Transformação de Carros Especiais e Optimização de Procedimentos de Montagem
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Transformação de carros especiais e otimização de procedimentos de montagem André Luís Miranda da Silva Dissertação do MIEM Orientador na Volkswagen Autoeuropa: Engenheiro Manuel António Dantas Orientador na FEUP: Professor José Ferreira Duarte Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Engenharia Mecânica Junho de 2014
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto ii
Transformação de Carros Especiais e Optimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 1 Resumo Atualmente são muitos os automóveis especiais presentes no nosso dia-a-dia. Desde as forças policiais até à área da saúde e passando por outros sectores, onde a transformação de veículos de acordo com as necessidades específicas de cada área é indispensável. Assim, torna-se importante perceber onde são utilizados e como são feitas estas transformações, incluindo os equipamentos específicos que são montados aquando da alteração destes automóveis. Deste modo, foi feita inicialmente uma classificação dos veículos de acordo com a sua finalidade, de forma a dar a conhecer as modificações executadas em cada um deles. Esta dissertação foi desenvolvida em ambiente empresarial, na Volkswagen Autoeuropa e teve como principal objectivo o acompanhamento da montagem e transformação de carros de série em especiais, táxis e veículos adaptados a pessoas com mobilidade reduzida. Envolveu ainda a análise e atualização de instruções de trabalho e melhoramentos na gestão de stocks. Ao longo dos meses em que este trabalho foi desenvolvido, houve ainda a oportunidade de acompanhar outros projetos, entre os quais, o estudo da introdução dos veículos Sharan e Alhambra na versão táxi adaptados ao mercado português. Foi também possível acompanhar e realizar diversas tarefas ligadas a problemas de montagem e de peças aquando a introdução de novos equipamentos para os carros adaptados a pessoas com mobilidade reduzida. A extensa análise dos procedimentos de transformação possibilitou a implementação de diversas alterações, tanto a nível de processos de montagem como de software, tendo como principal objetivo a redução do tempo despendido nestas tarefas e a diminuição da probabilidade de ocorrência de erros, como por exemplo, no controlo de stocks e monitorização de encomendas. Esta otimização consistiu ainda na criação de novas ferramentas informáticas, que entre outras funções permitem: prever a chegada de encomendas, descontar as quantidades de peças em stock e calcular automaticamente o nível de reaprovisionamento de componentes. As alterações implementadas permitiram que o tempo levado para fazer o planeamento e controlo de stocks e da oficina diminuísse para um terço do inicial. Assim sendo, o controlo das tarefas envolvidas desde o planeamento do automóvel até este se encontrar finalizado torna-se mais fácil, rápido e efetivo.
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 2 Abstract Nowadays, there is a vast variety of special vehicles easily observable on our daily basis. It ranges from police to health cars passing through a great diversity of several other sectors where the transformation according to their specific needs became indispensable. Consequently, it is important to realize where they are used and how these changes are developed; including the specific equipment required for the modification of these cars. As a starting point, a classification of vehicles according to their purpose was carried out, in order to be aware of the changes implemented in each. This dissertation was developed in a business environment, at the Volkswagen Autoeuropa having as main objective the assembly and process monitoring in special cars series, taxis and vehicles adapted to people with reduced mobility. It also involved the analysis and update of the work instructions and the improvements in inventory management. Over the time this research took place, there was also the opportunity to follow other projects, including the study of the introduction of the Sharan and Alhambra taxi vehicles adapted to the Portuguese market. It was also possible to monitor and carry out various tasks related to problems of assembly and components when introducing new equipment for cars adapted for people with reduced mobility. The extensive analysis of the transformation procedures enabled the implementation of several changes, both in terms of assembly processes and software. Therefore, reducing the time spent on these tasks and decreasing the likelihood of errors, such as inventory control and monitoring orders, became the main goal in many procedures. Moreover, this optimization allowed the development of new software tools, which among other functions enabled: predict the orders´ arrival, keep constant record of the exact quantities available in stock and automatically deduce the level of replenishment of components. The modifications introduced enabled that the time taken for the car planning, control of the stocks and manufacture suffered a reduction to a third of the initial. Thereby, the control of the tasks involved from planning the car until it has been finalized becomes easier, faster and moreover, more effective as well as efficient.
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 3 Agradecimentos Os meus agradecimentos à Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto pelas Excelentes condições de que usufrui ao longo do curso e pela manutenção de um projeto que me permitiu desenvolver muitas competências ao longo de quatro anos, o troféu Challenge Desafio Único, onde conheci pessoas extraordinárias às quais deixo aqui o meu muito obrigado pelo companheirismo demonstrado e pelos momentos inesquecíveis, de entre as quais, o Professor José Manuel Ferreira Duarte, que com o seu esforço, dedicação e paciência tornou tudo isto possível, tendo um contributo muito importante no meu percurso. Ao Professor Manuel Pina Marques pelo esclarecimento de todas as dúvidas que lhe fui colocando ao longo da dissertação. Ao Professor José Manuel Ferreira Duarte, enquanto meu orientador, pela disponibilidade e ajuda demonstradas durante a realização deste trabalho. À Volkswagen Autoeuropa e aos meus colegas pela boa disposição, pelas muitas experiências partilhadas e conhecimento transmitido. Ao meu tutor, Engenheiro Manuel António Dantas, por toda a disponibilidade e apoio demonstrados ao longo destes meses e ao Engenheiro e chefe, Luís Coelho, pela ajuda e por ter acreditado nas minhas capacidades para desenvolver este projeto. Aos colegas da secção de KDW da Autoeuropa por toda a ajuda, paciência e boa disposição que sempre demonstraram. Aos meus amigos que estiveram sempre ao meu lado, pelos momentos passados, entreajuda e verdadeira amizade demonstrada ao longo deste percurso e em especial ao Márcio Quintela, Francisco Duarte e Inês Fontoura pela ajuda neste trabalho. À minha família, tios, primos e em especial ao meu avô e namorada, que sempre me apoiaram. Aos meus pais, por acreditarem em mim, por terem lutado ao longo da vida para conseguir criar todas as condições necessárias para o meu sucesso e a quem devo tudo aquilo que sou. O meu mais sincero obrigado a todos.
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 4 Lista de abreviaturas e siglas 0SNull-Serie (Série zero) ABCIAmbulância de Cuidados Intensivos ABSCAmbulância de Socorro ABSCAmbulância de Socorro ABTDAmbulância de Transporte de Doentes ABTMAmbulância de Transporte Múltiplo CPCheck Point IMTTInstituto da Mobilidade e Transportes Terrestres INEMInstituto Nacional de Emergência Médica JITjust in time KDWKundendienst-Werkstatt Sonderfahrzeugbau (Centro de preparação de carros especiais) MEMarkteinführungsvolumen (Volume de introdução no mercado) MPVMulti Purpose Vehicle NPCNew Parts Control (Controlo de novas peças) PVSProduktions-Versuchs-Serie (Série experimental de produção) SAVSuporte Avançado de Vida SBVSuporte Básico de Vida SOPStart of Production (Início da produção) VE001Veículo com Escada Giratória VFCIVeículo Florestal de Combate a Incêndios VFFVorserien-Freigabe-Fahrzeuge (Veículos aprovados de séries anteriores) VLCIVeículo Ligeiro de Combate a Incêndios VMERViatura Médica de Emergência e Reanimação VSAEVeículo de Socorro e Assistência Especial VSAMVeículo de Socorro e Assistência Médica VSATVeículo de Socorro e Assistência Táctico VTTRVeículo Tanque Táctico Rural VTTUVeículo Tanque Táctico Urbano VUCIVeículo Urbano de Combate a Incêndios
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 5 Índice 1. Introdução ........................................................................................................................... 10 1.1. Apresentação da empresa .......................................................................................... 11 1.1.1. Organização ......................................................................................................... 14 2. Automóveis modificados ..................................................................................................... 16 2.1. Interesse Público ......................................................................................................... 17 2.1.1. Segurança/Socorro .............................................................................................. 17 2.1.2. Transportes públicos ........................................................................................... 25 2.1.3. Carros de instrução ............................................................................................. 26 2.1.4. Unidades móveis ................................................................................................. 27 2.1.5. Fins profissionais ................................................................................................. 28 2.2. Lazer ............................................................................................................................ 31 2.2.1. Habitáveis ............................................................................................................ 31 2.2.2. Carros de particulares ......................................................................................... 33 2.2.3. Desporto automóvel ........................................................................................... 36 2.3. Resumo ........................................................................................................................ 38 3. Trabalho desenvolvido na empresa .................................................................................... 39 3.1. Da recepção do pedido até ao carro final ................................................................... 39 3.1.1. Planeamento ....................................................................................................... 43 3.1.2. Controlo de stocks ............................................................................................... 47 3.1.3. Encomendas ........................................................................................................ 49 3.1.4. Cálculo dos níveis de reaprovisionamento ......................................................... 51 3.1.5. Controlo de oficina .............................................................................................. 53 3.1.6. Contabilização e validação das horas de trabalho .............................................. 56 3.1.7. Resumo ................................................................................................................ 57 3.2. Carros Especiais ........................................................................................................... 59
