vezes irreversíveis, o que vai de encontro ao que foi referido anteriormente. Outros objetos estão mais suscetíveis ao risco de dano com a congelação, porque perdem a flexibilidade e tornam-se mais frágeis. Como exemplo, as madeiras
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 35 que são higroscópicas, por isso o controlo da H.R deve ser rigoroso para que não haja danos físicos, como dilatações ou contrações que provocam movimentos bruscos, criando fissuras, fendas e empenos. Se necessário os objetos devem ser colocados em sacos de polietileno antes do tratamento para criar um microclima mais estável, o ar dentro do saco é reduzido diminuindo a quantidade de humidade que poderia condensar e congelar o objeto, o saco não deve ser excessivamente apertado para não provocar danos nos objetos, mas este processo não é muito usado (STRANG, 1997). É necessário ter um cuidado acrescido ao manusear objetos grandes resfriados, pode provocar queimaduras na pele do técnico e ao objeto pode causar danos físicos se existirem choques, pois a sua resistência mecânica é baixa. Este método apresenta uma enorme vantagem para os museus que queiram desinfestar objetos em exposição, a ausência de produtos químicos ou gases nocivos durante o processo permite a reutilização imediata dos objetos após a conclusão do tratamento, sem risco de prejudicar a saúde do funcionário e público (Limited, 2004). O tratamento é bastante rápido, leva apenas 24-36 horas. E os detentores das coleções podem recorrer ao tratamento sem preocupações de abandonar as instalações, o que diminui os riscos de segurança e torna o processo mais barato, pois não necessita de seguros de cobertura adicional, minimiza o manuseamento e transporte desnecessário. Uma das desvantagens deste método é causarem, em maior ou menor grau, um stress físico nos materiais de constituição dos objetos, estes podem ser compostos por um variado conjunto de materiais e, cada um responde de forma diferente às mudanças de energia à qual é submetida. No método de congelação controlado, se o coeficiente de dilatação for diferente entre os materiais no mesmo objeto pode existir movimentações diferentes, conduzindo à degradação por deformações, fissuras ou fendas. Um estudo científico divulgado no Journal of Cultural Heritage (HANSENA et al., 2012) sobre o Attagenus smirnovi18 (coleoptera, família DERMESTIDAE), que infesta as coleções do museu nacional da Dinamarca, apresenta esta praga como difícil de erradicar. A instituição museológica combate a infestação por congelação e os resultados são de 100% de mortalidade após exposição a temperaturas negativas -14,4ºC durante 24 horas. A temperatura do congelador deverá atingir 0°C em quatro horas e - 20°C em 8 horas. A grande maioria dos tratamentos com obtenção de resultados 18 A. smirnovi desenvolve-se com maior rapidez em condições ideais de 24ºC e H.R entre os 70-80%, no estado adulto vivem cerca de 20 dias, acasalam durante os meses de abril a agosto, cada fêmea produz 30 a 70 ovos e o tempo de incubação é de 10 -14 dias.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 36 favoráveis atingiu temperaturas negativas de -29°C num período de 72 horas. Quando a temperatura não poder ser tão baixa os resultados são favoráveis aos -20°C durante 48 horas (TRUCCO et al., 1998). 3.3. ATMÓSFERA DE ANÓXIA. Apesar de ser uma invenção recente, do século XX, é o tratamento mais recomendado nos nossos dias, por ser inócuo, pela crescente consciencialização dos perigos associados aos vários produtos químicos ao nível estrutural das coleções e também ao meio ambiente e ao homem. Como os insetos necessitam de oxigénio para viver são usados tratamentos que o retirem do ar, através de câmaras com sistemas de gás inerte. Desta forma, o oxigénio do microclima é reduzido para um valor ≤ 0.3%, suficiente para matar os insetos existentes por desidratação, o tempo indispensável para obter resultados depende da temperatura necessária para manter a conservação dos objetos, com uma temperatura que ronde os 15-20ºC é obrigatório a coleção estar nestas condições durante quatro a seis semanas, mas com temperaturas superiores, entre os 25ºC é preciso menos tempo, três a quatro semanas. O oxigénio é substituído por outros gases inertes, como o dióxido de carbono (CO2), o nitrogênio (N2) ou o árgon (Ar), podendo também ser usado a combinação de dois gazes inertes. A seleção do gaz inerte a ser usado no processo de desinfestação passa por vários itens, como o tipo de insetos existentes na coleção e o preço do gaz. Como exemplo, o uso do N2 em relação ao CO2 torna mais caro o tratamento, sendo a desinfestação por Ar ainda mais dispendioso. Para Stephan Schäfer “em termos de custo/benefício nada justifica o uso do árgon”, um estudo científico realizado pelo Getty descreve que a única diferença encontrada é que em alguns insetos os tempos letais sob atmosfera de Ar são ligeiramente mais curtos. O CO2 é recomendado no tratamento de desinfestações de grande número de objetos, por ser relativamente barato, pois é um desperdício e poluente do ar. Após anos de pesquisa Robert Koestler, Richard Sheryll e William Louche inventaram este sistema de desinfestação de insetos por atmosfera de anóxia, concedendo a comercialização da patente à Art Care International Inc (KOESTLER,
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 37 2001). O procedimento executivo da técnica é relativamente simples19, o objeto é isolado num ambiente rico em oxigênio, em seguida é substituído por um gás inerte, ficando nesse ambiente até á erradicação dos insetos e no final retira-se o objeto. É necessário tecnologia específica para a realização deste processo, para que sejam atingidos rapidamente baixos níveis de oxigénio para ser totalmente eficiente. Não devem acontecer falhas durante o tratamento, tais como: Concentração inadequada do gás, Falhas na vedação do invólucro hermético, Tempo de exposição insuficiente, Falta de monitorização constante e medição das concentrações durante todo o processo. No tratamento deve-se considerar que na presença de níveis elevados de humidade (≥75ºC) o CO2 pode reagir e formar ácido carbónico (H2CO3), podendo o material acidificar, provocar corrosão em metais ou em pigmentos. Materiais e equipamentos inadequados. Atualmente, este método é o meio não-invasivo mais preciso e seguro de erradicação de infestações no património cultural. Outra vantagem é a possibilidade de ser realizado in situ e moldado na forma e tamanho necessário para o tratamento. É imprescindível que se conheça a dimensão da infestação, pois este método elimina os insetos, mas não previne o objeto de um ataque futuro, ou seja, mesmo que o objeto tenha sofrido uma desinfestação por anóxia se o museu tiver infestado a probabilidade de rapidamente esse mesmo objeto voltar a ser atacado é enorme, perdendo-se dinheiro e continuando com o mesmo problema. 19 Ver anexos. Atmosfera de anóxia, p.8.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 38 PARTE II O MUSEU MUNICIPAL DE PENAFIEL. ESTUDO DE CASO. No âmbito do primeiro ano letivo do mestrado em museologia foi realizado um trabalho para uma cadeira, onde foram levantados os riscos e vulnerabilidades do MMP, através da utilização da escala simples de Stefan Michalski (Canadian Conservation Institute). Neste estudo foi detetado uma infestação por ataque de insetos xilófagos, na coleção presente nas reservas do museu, num conjunto de máquinas de costura, com mesa em madeira. O seu estado de conservação foi observado devido à presença de orifícios de saída dos insetos nas superfícies das mesas, juntamente com pequenas partículas de serrim fresco e principalmente com a presença de insetos mortos, identificados como sendo da família ANOBIIDAE (Anobium punctatum). A escala de risco e prioridade no que se refere ao risco genérico de pestes do tipo 1 e 2 marcou uma prioridade urgente, registando 7 pontos. A instituição foi alertada para os indícios de uma possível infestação na coleção presente nas reservas, onde se procedeu de imediato a um tratamento de desinfestação, por aplicação de um produto químico. Assim, as máquinas de costura foram desinfestadas, cessando no imediato a continuação da degradação do material lenhoso. Mas a questão coloca-se, na necessidade de após a deteção da presença de um ataque de insetos na coleção o que deve ser realmente feito para atuar, detetar e evitar este problema. Surgem várias interrogações, tais como: a desinfestação química foi ou não o melhor procedimento? Será o suficiente? Qual a sua repercussão perante o objeto, a infestação e os funcionários do museu? Qual será a extensão da infestação? Qual será o(s) inseto(s) contaminante(s)? Como entraram no museu? A necessidade de resposta concreta e científica perante a urgência de resolver os problemas de contaminação das coleções, sem correr riscos ou perdas futuras, sem ignorar o problema e a carência de conhecimento na gestão de planos de infestações, é que surgiu o tema do projeto de mestrado. Frente á deteção da presença dos insetos contaminantes nas reservas do museu com construção iniciada em 2007, edifício construído de raiz, projetado para albergar as coleções e aberto ao público em 2009, mostrou-se urgente a criação de um plano de gestão de pestes para o museu. Partindo desta necessidade surge o interesse na área da conservação preventiva, na gestão do planeamento de infestações por ataque de insetos nas coleções dos museus, projetando o
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 39 estudo para uma escala alargada às necessidades das instituições museológicas, desta forma, o MMP é utilizado como caso de estudo prático. É importante conhecer o museu no seu todo, saber as vulnerabilidades geográficas que são inerentes ao território, estudar o urbanismo envolvente, reconhecer o género de instituição, desde os recursos humanos ao tipo de edifício, como a construção, o espaço, o tipo de mobiliário, sistema de segurança e equipamento de controlo ambiental. Pois estes itens poderão influenciar diretamente nos riscos, tornando a instituição mais ou menos vulnerável. É também de importante valor analisar a coleção, definindo as suas vulnerabilidades, estado de conservação e necessidades. Com este conhecimento, a criação dos planos de erradicação de insetos nas coleções das instituições museológicas tornam-se mais fácil o controlo e minimiza o problema. CAPÍTULO 4 - OS RECURSOS HUMANOS. 4.1. COMPETÊNCIAS E FUNÇÕES. A instituição museológica é constituída por sete técnicos superiores, dos quais três arqueólogos, sendo um deles a diretora da unidade orgânica do museu. Um técnico na área da educação, três técnicos de conservação e o restante pessoal profissional e auxiliar que trabalham em cooperação no pleno funcionamento do museu. Existe ainda um grupo, designado como amigos do museu, que colaboram ao nível financeiro e administrativo. O museu em relação a cargos superiores está bem gerido, faltando só um técnico superior de conservação e restauro, que suprima as necessidades de realizar intervenções de carater conservativo nos objetos da coleção, tais como tratamentos de desinfestações, consolidações, fixações, limpezas químicas e que crie inspeções nos que dão entrada no museu, criando planos de gestão de pestes assentes em bases solidas. Os técnicos superiores encontram-se quase todos a estudar, a tirar o mestrado e doutoramento, mantendo-se ativos ao nível intelectual, o que é uma maior valia para o dinamismo do museu. Ao todo são dezanove pessoas a colaborar no museu e, existe
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 40 uma preocupação na renovação da formação dos seus colaboradores, criando formações para as pessoas, como curso de inglês. TABELA Nº 8. Quadro dos colaboradores do MMP. (Informação dada pelo MMP, 26/04/2012). CAPÍTULO 5 - O EDIFÍCIO. 5.1. LOCALIZAÇÃO. A cidade de Penafiel20 pertence ao distrito do Porto região norte e sub-região do Tâmega. De clima temperado com relevo marcado por rios que proporcionam condições ideais para o crescimento vegetal, com várzeas agrícolas, de vinha e pomares e com plantações florestais. A caraterização hidrografia da cidade, regista valores de 20 Ver apêndice. Caraterísticas da região, pp.3 e 4. QUADRO DE PESSOAL DO MUSEU E NÚCLEOS Nº de pessoas FORMAÇÃO INICIAL DOS COLABORADORES 1 Técnico superior, arqueólogo/ diretora 1 Técnico superior, arqueólogo 1 Técnico superior, arqueólogo (em regime de avença) 3 Técnico superior, conservador 1 Técnico superior, serviço educativo 2 Técnico profissional, administrativo 1 Técnico profissional de arquivo 7 Serviço auxiliar, guardaria e vigilância 2 Serviço auxiliar, museografia
