Relatório de Estágio Profissional - "A caminho da concretização de um sonho"
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Faculdade de Desporto Universidade do Porto A caminho da concretização de um sonho Relatório de Estágio Profissional Orientadora: Professora Doutora Paula Maria Fazendeiro Batista Luís Pedro Carvalho Limas Porto, Setembro de 2015 Relatório de Estágio Profissional apresentado com vista à obtenção do 2º ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário (Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de Março e o Decreto-lei nº43/2007 de 22 de Fevereiro).
ii Ficha de Catalogação Limas, L. (2015). A caminho de um sonho – Relatório de Estágio Profissional. Porto: L. Limas. Relatório de Estágio Profissional para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL, EDUCAÇÃO FÍSICA, PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM, TREINO FUNCIONAL
iii DEDICATÓRIA Aos meus pais, pelo apoio incondicional que sempre me deram em todos os momentos da minha vida. Sem vocês nada seria possível.
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v AGRADECIMENTOS Aos meus Pais, as duas pessoas mais importantes da minha vida, razão da minha existência, pela forma como me criaram, pela educação que me transmitiram, repleta de valores, que fizeram de mim o homem que sou hoje. À minha Irmã, por todo o apoio, pela amizade e pela incansável disponibilidade. Ao meu Irmão, que apesar de já não estar presente “entre nós”, estará certamente orgulhoso de mim esteja onde estiver, pois sempre me incentivou a seguir todos os meus sonhos. À Tânia, por me ajudar a nunca desistir deste sonho. Por estar sempre presente em todos os momentos desta caminhada e por ser a pessoa que me completa. À minha orientadora, Professora Doutora Paula Batista, por todo o acompanhamento e disponibilidade que teve desde o início deste processo. Serviu sempre de suporte para todo o trabalho desenvolvido. À minha cooperante, Mestre Teresa Leandro, pela dedicação, amizade, profissionalismo e disponibilidade total. Pela partilha de conhecimentos e conselhos que contribuíram para o meu enriquecimento pessoal e profissional. Aos meus alunos, pela colaboração, carinho, cooperação e respeito. Conquistaram um lugar muito especial no meu coração e jamais serão esquecidos. Aos meus companheiros de estágio, Pedro e Ricardo, por toda a amizade e entreajuda que demonstraram ao longo de todo o ano letivo. Convosco aprendi e cresci como pessoa e profissional.
vi Ao Renato, pelo companheirismo e amizade demonstrada ao longo desta etapa. A todos os meus verdadeiros amigos, que estiveram presentes nos momentos chave.
vii ÍNDICE GERAL DEDICATÓRIA ................................................................................................. iii AGRADECIMENTOS ......................................................................................... v ÍNDICE GERAL ................................................................................................ vii ÍNDICE DE QUADROS ..................................................................................... ix ÍNDICE DE FIGURAS ..................................................................................... xiii ÍNDICE DE ANEXOS ....................................................................................... xv RESUMO........................................................................................................ xvii ABSTRACT ..................................................................................................... xix 1. Introdução .................................................................................................. 2 2. ENQUADRAMENTO BIOGRÁFICO ........................................................... 5 2.1 Reflexão Autobiográfica .................................................................................................. 7 2.2. Expetativas Iniciais ......................................................................................................... 9 3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL .............................. 13 3.1 A Escola ......................................................................................................................... 15 3.2 O Grupo de Educação Física .......................................................................................... 17 3.3 O Núcleo de Estágio ................................................................................................ 18 3.4 A Minha Turma .............................................................................................................. 19 4. REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL ........................................ 23 4.1 Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem ................................................... 25 4.1.1 A Conceção ............................................................................................................. 26 4.1.2 O Planeamento ....................................................................................................... 28 4.1.2.1 Plano Anual ..................................................................................................... 29 4.1.2.2 Unidade Didática ............................................................................................. 30 4.1.2.3 Plano de Aula ................................................................................................... 34 4.1.3 A Realização ....................................................................................................... 35 4.1.3.1 1ºPeriodo ........................................................................................................ 35 4.1.3.2 2º Período ....................................................................................................... 37 4.1.3.3 3º Período ....................................................................................................... 39 4.1.4 A Avaliação do Ensino ............................................................................................ 42 4.3 A Turma Partilhada .................................................................................................... 52
viii 4.4 A Experiência Inesperada - 1º Ciclo ........................................................................... 54 4.5 O Treino Funcional nas aulas de Educação Física.......................................................... 57 4.5.2 Introdução .............................................................................................................. 58 4.5.3 Metodologia ........................................................................................................... 60 4.5.3.1 Participantes .................................................................................................... 60 4.5.3.2 Instrumentos ................................................................................................... 60 4.5.3.3 Procedimentos de Análise ............................................................................... 64 4.5.4 Apresentação dos resultados ................................................................................. 64 4.5.4.1 Motivação dos Alunos para o Treino Funcional .............................................. 64 4.5.4.2 Padrão de Execução Motora ........................................................................... 70 4.5.4.3 Dados Antropométricos .................................................................................. 73 4.5.5 Discussão ................................................................................................................ 75 4.5.6 Conclusão ............................................................................................................... 76 4.5.7 Propostas para futuros estudos ............................................................................. 77 5. Participação na Escola e Relação com a Comunidade ........................ 79 5. Participação na Escola e Relação com a Comunidade .................................................... 81 5.1 Atividades realizadas ................................................................................................. 82 5.1.1 Happy Day .......................................................................................................... 83 5.1.2 MEXE-TE ............................................................................................................. 85 5.1.3 Visita de Estudo – Convento de Mafra ............................................................... 86 5.1.4 Sarau ................................................................................................................... 87 5.2 Desporto escolar ....................................................................................................... 88 6. CONCLUSÃO ............................................................................................ 91 6. Conclusão ............................................................................................................................ 93 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAs .......................................................... 95 8. ANEXOS .................................................................................................. 101
ix ÍNDICE DE QUADROS Quadro 1 - Distribuição de modalidades por Períodos e número de aulas previstas e lecionadas ...................................................................................... 29 Quadro 2 - Circuito de treino funcional ............................................................ 60 Quadro 3 – Padrão de execução motora na 1ª aula e na última dos exercícios do circuito de Treino Funcional ........................................................................ 70 Quadro 4 - Dados Antropométricos - Altura..................................................... 73 Quadro 5 - Dados Antropométricos - Peso ...................................................... 73 Quadro 6 - Dados Antropométricos - IMC ....................................................... 74 Quadro 7 - Dados Antropométricos por sexo – 1º Registo .............................. 74 Quadro 8 - Dados Antropométricos por sexo – 2º Registo .............................. 75
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xvii RESUMO Este documento foi elaborado no âmbito do segundo ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. O Estágio Profissional decorreu numa escola do grande Porto, num Núcleo de Estágio constituído por três estudantes-estagiários, a professora cooperante da escola e a professora orientadora da faculdade. A elaboração deste documento visa apresentar uma análise reflexiva das experiências vividas em contexto de Estágio Profissional. Face a este propósito, todas as experiências e aprendizagens documentadas neste ano letivo estão espelhadas nestas páginas. O primeiro capítulo engloba a introdução do Relatório de Estágio. O segundo capítulo é dedicado ao enquadramento biográfico, que espelha o trajeto pessoal a nível desportivo, profissional e as expetativas referentes ao Estágio Profissional. O terceiro capítulo, reporta-se ao enquadramento da prática profissional, caracterizando a escola, o meio envolvente, o Núcleo de Estágio e a turma que lecionei durante todo o ano letivo. O quarto capítulo, contém a análise do trabalho desenvolvido, tendo como base as reflexões realizadas ao longo deste processo evolutivo. A ênfase é dada aos momentos mais significativos vivenciados. Neste capítulo é também apresentado o trabalho de investigação “O treino funcional nas aulas de Educação Física”. O quinto capítulo, “Participação na Escola e Relação com a Comunidade”, espelha as vivências para além do tempo de aula, colocando em relevo a participação nas atividades e as relações estabelecidas com a comunidade escolar. O sexto e último capítulo, é reservado à conclusão desta longa caminhada, tendo por base as expectativas iniciais e os momentos vividos ao longo do Estágio Profissional. PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL, EDUCAÇÃO FÍSICA, PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM, TREINO FUNCIONAL
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xix ABSTRACT The present report was carried out within the second cycle studies leading towards the Master’s Degree in Physical Education Teaching for Elementary and High School, of Faculty of Sport, University of Porto. The practicum took place in a school located in Porto zone, within a group composed by three interns, a cooperative teacher from the school and a supervisor from the Faculty. The purpose of this document is to present a reflective analysis on the events which occurred during the aforementioned practicum. Regarding this purpose, all the experiences and learning’s acquired during this school year are displayed throughout this report. The first chapter concerns the introduction of the practicum report. As for the second chapter, it explores the biographical context which influences the individual experience with sports, the career goals and expectations towards the practicum itself. The third chapter covers the professional background, describing the most important features of the school, the surroundings, the practicum group and the class I taught. The fourth chapter contains the analysis of the developed work, based on the reflections made along the whole process, highlighting the most remarkable milestones. In this chapter, it is also presented the study on “Functional Training on the Physical Education class”. The fifth chapter, “Participation in School and Relationship with the Community” acknowledges the after class experiences, emphasizing the participation on the activities and the relationship established with the school community. The sixth and final chapter contains the conclusion of this journey based on the initial expectations and the different experiences that occurred throughout it. KEY-WORDS: PRACTICUM, PHYSICAL EDUCATION, TEACHINGLEARNING PROCESS, FUNCTIONAL TRAINING
1. INTRODUÇÃO
3 1. INTRODUÇÃO O presente relatório de estágio foi elaborado no âmbito do Estágio Profissional, parte integrante do 2º ciclo de estudos em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP). A conceção e elaboração deste documento é uma tarefa extremamente exigente e difícil de realizar. Segundo Formosinho (2001), o Estágio Profissional é a componente curricular da formação profissional de professores que objetiva introduzir os estudantes no mundo do ensino e desenvolver competências práticas inerentes a um desempenho docente responsável e adequado à situação. Como tal, o Estágio Profissional assume-se como um percurso recheado de características próprias, correspondendo, à última fase da formação académica que prepara o estudante estagiário para a realidade futura. Proporciona momentos para a aplicação de uma série de comportamentos e conhecimentos sobre o ensino, desenvolvendo, assim, competências e um espírito crítico no que concerne à atividade profissional. Pois, tal como está plasmado nas normas Orientadoras do Estágio Profissional da FADEUP “O Estágio Profissional visa a integração no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada, através da prática de ensino supervisionada em contexto real, desenvolvendo as competências profissionais que promovam nos futuros docentes um desempenho crítico e reflexivo, capaz de responder aos desafios e exigências da profissão.”1 (p.2). O Estágio torna-se uma etapa ainda mais marcante, pois é o primeiro contacto real com a atividade profissional no papel de professor e, simultaneamente, de aluno. É também um momento em que o estudante estagiário procura transpor para a prática as competências adquiridas ao longo da sua formação inicial. De forma a retratar a minha vivência em contexto de Estágio Profissional, e tendo em consideração as suas caraterísticas, o documento, ¹ Normas Orientadoras do Estágio Profissional do ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário. Em vigor no ano letivo 2014/2015. Porto: FADEUP. Matos, Z .
4 além da introdução (primeiro capítulo) está organizado em mais quatro grandes capítulos. O segundo capítulo reporta-se ao enquadramento biográfico, onde é retratado o percurso pessoal, desportivo, profissional, bem como uma breve referência às expectativas iniciais referentes ao Estágio Profissional. No terceiro capítulo caracterizo a Escola, o Grupo de Educação Física, o Núcleo de Estágio e a turma que acompanhei ao longo do ano letivo. O quarto capítulo é reservado à “Realização da Prática Profissional”. Este capítulo está subdividido em quatro subcapítulos: 1- “Organização e gestão do ensino e da aprendizagem”, 2- “Turma partilhada”; 3- “ A Experiência inesperada – 1º Ciclo” e 4 - ”O Treino Funcional nas aulas de Educação Física”. O quinto capítulo “Participação na Escola e relação com a Comunidade”, incorpora as atividades em que participei e que realizei ao longo do ano letivo. Por último, é apresentada uma reflexão final - conclusão do relatório de estágio, elaborada com base em todo o trabalho desenvolvido e todas as experiências vivenciadas ao longo do ano letivo. A realização deste relatório de estágio tornou-se num verdadeiro desafio, visto que uma das minhas maiores dificuldades ao longo do ano centrou-se na realização das reflexões individuais escritas, nas quais procurava retratar as diferentes experiências vividas, designadamente os problemas detetados e estratégias utilizadas para os superar.
