Qualidade de Leite em Bovinos Leiteiros: Uma abordagem preliminar para a redução da contagem de células somáticas
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1 Relatório Final de Estágio Mestrado Integrado em Medicina Veterinária QUALIDADE DE LEITE EM BOVINOS LEITEIROS: UMA ABORDAGEM PRELIMINAR PARA A REDUÇÃO DA CONTAGEM DE CÉLULAS SOMÁTICAS Teresa Sofia Marmelo Patrício Orientador(es) Prof. Drª. Carla Maria Proença Noia de Mendonça Co-Orientador(es) Dr. Paulo Alexandre Alves Capêlo Dr. Juan Vicente González Martín Porto 2013
2 Relatório Final de Estágio Mestrado Integrado em Medicina Veterinária QUALIDADE DE LEITE EM BOVINOS LEITEIROS: UMA ABORDAGEM PRELIMINAR PARA A REDUÇÃO DA CONTAGEM DE CÉLULAS SOMÁTICAS Teresa Sofia Marmelo Patrício Orientador(es) Prof. Drª. Carla Maria Proença Noia de Mendonça Co-Orientador(es) Dr. Paulo Alexandre Alves Capêlo Dr. Juan Vicente González Martín Porto 2013
i Resumo Este relatório resulta da experiência obtida no meu estágio curricular realizado com Dr. Paulo Capêlo na região de Barcelos e em Madrid, na empresa "Trialvet Asesoría e Investigación Veterinaria S.L” com Dr. Juan Vicente Martín e a respetiva equipa, composta pela Drª. Natividad Pérez Villalobos e Drª. Cristiana Justo. Durante estas 16 semanas, tive a oportunidade de participar nas mais diversas atividades, desde clínica e cirurgia de espécies pecuárias passando pela sanidade animal, qualidade de leite, assessoramento reprodutivo e ida a matadouros para recolha de amostras de tuberculose e brucelose. O tema deste relatório surge no segundo período de estágio, em Madrid, resultado do controlo de qualidade de leite desenvolvido numa exploração com elevada incidência de mastites consequentemente índices elevados na contagem de células somáticas (CCS). A mastite representa um dos principais entraves para a produção leiteira, devido às perdas económicas que acarreta, pela diminuição na produção e na qualidade do leite, à elevação dos custos com medicamentos e serviços veterinários, além do refugo precoce de animais Parte deste trabalho visa avaliar as medidas que, até aos dias de hoje, mais provaram serem importantes para a prevenção e controlo de mastites e demonstra como a implementação de algumas dessas medidas foram importantes para a diminuição da prevalência de mastites numa exploração leiteira.
ii Agradecimentos Agradeço a toda a comunidade docente do mestrado integrado em medicina veterinária do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, pelos conhecimentos partilhados ao longo do meu percurso académico. Quero agradecer à Drª. Carla Mendonça por ter aceitado orientar-me ao longo deste período de estágio. Agradeço toda a disponibilidade, paciência, simpatia e amizade. Agradeço aos meus co-orientadores, Dr. Paulo Capêlo e Dr. Juan Vicente Martín por me terem transmitido todos os conhecimentos teóricos e práticos, pela amizade e carinho ao longo destas semanas de estágio. Um muito obrigado também à Drª Natividad Villalobos, pelos conhecimentos transmitidos, disponibilidade, simpatia, carinho e amizade demonstrada durante as oito semanas que estive em Madrid. Um agradecimento especial à minha “família espanhola”, Cristiana e Rubén, porque desde o primeiro dia que cheguei senti-me em casa. Foram sem dúvida o meu suporte durante os dois meses passados no país vizinho. Com vocês partilhei sorrisos, gargalhadas, lágrimas e preocupações. Sei que encontrei dois amigos para a vida. Obrigada por tudo! A todos os meus amigos da faculdade e fora dela, aos presentes e aos mais ausentes fisicamente, aqueles que fizeram a diferença e que deixaram a sua marca na minha vida e no meu coração obrigada por ter o privilégio de poder contar com a vossa amizade. À Joana, Diana, Sandra, Nelma, Maria João, Xana, Cátia, Belinha, Raquel, Ana, Carolina, Carla, Rui, Maga, Sérgio, Zázá, Carla Toste um obrigada especial. Ao Leandro que tem sido o companheiro de todas as horas, que tem sempre as palavras certas, que me apoia e me escuta, foi e é sem dúvida o meu porto de abrigo. Obrigada por seres quem és, sem ti nada seria igual. À minha família pelo apoio incondicional demonstrado ao longo destes anos. Não poderia deixar de dedicar todo este esforço e dedicação à pessoa quem devo tudo isto, à minha Mãe, porque sem ela o meu sonho de ser veterinária não passaria disso mesmo… Obrigada por tornares o meu sonho uma realidade.