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 6 3.2.1. Opções disponíveis .............................................................................................. 59 3.2.2. Organização das folhas de processo ................................................................... 65 3.2.3. Alterações propostas ........................................................................................... 66 3.2.4. Monitorização dos tempos de montagem .......................................................... 70 3.2.5. Acompanhamento de outros projetos ................................................................ 71 3.2.6. Resumo ................................................................................................................ 72 4. Conclusões e Trabalhos Futuros.......................................................................................... 73 5. Referências e Bibliografia .................................................................................................... 75 6. Anexo A ............................................................................................................................... 78 7. Anexo B ............................................................................................................................... 80 8. Anexo C................................................................................................................................ 81 9. Anexo D ............................................................................................................................... 85 10. Anexo E ............................................................................................................................ 89 11. Anexo F ............................................................................................................................ 90 12. Anexo G ........................................................................................................................... 91 13. Anexo H ........................................................................................................................... 95 14. Anexo I ............................................................................................................................. 98 15. Anexo J .......................................................................................................................... 117 16. Anexo K .......................................................................................................................... 119
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 7 Lista de imagens Imagem 1: Vista aérea da Volkswagen Autoeuropa [1] .............................................................. 11 Imagem 2: Viatura do corpo de intervenção da PSP [4] ............................................................. 18 Imagem 3: Viatura de patrulha da PSP [5] .................................................................................. 18 Imagem 4: VLCI de Bragança [7] ................................................................................................. 19 Imagem 5: VFCI de Bragança [7] ................................................................................................. 19 Imagem 6: VUCI de Caldas da Rainha [7] .................................................................................... 20 Imagem 7: VTTU de Constância [7] ............................................................................................. 20 Imagem 8: VSAE de Famalicão [7] ............................................................................................... 20 Imagem 9: VTTR de Vila Real de Santo António [7] .................................................................... 20 Imagem 10: VSAT de Bragança [7] .............................................................................................. 20 Imagem 11: ABSC de Valongo [7] ................................................................................................ 20 Imagem 12: VE001 de Alcabideche [8] ....................................................................................... 21 Imagem 13: Ambulância INEM [11] ............................................................................................ 22 Imagem 14: Interior de uma ambulância [5] .............................................................................. 22 Imagem 15: ABTM [5] ................................................................................................................. 23 Imagem 16: VMER do INEM [11] ................................................................................................. 23 Imagem 17: Interior de um veículo ligeiro de emergência médica [5] ....................................... 23 Imagem 18: Interior de uma ambulância para fins militares [5]................................................. 24 Imagem 19: Ambulância militarizada [5] .................................................................................... 24 Imagem 20: Volkswagen Sharan Táxi [2] .................................................................................... 25 Imagem 21: Interior de um carro de escola de condução [12] ................................................... 26 Imagem 22: Biblioteca móvel [5] ................................................................................................ 27 Imagem 23: Consultório móvel [5] .............................................................................................. 27 Imagem 24: Veículo para transporte de alimentos [14] ............................................................. 28 Imagem 25: Automóvel de assistência da Brisa [15] .................................................................. 29 Imagem 26: Veículo de propaganda da Redbull [16] .................................................................. 30 Imagem 27: Autovivenda [17] ..................................................................................................... 31 Imagem 28: Autocaravana capucino [18] ................................................................................... 31 Imagem 29: Autocaravana perfilada [19] ................................................................................... 32 Imagem 30: Autocaravana integral [20]...................................................................................... 32 Imagem 31: Banco giratório e elevatório [22] ............................................................................ 34 Imagem 32: Volante com pega [22] ............................................................................................ 34 Imagem 33: Acelerador e travão de mão [22] ............................................................................ 34
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 14 1.1.1. Organização A Volkswagen Autoeuropa está dividida em diversos departamentos, como se pode ver no Diagrama 1. Esta dissertação foi desenvolvida na área de planeamento, mais especificamente na secção de gestão do produto onde se encontra inserida a KDW (Kundendienst-Werkstatt Sonderfahrzeugbau, centro de preparação de carros especiais). O desenvolvimento de produto e os processos de montagem são executados em parceria com a Volkswagen R, sediada em Wolfsburg (Alemanha). 1.1.1.1. Gestão do produto A gestão do produto tem como principal função gerir todas as mudanças que vão sendo feitas ao longo da vida de um modelo, como por exemplo, séries limitadas e pedidos especiais por parte dos clientes. Além disto esta equipa tem como objectivo o estudo de todas as alterações e novos procedimentos que são necessários introduzir antes de ser iniciada a produção de um novo automóvel. Deste modo, existem procedimentos pré-definidos pela marca que devem ser seguidos. Existe um planeamento ao longo do tempo no qual estão Diagrama 1: Organização da Volkswagen Autoeuropa [2]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 15 sequenciadas todas as etapas deste processo. É a partir da fase designada VFF, no Diagrama 2, que é iniciado o trabalho na fábrica, por este motivo só serão detalhadas as etapas daí em diante. Estas fases são: VFF-Veículos aprovados de séries anteriores: averiguar se podem ser utilizados os sistemas e processos de fabrico de modelos que se encontrem já a ser produzidos. Estudo e apresentação de custos, capacidades e prazos. PVS-Série experimental de produção: confirmação dos processos e dispositivos de produção. 0SSérie zero: simulação da construção em série do novo automóvel. SOPInício da produção: Entrada do novo modelo na linha de produção com um volume ainda reduzido. MEVolume de introdução no mercado: são construídas diversas unidades que vão ser distribuídas pelos concessionários de modo a serem apresentadas aos clientes. Depois de decorridas estas fases os automóveis encontram-se prontos para serem produzidos em grande série. [1] ... VFF PVS 0S SOP ME Diagrama 2: Fases para introdução de um novo produto
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 16 2. Automóveis modificados Entende-se por automóvel modificado, todo o veículo que resulta da adaptação e alteração de outro produzido em série, independentemente do seu fim e dos processos utilizados na sua transformação. Ou da utilização da plataforma de outro e produção sobre esta do novo veículo. Nos dias de hoje são muitos e diversos os tipos de modificações a que os diferentes grupos de automóveis podem ser sujeitos de modo a cumprir com os objetivos estabelecidos para a sua utilização particular. Como tal e para facilitar a abordagem ao assunto, estes automóveis foram classificados e separados em dois grandes grupos, são eles: os de interesse público e os de lazer e outros. Esta classificação pode ser vista de seguida mais em detalhe e encontra-se esquematizada, embora não exaustivamente, no Diagrama 3. É importante referir que a produção destes automóveis resulta de um pedido especial por parte do cliente ou do organismo que o vai utilizar. Por isso, o mesmo tipo de veículo modificado poderá não ter sempre o mesmo tipo de equipamento. Ao longo deste capítulo (2) vai ser apresentada a generalidade dos casos e algumas situações concretas que foram encontradas. Segurança / Socorro •Ambulâncias •Polícia •Bombeiros Transportes públicos Carros de instrução Unidades móveis Fins profissionais Transporte de mercadorias Assistência/Manutenção Outros Interesse Público Habitáveis •Autovivendas •Capucinos •Perfiladas •Integrais Carros particulares •Desempenho •Estético • Pessoas com deficiência Desporto automóvel Lazer e outros Diagrama 3: Grupos de carros especiais
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 17 2.1. Interesse Público O primeiro grande grupo a ser abordado é o de interesse público, neste encontram-se importantes tipos de automóveis para as diferentes situações que podem surgir no dia-a-dia e que podem ser úteis para as pessoas em geral. Uns dos veículos mais importantes são os de segurança e socorro, dentro destes estão as ambulâncias, os carros e camiões de bombeiros e da proteção civil e os diversos carros da polícia, como carros de patrulha, de intervenção e transporte de presos. 2.1.1. Segurança/Socorro 2.1.1.1. Polícia São de diferentes tipos os veículos que as forças de policiamento possuem, consoante o objetivo da sua utilização. Existem veículos para transporte de prisioneiros, de intervenção e de patrulha/policiamento. Comuns a estes veículos são os sistemas de comunicação e de sinalização de emergência sonora e luminosa que os equipam, esta é uma característica bastante importante para qualquer tipo de uso referido anteriormente. Relativamente aos veículos de transporte de presos, tanto são utilizados carros ligeiros, quando o número de pessoas a transportar é reduzido, como furgões, quando este número é superior. Neste tipo de automóveis, as principais modificações têm que ver com proteções utilizadas para conseguir conter no seu interior os prisioneiros, bem como assegurar que estes se encontram deviamente isolados dos polícias aí presentes. Nos destinados ao transporte de maior número de pessoas são utilizados automóveis sem vidros na célula traseira (destinada aos presos) e são por vezes, instaladas câmaras para monitorizar o seu comportamento. Quanto aos carros de intervenção, são geralmente furgões, mas nos quais se encontram montados bancos para o transporte de polícias na parte posterior. Estes são dotados de grelhas de proteção quer para o para-brisas, bem como todos os faróis e farolins, como se pode ver na imagem 2.
