O contributo das atividade lúdicas para a aprendizagem de L1 e L2
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FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DO PORTO Elisabete Maria Macedo Lopes O contributo das atividades lúdicas na aprendizagem de L1 e L2 Relatório/ Mestrado de Estágio Pedagógico apresentado em Ensino do Português para o 3º Ciclo do Ensino Básico e Secundário e Espanhol para o 3º Ciclo do Ensino Básico e Secundário Professor Orientador: Professor Doutor Manuel Ramos 2013 Classificação: Ciclo de estudos: Dissertação/relatório/Projeto/IPP: Versão definitiva
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3 FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DO PORTO Elisabete Maria Macedo Lopes O contributo das atividades lúdicas na aprendizagem de L1 e L2 Relatório/ Mestrado de Estágio Pedagógico apresentado em Ensino do Português para o 3º Ciclo do Ensino Básico e Secundário e Espanhol para o 3º Ciclo do Ensino Básico e Secundário Professor Orientador: Professor Doutor Manuel Ramos 2013
4 Resumo O presente trabalho tem por objetivo a reflexão sobre a utilização de atividades lúdicas na aprendizagem de L1 e L2. Como os professores se deparam, no dia a dia, com alunos cada vez mais desmotivados e desinteressados, ficam dificultados tanto o papel do professor, como o do próprio aluno, e a desejável sintonia no processo de ensino-aprendizagem, que a todos beneficiaria, fica seriamente comprometida. Seguese, implacável, o insucesso escolar. É aí que surge, como recurso alternativo e/ou estratégico, o lúdico, cuja principal finalidade é cativar/ motivar os alunos para a aprendizagem e levá-los, à custa do prazer e da satisfação que das atividades lúdicas é possível extrair, à compreensão. De outra forma os conteúdos inerentes ao estudo da língua materna e estrangeira não seriam fáceis de reter. A consciência desta realidade fez com que achasse ser necessário o desenvolvimento desta temática, que se me apresenta desafiadora e atrativa. A nível estrutural, o presente trabalho apresenta, depois da introdução do tema, o enquadramento teórico, no Capítulo I, cuja finalidade é fundamentar a aplicação prática apresentada no Capítulo III, em que apresentarei propostas didáticas desenvolvidas e trabalhadas em ambiente de sala de aula, durante o estágio pedagógico, entre outras. No meio fica o Capítulo II, reservado a uma breve caracterização da escola, do núcleo de estágio e das turmas com as quais trabalhei e abordei este tema. A partir da análise dos dados apresentados ao longo destes capítulos foi possível aferir algumas conclusões no âmbito deste projeto de investigação. A elas reservei o Capítulo IV. Palavras Chave: Lúdico, motivação, aprendizagem, L1 e L2.
5 Abstract The aim of the current work is a reflection on the use of recreational activities in the process of learning a First Language and a Second Language. Every day teachers have to face students increasingly unmotivated and uninterested, which makes difficult not only the role of the teacher but also the one of the student and, because of this, the desirable harmony in the teaching-learning process, that would benefit all, becomes seriously endangered. Following this there is the, implacable, academic failure. Bearing in mind the reasons above, the recreational activities appear as an alternative and/or a strategic resource, which aims to captivate / motivate students for the learning process and lead them, due to the pleasure and satisfaction that is possible to achieve through recreational activities, to the comprehension. If it wasn’t the case, it wouldn´t be easy to retain the contents inherent to the study of a mother tongue and a foreign language. The awareness of this reality has made me feel necessary to research about this theme, which I consider to be challenging and attractive. Structurally, this work presents, after the introduction of the theme, the theoretical framework, in Chapter I, in order to substantiate the practical application presented in Chapter III, in which it will be presented the didactic proposals, among others, developed and worked in a classroom environment, during the teaching traineeship. In the middle there is Chapter II, reserved for a brief description of the school, the core of the traineeship and the classes with which I have worked and dealt with. From the analysis of the data presented in these chapters was possible to assess some conclusions in the context of this research project. To them I have reserved chapter IV. Key Words: recreational, motivation, learning, L1 and L2.
6 Agradecimentos Foi uma longa e árdua caminhada e, por isso, quero agradecer ao meu Orientador, o Professor Doutor Manuel Ramos, pela sua ajuda, apoio, compreensão e disponibilidade. Agradeço aos meus Orientadores de estágio, a Professora Ana Rosa Silva e o Professor Joaquim Lopes, por toda a dedicação, apoio e amizade. Agradeço à minha amiga e colega de estágio Maria Manuel por todos os momentos que partilhámos e por mutuamente nos termos apoiado e conseguido manter estáveis quando tudo parecia ruir. Fomos umas valentes! Aos meus amigos, o meu muito obrigada pelo vosso apoio e carinho. Para o fim, deixo-vos a vós, razão da minha existência e da minha essência, minha adorada família! Aos meus pais, o meu muito obrigada por tudo, aos meus irmãos por me apoiarem sempre e, finalmente, agradeço ao meu marido por todo o apoio, compreensão e, principalmente, por não me deixar desistir. Obrigada a todos vós! Nesta caminhada, que se mostrou mais longa do que havia inicialmente suposto, vivi a experiência mais maravilhosa da minha vida: fui mãe! Dedico, pois, esta dissertação à minha filha Mariana, o bem mais precioso que na vida tenho e que me faz ver o mundo com outros olhos! A todos, obrigada!
7 Lista de abreviaturas utilizadas L1 – Língua materna (Língua Portuguesa) L2 – Língua segunda (Língua Espanhola) LE – Língua estrangeira ELE – Espanhol Língua Estrangeira UD – Unidade Didática
8 Índice Geral Introdução …………………………………………………………………………….10 Capítulo I – O lúdico …………………………………………………………………13 1. O lúdico 1.1. O lúdico e o seu significado/ importância ao longo dos tempos……...14 1.2. O lúdico e a pedagogia ……………………………………………….18 1.3. O lúdico no processo ensino-aprendizagem ………………………….21 1.4. A componente lúdica e o papel do professor ………………………....24 1.5. Os alunos e a dimensão lúdica …………………………………..........28 1.6. O lúdico na aprendizagem de L1 e L2 ………………………………..31 1.7. A motivação, momento privilegiado para a apresentação de conteúdos lúdicos. Dois tipos de motivação……………………………………………….35 Capítulo II – O contexto em que se desenvolveu o tema ……………………..…….39 1. A Escola Secundária Dr. Manuel Laranjeira …………………………...40 2. O núcleo de estágio ……………………………………………….........41 3. Caracterização das turmas ………………………………………….......41 Capítulo III – O contributo das atividades lúdicas na aprendizagem de L1 e L2: aplicação prática ……………………………………………………………………..44 1. Objetivo da aplicação prática ………………………………………....45 2. Propostas de atividades lúdicas realizadas durante o estágio pedagógico a Língua Portuguesa (L1) e a Língua Espanhola (L2) ...................................47 2.1. A motivação, momento privilegiado para a apresentação de conteúdos lúdicos ....................................................................................47 2.2. Outros momentos da aula, outros exemplos de atividades: .............54 2.2.1. Língua Portuguesa – L1 .........................................................54 2.2.2. Língua Espanhola – L2 ..........................................................63 3. Outras propostas didáticas para Língua Portuguesa (L1) e para Língua Espanhola (L2) .............................................................................................76
9 Capítulo IV – Conclusão …………………………………………………………......85 Referências bibliográficas ……………………………………………………………89 Índice de Autor .............................................................................................................93 Anexos …………………………………………………………………………………95
16 Avançando na História e voltando-nos para a era contemporânea, do século XX, encontramos uma obra intitulada Homo Ludens do autor Johan Huizinga, um historiador holandês, que atribuiu ao jogo um papel tão fundamental como a reflexão e o trabalho. A sua obra dedica-se ao estudo do jogo como fenómeno cultural. Para o autor jogo era: […] uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e de espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e de alegria e de uma consciência de ser diferente da “vida quotidiana.” (2004: 33) Dois autores incontornáveis no que toca ao desenvolvimento e aprendizagem da criança são os psicólogos Jean Piaget 5 e Lev Vigotsky 6 . Ambos reconhecidos pelo contributo que as suas teorias trouxeram para uma compreensão mais ampla e abrangente sobre a construção do conhecimento na criança, e também, a importância que ambos reconhecem na utilização do lúdico para o seu desenvolvimento e para a sua aprendizagem. De acordo com Piaget (1978), “o desenvolvimento da criança acontece através do lúdico. Ela precisa de brincar para crescer, precisa do jogo como forma de equilibração com o mundo”. O autor reforça uma questão particularmente importante, de que “o jogo não pode ser visto apenas como divertimento ou brincadeira para desgastar energia, pois ele favorece o desenvolvimento físico, cognitivo, afectivo e moral” (1967: 32), Piaget defende, portanto, que o jogo ajuda à construção do conhecimento, logo tem que ser encarado como um elemento fundamental na aprendizagem e no ensino. 5 Sir Jean William Fritz Piaget (Neuchâtel, 9 de agosto de 1896 - Genebra, 16 de setembro de 1980) foi um epistemólogo suíço, considerado um dos mais importantes pensadores do século XX. Defendeu uma abordagem interdisciplinar para a investigação epistemológica e fundou a Epistemologia Genética, teoria do conhecimento com base no estudo da génese psicológica do pensamento humano. Adaptado: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean_Piaget 6 Lev Semenovitch Vygotsky (Orsha, 17 de Novembro de */*1896, — Moscou, 11 de Junho de 1934) foi um psicólogo bielo-russo. Pensador importante em sua área foi pioneiro na noção de que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais e condições de vida. Veio a ser descoberto pelos meios académicos ocidentais muitos anos após a sua morte, que ocorreu em 1934, por tuberculose, aos 37 anos. Adaptado: http://pt.wikipedia.org/wiki/Vigotsky
17 Segundo o autor Lev Vigotsky (1989): O lúdico influencia enormemente o desenvolvimento da criança. É através do lúdico que a criança aprende a agir, a sua curiosidade é estimulada, adquire iniciativa e autoconfiança, proporciona o desenvolvimento da linguagem, do pensamento e da concentração. 7 Vários foram os autores 8 das mais diversas áreas, além dos referenciados anteriormente, que dedicaram pesquisas e estudos sobre a questão do lúdico, dos jogos como meio de desenvolvimento cognitivo e da aprendizagem. Ao longo dos tempos o lúdico foi encarado de diferentes formas, primeiramente com jogos coletivos e mais direcionados para os adultos. Posteriormente direcionou-se mais para a criança e para os seus benefícios quando aliado à educação. Reconheceram a utilidade do lúdico, na questão do prazer e do agradável, e de que a brincar também se aprende, se cresce, se adquirem competências, autonomia, mais criatividade (…) Como há um considerável número de teorias sobre a importância do lúdico e da sua dificuldade numa só definição, cito a autora Marli P. dos Santos: (…) Todo o ser humano sabe o que é brincar, como se brinca, por que se brinca, mas a grande dificuldade surge no momento em que se pretende formular um conceito claro sobre o lúdico. Nesse momento, as palavras são insuficientes, pois há necessidade de abandonar a emoção e mergulhar nas trilhas da razão. Será que, para ter credibilidade, o lúdico tem que ser racionalizado? Por que cada pessoa não pode conceituar o lúdico pelo que sente e não pelo que as palavras possam dizer? Assim, o lúdico teria um conceito sentido pela emoção e não pela razão, mais vivido e menos teorizado. Talvez seja por isso que não há consenso quando se define o brincar. (2010: 11) 7 MONTEIRO, J. L. Jogo, interactividade e tecnologia: uma análise pedagógica. Cadernos da pedagogia ano I vol. 01 janeiro/julho de 2007, p.130. http://www.cadernosdapedagogia.ufscar.br/index.php/cp/article/viewFile/11/11 8 Podemos referir nomes de outros autores que se dedicaram a estudos e teorias que ligam lúdico/jogo com o ensino como: Rosseau, Pestalozzi, Dewey, Frobel, Decroly, Roger Caillois, Bruner, entre outros.
