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Da prostituição de apartamento na cidade de Lisboa: características e significados

Alexandra Oliveira

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Da p os i uição de apa amen o na cidade de Lisboa: Ca ac e ís icas e signi icados Alexand a Oli ei a - 2013 - Tí ulo: Da p os i uição de apa amen o na cidade de Lisboa: Ca ac e ís icas e signi icados (Rela ó io de in es igação). Au o a: Alexand a Oli ei a (Uni e sidade do Po o, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação) Colabo ado de in es igação: Júlio Es e es Equipa de e eno: Júlio Es e es, Alexand a Oli ei a Apoio no a amen o dos dados: An ónia Soa es, Ma alda Mo a En idade p omo o a: GAT – G upo Po uguês de A i is as sob e T a amen os de VIH/SIDA – Ped o San os Fo og a ia da capa: Alexand a Oli ei a Po o, no emb o de 2013. __________________________________________________________________________ Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Uni e sidade do Po o Rua Al edo Allen 4200-135 Po o PORTUGAL h p://www. pce.up.p Lis a de siglas GAT - G upo Po uguês de A i is as sob e T a amen os de VIH/SIDA – Ped o San os HSH – Homens que êm sexo com homens IST – In eção sexualmen e ansmissí el ONG – O ganização não-go e namen al M F – Male o emale ( ansexuais com iden idade de géne o eminina) SIDA – Sínd ome da imunode iciência adqui ida SNS – Se iço Nacional de Saúde TS – T abalhado /a/es/as do sexo UP-FPCE - Uni e sidade do Po o - Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação VIH – Ví us da imunode iciência humana Índice 1. In odução 01 2. Enquad amen o 07 a. A in e enção jun o de HSH e abalhado es/as do sexo 07 b. O p oje o HOSHO 09 3. Me odologia 12 a. Obje o e obje i os 12 b. Mé odos e ins umen os 12 c. P ocedimen os 15 d. Amos a 16 4. Ap esen ação e discussão dos esul ados 22 a. Es udo quan i a i o 22 i. Designação da a i idade e mo i os 22 ii. Ou as on es de endimen o e ho as de abalho 25 iii. Ca ac e ís icas da a i idade sexual come cial e da ida dos/as abalhado es/as do sexo 27 i . Aspe os ela i os à saúde 36 . Aspe os posi i os e nega i os do sexo come cial e compa ação com ou as a i idades p o issionais 43 i. Aspe os não elacionados com o abalho sexual 45 b. Es udo quali a i o com homens e ansexuais 50 i. Ca ac e ís icas sociodemog á icas e de abalho 50 ii. T aje ó ias e signi icados 52 iii. Relações com os/as clien es 58 i . Exigências e compe ências p o issionais 60 . Relações a e i as 62 i. Saúde, iscos e iolência 63 ii. Pe ceções sob e os p oje os e écnicos de edução de iscos 65 Conclusões e no as inais 67 Re e ências bibliog á icas 71 1 1. In odução A in es igação sob e p os i uição e e início em meados do século XIX, quando a p eocupação com a sí ilis eio chama a a enção pa a as p os i u as, en ão conside adas um e o impo an e da doença. À época, an o em Po ugal como no es angei o, os médicos higienis as aziam desc ições das mulhe es p os i u as, achando que podiam, assim, pe cebe as causas da sua a i idade e a a a disseminação do í us si ilí ico. Da p os i uição na cidade de Lisboa é um li o de 1841, da au o ia de F ancisco Ignácio dos San os C uz (1841), médico ao se iço do Conselho de Saúde Pública do Reino, a quem é encomendado um es udo sob e a p opagação da sí ilis en e as p os i u as, naquela que julgamos se a p imei a pesquisa sob e p os i uição em Po ugal (Oli ei a, 2004, 2011). De en ão pa a cá, o conhecimen o cien í ico sob e a p os i uição e oluiu e, hoje, ao in és do passado, já não se p ocu am as di e enças isiológicas, compo amen ais e sociais que possam dis ingui es as mulhe es das ou as, nem se conside am as p os i u as como um dos meios in luen es no inc emen o e p opagação da doença (C uz, 1841). Pelo con á io, nos anos mais ecen es, a in es igação em mos ado que as axas de in eção pelo VIH nos/as TS na Eu opa são comummen e semelhan es às da população ge al, à exceção de alguns g upos especí icos, como o dos consumido es de d ogas po ia endo enosa, o dos HSH 1 e o dos imig an es o iundos de países onde as axas de p e alência de VIH são mui o ele adas (Ga ney, Velce sky, Phoenix & Schi e , 2008). Ainda mais, em sido acen uado o papel dos/as TS como educado es sexuais, o que az deles aliados da educação pa a a saúde e da lu a con a o VIH/SIDA e ou as IST, e não eículos da doença (Pa sons, Koken & Bimbi, 2004). Dos p imó dios da in es igação sob e a p os i uição a é hoje, as di e enças no am-se ainda ao ní el do obje o. De in es igações ocadas em mulhe es p os i u as de ua p og ediu-se pa a o es udo de ou os a o es, p á icas e con ex os. Assim, a ualmen e p ocu am conhece -se a o es como os 1 De aco do com um olhe o edi ado pelo p oje o HOSHO do GAT, a exp essão homens que êm sexo com homens ab ange as pessoas do sexo masculino que não se conside am homossexuais mas que êm elações sexuais com ou os homens (GAT, s/ da a). 2 homens e as ansgéne os, p á icas como o al e ne, o s ip ease ou o desempenho da po nog a ia e con ex os como os de apa amen o, de ba , de saunas ou de casas de massagem. Es a endência, po ém, não impede que a comunidade cien í ica con inue ainda, la gamen e, cen ada na p os i uição de ua, apesa de exis i em e idências de que es a é mino i á ia ela i amen e à que se p a ica em ou os locais - 10 a 30% de aco do com os es udos ci ados po Wei ze (2005). Em Po ugal, o es udo da p os i uição e de ou as o mas de abalho sexual não se encon a mui o desen ol ido, des acando-se, aqui, os nossos p óp ios abalhos sob e p os i uição de ua, sob e udo p a icada po mulhe es (Mani a & Oli ei a, 2002; Oli ei a, 2008), mas ambém sob e abalho sexual de in e io , especi icamen e p os i uição, al e ne e s ip ease (Oli ei a, 2004). Salien a-se ambém a ap o undada in es igação de Ribei o, Sil a, Schou en, Ribei o e Sac amen o (2008) sob e a p os i uição eminina p a icada em clubes em egiões de on ei a do No e de Po ugal e ou as in es igações, como a de Coelho sob e as acompanhan es de luxo (e.g. Coelho, 2009) ou a de Al im sob e á ico humano e abalho sexual (Al im, 2013) 2 . De e e i ainda, mais ecen emen e, o es udo le ado a cabo po Dias e al. (2011), sob e a in eção do VIH/SIDA em HSH e TS. Es a in es igação, com uma amos a de 1040 sujei os, an o de ua, como de in e io , de di e en es zonas do país, embo a cen ada nas ques ões do VIH/SIDA, dá um e a o ele an e sob e as pessoas que p es am se iços sexuais em Po ugal. Sabemos, assim, que exis em algumas á eas que são lacuna es ou ela i amen e às quais a in es igação é escassa, como é caso do abalho sexual de apa amen o ou daquele que é p a icado po homens e po ansgéne os. Conhecemos ambém que o me cado do abalho sexual em so ido g andes mudanças, algumas delas deco en es da eme gência das no as ecnologias de in o mação (Be ns ein, 2007) que pe mi em ou as o mas de o ganização e publici ação do comé cio do sexo. A In e ne é hoje uma 2 De e e i ainda a exis ência de algumas eses de mes ado já concluídas sob e es e ema (e.g. Sil a, 2001; Cou o, 2009; Cou inho, 2012; Fe ei a, 2012; Ba oso, 2013) e o abalho de Ramalho (2012) sob e as pessoas ansgéne o na p os i uição de ua, mui o embo a es e se encon e em cu so. 3 pode osa e amen a de abalho pa a mui os/as p o issionais do sexo que aí anunciam os seus se iços e con ac am com os seus clien es. A mig ação e a mobilidade cons i uem ou as das ca ac e ís icas a uais do abalho sexual. P esen emen e, em Po ugal, como no es o da Eu opa, a pe cen agem de es angei os/as no sexo come cial é mui o ele ada. Dados de 2008 do p og ama TAMPEP (2009a) indicam que 56% dos abalhado es do sexo em Po ugal são imig an es. Es as mudanças implicam no as con igu ações do abalho sexual que não es ão ainda adequadamen e es udadas. Assim, in es iga o abalho sexual de in e io , especi icamen e de apa amen o, incluindo homens, mulhe es e ansgéne os, aba cando uma g ande pe cen agem de imig an es, pa ece-nos de uma eno me impo ância cien í ica e social. Ac esce, ainda, a a ualidade e a ele ância de con ibui pa a desocul a no as o mas de o ganização do comé cio do sexo que se associam ao uso das no as ecnologias de in o mação. Po udo is o, o con i e do GAT pa a a ealização de uma in es igação com população que p es a se iços sexuais em con ex os indoo su giu como uma opo unidade e iden e de comp eende melho uma pa e impo an e da ealidade do abalho sexual de hoje. O p esen e ela ó io dá con a, assim, de uma in es igação le ada a cabo pela Uni e