Relatório de Estágio - Assessoria de Imprensa Gabinete de Nuno Melo
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Luís Miguel Alves Lago da Costa ASSESSORIA DE IMPRENSA RELATÓRIO DE ESTÁGIO Orientadores: Professora Amélia Brandão Dr. Nuno Melo Mestrado em Ciências da Comunicação – Variante em Comunicação Política
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 2 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 3 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa Politics is the art of controlling your environment. Hunter S. Thompson
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 4 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa AGRADECIMENTOS À Professora Amélia Brandão, por me ter proporcionado este estágio e me ter orientado durante o seu decurso. Ao Dr. Nuno Melo, por ter acreditado nas minhas capacidades e me ter dado esta oportunidade única de trabalhar no Parlamento Europeu durante um ano. A Altino Bessa e Telmo Correia, pela oportunidade de participar numa campanha eleitoral. Ao José Eduardo, por me ter ajudado a instalar em Bruxelas e ter sido um excelente vizinho. À Marta, ao Luís, ao Paulo, ao Pedro, ao Duarte e a todos os amigos que conheci no Parlamento Europeu e que me ajudaram a integrar na vida social de Bruxelas. Aos meus Pais, por me educarem e sustentarem por 23 anos.
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 5 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa Índice 1. INTRODUÇÃO ............................................................................................. 9 2. REVISÃO LITERÁRIA .............................................................................. 11 2.1 Introdução .............................................................................................. 12 2.2 Comunicação Política ............................................................................. 12 2.3 Marketing, Relações Públicas e Assessoria de Imprensa ......................... 14 2.3.1 Marketing ........................................................................................ 14 2.3.2 Relações Públicas ............................................................................ 17 2.3.3 Assessoria de Imprensa .................................................................... 19 2.4 Relacionamento entre fontes e jornalistas ............................................... 22 2.4.1 Relação entre políticos e jornalistas .................................................. 24 2.5 As novas tecnologias na comunicação política ........................................ 25 2.6 Comunicação no Parlamento Europeu .................................................... 28 2.7 O eleitorado português ........................................................................... 29 3. CARACTERIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO ................................................. 31 3.1 INTRODUÇÃO ..................................................................................... 32 3. 2 União Europeia ..................................................................................... 32 3.2.1 Contexto Histórico ........................................................................... 32 3.2.2 Portugal na EU................................................................................. 35 3.2.3 Principais políticas e atividades da União Europeia .......................... 33 3.2.3 Funcionamento da União Europeia................................................... 34 3.3 O Parlamento Europeu ........................................................................... 36 3.3.1 Eurodeputados ................................................................................. 38 3.4 Os Grupos Políticos ................................................................................ 39 3.4.1 PPE .................................................................................................. 40
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 6 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa 3.5 Partidos portugueses representados no Parlamento Europeu ................... 41 3.6 CDS/PP .................................................................................................. 41 3.6.1 Democracia Cristã............................................................................ 44 3.6.2 O CDS e a Europa ............................................................................ 44 3.7 Nuno Melo ............................................................................................. 45 3.7.1 Causas ............................................................................................. 46 3.7.2 Funções desempenhadas no Parlamento Europeu: ............................ 47 3.7.3 Cargos anteriormente desempenhados: ............................................. 47 4. ANÁLISE DO TRABALHO EFETUADO .................................................. 49 4.1 Introdução .............................................................................................. 50 4.2 Descrição Geral das funções exercidas ................................................... 50 4.2.1Aspetos técnicos ............................................................................... 51 4.3 Notas à Imprensa .................................................................................... 51 4.3.1 Objetivos ......................................................................................... 52 4.3.2 Formato ........................................................................................... 52 4.3.3Envio das notas à imprensa ............................................................... 53 4.3.4 Elaboração da lista de contactos ....................................................... 54 4.4 Clipping ................................................................................................. 55 4.5 Site e redes sociais ................................................................................. 56 4.5.1 Site .................................................................................................. 57 4.5.2 Redes Sociais ................................................................................... 58 4.6 Pesquisa de informação para Perguntas à Comissão e briefings para debates .................................................................................................................... 60 4.7 Outras atividades relevantes no âmbito do estágio: ................................. 60 4.7.1 Perfil de Nuno Melo no programa Europa XXI ................................ 60 4.7.2 Acompanhamento dos jornalistas no Parlamento .............................. 61
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 7 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa 4.7.3 Sessão Plenária em Estrasburgo ....................................................... 62 4.7.4 XXIV Congresso Nacional do CDS ................................................. 63 4.7.5 Campanha para as Eleições Legislativas de 2011 ............................. 63 5. RESULTADOS DA ASSESSORIA DE IMPRENSA .................................. 65 5.1 Introdução .............................................................................................. 66 5.2 Análise dos resultados do envio das notas à imprensa ............................. 66 5.2.1 Introdução ........................................................................................ 66 5.2.2 Resultados ....................................................................................... 66 5.3 Análise da divulgação através do site e das redes sociais ........................ 68 5.3.1 Introdução ........................................................................................ 68 5.3.2 Estatísticas do site ............................................................................ 69 5.3.3 Like das notícias ............................................................................... 71 5.3.4 Dados de visualizações no Youtube ................................................. 71 5.4 Considerações Finais .............................................................................. 71 6. REFLEXÕES FINAIS ................................................................................. 73 7. BIBLIOGRAFIA ......................................................................................... 76 8. ANEXOS .................................................................................................... 88 ANEXO A - NOTAS À IMPRENSA DE NUNO MELO ............................. 89 ANEXO B - RELATÓRIO REDES SOCIAS ............................................ 136 ANEXO C - NOTAS Á IMPRENSA CAMPANHA ELEITORAL ............ 157 ANEXO D - DADOS DO GOOGLE ANALYTICS ................................... 174 Índice de Imagens Fig.1 logótipo PPE………………………………………………...41 Fig.2 logótipo CDS/PP.…………………………………………...42
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 8 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa Índice de Gráficos Gráfico.1representatividade no Parlamento .................................................. 37 Gráfico.2 – representatividade dos Grupos Políticos ....................................... 40 Índice de Tabelas Tabela 1 – Dados de visita de nunomelo.eu, de acordo com Google Analytics .69 Tabela 2Dados de origem de tráfego de nunomelo.eu, (Google Analytics)… 70
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 9 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa 1. INTRODUÇÃO
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 16 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa Segundo esta ideia, de forma análoga ao marketing comercial, a função do marketing na política tem sido, então, entender e tentar satisfazer as necessidades dos consumidores (neste caso, eleitores), como o grupo decisor mais importante durante a “troca” eleitoral (Butler & Collins, 1994; Harrop, 1990; Newman, 1994, 2002; O‟Shaughnessy, 1990; Scammell, 1999). Newman (1999) refere que a aplicação do marketing ao político traz uma alteração processual, incluindo “a análise, desenvolvimento, execução, e gestão de campanhas estratégicas por parte de candidatos, partidos, governos, lobbyistas e grupos de interesse”. O marketing político é ainda um fenómeno global, que abrange partidos de toda a orientação ideológica ou localização geográfica, e que leva à construção da mensagem política baseada em resultados quantitativos e qualitativos provenientes da pesquisa de marketing, resultados esses que espelham o estado da imagem do partido/candidato bem como identificam as questões que são valorizadas pelo eleitorado (Lilleker e LeesMarshment, 2005) O marketing político entende os eleitores enquanto consumidores de um produto político, seja um modelo de sociedade, um projeto de governação ou um candidato (Joana Lobo Fernandes, 2010). Lees-Marshment (2001) identificou três paradigmas de atuação dos partidos políticos sob a égide do marketing para concluir que o paradigma com o perfil ganhador (de eleições) seria o de orientação para o mercado, o que demonstra que o ponto de partida para a definição do produto político a oferecer deve ser a compreensão das necessidades e prioridades do público, cabendo ao partido oferecer soluções para tal. Os restantes paradigmas não colocam a pesquisa de mercado antes da elaboração do produto político, sendo que esta diferença vai condicionar totalmente o tipo de comunicação que se fará sobre o produto político: no primeiro caso para explicar a adequação às prioridades percebidas pelo marketing intelligence, nos restantes paradigmas, para impor o produto político escolhido e construído de acordo com as convicções do grupo ou partido de pertença. É comum adaptar-se os “4Ps” do marketing mix (produto, preço, posto de venda e promoção) para a realidade do marketing político. De acordo com Firmanzah (2008) são os seguintes os 4Ps do marketing político:
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 17 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa 1. Produto: os partidos, os candidatos e as próprias ideologias políticas defendidas por estes. 2. Promoção: o esforço de publicidade, relações públicas e promoção de forma a adaptar o produto do marketing político às necessidades dos eleitores. 3. Preço: pode ser económico, do ponto de vista das despesas de uma campanha por parte do partido, mas também o preço psicológico do voto, nomeadamente com preocupações com a imagem que certo candidato poderá dar do pais quando eleito para um cargo executivo. 4. Ponto de venda: prende-se com a presença e distribuição de um partido e a sua habilidade de comunicar com os eleitores. Os partidos deverão ter a habilidade de “mapear” a sua estrutura tendo em conta a geografia do país onde atuam e a sua demografia. A verdade é que o discurso político e o discurso publicitário são ambos caracterizados pelo elo de identificação e pela emoção que procuram provocar no consumidor. Assim, o que impulsiona essa proximidade e identificação entre o produto e o consumidor é a marca, daí que atualmente se defenda o candidato enquanto marca. Esta transfere personalidade a quem dela se apropria, o que na esfera política se repercute no voto. O candidato, em quem o eleitor vota, é aquele com quem se identifica, é aquele que lhe transmite confiança e cumplicidade, é a “sua” marca. Santos (1996) afirma que “numa campanha política votamos na pessoa do candidato, nas suas ideias e no sonho, que ele simboliza [e] com o qual nos identificamos”. 2.3.2 Relações Públicas É também difícil chegar a uma definição consensual de relações públicas. Rex Harlow (1976) identificou 472 definições, implicando que apesar de se concordar que as RP existem, não existe um consenso sobre o seu significado. Lloyd e Lloyd, (1995) no entanto, definem este conceito como o esforço deliberado, planeado e contínuo para estabelecer e manter um entendimento mútuo entre uma organização e o seu público. É assim uma disciplina preocupada com a comunicação de uma instituição (Cutlip et al., 2000), podendo esta ser mediatizada ou
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 18 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa não. Para alguns, no entanto, as RP tem uma conotação negativa, devido em parte à associação histórica com manipulação e propaganda (Harrison, 2000). O desenvolvimento do marketing provocou um interesse redobrado nas RP. Já que o valor da marca vai muito além das receitas que origina a curto prazo. As relações públicas podem ser um instrumento fortíssimo para criar, reforçar e proteger o valor das marcas (Lindon et al. , 2008). As instituições dotaram-se, pois, de estruturas operacionais responsáveis, justamente, por delinear e concretizar estratégias de comunicação global ou integrada. Criaram-se gabinetes de comunicação e imagem, cujo peso tem crescido no seio das instituições. Nas RP incluem-se uma variedade de atividades (Baskin et al., 1997; Cutlip et al., 2000; Macnamara, 2000), especialmente no Mundo atual, onde a Internet permite a fácil divulgação de mensagens sem o recurso aos média tradicionais. Entre estas atividades, Fawkes (2004) destaca: a comunicação interna (comunicação com os colaboradores da organização, através de newsletters ou circulares, por exemplo); relações públicas corporativas (comunicação em nome da organização e não dos seus produtos ou serviços; eg: conferências, relatórios anuais, relações com os media (comunicação com os jornalistas, especialistas e editores dos diferentes meios de comunicação social locais, nacionais ou internacionais; eg: press releases, conferências de imprensa, eventos para jornalistas, etc.); assuntos públicos (comunicação com líderes de opinião, como políticos, magistrados ou empresários; eg: apresentações públicas, briefings, reuniões, intervenções públicas, etc.); ações de responsabilidade social (comunicação com a comunidade local, representantes políticos ou diretores escolares; eg: patrocínios, exposições, encontros, iniciativas de solidariedade social, etc.); comunicação estratégica (investigação e análise da situação, problemas e soluções tendo em vista o cumprimento dos objetivos da organização; eg: planeamento e execução de campanhas que promovam a imagem pública da organização); ações de gestão (monitorização do ambiente político, social, económico e tecnológico que envolve a organização; eg: estudo dos efeitos das campanhas eleitorais); gestão de crise (comunicação tendo em vista o esclarecimento de uma situação inopinada ou de emergência; eg: após um grande acidente, negociar com os media em representação da polícia, de um hospital ou das autoridades locais); gestão de
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 19 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa eventos (organização de eventos, como conferências anuais, almoços com a imprensa, feiras comerciais e outros certames). 2.3.3 Assessoria de Imprensa A assessoria de imprensa é, provavelmente, a área de mais destaque nas relações públicas. Trata-se da atividade de relações públicas que tem como tarefa gerir o relacionamento entre um indivíduo ou instituição, e os meios de comunicação social (Kotler e Keller, 2005). O principal objetivo prende-se com assegurar espaço editorial nos meios de comunicação social – em oposição ao espaço publicitário pago –, com vista a promover ou divulgar um produto, serviço, ideia, lugar, pessoa ou organização. Estar presente nos média tornou-se numa necessidade para a consolidação de uma marca. A assessoria de imprensa passa a ser uma peça fundamental para a divulgação de serviços, produtos e para a ampliação de mercado. Os média além de constituírem um público destinatário da mensagem da empresa são igualmente um veículo dessa mesma mensagem e, como tal, ajudam os outros públicos a formar opiniões. Visto as RP não estarem, neste momento, apenas focadas na imprensa, alguns autores falam do conceito de assessor de média, visto se utilizar meios de comunicação mediados, como a imprensa e a televisão, e meios não mediados, como os sites e as redes sociais (Jackson e Lilleker, 2004). Brian McNair (2003) afirma que o desenvolvimento da prática de relações públicas resulta da constatação de que a comunicação através dos média noticiosos é mais eficiente do que sob a forma de publicidade. Isto porque os recetores da mensagem publicitária sabem que esta reflete os interesses, ideias e valores do promotor. Sabendo que a mensagem publicitária é comprometida, os leitores, telespectadores ou ouvintes tendem a distanciar-se dela ou mesmo a rejeitá-la. Com este horizonte motivacional, «as instituições apropriaram-se das habilidades narrativas e argumentativas do jornalismo; assimilam as rotinas e a cultura da produção jornalística; e no planeamento e controlo dos acontecimentos, a dimensão
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 20 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa comunicativa ganhou preponderância, para a divulgação dos eventos e difusão do discurso», considera Manuel Carlos Chaparro (2001). Para Jacques Deschepper (1990), «a iniciativa da informação fica muitas vezes apenas a cargo dos mass-media com consequências negativas para as instituições que são sujeito dessa informação». Neste sentido, «a comunicação com o exterior é necessária e mesmo benéfica se for organizada de modo permanente, tal como os outros aspetos de gestão – as finanças, o pessoal, a produção». O mesmo autor acrescenta ainda que «é preciso interessar o público pela instituição em todas as circunstâncias favoráveis através, sobretudo, dos mass-media» Rogério Santos (1997) defende ainda que «as instituições procuram organizar-se no sentido de assegurar uma cobertura que garanta a publicitação dos objetivos pretendidos e não a simples menção dos acontecimentos. A luta permanente das fontes de informação – indivíduos ou estruturas internas encarregadas de estabelecer contactos com as organizações noticiosas – é a divulgação dos acontecimentos positivos e o amortecimento ou esquecimento dos não adequados ao interesse das instituições». O assessor de imprensa, de modo geral, apresenta aos média notícias ou informações favoráveis à organização. Tem como principais funções encontrar ou criar essas notícias, fazer com que os média aceitem os seus press release s e atender às solicitações dos jornalistas para entrevistar o assessorado (Kotler e Keller, 2005). Os assessores agem como intermediários qualificados e, desta forma, aproximam eficientemente as fontes de informação das organizações noticiosas (Duarte, 2002). Burkett (1990) considera essa espécie de «jornalistas institucionais» uma boa fonte de informação para os jornalistas, designadamente porque, utilizando técnicas jornalísticas, recolhem internamente material pertinente para os meios de comunicação social e o transmitem segundo regras de conveniência noticiosa. De acordo com Rogério Santos (1997), os assessores de imprensa são frequentemente, de resto, ex-jornalistas, o que “os torna muito úteis às instituições que servem, pois, ao mudarem de lado no terreno, trazem todo o conhecimento do ofício para o contacto com as organizações noticiosas”. Maria Regina Estevez Martinez (2002) alerta, porém, quem “nem todo o jornalista é um „assessor‟” dado que a maioria sente ainda a falta da adrenalina da busca da informação, do „furo‟, da notícia em primeira
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 21 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa mão. Este profissional, em geral, não tem perfil nem as características necessárias para ser um assessor, um pensador estratégico da informação e da sua veiculação. Hess (1984) considera que os assessores de imprensa desenvolvem quatro tipos de atividades: recolha de informação para si próprios e para os seus colegas, preparação de material para os média, organização eventos e resposta a questões dos jornalistas. Já Deschepper (1990) é mais minucioso na descrição das rotinas de um assessor de imprensa, rotinas essas que vão desde a produção diária de uma revista de imprensa (press-clipping) à organização e divulgação da informação, passando pela avaliação das necessidades informativas dos diferentes públicos da instituição, pela definição de uma política de comunicação (objetivos e programa de ação), pelo estudo das necessidades e gostos específicos de cada órgão de comunicação social, pelo estabelecimento de laços de confiança com os jornalistas, pela redação de todos os textos destinados aos media, pela seleção dos canais de informação mais adequados, pelo aconselhamento dos dirigentes da instituição nos seus contactos com os jornalistas, entre outras tarefas. Deschepper (1990) destaca ainda as seguintes características essenciais de um assessor de imprensa: sensibilidade para contactos humanos; boa capacidade de expressão oral e escrita; sólida cultura geral; facilidade de análise e síntese; capacidade de tornar acessíveis textos de natureza técnica e científica; imaginação e intuição; eficácia e organização; rapidez na reflexão, decisão e ação; honestidade, objetividade e profissionalismo; disponibilidade para trabalhar fora do horário de expediente. Também Stephen Hess (1984) apresentou como características que os jornalistas mais apreciam num assessor de imprensa a proximidade com as chefias e o uso incondicional da verdade. O recurso à mentira, principalmente em situações de comunicação de crise (Villafañe, 1993), acaba quase sempre por se revelar devastadora para os seus autores, minando a sua credibilidade enquanto assessores de imprensa. 2.3.3.1 Assessoria de Imprensa na política Vários políticos queixam-se de que a imprensa cada vez mais perde o interesse no processo político em si (Negrine, 1999) e se foca mais em casos polémicos (Blumler e Gurevitch, 1995; Nossiter et al., 1995, Stanyer, 2001). Face a isto, os governos e partidos políticos têm empregado assessores de imprensa, numa tentativa controlar a
