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Conhecimento da infeção pelo Papilomavírus Humano: Conhecimento da infeção pelo papilomavírus humano e do carcinoma do colo do útero por estudantes universitários de uma escola

Lillian Barca Araújo

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Faculdade de Medicina da Universidade do Porto Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto Mestrado de Educação para a Saúde Conhecimento da infeção pelo Papillomavírus Humano: Conhecimento da infeção pelo papillomavírus humano e do carcinoma do colo do útero por estudantes universitários de uma escola Lillian Barca Araújo Tese apresentada para obtenção do grau de Mestre em Educação para a Saúde Professor orientador: Prof. Dr. Luís Monteiro Julho de 2012 II Dedicatória À minha mãe Edite, por ser a minha inspiração. III Agradecimentos À minha mãe, por todos os sacrifícios, pela força que transmite, pelo amor, pela paciência e insistência, pela compreensão e apoio, por estar sempre ao meu lado e exigir sempre o meu melhor. Ao meu pai que mesmo não estando presente é uma inspiração. Ao meu padrasto, Osvaldo, pela compaixão, pela generosidade e por me ter sempre apoiado a mim e à minha mãe. À Ana AnTunes, que me acompanhou neste processo e esteve presente nesta e em todas as fases da minha vida. À Vanessa, à Kelly e ao Malecas por serem melhores amigos de longa data que o tempo não apagou, por todos os momentos que partilhamos e pelas histórias que guardamos. Aos meus confrades e amigos, à Sara, à Audrey, ao Zé Pedro, ao Migalhas, ao Rui Filipe, ao Zé, ao Bruce, à Teresa, ao Magalhães, ao Fábio, ao Rei e ao Moisés pelo apoio e pelo ânimo, pelos cafés, pelas histórias partilhadas, pelas risadas, pela amizade e companheirismo. Obrigada por todos os momentos de descompressão. Ao Pedro, pela amizade de criança, e por me mostrares que é possível ver o nosso esforço ser reconhecido da melhor maneira. À Alda e à Ana pela amizade, pela companhia e pelo entusiamo. À Rosalina, pela palavra certa, pela sinceridade e genuinidade, pela espontaneidade, pela alegria que transmite a todos que a rodeiam. À Ana e ao Zé, pela amizade e companheirismo, podem os anos passar que estes momentos são sempre melhores na vossa companhia. Sem esquecer o Ruben e o Miguel fiéis vizinhos, companheiros e amigos. Por fim, ao Carlos que me aturou e me apoiou, assistiu a todos os amuos e ultrapassou-os, foi alvo de todas as birras e manteve-se a meu lado, pelo carinho. Obrigada. Obrigada a todos. IV “É indispensável admitir que a escola, é, queiramos ou não, um espaço sexualizado e generificado. A sexualidade tem a ver com o modo como as pessoas vivem, seus desejos e prazeres, tem a ver, portanto, com a cultura e a sociedade, mais do que com a biologia. Ora, parece impossível separar a escola de tudo isso.” (LOURO, 2000, p 87-88) V Índice Resumo ................................................................................................................................. 9 Abstract ............................................................................................................................... 10 1.Introdução ......................................................................................................................... 11 1.1 Cancro ....................................................................................................................... 11 1.2 Cancro do colo do útero ............................................................................................. 12 1.3 Etiologia ..................................................................................................................... 14 1.4 Estrutura e genoma do vírus ...................................................................................... 15 1.5 Mecanismo de Infeção Epitelial .................................................................................. 16 1.6 Mecanismo de Carcinogénese ................................................................................... 16 1.7 Prevenção e Diagnóstico ............................................................................................ 18 1.8 Vacinação .................................................................................................................. 19 1.9 Conhecimento sobre HPV .......................................................................................... 20 2.Objetivos ........................................................................................................................... 22 2.1 Objetivo Geral ............................................................................................................ 22 2.2 Objetivos Específicos ................................................................................................. 22 3.Metodologia ...................................................................................................................... 23 4.Resultados ........................................................................................................................ 27 4.1 Resultados segundo género ....................................................................................... 31 4.2 Resultados segundo licenciatura ................................................................................ 38 4.3 Resultados segundo o ano de licenciatura ................................................................. 45 5.Discussão ......................................................................................................................... 52 6. Conclusão ........................................................................................................................ 58 7.Referências Bibliográficas................................................................................................. 59 Anexos…………………………………………………………………………………………...…...64 VI Índice de Ilustrações Ilustração 1.2.1 - Estimativa da incidência do carcinoma do colo do útero ............. 12 Ilustração 1.2.2 - Estimativa da mortalidade por cancro em Portugal em 2008. ...... 13 Ilustração 1.2.3 - Estimativa da incidência de cancro em Portugal em 2008........... 13 Ilustração 1.3.1 - Evolução da infeção por HPV .................................................... 14 Ilustração 1.5.1 - Infeção do epitélio genital por partículas virais. ........................... 16 Ilustração 1.6.1 - Mecanismo de carcinogénese da neoplasia do colo do útero. .... 17 VII Índice de Tabelas Tabela 4.2.1. - Número de alunos que utiliza preservativo consoante número de parceiros………………………………………………………………………………………………29 Tabela 4.4.1. - Número de alunos que indicaram fatores de risco à progressão de neoplasia segundo sexo………….………………………………………….………………………………….32 Tabela 4.4.2. - Número de alunos que assinalou medidas de prevenção face ao HPV por sexo…………………...…………….………………………………………….……………………..34 Tabela 4.5.1. – Número de alunos que indicaram fatores de risco à progressão de neoplasia segundo curso………………………………………………………………………………….…....38 Tabela 4.5.2. – Número de alunos que assinalou os tipos de HPV mais frequentes, segundo o curso…………………………………………………………………………………………….…..40 Tabela 4.5.3. – Número de alunos que assinalou medidas de prevenção face ao HPV segundo curso…………………………………………………………………………………...…..41 Tabela 4.5.4. - Número de alunos que indicaram a idade ideal do primeiro exame cervicovaginal, por curso…………..….…….………………………………………..……………………..43 Tabela 4.5.5. - Número de alunos que indicou a idade de vacinação contra o HPV, segundo curso…………..….…….……………………………………………………………………………..44 Tabela 4.6.1. – Número de alunos que indicaram fatores de risco à progressão de neoplasia segundo ano escolar….……………………………………………………………………………..46 Tabela 4.6.2. – Número de alunos que assinalou medidas de prevenção face ao HPV segundo ano escolar………..….…….……………………………………………………………..48 Tabela 4.6.3. - Número de alunos que indicou a idade ideal do primeiro exame cervicovaginal, por ano escolar…...………………………………………………………………………..49 Tabela 4.6.4. - Número de alunos que indicou a idade de vacinação contra o HPV, segundo ano escolar…...….…….……………………………………………………………………………..50 Tabela 4.6.5. – Número de alunos que referiram barreiras contra a vacinação, segundo ano escolar………..….…….……………………………………………………………………………..51 VIII Índice de Gráficos Gráfico 3.1. – Representação da amostra pelas difererntes licenciaturas ............................ 23 Gráfico 4.1.1. – Representação da amostra por género ....................................................... 27 Gráfico 4.1.2. - Distribuição das idades dos inquiridos ......................................................... 27 Gráfico 4.2.1. - Representação da proporção de indivíduos que iniciaram a vida sexual.….28 Gráfico 4.2.2. - Distribuição da amostra segundo a coitarca ................................................ 28 Gráfico 4.3.1. - Distribuição da amostra segundo o conhecimento revelado ........................ 30 Gráfico 4.4.1. - Carcinomas mais frequentes referidos pelos alunos, segundo sexo……..…31 Gráfico 4.4.2. - As DST's consideradas mais frequentes, segundo sexo…..…….………...…32 Gráfico 4.4.3. - Tipos de HPV considerados mais comuns segundo sexo…….….…….…….33 Gráfico 4.4.4. - Sintomatologia da infeção pelo HPV referida pelos alunos segundo sexo…35 Gráfico 4.4.5. - Locais de infeção pelo HPV indicados pelos alunos segundo sexo…………35 Gráfico 4.4.6. - Principais barreiras contra a vacinação, segundo sexo…………….....……..37 Gráfico 4.5.1. - Carcinomas mais frequentes assinalados pelos alunos, segundo curso…...38 Gráfico 4.5.2. - As DST's mais frequentes indicadas pelos alunos, segundo curso……....