Avaliação in vitro da eficácia na remoção de GuttaCorR e cimento obturador durante o retratamento endodôntico
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Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto Avaliação in vitro da eficácia na remoção de GuttaCore® e cimento obturador durante o retratamento endodôntico Sandra Margarida Natário Guerra Porto, 2014
Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto Avaliação in vitro da eficácia na remoção de GuttaCore® e cimento obturador durante o retratamento endodôntico Sandra Margarida Natário Guerra Porto, 2014
I Avaliação in vitro da eficácia na remoção de GuttaCore® e cimento obturador durante o retratamento endodôntico Autor: Sandra Margarida Natário Guerra Aluna do 5º Ano do Mestrado Integrado em Medicina Dentária Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto [email protected] +351 913 443 771 Orientador: Professor Doutor José António Macedo de Carvalho Capelas Professor Associado com Agregação Regente das disciplinas de Endodontia I e II Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto
II Agradecimentos Ao Professor Doutor José António Macedo de Carvalho Capelas, por acreditar e confiar no meu trabalho e por toda a disponibilidade em me guiar pelo melhor caminho nesta dissertação. A todas as casas comerciais que prontamente se disponibilizaram em fornecer os instrumentos necessários para a realização deste trabalho: Dentsply Maillefer (Dona Ilda Santos), Machado-Malcher, Aplipratica e FKG Dentaire (Douromed). À Raquel Gonçalves que se prontificou, em qualquer momento, a dar-me conselhos essenciais para a realização deste trabalho. A todos os funcionários da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto, que de algum modo ajudaram na realização deste trabalho. À minha mãe por suportar todos os meus medos e os afugentar de mim. Ao meu pai por me inspirar a querer ser sempre melhor. Aos meus irmãos Bruno, Nuno e Miguel, por estarem do meu lado, incondicionalmente. Aos meus sobrinhos, Bernardo e Beatriz, que são a alegria da minha vida. Aos meus amigos de sempre, por sempre me enaltecerem, até nos meus piores desfechos. E por me fazerem sentir especial todos os dias. Aos meus amigos da Faculdade, não de sempre mas para sempre, que me motivaram todos os dias, me fizeram crescer com eles, fazendo de mim uma melhor pessoa, profissional e pessoalmente. À Mafalda Pedroso, à Vânia Gomes, à Ana Vieira, à Rita Duarte, à Rita Zão, à Sandra Freitas, à Daniela Salgado e à Joana Ramalho, pelo apoio constante ao longo do meu percurso, erguendo-me nas minhas vitórias e nas minhas derrotas. Ao Francisco Silva, por ser o maior pilar do meu Saber. À minha avó, Maria de Lourdes Ferreira Guerra, a quem devo tudo aquilo que sou hoje, esperando ansiosamente ter tornado o seu sonho orgulho na sua alma, com a conclusão do meu Mestrado Integrado em Medicina Dentária. A ela dedico esta monografia. “ Andei por esta terra durante trinta anos e, por gratidão, quero deixar alguma lembrança.” Van Gogh
III Índice Resumo ............................................................................................................................................ 1 Palavras-chave ................................................................................................................................. 1 Abstract ............................................................................................................................................ 2 Key words ........................................................................................................................................ 2 Introdução ........................................................................................................................................ 3 Material e métodos .......................................................................................................................... 5 Análise estatística ........................................................................................................................ 9 Resultados ...................................................................................................................................... 11 Discussão ....................................................................................................................................... 15 Conclusões ..................................................................................................................................... 21 Referências bibliográficas ............................................................................................................. 22 Anexos ........................................................................................................................................... 24