sidade do Po o, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, em pa ce ia com o p oje o HOSHO do GAT, sob e abalhado es/as do sexo de apa amen o na cidade de Lisboa. O p oje o HOSHO, já e minado, e e como inalidade a p e enção da in eção VIH/SIDA en e HSH, in e indo jun o de pessoas que p a icam sexo come cial em apa amen os, maio i a iamen e na cidade de Lisboa. An e endo a conclusão do p oje o e p e endendo o na ú il, an o o conjun o de conhecimen os adqui idos pela p á ica, como a in eg ação no e eno da p os i uição de apa amen o, bem ainda como a coleção e disseminação de dados de uma população e de con ex os ainda quase nada es udados, o HOSHO/GAT solici ou a colabo ação da UP - FPCE no sen ido de elabo a um es udo de ca ac e ização da população ab angida pela sua in e enção. Es a in es igação pa e, en ão, de uma solici ação e ec uada po es e p oje o pa a que se p oduzisse conhecimen o cien í ico a pa i de um abalho de e eno bas an e consolidado com HSH e TS. 4 Des e modo, o obje i o oi o de ca ac e iza a população ab angida pelo p oje o que, na al u a da ecolha de dados, se compunha, não apenas de HSH, mas de TS masculinos, emininos e ansgéne o. O es udo p e endeu conhece as pessoas que azem abalho sexual de apa amen o nas suas ca ac e ís icas sócio demog á icas e em aspe os ela i os à sua saúde, bem como as ca ac e ís icas e as condições de exe cício da sua a i idade. Além des as, p e endeu-se ainda da con ibu os pa a a comp eensão dos signi icados, das aje ó ias e das mo i ações associadas ao sexo come cial, dos compo amen os de isco e dos en a es à adoção de p á icas p e en i as, an o nas suas elações p i adas como come ciais, das elações com companhei os a e i os e clien es e dos p oblemas que en en am ao ní el da saúde, segu ança e bem-es a psicológico e social. Assim, es e p oje o oi desenhado com duas componen es: 1) Uma componen e quan i a i a ei a com ecu so a um ques ioná io e que ab angeu homens, mulhe es e ansgéne os; 2) Uma componen e quali a i a ealizada a pa i de en e is as, a homens e ansexuais TS, e de obse ações em con ex o. Temos, des e modo, uma in es igação com me odologia mis a. Em ambos os casos, os ins umen os de ecolha de dados o am especi icamen e concebidos pa a es a in es igação. É de odo o abalho de con ex ualização, conceção me odológica e de análise de dados que da emos con a nes e ela ó io, no que julgamos se um con ibu o impo an e pa a o es udo das p á icas e dos a o es do sexo come cial em Po ugal e que pode, designadamen e, da con ibu os impo an es pa a o planeamen o de no as in e enções jun o des a população. A pe inência de al, p ende-se, como já e e imos, com a exis ência de lacunas no es udo do comé cio do sexo, pois a p os i uição que se p a ica em apa amen os es á p a icamen e po es uda en e nós. Além do mais, as poucas in es igações exis en es cen am-se sob e udo na p os i uição eminina, pelo que, se há a o es do abalho sexual po es uda en e nós são os do sexo masculino, uma pa e signi ica i a da nossa amos a. Po es as azões pa eceu-nos de eno me impo ância esponde ao desa io colocado 11 Des a o ma, a população ab angida oi aumen ando e o p oje o ala gou o seu âmbi o e população al o. No en an o, o mé odo inicial de con ac o com no os u en es man e e-se ao longo de odo o p oje o, endo-se mos ado mais e icaz na cap ação de u en es do que o mé odo em cadeia. É pelo ecu so àquele mé odo de ec u amen o de no os u en es, a e e enciação, que a população ab angida, inicialmen e apenas compos a po homens e ansexuais M F, passa a inclui ambém mulhe es biológicas. Além do mais, embo a o obje i o inicial do p oje o osse que es e se di igisse a HSH, a população do p oje o eio a cons i ui -se como sendo, na sua o alidade, compos a po TS. 12 3. Me odologia a) Obje o e obje i os O obje o de es udo des a pesquisa é a população de TS de apa amen o ab angida pelo p oje o HOSHO, em Lisboa, e que inclui homens, ansgéne o e mulhe es. Os obje i os da in es igação o am os seguin es: 1. Ca ac e iza os TS no que espei a a: 1.1. Ca ac e ís icas sociodemog á icas; 1.2. Ca ac e ís icas e condições de exe cício da a i idade; 1.3. P á icas de saúde, especi icamen e as p á icas p e en i as. 2. Comp eende : 2.1. Os signi icados, as mo i ações e as expe iências associadas ao sexo come cial; 2.2. Os compo amen os de isco e os en a es à adoção de p á icas p e en i as, an o nas suas elações p i adas como come ciais; 2.3. Comp eende os p oblemas que en en am, ao ní el da saúde, segu ança e bem-es a psicológico e social; 2.4. Conhece como ep esen am os clien es e as elações que man êm com eles; 2.5. Conhece as ep esen ações sob e os p oje os de edução de iscos; 2.6. Conhece ou os aspe os das idas dos TS que não se elacionam com o comé cio do sexo. b) Mé odos e ins umen os Pa a a ingi mos es es obje i os u ilizámos uma me odologia mis a com ecu so a mé odos quali a i os e quan i a i os e aplicámos alguns p incípios das me odologias pa icipa i as. Assim, eco emos a um conjun o de ins umen os de ecolha de dados, a sabe : a en e is a, o ques ioná io e a 13 obse ação. O p opósi o des a me odologia compósi a oi o da possibilidade de ob e dados de di e en es na u ezas e de os pode a icula de o ma a ob e uma desc ição mais ica e ap o undada. A en e is a e a semi-es u u ada e cen ou-se em ês emas, a sabe : 1) As ca ac e ís icas e signi icados do sexo come cial pa a o/a abalhado /a do sexo. Que dize , in e essa a-nos sabe quais as pa icula idades e condições de exe cício da a i idade, nomeadamen e no que conce ne às ques ões elacionadas com o isolamen o e/ou a in eg ação, a au onomia e/ou dependência e a iolência. P e endíamos ainda comp eende qual o signi icado do sexo come cial pa a os seus a o es e o posicionamen o sob e essa a i idade. 2) Ques ões elacionadas com a saúde, os compo amen os de isco e as p á icas p e en i as, an o nas suas elações p i adas, como come ciais. 3) Relacionamen os a e i os e come ciais, is o é, as elações com pa cei os amo osos e com clien es, designadamen e o ní el do impac o que as elações com companhei os e clien es êm nos abalhado es do sexo e no seu abalho e do impac o que o pode e os a e os das elações com companhei os e clien es êm na adoção de compo amen os p e en i os ace ao VIH/SIDA e ou as IST. Quan o ao ques ioná io oi compos o po 45 pe gun as, sendo 14 pe gun as echadas, 17 abe as e 14 semiabe as. Es e ins umen o es á di idido em cinco pa es: uma ela i a à ca ac e ização sociodemog á ica, uma dizendo espei o à ca ac e ização do sexo come cial, uma ocada em ques ões ela i as à saúde, ou a elacionada com o supo e amilia e social e um úl imo g upo de ques ões ela i as ao posicionamen o ace ao sexo come cial. A obse ação deco eu da adminis ação dos ques ioná ios e da ealização de en e is as no e eno. Embo a a maio pa e dos ques ioná ios enha sido aplicada pelo mediado cul u al do p oje o, uma pa e des es, al como a condução das en e is as, o am ealizados po nós, o que nos pe mi iu e e ua uma obse ação não pa icipada com es a u o o e . Es a in es igação e e ainda algumas pa icula idades pa icipa i as que passamos a explica . A pala a pa icipação em indo a se usada eco en emen e, embo a o seu con eúdo seja po ezes mal delimi ado, ago e imp eciso, sendo ainda usado indisc iminadamen e e de o ma mui o la a 14 (Oli ei a & Mo a, 2012). Uma das c í icas que êm sido ei as ao uso des e e mo é a ausência de uma especi icação p ecisa, o iginando o isco de que ele não seja mais do que um ja gão que se e pa a legi ima qualque e odo o p oje o de desen ol imen o comuni á io (Kelly & Van Vlaende en, 1995). No caso da p esen e in es igação, não se pode dize que a pa icipação se e i a à pa icipação a i a dos TS e à conside ação do seu sabe in e - elacionando-o com o sabe cien í ico, mas an es a uma alo ização do sabe e a uma in e ação com o mediado cul u al do p oje o que nos pe mi iu conhece o con ex o e alida as al e na i as me odológicas e p ocedimen ais num p ocesso de e lexão-ação. O en ol imen o do mediado cul u al consubs anciou uma an agem, sob e udo pelo seu sabe , expe iência de e eno e con ac o p i ilegiado com a população al o, e, ainda, pelo seu con ibu o pa a o acesso ao meio. Mais do que se um in o man e p i ilegiado ou um ga e keepe que pe mi iu a en ada nos con ex os da p os i uição de apa amen o, o mediado pa icipou no es udo desde a sua conceção, endo ajudado a de ini o desenho me odológico, pa icipado numa en e is a explo a ó ia que pe mi iu de ini alguns dos emas com pe inência pa a a in es igação, ajudado a melho a o ins umen o p incipal de ecolha de dados, o ques ioná io, a a és de comen á ios que pe mi i am e o mulá-lo, alidado o guião de en e is a e in o mado sob e al e ações e acon ecimen os no e eno que podiam ajuda a comp eende e in e p e a os dados. A componen e pa icipa i a acabou po se conc e iza sob e udo na ase inal com a alidação des e abalho po alguns dos pa icipan es. Depois de (quase) inalizado o ela ó io de in es igação, ele oi de ol ido a 12 pa icipan es, sendo que ês deles, dois homens e uma mulhe , ize am ou i a sua opinião que alidou o con eúdo do abalho. Assim, es a acabou po se uma ou a o ma de alo iza a oz dos seus pa icipan es, o que é pa icula men e impo an e po se a a de um g upo que em sido silenciado e in isibilizado. 