scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

Litoestratigrafia e Modelo Sedimentar da Bacia do Cuanza (NW de Angola)

Hortênsio Felisberto de Fátima Bondo

Full text

Litoestratigrafia e Modelo Sedimentar da Bacia do Cuanza (NW de Angola) Hortênsio Felisberto de Fátima Bondo Dissertação de Mestrado em Geologia Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território Faculdade de Ciências da Universidade do Porto 2014 Orientado por: Professor Doutor Ary Pinto de Jesus Faculdade de Ciências da Universidade do Porto Coorientado por: Professor Doutor Cristina Fernanda Alves Rodrigues Faculdade de Ciências da Universidade Agostinho Neto BONDO, H. ii ÍNDICE GERAL Parte 1 - Texto Índice de figuras .......................................................................................................... iv Índice de tabelas .......................................................................................................... vi Resumo ...................................................................................................................... vii Abstract ..................................................................................................................... viii 1 – INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 2 1.1 – Metodologia e material utilizado ........................................................................ 3 1.2 – Estado da Arte ............................................................................................................... 4 1.3 – Localização geográfica e acessos da área de estudo .............................. 6 1.4 – Enquadramento da área de estudo na bacia sedimentar ...................................... 7 1.5 – Clima e vegetação ................................................................................................... 8 1.6 – Geomorfologia ........................................................................................................... 9 1.7 – Caracterização litoestratigráfica ...................................................................... 10 2 – ENQUADRAMENTO GEOLÓGICO REGIONAL E LOCAL ................................. 14 2.1 – Principais bacias sedimentares de Angola .................................................. 14 2.2 – Evolução tectónico-sedimentar da bacia do cuanza ............................... 15 2.3 – Subsidência regional ............................................................................................ 22 2.4 – Estratigrafia da bacia do Cuanza ..................................................................... 22 2.5 – Enquadramento geológico local ....................................................................... 26 3 - TRABALHO DE CAMPO .......................................................................................... 30 3.1 – Panorâmica geral dos afloramentos ............................................................... 32 3.2 – Descrição dos afloramentos .............................................................................. 32 3.2.1 - Afloramento HB4 .............................................................................................. 33 3.2.2 - Afloramento HB5 .............................................................................................. 33 3.2.3 - Afloramento HB6 .............................................................................................. 34 3.2.4 - Afloramento HB7 .............................................................................................. 35 3.2.5 - Afloramento HB3 .............................................................................................. 36 3.2.6 - Afloramento HB10 ........................................................................................... 37 3.2.7 - Afloramento HB16 ........................................................................................... 37 3.2.8 - Afloramento HB15 ........................................................................................... 39 3.2.9 - Afloramento HB19 ........................................................................................... 40 3.2.10 - Afloramento HB12 ......................................................................................... 41 3.2.11 - Afloramento HB11 ......................................................................................... 42 3.2.12 - Afloramento HB22 ......................................................................................... 43 BONDO, H. iii 3.2.13 - Afloramento HB21 ......................................................................................... 43 3.2.14 - Afloramento HB2 ........................................................................................... 45 3.2.15 - Afloramento HB3´ .......................................................................................... 46 3.2.16 - Afloramento HB24 ......................................................................................... 48 3.2.17 - Afloramento HB25 ......................................................................................... 49 3.2.18 - Afloramento HB26 ......................................................................................... 50 3.2.19 - Afloramento HB18 ......................................................................................... 51 3.2.20 - Afloramento HB8 ............................................................................................ 52 3.2.21 - Afloramento HB20 ......................................................................................... 52 3.2.22 - Afloramento HB9 ............................................................................................ 54 3.2.23 - Afloramento HB13 ......................................................................................... 55 3.2.24 - Afloramento HB23 ......................................................................................... 56 3.2.25 - Afloramento HB14 .............................................................................................. 57 4 – DADOS DE POÇOS E DE SONDAGENS ............................................................ 59 4.1 – Representação dos poços ........................................................................................ 60 4.2 – Perfis sedimentológicos dos poços ......................................................................... 63 5 – SECÇÕES ESTRATIGRÁFICAS ................................................................................ 67 5.1 – Correlação litoestratigráfica ...................................................................................... 70 5.2 – Coluna litoestratigráfica reconstituída e modelo esquemático ............................ 74 6– CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................... 79 6.1 – TRABALHOS FUTUROS .......................................................................................... 80 7 - REFRÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................ 