Relatórios de Estágio realizado na Farmácia da Vilarinha e na Azienda Ospedaliera Universitaria di Sassari (Italy)
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ii Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas Relatório de Estágio Profissionalizante Farmácia da Vilarinha maio de 2016 a julho de 2016 Maria Inês de Barbosa Cruz Orientador: Dra. Liliana Mesquita ______________________________________ Tutor FFUP: Prof. Doutora Irene Rebelo ______________________________________ Setembro de 2016
iii Declaração de Integridade Eu, Maria Inês de Barbosa Cruz, abaixo assinado, nº 201104860, aluna do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, declaro ter atuado com absoluta integridade na elaboração deste documento. Nesse sentido, confirmo que NÃO incorri em plágio (ato pelo qual um indivíduo, mesmo por omissão, assume a autoria de um determinado trabalho intelectual ou partes dele). Mais declaro que todas as frases que retirei de trabalhos anteriores pertencentes a outros autores foram referenciadas ou redigidas com novas palavras, tendo neste caso colocado a citação da fonte bibliográfica. Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, ____ de __________________ de ______ Assinatura: ______________________________________
iv Agradecimentos Com o fim desta etapa, resta-me agradecer a toda a equipa da Farmácia da Vilarinha por me ter acolhido com tanto carinho e disponibilidade. Quero agradecer à Dra. Liliana, uma profissional de excelência, que sempre se mostrou disponível para esclarecer todas as minhas dúvidas e para me aconselhar acerca do meu futuro pessoal e profissional. Desenvolvi uma enorme admiração pelos seus vastos e completos conhecimentos e pela relação de respeito e confiança que desenvolve com os utentes, constituindo certamente um modelo a seguir no futuro. À Dra. Rita, pelo papel orientador do meu estágio, com quem aprendi os conceitos fundamentais de gestão da farmácia, os seus desafios e exigências, bem como a importância de promover o contacto da farmácia com a comunidade, desenvolvendo atividades inovadoras e reforçando o seu importante papel na sociedade. À Juliana, uma profissional de enorme competência, com inúmeras qualidades, que sempre demonstrou uma paciência interminável comigo, ajudando-me quando sentia mais dificuldades e alertando-me para alguns pormenores que por vezes me passavam despercebidos. Ao Sr. Manuel, pelos conhecimentos transmitidos resultantes de anos de experiência, cuja entrega e dedicação à farmácia são inspiradoras para qualquer profissional. À minha tutora, a Professora Doutora Irene Rebelo, pela orientação e conselhos prestados. Por fim, resta-me agradecer à minha família e amigos pelo apoio demonstrado ao longo da minha vida académica, importante para superar alguns momentos de maior dificuldade e tornando este trajeto mais fácil.
v Resumo O presente relatório foi realizado no âmbito do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas e descreve os 3 meses de estágio em farmácia curricular, na Farmácia da Vilarinha. A primeira parte deste documento consiste na descrição da farmácia e no modo de funcionamento da mesma. Além disso, aborda as atividades e tarefas realizadas diariamente e qual o meu contributo para as mesmas, ao longo do estágio. De seguida, são apresentados dois casos de estudo desenvolvidos na farmácia, suportados pela respetiva componente científica. O primeiro tema aborda a influência da psoríase na vida dos pacientes e que medidas estes podem adotar para contornar estes desafios. Por sua vez, o segundo tema trata a disfunção erétil e o seu possível papel como marcador precoce de doenças cardiovasculares. Como tal, este relatório descreve o meu primeiro contacto profissional com a farmácia comunitária, abordando o meu desenvolvimento a nível pessoal e profissional e, também, o meu contributo para a farmácia que me acolheu.
vi Índice Lista de Abreviaturas .................................................................................................................. VIII Índice de Figuras ............................................................................................................................ IX Índice de Anexos ...............................................................................................................................X Parte I: Descrição das Atividades Desenvolvidas no Estágio ....................................................... 1 1. A Farmácia da Vilarinha ....................................................................................................... 1 1.1. Localização .............................................................................................................. 1 1.2. Horário de Funcionamento ....................................................................................... 1 1.3. Espaço Físico ........................................................................................................... 1 1.4. Sistema Informático ................................................................................................. 2 1.5. Recursos Humanos ................................................................................................... 3 1.6. Fontes de Informação ............................................................................................... 3 2. Gestão e Administração da Farmácia .................................................................................... 3 2.1. Gestão de stocks ....................................................................................................... 3 2.2. Encomendas ............................................................................................................. 3 2.3. Receção e Conferência de Encomendas ................................................................... 4 2.4. Armazenamento ....................................................................................................... 4 2.5. Controlo dos Prazos de Validade ............................................................................. 5 2.6. Devoluções ............................................................................................................... 5 3. Dispensa de Medicamentos ................................................................................................... 5 3.1. Medicamentos Sujeitos a Receita Médica ................................................................ 6 3.1.1. Receita Médica ............................................................................... 6 3.1.2. Verificação da Prescrição Médica .................................................. 7 3.1.3. Dispensa dos Medicamentos .......................................................... 7 3.1.4. Medicamentos sujeitos a legislação especial: Psicotrópicos e Estupefacientes ............................................................................... 7 3.1.5. Comparticipação de Medicamentos ............................................... 7 3.1.6. Conferência de Receituário e Faturação ......................................... 8 3.2. Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica ........................................................ 8 3.3. Medicamentos e Produtos Homeopáticos ................................................................ 9 3.4. Medicamentos para Uso Veterinário ........................................................................ 9 3.5. Produtos de Cosmética e Higiene Corporal ........................................................... 10 3.6. Produtos Fitofarmacêuticos .................................................................................... 10 3.7. Suplementos Alimentares e Produtos para Alimentação Especial ......................... 10 3.8. Dispositivos Médicos ............................................................................................. 11
vii 3.9. Produtos de Puericultura, Obstetrícia e Nutrição Infantil .......................................11 4. Serviços e Cuidados Farmacêuticos .....................................................................................11 4.1. Determinação de Parâmetros Bioquímicos e Fisiológicos ......................................11 4.1.1. Índice de Massa Corporal .............................................................12 4.1.2. Pressão Arterial .............................................................................12 4.1.3. Colesterol Total e Triglicerídeos ...................................................12 4.1.4. Índice Glicémico ...........................................................................12 4.2. VALORMED ..........................................................................................................13 4.3. Rastreios ..................................................................................................................13 4.4. Consultas de Especialistas .......................................................................................13 4.5. Consulta Farmacêutica e Dispensação Semanal da Medicação ..............................13 4.6. Outras Atividades ....................................................................................................14 Parte II: Casos de Estudo ...............................................................................................................15 Caso de Estudo A: Influência da Psoríase na vida dos pacientes .................................................15 1. Justificação do Tema ...............................................................................................15 2. A Psoríase ................................................................................................................16 3. Fatores de Risco ......................................................................................................19 4. Co-morbilidades associadas à Psoríase ...................................................................19 5. Tratamento ...............................................................................................................20 a. Tratamento Tópico ........................................................................................20 b. Tratamento Sistémico ....................................................................................21 c. Fototerapia .....................................................................................................23 d. Medicamentos Biológicos .............................................................................24 6. Análise dos resultados ao inquérito .........................................................................24 Caso de Estudo B: Disfunção Erétil como um Sinal de Doença Cardiovascular ........................27 1. Justificação do Tema ...............................................................................................27 2. Disfunção Erétil .......................................................................................................27 3. Tratamento ...............................................................................................................28 4. Disfunção Erétil como um sinal de Doenças Cardiovasculares ..............................29 5. Sazonalidade na venda de medicamentos para o tratamento da disfunção erétil ....30 Conclusão .........................................................................................................................................31 Referências .......................................................................................................................................32 Anexos ..............................................................................................................................................35
viii Lista de Abreviaturas AIM – Autorização de Introdução no Mercado ANF – Associação Nacional de Farmácias BPF – Boas Práticas de Fabrico CNP – Código Nacional do Produto DCI – Denominação Comum Internacional DLQI – Índice de Qualidade de Vida em Dermatologia DL – Decreto-Lei IMC – Índice de Massa Corporal INFARMED –Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I. P. MG – Medicamentos Genéricos MNSRM – Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica MSRM – Medicamentos Sujeitos a Receita Médica NO – Óxido Nítrico PF – Preço de Fatura PRM – Problemas Relacionados com o Medicamento PUVA – Psoraleno + Ultravioleta A PV – Prazo de Validade PVP – Preço de Venda ao Público RAM – Reações Adversas ao Medicamento UVA – Ultravioleta A UVB – Ultravioleta B