iii Índice Resumo i Agradecimentos ii Índice iii Índice de imagens iv Lista de abreviaturas v Introdução 1 1. Programa de Controlo – Qualidade de leite 6 1.1 Mastites 6 1.1.1 Definição 6 1.1.2 Classificação 6 1.1.3 Impacto económico 7 1.2 Programa de controlo de mastites 8 1.2.1 Bases do Controlo Leiteiro 8 1.2.2 Contraste leiteiro 8 1.2.3 Contagem de células somáticas 9 1.2.4 Contagem bacteriológica do tanque 9 1.2.5 Análise de registos 10 1.3 Testes rápidos de deteção de mastites subclínicas 11 1.3.1 Teste Californiano de Mamites (TCM) 11 1.3.2 Condutividade elétrica 11 1.3.3 Indicador de pH 12 1.4 Prevenção de fatores predisponentes 12 1.4.1 Rotina de ordenha 12 1.4.2 Máquina de ordenha 15 1.4.3 Ambiente e bem-estar animal 16 1.4.4 Maneio 17 1.5 Colheita de amostras de leite 17 1.6 Tratamento/Prevenção 18 2. Caso clínico 19 2.1 Objetivos 19 2.2 Material e métodos 19 2.3 Resultados 22 2.4 Discussão 25 2.5 Conclusão 27 Bibliografia 28 Anexo I 30
iv Índice de imagens Imagem 1 – Aplicação do pré-dipping 13 Imagem 2 – Secagem dos teteos com papel 13 Imagem 3 – Aplicação do pós-dipping 14 Imagem 4 – Pavilhão A 20 Imagem 5 – Cubículo com cama de estrume desidratado 20 Imagem 6 – Sala de ordenha circular 20 Imagem 7 – Vacas durante a ordenha 20 Imagem 8 – Ordenhadora a passar um jato de água no úbere da vaca 21
v Lista de Abreviaturas ADN – Ácido desoxirribonucleico BVD – Diarreia Viral Bovina CCS – Contagem de Células Somáticas cm3 - centímetros cúbicos DAD – Deslocamento de Abomaso à Direita DAE – Deslocamento de Abomaso à Esquerda ml – mililitro mm – milímetro NMC – National Mastitis Council OPP – Organização de Produtores Pecuários ppm - pulsações por minuto TCM – Teste Californiano de Mamites UFC – Unidades Formadoras de Colonias
1 Introdução O estágio curricular, com duração de 4 meses, realizou-se em dois locais distintos. No período de 29 de Outubro a 21 de Dezembro de 2012 decorreu no concelho de Barcelos, em clínica e cirurgia de animais de produção, sob a orientação do médico veterinário Dr. Paulo Capêlo. No período de 2 de Janeiro a 27 de Fevereiro de 2013 realizou-se em Madrid na empresa "Trialvet Asesoría e Investigación Veterinaria S.L." sob orientação do médico veterinário Dr. Juan Vicente González Martín, coordenador da empresa e professor titular a tempo parcial da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Complutense de Madrid. Nos 2 primeiros meses de estágio tive oportunidade de desenvolver atividades na área de clínica e cirurgia de espécies pecuárias envolvendo sobretudo gado leiteiro e numa menor quantidade bovinos de carne e suínos. Uma vez que o Dr. Paulo Capêlo também presta serviços à Cooperativa Agrícola de Barcelos, tive ainda a oportunidade de aprofundar os meus conhecimentos na área da sanidade animal. Durante o tempo passado nesta Organização de Produtores Pecuários (OPP), acompanhei a brigada de saneamento do Dr. Paulo Capêlo, onde realizei várias atividades como colheita de sangue em ovinos e caprinos para pesquisa de Brucelose, e desparasitação dos efetivos em geral, em relação aos bovinos realizei provas de intradermotuberculinização, colheita de amostras do tanque de leite para pesquisa de Brucelose, Leucose e Peripneumonia Bovina das vacas em lactação e colheita de sangue das vacas secas e das novilhas (com menos de um ano) para pesquisa das mesmas patologias. A região de Barcelos está a ser pioneira neste novo método para pesquisa das patologias mencionadas. No decorrer do segundo período de estágio tive a oportunidade de participar nas mais variadas atividades da empresa distribuídas em diversas áreas, nomeadamente atividades de clínica e cirurgia; assessoria reprodutiva; qualidade de leite (controlo leiteiro) e consultadoria de maneio às explorações associadas à empresa (26 explorações, 2500 animais no total); recolha de amostras em matadouros para pesquisa de Tuberculose e Brucelose. Tive também a oportunidade de participar num ensaio clínico de mastites (prova internacional) sendo o objetivo desta prova testar uma nova terapêutica para o tratamento de mastites no âmbito do seu registo, lançamento no mercado, comprovação de eficácia e segurança. As atividades desenvolvidas durante as 16 semanas de estágio e a sua casuística são descritas mais detalhadamente nos gráficos e tabelas que se seguem. Os gráficos 1 e 2 representam as áreas de trabalho desenvolvidas ao longo destes 4 meses na região de Barcelos e Madrid respetivamente.
2 Gráfico 1 - Áreas de trabalho no primeiro período de estágio Analisando a casuística do primeiro período de estágio, e como se observa no gráfico 3, verifica-se que, o sistema digestivo é o grupo de patologias mais frequentemente observadas com cerca de 29% dos casos. Dentro deste grupo incluem-se ambos os deslocamentos de abomaso à esquerda e direita (DAE e DAD, respetivamente), enterites, indigestões, acidoses, entre outros. De seguida com 20% temos o grupo de reprodução e obstetrícia, que inclui casos de metrite e infertilidade, torção uterina, realização de partos e cesarianas, retenção placentária, prolapso vaginal e diagnósticos de gestação (ver gráfico 4). E com 18% de incidência temos os problemas respiratórios tratando-se na sua maioria de pneumonias. 83% 11% 6% Clínica e Cirurgia Sanidade Animal Reprodução 30% 52% 1% 4% 8% 5% Assessoramento reprodutivo Clínica e Cirurgia Ensaios Clínicos Matadouro Qualidade de Leite Outros Gráfico 2 - Áreas de trabalho no segundo período de estágio
9 ordenhados). As CCS são apresentadas normalmente sob a forma de milhares de células por ml de leite (Blowey & Edmondson, 1999). 1.2.3 Contagem de células somáticas As células somáticas incluem principalmente leucócitos (neutrófilos, linfócitos, macrófagos) e também células epiteliais da glândula mamária (Suárez et al, 2009). A sua concentração no leite reflete o grau de resposta inflamatória em cada glândula mamária e consequentemente a presença ou ausência de infeção. Hoje em dia a CCS é o principal parâmetro utilizado na definição de qualidade de leite para a indústria (Suárez et al, 2009). Por isso, incentiva-se à produção de leite com certas características, através de um sistema de compensação aos produtores de leite de melhor qualidade e de penalizações para os produtores que produzem leite de menor qualidade (Blowey & Edmondson, 1999). Assim, consegue-se perceber a importância que a manutenção de níveis baixos de células somáticas no tanque de leite tem para o produtor, numa altura em que o sector leiteiro tem margens de lucro estreitas. A CCS pode realizar-se através da colheita de amostras do tanque e do animal individualmente: CCS no leite tanque – reflete o número de infeções intramamárias de todos os animais em lactação. É útil tanto para o diagnóstico de mastites subclínicas e mastites clinicas que não tenham sido detetadas anteriormente. A colheita da amostra deve ser feita depois de uma correta homogezinação do leite do tanque e de forma mais higiénica possível pela parte superior do tanque de leite (Suárez et al, 2009). CCS individual – CCS no leite por vaca é a melhor maneira de identificar animais com mastites subclínicas e crónicas. As amostras devem ser colhidas dos medidores da máquina de ordenha, sendo fundamental que a amostra seja representativa de toda a ordenha do animal (Suárez et al, 2009). 1.2.4 Contagem bacteriológica no leite do tanque Segundo o Regulamento (CE) nº 853/2004, o leite cru de vaca deve conter menos de 100 000 unidades formadoras de colonias (UFC)/ml, parâmetro obtido da média geométrica constatada ao longo de um período de dois meses, com, pelo menos, duas colheitas mensais. As indústrias penalizam o produtor se apresentar valores acima do referido anteriormente e algumas estabelecem um sistema de bónus por entregarem leite com valores inferiores a 50000 ou 25000 UFC/ml de leite. A composição bacteriológica do leite proveniente de úberes saudáveis, é praticamente nula, embora se contamine ao passar pelo canal do teto por bactérias que o colonizam. Em animais com mastite a contagem bacteriológica varia entre 104