81 BONDO, H. iv Índice de figuras Capítulo I Página Figura 1.1 - Localização da área de estudo em contexto global 3 Figura 1.2 - Localização geográfica da área de estudo 7 Figura 1.3 – Enquadramento da área de estudo na bacia sedimentar 7 Figura 1.4 - Vegetação típica da zona de estudo 8 Figura 1.5 - Modelo de elevação da área de Cabo Ledo 10 Figura 1.6 - Comissão Internacional de Estratigrafia 11 Capítulo II Figura 2.1 - Principais bacias sedimentares de Angola 14 Figura 2.2 - Fraturação do Gondwana 15 Figura 2.3 - Reconstituição paleogeográfica do Atlântico Sul durante o Cretácico Inferior à Médio, mostrando o controlo deposicional pelas principais feições estruturais da época 16 Figura 2.4 - Esquema representativo da fase “Pré-rift” 17 Figura 2.5 - Esquema representativo da fase “Sin-rift I” 18 Figura 2.6 - Esquema representativo da fase inicial (a) e final (b) do“Sinrift II” 18 Figura 2.7 - Esquema representativo da fase inicial (a) e final (b) do“Pósrift” 19 Figura 2.8 - Mapa de delimitação das falhas de transferência da bacia do Cuanza e zonas de transferência resultantes 21 Figura 2.9 - Estratigrafia da bacia do Cuanza 25 Figura 2.10 - Carta geológica da bacia do Cuanza 27 Figura 2.11 - Formações da área de estudo de Cabo Ledo 28 Capítulo III Figura 3.1 - Localização geográfica dos afloramentos na carta topográfica 31 Figura 3.2 - Panorâmica geral dos afloramentos da zona de estudo 32 Figura 3.3 - Afloramento HB4 33 Figura 3.4 - Afloramento HB5 34 Figura 3.5 - Afloramento HB6 34 Figura 3.6 - Afloramento HB7 a) argilitos, b) calcários 35 Figura 3.7 - Afloramento HB3 36 Figura 3.8 - Arenito com lâminas de gesso 36 Figura 3.9 - Areia com microconglomerados 36 Figura 3.10 - Afloramento HB10 37 Figura 3.11 - Afloramento HB16 38 Figura 3.12 - Detalhe da base do afloramento HB16 mostrando a forte bioturbação 38 Figura 3.13 - Afloramento HB15 39 Figura 3.14 - Detalhe do afloramento HB15 39 Figura 3.15 - Afloramento HB19 40 Figura 3.16 - Detalhe do afloramento HB19 40 Figura 3.17 - Afloramento HB12 41 Figura 3.18 - Detalhe da base do afloramento HB12 (b) 41 Figura 3.19 - Afloramento HB11 42 Figura 3.20 - Afloramento HB22 43 BONDO, H. v Figura 3.21 - Afloramento HB21 44 Figura 3.22 - Detalhe do afloramento HB21 44 Figura 3.23 - Afloramento HB 2 45 Figura 3.24 - Detalhe do afloramento HB 2 evidenciando os leitos de gesso 46 Figura 3.25 - Afloramento HB3´ 47 Figura 3.26 - Detalhe do afloramento HB 3´evidenciando o gesso 47 Figura 3.27 - Afloramento HB24 mostrando as dolomites brechificadas 48 Figura 3.28 - Afloramento HB25 a) Formação Cabo Ledo b) Formação Quissonde 49 Figura 3.29 - Afloramento HB26 50 Figura 3.30 - Pormenor da imagem anterior, colocando em evidência uma falha normal 50 Figura 3.31 - Afloramento HB18 51 Figura 3.32 - Detalhe do afloramento HB18 51 Figura 3.33 - Afloramento HB8 52 Figura 3.34 - Afloramento HB20 53 Figura 3.35 - Afloramento HB9 54 Figura 3.38 - Detalhe do afloramento HB9 evidenciando as argilas cinzentas na base 54 Figura 3.39 - Afloramento HB13 55 Figura 3.40 - Detalhe do afloramento HB13 evidenciando uma falha 55 Figura 3.41 - Afloramento HB23 56 Figura 3.42 - Detalhe do afloramento HB23 evidenciando as argilas cinzentas 56 Figura 3.43 - Afloramento HB14 evidenciando a continuidade lateral do mesmo 57 Capítulo IV Figura 4.1 - Mapa de localização dos poços na bacia do Cuanza 61 Figura 4.2 - Coluna estratigráfica genal, modificado de Brognon e Verrier (1966) e Burwood (1999). 62 Figura 4.3 - Perfis sedimentológicos dos poços offshore 63 Figura 4.4 - Perfis sedimentológicos dos poços Galinda, Mongaichi, Pitchi 2 e Tuenza 64 Figura 4.5 - Perfis sedimentológicos dos poços PM G, Cabo Ledo, Cacimbas, e Kula 1 65 Capítulo V Figura 5.1 - Representação das secções estratigráficas offshore e Zonshore 68 Figura 5.2 - Representação da secção estratigráfica Z-G 69 Figura 5.3 - Representação da correlação litoestratigráfica referente a secção estratigráfica Z-onshore 71 Figura 5.4 - Representação da correlação litoestratigráfica referente a secção estratigráfica offshore 72 Figura 5.5 - Representação da correlação litoestratigráfica referente a secção estratigráfica Z-G 73 Figura 5.6 - Coluna litoestratigráfica reconstituída do offshore 75 Figura 5.7 - Coluna litoestratigráfica reconstituída do onshore 76 Figura 5.8 - Modelo litoestratigráfico esquemático 77 BONDO, H. vi Índice de tabelas Capítulo III Página Tabela 3.1 - Coordenadas geográfica dos afloramentos estudados 30 Capítulo IV Tabela 4.1 - Informações preliminares dos poços 69 BONDO, H. vii Resumo O presente trabalho insere-se no âmbito do projeto de dissertação de mestrado, e consiste em apresentar um modelo sedimentar genético e evolutivo para a bacia interior do Cuanza localizada no NW de Angola. Os trabalhos de campo foram desenvolvidos na área de Cabo Ledo, e basearam-se no estudo de alguns dos afloramentos presentes na referida área, assim como na respetiva colheita de amostras para estudos petrológicos e sedimentológicos, a fim de se correlacionarem os resultados com as informações presentes na carta geológica da bacia do Cuanza (Total, Sonangol, 1972). De acordo com os afloramentos estudados e os resultados do estudo das lâminas delgadas, as formações presentes na área de estudo são, da base ao topo, Tuenza Dolomítico, Quissonde, Cabo Ledo, Itombe, Teba, Quifangondo e LuandaCacuaco. Os principais dados utilizados neste trabalho foram dados de poços distribuídos ao longo da bacia do Cuanza, dos quais cinco fazem parte do offshore da referida bacia e sete do onshore. Foram elaborados perfis estratigráficos cuja distribuição espacial permitiu reconhecer a arquitetura das principais unidades litoestratigráficas existentes na bacia. Com base nesta informação e respetiva interpretação, efetuaram-se secções estratigráficas quer para a bacia interior como para a bacia exterior. Neste contexto, foi possível estabelecer correlações litoestratigráfica de modo a compreender a evolução sedimentar da área de estudo. Com base nas espessuras máximas dos intervalos estratigráficos elaboram-se duas colunas litoestratigráficas reconstituídas, uma para a bacia interior e outra para a bacia exterior. Os resultados obtidos permitiram verificar que a região estudada apresenta uma evolução sedimentar resultante da migração transgressiva de ambientes de playa, com passagem a ambientes lagunares na base e até litofácies de mar aberto de baixa profundidade (plataforma mista); para topo, o momento é claramente regressivo desde ambientes lagunares, passando por playa e terminando em sedimentação detrítica sub-aérea. O conjunto sugere a formação de um prisma acrecionário de baixo nível. Palavras-Chaves: Bacia do Cuanza, Cabo Ledo, unidade litoestratigráfica, registo sedimentológico e estratigráfico, correlação, arquitetura estratigráfica. BONDO, H. viii Abstract This work was made in the scope of the Master dissertation, and pretends to present a genetic and evolutionary sedimentary model for the inner Kwanza Basin located in the NW of Angola. The field work was developed in the area