Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012
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EVOLUÇÃO DO PERFIL DAS EMPRESAS CONSTRUTORAS NACIONAIS NO PERÍODO 2008-2012 ANDREIA FILIPA CLEMENTE DA SILVA Dissertação submetida para satisfação parcial dos requisitos do grau de MESTRE EM ENGENHARIA CIVIL — ESPECIALIZAÇÃO EM CONSTRUÇÕES Orientador: Professor Doutor Jorge Manuel Fachana Moreira da Costa JUNHO DE 2015
MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL 2014/2015 DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL Tel. +351-22-508 1901 Fax +351-22-508 1446 [email protected] Editado por FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO Rua Dr. Roberto Frias 4200-465 PORTO Portugal Tel. +351-22-508 1400 Fax +351-22-508 1440 [email protected] http://www.fe.up.pt Reproduções parciais deste documento serão autorizadas na condição que seja mencionado o Autor e feita referência a Mestrado Integrado em Engenharia Civil - 2014/2015 - Departamento de Engenharia Civil, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, Portugal, 2015. As opiniões e informações incluídas neste documento representam unicamente o ponto de vista do respetivo Autor, não podendo o Editor aceitar qualquer responsabilidade legal ou outra em relação a erros ou omissões que possam existir. Este documento foi produzido a partir de versão eletrónica fornecida pelo respetivo Autor.
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Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 Aos meus Pais Sabemos com exatidão quando sabemos pouco; à medida que vamos adquirindo conhecimentos, instala-se a dúvida Johann Goethe
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Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 i AGRADECIMENTOS No final deste trabalho que encerra um ciclo importante da minha vida, quero agradecer em primeiro lugar, ao meu orientador, o Professor Jorge Moreira da Costa, por toda a confiança depositada em mim, pela disponibilidade e motivação que me transmitiu ao longo destes meses de trabalho. Sem a sua orientação não teria sido possível a conclusão desta dissertação. Aos meus Pais, que são a base da minha vida, agradeço por todo o esforço que fizeram para eu pudesse alcançar os meus sonhos e concretizar um dos meus maiores objetivos, ser Engenheira. Obrigada pelo amor e dedicação, e especialmente, por nunca terem duvidado de que eu era capaz e por me apoiarem nos momentos mais difíceis. Aos meus Avós, em especial à minha Avó Maria, suporte do meu crescimento, agradeço o entusiasmo demonstrado ao longo do meu percurso académico, e por me fazer sentir sempre a melhor naquilo que faço. À Ânia, à Joana Castro, à Joana Pavoeiro, à Andreia e ao Ruben, agradeço o apoio e incentivo demonstrado ao longo dos últimos seis anos, sem vocês ao meu lado teria sido muito mais difícil chegar até aqui. Obrigada por terem sido a família que tive longe de casa, e por me ampararem quando mais precisei. Ao Tiago, ao David e ao Ivo por me terem sempre apoiado ao longo deste último dois anos, em especial nesta reta final. À Helena, por ter sido a melhor colega e amiga durante este último ano, por me levantar a cabeça sempre que necessitei. À Ana Túlio, um obrigado especial, amiga de sempre, obrigada por todo o apoio, por estares sempre presente nos momentos menos bons e por festejares comigo todas as minhas conquitas. Ao Rodrigo, ao Zé, à Cristina e à Raquel, agradeço a amizade, o companheirismo e toda a compreensão demonstrada. Por fim, quero agradecer à Engª. Ana Carla Madeira, pela disponibilidade demonstrada e pelos ensinamentos necessários sobre Excel, essenciais para o desenvolvimento desta tese.