15 c) P ocedimen os O acesso ao meio oi, en ão, e e uado com a ajuda do mediado cul u al do p oje o HOSHO do GAT, an o in eg ando as saídas egula es do p oje o, como “ azendo isi as” com o único p opósi o de in es igação. A ecolha de dados a a és do ques ioná io oi ealizada pela in es igado a e pelo p óp io mediado do p oje o, depois de es e e sido o mado na adminis ação do ques ioná io e supe isionado nessa a e a. Começámos po aplica alguns ques ioná ios que se i am como p é- es e. Es es, em núme o de se e, pe mi i am e e ua algumas e o mulações no ques ioná io, depois das quais ol amos ao e eno pa a con inua a sua aplicação. A ecolha de dados po ques ioná io deco eu en e 19 de julho e 22 de no emb o de 2011 e oi ealizada semp e nas casas ou locais de abalho dos/as TS. A amos a oi de con eniência, sendo os locais de ecolha de dados selecionados pelo mediado . Uma ez nos con ex os de habi ação ou de abalho dos TS, ap esen á amos a nossa in es igação, os seus obje i os e os seus p essupos os aos TS que, depois dis o, decidiam pa icipa ou não na in es igação. Assim, após se em in o mados sob e o es udo, ques ionados se inham dú idas e escla ecidos quando o solici a am, os TS de am o seu consen imen o pa a a adminis ação do ques ioná io. Foi ainda ga an ido o anonima o dos dados e espei ado o i mo de abalho dos TS, en ando não in e e i com as suas a i idades sexuais come ciais, nem de ou a o ma impo una a ida e o abalho dos pa icipan es. As en e is as ap o undadas o am ealizadas pela in es igado a p incipal do p oje o e deco e am, al como no caso dos ques ioná ios, nas casas ou locais de abalho dos TS, mas ambém, em dois dos casos, em locais públicos. Os p ocedimen os é icos o am assegu ados e solici ou-se au o ização pa a p ocede à g a ação áudio das en e is as. Des a o ma, conseguimos 121 ques ioná ios álidos e 8 en e is as, num o al de 121 pa icipan es, pois os TS en e is ados ha iam ambém espondido ao ques ioná io. 16 Depois de inalizada a ecolha de dados, p ocedemos à sua análise. No que espei a aos dados dos ques ioná ios u ilizámos a es a ís ica desc i i a com ecu so ao SPSS. Já as en e is as o am sujei as a análise de con eúdo ca ego ial de aco do com Ba din (2011). d) Amos a A amos a é cons i uída po 121 pa icipan es que azem abalho sexual na cidade de Lisboa. A média de idades é de 30.13 anos (DP = 7.12), sendo a idade mínima de 18 e a máxima de 57 anos. Conside ando a dis ibuição e á ia po in e alos, e i icamos que a maio ia dos/as inqui idos/as se si ua na aixa e á ia dos 26 e os 35 anos (51,2%), al como pode se obse ado no g á ico 1. 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 18 - 25 anos 26 - 35 anos 36 - 45 anos > = 46 anos 28,1% 51,2% 17,4% 3,3% G á ico 1: Idade (em ca ego ias) 17 No que diz espei o ao sexo/géne o, a amos a é compos a po 44,6% de mulhe es (N=54), 35,5% de homens (N=43) e 19,8% de ansexuais homens em mulhe es – M F (N=24) – Ve G á ico 2. No que se e e e à o ien ação sexual, 58,7% são he e ossexuais, 30,6% são homossexuais e 10,7% são bissexuais - Ve G á ico 3. 18 C uzando o sexo/géne o com a o ien ação sexual, cons a amos que 96,3% das mulhe es biológicas são he e ossexuais con a 11,6% dos homens e 58,3% das ansexuais. Pelo que se conclui que a quase o alidade das pessoas homossexuais são homens - Ve G á ico 4. Es a associação é es a is icamen e signi ica i a [χ2 = 72,404, p = .000]. Ce ca de 2/3 dos/as pa icipan es é de nacionalidade b asilei a (N=81), ep esen ando os/as po ugueses/as 24% da amos a (N=29). Os es an es 9,1% (N=11) são de nacionalidades di e sas, incluindo de países da Ásia, Á ica, Amé ica do Sul e Eu opa de Les e – Ve G á ico 5. Dos 76% de es angei os (N=92), 51,7% es a am em si uação egula , 18% es a am em p ocesso de egula ização aquando da adminis ação do ques ioná io e 30,3% es a am em si uação i egula no país. 11,6% 96,3% 58,3% 69,8% 29,2% 18,6% 3,7% 12,5% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Masculino Feminino T ansgéne o Bissexual Homossexual He e ossexual G á ico 4: O ien ação sexual po sexo/géne o 19 Quando c uzamos as a iá eis “sexo” e “nacionalidade” e i icamos que há, en e elas, uma associação es a is icamen e signi ica i a [χ2 = 11,310, p=.023], sendo que 91,7% das ansexuais, 69,8% dos homens e 53,7% das mulhe es são b asilei os/as. Quan o à escola idade, 54,5% (N=66) inha comple ado en e 10 e 12 anos de escola idade, com 18,2% (N=22) dos pa icipan es endo mais do que 12 anos, 19% (N=23) en e os 7 e os 9 anos de ensino e 8,3% inham menos do que 6 anos de escola idade comple os - Ve G á ico 6. 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% a é aos 6 anos en e os 7 e os 9 anos en e os 10 e os 12 anos mais do que 12 anos 8,3% 19,0% 54,5% 18,2% G á ico 6: Anos de escola idade 20 Se c uza mos a escola idade dos/as po ugueses/as com as dos/as es angei os/as, e i icamos que a des es/as é endencialmen e mais ele ada do que a dos/as p imei os/as. Es as di e enças não são, con udo, es a is icamen e signi ica i as [χ2 = 4,455 n.s.] – Ve G á ico 7. Quan o à si uação amilia , 23,1% dos/as TS i em sozinhos e igual pe cen agem i e com o/a companhei o/a ou cônjuge. Dezano e po cen o i em com colegas de abalho, enquan o 13,2% i em com amigos, 9,1% i em com um/a ilho/a ou ilhos/as e 7,4% i em com ou os amilia es. Os es an es 5% dizem espei o a ou as si uações, al como pode se obse ado no g á ico 8. En ão, a pe cen agem mais ele an e, co espondendo a 39,6%, é a dos TS que i em com amilia es (companhei o/cônjuge, ilhos ou ou os), seguida daquela ela i a aos que i em apenas com amigos ou colegas e que co esponde a 32,2%. 17,2% 5,4% 20,8% 18,5% 44,8% 57,6% 17,2% 18,5% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Po uguesa Es angei a G á ico 7: Escola idade de po ugueses/as e es angei os/as Mais do que 12 anos de escola idade En e os 10 e os 12 anos de escola idade En e os 7 e os 9 anos de escola idade A é aos 6 anos de escola idade 27 G á ico 13: Núme o de ho as que abalha em ou o emp ego iii. Ca ac e ís icas da a i idade sexual come cial e da ida dos/as abalhado es/as do sexo A du ação média do empo de pe manência na a i idade pa a as pessoas que en e is amos é de 3.88 anos (DP=3.74), com um mínimo de um mês e um máximo de 21 anos de abalho sexual come cial. A baixa du ação média da a i idade que oi encon ada pode á es a elacionada com os quase ¾ de mig an es da amos a, na medida em que es es pa ecem enca a es a a i idade como empo á ia mais do que os/as au óc ones (Oli ei a, 2011). Quan o ao local de exe cício da a i idade é, como se ia de espe a , dada a o ma como oi cons i uída a amos a, p edominan emen e, o apa amen o. Con udo, a maio ia dos/as inqui idos/as - 52,9% -, além de abalha em apa amen o ambém az deslocações, a ho éis ou a casas dos clien es; 2,5% 28 azem apenas deslocações; e 5,8% abalham em di e sos locais, como é o caso de uma mulhe que abalha num apa amen o, az deslocações a ho éis e é emp egada num ba de al e ne. Des a o ma, apenas 38,8% abalham só em apa amen o - Ve G á ico 14. G á ico 14: Local de abalho A publici ação do sexo come cial é ei a a a és de anúncios colocados simul aneamen e em jo nais e em páginas da in e ne po 42,9% dos inqui idos, enquan o 28,6% publici am apenas na in e ne e 26,1% somen e em jo nais. O uso de ou as o mas de p omoção dos se iços é ei o po 2,5% dos/as en e is ados/as, designadamen e po possuí em con ac os ele ónicos de p o á eis clien es ou po usa em a ua como local de solici ação - Ve G á ico 15. Se soma mos odos os indi íduos que eco em a web si es especializados pa a anuncia em os seus se iços, ob emos o esul ado de 