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Burnout em professores brasileiros e portugueses

Mary Sandra Carlotto,Cristina Queirós,Sofia Dias

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O contexto cultural afecta o modo como os trabalhadores são influenciados pela organização (Hofstede, 1908; Silva et al., 2008), sendo o burnout investigado nos profissionais de diferentes países pelas consequências negativas do stress a que estão expostos (Albadejo et al., 2004). A literatura recente demonstra que o burnout nos professores é um fenómeno a nível mundial, pois actualmente os professores desempenham tarefas mais complexas e desafiantes, que incluem, para além de ensinar, lidar com novas tecnologias e exigências de estudantes e sociedade (Pillay, Goddard & Wills, 2005). As consequências do burnout afectam a qualidade de ensino e o tema tem preocupado na última década autores em variados países (Carlotto & Camara, 2007; Gonzalez-Morales, Rodriguez & Peiró, 2010; Hung, 2011; Klassen, Usher & Bong, 2010; Otero-Lopez et al., 2008; Pishghadam & Sahebjam, 2012; Tonder & Williams, 2009; Watts & Robertson, 2011). 5. Bibliografia Este estudo pretende conhecer e comparar os níveis burnout de professores brasileiros e portugueses. 2. 2. Objectivos Objectivos Tabela 1. Médias nas dimensões do burnout nos professores brasileiros e portugueses 4. Resultados e Conclusões 4. Resultados e Conclusões Mary Sandra Carlotto Mary Sandra Carlotto1 1, Cristina Queir , Cristina Queiró ós s2 2 & Sofia Dias & Sofia Dias2 2 1 Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Brasil 2Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, Portugal [email protected] 1. 1. Introdu Introduç ção ão Burnout em professores brasileiros e portugueses Burnout em professores brasileiros e portugueses 3. 3. M Mé étodo todo Participantes: 124 professores (62 do Porto, Portugal e 62 de Porto Alegre, Brasil), com predomínio do sexo feminino (80%), sendo 68% casados, 30% solteiros e 2% divorciados. A idade variou entre 24 e 56 anos (M=37.8 e DP= 7.6) e o tempo de serviço entre 1 e 35 anos (M=11.9 e DP=8.3). Não existem diferenças entre as duas amostras no que se refere às características sociodemográficas. Instrumentos: Questionário constituído por dois grupos de questões: caracterização sócio-demográfica e profissional das amostras e avaliação do burnout através da versão adaptada para português do Maslach Burnout Inventory (Maslach & Jackson, 1997; Marques-Pinto, Lima & Silva, 2003) e da versão adaptada para o português do Brasil (Carlotto & Câmara, 2004). Procedimento: Os questionários foram de auto-preenchimento voluntário após autorização formal das instituições e os resultados emparelhados numa escala de 1 a 5 para o burnout segundo proposta de Tamayo (1997). Foram distribuídos e recolhidos no início do ano lectivo de 2009 (entre Setembro e Novembro). Verificamos que professores portugueses apresentam significativamente maiores índices de exaustão emocional, mas também de realização profissional, sendo a despersonalização semelhante (Tabela 1). Os professores portugueses apresentam, assim, maior risco de desenvolver burnout. As correlações entre dimensões do modelo teórico são semelhantes entre os dois países e de acordo com o esperado na literatura (Tabela 2). Relativamente às correlações com a idade e tempo de serviço, apenas a amostra portuguesa apresenta uma correlação negativa entre idade e realização profissional. Os resultados podem ser explicados, para além das diferença culturais, pelo facto de em Portugal terem sido efectuadas reformas recentes no estatuto da carreira docente, que levaram muito professores a reclamar publicamente da exaustão sentida com novas tarefas, bem como os mais idosos a pedir reformas antecipadas como forma de lidarem com a exaustão e pressão sentidas, pois como Pines e Aronson (1988, p.85) referem, “se os estudantes não aprendem, é porque o professor não ensina”, o que provoca expectativas irrealistas nos estudantes, pais e sociedade e condiciona um pilar base da sociedade actual, a educação. Portugal Brasil 1. 2. 3. 4. 5. 1. Exaustão Emocional .364** -.131 .139 .160 2. Despersonalização .764** -.289** -.086 -.114 3. Realização Pessoal -.341** -.364** -.297* -.165 4. Idade .009 .021 -.220 .884** 5. Tempo de serviço -.056 -.020 -.229 .883** Tabela 2 . . Intercorrelações entre dimensões *p<0,050 **p<0,010 IX Congresso Internacional de IX Congresso Internacional de la la SEAS SEAS Valência, 6 a 8 Valência, 6 a 8 setembro setembro 2012 2012 Dimensões (1-5) Brasil M (DP) Portugal M (DP) t Student (p) Exaustão Emocional 2.09 (.94) 3.17 (.93) 6.442(.000)** Despersonalização 1.33(.91) 1.41(.47) .658(.512) Realização Pessoal 2.99(1.27) 4.31(.62) 7.353 (0.000)** - Albadejo R, Villanueva R, & Ortega P. (2004). Síndrome de Burnout em el personal de enfermería de um hospital de Madrid. Revista Espãnola de Salud Pública, 78(4), 505-16. - Carlotto, M.S., & Câmara, S.G. (2004). Análise factorial do Maslach Burnout Inventory (MBI) em uma amostra de professores de instituições particulares. Psicologia em Estudo, Maringá, 9 (3), 499-505. - Carlotto, M.S., & Câmara, S.G. (2007). Preditores da Síndrome de Burnout em Professores. 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