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Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 iii RESUMO A Indústria da Construção em Portugal atravessou, na última década, uma crise económica profunda, o que proporcionou elevados níveis de estagnação. Esta degradação económica teve uma grande influência no estado atual da construção, o que influenciou diversas alterações na estrutura das empresas deste sector. No período entre 2008 e 2012 verificou-se um aumento significativo do número de empresas que encerraram nas diversas classes de alvará. Para perceber quais os fatores que mais influenciaram este excessivo número de falências, elaborou-se nesta dissertação uma caracterização geral das empresas do sector da construção, sendo utilizado a informação retirada das declarações IES. A análise incidiu em três classes de alvará de construção, as classes 1, 4 e 9, as quais representam, respetivamente, empresas de pequena, média e grande dimensão. Para o estudo foram utilizados quatro dos indicadores de Nível 1 da plataforma icBench, sendo eles, o Índice de Produtividade, Rentabilidade de Vendas, Autonomia Financeira e Liquidez Geral. O objetivo é confrontar o desempenho das empresas, nos quatro indicadores estudados, de forma, a tentar perceber quais aqueles que têm uma maior influência na situação com que as empresas se deparam e, consequentemente, no estado da economia da indústria da construção. Neste sentido, estudou-se quais os fatores que mais afetaram os encerramentos e a manutenção das empresas no sector da construção. Com base nos dados estudados ao longo da dissertação, é efetuado uma radiografia sobre o futuro do sector da construção, quer ao nível das pequenas e médias empresas, quer das grandes empresas, com o objetivo de formular medidas que devam ser implantadas num futuro próximo, para melhorar os níveis de produtividade e de rentabilidade das empresas, assim como os níveis de credibilidade perante os seus clientes. PALAVRAS-CHAVE: Benchmarking, Construção, Produtividade, Rentabilidade, Encerramentos.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 x 5.2. ASSOCIAÇÕES EMPRESARIAS............................................................................................ 115 5.3. DESENVOLVIMENTOS FUTUROS ......................................................................................... 116 5.3.1. O FUTURO DAS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS .................................................................. 116 5.3.2. O FUTURO DAS GRANDES EMPRESAS NACIONAIS .................................................................. 117 BIBLIOGRAFIA ........................................................................................................... 119
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 xi ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1 - Dimensão das empresas titulares de alvará de construção em 2013 .......................... 16 Figura 2 - Variação do volume bruto de produção no sector da construção ................................ 17 Figura 3 - Estratégias empresariais .............................................................................................. 21 Figura 4 – Gráfico de análise de desempenho ............................................................................. 32 Figura 5 – Gráfico de radar ........................................................................................................... 33
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Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 xiii ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1 - Crescimento Médio Anual, por décadas ........................................................................ 7 Tabela 2 - Número de empresas com alvará de construção, por classes (2004-2009) ............... 11 Tabela 3 - Número de empresas com alvará de construção, por classes (2009-2013) ............... 12 Tabela 4 - Crescimento do PIB em Portugal (2000-2013) ............................................................ 15 Tabela 5 - Composição do crescimento em volume do VAB (2000-2009) ................................... 17 Tabela 6 - Volume de Negócios por classe de alvará (2009-2013) .............................................. 18 Tabela 7 - Volume de Negócios das empresas (2009-2013) ....................................................... 19 Tabela 8 - Indicadores do icBench N1 a partir de 2009 ................................................................ 34 Tabela 9 - Indicadores do icBench N2 a partir de 2009 ................................................................ 35 Tabela 10 - Volume de Negócios e FSE em 2011 ........................................................................ 36 Tabela 11 - Valor limite das obras por classe de alvará ............................................................... 38 Tabela 12 - Empresas que se mantiveram na Classe 1 durante 2008-2012 analisadas no período entre 2008-2010 .................................................................................................................. 99 Tabela 13 - Empresas que se mantiveram na Classe 4 durante 2008-2012 analisadas no período entre 2008-2010 ................................................................................................................ 101 Tabela 14 - Empresas que se mantiveram na Classe 9 durante 2008-2012 analisadas no período entre 2008-2010 ................................................................................................................ 102 Tabela 15 - Empresas que se mantiveram na Classe 1 entre 2010-2012 ................................. 104 Tabela 16 - Empresas que se mantiveram na Classe 4 entre 2010-2012 ................................. 105 Tabela 17 - Empresas que se mantiveram na Classe 9 entre 2010-2012 ................................. 106 Tabela 18 - Empresas que se mantiveram entre 2008-2012 com benchmark superior a 50% . 107 Tabela 19 - Número de empresas que mudaram de classe de alvará entre 2008-2012 ........... 108