71,5%, o que signi ica que quase ¾ da amos a u iliza es e meio como o ma de publici a o seu abalho. Des a o ma, é cla a a impo ância que êm as no as ecnologias de in o mação na di ulgação dos se iços de sexo come cial. Es a elação en e as mais ecen es enologias de in o mação e o abalho sexual, nomeadamen e a ideia de que aquelas ie am ajuda a 38,8% 2,5% 52,9% 5,8% Apa amen o Deslocações Apa amen o + deslocações Ou os (combinação de á ias) 29 ede ini a a i idade do abalho sexual, sendo um con ibu o impo an e pa a a au onomia dos TS, oi, aliás, já discu ida e de endida po Be ns ein (2007). G á ico 15: Locais de p omoção do abalho sexual Os se iços p es ados pelos TS ab angem di e sas combinações que incluem sexo o al, anal e aginal, sendo a pe cen agem mais ele an e a dos/as que dizem ealiza as ês p á icas (34,2%), seguida daqueles que dizem p a ica apenas sexo o al e anal (27,2%) e, depois, pelos/as que dizem p a ica sexo o al e aginal (14,9%). A p á ica de ou as a i idades conside adas não sexuais, como, po exemplo, a dominação, o beija , as massagens, o uso de acessó ios ou os se iços de acompanhamen o, são e e idas po 23,7% dos inqui idos/as, sendo que 9,6% e e em p a ica sexo o al, anal e ou os, 7,9% sexo o al, aginal e ou os, 1,8% sexo o al, aginal, anal e ou os e 4,4% apenas e e em “ou os” – Ve G á ico 16. Os di e sos se iços que são p es ados pelos di e en es TS, de aco do com o que se pode obse a no g á ico 16, podem ag upa -se em ês combinações que incluem sexo o al, aginal e anal (i.e. o al e anal; o al e aginal; o al, aginal e anal) e, ainda, pa a uma pe cen agem deles, ou as p á icas conside adas não sexuais. Assim, se jun a mos odos os sujei os que dizem p a ica se iços incluídos numa dessas combinações independen emen e de p a ica em “ou os” ou não, podemos e i ica , qual a 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 Jo nal In e ne Jo nal + in e ne Ou os 26,1% 28,6% 42,9% 2,5% 30 pe cen agem de TS que além das p á icas sexuais p es a ou o ipo de se iços pa a cada uma dessas combinações. En ão, al como cons a no g á ico 17, da o alidade de pessoas que p a ica sexo o al e anal, 26,2% ainda p es am ou as a i idades de ca iz não sexual, pa a a soma das que dizem p a ica sexo o al e aginal, 34,6% p a icam ou as a i idades e apenas 4,9% das que p a icam sexo o al, aginal e anal ambém desempenham ou os se iços. G á ico 16: Se iços p es ados De no a que, c uzando a a iá el “se iços p es ados” com a a iá el “sexo/géne o” cons a amos que a o alidade de pa icipan es que dizem p a ica sexo o al e aginal é mulhe , sendo es a associação es a is icamen e signi ica i a [χ2 = 75,023, p < .05]. Assim, podemos a i ma que é en e as mulhe es biológicas, quando compa adas com os homens e com as 31 ansexuais, que se encon a a maio pe cen agem de pessoas que, além das p á icas sexuais, p es a ou o ipo de se iços ( ais como os que e e imos an e io men e). G á ico 17: Se iços p es ados ag upados po conjun o de p á icas O núme o de ho as que os/as inqui idos/as abalham po dia no sexo come cial a ia en e as ês e qua o ho as (5%) e as 24 ho as (26,4%), com 34,7% deles/as a abalha en e no e e 12 ho as po dia. Os que abalham en e 13 e 23 ho as po dia são 15,7% e 18,2% azem-no en e cinco e oi o ho as diá ias - Ve G á ico 18. Des a o ma, mais de ¾ dos/as TS da amos a (76,8%) despendem acima de oi o ho as diá ias nessa a i idade. É de salien a ainda o exp essi o núme o de pa icipan es que abalha 24 ho as po dia, mais de ¼ deles/as, pelas e iden es implicações desse ho á io na sua ida e saúde. 0% 20% 40% 60% 80% 100% Sexo o al e anal Sexo o al e aginal Sexo o al, aginal e anal 73,8% 65,4% 95,1% 26,2% 34,6% 4,9% Ou as a i idades além das sexuais Apenas as a i idades sexuais 32 G á ico 18: Núme o de ho as diá ias disponí el pa a a ende clien es Quan o ao núme o de dias po semana em que es ão disponí eis pa a a ende clien es, 47,7% dos/as pa icipan es abalham se e dias po semana e 31,4% e 16,5% abalham seis e cinco dias po semana, espe i amen e. Os es an es 4,1% abalham en e dois e qua o dias po semana. O núme o de clien es que, em média, cada p o issional do sexo a ende po dia é de 3.58 (DP = 2.05), com um alo máximo de 15 clien es po dia (N=1) e um mínimo de um (N=12). Quando pe gun ámos aos pa icipan es se abalha am sozinhos ou com ou as pessoas, 61,7% esponde am que abalha am com ou os p o issionais do sexo con a 38,3% que disse am que o aziam sós - Ve G á ico 19. G á ico 19: Com quem abalha 5,0% 18,2% 34,7% 15,7% 26,4% 3 a 4 ho as 5 a 8 ho as 9 a 12 ho as 13 a 23 24 ho as 38,3% 61,7% Só Com ou as pessoas 33 Rela i amen e aos que não abalham sozinhos, as ou as pessoas com quem pa ilham o local de abalho são, al como pode se analisado no g á ico 20, pa a 44,3%, colegas que ambém aluga am um espaço a um senho io comum, ou seja, a enda am um qua o num espaço de sexo come cial; pa a 32,9% os/as colegas com quem abalham são, al como eles/as, ge idos po uma e cei a pessoa a quem dão uma pe cen agem dos luc os; ou, colegas com quem abalham em coope ação, no caso de 22,9% dos/as inqui idos, o que que dize que o espaço é au oge ido, ha endo uma epa ição das despesas associadas ao negócio. Tomando a o alidade dos/as TS inqui idos, apenas 20,3% deles são ge idos po e cei os com quem de em epa i os seus luc os, o que implica que a exis i em si uações de explo ação e de abuso, elas encon a -se-ão apenas nes a mino ia de casos, pois os es an es abalham de o ma au ónoma ou em coope ação com colegas. Des a o ma, a imagem dominan e sob e o abalho sexual de in e io , comummen e ep esen ada como sendo ca ac e izada pela explo ação e pela al a de libe dade, é descons uída com base nes es dados. G á ico 20: Relação que em com as pessoas com quem abalha, no caso de não abalha sozinho/a 22,9% 32,9% 44,3% 0% 10% 20% 30% 40% 50% Colegas com quem abalha em coope ação ( epa ição das despesas, au o-ges ão do espaço) Tal como eu, ge idos po uma pessoa a quem damos uma pe cen agem dos luc os Colegas que ambém aluga am um espaço a um senho io comum (a endamen o de qua o) 34 No que conce ne ao local de esidência dos pa icipan es, pa a 63,6% deles é o mesmo local em que abalham, enquan o 36,4% mo am num local di e en e daquele em que abalham - Ve G á ico 21. G á ico 21: T abalha no mesmo local em que i e? Pe gun ámos ambém aos pa icipan es do nosso es udo a quan idade de países e de cidades em que ha iam abalhado nos úl imos 12 meses, de o ma a a e i a sua mobilidade. O que ob i emos, quan o aos países, oi a média de 1,8 (DP=1,287), com o alo máximo de se e e o mínimo de um. A maio ia dos/as inqui idos (60,3%) abalhou apenas em Po ugal, no úl imo ano, enquan o 18,2% abalha am ambém em ou o país. Os es an es 21,5% es i e am em en e ês e se e países a abalha no sexo come cial. No que espei a às cidades, a média oi de duas (DP=6,528), com um mínimo de uma e um máximo de 30, sendo que 42,9% das pessoas inqui idas abalhou apenas em Lisboa, no úl imo ano, 13,4% abalha am ainda em ou a cidade, 15,1% abalha am em en e ês e cinco cidades, 16% en e seis e dez e 12,4% em mais do que 10 cidades. Ainda no que conce ne às ca ac e ís icas da a i idade sexual come cial, 65,3% dos/as abalhado es/as do sexo en e is ados e e em que os seus clien es são apenas homens, 22,3% dizem a ende homens e casais e 12,4% 35 êm en e os/as seus clien es homens e mulhe es - Ve G á ico 22. Es es dados êm mos a que os clien es do sexo come cial são sob e udo homens, sem deixa de a es a que, embo a menos exp essi a, exis e p ocu a de se iços sexuais po pa e de mulhe es e de casais. G á ico 22: Quem são os/as seus/suas clien es? Finalmen e, pa a sabe se os clien es que p ocu am os/as TS são ou não clien es habi uais, pe gun ámos “Quan os dos seus clien es são habi uais?”. Ob i emos como espos a de 50,4% dos en e is ados que ce ca de me ade dos seus clien es são habi uais, enquan o pa a 33,1% são odos ou quase odos e pa a 16,5% nenhuns ou quase nenhuns dos seus clien es são habi uais - Ve G á ico 23. 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% Homens Homens e casais Homens e mulhe es 65,3% 22,3% 12,4% 36 G á ico 23: Quan os dos seus clien es são habi uais? i . Aspe os ela i os à saúde No que se e e e a p á icas de saúde, as espos as indica am-nos que 79,4% dos/as pa icipan es eco em habi ualmen e a se iços de saúde, sendo que 20,7% dizem não o aze egula men e. Dos que eco em de o ma habi ual a se iços de saúde, a maio ia (57,9%) p ocu a se iços de saúde públicos, nomeadamen e cen os de saúde e hospi ais. Os es an es di igem-se a se iços de saúde p i ados (9,9%), a se iços especí icos pa a abalhado es do sexo ge idos po ONG (6,6%) ou, en ão, combinam a p ocu a de á ios ipos de se iços (5%) – Ve G á ico 24. 