O Lugar na escola - Ensino Profissional contextos organizativos e dinâmica social (da crítica e da utopia)
Full text
José Ca los da Sil a Al es
O luga na escola
Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social
(da c í ica e da u opia)
Disse ação ealizada no âmbi o do Mes ado em Sociologia, o ien ada pelo
P o esso Dou o Ca los Manuel da Sil a Gonçal es
Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o
se emb o de 2015
O luga na escola
Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social
(da c í ica e da u opia)
José Ca los da Sil a Al es
Disse ação ealizada no âmbi o do Mes ado em Sociologia, o ien ada pelo P o esso
Dou o Ca los Manuel da Sil a Gonçal es
Memb os do Jú i
P o esso Dou o Ca los Manuel da Sil a Gonçal es
Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o
P o esso a Dou o a Na ália Ma ia Aze edo Casquei a
Faculdade Le as da Uni e sidade do Po o
P o esso a Dou o a Ma ia Luísa Pa en e Pinhei o de Almeida
Escola Supe io de Ciências Emp esa iais do Ins i u o Poli écnico de Viana do Cas elo
Classi icação ob ida: 14 alo es
Po ex ao diná io que pa eça, o Pa aíso exis e e es á ao
nosso alcance: ao cimo da Calçada, quase no encon o de ês uas,
mas ecolhido e ausen e. Desde a Sé lá em baixo, o labi in o das uas, a
meia-la anja, a íng eme ladei a com os g adeamen os polidos como
b onze, os elhados sob epos os, a capela semp e echada – udo is o
o ma um p esépio e guido sob e mu os e socalcos de ja dins onde se
deb uçam elhas pimen ei as, epadei as e lo es mal cuidadas, e se
enxe gam painéis de an igos azulejos.
Escola do Pa aíso
José Rod igues Miguéis
Toda a pessoa em di ei o à educação. A educação de e se g a ui a,
pelo menos a co esponden e ao ensino elemen a undamen al. O
ensino elemen a é ob iga ó io. O ensino écnico e p o issional de e se
gene alizado; o acesso aos es udos supe io es de e es a abe o a odos
em plena igualdade, em unção do seu mé i o.
(Decla ação Uni e sal dos Di ei os do Homem, A º 26, nº 1)
O Es ado p omo e a democ a ização da educação e as demais
condições pa a que a educação, ealizada a a és da escola e de ou os
meios o ma i os, con ibua pa a a igualdade de opo unidades, a
supe ação das desigualdades económicas, sociais e cul u ais, o
desen ol imen o da pe sonalidade e do espí i o de ole ância, de
comp eensão mú ua, de solida iedade e de esponsabilidade, pa a o
p og esso social e pa a a pa icipação democ á ica na ida colec i a.
(Cons i uição da República Po uguesa, A º 73º, nº 2)
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
Sumá io
Ag adecimen os............................................................................................................................ III
Resumo........................................................................................................................................... V
Abs ac ....................................................................................................................................... VII
Résumé......................................................................................................................................... IX
In odução....................................................................................................................................... 1
Capí ulo I - Quad o eó ico............................................................................................................. 3
1.1. Desigualdades sociais e educação................................................................................ 3
1.1.1. Di isão social do abalho e classes sociais.................................................. 8
1.1.2. Re lexi idade social: os «sen idos da escola»............................................. 11
1.1.3. Luga es de classe e o luga na escola.......................................................... 12
1.2. Socialização amilia e educação: no as p é ias........................................................ 13
1.2. 1. As eo ias da ep odução cul u al............................................................... 15
1.2.1.1. A escola sociológica anglo-ame icana......................................... 15
1.2.1.2. A escola sociológica ancesa....................................................... 24
1.2.1.3. A escola como disposi i o de pode em Foucaul ....................... 25
Capí ulo II - O ensino em Po ugal............................................................................................... 28
2.1. Quad o ge al............................................................................................................... 28
2.1.1. P incipais linhas de in es igação................................................................. 28
2.1.2. Ques ões le an adas pelas ias p o issionalizan es em Po ugal................ 29
2.2. Pa a uma a queologia do ensino p o issional. Do cuidado dos mais acos à escola
pa a odos (do «pila da assis ência» ao «pila do p og esso») ........................................ 31
2.3. Resenha his ó ica dos ma cos p incipais da e olução do ensino écnico e p o issional
em Po ugal....................................................................................................................... 36
Capí ulo III – Me odologia........................................................................................................... 52
3. 1. Fo mulação das hipó eses de abalho...................................................................... 52
3.2. De inição dos concei os e iden i icação das a iá eis. A cons ução do modelo de
análise................................................................................................................................ 53
3.3. As écnicas de inqué i o aplicadas............................................................................. 55
3.4. Algumas ca a e ís icas da amos a............................................................................. 56
Capí ulo IV - Os o mandos inqui idos........................................................................................ 60
I
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
4. 1. O igem geog á ica e social ...................................................................................... 60
4.2. T aje o ias, expe a i as e escolhas............................................................................. 63
4.3. A opção pelo ensino p o issional.............................................................................. 67
4.3.1 Razões da escolha da escola e do cu so...................................................... 67
4.3.2. A aliação das condições da escola e da qualidade do cu so....................... 69
4.3.3. Fo mação em con ex o de abalho: o es ágio cu icula ............................ 70
Capí ulo V - Expe a i as e p oje os u u os.................................................................................. 72
5.1. «Depois de e mina es o cu so, o que encionas aze ?»........................................... 72
5.2. En e o possí el e o p o á el: «a anja um emp ego ou al ez en a no ensino
supe io »............................................................................................................................ 75
Conclusão...................................................................................................................................... 83
Bibliog a ia................................................................................................................................... 88
Anexos
Anexo 1 ─ Quad os
Anexo 2 ─ Figu as
Anexo 3 ─ Ques ioná io es u u ado
II
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
Ag adecimen os
Ao Senho P o esso Dou o Edua do Vi o Rod igues que o ag adece o es ímulo e a
disponibilidade iniciais.
Ao Senho P o esso Dou o Ca los Manuel Gonçal es que o ag adece e acei ado a
o ien ação do p esen e abalho.
À Di eção do Cu so de Mes ado em Sociologia que o ag adece a gen ileza e
comp eensão de que me ize am odea .
A odos os p o esso es da componen e le i a do Cu so, o meu especial ag adecimen o po
compa ilha em do seu conhecimen o.
A odos os Colegas do Cu so que o ag adece o companhei ismo e a amizade.
Às Ins i uições de Ensino P o issional que pa icipa am no inqué i o, o meu
ag adecimen o pela ece i idade e o acolhimen o dispensados, sem os quais a ealização do
p esen e abalho não e ia sido possí el.
Um especial bem haja a odos os Fo mandos que colabo a am no inqué i o.
Aos Senho es P o esso es e Fo mado es das Ins i uições de Ensino P o issional, um
especial ag adecimen o pela gene osidade demons ados na cedência de uma pa e do seu empo
le i o.
Um especial bem haja às Di eções dos Es abelecimen os de Ensino P o issional nas
pessoas dos seus Di e o es/Di e o as, a Senho a Dou o a C is ina Bas os do IPTA ˗ Ins i u o
P o issional de Tecnologias A ançadas, à Senho a Dou o a Olga Vide do FOR-MAR ˗ Cen o de
Fo mação P o issional das Pescas e do Ma , à Senho a Dou o a Lucinda Gonçal es do CECOA ˗
Cen o de Fo mação P o issional pa a o Comé cio e A ins e à Senho a Dou o a Manuela Oli ei a
da Escola A ís ica Soa es dos Reis.
À minha amília que o ag adece o amo e o apoio acul ados.
À minha amiga e companhei a de semp e, ag adeço odo o amo e dedicação.
III
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
X
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
In odução
O p esen e abalho de in es igação sociológica é dado à ap esen ação de p o as
académicas no âmbi o do Mes ado em Sociologia. A edação do ex o oi obje o de um a u ado
p ocesso de e lexão e esc i a, que explicam em pa e a demo a na sua elabo ação. Es a demo a
de e-se às di iculdades sen idas pelo au o na de inição do p oblema de pesquisa, que o
ob iga am a uma lei u a a u ada e ala gada de um as o conjun o de ob as e a igos sob e a
emá ica do ensino p o issional, assim como de ou as ma é ias, sob e udo as que se elacionam
com o pensamen o e a pesquisa sociológica. Em consequência, a aplicação dos ins umen os de
ecolha de dados co eu céle e e a pesquisa empí ica icou um pouco aquém do núme o de
indi íduos inqui idos, das en idades e á eas geog á icas ab angidas pelo inqué i o. Ac escem a
es as di iculdades ou as, como os cus os com a ep odução de exempla es do ques ioná io, as
deslocações pa a o con ac o das ins i uições, e c., que se explicam pelas condições económicas
de i adas da si uação p o issional do au o do p esen e es udo à al u a (si uação de desemp ego),
e po en u a, à al a de um undo de maneio p óp io cub isse a enpadamen e pequenas despesas
di e sas ( o ocópias, deslocações, e c.) sem e de espe a pelo esul ado da candida u a a
concu sos e a apoios ins i ucionais, mui as ezes es i os a p oje os de in es igação de
en e gadu a, e dependen es do es a u o e do econhecimen o académico e cien í ico do
in es igado /candida o.
As di iculdades do p ocesso da pesquisa social su gem bem iden i icadas po Ví o
Ângelo em “O Ensino Disc imina ó io: Liceu e Escola Técnica - Resul ados de Um Inqué i o”
(1975). Conside a o au o que po melho que seja a p epa ação do in es igado p incipian e, o
con ac o com o obje o de es udo não con e e a es e a expe iência necessá ia à co e a e e icien e
o ganização do abalho de in es igação1. Implica um abalho a u ado e mo oso, nem semp e
bem sucedido. A necessidade de a ança na pesquisa sem a necessá ia e lexão p é ia, pode
conduzi a esul ados desas osos. A pesquisa cien í ica unciona nes e sen ido como um puzzle.
É um p ocesso complexo e in e ligado. Todas as pa es des e p ocesso conco em pa a a sua
de inição. A lógica e cla eza com que o obje o é explici ado de ine po si só a qualidade da
pesquisa. A pesquisa social exige do in es igado qualidades écnicas e pessoais. O
conhecimen o eó ico e o domínio das écnicas de in es igação, assim como a ma u idade
1 Relemb e-se a es e í ulo Sedas Nunes e a o ma como de ine ciência. Pa a es e sociólogo po uguês, a ciência é
um p odu o, um “co po de conhecimen os e de esul ados”. É ambém “um sis ema de p odução”, is o é, “um
sis ema de ac i idades p odu o as de conhecimen os cien í icos” (Sedas Nunes, 1994: 30).
1
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
in elec ual do in es igado , a sua imaginação sociológica, a capacidade de esis ência ao cansaço,
a sua in uição e sub ileza de espí i o, a capacidade de an e isão do obje o e dos p oblemas que
ele le an a, são a o es que in luenciam a qualidade da pesquisa cien í ica. Po ou o lado, a al a
de um g upo de abalho explica as di iculdades e p oblemas da pesquisa social. A colabo ação é
ú il, é es imulan e, possibili a a ino ação e a di e sidade de ideias e de me odologias. É de odo o
in e esse que o in es igado se possa odea de uma equipa écnica de apoio (c . Ângelo, 1975).
O p esen e es udo deco eu en e os anos de 2012 e 2015.2 Como se e e iu acima, as
di iculdades e os p oblemas le an ados pela cons ução do p oje o de in es igação e a sua
aplicação empí ica, e le em os p oblemas apon ados po Ângelo, ela i os ao p ocesso de
pesquisa, bem como às con ingências da subje i idade p óp ia e das condições de ida do
in es igado .
O ex o é cons i uído po duas componen es: uma eó ica e ou a empí ica. A componen e
eó ica in eg a os capí ulos I, II e III. Expõem-se nes es ês capí ulos as eo ias que enquad am a
p oblemá ica de pesquisa, as hipó eses explica i as e a me odologia ado ada pa a a ecolha e
análise dos dados e o espe i o ins umen o. A componen e empí ica in eg a, po sua ez, os
capí ulos IV e V, onde se ap esen am os esul ados do inqué i o e as espe i as sín eses, assim
como um capí ulo dedicado às conclusões.
Qual a u ilidade da p esen e in es igação? Es a ques ão em subjacen e a emá ica − o
ensino p o issional em Po ugal − e o seu enquad amen o no sis ema de ensino po uguês. Exis e
uma opinião ge al a o á el ao ensino p o issional. São mais à en e assinaladas algumas das
i ualidades que es e subsis ema ap esen a, sublinhando assim o seu papel e unções no sis ema
de ensino. As al e ações po que o ensino p o issional em passado em Po ugal nos úl imos anos
e idenciam as di iculdades ine en es à sua p esença ecen e no país.
2 O esboço do p oje o da p esen e in es igação su giu ainda em 2011.
2
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
Capí ulo I - Quad o eó ico
1.1. Desigualdades sociais e educação
Como pon o de pa ida, o en oque dado no p esen e es udo às ep esen ações3 dos jo ens
e adul os que equen am o ensino p o issional de ní el secundá io4. Um conjun o de imagens
sob e o ensino p o issional e os públicos que o equen am eme ge das opiniões dos
alunos/ o mandos quando inqui idos sob e as ins i uições e cu sos equen ados, embo a ainda
que il adas pela di e i idade do inqué i o. As ins i uições de ensino p o issional possuem
especi icidades, con e idas po o ganig amas, agen es e públicos dis in os e dis in i os de ou os
subsis emas. Po ou o lado, a ques ão dos «jo ens p oblemá icos» e a sua p esença no ensino
p o issional não su ge no p esen e es udo como p oblema sociológico aun ónomo. A p esença de
públicos «di íceis» se ia, de aco do com alguns au o es, ca a e ís ica des e ipo de ins i uições.
Não ha endo consenso quan o às causas da con li ualidade i ida nas escolas, a sua ligação com
ou os aspe os como a al a de condições nas escolas, as baixas quali icações escola es e as
condições de ida p ecá ias do meio p óximo, ajuda iam a comp eende em pa e enómenos
como a indisciplina e o abandono escola es. A ligação des es enómenos à p oblemá ica do
desin es imen o escola de jo ens e amílias na escola, pa ece aqui ób ia e pe inen e em ace
dos discu sos polí icos e de senso-comum e da e lexão sociológica p oduzida.
A p odução sociológica sob e o ensino p o issional ainda é ela i amen e escassa em
Po ugal, ac o que se explica em g ande medida pela ecen e implan ação daquele subsis ema
em Po ugal, apesa da sua o igem emon a à á ios séculos, pela ação das ins i uições eligiosas
e da e o ma do ensino emp eendida pelo Ma quês de Pombal em medados do século XVIII,
que passando pelas «escolas de o ícios» na igência do Libe alismo no século XIX seguida da
implan ação da República em 1910, que passando pelas «escolas écnicas» no pe íodo do
chamado «Es ado No o». Mais ecen emen e, o ensino p o issional e e um decisi o impulso
com a en ada de Po ugal na Comunidade Económica Eu opeia (CEE), mais a de designada
União Eu opeia (UE). Es e eno ado impulso do ensino p o issional nos úl imos anos oi
3 No sen ido de ep esen ações cole i as ou pa ilhadas, con o me lhe oi con e ido pela p imei a ez po Du kheim
(1898). O concei o de ep esen ações sociais é de inido po es e au o , como um conjun o de c enças e opiniões
pa ilhadas po um g upo social, es abelecendo modos de pensamen o comuns, egulado es e legi imado es dos
compo amen os dos g upos sociais.
4 O ques ioná io inclui uma úl ima secção di igida a ex-alunos/ o mandos das ins i uições de ensino p o issional. Po
azões a inen es com o momen o e empo disponí el pa a a adminis ação do inqué i o, não oi possí el o seu
con ac o em empo ú il. Po an o, es a pa e do ques ioná io não su ge p eenchida.
3
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
acompanhado pelo a luxo de undos comuni á ios. Desde en ão, os go e nos ou o ga am a es e
um no o papel na educação e o mação dos jo ens. Nomeadamen e, no comba e ao absen ismo,
abandono e insucesso escola es, pa icula men e no ó ios nos g upos sociais mais ulne á eis.
P ocu ando do a es es g upos de melho es ní eis de escola idade e de o mação p o issional,
que pe mi am uma in eg ação p o issional bem sucedida, sem p ejuízo do e en ual
p osseguimen o de es udos supe io es. Abandonou-se en e an o o sis ema de ensino de ia
única. In oduzi am-se modelos pedagógicos adap ados às necessidades de g upos especí icos,
di e si icando assim a o e a cu icula , nomeadamen e do ando-a de maio lexibilidade e
o ien ando-a pa a uma ap endizagem p á ica. P ocu ou-se o na as o e as mais a a i as pa a os
públicos à mui o a edados do sis ema de ensino, pondo em p á ica medidas que a o eçam a
ap endizagem ao longo da ida.
A eo ien ação das polí icas educa i as sin e izadas em noções o nadas comuns como
«ap endizagem ao longo da ida» e «igualdade de opo unidades», denunciam o impac o dos
con ex os sociais de ap endizagem nas sociedades de capi alismo a ançado na manu enção das
cli agens económicas, sociais e cul u ais. Es a p oblemá ica é desde à mui o obje o da a enção
dos sociólogos. Mas é com Bou dieu e Passe on que a análise das desigualdades sociais baseadas
nas di e enças de li e acia e cul u ais ganham uma especial a enção com a « eo ia da ep odução
social». Bou dieu e Passe on ado am como pon o de pa ida a conceção ma xis a e a p imazia
dada po es a eo ia à es u u a económica na explicação das di e enças económicas, sociais e
cul u ais en e as classes sociais. A « eo ia da ep odução social» e o mula a p io idade dada
pelo ma xismo à es u u a económica, colocando a pa des a ou os a o es explica i os como a
cul u a e a «o dem do simbólico», a a és da cul u a he dada do meio amilia e social a a és da
posse de diplomas escola es e do (maio ou meno ) con ac o com a cul u a e udi a. A « eo ia da
ep odução social» em Bou dieu ele a assim ou os aspe os como os deco en es do ipo de
socialização e acul u ação à no ma pad ão. Assim, à combinação dos aspe os ma e iais, cul u ais
e sociais, co esponde iam di e en es ipos de «capi ais». Com o igens di e en es, os di e en es
capi ais nem po isso deixam de ap esen a p op iedades comuns, cuja posse con e e uma ce a
an agem ou pode aos indi íduos e g upos.5 Assim, as disc epâncias de esul ados escola es e as
di e enças de a i udes e compo amen os ace à escola e i icados en e di e en es g upos pode ia
se explicado não só pelas di e enças económicas en e es es, mas nas di e enças cul u ais e
5 A es e espei o, Ab an es conside a que Bou dieu “cons ói um espaço social, no qual os ac o es se localizam com
base em ês ipos de capi ais: económico, cul u al e social” (Ab an es, 2003: 14).
4
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
sociais he dados e adqui idos ao longo do p ocesso de socialização. A « eo ia da ep odução
social» ques iona o papel democ a izado da escola apon ando um conjun o de anac onismos e
de iciências p esen es nes a, que con ibuem pa a o «e ei o de ep odução» das desigualdades
sociais. Es e e ei o de ep odução pode se sin e izado pelo seguin e: os indi íduos e g upos do
opo da pi âmide social êm à pa ida maio es possibilidades de sucesso do que aqueles que se
encon am na base des a. Um meio amilia de meno es ecu sos – económicos, ma e iais e
sociais – de e mina ia em úl ima ins ância as possibilidades de sucesso dos seus memb os mais
no os em idade escola , e mais a de no emp ego, assim como nou os con ex os. A posse de
di e en es capi ais p oduz po isso e ei os cumula i os. Is o é, uma amília abas ada pode á
coloca os seus ilhos nas melho es escolas. Uma amília pob e e á que se sujei a a coloca os
ilhos em escolas públicas, localizadas em á eas dep imidas onde o ambien e social aí i ido é
di ícil, e c. A c í ica de Bou dieu e Passe on ao modelo de escola e de ensino ado ado pela escola
pública no pós-gue a em F ança não implica que não lhe econheçam i ualidades. A escola é
um ins umen o p i ilegiado de mobilidade social ascenden e. Assim, o ensino uni e sal e
g a ui o nos p imei os ní eis de escola idade, combinado com o dinamismo económico das
sociedades capi alis as do pós-gue a e o do pleno emp ego e i icados, p oduziu um e ei o de
ala ancagem social pa a mui os indi íduos o iundos de es a os sociais menos capi alizados,
con ibuindo pa a o c escen e peso das classes médias em F ança e nas ou as sociedades
ociden ais desen ol idas. As classes médias em c escimen o e cada ez mais he e ogéneas en e
si, se iam assim p odu o de uma sociedade de pleno emp ego e de bem-es a . O in e esse des es
g upos pela escola e a sua apos a em pe cu sos escola es longos, se ia simul aneamen e na u al e
necessá ia, em ace das aspi ações c iadas, pa a si e pa a os seus ilhos.
Bou dieu e Passe on in luencia am o pensamen o sociológico, pa icula men e, en e os
inais dos anos 60 e as décadas de 70 e de 80 do século XX. Ainda hoje a escola con inua a se
pe spe i ada po mui os sociólogos como um ins umen o de con olo do Es ado bu guês e das
classes dominan es (Bena en e, 1994; Sebas ião, 1998; Ga cia, 2000; Ab an es, 2003). A
in luência des es dois au o es no pensamen o sociológico po uguês o nou-se mais no ó ia com a
implan ação da democ acia polí ica. As e o mas sociais e educa i as ence adas em Po ugal no
pós-25 de Ab il e le em os p incípios cons i ucionais es abelecidos em 1976, isando a melho ia
das condições de ida da população. Passados 40 anos sob e a Re olução do 25 de Ab il, log ou-
se eduzi signi ica i amen e o anal abe ismo en e a população e aumen a am-se os ní eis ge ais
5
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
de escola idade. As polí icas educa i as p ocu a am e e e as axas de insucesso e abandono
escola es. O enómeno da ejeição da escola, assim como os compo amen os des ian es en e
ce os es a os jo ens, o na am-se obje o de medidas especí icas do Es ado, não deixando po
isso de se pe spe i ados po alguns in es igado es como sinais da agilidade do modelo escola
e social da sociedade po uguesa. A al a de qualidade do ensino, a indisciplina na sala de aula, a
pe da de au o idade dos p o esso es, en e ou os p oblemas comummen e apon ados,
cons i ui iam o p enúncio da alência do sis ema de ensino. Pa a os mais ex emis as, se ia
mesmo necessá io e o na a um ipo de ensino au o i á io e socialmen e sele i o. A pe spe i a
ado ada no p esen e es udo enca a o insucesso e o abandono escola es enquan o esul ado da
con luência de enómenos es u u ais du adou os e de enómenos sociais dinâmicos, cujo
impac o a ní el mac o e mic ossocial, podem se obse ados nas condições e aje ó ias de ida
de g upos e de indi íduos. Ab an es e e e a es e í ulo que o “insucesso escola ge a um
aumen o dos compo amen os indisciplinados e um dec éscimo do in es imen o de pais,
p o esso es e dos p óp ios alunos, sob e udo quando se a a de c ianças indas de meios
des a o ecidos, culminando mui as ezes no abandono – e a associa -se a dinâmicas mais
ge ais de exclusão social” (Ab an es, 2003: 34-35). A elação en e o meio social e o meio
escola é ealçada pelo au o , conside ando pa a o e ei o que,“ampliado pelo pouco in es imen o
das classes des a o ecidas na escola, de ido à in e io ização das suas possibilidades e ec i as
(subjec i ação da obje i idade) e a con icção en aízada de que o seu acasso se de e a pu a
incapacidade (a ideologia do dom)” (Ab an es, 2003: 13).6 O in es imen o escola se ia
consequência da «socialização escola di e encial», em que “as acções com mais capi al
cul u al endem a in es i mais na educação dos seus ilhos e ao mesmo empo, nas p á icas
cul u ais p óp ias à manu enção e ac éscimo da sua a idade especí ica” (Bou dieu, 1979: 133,
ci ado de Ab an es, 2003: 14). Po ou o lado, Ab an es obse a que “algumas ações
bu guesas p ocu am ope a uma econ e são dos capi ais económicos em í ulos escola es de
modo a assegu a a manu enção de uma posição p i ilegiada” (Ab an es, 2003: 14). Ab an es
conclui nes e sen ido que, a “in lação (e consequen e des alo ização) dos í ulos escola es
esul a assim das lu as en e os g upos sociais pa a melho a a sua posição no espaço social”
(Ab an es, idem, ibid.). O des asamen o en e as expe a i as acalen adas e as opo unidades
6 Bou dieu ala a es e í ulo de um «habi us» de classe, enquan o “sis ema de pe ceções e classi icações, es u u ado
pelas condições de exis ência e es u u ado das p á icas dos indi íduos, assegu a a in e io ização desse espaço
social e a sua con ínua a ualização a a és dos compo amen os dos agen es” (Ab an es, 2003: 14 [Bou dieu,
1979]).
