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Desenvolvimento e validação de um instrumento para avaliar as perceções das crianças sobre os Médicos Dentistas

João Rafael Ferreira Tavares

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Desenvolvimento e validação de um instrumento para avaliar as perceções das crianças sobre os Médicos Dentistas João Ferreira Tavares M 2015 MESTRADO INTEGRADO MeDicinA DentáriA João Ferreira Tavares. Desenvolvimento e validação de um instrumento para avaliar as crenças das crianças sobre os Médicos Dentistas as crenças das crianças sobre os Médicos Dentistas Desenvolvimento e validação de um instrumento para avaliar João Ferreira Tavares M.fMDUP 2015 Faculdade de Medicina dentária Universidade do Porto Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto Rua Dr. Manuel Pereira da Silva, 4200-393 Porto, Portugal Desenvolvimento e validação de um instrumento para avaliar a perceção das crianças sobre o médico dentista Monografia de Investigação Médico Dentária apresentada na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto para obtenção do grau de Mestre em Medicina Dentária João Rafael Ferreira Tavares [email protected] Orientador: Dr. Vítor Teixeira Coorientadora: Dr.ª Maria Lurdes Pereira Porto, Maio de 2015 II Agradecimentos Aos meus pais, irmãos, cunhadas e sobrinha, pelo apoio incontestável ao longo destes longos 5 anos, mesmo quando, à partida, não era o meu objetivo de vida, ajudando-me a ganhar gosto por uma profissão que nunca pensei ou almejei praticar. À minha namorada, Cátia Mané, pelo companheirismo constante, amor e carinho interminável, por aturar os meus desvarios nos dias de maior nervosismo e por ter lutado contra a minha depressão desde o início desta jornada. És verdadeiramente o meu amor. Às minhas colegas de setor, pelos momentos de descontração no “galinheiro” e nas “reuniões do condomínio” e por aturarem as minhas parvoíces e brincadeiras, especialmente a minha binómia – Ana Borges – por ter segurado a box durante as reuniões de 10 minutos com o meu orientador e a irmãzita – Raquel Macedo – por ter tirado 2 horas do seu tempo de descanso para me ajudar a recolher e ordenar inquéritos. Aos meus amigos da cidade natal, pelos cafés noturnos a discutir política, jogos e outros assuntos de importância discutível que me ajudaram a “viajar” um pouco quando a mente só pensava em Medicina Dentária. Ao meu orientador – Dr. Vítor Teixeira – por me ter ajudado a investigar um aspeto médico-dentário de interesse pessoal (por ele despoletado nas aulas de Psicologia) com tanto afinco, pelas explicações de estatística, pela perda de tempo pessoal a ajudar com as recolhas de dados e, acima de tudo, pela disponibilidade com que me presenteou, mesmo tendo em conta a enchente de colegas que procuraram o seu auxílio. À minha coorientadora – Dr.ª Maria de Lurdes Pereira – pela disponibilidade para interromper a sua hora de almoço para recolher inquéritos e transcrever dados, pela autorização para integrar o programa Paranhos Sorridente e pela ajuda preciosa que disponibilizou ao longo do desenvolvimento desta monografia. A todas as crianças que participaram no programa Paranhos Sorridentes (e aos pais, professores e responsáveis da Junta de Freguesia de Paranhos que tornaram o programa possível) não só pela sua participação, mas pelos momentos preciosos de alegria que só as crianças sabem criar. A todos eles devo os meus mais profundos e sinceros agradecimentos por esta investigação e por 5 anos de trabalho árduo mas tremendamente recompensador. III “Encontramo-nos no precipício da mudança. O mundo teme a inevitável queda no abismo. Está atento a esse momento… e quando ele chegar, não hesites em saltar. Apenas quando caíres descobrirás se consegues voar” Flemeth IV Índice Agradecimentos ....................................................................................................................... II Índice .......................................................................................................................................... IV Índice de Tabelas ..................................................................................................................... V Índice de Figuras ...................................................................................................................... V Índice de Gráficos .................................................................................................................... V Resumo ....................................................................................................................................... 1 Abstract....................................................................................................................................... 2 Introdução .................................................................................................................................. 3 Materiais e Método ................................................................................................................... 6 Metodologia ............................................................................................................................. 6 Participantes ............................................................................................................................ 6 Instrumentos ......................................................................................................................... 8 Questionários do Paranhos Sorridente ........................................................................... 8 Questionário de Aceitabilidade de Técnicas de Gestão de Comportamento ........... 8 Avaliação da Perceção das Crianças sobre os Médicos Dentistas............................ 8 Procedimento ...................................................................................................................... 10 Os preparativos ................................................................................................................. 10 O primeiro momento (na FMDUP) ................................................................................. 11 O segundo momento (na escola) ................................................................................... 11 Procedimento de análise de dados ............................................................................... 12 Resultados ............................................................................................................................... 13 Parte 1 – O que as crianças pensam sobre a utilização dos diversos procedimentos dentários pelo médico dentista? ........................................................................................ 