43 . Aspe os posi i os e nega i os do sexo come cial e compa ação com ou as a i idades p o issionais Pa a en a comp eende o posicionamen o dos/as pa icipan es da in es igação sob e o abalho sexual, ques ionámos sob e o que conside a am se o melho e o pio do sexo come cial, bem como pe gun ámos sob e as semelhanças en e es a a i idade p o issional e ou as. À pe gun a “O que é que o sexo come cial em de melho ?”, 60,2% esponde am que e a apenas o dinhei o que ganha am (e.g. “Ganha mais do que nou os abalhos”, “Con o o económico”, “O dinhei o e as p endas dos clien es”), enquan o 17,8% esponde am que e a o dinhei o e um ou o mo i o, en e os quais, a possibilidade de conhece pessoas, as hipó eses de iaja , o p aze sexual ob ido e, ainda, po se a a de um abalho emocional. Pa a 15,2% o abalho sexual não em nada de bom. Os/as es an es 6,8% o am incluídos na ca ego ia “ou os” que aba ca espos as ão dis in as como “Faz-se mui a psicologia com os clien es” e “Dá expe iência”. Sob e o que o sexo come cial em de pio , as espos as o am mais di e si icadas e de di ícil ca ego ização. Ob i emos 144 espos as, com uma média de 1,2 espos as po esponden e (N = 119), sendo que 10,1% indica am mais do que uma ca ac e ís ica/ espos a. Apesa disso, depois de uma a u ada análise de con eúdo e sucessi os e inamen os das ca ego ias, chegamos a um núme o de se e g upos de aspe os nega i os do abalho sexual, a sabe : (1) A ca ego ia que euniu maio núme o de espos as, 37,8%, ence a as ca ac e ís icas nega i as dos clien es, sejam ge ais, ísicas, psicológicas ou compo amen ais. Po exemplo, “ e que a u a os clien es”, “a ende elhos, com mau aspe o”, “é epugnan e (…) ende o co po a gajos po cos, nojen os, doen es” ou “os clien es ag essi os”. (2) Ou a ca ego ia inclui ca ac e ís icas p óp ias do abalho sexual, especi icamen e de apa amen o, ais como o s ess da negociação cons an e ao ele one e e que aze sexo sem mo i ação sexual e com desconhecidos – 12,6%. 44 (3) Os iscos pa a a saúde o am designados po 10,9% dos/as TS inqui idos. (4) O es igma associado ao abalho sexual oi e e ido po 7,6% de pa icipan es. (5) O impac o psicológico e emocional nega i o oi mencionado po 7,6% dos inqui idos (6) Pa a 4,2% o sexo come cial em “ udo” de melho . (7) A ca ego ia “ou as”, ela i a a 19,3%, inclui as espos as que não o am possí eis ag upa , como, po exemplo, a seguin e: “A escassa exis ência de boas elações sociais no sexo come cial”. Po im, ques ionámos sob e se conside a am ha e semelhanças en e a a i idade de sexo come cial e ou as a i idades p o issionais, ao que ce ca de me ade espondeu que sim (49,2%) e ou a me ade que não (50,8%), o que signi ica que os esponden es se di idem sensi elmen e a meio nas espos as a es a ques ão. Aos que esponde am posi i amen e pedimos que indicassem essas pa ecenças. A maio pe cen agem de espos as (31,6%) inclui a ideia de e em que ag ada ao clien e que, segundo eles/as, é comum a ou as p o issões. Seguem-se depois as espos as que indicam que a semelhança se liga com a emune ação associada an o ao abalho sexual, como a ou as a i idades p o issionais (29,8%). As compe ências de comunicação e escu a (10,5%), o p o issionalismo (8,8%) e a ci cuns ância de se a a da enda de um se iço (7.0%) o am ambém indicadas como sendo semelhan es a di e sas ou as p o issões. Um g upo co esponden e a 12,3% de espos as engloba ou as analogias, como, po exemplo, e que cump i um ho á io, se cansa i o, implica um abalho ísico mas ambém psicológico ou se necessá ia uma ap endizagem - Ve G á ico 28. 45 G á ico 28: Semelhanças en e o sexo come cial e ou as a i idades labo ais i. Aspe os não elacionados com o abalho sexual As pessoas que azem abalho sexual não se esumem à p os i uição, nem ao seu mundo. As abalhado as e os abalhado es do sexo são sujei os sociais que i em em ou as es e as, elacionam-se com ou os/as pessoas e êm ou os in e esses. A imagem es e eo ipada dos/as TS ende a c is alizá-los no aço p os i u i o, mas as p os i u as e os p os i u os ambém se ca ac e izam pela no ma i idade (Oli ei a, 2011): elacionam-se com amilia es e amigos, êm momen os de laze , p a icam despo o, pa icipam em e en os cul u ais. Po is o mesmo, quisemos ou i os/as TS que inqui imos sob e alguns aspe os da sua ida que não es ão elacionados com o abalho sexual. Especi icamen e, p e endemos pe cebe se es ão com amilia es e com amigos 46 de o ma egula , se se sen em isolados/as ou in eg ados/as e o que azem nos seus empos li es. O obje i o, aqui, oi o de e idencia ou as ace as das suas idas p i adas, dando isibilidade a ou as expe iências e aspe os pessoais que êm sido pouco alo izados pela ciência que diz a p os i uição (Oli ei a & Coelho, 2010). Nes e sen ido, pe gun amos aos/às inqui idos/as se habi ualmen e es ão com os seus amilia es mais p óximos e, em ou a pe gun a, se cos umam encon a -se com os seus amigos. A p imei a pe gun a eio, con udo, a e ela - se inadequada, dada a g ande pe cen agem de imig an es p esen e na nossa amos a. À exceção dos/as imig an es que êm ou os amilia es a esidi em Po ugal, es a pe gun a ca ecia de pe inência. Po es e mo i o, mui os dos pa icipan es, quando con on ados com es a ques ão, esponde am que não podiam es a com os seus amilia es po que eles se encon a am no seu país de o igem, mas que os con ac a am ele onicamen e odos os dias. Assim, não inclui emos os esul ados das espos as a es a ques ão po conside a mos que não êm alidade, dada a composição da amos a. Quan o aos amigos, a maio ia (56,2%) diz es a com os seus amigos odos os dias ou de o ma equen e, 24,8% diz que os encon a po ezes e ce ca de 1/5 (19,1%) diz que a amen e ou nunca es á com os seus amigos – Ve G á ico 29. G á ico 29: Cos uma es a com os seus amigos? 23,1% 33,1% 24,8% 17,4% 1,7% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 47 Também colocámos uma ques ão ela i a à pe ceção de isolamen o e ob i emos que 21,5% dos/as esponden es se conside am comple amen e ou mui o isolados/as, enquan o 42,1% se acham pouco isolados/as e 36,4% julgam-se nada isolados – Ve G á ico 30. G á ico 30: Sen e que é uma pessoa isolada? À ques ão “Se p ecisa de um apoio u gen e em a quem eco e ?”, ob i emos 34% de espos as nega i as – Ve G á ico 31. O que que dize que, se pa a 66% dos/as TS a ajuda numa si uação de necessidade é pe cecionada como sendo al o de apoio, pa a ce ca de 1/3 dos/as esponden es o apoio social pe cebido é is o como inexis en e. As espos as a es a ques ão são consonan es com as espos as às pe gun as an e io es, ela i as aos con ac os com amigos, bem como sob e a sensação de isolamen o. Se 76% dos/as pa icipan es são imig an es, o que, pa a mui os/as dele/as, signi ica á a as amen o da amília, se ce ca de 20% diz que nunca ou a amen e es á com amigos e, ainda, em igual p opo ção os/as inqui idos/as sen em-se comple amen e ou mui o isolados/as, comp eende-se que 34% deles digam que, se p ecisa em de uma ajuda em si uação de u gência, não êm a quem eco e . 