ix Índice de Figuras Figura 1 – Mapa regional da taxa de anos de vida ajustados pela incapacidade (DALY – Disability-Adjusted Life Year), por 100 000 pessoas em 2010, devido à psoríase 15 Figura 2 – Comparação das células do sistema imune numa pele normal versus numa pele psoriática. 16 Figura 3 – Exemplo de placa psoriática, bem delimitada, com escamas brancas 17 Figura 4 – Exemplo de psoríase em placas nos joelhos 17 Figura 5 – Exemplo de psoríase gutata, subsequente a infeção estreptocócica 17 Figura 6 – Exemplo de psoríase inversa na axila 18 Figura 7 – Exemplo de psoríase eritrodérmica 18 Figura 8 – Exemplo de psoríase pustulosa generalizada 18 Figura 9 – Exemplo de artrite psoriática 18 Figura 10 – As camadas da doença psoriática 19 Figura 11 – Mecanismo de vasodilatação das células do músculo liso 28 Figura 12 – Anatomia da ereção peniana 28 Figura 13 – Comparação entre os diâmetros das diferentes artérias (peniana, coronária, carótida interna e femoral) e consequente percentagem de obstrução do fluxo sanguíneo 29 Figura 14 – Representação gráfica da variação mensal da venda de inibidores de fosfodiesterases, no ano de 2015, na Farmácia da Vilarinha 30
6 um medicamento, mediante prescrição médica, em regime de automedicação ou, ainda, por aconselhamento farmacêutico. A dispensa deve ser sempre complementada com toda a informação necessária, oral ou escrita, para que o utente beneficie dos efeitos terapêuticos do medicamento, consciente das possíveis reações adversas à medicação (RAM) ou outros problemas relacionados com os medicamentos (PRM). 3.1) Medicamentos Sujeitos a Receita Médica Os Medicamentos Sujeitos a Receia Médica (MSRM) são aqueles que carecem da apresentação de uma receita médica válida para serem dispensados. Segundo o DL nº176/2006, de 30 de agosto, encontram-se englobados neste grupo todos os medicamentos que cumpram um destes requisitos: Possam constituir um risco para a saúde do doente, direta ou indiretamente, caso utilizados sem vigilância médica; Possam constituir um risco, direto ou indireto, para a saúde, quando utilizados com frequência em quantidades consideráveis, para fins diferentes daquele a que se destinam; Contenham substâncias cuja atividade ou reações adversas seja indispensável aprofundar; Destinem-se a serem administrados por via parentérica.[4] 3.1.1) Receita Médica A prescrição de medicamentos através de receita médica deve incluir obrigatoriamente a denominação comum internacional (DCI) da substância ativa, acompanhada da forma farmacêutica, dosagem, apresentação e posologia. Apesar de este ser o modelo indicado, existem exceções em que o prescritor pode referir uma denominação comercial, através da marca ou do titular de Autorização de Introdução no Mercado (AIM). Estes casos requerem uma justificação técnica, incluída na receita, que impedem a substituição do medicamento prescrito e podem ser: - prescrição de medicamento com margem ou índice terapêutico estreito; - suspeita fundamentada de intolerância ou reação adversa a um medicamento com a mesma substância ativa, mas com outra denominação comercial; - prescrição de medicamento para uma terapia continuada com duração superior a 28 dias.[5] O doente possui o direito de optar por qualquer medicamento com a mesma DCI, forma farmacêutica e dosagem do medicamento na prescrição, exceto nos dois primeiros casos acima referidos. Relativamente ao último ponto, o doente pode também exercer o seu direito de opção, desde que o medicamento escolhido possua um PVP inferior ao medicamento prescrito. Numa tentativa de informatizar e uniformizar o sistema de saúde, a prescrição deve ser realizada por via eletrónica, excetuando em algumas ocasiões, tais como, falência do sistema informático, inadaptação fundamentada do prescritor, prescrição ao domicílio ou prescrição de receitas até um máximo de 40 receitas mensais.[4, 6-8]
7 3.1.2) Verificação da Prescrição Médica Antes de aviar uma receita, o farmacêutico deve proceder a sua validação, que consiste na verificação de alguns elementos importantes nela presentes, nomeadamente, o número da receita, o local de prescrição e identificação do médico prescritor, o nome e número de utente ou beneficiário de subsistema, bem como a entidade financeira responsável. Por vezes, pode também existir uma referência ao regime especial de comparticipação de medicamentos, acompanhada do respetivo despacho identificativo. Para cada medicamento, deve-se verificar a DCI, dosagem, forma farmacêutica, dimensão, número de embalagens e posologia, a data de prescrição e o período de validade e, por fim, a assinatura do prescritor.[5] 3.1.3) Dispensa dos Medicamentos Após recolha dos medicamentos e respetiva verificação através do programa SIFARMA 2000®, de modo a evitar a ocorrência de erros neste processo, procede-se à dispensa dos medicamentos. O ato de dispensa deve ser sempre acompanhado de aconselhamento, transmitido de uma forma simples, objetiva e adaptada ao utente, de modo a que não surjam dúvidas que coloquem em causa a eficácia do tratamento. Por vezes, torna-se necessário complementar a informação transmitida oralmente, com algumas anotações nas embalagens dos medicamentos, nomeadamente sobre a posologia e a indicação de cada um dos medicamentos. 3.1.4) Medicamentos sujeitos a legislação especial: Psicotrópicos e Estupefacientes Estes medicamentos, devido às suas características farmacológicas e ao seu elevado potencial de dependência, estão muitas vezes associados a práticas ilícitas, como é o caso do tráfico de estupefacientes. Como tal, estão sujeitos a uma regulamentação específica e a um controlo apertado, desde o momento da sua aquisição até à sua venda. Deste modo, quando os medicamentos chegam à farmácia devem ser sempre acompanhados da respetiva guia de requisição, enviada pelo fornecedor. Todos os documentos de controlo dos registos de entrada e saída dos medicamentos devem ser enviados para o INFARMED, a entidade responsável pelo controlo destes medicamentos. Estes medicamentos devem ser prescritos isoladamente, numa receita especial, em que deve constar a sigla RE (Receita Especial). Após a validação adequada da receita, é necessário registar, no sistema informático, os dados pessoais do prescritor, do utente e do adquirente. Por fim, é emitido um “Documento de Psicotrópicos” que deve ser anexado à cópia da receita e arquivado na farmácia por um período mínimo de 3 anos.[9, 10] 3.1.5) Comparticipação de Medicamentos Os medicamentos podem estar sujeitos a determinados regimes de comparticipação, em que o utente paga apenas uma percentagem do preço do medicamento, sendo o restante da responsabilidade de uma determinada entidade de saúde. O Estado é responsável pela comparticipação dos preços dos medicamentos prescritos aos utentes do Sistema Nacional de Saúde (SNS) e aos beneficiários da Direção-Geral de Proteção Social aos
8 Funcionários e Agentes da Administração Pública (ADSE). Esta comparticipação é definida por escalões (A, B e C), com base na classificação fármaco-terapêutica do medicamento em questão. Adicionalmente, existem regimes especiais de comparticipação, nomeadamente para pensionistas, doentes com patologias especiais (psoríase, paramiloidose, artrite reumatoide, etc.) e grupos específicos que beneficiam de outros organismo de comparticipação. Existem várias entidades responsáveis por estes regimes de comparticipação, como o Serviço de Assistência Médico-Social (SAMS), Sãvida, Multicare, Caixa Geral de Depósitos (CGD), entre outros, cuja percentagem de comparticipação depende dos acordos estabelecidos entre cada entidade e a Associação Nacional de Farmácias (ANF).[1, 4, 8] Aquando do processamento da receita, é importante ter em conta o subsistema de saúde que o doente apresenta, pois pode ser necessário introduzi-lo manualmente. Cada receita apresenta um número, lote e série e são agrupadas consoante o plano de comparticipação que lhes é atribuído, sendo que a cada organismo é atribuído um código identificativo. 3.1.6) Conferência de Receituário e Faturação Após o aviamento das receitas, estas devem ser datadas, carimbadas e assinadas. De seguida, como anteriormente referido, as receitas são agrupadas consoante o organismo a que pertencem, em lotes de 30 receitas, e devidamente ordenadas. Uma etapa importante é a conferência de receitas, que consiste na verificação da concordância dos códigos de barras impressos no verso com os medicamentos prescritos, do cumprimento da validade da receita, bem como do preenchimento de todos os campos obrigatórios da prescrição. Se todos estes elementos estiverem corretos e o lote completo, imprime-se o “Verbete de Identificação do Lote”, que é carimbado e envolto em torno das receitas. Adicionalmente, é também impressa a “Relação Resumo de Lotes” e a fatura mensal. Todos os meses, é necessário enviar o receituário para o Centro de Conferência de Faturas (CCF) ou para a ANF, consoante o organismo responsável seja o SNS ou outro subsistema. Assim, a farmácia envia a fatura e as notas de crédito/débito, a relação resumo de lotes, os verbetes de identificação de lotes e as receitas médicas.[11] 3.2) Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica Os Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM) são aqueles que não cumprem nenhum dos requisitos acima listados referentes aos MSRM, não sendo comparticipáveis, salvo exceções previstas na legislação.[4] A requisição destes medicamentos pelos utentes pode surgir por indicação médica, por aconselhamento farmacêutico, ou ainda por iniciativa própria (automedicação). O aconselhamento farmacêutico surge com o intuito de resolver problemas de saúde menores, que não justificam a ida a um médico, e consiste na indicação de medidas não farmacológicas ou na dispensa de um MNSRM. Nestas situações é crucial que o farmacêutico tenha consciência da
9 responsabilidade dos seus atos e dos seus próprios limites, nunca colocando em risco a saúde e segurança do paciente. A automedicação é cada vez mais comum na sociedade, como resultado da abundância de informação nos meios de comunicação social e na internet, aliada ao maior nível de conhecimento e interesse por parte da população e, também, à maior facilidade de acesso aos medicamentos. Estas situações podem resultar numa utilização errada dos medicamentos, originando possíveis interações entre fármacos, dosagem incorreta e uso excessivo e aleatório dos medicamentos para fins diferentes dos que lhe são atribuídos. Como tal, nestes casos, o farmacêutico tem o dever de avaliar corretamente cada situação e aconselhar o utente da melhor maneira, fornecendo-o de todas as informações necessárias para garantir o sucesso da terapêutica aconselhada, tendo sempre como principal objetivo a saúde e segurança do paciente. Inicialmente, enquanto estagiária, sentia alguma dificuldade em saber como lidar com estas situações, sendo que requeria sempre assistência a um dos colegas disponíveis. Quando tal acontecia, estava atenta a toda a informação que era reunida do paciente antes do aconselhamento e, de seguida, quais eram as informações importantes que prestava aquando da dispensa do medicamento. Com o avançar dos dias, fui aprendendo com os meus colegas e passei a sentir-me mais confortável para realizar um aconselhamento com segurança aos utentes. 3.3) Medicamentos e Produtos Homeopáticos Os produtos homeopáticos não são muito comuns na Farmácia da Vilarinha, tendo em conta que também não existe um grande procura dos mesmos por parte da população. Não obstante, a farmácia possui alguns medicamentos homeopáticos, como é o caso do Oscillococcinum® e o Arnigel®, ambos do laboratório BOIRON. 3.4) Medicamentos para Uso Veterinário Tal como foi referido anteriormente, na zona de atendimento ao público, a Farmácia da Vilarinha possui uma secção dedicada aos medicamentos para uso veterinário, denominada “Espaço Animal”. Neste espaço encontram-se, essencialmente, antiparasitários internos e externos para cães e gatos, sob a forma de comprimidos, ampolas e coleiras, bem como alguns champôs. Sendo que o meu conhecimento nesta área era bastante reduzido, nos primeiros dias, as farmacêuticas fizeram-me um breve resumo do que existia na farmácia e em que consistiam os produtos. Adicionalmente, sempre que dispensavam um destes produtos, procuravam explicar-me um pouco como funcionava e como deveria ser aplicado.