13 Parte 2 – Quais as representações que as crianças têm sobre o médico dentista? . 18 Discussão ................................................................................................................................. 24 Conclusão ................................................................................................................................ 26 Referências .............................................................................................................................. 27 Anexos V Índice de Tabelas Tabela I - Caracterização dos Participantes do 1º Ano…..………...................................7 Tabela II - Caracterização dos Participantes do 4º Ano,,,,………………………………...7 Tabela III - Exemplo da Construção das Questões do Instrumento………….…………...9 Tabela IV - Frequência de Resposta ao QATGC……………………………..……………13 Tabela V - Diferenças nas Respostas ao Questionário em Função do Sexo da Criança…………………………………………………………………………………………15 Tabela VI - Diferenças nas Respostas ao Questionário em Função da Experiência Prévia com a Medicina Dentária……………………………………………………………………..15 Tabela VII - Diferenças nas Respostas ao Questionário em Função de ter tido ou não Consulta por Dor………………………………………………………………………………16 Tabela VIII - Diferenças nas Respostas ao Questionário em Função da Necessidade de Tratamento……………………………………………………….........................................17 Tabela IX - Diferenças nas Respostas ao Questionário em Função da Escolaridade da Mãe……………………………………………………………………………………………..18 Tabela X - Frequência das Respostas ao APCMD…………...……………………………19 Tabela XI - Média das Respostas a cada questão do APCMD…………………………..20 Tabela XII - Diferenças nas Respostas ao APCMD em Função do Sexo………………..22 Tabela XIII - Análise Fatorial Exploratório do APCMD…………………………………….23 Índice de Figuras Figura 1 - Apresentação da Escala de Respostas do APCMD .................................... 10 Índice de Gráficos Gráfico 1 - Aceitabilidade das Técnicas de Gestão de Comportamento – Frequência.13 Gráfico 2 - Aceitabilidade das Técnicas de Gestão de Comportamento – Médias……14 Gráfico 3 - Avaliação das Perceções das Crinças sobre os Médicos Dentistas - Médias ................................................................................................................................... 20 1 Resumo Introdução: Em Medicina Dentária as crenças que um indivíduo estabelece sobre a área são fatores importantes na modulação do seu comportamento antes, durante e depois da consulta ou ato clínico. Estas crenças, estudadas extensivamente no paciente adulto, são estabelecidas ainda na infância, sendo igualmente importantes na gestão do paciente pediátrico e determinantes para o comportamento da criança em ambiente clínico no seu futuro. Objetivos: Desenvolver um instrumento de avaliação das perceções das crianças sobre os Médicos Dentistas que permita ajustar o comportamento clínico e comunitário dos Médicos Dentistas às necessidades dos pacientes pediátricos. Metodologia: Foi realizado uma investigação junto de 299 crianças (189 do 1º ano do Ensino Básico e 110 do 4º ano participantes no programa Paranhos Sorridente) em que se recolheram as suas respostas ao Questionário de Aceitabilidade das Técnicas de Gestão do Comportamento e ao novo instrumento Avaliação das Perceções das Crianças sobre os Médicos Dentistas, ambos compostos pela apresentação de diversos cenários clínicos aos quais as crianças respondem de acordo com a sua concordância numa escala de Likert com faces. Resultados: Verifica-se uma tendência das crianças em prestar atenção particular ao comportamento e comunicação do Médico Dentista com o paciente. A utilização da técnica de gestão do comportamento de Controlo por Voz é indesejada pelos pacientes pediátricos. Conclusões: Não tendo sido possível validar o instrumento nesta fase, demonstrou-se o seu potencial clínico e comunitário e descreveram-se recomendações de reformulação do mesmo para que possa ser validado e utilizado noutras investigações, como a simplificação da linguagem utilizada nas perguntas, a substituição da escala de Likert com faces por uma que privilegie a concordância e não a emoção e ainda a apresentação dos cenários clínicos por outros meios. Palavras-Chave Crenças; Perceções; Criança; Médicos Dentistas; Comportamento; Paciente Pediátrico. 2 Abstract Background: In Dentistry, a patient’s beliefs on the subject are important factors in modulating his or hers behaviour before, during and after an appointment or clinical act. These beliefs, extensively studied in the adult patient, are established while in infancy stage, being equally important in managing the paediatric patient e determine the child’s behaviour in a clinical setting throughout his or hers life. Aim: To develop an instrument for the evaluation of children’s perception on dental practitioners which enables them to adapt their clinical and communitarian behaviour to the paediatric patient’s needs. Methods: A total of 299 children (189 1st graders and 110 4th graders from the Paranhos Sorridente program) answered the questionnaire Acceptability of Behavioural Management Techniques and the newly developed Evaluation of Children’s Perceptions on Dental Practitioners, both questionnaires presenting clinical situations on which children comment on their agreement with the situation through a Likert scale with faces. Results: A tendency was verified for children to take special notice of the dental practitioner’s behaviour and patient-doctor communication. As for behaviour management techniques, Voice Control is unwanted by paediatric patients. Conclusion: Tough validity of the newly developed instrument is, at this point, null, it’s clinical and communitarian potential is demonstrated and thus are presented multiple recommendations for the redesign of the instrument, so it can be validated and used in future investigations. These changes include the use of simpler language in the questionnaire, the use of a scale that privileges agreement over emotion and the presentation of the clinical situations through other communication methods. Keywords Beliefs; Perceptions; Child; Dental Practitioners; Behaviour; Paediatric Patient. 