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 22 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa agenda mediática (Blumler e Gurevitch, 1995) e de ganhar uma cobertura positiva (Jones, 2002). Os políticos preferem que a sua mensagem seja veiculada pelos meios noticiosos ao invés da publicidade ou propaganda. Deste modo, quando a mensagem de um político é transmitida pelos média, a sua autoria é atribuída ao intermediário, o jornalista, ganhando autenticidade e credibilidade aos olhos de quem a recebe. Contudo, nota Brian McNair (2003), esta forma de chegar ao grande público não está isenta de contingências. Por um lado, a criação de eventos e contextos através dos quais os políticos acedem aos média pode ser dispendioso em termos de dinheiro e tempo. Por outro, o político não controla editorialmente os meios de comunicação social, pelo que uma gaffe, por exemplo, pode ser ampliada publicamente e daí resultarem danos políticos significativos. No seu extremo, esta tentativa de controlo pode levar ao chamado spin, ou seja, à “manipulação” dos acontecimentos de forma a beneficiar um político. Daí muitas vezes os assessores serem conotados como spin doctors um termo que, apesar da carga pejorativa com que muitas vezes é referido, entrou no vocabulário político nas últimas duas décadas, por força da importância que as estratégias de comunicação foram assumindo na política. Segundo Paul Manning (2001), os «spin doctors podem ser formalmente contratados como funcionários públicos (…); poderão ter responsabilidade política em relação a algo bastante diferente, mas, ao mesmo tempo, e oficiosamente, praticar as “artes negras” de um modo quase oficial (…); também podemos encontrar os spin doctors na cena social, trabalhando as festas, em vez de serem funcionários públicos. Qualquer que seja a sua posição, um spin doctor, para ser eficaz, tem que ter um entendimento acutilante dos meios de comunicação portadores das notícias políticas, e das necessidades dos jornalistas, uma cultura particular de organização de notícias, bem como pele grossa, e, usando um termo delicado, uma personalidade determinada». 2.4 Relacionamento entre fontes e jornalistas Herbert Gans (1979) afirma que a relação entre as fontes e o jornalista assemelha-se a um tango, onde as fontes procuram acesso aos jornalistas e os jornalistas procuram acesso às fontes. Mais concretamente, a relação entre jornalistas e fontes é uma relação de interesse mútuo: os jornalistas estão tão interessados em obter
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 23 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa informação quanto as fontes estão interessadas em dar determinadas informações com um determinado enquadramento ou em esconder as informações que não desejem ver no espaço público (Blumler e Gurevitch, 1995). Porém, como notam Rogério Santos (1997) ou Nelson Traquina (1993), este modelo é excessivamente estruturalista, já que admite pouca autonomia dos jornalistas para a definição de sentidos para os acontecimentos e não dá espaço para ocorrências como fugas de informação ou iniciativas jornalísticas de demanda de informações junto das fontes. Para o investigador Manuel Carlos Chaparro (2001), na hora de escrever, na rotina da produção e dos procedimentos profissionais (os conscientes e os inconscientes), a perspetiva das fontes influencia, inevitavelmente, a decisão jornalística – e quanto mais competentes elas se tornam, mais capazes são de determinar enfoques, relevâncias e até títulos, na narração jornalística. Gans (1979) observa que existem vários tipos de fontes informativas (institucionais e oficiosas, estáveis e provisórias, passivas e ativas, conhecidos e desconhecidos) que interagem num sistema que alberga igualmente jornalistas (especializados ou não especializados) e públicos. Este relacionamento é, por seu turno, ditado quer pelas necessidades informativas dos média, quer pelo posicionamento das fontes na estrutura social. Ericson (et al. 1989) enfatizam a importância da negociação entre fontes e jornalistas durante o processo de produção noticiosa. Para os autores as notícias resultam em primeiro lugar do tipo de relações socioculturais que se estabelecem entre fontes e jornalistas. A notícia será assim a construção da realidade resultante dessa dinâmica. É certo, no entanto, que á medida que as organizações noticiosas se têm visto forçadas a fazer cortes, ao mesmo tempo que aumentam a sua produção, a sua dependência dos „subsídios de informação‟ dos Relações Públicas tem vindo a aumentar. Por um lado, isto sugere que as relações públicas têm presentemente uma influência mais forte sobre a profissão do jornalismo. Por outro, pode também concluir se que as tradicionais hierarquias das relações de fontes da comunicação social se têm alterado significativamente neste novo ambiente saturado de RPs» (Davis 2003), Sigal (1973) e Ericson (et al. 1991) apontam mesmo que o peso das fontes na iniciativa de
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 24 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa produção de notícias é bastante elevado, sendo que o volume de notícias oriundo de fontes oficiais ronda os 70%. 2.4.1 Relação entre políticos e jornalistas Ian Somerville (2004) resume o envolvimento entre o poder político e os media da seguinte forma: «A relação entre os políticos, sobretudo do governo, e os meios de comunicação social envolve obviamente uma luta entre dois conjuntos de interesses aparentemente diferentes. O jornalista procura descobrir e revelar factos, enquanto o político pretende assegurar que a peça noticiosa reflete a „mensagem‟ que ele ou ela pretende fazer passar». Daí que alguns analistas, acrescenta Somerville, apontem «o uso crescente do „soundbite‟ e do „pseudo-acontecimento‟ como estratégias chave utilizadas pelos políticos para controlar as representações assumidas pela Comunicação Social de si e das suas políticas». Cook (2006), defende ainda que a relação entre a construção de notícias e o processo de decisão política se tornou de tal forma estreita, que se torna extremamente difícil distinguir entre ambos. Tanto os políticos como os jornalistas são vistos como atores mutuamente dependentes (Blumler e Gurevitch, 1995), cuja ação é guiada tanto pelos seus papéis como pela perceção que têm do papel do outro. Nesta relação ambígua, a confiança, que na prática se traduz num entendimento mútuo e respeito por regras formais e informais (Mancini, 1993), é um fator importante. De acordo com Larsson (2002), as relações interpessoais entre jornalistas e políticos beneficiam de situações em que exista um equilíbrio. Se os jornalistas acreditam que os políticos não respeitam o seu trabalho, a relação pode acabar por ser guiada pela desconfiança mútua (Van Aelst e Aalberg, 2009). A cobertura política por parte dos jornalistas tem sido, no entanto, criticada por reforçar a “espiral de cinismo” dos leitores para com os políticos: ao utilizarem um estilo negativo em artigos políticos, os jornalistas são responsáveis pelos baixos níveis de confiança perante os governos e os políticos no geral (De Vreese, 2005). Alguns autores falam mesmo de um jornalismo político cada vez mais hostil e irresponsável (McNair, 2009) e a exposição a notícias negativas sobre política tem sido relacionada
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 25 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa com um menor envolvimento político e baixos níveis de confiança por parte dos leitores (Patterson, 2000). As pressões comerciais nas organizações noticiosas (Patterson, 2000), a cultura dos profissionais de relações públicas (Esser e Spanjer, 2005, citados por van Dalen e tal., 2011) têm também sido utilizadas como explicação para este framing negativo da política nas notícias. De acordo com van Dalen (et al, 2011), os jornalistas adotam esta postura cínica em relação aos políticos quando têm uma visão negativa do papel dos spin doctors e acreditam que os políticos utilizam os média como um pódio somente para espalhar a sua mensagem e se autopromoverem. O cinismo entre jornalistas aumenta, quando estes acreditam que a procura de atenção mediática é mais importante que o seu trabalho político (Brants et al., 2010 citado por van Dalen et al. 2011). Os jornalistas têm reagido negativamente, por exemplo, a políticos que organizam conferências de imprensa sem qualquer valor noticioso (Ansolabehene et al., 1993). Da mesma forma, o cinismo é mais elevado quando os porta-vozes e assessores de imprensa limitam os jornalistas no seu trabalho. Apesar deste cinismo por parte dos jornalistas, também na política se nota uma predominância das fontes oficiais no processo de construção das notícias. Vasco Ribeiro (2006) concluiu que, em Portugal, cerca de 60% do noticiário político é dominado pelas fontes oficiais, tanto do Governo como dos partidos representados na Assembleia da República, sendo só um terço da produção de notícias surgir da iniciativa das redações. A esmagadora maioria parte assim da “ação de indução” por parte de assessores de imprensa, spin doctors, consultores e porta-vozes políticos. 2.5 As novas tecnologias na comunicação política As novas tecnologias de comunicação, em especial a Internet, alteraram radicalmente o panorama dos média de várias formas. Vieram, em especial, facilitar a comunicação cívica horizontal e enfraquecer as barreiras transnacionais. De acordo com Blumler e Gurevitch (2000) não só aumentou o número de atores políticos, como também houve um crescimento maciço de “mediadores políticos”, ou seja, profissionais da comunicação política, que, como vimos, por vezes desempenham um papel mais decisivo na criação de notícias políticas que os próprios jornalistas. As consequências de tais transformações são profundas. Blumler e Gurevitch (2000) afirmam que daqui
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 32 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa 3.1 INTRODUÇÃO De seguida irei caracterizar o ambiente onde estagiei. Partindo do geral para o particular, começarei por descrever em traços gerais a União Europeia e o seu funcionamento, passando de seguida por caracterizar com mais detalhe o Parlamento Europeu e os grupos políticos que o formam, em especial o PPE (ao qual Nuno Melo pertence), para no fim descrever em pormenor a carreira de Nuno Melo e as causas que este tem defendido no Parlamento Europeu. 3. 2 União Europeia 3.2.1 Contexto Histórico A União Europeia foi criada com o objetivo de estabilizar as relações entre países europeus vizinhos, pondo termo às frequentes guerras sangrentas que caracterizaram a Europa durante séculos e que culminaram na Segunda Guerra Mundial. A partir de 1950, em plena Guerra Fria, a Alemanha, a Bélgica, a França, a Itália, o Luxemburgo e os Países Baixos fundam a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, que começa a unir económica e politicamente os países europeus, tendo em vista assegurar uma paz duradoura. A 25 de março de 1957, o Tratado de Roma institui a Comunidade Económica Europeia (CEE) ou “Mercado Comum”, cujo objetivo é a livre circulação das pessoas, das mercadorias e dos serviços entre os Estados-Membros, como se trata-se de um só país. A 30 de julho de 1962 é lançada a Política Agrícola Comum, que confere aos Estados-Membros o controlo comum da produção alimentar e uniformiza os preços na Comunidade. A PAC leva, no entanto, a uma sobre produção e montanhas de excedentes. A partir da década de 90, é dada prioridade à redução destes excedentes e à melhoria da qualidade dos produtos. A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido aderem à União Europeia em 1 de janeiro de 1973, elevando assim o número dos Estados-Membros para nove. No âmbito da política regional da União Europeia, começam a ser atribuídas elevadas verbas para fomentar a criação de empregos e de infraestruturas nas regiões mais pobres.