IV Índice de imagens Imagem 1 ...................................................................................................................................... 11 Imagem 2 ....................................................................................................................................... 11 Imagem 3 ....................................................................................................................................... 12 Imagem 4 ....................................................................................................................................... 12 Índice de gráficos Gráfico 1 ....................................................................................................................................... 13 Gráfico 2 . ...................................................................................................................................... 14 Índice de tabelas Tabela I . ........................................................................................................................................ 13 Tabela II. ........................................................................................................................................ 14
1 Resumo Introdução: Existem diversas situações que podem levar ao fracasso do tratamento endodôntico radical e ainda não está esclarecido que método de retratamento endodôntico é capaz de remover por completo o material obturador e cimento do canal radicular. O retratamento endodôntico não cirúrgico deve ser a primeira escolha clínica visto ser a menos invasiva e com taxas de sucesso elevadas (de 65 a mais de 80%). O uso de sistemas rotatórios é uma das opções disponíveis. GuttaCore® é um novo sistema de obturação desenvolvido também para uma maior facilidade de remoção durante a desobturação canalar. Objetivos: Testar a eficácia da remoção de GuttaCore® e cimento obturador com os sistemas NiTi Protaper® Universal Retreatment, Mtwo®, R-ENDO® e D-RaCe®. Metodologia: 40 dentes monorradiculares foram sujeitos a preparação químico-mecânica com limas NiTi Protaper® Universal até à lima F2 com irrigação de 2 mL de NaOCl a 5,25% entre limas e irrigação final com EDTA a 17% durante 1 minuto, seguida de 2 mL de NaOCl a 5,25%. Obturação com sistema GuttaCore® com obturador F2 e cimento AH Plus®. Armazenamento das amostras a 37oC e 100% de humidade, durante 3 semanas. Divisão aleatória das amostras em 4 grupos de estudo - Protaper® Universal Retreatment, Mtwo®, R-ENDO® e D-RaCe®. Desobturação sem recurso a solventes e com protocolo de irrigação semelhante. Corte longitudinal das peças dentárias, escolha da metade com maior quantidade de material obturador e avaliação com lupa macroscópica © Leica Microsystems. Resultados: A quantidade de material remanescente não apresentou diferenças estatisticamente significativas entre os 4 grupos de estudo (p > 0,05), enquanto que o grupo D-RaCe® apresentou alterações estatisticamente significativas (p < 0,05) face aos grupos Mtwo® e R-ENDO®, individualmente. Conclusões: Nenhum grupo de estudo foi capaz de remover por completo o material obturador. Apesar de não existirem diferenças estatisticamente significativas na média da percentagem de remanescente no canal radicular, no âmbito deste estudo, o sistema D-RaCe® mostrou ser mais eficiente do que o sistema Mtwo® e R-ENDO®. A avaliação com microscópio eletrónico de varrimento não foi possível devido a constrangimentos económicos. Palavras-chave: Retratamento endodôntico, GuttaCore®, Protaper® Universal Retreatment, Mtwo®, R-ENDO® e D-RaCe®.
2 Abstract Introduction: There are several situations that can lead to the failure of endodontic treatment and it is not clear yet which method of endodontic retreatment is able to completely remove the filling material and the root canal cement. The nonsurgical endodontic retreatment should be the first clinical choice since it is less invasive and has high success rates (65 to more than 80%). The use of rotatory systems is one of the available options. GuttaCore® is a new obturation system for ease of removal during desobturation. Objective: To test the efficacy of removing GuttaCore® and sealer with NiTi Protaper® Universal Retreatment, Mtwo®, R-ENDO® and D-RaCe® systems. Methods: 40 teeth with single root canals were subjected to chemical-mechanical preparation with NiTi Protaper® Universal files up to file F2 with irrigation of 2 mL of 5,25% NaOCl between files and final irrigation with 17% EDTA for 1 minute, followed by 2 mL of 5,25% NaOCl. Obturation with GuttaCore® system with a F2 obturator and AH Plus® sealer. Sample storage at 37oC and 100% humidity for 3 weeks. Random division of the sample into 4 study groups - Protaper® Universal Retreatment, Mtwo®, R-ENDO® and D-RaCe®. Desobturation was made without the use of solvents and it was used the same protocol for irrigation. Longitudinal splitting of tooth and selection of the half with greater amount of filling material. Evaluation with magnifying © Leica Microsystems. Results: The amount of remaining material showed no statistically significant differences among the 4 study groups (p > 0,05), while the D-RaCe® group showed statistically significant changes (p < 0,05) compared to groups Mtwo® e R-ENDO®, individually. Conclusions: No group was able to completely remove the filling material. Although there was not statistically significant differences in the percentage of amount of residual filling material, in this study, D-RaCe® proved to be more efficient than Mtwo® and R-ENDO®. The evaluation with scanning electron microscope was not possible due to economic issues. Key words: Root canal retreatment, GuttaCore®, Protaper® Universal Retreatment, Mtwo®, RENDO®, D-RaCe®.