10 3.5) Produtos de Cosmética e Higiene Corporal Atualmente, verifica-se uma preocupação cada vez maior da sociedade com vários aspetos relacionados com a aparência física, nomeadamente a nível da beleza, do envelhecimento saudável, dos cuidados capilares e dentários, entre outros. Adicionalmente, os consumidores são cada vez mais exigentes e conhecedores deste tipo de produtos, procurando sempre as fórmulas mais inovadoras e eficazes. Como tal, os Produtos de Cosmética e Higiene Corporal (PCHC) assumem um papel bastante importante na farmácia, tornando-se essencial que o farmacêutico conheça os principais produtos das diferentes marcas, de modo a ser capaz de oferecer um aconselhamento de qualidade ao público. A Farmácia da Vilarinha dispõe de vários produtos de diferentes marcas, nomeadamente Lierac®, La Roche-Posay®, Uriage®, ISDIN®, Avéne®, entre outros. Apesar de exercer uma forte aposta nos produtos anti-envelhecimento, devido à distribuição demográfica dos seus clientes, a farmácia possui produtos dirigidos a todas as faixas etárias, incluindo uma grande variedade de produtos capilares, nomeadamente das marcas Klorane®, Phyto®, Ecophane®, entre outros. Nos primeiros dias de estágio, dediquei algum tempo ao estudo de alguns dossiers da farmácia, com informação relativa aos vários produtos das diferentes gamas das marcas existentes, de modo a facilitar a minha familiarização com as mesmas. 3.6) Produtos Fitofarmacêuticos Estes produtos, que têm como base plantas ou substâncias ativas que derivam das mesmas, são cada vez mais procurados pelo consumidor, que procura alternativas “mais naturais” aos medicamentos atuais. Existe uma grande diversidade de produtos no mercado, sob diferentes formas (cápsulas, comprimidos, ampolas, infusões) e para diversos fins. A Farmácia da Vilarinha dispõe de vários produtos fitofarmacêuticos, pois estes são frequentemente requisitados pelos seus clientes. Os produtos mais comuns são aqueles que possuem sene ou valeriana, para perturbações do sono, diversos chás diuréticos e para emagrecer, produtos para a desintoxicação hepática, reguladores do trânsito intestinal, suplementos cerebrais, má circulação, entre outros. 3.7) Suplementos Alimentares e Produtos para Alimentação Especial Os suplementos alimentares são produtos que possuem na sua composição um ou vários nutrientes específicos e surgem com o objetivo de complementar ou suplementar um regime alimentar adequado. Estes produtos são bastante procurados pelos utentes pois, apesar de não substituírem uma alimentação e estilo de vida saudáveis, podem ser bastante úteis para colmatar alguma falhas que possam surgir. Neste campo, a Farmácia da Vilarinha conta com uma variada gama de produtos da marca Solgar®, de onde se destacam produtos com cobre, ferro, glucosamina, ácido linoleco conjugado (CLA), entre outros.
11 Por sua vez, os produtos para alimentação especial resultam de processos de fabrico ou composição alternativos, que lhes conferem qualidades nutricionais específicas. Estes produtos destinam-se à alimentação de lactentes e crianças, bem como de indivíduos com condições fisiológicas ou patológicas específicas, como doentes oncológicos, idosos, entre outros. 3.8) Dispositivos Médicos Um Dispositivo Médico trata-se de qualquer instrumento, aparelho, equipamento, software, material ou artigo, cujo principal efeito no corpo humano não seja alcançado por meios farmacológicos, imunológicos ou metabólicos. Existem inúmeros dispositivos médicos para as mais variadas funções, nomeadamente para fins de diagnóstico, prevenção, controlo, tratamento ou atenuação de uma doença, lesão ou deficiência. Podem também ser utilizados para o estudo, substituição ou alteração da anatomia ou de um processo fisiológico e, ainda, para controlo da conceção.[12] Na Farmácia da Vilarinha, dispensa-se principalmente material de penso diverso (pensos rápidos, ligaduras, gazes, …), material de ortopedia (meias e joelhos elásticos, palmilhas, …), frascos de colheita de urina, seringas, soro fisiológico, luvas, entre outros. 3.9) Produtos de Puericultura, Obstetrícia e Nutrição Infantil Como referido anteriormente, a Farmácia da Vilarinha conta com uma população maioritariamente envelhecida. No entanto, numa tentativa de inverter esta tendência, nos últimos tempos, a farmácia tem procurado aumentar os produtos de puericultura disponíveis, de modo a poder dar resposta às necessidades deste nicho populacional. Como tal, a farmácia dispõe de artigos de puericultura e nutrição infantil, como biberões, tetinas e chupetas, fraldas, cremes hidratantes, produtos para aliviar as cólicas, farinhas lácteas, entre outros. Em relação aos produtos para as mães, os produtos mais requisitados são cremes e óleos anti-estrias, cintas, protetores de mamilo, almofadas de amamentação, entre outros. 4. Serviços e Cuidados Farmacêuticos 4.1) Determinação de Parâmetros Bioquímicos e Fisiológicos Como já foi referido anteriormente, a zona de atendimento ao público possui uma zona mais restrita, destinada à medição de alguns parâmetros bioquímicos e fisiológicos. Esta outra vertente da atividade farmacêutica, referenciada na Portaria nº1429/2007, de 2 de novembro, possui um grande impacto na saúde pública, pois permite o controlo do estado de saúde da população, a prevenção de doenças futuras e o acompanhamento da evolução da terapia em alguns pacientes. Este controlo apresenta especial importância nos doentes crónicos, pois estes podem controlar a sua doença e realizar pequenos ajustes ou adaptações, muitas vezes apenas através de medidas não farmacológicas, de modo a corrigir algum desvio dos valores esperados.[4]
12 Os parâmetros bioquímicos avaliados na Farmácia da Vilarinha são a tensão arterial, o colesterol total, os triglicerídeos e o índice glicémico. Por outro lado, a farmácia possui uma balança que realiza uma avaliação bastante completa dos parâmetros fisiológicos, pois fornece informação acerca do peso, altura, Índice de Massa Corporal (IMC), bem como do índice e percentagem de gordura do utente. 4.1.1) Índice de Massa Corporal O IMC é um parâmetro que relaciona a altura com o peso do indivíduo, através de uma fórmula matemática, de onde resulta um valor que indica se a pessoa se encontra subnutrida ou sobrenutrida. Como este valor era obtido através da balança, muitas vezes era necessário explicar ao utente qual o seu significado e, se necessário, sugerir algumas medidas para o alterar.[13] 4.1.2) Pressão Arterial O controlo da pressão arterial é, sem dúvida, o serviço mais requisitado pelos utentes na farmácia e, como tal, o que mais frequentemente prestei durante o meu estágio. Apesar da balança também realizar esta medição, tanto os utentes como os profissionais da farmácia preferem realizar esta medição pessoalmente, com auxílio do tensiómetro, de modo a garantir uma medição mais correta e, simultaneamente, ajudar o utente a interpretar o resultado. Assim, antes de iniciar a medição, colocava algumas questões ao utente, de modo a, por um lado, reunir a informação necessária para interpretar corretamente os valores a obter e, por outro lado, permitir que o utente relaxasse um pouco antes da medição. A Farmácia da Vilarinha tem por hábito fornecer um pequeno panfleto ao utente que permite o registo dos valores obtidos nas várias medições, de modo a possibilitar um melhor controlo dos mesmos, tanto por parte do utente, como do seu médico e farmacêutico.[14] 4.1.3) Colesterol Total e Triglicerídeos O controlo dos níveis de colesterol total e triglicerídeos é também um hábito bastante comum na sociedade, devido à sua importância na prevenção de doenças cardiovasculares, e, como tal, é realizado com alguma regularidade na Farmácia da Vilarinha. Trata-se de um procedimento bastante simples, que requer apenas uma amostra de sangue capilar.[15] Como existia um pequeno tempo de espera entre a recolha da amostra e a obtenção dos resultados, aproveitava esse período para colocar algumas questões ao utente, nomeadamente acerca dos seus hábitos de vida e alimentares, bem como a medicação e patologias atuais. Após a obtenção dos respetivos valores, informava o utente e, caso estes se desviassem dos valores recomendados, procurava aconselhar o paciente acerca de que medidas poderia tomar para inverter a situação. 4.1.4) Índice Glicémico A medição do índice glicémico, também através de uma amostra de sangue capilar, é muito importante para o diagnóstico e controlo de Diabetes Mellitus. Como tal, esta medição é realizada tanto por indivíduos saudáveis, como análise de rotina, como por indivíduos diabéticos que pretendem averiguar se a medicação se encontra adequada. Muitas vezes, estes indivíduos diabéticos