6
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
concedidas, susci a em mui os jo ens sen imen os de an ipa ia e ejeição da escola. Ab an es
econhece, po ou o lado, que“[a]s escolas não são me amen e ins i uições de ep odução,
ins i uições em que o conhecimen o explíci o e implíci o ensinado molda os es udan es como
se es passi os que es a ão ap os e ansiosos po adap a -se a uma sociedade injus a” (Ab an es,
2003: 13 [Apple, 1985: 31-32]). A escola é assim pe cecionada pelas di e en es classes sociais
como um meio de ascensão social (c . Magalhães, 1994).
Se a escolha do ensino p o issional cons i ui a ia pa a a en ada com sucesso no me cado
de abalho e/ou pa a o p osseguimen o de es udos supe io es, pa a a maio ia não deixa de
cons i ui de ac o o caminho possí el, em ace da necessidade de supe a di iculdades no aje o
escola . Ma ia Helena Camacho Cos a em O Ensino P o issional: Um Desa io Pa a os
P o esso es (2010), conside a que “in luenciados ou não pelos pais, amigos ou os p o esso es,
os jo ens que chegam ao ensino p o issional após o 9º ano êm, na ealidade pe cu sos
escola es, mo i ações e a i udes mui o di e sas que condicionam o seu sucesso e a sua u u a
in eg ação na ida ac i a (...) na sua maio ia, são indi íduos que ejei a am o sis ema o mal de
ensino onde conhece am o insucesso” (Camacho Cos a, 2010: 54). Assoma aqui a con o é sia
sob e o ca á e subsidiá io ou a na u eza eco en e do ensino p o issional. Camacho Cos a e e e
a es e p opósi o:
“Po ezes saudosos dos an igos cu sos das Escolas Técnicas que an os p o issionais
compe en es coloca am no me cado de abalho, ou simplesmen e conscien es de que a escola
gene alis a não se e os in e esses de odos os alunos, nem os p epa a pa a a ida ac i a a
b e e p azo, os de enso es de um ensino p o issionalizan e encon am esis ências po pa e
de mui os p o esso es do ensino básico e secundá io público que êem com maus olhos a
chegada dos cu sos p o issionais às suas escolas. São á ios os a gumen os que es es
ap esen am pa a al a i ude, uns mais álidos do que ou os, mas o que po ezes ica ocul o e
dis a çado sob apa en es azões de ges ão de ecu sos humanos, de logís ica ou de “ ocação
da escola” é, na ealidade, algum eceio de en en a os desa ios que o ensino p o issional
coloca hoje aos p o esso es” (Camacho Cos a, 2010: 47).
A au o a expõe alguns dos p oblemas que o ensino p o issional en en a e que se es endem
ao es an e sis ema de ensino. Desde logo, a ges ão de no os p og amas, a o ganização modula
das ap endizagens, a necessidade da o mação de p o esso es, a he e ogeneidade de públicos
(alunos/ o mandos), a escolha das me odologias de ensino/ o mação, o diálogo en e os di e sos
agen es (polí icos, docen es, uncioná ios), a abe u a das escolas à sociedade, e em pa icula , às
7
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
emp esas, a impo ância do ensino o mal e não o mal, o papel do p o esso na escola, as
necessidades do me cado de abalho, e c. (Camacho Cos a, 2010: 47-48) A escola não cons i ui
como al uma ins i uição social es anque.
1.1.1. Di isão social do abalho e classes sociais
As classes sociais7 êm sido uma e amen a u ilizada em sociologia pa a a análise de
múl iplos enómenos sociais. Apesa disso, não deixou de se obje o de in ensos deba es e de
con o é sias di e sas. A noção de classe social em sido iden i icada com a co en e de
pensamen o ma xis a, da elação que es a co en e de pensamen o es abelece en e o modo de
p odução capi alis a e a o mação das classes sociais no pe íodo da Re olução Indus ial. Os seus
p incipais eo izado es o am Ka l Ma x8 e F ied ich Engels9. A eo ia das classes sociais oi
sendo obje o de sucessi as e isões. Em Po ugal, e i a-se en e ou os o abalho de Elísio
Es anque e José Manuel Mendes em Classes e Desigualdades Sociais em Po ugal: Um Es udo
Compa a i o. Es es dois au o es e omam a noção de classes sociais desen ol ida pelo sociólogo
no e-ame icano E ik Olin-W igh . No p ólogo dão con a de que “en e os que de endem a
impo ância da classe não exis e consenso nem quan o à sua de inição nem quan o ao luga que
de e ocupa numa eo ia mais as a” (Es anque e Mendes, 1997: 7). Conside am, po ou o
lado, que “uns a gumen am que as classes são acima de udo ca ego ias de pessoas que
pa ilham «opo unidades de ida» comuns, enquan o ou os a gumen am que o núcleo eó ico
do concei o de classe é a «explo ação» e a «dominação»” (Es anque e Mendes, id., ibid.). No
que uns en endem as classes sociais como sendo “essencialmen e um concei o que designa
g upos sociais com iden idades e o ien ações comuns em elação à ação, ou os eem a classe
p incipalmen e como um concei o es u u al, uma o ma de iden i ica as localizações sociais
que as pessoas ocupam” (Es anque e Mendes, id., ibid.). É nes e quad o de con on o de pon os
de is a, que é de inida a noção de classe social.
O posicionamen o das di e en es classes sociais em elação ao modo de p odução
7 A noção de classe social ad ém do luga ocupado po cada indi íduo e g upo no p ocesso p odu i o e a sua elação
ace à p op iedade dos meios de p odução (É ienne e al., 1998: 150). O ma xismo clássico dis ingue duas classes
sociais p incipais: a bu guesia indus ial, p op ie á ia dos meios de p odução e a classe ope á ia, possuido a da o ça
de abalho (id., ibid.).
8 1818-1883.
9 1820-1895.
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
capi alis a e em elação aos meios de p odução es a iam na génese das con adições polí icas,
económicas, sociais e cul u ais des es g upos en e si. Como enunciam Es anque e Mendes:
“A ideia de que as elações en e as classes sociais no capi alismo en ol em o enómeno
da explo ação, não apenas enquan o conjun o de p á icas mo almen e condená eis (pela
injus iça que anspo am) mas p incipalmen e, enquan o elações de in e dependência
an agónica (em pa icula no caso das classes abalhado a e capi alis a), ou seja, elações
em que os in e esses ma e iais de uns e de ou os es ão em oposição, po ia da inculação
di ec a ou indi ec a (mediada pelo me cado) às elações de p odução” (Es anque e Mendes,
1997: 21).
Como exp essão do con li o (de inido pelo ma xismo a a és da noção de «lu a de
classes») esul a ia uma di isão social e um an agonismo en e os de en o es dos meios de
p odução e de capi al e aqueles que apenas possuem a o ça de abalho. Es e con li o es ende -
se-ia a ou os campos, p oduzindo po sua ez um quad o de «de e minan es simbólicos» (de
con on o de alo es, ep esen ações e a i udes) enquan o p odu os cul u ais da «di isão social e
écnica do abalho». Em Ideologia e Apa elhos Ideológicos do Es ado, Louis Al husse explica
como se p ocessa a passagem da explo ação económica à dominação polí ica e simbólica de
umas classes sob e as ou as. Como enuncia es e ilóso o, “[c]omo é assegu ada a ep odução
da o ça de abalho(?)”. Conside a com e ei o que es a é “assegu ada dando à o ça de
abalho o meio ma e ial de se ep oduzi : o salá io (...)”. Po ou o lado, conside a que
Al husse que “não bas a assegu a à o ça de abalho as condições ma e iais da sua
ep odução, pa a que ela seja ep oduzida como o ça de abalho (...). O “desen ol imen o das
o ças p odu i as” exige que “a o ça de abalho de e se (di e samen e) quali icada e
po an o ep oduzida como al (...) segundo as exigências da di isão social- écnica do abalho,
nos seus di e en es «pos os» e «emp egos»” (Al housse , 1980: 18-20). Es abelecida a base da
explo ação económica, Al husse explici a de seguida o modo como se p ocessa a dominação
simbólica. Al husse des aca o papel da escola nes e p ocesso. A escola ende a es a ao se iço
do sis ema de p odução capi alis a, legi imando os alo es da classe dominan e, a bu guesia. De
aco do com o pon o de is a do au o :
“O que se ap ende na Escola? Vai-se mais ou menos longe nos es udos, mas de qualque
manei a, ap ende-se a le , a esc e e , a con a , po an o algumas écnicas e ainda mui o mais
coisas, inclusi e elemen os (que podem se udimen a es ou pelo con á io ap o undados) de
«cul u a cien í ica» ou «li e á ia» di ec amen e u ilizá eis nos di e en es luga es de p odução
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
izinhança e os g upos de pa es endem a condiciona de modo pa icula os compo amen os e
as elações sociais dos indi íduos. As a i udes sanciona ó ias do g upo exp imem-se mui as
ezes pela chaco a e pelo insul o. As azões subjacen es à c í ica de ce os compo amen os são
mui as ezes igno ados pelos p óp ios. A comunicação e bal e não e bal em código es i o é
undamen almen e sensi i a, i ualizada e sujei a à imponde abilidade das ci cuns âncias, mais
do que à ansmissão de conhecimen o abs a o. Segundo Be ns ein, as c ianças da classe média
endem, pelo con á io, a desen ol e um código comunicacional elabo ado, num es ilo depu ado
e indi idualizado, “pa a se adap a às exigências das si uações pa icula es” (Giddens, 2002,
id., ibid. [Be ns ein, 1971]). As c ianças o iundas de meios amilia es bu gueses são mais
capazes de se exp essa a a és de gene alizações e de ideias abs a as. Po exemplo, as mães da
classe média quando sancionam o compo amen o dos ilhos, acompanham a admoes ação da
explicação da azão da mesma. Como e e e Be ns ein, “enquan o uma mãe da classe
abalhado a pode ia ep eende o seu ilho po come mui os doces, dizendo simplesmen e:
«não comes mais doces», uma mãe da classe média pode á, com maio p obabilidade, explica
que o ac o de se come mui os doces é mau (p ejudicial) pa a a saúde e pa a o es ado dos
den es” (Giddens, 2002, ibid. [Be ns ein, 1971]). Pa a Be ns ein, as c ianças que adqui i am
códigos comunica i os elabo ados, êm maio capacidade pa a lida com as exigências da
educação o mal do que as que es ão limi adas a códigos es i os. Tal não signi ica
necessa iamen e que as c ianças da classe ope á ia enham um discu so in e io ou que os seus
códigos de linguagem ap esen em insu iciências. Em ez disso, a o ma como uma c iança da
classe ope á ia usa a linguagem ende a colidi com as exigências de discu so da cul u a o mal
eiculado pelos p o esso es na escola. Aqueles que dominam os códigos elabo ados in eg am-se
com maio acilidade no ambien e escola (Giddens, op. ci ., pp. 498-499 [Be ns ein, 1971]).
O con ibu o de Be ns ein pe mi iu comp eende as azões pelas quais as c ianças dos
bai os ope á ios em Ingla e a ap esen a am pio es esul ados escola es do que as c ianças da
classe média. Be ns ein mos ou que a cul u a de o igem em “e ei os es i i os sob e as
opo unidades educacionais das c ianças das classes baixas” (Giddens, op. ci ., p. 499). Bowles
e Gin is mos a am, pelo seu lado, como a disciplina impos a na sala de aula se e a au o idade
dos p o esso es e é o ien ada undamen almen e pa a a ap endizagem.
Samuel Bowles e He be Gin is em Schooling in Capi alis Ame ica (1976), analisam o
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
sis ema educacional mode no a pa i de uma pe spe i a ins i ucional.12 Bowles e Gin is
conclui am que a educação não em con ibuído de modo signi ica i o pa a a diminuição das
desigualdades sociais.13 De aco do com os au o es, a educação mode na apenas em dado
espos a às necessidades de c escimen o económico do capi alismo indus ial.14 Conside am que
a escola mode na con ibui pa a a o mação de um exé ci o indus ial disciplinado e
hie a quizado. A escola ende a ep oduzi a au o idade e o con olo hie á quico p esen e na
áb ica. As medidas sanciona ó ias na escola, punindo os des ios de compo amen o, eplicam as
eg as e as sanções disciplina es da áb ica. Assim, a ep odução das hie a quias e dos modelos
de o ganização da escola e do abalho endem “a mo i a alguns indi íduos pa a a «conquis a»
e o «sucesso», enquan o desenco ajam ou os, que ão pa a a emp egos acamen e
emune ados” (Giddens, op. ci ., p. 500 [Bowles e Gin is, 1976)]. Bowles e Gin is não deixam
con udo de econhece o con ibu o da escola na escola ização da população. Pa a Bowles e
Gin is, as ca a e ís icas da educação mode na mais não ize am do que o na o indi íduo uma
peça mais na eng enagem do p ocesso p odu i o. A escola mode na ge a nos indi íduos
sen imen os de al a de pode , expe imen ados nou os con ex os sociais. De endem os au o es,
seguindo as pisadas de ilóso os e pensado es iluminis as, que a educação de e guia -se po
p incípios de libe dade, em que são os p óp ios indi íduos a o ganiza a sua ap endizagem e a
melho a as suas capacidades. A escola a ual ap isiona os indi íduos numa disciplina impessoal,
legi imando o mas de a bi a iedade nas elações sociais, pe pe uando o mas de desigualdade e
injus iça social. A escola induz ao con o mismo e à esignação. Bowles e Gin is de endem nes e
sen ido a exis ência de maio democ acia na escola. De endem um sis ema educa i o mais jus o,
que enha em con a as necessidades de ealização pessoal (Giddens, id., ibid.).
Em sín ese, as eo ias da ep odução cul u al15 endem a en a iza a ideia de que a escola
con ibui pa a “pe pe ua as desigualdades económicas e sociais ao longo de ge ações"
(Giddens, 2002: 502). Os au o es acima e e idos endem a ealça o ac o de que as elações
sociais es ão subme idas a mecanismos de pode e dominação. A escola não ansmi e apenas
conhecimen os. É um ins umen o de inculcação ideológica, de ansmissão de alo es cul u ais
12 Bowles e Gin is es uda am o sis ema de ensino dos Es ados Unidos. Es ende am em seguida as suas conclusões a
ou as sociedades ociden ais.
13 Bowles e Gin is c i icam o p imado dado ao mé i o escola no sis ema educa i o no e-ame icano.
14 Bowles e Gin is ap oximam-se nes e aspe o da c í ica ma xis a à di isão écnica e social do abalho na áb ica.
15 Exp essão com sen ido homólogo à de ep odução social. Es a úl ima é mais u ilizada pela sociologia ancesa.
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
(da cul u a dominan e, en enda-se). A escola eco e a uma espécie de «cu ículo escondido»,
que ende a pe pe ua os esquemas cul u ais que “ e o çam as a iações nos alo es cul u ais e
nas pe spec i as adqui idas num pe íodo an e io da ida” (Giddens, id., ibid.).
A noção de ep odução cul u al apa ece desen ol ida em Paul Willis, na ob a Lea ning
o Labou : Wo king Class Kids Ge Wo king Class (1977). Numa in es igação ealizada numa
escola de Bi mingham, Willis concluiu que as c ianças dos meios ope á ios endem a jus i ica o
insucesso escola em hipo é icas limi ações in elec uais. Nas en e is as ealizadas, e i icou que
as c ianças dos meios ope á ios endem a au o-pe ceciona -se como não sendo su icien emen e
espe as pa a alcança os melho es esul ados escola es (e mais a de, os melho es emp egos).
Pa a Willis, a ep esen ação diminuída des as c ianças de e-se à expe iência de insucesso escola
i ida e o ac o de econhece em em si acas compe ências in elec uais. As baixas expe a i as
ace aos esul ados escola es az com que espe em a anja abalhos indi e enciados, pesados e
mal emune ados. O con o mismo ace ao desempenho escola não signi ica que acei em aquela
condição (Giddens, op. ci ., p. 503, [Willis, 1977]). Willis cons a ou que as c ianças dos meios
ope á ios possuem uma expe iência de ida que designa po «sabedo ia de ua», que e idencia
ap idões e compe ências sub is e complexas. Es as ap idões mani es am-se em compo amen os
de desa io às eg as da escola e à au o idade dos p o esso es e uncioná ios, que exemplica com
o compo amen o em sala de aula, na seguin e desc ição sabo osa:
“Os memb os do g upo, que se chama am a si p óp ios «os moços» (‘ he lads’), e am
b ancos; a escola ambém inha mui os alunos neg os e asiá icos (…) es es inham um
en endimen o agudo e pe cep i o do sis ema de au o idade escola – mas usa am-no pa a
comba e esse sis ema, em ez de coope a em com ele (…) iam a escola como um ambien e
es anho, mas que podiam manipula em seu p o ei o. Ti a am p aze do con li o cons an e –
que man inham p incipalmen e ao ní el de b igas meno es – que inham com os p o esso es.
E am pe i os em descob i os pon os acos das exigências de au o idade dos p o esso es, bem
como em sabe os seus aspe os ulne á eis como indi íduos. Na aula, po exemplo, espe a a-se
que os alunos se sen assem quie os, icassem calados e izessem o seu abalho. Mas os
«moços» mexiam-se cons an emen e, à excepção do momen o em que o olha do p o esso os
gela a momen aneamen e; aga ela am sub ep iciamen e ou aziam comen á ios abe os que
e am quase uma insubo dinação di ec a, mas que podiam explica , caso ossem ob igados a
isso” (Giddens, op. ci ., p. 503 [Willis, 1977]).
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
Wilis e i icou que na ida adul a, os an igos alunos p o enien es dos meios ope á ios,
pese embo a ica em com os pio es emp egos, mani es a am ace a es es emp egos uma idên ica
a i ude de supe io indi e ença que mos a am em c ianças em elação à escola. Como assinala
Willis:
“(...) o abalho de cola inho azul en ol e equen emen e aspec os cul u ais bas an e
semelhan es aos que os «moços» c ia am na sua cul u a con a-escola – zomba ia,
pe spicácia e habilidade pa a sub e e as exigências das au o idades, quando necessá io. Só
mais a de, nas suas idas, é que pode ão passa a e -se com alguém que oi apanhado po
um abalho á duo e não compensa ó io. Quando cons i uem amília, pode ão po ezes olha
pa a a educação, em e ospec i a – e sem espe ança – como o único escape. No en an o, se
en a em ansmi i es a pe spec i a aos seus p óp ios ilhos, i ão p o a elmen e e ão
pouco sucesso como os seus pais i e am com eles” (Giddens, id., ibid.).
Nos anos 60, nos Es ados Unidos, James Coleman es udou as desigualdades escola es
com base em di e enças é nicas, nacionais e eligiosas. Os es udos que emp eendeu mos a am a
exis ência de seg egação escola en e alunos b ancos e neg os. Cons a ou que as escolas e am
equen adas maio i a iamen e po alunos b ancos ou maio i a iamen e equen adas po alunos
neg os. Ve i icou ambém que as escolas equen adas maio i a iamen e po alunos neg os
ap esen a am pio es se iços, u mas maio es e edi ícios pio equipados do que as escolas
equen adas maio i a iamen e po alunos b ancos. No en an o, os esul ados escola es en e
alunos neg os e b ancos ap esen a am meno es di e enças do que as espe adas. Pa a Coleman,
os ecu sos ma e iais das escolas não se e le iam signi ica i amen e no desempenho escola dos
alunos. Numa ap oximação às eses da ecologia social da Escola de Chicago, Coleman p ocu a
explica as di e enças de desempenho escola en e alunos neg os e b ancos a pa i da o igem
socieconómica, é nica, eligiosa ou amilia . As an agens e des an agens do meio social de
o igem, de pe ença ou de socialização p óxima, e le iam-se nos esul ados escola es e endiam
a pe du a mais a de na ida dos an igos alunos nos emp egos alcançados. Pa a Coleman, o
meio social explica a a ep odução das desigualdades cul u ais en e os di e en es g upos.
Coleman cons a ou que os alunos de meno es ecu sos económicos ou de o igem é nica
mino i á ia que se elaciona am com alunos de meios sociais p i ilegiados inham maio
p obabilidade de e sucesso escola do que os alunos com a mesma o igem que que se
elaciona am com alunos do mesmo meio social ou com a mesma o igem é nica. Coleman oi
um dos p imei os au o es a e e i -se ao concei o de capi al social. No chamado «Coleman
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
Repo »16, em Equali y o Educa ional Oppo uni y (1966), Coleman suge e que os es udan es
o iundos de g upos sociais mino i á ios ou com meno es ecu sos económicos e ão maio
possibilidade de ob e melho es esul ados escola es se o em mis u ados com es udan es
p o enien es de meios sociais com maio es ecu sos (Giddens, 2002). As conclusões de Coleman
sendo con i madas em pa e po es udos pos e io es, não deixa am po isso de se obje o de
e isão, sendo mesmo ques ionadas. Algumas das c í icas apon adas ao abalho de Coleman
sublinham o ac o des e e sido ealizado num de e minado momen o, não pe mi indo obse a
as mudanças que en e an o enham oco ido e que um es udo diac ónico pode ia e idencia .