3 Introdução Na Medicina Dentária, a Odontopediatria assume-se como uma das mais vastas áreas em termos de fundamentos e procedimentos. Baseada em conhecimentos de vários domínios odontológicos, médicos e comportamentais aplicados à criança em desenvolvimento e ao jovem, a área procura incluir todo e qualquer aspeto da saúde oral da faixa etária que lhe serve como objeto(1). É, porém, fundamental que todos os Médicos Dentistas tenham em consideração que as crianças não são adultos pequenos, mas sim seres humanos com direitos próprios e uma necessidade de cuidado e proteção especiais. Para facilitar um estado de bemestar completo físico, mental e social, é responsabilidade do Médico Dentista assegurar a ótima condição e funcionamento das estruturas dentárias e orais e a ausência de medo ou ansiedade dentária (1, 2). O Médico Dentista deve compreender que a criança se encontra numa fase de crescimento e desenvolvimento físico, psicológico e social em que, embora sob o cuidado dos pais ou tutores, nem sempre conseguem prever as consequências das suas decisões e comportamentos. Um dos fenómenos mais determinantes a considerar no tratamento pediátrico é a capacidade das atitudes e comportamentos em relação à Medicina Dentária durante a infância modularem, juntamente com outros fatores, os seus homólogos na vida adulta (3). Devemos considerar que estes fatores psicossociais podem não só contribuir para a modificação positiva do comportamento de um indivíduo em relação à saúde oral, mas também atuar como obstruções a qualquer modificação comportamental no âmbito da saúde pessoal (4). Na obtenção e manutenção de uma saúde oral adequada e do sucesso dos tratamentos dentários, para além da competência técnica do profissional, fatores psicossociais como as atitudes e crenças dos indivíduos assumem um papel fulcral. Doshi define “atitude” como uma resposta consistente entre os sentimentos de um indivíduo e um comportamento específico e “crença” como uma ideia do que é considerado verdadeiro, independentemente de, na realidade, o ser ou não (4). Neste domínio, poderemos incluir um outro fator psicossocial, explorado por Dworkin, denominado “perceção”, um processo cognitivo complexo definido como uma conjugação de estímulos externos e internos e o seu processamento, composto por três fases: Identificação – a receção e processamento de estímulos externos que atua como base para a identificação e categorização de um certo objeto; Interpretação – produção de um conjunto de juízos de valor sobre os restantes atributos do objeto; Extrapolação – criação de expectativas sobre o comportamento de um determinado objeto com base nos processos anteriores (5). Conjugando os conhecimentos descritos, podemos extrapolar um modelo simples para a reação do ser humano a um determinado fenómeno ou objeto, em que quando este nos é apresentado procedemos à “perceção”, criando “crenças” que se traduzem em “atitudes”. Torna-se, então, evidente que as perceções de um indivíduo sobre um certo objeto, como a Medicina Dentária, podem modular o seu comportamento em relação a esse objeto, desenvolvendo padrões típicos de reação a determinados estímulos (5). Na base destes padrões comportamentais pode estar a Ansiedade Dentária, definida como “um sentimento de apreensão em relação ao tratamento dentário e não necessariamente ligada a um estímulo específico” (6), tornando o evitar do tratamento dentário e um défice da saúde oral fenómenos característicos do padrão comportamental (7). 10 “positivas” e “negativas” e de uma questão geral considerada “neutra” que forneça uma opinião mais clara da criança. Para o registo das respostas das crianças entrevistas optou-se pela utilização de um escala de Likert associada a uma escala de faces, à semelhança do instrumento desenvolvido por Davies e Buchanan e da Modified Child Dental Anxiety Scale Faces (MCDASf) (23, 28), em que o valor 1 corresponde à resposta “Penso que sim”, o valor 5 à resposta “Penso que não” e o valor 3 à resposta neutra “Às vezes sim, às vezes não”. A apresentação da escala foi integrada na folha de rosto do inquérito e explicada verbalmente, juntamente com a metodologia de resposta, a cada criança entrevistada. Figura 1 - Apresentação da Escala de Respostas do APCMD Procedimento Os preparativos Previamente à recolha dos dados psicossociais necessários para o presente estudo, procedeu-se à preparação das entrevistas com os diversos colegas associados ao programa PS, nomeadamente os docentes da FMDUP responsáveis pelo programa, os colegas do 4º ano do MIMD da FMDUP que realizaram os rastreios e as entrevistas nas escolas e as colegas da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP) que coordenaram as crianças e realizaram as entrevistas durante os rastreios na C-FMDUP. Todos os entrevistadores foram instruídos a realizar a apresentação e explicação dos questionários e respetivas escalas e a promover a espontaneidade e individualidade das respostas, prevenindo as respostas em grupo e as respostas influenciadas pela opinião dos colegas. A recolha de dados relevantes para o presente estudo foi realizada em dois momentos distintos, ambos integrados nas ações comunitárias do programa PS, realizado pela FMDUP em colaboração com a Junta de Freguesia de Paranhos (JFP). Anteriormente a qualquer contacto com os participantes do estudo, foram entregues ao contacto na JFP os seguintes documentos: uma explicação do programa PS; um documento de requisição de autorização de participação das crianças no estudo e da recolha de dados psicossociais sobre as mesmas e os respetivos núcleos familiares; um inquérito sobre o historial médico e médico-dentário da criança participante e de diversos aspetos sociodemográficos do núcleo familiar; uma versão traduzida do inquérito Children’s Behavior Questionnaire (CBQ) desenvolvido por Rothbart, et al (36, 37). Os documentos referidos foram entregues pelos responsáveis da JFP aos professores de cada uma das 11 turmas que participaram no programa, sendo que estes os distribuíram pelos pais de cada criança. O primeiro momento (na FMDUP) O primeiro momento de recolha de dados ocorreu durante os rastreios clínicos realizados na C-FMDUP. De acordo com o calendário estabelecido entre os docentes da faculdade responsáveis pelo programa, os correspondentes da JFP e os professores do 1º e 4º anos do Ensino Primário de cada escola participante, foi requisitado um autocarro responsável por levar as crianças e os respetivos professores desde a sua escola até à faculdade. As crianças e os seus professores foram dirigidos para a sala de espera da Clínica da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (C-FMDUP), onde foram entregues às crianças do 1º ano os “Andantes” (ver anexo nº5) – um documento que integra uma mensagem de boas-vindas, uma lista das atividades em que as crianças participam e espaços para que as crianças possam desenhar algo relativo aos temas “Medicina Dentária” e “Sorriso”. Ainda na sala de espera, as crianças foram divididas em grupos e distribuídas pelas diferentes atividades: rastreio na Clínica efetuado pelos alunos do 4º