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O Agenda-Setting e a Construção de Identidade das Mulheres Carolina Machado Relatório de Estágio de Mestrado em Ciências da Comunicação – Estudos dos Media e do Jornalismo Junho, 2020
Relatório de Estágio apresentado para cumprimento dos requisitos necessários à obtenção do grau de Mestre em Ciências da Comunicação realizado sob a orientação científica do professor Jacinto Godinho
“The goals of the feminist movement have not been achieved, and those who claim we’re living in a post-feminist era are either sadly mistaken or tired of thinking about the whole subject.” Margaret Atwood
AGRADECIMENTOS Gostaria de começar por agradecer à minha família, pelo incentivo que recebi ao longo de todo o processo de desenvolvimento deste trabalho. Por toda a força que me deram para continuar e persistir até alcançar os meus objetivos, e por me motivarem sempre a ser e fazer melhor, obrigada. Ao grupo incrível de amigos que tenho a sorte de ter comigo, obrigada por todo o apoio que me deram e dão constantemente em quaisquer desafios que passe na vida. Obrigada por estarem presentes, e por acreditarem em mim. Ao professor Jacinto Godinho, por ter aceite ser meu orientador e por me ter guiado na realização deste trabalho. Obrigada por todo o tempo que despendeu para me ajudar e pelo apoio que me deu. Um especial agradecimento às instituições de ensino superior Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) e Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH) por terem contribuído para a minha formação. À Trust In News (TIN), agradeço a confiança depositada em mim para todas as tarefas que realizei durante o meu estágio na revista Visão. Obrigada por terem contribuído para que me tornasse numa pessoa mais independente e determinada.
O AGENDA-SETTING E A CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE DAS MULHERES CAROLINA MACHADO RESUMO O presente relatório de estágio tem como objetivo perceber de que forma as mulheres estão a ser representadas na revista Visão, explorando qual o seu papel nas notícias em que são destacadas. Colocam-se as seguintes questões: de que forma é que o agenda-setting está a influenciar a visão que as mulheres têm de si mesmas e, por conseguinte, a sua construção de identidade? Em que circunstâncias é que as mulheres são protagonistas das notícias da Visão? De modo a chegar a respostas sobre o tema proposto, a metodologia aplicada será a seguinte: a investigação presente da estagiária no local de estudo, realizada ao longo de três meses, num horário a tempo inteiro, completando um total de mais de 400 horas, e a análise de conteúdos jornalísticos da revista produzidos durante os meses de setembro a dezembro de 2019. Dentro da análise de notícias foi feita a seguinte divisão: uma análise referente à forma e ao conteúdo, feita através de métodos quantitativos, com a utilização de gráficos e discussão dos mesmos; e uma análise referente ao discurso, feita através de métodos qualitativos, com o propósito de avaliar o vocabulário e expressões utilizadas referentes a mulheres. No final deste trabalho deverá ser possível responder às questões principais desta investigação, concluindo de que forma a revista Visão utiliza as suas plataformas para dar voz a questões de feminismo pertinentes na sociedade em que vivemos. PALAVRAS-CHAVE: agenda-setting, feminismo, mulheres, género, identidade
AGENDA-SETTING AND WOMEN’S IDENTITY CONSTRUCTION CAROLINA MACHADO ABSTRACT This internship report aims to understand how women are being represented in the magazine Visão, exploring their roles in the news in which they appear as the main focus. The following questions must be answered: How is agenda-setting influencing the vision women hold upon themselves and, therefore, their identity construction? In which circumstances do we see women as a leading role in the news of Visão magazine? With the purpose of reaching conclusions about this issue, the following methodology is proposed: the present investigation done by the intern in the internship location, during a period of three months, in a full time schedule, reaching a total of over 400 hours, and the analysis of journalistic content produced from september until december of 2019. In order to analyse the journalistic content, the following division was made: an analysis regarding form and content, achieved through quantitative methods, with the use of graphics which proceeded to be evaluated; and an analysis regarding discourse, achieved through qualitative methods, with the purpose of evaluating the vocabulary and expressions used refering to women. By the end of the present report, the answers to the investigation questions should be clear, concluding in which way the magazine Visão uses its platforms to voice feminism matters relevant in nowadays society. KEYWORDS: agenda-setting, feminism, women, gender, identity
ÍNDICE INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 1 CAPÍTULO I – ENTIDADE DE ACOLHIMENTO .............................................................. 3 1. Trust In News (TIN) – Revista Visão .................................................................. 3 CAPÍTULO II – ESTÁGIO CURRICULAR ........................................................................ 7 1. Estágio na redação da Visão ............................................................................ 7 2. Experiência de estágio .................................................................................... 8 2.1. Desenvolvimento de artigos para o online ......................................................... 9 2.2. Desenvolvimento de artigos para a revista ...................................................... 11 2.3. Atividade fora da redação ................................................................................. 12 3. Balanço crítico .............................................................................................. 13 CAPÍTULO III – AGENDA-SETTING ............................................................................ 16 1. Agenda-Setting: definição e enquadramento do conceito ............................... 16 2. Os media e a seleção de notícias ................................................................... 18 CAPÍTULO IV – CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE DAS MULHERES ................................ 21 1. Emergência do movimento feminista ............................................................. 21 2. Representação da mulher nos media ............................................................. 26 3. Construção de identidade ............................................................................. 30 CAPÍTULO V - A COBERTURA JORNALÍSTICA DA MULHER NA VISÃO ........................ 34
1. Objetivos e pertinência do tema .................................................................... 34 1.1. Questões de investigação ............................................................................ 34 2. Metodologia ................................................................................................. 35 3. Análise e Discussão dos Resultados................................................................ 35 3.1. Análise referente à Forma e Conteúdo ........................................................ 35 3.2. Análise referente ao Discurso ........................................................................ 43 CONCLUSÕES .......................................................................................................... 48 Referências Bibliográficas ....................................................................................... 52 ANEXOS .................................................................................................................... i
LISTA DE TABELAS Tabela 1. Números das marcas pertencentes à TIN ........................................................ 5 Tabela 2. Análise SWOT – Redação Visão, secção Sociedade ........................................ 16 Tabela 3. Palavras-chave dos conteúdos jornalísticos analisados ................................. 44 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1. Género Jornalístico ........................................................................................ 36 Gráfico 2. Suporte .......................................................................................................... 36 Gráfico 3. Autoria ........................................................................................................... 37 Gráfico 4. Secção ............................................................................................................ 38 Gráfico 5. Temática ........................................................................................................ 39 Gráfico 6. Diversidade .................................................................................................... 41 Gráfico 7. Fontes de Informação .................................................................................... 41 Gráfico 8. Relevância da Mulher .................................................................................... 43 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Logótipo da Visão ............................................................................................. 4
7 CAPÍTULO II – ESTÁGIO CURRICULAR 1. Estágio na redação da Visão O meu interesse em estagiar na revista Visão surgiu pela curiosidade em ter uma experiência dentro do ramo do jornalismo – mais especificamente, na parte da imprensa escrita – com o objetivo de concluir o Mestrado em Ciências da Comunicação [Estudos dos Media e do Jornalismo] na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade de Lisboa. Pelo interesse que sempre tive em escrever e relatar histórias, decidi explorar esta área com a motivação de evoluir e desenvolver as minhas capacidades de escrita. A escolha do local foi feita por conhecer a Visão como uma revista de destaque e pela diversidade de tópicos que abrange. A licenciatura em Línguas, Literaturas e Culturas que tirei na Faculdade de Letras de Lisboa despertou-me o interesse para diversas áreas, tendo por isso considerado uma opção acertada estagiar num local que me permitisse explorar dentro de vários temas. Optei por ser colocada na secção da Sociedade pelo meu especial interesse em assuntos do quotidiano, e pela empatia que me motiva a escrever sobre pessoas e as suas histórias. O meu estágio na revista Visão teve início no dia 19 de setembro de 2019 e terminou no dia 18 de dezembro de 2019. O horário fixo seria das 10h às 18h (8h diárias, em registo full-time), no entanto era flexível e divergia consoante a quantidade de trabalho que havia para realizar. O estágio teve como objetivos principais compreender como funcionava a redação da revista, elaborar peças escritas para a secção da Sociedade, tanto para a revista como para o online, aprender a utilizar plataformas necessárias para a publicação dos artigos e explorar temas dentro e fora da minha área de conhecimento, permitindome expandir os meus horizontes. A secção da Sociedade era composta por nove jornalistas, incluindo o coordenador Luís Ribeiro, responsável também por editar artigos