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 33 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa Em 1981, a Grécia torna-se o décimo Estado-Membro da UE, seguindo-se-lhe a Espanha e Portugal cinco anos mais tarde. Em 1986, é assinado o Ato Único Europeu, um Tratado que prevê um vasto programa para seis anos destinado a eliminar os entraves que se opõem ao livre fluxo de comércio na UE, criando assim o “Mercado Único”. Com o desmoronamento do comunismo na Europa Central e Oriental, assiste-se a um estreitamento das relações entre os europeus. Em 1993, é concluído o Mercado Único com as “quatro liberdades”: livre circulação de mercadorias, de serviços, de pessoas e de capitais. A década de 90 é também marcada por mais dois Tratados, o Tratado da União Europeia ou Tratado de Maastricht, de 1993, e o Tratado de Amesterdão, de 1999. Em 1995, a União Europeia passa a incluir três novos Estados-Membros, a Áustria, a Finlândia e a Suécia. Uma pequena localidade luxemburguesa dá o seu nome aos acordos de “Schengen”, que gradualmente permitirão às pessoas viajar sem que os seus passaportes sejam objeto de controlo nas fronteiras. A 1 de janeiro de 2002 entra em vigor o euro, como moeda única da União Europeia, apesar de países como o Reino Unido e a Suécia terem ficado de fora desta união monetária. Em 2004, 10 países, anteriormente sobre a esfera de influência da antiga União Soviética, aderem também à União Europeia. Atualmente, a União Europeia é composta por 27 estados-membros: Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, República Checa, Dinamarca, Estónia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Polónia, Portugal, Roménia, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Suécia, Reino Unido. 3.2.1 Principais políticas e atividades da União Europeia Os países da UE delegaram-lhe algumas das suas competências legislativas em determinadas áreas políticas, como a agricultura e as pescas. Noutras áreas, como a cultura, a decisão política é partilhada pela UE e os governos nacionais. São os seguintes, os principais domínios de intervenção da UE: Agricultura Ambiente
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 34 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa Economia e Finanças Emprego e Assuntos Sociais Política externa e de segurança Pescas 3.2.2 Funcionamento da União Europeia A União Europeia (UE) não é uma federação como os Estados Unidos da América, nem uma mera organização de cooperação entre governos, como as Nações Unidas. Os países que pertencem à UE (os seus «Estados-Membros») continuam a ser nações soberanas e independentes, mas partilham a sua soberania em certas áreas para se tornarem mais fortes e poderem exercer uma influência no mundo que nenhum deles poderia exercer isoladamente. Partilhar a soberania significa, na prática, delegar alguns poderes de decisão em instituições comuns, de modo a assegurar que determinadas decisões sobre assuntos do interesse comum possam ser tomadas democraticamente a nível europeu. O Conselho Europeu, presidido atualmente por Herman Van Rompuy e composto pelos Chefes de Estado de cada país da EU, e o Presidente da Comissão Europeia, definir a direção e as prioridades políticas gerais da EU e resolve determinadas questões que pela sua complexidade ou sensibilidade não possam ser resolvidas a um nível inferior da cooperação intergovernamental. Embora fundamental na definição da agenda política da UE, O Conselho Europeu não possui quaisquer poderes legislativos. A tarefa de legislar está divida por três instituições: - O Conselho da União Europeia, onde estão representados os ministros de cada Estado-Membro - A Comissão Europeia, composta por 27 membros (um de cada país), é responsáveis pela direção política da UE durante o seu mandato de cinco anos. O Presidente da Comissão (atualmente Durão Barroso) atribui a cada Comissário a responsabilidade por áreas políticas específicas - O Parlamento Europeu, que representa os cidadãos dos Estados Membros, do qual em seguida falarei com maior detalhe.
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 35 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa Este «triângulo institucional» está na origem das políticas e da legislação que se aplicam em toda a UE. Em princípio, é a Comissão que propõe nova legislação e são o Parlamento e o Conselho que a adotam ou não, num processo de codecisão. A Comissão e os Estados-Membros são os responsáveis pela sua execução. A Comissão vela também pela correta transposição da legislação da UE para as respetivas ordens jurídicas. Duas outras instituições desempenham um papel fundamental: o Tribunal de Justiça, que assegura o cumprimento da legislação europeia, e o Tribunal de Contas, que fiscaliza o financiamento das atividades da UE. A UE possui ainda uma série de outras instituições e organismos que desempenham funções específicas: o Comité Económico e Social Europeu, que representa a sociedade civil, os empregadores e os trabalhadores; o Comité das Regiões, que representa as autoridades regionais e locais; o Banco Europeu de Investimento, que financia projetos de investimento da UE e ajuda as PME através do Fundo Europeu de Investimento; o Banco Central Europeu, responsável pela política monetária europeia; o Provedor de Justiça, que investiga as queixas relativas a casos de alegada má administração por parte das instituições ou dos organismos da UE; Na sequência da entrada em vigor do Tratado de Lisboa, o Conselho Europeu nomeou Catherine Ashton para o cargo de Alto Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança. Compete-lhe presidir às reuniões do Conselho dos Negócios Estrangeiros e conduzir a Política Externa e de Segurança Comum. Prevalecendo-se do seu cargo de Vice-Presidente da Comissão Europeia, assegura ainda a coerência e a coordenação da ação externa da União Europeia. A Alta Representante é assistida pelo Serviço Europeu para a Ação Externa. 2 3.2.3 Portugal na EU Historiografia recente sobre o Estado Novo (1933-1974) mostrou que este não ficou totalmente à margem da integração europeia do pós-guerra (Castilho, 2000; Rosas 2 Dados do site da União Europeia (www.europa.eu)
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 36 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa & Oliveira 2004). Portugal foi aceite como membro fundador da OCDE (1948), da NATO (1949) e no European Free Trade Agreement, ou EFTA (1959). Na década de 1960, após a entrada em EFTA, a economia portuguesa cresceu a uma velocidade considerável e a integração económica com a Europa aumentou, ainda mais com países da CE (nomeadamente França e Alemanha) do que com os membros da EFTA (Leitão, 2007). Com a iminente entrada do Reino Unido, Irlanda e Dinamarca para a CE, o Governo Português negociou um acordo, assinado em 1972, o que permitiu a continuidade da diminuição das tarifas industriais que existia anteriormente com os membros da EFTA entre Portugal e a CE. Marcello Caetano escolheu a encetar negociações para um acordo comercial com a Europa em vez de procurar o estatuto de Estado-Membro (Castilho, 2000; Rosas & Oliveira 2004 ; Reis 2007). Após o 25 de Abril de 1974, a entrada CE não foi tomada de imediato pelos partidos políticos que se estabeleceram como os principais intervenientes na política portuguesa, mais preocupados com as questões urgentes do fim da guerra colonial em África e com o processo de democratização. Em 1977 é feito o pedido de adesão à CEE e o acordo de pré-adesão é assinado três anos depois, a 3 de dezembro de 1980. A entrada oficial é só verificada, no entanto, a 1 de janeiro de 1986. 3.3 O Parlamento Europeu O PE é a maior experiência mundial em democracia transnacional, substituindo em grande escala a diplomacia internacional entre os países que o integram (Cobert et al, 2011). Eleito pela primeira vez em 1979, o PE tem crescido e ganho cada vez mais influência nos últimos 32 anos. De 410 membros de 9 países, na sua fundação, passou para 752 deputados de 27 países com o Tratado de Lisboa. Os seus membros veem de aproximadamente 200 partidos políticos diferentes, apesar de se afiliarem em grupos políticos mais restritos à chegada ao Parlamento.
