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A Adoção do Justo Valor nos Ativos não Financeiros - Evidência Empírica de 2010 a 2012 de 5 países europeus.

Ana Sofia da Costa

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A ADOÇÃO DO JUSTO VALOR NOS ATIVOS NÃO FINANCEIROS – Evidência Empírica de 2010 a 2012 de 5 países europeus Ana Sofia da Costa Dissertação de Mestrado em Contabilidade e Controlo de Gestão Orientação: Prof. Dr. Rui Couto Viana 2013/2014 i Nota biográfica Ana Sofia da Costa, nascida em 1989, com naturalidade portuguesa, concluiu a sua licenciatura em Economia, na Faculdade de Economia da Universidade do Porto, no ano de 2010. Ingressou no mestrado em Contabilidade e Controlo de Gestão no ano de 2011, cuja parte curricular terminou em 2013 com média de 16 valores. No decurso dos cerca de três anos que se seguiram à conclusão da licenciatura trabalhou em auditoria. Atualmente encontra-se a residir em França, onde trabalhou durante cinco meses no Departamento de Contabilidade de uma multinacional francesa. Agradecimentos Não queria deixar de agradecer a força e apoio que os meus familiares mais próximos me deram para concluir esta análise, assim como a compreensão por todas as horas que estive ausente. Não poderia esquecer o meu orientador, Professor Doutor Rui Couto Viana, por todo o apoio e boas sugestões que deu para a conclusão desta análise e sobretudo pela disponibilidade que sempre demonstrou ao longo de todo o trabalho. Gostava ainda de deixar um agradecimento à aluna de doutoramento Mestre Rute Gonçalves e ao Professor Doutor José António Moreira pelos conselhos e orientações para a análise empírica. ii Resumo O IASB na sua parceria com o FASB tem vindo a direcionar as suas políticas contabilísticas para o Justo Valor. A obrigatoriedade das empresas europeias cotadas em bolsa apresentarem as suas contas consolidadas segundo as normas do IASB colocam-nas perante esta realidade de uma contabilidade ao Justo Valor. No entanto, o conceito de Justo Valor tem suscitado opiniões divergentes entre investigadores e profissionais da área, sobretudo acerca da razoabilidade na aplicação deste modelo a ativos cujo mercado tem pouca liquidez. Neste sentido, esta análise visa investigar o comportamento das empresas perante dois tipos de ativos, Ativos Biológicos e Propriedades de Investimento, cujos mercados são considerados de pouca liquidez, analisando se podem existir diferenças no comportamento das empresas, sabendo que para o primeiro a aplicação deste método é obrigatório, e que para o segundo é opcional. Para tal, serão tidas como orientadoras ao longo da análise três questões: “Estão as empresas a cumprir a utilização do critério do justo valor, exigido a nível dos Ativos Biológicos?”, “Adotaram as empresas com Propriedades de Investimento o justo valor como critério para a sua mensuração?”, “Quais as características das empresas que adotam o justo valor como critério de mensuração?”. Serão analisados os índices de 5 países do sul da Europa com proximidade geográfica como forma de determinar a amostra a observar, ao longo de 3 anos, para analisar as opções do método escolhido pelas empresas. O efeito a explicar será a utilização do justo valor como método de mensuração destes ativos. A reduzida amostra dos Ativos Biológicos não permitiu uma análise muito aprofundada para este tipo de ativos, nem a formulação de conclusões significativas. Ainda assim é de salientar que em 9 empresas, apenas 2 não utilizavam o critério do justo valor, justificando com a falta de liquidez dos mercados. Já ao nível das Propriedades de Investimento verificamos que a adoção do método do justo valor é muito reduzida. Os resultados obtidos sugerem que fatores como a dimensão, o iii peso das propriedades de investimento e o setor influenciam a escolha do método, assim como existe uma diferença a nível dos países. Abstract THE IASB in his partnership with FASB is directing his account policies to the fair value. In this case, obligatoriness the european companies listed in stock-market presents their consolidated accounts according the IASB norms putting them in the reality of the fair value accounting. Meanwhile the concept of fair value has raised different opinions between investigators and area professionals, mostly about the reasonableness in application of this model in assets which markets with low liquidity. In this sense, this analysis aims to investigate the behavior of two types of assets from de companies, Biological Assets and Investment Properties, which markets are considered with low liquidity, analyzing if exist differences in the companies behavior, knowing that for the first, the application of this method is required and for the second optional. For that, will be considered as guidelines along this analysis three questions: “Are the companies fulfilling the utilization of the fair value criteria, required for biological assets?”; “The companies with investment properties adopted the fair value as criteria for measuring is assets?”; “Which are the characteristics of the companies who adopt the fair value as criteria for measuring them assets?”. Will be analyzed the index of 5 countries of south Europe with geographical proximity to determinate the sample, among 3 years, to analyze the options of method chosen by companies. The effect to explain will be the utilization of fair value as measure method of these assets. The reduced sample of biological assets didn’t allow a very deep analysis for this type of assets, neither the formulation of significant conclusions. Yet it is noteworthy that in 9 iv companies only 2 don’t use the fair value criteria, justified with miss of liquidity in markets. For investment properties it’s verified that the adoption of the fair value it’s too low. The results obtained suggest that factors as dimension, weight of investment properties and the sector influence the choice of method, like there are differences between countries. v Índice de quadros e tabelas ....................................................................................... vi Índice de anexos ...................................................................................................... vii Lista de abreviaturas utilizadas ............................................................................... viii 1. Introdução ........................................................................................................... 1 2. O Enquadramento Teórico e Normativo............................................................. 3 2.1 A normalização europeia ............................................................................. 4 2.2 Evolução histórica ....................................................................................... 5 2.3 O Custo Histórico Vs O Justo Valor ........................................................... 6 2.4 Os ativos mensurados ao justo valor ......................................................... 12 2.5 Os Métodos de determinação do justo valor ............................................. 16 2.6 A IFRS 13 .................................................................................................. 17 3. Metodologia ...................................................................................................... 20 3.1 Obtenção e Caracterização da amostra ...................................................... 20 3.2 A recolha e análise dos dados .................................................................... 22 3.3 Questões em análise................................................................................... 23 3.4 Análise das Variáveis ................................................................................ 24 4. Resultados ......................................................................................................... 33 4.1 Análise descritiva dos Ativos Biológicos .................................................. 33 4.2 Análise descritiva das Propriedades de Investimento ................................ 40 4.3 Análise das relações entre variáveis .......................................................... 44 4.4 Discussão dos resultados obtidos .............................................................. 58 5. Conclusão ......................................................................................................... 60 6. Limitações e sugestões de investigação futura ................................................. 61 7. Bibliografia ....................................................................................................... 62 8. Anexos .............................................................................................................. 68 Índice vi Índice de quadros e tabelas Tabela 1 - Adaptação do texto de Bignon, Biondi e Ragot (2009) ............................ 8 Tabela 2 - Alteração da definição de justo valor ..................................................... 18 Tabela 3 - Esquema de representação dos níveis de hierarquia do justo valor ........ 19 Tabela 4 - Representação da amostra ...................................................................... 21 Tabela 5 - Quadro compilação estudos .................................................................... 32 Tabela 6 - Distribuição do método ao longo do tempo ........................................... 33 Tabela 7 - Distribuição do método pelo índice bolsista .......................................... 34 Tabela 8 - Áreas de atividade .................................................................................. 35 Tabela 9 - Caracterização da amostra pelos ativos .................................................. 36 Tabela 10 - Caracterização da amostra custo histórico ........................................... 37 Tabela 11 - Caracterização da amostra Justo Valor ................................................. 37 Tabela 12 - Distribuição do método das PI ao longo do tempo ............................... 40 Tabela 13 - Análise do T.A.; Peso PI e Grau de endividamento ............................. 40 Tabela 14 - Distribuição por área de atividade ........................................................ 41 Tabela 15 - Distribuição do método PI pelo setor ................................................... 42 Tabela 16 - Diferença Setores .................................................................................. 42 Tabela 17 - Análise do método de seleção das PI em função do índice .................. 43 Tabela 18 - Diferença países .................................................................................... 43 Tabela 19Comparação Portugal ............................................................................ 