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Diogo de Macedo Do "14, Cité Falguière " a "Os Românticos Portugueses". Temas e Problemas nas Reflexões sobre a Arte.

Patricia Amorim Cravo da Silva

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FACULDADE DE LET R A S UNIVE RSIDADE DO PO RTO Patrícia Amorim Cravo da Silva 2º Ciclo de Estudos em História da Arte Portuguesa Diogo de Macedo Do “14, Cité Falguière” a “Os Românticos Portugueses” (1930-1959) Temas e Problemas nas Reflexões sobre Arte Volume II 2013 Orientador: Prof. Doutora Maria Leonor Barbosa Soares Classificação: Ciclo de estudos: Dissertação/relatório/Projeto/IPP: Versão definitiva I Índice Parte I – Apêndice Documental – IV A. Artigos em publicações periódicas e catálogos de exposições - IV Documento A 1 – Apollon. Mensário d’Arte. – IV Documento A 2 – 5 Independentes (exposição) – VI Documento A 3 – O que deve ser a Arte - VIII Documento A 4 – Manifesto I Salão Independentes – XI Documento A 5 – Pela Dignidade da Arte – XIII B. Documentos do AFBAUP – XV Documento B 1 – Assento de batismo – XV Documento B 2 – Primeira matrícula nas Belas Artes – XVI Documento B 3 – Atestado de doença – XVI Documento B 4 – Renovação de matrícula – XVII Documento B 5 – Certificado – XVIII C. Espólio Diogo de Macedo – Biblioteca de Arte FCG – XIX Documento C 1 – Entrevista por escrito – XIX Documento C 2 – Maqueta de folheto – XXII D. Livros de Correspondência – MNAC - XXVI Documento D 1 – Livro 10. Doc. 105 – XXVI Documento D 2 – Livro 10. Doc. 107 – XXVII Documento D 3 – Livro 10. Doc. 114 - XXVIII Documento D 4 - Livro 10. Doc, 224 – XXIX Documento D 5 – Livro 10. Doc. 252 – XXX Documento D 6 – Livro 11. Doc. 115 – XXXI Documento D 7 – Livro 12. Doc. 79 – XXXIII E. Tabelas de obras incorporadas no MNAC – XXXIV F. Tabelas de relação de dados - LVIII Tabela 1 – Monografias de Arte por ano – LVIII Tabela 2 – Artistas – 14, Cité Falguière – LIX Tabela 3 – Locais – 14, Cité Falguière – LXXII G. Outros documentos - LXXV Documento G 1 – Exposições em que Diogo de Macedo participou – LXXV II Parte II – Apêndice Iconográfico – LXXVIII Fig. 1 – Diogo de Macedo (fotografia) - LXXVIII Fig.2 – Joaquim Lopes – Diogo de Macedo - LXXIX Fig.3 – Dimitri Ismailovich – Retrato de Diogo de Macedo - LXXX Fig.4Abel Manta – Uma tentaiva de retrato - LXXIX Fig.5Carlos Botelho – Retrato de Diogo de Macedo - LXXIX Fig.6Francisco Franco – O grupo dos 4 - LXXXI Fig.7Armando de Basto – Diogo de Macedo lendo Marinetti - LXXXI Fig.8Diogo de Macedo – Eva / Baigneuse - LXXXII Fig.9Diogo de Macedo – Camilo Castelo-Branco - LXXXIII Fig. 10 – Diogo de Macedo – L’Adieu / Le Pardon - LXXXIV Fig. 11 – Capa do folheto da exposição 5 Independentes - LXXXV Fig. 12 – A Exposição dos Cinco Independentes. Ilustração Portugueza - LXXXV Fig. 13 – Diogo de Macedo – Busto de Antero de Quental - LXXXVI Fig. 14 – Diogo de Macedo – Afonso de Albuquerque - LXXXVII Fig. 15 – Diogo de Macedo – Pintura e Escultura – MNAA - LXXXVIII Fig. 16 – Diogo de Macedo – Fonte Monumental da Alameda D. Afonso Henriques - LXXXVIII Fig. 17 – José Malhoa – Outono - LXXXIX Fig. 18 – Jardim das esculturas – MNAC (fotografia) - XC Fig. 19 a 23 – O MNAC antes e depois das renovações (fotografia) – XCI - XCII Fig. 24 – O escultor Paul Wayland Bartlett (fotografia) - XCIII Fig. 25 – Antoine Bourdelle na Académie de la Grand Chaumière (fotografia) - XCIV III Fig. 26 – Jean-Antoine Injalbert (fotografia) - XCIV Fig. 27 – Amadeo Modigliani (fotografia) - XCV Fig. 28 – Diogo de Macedo – 14, Cité Falguière (desenho) - XCV Fig. 29 – Francis Smith – Recanto de Paris - XCVI Fig. 30 – Diogo de Macedo – Canto de um café - XCVI Fig. 31 – Diogo de Macedo – S/Título - XCVII Fig. 32 – Samuel Granowsky – Auto-retrato - XCVII Fig. 33 – Foujita (fotografia) - XCVIII Fig. 34 – Amadeo Modigliani – Retrato de Diego Rivera - XCVIII Fig. 35 – Robert Delaunay – Torre Eiffel - XCIX Fig. 36 – Umberto Boccioni – Formas únicas de continuidade no espaço - XCIX Fig. 37 – Alexander Archipenko – Estatueta - C Fig. 38 – Zadkine em 1930 (fotografia) - C Fig. 39 - Oscar Miestchaninoff – Busto de Jovem - CI Fig. 40 – Amadeo Modigliani – Cariátide - CI Fig. 41 – Diogo de Macedo – S/Título - CII Fig. 42 – Amadeo de Souza-Cardoso – Cafés de Paris - CII Fig. 43 – Manuel Bentes – PaisagemCasas - CIII Fig. 44 – Francis Smith – Lisboa - CIII Fig. 45 – Mário Eloy – O Arquiteto José Pacheco - CIV IV Parte 1 – Apêndice Documental A. Artigos em publicações periódicas e catálogos de exposições Documento A 1 Apollon. Mensário d’Arte. Porto. Ano I, nº 1 (Janeiro 1910). Edital «Queremos voar!; tal é a nossa divisa. Poderá parecer demasiado pretensiosa, mas as nossas aspirações são grandes e por isso mesmo só com azas é que poderemos talvez alcançar. Azas? Quem sabe; talvez que algum de nós as tenha! E se as tem, mostra-la-ha aqui, porque esta revista não é creada para outra coisa. Sim, é neste lugar que nós, rapazes cheios d’altivez e de boa vontade, queremos ensaiar nossos vôos, mostrando-os ao público para que ele mesmo lhe abra as portas desta cadeia, que é o nosso meio, acanhado, asfixiante e ingrato. É aqui nestas páginas que nós queremos mostrar o nosso valor, maior ou menor, mas que será nosso, só nosso, de mais ninguém. Esta revista destina-se principalmente aos novos, mas os mestres também aqui terão a sua tribuna, e deles se falará também, sem paixões nem idolatrias. Primeiro é necessário relembrar os grandes – portugueses especialmente -, que os há, e vivem há já muito no esquecimento sem que uma mão energética e decidida os levante dessa obscuridade em que parecem adormecer. Dessa tarefa nos encarregamos, empregando toda a nossa energia e toda a nossa boa-vontade. Não fazemos promessas nem programas para não faltarmos nem sermos devedores a ninguém. Somos livres como a águia que nos serve de símbolo. O meio em que tentamos erguer o nosso vôo será mau, mas a boa vontade melhorá-lo-ha. Hoje estas simples páginas que apresentamos são um esforço da nossa vontade. Não nos julgamos satisfeitos com a obra. Queremos mais: mas para isso, é preciso que nos comprehendam e que nos ajudem. Não publicamos exclusivamente originais portugueses não; lá fora também há novos; lá fora também há mestres. Esta revista que se dedica a todas as manifestações d’arte, é somente d’arte. Para nós não há políticas nem religiões; preconceitos não os temos nem admitimos no nosso lar. V Modestos não seremos, mas no entanto somos sinceros. Poderíamos seguir a velha praxe alcunhando-nos “de modestos”; dizendo que “não queremos ocupar logares d’honra”. Não; somos ambiciosos, temos aspirações largas, repetimos, e portanto queremos voar. A nossa vontade é persistente e boa; cumpre ajudar-nos. Assim o esperamos. Avante!» VI Documento A 2 GOMES, Dordio [et. al.] - 5 Independentes. Exposição de pintura, esculptura, gravura, desenho. Lisboa: Sociedade Nacional de Belas Artes, 1923. «Cinco Independentes… … independentes de tudo e de todos e de nós próprios até, vimos aqui, ao cabo de alguns annos de silencio em redor do nosso nôme, mostrar um pouco do que fomos, um pouco também do que somos e alguma coisa do que desejamos ser, com todo o coração e toda a coragem. O nosso esforço é medido, pensado e soffrido; clássica nos princípios e revolucionaria nos fins, não combatendo mas construindo, para que a intenção que é lealíssima e de azas largas se não perca no triste emaranhado desta época, desejamos que a nossa obra, sinceramente sentida e executada, seja eterna como fructo de belesa amadurecido por Deus. Sendo livres de todas as peias – escolas, amisades, admirações ou senóbismos -, livres até dos eguaes, apenas somos escravos das matérias nobres que trabalhamos com amôr, da nossa emoção e do nosso espírito. A vontade de cada um de nós, que é egual pelo esforço máximo que cada um se dá, vae caminhando em paralelo com o tempo e o ambiente, serenamente, confiadamente, sobre o roseiral espinhoso da arte, tocando-se de quando em vez as mãos, como agora, para num leve repouso verificarmos a certeza da marcha e revela-la à maioria que porventura nos espreite. O nosso querer é colectivo, mas o interpretar é individual. Sabendo de tudo um pouco, ignoramos intencionalmente tudo de tudo para nos exprimirmos com independência. ………………………………………………………………………………………………… Somos hoje cinco, amanhã cincoenta e depois quinhentos. Independentes sempre, mas jamais egoístas. Prova-o o nosso convite a M.lle Mily Possoz, a Almada Negreiros e Eduardo Viana para que exponham no nosso seio como irmãos d’armas, novos arautos da ala dos namorados, que todos nós os poetas, os artistas e os loucos somos. Construtivos e expressionistas, não fazemos escolas; fazemos escolha. Nenhum de nós é egual mas seremos todos irmãos. Cada um a si só, prometemo-nos ir mais além. Iremos… A organização de um novo Salon no futuro, concretiza-se já por assim dizer, com esta exposição de Independentes. VII A nossa fórmula mathematica até hoje é 1+4=1. Amanhã será 1+1000=1. É nesta comunhão colectiva que reside a nossa independência. Lisboa, Outubro de 1923. Dordio Gomes Henrique Franco Alfredo Migueis Francisco Franco Diogo de Macedo» VIII Documento A 3 MACEDO, Diogo de – O que deve ser a Arte. Presença. Folha de arte e crítica. Coimbra. Nº 3 (8 Abril 1927), pp. 2-3. «A Arte deve ser gostosa, alegre, saudável… Tal e qual um fruto bem amadurecido. A pieguice