…39 Gráfico 4.5.3. - Sintomatologia da infeção por HPV indicada pelos alunos, segundo curso..42 Gráfico 4.5.4. - Localizações da infeção por HPV referidas pelos alunos, segundo curso….42 Gráfico 4.5.5. - Funções da vacina contra o HPV referidas pelos alunos, segundo curso.....44 Gráfico 4.5.6. - Principais barreiras contra a vacinação indicadas pelos alunos, por curso...45 Gráfico 4.6.1. - Carcinomas mais frequentes indicados pelos alunos, por ano escolar……..46 Gráfico 4.6.2. - Microrganismo responsável pela infeção por HPV segundo ano escolar......47 Gráfico 4.6.3. - Tipos mais frequentes de HPV indicados pelos alunos por ano escolar…...47 Gráfico 4.6.4. - Formas de manifestação do HPV indicadas pelos alunos por ano escolar...48 Gráfico 4.6.5. - Funções da vacina contra o HPV indicadas pelos alunos por ano escolar...50 Gráfico 4.6.6. - Carcinomas associados a HPV referidos pelos alunos, por ano escolar......50 9 Resumo O Papillomavírus humano é um agente infecioso presente em neoplasias como o carcinoma do colo do útero, do qual se estima que seja responsável por 99,7% dos casos. A transmissão deste vírus ocorre por contato sexual e, apesar de necessária, a infeção não é suficiente para o desenvolvimento do carcinoma. Neste sentido, têm sido relatados fatores que compelem esta progressão como: precocidade da primeira relação sexual, tabaco, álcool, fatores imunológicos e outros agentes infeciosos. A infeção por papillomavírus humano é uma das doenças sexualmente transmissíveis mais comuns, estimando-se que 50 a 80% das mulheres são infetadas, pelo menos uma vez na vida e normalmente durante a juventude. No entanto o risco de carcinoma derivado desta infeção não é limitado a mulheres. Esta infeção pode causar verrugas anais, penianas, carcinomas da cavidade oral e orofaringe que afetam o sexo masculino. Ademais o comportamento sexual masculino tem um papel fundamental na transmissão da infeção. É importante que os jovens estejam conscientes do risco, das formas de proteção, diagnóstico e tratamento. Entender como o conhecimento afeta comportamentos pode influenciar a forma como os programas de educação são desenvolvidos. A fim de determinar o nível de conhecimento da infeção por HPV, fatores de risco, diagnóstico e vacinação de prevenção do carcinoma do colo do útero foi aplicado um questionário aos estudantes universitários de uma escola de ciências da saúde. Determinouse que existia um conhecimento mediano em relação à infeção por papillomavírus humano, às formas de proteção, prevenção e diagnóstico. O género e a formação curricular assumiram-se como fatores que influenciam os níveis de conhecimento dos estudantes universitários. Com base nesta informação, é essencial que sejam adotadas estratégias de educação que visem esclarecer a população jovem sobre os conceitos de prevenção, infeção, diagnóstico e tratamento, para que futuramente haja uma redução da prevalência da infeção por papillomavírus humano e consequente redução da incidência e mortalidade por carcinoma do colo do útero. Palavras-chave: Papillomavírus humano, carcinoma do colo do útero, conhecimento, proteção, prevenção. 16 1.5. Mecanismo de Infeção Epitelial Cerca de 40 dos 120 tipos virais possuem a capacidade para infetar a mucosa genital humana, designando-se de epitéliotróficos, isto é, estão limitados às camadas basais do epitélio pavimentoso do colo do útero e a sua replicação ocorre no núcleo das células do hospedeiro. A persistência da infeção durante cerca de cinco anos, com um dos mais de 10 genótipos de HPV de alto risco, está geralmente associada ao carcinoma do colo do útero (Yamkkerem, 2010). A infeção do epitélio genital ocorre quando as partículas virais atingem as células basais do epitélio pavimentoso do colo do útero através de microtraumatimos no epitélio que podem surgir durante a relação sexual. As infeções epiteliais são características dos HPV de baixo risco, resultando de uma multiplicação exponencial do vírus no interior das células epiteliais do hospedeiro (comumente denominadas de verrugas) (Sociedade Portuguesa de Papillomavírus, 2009). Ilustração 1.5.1 - Infeção do epitélio genital por partículas virais. (http://www.sppv.org/info_ciencia.html) 1.6. Mecanismo de Carcinogénese O vírus replica-se exclusivamente no epitélio estratificado escamoso usando a diferenciação do epitélio para regular a sua replicação. Os virões penetram no epitélio e infetam as células estaminais epiteliais que estão localizadas na camada basal. Depois do genoma viral ser libertado no interior da célula desloca-se até ao núcleo, onde é então iniciada a síntese das proteínas E1 e E2. 17 Seguidamente, as proteínas virais E1 e E2 ligam-se ao ADN do HPV para promover a sua replicação. E, após esta, inicia-se a expressão das proteínas estruturais L1 e L2 para que ocorra formação do capsídeo viral. Assim que termina a replicação do ADN, ocorre o processo de inserção nos novos capsídeos, formando-se novas partículas virais. Finalmente ocorre a lise celular e infeção de novas células (Sociedade Portuguesa de Papillomavírus, 2009). A integração do ADN do HPV no genoma das células do hospedeiro leva à inativação do gene E2 por deleção. Este gene codifica uma proteína responsável pela regulação da expressão dos genes E6 e E7, pelo que a sua perda induz a expressão descontrolada dos genes E6 e E7 (Robbins, 2007) As proteínas E6 e E7 dos principais tipos de HPV oncogénicos (16 e 18) formam complexos com as proteínas celulares p53 e pRb (respetivamente), levando à sua degradação pela via proteolítica dependente da ubiquitina, inativando a sua função como controladoras do ciclo celular. Quando ocorre uma lesão no ADN celular, as proteínas p53 e pRb travam o ciclo celular, permitindo à célula ativar os mecanismos de reparação do ADN. A inativação destas proteínas celulares (p53 e pRb) impede os processos de reparação do ADN, dando origem à instabilidade genética, acumulação de mutações e, por último, ao desenvolvimento de neoplasia (Camara et al.; Sociedade Portuguesa de Papillomavírus, 2009). Ilustração 1.6.1. - Mecanismo de carcinogénese da neoplasia do colo do útero. (http://www.sppv.org/info_ciencia.html) 18 1.7. Prevenção e Diagnóstico Prevenção, diagnóstico precoce e tratamento têm sido demonstrados como elementos redutores da mortalidade por carcinoma do colo do útero. O esfregaço cervico-vaginal (comummente conhecido por teste de Papanicolaou) é um dos instrumentos de screening fundamental de um diagnóstico precoce. O objetivo do exame cervico-vaginal é detetar alterações citológicas num estado inicial e tratar antes que o carcinoma se desenvolva. É estimado que um exame de screening regular diminua em 80% o risco de neoplasia (AlDubai et al., 2010). O decréscimo da incidência de carcinoma de colo do útero é sobretudo evidente em países com programas de rastreio organizados. Vários países reduziram significativamente os índices de mortalidade e morbilidade resultante do carcinoma do colo do útero, através da deteção e do tratamento precoce das lesões cervicais pré cancerígenas (Cronje, 2005, cit in Al-Naggar & Isa, 2010; Ali, 2010). O sucesso dos países desenvolvidos deve-se essencialmente à vasta e sistemática utilização do exame cervico-vaginal. Nos Estados Unidos, apesar da introdução do esfregaço ser responsável por uma diminuição de cerca de 90% das mortes por carcinoma do colo uterino, verifica-se que metade das mulheres diagnosticadas com carcinoma invasivo nunca tinha realizado o exame (Eddy, 1990, cit in Al-Naggar & Isa, 2010). A Organização Mundial de Saúde recomenda que as mulheres comecem a realizar o exame cervico-vaginal por volta dos 21 anos, as mulheres entre os 25 e 49 anos podem considerar um intervalo de até 3 anos entre exames, e mulheres com idades superiores a 65 anos não necessitam de realizar o teste. Outros estudos recomendam que este exame seja realizado anualmente, pois a sua prática poderá ter reduzido a incidência do carcinoma cervical invasivo nos últimos 40 anos (WHO, 2002). Existem várias barreiras e obstáculos à realização do exame cervico-vaginal, entre os quais fatores sociais, culturais e religiosos, que desencorajam as mulheres a realizarem-no. As razões relatadas para o baixo nível de realização do teste são, maioritariamente, a falta de instrução, aculturação, baixos níveis cognitivos, assim como fatores demográficos, sociais e psicológicos (Al-Naggar & Isa, 2010). Num estudo realizado no Reino Unido, as principais causas mencionadas pelas mulheres foram o medo e o desconforto do próprio teste. Outros estudos indicam que o pouco conhecimento acerca do exame, o embaraço, a inacessibilidade aos serviços de saúde e a falta de tempo são também referidos como barreiras à realização (McAvoy, 1988, Doyle, 1991, Naish et al., 1994, Rudat, 1994, Kernohan, 1996 cit in Al-Naggar & Isa, 2010). 19 Existem outros métodos utilizados na identificação da infeção como biopsia e técnicas de biologia molecular, sendo o PCR ou a captura híbrida usados principalmente no caso de lesões persistentes para identificação do ADN do HPV. O teste de ADN para o HPV (denominado DNA-HPV) foi recentemente incorporado nas orientações da deteção primária em adolescentes ou mulheres adultas que evidenciem citologias cervicais anormais ou displasia cervical. Há evidências suficientes de que o teste de DNA-HPV pode reduzir a incidência e a mortalidade por neoplasia cervical (Yanikkerem et al., 2010). Segundo Nicolau SM (2002), o teste DNA-HPV demonstra a capacidade de identificar com maior precisão mulheres em risco de carcinoma do colo do útero, mais do que o esfregaço cervico-vaginal pois a sensibilidade deste último é incrivelmente variável, dependendo dos laboratórios e de outras variáveis. 1.8. Vacinação Mencionando Herzog (2010), desde 1960 que a prevenção do carcinoma do colo do útero tem sido baseada no exame cervico-vaginal, contudo, com o desenvolvimento da vacina contra o HPV, a principal causa do carcinoma, um novo meio de prevenção passou a ser recomendado (Durusoy, 2010). Em Junho de 2006, a US Food and Drug Administration aprovou a vacina quadrivalente para prevenção de infeções por HPV de alto risco, especificamente para os tipos virais 6, 11 16 e 18, os quais coletivamente figuram 70% dos cancros cervicais e 90% das verrugas genitais (Christian et al., 2009, Weisberg et al., 2009, cit in Yanikkerem, 2010). Idealmente a vacina deve ser administrada antes da primeira relação sexual ou pouco após este período. A US Advisory Committee on Immunization Practices recomenda a vacinação de raparigas entre os 9 e os 12 anos e uma eventual imunização de jovens entre os 13 e os 26 anos que não tenham sido previamente vacinadas ou não tenham completado o ciclo de inoculação (Markowitz, 2007). A escolha da idade da imunização baseou-se sobretudo na descoberta que a infeção por HPV ocorre quase exclusivamente por contato sexual, que uma grande proporção de indivíduos é infetada durante a adolescência, e que a resposta imunitária à vacinação é superior em jovens. Porém, as vacinas existentes não possuem qualquer efeito terapêutico contra infeções pré-existentes e outras doenças relacionadas com HPV (Schwarz et al., 2009; Trimble et al., 2009, cit in Pelucchi, 2010) 20 A vacinação contra a infeção por HPV é mais complexa do que outras iniciativas de prevenção, pois a população-alvo são crianças, cujas decisões são tomadas pelos pais e as quais podem não ser baseadas em fontes de informação seguras (Pelucchi, 2010). O conhecimento acerca da doença e das vacinas é essencial para o sucesso do programa de inoculação. 