18 1.2. O lúdico e a pedagogia Tanto as atividades lúdicas quanto a educação são indispensáveis à vida humana quando situadas como ingredientes que ofereçam melhoria para a qualidade de vida das pessoas. Santa Marli P. dos Santos (2010: 9) A escola deve ser um local de formação para a vida e não ser encarada, por uma parte dos alunos, como uma obrigação, um castigo que lhes é imposto sem qualquer recompensa. Se detivermos a nossa atenção nesta questão que muitos dos nossos alunos sentem dessa forma a escola, verificaremos que o nosso papel como professores tornase mais dificultado, dado que os alunos não se sentem motivados, nem interessados em aprender, em ter aquela “curiosidade” sã de quererem saber sempre mais, de indagarem constantemente. Daí que, para despertar tal curiosidade, sobretudo nos alunos mais novos, seja necessário ligar o ensino ao lúdico, mas sem infantilizar. O sistema educativo, como qualquer outro sistema, tem que se atualizar constantemente, tem que estar a par de iniciativas que auxiliem e tentem diminuir o insucesso e o abandono escolar, o desinteresse dos alunos, a desconcentração, a indisciplina na sala de aula, entre outros fatores. É muito importante recorrer a estratégias, entre as quais as estratégias que recorrem no lúdico, para elevar o interesse dos estudantes, a participação na sala de aula e, em consequência, os resultados escolares. Justamente a autora Marli P. dos Santos aponta a utilização das atividades lúdicas como uma estratégia viável no futuro da educação, uma vez que estas tendem a ser mais abertas, criativas e dinâmicas. Salienta a importância das práticas pedagógicas estarem em constante atualização e, por isso, deve-se procurar sempre alternativas que auxiliem no sucesso escolar: As práticas pedagógicas atuais têm por tarefa construir competências, buscar novos conhecimentos, procurar métodos ativos, tornar as disciplinas menos rígidas, respeitar os alunos, utilizar didáticas mais flexíveis, buscar avaliações mais formativas, usar novas tecnologias e tratar os alunos através de técnicas reflexivas. Essas práticas tendem, no futuro, a mudar a educação e um dos caminhos viáveis pode ser a utilização das atividades lúdicas, pois estas têm a possibilidade de ajudar na busca de mudanças, uma vez que tendem a ser mais abertas, criativas e dinâmicas. (2010: 21)
19 Através dos jogos lúdicos as crianças brincam e aprendem, juntam-se aqui dois ingredientes essenciais à vida humana: o prazer e o conhecimento. Se, na realidade, os pudermos juntar e continuar a desenvolver atividades com componente lúdica e que estas nos acompanhem pelo nosso percurso como indivíduos e profissionais, então gratamente reconhecemos que o lúdico, quando aliado à pedagogia, torna-se num elemento importante e enriquecedor. Como um recurso auxiliar, contribui para que a aprendizagem dos nossos alunos possa ser mais produtiva e eficaz, pois tudo gira em torno dessa questão: da aprendizagem ser mais efetiva e que os nossos discentes sintam prazer em aprender e ainda que isso sobressaia nos resultados alcançados. O lúdico torna-se assim numa mais valia, numa ferramenta que, bem trabalhada, bem elaborada, pode obter resultados muito positivos e, por isso, é necessário que lhe seja dedicado mais tempo, mais estudo, que seja implementado de uma forma mais marcante e percetível nas escolas e no ensino. Uma outra autora, Tezani (2004) defende a importância do jogo na educação escolar, aponta os benefícios da sua utilização e realça o facto de este ser muito relevante na educação escolar: O jogo não é simplesmente um “passatempo” para distrair os alunos, ao contrário, corresponde a uma profunda exigência do organismo e ocupa lugar de extraordinária importância na educação escolar. Estimula o crescimento e o desenvolvimento, a coordenação muscular, as faculdades intelectuais, a iniciativa individual, favorecendo o advento e o progresso da palavra. Estimula a observar e conhecer as pessoas e as coisas do ambiente em que se vive. Através do jogo o indivíduo pode brincar naturalmente, testar hipóteses, explorar toda a sua espontaneidade criativa. Outro autor ainda, Prieto Figueroa, reconhece também a importância dos jogos didáticos para a educação, uma vez que estes contribuem para o desenvolvimento e aprendizagem dos alunos. Reconhece ainda o jogo como sendo um elemento essencial à vida humana e que afeta de forma diferente cada fase. Destaca o jogo livre para a criança e o jogo sistematizado para o adolescente: El juego, como elemento esencial en la vida del ser humano, afecta de manera diferente cada período de la vida: juego libre para el niño y juego sistematizado para el adolescente. Todo esto lleva a considerar el gran valor que tiene el juego para la educación, por eso han sido inventados los llamados juegos didácticos o educativos, los cuales están elaborados de
20 tal modo que provocan el ejercicio de funciones mentales en general o de manera particular. (1984: 85) Se, na realidade, o lúdico pode e deve ser um aliado com o ensino, a verdade é que se verifica por parte das escolas e de muitos educadores alguma relutância em explorar este recurso estimulador, potenciador e capaz de desenvolver competências e inteligências como nos refere Marli P. dos Santos: A escola, de modo geral, tem-se preocupado pouco com o valor prático da ludicidade. Os educadores exigem que os alunos prestem atenção, contem histórias, demonstrem memória, tenham pensamento lógico, criatividade e imaginação, mas quando oferecem atividades lúdicas, estas estão dissociadas do contexto do aluno e, também, de qualquer tipo de aprendizagem. Eles não têm o hábito de desenvolver habilidades e nem de usar os jogos como estratégias de intervenção psicopedagógica. Portanto, não aproveitam o lúdico para afiar as habilidades e de desenvolver competências e inteligências. (2010: 13) É fundamental que se perceba a importância das atividades lúdicas aplicadas num contexto bem definido, com regras claras e precisas tanto para os professores, que levam a atividade para a sala de aula, como para os alunos, que a vão realizar. Muitos educadores ainda confundem e apresentam este tipo de atividades fora do contexto lecionado na aula, apresentam-nas como simples passatempo, recreio e, desta maneira, obviamente não desenvolvem nem aproveitam as competências e habilidades para a aprendizagem. Esta problemática centra-se mais nas escolas de modelo mais tradicional, onde o aluno é mero espetador e ouvinte, tem um papel passivo e onde o professor ocupa o papel central e monopolizador. Todavia, tem-se notado um esforço para que a escola seja aberta a mudanças, visto ser necessário que o sistema educacional evolua, atualize e se coloque a par de iniciativas que se mostrem produtivas e eficazes no processo ensino-aprendizagem. “Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem.” (Carlos Drummond de Andrade)
21 1.3. O lúdico no processo ensino-aprendizagem aprendizagem s. f. 1. Acto ou efeito de aprender. 2. Tempo durante o qual se aprende. = APRENDIZADO 3. Experiência que tem quem aprendeu. =APRENDIZADO Adaptado de priberam.pt “ O processo de ensino aprendizagem deve ser algo prazeroso que nos dê vontade de continuar.” Maria Clara Fraga Lopes “ É importante a vontade de aprimorar o conhecimento: tudo é motivo para aprendizagem e crescimento. Nunca perca a curiosidade e a vontade de progredir, independente de sua idade.” Perfect Liberty “Por aprendizagem significativa, entendo, aquilo que provoca profunda modificação no indivíduo. Ela é penetrante, e não se limita a um aumento de conhecimento, mas abrange todas as parcelas de sua existência.” Carl Rogers “ A alegria que se tem em pensar e aprender faz-nos pensar e aprender ainda mais.” Aristóteles A aprendizagem representa na vida de qualquer ser humano o desenvolvimento do conhecimento e processa-se de diferentes formas nas diferentes fases da vida: bebé, criança, adolescente, adulto e idoso. Em todas elas, a aprendizagem deve possuir características que a tornem digna de interesse, que se deseje saber e aprender mais, que se tenha curiosidade em indagar, prazer e alegria no descobrir/ conhecer novos conteúdos. Logo, “aprender” deveria relacionar-se com interesse, prazer, alegria e, desta forma, o processo ensino-aprendizagem seria certamente mais cativante, motivador e com bons resultados. No entanto, as escolas têm-se deparado com sérios problemas (já referido no ponto anterior) e estes têm sido abordados no sentido de encontrar respostas capazes
22 de provocar mudanças, de alcançar estratégias que consigam inverter esta situação tão complicada no sistema educativo. Um recurso que tem vindo a despertar cada vez mais a atenção das escolas e, claro, dos professores é a utilização do lúdico na aprendizagem, pois quando se aprende de forma agradável, de forma mais descomprimida, por norma conseguem-se melhores resultados. Na realidade, é necessário recorrer a ferramentas que possam ser uma mais valia no que concerne à aprendizagem dos nossos alunos, ao seu interesse e motivação por aquilo que estão a aprender. Macedo, Petty & Passos (2005: 10) “O que significa aprendizagem? Propomos (…) que consideremos as diferentes partes que compõem essa palavra: a+ aprendiz+ agem. O sufixo –agem que substantiva o verbo a+ prender. Prender é o mesmo que atar, fixar, pregar em. Seu correspondente etimológico – apreender – significa abarcar com profundidade, compreender, captar. O prefixo a- (ad-), indica aproximação, movimento em direção a (…)”. Segundo os autores, a aprendizagem deve ser realizada de forma, a que tenhamos a capacidade de fixar/ ligar e compreender os conteúdos adquiridos, pois a aquisição de conhecimentos que fazemos durante a nossa vida faz parte de um processo evolutivo e gradual. Quando falamos em ensino-aprendizagem falamos obviamente de um processo, pois o que se pretende é que se progrida, se evolua e que, através de diversos métodos aplicados no sistema educativo, este obtenha certos resultados, neste caso, pretende-se obviamente o sucesso dos nossos alunos, a obtenção de bons resultados. Surge-nos então um caminho viável, o lúdico, que necessita de mais estudos, de mais atualizações principalmente pelos professores, para que a sua implementação seja cada vez mais visível e significativa, nas salas de aula e fundamentalmente nos nossos alunos. A propósito do lúdico como ciência, a autora Marli P. dos Santos defende: A ludicidade, como ciência, fundamenta-se em quatro eixos: o sociológico, o psicológico, o pedagógico e o epistemológico. Sociológico, porque a atividade de cunho lúdico engloba demanda social e cultural. Psicológico, porque se relaciona com o processo de desenvolvimento e aprendizagem do ser humano em qualquer idade em que se encontre. Pedagógico, porque se serve tanto da fundamentação teórica existente como das experiências educativas provenientes da prática docente. Epistemológico, porque tem fontes de conhecimentos científicos que sustentam o jogo como fator de desenvolvimento. (2010: 18)
