scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

Manual de abordagem aos territórios transitórios

Inês Filipa Teixeira Amaro Alves

Full text

Agradeço ao Prof. Álvaro Domingues pelas longas horas de conversa que me dispensou, à Arq.ª Inês Moreira pela disponibilidade que sempre teve, à Prof. Gabriela por me ter passado tanto da sua sabedoria e à colega e amiga Marta Rocha pela partilha e crescente amizade. Agradeço aos meus pais por me passarem sempre os melhores valores, à minha irmã Nocas pelo eterno carinho, à tia Irene por ser tão especial, e ao João, que acompanhou e apoiou incondicionalmente todos os dramas e conquistas dos últimos tempos. ! ! 2! Índice 03 Resumo 04 Abstract 05 I Introdução Derivas oscilantes entre teorias e práticas 06 a. Práticas Colaborativas Teoria e prática q.b. | um ponto de partida 08 e. Nostalgia e crise existencial Presente Derivado, Futuro Envenenado? 11 i. “Aprendido” de Las Vegas O Trauma da Hipermodernidade 14 o. “Cyberswot” Potencialidades e Ameaças numa sociedade de Informação 17 u. Novas Práticas Hibridismo e Novas Identidades 20 II Reflexões Público: espaço & arte 22 III Considerações Finais II 23 V Bibliografia ! ! 3! Resumo Uma particular preocupação sobre o lugar da arquitectura e seu enquadramento nos territórios conceptuais contemporâneos, bem como na articulação desta com as demais disciplinas na estruturação de um projecto comum, de aproximação ao espaço público. É repensado o papel da teoria e da prática através de duas dimensões que se entrecruzam e estabelecem uma linha de raciocínio na qual se proclama um esbatimento de campos de estudo e portanto, de territórios de actuação. Tendo o espaço público como objecto de estudo, é desenvolvida uma reflexão à cerca dos territórios multifacetados de hoje, formulando uma franca abordagem a este território comum, tendo presente questões que por um lado se centram no multiculturalismo e que por outro se reflectem numa crescente homogeneização territorial. Procura-se um revisitar das práticas artísticas e orientações das ciências sociais e humanas que acompanharam uma abrupta alteração da condição do indivíduo e da sua relação com o seu meio e com o seu semelhante, bem como um aprofundar da dimensão híbrida crescentemente instaurada, imposta através de uma sociedade de informação e desmultiplicação de realidades com a implementação de um domínio virtual e gerido por premissas contrárias àquelas anteriormente seguidas. O conceito de nostalgia é abordado, contrapondo-se à rápida evolução territorial e alteração dos usos, através de imposição de novas necessidades, de imediata eficácia. Uma reflexão com foco voltado sobre as problemáticas impostas a partir da revolução industrial, que resulta num repensar à cerca dos territórios beira de estrada, a actual importância da acessibilidade, bem como a eficácia no acesso à informação e mobilidade. Territórios caracterizados pela necessidade de rápida resposta, em tempos negligenciados e que hoje possuem uma vida, uma dinâmica singular, onde o espaço público - entendidos no imediato através da sua morfologia residual -, persiste e no qual as dinâmicas sociais, comerciais e de troca se vão efectuando. Ancorando a aproximação a estes territórios através de ‘nódulos’ ou cruzamentos localizados ao longo de uma via de singular importância na cidade do Porto, a Estrada da Circunvalação surge como mera superfície experimental, de aproximação às paisagens caracterizadas pelo seu forte carácter viário. Esta representa elemento de experimentação, de teste e observação que culmina na estruturação de um ‘Manual de Abordagens e Intervenções’, uma peça graficamente apelativa, que de forma ilustrativa e irónica, propõe um filtro de abordagem à polimorfia destes territórios. É desenvolvida assim uma reflexão em que a teoria e a prática possuem a mesma dimensão especulativa e lúdica, que procure, à imagem dos territórios descentrados de hoje, também um descentrar de disciplinas, apurando um possível cariz híbrido e clarificando deste modo a sua aproximação ao terreno e à formulação de abordagens físicas, programáticas e cognitivas, de resposta capaz às sociedades multiculturais e territórios mestiços por estas delineados. Palavras-Chave: Hipermodernidade; Interdisciplinaridade; Territórios; Transferibilidade; Teoria/Prática ! ! 4! Abstract A main concern about the architecture place and it conceptual territories-framework on contemporary, as in the articulation of this discipline and others in the structure of a common project, of public space approach. It is rethought the role of theory and practice through two dimensions that intersect and establish a reasoning line, where it is proclaimed the blurring of the study fields and also the territories of action. Having the public space as an object of study, it is developed a reflection about the multifaceted territories of nowadays, formulating a fair approach to this common territory, having present questions that, in one hand, has a main preoccupation the multiculturalism and, in the other hand reflects an increasing territorial-homogenization. It looks for a revisit of the artistic practices and social sciences and humans orientations that walked by with the enormous change of the human condition, and his relation with his environment and the others, as well as the profound the hybrid dimension increasingly established, imposed by a informational society and the reality gearing with the implementation of the virtual domain and managed by opposed assumptions than previously followed. It is approached the concept of nostalgia, opposing to the fast territorial evolution and the alteration of uses, by the imposition of new necessities, of immediate effect. A study focused on the issues imposed since the begin of the industrial revolution, that results on a rethink about roadside territories, the actual importance of accessibility, as well as the efficiency on the access to information and mobility. Territories characterized by the need of a fast answer, neglected on the past and witch today own a kind of life, a singular dynamic, where public space – easily understood by their residual morphology – stand still and where social, commercial and exchange dynamics has been performing. Anchoring the approach to these territories by some ‘nodules’ or crossroads localized on a channel with a singular importance to the city of Porto, the Estrada da Circunvalação became as an experimental surface, of approach to the landscapes characterized by their roadway specificity. It represents an experimental element, of test and observation that culminate on the construction of a ‘Manual of Approaches and Interventions’, a graphic appellative piece, that illustratively and ironically, proposes an approach filter to the ‘multimorphology’ of those territories. So, it is developed a reflection where theory and practice have the same speculative and playful dimension, that look for, like the decentred character of nowadays territories, also a discipline decentre, refining a possible hybrid character and this way clarifying it approach to the field and to the physic, programmatic and cognitive formulations, that could give a capable answer to the multicultural societies and mestizos territories outlined by them. Key-words: Hypermodernity; Interdisciplinary; Territories; Transferability; Theory/Practice ! ! 