1.9. Conhecimento sobre HPV Para verificar o nível de informação sobre carcinoma do cancro do colo do útero e HPV, foram realizados recentemente alguns estudos populacionais a nível mundial. Os resultados diferem consideravelmente. Por exemplo, a percentagem de mulheres que está familiarizada com o termo HPV varia de 15% no Canadá para 51% na Austrália, enquanto as que se encontram advertidas para risco do HPV no carcinoma do colo do útero é de 0,9% no Reino Unido e 34% na Islândia (Pitts et al., 2007, Sauvageau et al., 2007, Waller et al., 2004, cit in Smith et al., 2009). Smith e White (1992) descobriram que 72% das estudantes universitárias não possuíam qualquer informação sobre a infeção e desconheciam a relação com o risco de carcinoma do colo do útero. Naturalmente, o conhecimento sobre o HPV tem-se modificado ao longo dos anos, devido a campanhas de sensibilização e ao anúncio da aprovação e distribuição da vacina (Rama C. H., 2010). Todavia identificar quais as populações que continuam a desconhecer a infeção é crucial, sobretudo em idades de uma possível imunização. Investigações acerca do conhecimento e das atitudes adotadas face ao HPV por estudantes universitários são portanto relevantes (Carvalho et al., 2009, cit in Yanikkerem et al., 2010). O risco de carcinoma devido a infeção por HPV não é limitado a mulheres. O HPV pode causar verrugas genitais, anais, penianas e carcinomas da cavidade oral e orofaringe que também afetam os homens. Além do mais, o comportamento sexual masculino tem um papel fundamental na transmissão da infeção. A advertência da população masculina para o HPV e dos riscos que apresenta não só para os próprios mas também para as suas parceiras é essencial na redução da incidência de carcinoma do colo do útero e de outros carcinomas, especialmente porque a infeção é raramente sintomática e é improvável que os homens tenham conhecimento se se encontram infetados. Um conhecimento elevado, por parte dos homens, acerca da infeção pode não só prevenir várias doenças relacionadas com HPV, mas também reduzir a transmissão. Por esta razão é também essencial avaliar o conhecimento em HPV por parte dos homens (Yanikkerem, 2010). 21 Devido aos elevados índices de incidência e de mortalidade relacionados com o carcinoma do colo do útero e precedente infeção por papillomavírus humano, neste estudo centrou-se a atenção no conhecimento acerca do agente infecioso, da prevenção do carcinoma, da vacinação e dos fatores associados a estas condições entre jovens universitários da área de saúde, que se encontram numa idade de possível imunização, que poderão influenciar parentes e amigos e que serão futuramente os profissionais de saúde a quem se recorrerá para obter informação sobre os temas. A Diretora da Escola Superior de Saúde do Vale do Sousa manifestou a sua preocupação com o desconhecimento dos alunos face à infeção por HPV, sentida durante uma aula sobre infeções sexualmente transmissíveis, enfatizando assim a relevância de desvendar qual o conhecimento detido pelos estudantes. É neste âmbito de preocupação que surge este estudo, pois visa conhecer as necessidades específicas dos profissionais de saúde, com formação ao nível do ensino superior, para assim se poderem melhorar as competências destes profissionais no âmbito da educação para a saúde. 22 2. Objetivos 2.1. Objetivo Geral Avaliar os conhecimentos dos estudantes universitários de uma escola de Ciências da Saúde acerca da infeção por HPV e do carcinoma do colo do útero. 2.2. Objetivos Específicos  Determinar o nível de conhecimento sobre a etiologia do HPV, fatores de risco, rastreio, vacinação, e sua relação com o carcinoma do colo do útero numa amostra de estudantes universitários de uma escola de ciências da saúde.  Analisar as atitudes dos estudantes no que refere a comportamentos de risco e à prevenção da infeção por HPV.  Descrever as diferenças de conhecimentos, entre homens e mulheres, acerca do HPV, vacinação e carcinoma do colo do útero.  Avaliar a existência de diferentes graus de informação, consoante o ano escolar e licenciatura. 23 3. Metodologia O estudo desenvolvido é observacional, predominantemente descritivo, pois tenta-se descrever o conhecimento de indivíduos de acordo com as suas características, como sexo e formação académica, sem intervir diretamente na relação analisada. A investigação decorreu na Escola Superior de Saúde do Vale do Sousa entre Outubro de 2011 e Junho de 2012 e como população em estudo, para a realização deste projeto, consideraram-se todos os estudantes inscritos na Escola Superior de Saúde do Vale do Sousa. No ano letivo de 2011/2012 existiam cerca de 700 estudantes inscritos, foi então previamente determinada uma amostra de 500 estudantes, entre mulheres e homens, para a análise estatística. Foram contactados cerca de 580 estudantes dos quais foi possível inquirir 502. Para assegurar que a amostra era representativa da população foram selecionados estudantes das oito licenciaturas administradas na Escola: Terapia Ocupacional (T.O), Higiene Oral (H.O), Prótese Dentária (P.D.), Podologia (Podol.), Engenharia Biomédica (E.B.), Enfermagem (Enferm.), Fisioterapia (Fisiot.) e Anatomia, Patológica, Citológica e Tanatológica (A.P.C.T.). Dos 502 inquiridos, 65 frequentavam Terapia Ocupacional, 6 Higiene Oral, 40 Prótese Dentária, 15 Podologia, 5 Engenharia Biomédica, 169 Enfermagem, 143 Fisioterapia e 59 Anatomia Patológica, Citológica e Tanatológica. Gráfico 3.1.- Representação da amostra pelas diferentes licenciaturas Quanto à distribuição dos estudantes por anos escolares, 126 encontravam-se no primeiro ano, 127 no segundo, 165 no terceiro e 84 no quarto ano. 24 Das licenciaturas enunciadas cinco têm uma duração de três anos (T.O.; H.O.; P.D.; Podol.; E.B.), e as restantes (Enferm.; Fisiot.; A.P.C.T.) de quatro anos. Podologia e Engenharia Biomédica não abriram inscrições no ano letivo em questão e não existiam, portanto, alunos a frequentarem o 1º ano. Os alunos do 3º ano de Higiene Oral e de Engenharia Biomédica, assim como os do 4º ano de Fisioterapia encontravam-se em estágio curricular, fora das instalações, no semestre em que decorreu a investigação, não tendo sido possível questioná-los. A amostragem foi selecionada por conveniência, atendendo aos objetivos do estudo, à familiaridade do investigador com a faculdade e à aceitação por parte da instituição em participar do projeto. Admitindo uma margem de erro de 2,33% e considerando que 50% da população possuía conhecimentos sobre o tema em estudo, a amostra utilizada tem um nível de confiança superior a 99,9%. Os estudantes da Escola foram selecionados atendendo aos seguintes critérios de inclusão: os estudantes têm entre 17 e 46 anos e pertencem à licenciatura e ao ano que se pretende avaliar, isto é, correspondem ao grupo de estudantes do primeiro ano, correspondem ao grupo de estudantes que se encontram a meio da licenciatura ou correspondem ao grupo de estudantes do último ano da licenciatura. Foi determinado incluir estudantes com idades compreendidas entre os 17 e os 46 anos de idade, de forma a obter representatividade da realidade da população em estudo. Dezassete anos é geralmente a idade de ingresso na universidade e a qual permite avaliar conhecimentos prévios ao início do ano letivo; incluir alunos até aos 46 anos revela 99% da representatividade da amostra. Com vista a avaliar diferentes aspetos do conhecimento dos estudantes acerca de carcinoma do colo do útero e papillomavírus humano, o método utilizado para a recolha de dados foi um questionário. Foi realizado antecipadamente um pré-teste a 20 alunos dos diversos cursos da Escola Superior de Saúde do Vale do Sousa, de forma a determinar a exequibilidade do questionário. Após a realização do pré-teste, determinou-se não ser necessário realizar quaisquer alterações no questionário. O questionário era confidencial, anónimo e de autopreenchimento (Anexo I), constituído por perguntas objetivas, claras, a maioria de múltipla escolha e apenas uma questão aberta. Na primeira parte procurava-se estabelecer as características sócio– demográficas dos inquiridos e, em seguida, avaliar o conhecimento do papillomavírus 25 humano, métodos de diagnóstico e prevenção. Numa terceira etapa, as perguntas focavam o conhecimento de carcinomas relacionados com HPV, sobretudo o carcinoma do colo do útero. Por último procurava-se determinar as atitudes rotineiras dos alunos inquiridos através de questões sobre hábitos tabágicos, sexuais e alcoólicos. O questionário foi aplicado durante o primeiro semestre do ano letivo de 2011/2012, tendo em conta a o calendário de aulas dos estudantes e a possibilidade de inquirir os estudantes do primeiro ano numa fase de aulas inicial, na qual estes ainda não tinham adquirido formação curricular no âmbito da patologia, de forma a perceber qual o conhecimento prévio à ingressão na universidade. Primeiramente, para ser possível a aplicação do questionário na Escola foi necessário requerer uma autorização por escrito à Direção da Escola Superior de Saúde Vale do Sousa (Anexo II) expondo o objetivo do estudo, uma justificação do mesmo, a forma como deveria decorrer a aplicação do questionário e um exemplar do questionário que seria aplicado. Após autorização da Direção. Para cada um dos cursos e respetivos anos, seguiram-se os seguintes critérios: um docente foi contactado para que pudesse ser aplicado o questionário nos últimos 15 minutos de uma aula; os alunos foram esclarecidos que o questionário era anónimo, confidencial e individual, podendo cada um dos sujeitos optar por participar ou não, sem qualquer perjúrio para o mesmo; o questionário foi aplicado a todos os alunos, independentemente do sexo, curso ou ano de curso, de forma a abranger o número máximo de alunos possível e manter a representatividade da amostra; após o preenchimento, cada aluno colocou o seu questionário, virado para baixo, numa caixa que se encontrava na mesa do docente e a qual era recolhida no fim pelo investigador; depois da entrega de todos os questionários foi disponibilizado tempo pelo investigador para clarificar todas as dúvidas que pudessem ter surgido durante o preenchimento do mesmo. Neste estudo analisaram-se as seguintes variáveis: Variável dependente - Conhecimentos acerca do HPV e do carcinoma do colo do útero; Variável independente - Género, Licenciatura e Ano Escolar. Neste estudo a validade externa é considerada uma limitação pois não será possível generalizar os resultados obtidos para situações semelhantes com outros indivíduos em diferentes escolas. A análise estatística foi desenvolvida a partir do “Statistical Package for Social Sciences” (SPSS) versão 20. Todos os dados foram inseridos no SPSS e todas as variáveis contínuas foram categorizadas. O teste Chi Square (xi2) foi realizado para explorar a relação entre os fatores sócio-demográficos e as restantes variáveis (conhecimento e atitudes). Os 32 mulheres e 32 homens, 83,9% e 16,1%, respetivamente) afirmaram que agentes infeciosos podem desencadear ou agravar o desenvolvimento de carcinomas. Tabela 4.4.1 - Número de alunos que indicaram os fatores de risco à progressão de neoplasia segundo sexo Sexo Total p Feminino Masculino Fatores de risco Tabaco 339 (77,9%) 96 (22,1%) 435 0,740 Agentes infeciosos 167 (83,9%) 32 (16,1%) 199 0,007 Consumo de café 20 (66,7%) 10 (33,3%) 30 0,135 Consumo de álcool 182 (79,1%) 48 (20,9%) 230 0,476 Consumo de aspirina 18 (69,2%) 8 (30,8%) 26 0,287 Fatores genéticos 330 (77,8%) 94 (22,2%) 424 0,860 Quando questionados sobre as doenças sexualmente transmissíveis mais comuns, a pluralidade dos inquiridos indicou o vírus da imunodeficiência humana (HIV) como uma das mais frequentes, isto é, 432 (86,1%) estudantes entre os quais 338 (78,2%) mulheres e 94 (21,8%) homens (p=0,461). Relativamente à gonorreia, esta foi assinalada por 142 estudantes (28,3%), 107 (75,4%) do sexo feminino e 35 (24,6%) do sexo masculino (p=0,430). O herpes foi indicado por 243 pessoas (48,4%), 180 (74,1%) do sexo feminino e 63 (25,9%) do sexo masculino (p=0,059). Cerca de 236 alunos, o que equivale a 47%, (182 do sexo feminino e 54 do sexo masculino, 77,1% e 22,9% respetivamente) afirmaram que a sífilis é uma das patologias sexuais mais habituais (p=0,772). Por fim, o papillomavírus humano foi apontado por 199 pessoas (39,6%), 168 (84,4%) mulheres e 31 (15,6%) homens como uma das doenças sexualmente transmissíveis mais frequentes (p=0,003). 