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 37 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa A representação de cada país no Parlamento Europeu é proporcional ao número de eleitores. Consequência disto, os países mais populosos acabam por ser os que conseguem mais poder no Parlamento. Assim sendo, o país que elege mais deputados é a Alemanha (que elege 96), seguido da França, Reino Unido e Itália. Estes quatro países juntos representam cerca de 40% dos deputados! No fundo da tabela ficam Chipre, Estónia, Luxemburgo e Malta, cada um elegendo 6 deputados. Mais ou menos a meio da tabela encontramos Portugal, que elege 22 deputados, tal como a Bélgica, a República Checa, a Grécia e a Hungria. Gráfico.1representatividade no Parlamento 1 Ao contrário de todos os estados membros, mas à semelhança do Congresso americano, o PE é dos poucos órgãos eleitos que não têm o poder de criar ou alterar um órgão executivo. Da mesma forma, não pode ser dissolvido antes do fim de cada legislatura (Cobert et al, 2011). Inicialmente, o PE funcionava essencialmente como um fórum, sendo apenas consultado em algumas propostas legislativas antes da sua adoção pelo Conselho e
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 38 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa podendo vetar a Comissão, com uma maioria de dois terços. Através dos sucessivos Tratados, os estados-membros garantiram ao Parlamento Europeu um papel cada vez mais poderoso dentro do sistema da União Europeia, tanto como legislador em parceria com o Conselho na legislatura bicameral, como um instrumento de escrutínio e controlo das atividades da União. O Parlamento garante que o pluralismo e diversidade política de cada Estado-Membro estejam representados no coração decisor da União (Cobert et al, 2011). Com o Tratado de Lisboa, o mais recente tratado da UE: -a codecisão entre Parlamento e Conselho tornou-se o procedimento normal na construção de legislação, aplicada a quase todas as áreas de intervenção da UE. - o Presidente da Comissão passou a ser eleito pelo Parlamento Europeu, apesar de dependente das propostas do Conselho Europeu O PE tem um papel importante no escrutínio da Comissão, o órgão executivo da UE. O escrutínio é essencialmente feito através de perguntas escritas, pelos deputados individualmente ou em conjunto e direcionadas à Comissão, ao Conselho ou a outra instituição europeia, como por exemplo o BCE. Estes órgãos têm a obrigação de responder e publicar a resposta. Todos os meses, os deputados têm direito a colocar uma pergunta prioritária, que deverá ser respondida no prazo de três semanas. As restantes poderão ser respondidas num prazo de 6 semanas (Cobert et al, 2011). 3.3.1 Eurodeputados Os deputados europeus estão livres, de acordo com as regras do Parlamento, de organizar o seu trabalho, o que dizem e como votam de acordo com a sua vontade, sem restrições do partido, grupo político ou externas (Cobert et al, 2011). No entanto, a maioria dos deputados, tal como em quase todos os parlamentos, submetem-se à disciplina requerida para pertencer a um partido e/ou a um grupo político e a pressão para seguir as diretivas do grupo a que pertencem (Cobert et al, 2011). Apesar de os deputados passarem a maior parte do seu tempo em Bruxelas, todos os meses, com exceção de agosto, o PE reúne-se em Estrasburgo, para uma sessão plenária de 4 dias. Só apenas seis vezes ao ano é que existem sessões plenárias de dois
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 39 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa dias em Bruxelas. No entanto, é aí que os comités, os grupos políticos e outros órgãos se reúnem durante todo o ano. A maior parte dos deputados regressa aos países de origem na quinta-feira de cada mês, passando o fim de semana a reunir-se com os eleitores do país, assim como com associações e políticos nacionais. Para além das quatro semanas em que o parlamento fecha no verão e as duas em que fecha no Natal, existem mais quatro semanas ao longo do ano sem reuniões parlamentares, comummente denominadas por Semanas Verdes (por aparecem a verde nos calendários distribuídos aos funcionários do PE). É comum os deputados terem cerca de 3 a quatro assistentes, às vezes divididos em gabinetes nacionais e no parlamento. 3.4 Os Grupos Políticos No Parlamento Europeu, é comum os partidos se juntarem em grupos políticos mais alargados, onde se incluem partidos de outros Estados-Membros. Desta forma, cada partido consegue mais força dentro do PE do que se atuasse de forma isolada. Existem também, outros incentivos para os deputados se juntarem a grupos políticos, nomeadamente os subsídios que o PE disponibiliza para os grupos e a garantia de um deputado conseguir um lugar num comité, algo mais difícil para deputados independentes. Para um grupo ser formado, precisa de juntar um mínimo de 25 deputados oriundos de 7 países diferentes. Cada Grupo define um líder, que decide de que forma o Grupo deverá votar no Parlamento. Os presidentes de cada Grupo reúnem-se na Conferência de Presidentes para decidir que questões serão debatidas nas sessões plenárias. Existem atualmente sete grupos políticos no Parlamento Europeu: - Grupo do Partido Popular Europeu (Democratas-Cristãos) – do qual fazem parte PSD e CDS - Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu – do qual faz parte o PS
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 40 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa - Grupo da Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa - Conservadores e Reformistas Europeus - Grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia – do qual faz atualmente parte o deputado Independente Rui Tavares - Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verdedo qual fazem parte o Bloco de Esquerda e o PCP - Europa da Liberdade e da Democracia3 265 184 84 55 54 35 32 27 PPE S&D ALDE G-EFA ECR GUE-NGL EFD Independentes Gráfico.2 – representatividade dos Grupos Po 1 3.4.1 PPE O Grupo do Partido Popular Europeu (Grupo PPE) reúne as forças políticas próeuropeias de centro e centro-direita. Com os seus 264 Deputados é, atualmente, o maior grupo político do Parlamento Europeu. O PPE não é apenas um grupo políticos, mas também, tal como o S&D, um partido internacional europeu. A maioria dos partidos representados no Grupo PPE pertence também ao Partido Popular Europeu, o primeiro partido político transnacional 3 Dados retirados do site do Parlamento Europeu (www.europarl.europa.eu)
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 41 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa a ser formado a nível europeu, e também com a maior representação no Conselho Europeu de Ministros. Fig. 1 – logótipo do PPE Como partido, o PPE foi fundado em 1976 e atualmente junta 75 partidos oriundos de 39 países diferentes. A Democracia Cristã (de que falarei mais à frente) é a ideologia basilar do Partido. A força dos números no PE assegura que os Deputados do Grupo PPE ocupem uma vasta gama de posições essenciais no Parlamento - incluindo as Presidências de 10 das 22 comissões ou subcomissões do PE, 5 dos seus 14 Vice-Presidentes, e 2 dos seus 5 Questores. Atualmente, o Presidente do PE, Jerzy Busek, é também do PPE. 4 3.5 Partidos portugueses representados no Parlamento Europeu Nas eleições europeias de 7 de junho de 2009, Portugal passou a ser representado no PE da seguinte forma: 8 deputados do PSD (eleitos com 31.71% dos votos), 7 do PS (26,58%), 3 do Bloco de Esquerda ( 10,73%), 2 do PCP (10,66%) e dois do CDS (8,3%). De notar, no entanto, que a junho de 2011, o deputado independente eleito pelo Bloco de Esquerda, Rui Tavares, desvinculou-se do partido, passando a ser considerado deputado independente. 3.6 CDS/PP O Partido do Centro Democrático e Social (CDS) foi fundado a 19 de julho de 1974, afirmando-se como um partido aberto a “democratas do centro-esquerda e centro4 Dados retirados do site do PPE (www.epp.eu)
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 48 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa - Comissão de Inquérito à Fundação para a Prevenção e Segurança; - VII Comissão de Inquérito Parlamentar à Tragédia de Camarate; . - Comissão de Inquérito sobre a Situação que levou à Nacionalização do BPN e sobre a Supervisão Bancária Inerente 8 8 Dados retirados de www.nunomelo.eu
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 49 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa 4. ANÁLISE DO TRABALHO EFETUADO
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 50 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa 4.1 Introdução Como referi, o estágio no gabinete de Nuno Melo no Parlamento Europeu teve início a 13 de setembro de 2010. Apesar de o contrato de estágio inicial ter terminado no dia 13 de fevereiro de 2011, Nuno Melo decidiu renova-lo por mais seis meses, data limite autorizada pelo Parlamento Europeu, tendo assim o estágio terminado oficialmente a 13 de agosto de 2011. Sendo um mestrando em Comunicação Política, as minhas funções durante o estágio caíram essencialmente sobre a assessoria de imprensa, tendo apoiado os restantes assistentes do gabinete noutras áreas sempre que pedido. As funções exercidas durante o estágio seguem as rotinas de um assessor de imprensa descritas por Deschepper. Assim, durante o estágio produzi diariamente uma revista de imprensa, redigi os textos divulgados na comunicação social, tentei criar laços de confiança com alguns jornalistas e avaliei as necessidades informativas dos diferentes públicos a que se destinava a mensagem de Nuno Melo. Fora do âmbito estrito das minhas funções como estagiário, mas por iniciativa própria e após negociação com o deputado, acompanhei no terreno, entre 15 de maio 3 de junho, os candidatos do CDS pelo Distrito de Braga, Telmo Correia e Altino Bessa, em plena pré campanha e campanha eleitoral, escrevendo todos os dias press releases com a atividade de campanha, direcionados para a imprensa regional do distrito de Braga. De seguida irei descrever as principais funções desempenhadas durante o estágio e alguns dos pontos-chave da minha prestação. 4.2 Descrição Geral das funções exercidas Enquanto assessor de imprensa, o meu trabalho consistia em divulgar a atividade do deputado nos órgãos de comunicação social e online (tanto através do seu site como das redes sociais), assim como preparar clippings com as referências encontradas à atividade de Nuno Melo nos média e com notícias do dia ou informação relevante para as atividades do deputado. Visto o deputado ter, no geral, uma agenda sempre muito preenchida, competia-me também tentar negociar com os jornalistas que requeriam entrevistas com o deputado, a melhor data para elas se concretizarem.