5 2. ENQUADRAMENTO BIOGRÁFICO
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13 3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL
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15 3.1 A Escola A Escola onde realizei o Estágio Profissional foi criada em 1956 pelo Decreto nº40 725 do Ministério da Educação Nacional (Direção Geral do Ensino Técnico Profissional), como escola técnica profissional, designada de Escola Industrial e Comercial. Entrou em funcionamento em Janeiro de 1957 com aproximadamente 150 alunos e 17 professores, numa casa alugada no Gaveto das Ruas 21 e 33. O seu plano de estudos referente ao Ciclo Preparatório englobava: - Formação Geral de Comércio; - Formação do Serralheiro; - Cursos complementares de aprendizagem: Carpinteiro – Marceneiro. No início de 1966 iniciaram-se as obras para um novo edifício, situado a nascente e sul da cidade de Espinho, com uma área de 21 500m2. O edifício tinha 40 salas de aula e capacidade para cerca de 1200 alunos distribuídos por um número máximo de 49 turmas em horário diurno. O custo da obra elevou-se a 14 500 escudos, e as novas instalações formam inauguradas em 19/06/1968. Nessa data, já com 1440 alunos, eram ministrados os cursos de Formação Geral do Comércio, Formação do Serralheiro, Formação Feminina e Formação de Montador Eletricista. Em regime de aperfeiçoamento, funcionavam os cursos noturnos de Geral de Comércio, o de Serralheiro e de Montador Eletricista. A 21 de Novembro de 1979, por publicação no Diário da Republica, a escola passou a denominar-se Escola Secundária. A designação atual data de Abril de 1987, altura em que adotou, como patrono o Dr. Manuel Gomes de Almeida. De início vocacionada para o ensino técnico, a Escola acompanhou as sucessivas reformas do sistema educativo, oferecendo hoje, aos alunos, uma variada gama de opções que se enquadram nos cursos predominantemente orientados para o prosseguimento de estudos e para a Vida Ativa. De acordo com os dados patentes no Projeto Educativo do Agrupamento, no início do presente ano letivo, a população discente da Escola
16 era de aproximadamente 1400 alunos, sendo oriunda de diversas freguesias e de concelhos vizinhos. No que concerne ao número de docentes, o Agrupamento contabiliza 260 Professores. Relativamente ao pessoal não docente são contabilizados 41 funcionários, sendo este número referente à Escola Secundária onde nos encontramos. A Escola foi recentemente remodelada pelo projeto “Parque Escolar”. Este projeto de intervenção seguiu as normas de definidas pelo Programa de Modernização das Escolas do Ensino Secundário, bem como as exigências do projeto educativo da escola. Esta remodelação oferece boas condições para a lecionação da Educação Física, contudo, evidenciou algumas anomalias em situações pontuais. O espaço reservado para as aulas de Educação Física é composto por um pavilhão, um ginásio, um campo de voleibol exterior e dois campos exteriores de futebol e de andebol e outro de basquetebol. Além destes campos disponíveis para a prática das várias modalidades, a escola dispõe de uma sala de condição física oferecendo diferentes equipamentos para o trabalho de força. Aliado a tudo isto existem balneários para 4 turmas em simultâneo. Estas condições são importantes na medida em que permitem uma rápida troca de roupa aos alunos, e desta forma, o planeamento do professor pode ser realizado tendo isso em atenção, pois sabe de antemão que os alunos não têm necessidade de chegarem atrasados. No que concerne às condições disponíveis para a prática, o pavilhão, ao longo do ano teve alguns problemas de infiltrações de água deixando o piso húmido em algumas zonas do campo. Relativamente aos espaços exteriores, o piso do espaço 2 também sofre de algumas imperfeições aglomerando algumas poças de água nos dias em que chove com frequência. Relativamente ao material disponível, este permite abordar as seguintes modalidades: basquetebol, futebol, voleibol, andebol, atletismo, ginástica, corfebol, patinagem, ténis, judo, badminton, atividades de ar livre e de orientação. Importa ainda referir que a escola tem uma parceria com a Piscina Municipal de Espinho, possibilitando, deste modo, a lecionação da natação no contexto das aulas de Educação Física e também do Desporto Escolar.
17 Ao longo do ano letivo foi visível a responsabilidade que todos os Professores têm na preservação do material disponível, transmitindo aos alunos a importância de manter o material em ótima condição. Desde 2012 que a Escola é a escola sede do Agrupamento. Deste também fazem parte uma Escola EB 2/3 e sete EB1’s. 3.2 O Grupo de Educação Física Desde o início do ano letivo que o Grupo de Educação Física fez com que os estudantes-estagiários se sentissem parte integrante do corpo docente. Este grupo era constituído por 11 Professores, que mostraram, em todos os momentos, total disponibilidade para colaborar em tudo o que fosse necessário. Esta simpatia fez-me acreditar que não era visto apenas como “mais um estagiário”. A minha relação com o grupo foi bastante positiva, não houve quaisquer desentendimentos entre nós e sempre que foi preciso ajudei no que me foi solicitado. Cooperei com os professores e participei nas diversas atividades dinamizadas pelos mesmos (Corta-Mato, Mexe-te e Sarau). Segundo Nóvoa (1992), o diálogo entre professores é fundamental para consolidar saberes emergentes da prática profissional. A dinâmica criada pelo Grupo revelou-se determinante ao longo de todo o ano, inclusivamente a partilha de ideias e de conhecimentos tornou-se num hábito saudável. O espírito de grupo e a cooperação por parte de todos os intervenientes em todas as atividades realizadas foi algo que consegui absorver para o meu futuro profissional. A Professora Cooperante foi a principal responsável pela minha inclusão e rápida integração na Escola. Apresentou-me a todos os professores e funcionários, fazendo-me sentir parte integrante da escola desde o início do ano letivo.
18 3.3 O Núcleo de Estágio O núcleo de estágio, constituído pelos estudantes-estagiários, professor cooperante e orientador da faculdade, devem segundo Batista e Queirós (2013), funcionar como comunidades práticas, levando os estagiários a gerar novo conhecimento e novas competências. De facto, a minha opinião sobre este grupo, não podia ser melhor. Eu e os meus colegas de estágio formamos realmente um verdadeiro grupo. Todos trabalhamos afincadamente para alcançar os objetivos delineados, tendo havido um esforço enorme para fazer o que foi solicitado. Fomos dedicados, empenhados e penso que isso transpareceu para quem nos rodeou. Trabalhamos ao longo de todo o ano em conjunto e de uma forma coesa. O facto de sermos os três de áreas distintas permitiu uma partilha de ideias ao longo do ano letivo, mediante os acontecimentos que fomos vivenciando. O Pedro com a sua experiência no treino de Andebol tornou-se fundamental para o planeamento das aulas e na análise de conteúdos da modalidade, bem como no desenvolvimento do Treino Funcional. Já o Ricardo, ligado á área da Dança e com alguns conhecimentos profundos da Ginástica, ajudou na delineação de estratégias de ensino. Desde cedo soube da importância que o núcleo de estágio teria, pois seria com estas pessoas que iria trabalhar e conviver durante todo o ano letivo. O bom ambiente e a cooperação entre todos os elementos foi fundamental para o sucesso do grupo e para o sucesso individual. Neste momento, chegado o fim, sinto que as relações de amizade entre nós foram fortificadas. Ao longo do percurso sempre me senti apoiado pelos companheiros desta longa viagem, tornando, bem complexo e exigente, num processo mais fácil.
19 3.4 A Minha Turma A turma que acompanhei durante este ano de Estágio Profissional era formada por um grupo de alunos que não se conhecia dos anos anteriores. Era uma turma maioritariamente composta por alunos vindos de outras instituições, algumas delas não pertencentes ao concelho de Espinho. “Desde cedo percebi que a maior parte dos alunos da turma não se conhecia. De facto a maioria deles eram oriundos de escolas diferentes” (Reflexão aula nº116/9/2014) A turma, inicialmente era composta por 24 alunos, 12 rapazes e 12 raparigas. Porém, no início do segundo período dois alunos foram transferidos para outras turmas e foram integrados quatro novos alunos, todos eles rapazes, aumentando assim o número de alunos para 26. Segundo os dados recolhidos no início do ano letivo, através das fichas de aluno, apenas 7 alunos residiam na cidade de Espinho. Os restantes alunos habitavam em Silvalde, Paramos, Esmoriz, Cortegaça, Grijó, Anta, S. Paio de Oleiros e Argoncilhe. A taxa de reprovação da turma situava-se em 22%, ou seja, cinco alunos já tinham reprovado em anos anteriores. No que diz respeito à ambição escolar, apenas um aluno revelou não ambicionar prosseguir estudos no ensino superior. Relativamente à preferência disciplinar, sete alunos escolheram a Educação Física como a sua disciplina preferida. Ao nível de doenças/alergias, uma aluna sofria de epilepsia, algo que me fez ter um cuidado especial e pesquisar acerca da doença. Dois alunos sofriam de escolioses e um de asma. Todas estas informações revelaram-se fundamentais não só para um conhecimento mais aprofundado dos alunos, mas também para o processo de planeamento. No início do ano os alunos foram submetidos à realização dos testes de fitnessgram, tendo como principal objetivo a avaliação da aptidão física em três vertentes: a aptidão aeróbia e a aptidão muscular, em dois ramos, força e flexibilidade.
20 Utilizei 6 testes distintos: A corrida Vaivém, para avaliar aptidão aeróbia; o teste das flexões de braços, para testar a força superior; os abdominais, para avaliar a força abdominal; o senta e alcança e extensão do tronco, para avaliar a flexibilidade isquiotibial e dorso-lombar. Para completar a avaliação inicial dos alunos realizei igualmente a corrida de 40 metros para avaliação da velocidade e o salto horizontal para avaliar a impulsão horizontal. Estes dois testes foram utilizados mediante os critérios propostos pelo Grupo de Educação Física da Escola. Para avaliar a composição corporal calculei o IMC, através da relação do peso pela altura. Os resultados foram expressos e classificados segundo uma Zona Saudável de Aptidão física (Boa ou Ótima), ou Zona com Necessidade de Incremento. No que diz respeito à análise da composição corporal, a grande maioria situava-se dentro do limite da Zona Saudável (23), encontrando-se apenas um aluno se encontrava numa zona com necessidade de incremento, neste caso com valores baixos de IMC. Face a este facto, durante o ano exerci uma vigilância a este aluno, com atenção redobrada aos seus comportamentos alimentares e físicos. No que diz respeito à resistência aeróbia, no teste do vaivém, onze alunos da turma não cumpriram os objetivos mínimos para se enquadrar dentro dos valores da Zona Saudável de Aptidão Física. Apenas treze alunos conseguiram atingir os níveis de Aptidão Física saudável. Deste modo, o trabalho aeróbio foi uma das vertentes da condição física com maior enfoque durante todo o ano letivo, no sentido de promover uma maior adaptação cardiorrespiratória. No que concerne à força da aptidão muscular foram realizados dois testes com resultados similares. Em relação ao teste dos abdominais, apenas dois alunos não conseguiram atingir os níveis pretendidos. No que diz respeito ao teste de extensão de braços, foram cinco os alunos a não cumprir com o mínimo para se enquadrarem na Zona Saudável de Aptidão Física. Relativamente à flexibilidade, os resultados obtidos foram francamente negativos. Para avaliar a flexibilidade utilizei o teste do senta e alcança e o teste de extensão do tronco. Em relação ao teste que avalia a flexibilidade isquiotibial verificaram-se muitos resultados negativos, apenas um aluno conseguiu atingir os níveis mínimos de zona saudável. Por outro lado, no teste
21 de extensão do tronco, foram dez os alunos que atingiram o mínimo pretendido. Estes resultados não se revelaram nada animadores e revelam as limitações físicas que os alunos hoje em dia têm, principalmente ao nível de flexibilidade. A falta da prática regular de alongamentos poderá ter uma relação direta com estes resultados. Durante o ano letivo decidi incorporar nas aulas a realização de alongamentos no final da aula. Quanto ao teste de velocidade, apenas três alunos não se encontram dentro dos níveis de zona saudável, sendo estes três alunos do sexo masculino. Para avaliar o nível motor geral em diversas modalidades realizei uma avaliação inicial concentrada nas modalidades de voleibol, futebol, andebol, basquetebol e ginástica. Relativamente aos resultados apresentados pela turma nas várias modalidades, constatei que se tratava de uma turma com níveis bastantes satisfatórios. Talvez o facto de mais de 60% da turma praticar desporto federado em tempos extraescolares influenciasse este fator. Entre as modalidades mais praticadas pelos alunos da turma, destacavam-se o voleibol e o futebol, com cinco e seis praticantes respetivamente. No que concerne às atitudes a turma sempre se relevou bastante empenhada, responsável e cumpridora na aprendizagem das várias modalidades ensinadas e na realização das tarefas propostas. Relativamente ao comportamento e forma de estar nas aulas, foi uma turma fácil de liderar. Contudo, a integração dos quatros novos alunos no início do segundo período modificou, numa fase inicial, a forma de estar da turma, ocorrendo um aumento de comportamentos desviantes e de desatenção. Contudo, acabou por ser algo que consegui controlar e gerir, não causando interferência no processo de ensino-aprendizagem da turma.
