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Intercâmbio de alunos e aproveitamento escolar em mobilidade na licenciatura em Engenharia Mecânica da FEUP

Carlos Alberto da Conceição António

Abstract

Comunicação apresentada no Seminário O DEMEGI e a Pedagogia. Neste artigo faz-se uma síntese do que tem sido as trocas internacionais de alunos na Licenciatura em Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Apresenta-se a evolução e as tendências da mobilidade de alunos da licenciatura que se deslocam para o estrangeiro e de alunos provenientes de universidades parceiras. Analisa-se o aproveitamento escolar dos alunos da licenciatura em Engenharia Mecânica envolvidos nos programas de mobilidade. Definem-se algumas estratégias para melhoria do funcionamento dos programas de mobilidade.

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INTERCÂMBIO DE ALUNOS E APROVEITAMENTO ESCOLAR EM MOBILIDADE NA LICENCIATURA EM ENGENHARIA MECÂNICA DA FEUP Carlos A. Conceição António DEMEGI - Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto RESUMO Neste artigo faz-se uma síntese do que tem sido as trocas internacionais de alunos na Licenciatura em Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Apresenta-se a evolução e as tendências da mobilidade de alunos da licenciatura que se deslocam para o estrangeiro e de alunos provenientes de universidades parceiras. Analisa-se o aproveitamento escolar dos alunos da licenciatura em Engenharia Mecânica envolvidos nos programas de mobilidade. Definem-se algumas estratégias para melhoria do funcionamento dos programas de mobilidade. 1. INTRODUÇÃO É um dado adquirido, através da experiência acumulada e da informação que chega de toda a Europa, que a internacionalização proporcionada pelo intercâmbio de docentes e alunos acarreta enormes vantagens para as instituições universitárias participantes. Os benefícios obtidos pelos alunos que frequentam um ou mais semestres no estrangeiro vão para além dos aspectos académicos, científicos e culturais. Na maioria dos casos estudar no estrangeiro é uma autêntica experiência de vida que marca de forma indelével a formação universitária dos alunos. A direcção da Faculdade de Engenharia (FEUP) tem estabelecido regras e directrizes visando a internacionalização da instituição através do fomento das trocas de alunos para universidades estrangeiras e o recebimento de alunos estrangeiros na FEUP. É neste contexto que, por exemplo, a FEUP e respectivos Departamentos têm assegurado a comparticipação financeira das deslocações numa percentagem do total de alunos de cada licenciatura que o programa ERASMUS / SOCRATES não consegue cobrir. Para além disto, convém referir a celebração de diversos protocolos de cooperação com universidades dos Estados Unidos da América e mais recentemente a criação do programa MOBILE. Interessa assim saber quais os resultados obtidos com a esforço de 1 internacionalização das trocas. Por um lado a evolução das vagas existentes e preenchidas nos dois sentidos do intercâmbio e por outro os resultados obtidos em termos de aproveitamento escolar. Existe informação a vários níveis sobre a evolução da mobilidade de alunos nas diferentes licenciaturas da FEUP que no entanto peca pela sua dispersão e generalidade. Neste trabalho compilou-se e cruzou-se informação de origem diversa com objectivo de dar uma imagem o mais real possível do que tem sido as trocas internacionais de alunos envolvendo a licenciatura em Engenharia Mecânica (LEM) leccionada no Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial (DEMEGI) da FEUP. 2. ALUNOS DA LEM EM MOBILIDADE A mobilidade dos alunos da licenciatura em Engenharia Mecânica tem sido essencialmente realizada no âmbito dos seguintes protocolos ou programas: 1. Medida ERASMUS do Programa SOCRATES, 2. Protocolo com o ENSAM École Nationale Superieure d’Arts et Métiers (França), 3. Protocolo com a EPFL – École Polytechnique Féderal de Lausanne (Suíça), 4. Protocolo com a UMBC – University of Maryland (USA). Os dados recolhidos referem-se ao período