amesquinha-a como os floreados a ridicularisam. Nada de paspalhices de estufa nem de efeitos de galdéria. Cuidado mesmo com o apuro da técnica, que a esfria em geral. A construção é gramática e nunca caligrafia como presumem os estetas do excêntrico. Pingentes e velaturas e adjectivos; sordinas e arrebiques e confetti são atavios de estafêrmo. A mulher como a Arte só é bela em pelo, desnuda, ao natural… Pomadas são truques; habilidades são mentiras; serpentinados são deficiências, assim como, sentimentalismo é morbidez, doença para hospital, bacilo perigoso e contagioso. Basta de neurastenia na Arte e de posticismos catitas. O que n’Ela reside de apaixonante é a saúde. Abram as janelas dos ateliês e deixem entrar o ar. Um gemido incomoda como um alindado irrita. Adoro o Sol porque vibro com a gargalhada. Prefiro Charlot a Chopin, porque é melro e êste é môcho. Antes um beijo que uma lágrima… Entre saúde e saudade não há que hesitar: ou vida ou morte. Ora a Arte é um cântico e não um cantochão. Ao abrir um livro de versos não desejo topar com um desalentado testamento; ao visitar uma exposição de quadros não quero deparar com um espectáculo de um tratado colorido sobre as úlceras de uma visão…. Irra, que já nos basta o faduncho gemidinho!... A minha exaltação não é sensível aos poentes a pastel, nem aos elogios de beiracampa, nem às peripécias pianísticas dum az do pedal. Detesto o chôro e o compêndio... A liberdade será uma loucura, mas tem os pulmões sãos e os olhos sem as lunetas fumadas dos ursos. Entre um bôbo folgazão e uma carpideira, ainda que esbelta, quem não prefere o jogral? Quem não prefere o riso dum clown de feira aos esgares tenebrosos dum trágico afamado de teatro imperial? Perguntemo-lo ao instinto, às crianças… A Arte-Viva, para ser forte e ser serena precisa de ter saúde. A sensibilidade moderna exige que, humana e heroica, a Arte seja fêmea sádia capaz de dar e criar filhos, tal como uma macieira dá frutos, uma estrela espalha luz ou uma amante se desfaz em carícias. A sua lei tem de ser natural e criadora. Consolar e exaltar, eis os deveres da beleza. Alegre e sábia s+o comove e ensina sendo franca ao ofertar-se. Cada partitura, cada tela, cada livro, deve gritar-nos como Jesus: ergue-te e caminha. XV B. Documentos do Arquivo da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto – Processo de Aluno de Diogo de Macedo Documento B 1 (Doc. 1 – Processo de aluno de Diogo de Macedo AFBAUP) Assento de batismo de Diogo de Macedo «Certifico que no respectivo registo se encontra o assento seguinte = N.º 188 – Diogo = Aos oito dias do mez de dezembro do anno de mil oito centos e oitenta e nove n’esta igreja parochial de Mafamude Concelho de Gaya, diocese do Porto, eu Jose Maria de Sant’Anna e Silva, abbade da mesma freguesia baptizei solemmimmente um individuo do sexo masculino a quem dei o nome de Diogo e que nasceu n’esta freguesia no Largo do Martyr às onze horas da noite do dia vinte e dois do mez de novembro d’este anno de mil oito centos e oitenta e nove, filho natural de Maria Rosa do Sacramento, solteira, de profissão cigarreira, natural d’esta freguesia, e de pae incógnito, parochiana d’esta mesma, moradora no referido largo,neto fraterno de avós incógnitos, e materno de Antonio Ribeiro e de Anna do Sacramento. Foi padrinho Guilherme Lopes, casado, artífice, morador na rua Quatorze de Outubro d’esta freguesia, e madrinha Julia Pereira, solteira, cigarreira, moradora na Rua da Rosa d’esta mesma, os quaes todos dei serem os próprios. E para constar lavrei em duplicado este assento que depois de ser lido e conferido perante os padrinhos bamos assignar, menos a maadirnha por não saber escrever. (…)» XVI Documento B 2 (Doc. 4 – Processo de aluno de Diogo de Macedo AFBAUP) Primeira matrícula nas Belas Artes «Ex.mo Snr. Director da Academia Portuense de Bellas-artes Diogo Candido de Macedo, filho de Maria Rosa do Sacramento, natural e residente na freguesia de S. Christovão de Mafamude do concelho de Gaya, pretendo frequentar o 1.º anno de “desenho histórico”, n’esta Academia Pede a V. Ex.cia a graça de o mandar admitir á respectiva matricula E. R. M.cê Porto, 10 d’outubro de 1900 Diogo Candido de Macedo Nota: Matricule-se Porto, 10 d’ outubro de 1900 JGSardinha» Documento B 3 (Doc. 6 – Processo de aluno de Diogo de Macedo AFBAUP) Atestado de doença – justificação de faltas «Attesto, sob juramento, que Diogo Candido de Macedo Junior, filho de Maria Rosa do Sacramento, e morador na freguesia de Mafamude, d’este concelho, esteve doente com impossibilidade de sair de casa desde o dia 29 de Novembro até 17 de Dezembro do anno findo e desde 19 de Janeiro até 27 do mesmo mez do anno corrente. E por ser verdade passo o presente atestado que assigno. Villa Nova de Gaya, 21 de Abril de 1902 Benjamim Candido Cardoso» (Nota a lápis – tem 28 faltas) XVII Documento B 4 (Doc. 7 – Processo de aluno de Diogo de Macedo AFBAUP) Renovação da matrícula - repetente «Ex.mo Snr. Director da Academia Portuense de Bellas-Artes Diogo Candido de Macedo Junior, filho de Maria Rosa do Sacramento, natural e morador na freguesia de Mafamude, do conselho de Gaya, desejando frequentar novamente o 1º anno de dezenho historico. Pede a V. Ex. cia se digne admittil-o á matricula. E. R. M.cê Porto, 23 d’outubro de 1906 Diogo Candido de Macedo Junior Morador na Rua de João de Deus – N.º 15 Matricule-se Porto 24 d’outubro de 1906. (Nota a lápis – Repetente) XVIII Documento B 5 (Doc. 14 – Processo de aluno de Diogo de Macedo AFBAUP) Certificado «JOAQUIM FRANCISCO LOPES, PROFESSOR EFECTIVO E SUB-DIRECTOR DA ESCOLA DE BELAS ARTES DO PORTO----- CERTIFICO em face do despacho exarado no requerimento arquivado na Secretaria desta Escola, que Diogo Cândido de Macedo Júnior, filho de Maria Rosa do Sacramento, natural da freguesia de Mafamude, concelho de Vila Nova de Gaia, distrito do Pôrto, fez nesta Escola na organização anterior á reforma de 26 de Maio de 1911, os seguintes exames do Curso de Escultura: Ano lectivo de 1906-1907 – Desenho histórico – (1º ano), aprovado com distinção e DEZASSEIS VALORES; (2º ano), aprovado com distinção e DEZASSETE VALORES. Ano lectivo de 1907-1908 – Desenho histórico – (3º ano), aprovado com distinção e DEZASSETE VALORES; Escultura – (1ºano), aprovado com distinção e DEZASSEIS VALORES; (2º ano), aprovado com distinção e DEZASSEIS VALORES. Ano lectivo de 1908-1909 – Desenho histórico (4º ano), aprovado com distinção e DEZASSEIS VALORES; Anatomia artística, aprovado com distinção e DEZASSEIS VALORES; Escultura – (3º ano), aprovado com distinção e DEZASSEIS VALORES. Ano lectivo de 1909-1910 – Desenho histórico (5ºano), aprovado com CATORZE VALORES; Escultura – (4º ano), aprovado com distinção e DEZASSETE VALORES. Ano lectivo de 1910-1911 – Escultura – (5º ano), aprovado com distinção e DEZOITO VALORES. É o que consta do respectivo livro das actas de conferências gerais e vai autenticado com o sêlo branco da Escola.----------- Pôrto e Escola de Belas Artes, em 26 de Maio de 1944. O Sub-Director, Joaquim Lopes» XIX C. Espólio Diogo de Macedo – Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian Documento C 1 Diogo de Macedo - Entrevista por escrito para o periódico “O Benfica” [Manuscrito] «- É dificílimo responder à primeira pergunta que me faz. Quase seria necessário fazer um tratado, definindo o problema baseado nas raízes histórica ou pré-histórica, do que realmente é ou pode ser a Arte, representando filosofias, teorias de estética, penetrando no mistério do espírito e da sensibilidade, explicando o que seja a necessidade do desenho, a compreensão da forma, o deslumbramento da côr, delirando sobre vocação, intuições e inspirações, complicando, enfim, a complexidade da coisa que parece simples e que, na verdade, se pode reduzir a meia dúzia de palavras, como convém às entrevistas de jornais: a Arte é uma necessidade da expressão humana, o sinal mais remoto de compreensão e de cultura do homem, e manifestação plástica do sentimento e do entendimento perante as realidades e os mistérios do Cosmos, descobertas ou imaginadas, e recreadas pelo mesmo homem, com amor e variadíssima concepção de beleza. - De modo nenhum a Arte é inimiga da Industria; esta é que, quando mal aplicada pode ser incompatível com a Arte, negando-se à exigência de sensibilidade no gosto, sem culpa dos materiais empregados. O destino da Arte e o da Ciência, tantas vezes auxiliares, progridem em paralelo e, portanto, não afasta o homem das missões que competem a cada uma. Sou do parecer que a Arte deve ser administrada à criança, exatamente quando ela revela desejos de através do desenho se explicar as surpresas da vida e do sonho, devendo introduzir-se no ensino, não somente de instrução primária, mas na liceal ou secundária, em favor da cultura geral de que tanto carecemos, mas de modo algum substituindo outras aprendizagens, principalmente a de gramática, a qual – coitada da vitima! – apesar de quanto ensinada, anda fraquinha na linguagem e na escrita, mesmo de doutores. - Sim, pode desenvolver-se essa unidade, sem confundir a Arte com os Desportos. A prova é que alguns países têm ministérios reservados, mas em conjunto, a essas duas necessidades do homem civilizado. - O português nasce tão artista como qualquer outro homem. O que lhe falta é ambiente e instrução, estímulo e exigência de progressiva cultura para poder ser tão artista como os