Relatório de Estágio realizado na Farmácia Peixinho
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Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas Relatório de Estágio Profissionalizante Farmácia Peixinho 22 Setembro de 2014 a 22 Março de 2015 Luís Almeida Pereira Orientador : Dra Maria de Fátima Peixinho Fernandes Rodrigues __________________________________________ Tutor FFUP: Prof. Dra Maria Helena da Silva de Vasconcelos Meehan __________________________________________ Abril de 2015
II Declaração de Integridade Eu, _______________________________________________, abaixo assinado, nº __________, aluno do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, declaro ter actuado com absoluta integridade na elaboração deste documento. Nesse sentido, confirmo que NÃO incorri em plágio (acto pelo qual um indivíduo, mesmo por omissão, assume a autoria de um determinado trabalho intelectual ou partes dele). Mais declaro que todas as frases que retirei de trabalhos anteriores pertencentes a outros autores foram referenciadas ou redigidas com novas palavras, tendo neste caso colocado a citação da fonte bibliográfica. Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, ____ de __________________ de ______ Assinatura: ______________________________________
III Resumo Este relatório relata de forma sucinta as atividades desenvolvidas por mim durante a unidade curricular de estágio, na Farmácia Peixinho de Aveiro, sob a orientação da Drª Maria de Fátima Rodrigues. O presente relatório estará dividido em duas partes. Numa primeira parte relatarei a minha passagem pela Farmácia Peixinho e todas as atividades aí desenvolvidas. Numa segunda de cariz teórico-prático exporei e analisarei alguns casos práticos que fui desenvolvendo ao longo do estágio. O primeiro remete ao aconselhamento a doentes que sofrem com efeitos adversos das Estatinas. O segundo, um pequeno estudo explorativo sobre suplementação. Por último farse-á uma análise estatística da proveniência do receituário na Farmácia Peixinho.
IV Índice Declaração de Integridade………………………………………………………….II Resumo……………………………………………………………………………….III Índice de Abreviaturas……………………………………………………………..VIII Índice de Figuras…………………………………………………………………….IX Índice de Anexos……………………………………………………………………..X Índice de Tabelas……………..…………...…………..……………………………..XI Parte I – Descrição das atividades desenvolvidas no estágio 1. Introdução…………………………………………………………………….1 2. A Farmácia Peixinho……………………………………………………...…2 2.1. Localização e Horário………………………………………………………..2 2.2. Recursos Humanos………………………………………………………….2 2.3. Caracterização do interior da farmácia…………………………………….3 3. Administração e Gestão da Farmácia…………………………………..….5 3.1. Gestão de Stocks……………………………………………………………..6 3.2. Aquisição de produtos………………………………………………………..6 3.3. Verificação e receção das encomendas recebidas……………………….7 3.4. Armazenamento………………………………………………………………8 3.5. Devoluções……………………………………………………………………9 4. Medicamentos Manipulados……………………….……………………….10 4.1. Preparação de Medicamentos Manipulados……………….……………..11 4.2. Armazenamento e Rotulagem de Medicamentos Manipulados………..11 4.3. Preço dos Medicamentos Manipulados……….…………………………..12
V 4.4. Dispensa dos Medicamentos Manipulados……………………………….12 5. O ato da Dispensa de Medicamentos……….…………………….……….13 5.1. Medicamentos Sujeitos a Receita Médica…………………………….…..13 5.1.1. Processamento de Receituário / Faturação………………………….…...15 5.1.2. Medicamentos Psicotrópicos e Estupefacientes…………………….…...16 5.2. Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica………………….…….….17 5.3. Medicamentos Genéricos……………………………………………….…..17 5.4. Medicamentos de Uso Veterinário………………………………...….……18 5.5. Dispositivos Médicos………………………………………………..……….18 5.6. Produtos de Higiene Corporal e Dermocosmética…………………...…..19 5.7. Produtos para Alimentação Especial……………………….……….…….19 5.8. Preparações Extemporâneas………………………………….….….…….19 6. Serviços prestados pela Farmácia Peixinho……………………..….……20 6.1. Consultas…………………………………………………………..…………20 6.2. Formações na Farmácia………………………………………….…………20 6.3. Parâmetros Biológicos……………………………………….……….……..20 7. VALORMED………………………………………………….…….…….…...21 Parte II – Casos de Estudo Caso 1 - Aconselhamento farmacêutico em casos de Efeitos Adversos provocados por Estatinas 8.1. Enquadramento………………………………………………………….….22 8.2. Objetivos………………………………………………………………….…..22
VI 8.3. Etiologia e Fisiopatologia da Hipercolesterolémia………………….……22 8.4. Terapêutica da Hipercolesterolémia………………………….……………24 8.4.1. Terapêutica Não Farmacológica……………………………………….…..24 8.4.2. Terapêutica Farmacológica……………………………………………..…..24 8.5. Métodos………………………………………………………………….……26 8.6. Resultados…………………………………………………………….……...26 8.6.1. População escolhida…………………………………………………..…....26 8.6.2. Estatinas utilizadas pelos utentes…………………………………….……26 8.6.3. Sinvastatina, Atorvastatina e Rosuvastatina e os efeitos adversos……27 8.6.4. Resultados Gerais……………………………………………………..……..28 8.7. Discussão……………………………………………………………..………29 8.8. Conclusão……………………………………………………………..……...31 Caso 2 - Suplementos, o que existe e para que servem? 9.1. Enquadramento…………………………………….………………….…….32 9.2. Objetivos………………………………………………………………..…….32 9.3. Suplementos………………………………………………………….……...32 9.3.1. Suplementação em Glucosamina e Condroetina…….……………..…...32 9.3.2. Suplementação em Ómega-3……………………………………..….…….33 9.3.2.1. Tónicos Cerebrais…...………………………………………….….………34 9.3.3. Suplementação em Magnésio…………………………………..……….…35 9.3.4. Suplementação em Vitamina C……………………………….……………35 9.3.5. Suplementação em Alho……………………………………….……………36
VII 9.3.6. Suplementação em Melatonina……………………………….……………37 9.3.7. Multivitamínicos/Multiminerais…………………………………….………..37 9.4. Conclusão…………………………………………………………….………38 Caso 3 - Estudo Estatístico da proveniência do receituário na Farmácia Peixinho 10.1. Enquadramento……………………………………………………………..39 10.2. Objetivos…………………………………………………………….………..39 10.3. Métodos………………………………………………………………………39 10.4. Resultados…………………………………………………………………...39 10.5. Discussão / Conclusão……………………………………….…………….40 11. Conclusão Final…………………………………………….……………….40 Parte III – Bibliografia…………………………………..…………….……………42 Parte IV – Anexos e Tabelas.………………….…………………..…….……….49
VIII Índice de Abreviaturas FPx Farmácia Peixinho MNSRM Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica MG Medicamento Genérico MM Medicamento Manipulado PVP Preço de Venda ao Público INFARMED Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P.