13 dirigem-se à farmácia para realizar esta medição pois têm alguma dificuldade em realizá-la autonomamente. Na interpretação destes resultados é sempre importante questionar o utente de quando foi a sua última refeição, pois os valores de referência são diferentes consoante se trata do índice glicémico em jejum ou pós-prandial. 4.2) VALORMED O VALORMED trata-se de uma iniciativa conjunta que uniu a indústria farmacêutica, distribuidores e farmácias, no sentido de permitir uma melhor gestão dos resíduos de embalagens vazias e medicamentos fora de uso, através de processos de recolha e tratamento seguros, distintos dos restantes resíduos urbanos. As farmácias têm a função de recolha destes resíduos, sendo que possuem contentores específicos para o efeito.[16] Durante o estágio, verifiquei que se trata de um hábito já bastante enraizado na comunidade, pois frequentemente procedia à recolha destes produtos por parte dos utentes da farmácia. 4.3) Rastreios A Farmácia da Vilarinha procura fazer a diferença junto da comunidade, realizando, por isso, várias ações e rastreios que promovem a saúde e o bem-estar da população. Durante o meu estágio, tive o prazer de participar num destes rastreios, o “Rastreio de Hipertensão e Obesidade”. Neste rastreio, foram-me incumbidas algumas tarefas, nomeadamente a promoção do rastreio, a marcação das horas dos utentes inscritos e a realização das medições. Adicionalmente, realizei um pequeno panfleto alusivo ao rastreio, com alguma informação que me pareceu pertinente relativa à hipertensão arterial e à obesidade, de modo a incitar a participação no rastreio, bem como uma ficha de participante. (Anexo I e II) 4.4) Consultas de Especialistas Consciente das dificuldades económicas, de acesso ou mobilidade por parte de alguns utentes, a Farmácia da Vilarinha possui parcerias com especialistas de diversas áreas que se deslocam à farmácia para a realização de consultas personalizadas. Deste modo, todos os meses, a farmácia organiza consultas de podologia, nutrição, optometria, entre outros. Durante os três meses de estágio, pude constatar que estes serviços possuem bastante adesão por parte dos utentes, que preenchiam todos os horários reservados para as consultas e que demonstravam bastante interesse em repetir a consulta. 4.5) Consulta Farmacêutica e Dispensação Semanal da Medicação Durante o meu estágio surgiu uma inovação na Farmácia da Vilarinha, que consistiu na introdução do serviço de preparação da medicação semanal para doentes polimedicados. Este serviço consiste
14 na preparação da medicação de um paciente, para uma semana, num único blister, que se encontra dividido por dias e, dentro do mesmo dia, por diferentes momentos. Deste modo, procura-se evitar erros de medicação, facilitando a toma dos medicamentos e mantendo-os sob condições de armazenamento adequadas. Adicionalmente, este serviço é útil na identificação de possíveis problemas relacionados com os medicamentos (PRM) e reações adversas aos medicamentos (RAM).[17] Inicialmente, o farmacêutico realiza uma consulta farmacêutica, de modo a reunir toda a informação necessária relativa ao utente e ao seu plano terapêutico no momento. De seguida, procede-se à preparação dos blisters semanais, consoante a necessidade e comodidade do utente. 4.6) Outras Atividades Devido à proximidade à época balnear, nos dias 30 de maio e 1 de junho, a Farmácia da Vilarinha organizou uma atividade de sensibilização da comunidade para a proteção solar. O público-alvo desta ação foi a população infantil, mais propriamente os alunos da Escola Básica da Vilarinha e as crianças do Centro Social da Foz do Douro. A atividade foi levada a cabo por mim e pela Dra. Rita e iniciou-se com uma apresentação cedida pelo Grupo Holon intitulada “A Escola, o Sol e a Alimentação”, que focava os aspetos essenciais da exposição solar, os seus perigos e benefícios, e as principais medidas a tomar. De seguida, elaborei um pequeno questionário, que realizei em conjunto com as crianças, de modo a consolidar as ideias mais importantes referenciadas durante a apresentação (Anexo III). Por fim, ofereceu-se um pequeno brinde a todas as crianças e pediu-se que realizassem um desenho alusivo ao que foi abordado durante a apresentação e que, posteriormente, fossem entregar o desenho à farmácia. Com os desenhos das crianças realizamos uma pequena exposição e um concurso, em que a criança com o desenho vencedor teve direito a um prémio. (Anexo IV) A atividade foi ainda publicada na edição nº21 da Revista H, do Grupo Holon. (Anexo V).
15 Parte II: Casos de Estudo Caso de Estudo A: Influência da Psoríase na vida dos pacientes 1. Justificação do Tema Em 2014, na 67ª Assembleia Mundial de Saúde, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu a psoríase como uma doença não transmissível grave, colocando-a assim na agenda global de saúde. Esta medida foi muito importante para a consciencialização do impacto que esta doença tem na vida dos indivíduos afetados, não só ao nível físico, como a nível psicológico e social. A prevalência da psoríase a nível global varia entre 0,09% e 11,43%, afetando pelo menos 100 milhões de pessoas em todo o mundo. (fig. 1) Em Portugal, estima-se que existam cerca de 250 000 indivíduos com psoríase. [18, 19] Figura 1 – Mapa regional da taxa de anos de vida ajustados pela incapacidade (DALY – Disability-Adjusted Life Year), por 100 000 pessoas em 2010, devido à psoríase.[20] Para além dos marcados sintomas dermatológicos, a psoríase afeta também o bem-estar psicológico dos pacientes, na medida em que pode comprometer tarefas básicas do seu quotidiano, resultando em instabilidade emocional, stress, angústia, insegurança, constrangimento e isolamento social. [21] Deste modo, e considerando o elevado número de clientes com psoríase da Farmácia da Vilarinha, pareceu-me pertinente abordar este tema, com o objetivo de, potencialmente, melhorar a qualidade de vida destes pacientes. Neste contexto, elaborei um inquérito constituído por dois componentes: a parte inicial consistia numa caracterização do doente (idade, sexo, profissão e hábitos de vida) e numa abordagem geral à doença (duração, tipo, sintomas e tratamento); a segunda parte tratava-se de um conjunto de perguntas que permitem avaliar o Índice de Qualidade de Vida em Dermatologia (DLQI). (Anexo VI)
22 para além de fibrose e cirrose hepática. Adicionalmente, foram também registados outros efeitos adversos como cefaleia, mal-estar geral, distúrbios digestivos (anorexia, gosto metálico, náuseas, vómitos, diarreia e úlcera gástrica), ulcerações na mucosa oral ou estomatite, alopecia, fotossensibilidade, urticária, eritema acral, candidíase, foliculite, febre e depressão. Por vezes, na tentativa de minimizar alguns destes efeitos secundários, nomeadamente as alterações digestivas e a anemia, recorre-se a administração diária de ácido fólico. A acitretina é um retinoide sintético utilizado no tratamento de formas mais graves de psoríase, não controladas através de tratamento tópico ou fototerapia, ou em casos de psoríase eritrodérmica ou pustulosa. Trata-se de um retinoide sintético de segunda geração, que substituiu o etretinato no tratamento da psoríase. Apesar de ser menos eficiente do que o etretinato, a acitretina apresenta menor tempo de semi-vida e menor lipofilia, sendo, desde 1988, o único retinoide sistémico disponível na maioria dos países europeus. Apesar do seu mecanismo de ação não estar completamente elucidado, está descrito que os retinoides têm a capacidade de se ligar a recetores nucleares, alterando a expressão genética e, assim, exercendo um efeito antiproliferativo e imunomodulador. Deste modo, a acitretina tem ação na epiderme, onde reduz a proliferação celular e estimula a sua diferenciação, e na derme, através da inibição da migração de neutrófilos para a camada superior, exercendo uma ação anti-inflamatória. Após administração oral, a acitretina é absorvida no intestino (36-95%), sendo que a sua biodisponibilidade aumenta com a ingestão de alimentos. Uma pequena fração da acitretina pode-se converter em etretinato, o seu pró-fármaco, sendo esta conversão estimulada pelo consumo de álcool. A sua eliminação ocorre por via hepática e renal. O tratamento deve ser iniciado com uma dose diária baixa, de 0,3-0,5 mg/kg, podendo esta ser alterada após cerca de um mês, consoante a eficácia e tolerância observadas. De um modo geral, a dose diária varia entre 0,5 a 0,8 mg/kg, até um máximo de 1 mg/kg. O efeito secundário mais grave é a teratogenicidade, sendo que a sua utilização é contraindicada na gravidez e a contraceção é obrigatória em mulheres em período fértil. Adicionalmente, podem também ocorrer efeitos mucocutâneos, como boca, nariz e olhos secos, prurido, fotossensibilidade, xerose, entre outros. Antes de iniciar a terapia é importante dosear as enzimas hepáticas, o colesterol total e os triglicerídeos, devendo estas análises ser repetidas periodicamente ao longo da terapia. Tal deve-se ao facto de a acitretina elevar estes valores laboratoriais, sendo estas alterações revertidas através de uma diminuição da dose, alterações dietéticas e fármacos hipolipemiantes. A ciclosporina é um composto utilizado no tratamento das formas mais resistentes de psoríase, principalmente do tipo psoríase em placa. É utilizado a curto prazo (2-4 meses), devido à sua toxicidade a longo prazo, e apenas em circunstâncias particulares, como em gravidez ou surtos de agravamento de psoríase estável. A ação imunossupressora da ciclosporina deve-se à inibição da produção de um importante mensageiro imunológico, impedindo assim a resposta imunológica celular.