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 51 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa Quando me foi pedido, ajudei também a elaborar briefings com informação de base para o deputado utilizar em debates televisivos. Sendo que Nuno Melo apoia bastante a sua atividade parlamentar na supervisão do executivo da UE, essencialmente com o recurso a perguntas escritas direcionadas à Comissão Europeia, parte do meu trabalho consistia também em estar atento a notícias e temas que suscitassem perguntas pertinentes para o deputado colocar e escrever pequenos resumos desses temas, que poderiam servir como base às ditas questões. Durante a presença dos grupos de visitantes convidados por Nuno Melo, apoiava também os meus colegas na visita guiada ao Parlamento, e na distribuição de merchandise do PPE. Acompanhei o deputado a três debates televisivos: dois no âmbito do programa Europa XXI, da Sic Notícias, moderado por Fernando de Sousa e gravado no Parlamento em Bruxelas e uma vez no programa Eurodeputados, da RTP, moderado por Fernanda Gabriel e gravado no Parlamento em Estrasburgo. 4.2.1Aspetos técnicos Para cumprir as minhas funções, foi me dado acesso à lista de endereços de jornalistas disponível no gabinete do deputado, assim como às contas do Flickr e Youtube e ao back office da página oficial (www.nunomelo.eu). 4.3 Notas à Imprensa As notas à imprensa (ou press releases), são documentos divulgados por assessores de imprensa para informar, anunciar, contestar, esclarecer ou responder aos média sobre algum facto que envolva o assessorado. É, na prática, uma declaração pública oficial e documentada do assessorado. ainda ser definido como o material informativo distribuído aos jornalistas para servir de enquadramento ou para ser publicado completa ou parcialmente, de maneira gratuita. É uma proposta de assunto, uma sugestão de notícia, no ângulo de quem o emite. No gabinete de Nuno Melo, é esta a principal ferramenta utilizada para tentar captar a atenção dos jornalistas para a atividade do deputado. No entanto, eram também
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 52 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa utilizadas para informar os políticos e restantes militantes do partido, a quem também eram enviadas as notas. Após serem enviadas, o mesmo texto das notas era reaproveitado para o site pessoal de Nuno Melo e também para a secção de notícias “Europa” no site do CDS (www.cds.pt). O texto das notas que redigi foi sempre revisto, alterado e aprovado pelo deputado, antes de ser enviado para a imprensa, de forma a adequar-se melhor ao estilo pessoal de escrita de Nuno Melo e para evitar qualquer distorção da mensagem que se pretendia passar. Normalmente, as principais alterações caiam nos títulos, que o deputado preferia mais longos e informativos. 4.3.1 Objetivos Assim que iniciei o estágio, delineei como objetivo principal no envio das notas de imprensa o de penetrar o máximo possível na imprensa online, visto os sites noticiosos serem muito mais lidos que os jornais impressos 9 . Para alcançar este objetivo, é bastante importante conseguir captar o interesse da agência noticiosa Lusa, visto esta distribuir os takes por toda a imprensa nacional e muitos sites noticiosos publicarem as notícias veiculadas pela agência quase sem nenhuma alteração. Como segundo objetivo, procurei também chegar cada vez mais à imprensa regional, que segundo estudos da Bareme Imprensa Regional de 2010 é lida por mais metade da população portuguesa. 4.3.2 Formato Por norma, conforme já era costume ser feito antes da minha chegada, as notas eram enviadas como attachment e não no corpo de texto do e-mail. O título do e-mail era sempre idêntico ao título da nota, antecedido de “Nota à Imprensa de Nuno Melo:”. No corpo de texto do e-mail vinha sempre um resumo do tema da nota, numa tentativa de captar o interesse dos jornalistas. 9 A título de exemplo, de acordo com os dados da Associação Portuguesa de Tiragem e Circulação, o jornal Público, nos últimos dois meses de 2010 teve uma tiragem de 49, 348 exemplares e uma circulação de 35.584, mas o seu site só em dezembro do mesmo ano conseguiu 6.985.260 visitantes, segundo dados do Netscope
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 53 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa As notas eram sempre numeradas no título do documento, como era prática anterior ao meu estágio, sendo que a primeira nota que escrevi foi a “Nota à imprensa 28” e a última a “Nota à imprensa 53”. Visto as notas à imprensa seguirem em anexo neste relatório, irei, no geral, referir-me à notas pelo seu número daqui em diante. Inicialmente sugeri algumas alterações ao formato da nota de imprensa utilizado. Anteriormente, as notas eram acompanhadas de um logótipo do Parlamento Europeu e dos contactos do assistente que exercia as funções de assessor de imprensa. Eu sugeri substituir o logótipo do Parlamento pelos logótipos do CDS e do Grupo do PPE, acrescentar uma foto do deputado, assim como os endereços do site e do Facebook. Decidi também acrescentar sempre a data, para os jornalistas terem sempre se a informação esta atualizada. As notas eram sempre acompanhadas dos meus contactos telefónicos e do email, na eventualidade de o jornalista necessitar de mais informação ou no caso de quererem entrar em contacto com Nuno Melo. Sendo que a maioria das notas à imprensa tinha como base uma pergunta feita à Comissão Europeia, era comum deixar sempre o link da pergunta (e, em alguns casos, da resposta também) no final de cada nota. Nos casos das perguntas, o link facultado era habitualmente o do site oficial de Nuno Melo, de forma a aumentar as visitas ao mesmo. 4.3.3Envio das notas à imprensa Ao todo, entre 17 de setembro de 2010 e 8 de junho de 2011 foram enviadas 26 notas à imprensa, numa média de 2,45 por mês. O mês de janeiro foi o mês em que se enviamos mais notas (8) e fevereiro e junho os meses em que se produziram menos (uma em cada), sendo que nos meses de abril, maio, julho e agosto não foi enviada nenhuma nota à imprensa. É de notar, no entanto, que o facto de não ter sido enviado nenhuma nota à imprensa, não significa que Nuno Melo tenha estado afastado da atenção mediática. Tendo sido abril e maio meses de grandes mudanças a nível político (iniciados com a demissão de José Sócrates do cargo de primeiro-ministro a 23 de março), Nuno Melo foi por várias vezes abordado pela imprensa para comentar a atualidade política ou para reagir a intervenções de outros atores políticos. De lembrar também que as semanas de 15 de maio a 3 de julho foram semanas de campanha
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 54 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa eleitoral, onde Nuno Melo percorreu o país apoiando os vários candidatos do CDS locais e eu próprio acompanhei a campanha do CDS no distrito de Braga. Por seu lado, a atividade parlamentar no Parlamento Europeu cessou entre 17 de julho e finais de agosto ( sendo que o estágio terminou no dia 13 desse mês), sendo esses meses pouco propícios a divulgação de iniciativas parlamentares. Todas as notas eram enviadas para os correspondentes em Bruxelas, para jornalistas e responsáveis pela agenda de meios de comunicação nacionais e regionais e para outros políticos e militantes do CDS. Em situações específicas, as notas foram enviadas também para associações ou indivíduos que pudessem estar interessados em determinado tema. Assim: - Todas as notas direcionadas para o tema da agricultura (28, 30, 31, 47, 49, 53) eram também enviadas para mailing lists associações de agricultores e revistas especializadas na atividade. No caso específico da nota 31 (Nuno Melo propõe iniciativa no Parlamento Europeu para reavaliação do fim de sistema de quotas leiteiras), foi também enviada para as associações de produtores de leite e para a imprensa especializada na área. - As notas relacionadas com a indústria têxtil (32, 34) foram enviadas para mailing lists de empresas dessa indústria. - As notas relacionadas com as antigas SCUT (33, 38) foram enviadas para a imprensa da Galiza, por ser uma das regiões mais afetadas com a cobrança de portagens. - A nota 43 (Nuno Melo alerta Comissão Europeia para perseguição de portugueses no Luxemburgo) foi enviada para os vários órgãos de comunicação e associações de comunidades emigrantes portuguesas espalhadas pelo Mundo. A partir desse momento, todos os contactos que faziam parte desta mailing list começaram a receber as nossas notas de imprensa. - A nota 44 (Nuno Melo questiona Comissão Europeia sobre Calendários escolares que omitem feriados cristãos) foi enviada para órgãos da imprensa cristã, nomeadamente a Agência Ecclesia. 4.3.4 Elaboração da lista de contactos Procurei logo de início ampliar a lista de contactos que me foi fornecida dentro do gabinete. Assim, nos primeiros dias fiz uma procurei nos sites noticiosos os mails de
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 55 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa todos os responsáveis pela agenda dos jornais nacionais. Em alguns sites, como no caso do Jornal de Negócios, os endereços de e-mail profissional dos jornalistas vem também disponível nas notícias. Aproveitando esse facto, acrescentei à lista contactos de jornalistas que, normalmente, redigiam notícias sobre temas que se encontravam no âmbito da atividade de Nuno Melo. Procurei também sempre estabelecer contacto com os jornalistas da imprensa nacional que visitavam o Parlamento. Nomeadamente, durante a entrega de Prémios de Jornalismo do Parlamento Europeu, procurei os nomeados portugueses para o prémio e apresentei-me formalmente como assessor de imprensa de Nuno Melo, trocando contactos com os jornalistas. Quanto aos contactos na imprensa regional que acrescentei à mailing list existente foram obtidos essencialmente através de pesquisa pela Internet, utilizando o portal http://www.imprensaregional.com.pt/ como ponto de partida. Outros militantes do partido facultaram-me, ao longo do estágio, listas mais completas de contactos da imprensa dos seus distritos. 4.4 Clipping Diariamente, a minha primeira tarefa consistia na organização do clipping. Do inglês to clip (cortar, reduzir) a essência deste instrumento de assessoria de imprensa resume-se à recolha das notícias veiculadas nos meios de comunicação social – rádio, televisão, imprensa e internet – sobre determinado tema, assunto, pessoa ou organização. O clipping permitia assim avaliar a imagem que o deputado tinha nos média e a visibilidade que este ia ganhando nos mesmos. A preparação do clipping era feita com o apoio da CISION, uma empresa de serviços e software de relações públicas, que envia diariamente aos deputados e funcionários do Parlamento Europeu, recortes de jornais e websites em que as atividades de todos os eurodeputados sejam mencionadas. A informação obtida através de Cision era complementada com o recurso a outras ferramentas de pesquisa online. Em especial, com o recurso ao Google Alerts, serviço de notificações do Gmail que diariamente envia por e-mail os resultados da pesquisa “Nuno Melo” no motor de busca Google. Por minha sugestão, o próprio deputado e os restantes assistentes passaram a utilizar esta ferramenta, tanto para
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 56 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa pesquisa da atividade do deputado, como na pesquisa de outros temas relevantes para as suas tarefas específicas dentro do Gabinete. Utilizei também o motor de busca do Google News (agregador de notícias da Google) e criei uma pasta no Google Reader (agregador de conteúdos online) para seguir todas as atualizações dos principais sites noticiosos. Ocasionalmente, utilizava também sites como o Booshaka e o Twitority para pesquisar menções a Nuno Melo no Facebook e no Twitter, respetivamente. Todos os clippings foram arquivadas num dossier de Imprensa, disponível no Gabinete. De notar que os clippings, por limitação de distância, nem sempre eram 100% completos, visto nem todas as referências estarem disponíveis no Cision e ser complicado ter acesso a todas as menções a Nuno Melo feitas tanto na imprensa local como na imprensa das comunidades portuguesas espalhadas pelo Mundo. Para além do clipping com a atividade do deputado, organizava diariamente recortes com as principais notícias do dia e com outras notícias relevantes para a atividade do deputado. Grande parte da minha atividade diária consistia, para esse efeito, na monitorização dos principais sites noticiosos através do Google Reader, como mencionei anteriormente. 4.5 Site e redes sociais Já antes da data de início do meu estágio, o gabinete de Nuno Melo utilizava as seguintes ferramentas para comunicação online: o site pessoal e as redes sociais Facebook, Flickr e Youtube. Na segunda semana de estágio, por iniciativa própria, elaborei um relatório, com algumas sugestões e conselhos sobre como melhorar a comunicação online, nomeadamente através de algumas alterações no site. Duas das medidas sugeridas, a integração de botões de partilha nas páginas do site e a colocação de uma janela com os likes da página de político de Nuno Melo no Facebook, foram aplicadas a 7 de outubro. Outras medidas, que exigem um maior esforço de remodelação do site, estão ainda a ser implementadas pelo webdesigner responsável. Apenas uma sugestão nunca foi adotada pelo deputado: a do uso da rede social Twitter. O relatório completo segue em anexo. Em seguida irei descrever a utilização feita de cada uma destas ferramentas de comunicação online.