No Reino Unido, Michael Ru e obse ou as aje ó ias escola es de um conjun o de
alunos do ensino básico a é ao ensino secundá io, numa escola em Lond es. Os alunos o am
con ac ados no inal da escola p imá ia, em 1970. Ru e p ocedeu à ecolha de in o mação sob e
o ag egado amilia e sob e o desempenho escola dos alunos. Pos e io men e, em 1974, Ru e
p ocedeu a no a in es igação, quando os alunos já se encon a am no inal do ensino secundá io.
Do conjun o de escolas, Ru e selecionou um conjun o de alunos e p o esso es pa a en e is a.
Ru e obse ou ambém o deco e das aulas. Os esul ados ob idos po Ru e mos a am que a
escola in luencia o desempenho escola dos alunos. Ru e mos ou as consequências que a
si uação de ap endizagem ˗ a in e ação social p o esso -aluno e a o ganização dos con eúdos
pedagógicos ˗ podem e no desempenho dos alunos. Ru e cons a ou ambém que nem semp e
as escolas mais bem equipadas e am as que p opo ciona am as si uações de ap endizagem mais
en iqucedo as. Não des alo izando os e ei os que os an eceden es cul u ais amilia es e as
i ências sociais dos alunos podem e na elação des es com a escola, Ru e sublinha, no
en an o, os impac os que os a o es ligados à si uação de ensino-ap endizagem podem e no bom
desempenho de p o esso es e alunos. Ou os aspe os in es igados po Ru e ajudam a pe cebe
as azões po que a escola con ibui pa a a manu enção das desigualdades sociais. Alguns des es
aspe os elacionam-se com as especi icidades do sis ema de ensino no Reino Unido.
Nomeadamen e, o peso que o ensino p i ado em nes e país. O sis ema de ensino b i ânico ealça
as di e enças de classe social en e alunos, o nando no ó ias as di e enças en e os que podem
paga o ensino p i ado, em ge al, de melho qualidade e mais p es igian e e os que icam pelo
ensino público, encialmen e massi icado e com pio es índices. De aco do com Ru e , o sis ema
de ensino pa i á io b i ânico, di idido en e uma o e a pública e uma o e a p i ada con ibui ia
16 A in es igação de Coleman in luenciou os deba es subsequen es sob e as ques ões das desigualdades sociais na
escola, nos Es ados Unidos e na G ã-B e anha.
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
pa a a manu enção das desigualdades sociais. Aludindo aos esul ados das in es igações de
Ru e , An hony Giddens sublinha pelo seu lado que, o sis ema de ensino b i ânico e idencia a
exis ência de “um ciclo epe i i o no qual os es udan es de la es ela i amen e p i ilegiados
equen am escolas pa icula es e pe pe uam as suas qualidades; são a aídos pelos bons
p o esso es e a mo i ação é man ida” (Giddens, op. ci ., p. 506). Pelo con á io, a escolas
públicas, equen adas po alunos de meno es ecu sos económicos, e idenciam que es es e ão
de se “es o ça mui o mais pa a alcança esul ados simila es” (Giddens, op. ci ., p. 507).
Giddens não deixa de apon a c í icas a Ru e , pela ên ase dada po es e à o ganização do
sis ema de ensino e ao ambien e in e no da escola, endendo a igno a “as in luências ex e io es
sob e o desempenho escola ” (Giddens, id., ibid.). A melho ia da qualidade do ensino e das
elações sociais na escola con ibui ia, na pe spe i a de Ru e , pa a melho a os esul ados
escola es no ensino público. Em sín ese, as sociologias b i ânica e ame icana êm p ocu ado
es uda as in e ações sociais na escola, dando en oque à elação p o esso -aluno e à in luência da
pe ença social.
Em Deschooling Socie y (1973), I an Illich c i ica o modo como a sociedade capi alis a
em conduzido os indi íduos pa a uma c escen e pe da de au onomia e au o-su iciência,
a as ando-os de obje i os de au o- ealização e alo ização pessoal. De aco do com Illich, is o
de e-se à p esença de di e en es especialis as, na saúde, na educação, nos média, na ges ão, e c.
Es es especialis as assegu am com os seus conhecimen os a subsis ência de odos aqueles que
deles necessi am. Le ando ao limi e a c í ica a es a «sociedade de especialis as», Illich chega
mesmo a ques iona a necessidade de uma escola idade ob iga ó ia. Como Bowles e Gin is, Illich
apon a as con adições do sis ema educa i o mode no. Es e ende a o ien a a educação dos
indi íduos pa a o con o mismo de alo es. O con o mismo e o ça ia o espei o pela disciplina e
pela hie a quia necessá ios ao uncionamen o da sociedade indus ial. Pa a Illich, a escola a ual
em-se p eocupado sob e udo com qua o g andes a e as: a) p o e cuidados de cus ódia; b)
assegu a a dis ibuição das pessoas po di e en es ocupações; c) a inculcação dos alo es
dominan es; d) e a ansmissão de ap idões e conhecimen os ap o ados pela sociedade. Pa a
Illich, mui o do que é ap endido na escola em pouca ou nenhuma elação com aquilo que de
ac o é ensinado. O con o mismo de alo es que Illich apelida de «consumo passi o», a
acei ação ac í ica da o dem igen e, o ades amen o dos indi íduos na disciplina, não azem mais
do que na u aliza a acei ação ac í ica das eg as da sociedade e dos egulamen os es a ais. O
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
p ocesso de inculcação ins i ucional a ua de o ma não conscien e sob e as a i udes e os
compo amen os. Es ão implíci os nos p óp ios egulamen os e na o ganização escola . O
«cu ículo ocul o» na u aliza po sua ez as di e enças sociais na escola, modi icando os alo es
e a i udes das c ianças e jo ens, indicando-lhes o seu luga na escola, p ognós ico do que mais
a de se á o seu luga na sociedade (Giddens, op. ci ., p. 501). Illich chega mesmo a de ende a
«desescola ização da sociedade», cé ico em elação ao papel da escola idade ob iga ó ia na
diminuição das desigualdades sociais. Pese embo a a implan ação da escola idade básica, a
escola a ual não le a em linha de con a as necessidades de um ensino mais equi a i o. A escola
menosp eza as po encialidades c ia i as p esen es no indi íduo em a o do ades amen o
écnico. Embo a Illich não ecuse à educação e à escola mode nas um papel ele an e no
desen ol imen o cul u al dos indi íduos, conside a, no en an o, que a escola a ual de e ia ab i a
pedagogia a ou as modalidades de ensino-ap endizagem, mais li es e mais abe as, acili ando
o acesso aos ecu sos educa i os e a odos os que desejem ap ende , sem qualque ipo de
cons angimen os e limi ações. O conhecimen o de e ia es a acessí el a odos sem e
necessa iamen e que passa pela mediação de especialis as (nes e caso, os p o esso es). Os
es udan es não de e iam e de se subme e a um cu ículo o mal e es anda dizado, podendo se -
lhes acul ada a possibilidade de escolhe os con eúdos. O idealismo de algumas das p opos as de
Illich colidem ainda hoje com p econcei os e di iculdades de o dem p á ica. Con udo, já hoje
mui a da in o mação es á li emen e acessí el em pla a o mas di e sas, como as edes
in o má icas de comunicação e de in o mação como a In e ne e as pla a o mas de ap endizagem
à dis ância (e-lea ning). Num momen o em que as ecnologias de in o mação e comunicação
(TIC) ainda não es a am desen ol idas, já en ão Illich suge ia ou as o mas de possibili a o
acesso à educação. Conside a a que os ecu sos didá icos pa a a ap endizagem o mal de e iam
es a disponí eis em biblio ecas ou bancos de dados, de acesso li e ou acili ado pa a odos.
De e iam se c iadas edes de comunicação e de in e conhecimen o, disponibilizando a
in o mação e dando a conhece os seus in es igado es, in o mando ace ca da disponibilidade
pa a o con ac o com in e essados na ap endizagem, desen ol endo um espí i o de pa ce ia e de
pa ilha comuns. De e iam se concedidos passes aos es udan es, acul ando-lhes o acesso a
se iços educa i os de aco do com a sua disponibilidade e on ade. O es ado da ecnologia a ual
ligada à expansão das edes in o má icas al e a am a elação espaço/ empo no ensino-
ap endizagem. A al e ação dos es ilos de ida e a impo ância a ibuída hoje aos empos li es
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
e o çam a possibilidade de con ac o e de in e ação com a educação e com a cul u a. Po ou o
lado, o declínio do abalho indus ial, guiado po empos de abalho pad onizados e ho á ios
ígidos, assim como a cen alidade emp es ada ao abalho ende nos dias de hoje a muda .
Pesa á aqui ambém a c ise do emp ego, a e ando em pa icula as camadas da população mais
jo em. Apesa do idealismo de algumas das p opos as de Illich, as suas ideias nunca o am ão
a uais como hoje. Como e e e em A Escola e a Rep essão dos Nossos Filhos (1976):
“Os alo es ins i ucionalizados que a escola p opo ciona são suscep í eis de medida. A
escola p epa a o homem pa a um mundo em que udo é suscep í el de medida, incluindo o
p óp io homem. Pa a a medição do homem con am a sua e iciência, a sua p odu i idade e a
u ilidade daquilo que p oduz. A no ma é o mi o do consumo que aumen a inde inidamen e. O
desen ol imen o pessoal e o c escimen o humano não são, na ealidade, quan idades
suscep í eis de medida. (...) Um homem que se subme e comple amen e a ou os na alo ização
do seu desen ol imen o pessoal, b e e emp ega á consigo mesmo as mesmas eg as. Já não
p ecisa de se colocado no seu luga . Coloca-se po si mesmo na anhu a exac a da maquina ia
de p odução e consumo p e is a pa a ele, encos a-se à esquina que ap endeu a busca e
classi ica ao mesmo empo os seus semelhan es a é que odos e cada um es ejam de aco do.Um
homem a quem a escola encaminhou pa a a medida da sua alia já não necessi a de se p i ado
das suas o ças c iado as. De há mui o que esqueceu a sua missão – se ele mesmo. Valo iza
apenas o que se em de aze ou o que é suscep í el de aze -se. Uma ez calcada no homem a
ideia da possibilidade de p oduzi e medi os alo es, ica capaz de econhece odas as
hie a quias imaginá eis. Pois pa a udo exis em medidas. Há uma escala de alo es pa a o
desen ol imen o das nações e ou a pa a medi a in eligência dos bebés. No mundo ci ilizado,
a ua es á cheia de es ímulos ao consumo. (...) A escola c ia e man ém o mi o do consumo, com
o seu i ual de possibilidades de ascensão escalonadas. A pa i da escola, oda a sociedade
ica a conhece o mi o do c escimen o ilimi ado, do endimen o, da p odu i idade e do
consumo. Em oda a pa e, é ob iga ó io pa icipa nes e i ual. Is o e ec ua-se segundo eg as
de jogo in e nacionais. E es as eg as ob igam os pa icipan es a conside a em de o ados os
que não podem pa icipa no jogo. A escola é o i ual da consag ação median e o qual os
no iços são admi idos na classe sag ada dos p og essi os u ilizado es do consumo. É um i ual
de econciliação em que os sace do es académicos se em de in e mediá ios en e os humildes
c en es e os ídolos do p i ilégio e do pode ” (Illich, 1976: 13-18).
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
1.2.1.2. A escola sociológica ancesa
No con ex o da sociologia ancesa, Pie e Bou dieu e Jean-Claude Passe on examina am
o papel da escola na manu enção das desigualdades sociais. Cen a am a sua análise nas
insu iciências da escola no pós-gue a, em F ança e na A gélia. Segundo eles, a escola con ibui
pa a a legi imação das desigualdades en e classes. Bou dieu e Passe on analisam os mecanismos
de seleção social, como o mé i o escola . Es a c í ica em um pa icula desen ol imen o na ob a
Les Hé i ie s (1964). Pa a Bou dieu e Passe on, a pouca ep esen ação das classes popula es no
ensino supe io de e-se às di iculdades de i adas do pouco con ac o des as classes com a cul u a
o mal, e o p i ilégio que es a em na escola. A escola engend a um sis ema de dis inções sociais
baseado nos diplomas académicos. O mé i o escola aduz-se na posse de í ulos escola es cujos
a ibu os ins i ucionais e simbólicos são econhecidos e alo izados socialmen e. Os maus
esul ados escola es endem a se in e p e ados pelas classes popula es em e mos de inap idão
in elec ual (a al a de um «dom»). As classes sociais com mais adições de con ac o com a
escola enca am os bons esul ados escola es como na u ais, e po an o, o jus o p émio pa a o
es o ço e posse de qualidades in elec uais (É ienne, 1998). Em La Rep oduc ion (1970),
Bou dieu e Passe on a ibuem à escola o papel de “jus i ica aos olhos de odos a legi imidade
des es no os í ulos de nob eza cons i uídos pelos í ulos escola es” (É ienne, 1998: 42, ci ando
Bou dieu e Passe on). As es a ís icas do ensino pa ecem mos a o pouco impac o da escola na
co eção das desigualdades sociais. Ao dispos i o escola incumbi ia “masca a es a unção de
ep odução sob o éu da au onomia do seu sis ema p óp io (no ações, exames, concu sos, e c.),
ans o ma[ndo] em dons ou em compe ências escola es as aquisições da he ança cul u al
(É ienne, op. ci ., p. 134).
Um ou o sociólogo ancês, Raymond Boudon, em L’Inégali é des Chances (1973),
p ocu a explica as desigualdades de opo unidades e a sua conexão com o sis ema escola no
quad o do «indi idualismo me odológico»17 e da « eo ia da escolha acional limi ada».18 Pa a
Boudon, as di e enças nas aje ó ias escola es de em-se a escolhas acionais dos indi íduos. A
escolha de aje ó ias escola es cu as ou longas depende da a aliação que cada indi íduo az das
suas capacidades e possibilidades que de ém pa a mobiliza ecu sos, em ace das expe a i as e
17 Teo ia segundo a qual odo e qualque enómeno social de e se analisado enquan o esul ado das di e en es
combinações de ações indi iduais (É ienne e al., op. ci ., p. 32).
18 Es a eo ia de ende que o indi íduo es á subme ido a uma « acionalidade si uada» que em em con a os ecu sos
que o a o social dispõe, e po an o, as es ições es u u ais impos as à sua ação (É ienne, id., ibid.).
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
esul ados espe ados. A a aliação das capacidades e a an ecipação dos esul ados espe ados
baseia-se numa a aliação de ipo económico cus o/bene ício. Pa a Boudon, dois ipos de a o es
podem conco e pa a o desin es imen o escola das classes popula es. Em A Desigualdade das
Opo unidades ˗ A Mobilidade Social nas Sociedades Indus iais (1985), Raymond Boudon
conside a que a democ a ização do sis ema escola não se e le iu numa melho ia e iden e da
mobilidade social ascenden e, ao con á io do que se ia de espe a . Uma das consequências da
gene alização do ensino oi o aumen o da p ocu a de diplomas escola es. A equência dos
di e en es ní eis de ensino aumen ou de al o dem, e em especial no ensino supe io , que
conduziu à des alo ização dos diplomas académicos, não endo, po sua ez, a de ida
co espondência no aumen o da p ocu a pelo me cado de abalho dos diplomados do ensino
supe io . Num ou o exemplo conside ado, quan o menos ecu sos económicos uma amília
de ém, menos expe a i as deposi a á na con inuação dos ilhos no sis ema de ensino (É ienne,
1998 [c . Boudon]).
1.2.1.3. A escola como disposi i o de pode em Foucaul
O ilóso o ancês Michel Foucaul examinou os mecanismos de pode dos disposi i os
bu oc á icos e o seu e ei o sob e o compo amen o dos indi íduos. Em Su eille e Puni
(1975), Michel Foucaul si ua his o icamen e o apa ecimen o das ins i uições de igilância
mode nas em meados dos séculos XVII e XVIII. Na o igem des as ins i uições a necessidade de
igia g andes aglome ados de indi íduos con inados em espaços semi- echados. Es e é um
abalho especí ico de ce as ins i uições, com unções de con olo e de igilância sob e ce as
ca ego ias de indi íduos. Foucaul designa es as ins i uições po «ins i uições disciplina es».
Exemplos des as ins i uições, as p isões, os hospi ais, os asilos ou as escolas. As ins i uições
disciplina es possuem mecanismos de con olo di e o e indi e o, ais como a obse ação ou o
exame. Como unção dos disposi i os de igilância “o ades amen o dos co pos e das men es”.
As ins i uições disciplina es apoiam-se em «disposi i os», «o denamen os» ou enunciados de
eg as e em «apa elhos», ins alações, equipamen os e ins umen os de obse ação. A disciplina
isa con o ma a condu a social dos indi íduos a de e minadas eg as. O esul ado p ocu ado é
um de e minado e ei o («e ei o de pode ») que al e e o compo amen o do sujei o, pela
con o mação olun á ia às eg as ou pela ep essão (Foucaul , 1987).
Julien Pallo a, em L’École Mu uelle Au-delà de Foucaul , Séminai e «Usages de
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
abalhado es quali icados.29 A educação das classes popula es es e e du an e mui o empo a
ca go da Ig eja e de ins i uições piedosas. A educação e o mação das c ianças e jo ens nos
con en os o ien ou-se sob e udo pa a a ap endizagem dos udimen os de sabe e do ensino
eligioso. Só mais a de su ge a p eocupação com a ap endizagem de um o ício manual. Como já
se disse, a mode nidade ouxe a ciência e a écnica aplicadas e um no o ambien e cul u al. A
iloso ia abandona p og essi amen e o pendo escolás ico e especula i o baseado no dogma
c is ão, em a o da e lexão acional e da expe imen ação. Es e no o ambien e cul u al e
cien í ico c iou as condições pa a o su gimen o de uma no a educação.30 O mundo a a essa
29 Rui G ácio, na classi icação que az das ins i uições de ensino indus ial, dá con a da p esença des es dois
«pila es», ao dis ingui dois c i é ios: um c i é io económico, ela i o ao ensino e ap endizagem de uma p o issão,
com o im de do a ce os públicos com uma de e minada ca ego ia p o issional; e um c i é io social, ela i o ao ipo
de população ou g upo social isado, a quem se di ige a escola. Na classi icação que es abelece, G ácio conside a
num p imei o g upo “as escolas que pelo seu ca ác e e olume de população, mais in e essam à indús ia
nacional”. Inclui nes e g upo, as escolas indus iais de g au elemen a e complemen a e os ins i u os de g au médio,
a Faculdade de Engenha ia e o Ins i u o Supe io Técnico. Es es es abelecimen os es a am sob a alçada do en ão
Minis é io da Educação Nacional, incluindo os es abelecimen os de ensino pa icula . Inclui ambém nes e g upo, os
es abelecimen os de ensino mili a como o Ins i u o dos Pupilos do Exé ci o de Te a e Ma , na dependência do
Minis é io da De esa e a Casa Pia, na dependência do Minis é io do In e io . Num segundo g upo, as “escolas com
cu sos indus iais de eição a esanal”. Nes e g upo, inclui as ins i uições de assis ência a c ianças desampa adas,
abandonadas e o ãs ou c ianças de icien es e no mais. Inclui aqui a Escola P o issional Ag ícola de Semide e as
casas de Educação e T abalho de Se e do Vouga e Mon e Redondo, ge idas pela en ão Jun a da P o íncia da Bei a
Li o al e as O icinas de S. José, pe ença da Cong egação dos Pad es Salesianos, a Casa do Pad e Amé ico, en e
ou as. Inclui aqui ambém os an igos e o ma ó ios e as colónias co eccionais pa a meno es, e as cadeias
peni enciá ias pa a adul os. Conside a um e cei o g upo, nomeadamen e “as escolas e cu sos de o mação e de
ape eiçoamen o se indo as necessidades de co pos de adminis ação es adual”, como a Escola de Composição e
de Imp essão da Imp ensa Nacional, as escolas p op iedade de co po ações como as Escolas de Ma inhei os e
Mecânicos da Ma inha Me can e in eg adas na Jun a Nacional da Ma inha Me can e, o Cu so de Ape eiçoamen o
de Radio écnicos e Radio eleg a is as do Se iço Nacional dos Radio eleg a is as e O ícios Co ela i os, as Escolas
de Pesca, da Jun a Cen al das Casas dos Pescado es e as escolas pe ença de emp esas pa icula es como as Escolas
das Companhias Reunidas de Gaz e Elec icidade e dos Caminhos de Fe o Po ugueses (CP). Num ou o g upo,
conside a as “escolas e cu sos se indo as necessidades de alis amen o, de o mação, de ape eiçoamen o, de
especialização dos co pos mili a es e na ais, como alguns cu sos de especialidades das Escolas de Cabos e o cu so
de Engenha ia Mili a da Escola do Exé ci o, os cu sos da Escola de Mecânicos da A iação Na al e o cu so de
Maquinis as Na ais da Escola Na al (in e is a Vé ice, Coimb a, 99-101, no -jan de 1951-1952: 686-696 [G ácio,
1995: 9-10]).
30 Ma inho Lu e o, pe cu so da no a pedagogia humanis a na Eu opa, nos e i ó ios alemães, inicia o ensino
mode no a a és da eologia da Re o ma P o es an e, no quad o de um no o con ex o polí ico, eligioso, económico
e social. Es e no o con ex o eme gen e a o ece a implicação do conjun o do ecido social na missão educa i a. Em
F ança, Rabelais p opõe um ideal de «ul apassagem de si». Desc e e no im de Ga gan ua (1534) uma abadia
u ópica, a abadia de Thélème. Rabelais conhecia bem a ida monacal e a desc ição que az des a abadia ic ícia
expõe a u opia de uma abadia humanis a, onde os jo ens dos dois sexos es udam num quad o de ida ideal. Nes a
abadia é mais alo izada a educação mo al do indi íduo do que a sua educação eligiosa. Um aspe o cu ioso des a
educação é a impo ância dada à educação ísica. Na mesma época, em 1547, San o Inácio de Loyola dá à o dem
que unda, a Companhia de Jesus, uma ocação de ensino, pa indo da base de um no o p og ama de ensino, o
Ra io S udio um. Os colégios que se ão abe os pelos jesuí as em I ália, em F ança (o colégio de Cle mon em Pa is,
o colégio de La Flèche, onde Desca es ealizou os seus es udos, o colégio de Mau iac e de Billom, no Au e gne,
e c.), e depois p og essi amen e po oda a Eu opa, cons i ui ão um modelo de ensino secundá io seguido nos liceus
do século XIX. Pa a o checo Comenius, a educação de e e uma na u eza eminen emen e p á ica e ú il, de endo se
di igida pa a odos. No século XVII, Jean-Bap is e de La Salle, unda uma o dem laica, pa a ensina g a ui amen e
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
do a an e p o undas mudanças. As ocas económicas ap o undam a globalização. O a anço da
ciência e da écnica, en e meados do século XVIII e odo o século XIX, dão início à
maquinização da p odução e ao a anque indus ial da Eu opa e da Amé ica do No e. O a esão
ai desapa ece p og essi amen e, cedendo o luga ao ope á io. No en an o, a indús ia exige
mão de ob a lexí el e dedicada que acompanhe os ciclos in ensi os da p odução. Os p oje os
pionei os das escolas dos o ícios de meados do século XIX ão ao encon o des a no a ealidade.