ano do MIMD-FMDUP; desenhos na sala de espera; inquéritos psicossociais numa sala própria. Neste primeiro momento de recolha de dados foram distribuídas, como parte dos inquéritos psicossociais, versões traduzidas do questionário desenvolvido por Davies & Buchanan, intitulado “Questionário de Perceção das Técnicas da Gestão de Comportamento” (23). As crianças responderam individualmente ao questionário, acompanhadas por entrevistadores previamente treinados, que asseguraram a espontaneidade e privacidade das respostas. Com o decorrer das atividades, os vários grupos formados alternaram entre as diferentes atividades. Tendo todos os participantes integrado todos os diferentes eventos, regressaram à respetiva escola no autocarro cedido pela JFP. O segundo momento (na escola) O segundo momento de recolha de dados foi realizado durante as visitas dos alunos do 4º ano do MIMD-FMDUP às escolas participantes no programa PS, onde realizaram novos rastreios e desenvolveram ações de promoção de saúde oral através da instrução de higiene oral, distribuição de escovas e pastas dentária e apresentação de palestras e/ou atividades educativas. Durante as visitas às escolas, os colegas distribuíram cópias do instrumento desenvolvido – “Avaliação da Perceção das Crianças sobre os Médicos Dentistas” – pelos alunos do 1º e 4º ano de cada escola, dividindo-os em pequenos grupos e realizando entrevistas individuais em que explicaram o conteúdo do inquérito, o seu objetivo e a metodologia de resposta. Os inquéritos foram então entregues aos investigadores para ser feita correspondência com os dados recolhidos no 1º momento e registados todos os dados. Simultaneamente, foi solicitada junto dos colegas responsáveis pela recolha de dados - incluindo a docente da FPCEUP que acompanhou os alunos da FMDUP no 12 desenvolvimento de um estudo próprio e auxiliou na recolha de dados relativos ao instrumento em desenvolvimento - e dos professores responsáveis pelo programa Paranhos Sorridente as respetivas opiniões sobre o instrumento. Procedimento de análise de dados Foram analisadas diversas hipóteses, relevantes para a temática em questão, no decorrer da investigação, recorrendo ao software SPSS Statistics (IBM Corp. Released 2013. IBM SPSS Statistics for Windows, Version 22.0. Armonk, NY: IBM Corp). A hipótese de que as respostas ao QATGC diferem de acordo com o Sexo foi avaliada pelo teste não-paramétrico de Mann-Whitney de amostras independentes. As hipóteses de que as respostas ao QATGC diferem de acordo com a história de visitas ao Médico Dentista (Idas ao Médico Dentista) e dor como motivo de consulta (Consulta por Dor) foram avaliadas pelo teste T-student para igualdade de médias de amostras independentes. As hipóteses de que as respostas ao QATGC diferem de acordo com o nível socioeconómico familiar, representado pela Escolaridade da Mãe, e necessidade de tratamento definida no rastreio na C-FMDUP (Necessidade de Tratamento) foram avaliadas por uma análise de variância simples, ANOVA. A hipótese de que as respostas ao instrumento APCMD diferem de acordo com o sexo da criança entrevistada foi avaliada pelo teste não paramétrico de Mann-Whitney de amostras independentes. Foi realizada uma Análise Fatorial Exploratória (38, 39) das variáveis que integram o instrumento em desenvolvimento para extração do número de fatores associados às mesmas. 13 Resultados Parte 1 – O que as crianças pensam sobre a utilização dos diversos procedimentos dentários pelo médico dentista? A aplicação do QATGC permitiu recolher dados sobre a opinião das crianças participantes no estudo em relação às técnicas de gestão do comportamento mais habitualmente descritas na literatura. O gráfico 1 demonstra a frequência de respostas em relação aos diversos itens do questionário desenvolvido por Davies e Buchanan. Gráfico 1 Aceitabilidade das Técnicas de Gestão de Comportamento - Frequências Verificou-se uma tendência geral para a aceitabilidade total (“Sentia-me bem”) ou parcial (“Sentia-me bem, mas não muito”) na grande maioria dos cenários propostos, à exceção da Questão Nº2 (“Imagina que estás a mexer-te muito na cadeira, como é normal fazermos quando estamos nervosos. Se o teu dentista falasse alto e te mandasse estar quieto, como te sentirias em relação a ele fazer isso?”) em que a resposta neutra (“Não me fazia diferença”) e as respostas negativas (“Não gostava, mas não muito” e “Não gostava nada”) foram mais frequentemente selecionadas do que a resposta de aceitabilidade parcial, porém muito menos frequentes do que a resposta de aceitabilidade total. Na tabela IV encontram-se discriminadas as frequências de resposta para cada item do questionário. 0 50 100 150 200 250 Total Sentia-me Bem Sentia-me bem mas não muito Não me fazia diferença Não gostava, mas não muito Não gostava nada 14 Tabela IV - Frequência de Resposta do QATGC Escala Numérica de Resposta 1 2 3 4 5 Total Nº 1 - Mostrar Preocupação 157 20 10 4 4 196 Nº 2 – Controlo por Voz 19 23 59 43 52 196 Nº 3 – Recompensa 171 18 3 1 2 195 Nº 4 – Tell-Show-Do 98 43 45 7 3 196 Nº 5 – Explicação 121 36 24 11 4 196 Nº 6 - Stop 115 41 30 6 4 196 Nº 7 – Distração 154 22 7 7 6 196 Nº 8 – Sedação 117 43 24 5 7 196 1 – “Sentia-me bem”; 2 – “Sentia-me bem, mas não muito”; 3 – “Não me fazia diferença”; 4 – “Não gostava, mas não muito”; 5 – “Não gostava nada” No gráfico 2, que representa as médias das respostas das crianças participantes de acordo com o seu sexo, podemos verificar não só a tendência à aceitabilidade dos diversos cenários propostos (valores inferiores a 2 correspondem a um maior número de resposta 1 – “Sentia-me bem” – e 2 – “Sentia-me bem, mas não muito”) na grande maioria das questões, com exceção da Questão Nº2 correspondente ao “Controlo por Voz”, mas também a uniformidade de opiniões entre crianças do sexo masculino e do sexo feminino. Gráfico 2 Aceitabilidade das Técnicas de Gestão de Comportamento - Médias Na Tabela V estão descritas as médias das respostas às diferentes questões do instrumento de acordo com o sexo das crianças. 