44 Tabela 20 – Relações esperadas decorrentes das hipóteses formuladas .................. 44 Tabela 21 - Matriz de Correlações ........................................................................... 45 Tabela 22 - Resultados obtidos pela aplicação do modelo M1 ............................... 47 Tabela 23 - Teste de Wald M1 ................................................................................ 49 Tabela 24 - Resultados modelo M2 ......................................................................... 50 Tabela 25 - Teste hipótese de M1=M2 .................................................................... 51 vii Tabela 26 - Resultados do modelo M3 .................................................................... 52 Tabela 27 - Resultados modelo M4 ......................................................................... 53 Tabela 28 - Teste modelo M1=M4 .......................................................................... 55 Tabela 29 - Capacidade de Previsão do modelo M1 ............................................... 56 Tabela 30 - Capacidade de Previsão do modelo M2 ............................................... 56 Tabela 31 - Capacidade de Previsão do modelo M4 ............................................... 56 Tabela 32 - Goodness-of-fit ..................................................................................... 57 Índice de anexos 9.1 Anexo 1 ........................................................................................................... 68 9.2 Anexo 2 ........................................................................................................... 70 9.2.1 Empresas que fazem parte da amostra com ativos biológicos.................... 70 9.2.2 Empresas que fazem parte da amostra com Propriedades de Investimento.71 viii AB – Ativos Biológicos CE – Comunidade Europeia CH – Custo Histórico EFRAG – European Financial Reporting Advisory Group EUA – Estados Unidos da América FASB – Financial Accounting Standards Board IAS – International Accounting Standards IASB – International Accounting Standards Board IFRS – International Financial Reporting Standards JV – Justo Valor PI – Propriedades de Investimento PME – Pequenas e Médias Entidades SEC – U. S. Securities and Exchange Commission TOC – Técnico Oficial de Contas UE – União Europeia Lista de abreviaturas utilizadas 7 Carqueja defendia que “a contabilidade como sistema de informação deve fornecer informação objetiva, intelegível pelo destinatário, relevante, oportuna e económica”8 O objetivo do relato financeiro, definido na estrutura concetual do IASB, é o de fornecer informação útil aos seus utilizadores. Para tal são definas características que a mesma deve possuir. A fiabilidade e a relevância fazem parte das características essenciais, no entanto as informações financeiras devem igualmente ser comparáveis, tempestivas, compreensíveis e verificáveis. As definições de custo e de justo valor são definidas pelo IASB das seguintes formas: O custo é definido como “a quantia de caixa ou seus equivalentes paga ou o justo valor de outra retribuição dada para adquirir um activo no momento da sua aquisição ou construção ou, quando aplicável, a quantia atribuída a esse activo aquando do reconhecimento inicial de acordo com os requisitos específicos de outras IFRS, por exemplo, a IFRS 2 Pagamento com Base em Acções”9 O justo valor é definido como “a quantia pela qual um activo podia ser trocado, ou um passivo liquidado, entre partes conhecedoras e dispostas a isso numa transacção em que não existe relacionamento entre elas.”10 Se por um lado encontramos argumentos em defesa da valorização ao custo histórico e que apresentam limitações do justo valor. Por outro lado encontramos argumentos em defesa do justo valor e que apresentam limitações do custo histórico. O debate entre o custo histórico e o justo valor está tipicamente associado a um trade-off entre a fiabilidade, que define a informação como completa, neutra e livre de erros, e a relevância, considerada a utilidade da informação para os utilizadores. Carqueja 1973 qualifica uma informação como relevante se a mesma alterar a decisão da pessoa que a possui11. Na tabela seguinte são apresentados alguns pontos discutidos na análise de Bignon et al (2009), maioritariamente defensores do custo histórico. Os ativos e passivos da empresa 8 Carqueja 1973 pág 164 9 IAS 40: § 5 10 IAS 41: § 8 11 Carqueja 1972-3 Pág.176 8 não podem ser considerados como independentes e separáveis, mas antes como um todo pelo que o modelo do custo é o mais apropriado para defender os interesses de todos os stakeholders, mediando os conflitos iminentes dos diferentes interessados e assegurando a viabilidade de longo prazo em vez de comportamentos oportunistas.  Justo Valor  Custo Histórico Classes de ativos e passivos Concentra-se no justo valor de cada uma das classes independentemente das outras Identifica o lugar e o papel desempenhado por cada classe para a empresa como um todo Valor da classe Estima o valor de cada uma das classes pelo preço de mercado ou por um modelo similar Ligados às operações e transações efetivas da empresa Valor da empresa Imita os investidores numa ótica de valor atual da empresa. Dá importância a uma contabilidade com informação e regulação autónoma do mercado financeiro, dando informação a todos os stakeholders e tendo em conta o valor global da empresa ao longo do tempo Tabela 1 - Adaptação do texto de Bignon, Biondi e Ragot (2009) Seguindo esta ótica, o justo valor está direcionado para os investidores e é calculado numa ótica de curto prazo, esquecendo um dos princípios fundamentais subjacentes à informação contabilística, o da continuidade da empresa. Sobre este assunto, Bignon et al. (2009) acrescentam que apesar de o custo histórico não ter em conta determinados riscos que podem pôr em causa a continuidade das operações da empresa, o justo valor não é necessariamente a resposta a este problema. A utilização do justo valor é encarada como uma fonte de instabilidade que gera resultados não realizados e que pode criar volatilidade financeira nos mercados (Bignon et al, 2009) Já relativamente à relevância da informação encontramos opiniões como a de Azevedo (2008) que defende que o custo histórico não tem relevância uma vez que tem por base valores de referência passados que não transmitem nenhuma informação relativamente à situação presente. Ainda segundo esta autora, autores como Petroni e Wahlen (1995), Eccher et al. (1996), Nelson (1996) e Barth (1994) são da opinião de que a falta de um mercado ativo dá à gestão o poder de manipular os resultados, afetando a relevância associada ao método do justo valor. 9 Por outro lado, os defensores do justo valor associam maioritariamente a este critério maior relevância da informação. Duque (2008) considera o justo valor como uma fonte de informação transparente e lúcida. Danbolt e Rees (2007) também deram o seu contributo na sua análise onde chegaram à conclusão de que o justo valor é mais relevante que o custo histórico e que tem maior relevância quando está sustentado por valores não ambíguos. Já Silva Filho et al (2013) chegaram à conclusão de que, no Brasil, a passagem da mensuração dos ativos biológicos ao custo histórico para o justo valor não acrescentou relevância aos utilizadores da informação. Informações quantificáveis são normalmente associadas a critérios de objetividade em relação a informações qualificáveis. No entanto, é necessário ter cuidado pois não é uma regra universal, principalmente se a quantificação de um bem estiver dependente de critérios que envolveram qualificação em determinada altura da avaliação e que por isso se tornarão subjetivos e podem variar em função do avaliador da situação. De salientar as palavras de Carqueja12 relativamente à subjetividade da avaliação de qualquer facto: “Qualquer valor atribuído não está em correlação somente com a coisa que o incorpora mas com as circunstâncias que o rodeiam.” Normalmente ao custo histórico é associada a imagem de um critério com maior fiabilidade uma vez que o mesmo é baseado em factos reais passados. No entanto, autores como Baker (2009) defendem que também o custo histórico tem a sua dose de subjetividade. A determinação dos critérios de amortizações e depreciações e de imparidades estão em parte associados às escolhas dos gestores. De referir que a necessidade de decidir previamente o método de valorimetria utilizado e a exigência da norma para a estabilidade dos critérios contabilísticos utilizados podem ajudar a limitar as decisões oportunistas dos gestores. A decisão entre justo valor e custo histórico é anterior ao conhecimento pelos gestores dos efeitos da mesma, o que diminuiu a oportunidade para decisões oportunistas. (Christensen e Nikolaev, 2013) Ainda assim, Bignon et al (2009) chamam a atenção para os pressupostos assumidos na determinação do justo valor de que o mercado funciona de forma perfeita e líquida, o 12Carqueja 1973 Pág 808-9 10 que não é muitas vezes verdade, e ainda para a assimetria da informação que existe entre a empresa e o exterior. Deste modo, os mesmos autores defendem que o custo histórico pode estar longe do ideal, mas na presença de assimetrias de informação é a solução “menos errada”. É nestas circunstâncias que as divulgações assumem um papel fundamental, devendo ser divulgada a informação completa necessária à análise dos pressupostos subjacentes à determinação do justo valor de modo a não afetar a comparabilidade da informação. Assim, segundo Baker (2009)13 nenhuma das duas opções pode ser vista como um modelo perfeito, mas antes analisada no contexto das informações disponíveis. Outro fator importante a analisar é o custo de obter a informação. A comparação custo-benefício faz parte dos pilares económicos básicos, e se o custo de obter uma informação for superior à utilidade que vamos retirar do seu conhecimento, a teoria económica diz-nos que a atitude mais racional é a de não a procurar/divulgar. Deste modo, o custo histórico apresenta-se como um critério com reduzidos custos, uma vez que há evidência real dos factos aquando da ocorrência da transferência e que posteriormente não exige grandes controlos, a não ser testar eventuais imparidades. Já ao nível do justo valor são associados outros custos. Christensen e Nikolaev (2013) defendem que os custos de obter informação relevante para avaliar um ativo ao justo valor são geralmente demasiado elevados. Também Moreira (2010) fala em custos adicionais relacionados com a determinação do justo valor. A esta questão podemos acrescentar a exigência nas qualificações exigidas pelos profissionais da área, “…aumenta a exigência técnica dos TOC, dos auditores e analistas.” Duque (2008), que também elas comportam