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 18 Os carros utilizados no patrulhamento e policiamento, são carros ligeiros como os da imagem 3, normalmente equipados com GPS e com todo um leque de aparelhos que permite o devido exercício das suas funções, tais como: radares de velocidade, computadores, câmaras, entre outros. 2.1.1.2. Bombeiros Estes veículos são de extrema importância, uma vez que permitem a resolução de situações extremas, envolvendo o salvamento de vidas e de bens materiais. Deste modo, é necessário haver meios que consigam responder às mais diversas situações independentemente do local onde ocorram. Assim, existem veículos preparados para ambiente urbano, rural e florestal, sendo que as principais diferenças, nestes casos, se prendem com a altura ao solo, tipo de pneus utilizados e colocação de proteções nas zonas mais susceptíveis a danos, como faróis, vidros e a parte frontal destes. Seguidamente serão apresentados estes veículos de acordo com as designações dadas no nosso país e tendo em conta a nossa legislação. Como todos os carros especiais, estes também têm que obedecer a regras previstas na lei, tanto a nível de equipamento mínimo, como a nível de características mecânicas, estruturais, entre outras. Assim, existem no Despacho n.º 3974/2013 ([6]) diversos grupos que definem convenientemente os diferentes veículos de acordo com o seu tipo, funcionalidade e características. Imagem 2: Viatura do corpo de intervenção da PSP [4] Imagem 3: Viatura de patrulha da PSP [5]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 19 Os veículos de bombeiros em função do fim a que se destinam e do equipamento que possuem podem ser classificados em: a) Veículos de Combate a Incêndios; b) Veículos com Meios Elevatórios; c) Veículos de Socorro e Assistência Técnica; d) Veículos de Socorro e Assistência a Doentes; e) Veículos de Posto de Comando; f) Veículos de Proteção; g) Veículos de Transporte de Pessoal; h) Veículos de Apoio Logístico; i) Veículo Motorizados Específicos. De seguida são apresentados diversos tipos de veículos dos bombeiros, que pertencem a diferentes grupos dos referidos anteriormente. Veículo ligeiro de combate a incêndios (VLCI – grupo a; imagem 4) Veículo florestal de combate a incêndios (VFCI – grupo a; imagem 5) Imagem 4: VLCI de Bragança [7] Imagem 5: VFCI de Bragança [7]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 20 Veículo urbano de combate a incêndios (VUCI – grupo a; imagem 6) Veículo tanque táctico urbano (VTTU – grupo b; imagem 7) Veículo tanque táctico rural (VTTR – grupo b; imagem 8) Veículo de socorro e assistência especial (VSAE – grupo d; imagem 9) Veículo de socorro e assistência táctico (VSAT– grupo d; imagem 10) Ambulância de socorro (ABSC– grupo i; imagem 11) Imagem 6: VUCI de Caldas da Rainha [7] Imagem 8: VTTR de Vila Real de Santo António [7] Imagem 11: ABSC de Valongo [7] Imagem 10: VSAT de Bragança [7] Imagem 7: VTTU de Constância [7] Imagem 9: VSAE de Famalicão [7]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 21 Estes veículos, tal como sugerem os nomes, têm diferentes finalidades e configurações. Tanto podem resultar da modificação de carros ligeiros, como furgões ou até mesmo camiões, como se pode ver pelas nas imagens anteriores. Além dos meios apresentados anteriormente, existem outros, também de extrema importância, exemplo disso são os veículos com escada giratória (VE001 – grupo b) presente na Imagem 12. As especificações deste tipo de veículos podem ser consultadas no Anexo B, de acordo com as opções oferecidas pela empresa Jacinto Lda. 2.1.1.3. Ambulâncias Ambulâncias são veículos que devido às suas características, equipamento e tripulação, permitem a estabilização e/ou transporte de doentes. Para este fim tanto, a nível terrestre, são utilizados veículos motorizados de duas rodas (não abordados aqui) bem como alguns tipos de automóveis, desde carros ligeiros para uma intervenção mais rápida e superficial até furgões onde existem os mais diferentes equipamentos médicos. Estas pertencem, normalmente, a um corpo de bombeiros ou ao INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica). Existem diversas espécies de ambulâncias, sendo diferenciadas pelo fim a que se destinam e equipamentos de que dispõem. De acordo com o Despacho n.º 21638/2009 ([9]) estes veículos podem ser divididos em cinco tipos, destinados a diferentes fins, resumidamente, são estes: Imagem 12: VE001 de Alcabideche [8]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 22 ABTD - Ambulância de Transportes de Doentes (transporte de até dois doentes); ABTM - Ambulância de transporte múltiplo (transporte de até sete doentes); ABSC - Ambulância de Socorro (transporte e aplicação de medidas Suporte Básico de Vida - SBV); ABCI – Ambulância de Cuidados Intensivos (transporte e aplicação de medidas Suporte Avançado de Vida - SAV); VSAM – Veículo de Socorro e Assistência Médica (aplicação de medidas de SAV). Neste mesmo Despacho e em conjunto com o nº 11535/2010 são definidas todas as caraterísticas destes veículos, desde o equipamento mínimo de que devem dispor até ao seu aspecto exterior. O licenciamento das ambulâncias é assegurado pelo IMTT (Instituto da Mobilidade e Transportes Terrestres) em conjunto com o INEM, onde são realizadas vistorias e emitidos os respetivos certificados. As ABTD, ABSC e ABCI têm um aspecto semelhante, que pode ser visto nas imagens 11 ou 13. Estas são feitas a partir de furgões e são as que possuem mais equipamento. Tal como seria de esperar, estes veículos são alterados de modo a terem um bom isolamento térmico e acústico e a sua estrutura é devidamente reforçada, onde, posteriormente são colocados armários nos quais se guardam os mais diversos objetos. Estes meios são normalmente equipados com lavatório, maca e dentro da célula existem diversos tipos de iluminação para os diferentes procedimentos que aí possam ocorrer. Dispõem normalmente de dois circuitos elétricos, um a 12V e outro a 230V. Além disto possuem um circuito de oxigénio que tanto pode ser utilizado no interior ou no exterior. Igualmente muito importante, são os sistemas de sinalização de marcha de emergência sonora Imagem 13: Ambulância INEM [11] Imagem 14: Interior de uma ambulância [5]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 23 e luminoso e de comunicação do cockpit tanto para a célula traseira, como para a central de comunicações. Além disto são dotadas de equipamentos médicos específicos dependendo do fim a que se destinam. Também resultantes do mesmo tipo de automóveis são as ABTM. Nestas as principais modificações são os diferentes tipos de apoios, como barras e pegas na entrada e nos assentos, os encaixes para cadeiras de rodas, assim como rampas para facilitar a entrada de doentes, tal como se pode observar na Imagem 15. Normalmente, estas são ainda revestidas por materiais que são facilmente laváveis e desinfectáveis e, ainda, resistentes ao fogo. Em termos de exterior, estas não possuem os habituais sistemas de sinalização de emergência, mas são devidamente identificadas utilizando autocolante em vinil. [5] As viaturas médicas de emergência e reanimação (VMER), um tipo de VSAM, resultam da transformação de veículos ligeiros, como o da imagem 16. Estas permitem uma primeira abordagem mais rápida às situações de emergência. Embora não possuam tanto espaço como no caso anterior, os VMER conseguem transportar diferentes equipamentos médicos (imagem 17). Além disto são dotados de sistema de iluminação na parte traseira, tomadas para ligar equipamentos, redes para guardar objetos (que substituem os armários, devido ao espaço mais reduzido) e sistemas de sinalização de emergência sonoro e luminoso. Imagem 16: VMER do INEM [11] Imagem 15: ABTM [5] Imagem 17: Interior de um veículo ligeiro de emergência médica [5]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 30 2.1.5.3. Outros Nesta secção encontram-se automóveis para diversos fins, tais como, para transporte de animais, de venda ambulante, carros de frota e fúnebres. Os primeiros são geralmente camiões ou furgões com respiros e equipados com jaulas de diferentes tamanhos, dependendo dos animais a transportar. Os carros de venda ambulante são no geral, veículos com bastante arrumação e uma das laterais é tapada por uma porta a todo o comprimento que pode ser levantada, servindo de balcão. Dependendo do fim a que se destinam podem ter equipamentos específicos, como por exemplo, arcas frigoríficas. Um outro tipo de carros que resultam de modificações de outros, são os fúnebres e os carros de frota e publicidade a empresas, como se pode ver na Imagem 26. Os quais são passíveis de sofrer as mais diversas transformações de acordo com o pretendido pelo cliente. Imagem 26: Veículo de propaganda da Redbull [16]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 31 2.2. Lazer Nesta secção são versados os veículos que têm como objectivo algum tipo de atividade de lazer ou gosto em específico, desde o simples carro particular que é melhorado em termos de desempenho até às autocaravanas. 2.2.1. Habitáveis Este é um grupo de veículos modificados bastante distinto, é normalmente usado para férias, pois permite que se viaje com uma grande autonomia e conforto sem ter algumas preocupações inerentes a estas deslocações, como por exemplo, a falta de espaço e a necessidade de marcação de locais para dormida. Este grupo é geralmente dividido em: Autovivendas, normalmente é dado este nome às autocaravanas que são construídas tendo como base um furgão já existente e que é modificado, apresentando, portanto, uma forma e estrutura exterior final igual ao veículo inicial, o que representa uma grande vantagem em termos de aerodinâmica e consequentemente de consumos também, pode ser vista uma autovivenda na imagem 27; Capucinos, são as autocaravanas que apresentam em cima da cabine do condutor uma parte em fibra que permite manter uma cama permanentemente pronta a utilizar, tal como se pode ver na imagem 28; Imagem 27: Autovivenda [17] Imagem 28: Autocaravana capucino [18]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 32 Perfiladas, são semelhantes às anteriores, embora com melhorias em termos aerodinâmicos, uma vez que são colocados perfis de fibra no prolongamento da cabine do condutor (imagem 29); Integrais (imagem 30), são normalmente maiores do que as dos outros tipos, oferecendo assim muito mais soluções em termos de espaço e lugares de dormida. Caracterizam-se por resultaram da construção de uma estrutura inteiriça que é colocado sobre um chassi de um veículo já existente, conseguindo assim que esta tenha uma altura constante e que a cabine do condutor faça parte da zona habitável; As autovivendas são o tipo que mais interessa abordar aqui tendo em conta que são as que realmente resultam da transformação de um veículo feito em série, mas com outro propósito. É importante referir, que nestes veículos a sua configuração depende muito da vontade e ideias do seu dono e são muitas as alterações que podem ser feitas, como tal, vão ser dados apenas alguns exemplos das modificações mais comuns encontradas neste tipo de veículos. Estes têm geralmente um sofá que pode ser convertido em cama para permitir poupar espaço. Neste tipo de veículos é normal existir um espaço destinado à cozinha, com banca, fogão e armários. Assim, é fundamental existir um circuito de gás, que já se encontra acoplado ao fogão, um de água, tanto para uso da cozinha como da casa de banho (se existir) e é normal a existência de dois circuitos eléctricos, um a 12V e outro a 230V para se conseguir utilizar os aparelhos e equipamentos do dia-a-dia. Comum é também a colocação de suportes exteriores de maneira a aumentar a sua capacidade de transporte, como por exemplo, levando bicicletas. [21] Imagem 29: Autocaravana perfilada [19] Imagem 30: Autocaravana integral [20]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 33 2.2.2. Carros de particulares Aqui são abordados os automóveis que têm como finalidade satisfazer o gosto ou necessidades específicas do seu dono e resultam na modificação de um veículo existente. 2.2.2.1. Melhoria de desempenho Existem a circular diversos carros que não se encontram de origem, ou seja, foram modificados, em busca de um aumento de performance. São várias as alterações que se podem fazer, normalmente e quando não são muito profundas, o mais comum é ser feito um ajuste na electrónica do carro conseguindo assim debitar mais potência e binário melhorando a experiência de condução. Podem também ser modificados os sistemas de suspensão e travagem para os ajustar às novas características dos automóveis. Em casos mais extremos são modificados ou substituídos órgãos auxiliares ou do motor. Algumas destas modificações são muitas vezes realizadas sem o devido conhecimento e o que acontece é um decréscimo significativo na fiabilidade dos automóveis. 2.2.2.2. Alterações estéticas As modificações relativas a este aspecto são geralmente conhecidas como tunning. São normalmente feitas por pessoas que não têm como principal objectivo o aumento de desempenho do carro, mas sim, o aspecto e os equipamentos elétricos e electrónicos. Exemplo disto são aparelhagens de som e sistemas de televisão. Além destes, os componentes que são geralmente modificados são os para-choques, apoios aerodinâmicos, jantes e pneus e sistemas de suspensão e travagem. 2.2.2.3. Carros adaptados para pessoas portadoras de deficiência Hoje em dia, não é comum as marcas onde são comprados os carros efetuarem a adaptação deste tipo de veículos. O mais frequente é as próprias marcas terem acordos feitos com empresas exteriores para assim serem providenciados os serviços inerentes a estas alterações.
