O uso de agentes físicos no tratamento das úlceras de pressão
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MESTRADO INTEGRADO EM MEDICINA 2013/2014 O USO DE AGENTES FÍSICOS NO TRATAMENTO DAS ÚLCERAS DE PRESSÃO Dissertação - Artigo de Revisão Bibliográfica Daniela da Costa Martins
O USO DE AGENTES FÍSICOS NO TRATAMENTO DAS ÚLCERAS DE PRESSÃO Daniela da Costa Martins Mestrado Integrado em Medicina – 6º ano Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto Rua de Jorge Viterbo Ferreira nº228, 4050-313 Porto Orientador: Dr. António Eduardo Saraiva Pinto Camelo Docente da unidade curricular de Ortofisiatria Centro Hospitalar do Porto Largo Prof. Abel Salazar, 4099-001 Porto
AGRADECIMENTOS Ao meu orientador, Dr. António Camelo, pela paciência, compreensão e disponibilidade prestada até ao último dia; À Alcinda Magalhães, ao Pedro Nogueira e ao Luís Teófilo pela atenção e ajuda; Ao Acro Clube da Maia por facilitar e compreender a minha ausência; À minha família pelo apoio e amor incondicionais; Aos meus amigos pelo companheirismo e amizade.
RESUMO Introdução: As úlceras de pressão constituem uma problemática devido à morbilidade e mortalidade associadas, bem como à diminuição da qualidade de vida dos doentes e sobrecarga na economia de cada país. Há 10-15 anos que a sua prevalência permanece inalterada, estimando-se que, mundialmente, cerca de 7,5 milhões de pessoas por ano desenvolvem úlceras de pressão. É evidente a necessidade de investigação no sentido de melhorar a prevenção e o tratamento quer em meio hospitalar, quer em unidades de cuidados continuados ou domiciliários. Objetivos: Contextualizar o tema “úlceras de pressão”. Desenvolver: definição, conceitos associados, mecanismo de ação, parâmetros de utilização e evidência da eficácia do uso de agentes físicos (ultrassom, pressão negativa, eletroestimulação e laser de baixa potência) no tratamento das úlceras de pressão. Métodos: Elaboração de um artigo de revisão baseado em bibliografia entre 2000 e 2014 presente no arquivo científico biomédico Pubmed. Desenvolvimento: Úlcera de pressão define-se como uma lesão localizada da pele e/ou tecido subjacente, sobre uma proeminência óssea, em resultado da pressão ou de uma combinação entre esta e forças de cisalhamento e/ou atrito. A sua classificação em seis categorias é fundamental para a gestão dos procedimentos a seguir em cada situação. A abordagem terapêutica baseia-se em três princípios: estratégias de prevenção; otimização do estado geral e nutricional; tratamento local. Os agentes físicos são uma opção terapêutica eficaz na cicatrização das úlceras de pressão II, III, IV e suspeita de lesão nos tecidos profundos, comprovada a partir dos resultados positivos nas diferentes fases do processo de cicatrização. Além disso, diminuem a dor e os custos associados aos cuidados constantes que requerem. Conclusão: Apesar de comprovada a eficácia do uso dos agentes físicos no tratamento das úlceras de pressão, é fundamental a elaboração de um protocolo de parâmetros concretos e explícitos a utilizar em cada situação específica. PALAVRAS-CHAVE: Úlceras de pressão; definição; fisiopatologia; tratamento; agentes físicos; ultrassom; pressão negativa; eletroestimulação; laser.
ABSTRACT Introduction: Pressure ulcers constitute a current issue due to the associated high morbility and mortality rates, as well as the decrement of patients’ quality of life and overburden on each country’s economy. Its prevalence has remain unchanged for the last 10-15 years, having been estimated that approximately 7.5 million people develop pressure ulcers each year, worldwide. It naturally follows that there is a pressing need for parallel improvement on the treatment processes of pressure ulcers in hospital, continued care unit, and domiciliary environments. Objectives: Contextualise the theme “pressure ulcers”. Provide the appropriate background: definition, associated concepts, action mechanisms, usage parameters and evidence on the efficacy of physical agents (ultrasound, negative pressure, electrical stimulation and low level laser) in the treatment of pressure ulcers. Methods: Preparation of a state of the art review based on a representative bibliographical sample from the 2000 to 2014 period, obtained through the Pubmed biomedical scientific archive. Discussion: A pressure ulcer is defined as a localised skin and/or underlying tissue lesion, usually over a bone prominence, resulting from pressure or from a combination between pressure and shear/friction forces. Its six-fold category classification is fundamental for ascertaining which procedures should be administered in each situation. Its therapeutic approach is based on three principals: prevention strategies; general and nutritional state optimization; local treatment. Physical agents are an effective therapeutic option in what concerns the healing of category II, III and IV pressure ulcers’, as well as suspected deep tissue injury – established via positive results in the different phases of the cicatrisation process. Moreover, physical agents diminish the associated pain and costs inherent to this particular type of injury/wound. Conclusion Despite the confirmed efficacy on the use of physical agents in the treatment of pressure ulcers, the formulation of a protocol detailing concrete and explicit parameters for their use in each specific situation remains a fundamental necessity. KEY-WORDS: Pressure ulcers; definition; pathophysiology; treatment; physical agents; ultrasound; negative therapy; electrical stimulation; laser.