of Cabo Ledo, and based on the study of some of the outcrops present in that area as well as in the respective samples for petrological and sedimentological studies in order to correlate the results with the information present in geological map of the Cuanza basin (Total, Sonangol, 1972). According to the outcrops studied and the results of the study of thin sections, the formations present in the study area are, from bottom to top, Tuenza Dolomitic, Quissonde, Cabo Ledo, Itombe, Teba, Quifangondo Luanda and Cacuaco. The main data used in this study were well data distributed along the Kwanza basin, of which five are part of the basin offshore and seven from the onshore. Stratigraphic profiles were developed and related spatial distribution allowed us to recognize the existing architecture of the main lithostratigraphic units in the basin. Based on this information stratigraphic interpretation and basin architecture style was made to the inner and to the outer parts of the basin. In this context, it was possible to establish lithostratigraphic correlations in order to understand the sedimentary evolution of the study area. Based on the maximum thickness of the stratigraphic records are two reconstructed lithostratigraphic columns were elaborated, one for the inner part of the basin and one for the outer part. The results obtained showed that the studied region presents at the bottom of the studied sequence a transgressive sedimentary evolution resulting from the migration of sabkha environments, passing trough lagoon environments and ending in open marine shallow water (mixed platform); to top, the record is clearly regressive since lagoon environments, through playa lake environments and ending in sub-aerial detrital sedimentation. The global set suggests the formation of a low level standing track. Key-words: Cuanza Basin, Cabo Ledo, lithostratigraphic unit, sedimentological and stratigraphic record, correlation, stratigraphic architecture BONDO, H. ix Agradecimentos A Deus, o grande Arquiteto do Universo, por me ter concedido a vida e a força necessária para a realização deste trabalho. Aos meus pais, Prof. Doutor Pedro Felisberto Miguel Bondo e Prof.ª Doutora Maria de Fátima pelo apoio incondicional e exemplo de vida, aos meus irmãos por estarem sempre do meu lado. A elaboração e execução desta dissertação tornou-se possível com os grandes ensinamentos de Geologia sedimentar através do Prof. Doutor Ary Pinto de Jesus, a quem agradeço a confiança depositada em aceitar a orientação desta dissertação, foi muito agradável ter esta oportunidade, pois agora vejo a Geologia com olhos de ver e gostaria de desenvolver outras aptidões num futuro projeto de Doutoramento com a mesma linha de pensamento crítico-construtivo do professor Ary. Agradeço desde logo, à Profª. Doutora Cristina Rodrigues que não hesitou em coorientar o referido projeto e ter-me acompanhado durante os trabalhos desenvolvidos no campo sugerindo aspetos que foram relevantes para compreensão da geologia da região de Cabo Ledo. Quero aqui agradecer aos professores do Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território por contribuírem significativamente nesta minha fase de formação. Ao Prof. Doutor António Guerner por me ter ajudado no processo de busca de conhecimentos necessários para desenvolver outros projetos não relacionados a geologia como tal. Especialmente agradeço aos professores da Faculdade de Ciências do Departamento de Geologia da Universidade Agostinho Neto, nomeadamente, Prof. Doutor Pedro Nsugani e Prof. Doutor Cirilo Cauxeiro por me terem sugerido material bibliográfico imprescindível para a concretização desta dissertação. Agradeço finalmente ao Tenente Coronel Elias Tchionga (Lili) por ceder um espaço para a minha estadia na região de Cabo Ledo para que pudesse efetivamente evitar viagens cansativas de Luanda Cabo Ledo e vice-versa. BONDO, H. 6 Milane e Davidson (1988), Rosendahl et al. (1992) e Morley et al. (1990), descrevem as zonas de falhas transversas ou de transferência como estruturas típicas das bacias de rifte constituídas por zonas vulneráveis do substrato oblíquas ao rifte, e subparalelas à direção de abertura. O horst vulcânico e do substrato de Cado Ledo, orientado NW-SE, é a principal estrutura que separa a parte costeira da parte marinha atlântica da bacia do Cuanza, e que marca a linha de junta atlântica, tal como referiram Karner e Driscoll (1999) e Hudec e Jackson (2002). Marton et al., 2000 corroboram com Lunde et al., 1992, afirmando que o período pós Oligoceno foi dominado pelas circunstâncias decorrentes do abaixamento do nível do mar e de condições climatéricas glaciais. Viola et al., 2005, afirmam que a interpretação que as principais tensões orientadas de E-W a NE, associadas a falhas de cavalgamento ou deslizamento, restringem-se aos setores orientais de Angola, ao passo que as tensões horizontais alinhadas a NNO causadoras de falha normal, estão localizadas na zona SW de Angola. Guiraud et al. (2010) analisaram com base nos dados tectónicos, sedimentares e subsuperficiais, em conjunto com dados relativos a anomalias de gravidade a segmentação e elevação pós rifte da margem litoral de Angola, e afirmam que, variações na intensidade da elevação do pós rifte foram revelados pelo estudo de um conjunto de marcadores geomórficos, detetados na sequência pós rifte do litoral das bacias do Cuanza e Benguela nomeadamente, paleodeltas elevados do Cretácico Superior – Cenozóico, discordâncias erosivas, paleovales, terraços marinhos do Quaternário. Estes autores concluíram que a margem passiva fraturada de Angola é muito segmentada, em escalas que vão de 200 aos 400 km. Os rios atuais funcionam como condutas de sistemas de drenagem que penetram na margem de Angola. Estes (Cuanza, Longa e Cuvo) estão localizados ao longo de zonas de falhas de transferência. 1.3 – Localização geográfica e acessos da área de estudo A área de estudo localiza-se em Angola, em Luanda no município da Quissama, (Figura 1.2) mais concretamente ao longo da margem costeira da comuna de Cabo Ledo, embora foram efetuados levantamentos em alguns afloramentos localizados no interior da zona de estudo. O acesso à zona de Cabo Ledo faz-se através da estrada nacional que liga a capital Luanda, e a Província do Cuanza Sul. No entanto, as condições de acessibilidade são muito difíceis dado que este acesso se faz um desvio em estrada terraplana em que o acesso se torna muito difícil devido a natureza do próprio solo que é argiloso, e que na época chuvosa se torna praticamente inacessível. BONDO, H. 7 Figura 1.2 – Localização geográfica da área de estudo (Diva Gis, 2013). 