0 100 200 300 400 HIV Gonorreia Herpes Sífilis HPV Não sei Masculino Feminino Masculino Feminino Gráfico 4.4.2. – As DST's consideradas mais frequentes, segundo sexo 33 Quando interrogamos sobre qual o microrganismo causador da infeção por HPV, 420 estudantes referiram os vírus, dos quais 331 (78,8%) eram mulheres e 89 (21,2%) homens. Distintamente, 32 (82,1%) mulheres e 7 (17,9%) homens disseram que as bactérias são os causadores, enquanto 11 (68,8%) mulheres e 5 (31,2%) homens afirmaram que se trata de fungos, e 3 (75%) mulheres e 1 (25%) homem assumiram que parasitas são os responsáveis pela patologia (p=0,743). Depois, os estudantes foram interrogados sobre quais considerariam serem os tipos de HPV mais frequentes. O mais mencionado foi o 18 por 159 pessoas (31,7%), 138 (86,8%) do sexo feminino e 21 (13,2%) do sexo masculino (p=0,001). O segundo tipo mais mencionado foi o 16, por 148 indivíduos (29,5%), 122 (82,4%) do sexo feminino e 26 (17,6%) do sexo masculino (p=0,099). O tipo 2 foi indicado por 134 estudantes (26,7%), dos quais 95 (70,9%) eram mulheres e 39 (29,1%) homens (p=0,027). 0 50 100 150 18 213 16 12 30 Masculino Feminino Masculino Feminino Gráfico 4.4.3 – Os tipos de HPV considerados mais comuns, segundo sexo Em seguida, foram questionados se ambos os sexos podem ser infetados por HPV ou se apenas um deles. E a maioria, que equivale a 237 (48,1%) alunos, respondeu que ambos os sexos podem ser infetados, sendo que 192 (81%) destas respostas pertenceram a mulheres e 45 (19%) a homens. Dos restantes alunos, 157 (31,880%) mulheres e 39 (20%) homens, afirmaram que apenas um dos sexos pode ser infetado (p=0,004). Após questionar os alunos sobre quais os géneros infetados, centrou-se o interesse em quais é que estes pensariam ser os métodos de transmissão da infeção e a pluralidade dos alunos indicou o contato sexual como principal modo de transmissão. Assim 464 estudantes (95,3%), dos quais 367 (79,1 %) do sexo feminino e 97 (20,9%) do sexo masculino, indicaram o contato sexual (p=0,114). Cerca de 152 (31,2%) estudantes, 114 (75%) mulheres e 38 (25%) homens assinalaram a transfusão sanguínea como meio de disseminação da doença (p=0,410). Por outro lado, 10 (62,5%) mulheres e 6 (37,5%) homens afirmaram que a infeção se propaga por via aérea (p=0,115) e, 5 (50%) mulheres e 5 (50%) homens que é através da ingestão de certos alimentos (p=0,027). 34 Os estudantes foram inquiridos sobre quais ponderavam serem as medidas de prevenção mais eficazes, e a maioria dos alunos respondeu a combinação de duas medidas - reduzir o número de parceiros sexuais e utilizar, de forma correta, o preservativo; a segunda resposta mais assinalada foi a medida singular da utilização correta do preservativo. Assim, podemos afirmar que a maioria dos estudantes acredita que o uso do preservativo é a medida mais eficaz de prevenção da infeção por papillomavírus humano. A segunda medida mais referida foi então a redução do número de parceiros sexuais, seguida da retardação da vida sexual da toma de contracetivos orais e, por último, a utilização da “pílula do dia seguinte”. Tabela 4.4.2. - Número de alunos que assinalou medidas de prevenção face ao HPV por sexo Sexo Total p Feminino Masculino Medidas de prevenção Menor nº de parceiros sexuais 279 (80,9%) 66 (19,1%) 345 0,051 Utilizar preservativo 347 (78,2%) 97 (21,8%) 444 0,526 Tomar contracetivos orais 26 (72,2%) 10 (27,8%) 36 0,338 Atraso do início da vida sexual 98 (88,3%) 13 (11,7%) 111 0,004 Tomar pílula do dia seguinte 1 (0%) 2 (100%) 3 0,056 Todos os estudantes foram inquiridos sobre prevenção da infeção por HPV, e face a este assunto pensou-se ser pertinente saber se estes pensam que o preservativo protege totalmente contra a infeção ou não. Perante esta questão, 306 alunos, dos quais 252 (82,4%) mulheres e 54 (17,6%) homens, afirmaram que o preservativo não protege completamente da infeção; porém, 111 (22,3%) indivíduos, 83 (74,8%) mulheres e 28 (25,2%) homens asseveraram que o preservativo protege efetivamente e, por último, 80 (16,1%) pessoas, entre as quais 51 (63,8%) mulheres e 29 (36,2%) homens, disseram não saber a resposta a esta pergunta (p=0,001). Ao pedir aos alunos para mencionar qual a sintomatologia característica da infeção por papillomavírus humano, a maioria, 214 (82,6%) mulheres e 45 (17,4%) homens, referiu que esta pode não apresentar qualquer sintoma, denominando-se de infeção assintomática (p=0,070). De forma distinta, 237 (51,6%) estudantes, dos quais 182 (76,8%) mulheres e 55 (23,2%) homens, afirmaram que a infeção pode manifestar-se através de verrugas genitais (p=0,261). Entre os demais sinais, foi igualmente assinalado o cansaço por 85 (18,5%) estudantes, 71 (83,5%) mulheres e 14 (16,5%) homens (p=0,243), seguido de vómitos mencionado por 55 (71,4%) mulheres e 22 (28,6%) homens num total de 77 (16,8%) estudantes (p=0,080) e, a perda de apetite, com 63 (13,7%) referências por 49 (77,8%) estudantes do sexo feminino e 14 (22,2%) do sexo masculino (p=0,820). 35 0 100 200 300 Verrugas Vómitos Perda de apetite Falta de ar Cansaço Assintomático Masculino Feminino Masculino Feminino Gráfico 4.4.4. - Sintomatologia da infeção pelo HPV referida pelos alunos, segundo sexo Quando questionados quanto à possível localização da infeção por HPV, 445 estudantes (96,3%) afirmaram que seria a região urogenital, destes 354 (79,6%) eram do sexo feminino e 91 (20,4%) do sexo masculino (p=0,371). Em segundo lugar, com 114 (24,7%) respostas, 90 (78,9%) das quais do sexo feminino e 24 (21,1%) do sexo masculino, os alunos mencionaram a região anal (p=0,934). A terceira zona especificada foi a cavidade oral, referida por 70 (15,2%) alunos, dos quais 55 (78,6%) eram do sexo feminino e 15 (21,4%) do sexo masculino (p=0,884), seguida pela região da orofaringe selecionada por 19 (4,1%) indivíduos, 17 (89,5%) do sexo feminino e 2 (10,5%) do sexo masculino (p=0,261), pelo estômago, apontado por 7 (1,5%) indivíduos, 4 (57,1%) mulheres e 3 (42,9%) homens (p=0,147), e pelo fígado referido por 2 homens (100%) (p=0,006). 0 100 200 300 400 Cavidade oral Orofaringe Região urogenital Região anal Estômago Fígado Masculino Feminino Gráfico 4.4.5 – Locais de infeção pelo HPV indicados pelos alunos segundo sexo Os alunos revelaram já ter ouvido o termo “teste de Papanicolaou”, isto é, 489 (97,8%) alunos, reunindo 387 (79,1%) do sexo feminino e 102 (20,9%) do sexo masculino. 36 Distintamente 11 (2,2%) alunos, das quais 9 (81,8%) homens e 2 (18,2%) mulheres, desconheciam qual o significado deste termo (p=0,00). Quando inquiridos sobre a função do exame cervico-vaginal, foi possível verificar que 3,9% afirmou desconhecer qual a função do exame. As respostas foram avaliadas como: corretas, o que corresponde a 39,4% e equivale a 172 das respostas fornecidas; incompletas, que traduz cerca de 184 (42,1%) das soluções; ou incorretas, que significam 64 (14,6%) das respostas. Comparando as afirmações entre sexos, as respostas corretas foram fornecidas por 86% (148) mulheres versus 14% (24) dos homens. As descrições dos alunos da função do exame foram consideradas incompleto aquando da lacuna de uma das três partes constituintes da solução, isto é, os alunos deveriam referir tratar-se de um exame, rastreio ou qualquer outra forma de análise, em seguida mencionar que se destina a patologias, anomalias ou um sinónimo que retrate estes vocábulos e, por último, dizer qual a localização a que se destina como colo do útero, região uterina ou outro sinónimo. De entre os inquiridos cuja resposta foi considerada incompleta, 83,7% (154) pertenciam a mulheres e 16,3% (30) a homens. Quanto a respostas erradas, 81,2% (52) das quais foram dadas por sujeitos do sexo feminino e 18,8% (12) por sujeitos do sexo masculino (p=0,001). No que respeita à idade em que se deve realizar o primeiro exame cervico-vaginal, a maioria, 64,3%, assinalou a resposta dos 20 aos 30 anos, o que corresponde a 314 das respostas proporcionadas. Destas, 269 (85,7%) pertenciam a indivíduos do sexo feminino e 45 (14,3%) a indivíduos do sexo masculino. Alguns alunos, isto é, 44 (35,2%) homens e 81 (64,8%) mulheres alegaram que a idade correta seria dos 10 aos 20 anos (p=0,00). Das 390 mulheres inquiridas, 150 (38,6%) afirmaram já se encontrar vacinadas contra o HPV. Às 239 (61,4%) mulheres que não se encontravam inoculadas foi-lhes exposta a questão sobre a intenção de vacinação, à qual 177 (75,6%) responderam positivamente, ao inverso de 57 (24,4%) mulheres que assumem não ter intenção de se vacinar contra o HPV. Todos os estudantes foram interrogados acerca da idade correta para inoculação contra o HPV: a maioria (51,3% referente a 248 respostas) respondeu entre os 14 e os 18 anos, destes 199 (80,2%) eram do sexo feminino e 49 (19,8%) do sexo masculino. E 162 alunos, cerca de 33,5%, afirmaram que a idade correta para a administração da vacina é dos 9 aos 13 anos, sendo que 133 (82,1%) dos alunos que fizeram esta afirmação eram do sexo feminino e apenas 29 (17,9%) do sexo masculino (p=0,045). Face à questão “Qual a função da vacina?”, 164 (33,5%) indivíduos, dos quais 119 (72,6%) mulheres e 45 (27,4%) homens, disseram que esta será combater a infeção existente por HPV. Porém 415 pessoas (84,1%), o que equivale a 337 (81,2%) mulheres e 78 (18,8%) homens, assumiram que a função da vacina é também ou somente evitar o 37 cancro do colo do útero. Apenas (5,1%) 25 pessoas (18 mulheres [72%] e 7 homens [28%]) disseram que a vacina seria conjuntamente uma forma de combater as verrugas genitais, mas somente um homem atribuiu esta como sendo a única função da vacina (p=0,017). Quando questionados sobre qual ou quais pensavam serem as principais barreiras face à vacinação, 352 (72,1%) estudantes, dos quais 307 (87,2%) mulheres e 45 (12,8%) homens responderam que o preço da vacina é o principal problema (p=0,00). Outra das dificuldades mais citadas foi o desconhecimento por 237 (48,6%) sujeitos (165 mulheres e 72 homens, o que equivale a 69,6% e 30,4%) (p=0,00). O terceiro obstáculo mencionado foi a preocupação pelos efeitos secundários (escolhido por 94 pessoas, isto é 19,3%) (p=0,219), seguido pelo medo por agulhas (referido por 11,3% que são 55 pessoas) (p=0,036)., pelo descarto da inoculação se não existe atividade sexual (realçado por 8,4%, 41 sujeitos) (p=0,250) e, por último, a falta de tempo mencionado por 27 pessoas (que corresponde a 5,5%) (p=0,003). 