Trauma Abdominal Aberto
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Flávio Alexandre Campos Costa Trauma Abdominal Aberto 2011/2012 março, 2012
2 Flávio Alexandre Campos Costa Trauma Abdominal Aberto Mestrado Integrado em Medicina Área: Cirurgia Geral Trabalho efetuado sob a Orientação de: Dr. Luís Miguel Azevedo de Sá Malheiro março, 2012
3 Projecto de Opção do 6º ano – DECLARAÇÃO DE REPRODUÇÃO Nome: Flávio Alexandre Campos Costa Endereço eletrónico: med06[email protected] Telefone ou Telemóvel: +351 916300588 Número do Bilhete de Identidade: 13215233 Título da Dissertação/Monografia (cortar o que não interessa): Trauma Abdominal Aberto Orientador: Dr. Luís Miguel Azevedo de Sá Malheiro Ano de conclusão: 2012 Designação da área do projeto: Cirurgia Geral É autorizada a reprodução integral desta Dissertação/Monografia (cortar o que não interessar) para efeitos de investigação e de divulgação pedagógica, em programas e projetos coordenados pela FMUP. Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, 13/03/2012 Assinatura:
4 Projeto de Opção do 6º ano - DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Eu, Flávio Alexandre Campos Costa, abaixo assinado, nº mecanográfico 060801014, estudante do 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, declaro ter atuado com absoluta integridade na elaboração deste projeto de opção. Neste sentido, confirmo que NÃO incorri em plágio (ato pelo qual um indivíduo, mesmo por omissão, assume a autoria de um determinado trabalho intelectual, ou partes dele). Mais declaro que todas as frases que retirei de trabalhos anteriores pertencentes a outros autores, foram referenciadas, ou redigidas com novas palavras, tendo colocado, neste caso, a citação da fonte bibliográfica. Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, 13/03/2012 Assinatura:
5 AGRADECIMENTOS Ao Dr. Luís Miguel Malheiro, por ter aceite orientar esta monografia, por toda a disponibilidade, pela preciosa ajuda na definição do objeto de estudo, pela exigência de método e rigor, pela revisão crítica do texto, pelos comentários, esclarecimentos, sugestões e opiniões. Agradeço também aos meus pais a força e incentivo que me deram nos momentos mais complicados, que me motivaram sempre a dar o meu melhor na realização desta monografia.
6 TRAUMA ABDOMINAL ABERTO AUTORES: *Flávio Alexandre Campos Costa, **Luís Miguel Azevedo de Sá Malheiro *Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. **Hospital de São João. Porto CORRESPONDÊNCIA: Dr. Luís Malheiro Departamento de Cirurgia Geral Faculdade Medicina da Universidade do Porto Alameda Hernâni Monteiro 4200-319 Porto Email: [email protected] CONTAGEM DE PALAVRAS: Resumo português: 216 palavras Resumo Inglês: 203 palavras Manuscrito: 4536 palavras
7 RESUMO Ao longo da História, o trauma tem-se revelado uma das principais causas de mortalidade e morbilidade. Atualmente, mantém-se ainda como a causa principal de morte e incapacidade em indivíduos entre os 15 e 45 anos. O traumatismo abdominal é responsável por um número expressivo de mortes evitáveis. Desta forma, a abordagem de um traumatismo abdominal deve ser organizada, vigilante e feita de forma experiente É fundamental uma avaliação estratificada e pormenorizada de um doente com traumatismo abdominal. Atuar no sentido de manter ou reverter o estado hemodinâmico do doente revela-se um momento fulcral. Os mecanismos de lesão, áreas afetadas, história clínica, exame físico e os exames auxiliares de diagnóstico determinam o momento da avaliação do abdómen. Com o desenvolvimento tecnológico, a abordagem tradicional de laparotomia obrigatória vem sendo desafiada. Excetuando casos como instabilidade hemodinâmica e sinais de peritonite, onde a necessidade de laparotomia é inequívoca, os meios complementares de diagnóstico complementam o exame clínico na triagem dos doentes. Hoje, a abordagem seletiva conservadora vem ganhando mais adeptos, sendo prática comum em lesões por armas brancas. Apesar de comprovada a sua eficácia em lesões por armas de fogo, estas ainda são indicação para laparotomia exploratória. Esta revisão bibliográfica irá discutir a abordagem de Trauma Abdominal Aberto, tendo em conta a epidemiologia, mecanismos de lesão, diagnóstico e tratamento. Palavras-chave: Trauma Abdominal Aberto, Armas Brancas, Armas de Fogo
8 ABSTRACT Throughout history, the trauma has proved a major cause of morbidity and mortality. Currently, it still remains as the leading cause of death and disability in individuals between 15 and 45 years. The abdominal trauma is responsible for a significant number of preventable deaths. Thus, the approach of an abdominal trauma should be organized, watchful and experienced. It‘s fundamental a detailed stratified assessment of a patient with abdominal trauma. Act to maintain or reverse the hemodynamic status of the patient proves to be a crucial moment. The mechanisms of injury, the affected areas, clinical history, physical examination and diagnostic exams determine the time of the evaluation of the abdomen. With technological development, the traditional approach of mandatory laparotomy is being challenged. Except for cases such as hemodynamic instability and signs of peritonitis, where the need for laparotomy is unequivocal, diagnostic test complements the clinical examination in the triage of patients. Today, the selective nonoperative management is gaining more adepts and is common practice on stab wounds. Despite its proven efficacy in the gunshot wounds, the exploratory laparotomy remains the main approach. This literature review will discuss the approach of Penetrating Abdominal Trauma, taking into account the epidemiology, mechanisms of injury, diagnosis and treatment. Keywords: Penetrating abdominal Trauma, stab wounds, gunshot wounds
9 SIGLAS TAA – Trauma Abdominal Aberto TAF – Trauma Abdominal Fechado ATLS – Advanced Trauma Life Support ACS – American College of Surgeons AB – Arma Branca AF – Arma Fogo DPL – Lavagem Peritoneal Diagnóstica (Diagnostic Peritoneal Lavage) PGG – Primeira Grande Guerra EL – Exploração Local US – Ultrassonografia abdominal FAST – Focused Assessment with Sonography for Trauma TC – Tomografia Computorizada DL – Laparoscopia (Diagnostic Laparoscopy) SNM – Abordagem Seletiva Conservadora (Selective nonoperative management) RBCs/hpf – Eritrócitos por Alta Potência de Campo MDCT – Multidetector row CT
