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Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal

David Correia Ribeiro

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AVALIAÇÃO DA APLICABILIDADE DO IPD EM PORTUGAL DAVID CORREIA RIBEIRO Dissertação submetida para satisfação parcial dos requisitos do grau de MESTRE EM ENGENHARIA CIVIL — ESPECIALIZAÇÃO EM CONSTRUÇÕES Orientador: Professor Doutor João Pedro Poças Martins Coorientadora: Arquiteta Bárbara Rangel JULHO DE 2012 MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL 2011/2012 DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL Tel. +351-22-508 1901 Fax +351-22-508 1446  [email protected] Editado por FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO Rua Dr. Roberto Frias 4200-465 PORTO Portugal Tel. +351-22-508 1400 Fax +351-22-508 1440  [email protected].pt  http://www.fe.up.pt Reproduções parciais deste documento serão autorizadas na condição que seja mencionado o Autor e feita referência a Mestrado Integrado em Engenharia Civil - 20011/2012 - Departamento de Engenharia Civil, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, Portugal, 2012. As opiniões e informações incluídas neste documento representam unicamente o pon- to de vista do respetivo Autor, não podendo o Editor aceitar qualquer responsabilidade legal ou outra em relação a erros ou omissões que possam existir. Este documento foi produzido a partir de versão eletrónica fornecida pelo respetivo Autor. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal Aos meus Pais. "Se o conhecimento pode criar problemas, não é através da ignorância que podemos solucioná-los” Isaac Asimov Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal I AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar expresso o meu apreço ao Professor Doutor João Poças Martins, orientador científico desta dissertação, pelo rigor e forma cativante com que acompanhou o desenrolar do trabalho e principalmente pela disponibilidade e apoio manifestado. Agradeço à Arquiteta Bárbara Rangel, coorientador da dissertação, pela atenção e ajuda prestadas numa melhor compreensão dos conteúdos, permitindo deste modo um discernimento mais acessível de alguns aspetos. Gostaria também de agradecer a disponibilidade concedida pela Arquiteta Marta Aguiar e pelo Engenheiro Rodrigo Castro no âmbito dos questionários efetuados. De forma muito especial agradeço aos meus pais, José Manuel Ribeiro e Maria Manuela Correia pela educação dada e por me terem proporcionado todas as condições para poder chegar a este patamar na minha vida. À minha irmã, Nadine Ribeiro, porque o seu apoio é permanente e me aconselha sempre da melhor maneira, o meu profundo obrigado. Aos meus colegas e amigos de faculdade, agradeço os momentos bem passados ao longo destes anos de estudo, que não esquecerei porque representam muitos dos melhores momentos por mim vividos. Desejo felicidades e votos de sucesso profissional a todos. A todos os meus familiares e restantes amigos que pela convivência e simpatia foram facilitando o meu percurso académico e social, permitindo-me tornar numa pessoa melhor. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal III RESUMO A indústria de construção civil não tem conseguido acompanhar as crescentes exigências de eficiência e de produtividade, representando um dos piores valores de eficiência relativamente a todas as indústrias existentes. Alguns construtores e clientes, dispostos a mudar as metodologias de trabalho existentes começam a analisar outras possibilidades de processos, de modo a diminuir as incertezas inerentes aos métodos construtivos tradicionais. Daí, a aparição e utilização de novas metodologias de entrega de projetos. Inicialmente, foi realizado um estudo sobre os princípios metodológicos importantes nas novas formas de abordar os métodos de trabalho da indústria civil, que constituem alguns dos fundamentos do projeto integrado. O trabalho aborda diferentes metodologias de entrega de projetos centrando-se essencialmente na metodologia denominada de projeto integrado ou no inglês IPD, de Integrated Project Delivery. As suas principais características de colaboração e de integração entre os membros das equipas de trabalho podem representar mudanças positivas na indústria. A utilização das novas ferramentas BIM, Building Information Modeling, é muito importante para um uso adequado do projeto integrado, por isso foi realizado uma análise geral às ferramentas e à sua relação com o IPD. Este estudo tem como principal objetivo, a aplicabilidade da metodologia de projeto integrado aos processos e à regulamentação portuguesa. Por fim, são efetuadas considerações finais e respetivas conclusões acerca dos objetivos propostos no trabalho. PALAVRAS-CHAVE: Projeto Integrado, IPD, Integrated Project Delivery, BIM, Building Information Modeling, Metodologias de entrega de projetos. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal V ABSTRACT The civil construction is failing to follow the increasing efficiency and productivity, presenting some of the worst rating among the others existing industries. Some constructors and clients, wiling to change the working methodologies available, start to analyses others processes possibilities for decreasing the uncertainties inherent of the traditional constructive methodology. There from, the apparition and utilization of new project deliveries methods. Initially, a study was conducted on the important methodological principles about new ways to address the working methods of the civil industry and constitute some of the fundamental elements of the integrated project. The paper discusses different approaches to project delivery methods but essentially a methodology called integrated project or in english IPD, from Integrated Project Delivery. The main characteristics of collaboration and integration among work team members can represent positive changes within the industry. The use of new BIM tools, Building Information Modeling, is very important for a proper use of IPD. Therefore a general analysis was accomplished to the tools and its association with IPD. This study presents as main objective, the applicability of the methodology integrated project with the Portuguese processes and regulations. Finally, concluding remarks and conclusions are made about the respective objectives proposed in the work. KEYWORDS: Integrated Project, IPD, Integrated Project Delivery, BIM, Building Information Modeling, Project delivery Methods. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal XII Tabela 35 – Projeto de Execução vs. Implementation Documents…………………………… 77 Tabela 36 – Análise Projeto de Execução vs. Implementation Documents…………………. 78 Tabela 37 – Análise da Assistência técnica entre as duas metodologias…………………… 79 Tabela 38 – Pesos relativos das diferentes fases do processo tradicional…………………. 79 Tabela 39 – Critérios dos pesos relativos……………………………………………………….. 80 Tabela 40 – Revisão do projeto vs. Agency Review……………………………………………. 81 Tabela 41 – Análise de Revisão do projeto vs. Agency Review……………………………… 81 Tabela 42 – Fase de Licitação vs. Buyout……………………………………………………… 82 Tabela 43 – Análise Fase de licitação vs. Buyout……………………………………………….. 82 Tabela 44 – Fase de construção da metodologia tradicional e do projeto integrado…….… 83 Tabela 45 – Análise da fase de construção da metodologia tradicional e do projeto integrado………………………………………………………………….................... 84 Tabela 46 – Fecho da obra da metodologia tradicional e do projeto integrado……………... 85 Tabela 47 – Análise da fase do término da obra entre as duas metodologias……………… 85 Tabela 48 – Análise global entre as principais fases de uma obra……………………………. 86 Tabela 48 – Análise global entre as principais fases de uma obra (continuação) …...……… 87 Tabela 49 – Resumo do questionário referente a BIM………………………………………….. 105 Tabela 50 – Resumo do questionário referente à metodologia tradicional………………….. 106 Tabela 51 – Resumo do questionário referente ao IPD………………………………………… 107 Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal XIII SÍMBOLOS E ABREVIATURAS IPD Integrated Project Delivery AIA American Institute of Arquitects BIM Building Information Modeling AEC Arquitetura, Engenharia e Construção CAD Computer Aided Design FAIA Fellow of the American Institute of Architects CM Construction Manager UKOGC United Kingdom’s Office of Government Commerce NIST National Institute of Standards and Technology RFID Radio-Frequency Identification GIS Geographic Information System GPS Global Positioning System SPE Special Purpose Entity LEED Leadership in Energy and Environmental Design No seguinte trabalho, são usados termos estrangeiros devido à inexistência direta na língua portuguesa. GLOSSÁRIO Conceptualization – Primeira fase do IPD, início da determinação do que se vai construir, como o construir e quem irá realizar as tarefas. Criteria Design – Segunda fase do IPD, o projeto toma forma e as principais opções são avaliadas, testadas e selecionadas. Detailed Design – Terceira fase do IPD, conclui-se o que se deve construir e existe a finalização das principais decisões do projeto. Implementation Documents – Quarta fase do IPD e última relativa à conceção do projeto, término da determinação e da documentação da implementação do projeto. Agency Review – Revisão do projeto. Buyout – Conclusão da obtenção dos preços para a realização dos trabalhos pretendidos Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 1 1 INTRODUÇÃO 1.1 ÂMBITO Com a evolução dos tempos, a competitividade global, os requisitos de desempenho superiores e com os permanentes avanços tecnológicos na engenharia, preocupações sobre a eficiência e a produtividade foram aumentando. A subida crescente das necessidades de construção das sociedades em forte desenvolvimento produziu as seguintes mudanças:  O crescimento das exigências dos utentes no plano funcional e espacial com principal destaque para o conforto e infraestruturas técnicas;  Globalização de processos e de soluções;  Industrialização e mecanização de processos. A tendência das outras indústrias na subida de desempenho não tem sido acompanhada pela indústria da construção civil. O serviço de estatística sobre a produtividade dos Estados Unidos da América demonstrou que em 40 anos (1964-2003), muitas indústrias aumentaram de forma significativa a sua eficiência porém, a indústria de construção falhou em aumentar a sua produtividade e até piorou o seu desempenho (Shizhao, D., 2006). O gráfico seguinte mostra a diferença de eficiência entre a indústria da construção e outras indústrias, exemplificando o problema existente (Fig.1). É de realçar que o índice referente à produtividade geral não tem incluído a indústria agrícola. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 2 Fig.1 – Índice de eficiência entre a indústria da construção e das indústrias em geral adaptado de (Tardif, D.K.S.e.M., 2009) No gráfico é possível verificar uma diminuição acumulada na produtividade da indústria, na ordem de 20% nos 40 anos indicados. Essa diminuição no setor da construção civil, na atualidade, pode ser explicada por apresentar mais problemas do que seria expectável:  Debilidades de compatibilização entre disciplinas;  Redução das margens comerciais, logo, uma redução do valor acrescentado bruto que é utilizado no cálculo de produtividade desse estudo;  Envelhecimento precoce das construções;  Custos de exploração e conservação muito significativos;  Defeitos e avarias em várias vertentes;  Desajustes face às exigências;  Desvios significativos de custos e de prazos. O resultado desses fatores resulta numa grande falta de qualidade dos processos construtivos atuais, o que conduz ao descontentamento dos utentes, ao descrédito, à falta de confiança pública na indústria da construção civil, entre outros aspetos. Alguns empreiteiros e clientes atentos à evolução do processo começam a procurar soluções em métodos com uma maior interoperabilidade de trabalho, melhores ferramentas, diminuição de mudanças no projeto e menos problemas na obra. Porém, a nível nacional pouca mudança tem surgido para modificar o processo convencional. A compreensão desta estagnação e a procura de métodos para oferecer uma possibilidade de resposta ao processo construtivo é um desafio interessante. Essa falta de eficiência da indústria de engenharia civil pode ser originada pela metodologia convencional, que na maioria das vezes é do género conceção-licitação-construção (Teicholz, P., 2004). Alguns clientes estão a tornar-se mais exigentes desenvolvendo conhecimentos dos desperdícios e problemas da produtividade, das evoluções tecnológicas e desejam mudanças dos processos convencionais, devido aos seus recorrentes e numerosos problemas. Daí o aumento do número de projetos Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 3 completados utilizando outras metodologias, sendo que são os clientes que necessitam de orientar as suas equipas numa outra direção. O aparecimento de outras metodologias de entrega de projetos tem surgido para fazer face aos inconvenientes existentes. Ultimamente, uma metodologia que tem obtido relevo é denominada projeto integrado ou Integrated Project Delivery (IPD). As suas características de comunicações e de integração dos intervenientes numa equipa coesa podem representar a mudança esperada por parte da indústria. O título do trabalho refere-se a IPD pode ser um termo mais global, no entanto, no decorrer do trabalho será mais utilizada a designação portuguesa, ou seja, projeto integrado. Sempre existiu a realização de atividades humanas de forma relativamente organizada. A principal diferença reside na sistematização do conhecimento e nas facilidades resultantes das técnicas modernas de planeamento e análise associada às evoluções informáticas. Os software de ajuda à construção civil estão a evoluir e já são capazes de gerir quantidades enormes de informação e de proporcionar capacidades significativas de gestão e análise, nomeadamente as novas ferramentas BIM de Building Information Modeling. Essas ferramentas são muito importantes na utilização adequada do projeto integrado. 1.2 OBJETIVOS Este trabalho visa analisar e avaliar a aplicabilidade do projeto integrado com as ferramentas BIM, aos processos e às normas portuguesas. Esta investigação será feita através do desenvolvimento dos seguintes objetivos:  Investigar alguns princípios metodológicos do projeto integrado;  Comparar algumas das principais metodologias de entrega de projetos existentes;  Analisar a criação, o funcionamento e os vários tipos de projetos integrados;  Investigar os modelos digitais para construção BIM e a sua relação com o projeto integrado;  Comparar e avaliar o projeto integrado com os processos e as normas portuguesas;  Avaliar o projeto integrado com pareceres profissionais. 1.3 MÉTODOS Os métodos utilizados para a realização dos objetivos apresentados tiveram várias origens. Em primeiro lugar foi realizada uma pesquisa sobre conceitos importantes das últimas décadas, na análise da construção civil. De seguida, foi efetuada uma investigação em livros e artigos específicos de modo a poder comparar e analisar as metodologias de entrega de projetos atuais, particularmente sobre o projeto integrado com o auxílio das ferramentas BIM. Uma vez a definição da pesquisa necessária, são investigados os processos de criação de um projeto integrado segundo as normas do Código dos Contratos Públicos (CCP) (Ministério Das Obras Públicas, T.e.C., 2008a) existente. Depois, foi realizado uma comparação relativa aos objetivos das diferentes fases de uma metodologia tradicional, a partir da Portaria nº 701/2008-H (Ministério Das Obras Públicas, T.e.C., 2008b) e do CCP, com as do projeto integrado usando a definição prática do projeto integrado desenvolvida pela American Institute os Arquitects (Council, T.A.I.o.A.C., 2007). Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 4 Finalmente, uma análise qualitativa será realizada através de entrevistas junto a dois gabinetes de projetos da área de construção civil, com o intuito de obter principalmente opiniões acerca da possibilidade de uma implementação da metodologia IPD em Portugal. 1.4 DESCRIÇÃO SUMÁRIA DO TRABALHO O presente trabalho é constituído por cinco capítulos, limitando-se o primeiro destes a uma breve introdução e descrição dos objetivos do trabalho. O primeiro objetivo constituiu uma abordagem na compreensão de certos estudos e tipos de produções que mudaram a forma como são encarados os processos construtivos e que possivelmente originaram alguns dos princípios do projeto integrado e representa o segundo capítulo. Uma vez expostos os princípios metodológicos necessários, o terceiro capítulo apresenta a análise das principais metodologias de entrega de projetos existentes. Tendo em conta o âmbito do trabalho, foi proposto dar especial destaque ao projeto integrado. A origem e a definição do IPD foram analisadas, bem como a apreciação dos benefícios e das desvantagens constituintes ao método. Os novos modelos informáticos para construção, neste caso BIM, foram estudados pois constituem a possibilidade de expandir e melhorar os processos construtivos de forma significativa sendo a sua incorporação no processo integrado bastante eficaz. O quarto capítulo inicia-se com uma avaliação contratual da possibilidade da criação de um IPD em Portugal e a adaptação dos processos do projeto integrado relativamente aos processos nacionais. A comparação dos requisitos obrigatórios das normas portuguesas perante a tipologia de um projeto integrado constituiu o passo seguinte e representa o núcleo do trabalho. Por último, uma análise qualitativa é realizada, perante profissionais da área de projetos, para representar um parecer realista referente à possível inserção e implementação total ou parcial do método nos seus projetos em Portugal. Finalmente, no quinto capítulo são estabelecidas as conclusões acerca do trabalho elaborado assim como algumas considerações finais e sugestões para trabalhos futuros. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 5 2 PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS Os assuntos apresentados neste capítulo representam por um lado, a explicação da origem de alguns dos conceitos do projeto integrado e por outro uma relação dos princípios do projeto integrado com melhorias pretendidas e na resolução das principais problemáticas da construção civil. A indústria de construção civil já apresenta uma existência considerável, contudo só há poucas décadas é que os governos e as empresas vêm tomando diversas iniciativas para melhorar os tipos e os processos construtivos. A referência de normas teve a intenção de provar que algumas características associadas ao projeto integrado têm uma origem normativa. O fluxo de esforço durante a realização da conceção e da construção do projeto integrado difere muito daquele obtido na metodologia tradicional. A compreensão dessa diferença é abordada neste capítulo. Os relatórios Egan (Egan, S.J., 1998) e Latham (Latham, S.M., 1994) representam marcos importantes na compreensão dos processos construtivos. Muitas das alterações desejadas desses relatórios encontram-se diretamente relacionadas com os princípios apresentados pelo projeto integrado. Por fim, a associação das práticas lean são muitas vezes relacionadas às práticas do projeto integrado. A origem e definição desse pensamento revolucionário também são investigadas. 