compreendido entre os anos lectivos de 1997/1998 e 2004/2005. O ano lectivo de 1997/1998 marca o início da implementação da medida ERASMUS do programa SOCRATES na licenciatura em Engenharia Mecânica. Evolução da mobilidade de alunos da LEM 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 1997/1998 1998/1999 1999/2000 2000/2001 2001/2002 2002/2003 2003/2004 2004/2005 Anos lectivos Nº de alunos A lunos da LEM em mobilidade 1997/1998 - 2004/2005 0 5 10 15 20 25 30 Alemanha Dinamarca Espanha França Hungria Itália Lituania Polónia Reino Unido Rep. Checa Suécia Suíça USA Países de acolhimento Nº de alunos Fig. 1 –Alunos da LEM em mobilidade. Fig. 2 – Mobilidade por país de acolhimento. 2 Durante o período de referência, 129 alunos da LEM beneficiaram dos programas de intercâmbio e dos protocolos de parcerias celebrados com instituições congéneres universitárias estrangeiras. A partir do ano lectivo 1999/2000 o envio de alunos da LEM para o estrangeiro tornou-se uma prática corrente no Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial da FEUP conforme se observa na Figura 1. Da experiência do autor na Coordenação do programa ERASMUS / SOCRATES na LEM pode-se concluir que no dois últimos anos tem havido um interesse crescente dos alunos da LEM nos programas de mobilidade. Alunos da LEM em mobilidade (2001/2002) Espanha 5% Itália 14% Reino Unido 18% Suécia 18% França 45% Total alunos : 22 A lunos da LEM em mobilidade (2002/2003) Espanha 9% França 27% Itália 5% Reino Unido 9% Rep. Checa 9% Suécia 14% Suíça 9% Alemanha 18% Total alunos : 22 Alunos da LEM em mobilidade (2003/2004) Alemanha 6% Espanha 13% Itália 19% Polónia 13% Rep. Checa 6% Suécia 30% USA 13% Total alunos : 16 A lunos da LEM em mobilidade (2004/2005) Alemanha 5% Dinamarca 10% Espanha 12% França 8% Hungria 3% Itália 24% Lituania 5% Polónia 14% Rep. Checa 5% Suécia 8% Suíça 3% USA 3% Total alunos : 40 Fig. 3 – Distribuição geográfica dos alunos da LEM em mobilidade nos últimos 4 anos lectivos. 3 Em termos de países de acolhimento observa-se através da Figura 2 que França, Itália, Suécia, Reino Unido, Espanha e Alemanha, por esta ordem, têm concentrado as preferências dos alunos da LEM. No entanto, com a recente adesão dos países do leste da Europa à Comunidade Europeia verifica-se neste momento uma abertura cada vez maior no leque de preferências com o preenchimento de vagas em países como Republica Checa, Polónia, Lituânia e Hungria. Esta tendência pode ser observada através das Figuras 3 e 4. Cobertura das vagas de mobilidade 2002/2003 0 4 8 12 16 Alemanha Bélgica Bulgária Dinamarca Espanha França Hungria Itália Lituania Polónia Reino Unido Rep. Checa Roménia Suécia Suíça USA Nº de alunos Vagas Colocações Cobertura das vagas de mobilidade 2003/2004 0 4 8 12 16 Alemanha Bélgica Bulgária Dinamarca Espanha França Hungria Itália Lituania Polónia Reino Unido Rep. Checa Roménia Suécia Suíça USA Nº de alunos Vagas Colocações Cobertura das vagas de mobilidade 2004/2005 0 4 8 12 16 Alemanha Bélgica Bulgária Dinamarca Espanha França Hungria Itália Lituania Polónia Reino Unido Rep. Checa Roménia Suécia Suíça USA Nº de alunos Vagas Colocações Fig. 4 – Cobertura das vagas externas para mobilidade por país de acolhimento. Na Figura 4 procede-se a uma análise da cobertura das vagas existentes nos últimos três anos lectivos por país de acolhimento. Em termos gerais a taxa de cobertura das vagas existentes tem sido baixa excepto no corrente ano lectivo (2004/2005). Na Tabela 1 apresentam-se os resultados dos últimos três anos lectivos. Em particular, para o ano lectivo de 2004 / 2005 as vagas existentes derivam dos 45 protocolos de mobilidade envolvendo a LEM. Tabela 1 – Cobertura das vagas externas para alunos da LEM. Ano lectivo Vagas externas Taxa de cobertura (%) 2002 / 2003 61 36 2003 / 2004 73 22 2004 / 2005 76 53 4 Um aspecto importante é saber que instituições universitárias parceiras têm recebido os alunos da LEM ao longo do período em análise. A Figura 5 mostra as 12 instituições universitárias estrangeiras mais solicitadas