5! I Introdução Uma inquietação à cerca do propósito da arquitectura, quando o próprio conceito de cidade se parece extinguir, apresenta-se como ponto de partida neste capítulo de história. Dar um passo atrás e repensar arte e acima disso, questionar qual a fronteira entre esta e a disciplina da arquitectura e quais os seus objectivos comuns. Surge assim uma linha de raciocínio que parte da própria ideia de ‘Prática Colaborativa’, defendendo desde logo uma actuação multidisciplinar, de forte relação com os diversos agentes envolvidos na curadoria dos territórios urbanos, com particular ênfase nos espaços públicos. É abordado o conceito de nostalgia, que pretende fazer uma relação entre um passado recordado de forma romântica, contrapondo-se a um complexo presente e um futuro incerto. É repensado o início da estruturação do subúrbio e as problemáticas que daí advieram. Ao pensar o subúrbio é pensada a ideia de pós-modernidade, a forma como uma corrente artística profundamente criticada no seu tempo explorou intensas preocupações de carácter social e humano, reflectindo à cerca da sua intersubjectividade e questões de marginalidade e segregação. Quando se fala de pós-modernidade, podemos depurar este conceito, com aquilo a que Lipovetzky mais tarde chama de Hipermodernidade, caracterizada através de uma ‘Cultura-Mundo’, que ganha forma sobre uma estrutura construída por um emaranhado de redes de informação. Uma intersubjectividade e desfragmentação do ‘eu’, que acompanha também uma desfragmentação de realidades e que é aqui contrabalançada, através de uma análise sobre a sociedade de informação, das suas potencialidades e ameaças. Ao abordar a hibridez da tipologia espacial, podemos também repensar a ideia de identidade e aquilo que hoje se entende pelo termo. Retomando o conceito inicial de ‘Prática Colaborativa’, são aqui exploradas as ‘Novas Práticas’, levando ao extremo o esbater das fronteiras disciplinares, questionando a viabilidade da própria ideia de ‘Disciplina Híbrida’. Por fim, é delineada a ponte entre este um ensaio teórico e um ‘Manual de Abordagens e Intervenções’, através de um capítulo que questiona a ideia de ‘Arte Pública’ como elemento fundamental para a definição de lugar culturalmente aglutinador. Num momento final, estrutura-se um possível dia de amanhã, com uma ideia daquilo que compôs uma proposta de Doutoramento, definida com um crescente de inquietações que se fixaram na ideia de estruturação de uma rede interdisciplinar. ! ! 6! a Práticas Colaborativas | Teoria e prática q.b. um ponto de partida A complexificação dos nossos dias, das nossas cidades e territórios, alvo constante de difusão de rápida informação, contagia os lugares - e cyber lugares - de uma polimorfia extrema, característica absorvida pelos indivíduos e sociedades em que se inserem. Numa sociedade multicultural, surge a emergência de um território multifuncional, e que sem prever esta aparição, se adaptou forçosamente, mas que com o avançar do tempo e com um constante acrescentar de layers e condicionantes se foi progressivamente encaixando consoante a sua evolução e necessidade. A verdade é que desde a Revolução Industrial temos assistido e participado em constantes alterações programáticas das nossas vidas e necessidades, com a imersão de sucessivas complexificações e definitivo esbater das fronteiras entre sociedades, países e consequentemente, os domínios profissionais. A aldeia global em que vivemos tornou-nos próximos, gerando relações que se vão definindo com maior superficialidade, mas que contudo geram momentos de isolamento francamente reduzidos, como se permanecêssemos em suspenso, num ‘estado relacional intermédio’. Hoje “já não é preciso abandonar a sociedade para sair dos limites do conhecido” (1) e passamos a vivenciar as catástrofes do Haiti ou da Indonésia com uma proximidade que não se mede em quilómetros e que afecta drasticamente as nossas consciências e prioridades. A resistência à consolidação de uma prática colaborativa tem sido ultrapassada e a rigidez de outrora na definição dos campos de actuação representa um passado que, o presente que vivemos, parece atirar constantemente para a longinquidade. A firmitas que outrora regrava a disciplina da arquitectura foi ficando para trás, na tabela das suas prioridades, nomeadamente através da consciência ecológica e de uma urgente intervenção interdisciplinar, estabelecendo que os “contextos não estão simplesmente justapostos, como se fossem indiferentes uns aos outros; encontram-se numa situação de interacção e de conflito tenso e ininterrupto”. (2) Numa realidade em que os territórios se compõem por uma sociedade complexa, caracterizada “por uma série de dinâmicas (…) que obedecem a uma lógica própria" (3) , compondo uma morfologia altamente heterogénea e em que o território físico se confunde com o virtual, o campo de actuação torna-se de tal forma complexificado que apenas uma conjugação de saberes permite desenvolver estudos de aproximação capazes, no qual será imprescindível valorizar esta multiplicidade e toda a aproximação que lhe é feita, nomeadamente o processo que é desenvolvido, como matéria única de documentação de determinada realidade. Historicamente, “a cidade é o lugar em que (…) se executaram os grandes processos de reorientação dos valores e dos comportamentos difusos que acompanharam e (…) precederam o nascimento da modernidade" (4), e constituirá também agora grande ‘tela reflectora’ dos tempos em que vivemos. Teremos então de valorizar o papel desempenhado pelo espaço público, local onde as grandes mutações socioculturais da cidade ganham forma e onde a própria noção de cidadania se afirma. "A cidade é potencialmente o símbolo poderoso de uma sociedade complexa" (5), que exige a experimentação de exercícios multidisciplinares que possam dar resposta às ‘multi- ! ! 7! necessidades’ emergentes, para readaptação dos centros históricos e cívicos e de territórios residuais resultado de um crescimento abrupto e improvisado. Grande parte dos processos hoje levados a cabo são fruto de inconsciência ou ignorância do passado, e que diversos campos de actuação, em conjunto com a disciplina da arquitectura procurarão compor um sistema relacional de acção para a curadoria do ambiente urbano. As próprias noções de espaço público e privado alteraram-se com o desenvolvimento da sociedade multicultural, numa mescla de noções de espaço pessoal, de ambiente comunitário ou das redes sociais, tornadas a sala de estar dos intervalos do dia-a-dia. Será importante (re)afirmar que “o conflito de interesses forma alianças estratégicas temporárias”(6) e que não fará sentido fazer cidade sem ter por base as ciências sociais, a filosofia ou as artes, bem como a articulação pragmática das engenharias e da urbanística. Será importante ainda enfrentar a particularidade de cada caso em especial, mesmo que tendo noção do carácter ‘multi-heterogéneo’ do nosso mundo. “É muito importante, no mundo globalizado, aprender a ler as diferenças. A globalização nem sempre comporta a anulação das diferenças e por vezes nelas residem precisamente as suas possibilidades .” (7) Não fará sentido que, como que num voltar atrás para remediar o passado, se ignore a singularidade de cada traço que compõe a sua história. Planear e fazer cidade tendo em conta uma sociedade híbrida, com perfil social off e online, porém