IX Índice de Figuras Figura 1 – Síntese do Colesterol……………………………………………...……23 Figura 2 – Inibição da HMG-CoA redutase pelas Estatinas………….………….25
5 Existe uma mesa com um posto informático para realizar a receção das encomendas. Gabinete de atendimento ao utente: É uma zona acolhedora, onde são realizados os testes bioquímicos (glicose, triglicerídeos, colesterol) e onde é possível ter uma conversa mais reservada com o utente. É ainda neste espaço onde são realizadas quinzenalmente as consultas de nutrição e as consultas de podologia, por marcação. Gabinete da Direção Técnica: Na FPx existem um gabinete destinado às atividades da direção técnica, e dois gabinetes destinados à gestão e controlo de todas as atividades realizadas na farmácia. Laboratório: Neste local destinado a produção de Medicamentos Manipulados (MM) estão criadas todas as condições para se realizar a produção de MM de acordo com as normas de boas práticas de fabrico de medicamentos (de acordo com a Portaria nº594/2004) [3]. Possui todo o equipamento e documentação (Farmacopeia, Formulário Galénico, Prontuário Terapêutico) legalmente exigida. Existe ainda uma secretária onde se faz a conferência do receituário. Instalações sanitárias: Existem duas, de utilização destinada à equipa. Sistema informático: O sistema informático utilizado na FPx é, como na maioria das farmácias, a versão mais recente do SIFARMA 2000 que pertence à companhia Glint. Este sistema foi idealizado com o objetivo de facilitar a atividade farmacêutica (indicando informação técnico-científica, circulares informativas da Associação Nacional de Farmácias - ANF) e a atividade de gestão da própria farmácia (ajudando no controlo de stocks, receção de encomendas). 3. Administração e Gestão da Farmácia Uma boa organização, planeamento adequado e correta administração, são pilares fundamentais para que qualquer negócio seja otimizado, principalmente nos dias correntes.
6 3.1 Gestão de Stocks: O stock ideal numa farmácia é a quantidade mínima de um produto que deve existir, de forma a suprimir as necessidades específicas de uma população, e que fique o menos tempo possível na farmácia (rotação de stocks). Para se ter uma boa gestão de stock é necessário ter em consideração algumas variáveis como: que tipo de população mais frequenta a farmácia, a localização da farmácia, qual a medicação que mais saída tem, as condições comerciais de aquisição efetuadas pelos vendedores, o poder económico da farmácia, o espaço disponível para armazenamento, a existência de campanhas publicitárias, entre outros fatores. É aqui que o sistema informático SIFARMA 2000 é essencial, pois permite-nos consultar toda a movimentação do inventário, definir stocks máximos e mínimos que, quando atingidos, geram automaticamente uma encomenda para posteriormente ser analisada e enviada para os fornecedores a fim de evitar ruturas de stocks. 3.2 Aquisição de produtos: A aquisição de produtos na FPx efetua-se de quatro formas distintas. Com o suporte do sistema informático SIFARMA 2000, faz-se a encomenda diária para os fornecedores, que é gerada quando qualquer produto ultrapassa o seu stock mínimo. Podem-se ainda efetuar encomendas por telefone diretamente ao fornecedor ou via gadjet quando há uma necessidade de confirmar se o produto está disponível no mercado, ou se segue na encomenda seguinte. Por último, existem também encomendas efetuadas diretamente com o representante de um laboratório. Todos estes processos complementam-se e permitem à FPx ter os produtos necessários para suprimir as necessidades dos utentes de forma eficaz. Na FPx há ainda mensalmente uma encomenda designada “Valor” no início de cada mês e uma encomenda designada “50+” efetuada a meio do mês.
7 Em qualquer tipo de encomenda efetuada é necessário ter em atenção alguns parâmetros como: o custo do produto, a existência de promoções ou bonificações, a existência de descontos comerciais ou financeiros. Durante o estágio tive contacto por diversas vezes, enquanto praticava o ato da dispensa, com as encomendas por telefone e gadjet, pois por vezes o produto não estava disponível e era pedido por estes meios, de forma a chegar rapidamente (por vezes à tarde ou no seguinte dia de manhã) à farmácia. 3.3 Verificação e receção de encomendas recebidas: As encomendas que chegavam diariamente à FPx vêm seladas em contentores de transporte, em horário definido pelos armazenistas e sempre acompanhadas pela guia de transporte, fatura e duplicado, e em alguns casos específicos do guia de benzodiazepinas ou guia de psicotrópicos. Os produtos cujo armazenamento é, obrigatoriamente, a temperatura inferior a 8ºC chegavam em contentores identificados externamente por “transporte de produtos de frio”. Quando chegavam as encomendas, a prioridade recaía em fazer a sua verificação. Iniciava-se pelos produtos termolábeis, conferindo-se as quantidades, o preço de venda à farmácia (PVF), o preço de venda ao público (PVP), quando aplicável, e anotava-se o prazo de validade do produto na fatura. De seguida verificava-se todos os restantes produtos aquando da “entrada” no sistema informático, tendo em atenção: o estado das embalagens recebidas, a quantidade de embalagens, o PVF, o PVP e o prazo de validade. No caso de MNSRM, como não têm preço fixo regulado pela entidade responsável (Decreto-Lei nº 20/2013) [4], é colocada uma etiqueta com o Código Nacional Produto (CNP) e respetivo PVP e o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), de acordo com as margens aplicadas pela farmácia.
8 A prioridade de ordem de receção das encomendas era: inicialmente as pedidas por gajdet/telefone, seguindo-se as encomendas diárias e só por último as provenientes dos laboratórios. Durante o estágio estive responsável durante uma semana pela verificação e receção de todas as encomendas recebidas pela FPx. Aquando da explicação de como era efetuado o procedimento, foi-me referido que era importante verificar sempre qual o armazenista e número da fatura, e verificar constantemente se os dados introduzidos no computador (PVP, PVF, prazos validade, número de embalagens) estavam de acordo com o indicado na fatura. Após a introdução dos dados no computador, faz-se uma nova verificação. Se o valor total e o número de embalagens totais estão corretos pode ser confirmada a receção. Os produtos que foram pedidos mas não enviados pelo armazenista (esgotados, rateados de laboratório) são selecionados e transferidos para um novo armazenista. No final o sistema informático emite um documento comprovante da entrada dos produtos que deve ser assinado e datado, sendo agrafado à fatura e ao duplicado e posteriormente guardado numa pasta referente ao armazenista, de forma a serem comparados no final do mês com o resumo mensal enviado pelo armazenista. Feita essa comparação, os referidos documentos são mantidos na farmácia pelo período legal exigido (5 anos). As guias de benzodiazepinas e psicotrópicos são datadas e é colocado o número correspondente da farmácia. Posteriormente, estas guias são arquivadas por um período não inferior a 3 anos. 3.4 Armazenamento: A fase de armazenamento foi a fase inicial do meu estágio. Após a apresentação do espaço da farmácia, fiquei encarregado de arrumar as encomendas recebidas, de forma a poder familiarizar-me com os produtos e com a respetiva localização de arrumação. Após a receção, os medicamentos são separados em quatro grupos: Medicamentos termolábeis, sendo estes os primeiros a serem armazenados no
9 frigorífico. Os MG, arrumados na estante apropriada; medicamentos éticos, arrumado no armário das gavetas. Por último, os medicamentos psicotrópicos cuja armazenamento é efetuado numa gaveta fechada e de acesso restrito. Todos os medicamentos são arrumados segundo o modelo “FirstExpired, First-Out” , ou seja, os primeiros a acabar o prazo de validade são os primeiros a serem vendidos. 3.5 Devoluções: Nem sempre o destino final de um medicamento na farmácia é a venda ao utente. Por vezes existem situações em que é necessário proceder à devolução do medicamento. Existem devoluções que são requeridas pela Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P. (INFARMED) ou laboratórios, geralmente devido a: erros na cartonagem ou efeitos adversos observados num lote. Neste tipo, as devoluções são comunicadas via circular pela ANF ou INFARMED, ou solicitadas diretamente pelo laboratório. No entanto podem surgir devoluções que são requeridas pela própria farmácia, e neste caso existem variadas razões, sendo as mais recorrentes: prazos de validade perto de terminar, unidades enviadas erradas, embalagens em mau estado, produto diferente da fatura, reclamações por parte do utente, entre outros. Para se efetuar uma devolução recorre-se ao sistema informático SIFARMA 2000. O sistema emite uma guia de devolução (em triplicado) contendo: dados que identificam a farmácia, o produto, o fornecedor e dados contabilísticos. O original e o duplicado seguem com o produto quando levantado pelo fornecedor, sendo o triplicado assinado por quem levanta o produto e guardado pela farmácia. Como resolução (caso aceite pelo fornecedor) para a devolução, o fornecedor pode repor o produto que foi devolvido ou emitir uma nota de crédito de forma a compensar a farmácia.