23 A anterior citação comprova a importância do lúdico e os quatro eixos nos quais assenta, daí a autora definir “ludicidade” como uma ciência, mas logo de seguida fala das resistências que os agentes da educação têm contra o lúdico e que é de difícil implementação na escola, devido a variados fatores: Não é fácil transformar uma realidade e isso não acontece de uma hora para a outra, pois as práticas docentes são diversas, as concepções dependem de cada educador, pois os educadores, mesmo leccionando a mesma disciplina e trabalhando na mesma escola, diferem em suas concepções. Por outro lado, sabe-se que uma mudança só ocorre ao longo de um período e, para que aconteça, é necessário que existam pessoas inovadoras, criativas e capazes de incentivar a busca por novos caminhos que possam levar à transformação. (2010: 21) As mudanças não são fáceis de ocorrer, exigem uma série de circuntâncias e, no que concerne ao sistema educativo, implicam obviamente diversas práticas docentes, várias disciplinas, programas curriculares que têm que ser cumpridos, muita burocracia e claro está, é preciso também que haja educadores que sejam criativos, que estejam recetivos não só à mudança como serem eles próprios agentes dessa mudança. Desta forma, poderão, quem sabe, levar outros colegas a serem mais inovadores e buscarem estratégias para melhorarem a aprendizagem dos alunos. Tudo converge para que o processo ensino-aprendizagem seja mais eficaz, produtivo, agradável e de interesse para a mente, tanto de quem aprende como de quem ensina. As vantagens do lúdico ficam mais uma vez assinaladas neste texto de Juliana Tavares. As vantagens do seu uso ultrapassam em muito o campo da escola: […] o lúdico pode contribuir de forma significativa para o desenvolvimento do ser humano, seja ele de qualquer idade, auxiliando não só na aprendizagem, mas também no desenvolvimento social, pessoal e cultural, facilitando no processo de socialização, comunicação, expressão e construção do pensamento. Vale ressaltar, porém, que o lúdico não é a única alternativa para a melhoria no intercambio ensino aprendizagem, mas é uma ponte que auxilia na melhoria dos resultados por parte dos educadores interessados em promover mudanças. 9 9 MAURÍCIO, Juliana Tavares. Aprender brincando: O lúdico na aprendizagem, p.18. http://www.profala.com/arteducesp140.htm
24 1.4. A componente lúdica e o papel do professor Professor |ô| (latim professor, -oris) s. m. 1. Aquele que ensina uma arte, uma actividade, uma ciência, uma língua, etc. 2. Pessoa que ensina em escola, universidade ou noutro estabelecimento de ensino. = DOCENTE […] 5. Entendido, perito. adj. 6. Que ensina. Adaptado de priberam.pt O professor é um dos elos mais importantes dentro do chamado sistema educativo. Como a própria definição diz: o professor é aquele que ensina, portanto, que instrui. O papel do professor foi-se modificando ao longo dos tempos. Nos dias de hoje, o educador é visto cada vez mais como um orientador e mediador, abandonando assim o papel central e autoritário que lhe estava confinado na designada “escola tradicional”. Também o papel passivo dos alunos pertence cada vez mais ao passado. Hoje os alunos têm um papel mais central e ativo e estão mais conscientes do seu próprio processo de ensino-aprendizagem. Alunos estimulados e motivados é o desejo e ambição de todos os docentes, pois não há nada mais significativo do que ensinar alunos que queiram efetivamente aprender e que gostem de estar na escola, e não a sintam como uma “prisão”. É nesse sentido que a escola necessita de procurar soluções, respostas capazes de manter os alunos motivados, incentivados para o ensino-aprendizagem. E, os professores têm um papel bastante ativo neste sentido, pois são eles que lidam diretamente com os alunos e que mais facilmente se apercebem do desânimo, da indisciplina, do desinteresse, da falta de motivação, das dificuldades cognitivas, etc. Como defendem as autoras Santos e Balancho, é necessária uma mudança da educação e, para isso é preciso mudar mentalidades; e acrescentam ainda que cabe ao professor o papel mais preponderante, pois ele deverá ser o mais lúcido e conhecedor da realidade escolar:
25 […] Essa “atitude” pressupõe a capacidade de mudar a educação por dentro, provocando a alteração das mentalidades de todos os protagonistas do processo educativo. A iniciativa cabe, necessariamente, ao professor, porque ele deverá ser, de entre todos, o mais lúcido dos protagonistas: … pela vocação de sujeito atento, que opera e que transforma; … pelo posicionamento estratégico que ocupa; … pela sua cosmovisão, favorável, por inerência de funções, à activação dos mecanismos que conduzem à comunicação aberta; … pela capacidade de definição de uma “atitude pedagógica” assente no diálogo criativo. 10 De facto, os educadores/ professores procuram alternativas e estratégias capazes de tornar o seu trabalho mais eficiente e mais produtivo, porque entenderam que as atividades lúdicas são uma grande valia na tentativa de alcançar uma aprendizagem mais significativa quer como alunos quer como pessoas. Marli P. Dos Santos (2010: 7) fala precisamente desse afã dos professores em captar a atenção dos seus alunos e tornarem o seu ensino mais atraente, aguçar também à adoção de práticas lúdicas: Os profissionais de educação, na sua grande maioria, têm a intenção de fazer um trabalho pedagógico mais eficiente; por isso, nesse meio, a discussão sobre a melhoria do ensino tem-se voltado para a busca de alternativas que tornem o ensino mais atraente e que proporcionem uma aprendizagem significativa pela via do prazer, do afeto, do amor e do despertar de emoções, pois a falta de concentração dos alunos, o desinteresse pelas aulas, a indisciplina, a ansiedade, a falta de capacidade de memorização, de lógica e de apropriação dos conteúdos tem sido a tónica das discussões escolares. Os educadores já perceberam também que a atividade lúdica é uma das mais educativas atividades humanas e não serve somente para aprender conteúdos escolares, mas também para afiar habilidades e educar as pessoas a serem mais humanas. E noutro passo: O educador do novo milênio deve promover novos e estimulantes desafios, contextualizar conteúdos, outrora ministrados sem valor prático, pois, enquanto o aluno não perceber a utilidade do que aprende na escola para a sua vida, sentirá os conteúdos sem significado e a escola desnecessária. 11 10 SANTOS, Ana Maria Ribeiro dos, BALANCHO, Maria José S, A criatividade no ensino do português, 1992, p.8. 11 SANTOS, Santa Marli P. Dos, O brincar na escola – Metodologia Lúdico-vivencial, coletânea de jogos, brinquedos e dinâmicas, 2010, p. 23.
32 enfadonhas, daí eu acreditar que o lúdico pode alterar a relação entre aluno – escolaaprendizagem. Na aprendizagem das línguas precisamos igualmente de sentir os alunos empenhados e interessados, para que o nosso papel enquanto professores seja o mais bem sucedido. Para tal dependemos dos bons resultados dos nossos alunos. Será que a aprendizagem de Português (L1) é mais eficaz que Espanhol (L2)? Tratando-se da nossa língua, aquela que nos acompanha desde tenra idade e que aprendemos espontaneamente, seria expectável que gostássemos de saber mais, de ler e escrever bem, de compreender bem um texto, de conseguir argumentar, de saber utilizar as estruturas gramaticais corretamente e, tudo isto, com muita motivação, dado que é a nossa língua. Todavia, o que se verifica é que existem muitas dificuldades na aprendizagem de Português (L1), levando o MEC 14 a reforçar esta disciplina em carga horária e fora da sala de aula para tentar suprir ou diminuir as dificuldades apresentadas pelos alunos. Em relação ao contributo do lúdico na aprendizagem de Português (L1), quase não há literatura disponível que reflita seriamente esta temática, principalmente a partir do 2º ciclo, ou seja, com alunos mais crescidos, depreendendo-se desta forma que, para a aprendizagem da língua materna não será muito relevante a componente lúdica, apesar de todos os benefícios e potencialidades apontadas e fundamentadas nos pontos anteriores. Situação diferente verifica-se na aprendizagem de Espanhol (L2), onde a importância dada à motivação, ao cativar os alunos pela aprendizagem de um novo idioma tornam o lúdico num recurso indispensável para trabalhar os conteúdos em sala de aula. Os professores de E/LE reconhecem o contributo das atividades lúdicas como um elemento enriquecedor e potenciador de conseguir bons resultados, capaz de tornar a aprendizagem mais efetiva, que é o verdadeiro cerne de toda esta temática. Veja-se o testemunho de Fuentes: Y por si faltan razones para su implementación en clase quizás convenga recordar que el Plan Curricular publicado por el Instituto Cervantes aconseja, entre los procedimientos y recursos para la práctica en el aula de español E/LE, la utilización de los juegos para 14 Ministério da Educação e da Ciência.