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 34 Dependendo do fornecedor do serviço, os equipamentos oferecidos são diferentes, apesar de acabarem por se assemelharem. Nesta secção serão apresentadas soluções oferecidas pela Toyota, uma vez que posteriormente serão apresentadas e aprofundadas as oferecidas pela Volkswagen. Deste modo, pode comprovar-se a semelhança entre alguns equipamentos oferecidos. De seguida apresentam-se algumas das soluções existentes: Banco giratório e/ou elevatório (Imagem 31) Pegas para o volante (Imagem 32) Acelerador e travão de mão (imagem 33) Imagem 31: Banco giratório e elevatório [22] Imagem 32: Volante com pega [22] Imagem 33: Acelerador e travão de mão [22]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 35 Compartimentos para a cadeira de rodas (Imagem 34) Imagem 34: Solução para transportar cadeira de rodas [22]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 36 2.2.3. Desporto automóvel Desde os finais do século XIX, o desejo por competição, velocidade e proximidade dos limites levaram à criação do desporto automóvel. Hoje em dia são muitas as competições existentes, desde Karts até à famosa Fórmula 1. No entanto interessa abordar as que têm como base carros de estrada, feitos em série, que são posteriormente modificados. São alguns os troféus monomarca, em que são utilizados carros de estrada e são feitas posteriormente modificações definidas por um regulamento da prova. Exemplo disto é a Scirocco R-Cup, cujos carros modificados eram saídos diretamente da linha de produção e transformados na Autoeuropa, mais concretamente na secção especializada em carros especiais, ou seja, ainda dentro da fábrica. Estes podem ser vistos Imagem 35. Nestes automóveis é conseguida uma enorme redução de peso através da remoção de equipamentos que não sejam essenciais para o seu funcionamento. Em termos de segurança, estes são dotados de uma estrutura colocada no seu interior calculada e feita especificamente para este modelo conferindo-lhe assim uma maior rigidez e segurança. Outro destes exemplos e desta vez nacional é o troféu organizado pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, o Challenge Desafio Único. Este caracteriza-se por ser, também, uma competição monomarca, constituída no momento por duas categorias, uma de Fiat Punto 85s (presentes na Imagem 36) e outra de Alfa Romeo 156. Este caso é semelhante ao anterior, embora os carros utilizados não sejam novos, uma vez que a filosofia desta competição é ser de baixo custo. As modificações que os carros sofrem, são principalmente ao Imagem 35: Sciroccos R do troféu Scirocco R-Cup [23]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 37 nível dos sistemas de suspensão, de admissão de ar e de segurança. Sendo que é retirado tudo aos carros de origem que não seja necessário para o seu funcionamento, como por exemplo, os forros das portas e mala, rádio, bancos e são ainda substituídos todos os vidros, menos o para-brisas, por policarbonato. Com isto, consegue-se uma enorme redução de peso o que com a ajuda das suspensões estudadas especificamente para os carros em questão, aumenta em muito o desempenho destes em pista, sendo atualmente na opinião de muitos o troféu mais competitivo de Portugal. Imagem 36: Automóveis do Troféu Challenge Desafio Único no circuito de Portimão em 2013 [Fotografia cedida por NunOrganista]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 38 2.3. Resumo São diversos os veículos que resultam da modificação de outros que são feitos em série. Estas transformações são feitas tendo diversos objetivos, alguns deles bastante importantes para o nosso dia-a-dia. Exemplo disso são as ambulâncias, carros das forças de segurança e até transporte de doentes. Outros resultam apenas de paixões e necessidades específicas de cada um. Como os automóveis adaptados a pessoas com mobilidade reduzida, os que são alterados com o objetivo do aumento do seu desempenho, alguns troféus do desporto automóvel e ainda as autocaravanas que permitem obter uma mobilidade e independência elevadas, sendo considerado por muitos um estilo de vida.
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 39 3. Trabalho desenvolvido na empresa Neste capítulo vai ser apresentado o trabalho que foi desenvolvido na Autoeuropa ao longo da dissertação. Este iniciou-se pela observação e compreensão de diversos procedimentos das respectivas áreas, desde a gestão de stocks e dos pedidos até à transformação dos automóveis. Posteriormente passou-se à sua análise e por último, quando necessário, foram implementadas melhorias. De seguida será feita uma introdução aos diversos temas que foram abordados e às alterações realizadas, assim como, os novos procedimentos que foram adoptados. 3.1. Da recepção do pedido até ao carro final Neste ponto vão ser apresentados e explicados os passos desde a encomenda até à entrega para o concessionário, passando pelo seu planeamento, produção e gestão de stocks. Como todos os outros, este tipo de automóveis só é produzido quando existe um cliente final. As ordens são recebidas na área da logística da Autoeuropa e com o recurso a sistemas informáticos específicos são depois encaminhadas para a equipa responsável da KDW. Aqui, os pedidos chegam quatro semanas antes da data de produção em série do carro. Quando a encomenda chega à KDW são conhecidos os equipamentos a montar no carro em questão. Assim, é feito o planeamento e inserida na base de dados interna a informação necessária. Esta é constituída por diversas folhas de registo elaboradas com base no software Excel. De um modo geral, estas folhas permitem o controlo dos stocks do material, o registo dos dados de todas as encomendas e informação sobre os carros planeados ou feitos, consegue-se ainda, o controlo de oficina, fazendo os cálculos para contabilização das horas de trabalho. Paralelamente existe também o recurso a sistemas informáticos específicos da Volkswagen que facilitam este processo. Deste modo são geridos todos os recursos que são necessários para a transformação do automóvel. Depois de dada a ordem de produção e finalizado o processo em linha, com as respetivas alterações (referidas no parágrafo seguinte), os carros são encaminhados para a área de KDW (centro de preparação de carros especiais, Imagem 37) para dar continuidade à sua adaptação. Na oficina têm lugar todos os procedimentos de transformação e montagem dos equipamentos.
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 46 perceber de uma forma imediata a proporção com que cada pacote é utilizado relativamente ao total. Constituindo um primeiro ponto de partida na quantidade a encomendar de cada peça, uma vez que se um pacote for utilizado esporadicamente não faz sentido armazenar em grande quantidade as peças que o constituem. Com as alterações introduzidas para o planeamento do mesmo número de carros e com os mesmos equipamentos conseguiu-se uma poupança de mais de metade do tempo. Ou seja, para um caso específico de cinco carros o que antes levava 6 minutos a fazer, é agora feito em 2 minutos e 40 segundos. Este valor pode aumentar ou diminuir, dependendo do número de carros e do equipamento que é montado em cada um deles, visto que há equipamentos com mais de 30 componentes, enquanto que outros têm apenas 1. Para além da poupança de tempo que estas alterações permitiram, é agora muito menos provável a ocorrência de enganos, evitando falhas que possam existir. Imagem 41: Gráfico com saída dos diferentes equipamentos num total de 2232 14,91% 5,61% 4,56% 11,66% 5,39% 6,27% 9,69% 24,55% 2,81% 14,47% Lanterna Táxi Taxímetro no espelho Preparação para taxímetro no espelho Antena Consola Uma chave extra Alteração para taxímetro Hale Equipamento base Taxímetro Hale Outros
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 47 3.1.2. Controlo de stocks Após o planeamento é necessário averiguar se existem em stock as quantidades necessárias que assegurem a montagem de todos os equipamentos. Se existirem, essas peças ficam reservadas para o carro em questão e são descontadas às peças disponíveis em armazém, ou seja, como de um stock virtual se tratasse. Caso contrário, é necessário fazer encomendas, efetuando os devidos registos, e aguardar que estas cheguem. Admitindo que todo o material necessário para a transformação e o automóvel se encontram já na oficina é necessário fazer o picking. Picking é o termo utilizado para ação de organizar e colocar todas as peças que vão ser utilizadas no carro numa caixa própria para o efeito, evitando assim que o operador tenha que se deslocar ao armazém à medida que vai sendo feito o trabalho de transformação. Nesta etapa é muito importante ser feito o registo dos materiais que foram efetivamente retirados do armazém e que, portanto, deram saída do stock físico, conseguindo ter assim um controlo preciso das quantidades armazenadas. Assim sendo, foram feitas diversas alterações aos ficheiros que eram anteriormente utilizados. Estas mudanças traduzem-se numa grande poupança de tempo e trabalho e permitem diminuir a ocorrência de erros. De seguida vai ser apresentado o ficheiro depois de alterado. 3.1.2.1. Após alterações Tendo em conta os aspectos em cima relatados foram feitas e implementadas algumas melhorias, tendo sempre o cuidado de não fazer grandes alterações a nível de aspecto e organização dos conteúdos de forma a facilitar, para o operador, a transição entre os dois ficheiros. A principal diferença prende-se com o facto de agora não ser necessário fazer o desconto manual das peças. Foi criado um botão, assinalado a vermelho na Imagem 42, com um código associado em Visual Basic (presente no Anexo C), que é sensível à variação das quantidades resultantes da contagem automática que é feita na folha do planeamento (explicada anteriormente). Assim, atualmente apenas é necessário carregar nesse botão, respondendo às caixas de perguntas que surgem (como explicado no Anexo D) para que os stocks virtual e físico sejam automaticamente atualizados para todas as peças. Além disto, foi criada uma folha que permite o registo de peças que foram inutilizadas, ou seja, que constituem sucata e a causa disso, como explicado no Anexo D.