custos. De salientar a frase de Fahnestock e Bostwick (2011): A questão é que vai demorar anos até que a gestão, contabilistas, auditores, e analistas financeiros estejam bem preparados para a contabilidade ao justo valor14 Assim, Christensen e Nikolaev, na sua análise das propriedades de investimento, defendem que o justo valor é usado quando as empresas têm acesso às informações necessárias a um baixo custo e quando a avaliação fornece informações sobre o 13 Comentário in “An Economic analysis of Fair Value” 14 Pág.9 Tradução do original do autor 11 desempenho operacional da empresa, pelo que é sobretudo mais usado em ativos com maior liquidez. Também Rech e Pereira (2012) na sua análise defendem que os ativos biológicos de natureza fixa, que normalmente são utilizados na produção dos produtos agrícolas e não para comercialização, não possuem mercados ativos pelo que a utilização do justo valor provoca divergências. Deste modo, Baker (2009) defende que diferentes avaliações são apropriadas para diferentes ativos. Estudos como o de Morais e Curto (2008) e o de Barth, et al. (2008) analisaram o impacto que a adoção das normas internacionais, emitidas pelo IASB, tem na qualidade da informação contabilística das empresas. Os primeiros concluíram que há uma melhoria na qualidade dos resultados, mas uma diminuição na relevância da informação. Já os segundos concluíram que há uma melhoria na qualidade e na relevância da informação. Também Moreira (2010) sugere que a adoção do justo valor não está necessariamente relacionada com manipulação dos resultados, e que a maioria das empresas tende a adotar a proposta base das normas. Mais recentemente a análise de Müller et al. (2012) dá evidência de que o reconhecimento do justo valor tem maior relevância que unicamente a sua divulgação. Na sua análise, os autores analisaram as Propriedades de Investimento, uma vez que a adoção do justo valor é opcional. Esta análise reforça o interesse em analisar o comportamento e características das empresas em relação ao justo valor obrigatório ou opcional. Para concluir este ponto salienta-se que o problema não deve ser visto como o justo valor em si, mas a utilização que lhe vai ser dada devido à subjetividade que o seu cálculo pode trazer pelo facto de não existir um método de determinação objetivo, e daí a possível inadequação do termo. Deste modo, levanta-se a questão da obtenção das informações necessárias para tentar ultrapassar a subjetividade das mesmas. Sendo nestas circunstâncias as divulgações dos métodos e pressupostos utilizados para o cálculo do justo valor, deixando que posteriormente os investidores formem as suas opiniões relativamente aos mesmos e ao valor apurado, de extrema importância. Este assunto tem tal importância que atualmente são efetuados vários estudos relativamente 12 às divulgações das empresas. Refiram-se os estudos mais recentes de Camacho (2012) e Taylor et al. (2012). O ponto de partida para a classificação de qualquer tipo de ativo passa pelo cumprimento da definição de ativo, ou seja, ser controlado pela empresa por acontecimentos passados, seja provável que no futuro gere benefícios económicos e ainda que o seu justo valor ou custo sejam fiavelmente mensurados. De seguida, são identificados os ativos para os quais a utilização do método do justo valor está prevista no conjunto das normas internacionais de contabilidade. O IASB sugere a utilização do justo valor como o método de valorização preferencial na contabilização e mensuração dos seguintes ativos: Ativos Biológicos, Instrumentos Financeiros e Propriedades de Investimento. A norma dos Ativos não Correntes detidos para venda também prevê a utilização do justo valor, para todo o tipo de ativos que devam ser classificados deste modo. Relativamente aos Ativos Fixos Tangíveis e aos Ativos Intangíveis a abordagem do valor corrente de mercado está associada ao método da reavaliação/revalorização dos ativos. Os ativos financeiros já foram, e são mais frequentemente, alvo de diversos estudos com múltiplas finalidades e objetivos de análise. Assim, limitando o âmbito, para a análise apenas serão tidos em conta os ativos não financeiros que prevêem este tipo de tratamento, seja obrigatório ou como opção, mais especificamente os Ativos Biológicos e as Propriedades de Investimento. A análise de Ativos não correntes detidos para venda não é relevante para o estudo em questão, uma vez que estes não são ativos da empresa com caráter estável e que, em princípio, não afetarão de forma relevante o valor da empresa a longo prazo, pois não se devem manter durante um período superior a 12 meses. E a análise dos Ativos Fixos tangíveis e dos Ativos Intangíveis foi excluída por simplificação e uma vez que o modelo da revalorização pode diferir em alguns pressupostos do modelo do justo valor e que apesar de o justo valor ser opcional para as PI a sua determinação é obrigatória ainda que seja para fins informativos. Deste modo, 2.4 Os ativos mensurados ao justo valor 13 também poderiam ser confrontados os resultados, já que o justo valor é obrigatório para os AB, mas não para as PI. 2.4.1 Ativos Biológicos A norma internacional que prevê o tratamento para os Ativos Biológicos é a IAS 41 - Agricultura. A norma é específica quanto ao tratamento do tipo de ativos aos quais se destina. Assim, aplica-se a ativos biológicos, produtos agrícolas no ato da colheita e a subsídios governamentais relacionados com os ativos biológicos mensurados ao justo valor e não se aplica a terrenos que possam estar envolvidos no processo de desenvolvimento dos ativos biológicos. Aplica-se também apenas a ativos que decorram da atividade agrícola, sendo a mesma definida como a gestão das transformações biológicas e colheita dos ativos, ficando por isso excluídas do âmbito desta norma as atividades de pesca e caça selvagens. Um Ativo Biológico é definido pela norma como um animal ou uma planta vivos, sendo o produto agrícola decorrente das colheitas realizadas aos ativos biológicos. A colheita é a separação de um produto do seu ativo biológico, ou a cessação do processo de vida de um ativo biológico. A norma determina ainda que à atividade agrícola estão associadas características como capacidade de alteração; gestão de alterações; e mensuração de alterações. Adicionalmente à transformação biológica estão associados os seguintes processos: crescimento; degeneração e procriação. Assim temos exemplos de ativos biológicos, produtos agrícolas e produtos resultantes de processamento após a colheita, como vinhas, uvas e vinho; vacas leiteiras, leite e queijo, respetivamente. No entanto, após a colheita a norma deixa de ser aplicada, não sendo, portanto, aplicada na classificação de despesas ou processos envolvidos nas transformações decorridas após a colheita que passam a ser tratados pela norma dos inventários, como mercadoria ou matéria-prima. Sugere que tanto os ativos biológicos como os produtos agrícolas sejam classificados pelo seu justo valor menos os custos estimados no ponto de venda, os primeiros no 14 reconhecimento inicial e em cada data de reporte financeiro, e os segundos no momento da colheita, valor ao qual passará a ser tratado ao preço de custo por outras normas. É determinado que qualquer ganho ou perda provenientes da mensuração destes ativos devem ser reconhecidos como um resultado do período em que surgem e são contabilizados. Na norma é pressuposta a possibilidade de determinação do justo valor com fiabilidade. No entanto, quando o mesmo não é fiavelmente identificado, apenas no seu reconhecimento inicial permite que o mesmo seja reconhecido pelo seu custo menos depreciações ou perdas por imparidade e menos os custos no ponto de venda apenas para o ativo biológico de produção, assumindo que para os produtos agrícolas no momento da colheita o justo valor é sempre fiavelmente mensurável. Adicionalmente, a norma tem um conjunto de exigências rígidas em termos de divulgações, tais como os termos da determinação do justo valor, a origem dos ganhos e perdas, se são por variação do preço ou associadas aos produtos, entre outras ou, quando utiliza o método do custo menos qualquer depreciação acumulada, a empresa deve divulgar, entre outras informações, a explicação da razão que leva a que o justo valor do ativo não possa ser mensurado, um intervalo de valores em que seja provável que o valor esteja, o método de depreciação e as taxas usadas e ainda a justificação e efeitos das alterações quando um Ativo Biológico mensurado ao custo passar a ser mensurado ao justo valor. Apesar de o objeto principal deste estudo não serem as divulgações exigidas pelas normas, as mesmas tornam-se indispensáveis para definir e perceber os métodos e critérios de contabilização dos ativos. Amendments IAS 16 e IAS 41 Mais recentemente15, embora não interfira com as demonstrações financeiras das empresas nos anos em análise, o IASB publicou amendments às IAS 16 e IAS 41. Os mesmos foram efetuados com o objetivo de que os ativos biológicos de produção, como por exemplo vinhas e árvores de frutos, passem a ser classificados de acordo com a IAS 15 Junho 2014 15 16 – Ativos Fixos, uma vez que os processos de colheita se assimilam a processos de produção e que no fim do ciclo produtivo os valores comerciais dos ativos biológicos de produção são praticamente inexistentes. 2.4.2 Propriedades de Investimento A norma internacional que prevê o tratamento para as Propriedades de Investimento é a IAS 40 – Propriedades de Investimento. Esta norma define propriedade de investimento da forma que se segue: “Propriedade de investimento é a propriedade (terreno ou um edifício - ou parte de um edifício - ou ambos) detida (pelo proprietário ou pelo locatário numa locação financeira) para obter rendas ou para valorização do capital ou para ambas as finalidades…”. A mesma norma dá exemplos de ativos que são considerados Propriedades de Investimento e de outros que não. Temos propriedades de investimento tais como terrenos detidos para valoração ou sem um fim determinado, uma propriedade para arrendamento, ou uma propriedade que esteja a ser construída para uso futuro como propriedade de investimento que devem ser classificados como tal. E ativos como propriedades detidas ou a ser construídas para venda ou para ocupação pelo proprietário, propriedades que estejam a ser construídas por conta de outrem, ou propriedades em locação financeira que não devem ser considerados como propriedades de investimento. No reconhecimento inicial, uma propriedade de investimento deve ser mensurada pelo seu custo que inclui os custos de transação. Na mensuração subsequente, a norma permite dois tipos de tratamento: - Ao justo valor, e fica obrigada a quantificar, à data da prestação de contas, o justo valor deste tipo de ativos por contrapartida nos resultados; - Ao custo, e é tratado segundo a IAS 16 – Ativos Fixos Tangíveis, ficando no entanto obrigada a divulgar o justo valor, ou um intervalo para o mesmo, em cada data de relato. 