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 41 precipitação média de 500mm/ano, e estes estão diretamente influenciados pelos alinhamentos montanhosos localizados a leste, como a serra do Gerês. A análise climatológica21 da temperatura anual média para a bacia hidrográfica do rio Douro é de 15 °C. Em geral, o clima regional é de tipo temperado e de amplitude moderada, sendo a temperatura média anual de 13ºC e a amplitude da variação anual é de 11,8ºC. Na região predomina um clima do tipo chuvoso, com um longo período húmido no inverno e curto período seco no verão. Os ventos mais frequentes (23,6%) sopram de sudoeste, ocorrem ainda nevoeiros em todos os meses, em média cerca de 45 dias de nevoeiro por ano. O museu municipal situa-se no centro histórico da cidade de Penafiel22, data da sua criação em 17 de abril de 1948, teve recentemente em março de 2009, novas instalações pensadas para albergar a sua coleção (SOEIRO, 1994). As novas instalações ocuparam o edifício do palacete dos Pereira do Lago e antigo colégio do Carmo, reabilitado e projetado um novo prolongamento pelo arquiteto Bernardo Távora, encontrando-se completamente integrado na malha urbana da cidade (SANTOS and MARQUES, 2009). MAPA Nº 1. Cidade de Penafiel, pontos urbanos mais importante. (Google Maps 2011) 21 Ver anexos. Análise climatológica, p.9. 22 Ver anexos. Plantas do museu municipal, pp.10 - 13.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 48 Na coleção em estudo existem vários materiais orgânicos, com vulnerabilidades mais ou menos semelhantes, tais como madeira, presentes nas coleções de mobiliário, agrícola, pesqueiro, escultóricas e pinturas sobre madeira; os têxteis, como o vestuário e as pinturas sobre tela; o papel, em jornais, caixas de cartão e livros. Estes materiais orgânicos apresentam caraterísticas próprias, ao nível físico e químico, que originam determinados comportamentos. Os mecanismos de deterioração são ativados por determinadas causas, como os fatores ambientais, que podem criar oscilações bruscas de elevados valores de humidade relativa e temperatura, valores elevados de iluminação e poluição atmosférica, que provocam reações de natureza química, mecânica e biológica. Estes fatores extrínsecos de oscilações da H.R e TºC podem provocar enormes danos, devido às caraterísticas higroscópicas e anisotrópicas dos materiais orgânicos, provocando alterações por vezes irreversíveis, não apenas em relação às dimensões, mas também quanto ao seu comportamento mecânico. Favorecem também o desenvolvimento biológico, neste caso, a proliferação de insetos que se alimentam da coleção orgânica do museu. Apresentando caraterísticas de degradação diferentes, como orifícios, túneis, lacunas, acidificação e sujidade (manchas provocadas pelos excrementos e saliva). 6.2. LOCALIZAÇÃO NOS ESPAÇOS DO MUSEU. A coleção do museu encontra-se em reserva no piso 1 e -1 e nas salas de exposição no piso 0. A coleção inorgânica composta pelos achados arqueológicos encontra-se em reserva numa sala do piso 1. Nas seis salas da reserva do piso -1 localizam-se vários objetos de tipologias diversas, tais como, na sala 1 da entrada estão acondicionados os objetos pétreos, na sala 2 a coleção de pintura, na sala 3 a coleção têxtil e os documentos gráficos, na sala 4 existem várias tipologias como metal, cerâmica, madeira e pele, na sala 5 os objetos são constituídos por inorgânicos como pedra e metal, por último a sala 6 com coleções em pedra, metal, cerâmica, madeira, pele e outros materiais (coleções de cestos). Na exposição a coleção é dividida por temas e os materiais de constituição são diversos e encontram-se expostos de forma a criar cenários, a sala 1 “Identidade” e 2 “Território” é dedicada à coleção imaterial, encontrando-se poucos objetos representantes dessas memórias, objetos têxteis, em madeira e pedra. A sala 3
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 49 “Arqueologia” com objetos em pedra, vidro, metal e cerâmica, enquanto na sala 4 “Ofícios” a coleção passa pelos objetos lenhosos, têxteis e metal. Na sala 5 “Terra e Água” a maioria dos objetos são em madeira, apresentando alguns objetos em cerâmica e pedra. Esta distribuição das tipologias das coleções pode ser observada mais à frente na planta nº4. 6.3. ESTRUTURAS DE ACOMODAÇÃO EM RESERVA. O mobiliário das salas de reserva foi projetado para aquele espaço, apresentando-se nas salas nº4, nº5, nº6, estantes em aço inoxidável, com superfície de placas em contraplacado a servir de base. A sala nº2 é mobilada com as mesmas estantes que as salas anteriores e com armários tipo arquivo de fácil abertura, iguais à sala nº3 onde se encontram os têxteis guardados. 6.4. CONDIÇÕES AMBIENTAIS A QUE ESTÃO SUJEITAS. O estudo do microclima é referente às seis salas das reservas e à sala de exposição “Terra e Água “do museu municipal, sendo relativo aos valores presentes nos dias em que foram realizadas as inspeções às armadilhas pela discente durante os sete meses de pesquisa para o relatório do projeto. Os valores de TºC e H.R registados em FOTOGRAFIA Nº4. Visualização dos armários tipo arquivo. (SOARES. MMP, 2011). FOTOGRAFIA Nº 3. Visualização de algumas estantes. (SOARES. MMP, 2011).
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 50 cada inspeção foram seis valores, que servem como fonte informativa do microclima existente nos espaços em estudo, visto este interferir com o ciclo de vida dos insetos. Não é uma análise taxativa e precisa do microclima, por não ser analisado o registo diário, mas o pretendido era o registo ser realizado pela discente em cada inspeção, apresentando-se as variações microclimáticas numa maior amplitude. A análise dos valores recolhidos numa forma global ostenta variações bruscas na H.R, provavelmente derivado ao estado microclimático das três salas das reservas, que se encontram com o ar-condicionado avariado, durante os meses que decorreram as inspeções. Apesar do ar-condicionado que está a funcionar equilibrar o microclima nas salas onde estes se encontram avariados, continua a ser necessário para o bom estado de conservação das coleções que estes sejam urgentemente arranjados. O equilíbrio do microclima neste momento é feito através da abertura das portas de acesso entre as salas, o que se torna inevitável as variações bruscas de TºC e H.R dos espaços, o que facilita o desenvolvimento do ataque biológico, ao nível das infestações de insetos e criação de fungos e outros organismos. O aparecimento de fungos já se começa a verificar em alguns objetos da sala 4, provavelmente devido aos elevados valores de H.R. Este tipo de contaminação não é tratado com os mesmos produtos químicos usados para as desinfestações químicas no ataque de insetos, apesar de existir muitas vezes esse pensamento, o tratamento deve ser encarado de forma diferente, com a utilização de biocidas específicos para o tipo de material de constituição do objeto e para o tipo de organismo presente. Na análise microclimática da reserva no piso -1, a sala 2 que acondiciona a coleção de pintura, apresenta valores de TºC e H.R aparentemente estáveis ao nível conservativo, como pode ser observada na tabela nº9 (THOMSON, 1986). A sala 3 acondiciona a coleção de têxteis e numa menor percentagem a coleção dos documentos gráficos, apresenta valores de TºC um pouco acima dos padrões recomendados (18ºC) e os valores de H.R sofreram uma grande oscilação durante o início e o fim do estudo, com valores inicialmente baixos (valores recomendáveis entre 40-60% para têxteis e 55% para documentos gráficos)28. A sala 5 acondiciona uma coleção variada, ao nível dos materiais de constituição dos objetos, com maior relevância a pedra e o metal, sendo neste caso os objetos em metal os mais sensíveis às alterações e oscilações microclimáticas, devendo neste caso manter-se a H.R até aos 45%, prevenindo a sua 28 A tabela de valores de TºC e H.R recomendados pode ser observada na página 21.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 51 ascensão até aos 50%, devido às reações químicas que se poderão desencadear. Desta forma, os valores de H.R encontram-se um pouco acima do recomendável, mas deve ser levado em conta o estado de conservação dos objetos, sendo necessário uma maior atenção e fiscalização para controlar possíveis alterações. Estes valores não são os ideais para manter um microclima estável à coleção, mas perante o problema do ar-condicionado avariado nas três salas das reservas e as outras três estarem a equilibrar o microclima, acaba por apresentar valores mais ou menos inapropriados aos materiais de constituição das coleções, mas ainda assim dentro dos padrões recomendáveis para todos os materiais. TABELA Nº 9. Valores registados de TºC e H.R nas seis salas das reservas e sala de exposição29 (Informação recolhida durante o projeto de mestrado). TEMPERATURA (ºC) HUMIDADE RELATIVA (%) Valor Mínimo Valor Máximo Valor Mínimo Valor Máximo R. Sala 1 Ar-condicionado desligado R. Sala 2 18.7 20.5 41.5 63.8 R. Sala 3 20.5 22 31.9 60.5 R. Sala 4 Ar-condicionado desligado R. Sala 5 20.3 21.5 57 60.5 R. Sala 6 Ar-condicionado desligado Sala de Exposição “Terra e Água” 22 22.7 54.2 55.2 29 Ver apêndice. Condições ambientais. Microclima, pp. 37.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 52 6.5. MANUTENÇÃO PREVENTIVA E CORRETIVA. Os responsáveis pelo MMP executam tarefas de manutenção nos seus espaços que previnem o desenvolvimento de infestações, como manter as salas limpas, o registo diário do microclima das reservas e salas de exposição, como fonte de registo e controlo e estão atentos aos problemas que vão surgindo tentando resolvê-los o mais rápido possível. Realizam também ações corretivas como a realização de desinfestações química nos objetos infestados e limpezas mecânicas nas coleções que dão entrada nas reservas do museu. Estas atividades são essenciais para o bom funcionamento da instituição e para a conservação das coleções, devendo ser sempre planeadas de forma a serem realizadas o mais corretamente possível. CAPÍTULO 7 - AVALIAÇÃO DE RISCO. 7.1. MODELO DE AVALIAÇÃO. O modelo de avaliação utilizado para definir a magnitude de risco e prioridade no MMP foi o modelo adaptado e simplificado de Stefan Michalski (Michalski, 2004) 30. O modelo inicial foi criado em 2003, por Robert Walle, a Ratio Scale é baseada no cálculo da magnitude de riscos pela fórmula MR = FsxLVxPxE. Obtida através da avaliação da susceptibilidade da coleção à degradação, na probabilidade de acontecimento, extensão da degradação e a perda do valor do objeto ou coleção afetada (Barboza et al.). A escala simplificada, ABC Scale, foi criada em 2006 por Stefan Michalsky e a magnitude de risco é determinada pelo somatório dos valores de risco atribuídos para cada uma das quatro etapas pré-determinadas por Waller, mas primeiro é necessário listar riscos, causas e efeitos dos agentes de deterioração. O modelo de avaliação é constituído por várias tabelas, que permitem o exercício da criação de uma tabela referente à magnitude de risco e prioridades que determinado museu possui. 30 Ver anexos. Tabelas de magnitude de risco e prioridades, pp. 15-18.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 53 7.2. MAGNITUDE DE RISCO. VULNERABILIDADE. Com a descoberta nas reservas da presença de infestação de insetos na coleção, através da presença de serrim na superfície das estantes junto dos objetos e insetos mortos nas salas 4 e 6, foi criado usando o modelo de avaliação referido anteriormente, uma tabela para identificar a magnitude de risco e prioridades do museu. O cálculo da avaliação do risco atingiu no risco genérico – pestes-tipo 1 e 2, uma prioridade de 7, ou seja, prioridade urgente, o que levou à concretização deste relatório de projeto. No decorrer do projeto de mestrado, verificaram-se avarias no ar-condicionado do controlo ambiental das salas 1, 4 e 6 da reserva do museu. Este problema cria flutuações nos valores diários de TºC e H.R das salas. As oscilações microclimáticas favorecem o desenvolvimento de infestações biológicas que degradam os objetos, mas também são catalisadores de outras reações físicas e químicas que degradam os materiais de constituição das coleções. Desta forma, o risco genérico referente à temperatura e humidade relativa incorretas do tipo 2 e 3 na escala de risco marca uma prioridade urgente, registando 6 pontos. A tabela criada para registo da magnitude de risco e prioridades para o museu municipal de Penafiel, pode ser observada em baixo e na página seguinte, onde se encontra destacado as urgências referidas, sendo o risco genérico31 de maior prioridade as pestes do tipo 1 e 2, que levaram ao estudo de estratégias de intervenção, como forma de contribuir para um plano integrado de controlo de infestações, privilegiando as atitudes profiláticas. TABELA Nº 10. Magnitude de risco e prioridades. Escalas simples de Stefan Michalski (Canadian Conservation Institute) (HOMEM, 2010). 31 Ver apêndice. Aplicação da escala de risco e prioridade no MMP, pp. 10-12. RISCO GENÉRICO P FS PV – PVP E -VR MR PRIORIDADE Forças físicas – Tipo 1 0 0 1 1 2 Manutenção do museu Forças físicas – Tipo 2 1 0 1 1 3 Manutenção do museu