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 Total Rapazes Raparigas 15 Tabela V - Diferenças nas respostas ao questionário em função do sexo da criança Masculino (N=84) Feminino (N=112) U M dp M dp Nº 1 - Mostrar Preocupação 1.21 0.762 1.44 0.888 0.007** Nº 2 – Controlo por Voz 3.50 1.237 3.39 1.290 0.508 ns Nº 3 – Recompensa 1.13 0.375 1.21 0.690 0.855 ns Nº 4 – Tell-Show-Do 1.74 0.920 1.93 1.046 0.222 ns Nº 5 – Explicação 1.73 1.155 1.64 0.919 0.872 ns Nº 6 – Stop 1.68 1.008 1.70 0.957 0.730 ns Nº 7 – Distração 1.38 0.863 1.44 1.011 0.936 ns Nº 8 – Sedação 1.62 1.005 1.73 1.040 0.367 ns ** p<.01; * p<.05; ns – não significativo Verifica-se que as raparigas apresentam resultados mais elevados que os rapazes na Questão Nº1 e que as diferenças observadas foram estatisticamente significativas (p = 0.007). Nas restantes questões do QPTGC não se verificaram diferenças significativas entre as respostas das raparigas e dos rapazes. A Tabela VI descreve as diferenças entre as respostas das crianças com história de consulta de Medicina Dentária e sem a mesma história. Tabela VI - Diferenças nas respostas ao questionário em função da experiência prévia com a MD Já foi pelo menos uma vez (N=107) Nunca foi (N=25) U M dp M dp Nº 1 - Mostrar Preocupação 1.33 0.786 1.48 1.122 0.424 ns Nº 2 – Controlo por Voz 3.50 1.313 3.16 1.313 0.239 ns Nº 3 – Recompensa 1.05 0.212 1.16 0.473 0.070 ns Nº 4 – Tell-Show-Do 1.77 0.977 1.60 0.707 0.424 ns Nº 5 – Explicação 1.58 0.922 1.44 0.768 0.485 ns Nº 6 – Stop 1.66 0.951 1.84 1.028 0.412 ns Nº 7 – Distração 1.36 0.894 1.48 0.872 0.560 ns Nº 8 – Sedação 1.77 1.095 1.64 0.952 0.596 ns ** p<.01; * p<.05; ns – não significativo Não se verificaram diferenças estatisticamente significativas nas respostas de um e de outro grupo. Atentando na Tabela VII podemos verificar as diferenças nas respostas entre as crianças que visitaram o Médico Dentista por motivo de dor e as crianças que o fizeram por outro motivo que não dor. 16 Tabela VII - Diferenças nas respostas ao questionário em função de ter tido ou não consulta por dor Consulta por Dor (N=13) Consulta por outro motivo (N=82) U M dp M dp Nº 1 - Mostrar Preocupação 1.54 0.967 1.27 0.668 0.208 ns Nº 2 – Controlo por Voz 3.62 1.502 3.48 1.279 0.722 ns Nº 3 – Recompensa 1.00 0.000 1.07 0.262 0.319 ns Nº 4 – Tell-Show-Do 2.00 1.225 1.80 0.949 0.510 ns Nº 5 – Explicação 1.46 0.660 1.66 0.997 0.493 ns Nº 6 – Stop 1.85 1.144 1.62 0.911 0.429 ns Nº 7 – Distração 1.46 1.127 1.34 0.849 0.652 ns Nº 8 – Sedação 1.85 1.068 1.80 1.094 0.899 ns ** p<.01; * p<.05; ns – não significativo Não se verificaram diferenças estatisticamente significativas entre as respostas das crianças que visitam o Médico Dentista por dor e das crianças que o fizeram por outro motivo. A Tabela VIII descreve as diferenças das respostas ao questionário de acordo com a necessidade de tratamento atribuída durante o rastreio na C-FMDUP. Tabela VIII - Diferenças nas respostas ao questionário em função da necessidade de tratamento Consulta de Man. (N=24) Tratamento (N=79) Tratamento urgente (N=26) Z M dp M dp M dp Nº 1 - Mostrar Preocupação 1.13 0.338 1.38 0.938 1.46 0.948 1.081 Nº 2 – Controlo por Voz 3.25 1.29 3.34 1.31 4.08 1.05 3.75* Nº 3 – Recompensa 1.13 0.338 1.10 0.411 1.15 0.543 0.153 Nº 4 – Tell-Show-Do 1.58 0.929 1.70 0.837 1.92 1.093 0.945 Nº 5 – Explicação 1.67 1.049 1.52 0.890 1.69 0.928 0.465 Nº 6 – Stop 1.67 0.963 1.72 1.061 1.73 0.919 0.032 Nº 7 – Distração 1.17 0.381 1.48 0.959 1.68 1.320 1.859 Nº 8 – Sedação 2.08 1.442 1.58 0.810 1.77 1.243 2.162 ** p<.01; * p<.05; ns – não significativo 17 Os resultados mostram que as crianças com necessidade de tratamento urgente avaliam a Questão Nº2 de forma mais grave (M=4.08, dp=.1.05) do que as crianças que apenas necessitam de consulta de manutenção (M=3.25, dp=1.29) e do que as que necessitam de um tratamento não urgente (M=3,34, dp=1.31; z(126)=3.75, p=.026). Em relação às restantes questões não se verificaram diferenças significativas nas respostas em função da necessidade de tratamento das crianças. A Tabela IX descreve as diferenças das respostas ao questionário de acordo com a Escolaridade da Mãe, o determinante socioeconómico utilizado neste estudo. Tabela IX - Diferenças das repostas ao questionário em função da escolaridade materna Ensino Básico (N=43) Ensino Secundário (N=38) Ensino Superior (N=53) Z M dp M dp M dp Nº 1 - Mostrar Preocupação 1.35 0.870 1.37 0.913 1.38 0.837 0.013 Nº 2 – Controlo por Voz 3.44 1.419 3.50 1.371 3.42 1.184 0.047 Nº 3 – Recompensa 1.09 0.366 1.13 0.414 1.11 0.467 0.085 Nº 4 – Tell-Show-Do 1.74 0.954 1.74 0.950 1.75 0.918 0.004 Nº 5 – Explicação 1.74 1.049 1.50 0.893 1.55 0.822 0.840 Nº 6 - Stop 1.63 0.846 1.61 0.974 1.77 1.050 0.424 Nº 7 – Distração 1.53 1.032 1.29 0.654 1.36 0.901 0.852 Nº 8 – Sedação 1.70 1.013 1.84 1.151 1.72 1.063 0.215 ** p<.01; * p<.05; ns – não significativo Não se verificaram diferenças significativas nas respostas em relação à escolaridade da mãe da criança. 18 Parte 2 – Quais as representações que as crianças têm sobre o médico dentista? Na Tabela X estão descritas as frequências das respostas aos diferentes itens do APCMD, aplicado em crianças do 4º do Ensino Básico. Tabela X - Frequência das respostas ao APCMD Escala Numérica de Resposta 1 2 3 4 5 Total Questão Nº1 75 3 0 0 0 78 Questão Nº 2 64 7 6 1 0 78 Questão Nº 3 10 1 12 15 39 77 Questão Nº 4 33 9 12 9 14 77 Questão Nº 5 59 4 4 4 7 78 Questão Nº 6 44 6 21 1 6 78 Questão Nº 7 22 11 21 9 15 78 Questão Nº 8 61 7 3 2 3 76 Questão Nº 9 39 2 16 7 14 78 Questão Nº 10 71 1 3 1 2 78 Questão Nº 11 41 8 12 4 12 77 Questão Nº 12 74 2 0 0 2 78 Questão Nº 13 68 2 5 2 0 77 Questão Nº 14 31 10 14 4 18 77 Questão Nº 15 73 4 0 0 1 78 Questão Nº 16 67 5 5 0 0 77 Questão Nº 17 78 0 0 0 0 78 Questão Nº 18 71 6 0 0 1 78 Questão Nº 19 71 4 1 0 2 78 Questão Nº 20 38 10 12 3 15 78 É importante notar que, pelo seu carácter negativo descrito anteriormente, as questões nº 3, 4, 5, 7, 9, 14, 16 e 20 fora sujeitas a uma inversão da cotação das respostas durante a análise estatística. Esta inversão de valores de resposta permite compensar a conotação negativa da questão, assegurando que valores mais baixos correspondem a uma perceção mais positiva do cenário proposto e vice-versa. Há uma tendência clara em considerar os cenários positivos (Questões Nº 1, 2, 6, 10, 11, 12, 15 e 19) e neutros (Questões Nº 8, 13, 17 e 18) descritos no instrumento como situações agradáveis, em que a criança não sente desconforto relevante. 