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Editorial

Helena Araújo

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5 EDITORIAL O presente número intitula-se Novos Problemas de Investigação em Educação/New Issues in Education Research e inclui vários artigos que representam, na sua generalidade, novas e recentes abordagens nos estudos educacionais. Podem considerar-se novas abordagens, pois analisam-se, nomeadamente, relações quotidianas entre a experiência escolar e as práticas de socialização familiar, que mais do que produzirem disposições incorporadas são tecidas na sua complexidade, diversidade e imprevisibilidade, como no texto de Pedro Abrantes e Sofia Amândio. Também constituem estes novos olhares a pesquisa sobre o ensino da filosofia através da língua gestual incidindo sobre o processo de ensino e aprendizagem da filosofia no ensino secundário, pelo conhecimento de conceitos e teorias, mas também pela construção de um saber pessoal por parte de discentes, como o texto intitulado «Com as Mãos se Faz o Ser: Aprender/Ensinar Filosofia em Contexto de Surdez», de Fátima Sá Correia, Orquídea Coelho, António M. Magalhães e Andrea Benvenuto. Novos olhares também em torno dos textos: «Salas de Arte: Espaço de Formação Estética e Sensível na Escola», de Carla Carvalho, Aline Amaral Freitas e Adair de Aguiar Neitzel, no foco sobre os espaços estéticos e sensíveis para o ensino da arte; «Consumo e Cultura: Modos de Ser e Viver a Contemporaneidade», de Dinah Quesada Beck, Paula Corrêa Henning e Virgínia Tavares Vieira, abordando a mundialização da cultura e discutindo o fenómeno do consumo que vem determinando modos de ser e viver a atualidade; «A Literacia Digital e a Participação Cívica», de Sónia Pedro Sebastião, que procura compreender como a cidadania digital usa a Web em termos cívicos; e ainda «Política de Responsabilidade Social na Universidade…», de Raimunda da Cunha Ribeiro e António M. Magalhães, acentuando os desafios da universidade frente ao seu compromisso social e educacional, no sentido de contribuir para o desenvolvimento em diversas dimensões. Luís Grosso Correia aborda os «Dilemas do Ensino Secundário-Liceal em Portugal nos Alvores do Liberalismo Segundo a Visão Situada do Liceu Nacional do Porto», centrando-se na forma como docentes desta escola intervêm, em 1871, em relação a políticas implementadas num contexto de «intimidação autoritário-institucional» (p. 43), na salvaguarda do seu profissionalismo docente. A secção Diálogos sobre o Vivido inclui uma contribuição de Analía Inés Meo, Valeria Dabenigno e Micaela Ryan, intitulada «Esta Es Una Escuela Sin Paredes, Pero No a la Intempérie: Redefiniendo las Fronteras Entre el Adentro y el Afuera en Una Escuela de Reingresso», resultando de uma pesquisa numa escola de Buenos Aires (Argentina) onde se procura alterar aspetos da «gramática escolar», como salientam as autoras. No Arquivo inclui-se o texto de Luís Fernandes, Prémio de Excelência Pedagógica da Universidade do Porto 2013, «O Lugar do Encontro: Reflexões Sobre Uma Prática Pedagógica». A direção da ESC muito agradece ao autor, por poder publicar um texto com tão importantes ressonâncias no processo educativo e de pesquisa da Universidade contemporânea. O autor reflete sobre a docência universitária, incluindo-se como sujeito nessa reflexão, e destaca a relevância da docência não propriamente como centrada apenas na transmissão cognitiva, mas incorporando uma diversidade de outras dimensões que levam o autor a sublinhar o lugar do encontro que constitui essa docência «como resultado espontâneo do jogo entre a investigação e o ensino/aprendizagem – jogo primordial para a identidade daquilo que entendemos como Universidade» (p. 177). A direção da Revista agradece as contribuições aqui apresentadas e todo o trabalho de revisão, como forma de garantir a qualidade da revista Educação, Sociedade e Culturas, promovendo um aprofundamento da pesquisa e do debate em educação. Helena C. Araújo 6