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 54 Forças físicas – Tipo 3 1 0 1 1 3 Manutenção do museu Fogo – Tipo 1 0 0 1 1 2 Manutenção do museu Fogo – Tipo 2 0 1 1 1 3 Manutenção do museu Fogo – Tipo 3 0 1 1 1 3 Manutenção do museu Água – Tipo 1 0 0 1 1 2 Manutenção do museu Água – Tipo 2 0 0 1 1 2 Manutenção do museu Água – Tipo 3 1 0 1 1 3 Manutenção do museu Criminosos – Tipo 1 0 0 1 1 2 Manutenção do museu Criminosos – Tipo 2 0 0 1 1 2 Manutenção do museu Criminosos – Tipo 3 0 0 1 1 2 Manutenção do museu Pestes – Tipo 1 e 2 3 2 1 1 7 Prioridade urgente Contaminantes – Tipo 1 0 0 1 1 2 Manutenção do museu Contaminantes – Tipo 2 0 0 1 1 1 Manutenção do museu Contaminantes – Tipo 3 0 0 1 1 2 Manutenção do museu Luz e radiação UV – Tipo 2 0 0 1 1 2 Manutenção do museu Temperatura incorreta – Tipo 2 2 2 1 1 6 Prioridade urgente Temperatura incorreta – Tipo 3 2 2 1 1 6 Prioridade urgente Humidade relativa incorreta – Tipo 2 2 2 1 1 6 Prioridade urgente Humidade relativa incorreta – Tipo 3 2 2 1 1 6 Prioridade urgente Perda – Tipo 1 0 0 1 1 2 Manutenção do museu Perda – Tipo 2 0 0 1 1 2 Manutenção do museu Perda – Tipo 3 0 0 1 1 2 Manutenção do museu
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 55 CAPÍTULO 8 – INFESTAÇÃO. DIAGNÓSTICO DO PROBLEMA. Com o conhecimento da forma como os insetos vivem, estudado no capítulo I, sabemos que estes podem começar a alimentar-se de outros materiais orgânicos, colocando em causa o estado de conservação de toda a coleção orgânica do museu. As salas 4 e 6 apresentam uma maior probabilidade de ter uma infestação, porque aí foram encontrados vários insetos mortos das três espécies identificadas, mas não se sabe quais são os objetos infestados, a sua extensão, se bastou a desinfestação dos objetos identificados como infestados ou se ainda continuam a infestar as reservas. É desconhecido se existem outras espécies de insetos, quando é que o museu foi infestado, se os insetos entraram por uma aquisição, se já vieram na coleção no momento das mudanças de instalações ou rastejando. É importante perceber como surgiu a infestação, o que falhou e o que será necessário fazer para a eliminar. Para resolver as questões que foram surgindo, foi necessário realizar uma inspeção ao espaço e coleção, conhecer os materiais de constituição e o seu estado de conservação. A inspeção consistiu na observação cuidada dos objetos, das salas e estantes onde estes se encontram, com o objetivo de procurar vestígios da presença ativa de insetos. Tais como, insetos mortos e vivos, partículas de serrim depositadas nas superfícies das estantes perto dos objetos, que são resíduos da saída dos insetos adultos. Foi também tido em atenção ataques de fungos, zonas de sujidade, teias de aranha ou outros insetos, fossem eles prejudiciais ou não à coleção. Sendo identificados os objetos infestados e os pontos de maior probabilidade de infestação ou de possível ataque, que possibilitou a criação de um mapeamento para a colocação das armadilhas. 8.1. INSPEÇÃO E MONITORIZAÇÃO. MATERIAIS E MÉTODOS. Procedeu-se à recolha dos insetos mortos, com ajuda de luvas, pinça e sacos herméticos, realizando-se o registo fotográfico da colheita. Em seguida, foi identificado a espécie dos insetos recolhidos, através da visualização destes ao microscópio, que permitiu a comparação dos insetos com imagens do cartaz do English Heritage32, que 32 Ver anexos. Cartaz English Heritage, p.3.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 56 mostra os insetos que normalmente são encontrados nos museus e casas históricas do Reino Unido. Com a comparação das imagens concluiu-se que os insetos que infestam a coleção serão pelo menos três espécies, da ordem Coleoptera, da família ANOBIIDAE, o Anobium punctatum, o Ptinus fur e por último o Xestobium rufovillosum33. Estas três espécies são insetos xilófagos, alimentam-se dos materiais constituídos por madeira, que é uma grande percentagem da coleção do museu. FOTOGRAFIA Nº6. Registo fotográfico da presença de serrim na superfície da estante, junto da perna do objeto, acondicionado na reserva do MMP (SOARES. MMP, 2011). FOTOGRAFIA Nº7. Visualização aproximada de um dos insetos xilófagos mortos, na superfície da estante junto do objeto (SOARES. MMP, 2011). 33 Ver apêndice. Diagnóstico e documentação. Magnitude de risco, pp. 13 - 15. FOTOGRAFIA Nº 5. Colocação da armadilha junto de um objeto em madeira, com indícios da presença ativa de ataque de insetos xilófagos (SOARES. MMP, 2011).
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 57 Depois do conhecimento da presença da infestação, os objetos foram desinfestados, pelos responsáveis da conservação do museu municipal. O tratamento de desinfestação fez-se através da aplicação de um produto químico, o xilofene SOR2®, que mata os insetos que se encontram no interior do objeto em madeira, estejam eles no seu estado adulto, larvar ou ovo, prevenindo de um novo ataque durante os primeiros três anos, devido aos resíduos tóxicos deixados no interior dos objetos que expele os insetos xilófagos. Alguns dos objetos em madeira, acondicionados nas reservas, já tinham sido desinfestados quimicamente (xilofene SOR2) pela instituição, após quarentena nas novas instalações da reserva34, outros continuaram a ser desinfestados durante o estudo de caso, numa tentativa de erradicar a infestação, ou pelo menos minimizar a sua propagação pelos restantes objetos das reservas, visto que na sua maioria são de constituição lenhosa. Os primeiros objetos a serem identificados com infestação, pela discente durante o primeiro ano do mestrado, foram o conjunto de máquinas de costura presentes na sala 4 da reserva, que foram imediatamente desinfestados quimicamente pelos responsáveis do museu. Foi necessário este procedimento para controlo, por parte da instituição museológica, da propagação dos insetos xilófagos, porque ainda não tinham implementado os procedimentos de identificação da presença dos insetos nas coleções. Daí a necessidade para o conhecimento dos vários insetos presentes na infestação a criação e planificação da colocação de armadilhas em locais estratégicos, como forma de verificar se ainda existem insetos após as desinfestações ou se entram do exterior, para criar medidas, que eliminem a necessidade de constantes desinfestações. Estas atitudes apresentam vantagens, pois diminuem o contágio e protege os objetos durante os três anos seguintes, mas apresentam também desvantagens, como a contaminação do ar dentro dos espaços das reservas, tornando-o nocivo para os colaboradores do museu e também deixa resíduos nos objetos que poderão desencadear reações químicas que aceleram os processos de degradação, como refere um proverbio popular “não morre da doença, morre da cura” ou do zelo desprovido. Nas salas de exposição todos os objetos que integram a museografia exposta foram alvo de desinfestação química antes da sua montagem. Alguns dos objetos que se encontram na exposição foram desinfestados com o método de anóxia, tendo sido realizadas três bolhas na sala 4 “Terra e Água”, foi realizada a intervenção durante o 34 Ver apêndice. Estratégias de intervenção. Questões colocadas à responsável do MMP, pp. 16 e 17.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 64
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INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 66 Após a colocação das armadilhas no museu foi criado um plano de monitorização do estado das armadilhas, sendo projetadas de forma a serem inspecionadas semanalmente, mas como não se observavam resultados passou a ser realizadas as inspeções mensalmente pela discente. Estas inspeções iniciaram-se em janeiro e terminaram em julho, período determinado pela duração do ano letivo referente ao 2ºano do mestrado, onde foi realizado o projeto. Durante esse tempo foi possível abranger as três estações do ano, o inverno, a primavera e o início do verão, de forma a permitir a comparação dos resultados nas três estações do ano. Durante a monitorização das armadilhas, espalhadas pelas reservas e pela sala de exposição, a discente foi preenchendo fichas37, criadas como fonte de registo do estado da colheita. As fichas identificam a sala onde as armadilhas se encontram, o número da armadilha, data de colocação e de cada inspeção, identificação específica da sua localização na sala, número de inspeções, microclima e o que foi observado no interior da armadilha. O conteúdo da informação registada tem como intuito o controle do que foi observado em cada armadilha durante as inspeções, registando se tem ou não colheita, o número de insetos, a sua identificação e facilita o estudo do microclima ao longo do período de monitorização. 8.2. RESULTADOS. A avaliação das armadilhas colocadas nas salas da reserva e na sala de exposição “Terra e Água”, para estudo do ponto da situação da presença de ataque de insetos na coleção orgânica do museu municipal, foram analisadas perante a informação da captura dos insetos durante o período que decorreu o projeto de mestrado, que foi de janeiro até julho de 2012. Nas inspeções às armadilhas, estas apresentaram-se durante o período de janeiro até abril sem resultados de captura de insetos, ou seja, na estação de inverno, que apesar do microclima do museu ser controlado por ar-condicionado, os valores de TºC e H.R são sempre afetados pelo clima exterior, ainda mais com três deles avariados. Entre junho e julho (no mês de maio não houve inspeção) as armadilhas presentes nas reservas capturaram insetos (armadilha nº1 da sala1, armadilha nº12 sala 4, armadilha nº24 da sala 6). O período da captura é referente à primavera e inícios de verão, que 37 Ver apêndice. Mapeamento das armadilhas. Localização. pp. 17 - 36.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 67 corresponde à época de acasalamento dos insetos, pois estes preferem TºC que rondem os 20-30ºC. No caso do museu municipal agrava o facto do ar-condicionado se apresentar avariado nas três salas das reservas (sala1, 4, 6), descontrolando o microclima que interfere diretamente com o ciclo vital dos insetos. Por coincidência ou não, a captura de insetos pelas armadilhas foi positiva precisamente nas salas onde o arcondicionado se encontrava avariado, podendo estar relacionado. Os objetos desinfestados foram alvo de inspeção através da colocação de armadilhas e não capturaram nenhum tipo de inseto, comprovando ainda o efeito do produto químico usado nos objetos que atualmente encontram-se sem infestações ativas e ainda protegidos pelo desinfestante aplicado. Estas desinfestações químicas foram realizadas pelos responsáveis da área da conservação do museu já nas novas instalações, realizadas antes e durante o estudo do projeto, podem neste momento equilibrar a proliferação dos insetos e o seu crescimento, mas é um tratamento que não deve ser utilizado sistematicamente pelas várias razões estudadas anteriormente. No caso da sala de exposição não foram capturados nenhuns insetos pelas armadilhas. As armadilhas das reservas com resultados positivos de capturara de insetos foram as que se encontravam junto de objetos aparentemente infestados, com presença de serrim fresco e insetos mortos nas superfícies das estantes onde estes estão acondicionados. A armadilha que capturou mais uma espécie de inseto foi a que se encontrava junto da porta de acesso ao exterior. Apesar da infestação ativa de alguns objetos inspecionados o resultado da captura das armadilhas numa forma global foi muito baixo, o que leva a supor que a infestação está atualmente controlada pelas várias desinfestações químicas realizadas aos objetos lenhosos, mas ainda existem insetos sobreviventes numa pequena percentagem das reservas, que de acordo com as atitudes adotadas no futuro podem ser eliminados totalmente ou poderão continuar a desenvolver-se, podendo mesmo proliferar.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 68 8.2.1. Identificação das espécies e localização. O procedimento de reconhecimento dos insetos capturados nas armadilhas da sala da reserva do museu foi o mesmo que na primeira fase da inspeção, através da observação ao microscópio e a comparação com as imagens dos insetos do cartaz do English Heritage38. Com este estudo, chegou-se a uma nova conclusão, em relação às espécies que infestam a coleção do museu, na primeira inspeção à coleção acondicionada nas reservas do piso -1, foram identificados três espécies de insetos no momento do planeamento da colocação das armadilhas pelas várias salas, da ordem Coleoptera, da família ANOBIIDAE, Anobium punctatum, Ptinus fur e por último Xestobium rufovillosum, três insetos xilófagos. Com o estudo da captura das armadilhas foi identificado Ptinus fur, Xestobium rufovillosum e mais uma nova espécie a Anthrenus verbaci, da mesma ordem que as outras, ou seja, ordem Coleoptera, mas de uma família diferente, DERMESTIDAE. Este novo inseto A. verbaci alimenta-se de têxteis, osso, dente/corno, produtos alimentares e espécimes de coleções de história natural. A sua variedade alimentar torna-o mais comum nas infestações das coleções museológicas, sendo o inseto principal do cartaz do English Heritage. 38 Ver anexos. Cartaz English Heritage, p. 3. FOTOGRAFIA Nº 14. Pormenor de um dos insetos capturados pela armadilha (SOARES. MMP, 2012). FOTOGRAFIA Nº 13. Interior da armadilha com insetos capturados (SOARES. MMP, 2012).