16 DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO A abordagem diagnostica e terapêutica de TAA tem-se transformado ao longo dos tempos (22). A atitude expectante era prática comum até à Primeira Grande Guerra (PGG), traduzindo-se em elevadas taxas de mortalidade. Após a PGG, laparotomia exploratória tornou-se no modelo padrão de abordagem (8, 12, 19, 22, 25-27). Porém nem todos TAA necessitam de cirurgia, atingindo-se taxas de cirurgias não-terapêuticas aproximadamente de 30% (25). Estas foram implicadas como causa de morbilidade e morte em muitos destes casos (8). Em 1960, Shaftan publicou um artigo reintroduzindo a abordagem não-cirúrgica em populações de pacientes selecionados que sustentam lesões por AB, e o princípio de laparotomia obrigatória foi perdida em doentes hemodinamicamente estáveis e sem sinais de peritonite (8-10, 12, 17, 19, 22, 25-30). Para o uso de uma abordagem seletiva são necessárias ferramentas precisas, fidedignas e com boa relação custo-eficácia para identificar quem pode ser tratado não-cirurgicamente de forma segura. Ferramentas tais como exploração local (EL), Lavagem peritoneal diagnóstica (DPL), ultrassonografia abdominal (US), tomografia computorizada (TC) e laparoscopia (DL) (31). O principal componente de avaliação de um TAA é a identificação da necessidade de uma intervenção cirúrgica imediata (17). Atualmente é amplamente aceite que um doente hemodinamicamente instável ou com sinais de peritonite deve ser imediatamente orientado para o bloco operatório para realização de laparotomia exploratória (1, 4, 5, 9, 13, 17-30, 32-41). A evisceração de órgãos e de omento são encarados como os tipos de trauma com maior risco. Por consequência, a cirurgia de emergência tem sido defendida em todos os doentes (17, 25, 29, 42). Novos estudos, como o estudo prospetivo de Arikan et al., vêm a desfiar essa abordagem tradicional. Numa amostra de 61 de doentes com evisceração de órgãos ou omento por AB, 9 tinham indicação para laparotomia imediata, 31 foram abordados de forma seletiva, 21 de forma cirúrgica. Verificou-se que nos doentes com abordagem seletiva conservadora (SNM), os dias de hospitalização e a taxa de complicações eram inferiores aos assistidos cirurgicamente. Concluiu que na ausência de indicações
17 absolutas para laparotomia exploratória, a abordagem seletiva é o melhor procedimento (17, 25, 42). Contudo, a literatura sobre este tópico não é decisiva e que doentes com eviscerações de órgãos e omento têm uma incidência de 80% de grandes lesões intraperitoneais, a laparotomia é o método predileto de abordagem (4, 25). Nas eviscerações em lesões por AF é impreterível a laparotomia imediata devido ao elevado risco de lesões e contaminação associadas (17, 42). A meta de diagnóstico e tratamento deve ser o de diminuir a taxa de laparotomias desnecessárias e identificar aqueles nos quais é necessário (13). 1Lesões por Armas Brancas A abordagem e tratamento de TAA por AB dependem de muitos fatores tais como o tipo e localização da lesão (55). Aproximadamente, ⅓ dos doentes com ferimentos na região anterior, necessitam de intervenção cirúrgica (38, 50, 55). Relaciona-se com o facto de que mais de 25% dos ferimentos não penetram a cavidade peritoneal e de que apenas metade das lesões que violam o peritoneu requerem intervenção cirúrgica (38). A aplicação de laparotomias imediatas traduz-se em valores de 38-40% de intervenções desnecessárias e taxas de co-morbilidades pós-operatórias de 3-6% (13). Como as lesões por AB não atingem o peritoneu num número significativo de casos, EL revela-se um instrumento útil na determinação da profundidade da penetração (4). Realizada à cabeceira da cama do doente, permite, quando não existe evidência de penetração da fáscia, proceder a alta do doente sem qualquer estudo imagiológico ou intervenção a menos que lesões associadas necessitem de cuidados hospitalares (36). Recentes guidelines não apoiam a sua utilização na avaliação de lesões (25). O estudo de Cothren et al. concluiu que a EL continua a ser um método válido para excluir lesões intra-abdominais e eliminar hospitalizações em mais de um terço dos doentes com lesões anteriores por AB (36). A obesidade, o espessamento muscular, presença de lesões múltiplas ou outras lesões podem debilitar a qualidade do exame (28, 29). A DPL realizada na cabeceira do doente determina tanto a lesão como a violação peritoneal. Este teste rápido, porém invasivo, fornece-nos informações sobre lesões de órgãos sólidos, intestino e
18 diafragma (17, 35, 47, 50, 53). Não existe consenso nos valores de referência para laparotomia, atingindo-se discrepâncias entre valores de 1,000 até> 100,000 (valor preconizado para TAF), de eritrócitos no lavado. Valores inferiores resultam em menor número de falsos negativos e lesões perdidas, enquanto valores superiores podem deixar escapar algumas lesões mas têm menos falsos positivos e consequentemente menos laparotomias negativas (25, 50, 53). A maioria dos estudos concorda que a presença de mais de 10,000 eritrócitos por alta potência de campo (RBCs/hpf) ou aspiração de 10 mL de sangue é indicativo de lesão visceral em TAA (17, 35, 41, 50). Valores de ordem inferiores de 5 a 10,000 RBCs/hpf devem ser usados em lesões toracoabdominais (4). Outros critérios como contagem de glóbulos brancos> 500 e a presença de bile ou amílase no lavado, podem ser adicionados como indicação para laparotomia (53). Quando acrescentado ao exame físico, a DPL ajuda a identificar aqueles que são candidatos a SNM (10, 13, 17). Todavia, as guidelines mais recentes não recomendam DPL como método de diagnóstico, dando preferência a outros exames menos invasivos tais como o TC e a US (17, 25). A imagiologia tem um papel cada vez mais preponderante na avaliação em TAA. A ultrassonografia abdominal ou Focused Assessment with Sonography for Trauma (FAST) tem um papel preponderante no TAF, mas o seu papel no TAA ainda é pouco claro (30). Poucos estudos foram realizados no sentido de avaliar a eficácia do FAST no TAA. Estudo realizado por Udobi et al recomenda o FAST como método de diagnóstico inicial de triagem de um TAA, porém ressalva que este não tão fiável como em TAF. Um exame positivo é um forte preditor de lesão e os doentes devem ser encaminhados para o bloco operatório. Se negativo, outros exames de diagnóstico devem ser realizados para excluir lesões ocultas (11). Boulanger et al refere que o uso do FAST no TAA é benéfico, principalmente na deteção de líquido peritoneal e pericárdico. Contudo, um FAST negativo, não é capaz de excluir lesões abdominais como lesões diafragmáticas ou de vísceras ocas, sendo necessário a outras investigações (34, 43). Dois estudos prospetivos e um retrospetivo do FAST para a avaliação de pacientes hemodinamicamente estáveis com TAA encontram uma sensibilidade de apenas 46% a 67% (27). As guidelines mais recentes ainda não fazem nenhuma recomendação devido a poucos dados ainda existentes (25). O papel do US no TAA está ainda em evolução (17).