pelos alunos da LEM em mobilidade. É de referir que a “Chalmers University of Technology (Chalmers Tekniska Högskola)” da Suécia foi responsável pela recepção de 14% dos alunos da LEM. "Ranking" das Universidades parceiras mobilidade de alunos da LEM (1997/1998 - 2004/2005) 0 5 10 15 20 Chalmers University of Technology Universitá Degli Studi di Napoli Frederico II INSA Toulouse Poznan University of Technology INSA Lyon Loughborough University of Technology ENSA M Par is Technische Universität Darmstadt Czech Technical University in Prague Universidad de Cantábria University of Bristol Ingeniorhojskolen Odense Teknikum Nº de alunos da LEM Fig. 5 – Lista ordenada das universidades parceiras mais solicitadas pelos alunos da LEM. 3. PERFIL E PLANOS DE ESTUDO DOS ALUNOS DA LEM EM MOBILIDADE Para a evitar a proliferação de critérios cuja dualidade poderia ser geradora de situações de desequilíbrio a FEUP cedo fixou regras e procedimentos comuns a todas as licenciaturas, para a selecção dos candidatos às vagas de mobilidade nomeadamente no que concerne à medida ERASMUS do programa SOCRATES. Assim a nota de candidatura é calculada a partir da seguinte expressão: NaNdMNC − − = com, NC – Nota de candidatura; M – Média de curso em 1 de Janeiro do ano civil a que respeita a candidatura ao programa; 5 Nd – Número de disciplinas atrasadas consideradas a partir do ano do curso em que o aluno se inscreveu; Na – Número de anos atrasados, considerado para o ano do curso em que o aluno se inscreveu. São considerados elegíveis os alunos que não ultrapassem um limite imposto para o número de disciplinas atrasadas. As regras acima condicionam o perfil dos alunos e assim um bom indicador resulta da comparação entre o número de inscrições no curso no ano da mobilidade e o número total de inscrições que foi necessário para concluírem a licenciatura conforme se mostra na Figura 6. Uma análise ao percurso dos alunos da LEM que participaram nos programas de mobilidade no anos lectivos de 2001/2002 e 2002/2003 permite extrair as seguintes conclusões: ano lectivo de 2001/2002, - 50% dos alunos concluíram a licenciatura no ano em que estiveram em mobilidade; - 82% dos alunos concluíram no próprio ano ou no ano seguinte da mobilidade. ano lectivo de 2002/2003, - 50% dos alunos concluíram a licenciatura no ano em que estiveram em mobilidade; - 73% dos alunos concluíram no próprio ano ou no ano seguinte da mobilidade. Inscrições na LEM - alunos em mobilidade (2001/2002) 0 2 4 6 8 10 12 1 3 5 7 9 111315171921 Aluno nº Anos lectivos Nº inscrições 2001/2002 Total inscrições Inscrições na LEM - alunos em mobilidade (2002/2003) 0 2 4 6 8 10 12 1 3 5 7 9 111315171921 Aluno Nº Anos lectivos Nº inscrições 2002/2003 Total inscrições a) b) Fig. 6 –Perfil dos alunos da LEM em mobilidade: a) ano lectivo 2001/2002; b) ano lectivo 2002/2003. 6 Esta análise revela que na sua maioria os alunos que se envolveram nos programas de mobilidade fizeram-no na fase final dos respectivos cursos (4º e 5º anos). Para cada aluno em mobilidade é estabelecido um plano de estudos por mútuo acordo entre a universidade de origem e a universidade anfitriã. Na licenciatura em Engenharia Mecânica este plano é sempre estabelecido em harmonia com o compromisso de reconhecimento académico e pode contemplar a frequência de uma disciplina de línguas ou de características sócio-culturais associadas ao país anfitrião. Quanto aos planos de estudos dos alunos da LEM em mobilidade constata-se a existência de três casos: (i) alunos que frequentaram apenas disciplinas do plano de estudos das universidades parceiras; (ii) alunos que fizeram apenas projecto e (iii) alunos que fizeram projecto e frequentaram disciplinas dos planos de estudos das universidades parceiras de acolhimento. Da análise dos histogramas da Figura 7 para os anos lectivos de 2001/2002 a 2003/2004 conclui-se que a dispersão do alunos pelos três casos foi a seguinte: (i) 31.6 % frequentaram apenas disciplinas; (ii) 26.7 % fizeram apenas projecto e (iii) 41.7 fizeram projecto e frequentaram