28 Estas informações foram, sem dúvida, essenciais para suportar a base de todo o planeamento e adequar o processo de ensino/aprendizagem o melhor possível à realidade com o qual eu me confrontei. 4.1.2 O Planeamento Segundo Bento (2003), o objetivo primordial do planeamento consiste na organização, controlo e racionalização do processo de ensino através da forma como o processo de aprendizagem é orientado, da aquisição de conhecimentos e habilidades, da formação e desenvolvimento de capacidades, assim sendo para se planificar, deve-se ter em consideração as finalidades, objetivos e conteúdos dos programas curriculares de Educação Física. O planeamento é, portanto, na minha opinião, materializado num documento que auxilia o professor na realização da sua tarefa que, apesar de conter as linhas orientadoras que este achou mais pertinentes no momento da sua realização, não passa de um plano. Um dos instrumentos iniciais que se revelou essencial para o conhecimento dos meus alunos, centro de todo o meu trabalho, foi o questionário de caraterização da turma. Este instrumento permitiu-me situar a turma em termos sociais, culturais e desportivos. Foi sem dúvida um auxiliar essencial ao planeamento de ensino ajustado à realidade da turma. A minha ação dividiu-se em três distintos níveis de planeamento: planeamento anual, planeamento da unidade didática e planeamento da aula. Posto isto, a construção do Modelo de Estrutura e Conhecimento (MEC) de Vickers (1990), acompanhou-me ao longo de toda a caminhada. A sua elaboração revelou-se determinante em todo o processo, pois reflete tudo aquilo que foi realizado para determinada modalidade. A sua construção foi muito benéfica, uma vez que ao longo da sua estruturação pude aumentar o meu conhecimento em todas as modalidades. A sua estrutura divide-se em três fases: fase da análise (módulos 1,2 e 3), fase da decisão (módulos 4,5,6 e 7) e a fase da aplicação (módulo 8).
29 4.1.2.1 Plano Anual Segundo Bento (2003), o planeamento anual é um plano de perspetiva global que procura situar e concretizar o programa de ensino no local e nas pessoas envolvidas. A escolha das modalidades lecionadas foi seguida mediante as linhas orientadoras do Programa Nacional de Educação Física para o 10ºano. Assim sendo as modalidades abordadas foram: Ginástica de Solo e de Aparelhos, Basquetebol, Futebol, Natação, Voleibol, Atletismo, Badminton, Dança e Andebol. As modalidades distribuíram-se ao longo do ano conforme ilustra o Quadro 1. Quadro 1 - Distribuição de modalidades por Períodos e número de aulas previstas e lecionadas Período Modalidades Nº de aulas previstas Nº de aulas lecionadas 1º Período Ginástica de Solo e Aparelhos 12 11 Basquetebol 6 6 Futebol 5 5 2º Período Voleibol 5 5 Natação 10 10 Atletismo 6 6 3º Período Badminton 6 5 Dança 6 4 Andebol 8 8 A distribuição das modalidades pelos três Períodos foi realizada em função do roulement apresentado no início do ano pelo Grupo de Educação Física. O facto de o roulement “rodar” 6 vezes, permitiu a abordagem de várias modalidades, tendo cada modalidade o seu espaço definido. Desta forma, em nenhum momento necessitei de adaptar as aulas em virtude dos espaços, pois a modalidade a abordar em função do espaço estava definida. Ao longo do ano letivo utilizei o pavilhão para a lecionação das modalidades de Voleibol e Badminton. No ginásio lecionei Ginástica e Dança.
30 No campo exterior lecionei Futebol e o Andebol e no campo exterior 2 Basquetebol e Atletismo. Ao longo do ano, tive a vantagem do roulement permitir a permanência nos mesmos espaços durante pelo menos meio período. A lecionação das modalidades foi, ao longo do ano, realizada de forma alternada, à terça-feira lecionava uma modalidade e à quinta-feira outra distinta. Na primeira metade do primeiro período, tive à minha disposição o campo exterior de basquetebol e o ginásio, as modalidades abordadas foram o Basquetebol e a Ginástica. Na segunda metade do mesmo período a lecionação da Ginástica manteve-se em virtude do espaço se manter e abordei a modalidade de Futebol no campo exterior grande. Na primeira metade do segundo Período as modalidades abordadas foram o Voleibol no Pavilhão e a Natação na Piscina Municipal. Na segunda metade do período a Natação manteve-se, juntando-se o Atletismo. No que diz respeito ao terceiro Período, as modalidades abordadas na primeira metade foram o Badminton e a Dança, no pavilhão e no ginásio respetivamente, sendo a segunda metade reservada para a lecionação do Andebol no campo exterior. 4.1.2.2 Unidade Didática Ao longo do ano, o meu núcleo de estágio, optou por realizar o planeamento das Unidades Didáticas comuns às três turmas. Contudo, alguns dos módulos eram distintos consoante as especificidades de cada turma. Os níveis distintos das turmas nas diferentes modalidades abordadas, exigiu, por vezes, extensões de conteúdos distintas. Com a realização dos MEC comecei a aperceber-me da importância do planeamento para cada uma das modalidades. Cada modalidade tem a sua especificidade e embora algumas possam ser transversais, nem sempre as estratégias de ensino-aprendizagem são iguais. A realização do módulo 4 foi aquele que mais me cativou durante todo o ano no planeamento das várias modalidades, assumindo-se como o módulo
31 mais importante do planeamento, na medida em que garantia a sequência lógica-específica e metodológica da matéria e organizava as atividades do professor e dos alunos por meio de regulação e orientação da ação pedagógica “endereçando às diferentes aulas um contributo visível e sensível para o desenvolvimento dos alunos” (Bento, 2003, p. 60). O poder de planear aquilo que temos de abordar sempre criou em mim uma motivação extra. Nem sempre foi fácil gerir e conciliar a abordagem de tantos conteúdos, contudo ter o poder de decidir o que abordar e quando abordar funcionou como um estímulo extra. A realização das unidades didáticas (UD), tiveram como ponto de partida essencialmente, o nível de desempenho dos alunos nas avaliações iniciais. A prestação destes foi a razão de escolha dos diversos conteúdos a lecionar em cada modalidade, tendo sempre em conta o prognóstico dos objetivos que considerava que os alunos conseguiriam atingir no final da unidade didática. As UD, algumas vezes, foram sujeitas a alterações ou a pequenos ajustes em função da resposta dos alunos. A elaboração deste nível do planeamento foi exigente mas muito enriquecedor, melhorando as minhas competências de observação e decisão acerca do que era melhor para os alunos. Colocar em prática aquilo que tinha planeado inicialmente nem sempre foi uma tarefa fácil, muito pelo contrário. Em certas modalidades, como por exemplo Voleibol, a turma teve uma progressão mais rápida do que a esperada, contudo, noutras ocorreu o oposto, como foi o caso da Natação. Com o tempo fui-me adaptando a estas alterações, procurando em todos os momentos privilegiar o processo de aprendizagem dos meus alunos. Na modalidade de Voleibol a maioria dos alunos correspondeu de forma muito positiva aos objetivos inicialmente propostos, sendo “obrigado” a criar novos desafios aos alunos, antecipando, assim, a abordagem de alguns conteúdos. “Os alunos de nível 2 e 3 têm vindo a revelar uma grande evolução no jogo 2x2, portanto, já na próxima aula irei abordar o jogo 3x3” (Reflexão da aula nº34 – 29/01/2015 - Voleibol)
32 Na unidade didática de Natação necessitei de contrariar esta estratégia, ou seja, a abordagem de alguns conteúdos necessitaram de um maior número de aulas do que inicialmente previ. “Visto os alunos de nível 3 ainda não terem conseguido consolidar os estilos de costas e bruços, na próxima aula irei manter a abordagem dos mesmos.” (Reflexão da aula nº40 - 24/02/2015 - Natação) “Não consegui abordar o estilo de mariposa, pois os alunos de nível 3 necessitaram de mais tempo de exercitação no estilo de bruços” (Reflexão da aula nº44 – 10/03/2015 - Natação) Na Dança, relativamente ao que inicialmente estava previsto, também tive de efetuar alguns ajustes. A UD inicialmente estava programada para 6 aulas e em virtude de algumas atividades extras da turma, foi reduzida para 4 aulas. Consequentemente, alguns passos referentes ao Cha-cha-cha não foram lecionados. Os reajustes, alterações, fazem parte da prática docente. Se no início do ano me sentia um pouco desconfortável a saltar etapas ou a manter os mesmos conteúdos de uma aula para outra, no final do ano tudo isto se tornou natural no dia-a-dia da minha prática. Estas modificações que o planeamento foi sujeito ao longo do ano, são a prova de que um planeamento não pode, em nenhum momento, tornar-se num documento inflexível e inalterado, muito pelo contrário, é um guia fundamental que deve ser moldado às necessidades contextuais. O professor deve ser capaz de ajustar a abordagem dos conteúdos consoante a evolução da turma. Por exemplo, na modalidade de Futebol, se a maioria dos alunos ainda não assimilou a abordagem de uma situação de 2x1+GR, fará sentido na próxima aula abordar uma situação mais complexa de 3x2+GR? Na minha opinião não, será, assim, necessário encontrar estratégias mais complexas para os alunos mais evoluídos e continuar de forma mais cuidada a abordagem dos conteúdos menos complexos com os alunos com mais dificuldades. Na minha ótica este é o caminho que o ensino deverá seguir, ou seja, ajustável ao nível dos alunos.
33 “Alguns alunos, em virtude de não terem uma proximidade tão grande com a modalidade evidenciaram dificuldades na realização do exercício (3x2+GR). A falta de mobilidade e noções espaciais tornaram o exercício pouco fluido em alguns grupos de trabalho” (Reflexão aula nº24 – 4/12/2014 - Futebol) Por vezes a dependência de seguir o que está no plano poderá tornar o ensino desajustado e inadequado à resposta da turma. Isso causará certamente desmotivação nos alunos com menos competência. Que na minha opinião são aqueles que devem ser mais motivados para a prática. A este propósito, recordo-me de um pequeno diálogo que tive no início do ano com uma aluna: (...) Eu: Porquê que ainda só participaste em 2 jogadas, quando há colegas teus que já realizaram 7? Aluna: Porque não gosto de basquetebol. Eu: E isso é impedimento para tentares realizar mais vezes? Aluna: Sim, não gosto de basquetebol e este exercício é muito difícil para mim. (...) (7/10/2014) Este diálogo decifra bem aquilo que penso e onde quero chegar. O professor tem de ser capaz de perceber e alterar o seu planeamento quando o seu ensino não está a dar resposta às necessidades dos seus alunos. Tal como refere Bento (2003), o planeamento a este nível (UD) procura garantir, sobretudo, a sequência lógico-específica e metodológica da matéria, e organizar as atividades do professor e dos alunos por meio de regulação e orientação da ação pedagógica, endereçando às diferentes aulas um contributo visível e sensível para o desenvolvimento dos alunos.
34 4.1.2.3 Plano de Aula A elaboração dos planos de aula no início do ano era demorada e por vezes com situações de aprendizagens desadequadas em função daquilo que era pretendido. Esta tornou-se numa das grandes dificuldades com que me deparei neste ano de estágio. A estrutura do Plano de Aula foi elaborada pelo núcleo de estágio, sendo esta uma das primeiras tarefas coletiva do ano letivo. Assim sendo, optamos por incorporar no plano de aula as seguintes categorias didáticas: Função didática; objetivos da aula; objetivo comportamental; Situações de Aprendizagem; Componentes Criticas e Organização dos Alunos/Professor (Anexo 5). O excesso de informação no preenchimento das categorias centrais do plano de aula tornou-se num obstáculo, que só com a ajuda da Professora Cooperante, ao longo de várias semanas, fui ultrapassando. Por vezes, colocava componentes críticas nos planos de aula que não concorriam para os objetivos da aula, acabando por não as utilizar na prática. Com refere Bento (1987), um professor para poder lecionar uma boa aula é fundamental que este se prepare devidamente para ela. Não é uma tarefa fácil, aliás é mesmo uma tarefa bastante dura pois significa cerca de uma hora de atenção concentrada e de esforço intenso. Segundo Bento (2003), o ensino é criado em dois momentos diferenciados: primeiro na conceção e posteriormente na realidade, ou seja, nem sempre aquilo que eu pensava ser o adequado para aos objetivos da aula ocorre realmente na prática. A realidade associada ao imprevisto, aos condicionalismos inesperados, requerem uma rápida reação e adequação do professor, isto é, capacidade de tomar decisões que lhe permitam adequar o presente ao que a realidade reclama. No início do ano letivo tinha dificuldade em lidar com alguns imprevistos, como por exemplo, gerir os alunos dispensados em virtude da organização dos grupos de trabalho que estava devidamente planeado.