1.4 – Enquadramento da área de estudo na bacia sedimentar A zona de Cabo Ledo enquadra-se na bacia sedimentar do Cuanza, esta estende-se ao longo de aproximadamente 300 km na costa ocidental de Angola entre os 8º e os 13º de latitude Sul. Figura 1.3 - Enquadramento da área de estudo na bacia do Cuanza (Google earth (A)) (in: Total E.P 2003 (B)) Cabo Ledo A B BONDO, H. 8 1.5 – Clima e vegetação A Província de Luanda onde se insere a área de estudo, é caracterizada por um clima tropical quente e seco. As temperaturas médias anuais variam de 24ºC a 25ºC, em que o pico máximo de temperaturas verificam-se nos meses de Março e Abril atingindo valores na ordem dos 29ºC a 31ºC. Os meses mais frios são Junho, Julho e Agosto. Devido à grande evaporação das águas do mar, da latitude, assim como à influência da corrente fria de Benguela, a humidade relativa na capital é pouco variável e muito elevada apresentando uma média que oscila dos 80%-81%. Para a Província de Luanda os valores de precipitação situam-se entre os 350-400 mm/ano, tendo valor médio de 367 mm/ano. (Sicato et al., 2007). Relativamente a vegetação, a área de estudo é caracterizada por vegetação pouco densa do tipo savana, constituída por matebeiras (Hyphaene Gossweir), cajueiros (Anaccardium Occidental) em algumas zonas verifica-se alguns embondeiros (Adansonia Digitata), (Miguel 2002). Figura 1.4 - Vegetação típica da zona de estudo BONDO, H. 9 1.6 – Geomorfologia A área de estudo apresenta uma morfologia bastante monótona caracterizada por extensas zonas aplanadas e vales profundos, alguns com vertentes suaves de acordo com as características das formações atravessadas, o que permite a formação de linhas de água de regime intermitente. Foi ainda possível identificar formações cársicas com falésias, e terraços fluviais, fluviomarinhos e marinhos de cotas variáveis ao longo da costa de Cabo Ledo. Em consequência dos processos de erosão/deposição, provocados pela ação fluvial, originaram assim os terraços fluviais, de igual modo, foi possível identificar terraços marinhos que também se formaram em consequência dos processos de erosão/deposição. Logicamente que a combinação destes dois processos permitiu a formação de outro tipo de terraço identificado na área de estudo designadamente terraço fluviomarinho (António et al., 2004). Foi ainda possível fazer uma análise da área de estudo a partir do modelo de elevação do terreno (Figura 4) através de imagens SRTM (Shuttle Radar Topography Mission), os valores altimétricos variam dos 0-180 metros. BONDO, H. 10 Figura 1.5 – Modelo de elevação da área de Cabo Ledo (ASTER-GDEM, 2013). 1.7 – Caracterização litoestratigráfica Na área de estudo estão presentes unidades autóctones, parautóctones e alóctones. Neste contexto optou-se seguir e adaptar os critérios, procedimentos e recomendações definidos no “International Stratigraphic Guide” (ISSC, 1994) e no “North American Stratigraphic Code” (NASC, 2005) respetivamente. Assim, seguem-se as designações da “Internacional Chronostratighaphic Chart” (Figura 1.6) fazendo referência ao Mesozóico e ao Cenozóico. (m) BONDO, H. 11 Figura 1.6 – Quadro Internacional de Estratigrafia. Fonte: www.stratigraphy.org BONDO, H. 12 De acordo com o Código Internacional de Estratigrafia (ISSC, 1994) e com o Código Norte-Americano de Estratigrafia (NASC, 2005), são aplicados alguns conceitos neste trabalho nomeadamente: Série (e Época) é uma unidade cronoestratigráfica de escalão superior a um estágio e inferior a um Sistema. O equivalente geocronológico de uma Série é uma Época. Sistema (e Período) é uma unidade de alto escalão na hierarquia cronoestratigráfica convencional, situada acima de uma Série e abaixo de um Eratema. Eratema (e Era) consiste num grupo de Sistemas. O equivalente geocronológico é um éon. São reconhecidos amplamente três eonotemas, que são do mais velho ao mais jovem: Arquiano, Proterozoico e Fanerozoico. A combinação dos dois primeiros é referido geralmente como Précâmbrico. Unidades Litoestratigráficas, conjunto de rochas definidas por características físicas comuns. Podem ser constituídas por rochas sedimentares, ou ígneas extrusivas ou metamórficas, ou metassedimentares, ou metavulacânicas ou associação de duas ou mais destas litologias, reconhecidas e definidas com base nas características litológicas e relações estratigráficas. Formação é a unidade formal primária da classificação litoestratigráfica. Camada é a menor unidade formal na hierarquia das unidades litoestratigráficas sedimentares. Correlação é, em termos estratigráficos, o estabelecimento de correspondência entre unidades estratigráficas sedimentares e/ou metassedimentares com base nas suas características e /ou posição estratigráfica. Existem vários tipos de correlação, como por exemplo, litocorrelação, quando se demonstra a correspondência nas características litológicas e na posição litoestratigráfica, biocorrelação, no caso da correspondência entre camadas com o mesmo conteúdo fossilífero e posição bioestratigráfica, cronocorrelação, quando se demonstra a existência de uma correspondência na idade e na posição cronoestratigráfica. BONDO, H. 13 CAPÍTULO II ENQUADRAMENTO GEOLÓGICO REGIONAL E LOCAL BONDO, H. 14 2 – ENQUADRAMENTO GEOLÓGICO REGIONAL E LOCAL 2.1 – Principais bacias sedimentares de Angola De acordo com Tavares (2000), os enchimentos sedimentares no litoral de Angola estão subdivididos em cinco (5) sectores, os quais se resumem a três bacias costeiras, nomeadamente a bacia do Congo a Norte, ao Centro a bacia do Cuanza (e bacia de Benguela), e a Sul a bacia do Namibe, encontram-se delimitadas a Leste pelo soco cristalino, e a Oeste pelo oceano Atlântico tal como representado na figura 2.1. Figura 2.1 - Principais bacias sedimentares de Angola (WEC 1991). BONDO, H. 15 A Região de Cabo Ledo situa-se dentro dos limites geográficos da bacia do Cuanza, estando as Formações da área de estudo (Cabo Ledo), inseridas nas Formações da bacia do Cuanza. Esta, por sua vez, está relacionada com um fenómeno de importância global, a evolução da margem continental angolana, ou seja, a abertura do oceano Atlântico. Neste contexto, torna-se relevante apresentar uma breve síntese da evolução da margem angolana, a fim de melhor compreender e enquadrar os processos geológicos-estruturais locais no espaço – tempo. Com base nos conceitos de tectónica de placas e da migração das placas continentais, e de acordo com o estilo estrutural e características litológicas presentes, vários autores tais como, Baptista (1991), Brice at al. (1982) definiram diferentes eventos evidentes nas bacias sedimentares costeiras e na plataforma continental que refletem as diversas fases de evolução das bacias que compõem a margem angolana. 