0 100 200 300 400 Desconhecimento Não é necessário, não há atividade sexual Medo de agulhas Falta de tempo Preocupação com efeitos secundários Preço da vacina Masculino Feminino Masculino Feminino Gráfico 4.4.6 - Principais barreiras contra a vacinação, segundo sexo Ao serem questionados acerca de qual ou quais os cancros que apresentam alguma associação ao HPV, dos 482 estudantes que responderam, 431 (89,4%) referiram o carcinoma do colo do útero, dos quais 349 (81%) eram do sexo feminino e 82 (19%) do sexo masculino (p=0,00). O segundo carcinoma mais mencionado foi o da cavidade oral com 36 respostas (78,3%) de elementos do sexo feminino e 10 (21,7%) de sexo masculino, o que perfaz um total de 46 sujeitos (9,5%) (p=0,949). Em terceiro foi referido o carcinoma da orofaringe com 18 respostas (3,7%) (p=0,620), seguido do carcinoma do estômago com 7 respostas (1,2%) (p=0,472) e, por fim, o carcinoma hepático com 5 respostas (1%) (p=0,035). É necessário salientar que 45 indivíduos (9,3%) [26 (56,5%) do sexo feminino e 19 (43,5%) do sexo masculino] afirmaram desconhecer a resposta (p=0,00). 38 4.5. Resultados segundo licenciatura Atendendo às licenciaturas dos inquiridos, e ao questioná-los acerca de quais os carcinomas que estes pensavam serem mais frequentes entre as mulheres, apurou-se que a maioria optou pelo carcinoma da mama (p=0,151) e do colo do útero (p=0,322), assim como se tinha verificado nos resultados segundo género. 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 T.O. H.O. P.D. A.P.C.T. Fisiot. Podol. Enferm. E.B. Mama Cav. Oral Leucemia Colo do útero Bexiga Rim Gráfico 4.5.1. - Carcinomas mais frequentes assinalados pelos alunos, segundo curso No que respeita aos fatores de risco face a carcinomas, e observando os cursos de ingresso, a maioria de alunos assumiu o tabaco como a principal condição que aumenta a probabilidade de ocorrência de cancro ou agravo à saúde. É possível verificar que o segundo fator mais assinalado foram os fatores genéticos. Os alunos que frequentam a licenciatura de Anatomia Patológica, Citológica e Tanatológica foram os únicos que referiram maioritariamente que os agentes infeciosos são um fator de risco, o que corresponde a 32 (6,4%) respostas positivas face a 27 (5,4%) respostas negativas. Tabela 4.5.1. - Número de alunos que indicaram fatores de risco à progressão de neoplasia segundo o curso Curso Total p T.O. H.O. P.D. A.P.C.T. Fisiot. Podo. Enferm. E.B. Fatores de risco Tabaco 49 (11,3%) 6 (1,4%) 32 (7,4%) 56 (12,9%) 125 (28,7%) 13 (3%) 151 (34,7%) 3 (0,7%) 435 0,016 Agentes infeciosos 26 (13,1%) 3 (1,5%) 16 (8%) 32 (16,1) 68 (34,2%) 5 (2,5%) 47 (23,6%) 2 (1%) 199 0,007 Café 4 (13,3%) 0 (0%) 4 (13,3%) 2 (6,7%) 5 (16,7%) 0 (0%) 15 (50%) 0 (0%) 30 0,369 Álcool 18 (7,8%) 4 (1,7%) 11 (4,8%) 43 (18,7%) 57 (24,8%) 5 (2,2%) 92 (40%) 0 (0%) 230 0,000 Consumo de aspirina 3 (11,5%) 0 (0%) 3 (11,5%) 5 (19,2%) 6 (23,1%) 0 (0%) 9 (34,6%) 0 (0%) 26 0,836 Fatores genéticos 52 (12,3%) 4 (0,9%) 33 (7,8%) 51 (12%) 115 (27,1%) 12 (2,8%) 154 (36,3%) 3 (0,7%) 424 0,079 39 Questionados sobre as doenças sexualmente transmissíveis mais comuns, a maioria dos alunos indicou o vírus da imunodeficiência humana (HIV) como uma das mais prevalentes entre a população (p=0,105). Relativamente à gonorreia, esta foi assinalada por 142 estudantes (28,3%), a maior parte dos quais frequentavam Enfermagem, Fisioterapia e Anatomia Patológica, porém em todas as licenciaturas a maioria dos alunos não assinalou a gonorreia como uma das doenças mais frequentes (p=0,00). O herpes foi indicado por 243 pessoas (48,4%), 96 (38,7%) frequentavam Enfermagem, 64 (26,3%) Fisioterapia, 39 (16%) Anatomia Patológica, e os restantes representam a menor parte das licenciaturas que frequentam (p=0,00). Do total de inquiridos, 236, o que corresponde a 47%, afirmaram que a sífilis é uma das patologias mais habituais, dos quais 116 (49,2%) frequentavam a licenciatura de Enfermagem, 52 (22%) Fisioterapia e 28 (11,9%) Anatomia Patológica (p=0,00). Por último, o papillomavírus humano foi apontado por 199 pessoas (39,6%) como uma das doenças sexualmente transmissíveis mais frequentes, dos quais 15 (7,5%) são de Terapia Ocupacional, 2 (1%) de Higiene Oral, 15 (7,5%) de Prótese Dentária, 48 (24,1%) de Anatomia Patológica, 31 (15,6%) de Fisioterapia, 6 (3%) de Podologia, 81 (40,7%) de Enfermagem e um aluno (0,5%) de Engenharia Biomédica (p=0,00). A única licenciatura onde a superioridade dos estudantes indicou o HPV como patologia mais comum foi Anatomia Patológica. 0 20 40 60 80 100 120 140 160 T.O. H.O. P.D. A.P.C.T. Fisiot. Podol. Enferm. E.B. HIV Gonorreia Herpes Sífilis HPV Gráfico 4.5.2. - As DST's mais frequentes indicadas pelos alunos, segundo o curso Em seguida, averiguou-se se os estudantes reconheciam qual o microrganismo causador da infeção por HPV. Analisando as respostas dadas consoante o curso, foi possível constatar que o vírus foi maioritariamente assinalado em todos os cursos. As bactérias foram assinaladas sobretudo por alunos de Fisioterapia (17 alunos que equivale a 43,6%) e Terapia Ocupacional (12 alunos que equivalem a 30,8%). Quanto aos fungos, foram indicados especialmente por elementos de Terapia Ocupacional (8 alunos que corresponde a 50%) assim como os parasitas, mencionados por 2 alunos, o que equivale a 50% (p=0,00). 40 Os estudantes foram questionados se ambos os sexos podem ser infetados por HPV ou se apenas um. A pluralidade dos alunos de Higiene Oral (83,3%), Prótese Dentária (51,3%), Podologia (53,3%) Enfermagem (54,5%), Anatomia Patológica, Citológica e Tanatológica (88,1%) asseguraram que ambos os sexos podem ser infetados pelo papillomavírus humano. A maioria dos alunos de Terapia Ocupacional (41,5%) e de Fisioterapia (50%) afirmou que apenas um dos sexos pode ser infetado, enquanto a maior parte dos estudantes de Engenharia Biomédica (50%) disse não saber responder a esta questão (p=0,00) Depois, os estudantes foram inquiridos sobre quais os tipos de HPV mais frequentes: o mais mencionado foi o 18 por 159 pessoas, o único curso onde a prevalência de alunos referiu este tipo foi Anatomia Patológica, contudo em Enfermagem números próximos de alunos assinalaram-no positiva e negativamente. O segundo tipo mais mencionado foi o 16, sendo que a única licenciatura que referiu na sua maioria este tipo foi, também, Anatomia Patológica, Citológica e Tanatológica, e de salientar que nenhum dos alunos de Engenharia Biomédica referiu o tipo 16 como um dos mais habituais. O tipo 2 foi indicado por 134 estudantes, a maioria dos quais frequentavam Fisioterapia, porém é possível reparar que na generalidade das licenciaturas os alunos não assinalaram este como um dos mais usuais tipos de HPV. Tabela 4.5.2. - Número de alunos que assinalou os tipos de HPV mais frequentes por curso Os alunos foram interrogados sobre qual ou quais pensariam ser os métodos de transmissão da infeção, e a maioria dos alunos apontou o contato sexual como principal modo de transmissão. Comparando por cursos, as respostas foram similares aos resultados segundo sexo, isto é, em todos estes a maioria dos estudantes indicou o contato sexual como modo primordial de transmissão (p=0,133) e, a segunda opção mais assinalada, também em todas as licenciaturas, foi a transfusão sanguínea (p=0,001). Curso Total p T.O. H.O. P.D. A.P.C.T. Fisiot. Podo. Enferm. E.B. Tipos de HPV 18 10 (6,3%) 0 (0%) 6 (3,8%) 43 (27%) 15 (9,4%) 1 (0,6%) 83 (52,2%) 1 (0,6%) 159 0,000 2 22 (16,4%) 1 (0,7%) 18 (13,4%) 3 (2,2%) 47 (35,1%) 5 (3,7%) 37 (27,6%) 1 (0,7%) 134 0,000 13 6 (14%) 0 (0%) 2 (4,7%) 5 (11,6%) 13 (30,2%) 0 (0%) 17 (39,5%) 0 (0%) 43 0,819 16 14 (9,5%) 1 (0,7%) 10 (6,8%) 46 (31,1%) 12 (8,1%) 1 (0,7%) 64 (43,2%) 0 (0%) 148 0,000 12 9 (19,6%) 0 (0%) 6 (13%) 1 (2,2%) 13 (28,3%) 0 (0%) 17 (37%) 13 (0%) 46 0,184 30 4 (15,4%) 0 (0%) 4 (15,4%) 0 (12%) 10 (38,5%) 0 (0%) 8 (30,8%) 0 (0%) 26 0,361 41 Ao inquirir sobre quais consideravam serem as medidas de prevenção mais eficazes, e comparando as respostas por cursos, podemos verificar que Terapia Ocupacional e Podologia assinalaram sobretudo a hipótese singular – utilizar corretamente o preservativo – contudo um grande número de alunos destas licenciaturas apontaram também a resposta conjugada - reduzir o número de parceiros sexuais e utilizar, de forma correta, o preservativo – como a escolha correta. Os estudantes de Prótese Dentária, Fisioterapia e Enfermagem assinalaram sobretudo as hipóteses de redução do número de parceiros e o uso do preservativo como medidas de prevenção, e um considerável número de alunos destes cursos indicaram também e uso correto do preservativo como uma medida única eficaz. Em Higiene Oral a mesma quantidade de alunos optou pela redução do número de parceiros sexuais e pela resposta conjugada (redução de parceiros e uso correto do preservativo); por outro lado os alunos de Engenharia Biomédica assinalaram sobretudo a diminuição de parceiros sexuais como forma de prevenção. Em Anatomia Patológica, Citológica e Tanatológica os estudantes preferiram a resposta conjugada - reduzir o número de parceiros sexuais e utilizar, de forma correta, o preservativo – assim como a resposta emparelhada de reduzir o número de parceiros sexuais, usar corretamente o preservativo e evitar o início precoce da vida sexual. Esta última resposta emparelhada foi também referida por muitos estudantes de Enfermagem, mas os estudantes deste curso assinalaram especialmente a diminuição de parceiros sexuais como forma eficaz de prevenção da infeção por HPV. Tabela 4.5.3 - Número de alunos que assinalou medidas de prevenção face ao HPV por curso Curso Total p T.O. H.O. P.D. A.P.C.T. Fisiot. Podo. Enferm. E.B. Medidas de prevenção Menor nº de parceiros sexuais 33 (9,6%) 3 (0,9%) 24 (7%) 55 (15,9%) 87 (25,2%) 9 (2,6%) 134 (38,8%) 0 (0%) 345 0,000 Utilizar preservativo 58 (13,1%) 6 (1,4%) 33 (7,4%) 54 (12,2%) 