impulsionando as suas particularidades individuais. Num ambiente de tolerância e complementaridade entre os diferentes campos, aspirando ambições modestas, com o qual se “procure sobretudo focar a questão da multifuncionalidade e de como as várias funções são consideradas e avaliadas pelos utilizadores" (8) e no qual se valorize cada contributo sem preocupação exagerada na hierarquização. Um território partilhado experimental, com dedicação ao processo em detrimento de um fim inquestionável, no qual o arquitecto articula, com o conhecimento do passado, matéria de resposta às necessidades deste presente. O papel do arquitecto é hoje tão denso que não se conhece as suas fronteiras, à imagem das próprias sociedades e territórios nos quais se insere. Tal como "o que é monofuncional, (…) é terrível numa cidade" (9), também o próprio isolar dos saberes se torna fatal, na medida em que o contributo neste tempo decisivo consiste numa total reinvenção paradigmática da sua actividade profissional. Será incontornável pensar estas alterações de paradigma, sem desenvolver uma reflexão sobre o sentimento de perda do passado histórico, num sentido romântico, aspecto que, com imposição de necessidades mais expressivas no imediato foram atenuando fragilidades hoje bem presente na condição humana que protagonizamos. (a) (1) Innerarity, Daniel, “O Novo Espaço Público” (pag. 154), Editorial Teorema, 2010 Lisboa (2) Bakhtin, Mikhail, “Marxismo e Filosofia da Linguagem” (pag. 96) Hucitec, 1981 São Paulo (3) Innerarity, Daniel, “O Novo Espaço Público” (pag. 218), Editorial Teorema, 2010 Lisboa (4) Mela, Alfredo, “A Sociologia das Cidades” (pag. 128), Editorial Estampa, 1999 Lisboa (5) Lynch, Kevin, “A Imagem da Cidade” (pag. 15), Edições 70, 1999 Lisboa (6) Tradução do original “conflicting interests forming temporary strategic alliances”, in Liberalism and Minority Culture Reflections on Culture’s in Between”, H. K. Bhabha (1998); in D. Bennett (ed.) “Multicultural States Rethinking Difference and Identity”, Routledge, London (7)Tradução do original “Es muy importante, en el mundo globalizado, apreender a leer las diferencias. La globalización no siempre comporta necesariamente la anulación de las diferencias, y, a veces, en ellas radican precisamente sus possibilidades.” in “De Cosas Urbanas”, Manuel Solá-Morales; Editorial Gustavo Gilli, Barcelona 2008 (8)Salgueiro, Teresa Barata, “Sociedade, Paisagens e Cidades”, (pag. 167), in Geografia de Portugal, dir. Carlos Alberto Medeiros, Círculo de Leitores, 2005 Lisboa (9) Dias, Manuel Graça, “Manual das Cidades” (pag. 117), Relógio D'Água Editores, 2006 Sta. Maria da Feira (a) Capítulo desenvolvido no artigo publicado na revista “Dédalo #8 disPlace”, 2011 Porto ! ! 8! e nostalgia... e crise existencial Presente derivado, futuro envenenado? Uma nostalgia característica de um marcado Sebastianismo nacional, encontra-se de certo modo incrustado nas nossas personalidades de portugueses, aqueles que ao longo da história foram partindo à conquista de novos mundos colonizáveis, perdendo-os e, posteriormente, reinventando-se. Este sentimento tem sofrido mutações na sua própria morfologia, acompanhadas de uma sentida transformação estrutural da sociedade ocidental contemporânea, na qual nos inserimos, e da própria consciência individual do “eu”. A transfiguração na morfologia do território através da fixação da população, o crescimento das cidades para fora dos limites outrora demarcados, o reflexo destes fluxos nas paisagens, e a própria alteração paradigmática na relação espaço/tempo, reflecte-se em formas inesperadas no indivíduo que a apropria, devido ao curto espaço de tempo no qual estas transformações se vão efectivando. “Um crescimento rápido significa uma agitação constante, instalações inadequadas aos requisitos e instituições incapazes de responder às necessidades. A paisagem é marcada pela construção.” (1) A identidade, como símbolo inquestionável da nossa génese, do nosso passado e cultura foi sendo substituída por necessidades infraestruturais – numa perspectiva pragmática -, de consciente ruptura com o passado – personificada na imersão de um pensar pósmoderno – ou através de uma simples falta de planeamento territorial. “A criação da identidade – individual ou social – é central para a nossa capacidade de nos orientarmos no mundo. (...) Qualquer cidade ou território serve um propósito, seja quando oferece abrigo, segurança. ou serve necessidades económicas, politicas ou sociais.” (2) O rápido crescimento e reinvenção dos nossos núcleos urbanos foi, a longo prazo, reflectir-se numa nova consciência de nós próprios e por conseguinte do património herdado. O percurso foi assim sendo traçado entre estados antagónicos, indo desde um momento de total desconhecimento e negligência histórica, a uma tendência “musificadora” dos traços de antiguidade das nossas cidades, que passam como que a constituir “dispositivo de segurança. O monumento assegura, sossega, tranquiliza (…) procura apaziguar a angústia da morte e da aniquilação.” (3) A falta de adaptação dos centros históricos e dos antigos edifícios às necessidades e comodidades que surgiram - a escala e o fluxo automóvel, ou a infra-estrutura de saneamento base - é numa primeira instancia geradora de repulsa pelo passado, com adaptação descontrolada, progressivamente surgindo movimentos de consciência cívica e histórica. Vai-se impondo a ideia de que “as coisas antigas eram melhores num momento original e que desde então têm vindo gradualmente a degradar-se. (…) A história parou num período dourado; a mudança é uma estranheza.” Estabelece-se, deste modo, uma clara relevância nas frentes urbanas e num exibir patrimonial, no qual “o exterior dos edifícios é restaurado, apesar de o seu interior ser irrelevante.” (4) Centros históricos que recordam autênticos espaços expositivos; visitantes e objectivas apontadas ao longo do dia, com vida fulgurosa, que choca com aquela a que se assiste nos edifícios habitacionais; espaços desqualificados, ambiente envelhecido, um vazio latente. ! ! 9! Apesar de tudo, o nosso imaginário vai sendo alimentado com “algumas paisagens iniciais” que “são particularmente recordadas pelo seu papel histórico ao criarem (...) entusiasmo gerador de utopia.”(5) Assistimos ainda a resquícios deixados pela imagem suburbana e desqualificada, às problemáticas socioeconómicas, à marginalidade ou às minorias, que protagonizaram o movimento Pós-moderno. Somos levados a de algum modo efabular os territórios históricos de uma cidade em detrimento daqueles materializados através de um crescimento sem planeamento e sem história. Este olhar ingénuo, gerador de avaliação estética e juízos de valor limitadores ocultam a lógica de que “… a nova paisagem não é pior, é diferente; não pode ser julgada nem deve ser apreciada segundo regras tradicionais, e sim segundo suas próprias regras.” (6) Já há mais de 40 ano, à cerca dos territórios periféricos das cidades norte americanas, se desmistificava a forma de vida dos seus habitantes caracterizada anteriormente pela sociologia - “Os achados… sugerem que a distinção entre modos de vida urbanos e suburbanos, postulada pelos críticos (…), é mais imaginária que real. (…) quando se comparam os suburbios com as grandes áreas residenciais urbanas situadas para além dos distritos do centro comercial e da região intra-urbana, vê-se que a cultura e a estrutura social são absolutamente as mesmas entre pessoas de idade e classes semelhantes” .