19 O TC é um procedimento não invasivo e rápido que habilita o clinico a identificar penetração peritoneal e delinear lesões viscerais (4, 8, 12, 24). O estudo realizado por Shanmuganathan et al (12), cita que o TC com triplo contraste (oral, intravenoso e retal) tem uma sensibilidade de 97% e um valor predicativo negativo de 98% na deteção de violação peritoneal (12). Chiu et al em 2001, verificou que o TC de triplo contraste apresentava uma sensibilidade de 94%, especificidade de 95% e uma precisão de 95% (8). O TC também permite a identificação de lesões intraperitoneais como lacerações hepáticas, que podem ser abordadas de forma seletiva (12). Estudos recentes, como a revisão retrospetiva de Berardoni et al (28), revelam que o uso apenas de um contraste oral apresenta valores de sensibilidade, precisão e valor predicativo negativo sobreponível aos do TC de triplo contraste (28). Lesões do intestino, diafragma e pâncreas são mal definidas no TC (mesmo com triplo contraste). Na suspeita de existir uma destas lesões, outros testes diagnósticos como laparoscopia ou DPL devem ser realizados para despistar TC negativas (4, 8, 17, 18, 28, 32). Um estudo retrospetivo de Stein et al (21) demonstrou que a utilização de um multidetector row CT (MDCT) é um teste preciso na avaliação diafragmática apos TAA. Com uma sensibilidade de 94%, especificidade de 100% e precisão de 90% em detetar ou excluir lesões diafragmáticas. Porém este é um estudo com algumas limitações. Trata-se de um estudo retrospetivo de registos de TC dos quais não foram redigidos no intuito de detetar lesões diafragmáticas. De igual forma não se obteve confirmação cirúrgica dos achados TC, não permitindo calcular de forma exata a precisão do MDCT. Apesar das limitações os autores concluem que o MDCT é um teste preciso na deteção de lesões diafragmáticas (21). Em alguns centros de trauma, a laparoscopia diagnostica (DL) é usada como instrumento de triagem para TAA por AB (17). É útil para inspecionar o diafragma e o peritoneu e avaliar a profundidade dos trajetos das lesões (30, 37, 46, 48, 51). Adicionalmente, algumas lesões diafragmáticas e viscerais podem ser passiveis de serem reparadas via DL, evitando a necessidade de laparotomia exploratória e desse modo diminuir o tempo de hospitalização, morbilidade e custos. A DL é inadequada para identificar lesões em vísceras ocas e lesões retroperitoneais (4, 30, 52, 55, 56). Simon et al, no seu estudo mostra que doentes com múltiplas lesões, lesão do flanco ou toracoabdominais beneficiam de um programa agressivo de DL (52). O seu uso no TAA, contudo,
20 ainda é controverso (17). Além da baixa sensibilidade em detetar lesões em vísceras ocas, o DL implica a necessidade de um bloco operatório e anestesia geral, tendo associados riscos iatrogénicos inerentes de procedimentos invasivos (38). As guidelines recomendam fortemente o DL em doentes com trauma aberto na região toracoabdominal sem indicações para laparotomia para excluir e reparar potenciais lesões diafragmáticas. Não recomendam o seu uso para despiste de lesões de vísceras ocas (25). É improvável que um único teste alguma vez irá fornecer o diagnóstico adequado em todos os casos de TAA (11, 17) . 2Lesões por Armas Fogo Ao contrário das lesões por AB, as de AF produzem lesões mais profundas, com maior destruição tecidual e por vezes com trajetórias pouco claras que dificultam o diagnóstico anatómico (33). Determinar a trajetória de uma lesão por AF ajuda a determinar a presença de lesões intraperitoneais. Visto que todas as lesões de AF devem ser consideradas como lesões profundas até prova em contrário, EL, muitas vezes usada em avaliações de AB, não deve ser usada neste tipo de lesões (33). Após completado o exame físico e verificado o número de lesões, radiografias simples permitem esclarecer o trajeto do projétil (17). Estas permitem rapidamente excluir lesões com risco de vida tais como pneumotórax ou hemotórax. Marcadores rádio-opacos em cada lesão, juntamente com peliculas anteroposterior e laterais, criam uma estimativa tridimensional da trajetória do projétil (33). O TC é frequentemente aplicado após lesão abdominal por AF, permite determinar a trajetória do projétil, identificar lesões de órgãos e desta forma, otimizar os doentes para abordagem seletiva (8, 17, 33, 54). Velmahos et al em 2005, concluiu que o TC abdominal é um método seguro e vantajoso para seleção de doentes com lesões por AF anteriores. Demonstrou taxas de sensibilidade e especificidade de 90,5% e 96% respetivamente, para o TC no diagnóstico de lesões intra-abdominais que requeressem intervenção cirúrgica. O TC torna-se uma útil ferramenta de complemento do que um substituto do exame clínico no diagnóstico dos doentes com lesões por AF (54).