16 O facto de gerar rendas ou ser um meio de valorização do capital da empresa dá a este ativo características diferenciadoras e particulares de todos os outros ativos da empresa. Deste modo, o seu reconhecimento ao justo valor mostra uma realidade mais apropriada acerca da evolução desse acréscimo de valor para a empresa a curto prazo, mas pode causar flutuações a curto prazo que a longo prazo se venham a anular. Esta é uma norma com determinadas exigências a cumprir a nível de divulgações na data do relato financeiro, mesmo para as empresas que adotam o modelo do custo, de modo a atenuar as diferenças de acesso às informações e a que as mesmas sejam comparáveis entre as empresas. As normas que definem o justo valor como um método de reconhecimento dos ativos têm por base o pressuposto de que o mesmo é fiavelmente mensurável e que apenas excecionalmente o oposto ocorrerá. A norma da Agricultura pressupõe a existência de um mercado ativo para mensuração dos ativos biológicos. Para tal, define mercado ativo como um mercado onde os bens negociados são homogéneos, onde podem ser encontrados a todo o momento compradores e vendedores para os produtos e os preços são públicos. Deste modo, o justo valor de um ativo é o seu preço de venda no mercado, menos os custos necessários para o transportar até esse mercado e aí poder ser transacionado nas condições previstas. Se existir mais de um mercado ativo a empresa deve usar o valor do mercado no qual pensa que o ativo será vendido. Na ausência de um mercado ativo a entidade deve utilizar um dos seguintes métodos para determinar o justo valor: preço de transação mais recente desde que não tenha existido nenhuma alteração significativa que possa alterar significativamente esse valor; o preço de mercado de ativos semelhantes com os ajustamentos necessários para refletir as diferenças; ou referências do setor. Quando desta análise surgirem diferenças significativas deve ser feita uma avaliação da estimativa fiável para o justo valor. 2.5 Os Métodos de determinação do justo valor 23 logit, probit ou de probabilidade linear. Estes tipos de modelos são também designados de modelos de probabilidade, uma vez que dar-nos-ão a probabilidade de a empresa adotar determinado método, em função das variáveis determinantes que serão consideradas no estudo (Gujarati, 2006). O modelo de probabilidade linear apresenta-se com várias desvantagens relativamente aos outros dois, e com pressupostos desadequados de relação linear direta com as variáveis independentes. Uma vez que a variável é dicotómica e para dados individuais, e dada a dimensão da amostra, os modelos que se mostram mais adequados são o logit ou probit, sendo o método de estimação mais adequado o Método da Máxima Verosimilhança (likelihood), uma vez que um procedimento de estimação linear poderia distorcer os resultados obtidos. Deste modo, o modelo escolhido foi o logit. Os cálculos para o modelo econométrico serão realizados com o auxílio do programa EViews. Estudos recentes tanto nacionais como internacionais têm recorrido a este modelo de estimação. Refiram-se, como exemplo, os estudos: Morais (2008); Conceição (2009); Müller, Riedl e Sellhorn (2008); Christensen e Nikolaev (2013). A análise efetuada pretende analisar as características das empresas, tendo em conta as posições apresentadas na revisão de literatura e analisar se pode existir explicação para a escolha das empresas, através de uma análise empírica da realidade de algumas empresas cotadas europeias em termos da utilização do justo valor. Assim, o objetivo deste estudo é identificar e caracterizar as empresas que integram a análise relativamente à utilização do justo valor nos seus Ativos Biológicos e Propriedades de Investimento, analisando se o comportamento das empresas em relação aos ativos biológicos é o esperado, e se existirá uma diferença entre o comportamento das empresas relativamente ao justo valor obrigatório e justo valor opcional em relação aos ativos não financeiros. 3.3 Questões em análise 24 Deste modo, as questões a analisar e responder são:  Estão as empresas a adotar a utilização do critério do justo valor, exigido a nível dos Ativos Biológicos?  Adotam as empresas com Propriedades de Investimento o justo valor como critério para a sua mensuração?  Quais as características das empresas que adotam o justo valor como critério de mensuração? Estas são as questões base do estudo que vão orientar a análise. 3.4.1 Variável em análise - Método utilizado (JV) As escolhas dos agentes são influenciadas por determinadas variáveis e acontecimentos. Os estudos de Jensen e Meckling (1976) foram impulsionadores de vários artigos e análises que desde então se têm realizado relativamente às escolhas oportunistas de determinados agentes em função dos seus interesses, em detrimento dos restantes interesses dos demais intervenientes de uma empresa. Em geral, os agentes com poder de decisão são os gestores. Deste modo, surgiu a chamada teoria que determina a existência de custos de agência no comportamento dos gestores em função da estrutura de capital. Também mais tarde, os mesmos autores falaram em custos políticos das informações que afetam principalmente as grandes empresas com elevada exposição pública, o caso das empresas que fazem parte da amostra selecionada. Outros autores como Watts e Zimmerman (1978) realizaram estudos de variáveis afetadas pelas divulgações das empresas. As divulgações das empresas afetam a sua imagem e consequentemente os seus resultados, seja a nível da atividade operacional ou dos mercados financeiros. Deste modo, as escolhas das empresas vão ser afetadas e ponderadas com base em várias teorias e possibilidades de acontecimentos. 3.4 Análise das Variáveis 25 Também La Porta et al.(1998) vêm dar o seu contributo através do resultado a que chegaram de que a proteção dos interesses dos investidores minoritários é menor nos países onde predomina o sistema de Code Law e que no seguimento da análise os riscos de agência entre os gestores e estes investidores é superior. De relembrar que todos os países em análise têm influências deste sistema. É neste sentido que a análise das escolhas dos agentes relativamente a este tipo de ativos se torna interessante. O interesse do trabalho é tentar identificar qual é a posição das empresas dos países em análise relativamente a esta escolha para os ativos deste estudo. Já alguns estudos foram realizados para analisar os critérios adotados pelas empresas, refiram-se como exemplo os estudos de Morais (2008); Müller, Riedl e Sellhorn (2008); Conceição (2009); Christensen e Nikolaev (2013). No modelo em concreto, o método utilizado será a variável dependente. Assume o valor 1 se a empresa possuir o atributo, definido como a adoção do justo valor, e 0 em caso contrário, ou seja, se usar o custo histórico. Serão testadas as hipóteses de um determinado conjunto de variáveis independentes selecionadas, individualmente ou conjuntamente, explicarem a escolha entre o modelo de mensuração ser o custo histórico ou o justo valor. Assim, a hipótese global definida é a de que pelo menos uma das variáveis em análise influencia a escolha dos agentes. H00: Nenhuma das variáveis do conjunto do modelo explica esta variável. Ou seja a hipótese de  1 e  2 e  3 e  4 ou  5 ou  6 serem simultaneamente 0. Vamos testar se o modelo é globalmente significante, ou seja, se a probabilidade de os coeficientes dos regressores do modelo serem mutuamente zero para todas as variáveis é baixa. 26 3.4.2 Variáveis explicativas - Setor de atividade (SET) Existe a ideia de que as diferentes legislações e regras específicas aos setores influenciam as escolhas das empresas. Diversos estudos têm utilizado esta variável como uma variável de controlo na análise da influência nas decisões e ações dos agentes. Refiram-se estudos como o de Morais (2008), na análise do critério de seleção do método utilizado na valorização dos ganhos e perdas actuariais (IAS 19); Conceição (2009) e Christensen e Nikolaev (2013) que utilizaram esta variável como determinante na escolha entre o critério do custo histórico e do justo valor; e ainda Camacho (2011); Pimentel (2012) que a utilizaram para analisar a influência nos índices de divulgação das empresas. Para o modelo, será testada uma variável binária que assumirá o valor de 1 se for verificado o atributo de pertencer ao setor imobiliário e de 0 em caso contrário. A condição usada para considerar se a empresa ou grupo pertence ao setor imobiliário foi a de que pelo menos uma das principais atividades definidas do grupo esteja relacionada com as atividades de promoção, gestão ou avaliação imobiliária. Espera-se que o setor imobiliário use o modelo do justo valor como método preferencial. O estudo recente de Christensen e Nikolaev dá evidência disso para as empresas do Reino Unido e Alemanha. H01: As empresas do setor imobiliário têm distribuição idêntica às restantes (amostras com médias iguais). H11: As duas amostras têm distribuições diferentes. - Dimensão da empresa (DIM) Associado às atitudes oportunistas, apresentadas por Jensen e Meckling, e às teorias do governo das empresas podemos retirar que quanto maior a empresa, maior será o poder dos gestores, pois na sua maioria o poder dos acionistas estará diversificado e não tão concentrado como nas pequenas empresas. 27 Também Watts e Zimmerman (1978) deram a sua contribuição à teoria dos custos político, normalmente quanto maiores as empresas, maior a sua exposição pública e maiores os custos políticos a que está exposta. Esta ideia está também associada à teoria conservadora das empresas, empresas de maior dimensão tendem a adotar políticas mais conservadoras. Deste modo as empresas tendem a estabilizar os seus resultados e a evitar demasiadas flutuações mesmo que positivas. Os mesmos autores assumem que os acionistas são mais sensíveis aos ganhos decorrentes das mudanças de critérios contabilísticos. Apesar de as mudanças no justo valor não estarem associadas a mudanças de critério, o método vai provocar mudanças de valor contabilístico, sendo deste modo entendido o custo histórico como o critério que estabiliza os resultados. Assim, espera-se que a dimensão da empresa influencie de forma negativa a escolha do justo valor, uma vez que o custo histórico dá uma maior estabilidade aos resultados. Vários estudos têm usado esta variável nas suas análises, como Demaria e Dufour (2007), Conceição (2009), Christensen e Nikolaev (2013) que utilizam como determinante na escolha do critério de valorimetria a utilizar; Camacho (2011) e Pimentel (2012) como determinante nas divulgações das empresas; Azevedo (2008) que analisou a influência da dimensão da empresa no conhecimento da IAS 41. O Ln(Total do Ativo) será usado como uma proxie para medir a dimensão das empresas e de forma a normalizar a distribuição do total do ativo. Esta proxie tem sido assumida como um valor razoável para medir a dimensão da empresa em estudos como o de Conceição (2009) ; Pimentel (2012); Teixeira (2012) e Pereira (2013). Deste modo será testada a hipótese de: H02: A dimensão da empresa não influencia a determinação do método. H12: Quanto maior a empresa, menor a probabilidade de utilização do justo valor. - Ativo em Análise (Peso PI ou Peso AB) O efeito a analisar é o do montante do ativo em questão, na análise ativos biológicos ou propriedades de investimento, ter influência na escolha do método. 