125 (28,2%) 13 (2,9%) 152 (34,2%) 3 (0,7%) 444 0,827 Tomar contracetivos orais 7 (19,4%) 1 (2,8%) 2 (5,6%) 0 (0%) 19 (52,8%) 1 (2,8%) 5 (13,9%) 1 (2,8%) 36 0,002 Atraso do início da vida sexual 11 (9,9%) 1 (0,9%) 7 (6,3%) 27 (24,3%) 22 (19,8%) 2 (1,8%) 41 (36,9%) 0 (0%) 111 0,001 Tomar pílula do dia seguinte 0 (0%) 0 (0%) 2 (100%) 0 (0%) 1 (0%) 0 (0%) 0 (0%) 0 (0%) 3 0,031 Após solicitar aos alunos que referissem qual a sintomatologia característica da infeção por HPV, observou-se que os estudantes de Higiene Oral, de Podologia e de Engenharia Biomédica (que representam a maioria das suas licenciaturas) referiram que a 48 Face à questão “Quais os modos de transmissão do HPV?”, a resposta mais referida foi o contato sexual com 114 (24,6%), 247 (53,2%) e 103 (22,2%) alunos a indicarem este como meio de propagação da doença, do primeiro ao último ano respetivamente (p=0,865). A segunda resposta mais mencionada foi a transfusão sanguínea, com 45 (29,6%), 83 (54,6%), e 24 (15,8%) estudantes, do primeiro ao último ano, assegurarem que este é um possível meio de transmissão da infeção (p=0,043). Quanto a medidas de prevenção, os estudantes assumiram que as medidas mais eficazes são: a utilização correta do preservativo, a redução do número de parceiros sexuais e o atraso da iniciação da vida sexual. Tabela 4.6.2. – Número de alunos que assinalou medidas de prevenção segundo ano escolar Ano de Curso Total 1 2 3 Medidas de prevenção Menor nº de parceiros sexuais 78 (22,6%) 180 (52,2%) 87 (25,2%) 345 0,056 Utilizar preservativo 108 (24,3%) 235 (52,9%) 101 (22,7%) 444 0,891 Tomar contracetivos orais 14 (38,9%) 17 (47,2%) 5 (13,9%) 36 0,092 Atraso do início da vida sexual 27 (24,3%) 54 (48,6%) 30 (27%) 111 0,403 Tomar pílula do dia seguinte 0 (0%) 3 (100%) 0(0%) 3 0,262 Os estudantes foram inquiridos sobre se o preservativo protege completamente contra a infeção, e 34 (30,6%) estudantes ingressas no primeiro ano de curso, 49 (44,1%) a meio do curso e 28 (25,2%) no fim responderam “sim”. Por outro lado, 65 (21,2%) alunos a frequentarem o primeiro ano, 168 (54,9%) anos intermédios e 73 (23,9%) o último ano afirmaram que não. Cerca de 25 (31,2%) alunos no início das suas licenciaturas, 46 (57,5%) a meio e 9 (11,2%) no fim asseveraram não saber retorquir quanto a esta questão (p=0,020). Quanto às formas de manifestação da infeção, os alunos atestam que esta pode não apresentar sintomas (p=0,120) ou então pode-se manifestar sob a forma de verrugas genitais (p=0,034), um dos possíveis indícios de infeção por papillomavírus humano. 0 20 40 60 80 100 120 140 160 Início Meio Fim Verrugas Vómitos Perda de apetite Falta de ar Cansaço Assintomático Gráfico 4.6.4. - Formas de manifestação do HPV indicadas pelos alunos por ano escolar 49 Face à questão da localização da infeção pelo HPV, a superioridade dos alunos referiu a região urogenital, em termos de números observou-se que 103 (23,1%), 238 (53,5%) e 104 (23,4%) estudantes, do primeiro ao último ano, respetivamente, fizeram esta afirmação (p=0,000). A região anal foi mencionada como potencial local de patologia por 30 (26,3%) estudantes do primeiro ano, 59 (51,8%) dos anos intermédios e 25 (21,9%) do último (p=0,892). A cavidade oral foi assinalada por 9 (12,9%) alunos do primeiro ano, 41 (58,6%) dos intermédios, e 20 (28,6%) do último (p=0,039). E a orofaringe foi referida por 2 (10,5%), 9 (47,4%) e 8 (42,1%) estudantes do primeiro ao último ano (p=0,083). Os alunos, de uma forma geral, afirmaram conhecer o termo “teste de Papanicolaou”, isto é, 122 (24,4%) alunos do primeiro ano, 257 (24,4%) dos anos intermédios e 110 (16,8%) do último dizem já ter ouvido falar do teste (p=0,194). Ao questionar sobre a função do exame cervico-vaginal 39 (22,7%), 81 (47,1%) e 52 (30,2%) dos estudantes do primeiro ao último ano responderam corretamente. Cerca de 43 (23,4%) estudantes do primeiro ano, 95 (51,6%) dos anos intermédios e 46 (25%) do último ano responderam de forma incompleta. Distintamente, 16 (25,4%) estudantes do primeiro ano, 19 (30,2%) dos anos intermédios e 28 (44,4%) do ano final não descreveram corretamente qual a função do exame. Dos estudantes que atestaram não saber qual a função 9 (52,9%) frequentavam o primeiro ano, 7 (41,2%) encontravam-se a meio do curso e 1 (5,9%) a finalizar a licenciatura (p=0,00). Quanto à idade correta de realização do primeiro exame cervico-vaginal, em todos os anos, a pluralidade dos alunos afirmou ser entre os 20 e os 30 anos. Tabela 4.6.3. - Número de alunos que indicaram a idade ideal do primeiro exame cervicovaginal, por ano escolar (referenciada pela OMS) (p=0,002). Ano de Curso Total 1 2 3 Idade correta do primeiro exame cervico-vaginal <10 anos 2 (50%) 2 (50%) 0 (0%) 4 10 - 20 anos 33 (26,4%) 69 (55,2%) 23 (18,4%) 125 20 - 30 anos 66 (21%) 168 (53,5%) 80 (25,5%) 314 30 - 40 anos 13 (50%) 8 (30,8%) 5 (19,2%) 26 40 - 50 anos 9 (64,3%) 5 (35,7%) 0 (0%) 14 >50 anos 1 (20%) 3 (60%) 1 (20%) 5 Total 124 255 109 488 Posteriormente abordou-se a temática da vacinação, os alunos foram questionados sobre quais pensavam ser as funções desta inoculação e os alunos referiram a prevenção do carcinoma do colo do útero como funcionalidade da vacina. Por outro lado, alguns alunos 50 disseram que a inoculação serve para eliminar uma infeção pré-existente e existiu que atestasse que a vacina possui estas duas funções conjugadas. Houve ainda quem mencionasse a prevenção das verrugas genitais como função da vacina. 0 50 100 150 200 250 Início Meio Fim Prevenir carcinoma do colo do útero Combater uma infeção existente Prevenir verrugas vegitais Gráfico 4.6.5. - Funções da vacina contra o HPV indicadas pelos alunos por ano escolar (p=0,032). Ao questionar os estudantes sobre qual a idade da vacinação a pluralidade dos estudantes assinalou dos 14 aos 18 anos, exceto os estudantes a frequentarem o último ano da licenciatura, os quais indicaram sobretudo que a inoculação deve ocorrer entre os 9 e os 13 anos. Tabela 4.3.4. – Número de alunos que indicou a idade correta da vacinação contra o HPV segundo ano escolar (Plano Nacional de Vacinação) (p=0,00) Ano de Curso Total 1 2 3 Idade correta da vacinação <3 anos 3 (75%) 1 (25%) 0 (0%) 4 3 - 8 anos 3 (42,9%) 3 (42,9%) 1 (14,3%) 7 9 - 13 anos 26 (16%) 65 (40,1%) 71 (43,8%) 162 14 - 18 anos 70 (28,2%) 147 (59,3%) 31 (12,5%) 248 19 - 24 anos 14 (25,5%) 36 (65,5%) 5 (9,1%) 55 > 25 anos 3 (42,9%) 4 (57,1%) 0 (0%) 7 Total 119 256 108 483 Subsequentemente, perguntou-se às estudantes se se encontravam vacinadas contra o HPV e a maior porção de estudantes vacinadas frequentavam o primeiro ano, cerca de 66 (66,7%) face a 33 (33,3%) não inoculadas. Nos anos intermédios 57 (29,7%) mulheres disseram que foram vacinadas contra o HPV, enquanto 135 (70,3%) afirmaram que não. Do último ano, 27 (27,6%) mulheres asseguraram que se encontram vacinadas perante 71 (72,4%) que declararam não terem sido vacinadas contra o HPV (p=0,00). 51 Questionou-se as mulheres que afirmaram não estar vacinadas contra o HPV se pretendiam eventualmente serem vacinadas, e 24 (12,9%), 106 (57%), 56 (30,1%) alunas do primeiro ao último ano afirmaram que sim perante 30 (21,1%), 87 (61,3%) e 25 (17,6%) que asseguraram não ter intenção de o fazer. Os estudantes foram então interrogados sobre quais consideravam ser as barreiras contra a vacinação. Os estudantes do primeiro ano mencionaram sobretudo o desconhecimento da mesma, a maioria dos estudantes dos restantes anos indicaram que o preço da vacina é o principal impedimento. Tabela 4.6.5. - Principais barreiras contra a vacinação referidas pelos alunos, segundo ano escolar Ano de Curso Total p 1 2 3 Barreiras contra a vacinação Desconhecimento 75 (31,6%) 125 (52,7%) 37 (15,6%) 237 0,000 Não é necessário se não há atividade sexual 9 (22%) 24 (58,5%) 8 (19,5%) 41 0,764 Medo de agulhas 14 (25,5%) 28 (50,9%) 13 (23,6%) 55 0,931 Falta de tempo 3 (11,1%) 17 (63%) 7 (25,9%) 248 0,230 Preocupação com os efeitos secundários 21 (22,3%) 51 (54,3%) 22 (23,4%) 94 0,788 Preço da vacina 72 (20,5%) 189 (53,7%) 91 (25,9%) 352 0,000 Quanto a possíveis associações, inquiriu-se os alunos sobre quais é que estes pensavam serem os carcinomas associados à infeção pelo papillomavírus humano. Os alunos referiram sobretudo o carcinoma do colo do útero, isto é, 112 (26%), 215 (49,9%), e 104 (24,1%) alunos do primeiro ao último ano (p=0,005). O carcinoma da cavidade oral for mencionado por 2 (4,3%) alunos do primeiro ano, 30 (65,2%) dos anos intermédios e 14 (30,4%) do último (p=0,003). O carcinoma da orofaringe foi indicado por 3 (16,7%) estudantes do primeiro ano, 6 (33,3%) dos anos intermédios e 9 (50%) do último (p=0,017). 0 50 100 150 200 250 Início Meio Fim Cav. Oral Colo do útero Orofaringe Estômago Fígado Gráfico 4.6.6. - Carcinomas associados a HPV referidos pelos alunos, por ano escolar 52 5. Discussão Este projeto foi desenvolvido com vista a determinar o nível de conhecimento sobre papillomavírus humano, carcinoma do colo do útero, fatores de risco e prevenção entre os estudantes universitários de uma escola da área da saúde. A maioria dos estudos desenvolvidos com o objetivo de avaliar o conhecimento acerca do papillomavírus humano, carcinoma do colo do útero, fatores de risco, prevenção e vacinação contra o HPV são limitados a sujeitos do sexo feminino (Hoque, 2010; Saha et al., 2010; Rama et al., 2010; Urasa & Darj, 2011; Al-Dubai et al., 2010). Algumas destas investigações visam avaliar o conhecimento de pessoas aliteradas (Smith et al., 2009; AlDubai, 2010), ou de pessoas letradas (Yamkkerem et al., 2010; Durusoy et al., 2010; Ali et al., 2010). Contudo não existem muitos estudos que estimem o conhecimento dos estudantes das áreas de saúde sobre este tema. Determinar qual a noção que estes estudantes têm sobre o papillomavírus humano é, neste sentido, pertinente para desenvolver estratégias de educação para a saúde mais eficientes. Entender como o (des)conhecimento afeta os comportamentos sexuais pode influenciar a maneira como os programas de educação, prevenção, rastreio e vacinação são desenvolvidos, de forma a aumentar os níveis de sucesso dos mesmos. Ao analisar a amostra deste estudo constatou-se que a maioria já tinha iniciado a sua vida sexual e que muitos possuíam uma vida sexualmente ativa. Atendendo à idade média da coitarca (17 anos), o ano de ingresso na universidade e os anos prévios, de escolaridade no secundário, parecem ser os momentos apropriados para a aplicação de estratégias de educação. É importante referir que a menor idade, da primeira relação sexual, mencionada foi 13 anos, na qual ainda se verifica vulnerabilidade do colo do útero com propensão à infeção por HPV (Yanikkerem, 2010). Estes dados sublinham a necessidade de adotar medidas de educação para a saúde. Quanto ao conhecimento dos