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 69 TABELA Nº11. Esquema de identificação da espécie capturada pala armadilha na sala 4 das reservas do MMP. (Informação recolhida durante o projeto de mestrado).
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 70 TABELA Nº 12. Esquema de identificação da espécie capturada pala armadilha na sala 6 das reservas do MMP. (Informação recolhida durante o projeto de mestrado).
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 71 TABELA Nº 13. Esquema de identificação da espécie capturada pala armadilha na sala 1 das reservas do MMP. (Informação recolhida durante o projeto de mestrado).
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 72 TABELA Nº 14. Esquema de identificação da espécie capturada durante a inspeção nas reservas do MMP. (Informação recolhida durante o projeto de mestrado). O único inseto identificado como uma das espécies de infestação da coleção do museu que não foi capturado pelas armadilhas, mas recolhido durante a primeira inspeção realizada aos espaços e coleção do museu, foi o Anobium punctatum, diferente das espécies capturadas nas armadilhas.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 73 8.2.2. Identificação das evidências de dano. As espécies de insetos que infestam a coleção identificadas nas reservas do museu, tanto na colheita durante a primeira inspeção como na captura das armadilhas, foram quatro espécies diferentes de insetos xilófagos, sendo a coleção lenhosa a mais prejudicada, pois estes alimentam-se dos constituintes da madeira, podendo levar à destruição total da coleção. Estes insetos podem também atacar as outras coleções orgânicas, como exemplo as coleções têxteis e documentos gráficos. A infestação dos insetos xilófagos deixaram indícios de destruição nos objetos, os visíveis são os orifícios com diâmetros diferentes, lacunas de vários tamanhos, as manchas nas superfícies, pulverulência nos materiais de constituição e fragilização dos objetos. Um objeto com o interior fragilizado, apresenta menor resistência física e mecânica, está mais suscetível em momentos de choque a criar lacunas e partir, pela formação de zonas pulverulentas, com galerias que provocam vazios, podendo mesmo perder-se partes de elementos de leitura importantes, ao nível artístico, estético e funcional. No interior dos objetos, os insetos enquanto larva criam galerias de dimensões que variam consoante a espécie, neste caso a família ANOBIIDAE são pequenos com a zona da cabeça gorda, com forma cilíndrica, e apresentam uma enorme variedade em relação aos tamanhos, oscilando entre 1,5mm e os 9mm, por isso o diâmetro dos orifícios ronda estas medidas. Perfuram galerias entre os 2-10mm de diâmetro deixando um serrim granulado, estas são provocadas pelo ato de comerem a madeira. A questão é que enquanto se alimentam do objeto lenhoso é mais difícil a sua perceção e identificação da infestação, só com uma inspeção atenta e especializada se pode intervir. Após a metamorfose, da passagem do estado pupa para o adulto, os insetos saem para o exterior deixando pequenos orifícios nas superfícies dos objetos lenhosos. Anthrenus verbasci (DERMESTIDAE) encontrado nas armadilhas pode medir entre 1,7-3,5mm de comprimento, na sua forma larvar medem aproximadamente entre 4-5mm de comprimento e o seu corpo é normalmente mais largo na parte de trás. As larvas alimentam-se de fibras naturais, podem degradar várias coleções de natureza orgânica existentes no museu. Provocando lacunas de várias dimensões consoante o tempo que a infestação perdure, fragilizando as fibras devido à sua acidificação, criando manchas e tornando-as quebradiças (Espinoza and Gruzmacher, 2002).
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 80 subsequentemente ao de insetos, por esta razão é importante criar planos de fiscalização e manutenção do edifício, para que não seja causador de infestações. Assim, torna-se também muito importante a deteção e o concerto rápido de fugas de água na gestão de pestes nos museus, pois muitos insetos alimentam-se de fungos. É essencial manter o exterior sem jardim e sem plantações de árvores, pelo menos numa área de 30m, para reduzir o habitat dos insetos e facilitar a inspeção dos materiais de construção. Se isto não for possível, as plantas deverão ser cuidadas e podadas, evitando que fiquem com flor. A rega dos jardins pode também causar infiltrações, devido à constante molhagem das estruturas. Para prevenir inundações do subsolo, a área ao redor dos alicerces deve ser coberta de cascalho e apresentar desnível em relação ao prédio. Para existir um ataque de insetos é necessário condições favoráveis, como alimento, humidade relativa elevada e temperaturas elevadas ou amenas, mas existem outras que possibilitam o ataque, como sujidades, por serem hidrofílicas. Por isso, uma das primeiras medidas de prevenção a ser adotada é a criação de rotinas de higienização dos espaços e coleções, pois a acumulação de sujidade propícia ao ataque biológico, desta forma as limpezas devem-se realizar cuidadosamente e com recurso a técnicos com formação para executar este exercício. A limpeza é uma intervenção de preservação minuciosa, pelo valor dos objetos das coleções, mas também para que não sejam eliminadas as provas da presença de insetos, tais como serrim, pó, peles40, asas, casulos e insetos vivos ou mortos. Como exemplo, o inseto xilófago Anobium punctatum, bastante comum no ataque das coleções, enquanto adulto sai para procurar outro habitat e reproduzir-se, morrendo em seguida. Deste comportamento o Anobium punctatum deixa vários vestígios da sua existência, primeiro ao sair do interior da madeira cria orifícios na superfície dos objetos, deixa vestígios de serrim (normalmente de cor clara, mas varia consoante o tipo de madeira), em seguida pode ser avistado vivo e por fim, depois de acasalar pode aparecer morto. Estes sinais deixados pelos insetos podem também ser detetados durante a monitorização às coleções, o técnico deve estar atento às alterações e, se algum destes sinais forem detetados deve-se proceder de imediato ao reconhecimento da extensão do problema, conhecendo a amplitude dos danos e quais as condições que favoreceram a sua atividade. 40 Ao longo do estádio de larva esta sofre, consoante a espécie, várias mudas de pele, esta transformação deixa vestígios o que pode ser um indício de infestação nas coleções, desta forma deve-se estar atento a este pronuncio durante a manutenção. (PERIS, 2005).