10 e 106 UFC/ml (Suárez et al, 2009). Existem quatro causas principais para elevados valores bacteriológicos no leite do tanque, são elas: contaminação ambiental, equipamentos de ordenha sujos, falta de refrigeração do leite e existência de microrganismos das mastites (Blowey & Edmondson, 1999). Este parâmetro, apresenta-se como um marcador higiénico que indica a higiene com que se realiza a ordenha, assim como o estado de manutenção e higiene das instalações e da máquina de ordenha. Casos excecionais, em que a alta contagem bacteriológica se deve ao estado do úbere e não a fatores exteriores, são as explorações com animais infetados por Streptococus agalactiae ou pelo género Prototheca (Suárez et al, 2009). 1.2.5 Análise de registos A presença de registos numa exploração constitui uma peça importante, tanto para o seu funcionamento diário, como para a tomada de decisões de uma forma fundamentada sobre a situação da exploração, face a objetivos definidos. Existem diversos programas informáticos de gestão de explorações, mas exigem tempo e dedicação por parte do produtor para manter os dados sempre atualizados. Ao contrário dos registos manuais que são fáceis de implementar e utilizar. Num programa de qualidade de leite, um bom sistema de registos é aquele que, para cada caso de mastite clínica, identifica a vaca afetada, a data de ocorrência, os dias de lactação, os quartos afetados, os dias de tratamento e qual o protocolo efetuado, os dias em que não se aproveitou o leite devido ao intervalo de segurança, a quantidade de leite descartado e a o agente responsável pelo episódio de mastite (Radostits, 2007) Os testes que devem ser realizados pelos ordenhadores na sala de ordenha para deteção de mastite são: Exame físico - deverá realizar-se com o úbere limpo e imediatamente depois de a vaca ser ordenhada. Examina-se o úbere de forma a identificar quartos individuais que se apresentem duros, edemaciados e vermelhos (consequência de mastite), malformados ou atrofiados com áreas de tecido cicatricial (indicativo de mastite crónica) (Philpot & Nickerson, 2000). Eliminação dos primeiros jatos de leite - enquanto se prepara o úbere para iniciar a ordenha, examinam-se os primeiros jatos de leite que permite a deteção de leite clinicamente anormal com alterações na coloração, presença de grumos, flóculos e aspeto aguadilha. Os grumos e flóculos que se observam são células somáticas, fibrina e outros componentes do sangue que se encontram no(s) quarto(s) afetado(s) para combater a infeção (Philpot & Nickerson, 2000).
11 1.3 Testes rápidos de deteção de mastites subclínicas 1.3.1 Teste Californiano de Mamites (TCM) O teste californiano de mastites (TCM) é um teste indireto que mede a quantidade de ácido desoxirribonucleico (ADN) proveniente de células nucleadas no leite. É o método mais comum e mais utilizado na deteção de mastites subclínicas nas vacarias. O reagente de TCM é um detergente com indicador de pH que, quando misturado com o leite em partes iguais, dissolve as paredes celulares e nucleares dos leucócitos presentes, libertando o material nuclear. O ADN livre forma uma massa gelatinosa que aumenta de consistência proporcionalmente ao número de leucócitos presentes no leite (Mellenberger, 2001).O grau de gelificação formado entre o leite e o reagente pode ler-se subjetivamente, de acordo com a tabela 4 e 5. TCM CCS 0 0 – 200 000 T 150 000 – 500 000 1 400 000 – 1000 000 2 800 000 – 5000 000 3 > 5000 000 Tabela 4 Relação entre o TCM e CCS (Adaptado de Divers & Peek, 2008) Grau Gelificação 0 Nenhuma T Leve 1 Leve a moderada 2 Moderada 3 Severa Tabela 5 Classificação do TCM (Adaptado de Philpot & Nickerson, 2000) As classificações 1, 2 e 3 são considerados casos positivos de mastites. A classificação T é considerada um caso duvidoso. Muitos produtores preferem utilizar o sistema simplificado como o referido na tabela 5 (Divers & Peek, 2008; Philpot & Nickerson, 2000). 1.3.2 Condutividade elétrica Este método de deteção de mastites baseia-se na diferença de concentração de sais entre quartos infetados e não infetados da mesma vaca. Estas alterações refletem-se na alteração da condutividade elétrica do leite. Quando um quarto apresenta uma infeção bacteriana, aumentam os iões de sódio e cloro e diminuem os iões de potássio e a lactose, o pH também aumenta. A corrente elétrica flui mais facilmente através do leite mastítico pelo seu maior conteúdo em iões (Philpot & Nickerson, 2000)
12 1.3.3 Indicador de pH À medida que a mastite evolui, o pH do leite (pH normal varia entre 6.5 e 6.7), vai ficando cada vez mais alcalino, aproximando-se assim do pH do plasma sanguíneo (7.4).Este dado pode servir de indício na deteção de mastites, usando papel indicador de pH (Divers & Peek, 2008). 1.4 Prevenção de fatores predisponentes 1.4.1 Rotina de ordenha A rotina de ordenha é um conjunto de ações realizadas pelos ordenhadores de forma sistemática e repetida no processo de extração do leite, em cada lote de vacas. Esta rotina deve ser previamente estabelecida e perfeitamente protocolizada com o objetivo de assegurar a sua eficiência e conseguir uma ordenha higiénica e de qualidade. Uma rotina eficiente tem uma importância essencial na prevenção de mastites e deve comtemplar: Seguir sempre as mesmas regras de maneio; Procurar ter uma ordenha tranquila em ambiente limpo; Evitar o stress nos animais, uma vez que este provoca a secreção de adrenalina, inibindo desta forma a libertação de ocitocina; Estabelecer uma correta ordem de ordenha, começando sempre pelos animais mais seguros (novilhas saudáveis) e deixando para o fim os de maior risco (vacas afetadas por mastites contagiosas). Podendo estabelecer-se, por exemplo, a seguinte ordem: Recém-paridas, novilhas, vacas de alta produção, de produção baixa, com mamites ambientais e por fim com mamites contagiosas; Dispor do material necessário para a ordenha antes de começar a mesma (luvas, desinfetante, entre outros) para evitar possíveis interrupções durante a ordenha por falta de material; Ordenhador limpo e uso de luvas, que devem ser descartáveis para serem mudadas no final de cada ordenha (Suárez et al, 2009). De seguida é apresentada a importância de cada uma destas alterações na rotina de ordenha. Higiene do ordenhador A higiene do ordenhador pode ser um bom indicador de higiene durante a ordenha. A utilização de luvas descartáveis ou desinfeção periódica (quando não descartáveis) são essenciais para evitar a transmissão de agentes de forma contagiosa durante a ordenha. Mesmo as mãos aparentemente mais limpas têm sulcos onde sobrevivem elevados números de bactérias que facilmente se destacam. As luvas são extremamente úteis quando se intervém nas infeções por Staphylococcus aureus ou Streptococcus agalactiae (Blowey & Edmonson, 1999.)