2.1 QUALIDADE NA CONSTRUÇÃO Desde o aparecimento da industrialização que problemas relativos à padronização, gestão de processos e à qualidade dos produtos foram questionados. Com o pico da globalização, na década de 1980, e com a criação da União Europeia, aumentou a necessidade de normas internacionais. A partir desse momento, o aumento dos pedidos de eficiência dos processos tem produzido uma mudança na indústria da construção, desejando processos com resultados melhores, mais rápidos e com custos menores. Essa crescente preocupação com a qualidade na construção trouxe a necessidade de harmonizar as políticas de qualidade no seio de vários países. 2.1.1 NORMALIZAÇÃO A normalização representa uma atividade com o intuito da obtenção de soluções para problemas de carácter repetitivo. A elaboração e aprovação das normas têm por objetivo a racionalização e simplificação de processos, de componentes, de produtos e serviços. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 6 O aparecimento e a publicação de normas de forma a definir políticas e procedimentos para obter a qualidade pretendida vieram alterar a forma dos procedimentos na indústria da construção civil. As normas que estabelecem estas diretivas são as normas da série ISO 9000, 9001, 9004 e outras associadas. Por exemplo a norma NP EN ISO 9001:2000 é baseada em oito princípios de gestão de qualidade (Qualidade, I.P.d.) :  Focalização no cliente;  Liderança;  Envolvimento das pessoas;  Abordagem por processos;  Abordagem à gestão através de um sistema;  Melhoria contínua;  Abordagem à tomada de decisões baseada em factos;  Relações mutuamente benéficas com fornecedores. Apesar de ser uma norma com mais de uma década, ainda existem pontos que não se encontram totalmente instaurados na metodologia atual do processo construtivo como a focalização no cliente e no processo construtivo e a abordagem à gestão através de um sistema. Segundo essa norma um dos princípios para a melhoria do desempenho é atingido quando as atividades e recursos associados são geridos como um processo. A figura seguinte (Fig. 2) ilustra um esquema desse processo: Fig. 2 – Esquema da abordagem por processos na produção - adaptado de (Qualidade, I.P.d.) Num modelo do sistema de gestão de qualidade baseado numa abordagem por processos procura-se a eficiência de toda a atividade produtiva enaltecendo as interações e as trocas de informação entre as diversas atividades individuais, sendo que a própria eficiência de uma atividade apenas faz sentido numa perspetiva da eficiência global. A partir da análise do esquema da abordagem por processos na produção conclui-se que o cliente faz parte do ciclo de produção e deve ser envolvido desde o início do projeto e ao longo da fase de produção como é preconizado no projeto integrado. Se o cliente entender as mais-valias e os riscos das ino- Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 7 vações tecnológicas bem como dos materiais existentes poderá dar uma opinião mais objetiva do que pretende. 2.1.2 IMPORTÂNCIA DA FASE DE CONCEÇÃO Devido à resposta do mercado, as propostas mais baratas em concurso são frequentemente as escolhidas, pensando-se que irão de fato ser menos dispendiosa. Porém, o que não é considerado são os custos de não qualidade e os possíveis erros e omissões resultantes de propostas pouco profundas e com uma má gestão de qualidade. Fig. 3 – Causa de sinistros na execução de uma construção – adaptado de (Report, B.S., 1980) A figura 3, representa a causa de 10000 sinistros em 1980, e evidencia que o nível de qualidade do produto não se associa apenas à fase de execução. Como se indica no gráfico, os erros devidos à falta de qualidade e a problemas associados são igualmente inerentes tanto à conceção do projeto como à fase de execução. A figura 4 demonstra os custos externos de não-qualidade, ou seja depois da entrega ao cliente, concluindo-se facilmente pela figura que uma grande percentagem dos custos advém de causas inerentes ao projeto. Fig. 4 – Origem dos custos externos de não-qualidade – adaptado de (Sweden, C.I.o.T.-. 1992) Como se pode analisar pela figura 3 existem valores quase idênticos relativos à origem dos sinistros tanto devido à realização do projeto como da execução da construção e na figura 4, a fase de conceção é a principal responsável por erros de custos externos. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 14 De uma forma simples, as formas atuais de produção e de gestão de trabalho focam-se nas atividades ignorando o fluxo e a utilidade (Koskela, L., 1992). O desperdício na construção e na fabricação resulta no mesmo pensamento de atividades centradas do antigo setor automóvel, “Manter uma pressão intensa na produção em cada atividade porque reduzir os custos de duração e de prazos significa melhorias orçamentais” (James P.Womack, D.T.J., Daniel Roos, 1990). Ohno sabia que havia uma forma de melhorar o processo. Novos contratos foram desenvolvidos para dar aos fornecedores incentivos para reduzir de forma contínua os custos dos seus componentes e de participar nas melhorias de todo o processo envolvente do produto. a) ANALOGIA DE TOMMELEIN A gestão da combinação do efeito de dependência e de variação nos processos construtivos é o principal interesse na produção lean. Uma demonstração acerca desse conceito foi realizada por Tommelein na sua obra “Parade of Trades” (Tommelein, H.J.C.a.I.D., 1999). Segundo Tommelein, o problema de dependência e variação nos processos construtivos pode ser representado com uma analogia ao intenso tráfego numa autoestrada. Se todos os carros andassem à mesma velocidade então o espaço entre eles seria muito pequeno e a capacidade da autoestrada seria limitada à velocidade imposta. Cada carro seria dependente do anterior, não haveria variações no tráfego e todo o espaço do pavimento seria utilizado. Mas na realidade, a pressão de chegar a determinado lugar mais rapidamente faz com que os espaços entre os carros diminuam e pequenas variações na velocidade se propagam através dos carros sucessores. Uma pequena hesitação pode formar ondas de congestionamento à medida que a velocidade dos carros sucessivos vai baixando. O restabelecimento é demorado pois é impossível que as pessoas todas acelerem de forma homogénea. Segundo esse conceito a velocidade máxima em qualquer momento, não garante uma diminuição do intervalo de tempo necessário para a realização de uma tarefa. Onde as práticas correntes tendem a atingir uma velocidade máxima, as produções lean dedicam-se a combater as incertezas recorrentes nos processos construtivos. b) PLANEAR E CONTROLAR No centro desse modelo existe a crença que uma equipa é essencialmente independente e todos os custos advêm do esforço necessário para completar a tarefa assignada para equipa (A.Howell, G., 1999). A equipa trabalha a ritmos diferentes utilizando recursos de modo variado. A produção lean tenta isolar a equipa das variações da obtenção de recursos criando distâncias adequadas entre camiões ou tenta manter um excesso de capacidade na equipa para poder abrandar ou acelerar dependendo das situações requeridas. No âmbito da lean assegura-se que não há contribuições para variações no trabalho. Planear e controlar são duas atividades essenciais, dependendo uma da outra.  Planear, definindo critérios de sucesso e estratégias de produção para conseguir os objetivos;  Controlar, eventos para monitorizar a produção, desencadear aprendizagem e planear de novo. No pensamento lean pergunta-se como a produção em si é planeada e dirigida. Necessitando de saber se o sistema está sob controlo, a locação do inventário e a sua capacidade extra e se o projeto e a execução suportam as condições do consumidor. A incerteza das atividades é combatida com o uso de ritmos diferenciados e com o planeamento de produção para haver trabalho efetuado de forma mais previsível para as próximas equipas. Depois é realizado um estudo para verificar as causas das flutuações obtidas. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 15 Os conceitos lean podem ser resumidos em dois grandes grupos (NASFA, C., APPA, AGC AIA, 2010):  Eliminação de desperdício, que consiste nos seguintes pontos: - Produção a mais; - Esperas; - Transportes desnecessários; - Excessos do inventário; - Movimentações desnecessárias; - Defeitos e correções; - Energias não eficientes.  Foco na adição do valor, e esforço nos seguintes aspetos: - Estandardização; - Compromissos a longo termo; - Acordos de gestão aplicados em todos os níveis. A mudança para práticas lean não pode ser originada sem alterações de assuntos sociais. A necessidade de investimento para reduzir variações a nível de produção encontra-se contra as práticas contemporâneas de comprar cada material pelo preço mais baixo ou de exigir que cada equipa trabalha o mais rapidamente possível. Pois esse pensamento ainda proporciona mais incerteza e variabilidade em todo o processo de produção. Essas consequências são vistas pela metodologia lean como resultando do processo laboral mas os encarregados defendem-se dizendo que as consequências são de origem exterior e fora do seu controlo. A mudança no projeto é esperada com o uso da construção lean, de forma a poder lidar com as velocidades e as incertezas do processo construtivo e para responder à revolução tecnológica. O projeto integrado tem na sua prática as principais ideias da construção lean, tentando aproveitar os seus benefícios. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 17 3 PROJETO INTEGRADO Este capítulo compara inicialmente as metodologias de entrega de projetos existentes e a origem do projeto integrado. Depois é feita a análise, a criação e o funcionamento de um projeto integrado assim como os vários tipos existentes e os seus principais benefícios e desafios. Também são mencionados os modelos informáticos para construção BIM, são analisados os passos da sua implantação e também a comparação com as peças desenhadas em CAD (Computer Aided Design). A relação entre o projeto integrado e os modelos BIM é assimilada e a apresentação de alguns casos de utilização são exibidos. 3.1 METODOLOGIAS DE ENTREGA DE PROJETOS As metodologias de entrega de projetos representam o modo como são efetuadas as comunicações e as trocas informacionais entre os vários intervenientes dos projetos. Fundamentalmente são sistemas usados para organizar e financiar projetos, construções, operações e manutenção de serviços para uma estrutura, tendo em conta os acordos legais entre os intervenientes do processo. O presente trabalho cobre algumas das metodologias consideradas mais populares e as suas características principais, são diferenciadas por três critérios adaptados do livro de Brad Hardin (Hardin, B., 2009):  A fase de pré-construção;  A capacidade de comunicação e de colaboração;  Os pedidos de informação. 3.1.1 METODOLOGIA TRADICIONAL A metodologia de entrega de projeto tradicional (Fig.10) é uma metodologia do tipo Conceção- Licitação-Construção, no inglês Design-Bid-Build (DBB). Essa metodologia é das mais utilizadas, em Portugal como no resto do mundo. O cliente contrata um arquiteto para desenvolver um programa e de seguida realiza a conceção do projeto com a ajuda de engenheiros. Depois, existem propostas por parte de empreiteiros que muitas vezes trabalham com subempreiteiros para licitar a obra e o escolhido constrói a obra. As principais características deste método são:  Três fases distintas e lineares, conceção, licitação e construção;  Papéis dos intervenientes bem definidos e geralmente documentados;  Diretrizes processuais e legais claramente definidas;  Concorrência saudável devido à competitividade do concurso; Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 18  A documentação contratual é muitas vezes completada antes da execução do projeto começar;  Oportunidade para um planeamento da construção auxiliada numa documentação completa;  Especificações a produzir sobre os padrões de qualidade;  Detalhe exigido do produto final acordado por todas as partes antes do começo da execução do projeto. Fig.10 – Esquema do processo Conceção-Licitação-Construção - adaptado de (ALLIANCE, D., 2008) As vantagens inerentes a esta tipologia residem no seu histórico, pois sendo o método mais usado já provou as suas capacidades. A responsabilidade encontra-se usualmente apenas numa entidade devido à dissociação do processo, o que pode ser uma vantagem para resolver conflitos. A competição entre os vários empreiteiros para a aquisição do projeto é benéfica, no ponto de vista da escolha da melhor oferta. Nessa metodologia porém alguns arquitetos ignoram o orçamento e as restrições cronográficas devido ao facto de não ter outras pessoas a supervisionar o projeto. Tabela 1 - Principais problemáticas da metodologia tradicional Principais problemáticas da metodologia tradicional ▪ Se um empreiteiro é consultado para orçamentar o projeto durante a conceção, o projeto pode desviar-se dos prazos devido à adaptação da informação adicional ▪ O cliente escolhe frequentemente a proposta mais barata, contudo essa opção peca nos aspetos da qualidade dos trabalhos pretendidos ▪ Podem existir erros de projeto e de construção que recaem financeiramente no cliente ▪ Assume que por promover a competição entre os empreiteiros, através da fase de licitação, o melhor preço será obtida Tipicamente, os empreiteiros gastam valores consideráveis de tempo e de dinheiro para produzir uma proposta para o projeto, encontrando-se apesar disso com fortes possibilidades de não serem escolhi- Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 19 dos. Perante isso, alguns empreiteiros trabalham segundo outras metodologias para validar os seus investimentos e receber o projeto. As entregas de projetos tradicionais sofrem devido ao sucesso dos participantes não estar relacionado com o sucesso do projeto. De facto, é possível que alguns participantes tenham “sucesso financeiro” não obstante o insucesso global do projeto. Esta metodologia representa o perfeito exemplo de uma forma de pensamento que utiliza um sistema rígido de gestão de informação e partilha, onde o principal aspeto é evitar litígios entre os intervenientes. Tabela 2 - Análise da metodologia Conceção-Licitação-Construção – adaptado de (Hardin, B., 2009) Conceção-Licitação-Construção Pré-construção ▪ Em geral não existe partilha de informação nas fases iniciais entre o arquiteto e o empreiteiro ▪ O uso de novas ferramentas informáticas de construção não é muito corrente Capacidade de comunicação e colaboração ▪ Na maioria dos casos, a informação só é partilhada entre os projetistas e construtores depois da conclusão da fase de projeto de execução ▪ Este método necessita de muitas clarificações, pois acaba por representar o único meio de comunicação entre equipas projetistas e o empreiteiro ▪ As grandes questões são resolvidas, porém os pormenores são postos de parte para serem interpretados mais tarde Pedidos de informação ▪ Informação incorreta e falta de colaboração criam mais custos, mudanças e ineficiência nesse método ▪ Os ficheiros CAD obtidos carecem de flexibilidade o que pode criar relações conflituosas com os empreiteiros pois estes apresentam visões diferentes 3.1.2 METODOLOGIA CONCEÇÃO-CONSTRUÇÃO Novas dinâmicas no processo de contratação construtiva têm surgido, em que o cliente apresenta um contrato onde o empreiteiro providencia a execução da obra como é o costume mas também faz parte do projeto. Essa metodologia é denominada de conceção-construção, ou na sigla inglesa DB de Design-Build, apresentando-se um esquema na figura 11. Os arquitetos servem como consultantes para o empreiteiro e preparam os documentos associados ao projeto e à construção. As características deste método são:  Projeto baseado no estabelecimento de papéis de ação;  Execução contínua da conceção e construção;  Sobreposição das fases de conceção e construção;  Procedimentos legais e processuais claramente definidos para a disponibilização pública;  Programação e planeamento realizados antes da execução pela entidade responsável pela conceção e construção. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 20 Fig. 11 – Esquema de uma metodologia Conceção-Construção – adaptado de (ALLIANCE, D., 2008) A responsabilidade não pode ser mais clara havendo apenas uma entidade responsável tanto para o projeto como para a construção da obra em questão. Porém existem algumas limitações neste processo, como a falta de competição pela obtenção do projeto e o arquiteto sendo como um subempreiteiro do próprio empreiteiro, pode não manter os interesses do dono de obra ao mais alto nível. Tabela 3 – Análise da metodologia Conceção-Construção – adaptado de (Hardin, B., 2009) Conceção-Construção Pré-construção ▪ Apenas uma entidade para conceção do projeto e construção, porém existe a liderança ou de um arquiteto dando mais ênfase ao projeto ou de um empreiteiro preocupando-se mais com questões construtivas ▪ A fase de revisão de projeto é pouca desenvolvida e as peças desenhadas ainda estão a ser completadas quando o projeto já se encontra a ser construído ▪ Eficientemente tem que existir um balanço entre os membros para não prejudicar nenhuma fase Capacidade de comunicação e colaboração ▪ A informação começa quando a equipa projetista apresenta o projeto ao cliente para revisão; depois é apresentada ao empreiteiro para estimar custos e a programação dos trabalhos ▪ O primeiro projeto raramente é o escolhido; daí enquanto o empreiteiro efetua as suas estimativas o projeto já se encontra desatualizado e isto ocorre várias vezes durante o processo do projeto ▪ Representa um uso das novas ferramentas digitais mas está constantemente a ser atualizado com nova informação, proveniente quer da equipa projetista quer do empreiteiro Pedidos de informação ▪ Esta metodologia aponta para a colaboração, aumento de viabilidade e precisão no projeto mas compromete o empreiteiro com as dificuldades de falta de interpretação das peças desenhadas ▪ Já existe a noção que mais barato e mais rápido não significa necessariamente menores custos financeiros Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 21 Pela ausência do tempo de licitações de propostas, o tempo total da execução da obra é mais curto. Os custos são estabelecidos logo depois da fase dos desenhos preliminares ganhando-se um tempo significativo na duração do projeto e da realização do mesmo. Este método representa a origem de um projeto que procura, de forma colaborada, soluções para a realização de um projeto eficiente, com lucro e tem uma estrutura que favorece a utilização eficiente das novas ferramentas informáticas para construção. 