10 Se o fornecedor achar que a devolução não se adequa, é a farmácia que fica com a responsabilidade do custo. Durante o estágio tive oportunidade de experienciar uma devolução por queixa de um utente. O utente referiu que a substância que tomava (Montelucaste) tinha “mau sabor, e agarrava-se aos dentes, só saindo com recurso à escovagem”. Neste caso, o laboratório prontificou-se a repor o produto de outro lote ou substituir por outra marca. Realizei ainda e por diversas vezes devoluções devido a: erros no envio, cartonagem danificada, produtos pedidos por engano, entre outros. 4. Medicamentos Manipulados Os MM são preparados de qualquer forma magistral (segundo uma receita médica) ou preparados oficinais (com recurso a consulta bibliográfica como uma farmacopeia ou formulário galénico) preparado e dispensado sob a responsabilidade de um farmacêutico. [5] Qualquer MM só pode ser preparado com matérias primas inscritas “na Farmacopeia Portuguesa, nas farmacopeias de outros Estados Partes na Convenção Relativa à Elaboração de Uma Farmacopeia Europeia, na Farmacopeia Europeia ou na documentação científica compendial”. [6] Os MM surgem no mercado como forma de suprimir algumas necessidades específicas. Seja por não haver interesse económico por parte de uma companhia para os desenvolver, por não haver dosagens disponíveis no mercado, devido a quebras na produção ou como forma de adaptar certas substâncias para uso pediátrico. Os MM são preparados na farmácia aquando o pedido do utente, mediante receita médica, devendo-se adequar a cada pessoa constituindo uma terapêutica personalizada. Os MM devem ser preparados pelo farmacêutico através dos seus conhecimentos científicos e técnicos, obedecendo sempre às Boas Praticas de Farmácia [7], sendo que no final deve ser realizado um controlo de qualidade antes de finalizar a preparação.
11 Na FPx o laboratório está equipado com todo o material obrigatório para a produção, acondicionamento e controlo de qualidade de MM. 4.1 Preparação de Medicamentos Manipulados: Na FPx não é prática recorrente a produção de MM, pelo que no período em que estive a estagiar, preparei três MM com a supervisão da farmacêutica responsável. Preparei duas suspensões de Trimetropim a 1% e uma pomada salicilada. Após a preparação é preenchida a ficha de preparação onde são registadas todas as matérias-primas usadas, as respetivas quantidades e o lote. É registado ainda todo o procedimento utilizado para a preparação do MM, as caraterísticas físico-químicas do preparado e o material de embalagem (com o respetivo fornecedor e lote). 4.2 Armazenamento e Rotulagem do Medicamentos Manipulados: Após a produção e antes da dispensa do MM este tem de estar devidamente acondicionado e rotulado. Não existem embalagens “standard” sendo que cada embalagem tem de se adequar as necessidades de cada produto. Desde as embalagens em vidro para não interferir com a estabilidade do produto, até às embalagens ocas em plástico para o produto não ser alterado pela luz solar, cada produto tem de ser analisado individualmente. O local de armazenamento é também importante, uma vez que diversas substâncias sofrem alteração pela temperatura, sendo que devem ser conservadas à temperatura adequada. [8] No rótulo do MM deve constar: a designação do MM, o nome do médico prescritor, o nome do utente, o número de lote atribuído, o prazo de validade, a posologia, a via de administração, a indicação da farmácia e da direção técnica. Deve ainda ser mencionado no rótulo, quando aplicável, alguns cuidados relativos ao produto como “Conservar no frigorífico”, “Manter fora do alcance de crianças”, “Agitar antes de usar”.
12 4.3 Preço dos Medicamentos Manipulados O preço de venda ao público de MM segue as normas da Portaria nº 769/2004 e é calculado com base nos honorários do farmacêutico, pelo valor das matérias-primas e com o valor do material de embalagem. [9] O cálculo do valor dos honorários tem por base um fator (F) que é atualizado de forma anual, ao qual se vai multiplicar por um valor “X”, sendo este valor diferente consoante o tipo de forma farmacêutica que se vai preparar. Para o cálculo do valor das matérias-primas, é necessário ter em conta o valor pelo qual foram adquiridas (sem IVA) e multiplicar por um fator de acordo com a maior das unidades em que forem utilizadas. [9] Por último, para se calcular o valor do material de embalagem, basta multiplicar o valor de aquisição pela farmácia (sem IVA) do material e multiplicar por um fator igual 1,2. [9] Para a determinação do valor de venda a público, segue-se a formula: (Valor dos honorários + Valor das matérias-primas + Valor material de embalagens) x 1,3 x IVA em vigor. [9] 4.4 Dispensa dos Medicamentos Manipulados Os MM só podem ser dispensados ao utente se este possuir uma receita médica válida. O regime de comparticipação dos MM é regido pelo Decreto-Lei nº 48-A/2010, sendo esta de 50% do preço (nos medicamentos aprovados numa lista anual do governo). [10] Após a dispensa, existem alguns procedimentos que se devem realizar: Deve ser anexada uma fotocópia do rótulo do MM, uma fotocópia da receita médica, a ficha de preparação e uma fotocópia da tabela de preço. Estes documentos são assinados pela pessoa responsável pela realização do MM e pela diretora técnica, sendo posteriormente arquivados por 3 anos.