28 Estudos como o de Silva Filho et al. (2013), para explicação do critério escolhido para ativos biológicos, usaram o valor da variável ponderada pelo número de ações da empresa para analisar a relevância da informação em função do método utilizado das escolhas das empresas relativamente aos ativos biológicos. Também Camacho (2011) e Pimentel (2012) utilizaram o valor da variável, mas ponderada pelo valor total do ativo. Para o modelo econométrico, a variável a analisar será o peso das propriedades de investimento no total do ativo definida como, Existe a ideia de que empresas que tenham um grande peso em propriedades de investimento tenderá a utilizar mais o justo valor. Estudos como o de Pereira (2013) dão evidência disso. H03: O montante investido em propriedades de investimento não influencia a decisão do método utilizado. H13: Quanto maior o valor investido em propriedades de investimento, maior a probabilidade de adoção do justo valor. - Endividamento (END) Watts e Zimmerman (1990) na sua análise sugerem que quanto maior é o rácio de endividamento de uma empresa, maior tendência os gestores têm para adotar métodos contabilísticos que aumentem os resultados da empresa. É geralmente aceite na literatura que o justo valor está relacionado com o aumento dos resultados. Assim, pode não ser explícito que o justo valor esteja intrinsecamente relacionado com o aumento dos resultados, uma vez que vai depender das condições do mercado. No entanto, Müller et al (2012) no seu estudo sobre a relevância da informação entre empresas com Propriedades de Investimento reconhecidas ao justo valor e empresas ao custo que divulgam o justo valor, concluíram que o reconhecimento do justo valor tem maior relevância que apenas a sua divulgação. Deste modo, e tendo em conta os escândalos ocorridos desde 2008, podemos assumir que para satisfazer os seus credores, empresas com maior nível de endividamento darão preferência à adoção do justo valor. 29 Assim, será testada a hipótese de existência de uma relação positiva entre a escolha do justo valor e o nível de endividamento da mesma. Estudos como o de Demaria e Dufour (2007), Conceição (2009); Christensen e Nikolaev (2013) usaram esta variável nas suas análises. Para a análise, o endividamento será definido como o grau de endividamento, ou seja, H04: O grau de endividamento não influencia o critério de valorimetria adotado H14: O grau de endividamento influencia positivamente a probabilidade de adoção do justo valor. - País Breve caracterização dos índices e dos países Portugal (PSI20) O PSI 20 é o principal indicador bolsista da bolsa Euronext Lisboa. É constituído pelas 20 maiores empresas portuguesas cotadas nesta bolsa de valores. A economia portuguesa está a passar uma fase de recessão e o setor imobiliário não é exceção. Desde o ano de 2008 foi-se assistindo a uma degradação gradual do mercado imobiliário. Espanha (IBEX 35) É o principal índice bolsista da bolsa de valores de Madrid. Inclui as 35 principais empresas espanholas. Também Espanha tem sentido os efeitos da crise económica e o setor imobiliário não foi exceção, vindo a decrescer desde 2007 e sendo o maior efeito no ano de 2012. 30 Grécia (ATHEX 25) É o maior índice da Bolsa de Atenas, também conhecido como Athex Large Cap, inclui as 25 principais empresas gregas. A Grécia está a sentir bastante os efeitos da crise, e tem vindo a enfrentar um grande período de recessão. O setor imobiliário não escapou a esses efeitos e tem vindo a seguir uma tendência global decrescente desde 2007. França (CAC40) É o principal índice bolsista do mercado de capitais de Paris. Inclui as 40 principais empresas francesas cotadas. Embora não tenha sido afetado pela crise económica atual com a mesma intensidade dos outros países, também o setor imobiliário francês foi abalado a partir de 2007. No entanto, desde 2010 o mesmo começou a apresentar sinais de recuperação. Embora menos acentuado, ainda em 2011 a tendência voltou a inverter-se. Itália (FTSE Mib) Inclui as 40 principais empresas do mercado bolsista italiano. Também em Itália o mercado imobiliário foi afetado logo no início da crise, vindo a decrescer desde 2008. Análises como a de Müller et al (2008) analisaram a liquidez do mercado imobiliário como um fator relevante na decisão do critério valorimétrico a utilizar. Neste sentido, sabemos que o acesso às informações necessárias/relevantes pode variar entre os países, assim como a liquidez dos mercados imobiliários. Referem no seu estudo que apesar de as economias da UE estarem relativamente desenvolvidas, o grau de desenvolvimento do mercado das propriedades de investimento varia consideravelmente entre os países. O setor imobiliário nos países em análise encontravam-se em diferentes estágios, ao longo dos anos em análise, relativamente à crise financeira que afetou o mercado imobiliário. A localização da empresa pode influenciar o acesso aos avaliadores ou à obtenção de imóveis comparáveis para a avaliação poder ser feita internamente. 31 Vários estudos têm utilizado esta variável como variável de controlo no sentido de averiguar se existem diferenças entre os diferentes países Morais (2008); Pimentel (2012); Nikolaev e Christensen (2013), entre outros. Este indicador de controlo mostrar-nos-á se existe alguma diferença na adoção dos métodos explicada pelo país. Para a sua análise serão usadas 4 variáveis dicotómicas. Assim, as hipóteses a formular serão: H05: As distribuições das escolhas do método dos grupos de empresas por país são semelhantes. H15: As distribuições são diferentes em função dos países. - Tempo A estrutura concetual definida pelo IASB determina que os critérios contabilísticos adotados devem ser consistentes ao longo do tempo. Este facto não impede que o método seja alterado, principalmente se existir alguma alteração nas circunstâncias, apenas é exigida que seja mantida comparabilidade para os anos anteriores. Neste sentido, foi incluída esta variável como forma de controlo da mudança de modelo de valorimetria pelas empresas em análise, se a experiência ou alterações no mercado poderiam modificar o comportamento das empresas. Foram usadas 2 variáveis dicotómicas para testar se existiu diferença no método escolhido ao longo do tempo. H06: A distribuição das escolhas de método pelas empresas mantém-se semelhante ao longo dos anos. H16: Existe diferença na distribuição das opções das empresas ao longo dos anos. 32 De seguida é apresentado um quadro resumo com alguns estudos selecionados. Tabela 5 - Quadro compilação estudos Estudo Título Variáveis e significância (sinal da relação) Conclusões Watts e Zimmerman (1990) Teoria Positiva da Contabilidade -Plano de Bónus -Endividamento -Dimensão Sugerem que empresas com plano de bónus, com um maior nível de endividamento e/ou de maior dimensão tendem a adotar métodos que aumentem os resultados Demaria e Dufour (2007) First time adoption of IFRS, Fair value option, Conservatism: Evidences from French listed companies Sign. -Dimensão (-) -Endividamento (-) -Remuneração CEO (+) -Estrutura Acionista (-) -Setor Financeiro (+) -Cross-Listing (+) S/ Sign. Conceição, Liliana (2009) A opção pelo “Justo Valor” como método de avaliação de activos na adopção das IAS/IFRS em Portugal” Sign. -Dimensão (-) -Endividamento (+) As variáveis com significância foram testadas individualmente, uma vez que no modelo global nenhuma variável era significante. S/ Sign. -Plano de bónus (+) -Estrutura Acionista (+) -Setor Financeiro (-) -Administradores independentes (+) Sílvia Teixeira (2012) Justo Valor como método de mensuração: opção das empresas cotadas na Euronext Lisboa Sign. -Dimensão (-) -Nº de trabalhadores (+) -Valor de Mercado (-) Todas as variáveis significantes, mostraramse significantes para um nível de erro não superior a 5% S/ Sign. -Auditor (-) -Internacionalização (-) Anderson Pereira (2013) Determinantes na escolha do valor justo para Propriedades de Investimento no Brasil Sign. -Endividamento (+) -Dimensão (-) -Peso PI (+) -Lucro Líquido (+) Todas as variáveis consideradas significantes, mostraramse significantes para um nível de erro não superior a 10% S/ Sign. -Return-on-Equity (+) Christensen e Nikolaev (2013) Does FairValue Accounting for NonFinancial Assets Pass the Market test? Sign. -País (+/-) -Setor Imobiliário (+) -Endividamento (+) - Dimensão (-) Evidência de que empresas do Reino Unido utilizam mais o J.V. que as da Alemanha. Outras variáveis de controlo foram testadas no modelo. S/ Sign. 39 No entanto, o reduzido número de empresas com ativos biológicos, apenas 9, não tem qualquer valor de significância amostral para se poder avançar com essa análise, a fim de obter conclusões com relevância e significância. Deste modo, temos de ficar apenas pela análise descritiva de algumas características das empresas em que o ativo é observável, através de uma análise estatística descritiva simples. Outros resultados sobre os Ativos biológicos Na sua análise à influência que a dimensão de uma empresa pode ter no conhecimento da IAS 41 – Agricultura, Azevedo (2008) não encontrou diferenças significativas no conhecimento da norma que estivessem associadas à dimensão da empresa, e ainda que a dimensão da empresa não afeta a utilização da norma. Os resultados apresentados anteriormente mostraram que para a amostra, as empresas que utilizam o justo valor têm em média uma dimensão superior às que utilizam o custo histórico. No entanto, mais uma vez se relembra que apenas duas empresas utilizam o custo histórico e justificam a não utilização através da falta de informação com significância para a determinação do justo valor. Já o estudo de Rech e Pereira (2012) consistiu numa análise de caso na determinação do justo valor dos ativos biológicos com caráter fixo, normalmente associado aos ativos biológicos de produção, numa empresa Brasileira que utilizava o custo histórico como critério de valorimetria. Os autores referem que a estes ativos não estão normalmente associados mercados ativos, uma vez que os mesmos não são detidos para comercializar. No entanto, chegam à conclusão de que o justo valor pode ser determinado, mesmo nestes casos. Os resultados que obtiveram variaram em função do critério de mensuração adotado e os autores alertam para a “alta subjetividade” dos pressupostos inerentes a esse tipo de cálculos. 