8 para o online, e a editora Alexandra Correia, que tratava da revisão de artigos para a revista e supervisionava os trabalhos dos jornalistas da Sociedade. 2. Experiência de estágio No primeiro dia de estágio, 19 de setembro de 2019, comecei por ser apresentada a todos os trabalhadores da redação da Visão. Fui acompanhada pela subdiretora da revista que me explicou como se dividia o espaço. A redação da Visão, localizada no 2º piso do edifício Fernão Magalhães, na Quinta da Fonte, é composta por várias secções, divididas por jornalistas que escrevem para a revista impressa – havendo a Visão (inclui a Visão Sete), Visão Júnior, Visão História, Visão Biografia e Visão Saúde (esta última adicionada em 2018) – e para o online; editores do online e da revista, e um coordenador por área. A Exame e Exame Informática localizam-se no mesmo piso. Os jornalistas têm os seus postos de trabalho, no entanto não escrevem apenas para a secção onde estão colocados. Todos escrevem para todas as revistas, havendo, porém, um maior foco na sua área de especialização. No dia 4 de outubro de 2019 fiz a minha primeira reportagem, na Escola Básica do Parque das Nações, sobre o projeto educativo Eu Cuido 1 . A reportagem seria posteriormente publicada no site, sendo feita por escrito, com um vídeo elucidativo sobre a iniciativa. A deslocação foi feita de táxi, com o acompanhamento de um profissional da equipa das filmagens, e a reportagem foi organizada por mim. Realizei entrevistas à responsável pelo projeto e aos agentes da PSP que estavam presentes. A reportagem foi feita, escrita e editada para sair no próprio dia. Não houve feedback no final do trabalho. Todas as tarefas que realizei na Visão foram feitas de forma independente, não havendo orientação ou comentários prévia ou posteriormente. Na semana seguinte foi-me sugerido um tema para escrever o meu primeiro artigo para a revista impressa. Seria uma peça sobre reuniões-caminhadas, que saiu na edição de 24 de outubro (revista 1390). O conceito de reuniões-caminhadas começou 1 Reportagem disponível em: https://visao.sapo.pt/atualidade/sociedade/2019-10-04-o-que-e-queacontece-quando-se-juntam-numa-escola-miudos-e-um-cao-policia/
9 com uma proposta da gestora de inovação Nilofer Merchant, que lançou o desafio numa TED Talk em 2013. A proposta seria que as pessoas passassem a fazer reuniões fora do contexto de escritório, experimentando uma nova abordagem, caminhando lado a lado na rua numa troca de ideias mais descontraída. A ideia teve a adesão de executivos de grandes empresas, como Mark Zuckerberg (Facebook) e Jack Dorsey (Twitter), e começou a ganhar cada vez mais popularidade pelas vantagens que traz tanto para a saúde como para a produtividade das discussões. Pedro Fraga (CEO da empresa F3M) decidiu começar a implementar a iniciativa na sua empresa em Lisboa e disponibilizouse para falar comigo numa entrevista. Para a realização deste trabalho desloquei-me, acompanhada por um fotógrafo, até às instalações da empresa tecnológica F3M, onde entrevistei o CEO que iria ter, momentos mais tarde, uma reunião ao ar livre com dois colaboradores externos – à qual pude assistir para ter uma ideia mais concreta do conceito. A fotografia era sempre marcada por mim – elegia o dia e a hora e falava com o coordenador de Fotografia, que me indicava mais tarde o nome do fotógrafo que me acompanharia. Não me era fornecido o contacto do profissional que viria comigo. Também não era dada ao fotógrafo informação sobre o tipo de trabalho que ia realizar, pelo que era na hora do acontecimento que eu indicava o objetivo da visita. 2.1. Desenvolvimento de artigos para o online Todos os dias os jornalistas compõem peças para o online, maioritariamente baseadas em notícias publicadas em jornais, revistas e sites de outros países. Entre os mais utilizados estão: The Guardian, BBC News, The Washington Post, CNN, Science. Os artigos são feitos no LibreOfficeWriter e seguidamente são passados para o Backoffice, onde ficam guardados até ao editor da respetiva secção fazer a análise final do artigo e publicar. As imagens para acompanhar o artigo são procuradas na plataforma Getty Images (a Visão paga uma subscrição mensal para ter acesso à plataforma). Podem ainda ser acrescentados conteúdos em vídeo, dependendo do tipo de notícia, e colocados links
10 diretos para artigos relacionados, caso seja necessário – como é o caso de artigos de ciência, onde é aconselhável haver uma fonte documental como um relatório ou estudo. Durante a minha estadia na secção da Sociedade, não houve uma orientação organizada para a produção de artigos. Era-me pedido por e-mail que escrevesse artigos para o online, na maioria das vezes sem indicações sobre regras ou dicas para a realização da peça. Para além dos artigos que me eram pedidos, todos os dias, por iniciativa própria, pesquisava jornais e revistas e fazia sugestões ao editor e coordenador da Sociedade. Se a proposta fosse aceite, escrevia o artigo. Posteriormente editava sempre as peças com o editor. Ao longo dos três meses de estágio redigi mais de 100 artigos para o online (para a Sociedade, Atualidade e Visão Sete), dois artigos para a Visão e um artigo para a Visão Saúde (este último publicado apenas em fevereiro de 2020). Os artigos para o online eram sobre temas diversificados, sendo que o ambiente foi um dos tópicos que mais trabalhei, tendo saído múltiplas vezes da minha zona de conforto pela complexidade de alguns assuntos. Por vezes era necessário ler relatórios para compreender melhor o tema e fazer uma pesquisa mais aprofundada sobre o acontecimento da notícia. Elaborei também alguns artigos de raiz, falando diretamente com agências de comunicação para obter informação sobre o tema em questão. Para alguns destes artigos era necessário fazer entrevistas, todas elas organizadas por mim e feitas consoante a minha disponibilidade. No final, os editores corrigiam lapsos no texto e, se fosse necessário algum esclarecimento ou acrescentar dados, davam-me essa indicação para que eu pudesse obter a informação que faltava. O artigo “De “medíocre” a “vergonhoso”: a Capital do Natal, em Algés, está a ser arrasada pelos clientes” 2 , que realizei no dia 2 de dezembro de 2019, uma hora após ter sido publicado contava já com mais de mil leituras, concentrando aproximadamente 65% dos leitores do online ativos naquele momento. O artigo chegou assim ao top 10 dos mais lidos da Visão. Para a elaboração deste artigo fiz uma pesquisa nas redes sociais sobre comentários de clientes acerca da sua experiência na Capital do Natal, e consegui 2 Artigo disponível em: https://visao.sapo.pt/atualidade/2019-12-02-de-mediocre-a-vergonhoso-acapital-do-natal-em-alges-esta-a-ser-arrasada-pelos-clientes/
11 obter também o contacto do responsável pelo evento, com quem tive a oportunidade de conversar por telefone para que me pudesse esclarecer em relação a algumas queixas de pessoas que tinham frequentado o parque de diversões. 2.2. Desenvolvimento de artigos para a revista Os artigos para versão impressa eram realizados a ritmos diferentes, dependendo da urgência de publicação. O primeiro artigo que realizei, “Vamos reunir por aí?” 3 foi-me pedido com quase duas semanas de antecedência; o segundo, “Há vida para além dos likes” 4 , foi feito em 24h, e, o terceiro, “Nascer antes do tempo” 5 , foi feito no período de tempo de aproximadamente um mês e meio. Este último foi um artigo mais complexo e trabalhoso que os anteriores. Com o objetivo de contar histórias verídicas sobre pais que tiveram bebés prematuros, tentei dar a conhecer esta realidade e informar o público sobre as dificuldades por detrás desta experiência. Este trabalho exigiu que procurasse contactos de profissionais de saúde, associações e instituições de apoio a pais de bebés prematuros. Todas as pessoas com quem falei para a realização deste artigo mostraram total disponibilidade em contribuir e facilitaram em vários aspetos a minha tarefa. Para as entrevistas que este trabalho exigia, utilizei gravador e, posteriormente, passei para texto as partes mais relevantes de cada conversa. Entrevistei quatro casais ao vivo e por telefone (por questões geográficas), e dois médicos com especialização dentro do assunto: um pediatra e um obstetra. Contactei a XXS – Associação de Apoio ao Bebé Prematuro e a SPN – Sociedade Portuguesa de Neonatologia, que foram muito prestáveis e mostraram-se disponíveis para quaisquer dúvidas ou apoios que precisasse. O artigo teve um total de 6 páginas, e foi um dos destaques da capa da revista Visão Saúde nº10, edição de fevereiro/março 2020. 3 Machado, C. (2019). Vamos reunir por aí. Visão 1390, pp. 86-87 4 Machado, C. (2019). Há vida para além dos "likes". Visão 1394, p.30 5 Machado, C. (2019). Nascer antes do tempo. Visão Saúde 10, pp.82-87
12 2.3. Atividade fora da redação Um dos pontos positivos a realçar do estágio na Visão foi a possibilidade de sair e explorar fora do ambiente de redação. No terceiro dia tive a minha primeira experiência no terreno, em Monsanto, onde me desloquei para obter informação sobre um problema com os sanitários no festival do Iminente. Falei com agentes da polícia e tentei obter informações sobre o sucedido. No entanto, ninguém se disponibilizou para falar comigo, tendo por isso sido uma experiência pouco produtiva. O fotógrafo que me acompanhou deu-me algumas dicas para quando voltasse a realizar esse tipo de trabalho. O trabalho que se seguiu foi a reportagem sobre o projeto Eu Cuido, referida no ponto 2., onde tive o meu primeiro contacto direto com o mundo da reportagem. Tendo chegado ao local identifiquei-me como fazendo parte da Visão e dirigi-me à sala onde decorreria a apresentação do projeto. Comecei por entrevistar a responsável e, de seguida, assisti à sessão feita com crianças do 3ºano da Escola Básica do Parque das Nações. Durante este tempo tirei apontamentos e observei o meu colega da equipa de filmagens trabalhar. No final foi ainda possível conversar com alguns agentes da PSP e entrevistar Paulo Quental (Agente Principal), que tinha feito parte da apresentação do projeto. Com esta experiência aprendi a importância de criar empatia com os entrevistados para que a conversa flua e haja uma dinâmica saudável entre todos e tomei nota de erros cometidos para não repetir futuramente – aqui destaco a relevância do gravador para realizar entrevistas mais extensas. Para este projeto decidi tirar notas em papel, o que dificultou bastante o acompanhamento dos relatos que me iam sendo dados pelos participantes. A terceira vez que saí da redação foi para me deslocar às instalações da empresa de tecnologia da informação F3M, com o objetivo de entrevistar o CEO Pedro Fraga sobre a implementação de reuniões-caminhadas na sua empresa. Conversei também com um especialista em atividade física, professor na Faculdade de Motricidade Humana (FMH), sobre os benefícios de caminhar para a saúde e, para concluir, contactei
13 um especialista em desenvolvimento pessoal, com o objetivo de compreender o impacto na mente de reunir num ambiente descontraído ao ar livre. Estas entrevistas foram feitas ao vivo e por telefone, com ou sem gravador dependendo da extensão que previ para cada conversa. Para a realização do trabalho para a Visão Saúde foi-me também permitido sair da redação para que fizesse entrevistas com o acompanhamento de fotógrafos. No início de novembro desloquei-me até ao Hospital de Santa Maria, ao Espaço Familiar Ronald McDonald, para conversar com um casal açoriano heterossexual e, na mesma semana, fui até ao Montijo para entrevistar um casal homossexual. A experiência de conduzir as entrevistas sozinha, sem orientação, e de as realizar em espaços desconhecidos fez-me sair da minha zona de conforto e ganhar uma maior noção da responsabilidade do trabalho do jornalista. 3. Balanço crítico Tendo concluído três meses de estágio na redação da revista Visão, encontrei vários pontos positivos e negativos dentro da experiência. Assim sendo, optei por fazer uma análise SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities and Threats) com o propósito de analisar a redação da Visão, mais concretamente a secção da Sociedade onde estagiei. A Análise SWOT surgiu com o consultor de negócios Albert Humphrey, durante um trabalho que realizou no Instituto de Pesquisa de Stanford entre 1960-1970. Este método foi concebido com o objetivo de criar um planeamento estratégico para avaliar quais os pontos fortes e fracos de um projeto, e desde aí é utilizado em todo o mundo para fazer diversos tipos de avaliações. Através da utilização da Análise SWOT, serão então feitas observações em forma de síntese sobre questões internas (forças e fraquezas) e externas (oportunidades e ameaças) do local de estágio.