35 “Na parte inicial da aula, a minha intervenção foi mais demorada, visto ter que repensar nos grupos de trabalho que já estavam pensados, em virtude de 5 alunos terem solicitado a dispensa por atestado médico.” (Reflexão aula nº 7 – 7/10/2014 - Basquetebol) Contudo, com o passar do tempo, este tipo de acontecimentos acabaram por ser ultrapassados de uma forma natural. Os níveis de ansiedade que evidenciava no início da aula para que o número de alunos estivesse de acordo com aquilo que estava planeado deixou de existir, pois sabia antemão o que fazer se eventualmente algum aluno faltasse ou solicitasse dispensa da prática, solucionando o problema. Acredito que esta melhoria ao nível da gestão de imprevistos teve um grande crescimento com a realização das reflexões realizadas após as aulas, pois conseguia perceber que tipo de constrangimentos a falta de um ou de outro aluno teve na aula e fez-me pensar em soluções futuras. 4.1.3 A Realização 4.1.3.1 1ºPeríodo No início do ano letivo sentia-me receoso pelo facto de ter de lecionar Ginástica. Isto por esta modalidade usualmente ser desvalorizada pela maioria dos alunos e também pelo facto de não me sentir preparado para a lecionar. Ao longo do período e com a ajuda da Professora Cooperante fui recorrendo a algumas estratégias que, gradualmente, me tornaram mais seguro, passando a encarar a modalidade com naturalidade. Mencione-se a título de exemplo o recurso ao trabalho por circuito na modalidade de Ginástica de Solo e de Aparelhos. Os alunos passavam por cada estação e realizavam as tarefas solicitadas, com o auxílio de cartões que continham informação das tarefas a realizar. Isso obrigou a uma maior responsabilização dos alunos, algo que no início do ano me deixava algo reticente, mas que com o passar do tempo se foi evidenciando como sendo a estratégia mais adequada.
36 “O trabalho por circuito nestas aulas, permite aos alunos estar mais tempo em atividade. Inclusive possibilita uma organização de aula harmoniosa, com a realização das diversas situações de aprendizagem fluida sem interrupções. A colocação dos cartões auxiliares com as palavras-chave dos exercícios nas diferentes estações permite-me circular pelo espaço da aula com maior liberdade.” (Reflexão aula nº6 – 1/10/2014 - Ginástica) No que concerne à lecionação do Basquetebol, as minhas dificuldades iniciais prenderam-se com as propostas das situações de aprendizagem. Apesar de ter estado perante uma turma predisposta para a modalidade, após as aulas ficava sempre com a sensação de que poderia ter pensado “mais à frente”. “Durante a aula de hoje senti que realmente poderia ter sido mais ambicioso no planeamento da aula, pois a maioria dos alunos já evidenciou ter assimilado o passe e vai em situação 2x1.” (Reflexão aula nº7 – 7/10/2014 – Basquetebol) Nesta fase do Estágio as reflexões ainda eram muito imaturas e limitavame a descrever o que se tinha passado na aula, não utilizava as reflexões como resolução de problemas e de aquisição de novas estratégias, algo que na minha opinião acabou por ter influência direta nestas dificuldades iniciais. Relativamente à modalidade de Futebol, foi aquela em que senti menos dificuldades a lecionar. “Comparativamente às 2 modalidades lecionadas até então, hoje sentime na minha praia. O facto de estar perfeitamente ambientado à modalidade aumentou a minha confiança no comando da aula. Senti-me seguro na emissão de feedbacks e na organização da aula.” (Reflexão aula nº18 – 13/11/2014 – Futebol) Embora, como já referi anteriormente, ensinar Futebol na escola é diferente de ensinar no clube, o facto de ter um conhecimento profundo da
37 modalidade, permitiu-me recorrer a algumas das estratégias utilizadas no treino para dar resposta às necessidades percecionadas. O facto de ter um conhecimento mais profundo dos conteúdos a lecionar, permitiu-me estar mais à vontade na aplicação de novas estratégias de ensino. Conseguia com maior facilidade detetar as dificuldades que os alunos tinham na realização das situações de aprendizagem, encontrando mais facilmente alternativas para melhorar o processo de ensino. Nesta modalidade consegui motivar os alunos menos capazes e responsabilizar os alunos com maior predisposição para ajudar os colegas com mais facilidade. 4.1.3.2 2º Período No segundo período, teve início a abordagem da natação. Esta modalidade manteve-se durante todo o período, ficando estabelecido que à terça-feira a aula decorreria na piscina municipal. Em simultâneo com a natação, o voleibol foi abordado na primeira metade do período (pavilhão) e o atletismo na segunda metade (campo exterior de basquetebol). No que concerne à modalidade de natação confesso que no início do período tive algumas reticências relativa à minha capacidade de lecionar a modalidade. Talvez por se tratar de uma modalidade em que o meu conhecimento era pouco aprofundado e, simultaneamente, uma modalidade com a qual tinha pouco contacto. Contudo, estes receios inicias foram-se desvanecendo com a ajuda da Professora Cooperante e dos meus colegas de núcleo de estágio. Fui ganhando confiança na minha intervenção, fruto da partilha de conhecimentos no núcleo de estágio e do investimento no estudo dos vários estilos abordados. Não obstante a melhoria, em termos de feedbacks tenho consciência de que a qualidade poderia ter chegado a outro patamar, contudo, comparando com o meu nível inicial, sinto-me satisfeito e com sentimento de dever cumprido. A experiência adquirida no Desporto Escolar, desde o início do ano, tornou-se num elemento determinante para a minha adaptação a esta modalidade. Relativamente à modalidade de voleibol, esta foi a modalidade em que tive mais facilidade de lecionar no 2º Período, visto se tratar de um desporto com o qual sempre tive uma proximidade muito grande. A motivação da turma
44 cada aluno pela realização de uma prática de qualidade. Esta autoavaliação apesar de ser realizada pelos alunos foi sempre aferida por mim, evitando desta forma avaliações desadequadas da postura e comportamento do aluno na aula. Para a realização de uma Avaliação Formativa de qualidade e ajustada ao desempenho real de cada aluno, foi necessário investir tempo no estudo de algumas modalidades em que não me sentia “totalmente à vontade”. Os exemplos mais evidentes, foram as modalidades de Natação, Atletismo e Dança. A leitura de alguns livros de apoio e as conversas com a Professora Cooperante e com os meus colegas de Núcleo de Estágio permitiu-me ir aperfeiçoando a capacidade de observação e de intervenção nas matérias em que não me sentia totalmente confortável. Com efeito, tal como afirmam Ribeiro e Ribeiro (1990), a avaliação formativa, realizada em todas as aulas, deve ser dominada pelos professores, pois é esta que deve acompanhar todo o processo ensino-aprendizagem. No que diz respeito à Avaliação Sumativa, utilizei quase todos os parâmetros utilizados na Avaliação Diagnóstica. Desta forma, consegui comparar os resultados obtidos e perceber a evolução de cada aluno. A importância que dei ao processo evolutivo do aluno nas várias modalidades tornou-se preponderante na atribuição das notas finais. De referir que na avaliação dos alunos que tinham níveis de desempenho superiores, isto é, já dominavam as matérias de ensino foram avaliados de forma mais acentuada ao nível dos conceitos psicossociais. Ou seja, foi importante ao longo do ano oferecer estímulos diferentes aos alunos com níveis de desempenho superiores, designadamente ao nível da responsabilização de ajudar um colega com nível de desempenho inferior, a evoluir na modalidade. “Antes do início da aula, tive a preocupação de juntar o grupo de alunos que é praticante da modalidade a nível federado e desafiá-los a ajudarem os seus grupos de trabalho a evoluir e a ter um rendimento superior ao longo da aula. Nenhum dos alunos se opôs ao desafio e até se mostraram motivados com o facto de terem oportunidade de comandar as suas equipas.” (Reflexão aula nº18 – 13/11/2014 - Futebol)
45 “Nesta aula decidi colocar um desafio às alunas que praticam voleibol em clubes. Como já tem sido habitual nas aulas de Voleibol, no exercício de subir a montanha, distribui os alunos pelos campos, tentando juntar um aluno mais capaz e um menos capaz no primeiro jogo. Posto isto, decidi alterar as regras, ou seja, o primeiro jogo foi de cooperação, o tempo de jogo foi alargado de 2 para 5 minutos e os alunos com mais vivências na modalidade deveriam intervir junto dos colegas, de forma a estes melhorarem a sua técnica.” (Reflexão aula nº34 – 29/01/2015 - Voleibol) A Avaliação Sumativa não se resume à atribuição de uma classificação final. De acordo com Ribeiro (1993), a avaliação sumativa permite ajuizar o progresso do aluno, após uma unidade de aprendizagens, permitindo, simultaneamente, “conferir” os dados recolhidos no processo de avaliação formativa (ainda que informal). A avaliação do conhecimento dos alunos nas diversas modalidades foi realizada por recurso a questões de aula e a realização de testes escritos, para cada uma das modalidades abordadas. Em termos de estrutura os testes continham questões de verdadeiro e falso, de escolha múltipla e de resposta rápida. Para cada um dos testes escritos foi realizado um documento de suporte teórico, pelo Núcleo de Estágio, com o objetivo de orientar o estudo dos alunos. 4.1.4.1 O Ato de Classificar Confesso que no final do 1º Período senti grandes dificuldades na atribuição das classificações finais. A principal dificuldade centrou-se na transformação dos dados das avaliações das diversas modalidades numa classificação final. A avaliação dos vários conteúdos das modalidades foi efetuada por recurso a uma escola de 1 a 5 valores. A partir da soma de todos os parâmetros, transformava o resultado final na escala de 1 a 20 valores. Porém, na minha opinião a classificação final de um aluno não se pode apenas basear em somas e subtrações de valores. Como Professores temos de ter
46 consciência do processo evolutivo que os alunos apresentam ao longo do período e do ano letivo e balizar esta transformação aquando do processo de atribuição da classificação. Para classificar foi necessário transportar para uma escala de valores a informação advinda da avaliação sumativa. Desta forma, o grupo de Educação Física, de acordo com os critérios gerais definidos pelo Departamento de Expressões, estipulou para cada domínio de aprendizagem os seguintes valores percentuais: Habilidades motoras e Condição Física (70%); Conceitos Psicossociais (20%) e Cultura Desportiva (10%). Atendendo ao referido, a classificação final dos alunos não se resumiu apenas ao saber-fazer, mas também ao saber-ser e ao saber. Tendo em consideração esta perspetiva da avaliação, procurei, ao longo de todo o ano letivo, sublinhar junto dos alunos a necessidade de haver um investimento em todas os domínios. O facto de ter de avaliar 26 alunos e ter em consideração os vários domínios, fez com que este processo fosse dos processos mais difíceis de realizar ao longo deste ano de Estágio Profissional. Com o tempo fui-me sentindo melhor preparado para o ato de avaliar, designadamente pelo recurso ao registo sistemático de elementos que considerava fundamentais para a atribuição das classificações. Talvez tenha cometido alguns erros, contudo, tive sempre a preocupação de avaliar da forma mais justa possível. Ao longo do ano estive perante duas situações completamente opostas no que diz respeito à classificação. A primeira aconteceu no final do 2º Período, em que atribui uma nota negativa de 9 valores. Tratava-se de uma aluna pouco empenhada e participativa, que desvalorizou, de forma clara, a disciplina de Educação Física. Após análise e em conjunto com a Professora Cooperante, consideramos que a atribuição desta classificação iria responsabilizá-la para um 3º Período diferente. Felizmente a atitude da aluna melhorou e conseguiu chegar ao final do ano com uma classificação positiva. A segunda situação ocorreu no 3º Período, em que atribui uma nota de 20 valores. O aluno em questão, ao longo de todo o ano, mostrou um desempenho motor acima da média em todas as modalidades abordadas, bem como um interesse e participação exemplar.