ÍNDICE 1 . INTRODUÇÃO ............................................................................................................................. 7 2 . MÉTODOS ................................................................................................................................... 8 3 . DESENVOLVIMENTO ................................................................................................................... 9 3.1. Classificação ....................................................................................................................... 9 3.2. Fisiopatologia ................................................................................................................... 10 3.2.1. Fatores extrínsecos .................................................................................................. 10 3.2.2. Fatores intrínsecos ................................................................................................... 11 3.3. Abordagem terapêutica ................................................................................................... 12 3.3.1. Estratégias de prevenção ......................................................................................... 12 3.3.2. Otimização do estado geral e nutricional ................................................................ 13 3.3.3. Tratamento local ...................................................................................................... 13 3.3.3.1. Desbridamento ................................................................................................. 13 3.3.3.2. Limpeza ............................................................................................................ 14 3.3.3.3. Revestimentos/pensos ..................................................................................... 14 3.3.3.4. Abordagem da infeção ..................................................................................... 14 3.3.3.5. Tratamento cirúrgico ........................................................................................ 15 3.4. Agentes físicos .................................................................................................................. 16 3.4.1. Ultrassom ................................................................................................................. 16 3.4.2. Pressão negativa ...................................................................................................... 17 3.4.3. Eletroestimulação..................................................................................................... 20 3.4.3.1. Correntes de baixa intensidade........................................................................ 22 3.4.3.2. Corrente pulsada de alta-voltagem .................................................................. 23 3.4.4. Laser de baixa potência ............................................................................................ 24 4 . CONCLUSÃO ............................................................................................................................. 27 5 . REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................ 28
O Uso de Agentes Físicos no Tratamento das Úlceras de Pressão | INTRODUÇÃO 7 1 . INTRODUÇÃO As úlceras de pressão constituem um problema sério e de custos elevados, com importantes implicações para o doente, familiares e instituições de saúde. Estima-se que afete mais de 7,5 milhões de pessoas por ano mundialmente. É considerado um indicador de qualidade na saúde, quer no que respeita às intervenções implementadas no seu tratamento, quer sobretudo na sua prevenção [1, 2]. As úlceras de pressão aumentam significativamente a necessidade de cuidadores e estão associadas a um impacto negativo na qualidade de vida, independência e dignidade de cada doente [3]. Em Portugal, atualmente, desconhece-se a prevalência das úlceras de pressão, quer em meio hospitalar quer em unidades de cuidados de saúde primários ou continuados. Todavia, estudos europeus apontam para uma prevalência de 12,5%, ainda assim percentagem inferior a países como a Bélgica, o Reino Unido e a Suécia [4]. Apesar da evolução dos conhecimentos e melhoria dos cuidados de saúde, a prevalência das úlceras de pressão permanece elevada, constituindo ainda um problema médico potencialmente fatal, responsável por 11,6% das mortes relacionadas intra-hospitalares. Afeta principalmente pessoas idosas, mas sobretudo doentes imobilizados por tempo parcial ou indeterminado, acarretando anualmente um custo na saúde de $12-15,6 biliões nos Estados Unidos da América [3]. Devido à elevada prevalência desta situação, que se apresenta estabilizada há mais de 10-15 anos, afigura-se extremamente importante o desenvolvimento de tratamentos eficazes, rápidos e de baixo custo [3, 5]. O objetivo desta monografia é rever de uma forma geral conceitos e terapêuticas instituídas no tratamento das úlceras de pressão, com especial enfâse e detalhe sobre os agentes físicos: ultrassom, pressão negativa, eletroestimulação e laser. Apesar de comprovada a sua eficácia na regeneração tecidual há várias décadas, o recurso a agentes físicos é limitado, sendo por isso enriquecedor para a literatura uma revisão dos efeitos e condições da sua aplicação no tratamento das úlceras de pressão.
O Uso de Agentes Físicos no Tratamento das Úlceras de Pressão | MÉTODOS 8 2 . MÉTODOS Utilizando a Pubmed procedeu-se à pesquisa de artigos usando as seguintes queries: “Pressure ulcers”; “Decubitus ulcers”; “Pressure ulcers treatment”; “Wound chronic healing”; “Ultrasound”; “Electrical stimulation”; “Low-level laser therapy”; “Negative Pressure wound therapy”. Dos inúmeros artigos encontrados foram incluídos os que satisfazem os seguintes critérios: artigo escrito em português ou inglês entre o ano 2000 e 2014; literatura que aborde conceitos sobre prevalência, custos e fisiopatologia das úlceras de pressão; artigos relativos ao tratamento atualmente utilizado; artigos sobre cada agente biofísico e de efeito benéfico comprovado no tratamento das úlceras de pressão ou feridas crónicas. Após leitura integral ou do resumo foram incluídos 74 artigos. De forma a complementar a bibliografia recolhida, foram pesquisadas e integradas guidelines.