2,5% 19,0% 42,1% 36,4% 48 G á ico 31: Se p ecisa de um apoio u gen e em a quem eco e ? No que conce ne à pe gun a “O que az nos seus empos li es?”, ob i emos uma g ande quan idade e a iedade de espos as que dá con a da di e sidade de a i idades a que os/as TS se dedicam quando não es ão a abalha . Es a e a uma pe gun a abe a cujas espos as i e am que se al o de uma análise de con eúdo complexa dada a sua ex ensão e mul iplicidade. O o al de espos as alcançado oi de 315, o que co esponde, em média, a 2,6 espos as po esponden e (N = 119). A quan idade de g upos de espos as oi mui o g ande e as espos as e am ão díspa es quan o “es a com os amigos e aze olun a iado”, “ iaja , aze comp as, i a espec áculos, ica em casa, cozinha , come e bebe ”, “ ica comigo mesma, i à p aia, ao ginásio e aze comp as”, “joga à bola, i ao cinema e ou i música”. A p imei a análise e elou que as espos as se associa am em 37 g upos di e en es com uma equência mínima de 1 e uma equência máxima de 16 pa a a associação en e cul u a e en e enimen o. Depois de sucessi as análises, em que as ca ego ias o am sendo con inuamen e melho adas, ob i emos se e g upos de ca ego ias de espos as Sim 66% Não 34% 49 que ap esen amos de seguida, bem como a pe cen agem de esponden es que e e iu esse ipo de ac i idades na sua espos a 10 : 1 - A i idades cul u ais (i ao cinema, ao ea o e a museus, ou i música, le ) – e e idas po 46,2% dos/as pa icipan es; 2 - A i idades despo i as (i ao ginásio, p a ica a es ma ciais, joga énis, anda de ba co, aze su , pesca ) – e e idas po 12,6%; 3 - A i idades de en e enimen o (i à disco eca, i à p aia, e ele isão, consumi álcool ou cannabis, i às comp as, i ao cabelei ei o, passea , almoça ou jan a o a …) – 67,2%; 4 - A i idades de elacionamen o social, amilia e amo oso (con i e com amigos, amília e com pa amo oso): 26,9%; 5 - A i idades de elacionamen o i ual (con e sação em cha s da in e ne ): 20,2%; 6 - A i idades domés icas (cozinha , a uma , a a dos animais, a a das plan as): 15,1%; 7 - Ou as a i idades (i a ei as, i à p aça, ica em casa, ica comigo mesma, do mi , aze u ismo, iaja ): 16%. Es as espos as e elam a quan idade e di e sidade de a i idades emp eendidas pelos/as TS nos seus empos li es, mas, ainda, a iqueza que as ca ac e iza. Salien amos as a i idades despo i as e cul u ais pelo ele ado alo que adqui em na sociedade a ual, sendo semp e es imuladas e sinónimo de ida saudá el, an o ísica como in elec ualmen e. De des aca , ainda, a impo ância pe cen ual das a i idades de elacionamen o social seja p esencial, seja i ual. Es as espos as que en a izamos, mesmo excluindo ou as espos as igualmen e e elado as, ais como as a i idades de en e enimen o, a es am da no ma i idade dos/as TS e da sua inse ção sócio-cul u al. Desocul am, en im, o que os es e eó ipos não deixam e : que as idas dos/as TS não se esumem ao sexo come cial e que os seus in e esses são icos e abundan es e que, a inal, os des ian es êm aspe os no ma i os nas suas idas. Ou, de o ma mais co e a, como é esse ó ulo de des ian e que a sociedade lhes coloca que impede de e quão no ma i os são, pois como 10 A pe cen agem é supe io a 100 pois o núme o de espos as é supe io ao núme o de esponden es. 50 dizem Adle e Adle (2006), quan o mais nos o namos p óximos de um g upo des ian e mais no mal ele nos pa ece. b. Es udo quali a i o com homens e ansexuais A in odução des a componen e nes a in es igação p e endeu cap a de o ma mais de alhada alguns dos aspe os em es udo. A ealização das en e is as ap o undadas a um subg upo da amos a o al e e como objec i o a complexi icação e o ap o undamen o de algumas ques ões que não podiam se cap adas com a me odologia quan i a i a. A ealização de en e is as, ao e p i ilegiado a oz dos seus a o es, oi p omo o a da eme gência de sen idos e de signi icações ela i os a aspec os especí icos da ida des es/as abalhado es/as do sexo. A escolha de um g upo de homens e de ansexuais p endeu-se com a e idência de que es es con inuam se a aqueles que es ão mais ausen es das in es igações sob e sexo come cial (Oli ei a, 2011). i. Ca ac e ís icas sociodemog á icas e de abalho Os/as TS en e is ados/as são seis homens e dois ansexuais de homens em mulhe es (M F) en e os 23 e os 38 anos e odos abalham em apa amen os em Lisboa. A nacionalidade de quase odos/as é b asilei a, sendo apenas um po uguês. Quan o à o ien ação sexual, ês são he e ossexuais, dois são bissexuais e ês homossexuais. A abela 4 esume es as ca ac e ís icas. 51 Tabela 4: Ca ac e ís icas sociodemog á icas dos/as pa icipan es do es udo quali a i o En e is ados/as Idade Nacionalidade O ien ação sexual Iden idade de géne o E1 28 B asilei a He e ossexual Cisgéne o11 E2 33 B asilei a Homossexual Cisgéne o E3 26 B asilei a Homossexual Cisgéne o E4 34 B asilei a Bissexual Cisgéne o E5 38 Po uguesa Homossexual Cisgéne o E6 26 B asilei a He e ossexual T ansexual E7 32 B asilei a He e ossexual T ansexual E8 22 B asilei a Bissexual Cisgéne o Quase odos es es TS publici am os seus se iços a a és da colocação de anúncios em jo nais. Um deles p e e e u iliza a in e ne pa a di ulga o seu abalho. Quan o aos locais onde exe cem a a i idade sexual come cial, ês dos en e is ados ecebem os clien es na sua p óp ia casa, um e e e aluga mensalmen e um qua o pa a esse e ei o e os ês es an es azem p aças 12 e deslocações a domicílios, ho éis e mo éis. 11 Cisgéne o é uma pala a que, nos es udos de géne o, designa as pessoas cujo sexo biológico e o géne o são conco dan es. Nos casos des e es udo, os en e is ados iden i icados como cisgéne o são homens biológicos que se iden i icam com o géne o masculino. 12 “Faze p aças” é a exp essão que designa um sis ema de abalho em que os abalhado es do sexo (ou as abalhado as do sexo) mudam de local de abalho sis ema icamen e, em ge al de 15 em 15 dias. 52 ii. T aje ó ias e signi icados A aje ó ia de ida dos en e is ados engloba uma di e sidade de expe iências, de pe cu sos e de mo i ações a é se o na em p os i u os/as. Se a maio ia dos/as TS en e is ados começou a a i idade de sexo come cial depois dos 18 anos, ês deles inicia am o abalho sexual an es de a ingi em a maio idade. A du ação da a i idade p os i ucional é ambém a iá el, exis indo na nossa amos a an o homens que exe cem abalho sexual como a i idade p incipal há cinco anos ou mais, como um que exe ce há menos de um ano. No caso de ês deles, a p es ação de se iços sexuais é is a como uma a i idade secundá ia, usando pa a isso as exp essões “es a não é a minha a i idade p incipal” (E5), “is o é ipo um pa - ime, um bisca e” (E2) ou “é o meu plano b, quando eu encon o um abalho, eu saio dis o” (E8). Quan o aos mo i os de en ada na p os i uição, odos e e em como p incipal azão a necessidade económica ou o desejo de au e i ganhos mais ele ados. No en an o, es a necessidade su ge em si uações di e en es e encon a-se associada a ou os a o es não necessa iamen e económicos. Um exemplo cla o de necessidade económica é o de E6. Es e TS saiu de casa dos pais po opção p óp ia aos 16 anos e oi i e pa a uma no a cidade planeando e uma ida no ma i a que passasse po e um emp ego, se es udan e e e um namo ado. Con udo, como não encon ou um emp ego que lhe pe mi isse paga odas as despesas iniciou-se no abalho sexual. Já E8 con a que a p imei a ez que ez um p og ama 13 oi em Copacabana (Rio de Janei o, B asil) quando passea a com uma amiga e um homem as con idou pa a i em pa a um ho el. A pa i daí, semp e que p ecisa a de dinhei o, eco ia à p os i uição. Pa ece que a exis ência de uma opo unidade pa a ealiza abalho sexual pode a o ece a en ada nessa a i idade. A ques ão das opo unidades que le am alguém a exe ce abalho sexual pa ece, assim, igualmen e cen al nas mo i ações de alguns/algumas TS. Como diz E4: 13 P og ama diz espei o ao sexo come cial. Ga o o/a de p og ama é uma exp essão usada no po uguês do B asil que se e e e ao/à abalhado /a do sexo. “Faze p og ama” é p a ica p os i uição. 59 p ocu am só pa a con e sa e que êm p oblema a e i o, mas nem an o sexual. A expe iência de E2 é um pouco di e en e. A única clien e do sexo eminino que e e a é ao momen o, uma mulhe na casa dos 30 anos, ap esen ou como azão pa a o e p ocu ado a on ade de e a expe iência de sexo pago que decidiu p opicia a si mesma no dia do seu ani e sá io. Quan o aos clien es homens, as suas ca ac e ís icas e mo i ações não são homogéneas. Vão desde os que p ocu am somen e a sa is ação das suas necessidades sexuais, àqueles que p ocu am companhia e a e o p e e indo con e sa e conhece os/as TS. Apesa des a di e sidade, os discu sos dos/as TS en e is ados apon am como ca ac e ís ica comum os compo amen os de isco dos clien es, que, mui o equen emen e, pedem pa a e sexo desp o egido. As elações que se es abelecem en e clien es e TS não se limi am à comp a e enda de se iços sexuais, desen ol endo-se di e en es ipos de elações com di e sos g aus de a e o: “Há amizade, amos jan a , amos sai , amos passa uma a de jun os (…) há clien es que con idam pa a i jan a ou oma ca é, e es ou ali como amigo po que em pessoas que se o nam amigos (E3), “Uns que em namo a , ou os que em casa , ou os que em iaja ” (E8). Assim, as elações com os clien es podem inclusi e, em alguns momen os, assumi con igu ações de omance que passam inclui ou as p á icas que habi ualmen e não são ealizadas, como, po exemplo, as ocas de beijos e ca ícais. O en ol imen o a e i o e o p aze sexual que podem ob e numa si uação dessas pode mesmo le a a que o pagamen o seja lexibilizado em de e minados casos. Po exemplo, E3 diz que po ezes nem cob a as saídas com os clien es pelo ac o de se em pessoas ag adá eis com quem gos a de es a . Simila