33 favorecer la creación de un ambiente relajado y motivador y obtener así el mayor provecho de las actividades. 15 En el momento en que la educación más tradicional da un paso más allá, pasando de la formalidad en sus explicaciones y del protagonismo del professor como único representante del acto educativo, a la idea de introducir actividades dinámicas en las que el discente pasa a formar parte directa del proceso de enseñanza, descubrimos que el componente lúdico cobra un papel fundamental en la programación. Los profesores nos adentramos en este mundo descubriendo gratamente que “se aprende jugando en clase” y no sólo eso, sino que todo lo que genera el juego a su alrededor facilita enormemente el proceso de aprendizaje, las relaciones en el aula potenciando la integración y la cohesión grupal. (2008: 2) Fuentes (2008: 7) afirma ainda: Ya en el Marco común europeo de referencia para las lenguas: aprendizaje, enseñanza, evaluación (MCER), se hace referencia al papel que desempeña el componente lúdico en el aprendizaje y desarrollo de la lengua. 16 A questão continua e precisa de ser abordada, estudada e fundamentada no que concerne à aprendizagem de Português (L1), pois se o lúdico é reconhecido como uma ferramenta bastante útil e importante em ELE (aqui cabe ressaltar a importância referida em Espanhol - L2) então é necessário alargar horizontes e mudar mentalidades, embora creia que já se caminhe nesse sentido e seja muito importante para combater o insucesso registado em L1, em particular. As dificuldades no que respeita a Português (L1) e a desmotivação por parte dos alunos não prejudica somente os resultados desta disciplina, acabando por interferir com todas as outras, pois, se um aluno não possui os conhecimentos suficientes da sua própria língua, vai deparar-se com sérios problemas também nos outros saberes. Aliás, 15 VV.AA. (1994) Plan Curricular del Instituto Cervantes. La enseñanza del español como lengua extranjera. Instituto Cervantes. http://www.cuadernointercultural.com/aprender-idiomas-con-actividades-ludicas-y-juegos/ 16 Dentro del MCER( en el capítulo 4: El Uso de la lengua y el usuario o alumno, en el punto 4.3.:Tareas y propósitos comunicativos hay un apartado que hace referencia a los usos lúdicos de la lengua, recogiendo algunos ejemplos de juegos que se pueden llevar al aula de ELE. Centro Virtual Cervantes, Marco común europeo de referencia para las lenguas: aprendizaje, enseñanza, evaluación, Instituto Cervantes, 2002-2008. Disponível em: http://cvc.cervantes.es/obref/marco/
34 são vários os professores que relatam que os alunos não conseguem aprender a(s) disciplina(s) porque não conseguem interpretar as questões colocadas pelos professores, assim como não conseguem fundamentar, argumentar, exprimir-se quer a nível oral quer de escrita. Português (L1) permite a comunicação entre todos, a interação, a tomada de decisões e, para isso, é necessário que os alunos compreendam a sua importância ao longo das suas vidas, independentemente da profissão que venham a desempenhar, e mais, pretende-se a formação de cidadãos criativos, críticos e aptos para tomar decisões. É imprescindível que a escola, que os docentes, os pais, os alunos consigam encontrar estratégias, iniciativas, mudanças capazes de contornar esta situação e fazer dos nossos alunos melhores comunicadores, melhores escritores, melhores cidadãos, melhores pessoas. Friedmann (1996: 54) argumenta: A escola é um elemento de transformação da sociedade, sua função é contribuir, junto com outras instâncias da vida social, para que essas transformações se efectivem. Nesse sentido, o trabalho da escola deve considerar as crianças como seres sociais e trabalhar com eles no sentido de que sua integração seja construtiva. Um dos caminhos apontados tem sido a componente lúdica, o uso de atividades lúdicas, dinamizadoras e, por isso, a autora Marli P. dos Santos refere: A formação lúdica se assenta em pressupostos que valorizam a criatividade, o cultivo da sensibilidade, a busca da afectividade, a nutrição da alma, proporcionando aos futuros educadores vivências lúdicas, experiências corporais, que se utilizam da ação, do pensamento e da linguagem, tendo no jogo sua fonte dinamizadora. (1997: 14)
35 1.7. A motivação, momento privilegiado para a apresentação de conteúdos lúdicos. Dois tipos de motivação. A questão da motivação é fundamental no processo de ensino-aprendizagem, principalmente quando prevemos que os estudantes vão ter dificuldade em entender algum tipo de matéria, quer por ter a sua complexidade, quer por o momento em que ocorre a aula ser inconveniente. Mas o que é a motivação em contexto escolar? El término motivación se deriva del verbo latino “movere”, que significa `moverse´, `poner en movimiento´ o `estar listo para la acción´. Cuando un alumno quiere aprender algo, lo logra com mayor facilidade que cuando no quiere o permanece indiferente. En el aprendizaje, la motivación depende inicialmente de las necesidades y los impulsos del individuo, puesto que estos elementos originan la voluntad de aprender en general y concentran la voluntad. 17 Portanto, a questão da motivação é fundamental no processo de ensinoaprendizagem como afirma a autora Caballero de Rodas, por implicar uma série de variáveis importantíssimas para alcançar com sucesso os conteúdos curriculares. Vale a pena citar esta autora, pondo em destaque a sua importância antes da exposição de uma matéria algo mais difícil: La motivación es una característica absolutamente indispensable para la adquisición significativa de los contenidos curriculares, porque modifica variables como la atención, la concentración, la persistência y la tolerancia a la frustración, todas ellas presentes y determinantes del proceso de aprendizaje. (Caballero de Rodas et al, 2001: 102) 18 O nosso papel, enquanto professores, centra-se precisamente na preocupação de estarmos rodeados de alunos motivados, alunos interessados, alunos atentos e mais participativos no processo de aprendizagem. Contudo, há um número significativo de alunos desmotivados, desinteressados e que encaram a aprendizagem de conteúdos como um trabalho forçado, custoso e desinteressante. Esta é, na verdade, uma realidade cada vez mais frequente, muito devida à massificação do ensino e à desagregação da instituição família. 17 PEÑA, Xóchitl de la, La motivación en el aula. http://www.psicopedagogia.com/motivacion-aula 18 SANTOS, Mª João, Actividades dinâmicas e a motivação nas aulas de língua estrangeira, 2010, pág. 16. http://repositorioaberto.up.pt/bitstream/10216/55853/2/TESEMESMARIAJOAOSANTOS000 127197.pdf
36 Detetado / encontrado o problema, há que tentar procurar a solução ou soluções. Neste caso em particular, devem-se procurar iniciativas e/ ou estratégias válidas capazes de alterar comportamentos e de conseguir alcançar os objetivos pretendidos, pois os alunos são o centro do nosso trabalho, e um professor também se sentirá muito mais motivado se trabalhar com alunos interessados em aprender, em adquirir novos conhecimentos, enfim, alunos motivados. A motivação é um fator que atinge todas as pessoas, desde as mais jovens às mais “crescidas”, e todos acabam por ser fortemente influenciados no dia a dia por este fator, especialmente os mais jovens. Se nos sentirmos motivados para determinado aspeto ou assunto, mais nos vamos empenhar, envolver, dedicar; pois, na realidade, estamos a realizar algo que nos apraz, que nos agrada e estimula. O oposto também acontece, a desmotivação, mas é necessário então um esforço maior para combater esse estado que muito afeta e que é incapacitante, dado que não nos sentimos estimulados e isso pode repercutir-se de uma forma menos positiva. Há a destacar dois tipos de motivação: a motivação intrínseca e a motivação extrínseca. Segundo os autores Lieury e Finouillet (1997: 51) 19 , “A motivação intrínseca significa que o indivíduo vai realizar uma actividade unicamente por causa do prazer que ela lhe proporciona”, enquanto a motivação extrínseca é definida pelos mesmos autores como aquela que “(...) faz referência a todas as situações em que o indivíduo realiza uma actividade para dela retirar qualquer coisa de agradável, tal como o dinheiro, ou para evitar qualquer coisa de desagradável”. Aplicando estes conceitos ao âmbito escolar, entende-se que um aluno que esteja intrinsecamente motivado realiza as atividades propostas por gosto e satisfação, enquanto que o aluno motivado extrinsecamente necessita de fatores externos, como por exemplo: dinheiro, uma bicicleta nova, um jogo para a consola, etc, ou seja, precisa de um estímulo extra para que se sinta motivado para realizar determinada tarefa/ atividade com sucesso e, desta forma, lograr da recompensa. A motivação é um dos fatores mais importantes para estimular os alunos para a aprendizagem de conteúdos. Logo, é crucial levar à sala de aula atividades que consigam despertar o interesse dos alunos e, deste modo, mantê-los com um espírito dinâmico para o que vão aprender. O primeiro momento da aula, o início, é 19 SANTOS, Mª João, Actividades dinâmicas e a motivação nas aulas de língua estrangeira, 2010, pág. 17. http://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/55853/2/TESEMESMARIAJOAOSANTOS000 127197.pdf
37 precisamente o ideal para introduzir a motivação através de atividades de cariz lúdico, ou seja, atividades que cativem, que sejam mais dinâmicas, mais agradáveis, mais estimulantes para, precisamente, conseguir a atenção, o desejo e a ânsia para a matéria que vão aprender. Maria João Santos reconhece a sua utilidade e valor performativo: (...) a actividade deveria ajudar os alunos a descobrir o tema da aula, a colocar em prática o seu conhecimento prévio sobre o mesmo e, principalmente, deveria ajudar a aumentar os níveis de motivação e os níveis de participação oral após a atividade. Acrescento ainda que através da implementação das actividades dinâmicas queria mudar a perspectiva negativa que os alunos possuem da sala de aula, algo obrigatório e até aborrecido, para uma perspectiva positiva(...) 20 (2010: 19) Hoje, fala-se cada vez mais da importância da motivação dos nossos alunos, e esta está intrinsecamente relacionada com a componente lúdica. O primeiro momento da aula deve, então, dar primazia a atividades de cariz lúdico, pois pretenderá cativar os alunos para um novo conteúdo, através de atividades que sejam motivadoras, que despertem a curiosidade dos alunos em querer saber mais, que sejam atrativas, capazes de fazer com que estes se sintam e mantenham interessados pela matéria que vai ser introduzida. Este primeiro momento da aula é crucial para o que se seguirá durante essa e as próximas aulas. As atividades podem ser as mais variadas. Há que ter particular atenção ao tempo aqui atribuído, cinco a dez minutos. Há muitas formas de as apresentar: podemos mostrar uma imagem ou várias, um vídeo, um powerpoint, elaborar uma “chuva” de ideias, uma canção, uma fotografia, etc. A intencionalidade é que com este tipo de atividades os alunos se sintam mais entusiamados e interessados pelo que vão aprender e, que consigam, através destas inferir o tema da aula, da UD a que vão dar início. Portanto, não é uma perda de tempo ou um momento menos nobre da aula, mas um momento preparatório que vai ter repercussões nas restantes atividades. Segundo a autora Carmen Santos, a motivação é uma questão muito importante e, apesar de todos os obstáculos que possam surgir, merece todo o esforço e entrega e não o oposto, a desistência: “Motivar al alumno es una verdadera carrera de fondo, en la 20 SANTOS, Mª João, Actividades dinâmicas e a motivação nas aulas de língua estrangeira, 2010. http://repositorioaberto.up.pt/bitstream/10216/55853/2/TESEMESMARIAJOAOSANTOS000127197.pdf
