Ajustamento do Emprego e dos salários no setor bancário em Portugal: análise dos fluxos de emprego entre 2002 e 2009
Full text
Mestrado em Economia e Gestão de Recursos Humanos Faculdade de Economia da Universidade do Porto 2012/2013 Ajustamento do emprego e dos salários no setor bancário em Portugal: análise dos fluxos de emprego entre 2002 e 2009 Tiago Luís Monteiro Vilaverde [email protected] Grau académico a candidatar: Mestre Orientador: José Manuel Janeira Varejão Setembro de 2013
i Nota biográfica Tiago Vilaverde nasceu em Matosinhos em 1989. Licenciou-se em Economia em 2010, na Faculdade de Economia do Porto. Mais tarde nesse ano e na mesma instituição, iniciou a frequência no Mestrado de Economia e Gestão de Recursos Humanos. Começou a sua atividade profissional, como estagiário, em 2011, na Willis - Corretora de Seguros, com a função de Assistente de Gestão de Conta, em grandes empresas mediadas. Findado o estágio, iniciou uma nova experiência no Departamento de Crédito e Cobranças a clientes da empresa Hilti Portugal, em 2012, onde trabalhou alguns meses antes de se transferir, ainda nesse ano, para o grupo Sonae, na equipa de Serviços Financeiros do grupo. Até ao final de 2012, desempenhou funções relacionadas com reporte e análise da atividade de Crédito ao Consumo em Portugal e Espanha. Atualmente encontra-se a desempenhar funções na mesma equipa do grupo Sonae, porém numa vertente mais abrangente, sendo analista de todos os Serviços Financeiros em loja, do grupo Sonae: crédito, cartões, seguros e outros produtos financeiros.
ii Agradecimentos A conclusão desta dissertação é a concretização de uma etapa importante da minha vida académica, pessoal e profissional, que me permitiu testar a minha capacidade de superação face a um desafio bastante exigente a todos os níveis. Porém, a elaboração da mesma não teria sido possível sem a colaboração e apoio de algumas pessoas, a quem gostaria de agradecer. Ao Professor José Varejão pela orientação na elaboração deste trabalho e pela disponibilidade sempre demonstrada. A ele agradeço também a revisão extremamente cuidadosa de todos os documentos elaborados no curso desta tese e os comentários críticos e construtivos que permitiram enriquecer o seu conteúdo. Em suma, um obrigado por toda a sua paciência, disponibilidade, ensinamento e amabilidade durante este processo de orientação. Uma nota de apreço à Faculdade de Economia do Porto, onde decorreu toda a minha formação académica, quer por todos os meios colocados ao meu dispor, quer por todos os esclarecimentos necessários à entrega do documento final. Dirijo também uma palavra de agradecimento à Professora Anabela Carneiro que sempre me respondeu atempadamente aos pedidos de envio de dados dos Quadros de Pessoal. Gostaria também de deixar um agradecimento a todos aqueles que estiveram presentes nesta fase da minha vida com a sua ajuda e amizade, em especial: À minha mãe, Laurinda, e ao meu pai, Artur, pelo amor incondicional e pelos sacrifícios que sempre fizeram por mim. À minha namorada, Mariana, por estar comigo sempre, tanto nos bons como nos maus momentos, e me ter ajudado na revisão deste trabalho. Aos restantes membros da minha família e aos meus amigos, por me ajudarem a sentir bem e confiante com a vida. Aos meus colegas de trabalho da Willis, Hilti e Sonae, pela boa vontade que sempre demonstraram em permitir que eu utilizasse algumas horas e dias de trabalho para fins desta dissertação.
iii Resumo O setor bancário contribui substancialmente para a economia de Portugal. Com agências bancárias em todos os concelhos do país, o setor representa cerca de 9% do PIB nacional e emprega acima de 60.000 trabalhadores. É, assim, surpreendente que poucos estudos tenham considerado este setor como objeto de análise no que diz respeito à magnitude dos fluxos de emprego, sobretudo estando este no centro da crise atual. Na tentativa de preencher esta lacuna, o presente trabalho tem como objetivo aferir a resposta dos empregadores a uma recessão única em termos de ajustamento de emprego e salários . Para tal, tendo por base os dados dos Quadros de Pessoal, entre 2002 e 2009, para um total de 465.900 registos de trabalhadores e 1.438 registos de empresas, e recorrendo às taxas obtidas de fluxos de emprego e aos montantes salarias associados, valida-se se o comportamento verificado nos anos de 2008 e 2009 é diferente do dos anos imediatamente anteriores, 2002 a 2007. Relativamente ao emprego, verifica-se que o setor bancário apresenta um comportamento estável no que diz respeito aos fluxos de emprego de 2003 a 2009, apesar do abrandamento do crescimento do emprego verificado nos últimos anos da amostra, essencialmente nos anos 2008 e 2009. Adicionalmente, chama a atenção o facto de existir uma variabilidade considerável nos fluxos do emprego, em 2006, em resultado de uma aposta na redução de custos com pessoal. Relativamente aos salários, a amostra indica que os trabalhadores que auferem maiores salários só são afetados se houver uma rotação muito elevada, o que de certo modo acaba por reforçar a estabilidade referida ao nível do emprego. Constata-se porém que os valores salariais das separações são superiores aos valores salariais das admissões. O estudo recorre, por fim, a uma análise às 5 maiores empresas do setor bancário que em conjunto totalizam cerca de 3/4 do peso relativo em termos de emprego, balcões bancários e volume de vendas. Apenas através dos dados destes bancos é possível obter validação de algumas conclusões elaboradas para o setor, quer ao nível do emprego, como dos salários. Palavras-Chave: setor bancário, admissões e separações, criação e destruição de emprego, variação salarial.
iv Abstract The banking sector contributes substantially to the economy of Portugal. With bank branches in all the districts of the country, the activity sector represents about 9% of GDP and has more than 60.000 employees. Therefore, it’s very surprising that few studies have considered this sector as an object of analysis about the magnitude of job and worker flows, particularly considering that banks are in the center of the current crisis. In an attempt to fill this gap, this study aims to analyze the response of employers to a unique recession in terms of adjustment of employment and wages. For this proposal, based on the data in “Quadros de Pessoal”, between 2002 and 2009, for a total of 465.900 records about workers and 1.438 records about companies, and by calculating the employment flows and its wages associated, the thesis seeks to test if the behavior observed in the years 2008 and 2009 is different from the behavior of the preceding years, 2002 to 2007. About employment, it appears that the banking sector, from 2003 to 2009, has a stable behavior in job flows, despite the slowdown in employment growth in recent years of the sample, mainly in 2008 and 2009. Additionally, it is noteworthy the fact that there is considerable variability in the pattern of employment in 2006 as a result of actions on reducing employees’ costs. About wages, the sample indicates that workers that earn higher wages are only affected if the sector has a very high worker turnover rate, which somehow reinforces the stability according to the level of employment. However, it appears that the wage level of separations is higher than the salary of hired workers. Finally, the study considers an analysis of the five largest companies in the banking sector which together sum about 3/4 of the market activity in terms of employment, bank branches and sales volume. Only through these new data analyzed, it was possible to validate some conclusions drawn for the sector, both in terms of employment and wages. Keywords: banking sector, hires and separations, creation and job destruction, wage change-over.
v Índice de Conteúdos Nota biográfica ................................................................................................................. i Agradecimentos ............................................................................................................... ii Resumo ............................................................................................................................ iii Abstract ........................................................................................................................... iv Índice de Conteúdos ........................................................................................................ v Índice de tabelas ............................................................................................................ vii Introdução ....................................................................................................................... 1 Capítulo 1. - Revisão Bibliográfica ................................................................................ 4 1.1. O contexto macroeconómico .............................................................................................. 4 1.2. Caracterização dos Fluxos de emprego ao longo dos anos ................................................. 6 1.2.1. Fluxos de emprego ..................................................................................................................... 6 1.2.2. Comportamento histórico dos fluxos de emprego.................................................................... 10 1.2.3. Custos de rotação do emprego em Portugal ............................................................................. 24 Capítulo 2. - Sistema Bancário Português .................................................................. 27 2.1. A banca no novo milénio .................................................................................................. 27 2.2. Rede de Balcões em Portugal ........................................................................................... 29 2.3. Concentração no setor ...................................................................................................... 31 2.4. Caraterísticas dos trabalhadores do setor bancário ........................................................... 35 Capítulo 3. - Questões de Investigação........................................................................ 39 3.1. Descrição da Base de dados.............................................................................................. 39 3.2. Construção da base de dados ............................................................................................ 40 3.2.1. Restrições Iniciais .................................................................................................................... 41 3.2.2. Criação de variáveis ................................................................................................................. 43 3.2.3. Fluxos de trabalhadores ........................................................................................................... 44 3.2.4. Fluxos de postos de trabalho .................................................................................................... 45
vi 3.3. Descrição da amostra ........................................................................................................ 46 3.3.1. Retrato Global .......................................................................................................................... 46 3.3.2. Evolução no período ................................................................................................................ 48 3.3.3. Número de horas trabalhadas ................................................................................................... 51 3.3.4. Salários .................................................................................................................................... 52 Capítulo 4. – Análise de Resultados ............................................................................ 55 4.1. Fluxos de emprego no setor bancário português .............................................................. 55 4.2. Fluxos de trabalhadores: por categorias ........................................................................... 58 4.2.1. Caraterísticas do trabalhador .................................................................................................... 58 4.2.2. Caraterísticas do vínculo laboral .............................................................................................. 62 4.2.3. Dimensão da empresa .............................................................................................................. 65 4.3. Número de horas trabalhadas ........................................................................................... 66 4.4. Salários ............................................................................................................................. 67 4.5. Análise de fluxos de emprego dos cinco maiores bancos ................................................. 69 4.5.1. Processo de seleção .................................................................................................................. 69 4.5.2. Retrato intra-período ................................................................................................................ 70 4.5.3. Fluxos de emprego ................................................................................................................... 72 4.5.4. Número de horas trabalhadas ................................................................................................... 75 4.5.5. Salários .................................................................................................................................... 76 Conclusão ....................................................................................................................... 79 Referências .................................................................................................................... 82 Anexos ............................................................................................................................ 86
vii Índice de tabelas Tabela 1 – Fluxos de postos de trabalho nos EUA, médias anuais, 1973-1988 ............. 11 Tabela 2 - Fluxos de postos de trabalho nos EUA, médias trimestrais, 1990-2005 ....... 12 Tabela 3 – Fluxos de emprego nos EUA, médias dos diferentes períodos, 1997-2005 . 13 Tabela 4 – Fluxos de emprego no somatório dos países da OCDE, por alguns setores de atividade, médias anuais, 1997-2004 ...................................................................... 14 Tabela 5 – Fluxos de postos de trabalho para o Reino Unido, totais e por tipo de empresa, médias anuais, entre 1998 e 2010 ............................................................ 15 Tabela 6 – Fluxos de postos de trabalho para o Reino Unido, por setor de atividade, totais e por tipo de empresa, entre 1998 e 2010 ...................................................... 16 Tabela 7 - Fluxos de trabalhadores na EU-8, médias anuais, 1992-2007 ....................... 17 Tabela 8 - Fluxos de trabalhadores nos países da EU-8, médias anuais, 2002-2007 ..... 18 Tabela 9 – Fluxos de trabalhadores e de postos de trabalho de países da OCDE, 1997 e 2004 ........................................................................................................................ 18 Tabela 10 – Fluxos de postos de trabalho para Portugal, médias anuais, de 1983 a 1995 ................................................................................................................................ 19 Tabela 11 – Fluxos de emprego para Portugal e EUA, médias trimestrais, entre 1983 e 1995 ........................................................................................................................ 20 Tabela 12 – Fluxos de postos de trabalho e de trabalhadores para Portugal, médias trimestrais, entre 1991 e 1995 ................................................................................. 21 Tabela 13 – Fluxos de trabalhadores e postos de trabalho para Portugal, médias trimestrais e anuais, entre 1991 e 1995 ................................................................... 22 Tabela 14 – Fluxos de trabalhadores para Portugal, por tipo de empresa e tipo de contrato do trabalhador, médias trimestrais, entre 1991 e 1995 ............................. 22 Tabela 15 – Evolução do emprego nas instituições do setor bancário português pertencentes à APB, médias anuais, 2007 a 2010 ................................................... 28 Tabela 16 – Evolução do nº balcões nas instituições do setor bancário português pertencentes à APB, médias anuais, 2007 a 2010 ................................................... 29 Tabela 17 – Caraterização das instituições do setor bancário português pertencentes à APB, no final do ano de 2010 ................................................................................. 31 Tabela 18 – Operações bancárias de Fusões e Aquisições, desde 1990 a 2011 ............. 33 Tabela 19 – Índice de Concentração (em %) das 5 maiores empresas, entre 1992 a 2007 ................................................................................................................................ 34 Tabela 20 – Índice de Herfindahl, no período de 1992 a 2007 ....................................... 35 Tabela 21 – Evolução do emprego nas instituições do setor bancário português pertencentes à APB, por dimensão, médias anuais, 2007 a 2010 ........................... 36 Tabela 22 – Evolução do nº de trabalhadores afetos à atividade doméstica do setor bancário português (empresas pertencentes à APB), por categorias, 2007-2010 ... 38 Tabela 23 – Nº de trabalhadores afetos à atividade doméstica do setor bancário português (empresas pertencentes à APB), por dimensão da empresa, em 2010 ... 38 Tabela 24 – Nº Total de Trabalhadores na amostra, por ano, entre 2002 e 2009 ........... 42
viii Tabela 25 – Nº Total de Bancos na amostra, por ano, entre 2002 e 2009 ...................... 45 Tabela 26 - Vendas e nº estabelecimentos do total de bancos, por ano, entre 2002 e 2009 ................................................................................................................................ 47 Tabela 27 - Peso relativo das caraterísticas do trabalhador, no setor bancário, 2002-2009 ................................................................................................................................ 49 Tabela 28 - Peso relativo das caraterísticas do vínculo laboral, no setor bancário, 20022009 ........................................................................................................................ 50 Tabela 29 - Peso relativo do emprego por dimensão das empresas do setor bancário, 2002-2009 ............................................................................................................... 51 Tabela 30 – Média mensal de horas trabalhadas, por período horário, entre 2002 e 2009 ................................................................................................................................ 51 Tabela 31– Média salarial auferida pelos trabalhadores, por tipo de rendimento, 2002 - 2009 ........................................................................................................................ 52 Tabela 32 – Percentis 5 e 95 das variáveis “rendimento base” e “salário”, entre 2002 e 2009 ........................................................................................................................ 53 Tabela 33 – Fluxos de trabalhadores do setor bancário, por ano, entre 2002 e 2009 ..... 55 Tabela 34 – Fluxos de postos de trabalho do setor bancário, por ano, entre 2003 e 2009 ................................................................................................................................ 56 Tabela 35 – Fluxos de trabalhadores por subcategorias de caraterísticas do trabalhador, médias de 2003 a 2009 ............................................................................................ 62 Tabela 36 – Fluxos de trabalhadores por subcategorias de caraterísticas do vínculo laboral, médias de 2003 a 2009 .............................................................................. 64 Tabela 37 – Fluxos de trabalhadores por dimensão das empresas do setor bancário, médias de 2003 a 2009 ............................................................................................ 65 Tabela 38 - Comparação entre variações líquidas, por ano, entre 2003 e 2009 ............. 66 Tabela 39 - Variações salariais dos trabalhadores sem e com fluxos de emprego, por ano, entre 2003 e 2009 ............................................................................................ 67 Tabela 40 - Variações salariais em salário base, prestações regulares e remuneração por trabalho suplementar, por ano, entre 2003 e 2009 .................................................. 68 Tabela 41 - Valor de vendas, nº trabalhadores e nº estabelecimentos pelas 5 maiores empresas do setor bancário, entre 2002 e 2009 ...................................................... 70 Tabela 42Evolução anual do valor de vendas, do nº de trabalhadores e do nº de estabelecimentos pelas 5 maiores empresas do setor bancário, entre 2002 e 2009 70 Tabela 43 – Emprego e variação líquida do emprego nos 5 maiores bancos e no setor bancário, por ano, entre 2002 e 2009 ...................................................................... 71 Tabela 44 – Fluxos de trabalhadores dos 5 maiores bancos, por ano, entre 2002 e 2009 ................................................................................................................................ 73 Tabela 45 – Fluxos de postos de trabalho dos 5 maiores bancos, por ano, de 2002 a 2009 ................................................................................................................................ 74 Tabela 46 - Comparação entre variações líquidas, para os 5 maiores bancos, por ano, entre 2002 e 2009 .................................................................................................... 75 Tabela 47 - Variações salariais via trabalhadores, por ano, entre 2003 e 2009 .............. 77
6 género, salário, entre outras) e com os empregadores (dimensão da empresa, volume de vendas, entre outras). 1.2. Caracterização dos Fluxos de emprego ao longo dos anos 1.2.1. Fluxos de emprego Davis et al. (1996) definem a criação de emprego, num determinado período, como o somatório das variações positivas do emprego de cada empresa de determinada economia, entre o mesmo período e o período anterior. Em contrapartida, a destruição de emprego, num determinado período, é o somatório das variações negativas do emprego de cada empresa da mesma economia, entre o mesmo período e o período anterior. Neste seguimento, a variação líquida no emprego de um período para outro será o somatório das variações do emprego, positivas ou negativas, entre um período e o outro, o seja, pela diferença entre a criação e destruição de emprego. Mais tarde, Davis et al. (2006) confirmam que a primeira grande noção a reter é a de que a variação total no emprego é um fenómeno que resulta da diferente atuação das forças da procura e oferta de trabalho e da sua tendência para equilíbrio, a nível agregado e no longo prazo. Nada é dissociado, mas os fluxos de cada uma destas forças são distintos. Deste modo, a criação de novos postos de trabalho e a destruição de outros refletem as alterações no lado da procura de trabalho, ou seja, a atuação dos empregadores. Os fluxos dos trabalhadores (entrada no mercado de trabalho, mudanças de localização da família ou reformas e saídas do mercado de trabalho) são captados pelo lado da oferta de trabalho. Falta apenas referir a ideia de que é possível ler as alterações no emprego de ambos os lados do mercado de trabalho, uma vez que o resultado que se irá obter será semelhante. Esta evidência decorre do facto de as micro-relações entre fluxos de trabalhadores e postos de trabalho serem razoavelmente estáveis durante um determinado ano (como veremos mais à frente), sendo que o que difere são as fórmulas de contabilização dos respetivos fluxos. Daqui resulta: Fluxos de trabalhadores Fluxos de Emprego Var. Líq. Emp. = Admissões - Separações = Criação de Emp. - Destruição de Emp.