13 Preparação dos tetos para a ordenha: A limpeza dos tetos tem como objetivo reduzir a contaminação bacteriana do canal do teto, de modo a reduzir a probabilidade de ocorrer uma contaminação intramamária, uma vez que a incidência de novos casos de mastites está correlacionada com o número de agentes patogénicos presentes no teto no momento da ordenha (Radostits et al, 2007). Antes de acoplar as tetinas os tetos devem estar limpos e secos (Blowey & Edmondson, 1999). Eliminação dos primeiros jatos A remoção dos primeiros jatos além de servir para rejeitar o leite que permaneceu no canal do teto entre as ordenhas, serve também para uma deteção precoce de mastites, uma vez que provocam alterações na consistência do leite, e para estimular o reflexo de descida do leite (Reneau, 2001; Divers & Peek, 2008). Pré-dipping É um processo de desinfeção (Imagem 1) feito antes da ordenha e é uma importante medida de controlo da mastite ambiental, uma vez que elimina muitas bactérias, provenientes do ambiente, da superfície dos tetos, evitando que estas penetrem no úbere durante a ordenha Além disso, o pré-dipping também estimula a descida do leite e a velocidade de extração do leite (Smith, 2009) A desinfeção pode ser realizada por imersão ou aspersão. É necessário um tempo de contato de 20 a 30 segundos conforme indique o fabricante do produto para neutralizar os microrganismos. De seguida deve-se certificar que a remoção do produto foi realizada para se evitar contaminação do leite (Philpot & Nickerson, 2000; Schroeder, 2012). O uso correto do pré-dipping pode reduzir em 50% as novas infecções intramamárias causadas por microrganismos ambientais durante a lactação (Philpot & Nickerson, 2000; Schroeder, 2012). Imagem 2 – Secagem dos tetos com papel, 2013, Teresa Patrício. Imagem 1 – Aplicação do pré-dipping, 2013, Teresa Patrício.
14 Secagem dos tetos A utilização de toalhas descartáveis foi amplamente adotada uma vez que ajuda a prevenir a propagação de mastites contagiosas, ajudando a melhorar a qualidade de leite. Embora as toalhas descartáveis sejam caras e difíceis de descartar satisfatoriamente (Philpot & Nickerson, 2000). Alternativamente pode-se utilizar panos individuais desde que estejam limpos e desinfetados e se utilize um para cada animal ou optar pelo papel de uso diário limpo (Suárez et al, 2009; Philpot & Nickerson, 2000). O objetivo principal é assegurar que os tetos estejam limpos e secos antes da colocação das tetinas (Blowey & Edmondson, 1999). Pós-dipping A aplicação do pós-dipping faz parte de uma boa rotina de ordenha. No final da ordenha o teto encontra-se coberto por uma pelicula de leite, um excelente meio de cultura para agentes causadores de mastite. Se não houver uma desinfeção nesta fase, estes agentes facilmente ultrapassam as defesas naturais da glândula mamária, colonizando-a (Bexiga). O pós-dipping é especialmente eficaz no controlo de agentes contagiosos, mas também em menor grau, de agentes ambientais (Divers & Peek, 2008). A utilização de copos para os pós-dipping permite poupar desinfetante e cobrir eficazmente todos os tetos. Idealmente a solução para o pós-dipping deve possuir um desinfetante eficaz em presença de matéria orgânica, ser colorido de forma a podermos avaliar a sua aplicação, possuir um emoliente que permita que a pele se mantenha saudável, ser estável durante o armazenamento e não levar ao aparecimento de resíduos no leite (Blowey & Edmondson, 1999, Bexiga). Imagem 3 – Aplicação do pós-dipping, 2013, Teresa Patrício.
15 Além das medidas que falei anteriormente não nos podemos esquecer da importância de: Colocação das tetinas - deve-se minimizar a entrada de ar na colocação das mesmas para evitar flutuações de pressão a nível da extremidade do teto e deve-se alinhar corretamente a unidade de ordenha (Suárez et al, 2009). Remoção das tetinas - seja ela manual ou automática deve ser feita quando o fluxo de leite é baixo de forma a não ficar demasiado leite no ubere. Não deve ser feita tardiamente porque existe risco de sobreordenha. No caso de remoção manual, deve-se desligar primeiro o vacúo e depois proceder à remoção das tetinas para evitar danos nos tetos e forças de impacto na extremidade destes (Blowey & Edmondson, 1999). No caso de remoção automática deve ajustar-se o fluxo e tempo de remoção segundo as recomendações dadas pelo técnico de qualidade de leite da exploração (Suárez et al, 2009). 1.4.2 Máquina de ordenha A máquina de ordenha deve extrair o leite do úbere da maneira mais rápida possível e causando o menor dano nos tecidos mamários. É de grande importância para a prevenção das mastites, manter íntegros e em bom estado o esfíncter, a pele do teto e o epitélio do canal do teto, uma vez que estes tecidos são uma barreira de proteção frente às infeções. A máquina de ordenha pode ser a causa de transmissão de infeções quando a mesma não se encontra em perfeito estado de manutenção, por isso, devem ter-se em consideração os seguintes aspetos (Suárez et al, 2009): nível de vácuo – de todos os pontos críticos relacionados com a máquina de ordenha que devem ser controlados para a prevenção de mastites, pode dizer-se que o mais importante é a oscilação do nível de vácuo. Estas são do tipo cíclicas, devidas à pulsação da máquina de ordenha e oscilações acíclicas, que se devem a variações no fluxo de leite e ar e que são realmente problemáticas. Por isso, o vácuo deve ser controlado por um técnico de qualidade de leite, mediante a aplicação de testes dinâmicos, durante a ordenha dos animais. pulsação – a abertura e o encerramento das tetinas devem estar corretamente regulados para evitar lesões no tecido mamário. Combina a sucção do leite com a massagem do teto. Isto comprova-se mediante testes estáticos ou dinâmicos da máquina de ordenha. Deve ter-se em conta a que a frequência de pulsação é de 55-60 pulsações por minuto (ppm) (Suárez et al, 2009); tetinas – é a única parte da máquina de ordenha que está em contato direto com o teto, pelo que as características próprias de cada tipo de tetinas assim como a sua manutenção e a sua adequada reposição, são sem dúvida pontos importantes que devem ser controlados na prevenção de mastites. A durabilidade das tetinas oscila em