estudantes, relativamente ao HPV e ao carcinoma do colo do útero, este revelou-se limitado, o que vai de encontro a outros estudos desenvolvidos dentro desta temática. No presente estudo, cerca de 86% da amostra demonstrou saber que existe uma ligação entre a infeção por HPV e o carcinoma do colo do útero, o que é superior aos níveis revelados em outros estudos, como o desenvolvido na Turquia por Yanikkerem (2010) onde apenas duas em cada dez estudantes universitárias já tinham ouvido falar acerca do HPV. Num estudo desenvolvida por Smith (2009) os homens apresentaram valores médios de conhecimento de 6.76 e as mulheres de 6.65 numa escala cujo valor máximo era 13. Outras investigações conduzidas entre estudantes universitários 53 apresentam resultados semelhantes aos deste projeto (Medeiros & Ramada, 2010; Cirilo et al., 2010), o que sugere que, quanto maior o nível de formação dos indivíduos, mais elevado é o conhecimento acerca do HPV e do carcinoma do colo do útero. Face ao sexo, as mulheres revelaram diferenças nas atitudes e conhecimento exibindo níveis superiores de conhecimento, o que pode advir do facto de este carcinoma ser exclusivo do sexo feminino, e também porque as mulheres têm acesso a informação adequada, através dos profissionais de saúde (como, por exemplo, médicos ginecologistas). Educar é, portanto, essencial para ambos os sexos, mas atendendo aos dados sobretudo para o sexo masculino, aumentando a probabilidade de os homens adequarem o seu comportamento sexual para reduzir o risco de transmissão do HPV para mulheres Níveis medianos de conhecimento revelam uma lacuna na perceção que os estudantes detêm, a qual pode conduzir a comportamentos propícios ao desenvolvimento do carcinoma. No que respeita aos fatores de risco, é inquietante verificar que o consumo prolongado de aspirina foi o fator de risco mais referido pelos indivíduos de sexo masculino. Também se verificou uma sobrevalorização por parte dos estudantes dos fatores genéticos, que é consistente com a vasta divulgação existente sobre a importância da genética no desenvolvimento de carcinomas, como afirma Waller et al (2004). Sendo o papillomavírus humano um agente infecioso responsável pelo desencadeamento do carcinoma do colo do útero, esperar-se-ia que mais do que 39,6% dos estudantes, reconhecessem este fator como condição que eleva a probabilidade de carcinoma. Assim, é possível concluir que o conhecimento acerca do desenvolvimento do carcinoma do colo do útero por parte dos estudantes é diminuto. Como o tabaco e o álcool são fatores de risco para o desenvolvimento de carcinoma considerou-se relevante questionar os estudantes acerca dos seus hábitos tabágicos e de ingestão de bebidas alcoólicas. A maioria disse não ter costume de fumar ou beber, todavia os que afirmaram ingerir bebidas alcoólicas admitiram que se tratam sobretudo de bebidas brancas e o seu consumo ocorre substancialmente em festas e ao fim de semana. De realçar que o número de mulheres que declarou não consumir qualquer tipo de álcool é superior ao que assumiu beber, o contrário se verifica em relação aos homens onde a maioria afirma ingerir bebidas alcoólicas. Os estudantes também demonstraram pouco conhecimento face às doenças sexualmente transmissíveis mais comuns. A superioridade dos estudantes indicou o vírus da imunodeficiência humana (HIV) como a mais prevalente entre a população. Na realidade, as doenças mais frequentes são o herpes e o HPV, todavia não serão as mais mencionadas 54 pelos meios de informação, pois não apresentam taxas de mortalidade, nem sintomas tão aberrantes quanto as restantes. Quanto aos meios de transmissão, a superioridade dos alunos indicou o contato sexual, todavia muitos estudantes disseram que outra das formas de propagação é a transfusão sanguínea. Este resultado é semelhante ao do estudo desenvolvido por Ramada (2009) onde também se verificou que um elevado número de estudantes afirmou que o HPV se transmite por transfusão sanguínea, mas como explica Ramada a transmissão só ocorre se existir traumatismo do epitélio e contato com o vírus, para que este atinja as células epiteliais da epiderme ou da mucosa que têm capacidade de proliferação; assim a disseminação não pode acontecer por transfusão sanguínea. Estes resultados demonstram a confusão de informação que os estudantes possuem sobre a transmissão da infeção e que ainda existem esclarecimentos que necessitam de ser prestados acerca desta temática. Ao serem interrogados acerca dos tipos virais da infeção mais comuns a pluralidade dos estudantes não respondeu, e os estudantes que o fizeram assinalaram preferencialmente os tipos 18 e 16, que são de facto os mais frequentes entre a população. Relativamente à sintomatologia característica da infeção por HPV, os alunos referiram que esta pode não apresentar qualquer sintoma, denominando-se de infeção assintomática, ou pode manifestar-se através de verrugas genitais. Ambas as respostas estão corretas pois esta infeção pode não apresentar sintomas e, quando revela, a sintomatologia mais comum, são verrugas genitais. Os estudantes de áreas de saúde como Anatomia Patológica, Citológica e Tanatológica e Enfermagem apresentaram maior nível de conhecimento sobre estas temáticas provavelmente devido ao fato de terem formação a nível curricular na área da patologia, estudando infeções e prevenção, assim como diagnóstico, vacinação e tratamento. Por outro lado, os estudantes de Terapia Ocupacional e Engenharia Biomédica revelaram os menores níveis de conhecimento, pois, de forma contrária, não têm formação acerca desta problemática. Estes dados corroboram outros estudos que asseveram que a formação na área da saúde possibilita aos jovens conhecimentos sobre estas temáticas (Medeiros & Ramada, 2010; Saha et al., 2010). Ao serem questionados se ambos, ou apenas um dos sexos pode ser infetado pelo HPV, a maioria dos estudantes respondeu corretamente ambos os sexos, mas verificou-se que um número substancial de estudantes afirmou que apenas um dos sexos pode ser infetado, o que permite afirmar que muitos estudantes desconhecem a infeção por HPV. Quanto à localização da infeção a superioridade dos estudantes afirmou que esta se desenvolve essencialmente na região urogenital. É importante realçar que os estudantes sabem que esta infeção se desenvolve especialmente na região urogenital e anal, mas 55 desconhecem que a cavidade oral e a orofaringe exibem, por vezes, lesões relacionadas com esta patologia. Não se verificaram diferenças de conhecimento, estatisticamente significativas entre sexos, o que permite concluir que existem lacunas de conhecimento partilhadas por sexo que são necessárias suprimir. Face às medidas de prevenção, a pluralidade dos alunos referiu a redução do número de parceiros sexuais, a utilização correta do preservativo e a retardação do início da vida sexual. Através destas respostas, os estudantes demonstraram conhecer as principais formas de prevenção da infeção por HPV. Perante a questão se o preservativo protege totalmente, ou não, contra a infeção por HPV, a maioria disse que o preservativo não protege completamente, contudo o número de alunos que referiu o contrário, isto é, que pensam que o uso do preservativo é suficiente para impedir a infeção por HPV é elevado, sobretudo entre estudantes de Higiene Oral. O uso de preservativo oferece uma proteção limitada, pois podem existir células infetadas nos genitais externos que conduzem à infeção por HPV. De relevar que se trata de uma importante questão na prevenção da transmissão e sobre a qual alguns estudantes revelaram um baixo nível de conhecimento. Quando se fala em meios de diagnóstico para a infeção por papillomavírus humano, o exame cervico-vaginal (teste de Papanicolaou) é o método supracitado e de acordo com esta afirmação 97,8% dos estudantes declarou já ter escutado este termo. Em relação à idade em que se deve realizar o primeiro exame, a maioria assinalou a resposta correta (dos 20 aos 30 anos). Como alguns estudantes da área de saúde, principalmente Enfermagem, têm formação a nível curricular sobre este tema especialmente no último ano da licenciatura, o facto de exibirem maior conhecimento pode justificar-se pela sua formação académica. Da totalidade de mulheres inquiridas menos de metade se encontra vacinada contra o HPV. Este aspeto torna-se interessante no sentido em que muitas destas mulheres se encontravam numa idade de possível inoculação aquando da implementação da vacina, isto é, a 27 de Outubro de 2008 a vacina contra as infeções por papillomavírus humano (vacina contra o HPV) entrou no Programa Nacional de Vacinação e foi efetuada gratuitamente a todas as raparigas que fizessem 13 anos de idade no respetivo ano civil, iniciando-se com as nascidas em 1995. A vacinação de rotina foi acompanhada, em 2009, 2010 e 2011, por uma campanha de vacinação dirigida às jovens que completassem 17 anos de idade naqueles anos civis (nascidas em 1992, 1993 e 1994) o que englobava muitas das jovens inquiridas. Percebe-se assim que a maior parte das estudantes inoculadas se encontravam no primeiro ano do curso e que o número de mulheres vacinadas decresce em relação aos anos escolares mais avançados. Às estudantes que não se encontravam vacinadas foi-lhes exposta a questão sobre a intenção de vacinação, à qual a maioria respondeu positivamente, 56 o que demonstra que com divulgação da informação, esclarecimentos e orientação muitas mais jovens podem ser inoculadas. Todos os estudantes foram interrogados acerca da idade correta da vacinação contra o HPV, segundo o Plano Nacional de Vacinação, e a maioria respondeu entre os 14 e os 18 anos. Apenas alguns alunos afirmaram que a idade correta para a administração da vacina é dos 9 aos 13 anos, a qual corresponde à resposta correta. Desta forma, percebe-se que a pluralidade dos alunos desconhece qual a idade correta da vacinação. Quanto à função da vacina a maior fração de estudantes referiu que se trata de evitar o desenvolvimento do carcinoma do colo do útero, sendo esta realmente uma função da vacina. Porém uma outra funcionalidade é a de prevenir o aparecimento de verrugas genitais, e apenas uma pequena porção de estudantes, sobretudo do último ano escolar, assinalou esta opção. Na investigação levada a cabo por Durusoy et al. (2010), relata-se que, após a introdução da inoculação, o conhecimento da população acerca do HPV e da vacina tornou-se mais elevado. A principal barreira contra a vacinação mencionada pelas mulheres foi o preço da vacina. O principal problema referido pelos homens foi o desconhecimento, fator também apontado por diversas mulheres. Os estudantes do primeiro ano mencionaram sobretudo o desconhecimento, enquanto os restantes estudantes afirmaram que a maior barreira é o preço da vacina. Assim, sabemos que muitos destes indivíduos reconhecem que a falta de saber se interpõe como um obstáculo à prevenção e que os indivíduos mais jovens têm consciência da falta de esclarecimento e de informação acerca da temática em estudo. Indispensável referir que existem alguns estudantes que afirmam que a preocupação com os efeitos secundários e o facto de não ser necessária caso não haja relações sexuais são impedimentos face à inoculação, sendo portanto importante esclarecer que é preferível que esta ocorra antes do início da vida sexual. Observaram-se variações de conhecimento nos diferentes anos escolares e a existência de diferenças estatisticamente significativas entre o primeiro ano escolar, os anos intermédios e o último ano, que pode justificar-se pelo facto destes estudantes terem formação a nível curricular sobre desenvolvimento de patologias ao longo da licenciatura, em disciplinas como Biopatologia ou Virologia. De uma forma geral, os estudantes do último ano escolar mostraram-se mais esclarecidos acerca desta temática, levando a acreditar que a receção de informação, o contato prático em ambiente de trabalho e a sedimentação de conhecimentos fundamentam estas discrepâncias. Estes resultados sugerem que o sexo e a formação curricular são fatores que parecem influenciar os níveis de conhecimento dos estudantes universitários. 