13 5. O Ato da dispensa de Medicamentos A dispensa de medicamentos ao utente é uma das funções mais importantes e de maior responsabilidade do farmacêutico, pois é o momento em que este põe em em prática toda a informação e formação que recebeu ao longo do seu período de estudos. Compete ao farmacêutico, aquando da dispensa, aconselhar de forma adequada o uso racional do medicamento, proceder à indicação de como utilizá-lo, informar e indicar possíveis interações medicamentosas e efeitos secundários. Em Portugal existem dois tipos de medicamentos que podem ser dispensados: Medicamentos Sujeitos a Receita Médica (MSRM) e MNSRM. Para os MSRM existem dois tipos de receitas: As receitas renováveis, com o prazo de 6 meses de validade e onde podem ser passadas 3 vias, sendo estas utilizadas em tratamentos crónicos. [11] As receitas médicas não renováveis, com o prazo de validade de 30 dias e onde se passa apenas uma via. Na FPx existe um sistema de crédito destinado a utentes frequentes da farmácia com maiores dificuldades financeiras. Para estes utentes é estabelecido um valor máximo de crédito, sendo permitido um maior tempo para pagamento do valor em dívida. Na finalização da venda o sistema informático SIFARMA 2000 emite a fatura que será entregue aquando do pagamento, e um talão comprovativo de crédito que é assinado pelo utente e arquivado na farmácia junto da fatura. Durante o estágio tive oportunidade de vivenciar por diversas vezes como era realizado o processo de pagamento a crédito. 5.1 Medicamentos Sujeitos a Receita Médica Os MSRM, segundo o estatuto do medicamento, são todos os medicamentos que possuam substâncias ativas que possam por em risco a saúde do doente, caso sejam utilizados sem ser por prescrição médica. São ainda medicamentos que podem constituir um risco, caso sejam utilizados
14 frequentemente para fins diferentes daqueles a que se destinam, que tenham substâncias cuja atividade ou reações adversas sejam desconhecidas, e ainda medicamentos de uso por via parentérica. [11] A dispensa destes medicamentos, que apenas podem ser dispensados numa farmácia, só pode ser efetuada após a apresentação de uma receita médica válida. Os pontos necessários para a receita médica ser válida são: o nome e número do utente, entidade responsável pela comparticipação, local de prescrição com respetiva vinheta ou carimbo, nome do médico prescritor com vinheta, designação do medicamento (prescrito por DCI) com a respetiva dosagem, forma farmacêutica e número de embalagens (cada receita deve ter no máximo 4 medicamentos distintos, ou 2 embalagens por medicamento até um máximo de 4 embalagens, exceto nos medicamentos de embalagens unitárias onde são possíveis até 4 embalagens do mesmo medicamento). Deve a receita ainda apresentar a data de prescrição, a validade e a assinatura do médico prescritor. [12] No caso das receitas manuais, além dos pontos anteriores, tem de vir selecionado o motivo da prescrição manual (falência informática, prescrição ao domicílio, menos de 40 receitas por mês, inadaptação do prescritor). [12] O PVP destes medicamentos é regulado pelo INFARMED, sendo este etiquetado na embalagem. Após a dispensa dos medicamentos, o farmacêutico/técnico responsável pelo processamento da receita deve: assinar, datar e carimbar com carimbo da farmácia. Deve ainda pedir ao utente para assinar. Durante o ato de dispensa tive o cuidado de perceber se o utente portador da receita era o destinatário da medicação. Seguidamente perguntava se era medicação recorrente ou se ia iniciar a nova terapêutica, de forma a saber se o utente estava familiarizado com posologia. Depois expunha o facto de o utente puder escolher entre o MG (se aplicável) ou o ético. Por vezes, e a pedido do utente, escrevia nas embalagens a posologia e em alguns casos as condições de armazenamento.
21 6.3 Parâmetros Biológicos Na FPx está disponível para medição uma série de parâmetros biológicos como: o colesterol total, triglicerídeos, glucose sanguínea, tensão arterial e índice de massa corporal e gorda. Estes testes são realizados no gabinete de utente e são requisitados pelos utentes de forma frequente, que por muitas vezes recorrem a este serviço por ser mais prático e onde podem pedir um aconselhamento com o seu farmacêutico Devido à época em que realizei o estágio (incluindo a altura das férias e do Natal), foi-me pedido que realizasse por diversas vezes testes de determinação de glucose e de colesterol, principalmente durante o mês de Janeiro. 7. VALORMED A VALORMED é uma sociedade sem fins lucrativos criada em 1999. Foi criada conjuntamente pelos Ministérios do Ambiente e da Economia. Esta sociedade nasceu devido aos esforços dos intervenientes na cadeia do medicamento: farmácias, indústria farmacêutica, armazenistas. [17] A principal missão da VALORMED é a recolha de resíduos e embalagens medicamentosas, de forma a diminuir o impacto que acarreta a colocação de um medicamento no lixo urbano e doméstico. [17] Durante o meu estágio decorreu uma iniciativa promovida pela VALORMED, “Missão Ambiente, É o que nos Move”, que coloca em competição diversos agrupamentos de escuteiros para recolha de resíduos, sendo que o agrupamento que mais resíduos recolhesse, tinha direito a um prémio. Esta ação é importante, pois destina-se a uma camada etária jovem, mas que, por sua vez, tem de falar com um público adulto de forma a conseguir recolher mais embalagens. Isto permite concluir que, com apenas uma iniciativa é possível alertar quer os mais novos, quer os mais velhos.