men e, E6 con ou-nos uma si uação na qual gos ou de e elações sexuais com o clien e e que, po isso, ecusou o pagamen o. 60 i . Exigências e compe ências p o issionais Ao ou i mos os/as TS ala sob e o seu abalho pe cebemos que es e exige uma sé ie de sabe es, de p á icas e de compe ências especí icas. Em p imei o luga , a ques ão da negociação com o clien e. Es a passa po , an es de mais, explica ao clien e que se iços p a icam e quais os seus alo es e condições. Os TS deixam cla o que, an es do clien e chega , ainda du an e a negociação ao ele one, elucidam os po enciais clien es, sob e odas as ques ões elacionadas com o se iço sexual e deixam bem cla o quais os seus p eços e condições, designadamen e a ob iga o iedade de p a ica em sexo p o egido. E4 e E8, po exemplo, e e em que, ainda no a endimen o do clien e po ele one, escla ecem que não negoceiam o uso do p ese a i o, o que pode e como consequência que o clien e á p ocu a ou o TS ou desligue o ele one. Assim, pa ecem se os TS quem de ine a oca sexual come cial, pois os pa âme os em que deco e e as p á icas e e uadas são decididos po si. De ac o, é o abalhado /a do sexo que de ine o p eço, as eg as compo amen ais e odas as es an es ques ões: “Eu mando com ce eza (…) Sim, quan o, o que azemos, o uso do p ese a i o…” (E8). Em segundo luga , as exigências emocionais e psicológicas do negócio implicam compe ências que ajudem a lida com elas de o ma e icaz. As exigen es expe iências do abalho sexual ob igam a uma ges ão e icien e pa a que os/as TS consigam man e o seu equilíb io emocional: Se eu não o o e do lado de cá, não consigo passa pa a a ou a pessoa (…) A pessoa en a e eu enho de ab i um so iso e eu nunca sei quem ai es a do ou o lado…isso é um choque mui o g ande, o choque da ealidade. (E1) As pessoas acham que é só chega e es á udo bem e não é bem assim… Comigo em de ha e uma p epa ação psicológica po que nem oda a gen e que apa ece na minha en e eu acho ag adá el. (E3) Em e cei o luga , o desen ol imen o e uso de es a égias come ciais que êm como in ui o ag ada os clien es, de o ma a o na o a o sa is a ó io 61 pa a es es e aumen a a p obabilidade de eles ol a em e, dessa o ma, ga an i que os seus luc os se man êm. Os exce os a segui demons am o uso des as es a égias: Que endo ou não, enho de aze bem po que ou puxa o meu dinhei o do mês. Se eu não ize bem, ele não ai ol a . Eu enho de aze o meu papel, eu enho de se p o issional (…) Eu enho de se o mais simpá ico com oda a gen e e que endo ou não se o na uma coisa mais ag adá el (…) en o em poucos minu os e uma química de ocê es a à on ade comigo pa a sen i on ade de ol a . Cada clien e que chega, cada pessoa di e en e. (E3) Se hoje ie uma pessoa e comigo e eu a a bem, ela ai ol a amanhã (…) eu posso beija sim, ca inho e assim eu aço, pois em de sabe como a a a pessoa bem. Eu não enho p econcei o não (…) ico empo, empo, empo ali e alo ‘oh não es á a da mesmo’. (E4) Sou mui o ca inhosa, mui o p o issional… Eu não digo ‘ai, á edendo pa a ca alho’, não eu digo, ‘meu amo zinho, amos à casa de banho la a bem gos oso?’ (E7). Tais a os implicam que os TS ep esen em emoções e compo amen os que ansmi am ao clien e a ideia de que es ão a e p aze com o se iço e e uado. Po im, salien am algumas exigências que o papel de abalhado do sexo eque , nomeadamen e a c ia i idade (“Temos de se um bocado c ia i os e não se mos só submissos ou e essa passi idade” - E5); a lexibilidade (“Sabe acompanha o clien e em qualque momen o, seja na con e sa ou no sexo” - E7) e o empenho (“Pa a ocê p ospe a no seu abalho em de o aze com paixão e com on ade po que po dinhei o ocê só ai a é um ce o ní el” - E4). 62 . Relações a e i as Quando se ala em elacionamen os a e i os, os discu sos dos en e is ados e idenciam alguma di iculdade em conjuga as elações a e i as não come ciais com a a i idade sexual come cial. Es a di iculdade é a ibuída, essencialmen e, a dois aspe os: ciúmes e ejeição po pa e da ou a pessoa po es a se uma a i idade es igma izada. E1 ela a que e e uma elação amo osa com uma abalhado a do sexo que não esul ou po causa dos ciúmes: “No início e a gi o, mas no inal… ou acaba a is o ou acaba a o namo o e acabou o namo o…”. E5 ambém é da opinião que a a i idade sexual come cial in e e e na ida a e i a, pois conside a di ícil an o e um elacionamen o com alguém escondendo que é abalhado do sexo, como dize à pessoa o abalho que desempenha. Assim, quando an e ê a possibilidade de elacionamen o a e i o com alguém, op a po e um compo amen o de a as amen o, an es de e um en ol imen o mais ap o undado, pa a e i a se con on ado com essa di ícil si uação de esconde ou e que con a . E4 pa ilha igualmen e da ideia de que as elações come ciais êm impac o no es abelecimen o de elacionamen os a e i os. Po oposição, E8 em um elacionamen o es á el e conside a que a exis ência de ciúmes nes e ipo de elacionamen os é no mal, al como acon ece em odas as elações. Quando op am po esconde a a i idade, seja po causa do es igma ou po que eceiam que o/a companhei o/a enha ciúmes, os/as TS desen ol em o mas de ge i o seg edo. A pa cei a de E4 descob iu ecen emen e que ele ez um ilme po nog á ico e a sua opção oi explica que isso não inha nada que e com a p os i uição, encob indo que é p os i u o. Po ou o lado, há si uações em que são os elacionamen os a e i os que in e e em no desempenho do abalho sexual. Po exemplo, E1 p ome eu à sua pa cei a a ual que só a ia a endimen os a clien es do sexo masculino de o ma a minimiza os ciúmes des a. Simila men e, a companhei a de E3 ambém não acei a que ele enha elações sexuais come ciais com clien es mulhe es. Subjacen e a es es compo amen os es á a associação que as suas companhei as azem en e o desempenho do sexo come cial e a aição. O a, 63 pa a alguns dos en e is ados, o abalho sexual não é pe cebido como in idelidade de ido ao seu ca ác e p o issional. Pa a es es, sendo o p opósi o do sexo come cial apenas mone á io, ele es á dissociado do p aze sexual e do a e o e, logo, da in idelidade - “Não acho que es ou aindo…o que eu aço é comple amen e di e en e uma coisa da ou a. Pa a mim não exis e p aze (E4), “Eu consigo di e encia o almen e o sexo do amo ” (E7). i. Saúde, iscos e iolência Foi nosso p opósi o conhece as noções de saúde pa a pode in e p e a os compo amen os de isco ou p e en i os, que na dimensão da a i idade come cial, que na dimensão ín ima-a e i a. Nas en e is as analisadas, odos os/as TS e e i am u iliza semp e o p ese a i o como mé odo p e en i o pa a e i a con ai IST nas elações sexuais come ciais. De aco do com os en e is ados, es e são u ilizados que nas elações sexuais anais, que nas o ais, que ainda nas aginais, no caso de se em mulhe es clien es. Con udo, os mesmos en e is ados admi em ab i exceções, como, po exemplo, com clien es habi uais, sob e udo no caso do sexo o al, como o ma de os compensa em pela egula idade. Is o mos a-nos que os limi es podem se essigni icados em unção da elação es abelecida, ao mesmo empo que uncionam como uma es a égia com o obje i o de ca i a clien es e, consequen emen e, inc emen a o negócio da enda dos seus se iços sexuais. Nos elacionamen os sexuais não come ciais ou a e i os cons a a-se um maio núme o de compo amen os de isco. A maio ia dos sujei os nega u iliza p ese a i o, que nos elacionamen os com pa cei os espo ádicos, que nos elacionamen os ín imos a e i os. E2 ela a que em mui os mais cuidados com os clien es do que com os “enga es” e que, nes es casos, nunca usa o p ese a i o nas elações sexuais o ais. E4 diz que nunca u iliza p ese a i o com a namo ada, a é po que acha que, se quisesse usa , ela não acei a ia e ia acha que inha mo i os pa a descon ia de alguma coisa. 