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Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 xv SÍMBOLOS, ACRÓNIMOS E ABREVIATURAS AC - Ativo Corrente AdI - Agência de Inovação AECOPS - Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas e Serviços AF – Autonomia Financeira AICCOPN - Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas AT - Ativo Total BSC - Balanced Scorecard CEE - Comunidade Económica Europeia CCOP - Construção Civil e Obras Públicas CP - Capitais Próprios C1 – Classe 1 C4 – Classe 4 C9 – Classe 9 FBCF - Formação Bruta do Capital Fixo FEDER - Fundo para o Desenvolvimento Regional FEUP - Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto FMI - Fundo Monetário Internacional FSE - Fornecimentos e Serviços Externos EBITDA – Earning Before Interests, Taxes, Depreciation and Amortization EFTA - Associação Europeia de Comércio Livre EN - Normas Europeias EUA - Estados Unidos da América IAPMEI - Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento IC - Indústria da Construção IDP - Indicadores de Desempenho e Produtividade IES - Informação Empresarial Simplificada IMOPPI - Instituto do Mercado das Obras Públicas e Particulares e do Imobiliário InCI - Instituto da Construção e Imobiliário, INE - Instituto Nacional de Estatística IP – Índice de Produtividade IPQ - Instituto Português da Qualidade ISHST - Instituto para a Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 xvi ISO - Organização Internacional para Padronização KPI – Key Performance Indicators LG – Liquidez Geral OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico PCP - Passivo de Curto Prazo PIB - Produto Interno Bruto PME - Pequenas e Médias Empresas POC - Plano Oficial de Contas QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional RENT – Rentabilidade SNC - Sistema de Normalização Contabilística SNF - Sociedades Não Financeiras UE - União Europeia VAB - Valor Acrescentado Bruto VBP - Valor Bruto de Produção VMC – Volume Médio da Classe VNO – Volume de Negócio em Obra ∆ - Variação (diferença entre duas variáveis)
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 1 1 INTRODUÇÃO 1.1. CONSIDERAÇÕES GERAIS A Indústria da Construção tem uma importância significativa na economia portuguesa, abrangendo diversas áreas, desde edifícios residenciais ou não residenciais, a obras de engenharia civil, como por exemplo, barragens, estradas ou pontes. O peso do sector da construção na economia tende a estabilizar à medida que aumenta o desenvolvimento do país, o que está associado ao nível de satisfação da população; quanto maior for o nível de satisfação, menor será o investimento na construção e, consequentemente, o contributo desta área para o Produto Interno Bruto (PIB) será menor. Este sector é considerado como um dos barómetros da economia, por se tratar de uma atividade com tendências pró-cíclicas, ou seja, se a atividade se encontrar numa fase positiva, a economia está em expansão, porém se esta apresentar resultados negativos, a economia encontra-se em recessão. A construção em Portugal atravessa uma crise profunda desde 2002, tendo-se acentuado a partir do ano 2008, o que levou a uma estagnação da economia. Neste período deu-se uma queda do volume de produção e o investimento na indústria da construção sofreu um significativo decréscimo. Estes factos levaram a que o país enfrentasse nos últimos anos, uma das épocas mais difíceis em termos económicos, sendo o sector da construção um dos mais afetados. Esta era uma “crise” espectável por muitos, senão mesmo inevitável, devido à falta de liquidez da banca e ao excesso de fogos do parque edificado; estes fatores levam a um panorama pouco animador para futuro de indústria da construção. Por outro lado, este é um sector que está diretamente relacionado com as prioridades políticas, como por exemplo, o cancelamento de diversas obras públicas influência negativamente as empresas de construção. Durante a década de 90, observou-se um crescimento excessivo dos níveis de construção do parque habitacional, o que provocou a atual desocupação de aproximadamente 735 000 habitações, uma vez que, o crescimento da população foi muito inferior, comparativamente, ao número de fogos construídos. Para fazer face aos problemas e aos maus resultados apresentados pela indústria da construção durante os últimos anos, iniciou-se em 2005 o Projeto IDP - Indicadores de Desempenho e Produtividade que, posteriormente, evoluiu para icBench, consistindo num sistema de medição de desempenho e benchmarking, tendo como objetivo a criação de uma plataforma que possibilite às empresas uma radiografia da sua performance ao longo do ano para diferentes tipos de indicadores.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 2 Os dados fornecidos pela plataforma, permitem às empresas aderentes acederem à recolha e tratamento de informação, o que possibilita a obtenção de indicadores de desempenho em tempo real. Cada empresa consegue analisar o seu percurso ao longo do último ano e perceber qual a sua posição em relação às restantes empresas do sector. Para fazer face aos resultados negativos apresentados pela indústria da construção, é necessário que o sector seja recetivo à mudança e à inovação, de modo, a aumentar os níveis de tecnologia neste sector, inovar nos métodos de trabalhos e aumentar a qualidade dos projetos. As empresas devem definir estratégias mais eficientes, de forma a aumentar a criação de valor, melhorar a produtividade da mão-de-obra; a construção civil é o sector onde os níveis de produtividade se encontram mais baixos; e aumentar o nível salarial dos trabalhadores, uma vez que, os salários baixos atraem trabalhadores menos qualificados, e menos produtivos, os trabalhadores mais competentes procuram, normalmente, remunerações superiores. É de salientar que, as empresas terão de se adaptar ao novo paradigma do decréscimo da construção de habitações novas em detrimento da reabilitação, conservação e reparação de edifícios. 1.2. ÂMBITO E OBJETIVOS Com o número excessivo de encerramento de empresas de construção que tem ocorrido durante os últimos anos, devido à crise financeira que se instalou em Portugal, torna-se necessário analisar quais os principais problemas do sector, de forma, a poder precaver as empresas que se encontram em atividade. Através dos dados fornecidos pelo Instituto da Construção e Imobiliário, InCI, foi possível analisar o percurso das empresas com alvará de construção válido entre o período de 2008-2012. Os dados são retirados da declarações IES – Informação Empresarial Simplificada, que estão ao abrigo da Autoridade Tributária e Aduaneira, porém, esta tem um protocolo com o InCI, que permite a este organismo ter acesso aos dados fornecidos pelas empresas, uma vez que tais são necessários para o processo de pedido ou renovação de Alvarás. A partir destes dados analisaram-se quatro indicadores de Nível 1 que integram a plataforma icBench, sendo eles o Índice de Produtividade, a Rentabilidade de Vendas, a Autonomia Financeira e a Liquidez Geral. Para o estudo considerou-se apenas três classes de alvará de construção, Classe 1 – Empresas Pequenas, Classe 