22 Parte II – Casos de Estudo Caso 1: Aconselhamento farmacêutico em casos de Efeitos Adversos provocados por Estatinas 8.1 Enquadramento Este foi um tema que achei pertinente, pois há na sociedade portuguesa um grande número de doentes que sofrem de hipercolesterolémia, sendo estes muitas vezes medicados com o uso de Estatinas. Fui-me apercebendo (com exemplos práticos familiares) que muitos dos doentes abandonam a terapêutica a meio, muitas vezes sem o consentimento médico, sendo as causas desse abandono os efeitos adversos sentidos pelo doente. 8.2 Objetivos O principal objetivo deste tema seria identificar os doentes que, tomando Estatinas sofrem com os seus efeitos adversos e, nestes casos, fazer um aconselhamento do que poderiam realizar para os minimizar. Para isso realizei um inquérito aquando da dispensa de uma Estatina ao balcão. 8.3 Etiologia e Fisiopatologia da Hipercolesterolémia A hipercolesterolémia é uma doença que se carateriza como sendo a presença de níveis de colesterol sanguíneos superiores aos recomendados. Segundo a Direção Geral de Saúde, para se realizar o diagnóstico de uma hipercolesterolémia, é necessário realizar uma medição laboratorial, com um jejum de 12 horas, dos níveis de colesterol total, devendo estes valores ser superiores a 190mg/dl. Esta medição deve ser confirmada novamente num período superior a 4 semanas. [18] A hipercolesterolémia é um dos fatores de risco modificáveis, que está fortemente associado ao elevado risco cardiovascular e pode levar ao desenvolvimento de doenças cardíacas como, por exemplo, o enfarte agudo do miocárdio. Isto deve-se à deposição do colesterol nas artérias. Cria-se um pequeno coágulo, causando-se uma situação pró-inflamatória nessa região. [19]
23 Uma revisão de estudos realizados em Portugal demonstra que, no nosso país, a taxa de incidência de hipercolesterolémia é de 559 por 100 000 habitantes, sendo que a taxa vai aumentado consoante a idade. [20] Até aos 54 anos, a incidência de hipercolesterolémia é maior no sexo masculino, sendo que a partir dessa idade existe uma inversão, passando a taxa a ser maior no sexo feminino. [20] O colesterol é uma molécula que, não só está presente, mas também é produzida fisiologicamente no organismo. Além disso, o colesterol também se encontra na dieta ingerida diariamente. A hipercolesterolémia instala-se quando se dá um desequilíbrio na hemóstase do colesterol, seja por maior produção endógena, seja por uma ingestão aumentada. O colesterol é um componente celular necessário para o bom funcionamento das membranas. O colesterol serve ainda como percursor para a síntese de diversas substâncias como sais biliares, hormonas sexuais e hormonas supra-renais. É sintetizado pelo fígado, implica o consumo de 18 moléculas de Acetil-Coenzima A e envolve 28 passos. No primeiro passo, 3 moléculas de Acetil-Coenzima A são condensadas, através da enzima 3hidroxi-3-metilglutaril-Coenzima A redutase (HMG-CoA redutase), numa molécula de mevalonato. Este mevalonato é posteriormente descarboxilado e com o uso de 3 moléculas de ATP forma-se o pirofosfato de isopentilo. No passo posterior dá-se um processo de condensação do pirofosfato de isopentilo, formando-se o esqualeno. Seguidamente, o esqualeno sofre uma reorganização, formando ligações em anel e originando lanosterol (que possui os quatro anéis típicos dos esteróides). Por último, o lanosterol passa por diversos passos metabólicos de descarboxilações e hidroxilações formando-se o colesterol (Figura 1). [21]
24 8.4 Terapêutica da Hipercolesterolémia 8.4.1 Terapêutica Não Farmacológica Caso os valores de colesterol sejam entre os 190mg/dl e os 220230mg/dl, muitas das vezes não é necessário o uso de medicação para se proceder à diminuição desse valor. Nestes casos, o uso de uma terapêutica não farmacológica pode levar a uma diminuição para valores abaixo dos 190mg/dl. A redução da tensão arterial para valores dentro dos normais, sendo estes considerados pela Direção Geral de Saúde como menos de 140 mm/Hg para a pressão arterial sistólica e menos de 90 mm/Hg para a pressão arterial diastólica, [22] é um dos importantes parâmetros a realizar em doentes que sofrem de hipercolesterolémia, de forma a evitar futuros riscos cardiovasculares. [23] Uma outra medida não farmacológica para conseguir uma redução dos níveis de colesterol tem que ver com a dieta. Uma dieta hipolicemiante, com redução do consumo de gorduras saturadas, e uma dieta hipocalórica (para ajudar na redução do peso) é fundamental para o controlo dos níveis de colesterol. Daí que se aconselhe, por um lado, a não ingestão excessiva de ovos, produtos de pastelaria, moderar a ingestão de carnes vermelhas, produtos fritos e álcool e, por outro lado, o aumento da ingestão de carnes brancas e fibras. [24] É ainda importante manter uma atividade física regular (30-60 minutos, entre 4-7 dias por semana) e reduzir o uso do tabaco. [24] Existem ainda alguns estudos que demonstram que o consumo de alho (suplementação diária com alho), leva à diminuição dos valores sanguíneos de colesterol, pois o alho atua como inibidor da formação do colesterol endógeno a nível hepático. [25] 8.4.2 Terapêutica Farmacológica As Estatinas são uma classe de fármacos, consideradas atualmente como os fármacos mais bem tolerados e mais eficazes na terapêutica para a
25 diminuição dos níveis de lípidos (incluindo o colesterol) bem como os mais usados. [26] As Estatinas atuam diretamente no primeiro passo da formação do colesterol, inibindo a HMG-CoA redutase e impedindo a formação do mevalonato e consequentes passos na formação do colesterol. (Figura 2) [26] Além de diminuírem os níveis de colesterol, as Estatinas têm ainda um papel anti-inflamatório importante a nível das artérias, levando à diminuição das placas ateroscleróticas e mantendo a integridade estrutural dos vasos sanguíneos, diminuindo assim futuros riscos cardiovasculares. [27] Figura 2 - Inibição da HMG-CoA redutase pelas Estatinas. Adaptado de [28] Desde a introdução no mercado das primeiras Estatinas (a primeira foi chamada de compactina), muitas novas Estatinas têm sido descobertas e utilizadas na terapêutica, quer seja devido a uma maior eficácia de ação, a um melhor perfil de segurança ou a menor efeitos adversos sentidos pelos doentes. [29] No entanto, apesar da eficácia na redução dos níveis de colesterol, muitos dos doentes sofrem com os diversos efeitos adversos, desde os mais comuns como dor muscular e cansaço, até aos mais raros como insónias e dificuldade em adormecer. Alguns estudos apontam que o uso prolongado de Estatinas pode levar ao desenvolvimento de Diabetes Mellitus do Tipo II por aumentar a concentração de glucose no sangue de doentes que as tomam. [27]
26 8.5 Métodos Conhecendo pessoalmente casos de doentes que desistiram da terapêutica com Estatinas devido aos diversos efeitos adversos causados pelas mesmas, realizei um inquérito (Anexo II) aquando da dispensa de uma Estatina. Para cada caso aconselhei as melhores medidas preventivas ou de combate aos efeitos adversos sentidos pelo doente. Este inquérito foi apenas realizado quando era a própria pessoa a vir levantar a medicação em seu nome. Foi ainda perguntado no inquérito, além dos efeitos adversos sentidos, se o utente era diabético (antes e após começar tratamento com a Estatina), se já tinha abandonado a terapêutica e, em caso afirmativo, se tinha avisado o seu médico. Durante o período compreendido entre 2 de Fevereiro 20 Março, foram entrevistados 40 utentes. 8.6.Resultados Sendo a amostragem pequena, apenas 40 utentes e não havendo um grupo de controlo, não se pode dar um peso estatístico aos resultados obtidos, pois os efeitos adversos detetados são encontrados na população geral não medicada com Estatinas, sendo a intenção apenas a identificação dos utentes com efeitos adversos e realizar o seu aconselhamento. 8.6.1 População escolhida Da população analisada neste estudo, 14 utentes são do sexo masculino e os restantes 26 do sexo feminino. No sexo feminino a média das idades das utentes é 68,5 anos, sendo o intervalo das idades entre os 53 anos e os 85 anos. No sexo masculino a média das idades é 61,43 anos, estando as idades compreendidas entre os 52 e os 81 anos. (Tabela 1) 8.6.2 Estatinas utilizadas pelos utentes As Estatinas mais receitadas pelos médicos e mais utilizadas pelos utentes que participaram neste estudo foram: a Atorvastatina (12 utentes), a Sinvastatina (11 utentes) e a Rosuvastatina (8 utentes). Além das acima