38 que hay que resistir hasta el final, en la que los obstáculos, la soledad, el desánimo no son excusas para abandonar”. 21 21 SANTOS, Carmen Díez, Didáctica – La motivación en clase de ELE, pág. 8. www.uni-salzburg.at/pls/portal/docs/1/562804.PDF
39 Capítulo II – Contexto em que este tema se desenvolveu
40 1. Caracterização da Escola Secundária Dr. Manuel Laranjeira - Espinho A escola na qual realizei o meu estágico pedagógico foi a Escola Secundária Dr. Manuel Laranjeira, em Espinho. O patrono da escola é Manuel Laranjeira. Foi médico de profissão, um homem com um espirito brilhante e inquietante além do seu temperamento apaixonado. A sua obra literária, de grande densidade dramática e de aguda sensibilidade intelectual, repartiu-se por domínios diversificados como a poesia, o jornalismo e o teatro. A escola encontra-se em reconstrução, dado que, na realidade, já necessitava de obras. Eu e a minha colega de estágio, a Maria Manuel, começámos a assistir e a dar aulas nos chamados “contentores”, mas no fim do primeiro período as salas novas já estavam prontas para receber os alunos e os professores. São salas muito acolhedoras e que já possuem as condições necessárias e razoáveis para que, desta forma, se possa trabalhar e criar um ambiente mais apropriado ao processo de ensino-aprendizagem. No início do ano, quando me apresentei na escola fui recebida de forma acolhedora por parte da Diretora da escola que se mostrou uma pessoa disponível para nos ajudar no que precisássemos, contudo isso aconteceu por não acontecer quando surgiram alguns problemas relacionados com o estágio em espanhol. Todavia, pareceme que a escola é organizada, sente-se que toda a comunidade educativa se une para alcançar os resultados a que se propõe. Nota-se uma participação mais ativa e interessada por parte dos pais e responsáveis pela educação dos alunos, e isso é muito positivo. Soma-se ainda a luta para combater o insucesso escolar e conseguir atingir resultados positivos a determinadas disciplinas e, para isso; a escola tenta que os alunos adquiram hábitos diários de estudo e de trabalho e que os que sentem mais dificuldades na aprendizagem sejam acompanhados através de planos de melhoramento individuais. A escola Dr.Manuel Laranjeira tem alunos do 5º ano até ao 12º ano, além dos cursos profissionais e dos cursos QNO. É, por isso, uma escola que possui uma ampla oferta educativa. Aos alunos é-lhes oferecido uma grande variedade de atividades para que possam aproveitar os seus tempos libres com ocupações úteis e saudáveis, o que acaba por ser mais motivador para os discentes. É muito importante que as escolas tenham em atenção esses aspetos, que haja tempo para o ensino e tempo para atividades com uma vertente mais lúdica, mais recreativa que permitam aos alunos criar uma relação mais
41 estreita com a sua escola. A escola dispõe de uma biblioteca muito acolhedora, bonita e muito bem equipada. Há também um serviço de psicologia e de orientação, que tem como principal função ajudar os alunos a resolver os seus problemas e a discernir as suas vocações, além de fazer com que estes se sintam acompanhados no seu percurso académico. De referir uma ferramenta muito importante e muito útil que já está presente na grande maioria das escolas: “A página da escola”. É recurso muito útil quer para os professores, quer para os alunos e pais. Aqui é possível consultar toda a oferta educativa, o Projeto Educativo, planificações, manuais, critérios de avaliação, o jornal da escola, atividades várias, etc. Alunos e professores dispõem ainda de uma plataforma de E-learning (Moodle) que pode ser bastante útil e prático, uma vez que profesores e alunos podem mostrar e ver trabalhos desenvolvidos nas várias disciplinas. Na minha opinião a escola na qual realizei o meu estágio é organizada, preocupada, dinâmica, interessada e para tudo isso contribuem todas as pessoas que lá trabalham e/ ou estudam, não esquecendo o papel muito importante dos pais na escola. Gostaria ainda de salientar e de agradecer a todos os funcionários, pois têm sido muito simpáticos e muito atenciosos connosco. 2. Núcleo de estágio Realizei o meu estágio pedagógico na Escola Secundária Dr. Manuel Laranjeira, em Espinho. Eu e minha colega Maria Manuel Urbano realizamos o estágio a Língua Portuguesa e a Língua Espanhola. Os nossos orientadores foram: a Língua Portuguesa a Professora Ana Rosa Silva e a Língua Espanhola o Professor Joaquim Lopes. 3. Caracterização das turmas As turmas às quais ministrei as minhas aulas durante o estágio pedagógico foram seleccionadas pelos nossos orientadores, uma vez que conheciam as turmas. A Língua Portuguesa ministrei as minhas aulas ao 8º e ao 12º ano de escolaridade. Turmas de diferentes faixas etárias mas ambas interessadas, empenhadas e motivadas. A Língua Espanhola, dei aulas a uma turma do 8º e outra do 11º (embora englobasse duas turmas juntas). As turmas de espanhol foram mais difíceis de
48 perfil das turmas, esta em particular era, sem dúvida, interessada e empenhada e as atividades levadas à sala de aula correram, no geral, todas muito bem. No fim de cada aula lecionada a estes alunos sentia-me realizada e muito mais motivada. A bailarina Esta menina tão pequenina quer ser bailarina. Não conhece nem dó nem ré mas sabe ficar na ponta do pé. Não conhece nem mi nem fá Mas inclina o corpo para cá e para lá. —– Não conhece nem lá nem si, mas fecha os olhos e sorri. —- Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar e não fica tonta nem sai do lugar. Põe no cabelo uma estrela e um véu e diz que caiu do céu. —- Esta menina tão pequenina quer ser bailarina. —- Mas depois esquece todas as danças, e também quer dormir como as outras crianças. —- “A bailarina”, in Cecília Meireles, Ou isso ou aquilo, Civilização Brasileira.
49 Turma do 12.º E – UD “O texto lírico: Fernando Pessoa – Ortónimo” Para esta turma do 12.º ano selecionei como atividade de motivação para início de aula também uma imagem, embora, como é evidente, esta leitura é muito mais profunda, o nível de exigência é claramente superior. No entanto, não deixa de ser oportuno, mesmo para alunos bastante mais avançados, uma atividade de motivação. A imagem selecionada prende-se com o poema levado à sala de aula para estudo: “Não sei quantas almas tenho” de Fernando Pessoa. Com este poema pretendi introduzir a temática da “fragmentação do eu”, dado que, nas aulas seguintes, os alunos iriam dar início ao estudo dos heterónimos. Apresentei de novo uma imagem, não só por ser oportuno, mas também porque considero importante realçar a importância da leitura/ interpretação de imagens, pois esta é uma atividade que pretende que os alunos desenvolvam e estimulem as suas capacidades de observação, de perspicácia, de reflexão, ligação de ideias e partilha dessas mesmas. Esta turma, apesar de interessada e empenhada, era também um pouco inibida, o que exigiu da minha parte uma maior interação com os alunos. Com esta atividade de início de aula, tive que questioná-los, de estar em constante interatividade, para que eles partilhassem os seus pontos de vista e os justificassem. A atividade decorreu da forma esperada. Eu sabia que primeiro teria que cativá-los e depois tudo seria mais fácil e, realmente foi o que aconteceu. As atividades de cariz lúdico são importantes e, por vezes, decisivas em determinados conteúdos para conseguir a atenção, o interesse, a motivação dos alunos.
50 Língua Espanhola – L2 Apresento duas motivações dando como exemplo duas atividades lúdicas, que levei à turma de Espanhol (L2) do 11.º ano (E/F). Turma do 11ºE/F – UD “Actividades de ocio y tiempo libre” Como atividade de “precalentamiento” para dar início à nova UD, apresentei uma canção do grupo “Los Planetas”, cujo título é “Un buen día”. O perfil desta turma, ou melhor, turmas (duas turmas que se juntam) não era o mais atrativo e motivador para se trabalhar, logo acabou por ser desde o início um desafio, que sabia ser difícil, mas que, como já defendi anteriormente, é preciso um esforço maior, procurar iniciativas para tentar alcançar mudanças de atitudes e levar ao sucesso escolar. Pedi aos alunos que ouvissem a canção e, em seguida, pedi-lhes que me falassem sobre o(s) assunto(s) presentes na canção. Ia questionando-os, pois, no início, não se mostraram muito recetivos, mas depois começaram a fazer sugestões e chegaram ao tema que iria ser tratado nessa e na aula seguinte. Depois, outras atividades se seguiram, ainda relacionadas com a canção. A canção é uma das atividades que mais costuma resultar entre os alunos, até porque pode ser trabalhada de várias formas. Sendo, por isso, um recurso auxiliar muito válido e também eficaz atendendo aos objetivos definidos.
51 1. Vas a oír con mucha atención la canción Un Buen Día, del grupo Los Planetas, de forma a que rellenes los espacios en blanco con las palabras en falta. UN BUEN DÍA Me he despertado casi __________ y me he quedado en la cama más de ________________________, y ha merecido la pena. Ha entrado el sol por _____________, y han brillado en el aire algunas motas de polvo. He salido a la ventana y hacía una _________________________. He bajado ________ para desayunar y he leído en el Marca que se ha lesionado el niñato. Y no me he acordado de ti hasta pasado un _______________. Luego han venido estos por aquí y nos hemos bajado a tomarnos ___________________, y me he reído con ellos. He estado durmiendo hasta las seis y después he leído unos ____________________________, que casi no recordaba. Y he salido de la cama He puesto _________ y había ___________ y Mendieta ha marcado un gol realmente increíble. Y me he puesto triste el momento justo antes de irme. Había quedado de nuevo a las diez y he bajado en _____________ hacia los ______________________, donde quedaba contigo, y no hacía nada de frío. He estado con Erik hasta las seis y nos hemos metido cuatro millones de rayas. Y no he vuelto a ________________ hasta que he llegado a casa, y ya no he podido ____________ “Elaboración Propia” Adaptada de: http://www.youtube.com/watch?v=cIp4cxoYzuA&feature=player_embedded bares de siempre la ventana pensar en ti unas cañas tebeos de Spiderman buen rato dormir la tele tres cuartos de hora un partido estupenda mañana la moto al bar a las diez Canción del grupo Los Planetas - es un grupo de música indie, de la ciudad de Granada (España), que desarrolla su actividad a partir de la segunda mitad de la década de los años 90 y los primeros años del siglo XXI.
52 Turma do 11 E/F – UD “El mundo del trabajo” Trabalhei com estes alunos cinco aulas, duas no início e as três últimas. Sem dúvida, que estas três últimas correram melhor do que as duas primeiras. Comportaramse melhor, foram mais participativos, corresponderam ao que eu pretendia e senti que estes alunos, apesar de problemas de indisciplina, falta de atenção e de interesse, fizeram um esforço para que a aula corresse bem. Essa mudança dos alunos (não de todos, mas da maioria) foi muito importante para mim, surpreenderam-me com a sua mudança de atitude, facto que contribuiu para um melhor desempenho da minha parte. Para dar início a esta UD, relacionada com o trabalho, projetei um Powerpoint com várias imagens alusivas à temática que iríamos abordar. Facilmente os alunos chegaram ao tema da(s) aula(s). De seguida propus a elaboração de uma chuva de ideias sobre a palavra “Trabajo”, para que, desta forma, pudessem recordar e ampliar vocabulário. As atividades de motivação para o início da aula decorreram de forma muito positiva e, desta maneira, os alunos trabalharam com mais empenho e concentração. 1ª clase - “PowerPoint” A ver... ¿de qué vamos a hablar?