O Uso de Agentes Físicos no Tratamento das Úlceras de Pressão | DESENVOLVIMENTO 9 3 . DESENVOLVIMENTO Úlcera de pressão, segundo a National Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP), define-se, internacionalmente, como uma lesão localizada da pele e/ou tecido subjacente, geralmente sobre uma proeminência óssea, em resultado da pressão ou de uma combinação entre esta e forças de cisalhamento e/ou atrito [6]. A maioria das úlceras de pressão localiza-se na região sacrococcígea (36%), seguindo-se, por ordem decrescente de incidência, a região calcânea (30%), isquiática e trocantérica [7]. 3.1. Classificação A classificação das úlceras de pressão é um parâmetro imprescindível para implementação de uma estratégia terapêutica adequada [8]. Foi pela primeira vez documentada, em 1955, uma proposta apresentada por Guttman. Em 1989, a NPUAP desenvolveu um sistema de estadiamento, baseado nos sistemas previamente criados, que se tornou no mais amplamente utilizado. Após anos de pesquisa, discussão e consenso, o modelo foi sendo atualizado, e em 2007 surge aquele que é o sistema de classificação global e atualmente aceite [9]. De acordo com as guidelines da NPUAP/EPUAP (European Pressure Ulcer Advisory Panel), o sistema internacional de classificação das úlceras de pressão divide-se em distintos níveis de lesão, correspondendo a quatro categorias de I a IV, e a duas categorias adicionais. O termo “categoria” surgiu em substituição dos antigos termos “estadio” ou “grau”, de forma a clarificar a ideia errónea de progressão de estadios das úlceras de pressão [10]. 1) Categoria I - Eritema não branqueável - a área pode estar dolorosa, dura, mole, quente ou fria, comparativamente com os tecidos adjacentes; indicativo de pessoa em risco; 2) Categoria II – Perda parcial da espessura da derme - que se apresenta como uma ferida superficial de leito vermelho/rosa; também pode surgir como flictena fechada ou aberta, preenchida com líquido seroso ou sero-hemático; 3) Categoria III – Perda total da espessura tecidual - cujo tecido adiposo subcutâneo pode ser visível, mas osso, tendões ou músculos não se encontram expostos; algum tecido desvitalizado pode estar presente; pode também ser observada lesão cavitária e encapsulamento;
O Uso de Agentes Físicos no Tratamento das Úlceras de Pressão | DESENVOLVIMENTO 16 3.4. Agentes físicos 3.4.1. Ultrassom O ultrassom é um tipo de agente físico que utiliza ondas sonoras, emitidas a partir de um transdutor, para fornecer energia a um local desejado para tratamento ou diagnóstico [35]. Pode ser dividido em térmico ou não-térmico de acordo com o efeito celular que produz [36]. Atualmente, a forma mais comum de ultrassom utiliza frequências entre 1-3 MHz e é aplicado no tratamento de várias lesões músculo-esqueléticas. Relativamente ao ultrassom para o tratamento de úlceras são usadas frequências de 40kHz e de baixa intensidade, sem efeito térmico [37]. O ultrassom de baixa frequência sem contacto utiliza uma névoa salina atomizada estéril como meio de condução da energia, tendo assim a vantagem de não entrar em contacto com o leito da ferida. Estas características tornam este tipo de ultrassom o ideal e recomendado para o tratamento de feridas crónicas [38]. O efeito celular e molecular da energia produzida pelo ultrassom manifesta uma ampla gama de efeitos sobre o processo de cicatrização, como redução da quantidade de bactérias, incluindo algumas das mais resistentes, Staphylococcus aureus, Vancomycin-resistant enterococci e Acinobacter baumannii; supressão da resposta inflamatória, com redução de citocinas pósinflamatórias (MMP-9, uma metaloproteinase da matriz responsável pela destruição de novo tecido de granulação); aumento da vasodilatação; estimulação de fatores de crescimento vascular endotelial e angiogénese; libertação precoce de fatores de crescimento e fornecimento de maior quantidade de colagénio [39]. O uso deste ultrassom está contraindicado em doentes com implantes eletrónicos ou próteses perto do local de tratamento, sobre o útero grávido, lesões malignas ou qualquer lesão na face ou na cabeça [35]. De acordo com a revisão The Cochrane Collaboration (2006), não há evidência do benefício da associação do ultrassom à terapêutica standard no tratamento das úlceras de pressão, contudo foram descritas limitações metodológicas nos estudos realizados, tais como o número limitado das amostras [40]. Estudos mais recentes comprovam a eficiência do uso do ultrassom de baixa frequência sem contacto como terapia adjuvante no tratamento de úlceras de pressão de categoria II a IV e suspeita de lesão nos tecidos profundos [35, 39]. O tempo de tratamento por sessão é