27 mencionadas, ainda entraram neste estudo a Pitavastatina (5 utentes), a Pravastatina (3 utentes) e a Lovastatina (1 utente). (Tabela 2) 8.6.3 Sinvastatina, Atorvastatina e Rosuvastatina e os efeitos adversos Sendo o grupo de participantes relativamente pequeno, apenas é possível retirar algumas conclusões no que concerne às Estatinas mais usadas pelos utentes, sendo que a Atorvastatina, Sinvastatina e Rosuvastatina totalizam 77,5% da amostragem. No grupo que toma Sinvastatina (11 utentes) foi possível verificar que 45,46% dos utentes sofriam com dores musculares, 18,18% sentiam dores constantes de cabeça e 36,36% não se queixavam de qualquer sintoma. Neste grupo de utentes, 9,09% é diabético, sendo que a este grupo foi diagnosticada Diabetes Mellitus antes de iniciar o tratamento com a Sinvastatina. Foi verificado ainda que 36,36% já tinha desistido em algum ponto do tratamento. Nenhum dos utentes avisou o médico da interrupção. (Tabela 3) Dos utentes que tomavam a Atorvastatina (12 utentes), 33,33% deles queixavam-se de dores musculares, 16,67% relatavam problemas em adormecer ou problemas em adormecer novamente quando acordavam a meio da noite e 50% não relatavam qualquer sintoma. Dos utilizadores da Atorvastatina, 8,33% já eram diabéticos antes de iniciar a terapêutica e os restantes 91,67% não eram. Dos que não eram diabéticos antes de iniciar a Atovastatina, 18,18% desenvolveram Diabetes Mellitus após o início do tratamento. Verificou-se ainda neste grupo que 75% dos utentes nunca tinham abandonado a terapêutica, contrastando com 25% que admite ter interrompido em algum momento do tratamento. Do grupo que interrompeu o uso da Atorvastatina, apenas 33,33% avisou o seu médico da interrupção, tendo os outros 66,67% interrompido sem consultar o seu médico. (Tabela 4) Por último, dos utentes a tomar Rosuvastatina (8 utentes), 62,5% diziam sentir dores musculares severas, 12,5% afirmavam ter dificuldade em
28 adormecer, 12,5% diziam possuir problemas de obstipação e os restantes 12,5% não relatavam efeitos adversos. Deste grupo, nenhum deles era diabético antes de iniciar a toma da Rosuvastatina. Após o início do tratamento, 25% desenvolveram Diabetes Mellitus. Tal como o grupo que tomava Atorvastatina, também neste grupo 25% já tinha desistido da toma da terapêutica. Tal como o indicado na Tabela 5, nenhum deles avisou o seu médico da desistência da mesma. (Tabela 5) 8.6.4 Resultados Gerais Não analisando especificamente cada tipo de Estatina, apenas dividindo por sexo, verifica-se que no grupo que inclui todos elementos do sexo masculino, 42,86% dos utentes relatam sintomas de dor muscular, 7,14% diziam sofrer de dor de cabeça, 14,29% indicavam que sentiam dificuldade em adormecer e os restantes 35,71% não apresentavam qualquer tipo de efeito adverso da terapêutica. Contrastando com este grupo, no grupo que inclui os elementos do sexo feminino foi verificado que 42,30% sentia dores a nível muscular, 11,54% tinha dores de cabeça, 3,85% relatava casos de obstipação, 11,54% possuía dificuldade em adormecer e os restantes 30,77% dos elementos não tinham sintomas de efeitos adversos. Ao fazer a junção dos dois grupos é possível observar que no total existem 42,5% de utentes com queixas de dores musculares, 10% com queixas de dores de cabeça, 2,5% com problemas de obstipação, 12,5% com casos de insónias e os restantes 32,5% sem problemas relatados. (Tabela 6) Em termos gerais, 22,5% dos utentes que se encontravam a fazer tratamentos com Estatinas já tinham desistido em alguma altura da toma da mesma, sendo que apenas 11,11% dos que interromperam avisaram o seu médico da interrupção. (Tabela 7) Dos utentes analisados, 12,5% eram diabéticos antes de iniciar a terapêutica para a hipercolesterolémia e 87,5% não eram diabéticos. Do grupo
29 dos não diabéticos, viu-se ainda que após o início do tratamento 11,43% desenvolveram diabetes. (Tabela 8) 8.7 Discussão Olhando para os resultados obtidos, denota-se que uma grande parte da população que está a tomar estatinas sofre de, pelo menos, um efeito adverso da mesma (27 de 40 utentes). Durante a realização do inquérito e à medida que ia perguntando quais os efeitos adversos sentidos pelos mesmos, ia-lhes aconselhando a melhor maneira de os combaterem, recorrendo sempre a suplementos ou MNSRM. Tal como descrito em estudos anteriores e confirmado por este, a dor muscular sentida pelos utentes é o maior problema que mais aflige quem está a tomar uma estatina. Dos 40 utentes, 17 relataram problemas associados a este facto. [30] Recentemente foi identificado o gene que se pensa ser o responsável pela atrofia muscular (levando a dor muscular). Este é identificado como o gene atrogin-1, ativado pela estatina e que é responsável por causar biologicamente a atrofia muscular. [31] Nos casos em que o doente indicava sentir dores a nível muscular a recomendação que indicava era fazer uma suplementação em magnésio, pois, como irei indicar no segundo tema, existem evidências de que pode diminuir a dor muscular. O segundo efeito adverso mais sentido pelos utentes era a dificuldade em adormecer. Com este estudo, é impossível verificar se este efeito se deve à toma da Estatina ou a outra patologia intercorrente que os utentes possam possuir (muitos destes utentes já estavam medicados com ansiolíticos e antidepressores, podendo ser essa patologia a responsável pela dificuldade em adormecer). Nestes casos, aquando da dispensa, recomendava a toma de suplementos contendo extrato de valeriana, de onde se aproveita a raiz e que atua como sedativo no cérebro. [32]
30 A valeriana possui na sua composição monoterpenos, sesquiterpenos e ácido valérico cujo mecanismo de ação ocorre a nível da inibição da enzima que degrada o GABA, que atua como sedativo do Sistema Nervoso Central. Há estudos que indicam também a presença de GABA na composição da raiz. [33] Existem ainda estudos recentes que comprovam que a valeriana é eficaz no tratamento da insónia. [34] Outro dos sintomas descritos pelos utentes era a dor de cabeça frequente. Novamente poderá dever-se a uma outra patologia independente do uso da Estatina. Nos utentes cujo problema era a dor de cabeça, aconselhava um anti-inflamatório não esteróide (como o ibuprofeno) em dosagens sempre consideras baixas (sendo MNSRM) ou então um analgésico como o paracetamol. Os anti-inflamatórios não esteróides atuam inibindo as duas conformações da ciclo-oxigenase impedindo a formação de prostaglandinas e tromboxanos que são mediadores crónicos da inflamação (a sua inibição vai diminuir a inflamação e causar analgesia). [35] O paracetamol não produz o efeito anti-inflamatório como os anti-inflamatórios não esteróides, mas atua também a nível da ciclo-oxigenase, inibindo a produção de prostaglandinas levando ao seu efeito analgésico. [36] Houve ainda um utente com queixas de obstipação, sendo neste caso específico foi recomendado a toma de um laxante para ajudar a regular o trânsito intestinal, nomeadamente o bisacodilo (MNSRM). O bisacodilo é um laxante de ação local, do grupo dos laxantes de contacto. Ou seja, leva ao aumento dos movimentos peristálticos do intestino, aumentado a chamada de água, o que leva ao amolecimento das fezes e à estimulação da defecação. [37] Um dos problemas verificados neste estudo foi o abandono da terapêutica. Quase um quarto dos utentes já a tinha abandonado em algum momento da sua vida, especialmente sem avisar o médico. Torna-se difícil assim conseguir atingir as metas de tratamento, pois os médicos não sabem da desistência do utente. É importante referir ao utente que, caso não se sinta