21 A DPL foi especificamente estudada como um meio para determinar a penetração peritoneal após AF. Nagy et al concluíram que a DPL é um excelente método de estabelecer violação peritoneal usando um limiar de 10,000 RBCs/hpf, com uma sensibilidade de 96% (33). Brakenrigde demonstrou a sua utilidade em lesões por caçadeiras, citando uma sensibilidade de 87,5% (41). DPL revela-se um teste sensível ao determinar penetração peritoneal e hemoperitoneu, mas não fornece informação sobre lesões específicas. Apesar do seu uso se encontrar em declínio, em situações onde os recursos tecnológicos são escassos, proporciona um meio seguro e económico de confirmar a existência de penetração peritoneal (17, 33). Por seu lado, a DL encontra-se a ser utilizado com uma frequência cada vez maior como método de diagnóstico e abordagem de lesões traumáticas (33). Permite ao cirurgião identificar violações peritoneais e inspecionar parcialmente o diafragma. Porém, não possibilita a uma visualização adequada da porção posterior do diafragma, nem é um método eficaz de detetar lesões subtis de vísceras ocas ou retroperitoneais (33, 37, 46). Tal como acima referido, uma das principais desvantagens é a necessidade de anestesia geral e a incapacidade de reparar algumas lesões sendo necessário proceder a laparotomia. A DL é frequentemente usada em doentes com lesões toracoabdominais esquerdas em que a lesão diafragmática tem que ser excluída (17). 3Laparotomia vs. Abordagem Seletiva Conservadora A Laparotomia obrigatória para TAA deteta algumas lesões inesperadas com mais precisão, mas resulta em maior taxa de laparotomias não-terapêuticas (com taxas entre os 30 e 40%) (31), hospitalizações mais longas e acréscimo dos custos hospitalares. A morbilidade oriunda de laparotomias não-terapêuticas é reconhecida há décadas, assim sendo cirurgias desnecessárias devem ser evitadas. Em contrapartida o risco de atrasar a intervenção cirúrgica é proibitivo e deve ser absolutamente evitado. A decisão de quais os doentes com TAA devem ser laparotomizados deve ter em conta estes pontos (25). Logo que a necessidade de laparotomia exploratória está excluída, os doentes são triados para SNM. Estes devem ser observados periodicamente com exames físicos objetivos e regulares. Se
22 surgirem sinais de irritação peritoneal, os doentes são encaminhados para laparotomia. O uso de testes de diagnóstico auxilia a estratificar quais os doentes para SNM (17). Presentemente, a abordagem seletiva conservadora de lesões abdominais por AB é aceite universalmente (27). Numerosos estudos têm elogiado esta abordagem seletiva. Demonstram uma redução das taxas de laparotomias negativas e não-terapêuticas, bem como diminuição da duração de internamento e custos (17, 18, 25, 27, 31, 45). Por seu lado, o SNM em lesões por AF não é universalmente aceite. Em muitos centros de trauma, os doentes com lesões por AF a laparotomia obrigatória é o método de eleição (27). Os apoiantes em manter a laparotomia obrigatória apregoam que as AF são propensas a causar lesões intraabdominais com uma incidência até 90% (4). Defendem que as laparotomias desnecessárias não estão relacionadas com o risco de complicações e por último, que o exame clínico é duvidoso na triagem dos doentes (18). Porém, estudos demonstram que a taxa de complicações de laparotomias desnecessárias varia de 22 a 41%, com prolongados internamentos e a fiabilidade do exame clínico foi demonstrada nos outros tipos de trauma tais como por AB e em TAF. Adicionalmente, o avanço tecnológico imagiológico permite a sua utilização como método adjuvante valioso na decisão clínica. Velmahos et al demonstrou que aproximadamente ⅓ dos doentes com lesões por AF anteriores e ⅔ com lesões posteriores não apresentavam lesões intraabdominais significativas (18, 33), muito longe dos 90% defendidos. Apesar de não ser aplicável em todos os hospitais (18), estudos confirmam que a aplicação de algoritmos SNM semelhantes ao de AB é uma prática segura em centros capazes de realizar novos exames clínicos periodicamente e de orientar para laparotomia quando indicado (17, 18, 33, 54). 4Considerações Especiais A musculatura espessa, a fáscia resistente e os tecidos moles adjacentes, frequentemente protegem os órgãos viscerais de lesões dos flancos e dorso. Quando presentes, essas lesões podem ser fatais se não tratadas prontamente. As lesões de estruturas retroperitoneais são particularmente difíceis de detetar, porque os sinais e sintomas podem estar ausentes ou diminuídos (40). A visualização por
23 métodos tais como EL, US, DLP ou DL revela-se um desafio se não mesmo impossível. O TC com triplo contraste é o teste de eleição em doentes hemodinamicamente estáveis, permitindo com segurança a triagem para tratamento não cirúrgico (17, 40). Existe uma crescente evidência para a aplicação do SNM nestes casos. Porem, são necessários mais estudos que comprovem a eficácia desta abordagem. Atualmente, a laparotomia obrigatória é o algoritmo utilizado na maioria dos centros de trauma (17, 33). Lesões na região toracoabdominal apresentam-se como um desafio diagnóstico devido à trajetória de penetração não poder ser determinada com fiabilidade devido ao movimento do diafragma (17). No caso de se utilizar a DPL, deve-se baixar o limiar para valores entre os 5000 e os 10,000 RBCs/hpf, com intuito de não escapar nenhuma lesão. Contudo, esta atitude tem o potencial de aumentar as taxas de laparotomias negativas e não-terapêuticas (4). A DL progressivamente tem-se revelado um meio fulcral na avaliação de lesões diafragmáticas nestes doentes (33, 46, 52, 56). Stein et al concluíram que o uso de MDCT é preciso na deteção de lesões diafragmáticas (21).
