Stress, burnout e engagement em profissionais de saúde
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STRESS, BURNOUT E ENGAGEMENT EM PROFISSIONAIS DE SAÚDE 1 Escola Superior de Saúde –Instituto Politécnico de Viana do Castelo, Portugal 2Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, Portugal 3Laboratório de Reabilitação Psicossocial (FPCE-UP / ESTSPIPP), Portugal 1. Introdução Actualmente, os Profissionais de Saúde enfrentam novas exigências no mundo do trabalho, provocadas por diferentes fontes de stress. Estes Profissionais fazem do contacto directo, contínuo e permanente a sua condição de trabalho, prestando cuidados durante longas horas de trabalho, exercendo em jornadas contínuas e envolvendo-se emocionalmente nos problemas dos seus pacientes. Trabalhando muitas vezes em ambientes favoráveis à geração de conflitos e de stress laboral crónico, constituem um grupo vulnerável para a Síndrome de Burnout. Nos últimos anos os profissionais de saúde têm sido alvo de múltiplos estudos, centrados sobretudo nos aspectos negativos do seu trabalho (Jenkins & Elliot, 2004). Contudo, mesmo não sendo fácil reduzir as exigências laborais destes cuidadores, verifica-se que algumas características do seu trabalho parecem fomentar o bem-estar psicológico e a qualidade do trabalho produzido, mesmo em situações de excesso de trabalho, surgindo o conceito de engagement. Os profissionais que apresentam maior engagement sentem-se mais vigorosos, energéticos, dedicados e identificados no e com o trabalho, adoptando atitudes positivas face a este, aumentando a sua motivação intrínseca e realização profissional (Schaufeli & Salanova, 2007). Palavraschave:burnout, engagement, profissionais de saúde, stress. 2. Objectivos Conhecer e comparar os níveis de percepção de stress, burnout e engagement em profissionais de saúde, verificando se estão correlacionados e se variam em função da actividade profissional. 3. Método Participantes: 1200 Profissionais de Saúde de instituições hospitalares do distrito do Porto, Portugal, trabalhando em serviços de internamento; predomínio do sexo feminino (77%), casados (59%), com filhos (49%), com idade entre 21 e63 anos (M =35.24 e D.P.=8.81) e em média com 10.6 anos de serviço. A maioria (77%) tem licenciatura e 13% tem pós-graduação; 70% tem vínculo definitivo, sem pluriemprego (43%) e trabalha por turnos (83%), com uma carga horária semanal superior a 35 horas (43%). 44%dos profissionais referiram vontade em mudar de serviço, 35% mudava de hospital e 33% mudava de serviço na instituição. Apresentam-se satisfeitos e motivados suas tarefas (numa escala de Likert de 1-5 pontos, respectivamente M=3.32,M=3.34) apesar da motivação inicial do ínicio das suas carreiras ser maior (M=4.44). Instrumentos: Questionário de caracterização sócio-demográfica e profissional da amostra com adaptações portuguesas da Perceived Stress Scale (P.S.S., de Cohen et al., 1983; Mota Cardoso e colaboradores, 2002), Maslach Burnout Inventory (M.B.I.-H.S.S., Maslach & Jackson, 1997; Marques-Pinto, 2009) e Utrech Work Enthusiasm Scale (U.W.E.S., Schaufeli & Bakker, 2003; MarquesPinto, 2009). Procedimento:Questionário anónimo, de auto-preenchimento, distribuído e recolhido em diferentes serviços, durante 2010,após autorização formal das respectivas Instituições. Análise dos dados:SPSS-17 para análise descritiva, correlacional (R Pearson) e diferenças entre grupos (MANOVA). •Os Profissionais de Saúde apresentam níveis baixos de percepção de stress, de burnout (apesar dos níveis moderados de exaustão emocional, estes são acompanhados por uma elevada realização profissional) e presença moderada de engagement, resultados concordantes com a literatura existente (Tabela 1). Foram também encontradas correlações positivas da percepção de stress com a exaustão emocional e a