7 Tomando o seguinte exemplo e considerando um setor de economia com dois despedimentos e uma admissão de substituição, num determinado período. Relativamente a Variação Líquida do Emprego temos então = -1, com 2 separações e 1 admissão, mas com apenas 1 de destruição de emprego e 0 de criação de emprego, visto que um dos despedimentos não extinguiu o posto de trabalho, mas sim, substituiu o trabalhador em questão. No entanto, com esta informação, não se sabe se os despedimentos resultam da vontade dos trabalhadores ou dos empregadores, logo também não se saberá se a substituição de dois por um, resulta de despedimento voluntário ou involuntário. Sabe-se apenas que na economia, um dos postos de trabalho se manteve ativo e o outro foi extinto, pelo que é útil investigar mais a fundo estes fluxos, conforme o que alguns autores têm feito no passado. Esta análise deverá sempre passar por estudar as variações absolutas registadas em termos anuais e, para isso, é importante referir a importância da estatística da variação líquida do emprego. Porém, para se obterem as taxas de variação, é necessário combinar as variações absolutas com o conceito de emprego médio. Desta forma, como ponto de partida quer para os fluxos de trabalhadores, quer para os fluxos de emprego, é necessário definir os seguintes conceitos: • Variação líquida de emprego: somatório das variações do emprego (nº trabalhadores empregados) das empresas num(vários) setor(es) económico(s), entre os anos t e t-1; • Emprego médio: média do somatório do emprego (nº de trabalhadores empregados) das empresas num(vários) setor(es) económico(s), em determinado momento dos anos t e t-1 (o momento utilizado será o final dos anos); • Variação líquida média do emprego (net employment rate): rácio entre a variação líquida do emprego e o emprego médio, dos anos t e t-1. Estes indicadores são os primeiros passos para quantificar os fluxos de emprego (de trabalhadores e postos de trabalho). Segundo os autores acima referidos, os fluxos de postos de trabalho devem ser medidos através de três outras taxas: criação (job creation), destruição (job destruction) e rotação de postos de trabalho (job turnover). Os dois primeiros conceitos são semelhantes e são calculados através da variação líquida de emprego. Deste modo, existe criação de postos de trabalho numa empresa quando a sua variação líquida de emprego é positiva e destruição quando a variação é negativa. A
8 rotação é simplesmente a soma da quantificação dos fluxos de todas as empresas que criam e que destroem postos de trabalho. As taxas destes indicadores são: • Taxa de criação, destruição e rotação de postos de trabalho: estes indicadores dividem as variações líquidas, correspondentes, pelo emprego médio, entre dois períodos. Para finalizar, uma outra estatística útil é a que compara, para o mesmo período, a rotação de postos de trabalho e a variação líquida média do emprego. Esta taxa permite perceber a percentagem em que a soma dos empregos criados e destruídos excede a diferença líquida entre os mesmos empregos criados e destruídos, ou seja, mede numa economia a rotação que não era necessária para acomodar um determinado nível de variação líquida de emprego: • Excesso de rotação de postos de trabalho (excess of job turnover): a taxa de rotação em excesso no período t é igual à diferença entre a taxa de rotação de postos de trabalho e a variação líquida média do emprego (em módulo). Do outro lado da análise, surgem os fluxos de trabalhadores e os autores destacam três outras taxas: admissões (hirings), separações (separations) e rotação de trabalhadores (worker turnover). Os dois primeiros conceitos são semelhantes entre eles e são calculados através dos valores de admissões e despedimentos numa economia. A rotação de trabalhadores é a soma do número de trabalhadores contratados e despedidos: • Taxa admissão, separação e rotação de trabalhadores: estes indicadores dividem as variações líquidas, correspondentes, pelo emprego médio, entre dois períodos. Um aspeto importante a ressalvar é o facto de existirem autores que medem, de forma diferente, quer as admissões quer as separações. Poderemos definir uma admissão como qualquer trabalhador que aceita uma proposta de trabalho de um empregador (quer para um posto existente ou para um criado no momento), ou dividir as admissões entre novos contratos e retorno de trabalhadores (ex-trabalhador que regressa à empresa, p.e. fim de layoffs, contratos a prazo com intervalos de tempo, etc). Do mesmo modo, poderemos definir as separações como o fim de relação entre um trabalhador e um empregador, ou dividir as separações entre despedimentos permanentes (quer para substituição, quer por extinção do posto de trabalho) e temporários (ou layoffs).
9 Uma outra estatística útil é a que compara, para o mesmo período, a rotação dos trabalhadores (separações mais admissões) e a variação líquida média do emprego. Esta taxa permite perceber a percentagem em que a soma dos trabalhadores despedidos e contratados excede a diferença líquida entre os empregos criados e destruídos, ou seja, mede numa economia a rotação que não era necessária para acomodar um determinado nível de variação líquida de emprego: • Excesso de rotação de trabalhadores (excess of worker turnover): a taxa de rotação em excesso no período t é igual à diferença entre a taxa de rotação de trabalhadores e a variação líquida média do emprego (em módulo). Os mesmos autores referem ainda a importância de mais um indicador: churning rate. A taxa Churning é a diferença entre a taxa de rotação de trabalhadores e de postos de trabalho. Quanto maior esta taxa, maior foi a diferença entre as rotações referidas e, portanto, significa que nos períodos em análise terá havido uma grande “agitação” no mercado de trabalho. Se pensarmos na soma de admissões e despedimentos (rotação de trabalhadores) e na soma dos empregos criados e destruídos (rotação de postos de trabalho), num período, o primeiro tenderá a ser superior ou igual ao segundo. No caso mais comum, que é o superior, significa que cada criação e cada extinção de um posto de trabalho não geraram, respetivamente, apenas uma admissão e um despedimento. Por fim, Davis et al. (1996) ressalvam uma outra caraterística relativa a realocação de empregos e de trabalhadores, que trará implicações decisivas na análise histórica dos fluxos e na amostra que se pretende utilizar. A realocação dos empregos origina uma fração considerável de realocação de trabalhadores, o que cria diferentes resultados entre os fluxos, motivados pelos seguintes eventos: os trabalhadores que perderam o emprego encontram imediatamente novos empregos; outros experimentam desemprego durante algum tempo antes de encontrarem novo emprego; outros saem da população ativa, deixando de constituir força de trabalho; e outros trabalhadores fora da força de trabalho entram ou reentram na população ativa e empregada para preencher novos postos de trabalho. Através destes exemplos, observa-se que há uma parte da realocação dos trabalhadores que não é uma resposta direta à realocação dos postos de trabalho. Existem trabalhadores jovens que entram na força de trabalho, após concluírem o percurso escolar, outros mais velhos que saem para a reforma e ainda alguns que saem temporariamente por motivos pessoais. Há ainda trabalhadores que trocam de emprego
10 por vontade própria, procurando avanços na carreira, mais benefícios no posto de trabalho, maiores salários ou melhores ambientes laborais e familiares. Os autores ressalvam ainda que o estudo ideal sobre os fluxos de empregos é aquele que consegue captar as conexões entre os fluxos de trabalhadores e de postos de trabalho, devendo conter dados sobre os trabalhadores e sobre as empresas desses (p.e., através de questionários), para que se possa relacionar, utilizando um campo em comum, a admissão X e o despedimento Y, com a criação ou destruição de emprego X, Y ou simplesmente ausência de variação no emprego. Além disso, para se perceber o caráter voluntário ou não do fluxo de emprego, assim como os motivos desse mesmo fluxo para o trabalhador e para a empresa, é necessário conjugar as duas fontes de informação, o que muitas vezes é difícil. 1.2.2. Comportamento histórico dos fluxos de emprego Muitos autores já caraterizaram os fluxos de emprego e, nesta secção, pretende-se elaborar um retrato das principais conclusões do estudo destes fluxos para os dois grandes centros económicos mundiais (EUA e Europa) e, no fim, dando algum destaque a Portugal. As obras dos autores que serão citados descrevem os fluxos desde a década de 1970 até o ano de 2007, sensivelmente, e tentam captar a realidade nacional da criação e destruição de emprego para diferentes períodos. É de notar que existe mais literatura só focada em fluxos de postos de trabalho, do que em fluxos de postos de trabalho e de trabalhadores, em simultâneo, já que estes últimos exigem o acesso a mais informação relacionada com as especificidades do trabalhador. Estados Unidos O primeiro trabalho relevante é o de Anderson e Meyer (1994), um estudo sobre os fluxos de emprego nos EUA que capta, através de dados administrativos para o conjunto da economia, o comportamento dos fluxos trimestrais no período de 1979 a 1983. No estudo, visualiza-se que à mesma taxa de variação líquida média do emprego (0.8%) correspondem taxas de criação e destruição de postos de trabalho muito menores (7,1% e 6,3%) que as taxas de admissões e separações (22,2% e 21,4%), grosso modo, cerca de um terço, o que implica que dois em cada três movimentos de trabalhadores no mercado de trabalho são originados por substituição de trabalhadores e não pela
11 alteração de postos de trabalho. Se à rotação dos trabalhadores (43,6%) se retirar a rotação dos postos de trabalho (13,4%), ou seja, calculando a churning rate, verifica-se que esta atingiu os 30%, o que significa que a cada posto de trabalho criado e extinto correspondeu mais do que uma admissão e um despedimento (sensivelmente 3 para cada 1). Por fim, o excesso da rotação de postos de trabalho e trabalhadores rondam os 12.2% e 42.8%, respetivamente, o que revela que, para acomodar uma parte da variação no emprego, as empresas americanas utilizaram políticas que promoveram a “renovação do emprego”, ao invés de uma política de acomodação a estes fluxos. Davis et al. (1996) estudaram as regularidades no comportamento dinâmico da criação e destruição de emprego, entre 1973 e 1988, com fluxos anuais, mas apenas para o setor industrial dos Estados Unidos. Tabela 1 – Fluxos de postos de trabalho nos EUA, médias anuais, 1973-1988 Ano Variação Líquida Média do Emprego Criação de postos de trabalho Destruição de postos de trabalho Rotação de postos de trabalho Excesso de rotação de postos de trabalho 1973 5.7% 11.9% 6.1% 18.0% 12.3% 1974 -0.3% 9.0% 9.3% 18.3% 18.0% 1975 -10.3% 6.2% 16.5% 22.7% 12.3% 1976 1.8% 11.2% 9.4% 20.6% 18.8% 1977 2.3% 11.0% 8.6% 19.6% 17.3% 1978 3.6% 10.9% 7.3% 18.2% 14.6% 1979 3.3% 10.3% 7.0% 17.4% 14.0% 1980 -1.1% 8.0% 9.1% 17.1% 16.0% 1981 -5.4% 6.3% 11.4% 17.7% 12.6% 1982 -7.7% 6.8% 14.5% 21.3% 13.6% 1983 -7.2% 8.4% 15.6% 23.9% 16.7% 1984 5.7% 13.3% 7.6% 20.9% 15.1% 1985 -3.2% 7.9% 11.1% 19.0% 15.8% 1986 -4.2% 7.9% 12.1% 20.1% 15.9% 1987 -1.7% 8.4% 10.1% 18.5% 16.8% 1988 -0.0% 8.3% 8.3% 16.6% 16.6% Fonte: Davis, Haltiwanger e Schuh (1996), Página 19 Na tabela 1 pode-se observar a variabilidade dos valores ao longo deste período e, apesar de no mesmo ocorrerem anos de expansão e anos de contração do emprego (refletidos na variação líquida média do emprego), são poucos aqueles em que as taxas de criação e destruição de emprego são próximas, existindo bem pelo contrário, diferenças anuais consideráveis. Essas diferenças denotam de que forma é que os fluxos
12 de emprego oscilam (a criação varia dos 6% aos 13% e a destruição varia dos 6% a 16%). Os autores referem também que as maiores variações da taxa de criação e destruição de emprego estão presentes nos anos de contração e nos anos imediatamente seguintes, de recuperação, por exemplo na crise de 1981/1983, a taxa de destruição aumenta dos 11.4%, em 1981, para os 15.6%, em 1983 e a taxa de criação passa dos 8.4%, em 1983, para os 13,3%, em 1984. Outro conceito ilustrado na tabela 1 é o de excesso de rotação de postos de trabalho que permite isolar o emprego não realocado e é um indicador útil para, de forma imediata, se verificar a percentagem de empregos criados e destruídos que se compensam num período. Verifica-se que, neste período, o valor se situa entre os 12% e os 19% sendo, no entanto, consideravelmente menor do que a rotação de postos de trabalho, em vários anos, o que significa que, nesses anos, uma parte considerável da rotação que existiu era necessária para acomodar a variação líquida de emprego. No estudo de Davis et al. (2006) analisa-se, para o setor privado dos Estados Unidos, os fluxos de postos de trabalho, entre 1990 e 2005. Neste estudo referem os autores que nos anos mais recentes, há uma tendência de redução dos fluxos de emprego: criação, destruição e rotação de postos de trabalho. Tabela 2 - Fluxos de postos de trabalho nos EUA, médias trimestrais, 1990-2005 Ano Variação Líquida Média do Emprego Criação de postos de trabalho Destruição de postos de trabalho Rotação de postos de trabalho Excesso de rotação de postos de trabalho 1990 -0,2% 8,2% 8,4% 16,6% 16,4% 1991 -1,2% 8,4% 9,6% 18,0% 16,8% 1992 0,0% 8,3% 8,3% 16,6% 16,6% 1993 0,6% 8,0% 7,4% 15,4% 14,8% 1994 0,7% 8,0% 7,3% 15,3% 14,6% 1995 0,8% 8,0% 7,2% 15,2% 14,6% 1996 0,5% 8,1% 7,6% 15,7% 15,2% 1997 0,3% 7,9% 7,3% 15,2% 14,9% 1998 0,7% 8,4% 7,7% 16,1% 15,4% 1999 0,3% 8,2% 7,9% 16,1% 15,8% 2000 0,6% 8,0% 7,4% 15,4% 14,8% 2001 -1,0% 7,2% 8,2% 15,4% 14,4% 2002 -0,1% 7,5% 7,6% 15,1% 15,0% 2003 -0,3% 7,0% 7,3% 14,3% 14,0% 2004 0,4% 7,2% 6,8% 14,0% 13,4% 2005 0,4% 7,0% 6,6% 13,6% 13,2% Fonte: Davis, Faberman e Haltiwanger (2006), Página 11
13 De facto, de 1990 a 2005, a tabela 2 mostra que a taxa de criação de postos de trabalho desceu de 8.2% para 7.0% e a taxa de destruição de postos de trabalho desceu de 8.4% para 6.6%, ambas com descidas progressivas ao longo do período. Destaca-se ainda que nos anos de recessão (segundo os autores, 1991 e 2001), o aumento da destruição de emprego superou a descida da criação de emprego entres esses anos e os anos imediatamente anteriores, pelo que se confirma que foram estes os anos de alguma turbulência no padrão de decréscimo apresentado acima. O estudo dos EUA supracitado pode ser completado com o recurso a uma análise de OCDE (2009), no qual se pode reter informação, por indústria e país, acerca da rotação e excesso de postos de trabalho e de trabalhadores e, a partir daí, extrapolar os fluxos para as taxas de variação líquida, criação, destruição, admissões e separações, conforme tabela 3. Tabela 3 – Fluxos de emprego nos EUA, médias dos diferentes períodos, 1997-2005 Fluxos de postos de trabalho (entre 1997 e 2004) Variação Líquida Média do Emprego Criação de postos de trabalho Destruição de postos de trabalho Rotação de postos de trabalho Excesso de rotação de postos de trabalho 2% 15% 13% 27% 25% Fluxos de trabalhadores (entre 2000 e 2005) Variação Líquida Média do Emprego Admissões Separações Rotação de trabalhadores Excesso de rotação de trabalhadores 4% 27% 23% 50% 46% Fonte: OCDE (2009), Página 129 (dados retirados da figura 2.2) Verifica-se que, entre 1997 e 2004, a rotação postos de trabalho situava-se nos 27%, enquanto que, entre 2000 e 2005, a rotação de trabalhadores foi de 50%. No fundo, apesar dos períodos serem ligeiramente diferentes (veja-se variação líquidas do emprego), conclui-se que os fluxos de trabalhadores são sensivelmente o dobro do fluxos de postos de trabalho, o que significa que por cada posto de trabalho criado ou destruído são, em média, contratados e despedidos dois trabalhadores, respetivamente. Verifica-se ainda que as taxas de rotação de trabalhadores e de postos de trabalho varia bastante consoante o setor económico considerado, para o somatório dos países da OCDE, entre 1997 a 2004.