53 “PowerPoint” “Elaboración propia” Crear una lluvia de ideas relacionada con la palabra: Competencia Responsabilidad Profesiones Preocupaciones TRABAJO Currículum vitae Puntualidad Estrés Sueldo/ salario (…) “Elaboración propia”
54 2.2. Outros momentos da aula, outras atividades: 2.2.1. Língua Portuguesa – L1 Proposta da atividade lúdica nº1 – “Provérbios e Quadras Populares” • Público alvo: Turma do 8ºB, constituída por 29 alunos. Apesar de ser uma turma grande, os alunos eram, no geral, interessados e participativos. Turma com bom aproveitamento. • Enquadramento/ contextualização da atividade: Esta atividade lúdica prende-se com a temática abordada nesta UD – O Texto Poético. Ministrei 3 aulas de 90 minutos, e a atividade lúdica foi desenvolvida no final da primeira aula. A aula teve início com a audição e o visionamento do videoclip do poema Primeiro Beijo, letra de Carlos Tê, cantado pelo intérprete Rui Veloso. Seguiu-se a troca de impressões sobre a mensagem do poema, as imagens e a música. Posteriormente procedeu-se à leitura e à sua análise. Após a análise do poema seguiu-se a atividade lúdica relacionada com Provérbios e Quadras populares, dado que no poema analisado os alunos já tinham identificado alguns aspetos característicos da Literatura de Tradição Oral. Primeiramente expliquei e forneci aos alunos o significado de Provérbio e de Quadra Popular 22 e só depois entreguei uma ficha formativa com dois momentos de componente lúdica. Entreguei a ficha, li e expliquei aos alunos o que se pretendia. • Formação 23 : A atividade lúdica realizou-se aos pares. Poderia ter sido desenvolvida individualmente, mas entendi que por ser importante e por a temática abordada também se apresentar desafiadora, poderia colocar os alunos a trabalharem em grupo: trocando ideias, sendo criativos, respeitando as diferentes opiniões e/ ou sugestões, além da relação de entre ajuda ser um elemento essencial para as suas vidas. 22 Ver Anexo 1 23 A designação de formação tem que ver com a “forma de organização dos participantes” nas atividades. Marli P. dos Santos. O brincar na Escola. (2010: 31).
55 Atividade Lúdica: 1.º momento: Provérbios Ficha Formativa 1) 1.1. Ordena as seguintes frases de forma a (re)conheceres alguns Provérbios. Não te esqueças de os pontuar correctamente. a) amor se paga Amor com. ______________________________________________________________________ b) amores Arrufos namorados são dobrados de. ______________________________________________________________________ c) enquanto amor é dura O eterno. ______________________________________________________________________ d) dor amor há Onde há. ______________________________________________________________________ e) para quente frias coração amor sempre Mãos. ______________________________________________________________________ 1.2. Qual é a palavra que está presente em todos os provérbios? ______________________________________________________________________ • Objetivos: Formar frases com sentido; Rever a pontuação; Compreender a mensagem de cada provérbio (reside aqui a intencionalidade maior desta atividade); Perceber a importância e as situações do uso do provérbio; Descobrir figuras de estilo; Despertar a curiosidade dos alunos em quererem saber mais, partindo de pesquisas ou perguntando aos pais, avós, etc.
56 Atividade Lúdica: 2º momento: Quadras Populares 2) Completa as seguintes Quadras Populares com as palavras que te são dadas, ou não, tendo em atenção o sentido, a rima e a métrica. a) Dei um _____, tu não _________ b) Adeus que me vou sem ______, Suspirei, não deste ___________ Meu ____________ sem falar-te; O meu __________ é _________ Minha boca sem dar ________ ; O teu não sei de quem ________. Meus braços, sem ___________. - coração; fé; ai; é; ouviste; teu. - beijos; abraçar-te; coração; ver-te c) Os ________ da minha ________ d) O ______________ é triste, São duas ___________________; Enquanto não tem flor; _____________, são dois botões, É como ________________ Abertos, duas _______________. Enquanto não tem ________. - azeitoninhas; fechados; amada; rosinhas; olhos. Bom trabalho!☺ • Objetivos: Completar as quadras populares atendendo: - à rima, - ao sentido do poema, - à métrica; Entender a mensagem de cada poema; Mostrar criatividade e vocabulário de forma a completar a última quadra; Leitura e entoação (no momento da correção da ficha, leitura mais expressiva, trata-se de poesia e têm sempre alguma dificuldade). • Avaliação da atividade: A atividade relacionada com Provérbios e Quadras Populares foi muito bem recebida pelos alunos. Conseguiram de forma bastante eficaz atingir os objetivos propostos, além de os sentir motivados, animados e alegres. Muito mais importante foi, sem dúvida, sentir que gostaram do que aprenderam e da forma como foi realizado, pois
57 saíram da sala de aula a dizer provérbios e a tentar formar quadras. Superou as minhas expectativas e fez com que a minha motivação para as aulas seguintes fosse muito maior. * Proposta de correcção da ficha Ficha Formativa 1) 1.1. Ordena as seguintes frases de forma a (re)conheceres alguns Provérbios. Não te esqueças de os pontuar correctamente. a) amor se paga Amor com. Amor com amor se paga. b) amores Arrufos namorados são dobrados de. Arrufos de namorados são amores dobrados. c) enquanto amor é dura O eterno. O amor é eterno enquanto dura. d) dor amor há Onde há. Onde há amor, há dor. e) para quente frias coração amor sempre Mãos. Mãos frias, coração quente, amor para sempre. 1.2. Qual é a palavra que está presente em todos os provérbios? A palavra que está presente em todos os provérbios é: Amor. 2) Completa as seguintes Quadras Populares com as palavras que te são dadas, tendo em atenção o sentido, a rima e a métrica. a) Dei um ai, tu não ouviste b) Adeus que me vou sem ver-te, Suspirei, não deste fé Meu coração sem falar-te; O meu coração é teu Minha boca sem dar beijos ; O teu não sei de quem é. Meus braços, sem abraçar-te. - coração; fé; ai; é; ouviste; teu. - beijos; abraçar-te; coração; ver-te c) Os olhos da minha amada d) O pessegueiro é triste, São duas azeitoninhas; Enquanto não tem flor; Fechados, são dois botões, É como o rapaz solteiro Abertos, duas rosinhas. Enquanto não tem amor. - azeitoninhas; fechados; amada
64 atividade que se segue centrada na simulação, onde os alunos tiveram que demonstrar criatividade, originalidade na hora de realizar as tarefas pedidas. • Formação: Esta atividade desenvolveu-se em grupos. Resolvi fazer uma atividade diferente com estes alunos, no geral difíceis e pouco interessados, para tentar precisamente cativá-los e conseguir da sua parte uma adesão. Cada grupo tinha que inventar/ criar uma profissão diferente e original e completar o CV tendo em conta essa profissão. No final da atividade, os porta-vozes escolhidos por cada grupo teriam que ler em voz alta a profissão escolhida assim como o CV criado, pois o júri, composto pelo Professor Joaquim Lopes e pela Professora Estagiária Maria Manuel Urbano, iriam selecionar a profissão mais original acompanhada pelo CV.
65 Proposta da atividade: En grupos: 1. Ahora vais a imaginar una profesión totalmente diferente, que debe ser inventada por vosotros. Tenéis que ser creativos, pues a continuación vais a hacer el currículum vitae relacionado con la profesión que habéis creado. CURRÍCULUM VITAE Nombre y apellidos Domicilio Teléfono/ Móvil Correo electrónico Nacionalidad Fecha de nacimiento Estudios/ Diplomas Experiencia profesional/ de trabajo Información complementaria Aptitudes y competencias Nota: Debéis ser muy creativos, imaginativos para que consigáis ganar el desafío propuesto, pues va a haber un jurado (el Profesor Joaquim y la Profesora Maria Manuel) que van a elegir la profesión más sorprendente, más original. ¡Buen Trabajo! ☺
66 • Objetivos: Compreender e aplicar os conteúdos apreendidos; demonstrar criatividade e originalidade; capacidade de trabalhar em grupo, respeitando os seus colegas e as suas opiniões; aplicar vocabulário apreendido sobre trabalho, profissões, etc; trabalhar a expressão escrita e oral; demonstrar interesse, empenho e motivação. • Avaliação da atividade: Já referi, anteriormente, o meu receio em levar à sala de aula esta atividade de cariz lúdico, pois não sabia realmente com o que poderia contar por parte destes alunos. É diferente quando são turmas nossas, quando já conhecemos bem os alunos e sabemos previamente o que poderá correr melhor ou pior. Neste caso é mais incerto. Apesar de todos os meus receios e ansiedade, a atividade proposta acabou surpreendentemente por ser muito bem recebida e trabalhada pelos alunos, sendo preciso de vez em quando impôr silêncio, tal era o entusiasmo e empenho por ganhar este desafio. Na realidade, o facto de se tratar de uma simulação, de terem que ser criativos deixou os alunos mais à vontade. Nesta fase da adolescência seria, efetivamente, mais inibidor se tivessem que falar de si próprios, das suas vidas… Os alunos manifestaram o seu contentamento e alguns até comentaram com o seu Professor que deveriam realizar mais atividades deste tipo. O Professor Joaquim Lopes admitiu que até ele ficou surpreendido com a atitude dos seus alunos. Foi a minha última aula do estágio pedagógico e, depois de sentir que os alunos tinham gostado da aula, que tinham trabalhado com interesse e com motivação, terminei com o sentimento de dever cumprido e que há exercícios, atividades que conseguem despertar o interesse dos alunos e fazê-los sentir-se bem com o processo de ensino-aprendizagem. Todas as atividades foram pensadas tendo em conta as características destes alunos face a L2 e tentar que eles se sentissem cada vez mais motivados pela aprendizagem e estudo tanto da língua como da cultura espanholas.
67 Proposta da atividade lúdica nº2 – “Enfermedades y tratamientos” • Público alvo: Turma do 8ºE, constituída por vinte e sete alunos muito faladores, desatentos e com dificuldades em obedecer a muitas das regras de bom comportamento que deveriam ter em contexto de sala de aula. Comparativamente com a turma do 8º ano de Português (L1), há uma grande diferença, quer em termos de comportamento quer de aproveitamento. • Enquadramento/ contextualização da atividade: A temática abordada nesta UD intitulou-se “Antes y Ahora”. Ministrei três aulas a esta turma, duas de noventa minutos e uma de quarenta e cinco. A proposta de atividade ou conjunto de atividades de cariz lúdico que aqui apresento foi desenvolvida na parte inicial da primeira aula. Esta proposta visou rever conteúdos lexicais como o corpo humano, peças de vestuário, além de introduzir novos conteúdos como as doenças, tratamentos e também a construção “particular” do verbo “doler”, partindo da canção “A mi burro”, de Rosa León. Como primeira atividade os alunos tiveram que ler a canção (que previamente lhes distribui) e tentar preencher os espaços em falta na canção com algumas das palavras da tabela, tendo em conta o sentido e a própria rima da letra da canção, além de sublinharem vocábulos que lhes parecessem mais difíceis (para poder esclarecer as dúvidas). Na realidade tratava-se de uma canção muito simples, infantil, com um vocabulário acessível, de forma a que pudesse indagar o nível de conhecimentos já adquiridos pelos alunos. Seguidamente a turma ouviu a canção e pôde comprovar as respostas. Houve um momento de interação oral tomando por tema o contexto da canção, de forma a demonstrarem a sua capacidade de compreensão e praticarem a oralidade. Depois tiveram mais umas atividades como uma tabela síntese sobre a canção, entre outras. Toda esta aula foi muito interativa e lúdica pois abordou vários conteúdos, bastante léxico, já dado e outro introduzido pela primeira vez. Os exercícios foram muito variados e pretenderam sempre manter os alunos motivados, pois como são de difícil comportamento, as atividades foram pensadas para que não houvesse grandes pausas.