(Gans, 1967) (7) De algum modo, concordando com Herbert Ganz, Marion Clawson afirma anos mais tarde que será “impossível julgar a conversão da terra em subúrbio de maneira simples e inequívoca – dizer ‘boa’ ou ‘má’, ou descrevê-la empregando algum outro termo isolado é inadquado.” (Clawson, 1971)(8) A construção das cidades dormitório alteram significativamente a ideia tradicional de cidade, de percurso pedonal e conceito de vizinhança, através de uma notável alteração da distância trabalho-casa, e de uma reformulação dos usos e estruturação dos mesmos dentro do próprio núcleo urbano. Esta perda dos usos determinou em grande parte um estado nostálgico, sedento pela essência do lugar, aprofundado em grande parte com a estruturação de uma dimensão digital; uma realidade paralela na qual os lugares perderam a sua materialidade e em que a própria dimensão humana se perde, ou adquire atributos de flexibilidade duvidosa. E se esta dimensão digital contribuiu para uma “globalização” e democratização da informação, constitui também hoje factor de diferenciação – quem está de dentro / quem está de fora. Conclui-se ainda que se a dimensão física da socialização se foi perdendo com a estruturação da dimensão virtual, hoje torna-se cada vez mais complexo atingir um estado de isolamento capaz e cumprir a necessidade humana de solidão. Protagonizamos uma sensação de liberdade condicionada, ao mesmo tempo que nunca se assistiu a tão grande número de estados democráticos e vontade de mudança por parte daqueles que sempre conheceram realidades ditatoriais. Uma nova escala de valores, na qual não fará mais sentido considerarmos cidade, mas sim uma rede composta por núcleos de fixação populacional, serviços ou comercio, conscientes de uma realidade imaterial que serve funções com as mesmas características. A evolução da cidade, da sua estrutura e paisagem passa a efectivar-se num contexto global, onde a relação espaço/tempo se perde e protagoniza uma mudança radical de paradigma, na qual a caracterização qualitativa foi perdendo qualquer sentido, em prol de uma realidade numérica, onde cada indivíduo representa um número e os nossos territórios se lêem quantificadamente. Será incontornável referir o contributo de Learning from Las Vegas, que citando Peter Hall, “é uma das mais importantes rupturas que marcam o fim do moderno movimento arquitectural e sua substituição pelo pós-modernismo, o qual reenfatiza a arquitectura como comunicação simbólica.. (…) ! ! 16! das ‘Práticas Colaborativas’ proclamadas, será delineado um percurso a seguir, no qual a ideia da instauração de ‘Novas Práticas’ será fundamental. Num mundo atravessado por complexas diferenças e uma mescla multicultural e multidimensional, procurar-se-á entender de que modo um território como aquele que nos é comum, poderá colocar-se ao dispor de uma universalidade e que identidades poderão ser implementadas. (1) Mitchell, William J., “Placing Words, Symbols, Space and the City”, p. 185, MIT Press 2005 (2) Tradução do original “ Viva the façade as computer screen! Viva façades not reflecting light but emanating light – the building as a digital sparkling source of information, not as an abstract glowing source of light!... Viva iconography – not craved in stone for eternity but digitally changing (…), in ”Architecture as Signs and Systems for a Mannerist Time”, Robert Venturi, 2004 (3) Traduzido do original “We are on the threshold of a new era in which telecommunications will replace face to face contact and the city as a fixed urban space will eventually become redundant.”, in “The Sphinx in the City – Urban life, the control of disorder and women”, p.140, Wilson, Elisabeth, University of California Press, 1991 (4) Tradução do original “The space of the possible is shrinking. This is not so much about the identity storm and the return of the religious as about an increasing loss of political space(…). Could the city be the place of political articulation and social restructuring? Or are we entering a phase of history in which man renounces being of flesh and blood and Internet apace takes over the imaginary and the economy of desire until becoming the only possible space in which to think about the politics of the future?”, in “The City and the Human Condition”, Ramoneda, Josep;, in “In Favour of Public Space. Ten years of the European prize for urban public space”, Actar, Barcelona 2010 (5) “Crossing Cibercities – Boundary problems separating the regional space of the city from the matrix of cyberspace” (p.214), Boyer, M. Christine; in Global City Regions: Their Emerging Forms by Hack,Gary; 2001 Routledge (6) Tradução do original “The marginal’s (…) are left outside the protected zone (…).The marginal has become our postmodern Monster, beyond the norm and increasingly invisible.”, Ibid., p. 218 (7) … p. 221 (8) Tradução do original “ … body enters this ‘space’ as a form of writing, it literally becomes a cybertextual body. Because language wraps the Internet, the entire environment becomes a textual projection.” Ibid., p. 223 (9) Tradução do original “nostalgic cry for contact with the real thing at the very moment when computer-generated simulation has confused our sense of authenticity”, Ibid., p. 219 (10) Tradução do original “(…) la convergencia de toda una serie de redes posibles”, in “Can invisible communities save the city?”, (p. 54) Suzuki, Akira; Congresso “UIA – Barcelona 96”, in Quaderns nº 213, 1996. (11) Tradução do original “The analogy between the computer matrix and regional cities – or spatial orderings that cybercities erect – asks us to make a qualitative leap from virtual to physical space, erroneously assuming that the boundaries separating these spaces can be crossed with ease.”, Ibid., p. 226 (12) Tradução do original “Un sistema ‘multicapa’ progresivamente diversificado producido por informaciones y realidades diversas, acontinuas, nofilas y superpuestas – en cohabitación – que continuamente mutarían, pervertirían, alterarían, transformarían e ‘interpretarían’ así los propios esquemas elementales de desarrollo que las definirían, y cuya fuerza radicaría, precisamente, en esa capacidad constante de renovación y de modernización. De construcción y de reciclaje.”, in “OPEN – Espacio Tempo Información – Arquitectura, Vivenda e Ciudad Contemporánea – Teoría e Historia de un cambio”, (p. 191), Gausa, Manuel; Actar, Barcelona, 2010 ! ! 17! u novas práticas hibridismo e novas identidades “Nunca como antes, o planeamento é necessário para que as cidades sobrevivam”(1). Um planeamento estratégico e experimental, que de olhos postos no presente e num futuro próximo, aspire a uma franca relação entre individuo, sociedades, territórios e globalidades. Um programa de articulação entre diversas escalas que em alguns pontos partilhem um lugar comum, permitindo estruturar uma plataforma contínua de reflexão e abordagem, de questões cognitivas, materiais e programáticas. Koolhaas refere que “a cidade já não existe”, proclamando a “morte do urbanismo”, reflectindo que “fomos deixados com um mundo sem urbanismo, só arquitectura (...)”