4 – Empresas Médias e Classe 9 – Empresas Grandes. Recorrendo a estes dados, observou-se quais os indicadores que mais influenciavam o percurso das empresas, quer das que encerraram nos anos em estudo, quer daquelas que se mantiveram em atividade tendo, também, incidido a análise nas empresas que se mantiveram em atividade durante os cinco, 20082012, sempre na mesma classe de alvará, e nas empresas que mudam de classe de alvará durante o mesmo período. A análise das empresas que encerraram é apenas feita para os anos 2011 e 2012, visto que seriam necessários dados dos anos anteriores ao encerramento e são estes os anos para os quais se possuem maior número de dados. O objetivo desta dissertação é, essencialmente, perceber o que diferencia as empresas que encerraram, das que mantiveram a sua atividade; respondendo a diversas questões que assombram o futuro da indústria da construção como, por exemplo, se valores de benchmark baixos em determinado indicador, tem influência no encerramento ou a continuidade das empresas na atividade. Serão também analisadas, individualmente, as três classes de alvará de construção escolhidas, de forma a perceber se estas se
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 3 comportam de forma semelhante nos diversos indicadores, ou se, por outro lado, a dimensão das empresas influencia o seu comportamento durante o período de 2008-2012. 1.3. ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO Esta dissertação está desenvolvida em cinco capítulos, nos quais são abordados os seguintes temas: No primeiro capítulo é realizada a introdução, de modo, a enquadrar os temas desenvolvidos e os objetivos do trabalho. No segundo capítulo é feito um enquadramento histórico da evolução da indústria da construção ao longo das últimas décadas, de forma a fazer uma caracterização geral do sector da construção. São ainda abordadas as perspetivas deste sector a curto e a médio prazo. No terceiro capítulo é feita a primeira abordagem ao benchmarking, às medidas de desempenho e à evolução da plataforma icBench, sendo explicado o modo de funcionamento, os objetivos da plataforma e as dificuldades que se terão de ultrapassar para que as empresas integrem na sua gestão os diversos indicadores de desempenho. No quarto capítulo apresenta-se os diversos estudos feitos às empresas de construção que encerraram, às que se mantiveram em atividade e às que mudaram de classe de alvará, durante o período de 20082012. Sendo estes estudos realizados a partir do Índice de Produtividade, da Rentabilidade de Vendas, da Autonomia Financeira e da Liquidez Geral, seguindo-se um comentário para cada classe de alvará, relativo a cada indicador. No quinto capítulo apresenta-se as conclusões de todo o estudo realizado nos capítulos anteriores, e expõem-se os desenvolvimentos futuros para a indústria da construção.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 10 2.2.3. MUDANÇAS NO SECTOR DA CONSTRUÇÃO PORTUGUESA Ao longo dos séculos o sector da construção tem vindo a sofrer várias mudanças. No passado a indústria da construção era uma atividade predominantemente artesanal, onde predominavam as soluções tradicionais e a mão-de-obra experiente; nas construções eram incorporados um reduzido número de materiais de construção e de exigências de desempenho; sendo ainda de salientar que existia uma menor preocupação com os custos, o mais importante era a obra ficar bem concebida [13]. Estes métodos têm sido abandonados ao longo das últimas décadas, atualmente, observa-se no sector da construção uma industrialização crescente, acompanhada pela inovação, sendo esta em alguns casos mal adaptada às condições do país; o elevado número de materiais de construção que existe atualmente, nem sempre são compatíveis com a construção tradicional. No que respeita, aos recursos humanos predomina a mão-de-obra indiferenciada, na maioria das situações os trabalhadores têm qualificações baixas (2/3 não têm mais do que o 4º ano de escolaridade), e no geral o sector ainda apresenta baixos níveis de produtividade. Atualmente, é de notar que, existe uma grande preocupação com os custos, ao contrário do que acontecia antigamente [13]. Como foi referido anteriormente, a estrutura da construção em Portugal, durante a época de 90, incidia essencialmente sobre os edifícios habitacionais e engenharia civil, o que era claramente diferente das dos restantes países da Europa. Na Europa Ocidental, dominava a manutenção e recuperação, este facto está diretamente relacionado com o nível de desenvolvimento dos países, quanto maior o nível de desenvolvimento, maior o investimento na área da manutenção e reparação, sendo esta uma tendência que em Portugal só se manifestou anos mais tarde [6]. Nos restantes países da Europa, a manutenção e reparação é a componente que tem demonstrado maior crescimento nos últimos trinta anos, o que se deve, essencialmente, às exigências dos consumidores europeus em termos de conforto, segurança e utilização de novas tecnologias. Em Portugal, este sector apresentou durante as últimas décadas uma expressão bastante reduzida; o que se pode explicar com, a forte emigração dos anos 90, que não criou potencialidades para investimentos de reparação; a inexistência de um mercado de arrendamento atrativo, a facilidade de crédito à aquisição de habitação e durante alguns anos a descida de taxas de juros, reforçaram a construção de habitação própria [6]. Contudo, nos últimos anos, a atividade da manutenção e reparação em Portugal tem vindo a crescer significativamente e tenderá a intensificar-se. A evolução esperada vai sentir-se, essencialmente, no parque habitacional existente, especialmente nos grandes centros históricos, que atualmente se encontram ao abandono. Neste ponto, o Estado terá um papel fundamental, ao implantar políticas públicas, como por exemplo, programas municipais para recuperação de zonas históricas, e benefícios fiscais e financeiros de apoio à conservação de edifícios existentes [6]. O investimento neste sector da construção pode vir a ser potencializado pelo facto de atualmente existir um grau de satisfação relativo das necessidades de habitação nova; um aumento dos preços das mesmas e das taxas de juro e uma expansão da segunda habitação que, muitas vezes, corresponde a reconstrução de edifícios existentes [6]. 2.2.4. VARIAÇÃO DAS EMPRESAS CONSTRUTORAS 2.2.4.1. Evolução no período de 2004-2009 Entre 2004 e 2009, o número de empresas que possuíam alvará de construção passou de 25.218 para 24.244, o que traduziu uma diminuição de -3,68% das empresas habilitadas em 2004 [15].