16 função do material com que são fabricadas: 2500 ordenhas para tetinas de borracha e 5000 para tetinas de silicone (Suárez et al, 2009). tempo de ordenha – deve ser apenas o necessário para que a vaca fique ordenhada sem que se produza uma sobreordenha. Devemos ter em conta que há uma quantidade de leite que deve ficar no úbere a que lhe chamamos leite residual, esta quantidade deve ser de aproximadamente 100 centímetros cúbicos (cm3) por quarto (Suárez et al, 2009). 1.4.3 Ambiente e bem-estar animal Um ambiente limpo, seco e confortável para a vaca é fundamental tanto para o controlo das mastites como para a produção de um leite de qualidade (Suárez et al, 2009; Blowey & Edmondson, 1999). Os fatores que devemos ter em consideração, na prevenção da mastite, relacionados com o bem-estar do animal podem resumir-se em dois grandes pontos: Factores físicos o Cubículos – devem estar dimensionados de forma a permitir a biomecânica natural da vaca ao deitar-se e levantar-se. A sua manutenção deve ser diária. o Cama – deve estar seca limpa e ser de qualidade. o Temperatura – considera-se a vaca como um elemento emissor de calor, cuja a homeotermia depende em grande medida do calor gerado pela fermentação ruminal. Há medida que aumenta a temperatura exterior e a humidade relativa, o gradiente de capacidade de regulação diminui. Por isso, o objetivo é evitar o stress térmico (dispersão dos animais, adoção de posturar estranhas, aglomerado de animais junto aos bebedouros, animais em pé junto a zonas de sombra ou mais frias). o Humidade – encontra-se estritamente relacionada com a temperatura. o Qualidade do ar e ventilação - o desenho da estabulação deve permitir a ventilação natural. Em caso de stress térmico, devem adotar-se sistemas de ventilação mecânica, mediante o uso de ventiladores, ou chuveiros (Suárez et al, 2009; Blowey & Edmondson, 1999). Factores psíquicos – relacionados com a vida rotineira que as vacas necessitam para produzirem leite de maneira ótima. O “tipo de vida” de uma vaca dentro de uma exploração depende em grande medida do nível técnico e cultural dos veterinários, produtores e trabalhadores responsáveis. Desta forma, atitudes de antropocentrismo, que consideram que o melhor para eles, é o melhor para os animais, ou comportamentos antropomórficos que atribuem aos animais os mesmos sentimentos
17 que às pessoas podem gerar situações de stress nas vacas, devendo por isso ser evitados. Outro elemento importante que se deve considerar e que afeta o comportamento dos bovinos é a situação frontolateral da sua visão, estreitamente relacionada com o que a vaca considera a sua “distância de segurança” é de extrema importância na hora de realizar movimentos de aproximação aos animais. O medo, a presença de desconhecidos e a dor são fatores importantes que devem ser corretamente manuseados para evitar situações de stress agudo e desenvolvimento de memórias que condicionem comportamentos posteriores (Suárez e tal, 2009). 1.4.4 Maneio Depois das vacas saírem da sala de ordenha é fundamental que tenham acesso a alimentação e água para que permaneçam em pé durante 20 a 30 minutos enquanto o canal do teto fecha completamente. Se as vacas se deitam imediatamente após a ordenha, os agentes ambientais podem penetrar no úbere e originar uma mastite, uma vez que o canal do teto se encontra aberto (Blowey & Edmondson, 1999). 1.5 Colheita de amostras de leite Frequentemente é necessário identificar os microrganismos que provocam mastite para definir soluções para o problema. A colheita de leite pode ser feita nos quatro quartos em conjunto, mas é preferível fazê-la de quartos individuais, embora as amostras individuais possuam um custo mais elevado. Os resultados dessa cultura são importantes para compreender os problemas específicos do grupo de animais afetado, recomendar tratamentos e decidir o refugo de vacas individuais (Philpot & Nickerson, 2000). A colheita também pode ser feita no tanque. As bactérias presentes no leite do tanque resultam de glândulas mamárias infetadas, das superfícies dos tetos e dos úberes e de variadas fontes do ambiente. A colheita de leite do tanque faz-se principalmente quando queremos identificar agentes contagiosos na exploração, como Staphylococcus. aureus e Streptococcus agalactiae. O número de microrganismos encontrados varia com o número de vacas infetadas, com a produção de leite e com a gravidade da infeção. Estes testes têm uma sensibilidade baixa, mas uma especificidade elevada (Radostits et al., 2007). A colheita de amostras pode também ser feita para realização de antibiograma, permitindo averiguar qual o agente antimicrobiano mais indicado ao tratamento (Philpot & Nickerson, 2000). A colheita das amostras deve ser realizada de modo a reduzir ao máximo a contaminação exterior. Quando se colhem amostras dos quartos afetados, deverão descartar-se os primeiros jatos de leite e a ponta do teto deve ser limpa com algodão e álcool a 70%, o tubo de colheita
18 deve ser estéril e deve ser imediatamente refrigerada. A amostra pode ser refrigerada até 24 horas ou congelada até um mês antes da cultura (Philpot & Nickerson, 2000). É fundamental, o conhecimento dos agentes responsáveis pelas mastites, contagiosos ou ambientais, para se poder desenvolver protocolos terapêuticos e programas de controlo adequados a cada exploração. 1.6 Tratamento/Prevenção A estratégia de tratamento da definição da mastite (clínica ou subclínica), estado de saúde e histórico de mastites do rebanho Se o tratamento for indicado, deve decidir-se qual a via de administração de antimicrobianos (parentérica ou intramamária) a utilizar. Aspetos importantes para o tratamento são: a identificação do animal a ser tratado, registos de achados clínicos e laboratoriais, tratamento instituído e resposta ao mesmo. Deve ainda ter-se em consideração o quarto afetado, data do início da mastite, número de lactações da vaca, data de parto, o agente causal, intervalo de segurança do fármaco a utilizar e nível de produção da vaca (Radostits, 2007). Uma medida importante para a prevenção de mastites passa por um maneio correto e administração de antimicrobianos no início do período seco. O período de secagem dos animais é importante para assegurar a produção de leite em quantidade e qualidade na lactação posterior. Os principais objetivos desta suspensão na produção são eliminar as mastites subclínicas que persistam no úbere, prevenir o aparecimento de mastites clínicas, reduzir o número de células somáticas no leite e a incidência de mastites na lactação seguinte (Radostits, 2007). Se durante esse período de inatividade da glândula mamária colocarmos um antimicrobiano eficaz contra os agentes presentes, conseguimos tratar o animal durante a secagem e assegurar que a próxima lactação tenha uma menor incidência de mastites.