23 De modo a tornar o perfil de absorção da ciclosporina mais consistente e menos dependente da produção de bile, atualmente sua administração é feita através de uma micro-emulsão. Após a administração desta formulação, a concentração máxima de ciclosporina atinge-se em cerca de 2 horas. A dose diária inicial deve ser de 2,5-5 mg/kg, podendo este valor aumentar até 5 mg/kg, se não se verificar resposta terapêutica necessária nas primeiras 4 a 6 semanas e se o paciente apresentar parâmetros laboratoriais satisfatórios. A dose diária deve ser administrada em duas tomas distintas, de manhã e à noite. Os efeitos clínicos devem ser observados nas primeiras 4 semanas, sendo o efeito terapêutico máximo registado após 8 a 16 semanas de tratamento. Os efeitos adversos mais comumente observados relacionam-se com: falência renal e consequentes alterações na tensão arterial, sintomas gastrointestinais, hiperplasia gengival, tremores, cefaleias, parestesias, entre outros. Tal como ocorre com outras terapias imunossupressoras, a terapia com ciclosporina aumenta o risco de desenvolver tumores malignos, doenças linfoproliferativas e infeções várias. c. Fototerapia[46, 49, 52] Atualmente, a fototerapia é uma opção de tratamento bastante comum e eficaz em doentes com psoríase, principalmente através de radiação UVB e da associação de psoraleno com radiação UVA (PUVA). A sua ação ocorre através da indução da apoptose das células cutâneas, da promoção da imunossupressão e alteração do perfil de citocinas envolvidas no processo inflamatório, levando à diminuição da inflamação. Ultravioleta B (UVB) A radiação UVB pode ser utilizada em associação com tratamentos tópicos e sistémicos, de modo a obter resultados mais rápida e eficazmente. Deste modo, alguns estudos demonstraram uma remissão ligeiramente mais acentuada das lesões quando o UVB foi utilizado em associação com alguns tratamentos tópicos, como ditranol, calcipotriol e tazaroteno. Por sua vez, quando se recorre à associação de radiação UVB a terapias sistémicas, como o metotrexato e a acitrecina, verifica-se uma remissão mais completa das lesões. Por outro lado, esta associação possibilita também a diminuição das doses necessárias destes compostos para obter remissão das lesões, diminuindo assim os efeitos secundários nefastos associados a estas terapias orais. No entanto, a associação da radiação UVB com alguns tratamentos requer alguma cautela, na medida em que podem surgir alguns efeitos adversos, como aumento da fotossensibidade e propensão para queimaduras, e diminuição do período de remissão da doença, como acontece com a associação a corticosteroides tópicos. Psoraleno + Ultravioleta A (PUVA) Este tratamento consiste na ingestão ou aplicação tópica de uma substância fotosensibilizadora, o 8-metoxipsoraleno (8-MOP), seguida de exposição à radiação UVA. O psoraleno, depois de ser ativado pela radiação UVA, previne a proliferação celular e diminui a ativação de células inflamatórias. Trata-se de um tratamento bastante eficaz, com taxas de remissão muito elevadas,
24 mesmo na ausência de terapias de manutenção. O efeito adverso mais comum são as náuseas resultantes da ingestão do psoraleno, sendo que alguns pacientes optam pela aplicação tópica do composto ou pela imersão das áreas afetadas num banho de psoraleno. Apesar da sua grande eficácia, o tratamento PUVA tem sido associado a uma maior fotossensibilidade e maior risco de desenvolver carcinomas das células escamosas da pele. Com o objetivo de diminuir os efeitos adversos e de modo a maximizar a resposta terapêutica, é possível associar a terapia PUVA com calcipotriol ou retinoides orais. A combinação de radiação UVB com PUVA constitui também num tratamento bastante eficaz, permitindo baixar as doses de cada uma das radiações e o número de tratamentos necessários. UVB de banda estreita Recentemente, têm vindo a ser desenvolvidas lâmpadas de radiação UVB de banda estreita, com o comprimento de onda de 311 nm, sendo que este é o comprimento de onda mais eficaz para o tratamento da psoríase. Este tratamento é mais eficaz do que a radiação UVB de banda larga, mas menos segura. Em relação ao tratamento PUVA, esta opção é menos eficaz, mas apresenta menos efeitos adversos. Assim, a radiação UVB de banda estreita é útil em pacientes refratários à radiação UVB de banda larga. d. Medicamentos Biológicos Apesar das opções terapêuticas acima referidas, existe ainda uma percentagem de pacientes cuja psoríase é refratária aos tratamentos tópicos e que são resistentes, intolerantes ou apresentam contraindicações para as terapias sistémicas existentes. Neste contexto, e na tentativa de evitar a elevada toxicidade de órgão subjacente às terapias sistémicas clássicas, surgem os medicamentos biológicos para o tratamento da psoríase, que consistem em fármacos produzidos através de biotecnologia recombinante e, deste modo, exercem a sua ação diretamente nos mecanismos imunopatogénicos responsáveis pela doença. Estes fármacos são muito eficazes na redução da gravidade das lesões psoriáticas, com um bom perfil de segurança e uma toxicidade de órgão muito menor que os tratamentos sistémicos clássicos. No entanto, sendo que se tratam de opções terapêuticas recentes, desconhece-se o seu perfil de segurança a longo-prazo e requerem um investimento financeiro muito elevado.[53] Atualmente, os agentes biológicos aprovados pela Agência Europeia do Medicamento (EMA) consistem em agentes bloqueadores de citocinas, mais especificamente, o anti-TNF, no caso do adalimumab, etanercept e infliximab, e a anti-IL12/23p40, no caso do ustecinumab.[54] 6. Análise dos resultados ao inquérito Apesar da Farmácia da Vilarinha ter um elevado número de utentes com psoríase, nem todos estavam dispostos a participar no inquérito, sendo que apenas me foi possível obter respostas para cinco inquéritos. De qualquer maneira, dispus os panfletos “Guia para Viver Melhor com Psoríase” nos balcões da farmácia, de modo a estarem acessíveis a todos os clientes interessados.
25 O inquérito iniciava-se com algumas questões gerais, acerca da idade, sexo e hábitos de vida dos participantes, permitindo uma caracterização dos mesmos. Dos cinco participantes, quatro eram do sexo masculino e apenas uma do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 20 e os 81 anos. Nenhum dos participantes era fumador, mas 3 em 5 afirmavam ser consumidores regulares de bebidas alcoólicas, ou seja, ingeriam pelo menos uma bebida alcoólica por semana. De seguida, surgiam questões relacionadas com a doença em si. Todos os participantes tinham sido diagnosticados quando eram novos, entre os 10 e os 30 anos, e dois deles apresentavam familiares com a mesma doença. O tipo de psoríase mais comum entre os participantes foi a psoríase em placas, sendo que apenas um deles apresentava psoríase gutata, o que é concordante com a tendência geral da população. De acordo com os participantes, as regiões mais afetadas pelas lesões cutâneas eram os membros superiores e inferiores e, ocasionalmente, a cabeça e o tronco. Apenas um dos participantes apresentava uma maior superfície do corpo afetada, com lesões na cabeça, tronco, membros superiores e inferiores, região abdominal, região lombar e unhas. Em relação à frequência das lesões verificaram-se algumas variações, sendo que dois indivíduos afirmaram que raramente sentiam manifestação dos sintomas, dois verificavam a ocorrência dos sintomas 3-5 vezes por semana e apenas um participante referiu que os seus sintomas se manifestavam diariamente. Adicionalmente, dos cinco participantes, apenas um apresentava algumas das co-morbilidades frequentemente associadas à psoríase, mais propriamente, aterosclerose, hipertensão arterial, dislipidémia e acidente vascular cerebral recente. Em relação ao tratamento, as respostas variavam entre os medicamentos de ação tópica e os medicamentos sistémicos clássicos, sendo que apenas um indivíduo realizava ambos os tratamentos em simultâneo (tópico e sistémico). Nenhum dos participantes tinha realizado fototerapia e apenas um deles recorreu a medicamentos biológicos para alívio dos sintomas, nos últimos 6 meses. Em relação ao Índice de Qualidade de Vida em Dermatologia (DLQI), que permite avaliar a influência que a psoríase tem na vida do paciente, 3 dos 5 participantes obtiveram resultados entre 0 e 1, significando que a doença não tem influência na sua vida. Em relação aos restantes participantes, um obteve um resultado de 2, indicativo da baixa influência da psoríase na vida do paciente, e o outro obteve uma pontuação de 7, que demonstra que a psoríase tem uma influência moderada na vida deste paciente. Apesar do reduzido número de participações no inquérito não permitir retirar muitas conclusões fundamentadas em relação ao mesmo, é possível inferir que o tipo de psoríase mais comum é a psoríase em placas, como já tinha sido anteriormente referido, e que as lesões se localizam maioritariamente nos membros superiores e inferiores. Adicionalmente, verificou-se que 2 em 5 dos participantes (40%) possuíam familiares próximos com a doença, reforçando a importante componente genética da doença. Em relação à terapêutica em vigor, verificou-se uma predominância
26 dos tratamentos tópicos e sistémicos clássicos, o que vai de acordo com as guidelines de tratamento definidas. É possível também constatar que, de um modo geral, a psoríase dos participantes encontrase controlada, sendo que esta não tem uma influência muito marcada na vida dos mesmos.