24 CONCLUSÕES Ao longo das décadas a abordagem tradicional cirúrgica para o TAA vem sendo desafiada pelos avanços tecnológicos dos meios de diagnóstico. De facto não existe um método 100% preciso para a triagem de doentes, contudo, aliados a um exame clinico metódico e eficaz, o clínico é capaz de decidir a melhor abordagem de uma forma segura. Estabelecer prioridades e obedecer a princípios como ATLS é fulcral na abordagem primária de um TAA. Secundariamente, procede-se a recolha da história clínica, exame físico e exames complementares de diagnóstico. É importante saber as circunstâncias em que ocorreu a lesão, o mecanismo, o número de lesões no trauma abdominal. Num doente hemodinamicamente estável, o TC revela-se um exame preciso e sensível em determinar a existência de penetração peritoneal e a delimitar lesões viscerais. Em casos com altos níveis de suspeição de lesão diafragmática, vísceras ocas ou pancreático deve-se realizar outros exames complementares. Novas guidelines não recomendam a utilização de EL e DPL na avaliação de violação peritoneal. Porém, estudos revelam que estes são métodos eficazes de diagnóstico que podem ser usados na ausência de TC ou complementando este. Em doentes hemodinamicamente instáveis ou com sinais de peritonite é inequívoco que deve ser realizada laparotomia exploratória o mais urgentemente possível. Em doentes com ferimentos por AB, sem indicações para cirurgia imediata, é globalmente aceite que a abordagem seletiva conservadora é uma metodologia segura, com redução das taxas de laparotomias negativas e não-terapêuticas, bem como diminuição da duração de internamento e custos. Nos doentes com lesões por AF, a abordagem seletiva ainda é controversa. Apesar de estudos revelarem bons resultados na redução de laparotomias desnecessárias, diminuição da duração de internamento e custos hospitalares, são necessários mais estudos para convencer a comunidade mundial da eficácia desta abordagem. Ao realizar esta revisão sistemática denotou-se que os períodos de follow-up na maioria dos estudos revistos são curtos (entre 1 a 5 anos) o que não permite tirar conclusões a longo prazo sobre a eficiência das abordagens terapêuticas.
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,QVWUXo}HVDRV$XWRUHV Estas instruções seguem os “Uniform Requirements for Manuscripts Submitted to Biomedical Journals” (disponível em URL: www.icmje.org). Os ARQUIVOS DE MEDICINA publicam investigação original nas diferentes áreas da medicina, favorecendo investigação de qualidade, particularmente a que descreva a realidade nacional. Os manuscritos são avaliados inicialmente por membros do corpo editorial e a publicação daqueles que forem considerados adequados fica dependente do parecer técnico de pelo menos dois revisores externos. A revisão é feita anonimamente, podendo os revisores propor, por escrito, alterações de conteúdo ou de forma ao(s) autor(es), condicionando a publicação do artigo à sua efectivação. Todos os artigos solicitados serão submetidos a avaliação externa e seguirão o mesmo processo editorial dos artigos de investigação original. 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Antes de submeter um manuscrito aos ARQUIVOS DE MEDICINA os autores têm que assegurar todas as autorizações necessárias para a publicação do material submetido. De acordo com uma avaliação efectuada sobre o material apresentado à revista os editores dos ARQUIVOS DE MEDICINA prevêm publicar aproximadamente 30% dos manuscritos submetidos, sendo que cerca de 25% serão provavelmente rejeitados pelos editores no primeiro mês após a recepção sem avaliação externa. 7,32/2*,$'26$57,*2638%/,&$'26126 $548,926'(0(',&,1$ $UWLJRVGHLQYHVWLJDomRRULJLQDO Resultados de investigação original, qualitativa ou quantitativa. O texto deve ser limitado a 2000 palavras, excluindo referências e tabelas, e organizado em introdução, métodos, resultados e discussão, com um máximo de 4 tabelas e/ou figuras (total) e até 15 referências. Todos os artigos de investigação original devem apresentar resumos estruturados em português e em inglês, com um máximo de 250 palavras cada. 3XEOLFDo}HVEUHYHV Resultados preliminares ou achados novos podem ser objecto de publicações breves. O texto deve ser limitado a 1000 palavras, excluindo referências e tabelas, e organizado em introdução, métodos, resultados e discussão, com um máximo de 2 tabelas e/ou figuras (total) e até 10 referências. As publicações breves devem apresentar resumos estruturados em português e em inglês, com um máximo de 250 1250$6'( 38%/,&$d®2 palavras cada. Artigos de revisão Artigos de revisão sobre temas das diferentes áreas da medicina e dirigidos aos profissionais de saúde, particularmente com impacto na sua prática. Os ARQUIVOS DE MEDICINA publicam essencialmente artigos de revisão solicitados pelos editores. Contudo, também serão avaliados artigos de revisão submetidos sem solicitação prévia, preferencialmente revisões quantitativas (Meta-análise). O texto deve ser limitado a 5000 palavras, excluindo referências e tabelas, e apresentar um máximo de 5 tabelas e/ou figuras (total). As revisões quantitativas devem ser organizadas em introdução, métodos, resultados e discussão. As revisões devem apresentar resumos não estruturados em português e em inglês, com um máximo de 250 palavras cada, devendo ser estruturados no caso das revisões quantitativas. &RPHQWiULRV Comentários, ensaios, análises críticas ou declarações de posição acerca de tópicos de interesse na área da saúde, designadamente políticas de saúde e educação médica. O texto deve ser limitado a 900 palavras, excluindo referências e tabelas, e incluir no máximo uma tabela ou figura e até 5 referências. Os comentários não devem apresentar resumos. &DVRVFOtQLFRV Os ARQUIVOS DE MEDICINA transcrevem casos publicamente apresentados trimestralmente pelos médicos do Hospital de S. João numa selecção acordada com o corpo editorial da revista. No entanto é bem vinda a descrição de casos clínicos verdadeiramente exemplares, profundamente estudados e discutidos. O texto deve ser limitado a 1200 palavras, excluindo referências e tabelas, com um máximo de 2 tabelas e/ou figuras (total) e até 10 referências. Os casos clínicos devem apresentar resumos não estruturados em português e em inglês, com um máximo de 120 palavras cada. 6pULHVGHFDVRV Descrições de séries de casos, tanto numa perspectiva de tratamento estatístico como de reflexão sobre uma experiência particular de diagnóstico, tratamento ou prognóstico. O texto deve ser limitado a 1200 palavras, excluindo referências e tabelas, organizado em introdução, métodos, resultados e discussão, com um máximo de 2 tabelas e/ou figuras (total) e até 10 referências. As séries de casos devem apresentar resumos estruturados em português e em inglês, com um máximo de 250 palavras cada. &DUWDVDRHGLWRU Comentários sucintos a artigos publicados nos ARQUIVOS DE MEDICINA ou relatando de forma muito objectiva os resultados de observação clínica ou investigação original que não justifiquem um tratamento mais elaborado. O texto deve ser limitado a 400 palavras, excluindo referências e tabelas, e incluir no máximo uma tabela ou figura e até 5 referências. As cartas ao editor não devem apresentar resumos. 5HYLV}HVGHOLYURVRXVRIWZDUH Revisões críticas de livros, software ou sítios da internet. O texto deve ser limitado a 600 palavras, sem tabelas nem figuras, com um máximo de 3 referências, incluindo a do objecto da revisão. As revisões de livros ou software não devem apresentar resumos. )250$7$d®2'260$186&5,726 A formatação dos artigos submetidos para publicação nos ARQUIVOS DE MEDICINA deve seguir os “Uniform Require-