47 Por fim, é relevante salientar que durante o ano letivo, para além de avaliar os alunos, procurei desenvolver a capacidade de estes se autoavaliarem, refletindo criticamente acerca do seu comportamento e da minha atuação junto dos alunos. Esta perspetiva é confirmada por Bento (2003, p. 176) quando refere que “o sucesso do ensino depende tanto da atividade do docente como das atividades de aprendizagem dos alunos”. 4.2 Gestão da Aula e Controlo da Turma A minha preocupação central nas questões relativas à gestão e controlo da aula, foi primeiramente procurar perceber como devia lidar com uma turma que não era minha de forma integral. Na minha curta experiência profissional, sempre lidei com grupos que estavam sob a minha total responsabilidade, pelo que me olhavam como líder. Desta vez, tinha algo diferente, estava perante um grupo de alunos que poderia olhar para mim de forma distinta, isto é, como um mero estagiário que ainda estava no seu percurso de formação. Alheio a isso, desde a primeira aula, procurei impor-me perante a turma como “o professor”. Na aula de apresentação a Professora Cooperante assumiu perante os alunos que seria a Professora titular da turma e total responsável do processo, contudo, também mencionou que desde o primeiro momento eu seria “O Professor”. Este aspeto tornou-se fundamental no meu percurso ao longo do ano letivo, visto que os alunos da minha turma olharam para mim como “o líder”. Tornou-se realmente importante, pois em nenhum momento tive dificuldades em gerir o grupo a nível comportamental e de indisciplina. Para tal, foi importante, desde a primeira aula, assumir a responsabilidade que tinha, mostrando aos alunos que estavam perante uma pessoa competente, profissional e responsável. A turma mostrou-se desde o início do ano de fácil relação. Ultrapassado o momento de apresentação, cheguei ao momento de afirmação enquanto Professor. Sabia da importância das primeiras aulas para que isso fosse possível acontecer. Assim, tive a preocupação de preparar várias vezes o
48 discurso, de preparar respostas às possíveis dúvidas dos alunos e memorizar os nomes num curto espaço de tempo, para a comunicação ser mais próxima e eficaz. Também tinha consciência de que era importante não errar. Este era o meu pensamento, sabia que se errasse nas primeiras aulas dificilmente conseguiria “segurar” os meus alunos durante o resto do ano letivo. Consciente destes pormenores, parti para as primeiras aulas com um nervosismo extra, com um enorme formigueiro na barriga, porém quando começava a aula tudo passava e entrava num “mundo” diferente, no meu mundo, naquele em que me sinto realmente à vontade. Felizmente, nas primeiras aulas consegui impor-me como professor, mantendo uma postura por vezes rígida, que não era de todo a minha forma de atuar, mas que sabia da sua importância naquele momento. Nas primeiras aulas consegui implementar as rotinas impostas pelo regulamento interno da escola, tal como algumas rotinas que a literatura refere e que considerei importantes. Tal como sugere Rink (2014), podem ser implementadas rotinas de balneário, rotinas pré-aula, rotinas inerentes à própria aula, rotinas de fim de aula e, ainda, outro tipo de rotinas, tal como o tempo disponível para equipar, a regra do apito (um apitoparar o exercício; dois apitosparar o exercício e juntar à minha beira), bem como a organização do início da aula e do aquecimento. Como tal, os alunos entraram num momento de adaptação às rotinas impostas pela escola e rotinas que iam de encontro à minha pessoalidade. No entanto, para além destas, ao longo do ano, fui instituindo outras, consoante as especificidades de cada modalidade, a título de exemplo refira-se a Natação, em que não existiram momentos formais destinados à apresentação das tarefas, estes foram substituídos pelos planos afixados numa das extremidades da piscina. Neste contexto, Rosado e Ferreira (2011, p. 189) afirmam que “as rotinas permitem aos alunos conhecer os procedimentos a adotar na diversidade de situações de ensino, aumentando o dinamismo da sessão e reduzindo significativamente os episódios e os tempos de gestão.” Após este período de adaptação às rotinas de aula por parte dos alunos, consegui-me libertar e focar-me no processo de ensino-aprendizagem. Ao mesmo tempo, e após um conhecimento mais aprofundando de cada aluno, fui deixando a postura rígida e passei a adotar uma postura mais natural, aquela com que me sinto mais identificado.
49 O passo seguinte era o de encontrar uma postura equilibrada, isto é, aproximar-me mais dos alunos sem nunca perder o respeito adquirido no início do ano. Tornou-se um processo natural. Os alunos começaram a perceber que podiam contar com a minha presença como ouvinte e conselheiro. Esta proximidade não me retirou autoridade enquanto Professor, muito pelo contrário, consegui cativar os alunos para a prática de forma mais eficaz e fazer com que eles estivessem motivados para as tarefas propostas nas aulas. Esta ligação com os alunos tornou-se igualmente importante na abordagem de modalidades em que tinha um menor domínio do conteúdo, como por exemplo na Natação e na Dança. Partia para as aulas menos nervoso porque sabia que se errasse os alunos não olhariam para mim de forma “desconfiada”. Porém, não consegui motivar todos os alunos para a prática. Uma aluna ao longo de todo o ano letivo manteve sempre uma postura desinserida do contexto dos restantes colegas. Não participou de forma consistente nas atividades propostas e poucas foram as vezes em que revelou vontade em melhorar a sua postura e as suas capacidades. Apesar das várias conversas que tive com a aluna, esta nunca desejou que eu a ajudasse. Este foi um dos pontos negativos do meu Estágio Profissional. De facto, não fui capaz de motivar a aluna para as aulas de Educação Física, integrando-a na turma e melhorando a relação dela com os restantes colegas. 4.2.1 Relação Pedagógica Ao longo do ano, como é natural, fui fortalecendo a relação pessoal com os alunos. No início do ano encontrei um grupo de alunos que não se conhecia, onde a timidez dominava grande parte dos alunos. A relação entre os alunos era pouca ou nula, visto que mesmo os alunos que frequentaram esta escola nos anos anteriores não tinham quaisquer relações. Como tal, deparei-me com uma dificuldade inicial, não queria dar muita confiança aos alunos, pois o título de Professor Estagiário estava presente e os alunos têm sempre tendência em “abusar” da autoridade. Ao mesmo tempo
50 procurava aproximar-me dos alunos para os conhecer melhor e assim poder interagir de forma mais adequada com cada um deles. Ao longo do ano letivo, as conversas no final de cada aula com os alunos tornaram-se um hábito. Aproveitava aqueles momentos para falar com eles sobre problemas, gostos, desporto ou até mesmo sobre outras disciplinas. A minha relação com os alunos foi crescendo, estes perceberam que estavam perante uma pessoa com mais vivências e em quem podiam confiar. Este estatuto e a proximidade que adquiri com praticamente todos os alunos fez com que a minha intervenção na prática ficasse facilitada. Para além dos alunos estarem perante um Professor jovem, que representa uma motivação acrescida, reconheceram-me competência. Este estatuto que conquistei foi fundamental para que a minha proximidade com eles não ultrapassasse limites que poderiam revelar-se prejudiciais à minha atuação como professor. Ao longo de todo o ano letivo consegui gerir e manter uma relação de respeito entre Professor e aluno. No meu percurso ao nível de treino, tive sempre uma postura muito próxima dos meus atletas, porque entendo que a função do treinador não se resume apenas a treinar. A título de exemplo, passo a citar uma expressão utilizada por José Mourinho: “Quem só percebe de futebol, nem mesmo de futebol percebe”. O meu pensamento enquanto futuro Professor vai de encontro a esta ideia, o Professor não pode ser apenas um sujeito que se desloca à escola para lecionar modalidades, tem que ser mais que um mero transmissor de informação. Desta forma, segui a minha linha de pensamento e visto estar a lidar com crianças/jovens, entendi que esta postura ganhava ainda mais importância. Aos olhos dos alunos é diferente ter um Professor que se preocupa com estes e com o que os rodeia, do que um Professor que apenas se preocupa com o espaço da aula. A relação criada com grande parte dos alunos permitiu-me motivá-los e focá-los nos objetivos pretendidos. A ligação criada com os alunos tornou-se fundamental e serviu de suporte para todo o processo interativo criado ao longo do ano letivo. De forma a poder confirmar a minha perceção, no final do ano, mais especificamente na última aula, solicitei aos alunos que escrevessem algo sobre mim enquanto Professor e sobre as aulas de Educação Física. Os testemunhos obtidos podem ser observados de seguida:
51 “Adorei a experiência de trabalhar com o Professor. Acho que foi um dos anos onde me esforcei mais, pois o Professor soube-me motivar mais do que os meus antigos Professores. Teve sempre a preocupação de melhorar a minha condição física”. (Renato3) “O Professor foi excelente ao longo deste ano, esteve sempre atento à nossa evolução e preocupou-se com o nosso bem-estar, não só físico mas também psicológico”. (Carlos) “Cativa e ensina muito bem as matérias. Tem métodos de ensino que conseguem motivar os alunos muito facilmente”. (Carolina) “Gostei muito do Professor, pois é exigente mas ao mesmo tempo compreensivo”. (Andreia) “Apesar de ser jovem demonstrou capacidades para ser um excelente Professor. É exigente mas arranja sempre forma de motivar os alunos”. (Telmo) “O Professor conseguiu-nos motivar a melhorar a nossa condição física. Tornou as aulas de Educação física mais interessantes e mais ricas”. (Filipe) “Ao longo do ano o Professor mostrou ser um bom profissional, teve sempre a sua postura autoritária mas também soube ter momentos de brincadeira. Gostei da maneira como organizou as aulas e também do facto de em pouco tempo nos conhecer o suficiente para saber daquilo que somos capazes”.(Joaquim) “Foi o melhor Professor que alguma vez tive. Foi o único que me conseguiu compreender e ajudar nos momentos que precisava”. (Daniela) 3 Nome fictício. O mesmo se aplica aos restantes nomes identificativos nos excertos seguintes.
52 “O Professor foi capaz de criar uma ligação muito própria e singular, inexistente na maioria dos restantes Professores”. (Carla) 4.3 A Turma Partilhada Ao longo deste ano de Estágio Profissional, partilhei com os meus colegas de núcleo de estágio uma turma do 5º ano de escolaridade. Tratou-se de uma experiência excecional. A turma era de sonho, recheada de alunos queridos, educados, bem comportados, motivados e com grande qualidade, tanto a nível motor como cognitivo. “Hoje tive o primeiro contacto com a turma que será a partilhada pelos três estagiários. A primeira impressão foi excelente, trata-se de uma turma de 5º ano e é composta por 29 alunos, 16 raparigas e 13 rapazes. Através das fichas de caracterização é possível verificar que se trata de uma turma ativa a nível do desporto federado. O futebol, o voleibol, o andebol, a natação e a ginástica são os desportos praticados pelos alunos. A grande maioria dos alunos já se conhece, visto terem frequentado o 1º ciclo na mesma escola.” (Reflexão aula nº 1 – 5º ano) Tal como mencionei na reflexão da primeira aula, desde o primeiro momento que a turma me cativou, não só pela sua grande predisposição para a prática de desporto, como também pelo ambiente de proximidade que os alunos revelaram entre eles. As indicações dos restantes Professores, evidenciavam que estávamos perante uma turma com excelentes alunos, deixando antever um ano letivo bastante positivo. A escolha da lecionação das várias modalidades entre os estagiários foi aleatória, tendo eu ficado responsável pelas unidades didáticas de voleibol (1º Período) e futebol (2º e 3º Período). A unidade didática de Ginástica (2º Período) foi lecionada pelos três em simultâneo, dada a especificidade e complexidade que esta modalidade envolve.