A p eocupação com a o mação das classes popula es, o ien ada pa a um ensino p á ico e a
necessidade de o ma a esãos e ope á ios, dá o igem a um ensino au ónomo, da inicia i a de
p omo o es locais e que ado a desde o início me odologias pedagógicas di e enciadas do ensino
escola , mui as ezes ido como eó ico e eli is a. O ensino écnico e p o issional assume, po
ezes, um ca á e iminen emene e ino ado . Ci am-se, a es e í ulo, as escolas comunais,
coope a i as e g emiá ias.31 Re i a-se nes e con ex o a o iginalidade do modelo pedagógico
mu ualis a.32 Com as e o mas do Ma quês de Pombal e mais a de com o cons i ucionalismo
moná quico, o ensino escola e p o issional êm em Po ugal um impulso decisi o. As medidas e
aplicação p á ica des as, e idenciam segundo Sampaio da Nó oa que “[o]s sonhos e o mado es
azem pa e do sis ema educa i o po uguês desde o século XVIII. Os homens e os p ojec os
sucede am-se a um i mo po ezes alucinan e, deixando documen os de qualidade e
insc e endo na lei medidas de g ande alcance. Veja-se, po exemplo, a p ecocidade de decisões
como a g a ui idade do ensino ou a ob iga o iedade escola e, simul aneamen e, a incapacidade
polí ica pa a as conc e iza ” (Sampaio da Nó oa, 1992: 3). Es e in es igado , apoiando-se nos
sociólogos ame icanos Soysal e S ang, conside a que as p imei as en a i as de e o ma dos
nas escolas de aldeia. Redige pa a os mes es-escola um a ado de ci ilidade pa a uso de ambos os sexos e um
p og ama de es udos, La Condui e des Écoles Ch é iennes, que se i á de base à o ganização do ensino p imá io a é
ao início do século XX (Fon e: Wikipédia [cons. 22-01-2013], disponí el em h p:// .wikipedia.o g/).
31 Modelos de escola popula di e en es e a é ce o pon o opos os ao modelo de escola única dominan e no século
XIX. Es a e a ma cadamen e eli is a, baseada num ensino enciclopédico e azio de con eúdos p á icos, o ien ado
pa a a ida mundana da a is oc acia e al a bu guesia, se indo de ac o os in e esses des es g upos. Es es
monopoliza am a adminis ação do Es ado e domina am o g ande comé cio e o la i úndio e a enen e. Opunha-se-
lhes assim um modelo de ensino plu alis a i ado pa a as necessidades do omen o económico e a expansão da
indús ia e do comé cio da pequena e média bu guesia emp eendedo as. Ha ia ambém a necessidade de da
sus en o às massas abalhado as que cada ez mais se concen a am nas cidades indus iais (c . Co nu, 2003).
32 Uma pedagogia que pa e “do econhecimen o da desigualdade dos alunos p ocu a o esul ado óp imo: aze
com que oda a u ma p og ida sem que os melho es e os menos bons se abo eçam. O p o esso ado começa como
no ensino simul âneo. Quando pe cebe que um ce o núme o de alunos comp eendeu, en e o qua o e me ade,
dis ibui-os jun o dos ou os a im de que eles lhes ansmi am o que comp eende am” (Co nu, op. ci ., 2003, p. 68).
33
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
sis emas de ensino na Eu opa du an e o século XIX se limi a am po ezes a uma “cons ução
e ó ica da educação” (Sampaio da Nó oa, 1992 [1989]: 3).33
Roge Co nu, em Educação, Sabe e P odução (2003), deb uçando-se sob e a o igem do
ensino p o issional na F ança do século XIX, mos a o in e esse dos agen es polí icos e
económicos pela o mação écnica dos abalhado es e a sua associação com o omen o
económico e o desen ol imen o social. Como ilus a com o exemplo da cidade de Nan es:
“A c iação do ensino p o issional não pode se sepa ada da si uação económica e social
de Nan es po ol a de 1830, da chegada dos «libe ais» à Câma a Municipal e da expe iência
dos no os indus iais e come cian es, alguns dos quais es ão ep esen ados no conselho
municipal. Em p imei o luga , a necessidade de econ e são da cidade: «Nan es que assis e
ao asso eamen o do seu io Loi e, ao en aquecimen o do seu comé cio colonial, ao
es aziamen o dos seus en epos os de Ha e e de Pa is, (…) em necessidade de se apoiada e
de epa a as suas pe das a a és de no os meios com u u o (Conselho Municipal, 10 de
Ma ço de 1834). Assegu a o desen ol imen o indus ial e come cial de Nan es signi ica não
só es abiliza a mão-de-ob a mas ambém a classe indus ial e come cial: aze que o ilho
con inue a ob a do pai, uma das condições da acumulação. Simul aneamen e, é sabe i a
pa ido do p og esso e aze ace à conco ência de países como a Ingla e a que di unde os
conhecimen os cien í icos e écnicos mesmo na classe ope á ia. Daí, «o ganiza
pode osamen e em Nan es a ciência e o ensino p o issional é c ia um cen o de i alidade
que de e anima e implica p on amen e na sua ac i idade in eligência e indús ia pací ica a é
às úl imas po oações da B e anha e da Vendée» (Co nu, 2003: 52).
Em His ó ia da Ig eja em Po ugal (1933), Fo una o de Almeida e e e-se po sua ez à
ação das o dens eligiosas, con a ias, mise icó dias e ou as ins i uições ligadas ou p óximas da
Ig eja Ca ólica, na p o eção e cuidados acul ados aos mais pob es. Como e e e o au o :
“Todas as ins i uições de ca idade con inua am a i e sob a p o eção do cle o egula e
secula , a quem e a de ida a ins i uição da maio pa e delas. Ou as ins i uídas pela ca idade
c is ã de pa icula es, e am ampa adas, de endidas e po ezes adminis adas po memb os do
cle o e po co po ações eclesiás icas. De al modo se julga a o espí i o eligioso
consubs anciado nas ins i uições de ca idade, que algumas ga a ias como a de Viseu, e ou os
ins i u os semelhan es, ecebiam bene ícios que anda am ligados às es as da Ig eja.
33 São de e e i ao longo do século XIX as inicia i as legisla i as do pe íodo da mona quia cons i ucional, e em
seguida, já em igência da 1ª República, a ação e o mado a des a, ligando o p oje o social de educação das camadas
mais des a o ecidas da população ao p oje o de a anque indus ial. No en an o, es e ap esen a a-se
i emedia elmen e comp ome ido em ace da ins abilidade polí ica e social.
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
O dina iamen e as albe ga ias es a am anexas a uma capela, a uma ig eja ou a um mos ei o.
Quando D. João II quis uni em um só os di e en es hospi ais que ha ia em cada e a, pediu e
alcançou a au o ização do Pon í ice, de al modo se julga am aqueles ins i u os de ca idade
inculados à eligião” (Fo una o de Almeida, Capí ulo XIV, “A Missão Social do Cle o”, p.
459).
A ação das ins i uições eligiosas es ende-se à educação das c ianças e jo ens acolhidas.
Na His ó ia da Fo mação P o issional e da Educação em Po ugal (2012),34 Ca los Fon es alude
ao papel das o dens eligiosas no impulso dado ao ensino p á ico, pela ação dos colégios dos
ó ãos e expos os, nos inais do século XVIII (Fon es, 2012).35 A p eocupação com a condição
humana unda-se no p imado do conhecimen o e a sua elação com alo es é icos e espi i uais
supe io es. Es a p eocupação é ilus ada em Essência do C is ianismo pelo ilóso o alemão
Ludwig Feue bach,36 que não deixando de se posiciona c i icamen e em elação à eligião, e em
pa icula , ao C is ianismo, não deixa po isso de in eg a a dimensão eligiosa numa eo ia ge al
do conhecimen o. Como e e e na sua “Ap esen ação”:
“O aço ca ac e ís ico da eligião encon a-se na c iação de uma o dem
sob ena u al, dis in a da ealidade que é dada pelos sen idos e con i mada pela
ciência, e supe io a es a em dignidade e alo . Esse ou o mundo não é oda ia
apenas pos ulado como exis en e, mas semp e in es ido e e es ido de qualidades,
imagens e a ibu os, nas quais a Humanidade p ojec a, num g au supe la i o e
absolu izado, qualidades, imagens e a ibu os do mundo sensí el e sob e udo de si
mesma” (Feue bach, 1994 [1841], in “Ap esen ação”, p. XIII-XIV).
34 Ve são digi al em h p://educa .no.sapo.p /.
35 Ca los Fon es e e e a subs i uição do modelo u ela baseado no acolhimen o de c ianças, conside ado
ul apassado e is o como um depósi o de c ianças. Tal o iginou a c iação de um no o ipo de colégio eligioso,
onde se começa a no a a p eocupação com a educação e o mação das c ianças acolhidas, não endo apenas em
is a a sua o mação eligiosa como an ecâma a da ca ei a eclesial, mas ambém a sua p epa ação pa a a ida. O
au o ilus a es a mudança a pa i da in e enção de um conjun o de ins i uições, baseando-se pa a al na consul a de
on es documen ais his ó icas di e sas. Ci a como exemplos, os casos da Real Casa dos Expos os de Lisboa, no
século XVIII, o Colégio dos Meninos O ãos da N. S. Da G aça no Po o, nos séculos XVII e XVIII, o Seminá io
dos O ãos e Expos os de S. Cae ano, depois chamado Seminá io dos Meninos O ãos, em Lisboa, c iado em 1778 e
o Seminá io dos O ãos de S. Cae ano, em B aga, c iado em 1770 [cons. 26-05-2015]. Disponí el
h p://educa .no.sapo.p / .
36 1804-1872.
35
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
2.3. Resenha his ó ica dos p incipais ma cos da e olução do ensino écnico e p o issional
em Po ugal
Numa esenha his ó ica dos p incipais ma cos do ensino écnico e p o issional em
Po ugal, a ende -se-á ao con ibu o c í ico do p o esso e jo nalis a Rogé io Rod igues, no
capí ulo “Educação em Po ugal: Algumas No as”, ac escen ado à edição po uguesa da ob a de
Roge Gal, His ó ia da Educação (1985).37 De aco do com Rod igues, o ensino das p imei as
le as em Po ugal a é meados do século XVIII es a a ainda numa ase incipien e e sob a
in luência do ensino eligioso. Se á com o Ma quês de Pombal que se da ão os p imei os passos
pa a a c iação de um ensino secula , g a ui o e uni e sal. A p imei a legislação do Ma quês de
Pombal p ocu a, po um lado, eduzi a in luência da Companhia de Jesus no ensino, e po ou o,
p ocu a do a es e de uma ma iz cien í ica. A é en ão, as p imei as le as e am ensinadas nas
ig ejas e nos mos ei os, ao mesmo empo que se ensina am os dogmas da é. Como conside a
Rod igues, “ap endia-se a le como se ap endia a eza ” (Rod igues, 1985: 138).38
De e e i alguns dados his ó icos como a descobe a da imp ensa em 1439 po Johannes
Gu enbe g e o emp eendimen o ma í imo dos po ugueses, en e 1415 e 1543. A c escen e
p oeminência da bu guesia na ida social, cul u al e polí ica da Eu opa e a on ade des a em
oma as édeas do pode (Rod igues, op. ci ., p. 138). Em Po ugal, a Re olução de 1383-85
cons i ui um momen o impo an e des e mo imen o de ascensão da bu guesia desde inais do
século XIV.39 Se ão des acados elemen os da bu guesia a oma a seu enca go a azenda pública,
que pe mi i á mais a de o emp eendimen o ma í imo dos po ugueses. O inc emen o do
37 Capí ulo inal adicionado à edição po uguesa. Con i á si ua a pe spe i a c í ica do au o num empo da
his o iog a ia da educação em Po ugal ainda bas an e ma cado po conceções ei adas do pe íodo e olucioná io do
pós-25 de ab il, no ó io na c í ica do au o à ação pedagógica dos jesuí as. Con i á e e i que du an e mui o empo
o Es ado es e e ausen e da educação. Po ou o lado, a c í ica e oz que o au o di ige ao Es ado No o,
esponsabilizando-o pelo a aso na escola ização da população, omi e de algum modo os a anços conseguidos a
pa i de meados dos anos 60, em pa icula , com as e o mas emp eendidas po Veiga Simão. Es as e o mas
ab ange am ambém o ensino écnico e o seu papel na educação e o mação p o issional dos ilhos das classes
sociais menos escola izadas. Realce-se ambém as p imei as en a i as de ul apassa alguns dos bloqueios
ins i ucionais no acesso ao ensino supe io a pa i dos cu sos do ensino écnico ( mo men e, limi ando o acesso das
classes popula es ao ensino supe io ), dos a anços dos di ei os de libe dade de exp essão e do associa i ismo
es udan il, bem como sup indo as insu iciências e lacunas p esen es na legislação do ensino. Quan o aos epa os de
Rogé io Rod igues à ação do Es ado No o no ensino, ide sob e o ema Rui G ácio (1995, ol. II), em pa icula , os
ex os dedicados ao ensino écnico e indus ial (pág. 4), os ex os dedicados à emá ica da indús ia po uguesa e os
umos escola es da ju en ude po uguesa (pág. 15 a 39), en e ou os p esen es no mesmo omo.
38 O cle o e a ec u ado en e os elemen os da nob eza, da bu guesia e do po o. Os ilhos des es úl imos e am
acolhidos em mos ei os, sendo acul ado a alguns a ap endizagem dos udimen os de lei u a e de esc i a ú eis ao
desempenho dos o ícios manuais. Aos mais do ados, que mos assem in e esse pelos es udos, e a-lhes acul ado o
acesso ao cle o.
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
comé cio aumen ou o in e esse pelo conhecimen o das ciências exa as e da ma emá ica em
pa icula . No século XVI apa ecem as ca ilhas de ap ende a le e esc e e de João de Ba os e
de F ei João Soa es. Na Eu opa su gem as p imei as uni e sidades à ma gem da inicia i a da
Ig eja. Em Lisboa e nou as cidades po uguesas apa ecem as p imei as escolas pa icula es. A
Companhia de Jesus oma a dian ei a no ensino das c ianças e jo ens, que mais a de o Ma quês
de Pombal en a á a a . A in luência dos jesuí as a -se-á sen i a é ao ano de 1820. En e os
séculos XVI e XVII, os jesuí as ab i ão escolas nas mais impo an es cidades do país como
Lisboa, Po o, Coimb a, B aga, B agança, Fa o, Funchal, Ang a do He oísmo e Pon a Delgada
(Rod igues, id., ibid.). De aco do com Rod igues, o apa ecimen o da Con a-Re o ma em
Po ugal i á c is aliza a educação. Impõe o Índex dos li os p oibidos e a i ma a Companhia de
Jesus como angua da na de esa da é, con a a ameaça dos p imei os sinais de secula ização.
Conside a o au o que “pode -se-á a i ma , sem exage o, que no úl imo qua el do século XVI
[os jesuí as] con olam oda a ida po uguesa” (Rod igues, ibid.). No dealba do século XVIII
su gem as p imei as con es ações à men alidade eológico-me a ísica do ensino dos jesuí as. Es a
con es ação se á inspi ada pela publicação da ob a de Luís An ónio Ve ney, Ve dadei o Mé odo
de Es uda (1713-1792), “consubs anciando o pensamen o de á ios es angei ados, janela
abe a à Eu opa e à sub e são da me odologia jesuí ica na educação da ju en ude” (Rod igues,
ibid.). Nes a ob a de Ve ney discu e-se os undamen os em que assen a o ensino da língua
po uguesa e a melho o ma de os co igi . Ve ney denuncia as endências e udi as e o
e balismo se ôdio que a ibui a ce as endências da cul u a em Po ugal (Rod igues, op. ci ., p.
139). Se á Sebas ião José de Ca alho e Melo, Ma quês de Pombal, Minis o e Sec e á io de
Es ado do Reino do Rei D. José I (1750-1777), o equi alen e ao empo ao ca go de P imei o-
Minis o na a ualidade, cujas e o mas do ensino inspi adas pela ob a de Ve ney e as suas
p opos as de di usão do ensino e c iação de escolas em odos os luga es, mesmo nos mais
pequenos e menos po oados, que i á da um con ibu o decisi o à implan ação de uma ins ução
pública em Po ugal. A a és do diploma de 6 de maio de 1972, Pombal p ocu a e o ma os
es udos meno es. Es e diploma de e mina a c iação de 500 escolas o iciais em cidades e ilas a
39 Subjacen e aos acon ecimen os que i ão desencadea a Re olução de 1383-85, a on ade de emancipação de uma
no a classe em ascensão, a bu guesia. Na o igem des a e ol a es e e a con es ação da bu guesia aos p i ilégios do
cle o e nob eza. A Re olução de 1383-85 da á o igem a uma no a o dem polí ica, económica e social com a
Dinas ia de A is e o apoio po es a dado pela bu guesia ao pa ido de D. João I. A emp esa ma í ima dos
po ugueses expandiu as ocas come ciais, unindo as di e en es pa es do mundo, pa a a qual con ibuiu o engenho e
o emp eendimen o da bu guesia, pese embo a a sua subal e nização ace ao cle o e à nob eza (c . Bu guesia,
In opédia [edição em linha], Po o, Po o Edi o a, 2003-2013 (cons. 14-02-2013). Disponí el em
h p://www.in opedia.p /.
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
ca go de p o esso es quali icados. As câma as municipais de e iam p o idencia os edi ícios e
equipamen os necessá ios. Es a p imei a en a i a de c ia a ins ução p imá ia en en a as
p imei as di iculdades. Alguns dos p oblemas que mais a de a e a ão o ensino em Po ugual
como os exames dos mes es, o uncionamen o egula das aulas, o ap o ei amen o anual e os
exames dos alunos, as inspeções pe iódicas, a ques ão do ensino pa icula , e c. Ac escen am-se
ou as di iculdades como a al a de p o esso es quali icados e a ca ência de edi ícios escola es
com as necessá ias condições, a condição social deg adada dos p o esso es, en e ou os
p oblemas (Rod igues, op. ci ., p. 140). É com Pombal que é c iado em Lisboa o Colégio dos
Nob es, de ní el secundá io ou liceal. No plano de es udos des e es abelecimen o incluem-se o
ensino das línguas con empo âneas como o inglês, o ancês e o i aliano40, a ap endizagem das
ciências ma emá icas, das ciências ísicas, do desenho, da a qui e u a, da esg ima, da dança e da
equi ação (Rod igues, op. ci ., p. 141). Es e es abelecimen o di igia-se aos ilhos da nob eza que
soubessem le e esc e e .41 Foi ex in o em 1837, dando luga à Escola Poli écnica.42 O edi ício
des e es abelecimen o a deu, endo sido subs i uído po um ou o, onde unciona a a Faculdade
de Ciências.43 Aquando da econs ução da baixa da cidade de Lisboa, unda a Aula do Comé cio
em 1759, di igida aos ilhos dos come cian es com mais de 14 anos que soubessem le , esc e e
e con a . Nes e es abelecimen o de ensino ensina a-se a i mé ica, sis ema de pesos e medidas,
câmbios, calig a ia e con abilidade. Na cidade do Po o, o Ma quês c ia a Aula Náu ica, escola
p á ica de ma inha ia c iada po al a á égio de 30 de julho de 1762. Em Lisboa, unda a Aula de
Debuxo e Desenho, undida com a Aula Náu ica, dando o igem à Academia Real da Ma inha e
Comé cio da Cidade do Po o. Funda a Aula de Desenho e a Fáb ica de Es uques em 1764, em
Lisboa. Es a ocupa o edi ício da Real Fáb ica das Sedas, endo como esponsá el Gio anni
G ossi. A escola ence a em 1777 com o a as amen o de Pombal. A é en ão, o ensino
uni e si á io es a a localizado em Coimb a. O Ma quês de Pombal p ocu ou deixa a sua ma ca
e o mis a ambém no ensino supe io . A a és de ca a de lei de 28 de agos o de 1772, dec e a a
40 Con a iando o ensino adicional das línguas da An iguidade Clássica, g ego e la im.
41 Rod igues alude nos seguin es e mos às azões do ence amen o do Colégio dos Nob es: “[s]ó podia se
equen ado po moços nob es que soubessem le e esc e e . I ia desapa ecendo: os moços nob es es a am mais
in e essados nas ou adas, na esg ima e no sabe de salão que p op iamen e em cul i a -se” (Rod igues, op. ci ., p.
141).
42 De aco do com Rod igues, es e es abelecimen o de ensino e e em Alexand e He culano um dos seus g andes
de enso es (Rod igues, op. ci ., p. 141).
43 Que po sua ez a deu em ma ço de 1978.
38
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
emodelação da Faculdade de Medicina, e em pa icula , da Aula de Ana omia. Funda duas
no as aculdades, Ma emá ica e Filoso ia. Com o desapa ecimen o do Ma quês, assis e-se a um
e ocesso nas e o mas da educação. No al a á de 10 de no emb o de 1772, ap o a o chamado
«subsídio li e á io». Con udo, es e ê diminuído o seu alo após a mo e do Ma quês, deixando
ambém de e a exclusi a aplicação ao ensino das p imei as le as. Em 1779 são ence adas
nume osas escolas (Rod igues, op. ci ., pp. 141-2).44
A Re olução Libe al de 1820 e a ou o ga da Cons i uição de 1822 i ão ap o unda as
mudanças iniciadas po Sebas ião de Ca alho e Melo. Em Po ugal, a ins au ação do
Libe alismo ep esen a a ascensão da bu guesia ao pode polí ico e a consolidação de um no o
espí i o que i á in luencia mui a da legislação saída no pe íodo da mona quia libe al, e a segui ,
na igência do egime epublicano. Como conside a Rod igues, mais do que a posse de í ulos de
nob eza, a bu guesia p e ende oma nas suas mãos o des ino do país (Rod igues, op. ci ., p. 143).
A de esa do laicismo po libe ais e epublicanos, es alou po ezes pa a um an icle icalismo
exace bado, pa icula men e no ó io no pe íodo da I República (Rod igues, op. ci ., p. 144). Em
1821 é ins i uída a libe dade de ensino.45 C iam-se no as escolas e os p o esso es p imá ios êm
a sua si uação p o issional melho ada. Poucos meses deco idos após a Re olução, são c iadas
59 escolas do ensino elemen a . A a és dos dec e os de 1 de ou ub o de 1821 e de 6 de agos o
de 1822, os p o esso es p imá ios êm o seu encimen o aumen ado. É-lhes con e ido o di ei o
de jubilação e êm econhecida a isenção de ce os enca gos iscais. En e 1820 e 1823 é
ap esen ado o p imei o plano pa a o es abelecimen o do ensino libe al em Po ugal. Os e ezes
do cons i ucionalismo com a suspensão da Ca a Cons i ucional o igina á um no o e ocesso.46
São ence adas escolas pa icula es e o compo amen o polí ico dos p o esso es é e i icado.