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 57 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa 4.5.1 Site 4.5.1.1 Funcionalidades Atualmente, o site permite visualizar Notícias relativas à atividade do deputado, ver as Iniciativas parlamentares (normalmente as perguntas colocadas à Comissão Europeia) e a Agenda do deputado. É também disponibilizada uma biografia e os contactos do Parlamento Europeu. Na página inicial aparecem, por norma, as últimas três notícias em destaque, encontrando-se em baixo mais três notícias menos atuais. Uma barra lateral mostra uma janela com o número de likes do deputado no Facebook e com um botão que permite aos visitantes fazerem like nessa rede social. Na mesma barra são colocados os dois últimos vídeos disponíveis no Youtube e uma galeria de imagens ligada ao Flickr. Competia-me atualizar o site, através da colocação de notícias, dos vídeos com as intervenções de Nuno Melo, das perguntas feitas à Comissão. No início de cada semana atualizava também a agenda. 4.5.1.2 Notícias O título e o texto das notas eram normalmente adaptados das notas à imprensa, sendo apenas alterados os links que vulgarmente acompanhavam as notas. Cada página de notícia vem com quatro botões que facilitam a partilha da página no Facebook, no Twitter, por e-mail ou numa lista de várias redes sociais. Normalmente, esses botões contam também o número de vezes que a notícia foi partilhada. Existe outro botão que permite aos visitantes fazerem like da notícia no Facebook. Estes instrumentos permitiam contabilizar o interesse que era dado a cada notícia nas redes sociais. No entanto, acaba por não ser muito fiável visto, como pude comprovar, ao fim de algum tempo, os resultados da partilha revertem para zero. As notícias eram sempre acompanhadas de fotografia. Normalmente eram utilizadas fotografias do candidato ou fotografias alusivas ao tema da notícia. Na busca de fotografias que pudessem ilustrar as notícias, era utilizada a rede social Flickr, como mais à frente explicarei. Sempre que possível, identifiquei o autor das fotografias que não eram da nossa autoria, adicionando inclusivamente um link para o seu perfil no Flickr.
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 64 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa por fotos para publicação e, sempre que possível, por declarações áudio para serem transmitidas nas rádios) e dinamizar a página de Facebook da Distrital do CDS de Braga. Nestas funções fui sempre acompanhado por outra assessora, antiga jornalista, que conhecia mais a fundo a imprensa local. O período de campanha foi das fases em que senti mais dificuldades, pelas seguintes razões: - O facto de os deadlines, na imprensa local, serem mais restritos do que na imprensa nacional. Grande parte dos jornais locais encerra as suas redações por volta das 17 horas, o que muitas vezes tornava muito difícil o envio atempado das notas à imprensa, visto que muitos acontecimentos decorriam bastante próximos dessa hora. - o desconhecimento dos atores políticos do Distrito e das realidades locais dificultaram muitas vezes a escrita das notas à imprensa de forma célere, estando sempre dependente do apoio de militantes que acompanharam a campanha para preencher lacunas na informação. - as limitações em termos logísticos: visto a agenda de campanha ser sempre bastante preenchida, as notas tinham que ser escritas muitas vezes em movimento, com o portátil ao colo e até, às vezes, com o carro em movimento. A ligação à Internet era feita através de USB, que por vezes falhava em determinadas localidades, atrasando o envio das notas atempadamente. No geral, apesar de todas as complicações, esta experiência contribuiu para a minha aprendizagem de como se processa uma campanha eleitoral, aprofundou o meu conhecimento do funcionamento da imprensa regional e ensinou-me a lidar melhor com a cobertura de atividades com alta pressão de deadlines e com poucos recursos técnicos.
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 65 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa 5. RESULTADOS DA ASSESSORIA DE IMPRENSA
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 66 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa 5.1 Introdução Neste capítulo irei analisar o meu desempenho como assessor de imprensa durante este estágio, utilizando dados relativos à divulgação das notas à imprensa e às técnicas utilizadas na divulgação de notícias online, tanto através do site como das redes sociais. 5.2 Análise dos resultados do envio das notas à imprensa 5.2.1 Introdução De seguida, analisarei os resultados da divulgação online das notas à imprensa. Irei-me limitar apenas à divulgação online, não só por, como mencionei anteriormente, considerar a divulgação online mais importante, mas também por ser deste tipo de divulgação que possuo dados mais completos. Os dados dos média tradicionais (imprensa, rádio e televisão) eram, como expliquei, obtidos com o auxílio de clippings da Cision que nem sempre recolhiam todas as referências existentes, nomeadamente no que concerne a imprensa regional e a imprensa das comunidades portuguesas. Contabilizei apenas as notícias baseadas nas notas à imprensa redigidas e enviadas por mim, e não outras notícias em que Nuno Melo é mencionado, visto apenas estas refletirem os resultados do meu trabalho. Os dados foram recolhidos com a ajuda das ferramentas que mencionei anteriormente no capítulo sobre o clipping (Google Alerts, Google News e Google Reader). 5.2.2 Resultados No total, contabilizei 52 diferentes sites que divulgaram as notas, sendo que nesta lista se encontram 14 órgãos da imprensa nacional, 24 órgãos da imprensa regional, 5 da imprensa especializada, 3 da imprensa económica, 2 da imprensa de cariz religioso, 1 da imprensa internacional e 2 da imprensa da comunidade portuguesa no estrangeiro. Assim:
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 67 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa - Na imprensa nacional, os sites onde foram encontradas notícias foram os seguintes: Público (3 referências), Diário de Notícias (12), RTP, incluindo aqui também a Antena 1 (6), Jornal de Notícias (6), Expresso (5), I (10), Visão (6), SICN (1), TVI 24, com Diário IOL (6), Sol (3), Correio da Manhã (1), Rádio Renascença (2). - Na imprensa económica contei menções em três sites: Agência Financeira (2), Jornal de Negócios (3) e Diário Económico (1). - Na imprensa regional, encontrei várias referências na imprensa do Minho: Correio do Minho (3), TV Minho (3), Mais Atual (3), Cávado Online (1), Rádio Geice (1), Diário do Minho (1), Antena Minho (1). Na imprensa do Grande Porto, surgiram referências no Grande Porto (1), no Porto24 (1) e no Gaia FM (1). Na imprensa de Setúbal, surgiram referências no Settubal (1), Rostos (1), Jornal da Região (1) e Setúbal na Rede (1). As restantes menções surgiram no Viseu Mais (1), Mafra Hoje (1), Jornal do Algarve (1), Jornal da Madeira (1), RTP Açores (1), Açores Online (1), Notícias do Ribatejo (1), O Mensageiro de Bragança (1), Correio do Norte (2) e Rádio Sim (1). -Nos sites especializados contei os sites Agroportal (4) e Confagri (1), dedicados à agricultura; os sites sobre produtos alimentares Hipersuper (1) e Segurança Alimentar (1), e o site da Aprolep (1), dedicado à produção de leite -Na imprensa internacional surgiu uma menção num site angolano, Angola 24 Horas, sendo apenas de uma nota de imprensa específica sobre Angola (Nota à Imprensa 36). - Na imprensa da comunidade portuguesa no estrangeiro encontrei nos sites Bom Dia e Contacto, ambas com uma menção. - Na imprensa de cariz religioso, encontrei uma menção nos sites Fátima Missionária e no da Agência Ecclesia, tendo apenas uma nota em específico sido enviada para estes órgãos (44) De notar que, das 26 notas enviadas, 8 foram aproveitadas pela Lusa. Ou seja, a sua divulgação foi feita não apenas pelo envio da nota à imprensa, mas também pela veiculação da mensagem por esta agência noticiosa. As notícias mais divulgadas foram a 43 e 44 (encontradas 11 menções para ambas), pois, para além de terem sido veiculadas pela Lusa, também foram publicadas pela imprensa das comunidades portuguesas e pela imprensa religiosa, respetivamente.