. O autor defende uma nova forma de urbanismo, que não consista apenas numa “profissão, mas (n)uma forma de pensar, (n)uma ideologia”, que possibilite desenvolver um exercício no qual deixe de ser “à cerca do ‘novo’, mas sobre ‘adição’ e ‘modificação’” voltando-se para as questões urgentes dos territórios nos quais nos movemos, alterando prioridades, não sendo mais “sobre o cidadão mas sobre o subdesenvolvimento.” Refere ainda que “nossa ‘sofisticação’ esconde grandes sintomas de cobardice centradas na simples questão do posicionamento que tomamos – talvez a mais básica acção de fazer cidade”. Colmatando a reflexão, proclama que, “mais do que nunca, a cidade é tudo aquilo que temos”. (2) Para entendermos o discurso de Koolhaas – que por alguns poderá ser considerado contraditório –, teremos primeiro de entender que a cidade que ele refere inicialmente não existir, não é a mesma na qual acaba por colocar toda a sua esperança, necessitando para isto, estabelecer mais que uma disciplina, uma doutrina, que deixe de se centrar na arquitectura e no constante posicionamento da mesma, mas que se volte, sem desvios, para a crueza das questões contemporâneas. Jean Michel Léger afirmava há já mais de 20 anos que “uma Arquitectura forte é uma Arquitectura arriscada”, recordando, no entanto que “do mesmo modo que o exercício da cidadania não é suficiente para garantir a felicidade do cidadão, o da participação não garante por si só a satisfação do habitante” (LÉGER, 1990), pelo que estará certamente do lado daqueles que, num posicionamento político e decisor, poderão promover uma articulação de interesses públicos e privados, porém conscientes das heterogeneidades sociais e territoriais. A necessidade de arriscar impõe-se, porém a par de uma estratégia que não se baseie em dados exactos, que possibilite a constante articulação e reformulação dos posicionamentos e suas consequentes decisões. Se entendermos o espaço como “mutável, contestado e múltiplo” (Massey, 1994), então todas as disciplinas que intervêm no mesmo terão de o abordar em consonância com este principio da ‘não-eternidade’ e da volatilidade. A forma ‘intersubjectivada’ que fomos assumindo ao longo das ultimas décadas, torna-nos permeáveis à envolvente material, cognitiva ou virtual. Os espaços que fazemos hoje, ‘fazem-nos’ amanhã, molda-nos à sua medida, sendo que aquilo que materializamos num determinado momento, nos consome de seguida, sob forma inesperada e distinta da definida à priori. “A condição humana é hoje condição urbana”,(3) que nos torna mais que cidadãos, ou participantes - tal como Léger referia - , mas elementos participativos, como que células de um organismo em constante redefinição, não atingindo, em ocasião alguma designação estável. “As disciplinas clássicas da ! ! 18! arquitectura e do urbanismo já não são suficientes para entender, planificar e controlar a paisagem urbana, nem a conduta dos seus habitantes”(4). A confinação de determinada profissião à sua própria disciplina não faz mais sentido; o técnico terá de lidar com as ciências exactas, bem como com as humanas e sociais, e o entendido no estudo do homem e sociedade terá de levar em conta todas as dimensões formais e descritivas de um processo. “O projecto urbano pode agora ser mais estratégico e plástico, com intenções acunpuncturais sobre a pele humana para afectar o organismo inteiro”(5). Um indicio deste conceito surge através da ideia de “Sistema Linear Contínuo” (Hansen e Hansen, 1967), no qual se entendia o mundo como instável e imprevisível e que, na sua aplicação à arquitectura, este pressuposto deveria ser tido em conta, produzindo “formas abertas” e espaços “inacabados”, ao “pensar o espaço relacionalmente” (Hansen, 2005), permitindo uma apropriação e consequente identificação por parte do utilizador. Será importante, nos dias que atravessamos, resgatarmos pensamentos e formulações teóricas que coloque ênfase nas preocupações que, na génese, lhes esteve associadas. “Crises como a presente depressão económica são bons momentos para fazer um balanço das cidades”(6), será portanto útil enfrentar esta como uma oportunidade para uma alteração conceptual e processual, procurando que as “visões para iniciativas arquitecturais e estratégias de projectos de investigação não podem continuar a ser completamente controladas pelo designer ou investigador, mas adoptando uma qualidade recíproca entre a teia social e as relações ambientais”(7). Será pacífico considerar o ambiente territorial descentrado e fragmentado, como meio de maior urgência de alteração das abordagens e práticas, que necessariamente passará pelo respeito pela pré-existência, e portanto consideração pelas tipologias formais, comportamentais, e relacionais pré-estabelecidas. “Assim, não só se pouparão recursos, naturais e construídos pelo homem, mas as nossas energias estarão focadas para criar novas e inesperadas intervenções híbridas.”(8) “Pode-se prosseguir, considerando a auto-estrada intrusa na paisagem e na vida bucólica do campo, ou na geometria e vida do meio urbano. (...)”, no entanto será um jogo de forças inútil e ingénuo, nomeadamente se considerarmos o esquema infra-estrutural como constante movimento de forças. O mero esquema formal promove uma estrutura estável que, assumido exclusivamente nos dias de hoje, representa vertente altamente volátil e obsoleta. “Se interagirmos com a sua força, aproveitamos as suas potencialidades e somos capazes de ver de forma oblíqua esse acto linear de ritmos e forças em movimento que configuram a lógica dinâmica da mobilidade, os resultados podem ser uma amálgama mais orgânica de forças similar à dos rios que delinearam estrias na paisagem.” (Martin Price 1994-1996)Se considerarmos as mais valias de uma sociedade de informação, fluxo e mobilidade, consideraremos principalmente as vias de comunicação; não só o telemóvel ou o computador – numa dimensão virtualizada e imaterial, que no entanto constitui a mais rápida difusão, sem grandes obstáculos ao nível das suas fronteiras, e com um notável espalmar da relação espaço/tempo – mas também as vias asfaltadas que atravessam os territórios lés-a-lés, aeroportos, portos e caminhos de ferro, dotaremos os nossos territórios; elementos estruturantes, ou pólos de atracção para a fixação pupulacional. E se as barreiras se esbatem quando consideramos a dimensão virtual das nossas relações e comportamentos e se, aceder ou não, depende não do tempo dispensado, ou da linearidade do caminho a percorrer, mas de um terminal que permite a chegada de determinada informação, o acesso motor a determinada realidade, ! ! 