57 Verificou-se uma lacuna na noção que os indivíduos possuem sobre o papillomavírus humano, pelo que é portanto essencial que a informação lhes seja transmitida pois os resultados sugerem que a instrução permite aos estudantes adquirirem conhecimentos. Ao dotar os jovens de valores, conhecimentos e atitudes auxiliamos uma tomada de medidas apropriadas à sua saúde e à dos que os rodeiam, conferindo-lhes um papel interventivo. É fundamental capacitar os jovens para compreenderem os conceitos de prevenção, infeção, diagnóstico e tratamento, preparando-os para todos os estádios do seu desenvolvimento e para combaterem os índices destas patologias. Estas intervenções devem ter lugar em vários contextos como escolas, associações, organizações e devem ser realizadas por organismos educacionais e profissionais de saúde. Considerando a Educação para a Saúde como forma de promover o desenvolvimento do homem como indivíduo e como parte de um ecossistema complexo, a atuação dos profissionais de saúde não pode consistir numa simples transmissão de informação, mas também numa intervenção na cultura dos indivíduos, tendo em conta os seus conhecimentos prévios, valores e comportamentos (Amorim, 2000 cit in Carvalho, 2006). A adoção ou modificação de comportamentos saudáveis por parte dos indivíduos, grupos e comunidades permitem elevar os níveis de saúde e prevenir mortes prematuras (Sanmartí, 1985). Segundo Silva (1999, cit. in Carvalho 2006) a formação inicial, tem uma influência direta no desempenho profissional. Este defende que o défice de formação nesta área por parte dos diversos profissionais de saúde pode conduzir a práticas mais nocivas do que benéficas para a saúde das pessoas. Neste projeto torna-se evidente a importância da formação, pois sugere que, caso exista instrução acerca da infeção pelo papillomavírus humano e carcinoma do colo do útero, os estudantes adquirem conhecimentos que podem aplicar no papel de profissionais de saúde. 64 Anexos Anexo 1 Questionário Agradecemos antecipadamente a sua importante colaboração para esta investigação, garantido o anonimato e sigilo das informações prestadas. É essencial que responda a todas as questões de forma sequencial e sem alterar a sua primeira resposta. A resposta ao questionário deverá ser completamente honesta e individual. 1. Sexo F M 2. Idade ______ anos 3. Estado Civil _______________________________ 4. Raça _____________________ 5. Localidade ________________________________ 6. Data _____/______/_________ 7. Curso_____________________________________ 8. Ano_______ 9. Quais os cancros mais frequentes entre as mulheres? (assinale as opções corretas)  Mama  Cavidade Oral  Leucemia  Colo do Útero  Bexiga  Rim 10. São claros fatores de risco para o desenvolvimento de cancro: (assinale as opções corretas)  Tabaco  Agentes infeciosos  Café  Álcool  Consumo prolongado de aspirina  Fatores genéticos 11. Qual(is) a(s) doença(s) sexualmente transmissíveis mais frequente(s)? (assinale as opções corretas)  HIV  Gonorreia  Herpes  Sífilis  HPV  Não sei 12. Qual o microrganismo responsável pelo HPV? (seleccione UMA opção correta)  Bactérias  Fungos  Vírus  Parasitas 13. O HPV pode infetar homens e mulheres? Sim Não Não sei 14. Qual(is) o(s) tipo(s) de HPV mais frequente(s)? (assinale as opções corretas)  18  2  13  16  12  30 15. Relativamente aos modos de transmissão de HPV: (assinale as opções corretas)  O HPV pode transmitir-se por transfusão sanguínea  O HPV pode transmitir-se por via aérea  O HPV pode transmitir-se por contato sexual  O HPV pode transmitir-se por ingestão de determinados alimentos 16. Para prevenir a infeção por HPV são eficazes as seguintes medidas: (assinale as opções corretas)  Reduzir o número de parceiros sexuais  Utilizar, de forma correta, o preservativo  Tomar anticoncepcionais orais  Evitar o início precoce da vida sexual  Utilizar a “pílula do dia seguinte” 17. Se usar preservativo, estou completamente imune ao microrganismo que provoca o HPV? Sim Não Não sei 18. A infeção por HPV pode manifestar-se por: (assinale as opções corretas)  Verrugas genitais  Vómitos  Perda de apetite  Falta de ar  Cansaço  De forma assintomática (sem sintomas) 19. A infeção por HPV pode localizar-se: (assinale as opções corretas)  Na cavidade oral  Na orofaringe  Na região urogenital  Na região anal  No estômago  No fígado 20. Já ouviu falar do teste de Papanicolaou? Sim Não 21. Para que serve o teste de Papanicolaou? ___________________________________________ ________________________________________________________________________________ 22. Quando deverá uma mulher realizar pela primeira vez o referido teste? (assinale UMA opção correta)  Até 10 anos de idade  Dos 10 aos 20 anos  Dos 20 aos 30 anos  Dos 30 aos 40 anos  Dos 40 aos 50 anos  A partir dos 50 anos 23. Para que serve a vacina HPV? (assinale as opções corretas)  Para eliminar uma infeção por HPV existente  Para prevenir o cancro do colo do útero  Para prevenir o aparecimento de verrugas genitais 24. Quando deverá a vacina ser administrada? (assinale UMA opção correta)  Até 3 anos de idade  Dos 3 aos 8 anos  Dos 9 aos 13 anos  Dos 14 aos 18 anos  Dos 19 aos 24 anos  A partir dos 25 anos 25. Encontra-se vacinado contra o HPV? Sim Não 25.1 Se não, já pensou ser vacinado contra o HPV? Sim Não 26. Quais considera serem as principais barreiras contra a vacinação?  Desconhecimento  Não é necessária se não há actividade sexual  Medo de agulhas  Falta de tempo  Preocupação com os efeitos secundários  Preço da vacina 27. São cancros associados ao HPV: (assinale as opções corretas)  Do fígado b) Do estômago  Da cavidade oral d) Do colo do útero  Da orofaringe e) Não sei 28. Já iniciou a sua vida sexual? Sim Não 28.1 Se sim, com que idade? ______ anos 28.2 É sexualmente activo atualmente? Sim Não 28.3 Costuma utilizar preservativo durante as relações? Sim Não 28.4. Até à data, quantos parceiros sexuais já teve? 1 pessoa 2-3 pessoas 4 ou + pessoas 29. Fuma ou já fumou? Nunca Fumador Ex-fumador 29.1 Se fuma, quantos cigarros fuma por dia? ________ 29.1.1 Início aos ______anos 30. Costuma beber bebidas alcoólicas? Nunca Bebedor (início aos _____anos) Ex-bebedor 30.1 Se bebe, quais os tipos de bebida alcoólica? ________________________ 30.1.1 Quantos copos por dia? ________ Muito obrigada pela sua colaboração. Anexo 2 Anexo 3 Resultados segundo sexo Tabela 1 – Conhecimento dos alunos sobre HPV e carcinoma do colo do útero, por sexo Feminino Masculino p Carcinomas mais frequentes entre as mulheres? Mama 381 108 0,458 Cavidade Oral 3 1 0,897 Leucemia 10 9 0,007 Colo do Útero 348 90 0,013 Bexiga 5 1 0,738 Rim 0 1 0,062 Fatores de risco para o desenvolvimento de cancro: Tabaco 339 96 0,740 Agentes Infeciosos 167 32 0,007 Café 20 10 0,135 Álcool 182 48 0,476 Consumo prolongado de aspirina 18 8 0,287 Fatores Genéticos 330 94 0,860 Quais os cancros associados ao HPV? Fígado 2 3 0,035 Estômago 4 2 0,472 Cavidade oral 36 10 0,949 Colo do útero 349 82 0,000 Orofaringe 15 3 0,620 Não sei 26 19 0,000 Quais as DST’s mais frequentes? HIV 338 94 0,461 Gonorreia 107 35 0,430 Herpes 180 63 0,059 Sífilis 182 54 0,772 HPV 168 31 0,003 Não sei 6 2 0,854 Qual o microrganismo responsável pelo HPV? Bactérias 32 7 0,743 Fungos 11 5 Vírus 331 89 Parasitas 3 1 O HPV pode infetar homens e mulheres? Sim 192 45 0,004 Não 157 39 Não sei 37 23 Quais os tipos de HPV mais frequentes? 18 138 21 0,001 2 95 39 0,027 13 31 12 0,357 16 122 26 0,099 12 34 12 0,519 30 19 7 0,562 Qual(is) o(s) meio(s) de transmissão do HPV? Transfusão sanguínea 114 38 0,410 Via aérea 10 6 0,115 Contato sexual 367 97 0,114 Ingestão de certos alimentos 5 5 0,027 Se utilizar preservativo estou completamente protegido? Sim 83 28 0,001 Não 252 54 Não sei 51 29 Feminino Masculino p Para prevenir o HPV são eficazes as seguintes medidas: Reduzir o nº de parceiros sexuais 279 66 0,051 Utilizar corretamente o preservativo 347 97 0,526 Tomar contracetivos orais 26 10 0,338 Evitar o início precoce da vida sexual 98 13 0,004 Utilizar a pílula do dia seguinte 1 2 0,056 A infeção pode manifestar-se por: Verrugas genitais 182 55 0,261 Vómitos 55 22 0,080 Perda de apetite 49 14 0,820 Falta de ar 1 1 0,316 Cansaço 71 14 0,243 Forma assintomática 214 45 0,070 A infeção pode localizar-se: Cavidade oral 55 15 0,884 Orofaringe 17 2 0,261 Região urogenital 354 91 0,371 Região anal 90 24 0,934 Estômago 4 3 0,147 Fígado 0 2 0,006 Já ouviu falar do teste de Papanicolaou? Sim 387 102 0,000 Não 2 9 Para que serve o teste de Papanicolaou? Respostas corretas 148 24 0,001 Respostas incompletas 154 30 Respostas erradas 52 12 Não sei 8 9 Qual a idade para o primeiro teste de Papanicolaou: Até 10 anos de idade 0 4 0,000 Dos 10 aos 20 anos 81 44 Dos 20 aos 30 anos 269 45 Dos 30 aos 40 anos 20 6 Dos 40 aos 50 anos 8 6 A partir dos 50 anos 3 2 Para que serve a vacina HPV? Eliminar uma infeção existente 119 45 0,017 Prevenir o cancro do colo do útero 337 78 Prevenir o aparecimento de verrugas genitais 18 7 Quando deverá ser administrada a vacina? Até 3 anos de idade 3 1 0,045 Dos 3 aos 8 anos 3 4 Dos 9 aos 13 anos 133 29 Dos 14 aos 18 anos 199 49 Dos 19 aos 24 anos 37 18 A partir dos 25 anos 5 2 Quais as principais barreiras contra a vacinação? Desconhecimento 165 72 0,000 Não é necessária se não há atividade sexual 35 6 0,250 Medo de agulhas 37 18 0,036 Falta de tempo 15 12 0,003 Preocupação com efeitos secundários 78 16 0,219 Preço da vacina 307 45 0,000