68 • Formação: Esta atividade desenvolveu-se de forma individual e em GG (grande grupo, a turma), pois, como já referi, tratou-se do início de uma aula e também da introdução da temática da UD “Antes y ahora”. Mas foi principalmente de forma individual que os alunos trabalharam, pois eram alunos que se distraíam muito facilmente. Logo, pretendi que cada um deles se preocupasse em resolver/ completar os exercícios da atividade, envolvendo-se pelo carácter lúdico das atividades, e conseguisse sentir-se envolvido e, por conseguinte, empenhado e motivado.
69 Proposta de atividade: 1. Lee con atención la siguiente canción y completa los espacios en falta solamente con algunas de las palabras del recuadro. _______________________ A mi burro, a mi burro Le duele __________ Y el médico le ha dado Una gorrita gruesa Una gorrita gruesa Mi burro enfermo está Mi burro enfermo está A mi burro, a mi burro Le duelen ___________ Y el médico le ha dado Un jarro de cerveza Un jarro de cerveza Mi burro enfermo está Mi burro enfermo está A mi burro, a mi burro Le duele ____________ Y el médico le ha dado Una bufanda blanca Una bufanda blanca Mi burro enfermo está Mi burro enfermo está A mi burro, a mi burro Le duele ____________ Y el médico le ha dado Gotitas de limón Gotitas de limón Mi burro enfermo está Mi burro enfermo está A mi burro a mi burro Le duelen ___________ Y el médico le ha dado Un frasco de pastillas Un frasco de pastillas Mi burro enfermo está Mi burro enfermo está. Rosa León http://www.youtube.com/watch?v=kwB6KD8pzNo y “elaboración propia” la garganta el pecho las orejas las piernas el cuello la cabeza el corazón las rodillas los oídos
70 2. Enseguida vas a oír la canción y a comprobar tus respuestas. 3. Sugiere un título para esta canción. 4. Completa la siguiente tabla con la información presente en la canción: A mi burro Le duele Le duelen Partes del cuerpo Tratamientos ¡OJO! (A mí) me (A ti) te Verbo Doler (A él/ella/Ud.) le duele la muñeca A. ¿Qué te duele? (A nosotros/as) nos duelen los pies B. Me duele la espalda. (A vosotros/as) os (A ellos/ellas/Uds.) les 5. Completa las siguientes imágenes: ¿Qué les duelen? • • • “Elaboración propia” y Prisma Fusión A1/A2, de Equipo Club Prisma: Edinumen, Madrid, 2008
71 • Objetivos: intuir o tema da aula através da canção; compreender um texto; inferir significados; interação oral: introduzir novos conteúdos e rever outros já dados; demonstrar interesse e empenho pelos exercícios propostos. • Avaliação da atividade: Sendo a minha primeira aula dada a esta turma do 8ºE e sabendo que os alunos desta turma gostavam da disciplina mas eram indisciplinados e muito desatentos, tive obviamente receios. No entanto a aula decorreu de forma agradável e, em relação à atividade principal, que foi a canção, os alunos reagiram positivamente, consideraramna engraçada e gostaram da imagem (pretendeu ser apelativa, sugestiva), acabando por realizar as tarefas pedidas de forma mais ou menos ordeira. Reconheço que foi uma aula um pouco “pesada” pela apresentação de vocabulário variado (tenha-se em conta que os alunos vão esquecendo as matérias dadas e depois encaram tudo como se fosse novidade), pois começou logo por não saberem o vocabulário relacionado com o corpo humano e isso obrigou-me a fazer uma revisão mais demorada com os alunos, acabando por comprometer a última atividade de EE (expressão escrita) que não foi possível terminarem na aula. Contudo, considero que os alunos gostaram das atividades e envolveram-se de forma agradável e aprazível, conseguindo resolver os exercícios com sucesso.
72 *Proposta de correção: “A mi burro”/ “Mi burro enfermo está” A mi burro, a mi burro Le duele la cabeza Y el médico le ha dado Una gorrita gruesa Una gorrita gruesa Mi burro enfermo está Mi burro enfermo está A mi burro, a mi burro Le duelen las orejas Y el médico le ha dado Un jarro de cerveza Un jarro de cerveza Mi burro enfermo está Mi burro enfermo está A mi burro, a mi burro Le duele la garganta Y el médico le ha dado Una bufanda blanca Una bufanda blanca Mi burro enfermo está Mi burro enfermo está A mi burro, a mi burro Le duele el corazón Y el médico le ha dado Gotitas de limón Gotitas de limón Mi burro enfermo está Mi burro enfermo está A mi burro a mi burro Le duelen las rodillas Y el médico le ha dado Un frasco de pastillas Un frasco de pastillas Mi burro enfermo está Mi burro enfermo está. Rosa León http://www.youtube.com/watch?v=kwB6KD8pzNo y “elaboración propia”. 2. Enseguida vas a oír la canción y a comprobar tus respuestas. 3. Sugiere un título para esta canción. 4. Completa la siguiente tabla con la información presente en la canción: la garganta el pecho las orejas las piernas el cuello la cabeza el corazón las rodillas los oídos
73 A mi burro Le duele Le duelen Partes del cuerpo Tratamientos La cabeza La garganta El corazón una gorrita gruesa una bufanda blanca gotitas de limón Las orejas Las rodillas Un jarro de cerveza Un frasco de pastillas ¡OJO! (A mí) me (A ti) te Verbo Doler (A él/ella/Ud.) le duele la muñeca C. ¿Qué te duele? (A nosotros/as) nos duelen los pies D. Me duele la espalda. (A vosotros/as) os (A ellos/ellas/Uds.) les 6. Completa las siguientes imágenes: ¿Qué les duelen? Soluciones: 3) Le duele el brazo; 4) Le duelen los ojos; 5) le duele la pierna; 6) Le duele el estómago; 7) le duele el dedo; 8) le duelen las muelas
80 o decorrer do jogo entrariam no espírito da competição e iriam (cada grupo) fazer de tudo para conseguir vencer o desafio. Creio que é uma atividade interessante, desafiadora e que os levaria a serem mais dinâmicos e mais espontâneos, portanto, a “soltarem-se” mais, a deixarem-se envolver e revelar as suas emoções. Proposta de atividades para Língua Espanhola: a) Proposta de atividade para o 8º ano (turma E) Como última atividade de componente lúdica para esta turma foi apresentado um crucigrama para completar com os verbos no tempo verbal aprendido “El pretérito imperfecto” do Indicativo. A atividade que sugeriria, relacionada com esta temática tem a ver com um jogo em que os alunos teriam que “treinar” o novo tempo verbal, mas de uma forma diferente e, na minha perspectiva, talvez mais atrativa e desafiadora. O primeiro e grande desafio seria colocar estes alunos em grupos, e nesta atividade é o que proponho. É uma turma mais difícil mas temos que experimentar as atividades também com estes alunos, pois pode ser que nos surpreendam. Caso o façam negativamente, há a necessidade de readaptar ou mesmo evitar este tipo de atividade. A atividade lúdica decorreria da seguinte forma: 1) Informaria os alunos que iríamos trabalhar o novo tempo verbal; 2) Os alunos dividir-se-iam em grupos (selecionados por mim) e selecionariam um porta-voz; 3) Explicar-lhes-ia a atividade, dizendo que tinha uns cartões com vários verbos no Infinitivo, incluindo os três verbos irregulares do PI (Pret. Imperfecto), e passaria a mostrá-los; depois colocaria esses cartões num saco; 4) Cada grupo teria que tirar à sorte um cartão, dizer em voz alta o verbo que saiu e, em seguida, conjugá-lo no PI. O porta-voz teria que conferenciar por breves momentos com os seus colegas e depois responderia. 5) A Professora atribuiria uma letra a cada grupo, colocá-la-ia no quadro. Depois passaria a anotar os resultados, para que no final não existissem dúvidas e também, desta forma, veríamos melhor o desempenho de cada grupo;
81 6) Depois de todos os cartões terem saído, a professora daria por terminado o jogo, verificando os conhecimentos dos alunos, assim como as dificuldades sentidas e nas quais seria preciso trabalhar mais com a turma. Assinalaria o(s) grupo(s) vencedor(es), atribuindo um prémio simbólico. • Objetivos da atividade: Capacidade de trabalhar e cooperar em grupo; Respeitar a opinião dos colegas; Saber respeitar as regras de comportamento diante do jogo; Praticar o novo tempo verbal dado – El Pretérito Imperfecto de Indicativo; Despertar o interesse e a motivação para a aprendizagem de L2 Verificar a aprendizagem efetiva da matéria dada e / ou as dificuldades apresentadas pelos alunos;
82 Dar-lhes um voto de confiança para saber se poderia realizar mais este tipo de atividades com eles ou não; Maior sentido de responsabilidade e de consciencialização. • Conclusão: A minha maior dúvida nesta turma talvez resida quanto ao sucesso ou fracasso deste tipo de atividade. Sei que os alunos iriam gostar: atividade diferente, mais atrativa, desafiadora, mas, ao mesmo tempo estes mesmos fatores em determinadas turmas poderiam ainda mostrar um pior comportamento e quase uma falta de controlo sobre os alunos. Devido a envolverem-se tanto e com o quererem ganhar, esquecer-se-iam do lugar onde estavam e perderiam a noção de limite e isso assustaria qualquer professor. Contudo, quero crer que seria possível conseguir que o jogo corresse bem, sendo para isso necessário antes de iniciar a atividade, explicar-lhes os objetivos assim como as possíveis consequências. b) Proposta de atividade para o 11º ano (turmas E/F) Esta atividade lúdica foi retirada de um manual 29 , e coloco-a aqui como proposta para o 11º ano, pois creio ser uma atividade de cariz lúdico interessante e que serviria para perceber até que ponto os alunos – companheiros se conhecem uns aos outros. Logo, é desafiadora e motivadora. Considero que é uma boa proposta para esta turma, bastante heterogénea e pouco motivada. Ao contrário da atividade que pratiquei com eles durante o estágio, em que realizaram uma atividade toda baseada na simulação, neste caso vão dar a conhecer um pouco dos seus interesses e gostos à turma. Considero uma atividade pertinente e interessante pelo seu carácter intrigante, onde terão que adivinhar. A atividade decorreria da seguinte maneira: 1) Entregar-lhes-ia uma ficha com a atividade; 2) De seguida pediria a um aluno, à sorte, que lesse o conteúdo da ficha; 29 ESPAÑOL 2 – Nivel elemental II, Porto Editora, Porto, 2007. Pág. 38.
83 3) Os alunos, individualmente, responderiam de forma direta e breve numa folha sem identificação e, no fim entregá-la-iam à professora; 4) A professora recolheria os textos e selecionaria, de forma aleatória, alguns que passaria a ler em voz alta para que os alunos adivinhassem de quem se trataria.
84 • Objetivos da atividade: Rever e utilizar vocabulário já apreendido; Interrogar-se sobre os seus próprios gostos e interesses; Responder a todas as questões de forma sincera; Compreensão escrita e oral; Capacidade de reconhecerem os colegas e de respeitar os seus gostos; Constatar pontos que têm em comum, assim como os que são totalmente diferentes. Dar-se a conhecer. • Conclusão: Acredito que esta atividade lúdica iria resultar bem, mas também levanto algumas reservas: conhecendo alguns elementos da turma creio que iriam “sabotar” a atividade, escrevendo tudo distorcido para brincar com os colegas. Poderia inserir-se esta atividade relacionada com a temática dos interesses, gostos, preferências e o inverso, pois serviria para elaborarem uma lista e terem consciência se realmente se conhecem bem entre si. Creio que é uma atividade que desperta nos alunos interesse e vontade em adivinhar de quem se trata, por isso seria estimulante e produtiva, dado que os alunos estariam a aplicar conteúdos adquiridos.