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 11 Tabela 2 – Número de empresas com alvará de construção, por classes (2004-2009) [15] Classes 2004 2005 2006 2007 2008 2009 ∆04/09 1 16.838 16.024 15.986 15.359 15.213 14.958 -11,17% 2 1.299 2.037 2.327 2.753 3.207 3.393 161,20% 3 3.411 3.025 2.968 2.830 2.801 2.673 -21,64% 4 1.965 1.680 1.647 1.639 1.645 1.635 -16,79% 5 932 836 873 946 991 1.007 8,05% 6 476 365 342 292 293 323 -32,14% 7 148 126 124 116 127 126 -14,86% 8 54 54 51 38 39 43 -20,37% 9 95 87 87 83 84 86 -9,47% Total 25.218 24.234 24.405 24.056 24.400 24.244 -3,86% Como é possível observar pela tabela 2, no ano de 2005 foi percetível uma quebra no sector da construção, o que corresponde ao ano em que entrou em vigência a atual legislação, Decreto - Lei n.º 12/2004, de 9 de Janeiro, que estabelece o regime jurídico de ingresso e permanência na atividade da construção, neste ano a redução do número de empresas com alvará de construção foi de -3.9% [15]. Entre 2005 e 2009, não houve uma variação constante do número de empresas, mas sim uma alternância positiva e negativa ao longo dos anos, sendo percetível que o número de empresas com alvará de construção em 2009 é bastante próximo do valor de 2005, o que demonstra a tendência de estagnação sentida no setor da construção nos últimos anos [15]. Além, da análise global apresentada na tabela 2, é importante ter em consideração uma análise mais profunda do período em estudo, uma vez que, houve uma notável alteração da estrutura das empresas com alvará de construção. Apesar da diferença do número total de empresas entre 2004 e 2009 ser apenas de 974 empresas, é importante salientar que, durante este período entraram no sistema de habilitação 12.282 novas empresas, tendo saído 13.257, sendo que, destas voltaram a entrar ou a sair 2.155, durante o período em estudo [15]. Em média por ano, uma em cada cinco empresas de construção, entra ou sai do sector, o que demonstra uma elevada taxa de renovação do tecido empresarial; em cada cinco anos o número de entrada e saídas corresponde ao número total anual das empresas com alvará de construção. Como seria de prever, a maioria das novas empresas pertence à classe 1, o contributo destas para o Volume de Negócios é, em média, 3,45% do sector [15]. No que respeita, a permanência das empresas na mesma classe entre os anos de 2004 e 2009, existem duas situações díspares, a primeira situação diz respeito às empresas que em 2004 pertenciam à classe 9, sendo que destas 74,74% continuam a ter a mesma classe em 2009. Por outro lado, a taxa de permanência na mesma classe oscilou entre 31,48% na classe 8 e 43,66% na classe 1. Globalmente, 41,81% das empresas de construção tinham em 2009 a mesma classe que detinham em 2004 [15]. A classe 9 engloba as empresas que apresentam maiores níveis de estabilidade, o que potencia a permanência na mesma classe de alvará ao longo dos anos; entre 2004 e 2009, apenas 11,58% das
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 12 empresas mudaram de classe. Na classe 1 a troca de classes também não é muito notória, apresentando um valor de 6,95%, uma vez que, se tratam de empresas com elevada tendência para a saída do mercado. Por outro lado, a classe 8 é aquela em que a troca de classes é mais notória, metade das empresas que estavam na classe 8 em 2004, encontram-se noutras classes em 2009 [15]. 2.2.4.2. Evolução no período de 2009-2013 No período compreendido entre 2009 e 2013, houve uma diminuição acentuada do número de empresas que possuíam alvará de construção da classe 1 (-21%), classe 3 (-24%) e classe 4 (-22%). Por outro lado, face a 2009, em 2013 aumentaram as empresas detentoras de alvará da classe 8 e 9. Contudo, este aumento significativo nas classes mais elevadas não teve muito impacto no contexto das empresas detentoras de alvará, uma vez que, estas representam um reduzido número de empresas [16]. Tabela 3 – Número de empresas com alvará de construção, por classes (2009-2013) [16] Classes 2009 2010 ∆09-10 2011 ∆10-11 2012 ∆11-12 2013 ∆12-13 ∆09-13 1 14.958 14.580 -0,72% 14.511 -2,28% 13.037 -10,16% 11.811 -9,40% -21,04% 2 3.393 3.465 2,12% 3.399 -1,90% 3.295 -3,06% 3.025 -8,19% -10,85% 3 2.673 2.590 -3,11% 2.450 -5,41% 2.219 -9,43% 1.950 -12,12% -27,05% 4 1.635 1.614 -1,28% 1.546 -4,21% 1.448 -6,34% 1.282 -11,46% -21,59% 5 1.007 1.018 1,09% 1.036 1,77% 1.035 -0,10% 954 -7,83% -5,26% 6 323 321 -0,62% 334 4,05% 291 -12,87% 274 -5,84% -15,17% 7 126 135 7,14% 132 -2,22% 123 -6,82% 115 -6,50% -8,73% 8 43 40 -6,98% 