19 A Questão Nº7 (“O Médico Dentista diz que não me vai doer, mas depois acaba por doer”) apresenta a distribuição mais equivalente pelas diferentes respostas. Já a Questão Nº17 (“Os Médicos Dentistas fazem os tratamentos com muita atenção e bem feitos”) apresenta uma variação de resposta nula (todas as crianças responderam “1 – Sentia-me bem com isso”), não sendo uma variável aplicável neste tipo de estudo. A Questão Nº3 (“Os Médicos Dentistas tentam esconder algumas coisas (agulhas, anestesia, etc.) para poderem fazer os tratamentos que querem”), que traduz um cenário negativo, apresentou o maior número de respostas negativas (N=39). A Tabela XI descreve a média das respostas das crianças no instrumento em desenvolvimento. Tabela XI - Média das respostas a cada questão do APCMD N M dp Questão Nº1 78 1.04 0.194 Questão Nº 2 78 1.28 0.662 Questão Nº 3 77 3.94 1.380 Questão Nº 4 77 2.51 1.570 Questão Nº 5 78 1.67 1.316 Questão Nº 6 78 196 1.263 Questão Nº 7 78 2.79 1.463 Questão Nº 8 76 1.41 0.982 Questão Nº 9 78 2.42 1.592 Questão Nº 10 78 1.23 0.805 Questão Nº 11 77 2.19 1.513 Questão Nº 12 78 1.13 0.652 Questão Nº 13 77 1.23 0.686 Questão Nº 14 77 2.58 1.609 Questão Nº 15 78 1.10 0.499 Questão Nº 16 77 1.19 0.539 Questão Nº 17 78 1.00 0.000 Questão Nº 18 78 1.13 0.519 Questão Nº 19 78 1.18 0.698 Questão Nº 20 78 2.32 1.567 Recorde-se que valores de média mais baixos se traduzem em perceções positivas do Médico Dentista, sendo que valores mais elevados estão associados a perceções negativas. Assim sendo, verifica-se a tendência das crianças em considerarem a situação descrita na Questão Nº3 como uma experiência negativa, enquanto a situação descrita na Questão Nº17 se revela uma perceção unanimemente positiva. 26 “adolescente”), deverá resultar numa melhor adaptação do mesmo às necessidades da criança e, por conseguinte, numa mais fiel reprodução das suas crenças. Conclusão A ciência assume-se como um processo de descoberta e de constante reformulações, lidando adequadamente com as contrariedades. Nesta mentalidade científica, o desenvolvimento de monografias de investigação e outras metodologias de investigação científica são processos altamente indutores da vontade de descobrir e melhorar. Na Medicina Dentária, a investigação assume um papel fulcral, sendo também um dever das instituições de ensino promover a formação de profissionais capazes não só de realizar boas investigações mas também procurar novas formas de prestar serviço à comunidade, quer direta ou indiretamente. O programa PS encaixa nesta filosofia académica, pois permite formar profissionais com um largo espetro de ação, pois além de obrigar ao contacto clínico e comunitário com diferentes crianças com diferentes necessidades, é dotado de um repertório vasto e diversificado de participantes com os quais qualquer investigação pode ser enriquecida, quer tenha uma índole psicológica ou física. A presente investigação, fruto de uma colaboração vasta entre diferentes instituições e profissionais, ainda que não resultando num instrumento válido e sólido, destaca não só a necessidade clínica e comunitária de avaliar as crenças das crianças sobre os Médicos Dentistas, como fornece uma base importante para o desenvolvimento de um ou mais instrumentos com as referidas características. Da reformulação, evolução e análise do instrumento aqui descrito, poderá ser criada uma ferramenta fulcral para melhorar o cuidado ao paciente em Medicina Dentária. 27 Referências 1. Koch G, Poulsen S. Pediatric Dentistry: A Clinical Approach. 2 ed: WileyBlackwell; 2009. 360 p. 2. WHO, editor Preamble to the Constitution of the World Health Organization as adopted by the International Health Conference, New York, 19-22 June, 1946. International Health Conference; 1946 19-22 June, 1946; New York: Official Records of the World Health Organization. 3. Coolidge T, Heima M, Coldwell S, Weinstein P, Milgrom P. Psychometric properties of the Revised Dental Beliefs Survey. Community Dent Oral Epidemiol. 2005;33:289-97. 4. Doshi D, Reddy B, Kulkarni S, Karunakar P. Self-reported Attitudes and Beliefs Towards Dental Care Among a South Indian Population. Oral Health Prev Dent. 2014;2:125-31. 5. Dworkin S, Ference T, Giddon D. Behavioral Science And Dental Practice. 1 ed. Saint Louis: Mosby; 1978. 291 p. 6. Gupta A, Marya C, Bhatia H, Dahiya V. Behaviour management of an anxious child. Stomatologija, Baltic Dental and Maxillofacial Journal. 2014;16:3-6. 7. Stenebrand A, Boman W, Hakeberg M. General fearfulness, attitudes to dental care, and dental anxiety in adolescents. European Journal of Oral Sciences. 2013;121. 8. Erciyas K, Hamamci Z, Buyukozturk S, Erciyas A. Revised dental beliefs survey: reliability and validity of a 22-item modified Turkish version. Journal of Oral Rehabilitation. 2009;36:831-9. 9. Abrahamsson K, Hakeberg M, Stenman J, Öhrn K. Dental beliefs: evaluation of theSwedish version of the revised Dental Beliefs Survey in different patient groups and in a non-clinical student sample. Eur J Oral Sci. 2006;114:209-15. 10. Kulich K, Berggren U, Hakeberg M, Gustafsson J. Factor structure of the Dental Beliefs Survey in a dental phobic population. Eur J Oral Sci. 2001;109:235-40. 11. Abrahamsson K, Berggren U, Hakeberg M, Carlsson S. The importance of dental beliefs for the outcome of dental-fear treatment. Eur J Oral Sci. 2003;111:99-105. 12. Kvale G, Milgrom P, Getz T, Weinstein P, Johnsen TB. Beliefs about professional ethics, dentist-patient communication, control and trust among fearful dental patients: the factor structure of the revised dental beliefs survey. Acta Odontol Scand. 2004;62:219. 13. Öhrn K, Hakeberg M, Abrahamsson K. Dental beliefs, patients' specific attitudes towards dentists and dental hygienists: a comparative study. 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A Decade in Dental Care Utilization among Adults and Children (2001-2010). Health Services Research. 2014;49(2). 20. Prins P, Veerkamp J, Horst Gt, Jong Ad, Tan L. Behaviour of dentists and child patients during treatment. Community Dent Oral Epidemiol. 1987;15(1):253-7. 28 21. Pinkham J, Casamassimo P, McTigue D, Fields H, Nowak A. Pediatric Dentistry: Infancy Through Adolescence. 4 ed: Mosby; 2005. 750 p. 22. Mostofsky D, Forgione A, Giddon D. Behavioral Dentistry. 1 ed: Wiley-Blackwell; 2006. 23. Davies EB, Buchanan H. An exploratory study investigating children's perceptions of dental behavioural management techniques. International Journal of Paediatric Dentistry. 2013;23(1):297-309. 24. Mittal R, Sharma M. Assessment of psychological effects of dental treatment on children. Contemporary Clinical Dentistry. 2012;3(5):2-7. 25. Chia-shu L. Pain catastrophizing in dental patients: implications for treatment management. JADA. 2013;144(11):1244-51. 26. Liddell A, Rabinowitz FM, Peterson C. Relationship Between Age Changes in Children's Dental Anxiety and Perception of Dental Experiences. Cognitive Therapy and Research. 1997;21(6):619-31. 27. Abrahamsson K, Berggren U, Hallberg L, Carlsson S. Dental phobic patients' view of dental anxiety and experiences in dental care: a qualitative study. Scand J Caring Sci. 2002;16:188-96. 28. Howard K, Freeman R. Reliability and validity of a faces version of the Modified Child Dental Anxiety Scale. International Journal of Paediatric Dentistry. 2007;17:281-8. 29. Marsac M, Funk J. Relationships among psychological functioning, dental anxiety, pain perception and coping in children and adolescents. J Dent Child. 