40 No quadro seguinte estão representadas as escolhas dos métodos das empresas que totalizam a amostra pelos 3 anos do estudo. 2010 2011 2012 Justo Valor 8 8 8 Custo Histórico 35 35 35 Total 43 43 43 Tabela 12 - Distribuição do método das PI ao longo do tempo Os dados anteriores evidenciam que a maioria das empresas adota o custo histórico como modelo principal de valorização das propriedades de investimento ao longo dos três anos. Em termos de percentagens, vemos que a percentagem de empresas na amostra que adota o justo valor é de 18,6%. Para além disso, partimos de uma amostra de 44 empresas diferentes que nos permitiu obter um total de 129 observações. Total C.H. J.V. Média do Total Ativos 25.720.166.312,52 30.103.390.150,28 6.543.562.022,32 Máximo 171.656.000.000,00 171.656.000.000,00 29.571.100.000,00 Mínimo 626.261.000,00 626.261.000,00 718.739.000,00 Média do Peso das PI 5,37% 0,94% 24,75% Máximo 91,11% 16,67% 91,11% Mínimo 0,00% 0,00% 0,01% Média do Grau de Endividamento 312,27% 333,20% 220,69% Máximo 1044,72% 1044,72% 749,59% Mínimo 14,53% 40,44% 14,53% Total de observações 129 105 24 Tabela 13 - Análise do T.A.; Peso PI e Grau de endividamento Na tabela anterior podemos analisar as diferenças no Total do Ativo, Peso das PI e Grau de endividamento para a amostra em análise. Dos dados anteriores podemos retirar as seguintes informações, a média do total do ativo é inferior nas empresas que utilizam o justo valor, o que vai ao encontro da hipótese definida H12 de que quanto maiores as empresas, menor a propensão para a utilização do justo valor. 4.2 Análise descritiva das Propriedades de Investimento 41 O contrário acontece relativamente ao peso das PI, as empresas que utilizam o justo valor são as que têm maior peso das PI, o que também respeita a hipótese definida H13. Relativamente ao grau de endividamento a sua percentagem é superior nas empresas que utilizam o custo histórico, o que também se verifica através do mínimo e do máximo que são superiores nas empresas que adotam o CH. Este resultado contraria a hipótese H14. Distribuição da amostra por setores de atividade Na tabela seguinte são apresentadas as empresas que constituem a amostra por setor de atividade: Área de Atividade Número de empresas Percentagem Construção 4 9,1% Distribuição 4 9,1% Eletricidade, Gás Natural e Energias Renováveis 5 11,35% Exploração Agrícola e atividades relacionadas 3 6,8% Gestão Imobiliária e de Participações 4 9,1% Indústria Aeronáutica, Helicópteros e Sistemas de Segurança 2 4,5% Indústria Metalúrgica; Cimentos e Madeira 4 9,1% Indústria Petrolífera 1 2,3% Infraestruturas e Concessões 6 13,6% Jogos de Sorte e Apostas 1 2,3% Tecnologias 1 2,3% Telecomunicações 4 9,1% Têxtil, Vestuário e Calçado 5 11,35% Total 44 100% Tabela 14 - Distribuição por área de atividade 42 Quando passamos à classificação: pelo menos uma das atividades principais faz parte do imobiliário; obtemos: Setor Imobiliário Outros setores Custo histórico 2 34 Justo Valor 4 4 Total 6 38 Tabela 15 - Distribuição do método PI pelo setor As tabelas anteriores (nº12 e 13) mostram que a maioria das empresas com propriedades de investimento adota o custo histórico em vez do justo valor, este facto mantém-se se estivermos a analisar os outros setores, apenas 10,53% das empresas utiliza o justo valor como método de valorimetria. Pelo contrário, se estivermos apenas a observar as empresas que incluem o setor imobiliário como uma das atividades principais 66,67% adotam o justo valor. No entanto, é necessário ter cuidado com as conclusões a retirar uma vez que o número de empresas deste grupo é bastante reduzido, apenas 6. Médias Total Imobiliárias Outros Dimensão 22,93 22,53 22,99 Peso Propriedades de Investimento 5,37% 34,80% 0,5% Grau de Endividamento 312,27% 247,03% 322,85% Total de Observações 129 18 111 Tabela 16 - Diferença Setores Os dados anteriores mostram que não existe uma grande diferença a nível da dimensão quando realizamos a análise pelos setores. No entanto, os restantes resultados mostram que em média as empresas do setor imobiliário têm um peso das propriedades de investimento superior às restantes empresas e que o seu nível de endividamento é inferior. 43 Análise em função do país Na tabela seguinte encontram-se resumidos os dados obtidos em função dos índices analisados. 2010 2011 2012 PSI 20 IBEX 35 CAC 40 ATHEX 25 FTSE IT 40 PSI 20 IBEX 35 CAC 40 ATHEX 25 FTSE IT 40 PSI 20 IBEX 35 CAC 40 ATHEX 25 FTSE IT 40 Justo Valor 3 0 1 4 0 3 0 1 4 0 3 0 1 4 0 Custo Histórico 4 14 4 6 7 5 13 4 6 7 5 13 4 6 7 Tabela 17 - Análise do método de seleção das PI em função do índice Das 44 empresas em análise, verificamos que não existiu nenhuma alteração em termos das empresas nem dos critérios para as empresas de França, Grécia e Itália. A nível de Portugal a variação em 2011 deveu-se ao facto de uma empresa que não tinha PI em 2010 passar a ter a partir de 2011. Já ao nível espanhol, a diferença a partir do ano de 2011 deveu-se ao facto de uma das empresas com PI em 2010 passarem a estar classificadas como ativos detidos para venda a partir de 2011. Médias Total Portugal Espanha França Grécia Itália Dimensão 22,93 22,01 23,96 24,63 21,52 22,77 Peso Propriedades de Investimento 5,34% 2,33% 1,51% 18,39% 9,94% 0,23% Grau de Endividamento 312,27% 471,17% 358,27% 368,32% 148,32% 244,78% Total de Observações 129 23 40 15 30 21 Tabela 18 - Diferença países A análise da tabela anterior permite-nos retirar as seguintes conclusões: - Assumindo que o Ln(Total do ativo) é uma boa proxy da dimensão, em média, as empresas de Espanha e França têm maior dimensão que as dos restantes países em análise e do que a empresa média da análise; 44 - A nível do peso das PI, vemos uma grande diferença entre o peso das propriedades de investimento entre os 5 países, encontrando-se Portugal, Espanha e Itália abaixo da média e França e Grécia acima da média; - A nível do grau de endividamento, Grécia e Itália encontram-se abaixo da média enquanto Portugal, Espanha e França se encontram acima da média. Apresentamos de seguida a comparação de Portugal com os restantes países: Médias Portugal Outros Dimensão 22,01 23,13 Peso Propriedades de Investimento 2,33% 6,03% Grau de Endividamento 471,17% 277,79% Total de Observações 23 106 Tabela 19Comparação Portugal Vemos que as principais diferenças entre estes dois grupos são ao nível do peso das propriedades de investimento e do grau de endividamento. Em média, para empresas com uma dimensão média aproximada, as empresas portuguesas são mais endividadas e têm um peso menor de propriedades de investimento. Para estas análises, não podemos esquecer a diferença entre o número de empresas de cada país. No entanto, os resultados parecem evidenciar que podem existir diferentes características entre as empresas dos diferentes países. Após a análise descritiva dos dados recolhidos, passamos agora à análise econométrica para as empresas com Propriedades de Investimento. Variável Sinal esperado Dimensão (Ln(Total Ativo)) - Setor + Peso PI (PI/Total Ativo) + Grau de Endividamento (Passivo/CP) + País +/- Tabela 20 – Relações esperadas decorrentes das hipóteses formuladas 4.3 Análise das relações entre variáveis 45 Análise da relação entre as variáveis É apresentada em seguida a relação entre as variáveis independentes contínuas do modelo. As variáveis assumidas para a análise podem estar relacionadas entre si, o que, caso essa relação seja demasiado forte, pode pôr em causa o poder de estimação do modelo em análise. O problema da autocorrelação, definido como as variáveis estarem relacionadas entre si, pode ser analisado através da matriz de correlações. Se esses valores forem demasiado altos, podem pôr em causa a estimação do modelo. É assumido na literatura, Gujarati (2006), o valor de |0,8| como sendo muito elevado. Em seguida são apresentados os resultados obtidos: Correlações Dimensão Peso PI Grau de Endividamento Dimensão - Peso PI -0,088 - Grau de Endividamento 0,254* -0,215** - Tabela 21 - Matriz de Correlações * Significante para um nível de 1% ** Significante para um nível de 5% Analisando a relação entre as variáveis independentes, os resultados anteriores evidenciam que não existe nenhuma correlação entre as variáveis contínuas independentes superior a |0,254|. Este valor é reduzido, e não evidencia a existência de problemas na formulação do modelo. Existe uma correlação negativa entre o peso das propriedades de investimento e a dimensão da empresa, sendo esta a única que não tem significância nem para um nível de 10%. Análise multivariada Nesta fase será realizado o teste multivariado para as variáveis através do modelo de regressão logística (logit). Uma vez que estamos na presença de várias variáveis binárias, incluindo a explicada, decidiu-se formular 4 modelos diferentes por forma a analisar o impacto de cada uma das variáveis binárias independentemente. Esta escolha deveu-se igualmente à 46 sensibilidade dos resultados que o modelo apresentava cada vez que se ia acrescentando uma variável binária ao modelo. Em qualquer modelo de regressão é necessário ter cuidado com o número de variáveis binárias que se acrescentam ao modelo, e o facto de a própria variável dependente ser binária torna este modelo ainda mais sensível, estamos a tentar explicar uma variável que assume valores de 0 ou 1 com outras que assumem o mesmo tipo de valores. Peng et al. (2002) apresentam na sua análise autores que sugerem que para a qualidade do modelo não ser posta em causa, o número de observações deve ser de pelo menos 50 ou 100, devendo ser tanto maior quanto maior o número de variáveis independentes, e que o mesmo deve incluir um rácio de pelo menos 10 para 1 para as observações da variável dependente. Assim, como forma de testar as hipóteses formuladas e o comportamento das variáveis em conjunto serão formulados os seguintes modelos: M1: it   IMit  P SO PIit  N it it M2: it   IMit  P SO PIit  N it  S Tit it M3: it   IMit  P SO PIit  N it  T MPOit it M4: it   IMit  P SO PIit  N it  PA Sit it Em que: DIM: Dimensão da empresa definida como Ln(Total do Ativo) PESO_PI: Peso das Propriedades de Investimento (PI/Total do Ativo) END: Grau de endividamento (Passivo/Capital Próprio) SET: Setor de atividade da empresa, 1 se imobiliária, 0 em caso contrário TEMPO: Define o período da análise da amostra. Foram usadas 2 variáveis dicotómicas para definir os 3 anos em análise (2010, 2011 e 2012) PAÍS: Foram usadas 4 variáveis dummies para definir os 5 países da amostra 47 Para determinar se as variáveis dimensão; peso das propriedades de investimento e grau de endividamento são explicativas do modelo será criado um modelo geral (M1) constituído apenas por variáveis contínuas. Posteriormente, serão individualmente adicionadas as variáveis binárias para testar se pode existir diferença em termos do setor (M2); ao longo do tempo (M3) e em termos de país (M4). O quadro seguinte resume os resultados obtidos pela aplicação do modelo M1: it   IMit  P SO PIit  N it it Dependent Variable: JV Method: ML - Binary Logit Variable Coef. -value -value HuberWhite C. 11,68132 0,0321 0,0001 Dimensão -0,611144 0,0157 0,0000 Peso PI 23,54306 0,0009 0,0003 Grau de Endividamento -0,094495 0,4966 0,5477 McFadden R2 0,358029 Mean dependent var 0,186047 S.D. dependent var 0,390661 S.E. of Regression 0,315765 Akaike info criterion 0,678872 Sum Squared Resid 12,46341 Schwarz criterion 0,767548 Log Likelihood -39,78722 Hannan-Quinn criterion 0,714903 Deviance 79,57443 Restr. Deviance 123,9533 Restr. Log Likelihood -61,97667 LR Statistic 44,37891 Avg. Log Likelihood -0,308428 Prob(LR Statistic) 0,000000 Obs with Dep=0 105 Total Obs 129 Obs with Dep=1 24 Tabela 22 - Resultados obtidos pela aplicação do modelo M1 Para além do -value da estimação do modelo geral, é apresentado o -value com a correção de Huber-White que corrige a heterocedasticidade. 