14 Antes da análise, seguem-se observações e críticas sobre a experiência de estágio: Começando pelo backoffice, havia algumas falhas que impediam que os artigos fossem publicados em condições. Foi então instalada uma nova plataforma com um funcionamento mais claro e rápido que permitia aos jornalistas trabalhar com maior facilidade. Houve formações de presença obrigatória para aprender a trabalhar com o novo programa. No site foram feitas algumas alterações em dezembro de 2019. No que toca à nova estrutura, está organizado de forma apelativa e cativante, com uma imagem de realce que aparece ao abrir a página – referente à notícia de destaque do momento – e com uma divisão feita entre 7 revistas da TIN: Visão (com um leque de 16 temáticas diferentes), Visão Sete, Visão Saúde, Exame, Exame Informática, Visão Júnior e JL. Embora a construção do site esteja bem feita, acredito que a nível de conteúdo poderia haver melhorias. A maioria das notícias publicadas são baseadas em jornais e revistas de referência de outros países, sendo que o trabalho a ser feito se traduz em interpretar a notícia e encontrar uma forma apelativa de a dar a conhecer em português. Poderia haver um maior investimento em conteúdos exclusivos para o online. Durante o tempo que estagiei na Visão notei também que embora haja uma ampla variedade de temas, os assuntos mais tratados na Sociedade são relacionados com o ambiente, medicina ou curiosidades. Embora seja relevante abordar estes tópicos, creio que existem outros assuntos dentro da atualidade que poderiam ser falados e tidos como pertinentes. Dentro das propostas de temas que sugeri, tentei dar protagonismo à Mulher na notícia, destacando questões que considerei particularmente importantes. Aqui destaco dois artigos que realizei: “Estudo estima que a arte feita por mulheres represente apenas 2% dos gastos mundiais em leilões” 6 (Visão, Sociedade, 6 Artigo disponível em: https://visao.sapo.pt/atualidade/sociedade/2019-09-20-estudo-estima-que-aarte-feita-por-mulheres-represente-apenas-2-dos-gastos-mundiais-em-leiloes/
15 20.09.2019) e “Estudo conclui que estereótipos no cinema limitam as aspirações das mulheres” 7 (Visão, Sociedade, 01.10.2019). Propus ainda que se elaborasse um artigo sobre a mudança de direção da ILGA (Associação de Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo), pelo facto de ser a associação mais antiga de Defesa dos Direitos Humanos da comunidade LGBTQ+ em Portugal, que passou a ter a partir de dia 26 de outubro de 2019 duas mulheres trans 8 na direção pela primeira vez desde que foi fundada. A associação anunciou na altura a conquista e enumerou algumas mudanças que iriam ocorrer com a nova direção. No entanto, esta proposta não foi bem recebida. Realizei ainda um artigo sobre um novo espaço que abriu em Lisboa, chamado “DragTaste”, que foi considerado como a experiência culinária número 1 no site da Airbnb, dentro de mais de 30 mil experiências sugeridas. Uma iniciativa de dois homens homossexuais que teve um êxito inesperado, superando as expectativas dos fundadores. O artigo acabou por ser descartado. Acredito que a falta de abertura a temas mais atuais poderá eventualmente ser prejudicial para a Visão. Durante os três meses de estágio uma das observações que fiz foi a falta de organização na redação. Existem falhas na comunicação que levam a que jornalistas produzam peças de forma errada, o que leva a discussões com os editores. O trabalho é bastante individualista, não havendo por isso um espírito de equipa muito ativo. Os estagiários não são incluídos socialmente, nem orientados de forma constante durante a sua estadia no local. Estas falhas levam a que haja um ambiente pouco harmonioso entre todos, e a que a motivação para trabalhar não seja elevada. Forças Fraquezas • Publicação diária de notícias no online • Pouco conteúdo exclusivo no online • Exclusão social dos estagiários 7 Artigo disponível em: https://visao.sapo.pt/atualidade/sociedade/2019-10-01-estudo-conclui-queestereotipos-no-cinema-limitam-as-aspiracoes-das-mulheres/ 8 Pessoas cuja identidade de género não corresponde ao seu sexo biológico.
16 • Atualização do backoffice para uma plataforma melhorada • Estrutura do site apelativa • Os estagiários têm oportunidade de sair da redação para a realização de trabalhos • Abordagem de um leque diversificado de temas • Falta de acompanhamento dos estagiários • Desorganização e falta de comunicação na redação • Falta de abertura relativamente a temas mais atuais Oportunidades Ameaças • Produção de mais conteúdo exclusivo (ex: reportagens, entrevistas) • Concorrência de jornais nacionais (ex: Expresso, Público, Diário de Notícias) Tabela 2. Análise SWOT – Redação Visão, secção Sociedade CAPÍTULO III – AGENDA-SETTING 1. Agenda-Setting: definição e enquadramento do conceito O conceito de agenda-setting tem sido estudado ao longo dos anos, por académicos de várias áreas, que se propuseram a compreender melhor o conceito e a explorá-lo para obter conclusões elucidativas sobre o seu uso. A pesquisa tem vindo a expandir-se e novas abordagens têm sido encontradas e discutidas. Podemos ver esta informação destacada em: “The agenda setting research has rapidly expanded beyond its original theoretical domain, the interface of the mass media agenda and the public agenda.” (McCombs & Shaw, 1993, p.59)
23 Freeman (1973) destaca dois grupos dentro do movimento feminista denominado Movimento de Libertação das Mulheres, sendo eles: grupo de Direitos das Mulheres e grupo de Libertação das Mulheres. O primeiro grupo é o mais antigo por ter tido o seu começo primeiro e por ser constituído por pessoas mais velhas. Freeman (1973) confirma esta afirmação em: “partly because it began first and partly because the median age of its activists is higher.” (Freeman, 1973, p.795) Para além de ser um grupo que se desenvolveu há mais tempo, contém também diversas organizações que o constituem e lutam pelos mesmos objetivos, destacando-se a NOW (National Organization for Women). Esta informação está presente em: “It contains numerous organizations, including the lobbyist group (Women’s Equity Action League), a legal foundation (Human Rights for Women), over 20 caucuses in professional organizations, and separate organizations of women in the professions and other occupations. Its most prominent “core group” is The National Organization for Women (NOW), which was also the first to be formed.” (Freeman, 1973, p.795) O segundo grupo é mais recente, composto por agregados mais pequenos, de pessoas mais jovens, envolvidas em várias atividades. Ambos os grupos começaram por ser constituídos maioritariamente por mulheres brancas, de classe média-alta, com estudos. Informação nítida em: “In general, the different style and organization of the two branches was largely derived from the different kind of political education and experiences of each group of women. Women of the older branch were trained in and had used the traditional forms of political action, while the younger branch has inherited the loose, flexible, person-oriented attitude of the youth and student movements.” (Freeman, 1973, p. 797) Nesta segunda onda do feminismo começaram a ser expressas críticas relativamente à cultura popular e os seus estereótipos e também sobre a forma como os media representam as mulheres. Silveirinha (1998) faz referência ao assunto em:
24 “Desde o início do movimento do feminismo de segunda vaga, que se começaram a expressar fortes críticas sobre os estereótipos na cultura popular, sobre a forma como os media noticiosos cobrem os papéis das mulheres e mesmo sobre o retrato das preocupações feministas no feminismo organizado.” (Silveirinha, 1998, p.4) A terceira onda do feminismo, a partir dos anos 80, percebeu a necessidade de as mulheres terem acesso à educação para poderem desenvolver competências e conhecimento, contribuindo para a sua formação de identidade. (Hossain, 2015) Torronen e Rolando (2016) realçam a forma como a educação para as mulheres cresceu e se desenvolveu nos anos 80, e como essa mudança resultou na presença significativa da mulher no mercado de trabalho, aumentando a sua autoestima e autonomia. Embora essas mudanças tenham trazido benefícios, a forma como as mulheres eram vistas continuou a ser um padrão difícil de quebrar, continuando a ter a sua identidade percecionada através da sua vida privada e ocupações em tempo livre, e não através da profissão que exerciam. Pensamento presente em: “Even in their new subject positions, women are still associated with stereotypical gender attributes, as actors who build their identities on the stages of their private life and leisure time.” (Torronen & Rolando, 2016, p.25) Carden (1974) considera importante perceber que o feminismo não tem como objetivo eliminar as diferenças entre os dois géneros, mas sim aceitar as diferenças e tratar homens e mulheres com igualdade a todos os níveis. A autora realça a forma como a biologia tem sido utilizada como justificação para o tratamento divergente dos géneros, e constata que o ambiente de inserção na sociedade tem um impacto mais relevante no comportamento de cada um do que a biologia. Podemos ver este raciocínio em: “Today’s feminists argue that far too much has been made of the biological diferences between men and women. For them, different socialization processes account for a larger part of the observed diferences in men’s and women’s behavior, while biology plays only a minor role. (Carden, 1974, p.11)
25 Neculaesei (2015) apoia esta visão, destacando que o feminismo tenta precisamente explicar que as diferenças entre os géneros fortalecem a sociedade se forem vistas como positivas e benéficas. Esta ideia é apoiada em: “Being physically or mentally different does not mean to be superior or inferior; that’s exactly what feminism is trying to explain.” (Neculaesei, 2015, p.34) A autora dá ênfase à forma como os estereótipos de género desvalorizam as mulheres e lhes retiram inteligência, fazendo-as parecer inferiores e menos capazes. Podemos confirmar este pensamento na seguinte citação: “In general, gender stereotypes (provided mostly by the representatives of the opposite sex) devalue woman, who is regarded as being inferior to man, without capacity to reason.” (Neculaesei, 2015, p.34) Os estereótipos de género são uma questão prevalente na sociedade há anos, justificada pelas diferenças biológicas entre os géneros, num sistema que elogia os homens e desvaloriza as mulheres. Carden (1974) aborda o assunto, considerando que as feministas veem a biologia como uma questão minoritária, e o ambiente criado pela sociedade como o foco principal do problema. Esta ideia é visível em: “Their argument for equality is based upon the belief that the biologically derived diferences between the sexes are relatively minor and that a vast inequitable system has been built upon the assumption that such differences are basic and major.” (Carden, 1974, p.11) Silveirinha (1998) fala sobre as diferenças entre o discurso da igualdade e o discurso das diferenças de género, indo de acordo ao discurso das autoras mencionadas previamente. A autora considera impossível usar uma medida de “igualdade” conceptualizada do ponto de vista masculino, pelo que acredita que é necessário superar essa perspetiva e aceitar que existem diferenças entre os dois géneros que devem ser aceites e aproveitadas. Essa é uma função imprescindível do feminismo. Podemos verificar esta ideia em: “A ‘diferença de género’ tornou-se, assim, a estratégia selectiva activa para lidar com uma reavaliação das mulheres e o que passou a estruturar uma parte do seu movimento foi não só a igualdade dos direitos mas o direito à diferença.” (Silveirinha, 1998, p.5)
26 Carden (1974) afirma que de forma consciente ou inconsciente, quase todas as pessoas contribuem para a opressão e o condicionamento das mulheres. Este pensamento está presente em: “The new feminists feel that consciously or unconsciously almost everyone cooperates in this “oppressive” socialization or “conditioning””. (Carden, 1974, p.11) Isso acontece através da forma como as crianças são educadas, de ensinamentos que lhes são passados e também através de imagens representadas nos media, que contribuem fortemente para a forma como as pessoas se veem a si mesmas. 2. Representação da mulher nos media Os media constituem uma forma de representação significativa para o público. O significado que é atribuído aos assuntos discutidos nos meios de comunicação vai influenciar o modo como nos vemos e as perceções que temos de nós próprios e dos outros. Silveirinha (1998) destaca este pensamento em: “Mais do que simples lugares de representação, os media constituem-se como práticas significantes e sistemas simbólicos públicos pelos quais os significados são produzidos, posicionando-nos como sujeitos, criando novas possibilidades do que somos e do que podemos vir a ser.” (p.2) Através dos meios de comunicação, não só encontramos nova informação acerca de assuntos sobre os quais podemos já ter conhecimento, como também adquirimos novos dados que podem influenciar a nossa visão sobre o mundo, sendo também criado um elo de ligação e partilha entre o público que assimila o que lhe foi transmitido. Ideia reforçada em: “A comunicação, com efeito, é muito mais do que a produção de imagens: é o dar-e-receber de mensagens que dizem respeito ao nosso mundo da vida e que coordenam as nossas experiências dele num horizonte inclusivo que nos une como pessoas humanas racionais e autónomas.” (Silveirinha, 2012, p.99) A autora defende que pensar a comunicação é pensar sobre as possibilidades que temos de partilhar as nossas necessidades e reivindicações num espaço vastamente
27 ocupado pelos media, que pode vincular o que publica indo de acordo às necessidades tanto das mulheres como dos homens. Faz ainda uma crítica aos media, pelo tipo de imagem que passam da mulher, ao mostrarem pouca preocupação com igualdade de género. Podemos verificar este pensamento em: “Os media não apenas não encorajam a implementação da igualdade entre mulheres e homens, como parecem, de facto, constituir-se em mecanismos que impedem as necessárias transformações que podem conduzir a essa igualdade.” (Silveirinha, 2012, p.100) Sobre a representação das mulheres nos meios de comunicação, Silveirinha (2012) considera escassa a presença feminina em posições de poder e tomada de decisão, levando a que haja uma imagem pouco empoderada da mulher e das suas capacidades. Altheide (2013) estuda o impacto dos media nas pessoas, com foco no medo gerado por algumas notícias. O “discurso do medo”, como o autor lhe chama, contribui fortemente para a construção de uma sociedade problemática, com pouca hipótese de livre arbítrio no que toca a alguns temas e à forma como são vistos. Desse modo os media acabam por controlar o mundo noticioso, através da forma como expõem as reportagens para o público sentir interesse. Quanto mais o público se identifica com o que está a consumir, mais relevância terá a notícia. Este raciocínio pode ser comprovado em: “Built on a narrative structure that adds story-like coherence, with a beginning, middle, and end, the problem frame is both universal and specific, abstract and real. For entertainment and audience identification purposes, the closer the reader/listener/viewer is to the actual event, the more salience the report.” (Altheide, 2013, p.232) Acompanhando a lógica do pensamento apresentado acima, podemos constatar que a forma como a mulher é retratada nas notícias, e o modo como essa imagem está já implementada no quotidiano da sociedade em que vivemos, contribui para que haja uma prevalência do machismo sem represálias de qualquer tipo, tornando difícil a concretização de mudanças.