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 81 É importante ter presente que os insetos são organismos que carecem de um conjunto de necessidades para sobreviver, como zonas recônditas, sem luz, de difícil acesso, como exemplo espaços sob móveis de armazenamento, sob as ombreiras das portas e peitoris, fendas nas paredes, com sujidade e bastante alimento (objetos orgânicos). É importante criar rotinas e planos de examinação para os objetos, como exemplo prático, em mobiliário, é essencial que tudo seja examinado, desta forma todas as partes removíveis devem ser observadas. Para além disso, devem ser examinadas as juntas, buracos, dobradiças, partes inferiores, ou seja todas as áreas escondidas. Nos têxteis, como exemplo num vestido, deve ser examinado de frente e de trás, dentro dos bolsos, pregas, mangas, costuras, botões, bainhas, forros, ou seja, todas as áreas onde os insetos podem estar escondidos. A inspeção para deteção de insetos deve ser realizada na presença de determinados objetos de trabalho que permitam uma recolha adequada, como luvas, espátulas, pinças e pequenos frascos. Este material servirá para colocar os espécimes que sejam encontrados. Como forma de preservação do inseto o frasco deve ser escuro (normalmente de cor castanho escura) e conter etanol, podendo esta forma ser estudado o seu ADN. No rótulo do frasco deve ser colocada a identificação da localização em que o espécime foi encontrado, a data e o objeto ou coleção onde foi descoberto. Se possível, devem ser registados ao nível fotográfico as amostras de insetos, o local e o objeto onde estes foram detetados, pois o registo fotográfico é importante para complementar o estudo dos planos de gestão e relatórios. Os objetos que se encontrem dentro de vitrinas devem entrar nos planos de gestão, devendo ser inspecionados e limpos, pois a acumulação de sujidades, como poeiras e detritos em geral, tornam-se espaços ideais para o desenvolvimento de insetos, até os próprios insetos mortos servem como fonte de alimento para outro tipo de pestes, desta forma todo o museu deve ser aspirado com regularidade e os depósitos de lixo deitados fora do edifício, para evitar a entrada e disseminação de insetos. Os espaços devem ser limpos através da aspiração, pois varrer as sujidades ou espanar o pó não é um método aceitável de limpeza num museu, porque não remove totalmente as poeiras
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 82 do interior dos espaços, os métodos mais recomendáveis são os de limpeza a seco, não criando variações no microclima41. As áreas de restauração ou cafetaria são um risco potencial para infestações, se existirem, a sua higienização deve ser controlada pelos técnicos responsáveis pela conservação do museu. Não permitindo comer e beber fora da área predestinada ao efeito, proibindo comer dentro das salas de exposição, reversas e corredores que tenham acesso direto a estas duas alas. É fundamental a implementação destas normas de higienização de forma a prevenir um possível ataque de insetos e a proliferação da contaminação. 9.2. MONITORIZAÇÃO. No MMP é muito importante que se mantenha a colocação de armadilhas, apesar dos resultados, é imprescindível que esta intervenção continue, para que exista um controlo e se no caso da infestação se desenvolver, a deteção seja mais rápida e precisa. O tipo de armadilha a ser utilizada numa próxima substituição, deve ser mais adequada ao tipo de insetos já detetados e identificados, as famílias dos ANOBIIDAE e DERMESTIDAE, permitindo uma análise mais exigente, visto já se ter descoberto as principais espécies da infestação. As inspeções periódicas às armadilhas, devem ser realizadas e registadas em fichas anuais criadas para a descrição da informação observada e seguir determinadas etapas de investigação, como procurar pós de serrim, novos orifícios, insetos mortos sendo eles danosos ou não para a coleção orgânica. Na colocação das armadilhas no museu, os responsáveis pela conservação, se utilizarem armadilhas com atrativos de chamamento de feromonas, bastante aconselhadas para infestações de insetos ANOBIIDAE, devem ter o cuidado redobrado de manter as portas fechadas, entre as salas e de acesso ao exterior, devido à forma como a feromona atrai os insetos machos, que vêm do exterior a pensar que é libertado por uma fêmea. Deve-se também ter em conta, que todas as intervenções realizadas no museu, tais como inspeções aos objetos e espaços, quarentenas para despiste de possíveis infestações, tratamentos de desinfestação química, manutenções de limpeza aos espaços 41 A humidade relativa (%) e a temperatura (°C) são proporcionais, funcionam inversamente, basta uma aumentar para a outra baixar e vice-versa.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 83 e coleção, todas estas tarefas devem ser procedidas através do preenchimento de fichas42 criadas para registo da informação dos tratamentos de conservação preventiva, permitindo o estudo dos resultados, facilita a pesquisa, o conhecimento específico da intervenção e a realização de relatórios anuais. A monitorização periódica dos espaços museológicos é muito importante, para que exista uma deteção precoce que permita avaliar o risco para a coleção e tomar medidas corretivas. Se a infestação não for detetada precocemente e de imediato proceder à sua erradicação, pode causar danos irreversíveis aos objetos, exigir medidas mais trabalhosas e financeiramente mais dispendiosas. Os museus devem adotar atitudes profiláticas, para isso é importante que estabeleçam planos de intervenção que abrangem medidas de conservação preventiva, implementando na sua missão de salvaguarda patrimonial regras bem programadas de inspeções, monitorização e deteção de ataques de insetos às suas coleções. O uso de armadilhas é um excelente meio de controlo de insetos, sendo um dos melhores métodos de monitorização, quando utilizadas corretamente. Não combatem as infestações, mas servem como instrumento de monitorização e deteção dos tipos de insetos existentes. A frequência da ocorrência de captura permite criar prioridades e metodologias específicas para a sua erradicação, devendo o técnico responsável pela área da conservação preventiva conhecer profundamente o tipo de coleção que a instituição alberga, os pontos fortes e os pontos fracos, conhecer os vários tipos de insetos que podem infestar a coleção, conhecer os tipos de armadilhas e como utilizálas. No final, para que o esforço por parte da instituição museológica seja garantido, deve ser elaborado relatórios periódicos com os resultados obtidos e com gráficos de comparação. O conservador deve conhecer o comportamento geral dos insetos, de modo a escolher o local para a colocação das armadilhas. Definir possíveis entradas de insetos, como portas e janelas, zonas de circulação e migração. É fundamental procurar teias de aranha, formigas mortas, mosquitos ou restos de outros insetos como indicador do local onde as armadilhas devem ser colocadas. Para que as armadilhas sejam bem utilizadas é necessário também preparar os espaços para as receber, de forma a facilitar a sua inspeção é importante criar um perímetro entre a disposição das estantes e dos armários, 42 Ver apêndice. Modelos de fichas para registo de informação, pp. 41 - 44.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 84 essencial para proporcionar uma maior facilidade de acesso durante a monitorização, diminuindo o trabalho das inspeções e aumentando o sucesso da deteção, pois os insetos deslocam-se ao longo das juntas, entre paredes e pisos, tornando-se num local privilegiado para a colocação de armadilhas de deteção. A utilização de armadilhas adesivas, como meio de monitorização de espaços contra pestes, remonta já ao período da Grécia antiga, com o uso de taças com gordura de cabra para apanhar pulgas e percevejos (CHILD and PINNIGER, 1993). Mas é mais tarde em meados de 1970, nos Estados Unidos que se desenvolve as armadilhas que hoje conhecemos, adaptando-se ao mundo dos museus uma década depois (ODEGAARD, 1991). Após os conservadores começarem a questionar o uso generalizado de inseticidas nas coleções, por não terem conhecimento concreto das consequências futuras dessas desinfestações ao nível dos materiais e da saúde pública. Começando desta forma os profissionais a querer saber quais os insetos presentes, a extensão da infestação, o tipo de população e formas de eliminação. Este novo saber permitiu o uso regular de armadilhas na monitorização dos insetos, eliminando as constantes desinfestações químicas. O seu formato pode ser diverso, mas o mais comum das armadilhas consiste numa pequena caixa triangular aberta nas duas extremidades, pode ter também um painel frontal em forma de janela forrado com vinil transparente que permite observar os insetos que ficam presos na base pegajosa da armadilha, estes são atraídos através de um isco, de feromonas sob a forma de um adesivo. As armadilhas com janelas são bastante úteis por permitir a observação para o seu interior sem o técnico responsável ter que mexer, abrir ou perturbar a armadilha. O número de inspeções e renovação das armadilhas dependerá da dimensão da infestação e da vulnerabilidade da coleção. É importante calcular o número de armadilhas em função da área e da suscetibilidade da coleção, construir fichas técnicas, preenchendo-as e validando-as durante as inspeções periódicas. É fundamental o registo do local da colocação das armadilhas nas plantas do museu, de forma a não se perder nenhuma armadilha e para que uma outra pessoa as possa localizar diretamente. Cada área a ser monitorizada deve ter uma ficha de registo para cada armadilha, de modo a obter uma leitura fidedigna das informações fornecidas, devendo conter a frequência da ocorrência, o tipo de insetos identificados, a data, o técnico responsável pela inspeção, a substituição ou mudança de
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 85 localização das armadilhas e se necessário poderá conter também a informação sobre os valores do microclima em cada inspeção. O conservador deve seguir regras na programação da monitorização da infestação, definindo os seguintes itens: 1. Identificação das zonas de risco. 2. Identificação dos objetos vulneráveis ao ataque de insetos. 3. Identificar prováveis rotas de insetos. 4. Obtenção da planta do museu. 5. Identificar todas as portas, janelas, saídas de ar (extração e insuflação), fontes de água, calor, bar e jardim. 6. Marcar na planta os lugares onde as armadilhas devem ser colocadas. Inicialmente as armadilhas devem ser colocadas em locais críticos e a diversas alturas, como no chão, nas prateleiras, debaixo dos móveis, dentro de vitrinas, armários e zonas com níveis de humidade elevada. Em área suscetivel a infestações, colocadas a cada 10 metros, as armadilhas não devem ser colocadas sobre os objetos da coleção, pois o seu adesivo pode ser prejudicial e difícil de remover. 7. Escolher o tipo de armadilhas, sendo importante selecionar consoante os tipos de insetos esperados e o orçamento. 8. Calcular o número necessário de armadilhas consoante a área a monitorizar. 9. Antes da colocação da armadilha devem ser rotuladas, com data de colocação e um número de localização introduzidos na planta. 10. Estabelecer um calendário regular para fiscalização. 11. A verificação inicial deve ser feita pouco tempo após a colocação das armadilhas, uma simples inspeção visual para verificar o resultado, em seguida devem ser inspecionadas semanalmente ou todos os meses conforme os resultados. 12. Devem estar sempre no mesmo sítio para que as comparações entre as capturas possam ser feitas. 13. Devem ser registados os resultados de cada inspeção, a quantidade e o tipo de inseto encontrado em cada armadilha. 14. Melhorar a localização das armadilhas quando necessário, de acordo com a colheita.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 86 15. Devem ser substituídas a cada dois ou três meses, porque tendem a perder a viscosidade. Além disso, se existirem muitos insetos mortos a ocuparem a zona viscosa, permitirá a outros insetos passar por cima sem ficarem presos. 16. A armadilha com maior número de insetos capturados indicará possivelmente a localização do ponto crítico da infestação. A distribuição, a população e o tipo de insetos encontrados nas armadilhas irá indicar se existe um problema grave ou apenas um início de infestação. 17. A comparação dos resultados das armadilhas ao longo de um ano ou mais irá fornecer informações sobre o sucesso das intervenções estabelecidas para erradicação de infestações nas coleções. 18. Armadilhas pegajosas não substituem a necessidade de um programa de higienização e inspeção periódica dos objetos da coleção. Essas atividades devem ser feitas mensalmente ou, pelo menos, duas vezes por ano. 19. Estudo dos resultados. Após a colocação das armadilhas é necessário pelo menos quatro semanas (KRONKRIGHT, 1991) para realizar o levantamento da primeira avaliação, as informações obtidas pelas armadilhas devem ser registadas, mas para chegar a uma conclusão terá de ser com mais tempo de avaliação. Na presença de insetos estes devem ser estudados ao microscópio e procedido ao seu registo fotográfico para ser analisada a espécie. Com a identificação do local e a frequência da ocorrência de determinados insetos poderá definir-se o tipo de infestação, a sua extensão, identificação das áreas problemáticas e principalmente o tipo de tratamento mais adequado para a sua erradicação. As armadilhas devem ser trocadas se perderem a adesividade ou se estiverem sujas, mesmo que não tenham capturado nenhum inseto. É importante adaptar a escolha do tipo de armadilha a ser usada na monitorização, pois algumas podem ser menos sucedidas na captura, como exemplo os insetos xilófagos da ordem Coleoptera os Anobium punctatum apresentam uma maior dificuldade de recolha devido aos seus hábitos de vida, as larvas completam o seu desenvolvimento escondidas dentro da madeira, os adultos têm um acasalamento muito curto e o período de dispersão de voo pode acontecer uma vez por ano. Por estas razões, é imprescindível fazer uma boa seleção das armadilhas, as mais recomendáveis para os insetos Anobium punctatum são com iscas de feromonas. Podem ser utilizadas
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 87 armadilhas para colocar num suporte ou de voo, aumentando a probabilidade de captura. Apesar das armadilhas de voo não serem as mais utilizadas em ambientes musealizados devido á sua impertinência com o ambiente espacial, mas nas reservas deixa de existir este problema estético, podendo ser bastante uteis, podem não apresentar um resultado imediato, devido aos insetos voarem durante pouco tempo no seu estado adulto. O Pacific Regional Conservation Center (PRCC), no museu Bishop em Honolulu tem utilizado uma série de armadilhas para a monitorização de insetos, para ser realizada de uma forma mais diversificada e correta. “We typically use three differenttraps, and storgard traps”(KRONKRIGHT, 1991). Eles acreditam que cada armadilha tem as suas próprias vantagens e o uso de três armadilhas diferentes é a melhor abordagem para uma monitorização mais eficaz. Existem outros autores que defendem que num programa de monitorização deve ser utilizado o mesmo tipo de armadilha, porque variações podem tornar os dados mais difíceis de interpretar (ODEGAARD, 1991). Mas os museus podem ser atacados por várias espécies de insetos, o que poderá ser importante o uso de tipos de armadilhas diferentes para que a monitorização seja mais ampla, estando preparado para capturar vários tipos de espécies, fornecendo mais informações. Tipos de armadilhas: a) Armadilhas adesivas são em forma triangular, com dimensões mais ou menos de 6x6cm e 6x18cm, são cobertas com um abrigo de papelão que atrai insetos e serve também de proteção do adesivo à sujidade. O adesivo está ativo por apenas uns meses. b) Armadilhas com atrativo alimentar são muito utilizadas no combate de baratas, por isso, adaptaram-se para a captura de outras espécies de insetos. A sua funcionalidade consiste na captura de insetos através do chamamento pelo atrativo alimentar, ficando estes presos no adesivo. Estas armadilhas não devem ser usadas com iscas tóxicas sem adesivo, pois os insetos morrem sem serem capturados e servem de alimento a outras espécies. c) Armadilhas de feromonas usadas como isca, são uma forma de atrair muitos insetos machos, por ter o mesmo atrativo químico utilizado pelas fêmeas para atrair os
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 88 parceiros quando estão prontos para reproduzir. Durante o acasalamento a fêmea pode ser vista numa posição de chamamento, com o abdómen levantado a partir do substrato num ângulo de 45°, libertando feromonas, o macho eleva as suas antenas em alerta e é atraído pela feromona, em seguida voa para junto da fêmea e acasalam (BRUKHOLDER and PHILLIPS, 1988b). A feromona de stegobium paniceum43 da espécie Anobium punctatum (BRUKHOLDER and PHILLIPS, 1988a). Ao atrair os machos diminui o risco de acasalamento, não aumentando o número de insetos através da reprodução, apresentando efeitos a longo prazo. Estas armadilhas são mais caras que as armadilhas pegajosas, mas para estas duas espécies são mais eficazes. Uma armadilha de multi-espécies, feita de papelão ondulado, ou seja, apresenta quatro camadas de papelão com ondulações a simular fendas, onde os insetos gostam de se esconder. Permite ainda a inserção de um copo plástico contendo uma pequena quantidade de óleo vegetal (uma combinação de aveia, gérmen de trigo e óleos minerais) que serve como um atrativo alimentar. O óleo e a armadilha atuam como uma arma mortal, atraindo os insetos que caem e morrem afogados (BRUKHOLDER and PHILLIPS, 1988a). As armadilhas com iscas alimentares ou de feromonas, tal como acontece com os outros tipos de armadilhas, devem ser colocadas corretamente, estas especificamente devem ficar longe de portas e janelas abertas para evitar atrair insetos do exterior. Armadilhas à base de feromonas e atrativos alimentares necessitam de manutenção de rotina, precisam ser substituídas e para assegurar a eficácia das iscas as armadilhas devem ser armazenadas em recipientes bem fechados. d) Armadilhas storgard em forma de caixa, cria um ambiente fechado e de proteção, são feitas de papelão ondulado, um lar favorito para um grande número de insetos, incluindo os das ordens Lepidoptera e Hymenoptera. São comercializadas em 31/2 polegadas x 3/4 de espessura e em blocos. Têm uma calha de plástico dentro da qual detém um círculo de papel mata-borrão, em que é colocado um alimento oleoso que serve como isca. Esta atrai insetos que se alimentem de proteínas e sais, o produto é tóxico, afeta o aparelho respiratório imobilizando-os e sufocando-os dentro da 43 Species paniceum – stegobium paniceum whit pheromone (2,3-dihydro-2,3,5-trimethyl-6(1-methyl-2oxobutyl)-4H-pyran-4-one).