O Uso de Agentes Físicos no Tratamento das Úlceras de Pressão | DESENVOLVIMENTO 17 diretamente proporcional à área de superfície da úlcera. Assim, se a área de superfície varia de <10 a 180 cm², o tempo de aplicação correspondente varia dos 3 aos 20 minutos [38]. Driver et al. publicaram uma meta-análise que compara a utilização do ultrassom, como terapia adjuvante, com o tratamento standard das feridas crónicas, concluindo, após 4 semanas de tratamento, que aplicando ultrassom de baixa frequência sem contacto 3 vezes por semana, reduziu 80% da área da ferida, em contraste com os 30-40% no grupo controlo que recebeu apenas tratamento standard [35, 39]. Também Thomas verificou uma diminuição do tempo de cicatrização das úlceras de pressão de categoria II. Considerando que a taxa média de cura das úlceras de tamanho médio (1 a 4 cm²) é de, aproximadamente, 53 dias, o estudo demonstra a eficácia da técnica aplicada, apresentando uma média de 28 dias, quando adicionado o ultrassom à terapêutica [41]. Estudos demonstram ainda o potencial do ultrassom de baixa frequência na redução do tecido necrótico, sendo por isso considerada uma nova técnica de desbridamento [38, 42]. Outra aplicação benéfica relaciona-se com a redução da dor associada às feridas crónicas, estando descrita uma redução da mesma de cerca de 80%, pós-tratamento com ultrassom de baixa frequência sem contacto durante 2 a 4 semanas [39, 43]. 3.4.2. Pressão negativa A investigação do uso da pressão tópica negativa, também designada por terapia assistida por vácuo, iniciou-se em 1989, e desde então os seus benefícios no tratamento das diversas feridas têm sido cada vez mais descritos [44]. Este tipo de agente utiliza a pressão negativa para gerar uma sucção que remove exsudado, mantendo um ambiente húmido na ferida. A técnica envolve a colocação de gaze ou de um penso de espuma reticulado de células abertas sobre a ferida, coberto por um adesivo oclusivo. Um tubo de drenagem estabelece a sua ligação a uma fonte de vácuo, responsável por gerar a pressão negativa. O fluido retirado da ferida é drenado para um recipiente descartável [5, 6]. O benefício da utilização de gaze ou penso de espuma é similar, sendo ambos eficazes no fornecimento da pressão negativa, contração da ferida e estimulação do fluxo sanguíneo. Contudo, estudos descrevem um crescimento de tecido de granulação para o interior das células abertas do penso de espuma, formando um tecido mais espesso, que provoca dor na troca dos
O Uso de Agentes Físicos no Tratamento das Úlceras de Pressão | DESENVOLVIMENTO 18 adesivos e dificulta o processo de reepitelização [45, 46]. Existem diferentes tipos de pensos de espuma, de diferente constituição, sendo utilizados de acordo com as características da ferida em questão. Os de poliuretano, hidrofóbicos, que aumentam a remoção de exsudado, são os recomendados para o tratamento das úlceras de pressão e feridas profundas. Os pensos prata permitem uma libertação contínua e sustentada de iões prata, que agem como uma eficaz barreira contra bactérias. Têm assim a mesma aplicabilidade que os pensos de poliuretano, acrescentando o facto de poderem ser utilizados quando é necessário impedir o crescimento bacteriano. Os pensos de polivinil, hidrofílicos, necessitam de uma pressão mínima de -125mmHg e ajudam a reduzir a probabilidade de aderência à base da ferida, sendo por isso mais utilizados em feridas superficiais e dolorosas [47]. A manutenção de um ambiente húmido de cicatrização, remoção de fluidos e materiais infeciosos, redução do edema, diminuição da colonização bacteriana, melhoria da perfusão sanguínea e formação de tecido de granulação, são apontados como os principais mecanismos de ação deste tipo de terapia [5, 44]. Desta forma, com o uso da pressão tópica negativa é possível controlar o exsudado, reduzir o número de trocas de adesivos, bem como a dor associada à sua troca e o seu odor, reduzir o risco de infeção e aumentar a rapidez do processo de granulação. Além do referido, outros tratamentos de reabilitação podem ser efetuados simultaneamente. Estes benefícios têm implicações favoráveis no custo total do tratamento das feridas crónicas [45]. O uso da terapia por pressão tópica negativa está contraindicado em lesões malignas, osteomielite não tratada, processos fistulosos, tecido necrótico com escara e órgãos ou vasos sanguíneos expostos [44]. De salientar que este tratamento apenas pode ser iniciado após desbridamento do tecido necrótico e remoção completa da escara [47]. A maioria das unidades comercializadas oferece uma gama de pressão negativa entre os -40 e - 200mmHg e uma sucção que pode ser intermitente ou contínua, que deve ser regulada de acordo com a tolerância de cada doente e a etiologia da ferida em causa. A forma contínua é a mais utilizada, podendo ser aplicada em qualquer tipo de ferida. Por norma é apenas recomendada na fase inicial do tratamento, quando a quantidade de exsudado é maior. Por outro lado, o modo intermitente geralmente proporciona um ciclo de 5 minutos seguido de 2 minutos de pausa na sucção. É comummente utilizado numa fase pós-tratamento contínuo, em situações de menor quantidade de drenagem de exsudado ou em feridas de menor tamanho, porém produz maior dor [45, 46].