3 Introdução Atualmente o insucesso do tratamento endodôntico radical continua a ser uma realidade, apesar dos avanços tecnológicos na área da Endodontia. As causas para o fracasso são diversas, tais como a limpeza insuficiente dos canais radiculares e a obturação defeituosa dos mesmos. (1– 5) Perante esta situação, existem as opções de retratamento cirúrgico (apicectomia) ou não cirúrgico (reinstrumentação e obturação), e ainda a extração, que se conjuga com todas as possibilidades de reabilitação do espaço desdentado que hoje em dia existem. Sendo a preservação das peças dentárias um objetivo de qualquer clínico, o retratamento endodôntico deve ser realizado, antes de se pensar numa solução mais radical. (2,5,6) O retratamento não cirúrgico deve ser a primeira escolha clínica, visto ser a menos invasiva e com grandes probabilidades de êxito (1,5,7), com taxas de sucesso de 65 a mais de 80%. (5) Para que o retratamento endodôntico seja bem sucedido, o ideal é que durante a sua execução seja removido todo o material obturador do interior dos canais radiculares. Só assim será possível afirmar que se acede a toda a interface gutta-percha-dentina onde se podem ter concentrado restos necróticos e/ou microrganismos que poderão estar na origem do insucesso do tratamento endodôntico inicial. (5,7–10) É essencial a remoção de todo o conteúdo patológico durante a nova preparação química-mecânica do canal. (10) A informação acerca da capacidade dos instrumentos endodônticos para a remoção, quer da gutta-percha quer do cimento obturador é escassa. (11) Contudo, vários estudos têm demonstrado que as paredes canalares raramente se apresentam sem restos de material obturador e/ou conteúdo necrótico e, na atualidade ainda não está bem esclarecido quais os método(s) que consegue(m) atingir esse objetivo. (1,5,8) A obturação canalar com gutta-percha e cimento obturador é a técnica mais usada e com provas dadas de êxito. (4,6,10,11) O sistema GuttaCore® (Dentsply Maillefer, Ballaigues, Switzerland) é o primeiro sistema obturador com um núcleo de gutta-percha reticulada. Esta apresenta um rearranjo diferente, tendo as suas cadeias poliméricas ligadas entre si. Até então, os sistemas de gutta aquecida eram de uso menos cómodo visto que perdiam forma com o calor. Este novo sistema permite que tal não aconteça, simplificando a obturação canalar e mantendo as mesmas características da gutta-percha tradicional. O obturador compacta centralmente a guttapercha, fazendo com que esta flua tridimensionalmente, para todo o sistema de canais radiculares, aquando a sua inserção nos canais. (9) Sendo as propriedades deste recente sistema promissoras adequa-se testar a sua eficácia no que concerne à sua remoção. Assim poder-se-ão obter conclusões sobre se é benéfico o seu
10 diferentes grupos amostrais inferiu-se que as distribuições são normais. Tendo em conta esta distribuição dos resultados foi utilizado o teste One-way ANOVA com um intervalo de confiança de 95% (nível de significância < 0,05). Neste foi comparado a média da percentagem de material obturador residual nos canais dos quatro grupos de estudo. Foram ainda calculados os valores de significância entre cada grupo amostral, face aos restantes três, usando da mesma forma o teste One-way ANOVA, mas com a aplicação dos filtros devidos. Deste modo foi possível calcular se existem significâncias de grupo para grupo, visto a média de D-RaCe® ter um valor bastante inferior comparativamente às restantes.