44 10,00% 42 -4,55% 45 7,14% 4,65% 9 86 96 11,63% 103 7,29% 98 -4,85% 90 -8,16% 4,65% Total 24.244 24.129 -0,47% 23.555 -2,38% 21.588 -8,35% 19.546 -9,46% -19,38% Durante o intervalo analisado, de 2009 a 2013 (tabela 3) é notório que, a distribuição por classes do número de empresas titulares de alvará não sofreu grandes alterações. Apesar de, como se referiu anteriormente, existir uma redução do número de empresas da classe 1, 3 e 4, e pelo contrário, um aumento da representatividade das empresas que possuem alvará de classe 2, 5, 6 e 7, apesar destas terem registado um menor número de empresas. No que respeita a análise do tecido empresarial do sector da construção em Portugal, entre 2009 e 2013, foram habilitadas com alvará de construção 6,527 novas empresas, e saíram do mercado 11,225 empresas. Ao longo deste período, verificou-se uma diminuição do número de novas empresas que entram no mercado, situando-se numa média anual de 1,632 empresas, por outro lado, a saída de empresas é cada vez mais notória, demonstrando uma média de encerramentos de 2,806 empresas por ano [16]. A maioria das novas empresas, cerca de 82,6%, correspondia a empresas habilitadas com alvará de classe 1, o que se deve ao facto das empresas da classe 1 serem maioritariamente microempresas, o que facilita a entrada e saída do mercado da construção [16].
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 13 Pelo contrário, está a entrada de empresas nas classes mais elevadas, classes 8 e 9, nestas duas não houve grandes alterações ao longo dos últimos anos, uma vez que, os requisitos para conseguir alcançar estas classes são mais exigentes a nível da capacidade técnica e financeira, o que levou a que no período em análise apenas entrassem 2 novas empresas na classe 8 e 4 novas empresas na classe 9 [16]. No que respeita a saída de empresas do sector da construção, entre 2009 e 2013, saíram 11,225 empresas habilitadas com alvará de construção. Também nesta situação, as saídas foram mais notórias nas empresas titulares de alvará da classe 1, tendo saído 7,958 empresas [16]. Os anos 2012 e 2013 foram marcantes no que respeita o número de saídas de empresas do mercado; o que se verificou também nas classes mais elevadas, as classes 8 e 9, verificando-se nestes anos uma saída global de 20 empresas [16]. 2.3. VARIAÇÃO DO VOLUME DE NEGÓCIOS DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO NO PERÍODO 1985-2014 2.3.1. O IMPACTO DA CRISE FINANCEIRA NA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO A crise financeira mundial, fez-se sentir mais intensamente no ano de 2008, neste ano a Reserva Federal dos EUA reduziu a taxa de referência dos Fundos Federais, registando uma descida de 5,25% para 4,25%, e no primeiro trimestre do ano procedeu a mais três cortes desta taxa, fixando-a em 2,25%, com o objetivo de acalmar os efeitos dos créditos no mercado habitacional e no crescimento da economia em geral [17]. Com o surgimento da recessão, o sector da construção viu surgir um novo dilema de dificuldade de acesso ao crédito, o que agravou a tesouraria das empresas e influenciou o investimento público e privado. Sendo a falta de investimento, o principal responsável pelas quebras nas obras de engenharia [18]. Em 2009, acentuaram-se os efeitos da crise mundial financeira, observando-se a ruina da conjuntura económica, iniciando-se um ciclo de decréscimos significativos no investimento e no comércio internacional. As empresas fizeram-se ressentir, devido à falta de procura externa, elevados défices apresentados, em média pelas Administrações Públicas e baixas significativas no comércio, o que propiciou a uma elevada subida da taxa de desemprego. Neste mesmo ano, Portugal continuou marcado pela propagação da crise, tendo um elevado impacto negativo na evolução do consumo, no investimento e na procura externa, o que provocou uma descida do PIB, em termos homólogos, de -2,6% [17]. Após dois anos o início da recessão mundial, em 2010 a atividade económica voltou a expandir-se, apesar de se fazer sentir apenas nos países mais emergentes, como é o caso do continente Africano e do Asiático. Os principais bancos europeus tentaram estimular a economia, com taxas de juros baixas, em função da ausência de pressões inflacionistas, e na retoma do consumo privado em muitas economias, de modo a proporcionar um crescimento anual positivo. Tais fatores permitiram ao Fundo Monetário Internacional (FMI), rever positivamente as estimativas de crescimento para 2010. Contudo, no ano de 2010, houve um agravamento das tensões no mercado de dívida pública, principalmente nos países da zona euro, onde se inclui Portugal, estes tiveram de reforçar as medidas de austeridade, para se conseguirem financiar, o que levou a uma contenção de despesas públicas. A execução prática do memorando de entendimento, inserido no programa de assistência financeira a Portugal, tem vindo a sobre endividar de forma exponencial as famílias, por isso, não se prevê uma maior procura no sector privado de investimento a curto prazo [17] [18].