19! mantém a relação espácio-temporal que, apesar de em constante mutação, conhece fronteiras físicas, variando contudo no dispositivo utilizado, sendo que este representa uma relação de maior acessibilidade, não dependendo inteiramente de um pórtico de passagem para uma realidade imaterial.No Plano de Desenvolvimento para Almería, de 2004, o colectivo de arquitectos MVRDV referiam “É surpreendente que apenas se tenha explorado as possibilidades derivadas dos acessos às auto-estradas urbanas. Os vários nós tendem efectivamente a converter-se em obstáculos para o desenvolvimento do território circundante: Quais seriam as estratégias a adoptar a fim de impulsionar o uso intensivo das ditas zonas em torno das auto-estradas?” (9) Parece-me que nos últimos anos temos assistido uma inversão desta tendência, quando observamos uma crescente fixação ao longo destes nós viários, no qual se conclui um provável entendimento de habitar próximo de um ‘pórtico’ de entrada de rápido acesso aos centros empresariais, serviços e emprego. É pacifico afirmar que a cidade, tal como se estruturou no início do processo de sedentarização do homem, deixou de se inscrever na actual estruturação urbana e territorial. Manuel Gausa nomeava esta de dimensão ‘metaurbana’, uma “estrutura definitivamente aberta (...) uma tripla combinação entre ‘arquipélagos edificados’ , ‘suportes arteriais’ e ‘espaços livres intersticiais’”, o que nos permite chegar a um léxico mais franco dos elementos compositores do território, ou seja, “edificações (volumetrias), ‘infra-estruturas’ (linhas) e ‘paisagens’ (superfícies)”(10). O autor refere ainda que já a ideia de ‘metapolis’ na sua origem não remeteria já apenas para “a capacidade de crescimento, mas sobretudo para a capacidade de ‘combinação’: de interconexão e interacção. Com o território e com outros territórios; com o lugar e outros lugares. Com identidades... e entre identidades.” (11) (1) Tradução do Original “Nevertheless, planning is necessary if cities are to survive.”, in “The Sphinx in the City – Urban life, the control of disorder and women”, p.156, Elisabeth Wilson , University of California Press, 1991 (2) Tradução do original “The’ city no longer exists”; “The death of urbanism”; “Now we are left with a world without urbanism, only architecture, ever more architecture”; “a profession, but a way of thinking, an ideology…”; “urbanism will never again be about the ‘new’, only about the ‘more’ and the ‘modified’. It will not be about the civilized, but about underdevelopment”; “Our ‘sophistication’ hides major symptoms of cowardice centred on the simple questions of taking positions – maybe the most basic action in making the city”; “More than ever, the city is all we have”, in “Whatever happened to urbanism”, Rem Koolhaas; in “S, M, L, XL”, Koolhaas, Rem; Mau, Bruce; 1995 (3) Tradução do original “Today, the human condition is the urban condition”, in “The City and the Human Condition”, in “The City and the Human Condition”, Ramoneda, Josep;, in “In Favour of Public Space. Ten years of the European prize for urban public space”, Actar, Barcelona 2010 (4) Traduzido do original “Las disciplinas clásicas de la arquitectura y el urbanismo ya no son suficientes para entender, planificar y controlar este paisaje urbano, ni la conducta de sus habitantes.”, in “El Nuevo Paisaje”, Bart Lootsma; in Mutaciones, Rem Koolhaas et al,; Actar, Barcelona 2000 (5) Tradução do original “El proyecto urbano ahora puede estar más en lo estratégico y lo material, en intenciones acunpunturales sobre la piel urbana para afectar al organismo entero”; in "De Cosas Urbanas" (p.153), Manuel Solá-Morales; Editorial Gustavo Gilli, Barcelona 2008 (6) Tradução do original “Crises like the present economic depression are a good time to take stock of cities”, in “Space and Symbols in an Age of Decline”, Sharon Zukin, in “Representing the City”, ed. By Anthony King, 1996 (7) Tradução do original “visions for architectural initiatives and strategies for research projects cannot remain fully controlled by a designer or researcher, but adopt a reciprocal quality within an entire web of social and environmental relations.”, in “Field/work and site”; Chris Speed; in Architecture and Field/Work, ed. By Suzanne Ewing, Jérémie Michael McGowan, Chris Speed, Victoria Clare Bernie; Routledge, London 2011 (8) Tradução do original “Not only will we save resources, natural and man-made, but our energies will be focused on creating new and unexpected hybrid interventions”, in "Suburban Transformations" (pag. 11) ; Paul Lukez; Princeton Architectural Press, Nova Iorque 2007 (9) Tradução do original “Es sorprendente que apenas se hayan explotado las posibilidades derivadas de los accesos a las autopistas urbanas. Los nudos viarios tienden a convertirse, de hecho, en obstáculos para el desarrollo del territorio circundante: Cuáles serian las estrategias a adoptar a fin de impulsar un uso intensivo de dichas zonas alrededor de las autopistas?”, in Plan de desarrollo para Almere, MVRDV, 2004 (10) Tradução do original “… dimension ‘metaurbana’ seria la de una estructura definitivamente abierta (…) referida a una triple combinación entre ‘archipiélagos edificados’, ‘soportes arteriales’ y ‘espacios libres intersticiales’, es decir, más sintéticamente, entre ‘edificaciones’ (volumetrias), ‘infraestructuras’ (lineas) y ‘paisajes’ (superficies)”, in “OPEN – Espacio Tempo Información – Arquitectura, Vivenda e Ciudad Contemporánea – Teoría e Historia de un cambio”, (p.167,169), Manuel Gausa; Actar, Barcelona, 2010 (11) Tradução do original “La idea de ‘metápolis’ no remitiría ya, tan solo, a la capacidad de ‘crecimiento’ sino, sobre todo, a la capacidad de ‘combinación’: de interconexión e interacción. Con el territorio y con otros territorios; con el lugar y con otros lugares. Com identidades… y entre identidades.” Ibid., p.195 ! ! 20! II Reflexões público: espaço&arte A questão da estratégia e sua formulação ao nível do desenho, bem como as demais vertentes no delinear de uma abordagem do mundo ocidental tal como o conhecemos, deverá ser repensada e estruturada de forma a estabelecer um dialogo experimental, no qual o próprio espaço público desenvolva um papel central, promovendo um carácter aglutinador de costumes, comportamentos e relações. Sendo que este rpresenta desde logo uma superfície comum aos demais elementos que estruturam uma comunidade, sociedade e território, constituirá estrutura preciosa no prosseguir de um palimpsesto experimental, que determine desde logo um novo olhar, sobre as questões de responsabilidade social, comprometimento e auto-consciência. “(...) O público não é só uma construção espacial. E assim a verdadeira arte derivará o seu carácter público não pela sua localização, mas pela sua natureza de envolvimento com congestionadas, cacofónicas intersecções de interesses pessoais, valores colectivos, questões sociais, eventos políticos, e mais amplos padrões culturais que marcam a nossa vida cívica.”(1) A arte pública, desde logo caracterizada através de uma densa camada critica e reflexiva à cerca das questões humanas e sociais, de amplo conhecimento histórico, possui as ferramentas de consciencialização e revisão dos dados – de outros tempos – adquiridos . “(...) Os artistas foram sempre capazes de organização e mobilização em torno de elementos da vida social; a cidade é o habitat da arte” (2), e portanto será pacífico assumir que função social desta “é cristalizar a imagem ou a resposta a uma imagem social esbatida, focando as suas linhas de contorno.”