11 Resultados Imagem 1 - Canal radicular após desobturação com o sistema Protaper® Universal Retreatment (Dentsply Maillefer, Ballaigues, Switzerland) - ampliação 6x Copyright 2002 © Leica Microsystems Imagem 2 - Canal radicular após desobturação com o sistema Mtwo® (VDW, Munich, Germany) - ampliação 6x Copyright 2002 © Leica Microsystems
12 Imagem 3 - Canal radicular após desobturação com o sistema R-ENDO® (MicroMega, Bisacron, France) - ampliação 6x Copyright 2002 © Leica Microsystems Imagem 4 - Canal radicular após desobturação com o sistema D-RaCe® (FKG Dentarie, La Chaux-de-Fonds, Switzerland) - ampliação 6x Copyright 2002 © Leica Microsystems Após observação em lupa macroscópica e quantificação de material obturador presente no canal radicular obtiveram-se os valores necessários para o cálculo da média da percentagem de GuttaCore® na parede radicular, assim como do desvio padrão. O grupo Protaper® Universal Retreatment obteve valores de 24,424±22,557; o grupo Mtwo® - 25,252±17,581; o grupo RENDO® - 28,220±13,300 e o grupo D-RaCe® - 10,991±6,171.
13 24,42 25,25 28,22 10,99 0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00 30,00 35,00 40,00 45,00 50,00 % de material obturador remanescente Sistema de retratamento endodôntico Média da % de GuttaCore® remanescente nos canais radiculares após desobturação Protaper® Universal Retreatment Mtwo® R-ENDO® D-RACE® Estes resultados apresentam-se dispostos graficamente no Gráfico 1. Gráfico 1 - Média e desvio padrão da percentagem de GuttaCore® remanescente no canal radicular após desobturação com os diferentes sistemas de retratamento endodôntico em estudo. Após aferição da distribuição normal da amostra, e com a análise estatística One-Way ANOVA – Tabela I - obteve-se o resultado da significância entre a média de percentagem de material obturador remanescente na parede do canal radicular após desobturação – p = 0,097 ( > 0,05), demonstrando que não existem alterações estatisticamente significativas entre os grupos de estudo avaliados. Tabela I - Teste One-Way ANOVA. Quanto aos testes One-Way ANOVA realizados para cada grupo amostral, obtiveram-se os resultados presentes na Tabela II. ANOVA Resultado Sum of Squares df Mean Square F Sig. Between Groups 1761,499 3 587,166 2,274 ,097 Within Groups 9296,063 36 258,224 Total 11057,562 39
14 13,42 15,02 11,95 11,67 0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00 Tempo despendido na desobturação (min) Sistema de retratamento endodôntico Tempo de desobturação canalar Protaper® Universal retreatment Mtwo® R-ENDO® D-RaCe® Tabela II – Valores de significância obtidos para as diferentes associações entre os grupos de estudo. Os resultados obtidos em relação ao tempo despendido na fase de retratamento endodôntico apresentam-se no Gráfico 2. Gráfico 2 - Médias de tempo necessário para a reinstrumentação canalar. Tempo inclui troca de limas e todas as irrigações efetuadas durante o procedimento. O grupo Mtwo® foi o grupo para o qual foi necessário maior média de tempo para a desobturação. O sistema D-RaCe®, pelo contrário, demonstrou ser o mais rápido. Associação dos sistemas de retratamento endodôntico p D-RaCe® | R-ENDO® 0,002 Mtwo® | D-RaCe® 0,026 D-RaCe® | Protaper® Universal Retreatment 0,086 R-ENDO® | Protaper® Universal Retreatment 0,652 Mtwo® | R-ENDO® 0,675 Protaper® Universal Retreatment | Mtwo® 0,928
15 Discussão Nenhuma das peças dentárias se encontrava completamente desprovida de material obturador, existindo sempre algum remanescente na área avaliada. Tal ocorreu em muitos outros estudos, tais como Fariniuk et al., 2011 e Beasley et al., 2013 e é corroborado por vários autores que nenhum dos sistemas de retratamento de NiTi é totalmente efetivo, como Marques da Silva et al., 2012. O mesmo se verificou no presente estudo. Chauhan et al., 2012 afirmam mesmo que é quase impossível a remoção completa de todo o material obturador durante a desobturação dos canais radiculares. O uso de solventes foi descartado do procedimento