48 A análise do quadro anterior evidencia que: - Há uma relação negativa, significativa para um nível de 5%, ou de 1% segundo HuberWhite, entre a dimensão da empresa e a adoção do justo valor, o que corrobora a hipótese H12; - Há uma relação positiva, significativa para um nível de 1%, segundo os dois testes, entre o peso das propriedades de investimento e a adoção do justo valor, que corrobora a hipótese H13; - Há uma relação negativa entre o grau de endividamento e a adoção do justo valor, o que contraria a hipótese H14, no entanto, esta variável não é significativa, segundo nenhum método, pelo que não podemos rejeitar H04. Os resultados apresentados anteriormente são reforçados pelo R2 de McFadden que, embora não possa ser analisado como o R2 do modelo OLS, dá-nos uma ideia acerca da qualidade do ajustamento do modelo. Não podendo esquecer que a variável dependente é dicotómica, pelo que este efeito não deve ser exagerado. A Prob(LR statistic) com um valor de 0 reforça o poder do modelo, permitindo-nos rejeitar a hipótese nula do modelo de que todos os coeficientes possam ser zero, pelo que mostra que há pelo menos uma variável que explica o modelo. Teste de Wald No sentido de testar o valor dos modelos foi decidido recorrer ainda ao teste de Wald para testar as hipóteses nulas, com a correcção da heterocedasticidade de Huber-White. Deste modo, para M1 testamos a hipótese nula de todos os coeficientes,  1;  2;  3 serem simultaneamente 0. 55 Teste de Wald Também para o país foi testada a diferença entre o modelo M1 e M4, ou seja, a hipótese de o país não acrescentar valor à análise:  4=0;  5=0, obtendo: Tabela 28 - Teste modelo M1=M4 Já em relação ao modelo M4, o teste de Wald, com a correção de Huber-White, mostra que podemos rejeitar a hipótese nula de os dois coeficientes dos países serem zero, ou seja, do país não explicar a diferença na escolha do modelo e deste modo M4 ser igual a M1. Assim, parece apontar no sentido de que existem diferenças entre os 3 países. Análise da capacidade de previsão dos modelos Como o modelo em análise é um modelo de probabilidade, a interpretação que é dada aos valores do modelo que obtemos é o nível de probabilidade que uma empresa tem para adotar o método do justo valor em vez do método do custo histórico. Neste sentido, a forma de verificar a qualidade do modelo é muitas vezes testada através da qualidade de previsão do modelo. Para tal, apresentamos em seguida a análise da previsão do modelo, sendo 0,5 o valor a partir do qual se considera que a empresa utiliza o Justo Valor (cut-off). 56 Tabela 29 - Capacidade de Previsão do modelo M1 Tabela 30 - Capacidade de Previsão do modelo M2 Tabela 31 - Capacidade de Previsão do modelo M4 As tabelas anteriores mostram que de M1 para M2 o número de previsões corretas do modelo aumentaram. Passamos de uma percentagem de previsões corretas de 86,05% para 90,7%. Para além disso, esse facto deveu-se a uma elevada melhoria na sensibilidade do modelo, percentagem de acerto na utilização do justo valor, que passou 57 de 33,33% para 62,5% em detrimento de uma pequena redução da especificidade, acerto das empresas que não adotam o justo valor, que passou de 98,10% para 97,14%. Relativamente à capacidade de previsão do modelo M4, vemos que é superior ao modelo M1 89,71% em relação a 86,05% também neste caso verificamos uma melhoria na sensibilidade do modelo que é no modelo M4 de 75%. Não pode ser esquecido o facto de que o modelo M4 inclui menos observações que os restantes dois modelos. Goodness-of-Fit Outra forma de testar a qualidade do ajustamento dos modelos é através dos testes de Hosmer-Lemeshow e de Andrews. Estes testes têm por finalidade a análise da adequação das probabilidades produzidas pelo modelo para caracterizar os dados reais. M1 M2 M4 H-L Statistic 0,0252** 0,5775 0,3703 Andrews Statistic 0,0000* 0,0000* 0,0257** Tabela 32 - Goodness-of-fit * Significante para um nível de 1% ** Significante para um nível de 5% Segundo o teste de Hosmer-Lemeshow, o modelo cujos resultados melhor se ajustam aos dados em análise são o modelo M2 e M4 na medida em que este teste testa a hipótese de o ajustamento ser melhor que a hipótese nula. Segundo este teste, tanto o modelo M2 como o M4 não apresentam valores significantes indicando que não existem diferenças significantes entre os valores reais e os ajustados pelo modelo. Este facto reforça a s análises anteriores que demonstraram que o setor e o país acrescentaram valor ao modelo explicativo. Já segundo o teste de Andrews, todos os modelos se mostram significantes, para um nível de significância de pelo menos 5%, apontando no sentido de que nenhum dos modelos apresenta um bom ajustamento da realidade. Mais uma vez, esta diferença de resultados mostra a sensibilidade dos dados e do modelo em análise. 58 Ativos Biológicos O reduzido número de observações não permitiu uma análise econométrica de modo a analisar se os mesmos determinantes que influenciam o reconhecimento pelas empresas com propriedades de investimento, podem igualmente influenciar a utilização do justo valor pelas empresas com ativos biológicos, nunca esquecendo que a adoção do justo valor é obrigatória para a mensuração dos ativos biológicos, confrontando deste modo se existiria um comportamento semelhante. Os dados descritivos dos ativos biológicos parecem contrariar todos os pressupostos das variáveis que influenciam a adoção ou não do justo valor, o que evidencia que, apesar de a amostra ser reduzida, não parece que as empresas com ativos biológicos estejam a encarar o justo valor como uma opção. Deste modo a adoção do custo histórico deve estar relacionada com características próprias dos ativos biológicos das empresas em análise. Propriedades de Investimento -Dimensão: Os resultados obtidos nesta análise mostram que a variável dimensão afeta de forma significativa a escolha das empresas, e corrobora a hipótese formulada H12, ou seja, de que empresas de maior dimensão tendem a utilizar menos o método do Justo Valor, aplicando-se a teoria dos custos políticos. -Peso das Propriedades de Investimento: Esta variável mostrou-se significante e explicativa da escolha do justo valor ao longo da análise. Também esta variável confirmou a hipótese formulada H13 de que empresas com maior peso das propriedades de investimento tendem a utilizar mais o Justo Valor. -Grau de Endividamento: Esta variável não se mostrou significante ao longo da análise, na regressão dos modelos constatamos que a variável não tinha significância, a única exceção foi quando acrescentamos os países, devendo ter existido uma absorção 4.4 Discussão dos resultados obtidos 59 do efeito de outras variáveis. De igual modo o sinal da sua contribuição para o modelo foi de um modo geral diferente do esperado pela hipótese H14, negativo em vez de positivo, tal como tinha acontecido com Demaria e Dufour (2007). No entanto, mais uma vez referimos que a variável não teve significância para o modelo, ou seja, para explicar a utilização do Justo Valor. -Setor: A análise da regressão e o teste de Wald mostraram que esta variável acrescentou valor ao modelo. Nestas análises, não podemos esquecer que estamos a analisar a relação entre duas variáveis dicotómicas, sendo uma relação particular e que requer uma análise cuidada. Deste modo, os resultados apontam no sentido da existência de diferenças no comportamento das empresas do setor imobiliário. Contudo, uma vez que o seu impacto foi analisado em função das variáveis quantitativas da análise, e que para uma foi positivo e para as outras negativo, o sinal desse impacto não é determinável. -Tempo: A análise do fator tempo já na obtenção dos dados mostrou-se não significativa uma vez que não houve mudança de critério em qualquer um dos anos. Esse resultado foi corroborado pelo modelo econométrico. -País: Logo na análise descritiva, uma vez que para dois dos países não foram identificadas empresas que utilizassem o justo valor, parece existir uma diferença no comportamento das empresas dos diferentes países. A análise descritiva dos resultados demonstra que existe diferença nos comportamentos médios das variáveis contínuas pelos países da análise. Os testes econométricos realizados também apontam no sentido de que existe as empresas portuguesas têm maior probabilidade para adotar o justo valor em relação às empresas francesas e gregas. Mais uma vez se chama a atenção para a natureza dicotómica da variável dependente e para a sensibilidade da análise dos resultados, sobretudo quando acrescentamos variáveis independentes também binárias, assim como para o número reduzido de observações sobretudo de empresas que utilizem o justo valor. 