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 68 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa A 30 foi das que também recebeu mais atenção (publicada 9 vezes), seguidas da 29 e da 33, sobre as SCUT, tema muito “quente” na altura e que foi muito aproveitado pela imprensa da região Norte. Das que não foram divulgadas encontro apenas a 40, a 48 e a 32 e a 34. No entanto, o envio destas últimas duas notas diretamente a empresas do setor tornou-se proveitoso, visto ter recebido cerca de 10 respostas positivas via e-mail. Noutros casos, em que as notícias não receberam grande destaque a nível nacional, notou-se uma grande divulgação a nível local, como é o caso da notícia sobre a Estrada ER-3772, que mereceu destaque em toda a imprensa de Setúbal, as notícias das SCUT, que receberam interesse pela imprensa do Norte de Portugal, e a notícia das quotas leiteiras, que recebeu menções tanto na imprensa especializada da área como na imprensa da região dos Açores. É importante referir que, pelo menos em dois casos, as notícias veiculadas nas notas desencadearam o aproveitamento ou reações de outros atores políticos, sendo nas notícias seguintes mencionado que a informação tinha surgido originalmente de Nuno Melo. Foi o caso da Nota à Imprensa 28, cuja informação foi mais tarde aproveitada por Paulo Portas, recebendo mais 5 menções na imprensa nacional e a nota sobre os fundos do TGV (41), que foi seguida de mais 13 notícias publicadas em jornais diferentes com as reações tanto do governo como de Rui Rio. No geral, posso considerar os resultados positivos. Apenas 4 notas não foram publicadas em qualquer meio, apesar de duas dessas terem tido impacto considerável no setor a que se direcionavam. Notícias relacionadas com casos polémicos, como as SCUT e as grandes obras públicas foram bastante divulgadas e questões mais locais foram, no geral, divulgadas nos meios a que se destinavam. As notas direcionadas para a agricultura, tema muito querido ao CDS, foram também bastante divulgadas pelos grupos a que se destinavam. 5.3 Análise da divulgação através do site e das redes sociais 5.3.1 Introdução Hoje em dia, existem diversas ferramentas que permitem analisar a divulgação da mensagem online, seja através dos relatórios de visitas dos sites, seja através de botões de partilha ou do número de likes (ou “gostos”) que uma página pode ter no
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 69 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa Facebook. Neste capítulo, irei analisar os resultados obtidos com a divulgação da mensagem online, começando com as estatísticas do site, mencionando o número de likes que as notícias tiveram no Facebook e terminando com uma análise do Youtube. De fora ficaram os resultados da partilha das notícias no site pelas redes sociais, visto que os botões de partilha disponíveis já não contêm, na sua maioria, essa informação. Concluirei com algumas observações que penso serem pertinentes face aos resultados. 5.3.2 Estatísticas do site Vários dados estatísticos relativos ao site foram medidos utilizando a ferramenta Google Analytics. Este programa permite criar relatórios sobre o número de visitas do site, a sua proveniência, o tempo médio perdido no site, o número de páginas vistas por cada visitante. É, por isso, uma ferramenta imprescindível do trabalho de um assessor de imprensa, na tentativa de avaliar a divulgação da informação disponível sobre o deputado. Durante o período de estágio (de 13 de setembro de 2010 até 13 de agosto de 2011) foram efetuadas 9.833 visitas ao site, efetuadas por um total de 5.945 pessoas diferentes(visitantes). Significa isto que 40,47% das pessoas visitaram o site mais do que uma vez. Tabela 1 – Dados de visita de nunomelo.eu, de acordo com Google Analytics
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 70 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa Em média, os visitantes demoraram cerca de 2 minutos em cada visita, vendo cerca de 3 páginas em cada. Os dias com mais atividade no site foram, obviamente, os dias em que foram publicadas notícias. 25,83% do tráfego do site partiu do Facebook, o que comprova a importância desta rede social na divulgação de conteúdos. No entanto, é de notar que a maioria do tráfego (32,65%) surgiu de pesquisas no Google. É de notar o efeito que a partilha dos links no Facebook teve no número de visitantes do site. Antes de as notícias serem publicadas nessa rede social, o número de visitantes rondava sempre a casa dos 30. A partir do momento em que se utilizou esse método de divulgação, a média passou a ser de 92 visitantes por notícia, tendo atingido um máximo de 200 visitantes no dia 31 de março (com a notícia “Nuno Melo questiona Comissão Europeia sobre contrato de aquisição das minas de Aljustrel”) e um mínimo de 28 nos dias 21 de janeiro e 3 de fevereiro (“Nuno Melo questiona Comissão Europeia sobre Calendários escolares que omitem feriados cristãos” e “Nuno Melo questiona Comissão Europeia sobre atraso no pagamento dos subsídios a agricultores afetados por incêndios”). Tabela 2 – Dados de origem de tráfego de nunomelo.eu, (Google Analytics) Mesmo antes de se começar a partilhar os links no Facebook, o site já tinha ultrapassado a barreira dos 100 visitantes no dia 21 de outubro, quando uma nota de imprensa com link para uma notícia do site (32) foi enviada para representantes da indústria têxtil. Nesse dia, o número de visitantes atingiu os 120.
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 71 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa É impossível, no entanto, comparar os resultados obtidos durante o meu estágio com igual período do ano passado, visto o Google Analytics só fornecer dados a partir do dia 27 de junho de 2009. 5.3.3 Like das notícias Em média, cada notícia recebeu 70 likes no Facebook, sendo que a notícia que obteve mais foi a publicada no dia 31 de março, com 258, sendo que apenas uma notícia recebeu apenas 1 like, a 21 de setembro (“Nuno Melo protesta contra a abertura do mercado europeu aos produtos têxteis paquistaneses”). No entanto, é de notar que o botão de like nas notícias foi apenas colocado a 7 de outubro. Estes números são positivos, porque demonstram que, na maioria dos casos, a mensagem foi bem divulgada no Facebook, visto que, sempre que alguém faz “like” de uma página, esta é partilhada no seu perfil. 5.3.4 Dados de visualizações no Youtube No total, foram partilhados 28 vídeos durante o meu período de estágio, sendo o vídeo mais visto o “Nuno Melo: Tragédia é este Governo, não o FMI”, com 1,198 visualizações, logo seguido de “Intervenção de Nuno Melo no debate sobre a entrada de têxteis paquistaneses no mercado da UE”, com 703 visualizações. De notar que este último vídeo mereceu tanta atenção, pois foi enviado por e-mail diretamente a vários representantes da indústria têxtil em Portugal. O vídeo menos visto foi “Nuno Melo discute a Revisão Constitucional no Corredor do Poder”, a 17 de setembro de 2010, que contou apenas com 100 visualizações. Houve assim uma média de 245 visualizações por vídeo. 5.4 Considerações Finais No que toca à divulgação de informação através do site e das redes sociais, os dados comprovam que tanto o Facebook como o Youtube são espaços onde Nuno Melo tem grande visibilidade. Comprova-se, por exemplo, que os seus vídeos no Youtube são bastante mais visualizados que o seu site pessoal. Apesar de não possuir dados
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 72 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa estatísticos sobre as visualizações da página de Facebook, é de notar que esta é bastante comentada e que as atualizações de status recebem bastantes likes, o que demonstra que esta é a ferramenta mais propícia à divulgação da atividade do deputado. As estatísticas do site comprovam também que este aumentou a sua notoriedade assim que começou a ser partilhado nesta rede social. Assim, podemos concluir que as redes sociais são a forma mais eficaz de divulgar a atividade política online, perdendo assim o site alguma importância. A diferença poderá estar no facto de que, nas redes sociais, a informação atinge diretamente o utilizador numa altura em que ele poderá estar atento a outras fontes de informação, ao passo que um site implica que o visitante se foque, por alguns segundos, numa única fonte de informação. No entanto, o site continua a ser de grande importância para quem procura informação mais detalhada sobre a atividade do deputado, visto lá estar reunida muita mais informação do que nas restantes redes sociais. No site, a informação está toda agregada, desde a biografia do deputado, às perguntas feitas à Comissão, passando também pelos vídeos disponíveis no Youtube e as principais notícias da sua atividade.
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 73 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa 6. REFLEXÕES FINAIS
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Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 88 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa 8. ANEXOS
Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 89 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa ANEXO A - NOTAS À IMPRENSA DE NUNO MELO Nota à Imprensa 28
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Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 97 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa Nota à Imprensa 32
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Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 99 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa Nota à Imprensa 33
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Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 132 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa Nota à Imprensa 52
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Assessoria de Imprensa CDS/PP 2011 136 Relatório de Estágio – Luís Miguel Alves Lago da Costa ANEXO B - RELATÓRIO REDES SOCIAS
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