37 9.3.6 Suplementação em Melatonina Um dos sintomas adversos referenciados no estudo das Estatinas efetuado por mim foi a dificuldade em adormecer ou as insónias (acordar a meio da noite e não conseguir voltar a dormir). Há ainda muitos utentes que devido ao elevado nível de stress pedem conselhos aos farmacêutico sobre alguns produtos que os ajudem a dormir de noite. Como soluções para estes utentes, existem no mercado o Angelicalm®(Thera Lab) (que contém melatonina e valeriana), bem como o FDC Melatonina®(Biowell Europe) (apenas com melatonina). A melatonina é uma hormona produzida naturalmente no organismo pela glândula pineal. A principal função da melatonina é a regulação do ciclo do sono através da regulação do ritmo circadiano. A melatonina é produzida quando não estamos expostos à luz, sendo a sua produção durante a noite muito superior à de dia. [58] A suplementação em melatonina tem sido usada e demonstrada como eficaz, especialmente em casos em que existe uma desregulação do ritmo circadiano, como por exemplo em doentes cegos [59], além de ser bastante utilizada também em países em que o tempo de luz solar é mais longo do que o normal. [60] 9.3.7 Multivitamínicos/Multiminerais A classe dos suplementos que mais se vende na farmácia é sem dúvida a dos Multivitamínicos/Multiminerais. Esta é uma área onde as empresas se têm expandido recentemente. Veja-se o caso da marca Centrum®(Pfizer) ou Viterra®(Omega Pharma) em que apenas existia numa formulação, ao passo que agora existem sete diferentes formulações que vão desde o Viterra Baby®(Omega Pharma), ao Viterra 50+ Homem®(Omega Pharma) ou mesmo ao Viterra Sport®(Omega Pharma). Estas formulações estão especificamente desenhadas para quem tem uma alimentação incorreta, com falha de alguns nutrientes e vitaminas (como é o caso de algumas dietas vegetarianas), para quem tem algumas alergias
38 alimentares, ou mesmo para quem faz uma dieta pouco calórica. São ainda destinadas a pessoas que se encontrem a tomar algum tipo de medicação que diminui a absorção dos nutrientes e vitaminas. [61] Os estudos efetuados com a toma de multivitamínicos mostram que estes podem levar à diminuição do desenvolvimento de cancro em indivíduos subnutridos, podendo ainda prevenir a degeneração da mácula e conservando assim a visão no idoso. No entanto, para indivíduos com uma alimentação equilibrada, ficou demonstrado que o uso de multivitamínicos não confere proteção contra doenças cardiovasculares. [62] 9.5 Conclusão Sendo este setor dos suplementos um dos mais vendidos no que diz respeito à venda de MNSRM, esta deverá ser uma área em que farmacêuticos e técnicos de farmácia devem apostar na sua formação. Muitos utentes chegam com diversos tipos de queixas à farmácia (não conseguem dormir, têm dores articulares, sofrem de constipação), constatando-se muitas vezes recomendações de medicação sujeita a receita médica de forma errada. Todos os suplementos disponível no mercado, por não serem controlados pelo INFARMED, são introduzidos no mercado sem os estudos requeridos pelos medicamentos. Assim em quase todos eles no panfeleto, vem a indicação de que não são recomendadas a mulheres grávidas ou a amamentar, podendo causar ainda reacções cruzadas com outro tipo de medicação que o utente esteja a tomar. Daí que o farmacêutico deva alertar para os seguintes casos aquando da sua recomendação. Esta é uma área pouco explorada e controversa em termos de investigação. Se por um lado muitos estudos apontam a favor do uso e da eficácia dos suplementos, por outro lado outros dizem que não se verificam efeitos. Dever-se-ia investir e explorar melhor o “mundo” dos suplementos. Com este estudo consegui aumentar as minhas bases científicas enquanto farmacêutico, necessárias para responder às necessidades dos utentes. Com efeito, os mesmos, ao dirigir-se à farmácia, esperam que quem
39 lhes dispensa um suplemento tenha legítima propriedade científica e capacidade deontológica para o fazer. Caso 3: Estudo Estatístico da proveniência do receituário na Farmácia Peixinho 10.1 Enquadramento Este estudo foi realizado a pedido da Diretora Técnica da Farmácia Peixinho de Aveiro, Drª Maria de Fátima Rodrigues, aquando do início da verificação de receituário por mim. 10.2 Objetivos O objetivo principal deste estudo era verificar qual a proveniência do receituário que chega durante um mês à Farmácia Peixinho para fins estatísticos da proveniência dos seus utentes. 10.3 Métodos Durante todo o mês de outubro estive responsável pela verificação dos elementos base do receituário, sendo que durante essa mesma verificação anotei numa folha com os locais de origem previamente definidos pela Drª Maria de Fátima Rodrigues de onde procedia o receituário. Durante o mês de outubro, as receitas que entraram na FPx foram divididas em três grandes grupos: as provenientes da Freguesia de São Bernardo, as provenientes da região de Aveiro e um grupo para as restantes (do resto do país). 10.4 Resultados Foi verificado que 10,20% do receituário faturado na FPx tinha origem de fora do distrito de Aveiro, nomeadamente vinham em grande maioria do Porto e Coimbra. Da freguesia de São Bernardo, onde está localizada a FPx, veio 28,16% das receitas desse mês, sendo a sua grande maioria provenientes do Centro de Saúde de São Bernardo (23,75%). As restantes 4,41% são relativas a clínicas que existem nas redondezas da farmácia. (Tabela 9)
40 Por último, a maioria do receituário (61,64%) tem como origem a região de Aveiro, sendo os principais contribuintes os diversos Centros de Saúde da região de Aveiro (29,96%), o Hospital de Aveiro (12,68%), o hospital privado de Aveiro (ClíRia) com 5,87% e as restantes clínicas espalhadas pela zona de Aveiro (13,13%). (Tabela 9) 10.5 Discussão / Conclusão Olhando para estes valores vale a pena verificar que, das clínicas situadas perto da FPx, pouco receituário chega das mesmas. Desta forma, esta é uma zona onde se pode investir e divulgar a existência da FPx. É possível ainda promover campanhas de sensibilização e promoções nas mesmas. O Centro de Saúde de São Bernardo é uma fonte de receituário bastante apelativa, pois cerca de um quarto da faturação é daí proveniente. Pode-se ainda investir no hospital privado de Aveiro (ClíRia), que fica relativamente perto da FPx, mas de onde vem pouca quantidade de receitas. Neste caso, uma ação conjunta como um rastreio cardiovascular ou rastreio de diabetes pode ser um plano eficaz para recrutar potenciais clientes. 11. Conclusão Final Estes seis meses em farmácia comunitária foram essenciais para a minha aprendizagem, pois permitiram que aplicasse todas as bases teóricas e práticas aprendidas durante o curso em contexto real de trabalho, através do contacto com utentes reais. Além das competências adquiridas ao longo do curso, o estágio permitiu-me crescer a nível profissional, desenvolvendo novas competências técnicas e éticas que apenas com o contacto com a realidade do dia-a-dia e com as frequentes ações de formação da especialidade se tornam possíveis. Outro aspeto importante tem que ver com facto de o estágio ser uma fase de primeiro contacto com um emprego, com tudo o que lhe é inerente. Reconheço que o estudo académico é, de facto, a matriz necessária para o desenvolvimento de uma qualquer profissão. Contudo, a assunção de responsabilidades como o cumprimento de horários, exercício de funções
41 específicas, integração e convivência diária com a equipa técnica da farmácia são aprendizagens impossíveis de desenvolver e viver ao longo de cinco anos de estudo; aprendizagens imprescindíveis para a minha vida no futuro. Considero que esta foi, sem dúvida, uma experiência enriquecedora. Como tal, agradeço à Comissão de Estágio do Curso do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas e à direção técnica e equipa de profissionais da Farmácia Peixinho pela oportunidade que me foi dada de o realizar. É, pois, altura de encerrar um ciclo, iniciando-se uma nova etapa de seguida! “A vida está cheia de desafios que, se aproveitados de forma criativa, transformam-se em oportunidades” (Maxwell Maltz).