53 Relativamente à lecionação de cada uma das modalidades, aquela em que senti maior desconforto foi a Ginástica. Apesar de estarmos os três estagiários presentes nas aulas, os medos associados ao risco de lesões tornou-se numa dificuldade acrescida. A grande maioria dos alunos já tinha vivências da ginástica de solo dos anos anteriores, contudo, o mesmo não acontecia na ginástica de aparelhos. Tratou-se de uma novidade para a maioria, tendo alguns alunos evidenciado receio em experimentar e concluir com êxito algumas das tarefas solicitadas. Foi nesta vertente da ginástica, que tive de investir um pouco mais, não só a nível das ajudas, mas também na emissão de feedbacks. Como se tratava de uma faixa etária mais baixa daquela que tinha na turma de 10º ano, tive de alterar um pouco a minha postura. Assim, em vários momentos recorri à estratégia de ensinar a “brincar”. Ou seja, por vezes desafiava os alunos a realizarem os elementos gímnicos pretendidos através de uma linguagem mais próxima. “Através de uma linguagem a brincar consegui que os alunos que revelaram mais dificuldades até então tentassem sem medos e sem receios a realização dos rolamentos à frente e à retaguarda. A título de exemplo usei as expressões: “Imagina que és um militar, tens de fazer a cambalhota! Vamos lá tentar!”; “Cabeça vai para dentro e para trás para seres ainda mais rápido.” (Reflexão 5º ano - aula nº41 – Ginástica) Por recurso a este tipo de estratégia consegui c que os alunos com menos predisposição ultrapassassem os medos e realizassem os vários elementos acrobáticos. No que concerne às modalidades de Voleibol e Futebol não senti qualquer tipo de dificuldade. A minha proximidade desportiva com as modalidades permitiu-me ensinar de uma forma eficaz o jogo. Terminado o ano letivo, posso assegurar que dificilmente poderíamos ter uma turma melhor para partilhar. Os alunos adaptaram-se perfeitamente aos 3 professores, não lhes causando nenhuma estranheza a mudança de professor nas diversas modalidades. Foi sem dúvida uma experiência enriquecedora, em virtude de se tratar de uma turma composta por alunos que vivenciaram uma grande mudança nas
60 Comparar as medidas antropométricas anteriores e posteriores à aplicação do programa de treino Analisar as medidas antropométricas anteriores e posteriores à aplicação do programa de treino em função do sexo 4.5.3 Metodologia 4.5.3.1 Participantes Participaram no presente estudo 26 alunos, 12 raparigas e 14 rapazes, com idades compreendidas entre os 15 e 17 anos (Gráfico 1). Todos os participantes pertencem a uma turma de 10º ano de escolaridade de uma Escola situada em Espinho. Dos 26 alunos, 17 alunos praticam uma modalidade a nível federado e 9 alunos não praticam qualquer modalidade fora do contexto das aulas de Educação Física. Gráfico 1 - Distribuição por idades 4.5.3.2 Instrumentos Circuito de Treino Funcional O circuito de treino funcional foi elaborado pelos Estudantes Estagiários do Núcleo de Estágio para um total de 8 aulas, tendo sido aplicado na parte final de cada uma delas. Em termos estruturais, o circuito foi composto por 10 estações, conforme ilustra Quadro 2. 15 16 17 0 5 10 15 20 Idades Nº de alunos
61 Quadro 2 - Circuito de treino funcional Estação Descrição Imagem Estação 1 Cadeira isométrica O aluno adota uma posição estática, com a coluna e cabeça encostadas a uma parede. Os membros inferiores deverão estar fletidos realizando um ângulo de 90 graus. Estação 2 Salto à corda O aluno realiza o maior número possível de saltos à corda. O salto poderá ser efetuado a dois ou a um pé. Estação 3 Afundo estático Adotando uma posição de afundo, o aluno realiza uma descida do seu corpo de forma controlada, fletindo os membros inferiores. O joelho não deve avançar o calcanhar. Estação 4 Escalador O aluno adota posição de prancha e deverá realizar de forma alternada a flexão dos membros inferiores à frente. Estação 5 Burpees O aluno alterna de forma frequente a posição de prancha e salto a pés juntos.
62 Estação 6 Extensão de braços Adotando uma posição de prancha, o aluno realiza flexão dos membros superiores (até 90 graus), mantendo uma postura corporal controlada. Estação 7 Flexão do tronco O aluno realiza flexão do tronco adotando uma posição corporal com os membros inferiores fletidos e a coluna no solo. As mãos devem ultrapassar a zona da anca no momento da contração abdominal. Estação 8 Agachamento O aluno adota posição de agachamento com os pés paralelos e à largura dos ombros. A descida da bacia deve ser controlada, sem avançar os joelhos além da linha do calcanhar. Estação 9 Triceps com bola medicinal O aluno realiza flexão dos membros superiores com os cotovelos juntos à cabeça. A bola medicinal não deve ultrapassar a linha da cabeça na fase concêntrica. Estação 10 Estação móvel Estação reservada à visualização de imagens das aulas anteriores. O tempo de exercitação das várias estações situou-se nos 30 segundos, bem como o tempo de repouso. Em todas as sessões apenas se realizou uma série.
63 Os pressupostos que estiveram na base da construção deste circuito foram a variedade de exercícios dinâmicos e apelativos para os alunos, bem como o trabalho equilibrado no que diz respeito aos membros inferiores, core abdominal e membros superiores. A estação 10, intitulada “móvel”, serviu, essencialmente, para os alunos visualizarem a sua prestação na realização dos exercícios das aulas anteriores. Avaliação Antropométrica A avaliação antropométrica foi realizada em dois momentos. O primeiro momento na semana antecedente ao início do estudo e o segundo momento na semana seguinte ao término do estudo. A altura foi medida com uma fita métrica colocada num poste de uma baliza do ginásio. Os valores foram registados em metros até ao milímetro mais próximo. O peso corporal foi registado através de uma balança digital da escola da marca TANITA. Os valores foram registados em quilogramas até a decigrama mais próxima. Questionário de Motivação O questionário motivacional, versão adaptada de Gonzaga (2013), é composto por 10 questões de resposta aberta. Foi aplicado entre a 5ª e a 6ª sessão. Através do preenchimento do questionário pelos alunos, aferimos a motivação que estes revelam para a realização do treino funcional nas aulas de Educação Física.
64 Filmagem de Execução Motora A filmagem da execução motora dos exercícios propostos para cada estação do circuito foi efetuada através de um Tablet, utilizando o programa audiovisual Dartfish express®, que permite a gravação de vídeo e registo de imagens. Este permite ainda realizar a manipulação das imagens capturadas, facilitando a sua visualização em slow motion. Recorrendo a este instrumento foi possível registar a qualidade da prestação motora dos alunos nos vários exercícios e posteriormente partilhar e analisar a execução de cada um. 4.5.3.3 Procedimentos de Análise Para realizar a análise dos questionários de questões de resposta aberta foi feita uma análise de conteúdo, coadjuvada com estatística descritiva, especificamente as frequências relativas e absolutas. Relativamente à comparação dos dados antropométricos iniciais e finais foi realizado o teste não paramétrico Mann Whitney para amostras independentes e os testes não paramétricos para dados não emparelhados com o teste Wilcoxon. O Programa utilizado foi o SPSS. O nível de significância foi mantido a p≤0,05. No que concerne à análise de execução motora foi utilizado o programa Dartfish express®. A captura de imagens e vídeo foi realizada ao longo de todas as sessões e analisadas com os alunos em slow motion nas aulas seguintes. 4.5.4 Apresentação dos resultados 4.5.4.1 Motivação dos Alunos para o Treino Funcional No Gráfico 2, podemos observar as preferências dos alunos ao nível das práticas em Educação Física. Dos 26 alunos da turma, 53% apontam para as modalidades coletivas como as preferidas, seguindo-se as modalidades individuais e outras atividades com 20% cada uma. Já o treino funcional é considerado a atividade preferida de 7% dos alunos.
65 Como podemos observar no Gráfico 3, as atividades que os alunos menos gostam de realizar nas aulas de Educação Física são as modalidades individuais (69%), seguem-se as modalidades coletivas (27%) e o treino funcional (4%). Gráfico 2 – Atividades com maior preferência Gráfico 3 - Atividades com menor preferência Os alunos quando questionados diretamente acerca do treino Funcional, 77% refere que gosta do treino funcional nas aulas de Educação Física, 15% refere que não gosta e 8% refere que depende da carga física imposta durante a aula (Gráfico 4). Gráfico 4 - Motivação para a prática do treino funcional O Gráfico 5 evidencia que o exercício de trabalho de abdominal é o preferido dos alunos da turma (35%). Os saltos à corda são os preferidos para 23% dos alunos e a cadeira isométrica para 15%. 7% 53% 20% 20% TF Modalidade s coletivas Modalidade s individuais Outros 4% 27% 69% TF Modalidad es coletivas Modalidad es individuais 77% 15% 8% Sim Não Depende da carga física da aula
66 31% 38% 4% 8% 4% 15% Burpees Flexões Cadeira isómetrica Abdominais Já no que concerne aos que menos gostam (Gráfico 6), verifica-se que a realização das flexões é o exercício que os alunos têm menos preferência, com 38% de respostas. Já a realização dos burpees é para 31% dos alunos o exercício que menos gostam. Gráfico 6 - Exercícios com menor preferência No Gráfico 7 podemos observar que 58% dos alunos considera muito importante o trabalho de força nas aulas de Educação Física. Já 27% considera que é muito importante e 7% pouco importante. De registar que 8% dos alunos não tem uma opinião formada sobre a questão. Gráfico 7 - Importância dada à melhoria da condição física 8% 15% 35% 23% 11% 8% Biceps com barra Cadeira isómetrica Abdominais Salto à corda 27% 58% 7% 8% Muito Importante Importante Pouco Importante Sem opinião Gráfico 5 – Exercícios com maior preferência
67 No Gráfico 8, verificamos que 62% dos alunos considera que a modalidade abordada na aula influência a sua motivação para a mesma. Já 15% considera que a motivação estimulada pelo Professor ao longo da aula influência a sua predisposição para a mesma. Gráfico 8 - Motivação para a aula Metade dos alunos quando questionados acerca da influência do Treino Funcional para a motivação para a aula de Educação Física revelou que a realização do treino funcional os motiva. Já 31% afirma que a realização do treino funcional não influência a sua motivação para a aula e 11% considera que a realização os deixa menos motivado para a prática (Gráfico 9). Gráfico 9 - Influência do Treino Funcional na motivação para a aula 62% 15% 8% 15% Modalidade abordada Motivação externa Avaliação 50% 11% 31% 8% Mais motivado Menos Motivado Não influência Depende do cansaço
68 No que concerne ao cumprimento dos exercícios prescritos pelo Professor, como podemos observar no Gráfico 10, 85% dos alunos afirma que cumpre sempre o solicitado na realização do circuito de treino funcional e 15% afirma que, por vezes, tenta escapar ao solicitado. Gráfico 10 - Cumprimento do prescrito Relativamente ao desempenho nos circuitos de treino funcional, como se pode observar no Gráfico 11, 46% dos alunos considera que tem um bom desempenho, 23% avaliam as suas prestações como muito boas e 8% colocase no medíocre. Gráfico 11 - Avaliação do desempenho 85% 15% Cumpro sempre Tento escapar por vezes 23% 46% 23% 8% Muito bom Bom Suficiente Mediocre
69 Os alunos quando questionados acerca da importância do Treino Funcional para a vida extraescolar, como se pode observar no Gráfico 12, 54% considera que a realização de treino funcional é muito importante na melhoria da condição física e 23% destaca a importância do treino funcional na preparação para as modalidades coletivas e individuais. Gráfico 12 - Importância do Treino Funcional na vida extraescolar No que concerne à manutenção do Treino Funcional nas aulas de Educação Física, verificou-se, como espelha o Gráfico 13, que 92% dos alunos mantinha a realização de um circuito de treino funcional e apenas 8% dos alunos retirava este tipo de trabalho, que para eles é complementar. Gráfico 13 - Manutenção do Treino Funcional nas aulas de EF 54% 11% 23% 12% Muita importância (melhoria da condição física) Nenhuma Preparação para outras modalidades Pouca importância 92% 8% Mantinha Retirava
76 se gosta da tarefa, acha a tarefa desafiante e entende que se trata de algo importante”. Verificou-se ainda, que os exercícios menos exigentes são os preferidos pelos alunos, ao invés dos exercícios com um grau de complexidade superior que são os mais preteridos. No que concerne à importância do trabalho de força nas aulas de Educação Física, 85% dos alunos considera importante ou muito importante este trabalho estar presente nas aulas. Neste âmbito, Wilmore e Costill (2001) referem que o treino de força pode ter muitos benefícios para o desenvolvimento dos adolescentes. Os ganhos de força são decorrentes, sobretudo, das adaptações neurais e do aumento do tamanho corporal. Relativamente à evolução de execução motora ficou evidente a evolução de alguns alunos. Contudo, esta evolução não se verificou em todos os alunos da turma, nem em todas as estações. Os alunos que não tiveram uma prática regular do circuito ao longo das 8 semanas foram aqueles que menos melhorias apresentaram. Já os alunos que tiveram uma presença assídua ao longo do estudo revelaram uma sensibilidade diferente para as suas correções, contribuindo de forma evidente para os resultados apresentados na última sessão. A responsabilidade e a disponibilidade demonstrada pela grande maioria dos alunos tornaram-se fundamentais para a evolução da execução motora dos exercícios prescritos. No que comporta à comparação dos dados antropométricos registados no início do ano letivo e no final, a altura e o peso evidenciaram diferenças com significado estatístico. Estes resultados já seriam expectáveis, em virtude dos alunos estarem num processo de crescimento. 4.5.6 Conclusão Os dados deste estudo revelam que os alunos estão “abertos” a novos desafios. O Treino Funcional assume-se como uma alternativa perfeitamente viável para o trabalho de condição física nas aulas de Educação Física. Não necessita de material dispendioso, não ocupa tempo excessivo nas aulas e
77 pode mesmo ser uma atividade proposta pelos alunos, a nível de incorporação de exercícios, com a supervisão do Professor. A escolha para o momento da realização do circuito na aula de Educação Física fica ao critério do Professor, contudo, realizar na parte final da aula poderá não trazer uma rentabilidade tão grande, pois os alunos apresentam-se mais desgastados fisicamente e psicologicamente. Entendo que o ideal será realizar após o aquecimento na parte inicial da aula, pois os alunos estão mais predispostos para a atividade. O Treino Funcional pode trazer benefícios da condição física dos alunos, contudo, esta terá de ser uma prática regular com exercícios adequados e motivantes. No que concerne à execução motora, como revelou o presente estudo, os alunos são capazes de em poucas sessões assimilarem as noções posturais adequadas de execução, contudo, é necessário uma supervisão cuidada e uma emissão de feedbacks ajustada ao nível dos alunos. A demonstração ou a visualização de imagens/vídeos, através da utilização de tablet, será uma alternativa bastante viável para a transmissão de informação. 4.5.7 Propostas para futuros estudos Este estudo teve a duração de 8 semanas, sendo realizada uma sessão de Treino Funcional por semana. Entendo que será pertinente a realização de um estudo similar ao longo de vários meses ou até mesmo durante um ano letivo completo, com um mínimo de duas sessões semanais. A realização de outros circuitos com exercícios destintos, onde se alternasse circuitos com e sem material e mais e menos estações seria vantajoso para avaliar a motivação dos alunos para a prática do Treino Funcional nas aulas de Educação Física. O circuito proposto foi aplicado na parte final das aulas, contudo e pensando que os alunos apresentam uma predisposição superior no início da aula, seria interessante analisar a prestação dos mesmos, variando o momento da sua realização (parte inicial vs parte final).