28 Simon e Hoyt (2012) exploram a forma como as mulheres são representadas nos media e concluem que o modo como esse retrato é feito tem um impacto negativo nas mulheres e leva a que as mesmas se sintam inseguras e incapazes de assumir posições de liderança. Podemos confirmar esta afirmação em: “Although these gender stereotypes conveyed by the media may no longer prevent women from pursuing a career in general, they do seem to dampen women’s motivation to attain more traditionally masculine roles, such as leadership positions.” (Simon & Hoyt, 2012, p.235) As autoras consideram que embora a liberdade de escolha para as mulheres esteja a evoluir, existem ainda entraves para o género feminino que dificultam não só as suas conquistas como a crença de que são capazes de assumir posições mais dominantes e de poder na sociedade. A exposição das mulheres a imagens que vão contra estereótipos de género podem ajudar a quebrar crenças tóxicas sobre os papéis do homem e da mulher e a incentivar esta última à obtenção de um papel de liderança. Esta ideia pode ser vista em: “Exposure to media images of women in counterstereotypical roles can help to break rigid gender stereotypes and gender role beliefs.” (Simon & Hoyt, 2012, p.241) A representação importa, e pode ter impactos sobrevalorizados nas pessoas que se identificam e vão desenvolvendo, por conseguinte, uma imagem mais definida de si mesmas. Representações feitas com base em estereótipos de género trazem consequências negativas para a imagem que as mulheres têm de si próprias, pelo facto de serem vistas como submissas e menos capazes. Latu, Mast, Bombari, Lammers e Hoyt (2018) consideram por isso importante a exposição do público a mulheres em posição de liderança, não só para elevar a autoconfiança, como também para aumentar a crença de que a mulher pode ser bem-sucedida nesse papel. Esta noção está presente em: “Several studies have shown that successful women can be inspiring in demonstrating that success is attainable.” (p.12) Simon e Hoyt (2012) seguem o mesmo raciocínio, sendo que consideram a representação mediática da mulher [em papéis que vão contra estereótipos] de extrema importância para o seu desenvolvimento desde pequenas. Pode assim ser cultivada uma
29 imagem mais positiva e confiante, originando também uma postura mais ativa e segura na sociedade. Podemos acompanhar esta ideia em: “If more media images of women in counterstereotypical roles were utilized, women from a young age may develop more flexible gender role beliefs that incorporate stereotypical masculine traits (or agentic traits) and roles such as leadership.” (Simon & Hoyt, 2012, p.241) As pessoas tendem a copiar comportamentos aos quais são expostas, consciente ou inconscientemente. Segundo Hess e Fischer (2014) não é necessário haver uma ligação emocional particularmente forte para que um comportamento seja imitado. Essa é uma característica intrínseca ao ser humano. As autoras consideram que a recriação de um tipo de comportamento acontece muitas vezes de forma inconsciente e sem que haja controlo sobre o seu exercício. Este pensamento está presente em: “The underlying mechanism responsible for the spreading activation effect is that perceptual activity spreads to behavioral representations, which in turn increases the probability of imitating that same behavior, without conscious awareness, control, or intent.” (Hess & Fischer, 2014, p.48) Latu et al (2018) consideram que existe uma tendência para as mulheres copiarem comportamentos de outras mulheres com posturas de líderes. Essa tendência leva a que o comportamento das mesmas se torne mais determinado e firme, tornando mais confortável a ideia de assumir uma posição de liderança. Este conceito está explícito em: “We proposed that women tend to mimic the powerful (open) body postures of successful female role models, thus leading to more empowered behavior and better performance on a challenging leadership task, a process we called empowering mimicry.” (Latu et al, 2018, p.11) O estudo destes autores concluiu que a visibilidade de mulheres líderes pode levar a avanços e melhorias para as mulheres e pode dar-lhes a oportunidade de se sentirem empoderadas e inspiradas. Pode ainda ensinar técnicas para lidar com obstáculos e situações desafiantes, de modo a criar novas respostas que, ao invés de
30 passarem por uma posição submissa, levem a que as mulheres se defendam e falem com confiança sobre os assuntos que consideram importantes. Esta ideia é visível em: “Essentially, female leader role models can show women how to behave in challenging situations – how to speak, stand or move. In turn, women may model those behaviors and, as a result, be empowered by the female leader role models.” (Latu et al, 2018, pp.11-12) Latu et al (2018) consideram que ao dar destaque à representação de mulheres em posição de liderança, essa representação funcionará como um gatilho para despertar um sentimento de confiança e poder em quem é exposto a esse cenário, podendo levar a que seja criado um interesse maior nas mulheres em adquirirem trabalhos vistos como tipicamente masculinos na sociedade. Ideia exposta em: “We argue that increasing women’s visibility in leadership is important because female leaders’ visibility is the engine that can further drive the advancement of women in leadership, by offering women the opportunity to imitate and be empowered by successful female role models.” (Latu et al, 2018, p.12) 3. Construção de identidade Cada pessoa tem uma identidade, que se vai formando desde o momento em que começa a interagir com os outros e inicia o seu desenvolvimento biológico e psicológico enquanto indivíduo. A construção de identidade é, portanto, o processo através do qual as pessoas definem quem são. Podemos encontrar esta informação em: “Identity construction, then, is the process through which actors come to define who they are. The key outcome of identity construction at the individual level is identification, the extent to which one internalizes a given identity as a (partial) definition of self.” (Ashforth & Schinoff, 2016, p.113) Ashforth e Schinoff (2016) consideram que a construção de identidade bemsucedida do indivíduo é importante para o bom funcionamento da pessoa, tanto a nível
31 pessoal como a nível profissional. Quando o processo de construção de identidade se desenvolve com sucesso, as pessoas têm uma melhor perceção de quem são e daquilo com que se identificam. Esta ideia pode ser vista em: “The upshot of the identity construction process, when successful, is that individuals develop a sense of who they are in their local contexts.” (Ashforth & Schinoff, 2016, p.127) Através da procura de sentido, os indivíduos pretendem compreender aspetos sobre si mesmos, explorando a sua identidade ao observarem quem foram no passado, quem são no presente e em quem se estão a tornar. Receber opiniões positivas de outras pessoas sobre quem são ajuda também a que haja um sentimento de maior conforto e confiança na própria pele. Este raciocínio está presente no seguinte excerto: “Individuals engage in sensemaking to construe who they are or “should be” becoming, enacting their incipient identity and formulating a narrative that connects their past and present to a desired future. Individuals may follow their heart (affect), hands (behavior) or head (cognition) into internalizing the identity. Assuming that their initial enactments and narrative receive feedback and social validation from colleagues and others, individuals come to feel more comfortable, emboldening further enactments.” (Ashforth & Schinoff, 2016, p.128) Desde o momento em que nascem, as pessoas estão inseridas numa sociedade já estruturada e organizada. Assim sendo, a sua formação de identidade vai ser influenciada pelo ambiente em que crescem e se desenvolvem, assim como pelo conjunto de regras que a sociedade tem definidas para que haja uma boa dinâmica de organização entre deveres e direitos. Este raciocínio pode ser apoiado em: “Social categories precede individuals; individuals are born into an already structured society.” (Stets & Burke, 2000, p.225) Embora a sociedade tenha influência na forma como cada pessoa se desenvolve, cada um forma a sua identidade e história únicas através das suas vivências e exercício de livre-arbítrio. Ideia exposta em: “Each person, however, over the course of his or her personal history, is a member of a unique combination of social categories; therefore the set of social identities making up that person’s self-concept is unique.” (Stets & Burke, 2000, p.225)
32 As pessoas sentem-se bem consigo mesmas através da identificação com os outros. É com o apoio e validação daqueles que as rodeiam que a confiança do ser humano é reforçada e a sua personalidade solidificada. O convívio e a partilha de ideias e valores intensifica a segurança em quem o indivíduo é e leva a que a identidade se consolide. Podemos ver este pensamento em: “It is possible that people largely feel good about themselves when they associate with particular groups, typically feel confident about themselves when enacting particular roles, and generally feel that they are “real” or authentic when their personal identities are verified.” (Stets & Burke, 2000, p.234) Sendo que vivemos numa sociedade que sempre destacou o homem como exemplo e figura de poder, a construção de identidade para as mulheres é desde cedo influenciada de forma negativa pela falta de valorização e consideração pelas suas capacidades. Numa sociedade intrinsecamente machista, os homens definem de que forma as mulheres são vistas e, assim sendo, dificilmente haverá uma visão igualitária dos dois géneros. Woodard (2000) destaca esta ideia em: “As identidades nacionais produzidas são masculinas e estão ligadas a concepções militaristas de masculinidade. As mulheres não fazem parte desse cenário, embora existam, obviamente, outras posições nacionais e étnicas que acomodam as mulheres. Os homens tendem a construir posiçõesde-sujeito para as mulheres, tomando a si próprios como ponto de referência.” (Woodard, 2000, p.10) Murphy (2004) partilha uma perspetiva semelhante à de Woodard (2000) acerca da posição das mulheres na sociedade e das consequências dessa discrepância entre os dois géneros na formação de identidade das mesmas. Murphy (2004) realça a forma como as mulheres não conseguem ter a sua identidade formada de forma independente pois na sociedade em que se vive o homem é considerado o centro, o tomador de decisões, e o exemplo a seguir. Podemos verificar este raciocínio em:
39 As categorias de análise elegidas para o Gráfico 5 foram selecionadas após a leitura dos conteúdos jornalísticos. A temática do Ativismo engloba manifestações sobre greves climáticas e o estado do planeta; na categoria de “Fake News” foram destacadas notícias falsas que estavam a circular sobre mulheres de destaque na sociedade. “História” foi uma temática escolhida que inclui acontecimentos históricos e recordações de momentos históricos do passado. “Gramática” foi escolhida como categoria pois os conteúdos que lhe foram atribuídos destacam questões da língua portuguesa e do seu uso. Na categoria “Liderança” fala-se de mulheres em posições de líder, à frente dos seus próprios negócios. A análise da temática teve particular relevância pelas conclusões a que foi possível chegar. Podemos verificar, de acordo com o gráfico representado acima, que a área de maior destaque para as mulheres é a área do Entretenimento, representando 16% dos conteúdos. Os conteúdos incluídos nesta temática estão relacionados com moda, música, representação e humor, tratando-se de conteúdos mais leves. Segue-se a área da Saúde (13%), e Violência e Personalidade (9% cada). Discussões acerca de feminismo foram poucas, havendo um total de 2 peças em 55. 7% 5% 2% 2% 16% 2% 4% 2% 4% 7% 4% 5% 9% 5% 13% 4% 9% 0% 2% 4% 6% 8% 10% 12% 14% 16% 18% Temática Gráfico 5. Temática
40 Uma observação que podemos tirar da análise das temáticas elegidas pelos jornalistas da Visão é que existe uma grande variedade de temas discutidos no que toca ao envolvimento da mulher na notícia. No entanto, o foco principal na área do Entretenimento pode ser prejudicial pela falta de assuntos de maior importância que poderiam ser escolhidos ao invés de peças de diversão e passatempo. Dentro dos temas relacionados com saúde foram incorporados artigos sobre Menstruação, com o intuito de quebrar o tabu em redor do tema. Silveirinha (2012) faz uma menção à forma como a comunicação trata temas relacionados com as mulheres, realçando a falta de abertura que ainda existe: “O nosso conhecimento, neste domínio, talvez hoje mais do que nunca, contrasta fortemente com o discurso sobre as mulheres que surge na comunicação e que, com poucas exceções, permanece conservador.” (Silveirinha, 2012, p.96) Essa falta de discussão sobre assuntos relevantes para a construção de identidade das mulheres pode criar conceções negativas e ideias erradas sobre a forma como o corpo da mulher deve ser visto. Nesse sentido, a Visão teve uma iniciativa positiva ao escolher o tema Menstruação para ser tratado. Feminismo só teve 2 peças – uma entrevista sobre o que é o feminismo, onde foi feita uma abordagem à desigualdade entre mulheres e homens; e um artigo sobre desigualdade entre mulheres e homens novamente, mas desta vez abordando a forma como as aspirações das mulheres são limitadas pela falta de representação em posições de poder. Jackson (2018) aborda no seu trabalho que existe algum receio, nomeadamente das mulheres, em identificarem-se como feministas. Segundo a autora, existe uma preocupação em serem vistas como “desprezadoras de homens”, “não femininas” ou “criadoras de problemas”.
41 Podemos verificar, através do Gráfico 6., que 54 conteúdos incluem imagem. As opções de áudio e vídeo seriam viáveis somente no Online, porém tiveram pouca adesão, havendo um total de 3 utilizações destes utensílios. 0 10 20 30 40 50 60 Vídeo Imagem Áudio Diversidade 35% 15% 7% 27% 16% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% Fonte direta Redes Sociais Getty Images Jornais, revistas e outros Não identificadas Fontes de Informação Gráfico 6. Diversidade Gráfico 7. Fontes de Informação
42 Relativamente às fontes de informação utilizadas para a produção dos conteúdos jornalísticos, podemos verificar, como mostra o Gráfico 7., que a percentagem mais elevada corresponde a fontes diretas, num total de 19. Ou seja, os jornalistas obtêm respostas às questões relativas ao conteúdo que produzem através do diálogo direto com os participantes na peça. Porém, podemos também constatar uma percentagem elevada de fontes indiretas, correspondentes a jornais, revistas, sites, e ainda apoios através de redes sociais, num total conjunto de 42%. Broesma e Graham (2012) consideram que a relação entre os jornalistas e as suas fontes está no centro da prática do jornalismo. As fontes fornecem “blocos de construção” para que as histórias possam ser construídas. Segundo os autores, cada vez mais a negociação através do diálogo tem sido ignorada, priorizando-se conteúdo publicado em sites, blogs ou redes sociais, ao invés de entrar em contacto direto com as pessoas. Podemos ver esta ideia presente em: “Nowadays, however, this negotiation-through-conversation seems to be increasingly bypassed. Journalists simply include information that persons formerly known as sources have published themselves on their websites, blogs, or on social media without getting in touch with them directly.” (Broesma & Graham, 2012, p.5)
43 Neste último gráfico foi observada a relevância da mulher nas peças que foram analisadas. Podemos verificar que, na grande maioria, a mulher ocupa o papel principal, com uma percentagem de 85%, correspondente a 47 conteúdos. 3.2. Análise referente ao Discurso Para uma investigação mais detalhada, segue-se a análise feita relativamente ao Discurso dos 55 conteúdos jornalísticos selecionados previamente. Segundo Scott (1988), a análise da linguagem no discurso é essencial para perceber as intenções por detrás do texto: “The analysis of language provides a crucial point of entry, a starting point for understanding how social relations are conceived, and therefore – because understanding how they are conceived means understanding how they work – how institutions are organized, how relations of production are experienced, and how collective identity is established.” (Scott, 1988, p.34) 85% 15% Relevância da Mulher Papel principal Papel secundário Gráfico 8. Relevância da Mulher
44 Assim sendo, para podermos chegar a respostas acerca do tema proposto, foi feita uma divisão entre as palavras-chave de cada peça jornalística, e uma seleção de expressões importantes encontradas. Foram consideradas palavras-chave aquelas que apareciam mais vezes na notícia e aquelas que, após uma leitura atenta, considerei que melhor representavam o conteúdo da notícia. Foi verificado que dentro do conjunto de palavras-chave, termos de cariz negativo tais como “violência”, “ira” e “desigualdade” aparecem com frequência. Palavras relacionadas com ativismo, tais como “manifestação”, “luta” e “protesto” são também protagonistas nas peças jornalísticas. Foram ainda detetadas palavras como “maternidade”, “moda” e “fama”, entrando numa panóplia de temas tipicamente associados ao género feminino. Na tabela abaixo podemos ver em que contexto as palavras mais encontradas surgiram nos artigos. Palavras-chave Conteúdo Violência, ira, desigualdade Artigos sobre violência doméstica; menstruação continuar a ser vista como tabu e despertar revolta nos conservadores; uma entrevista sobre a desigualdade entre géneros e o que é considerado ser feminista Manifestação, luta, protesto Diversas manifestações sobre ambiente e política; e lutas pessoais com problemas de saúde Maternidade, moda, fama Artigos sobre o que significa a maternidade e como a adaptação pode divergir de mulher para mulher; exclusão social de mães com poucas possibilidades; Estilo de roupa de uma personalidade conhecida; como uma escritora lida com a fama e a atenção que atrai Tabela 3. Palavras-chave dos conteúdos jornalísticos analisados
45 Podemos constatar que a palavra “violência” aparece em contexto de violência doméstica, e que sentimentos de revolta como “ira” relacionam-se com temas considerados ainda “tabu” em algumas culturas – como a menstruação. “Manifestação” e “protesto” aparecem em artigos relacionados com o ambiente e política, não havendo ênfase particular na mulher, embora haja mulheres protagonistas destas notícias. Quanto ao tema “maternidade”, existem artigos que revelam uma discussão pertinente sobre o assunto, havendo um reconhecimento de como ser mãe é uma experiência diferente que varia de mulher para mulher – não se limitando, portanto, a mostrar uma visão cliché sobre o tema. As palavras-chave oferecem algum contexto sobre os conteúdos utilizados para avaliação, no entanto é nas expressões encontradas ao longo de cada peça que a análise pode ser aprofundada. Para concretizar a análise das expressões importantes sinalizadas, nomeio seis categorias nas quais enquadro aquelas que mais se destacaram ao longo da investigação feita. Em algumas das categorias, proponho alternativas para o discurso utilizado: 1. Tom passivo – expressões utilizadas na passiva ou de forma a aligeirar uma situação, retirando-lhe importância: “Volta a dar-lhe protagonismo” – alternativa: “Conseguiu alcançar protagonismo através de” “Assassinadas pelos parceiros” – alternativa: “Os parceiros assassinaram-nas” “114 mulheres foram mortas” – alternativa: “Mataram 114 mulheres” “Calou-se a voz (e a alma) da Parreirinha de Alfama” – alternativa: “Argentina Santos, conhecida como a Parreirinha de Alfama, morreu” 2. Estereótipos de género – utilização de expressões que de alguma forma contribuem para a visão estereotipada que existe da mulher:
46 “Imagem do homem ideal que a mulher procura” – assume que a mulher procura um homem, descartando qualquer outra orientação sexual, e define que existe um “homem ideal”, generalizando as preferências das mulheres “No seu tom emotivo” – expressão utilizada em diversas peças, dando ênfase à emoção como traço característico das mulheres “Gostava de passar mais despercebida?” – pergunta feita relativamente à fama de uma escritora, contribuindo para a ideia implementada pela sociedade de que a mulher deve evitar realçar-se. Uma possível alternativa seria “Gosta de ser reconhecida pelo seu trabalho?” “Não tem medo de indignar ou de magoar alguém?” – expressão que apela ao lado emotivo da mulher, colocando-a em papel secundário no controlo das palavras que usa 3. Controvérsia – expressões que dão ênfase à falta de liberdade de expressão na sociedade relativamente às mulheres: “disputadora e controversa” “espírito rebelde” “sem filtros” Estas três expressões são utilizadas em contextos de mulheres que vão “contra a norma”, sendo por isso vistas como desafiadoras. 4. Tom cómico – expressões que conferem um tom cómico à peça, retirando credibilidade ao que está a ser dito: “firme na sua decisão, pelo menos até agora” – alternativa: “firme na sua decisão” “diz-se feminista” – alternativa: “feminista” “o grau de indignação perante as injustiças ainda não foi domesticado” – alternativa: “mostra indignação perante as injustiças” “De feminista precoce a princesa “empoderada”” – alternativa: “Princesa firme na luta feminista”
47 5. Exclusão – expressões que dão visibilidade à falta de representação e oportunidades para as mulheres: “uma das primeiras empresárias” “nenhum filme foi realizado por uma mulher” “primeiro voo espacial conjunto para duas mulheres” “é raríssimo encontrar uma mulher nestes patamares” 6. Empoderamento – expressões que valorizam as mulheres destacadas nas peças, conferindo-lhes o devido mérito: “um fenómeno” “cara da luta dos jovens” “fez história” “autora best-seller” “converteram-se num símbolo mundial da luta da mulher”
48 CONCLUSÕES Tendo chegado ao fim deste trabalho, são várias as conclusões que podemos tirar, tendo em conta todo o conjunto de informação recolhida e analisada. Como pudemos constatar através da literatura estudada, os media têm um papel de extrema importância no que toca à seleção de assuntos que vão ser abordados e consequentemente discutidos pelo público. Assim, o papel do agenda-setting é essencial na influência sobre os indivíduos. Silveirinha (2012) considera que os media têm falhado na abordagem de assuntos feministas, dando pouco destaque a temas relacionados com injustiças e desigualdade de género. Esta ideia está presente em: “Mostram como são insuficientes e como têm fracassado as poucas políticas a que as instâncias nacionais e internacionais se têm proposto no campo da comunicação.” (Silveirinha, 2012, p.96) Ao longo da análise dos conteúdos jornalísticos feita anteriormente, pudemos averiguar que o leque de temas tratados pela Visão é vasto, e inclui diversas áreas que têm as mulheres como foco principal – o que poderá em parte dever-se ao facto de 53% dos conteúdos produzidos serem de autoria feminina. No entanto, existe ainda uma falta de abertura para abordar assuntos vistos como controversos de forma direta e responsável. Temas relacionados com feminismo são escassos, artigos sobre sexualidade mostraram uma visão pouco aberta e atual sobre identidade de género e orientação sexual, e o entretenimento foi a área mais explorada, como pudemos verificar pela análise referente à Forma e Conteúdo das peças jornalísticas. Assim sendo, podemos começar por responder à primeira questão da investigação, compreendendo que seria possível o agenda-setting ser utilizado de forma distinta, criando oportunidade de ser explorada a possibilidade de haver uma seleção de temas mais atuais que, por conseguinte, pudessem dar aso a reflexões mais desafiantes por parte dos leitores. A quebra do paradigma começa pela seleção de assuntos por parte dos jornalistas – que, involuntariamente, tem impacto nos leitores. Embora seja possível encontrar alguns artigos que falam de temas controversos, esses conteúdos são escassos e de pouco destaque na revista. A escolha de temas mais voltados para o feminismo poderia ter uma influência mais positiva na visão que as mulheres têm de si mesmas.
55 qual20%5D=1&_iepl%5Bdata%5D%5BinteractedWithPosition20plus%5D=1&_iepl%5Bd ata%5D%5BwithoutEnrichment%5D=1&_iepl%5Bposition%5D=46&_iepl%5BrgKey%5D =PB%3A334670702&_iepl%5BtargetEntityId%5D=PB%3A334670702&_iepl%5Binteract ionType%5D=publicationTitle Jackson, S. (2018). Young feminists, feminism and digital media. Victoria University of Wellington. Disponível em: http://scholar.google.pt/scholar_url?url=https%3A%2F%2Fjournals.sagepub.com%2Fd oi%2Fpdf%2F10.1177%2F0959353517716952&hl=ptPT&sa=T&oi=gga&ct=gga&cd=0&d=3829553328858357557&ei=OmsxXrS0B9KbmAH4g rgDw&scisig=AAGBfm2UKZWSortNwbSGhJCMD5lNGbkWZQ&nossl=1&ws=1920x985&a t=Young%20feminists%2C%20feminism%20and%20digital%20media Latu, I., Mast, M., Bombari, D., Lammers, J., & Hoyt, C. (2018). Empowering Mimicry: Female Leader Role Models Empower Women in Leadership Tasks Through Body Posture Mimicry. Springer Link. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s11199-018-0911-y McCombs, M., & Shaw, D. (1993). The Evolution of Agenda-Setting Research: TwentyFive Years in the Marketplace of Ideas. Journal of Communication 43(2), Spring. Disponível em: http://scholar.google.com/scholar_url?url=http%3A%2F%2Fciteseerx.ist.psu.edu%2Fvi ewdoc%2Fdownload%3Fdoi%3D10.1.1.672.2050%26rep%3Drep1%26type%3Dpdf&hl= en&sa=T&oi=gga&ct=gga&cd=1&d=6643977059582032046&ei=1Ip6XdyyJ8qpmQH2go XABA&scisig=AAGBfm3TS4RPYVYMnGXZztdlx6FGsi3iVQ&nossl=1&ws=1920x985&at=T he%20evolution%20of%20agenda-setting%20research%3A%20Twentyfive%20years%20in%20the%20marketplace%20of%20ideas&bn=1
56 McCombs, M., Shaw, D., & Weaver, D. (2014). New Directions in Agenda-Setting Theory and Research. Londres: Routledge. Disponível em: http://scholar.google.com/scholar_url?url=http%3A%2F%2Fwww.bemedialiterate.com %2Fuploads%2F1%2F7%2F2%2F2%2F1722523%2Fagendasetting_2014.pdf&hl=en&sa =T&oi=gga&ct=gga&cd=1&d=18136282491336119704&ei=1MUyXoCCHovJsQKFxJe4Ag &scisig=AAGBfm30aRZGILUc5lnj9B0iXWRUQRPShg&nossl=1&ws=1920x985&at=New% 20directions%20in%20agenda-setting%20theory%20and%20research McCombs, M. (2014). Setting the Agenda – The Mass Media and Public Opinion (Second Edition). Cambridge: Polity. Disponível em: https://books.google.pt/books?hl=en&lr=&id=EdVjDwAAQBAJ&oi=fnd&pg=PR3&dq= McCombs,+M.+(2014)+Setting+the+Agenda.+The+Mass+Media+and+Public+Opinion+ &ots=HssSEVyTUC&sig=D7itsalE2beo1fIUI9w4qdv1hH4&redir_esc=y#v=onepage&q&f =false Murphy, P. (2004). Feminism & Masculinities. United States, New York: Oxford University Press Inc. Disponível em: http://scholar.google.pt/scholar_url?url=https%3A%2F%2Fmensstudies.eu%2Fwpcontent%2Fuploads%2F2018%2F08%2FPeter-Murphy-Feminismmasculinities.pdf%23page%3D74&hl=ptPT&sa=T&oi=gga&ct=gga&cd=2&d=2344592864872143259&ei=0w80XtDCNor5mQHkoaoAQ&scisig=AAGBfm0ybEq21E9UOpmyIKqTWMjmBdvZnA&nossl=1&ws=1920x985 &at=Men's%20power%20with%20women%2C%20other%20men%2C%20and%20socie ty%3A%20A%20men's%20movement%20analysis Neculaesei, A-N. (2015). Culture and Gender Role Differences. CrossCulturalManagement Journal Volume XVII. Disponível em:
57 https://www.researchgate.net/publication/278684499_CULTURE_AND_GENDER_ROL E_DIFFERENCES Scott, J. (1988). Deconstructing Equality-Versus-Difference: Or, the Uses of Poststructuralist Theory for Feminism. Steven Seidman (Ed.). Publisher: Cambridge University Press. Disponível em: http://scholar.google.pt/scholar_url?url=http%3A%2F%2Fwww.ekologiasztuka.pl%2Ft hink.tank.feministyczny%2Fkurs%2Fscott_1988.pdf&hl=ptPT&sa=T&oi=gga&ct=gga&cd=1&d=9955427010846452617&ei=7Ic5XsHFJMjFmAHjl46 oDA&scisig=AAGBfm0it4t7_wBZlOufP9RF-xHkYmU4g&nossl=1&ws=1920x985&at=Deconstructing%20equality-versusdifference%3A%20Or%2C%20the%20uses%20of%20poststructuralist%20theory%20for %20feminism%20Joan%20W.%20Scott Silveirinha, M. J. (1998). O discurso feminista e os estudos dos media: em busca da ligação necessária. Universidade de Coimbra. Disponível em: http://scholar.google.pt/scholar_url?url=http%3A%2F%2Fwww.bocc.ubi.pt%2Fpag%2F silveirinha-maria-joao-discurso.pdf&hl=ptPT&sa=T&oi=gga&ct=gga&cd=6&d=11099185075248388460&ei=wcwqXpTHLa3JsQKA pb_QCw&scisig=AAGBfm2QqjI3qQmk84KFy1ZF6pqsphTCw&nossl=1&ws=1920x985&at=O%20discurso%20feminista%20e%20os%2 0estudos%20dos%20media%3A%20em%20busca%20da%20liga%C3%A7%C3%A3o%20 necess%C3%A1ria&bn=1 Silveirinha, M. J. (2012). Repensar as políticas públicas sobre as mulheres e os media – ou do quão cruciais são os estudos feministas da comunicação. Universidade de Coimbra. Disponível em:
58 http://scholar.google.pt/scholar_url?url=http%3A%2F%2Fwww.scielo.mec.pt%2Fpdf% 2Faeq%2Fn25%2Fn25a08.pdf&hl=ptPT&sa=T&oi=gga&ct=gga&cd=0&d=13853618275243422087&ei=wcwqXpTHLa3JsQKA pb_QCw&scisig=AAGBfm3a0EJU3H_5c1DjvKKKUec2OfhVpA&nossl=1&ws=1920x985& at=Repensar%20as%20politicas%20publicas%20sobre%20as%20mulheres%20e%20os %20media%3A%20ou%20do%20quao%20cruciais%20sao%20os%20estudos%20femini stas%20da%20comunicacao Simon, S., & Hoyt, C. (2012). Exploring the effect of media images on women’s leadership self-perceptions and aspirations. Sage Publications. Disponível em: http://scholar.google.pt/scholar_url?url=https%3A%2F%2Fpdfs.semanticscholar.org% 2Ff682%2F46e353ef0ad4b224096966d3617cfe12c2dd.pdf&hl=ptPT&sa=T&oi=gga&ct=gga&cd=0&d=14997588971737223902&ei=7M0xXtagKdKbmAH4 grgDw&scisig=AAGBfm3kKL8UsazucJLKjARvrygk4VEn4w&nossl=1&ws=1920x985&at=Exp loring%20the%20effect%20of%20media%20images%20on%20women's%20leadership %20self-perceptions%20and%20aspirations Stets, J., & Burke, P. (2000). Identity Theory and Social Identity Theory. Social Psychology Quarterly, Vol. 63, No. 3. Disponível em: https://s3.amazonaws.com/academia.edu.documents/46115881/identity_theory.pdf? response-contentdisposition=inline%3B%20filename%3DIdentity_Theory_and_Social_Identity_Theo.pdf &X-Amz-Algorithm=AWS4-HMAC-SHA256&X-AmzCredential=AKIAIWOWYYGZ2Y53UL3A%2F20200306%2Fus-east1%2Fs3%2Faws4_request&X-Amz-Date=20200306T113028Z&X-Amz-Expires=3600&XAmz-SignedHeaders=host&X-AmzSignature=00ef6e6a75bc78e0e4b460ceb772b2554fe88b6f509a409e94baadbd0a8124 0e