O Uso de Agentes Físicos no Tratamento das Úlceras de Pressão | DESENVOLVIMENTO 19 Estudos revelam que a pressão adequada para obtenção da melhoria máxima do fluxo de sangue corresponde a -125mmHg, resultando num aumento de 400% de fornecimento local de sangue. Contudo, este aumento de fluxo sanguíneo só é sustentável por aproximadamente 5 minutos, tempo a partir do qual o fluxo entra em declínio. Assim sendo, sugerem a aplicação de uma sucção intervalada com uma pausa de 2 minutos [44]. Por outro lado, estudos mais recentes, realizados em animais, demonstram que o efeito biológico máximo é atingido a uma pressão de - 80mmHg, tendo como referência a contração dos bordos da ferida, o aumento do fluxo sanguíneo regional e a formação do tecido de granulação. Este mesmo estudo recomenda apenas a utilização de pressões mais elevadas, -125mmHg, nas situações de quantidade de exsudado abundante [46]. A pressão tópica negativa é utilizada no tratamento de úlceras de pressão de categoria III e IV, podendo ser utilizada tanto como tratamento definitivo como para otimizar o leito da ferida antes do procedimento cirúrgico [5]. Por norma, no tratamento das úlceras de pressão, numa fase inicial, é escolhida uma pressão contínua entre -80 a -125mmHg e, após 48h, a terapia deverá ser alterada para o modo intermitente. A avaliação da ferida deve realizar-se semanalmente e a troca do penso a cada 4872 horas e nunca menos de 3 vezes por semana [45, 47, 48]. Se há evidência de uma redução significativa da área e do volume, o tratamento deve continuar. Se por outro lado, ao fim de 4 semanas, a redução do volume corresponde a menos de 30%, a terapia deve ser interrompida e reavaliada a situação [49]. Estudos que comparam o tratamento standard com o tratamento com auxílio da terapia por pressão negativa, revelam melhoria na diminuição da área de superfície, volume e aumento do tecido de granulação quando aplicado o agente físico [49]. Joseph et al. demonstraram uma redução de volume da ferida de 78% no grupo que efetuou tratamento com pressão negativa comparada com os 30% obtidos no grupo controlo (gaze húmida) [6]. A literatura comprova, ainda, uma redução no número de hospitalizações por úlceras de pressão (35% no grupo com terapia por pressão negativa vs. 48% no grupo controlo) e de cuidados emergentes relacionados com problemas associados às feridas (0% vs. 8%) [5, 49]. Assim como diminuição da dor provocada aos doentes, redução dos custos associados aos cuidados das úlceras de pressão e diminuição da duração total de serviços de assistência domiciliária [5, 48].
O Uso de Agentes Físicos no Tratamento das Úlceras de Pressão | DESENVOLVIMENTO 20 3.4.3. Eletroestimulação A utilização da eletroestimulação remonta ao século XVII, contudo, apenas em 1843, DuboiReymond explica o circuito bioelétrico endógeno, demonstrando a existência de uma corrente de intensidade 1mA existente nas células humanas lesadas [50, 51]. Mais tarde, em 1961, Becker, ao introduzir pela primeira vez o termo “corrente de lesão”, explicando que o processo de cicatrização dos tecidos é governado por uma corrente elétrica endógena, dá, assim, início a uma explosão de estudos, em animais e humanos, sobre a intervenção elétrica na cicatrização de feridas que buscam inúmeras formas de reproduzir essa corrente de forma exógena [50]. A estimulação elétrica, através da corrente que produz, desencadeia uma resposta biológica complexa, que imita a corrente elétrica endógena. O seu principal efeito no processo de cicatrização (fase inflamatória, proliferativa e reparativa) deve-se à estimulação de um fluxo direcional de células, designado por galvanotaxis, responsável pelo aumento de células endoteliais, macrófagos, neutrófilos, fibroblastos, queratinócitos, entre outras [3, 51, 52]. Esse fluxo direcional gera também uma corrente de transporte ativo de iões Na⁺ para o local da ferida, responsável por manter o potencial transepitelial até que a ferida cicatrize e a camada epitelial