clínico utilizado, de modo a diminuir as variáveis no estudo. Outros estudos, como Pirani et al., 2009 e Chauhan et al., 2012 advogam a não utilização de qualquer tipo de solvente, por esse mesmo motivo. O resultado obtido de p = 0,097 (> 0,05) indica que não existem alterações estatisticamente significativas entre a percentagem de material obturador remanescente dos grupos estudados. Contudo, e analisando a tabela II do capítulo Resultados, quando se compara cada associação de sistemas de retratamento endodôntico surgem algumas significâncias estatisticamente relevantes. Existem alterações estatisticamente significativas entre o grupo DRaCe® e Mtwo® (p = 0,026) como também entre o grupo D-RaCe® e R-ENDO® (p = 0,002). Apesar do sistema D-RaCe® apresentar média muito inferior em comparação aos restantes três, apenas se torna significativo, aquando comparado com os sistemas Mtwo® e R-ENDO®. Marques da Silva et al., 2012 obtiveram resultados em que apenas existiram diferenças estatisticamente significativas aquando a comparação com o grupo D-RaCe®. Comparativamente ao grupo Protaper® Universal Retreatment, este mostrou ser melhor na fase de desobturação. No presente estudo verifica-se o inverso. Tal facto pode basear-se na técnica de obturação variar entre os estudos. Uma maior massa interna das limas Protaper® Universal Retreatment promove o aquecimento da gutta-percha, facilitando a sua remoção. (10) No estudo de Akhavan et al., 2012 demonstrou-se que não existiam alterações estatisticamente significativas entre os grupos Mtwo® e D-RaCe®, no que diz respeito à desobturação de canais obturados pela técnica de condensação lateral. No presente estudo a variável da técnica de obturação é diferente, o que pode estar na origem de tais diferenças nos resultados obtidos nos estudos em questão.
16 No estudo de Narayan et al., 2012 o sistema Mtwo® mostrou ser mais eficiente do que outros sistemas, nomeadamente o sistema K3 (SybronEndo Corporation, Orange, CA), e RaCe, a nível da remoção de detritos e smear layer, contudo tal não é possível avaliar neste estudo, visto que não foram obtidas imagens em SEM que permitem tal avaliação. Vários estudos têm vindo a demonstrar a eficácia do sistema Protaper® Universal Retreatment. (9) Contudo, Beasley et al., 2013 concluíram que o diâmetro da ponta da lima D3 não é suficiente para a remoção de todo o material obturador a nível apical, sugerindo instrumentação complementar para conseguir alcançar tal objetivo. Segundo Chauhan et al., 2012 o sistema de retratamento endodôntico mecanizado deve ser seguido de instrumentação manual para uma melhor eficácia na remoção de material obturador. Marques da Silva et al., 2012 verificaram contudo que não existem diferenças estatisticamente significativas entre grupos com instrumentação adicional, comparativamente aqueles em que não se adicionou qualquer lima aos sistemas de retratamento endodôntico. Não se verificou nenhuma fratura de instrumentos em todos os sistemas de retratamento endodôntico NiTi usados. Este facto pode ser devido a cada kit ter sido utilizado em apenas cinco dentes, sendo depois descartado e utilizado um novo. Para além disso, todos os valores de velocidade e torque utilizados encontravam-se de acordo com as recomendações dos fabricantes. O êxito do retratamento endodôntico de técnicas termoplásticas, tal como o Thermafil, prende-se mais com a capacidade de remoção do transportador do que com a remoção da guttapercha em si. (9,17) Segundo Beasley et al., 2013, o sistema GuttaCore® dispõe de um transportador com menor módulo de elasticidade que pode ser facilmente removido com o sistema Protaper® Universal Retreatment, devido a forças de torção. (9) Contudo, clinicamente deve-se ter em conta que este facto se traduz na necessidade de um procedimento clínico minucioso, visto que dentro do canal radicular se encontram materiais com propriedades mecânicas diferentes – a gutta-percha e o transportador. (9) No caso do retratamento de GuttaCore® com instrumentos de NiTi, a parte coronal do transportador pode ser limada, mas se permanecer depois da fase inicial de preparação do terço coronal, durante a instrumentação dos terços médio e apical a sua remoção torna-se mais difícil. (9) Transversalmente a todos os grupos de estudo, em algumas peças dentárias obtidas nesta investigação foi possível observar que o transportador não foi devidamente removido, permanecendo junto à parede canalar, mas não a nível apical. Tal facto indica que seria vantajoso