1250$6'( 38%/,&$d®2 ments for Manuscripts Submitted to Biomedical Journals”. Todo o manuscrito, incluindo referências, tabelas e legendas de figuras, deve ser redigido a dois espaços, com letra a 11 pontos, e justificado à esquerda. Aconselha-se a utilização das letras Times, Times New Roman, Courier, Helvetica, Arial, e Symbol para caracteres especiais. Devem ser numeradas todas as páginas, incluindo a página do título. Devem ser apresentadas margens com 2,5 cm em todo o manuscrito. Devem ser inseridas quebras de página entre cada secção. Não devem ser inseridos cabeçalhos nem rodapés. Deve ser evitada a utilização não técnica de termos estatísticos como aleatório, normal, significativo, correlação e amostra. Apenas será efectuada a reprodução de citações, tabelas ou ilustrações de fontes sujeitas a direitos de autor com citação completa da fonte e com autorizações do detentor dos direitos de autor. 8QLGDGHVGHPHGLGD Devem ser utilizadas as unidades de medida do Sistema Internacional (SI), mas os editores podem solicitar a apresentação de outras unidades não pertencentes ao SI. $EUHYLDWXUDV Devem ser evitados acrónimos e abreviaturas, especialmente no título e nos resumos. Quando for necessária a sua utilização devem ser definidos na primeira vez que são mencionados no texto e também nos resumos e em cada tabela e figura, excepto no caso das unidades de medida. 1RPHVGHPHGLFDPHQWRV Deve ser utilizada a Designação Comum Internacional (DCI) de fármacos em vez de nomes comerciais de medicamentos. Quando forem utilizadas marcas registadas na investigação, pode ser mencionado o nome do medicamento e o nome do laboratório entre parêntesis. 3iJLQDGRWtWXOR Na primeira página do manuscrito deve constar: 1) o título (conciso e descritivo); 2) um título abreviado (com um máximo de 40 caracteres, incluindo espaços); 3) os nomes dos autores, incluindo o primeiro nome (não incluir graus académicos ou títulos honoríficos); 4) a filiação institucional de cada autor no momento em que o trabalho foi realizado; 5) o nome e contactos do autor que deverá receber a correspondência, incluindo endereço, telefone, fax e e-mail; 6) os agradecimentos, incluindo fontes de financiamento, bolsas de estudo e colaboradores que não cumpram critérios para autoria; 7) contagens de palavras separadamente para cada um dos resumos e para o texto principal (não incluindo referências, tabelas ou figuras). $XWRULD Como referido nos “Uniform Requirements for Manuscripts Submitted to Biomedical Journals”, a autoria requer uma contribuição substancial para: 1) concepção e desenho do estudo, ou obtenção dos dados, ou análise e interpretação dos dados; 2) redacção do manuscrito ou revisão crítica do seu conteúdo intelectual; 3) aprovação final da versão submetida para publicação. A obtenção de financiamento, a recolha de dados ou a supervisão geral do grupo de trabalho, por si só, não justificam autoria. É necessário especificar na carta de apresentação o contributo de cada autor para o trabalho. Esta informação será publicada. Exemplo: José Silva concebeu o estudo e supervisionou todos os aspectos da sua implementação. António Silva colaborou na concepção do estudo e efectuou a análise dos dados. Manuel Silva efectuou a recolha de dados e colaborou na sua análise. Todos os autores contribuiram para a interpretação dos resultados e revisão dos rascunhos do manuscrito. Nos manuscritos assinados por mais de 6 autores (3 autores no caso das cartas ao editor), tem que ser explicitada a razão de uma autoria tão alargada. É necessária a aprovação de todos os autores, por escrito, de quaisquer modificações da autoria do artigo após a sua submissão. $JUDGHFLPHQWRV Devem ser mencionados na secção de agradecimentos os colaboradores que contribuiram substancialmente para o trabalho mas que não cumpram os critérios para autoria, especificando o seu contributo, bem como as fontes de financiamento, incluindo bolsas de estudo. 5HVXPRV Os resumos de artigos de investigação original, publicações breves, revisões quantitativas e séries de casos devem ser estruturados (introdução, métodos, resultados e conclusões) e apresentar conteúdo semelhante ao do manuscrito. Os resumos de manuscritos não estruturados (revisões não quantitativas e casos clínicos) também não devem ser estruturados. Nos resumos não devem ser utilizadas referências e as abreviaturas devem ser limitadas ao mínimo. 3DODYUDVFKDYH Devem ser indicadas até seis palavras-chave, em portugês e em inglês, nas páginas dos resumos, preferencialmente em concordância com o Medical Subject Headings (MeSH) utilizado no Index Medicus. Nos manuscritos que não apresentam resumos as palavras-chave devem ser apresentadas no final do manuscrito. ,QWURGXomR Deve mencionar os objectivos do trabalho e a justificação para a sua realização. Nesta secção apenas devem ser efectuadas as referências indispensáveis para justificar os objectivos do estudo. 0pWRGRV Nesta secção devem descrever-se: 1) a amostra em estudo; 2) a localização do estudo no tempo e no espaço; 3) os métodos de recolha de dados; 4) análise dos dados. As considerações éticas devem ser efectuadas no final desta secção. $QiOLVHGRVGDGRV Os métodos estatísticos devem ser descritos com o detalhe suficiente para que possa ser possível reproduzir os resultados apresentados. Sempre que possível deve ser quantificada a imprecisão das estimativas apresentadas, designadamente através da apresentação de intervalos de confiança. Deve evitar-se uma utilização excessiva de testes de hipóteses, com o uso de valores de p, que não fornecem informação quantitativa importante. Deve ser mencionado o software utilizado na análise dos dados. Considerações éticas e consentimento informado. Os autores devem assegurar que todas as investigações envolvendo seres humanos foram aprovadas por comissões de ética das instituições em que a investigação tenha sido desenvolvida, de acordo com a Declaração de Helsínquia da Associação Médica Mundial (www.wma.net). Na secção de métodos do manuscrito deve ser mencionada esta aprovação e a obtenção de consentimento informado, quando aplicável.