(3) Entender os espaços públicos numa dimensão híbrida e dotá-los de características que não definam à partida obstáculos à sua apropriação e programa, será um dos possíveis caminhos, entendendo também os territórios disciplinares com a mesma dimensão híbrida, ou seja, que não se apresentem à partida conceptualmente condicionados, necessitando de uma determinada abertura na sua ligação às outras áreas de estudo. “Hibridismo não é apenas uma mistura, é uma dinâmica dialógica, na qual certos elementos de culturas dominantes são apropriadas por minorias e re-articulados de modos subversivos.” (4) Esta própria ideia de re-articulação subversiva por parte das minorias, coloca-nos num registo reflexivo, sendo que a própria “arquitectura subversiva não só não segue as regras, como também as desafia e, deste modo, faz com que questionemos o cerne destas mesmas regras. Responde a necessidades, e, geralmente, está disponível muito apressadamente para que seja utilizada.” (5) Deste modo, colocamo-nos numa posição de estruturação de espaços amplamente disponíveis, ao nível do seu imediatismo e da sua abrangência social. Espaços completos sob a forma despida, sendo esta não possuidora de um carácter simplificativo e claro, mas aberto, e ‘em aberto’. Venturi, altamente contestado pelo movimento Moderno, num tom provocatório, referia em 1966 “Eu gosto de elementos que são híbridos em vez de puros, comprometer em vez de simplificar, ambiguidade em vez de articulação, ... inconsistente e equivocado em vez de directo e claro – Menos é uma chatice”(6). A ideia de promover o espaço experimental constantemente legitimado ao longo deste ! ! 21! trabalho, existia já há mais de 50 anos, do outro lado do Atlântico, desmistificando a ideia da simplificação como forma de valorização, proclamada por Mies, e assumindo ainda o próprio equivoco como forma de construção enriquecida de um espaço.O contributo da própria sociedade de informação, evolução tecnológica e consciência ecológica agravaram esta ideia de construção de uma linguagem híbrida, que veio alterar pressupostos altamente enraizados na nossa cultura. “A condição híbrida da cybercidade desafia o antigo estatuto da geometria Cartesiana, o mapa, a matriz ou a grelha.”(7) A gestão do nosso desenho deixa de ser estruturado a partir de uma raiz meramente matemática, com introdução de novas condicionantes, ditados em grande parte pela multiculturalidade dos nossos territórios. Os nossos grandes pólos urbanos, cosmopolitas e compostos por directivas originárias de diversas situações geográficas, religiosas ou politicas, dotam de grande ambiguidade a definição de conforto, espaço-pessoal e outros traços de carácter cultural. A adaptabilidade de uma ‘inter-disciplina’, que como de uma argamassa se trate, aglutine as diversas áreas de trabalho, dando resposta aos territórios globalizantes, à complexidade humana e às forças transversais promovidas pela velocidade, fluxo e informação, distinguível pela sua franca abordagem entre protagonistas e realidades é proposto deste modo. Vivenciamos “(u)m território mestiço e dinâmico; variado, difuso e diverso nas suas materializações; feito de experiências segmentadas, arritmicamente entrelaçadas, de operações contingentes destinadas a favorecer situações de mistura e coabitação. Um organismo paradoxal (…) em contínua mutação, reciclagem e mudança.”(8) Um olhar dinâmico e mestiço é deste modo também necessário; originário de várias preocupações e realidades e amplamente aberto, consciente do seu próprio carácter de inconstante e inesperada mutabilidade. (1) Tradução do original “… the public is not only a spatial construct. And thus a truly art will derive its ‘publicness’ not from its location, but from the nature of its engagement with the congested, cacophonous intersections of personal interests, collective values, social issues, political events, and wider cultural patterns that mark out our civic life.”, in “Out of Order: The Public Art Machine”, Patricia Phillips, in Artforum, 1988 (2) Tradução do original “… artists have always been capable of organizing and mobilizing around elements of social life; the city is art’s habitat.”, in “Alternative Space”, Rosalyn Deutsche, in “If you Lived Here”, ed. By B. Wallis (1991) (3) Tradução do original “One of the social functions of art is to crystallize an image or a response to a blurred social picture, bringing its outlines into focus.”, Ibid. (4) Tradução do original “Hybridity is not just a mixing together, it is a dialogical dynamic in that certain elements of dominant cultures are appropriated by minorities and re-articulated in subversive ways.”, in “Collaborative practices – Hybrid ethnographies and fieldwork approches in Barabazaar, Kolkata, India”, Martin Beattie; in Architecture and Field/Work, ed. By Suzanne Ewing, Jérémie Michael McGowan, Chris Speed, Victoria Clare Bernie; Routledge, London 2011 (5) Kronenburg, Robert; “Arquitetura Subversiva”; in “Post-it City. Ciudades Ocasionales” (p. 49), Dirección de Comunicación de la Diputación de Barcelona ; CCCB; 2008 (6) Tradução do original “I like elements which are hybrid than ‘pure’, compromising rather than ‘straightforward’, ambiguous rather than ‘articulated’, … inconsistent and equivocal rather than direct and clear” – “Less is a bore”, in Complexity and Contradition, Robert Venturi, 1966 (7) Tradução do original “The hybrid condition of cybercities challenges the long held privileged status of Cartesian geometry, the map and the matrix or grid.”, in “Crossing Cibercities – Boundary problems separating the regional space of the city from the matrix of cyberspace” (p.226), M. Christine Boyer; in Global City Regions: Their Emerging Forms by Hack,Gary; 2001 Routledge (8) Tradução do orininal “… un territorio mestizo y dinámico; variado, difuso y diverso en sus materializaciones; hecho de experiencias segmentadas, arrítmicamente entrelazadas, de operaciones contingentes destinadas a favorecer situaciones de mezcla y cohabitación. Um organismo paradójico (…) en continua mutación, reciclaje y cambio.”, in “OPEN – Espacio Tempo Información – Arquitectura, Vivenda e Ciudad Contemporánea – Teoría e Historia de un cambio”, (p. 182), Manuel Gausa; Actar, Barcelona, 2010 ! ! 22! III Considerações Finais A reflexão desenvolvida, contém na sua génese uma série de inquietações levantadas no finalizar de uma licenciatura em Arquitectura e entendimento da volatilidade da disciplina face aos dias que correm. São definidas algumas linhas de raciocínio e, deste modo, é proposta uma fundamentação teórica assente numa densa listagem de referencias bibliográficas, que culmina nesta peça, que longe de a sentir como acabada, necessita de uma breve paragem e consequente reflexão. A vertente prática que se segue reflecte três grandes preocupações; primeiro a dialéctica entre a teoria e a prática das questões exploradas, segundo a questão da interdisciplinaridade abordada com grande ênfase ao longo deste trabalho; e por último, a questão da transferibilidade. Deste modo, este longo capítulo é colmatado, dando vez ao ‘Manual de Abordagens e Intervenções’, um dossier dinâmico e de consulta, que de forma ilustrativa e irónica, propõe um filtro de abordagem à polimorfia dos locais ‘de beira de estrada’. ... E a reflexão continuará. Demarcada pela necessidade de aprofundamento de grande parte das temáticas abordadas, este trabalho representa o início de um forte interesse, o da investigação. A vontade de prosseguir a pesquisa desenvolvida, porém procurando a participação de elementos considerados como essenciais para esta análise - como Jane Rendell, Vito Acconci ou Doreen Massey – que pela demarcada divergência de background e de campo de estudo, me interrogo à cerca da possibilidade de estruturação desta rede interdisciplinar de forças. O contacto com estes elementos – entre outros – foi assinalado na agenda, e através de um Programa Doutoral em Belas Artes, na área de Arte Pública, se pretende entender a importância na relação disciplinar, com especial atenção na fruição das condições que, de um modo ou outro, se foram obtendo. ! ! 