78 4.5.8 Referencias Bibliográficas Almeida, A. e Ribeiro, D. (2009). Comparação dos níveis de atividade física nas aulas de educação física quanto à morfologia e género dos alunos, modelo estrutural das escolas, unidades temáticas e características das aulas: estudo realizado em estudantes a frequentar o 2º ciclo do ensino básico da Escola EB 2-3 Fernando Pessoa e do colégio Nossa Senhora da Paz: Porto. Costa, R. (1991). Fatores de motivação dos jovens praticantes de voleibol. Porto: Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto. Garganta, R., & Santos, C. (2015). Proposta de um sistema de promoção da atividade física/exercício físico, com base nas “novas” perspetivas do treino funcional. In R. Rolim, P. Batista & P. Queirós (Eds.), Desafios renovados para a aprendizagem em educação física (pp. 125-157). Porto: Editora FADEUP. Guila, J. (2003). Efeitos de um programa de treino de força em contexto escolar: Um estudo em crianças e adolescentes dos 12 aos 14 anos da cidade de Maputo. In: A. Prista; A. Marques; S. Saranda & A. Madeira. Atividade física e desporto: Fundamentos e contextos. Moçambique: Faculdade de Ciências de Educação Física e Desporto. Lourenço, A. (2002). Motivação para a aderência ao exercício físico regular em populações especiais. Porto: Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto. Wilmore, J. & Costill, D. (2001). Fisiologia do desporto e do exercício. Brasil Mano.
79 5. PARTICIPAÇÃO NA ESCOLA E RELAÇÃO COM A COMUNIDADE
80
81 5. Participação na Escola e Relação com a Comunidade No início do ano letivo tinha consciência de que a função do professor estagiário incorporava outras funções que não só as resultantes das aulas. Participar ativamente nas atividades da escola e sentir-me parte integrante da mesma foram objetivos que estabeleci para esta área. Tal como referem Silva, Pinto e Batista (2009, p.9), “além de gestor da aula, o Professor tem de ser um gestor de relações pessoais e de conflitos, um gestor administrativo, um gestor de tarefas de interação com a comunidade.” Ao longo do estágio dediquei-me e empenhei-me participando nas atividades realizadas na escola, mais concretamente nas do grupo de Educação Física. Participei nas reuniões de departamento de expressões, de grupo de Educação Física e nos conselhos de turma que me permitiram adquirir algumas competências nesta área organizacional que o professor também tem que possuir. Estes momentos revelaram-se determinantes na relação com os restantes professores. Desde o início do ano letivo que a Professora Cooperante promoveu muito o contacto do Núcleo de Estágio com a restante comunidade escolar, apresentando-nos a todos os funcionários e professores ligados à direção da escola. Fomos recebidos de forma muito positiva por todos os elementos. Acolheram-nos da melhor maneira possível, mostrando-se disponíveis para tudo o que fosse necessário. Esta proximidade permitiu-me uma rápida adaptação ao meio escolar e foi determinante na minha passagem pela Escola. Relativamente à participação nas atividades da escola, estive presente na colaboração de várias, entre as quais o clube de natação no Desporto Escolar, “Mega Atleta”, “Happy Day”, “Mexe-te” e numa visita de estudo a Mafra. O envolvimento na comunidade escolar foi sendo cada vez mais efetivo também fruto destas atividades. Nestas iniciativas tive oportunidade de partilhar ideias e de trabalhar em equipa visando um objetivo comum, o que me fez sentir verdadeiramente integrado no Grupo. A proximidade construída com a comunidade escolar tornou-me parte integrante da escola e revelou-se fundamental na minha evolução enquanto futuro profissional docente.
82 5.1 Atividades realizadas Ao longo deste ano letivo o núcleo de estágio foi solicitado a participar de forma ativa nas atividades realizadas pela Escola. Em algumas das atividades participamos de forma direta na sua organização. O primeiro evento em que tive uma participação ativa foi no “Mega atleta”, realizado no 1º Período, organizado pelo Grupo de Educação Física. O evento foi composto por uma prova de velocidade, salto em comprimento e resistência (corta-mato). Primou por ser uma atividade que envolveu um grande número de alunos, onde a qualidade da organização se revelou um elemento importante. Ao longo da atividade fiquei responsável por orientar os alunos na prova de corta-mato. O trabalho foi facilitado pela presença de um professor do grupo de Educação Física, que me foi transmitindo a informação necessária para uma maior fluidez da atividade. A atividade decorreu da forma esperada, o grupo de Educação Física conseguiu sensibilizar os alunos para a prática da atividade. Porém, apesar de tudo ter decorrido dentro da normalidade o Núcleo de Estágio conseguiu detetar um aspeto negativo na sua realização. A fraca adesão dos alunos do ensino secundário foi evidente deixando a sensação de que poderíamos ter feito algo mais para mobilizar os “mais velhos”. A participação neste primeiro evento dinamizado na Escola permitiu-me, desde logo, antever a capacidade que o Grupo de Educação Física tinha para a organização de eventos. Em virtude de se tratar de uma atividade realizada no 1º Período, senti alguma timidez na intervenção, assumindo, por vezes, uma postura passiva. Porém, sabia que em atividades futuras tinha de adotar uma postura mais ativa e ser mais interventivo. Com o tempo, fui ultrapassando estes constrangimentos iniciais e conquistando o meu lugar dentro do Grupo de Educação Física.
83 5.1.1 Happy Day O Happy Day foi o evento organizado pelo núcleo de estágio neste ano letivo (Figura 1). Este evento foi direcionado para os alunos dos 3º e 4º anos de escolaridade e visou promover a interação entre escolas do agrupamento, bem como uma saudável transição entre ciclos, aliada à promoção de estilos de vida saudáveis e à prática regular de exercício físico. Figura 1 - Cartaz alusivo ao evento "Happy Day" A angariação de patrocínios, a convocação dos funcionários, a transmissão da informação à direção da escola e a alguns professores, bem como a requisição dos espaços, reuniões com as professoras da Escola nº2 e com o núcleo de estágio de Espanhol foram algumas das tarefas realizadas nas semanas antecedentes ao evento. Após uma dedicação e um esforço enorme por parte de todos, núcleo de estágio e Professora Cooperante, chegamos ao grande dia ansiosos mas recheados de expectativas elevadas para o que se avizinhava. O evento iniciou-se com três pequenas intervenções por parte do Presidente da Câmara Municipal de Espinho, da Presidente do Conselho Geral e do Diretor da Escola. Preparamos a realização de um peddy paper com variadíssimas atividades: paralelas (estação radical), corrida de sacos, jogo de latas, estafetas com água, salto em comprimento, lançamentos ao cesto, jogos
84 didáticos de Espanhol e sensibilização para uma alimentação saudável. Para a realização destas atividades contamos com a colaboração de alguns professores da escola, de uma nutricionista e de alguns dos nossos alunos, que prontamente se disponibilizaram para ajudar no que fosse necessário. A afluência ao evento não foi tão grande como esperado, ainda assim contou com 85% das inscrições. Apesar de não terem comparecido todos os inscritos conseguimos angariar uma excelente massa humana, cerca de 150 pessoas, entre alunos e encarregados de educação. A angariação dos patrocínios foi um processo simples e permitiu que o evento fosse autossustentado. Junto dos patrocinadores conseguimos angariar alimentação (pães, bolos, fiambre, fruta), água e sumos para o lanche convívio e uma tela alusiva ao evento. Realizando uma avaliação geral do evento, posso afirmar que superou as nossas expetativas iniciais. O facto de não ter ocorrido nenhum problema no decorrer do evento deixou-nos extremamente felizes. O dinamismo que conseguimos criar ao longo de toda a prova motivou bastantes feedbacks positivos por parte dos participantes. Os encarregados de educação que participaram ficaram contentes com o que viram da escola e a capacidade que esta tem. Já nos alunos, eram visíveis os rostos de felicidade, indicativos que adoraram as atividades realizadas. Só posso estar contente e orgulhoso do trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Estágio, que conseguiu demonstrar a capacidade organizativa e de gestão em atividades escolares. Após algumas semanas de imenso trabalho na preparação deste evento, chegamos ao fim com o sentimento de dever cumprido. Pessoalmente, não tenho dúvidas em afirmar que valeu a pena todo o investimento que empreendi. Para além das aprendizagens que esta atividade me facultou ao nível das tarefas e exigências a cumprir na organização de atividades deste género, dei também um passo importante para me assumir como professor e sentir parte integrante da escola.
85 5.1.2 MEXE-TE O MEXE-TE foi uma atividade inserida no programa Rumos da escola e visou a promoção de várias atividades desportivas para os alunos da escola, desde o 5º até ao 12º ano de escolaridade. A organização do MEXE-TE ficou a cargo do Grupo de Educação Física e contou com a realização de torneios de basquetebol, voleibol, hóquei em campo, andebol e dança (Zumba). A função do Núcleo de Estágio foi organizar e gerir o torneio da modalidade de basquetebol destinado aos alunos dos 5º e 6º anos de escolaridade. O processo de inscrição não era de carácter obrigatório, ou seja, participavam os alunos que queriam, contudo teve uma enorme afluência. Durante a atividade assumi funções de arbitragem e de gestão dos jogos do 5º ano (basquetebol). Comparativamente à primeira atividade realizada pelo Grupo de Educação Física (Corta-Mato), consigo facilmente perceber que a minha intervenção foi mais importante nesta atividade. Assumi uma função de responsabilidade que foi concretizada com êxito. A postura tímida que revelava junto dos restantes docentes do Grupo de Educação Física desvaneceu-se, passando a sentir-me perfeitamente integrado nas dinâmicas do Grupo. Tudo correu conforme planeado, os jogos realizaram-se no horário previsto e todas as equipas participaram nos jogos que estavam agendados. Este evento tornou-se em mais um momento dedicado a atividades desportivas promovidas pela escola e, mais uma vez, o Grupo de Educação Física mostrou a sua capacidade de organizar eventos para um elevado número de participantes. A dinâmica e o espírito de entreajuda que todos os Professores do Grupo de Educação Física apresentam, permite que este tipo de eventos possa ser realizado nesta escola.