demais. A nossa tradição artística, aliás, quase sempre foi prejudicada por essa insuficiência ou deficiência, e por esse motivo a confundimos com a rotina, impedindo-lhe revoluções de modernidade consentânea com a de outros sectores da cultura. XX A Arte não impede a virilidade do homem, e bem ao contrário, lhe dá consciência dela, em actividades de qualquer espécie onde o espírito predomina com moralidade no desnnvolvimento das forças materiais. - Com imparcialidades, porque não sou homem de partido ou de clube em nada que componha as paixões da minha vida, aprecio pelo quanto moderadamente tenho observado nessa actividade cultural do S.L.B., e boa orientação de quem a dirige e seria de estimar que o exemplo se projectasse noutras empresas desportivas, que são oficinas onde se devem aperfeiçoar todos os predicados do homem, que em quantos acontecimentos de sua existência actua em competição e apaixonadamente. Noto, há tempos a esta parte, estarem em voga as ciladas das entrevistas em jornais, na rádio, natelevisão, em sessões e sítios onde o publico se junta para ser informado. Parece que o mundo anda insatisfeito ou desconfiando daquilo que sabe , à procura de esclarecimentos nas opiniões de compromisso individual, armando, por vezes, debates de pura crítica, para prosseguir nas consultas, num fingimento sintomático de ignorâncias que buscam educações novas. Se de natureza eu não fosse refusatário[?] às premeditações, munia-me dum caderno de respostas prontas, para o que desse e viesse, tanto podendo aparecer a surpresa ao dobrar duma esquina de rua, como na pacatez do quotidiano. - é dificílimo responder à primeira pergunta que me fez. Quase seria necessário fazer um tratado definidor do problema, do que realmente é ou pode ser a Arte, baseando-o na razão histórica ou pré-histórica, penetrando no mistério do espírito, apreciando filosofias e teorias de estética, explicando o que seja a necessidade do desenho, a compreensão da forma e deslumbramento de côr, delirando sobre intuições, vocações e inspirações, complicando, enfim, a complexidade duma coisa que parece simples e que, na verdade, se pode reduzir a meia dúzia de palavras, como convém às entrevistas de jornais; a Arte é uma necessidade de expressão humana e um privilégio da remota cultura e da sensibilidade nos anseios de compreensão e de transladação das realidades e dos mistérios do Cosmos, no poder recriador do homem amoroso, visual e imaginativo, em variadíssimas descobertas e concepções do Belo, consoante os ideais dos povos e dos séculos. - De modo nenhum a Arte é inimiga da Indústria, devendo mesmo colaborar nos seus progressos. Esta é que, quando mal aplicada, pode tornar-se incompatível com a Arte, negando-se a exigências de gosto, sem culpa dos métodos nem dos materiais empregados. O destino da Arte e da Ciência, tantas vezes auxiliares, prosseguem em paralelo sem confusões, e portanto não afastam o homem das missões que competem a cada uma. XXI - Sou do parecer que a Arte deve ser administrada à criança exatamente na idade em que ela revela desejos de, através do desenho – grafia de valor igual ao da escrita – se explicar as surpresas das realidades e do sonho, devendo introduzir-se no ensino, não somente de instrução primaria, mas na secundaria, em favor da cultura geral de que tanto carecemos. Mas essa aprendizagem com aspeto recreativo na educação da criança, não deve evitar outras, particularmente a da gramática, que na própria Arte é imprescindível, como linguagem e escrita para comum entendimento sem erros, embora liberal nas regras. - Sim, pode desenvolver-se essa unidade, sem confundir a Arte com os Desportos. A prova está em que alguns países têm ministérios em conjunto, reservados a essas duas necessidades do homem civilizado. - O português nasce tão artista como qualquer outro homem. O que lhe falta é ambiente, estímulo e exigência de progressiva cultura para poder ser, depois, tão artista como os demais no convénio de maios artísticos. A nossa tradição artística, em parte prejudicada por essa deficiência e devido a esse motivo, a confundimos com rotinas impeditivas de evoluções de modernidade consentânea com a de outros sectores da cultura. A Arte não impede a virilidade no homemsem ela seria habilidade frágil e incompleta – e pelo contrário esta lhe dá consciência nas actividades que qualquer espécie, onde o espírito orienta com moralidades o desenvolvimento das forças materiais. - Com imparcialidade, porque não sou homem de partido ou de clube em nada que componha as paixões da minha vida, aprecio, pelo quanto tenho observado na actividade cultural do S.L.B., a boa orientação de quem a dirige. Sendo de estimar que o exemplo se projete noutras instituições congéneres onde se devem aperfeiçoar os predicados totais do homem, quem em quantos acontecimentos da sua existência, actua em competição estimulante e apaixonadamente.» XXII Documento C 2 Maqueta de folheto informativo a entregar aos alunos da Campanha Nacional de Edução de Adultos – Museu Nacional de Arte Contemporânea [Manuscrito] MUSEU NACIONAL DE ARTE CONTEMPORÂNEA PARA QUE SERVEM OS MUSEUS? -PARA ENSINAR, PARA DISTRAIR, PARA GUARDAR, DEFENDER E EXPOR AO PÚBLICO AS RIQUEZAS DE ARTE E DA HISTÓRIA DOS POVOS. - A QUEM PERTENCEM OS MUSEUS? -A TODOS, COMO MONUMENTOS NACIONAIS, PARA TODOS OS VISITAREM E REPEITAREM. MAS BASTA IR AOS MUSEUS PARA SABER? - QUEM FÔR A TODOS MUITAS VEZES, APRENDE MUITAS COISAS - Quem não sabe é como quem não vê. Convem aprender a ler e a escrever, mas também a saber ver, para compreender o que se vê. Quem não saber ver, não pode ter gosto nem sentir os benefícios de saber gostar. É triste não ter gosto, como é triste ser ignorante. Nos museus aprender-se muita coisa e ater gosto. Frequentando-se os museus para amar as obras de Arte, que são documentos dos gostos de todas as épocas, e ao ter preferências pelos objectos expostos, começase a ter gosto própri. Quando se sabe porque se goste se apura o modo de gostar, aprefeiço-a-se a educação. Mas os museus auxiliam a aprendizagem de muitas outras coisas. Quer alguns exemplos? Volte a página e fixe. CAMPANHA NACIONAL DE EDUCAÇÃO DE ADULTOS VISTA DO JARDIM DE ENTRADA DO MUSEU XXIII - DE QUEM É ESTE RETRATO -É DO POETA ANTÓNIO FELECIANO DE CASTILHO E FOI PINTADO POR MIGUEL LUPI, QUE NASCEU EM LISBOA EM 1826 E MORREU TAMBÉM EM LISBOA EM 1883. FOI UM DIS MAIORES RETRATISTAS PORTUGUESES. -SÓ HOUVE RETRATISTAS NAQUELE TEMPO? - NÃO. OS PRIMEIROS PINTORES DE PAISAGENS, DE ANIMAIS E DE TIPOS DO POVO SÃO DESSA ÉPOCA, QUE TINHAM O CULTO DO PATRIOTISMO. E PINTARAM CENAS DA TERRA PORTUGUESA. CAMPANHA NACIONAL DE EDUCAÇÃO DE ADULTOS DE QUEM SÃO ESTES RETRATOS? ESTE É DUMA SENHORA FORMOSA, PINTADO PELO MARIDO QUE A AMAVA. - QUEM FOI ESSE ARTISTA? -FOI O VISCONDE DE MENEZES, QUE NASCEU NO PORTO EM 1817 E MORREU EM LISBOA EM 1878 -PORQUE ESTÁ ESTE QUADRO NESTA SALA E NÃO ESTÁ NOUTRA? -PORQUE NOS MUSEUS TUDO TEM UMA ORDEM E ESTA SALA É DEDICADA AOS PINTORES ROMÂNTICOS, QUE AMAVAM A NATUREZA COM SENTIMENTO DA VERDADE IDEALIZADA. -DE QUE ÉPOCA SÃO OS NOSSOS PINTORES ROMÂNTICOS? - SÃO DO SÉCULO PASSADO, ENTRE 1850 E 1880. XXIV AQUI ESTÃO TRÊS EXEMPLOS: ESTE VITELO FOI PINTADO POR TOMÁS DA ANUNCIAÇÃO, NASCIDO NA AJUDA EM 1818 E FALECIDO EM LISBOA EM 1879. SENDO MESTRE NA PINTURA DE PAISAGENS, AMAVA TANTO OS ANIMAIS DOMESTICOS, QUE OS PINTAVA COM TANTO COMO SE FOSSEM PESSOAS. ESTES CINCO ARTISTAS NUMA VISTA DE SINTRA, FORAM PINTADOS POR JOÃO CRISTINO DA SILVA, QUE NASCEU EM 1877. SÃO OS RETRATOS DE ANUNCIAÇÃO E FRANCISCO METRASS ENTRE OS CAMPONESES, E DE VITOR BASTOS, JOSÉ RODRIGUES E O AUTOR DO QUADRO. ESTA CENA DUMA FEIRA FOI PINTADA POR LEONEL MARQUES PEREIRA, QUE NASCEU EM 1828 E MORREU EM 1892. PINTOU MUITOS QUADROS PEQUENOS COM COSTUMES POPULARES, NO TRABALHO DOS CAMPOS, NAS FEIRAS, FESTAS RELIGIOSAS E ALEGRIAS DE FAMÍLIA, COM TRAJES E HABITOS TRADICIONAIS. TAMBÉM HOUVE PINTORES QUE EVOCARAM A HISTÓRIA PÁTRIA, A HISTÓRIA DE JESUS E O DRAMA HUMANO. XXXI Documento D 6 Livro 11 (1946) – Documento 115 «Quando o Estado, por proposta desta Sub-Secção da Junta Nacional dos Artistas do “Grupo do Leão”, por Columbano -, depois duma tentativa de transacção para a sua compra, manifestou dessa forma a preferência de selecção. Outros dois quadros, porém, foram motivo de discussão para compra, que, como a daquele, não foi levada acabo. Eram eles a “Paisagem do Vale de Carriche”, de Silva Porto, e o “Retrato do Snr. Antonio Monteiro”, por Columbano, qu na presente lista não se inclue e que fazia parte do conjunto exposto no “Leão de Ouro”. Em compensação outros quadros nesta relação surgem , que não compunham o referido conjunto e que, como tal, são estranhos ao interesse da colecção. Ao Estado continua a interessar a aquisição daqueles três quadros em separado, para o Museu Nacional de Arte Contemporânea, e portanto interessa-lhe saber o preço dessas obras em conjunto e por peça; mas porventura também pode interessar ao Estado a aquisição de outros quadros da colecção, como sejam “Apoteose aos fritos”, de Columbano, “Apoteose da lagosta”, de Malhoa, “Trecho do Bussaco”, de Antonio Ramalho, “Marinha na Junqueira”, de João Vaz e “Castelo de Leiria”, de Ribeiro Cristino, aos quais poderá dar o destino que entender. Neste sentido e conforme a proposta, convém saber-se qual o preço que se pede por cada um desses quadros e qual o preço em