Pe o de me ade das escolas exis en es são ence adas (Rod igues, id., ibid.).47 No pe íodo do
Libe alismo legisla-se mui o, mas pouca da legislação é de ac o pos a em p á ica. Rod igo da
Fonseca impõe em 1835 a escola idade ob iga ó ia e c ia as escolas no mais p imá ias, a
44 Como desc e e Rod igues: “Em 1779 mui as escolas o am ence adas. Das 500 undadas pelo Ma quês só
me ade uncionam. A é à Re olução de 1820 não ab i ão mais de 21 escolas de ensino elemen a ” (Rod igues, op.
ci ., pp. 141-2).
45 Com o dec e o de 28 de junho (Rod igues, op. ci ., p. 144).
46 A Cons i uição de 1822 e e dois pe íodos. Um p imei o pe íodo, en e 23 de se emb o de 1822 e 3 de junho de
1823, em que oi ap o ada, e que D. João VI suspende á po ocasião dos acon ecimen os da Vila ancada. E um
segundo pe íodo, en e 10 de se emb o de 1836 e 20 de ma ço de 1838, a quando da Re olução de Se emb o, em
que oi ap o ada a no a Cons i uição de 1838.
47 Do conjun o de 939 escolas elemen a es à al u a exis en es, o núme o des as baixou pa a 550.
39
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
es abelece em Lisboa e Po o e nas capi ais de dis i o. Não consegue no en an o implemen a no
e eno es a e o ma. P e endia ab i uma escola em cada po oação com 400 ogos e duas
naquelas que ul apassassem os 1500. Compe ia às au a quias, câma as e jun as de eguesia,
do a as escolas das ins alações necessá ias. A ibui melho es salá ios aos p o esso es. É
econhecida a jubilação com 25 anos de se iço. São ins i uídas g a i icações ex ao diná ias a
í ulo da p odução de ob as com in e esse cien í ico ou pedagógico ou que in oduzissem um
mé odo de ensino ino ado . A queda do go e no de Saldanha (1835) acabou po in e ompe es e
p ocesso legisla i o. Em 1836, a i ó ia da Re olução de Se emb o (9 de se emb o de 1836),
com a ascensão de Passos Manuel, es e e oma á a legislação de Rod igo da Fonseca, com
algumas modi icações, a a és do dec e o de 17 de no emb o de 1836. Passos Manuel c ia o
ensino liceal com base nas p opos as de José Alexand e de Campos e Almeida Ga e . Com es e
dec e o, Passos Manuel p e endia elimina a “e udição es é il” do ensino, ealçando a
necessidade des e se ege po p og amas cien í icos. A ins abilidade polí ica ma cada po
sucessi as en a i as de de ube dos go e nos, a queda sucessi a de minis é ios e a
desac edi ação dos polí icos nes a época mina am a con iança nos go e nos, punham em causa a
es abilidade da ação polí ica e go e na i a e a implemen ação das necessá ias e o mas
(Rod igues, op. ci ., p. 145). Em 20 de se emb o de 1844, Cos a Cab al eo ganiza o ensino
secundá io à e elia do pensamen o de Passos Manuel, eliminando a componen e cien í ica dos
p og amas le i os. Sucedem-se di e sas inicia i as legisla i as, como as de 185448, 1868, 1872,
1880, 188449, 189550. P oclama-se a u gência da ins ução pública e i upe a-se o anal abe ismo.
As eli es cul u ais não es ão alheadas das necessidades de educa condignamen e o po o.
Alexand e He culano insu ge-se con a o es ado las imá el do ensino e a ausência de uma
educação popula :
En endemos po educação e ins ução popula a cul i ação do espí i o, e não o ensino
das a es ab is ou mecânicas, a que mui a gen e dá aquele nome. Nega o ape eiçoamen o
in elec ual aos homens, deixá-los na b u eza e na igno ância, é um ac o imo al, um
48 Do conjun o de 939 escolas elemen a es exis en es à al u a, o núme o de escolas baixou pa a 550.
49 A e o ma do ensino indus ial emp eendida po An ónio Augus o de Aguia enquan o minis o das Ob as
Públicas. Fundou a Escola Indus ial da Co ilhã e os Museus Indus iais e Come ciais do Po o e Lisboa. Re o mou
à época o Ins i u o Indus ial, p ocedeu à con a ação de p o esso es es angei os pa a as escolas ecém c iadas e
egulamen ou o abalho de meno es (In opédia [cons. 28-01-2013]. Disponí el em h p://www.in opedia.p /.
50 A chamada Re o ma de Jaime Moniz.
40
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
menoscabo de de e es sag ados, e, po consequência, um c ime. (...) É, po an o, p eciso
cul i a -lhe o espí i o (…) (Alexand e He culano, Da Educação e Ins ução das Classes
Labo iosas, 1838).
Ramalho O igão denuncia a educação escolás ica e a in luência da men alidade
eológico-me a ísica. Pa a o au o das Fa pas, é p eciso comba e um ipo de ensino e udi o e de
memo ização em bene ício de uma ap endizagem cien í ica e p á ica. Fon es Pe ei a de Melo, no
quad o das polí icas desen ol imen is as, apos a na cons ução de in a-es u u as públicas e de
g andes ias de comunicação como os caminhos-de- e o. C ia o ensino indus ial em 1862,
des inado a sup i a al a de mão de ob a especializada. A en ega da pas a da Ins ução Pública a
An ónio da Cos a de Sousa e Macedo anunciou a in enção de uma e o ma adical da ins ução
p imá ia. P opõe-se nes e pe íodo um conjun o as o de medidas. Con udo, es a não passa á do
papel. É des e pe íodo a in enção de implan a biblio ecas popula es em odo o con inen e e ilhas
e in oduzi a educação ísica no ensino p imá io. P opunha-se a c iação em cada eguesia do
chamado «capi al escola » pa a o qual e e e iam os endimen os dos baldios e de uma pa e
dos endimen os das con a ias. P e ia-se a exis ência de escolas mis as. A e o ma da ins ução
p imá ia de maio de 1878 p econiza a a c iação de comissões de bene icência e o auxílio
pecuniá io às c ianças indigen es em idade escola . To na a-se ob iga ó ia a equência da escola
a pa i dos seis anos de idade. P e ia-se a ins alação de escolas no mais em odas as capi ais de
dis i o. Nos anos 80 do século XIX, ganha um no o ímpe o nas campanhas de epublicanos e
socialis as a de esa da educação cien í ica e u ili á ia con a os p opósi os da educação clássica,
des acando-se aqui Be na dino Machado. Con udo, o cená io polí ico mos a a-se ad e so ao
ap o undamen o das e o mas no ensino. O Ro a i ismo caí a em desc édi o e o ce icismo em
elação à polí ica dos pa idos moná quicos acen ua-se com o ambien e de con li ualidade
polí ica, pela ação dos pa idos socialis as e epublicanos. Es es omam como sua a bandei a da
lu a con a o anal abe ismo. A e o ma de Jaime Moniz é nes e con ex o o emen e con es ada
(Rod igues, op. ci ., p. 146).
Na i agem do século XIX pa a o século XX, o anal abe ismo gene alizado en e a
população po uguesa mos a a o pouco impac o que a é en ão i e am as medidas de omen o
da ede de escolas p imá ias e a expansão da ins ução pública.51 Em 1911, já na igência do
egime epublicano, o anal abe ismo en e a população masculina e eminina com mais de 6 anos
51 Em 1900, pa a uma população es imada de 5 423 132 esiden es, 4 261 336 e am anal abe os (Rod igues,
1985:148).
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
1996 é c iada a Comissão Nacional pa a o Ano da Educação e Fo mação ao Longo da Vida.71
Es e o ganismo conclui os seus abalhos em 26 de janei o de 1998 com a ap esen ação da
Magna Ca a sob e Educação e Fo mação ao Longo da Vida. Nes e mesmo ano é c iado o
G upo de Missão pa a o Desen ol imen o da Educação e Fo mação de Adul os (GMEFA),
u elado pelo Minis é io da Educação e pelo Minis é io do T abalho e Solida iedade. Es a
en idade em como esponsabilidade implemen a aquele p og ama e unda a Agência Nacional
de Educação e Fo mação de Adul os (ANEFA). Es a é e e i amen e c iada em 1999. P ocu a
a icula os sis emas educa i o e o ma i o, a a és da ação conjun a en e o Minis é io da
Educação e o Minis é io da Segu ança Social e do T abalho. Numa ó ica colabo a i a e
descen alizada, con ou com a colabo ação de ou as en idades do se o público, p i ado e social,
com ação a ní el egional e local. Po sua ez, o Dec e o-lei n.º 208/02, de 17 de ou ub o, ap o a
a no a o gânica do Minis é io da Educação. P ocu a-se uma maio in eg ação en e o sis ema de
ensino e a o mação ao longo da ida. P e ende-se ap o unda as medidas de quali icação inicial
de jo ens que não p e endam p ossegui es udos, eo ien ando a sua o mação pa a a inse ção na
ida a i a. É c iada a Di ecção-Ge al de Fo mação Vocacional (DGFV) que subs i ui a ANEFA,
que é po sua ez ex in a. Es a no a en idade abso e as unções e compe ências da an e io , no
âmbi o da educação e o mação de adul os (Eu ybase, 2006/7: 157-158).
As in es igado as Ma ia de Fá ima Ce quei a e Alcina Manuela de Oli ei a Ma ins, em
A Consolidação da Educação e Fo mação P o issional na Escola Secundá ia nos Úl imos 50
Anos em Po ugal (2011), sublinham a e o ma pionei a de José Augus o Seab a, de 1983,
ein oduzindo as ias p o issionalizan es no sis ema de ensino. Re o ma de b e e du ação, no
âmbi o da qual são c iados os cu sos écnico-p o issionais, com du ação de 3 anos e os cu sos
p o issionais, com du ação de um ano e meio, após e minado o 9º ano. Os cu sos écnico-
p o issionais pe mi iam a ce i icação escola e p o issional de ní el secundá io (12º ano) e o
p osseguimen o pa a o ensino supe io .72 Os cu sos p o issionais apenas pe mi iam a ob enção de
um diploma p o issional. Razões pa a es a e o ma, são apon adas a necessidade de en en a o
71 Resolução de Conselho de Minis os n.º 15/96, de 22 de e e ei o.
72 A exigência eque ida aos alunos pelos cu sos écnico-p o issionais e o ac o dos cu sos p o issionais impedi em o
p osseguimen o de es udos supe io es, limi a am em g ande medida a p ocu a des a o e a o ma i a. Re i a-se que
em 1984 apenas 3% dos jo ens que p osseguiam o ensino secundá io op a am po uma des as modalidades
(Ce quei a e Ma ins, 2011: 135 [Aze edo, 1999: 20]). Pa a Joaquim Aze edo, o desequilíb io en e a p ocu a do
ensino egula e do ensino p o issional, em des a o des e úl imo, e e como causas, a p e e ência dos jo ens pelo
p osseguimen o do ensino supe io , na ausência de uma eal al e na i a no campo do ensino p o issional (c .
Aze edo, 1988).
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
c escen e desemp ego en e os jo ens e o aumen o exponencial da p ocu a de cu sos do ensino
supe io . Es as dois a o es e ão in luenciado a necessidade de en en a um “cená io de
eme gência pública de uma p oblemá ica ju enil” (Ce quei a e Ma ins, 2011, p. 135 [G ácio,
1998: 205-211]). A es e cená io não é alheio o discu so polí ico ecnoc á ico em o no da
necessidade de mode nização do ecido p odu i o e emp esa ial e da necessidade de do a a o ça
de abalho de uma melho p epa ação écnico-p o issional. São apon adas debilidades ao
sis ema de ensino, apelidado de excessi amen e eó ico e com aca ligação ao ecido
económico.73 T aços es u u an es das e o mas emp eendidas pelo Minis o da Educação
Robe o Ca nei o (1987-1991), a alo ização do ensino p o issional e a p ocu a da sua
a iculação com o me cado de abalho.74 Des aca-se a c iação das escolas p o issionais.75 No
in ui o de implemen a no e eno a Lei de Bases do Sis ema Educa i o, é c iada a Comissão de
Re o ma do Sis ema Educa i o (CRSE), cabendo-lhe implemen a as o ien ações do XI Go e no
pa a a educação, de aco do com os obje i os de descen aliza e mode niza o se o
adminis a i o do sis ema educa i o e a alo ização dos ecu sos humanos. As e o mas
emp eendidas po Robe o Ca nei o i e am um impac o p o undo nas o ien ações de polí ica
educa i a dos go e nos subsequen es (Ce quei a e Ma ins, 2011).76 O ensino p o issional não
es á isen o de de um ce o maniqueísmo: «ensino eó ico» e sus «ensino p á ico», «educação»
e sus « o mação» ou «alunos» e sus « o mandos».77 O ensino p o issional cons i ui hoje numa
ealidade e e i a no sis ema de ensino como o mos a o aumen o e di e si icação des a o e a do
sis ema de ensino, bem como o g ande aumen o do núme o de jo ens a equen a o ensino
p o issional (Ce quei a e Ma ins, 2011: 138). A e o ma do ensino emp eendida a pa i do
biénio de 2004-2005, cujos an eceden es emon am aos inais da década de 90 do século XX,
ab angeu um conjun o ala gado de medidas que ão desde o egime da au onomia das escolas,
73 A es e espei o ide as e e ências sob e a “ alo ização p o issional do abalhado ” e a “uni e salização
acele ada do acesso à escola idade de no e anos”, no P og ama do XI Go e no (1987).
74 O e o ço da componen e do ensino p o issional passou po medidas como a implan ação da ede de escolas do
ensino p o issional, o e o ço do ensino poli écnico, a in eg ação da o e a de cu sos p o issionais na ede de
es abelecimen os de ensino egula de ní el básico e secundá io.
75 Com o Dec e o-lei nº 26/89, de 21 de janei o, in i ulado de Re isão Cu icula do Ensino Básico e Secundá io e o
Dec e o-lei nº 286/89, de 29 de agos o.
76 Ace ca des as e de ou as p oblemá icas sob e o ensino p o issional em Po ugal nas úl imas décadas, ide
Machado da Sil a (1993), Ab an es (2003), Saboga (2009) e Camacho Cos a (2010).
77 Sob e a p oblemá ica da essocialização escola em con ex o da educação das classes popula es e a implemen ação
do modelo das chamadas «escolas de segunda opo unidade» ide Haech (2005) e Vienne (2005).
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
passando pela adminis ação e ges ão dos es abelecimen os públicos de educação p é-escola , do
ensinos básico e secundá io, à eo ganização cu icula e dos p og amas dos cu sos ge ais e dos
cu sos ecnológicos (Ce quei a e Ma ins, 2011: 139).78 Em 2002 é publicada a Lei O gânica do
Minis é io da Educação, onde é exp esso o obje i o de “quali icação dos ecu sos humanos e as
necessidades da compe i i idade da economia global” (Ce quei a e Ma ins, op. ci ., p. 140).79 É
ap esen ada em 2003 a discussão pública da Re isão Cu icula do Ensino Secundá io. O XV
Go e no Cons i ucional, a a és do Minis o da Educação Da id Jus ino (2002-2004), no
p eâmbulo ao Dec e o-lei nº 74/2004, de 26 de ma ço, es abelece como p io idades de polí ica
educa i a a o mação e quali icação dos jo ens e o comba e ao insucesso e abandono escola . Na
Po a ia nº 550-C/2004, de 21 de maio, Da id Jus ino ab e a ede pública de escolas secundá ias
à o e a de cu sos p o issionais de ní el secundá io. Uma ou a ino ação des e diploma é o
ecu so a me odologias de econhecimen o e alidação de compe ências adqui idas pelos
o mandos po ia o mal, não o mal ou in o mal. No mesmo diploma incen i a-se a pa ce ia
en e es abelecimen os de ensino e pa cei os ins i ucionais locais, em pa icula , as emp esas. É
dada p io idade à o mação ecnológica em á eas com p ocu a no me cado de abalho.80 A
implan ação do ensino p o issional em Po ugal no úl imo qua el do século XX, oi
acompanhada da en ada de undos comuni á ios a a és dos á ios p og amas de apoio. Re i a-
se aqui o POPH ˗ P og ama Ope acional de Po encial Humano, que subs i uiu o PRODEP ˗
P og ama de Desen ol imen o Educa i o pa a Po ugal, c iado no âmbi o dos á ios QCA ˗
Quad os Comuni á ios de Apoio e do Fundo Social Eu opeu, que e minou em 2006.81 A
Inicia i a No as Opo unidades, p og ama enquad ado pelo Plano Nacional de Emp ego e pelo
Plano Tecnológico, p ocu ou a icula di e en es dimensões sociais, como a educação, o mação
78 Dec e o-lei nº 115- A/98, de 4 de maio.
79 A p esen e lei p e ia a c iação do Ca álogo Nacional de Quali icações, do Ca álogo Modula de Fo mação
P o issional e a conceção dos Re e enciais de Fo mação, o ien ados undamen almen e pa a a o mação de écnicos
in e médios (quali icação p o issional de ní el III). P e ia-se ambém uma es u u a cu icula di idida em ês
componen es ˗ o mação sociocul u al, cien í ica e écnica - baseada na o mação modula , in eg ando a o mação
em es ágio ou em con ex o de abalho.
80 A . 8º, da Po a ia nº 550-C/2004, de 21 de maio.
81 A a és do POPH o am disponibilizados ce ca de 8,8 mil milhões de eu os, dos quais 6,1 mil milhões são
compa icipação do Fundo Social Eu opeu (FSE). Quan o ao Quad o de Re e ência Es a égico Nacional (QREN),
p og ama que enquad ou a aplicação da polí ica comuni á ia de coesão social em Po ugal pa a o pe íodo de 2007-
2013, subs i uindo os ês Quad os Comuni á ios de Apoio (QCA), a pa e di igida à quali icação de ecu sos
humanos ep esen a 37% dos undos es u u ais (Ce quei a e Ma ins, 2011: 142 [c . POPH, 2007: 5]).
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
p o issional e emp egabilidade.82 Apesa das c í icas que po ezes lhe são apon adas, es e
p og ama con ibuiu pa a a consolidação da o e a p o issionalizan e em Po ugal (Ce quei a e
Ma ins, 2011). Re i a-se ambém a c iação do Sis ema Nacional de Quali icações,83 apoiado em
ou os dois ins umen os, o Quad o Nacional de Quali icações e o Ca álogo Nacional de
Quali icações (Ce quei a e Ma ins, id., ibid. ).84 Nes e con ex o e i a-se a c iação em 2004 dos
CEF ˗ cu sos de educação e o mação, di igidos a jo ens com idade igual ou supe io a quinze
anos.85 São egulamen adas as ipologias dos pe cu sos escola es, as condições de acesso e de
ce i icação escola e p o issional dos cu sos CEF (IGE, 2005: 69). O acesso dos jo ens aos
cu sos CEF e a escolha do cu so é apoiado pelos Cen os de Apoio Sócio-Educa i o (CASE) e
pelos Se iços de Psicologia e O ien ação (SPO) das escolas. É celeb ado um con a o de
o mação en e a escola e o o mando ou um seu ep esen an e no caso des e se meno onde são
es abelecidas as condições, di ei os e de e es.86 São c iados em 2004 os cu sos p o issionais (CP)
de ní el secundá io.87 São c iados os CET ˗ cu sos de especialização ecnológica, uma o e a
p o issionalizan e pós-secundá ia, de ní el não supe io , con e indo um diploma de
especialização ecnológica e p o issional de ní el IV.88 Es a modalidade de o mação des ina-se a
quem já possua um cu so do ensino secundá io ou equi alen e, com quali icação p o issional de
ní el III (IGE, op. ci ., p. 75).
82 Tendo em is a os baixos índices de escola ização dos po ugueses, apos ando na quali icação da população
(GEP/MSSS, 2012).
83 Pelo Dec e o-lei nº 396/2007, de 31 de dezemb o. Como e e e o p ólogo des e diploma “o Sis ema Nacional de
Quali icações assume objec i os já a i mados na Inicia i a No as Opo unidades — desde logo o de p omo e a
gene alização do ní el secundá io como quali icação mínima da população — e p omo e os ins umen os
necessá ios à sua e ec i a execução, em a iculação com os ins umen os inancei os p opiciados, nomeadamen e
pelo Quad o de Re e ência Es a égico Nacional 2007-2013.
84 Po a ia n.º 782/2009, de 23 de julho.
85 Po Despacho Conjun o nº 453/2004, de 27 de julho.
86 Pelo Dec e o-lei nº30/02, de 20 de dezemb o, subs i uído pela Lei n.º 51/2012, de 5 de se emb o.
87 No ano de 2004 e 2005, os cu sos p o issionais unciona am em egime de expe iência pedagógica (IGE, 2005:
73). C iados po Despacho nº 14 758/04 de 23 de julho, al e ado pela Re i icação nº 1 645/04, de 2 de se emb o, que
es abelece de aco do com o p e is o no a º 38º da Po a ia nº 550-c, de 21 de de maio, as condições de
uncionamen o dos cu sos p o issionais de ní el secundá io na ede de escolas públicas, c iados pelo Dec e o-lei nº
74/04, de 26 de ma ço.
88 Regulamen ados pelas Po a ias nº 698/2001, de 11 de julho e nº 392/2002, de 12 de ab il.
51
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
Capí ulo III - Me odologia
3. 1. Fo mulação das hipó eses de abalho
A in es igação de e eno p ocu ou segui de pe o o quad o eó ico delineado nos
capí ulos I e II. Do enunciado nes es dois capí ulos ealçam-se duas ideias p incipais:
a) O ensino p o issional cons i ui um ins umen o de polí ica educa i a di igida ao
p og esso social e económico das nações;
b) O ensino p o issional o ien a-se pa a a o mação da o ça de abalho em di e sas
á eas de a i idade económica, não esquecendo ins sociais, como a a enuação das
desigualdades cul u ais.
Pa a a ope acionalização empí ica des as duas ideias-cha e, eco eu-se a duas hipó eses
de abalho:
H1: O ensino p o issional é ma cadamen e classis a. Os discen es p o êm na sua maio ia das
classes popula es.
H2: O ensino p o issional é ma cadamen e in e classis a. As di e sas classes sociais e ações
de classe es ão es ão ep esen adas no ensino p o issional.
As duas hipó eses de abalho acima o muladas cen am-se na pe ença social dos
públicos que equen am o ensino p o issional.89 Como se p ocu ou ilus a nos capí ulos
an e io es, o espaço social não é homogéneo. É cons i uído po uma hie a quia de luga es e
posições sociais, e le indo condições económicas, sociais e cul u ais di e sas. P essupõe-se que
as di e enças de pe cu so escola e le em as di e enças de condição social. Os aje ó ias bem
como as escolhas de ida não são po isso u o do acaso, ou ão só, de escolhas mal e le idas.
Como suge e Bou dieu, “não exis e sujei o ou a o , mas p á icas cujo sen ido, em úl ima análise
escapa semp e ou em pa e àquele que as põe em p á ica” (É ienne, 1998: 38-39 [c . Bou dieu]).
O espaço social e as elações sociais dependem de a o es es u u ais, bem como de a o es
dinâmicos, em g ande medida con li uan es e ex e io es à on ade do indi íduo.90 Pos o es e
89 Po hipó eses de abalho en ende-se um conjun o de explicações acei es como p o isó ias no p ocesso de
in es igação.