27 Caso de Estudo B: Disfunção Erétil como um Sinal de Doença Cardiovascular 1. Justificação do Tema A disfunção erétil é uma doença crónica que afeta mais de 100 milhões de homens em todo o Mundo. Esta doença é responsável por uma diminuição marcada da qualidade de vida destes indivíduos, podendo ter um papel importante na avaliação da saúde cardiovascular geral dos mesmos. Sendo esta uma doença com maior prevalência em homens em idades mais avançadas, pareceu-me pertinente abordar este tema na Farmácia da Vilarinha, na medida em que esta possui um público maioritariamente idoso e consumidor frequente de medicamentos para o tratamento da disfunção erétil.[55, 56] Para tal, numa primeira fase, realizei uma pequena pesquisa e compilação de dados acerca da sazonalidade da venda destes medicamentos, de modo a, posteriormente, poder realizar um aconselhamento mais adequado e direcionado para o público em questão. 2. Disfunção Erétil A disfunção erétil define-se como a incapacidade de atingir e/ou manter uma ereção peniana suficiente que permita um ato sexual satisfatório. Esta patologia é mais prevalente entre os homens com idades entre os 40 e 70 anos e pode estar associada a diversas causas, nomeadamente psicogénicas, neurogénicas, anatómicas ou estruturais, hormonais e vasculares (hipertensão, diabetes mellitus, obesidade e aterosclerose). Existem ainda outros fatores como alcoolismo, drogas ilícitas e agentes farmacológicos (β-bloqueadores, diuréticos e antidepressivos) que podem também ter um papel importante na etiologia da disfunção erétil.[55-57] A ereção peniana é um evento neurovascular, que resulta da libertação de neurotransmissores dos terminais nervosos cavernosos e do tecido muscular liso, em resposta a um estímulo sexual, causando o relaxamento vascular. Este relaxamento ocorre devido ao sistema NO-GMPc, onde o óxido nítrico (NO) produzido nas células endoteliais promove a transformação de GTP em GMPc, nas células do músculo liso. O GMPc, por sua vez, leva à diminuição da concentração de cálcio intracelular e, deste modo, ao relaxamento muscular. (fig. 11) [58, 59]
28 Figura 11 – Mecanismo de vasodilatação das células do músculo liso. O NO produzido nas células endoteliais promove a transformação de GTP em GMPc, através da enzima guanilil ciclase, nas células do músculo liso. O GMPc leva à diminuição da concentração de Ca2+ intracelular e ao consequente relaxamento muscular[59, 60] O relaxamento vascular permite o ingurgitamento dos espaços sinusoidais, ou seja, o preenchimento com sangue dos corpos cavernosos, resultando no alongamento e alargamento do pénis e na compressão das veias subtunicais. Deste modo, ocorre uma oclusão do fluxo venoso, concentrando o sangue nos corpos cavernosos e mantendo o pénis ereto. (fig. 12) Figura 12 – Anatomia da ereção peniana. A vasodilatação resulta no ingurgitamento dos espaços sinusoidais e consequente preenchimento com sangue dos corpos cavernosos. [61] 3. Tratamento [48, 62, 63] As opções terapêuticas atuais para a disfunção erétil incluem 5 tipos de inibidores orais das fosfodiesterases (PDE5), o alprostadilo intrauretral e as injeções trimix intracavernosas. A 1ª linha de tratamento para esta patologia são os inibidores da enzima 5-fosfodiesterase (5PDE), como o sildenafil, o tadalafil e o vardenafil. A enzima 5-fosfodiesterase é responsável pela formação de GMP, a partir de GMPc. (fig. 11) Assim, estes fármacos levam a uma acumulação de GMPc e, consequentemente, de NO, promovendo o relaxamento do músculo liso. Outra opção terapêutica consiste na administração local, por via injetável ou através de um lápis uretral, de fármacos vasoativos intracavernosos, como a prostaglandina E1 (alprostadilo), cuja ação é
29 independente da via do cGMP e não necessita da função do nervo intacta. Por fim, a terapia de injeção trimix intracavernosa é altamente eficaz para desencadear a vasodilatação direta e melhorar o desempenho erétil independentemente da função do nervo. No entanto, a administração direta apresenta vários inconvenientes, devido à sua complexidade e o desconforto durante a sua aplicação. 4. Disfunção Erétil como um sinal de Doenças Cardiovasculares [61, 64-67] Apesar da disfunção erétil ser uma doença multifatorial, verifica-se que, na maioria dos casos, esta deve-se a causas vasculares, nomeadamente à disfunção endotelial, que resulta numa menor libertação de NO e, deste modo, na diminuição da vasodilatação responsável pela ereção peniana. Este é o elo comum entre a disfunção erétil e as doenças cardiovasculares, onde a disfunção endotelial exerce também um importante papel. Por este motivo, vários estudos sugerem a disfunção erétil como um marcador precoce das doenças cardiovasculares. Esta possível sequência de eventos justifica-se através das diferenças de diâmetro estre as artérias penianas e as artérias coronárias. Tendo em conta que as artérias penianas têm cerca de metade do diâmetro das artérias coronárias, os efeitos da disfunção endotelial e da inflamação dos vasos verificam-se mais precocemente nos vasos de menor calibre (artérias penianas) e apenas posteriormente nos vasos de maior calibre (artérias coronárias). Deste modo, a disfunção erétil poderá ser útil na deteção de uma doença cardiovascular silenciosa e na prevenção de um evento coronário grave. Figura 13 – Comparação entre os diâmetros das diferentes artérias (peniana, coronária, carótida interna e femoral) e consequente percentagem de obstrução do fluxo sanguíneo.[67] Esta hipótese foi comprovada por inúmeros estudos que demonstraram que a disfunção erétil aumentou significativamente o risco de doença cardiovascular, doença arterial coronária e enfarte do miocárdio, e a mortalidade em geral, principalmente através do aumento da mortalidade cardiovascular, de uma forma independente dos fatores de risco convencionais. Por este motivo, aconselha-se que os homens que sofram de disfunção erétil realizem rastreios cardiovasculares periódicos, de modo a despistar possíveis doenças coronárias futuras.
30 5. Sazonalidade na venda de medicamentos para o tratamento da disfunção erétil De modo a tentar compreender melhor a dinâmica da procura e venda de medicamentos para o tratamento da disfunção erétil na Farmácia da Vilarinha, realizei uma breve análise das vendas destes produtos ao longo do ano de 2015. Para tal, fiz um levantamento do stock existente na farmácia e, de seguida, reuni os valores das vendas no programa Office Excel. As substâncias ativas existentes na Farmácia da Vilarinha para o tratamento da disfunção erétil são: sildenafil, tadalafil e vardenafil. O sildenafil é mais conhecido por Viagra® (PFIZER), mas existe também disponível sob a forma de Medicamento Genérico, de diferentes laboratórios. Por outro lado, o tadalafil e o vardenafil apenas se encontram sob a sua forma comercial, Cialis® (LILLY) e Levitra® (BAYER), respetivamente. Figura 14 – Representação gráfica da variação mensal da venda de inibidores de fosfodiesterases, no ano de 2015, na Farmácia da Vilarinha Como se pode inferir através do gráfico apresentado, verifica-se um aumento na procura dos inibidores das fosfodiesterases em determinados meses ao longo do ano. Estas oscilações coincidem com algumas épocas festivas, como o Dia dos Namorados, em fevereiro, ou a Passagem de Ano, em dezembro, e épocas de férias, como as férias da Páscoa e do Verão. Esta variação poder-se-á, eventualmente, justificar pela maior disponibilidade e predisposição dos indivíduos nestas alturas do ano, resultando, deste modo, numa vida sexual mais ativa. (fig. 14) Como o meu estágio decorreu ao longo de umas das épocas de maior procura destes medicamentos, nomeadamente os meses de junho e julho, pareceu-me pertinente elaborar um folheto informativo acerca da disfunção erétil e da sua importância como marcador precoce de doenças cardiovasculares. Este folheto pretendia alertar os homens com esta patologia para a importância de realizarem rastreios cardiovasculares periodicamente e de adotarem um estilo de vida e alimentação saudáveis. (Anexo VIII) 19 31 37 25 23 30 37 23 24 31 29 35 0 5 10 15 20 25 30 35 40 12345678910 11 12 Nº de embalagens Meses Sazonalidade Total
31 Conclusão Ao longo destes 3 meses de estágio em farmácia comunitária, tive a oportunidade de testemunhar a complexidade da profissão farmacêutica, que é muito mais do que o simples atendimento ao público. Para além de conhecer o arsenal terapêutico disponível na farmácia, o farmacêutico tem que dominar uma variedade de tarefas, desde a gestão de encomendas até ao controlo de receituário, que requerem capacidades de gestão, organização, autonomia, entre outras, sempre com um elevado sentido de responsabilidade. Adicionalmente, o farmacêutico tem o dever e a obrigação de se manter constantemente informado e atualizado dos progressos científicos e tecnológicos, de modo a prestar um serviço de qualidade e excelência aos seus utentes, salvaguardando a sua saúde e segurança. Todas estas valências do farmacêutico foram-me transmitidas pela equipa da Farmácia da Vilarinha, sempre com a maior disponibilidade e amabilidade. Com cada um dos meus colegas aprendi algo importante para a minha formação e desenvolvimento pessoal e profissional. Através dos casos de estudo desenvolvidos, pude aprofundar um pouco mais dois temas que me pareceram pertinentes no contexto da Farmácia da Vilarinha. Tanto a psoríase como a disfunção erétil são temas muito atuais e que podem comprometer bastante a qualidade de vida dos indivíduos afetados. Por um lado, a psoríase encontra-se aliada a uma forte componente psicológica, na medida em que os seus sintomas, para além do evidente desconforto físico, podem comprometer algumas tarefas básicas do quotidiano, bem como a interação social dos pacientes. Por outro lado, a disfunção erétil, sendo uma condição cada vez mais comum na sociedade e em pacientes cada vez mais novos, pode estar relacionada com o desenvolvimento de doenças cardiovasculares subjacentes e, deste modo, pode constituir um importante marcador precoce das mesmas. Assim, procurei contribuir para uma maior consciencialização de ambas as doenças junto da comunidade e, quando possível, acompanhar os utentes no controlo das mesmas. Deste modo, com a conclusão desta etapa, que marca o final do meu percurso académico, sintome preparada para enfrentar o mundo profissional e desempenhar a profissão farmacêutica, com o maior sentido de dever e responsabilidade que a mesma acarreta.
38 Anexo III – Apresentação para consolidação de conhecimentos
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41 Anexo IV – Resumo da Atividade “A Escola, o Sol e a Alimentação” Atividade “A Escola, o Sol e a Alimentação” Nos dias 30 de Maio e 1 de Junho de 2016, a Farmácia da Vilarinha organizou uma atividade de sensibilização da comunidade para a proteção solar. O público-alvo desta atividade foi a população infantil, devido à importância de implementar, desde cedo, conceitos básicos acerca da proteção solar, cruciais para um crescimento e desenvolvimento saudável. A atividade ocorreu na Escola Básica da Vilarinha e no Centro Social da Foz do Douro. A Escola Básica da Vilarinha engloba alunos do ensino pré-escolar e do primeiro ciclo, perfazendo um total de 285 alunos. Por sua vez, o Centro Social da Foz do Douro é constituído por 65 alunos do ensino pré-escolar, ao qual está associado um centro de dia para idosos. Escola Básica da Vilarinha Centro Social da Foz do Douro A atividade iniciou-se com uma pequena apresentação cedida pelo Grupo Holon, intitulada “A Escola, o Sol e a Alimentação”. Esta apresentação focava pontos essenciais da importância do sol na vida dos seres humanos, distinguia os diferentes tipos de radiação solar e referia os principais cuidados a ter com a exposição solar, tanto a nível da utilização de protetor solar como da alimentação adequada durante este período. A informação passada e a linguagem utilizada foi sendo adaptada consoante a idade dos grupos de crianças, de modo a que as ideias principais ficassem bem esclarecidas. Apresentação aos alunos da Escola Básica da Vilarinha No fim da apresentação, procedeu-se à consolidação da informação considerada mais importante, através de um pequeno questionário. Por fim, ofereceu-se às crianças um pequeno brinde da Avene® e foi sugerida a elaboração de um desenho relativo ao assunto tratado durante a apresentação.
42 Folha para o desenho e respetivo brinde Brinde oferecido no fim da apresentação Foi então pedido às crianças da Escola Básica da Vilarinha que se dirigissem à farmácia para entregar o seu desenho, acompanhadas por um familiar, e, após uma pequena visita à farmácia, foi-lhes oferecido um brinde do Grupo Holon. Visita das crianças à Farmácia da Vilarinha De todos os desenhos entregues, foi escolhido o vencedor e exposto na farmácia durante o mês de Junho. Por outro lado, os desenhos do Centro Social da Foz do Douro foram entregues aos idosos do centro de dia, que foram responsáveis por escolher os dez melhores desenhos. Estes desenhos foram também expostos na farmácia durante o mês de Junho e, de entre estes, foi escolhido o vencedor pelos colaboradores da Farmácia da Vilarinha. Ambos os vencedores tiveram direito a um prémio.