2008;75:243-51. 30. Coolidge T, Hillstead MB, Farjo N, Weinstein P, Coldwell S. Additional psychometric data for the Spanish Modified Dental Anxiety Scale, and psychometric data for a Spanish version of the Revised Dental Beliefs Survey. BMC Oral Health. 2010;10:12. 31. 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Nome Criança: ___________________________________________________ Data Nascimento: _____ /____________ / ____ 5.1 | Refrigerantes gaseificados [Colas, Sprite, Fanta …] Não Consome Raramente (dias de festa) 1 vez por dia: 2 ou mais vezes por dia: 1 a 2 vezes por semana: Durante as refeições Durante as refeições Durante as refeições Intervalo das refeições Intervalo das refeições Intervalo das refeições Refeições e intervalo das refeições Refeições e intervalo das refeições 5.2 | Refrigerantes não gaseificados [Ice Tea …] Não Consome Raramente (dias de festa) 1 vez por dia: 2 ou mais vezes por dia: 1 a 2 vezes por semana: Durante as refeições Durante as refeições Durante as refeições Intervalo das refeições Intervalo das refeições Intervalo das refeições Refeições e intervalo das refeições Refeições e intervalo das refeições 5.3 | Sumos de frutos [Natural ou néctar …] Não Consome Raramente (dias de festa) 1 vez por dia: 2 ou mais vezes por dia: 1 a 2 vezes por semana: Durante as refeições Durante as refeições Durante as refeições Intervalo das refeições Intervalo das refeições Intervalo das refeições Refeições e intervalo das refeições Refeições e intervalo das refeições 1º Ciclo 2º Ciclo 3º Ciclo Secundário Ensino Superior 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º Bacharelato Licenciatura Pós-graduação 1º Ciclo 2º Ciclo 3º Ciclo Secundário Ensino Superior 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º Bacharelato Licenciatura Pós-graduação 3 | Visitas da criança ao dentista 1 vez por ano Mais que uma vez por ano Menos que uma vez por ano Nunca foi ao dentista 4 | Motivo da consulta Rotina Dor Aparelho de correcção dentária Outros [Prótese; _____________ ] DADOS PESSOAIS 1 | ESCOLARIDADE DA MÃE [assinale com uma cruz o ultimo ano de escolaridade que concluiu] 2 | ESCOLARIDADE DO PAI [assinale com uma cruz o ultimo ano de escolaridade que concluiu] 5 | HÁBITOS ALIMENTARES 5.4 | Alimentos açucarados [bolos ou bolachas …] Não Consome Raramente (dias de festa) 1 vez por dia: 2 ou mais vezes por dia: 1 a 2 vezes por semana: Durante as refeições Durante as refeições Durante as refeições Intervalo das refeições Intervalo das refeições Intervalo das refeições Refeições e intervalo das refeições Refeições e intervalo das refeições 5.5 | Guloseimas [Gomas, caramelos, rebuçados] Não consome Raramente (dias de festa) 1 a 2 vezes por semana Mais de 2 vezes por semana Todos os dias 5.6 | Chocolate Não consome Raramente (dias de festa) 1 a 2 vezes por semana Mais de 2 vezes por semana Todos os dias 6.1 | Quantas vezes o seu filho (a) escova os dentes por dia? Não escova diariamente 1 vez por dia 2 vezes por dia mais 2 vezes por dia 6.2 | Quando efectua a escovagem? Ao pequeno almoço Ao almoço Ao jantar Antes de dormir 6.3 | Ajuda o seu filho (a) a escovar os dentes? Nunca, ele escova sozinho Sempre que escova Ajuda às vezes 1 vez ao dia 6.4. | Com que idade o seu filho (a) começou a escovar os dentes? Anos: Meses: 6.5 | Com que idade o seu filho (a) começou a usar pasta dos dentes? Indique a idade: _________ 6.6 | Qual a pasta de dentes que utiliza? [Ver na embalagem] Marca Idade indicada na embalagem 6.7 | Qual a quantidade de pasta que coloca na escova? Suficiente para cobrir toda a escova Quantidade semelhante ao tamanho de uma ervilha (+/- 1 cm) Quantidade igual ao tamanho da unha do dedo mindinho 6 | HÁBITOS SAÚDE ORAL paranhoSorridente Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto www.fmd.up.pt 01 HÁBITOS DE HIGIENE ORAL Tipo de escova 0 Nenhuma 1 Manual 2 Eléctrica de corrente 3 Eléctrica a pilhas 4 Outra  9 N/R Nº de escovagens/dia 0 Nenhuma 1 1 vez 2 2 vezes 3 3 vezes 4 4 ou + vezes 5 Não sabe 9 N/R Meios auxiliares de higiene oral 0 Nenhum 1 Colutório 2 Fio/escovilhão 3 Outro  4 Não sabe 9 N/R Local onde efectua higiene oral 0 Nenhum 1 Casa 2 Escola 3 Não sabe 9 N/R HÁBITOS BUCAIS 0 Ausentes 1 Chupeta 2 Sucção labial 3 Sucção língual 4 Sucção do polegar 5 Outros dedos 6 Morde o lábio 7 Rói as unhas 8 Interposição da língua 9 Interposição da bochecha 10 Outros... 11 N/R Avaliação da face EXAME CLÍNICO EXTRA - ORAL Assimetria facial Pigmentação/manchas na face Afastamento dos olhos Fossetas labiais Fenda labial Fossetas auriculares Pedículos de cartilagem Hiperqueratose Sindactilia (dedos fundidos) Polidactilia (dedo supranumerário) Prega palmar transversal (uni/bilateral) Unhas displásicas Avaliação das mãos Avaliação dos olhos Avaliação dos lábios Avaliação das orelhas NÃO Cor:....... Local.......... SIM 0 Não 1 Aparelho removível 2 Aparelho fixo 3 Outro 9 Não registado Fotografias intra-orais Frontal Lateral direita Lateral esquerda Oclusal maxilar Oclusal mandibular Fotografias faciais Frontal Frontal em sorriso Perfil direito SÉRIE FOTOGRÁFICA Já efectuou tratamento ortodôntico? DADOS PESSOAIS Número de Adesão : ______________ Data de Adesão: _____ /_____ / ______ Nome: ____________________________________________________________________________ Data de nascimento : _____ /_____ / ______ Sexo: M F Morada : ___________________________________________________________________________________________ Telefone : ________________________ Telemóvel: ________________________ B.I. : _______________________ NIF: _______________________ Nº Utente : ______________________ SNS: ___________________________ Beneficiário : _______________ Entidade: _________________ Escola: __________________________________________________________ Nome do Professor/a: __________________________________ Peso : ______________ Altura: _______________ Inserção do freio labial 0 Normal 1 Alta 2 Baixa 9 N/R Respiração 0 Nasal 1 Bucal 9 N/R Inserção do freio lingual 0 Normal 1 Alta 2 Baixa 9 N/R EXAME CLÍNICO INTRA - ORAL Sup. Inf. Fenda palatina 0 Não 1 Sim 9 N/R Úvula bífida 0 Não 1 Sim 9 N/R Palato paranhoSorridente Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto REGISTO DE CÁRIE 47 46 45 44 43 42 41 31 32 33 34 35 36 37 85 84 83 82 81 71 72 73 74 75 55 54 53 52 51 17 16 15 14 13 12 11 61 62 63 64 65 21 22 23 24 25 26 27 Dentição decídua: Existem dentes 'infra-oclusão' ou anquilosados? Não? Sim ? Quais?________________________________________________ Dentição permanente: Existem dentes com erupção retida ou inclusão? Não? Sim ? Quais?________________________________________________ Algum familiar possui problemas de saúde alterações semelhantes às do paciente? Irmãos ? Pai ? Mãe ? Quais?