3.1.3 METODOLOGIA CM-AT-RISK Nesta metodologia inclui-se um novo interveniente a par dos principais (cliente, arquiteto, engenheiro e empreiteiro) denominado de Construction Manager, CM, tendo um compromisso de entregar o projeto dentro de um preço máximo garantido (Fig. 12). Com este método de entrega de projeto, o Construction Manager é contratado na fase do projeto o que proporciona um trabalho direto com o arquiteto para contornar os possíveis problemas do projeto antes da realização dos documentos construtivos. Desde o princípio do projeto, o CM ajuda a analisar os projetos das instalações num prisma construtivo, define a quantidade de trabalho segundo as necessidades do cliente e os custos associados e estabelece prazos realistas e marcos no desempenho. O CM também apresenta o papel de empreiteiro principal durante a fase de construção. Fig.12 – Esquema do processo CM-at-risk – adaptado de (Company, T.A.A., 2011) O Construction Manager não trabalha apenas consoante os interesses do cliente, mas também deve realizar a gestão e controlar os custos da construção para não exceder o preço máximo garantido o que resultaria numa redução dos seus benefícios. O papel do Construction Manager não deve ser confundido com o papel de gestor do projeto. Apesar de as duas funções apresentarem um papel algo semelhante na fase de conceção do projeto, o gestor de projeto não terá depois a função de empreiteiro principal no decorrer da obra. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 22 Tabela 4 – Análise da metodologia Construction Manager-at-risk – adaptado de (Hardin, B., 2009) Construction Manager-at-risk (CM at-risk) Pré-construção ▪ Compromisso de entrega do projeto dentro de um preço máximo garantido ▪ O Construction Manager (CM) é consultor nas fases de conceção mas também empreiteiro na fase de execução ▪ O facto do empreiteiro e os subempreiteiros estarem envolvidos no projeto muito cedo e darem opiniões na fase de conceção, demonstra uma grande mudança na integração ▪ Apesar de representar uma evolução relativamente aos outros métodos pode apresentar falhas em apresentar um projeto completo devido a ter um preço máximo garantido Capacidade de comunicação e colaboração ▪ O risco para o cliente pode estar na origem do empreiteiro ter demasiado controlo no projeto ▪ O cliente é envolvido no processo para verificar as peças desenhadas e o orçamento ▪ A metodologia consegue eficazmente trabalhar com todos os membros para dividir responsabilidades entre eles Pedidos de informação ▪ Os pedidos de informação são menores em fase de execução, pois os construtores foram integrados na conceção ▪ Promovendo um preço máximo garantido, o empreiteiro tem muito interesse em colaborar com a equipa projetista ▪ Estrutura adequada para um bom uso dos novos modelos informáticos de construção 3.2 METODOLOGIA DO PROJETO INTEGRADO 3.2.1 ORIGEM Historicamente, os projetos de edifícios eram um esforço partilhado entre os clientes, projetistas e construtores. Este sistema, a partir do século XX, mudou quando os estados e as empresas privadas começaram a implementar regulamentos nas licitações, requerendo que os empreiteiros apresentem preços fixos para a realização dos projetos. Por esse motivo, as seguradoras convenceram os projetistas a diminuir os seus riscos com a sua não participação ativa na realização dos seus projetos (Stephan Castellanos, F., 2010). Eventualmente, a confiança entre os vários intervenientes foi diminuindo, resultando em conflitos, acerca das responsabilidades e obrigações de cada um, originando assim desvios de custos e de prazos, clientes e utilizadores descontentes e desperdícios monetários assombrosos dentro da indústria de construção civil. Uma solução para a entrega de projetos deveria ser explorada de modo a melhorar a eficiência e oferecer uma resposta mais adequada aos clientes e para a comunidade. A partir das metodologias já existentes e também dos princípios metodológicos apresentados no segundo capítulo, uma nova forma de interligação entre os vários membros do processo construtivo foi criada, intitulada projeto integrado ou IPD. Com origem na adaptação da ideia do método conceçãoconstrução, onde o empreiteiro também apresenta um papel integrante no projeto, essa metodologia leva a integração e intercomunicação dos vários intervenientes para outro nível (Fig.13). Todos os Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 23 membros, e sobretudo o cliente que foi durante muito tempo ausente dessa fase, apresentam o seu parecer no projeto havendo a contribuição de cada um. A história do desenvolvimento do projeto integrado apresenta uma origem um pouco dispersa. Porém a origem mais reconhecida provém do AIA, ver glossário, nomeadamente do concílio da Califórnia por realizar a primeira definição de trabalho de projeto integrado em 2007 (Council, T.A.I.o.A.C., 2007). O interesse acrescido atual na metodologia IPD pode ter também como incentivo o estado da economia atual, pois uma economia em declínio muda todo o panorama da indústria da construção civil. Com menos propostas de trabalho e projetos, as companhias são impulsionadas a obter a máxima eficiência possível nas suas práticas. Por muitos, isto necessita de uma mudança na forma de trabalho. Nas últimas duas décadas, as condições mais difíceis geralmente provocaram o acelerar da adoção de uma nova metodologia ou tecnologia. Tal como na década de 1980, onde alguns argumentam que foi o abrandamento das condições do mercado que estimulou a transição dos documentos em papel para a conceção em CAD. Enfrentando condições do setor muito complicadas, os intervenientes da construção tornam a procurar uma nova forma de inovar, nomeadamente uma nova forma de entrega de projetos (Constructech, 2012). Fig. 13 – Esquema de um processo integrado – adaptado de (Evbuomwan, N.F.O. and Anumba, C.J., 1998) 3.2.2 DEFINIÇÃO O conceito de projeto integrado advém da integração inicial das pessoas e dos sistemas bem como das práticas, no intuito de aproveitar a sabedoria e o conhecimento de todos os participantes de modo a otimizar e a acrescentar valor ao projeto. Esse conceito enaltece a eficiência nas várias fases do proje- to, e nas fases de fabricação e de construção. Segundo o guia da Instituição Americana de Arquitetos (Architects, T.A.I.o., 2007) “o princípio de projeto integrado pode ser aplicado a uma ampla variedade de projetos e os seus elementos podem incluir membros para além dos intervenientes “clássicos” de uma obra, ou seja, do arquiteto, donode-obra e do empreiteiro. A principal marca de reconhecimento do IPD aparece na sua grande interoperabilidade e colaboração entre os vários intervenientes desde o início do projeto e continuando até à entrega do mesmo”. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 30  Mais vantajoso: Propostas de honorários - ajuda na colaboração;  Mais vantajoso: Propostas fixas de honorários - pouco colaborativo;  Oferta mais baixa – pouco colaborativo. Infelizmente, a seleção das equipas na atualidade é frequentemente pela proposta mais baixa devido à excessiva atenção ao preço, desprezando tudo o resto. As duas primeiras escolhas favorecem escolhas mais cedo das equipas e são fundamentais para um método de entrega IPD. Na maioria das equipas de projeto existem duas categorias de participantes: os participantes primários e os participantes secundários de apoio. Os participantes primários são aqueles que apresentam um envolvimento substancial e responsabilidades durante toda a duração do projeto, sendo frequentemente o cliente, o arquiteto e o empreiteiro. Os participantes secundários de apoio num projeto IPD têm um papel vital e estão ligados contratualmente pelo menos com um dos participantes primários, todavia desempenham um papel mais discreto que os participantes primários. Num projeto tradicional, são os consultores de conceção e os subempreiteiros que geralmente fazem parte dessa categoria. Nem todos os projetos integrados apresentam os mesmos intervenientes nas duas categorias descritas, pois variam conforme os projetos. Por exemplo, na construção de uma ponte o engenheiro de estruturas passa da categoria de interveniente secundário de apoio para primário devido ao grau de responsabilidades e ao envolvimento do seu papel no projeto. O estabelecimento da organização do projeto representa um dos aspetos mais importantes sabendo que diferentes estruturas são mais adaptadas para diferentes projetos. A equipa tem que ser formada por um núcleo colaborativo, com uma boa dinâmica de equipa, comunicação, confiança e compromisso perante as necessidades do projeto. A partir do momento que a equipa se encontra devidamente formada, uma atmosfera adequada de comunicação e de colaboração necessita de ser criada. b) TOMADAS DE DECISÕES PELA EQUIPA O sucesso do projeto integrado depende dos métodos e dos processos das tomadas de decisões dos quais os membros das equipas aceitam e concordam, sendo que num correto projeto integrado, a responsabilidade das tomadas de decisões não recai apenas num único membro. Preferencialmente as deliberações têm que ser realizadas por um núcleo de pessoas sendo que todas as decisões são tomadas conforme o interesse do projeto. A composição desse órgão de decisão varia conforme o projeto, porém é costume ser composto pelos participantes primários e por vezes por participantes secundários de apoio, trabalhando de forma colaborativa, refletindo os vários compromissos entre os intervenientes. c) BUILDING INFORMATION MODELING (BIM) BIM são ferramentas informáticas, não são uma metodologia de entrega de projetos, é importante referir esse aspeto. O IPD trabalha conjuntamente com BIM para potenciar as capacidades das ferramentas e consequentemente as suas. Plataformas de comunicação são essenciais para a integração de BIM no processo e alimentar a interoperabilidade. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 31 A escolha do nível de detalhe, as tolerâncias requeridas e os objetivos do modelo, como por exemplo se o modelo efetuará a análise de custos, são decididos e acordados por um contrato. Adicionalmente, os métodos de hospedar, gerir e arquivar o modelo são determinados. Todas as decisões são documentadas de modo a serem visíveis para qualquer participante que utilizará o modelo. Pela importância que as ferramentas apresentam na metodologia, maior ênfase é dada posteriormente no presente trabalho. d) PROPRIEDADE, PARTILHA E INFORMAÇÃO CONFIDENCIAL Os compromissos de confidencialidade pretendem que os membros ganhem a consciência da importância de um uso adequado da informação confidencial. Através de uma escolha criteriosa dos participantes e contratos ajustados, os participantes do IPD alcançam um nível de confiança onde a informação partilhada do projeto seja apenas utilizada para os propósitos do projeto. Para que seja mais fácil a partilha informativa todos os membros devem tomar em consideração os elementos seguintes:  A necessidade da salvaguarda dos direitos das propriedades do conhecimento;  Confidencialidade;  O legítimo interesse de todos os participantes. e) COMPENSAÇÕES Na perspetiva da colaboração e da integração, a metodologia de entrega convencional sofre devido ao sucesso financeiro dos participantes não estar necessariamente associado ao projeto. Infelizmente devido à natureza humana, os participantes não irão trabalhar ao máximo para preservar os seus interesses económicos. Métodos de compensações que ligam o sucesso dos participantes ao sucesso global do projeto são ferramentas muito eficazes para unir o sucesso individual e o sucesso global do projeto. Precisamente por esse motivo, os instintos dos membros da equipa integrada para proteger e melhorar os seus interesses financeiros resultam num comportamento que beneficia o projeto. f) PRÉ-FABRICAÇÃO A equipa deverá ser capaz de estabelecer quais os elementos e as tarefas que necessitam de estar estandardizados e quais os elementos são adequados para a pré-fabricação. No projeto integrado há uma preocupação acrescida no trabalho fora do estaleiro o que se traduz no aumento de qualidade. A sua maior viabilidade e qualidade conduzem numa maior confiança na sua utilização. A imagem seguinte (Fig.16) pretende demonstrar a evolução pretendida. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 32 Fig.16 - Aumento da utilização de pré-fabricação – adaptado de (Sousa, H.d., 2006) g) AFASTAMENTO E DESIGNAÇÕES DE NOVOS MEMBROS Como em qualquer projeto, a perda de um participante representa um problema, mas num projeto integrado essa perda é exacerbada pela importância dos membros do projeto para o sucesso do projeto. Quando existe o afastamento de um membro da equipa, existe a seleção de potenciais novos participantes selecionados com os mesmos critérios que os originais, existindo uma extensiva transição para que o processo continua eficazmente. Contudo, pode existir uma sensação para o novo interveniente de ser “intruso” da equipa original por não ter sido escolhido inicialmente. Algumas decisões podem ser acordadas para haver consequências para os intervenientes que deixem o projeto sem esse estar terminado. h) RESOLUÇÕES DE CONFLITOS Do resultado do tipo de relacionamento e da implementação da metodologia de decisão no processo, a maioria dos conflitos entre os membros da equipa são evitados, todavia não implica que não possam surgir. Se um conflito aparecer num projeto convencional, frequentemente o recurso utilizado pelos membros é a apresentação de queixas, manifestando-se numa perda imediata de confiança entre os participantes. Para preservar tanto a equipa como o projeto no IPD, as disputas são resolvidas internamente pelo órgão de decisão com o objetivo dos melhores interesses para o projeto. No caso em que a resolução interna falhar, os acordos dos participantes preveem a resolução externa seguindo as linhas tradicionais da resolução de litígios. A resolução de disputas demonstra uma grande diferença entre a metodologia de projeto integrado e a metodologia tradicional, sendo a última sobre a criação de limites. Na metodologia convencional a construção do contrato define claramente as responsabilidades e as consequências de insucesso de cada participante. Por outro lado, na abordagem IPD o foco consiste nos relacionamentos necessários para o término do projeto eficazmente. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 33 3.3.2 MÉTRICAS NO PROJETO INTEGRADO O plano de projeto numa metodologia integrada inclui métricas de valores no projeto e relatórios para monitorizar o progresso de um projeto. As métricas incluem o desempenho geral do projeto, bem como as tradicionais análises de custos, programação e trabalhos. Essas métricas podem também encontrarem-se relacionadas com os incentivos financeiros dos participantes. Embora a equipa possa apresentar alternativas e aconselhar o dono da obra, será ele que determina o que deseja que seja alcançado. Sendo necessário que todos os intervenientes se sintam confortáveis com os acordos apresentados, pois irão estar ligados com a estrutura de compensações e com os potenciais bónus. a) ORÇAMENTO A estimativa do custo global é um dos critérios principais do projeto e a sua monitorização durante a vida do projeto e da obra é primordial. A capacidade de uma conexão direta entre o modelo do projeto e a gestão dos materiais através de todas as fases perfaz uma ferramenta poderosa para determinar e gerir os custos do projeto. Apresentando uma oportunidade na conceção do projeto para a equipa confirmar se o projeto pode ou não ser construído relativamente ao orçamento e a satisfação do cliente. Ao contrário do processo tradicional onde existe a conceção do projeto, orçamentação e depois a realização das mudanças no projeto ser um processo iterativo, no IPD utiliza-se a informação imediata disponibilizada pelo modelo. Promovendo desse modo uma conceção relativa a uma estimativa detalhada ao invés de estimar a partir de um projeto detalhado. Como a avaliação do custo global é realizada num processo colaborativo, algumas questões devem ser consideradas. Cada participante do projeto apresenta um interesse pessoal sobre qual o valor dos custos dos trabalhos pretendidos. Os clientes tendem a baixar os preços, enquanto os projetistas e os construtores procuram valores de orçamentos maiores. Esses conflitos são dirigidos através de uma cuidadosa seleção dos participantes, tabelas de preços e consultores independentes apropriados. b) QUALIDADE As novas tecnologias avaliáveis para os membros das equipas do projeto integrado, incluindo BIM, providencia a oportunidade de reduzir erros dentro dos documentos de conceção. A medição da qualidade é baseada em critérios apropriados ao tipo de projeto e é comparada a projetos anteriores de natureza similares. Com o aumento de mais projetos IPD utilizados na indústria, os padrões de qualidade podem subir. c) DESEMPENHO O estabelecimento dos critérios de desempenho é realizado durante a conceção do projeto e é aperfeiçoada com a realização da obra. Ainda existe a possibilidade de haver métricas de desempenho no término de obra e a sua monitorização depois da sua entrega. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 34 d) SUSTENTABILIDADE A área da sustentabilidade necessita de ser aprimorada com objetivos mais “agressivos” nesse domínio. Os critérios de classificação como Green Globes e LEED podem ser alinhados com objetivos globais e monitorizados, durante a obra e mesmo, após o término da obra. 3.3.3 FUNÇÕES DOS PRINCIPAIS PARTICIPANTES O IPD procura quebrar as barreiras existentes com os participantes, focados em alcançar os objetivos partilhados, contudo não significa que não haja trabalhos separados entre os vários membros em que sejam eles os principais responsáveis. Os projetistas continuam a ser os principais responsáveis pela conceção do projeto e os empreiteiros pela sua construção, até porque não significa que todos os membros estejam presente em mesmo número em todas as fases das atividades. A equipa de projeto assegura que as tarefas e as responsabilidades individuais sejam claramente definidas o mais cedo possível. a) PROJETISTAS A metodologia de projeto integrado baseia-se numa extensiva e cuidadosa conceção do projeto que incorpora o envolvimento de outros membros, como empreiteiros. Os projetistas são exigidos para realizar certos trabalhos mais cedo que num processo convencional. O resultado do aumento do esforço dado à conceção encontra-se, como é óbvio, num aumento diretamente proporcional ao volume de trabalho exigido aos projetistas. As frequentes interações com os outros membros durante a conceção, de modo a obter a avaliação e a informação providenciada por eles, resultam numa responsabilidade adicional com o esforço de seguir a natureza e o conteúdo da informação adicionada. b) EMPREITEIROS A natureza do âmbito de trabalho dos empreiteiros num projeto integrado sofre muitas alterações pelo seu envolvimento inicial na conceção do projeto dentro da equipa. Especificadamente, o papel do empreiteiro aumenta significativamente nas etapas iniciais, onde providencia novos serviços como a programação dos trabalhos, estimativas de custos, avaliação de sistemas, revisão construtiva e outros. Enquanto pode existir a realização dessas funções num projeto convencional, num projeto integrado essas tarefas são adiantadas. c) CLIENTE No IPD, o cliente apresenta um papel mais ativo na avaliação e na influência das opções na conceção, participa no estabelecimento dos critérios do projeto mais cedo que num projeto tradicional. Como representa um membro do órgão de decisão, o cliente será envolvido e requerido frequentemente com o intuito do contínuo eficiente do projeto. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 35 d) DEVERES Devido à incorporação de vários membros e à “mistura” dos papéis dos protagonistas, questões relativas à responsabilidade dos trabalhos podem ser mais complicadas. Acordos específicos e compreensíveis devem ser produzidos para esse efeito num projeto integrado, onde existe de forma clara os âmbitos de funções individuais. Frequentemente, os acordos distribuem os riscos do não desempenho através de todos os participantes, dessa forma, um projetista pode diretamente comportar alguns riscos pelo trabalho dos construtores e vice-versa. Essas questões são discutidas aquando da formação da equipa e nos acordos realizados, negociando o nível de risco a qual cada um se encontra confortável. 3.3.4 CONSIDERAÇÕES LEGAIS a) CONTRATOS Modificar os contratos existentes devido à integração e à colaboração entre os membros pode representar um desafio exigente. As negociações e a realização dos acordos comparativamente às metodologias tradicionais podem aumentar o custo da realização dessas tarefas. Porém já existem contratos que permitem negociar e implementar um projeto integrado. Devido à inclusão dos incentivos e das ligações existentes, os contratos no projeto integrado podem ser mais complexos que os do projeto tradicional. Uma cuidadosa elaboração dos contratos, uma clara definição das metas a alcançar para os incentivos minimizará a possibilidade de ocorrência de conflitos. O relacionamento estrutural do IPD é um modelo de partilha de benefício/risco. A diminuição de custos para a realização dos contratos pode ser também alcançada através do menor envolvimento de advogados e de processos legais, isso tudo alcançado pelas correções dos problemas de forma cooperativa. A intenção dos contratos não é de apontar o responsável se algo correr mal no projeto mas preferencialmente definir tarefas, responsabilidades e direitos no começo do projeto. A AIA disponibiliza três níveis de contratos relativos à metodologia IPD. Os primeiros são os contratos de transição e oferecem um primeiro passo confortável para à passagem para uma metodologia de projeto integrado. O segundo nível refere-se aos contratos globais, consiste num único contrato entre os participantes primários para a conceção e construção. Por último existem as SPE, entidade com objetivo único, criando uma entidade limitada apenas para o propósito do projeto em questão (Architects, T.A.I.O., 2008). O anexo A apresenta a definição e a apresentação dos contratos. Segundo a AIA “ Esses contratos permitem uma completa partilha de risco e de benefícios. Com esses acordos, clientes, arquitetos e os gestores de obras trabalham todos desde o início para levar o proje- to com objetivos e custos mútuos”. b) SEGUROS Pelas mudanças nas metodologias de trabalho, cabe à indústria de seguros o desenvolvimento de termos específicos de alocação de riscos para os membros das equipas integradas, para se adaptar aos Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 36 novos relacionamentos. Novas abordagens são exigidas devido ao tipo de partilha de risco em IPD, a abordagem tradicional opera numa filosofia errada onde o risco segue as atividades, por isso quando mais atividades um participante realizar mais sujeito se encontra a riscos legais. c) RESPONSABILIDADES E RISCOS Devido aos intervenientes do projeto serem, como no processo tradicional, responsáveis pelos seus trabalhos, uma aproximação IPD não deve alterar os requisitos tradicionais de respeito e licenças de trabalho. A colaboração entre empreiteiros e os projetistas não significa uma junção das suas disciplinas mas um projetista pode por exemplo, suportar algum risco dos erros da construção. A gestão dos riscos tem que ser planeada eficientemente com seguros apropriados, relacionamentos legais adequados e criação de contratos apropriados. 3.3.5 ESQUEMA RESUMO DE UM PROCESSO IPD Um esquema resumo simplista (Fig.17) foi apresentado pela Lean Construction Institute relativo aos passos necessários para criar e implementar uma metodologia IPD. Fig. 17 - Esquema resumo dos passos da implementação de uma metodologia IPD - adaptado de (Institute, L.C., 2010) De notar que o primeiro passo reside na necessidade de mudar, este aspeto representa o fator principal na passagem para outra metodologia de entrega de projetos. A consciencialização das várias falhas dos processos atuais poderá conduzir a esse ponto. 3.4 TIPOS DE PROJETO INTEGRADO Nem todos os projetos permitem a aplicação de todos os princípios de uma metodologia projeto integrado. Os princípios podem ser agrupados em duas categorias: Revisão legal dos contratos IPD Revisão dos incentivos nas estratégias IPD Identificar parceiros adequados Estabelecer a documentação e as normas do uso de BIM Reconhecer a necessidade de mudar Desenvolver fluxos de trabalho Discutir oportunidades durante o projeto Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 37 Nível 3 Necessário - IPD Nível 2 Reforçado - Tipo IPD Nível 1 Típico  Princípios contratuais; - Inovação; - Riscos e benefícios partilhados conforme o resultado do projeto; - Responsabilidades conjuntas entre os membros; - Transparência fiscal entre membros, - Envolvimento inicial dos membros; - Conceção intensificada; - Desenvolvimento dos critérios e objetivos em consenso; - Decisões colaborativas.  Princípios comportamentais; - Respeito mútuo; - Vontade de colaborar; - Comunicação aberta. Ainda havendo a presença de chamados catalisadores, que melhoram grandemente o processo, sendo:  Contrato global;  BIM;  Construção lean;  Trabalho em localização conjunta. Na construção existe vários graus de colaboração possíveis (Fig.18) e consequentemente vários níveis de projeto integrado, o cliente conduz qual grau pretende nos seus projetos através do processo contratual (NASFA, C., APPA, AGC AIA, 2010). Fig.18 - Níveis de colaboração possíveis em projetos integrados - adaptado de (Cholakis, P., 2011) Os 3 níveis apresentam o espetro tipo dos graus de colaboração existentes consoante princípios legais, limitações e barreiras culturais. Também é apresentado as metodologias de entrega de projetos associadas aos vários níveis de colaboração: 1. Típico – Colaboração obtida sem contrato específico;  Conceção-Licitação-Construção;  Conceção-Construção;  Cm-at-Risk. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 38 2. Reforçado – Alguns requisitos contratuais de colaboração;  Conceção-Construção;  Cm-at-Risk. 3. Necessário – Colaboração com obrigatoriedade contratual entre os intervenientes;  Projeto integrado. A repetição das metodologias no nível 1 e 2 corresponde ao grau de colaboração existente, como pode variar drasticamente entre projetos as metodologias podem situar-se nos dois níveis. Baseado nos níveis apresentados existe uma divisão do IPD segundo 2 áreas:  Projeto integrado como filosofia– correspondente ao nível 1 e 2;  Projeto integrado como metodologia de entrega de projeto – associado ao nível 3; Apesar do IPD como método de entrega ser a melhor alternativa para aqueles que sejam aptos para um contrato global, para quem não esteja preparado para tomar esse passo, podem mesmo assim aplicar alguns princípios para melhorar os seus métodos de colaboração. Muita gente sabe e reconhece os benefícios da colaboração e de uma boa comunicação numa equipa de trabalho. Daí o nível 1 é onde se encontra a metodologia existente porque, como é óbvio, a colaboração nos processos já é usada mas num ambiente muito limitado e desadequado devido aos tipos de contrato, silos de informação e falta de incentivos para colaborar. Quer se trata do projeto integrado como filosofia ou como metodologia de entrega de projeto, existem princípios fundamentais que podem ser usados em qualquer projeto, a implementação de todos eles é que define um verdadeiro projeto integrado (Tab.7). Tabela 7 – Princípios do projeto integrado associado aos vários tipos de colaboração - Adaptado de (NASFA, C., APPA, AGC AIA, 2010) Todos: Nível 3 ▪ Partilho de risco/benefício ▪ Envolvimento inicial dos membros ▪ Contrato global ▪ Decisões obtidas de forma colaborativa ▪ Responsabilidades partilhadas ▪ Objetivos comuns ▪ Respeito mútuo e confiança entre membros Alguns: Nível 1 Todos: Nível 2 ▪ Inovação ▪ Conceção aprimorada ▪ Comunicação aberta ▪ BIM utilizado por todos e a partir de todos ▪ Princípio, construção e produção lean ▪ Transparência financeira ▪ Equipa trabalhando no mesmo local (big room) Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 39 Diferença do nível 2 para o nível 1:  A equipa projetista e os construtores têm incentivos para desempenho e partilha de risco;  A equipa é incentivada para produtividade; Benefícios na passagem para o nível 2: O nível 2 já provou ter mais sucesso que o nível 1. Por ser mais colaborativo há economias, diminuição da duração de atividades, mais eficiência nas modificações, foco nas soluções e objetivos comuns. Esse nível não é tão eficaz como o nível 3 mas é muito melhor que o processo tradicional. Diferença do nível 3 para o nível 2: O nível 3 do IPD consiste na assinatura de um contrato por parte do cliente, empreiteiro e equipa projetista de modo a estarem todos num mesmo “alinhamento”. A diferença do processo tradicional reside nesse contrato que define comportamentos, colaborações intensas e atitudes positivas para o projeto. Benefícios na passagem para o nível 3: O nível 3 insere os princípios lean e o uso total das novas ferramentas BIM de modo a melhorar a eficiência dos processos construtivos. A grande diferença do nível 2 para o nível 3 é que o projeto eleva o relacionamento devido às obrigações contratuais. Por outro lado, existe um aumente de riscos na adaptação para o nível 3:  Experimentar algo novo;  Todos os problemas associados são ainda desconhecidos;  Construir sem preço máximo garantido;  Desistir do comando e controlo;  Os clientes estão a correr mais riscos; Para contrariar esses problemas é necessário que todos os membros estejam de acordo inicialmente, de modo a proporcionar uma rápida resolução dos problemas e que os conflitos sejam evitados para existir mais prazer em trabalhar. Para passar do nível 1 para uma metodologia de nível 3 de IPD, a existência de mudanças nas mentalidades dos portugueses têm que ser efetuadas:  Tem que existir uma cultura de confiança;  Uma vontade de mudar, com motivação as mudanças acontecem;  De qualquer forma a mudança está a chegar, os estudos demonstram que as alternativas ao método de entrega convencional são mais rápidos, seguros, menos custosos e apresentam mais qualidade. Daí mais tarde ou mais cedo a mudança irá acontecer. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 46 Quando uma empresa de construção começa um novo projeto, a organização aponta um gestor de projeto para organizar e dirigir o projeto, acontece precisamente o mesmo com BIM. Para efetuar a gestão de toda informação do processo pode ser necessário um gestor do modelo, para ver a origem da informação, os assuntos envolvidos e quem é responsável pela mesma verificando a boa distribuição da informação pela equipa. O objetivo do gestor de BIM deve identificar o que será melhor para a empresa e recomendar o que é valioso, que pode ser ajustado ou o que necessita de ser desenvolvido. b) USO DE BIM NO ESTRANGEIRO A obrigatoriedade do uso de BIM nos projetos está a ser implementado em vários países, dos quais o Reino Unido e o Estados Unidos de América concedendo algum tempo para efetuar as mudanças necessárias. As próprias indústrias de construção estão a colocar iniciativas para auxiliar os processos de mudanças. No artigo escrito por Martin Day em 2011, 10% dos projetos no Reino Unido e 60% nos Estados Unidos de América estão a recorrer a BIM nos seus projetos (Day, M., 2011). Apesar das obras produzidas pelo setor privado terem a decisão sobre o uso de BIM, os projetos e infraestruturas do governo irão forçar muitas empresas a investir nas novas formações e software. Uma mudança de posição no governo relativamente à adoção dessas novas ferramentas representa sem dúvida uma decisão de grande importância na indústria de construção civil. 3.6.2 NÍVEIS DE IMPLEMENTAÇÃO DE BIM A figura 21 representa os diferentes níveis da implementação britânica de BIM. Em 2012, os projetos britânicos deverão ser realizados com BIM até o nível 2 com a aspiração do governo em ter um completo uso das capacidades de BIM em todos os projetos até 2016. Fig. 21 - Níveis de implementação de BIM – adaptado de (Sinclair, R.I.o.B.A.-D., 2012) Os níveis representam o grau de utilização de BIM no processo construtivo com as seguintes características (Sinclair, R.I.o.B.A.-D., 2012): Nível 0 - Utilização apenas de peças desenhadas em 2D CAD; Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 47 Nível 1 - Uso limitado de BIM por parte de apenas um interveniente, na maioria dos casos apenas para a conceção das peças desenhadas, na apresentação do projeto aos clientes ou pelos empreiteiros para verificações de coordenação. A utilização de BIM já representa um passo positivo na minimização dos resíduos e na ineficiência; Nível 2 - Nesse nível, há produção de informação 3D nos modelos obtida por todos os membros, contudo esses modelos não se encontram num único modelo. A existência de equipas integradas é recomendada. Essa mudança pode não representar que a estrutura legal e contratual muda mas aponta para certas novidades existentes como a consideração de um gestor do modelo e a clarificação das responsabilidades; Nível 3 - O maior desafio da passagem do nível 2 para o nível 3 encontra-se na existência de único modelo do projeto com informação enaltecida e mais abrangente. Nesse nível será possível haver análise de desempenho, custos associados à utilização dos materiais reais do próprio modelo entre muitos outros; A mudança de nível 0 para o nível 3 foi comparado à mudança do papel para CAD mas a realidade a mudança será superior:  Mudança para metodologias integradas e colaborativas;  Entendimento da informação e como serão implementadas no modelo digital;  Novas formas de contrato;  Interoperabilidade do software para permitir atividades simultâneas;  Padronização das atividades frequentes;  Análise com BIM de prazos com (4D) e de custos (5D). Em Portugal, neste momento os níveis de utilização de BIM existentes variam entro o nível 0 e o nível 1 podendo haver raros casos de nível 2. As utilizações de BIM ainda estão nas fases iniciais contudo é importante notar que as empresas não necessitam de passar diretamente para níveis de utilização de BIM máximos, existem patamares e é recomendável incorporar as ferramentas com cautela. 3.6.3 VANTAGENS DE BIM Com a utilização de BIM aliado ao projeto integrado, as metodologias atuais na indústria da construção irão sofrer grandes mudanças. Como foi referido por Norman Strong em 2007 da FAIA, Fellow of the American Institute of Architects e que pode ser aplicado aos engenheiros (Council, T.A.I.o.A.C., 2007) : “ A revolução já mudou a minha empresa e irá mudar a sua...A nossa profissão irá ser completamente diferente, transformada nos próximos 5-10 anos “ Martin Day, num artigo da conceituada AEC Magazine concorda que os benefícios de BIM traduzem as mudanças necessárias identificadas pelos célebres relatórios Latham e Egan (Day, M., 2011).O impulsionador da utilização de BIM no Reino Unido é Paul Morrell, que tem o cargo de conselheiro do governo sobre construção. Ele reconhece estar convencido que BIM é o caminho a seguir para desenvolver técnicas de trabalho que irão reduzir o custo e acrescentar eficiência e melhorar a gestão no setor público. Paul Morrell diz não estar preocupado com a mudança da integração dos novos software mas sim das empresas que não irão fazer a mudança, pois segundo ele “as empresas irão sentirse perdidas como as que atualmente não tem correio eletrónico” (Morrell, P., 2011). Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 48 Até 30% dos custos na construção (Laiserin, J., 2009) são causados pela falta de infomação proveniente das incorreções, dos atrasos e da falta de coordenação na informação dada. Como é óbvio um cliente inteligente gostaria de conseguir retirar ou amenizar essa situação. Sam Neider, diretor e co-fundador da Proactive Controls Group comentou sobre os motivos dos clientes passar para BIM:” BIM permite a redução dos riscos através da melhoria da informação no processo. Aquando da conceção, não existe apenas ganhos via deteção de erros, coordenação e programação mas também pela redução dos riscos com os desvios de custos, prazos e queixas.”(Constructech, 2012) As ferramentas de Building Information Modeling são uma representação física e funcional das características de um edifício. A partir dessa premissa a AIA (Architects, T.A.I.o., 2007) diz que “devido a essa informação disponível o projeto serve como conhecimento sobre um edifício fazendo com que seja uma base informativa confiável para toda a vida útil do projeto”. BIM prima com a troca da representação de informação digital de modo a haver uma perfeita interoperabilidade entre as diferentes partes interessadas. Essa colaboração, facilidade de partilhar e corrigir informação permitem durante as diferentes fases do projeto inserir, extrair, atualizar e modificar o projeto, refletindo mais nitidamente o pensamento e o conhecimento de todos os intervenientes. Os projetos realizados através da integração das novas tecnologias BIM, dito por Peter Griem (Griem, P., 2009) são:  Oferece uma visualização e uma coordenação de sistemas construtivos superiores;  Diminui os pedidos de informação durante a construção;  Permite diminuir os prazos da construção, resultando em economias de custo;  Revoluciona os papéis dos intervenientes da equipa projetista. No relatório desenvolvido por McGraw Hill (Hill, M., 2008), sobre a utilização das novas tecnologias informáticas para construção BIM, obteve resultados significativos. Os resultados mostram que no uso de BIM existe:  Menos pedidos de informação e menos problemas de coordenação (79%);  Melhor comunicação devido a visualização 3D (79%);  A probabilidade de ganhar um projeto é bastante mais alta (66%). A partir desses valores a comunidade da indústria construtiva começou a entender a tremenda importância da introdução das ferramentas BIM nos seus processos. Por esses motivos, da amostra observada, 61% dos empreiteiros que utilizavam as ferramentas apresentam uma opinião positiva no uso de BIM e um terço demonstram um retorno de investimento de 100% (Harty, J. and Laing, R., 2009). a) CAPACIDADE Segundo um slide da convenção AIA 150 apresentado sobre um inquérito relativo à percentagem de pessoas que acreditavam que os projetos e processos construtivos poderiam ser melhorados, 87% deram uma opinião afirmativa (Jonassen, J., 2006). A informação contida e as propriedades inerentes das ferramentas BIM definem a sua importância. Por exemplo, um pilar e as condicionantes segundo as quais as diferentes partes de um edíficio se relacionam com o pilar são detetados pelo programa, corringindo as possíveis falhas existentes. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 49 Uma grande vantagem dessas novas ferramentas reside na possível simulação em 3D de uma personagem digital a movimentar-se dentro dos edifícios para uma avaliação e verificação da circulação, saídas de evacuações uso de espaços entre muitos benefícios possíveis. Para a gestão futura das instalações, a capacidade 6D de BIM representa um dos aspetos mais inovador e útil. Com a obtenção de um modelo digital inteligente, o cliente terá uma ferramenta importante para permitir uma boa utilização do seu edifício, esse modelo contém toda a informação do projeto incorporado no projeto e acoplado a todos os arquivos de relevo. A informação contida sobre todos os elementos, como a sua boa utilização e manutenção, garantias e fornecedor associados permitem que o cliente não se sinta tão “sozinho” no término da obra. A utilização de planos de logística é crítica quando a entrega dos materiais no estaleiro é numerosa. A coordenação do estaleiro pode ser gerida com uso de RFID (Radio-Frequency Identification) e modelos BIM proporcionando informação sobre os componentes dos materiais e a localização dos componentes através de GPS (Global Positioning System). Os componentes são marcados quando chegam ao estaleiro utilizando códigos de barra ou RFID, deste modo os materiais podem ser constantemente seguidos (technovelgy, 1998). b) BIM VS. CAD Os documentos atualmente usados costumam ser do tipo CAD (Computer Aided Design) que são baseados num sistema vetorial. Mas essas ferramentas não permitem uma avalição aprofundada dos projetos pela falta de parâmetros existentes. Devido a esse aspeto, esses desenhos encontram-se na maior parte das vezes inadequados para uma conceção de modelos virtuais das construções. Daí o aparecimento das ferramentas BIM com a intenção de reduzir a necessidade de organização e de mudanças na informação existente permitindo os seguintes aspetos (Administration, U.S.G.S., 2012):  Aumento da eficiência nas trocas de informação;  Verificações automáticas de análise;  Redução de custos devido a problemas de interfuncionalidades;  Suporte de manutenção e de atividade melhorado. Durante largos anos, os projetistas usaram as peças desenhadas e modelos físicos para transmitir a sua perceção do projeto para aqueles que necessitam de aprovar e por último executá-la. Contudo, este processo conduz a várias dificuldades:  Obrigação à implementação de certas restrições por parte dos projetistas porque há limitações técnicas entre a representação mental e a desenhada;  Os documentos 2D não são explícitos para os clientes;  Possíveis inconsistências entre o projeto e as suas exigências. Os modelos informáticos da construção podem trocar os seus modelos de 2D para 3D para facilitar as visualizações pretendidas, incorporam uma parte de análise que auxilia os cálculos de forma automática. Dando o exemplo da ferramenta Autocad, que aplica e apresenta a geometria do projeto pretendido, BIM acrescenta as características físicas e funcionais dos vários tipos de objetos existentes fazendo aumentar exponencialmente a informação contida no projeto. As ferramentas 3D CAD já existem e promete uma “concorrência” acentuada com as ferramentas BIM mas no âmbito deste trabalho não se decidiu considerar essa vertente. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 50 A apresentação dos projetos utilizando as ferramentas BIM apresenta várias vantagens. Pela facilidade da mudança de visualização e de aspeto, o cliente pode receber uma versão que seja mais relevante para ele, como por exemplo acomodações a cores e legendas para tornar o projeto mais compreensível e vistas mais realistas. O engenheiro pode receber apenas o esqueleto estrutural e os engenheiros responsáveis por especialidades podem receber apenas partes do edifício que lhe dizem respeito. O acesso dado aos empreiteiros nos projetos devido à integração do projeto representa um novo mundo de controlo onde as mudanças ou desenvolvimentos na produção são apresentados no modelo assegurando uma redução significativa de problemas e erros. A libertação do projeto aos subempreiteiros garante que o seu trabalho seja compatível com o trabalho dos outros subempreiteiros e a coordenação de toda as operações sejam situadas num único lugar, essencialmente no modelo. Tabela 14 – Diferenças entre BIM e CAD BIM CAD Simulação 3D Simulação 2D ▪ Simulação total dos edifícios e dos seus componentes ▪ Combinação das diferentes partes do projeto ▪ Previsão de aspetos como colisões, cálculos e planeamentos ▪ A representação bidimensional de um edifício é apenas uma representação da forma final num aspeto abstrato da realidade Exatidão Estimativas ▪ Como o modelo representa a realidade de modo muito precisa, os materiais utilizados e as variáveis associadas podem ser apresentados em tempo real ▪ As previsões são muitas das vezes incertas devido às variáveis não serem devidamente calculadas Desempenho Redundância ▪ Devido aos elementos construtivos serem apenas desenhados uma simples vez existe uma poupança de tempo significativa ▪ As trocas informacionais proporcionam muitas vezes a repetição de certos documentos o que torna o processo mais lento Os primeiros sistemas BIM foram vendidos sobretudo devido aos benefícios de produtividade da mudança 2D para um modelo 3D. No início, muitas empresas criavam um modelo 3D mas continuavam a alimentá-lo com desenhos Autocad o que introduzia a mesma falta de coordenação quando havia mudanças a realizar entre os projetos. Porém agora os produtos BIM já conseguem produzir boas visualizações 2D para desencorajar editações externas. c) SUSTENTABILIDADE A sustentabilidade e a eficiência dos edifícios são aspetos cada vez mais importantes, o consumo energético e a utilização adequada dos recursos tornam-se fatores preponderantes nas escolhas dos processos construtivos. Essas novas preocupações são compreensíveis pois pela United State Energy Information Administration, a atividade do setor dos edifícios representa 49% da energia anual consumida e 76% do consumo elétrico do país (architecture2030, 2011). O uso dos recursos naturais do mundo como a água, metal e madeira resultou num aumento dos custos dos materiais nos ultimos anos, por exemplo, de 2007 para 2008, o custo do aço quase dobrou (steelonthenet, 2008). Associado ao crescimento populacional, as questões sobre a sustentabilidade dos edifícios e como criar edifícios melhor geralmente obtêm a mesma resposta: tecnologia. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 51 A sustentabilidade é um dos termos mais usados para descrever o estado corrente para o qual as construções têm que se dirigir para reduzir a pegada de carbono. A indústria automóvel é alvo de grande desenvolvimento na diminuição das emissões de carbono, porém, por exemplo nos Estados Unidos de América os edifícios produzem 38% das emissões de carbono total (website, U.-. 2007) mas menos pessoas se preocupam com isso. Nos processos construtivos atuais existem vários métodos que procuram efetuar a avaliação da sustentabilidade ambiental dos empreendimentos. Em geral analisam uma série de indicadores e estabelecem uma classificação qualitativa, o método Qualitel representa um bom exemplo. Os custos de manutenção de um edifício na sua vida útil representam cerca de 80% do custo total associado ao mesmo (Fig.22). Todavia é interessante na indústria da construção atual a importância principal nos custos da conceção e de construção em oposição aos custos das atividades futuras do edifício. Mas as mentalidades começam a alterar, novas construções sustentáveis aparecem sendo que 88% dos clientes já dizem que a eficiência energética é uma prioridade nas suas construções e projetos. Fig.22 - Custo total da vida de um edifício – adaptado de (Council, N.R., 1998) O equilíbrio entre as necessidades individuais, sociais, de preservação do habitat e da diversidade é muito difícil, pois vai provavelmente implicar a alteração dos hábitos atuais. A tabela seguinte demonstra as alterações a efetuar para o aumento da sustentabilidade na construção civil e as possibilidades da utilização de BIM para ajudar no processo de mudança. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 52 Tabela 15 – Alterações necessárias no âmbito da sustentabilidade e as melhorias com a utilização de BIM Sustentabilidade Alterações necessárias Utilização de BIM ▪ Conforto visual e térmico tirando mais partido da luz natural e das tecnologias passivas ▪ Possibilidade de análise da utilização e da eficiência da luz do dia no modelo ▪ Preservar os recursos e a saúde ▪ Gestão de materiais relacionados diretamente com a utilização real obtida a partir do modelo ▪ Diminuição da poluição e das incomodidades ▪ Avaliações térmicas otimizadas para diminuição do consumo energético dos edifícios As possibilidades do modelo digital criado a partir de BIM ajuda bastante no aspeto da sustentabilidade. As avaliações térmicas, análise de luz do dia, gestão de materiais e outros preconizam edifícios mais “verdes”. Um bom exemplo é o caso de Masdar City em Abu Dhabi, onde estão a planear uma cidade que seja neutra na produção de carbono devido à gestão de materiais e dos processos usados. d) TABELA RESUMO DOS BENEFÍCIOS DE BIM As vantagens de BIM no processo construtivo são elevadas, tanto nas suas capacidades de vários tipos de análise, capacidade de gestão e planeamento. A tabela seguinte apresenta as principais vantagens: Tabela 16 – Benefícios da utilização de BIM Utilização de BIM Vantagens ▪ Aumento de velocidade e de precisão dos modelos digitais ▪ Suporte de funcionamento e controlo das atividades ▪ Avaliações aproximativas energéticas, da água e do desempenho da iluminação natural ▪ Aumento da capacidade de resposta para testar soluções diferentes ▪ Integração dos documentos no mesmo modelo ▪ Medição de carbono gerido ▪ Capacidade de cálculo estrutural ▪ Rigor e cuidado com os pormenores ▪ O uso do 4D (tempo) do BIM permite validar de forma eficiente os programas e sequências logísticas ▪ Mudança de visualizações 2D para 3D consoante as necessidades ▪ Inserir, extrair, atualizar e modificar de forma fácil o modelo ▪ Automatização dos documentos ▪ Deteção automática de erros no projeto pelo programa ▪ Otimização da eficiência ▪ Um custo mais previsível e controlado pela capacidade 5D das ferramentas BIM para a realização de orçamentos adequados ▪ Simulação da movimentação de uma pessoa no edifício ▪ Redução da reformatação da informação Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 53 3.6.4 OBSTÁCULOS NA UTILIZAÇÃO DE BIM Novas tecnologias são frequentemente vistas com alguma reserva. Este facto não é devido à ferramenta não funcionar mas sim que ninguém quer ser o primeiro a utilizar as ferramentas e desvendar as suas funcionalidades e os seus problemas. As empresas que já efetuaram a mudança para BIM viram que necessitam de 3 a 4 projetos realizados, de modo aos processos serem entendidos para adver os benefícios do uso de BIM, daí não se pode esperar resultados imediatos. Apesar dessas empresas acreditarem incondicionalmente nas potencialidades de BIM também mencionam certas dificuladades. Enquanto que BIM resolve certos problemas dos antigos desenhos 2D CAD também acaba por introduzir alguns novos (Day, M., 2011). Os clientes podem poupar muito dinheiro num processo BIM por muitos motivos, o aumento de eficiência das equipas nas trocas de informação que se traduz em poupança de tempo, menores desvios de custos, uma informação de utilização e manutenção superior são alguns dos benefícios. Porém existem um debate sobre a possibilidade de uma taxa extra aos clientes em processos BIM, pois utilizando esse serviço fica com um edifício de qualidade superior a outro concebido de forma convencional. a) RISCOS E RESPONSABILIDADES Todos os projetos apresentam riscos e a questão da responsabilidade é complicada devido à quantidade de intervenientes no modelo. Esta questão segundo James Harty e Richard Laing nos seus trabalhos consideram ser primordial e apresenta implicações sérios em todo o sector construtivo (James Harty, R.L., 2008). Ultimamente, a responsabilidade reside no responsável que verificou a informação introduzida no modelo, a pessoa mais indicada seria o gestor do modelo. Uma das grandes questões relativas ao uso desses suporte informátivos reside no domínio do modelo devido à introdução de informação pelos vários intervenientes. A resposta óbvia é o cliente, pois segue o príncipio sobre a autoridade financiadora do projeto (James Harty, R.L., 2008). b) NECESSIDADE DE HARDWARE ADEQUADO Outro problema é o tamanho dos ficheiros BIM, devido às necessidades computacionais exigidas para correr os modelos, as máquinas mais antigas terão de ser subsituídas. O que origina um investimento considerável para a atualização dos equipamentos. Neste momento existe ambiguidade sobre o nível de detalhe adequado, se é pouco os benefícios serão perdidos, se é demasiado o modelo fica pesado para ser manipulado. Esse facto constituiu o erro das primeiras implementações de BIM com detalhes excessivos, tornando os modelos em ficheiros de tamanho desproporcionais. O desenvolvimento de um plano de software e hardware é requerido. O objetivo deste plano é de apresentar uma ideia sobre o investimento necessário como se apresenta na figura 23. BIM é um investimento e requer um custo significativo, por outro lado as economias potenciais e o retorno de investimento ultrapassam em muito os custos iniciais. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 54 Fig. 23 - Plano financeiro simplificado de implementação de BIM – adaptado de (Hardin, B., 2009) c) ARTICULAÇÃO E INTERCÂMBIO DE INFORMAÇÃO Um modelo único contendo toda a informação é muito complicado, o modelo de arquitetura difere bastante do modelo de construção em BIM. O planeamento de construção necessita de certos elementos do modelo (e.g, número de descargas de betão por andar) que não estão incluidos na parte de arquitetura BIM. Porém há companhias que já estão a criar modelos para ajudar nessa gestão de quantidades, planeamentos e controle de custos. Nos modelos 2D CAD em que só há linhas, círculos e formas simples havia muitos problemas gerados pelo simples intercâmbio de ficheiros e compatibilidades. Nos ficheiros BIM, essas partilhas encontram-se noutro patamar devido à complexidade dos elementos do modelo. A solução passa por usar o mesmo tipo de sistema BIM num projeto levando as empresas a possuir múltiplos “tipos” de BIM consoante as colaborações, ou idealmente, usar o mesmo tipo de sistema por toda a indústria. d) TABELA RESUMO DOS INCONVENIENTES NO USO DE BIM Tabela 17 – Obstáculos da utilização de BIM BIM Obstáculos ▪ Dificuldades no direito do domínio do modelo devido à contribuição de todos ▪ Falta de formação no uso das novas ferramentas ▪ Custo acrescidos da utilização das novas ferramentas ▪ Perca de tempo durante a aprendizagem dos novos processos ▪ Dificuldades da inserção num único modelo da parte arquitetural e construtiva ▪ Tamanho excessivo dos ficheiros ▪ Atualização dos equipamentos informáticos para suportar os novos software ▪ Ambiguidades nos níveis de detalhes necessários ▪ Ausência de protocolos de uso Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 55 3.7 AMBIENTE CRIADO ENTRE O PROJETO INTEGRADO E BIM A crítica mencionada por Martin Day sobre a utilização de BIM explicita que a nova tecnologia não está adaptado para a forma como a indústria trabalha atualmente e que uma adaptação e um investimento no trabalho de equipa é necessário (Day, M., 2011). Ora, é precisamente esse o ponto que liga as novas tecnologias BIM ao projeto integrado. Pois essas mudança de mentalidade e do ambiente construtivo para o qual as ferramentas BIM tiram todo o seu potencial e possam ser aplicadas corretamente são aquelas originadas pela introdução de uma metodologia IPD. BIM permite a possibilidade de métodos de entrega de projetos como o projeto integrado, a partir da sua tecnologia, de redefinir as responsabilidades a as funções de todos os participantes permitindo trazer o projeto de ideia a realidade. As ferramentas funcionam como catalisador de reação química, com a sua utilização é necessário muito menos esforço para obter os resultados pretendidos que podem ser economicamente aceitáveis pelas partes interessadas. Por um lado BIM, como modelo digital, é a ferramenta mais eficaz no suporte ao projeto integrado (Zhang, Y. and Guangbin, W., 2009). Por outro, o projeto integrado produz o ambiente perfeito onde se pode aproveitar o máximo potencial das ferramentas BIM. A característica introdução de informação e a aplicação de um modelo geral das ferramentas BIM não é muito viável no meio fragmentado simbólico do processo tradicional construtivo, encontrando-se por outro lado perfeitamente enquadrado na interoperabilidade existente do projeto integrado. a) BIM PARA OS ENGENHEIROS O projeto integrado auxiliado a BIM representa uma oportunidade para aumentar a importância dos engenheiros na construção. Peter Griem diz “A oportunidade de expandir o papel dos engenheiros civis deve ser aproveitado, os projetos integrados podem aumentar a visibilidade da profissão entre os intervenientes na indústria construtiva” (Griem, P., 2009). 