43 Prémio para os vencedores do concurso Deste modo, para além do objetivo principal de consciencialização das crianças acerca dos cuidados a ter com a exposição solar, pretendeu-se também a promoção do contacto da população infantil com a profissão farmacêutica e a sua aproximação ao espaço da farmácia, apresentando-a como um local de saúde e bem-estar.
44 Anexo V – Publicação da atividade na Revista H, do Grupo Holon
45 Anexo VI – Inquérito – “Em que medida a Psoríase condiciona a sua vida?” Inquérito – Em que medida a Psoríase condiciona a sua vida? 1. Idade: 2. Sexo: Feminino Masculino 3. Profissão: 4. Hábitos tabágicos: Não Fumador Fumador Ex-Fumador 5. Consumo de bebidas alcoólicas: Não consumidor Consumidor Ocasional Consumidor Regular (pelo menos uma bebida alcoólica por semana) 6. Prática de exercício físico: Regular (pelo menos 2 vezes por semana) Não frequente 7. Há quanto tempo lhe foi diagnosticada a psoríase? 8. Qual é o tipo de psoríase diagnosticada? Psoríase em placas Psoríase gutata Psoríase pustulosa Psoríase flexural ou inversa Psoríase eritrodérmica Artrite psoriática 9. Tem familiares próximos com psoríase? Sim Não 10. Quais as regiões do seu corpo surgem habitualmente as lesões cutâneas? Cabeça Tronco Membros Superiores Membros Inferiores Região Abdominal Região Lombar Região Genital Zona palmo-plantar Unhas
46 11. Com que frequência se manifestam os sintomas cutâneos? Todos os dias 3-5 vezes por semana 3-5 vezes por mês Raramente 12. Possui alguma das seguintes co-morbilidades? Obesidade Aterosclerose Diabetes mellitus Hipertensão arterial Dislipidémia Síndrome Metabólica Acidente Vascular Cerebral (AVC) Doença Renal Úlcera Péptica Depressão/Ansiedade 13. Atualmente ou nos últimos 6 meses fez fototerapia (PUVA)? Sim Não 14. Atualmente ou nos últimos 6 meses fez tratamento com medicamentos de ação tópica? Sim Não 15. Atualmente, ou nos últimos 6 meses, fez tratamento com Medicamentos Sistémicos Clássicos (não biológicos)? Sim Não 16. Atualmente, ou nos últimos 6 meses, fez tratamento com Medicamentos Biológicos? Sim Não Índice de Qualidade de Vida em Dermatologia (DLQI) 1. Na última semana, sentiu a pele irritada e mais sensível, comichão ou sensação de picadas? Muito Bastante Um pouco Nada 2. Na última semana, sentiu-se embaraçado(a) ou incomodado(a) por causa do estado da sua pele? Muito Bastante Um pouco Nada 3. Na última semana, até que ponto o seu problema de pele prejudicou a sua vida normal? Muito Bastante Um pouco Nada Não aplicável
47 4. Na última semana, a escolha da roupa que usou teve que ver com o estado da sua pele? Muito Bastante Um pouco Nada Não aplicável 5. Na última semana, até que ponto o seu problema de pele afetou o convívio com outras pessoas ou mesmo os seus tempos livres? Muito Bastante Um pouco Nada Não aplicável 6. Na última semana, até que ponto o seu problema de pele o impediu de praticar desporto? Muito Bastante Um pouco Nada Não aplicável 7. Na última semana, o seu problema impediu-o(a) de trabalhar ou estudar? Sim Não Não aplicável 8. Na última semana, o estado da sua pele criou-lhe problemas no relacionamento com colegas de trabalho, o/a seu/sua companheiro(a), alguns amigos próximos ou familiares? Muito Bastante Um pouco Nada Não aplicável 9. Na última semana, até que ponto o seu problema de pele lhe causou dificuldades sexuais? Muito Bastante Um pouco Nada Não aplicável 10. Na última semana, até que ponto os tratamentos para a sua pele lhe criaram problemas, por exemplo sujar a casa ou lhe tomarem demasiado tempo? Muito Bastante Um pouco Nada Não aplicável
Faculty of Pharmacy, University of Porto Masters in Pharmaceutical Sciences ii Maria Inês de Barbosa Cruz Professional Training Report – AOU Sassari, Italy Faculty of Pharmacy, University of Porto Masters in Pharmaceutical Sciences Professional Training Report Azienda Ospedaliera Universitaria di Sassari (Italy) January 2016 – April 2016 Ana Rita Ferreira Ramalho and Maria Inês de Barbosa Cruz Advisor: Dott.ssa Annalisa Manca September 2016
Faculty of Pharmacy, University of Porto Masters in Pharmaceutical Sciences iii Maria Inês de Barbosa Cruz Professional Training Report – AOU Sassari, Italy Declaration of Integrity I, Maria Inês de Barbosa Cruz, the undersigned, no. 201104860, student of the Master in Pharmaceutical Sciences, of the Faculty of Pharmacy, University of Porto, declare that I have acted with absolute integrity in the elaboration of this document. In this sense, I confirm that I did NOT incurred in plagiarism (act by which an individual, even by default, assumes the authorship of a certain intellectual work or parts of it). I also declare that all the sentences picked out of previous works belonging to other authors were reported or written with new words, and in this case placed citation of the source literature. Faculty of Pharmacy, University of Porto, 16th April 2016,
Faculty of Pharmacy, University of Porto Masters in Pharmaceutical Sciences iv Maria Inês de Barbosa Cruz Professional Training Report – AOU Sassari, Italy Index List of Abbreviations ………………………………………………………………..… V Index of Figures ………………………………………………….……………………. VI 1. Introduction ……………………………………………………………….……… 1 2. Internal Pharmacy: Magazzino 1 ………………………………………..…….. 3 3. Pharmacy for Patients in Discharge: Magazzino 6 ………………….…….. 7 4. Galenic Pharmacy ………………………………………………………….….. 10 4.1. Non-sterile Department ……………………………………………….…. 10 4.2. Sterile Department …………………………………………………….….. 11 a. Parenteral Nutrition Laboratory …………………………………….. 11 b. Cytotoxic Drugs Laboratory ………………………………………… 12 5. Conclusions ………………………………………………………….…………. 13 6. References …………………………………………………………….………... 14 7. Timetable ……………………………………………………………….……….. 15
Faculty of Pharmacy, University of Porto Masters in Pharmaceutical Sciences v Maria Inês de Barbosa Cruz Professional Training Report – AOU Sassari, Italy List of Abbreviations AIC – Autorizzazione all’Immissione in Commercio AIFA – Agenzia Italiana del Farmaco AOU – Azienda Ospedaliera Universitaria ASL – Azienda Sanitaria Locale ATC – Anatomical Therapeutic Chemical Code CFO – Compendio Farmaceutico Ospedaliero EMA – European Medicines Agency HEPA – High-Efficiency Particulate Arrestance MAGA1 – Magazzino 1 (Internal Pharmacy) MAGA6 – Magazzino 6 (Pharmacy for Patients in Discharge) OECD – Organisation for Economic Co-operation and Development PSN – Piano Sanitario Nazionale PTR – Prontuario Terapeutico Regionale SISaR – Sistema Informativo Sanitario Integrato Regionale SSN – Servizio Sanitario Nazionale UFA – Unità di Farmaci Antiblastici WHO – World Health Organization
Faculty of Pharmacy, University of Porto Masters in Pharmaceutical Sciences vi Maria Inês de Barbosa Cruz Professional Training Report – AOU Sassari, Italy Index of Figures Figure 1: Main menu of the AREAS software. 4 Figure 2 and 3: Example of a request sent to MAGA1. 5 Figure 4 and 5: Example of a search in CFO. 6 Figure 6: Example of the registration in AIFA website. 8 Figure 7 and 8: Example of the registration in AREAS of a dispense from MAGA6. 9
Faculty of Pharmacy, University of Porto Masters in Pharmaceutical Sciences 1 Maria Inês de Barbosa Cruz Professional Training Report – AOU Sassari, Italy 1. Introduction The Italian National Health Service (Servizio Sanitario Nazionale - SSN) was established in 1978 and it’s based on fundamental values and principles recognized by several international organizations, such as the World Health Organization (WHO) and the Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD). [1] This health system is a regionally based national health service that provides universal coverage to all Italians, mainly free of charge at the point of service, regardless of their social status, gender or income. The main source of financing is national and regional taxes, complemented by co-payments for pharmaceuticals and ambulatory care. [2] The SSN is based on the national health plan (Piano Sanitario Nazionale - PSN), managed by the central government, which sets the fundamental principles and goals of the health system and determines the basic package of health service available to all citizens. From PSN derive the regional health plans (Piani Sanitari Regionali - PSR), that are under the scope of the regional governments responsible for organising and delivering primary, secondary and tertiary health-care services. The centers that provide health assistance are the hospitals (Azienda Ospedaliera) and the local health units (Azienda Sanitaria Locale). [2, 3] Another important element of the national health service in Italy is Agenzia Italiana del Farmaco (AIFA). This is the national authority responsible for drugs regulation in Italy, that operates autonomously, transparently and according to costeffectiveness criteria, under the direction of the Minister of Health and under the vigilance of the Ministry of Health and the Ministry of Economy. It cooperates with the main health and pharmaceutical authorities, with the purpose of promoting good health through medicines, encouraging pharmaceutical research and development and making the connection with foreign agencies and the European Medicines Agency (EMA). [4] Until the end of 2015, there were two different health units in Sassari: the Azienda Ospedaliera Universitaria (AOU Sassari), that was part of the university, and the Azienda Sanitaria Locale Nº1 (ASL1), in which the hospital Santissima Anunziata was included. From the beginning of 2016, a merge occurred between
Faculty of Pharmacy, University of Porto Masters in Pharmaceutical Sciences 2 Maria Inês de Barbosa Cruz Professional Training Report – AOU Sassari, Italy these two units, from which resulted a single complex named Azienda Ospedaliera Universitaria di Sassari. This complex is in charge of the health assistance of the province of Sassari, that includes the districts of Sassari, Ozieri, Alghero, Ittiri and Thiesi. [4] Our traineeship was held in the Ospedale Santissima Anunziata, which belongs to the AOU Sassari, in Sardinia, from January to April of 2016. The hospital pharmacy is divided into three major departments: internal pharmacy (Magazzino 1 or MAGA1), pharmacy for patients in discharge (Magazzino 6 or MAGA6) and galenic pharmacy. The working timetable of the hospital pharmacy is from Monday to Saturday, from 8:00 to 14:00. The work load is shared between pharmacists, nurses, technicians and administrative staff. When our traineeship started, the director of the hospital pharmacy was the pharmacist Dott.ssa Liliana Sulas. However, throughout our time there, due to the organisational changes, the new director became Prof. Mario Moretti. Because of this situation, our traineeship was mainly held by all of the pharmacists from the different departments, who were always available to guide us and, therefore, had a very important role in our training. One of the main tools used in the pharmacy hospital is the Prontuario Terapeutico Regionale (PTR), which includes a selection of therapeutic resources based on available scientific evidence and represents an important tool for the clinical management of medication, allowing the communication with doctors in order to orient and optimize the pharmaceutical prescription. There is a PTR for each region, according to the most common medical issues in that specific territory, providing an annotated list of the medicines best suited to each pathology and patient. [6] This basic knowledge was the starting point from where we began to explore and understand each specific department and its main challenges.