90 João Fe ei a de Almeida, no a igo “Temas e Concei os nas Teo ias da Es a i icação Social”, abo da as
desigualdades sociais nos seguin es e mos: “A que ques ão se a a de esponde ?Pa indo do p essupos o de que
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
esboço, p e endeu-se da espos a a ques ões como: quais as o igens sociais dos discen es que
equen am o ensino p o issional?; qual a sua opinião ace ca do es abelecimen o e do cu so
equen ado?; e quais as suas aspi ações e expe a i as de ida u u as? Pa a além de cons i ui
uma o e a com alências p óp ias, é econhecido aos ensinos écnico e p o issional i ualidades
na diminuição das axas de abandono e insucesso escola . A des alo ização de que em sido al o,
ende a não e le i os esul ados p á icos conseguidos ao ní el da inclusão de jo ens diplomados
pelo ensino p o issional no me cado de emp ego. A eno ada apos a do Es ado no ensino
p o issional cons i ui um sinal da impo ância da o mação p o issional e da sua elação com as
polí icas de emp ego.
3.2. De inição dos concei os e iden i icação das a iá eis. A cons ução do modelo de
análise
O modelo de análise ap esen ado na igu a I em a o ma de um diag ama dinâmico.91 A
elação en e os concei os que iden i icam as di e en es a iá eis é igu a i amen e ep esen ada
pelo acejado e pela o ien ação das se as. Os concei os p incipais, o ien ado es da pesquisa,
su gem sublinhados a neg i o e a maiúsculas. O diag ama p e ende ep esen a concep ualmen e
o espaço das posições e elações sociais. O espaço social é delimi ado po dois concei os
undamen ais: es u u a e mobilidade social. Po es u u a en endem-se os enómenos sociais que
endem a pe manece ao longo do empo, induzindo p ocessos de iné cia e de imobilização
social. Po mobilidade en endem-se os p ocessos sociais que endem a modi ica a na u eza das
elações sociais, com e lexo nas posições e luga es ocupados no espaço social, es imulando a
ino ação e o dinamismo. Ambos os p ocessos endem a in e agi en e si, ixando ou
modi icando a na u eza das elações en e os g upos sociais. O espaço social in e age com as
ins i uições sociais como o sis ema de ensino e a escola. No modelo de análise ep esen a-se a
es u u a e mobilidade sociais enquan o concei os an i é icos, opondo elações de o ça e
di e en es capacidades de mobilização de ecu sos dos g upos en e si. Na sociedade po uguesa
como nas demais sociedades de capi alismo a ançado, a in e ação en e os p ocessos es u u ais
e a mobilidade e dinâmica sociais é con adi ó ia en e si, endendo a sob epo -se consoan e as
as desigualdades sociais êm ca ác e uni e sal, p e endem-se explica as azões da es a i icação em odos os
sis emas sociais, endo em con a a dis inção analí ica en e o p oblema do sis ema de posições na es u u a e o
p oblema do acesso dos indi íduos a essas posições” (Fe ei a de Almeida, 1981-2: 174).
91 Con o me indicado pela o ien ação das se as.
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
conjun u as, nos e ei os e impac os p oduzidos. Ainda assim, os p ocessos es u u ais endem a
pesa mais em sociedades como a po uguesa e nos países da Eu opa do sul do que nos países
indus ializados do no e da Eu opa.
[Figu a I]
No modelo de análise, a es u u a social su ge g a icamen e ep esen ada pelo conjun o
de posições ocupadas pelas di e en es classes e ações de classe. O modelo de análise ep esen a
as ins i uições sociais, de onde se des aca o papel do Es ado, a a és das polí icas públicas,
en endidas enquan o al, como cump indo unções sociais, com ele ância pa a as unções
educa i as.92 A escola como ins i uição social é pe meá el ao choque de alo es e aos
p essupos os ideológicos, que se sob epõem e acompanham a ansmissão do conhecimen o. A
escola é cons i uída po um disposi i o, incluindo os ecu sos ma e iais e humanos.93
Re o nando ao modelo da igu a I, como se disse acima, es e in eg a os p ocessos
92 São duas as unções p incipais do ensino p o issional: a) o ensino e a ap endizagem em moldes semelhan es aos
que são p a icados no ensino escola , a ibuindo no inal do pe cu so um í ulo escola ; b) o ma pa a uma
p o issão, a ibuindo no inal do pe cu so um í ulo p o issional. Deco en e des as unções p incipais, são qua o as
condições de sucesso da aje ó ia escola e o ma i a: a) a conclusão com sucesso das duas componen es, escola e
o ma i a; b) a en ada no me cado de abalho e o exe cício de uma p o issão quali icada; c) o p osseguimen o de
es udos, acedendo, po exemplo, ao ensino supe io ; d) o acesso a o mação con ínua especializada no âmbi o
p o issional. A conc e ização des es obje i os não é linea , nem es á isen a de con ingências. Como conside a
Fe nando Gil, em Razão e Escola: O Que É (E Não É) Ensiná el, conside a: “não há um cu sus escola , mas dois, e
só dois. A disc iminação das populações escola es é uma de e minação essencial (não i ial) dos sis emas de
ensino que se encon a a es ada, geog a icamen e po assim dize , ao ní el do secundá io. De uma manei a ou de
ou a, os sis emas de ensino (que biná ios que in eg ados) consag am, ou au o-engend am, a exis ência de dois
cu sus: p o issional e de ensino ge al, ca ac e izados po cu ículos di e en es, di e en es mé odos de ensino e de
a aliação e (mas e emos que se a a aí de um e ei o secundá io) po alunos o iundos de classes sociais
igualmen e di e en es” (Gil, 1976: 720).
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
es u u ais e de mobilidade social. Es e ap esen a ou os qua o concei os: as disposições
in e io izadas, as polí icas sociais, as aje ó ias e es a égias escola es. Po disposições
in e io izadas en endem-se os modos de es a , de se , de pensa e aze , ca a e ís icos ou
p óp ios de de e minadas classes sociais ou de indi íduos. As classes sociais e os indi íduos
endem a segui ou a copia compo amen os, manei as de pensa , modos de es a , endo como
e e en es ou as classes e indi íduos, que lhes são p óximos ou signi ica i os. Po an o, a
ap endizagem ope a-se po socialização, pela adoção de modelos de condu a, no con ac o com
e cei os.94 As polí icas sociais, e em pa icula , as polí icas educa i as ado adas pelo Es ado
p ocu am, nos obje i os o mulados, eduzi as desigualdades sociais a a és do inc emen o da
educação o mal. Po aje ó ias escola es en endem-se os pe cu sos de mobilidade escola , da
con inuidade desses pe cu sos, seguindo os á ios ciclos e ní eis de es udos, ou da mobilidade
en e modalidades de ensino e o mação, op ando po ou as ias, o a encu ando as mesmas,
in e ompendo ou abandonando o sis ema de ensino. Po es a égias escola es en endem-se po
sua ez as escolhas e as expe a i as de mobilidade e ical.
3.3. As écnicas de inqué i o aplicadas
A escolha das écnicas e dos ins umen os de inqué i o, di igiu-se a um uni e so
populacional de discen es a equen a o ensino p o issional. A p esença de um uni e so de
es abelecimen os e alunos mui o g ande, cons i uía à pa ida um p oblema pa a a in es igação,
dada a exiguidade de empo e a ca ência de meios. Ou a di iculdade elacionou-se com o
con ac o das ins i uições e a ob enção das au o izações necessá ias, nomeadamen e as di eções
dos es abelecimen os. Apesa de algumas di iculdades iniciais, es as o am sendo apidamen e
ul apassadas. Salien a-se o acolhimen o dado pelos esponsá eis dos es abelecimen os aos
p opósi os do inqué i o e à sua aplicação. A in es igação empí ica deco eu em di e en es
es abelecimen os de ensino e o mação p o issional, da ede pública e p i ada, localizados na
egião do G ande Po o. P ocu ou-se ob e uma amos a ep esen a i a do uni e so al o de
es abelecimen os, o e as o ma i as e públicos. U iliza am-se como ins umen os de ecolha de
93 Po disposi i o en ende-se o «apa elho écnico», cons i uído po ins alações, equipamen os e pessoal. Po
«apa elho ideológico» en ende-se a componnen e dos p og amas e no mas, assim como a ação pedagógica dos
«especialis as» (p o esso es/ o mado es).
94 A ap endizagem po socialização inclui a ap endizagem in o mal, a a és da ap endizagem de eg as e no mas de
ida básicas, como a higiene, a con i ência, ap endidas em meio amilia ou a a és da ap endizagem o mal, pela
educação e a ação e equência da escola.
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
dados, o ques ioná io es u u ado, combinando ques ões de espos a « echada» e ques ões de
espos a «abe a», a se p eenchido pelos inqui idos, e um guião de en e is a di igido aos
di igen es dos es abelecimen os e p o esso es, a se adminis ado po um inqui ido . A o e a de
cu sos incluídos na amos a, de ní el secundá io, e po á eas de a i idade económica, ab angiam
o se o da indús ia, das no as ecnologias e mul imédia, a adminis ação e ges ão e as a es
aplicadas. Os cu icula dos cu sos incluíam uma componen e de o mação socio-cul u al,
écnico-cien í ica e de p á ica p o issional. Os inqui idos e am na sua maio ia jo ens
adolescen es em idade de equência escola . A amos a incluía ambém jo ens adul os e adul os.
Es es concen a am-se sob e udo num cu so de especialização ecnológica e num cu so de
o mação de adul os em si uação de desemp ego/p ocu a de no o emp ego. O a amen o
es a ís ico (a codi icação das espos as) dos dados do inqué i o po ques ioná io oi ealizado
com o auxílio do p og ama in o má ico IBM SPSS S a is ics19.95 A cada ques ão co espondeu
uma a iá el ( a iable), iden i icada po um código (name), po um nome (label) e po
indicado es ( alues), en e ou os c i é ios de codi icação. A p og amação co e a das a iá eis
pe mi iu a co e a inse ção dos dados (da a). A ipologia de espos as ge ada pela p og amação
das a iables p ocu ou simula em ambien e in o má ico ( a iable iew e da a iew), as
espos as que se iam ob idas a a és do cálculo es a ís ico e p obabilís ico di e o. Nas ques ões
de espos a «abe a», op ou-se po uma écnica quali a i a de codi icação das espos as, po
ca ego ias sin é icas como a ipologia u ilizada no Quad o N (anexo I). O c i é io escolhido aqui
oi o c i é io geog á ico. Ou os c i é ios u ilizados, o am o luga de na u alidade e o luga de
esidência. As ca ego ias ob idas dis ibuem-se po doze zonas geog á icas. Os inqui idos com
na u alidade num país es angei o co espondem a ilhos de emig an es po ugueses a esidi no
es angei o ou que en e an o se ixa am p o isó ia ou de ini i amen e em Po ugal, co esponde
ambém a ilhos de es angei os a esidi em Po ugal ou inqui idos p o enien es dos países de
língua o icial po uguesa (PALOP’S).
3.4. Algumas ca a e ís icas da amos a
O sis ema de ensino po uguês ab ange os subsis emas escola e p o issionalizan e.96 O
ensino p o issional in eg a duas e apas. Uma p imei a e apa di igida à o mação inicial,
95 Sigla de S a is ical Package o Social Sciences 19.
96 As nomencla u as podem en e an o e so ido al e ações em ace de no a legislação in oduzida.
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
comp eende o sis ema de ap endizagem, os cu sos p o issionais e o ensino ecnológico. Uma
segunda e apa é compos a pelos cu sos de especialização ecnológica (CET). Es es cu sos
p essupõem um con ac o p é io com o mundo do abalho e expe iência p o issional na á ea de
o mação inicial (Gonçal es, 1997: 148-149).97 As ins i uições onde oi adminis ado o inqué i o
o e ecem cu sos de o mação p o issional, em di e en es modalidades de o mação, assim como
á eas de conhecimen o cien í ico, écnico e p o issional di e sas.98 Es as ins i uições p ocu am
a icula a componen e de o mação sociocul u al, com as componen es cien í ica, écnica e
p o issional, isando a o mação in eg al do indi íduo, de aco do com ês dimensões
pedagógicas: o conhecimen o eó ico-p á ico («sabe - aze »), a socialização («sabe -es a ») e a
expe iência («sabe -ap ende ») (Gonçal es e al., 1997, p. 140 [c . Le Bo e , 1989]).
Os es abelecimen os e cu sos onde oi aplicado o inqué i o são na sua maio ia
equen ados po indi íduos do géne o masculino. No en an o, alguns dos cu sos ap esen am
p eponde ância eminina. Es a pode se explicada pela o e a de cu sos em á eas como o
sec e a iado e adminis ação, o u ismo e as a es aplicadas. No quad o I (anexo I) ap esen a-se a
dis ibuição dos o mandos po géne o e po ins i uição. No conjun o dos es abelecimen os, 66%
dos discen es são do géne o masculino e 33,5% são do géne o eminino.99 Po ins i uições, as que
em maio peso masculino são, o CENFIM (34,6%), o IPTA (14,7%) e a ESSR (11,5%). As
ins i uições com maio p esença eminina são, a ESSR (13,1%) e o FOR-MAR (9,9%). A
adicional p esença masculina no ensino p o issional pode explica -se pela sua en ada mais
cedo no me cado de abalho (Ângelo, 1975). Excluindo um «e ei o de géne o» em ace de
ins i uições e cu sos ocacionados pa a públicos emininos, a maio p esença masculina no
ensino p o issional ende a se compensada com a c escen e p esença eminina em di e sas
modalidades e cu sos. Es a pode se explicada em pa e pela ep esen ação eminina nos ní eis
de escola idade mais baixos. As mulhe es com mais de 65 anos, mais do que os homens da
mesma aixa e á ia, sob ele am nas es a ís icas da ili e acia. Tal pode explica -se pelo
97 Os cu sos de especialização ecnológica são uma e en e da o mação p o issional, de ansição escola pa a o
ensino supe io e de especialização écnica e p o issional. Não con e e um g au académico mas apenas um í ulo
p o issional de especialização ecnológica. As unidades cu icula es ealizadas num cu so CET podem se obje o de
econhecimen o cu icula no âmbi o da candida u a (e equência) a cu sos supe io es.
98 O inqué i o deco eu nos seguin es es abelecimen os: CENFIM ˗ Cen o de Fo mação P o issional da Indús ia
Me alú gica e Me alomecânica, FOR-MAR ˗ Cen o de Fo mação P o issional das Pescas e do Ma , Escola A ís ica
de Soa es dos Reis, CECOA ˗ Cen o de Fo mação P o issional pa a o Comé cio e A ins e o IPTA ˗ Ins i u o
P o issional de Tecnologias A ançadas.
99 No quad o su ge um caso não iden i icado (n/i).
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
endência p esen e nos dados de inqué i os ge ais à população.112 A p esença masculina no
ensino p o issional e le e o maio insucesso escola e i icado en e os apazes? Embo a os
dados apon em nes e sen ido, a espos a con udo não é simples nem di e a. Pode á pe gun a -se o
mesmo em elação às apa igas que equen am o ensino p o issional. Qual a in luência das
a i udes, p e e ências e escolhas de géne o na opção pelo ensino p o issional? Pa ece exis i
uma elação en e a escolha de um de e minado cu so do ensino p o issional e o géne o, como é
e elado pelo inqué i o.113
O quad o XXV ap esen a epa idos os o mandos com e sem ep o ações, po di e en es
ní eis e á ios. Os dados dão con a do ní el de ep o ações en e os inqui idos (62,0%). O
insucesso escola decla ado é maio nos inqui idos das aixas e á ias mais jo ens, em pa icula ,
na classe e á ia dos 15 aos 18 anos (23%), dec escendo com o a anço do ní el e á io. Nes e
sen ido, os o mandos que nunca ep o a am es ão mais ep esen ados naquela aixa e á ia
(25,7%).114 Com um impo an e con ingen e de inqui idos com uma ou mais ep o ações, quais
as azões apon adas pelos o mandos pa a o seu insucesso escola ? De uma lis a de i ens
p e iamen e suge idos, solici ou-se aos o mandos que indica am e ep o ado, que
selecionassem ês i ens po o dem dec escen e de impo ância. O g á ico I mos a a o denação
dos i ens po ês o dens de azões, em unção do géne o. Pa a simpli icação da análise e e -se-
ão apenas os dados do g á ico e e en es à p imei a o dem de azões. Pa a os apazes a
ep o ação ende a se enca ada em e mos do desa e o pela escola. O não gos a da escola é
jus i icado em e mos das di iculdades encon adas, com in luência no desempenho e nas
di iculdades de adap ação ao meio escola . Como i ens mais apon ados pelos apazes, «não se e
es o çado», «não gos a de es uda » e «não gos a de anda na escola». Menos indicados « al a
mui o às aulas» e «não gos a das disciplinas». Menos indicadas ainda, « e p oblemas
112 Em Po ugal, são mais os apazes do que as apa igas a eng ossa as es a ís icas do insucesso e abandono
escola es. En e 2006 e 2007, na aixa e á ia en e os 18 e os 24 anos, a pe cen agem de apazes que se encon a o a
do sis ema de ensino, endo apenas comple ado o ensino básico, e a de 46,4% em compa ação com 31,8% de
apa igas (c . Gue ei o, 2009 [Eu os a ]).
113 No quad o XXIV são ap esen ados os cu sos po géne o. Os cu sos com maio p esença masculina são
manu enção indus ial da me alu gia e me alomecânica (21,5%), manu enção indus ial/meca ónica (11,5%) e
ges ão de equipamen os in o má icos (5,2%). Os cu sos onde a ep esen ação de apazes e apa igas é mais p óxima,
são animação 2D e 3D ( espe i amen e, 9,9% e 5,2%) e mul imédia ( espe i amen e, 2,1% e 2,6%). Os cu sos onde
a p esença eminina se des aca, são os cu sos de adminis a i o (9,9%), joalha ia e c a ação (4,7%), design de moda
(4,2%) e a es g á icas (3,7%).
114 Os inqui idos mais jo ens êm mais p esen e na memó ia episódios an e io es de insucesso escola . É de admi i
que es es episódios possam se omi idos ou não decla ados po esquecimen o in olun á io ou po azões de
p ese ação da « achada» pessoal. Con udo, es es a o es pode ão se mais mais ca a e ís icos das aixas e á ias mais
a ançadas.
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
amilia es», a «a aliação injus a», «não pe cebe as ma é ias», o «mau compo amen o», «não
gos a dos p o esso es», «não e amigos na escola» e « e p oblemas de saúde». As apa igas
que decla am e ep o ado, indicam como a gumen os, « e p oblemas amilia es», «não
pe cebe as ma é ias» e «não se es o ça ». Indicam em seguida, « al a mui o às aulas», «não
gos a das disciplinas», «não gos a de anda na escola» e a «a aliação injus a». Menos
indicadas, «não e amigos na escola» e « e p oblemas de saúde». Os a gumen os escolhidos
pa a jus i ica os episódios de insucesso escola , endem a cen a -se em azões como não gos a
da escola, desin e esse pelas ma é ias e a al a de empenho no es udo. Os inqui idos endem a
e -se a si como esponsá eis pelos episódios de insucesso escola . Menos apon adas, as causas
ligadas ao con ex o social e escola do jo em ou a a o es si uacionais i enciados na escola.
Nos quad os XXVI e XXVII compa am-se os inqui idos que ep o a am ao longo do
pe cu so escola com os que não ep o a am, segundo o ní el de escola idade do pai e da mãe.
Ambas as ca ego ias de inqui idos são o iundos de amílias com a escola idade básica, ao ní el
do 1º ciclo (pai: 31,7%; mãe: 28,4%), de amílias com ascenden es com o 2º ciclo (pai: 19,7%;
mãe: 18,0%) e de ascenden es pa e nos com o 3º ciclo (pai: 24,6%; mãe: 21,9%). Os ag egados
amilia es com pai ou mãe com o ensino secundá io, su gem em seguida (pai: 18,0%; mãe:
19,7%). Es es dados mos am po um lado o aumen o do ní el de escola idade da população
po uguesa. Con udo, es a si ua-se ainda ao ní el do ensino básico e menos, do ensino
secundá io. Os inqui idos p o enien es de amílias com escola idade supe io são em
compa ação, bas an e menos ep esen a i os (pai: 5,5%; mãe: 10,4%). Es e úl imo g upo
acompanha a endência e i icada pa a a população po uguesa. A mulhe mais do que o homem
su ge mais ep esen ada nes e ní el de escola idade, pondo em e idência as ecen es dinâmicas
da escola ização eminina. Os ascenden es que não sabem le e esc e e cons i uem apenas ês
casos, e do lado eminino (mãe: 1,1%).
Nos quad os XXVIII e XXIX elaciona-se a ep o ação escola com o ní el de
endimen os de pai e mãe. Os es es de co elação e signi icância não pa ecem indica uma
co elação o e ou signi ica i a en e es as duas a iá eis.115 A co elação en e ele ados índices
de insucesso escola e baixo ní el de endimen os oi obje o de discussão eó ica em capí ulos
an e io es. Exis indo um ce o consenso en e os in es igado es quan o à in luência das
condições de ida no acesso a bens cul u ais, as opiniões endem con udo a di e gi quan o à
115 Tes es de co elação de Pea son e Spea man, pa a ní eis de signi icância in e io es a 0,5 num in e alo
conside ado de -1 e 1.
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
ele ância dos mesmos na educação de c ianças e jo ens. O inqué i o mos a que os o mandos
com ep o ações cons i uem o dob o dos que não êm ep o ações (com: 61,4%; sem: 38,3%).
Ac escen e-se que 3/4 dos inqui idos (77,9%), que enham ou não ep o ado alguma ez,
p o êm de amílias com um ní el de endimen os abaixo dos 970 eu os. Pesam aqui
undamen almen e as amílias com ní el de endimen os en e os 485 e 970 eu os (56,4%). Os
baixos endimen os do abalho de pai e mãe êm co espondência no exe cício de p o issões
manuais pouco quali icadas. O pe il de baixos endimen os é mais e iden e nas amílias dos
inqui idos com uma ou mais ep o ações do que nas amílias de inqui idos que não ep o a am.
Assim, 50,3% dos inqui idos que indica am e alguma ez ep o ado são p o enien es de
amílias com endimen os abaixo de 970 eu os, enquan o as amílias do mesmo in e alo de
endimen os que indica am não e ep o ado cons i uem apenas 27,1%. No in e alo de
endimen os igual ou in e io a 485 eu os, os inqui idos com ep o ações ep esen am 14,3%. No
mesmo in e alo de endimen os, os inqui idos sem ep o ações são um pouco menos, 12,3%. O
g á ico II ( e anexo II) mos a os inqui idos que in e ompe am e não in e ompe am o pe cu so
escola . Os inqui idos que indica am e abandonado os es udos cons i uem um e ço dos
inqui idos (32,1%).116 Quais as azões apon adas pelos inqui idos pa a a in e upção dos
es udos? As azões apon adas endem a concen a -se em qua o ipos de a gumen os. Um
p imei o conjun o de a gumen os sublinham a necessidade e a on ade de «a anja um
emp ego». Um segundo conjun o de a gumen os sublinham expe iências p é ias de con ac o
com o mundo do abalho, algumas delas mal sucedidas.117 Um e cei o conjun o de azões
sublinha a in luência nas escolhas de ida dos «pe cu sos escola es aciden ados» (Gue ei o e .