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 48 Além disto, foram também criados avisos visuais, através de cores, que permitem detetar mais facilmente quando o stock se aproxima ou baixa do nível de reaprovisionamento, como assinalado na Imagem 42 a verde. Tornando assim mais fácil e imediato perceber quando deve ser feita uma nova encomenda. Foi ainda acrescentada uma coluna, a S (“Peças Utilizadas”), que resulta da multiplicação da coluna H (quantidade de peças utilizada por carro) pela coluna R (número de vezes que o equipamento a que a peça pertence foi montado). Este resultado é interessante para perceber quais as peças que saem com mais frequência ajudando nas quantidades a encomendar, além disto, está formatada para em cada célula aparecer um gráfico de barras para mais facilmente se perceberem as quantidades relativas de saída de cada um dos componentes. Com as alterações introduzidas neste ficheiro, para o mesmo número de carros e os mesmos equipamentos conseguiu-se uma poupança de mais de dois terços do tempo. Para um caso concreto de cinco carros o que antes levava 6 minutos e 30 segundos a estar concluído, é agora feito em apenas 2 minutos. Este valor pode aumentar ou diminuir, dependendo do número de carros e do equipamento que é montado em cada um deles, visto que há equipamentos com, aproximadamente, 30 componentes, e outros com apenas 1. Além desta poupança, as mudanças introduzidas permitem que se torne mais improvável haver situações em que sejam introduzidas informações com erros, diminuindo assim falhas que possam existir. Paralelamente a estas alterações, foram também feitas pequenas modificações na organização do armazém, de modo a tornar mais imediata a leitura dos Part Numbers de algumas caixas e melhorar a sua acessibilidade. Imagem 42: Aspecto final da folha de controlo de stocks
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 49 3.1.3. Encomendas Sempre que não existe stock suficiente de algum componente é necessário realizar encomendas. Depois de a encomenda ser efetuada é necessário fazer o seu registo. Ao longo deste trabalho este ficheiro foi sendo modificado, deixando de servir apenas para fazer o registo referido, mas passando também, a fazer cálculo dos níveis de reaprovisionamento e a análise do histórico dos prazos de cada um dos fornecedores. Deste modo foi criada uma folha que com base nos registos de encomendas dos últimos quatro anos calcula para cada fornecedor o prazo médio de entrega, o máximo e o mínimo e ainda o seu desvio padrão. Além disto, sinaliza visualmente se o prazo médio ultrapassar o prazo indicado, para que estas situações sejam mais facilmente detetáveis e se tome as devidas providências, como se pode ver a cor de laranja na Imagem 43. O ficheiro foi modificado de maneira a que sempre que é adicionada uma nova encomenda os valores anteriormente calculados sejam atualizados. Na folha que já existia com os registos foram então feitas mudanças para permitir os cálculos anteriormente referidos, mas também para mais facilmente se encontrar a informação pretendida. Os cálculos feitos para cada fornecedor são depois agregados numa tabela, mostrada em parte na Imagem 43, para mais fácil se perceber o panorama geral. Depois de obter a informação referida anteriormente foi criada uma nova ferramenta na folha relativa ao controlo dos stocks que está visível na Imagem 44. Esta permite prever a data de chegada de uma determinada encomenda através do registo do dia em que esta foi feita e da informação que foi calculada anteriormente para cada fornecedor. Imagem 43: Tratamento de dados do histórico de encomendas
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 50 Deste modo, quando é inserida a quantidade encomendada (coluna W e/ou AA) e a data em que a encomenda foi feita (coluna X e/ou AB) são calculadas a data de chegada prevista em função dos prazos indicados (colunas Y e/ou AC) e a data prevista de chegada em função do prazo médio tendo em conta os registos (colunas Z e/ou AD). Foram ainda criadas ajudas visuais, assim quando a data atual se aproxima ou ultrapassa as datas de previsão estas mudam de cor, permitindo assim um controlo mais fácil das encomendas. Isto permite ver imediatamente quais as encomendas atrasadas ou em vias disso, para posteriormente se entrar em contacto com o fornecedor, se for caso disso, a fim de se perceber a razão do atraso na entrega. Sendo assim, na Imagem 44 a coluna P (“Encomendado”) resulta, agora, da soma das colunas W e AA, onde se faz o registo das quantidades encomendadas. Imagem 44: Ferramenta para previsão da data de chegada de uma encomenda
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 51 3.1.4. Cálculo dos níveis de reaprovisionamento O nível de reaprovisionamento é um valor importante, uma vez que representa a quantidade a ter de cada uma das peças em armazém. O ideal é ter alguma quantidade em stock para não correr o risco de atrasar a transformação do carro devido a diversos problemas que possam ocorrer, como por exemplo, quebras de stock no fornecedor, ou até mesmo problemas de transporte. No entanto, a quantidade armazenada não deve ser demasiada, uma vez que por vezes surgem mudanças ao nível da engenharia, o que pode levar à necessidade de alteração de peças ou até mesmo à extinção de um determinado equipamento ficando, deste modo, estas peças inutilizadas. Por tudo isto, torna-se bastante importante conseguir chegar a um ponto de equilíbrio que por um lado permita responder com rapidez à procura, mas também não comprometa o material que já se encontra em armazém, evitando assim desperdício de tempo e dinheiro. Assim, depois de efetuada a pesquisa necessária foi definida uma metodologia. Posteriormente, foi criado um ficheiro que permite calcular automaticamente o nível de reaprovisionamento. Isto é conseguido apenas com a introdução dos dados do fornecedor e das datas em que cada peça foi utilizada. A escolha da metodologia a utilizar é também feita de forma autónoma pelo ficheiro em causa. A ideia inicial era, além disto, fazer os cálculos para a quantidade ideal a encomendar para cada uma das peças, mas tal não foi possível, uma vez que não existe informação sobre a taxa de posse do artigo e sobre os custos de encomenda. 3.1.4.1. Metodologia O primeiro passo foi definir a norma de reaprovisionamento a utilizar, depois da pesquisa necessária, concluiu-se que a mais indicada para esta situação é o método da revisão contínua, uma vez que deste modo se consegue ter sempre um registo atualizado das quantidades armazenadas. Assim, o nível de reaprovisionamento resulta da adição do consumo durante o prazo de entrega ao stock de segurança. Tendo em vista a determinação do valor deste stock foram utilizados modelos teóricos para conseguir caracterizar a procura.
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 52 Para obter este resultado, primeiro é necessário definir a distribuição que melhor se adapta à procura. Isto é feito através do histórico de encomendas que existe para cada peça. Os critérios utilizados para esta escolha foram: Se É feita a aproximação utilizando a distribuição Normal Se 0,9µ<σ2<1,1µ É utilizada a distribuição de Poisson Se 0,5≤( )2≤12 Utiliza-se a distribuição Gamma Em que µ representa o consumo médio durante o prazo de entrega e σ é o seu desvio padrão. [19], [20] Uma vez que este estudo foi feito posteriormente à análise do histórico de cada fornecedor e depois de definido o prazo médio em função dos registos, decidiu-se utilizar o maior prazo. Ou seja, de entre o prazo indicado pelo fornecedor e o prazo médio em função dos registos existentes escolheu-se o maior, de maneira a obter assim uma maior segurança. Depois disto, foi necessário para cada peça, fazer a divisão da sua procura em intervalos de tempo em função do prazo escolhido para o fornecedor correspondente. Por exemplo, para uma peça que tenha vindo a ser utilizada há 300 dias e o seu fornecedor tenha um prazo de entrega de 5 dias, a sua procura deve ser dividida em 60 intervalos. Calculando depois os parâmetros anteriormente referidos, µ e σ. Uma vez calculados estes parâmetros e aplicando os critérios anteriores, a distribuição que melhor se adapta à procura em estudo encontra-se definida. Tendo como objectivo uma probabilidade máxima de rotura de 95%, ou seja, em cem ciclos de procura podem existir cinco em que há rotura de stocks, procede-se, assim à definição da distribuição em causa a fim de chegar ao cálculo final do nível de reaprovisionamento. O aspeto final do ficheiro criado encontra-se no Anexo E, calculando, neste caso, o nível de reaprovisionamento da película de proteção para as portas. [24], [25], [26], [27], [28], [29]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 53 3.1.5. Controlo de oficina O controlo de oficina consiste de um modo geral, em detalhar para cada carro todos os equipamentos especificados que foram neles integrados e especificar o tempo que se encontra definido para a montagem de cada um deles. Além disto existe ainda o registo das datas mais importantes, como a de entrada do carro na oficina e a de saída. Este controlo consiste ainda no registo do trabalho que cada um dos operadores realiza. No próximo ponto vão ser mostradas e explicadas as modificações introduzidas 3.1.5.1. Após alterações Como é possível ver na Imagem 45, existe um botão assinalado a vermelho com o nome “Separar pacotes”. Este foi um botão criado e associado a um código obtido com recurso ao Visual Basic (presente, em parte, no Anexo F). Este botão permite separar todos os códigos dos equipamentos que estão inicialmente escritos na coluna M (assinalado a verde na Imagem 45) pelo resto das colunas, sendo apenas necessário carregar sobre ele para ficar com o aspecto da Imagem 46. Tornando, desta maneira, o processo mais rápido e sem introdução de erros. Imagem 45: Aspecto final da folha de controlo de oficina
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 54 Além disto, às colunas já existentes que permitiam alertar caso existissem códigos de carros repetidos, foi anexada outra. Esta encontra-se visível a vermelho na Imagem 47 e permite detectar e identificar algum equipamento que tenha sido colocado mais do que uma vez no mesmo automóvel. Algo que é incompatível com a realidade evitando-se assim, a contagem indevida de horas de trabalho. Imagem 46: Resultado da utilização do botão criado para separar os equipamentos na folha de controlo de oficina Imagem 47: Ferramenta para detectar carros com equipamentos repetidos
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 55 As modificações deste ficheiro, para o mesmo número de carros e com os mesmos equipamentos permitem que as tarefas relacionadas com o controlo de oficina sejam realizadas em um sexto do tempo. Ou seja, para um caso específico de cinco carros o que antes levava 2 minutos e 24 segundos a fazer, é agora feito em 15 segundos. Este valor pode aumentar ou diminuir, dependendo do número de carros e do equipamento que é montado em cada um deles, visto que há equipamentos com mais de 30 componentes, enquanto outros têm apenas 1. Para além da poupança de tempo que estas alterações permitiram, é agora quase nula a probabilidade de ocorrência de erros. Evitando falhas em situações futuras.