17 tentar construir um procedimento de algum modo direcionado para a remoção do transportador, previamente à desobturação canalar propriamente dita. O estudo de Pirani et al., 2009 também obteve presença de transportadores após desobturação nos seus resultados, e corrobora a necessidade de uma técnica direcionada à remoção do transportador previamente à desobturação canalar. Beasley et al., 2013 constataram que é mais difícil a desobturação na presença de transportadores do que das obturações mais convencionais, particularmente no caso dos transportadores do sistema GuttaCore®, em que as técnicas tradicionais para a sua remoção demonstram ser falíveis em alguns casos. Os autores apontam o uso de brocas Gattes-Glidden como presumível solução, quer para uma mais correta remoção do transportador, quer para uma fácil inserção dos instrumentos rotatórios. Já o uso de solventes não se torna eficaz na remoção de transportadores à base de gutta-percha reticulada, contrariamente ao que se constata com a gutta-percha tradicional. É necessária mais pesquisa para aferir como remover corretamente os transportadores de GuttaCore®, no caso da sua remoção incompleta. (9) Na metodologia utilizada nesta investigação não foi incluído nenhum passo especificado para este fim, e possivelmente tal deveria ter sido efetuado para uma melhor e mais fácil remoção dos transportadores. A obturação com técnicas termoplásticas demonstra ser muito mais fácil e rápida, no entanto quando é necessário proceder ao retratamento endodôntico a presença do transportador no interior do canal radicular dificulta o mesmo. (9) O presente estudo vai de encontro a esta premissa. Segundo Uzun et al., 2013 as variações inerentes ao operador podem afetar os resultados experimentais. O erro do operador é um fator importante a considerar na avaliação dos resultados obtidos no presente estudo. Os desvios padrão altos obtidos indicam que o viés da amostra é grande, ou seja, existe alguma dispersão de resultados entre cada grupo amostral. Assim se infere uma fraca reprodutibilidade e previsibilidade nos resultados obtidos com cada sistema de limas de retratamento endodôntico. Muito se poderá dever ao facto do operador não possuir experiência clínica suficiente para executar os procedimentos de forma mais padronizada. (14) Podem apontar-se diversos erros na execução do protocolo, nomeadamente:
18 A má execução da cavidade de acesso, em que não se promoveu a remoção dos ombros linguais em dentes incisivos levou a interferências na colocação do obturador no canal radicular, sendo mais difícil a sua inserção correta até ao CT. A má execução da cavidade de acesso, nomeadamente a remoção indevida da constrição dentinária cervical promove às limas um impedimento mecânico de chegarem às paredes canalares em toda a sua extensão, pelo que só é removido material da parte central do canal radicular. Mesmo em dentes com cavidades de acesso bem realizadas e sem impedimento de movimentos de limagem em toda a extensão canalar, existe alguma quantidade de material remanescente na parede radicular. Estes casos podem ser possivelmente justificados pela difícil remoção de GuttaCore®, visto que este provavelmente flui para dentro dos túbulos dentinários juntamente com o cimento obturador. Para avaliação desta possibilidade, seria necessário ter procedido à análise das amostras com microscopia eletrónica de varrimento. Tal não foi realizado devido à falta de financiamento para o estudo. A padronização