14 Tabela 4 – Fluxos de emprego no somatório dos países da OCDE, por alguns setores de atividade, médias anuais, 1997-2004 Setor de atividade Variação Líquida Média do Emprego Rotação de postos de trabalho Rotação de trabalhadores Taxa Churning Estado 5% 32% 44% 12% Hotelaria 4% 27% 59% 32% Construção 5% 28% 45% 17% Alimentar 5% 20% 33% 13% Banca 4% 20% 24% 4% Transportes 5% 21% 29% 8% Eletricidade 3% 11% 16% 5% Fonte: OCDE (2009), Páginas 124 e 126 (dados retirados da figura 2.1 e da caixa de texto 2.2) Analisando a tabela 4, observa-se, por exemplo, que no setor hoteleiro a rotação de trabalhadores foi de 59% e de postos de trabalho foi de 27%, ao invés do setor bancário em que estas taxas foram de 24% e 20%, respetivamente. Pelo mesmo exemplo podemos verificar que, entre setores, a diferença da mesma taxa de rotação pode ser considerável, o que revela a especificidade do fator trabalho que estamos a considerar. Por fim, no estudo, verifica-se que o setor bancário dos países da OCDE foi, de 1997 a 2004, caracterizado por deter a churning rate mais baixa de todos os outros setores da economia, o que revela indícios de estabilidade ao nível do emprego. Taxas elevadas implicariam necessariamente que o setor contemplava elevada substituição de trabalhadores num determinado período, o que não se verifica. Neste ponto, surge o primeiro indício de que este setor poderá ser, a nível mundial, pouco suscetível a grandes mudanças a nível do emprego, uma vez que não foram visíveis, no período, grandes diferenças entre os países. Verifica-se ainda que, em termos de rotação, o setor bancário tinha das menores taxas de todos os setores. Esta eventual estabilidade ao nível do emprego poderá estar relacionada com elevados custos de rotação de trabalhadores (e consequentemente de postos de trabalho), que condicionam os empregadores a ponderar admitir ou despedir muitos trabalhadores. Europa No que diz respeito aos países europeus, apresenta-se, de seguida, os fluxos de emprego anuais e as diferentes abordagens elaboradas a partir da década de 1990. Para as décadas de 1970 e 1980, apenas se apresenta um resumo das taxas dos fluxos de postos de trabalho de alguns países europeus, para uma comparação e perceção iniciais da magnitude dos mesmos. Por exemplo, Hamermesh et al. (1996) estudaram os fluxos de
15 postos de trabalho na Holanda, nos anos 1988 e 1990. Observaram taxas de criação e destruição muito baixas e uma rotação de apenas 6.2%, o que poderia revelar um país com alguma estabilidade nos postos de trabalho. Ao analisar, por exemplo, os estudos de Blanchflower e Burgess (1996), sobre o emprego no Reino Unido nos anos 1980, 1984 e 1990 e de Klette e Mathiassen (1996), sobre o emprego na Noruega nos anos 1976 a 1986, verifica-se que as taxas anuais de rotação de postos de trabalho dispararam para os 9.4% e 15.5%, respetivamente, sendo este último valor próximo de outros países europeus como a França (Abowd et al., 1999) e a Itália (Lucifora, 1998). Num estudo de Anyadike-Danes, Bonner e Hart (2011) sobre os fluxos de postos de trabalho no Reino Unido nos anos 1998 a 2010, é possível observar estes mesmos fluxos divididos em 4 parcelas, conforme tabela 5. No lado da criação de postos de trabalho apresenta-se o emprego gerado pelas empresas em expansão e pelas que iniciam atividade, enquanto que do lado da destruição de postos de trabalho divide-se entre empresas em contração e por aquelas que encerram, num determinado período. As taxas médias destes fluxos de postos de trabalho no período considerado corresponderam a 5% de criação pelas empresas em início de atividade e 9% de criação pelas empresas em expansão, somando um total de 14% de criação de emprego. Do outro lado da equação, 7% da destruição foi gerada por empresas que fecharam e 6% pelas empresas em contração, totalizando 13% de destruição de emprego. Tabela 5 – Fluxos de postos de trabalho para o Reino Unido, totais e por tipo de empresa, médias anuais, entre 1998 e 2010 Ano Variação líquida média do emprego Criação de postos de trabalho Destruição de postos de trabalho Total Entradas Expansão Total Contração Saídas 1998 0% 18% 7% 11% 18% 7% 11% 1999 1% 14% 5% 9% 13% 5% 8% 2000 2% 15% 5% 10% 13% 5% 8% 2001 3% 16% 6% 10% 13% 6% 7% 2002 4% 19% 5% 14% 15% 9% 6% 2003 1% 15% 5% 10% 14% 7% 7% 2004 0% 14% 5% 9% 14% 6% 8% 2005 2% 15% 5% 10% 13% 6% 7% 2006 1% 14% 5% 9% 13% 7% 6% 2007 1% 14% 4% 9% 13% 7% 6% 2008 1% 13% 5% 8% 12% 6% 6% 2009 0% 12% 3% 9% 12% 6% 6% 2010 -4% 11% 3% 8% 15% 9% 6% Fonte: Anyadike-Danes, Bonner e Hart (2011), Página 19 (dados retirados da figura 5)
22 Tabela 13 – Fluxos de trabalhadores e postos de trabalho para Portugal, médias trimestrais e anuais, entre 1991 e 1995 Todos Variação Líquida<0 Variação Líquida=0 Variação Líquida>0 Admissões 3,7% 1,5% 1,0% 11,7% Separações 4,5% 10,1% 1,0% 2,6% Rotação de Trabalhadores 8,1% 11,6% 2,0% 14,2% Criação 2,3% 0% 0% 9,1% Destruição 3,1% 8,5% 0% 0% Rotação de postos de trabalho 5,4% 8,5% 0% 9,1% Taxa Churning 2,8% 3,1% 2,0% 5,1% % Agências 100% 14,1% 74,7% 11,2% % Admissões 100% 14,5% 10,3% 75,2% % Separações 100% 78,0% 8,5% 13,5% Fonte: Portugal e Varejão (2007), Página 143 Da análise da tabela, pode imediatamente concluir-se que, nesta amostra, a rotação de trabalhadores e de postos de trabalho foram superiores perante uma variação líquida maior que zero, do que menor que zero. O mesmo deve-se ao facto de as taxas de separações e de destruição de emprego (10.1% e 8.5%) serem inferiores às de admissões e criação de emprego (11.7% e 9.1%), algo também espelhado na Churning rate. Outra informação que a tabela possibilita extrair corresponde às percentagens da variação líquida do emprego por estabelecimentos, admissões e separações, sendo que se cerca de 75% dos estabelecimentos têm variação igual a zero, 75% das admissões têm variação positiva e 78% têm variação negativa. Uma análise interessante deste estudo é a que relaciona os números da rotação de trabalhadores para trabalhadores permanentes e temporários, tendo em conta os três estádios de atividade das empresas: expansão, estabilidade e declínio. As conclusões são também elas pertinentes e estão presentes na tabela 14. Tabela 14 – Fluxos de trabalhadores para Portugal, por tipo de empresa e tipo de contrato do trabalhador, médias trimestrais, entre 1991 e 1995 Empresa Tipo de trabalhadores Variação líquida média do emprego Admissões Separações Rotação de trabalhadores Expansão Permanentes 4,7% 6,1% 1,4% 7,5% Temporários 26,6% 34,2% 7,6% 41,8% Estáveis Permanentes -0,2% 0,5% 0,7% 1,2% Temporários 1,2% 5,5% 4,3% 9,8% Declínio Permanentes -6,7% 0,6% 7,3% 7,9% Temporários -20,4% 7,4% 27,8% 35,2% Fonte: Portugal e Varejão (2007), Página 160
23 Entre 1991 e 1995, em Portugal, esta taxa de rotação voltou a ser superior numa conjuntura boa quando comparamos com uma conjuntura má, ou seja, 41.8% para as empresas em expansão contra 35.2% das empresas em declínio. No entanto, isto só se verificou em trabalhadores cujo contrato era temporário. Para os trabalhadores permanentes, os valores da rotação de trabalhadores foram muito semelhantes, sendo que nas empresas em declínio foi até superior, 7.9% contra 7.5%. Adicionalmente, constata-se que, em fase de expansão de uma empresa, praticamente não existiram despedimentos de trabalhadores permanentes e a admissão de temporários foi 7 vezes superior à dos permanentes. Já no que diz respeito à fase de declínio de uma empresa, não houve admissões permanentes, mas o despedimento de trabalhadores temporários foi apenas 4 vezes superior ao de permanentes. Mais recentemente, num estudo do Banco de Portugal, BP (2013), encontra-se um breve resumo sobre a evolução dos fluxos de emprego (de trabalhadores e de postos de trabalho) entre os anos de 2000 e 2012. Os autores apresentam, primeiro para todo o período e depois apenas comparando 2007 com 2012, os números de trabalhadores e de postos de trabalho associados aos fluxos de contratações, separações, criação e destruição de emprego. Através da análise a estes indicadores, conclui-se que para o total da economia portuguesa, até ao final de 2007, o emprego tinha poucas oscilações, uma vez que, de 2000 a 2007, a criação de emprego foi aproximadamente igual ao emprego destruído. A partir de 2008, há uma alteração de regime com perdas de emprego sistemáticas que, segundo os autores, em acumulado a 2012 atingem os 14%. Analisando ambos os lados dos fluxos de emprego, no que diz respeito aos fluxos de trabalhadores, esta queda no emprego não resulta de um aumento das separações de trabalhadores, mas sim de uma pronunciada queda das contratações. Entre 2007 e 2012, o fluxo caiu 42%, passando de uma média de 240 mil novos contratos para apenas 140 mil. A evolução das separações é bastante diversa das contratações. Apesar da fase recessiva da economia, observa-se uma redução do número de separações, de 213 mil para 196 mil trabalhadores (cerca de em 8%), no conjunto das empresas portuguesas. Do lado dos fluxos de postos de trabalho, verifica-se que a criação e destruição de emprego seguiram a tendência da recessão económica, já que, segundo os autores, obtiveram variações, entre 2007 e 2012, de -45% e +27%, respetivamente. Ao analisar a variação líquida do emprego entre estes anos, verifica-se ainda um ganho de 31 mil
24 postos de trabalho em 2007, que contrasta bastante com a perda de 54 mil postos de trabalho, em 2012. As explicações apontadas são que dois terços dessa diferença resultam de uma menor dinâmica das empresas em expansão, já que, em 2007, estas empresas criaram 130 mil postos de trabalho e, em 2012, apenas 71 mil. O restante terço justifica-se por uma maior redução do emprego nas empresas em contração, passando de perdas de emprego de 98 mil para 125 mil. Em BP (2013), existe ainda uma pertinente análise setorial aos fluxos de emprego e, embora se dividam apenas entre indústria, construção e serviços, algumas conclusões são desde já pertinentes para se extrapolar um pouco sobre o setor bancário (que integra os serviços). Segundo os autores, entre 2007 e 2012, todos os setores de atividade perderam emprego, mas as perdas foram mais acentuadas na construção e, de seguida, na indústria. Foi também nestes setores que as reduções das contratações e das separações foram mais acentuadas. Centrando agora a análise no setor dos serviços, verifica-se que, em 2012, os serviços empregaram menos 75 mil trabalhadores do que em 2007, o que constitui uma queda de 6%, face às perdas de 34% do setor de construção e de 17% do setor da indústria. Os autores referem então que parece existir uma maior resiliência a perdas de emprego do setor dos serviços, algo que reflete a sua menor sensibilidade ao ciclo económico. Ainda assim, referem também que essa resiliência surge compensada pelo maior peso do emprego temporário e pela maior rotação de trabalhadores (principalmente nas empresas em expansão). 1.2.3. Custos de rotação do emprego em Portugal Após descrever os fluxos de emprego em Portugal nos últimos anos, importa relacionar estes baixos níveis de rotação de trabalhadores e de postos de trabalho com o conceito de custos de ajustamento do fator trabalho. E, segundo Hamermesh (1993), é tão difícil definir o que constitui os custos de ajustamento, como conseguir medi-los. No entanto, este autor identifica três grandes grupos: os custos oriundos da legislação laboral, os custos oriundos da perda de determinado trabalhador e os custos do eventual processo de seleção e recrutamento de novos trabalhadores. Os primeiros são essencialmente indemnizações pecuniárias ao trabalhador pelo serviço prestado. Os segundos não são indemnizações pecuniárias diretas, mas a perda dos investimentos efetuados no
25 trabalhador, por exemplo, com formação. Os terceiros são custos futuros no caso de a empresa querer substituir o trabalhador que saiu ou de querer recuperar o posto de trabalho que extinguiu. Segundo o mesmo autor, perante, quer um choque agregado do lado da procura de bens e serviços, quer do lado da oferta (choque positivo ou negativo), a decisão entre contratar ou despedir (e criar ou destruir postos de trabalho) tem em conta estes três tipos de custos, com especial relevância para os custos que são irrecuperáveis com a saída de um trabalhador (ou seja, com os custos de formação e de recrutamento), e, em seguida, para os custos de legislação que são cada vez mais desregulamentados nos diversos países em estudo, conforme literatura apresentada em seguida. Relativamente aos custos de ajustamento ao nível da legislação, Blanchard e Portugal (1998) referem que a legislação sobre as demissões coletivas impõe para os empregadores um processo longo, complexo e de largo custo. Em 1997, o pagamento por um despedimento ascendia ao equivalente a um mês de salário por cada ano trabalhado, com um mínimo de três meses de pagamento e, além disso, tinham de seguir um processo de despedimento muito rígido e moroso que envolvia informar o trabalhador, produzir um relatório com as razões técnicas e financeiras, negociar com o sindicato e ter regras implícitas de despedimento. No mesmo ano, os contratos a termo certo estavam também limitados em Portugal, quer porque era necessária uma razão para poder contratar trabalhadores, quer em termos dos custos associados a esta forma de trabalho. Utiliza-se como complemento para a década de 2000, o estudo de Oliveira e Carvalho (2010) que analisa as mudanças estruturais nos modelos de regulação dos mercados de trabalho em Portugal e na Europa. Verifica-se que, apesar de em Portugal ter aumentado a desregulação do mercado de trabalho, através de várias revisões do Código de Trabalho, quando se compara com a Europa, os níveis de regulação eram, pelo menos até à revisão de 2012, maiores. A título representativo e no que diz respeito à utilização dos contratos a termo certo, as autoras referem que em Portugal este mecanismo tem vindo a ser progressivamente desregulado e, portanto, mais utilizado. Já no que diz respeito aos despedimentos, os custos do fator trabalho continuam a ser relativamente maiores que a Europa, apesar de se ter reduzido, por exemplo, para vinte dias de retribuição salarial por cada ano trabalhado, no caso de despedimento sem justa causa.
26 No entanto, uma parte importante dos custos de ajustamento ou rotação do emprego são os custos de formação e recrutamento, que pelo seu caráter de irrecuperabilidade e, ainda de, necessidade de duplicação noutro trabalhador, tornam, normalmente um despedimento muito mais caro. Segundo Hamermesh (1993), estes custos são variáveis com o setor económico e com o tipo de trabalhador (função específica e categoria profissional). A grande diferença, do lado dos empregadores, entre os custos de formação e recrutamento é a possibilidade de transferência dos custos para o trabalhador, na altura da sua admissão. Se, no caso do número de horas de formação, é possível que seja um “não-custo” para a empresa, no caso do recrutamento essa possibilidade não existe. Os motivos são simples, segundo o autor: o processo de recrutamento envolve diversas entrevistas a candidatos que não podem ser “cobradas” ao trabalhador escolhido no final. Porém, no que diz respeito à formação desse escolhido, já se praticam, em diversos setores económicos de diversos países, mecanismos de incentivo para transferir os custos da formação para o próprio trabalhador, que aceita essa situação por ser parte interessada na admissão. Desta revisão dos fluxos de emprego em Portugal, fica mais claro que os fluxos de emprego são pouco intensos, sendo este país tipicamente associado a uma baixa elasticidade no mercado laboral. Esse fator, à luz do que os autores referem, será devido aos maiores custos (relativos) de rotação do emprego comparativamente a outros países. Um dos objetivos deste trabalho, talvez o principal, é o de testar a ideia de que a crise pode alterar este perfil e, assim, modificar as taxas respetivas aos fluxos de emprego, nomeadamente no setor bancário.
27 Capítulo 2. - Sistema Bancário Português 2.1. A banca no novo milénio Conforme já foi referido, a análise dos fluxos de emprego será elaborada num setor específico da economia portuguesa, que é o setor bancário (ou a banca). Este marcou significativamente a evolução de Portugal no último século (associado à terciarização da economia) e, neste novo século, volta a estar em foco, pois é talvez o setor económico mais associado à crise atual. Um estudo do grupo Marktest (2009), sobre o sector da banca e seguros em Portugal refere que “o sector financeiro é um sector muito relevante na economia nacional e que se encontra neste momento perante uma série de desafios face aos quais urge deter ferramentas de análise e diagnóstico que possibilitem tomar decisões de forma sustentada.”. Os indicadores que estão disponíveis sobre o setor bancário variam um pouco consoante a entidade que os produz, essencialmente por causa dos bancos de pequena dimensão, que se dirigem para nichos específicos de mercado, preferencialmente para o segmento médio-alto de clientes. Muitos destes, segundo Silva (2009) não correspondem à definição de banco universal e são afastados das análises elaboradas por entidades portuguesas, daí que das quatro fontes de informação utilizadas, os números de empresas sejam diferentes e, por exemplo, bastante inferiores quando comparados com os Quadros de Pessoal. Porém em termos de emprego (nº trabalhadores) não há diferenças consideráveis. Segundo a Marktest (2009) o sector bancário era composto em 2009 por 41 bancos, contabilizando-se 7.157 dependências bancárias em território nacional. Os bancos estão presentes em todos os concelhos do país, mas apenas em 29% das 4.260 freguesias que compõem o território nacional. Observa-se então uma grande concentração geográfica desta atividade, pois metade das dependências de bancos localiza-se em apenas 28 dos 308 concelhos do país. O sector da banca emprega mais de 1% do total de população empregada no país, tendo registado nestes 41 bancos, um produto bancário de 14 mil milhões de euros, o que equivale a 8.7% do Produto Interno Bruto. Outra fonte é a publicação, pela Associação Portuguesa de Bancos (APB, 2011), de dados e indicadores que caracterizam a atividade bancária nacional, com enfoque em alguns domínios, sendo um deles o dos recursos humanos. É importante referir que esta
28 organização tem como associados, atualmente, instituições que detêm cerca de 94% do ativo do sistema bancário, porém nem todos os bancos fazem parte da APB. A APB representa 22 grupos bancários 1 que totalizam 37 instituições bancárias. Segundo a tabela 15, em 2010, o número de trabalhadores do setor bancário era de 58.412, que se distribuíam pelas 33 instituições bancárias da APB à data, sendo a grande maioria destes trabalhadores afetava à atividade doméstica, 96.5%. Na mesma tabela é possível observar que o número de trabalhadores de 2007 a 2010 estagnou, registando uma taxa média anual positiva, mas inferior a 1%, sendo que esta só se mantem maior que zero devido ao crescimento na ordem dos 7,3% nos trabalhadores afetos à atividade internacional, que acaba por suster o decréscimo do número de trabalhadores afetos à atividade bancária portuguesa. Tabela 15 – Evolução do emprego nas instituições do setor bancário português pertencentes à APB, médias anuais, 2007 a 2010 2007 2008 2009 2010 Média Número global de trabalhadores Total 57.025 58.194 58.277 58.412 % Crescimento - 2,0% 0,1% 0,2% 0,8% Trabalhadores para atividade doméstica Total 55.385 56.460 56.427 56.385 % Crescimento - 1,9% -0,1% -0,1% 0,6% Trabalhadores para atividade internacional Total 1.640 1.734 1.850 2.027 % Crescimento - 5,7% 6,7% 9,6% 7,3% Fonte: APB (2011) Boletim nº 46, Página 27 Da dissertação de Silva (2009), que estuda a concentração bancária em Portugal, entre 1992 e 2007, retira-se que os cinco principais grupos financeiros (Grupo CGD, Grupo BCP, Grupo BES, Grupo Totta e Grupo BPI) representavam, em 31 de Dezembro de 2001, 80,1% do crédito a clientes, 79% dos recursos de clientes, 79,6% do ativo e 69,3% dos balcões. Além disso, dos 55 bancos a operar em Portugal em 1997 (Silva, 2009), mais de 70% poderiam ser considerados bancos de pequena dimensão, dado o valor dos seus ativos. Estes dados apontam para uma divisão entre um pequeno número de grandes bancos, que detém um peso considerável no mercado bancário, e um grande de pequenos bancos, de peso diminuto. Relativamente ao número de bancos 1 Os 22 grupos bancário são: BIC, BBVA, Carregosa, BPI, Millenium BCP, BIG, Banco do Brasil AG, BES, Finantia, Invest, BPP, Santander Consumer, Santander Totta, BANIF, Barclays, BNP Paribas, Caixa Agrícola, CGD, Deustche Bank, Itaú BBA, Montepio, Novagalícia.