____________________________________________________________________________ MEDICINA ORAL Patologia 3 = Mucocelo 5 = Candidose 8 = Condyloma acuminatum 0 = Sem lesões 1 = Úlcera (aftosa, herpética, traumática) 2 = Abcesso dentário 4 = Língua geográfica 6 = Hiperplasia epitelial focal 9 = Anquiloglossia Localização 5 = Gengiva 2 = Comissura labial 3 = Mucosa labial 8 = Língua 0 = Sem lesões 1 = Lábios 6 = Palato duro e mole 9 = Não registado INFLAMAÇÃO GENGIVAL [assinalar com cruz (X) locais com hemorragia até 15 segundos após sondagem do sulco gengival com sonda periodontal] 55 54 53 52 51 18 17 16 15 14 13 12 11 61 62 63 64 65 21 22 23 24 25 26 27 28 M V D P 85 84 83 82 81 48 47 46 45 44 43 42 41 71 72 73 74 75 31 32 33 34 35 36 37 38 M V D L Alteração do número de dentes 0 Não 1 Hipodontia 2 Hiperdontia [Mesiodens ] 3 Hiperdontia [Outros] 9 N/R DENTES Alteração forma dentes 0 Não 1 Sim 9 N/R Erupção dentária 0 Normal 1 Acelerada 2 Atrasada 9 N/R Alteração tamanho dentes 0 Não 1 Sim 9 N/R 7 = Gengivo-estomatite herpética primária 4 = Mucosa jugal 7 = Pavimento da boca 10 = Cisto de erupção 11 = Outra patologia ______________________ 12 = Não registado www.fmd.up.pt 02 0 A São 1 B Cariado 2 C Obturado, com cárie 3 D Obturado, sem cárie 4 E Perdido, por cárie 5 - Perdido, por outro motivo 6 F Selante de fissura 7 G Prótese fixa/coroa especial ou implante 8 - Dente não erupcionado T - Trauma [fratura] 9 - Não registado DP DD CÓDIGOS Sem inflamação gengival Não registado Vitor Teixeira EBDavies Buchanan Acceptability Measure.docx 45K J. Tavares <[email protected]> 15 de outubro de 2014 às 15:27 Para: vmsteixeira <[email protected]> Segue em anexo a resposta: Dear E. Bethan Davies, thank you for providing us a copy of the measure you used and for the information regarding possible limitation of its use. Since we will have to translate your measure to use it with Portuguese children, your indications are very helpfull. We also thank you for your availabilty to answer further questions, if any were to arise. Without anything more to add, we'd like to congratulate you for the investigation developed by you and your colleague in this area. Best regards, João Tavares (Master's student) and Prof. Vítor Teixeira (supervisor). [Citação ocultada] -- Com os meus melhores cumprimentos, João Tavares Gmail - Fwd: RE: Request of the interview for the assessment of childr... https://mail.google.com/mail/u/0/?ui=2&ik=bc472bce42&view=pt&q... 2 de 2 26/05/2015 11:03 Anexo Nº4 – Questionário de Avaliação das Perceções das Crianças sobre os Médicos Dentistas Avaliação da Perceção das Crianças sobre os Médicos Dentistas (APCMD) - João Tavaresa e Vítor Teixeirab a – Aluno do Mestrado Integrado em Medicina Dentária na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto. b – Doutorado em Psicologia; Professor Auxiliar Convidado na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto. – A preencher pelo entrevistador – Informações sobre a criança Nº Adesão Escola Sexo Feminino Masculino Este questionário tem como objetivo avaliar as crenças das crianças sobre os Médicos Dentistas, nomeadamente no que diz respeito às Competência de Comunicação, Valores, Capacidade Técnica e Aplicação das Técnicas de Gestão de Comportamento. – A preencher pela criança – Lê com atenção as perguntas que se seguem sobre os Médicos Dentistas e responde riscando a “carinha” correspondente à tua resposta. Estas perguntas servem para termos uma ideia daquilo que pensas sobre os Médicos Dentistas e o trabalho que eles fazem. Mesmo se nunca foste ao Médico Dentista, responde de acordo com aquilo que achas que eles fariam ou não. 1 Os Médicos Dentistas explicam bem os tratamentos e os materiais que utilizam 2 Os Médicos Dentistas fazem trabalhos bonitos e que duram muito tempo 3 Os Médicos Dentistas tentam esconder algumas coisas (agulhas, anestesia, etc.) para poderem fazer os tratamentos que querem 4 O Médico Dentista diz que eu faço demasiadas perguntas 5 Os Médicos Dentistas fazem as coisas com pressa, sem se preocuparem em fazer o melhor que conseguem 6 Os Médicos Dentistas dão-nos a oportunidade de interromper a consulta quando precisamos 7 O Médico Dentista diz que não me vai doer, mas depois acaba por doer 8 Os Médicos Dentistas procuram que os pacientes os ajudem para fazerem os melhores tratamentos que conseguem 9 Os Médicos Dentistas às vezes começam a trabalhar sem eu perceber o que vão fazer 10 Os Médicos Dentistas tratam as pessoas com respeito e preocupam-se em conhecer os pacientes 11 O Médico Dentista nunca faz mais do que aquilo que me disse que ia fazer 12 Os Médicos Dentistas preocupam-se em não nos magoar 13 Os Médicos Dentistas falam com as pessoas e querem que elas se sintam à vontade 14 Os Médicos Dentistas explicam os meus problemas e os tratamentos que preciso aos meus pais, mas não a mim 15 Os Médicos Dentistas sabem como tratar dos problemas dos pacientes 16 Os Médicos Dentistas gritam com as pessoas quando não estão a ajudar com os tratamentos 17 Os Médicos Dentistas fazem os tratamentos com muita atenção e bem feitos 18 Os Médicos Dentistas preocupam-se com aquilo que é melhor para os pacientes 19 Os Médicos Dentistas explicam-me que tratamentos tenho de fazer e porque que os tenho de fazer 20 Os Médicos Dentistas não se preocupam em repetir um tratamento que não gostemos Anexo Nº5 – “Andante” Em parceria com a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (Número de Adesão) (Nome) (Desenho sorriso) (Desenho “dentistas”) Olá, Bem vindo à Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto. Durante esta visita vais fazer várias atividades. Este “andante” serve para que as pessoas com quem estiveres vão marcando o que já fizeste. Quando chegares a cada posto entrega à pessoa que te receber. Entretanto, vai haver alguns momentos de espera. Sugerimos que nesses momentos faças um desenho sobre os dentistas para decorar a capa do teu “andante”. Se ainda tiveres tempo, atrás, podes desenhar um sorriso. Pedimos que não fales alto, nem corras, ficando sempre junto do teu grupo. Se tiveres alguma dúvida, fala com o teu professor ou com alguém que vejas com uma bata. E não te esqueças… Sorri! Rastreio Oral CPM Questionário Desenho Anexo Nº6 – Declaração de Autoria Declaração Monografia de Investigação/Relatório de Atividade Clínica Declaro que o presente trabalho, no âmbito da Monografia de Investigação/Relatório de Atividade Clínica, integrado no MIMD, da FMDUP, é da minha autoria e todas as fontes foram devidamente referenciadas. __/__/_____ O investigador __________________________________ (João Rafael Ferreira Tavares)