42 Parte III - Bibliografia: [1] Decreto-Lei nº307/2007, de 31 de Agosto. Acessível em http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/LEGISLACAO/LEGISLAC AO_FARMACEUTICA_COMPILADA/TITULO_II/TITULO_II_CAPITULO_IV/022 -A_DL_307_2007.pdf [Acedido em 31 Dezembro de 2014] [2] Deliberação nº2473/2007, de 28 de Novembro. Acessível em https://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/LEGISLACAO/LEGISLA CAO_FARMACEUTICA_COMPILADA/TITULO_II/TITULO_II_CAPITULO_IV/02 3-D_Delib_2473_2007_1%AAALT.pdf. [Acedido em 1 Janeiro de 2015] [3] Boas Práticas de Fabrico de Medicamentos, Portaria nº594/2004, de 2 de Junho. Acessível em https://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/LEGISLACAO/LEGISLA CAO_FARMACEUTICA_COMPILADA/TITULO_III/TITULO_III_CAPITULO_II/p ortaria_594-2004.pdf. [Acedido em 1 Janeiro de 2015] [4] Decreto-Lei nº 20/2013, de 14 de Feveveiro. Acessível em http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/LEGISLACAO/LEGISLAC AO_FARMACEUTICA_COMPILADA/TITULO_III/TITULO_III_CAPITULO_I/035 -G1_DL_20_2013_1ALT.pdf. [Acedido em 2 de Janeiro de 2015] [5] Ordem dos Farmacêuticos do Porto. Medicamentos Manipulados. Acessível em https://www.ofporto.org/upload/documentos/212098-Med-ManipuladosINFARMED.pdf. [Acedido em 3 Janeiro de 2015] [6] INFARMED. Medicamentos Manipulados. Acessível em http://www.infarmed.pt/pt/noticias_eventos/noticias/nt_14_07_2004/anexo.pdf. [Acedido em 3 Janeiro de 2015] [7] Ordem dos Farmacêuticos. Boas Práticas Farmacêuticas para Farmácias Comunitárias. Acessível em http://www.ordemfarmaceuticos.pt/xFiles/scContentDeployer_pt/docs/Doc3082. pdf. [Acedido em 3 Janeiro 2015]
43 [8] Pombal R, Barata P, Oliveira R (2010). Estabilidade dos Medicamentos Manipulados. Revista da Faculdade de Ciências da Saude; 7: 330-341 [9] Portaria nº 769/200, de 1 de Julho. Acessível em https://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/LEGISLACAO/LEGISLA CAO_FARMACEUTICA_COMPILADA/TITULO_III/TITULO_III_CAPITULO_V/p ortaria_769-2004.pdf. [Acedido em 4 Janeiro de 2015] [10] Decreto-Lei nº 48-A/2010, de 13 de Maio. Acessível em https://dre.pt/application/dir/pdf1sdip/2010/05/09301/0000200015.pdf. [Acedido em 4 Janeiro de 2015] [11] Decreto-Lei nº 176/2006, de 30 de Agosto. Acessível em https://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/LEGISLACAO/LEGISLA CAO_FARMACEUTICA_COMPILADA/TITULO_III/TITULO_III_CAPITULO_I/03 5-E_DL_176_2006_VF.pdf. [Acedido em 4 Janeiro de 2015] [12] Portaria nº 137-A/2012, de 11 de Maio. Acessível em http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/LEGISLACAO/LEGISLAC AO_FARMACEUTICA_COMPILADA/TITULO_III/TITULO_III_CAPITULO_I/043 -A2_Port_137-A_2012_1ALT.doc. [Acedido em 4 Janeiro de 2015] [13] Northern Territory Government Austraulia. Department of Health. Acessível em http://www.nt.gov.au/health/healthdev/health_promotion/bushbook/volume2/cha p1/sect1.htm. [Acedido em 4 Janeiro de 2015] [14] Decreto-Lei nº 232/99, de 24 de Junho. Acessível em http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/LEGISLACAO/LEGISLAC AO_FARMACEUTICA_COMPILADA/TITULO_III/TITULO_III_CAPITULO_IV/de creto_lei_20232-99.pdf. [Acedido em 1 Março 2015] [15] INFARMED. Acessível em http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/DISPOSITIVOS_MEDICO S. [Acedido em 1 Março de 2015]
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53 Tabela 1: Número de Participantes, sexo e idade dos mesmos. Tabela 2: Estatinas utilizadas no estudo
54 Tabela 3: Efeitos Adversos, história de diabetes e desistência da terapêutica para utilizadores da Sinvastatina. Tabela 4: Efeitos Adversos, história de diabetes e desistência da terapêutica para utilizadores da Atorvastatina.
55 Tabela 5: Efeitos Adversos, história de diabetes e desistência da terapêutica para utilizadores da Rosuvastatina. Tabela 6: Efeitos Adversos sentidos pelos participantes do Estudo. Tabela 7: Número total de participantes que já desistiram da terapêutica.
56 Tabela 8: Número total de participantes que eram diabéticos antes do estudo e número de participantes que desenvolveram diabetes após o uso da Estatina. Tabela 9: Origem do Receituário na Farmácia Peixinho no mês de outubro.