Faculty of Pharmacy, University of Porto Masters in Pharmaceutical Sciences 3 Maria Inês de Barbosa Cruz Professional Training Report – AOU Sassari, Italy 2. Internal Pharmacy: Magazzino 1 The main role of the Internal Pharmacy is to deliver the medicines and medical devices to the different departments of the hospital and clinics in the region. This is assured by a complex team of five pharmacists, two nurses, seven technicians and two administratives. The pharmacists act not only as health care professionals, but also as managers. Their responsibilities include the evaluation of the medical prescriptions, the proper dispense of sanitary products, the acquirement of pharmaceutical products, the establishment of quality control procedures and the correct conservation of medicines. In this specific pharmacy, there are three pharmacists responsible for the management of medicines and two for the management of medical devices. The Internal Pharmacy is organized into two floors: the basement, where are all the solutions and the ground floor where are kept the medicines and medical devices. The medicines are organised on shelves according to a specific code: the Anatomical Therapeutic Chemical Code (ATC). This is a system of classification controlled by the WHO for the active ingredients of medicines according to the organ or system on which they act and their chemical, pharmacological and therapeutic properties. [7] The ground floor is divided into different areas. The main room has all the medicines, an area for the ordinary requests, another for the urgent requests and a balcony where the customer service is held. Besides this room, there are another two rooms where the medical devices are kept and a third one to store the stupefying agents, that is locked and only accessible by pharmacists. Additionally, there are four fridges and two freezers, to assure the correct conservation temperatures of specific medicines. As mentioned above, this magazzino is accountable for the preparation of both ordinary and urgent requests, from the different departments of the hospital and clinics. The urgent requests arrive to MAGA1 every day, from 8:00 to 10:30, mainly electronically, through a software called AREAS, or by fax. This requests are then delivered between 12:30 and 13:30 of the same day.
Faculty of Pharmacy, University of Porto Masters in Pharmaceutical Sciences 4 Maria Inês de Barbosa Cruz Professional Training Report – AOU Sassari, Italy The software AREAS is an information technology platform that integrates all the components of the Sistema Informativo Sanitario Integrato Regionale project (SISaR). This project it’s an unmatched case in Italy, that consists in the creation of a single integrated health information system for the region of Sardinia, embracing the network of eight ASL and three AOU. [8] Therefore, AREAS is an important tool in the pharmacy, not only for the delivery and registration of the requests, but also for the management of stocks, input and output of medicines. Figure 1: Main menu of the AREAS software. In the left, there are seven different main subjects, which have several possible operations within them, that appear in the right side of the display. The ordinary requests arrive each morning, through AREAS, and are then prepared by the technicians. All the requests from the same department are stored in one common box and then delivered by a distributor. There is a specific schedule for the preparation of these requests, according to their source. Therefore, on Monday and Thursday, the technicians prepare the requests from the departments of the hospital, on Tuesday and Friday, the requests from the clinics of the university, and on Wednesday and Saturday, the requests from other sources.
Faculty of Pharmacy, University of Porto Masters in Pharmaceutical Sciences 5 Maria Inês de Barbosa Cruz Professional Training Report – AOU Sassari, Italy Figure 2 and 3: Example of a request sent to MAGA1. On the first display (fig.2), one can find important information, such as, the department responsible for the request, its date and status, and if this is an urgent or ordinary request. In the products display (fig.3), there are the medicines or medical devices requested, along with the quantities requested and the quantities that were actually delivered. Our main task while we were in this pharmacy was the preparation of the urgent requests. Therefore, once we arrived, we printed all the requests from that day and used the Autorizzazione all’Immissione in Commercio (AIC) code to search for the medicines in a program called Compendio Farmaceutico Ospedaliero (CFO).
Faculty of Pharmacy, University of Porto Masters in Pharmaceutical Sciences 12 Maria Inês de Barbosa Cruz Professional Training Report – AOU Sassari, Italy b. Cytotoxic Drugs Laboratory The Unità di Farmaci Antiblastici (UFA) plays an important role in the supply of chemotherapy in the region of Sardinia, since it is responsible of providing cytotoxic drugs to all the oncology departments from the regions of Sassari, Alghero and Ozieri, used to treat cancer and some rare diseases. The laboratory is divided into three rooms: a non-sterile room, where the pharmacist puts on the adequate clothing; a sterile room, where the drugs are prepared; and a room that makes the connection between the sterile and non-sterile rooms. In this laboratory, there is a vertical laminal flow chamber, that assures the sterility of the preparations and the surfaces, as well as the safety of the operator, since these drugs can be dangerous after long exposures. Each morning, about 100 to 150 prescriptions arrive to this laboratory by fax. The preparation of cytotoxic drugs is a very systematic procedure, in order to guarantee the absence of mistakes. Once the prescriptions arrive, the pharmacist examines them, verifies if the posology is adequate and prepares the labels. Then, he registers all the therapies to be prepared that day and makes the calculations for each one of them. This is an important step, since only the exact quantities needed can enter the sterile room, in order to avoid mistakes and to assure that the preparation is accurate. Inside the sterile room, there can only be one person at a time. Once all the preparations are finished, a technician is in charge of registering them on AREAS.
Faculty of Pharmacy, University of Porto Masters in Pharmaceutical Sciences 13 Maria Inês de Barbosa Cruz Professional Training Report – AOU Sassari, Italy 5. Conclusions Throughout these three months of traineeship, we were able to learn and grow in the professional and personal level, due to the challenges and responsibilities that we had to face. In our point of view, this experience allowed us to close a loophole that occurred in our academic education, regarding the role of a hospital pharmacist. Thereby, we got acquainted with pathologies, patients and medicines that are not commonly seen in private pharmacies. We also realized the importance of good management skills and psychological endurance by the pharmacist in charge, since he is faced with the difficult task to balance the budget between the new and expensive medicines and the cheaper but also crucial ones. On the other hand, the fact that this traineeship took place in Sardinia, Italy, also brought us even more benefits. Even though we had had Italian classes in Portugal, in the first few days, we came across the language barrier that made communication difficult, forcing us adapt and improvise. However, as the time went by, our language skills improved and we started to feel more confident in ourselves and in the performance of our job. This was only possible due to the constant support and availability of the technicians, nurses and pharmacists that were always patient and dedicated. Moreover, we had the opportunity to get to know the Italian health system and, specifically, the healthcare plan of the region of Sardinia. Finally, we developed a sense of responsibility since this was our first real experience in the professional world and we were faced with several delicate situations in a daily basis. We feel that our performance was substantially positive, given the fact that, throughout our days there, they trusted us enough to give us more independence and we were already able to do several important tasks all by ourselves. Therefore, we felt like we had an important role in the pharmacy and that we were appreciated.
Faculty of Pharmacy, University of Porto Masters in Pharmaceutical Sciences 14 Maria Inês de Barbosa Cruz Professional Training Report – AOU Sassari, Italy 6. References [1] Ministero della Salute: Guide to the Italian National Health Service. Available at: www.salute.gov.it [accessed in 28th March 2016] [2] Migrare: Cos’è e come funziona il Servizio Sanitario Nazionale. Available at: www.migrare.it [accessed in 28th March 2016] [3] Understanding Italy: Italian National Health Service. Available at: www.understandingitaly.com [accessed in 28th March 2016] [4] Agenzia Italiana del Farmaco: The Italian Medicines Agency. Available at: www.agenziafarmaco.gov.it [accessed in 30th March 2016] [5] ASL Sassari: L’Azienda Sanitaria di Sassari. Available at: www.aslsassari.it [accessed in 30th March 2016] [6] AOU Sassari: Prontuario Terapeutico Regionale. Available at: www.aousassari.it [accessed in 30th March 2016] [7] WHO Collaborating Centre for Drugs Statistics Methodology: ATC – Structure and Principles. Available at: www.whocc.no [accessed in 4th April 2016] [8] Sanità Elettronica: SISaR: Sistema Informativo Sanitario Integrato della Regione Sardegna. Available at: www.eng.it [accessed in 4th April 2016] [9] Agenzia Italiana del Farmaco: L’autorizzazione all’immissione in commercio. Accessed at: www.agenziafarmaco.gov.it [accessed in 4th April 2016] [10] Agenzia Italiana del Farmaco: Cos’è un farmaco. Available at: www.agenziafarmaco.gov.it [accessed in 7th April 2016] [11] Agenzia Italiana del Farmaco: Note AIFA. Available at: www.agenziafarmaco.gov.it [accessed in 7th April 2016]
Faculty of Pharmacy, University of Porto Masters in Pharmaceutical Sciences 15 Maria Inês de Barbosa Cruz Professional Training Report – AOU Sassari, Italy 7. Timetable Month Sun Mon Tue Wed Thu Fri Sat Jan 2016 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 1 2 3 4 5 6 Feb 2016 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 1 2 3 4 5 Mar 2016 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 1 2 Apr 2016 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 MAGA1 MAGA6 Galenic
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