1250$6'( 38%/,&$d®2 5HVXOWDGRV Os resultados devem ser apresentados, no texto, tabelas e figuras, seguindo uma sequência lógica. Não deve ser fornecida informação em duplicado no texto e nas tabelas ou figuras, bastando descrever as principais observações referidas nas tabelas ou figuras. Independentemente da limitação do número de figuras propostos para cada tipo de artigo, só devem ser apresentados gráficos quando da sua utilização resultarem claros benefícios para a compreensão dos resultados. $SUHVHQWDomRGHGDGRVQ~PHULFRV A precisão numérica utilizada na apresentação dos resultados não deve ser superior à permitida pelos instrumentos de avaliação. Para variáveis quantitativas as medidas apresentadas não deverão ter mais do que uma casa decimal do que os dados brutos. As proporções devem ser apresentadas com apenas uma casa decimal e no caso de amostras pequenas não devem ser apresentadas casas decimais. Os valores de estatísticas teste, como t ou ƪ2, e os coeficientes de correlação devem ser apresentados com um máximo de duas casas decimais. Os valores de p devem ser apresentados com um ou dois algarismos significativos e nunca na forma de p=NS, p<0,05 ou p>0,05, na medida em a informação contida no valor de P pode ser importante. Nos casos em que o valor de p é muito pequeno (inferior a 0,0001), pode apresentar- -se como p<0,0001. 7DEHODVHILJXUDV As tabelas devem surgir após as referências. As figuras devem surgir após as tabelas. Devem ser mencionadas no texto todas as tabelas e figuras, numeradas (numeração árabe separadamente para tabelas e figuras) de acordo com a ordem em que são discutidas no texto. Cada tabela ou figura deve ser acompanhada de um título e notas explicativas (ex. definições de abreviaturas) de modo a serem compreendidas e interpretadas sem recurso ao texto do manuscrito. Para as notas explicativas das tabelas ou figuras devem ser utilizados os seguintes símbolos, nesta mesma sequência: *, †, ‡, §, ||, ¶, **, ††, ‡‡. Cada tabela ou figura deve ser apresentada em páginas separadas, juntamente com o título e as notas explicativas. Nas tabelas devem ser utilizadas apenas linhas horizontais. As figuras, incluindo gráficos, mapas, ilustrações, fotografias ou outros materiais devem ser criadas em computador ou produzidas profissionalmente. As figuras devem incluir legendas. Os símbolos, setas ou letras devem contrastar com o fundo de fotografias ou ilustrações. A dimensão das figuras é habitualmente reduzida à largura de uma coluna, pelo que as figuras e o texto que as acompanha devem ser facilmente legíveis após redução. Na primeira submissão do manuscrito não devem ser enviados originais de fotografias, ilustrações ou outros materiais como películas de raios-X. As figuras, criadas em computador ou convertidas em formato electrónico após digitalização devem ser inseridas no ficheiro do manuscrito. Uma vez que a impressão final será a preto e branco ou em tons de cinzento, os gráficos não deverão ter cores. Gráficos a três dimensões apenas serão aceites em situações excepcionais. A resolução de imagens a preto e branco deve ser de pelo menos 1200 dpi e a de imagens com tons de cinzento ou a cores deve ser de pelo menos 300 dpi. As legendas, símbolos, setas ou letras devem ser inseridas no ficheiro da imagem das fotografias ou ilustrações. Em caso de aceitação do manuscrito, serão solicitadas as figuras nos formatos mais adequados para a produção da revista. 'LVFXVVmR Na discussão não deve ser repetida detalhadamente a informação fornecida na secção dos resultados, mas devem ser discutidas as limitações do estudo, a relação dos resultados obtidos com o observado noutras investigações e devem ser evidenciados os aspectos inovadores do estudo e as conclusões que deles resultam. É importante que as conclusões estejam de acordo com os objectivos do estudo, mas devem ser evitadas afirmações e conclusões que não sejam completamente apoiadas pelos resultados da investigação em causa. 5HIHUrQFLDV As referências devem ser listadas após o texto principal, numeradas consecutivamente de acordo com a ordem da sua citação. Os números das referências devem ser apresentados entre parentesis. Não deve ser utilizado software para numeração automática das referências. Pode ser encontrada nos “Uniform Requirements for Manuscripts Submitted to Biomedical Journals” uma descrição pormenorizada do formato dos diferentes tipos de referências, de que se acrescentam alguns exemplos: 1. Artigo • Vega KJ, Pina I, Krevsky B. Heart transplantation is associated with an increase risk for pancreatobiliary disease. Ann Intern Med 1996;124:980-3. 2. Artigo com Organização como Autor • The Cardiac Society of Australia and New Zealand. Clinical exercise stress testing.safety and performance guidelines. Med J Aust 1996; 64:282-4. 3. Artigo publicado em Volume com Suplemento • Shen HM, Zhang QF. Risk assessment of nickel carcinogenicity and occupational lung cancer. Environ Health Perspect 1994; 102 Suppl 1:275-82. 4. Artigo publicado em Número com Suplemento payne DK, Sullivan MD, Massie MJ. Women’s psychological reactions to breast cancer. Semin Oncol 1996;23 (1 Suppl 2):89-97. 