funcione novamente como uma barreira elétrica [3]. A eletroestimulação atua na fase inflamatória por aumentar o recrutamento de macrófagos e neutrófilos ao local da ferida, desempenhando, assim, um papel importante na regulação do processo de cicatrização [50]. Além disso, o efeito antibacteriano da estimulação elétrica auxilia também o processo anti-inflamatório, reduzindo a quantidade de agentes patogénicos ou diminuindo a sua motilidade [3]. Apesar do mecanismo de destruição das bactérias não ser ainda claro, Kincaid e Lavoie demonstraram que baixos níveis de estimulação elétrica inibem o crescimento de três dos microrganismos mais frequentemente isolados das feridas crónicas, Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Pseudomonas aeruginosa [50]. A formação do tecido de granulação é mediada pela proliferação de fibroblastos e células endoteliais, seguida pela produção de matriz extracelular que por sua vez permite a migração de queratinócitos e formação de novos capilares [50]. As células endoteliais, nomeadamente fatores de crescimento vascular endoteliais, migram através de um citoesqueleto de filamentos de actina para o local lesado, promovendo a angiogénese. Estudos evidenciam que campos elétricos acima de 100-200mV induzem um aumento de 80% da quantidade desses filamentos de actina. Sendo assim possível concluir que a utilização deste agente pode aumentar a taxa de cicatrização, por
O Uso de Agentes Físicos no Tratamento das Úlceras de Pressão | DESENVOLVIMENTO 21 dirigir e acelerar o processo de migração endotelial [3, 53]. Por outro lado, a estimulação elétrica ao induzir a migração de fibroblastos, aumenta a produção da quantidade de colagénio [3, 54]. A terceira linha de evidência explica que a estimulação elétrica tem efeito na reepitelização, através da promoção de queranócitos. Comprovou-se que o efeito dose é melhor quando aplicada uma corrente direta de 100mV durante 2,5 horas comparada com correntes inferiores [3]. A utilização da terapêutica por eletroestimulação está contraindicada em doentes com cancro, por poder potenciar a atividade mitogénica das suas células; na osteomielite não tratada; em doentes epiléticos; quando aplicada no tórax em doentes com patologia cardíaca. De salientar a não aplicação na região do pescoço, tórax ou em local com implante eletrónico [3, 52, 55]. Foram ainda descritos raros efeitos adversos como formação de tecido de granulação, irritação da pele e queimaduras por aplicação de intensidades demasiado elevadas [3]. A estimulação elétrica pode ser aplicada segundo inúmeros parâmetros e formas. Não obstante nos vários estudos publicados sobre a eficácia da sua utilização no processo cicatricial, raramente há um consenso acerca da utilização dos diferentes tipos de correntes. De realçar a necessidade, enfatizada pelos autores, no consenso, definição e elaboração de um protocolo que explicite os parâmetros de estímulos ideais e adequados a cada etiologia e categoria das úlceras de forma a melhorar e adequar o tratamento a cada doente [51, 56]. Dos estudos que se dedicam à investigação das diferentes correntes elétricas com efeito na regeneração de tecidos, vários categorizam as correntes em direta, pulsada e alternada [3, 57, 58]. Ainda assim, essa falta de padronização entre os protocolos de tratamento torna praticamente impossível comparar os estudos relatados [58]. Barnes et al. publicaram uma meta-análise com o objetivo de avaliar o impacto da estimulação elétrica na cicatrização de úlceras crónicas, independentemente da sua etiologia. Concluíram que a eletroestimulação se apresenta como uma terapia eficaz, comprovada pela diminuição do tamanho da úlcera em 24,63%, quando comparada com o tratamento standard ou falsa estimulação [57]. Da literatura é possível aferir que os tipos de corrente mais comummente estudados no tratamento das úlceras de pressão são as correntes de baixa intensidade contínuas ou intermitentes e as correntes pulsadas de alta-voltagem.