2.2 – Evolução tectónico-sedimentar da bacia do Cuanza A evolução tectónica e sedimentar da bacia do Cuanza resultou, numa fase inicial, do movimento das placas tectónicas que provocaram a fraturação do supercontinente Gondwana (Figura 2.2). Estes movimentos estiveram, então, na base da separação dos continentes Africano e Sul-americano e que ainda se identificam nos dias de hoje, devido ao aumento progressivo do afastamento dessas placas. Figura 2.2 - Fraturação do Gondwana (Google imagens,2013) Assim sendo, Rabinowitz e LaBrecque (1979), Scotese et al. (1988) e Fairhead (1988) afirmam que o rifting continental das placas africana e sul-americana que abriu o Atlântico sul, iniciou-se na zona equatorial do rifte, período entre o Jurássico superior e o Cretácico superior. O processo de rifting, porém, não se limitou simplesmente a BONDO, H. 22 2.3 – Subsidência regional O intervalo de tempo Campaniano/Mastrichtiano é caracterizado por um afastamento acentuado das placas, acompanhado da subida do nível do mar, durante a qual a transgressão marinha atingiu a sua máxima extensão quer em África quer na América do Sul (WEC 1991). No Paleogénico (Oligocénico médio) ocorreu uma importante regressão marinha resultante do basculamento no sentido Oeste da bacia, induzido pela sobrecarga sedimentar da plataforma, tendo como resultado a descida do nível da água do mar devido a uma regressão forçada. Esta regressão teve como consequência a deposição (Oligo-Miocénico) de uma espessa sequência clástica regressiva, assentando discordantemente sobre a antiga plataforma. Este período é, ainda, marcado por vários hiatos estratigráficos representados quer pela não deposição quer pela erosão dos depósitos sedimentares provocados pelas pequenas variações do nível do mar (Oligocénico Superior, Miocénico e Pliocénico). A tectónica diapírica salífera permaneceu ativa durante todo o Cretácico Superior e o Cenozóico, fenómeno este que em conjunto com a sobrecarga sedimentar deram origem ao desenvolvimento de grandes fossas cenozóicas (Oligoceno-Mioceno), produzindo importantes falhas normais, sintéticas, lístricas e antitéticas em rochas carbonatadas. Assim sendo, sobre a unidade carbonatada depositaram-se espessos estratos de sedimentos argilosos típicos de águas profundas, margas e algumas areias com estruturas turbidíticas. 2.4 – Estratigrafia da bacia do Cuanza Sobre o soco cristalino as formações da Bacia do Cuanza depositaram em descontinuidade sedimentos do Cretácico Inferior ao Quaternário, com a seguinte sequência (da base para o topo), (Figura 2.9). 1 - Formação Cuvo: Onde podemos distinguir: A) Cuvo inferior ou vermelho: (Neocomaniano a Barremiano) formado por conglomerados, que apresentam fragmentos de rochas gnáissicas e outras metamórficas do soco cristalino, bem como arenitos (possivelmente de cor vermelho), cujo ambiente é fluvial ou lacustre. BONDO, H. 23 B) Cuvo Superior ou cinzento: (Barremiano ou Ante-Aptiano) constituído por arenitos (grosseiros ou finos) com intercalações de calcários conquíferos normalmente ricos em ostracodos, de ambiente lagunar com uma evolução para fácies marinhas. De potencial enquanto rocha reservatório do pré-sal bem como rocha reservatório; 2 - Formação Sal Maciço: (Aptiana) constituída por dolomite, anidrite dolomítica, e anidrite ou Halite. Esta sequência foi depositada num ambiente lagunar ao marinho; 3 - Formação Binga: (Aptiano-Albiano) formada por calcários oolíticos e bioclastos, calcários sublitográficos com dolomite microcristalina e anidrite, depositada num ambiente lagunar da plataforma continental; 4 - Formação Twenza: (Albiana) representada por dolomites com ocorrência de anidrite por vezes com intercalações de evaporitos. Esta formação depositada num ambiente lagunar; 5 - Formação Catumbela: (Albiana Superior) composta por calcarenitos e calcários marinhos com algas e corais, bioclásticos, pisólitos, fragmentos arredondados e calcarenitos conquíferos, depositada num ambiente marinho pouco profundo (plataforma); 6Formação Quissonde: Depositada num ambiente de plataforma externa constituída por calcários margosos com fragmentos de conchas na base, e fragmentos de conchas na parte média e no topo; 7 - Formação Cabo Ledo: Caracteriza-se pela dominância das margas sobre os calcários conquíferos. Depositada num ambiente marinho de grande profundidade cuja idade é Cenomaniana; 8 - Formação Itombe: (Turoniana) constituída por margas calcárias com amonites e intercalações arenosas. Esta formação foi depositada num ambiente de mar pouco profundo; 9 - Formação N´golome: (Turoniano-Campaniana) é constituída por margas pelágicas caracterizada pelo seu conteúdo em microfósseis (Globotruncana); 10Formação Teba: (Maastrichtiana) é constituída por margas com calcários lumachelicos e restos de Inoceramus com níveis fosfatados. Depositou-se num ambiente de plataforma; BONDO, H. 24 11Formação Cunga-Gratidão: (Eocénica) constituída por margas gresosas com lentilhas e concreções calcárias e calcários silicificados. Depositadas num ambiente pelágico; 12 - Formação Quifangondo: (Oligocénica-Miocénica) representada por argilas com intercalações siltosas, calcários gresosos lumachélicos; e ricas em foraminíferos, depositada em ambientes de plataforma externa a batial; 13 - Formação Cacuaco: (Oligocénica) constituída por calcários com algas, equinoderme e bivalves, com calcarenitos; depositados num ambiente litoral a circo litoral; 14 - Formação Luanda: (Pliocénica) composta por margas castanhas com foraminíferos, areias litorais e grés com conchas, depositada num ambiente litoral; 15 - Formação Areias Cinzentas: São sedimentos constituídos por areias heterométricas com abundante matriz silto-arenosa no seio dos quais se encontram imensos seixos subarredondados de dimensão centimétrica. Este conjunto litológico, que apresenta uma posição estratigráfica e características litológicas bem definidas e uma extensão superficial significativa, foi designada por Formação Areias Cinzentas. Pela presença de fragmentos de quartzo e de calhaus de outras litologias trabalhados pelo homem, tal formação poderá ser considerada como de idade Pleistocénica (Andrade et al.,1998). 16 - Formação Quelo: (Plio-Quaternária) constituída por areias ferruginosas e grés de cor vermelha. Depositou-se num ambiente continental. BONDO, H. 25 Figura 2.9 - Estratigrafia da bacia do Cuanza (GeoLuanda 2000) 1) Rochas intrusivas, granito - 2) rochas efusivas, basalto - 3) rochas metamórficas - 4) conglomerados - 5) areias - 6) shales - 7) evaporitos - 8) gesso - 9) carbonatos - 10) carbonatos e dolomites silicificados 11) Calcilutitos 12) marls. LC Formação Cuvo Inferior - UC Formação Cuvo Superior - SL Formação Chela - MS Formação sal massiço - DGG Formação Dombe Grande - TZ Formação Tuenza - CT Formação Catumbela - QS Formação Quissonde - CL Formação Cabo Ledo - ITB Formação Itombe - NGL Formação N’ Golome TB Formação Teba - TS Tchipupa Shales - RD Formação Rio Dande - GT Formação Gratidão - CG Formação Cunga – QF Formação Quifangondo -CC Formação Cacuaco - LD Formação Luanda - AC Formação Areia CinzentasQL Formação Quelo. 1 BONDO, H. 26 2.5 – Enquadramento geológico local Segundo a carta geológica da bacia do Cuanza (Total e Sonangol/1968 – 1972) a área de estudo, caracteriza-se pelas seguintes formações da base ao topo (Figura 2.10):  Albiano  Formação Tuenza: Dolomites, anidrites, halites e argilas.  Cenomaniano  Formação Cabo Ledo: margas com intercalações de dolomites.  Turoniano - Coniaciano  Formação Itombe: Margas, calcários fossilíferos, grés à cimento calcário.  Campaniano  Formação Teba: Calcários fossilíferos, margas, calcários.  Oligocénico  Formação Quifangondo: Margas e argila com nódulos.  