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. Relatório de projeto pág. 89 armadilha. Os insetos lepisma saccharina são extremamente comuns e alimentam-se de material celulósico, especialmente quando está sujo, não possuem um olfato apurado tornando as iscas de alimentos e feromonas ineficazes. As armadilhas storgard podem ser neste caso apropriadas, pois o papelão ondulado fornece alimento e os pequenos espaços proporcionam a estes insetos quase cegos o estímulo tátil de que precisam para se sentir seguros e cobertos. e) Tiras amarelas adesivas revestidas em ambos os lados com um produto pegajoso não-tóxico, são pendurados para monitorizar os insetos que voam. Estão protegidas por um revestimento de papel removível para torná-los mais fáceis de manusear, podem ser facilmente cortadas com a tesoura para obter qualquer tamanho ou formato. Estas tiras de fita adesiva pegajosa colocadas no chão e iscadas com uma pequena quantidade de farinha de peixe (adquiridas nas lojas de animais) são armadilhas muito úteis. Ao serem colocadas no chão só deverá ser retirado o papel protetor do lado superior, as bordas podem ser protegidas com fita de papel (de fácil remoção). São comercializadas 11-1/2 pol x 6 pol folhas finas e vêm em embalagens de 50. Estas armadilhas são utilizadas para monitorização de uma vasta variedade de espécies de insetos que existem nos museus. f) Armadilhas luminosas atraem muitos insetos adultos voadores, mas não é a forma de prevenção mais correta para o património cultural, apesar de ser ótima para a indústria alimentar. Este método de prevenção não deve ser utilizado em museus, devido à intensidade de luz que prejudica os materiais de constituição das coleções, principalmente se forem fotossensíveis, como o caso das pinturas. Uma exposição constante dos objetos à luz pode desencadear e acelerar reações fotoquímicas que promovem o envelhecimento dos materiais de constituição dos objetos e o desvanecimento das cores. Os danos são irreversíveis e acumulativos, pois as reações químicas podem continuar ativas mesmo na ausência de luz, nos objetos orgânicos ou inorgânicos com camada decorativa ou de proteção sensível à luz. A eletricidade, como exemplo o Electro-gun®, apesar de ajudar a controlar as térmitas da madeira seca, ordem isóptera, provoca danos irreversíveis. A desvantagem é que são frequentemente ricos em radiação ultravioleta, por isso não devem ser colocados junto das coleções, pois estes são catalisadores de reações químicas que provocam o envelhecimento precoce dos materiais.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de Caso Museu Municipal de Penafiel. XVI CONSIDERAÇÕES FINAIS As infestações pelo ataque de insetos às coleções museológicas é um enorme problema para as instituições, sendo muito comum o seu aparecimento e a degradação dos objetos por consequência das infestações. É um problema diário e deve ser implementado aquando da abertura de uma instituição museológica, por várias razões descritas no presente documento, mas principalmente pelo cumprimento da própria missão da instituição. Esta abre portas com o intuito de salvaguardar todos os interesses patrimoniais das coleções que acondiciona, como refere o presidente, Comité de Ética do ICOM, Geoffrey Lewis, “Os museus preservam a propriedade cultural mundial e interpretam-na ao público. Esta não é propriedade comum. Tem um estatuto especial na legislação (…). A conservação preventiva é um elemento importante na política de preservação do acervo do museu. A principal responsabilidade dos profissionais de museus, é prover e manter um ambiente adequado para a preservação do acervo ao seu cuidado, quer este esteja em reserva, exposto ou em trânsito”(Lewis, 2004). Desta forma, os museus devem cuidar, preservar e conservar as suas coleções, devendo ser uma das suas prioridades, tendo em conta que sem elas o museu deixaria de fazer sentido. O intuito do presente documento é eliminar o problema das infestações nas coleções dos museus, ou pelo menos minimizar as suas consequências, bloqueando à entrada os visitantes tão indesejados, através da criação de estratégias de intervenção. É fundamental a implementação de planos integrados de gestão de insetos, para prevenir à partida um problema tão trivial, mas que continua a ocorrer, por falta de sensibilidade por parte dos responsáveis das instituições, falta de habilitações, recursos, influências políticas, envelhecimento e perda de condições do próprio edifício ou equipamento, e descuidos por falta de manutenção, monitorização e inspeções. Existe um conjunto de atitudes que devem fazer parte integrante do dia-a-dia dos colaboradores dos museus, deve integrar-se nas responsabilidades dos seus conservadores, como forma de minimizar ou mesmo erradicar vários problemas relativos à conservação das coleções. A importância da deteção da presença de infestação é fundamental, para iniciar a sua caraterização e identificação. É importante, primeiro ter consciência que existe um
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de Caso Museu Municipal de Penafiel. XVII problema e que deve ser rapidamente resolvido, privilegiando sempre as atitudes profiláticas, de conservação preventiva. Assim, deve-se projetar um plano integrado de gestão de insetos ou rever o plano, para detetar a falha ocorrida. Com este desígnio, o relatório de projeto, foi desenvolvido através da avaliação da magnitude de risco e prioridades para o museu municipal de Penafiel, que detetou no risco genérico, peste 1 e 2, uma prioridade urgente. Surgindo desta forma a necessidade de identificar o problema. Para isso, foi imprescindível o estudo da biologia, para o conhecimento dos insetos, identificando e caraterizando os mais comuns no mundo dos museus. Esta área foi fundamental para definir os tipos de insetos presentes, a sua ordem, família e espécie. Revelando os seus comportamentos que permitem identificar as vulnerabilidades das coleções e do museu. Foi também fundamental entrar noutras áreas, como a arquitetura, engenharia, geografia, geologia e história, para interpretar o edifício, localizando-o e caraterizandoo ao nível do tipo de construção, dos espaços verdes envolventes, conhecer a planta do edifício, os seus espaços de exposição e reserva, compreendendo na sua plenitude como funciona. Com o conhecimento dos insetos, do edifício, foi essencial conhecer a coleção, as suas tipologias, os materiais de suporte e as suas vulnerabilidades. Entrando em disciplinas como materiais e em áreas como a conservação preventiva, a conservação e a museologia. Foi indispensável identificar a coleção no espaço do museu, conhecer a estrutura de acomodação nas reservas e nas salas de exposição, as condições ambientais e a forma como executa a manutenção preventiva e corretiva. O conhecimento do tipo de objetos existentes nas coleções é essencial para definir quais os possíveis insetos existentes na infestação e saber quais os tratamentos possíveis, definindo as vantagens e desvantagens em relação ao tipo de coleção que o museu acolhe. Identificada a infestação na coleção, a intervenção a seguir será a realização de tratamentos de desinfestação, que matam os insetos indesejados. Essa intervenção deve ser calculada em função do tipo de coleção, da sua localização no museu, ou seja, se está exposta ou em reserva, da infestação presente e das possibilidades da instituição. Devem-se ponderar as várias vantagens e desvantagens de cada tratamento, sendo necessário avaliar todas as formas de controlo e eliminação de insetos. Existindo a desinfestação recorrendo a tratamentos inócuos ao ser humano e à coleção, como os tratamentos de atmosfera de anóxia ou por extremos de temperatura.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de Caso Museu Municipal de Penafiel. XVIII A atmosfera de anóxia é um ambiente inerte, devido à substituição do oxigénio do ar, por gases inertes, como o dióxido de carbono, o azoto, o nitrogênio ou o árgon. Este processo mata os insetos em todo o seu ciclo de vida, por asfixia por eles necessitarem de oxigénio para viver. O tratamento por temperaturas elevadas ou negativas, também mata os insetos em todo seu ciclo larvar, por criar ambientes extremos em poucas horas. Este tratamento não é totalmente inofensivo para as coleções, pois existem alguns materiais de constituição vulneráveis a estas mudanças bruscas de temperatura, que podem acabar por degradar os objetos. São tratamentos economicamente dispendiosos, mas com a vantagem de não ser tóxicos, cabendo ao conservador do museu optar pelo tratamento mais vantajoso. A utilização de produtos tóxicos na erradicação de infestações é o tratamento mais antigo, mas se não for controlado e realizado com coerência, torna-se altamente perigoso para a saúde e segurança de todos os colaboradores e visitantes das instituições museológicas e para as coleções, pelos resíduos que deixam. A desinfestação através de produtos tóxicos é um tratamento muitas vezes utilizado como forma de prevenção, mas essa prática torna-se destrutiva para as coleções, pelos resíduos tóxicos que deixa no interior dos objetos, que por vezes torna-se num catalisador de reações químicas degradativas. Os produtos utilizados apresentam uma enorme toxicidade para o ser humano, cujo os efeitos ainda se fazem sentir. Apesar de nos nossos dias, existir legislação que controla a toxicidade dos produtos e, só existir no mercado produtos que se encontram dentro da norma europeia, ou seja, menos tóxicos, como as permetrinas, o seu uso devem ser rigoroso, mantendo-se as regras de higiene e segurança. O seu uso deve ser controlado, nunca como forma de prevenção, como se faz ainda hoje nos nossos museus. É urgente mudar mentalidades. A infestação diagnosticada no museu municipal durante a realização dos trabalhos no âmbito das disciplinas do mestrado em museologia, que levou à criação do presente documento, teve como estudo de caso o projeto da criação de estratégias de intervenção, de forma a contribuir para a criação de um plano integrado de controlo da insetos. O desconhecimento da amplitude do problema, dos objetos ou coleções infestadas, das espécies existentes, o desconhecimento da forma como entraram nas novas instalações e as falhas ocorridas; todas as questões foram estudadas de forma a criar estratégias assentes em material científico, onde a teoria foi colocada no terreno. O projeto desenvolveu a necessidade do saber teórico, de um conjunto de áreas científicas,
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de Caso Museu Municipal de Penafiel. XIX que materializaram os resultados práticos obtidos. Permitindo identificar a origem do problema, através do conhecimento teórico e do conhecimento adquirido in sito, durante as várias horas passadas nas reservas e na instituição museológica. Foi projetado um mapeamento da colocação das armadilhas por todas as salas das reservas, com o objetivo de observar os resultados de captura dos possíveis insetos que contaminavam as coleções, já observados durante as inspeções aos objetos e ao espaço. As armadilhas foram utilizadas no estudo, como forma de resolver as perguntas que foram surgindo. Permitiram a identificação das espécies que infestam o museu, o que levou ao diagnóstico das coleções vulneráveis e à identificação das evidências de dano que estes causaram nos materiais de constituição. As inspeções à coleção, possibilitaram a identificação dos objetos infestados, que foram de imediato desinfestados pelos responsáveis do museu, para prevenir maiores contaminações. Os resultados obtidos na captura de insetos pelas armadilhas permitiram perceber que a infestação neste momento encontra-se estabilizada, pelas várias desinfestações químicas realizadas aos objetos do museu, antes e durante o estudo. Mas este procedimento deve ser controlado, pela toxicidade destes produtos à saúde e segurança dos colaboradores e pela salvaguarda das coleções. A estabilização da infestação não pode levar à não implementação de medidas profiláticas, para erradicar a presença dos insetos ou pelo menos bloquear o seu desenvolvimento e proliferação. Não desmazelando a identificação das avarias no ar-condicionado, pelo menos à meio ano, desde o início da projeto de mestrado, que cria oscilações nos valores ideais de temperatura e humidade relativa, para a conservação das coleções. Este descontrolo pode criar ambientes favoráveis ao desenvolvimento dos insetos existentes, levando à sua proliferação. E desinfestar através de permetrinas não pode ser uma atitude de prevenção. As atitudes a serem implementadas devem passar pela criação rotineira de planos de manutenção, inspeção, monitorização, quarentena e só depois a desinfestação. Sendo desenvolvido, através da visualização das necessidades do museu durante o tempo que decorreu o mestrado, várias estratégias que devem ser adotadas pela instituição para minimizar os riscos de uma nova contaminação. Com enfase na criação de um espaço físico para quarentena e desinfestações. Este último, dividido em dois espaços, para realizar desinfestações utilizando permetrinas, porque não foi esquecido as necessidades financeiras, principalmente nos tempos que correm; no outro espaço
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de Caso Museu Municipal de Penafiel. XX para atmosfera de anóxia, através da aquisição de material, que financeiramente é possível, ainda mais se for contabilizado o retorno desta aquisição e as suas vantagens.