59 Torronen, J., & Rolando, S. (2016). Women’s changing responsibilities and pleasures as consumers: An analysis of alcohol-related advertisements in Finnish, Italian, and Swedish women’s magazines from the 1960s to the 2000s. Journal of Consumer Culture. Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Jukka_Toerroenen/publication/297673305_Wo mens_changing_responsibilities_and_pleasures_as_consumers_An_analysis_of_alcoh olrelated_advertisements_in_Finnish_Italian_and_Swedish_womens_magazines_from_t he_1960s_to_the_2000s/links/5bbb217a92851c7fde33bb33/Womens-changingresponsibilities-and-pleasures-as-consumers-An-analysis-of-alcohol-relatedadvertisements-in-Finnish-Italian-and-Swedish-womens-magazines-from-the-1960s-tothe-2000s.pdf Vezich, S., Gunter, B., & Lieberman, M. (2017). Women’s responses to stereotypical media portrayals: An fMRI study of sexualized and domestic images of women. Journal of Consumer Behaviour, J. Consumer Behav., 16: 322–331. Disponível em: http://scholar.google.pt/scholar_url?url=https%3A%2F%2Fwww.scn.ucla.edu%2Fpdf% 2FVezich(2017)JCB.pdf&hl=ptPT&sa=T&oi=gga&ct=gga&cd=2&d=9145192496976655134&ei=TkAvXqjZGYGBy9YP3d - ssAU&scisig=AAGBfm0x_RB4ik1avxaywaOAQnUIoeK3vw&nossl=1&ws=1920x985&at= Women's%20responses%20to%20stereotypical%20media%20portrayals%3A%20An%2 0fMRI%20study%20of%20sexualized%20and%20domestic%20images%20of%20wome n Woodward, K. (2000). Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual. Em Silva, T (org.), Identidade e diferença: a perspectiva dos Estudos Culturais (pp. 7 72). Petrópolis: Vozes. Disponível em:
60 https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4284077/mod_resource/content/1/cap%C3 %ADtulo%20I%20-%20Woodward%20-%20IDENTIDADE-E-DIFERENCA-UMAINTRODUCAO-TEORICA-E-CONCEITUAL.pdf Zahariadis, N. (2016). Setting the agenda on agenda setting: definitions, concepts, and controversies. In N. Zahariadis (Ed.). Handbook of Public Policy Agenda Setting (ed., pp. 1-25). UK: Edward Elgar Publishing Limited. Disponível em: https://books.google.pt/books?id=n4EwDQAAQBAJ&printsec=frontcover&hl=ptPT&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false
i ANEXOS Variáveis de Forma Conteúdo – ID, Data, Género Jornalístico, Autoria, Revista/Online, Secção, Título ID Data Género jornalístico Autoria Revista ou online Secção Título 1 01.09.201 9 Entrevista Sónia Calheiros Online Sociedade Margarida Rebelo Pinto, 20 anos depois do fenómeno do livro "sem conteúdo" 2 04.09.201 9 Reportagem Teresa Campos Online Sociedade Alzheimer: a lição que devemos tirar da última luta de Guillermina 3 06.09.201 9 Notícia Sem nome Online Sociedade Mulher de 73 anos dá à luz gémeos e torna-se mãe pela primeira vez 4 11.09.201 9 Notícia Sem nome Online Sociedade Sónia Braga volta a brilhar na capa de uma revista 5 19.09.201 9 Notícia Sem nome Online Sociedade Não, a menstruação não é "chocante" 6 21.09.201 9 Notícia Sem nome Online Sociedade Foto da primeira greve climática de Greta Thunberg torna-se viral 7 26.09.201 9 Notícia Sara Rodrigues Online Sociedade A busca mundial de uma mulher com leucemia para encontrar um dador de medula compatível 8 01.10.201 9 Notícia Carolina Machado Online Sociedade Estudo conclui que estereótipos no cinema limitam as aspirações das mulheres 9 03.10.201 9 Notícia Teresa Campos Online Sociedade Violência doméstica: relato de deputada trabalhista leva colegas às lágrimas 10 09.10.201 9 Reportagem Rui Antunes Online Sociedade A portuguesa que trabalha com o Nobel da Química para mudar o mundo
ii 11 11.10.201 9 Notícia Sem nome Online Sociedade Jane Fonda foi detida durante uma manifestação em Washington 12 18.10.201 9 Notícia Sem nome Online Sociedade Acompanhe em direto a primeira vez na história que um passeio espacial é realizado só por mulheres 13 23.10.201 9 Notícia Sem nome Online Sociedade Campeã paralímpica recorre à eutanásia para morrer 14 01.11.201 9 Notícia Patrícia Fonseca Online Sociedade Como um buraco na cabeça de uma enfermeira levou a que se tratasse a enxaqueca de forma errada durante mais de 70 anos 15 02.11.201 9 Reportagem Clara Soares Online Sociedade "Filhos, não": em nome do planeta ou porque sim? 16 03.11.201 9 Notícia Sem nome Online Sociedade Mulheres sentem-se mais atraídas por homens com características psicopatas 17 04.11.201 9 Notícia Sem nome Online Sociedade Falsa médica detida por suspeita de quatro mortes 18 08.11.201 9 Opinião Helena Sacadura Cabral Online Sociedade 5 pontos e contrapontos de Helena Sacadura Cabral para Portugal 19 11.11.201 9 Notícia Patrícia Fonseca Online Sociedade "A lei não proíbe que a criança vá outra vez para a mãe que a tentou matar" 20 14.11.201 9 Notícia Sem nome Online Sociedade Supremo rejeita pedido para libertar mãe que abandonou recém-nascido em Lisboa 21 19.11.201 9 Notícia Sem nome Online Sociedade A próxima fase do império de Marie Kondo já chegou: vender produtos que despertem alegria 22 22.11.201 9 Notícia Sem nome Online Sociedade A história por trás da foto que está a emocionar a Internet 23 23.11.201 9 Opinião Catarina Marcelino Online Opinião A mãe, o menino e a exclusão social
iii 24 25.11.201 9 Entrevista Teresa Campos Online Sociedade "Se somos todos contra a desigualdade, somos todos feministas" 25 25.11.201 9 Notícia Sem nome Online Sociedade A tragédia das irmãs Mirabal: o assassinato que deu origem ao Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres 26 03.12.201 9 Notícia Patrícia Fonseca Online Sociedade As mentiras mais loucas que circulam sobre Greta Thunberg 27 09.12.201 9 Perfil Sem nome Online Sociedade Quem é Beata, a Thunberg mais nova 28 19.09.201 9 Entrevista Sara Sá Revista Sociedade Entrevista: Chiara Manfletti 29 19.09.201 9 Fotojornalism o Sem nome Revista Radar Conflito interno 30 26.09.201 9 Notícia Rui Tavares Guedes Revista Radar Mudar o mundo aos 16 anos 31 26.09.201 9 Notícia Vânia Maia Revista Visão Sete Norman Fucking Rockwell! Lana Del Rey, Onde os sonhos vão morrer? 32 03.10.201 9 Entrevista Rosa Ruela Revista Sociedade Entrevista: Maria Elisa Domingues 33 03.10.201 9 Fotojornalism o Sem nome Revista Radar Esforço hercúleo 34 03.10.201 9 Notícia Filipe Fialho Revista Focar A dama anti-Brexit 35 03.10.201 9 Entrevista Sara Belo Luís Revista Focar A falar é que "a gente" se entende? 36 03.10.201 9 Notícia Sónia Calheiros Revista Vagar Phoebe Waller-Bridge Em estado de graça
iv 37 03.10.201 9 Crónica Capicua Revista Crónica Beatriz Costa 38 03.10.201 9 Notícia Visão BS Revista Especial Moda O toque de Meghan 39 10.10.201 9 Fotojornalism o Sem nome Revista Radar Lá como cá, a mesma triste realidade 40 10.10.201 9 Entrevista Vicky Dearden Revista Vagar Helen Mirren, Rainha outra vez 41 24.10.201 9 Entrevista Clara Soares Revista Focar "Alimentos amigos da libido ajudam a ter bom sexo" 42 24.10.201 9 Entrevista Vânia Maia Revista Vagar O fado de Angel Olsen 43 24.10.201 9 Crónica Capicua Revista Crónica Vamos ouvi-las! 44 31.10.201 9 Entrevista Sara Belo Luís Revista Sociedade Dulce Maria Cardoso: "A minha escrita é violenta porque a vida é muito violenta" 45 31.10.201 9 Notícia Octávio Oliveira Revista Focar Ajuste direto polémico 46 31.10.201 9 Notícia Vânia Maia Revista Focar Menstruação, o último tabu 47 21.11.201 9 Notícia M.B.M Revista Radar A fadista que preferia cozinhar 48 21.11.201 9 Entrevista Pedro Raínho Revista Sociedade Ana Catarina Mendes: Piscar o olho à direita? 49 28.11.201 9 Notícia Clara Soares Revista Sociedade "Deepfake", a nova arma digital 50 28.11.201 9 Entrevista Marisa Antunes Revista Imobiliário Mariana Morgado Pedroso: "É raríssimo encontrar uma mulher entre os decisores"
xi 4 9 Violência Nã o Sim Não Entrevist ados e apoios Não Sim 5 0 Liderança Nã o Sim Não Entrevist ada Sim Não 5 1 Maternidade Nã o Sim Não Não identifica das Sim Não 5 2 Personalidades Nã o Sim Não Não identifica das Não Sim 5 3 Personalidades Nã o Sim Não Entrevist ada Sim Não 5 4 História Nã o Sim Não Getty Images Sim Não 5 5 Entretenimento (televisão) Nã o Sim Não TVI, SIC, RTP Sim Não Variáveis de Discurso – ID, Palavras-chave, Representação da Mulher ID Palavras-chave Representação da Mulher Adjetivos e/ou expressões importantes 1 "romance", "livros", "relações" "desconhecida", "autora", "fenómeno", "famoso e infame", "coloquial", "pouco consensual", "despudorada e controversa" 2 "alzheimer", "luta", "demência" "a mulher", "a senhora", "uma das primeiras empresárias" 3 "maternidade", "idade avançada" "uma mulher", "estigmatizada", "a mulher sem filhos", "rejeição da comunidade"
xii 4 "revista", "Vogue", "telenovela" "notoriedade", "espectadora assídua", "dar nas vistas", "assume - de vez - os seus cabelos brancos" 5 "menstruação", "anúncio", "ira", "indignação" "higiente feminina", "mau gosto", "humilhar as mulheres", "desmitificação do período" 6 "greve climática", "Greta Thunberg", "viral" "ativista sueca", "cara da luta dos jovens", "a sueca" 7 "leucemia", "busca mundial", "dador compatível" "origem multi-étnica", "a alemã", "ela" 8 "estereótipos prejudiciais", "aspirações das mulheres", "identidade" "filmadas nuas", "não existem suficientes modelos", "nenhum filme foi realizado por uma mulher", "magoada" 9 "violência doméstica", "deputada", "relato comovente" "mulheres cercadas por crianças", "emocionada", "fez história", "conseguir ser eleita", "volta a dar-lhe protagonismo", "humilhação" 10 "Nobel da química", "comunidade científica" "a física", "a cientista", "investigadora", "a portuguesa" 11 "Jane Fonda", "detida", "manifestação" "a atriz de 81 anos", "traumatizou-a tanto que ela deixou de comer", "não é uma cara nova no ativismo", "espírito rebelde" 12 "passeio espacial", "história", "astronautas", "mulheres" "protagonistas", "astronautas", "vai usar um fato com riscas vermelhas", "parceira", "primeiro voo espacial conjunto para duas mulheres" 13 "campeã paralímpica", "luta diária", "eutanásia" "a belga", "doença degenerativa", "foi feita a sua vontade", "era uma menina normal até que, aos 14 anos", "arrecadou quatro medalhas" 14 "estudos", "buraco na cabeça", "enxaquecas" "a paciente", "uma enfermeira de 26 anos que se queixava de dores", "por isso ela continuou" 15 "filhos", "sobrepopulação", "crise climática" "um capricho", "à boleia da ativista grevista sueca", "não tenha complexos em admitir as suas preferências", "obrigação", "firme na sua decisão, pelo menos até agora" 16 "estudo", "atração", "desejo", "psicopatas" "a preferência das mulheres", "características comuns a homens com distúrbios psicopatas", "imagem do homem ideal que a mulher procura", "depois da conquista e satisfeito o desejo, o que acontece?"