despersonalização, e correlações negativas da percepção de stress, exaustão emocional e despersonalização, com a realização pessoal, vigor, dedicação e absorção. •Existem diferenças significativas em função da actividade profissional (Tabela 2), sendo os administrativos quem percepciona maior stress e se encontram mais dedicados e absorvidos com o trabalho. Os enfermeiros apresentam-se mais exaustos emocionalmente, os médicos apresentam maior vigor e os outros Profissionais (Fisioterapeutas, Psicólogos, Nutricionistas, Assistentes Sociais) apresentam maior realização pessoal. Tabela 1. Médias (M), Desvio-Padrão(SD), consistência interna (α Cronbach’s) e intercorrelações das dimensões da PSS, MBI –HSS e UWES (n =1200) Tabela 2. Comparação das médias das dimensões da PSS, MBI-HSS e UWES em função da actividade profissional 5. Conclusões 6. Bibliografia Encontraram-se evidências empíricas que demonstram que o stress e o burnout estão negativamente associados ao engagement. Apesar dos constrangimentos crescentes do contexto laboral, os profissionais de saúde inquiridos ainda apresentam baixo burnout e elevados níveis de engagement. Contudo, a exaustão emocional moderada e alguma percepção de stress podem ser já indicadores a considerar, tentando evitar o aparecimento da Síndrome de Burnout. Os Profissionais de Saúde mais motivados e identificados com o seu trabalho, apresentam-se mais dedicados e menos exaustos emocionalmente e reagindo com menos stress face às elevadas exigências no trabalho. O seu engagement parece contribuir positivamente para a sua saúde e bem-estar mental, facilitando uma melhor prestação de cuidados aos Utentes. 4. Resultados *p < 0,050 **p < 0,010 Sofia Dias1,2,3 & Cristina Queirós2,3 www.labrp.com [email protected] [email protected] Variáveis M SD (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) 1 Percepção Stress (0-4) 1.78 .57 (.867) 2.Exaustão Emocional (0-6) 2.46 1.17 .57** (.882) 3.Despersonalização (0-6) 1.17 1.01 .25** .39** (.703) 4.Realização Pessoal (0-6) 4.29 .88 -.29** -.21* -.27** (.768) 5.Vigor (0-6) 3.97 1.09 -.33** -.39** -.29** .60** (.803) 6.Dedicação (0-6) 4.34 1.13 -.32** -.39** -.32** .59** .81** (.876) 7. Absorção (0-6) 3.71 1.13 -.09** -.18** -.19** .45** .76** .73** (.804) Variáveis Médicos Enfermeiros Administrativos Outros Profissionais Fp Percepção Stress 1.659 1.789 1.922 1.619 2.506 .05* Exaustão Emocional 2.182 2.508 1.606 1.912 7.019 .00** Despersonalização 1.221 1.178 .655 .982 1.541 .20 Realização Pessoal 4.352 4.286 3.136 4.656 8.956 .00** Vigor 4.444 3.922 4.561 4.311 7.431 .00** Dedicação 4.661 4.303 4.782 4.709 4.361 .01** Absorção 4.073 3.665 4.273 4.064 5.243 .01** - Cohen, S., Kamarck, T. & Mermelstein, R. (1983).A Global Measure of Perceived Stress. Journal of Health and Social Behaviour, 24, 4, 385-396. - Jenkis, R., & Elliott, P. (2004). Stressors, burnout and social support: nurses in acute mental health settings. Journal of Advanced Nursing, 48 (6), 622-631. - Marques-Pinto,A. (2009). Maslach Burnout Inventory Human Services Survey e Utrech Work Enthusiasm Scale, traduções cedidas por Alexandra Marques Pinto ([email protected]). Lisboa: FPCEUL. - Mota Cardoso, R.,Araújo, A., Ramos, R.C., Gonçalves, G. & Ramos, M. (2002). O stress nos professores portugueses: estudo IPSSO 2000.Porto: Porto Editora. - Schaufeli, W. & Bakker,A. (2003). UWES –Utrech Work Engagement ScalePreliminary Manual. Utrecht: Occupational Health Psychology Unit - Utrecht University. - Schaufeli, W.B. & Salanova, M. (2007). Work engagement: An emerging psychological concept and its implications for organizations. In S.W. Gilliland, D.D. Steiner. & D.P. Skarlicki (Eds.), Research in Social Issues in - Management (Volume 5): Managing Social and Ethical Issues in Organizations (pp.135-177). Greenwich, CT: InformationAge Publishers.