3.7.1 FLUXO DE INFORMAÇÃO Tradicionalmente, devido às passagens entre as fases e avaliação da documentação entre os intervenientes, a informação pode não se encontrar ligada de forma perfeita, havendo então informação refluente traduzida pela linha descontínua azul da figura 24. Essas dificuldades encontram-se na tabela seguinte (Tab.18). Tabela 18 – Dificuldades da partilha de informação Processo Tradicional ▪ Informação de projeto repetitiva nas fases de transição ▪ A informação é dividida pelos participantes e não flui de forma correta entra as várias fases do projeto ▪ Normas existentes desencorajam as trocas informacionais ▪ Tecnologia atual preconiza os procedimentos individuais e não fornece a melhor informação digital que possa ajudar a execução do projeto Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 62 Apesar de existir, de facto, muitas diferenças entre os dois processos, as barreiras no fluxo de trabalho mencionadas podem ser adaptadas ou contornadas como se irá comprovar posteriormente. No caso de obras privadas, a escolha de qualquer tipo de metodologia é possível contudo no caso de empreitadas de obras públicas existem desafios. Devido ao seu sistema, a metodologia típica portuguesa, conceçãolicitação-construção, não permite uma natural de mudança para o projeto integrado. Enquanto esse tipo de metodologia não pode ser integrado, pode ser alterada de forma a tomar uma forma semelhante ao IPD. O projeto integrado requer a presença do empreiteiro desde do início do projeto, contudo pelas leis existentes torna-se difícil numa obra pública. Algumas opções, contudo, podem ser aplicáveis. Os artigos seguintes fazem parte do Código dos Contratos Públicos (CCP) que estabelece a disciplina aplicável à contratação pública (Ministério Das Obras Públicas, T.e.C., 2008a). Geralmente, o concurso de conceção de projetos reveste a modalidade de concurso público como especificado pelo artigo 220º, ora como os critérios de seleção são formulados pela entidade adjudicante, esses critérios podem ser alteráveis. A imposição de critérios e procedimentos semelhantes ao projeto integrado poderiam ser possíveis, como a inclusão do cliente e os demais consultores no processo. O cliente e o arquiteto poderiam permitir uma licitação do projeto o mais cedo possível. Quanto à presença dos construtores na conceção, em todos os procedimentos de contratos é necessário o caderno de encargos sendo a peça do procedimento que contém as cláusulas a incluir no contrato a celebrar. Ora, pelo artigo 43º: “ O caderno de encargos do procedimento de formação de contratos de empreitada de obras públicas deve ser integrado pelos seguintes elementos da solução da obra a realizar: a) Programa; b) Projeto de execução;” Como era esperado o projeto de execução deve fazer parte do caderno de encargos, ou seja, o empreiteiro apenas tem acesso ao projeto depois da realização do mesmo pelos projetistas. Porém a cláusula número 3 do mesmo artigo pode ajudar pois: “ Em casos excecionais devidamente fundamentados, nos quais o adjudicatário deva assumir…, como aspeto da execução do contrato a celebrar, a elaboração do projeto de execução, caso em que o caderno de encargos deve ser integrado apenas por um programa.” Esta norma permitiria a integração do empreiteiro no início da elaboração do projeto de execução sendo que a partir daí e com o acordo de todos os membros, poderia proceder-se a uma metodologia semelhante ao projeto integrado. De referir que nos documentos do concurso de conceção de projetos, deve existir critérios especificando a inclusão do empreiteiro no projeto de execução. Os clientes que escolhem esse método têm que estar conscientes que o projeto terá uma documentação menos completa que no processo convencional mas terá os benefícios do conhecimento do empreiteiro no projeto. As consequências de uma licitação adiantada representam uma falta de rigor e contingências maiores. Este aspeto pode ser aliviado com a possibilidade dos contratos e dos orçamentos poderem ser modificados e redefinidos depois da contribuição do empreiteiro na fase de projeto de execução. O artigo 311º remete-nos para esse caso: “ O contrato pode ser modificado com os fundamentos previstos no artigo seguinte: Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 63 a) Por acordo entre as partes, que não pode revestir forma menos solene do que a do contrato;” Sendo que os fundamentos necessitam de ser especificados, artigo 312º: “ O contrato pode ser modificado com os seguintes fundamentos: b) Por razões de interesse público decorrentes de necessidades novas ou de uma nova ponderação das circunstâncias existentes.” Essas possíveis alterações necessitam de estarem presentes no caderno de encargos, de modo a não alterar a fase de concurso. Uma última cautela encontra-se no artigo 315º onde se estipula que mudanças no valor acumulado superior a 15% do preço contratual devem ser imediatamente publicitadas no portal da internet associado. O cliente também deverá ter em atenção o aumento dos custos originados pela redefinição do projeto. O ajuste direto é um procedimento pré-contratual através do qual a entidade adjudicante convida diretamente uma ou várias entidades à sua escolha a apresentar uma proposta. Ora, este tipo de procedimento pode apresentar uma possibilidade no caso da experimentação da metodologia IPD em obras de empreitadas públicas. Em que: Artigo 25º: “ Sem prejuízo do disposto no artigo anterior, no caso de contratos de empreitada de obras públicas, pode adotar-se o ajuste direto quando: b) Se trate de obras a realizar apenas para fins de investigação, de experimentação, de estudo, ou de desenvolvimento, desde que: i) A realização dessas obras não se destine a assegurar a obtenção de lucro ou a amortizar os custos dessas atividades; e ii) O preço base relativo ao ajuste direto seja inferior ao referido na alínea b) do artigo 19;” O governo poderia realizar algumas obras para testar o projeto integrado a partir do ajuste direto, escolhendo e verificando as entidades interessadas em participar no projeto. O único senão reside na limitação do preço base em que pode chegar, em casos específicos, ao 1.000.000 de euros pelo artigo 19º. Outra opção também pode advir por concessões de obras públicas. Pelo artigo 407º: “Entende-se por concessão de obras públicas o contrato pelo qual o cocontratante se obriga à execução ou à conceção e execução de obras públicas, adquirindo em contrapartida o direito de proceder,.., à respetiva exploração..” Como se pode analisar nesse artigo, o concessionário pode eventualmente proceder a um desenvolvimento conjuntamente de conceção e construção permitindo desse modo a utilização de uma metodologia projeto integrado. Apesar de poder ser uma espécie de “privatização”, constitui a melhor opção para a utilização do IPD nas empreitadas de obras público. Atualmente, nas obras públicas, se não existir concessão, as fases de conceção e construção serão sempre separadas por duas fases de concurso mesmo tendo o empreiteiro a participar no projeto de execução. Contudo, por critérios e exposição dos procedimentos pretendidos, uma metodologia com muitos princípios do projeto integrado poderia ser aplicada. Se essas possibilidades forem tomadas numa obra pública ou a metodologia for escolhida numa obra privada e os intervenientes concordarem, os seguintes critérios podem apresentar uma adaptabilidade dos processos da metodologia típica para um processo integrado. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 64 Tabela 22– Critérios e adaptabilidade ao projeto integrado quanto à equipa Processo Tradicional Processo Integrado Diferenças quanto à equipa Fragmentado, reuniões esporádicas e forte hierarquização Projeto integrado composto por vários participantes, reuniões periódicas, aberto e colaborativo Adaptabilidade ao processo integrado ▪ Obrigação de reuniões periódicas com os participantes principais ▪ Participação e opiniões de todos os intervenientes ▪ Identificar os papéis dos participantes mais importantes para o projeto no início do desenvolvimento do mesmo ▪ Definir os valores, objetivos e os interesses dos vários membros da equipa Uma uniformização da importância dos intervenientes deve ser efetuada para uma mudança de metodologia, o arquiteto já não tem o mesmo poder de decisão e tem que ouvir, a partir de uma comunicação apropriada, as opiniões dos outros intervenientes. As reuniões periódicas ajudam numa definição dos interesses e nos objetivos que cada participante espera. Tabela 23– Critérios e adaptabilidade ao projeto integrado quanto ao processo Processo Tradicional Processo Integrado Diferenças quanto ao processo Linear, claro, acumulação de informação e silos de conhecimentos e perícia Multinível, conhecimento e perícia partilhado e confiança entre os participantes Adaptabilidade ao processo integrado ▪ Conhecimento e experiência partilhados durante as reuniões por parte dos intervenientes ▪ Considerar interesses e procurar o envolvimento das partes selecionadas ▪ Procurar a estrutura organizacional e de negócios flexível que seja adaptada ao projeto Os processos da metodologia atual são lineares e os membros das equipas não gostam de partilhar o seu conhecimento. Apenas o fazem em situações pontuais e frequentemente quando o problema já surgiu. Por outro lado, uma metodologia IPD requer confiança e uma partilha da perícia e da experiência de cada um, de modo a beneficiar o projeto. Uma mudança de estrutura na organização das equipas, para promover a colaboração, assim como discussões abertas com a participação dos intervenientes necessários para resolver as questões existentes, resultaria numa mudança exigida num projeto integrado. Tabela 24– Critérios e adaptabilidade ao projeto integrado quanto às recompensas Processo Tradicional Processo Integrado Diferenças quanto a recompensas Individual, associado ao custo inicial e um esforço mínimo para um máximo retorno O sucesso do projeto é diretamente proporcional ao sucesso da equipa e é baseado no custo global Adaptabilidade ao processo integrado ▪ As recompensas são atribuídas pela participação e a importância de cada interveniente no projeto existindo vantagens financeiras associadas ao sucesso e à qualidade da obra Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 65 O grave problema existente reside na falta de correlação entre o sucesso do projeto com os benefícios financeiros dos projetistas. Na metodologia de projeto integrado, a participação de um interveniente no acréscimo de valor ao projeto é diretamente proporcional aos seus benefícios individuais, criando dessa forma um incentivo ao esforço. Tabela 25– Critérios e adaptabilidade ao projeto integrado quanto às ferramentas Processo Tradicional Processo Integrado Diferenças quanto às ferramentas ▪ Baixa utilização dos novos modelos digitais para construção ▪ Bases digitais e Building Information modeling, 3D, 4D e 5D Adaptabilidade ao processo integrado ▪ Integração e instauração das ferramentas BIM no projeto Alguns gabinetes já utilizam as ferramentas BIM, porém o uso encontra-se ainda muito limitado. As ferramentas BIM são atualmente utilizadas mais para visualizações 3D de promoção e conceção do modelo, não sendo totalmente aproveitado as capacidades de gestão, planeamento e cálculo. Um ponto muito importante refere-se à coordenação entre as várias especialidades na utilização dos software. Uma maior articulação entre os vários intervenientes na conceção para existir uma coesão e compatibilidade entre os trabalhos, resultaria numa eficiência muito superior. O contrato muda drasticamente o conceito do trabalho da equipa. Os mecanismos da atribuição dos riscos e das responsabilidades para um projeto integrado são dos aspetos fundamentais a considerar na mudança do processo tradicional. As responsabilidades na conceção, partilha de risco e nos termos acordados em contratos representam grandes alterações. Um contrato 100% satisfatório para todos é quase impossível, para haver sucesso os membros tem que desenvolver confiança entre eles para não pensarem que serão prejudicados apesar de nem todas as suas preocupações estarem definidas no projeto. Porém, este aspeto é bastante complicado. Apesar da existência de objetivos comuns toda a gente tem objetivos e esperanças escondidas em relação ao projeto. Leva liderança do cliente ou dos seus representantes para implementar uma cultura de confiança e alinhar riscos para encorajar comportamentos para alcançar os objetivos. Com o auxílio da obra de David Hatem definiu-se algumas mudanças relativamente à atribuição de riscos a proceder para a adaptação ao processo integrado (Hatem, D.J., 2008) Tabela 26 – Critérios e adaptabilidade ao projeto integrado quanto ao risco – adaptado de (Hatem, D.J., 2008) Diferenças quanto ao risco Processo Tradicional Processo Integrado Risco individual, transferido na maior extensão possível Risco coletivo e transferido de forma adequada Adaptabilidade ao processo integrado ▪ Protocolos de riscos associados aos participantes ▪ Desenvolvimento de contratos de projeto para uma clara definição das responsabilidades dos participantes que sejam consistente com os próximos acordos pelas organizações e modelos de negócios ▪ Declarações que definam requisitos legais ▪ Envolvimento de companhias de seguros para a existência de coberturas relativas às responsabilidades na conceção do projeto e dos modelos Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 66 A apresentação dos critérios testemunha de forma geral e simplista uma possível adaptação da metodologia atual para uma metodologia integrada. No entanto, é necessário ainda comparar a informação regulamentar resultante das fases análogas das duas metodologias. 4.2 COMPARAÇÃO ENTRE AS FASES DA METODOLOGIA TRADICIONAL E AS FASES DO PROJETO INTEGRADO Para se poder realizar a comparação entre as fases típicas da metodologia tradicional e as fases do projeto integrado efetuou-se uma associação relativa das fases pelos seus conteúdos e objetivos e pela comparação fornecida pela AIA (Architects, T.A.I.o., 2007). As fases e os fluxos do projeto integrado apresentam grandes diferenças com as fases convencionais de um processo tradicional, como se pode constatar na figura 27. De notar, que as fases de Estudo Prévio e Anteprojeto foram agregadas pois a fase análoga do projeto integrado, a fase de Detailed Design integra o âmbito das duas. Fig. 27 – Fases de um processo tradicional e de um projeto integrado – adaptado de (Architects, T.A.I.o., 2007) Algumas fases do projeto integrado (Conceptualization, Criteria Design e Detailed Design) podem tomar mais do dobro da duração relativamente aos processos tradicionais. Porém o tempo associado à produção de documentação para a construção é diminuído de um terço (Reed, g.a.B., 2009). O resultado é que o projeto encontra-se definido e coordenado, antes do começo da construção, num patamar superior comparativamente à metodologia convencional, permitindo uma fase de construção mais eficiente e potencialmente mais curta (Council, T.A.I.o.A.C., 2007). Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 67 A definição dos objetivos chaves do projeto, referente ao que se deve construir, como o realizar e quem deve realizar as tarefas (O quê, Como e Quem), é transferida para os primórdios do projeto no IPD obrigando a uma participação inicial dos vários intervenientes. Esta antecipação possibilita um conhecimento mais cedo do que se deve construir, de modo a aperfeiçoar a solução pretendida. A redefinição das fases no IPD é originada por dois conceitos: a informação adicionada desde o início da conceção do projeto pelos vários intervenientes e a capacidade do modelo simular e modelar o projeto de forma precisa pelas ferramentas BIM. O que origina um nível de conceção muito superior antes da fase de documentação começar. 4.2.1 COMPARAÇÃO COM AS NORMAS PORTUGUESAS Todo o processo de empreendimento construtivo nacional desenvolve-se sob um enquadramento legislativo, normativo e de responsabilidade crescentes. A norma aplicável sobre as exigências e requisitos das diferentes fases na elaboração dos projetos de obras públicas é a portaria 701-H/2008 (Ministério Das Obras Públicas, T.e.C., 2008b) . As disposições especiais da secção 1 da norma referente aos edifícios são apresentadas. As normas portuguesas serão comparadas com os requisitos e objetivos da definição prática do projeto integrado, desenvolvida pela AIA (Council, T.A.I.o.A.C., 2007). Essa definição representa uma descrição prática e resumida do documento sobre o guia do projeto integrado, também desenvolvido pela AIA (Architects, T.A.I.o., 2007). No guia do projeto integrado existe as tarefas que cada membro necessita de realizar. A decisão de não colocar essas responsabilidades tomou-se porque representaria um trabalho moroso e meramente de transcrição, existindo ainda uma facilidade na obtenção do documento. A não utilização das definições do guia sobre IPD também tem origem na documentação nacional não especificar as tarefas associadas a cada interveniente, daí ser mais correta a comparação pela definição prática. Depois das fases de conceção do projeto, as características da fase de assistência técnica e os pesos relativos apresentados para o projeto integrado têm um carater pessoal pois a definição da AIA não refere essa fase. Na fase de revisão do projeto, foi a definição da metodologia tradicional que não apresenta uma origem normativa, pois apesar de ser mencionada na portaria 701-H/2008, essa carece de uma descrição aprofundada. As fases de licitação, de construção e do fecho da obra da metodologia convencional serão analisadas a partir das normas do Código dos Contratos Públicos (Ministério Das Obras Públicas, T.e.C., 2008a). A tabela 27 seguinte representa um resumo da associação das diversas fases entre a metodologia tradicional e as fases do projeto integrado, assim como os documentos utilizados na definição das mesmas. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 68 Tabela 27 – Associação entre as fases da metodologia tradicional e as fases do projeto integrado Associação das fases da metodologia tradicional com as fases do projeto integrado Fases da metodologia tradicional Fonte Fases do projeto integrado Fonte Programa Preliminar Portaria 701-H Conceptualization Definição prática da AIA Programa Base Portaria 701-H Criteria Design Definição prática da AIA Estudo Prévio Portaria 701-H Detailed Design Definição prática da AIA Anteprojeto ou Projeto Base Portaria 701-H Definição prática da AIA Projeto de execução Portaria 701-H Implementation Documents Definição prática da AIA Assistência técnica Portaria 701-H / Pessoal Revisão do projeto Pessoal Agency Review Definição prática da AIA Licitação CCP Buyout Definição prática da AIA Construção CCP Construção Definição prática da AIA Fecho da obra CCP Fecho da obra Definição prática da AIA As descrições da definição prática das diferentes fases do projeto integrado esclarecem que os aspetos apresentados representam um ponto de partida e podem variar consoante as necessidades e as prioridades de cada projeto. A análise das fases é efetuada pela divisão de 4 grupos face aos objetivos e requisitos inerentes de cada fase. A divisão é feita pelos seguintes grupos para tornar mais claro o âmbito de cada requisito:  Trabalhos preliminares;  Tarefas;  Metas a alcançar;  Resultados a obter. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 69 4.2.2 PROGRAMA PRELIMINAR VS. CONCEPTUALIZATION Tabela 28 – Programa Preliminar vs. Conceptualization Metodologia Tradicional Projeto Integrado Fase do Projeto Requisitos Programa Preliminar (fornecido pelo dono de obra aos projetistas) Conceptualization (definição do que se vai construir) Trabalhos Preliminares ▪ Características gerais da obra ▪ Obtenção de informação acerca dos utentes ▪ Localização do empreendimento ▪ Envolvimento de todos os intervenientes do processo para obtenção da máxima informação possível ▪ Elementos topográficos e geotécnicos ▪ Dados básicos de comportamento, funcionamento, exploração e conservação ▪ Tipos de utentes do edifício, a natureza e as medidas das respetivas atividades Tarefas ▪ Prazos para a elaboração do projeto e para execução da obra ▪ Com uso de BIM definição de: - dimensão -tempo - nível de detalhe ▪ Estimativas de custos e respetivos limite dos desvios ▪ Estimativa de custo reforçado com possibilidade de uso de BIM e definição de: -detalhes -sistemas -disponibilidade de custos ▪ Projetos auxiliares com resultados sobre qualidade, prazos e custos ▪ O cronograma preliminar é desenvolvido e associado ao modelo digital ▪ As metodologias de comunicação e tecnologias assim como parâmetros chaves são acordadas: - plataformas de BIM -administração e a manutenção de BIM -critérios de interoperabilidade - protocolos de transferência de informação -desenvolvimento das tolerâncias Metas a alcançar ▪ Objetivos da obra ▪ Objetivos de desempenho ▪ Objetivos da obra Resultados a obter ▪ Modelo Digital preliminar com o cronograma e estimativas de custo associados Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 70 O programa preliminar representa a primeira fase da metodologia tradicional portuguesa e é fornecido aos projetistas pelo dono de obra, constituindo as primeiras linhas sobre a construção pretendida. Na fase de Conceptualization, como os participantes estão todos presentes, já pode existir a definição do trabalho a realizar. A tabela seguinte representa a análise das duas fases. Tabela 29 – Análise Programa preliminar vs. Conceptualization Análise Programa Preliminar vs. Conceptualization Características semelhantes ▪ Informação sobre o tipo de utentes ▪ Os prazos e os custos são estimados porém são enaltecidos com o uso de BIM no projeto integrado ▪ Os objetivos principais são definidos Características diferentes Presentes no Programa Preliminar Presentes na Conceptualization ▪ As condicionantes "in situ" são definidas ▪ Projetos auxiliares sobre qualidade, prazos e custos são definidos ▪ Desenvolvimento do modelo digital a partir do projeto preliminar ▪ Envolvimento de todos os intervenientes do processo para obtenção da máxima informação possível ▪ Fase mais demorada pois mais esforço é necessário Apesar da existência das características fundamentais idênticas, nessa primeira fase, já se nota o claro adiantamento dos trabalhos na fase do projeto integrado devido à participação ativa de todos os membros presentes da equipa. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 71 4.2.3 PROGRAMA BASE VS. CRITERIA DESIGN Tabela 30 – Programa Base vs. Criteria Design Metodologia Tradicional Projeto Integrado Fase do Projeto Requisitos Programa Base (desenvolvido pelos projetistas) Criteria Design (o projeto toma forma) Trabalhos Preliminares ▪ Principais condicionantes (legais, topográficos, ambientais…) Tarefas ▪ Esquema da obra e programação das atividades ▪ Com o uso de BIM (ou sem) o modelo informático é testado para vários cenários pensados ▪ Dimensionamento das diferentes partes constitutivas da obra ▪ Adicionais prazos são desenvolvidos ▪ Peças escritas e desenhadas e outros elementos informativos para esclarecimento do programa base ▪ O preço é definido e o âmbito também ▪ Estimativa do custo melhorada da obra e análise comparativa com as várias soluções propostas ▪ As melhores decisões para o projeto são tomadas ▪ Descrição sumária do comportamento, funcionamento, exploração e conservação da obra ▪ Justificação das necessidades de instalações de equipamentos, de circulações e também comunicações ▪ Propor uma ou mais soluções para análise Metas a alcançar ▪ Acordos para permitir a encomenda dos elementos pré-fabricados ▪ Os donos do projeto assinam o que será construído deixando a equipa integrada otimizar o projeto ▪ O modelo do edifício deve encontrar-se diretamente ligado ao modelo de custos Resultados a obter ▪ Organograma e representação gráfica das funções e das atividades dos utentes do edifício ▪ Modelo digital aprimorado ▪ Memória descrita e justificativas das soluções propostas Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 78 O Projeto de Execução desenvolve o Projeto Base aprovado, sendo constituído por um conjunto coordenado das informações escritas e desenhadas de fácil e inequívoca interpretação por parte das entidades intervenientes na execução da obra. Por outro lado, na fase de Implementation Documents existe a conclusão do conhecimento do que se vai criar, passando para a documentação de como executar o que se pretende. Tabela 36 – Análise Projeto de execução vs. Implementation Documents Análise Projeto de execução vs. Implementation Documents Características semelhantes ▪ Nas duas fases a disposição espacial do processo é realizado assim como as características dos materiais, elementos, sistemas e equipamentos ▪ Os diferentes orçamentos são acabados e justificados, na implementation Documents é feito via BIM em 5D ▪ Os programas de trabalho são finalizados mas com a capacidade 4D de BIM as validações são mais eficazes ▪ Os objetivos são finalizados e devidamente documentados Características diferentes Presentes no Projeto de execução Presentes na Implementation Documents ▪ Definição dos arruamentos, movimentos de terra, muros de suporte e outras construções exteriores ▪ A fase é mais curta que no projeto de execução pois no início da fase já todos os edifícios e sistemas se encontram definidos e coordenados ▪ Desenvolvimento da informação desenhada e escrita do projeto base aprovado porém no projeto integrado já se encontrava definido ▪ Realiza-se documentos para propostas apenas para terceiros, fora da equipa integrada ▪ Estudos e suas memórias descritivas e justificativas da acústica e da térmica ▪ Pré-fabricação pode ser encomendada pois o modelo está suficientemente definido ▪ Planos de segurança, projetos de espaços exteriores, projetos de escavação e contenção periférica são realizados ▪ Propostas por membros exteriores à equipa integrada do desenvolvimento de uma parte do modelo digital por subempreiteiros especializados ▪ Define-se o caderno de encargo, no processo integrado já foi assinado o que seria feito na fase de Criteria Design Pelo esforço apresentada nas fases anteriores no projeto integrado, a fase de implementation Documents requer menos esforço e subsequentemente tem uma duração menor. A utilização em certos gabinetes de BIM na metodologia atual em Portugal existe. Porém as características do processo construtivo do IPD exigem e tiram partido da totalidade das capacidades de BIM, via as suas análises de validação de prazos e associação dos custos dos componentes diretamente no modelo digital desenvolvido. De notar que a quantidade de resultados obtidos na fase de Projeto de Execução é largamente superior, pelo teor normativo em que se insere. A fase de Projeto de Execução costuma apresentar várias debilidades. Pouco cuidado com os aspetos relativos às tecnologias de execução e os condicionamentos do estaleiro provocando contestações posteriores. Uma avaliação pouco rigorosa dos custos, um investimento diminuto na coordenação técnica e documental e finalmente uma inexistência de formatação comum a todas as fases. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 79 4.2.7 ASSISTÊNCIA TÉCNICA Tabela 37 – Análise da Assistência técnica entre as duas metodologias Assistência técnica Metodologia Tradicional Projeto Integrado Assistência Técnica (projeto) (assistência técnica do projetista ao dono de obra) Em projeto integrado a existência de Assistência Técnica não é muito adequada ▪ Esclarecimento de dúvidas relativas ao projeto durante a preparação do processo do concurso para adjudicação da empreitada ▪ Não existe o esclarecimento de dúvidas para concurso pois essa fase não existe em projeto integrado sendo o empreiteiro e subempreiteiros já definidos ▪ Prestações de informações e esclarecimentos solicitados por candidatos e concorrentes sobre problemas relativos à interpretação das peças escritas e desenhadas do projeto ▪ Como o dono de obra e o cliente encontram-se integrados durante a fase de projeto, essa prestação de apoio é diferente e menos acentuada visto eles também fazerem parte da equipa ▪ Prestação de apoio ao dono da obra na apreciação e comparação da qualidade das soluções técnicas, de variantes ou alterações que sejam apresentadas Na metodologia convencional, o projetista tem o direito de exigir e a obrigação de garantir a assistência técnica necessária ao dono da obra na fase de procedimento de formação do contrato, até a adjudicação da obra. Conforme se pode analisar, a fase de Assistência Técnica é inapropriada e de necessidade reduzida no projeto integrado pelo seu teor coesivo entre os intervenientes no processo construtivo. Um aspeto importante apresentado no artigo 12º da portaria 701-H reside nos pesos relativos regulamentados das diferentes fases do projeto tabela 38 (Ministério Das Obras Públicas, T.e.C., 2008b). As percentagens dos pesos relativos representam uma ajuda para efeitos de planeamento. Tabela 38 – Pesos relativos das diferentes fases do processo tradicional Pesos relativos das diferentes fases do processo tradicional conforme a portaria 701-H Fases do projeto Percentagem (%) Programa Base 10 Estudo Prévio 20 Anteprojeto 20 Projeto de execução 35 Assistência técnica 15 Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 80 Os pesos relativos mencionados podem ser alterados para poderem ser adaptados consoante o projeto em estudo, contudo o artigo 13º da portaria 701-H tece alguns critérios, como se pode verificar na seguinte tabela. Tabela 39 – Critérios dos pesos relativos Critérios dos pesos relativos pela norma 701-H ▪ A norma especifica que em função da complexidade e dimensão de cada projeto e com fundamentação adequada podem ser definidos outros pesos relativos ou percentagens para cada fase do projeto sem prejuízo do 2º parâmetro ▪ O 2º parâmetro estipula que nos casos previstos no número anterior não pode ser atribuído uma percentagem acumulada superior a 50% para o Programa base, Estudo prévio e Anteprojeto Pelas características apontadas sobre a assistência técnica e a diferença de durações das diferentes fases mencionadas, uma adaptação ao projeto integrado pode ser realizada. De referir que as percentagens representam uma ajuda respetiva à importância e ao esforço gasto em cada fase. O perfeito seguimento desses valores nas construções atuais é dúbia, daí as grandes mudanças de esforço apresentado pela incorporação da metodologia IPD não representar grandes complicações nesse sentido. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 81 4.2.8 REVISÃO DO PROJETO VS. AGENCY REVIEW Tabela 40 - Revisão do projeto vs. Agency Review Metodologia Tradicional Projeto Integrado Revisão do projeto Agency Review ▪ A equipa independente de técnicos, de reconhecida capacidade, analisa os projetos avaliando a qualidade e pormenorização das soluções apresentadas ▪ As validações e o envolvimento antecipada das agências permite diminuir os tempos necessários de análise ▪ Esta fase sendo frequentemente iniciada na final do Projeto de Execução obriga algumas vezes a esperas na obtenção de permissões o que torna a fase mais demorada ▪ O BIM fornece informação diretamente ou em dados acoplados que melhora e simplifica a verificação o cumprimento da regulamentação ▪ Os software de análise podem usar o modelo informático para validar o desempenho e os critérios em análise de forma rápida ▪ O processo integrado necessita que os empreiteiros e os comerciantes apresentam as suas análises e respondam a questões pois eles próprios desenvolveram porções do projeto ▪ A fase começa na conceção de critérios e intensificase na fase final de revisão, ou seja, nesta fase A aposta da qualidade pode ser melhorada por recurso à revisão de projeto onde uma equipa independente de técnicos, analisa os projetos avaliando a qualidade e pormenorização das soluções apresentadas, o dimensionamento e natureza dos trabalhos e executar. No processo tradicional esta fase representa um compasso de espera problemático, pois as necessidades de possíveis mudanças no projeto para conseguir as licenças atrasam todo o processo. Tabela 41 – Análise de Revisão do projeto vs. Agency Review Análise de Revisão de projeto vs. Agency Review Características semelhantes ▪ Produção de documentos das avaliações Características diferentes ▪ Fase mais demorada ▪ O envolvimento das agências a partir da fase Criteria Design permite diminuir os tempos de negociações ▪ Quebra entre a realização do projeto, a sua revisão e a posterior entrega do projeto para execução ▪ O BIM fornece informação diretamente ou em dados acoplados simplificando a verificação do cumprimento da regulamentação ▪ Os software de análise podem usar o modelo informático para validar o desempenho e os critérios em análise de forma rápida ▪ O processo integrado necessita que os empreiteiros e os comerciantes apresentam as suas análises e respondam a questões pois eles próprios desenvolveram porções do projeto Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 82 4.2.9 FASE DE LICITAÇÃO VS. BUYOUT Tabela 42 - Fase de Licitação vs. Buyout Metodologia Tradicional Projeto Integrado Fase de licitação (o projeto é licitado por vários empreiteiros) Buyout (conclusão das últimas negociações de contratos) ▪ Existência de muitos tipos de procedimentos de contratos: - Ajuste direto - Concurso público Concurso limitado por prévia qualificação - Procedimento de negociação - Diálogo concorrencial ▪ Como o projeto é totalmente integrado o envolvimento dos empreiteiros, subempreiteiros e fornecedores é inicial, eles necessitam de assegurar que serão eles os selecionados para o projeto ▪ Interrupção do fluxo construtivo ▪ As definições das intervenientes chaves já estarão definidas. As propostas de negociações ocorrerão pelos membros que não se encontraram incluídos no projeto integrado ▪ A fase é bastante demorosa, pois os empreiteiros pedem esclarecimentos do projeto, existem prazos para apresentação das propostas e as suas análises ▪ O modelo digital apresenta oportunidades de ofertas de propostas para a realização de apenas uma parte do modelo ▪ O projeto integrado insere uma grande variedade de estratégias de negociações baseado no nível de participação no projeto ▪ Os compromissos dos preços dos intervenientes principais são desenvolvidos consoante um esforço contínuo, com muitos subempreiteiros e fornecedores a apurar os seus preços durante o processo No IPD, a participação e a integração adiantada dos fornecedores e dos subempreiteiros traduz-se no desenvolvimento dos acordos financeiros através das diferentes fases, culminando na fase de Implementation Documents. Esta fase é bastante mais curta, pois as principais negociações já se encontram realizadas. A fase de licitação da metodologia tradicional tem muita regulamentação, prazos para apresentação de propostas, negociação e análise de propostas, originando uma fase alongada e penosa. Contudo, pela possível participação de vários candidatos, a oferta é muito variada e pode representar boas opções para o cliente. A tabela seguinte demonstra a análise entre as duas fases. Tabela 43 - Análise Fase de licitação vs. Buyout Análise Fase de licitação vs. Buyout Características semelhantes ▪ Conclusão das últimas negociações relativas a todos os intervenientes da obra Características diferentes ▪ Muitas propostas são apresentadas, representando um grande leque de escolha para o cliente ▪ O projeto integrado apresenta vários tipos de negociações possíveis e afinados baseados no tipo de participação no projeto ▪ Uma clara quebra no fluxo do processo construtivo com a aparição de novos intervenientes ▪ Os preços das intervenientes chaves já estarão definidos. As propostas de negociações ocorrerão primeiramente pelos membros que não se encontraram incluídos no projeto integrado Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 83 4.2.10 FASE DE CONSTRUÇÃO Tabela 44 - Fase de construção da metodologia tradicional e do projeto integrado Metodologia Tradicional Projeto Integrado Fase de construção Fase de construção ▪ Fase que os arquitetos consideram a fase final do projeto pois as questões e as soluções são definidas para os problemas reais ▪ O modelo informático pode ser ampliado ou aprimorado para melhorar os processos de pedidos de informação existentes ▪ Esclarecimento de dúvidas de interpretação, a ambiguidades ou omissões de projeto ▪ Representa a fase onde os benefícios do modelo integrado são realizados ▪ Elaboração das peças de alteração do projeto necessária a correções ▪ A maioria dos conflitos foi resolvida virtualmente ▪ Apreciação de documentos de ordem técnica apresentados pelo empreiteiro ao dono de obra incluindo a sua compatibilidade com o projeto ▪ Consistência da informação e da documentação disponível para todos ▪ Telas finais verificando a conformidade e as alterações do projeto de execução ▪ Utilização de mais elementos pré-fabricados ▪ Fornecimentos e montagens ▪ Mais atenção na segurança para efetuar os trabalhos em ambiente controlado ▪ Administração de contratos ▪ Um modelo digital 3D ajustado baseado em condições construíveis ▪ Ensaios ▪ O programa de trabalho é acoplado ao modelo informático para permitir a visualização e os desvios planeados das sequências de atividades e das suas durações A fase de construção da metodologia tradicional representa a fase de esclarecimento de dúvidas de interpretação, onde as questões e as soluções são definidas para os problemas reais. Pela falta de aconselhamento prático na fase de conceção, a existência de omissões e incompatibilidades ainda é substancial, o que origina um atraso na construção devido às mudanças necessárias. Por outro lado, no projeto integrado existem menos pedidos de informação pois os principais intervenientes foram envolvidos no desenvolvimento do projeto e na elaboração da documentação construtiva. A fase de construção representa a fase onde os benefícios do projeto integrado com a utilização integral das capacidades de BIM são realizados. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 84 Tabela 45 - Análise da fase de construção da metodologia tradicional e do projeto integrado Análise entre as fases de construção Características semelhantes ▪ Alguns documentos desta fase de administração de construção permanecem semelhantes às práticas correntes como: - Mudanças pretendidas, particularmente pelo cliente devem ser formalmente negociadas e documentadas - O planeamento e o progresso serão sujeitos à avaliação periódica - O controlo de qualidade, inserção e os testes Características diferentes ▪ Telas finais verificando a conformidade e as alterações do projeto de execução ▪ Menos pedidos de informação pois os principais intervenientes foram envolvidos no desenvolvimento dos objetivos do projeto e da documentação construtiva ▪ Apreciação de documentos de ordem técnica apresentados pelo empreiteiro ao dono de obra incluindo a sua compatibilidade com o projeto ▪ Menos esforços de administração no terreno porque os conflitos foram resolvidos virtualmente ▪ Melhor entendimento do conteúdo do projeto devido à consistência da informação e da documentação disponível para todos ▪ Menos desperdício devido a uma maior utilização de elementos pré-fabricados ▪ O modelo informático pode ser ampliado ou aprimorado para melhorar os processos de pedidos de informação ▪ Um modelo digital 3D ajustado baseado em condições construíveis e acoplado ao programa de trabalho para permitir a visualização e os desvios planeados das sequências de atividades e das suas durações Nos projetos integrados, a conceção e a implantação do projeto foram finalizadas durante as fases de Detailed Design e Implementation Documents. Devido a essas características, a fase de construção representa maioritariamente uma fase de controlo de qualidade e de monitorização de custos. O esforço acrescido da fase de conceção traduz-se numa fase de construção mais eficiente. A diminuição de conflitos e pedidos de informação é esperada devido ao envolvimento dos construtores na conceção, sejam eles o empreiteiro ou os subempreiteiros especializados. O modelo digital encontra-se acoplado ao programa de trabalhos para permitir um controlo dos desvios, das sequências e das durações das atividades. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 85 4.2.11 FECHO DA OBRA Tabela 46 – Fecho da obra da metodologia tradicional e do projeto integrado Metodologia Tradicional Processo Integrado Fecho da obra Fecho da obra ▪ Liquidação do preço correspondente a quantidade de trabalhos realizados ▪ Esta fase inclui o cálculo apropriado dos créditos e dos prémios ▪ Análise das possíveis penalizações ou prêmios ▪ Análise de existência de compensações ou penalidades ▪ Logo que a obra esteja concluída, é necessária realizar a vistoria para verificação das obrigações contratuais e legais ▪ O modelo 3D inteligente pode ser entregue ao cliente para manutenção e conservação ▪ A partir da realização da vistoria é assinado, pelos intervenientes, um auto para declarar se existe condições para a obra ser recebida ▪ O modelo BIM pode ser usado para comparar o desempenho atual com o esperado ▪ À obra, está associada uma garantia no qual o empreiteiro encontra-se obrigado a corrigir todos os defeitos da obra segundo uns prazos e critério regulamentares ▪ As obrigações de garantias, ocupação e notificações complementarem mantêm-se inalteradas devido ao estatuto legal requerido ▪ Uma informação do edifício mais completo é providenciada ao cliente para uma manutenção a longo termo ▪ As garantias de qualidade das instalações e dos defeitos dos produtos são similares às práticas correntes No projeto integrado, um possível modelo 3D inteligente pode ser entregue ao cliente para a manutenção e utilização do edifício construído. Nas duas metodologias, o fecho da obra depende muito dos termos acordados entre os intervenientes. Tabela 47 - Análise da fase do término da obra entre as duas metodologias Análise do fecho da obra entre as duas metodologias Características semelhantes ▪ Garantias de qualidade das instalações e dos defeitos dos produtos ▪ Cálculo apropriado dos créditos e dos prêmios ▪ As obrigações de garantias, ocupação e notificações complementares devido ao estatuto legal requerido Características diferentes ▪ Um possível modelo 3D inteligente pode ser entregue ao cliente ▪ O modelo BIM pode ser usado para comparar o desempenho atual com o esperado No projeto convencional assim como na metodologia IPD, essas fases são semelhantes pelo seu carácter regulamentar, como por exemplo, o cálculo apropriado de compensações e de penalidades e o período de garantias obrigatório. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 86 4.2.12 ANÁLISE GLOBAL DAS FASES DA METODOLOGIA TRADICIONAL E DO PROJETO INTEGRADO Tabela 48 – Análise global entre as principais fases de uma obra Análise global das fases entre as duas metodologias Duração ▪ No projeto integrado muitas tarefas das 3 primeiras fases são antecipadas relativamente às fases correspondentes tradicionais, devido ao esforço e às suas durações superiores ▪ A fase de Implementation Documents é menos demorada que a fase de Projeto de Execução pois os edifícios e sistemas já se encontram definidos ▪ A fase de construção é potencialmente mais curta no projeto integrado devido ao aumento de esforço dado à conceção ▪ O facto dos vários intervenientes fazerem parte integrante da conceção do projeto no IPD elimina as durações e as entregas sucessivas de aprovação entre os representantes do cliente e os projetistas ▪ Sendo que no projeto integrado não existe uma fase verdadeira de licitação e apenas o fim das negociações financeiras com os intervenientes representa uma considerável diminuição de tempo ▪ O IPD permite o envolvimento mais cedo das agências para efetuar as validações, de forma a diminuir o período de obtenção dos seus pareceres Ferramentas ▪ A utilização de BIM na metodologia convencional já existe porém está longe da sua potencialidade máxima. O projeto integrado preconiza e oferece um ambiente preferível para um aproveitamento total das capacidades de BIM ▪ No IPD, os custos, planeamentos e gestão são ligados ao modelo digital representando um controlo muito superior, de notar que numerosos tipos de análises também são efetuados Documentação ▪ A documentação a produzir como as memórias descritivas e justificativas e cadernos de encargo são semelhantes só que no processo tradicional são mais tardias ▪ Há existência de outra documentação específica do IPD como: - Protocolos e acordos de gestão de informação - Propostas para desenvolvimento de partes do modelo digital Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 87 Tabela 48 – Análise global entre as principais fases de uma obra (continuação) Análise global das fases entre as duas metodologias Requisitos ▪ A definição prática desenvolvida pela AIA carece de muitos requisitos por ser muito genérica mas muitos aspetos encontram-se implícitos na definição e presentes nas responsabilidades dos intervenientes no guia do IPD da AIA, como as condicionantes "in situ" ▪ Muitas tarefas são semelhantes nos dois processos apesar de muitas serem aprimoradas no projeto integrado ▪As análises térmicas, energéticas, de qualidade do ar apesar de não serem definidos no processo integrado é conhecida a existência dessas possibilidades usando BIM ▪ As disposições de água, gás, eletricidade e inserção paisagísticas mesmo que não sendo claramente dito na definição do IPD encontram-se implícitas ao modelo digital criado ▪ A acessibilidade ao estaleiro bem como os movimentos de terra mencionados nas normas portuguesas podem permanecer idênticos no IPD ▪ Os planos de segurança, escavação, espaços exteriores e contenção periféricas fazem parte dos planos necessários e existentes no IPD mas que não foram mencionados na definição prática da AIA Membros ▪ Apesar da dinâmica diferente existente no projeto integrado, a diferença dos papéis dos diferentes membros da metodologia tradicional não se alteraria de forma significada na sua essência apenas deveriam habituar-se à mudanças de fluxo de trabalho e utilização superior das ferramentas digitais Aspetos gerais ▪ O esforço dado à conceção do projeto é consideravelmente aumentado no IPD, necessitando uma participação inicial conjunta e ativa dos intervenientes da equipa ▪ O facto que na fase de Criteria Design, correspondente ao Programa Base, já ser assinado o que se irá realizar representa uma das maiores vantagens pois a partir desse ponto o projeto já é testado e otimizado ▪ Existe uma preocupação acrescida no processo integrado na utilização de elementos pré-fabricados na obra ▪ A deteção dos erros e o reconhecimento das responsabilidades é complicado no projeto integrado devido ao número de membros das equipas e sobreposição de tarefas ▪ O IPD transfere muitas das tarefas do processo convencional para fases anteriores, criando mais tempo para o desenvolvimento e aperfeiçoamento do projeto ▪ A assistência técnica no projeto integrado é inapropriada pelo teor coesivo entre os intervenientes durante o processo. ▪ A participação de vários candidatos na metodologia convencional representa uma oferta muito variada e boas opções para o cliente ▪ A diminuição de conflitos, desperdícios e de pedidos de informação é esperado no projeto integrado devido ao envolvimento dos construtores na conceção do projeto ▪ No projeto integrado, um possível modelo 3D inteligente pode ser entregue ao cliente para a manutenção e utilização do edifício construído Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 94 A definição prática desenvolvida pela AIA carece de muitos requisitos comparativamente às normas portuguesas por ser muito genérica, no entanto, muitos aspetos encontram-se implícitos na definição. Muitas características em falta também fazem parte dos deveres e responsabilidades da definição da AIA, Integrated Project Delivery: A Guide, que não se decidiu colocar. Mas globalmente, muitas tarefas são semelhantes nos dois processos, contudo muitas são aprimoradas e adiantadas no projeto integrado, de forma a poder explorar e otimizar as soluções pretendidas. 5.1.6 AVALIAR O PROJETO INTEGRADO COM PARECERES PROFISSIONAIS Apesar dos gabinetes mencionados poderem ser uma minoria na utilização das ferramentas BIM , nota-se já um bom grau de utilização de nível 1 ou perto do nível 2. O uso das ferramentas tornaria o processo de adaptabilidade ao projeto integrado muito mais fácil. Alguns desafios foram associados ao seu uso, como a curva de aprendizagem necessária, os custos de hardware e a compatibilidade entre as disciplinas. Porém no cômputo geral, as ferramentas valiam a mudança devido ao trabalho ser mais eficiente. Algumas mudanças necessárias à metodologia tradicional foram apresentadas, sobretudo o aumento de articulação e coordenação e falta de um parecer de caráter construtivo na conceção. Esses problemas podem ser minimizados pela implementação do projeto integrado. Sobre a questão de uma possível implementação do projeto integrado em Portugal, foram mencionados alguns entraves, fruto do hábito e das várias décadas da utilização da metodologia tradicional. No entanto, como foi apresentado muitas das questões referidas podem ser ultrapassadas com algum esforço. 5.1.7 DIFICULDADES ENCONTRADAS NA REALIZAÇÃO DO TRABALHO A flexibilidade existente sobre metodologia de entrega de projetos é tão rígida em Portugal, com a presença quase única da metodologia tradicional que outras metodologias nem sequer se encontram lecionadas no curso de engenharia civil da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. O estudo das metodologias envolveu então, uma investigação maioritariamente de fontes e experiências estrangeiras. 5.2 CONSIDERAÇÕES FINAIS Em 2004, a Lean Construction Institute analisou num estudo que 57% do esforço nos projetos de construção não adicionava valor ao produto final (Institute, R.B.-T.C., 2008). A indústria da construção deve portanto trabalhar de forma a encontrar uma forma para eliminar esses desperdícios. A produção da construção não se assemelha à produção industrial típica, o cruzamento de muitas valências e a heterogeneidade acentuam dificuldades na introdução de novas metodologias. A metodologia convencional portuguesa existente, do tipo conceção-licitação-construção, já apresenta muitos anos de funcionamento e não será fácil incitar as pessoas a mudar. As novas tecnologias permitem grandes avanços na eficiência e no rigor, mas são as mudanças nos processos das metodologias de entrega de projeto que originam melhorias ainda mais significativas. Contudo para existir a aplicabilidade do IPD em Portugal é necessário que os projetistas, empreiteiros Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 95 e clientes, assim como os outros intervenientes, tomem novos papéis e competências, isso resulta numa grande mudança de cultura. “People seek change, but do not want to be changed” Peter Senge (Institute, L.C., 2010) Um aspeto complicado na implementação do projeto integrado seria na dificuldade em encontrar parceiros para o processo. A metodologia de projeto integrado enquadra-se mais com um pensamento anglo-saxónico, prova de uma mudança de mentalidade anterior, que teve também como origem os famosos relatórios mencionados. Contudo, se o tópico for presentado devidamente e com planos de ação realistas, seguramente haverá pessoas dispostas a participar nesses novos métodos. Quando se associar a metodologia IPD como uma nova oportunidade de negócio, o desenvolvimento e a implementação será desencadeada. No futuro, e como tem vindo a acontecer, o BIM irá substituir o CAD da mesma forma que o papel deu lugar à conceção em CAD, o mundo evolui de forma rápida e a passagem para novas tecnologias para acompanhar o “ritmo” será sempre necessário. Num futuro próximo, um edifício baseado de forma completa em informação paramétrica tornar-se-á realidade. Quanto mais cedo a transição for efetuado em Portugal, melhor será, de modo a nossa indústria de construção civil acompanhar a evolução tecnológica mundial. Um aspeto importante de referir é que o processo convencional não necessita de passar diretamente para o projeto integrado como metodologia de entrega, existem patamares intermédios. Vendo o proje- to integrado como filosofia ou como metodologia de entrega de projeto, os clientes têm uma visão mais clara das opções possíveis e apresentam mais capacidades para tomar decisões. Como é óbvio, nada é perfeito, e haverá sempre problemas nos processos construtivos utilizando as melhores metodologias e ferramentas digitais, o objetivo será de diminuir ao máximo essas questões. A criação ou adaptação dos acordos entre membros e processos contribui no aumento da comunicação entre membros, sendo crucial para o sucesso dos projetos. A utilização das ferramentas BIM para aumentar a eficiência aliada a uma mudança dos contratos existentes, poderia resultar em efeitos surpreendentes. Os ambiciosos valores dos projetos-pilotos sobre IPD implicam que um novo paradigma construtivo emergiu, contudo um novo método nunca se instala de forma simples devido à resistência criado pelo processo antigo. Essa mudança de processos, caso se efetue, irá necessitar de tempo mas também de um esforço realizado por toda a indústria. Apesar da dificuldade em mudar um processo profundamente instaurado, acredita-se que o estabelecimento de um novo acontecerá se provar o seu valor. Uma mudança de posição no governo relativamente à adoção das ferramentas BIM representaria sem dúvida uma decisão de grande importância na indústria de construção civil. Uma flexibilidade regulamentar e normativa acrescida, é também requerida na indústria nacional de construção civil, para uma possibilidade de implementação de novas metodologias de entrega de projetos, como o projeto integrado. A indústria nacional necessita de compreender que o processo tradicional não está adaptado ao mundo atual e certamente também não o estará no futuro. Com os resultados obtidos pelos projetos integrados Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 96 aliado a BIM, a nível arquitetural, estrutural e construtivo, é difícil não querer ver a sua experimentação no mercado nacional. 5.3 PERSPETIVAS DE DESENVOLVIMENTOS FUTUROS Como já foi referido anteriormente neste documento, uma aplicabilidade do projeto integrado em Portugal teria uma importância relevante. As investigações têm vindo a crescer a nível internacional, os estudos e projetos aplicando o projeto integrado revelam-se eficazes, porém pouco tem acontecido a nível nacional. Assim existem diversas possibilidades para investigações futuras:  A primeira sugestão que se deixa prende-se na obtenção e na análise de pareceres profissionais dos intervenientes dos processos construtivos sobre as tarefas específicas que teriam que desempenhar segundo um projeto integrado. Seria interessante, em trabalhos futuros conhecer a opinião dos intervenientes da obra sobre as tarefas e responsabilidades precisas que teriam de desempenhar, no âmbito de um projeto integrado;  A segunda consiste em analisar os contratos disponíveis pela AIA e avaliar a sua adaptação às normas portuguesas. Uma análise aprofundada aos contratos disponíveis sobre o projeto integrado e a sua adaptação à regulamentação portuguesa significaria um grande avanço na aplicabilidade do método em Portugal. Avaliação da aplicabilidade do IPD em Portugal 97 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: A.Howell, Gregory - What is Lean Construction. (1999). Administration, U.S. General Services - 3D-4D Building Information Modeling. 2012. Agency, United States Environmental Protection - Characterization of Construction and Demolition Debris. (1997). ALLIANCE, DESIGN - Project Delivery Methods 2008. Architects, The American Institute of - Integrated Project Delivery: A guide. 2007. Architects, The American Institute Of - Contract documents 2008. architecture2030 - Building Consume More Energy Than Any Other Sector 2011. Autodesk - Autodesk and Bentley to Adcance AEC Software Interoperability 2008. Bernstein, Phillip - Integrated Practice: It's Not Just About The Technology 2005. BS - Design Related Deficiencies. (1980). Building, Pankow Thinking Beyond The - Integrated Project Delivery 2012. C. Eastmann, P. Teicolz, R. Sackz, K. 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A utilização de BIM já é requerida, esses contratos apesar de não ter todos os intervenientes associados ao mesmo contrato já torna o processo como filosofia de projeto integrado de nível 2.  A195-2008: Formato padrão de contratos entre clientes e empreiteiros num projeto integrado;  AIA A295-2008: Condições gerais de contratos para IPD;  B195-2008: Formato padrão de contratos entre clientes e arquitetos num projeto integrado; Contratos globais: Nesses tipos de contratos, os participantes primários especificam as suas funções, direitos, obrigações e responsabilidades. A confiança é fundamental nos contratos globais visto que as compensações estão ligadas ao sucesso geral do projeto dependendo das contribuições de todos os intervenientes. Esses tipos de contratos confirmam a opção tomada no processo de um projeto “puro” IPD de nível 3. Apesar de funcionar em todos os tipos de projetos, as qualidades de um contrato global encontram-se bem adaptadas para projetos complexos e variáveis devido às equipas integradas serem flexíveis e criativas. Os contratos globais requerem um planeamento minucioso, negociações cuidadosas e um grande esforço na construção da equipa adequada. Este processo pode ser custoso e necessita de ser realizado o mais cedo possível do desenvolvimento do projeto. Apesar desse custo não ser muito significativos em grandes projetos, nos projetos mais pequenos pode ser reduzido com uma experiência colaborativa anterior entre os intervenientes da equipa designada. Os contratos globais variam consoante as necessidades dos projetos e dos intervenientes, contudo existe uma série de atributos que mantém-se sempre presentes:  Os intervenientes encontram-se ligados por acordos conjuntos;  Os acordos criam uma temporária, virtual ou formal, organização completada por gestão e processo específico de decisões;  Os processos são adaptados para suportar um desenvolvimento favorável para a equipa;  As decisões são conseguidas através de consenso e com o objetivo de serem as melhores opções para o projeto;  Alguma parte das compensações é amarrada ao projeto;  As funções são assignadas às pessoas ou entidades mais capazes de as realizar. O documento contratual fornecido pela AIA é o seguinte:  C191-2009: Formato padrão de um contrato global numa metodologia IPD;