xiii 17 "falsa médica", "detida", "mortes" "uma mulher", "investigada", "homicídio voluntário", "fraude", "a suspeita" 18 "pontos e contrapontos", "Portugal", "política" "uma portuguesa que não tem qualquer filiação partidária", "quando lerem estas linhas, ficam já cientes que elas não obedecem senão à minha visão do mundo em que vivo" 19 "bebé abandonado", "lei" "aceitar o arrependimento das mães", "abandonado pela sua progenitora", "A lei não proíbe que a criança vá outra vez para a mãe que a tentou matar" 20 "Supremo Tribunal de Justiça", "abandono", "prisão preventiva" "uma jovem sem-abrigo de 22 anos que abandonou o recém-nascido num caixote do lixo", "arguida", "desesperada", "encobriu a gravidez" 21 "Marie Kondo", "arrumação", "produtos", "alegria" "a japonesa", "autora best-seller", "protagonista" 22 "foto", "encontro", "emocionou" "a rapariga", "foi peça chave", "jogadora de futebol" 23 "mãe", "exclusão social" "uma jovem sem-abrigo", "pariu na rua sozinha", "a única pessoa a quem foi apontada responsabilidade" 24 "Violência contra as Mulheres", "feministas", "desigualdade" "continuam a ser as mulheres as mais afetadas na violência", "elas são, de facto, as maiores vítimas de tudo", "Não me imagino a não ser feminista" 25 "tragédia", "irmãs Mirabal", "Violência contra as Mulheres" "as irmãs Mirabal converteram-se num símbolo mundial da luta da mulher", "homenagem", "são um símbolo" 26 "fake news", "Greta Thunberg" "informações lançadas nas redes sociais para denegrir", "não faltam teorias da conspiração", "esta miúda quer chamar a nossa atenção" 27 "Beata", "a Thunberg mais nova" "diz-se feminista", "já se estreou no mundo artístico", "antibullying", "quer ser um ícone como Greta", "também tem traços de Asperger", "a sua luta será feminista" 28 "Espaço", "Portugal Space", "presidente" "Para presidente da Portugal Space, Heitor escolheu uma mulher", "otimista", "grande entusiasta" 29 "conflito", "manifestação" "manifestante", "palestiniana", "usa uma funda para atirar pedras" 30 "Greta Thunberg", "aquecimento global", "greve" "É normal fazê-lo na idade em que o grau de indignação perante as injustiças ainda não foi domesticado", "ser-lhe impossível calar o sentimento", "no seu tom emotivo" 31 "Lana Del Rey", "álbum" "a nova-iorquina", "que se deixou enamorar", "canta apocalipses pessoais e globais", "imunizada", "procura contrariar o medo da vulnerabilidade atribuído ao sexo masculino"
xiv 32 "Maria Elisa Domingues", "jornalista", "fama" "jornalista", "deputada", "não gosto de me pôr em bicos dos pés", "Gostava de passar mais despercebida?", "Não tem medo de indignar ou de magoar alguém?" 33 "fotografia", "final feminina", "Campeonato Mundial de Atletismo" "condições absolutamente desumanas", "competir com temperaturas e níveis de humidade impróprios" 34 "Gina Miller", "batalhas judiciais", "anti-brexit" "é uma viciada em adrenalina", "é uma das personalidades mais polémicas", "revela a mulata de origem indiana que é casada com um judeu", "rosto do movimento anti-brexit" 35 "gramática", "erros ortográficos" "linguista", "colaboradora", "Seguir demasiado as suas recomendações não torna o discurso muito estudado, pouco credível e, sobretudo, pouco empático?" 36 "Fleabag", "artista", "série" "menina-prodígio da televisão", "Foi o próprio ator Daniel Craig que a requisitou para acrescentar um toque de humor e um olhar feminista à aventura (tão) masculina" 37 "Beatriz Costa", "humor", "YouTube", "stand-up" "sem filtros", "Apesar de algum receio de reações mais negativas, foi um êxito estrondoso", "muitos anos de hesitações e inseguranças", "Nervosa por ela" 38 "Meghan Markle", "duquesa", "moda" "De feminista precoce a princesa "empoderada"", "ícone de estilo", "girl next door", "o seu toque é sempre tão luminoso quanto o seu sorriso" 39 "grupo feminista Femen", "ativismo", "protesto", "violência" "líder", "de tronco nu", "encabeça um grupo de ativistas", "mulheres assassinadas pelos parceiros", "114 mulheres foram mortas", "perderam a vida" 40 "Helen Mirren", "interpretação", "séries" "Talvez por a história não gostar muito de mulheres bem-sucedidas e poderosas", "ainda não há equilíbrio nem justiça", "conte a quantidade de homens no ecrã e depois o número de mulheres" 41 "alimentos", "libido", "sexo" "Formou-se em Nutrição e formou-se em Neurociências", "não se cansa de lembrar", "deu pistas", "contos eróticos, sobretudo para as mulheres" 42 "fado", "Angel Olsen" "confessa, divertida, contrariando a aura depressiva que muitas vezes lhe é atribuída", "a sua paixão", "o título do disco foi visto como uma afirmação feminista" 43 "música portuguesa", "maioria masculina", "mudanças" " verdadeiros donos do jogo, os homens", "alguma evolução", "mulheres a terem a iniciativa", "Mulheres que se gravam e produzem", "é uma questão de justiça que as mulheres assumam o controlo"
xv 44 "Dulce Maria Cardoso", "escritora", "livros" "autora", "cronista", "tirou Direito e foi advogada", "sou lenta em tudo", "para mim, a mudança é violenta", "Sou muito repetitiva, muito doméstica" 45 "Maria do Céu Albuquerque" "a ministra", "ter tomado posse" 46 "Menstruação", "tabu", "ira" "a menstruação não é uma opção, e o acesso a estes produtos é uma questão de saúde pública e, claro, de dignidade", "Em muitos locais ainda é considerado uma doença" 47 "fadista", "cozinheira" "Calou-se a voz (e a alma) da Parreirinha de Alfama", "cozinheira de mão-cheia", "O Museu do Fado homenageou a fadista" 48 "Ana Catarina Mendes", "socialista" "líder", "Ajudou a vencer", "primeira mulher a liderar a bancada parlamentar do PS", "Estou muito empenhada" 49 "Deepfake", "vídeos", "difamar" "contra as mulheres", "os alvos mais apetecíveis dos criadores anónimos de deepfakes são as celebridades femininas", "Até quando se ataca alguém do sexo masculino se faz pelo feminino, "filho da…"" 50 "Mariana Morgado Pedroso", "arquitetura" "arquiteta fundadora", "lançando a sua empresa", "mercado tão dominado por homens", "os decision makers são praticamente todos homens", "é raríssimo encontrar uma mulher nestes patamares" 51 "Maternidade", "adaptação", "matrescência" "redemoinho de emoções", "transformação de uma mulher em mãe", "sensação de melancolia e solidão", "presas", "luto pela identidade que deixamos para trás" 52 "100 Figuras" 74 homens e 26 mulheres. Nºde mulheres por categoria: Poderosos - 1; Inspiradores - 6; Inovadores - 2; Líderes - 3; Agitadores - 3; Controversos - 2; Campeões - 3; Virais - 6 53 "Alice Vieira", "memórias", "livros" "impressionante", "uma vida dedicada aos outros", "Custa-me dizer que não", "É um bicho social, não é?" 54 "Angela Merkel", "Auschwitz", "Polónia" "chanceler alemã", "posa para as fotos", "a primeira visita de Merkel a Auschwitz" 55 "Programa da Cristina", "mudanças", "televisão" "Idolatrada", "desprezada", "Há quem a siga religiosamente", "estão sempre de língua afiada para a criticar", "tom de voz emotivo", "gargalhada estridente", "uma verdadeira performer"
xvi Machado, C. (2019). Vamos reunir por aí. Visão 1390, pp. 86-87 Artigos da minha autoria publicados na Visão
xvii Machado, C. (2019). Há vida para além dos "likes". Visão 1394, p.30
xviii Artigo da minha autoria publicado na Visão Saúde
xix
xx Machado, C. (2019). Nascer antes do tempo. Visão Saúde 10, pp.82-87