conjunto, para que esta Sub-Secção da J. N. de E. se pronuncie definitivamente. Em princípio é nosso parecer que as três primeiras telas devem ser adquiridas com destino ao referido Museu de Lisboa, como obras principais da colecção, devendo a primeira (já arrolada no Patrimonio Nacional) ser considerada como imprescindível nessa galeria do Estado, onde a obra daqueles artistas retratados está representada, e porque é considerada obra-prima da Pintura Portuguesa dos finais do século XIX. As cinco restantes podem na realidade ter destino para edifícios do Estado, - como o Palácio Foz, que está sendo valorizado e onde teriam adequada aplicação – porque formam um conjunto decorativo merecedor de atenção pelo seu valor. Em resumo, não interessa ao Estado a aquisição do bloco proposto pelo proprietário dos quadros do “Leão de Ouro”; mas podem interessar os dois núcleos citados, cujos preços se pedem. Dependendo deles quaiquer diligências de transacção. É nosso parecer, portanto, que depois de conhecidos os respectivos preços, esta Sub-Secção proponha aos Poderes Superiores a sua total ou parcial aquisição. Lisboa, 16 de Agosto de 1946 XXXII O Relator, Diogo de Macedo» XXXIII Documento D 7 Livro 12 (1947) – Documento 79 «Quadros da Colecção do “Leão de Ouro” e particularmente do de Columbano com os retratos dos artistas do Grupo de Leão Em referência ao ofício Nº. 763-D, Lº. Nº. 34, Proc. 640, Fls. 9/1, de 8 de Abril de 1947, da 10ª. Repartição da Direcção Geral da Contabilidade Pública, temos a honra de informar que, a quando do leilão público dos quadros do Leão de Ouro, realizado há anos, não houve quaisquer diligência para aquisição, por parte do Estado, do quadro de Columbano. Com os retratos dos Artistas do Grupo do Leão, nem tão pouco das demais pinturas daquela colecção. A título de informação, temos a dizer que a única tentativa de aquisição do referido quadro de Columbano, por deliberação do Conselho Superior de Belas Artes, e por proposta de venda pelo seu proprietário, foi feita em Novembro de 1937 – como dizemos no nosso parecer de 11 de Outubro de 1946 -, não se tendo no Património Artístico da Nação, que o mesmo Conselho Superior de Belas Artes propoz, anteriormente aquele leilão. É portanto esta a segunda deligencia que se faz para a sua justa aquisição destinada ao Museu Nacional de Arte Contemporânea, motivada pela proposta do seu actual proprietário, em 5 de Agosto de 1946. Lisboa, 20 de Abril de 1947 O Relator, Diogo de Macedo» XXXIV E. Tabelas de obras incorporadas no MNAC durante a direção de Diogo de Macedo 1 Totais dos núcleos Romantismo Pintura Desenho Gravura Carlos Reis 42 44 Columbano 49 89 108 Sousa Lopes 16 3 Diogo de Macedo 20 57 3 Eduardo Malta 6 12 Lurdes Bartholo 2 4 Sem dados 4 4 3 1º Naturalismo Pintura Desenho Gravura Carlos Reis 39 2 Columbano 47 15 Sousa Lopes 52 16 22 Diogo de Macedo 100 105 3 Eduardo Malta 8 7 Lurdes Bartholo 15 4 Sem dados 6 16 2º Naturalismo Pintura Desenho Gravura Carlos Reis 30 1 Columbano 90 16 5 Sousa Lopes 172 8 3 Diogo de Macedo 202 43 Eduardo Malta 21 15 Lurdes Bartholo 26 1 Sem dados 8 3 1 1 Estas tabelas foram-nos fornecidas pelo MNAC e transcritas por nós. Servem apenas como uma base de investigação e não como um trabalho acabado. Optámos por apresentá-las, transcrevendo-as apenas, de acordo com a forma como os dados nos foram fornecidos, já que este não é o tema do nosso trabalho e estas servem como documentos demonstrativos. Assim, destas tabelas podem não constar todas as obras que passaram a fazer parte do espólio do MNAC e muitas delas apresentam campos de informação incompletos. XXXV 3º Naturalismo Pintura Desenho Gravura Carlos Reis Columbano 3 Sousa Lopes 42 7 Diogo de Macedo 47 8 18 Eduardo Malta 22 3 Lurdes Bartholo 13 1 Sem dados 6 1 4 Modernismo Pintura Desenho Gravura Carlos Reis 3 Columbano 2 Sousa Lopes 49 17 2 Diogo de Macedo 47 20 3 Eduardo Malta 5 2 1 Lurdes Bartholo 15 38 Sem dados 6 17 14 Contemporânea Pintura Desenho Gravura Carlos Reis Columbano Sousa Lopes Diogo de Macedo 27 10 11 Eduardo Malta 9 2 1 Lurdes Bartholo 124 29 9 Sem dados 11 2 2 Totais de Núcleos (exceto núcleos de estrangeiros e dúvidas) Pintura Desenho Gravura Carlos Reis 114 47 Columbano 191 120 113 Sousa Lopes 331 51 27 Diogo de Macedo 443 243 38 Eduardo Malta 71 41 2 Lurdes Bartholo 195 77 9 Sem dados 41 43 24 XXXVI Obras que passaram a integrar o espólio do MNAC durante a direção de Diogo de Macedo Romantismo Autor Título Data de entrada no MNAC Notas António José da Costa Camélias 1953 A.E. Augusto Barradas Uma Rua em Marrocos 1950 Ferreira Chaves Retrato de Menina 1945 Depositado pelo Museu Nacional de Arte Antiga por ordem da Fazenda Pública Francisco Assis Rodrigues Cabeça de criança (desenho) 1947 A.E. Francisco Assis Rodrigues Torso de Homem (desenho) 1947 A.E. Francisco Assis Rodrigues Rapariga – Estudo (desenho) 1947 A.E. Francisco Assis Rodrigues Estudo de pés (desenho) 1947 A.E. a José de Bragança Francisco Assis Rodrigues Estudo de criança (desenho) 1947 A.E. Francisco Assis Rodrigues Estudo de criança (desenho) 1947 A.E. Francisco Metrass Estudo para o quadro Camões na Gruta de Macau (desenho) 1954 A.E. Francisco Metrass Estudo para o quadro Inês de Castro pressentindo os assassinos (desenho) 1954 A.E. Francisco Metrass Estudo para o quadro Inês de Castro pressentindo os assassinos (desenho) 1954 A.E. Francisco Metrass Estudo para o quadro Inês de Castro pressentindo os assassinos 1954 A.E. Francisco Metrass Inês de Castro perante o Rei D. Afonso IV (desenho) 1954 A.E. Francisco Metrass Inês de Castro aos 1951 A.E. XXXVII pés de D. Afonso IV (desenho) Francisco Resende Natureza Morta 1950 Adquirida pelo Estado a Luís Reis Santos Isaías Newton Caminho da Fonte dos Amores 1952 A.E. João Cristino da Silva Auto-retrato 1946 A.E. João Pedro Monteiro Porta principal dos Jerónimos (desenho) 1947 A.E. José da Silva Fachada do Banco de Portugal (gravura) 1947 Oferta do Banco de Portugal José Ferreira Chaves Retrato da mulher do artista 1951 Oferta de Maria Adelina Veloso Salgado José Ferreira Chaves As virgens do Mondego chorando a morte de D. Inês de Castro 1952 A.E. José Rodrigues Retrato da Condessa de Farrobo – D. Madalena 1946 Depositado pela viscondessa de Castilho Manuel de Macedo Rapariga (desenho) 1954 A.E. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Apontamento para retrato (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Estudo para um quadro (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Estudo para dois homens (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Apontamento cabeça de homem (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Apontamento cabeça mulher (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Apontamento retrato senhora (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Retrato de Homem (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Retrato de Homem (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Retrato de Senhora (desenho) 1945 L.E.B.P. XXXVIII Manuel Maria Bordalo Pinheiro Cena num Jardim (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Apontamento retrato homem (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Apontamento Busto (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Marechal da Conceição (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Jovem (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Apontamento para retrato (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Apontamento para retrato (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Apontamento (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Estudo para retrato do Marechal (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Estudo para um retrato (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Passeio público no verão de 1834 (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Retrato do Duque de Lafões (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Pombal Manuelino (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Cabeças (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Cena Familiar (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro A caridade não oficial (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Cópia de Rafael (desenho) 1945 L.E.B.P. XXXIX Manuel Maria Bordalo Pinheiro Por bem (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Retrato de S. Pinheiro Ferreira (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Cena de rua – apontamento (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Composição – BelasArtes (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro A justiça é cega (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Tipos do Passeio Público (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Músico – apontamento (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Cena à janela (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Apontamento para retrato do Papa (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Frontão do teatro D. Maria (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro D. Martinho de Aguiar (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Tema religioso (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro Apontamento (desenho) 1945 L.E.B.P. Manuel Maria Bordalo Pinheiro D. Jaime (desenho) 1945 L.E.B.P. Miguel Ângelo Lupi Retrato do Engenheiro Miguel Pais 1946 