Miocénico - Pliocénico  Formação Luanda - Cacuaco: Margas, argilas, calcário e grés.  Quaternário  Formação Quelo: Areias vermelhas. BONDO, H. 27 N Figura 2.10 - Carta geológica da bacia do Cuanza (Total e Sonangol/1968 – 1972). Área de estudo N BONDO, H. 28 Por forma a identificar com maior precisão as formações da área de Cabo Ledo com base na carta anterior, foi criado um projeto em ArcGis 10.1, onde o objetivo foi o de editar as respetivas formações cujo resultado é o ilustrado na figura 2.11. Figura 2.11 – Formações da área de estudo de Cabo Ledo (Total e Sonangol/1968 – 1972). BONDO, H. 29 CAPÍTULO III TRABALHO DE CAMPO BONDO, H. 30 3 - TRABALHO DE CAMPO A preparação do trabalho de campo envolveu a análise dos mapas geológicos e do mapa topográfico à escala de 1:100000 IGCA, 1981. Foram ainda realizadas interpretações de imagens aéreas através do Google Earth, obtendo informações de lineamentos estruturais, unidades geológicas e respetivas geometrias. Os trabalhos de campo basearam-se na observação in situ dos principais afloramentos existentes na área de estudo tendo em conta as principais fácies litoestratigráficas, estruturais, suas geometrias assim como se procedeu à colheita de amostras georreferenciadas. Assim foram observados cerca de vinte e cinco afloramentos (Figura 3.1), dos quais vinte e um são apresentados neste trabalho. Tabela 3.1 - Coordenadas geográfica dos afloramentos estudados AFLORAMENTO COORDENADAS ALTITUDE (m) LATITUDE (S) LONGITUDE (E) HB1 09º38´17,9´´ 13º14´14,4´´ 12,00 HB2 09º38´21,9´´ 13º14´19,1´´ 72,00 HB3 09º39´39,3´´ 13º13´29,5´´ 14,00 HB4 09º39´56,3´´ 13º13´34,0´´ 58,00 HB5 09º39´51,7´´ 13º13´28,4´´ 45,00 HB6 09º39´28,7´´ 13º13´47,0´´ 13,00 HB7 09º39´46,1´´ 13º13´27,8´´ 21,00 HB8 09º40´36,1´´ 13º11´51,1´´ 16,00 HB9 09º40´43,2´´ 13º12´16,8´´ 69,00 HB10 09º40´39,0´´ 13º12´30,0´´ 91,00 HB11 09º41´16,4´´ 13º12´59,1´´ 75,00 HB12 09º41´10,2´´ 13º12´19,0´´ 76,00 HB13 09º41´ 12,9´´ 13º12´16,5´´ 75,00 HB14 09º41´01,1´´ 13º11´50,2´´ 17,00 HB15 09º51´29,7´´ 13º20´25,6´´ 61,00 HB16 09º42´23,2´´ 13º12´26,5´´ 18,00 HB17 09º43´18,2´´ 13º13´17,3´´ 35,00 HB18 09º43´15,4´´ 13º13´52,2´´ 120,00 HB19 09º40´08,3´´ 13º14´17,0´´ 89,00 HB20 09º40´07,4´´ 13º13´22,0´´ 55,00 HB21 09º40´31,3´´ 13º12´31,7´´ 31,00 HB22 09º40´34,5´´ 13º12´30,5´´ 72,00 HB23 09º40´38,9´´ 13º12´18,8´´ 17,00 HB24 09º41´09´´ 13º12´01´´ 88,00 HB25 09º41´32´´ 13º12´47´´ 98,00 HB26 09º40´39´´ 13º12´30´´ 91,00 BONDO, H. 31 Figura 3.1 - Localização geográfica dos afloramentos na carta topográfica (IGCA, 1981). BONDO, H. 38 Figura 3.11 – Afloramento HB16 Figura 3.12 – Detalhe da base do afloramento HB16 mostrando a forte bioturbação W E Calcário dolomítico fortemente bioturbado BONDO, H. 39 3.2.8 - Afloramento HB15 Afloramento de orientação SE-NW e espessura aproximada de 14m é constituído por duas unidades litoestratigráficas nomeadamente margas brancas e bancadas de calcário bioturbado com atitude N60º; 20ºNW, o mesmo apresenta laminações de gesso. Pelas características das litofácies é atribuído à Formação Quifangondo (Oligocénico). Figura 3.13 – Afloramento HB15 Figura 3.14 – Detalhe do afloramento HB15 SE NW Calcário bioturbado Margas brancas BONDO, H. 40 3.2.9 - Afloramento HB19 Afloramento com uma espessura aproximada de 11m é constituído por duas unidades litoestratigráficas, nomeadamente, alternância de margas argilosas e calcários cuja atitude é N140º; 10º NE. Pelas características das litofácies, é atribuído à Formação Itombe (Turoniano-Coniaciano). Figura 3.15 – Afloramento HB19 Figura 3.16 – Detalhe do afloramento HB19 Calcários Margas argilosas NE SW BONDO, H. 41 3.2.10 - Afloramento HB12 Afloramento de orientação N-S e espessura aproximada de 15m localiza-se na pedreira de Cabo Ledo, é constituído por duas unidades litológicas: calcário maciço (a) e calcário com intercalações de argilas (b) com laminações de gesso. Este conjunto de fácies pertence ao Albiano Inferior, onde o calcário maciço (a) é atribuído à Formação Tuenza, e o calcário com intercalação de argila atribuído à Formação Quissonde (b). O contacto entre as duas unidades é marcado por uma falha cuja atitude é N92º; 46ºSW. De acordo a geometria do afloramento, poderá tratar-se de um rollover. Figura 3.17 - Afloramento HB12 Figura 3.18 - Detalhe da base do afloramento HB12 (b) N S a b F Argilas Calcário BONDO, H. 42 3.2.11 - Afloramento HB11 Afloramento de orientação NE-SW cuja espessura é de 9m localiza-se ao longo da estrada, e é constituído apenas por uma unidade litológica nomeadamente areia fina vermelha. Pelas características das fácies é atribuído à Formação Quelo (Quaternário). Figura 3.19 – Afloramento HB11 NE SW BONDO, H. 43 3.2.12 - Afloramento HB22 Afloramento, orientado W-E é constituído por argilas, laminações de gesso e calcário com atitude N110º; 22NE. O mesmo é parte integrante do Morro dos petróleos, e pelo conjunto das litofácies, é atribuído à Formação Cabo Ledo (Cenomaniano). Figura 3.20 - Afloramento HB22 3.2.13 - Afloramento HB21 Afloramento de orientação SW-NE localiza-se ao longo do vale, é constituído por argila e bancadas de calcário com atitude N140º;23ºNE, é atribuído à Formação Cabo Ledo (Cenomaniano). W E Calcários Argilas BONDO, H. 44 Figura 3.21 - Afloramento HB21 A figura que se segue ilustra com maior detalhe a geometria das camadas de calcário, que por influência da erosão obtêm a forma de anel, esta geometria verificase ao longo do vale, desde o topo até a base do afloramento. Figura 3.22 - Detalhe do afloramento HB21 SW NE Argilas Calcários BONDO, H. 45 3.2.14 - Afloramento HB2 Afloramento com orientação W-E é constituído por três unidades litológicas nomeadamente argilas cinzentas com intercalações de gesso, margas siltosas, e areias vermelhas no topo. A estratificação que se pode ver tem atitude N20º;20ºSE. Pelas litofácies, é atribuído à Formação Luanda-Cacuaco (Miocénico-Pliocénico). Figura 3.23 - Afloramento HB 2 W E Areias vermelhas Areias cinzentas Argilas cinzentas Margas siltosas BONDO, H. 46 3.2.15 - Afloramento HB3´ Afloramento localiza-se na parte de trás da ponta feixe, é constituído por três unidades litológicas nomeadamente camadas de arenitos de 10-20 cm de espessura com lâminas de gesso, argilas e calcários de atitude N110º;19ºNE. Pelas litofácies que o mesmo apresenta, o conjunto é atribuído à Formação Teba (Campaniano). Figura 3.24 - Detalhe do afloramento HB 2 evidenciando os leitos de gesso Leitos de gesso Argilas Margas BONDO, H. 47 Figura 3.25 - Afloramento HB3´ Figura 3.26 - Detalhe do afloramento HB 3´evidenciando o gesso BONDO, H. 54 3.2.22 - Afloramento HB9 Afloramento de orientação N-S é uma panorâmica geral do Morro dos petróleos, constituído por argilas cinzentas e calcários intercalados por margas cuja atitude é N70º; 22º NW. Com base nas litofácies, é atribuído à Formação Cabo Ledo (Cenomaniano). Figura 3.35 - Afloramento HB9 Figura 3.38 - Detalhe do afloramento HB9 evidenciando as argilas cinzentas na base N S Argilas cinzentas Calcário Margas BONDO, H. 55 3.2.23 - Afloramento HB13 Afloramento com orientação SW-NE, localiza-se junto a uma das pedreiras de Cabo Ledo e é constituído por calcário bastante fraturado com intercalação de argilas, a continuidade da bancada de calcário é cortada por uma provável falha. Pelas características das litofácies, é atribuída à Formação Quissonde (Albiano). Figura 3.39 - Afloramento HB13 Figura 3.40 - Detalhe do afloramento HB13 evidenciando uma falha F Calcário SW NE Argilas BONDO, H. 56 3.2.24 - Afloramento HB23 Este afloramento de orientação SW-NE é mais um dos que constituem o Morro dos petróleos, é constituído por duas unidades litoestratigráficas nomeadamente no topo por calcários intercalados por margas (a) e calcários intercalados por argilas cinzentas na base cuja atitude é N152;33ºSW (b). Pelas características das litofácies é atribuído à Formação Cabo Ledo ao conjunto (a) e o conjunto (b) é atribuído à Formação Tuenza (Albiano). Figura 3.41 - Afloramento HB23 Figura 3.42 - Detalhe do afloramento HB23 evidenciando as argilas cinzentas b SW NE a Argilas cinzentas Calcário BONDO, H. 57 3.2.25 - Afloramento HB14 Este afloramento de orientação SW-NE localiza-se ao longo de um vale, e é constituído por uma única unidade litoestratigráfica nomeadamente calcário dolomítico bastante bioturbado e pelas características que o mesmo apresenta, é atribuído à Formação Tuenza dolomítico (Albiano). SW NE A B Figura 3.43 - Afloramento HB14 evidenciando a continuidade lateral do mesmo (A,B) calcário dolomítico Calcário dolomítico Calcário dolomítico BONDO, H. 58 Capítulo IV Dados de Poços e de Sondagens BONDO, H. 59 4 – DADOS DE POÇOS E DE SONDAGENS Os poços e as sondagens realizadas na bacia do Cuanza foram-no para fins de prospeção e exploração de hidrocarbonetos, embora alguns tenham sido realizados com o objetivo de exploração de águas subterrâneas. Assim, serão aqui descritos alguns dos poços efetuados na bacia interior do Cuanza pela empresa FINA PETRÓLEOS de Angola. Houve grandes dificuldades em obter dados sísmicos e dos poços, tendo sido possível ter acesso de dados de doze poços, dos quais cinco se localizam na bacia exterior do Cuanza (offshore), e os restantes sete localizam-se na bacia interior do Cuanza (onshore). Brognon e Verrier (1966) numa abordagem geral sobre a bacia do Cuanza, afirmam que a sedimentação é controlada pela tectónica, e que estudos efetuados na referida bacia indicam a presença de anticlinais e falhas relacionadas com o movimento e deformação do sal maciço. Estes autores fazem ainda referência à Formação Tuenza, afirmando que a mesma está dividida em três membros, nomeadamente, a) Tuenza salífero b) Tuenza anidrítico c) Tuenza dolomítico. Wohlhuter e Carnet, (1986) com base no relatório de fim de sondagem (Tuenza 1) cujo objetivo foi de reconhecer estratigraficamente o compartimento “Este” da estrutura do Tuenza, descrevem litologicamente o poço afirmando que há algumas estruturas na bacia do Cuanza marcados por acidentes salíferos, tomando como referência o diapiro do Tuenza e Pichi. As rochas do Sin-Rifte da bacia interior do Cuanza estão separadas pela Formação Cuvo Inferior e Infra Cuvo Maculungo, (Brognon e Verrier, 1966; Burwood, 1999). Estes autores afirmam ainda que o Infra Cuvo e Maculungo de idade Neocomaniana são de origem lacustre, e consistem em lutitos quase puros, lutitos orgânicos e evaporitos. A Formação Cuvo Inferior do Barremiano consiste em conglomerados, areias vermelhas, argilas com intercalação de cinzas vulcânicas de origem continental, (Brognon e Verrier, 1966). As rochas do Pós-Rifte da bacia interior do Cuanza cobrem a maior parte das Formações da referida bacia, ou seja, estão separadas desde o Albiano Inferior ao Burdigaliano. Com base nestas informações, fez-se uma abordagem geológica da área de Cabo Ledo correlacionando as informações dos diferentes poços, a fim de os enquadrar no contexto geológico-estrutural. BONDO, H. 60 4.1 – Representação dos poços Tal como referimos anteriormente, serão descritos doze poços. Assim, com base nas coordenadas geográficas dos mesmos, foi criado um projeto em ArcMap com o objetivo de projetar as coordenadas dos referidos poços a fim de se conhecer a distribuição espacial dos mesmos e efetuar perfis. As informações preliminares dos respetivos poços estão representados na tabela 4.1. Tabela 4.1 – Informações preliminares dos poços Poços Coordenadas UTM Profundidade máxima (m) Latitude Longitude PM D 8967820,123 270844,1729 4155 PM F 8964881,946 280017,8826 2850 PM E 8955859,794 282436,3065 2923,5 PM G 8938630,933 284001,8713 2283,5 ZIMBO 1 8912358,144 290884,3745 3771 Cabo Ledo 1 8928156,193 302897,7079 1750 Cacimbas 1 8919714,745 312299,0329 2143 Kula 1 8910870,538 330884,7523 3130,5 Tuenza 1 8907667,056 359887,4588 3586,5 Pitchi 1 8922230,007 348836,6503 3603,6 Mongaichi 1 8931217,988 330875,0435 2390 Galinda 8937547,773 342551,9584 3491,5 Os poços estão representados na tabela 4.1, distribuídos na região NW e SW da bacia do Cuanza, entre os quais sete poços estão localizados na bacia interior do Cuanza nomeadamente Cabo Ledo 1, Cacimbas 1, Kula 1, Tuenza 1, Pitchi 2, Mongaichi 1, e Galinda e os restantes cinco poços estão localizados na bacia exterior do Cuanza nomeadamente PM D, PM F, PM E, PM G e Zimbo 1. Os perfis de poço foram elaborados a partir de relatórios de sondagens tendo como base de apoio a coluna litoestratigráfica geral modificada de Brognon e Verrier (1966) e Burwood (1999) figura 4.2. Deste modo, dos doze poços que constituem o banco de dados desta dissertação, o poço Zimbo 1 foi selecionado poço de referência relativamente a confeção das secções estratigráficas para posterior análise da correlação estratigráfica. BONDO, H. 61 Figura 4.1 – Mapa de localização dos poços na bacia do Cuanza (DivaGis, 2014). A referida coluna litoestratigráfica evidencia as idades, litologias, formações, e estádios tectónicos da bacia interior do Cuanza (onshore), também conhecida como sal da bacia interior do Cuanza. BONDO, H. 62 Figura 4.2 - Coluna estratigráfica geral, modificado de Brognon e Verrier (1966) e Burwood (1999). PLATAFORMA TIPO PLAYA PLATAFORMA MISTA LAGUNA SABKHA Cenozoic BONDO, H. 63 4.2 – Perfis sedimentológicos dos poços De um modo geral as figuras que se seguem indicam que as litologias atravessadas pelos poços vão deste rochas do soco granítico e gnáissico, até rochas carbonatadas e siliciclásticos. Figura 4.3 - Perfis sedimentológicos dos poços offshore BONDO, H. 70 5.1 – Correlação litoestratigráfica A correlação litoestratigráfica consistiu na identificação, delimitação e interpretação de cada unidade litoestratigráfica de modo a se obter a correspondência entre o registo estratigráfico dos diferentes perfis de poço. Uma vez estabelecidas as secções estratigráficas de diferentes áreas e a respetiva equivalência dos estratos, pretende-se construir um quadro da arquitetura da bacia do Cuanza com a finalidade de se compreender o comportamento da sequência estratigráfica regional da respetiva bacia. Assim, efetuaram-se correlações