29 estrangeiros a atuar em Portugal é referido que, em 2001, a quota de mercado da banca estrangeira a operar em Portugal rondava os 17% do Ativo e do Crédito a clientes, destacando-se bancos como o BNP Paribas, Barclays Bank e Deutche Bank. Ainda recorrendo ao Banco de Portugal, BP (2008), a informação disponível e publicada online, revela que esta entidade reconhece como instituições com responsabilidades de crédito um total de 202 instituições, que estão detalhadas na tabela A1, em anexo. Porém, verifica-se que 89 destas instituições são Caixas de Crédito Agrícolas de nível local ou regional e cerca de 50 outras instituições são bancos de pequena dimensão e praticamente desconhecidos para o segmento de consumidor final. Assim, conclui-se que os estudos de APB (2011) e Silva (2009) consideram um número mais reduzido de instituições, o que resulta de uma definição mais estrita de banco, pelo que, a informação apresentada destes estudos representa uma parte significativa do setor bancário (acima de 95%), mas não a sua totalidade. Porém, no contexto de análise do emprego, não parece revelante este porção de bancos não analisada, como se verá mais à frente pela análise aos dados dos Quadros de Pessoal. 2.2. Rede de Balcões em Portugal Segundo o estudo periódico da APB (2011), de 2007 para 2010, o número de balcões aumentou cerca de 8.5%, passando de 5.742 para 6.232, perseguindo um objetivo generalizado nos grandes grupos bancários de que era necessário aproximar cada vez mais os bancos das populações. Assim sendo, em 2007, existiria um balcão por cada 1.849 habitantes e, em 2010, passou a haver um balcão por cada 1.707. Tabela 16 – Evolução do nº balcões nas instituições do setor bancário português pertencentes à APB, médias anuais, 2007 a 2010 2007 2008 2009 2010 Média Grande dimensão Total 3.771 3.902 3.906 3.926 % Crescimento - 3,5% 0,1% 0,5% 1,4% Média dimensão Total 1.715 1.863 1.947 1.991 % Crescimento - 8,6% 4,5% 2,3% 5,1% Pequena dimensão Total 256 297 309 315 % Crescimento - 16,0% 4,0% 1,9% 7,3% Fonte: APB (2011) Boletim nº 46, Página 49
30 No entanto essa distribuição não foi regular ao longo do tempo, nem sequer em termos de dimensão da empresa, conforme tabela 16. Em termos temporais, denota-se um abrandamento do crescimento do número de balcões, espelhado na redução das taxas de crescimento anuais de 2007 para 2010. Além disso, os bancos de grande dimensão detinham, em 2010, sensivelmente o dobro de balcões que as empresas de média dimensão (3.926 contra 1.991), no entanto, em 2007, detinham mais do dobro (3.771 contra 1.715), o que implica que o crescimento do número de balcões nas médias empresas foi relativamente maior ao crescimento dos balcões nas grandes empresas. Porém, mais importante que o número absoluto de balcões é a relação do rácio número de trabalhadores por balcões onde, segundo Silva (2009) se constata uma diminuição progressiva de trabalhadores até 2000, de 19 para 11 trabalhadores por balcão, estabilizando a partir desse momento o rácio nos 10 trabalhadores, até 2007. Segundo o autor, esta diminuição do rácio seria explicada do lado do emprego uma vez que, apesar do aumento do número de balcões, de 1992 a 2007, existiu uma ligeira tendência de abrandamento do número de empregados no setor, sendo a variação líquida média de - 0,59%, nesse período. Exemplos desse abrandamento são o BES, com -0,24% de variação líquida média e o BPI, com -0,52% e a diminuição significativa que se verificou no BCP, que registou uma variação líquida média de -5,25%. Esta tendência foi ampliada nos anos mais recentes, segundo algumas notícias que documentam uma contração a nível dos estabelecimentos bancários e do emprego na banca, como as 3 que se enuncia de seguida. Por exemplo, num recente estudo, a Associação Portuguesa de Bancos (APB), Público (2012), concluiu que foram encerradas 152 agências bancárias em Portugal em 2011 (o que contraria a tendência de anos anteriores) e que a mesma redução é um dos grandes motivos para a diminuição em 2.2% do número de trabalhadores, o equivalente a menos 1.282 pessoas. A APB refere ainda que todas as instituições de grande dimensão reduziram o seu número de balcões, enquanto que em apenas 25% das de pequena dimensão se verificou este comportamento. Outra notícia recente, em Económico (2013), dá conta de que o banco Barclays vai fechar cerca de 40% das agências de que dispõe em Portugal e despedir 350 funcionários, em 2013. Após apresentar prejuízos de 1,2 mil milhões de Euros em 2012, a redução da presença em Portugal passa pelo encerramento de 100 agências das 260 que o banco britânico detém em território nacional e reduzir até 350 o número de
31 funcionários em Portugal, que se situa atualmente em cerca de dois mil. Uma outra notícia confirma este paradigma mais recente, pois segundo Público (2013) dos cinco principais bancos saíram mais de 1500 trabalhadores em 2012 e, em 2013, já existe a saída esperada de, pelo menos, 700 funcionários. Concretamente, para além dos 1.500 já referidos em 2012, pode-se acrescentar mais de 500 do Banif, 200 do Barclays e 99 do BIC. Dos 700 funcionários que irão sair dos bancos em 2013, conta-se entre 200 a 250 do BCP, 224 do BES, 90 do Santander e 300 do Barclays, tudo através de rescisões amigáveis e de reformas. 2.3. Concentração no setor Para analisar a concentração no setor bancário focam-se duas abordagens: finanças/ contabilidade e mercado. Relativamente à primeira, uma forma de estudar a concentração financeira num setor consiste na análise do ativo agregado das empresas desse setor económico. Segundo a tabela 17, as 33 instituições bancárias abrangidas pelo estudo totalizaram, em 2010, 506.185 milhões de Euros de ativo, dos quais cerca de 75.5% (ou 382.126 milhões) pertencia a apenas 5 empresas do setor, as ditas de grande dimensão. Se a estas se adicionar as 6 empresas de média dimensão, verifica-se que um terço das empresas da amostra detinha cerca de 92.5% do ativo do setor no ano de 2010. Além disso, fazendo uma breve referência à origem (nacionalidade) das empresas, verificamos que das 33 empresas do estudo, 21 (63.6%) eram domésticas (portuguesas) e que detinham 80% do ativo referido anteriormente (404.899 milhões). Tabela 17 – Caraterização das instituições do setor bancário português pertencentes à APB, no final do ano de 2010 Nº instituições bancárias % Nº instituições Ativo (M€) % Nº instituições Por dimensão Grande 5 15,1% 382.126 75,5% Média 6 18,2% 86.223 17,0% Pequena 22 66,7% 37.836 7,5% Por origem Doméstica 21 63,6% 404.899 80,0% Filial 6 18,2% 76.989 15,2% Sucursal 6 18,2% 24.297 4,8% Fonte: APB (2011) Boletim nº 46, Página 20
38 Tabela 22 – Evolução do nº de trabalhadores afetos à atividade doméstica do setor bancário português (empresas pertencentes à APB), por categorias, 2007-2010 2007 2008 2009 2010 Categoria Subcategoria 55.385 56.460 56.427 56.844 Por Género Homens 55% 55% 54% 54% Mulheres 45% 45% 46% 46% Por faixa etária Até 30 16% 15% 13% 13% De 30 a 44 54% 54% 55% 54% Mais de 45 30% 31% 32% 33% Por antiguidade Até 1 9% 8% 5% 4% De 1 a 5 15% 18% 20% 20% De 6 a 10 22% 19% 17% 14% De 11 a 15 17% 15% 18% 19% Mais de 15 37% 40% 41% 43% Por Contrato Efetivos 92% 92% 94% 95% A prazo 8% 8% 6% 5% Por habilitações literárias Básico 11% 10% 9% 9% Secundário 45% 43% 42% 41% Superior 44% 47% 49% 50% Por função Chefias 24% 25% 25% 25% Específicas 35% 36% 38% 38% Administrativos 39% 38% 36% 36% Auxiliares 2% 1% 1% 1% Fonte: APB (2011) Boletim nº 46, Página 39 Tabela 23 – Nº de trabalhadores afetos à atividade doméstica do setor bancário português (empresas pertencentes à APB), por dimensão da empresa, em 2010 Total Grandes Médias Pequenas Categoria Subcategoria 56.844 38.383 14.103 4.358 Por Género Homens 54% 53% 56% 60% Mulheres 46% 47% 44% 40% Por faixa etária Até 30 13% 12% 14% 20% De 30 a 44 54% 52% 58% 64% Mais de 45 33% 36% 28% 16% Por antiguidade Até 1 4% 3% 5% 10% De 1 a 5 21% 15% 28% 42% De 6 a 10 14% 13% 15% 22% De 11 a 15 19% 19% 20% 17% Mais de 15 42% 50% 31% 9% Por Contrato Efetivos 95% 96% 93% 94% A prazo 5% 4% 7% 6% Por habilitações literárias Básico 9% 9% 8% 3% Secundário 41% 42% 41% 35% Superior 50% 49% 51% 62% Por função Chefias 25% 24% 26% 24% Específicas 38% 37% 40% 41% Administrativos 36% 38% 32% 33% Auxiliares 1% 1% 2% 2% Fonte: APB (2011) Boletim nº 46, Página 38
39 Capítulo 3. - Questões de Investigação 3.1. Descrição da Base de dados Em plena crise económica e social, o objetivo do estudo passa, portanto, por analisar o modo como os empregadores responderam (e estão a responder) em termos de ajustamento da quantidade de trabalho que utilizam e da remuneração associada aos fluxos de emprego. Para isso, no período de 2002 a 2009, analisam-se os fluxos de criação e destruição de emprego, a evolução do número de horas trabalhadas (período normal e suplementar) e a evolução salarial repartida entre as diferentes remunerações (rendimento base, prestações regulares e remuneração por trabalho suplementar). A metodologia utilizada será, por conseguinte, a análise quantitativa baseada em fontes administrativas - Quadros de Pessoal (QP). QP é a fonte administrativa que resulta da recolha de informação por um questionário sobre o emprego, que é enviado às empresas pelo Ministério com a tutela do Emprego e Relações de Trabalho (atualmente o MEE), abrangendo todos os estabelecimentos com assalariados. Todos os anos, todos os empregadores com assalariados são legalmente obrigados a preencher um questionário padronizado. Atualmente, o conjunto de dados é de natureza longitudinal e contém informações anuais sobre cerca de 350.000 empresas, 400.000 estabelecimentos e 3 milhões de trabalhadores. A cada empresa que entre na base de dados é atribuído um número de identificação único e o Ministério implementa várias verificações para garantir que não é atribuído um número de identificação diferente, a qualquer empresa que tenha reportado anteriormente informação para a mesma base de dados. Os dados disponíveis reportam informações de cada estabelecimento (localização, atividade económica e emprego), das empresas com a qual o primeiro se encontra associado (localização, atividade económica, emprego, vendas e enquadramento legal) e de todos os seus trabalhadores (idade, sexo, educação, qualificação, profissão, salários e duração do trabalho). As informações sobre os salários são muito detalhadas e completas, incluindo o rendimento base (salário bruto por horas normais de trabalho), prestações regulares, prestações irregulares e pagamento de trabalho suplementar. Informações sobre horas normais e horas extraordinárias também estão disponíveis. Os méritos de uma abordagem deste tipo, que concerne dados para empresas e trabalhadores podem ser encontrados em Davis et al. (1996). O autor refere que para se
40 estudar os fluxos de emprego aprofundadamente é necessário reunir informação que permita estudar isoladamente as características de postos de trabalho e de trabalhadores e, no final, relacionar estas duas esferas do mercado de trabalho. Os dados dos QP, como preenchem estas condições, permitem satisfazer os três grandes méritos de estudar estas variações líquidas no emprego, segundo Davis et al. (1996): 1) Os fluxos de criação e destruição do emprego são um fidedigno retrato estatístico uma vez que refletem, ao nível dos postos de trabalho de um determinado setor económico, os ajustamentos possíveis a diversos eventos económicos que afetam os negócios e os trabalhadores. Estes podem ser, por exemplo, desenvolvimento de novos produtos e processos, crescimento ou declínio dos mercados, competição entre rivais domésticos e estrangeiros, negociação entre empregadores e sindicatos, reestruturações empresariais, aumentos ou restrições na obtenção de crédito, leis de impostos mais ou menos favoráveis e alterações nos custos e disponibilidade dos recursos humanos. 2) Certos problemas do fator trabalho poderem ser escrutinados pela análise dos fluxos de emprego, como sendo, o desemprego de longa duração, diminuições salariais, reformas antecipadas, saídas temporárias para obter formação, mudança de residência ou migração do trabalhador com/sem família, entre outros. 3) O matching entre postos de trabalho e trabalhadores torna-se passível de estudo, caso a análise dos fluxos de emprego seja elaborada com informação de empresas e trabalhadores. No processo de criação e destruição de emprego, aquilo que se torna mais prejudicial para uma economia pode não ser o desemprego gerado, mas sim o processo de formação do match subsequente para os trabalhadores que ficam sem emprego. Este pode ter eficácia díspar, pois tanto pode gerar um “novo casamento” quase perfeito, como ter baixa probabilidade de sucesso e/ou demorar muito tempo, o que acarreta grande incerteza, que pode ser minimizada com o estudo destes fluxos. 3.2. Construção da base de dados Descreve-se, de seguida, a base de dados construída (apresentação do processo de recolha e tratamento primário dos dados) para a análise pretendida, a partir da informação disponibilizada pelos QP.
41 3.2.1. Restrições Iniciais Numa primeira fase, os dados foram recolhidos através dos ficheiros anuais de trabalhadores, no entanto, foram impostos um conjunto de restrições para obter os dados pertinentes para o estudo. A primeira grande restrição, para os diferentes anos, diz respeito ao setor de atividade bancária, pelo CAE (código da atividade económica). 3 A segunda grande restrição diz respeito à exclusão de registos duplicados. Verificou-se a existência de um conjunto de dados duplicados para números de trabalhadores iguais (quase 15.000 elementos repetidos para os 8 anos), pelo que foi necessário eliminar estas observações através de alguns critérios, que são cumulativos: • De início, o critério foi eliminar os registos de trabalhadores com número de identificação igual a zero, uma vez que se tratava ou de erros de preenchimento dos questionários, e/ou de registos relativos a trabalhadores aos quais não tinha sido atribuído número de identificação da Segurança Social e que, por isso, não podiam ser seguidos ao longo do tempo. • Depois, tendo em conta o mesmo número de trabalhador, mesmo ano, mesma empresa e mesmo estabelecimento, o critério foi eliminar os duplicados, uma vez que o mesmo trabalhador apenas poderá aparecer uma vez no mesmo estabelecimento. • Para diferentes estabelecimentos, mantendo o resto constante, isto é, mesmo número de trabalhador, mesmo ano e mesma empresa, o critério foi manter com os registos de trabalhadores com mais horas de trabalho e com data de admissão mais antiga. Este critério sobrevaloriza duas características dos trabalhadores, no entanto, fará sentido na medida em que é mais plausível privilegiar a ocupação principal do trabalhador, do que o inverso. • Para empresas diferentes, apareciam ainda trabalhadores iguais, pelo que, tendo em conta o mesmo número de trabalhador e o mesmo ano, o critério foi eliminar os vários registos para manter apenas os trabalhadores com mais horas de trabalho. Novamente sobrevaloriza-se aqui o emprego, no entanto, como existiam registos com um horário muito baixo e associados a contratos por tempo completo, parece o melhor critério. • Por fim, eliminar os restantes duplicados por um critério aleatório, originando uma perda de cerca de 200 a 300 observações, por cada ano, que não parece significativo. 3 Até 2007, o CAE de 3 dígitos do setor bancário era 651 e, em 2008, passou a ser 641.
42 No final obteve-se uma amostra de 465.900 trabalhadores, de 2002 a 2009, em que todos diferiam entre eles, para o mesmo ano, em três caraterísticas: número de trabalhador, número de empresa e número de estabelecimento. Tabela 24 – Nº Total de Trabalhadores na amostra, por ano, entre 2002 e 2009 Ano 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Trabalhadores 56.797 57.528 54.437 54.818 57.409 60.570 61.782 62.559 Variação anual 731 -3.091 381 2.591 3.161 1.212 777 Fonte: cálculos próprios sobre dados dos Quadros de Pessoal Conforme tabela, a primeira constatação dos resultados é que o setor bancário emprega uma média de cerca de 60.000 trabalhadores por ano apesar de, entre 2002 e 2009, ter havido um crescimento significativo de aproximadamente 5.700 trabalhadores. Apesar disso, relativamente aos anos de 2002 e 2005, há duas notas a salientar que terão implicações no cálculo e interpretação dos fluxos de emprego, como sendo: • Em 2002, pela análise aos dados obtidos, verifica-se uma falha no preenchimento do questionário por um dos bancos de maior dimensão, o que faz com que em 2003 haja um crescimento do emprego considerável, quer de trabalhadores, como de postos de trabalho, que é, no entanto, fictício. Este facto faz com que na análise dos fluxos seja necessário desvalorizar o crescimento verificado, essencialmente quando se falar do comportamento dos 5 maiores bancos, uma vez que esta falha é de um deles. • Em 2005, conforme já foi referido no capítulo 2, existiu uma fusão relevante no setor bancário, que envolveu o grupo Santander e que também traz impactos relevantes na análise elaborada sobre as variações do emprego. Neste caso, ao invés do erro de preenchimento, trata-se de algo que aconteceu na realidade, pelo que não deverá ser desvalorizado. Porém, é necessário ter presente ao longo da interpretação dos fluxos, que, no caso do setor, o impacto da fusão é diluído, visto que os trabalhadores (e postos de trabalho) tiveram de sair de outras empresas (ou serem destruídos) para entrarem (serem criados) na empresa Santander. Ao invés, no caso da análise dos 5 maiores bancos, esta fusão terá grande impacto, como se verá. Descontando estes dois efeitos, da análise da tabela 24, pode-se ainda afirmar que foi entre 2006 e 2007 que se verificou o grande crescimento do período (cerca de 7.000 trabalhadores entraram) e que, entre 2008 e 2009, verificou-se o início do abrandamento do crescimento do emprego no setor.
43 Da comparação destes dados com os da revisão de literatura, de APB (2011), constatase que, entre os anos 2007 e 2010, esta fonte mostra um crescimento de cerca de 57 mil para cerca de 58,4 mil trabalhadores, aumento esse espelhado nos dados dos QP, entre 2007 e 2009. Porém, verifica-se que o número de trabalhadores de APB (2011) é inferior em cerca de 3 mil face ao número dos QP, o que pode ser explicado pela diferença do número de bancos que ambas as fontes analisam. Apesar da existência dessa diferença, o número da mesma não parece ser significativo, uma vez que por representar menos de 5% do emprego (3.000 em 60.000 trabalhadores), não se perdem as principais tendências de análise para as principais variáveis. 3.2.2. Criação de variáveis Foram também criadas variáveis identificadoras de características dos trabalhadores, consideradas relevantes para a análise e diferenciaram-se grupos ou classes para as seguintes variáveis: • Género: masculino e feminino • Idade: menores de 18, entre os 18 e os 25, entre os 25 e os 35, entre os 35 e os 55, entre os 55 e os 65 e maiores de 65 anos. • Habilitações escolares: menos do que o ensino básico, ensino básico, secundário, bacharelato e licenciatura ou mais; • Categoria profissional: trabalhador dos quadros superiores, trabalhador dos quadros médios, encarregados, profissionais de elevada qualificação, média qualificação, baixa qualificação ou sem qualificação; • Tipo de profissão: diretores, outros especialistas científicos (contabilistas, recursos humanos, advogados, etc.), técnicos informáticos, profissionais intermédios (finanças, serviços comerciais e gestão), empregados de escritório e empregados de receção. • Tipo de contrato: contrato sem termo ou com termo; • Regime de duração de trabalho: tempo completo ou tempo parcial; • Antiguidade: menos de 1 ano, entre 1 e 3 anos, entre 3 e 5 anos, mais de 5 anos; • Número de horas trabalhadas: distingue-se entre período normal, suplementar e período total (normal mais suplementar) de trabalho; • Tipo de remuneração: distingue-se entre rendimento base, prestações regulares, remuneração por trabalho suplementar e salário total (base, mais prestações regulares, mais remuneração suplementar);
44 o Leque salarial: relaciona o quociente entre o salário do trabalhador no percentil 5 (p5) dos rendimentos (mais baixos) com o do trabalhador no percentil 95 (p95) dos rendimentos (mais elevados). As empresas foram também agrupadas tendo em conta a classe de dimensão, tendo sido considerados três grupos: entre 0 e 500 trabalhadores, entre 500 e 2.500 trabalhadores e mais de 2.500 trabalhadores. 3.2.3. Fluxos de trabalhadores Relativamente aos fluxos de trabalhadores, as duas grandes variáveis que são fundamentais para as primeiras grandes conclusões são as admissões e as separações. Por definição e com recurso aos dados dos QP, há duas formas possíveis de determinar o valor das admissões. Através da variável do número de trabalhador, identifica-se uma admissão quando um trabalhador está ao serviço de uma empresa no ano t e não estava em t-1 (versão 1). No que diz respeito a 2002, nesta fórmula de cálculo não é possível comparar os números da empresa associados ao trabalhador em 2002 e 2001, visto que para 2001 não existem dados nos QP relativos a trabalhadores. Pode ainda calcular-se o número de admissões, através da variável da data de admissão; assim, uma admissão em t ocorrerá quando a data de admissão é posterior a Outubro do ano t-1 (mês a que os QP se reportam) e o ano de análise é t (versão 2). Relativamente às separações, por definição e através da variável do número de trabalhador, estamos perante uma separação quando um trabalhador não está ao serviço de uma empresa no ano t e estava em t-1. Aqui apenas existe uma única fórmula de cálculo, uma vez que não existe uma categoria de “data de saída”, já que os QP apenas identificam os trabalhadores em atividade, num determinado ano. Esta fórmula, tal como a das admissões, levanta o problema do ano extremo da amostra, pelo que não sabemos quantas separações poderão ter ocorrido de 2001 para 2002. Por fim, neste tipo de análises é também importante verificar que tipo de trabalhadores é mais e menos afetado por uma admissão ou despedimento. Deste modo, foram criadas classes como forma de produtos entre o valor de admissões e separações e as variáveis anteriormente definidas, que constam no ponto 3.2.2., como sendo: • Admissões e separações por sexo; • Admissões e separações por idade;
45 • Admissões e separações por habilitações escolares; • Admissões e separações por categoria profissional; • Admissões e separações por tipo de profissão; • Admissões e separações por tipo de contrato; • Admissões e separações por regime de duração de trabalho; • Admissões e separações por antiguidade; • Admissões e separações por número de horas trabalhadas; • Admissões e separações por tipo de remuneração; • Admissões e separações pela dimensão da empresa. 3.2.4. Fluxos de postos de trabalho Após definir as variáveis de fluxos de emprego ao nível do trabalhador, tendo em vista o cálculo dos dados destes fluxos foi necessário compactar a informação por empresa e por ano, agregando o emprego do período pela associação ao código de cada empresa. A primeira nota antes de abordar os fluxos de postos de trabalho é a referência aos 1.438 registos de empresas e à repartição do número de bancos por ano. No quadro abaixo, observa-se uma diminuição do número de bancos a atuar em Portugal. Esta tendência da década de 2000 é consistente com o já descrito na revisão da literatura e corrobora com o processo de fusões e aquisições registado em Portugal neste período. Tabela 25 – Nº Total de Bancos na amostra, por ano, entre 2002 e 2009 Ano 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Nº bancos 196 179 188 181 175 179 174 166 Variação anual -17 +9 -7 -6 +4 -5 -8 Fonte: cálculos próprios sobre dados dos Quadros de Pessoal No que diz respeito à comparação destes dados com os da revisão de literatura, encontramos diferenças consideráveis entre APB (2011) e Silva (2009) e os dados dos QP. Verifica-se que, as 33 e 55 instituições que estas fontes referem são números bem abaixo dos obtidos pelos QP, porém no caso da fonte BP (2008), o valor de 202 instituições bancárias já se encontra mais próximo destes da tabela 25. Apesar de diferentes definições de bancos poderem originar diferenças consideráveis no que diz respeito ao número de empresas, já foi reportado que em termos de emprego não são consideráveis, pois o que difere diz respeito a bancos de pequena dimensão.