A.E. Miguel Ângelo Lupi Retrato de António 1946 A.E. e pelo Legado XL Feliciano de Castilho Valmor Miguel Ângelo Lupi Desenho 1951 A.E. a uma casa de antiguidades Miguel Ângelo Lupi Marques de Pombal (desenho) 1951 A.E. Tomás da Anunciação Boi (gravura) 1947 Oferta do coronel Henrique Ferreira de Lima Victor Bastos Marinho 1947 Visconde de Menezes Auto-Retrato 1959 A.E. 1º Naturalismo Pintura Autor Título Data de entrada no MNAC Notas Júlio Teixeira Bastos Cabeça de Velho 1952 A.E. Enrique Casanova Paisagem A.E. Enrique Casanova Paisagem A.E. Enrique Casanova Paisagem - Belas 1947 A.E. Ernesto Condeixa Auto-Retrato 1953 Adquirido ao sobrinho do autor Pintor Ribeiro Júnior José de Figueiredo Cabeça de homem 1950 A.E. Adolfo Greno Retrato de Josefa Greno 1948 A.E. Adolfo Greno Retrato de criança 1951 Oferecido por Diogo de Macedo Josefa Greno Flores 1951 Oferecido por Diogo de Macedo Alfredo Keil Paisagem 1945 Legado de Mª Emília Bordalo Pinheiro Alfredo Keil Castelo de S. Jorge 1947 Legado de Luís Keil Alfredo Keil O aterro em 1881 no cais do Tejo 1947 Legado de Luís Keil Alfredo Keil Praça dos Restauradores 1947 Legado de Luís Keil Alfredo Keil Marinha 1948 A.E. Alfredo Keil Varinas no cais do Tejo 1953 A.E. Alfredo Keil Composição 1947 A.E. Alfredo Keil Paisagem L.E.B.P. José Malhoa Retrato de Teresa E. Evelina Pereira da 1945 Legado de Pereira da Costa XLVII Alberto de Sousa Mulher das cercanias de Aveiro 1948 A.E. Sofia Martins de Sousa O atelier da pintora 1953 A.E. Desenho Jaime Martins Barata Estudo do painel do clero – monasterial 1945 Fazenda Pública Jaime Martins Barata Alferes Mor 1945 Fazenda Pública Jaime Martins Barata Bispo de Casula Amara (?) 1945 Fazenda Pública Jaime Martins Barata Imaginário 1945 Fazenda Pública Jaime Martins Barata Cabeça de Homem ? Fazenda Pública D. Carlos de Bragança Troncos de árvore 1955 Fazenda Pública D. Carlos de Bragança Uma senhora 1955 Depositado pela Fazenda Pública D. Carlos de Bragança Um sobreiro ? Depositado pela Fazenda Pública D. Carlos de Bragança Uma varina ? Depositado pela Fazenda Pública António Carneiro Retrato de Júlio Brandão 1947 Doado pelos filhos do retratado António Carneiro Retrato do violinista René Bohet 1957 Oferta da Sra. D. Irene Bohet, viúva do retratado Martinho da Fonseca Retrato do Pintor Alfredo Miguéis 1946 A.E. António Teixeira Lopes Cabeça de criança 1947 A.E. António Teixeira Lopes Apontamento ? A.E. Teixeira Lopes Apontamento (Estudo de Crianças) ? A.E. Teixeira Lopes Retrato do actor Chaby Pinheiro 1947 Legado do retratado Armando Lucena Árvores - Malveira 1956 A.E. Armando Lucena Apontamento – Nazaré 1956 A.E. João Savedra Machado Retrato do pintor Eduardo Romero 1950 Oferta da família do retratado Júlio Moisés Duas Sevilhanas 1953 A.E. Augusto Santos (?) Estudo (Nu Masculino) 1948 Oferta de Diogo de Macedo Francisco Valença Retrato de David Melo 1948 Oferta de Diogo de Macedo Francisco Valença Retrato de Simões de 1948 Oferta de Diogo de XLVIII Almeida Macedo Francisco Valença Retrato de D. João da Camara 1948 Oferta de Diogo de Macedo Francisco Valença Retrato de Marcelino Mesquita 1948 Oferta de Diogo de Macedo Francisco Valença Retrato de Alfredo Morais 1948 Oferta de Diogo de Macedo Francisco Valença Retrato de Saavedra Machado 1948 Oferta de Diogo de Macedo Nota: Para este período – 2º naturalismo – existem muitas obras sem dados Desenhos de Sousa Lopes Título Data de entrada no MNAC Notas Expressão Maliciosa 1946 Fazenda Pública Retrato de homem judeu 1946 Doação familiar Croquis de beira mar 1946 Fazenda Pública 10 desenhos 1946 Fazenda Pública 3º Naturalismo Pintura Autor Título Data de entrada no MNAC Notas Álvaro Duarte Almeida Paisagem 1954 A.E. Rogério Amaral Barcos na doca 1952 A.E. José Maria Amaro Jr. Escolhendo Café 1952 A.E. Fortunato Anjos Luvas 1945 A.E. João José Sousa Araújo O canhoto 1959 A.E. Alberto Nery Capucho Fonte da vida – Castelo de Vide 1946 A.E. Alberto Cardoso O Barco Azul 1951 Carlos Carneiro Arco do Triunfo 1948 A.E. Carlos Carneiro Paris 1959 A.E. João Alberto Carvalho Uma rua em Saravejo 1952 A.E. Martins Costa Basílica de S. Francisco 1953 A.E. Pinho Dinis Coimbra através das árvores 1954 A.E. XLIX Silva Lino Paisagem de Outono 1951 A.E. Silva Lino Paisagem de (?) 1953 A.E. Silva Lino Uma rua na Aguda/Ajuda (?) 1949 A.E. Machado Luz Lisboa Nova 1959 A.E. Francisco Maria Ao largo de Belém (?) 1945 A.E. Eduardo Malta Retrato de Afonso Lopes Vieira (?) 1955 Legado Eduardo Malta Retrato de Menina 1959 Oferecido pela mulher do artista Jaime Altieva(?) Igreja de (?) 1953 A.E. Henrique Medina Retrato de Mauterlinck(?) 1947 Entregue ao Museu pelo Ministério das Finanças Henrique Medina Retrato de Gonçalo Breyner 1957 Legado por Júlio de Castro Mello Breyner Jaime Altieva(?) Porta da cidade de Viseu 1953 A.E. Abel Moura Menina 1948 A.E. Ventura Moutinho Mondego em Penacova 1950 A.E. Jaime Monteiro(?) Rio Ceira (?) - Lousã 1953 A.E. Pedro Jorge Pinto Efeito do Sado 1947 A.E. Pedro Jorge Pinto Trecho de Óbidos 1943 A.E. Carlos Augusto Ramos Paisagem – Sol de Maio 1950 A.E. Mário Salvador Paisagem 1948 A.E. José Dias Sanches Neve (?) 1956 A.E. Júlio Santos Recanto do Louvre - Paris 1954 A.E. Luciano Santos (?) do Trigo 1950 A.E. Maria Luísa Tavares Primavera num jardim 1950 A.E. Desenho Autor Título Data de entrada no MNAC Notas Infante Carmo (?) Praça dos restauradores 1959 A.E. Maria Ribeiro Cruz Rapariga 1948 Oferta da autora Eduardo Malta Estudo de raparigas 1944 Oferta da Litografia Nacional Carlos Marques Algarvios 1946 A.E. L Gravura Autor Título Data de entrada no MNAC Notas Renato de Sousa Araújo Os artífices do século XV 1945 Oferta do Banco de Portugal Renato de Sousa Araújo Gravura de duas cabeças 1945 Oferta do Banco de Portugal Renato de Sousa Araújo O comércio do século XV 1946 Oferta do Banco de Portugal Renato de Sousa Araújo Cabeça de velho 1947 Oferta do Banco de Portugal Renato de Sousa Araújo Retrato da Rainha D. Maria II 1949 Oferta do Banco de Portugal Renato de Sousa Araújo D. Luísa Francisca de Gusmão 1949 Oferta do Banco de Portugal Aires de Carvalho Palácio da Pena - Sintra 1956 A.E. Álvaro Lucas Sé Velha de Coimbra 1949 Oferta do Banco de Portugal Modernismo Pintura Autor Título Data de entrada no MNAC Notas Dominguez Alvarez Bairro de pescadores 1947 A.E. José de Andrada Mulher de Turbante 1951 A.E. Lino António Ceifeiras 1951(?) A.E. Armando Basto No meu atelier de Paris 1945 Oferecido por Diogo de Macedo Manuel Bentes Torre do Relógio 1957 A.E. Manuel Bentes Natureza Morta 1946 A.E. Carlos Botelho Lisboa 1952 A.E. Amadeu de Souza Cardoso Cabeça A.E. Amadeu de Souza Cardoso Cabeça de Homem 1953 Oferecido por Diogo de Macedo Amadeu de Souza Cardoso Cabeça 1953 A.E. Amadeu de Souza Cardoso Cabeça 1953 A.E. Heitor Cramez Estudo de retrato 1951 Oferecido por Diogo de Macedo António Cruz (?) 1952 A.E. Maria Adelaide de Recanto de Jardim 1952 A.E. LI Lima Cruz Mário Eloy Auto-retrato 1945 A.E. Mário Eloy Retrato do pintor Paulo Ferreira 1949 Adquirido à família do retratado Mário Eloy Retrato do bailarino Francis 1952 Oferta do retratado Mário Eloy O Poeta e o Anjo 1951 A.E. Mário Eloy Bailarico no Bairro 1953 A.E. Dordio Gomes Rio Douro 1945 Oferecido por Diogo de Macedo Dordio Gomes Cavalos 1956 A.E. Fred Kradolfer Paisagem 1948 A.E. Abel Manta Natureza-morta – maçãs e uvas 1949 A.E. Abel Manta Retrato da pintora Maria Keil 1953 Oferta do autor Abel Manta Retrato do pintor ou Auto-Retrato 1955 A.E. Almada Negreiros Acrobata 1952 A.E. Emmerico Nunes No cais de Gremelhe 1946 A.E. Emmerico Nunes Sines (35º à sombra) 1959 A.E. Milly Possoz Retrato de Senhora 1948 A.E. Mily Possoz Praia de Pescadores (Cascais) 1946 A.E. Mily Possoz Outono (Sintra) 1944 A.E. Mily Possoz Paris Antigo 1957 A.E. Santa-Rita Estudo para Sansão e Dalila 1955 Academia Nacional de Belas-Artes Francisco Smith Evocação de Lisboa (varinas) 1954 A.E. António Soares Av. Da Liberdade 1959 Legado Valmor Tomás de Melo Casa da Esquina 1950 A.E. Tomás de Melo Barcas no Tejo 1953 A.E. Eduardo Viana A Revolta 1957 Oferta de Mily Possoz Eduardo Viana Impressão de praia 1957 A.E. Eduardo Viana Cais do Douro 1954 A.E. Eduardo Viana A ponte sobre o Douro 1952 A.E. Eduardo Viana Retrato de Waldemar da Costa 1957 A.E. Desenho António Duarte Nu Feminino 1945 A.E. Paulo Ferreira Desenho 1945 A.E. António Lino Escada 1957 A.E. Bernardo Marques Feira 1955 A.E. LII Bernardo Marques Sintra (?) 1955 Bernardo Marques Vista de Lisboa e Tejo 1955 A.E. Bernardo Marques Costa do Algarve 1955 A.E. Bernardo Marques Paisagem Almada Negreiros Duas figuras 1946 A.E. Almada Negreiros Rapaz apoiado numa mesa 1948 A.E. Almada Negreiros Varina 1952 A.E. Mily Possoz O Gato numa cadeira 1957 A.E. José Tagarro Retrato de Senhora 1946 Oferecido por Diogo de Macedo Tomás de Melo Pescador 1945 A.E. Tomás de Melo O circo 1950 A.E. Arte Contemporânea Nadir Afonso Cais do Porto 1945 A.E. D’Assumpção Meditação A.E. D’Assumpção Lirismo Azul 1947 Oferta do artista Fernando Azevedo Cidade - Lisboa 1957 A.E. Joaquim Bartholo Livros usados 1957 A.E. Madalena Cabral Menina 1948 A.E. Madalena Cabral Varina – estudo 1951 A.E. Madalena Cabral Varina – estudo 1951 A.E. Madalena Cabral Varinaestudo 1951 A.E. Madalena Cabral Varina – estudo 1951 A.E. Madalena Cabral Varina - estudo 1951 A.E. Rui Filipe Casas de Fuencarral (?) 