116 Não se analisou a elação es a ís ica en e in e upção do pe cu so escola e ep o ação ou e enção escola , dado
o pe il e á io jo em da população inqui ida, em idade de equência escola do ní el secundá io (70,2% êm idade
abaixo dos 21 anos).
117 Um p imei o conjun o de a gumen os sublinha a on ade de a anja abalho e a necessidade económica de o
aze : «pa a i abalha », «[a anja ] abalho», «[ azões] inancei as», « i e de i abalha aos 15 anos de idade»,
« e ido abalha pa a o a», «p ocu a de emancipação mone á ia», «p ecisa a de abalha pa a ajuda os pais e e
o p óp io dinhei o», « on ade de abalha e e independência», «[ e ] dinhei o», «po azões mone á ias», « i e de
abalha pa a ajuda a minha amília», « i e de abalha po di iculdades económicas em casa», « i e de i abalha
aos 15 anos de idade» ou « ui abalha e [po isso] saí da escola». Um segundo conjun o de azões sublinha a
necessidade de consegui melho es quali icações académicas e p o issionais pa a consegui melho es condições de
emp egabilidade, ou en ão, o emp ego desejado: «p ocu a de o mação pa a melho p o issionalização no me cado
de abalho», «amadu ece e pode aze pos e io men e a escolha mais ace ada», «que ia a anja abalho, [mas]
não consegui», «após e e minado o meu cu so de meca ónica decidi i abalha mas não consegui um emp ego
es á el, en e an o, apa eceu es a opo unidade, i a um cu so», «pa a pode sabe o que é o mundo do abalho»,
«decidi i abalha e após um ano a ependi-me».
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
al., 2009).118 Um qua o conjun o de a gumen os elaciona a in e upção dos es udos com
oco ências o ui as da ida pessoal.119
4.3. A opção pelo ensino p o issional
Numa ques ão de espos a «abe a» sob e as azões que mais in luencia am a decisão de
ol a a es uda , os a gumen os dos inqui idos o ien am-se pelos seguin es a gumen os (quad o
XXX): «comple a o ensino secundá io (12º ano)», «aumen a as quali icações académicas»,
«ob e uma ce i icação p o issional», «acede a uma p o issão quali icada», «melho a as
condições de ida» e «p ossegui es udos supe io es». P ossegui es udos e comple a o ensino
secundá io (12º ano) são os obje i os mais apon ados po es es jo ens. Seguidamen e, em o
desejo de ob e uma ce i icação p o issional pa a consegui um emp ego quali icado. Menos
e e idos, a melho ia das condições de ida e o p osseguimen o de es udos supe io es. Um úl imo
conjun o de a gumen os quali icado em ca ego ia p óp ia, «ou as si uações», o ien am-se pa a
p eocupações de ealização e alo ização pessoal.
4.3.1 Razões da escolha da escola e do cu so
Quais as azões que mais in luencia am a escolha do es abelecimen o de ensino
p o issional? De um conjun o de i ens p e iamen e escolhidos, solici ou-se aos inqui idos que
selecionassem ês, po o dem dec escen e de impo ância. O g á ico III mos a o peso de cada
um dos i ens selecionados pelos inqui idos, epa idos po ês g á icos de ba as. No his og ama
(a), as azões da escolha do es abelecimen o de ensino p o issional o ien am-se
p e e encialmen e pa a a «escolha de uma p o issão» e as «saídas p o issionais», seguidas da
«qualidade das ins alações e dos «equipamen os». Ou as azões apon adas no his og ama (b),
« ui aconselhado po amigos e colegas» e a «p oximidade da escola». No his og ama (b)
118 Em a gumen os como: «após ing esso no ensino supe io ma iculei-me num cu so com o qual não me
iden i ica a, assim in e ompi de manei a a pode abalha », «a al a de possibilidade de es uda », « i e um
p oblema na escola e ui suspenso du an e mui o empo e ep o ei po al as, desde en ão que comecei logo a
abalha », «desis i de es uda quando ep o ei no 7º ano (...) es a a a a de es uda e ui abalha », «não gos a a
de es uda », «no as não mui o boas», «não me ape ece es uda », «não que e segui pa a a aculdade», «não
consegui concluí o 12º ano do cu so de elec o ecnia/elec ónica po e noção que i ia ep o a », «não e a o cu so
que que ia», «não es a a a ap o ei a de idamen e as aulas», « ui pa a um cu so», «não me ape ecia i [à escola]»,
«acabei o 12º ano e decidi i pa a o mundo do abalho», «não me encaixo no cu so», «desis i do cu so», « al as»,
«compo amen o», « al a de in e esse», «es a a a o da escola, pois e a pe de empo», « inha bas an es p oblemas
na escola e p ecisa a de abalha ».
119 Em a gumen os como: « iquei g á ida e decidi i abalha », «a mo e do meu pai», « ui ope ada», « e de
cump i o se iço mili a ob iga ó io», «nascimen o de ilho», «mudança de esidência», « i e de se ope ada e
iaja pa a a amen os», « al a de amigos», «di iculdades e pe íodos de u bulência com amília».
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
cons a a-se que a p eocupação dos inqui idos o ien am-se pa a «as saídas p o issionais» e «a
escolha de uma p o issão». Em seguida su gem os i ens « ui aconselhado po amigos, colegas» e
«a qualidade das ins alações e dos equipamen os». No his og ama (c) cons a a-se que as
p eocupações dos jo ens se o ien am pa a «as saídas p o issionais» e «a escolha de uma
p o issão», seguidas de «as salas e as o icinas pa a as aulas p á icas», «o ambien e da escola»,
« ui aconselhado po amigos, colegas» e «a localização da escola». Menos apon ados «a
acilidade de anspo e casa-escola» e «os p o esso es, o mado es». Do elenco de a gumen os
escolhidos cons a a-se que as azões dos inqui idos se ol am pa a o cálculo das condições e das
possibilidades de acede nas melho es condições a um emp ego quali icado e melho
emune ado. A con inuidade da escola idade, po ia da equência das ias p o issionalizan es,
man ém abe a a po a à p og essão pa a o ensino supe io . Pa a ou os, a possibilidade de acede
ao ensino supe io e ela-se pouco a a i a. Mais ou menos comp ome idos com a equência do
sis ema de ensino, ou pa a al compelidos, a as ados pelas ci cuns âncias ou pela on ade de
e cei os, pa a es es jo ens o ensino p o issional não deixa de se um meio e icaz de e i a a
escola idade incomple a e de p ocu a con o na pela o mação p o issional os iscos do mundo
do abalho. Como enuncia Joaquim Aze edo,“ e i ica-se ha e uma maio mo i ação de
alunos e p o esso es nas escolas p o issionais. Quan o aos alunos, a azão da sua equência
des e ipo de ensino encon a-se agilmen e supo ada em p ojec os ocacionais e esul a mais,
nas escolas secundá ias, de ajec os escola es p é ios e p ecocemen e o ien ados pa a ias
al e na i as de o mação, o uladas como ias pa a os ‘meninos do insucesso’” (Aze edo, 2010:
5). Po sua ez, as azões da escolha do cu so p o issional su gem dis ibuídas no g á ico IV. Um
p imei o conjun o de a gumen os elege como p io idade dos inqui idos, «ap ende uma
p o issão», seguido de «adqui i uma o mação mais p á ica». Um segundo conjun o de i ens
e o ça a p eocupação com a en ada no me cado de abalho. I ens indicados, «ing essa mais
apidamen e no me cado de abalho», «é mais ácil a anja emp ego», «ap ende uma
p o issão» e « e um bom emp ego». A con inuição dos es udos com o obje i o de acede ao
ensino supe io não pa ece se uma p io idade pa a aqueles. Embo a nomeados, mas menos
indicados, os i ens «conclui o ensino secundá io», «en a pa a o ensino supe io » e «modo mais
ácil de aze o 12º ano».
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
4.3.2. A aliação das condições da escola e da qualidade do cu so
Ques iona am-se em seguida os o mandos ace ca dos aspe os que conside am menos
posi i os na escola e no cu so equen ados. Reco eu-se pa a o e ei o a uma pe gun a de
espos a abe a. Quan o aos aspe os apon ados como menos posi i os na escola, ap esen ados no
quad o XXXI, o maio núme o de e e ências ai pa a «ins alações e ges ão dos espaços», pa a o
«cu so», pa a a «o ganização», pa a o «apoio adminis a i o e sec e a iado», pa a os
«equipamen os» e pa a os «se iços». Em seguida, são apon ados «os p o esso es, o mado es»,
os «colegas», os « uncioná ios», a «localização, dis ância da escola», o «es ágio, saídas
p o issionais, emp egabilidade» e os « anspo es». Menos e e idas as «a i idades le i as», o
«Es ado», os «di igen es» e o «ma e ial didá ico». Sublinha-se a p eocupação com as ins alações,
os equipamen os e os ma e iais. Nos aspe os menos posi i os são apon ados a localização da
escola, a o ganização do cu so, a p es ação do co po docen e e uncioná ios, a emp egabilidade
do cu so e as saídas p o issionais. Como se pode cons a a no quad o XXXII, as si uações mais
apon adas como menos posi i as no cu so, são a «ca ga ho á ia, ho á ios», os «módulos,
disciplinas» e o «cu so». Em seguida, em a «a aliação, es es, exames», os «colegas» e a
« o mação p á ica, em con ex o de abalho, es ágio». Menos apon ados, as si uações ela i as à
«sala de ec eio», a «desmo i ação», os « uncioná ios» ou a «localização, dis ância à escola». A
o ganização e uncionamen o dos cu sos são idos como aspe os que ele am na a enção dos
inqui idos. É apon ado aqui pa icula men e o excesso de ca ga ho á ia e le i a e a co ela i a
al a de empo li e disponí el. Numa lei u a mais ina, o g á ico V dá con a da a aliação dos
cu sos pelos inqui idos. A linha da média (azul) é a a essada po um conjun o de i ens ela i os
às condições e disponibilidade de meios pedagógicos. A linha da média oscila en e os alo es
ês (ní el «sa is a ó io») e qua o (ní el «bom»).120 Na linha modal (cinzen a) são obse adas
maio es oscilações, a iando en e os alo es 3 (ní el «sa is a ó io») e 4 (ní el «bom»).121 Nes a
linha são conside ados aspe os menos posi i os como a «disponibilidade de manuais, ex os de
apoio», a «disponiblidade de equipamen os, ma e iais em sala» e o «ho á io das sessões, dias,
semana». No g á ico VI ap esen am-se os esul ados da a aliação das condições ísicas dos
es abelecimen os onde deco eu o inqué i o. A dis ibuição média dos alo es po cada um dos
120 Seguindo uma escala de a i udes de Like : (1) mui o insu icien e, (2) insu icien e, (3) sa is a ó io, (4) bom, (5)
excelen e.
121 Linha que ag ega os alo es mais ele ados, onde se deno am os maio es ní eis de sa is ação com de e minados
aspe os do uncionamen o do cu so.
69
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
i ens no ques ioná io (ins alações, equipamen os e ma e iais didá icos) segue uma linha cujos
alo es a iam en e ês e qua o (co esponden es aos ní eis «sa is a ó io» e «bom»).122 Nes e
in e alo incluem-se os i ens, «iluminação», «condições de a ejamen o, a condicionado»,
«es ado de conse ação dos edi ícios», «compu ado es, In e ne », «ba », « e ei ó ios», «o icinas,
a eliês», «ma e iais e equipamen os de labo a ó io», «sec e a ia, se iços adminis a i os»,
«quad o b anco, quad o cinzen o, ma cado es, giz», «equipamen os em sala, ideop oje o ,
e op oje o », «salas de con í io, ma aquilhos, énis de mesa», «co edo es e salas de espe a,
mobilidade, a isos», «salas de aula», «ins alações sani á ias, sani á ios, chu ei os», «disposi i os
de ala me, ex in o es». Classi icados com o alo 2 (ní el «insu icien e»), os i ens «pa ilhão
gimnodespo i o», «campo de jogos» e « e ei ó io». Apon ados com o alo 1 (ní el
«inexis en e»), equipamen os como a «biblio eca», o «pa ilhão gimnodespo i o», o «campo de
jogos», o « e ei ó io» e as «salas de con í io, ma aquilhos, énis de mesa».
4.3.3. Fo mação em con ex o de abalho: o es ágio cu icula
Solici ou-se depois aos o mandos como a aliam a o mação em con ex o de abalho, o
es ágio cu icula , caso o enham equen ado ou enham a equen a .123 As escolhas dos
o mandos mos am que o g au de sa is ação ou as suas expe a i as com o es ágio cu icula
endem a se posi i as, a iando en e os ní eis «sa is a ó io» (20,9%), «bom» (39,9%) e
«excelen e» (33,8%). A maio ia dos inqui idos (94,6%) enca a a ealização do es ágio como
«posi i o» (20,9%) ou «mui o posi i o» (73,7%). Os inqui idos que conside am o es ágio
«insu icien e» (2,7%) ou «mui o insu icien e» (2,7%) são pouco ep esen a i os (5,4%). A
p opo ção dos inqui idos que não esponde à ques ão é signi ica i a, um pouco mais de 1/4 dos
inqui idos (22,5%). Pe gun ou-se aos inqui idos “em que medida o es ágio es á a co esponde
às uas expec a i as?”. Mais de 3/4 dos inqui idos «não sabe» ou «não esponde» a es a ques ão
(70,7%). O g á ico VII mos a a opinião dos o mandos sob e o es ágio a pa i de di e en es
ases p e iamen e escolhidas, que esumem di e en es opiniões sob e o mesmo. A e olução da
linha da média (azul) ao longo das di e en es p oposições ende a a ia en e o alo ês (ní el
«su icien e») e o alo qua o (ní el «bom»). Assim, as p oposições escolhidas e elam que o
122 De aco do com a escala de a i udes de Like : (1) inexis en e, (2) insu icien e, (3) sa is a ó io/a, (4) bom/a, (5)
excelen e.
123 Numa escala que a ia en e (1) nada, (2) pouco, (3) su icien e, (4) bas an e, (5) mui o.
70
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
es ágio «é uma opo unidade de con ac a com o me cado de abalho», «coloca em p á ica os
conhecimen os ap endidos no cu so», « ealizo a e as in e essan es», os « o mado es do local de
es ágio são compe en es» e «gos o mais de abalha do que es uda ». A opinião dos jo ens sob e
o es ágio ende a alo iza aspe os como as compe ências p o issionais, um acesso mais
acili ado ao me cado de abalho, a execução de a e as mo i ado as, a compe ência de
o mado es e ins u o es no local de abalho. A linha modal (a cinzen o) dá con a dos alo es
mais equen es. A e olução des a ao longo das di e en es p oposições oscila acen uadamen e,
en e alo es mínimos e máximos. Nos alo es máximos ende a concidi com as linhas das
posições da média e da mediana. As p oposições indica i as de opiniões menos posi i as ace ca
do es ágio são, «não ejo qualque in e esse», «não gos o do que aço» e «não enho ei o nada
no es ágio». Os aspe os apon ados como mais posi i os são, «é uma opo unidade de con ac a
com o me cado de abalho», «melho ou o modo como eu me elaciono com os ou os», « ealizo
a e as in e essan es» e «gos o mais de abalha do que de es uda ». O g á ico VIII mos a a
linha de dis ibuição (a oxo) dos aspe os conside ados menos a o á eis no es ágio. Os i ens
escolhidos endem a si ua -se en e 20% e 25%. Como se enunciou acima, o es ágio é enca ado
pelos jo ens inqui idos como uma componen e desejada do cu so. Os aspe os apon ados como
mais des a o á eis são como al des alo izados. Re enha-se ainda assim os i ens « ecebo uma
bolsa de o mação» e «gos o mais de abalha do que de es uda », co esponden es às posições
mais ele adas. Embo a não explici ados, o signi icado des es dois i ens de e á se epo ado ao
alo mone á io da bolsa, po en u a conside ado insu icien e e à na u eza das a e as
execu adas, idas como pouco mo i ado as. P ocu ou-se em seguida sabe em que medida o
es ágio es a a a co esponde às expe a i as iniciais dos o mandos (g á ico IX). Con i á
eco da que mais de 3/4 dos inqui idos (70,7%) não espondeu a es a ques ão (não i e am ainda
o mação em con ex o de abalho ou não ealiza am o es ágio). Só uma pe cen agem pequena
dos inqui idos espondeu a es a ques ão (29,3%). Dos que indicam e equen ado um es ágio,
1/3 acha que es e co espondeu su icien emen e às suas expe a i as (33,9%). No g upo dos mais
o imis as incluiu-se os que se mos am «bas an e sa is ei os» (26,8%) ou «mui o sa is ei os»
(23,2%). A g ande maio ia dos inqui idos que a i ma e equen ado es ágio mos a-se a o á el
em elação ao mesmo (83,9%). No g upo dos pessimis as, os que se mos am «pouco sa is ei os»
com o es ágio (3,6%) ou «nada sa is ei os» (12,5%) são no seu conjun o pouco ep esen a i os
(16,1%). As expe a i as e a expe iência de equência do es ágio ou o mação em con ex o de
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
abalho, cons i ui pa a es es jo ens um momen o impo an e do cu so, despole ado de imagens
e de expe iências desejadas.
Capí ulo V - Expe a i as e p oje os u u os
Quais as expe a i as e os p oje os u u os dos jo ens que equen am o ensino
p o issional? As aspi ações e os p oje os de ida de jo ens e amílias encon am no ensino
p o issional uma eno ada espe ança, que se o ien em pa a o p osseguimen o de es udos
supe io es ou pa a uma en ada imedia a ou p óxima no mundo do abalho. As ias
p o issionalizan es em Po ugal do am os jo ens e adul os de uma o mação cul u al e écnica
necessá ias à comp eensão do mundo e a uma adequada in eg ação social. A o mação
p o issional con e e po ou o lado conhecimen os especí icos ao desempenho écnico-
p o issional. Impo a ealça as a uais dinâmicas do sis ema de ensino e as e o mas que ão
sendo in oduzidas, p ocu ando do a o subsis ema de ensino e o mação das alências
necessá ias, acompanhando as necessidades e po encialidades dos seus públicos, endo em con a
o ambien e abe o à mudança de que a sociedade po uguesa a ualmen e dá con a. O en oque na
quali icação dos ecu sos humanos e na compe i i idade do conhecimen o ganham hoje um
eno ado sen ido. Um ou o aspe o de não somenos impo ância sublinha os p incípios e as
me as das polí icas sociais e educa i as a uais, e o çando noções como a da igualdade de
opo unidades ˗ educa i as, cul u ais, de emp ego, e c. ˗ pondo em des aque os desa ios que o
sis ema de ensino a ualmen e en en a, assim como as debilidades es u u ais da sociedade
po uguesa.
5.1. «Depois de e mina es o cu so, o que encionas aze ?»
Ques ionou-se os inqui idos sob e o que p oje am aze depois da conclusão do cu so. De
um conjun o de i ens p opos os, a iando en e p ossegui es udos ou a anja emp ego, pediu-se
aos o mandos que selecionassem um i em. Re i a-se que nenhum dos inqui idos indicou o i em
«es a pa ado du an e algum empo». Como se pode obse a no g á ico X, as p eocupações dos
inqui idos o ien am-se p edominan emen e pa a uma en ada imedia a ou p óxima no me cado
de emp ego. Assim, «a anja um emp ego na minha á ea de o mação» cons i ui a p imei a
escolha dos inqui idos (41%), seguida, a conside á el dis ância, o « equen a um cu so supe io
e abalha ao mesmo empo na minha á ea de o mação» (18,6%). Po géne o, os mesmos i ens
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
epa idos en e apa igas (47,6%; 19%) e apazes (19%; 17,6%) indiciam que a equência do
p esen e cu so «é le ada mais a sé io» po aquelas do que po es es. O mesmo se pode á dize
em elação à equência do ensino supe io . A dis ibuição das p oposições seguin es dão
consis ência à ideia da p io idade dada pelos inqui idos a uma en ada p ecoce no mundo do
abalho, não esquecendo a con inuidade de es udos. O quad o XXXIII mos a o modo como se
dis ibuem as p e e ências dos inqui idos endo em con a a ques ão “depois de e mina o cu so
o que encionas aze ?” A p eocupação dos inqui idos di ige-se sob e udo pa a «a anja um
emp ego na minha á ea de o mação» (41,0%). A uma conside á el dis ância é apon ada a
p oposição « equen a o ensino supe io e abalha ao mesmo empo na minha á ea de
o mação» (18,6%), seguido de «a anja um emp ego» (12,6%) e « equen a o ensino supe io »
(12,6%). A elação en e as expe a i as escola es e p o issionais dos inqui idos e a sua o igem
social su ge exp essa nos quad os XXXIV a XXXVII. A o igem social é balizada a pa i das
ca ego ias ní el de habili ações escola es e si uação p o issional, de pai e mãe. Os inqui idos
cujo pai possui a escola idade básica ao ní el do 1º ciclo, dão p e e ência a uma en ada p óxima
ou imedia a no me cado de abalho, deixando pa a segundo plano o p osseguimen o de es udos
supe io es. Assim, os inqui idos indicam p e e i «a anja um emp ego independen emen e da
á ea de o mação» (57,1%), seguido de « equen a um ou o cu so p o issional» (50,0%) e
«a anja um emp ego» (39,1%) (quad o XXXIV). Es e quad o modi ica-se um pouco quando se
e êm a si uação assala iada do pai (« abalhado po con a de ou ém»). Os inqui idos cujo pai é
abalhado assala iado, dis ibuem as suas p e e ências do seguin e modo: « equen a um cu so
supe io » (75,0%), seguido de «a anja um emp ego» (73,3%) e po úl imo «a anja um
emp ego independen emen e da á ea de a i idade» (66,7%) (quad o XXXV). En ada no
me cado de abalho e sus p ossegui o ensino supe io su ge menos cla a nos quad os que
elacionam escola idade e si uação p o issional da mãe. Os inqui idos cuja mãe possui o 1º ciclo
do ensino básico indicam, p imei amen e, «a anja um emp ego na minha á ea de o mação»
(35,5%), seguido de «a anja um emp ego» (30,4%), e po úl imo, « equen a um cu so
supe io e abalha ao mesmo empo na minha á ea de o mação» (30,3%) (quad o XXXVI). Os
inqui idos com mãe abalhado a po con a de ou ém, p e e em « equen a um cu so supe io e
abalha ao mesmo empo na minha á ea de o mação» (77,3%), seguido de equen a um cu so
supe io (75,0%), e po úl imo, equen a um cu so supe io e abalha ao mesmo empo
(63,6%) (quad o XXXVII). Em sín ese, os inqui idos, pa ecem de algum modo alo iza a
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
alo es/a ibu os de ca á e e obje i os/me as supe io es de ida. É pe spe i ado pelos inqui idos
como um a o posi i o de sa is ação pessoal e de econhecimen o social. Assim, a « ealização
pessoal» cons i ui uma escolha pa ilhada po g ande pa e des es jo ens. Es a escolha pode se
en endida como endo po de ás ce os e e en es sociais, de g upo, em pa icula , os alo es da
pequena bu guesia e as aspi ações de p omoção social des a. Os possí eis «caminhos» não
su gem nes e sen ido mui o cla os.