46 Relativamente às variáveis criadas ao nível da empresa, ou seja, os fluxos de postos de trabalho, o objetivo é remover as características específicas do trabalhador e concentrar a análise na parte da criação e destruição de emprego: • A criação de emprego numa empresa, no ano t, é dada pela diferença entre o emprego dessa empresa entre os anos t e t-1, desde que essa diferença seja positiva. Se a diferença for menor ou igual a zero não temos criação de emprego. O somatório de todas as criações de emprego por empresa origina a criação de emprego do sector, num determinado ano. • A destruição de emprego numa empresa, no ano t, é dada pela diferença entre o emprego dessa empresa entre os anos t e t-1, desde que essa diferença seja negativa. Se a diferença for maior ou igual a zero não temos destruição de emprego. O somatório de todas as destruições de emprego por empresa origina a destruição de emprego do sector, num determinado ano. Seria pertinente para a análise, a inclusão das características dos trabalhadores descritas acima, como sexo, idade, tipo de horário, tipo de contrato, regime de duração de trabalho, categoria profissional, habilitações escolares, antiguidade e dimensão da empresa. No entanto, a operacionalização destas variáveis é diferente nos fluxos de trabalhadores e nos fluxos de postos de trabalho. Para os primeiros basta utilizar as variáveis criadas em cima e aplicar as fórmulas diretas para as admissões e separações. Já no caso dos segundos, seria necessário recalcular os produtos entre a criação e destruição de postos de trabalho para categorias descritas acima, no entanto, esta operação não fará muito sentido na generalidade das variáveis, uma vez que, como as caraterísticas são relativas aos trabalhadores, a leitura dessas taxas não teria significado. 3.3. Descrição da amostra 3.3.1. Retrato Global Pretende-se também dar uma noção de como é composta a amostra de dados, segundo as diferentes categorias que os quadros de pessoal dispõem. Sendo assim, dos 465.900 registos de trabalhadores e dos 1.438 registos de bancos, para os 9 anos, conclui-se que, do lado das empresas: • O volume de vendas gerado nos 8 anos foi de 219 mil milhões de Euros (média anual de 27,3 mil milhões), sendo que ao longo dos anos, o seu crescimento teve duas
47 etapas: até 2006, existe um forte crescimento de 16,6 para 34,2 mil milhões e depois até 2008, um abrandamento no crescimento dos 34,2 para os 35,3; 4 • No que diz respeito ao número de estabelecimentos, os dados da amostra indicam que a média de estabelecimentos, entre 2002 e 2009, foi de 5.778, e ao longo dos anos o número foi aumentando gradualmente dos 5.191, em 2002, aos 6.591, em 2009. Registaram-se, porém, dois abrandamentos, entre 2003 e 2005 e entre 2008 e 2009; Tabela 26 - Vendas e nº estabelecimentos do total de bancos, por ano, entre 2002 e 2009 Ano 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Vendas (mil milhões) 16,6 25,1 25,1 20,0 27,0 34,2 35,3 35,3 Nº estabelecimentos 5.191 5.445 5.386 5.432 5.631 6.063 6.486 6.591 Fonte: cálculos próprios sobre dados dos Quadros de Pessoal • Quanto à dimensão das empresas, observa-se na amostra que grande percentagem dos trabalhadores está afeto aos bancos com mais de 2.500 trabalhadores, correspondendo a uma percentagem de 69%, contra os 14% e os 17% de empresas com menos de 500 trabalhadores e entre 500 e 2.500 trabalhadores, respetivamente. Do lado dos trabalhadores verifica-se que: • 57% dos trabalhadores são homens; • Grande parte dos trabalhadores têm entre os 35 e os 55 anos (cerca de 57%) ou entre os 25 e os 35 anos (cerca de 32%); • O grau de escolaridade dos trabalhadores é em metade dos casos o ensino secundário (46%), seguido da licenciatura (34%); • Quanto às categorias profissionais, as dominantes são os profissionais de média e elevada qualificação com 40% e 21%, respetivamente, seguido dos trabalhadores em quadros médios e superiores com 15% e 12%, respetivamente; • Das profissões analisadas, conclui-se que para esta amostra, praticamente 53% dos trabalhadores são empregados de escritório, seguidos de 23% de profissionais intermédios (em áreas de finanças, serviços comerciais e gestão), e ainda, de 9% de diretores e 7% de empregados de receção/caixas; • 99% trabalham a tempo inteiro e 94% têm contrato sem termo; • De notar ainda que 72% dos trabalhadores possuem mais de 5 anos de antiguidade; • Dos trabalhadores que têm registo horário (460.573 dos 465.900 trabalhadores), observa-se que o período horário de trabalho por mês é de cerca 151 horas, ao longo dos 4 A informação relativa às vendas do ano t dizem respeito ao ano t-1.
54 um critério de número de trabalhadores, constata-se que existe cada vez maior concentração do emprego em menos empresas de maior dimensão. Outra conclusão importante é a de que o aumento do emprego no período não foi acompanhado por um aumento do número médio de horas por trabalhador. Em sentido oposto, ao maior número de trabalhadores no setor correspondeu um aumento de rendimento (descontando o efeito da inflação), principalmente no que diz respeito às prestações regulares. Por fim, verifica-se ainda que se agravaram, neste período, as diferenças salarias entre os trabalhadores mais e menos bem pagos.
55 Capítulo 4. – Análise de Resultados 4.1. Fluxos de emprego no setor bancário português O estudo centra-se agora na análise dos resultados dos fluxos de emprego, quer no que diz respeito aos fluxos relacionados com trabalhadores, quer no que diz respeito aos fluxos relacionados com os postos de trabalho. Na tabela abaixo podemos visualizar os fluxos dos trabalhadores, de 2003 a 2009. Porém, é necessário fazer, desde já, duas ressalvas importantes. A primeira é que o ano de 2002 é excluído dos resultados, uma vez que estes fluxos são calculados por variações entre dois anos, sendo que o primeiro ano de qualquer amostra não tem o ano anterior para comparar. A segunda é que se opta por excluir a versão 2 das admissões da análise, porque após analisar os dados dos QP se concluiu que, em muitos registos dos trabalhadores que eram admitidos, a data de admissão do trabalhador não correspondia ao ano em que essa admissão se verificava, mas sim a uma data anterior a esse evento. Privilegia-se então a versão 1 desta variável, pois é a que permite recuperar a igualdade entre a variação líquida do emprego e a diferença entre admissões e separações. Tabela 33 – Fluxos de trabalhadores do setor bancário, por ano, entre 2002 e 2009 Ano Variação Líquida do Emprego Admissões (versão 1) Admissões (versão 2) Separações Rotação dos trabalhadores Excesso de Rotação dos trabalhadores Total 1,4% 14,7% 6,1% 13,3% 28,0% 26,5% 2002 n.a. n.a. 7,1% n.a. n.a. n.a. 2003 1,3% 21,8% 4,7% 20,5% 42,4% 41,1% 2004 -5,5% 7,5% 4,7% 13,0% 20,5% 15,0% 2005 0,7% 14,9% 5,9% 14,2% 29,2% 28,5% 2006 4,6% 32,4% 6,2% 27,8% 60,1% 55,5% 2007 5,4% 11,1% 7,4% 5,8% 16,9% 11,6% 2008 2,0% 8,8% 7,8% 6,8% 15,5% 13,6% 2009 1,2% 7,7% 4,9% 6,4% 14,1% 12,8% Fonte: cálculos próprios sobre dados dos Quadros de Pessoal Numa análise global do período, verifica-se que a média de variação líquida do emprego foi de 1,4%, um valor moderado de crescimento de emprego. Essa variação foi acomodada por taxas médias de admissões e separações na ordem dos 14,7% e 13,3%, respetivamente, o que originou uma rotação de 28%. Porém, anualmente, os fluxos tiveram comportamentos distintos. O ano de maior rotação de trabalhadores foi 2006,
56 com uma taxa de cerca de 60%, associada uma variação líquida do emprego de 4,6%, o que revela que uma grande porção da rotação de trabalhadores foi em excesso para acomodar esta variação. Relativamente aos anos de menor rotação, destacam-se os últimos anos da amostra, 2007 a 2009, com taxas de rotação abaixo dos 20%. O emprego neste período cresceu, porém para tal, os empregadores não contrataram, nem despediram em massa e, pelo contrário, foram comedidos na seleção de trabalhadores. Note-se, por exemplo, que em 2007, o excesso de rotação de trabalhadores foi de apenas 11,6%, para uma variação líquida média de 5,4%. Para perceber a descrição feita acima, é necessário analisar os fluxos de postos de trabalho (tabela 34), de forma a complementar a acomodação das mesmas variações líquidas médias sob a forma de criação e destruição de emprego. Tabela 34 – Fluxos de postos de trabalho do setor bancário, por ano, entre 2003 e 2009 Ano Variação Líquida do Emprego Criação de postos de trabalho Destruição de postos de trabalho Rotação de postos de trabalho Excesso de Rotação de postos de trabalho Taxa Churning Total 1,4% 7,3% 5,9% 13,2% 11,8% 14,8% 2003 1,3% 18,0% 16,8% 34,8% 33,5% 7,6% 2004 -5,5% 2,6% 8,1% 10,8% 5,2% 9,7% 2005 0,7% 9,6% 8,9% 18,5% 17,8% 10,7% 2006 4,6% 7,8% 3,2% 11,0% 6,4% 49,1% 2007 5,4% 6,2% 0,8% 7,0% 1,7% 9,9% 2008 2,0% 3,5% 1,6% 5,1% 3,1% 10,4% 2009 1,2% 3,9% 2,7% 6,6% 5,4% 7,4% Fonte: cálculos próprios sobre dados dos Quadros de Pessoal No que diz respeito à média do período, verifica-se que os fluxos de postos de trabalho são cerca de metade dos fluxos de trabalhadores, para acomodar a mesma variação de 1,4% no emprego: a criação de emprego situava-se nos 7,3%, a destruição de emprego situava-se nos 5,9% e o volume de rotação em excesso foi de 11,8%. Observa-se ainda uma taxa churning moderada de 14,8%, que revela também essa diferença entre os fluxos de trabalhadores e de postos de trabalho. No que diz respeito aos anos da amostra, começando por 2003, as duas tabelas revelam o problema identificado no capítulo 3.2.1. de falha de resposta nos dados. Conforme se verifica, os fluxos de trabalhadores e de postos de trabalho estão empolados nesse ano, com taxas de admissões e separações na ordem dos 21,8% e 20,5% e taxas de criação e
57 destruição na ordem dos 18,0% e 16,8%. Este facto tem impacto em ambos os lados da igualdade dos fluxos de emprego, pois a omissão de preenchimento deste grande banco omite a existência em 2002, quer de trabalhadores, como de postos de trabalho, que em 2003 já são contabilizados no setor como criação de emprego e contratações. No entanto, são valores fictícios que devem ser desvalorizados e inclusive se pode afirmar que caso não existissem, este ano seria possivelmente um ano de contração ao nível do emprego, já que o volume de separações é considerável. Para 2005, conforme foi referido, a fusão que envolveu o grupo Santander tem um impacto moderado ao nível do crescimento do emprego do setor, com uma taxa de 0,7%, isto porque ao acréscimo do Santander corresponde o decréscimo dos bancos extintos. Ainda assim, as taxas de rotação de trabalhadores (cerca de 29,2%) e postos de trabalho (cerca de 18,5%) são das mais elevadas do período, revelando quer as entradas e saídas de trabalhadores, como a criação e destruição de postos de trabalho. No entanto, os dados sugerem que caso não tivesse existido esta fusão, 2005 seria um ano com fluxos baixos, conforme parece ser o padrão do setor bancário. Relativamente a 2006, à elevada rotação dos trabalhadores está associada uma baixa rotação de postos de trabalhadores, com taxas de criação e destruição de emprego de 7,8% e 3,2%, respetivamente. Estes indicadores, associados a uma taxa de churning de 49,1%, sugerem que neste ano existiu uma tendência de substituição de trabalhadores, mais do que de renovação de postos de trabalho. A necessidade de validação destas taxas elevadas leva a que seja oportuna a referência ao Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal para 2006, BP (2006), que revela alguns dados fundamentais sobre a atividade e rendibilidade do setor bancário entre 2004 e 2006. Um desses dados são as medidas tomadas pelas empresas do setor bancário, no início de 2006, para uma redução das despesas com pessoal como o envio para a reforma de milhares de trabalhadores entre 55 e 65 anos de idade (no seguimento da utilização de um fundo de pensões que assegura o pagamento das reformas à maioria dos bancários) e a imposição de salários muitos baixos aos jovens no início da carreira (incluindo licenciados), que foram contratados para substituição dos primeiros. Estão assim validadas as taxas elevadas de rotação de trabalhadores e de churning, uma vez que a saída de trabalhadores para a reforma contrabalançou com a entrada de jovens, não afetando postos de trabalho.
58 Relativamente aos anos de menor rotação, 2007 a 2009 são os anos de maior abrandamento dos fluxos de emprego, com valores de rotação inferiores a 8%. Esta tendência marca o início da crise atual, uma vez que os empregadores passaram de um período de crescimento do emprego, para um perfil de pouca variabilidade no emprego no setor bancário. O destaque deste período é o ano de 2009, já que, para acomodar uma variação de 1,2%, as taxas de admissão e criação atingiram os 7,7% e 3,9% e taxas de separação e destruição os 6,4% e 2,7%, respetivamente. Tudo calculado, obteve-se a menor taxa churning do período, 7,4%, o que significa que, no ano, terá havido pouca “agitação” no mercado de trabalho associada a este setor. 4.2. Fluxos de trabalhadores: por categorias De seguida, procura-se analisar os fluxos de trabalhadores tendo em contas as subcategorias criadas e analisadas anteriormente, para se perceber de que forma a evolução do peso de cada uma delas dentro da categoria respetiva está traduzida nas taxas de admissões e separações, no período em análise. A análise será feita através das tabelas 35 (caraterísticas do trabalhador), 36 (caraterísticas do vínculo laboral) e 37 (por dimensão de empresa), que contêm as médias dos fluxos de trabalhadores entre 2002 e 2009, uma vez que, na generalidade das subcategorias, o comportamento dos fluxos por ano corresponde ao comportamento do setor bancário, descrito no subcapítulo anterior. 6 Apesar disso, para cada conjunto de subcategorias será referida a tendência anual das mesmas e sempre que seja relevante abordar determinada subcategoria, num ano específico, será feita essa referência e remetida para as tabelas A2 a A10 em anexo. 4.2.1. Caraterísticas do trabalhador Género No que diz respeito à caraterística do género, verifica-se uma maior variação líquida de emprego nas mulheres (3,0% contra 0,2% dos homens), o que vem de encontro ao que já havia sido referido anteriormente relativamente ao crescimento do número de mulheres a trabalhar no setor bancário. Esta diferença é explicada pelas médias do 6 Os fluxos de trabalhadores referidos em 4.2. são calculadas pelo rácio entre as diferentes variáveis em estudo (variação líquida, admissões e separações) e o emprego médio relativo a cada subcategoria.
59 período para admissões e separações: 13,8% e 13,6%, no caso do género masculino, e 15,9% e 12,9%, no caso do género feminino, respetivamente. Estas diferenças em termos de taxas de rotação de trabalhadores traduzem-se apenas em +1,5 p.p. no género feminino, o que não é significativo. Quanto à variação entre anos, os anos de maior e menor rotação são, para ambos os géneros, semelhantes ao perfil do setor, conforme tabela A2 em anexo, ou seja, tanto para os homens como para as mulheres a tendência de evolução anual dos fluxos de trabalhadores segue a tendência do setor. Idade Relativamente à faixa etária, conforme foi visto anteriormente, a grande maioria dos trabalhadores situa-se nas classes dos 25 aos 35 anos e dos 35 aos 55 anos (peso relativo conjunto de 90%). Nestas classes, constata-se um comportamento distinto nos fluxos de trabalhadores, uma vez que, no período, a variação do emprego da primeira classe foi positiva (6,0%) e da segunda classe foi praticamente nula (-0,5%). Apesar destas diferenças, o nível de rotação de trabalhadores é baixo e semelhante ao nível do setor. Analisando a variação anual, os anos de maior e menor rotação variam consoante a subcategoria da faixa etária, conforme tabela A3 em anexo. Estas subcategorias de maior peso relativo, “25 aos 35 anos” e “35 aos 55 anos”, apresentam uma tendência de evolução anual dos fluxos de trabalhadores semelhante à do setor. Outras duas classes importantes a analisar são as idades dos 18 aos 25 e dos 55 aos 65 anos, que apesar da sua pequena relevância no setor (peso relativo conjunto de 10%), têm variações líquidas consideráveis, 36,1% e -13,6%, respetivamente. Conclui-se que nestas classes existe uma variabilidade considerável, uma vez que são idades de início e fim de atividade profissional. Essa variabilidade está presente na taxa de admissões de trabalhadores dos 18 aos 25 anos, que ronda os 57% e na taxa de separações de trabalhadores dos 55 a 65 anos, que ronda os 25%, o que valida o renovar do emprego. Um outro destaque às mesmas subcategorias acima referidas surge no seguimento do já referido Relatório de Estabilidade Financeira de 2006, BP (2006), que documenta uma saída de trabalhadores com mais de 55 anos para a reforma contrabalançada com a entrada de jovens entre os 18 e os 25 anos. Se verificarmos a evolução dos fluxos de trabalhadores por ano, constata-se pela tabela A3 em anexo, que ocorreram em 2006 as
60 maiores taxas de separação em trabalhadores entre 55 e 65 anos (cerca de 48,5%) e de contratação em trabalhadores entre os 18 a 25 anos (cerca de 61,3%), o que originou taxas de rotação de trabalhadores na ordem dos quase 90% em ambas as subcategorias analisadas. Habilitações literárias No caso do nível de escolaridade, as três categorias com maior peso relativo são o “ensino básico”, o “ensino secundário” e a “licenciatura”. Tendo em conta os fluxos de emprego, verifica-se a preferência dos empregadores por trabalhadores com cada vez mais escolaridade. Apesar da rotação de trabalhadores ser semelhante nas três principais classes referidas (entre 25% e 30%), existe uma clara transferência do emprego de trabalhadores com o ensino básico para outros com a licenciatura, algo patente nas taxas de variação líquida do emprego de -7,8% e 5,5%, respetivamente. Este facto é explicado pela taxa de 19,6% de separações de trabalhadores com o ensino básico e pela taxa de 17,9% de admissões de trabalhadores com a licenciatura. Esta alteração de preferências está também espelhada na variação líquida no emprego de cerca de -10% nos trabalhadores com menos que ensino básico. Atendendo à tendência anual do período, os anos de maior e menor rotação são, para as subcategorias das habilitações literárias (exceto “menos que ensino básico” com baixo peso relativo) semelhantes ao perfil do setor, conforme tabela A4 em anexo, ou seja, para a generalidade das classes a tendência de evolução anual dos fluxos de trabalhadores segue a tendência do setor. Categoria profissional Seguindo a análise para a categoria profissional, com exceção das subcategorias “encarregados” e “profissionais sem qualificação”, que quase não têm expressão no emprego total, todos os outros trabalhadores merecem uma análise dos fluxos. Distinguem-se dois padrões: nos quadros superiores e médios, o nível de rotação de trabalhadores situa-se nos 22%, apesar de haver variação líquida de emprego positiva numa classe (1,8%) e noutra não (-1,1%); nos profissionais de elevada e média qualificação, a rotação é superior em 10 p.p. (cerca de 32%), para um nível semelhante de variação de emprego, o que demonstra um maior número de entradas e saídas nestas
61 subcategorias. De realçar por fim, a boa performance a nível de aumento de emprego nos profissionais de baixa qualificação, com +6,1% e uma rotação de apenas 18,5%. No que se refere à variação entre anos, os anos de maior e menor rotação variam consoante a subcategoria da categoria profissional, conforme tabela A5 em anexo. As subcategorias “encarregados”, “baixa qualificação” e “sem qualificação”, devido ao seu diminuto peso relativo, apresentam uma variabilidade anual muito superior nos fluxos, o que faz com que os anos de maior rotação sejam diferentes do setor, mas sem nenhum ano de destaque. Já as outras subclasses de maior peso relativo apresentam uma tendência de evolução anual dos fluxos de trabalhadores semelhante à do setor. Profissão Complementando a análise da categoria profissional com a profissão, verifica-se que os trabalhadores com as profissões de técnicos de informática, outros especialistas científicos e empregados de escritório foram os que mais cresceram em termos de emprego, entre 2002 e 2009, com taxas de variação líquida de 12,7%, 4,5% e 2,4%, respetivamente. Destacam-se os técnicos de informática com uma taxa de admissões de 23,9%, o que originou uma taxa de rotação de 35,2%. Em destaque encontram-se também os diretores que, apesar de uma baixa taxa de variação emprego, na ordem dos 0,4%, tiveram das mais altas taxas de rotação de trabalhadores (cerca de 30%), o que dá a entender que os trabalhadores em cargos de direção são um tipo de trabalhador suscetível de ser alvo de entradas e saídas em bancos, sem que disso resulte um aumento do emprego dessa mesma subcategoria (substituição direta de trabalhadores em cargos de direção). Analisando ainda a evolução anual, verifica-se que existe uma clivagem entre as classes de maior e menor peso relativo, conforme tabela A6 em anexo. Em todas as categorias exceto “outros especialistas” e “empregados de receção” existe um perfil semelhante ao setor, porém as subcategorias “diretores”, “técnicos de informática” e “empregados de escritório”, apesar de seguirem essa tendência, têm um perfil anual de fluxos de emprego bastante “agitado”, uma vez que a rotação de trabalhadores foi sempre superior aos 20%, atingindo, em 2006, taxas de cerca de 90%, 112% e 65%, respetivamente.