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 62 Haste de comando dos sinalizadores de mudança de direção no lado direito ou do limpa para-brisas no lado esquerdo Este sistema permite transferir a ativação da alavanca do limpa-para brisas para o lado esquerdo (Imagem 55) ou o dos sinalizadores de mudança de direção para o lado direito, conforme for mais conveniente para o condutor. Conseguindo assim que estes dois mecanismos sejam operados do mesmo lado. Extensão da alavanca seletora da caixa de velocidades Esta alavanca (indicada na Imagem 56) é normalmente utilizada por pessoas que têm os braços mais curtos, permitindo assim o seu perfeito controlo. Imagem 55: Alavanca para comandos do limpa para-brisas [2] Imagem 56: Extensão da manete de velocidades [30]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 63 Calhas extensíveis do banco A aplicação deste equipamento (Imagem 57) permite que o condutor consiga ter um espaço maior entre o seu banco e os pedais. Películas de proteção para mala e embaladeiras das portas Estas películas são coladas nas portas e/ou mala para proteção do automóvel. Deste modo ao colocar objetos no carro, como por exemplo a cadeira de rodas não se corre o risco de danificar a pintura. 3.2.1.2. Táxis Os veículos que se destinam a táxis, Volkswagen Sharan e Seat Alhambra, têm desde a linha de montagem diferenças, tal como explicado anteriormente. São elas, as portas reforçadas, os bancos, alguns componentes electrónicos e a cor em que o carro é pintado. Além disto, existem ainda diversos equipamentos para montar nestes veículos. Assim, dependendo da vontade do cliente os equipamentos opcionais são: Uma ou duas chaves extra Taxímetros (imagem 58) Antenas (imagem 59) Lanterna (imagem 60) Imagem 57: Calhas extensíveis [2] Imagem 58: Taxímetros no espelho e convencional
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 64 Para além das opções anteriores, existem equipamentos que são sempre incluídos no carro. Estes fazem parte do equipamento base de um táxi e por isso são sempre montados. São eles: Altifalante e microfone para rádio Pré-instalação de taxímetros Instalação para lanterna Alarmes luminosos e sonoro e apenas luminoso (imagens 61 e 62, respectivamente) Botão de desativação de alarme (imagem 63) Tapetes mais resistentes Imagem 60: Lanterna Imagem 59: Antenas Imagem 61: Botão de alarme sonoro e luminoso Imagem 62: Botão de alarme silencioso [2] Imagem 63: Botão para descativação dos alarmes [2]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 65 3.2.2. Organização das folhas de processo Na secção onde são feitas as modificações dos automóveis, independentemente do seu tipo existem folhas técnicas, que são designadas por Produkt Detail Montageanweisung (PDM). Nestas constam as peças a utilizar e a explicação de cada procedimento a realizar. Como tal, estas folhas (provenientes da Volkswagen R) constituem um material de extrema importância para que tudo seja realizado em conformidade com as indicações da marca. Uma das tarefas implicadas nesta dissertação foi a organização das PDM. Estas folhas de procedimentos vão sofrendo alterações por diferentes motivos. Por exemplo, devido a problemas e incompatibilidades que vão surgindo, ou simplesmente por alteração de peças. Como tal, é fundamental mantê-las atualizadas. Inicialmente, procedeu-se à comparação da informação existente no dossier das folhas de processo com a versão mais recente. Como explicado anteriormente, o desenvolvimento destas folhas é um processo contínuo e, por vezes, torna-se complicado identificar as últimas que foram modificadas. Deste modo, foi necessário acompanhar diversas montagens de automóveis e dialogar com os operadores para se conseguir perceber os processos que são utilizados conseguindo assim obter a informação correta. Com esta metodologia conseguiu-se a atualização do dossier em questão sem que com a substituição de certas folhas houvesse perda de informação útil. Posteriormente foi criado um índice para cada PDM no qual ficou identificado onde se encontram todos os procedimentos relativos a cada equipamento. Além disto, adoptou-se um novo procedimento, que consiste na digitalização integral do conteúdo do dossier e organização cronológica em pastas para que posteriormente seja mais fácil identificar as folhas que foram efetivamente modificadas nas últimas versões. Evitando assim que seja necessário fazer a sua revisão total novamente. Paralelamente à organização dos dossiers, foi adoptada a mesma estrutura de organização para a informação digital partilhada, para que seja mais fácil manter os dois tipos de informação sincronizados quando existem alterações. Além destas folhas provenientes da Alemanha existem ainda instruções de trabalho em português que apresentam os procedimentos de forma mais detalhada, daí a sua importância. Estas são feitas na secção KDW pelo responsável da transformação dos carros especiais. Uma das tarefas realizadas foi a sua revisão, organização e também criação de algumas destas instruções. É possível ver no Anexo J as páginas relativas ao procedimento de montagem do botão de alarme do táxi, da instrução de trabalho e da PDM.
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 66 3.2.3. Alterações propostas Através da observação e análise dos processos de montagem que são realizados foram propostas algumas alterações de modo a introduzir algumas melhorias. Estas vão ser apresentadas de seguida no ponto relativo ao equipamento a que dizem respeito. 3.2.3.1. Equipamento base dos táxis A montagem deste equipamento caracteriza-se pela introdução de diversos componentes, dos quais, botões para ativação e desativação dos alarmes sonoro e luminoso, suporte e cablagem para a lanterna. Procede-se também à alteração da consola central para a montagem de botões que permitem ligar e desligar a lanterna, a luz interior do carro e um botão e potenciómetro para controlo do sistema de comunicação. É também instalado um altifalante, um microfone e cabos para as comunicações via rádio. Durante a montagem destes equipamentos é necessário descer o forro interior do tecto do carro (headlining), isto implica retirar todos os forros dos pilares exceto o do pilar A do lado direito, ou seja, são no total sete. Além disto, é também necessário proceder à desmontagem dos apoios superiores de mão e das saídas para o ar condicionado na parte traseira do habitáculo (se existirem). Concluindo, esta é uma tarefa bastante trabalhosa e demorada. Depois de tudo isto é feita a codificação do carro para a comunicação e controlo de todos os equipamentos que estão agora instalados. Por fim, é realizada a limpeza final e é feita uma verificação com objectivo de averiguar se todos os equipamentos foram devidamente montados. Caso surja algum problema durante a verificação, para evitar a repetição de todo o trabalho, de desmontar e voltar a montar o headlining e tudo o que implica, foi sugerido começar a realizar a verificação ainda com o headlining desmontado. Deste modo, a sequência seria: desmontar o headlining e tudo o que envolve, efetuar a codificação do automóvel, realizar o teste aos componentes instalados e se não for detectado algum problema proceder então à montagem do forro do tecto. Esta alteração já foi introduzida na instrução de trabalho relativa a este procedimento. Também na verificação final houve uma alteração, esta passou a incluir o teste do circuito elétrico da lanterna, mesmo que esta não seja montada. Para evitar o desgaste e consequente desperdício de uma lanterna só para estes testes foi aconselhado o uso de um instrumento elétrico para o efeito, conseguindo assim aferir o estado do circuito elétrico sem
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 67 que haja uma lanterna reservada para isso. Deste modo todas as funcionalidades estão asseguradas. Os problemas mais significativos encontrados na montagem do equipamento base são os apresentados de seguida. O primeiro prende-se com o facto de ser difícil garantir o perfeito alinhamento do botão de alarme sonoro com o cockpit (imagem 61). Para corrigir esta situação e em conjunto com os colegas da equipa responsável pela montagem dos táxis foi pensada uma galga e posteriormente desenhada com o recurso ao SolidWorks (Imagem 65). Esta além de definir a posição em que é feito o furo (fase B da imagem 64) garante o correto posicionamento da ferramenta durante a etapa D (imagem 64), uma vez que a parte desta que orienta a lâmina (assinalada na imagem 64) é acoplada na galga através de um orifício para o efeito (assinalado na imagem 65). Como tal, consegue-se tornar o processo mais simples e garantir o correto alinhamento do botão. Imagem 65: Galga criada em Solidworks Imagem 64: Sequência atual de corte do cockpit (Da esquerda para a direita e de cima para baixo: A, B, C, D, E) [2]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 68 O outro problema detetado é o tempo necessário para recolocar os forros dos pilares (Imagem 66). Após a observação deste procedimento, chegou-se à conclusão que em grande parte dos casos, isto resulta da deformação das molas metálicas devido à desmontagem dos forros. Estas molas encontram-se assinaladas na Imagem 66 e neste caso permitem o encaixe do forro do pilar A no pilar correspondente. Estas molas, embora semelhantes, são de diferentes tipos sendo um deles o presente na Imagem 67, em que apenas a mola isolada à direita é nova. Desta maneira é possível compará-la com as restantes e perceber a deformação que as outras já sofreram durante a desmontagem. Assim, a solução passa por substituir todas estas molas antes de recolocar os forros dos pilares, garantindo assim a qualidade pretendida. 3.2.3.2. Películas de proteção nas embaladeiras das portas Durante a vida de um modelo existem diversas séries com ligeiras alterações e diferentes pormenores. Uma destas tem, entre outros detalhes, um friso nas embaladeiras das portas, como se pode ver na Imagem 68. Imagem 66: Molas na parte interior do forro do pilar A Imagem 67: Tipo de molas utilizadas nos forros Imagem 68: Frisos nas embaladeiras das portas [2]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 69 A aplicação deste equipamento específico consiste na colagem de películas autocolantes de proteção nos locais onde existem os referidos frisos, zona indicada na Imagem 69. Desta maneira, é necessário retirá-los antes do processo de colagem. Representando assim desperdício de material e perda de tempo, tanto na linha de montagem como na oficina. Isto poderia ser evitado durante a produção se houvesse indicação para a não colocação destes frisos nos carros em que depois vão ser montadas estas proteções. Esta mudança foi proposta, no entanto, visto ser um processo demorado envolvendo diversas áreas a nível logístico não foi, para já, aplicada. Imagem 69: Embaladeira da porta
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 70 3.2.4. Monitorização dos tempos de montagem Uma das tarefas realizadas foi o controlo dos tempos de montagem dos diferentes equipamentos. Esta teve como principal objectivo efetuar uma revisão dos tempos em função das melhorias de processo e aumento de experiência dos operadores, assim como, a alteração de algumas peças. Foi depois feita uma tabela em que se resumiu a informação recolhida e se procedeu à comparação anteriormente referida. Neste controlo, foram anotados dois tempos distintos. Foi feita a cronometragem somente do tempo útil de trabalho, mas também incluindo o tempo perdido nas trocas de ferramentas e no caminho efetuado para as ir buscar. Foi possível perceber que em certos procedimentos existe uma considerável parte do tempo no processo destinado à preparação das ferramentas. Este poderia ser reduzido, por exemplo, através da utilização de um carrinho pequeno com várias prateleiras. Este seria carregado no início da transformação de cada carro, organizando as ferramentas necessárias a cada procedimento em cada uma das prateleiras e quando o carro fosse terminado seria tudo reposto nos devidos sítios. Assim sendo, o carrinho seria um local de arrumação temporário e seria organizado pelo operador, tendo sempre em conta os procedimentos a realizar.