1957 A.E. João Hogan Paisagem 1950 A.E. João Hogan Casario de Lisboa ou Bairro Popular 1952 A.E. Jaime Isidoro Sinfonia de Telhados 1948 A.E. José Júlio Velas 1957 A.E. José Júlio Paisagem 1957 A.E. Querubim Lapa O espelho partido 1956 A.E. Albertino Mântua Impressão de Lisboa 1957 A.E. Cândido da Costa Pinto Cabeça de Mulher 1951 A.E. Cândido da Costa Pinto Aurora (?) 1952 A.E. Júlio Pomar O galo e a rapariga do galo 1952 A.E. Maria Helena Vieira da Silva Casas 1957 A.E. Marcelino Vespeira Noctívolo 1954 A.E. LIII Desenho Ribeiro Pavia? Cabeça de camponesa 1958 A.E. Júlio Pomar Rapariga 1952 A.E. Albano Neves Sousa Feitiçaria 1949 A.E. Albano Neves Sousa Choro 1949 A.E. Teresa Sousa Noite - Paris 1957 A.E. Gravura Cipriano Dourado Plantadora de Arroz 1958 A.E. Alice Jorge Trapeira 1957 A.E. Alice Jorge Nu 1958 A.E Júlio Pomar Cenas do povo ou Família de operário 1952 A.E. Júlio Pomar Mulheres do Povo 1952 A.E. Júlio Pomar Peixeira e pescador 1956 A.E. Bartholomeu Cid Vida Silenciosa 1957 A.E. Bartholomeu Cid Dois Sinais 1957 A.E. Bartholomeu Cid Cidade à noite 1958 A.E. Artistas Estrangeiros Auguste Cabanel Retrato de Emilia Povon 1949 Cedido MEN? De Bera Aldeia de França 1953 Oferecido pelo autor Henri Bernardelli Madona ? A.E. Ballayer ? Paisagem do Recife 1951 Oferecido pelo autor Aldolfo Souza Carneiro Paisagem de Itália 1946 A.E. Daubigny Paisagem de França 1950 Adquirido a Artur Soares Pereira ?? Ruiz Fernandes Rosas valencianas 1952 Oferecido pelo autor Gunther Reinhard Praia de S. Pedro de Muel - Portugal 1956 A.E. Frintze Reinhold II Vista de Sá da Bandeira (Angola) 1951 A.E. Paolo Michetti Perfil de pastor 1956 A.E. Alessandro Riberi Paisagem 1950 A.E. Pierre Pagés O Porto do Funchal A.E. Pierre Pagés Mercado da Ribeira 1954 A.E. José Possacas? Retrato do Marechal 1949 A.E. A.Pratella Marina (Porto de 1948 A.E. LIV Mar A.Philipperall Marinha 1945 Legado Valmor Ignacio Zuloaga Retrato de Senhora 1959 A.E. José de Andrada Mulher de turbante 1951 Oferta de Diogo de Macedo Max Braumann Cidade à noite 1957 A.E. Max Braumann Vista de Palmela 1945 A.E. André Bizet Uvas e maçãs 1947 A.E. Luis Canals Nú (torso) 1951 A.E. António Calderara Natureza morta 1950 Oferta de Diogo de Macedo Anna Claudi Flores e Peixes 1955 A.E. Valadas Cariel Heracles Antes 1959 A.E. Waldemar da Costa Flores 1956 A.E. ao artista Waldemar da Costa Mulher na Praia 1957 Oferta do autor Bernard Henry Daydé Vue generale d’Avignon - França 1952 Oferta do autor Leslie Foc? Retrato do violinista Filipe Newman 1949 Oferta do retratado Cândido Portinari O choro 1951 Oferta do Dr. Assis Chateaubriand Molenia?? Stael A Carroça 1956 A.E. ao artista Hirosuki Watanuki Torso de mar - Espanha 1958 A.E. Desenhos Ramon Casas Jovem Espanhola 1953 A.E. a Adolfo Castanhã Maria Droc? Hotel de Ville de Paris 1952 A.E. Kuntze Igreja da fortaleza de Muxima 1952 A.E. Kuntze Fortaleza de S. Miguel (Luanda) 1948 A.E. Carlos Vasquez Lagarterana 1953 A.E. a Adolfo Castaná Max Braumann Desenho 1945 A.E. ao artista Max Braumann Croquis de nus 1957 A.E. Granowsky, Sam Nu Feminino ? Ernest Leyden Retrato da pintora Karin 1957 A.E. Niñez Retrato de Armando de Basto ? Pino della Selva Cheveaux à l’aube 1955 Oferta do autor Hirosuke Watanuki Coimbra 1957 A.E. Hirosuke Watanuki Trecho de Lisboa 1959 A.E. Hirosuke Watanuki Desenho a nanquim 1958 A.E. LV Egon Vollert vonder Wehl Alvorsde (Hamburgo) 1957 A.E Gretchen Wohlwile Barraca de feira – Venda do Pinheiro 1946 A.E. Gretchen Wohlwile Sintra 1948 A.E. Gravura Foujita Crianças 1956 A.E. Toulose Lautrec 11 litografias intituladas Elles 1949 A.E. Pino della Selva Choeur des opprimes 1955 Oferta do autor Pino della Selva St. François d’Assis 1955 Oferta do autor Pino della Selva Carnaval 1955 Oferta do autor Pino della Selva St. Christophe 1955 Oferta do autor Pino della Selva Printemps 1955 Oferta do autor Pino della Selva Retrato de HHector Berlioz 1955 Oferta do autor Pino della Selva Retrato de Vicenzo Bellini 1955 Oferta do autor Pino della Selva Le Roleil dans les champs 1955 Oferta do autor Pino della Selva La muse et son poete 1955 Oferta do autor Pino della Selva St. Lucie 1955 Oferta do autor Pino della Selva L’aube 1955 Oferta do autor Pino della Selva Danse au clair de la lune 1955 Oferta do autor Pino della Selva Reveuse 1955 Oferta do autor Pino della Selva Paysane assise 1955 Oferta do autor Pino della Selva Les trois montagens 1955 Oferta do autor Pino della Selva Auto-retrato 1955 Oferta do autor Pino della Selva Figura colorida 1955 Oferta do autor Pino della Selva Deux Filles 1955 Oferta do autor Pino della Selva La Virge 1955 Oferta do autor Pino della Selva Le philosophe 1955 Oferta do autor Pino della Selva Petit Chérie 1955 Oferta do autor Pino della Selva Le beau echove 1955 Oferta do autor Pino della Selva La Naissance de venus 1955 Oferta do autor Pino della Selva Le château Abandone 1955 Oferta do autor Hansi Stael Raparigas na praia 1952 A.E. Escultura Joaquim Valente Judite 1944 A.E. Barata Feyo Rapariga da Nazaré 1944 A.E. LVI Martins Correia Pedra … 1944 A.E. Szooly (?) Grupo de Mulheres 1945 Doação de Amadeu (?) Ferreira de Almeida Ferreira da Silva Gouveia Eça de Queiroz 1945 A.E. R. Meester de Beazenbraeck (?) Antílope 1946 Doação do Autor a Portugal Columbano Meninos (alto Relevo) 1946 L.E.B.P. Soares dos Reis Busto da Atriz (?) das Neves 1946 Oferta de Diogo de Macedo António Duarte Busto de Poeta (António Navarro) 1946 A.E. (?) Bessone Pastorinha 1946 A.E. Aristides Maillol Mulher Acocorada 1947 A.E. Sousa Caldas Busto de Rapaz 1947 A.E. Soares dos Reis D. Afonso Henriques 1947 Doação do Diretor (Diogo de Macedo) José de Oliveira Ferreira Busto de Criança 1947 Depositado pela Direcção Geral da Fazenda Pública Pinto de Castro Máscara Negra 1947 Depositado pela Direcção Geral da Fazenda Pública Pinto de Castro Retrato da Filha do Artista 1947 Depositado pela Direcção Geral da Fazenda Pública Anjos Teixeira Desesperação (?) 1947 A.E. Costa Mota Lavador 1947 A.E. Francisco dos Santos Crepúsculo 1947 A.E. Francisco Franco Adão e Eva 1947 A.E. Euclides Vaz Máscara 1948 A.E. Silva Pinto Busto de Homem 1949 A.E. Soares dos Reis Leandro Braga 1949 Fundição paga pelo Estado Teixeira Lopes Estuda para a Viúva (?) 1949 A.E. João Fragoso Busto do Pintor Vazques (?) Dias 1951 A.E. Diogo de Macedo Busto do Pintor Mário Eloy 1951 A.E. Anjos Teixeira Busto do Pintor Júlio Silva 1952 Cedência para Fundição paga pelo Estado Martins Correia Mulher e Cabrito 1952 A.E. Francisco Franco Cabeça de Rapaz 1952 Fundição paga pelo LXIII dar com os costados em Lisboa, onde fez mil croquis e subsidiou a sua fantasia para contar, depois em Montparnasse, que vira, cá no cais, magotes de pretos nus, com tangas multicolores, a venderem papagaios e araras, atados a um poleiro encarnado e gigante. Esse Granowsky que tomou vinho de Amarante por vinho do Porto, só porque aqui o bebera em noites de boémia, e que, quando topa lusíada em terras de França, o saúda no único português que aprendeu: «obrigado muitíssimo, amigo!» - e que no fundo é um real artista, um independente!» Ramey ? pintor «E o pintor Ramey, magro e corcovado, inteligente e judeu, amigo de Naudin, que dava festas com vinho branco e danças russas, e boemizava connosco por bailaricos e bistrots, o cachimbo nos dentes e a ironia fácil. É hoje quase um triunfador no meio dos fauves, tendo passado pelo cubismo e seguido Marcel Lenoir (…)» 32 Marcel Lenoir 1872-1931 Pintor / Francês «(…) esse genial desgraçado, peludo e pintor místico.» 32 Thibeaut ? Pintor / Belga ? «O belga Thibeaut, que se escapuliu da Guerra, atado a uma velhorra afortunada, decorador de gosto, vitralista, mosaísta, cerâmico, pintor, acomodado à vida e à música do gravador Chapron, o que tocava na viola e na sanfona canções francesas do século dezoito, e que, em noites calmas, nós íamos ouvir ao ateliê de Dorignac.» 33 (Georges) Dorignac 1879-1925 ? Pintor ? Onde iam ouvir música francesa do século XVIII interpretada pelo artista belga Thibeaut 33 (Léonard Tusuguharu) Foujita 1886-1968 Pintor / japonês «O Foujita – esse outro celebérrimo cabotino de talento que o Japão criou e a França consagrou -; o Foujita simplório, de kimono e sandálias, brincos nas orelhas e cabelo à romana atado com uma fita; o Foujita da Cité que não é o de Deauville, porque aquele era ainda um menino por prostituir e que a nora da concierge sugava como a tâmara madura, e este 33; 76 LXIV d’agora é um pantomineiro da moda, embora um original artista, um extraordinário desenhador e um valoroso pintor.» «(…) o menino bonito dos reclames às meias e aos perfiumes, esse fransino de tórax e de traço, de nuca ao léu e colaborador de Van-Dongen e Mistinguette nas festas de caridade, ainda não teve a consagração dos museus que seu indubitável talento aguarda. (…)» Kawashima, Tokunaga, Kuwashige japoneses «Outros japoneses, de cabaia, uns três ou quatro, que iam à Academia Julien (…)» 33 Simões de Almeida (sobrinho) 1880-1950 Escultor / português Tinha passado por Paris pouco antes da chegada de Diogo de Macedo 33 Manuel Bentes 1885-1961 Pintor / português «O Manuel Bentes, o «Manuel Maldito», vestido como pastor protestante, a barba em bico, de maromba e falas sérias, íntimo do Smith (…) e do Alberto Cardoso (…)» 34 Francis (Francisco) Smith 1881-1961 Pintor / português «(…) o saudosista dos recantos lisboetas (…)» 34 Alberto Cardoso 1881-1942 Pintor / português «(…) que