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 14 Em 2012, segundo dados da Central de Balanços do Banco de Portugal, o sector da construção englobava cerca de 46 mil empresas, o qual representava 12% das empresas a nível nacional, 7% do volume de negócios e 11% das pessoas ao serviço das Sociedades Não Financeiras, SNF, em Portugal [17]. No que respeita, ao número de empresas de construção civil, a construção de edifícios representa cerca de 60% do total, seguido das atividades especializadas, 34%, estando em último lugar a Engenharia Civil, com, 6%. Apesar dos valores referidos anteriormente, o volume de negócios entre a construção de edifícios e a engenharia Civil, não é muito distante, tendo a primeira cerca de 40% e a Engenharia 38% [17]. Em 2012, a maioria do sector da construção era constituído por microempresas enquanto, as grandes empresas representavam apenas 0,1% do sector. Na engenharia civil, as classes mais elevadas são aquelas que tem maior relevância para a criação de produto, foram responsáveis por 54% do emprego e 67% do volume de negócios. Porém nas restantes vertentes as PME foram as classes dominantes [17]. Entre 2002 e 2012, o peso da construção de edifícios diminuiu em todos os seus indicadores, dando especial importância ao volume de negócios, que registou uma descida superior a 8%. Por contrário, o peso da Engenharia Civil e das atividades especializada sofreu um aumento, tanto em volume de negócios como em número de pessoas ao serviço [10]. Atualmente, a economia portuguesa começa a revelar alguns sinais positivos, como se pode observar pela tabela 4, após dois anos consecutivos de descida do PIB, com reduções de 1,6% e 2,9%, em 2011 e 2012, respetivamente, este valor melhorou em 2013, apesar de continuar em terreno negativo, o que se deve a uma queda generalizada da procura interna, atenuada pelo crescimento das exportações e o condicionamento do investimento público, que influenciou o crescimento da economia nacional [19]. O ano de 2013 ficou também marcado pelo processo de ajustamento da economia portuguesa ao programa de assistência económica e financeira. Para fazer face ao cumprimento das medidas exigidas neste programa, tem-se observado significativas perdas no produto e no emprego, acentuadas pela crise económica e financeira internacional. Já os dados das contas Nacionais Trimestrais relativos ao terceiro trimestre do ano 2014 confirmam o crescimento do PIB (+1.0% até setembro). Apesar da indústria da construção, ainda não ter ultrapassado a crise financeira que se fez sentir no sector durante os últimos anos, é percetível uma melhoria durante o ano de 2014, o investimento em construção reduziu-se 3,0%, em termos homólogos, no terceiro trimestre de 2014, após uma variação negativa de -5,3% no primeiro semestre. Enquanto, o Valor Acrescentado Bruto, VAB, do sector reduziu-se 3,5% no terceiro trimestre, após uma queda de 5,7% ao longo dos primeiros seis meses do ano [20]. Alguns indicadores demostram que, a curto prazo, é possível esperar uma recuperação no sector. É possível constatar, que emprego do sector caiu até junho de 2014, e daqui resultou uma perda de 23,2 mil postos de trabalho; contudo, o sector conseguiu recuperar trabalhadores durante o terceiro trimestre, com um acréscimo de 18,5 mil trabalhadores, do segundo para o terceiro trimestre do ano [20]. Outros dos fatores onde é possível observar uma melhoria no sector, é no valor respeitante às obras de engenharia adjudicadas, que aumentou 34%, em termos homólogos, ao longo dos primeiros nove meses do ano 2014, o que traz consequências muito positivas no nível de atividade das empresas que trabalham no mercado das obras públicas [20]. Porém, a perspetiva de evolução do mercado de construção de edifícios não é muito otimista, já que o licenciamento habitacional não finda de cair (-13% de fogos licenciados até setembro) e a área de licenciamento de edifícios não residenciais reduziu-se, também até setembro, -4% face ao período homólogo [20].