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 71 3.2.5. Acompanhamento de outros projetos Ao longo da dissertação houve a oportunidade de acompanhar o desenvolvimento de outros projetos, em que foram desempenhadas algumas tarefas. Alguns destes são apresentados de uma forma simplificada nos subcapítulos seguintes. 3.2.5.1. Táxis para Portugal De acordo com a Portaria nº 464/82 ([31]), os táxis para o nosso país tinham obrigatoriamente que ter pneu suplente. Assim os modelos Sharan e Alhambra estavam à partida impossibilitados de serem transformados para esse fim. No entanto, em Março deste ano houve lugar a alterações e segundo a Portaria nº 56/2014 ([32]) deixa de ser obrigatório os veículos possuírem pneu suplente, devido a várias razões, sendo exemplo disto os avanços tecnológicos que os automóveis têm sofrido ao longo dos últimos anos. Deste modo surgiu a oportunidade de transformar os modelos anteriormente referidos em táxis para Portugal. Esta hipótese encontra-se ainda em estudo tanto a nível de equipamentos, que são diferentes dos atualmente utilizados, como a nível de procedimentos de montagem. Exemplo disto são as cores utilizadas, uma vez que segundo a Portaria nº 277-A/99 ([33]), para além do já utilizado bege-marfim (RAL 1015), é também possível que os automóveis sejam pintados em preto (RAL 9005) e verde-mar (RAL 6024) sendo que o último corresponde à metade superior do veículo. Deste modo houve oportunidade de acompanhar o planeamento de um carro de testes para ser estudada a hipótese de no futuro se transformarem veículos em táxis para Portugal. 3.2.5.2. Séries e cores especiais Carro especial não é uma designação apenas utilizada para os táxis e carros destinados a pessoas portadoras de deficiência. Os carros que são pintados em cores que não estão a ser utilizadas na produção em série também o são. Por exemplo, carros para frotas em que as empresas têm cores específicas, ou séries especiais de um certo modelo que são vendidas ao público fazem também parte deste grupo restrito de carros. Como é lógico, este tipo de pedidos requer um procedimento também ele especial, quer em termos de processo, como relativamente ao transporte e logística. É interessante perceber como tudo se desenvolve, para isso foram feitos dois diagramas, que se encontram no Anexo K e representam em traços gerais este tipo de projetos.
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 78 6. Anexo A O grupo Volkswagen foi fundado em 1937 e é o segundo maior grupo do sector automóvel. Este grupo tem atualmente 106 fábricas (incluindo as de componentes) e está presente em 27 países diferentes, a localização destas está na imagem seguinte. A sua sede é em Wolfsburg na Alemanha, onde existe um museu dedicado à história deste grupo, chamado Autostadt que pode ser visto na imagem abaixo. Retirado de [1] Retirado de [1]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 79 Atualmente fazem parte deste grupo diversas marcas, cujos logótipos estão presentes na seguinte imagem. O grupo emprega quase 600 000 pessoas por todo o mundo e faz mais de 200 modelos de veículos diferentes, sendo que a produção diária total aproximada é de 40 000 veículos. A sua maior fábrica é a de Wolfsburg (sede) onde trabalham cerca de 57 000 colaboradores. Retirado de [1]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 80 7. Anexo B Características de um VE001 modificado pela empresa Jacinto e Sucessores Lda.
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 81 8. Anexo C Sub stock_atualizar_deficiente() Resposta = MsgBox("As peças a descontar pelo Vaudis estão inseridas?", vbExclamation + vbYesNo, "Atenção!") Select Case Resposta Case vbYes Dim variacao_feitos() As Integer Dim variacao_stock() As Integer Dim variacao_planeados() As Integer Dim count As Integer Dim count_2 As Integer Dim soma_de_variacoes As Integer Dim guarda_inicial_stock() As Integer Dim guarda_inicial_disponivel() As Integer Dim stock_final() As Integer Dim stock_final_formatado() As Integer Dim conta As Integer Dim somatorio As Integer Dim disponivel_final() As Integer Dim disponivel_final_formatado() As Integer Dim lin As Integer 'Desbloquear a folha DEFICIENTE ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Unprotect 'fazer a contagem das linhas que têm pacotes para depois redimensionar os vectores count = 0 Do While ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(2 + count, 3).Value <> "" count = count + 1 Loop ReDim variacao_feitos(count) ReDim variacao_stock(count) ReDim variacao_planeados(count) ReDim guarda_inicial_stock(count) ReDim guarda_inicial_disponivel(count) ReDim stock_final(count) ReDim stock_final_formatado(count) ReDim disponivel_final(count) ReDim disponivel_final_formatado(count) ActiveWorkbook.Worksheets("Valores Anteriores Deficiente").Unprotect 'guardar valores iniciais das quantidades em stock e disponível For linha = 1 To count If ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1, 1) <> "" Then guarda_inicial_stock(linha) = ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1, 12) 'correto guarda_inicial_disponivel(linha) = ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1, 13) 'correto End If Next
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 82 '''''''''''''''''''''''''''''''''''''''Carros feitos'''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''' For linha = 1 To count 'variação (=feitos-feitos antes) variacao_feitos(linha) = ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1, 18) - ActiveWorkbook.Worksheets("Valores Anteriores Deficiente").Cells(linha + 1, 4) 'Stock stock_final(linha) = guarda_inicial_stock(linha) - variacao_feitos(linha) * ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1, 8) + ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1, 11) 'atualizar carros feitos antes ActiveWorkbook.Worksheets("Valores Anteriores Deficiente").Cells(linha + 1, 4) = ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1, 18) 'zerar células de desconto e variação ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1, 11) = (0) Next 'cálculo da variação do stock For linha = 1 To count variacao_stock(linha) = guarda_inicial_stock(linha) - stock_final(linha) Next 'cálculo e formatação do vector stock final conforme o posicionamento da primeira coluna(part number) For linha = 1 To count If ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1, 1) <> "" Then 'somatorio da variação das peças em stock para cada Part Number count_2 = 1 soma_de_variacoes = variacao_stock(linha) 'sempre que encontra uma célula em branco na primeira coluna corre um "ciclo" independente para cada part number que tem subdivisões (células unidas) e faz o seu acumulado para depois descontar na célula correspondente ao PN em questão While ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + count_2 + 1, 1) = "" And linha + count_2 <= count soma_de_variacoes = soma_de_variacoes + variacao_stock(linha + count_2) count_2 = count_2 + 1 Wend stock_final_formatado(linha) = ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1, 12) - soma_de_variacoes ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1, 12) = stock_final_formatado(linha) linha = linha + count_2 - 1 End If Next ''''''''''''''''''''''''''''''''''''''Carros planeados'''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''' 'cálculo da variação dos carros planeados(=planeados-planeados antes) For linha = 1 To count variacao_planeados(linha) = ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1, 9) - ActiveWorkbook.Worksheets("Valores Anteriores Deficiente").Cells(linha + 1, 3) Next 'cálculo e formatação do vector disponivel final (peças) conforme o posicionamento da primeira coluna(part number) For linha = 1 To count If ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1, 1) <> "" Then 'somatorio da variação das peças disponiveis para cada Part Number conta = 1