litoestratigráficas entre os doze perfis de poços a partir das três secções estratigráficas referenciadas anteriormente. A correlação litoestratigráfica correspondente à secção estratigráfica Z-onshore abrange lateralmente uma boa parte da bacia interior, tendo em conta que é constituída por maior número de poços, ou seja esta secção é composta por oito perfis de poço. A correlação litoestratigráfica efetuada (Figura 5.3) indica que a unidade litoestratigráfica Cabo Ledo é a que apresenta maior equivalência lateral ao longo da referida secção. Todavia, de um modo geral e com base na geometria dos estratos, ou a partir da geometria do teto e do muro, a secção completa apresenta estratos lenticulares e estratos em forma de cunha, visto que são limitados por superfícies planas não paralelas entre si, e que terminam lateralmente por perda progressiva de espessura. A secção estratigráfica offshore tal como o nome indica, é composta pelos perfis de poço perfurados na bacia exterior (offshore). A correlação litoestratigráfica efetuada (Figura 5.4) indica que os perfis de poço Zimbo 1 e PM D apresentam unidades litoestratigráficas que ilustram uma boa continuidade lateral. Entre estes perfis de poço, nota-se que os perfis de poço PM G, PM E e PM F, apresentam poucas unidades litoestratigráficas apesar de terem espessuras consideráveis. A unidade litoestratigráfica Quifangondo é a que apresenta maior equivalência lateral ao longo de toda secção. A secção estratigráfica Z-G (Figura 5.5) indica também que a unidade litoestratigráfica Cabo Ledo tem ao longo de toda secção maior equivalência lateral. De um modo geral, a secção completa apresenta estratos limitados por superfícies planas não paralelas entre si, ou seja apresentam forma de cunha. BONDO, H. 71 Figura 5.3 Representação da correlação litoestratigráfica referente a secção estratigráfica Z-onshore BONDO, H. 72 Figura 5.4 Representação da correlação litoestratigráfica referente a secção estratigráfica offshore BONDO, H. 73 Figura 5.5 Representação da correlação litoestratigráfica referente a secção estratigráfica Z-G BONDO, H. 74 5.2 – Coluna litoestratigráfica reconstituída e modelo esquemático Com base nos registos estratigráficos de cada poço foram elaboradas colunas litoestratigráficas, nomeadamente, coluna litoestratigráfica reconstituída a partir dos poços localizados no offshore cuja espessura total é de 9133,3 m e coluna litoestratigráfica reconstituída a partir dos poços localizados no onshore cuja espessura total é de 9100 m. Estas duas colunas foram elaboradas tendo em conta a espessura máxima das unidades litoestratigráficas de cada poço. A partir desta informação, verificou-se que as máximas espessuras das fácies para os poços localizados no offshore estão presentes no perfil de poço PMD (Figura 5.6). Para os poços localizados no onshore as fácies com espessuras máximas estão presentes no perfil do poço Galinda (Figura 5.7). A reconstituição litoestratigráfica, tanto na bacia interior como na bacia exterior, permitiram correlacionar ambas as colunas reconstituídas e obter assim um modelo litoestratigráfico global para a área de estudo (Figura 5.8). O referido modelo possibilita-nos compreender a evolução da arquitetura estratigráfica e a geometria da disposição dos pacotes sedimentares. Registamos que, na base as espessuras das fácies variam no sentido da bacia exterior para a bacia interior do Cuanza, e no topo ocorre o oposto, ou seja, as fácies das Formações Luanda-Cacuaco e Quifangondo apresentam maiores espessuras no offshore, assim como as fácies do período rifte e a fase vulcano-sedimentar. As fácies das Formações Cunga, Gratidão, Teba, Itombe, Cabo Ledo, Tuenza Salíferos, Binga, Quianga, Sal Maciço e Cuco apresentam maiores espessuras no onshore. As fácies das Formações Quissonde, Catumbela, Tuenza Dolomítico, e Tuenza Anidrítico apresentam uma equivalência em termos de espessura, tanto no offshore como no onshore. Pese embora não termos um registo geofísico de apoio a correlação entre as colunas estratigráficas reconstituídas (Figura 5.8) indicam claramente que a acomodação sedimentar se deu, de uma forma geral, da parte continental para a zona marinha. Em conjugação com as litofácies (sobretudo litológicas) e a migração de fácies, a qual se deu no mesmo sentido que o acima apontado, o registo global evidencia sedimentação em relação com movimento regressivo. Não nos foi possível estabelecer com rigor ruturas sedimentares, no entanto pela análise dos registos estratigráficos, apontamos como muito prováveis que essas ruturas, à escala do hiato, possam ter ocorrido no topo da Formação de Sal Maciço e, mais tarde, entre o topo da Formação Cunga e a base da Formação Quifangondo. Assim, a arquitetura estratigráfica obtida, sugere fortemente um clinoforme de baixo nível. BONDO, H. 75 Figura 5.6 - Coluna litoestratigráfica reconstituída do offshore BONDO, H. 76 Figura 5.7 - Coluna litoestratigráfica reconstituída do onshore BONDO, H. 77 Figura 5.8 - Modelo litoestratigráfico esquemático BONDO, H. 78 Capítulo VI Conclusões, e considerações finais e Trabalhos futuros BONDO, H. 79 6– CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS Para além das conclusões e das considerações que fomos retirando e tecendo ao longo do presente trabalho, realçamos as que abaixo se seguem: A migração dos ambientes sedimentares a partir do Cretácico Inferior decorreu sem grandes interrupções (lacunas ou hiatos) até ao Cenozóico Superior. A caracterização dos ambientes sedimentares e respetiva fácies foi feita, para além dos resultados de trabalho de campo, tendo em conta critérios litológicos, sedimentológicos e mineralógicos. A migração dos ambientes sedimentares cujas litofácies e litoestratigrafia constam deste trabalho (Figura 4.2) indica-nos a passagem de ambientes evaporíticos de sabkha a ambientes litorais geralmente de baixa energia hidrodinâmica (laguna) em que ocorreu a precipitação de dolomite e anidrite. A passagem lateral de litofácies e dos respetivos ambientes sedimentares indicam-nos o forte aumento da componente detrítica, sugerindo uma relação com movimento regressivo, formando um ambiente marinho de baixa profundidade (plataforma mista) no qual vão predominar siltitos, lutitos e alguns calcários no topo dos quais aparecem interestratificados. A sequência da parte superior sugere o acentuar do referido movimento regressivo em que as litofácies são caracterizadas, para além da componente detrítica pela ocorrência de gesso (lago efémero tipo playa?). O sistema petrolífero foi inteiramente formado na etapa pós-rifte da bacia do Cuanza. A análise da correlação entre as colunas reconstituídas (Figura 5.8) leva-nos a considerar que as unidades litoestratigráficas são mais espessas na zona de onshore relativamente as da zona de offshore, havendo uma provável rutura sedimentar abaixo da formação Quifangondo. BONDO, H. 86 PARTE 2 - ANEXOS  Análise da amostragem dos cuttings das operações de perfuração onshore e offshore  Estampas das lâminas delgadas