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APÊNDICE EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. ESTUDO DE CASO MUSEU MUNICIPAL DE PENAFIEL.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de Caso Museu Municipal de Penafiel. I ÍNDICE GERAL ÍNDICE DE FIGURAS.................................................................................................III PARTE I - INSETOS EM MUSEUS, VISITANTES INDESEJADOS. 1. TOXICIDADE. NORMAS DE HIGIENE E SEGURANÇA. ................................1 1.1. Manipulação e armazenamento de substâncias químicas. .................................1 1.2. Resíduos. ..................................................................................................................2 PARTE II - O MUSEU MUNICIPAL DE PENAFIEL. ESTUDO DE CASO. 2. CARATERÍSTICAS DA REGIÃO. .........................................................................3 3. AS COLEÇÕES. MATERIAIS ORGÂNICOS. .....................................................4 3.1. Madeira. ..................................................................................................................4 3.2. Papel. ........................................................................................................................6 3.3. Couro. ......................................................................................................................7 3.3.1. Caraterísticas Intrínsecas e Extrínsecas do Couro. ...............................................9 4. TABELAS DE MAGNITUDE DE RISCO E PRIORIDADES. ..........................10 4.1. Aplicação da escala de risco e prioridade no MMP. .........................................10 5. DIAGNÓSTICO E DOCUMENTAÇÃO. MAGNITUDE DE RISCO............... 13 6. ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO. QUESTÕES REALIZADAS À RESPONSÁVEL DO MMP. ........................................................................................16 7. MAPEAMENTO DAS ARMADILHAS. LOCALIZAÇÃO. ..........................17 7.1. Reservas. .................................................................................................................17 7.2. Sala de exposição “terra e água”. ........................................................................34
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de Caso Museu Municipal de Penafiel. II 8. CONDIÇÕES AMBIENTAIS. MICROCLIMA. ................................................37 9. MONITORIZAÇÃO PREVENTIVA. ARMADILHAS. .....................................38 9.1. Salas das reservas piso -1. .....................................................................................38 9.2. Sala de exposição “terra e água”. ........................................................................40 10. MODELOS DE FICHAS PARA REGISTO DE INFORMAÇÃO. .................41 BIBLIOGRAFIA APÊNDICE......................................................................................V
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de Caso Museu Municipal de Penafiel. III ÍNDICE DE FIGURAS NÚMERO LEGENDA REFERÊNCIA PÁGINA Fotografia nº1 Observação do estado de conservação de um dos objetos em reserva do MMP. (SOARES. MMP, 2012) 41 Fotografia nº2 Zona de colocação de uma armadilha, devido à presença de serrim, como se pode observar na imagem. (SOARES. MMP, 2012) 41 Fotografia nº3 Armadilha junto de um objeto. (SOARES. MMP, 2012) 41 Fotografia nº4 Armadilha junto das porta de acesso a outra sala. (SOARES. MMP, 2012) 41 Fotografia nº5 Armadilha junto da porta de entrada na sala 6. (SOARES. MMP, 2012) 42 Fotografia nº6 Armadilha colocada por baixo de um objeto aparentemente infestado. (SOARES. MMP, 2012) 42 Fotografia nº7 e nº8 Pormenor da armadilha e do objeto a ser monitorizado. Podendo observar-se vestigios de serrim ainda fresco e orificios na madeira. (SOARES. MMP, 2012) 42 Fotografia nº9 Colocação das armadilhas nos rodapés dos suportes museográficos. (SOARES. MMP, 2012) 43 Fotografia nº10 Armadilha colocada por baixo de um banco em madeira, junto do moinho no piso superior. (SOARES. MMP, 2012) 43
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de Caso Museu Municipal de Penafiel. IV Fotografia nº11 Armadilha junto de um objeto da exposição. (SOARES. MMP, 2012) 43 Fotografia nº12 Pormenor da armadilha. (SOARES. MMP, 2012) 43 Mapa nº 1 Conselho de Penafiel com as freguesias e sinalização no mapa de Portugal. Google Maps [0 2/ 01/ 2012] 4 Mapa nº2 Distrito do Porto. Google Maps [0 2/ 01/ 2012] 4 Tabela nº 1, nº 2, nº 3 Identificação dos insetos recolhidos na primeira inspeção às reservas e coleção do MMP para análise do problema. (SOARES. MMP, 2012) 16, 17 e 18
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. APÊNDICE Relatório de projeto pág. 1 PARTE I INSETOS EM MUSEUS, VISITANTES INDESEJADOS. 1. TOXICIDADE. NORMAS DE HIGIENE E SEGURANÇA. É fundamental seguir as normas de higiene e segurança no trabalho para evitar acidentes, principalmente quando o trabalho envolve produtos de alta toxicidade, que em contato com a pele e olhos pode provocar queimaduras, se forem respirados podem causar vários sintomas como náuseas, vómitos, dores de estomago e cabeça. Ou produtos inflamáveis que se não forem bem acondicionados podem provocar incêndios. Existem enumeras razões para que a manipulação e o armazenamento dos produtos químicos utilizados para intervenções de conservação e/ou restauro sejam realizadas dentro das normas previstas. 1.1. MANIPULAÇÃO E ARMAZENAMENTO DE SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS. 1 - Usar óculos de proteção ao manipular, transportar ou armazenar substâncias químicas (Química). 2 - Conhecer os riscos e as propriedades físicas e químicas das substâncias utilizadas recorrendo às respetivas fichas de segurança, que os comerciantes da marca do produto são obrigados a disponibilizar no ato do pedido. 3 - Se manipular substâncias que possam explodir para além da proteção dos olhos usar viseira para proteção da face e pescoço. 4 - Usar roupa adequada: bata de material resistente. Evitar usar sandálias ou calçado sintético que possa reagir com solventes, etc.. 5 - Usar o cabelo apanhado (se tiver cabelo comprido). 6 - Antes de deixar o laboratório lavar as mãos cuidadosamente (mesmo que tenha utilizado luvas). 7 - Não trabalhar sozinho no laboratório. 8 - Não executar trabalho não autorizado no que respeita ao tipo de reações ou operações.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. APÊNDICE Relatório de projeto pág. 2 9 - Restringir a entrada na zona do laboratório para não ser retirado reagentes sem autorização. 10 - Só é permitida a entrada de substâncias ou preparações químicas devidamente identificadas, devem estar rotulados de forma clara e bem visível (substância/preparação, concentração, perigo, data, responsável) e devem ser guardados, manipulados e transportados de forma segura. 11 - As substâncias ou preparações perigosas, quando não estejam em utilização, devem ser armazenadas em local próprio (espaço anexo ao próprio laboratório com ventilação e temperatura adequadas). No laboratório só devem permanecer as quantidades de substâncias ou preparações químicas perigosas necessárias para o trabalho em execução1. 12 - Nos locais de armazenamento comum só devem ser armazenadas embalagens devidamente rotuladas e acompanhadas pela ficha de segurança. 13 – Os produtos são altamente inflamáveis, por isso no interior do laboratório devem ser guardados em armários adequados, anti inflamáveis ou com materiais retardadores. 1.2. RESÍDUOS. Os resíduos são todas as substâncias ou objetos que se pretende livrar, nos laboratórios há uma enorme variedade de resíduos, alguns apresentam perigo para a saúde e/ou ambiente: esses designam-se por resíduos perigosos, os outros podem ser equiparados a resíduos urbanos e podem entrar no sistema existente de recolha. 1 - Os resíduos devem ser separados segundo a sua natureza (sólidos /líquidos). 2 - Os resíduos sólidos devem ser recolhidos em sacos ou outros contentores apropriados e devidamente identificados. 3 - Os resíduos, resultantes dos solventes orgânicos comuns, devem ser separados em clorados ou não clorados e recolhidos em vasilhame com resistência adequada. 4 - O vasilhame contendo resíduos de solventes deve no rótulo indicar o nome do responsável do laboratório e local. 1 Quantidade necessária para utilização durante dois dias de trabalho. Artº 10 portaria 1444/02 de 7 de Novembro.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. APÊNDICE Relatório de projeto pág. 3 5 - Os resíduos aquosos, sem características especiais de perigosidade, devem ser neutralizados antes de enviados para o sistema de saneamento público. 6 - A recolha dos resíduos laboratoriais deve ser feita por empresas especializadas para o efeito. PARTE II O MUSEU MUNICIPAL DE PENAFIEL. ESTUDO DE CASO. 2. CARATERÍSTICAS DA REGIÃO. MAPA Nº 1. Conselho de Penafiel com as freguesias e sinalização no mapa de Portugal. Google Maps [0 2/ 01/ 2012].