85 Capítulo IV - Conclusão
86 A elaboração deste relatório de estágio permitiu-me constatar precisamente o que já sentia em relação à temática escolhida sobre o contributo das atividades lúdicas na aprendizagem de Português (L1) e Espanhol (L2). Na minha curta experiência como docente de Espanhol Língua Estrangeira, pude aperceber-me com mais clareza e certezas acerca da importância do lúdico como um recurso pedagógico auxiliar e muito potenciador para a aquisição e consolidação de conteúdos. Durante o estágio pedagógico gostaria de ter podido desenvolver mais atividades lúdicas com uma duração maior, assim como também uma atenção mais focalizada no tema. Na realidade, isso não foi possível, pois lecionámos um número reduzido de aulas a grupos de alunos que não são nossos e depois com planos de aulas bastante específicos e limitados em termos de tempo que não permitiram desenvolver mais atividades de carácter lúdico em Português (L1) e Espanhol (L2). Embora precise de salientar que é em L1, como já havia referido na parte teórica deste trabalho, que reside uma maior “relutância” em implementar atividades deste cariz, de forma mais percetível e constante, pois são atividades que despertam os alunos para uma maior motivação, empenho e envolvência na aprendizagem, creio que os alunos “reclamam” mais exercícios deste tipo, pois desperta neles um lado mais espontâneo, mais dinâmico e mais criativo. A tentativa constante em suprir ou pelo menos diminuir o insucesso escolar, os maus resultados, leva a que os professores tenham uma consciência mais desperta para a tentativa de buscar/ procurar novas iniciativas e/ ou estratégias de forma a alcançar resultados diferentes, que só serão atingidos com alunos mais interessados e motivados. A motivação é o motor para uma melhor e mais eficaz aprendizagem, dado que na vida de qualquer pessoa, se se faz aquilo de que se gosta, então sentir-se-á realizada e com vontade de fazer ainda melhor. O nosso papel enquanto professores também reflete muito esse aspeto, pois se trabalharmos com alunos motivados e com bom aproveitamento, também nós nos sentimos mais motivados e realizados na nossa profissão. No geral, as atividades lúdicas que consegui levar à sala de aula para trabalhar com os alunos durante o estágio pedagógico, correram bem e, em alguns casos, muito bem, superando as minhas expectativas. Mas é necessário tomar atenção, pois cada caso é um caso, e uma mesma atividade lúdica nunca funcionará de igual forma, mesmo com turmas idênticas quanto mais quando se trata de turmas completamente distintas. É
87 muito importante pensar a atividade, desenvolvê-la, aplicá-la e no final perceber a eficácia ou não das estratégias implementadas. Há todo um processo que tem que ser cuidado, preciso, objetivo e tratado com seriedade. Com o desenvolvimento deste trabalho senti que necessito explorar ainda mais este recurso de componente lúdica, daí propor-me à elaboração de uma espécie de portfolio, reunindo as atividades lúdicas levadas à sala de aula, entre outras que irei certamente desenvolver, tanto para L1 como para L2. Quero ainda no final de cada atividade realizada ficar com o registo por escrito, através de três ou quatro simples questões para perceber o feedback dos alunos. Assim, juntaria à atividade desenvolvida a opinião geral dos alunos, tirando uma conclusão mais precisa, pois o registo escrito é importante e para este trabalho esse aspeto falhou-me, pois a preocupação maior não estava ainda centrada num tema para o relatório de estágio, mas sim para as planificações de cada aula ao mais ínfimo pormenor, ao desenvolvimento de cada UD, etc. Com a opinião dos alunos por escrito não necessito de recorrer à memorização, até porque, com o passar do tempo, é normal ir esquecendo determinados detalhes, logo terei essa atenção nas minhas aulas, com os meus alunos. Eles são o centro dos nossos estudos, pesquisas por novas estratégias, por implementar diferentes atividades de forma a conseguirem obter resultados positivos e entender a escola, a sala de aula, os professores, as matérias como um todo, que pretende torná-los melhores pessoas, melhores cidadãos com maior e melhor formação. A parte teórica juntamente com a parte prática deste relatório comprovam, do meu ponto de vista a importância do recurso lúdico na sala de aula, neste caso em particular no ensino-aprendizagem da língua materna (Língua Portuguesa) e da língua estrangeira (Língua Espanhola), dado que constatei uma atitude mais positiva, mais animada, mais agradável ao trabalhar com este tipo de atividades. Contudo, quero referir que só se deverá aplicar uma atividade lúdica quando o professor a considerar pertinente e enquadrada com o tema tratado, não tem que ser em todas as aulas, nem num só momento da aula. Este é mais um recurso, uma estratégia que juntamente com outras pretende um melhor desempenho dos alunos, das suas competências e habilidades. Não se deve à partida descartar ou negar um recurso porque não se conhece bem ou porque se tem receio de que possa não ocorrer o desejado, é sempre melhor tentar inovar, tentar encontrar soluções do que simplesmente deixar-se ficar indiferente.
88 Penso que um professor nunca deverá ficar indiferente, pois dessa forma perder-se-ia também a essência do que é ser-se professor.
89 Referências Bibliográficas ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação Lúdica - Técnicas e Jogos Pedagógicos. 6ª Ed. Rio de Janeiro: Loyola, 2003. ALVES, Rubem. A gestação do futuro. Campinas: Papirus, 1987. ANTUNES, Celso. Como desenvolver as competências em sala de aula. Petrópolis: Vozes, 2001. ANTUNES, Celso. Alfabetização emocional: novas estratégias. 8. ed. Petrópolis: Vozes, 2001. CURY, Augusto. Pais Brilhantes e Professores Fascinantes. 9. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2003. FERRARI, Márcio. Grandes pensadores. Nova Escola. Editora Abril, 2003. FRIEDMANN, A. Brincar: crescer e aprender. O resgate do jogo infantil. São Paulo, Moderna, 1996. FUENTES, N. Charo, El componente lúdico en las clases de ELE. marcoELE. revista de didáctica ELE / ISSN 1885-2211 / núm. 7, 2008. Disponível em: <http://marcoele.com/el-componente-ludico-en-las-clases-de-ele/> LAUAND, Jean. Deus Ludens - O Lúdico no Pensamento de Tomás de Aquino e na Pedagogia Medieval, 2000. Disponível em: <http://www.hottopos.com/notand7/jeanludus.htm> HUIZINGA, J. Homo Ludens. São Paulo: Perspectiva, 1991. MACEDO, PETTY & PASSOS. Os jogos e o lúdico na aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artmed, 2005.
96 Anexo 1 Retirado da Planificação da UD – O Texto Poético (pág.9) (…) • A professora sistematiza este conteúdo, escrevendo no quadro e ditando a informação relativa às características do provérbio e da quadra popular. Provérbio – curto enunciado que exprime um conselho popular, uma verdade de bom senso ou de experiência e que se tornou de uso comum . Quadra Popular – forma poética, oral ou escrita, constituída por quatro versos, normalmente com rima cruzada. Temos notícia dela desde o século XI. O trovador desta modalidade poética expressa todo um pensamento em única estrofe, demonstrando o poder de síntese. As suas características facilitam a sua memorização.
97 Anexo 2 ¿Qué os gustaría ser de mayores? ¿Qué profesión escogeríais? 1Toda esta clase va a centrarse en una simulación, una vez que vosotros aún no tenéis experiencia laboral. - ¿Qué necesitaríais en vuestra búsqueda de empleo? En primer lugar un currículum vitae. Es-pa-ñol Tres Pasos de Manuel Del Pino Morgádez, Luísa Moreira y Suzana Meira, Porto Editora, pág.93.
98 Anexo 3 - Proyección de dos profesiones inusuales, para que puedan ayudar a los alumnos en las actividades siguientes: Limpiadores de chicles - La burda tarea de quitar los pegajosos chicles de las calles, inmuebles y otras áreas de la ciudad, tiene a su propio profesional que está destinado exclusivamente a ello. http://www.google.pt/search?hl=ptPT&biw=1024&bih=475&tbm=isch&sa=1&q=limpiadores+de+chicles&aq=f&aq i=&aql=&oq= Médico de muñecos - Las marionetas y peluches son tratados como humanos: tienen diseñadores que les visten y doctores que reparan las partes dañadas de los muñecos. http://www.google.pt/search?hl=ptPT&biw=1024&bih=475&tbm=isch&sa=1&q=m%C3%A9dico+de+mu%C3%B1 ecos&aq=f&aqi=&aql=&oq=
99 Anexo 4 A. Rellena los huecos con los verbos en Pretérito imperfecto de indicativo. 1- (pensar, nosotros)........................que (estar, tú)......................... en casa. 2Cuando (vivir, tú)..........................en Londres, siempre (comprar, tú).................. En Harrold´s. 3No (saber, ellos).................................. dónde (haber)..........................un cajero automático. 4Antes no (ver, nosotros)........................ muy bien pero ahora vemos muy bien porque llevamos gafas. 5En Navidades, los lunes (salir, nosotros)............................... a pasear todos los días. 6Cuando (tener, yo).......................tres años no me (gustar).............................. comer pescado. 7En Navidades, normalmente (ver, ellos).................................. la televisión después de comer. 8En Semana Santa, los lunes por la tarde (ir, nosotros)...............................de compras. 9A los siete años, no (ser, ellos)................................. muy altos. B. Resuelve el siguiente crucigrama en Pretérito imperfecto de indicativo. “Elaboración propia” y ¡SOS Español!, de Luisa Moreira y Manuel del Pino Morgádez: Porto Editora, Porto, pág. 43.
100 Anexo 5 A. Rellena los huecos con los verbos en Pretérito imperfecto de indicativo. 1- (pensar, nosotros) pensábamos que (estar, tú) estabas en casa. 2Cuando (vivir, tú) vivíamos en Londres, siempre (comprar, tú) comprabas En Harrold´s. 3No (saber, ellos) sabían dónde (haber) había un cajero automático. 4Antes no (ver, nosotros) veíamos muy bien pero ahora vemos muy bien porque llevamos gafas. 5En Navidades, los lunes (salir, nosotros) salíamos a pasear todos los días. 6Cuando (tener, yo) tenía tres años no me (gustar) gustaba comer pescado. 7En Navidades, normalmente (ver, ellos) veían la televisión después de comer. 8En Semana Santa, los lunes por la tarde (ir, vosotros) ibais de compras. 9A los siete años, no (ser, ellos) eran muy altos. B. Resuelve el siguiente crucigrama en Pretérito Imperfecto de Indicativo. “Elaboración propia” y ¡SOS Español!, de Luisa Moreira y Manuel del Pino Morgádez: Porto Editora, Porto, pág. 43.