62 Tabela 35 – Fluxos de trabalhadores por subcategorias de caraterísticas do trabalhador, médias de 2003 a 2009 Categoria Subcategoria Variação Líquida do Emprego Admissões (versão 1) Separações Rotação dos trabalhadores Excesso de Rotação dos trabalhadores Género Masculino 0,2% 13,8% 13,6% 27,3% 27,1% Feminino 3,0% 15,9% 12,9% 28,8% 25,8% Idade Menos que 18 -6,7% 15,0% 21,8% 36,8% 30,1% Entre 18 a 25 36,1% 57,0% 20,8% 36,1% 41,7% Entre 25 a 35 6,0% 19,0% 13,1% 32,1% 26,1% Entre 35 a 55 -0,5% 12,0% 11,5% 22,6% 22,1% Entre 55 a 65 -13,6% 11,0% 24,6% 35,6% 22,0% Mais que 65 -5,7% 17,9% 23,6% 41,5% 35,8% Habilitações Menos que básico -9,7% 8,5% 18,2% 26,6% 16,9% Básico -7,8% 11,8% 19,6% 31,4% 23,6% Secundário 1,3% 13,2% 11,9% 25,2% 23,9% Bacharelato 4,2% 15,5% 11,4% 26,9% 22,8% Licenciatura 5,5% 17,9% 12,4% 30,3% 24,8% Categoria Profissional Quadros superiores 1,8% 12,3% 10,5% 22,8% 21,0% Quadros médios -1,1% 10,4% 11,5% 21,9% 20,8% Encarregados -2,5% 4,6% 7,0% 11,6% 9,1% Elevada qualificação 1,7% 16,9% 15,2% 32,0% 30,3% Média qualificação 1,9% 17,1% 15,2% 32,3% 30,4% Baixa qualificação 6,1% 12,3% 6,2% 18,5% 12,4% Sem qualificação 0% 0% 0% 0% 0% Tipo de profissão Diretores 0,4% 15,2% 14,7% 29,9% 29,5% Outros especialistas 4,5% 11,5% 7,0% 18,5% 14,0% Técnicos de informática 12,7% 23,9% 11,3% 35,2% 22,5% Profissionais intermédios -1,5% 11,2% 12,7% 23,9% 22,4% Empregados de escritório 2,4% 16,3% 13,8% 30,1% 27,7% Empregados de receção -0,4% 12,2% 12,6% 24,9% 24,4% Fonte: cálculos próprios sobre dados dos Quadros de Pessoal 4.2.2. Caraterísticas do vínculo laboral Tipo de contrato Conforme já havia sido referido, verifica-se que houve uma ligeira transferência do peso relativo dos contratos sem termo para os contratos a termo, algo que é também patente nos fluxos de trabalhadores. Vê-se na tabela 36, que os contratos sem termo tiveram
63 uma variação líquida negativa de -1,2%, enquanto que a variação dos trabalhadores com contrato a termo certo rondou os 43%, muito devido a uma taxa de admissões na ordem dos 64,4%. Analisando ainda a evolução anual, verifica-se que a categoria de contratos com termo tem um perfil bastante “agitado” no que diz respeito aos fluxos de trabalhadores, uma vez que a rotação de trabalhadores foi sempre superior aos 65%, atingindo em 2006 os 103%, conforme tabela A7 em anexo. Regime de contrato Os resultados mostram que para o regime de contrato dos trabalhadores não há grande variação entre trabalhadores com contrato a tempo completo e a tempo parcial, ao nível dos fluxos de trabalhadores. Mesmo em termos de rotação de trabalhadores, os valores são semelhantes às médias do setor. Ainda assim, de ano para ano, verifica-se uma maior volatilidade dos fluxos de trabalhadores com contrato a tempo parcial, onde por exemplo, a variação líquida de emprego oscila entre os 17,5% e os -7,1% e a rotação de trabalhadores oscila entre os 48% e os 16% (valores presentes na tabela A8 em anexo). Antiguidade A próxima categoria de análise é a antiguidade do trabalhador e, antes de qualquer análise, o que se esperaria dos resultados seriam fluxos de separações em todas as subcategorias, mas apenas fluxos de admissões na subcategoria de “menos de 1 ano”, visto que um trabalhador seria admitido numa empresa com antiguidade zero. Porém, devido ao problema já reportado com a variável “data de admissão”, todas as subcategorias têm fluxos de admissões de trabalhadores, já que como, em vários casos, a data de admissão corresponde a uma data anterior, muitos os trabalhadores entram nas empresas com anos de antiguidade associados. Ainda assim, as tendências obtidas parecem fazer sentido com aquilo que já foi reportado no capítulo anterior. Desde logo, porque nas subclasses “entre 1 e 3 anos”, “entre 3 e 5 anos” e “mais de 5 anos”, as variações líquidas do emprego foram negativas, atingindo taxas de -2,5%, -4,8% e -2,6%, respetivamente. Conforme também já havia sido referido, grande parte dos trabalhadores têm mais de 5 anos de antiguidade e esse peso tem vindo a aumentar ao longo do período amostral. Porém, como a variação líquida do emprego nesta categoria foi negativa, significa que tem havido
70 setor, tendo em conta o volume de vendas, o número de trabalhadores e o número de estabelecimentos, do período de 2002 a 2009. Tabela 41 - Valor de vendas, nº trabalhadores e nº estabelecimentos pelas 5 maiores empresas do setor bancário, entre 2002 e 2009 Vendas (mil milhões Euros) % Nº trabalhadores % Nº estabelecimentos % Total 5 maiores 150,3 69% 282.729 61% 26.774 58% Total setor 218,6 465.900 46.225 Fonte: cálculos próprios sobre dados dos Quadros de Pessoal Verifica-se que, para os 8 anos da amostra, o somatório das vendas destes bancos corresponde a 69% do total do setor, o somatório do emprego a 61% do total e o somatório do número de estabelecimentos a 58% do total, o que revela que estudá-los corresponde a estudar grande parte do setor bancário. Estas taxas estão ligeiramente abaixo do que refere a fonte citada para o estudo da concentração do setor bancário, Silva (2009), onde para as 5 maiores empresas, em 2007, as taxas para Crédito, Emprego e Balcões foram de 75%, 66% e 64%, conforme tabela 19. 4.5.2. Retrato intra-período Observando a evolução no período, verifica-se que, para os 5 maiores bancos, as três rubricas cresceram, acompanhando a tendência do setor. Porém esse crescimento foi diferente no que diz respeito às vendas ou ao emprego e ao número de estabelecimentos e, uma vez que em 2002 existe o problema de dados já reportado, a análise seguinte, será feita entre 2003 e 2009, de forma a ser comparável. Tabela 42Evolução anual do valor de vendas, do nº de trabalhadores e do nº de estabelecimentos pelas 5 maiores empresas do setor bancário, entre 2002 e 2009 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 5 maiores bancos Vendas (mil milhões €) 9,57 17,97 17,29 14,37 21,34 22,21 24,30 23,19 Emprego 27.387 32.439 32.066 35.468 37.822 38.929 39.232 39.386 Estabelecimentos 2.343 3.022 3.009 3.340 3.524 3.699 3.911 3.926 % total do setor Vendas (mil milhões €) 58% 72% 69% 72% 79% 65% 69% 66% Emprego 48% 56% 59% 65% 66% 64% 64% 63% Estabelecimentos 45% 56% 56% 61% 63% 61% 60% 60% Fonte: cálculos próprios sobre dados dos Quadros de Pessoal
71 Neste seguimento, na tabela 42, verifica-se que as vendas aumentaram cerca de 29% para os cinco maiores bancos, enquanto que, no setor, esse aumento for superior e, conforme tabela 26, de 41%. No entanto, no emprego o crescimento verificado nos 5 maiores bancos foi de 21% e no setor foi de apenas 9%, conforme ilustrado na tabela 24. Algo semelhante ocorreu com o crescimento dos estabelecimentos, já que o incremento verificado nos 5 maiores bancos foi de 30% e no setor foi de apenas 21%, conforme ilustrado na tabela 26. Por fim, de um modo geral, nas três rubricas é possível distinguir duas fases já identificadas no setor: aumento da concentração bancária até 2006, inclusive (em cerca de 20 p.p. quer em vendas, emprego e estabelecimentos), e abrandamento entre 2007 e 2009. Centrando a análise apenas no emprego, o principal objetivo de isolar estes bancos passa por comparar as variações líquidas anuais do emprego, entre o setor e as maiores empresas, conforme tabela 43. Conforme seria esperado, da tabela extrai-se que a variação líquida do emprego dos 5 maiores bancos, grosso modo, tem uma tendência semelhante ao setor. Porém, em anos como 2003, 2004 e 2005, a variação líquida do emprego dos 5 maiores bancos foi superior ao setor e em anos como 2007, 2008 e 2009 foi inferior. Em 2006, ano de maior rotação de trabalhadores no setor bancário, a variação líquida do emprego foi muito semelhante. Tabela 43 – Emprego e variação líquida do emprego nos 5 maiores bancos e no setor bancário, por ano, entre 2002 e 2009 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Emprego nos 5 27.387 32.439 32.066 35.468 37.822 38.929 39.232 39.386 Variação Líquida nos 5 bancos 5.052 -373 3.402 2.354 1.107 303 154 Emprego no setor 56.797 57.528 54.437 54.818 57.409 60.570 61.782 62.559 Variação Líquida no setor 731 -3.091 381 2.591 3.161 1.212 777 Fonte: cálculos próprios sobre dados dos Quadros de Pessoal Embora por motivos de confidencialidade de dados não seja possível mostrar os dados respetivos de cada uma das 5 empresas deste grupo, a partir dos resultados das tabelas 42 e 43 para o conjunto das 5, percebe-se se o comportamento dos dados do setor foi muito influenciado pelo comportamento dos dados destas empresas, ou se as restantes acabaram por ser dominantes. Percorrendo os diferentes anos, em 2003, verifica-se que ao descontar a variação fictícia já apresentada (que ronda os 6.000 trabalhadores,
72 segundo dados dos QP) neste ano teríamos um decréscimo no emprego, mais profundo por ventura que no ano seguinte. Neste seguimento, o abrandamento do emprego no ano de 2004 verificado no setor, de -3.091, esteve mais associado às pequenas e médias empresas do que a qualquer uma destas 5 grandes empresas, com apenas -373 de redução do número de trabalhadores. Algo inverso ocorre no ano seguinte, 2005, onde ao aumento pouco significativo do emprego verificado no setor, de cerca de 400 trabalhadores, correspondeu um aumento significativo de cerca de 3.400 trabalhadores (e ainda de 340 estabelecimentos), motivado pelo grupo Santander. Se retirássemos esta fusão, que atingiu algo como cerca de 4.000 trabalhadores (segundo dados dos QP) verificar-se-ia que a performance das 5 maiores empresas seria pior que a do setor. Já em 2006, pela análise das variações líquidas individuais de cada uma destas cinco empresas, não é possível distinguir a que se poderá ter devido este aumento no emprego, uma vez que se verificou em 2 destes 5 bancos aumentos no emprego na ordem dos 800 e 1.800 trabalhadores e noutros 2 uma redução de 800 e 200 trabalhadores. Porém a conclusão que se pode retirar é que o aumento do emprego no setor, neste ano, foi explicado quase na totalidade pelo aumento do emprego nestas 5 empresas, porém, é necessário analisar se em termos de fluxos de emprego, as elevadas taxas do setor também correspondem a elevadas taxas nas mesmas empresas. Para finalizar, de 2007 a 2009, verifica-se um abrandamento no aumento do emprego, uma vez que, conforme já havia sido afirmado as variações líquidas foram sendo cada vez menores e mais próximas de zero. Ainda assim, verifica-se que nas cinco maiores empresas do setor este abrandamento segue uma tendência semelhante, porém as variações líquidas foram ainda menores, o que poderá indiciar que os efeitos da crise na banca se fizerem sentir inicialmente nas empresas de maior dimensão. 4.5.3. Fluxos de emprego Calculou-se ainda os fluxos respetivos às 5 maiores empresas, que serão apresentados abaixo, nas tabelas 44 (fluxos de trabalhadores) e 45 (fluxos de postos de trabalho). A comparação com o setor necessária para esta análise é feita através das tabelas 33 (fluxos de trabalhadores) e 34 (fluxos de postos de trabalho), respetivamente. No final, será a comparação destas quatro tabelas que validarão as descobertas apresentadas no ponto anterior, ou pelo contrário indiciarão novas conclusões.
73 Numa análise global do período, pela tabela 44 verifica-se que a média de variação líquida do emprego nestas empresas foi de 4,8%, superior à média do setor de 1,4%. Essa variação foi acomodada por taxas médias de admissões e separações na ordem dos 15% e 11%, respetivamente, o que originou uma rotação de 26%, valores muito próximos do setor. Tabela 44 – Fluxos de trabalhadores dos 5 maiores bancos, por ano, entre 2002 e 2009 Ano Variação Líquida do Emprego Admissões (versão 1) Separações Rotação dos trabalhadores Excesso de Rotação dos trabalhadores Total 4,8% 15,5% 10,7% 26,1% 21,3% 2003 16,9% 25,0% 8,1% 33,1% 16,2% 2004 -1,2% 5,4% 6,6% 12,0% 10,8% 2005 10,1% 17,6% 7,5% 25,1% 15,0% 2006 6,4% 43,8% 37,4% 81,2% 74,8% 2007 2,9% 7,9% 5,0% 12,8% 9,9% 2008 0,8% 6,1% 5,3% 11,4% 10,6% 2009 0,4% 5,0% 4,6% 9,7% 9,3% Fonte: cálculos próprios sobre dados dos Quadros de Pessoal Antes de avançar com a análise dos anos relevantes deste período amostral, é importante à partida desvalorizar as elevadas taxas de variação líquida do emprego nos anos 2003 e 2005, motivadas por uma taxas de admissão muito significativas em resultado dos fatores já reportados. Se em 2003, os fluxos não deveriam existir, em 2005, os fluxos praticamente representam a fusão ocorrida, conforme se verifica na magnitude dos mesmos numa realidade de apenas 5 bancos. De destacar é, novamente, o ano de 2006, onde a taxa de variação líquida do emprego dos 5 maiores bancos foi superior à do setor (6,4% contra 4,6% do total do setor), sendo explicada por uma maior taxa de rotação nestes (81% contra 60% do total do setor), algo que também se espelha nas taxas de admissões (44% contra 32% do total do setor) e de separações (37% contra 28% do total do setor). Relativamente aos anos de menor rotação, destacam-se os últimos anos da amostra, 2007 a 2009, com rotações abaixo dos 13%, o que revela que a crise manifestou de imediato expetativas negativas nos grandes bancos, que reduziram principalmente as entradas, mas também as saídas de trabalhadores (no setor são os mesmos anos com variações abaixo de 20%).