25 Observando o gráfico 7 verifica-se uma diminuição de 97 para 47 casos detetados de mastites clínicas nos meses após a alteração da rotina de ordenha. Observando a tabela 9 temos ainda dados adicionais, podendo ver-se a percentagem de mastites que afetavam um ou mais quartos. Sendo nítida a presença elevada de mastite apenas num quarto em ambos os períodos de tempo (Outubro/Novembro e Janeiro/Fevereiro). Outubro/Novembro Janeiro/Fevereiro Total de mamites clinicas 97 47 Um quarto afetado 88,66% 87,23% Mais de um quarto afetado 11,34% 12,77% Tabela 9 – Total de mamites identificadas pelos ordenhadores 2.4 Discussão A qualidade do leite é um fator decisivo na economia de uma exploração de bovinos leiteiros, a ocorrência de mastites clínicas e subclínicas afeta diretamente a glândula mamária, reduzindo tanto a quantidade como a qualidade do leite (Ruegg,2012). A qualidade e a composição do leite é de extrema importância para o consumidor final, uma vez que os mesmos esperam obter um produto de alta qualidade tanto pelo seu sabor bem como pela sua durabilidade. Desta forma, a indústria exige que se entregue leite com as qualidades físicas, químicas e organoléticas desejadas (Philpot & Nickerson, 2000). As mastites clínicas são de mais fácil diagnostico, uma vez que se caracterizam por sinais visíveis de inflamação, aumento de volume e da temperatura do(s) quarto(s) afetado, dor, rubor e mudanças na aparência macroscópica do leite (Smith, 2009). Já nas mastites subclínicas, não são observáveis alterações no úbere e, na maioria dos casos, nem no leite, sendo estes casos diagnosticados recorrendo a métodos indiretos, como TCM (Radostits et al,2007 & Blowey & Edmondson, 1999). Hoje em dia a CCS é um bom indicador da saúde do úbere e da qualidade higiénica sanitária do leite produzido (Suárez et al, 2009). Por isso, as empresas de lacticínios estabelecem um limite para a CCS (400 000 células somáticas), acima do qual o produtor será penalizado no preço do leite. O incentivo à produção de leite com certas características, é feito através de um sistema de compensação aos produtores de leite de melhor qualidade (Blowey & Edmondson, 1999).
26 A rentabilidade de uma exploração leiteira passa por maximizar a produção de leite, obter um leite de elevada qualidade e pela redução das perdas e custos associados às mastites. Percebe-se então, a importância dos programas de controlo de qualidade de leite, que devem ser uma ferramenta de trabalho para a obtenção destes objetivos. A CCS permite-nos avaliar a saúde do úbere (presença de mastite) e permite implementar medidas corretivas. A exploração em estudo é um perfeito exemplo disso, uma vez que os serviços da empresa Trialvet foram solicitados com o objetivo de reduzir a CCS no leite e desta forma evitar as penalizações no preço do leite e reduzir custos e perdas associados. Inicialmente (Outubro de 2012) o valor da CCS era de 1498.61×103 células/ml, tendo o mesmo diminuído consideravelmente para 471.54×103 células/ml no mês de Fevereiro de 2013. Tendo sido o objetivo alcançado com a implementação de medidas corretivas na prática de ordenha que não implicaram um investimento dispendioso do proprietário da exploração. Os resultados (tabela 7) revelam uma diminuição importante do número de mastites subclínicas, expressa pela CCS, percebendo-se o quão importante é o uso do pré-dipping, a higiene adequada dos ordenhadores, a eliminação dos primeiros jatos e a secagem com papel descartável dos tetos dos animais, estas simples medidas tiveram impacto ao nível da média de produção de leite bem como da incidência de mastites clínicas e subclínicas. Os animais com o intervalo de CCS entre as 800 000 e mais de 1500 000 células foram os grupos que registaram uma maior redução da CCS; nas vacas com CCS entre as 200 000 e 600 000 células, a redução não se verificou ou foi ligeira, o que pode ser indicador de presença de mastites crónicas nestes animais. Portanto, seria necessário a implementação de outras medidas de controlo para que este grupo de animais contribuísse para redução de CCS, nomeadamente a eliminação desses animais como é referido no plano de 10 pontos do NMC (Radostits, 2007). É também observável o aumento da produção leiteira, traduzida pelas médias apresentadas na Tabela 8 e Gráfico 6. Observa-se uma melhoria de 17.24% nas primíparas em geral e 20% nas multíparas e 20.93% nas multíparas paridas há menos de 120 dias. Verificamos também uma redução significativa do número de mastites clínicas (gráfico 7). Na tabela 9 verificamos um aumento de 11,34% para 12,77% referentes à incidência de mastites em mais de um quarto, que pode dever-se à subjetividade de deteção dos ordenhadores, ou devido ao facto da observação das mesmas serem realizadas no final ordenha. Desta forma, o diagnóstico das mastites clinicas realizado pelos ordenhadores poderá ainda ser melhorado, na medida em que a identificação deverá ser realizada no início da ordenha, conjuntamente com TCM.