Em que medida a posição dos jo ens inqui idos ace à hipó ese de p ossegui es udos
(supe io es) ou en a no me cado de abalho é condicionada pelo ní el de escola idade dos
pais? A escolha (e a não escolha) de algumas das p oposições que mais asse i amen e incam
uma e ou a hipó ese, é e elado a das ep esen ações com que os jo ens pe spe i am o sis ema
de ensino. As «classi icações escola es» e as «médias», condições p é ias pa a se pode acede
ao ensino supe io , são pa a os inqui idos uma ba ei a psicológica di ícil de con o na . Assim, a
não escolha pela gene alidade dos inqui idos da p oposição « enho boas no as» (quad o LIII:
0,7%), se é ilucida i a de uma elação passada com a escola, é simul aneamen e indiciado a das
baixas expe a i as que es es jo ens êm em elação a uma hipo é ica escolha do ensino supe io .
O ce icismo des es jo ens ace à possibilidade de p og essão pa a o ensino supe io , condição
undamen al senão única pa a acede ao ensino supe io , é em si uma disposição á ica. Assim, só
um dos inqui idos cujos pais possuem escola idade supe io indica « e boas no as». A escolha
do i em «apos a num cu so supe io » (quad os LIII e LIV: 16,3%; 18,2%) é signi ica i o de que
o p osseguimen o de es udos supe io es é nes e sen ido uma opção em abe o pa a um 1/4 dos
inqui idos. Ac esce a es e um g upo de inqui idos que encionam en a pa a o ensino e cuja
escola idade dos pais se si ua ao ní el do ensino básico, com incidência no 1º ciclo de es udos
(quad os LIII e LIV: pai: 5,0%; mãe: 4,2%). O baixo ní el de escola idade dos pais pode á
unciona pa a alguns des es jo ens como um « e o ço nega i o», desmo i ando e eduzindo o
núme o daqueles que acede ão de ac o ao ensino supe io . Os a gumen os daqueles que
mani es am p e e ência po «a anja um emp ego», como o i em «independência económica»
(quad os LV e LVI: pai: 26,2%; mãe: 27,0%), «não enho ou a al e na i a» (quad os LV e LVI:
pai: 3,5%; mãe: 3,5%) e «não gos o de es uda » (quad os LV e LVI: pai: 2,8%; mãe: 2,1%)
e elam simul aneamen e o peso das disposições in e io izadas e dos pe cu sos escola es
acilan es. A nomeação do i em «independência económica» po pa e dos inqui idos, sublinha a
ele ância que adqui e pa a os p óp ios a au onomia de ida e a independência económica.
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
Quais as expe a i as de apazes e apa igas ace à con inuidade dos es udos ou à
en ada a cu o p azo na ida a i a?124 Os dados dos quad os LVII e LVIII mos am a
impo ância que a es e espei o em pa a apazes e apa igas um conjun o de a i mações. As
apa igas mos am-se mais in e essadas no ensino supe io . A escolha po es as da ase «apos a
num cu so supe io » dá con a da p e e ência das apa igas pelo p osseguimen o de es udos
(quad o LVII: apa igas: 18,6%; apazes: 10,6%). Es a posição dos apazes é e o çada pela
escolha do i em «chega a um pos o de che ia» (quad o LVIII: apazes: 13,7%; apa igas: 6,5%).
As expe a i as de apazes e apa igas ap esen am ainda ou os cambian es. Os apazes indicam a
ase «não gos o de es uda ». As apa igas não indicam em caso algum es a ase (quad o LVIII:
apazes: 7,8%; apa igas: 0%). São as apa igas que indicam mais do que os apazes a ase
«alcança econhecimen o pessoal», jus i icando a p e e ência pela en ada no ensino supe io
(quad o LVII: apa igas: 14,0%; apazes: 8,5%). Cu iosamen e, são elas que indicam mais do
que os apazes a ase «independência económica, pa a p e e i en a no me cado de abalho
(quad o LVIII: apa igas: 30,4%; apazes: 25,5%). As apa igas deno am e uma opinião mais
cla a do que os apazes sob e as opções de ida a oma num u u o p óximo. Os quad os LVII e
LVIII mos am que o i em « ealização pessoal» é selecionado pela maio ia dos inqui idos. São
os apazes que indicam es e i em mais do que as apa igas ( apazes: 92,4%; apa igas: 89,2%).
São as ap igas que menos se e ugiam nes e ipo de a gumen o. Um a gumen o a a i o, abs a o
e neu al, incando aspe os de na u eza mo i acional e não comp ome endo cla amen e os
inqui idos com uma escolha cla a. O consenso e elado pela escolha do i em « ealização
pessoal» é e elado da impo ância que pa a es es jo ens êm escolhas de ida ponde adas,
ajus adas às condições a uais, mas que ao mesmo empo iabilizem as suas aspi ações.
São os apazes mais do que as apa igas quem apon a os i ens «pessimis as». Exemplos
como «é di ícil a anja um emp ego» (quad o LVII: apazes: 4,3%; apa igas 2,3%), «não gos a
de es uda » (quad o LVIII: apazes: 7,8%; apa igas 0%), «não enho ou a al e na i a» (quad o
LVIII: apazes 5,9%; apa igas 0%). A equência do ensino p o issional cons i ui pa a mui os
des es jo ens uma escolha de ecu so. Tal não limi a as aspi ações e escolhas mais ambiciosas
como a en ada pa a o ensino supe io . A escolha do ensino p o issional é nes e sen ido uma
escolha es a égica des es jo ens e das suas amílias. Es a lei u a con a ia um pouco a ideia
gene alizada de que os jo ens que equen am o ensino p o issional p e e em o mundo do
abalho ao sis ema escola . A equência do sis ema escola é pa a odos os jo ens um pe íodo
124 Ex aiu-se pa a o e ei o uma sub-amos a cons i uída po 128 indi íduos, di idida en e 65 apazes e 63 apa igas.
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
p epa a ó io e de ansição pa a a ida a i a. A opção pelo ensino p o issional se ia a o ma
encon ada po mui os des es jo ens pa a compensa aje ó ias escola es mal sucedidas. Se pa a
acede ao ensino supe io é condição p é ia embo a não absolu a e boas classi icações, al não
impede que es es jo ens açam opções mais ajus adas às suas condições e expe a i as. A o igem
social ajuda a explica em pa e as di iculdades que mui os jo ens en en am no ensino. Embo a
o mé i o escola de mui as c ianças e jo ens p o enien es de meios sociais modes os e o ce a
imagem do sucesso indi idual, al não deixa de demons a quão impo an e é o papel das
condições ma e iais e simbólicas. Os esul ados do inqué i o mos am a indispensabilidade de
dis ingui con ex os, si uações e públicos. O ensino p o issional ouxe no os desa ios ao sis ema
de ensino. Es es sublinham cada ez mais a he e ogeneidade e a complexidade do ensino
p o issional. Es e ca a e iza-se pela mul iplicação de modelos ins i ucionais e pedagógicos, pela
dispe são/concen ação e i o ial de es abelecimen os e pela he e ogeneidade de públicos que
lhe es ão a e os. Como pano de undo, uma sociedade em p o unda mudança, embo a sujei a a
impasses e e ocessos. T aços de mudança, a democ a ização polí ica e a mode nização
económica. As mudanças sociais induzidas po es as duas componen es, conduzi am a sociedade
po uguesa a no as enc uzilhadas, em que se c uzam a necessidade de alia o c escimen o
económico e o desen ol imen o social. A in odução do ensino p o issional em Po ugal nas
úl imas décadas, cons i ui, nes e sen ido, um exemplo elucida i o da necessidade de mi iga
alguns dos desiquilíb ios mac oes u u ais de que a sociedade po uguesa ainda padece, ge ados
em g ande medida po p ocessos polí icos e económicos conduzidos po lógicas de e iciência
social, que não le am em linha de con a as necessidades de democ a ização social e cul u al,
dependen es da ação dos go e nos e das polí icas es a ais. A escola ocupa nes e sen ido um luga
pa icula , dado o papel que desempenha na o mação do ca á e dos indi íduos, assim como na
sua ele ação cul u al.
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
Conclusão
As in e ogações colocadas pelo p esen e es udo podem se esumidas nas seguin es
ques ões: qual a u ilidade do sis ema ensino- o mação? Di o de ou o modo, pa a que se e o
ensino p o issional? Ou en ão, de que modo o ensino p o issional em p oduzido melho ias na
in eg ação social e nos esul ados escola es dos jo ens que o equen am? De que modo o
ensino p o issional pode aze melho ias às condições de ida dos jo ens que o p ocu am? As
espos as a es as ques ões não são áceis nem di e as. Exis em disc epâncias en e as
ep esen ações sociais sob e o ensino p o issional e a na u eza e unções que es e exe ce na
sociedade. Não se ala aqui p op iamen e de p econcei os ou juízos de alo mal undados ace ca
do mesmo. São ( e)conhecidas as debilidades do con ex o social e do sis ema de ensino em
Po ugal. Eme ge do quad o delineado uma ce a imagem do ensino p o issional. A de um
sis ema de ensino- o mação o ien ado pa a g upos sociais com baixos ní eis de escola idade,
acul ando-lhes uma o mação de índole p á ica, o ien ada pa a a ap endizagem écnico-
p o issional. Em e mos ge ais, isa comba e o insucesso e o abandono escola . Es as
di iculdades es a iam na aiz dos p oblemas i idos po es es g upos a ou os ní eis como o
emp ego. As á ias expe iências de implemen ação do ensino écnico e p o issional mos am que
os obje i os a alcança nem semp e se coadunam com as ealidades sociais a que se di igem. A
es es desajus amen os não são alheias p essões in e nas, p o enien es do sis ema de ensino,
assim como do meio ex e no, em pa icula , as p o enien es da sociedade. Desde logo, dos
p óp ios agen es sociais com in e enção di e a e indi e a na á ea do ensino p o issional. Do
quad o expos o assomam duas ideias-cha e. As ep esen ações sob e o ensino écnico e
p o issional o ien am a ação ins i ucional pa a g upos sociais especí icos, desescola izados,
isando a sua escola ização e capaci ação p o issional, do ando-os de conhecimen os escola es
undamen ais, bem como écnico-p o issionais, que lhes pe mi a o exe cício a cu o p azo de
uma p o issão manual. Es as ep esen ações êm oda uma cons ução his ó ico-cul u al an e io .
O quad o his ó ico delineado p ocu ou des aca a in luência das ideias iluminis as na cons ução
cul u al da escola no mundo ocien al. Es as ideias a iculam o inalismo e eden o ismo c is ãos
com o humanismo e acionalismo ilosó ico e cien í ico dos pensado es humanis as. O no o
espí i o cul u al que su giu na Eu opa a pa i dos séculos XV e XVI, alo izando a cen alidade
do Homem e o papel da Razão, undou os pila es cul u ais da no a sociedade que despon ou em
inais do século XVIII e XIX com o ad en o do cien ismo e do indus ialismo ecnológicos,
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
undado es da sociedade indus ial que alguns já conside am ul apassada. A no a sociedade,
( e) undada em p incípios é icos e mo ais, ins i ui am os pila es do a anço e melho ia da
condição humana. Um ou o aspe o da e o ma social, que em na época dos Descob imen os
ma í imos uma ou a ace a his ó ica e dos a anços cien í icos e écnicos subsequen es que lhe
es ão associados. P incipal ca a e ís ica da no a ciência, a aplicação económica dos
conhecimen os cien í icos e dos disposi i os e in en os écnicos. Es a aplicabilidade p essupõe a
sua p é ia expe imen ação a a és de medições e p ocessos de manipulação con olados, e a sua
adequação à inalidade económica ads i a ao in e esse social. Todo o conhecimen o cien í ico
que não pa ilhe do p incípio da aplicabilidade p á ica e social ou não ou o gue um ce o
bene ício é ido como i ele an e, imp odu i o. Do a anço écnico e cien í ico deco e um
segundo aspe o. Do a an e a ligação es abelecida en e a condição humana e a ma é ia. A
cen alidade con e ida pelo pensamen o mode no ao bem-es a e ao p og esso cul u al do
Homem pela sociedade bu guesa. O homo oeconomicus au ode e minado pelo in elec o e pelo
abalho, em o pode de se ans igu a e de ans o ma o mundo. Ao ans o ma o mundo, o
indi íduo ans o ma-se a si p óp io. O abalho eadqui e um no o signi icado. Cons i ui o meio
e o im da ealização cole i a e indi idual. Assegu ando a subsis ência ma e ial do Homem, o
abalho é ambém o luga p imo dial de emancipação e de conc e ização das aspi ações
humanas. Es e no o espí i o imp egnou as dou inas polí icas e sociais, e nomeadamen e a ideia
de escola e a pedagogia. Do a an e, a iloso ia da educação e a pedagogia colocam no mesmo
pa ama espí i o e ma é ia. Es a mudança inspi ou e in luenciou po sua ez o apa ecimen o do
ensino écnico e da o mação p o issional. Os desen ol imen os pos e io es dos sis emas
educa i os, da iloso ia e da pedagogia da educação da ão con a das p o undas mudanças que a
educação como bem social so eu nas sociedades mode nas indus iais. A uni e salização do
ensino nos países desen ol idos se iu de modelo aos países descolonizados. A e olução das
sociedades e le e di e en es e apas de desen ol imen o e de condições ma e iais de pa ida.
Pe sis em como al enómenos de subescola ização e de desescola ização em odas as
sociedades. Es es enómenos plasmam-se em cli agens económicas, cul u ais e educa i as da
sociedade e em sis emas educa i os e iloso ias pedagógicas me i oc á icas. Tan o umas como
ou as são p omo o as de di isões e da compe ição po posições mais a o á eis no espaço
social. Es a compe ição o ça a sele i idade social da p ocu a das melho es posições. Os sis emas
educa i os como o po uguês, es ão ainda sujei os a enómenos de con ingen ação ins i ucional e
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
social po ia do nume us clausus e daquilo que Boudieu designa po ep odução do habi us de
classe, como a con ingen ação social do ensino supe io . As ep esen ações ins i ucionais e
sociais sob e o ensino supe io endem a assen a no ca á e eli is a des e ní el de ensino. Es as
ep esen ações são eiculadas a a és do discu so do mé i o académico, segundo o qual só os
melho es de em e acesso ou man e -se no campo académico. Conscien es ou não do ca á e
eli is a do ensino (supe io ), os di e en es g upos sociais p ocu am no ensino p o issional
al e na i as mais ajus adas à p og essão escola dos ilhos. A o mação écnica e p o issional
cons i ui nes e sen ido uma al e na i a à ameaça do insucesso e abandono escola p ecoces e uma
ia de acesso ao ensino supe io . A p esença no ensino p o issional do ope a iado u bano e da
pequena bu guesia com baixos índices de escola ização dá con a das es a égias de esis ência e
adap ação des es g upos às condições o e ecidas pelo sis ema de ensino. Po ou o lado, as
es a égias des es g upos em ou os campos êm como e ei o dinâmicas de ecomposição
económica e social, sob e udo as que ca a e izam o espaço u bano. O p og esso e i icado nas
úl imas décadas no sis ema de ensino pe mi iu que os es a os p ole a izados da pequena
bu guesia sin am cada ez mais a ação pela educação o mal. Cons i uem um público
p e e encial das modalidades de ensino- o mação, pelas ca a e ís icas e ape ências que
ap esen am. P ocu am po um lado con o na as di iculdades sen idas no pe cu so escola no mal
dos ilhos, que se explicam pelo baixo capi al educa i o amilia e as aspi ações económicas e de
es a u o social, que passam em g ande medida po uma in eg ação ápida no me cado de
abalho. A p esença na amos a de inqui idos com um ou os dois pais desemp egados, a
pe ença a amílias monopa en ais, az pensa no papel que o ensino p o issional em
desempenhado e pode desempenha no pe cu so educa i o e o ma i o de mui os jo ens com as
mesmas ca a e ís icas amilia es. Po ou o lado, e ela os limi es que as condições de ida
impõem a es as amílias e o impac o que podem e na p og essão escola de c ianças e jo ens.
Um quad o de ida ma cado po p i ações di e sas não deixa á de se epe cu i necessa iamen e
nas escolhas de ida des es jo ens e das suas amílias. Não só pode ão e di icul ado o seu
pe cu so escola , como os a as a de pa ama es de ida mais ele ados, na escola e no emp ego. A
ealização pessoal a a és da inse ção ápida no mundo do abalho cons i ui pa a es es jo ens e
pa a as suas amílias uma condição necessá ia de sob e i ência. As espos as dadas pelos
inqui idos às ques ões abe as sob e o pe cu so escola e aspi ações de ida u u as são
e elado as do quan o es es jo ens es ão conscien es da sua si uação. A consciência em ace da
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
sua expe iência de ida mesmo que ainda cu a pode se dep eendida da se iedade com que es es
jo ens inqui idos esponde am às ques ões colocadas, nem semp e áceis e da e acidade
con e ida às suas espos as, nomeadamen e as que se epo am a aspe os da ida económica
amilia . A consciência das di iculdades encon adas e a sua ( e)in e p e ação mesmo que
media izadas pelo ins umen o de inqué i o, põem em e idência o ac o de que mui os des es
jo ens não abandona am a espe ança de melho a as suas condições de ida, apos ando no
aumen o dos conhecimen os e das quali icações. Pa a alguns dos jo ens que equen am o ensino
p o issional, es e e ela-se a ia possí el em ace das ci cuns âncias. Pa a ou os, cons i ui o
caminho necessá io à iabilização das aspi ações e expe a i as, que es as se o ien em pa a um
cu so supe io uni e si á io/poli écnico ou pa a o me cado de emp ego. O ensino p o issional
cons i ui uma e en e do sis ema de ensino cada ez mais ape ecida. Sendo uma al e na i a ao
ensino escola , acul a uma ap oximação ao mundo do abalho, an ecipando expe iências de
en ol imen o com as emp esas e as o inas do abalho. Es e con ac o p elimina com o mundo
do abalho con e e a es es jo ens pon os de o ien ação num meio pejado de desa ios, que em
la ga medida lhe são es anhas. Es e con ac o p óximo com o mundo do abalho se e uma
necessá ia boa in eg ação e desempenho p o issional. A equência do ensino p o issional pode
se pe spe i ada como uma es a égia adequada de c escimen o e de alo ização pessoal e
p o issional. As es a ís icas ecen es êm e idenciado o papel que o ensino p o issional pode e
na diminuição das axas de insucesso e abandono escola es en e os jo ens. Podem nes a medida
con e a ameaça do desemp ego e do sub-emp ego, do ando-os de compe ências i uladas po um
diploma escola e p o issional. O papel das ins i uições do ensino p o issional adqui e uma
eno ada impo ância em ace dos esul ados conseguidos nas úl imas décadas. Es a missão é
ida como cada ez mais impo an e e complexa em ace das mudanças e i icadas nos úl imos
anos na sociedade po uguesa. Colocam-se a es as ins i uições desa ios condicionado es da sua
ação, nomeadamen e os que se elacionam com a disponibilidades de meios inancei os alocados
à missão des as ins i uições. Po ou o lado, a deses u u ação dos meios amilia es e as
dinâmicas compo amen ais ju enis põem em e idência os limi es das a uais polí icas sociais, e
em pa icula , das polí icas educa i as. A comp eensão dos enómenos compo amen ais ju enis
de e-se mos a a a essa a isões e soluções simpli icado as. Um aspe o que em sido apon ado é
o do acan onamen o social do ensino p o issional. Fala-se a es e p opósi o de ins i uições e
públicos escola es pe i é icos. O acan onamen o social das ins i uições escola es e das
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comunidades esul a ia de um p ocesso mais as o e p o undo de pe i e ização social e escola .
A subal e nização e a elegação de ce as comunidades se iam p odu o (da ação e omissão) das
polí icas educa i as em ace de de e minados e ei os de p ocessos es u u ais. O ensino
«compensa ó io» se ia p odu o da ação polí ica e simul ameanen e um e ei o social de um ipo de
ensino e sociedade disc imina ó ios. Os esul ados do inqué i o dão con a em pa e des e
enómeno. Mas a imagem do ensino p o issional enquan o «ensino compensa ó io» de e se
ma izada e con ex ualizada. O uni e so das ins i uições de ensino p o issional e dos seus
discen es escapa em g ande medida a es e acan onamen o. O uni e so das ins i uições de ensino
p o issional ap esen a-se mul i ace ado. Desde logo, dá-se con a do in e classismo que o
ca a e iza, da mul iplicidade das modalidades e dos cu sos, da complexidade das mo i ações e
das expe a i as dos jo ens que o ca a e izam. A p esença cada ez mais exp essi a do uni e so
eminino no ensino p o issional e o çam a pe cepção de se es a pe an e um subsis ema cada
ez mais mais dinâmico e he e ogéneo. Um aspe o nem semp e le ado em linha de con a, e que
em con ibuído pa a uma imagem deg adada e pa a a es igma ização de que em sido al o, em
sido a excessi a dependência des e subsis ema dos undos comuni á ios. As con ibuições di e as
do o çamen o de Es ado, e po an o, dos impos os pa a o ensino p o issional, da ão con a de uma
e e i a apos a do Es ado, bem como da sociedade no subsis ema de ensino- o mação. A
pe sis ência de es a ís icas de desemp ego jo em con ibui ão a seu modo pa a uma imagem de
pouca e iciência do ensino p o issional na edução dos ní eis de desemp ego. Algumas das
ins i uições que a uam no e eno pau am a sua ação po p incípios excessi amen e
economicis as, epe cu indo-se nega i amen e no âmbi o e qualidade da ação pedagógica.
Impõe-se po isso ao Es ado uma egulação mais e e i a do subsis ema do ensino p o issional.
Não esquecendo que o Es ado de e man e um papel undamen al na educação, sem p ejuízo de
uma maio descen alização e au onomia do sis ema de ensino e das ins i uições que a uam no
e eno. Rumo a uma u opia c í ica (...um melho ensino p o issional), pode á dize -se que
“a inal, o Pa aíso es á ao nosso alcance”.
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
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O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
Anexos
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
Anexo I ˗ Quad os
[Quad o N]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[Quad o I]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[Quad o II]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO III]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO IV]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO V]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO XIV]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO XV]
[QUADRO XVI]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO XVII]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO XVIII]
[QUADRO XIX]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO XX]
[QUADRO XXI]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO XXII]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO XXIII]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO XXIV]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO XXV]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO XXVI]
[QUADRO XXVII]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO XXXV]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO XXXVI]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO XXXVII]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO XXXVIII]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO XXXIX]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO XL]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO XLI]
[QUADRO XLII]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO XLIII]
[QUADRO XLIV]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO XLV]
[QUADRO XLVI]
O luga na escola. Ensino p o issional: con ex os o ganiza i os e dinâmica social (da c í ica e da u opia)
[QUADRO XLII]