74 Tal como foi feito para a totalidade do setor, é agora necessário analisar os fluxos de postos de trabalho, conforme tabela 45, para explicar a acomodação das mesmas variações líquidas médias sob a forma de criação e destruição de emprego. No que diz respeito à média do período, verifica-se que os fluxos de postos de trabalho foram bastante inferiores aos fluxos de trabalhadores para acomodar a mesma variação de 4,8% no emprego: a criação de emprego situou-se nos 6,1%, a destruição de emprego situou-se nos 1,3% e o volume de rotação em excesso foi de 7,4%. A maior diferença é mesmo entre a destruição de emprego (1,3%) e a taxa de separação (10,7%). Relativamente ao setor, a taxa de criação de emprego é semelhante, porém a taxa de destruição de emprego é bastante superior, existindo um volume maior de destruição de postos de trabalho no setor. Este indicador revela que as 5 maiores empresas são estáveis nos postos de trabalho que detêm, sendo que a tendência foi de criar mais postos de trabalho, mantendo os originais, enquanto que as empresas que, em termos relativos, destroem mais postos de trabalho foram as de médias e pequena dimensão. Tabela 45 – Fluxos de postos de trabalho dos 5 maiores bancos, por ano, de 2002 a 2009 Variação Líquida do Emprego Criação de postos de trabalho Destruição de postos de trabalho Rotação de postos de trabalho Excesso de Rotação de postos de trabalho Taxa Churning Total 4,8% 6,1% 1,3% 7,4% 2,6% 18,7% 2003 16,9% 20,6% 3,7% 24,3% 7,4% 8,8% 2004 -1,2% 0,0% 1,2% 1,2% 0,1% 10,8% 2005 10,1% 11,6% 1,6% 13,2% 3,1% 11,9% 2006 6,4% 8,2% 1,8% 10,0% 3,6% 71,2% 2007 2,9% 3,0% 0,2% 3,2% 0,3% 9,6% 2008 0,8% 1,3% 0,5% 1,7% 1,0% 9,6% 2009 0,4% 1,3% 0,9% 2,1% 1,7% 7,5% Fonte: cálculos próprios sobre dados dos Quadros de Pessoal Novamente para a análise anual é importante, à partida, desvalorizar as elevadas taxas de criação de postos de trabalho anos 2003 e 2005 e focar a análise nos outros anos. Relativamente a 2006, à elevada rotação dos trabalhadores está associada uma baixa rotação de postos de trabalhadores, com taxas de criação e destruição de emprego de 8,2% e 1,8%, respetivamente. Estes indicadores, associados a uma taxa de churning de 71%, sugerem que neste ano existiu uma tendência de substituição de trabalhadores, mais do que propriamente de renovação de postos de trabalho. Confirma-se ainda que
75 esta tendência foi grandemente provocada pelos 5 bancos de grande dimensão, uma vez que no setor, conforme tabela 34, a taxa churning foi inferior, na ordem dos 49%, indicando que, se analisássemos este indicador para todos os bancos exceto estes 5 maiores, teríamos uma taxa churning inferior e, portanto, menor agitação. Tendo em conta este parágrafo e recuperando o estudo de BP (2006), será correto afirmar que as medidas terão sido tomadas, em larga escala, por estas empresas, uma vez que as taxas de rotação de trabalhadores e de churning foram ainda superiores às do setor. Relativamente aos anos de menor rotação, novamente o período de 2007 a 2009 compreende os anos de maior abrandamento dos fluxos de emprego, com valores de rotação inferiores a 3%. O ano de 2004 também teve baixa rotação de postos de trabalho (1,2%) e constituiu um ano especial para estes 5 maiores bancos, uma vez que é o único ano em que a taxa de excesso de rotação é igual a 0%, o que significa que a variação líquida de emprego existente, neste ano, foi inteiramente absorvida por postos de trabalho, ficando o excedente de fluxos de trabalhadores por absorver (repare-se que a taxa churning é igual à taxa de excesso de rotação de trabalhadores, 10,8%). Isto implica que neste ano, as cinco maiores empresas foram exclusivamente destruidoras de postos de trabalho. 4.5.4. Número de horas trabalhadas Conforme foi analisado para a média do setor (tabela 38), analisa-se, para os 5 maiores bancos, a relação entre a variação líquida média do número de trabalhadores e a variação líquida média do número de horas, conforme tabela 46. Tabela 46 - Comparação entre variações líquidas, para os 5 maiores bancos, por ano, entre 2002 e 2009 Ano Variação Líquida do Emprego Variação Líquida do nº horas totais Variação Líquida do nº horas normais Variação Líquida do nº horas extraordinárias Total 4,8% 4,1% 4,1% -3,4% 2003 16,9% 17,8% 17,8% 16,3% 2004 -1,2% -14,9% -14,9% -19,8% 2005 10,1% 10,2% 10,2% 2,2% 2006 6,4% 11,5% 11,6% -61,1% 2007 2,9% 7,6% 7,5% 63,2% 2008 0,8% 3,6% 3,5% 31,9% 2009 0,4% -5,5% -5,4% -58,6% Fonte: cálculos próprios sobre dados dos Quadros de Pessoal
76 Tal como para o setor bancário, estas variações líquidas médias têm uma tendência semelhante ao longo do período, porém, ao contrário do setor, têm também médias no período total da amostra semelhantes: 4,1% de variação de horas, contra 4,8% de variação do emprego. Esta evidência revela que o aumento do emprego nestes bancos poderá ter sido acompanhado por um aumento, na mesma proporção, do número de horas trabalhadas. Destacam-se as taxas dos anos 2004 e 2009, como maiores diferenças entre variações líquidas. Pretende-se agora perceber como esta semelhança entre horas e emprego se repercute em horas normais e extraordinárias. Conclui-se que, no que diz respeito às horas normais, as diferenças para a variação líquida de horais totais são diminutas, facto também verificado para o setor e comprovado pela mesma variação líquida do período de 4,1% e por taxas anuais quase iguais. Porém, comparando as variações líquidas das horas extraordinárias com as horas totais (e normais), existem grandes diferenças a assinalar. Desde logo, que a variação líquida do período para as horas extraordinárias foi de -3,4%. Ainda assim é de salientar que a variação do período suplementar de trabalho do setor foi ainda mais baixa, com uma taxa de -11,9%, o que indicia que o trabalho suplementar está a ser preterido nas empresas de menor dimensão, do que nas de maior dimensão. Além disso, a evolução anual das horas extraordinárias oscila bastante entre taxas muito negativas, por exemplo 2006 e 2009, e taxas muito positivas, por exemplo 2007 e 2008, mas conclui-se que, no período analisado, a dimensão das taxas de variação líquida das horas extraordinárias é muito maior que a dimensão das mesmas taxas para horas totais (e normais). Tal como no total do setor, destaca-se o ano de 2006, já que as taxas de variação líquida do emprego e das horas totais (e normais) são positivas, nos 10%, mas a taxa de variação líquida de horas extraordinárias é negativa, -61,1%. 4.5.5. Salários Comparando os salários do setor com os das cinco maiores empresas da banca, segundo as tabelas 47 e 39, verifica-se algo curioso: apesar de, de uma forma geral, os salários médios das admissões e separações estarem abaixo dos salários médios anuais, tal como no setor, os valores salariais das cinco maiores empresas são menores, quer para os trabalhadores que permaneceram na mesma empresa (1.837€ contra 1.856€), quer para os trabalhadores admitidos (1.533€ contra 1.617€) e separados (1.746€ contra 1.791€).
77 Tabela 47 - Variações salariais via trabalhadores, por ano, entre 2003 e 2009 Ano Média € Variação € Variação % Salário (€) Admissões Peso na Média Salário (€) Separações Peso na Média Total 1.837 226 1,8% 1.533 83% 1.746 95% 2003 1.808 106 6,0% 1.776 101% 1.693 96% 2004 1.808 0 0,0% 1.470 81% 1.810 100% 2005 1.799 -8 -0,5% 1.575 87% 1.818 101% 2006 1.811 12 0,7% 1.902 105% 1.838 102% 2007 1.831 20 1,1% 1.192 65% 1.671 92% 2008 1.874 43 2,3% 1.270 69% 1.706 92% 2009 1.929 54 2,9% 1.548 81% 1.683 89% Nota: preços constantes de base de 2002, calculados pelas taxas anuais de inflação de BP stat (2013) Fonte: cálculos próprios sobre dados dos Quadros de Pessoal Da análise desta tabela, comprova-se que, tal como no setor, nas cinco maiores empresas, os valores salariais das separações são quase sempre superiores aos valores das admissões, conforme pesos respetivos na média salarial, o que pode indiciar que numa substituição direta haja benefício líquido salarial entre um trabalhador de maior custo salarial que sai e um trabalhador de menor custo salarial que entra. Também fica comprovada a ideia de que, nestas cinco maiores empresas, apesar de as médias salariais serem inferiores ao setor, os trabalhadores em rotação são os que têm menores salários e que apenas se houver um nível de rotação muito elevado é que os trabalhadores de maiores salários são afetados. Exceção a este padrão de comportamento é novamente o ano de 2006, já que os valores salariais dos trabalhadores em rotação são ligeiramente superiores à média salarial desse ano. Por fim, pretende-se analisar se nas diferentes componentes do salário, o comportamento verificado para as 5 maiores empresas se mantém e compará-lo posteriormente com as médias do setor. Para isso, analisa-se a tabela 48, que contempla as médias do rendimento base, prestações regulares e remuneração por trabalho suplementar, quer para os trabalhadores sem fluxo de emprego no período, quer apenas para os trabalhadores admitidos e despedidos. Verifica-se para estes bancos, um comportamento semelhante ao descrito na análise do setor, pela tabela 40. Em suma, para o rendimento base, os montantes salariais dos trabalhadores alvo de separações são superiores aos montantes salariais dos trabalhadores que permaneceram na mesma empresa. Para as prestações regulares e para a remuneração por trabalho suplementar, verifica-se que o peso dos montantes salariais
78 das admissões no total vai sendo cada vez menor à medida que avançamos no tempo, enquanto que a variação do peso dos montantes salariais das separações é diminuta. Valida-se a ideia apresentada para o setor de que os trabalhadores que saem das empresas são aqueles cujos montantes salariais de prestações regulares e trabalho suplementar (e também de rendimento base) são mais elevados, acabando por ser substituídos por outros com menores valores salariais nestas áreas. Tabela 48 - Variações salariais em salário base, prestações regulares e remuneração por trabalho suplementar, por ano, entre 2003 e 2009 Ano Rendimento base Prestações regulares Remuneração por trabalho suplementar Média € VL % A % S Média € VL % A % S Média € VL % A % S Período 1.220 0,7% 86% 98% 617 3,9% 79% 91% 95 4,5% 84% 99% 2003 1.192 -1,5% 91% 104% 611 22,5% 121% 81% 95 24,8% 162% 95% 2004 1.209 1,4% 88% 101% 597 -2,4% 69% 99% 93 -1,7% 88% 152% 2005 1.202 -0,6% 85% 102% 594 -0,5% 91% 99% 99 5,7% 94% 121% 2006 1.217 1,3% 108% 105% 603 1,6% 101% 94% 63 -43,7% 75% 104% 2007 1.224 0,5% 72% 92% 617 2,2% 59% 94% 95 40,1% 103% 60% 2008 1.225 0,1% 73% 95% 644 4,4% 60% 93% 114 17,9% 55% 82% 2009 1.274 3,9% 87% 90% 653 1,4% 72% 87% 103 -9,6% 41% 89% VL – Variação Líquida Rendimento; % A – Peso do rendimento médio das Admissões no rendimento médio global; % S – Peso do rendimento médio das Separações no rendimento médio global. Nota: preços constantes de base de 2002, calculados pelas taxas anuais de inflação de BP stat (2013) Fonte: cálculos próprios sobre dados dos Quadros de Pessoal Por fim, é de destacar ainda a comparação entre o setor e as 5 maiores empresas, para as variações líquidas de cada uma das formas de rendimento. Constata-se que, para o rendimento base, houve uma maior estabilidade salarial nestas 5 maiores empresas, uma vez que a média salarial no período cresceu apenas 0,7% ao ano, contra os 1,2% ao ano do crescimento do setor. Em sentido inverso estão as variações líquidas das prestações regulares e, principalmente a remuneração por trabalho suplementar. No caso das primeiras prestações, a variação média anual do período centrou-se nos 3,9%, contra os 3,1% do setor, porém, no caso do trabalho suplementar, o aumento verificado nos 5 maiores bancos superou bastante o do setor, com taxas de 4,5% contra 0,4%, quando ao nível do número de horas extraordinárias trabalhadas o perfil foi precisamente o contrário. Este padrão pode indiciar que os montantes extra rendimento base auferidos pelos trabalhadores tenderão a apresentar um crescimento mais acentuado nas empresas de maior dimensão.
79 Conclusão Esta tese procurou elaborar um retrato extenso e detalhado sobre a forma como alguns aspetos da atividade do setor bancário se comportaram ao longo da década de 2000, de forma a se poder tirar conclusões sobre o ajustamento do emprego e dos salários no sector bancário em Portugal. Pretendia-se que esse ajustamento, analisado para o período de 2002 a 2009, permitisse perceber se a crise atual trazia alguns novos desafios às entidades bancárias que atuam nesse país. Centrando-se primeiro no emprego, como primeira grande conclusão retira-se que apesar do abrandamento do crescimento do emprego verificado nos últimos anos da amostra, essencialmente nos anos 2008 e 2009, o setor bancário apresenta um comportamento estável no que diz respeito aos fluxos de emprego. Excluindo o ano de 2003, marcado por um erro na fonte de dados, apenas em 2005 e em 2006 existiu uma variabilidade considerável nos fluxos do emprego, que no entanto, gerou variações positivas no emprego do mesmo setor. Além disso, em 2005 apenas existiu alguma agitação nos fluxos devido à fusão que envolveu o grupo Santander, pelo que caso a mesma não tivesse ocorrido, provavelmente este ano teria sido marcado por um ano com fluxos de emprego moderados. Verdadeiramente, o único ano que marcou esta análise foi 2006, já que se obteve uma elevada taxa de rotação de trabalhadores, que ao não ter sido acompanhada por uma elevada taxa de rotação de postos de trabalho, permite concluir que, neste ano, terá havido um processo de renovação do emprego no setor, motivado essencialmente pelo processo de reformas antecipadas da faixa etária dos 55 aos 65 anos. Ainda assim, constituiu uma exceção ao padrão estável da banca. Já para os anos de 2008 e 2009, o abrandamento referido não significou contração no emprego, uma vez que o setor teve inclusive variações líquidas positivas, embora próximas de zero. O segundo ponto de análise centrou-se nos salários. Conclui-se que os salários médios das admissões e separações estão abaixo dos salários médios anuais, ou seja, que são os trabalhadores em rotação os que têm menores salários. Observa-se ainda que, apenas se houver uma rotação muito elevada, é que os trabalhadores que auferem maiores salários são afetados, o que de certo modo acaba por reforçar a estabilidade referida ao nível do emprego. Ainda assim, quando comparamos os salários dos dois lados da rotação de
86 Anexos
87 Tabela A 1 – Quadro das entidades com Responsabilidades de Crédito em Portugal, em 2008 Código Designação Designação abreviada 1 BANCO DE PORTUGAL B.PORTUGAL 5 PASTOR SERVICIOS FINANCIEROS, ESTABLECIMIENTO FINANCIERO DE CREDITO, SA - SUCURSAL EM PORTUGAL PASTOR,EFC 7 BANCO ESPÍRITO SANTO, SA B.ESPIRIT.SANTO 8 BANCO BAI EUROPA, SA BANCO BAI EUROPA 10 BANCO BPI, SA BANCO BPI 14 BANCO INVEST, SA BANCO INVEST 18 BANCO SANTANDER TOTTA, SA SANTANDER TOTTA 19 BANCO BILBAO VIZCAYA ARGENTARIA (PORTUGAL), SA BILBAO VIZCAYA ARGENTARIA 22 BANCO DO BRASIL, SA B. BRASIL 23 BANCO ACTIVOBANK, SA BANCO ACTIVOBANK 25 CAIXA - BANCO DE INVESTIMENTO, SA CAIXA - BANCO DE INVESTIMENTO 27 BANCO PORTUGUÊS DE INVESTIMENTO, SA B.P.INVESTIMENT 29 FORTIS BANK - SUCURSAL EM PORTUGAL FORTIS BANK 32 BARCLAYS BANK, PLC BARCLAYS BANK 33 BANCO COMERCIAL PORTUGUÊS, SA B.COM.PORTUGUES 34 BNP PARIBAS BNP PARIBAS 35 CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS, SA C.G.DEPOSITOS 36 CAIXA ECONÓMICA MONTEPIO GERAL C.E.MONT.GER. 38 BANIF - BANCO INTERNACIONAL DO FUNCHAL, SA B.INT.FUNCHAL 43 DEUTSCHE BANK AKTIENGESELLSCHAFT - SUCURSAL EM PORTUGAL DEUTSCHE BANK 46 BANCO POPULAR PORTUGAL, SA BANCO POPULAR PORTUGAL 47 BANCO ESPÍRITO SANTO DE INVESTIMENTO, SA BANCO ESP SANTO INVEST. 48 BANCO FINANTIA, SA BANCO FINANTIA 49 BANCO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO, SA B.INVEST.IMOBIL 55 CAIXA ECONÓMICA DA ASSOCIAÇÃO DE SOCORROS MÚTUOS DE EMPREGADOS NO COMÉRCIO DE LISBOA C.E.EMP.COM.LIS 57 CAIXA ECONÓMICA DO PORTO C.E.PORTO 58 CAIXA ECONÓMICA SOCIAL C.E.SOCIAL 59 CAIXA ECONÓMICA DA MISERICÓRDIA DE ANGRA DO HEROÍSMO C.E.M.A.HEROISM 60 BANCO MADESANT - SOCIEDADE UNIPESSOAL, SA BANCO MADESANT 61 BANCO DE INVESTIMENTO GLOBAL, SA B. INV. GLOBAL 63 BANIF - BANCO DE INVESTIMENTO, SA BANIF - INVESTIMENTO 64 BANCO PORTUGUÊS DE GESTÃO, SA BANCO PORTUGUES GESTAO 65 BEST - BANCO ELECTRÓNICO DE SERVIÇO TOTAL, SA BEST - BANCO ELECTRONICO 67 BANCO RURAL EUROPA, SA BANCO RURAL 69 BANCO BANIF MAIS, SA BANCO BANIF MAIS 70 BANQUE PSA FINANCE (SUCURSAL EM PORTUGAL) BANQUE PSA 73 BANCO SANTANDER CONSUMER PORTUGAL, SA BANCO SANTANDER CONSUMER
88 (cont.) 76 FINIBANCO, SA FINIBANCO 79 BPN - BANCO PORTUGUÊS DE NEGÓCIOS, SA BPN-BPNEGOCIOS 82 FCE BANK, PLC FCE BANK 85 BANCO ITAÚ BBA INTERNATIONAL, SA B ITAU EUROPA 86 BANCO EFISA, SA BANCO EFISA 89 BANCO PRIVADO PORTUGUÊS, SA (EM LIQUIDAÇÃO) BANCO PRIVADO PORTUGUÊS 97 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DA CHAMUSCA, CRL CCAM CHAMUSCA 98 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE BOMBARRAL, CRL CCAM BOMBARRAL 99 BANCO DE CAJA DE ESPAÑA DE INVERSIONES, SALAMANCA Y SORIA, CAJA DE AHORROS Y MONTE DE PIEDAD BANCO CAJA SALAMANCA Y SORIA 151 FINANCIERA EL CORTE INGLES, E.F.C., SA (SUCURSAL EM PORTUGAL) CORTE INGLES 160 BANCO ESPÍRITO SANTO DOS AÇORES, SA BANCO ESPIRITO SANTO ACORES 168 BANKIA, SA - SUCURSAL EM PORTUGAL BANKIA - SUCURSAL PORTUGAL 169 CITIBANK INTERNATIONAL PLC - SUCURSAL EM PORTUGAL CITIBANK - SUCURSAL 170 NCG BANCO, SA, SUCURSAL EM PORTUGAL NCG BANCO 171 RCI BANQUE SUCURSAL PORTUGAL RCI BANQUE SUCURSAL PORTUGAL 172 BMW BANK GMBH, SUCURSAL PORTUGUESA BMW BANK 173 BANQUE PRIVÉE EDMOND DE ROTHSCHILD EUROPE - SUCURSAL PORTUGUESA BANQUE PRIVEE ROTHSCHILD 183 AS "PRIVATBANK" SUCURSAL EM PORTUGAL AS "PRIVATBANK" SUCURSAL 185 DEXIA SABADELL, SA - SUCURSAL EM PORTUGAL DEXIA SABADELL - SUCURSAL 186 BANQUE PRIVÉE ESPÍRITO SANTO, SA - SUCURSAL EM PORTUGAL BANQUE PRIVEE - SUCURSAL 188 BANCO BIC PORTUGUÊS, SA BANCO BIC PORTUGUES 189 BANCO PRIVADO ATLÂNTICO - EUROPA, SA B. PRIVADO ATLÂNTICO - EUROPA 235 BANCO L. J. CARREGOSA, SA BANCO CARREGOSA 238 BNP PARIBAS LEASE GROUP, SA BNP PARIBAS LEASE GROUP 240 HYPOTHEKENBANK FRANKFURT AG - SUCURSAL EM PORTUGAL HYPOTHEKENBANK FRANKFURT 242 BNP PARIBAS WEALTH MANAGEMENT, SA - SUCURSAL EM PORTUGAL BNP PARIBAS WEALTH MANAGEMENT 244 BANCO GRUPO CAJATRES, SA - SUCURSAL EM PORTUGAL GRUPO CAJATRES, SUCURSAL 246 BANCO PRIMUS, SA BANCO PRIMUS 248 FINANFARMA - SOCIEDADE DE FACTORING, SA FINANFARMA 251 AGROGARANTE - SOCIEDADE DE GARANTIA MÚTUA, SA AGROGARANTE 252 CREDIAGORA, INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE CRÉDITO, SA CREDIAGORA 255 RCI GEST - INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE CRÉDITO, SA RCI GEST - IFIC 257 BNP PARIBAS SECURITIES SERVICES, SA BNP PARIBAS SECURITIES SERVICE 259 DE LAGE LANDEN INTERNATIONAL BV, SUCURSAL EM PORTUGAL DE LAGE LANDEN