das variáveis relacionadas com o operador (que incluem habilidade, competência e experiência clínica) é uma necessidade para tornar os resultados de estudos experimentais comparáveis de forma mais fidedigna. (14) Uma cavidade de acesso mais ampla do que a realizada para o T.E.R. inicial poderia ajudar no acesso a áreas que eram previamente inacessíveis, mas tal levaria a um maior desgaste dentinário, o que aumentaria a fragilidade do dente. Pirani et al., 2009 afirmam que a observação através do microscópio eletrónico de varrimento (SEM) é a única técnica disponível para a avaliação da camada de smear layer e detritos presentes nas paredes canalares reinstrumentadas. Assim, embora seja possível detetar convenientemente a presença de gutta-percha residual com recurso à lupa macroscópica utilizada no presente estudo, não é possível aferir de forma assertiva se existe smear layer, detritos ou até mesmo cimento obturador nos canalículos sem recurso à imagem SEM. Vários autores têm demonstrado que o material obturador pode ser removido em poucos minutos, com instrumentação com sistemas NiTi. (9) Beasley et al., 2013 obtiveram tempos de desobturação inferiores a 1 minuto. No presente estudo, a média de tempo em todos os grupos de estudo foi bastante superior a esse valor. Tal pode incidir no facto de não incluírem no tempo de
19 desobturação a marcação do CT nas limas a utilizar, a troca de limas e todas as irrigações efetuadas durante a preparação do canal, o que foi realizado neste procedimento. O sistema Mtwo® é o que apresenta maior média de tempo despendido na desobturação. Isto pode dever-se ao facto de ser uma técnica de lima única, em que o tamanho 25 se torna provavelmente menos eficaz para a rápida penetração da zona cervical da gutta-percha e deste modo progride mais lentamente ao longo de todo o canal radicular. O sistema D-RaCe® demonstrou ser o mais rápido e isto pode dever-se ao facto do design das suas limas providenciar arestas de corte alternadas que diminuem o efeito parafuso e promovem a progressão das limas ao longo do canal radicular. (10) A dispersão dos valores de tempo gasto na desobturação em cada sistema também se pode justificar pela fraca experiência do operador na utilização dos diferentes sistemas de retratamento endodôntico. Tendo em conta que os kits disponibilizados pelas diferentes casas comerciais eram escassos e eram necessários para a realização do estudo em si, não foi possível uma prévia calibração do investigador para o uso de cada sistema. A interferência ou maior dificuldade na remoção do transportador também pode ser apontada como possível causa para as diferenças de valores de tempo empregue na desobturação canalar. Nestes estudo verificou-se que um maior ou menor valor de CT não aumenta nem diminui diretamente o tempo de desobturação. Verificou-se mesmo, nalguns casos, que em dentes com CT inferior se necessitou de mais tempo para a sua desobturação. Comparando por fim o presente estudo com a dissertação de investigação intitulada “Avaliação comparativa da eficácia de limas de retratamento na remoção de material de obturação” realizado na FMDUP no ano 2013, em que foram comparados os grupos Protaper® Universal Retreament, Mtwo® e R-ENDO® quanto à eficácia na desobturação de canais obturados com a técnica de cone único, verifica-se uma menor média de material remanescente nesses grupos de estudo, comparativamente aos mesmos, na presente investigação. (18) Comparando então os resultados entre a avaliação dos sistemas usados em técnicas convencionais ou termoplásticas, vai-se ao encontro de vários estudos que apontam para um retratamento endodôntico dificultado, com este tipo de técnica. (9,17) Akhavan et al., 2012 obtiveram grupos de estudo desprovidos de gutta-percha remanescente através de avaliação radiográfica, contudo estes resultados poderiam não se
ANEXO 2 Declaração de autoria do trabalho apresentado
ANEXO 3 Parecer do Orientador para entrega definitiva do trabalho apresentado