fazia caricaturas e tocava guitarra (…)» 34 José Bragança ? ? «(…) o loiro Bragança, corredor de mulheres e crítico de arte, amigo de tout-Paris, topa-a-tudo de grandes recursos de habilidade. Escritor e tradutor, professor e autor de cartazes, músico e discutidor, sobretudo discutidor, sobretudo – oh isso então! – corredor pedestre em conquista de novas Índias … e francesas e alemãs (…)» 34 José de Andrada Pintor / brasileiro ? «(…) franzinho e loquaz, com seus olhos vivos a saltarem-lhe do rosto, surgira tal e qual, imaginativo e elegante, como eu o encontrara ultimamente na cidade de S. Paulo (…)» «(…) descendente dos Bobadelas, que nasceu no Brasil, pintor de gosto e hoje decorador celebrado, dos mais fiéis que teve a minha amizade. O bom 9; 34 LXV José de Andrada, filho do Maestro Carlos, paulista de apelido malicioso, que ainda hoje reside na Cité, no mesmo ateliê de então, o mesmo amigo de sempre, triunfador por atacado, como foi o seu ancestro, o heróico José Bonifácio (…)» José Pacheco (José Pacheko) 1885-1934 Arquiteto / português «José Pacheco, arquitecto pela Graça de Deus e inventor da «Contemporânea», essa revista única que tivemos, graças a Deus e a ele, morador no ateliê de Amadeu de Sousa-Cardoso (…)» 34 Amadeu de SousaCardoso 1887-1918 Pintor / português «(…) morador no ateliê de Amadeu de Sousa-Cardoso, quando este era impressionista e fabricava caricaturas. O Amadeu, que se a morte não o vence seria hoje o maior pintor português(…)» «Amadeu Cardoso foi o único pintor português que mergulhou no cubismo, que fez rapa-pés ao marinettismo, e deixou esperançosos ensaios de pintura-viva. Os outros foram líricos – ele foi construtor. Desenhou um álbum com estilizamentos curiosos, fantasias bizarras, mexicanas, negras e orientais. A pintura, porém, era mais sólida. Há mesmo abundante dose de humanidade em certos quadros, que lástima é não estejam arquivados num museu contemporâneo. Modigliani respeitou-o imenso, e nós, os portugueses, ignoramo-lo. As suas exposições em Lisboa e Porto foram motivos de chalaça, de fera má-língua e até de escarros. Em Paris, na galeria Briant & Robert, em 1925, a Cocteau o ouvi eu elogiar às largas, e nos jornais li rasgados encómios a esse desventurado português. E cá?!... cácá…» 34-35; 44-45 António de Azevedo 1889-1968 Escultor / português «(…) escultor delicado e carga de ossos em bolandas (…)» 35 Armando de Basto 1889-1923 Pintor e escultor / português «(…) persistente na ilusão e no sacrifício, pálido e sequioso de confidências, contara-me das suas derradeiras aventuras passadas em Lisboa, no Porto, na Granja e em 8; 35-36 LXVI Braga (…)» «O pobre Armando de Basto, desventurado pintor de quem tanto havíamos a esperar. Garoto e alegre, com aptidões para cavalarias altas e acanhamentos de meninas, vivendo de béguins e de cafés com leite, sem rodela no bolso mas opulento de inteligência, não sabendo furar a vida mas guardando talento de sobra para meia dúzia. Meu colega nas bacanais pelintras e nos sonhos ambiciosos, brejeiro no dito, certeiro na charge e bondoso no raciocínio. Romântico e nervoso, a morte o arrastou, farto de uma vida malfadada e injusta, sem jamais haver tido ocasião de revelar francamente os seus dotes de pintor, o seu génio de artista, que o foi e dos mais pessoais e incompreendidos.» Amadeo Modigliani 1884-1920 Pintor e escultor / italiano «(…) «le beau Modi» - maudit ficara na historia da pintura do nosso tempo em Paris, embora em sítio de honra nos museus de todo o Mundo – aparecera-me emagrecido, de sorriso mais triste, com profundas olheiras de desgraça e vigílias de génio (…)» «Por último, o extraordinário Modigliani, que revolucionou e celebrizou a aldeola do 14, esse serralho de xerife, de pouca-vergonha e de boémia, onde tudo amou e filhou, cantando e vencendo, e apenas o proprietário da Villa foi tristonho e enganado, rameloso de feitio e eunuco de nascença… O grande e heróico boémio, o grande pintor Amadeo Modigliani! O malogrado Modigliani que rebenta aos 35 anos, glorioso e pobre, havendo com sacrifício da própria vida enriquecido alguns tratantes, que com ele traficaram obras-primas em troca de álcool e de um vago bem-estar, como se ele fosse um simples zulu! Nascido em Livorno, de família israelita, burguesa e bem cotada, sendo sua mãe professora doutorada em 8; 3644; 45; 49; 50 LXVII línguas e seu irmão Emmanuel um deputado e orador audaz do partido socialista, lançou-se um dia ao vagamundear de artista, para em Paris vir tombar olimpicamente, como o mais pessoal pintor da moderna falange de revoltados, isto é, do mundo inteiro. Formoso e altivo, desgraçado e forte, trazia no peito a crença da vitória e no sangue o génio das epopeias. Tinha fúrias de dominador e meiguices de profeta. Foi as duas coisas sem ser piegas nem egoísta. Traduzia-as agindo por ímpetos e apuros, na sua obra original e nova, dando certo ar de desalentada amargura aos retratados e certas fidalguias virgens aos corpos nus de mulher que pintou. (…) arrastou com a sua morte a vida da mulher que o adorava. Jeanne Hebuterne, ao vê-lo inerte, suicida-se no mesmo dia, prenhe de um novo filho de Modigliani (…) Conheci-o no dia imediato ao da minha entrada na caserna, nesse 14 soalheiro e serralhento. Porque o meu francês era falhado na composição, falou-me em espanhol (…) Bonito de máscara e desempenado de busto; risonho naturalmente, com um vago torcer de boca que se arqueava de forma a sorrir mesmo quando não sorria; olhos vivos e leais a fitarem sempre os nossos; loquaz na franqueza e honesto no desregramento das suas acções… Acastanhado de pelo, a barba e o cabelo cortados da mesma forma, talhados como na estátua de Mausolo; tipo de perfeito patrício romano, firme de pernas, os ombros largos, os peitorais erguidos, o pescoço forte e sempre ao léu, um certo ar atlético na marcha, tinha o aspecto encantador do animal feliz, que sorri a tudo e ergue a grela à luz – herói de raça e herói de martírio. (…) Mais tarde – o álcool e a boémia! – esfrangalhou-se-lhe esta prestança física, e já sem barbicha nem LXVIII arcaboiço petulante, guardava ainda a estampa de alferes garboso(…) Vestido de bombazina cor de rato ou negra, a calça larga à hussardo, o jaquetão amplo, sem colete nem atavios pinocas, uma facha singela a atar-lhe as pantalonas na cinta, a camisa quase sempre de riscado – branca e azul, branca e rosa – no geral sem botões na gorja, com uma rudimentar gravata, o nó mal dado, esgarçado, à gandaia. Muito lavado sempre, por vezes roto, esfiapado ou com redes de costureira manhosa, era um simpático tipo boémio, mas sem murgesismos românticos nem artificialismos para dar nas vistas. Modigliani era pintor. Morava no pátio, a princípio num quartinho escuro (…), depois no ângulo oposto, em ateliê mais espaçoso e claro, que tinha por mobília uma mesa e um cavalete, uma cadeira e um divã. Quando o conheci, andava ele numa fase de dúvida – qual o caminho a tomar com mais segura verdade? (…) A sua pintura tinha atingido enorme êxito no derradeiro Salon, com o Violoncelista, que era o retrato de um camarada. Lautrec e Picasso, que o haviam impressionado, eram agora postos de parte, renegados com independência. Já os impressionistas o haviam chocado, mas sem paixão. Impressões de recém-chegado, a todos ferem e sugestionam. Modigliani, porém, não suportava tutelas. Seu menear de ombros e de garganta, era próprio de alguém que quer respirar largo, sem submissões nem fianças escolares. Italiano de gema, sonhava com impérios que fossem só seus. (…) Havia, pois, parado com o pincel, seu melhor verbo de traduzir a harmonia da vida com amor, para respirar fundo, sentir melhor ânsia, calcular melhor o voo. (…) O retumbante triunfo do Salon não o envaidecera. Deixara-o duvidoso. (…) Figuras esguias, magras e doentes de LXIX cor, abstractas de imagem, românticas um tanto: altos pescoços que tombavam em movimentos de compaixão ou desânimo, os olhos rasgados de miséria interior, as bocas franzidas de resignação. Nenhum sorriso, nenhuma nesga de sol… Só dor e harmonia. (...) Tudo muito longe daquele belo colorido de alperche doirado, com que depois se notabilizou. Planos largos e linhas sem sinuosidades. Pintura sumária, emotiva e comovida, cheia de expressividade mas pouco bondosa. Obra sintética, resumida e sem alegria. (…) Acamaradámos algum tempo. Ria expansivamente e revelava-me artistas novos, para mim inéditos: Brancusi, Utrillo, Naldeman, Rousseau, o douanier… Fomos ao Salon des Indépendents, então à beira-Sena, num abarcamento apropriado. Sorriu, blagueou, falou a toda a gente, troçou daquela pintura domingueira, espalha-brasas. Teve uma fúria ao ver um desacato num mármore de Brancusi, representando a cabeça de Baptista – um ovo polido sobre um prato circular. Quando saímos, quase à porta, junto de um quadro religioso, o Calvário, de Marcel Lenoir, fez-me pasmar diante de uma tela grande, uma caçada com amazonas e lebréus em salto de arcoíris, obra de Amadeu Cardoso, seu amigo e meu compatriota. - «Voilà, voilà… C’est preque bien… Il ne lui manque qu’un peu de courage, pour emmerder tous ces barbouilleurs!...» E graças a Modigliani deparei com um dos nossos maiores pintores.» p. 45 – fases que se seguiram na pintura de Modigliani «Modigliani raro se deu a uma amizade, como se deu continuamente ao álcool, ao sonho e ao trabalho. Foi a arte que o glorificou, mas também LXX quem o