5. Livro Ringsven MK, Bond D. Gerontology and leadership skills for nurses. 2nd ed. Albany (NY): Delmar Publishers;1996. 6. Livro (Editor(s) como Autor(es)) Norman IJ, Redfern SJ, editores. Mental health care for elderly people. New York: Churchill Livingstone;1996. 7. Livro (Organização como Autor e Editor) Institute of Medicine (US). Looking at the future of the Medicaid program. Washington: The Institute;1992. 8. Capítulo de Livro Phillips SJ, Whisnant JP. Hypertension and stroke. In: Laragh JH, Brenner BM, editors. Hypertension: pathophysiology, diagnosis, and management. 2nd ed. New York: Raven Press;1995. p. 465-78. 9. Artigo em Formato Electrónico Morse SS. Factors in the emergence of infectious diseases. Emerg Infect Dis [serial online] 1995 Jan-Mar [cited 1996 Jun 5]; 1 (1): [24 screens]. Disponível em: URL: http://www.cdc.gov/ncidod/ EID/eid.htm Devem ser utilizados os nomes abreviados das publicações, de acordo com o adoptado pelo Index Medicus. Uma lista de publicações pode ser obtida em http://www.nlm.nih.gov. Deve ser evitada a citação de resumos e comunicações pessoais. Os autores devem verificar se todas as referências estão de acordo com os documentos originais. $QH[RV Material muito extenso para a publicação com o manuscrito, designadamente tabelas muito extensas ou instrumentos de recolha de dados, poderá ser solicitado aos autores para que seja fornecido a pedido dos interessados.
1250$6'( 38%/,&$d®2 &RQIOLWRVGHLQWHUHVVH Os autores de qualquer manuscrito submetido devem revelar no momento da submissão a existência de conflitos de interesse ou declarar a sua inexistência. Essa informação será mantida confidencial durante a revisão do manuscrito pelos avaliadores externos e não influenciará a decisão editorial mas será publicada se o artigo for aceite. $XWRUL]Do}HV Antes de submeter um manuscrito aos ARQUIVOS DE MEDICINA os autores devem ter em sua posse os seguintes documentos que poderão ser solicitados pelo corpo editorial: - consentimento informado de cada participante; - consentimento informado de cada indivíduo presente em fotografias, mesmo quando forem efectuadas tentativas de ocultar a respectiva identidade; - transferência de direitos de autor de imagens ou ilustrações; - autorizações para utilização de material previamente publicado; - autorizações dos colaboradores mencionados na secção de agradecimentos. 68%0,66®2'(0$186&5,726 Os manuscritos submetidos aos ARQUIVOS DE MEDICINA devem ser preparados de acordo com as recomendações acima indicadas e devem ser acompanhados de uma carta de apresentação. &DUWDGHDSUHVHQWDomR Deve incluir a seguinte informação: 1) Título completo do manuscrito; 2) Nomes dos autores com especificação do contributo de cada um para o manuscrito; 3) Justificação de um número elevado de autores, quando aplicável; 4) Tipo de artigo, de acordo com a classificação dos ARQUIVOS DE MEDICINA; 5) Fontes de financiamento, incluindo bolsas; 6) Revelação de conflitos de interesse ou declaração da sua ausência; 7) Declaração de que o manuscrito não foi ainda publicado, na íntegra ou em parte, e que nenhuma versão do manuscrito está a ser avaliada por outra revista; 8) Declaração de que todos os autores aprovaram a versão do manuscrito que está a ser submetida; 9) Assinatura de todos os autores. É dada preferência à submissão dos manuscritos por e-mail (submit@ arquivosdemedicina.org). O manuscrito e a carta de apresentação devem, neste caso, ser enviados em ficheiros separados em formato word. Deve ser enviada por fax (225074374) uma cópia da carta de apresentação assinada por todos os autores. Se não for possível efectuar a submissão por e-mail esta pode ser efectuada por correio para o seguinte endereço: ARQUIVOS DE MEDICINA Faculdade de Medicina do Porto Alameda Prof. Hernâni Monteiro 4200 – 319 Porto, Portugal Os manuscritos devem, então, ser submetidos em triplicado (1 original impresso apenas numa das páginas e 2 cópias com impressão frente e verso), acompanhados da carta de apresentação. Os manuscritos rejeitados ou o material que os acompanha não serão devolvidos, excepto quando expressamente solicitado no momento da submissão. &255(&d®2'260$186&5,726 A aceitação dos manuscritos relativamente aos quais forem solicitadas alterações fica condicionada à sua realização. A versão corrigida do manuscrito deve ser enviada com as alterações sublinhadas para facilitar a sua verificação e deve ser acompanhada duma carta respondendo a cada um dos comentários efectuados. Os manuscritos só poderão ser considerados aceites após confirmação das alterações solicitadas. 0$186&5,726$&(,7(6 Uma vez comunicada a aceitação dos manuscritos, deve ser enviada a sua versão final em ficheirto de Word©, formatada de acordo com as instruções acima indicadas. No momento da aceitação os autores serão informados acerca do formato em que devem ser enviadas as figuras. A revisão das provas deve ser efectuada e aprovada por todos os autores dentro de três dias úteis. Nesta fase apenas se aceitam modificações que decorram da correcção de gralhas. Deve ser enviada uma declaração de transferência de direitos de autor para os ARQUIVOS DE MEDICINA, assinada por todos os autores, juntamente com as provas corrigidas.