27 2.5 Conclusão Com avaliação destes dados posso concluir que houve uma melhoria significativa após se ter implementado este protocolo de prevenção e controlo de mastites que teve como base: mudanças de práticas de ordenha e controlo mensal de CCS das vacas recém-paridas há menos de 120 dias, tendo este número diminuído progressivamente ao longo dos meses o que traduz uma diminuição de incidência de mamites subclínicas e clínicas na exploração. É visível o aumento da produção leiteira, traduzida pelas médias apresentadas anteriormente bem como a diminuição da contagem de células somáticas e diminuição da deteção de mamites clinicas. Consegue-se perceber que houve uma melhoria global na exploração, não só as vacas recém-paridas (das quais obtivemos os dados da CCS) foram beneficiadas com o protocolo adotado, mas também as restantes vacas, isto pode-se verificar pela deteção de mamites realizada pelos ordenhadores a todas as vacas em lactação, que diminuiu consideravelmente. Estas mudanças na rotina foram uma primeira abordagem ao controlo e prevenção de mastites na exploração, uma vez que protocolo continua a decorrer com perspetiva de se introduzir novas metas para se obter melhores resultados. Penso que seria conveniente realizar-se cultura bacteriológica do leite para identificar o agente causal das mastites e desta forma definir-se o protocolo terapêutico adequado a implementar. A identificação do agente e implementação de um protocolo terapêutico adequado (mediante o antibiograma dos animais afetados) permitirão obter resultados cada vez melhores em termos de controlo de células somáticas e por conseguinte elevada qualidade de leite.
28 Bibliografia Bexiga R, Saúde do Úbere - Investigação de Problemas de Contagem de Células Somáticas Elevadas, Pfizer Saúde Animal, 21. Blowey R, Edmonson, P (1999) Control de la mastitis en granjas de vacuno de leche, 1ªEd Editorial Acribia, S.A. Divers TJ, Peek AF (2008) “Diseases of Body Systems” in Rebhun’s Diseases of dairy cattle, 2ªEd, Elsevier, 358,378-386. Mellenberger, R. (2001) California Mastitis Test (CMT), an invaluable tool for managing mastitis; Dept of Animal Sciences, Michigan State University. Portaria nº1066/91 de 22 de Outubro. Diário da República 243/91, Série I-B, acedido no dia 13 de Março de 2013, disponível em: http://www.dre.pt/pdf1s/1991/10/243B00/54645466.pdf. Philpot WN, Nickerson SC (2000) ”Formas y prevalência de la mastitis”, “Detección de la presencia de mastitis”, “Procedimientos recomendaos para el ordeño” in Ganado la lucha contra la mastitis, Westfalia Surge, Inc, 6-8, 38-43, 74-76. Radostits OM, Gay CC, Hinchcliff KW, Constable PD (2007) Veterinary Medicine, A textbook of the diseases of cattle, horses, sheep, pigs and goats. 10th edition, Saunders Elsevier Company, 685,688,689,728-748. Regulamento (CE) Nº 853/2004 DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO de 29 de Abril de 2004, acedido no dia 13 de Março de 2013, disponível em: http://www.ipma.pt/export/sites/ipma/bin/docs/institucionais/regul.853.2004.pdf Reneau, J.K. (2001) Prepping Cows: Who Needs It? in NMC-PDPW Milk Quality Conference Proceedings. Roberson JR (2012), “Treatment of Clinical Mastitis” in DVM, Veterinary Clinics of North America: Food Animal Practice, Volume 28, 271–288. Ruegg PL (2012), “New Perspectives in Under Health Management” in Veterinary Clinics of North America: Food Animal Practice, Volume 28, 150-160 Seegers H, Fourichon C, Beaudeau F (2003), “Production effects related to mastitis and mastitis economics in dairy cattle herds” in Veterinary Research, 34, 475-491
29 Schroeder JW (2012) “Bovine Mastitis and Milking Management” in Mastitis Control Programs acedido no dia 13 de Março de 2013, disponível em: http://www.ag.ndsu.edu/pubs/ansci/dairy/as1129.pdf Smith BP (2009) “Mammary Gland Health and Disorders” in Large Animal Internal Medicine, 4ª Ed, Mosby Elsevier, 1112-1138. Suárez JMA, Emeterio EAS, Loirat EB. Baeza CC, López MC, Laffite JD, Partida LE, Solís MH, Mateo DH, Morales PL, Vásquez JLM, Cardador EM, Sansano CN, Fernández AP, Morcuende RT (2009) “Calidade higiénico-sanitaria” in Guía de orientación al diagnostic, Intervet/Schering-Plough,13-14, 20-25.
30 ANEXO I Questionário realizado ao proprietário da exploração 1.- Rastreabilidade dos animais e do leite Identificação da exploração: Sim Não 1. A exploração está identificada e registada de acordo com a legislação vigente. Identificação dos animais: 2. Cada animal está identificado individualmente segundo a legislação vigente. 3. O proprietário mantém atualizado o livro de registo da exploração, comunicando todos os movimentos dos animais à autoridade competente dentro do prazo estabelecido pela legislação vigente. 2.- Alimentação e água para os animais Produção de alimentos: 4. Adotam-se as medidas necessárias para assegurar que os alimentos produzidos na exploração sejam de qualidade adequada 5. Realizam-se análises dos alimentos produzidos na exploração. Compra de alimentos: 6. Compram rações apenas a fabricantes registados. 7. Verificam os rótulos dos alimentos comprados, comprovando que são rações para ruminantes e que não contém substâncias ou produtos não autorizados. 8. Realizam-se análises dos alimentos comprados Armazenamento de alimentos: 9. Os alimentos não são armazenados com produtos tóxicos. 10. Procede-se à limpeza com frequência adequada aos armazéns dos alimentos. 11. Comprova-se com frequência adequada a ausência de pragas. 12. Protegem-se os locais de armazenamento dos alimentos de pragas, aplicando se necessário, um plano de controlo. Fornecimento de alimentos: 13. A qualidade e quantidade dos alimentos fornecidos são adequadas às necessidades fisiológicas dos animais. 14. Fornecem-se alimentos em perfeito estado de conservação. 15. Fornecem-se alimentos sem substâncias ou produtos não autorizados aos animais. 16. Manuseiam-se os alimentos de forma correta com maquinaria e utensílios adequados. 17. Limpam-se os comedouros para que permaneçam em boas condições de higiene. Água 18. A exploração dispõe de um sistema de abastecimento de água limpa para os animais, mantendo os valores de concentração de coliformes e E.coli abaixo dos limites legais estabelecidos. 19. Os animais têm fácil acesso á água. 20. Limpam-se os bebedouros para que permaneçam em boas condições de higiene. 3.- Estado sanitário dos animais 21. A exploração cumpre com o programa nacional de erradicação de doenças.