23! V Bibliografia Argan, Giulio Carlo; "História da Arte como HIstória da Cidade", 2006 Ascher, François; "Metapólis - Acerca do futuro da cidade", tradução de Álvaro Domingues, Celta Editora, 1998 Ascher, François; "Novos Princípios do Urbanismo", Livros Horizonte, 2010 Augé, Marc; "Não Lugares", Editora 90o, Lisboa 2009 Bachelard, Gaston; "La Poétique de L'espace", PUF, Paris 1960 Bakhtin, Mikhail; “Marxismo e Filosofia da Linguagem”, Hucitec, 1981 São Paulo Barthes, Roland; “Center-City, Empty Center and No Address”, in Empire of Signs, 1970 Batty, Michael, “The Fractal City”, in “Architectural Design”, nº 9/10, vol. 67 Beattie, Martin; “Collaborative practices – Hybrid ethnographies and fieldwork approches in Barabazaar, Kolkata, India; in Architecture and Field/Work, ed. By Suzanne Ewing, Jérémie Michael McGowan, Chris Speed, Victoria Clare Bernie; Routledge, London 2011 Becker, Sybille et alt, “Autoorganización de estructuras urbanas”, in “Arch+, nº121, 1994 Benevolo, Leonardo; "A Cidade e o Arquitecto", Arte & Comunicação, 2006 Benevolo, Leonardo; "O Último Capitulo da Arquitectura Moderna", Arte & Comunicação, 2009 Bhabha, H. K. (1998); in D. Bennett (ed.) Multicultural States Rethinking Difference and Identity, Routledge, London Blaisse, Petra; Inside Outside; Nai Publishers; Amesterdão 2007 Brandão, Pedro; "A Cidade entre Desenhos - Profissões do desenho, ética e interdisciplinaridade", Livros Horizonte, 2006 Brandão, Pedro; Remesar, Antoni; "Design de Espaço Público", Livros Horizonte, Lisboa 2003 Bollnow, Otto Friedrich; "Hombre y Espacio", Biblioteca Universitária Labor, Barcelona 1969 Boyer, M. Christine; “Crossing Cibercities – Boundary problems separating the regional space of the city from the matrix of cyberspace”, in Global City Regions: Their Emerging Forms by Hack, Gary; 2001 Routledge Calvino, Italo; "As Cidades Invisíveis", Editorial Teorema, 2008 Carvalho, Jorge; "Formas Urbanas", Minerva Coimbra, 2003 Castro, Laura. "Antes e Depois da Paisagem" In http://www.apha.pt/boletim/boletim3/pdf/ LauraCastro.pdf, consultado em Nov.10 Cauquelin, Anne; "Sítio, Lugar e Mundo", in "Curadoria do Local. Algumas abordagens da prática e da crítica", Gabriela Vaz-Pinheiro coordenação e tradução, Art in Site 2005 ! ! 24! Chapman, Michael; Ostwald, Michael; “The Erotics of Fieldwork in Learning from Las Vegas”;in Architecture and Field/Work, ed. By Suzanne Ewing, Jérémie Michael McGowan, Chris Speed, Victoria Clare Bernie; Routledge, London 2011 Choay, Françoise; "A Alegoria do Património", Edições 70, 2008 Choay, Françoise; "O Urbanismo", Perspectiva, 2005 Choay, Françoise; "Património e Mundialização", Edição Bilingue, 2005 Clawson, Marion; “Suburban Land Conversion: Economic and Governmental Process”, RFF Press 1971 Coffey, Amanda; “The Etnographic Self – Fieldwork and Representation of Identity”, SAGE Publications, London, 1999 Costa, Xavier; “El Arquitecto como Etnógrafo”, in MET01, Barcelona Metápolis Delfante, Charles e Jean Pelletier; "Cidades e Urbanismo no Mundo", Instituto Piaget, 2000 Deutsche, Rosalyn; “Alternative Space”, in “If you Lived Here”, ed. By B. Wallis, 1991 Domingues, Álvaro; "A Rua da Estrada", Dafne Editora, 2009 Domingues, Álvaro; "Cidade e Democracia", Argumentum, 2006 Dominges, Álvaro. "A Paisagem Revisitada" In http://www.apha.pt/boletim/boletim3/pdf/ AlvaroDomingues.pdf, consultado Nov.10 Duque, Felix; "Arte Público y Espacio Politico; Ediciones Akal, Madrid 2001 Fadigas, Leonel; "Fundamentos Ambientais do Ordenamento do Território e da Paisagem"; Ed. Sílabo; Lisboa 2007 Ferreira, Vitor. Cit. Álvaro Domingues “Os fazedores de paisagem somos todos nós” In http://www.planetazul.pt/edicoes1/planetazul/desenvArtigo.aspx?c=2276&a=17257&r=37, consultado Nov.10 Ganz, Herbert; “The Levittowners, Ways of life and Politics in a Suburban Community”,Columbia University Press 1982 Gausa, Manuel; “Land Arch: Paisaje y arquitectura, nuevos esquejes”, in Quaderns, nº217, 1997 Gausa, Manuel; “OPEN – Espacio Tempo Información – Arquitectura, Vivenda e Ciudad Contemporánea – Teoría e Historia de un cambio”, Actar, Barcelona, 2010 Giedion, Sigfried; "Escritos Escogidos", Colegio Oficial de Aparejadores y Arquitecto, Murcia 1997 Giedion, *Sigfried; "Espacio, Tempo y Architectura: El futuro de una nueva tradioción", Barcelona 1982 Giedion, Sigfried; “The Eternal Present; The Beginnings of Art”, Oxford University Press, London, 1962 Grether, Reinhold; “Hacia un código mundial: el concepto etoy de arquitectura en la red”, in “Mutaciones”, ed. By Koolhaas, Rem et. Al., Actar 2000 Hall, Peter; "Cidades do Amanhã", Edições Perspectiva; São Paulo 1995 ! ! 25! Hartley John; 'The Sexualization of Suburbia: The Diffusion of Knowledge in the Postmodern Public Sphere.', in Roger Silverstone (ed) Visions of Suburbia: Symptoms and Metaphors of Modernity. London & New York: Routledge, 1996 Heidegger, Martin; "Building, Dwelling, Thinking", in Rethinking Architecture, A Reader in Cultural Theory, London 1997 Hussey, Andrew, ‘“The Map is Not the Territory”: The Unfinished Journey of the Situationist International’, in Performance and the Contemporary City: An Interdisciplinary Reader, ed. by Nicolas Whybrow, Basingstoke: Palgrave Macmillan, 2010 Innerarity, Daniel; "A Sociedade Invisível", Editorial Teorema, 2009 Innerarity, Daniel; "O Novo Espaço Público", Editorial Teorema, 2010 Jáuregui, J. Mario; “A Cidade em Evolução: Economias Informais/ Espaços Efemeros”, in “Post-it City. Ciudades Ocasionales”, Dirección de Comunicación de la Diputación de Barcelona ; CCCB; 2008 Jensen, Peder B., “Framing the Urban Development”, in The Urban Lifeword – Formulations, Perception, Representation, ed. by Peter Madsen and Richard Plunz, Routledge, London 2002 Norberg-Schulz, Christian; "The Phenomenon of Place", in Nesbitt, Kate; "Theorizing a new agenda for architecture: an anthology of architectural theory 1965-1995", Princeton Architecture Press, New York 1996 Koolhaas, Rem; et. Al.; “Whatever happened to urbanism”, in “S, M, L, XL”, 1995 Koolhaas, Rem; "Conversas com Hans Ulrich Obrist, Editorial Gustavo Gilli, 2009 Barcelona Koolhaas, Rem; Boeri, Stefano; Kwinter, Sanford; Fabricius, Daniela; Obrist, Hans Ulrich; Tazi, Nadia; "Mutaciones", Actar; 2000 Barcelona Koolhaas, Rem; "Três Textos Sobre Cidade", Editorial Gustavo Gilli, 2010 Barcelona Kronenburg, Robert; “Arquitetura Subversiva”; in “Post-it City. Ciudades Ocasionales”, Dirección de Comunicación de la Diputación de Barcelona ; CCCB; 2008 La Varra, Giovanni, “Post-it City: Los otros espacios públicos de la ciudad europea”, in AAVV, Mutaciones, Actar/ arc en rêve centre d’architectutre, Barcelona, 2001. Larkham, P.J.; “Conserving the suburb: mechanisms, tensions and results”, in Stanilov, K. and Scheer, B.C. (Eds) Suburban form: an international perspective Routledge, London 2004 Le Corbusier; "Urbanismo", Martins Fontes, 2009 Leite, Rogério Proença; Fortuna, Carlos; "Plural de Cidade - Novos Léxicos Urbanos", Livraria Almedina, 2009 Lootsma, Bart; “El Nuevo Paisaje”, in Mutaciones, ed. By Koolhaas, Rem et. Al.; Actar 2000 Lukez, Paul; "Suburban Transformations"; Princeton Architectural Press, Nova Iorque 2007 Lynch, Kevin; "A Boa Forma da Cidade", Edições 70, 2010 Lynch, Kevin; "A Imagem da Cidade", Edições 70, 2009 Maffesoli, Michel; "A Transfiguração do Político - A Tribalização do Mundo Pós-Moderno", Instituto Piaget, 2004