92
93 6. CONCLUSÃO Concluído o Estágio Profissional, resta-me referir que este foi um ano bastante gratificante e enriquecedor, contribuindo grandemente para a minha formação pessoal e profissional. A possibilidade de poder lecionar neste estabelecimento de ensino, permitiu-me crescer, pois aprendi a lidar com situações que até aqui não faziam parte do meu dia-a-dia. Tive oportunidade de lecionar em três níveis de ensino destintos e com condições ótimas de trabalho. Além disso, vivenciei ao longo de todo o ano, experiências únicas com os meus alunos, Professores e restante comunidade educativa, que jamais serão esquecidas. Aprendi mais do que aquilo que no início imaginei, crescendo como pessoa e docente. O caminho não foi fácil, este foi recheado de altos e baixos. O Estágio Profissional permitiu-me arriscar, experimentar, observar, avaliar e refletir através de um ensino orientado. As dificuldades, os receios e a insegurança foram ultrapassadas com uma vontade pessoal enorme. Por tudo isto, ainda me sinto mais satisfeito e realizado, pois os obstáculos tornaram-me num futuro profissional melhor preparado. Quanto aos meus alunos, motivo de todo o meu trabalho e dedicação, o objetivo centrou-se na potenciação das suas aprendizagens e neste âmbito penso que o objetivo foi cumprido. Face a este quadro, posso afirmar que as minhas expetativas iniciais foram atingidas. Assim, termino com o sentimento de dever cumprido e de que tudo fiz para realizar sempre o melhor em prol do Agrupamento, do Núcleo de Estágio e dos alunos em especial. Encaro, por isso, o meu futuro com otimismo e segurança. Sinto que ocorreu uma grande evolução em diversos aspetos desde o início do ano até agora, que todas as experiências passadas promoveram em mim um aumento de competência e de conhecimentos. Terminou o Estágio Profissional mas começa agora uma nova caminhada. Será uma caminhada longa, que terá os seus altos e baixos como todas as
94 outras mas que encaro com grande vontade e entusiasmo. Serei mais um a lutar pelos meus objetivos e pelos meus sonhos. “Somos do tamanho dos nossos sonhos”. (Fernando Pessoa, s/d)
95 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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97 7. Referências Bibliográficas Almeida, A. e Ribeiro, D. (2009). Comparação dos níveis de atividade física nas aulas de educação física quanto à morfologia e género dos alunos, modelo estrutural das escolas, unidades temáticas e características das aulas: estudo realizado em estudantes a frequentar o 2º ciclo do ensino básico da Escola EB 2-3 Fernando Pessoa e do colégio Nossa Senhora da Paz: Porto. Batista, P. & Queirós, P. (2013). O estágio profissional enquanto espaço de formação profissional. In P. Batista, P. Queirós & R. Rolim (Eds), Olhares sobre o estágio profissional em Educação Física (pp. 31-52). Porto: Editora. Barros, I. Batista, P. & Pereira, A. (2011). Contributo para a compreensão do processo de (re)construção da identidade profissional no contexto da formação inicial: estudo em estudantes estagiários de Educação Física, Porto. Bento, J. (1987). Planeamento e avaliação em educação física. Lisboa: Livros Horizonte. Bento, J. (I2003). Planeamento e avaliação em educação física (3ªEds). Lisboa: Livros Horizonte. Bento, J. Garcia, R. & Graça, A. (1999). Contextos da pedagogia do desporto: perspetivas e problemáticas. Lisboa: Livros Horizonte.
98 Broch, M. & Cros, F. (1992). Ils ont voulu un projet d’établissement. Stratégies et méthodes. Paris: INRP. Carmen, L. & Zabala, A. (1991). Guia para la elaboración seguimento y valoración de proyectos curriculares de centro. Madrid: CIDE. Carrega, P. (2012). Dificuldades sentidas pelos Professores à entrada da profissão. Instituto Politécnico de Lisboa: Escola Superior de Educação de Lisboa: Dissertação apresentada à Escola Superior de Educação para a obtenção de grau de Mestre em Ciências de Educação. Crum, B. (1993). Conventional thought and practice in Physical Education: Problems of teaching and implications for change. Quest. Vol.45, Iss. 3. (pp. 339 – 356). Ennis, C. (2006). Curriculum: Forming and reshaping the visiono physical education in a high need, low demand world of schools. National Association for Kinesiology and Physical Education in Higher Education. Formosinho, J. (2001). A Formação prática dos professores: da prática docente na instituição à prática pedagógica nas escolas. Universidade do Minho.
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100 Ribeiro, A. & Ribeiro, L. (1990). Planificação e Avaliação do ensinoaprendizagem. Lisboa: Universidade Aberta. Ribeiro, L. (1993). Avaliação de aprendizagem. Lisboa: Texto Editora. Rink, J. (2014). Teaching physical education for learning (7 ed.). New York: McGraw Hill. Rosado, A., & Ferreira, V. (2011). Promoção de ambientes positivos de aprendizagem. In A. Rosado & I. Mesquita (Eds.), Pedagogia do Desporto (pp. 185-206). Lisboa: Faculdade de Motricidade Humana Siedentop, D. (1987). The theory and practice of sport education. In: G. Barrette, R. Feingold, R. Rees & M. Piéron, Myths, models and methods in sport pedagogy (pp. 79-86). Champaign, IL: Human Kinetics. Siedentop, D. (1994). Sport Education: Quality PE through positive sport experiences. Champaign, IL: Human Kinetics. Siedentop, D. (1996). Physical education and educational reform: The case of sport education. Student learnig in physical education. Champaign, Ill: Human Kinetics. Silva, T. (2009). Elementos para a compreensão do processo de reflexão em situação de estágio pedagógico – Estudo de caso de um estudante-estagiário de Educação Física. Porto: T. Silva. Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto Wilmore, J. & Costill, D. (2001). Fisiologia do desporto e do exercício. Brasil Manole
101 8. ANEXOS
viii Anexo 5 - Exemplo de plano de aula Plano de Aula Nº 61 Professor Cooperante: Teresa Leandro Professor-Estagiário: Luís Limas Ano/Turma: 10º6 Nº alunos previstos: 26 Local: Escola Secundária Dr. Manuel Gomes de Almeida Aula nº 6 de 9 Data: 28/05/2015 Hora: 11:50 h Duração: 70’ Espaço: Campo de Futebol Material: 10 bolas de andebol, sinalizadores, 10 cones, fitas, 4 arcos, 4 cordas, 2 apitos Unidade Didática: Andebol Função Didática: Exercitação Objetivo geral Habilidades Motoras: Desenvolver situações de superioridade numérica (2x1 e 3x2). Trabalhar o décalage e o passe e vai. Desenvolver transições defesa-ataque e ataque-defesa. Cultura Desportiva: Identificar as regras do andebol, bem com as suas caraterísticas básicas. Identificar a terminologia da modalidade. Condição Física e Fisiologia: Desenvolver a força explosiva através da realização do remate em suspensão e/ou mudanças de direção rápidas, a velocidade de reação acompanhando as movimentações do seu adversário direto e a coordenação óculo-manual manipulando a bola de forma segura e precisa. Conceitos Psicossociais: Respeitar os colegas, professor e funcionários, cooperar com os colegas e ajudá-los a ultrapassar as suas dificuldades, envolver-se ativamente nas atividades da aula, procurando melhorar o seu desempenho. Objetivo Comportamental Situações de Aprendizagem Componentes Críticas Organização Alunos/Professor PARTE INICIAL 11:55 5’ O aluno: - Prepara o organismo para a atividade física seguinte. Mobilização articular: Organizados por equipas realizam os movimentos de aquecimento pedidos pelo seu capitão “Não diminui a intensidade” - Os alunos deslocam-se pelo espaço definido. PARTE FUNDAMENTAL
ix 12:00 10’ O aluno: - Ultrapassa o defensor direto através da realização de fintas de corpo e/ou rápidas mudanças de direção; - Realiza o remate em suspensão/apoio após a chamada dos 3 apoios, - Realiza o remate em suspensão/apoio com rotação do tronco e com o braço que tem a bola “armado”. - Desmarca-se, criando linhas de passe que favoreçam o ataque. Situação de 2x1: Dois alunos que iniciam exercício no meio campo, devem ultrapassar o seu opositor, recebendo a bola em posição favorável para finalizar. O exercício deve ser realizado de ambos os lados. Nota: Defesa ativa Proibição do uso do drible 5’ troca de lado Pontuação: Arcos: 3 Pontos Cones: 2 Pontos - “Passa e utiliza a finta de corpo”; - “Avança quando encontrares espaço”; - “Bola acima da cabeça”; - “Arma o braço de remate”; - “Cotovelo aponta para a zona de remate”; - “Não pode usar drible”; Turma dividida por equipas, cada uma ocupa 1/4 de campo: 12:10 10’ O aluno: - Ultrapassa o defensor direto através da realização de fintas de corpo e/ou rápidas mudanças de direção; - Realiza o remate em suspensão/apoio após a chamada dos 3 apoios, - Realiza o remate em suspensão/apoio com rotação do tronco e com o braço que tem a bola “armado”. - Desmarca-se, criando linhas de passe que favoreçam o ataque. - Ataca o espaço entre defensores para criar espaço para colega penetrar. Situação de 3x2: Três alunos que iniciam exercício no meio campo, devem ultrapassar os 2 opositores, recebendo a bola em posição favorável para finalizar. O exercício deve ser realizado de ambos os lados. Notas: Defesa ativa 5’ troca de lado Pontuação: Arcos: 3 Pontos Cones: 2 Pontos - “Passa e utiliza a finta de corpo”; - “Avança quando encontrares espaço”; - “Bola acima da cabeça”; - “Arma o braço de remate”; - “Cotovelo aponta para a zona de remate”; - “Não pode usar drible”; Turma dividida por equipas, cada uma ocupa 1/4 de campo:
x 12:20 15’ Em situação ofensiva: - Circula a bola através da realização de passes para colegas desmarcados; - Ataca o espaço entre defensores, superando situações de 1x1 e/ou fixando o defensor do colega, criando espaço para finalizar; Em situação defensiva: - Marca o seu adversário direto através da marcação em proximidade (quando este possui a bola) e marcação de vigilância (quando este não possui a bola); - Auxilia os companheiros quando estes são ultrapassados. Situação 5x4+GR Os alunos realizam ataque posicional em situação de superioridade numérica. Após recuperar a bola, a equipa que se encontrava em processo defensivo tenta chegar ao meio campo com a bola controlada. Nota: Alunos que estão em espera assumem papel de árbitro e marcador. 7’ rodam as equipas. Pontuação: 1 Golo = 1 Ponto Golo através do décalage = 2 Pontos Chegada ao meio campo = 1 Ponto - Tomar a iniciativa ofensiva; - Simular remates, passes e movimentações para iludir/fixar os adversários; 2 Equipas em cada meio campo 12:35 20’ Em situação ofensiva: - Circula a bola através da realização de passes para colegas desmarcados; - Cria linhas de passe; - Aproveita espaço livre; Em situação defensiva: - Marca o seu adversário direto através da marcação em proximidade (quando este possui a bola) e marcação de vigilância (quando este não possui a bola); - Auxilia os companheiros quando estes são ultrapassados. - Realiza rápida transição para o ataque. Treino holandês (Transições) - 5x4+GR & Treino Funcional (3 equipas): Os alunos realizam ataque posicional em situação de superioridade numérica. Após recuperar a bola, a equipa realiza transição para o meio campo contrário (onde se encontra uma equipa em espera), realizando novamente ataque posicional. Nota: A 4ª equipa realiza durante os 5’ de jogo um circuito de treino funcional. 5’ rodam as equipas. Equipa que obter melhor score de golos vence o “torneio”. Pontuação: 10 Pontos - Equipa vencedora - Tomar a iniciativa ofensiva; - Simular remates, passes e movimentações para iludir/fixar os adversários; - Recorrer ao drible apenas quando estritamente necessário. Campo inteiro – 2 equipas ocupam um meio campo e a 3ª equipa encontra-se em espera no meio campo oposto:
xi O aluno: - Aumenta a sua força inferior, média e superior através de treino de força Circuito de Treino Funcional (4 Estações) (30’’ de exercitação, 15’’ para trocar de estação) Estação 1: Flexões Estação 2: Salto com pés juntos - Degrau Estação 3: Abdominais Estação 4: Salto à corda “Respira na contração” “Troca rápido de estação” “Corpo contraído” “Não diminui o ritmo” 4ª Equipa realiza o circuito de treino funcional junto à entrada do campo. PARTE FINAL 13:05 5’ - O aluno mantém-se em silêncio enquanto os colegas realizam a sua autoavaliação. Realizar a autoavaliação aferida com os alunos. - Refletir acerca da sua prestação durante a aula. - Alunos dispostos em meia-lua, com o professor no centro, à sua frente.
xii Anexo 6 - Exemplo de ficha de avaliação diagnóstica da modalidade de Andebol LEGENDA: 1 – Não faz; 2 – Faz com dificuldade; 3 – Faz razoavelmente; 4 – Faz bem; 5 – Faz sem erros ALUNOS ANDEBOL APANHADA C/ PASSE Passe (direção e altura adequadas) Receção (apanhar a bola sem deixar cair) Desmarcação (criar linha de passe segura) ROUBA CONES Drible (progredir no campo com bola controlada) Finalização (finaliza quando tem oportunidade) Ocupação espaço (Ofe.) (“abre”, jogando em amplitude) Ocupação espaço (Def.) (“fecha”, protegendo a baliza)