O Uso de Agentes Físicos no Tratamento das Úlceras de Pressão | DESENVOLVIMENTO 22 3.4.3.1. Correntes de baixa intensidade Correntes de baixa intensidade, também designadas por microcorrentes, são correntes de intensidade menor ou igual a 1mA (1000μA), que podem ser aplicadas de forma contínua ou pulsada e variar na forma da onda, frequência e duração de cada pulso [51]. Por sua vez, uma corrente direta, também designada por contínua ou galvânica, envolve um fluxo contínuo e unidirecional (do cátodo para o ânodo) por mais de 1 segundo [58]. Há evidência comprovada da eficácia deste tipo de correntes no tratamento das úlceras de pressão, onde vários estudos demonstram a evolução favorável no tamanho, características e taxa de cicatrização das feridas [59]. Cheng et al., usando correntes de intensidade inferior a 1mA in vitro, demonstraram um aumento de 75% no número de aminoácidos livres, bem como um aumento de 500% de ATP em comparação com o grupo controlo [60]. Carley et al. compararam a utilização de uma corrente direta de baixa intensidade com o tratamento com compressas húmidas-a-secas/terapia de hidromassagem, concluindo que a taxa de cicatrização revelou ser 1,5 a 2,5 vezes mais rápida no tratamento com eletroestimulação. Acrescenta ainda que a escolha desta técnica permite diminuir a necessidade de desbridamento, bem como diminuir a dor e a infeção local [50]. Analisando a bibliografia acerca da aplicabilidade das correntes diretas de baixa intensidade, é possível definir parâmetros da sua utilização. O efeito máximo na cicatrização de feridas, mais especificamente de úlceras de pressão categoria II e III, é atingido usando uma corrente de intensidade que varia entre 200 e 800μA, durante 2 horas, 2 a 3 sessões por dia, intervaladas em 2 a 4 horas, 5 dias por semana, e durante 5 a 9 semanas de tratamento, de acordo com a evolução da cicatrização. Por outro lado, autores que se debruçaram sobre a atuação da corrente direta de baixa intensidade intermitente apresentam em comum os seguintes parâmetros: intensidade que varia entre os 300 e 630μA (podendo ser reduzida ao longo do tratamento de acordo com a evolução positiva da ferida), frequência de 130 Hz, 64 a 128 pulsos por segundo e 30 minutos de tratamento por dia. Wood et al., aplicando os padrões acima referidos, concluíram que, ao fim de 8 semanas de tratamento, 58% das úlceras cicatrizaram na totalidade comparativamente com os 3,1% do grupo controlo, e as restantes úlceras reduziram significativamente de tamanho [51, 59]. A forma de colocação dos elétrodos varia entre a bibliografia, não havendo coerência na sua utilização. Karba et al. comprovaram a eficácia da colocação do elétrodo positivo sobre a ferida e
O Uso de Agentes Físicos no Tratamento das Úlceras de Pressão | DESENVOLVIMENTO 23 o negativo adjacente a este, mas sobre pele não lesada, comparativamente com a colocação de ambos os elétrodos em locais opostos da ferida mas sobre pele intacta (7,4% vs. 4,8% de diminuição do tamanho da ferida por dia com aplicação de corrente direta a 0,6mA, 2 horas por dia) [3, 59]. Uma revisão de Sussman concluiu que a velocidade da taxa de cicatrização aumenta quando o elétrodo negativo é colocado diretamente no leito da ferida, durante os primeiros 3 dias, ou até que a ferida esteja desbridada, seguindo-se a troca dos elétrodos, passando o positivo a permanecer no interior da ferida, até ao fim do tratamento [3]. 3.4.3.2. Corrente pulsada de alta-voltagem A corrente pulsada de alta-voltagem (High-Voltage Pulsed Current – HVPC) é frequentemente utilizada no tratamento das úlceras de pressão II, III e IV. Caracteriza-se por emitir pulsos assimétricos de curta duração, alta intensidade e frequência, permitindo deste modo maior profundidade de penetração da corrente [59, 61]. Quando correntes de alta-voltagem são aplicadas em tecidos moles, tipicamente a voltagem varia entre 100-200V, com uma amplitude de aproximadamente 2,5A, e intensidade que alterna entre 1,5 e 2,0mA. Na aplicação deste tipo de corrente, a frequência dos pulsos varia entre os 100 e os 105 Hz e a sua duração é de 50 a 100 microssegundos [3, 61]. Da análise dos estudos documentados, infere-se que a maioria das sessões terapêuticas é realizada 3 a 7 vezes por semana, por um período de aplicação entre 45 minutos a 4 horas [3, 61, 62]. Ahmad demonstrou que a estimulação por corrente pulsada de alta-voltagem atinge o seu efeito máximo aos 60 minutos. Ao fim de 3 semanas, observaram-se taxas de granulação e diminuição da área de superfície mais significativas nos pacientes que receberam tratamento durante 60 minutos por dia, relativamente aos que efetuaram terapia durante 45 minutos [63]. O tratamento com corrente pulsada de alta-voltagem apresenta resultados eficazes na cicatrização de úlceras recalcitrantes, que persistem entre 8 a 14 meses, na diminuição da área de superfície e volume, e aumento do tecido de granulação [3, 62]. Franek et al. demonstraram que um grupo de úlceras, com média de 4,03 cm², cicatrizou completamente ao fim de 7,3 semanas [61]. Griffin et al. utilizaram HVPC a 200V e 500μA, 1 hora por dia, durante 20 dias, sobre úlceras de pressão III e IV, concluindo que estas diminuíram significativamente de tamanho, uma média de 80% comparada com 50% do grupo controlo, que recebeu falsa estimulação [3].