31 22. Para cada movimentação os animais devem ser acompanhados por uma guia sanitária. 23. Vigia-se regularmente o estado de saúde dos animais e o aspeto geral dos animais (exemplo: diarreias, úberes) 24. Dispõem-se de zona apropriada de isolamento, para animais doentes ou feridos. 25. A exploração é revisada por um veterinário pelo menos una vez ao ano com o intuito de avaliar o estado sanitário do gado. 26. A exploração possui programa sanitário (datas de vacinação…) 27. A exploração dispõe de plano de diagnóstico e controlo de mastites. 28. A exploração dispõe de meios adequados para a limpeza e desinfeção, utilizando produtos autorizados. 29. Armazenam-se os produtos de limpeza e desinfeção num lugar seguro. 30. Cumprem-se programas de vigilância e controlo de zoonoses. 4.- Medicamentos e tratamentos dos animais Armazenamento dos medicamentos 31. Os medicamentos estão guardados em local seguro y adequado. 32. Armazenam-se separadamente os medicamentos que são permitidos para vacas em lactação dos que não são. 33. O acesso aos medicamentos esta limitado aos trabalhadores com formação, qualificação e/ou experiência adequada. Tratamento dos animais 34. Identificam-se os animais em tratamento com um método apropriado e seguro. 35. Respeita-se o intervalo de segurança dos medicamentos. 36. Quando é necessário separa-se o leite dos animais em tratamento por um sistema de ordenha adaptado. 37. Tratam-se os animais doentes administrando-lhes o tratamento adequado e utilizando medicamentos quando é necessário. 38. Utilizam-se apenas medicamentos autorizados e prescritos por um veterinário. 39. O livro oficial de registos de medicamentos encontra-se atualizado com as datas e intervalos de segurança. 5.- Ordenha, armazenamento e qualidade de leite Abastecimento de água potável 40. O sistema de abastecimento de água é completamente seguro para impedir la contaminação de água. 41. Se garante o abastecimento de água quente em quantidade e temperatura suficientes. Local de ordenha 42. O local de ordenha está separado de fontes de contaminação como rede de esgotos. 43. O chão e as paredes são fáceis de limpar e desinfetar. 44. O chão facilita a evacuação de líquidos, existe um sistema de drenagem. 45. Os sistemas de iluminação e ventilação são satisfatórios. 46. O local de ordenha mantem-se limpo, ausente de produtos químico, medicamentos ou resíduos perigosos.
32 47. Se tomam as medidas apropriadas para evitar a introdução e a presença de animais não desejados e pragas. Materiais, equipamentos de ordenha e de refrigeração do leite Equipamentos de ordenha 48. As superfícies dos equipamentos em contacto com o leite, são de fácil lavagem (Materiais lisos, laváveis e não tóxicos) 49. Para todas as operações de limpeza de equipamentos de ordenha e materiais de contacto de leite utiliza-se água de consumo humano 50. O processo de limpeza realiza-se segundo as recomendações do fabricante da máquina 51. Utilizam-se produtos de limpeza y desinfeção reconhecidos, autorizados e corretamente rotulados 52. Arquivam-se todas as fichas técnicas e de segurança dos produtos de limpeza e desinfeção utilizados 53. Procede-se à limpeza e desinfeção dos recipientes e materiais que se encontram em contacto com o leite, depois de cada ordenha, mantendo-se adequadamente protegidos até à próxima utilização 54. Os equipamentos de ordenha mantém-se em bom estado de utilização, renovando as peças que sofrem deterioração (tetinas…) segundo as indicações do fabricante conservando faturas. 55. Pelo menos uma vez ao ano, um técnico autorizado realiza uma revisão completa de equipamentos de ordenha e refrigeração. Equipamentos de refrigeração 56. O equipamento de armazenamento de leite e o sistema de medição de temperatura estão em correto funcionamento. 57. Realiza-se a limpeza desinfeção do tanque após de cada colheita de leite ou pelo menos a cada 48 horas. Ordenhadores 58. O pessoal dispõe de formação adequada . 59. As pessoas com doenças contagiosas não ordenham. 60. As pessoas com feridas abertas não ordenham. 61. A roupa de ordenha é adequada e limpa. 62. Ordenhador lava as mãos e braços com água potável antes de cada ordenha e cada vez que seja necessário durante o processo. 63. O ordenhador tem hábitos e atitudes adequados Rotina de ordenha 64. Realiza-se cada ordena com cuidado e sem traumas para a vaca. 65. Realiza-se a limpeza dos tetos antes da ordenha. 66. Observam-se e palpa-se o úbere para detetar possíveis sinais de mastite (fazem isto mas no final da ordenha 67. Eliminam os primeiros jatos de leite. 68. Colocam as tetinas com precaução e realiza-se a ordenha de forma rápida e completa, evitando a “sobreordenha” (Possuem retiradores automáticos)
33 69. Desinfetam-se os tetos após a ordenha com desinfetantes autorizados, seguros e efetivos. Qualidade de leite 70. Mensalmente se colhem pelo menos duas amostras de leite para sua análise. 71. A concentração de microrganismos como media bimensal se manteve-se abaixo dos parâmetros exigidos . 72. A concentração de células somáticas calculada como media bimensal se manteve-se abaixo dos parâmetros exigidos. 73. Ausência de resíduos antibióticos durante o último ano. 6.- Meio ambiente 74. Os produtos de limpeza e desinfeção encontram-se em lugar seguro e isolado. 75. Os produtos de saúde animal são armazenados em local seguro e isolado e mantém o rótulo. 76. Se canalizam e manuseiam adequadamente os resíduos líquidos para evitar uma contaminação da água. Recipientes vazios e produtos caducados 77. Colocam-se os recipientes vazios e produtos caducados em lugar seguro 78. Se realiza gestão adequada de produtos caducados e recipientes vazios Imagem da exploração 79. Instalações limpas e acessíveis a todo tipo de veículos. 7.- Bem-estar animal Alojamento de animais 80. Os materiais utilizados para la construção e manutenção dos locais de alojamento são os adequados para os animais. 81. Os animais dispõem de espaços apropriados para permitir mover-se y relacionar-se de acordo com as suas necessidades fisiológicas. 82. As instalações mantêm-se limpas e corretamente ventiladas e iluminadas (Sim, salvo os parques onde não existem cubículos). 83. Os animais que se encontram ao ar livre dispõem de abrigos. 84. Dispõem de zona de partos para as vacas e uma zona para isolar os animais doentes. Maneio dos animais 85. Aplicam-se procedimentos corretos para evitar perigos durante o maneio dos animais. 86. Os animais encontram-se limpos e em boas condições. 8.- Pessoal da exploração e agentes externos 87. O pessoal tem formação, qualificação/experiência relativamente às atividades que desempenha na exploração. 88. O pessoal é suficiente para suprir as necessidades da exploração. 89. As pessoas que têm contacto com os animais e com o leite encontram-se em boas condições de saúde e respeitam as normas de maneio.