64 Po ém, a não u ilização de p ese a i o nas elações sexuais não come ciais não es á isen a de iscos, sendo nes as que, mui as ezes, o pe igo se coloca. O caso de E7 ilus a bem es a ideia, pois ela é se oposi i a e oi con aminada po um namo ado, a i mando que nunca, nem mesmo excecionalmen e, e e elações sexuais desp o egidas com um clien e. Es a ac escen a ainda que conhece ou os casos de ansexuais que con aí am o VIH da mesma o ma que ela. Alguns/mas TS, no en an o, dizem não di e encia en e elações sexuais come ciais e elações sexuais não come ciais no que se e e e à u ilização do p ese a i o e que o usam semp e sem exceção. Pa a além das es a égias de minimização de danos no que conce ne à saúde, podemos ainda e i ica o uso de es a égias de ges ão de iscos com o p opósi o de p e eni a iolência e i imação de que podem se al o. Uma dessas es a égias é não bebe , nem consumi subs âncias psicoa i as que possam al e a a consciência e o ná-los mais ulne á eis à iolência po pa e dos clien es. Ou as es a égias passam po e cuidados quando se deslocam a casas de clien es, azendo-o, po exemplo, apenas com clien es já conhecidos ou assegu ando-se que a mo ada o necida pelo clien e é eal e/ou que o ho el exis e. Alguns ambém deixam in o mações, como a mo ada, com alguém de sua con iança que pode a ua no caso de algo co e mal. Igualmen e, quando a endem clien es em sua casa êm que e cuidados, sob e udo se abalham sozinhos. Uma das es a égias pa a que o clien e pense que o/a abalhado /a es á acompanhado de mais pessoas, quando es á só, é echa algumas po as e coloca som nos compa imen os, po exemplo, de um ele iso . Con udo, dois dos en e is ados, salien am que, mais impo an e do que es e ipo de es a égias, é a negociação com o clien e que se e ela undamen al pa a e i a si uações de iolência- “Se a gen e mos a as coisas que que emos de uma o ma bem sociá el, não há con usão” (E7). 65 ii. Pe ceções sob e os p oje os e écnicos de edução de iscos 14 A elação es abelecida en e os/as TS e os p oje os de edução de iscos aca e a pa a aqueles á ios bene ícios. Desde logo, os/as TS ealçam a opo unidade de ob e em p ese a i os e ou os ma e iais de o ma g a ui a, mas ambém a possibilidade de consegui em in o mações em di e sas á eas. Como diz E8: Eu acho ixe po que le a a é às pessoas conhecimen o, in o mação…po que há pessoas que es ão aqui que eu ejo e que não êm o ien ação nenhuma (…) Há ce as coisas que ele alou comigo que eu não sabia, que eu não inha in o mação. (E8) De ac o, os con ac os p esenciais e sis emá icos que são es abelecidos pe mi em cons ui uma elação de con iança, c iando um espaço p opício à cla i icação de mi os e à a aliação de compo amen os, mas ambém à minimização do sen imen o de isolamen o social. As a aliações que azem sob e o abalho das ONG nos con ex os de abalho sexual são mui o posi i as e os/as TS salien am as capacidades écnicas e humanas dos p o issionais. O seguin e exce o é um bom exemplo dessas ap eciações: Acho an ás ico. Sabia que ha ia alguns g upos de apoio a p o issionais de sexo, mas é um abalho no á el e que acho essencial pa a es es g upos mino i á ios de ido a es a mesma solidão e ao ac o de es e abalho se um bocado ma ginalizado. É uma ajuda, é um pon o de apoio e que pe manece, sabe-se que não é só a dis ibuição de p ese a i os, pode-se e consul as de psicologia, acompanhamen o social e de dia a dia… es ão p eocupados pa a sabe se a pessoa es á bem, se su giu algum p oblema… isso é mui o impo an e (E5). 14 Embo a alguns do/as TS possam se ab angidos po mais do que um p oje o de in e enção e po ou o/as écnico/as, es as pe ceções e e em-se sob e udo ao p oje o HOSHO e àquele que oi o seu p incipal in e en o , o mediado social. 66 O des aque dado às qualidades humanas e, em especial, à ajuda na esolução de p oblemas que pa eciam di íceis de soluciona é ambém enunciado pelos/as TS, al como explica E7: Olha eu acho que é algo de mui a dedicação, po que ele é mui o p es a i o, ele explica…eu ac edi o que ele é um p o issional como eu, eu acho que ele ado a o que ele az. Ele é ma a ilhoso, po que eu pa a consegui pega os emédios iquei mais de 4 meses. E ele ajudou, ele esol eu udo pa a mim… e eu já inha ido à associação X. e não esol eu nada e ele em ês empos ez udo, ag adeço mui o dele… Além do mais, salien am que a abo dagem ei a, pa a além de se educacional, o necendo conhecimen os e compe ências aos TS, é ambém cen ada no indi íduo, abalhando com es es em unção de si p óp ios, esponsabilizando-os e pe mi indo o seu desen ol imen o. Como sin e iza E4: “In o mação nesse caso é consciencializa mas não passa a mão na cabeça”, o que pa ece se um econhecimen o duma abo dagem que não é me amen e assis encialis a, mas empode an e. 67 Conclusões e no as inais A quan idade e a qualidade dos dados pa en es nes a in es igação es ão bem e idenciadas e o am discu idas ao longo des e ela ó io. A sua pe inência e a ualidade o am ambém, já, enunciadas na pa e in odu ó ia des e abalho. Cump e, ago a, pa a inaliza , salien a alguns dos esul ados que pa ecem mais ele an es. Os TS de apa amen o da zona da G ande Lisboa que in eg a am es a in es igação êm um conjun o ala gado de ca ac e ís icas sócio demog á icas, no que espei a ao sexo, à o ien ação sexual, à iden idade de géne o, à escola idade, à idade e à nacionalidade, sendo que, no caso des as duas úl imas, há um p edomínio dos/as jo ens es angei os/as. A di e sidade ambém se encon a pa en e no que esul a da análise das en e is as ap o undadas, designadamen e quan o às aje ó ias de ida dos/as en e is ados/as, pois es as incluem múl iplas expe iências, pe cu sos e mo i ações. O mo i o p incipal pelo qual inicia am e se man êm no abalho sexual é económico, endo, no en an o, sido indicadas ou as mo i ações, embo a menos exp essi as. Es e mo i o é igualmen e e iden e nas en e is as, sendo que, a a és des as, comp eende-se que a necessidade inancei a ou o desejo de ganha mais dinhei o su gem em si uações di e sas e associados a dis in os a o es que não são necessa iamen e económicos. De salien a que, no que conce ne à azão de en ada no sexo come cial, apenas uma das inqui idas e e e que oi coagida a azê-lo, o que con a ia alguns dos discu sos adicionais sob e a p os i uição que iden i icam a en ada na p os i uição como esul ado da al a de libe dade de escolha e de ação. Ainda mais, a ando-se de uma amos a maio i a iamen e cons i uída po imig an es e de, an as ezes, se ei a uma equi alência en e mig an es no comé cio do sexo e í imas de á ico e explo ação sexual, es e dado adqui e ainda maio ele ância na medida em que descons ói essa iden i icação que pa ece, des a ei a, não e consis ência empí ica – o que, aliás, oi já e idenciado em ou as in es igações (e.g. Al im, 2013; Oli ei a, 2011; Ribei o e al., 2008, em Po ugal ou, pela p oximidade cul u al e geog á ica, Oso, 2006, na Galiza, em Espanha). 68 O abalho sexual é is o pelos/as TS como endo aspe os posi i os e nega i os, o que pode esul a em ambi alência, incoe ência e con adições. Nas en e is as, que pelo seu ca ác e melho cap am os sen idos dos a o es, es a ambi alência su ge bem pa en e, no ando-se um con as e nos seus discu sos. Se, po um lado, azem e e ência à au o-es ima e à au o- alo ização deco en es da a i idade sexual come cial, po ou o, enunciam a e gonha e a des alo ização que lhe su gem associadas. Como a i mamos em ou o abalho (Oli ei a, 2011), es as incoe ências êm a sua aiz na eação social nega i a ao abalho sexual. Os TS con i mam que, en e ou as, a g ande an agem da sua a i idade é económica, mas sen em de o ma se e a o es igma que lhes é a i ado, os insul os que lhes são di igidos e os iscos que co em. É es e es igma que jus i ica que, quando eco em a um p o issional de saúde, g ande pa e dos inqui idos ocul e semp e ou quase semp e a sua a i idade, o que nos pa ece me ecedo de edob ada a enção pelas consequências ad e sas que daí podem ad i . O abalho sexual de apa amen o não implica habi ualmen e uma ca ei a na p os i uição, pois a pe manência na a i idade em em média uma du ação baixa, con udo, en ol e uma mobilidade e i o ial, seja en e cidades ou en e países, que podem es a elacionados com a g ande quan idade de imig an es p esen e no abalho sexual a ual. As no as o mas e con ex os do sexo come cial e as ecen es manei as de publici ação des as p á icas, que es ão pa en es nes a in es igação, e idenciam ainda uma g ande au onomia e con olo sob e as condições de abalho dos p o issionais do sexo. Apenas 1/5 de odos os inqui idos são ge idos po e cei os, sendo que os es an es abalham de o ma au ónoma ou em coope a i a - o que es á em consonância com ou as pesquisas, an o em Po ugal (e.g. Oli ei a, 2011; Ribei o e al., 2005), como em ou os con ex os (Vanwesenbeeck, 2001). Um dos aspe os nega i os liga-se com o impac o que es e abalho pode e na saúde. O sexo come cial é desempenhado a empo in eg al po ¾ dos TS, que aí despendem mui as ho as diá ias e mui os dias po semana. Pa a alguns dos TS que pa icipa am nes a in es igação, es e abalho é mesmo desempenhado 24 ho as po dia (26,4%) e se e dias po semana (quase me ade deles). Além dis o, mui os dos TS abalham no mesmo local em que 75