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. APÊNDICE Relatório de projeto pág. 4 MAPA Nº2. Distrito do Porto. Google Maps [0 2/ 01/ 2012]. 3. AS COLEÇÕES. MATERIAIS ORGÂNICOS. 3.1. MADEIRA. As plantas são classificadas por gimnoespérmicas ou resinosas, e por angiospérmicas ou folhosas (MARQUES, 2007). As resinosas são as árvores de folhas lineares, aciculares ou escamiformes, a maioria pertence à classe das coníferas, como o abeto, o pinheiro e o cipreste, sendo a sua madeira normalmente mais macia. As folhosas são árvores geralmente de folha plana e larga, como o carvalho e o castanheiro, designadas as suas madeiras como sendo normalmente rijas. As árvores são constituídas pelo sistema radicular, caule ou tronco e pela copa ou coroa. O sistema radicular apresenta como função principal a sustentação da árvore e a absorção de nutrientes. O caule suporta a copa, conduz por capilaridade a seiva bruta e é aqui que se dão as mais importantes transformações para o desenvolvimento da árvore. Por fim a copa por ação
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. APÊNDICE Relatório de projeto pág. 5 da luz transforma a seiva bruta em seiva elaborada, sendo novamente transportada para o tronco, onde vai atuar para o seu desenvolvimento. A madeira é um material orgânico, sólido, de composição complexa, onde predominam as fibras de celulose e hemicelulose unidas por lenhina. As plantas que produzem madeira são perenes e lenhosas, caraterizadas pela presença de caules de grandes dimensões, denominado por troncos, que crescem em diâmetro ano após ano. As espécies lenhosas utilizadas como suporte aquando da execução dos objetos, apresentam caraterísticas físicas, químicas e naturais da madeira, estas propriedades, com o tempo vão interferir no objeto a nível conservativo. A estrutura do lenho é considerada, geralmente, como definidora das propriedades da madeira, embora nem sempre se possa explicar rigorosamente o seu comportamento unicamente pelo seu exame anatómico. O lenho é formado por uma multiplicidade de células elementares, cujas dimensões, formas e arranjos são muito variáveis, consoante a sua localização no tronco e a sua espécie arbórea respetiva. A esta constituição diversificada do tecido lenhoso corresponde um comportamento físico-mecânico e anisotrópico heterogéneo, bem como uma diferenciação nas propriedades dos objetos provenientes de espécies distintas ou diversamente localizadas no mesmo toro. A madeira, desde dos tempos mais remotos, tem sido usada pelo homem para construir as suas casas e para preparar uma série de utensílios para tornar o seu quotidiano mais fácil e o “critério de base: utilizar um material facilmente “recolhível”, transportável e rapidamente trabalhável” (SILVA and ANTUNES, 2004). Muitos dos objetos existentes na coleção do MMP eram utilizados no quotidiano dos agricultores, por consequência não existiu provavelmente uma preocupação de selecionar as madeiras pela sua qualidade2 de produção, ou seja, não foi tido em conta o tipo de corte, secagem, qualidade e o próprio tratamento que é dado à madeira, mas sim a sua dureza e resistência. São objetos “vulgares” sem qualquer preocupação, à partida estética, mas sim utilitária. As madeiras bastante usadas na produção de objetos são o castanho, nogueira, buxo ou carvalho3, pois são madeiras comuns e resistentes/ duras. 2 As tábuas de melhor qualidades são as que são extraídas do cerne, ou seja de corte radial, enquanto as de corte tangencial tendem a empenar. 3 O carvalho é um tipo de madeira proveniente da Europa, do grupo das folhosas, estrutura heterogénea, com um elevado grau de dureza, de cor cinzento pálido, castanho ou amarelo claro. De grão grosseiro, de fácil polimento apresenta uma média estabilidade às variações de humidade.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. APÊNDICE Relatório de projeto pág. 12 A perda de um objeto pela falta de dados apresenta uma magnitude de risco e prioridade de manutenção e moderada, o museu tem o problema da falta de inventariação e registo da entrada dos primeiros objetos que constituíram o seu acervo.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. APÊNDICE Relatório de projeto pág. 13 5. DIAGNÓSTICO E DOCUMENTAÇÃO. MAGNITUDE DE RISCO. TABELA Nº 1, nº 2, nº 3. Identificação dos insetos recolhidos na primeira inspeção às reservas e coleção do MMP para análise do problema (SOARES. MMP, 2012).
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. APÊNDICE Relatório de projeto pág. 14
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. APÊNDICE Relatório de projeto pág. 15
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. APÊNDICE Relatório de projeto pág. 16 6. ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO. QUESTÕES COLOCADAS À RESPONSÁVEL DO MMP. As seguintes perguntas foram feitas à responsável do museu municipal de Penafiel pela discente do projeto de mestrado, para servir de apoio informativo, permitindo perceber os métodos utilizados para reajustar às necessidades conservativas do museu. Existem registos dos objetos da coleção que já foram desinfestados no novo museu? R.M: Todos os objetos que integram a exposição permanente foram alvo de desinfestação aquando da montagem. E posteriormente, de acordo com um levantamento das situações problemáticas, observadas nas ações de monitorização de rotina, foram realizadas as ações de desinfestação consideradas necessárias. Os restantes objetos que se encontravam dispersos pelos diferentes espaços da reserva, em muitos casos localizados em situação de difícil acesso, foram sistematicamente desinfestados após quarentena nas novas instalações de reserva. E posteriormente de acordo com as ações de monitorização de rotina forma realizadas as desinfestações consideradas necessárias. Que produtos utilizaram na desinfestação? R.M: Todos os objetos foram desinfestados com o produto xilofene SOR2, alguns dos objetos que se encontram na exposição foram desinfestados com o método de anoxia, tendo sido realizadas três bolhas na sala 4 de exposições e uma fora do espaço expositivo. Existiu alguma estratégia conservativa aquando da mudança do acervo para as novas instalações? R.M: Seis meses antes da transferência prevista para as novas instalações foram registadas os valores de H.R e Temperatura nos espaços de exposição, reserva e espaço envolvente, com o intuito de garantir uma correta adaptação do acervo às novas instalações. As médias dos valores verificados, foram tanto quanto possível, reproduzidas nos novos espaços.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. APÊNDICE Relatório de projeto pág. 17 Perante uma aquisição, empréstimos ou exposições itinerantes que atitudes tem o museu? R.M: Todos os objetos que em qualquer tipo de situação, dão entrada no museu são objeto de quarentena e de desinfestação, sempre que necessário. 7. MAPEAMENTO DAS ARMADILHAS. LOCALIZAÇÃO. 7.1. RESERVAS. Sala 1 (3 armadilhas): Armadilha nº1 foi colocada no chão, junto da porta que dá acesso ao exterior; Armadilha nº2 foi colocada no chão, junto da porta que dá acesso a sala 5; Armadilha nº3 foi colocada no chão, junto da porta que dá acesso a sala 2 e ao wc e balneários; Sala 2 (4 armadilhas): Armadilha nº4 foi colocada no chão, junto da porta que dá acesso a sala 1; Armadilha nº5 foi colocada no chão, junto da porta que dá acesso a sala 3; Armadilha nº6 foi colocada no chão, junto da porta que dá acesso a sala 4; Armadilha nº7 junto da coleção de pintura, Estante G, prateleira 4 Sala 3 (2 armadilhas): Armadilha nº8 junto da coleção dos documentos gráficos, Estante C, prateleira 5; Armadilha nº9 junto da coleção de têxteis, Estante H, prateleira 3; Sala 4 (5 armadilhas): Armadilha nº10 foi colocada junto da porta, no chão, que dá acesso à sala 2; Armadilha nº11 Estante S, prateleira 1; Armadilha nº12 Estante Q, prateleira 5; Armadilha nº13 Estante C, prateleira 2; Armadilha nº14 Estante C, prateleira 2; Sala 5 (2 armadilhas): Armadilha nº15 e 16 foram colocadas junto das portas, no chão, (uma na porta que dá acesso à sala 1 e a outra a sala 6);
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. APÊNDICE Relatório de projeto pág. 18 Sala 6 (8 armadilhas): Armadilha nº17 e 18 foram colocadas junto da porta, no chão, uma de cada lado; Armadilha nº19 no chão, por baixo do armário (parede em frente à porta de entrada); Armadilha nº20 Estante S, prateleira 6; Armadilha nº21 Estante K, prateleira 6; Armadilha nº22 Estante N, prateleira 9; Armadilha nº23 Estante P, prateleira 5; Armadilha nº24 Estante E, prateleira 6; Sala 1 Reservas Armadilha nº1 Colocação: 06/01/2012 Localização: junto á porta de acesso á entrada Inspeção nº 1 Data: 03/02/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC - * HR – * * a máquina de ar-condicionado nesta sala está avariada. Inspeção nº 2 Data: 08/03/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC - * HR – * * a máquina de ar-condicionado nesta sala está avariada. Inspeção nº 3 Data: 05/04/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC - * HR – * * a máquina de ar-condicionado nesta sala está avariada. Inspeção nº4 Data: 13/06/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC - * HR – * * a máquina de ar-condicionado nesta sala está avariada. Inspeção nº5 Data: 06/07/2012 Obs: foi capturado 3 aranhas, 1 mosquito, 1 inseto. TºC - * HR – * * a máquina de ar-condicionado nesta sala está avariada. Sala 1 Reservas Armadilha nº2 Colocação: 06/01/2012 Localização: junto á porta de acesso á sala 5.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. APÊNDICE Relatório de projeto pág. 19 Inspeção nº 1 Data: 03/02/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC - * HR – * * a máquina de ar-condicionado nesta sala está avariada. Inspeção nº 2 Data: 08/03/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC - * HR – * * a máquina de ar-condicionado nesta sala está avariada. Inspeção nº 3 Data: 05/04/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC - * HR – * * a máquina de ar-condicionado nesta sala está avariada. Inspeção nº4 Data: 13/06/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC - * HR – * * a máquina de ar-condicionado nesta sala está avariada. Inspeção nº5 Data: 06/07/2012 Obs: foi capturado 1 aranha. TºC - * HR – * * a máquina de ar-condicionado nesta sala está avariada. Sala 1 Reservas Armadilha nº3 Colocação: 06/01/2012 Localização: Junto á porta de acesso á sala 2. Inspeção nº 1 Data: 03/02/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC - * HR – * * a máquina de ar-condicionado nesta sala está avariada. Inspeção nº 2 Data: 08/03/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC - * HR – * * a máquina de ar-condicionado nesta sala está avariada. Inspeção nº 3 Data: 05/04/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC - * HR – * * a máquina de ar-condicionado nesta sala está avariada. Inspeção nº4 Data: 13/06/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC - * HR – * * a máquina de ar-condicionado nesta sala está avariada.
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. APÊNDICE Relatório de projeto pág. 20 Inspeção nº 5 Data: 06/07/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC - * HR – * * a máquina de ar-condicionado nesta sala está avariada. Sala 2 Reservas Armadilha nº4 Colocação: 06/01/2012 Localização: Junto da porta de acesso sala 3. Inspeção nº 1 Data: 03/02/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC – 18.7ºC HR – 48.8% Inspeção nº 2 Data: 08/03/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC – 19.9ºC HR – 41.5% Inspeção nº 3 Data: 05/04/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC – 20.5% HR – 48.6% Inspeção nº 4 Data: 13/06/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC – 19.7ºC HR – 56% Inspeção nº5 Data: 06/07/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC – 20ºC HR – 63.8% Sala 2 Reservas Armadilha nº5 Colocação: 06/01/2012 Localização: Junto à porta acesso a sala 1. Inspeção nº 1 Data: 03/02/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC – 20.5ºC HR – 31.9% Inspeção nº 2 Data: 08/03/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC – 21ºC HR – 42.8%
INSETOS EM MUSEUS; VISITANTES INDESEJADOS. Estudo de caso museu municipal de Penafiel. APÊNDICE Relatório de projeto pág. 21 Inspeção nº 3 Data: 05/04/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC – 21.8ºC HR – 53% Inspeção nº 4 Data: 13/06/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC – 19.7ºC HR – 56% Inspeção nº5 Data: 06/07/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC – 20ºC HR – 63.8% Sala 2 Reservas Armadilha nº6 Colocação: 06/01/2012 Localização: Junto à porta acesso a sala 4. Inspeção nº 1 Data: 03/02/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC – 20.5ºC HR – 31.9% Inspeção nº 2 Data: 08/03/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC – 21ºC HR – 42.8% Inspeção nº 3 Data: 05/04/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC – 21.8ºC HR – 53% Inspeção nº 4 Data: 13/06/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC – 19.7ºC HR – 56% Inspeção nº5 Data: 06/07/2012 Obs: Sem captura de insetos. TºC – 20ºC HR – 63.8% Sala 2 Reservas Armadilha nº7 Colocação: 06/01/2012 Localização: Estante G Prateleira nº4