disciplinas. Mobilidade - Plano de estudos 0 2 4 6 8 10 12 14 2001/2002 2002/2003 2003/2004 Ano lectivo Nº de alunos projecto disciplinas projecto + discip. Fig. 7 –Tipologia dos planos de estudo em mobilidade. Convém referir que tem sido tradição na licenciatura em Engenharia Mecânica submeter todos os projectos efectuados pelos alunos em mobilidade a uma nova apresentação e discussão perante um júri constituído pelo Coordenador dos programas de mobilidade na licenciatura e por dois docentes da área de especialidade do projecto. O júri poderá avalizar ou reapreciar as classificações obtidas nas universidades parceiras. O objectivo desta apreciação é por um lado esbater as diferenças na 7 apreciação carga lectiva / classificação existentes entre as universidades parceiras no que se refere às cadeiras de projecto e por outro lado contextualizar e homogeneizar os procedimentos na análise dos projectos no âmbito do sistema de avaliação da licenciatura em Engenharia Mecânica da FEUP. Em geral o período de estudos dos alunos da LEM em mobilidade tem-se repartido equitativamente entre um semestre ou dois semestres de duração. A Tabela 2 mostra a distribuição nos anos lectivos de 2001/2002 a 2003/2004. Tabela 2 – Período de estudos dos alunos da LEM em mobilidade. Vagas preenchidas Ano lectivo Um semestre Dois semestres 2001 / 2002 11 11 2002 / 2003 9 13 2003 / 2004 9 7 4. ANÁLISE DO APROVEITAMENTO ESCOLAR DOS ALUNOS DA LEM EM MOBILIDADE A medida ERASMUS do programa SOCRATES prevê o pleno reconhecimento académico (reconhecido como parte integrante do programa de estudos do estabelecimento de origem) através do European Credit Transfer System (ECTS). Este reconhecimento deverá ser previamente acordado com a universidade de origem. Após o período de estudos o aluno em mobilidade receberá da universidade anfitriã um certificado de frequência e aproveitamento do plano de estudos predefinido. Esta metodologia tem sido seguida também nos restantes acordos de cooperação celebrados entre a FEUP e instituições universitárias fora do âmbito do programa SOCRATES. Em geral cada ano lectivo corresponde a um total de 60 créditos ECTS mas dependendo da carga lectiva o aluno em mobilidade poderá exceder este valor. Tomando como referência o período de estudos de um semestre apresenta-se como primeiro indicador do aproveitamento escolar em mobilidade, o número de créditos ECTS obtidos por semestre lectivo. As Figuras 8a), 9a) e 10a) mostram o desempenho dos alunos da LEM em mobilidade no anos lectivos de 2001/2002 a 2003/2004 usando o indicador acima referido. As taxas de sucesso acima dos 28 créditos ECTS / semestre são respectivamente de 77.3%, 72.5% e 93.8%. Convém referir no entanto que existem casos de alunos em que o número de créditos necessário para concluir a licenciatura é inferior ao valor de referência 28 ECTS. A correcção pode ser obtida 8 comparando os gráficos das Figuras 8, 9 e 10 com os gráficos da Figura 6 e dados complementares. Assim, as taxas de sucesso são corrigidas para os valores reais 81.8%, 95.5% e 100% respectivamente nos anos lectivos 2001/2002, 2002/2003 e 2003/2004. Aproveitamento escolar em mobilidade (2001/2002) 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 1 3 5 7 9 111315171921 Aluno nº Unidades / valores ECTS/Semestre Classif. Média mobilid. A proveitamento escolar em mobilidade (2001/2002) 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 13579111315171921 Aluno nº Valores Classif. M édia mobilid. Média curso a) b) Fig. 8 – Número de créditos (ECTS) e classificações em mobilidade no ano lectivo 2001/2002. Aproveitamento escolar em mobilidade (2002/2003) 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 1 3 5 7 9 111315171921 Aluno nº Unidades / valores ECTS/Semestre Classif. Média mobilid. A proveitamento escolar em mobilidade (2002/2003) 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 13579111315171921 Aluno nº Valores Classif. M édia mobilid. Média curso a) b) Fig. 9 – Número de créditos (ECTS) e classificações em mobilidade no ano lectivo 2002/2003. 9