89 (cont.) 260 HYPOSWISS PRIVATE BANK GENÈVE, SA - SUCURSAL EM PORTUGAL HYPOSWISS PRIVATE BANK GENEVE 262 ANTAVECAPITAL - INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE CRÉDITO, SA ANTAVECAPITAL - IFIC 264 VOLKSWAGEN BANK GMBH - SUCURSAL EM PORTUGAL VOLKSWAGEN BANK 265 DEUTSCHE LEASING IBÉRICA, E.F.C., S.A.U. - SUCURSAL EM PORTUGAL DEUTSCHE LEASING IBÉRICA 302 LISGARANTE - SOCIEDADE DE GARANTIA MÚTUA, SA LISGARANTE-SGM 303 NORGARANTE - SOCIEDADE DE GARANTIA MÚTUA, SA NORGARANTE-SGM 304 GARVAL - SOCIEDADE DE GARANTIA MÚTUA, SA GARVAL - SGM, SA 305 BPN CRÉDITO - INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE CRÉDITO, SA BPN CREDITO 306 MERCEDES-BENZ FINANCIAL SERVICES PORTUGAL - INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE CRÉDITO, SA MERCEDES-BENZ FINANCIAL SERVIC 307 FORTIS LEASE PORTUGAL, INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE CRÉDITO, SA FORTIS LEASE PORTUGAL 314 SOFID - SOCIEDADE PARA O FINANCIAMENTO DO DESENVOLVIMENTO, INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE CRÉDITO, SA SOFID 403 UNION DE CRÉDITOS INMOBILIÁRIOS, SA - SUCURSAL EM PORTUGAL UNION CREDITOS 500 ING BELGIUM SA/NV - SUCURSAL EM PORTUGAL ING BELGIUM 502 S.P.G.M. - SOCIEDADE DE INVESTIMENTO, SA SPGMS. INVEST 514 CATERPILLAR FINANCIAL CORPORACION FINANCIERA SA - SUCURSAL EM PORTUGAL CATERPILLAR 642 BNP PARIBAS FACTOR - INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE CRÉDITO, SA BNP PARIBAS FACTOR 670 BBVA LEASIMO - SOCIEDADE DE LOCAÇÃO FINANCEIRA, SA BBVA LEASIMO 685 FINANGESTE - EMPRESA FINANCEIRA DE GESTÃO E DESENVOLVIMENTO, SA FINANGESTE 694 GE CONSUMER FINANCE, I.F.I.C., INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE CRÉDITO, SA GE CONSUMER FINANCE IFIC 695 SOFINLOC - INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE CRÉDITO, SA SOFINLOC-IFIC 698 UNICRE - INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE CRÉDITO, SA UNICRE-IFIC, SA 699 POPULAR FACTORING, SA POPULAR FACTORING 756 FUNDO DE GARANTIA DO CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO FGCA MUTUO 771 EUROFACTOR PORTUGAL - SOCIEDADE DE FACTORING, SA EUROFACTOR 780 FGA CAPITAL - INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE CRÉDITO, SA FGA CAPITAL - IFIC 796 FINICRÉDITO - INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE CRÉDITO, SA FINICREDITO 800 BBVA, INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE CRÉDITO, SA BBVA, INSTITUICAO FINANCEIRA 817 GMAC - INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE CRÉDITO, SA GMAC - INSTITUICAO FINANCEIRA 848 BANCO BNP PARIBAS PERSONAL FINANCE, SA BNP PARIBAS PERSONAL FINANCE 881 ONEY - INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE CRÉDITO, SA ONEY - IFIC 916 BANCO CREDIBOM, SA CREDIBOM 921 COFIDIS COFIDIS 940 LICO LEASING SA, ESTABLECIMIENTO FINANCIERO DE CREDITO – SUCURSAL LICO LEASING 942 PME INVESTIMENTOS - SOCIEDADE DE INVESTIMENTO, SA PME INVESTIMENTOS 955 OREY FINANCIAL - INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE CRÉDITO, SA OREY FINANCIAL
90 (cont.) 965 CAIXA LEASING E FACTORING - INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE CRÉDITO, SA CAIXA LEASING - IFIC 1000 CREDIP - INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DE CRÉDITO, SA CREDIPIFIC 1020 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE AROUCA, CRL CCAM AROUCA 1280 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DO MÉDIO AVE, CRL CCAM V N FAMALI 1290 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE VILA VERDE E DE TERRAS DO BOURO, CRL CCAM V VERDE 1320 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE TERRAS DO SOUSA, AVE, BASTO E TÂMEGA, CRL CCAM T.SOUSA,AVE,BASTO, TAMEGA 1340 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DO VALE DO SOUSA E BAIXO TÂMEGA, CRL CCAM VSBTAMEGA 1400 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE PAREDES, CRL CCAM PAREDES 1420 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DO NOROESTE, CRL CCAM DO NOROESTE 1440 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DA ÁREA METROPOLITANA DO PORTO, CRL CCAM AREA PORTO 1460 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE PÓVOA DE VARZIM, VILA DO CONDE E ESPOSENDE, CRL CCAM POVOA VVCE 1470 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DO ALTO CÁVADO E BASTO, CRL CCAM ALTO CÁVADO E BASTO 2040 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DA REGIÃO DE BRAGANÇA E ALTO DOURO, CRL CCAM REG.BRAGANÇA E ALTO DOURO 2090 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DA BEIRA DOURO, CRL CCAM BEIRA DOURO 2140 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE S. JOÃO DA PESQUEIRA, CRL CCAM S J PESQUE 2160 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DO VALE DO TÁVORA, CRL CCAM VALE DO TAVORA 2190 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DA TERRA QUENTE, CRL CCAM TER QUENTE 2230 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DO DOURO, CORGO E TÂMEGA, CRL CCAM DOURO CORGO TÂMEGA 2240 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE MOGADOURO E VIMIOSO, CRL CCAM MOGADOURO 2260 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE TERRAS DE MIRANDA DO DOURO, CRL CCAM MIRAN DOUR 3010 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DO BAIXO MONDEGO, CRL CCAM BAIXO MONDEGO 3020 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE CANTANHEDE E MIRA, CRL CCAM DE CANTANHEDE E MIRA, CRL 3030 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE COIMBRA, CRL CCAM COIMBRA 3040 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE ESTARREJA, CRL CCAM ESTARREJA 3060 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DO VALE DO DÃO E ALTO VOUGA, CRL CCAM VALE DO DÃO E ALTO VOUGA 3090 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE OLIVEIRA DE AZEMÉIS, CRL CCAM OLIV AZEME 3110 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE POMBAL, CRL CCAM POMBAL 3160 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE VALE DE CAMBRA, CRL CCAM VALE CAMBR 3190 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE LAFÕES, CRL CCAM LAFOES 3210 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE OLIVEIRA DO BAIRRO, CRL CCAM OLIV BAIRR 3220 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DA COSTA VERDE, CRL CCAM COSTA VERDE, CRL 3240 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE BAIXO VOUGA, CRL CCAM BAIXO VOUGA
91 (cont.) 3270 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE ANADIA, CRL CCAM ANADIA 3310 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE ALBERGARIA E SEVER, CRL CCAM ALBERGARIA E SEVER 3340 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE VAGOS, CRL CCAM VAGOS 3370 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DAS SERRAS DE ANSIÃO, CRL CCAM SER ANSIAO 3380 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE OLIVEIRA DO HOSPITAL, CRL CCAM OLIV HOSPI 3400 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DA BAIRRADA E AGUIEIRA, CRL CCAM BAIRRADA E AGUIEIRA 3450 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO BEIRA CENTRO, CRL CCAM BEIRA CENT 3470 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE TERRAS DE VIRIATO, CRL CCAM DE TERRAS DE VIRIATO 4020 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DA REGIÃO DO FUNDÃO E SABUGAL, CRL CCAM FUNDAO E SABUGAL 4050 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DA BEIRA BAIXA SUL, CRL CCAM BEIRA BAIXA (SUL) 4080 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DA SERRA DA ESTRELA, CRL CCAM SERRA DA ESTRELA 4110 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DA ZONA DO PINHAL, CRL CCAM ZON PINHAL 5010 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE ALCANHÕES, CRL CCAM ALCANHOES 5020 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE ALCOBAÇA, CRL CCAM ALCOBACA 5050 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE ALENQUER, CRL CCAM ALENQUER 5060 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE ARRUDA DOS VINHOS, CRL CCAM ARRUDA VIN 5070 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE AZAMBUJA, CRL CCAM AZAMBUJA 5080 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DA BATALHA, CRL CCAM BATALHA 5120 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE CADAVAL, CRL CCAM CADAVAL 5130 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE CALDAS DA RAINHA, ÓBIDOS E PENICHE, CRL CCAM CALDAS OBIDOS E PENICHE 5140 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE LOURES, SINTRA E LITORAL, CRL CCAM LOURES, SINTRA E LITORAL 5150 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DO CARTAXO, CRL CCAM CARTAXO 5170 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE CORUCHE, CRL CCAM CORUCHE 5180 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE LEIRIA, CRL CCAM LEIRIA 5190 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE LOURINHÃ, CRL CCAM LOURINHA 5200 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE MAFRA, CRL CCAM MAFRA 5230 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE PERNES, CRL CCAM PERNES 5240 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE PORTO DE MÓS, CRL CCAM PORTO MOS 5270 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE SALVATERRA DE MAGOS, CRL CCAM SALVAT MAG 5310 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE SOBRAL DE MONTE AGRAÇO, CRL CCAM SOBR M AGR 5340 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE TORRES VEDRAS, CRL CCAM TORR VEDRA 5360 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE VILA FRANCA DE XIRA, CRL CCAM V F XIRA 5390 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE TRAMAGAL, CRL CCAM TRAMAGAL
92 (cont.) 5430 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DO RIBATEJO NORTE, CRL CCAM RIBATEJO N 5460 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE ENTRE TEJO E SADO, CRL CCAM TEJO SADO 5470 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DO RIBATEJO SUL, CRL CCAM RIBAT SUL 6020 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE ALCÁCER DO SAL E MONTEMOR-O-NOVO, CRL CCAM ALCACER E MONTEMOR-O-NOVO 6040 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE ALJUSTREL E ALMODÔVAR, CRL CCAM ALJUSTREL 6100 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE BEJA E MÉRTOLA, CRL CCAM BEJA 6110 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE BORBA, CRL CCAM BORBA 6150 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DO NORDESTE ALENTEJANO, CRL CAIXA NORDESTE ALENTEJANO 6160 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE ELVAS, CRL CCAM ELVAS 6170 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE ESTREMOZ, MONFORTE E ARRONCHES, CRL CCAM ESTREM., MONF. E ARRON. 6190 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE FERREIRA DO ALENTEJO, CRL CCAM FERR ALENT 6240 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE MORAVIS, CRL CCAM MORAVIS 6250 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DO GUADIANA INTERIOR, CRL CCAM GUADIANA 6320 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DA COSTA AZUL, CRL CCAM DA COSTA AZUL 6330 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE SÃO TEOTÓNIO, CRL CCAM S TEOTONIO 6350 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE SOUSEL, CRL CCAM SOUSEL 6430 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DO NORTE ALENTEJANO, CRL CCAM DO NORTE ALENTEJANO, CRL 6440 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DO ALENTEJO CENTRAL, CRL CCAM DO ALENTEJO CENTRAL, CRL 7010 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE ALBUFEIRA, CRL CCAM ALBUFEIRA 7120 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE SÃO BARTOLOMEU DE MESSINES E SÃO MARCOS DA SERRA, CRL CCAM S BM-SMS 7130 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE SILVES, CRL CCAM SILVES 7140 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DO SOTAVENTO ALGARVIO, CRL CCAM SOTAVENTO ALGARVIO 7210 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DO ALGARVE, CRL CCAM ALGARVE 8050 CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DOS AÇORES, CRL CCAM ACORES 8118 INSTITUTO DA HABITAÇÃO E REABILITAÇÃO URBANA INSTITUTO NACIONAL DE HABITACA 8164 INSTITUTO DE TURISMO DE PORTUGAL INSTITUTO TURISMO PORTUGAL 8173 HEFESTO STC, SA HEFESTO STC, SA 8208 PARVALOREM, SA PARVALOREM, SA 8209 CONSULTEAM - CONSULTORES DE GESTÃO, LDA. CONSULTEAM, LDA 8210 BOLSIMO - GESTÃO DE ACTIVOS, SA BOLSIMO, SA 9000 CAIXA CENTRAL - CAIXA CENTRAL DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO, CRL CAIXA CENTRAL Fonte: BP (2008), publicação online
93 Tabela A 2 – Fluxos de trabalhadores por género, por ano, entre 2002 e 2009 SubCategoria Ano Variação Líquida do Emprego Admissões (versão 1) Separações Rotação dos trabalhadores Excesso de Rotação dos trabalhadores Homem Período amostral 0,2% 13,8% 13,6% 27,3% 27,1% Mulher 3,0% 15,9% 12,9% 28,8% 25,8% Homem 2003 1,6% 21,1% 19,4% 40,5% 38,8% 2004 -6,8% 7,4% 14,2% 21,6% 14,8% 2005 -1,4% 14,3% 15,6% 29,9% 28,5% 2006 3,9% 30,0% 26,0% 56,0% 52,1% 2007 3,4% 9,8% 6,4% 16,3% 12,9% 2008 0,5% 7,7% 7,2% 14,9% 14,4% 2009 0,2% 6,9% 6,7% 13,7% 13,5% Mulher 2003 0,7% 22,9% 22,2% 45,1% 44,4% 2004 -3,6% 7,6% 11,2% 18,9% 15,3% 2005 3,6% 15,9% 12,3% 28,2% 24,6% 2006 5,5% 35,6% 30,1% 65,7% 60,2% 2007 7,9% 12,9% 4,9% 17,8% 9,9% 2008 3,8% 10,1% 6,3% 16,3% 12,5% 2009 2,6% 8,6% 6,0% 14,6% 12,0% Fonte: cálculos próprios sobre dados dos Quadros de Pessoal
94 Tabela A 3 – Fluxos de trabalhadores por idade, por ano, entre 2002 e 2009 Sub Categoria Ano Variação Líquida do Emprego Admissões (versão 1) Separações Rotação dos trabalhadores Excesso de Rotação dos trabalhadores Menos 18 Período amostral -6,7% 15,0% 21,8% 36,8% 30,1% 18 a 25 36,1% 57,0% 20,8% 36,1% 41,7% 25 a 35 6,0% 19,0% 13,1% 32,1% 26,1% 35 a 55 -0,5% 12,0% 11,5% 22,6% 22,1% 55 a 65 -13,6% 11,0% 24,6% 35,6% 22,0% Mais 65 -5,7% 17,9% 23,6% 41,5% 35,8% Menos 18 2003 -34,0% 8,5% 42,6% 51,1% 17,0% 2004 -10,8% 27,0% 37,8% 64,9% 54,1% 2005 22,2% 37,0% 14,8% 51,9% 29,6% 2006 0,0% 15,6% 15,6% 31,2% 31,2% 2007 -16,9% 9,6% 26,5% 36,1% 19,3% 2008 4,1% 14,4% 10,3% 24,7% 20,6% 2009 -14,5% 7,3% 21,8% 29,1% 14,5% 18 a 25 2003 -1,5% 36,6% 38,1% 74,7% 73,2% 2004 35,2% 47,3% 12,1% 59,4% 24,2% 2005 61,0% 76,0% 15,1% 91,1% 30,1% 2006 35,4% 61,3% 26,0% 87,3% 51,9% 2007 66,5% 79,9% 13,4% 93,3% 26,8% 2008 42,0% 58,4% 16,4% 74,8% 32,9% 2009 22,6% 43,9% 21,3% 65,2% 42,5% 25 a 35 2003 3,1% 22,5% 19,4% 41,9% 38,8% 2004 0,8% 11,5% 10,8% 22,3% 21,5% 2005 6,9% 20,4% 13,4% 33,8% 26,9% 2006 5,7% 28,2% 22,5% 50,6% 44,9% 2007 12,3% 20,3% 8,0% 28,2% 15,9% 2008 8,6% 17,8% 9,2% 27,0% 18,4% 2009 4,7% 12,5% 7,7% 20,2% 15,5% 35 a 55 2003 1,9% 20,3% 18,4% 38,7% 36,7% 2004 -8,5% 4,1% 12,6% 16,8% 8,3% 2005 -2,0% 10,9% 12,9% 23,8% 21,8% 2006 4,6% 32,8% 28,2% 61,0% 56,4% 2007 0,8% 4,6% 3,7% 8,3% 7,5% 2008 -1,0% 2,7% 3,8% 6,5% 5,5% 2009 0,6% 4,3% 3,6% 7,9% 7,3% 55 a 65 2003 -11,6% 24,9% 36,6% 61,5% 49,9% 2004 -22,1% 3,3% 25,4% 28,7% 6,6% 2005 -22,0% 4,7% 26,8% 31,5% 9,5% 2006 -8,6% 40,0% 48,5% 88,5% 79,9% 2007 -6,3% 2,9% 9,2% 12,2% 5,9% 2008 -13,6% 1,6% 15,2% 16,8% 3,2% 2009 -11,8% 4,5% 16,2% 20,7% 8,9% Mais 65 2003 -7,6% 16,2% 23,8% 40,0% 32,4% 2004 10,3% 43,6% 33,3% 76,9% 66,7% 2005 -8,6% 20,9% 29,5% 50,4% 41,7% 2006 6,6% 27,5% 21,0% 48,5% 42,0% 2007 -11,2% 9,4% 20,6% 30,0% 18,8% 2008 -15,1% 7,0% 22,0% 29,0% 13,9% 2009 -9,0% 10,1% 19,2% 29,3% 20,3% Fonte: cálculos próprios sobre dados dos Quadros de Pessoal
95 Tabela A 4 - Fluxos de trabalhadores por nível de escolaridade, por ano, entre 2002 e 2009 Sub categoria Ano Variação Líquida do Emprego Admissõe s (versão 1) Separações Rotação dos trabalhadores Excesso de Rotação dos trabalhadores Menos Básico Período Amostral -9,7% 8,5% 18,2% 26,6% 16,9% Básico -7,8% 11,8% 19,6% 31,4% 23,6% Secundário 1,3% 13,2% 11,9% 25,2% 23,9% Bacharelato 4,2% 15,5% 11,4% 26,9% 22,8% Licenciatura 5,5% 17,9% 12,4% 30,3% 24,8% Menos que Básico 2003 0,0% 27,1% 27,1% 54,2% 54,2% 2004 -21,2% 4,7% 25,9% 30,6% 9,4% 2005 -29,6% 7,4% 37,0% 44,4% 14,8% 2006 -15,0% 10,0% 25,0% 35,0% 20,0% 2007 -11,4% 0,0% 11,4% 11,4% 0,0% 2008 0,0% 6,5% 6,5% 12,9% 12,9% 2009 -1,5% 0,0% 1,5% 1,5% 0,0% Básico 2003 -6,6% 19,6% 26,2% 45,8% 39,2% 2004 -12,9% 2,8% 15,7% 18,5% 5,6% 2005 -10,3% 7,8% 18,1% 25,9% 15,6% 2006 -5,9% 39,3% 45,3% 84,6% 78,7% 2007 -3,4% 3,3% 6,7% 10,0% 6,6% 2008 -7,3% 1,3% 8,6% 9,9% 2,6% 2009 -5,9% 4,4% 10,3% 14,6% 8,7% Secundário 2003 1,5% 19,2% 17,7% 36,9% 35,4% 2004 -4,7% 7,2% 11,9% 19,1% 14,3% 2005 0,6% 15,1% 14,4% 29,5% 28,9% 2006 4,3% 28,2% 23,9% 52,0% 47,7% 2007 4,9% 9,8% 4,9% 14,8% 9,9% 2008 0,5% 6,7% 6,1% 12,8% 12,3% 2009 1,9% 7,6% 5,7% 13,3% 11,4% Bacharelato 2003 -0,3% 16,4% 16,7% 33,0% 32,8% 2004 0,4% 8,7% 8,3% 17,0% 16,5% 2005 3,4% 16,7% 13,3% 30,0% 26,6% 2006 19,6% 47,0% 27,4% 74,4% 54,8% 2007 4,2% 9,3% 5,1% 14,3% 10,1% 2008 -0,1% 5,5% 5,5% 11,0% 10,9% 2009 2,1% 6,4% 4,3% 10,7% 8,6% Licenciatura 2003 8,2% 29,5% 21,3% 50,8% 42,6% 2004 -2,6% 11,0% 13,6% 24,5% 21,9% 2005 6,5% 18,4% 11,9% 30,3% 23,8% 2006 7,5% 33,0% 25,4% 58,4% 50,9% 2007 9,4% 16,0% 6,6% 22,6% 13,3% 2008 6,7% 13,9% 7,2% 21,1% 14,3% 2009 2,3% 8,7% 6,4% 15,2% 12,8% Fonte: cálculos próprios sobre dados dos Quadros de Pessoal