60 Apesar da fase avançada do processo de convergência contabilística em que nos encontramos atualmente, continuam a existir divergências entre os vários países que originam diferentes respostas a nível legal, dos sistemas financeiros, sistema fiscal, e das profissões do ramo contabilístico, em função das normas que são impostas de forma generalizada para os países que entraram no processo de normalização contabilística. Estas diferenças podem justificar diferenças ao nível dos critérios contabilísticos adotados. O conceito de justo valor suscitou diversas dúvidas aos investigadores, preparadores e utilizadores das informações financeiras das empresas, sendo ainda um conceito bastante controverso entre especialistas da área. Para os ativos biológicos a reduzida amostra não permitiu a análise econométrica, mas não parece existir evidência de que as empresas não estejam a aplicar a norma corretamente. A nível das propriedades de investimento, tal como Christensen e Nikolaev na sua análise, verificamos que a utilização do justo valor não é muito significativa. Os mesmos autores sugerem que é pouco provável que o justo valor se torne o método de valorização de adoção para os ativos não financeiros, numa base voluntária. Os testes econométricos realizados parecem apontar no sentido de que a dimensão, o peso das propriedades de investimento e o facto de a empresa ser do setor imobiliário afetam a decisão de utilização ou não do método do justo valor. Para além disso, há evidência de uma diferença de comportamento entre Portugal e os restantes países. 5. Conclusão 61 Foram assumidos alguns pressupostos e utilizadas proxys para a análise, este não é necessariamente um problema, mas é preciso ter atenção e cuidado para o trabalho não perder valor. Todas as aproximações e pressupostos devem ser justificados e consistentes. Relativamente à obtenção dos dados dos Ativos Biológicos não há uma grande diversidade de estudos e análises, porque as informações de empresas com este tipo de ativos são de acesso público limitado e a obtenção de uma amostra significativa, para formar opiniões e conclusões com valor empírico, é de razoável dificuldade. Uma situação a ter em consideração na análise dos resultados é a da sensibilidade dos dados utilizados. Foram utilizadas as contas consolidadas das empresas para a recolha das informações necessárias ao estudo. Assim, é de salientar que uma mudança no método de consolidação, ou a utilização de um método diferente, para a mesma realidade, pode alterar os valores usados na análise e consequentemente os resultados obtidos. Relativamente ao modelo, acrescentamos ao facto de a variável dependente ser uma variável binária, o que torna o modelo sensível, a existência de várias variáveis independentes binárias, razão pela qual foram sendo acrescentadas individualmente no modelo para não afetar a qualidade dos resultados. Com as alterações introduzidas pela IFRS 13 e futuramente pelos amendments às IAS 16 e IAS 41, uma análise para confrontar com os resultados obtidos em anos posteriores pode ser interessante. A análise parece evidenciar que existem fatores que estão a influenciar as diferenças de comportamento entre os países. Numa análise futura a verificação e identificação dessas variáveis parece oportuna, para tal pode ser necessário alargar a amostra. 6. Limitações e sugestões de investigação futura 62 Artigos e publicações 1. Abreu, R.; F. Pega Magro e F. David (2009) “Sistema de Normalização Contabilística: Justo valor versus credibilidade contabilística” Revista OTOC nº111 de Junho retirado de http://www.otoc.pt/fotos/editor2/RevistaTOC111SNC.pdf consultado a 24/06/2014 2. Azevedo, G. M. C. (2008) “Influência da dimensão da empresa no conhecimento da IAS 41”, disponível em http://ria.ua.pt/handle/10773/6521 consultado a 25/06/2014 3. Barth, M; W. Beaver e W. Landsman, (2001) “The Relevance of the Value Relevance Literature for Financial Accounting Standard Setting: Another View” in Journal of Accounting and Economics, vol. 31 pp. 77–104 disponível em http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=246861 consultado a 24/06/2014 4. Bignon, V.; Y. Biondi e X. Ragot (2009), “An Economic Analysis of Fair Value: Accountig as a Vector of Crisis” disponínel em http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1474228 consultado a 26/06/2014 5. Bonaci, C. G. e A. T. Tudor (2011) In “Annales Universitatis Apulensis Series Oeconomica: Fair value empirical studies: An Overview on Acconting Research Literature”, retirado de oeconomica.uab.ro/upload/lucrari/1320112/01.pdf consultado a 16/06/2014 6. Camacho, D. (2011) “Divulgações dos Testes de imparidade ao goodwill no âmbito da IAS 36 – Evidência empírica nas empresas portuguesas de 2005 a 2010” 7. Carqueja, H. (1995) “Pequenos…Grandes problemas? Valor Justo… o que é?”, Jornal do Técnico de Contas e da Empresa nº 354 pág.70-71 disponível em http://www.infocontab.com.pt/download/revInfocontab/2008/38/Pequenos_gran des.pdf consultado a 09/06/2014 8. Carqueja, H. (1973), Teoria da Contabilidade, Edição dos Serviços Sociais da U.L.M. 7. Bibliografia 63 9. Christensen, H. e V. Nikolaev (2013) “Does fair value accounting for nonfinancial assets pass the market test?” Chicago Booth Research Paper nº 13-10 disponível em http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2216822 consultado a 06/07/2014 10. Danbolt, J. e W. Rees (2007) “An Experiment in Fair Value Accounting: UK Investment Vehicles” (Disponível em: http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=966197 consultado a 16/06/2014 11. Demaria, S. e D. Dufour (2007), “First time adoption of IFRS, Fair value option, Conservatism: Evidences from French listed companies” disponível em http://hp.gredeg.cnrs.fr/Samira_Demaria/recherche/First%20adoption%20and% 20fair%20value%20Demaria%20Dufour.pdf consultado em 11/06/2014 12. Fahnestock R. e E. Bostwick (2011) “An analysis of the fair value controversy”, Journal of Finance and Accountancy vol. 8 pp.1-12 disponível em http://www.aabri.com/manuscripts/11931.pdf consultado em 30/06/2014 13. Gujarati, D. (2006), Econometria Básica tradução da 4ª edição por Maria José Cyhlar Monteiro 14. Holthausen, R. W. e R. L. Watts (2001), “The Relevance of the Value Relevance Literature for Financial Accounting Standard Setting” in Journal of Accounting and Economics, vol. 31 pp. 3-75 disponível em http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=228950 consultado a 24/06/2014 15. Hosmer, D.; S. Lemeshow e R. Sturdivant (2013), Applied Logistic Regression Third Edition 16. Jensen, M. C. e W. H. Meckling (1976), Theory of the firm: Managerial Behavior, Agency Costs and Ownership Structure Journal of Financial Economics 305 – 360, 1976 17. Kaur, J. (2013), “The Fairness of the Fair Value Concept” International Journal of Business and Commerce vol. 3, nº3 pp.1-10 disponível em http://www.ijbcnet.com/3-3/IJBC-13-3208.pdf consultado a 05/06/14 18. La Porta, R.; F. Lopez-de-Silanes; A. Shleifer e R.W. 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Moreira, José António (2010), “Irá o método do justo valor reduzir a qualidade da informação financeira? Inferências a partir da aplicação das IFRS” revista OTOC nº 119 retirado de www.otoc.pt/downloads/files/1266489561_45a49_contabilidade_final.pdf 23. Müller, M.; E. Riedl e T. Sellhorn (2012), “Recognition versus Disclosure of Fair Values” disponível em: http://www.business.uzh.ch/professorships/managerialaccounting/lehre/aag/sellh orn_aag_zuerich.pdf consultado a 20/06/2014 24. Müller, M.; E. Riedl e T. Sellhorn (2008), “Causes and Consequences of Choosing Historical Cost versus Fair Value” disponível em http://www3.nd.edu/~carecob/May2008Conference/Papers/RiedlMRS03062008. pdf consultado a 26/06/2014 25. Peng, Chao-Ying; K. Lee; G. Ingersoll (2002) “An Introduction to Logistic Regression Analysis and Reporting” Journal of Educational Research, v.96, n1 p3-14 26. Pimentel, G. L. (2012), “A divulgação das Propriedades de Investimento no Mercado Ibérico” 71 8.2.2 Empresas que fazem parte da amostra com Propriedades de Investimento Índice Grupo Principais áreas de ação Psi 20 Altri Produção de Pasta de papel e Gestão Florestal J.MARTINS,SGPS Distribuição alimentar; Indústria; Serviços MOTA ENGIL Engenharia e Construção; Ambiente e Serviços: Logística, Resíduos, Água; Energia e Manutenção P.TELECOM Telecomunicações SEMAPA Produção e Comercialização de papel e pasta de papel; cimentos; Ambiente SONAE Distribuição e retalho alimentar e não alimentar; Telecomunicações; Gestão e desenvolvimento de Centros comerciais; Gestão Imobiliária SONAE IND.SGPS Indústria dos derivados da madeira; desenvolvimento e produção de produtos e serviços para indústria do mobiliário, construção, decoração e distribuição ZON MULTIMEDIA Telecomunicações e Multimédia IBEX 35 Abertis Gestão de Infraestruturas e de Redes de Telecomunicações e Gestão de auto estradas Acciona Energia; Infra-estruturas; Logística e Transportes; Serviços Ambientais e Urbanos ACS Construção; Desenvolvimento, construção e manutenção de infraestruturas para a indústria e energia; Recolha e tratamento residuais Endesa Energia: Eletricidade, Gás e Energias Renováveis FCC Construção; Indústria; Serviços e Energia Ferrovial Infraestruuras; Concessões; Construção Iberdrola Energias Inditex Desenho, fabricação e distribuição de artigos de moda Indra Projeção, Desenvolvimento, Produção, Manutenção para Sistemas, Soluções e Produtos Tecnológicos OHL Concessões, Construção e Engenharia; Construção de infraestruturas para setor energético REE Rede Elétrica e Gestão de Infraestruturas Repsol Exploração e Produção Energética; Desenvolvimento Tecnológico Sacyr Construção; Imobiliária; Património; Concessão e Serviços Telefonica Telecomunicações CARREFOUR Distribuição e Logística 72 EADS Indústria Aeronáutica, Helicópteros, Desenvolvimento de Sistemas e Tecnologias de Segurança LVMH MOET VUITTON Vinhos e bebidas Espirituosas; Produtos de luxo e couros; Perfumes e Cosméticos; Relógios e Joalharia; serviços de retalho UNIBAIL-RODAMCO Desenvolvimento, Investimento e Gestão Imobiliária VINCI Construção, Concessões, Energia ATHEX 25 ELLAKTOR Construção, Concessões, Energia, Imobiliária EUROBANK PROPERTIES Gestão Imobiliária FOLLI FOLLIE Travel Retail, Relógios e artigos de Joalharia, Acessórios HELLENIC TELECOMS Telecomunicações JUMBO Distribuição de Jogos e Brinquedos MIG Gestão de Participações OPAP Gestão de Jogos da Sorte e Apostas TERNA ENERGY Setor Energético, Investigação e Desenvolvimento em Energias Renováveis TITAN CEMENT Indústria de Cimentos e Derivados VIOHALCO Indústria metalúrgica FTSE mib 40 ATLANTIA Concessões, Gestão e Manutenção de Auto-estradas e Aeroportos BUZZI UNICEM Indústria de Cimentos e Derivados CAMPARI Vinhos e bebidas Espirituosas ENEL Distribuição Energética FINMECCANICA Indústria Aeronáutica, Helicópteros, Satélites, Carruagens Ferroviárias, Desenvolvimento de Tecnologias de Segurança e Defesa Eletrónica SALVATORE FERRAGAMO Desenvolvimento, Criação, Produção e Distribuição de Produtos de Luxo; Acessórios e Perfumes TOD’s Criação, Produção e Distribuição de Sapatos, Produtos e Acessórios em Pele e Vestuário Fonte: Elaboração Própria