matou. (…)» «(…) passava desde manhãzinha até ao meio-dia, sentado no chão, uma pedra esguia entre os joelhos, malha que malha, pica que pica, desbastando, cinzelando esguias máscaras de esgalgado pescoço, o talhe lembrando o bárbaro dos manipansos, o gosto influenciado pelo oriente – olhos pequeninos, oblíquos e desenhados em amêndoa, nariz afilado, desmedido e fino, gravado em três rectas paralelas, uma boca em beijo, redonda como cereja bical, o mento boleado e romano, a testa engrinaldada, ora de cabelos ondeados, ora de berloques de joia, conforme a pedra dava ou aconselhava, umas vezes dura e outras mole, de construção. Modigliani servia-se de blocos vulgares de maçanaria, paralelepípedos de faces polidas, que jamais eu soube onde os apanhava.» Max Jacob 1876-1944 Pintor / Francês «(…) destrambelhado e místico, poeta e pintor com café-creme, um grande de França, um cristão-novo em plena fogueira (…)» 46 Diego Rivera 1886-1957 Pintor / mexicano «(…) o mexicano anarquista, comilão e conquistador, a quem pintou [Modigliani] um retrato extraordinário e de quem possuo um desenho (…)» 46 (Robert) Delaunay 1885-1941 Pintor / Francês «(…) revolucionário teórico, judeu furta-cortes, interseccionista hoje, simultaneísta amanhã, sempre detentor de sensações de contraste, que veio a Portugal agitar a bandeira das vibrações, para não ouvir o estampido da grosse Bertha (…)» 47 (Léopold Zborowski) Zborowsky 1889-1932 Marchand / polaco Vivia no 3 da Rua Bara, perto do jardim Luxembourg «(…)seu amigo [de Modigliani] de horas amargas e protector das suas telas (…)» 26; 47 (Moïse) Kisling 1891-1953 Pintor / Francês (de origem polaca) Vivia no 3 da Rua Bara, perto do jardim Luxembourg «(…) seu inteligente continuador [de Modigliani] (…)» 26; 47 LXXI (Gabriele) d’Annunzio 1863-1938 Poeta, dramaturgo / Italiano «(…) amigo que[Modigliani] admirava e de quem nos recitava poesias (…)» 47 (Umberto) Boccioni 1882-1916 Pintor, escultor / Italiano Boccioni e Archipenko - «(…) revolucionários da forma, cultores de inéditos volumes (…)» «(…) essoutro arrojado italiano, chefe do futurismo plástico, defensor dos ritmos puros, harmonista dos contravolumes e criador dos movimentos da forma em correcto jogo de interseccionismos audazes, coerente teórico que pregou a guerra e nela morreu, e que expunha uma escultura valorosa – Síntese do dinamismo humano (…)» 47; 66 (Alexander) Archipenko 1887-1964 Escultor / Ucraniano Boccioni e Archipenko -«(…) revolucionários da forma, cultores de inéditos volumes (…)» «(…) Archipenko, o das figuras estardalhaçantes fabricadas em folha de Flandres, ripolinadas em todos os tons e baptizadas de sincronismo escultórico(…)» 47; 6667 (Ossip) Zadkine 1890-1967 Escultor / bielorusso «(…) o escultor Zadkine, que também era rato da Cité (…)» «Zadkine era ainda um judeu pobre, sem clientela na América nem artigos no Raynal. A sua escultura desbastada em troncos duros de carvalho, como padrões totémicos, ou em pedregulhos toscos de basalto, jazia-lhe no ateliê sem esperanças de comprador nem páginas de revista catita para as reclamarem.» 78; 7879 LXXII Tabela 3 Locais – 14, Cité Falguière Local Notas Pág. (s) Quartier Latin «Preciso era vir o profeta [Marinetti] antes, anunciar a nova verdade, o presente futurismo. Foi escolhida a sala dos estudantes de Paris, no Quartier Latin, (…)» «Sala espaçosa, nem lugar para uma pulga pinchar havia lá dentro.» 80 Villa Falguière «14, Cité Falguière: Um beco-sem-saída. Meia dúzia de casas sujas de cada banda, e, ao fundo, entrando-se por uma ponteca com caramanchão enroscado de trepadeiras e uma escada de dois lances. Logo estampado a negro, o letreiro flamante: VILLA FALGUIÈRE que era o 14.» «(…) composta por um casarão barato, caserna de estudantes e de modelos, quartos para um lado e para o outro, todos a 30 francos ao mês(…)» «Por umas escadas de pedra descia-se a um pátio longo, cercado de ateliês, vinte ou trinta, todos iguais. Mil trepadeiras, blocos de granito pelos cantos, montões de barro, de telas velhas, de chassis quebrados, fogões e cadeiras sem uso, fragmentos de arte abandonada – cemitério de luxos e de sonho.» «(…) que davam o aspecto, à Cité, de um grande navio cheio de maluquinhos.» 20; 25; 26 Academias de Montparnasse Escutou as lições do escultor americano Mr. Bartlett, de Bourdelle e de Naudin E «(…) as canções napolitanas ou socialistaamorosas dos músicos boémios que lá vinham cantar ao pátio.» 27 Escola da rua Bonaparte «Não contente com tais trabalhos» - os das Academias de Montparnasse Discípulo de Injalbert 27 St. Cloud e Robinson Rambóias com Injalbert 27 Mazet «O Mazet era o dono de um restaurante de operários e artistas, situado na rua Falguière. Suecos, italianos, brasileiros e portugueses, ali se davam rendez-vous em repastos barulhentos e não mais caros que um franco por cabeça. (…) O recanto do fundo era o nosso, o dos artistas, le coin des canards, porque só bebíamos água e porque grasnávamos sem detença. Também apareciam, por 51-5253 LXXIX Fig. 2 . Joaquim Lopes – Retrato de Diogo de Macedo, s.d. Fonte da Imagem: CMTL Fig. 3. Drimiti Ismailovich – Retrato de Diogo de Macedo, c. 1950. Fonte da Imagem: CMTL LXXX Fig. 4. Abel Manta – Uma tentativa de Retrato, 1935. Fonte da Imagem: CMTL Fig. 5. Carlos Botelho – Retrato de Diogo de Macedo, 1934. Fonte da Imagem: CMTL LXXXI Fig. 6. Francisco Franco – O grupo dos quatro, 1924. Fonte da Imagem: CMTL Fig. 7. Armando de Basto – Diogo de Macedo lendo Marinetti, c. 1917. Fonte da Imagem: CMTL LXXXII Fig. 8. Diogo de Macedo – Eva / Baigneuse, 1923. Fonte da Imagem: http://www.matriznet.dgpc.pt/MatrizNet/Objectos/ObjectosConsultar.aspx?IdReg=203898 LXXXIII Fig. 9. Diogo de Macedo – Busto de Camilo Castelo-Branco, 1913. Fonte da Imagem: CMTL LXXXIV Fig. 10. Diogo de Macedo – L’Adieu / Le Pardon, 1921. Fonte da Imagem: CMTL LXXXV Fig. 11. Capa do folheto da exposição Cinco Independentes Fig. 12. A Exposição dos “Cinco Independentes”. Ilustração Portugueza. Lisboa. Série 2, Nº 925 (10 Nov. 1923), p. 601. LXXXVI Fig. 13. Diogo de Macedo – Busto de Antero de Quental, 1929. Fonte da Imagem: CMTL LXXXVII Fig. 14. Diogo de Macedo – Afonso de Albuquerque, 1930. Fonte da Imagem: http://2.bp.blogspot.com/- Lq_5WGno1eo/UQwURAFOouI/AAAAAAAAGqk/BsVVjQDXI8k/s1600/AFONSO+DE+ALBUQUERQUE+- +EST%C3%81TUA+DE+DIOGO+DE+MACEDO.jpg LXXXVIII Fig. 15. Diogo de Macedo – Pintura e Escultura, 1939. Fonte da Imagem: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/bb/Museu_Nacional_de_Arte_Antiga_001.jpg Fig. 16. Diogo de Macedo – Fonte Monumental da Alameda D. Afonso Henriques, 1940. Fonte da Imagem: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/84/FonteLuminosa.JPG XCV Fig. 27 - Amadeo Modigliani Fonte da imagem: http://www.arttravellers2014.org/siteimages/amedeo_modigliani.jpg Fig. 28. Diogo de Macedo – 14, Cité Falguière. Traseiras de uns ateliers, 1911. Fonte da Imagem: CMTL XCVI Fig. 29. Francis (Francisco) Smith – Recanto de Paris, c. 1925. Fonte da Imagem: CMTL Fig. 30. Diogo de Macedo – Canto de um café, 1924. Fonte da Imagem: http://www.cam.gulbenkian.pt/index.php?headline=98&visual=2&langId=1&q=M XCVII Fig. 31. Diogo de Macedo – S/ Título, 1923. Fonte da Imagem: http://www.cam.gulbenkian.pt/index.php?headline=98&visual=2&langId=1&q=M Fig. 32 – Samuel Granowsky – Auto-retrato, s.d. Fonte da Imagem: http://www.ecoledeparis.org/files/samuel-granowsky/samuel-granowsky_web.jpg XCVIII Fig. 33. Foujita em 1927. Fonte da Imagem: http://3.bp.blogspot.com/-TpfunPUTzvc/Th2Iile5y4I/AAAAAAAAEWc/prnPf3EgnBs/s400/Foujita%2B2.jpg Fig. 34. Amadeo Modigliani – Retrato de Diego Rivera, 1914. Fonte da Imagem: http://www.mystudios.com/art/modern/modigliani/modigliani-portrait-diego-rivera.html XCIX Fig. 35. Robert Delaunay – Torre Eiffel, 1909-1914. Fonte da Imagem: http://misiglo.files.wordpress.com/2010/05/paris-26-robert-delaunay.jpg Fig. 36. Umberto Boccioni – Formas Únicas de Continuidade no Espaço, 1913. Fonte da Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:%27Unique_Forms_of_Continuity_in_Space%27,_1913_bronze_by_Umberto_Boccioni.jpg C Fig. 37. Alexander Archipenlko – Estatueta, 1914. Fonte da Imagem: http://www.moma.org/collection/browse_results.php?criteria=O%3AAD%3AE%3A209&page_number=3&template_id=1&sort_order=1 Fig. 38. Zadkine em 1930. Fonte da Imagem: http://www.millerwalks.com/wp-content/uploads/zadkine_1930.jpg CI Fig. 39. Oscar Miestchaninoff – Busto de Jovem, 1914. Fonte da Imagem: http://www.1stdibs.com/furniture/more-furniture-collectibles/busts/oscar-miestchaninoff-bust-young-girl-1914/idf_771689/ Fig. 40. Amadeo Modigliani – Cariátide, 1912-13. Fonte da Imagem: http://www.modigliani-drawings.com/caryatid%20-%20recto.htm CII Fig. 41. Diogo de Macedo – S/ título, 1925. Fonte da Imagem: http://www.cam.gulbenkian.pt/index.php?headline=98&visual=2&langId=1&q=M Fig. 42. Amadeo de Souza-Cardoso – Cafés de Paris, 1908. Fonte da Imagem: http://www.cam.gulbenkian.pt/index.php?headline=98&visual=2&langId=1&q=E CIII Fig. 43. Manuel Bentes - Paisagem - Casas, s.d. Fonte da Imagem: http://www.cam.gulbenkian.pt/index.php?headline=98&visual=2&langId=1 Fig. 44. Francis Smith - Lisboa - Alfama, 1920. Fonte da Imagem:http://www.cam.gulbenkian.pt/index.php?headline=98&visual=2&langId=1 CIV Fig. 45. Mário Eloy - O Arquiteto José Pacheco, 1925. Fonte da Imagem: http://www.cam.gulbenkian.pt/index.php?headline=98&visual=2&langId=1