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 83 somatorio = variacao_planeados(linha) * ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1, 8) 'sempre que encontra uma célula em branco na primeira coluna corre um "ciclo" independente para cada part number que tem subdivisoes (células unidas) e faz o seu aculumulado para depois descontar na célula correspondente ao PN em questão While ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + conta + 1, 1) = "" And linha + conta <= count somatorio = somatorio + variacao_planeados(linha + conta) * ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1 + conta, 8) conta = conta + 1 Wend disponivel_final(linha) = ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1, 13) - somatorio ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1, 13) = disponivel_final(linha) linha = linha + conta - 1 End If Next 'soma da variação do stock (stock final-stock inicial) às peças disponíveis (calculado anteriormente só em função da variação dos carros disponíveis) For linha = 1 To count ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1, 13) = ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1, 13) + (ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1, 12) - ActiveWorkbook.Worksheets("Valores Anteriores Deficiente").Cells(linha + 1, 5)) Next 'atualizar carros planeados e stock anterior For linha = 1 To count ActiveWorkbook.Worksheets("Valores Anteriores Deficiente").Cells(linha + 1, 5) = ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1, 12) ActiveWorkbook.Worksheets("Valores Anteriores Deficiente").Cells(linha + 1, 3) = ActiveWorkbook.Worksheets("DEFICIENTE").Cells(linha + 1, 9) Next 'bloquear células ActiveWorkbook.Worksheets("Valores Anteriores Deficiente").Cells.Locked = True ActiveWorkbook.Worksheets("Valores Anteriores Deficiente").Protect ''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''Registo de Sucata''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''' ActiveWorkbook.Worksheets("Peças Rejeitadas").Unprotect Sucata = MsgBox("Houve peças rejeitadas?", vbQuestion + vbYesNo) Select Case Sucata Case vbYes escreve = 1 For j = 1 To 3000 If ActiveWorkbook.Worksheets("Peças Rejeitadas").Cells(j + 1, 2) <> "" Then escreve = escreve + 1 End If Next ActiveWorkbook.Worksheets("Peças Rejeitadas").Cells(escreve + 1, 2) = InputBox("Inserir Part Number da peça rejeitada") ActiveWorkbook.Worksheets("Peças Rejeitadas").Cells(escreve + 1, 3) = InputBox("Qual foi a razão da rejeição?") ActiveWorkbook.Worksheets("Peças Rejeitadas").Cells(escreve + 1, 4).Value = Date caso = 1
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 84 While caso = 1 maissucata = MsgBox("Houve mais peças rejeitadas?", vbQuestion + vbYesNo) Select Case maissucata Case vbYes caso = 1 escreve = 1 For j = 1 To 1000 If ActiveWorkbook.Worksheets("Peças Rejeitadas").Cells(j + 1, 2) <> "" Then escreve = escreve + 1 End If Next ActiveWorkbook.Worksheets("Peças Rejeitadas").Cells(escreve + 1, 2) = InputBox("Inserir Part Number da peça rejeitada") ActiveWorkbook.Worksheets("Peças Rejeitadas").Cells(escreve + 1, 3) = InputBox("Qual foi a razão da rejeição?") ActiveWorkbook.Worksheets("Peças Rejeitadas").Cells(escreve + 1, 4).Value = Date Case vbNo caso = 2 End Select Wend MsgBox ("Não esquecer de descontar as peças rejeitadas no STOCK correspondente") Case vbNo End Select 'bloquear células ActiveWorkbook.Worksheets("Peças Rejeitadas").Cells.Locked = True ActiveWorkbook.Worksheets("Peças Rejeitadas").Protect '''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''' Case vbNo a = MsgBox("Inserir as peças e voltar a correr o programa", vbExclamation, "Atenção!") End Select 'Bloquear folha DEFICIENTE With ActiveSheet .Protect , _ DrawingObjects:=True, _ Contents:=True, _ Scenarios:=True, _ AllowFormattingCells:=True, _ AllowFormattingColumns:=True, _ AllowFormattingRows:=True, _ AllowInsertingColumns:=True, _ AllowInsertingRows:=True, _ AllowDeletingColumns:=True, _ AllowDeletingRows:=True, _ AllowSorting:=True, _ AllowFiltering:=True, _ AllowUsingPivotTables:=True End With End Sub
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 85 9. Anexo D Este anexo tem como objectivo explicar de uma forma simples e visual o funcionamento e o modo de proceder quando se utiliza o botão de atualizar stocks. - Carregar no botão criado Resultado: Quando certos pacotes são utilizados em conjunto existem peças que são comuns ou que são incompatíveis e por isso não chegam a sair do armazém. “Vaudis” é o programa informático que permite saber os componentes que são necessários para cada picking e também estas peças que não se utilizam e é necessário acrescentá-las de novo ao stock. Esta chamada de atenção é feita para saber se as peças indicadas pelo “Vaudis” já foram incluídas na folha, nomeadamente na coluna K presente na imagem abaixo. -Caso “No” Resultado: É feita uma nova chamada de atenção para serem então inseridas as quantidades das peças e carregando no “Ok” o código para regressando à folha de cálculo.
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 86 -Caso “Yes” Resultado: O código associado ao botão corre, fazendo todos os cálculos necessários e atualizando os valores nas colunas devidas. No fim surge a pergunta apresentada na imagem seguinte. - Caso “YES” Caso tenha havido alguma peça rejeitada anteriormente e que não tenha sido registada surge a seguinte caixa: e depois do Part Number ser inserido surge a seguinte caixa:
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 87 Depois de inseridos os dados mostrados nas duas imagens anteriores é perguntado se houve mais peças rejeitadas e pedida a informação relativa a estas, até que a resposta seja “No” e aparecendo por fim, a caixa apresentada na imagem seguinte. Posteriormente é possível ver este registo e outros que já tenham sido feitos numa folha para o efeito, com o nome “Peças Rejeitadas” e que tem o aspecto da imagem abaixo. Ficam assim registadas todas as peças que foram rejeitadas, sendo interessante fazer filtros por Part Numbers e perceber as diferentes razões que levaram à sua rejeição, facilitando assim a percepção de algum padrão que possa estar a repetir-se. -Caso “No” O código para regressando à folha de cálculo.
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 94 .Range("G" & "5" & ":G" & "16").Cells.Locked = True '2011 .Range("G" & "22" & ":G" & "33").Cells.Locked = True '2012 .Range("G" & "40" & ":G" & "51").Cells.Locked = True '2013 .Range("G" & "57" & ":G" & "68").Cells.Locked = True '2014 .Range("G" & "74" & ":G" & "85").Cells.Locked = True '2015 .Range("G" & "91" & ":G" & "102").Cells.Locked = True '2016 .Range("G" & "108" & ":G" & "119").Cells.Locked = True '2017 'bloquear célula da soma das horas de trabalho e não permitir a sua alteração depois de o mês correspondente ser validado For lin = 1 To 200 If ActiveWorkbook.Worksheets("Facturação").Cells(lin + 1, 7) = "Autorizado" Then totalhoras = ActiveWorkbook.Worksheets("Facturação").Cells(lin + 1, 6) ActiveWorkbook.Worksheets("Facturação").Cells(lin + 1, 6) = totalhoras ActiveWorkbook.Worksheets("Facturação").Cells(lin + 1, 6).Locked = True End If Next 'Opções da protecção no Excel .Protect Password:=pw, _ DrawingObjects:=True, _ Contents:=True, _ Scenarios:=True, _ AllowFormattingCells:=True, _ AllowFormattingColumns:=True, _ AllowFormattingRows:=True, _ AllowInsertingColumns:=True, _ AllowInsertingRows:=True, _ AllowDeletingColumns:=True, _ AllowDeletingRows:=True, _ AllowSorting:=True, _ AllowFiltering:=True, _ AllowUsingPivotTables:=True MsgBox ("Pagamento Autorizado") End If End With End If End Sub
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 95 13. Anexo H Neste anexo é detalhado o funcionamento do formulário referido no ponto 3.1.6.1, em função das ações do utilizador. -Carregar no botão “Consulta” Resultado: -Escolher mês e ano a consultar e clicar no botão “Consultar” Resultado:
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 96 Neste ponto é possível consultar os pacotes que foram montados em cada um dos carros, para comparação com as ordens que foram efetivamente dadas no início, a fim de averiguar se houve ou não algum erro. -Carregar no botão “Validar” Resultado: Surge uma chamada de atenção para ser inserida a password e um espaço próprio para o fazer. -Inserir a Password e carregar no botão “Validar Pagamento” -Caso a password esteja correta Resultado: O trabalho é validado e surge uma caixa de texto que indica isto mesmo.
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 97 Sendo que no ficheiro Excel, aparece no espaço correspondente ao mês que acabou de ser validado a palavra “Autorizado” e na coluna “nº de carros” o número de carros passa a verde, como mostrado na imagem seguinte. Foi ainda tido o cuidado de bloquear a célula onde se marca como “Autorizado” o pagamento em cada um dos meses e apagada a fórmula da coluna “Total”, evitando assim que depois de ser autorizado o pagamento seja alterado o seu estado e valor por alguém que não saiba a Password. -Caso a password esteja incorreta: nada acontece Existem ainda diversas chamadas de atenção para situações que possam acontecer, como por exemplo, a não introdução do mês e/ou do ano de que queremos consultar os carros. Caso seja pretendido saber o total de carros feitos num determinado ano, também o é possível fazer se for escolhido no campo do mês a opção “TODOS”, aparecendo depois o resultado no campo assinalado a vermelho na imagem ao lado. Neste campo é sempre exibido o total de carros que foi feito no intervalo de tempo em que se fez a consulta.
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 98 14. Anexo I
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Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 117 15. Anexo J Aspecto de um procedimento na PDM [1]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 118 KDW Aspecto de um procedimento descrito na Instrução de trabalho [2]
Transformação de Carros Especiais e Otimização de Processos de Montagem 2013/2014 André Silva MIEM Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto 119 16. Anexo K Legenda: CPCheck Point AEVolkswagen Autoeuropa Procedimento típico de preparação para pintura com novas cores