O Uso de Agentes Físicos no Tratamento das Úlceras de Pressão | DESENVOLVIMENTO 24 Na literatura existe falta de consenso relativamente à colocação de elétrodos e configuração da polaridade, em face da estimulação anodal ou catodal desempenharem papéis distintos no processo de cicatrização. Por essa razão, os diferentes autores recomendam a utilização de uma polaridade específica dependendo da fase de cicatrização, concomitante com a troca dos elétrodos ao longo do tratamento. O método mais utilizado opta inicialmente, e por um período de 2 semanas, pela estimulação catódica, de forma a facilitar a formação de tecido de granulação, seguindo-se o restante tratamento com estimulação anódica, para promover a reepitelização [61]. Baseados na evidência e no aumento da investigação do mecanismo de ação da eletroestimulação, os autores afirmam que a corrente pulsada de alta-voltagem é melhor escolha que a corrente direta. O nível de evidência da bibliografia que sustenta a utilização de HVPC é mais elevado que nos estudos com correntes diretas. Além disso, a HVPC imite um pulso bifásico assimétrico capaz de minimizar os possíveis danos na pele, permitindo simultaneamente atingir maior profundidade de penetração [3]. Vários estudos têm sido desenvolvidos com a finalidade de avaliar o custo-benefício do uso da eletroestimulção como terapia adjuvante biofísica no tratamento das feridas crónicas, concluindo-se que existe vantagem económica na sua utilização [3, 57]. Clegg e Guest estimam que o sistema nacional de saúde britânico pode diminuir as despesas com úlceras de pressão em ₤180 000 000 num período de 4 meses. Resultados semelhantes foram apresentados por Mittmann et al. num estudo canadiano que refere uma poupança anual de cerca de $519,559 por cada úlcera de pressão III ou IV tratada com eletroestimulação e tratamento standard [3]. 3.4.4. Laser de baixa potência O laser (Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation) é uma luz amplificada que apresenta três propriedades únicas: ser monocromática, coerente e colimada. Existem dois tipos de lasers aplicados na medicina - lasers de alta potência, utilizados em procedimentos cirúrgicos; lasers de baixa potência utilizados terapeuticamente devido à sua capacidade de estimulação celular [64].
O Uso de Agentes Físicos no Tratamento das Úlceras de Pressão | DESENVOLVIMENTO 25 O laser de baixa potência, também designado como laser frio, laser soft, fotobioestimulação ou LLLT (Low Level Laser Therapy), começou a ser utilizado, na década de 70, após a descoberta dos seus efeitos durante uma investigação desenvolvida por Endre Mester, na Hungria, e que tinha por objetivo estudar se a radiação laser seria responsável pelo aparecimento de cancro [65]. As principais áreas de aplicação deste tipo de laser são diversas: permite a regeneração de feridas e tecidos; a redução da dor e do edema em múltiplas lesões; a redução da inflamação em doenças crónicas; o alívio da dor neurogénica. A sua janela ótica de atuação, onde a eficácia de penetração nos tecidos é máxima, varia entre os 600 e 950nm [65]. Os lasers a gás, tais como o hélio-néon (HeNe – 635nm) e o arsenieto de gálio (GaAs – 904nm), emitem nessa gama de comprimentos de onda e são comummente utilizados no tratamento de feridas, dor e inflamação [36]. O mecanismo de ação do laser de baixa potência sugere que os fotões emitidos são absorvidos pela mitocôndria, aumentando a produção de ATP em cerca de 150% [65, 66]. O laser é capaz de destruir os complexos que resultam da ação do óxido nítrico (NO) na mitocôndria, mais especificamente no citocromo C oxidase, impedindo aquela de desempenhar o seu papel [67]. A principal fonte de NO no interior das células resulta da síntese de três isoformas: eNOS, nNOS e iNOS. Esta é induzida durante processos inflamatórios ou em situações de pH baixo, como por exemplo na isquemia [68]. Para além do aumento da produção de ATP, mediado pela ativação do citocromo C oxidase, um outro mecanismo pode estar associado, que se traduz por um aumento do oxigénio singleto pelas porfirinas endógenas [65, 69]. A mitocôndria reestabelece, assim, a sua atividade, modulando espécies reativas de oxigénio e induzindo fatores de transcrição, que se efetivam num aumento de ATPase, ativação de cAMP e enzimas, dando início a uma resposta imunológica em cadeia. Essa reação imunológica, caracterizada pelo aumento de fibroblastos, células endoteliais, queratinócitos, mastócitos e macrófagos, é responsável pelo processo de cicatrização. A energia transmitida pelo laser influencia também a permeabilidade celular da membrana da mitocôndria, afetando o Ca²⁺, Na⁺ e K⁺. E para além de acelerar o processo inflamatório, atua na redução da dor, por síntese de endorfina, diminuição de bradicinina e atividade das fibras C [65, 66, 70]. Como precauções principais referem-se os cuidados a ter com os olhos, glândula tiroide, áreas de hemorragia aguda e neoplasias [71]. Vários estudos que abordam a eficácia do uso de laser de baixa potência concluem não haver evidência que justifique o uso deste tipo de terapia no tratamento de úlceras de pressão II, III e IV.
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