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 15 Portugal continua com graves dificuldade económicas, muitas das empresas estão débeis, descapitalizadas, sem capacidade de pagar salários justos nem honrar os seus compromissos fiscais com o Estado. Tabela 4 – Crescimento do PIB em Portugal (2000-2013) [2] Crescimento do PIB em Portugal Ano % 2000 3,9% 2001 2,0% 2002 0,8% 2003 -0,9% 2004 1,5% 2005 0,9% 2006 1,4% 2007 1,9% 2008 1,0% 2009 -2,5% 2010 1,4% 2011 -1,6% 2012 -2,9% 2013 -0,8% 2.3.2. VARIAÇÃO DO VOLUME DE NEGÓCIOS A indústria da construção é fundamentalmente constituída por microempresas, porém, as PME são as mais relevantes no emprego e no volume de negócios. É possível constatar que as sedes das empresas situam-se essencialmente nos distritos de Lisboa e Porto, apesar dos distritos de Braga, Viana do Castelo, Leiria e Faro também serem relevantes no sector da construção [21]. O retrato do tecido empresarial nacional, atualmente, é bastante diferente daquele que existia nas décadas anteriores, hoje em dia, existem menos empresas e menos volume de negócios, comparativamente a anos anteriores. Contudo, o VAB, que na prática é o resultado da atividade produtiva em determinado período, registou um crescimento de 0,5% face ao ano de 2012 [22].
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 16 Fig. 1 – Dimensão das empresas titulares de alvará de construção em 2013 [16] O Volume de Negócios das 19.546 empresas que possuem alvará de construção em 2013, está repartido da seguinte forma, 65,6% são microempresas, 29,5% são pequenas empresas, 4,3% são médias empresas e 0,7% são grandes empresas, como é possível observar na Fig. 1 [16]. Na repartição por classes de alvará verifica-se que, as empresas de classe 1 são essencialmente microempresas, as de classe 2 e 3 são pequenas empresas, as de classe 4, 5, 6 e 7 são médias empresas e as de classe 8 e 9 são grandes empresas. Ao longo dos últimos anos, as diferentes classes de alvará têm sofrido várias alterações no seu Volume de Negócios. A partir da Fig. 2 é possível concluir que após o ano 2000 começou a existir um decréscimo no valor do volume bruto de produção no sector da construção, atingindo valores negativos em 2002, ano após o qual nunca conseguiu alcançar, novamente, valores positivos, demonstrando apenas alguns picos mais favoráveis ao longo dos anos, principalmente em 2004 e 2007 [23]. Estes valores obrigaram as empresas a tomar medidas de defesa, o que levou a uma diminuição da sua exposição ao mercado de construção em Portugal, começando em alguns casos a apostar na indústria internacional.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 17 Fig. 2 – Variação do volume bruto de produção no sector da construção [23] A partir da tabela 5, é percetível que no período entre 2000 e 2009, o VAB das indústrias portuguesas exibiu uma tendência decrescente, apresentando em 2009 uma taxa de crescimento negativa de -2,9%, após em 2008 ter tido uma variação nula. Estes valores são resultado da intensificação da crise financeira mundial no ano de 2008. No que respeita o VAB da Construção, este apresentou valores negativos de crescimento desde 2002, com exceção do ano 2007, registando em 2009 uma diminuição de -10,2%. O que comprova que a crise na construção era espectável muito antes da dita crise financeira de 2008 [28]. Tabela 5 – Composição do crescimento em volume do VAB (2000-2009) [28] No período entre 2009 e 2013 (tabela 6), o peso de cada classe para o Volume de Negócios do sector da construção aumentou nas classes 1, 2, 4, 5 e 7, com especial atenção apara a classe 1 que representa em 2013 cerca de 15,7% do total de volume de negócios, quando em 2009 representava apenas 13,0% [16]. Já a classe 9, como era espectável, continua a ser a mais representativa, agrupando 30,6% do volume de negócios total em 2013, por sua vez, a classe 8, é a que apresenta um menor peso na estrutura por classe, apenas representa 3,5% do volume de negócios total, o que se explica, pelo facto de esta ser a classe com menos empresas habilitadas [16]. É ainda percetível que em 2010 existiu uma subida do Volume de Negócios em comparação com 2009, tendo posteriormente existido um decréscimo nos anos seguintes. 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 VAB Total 122.270,2 124.735,3 125.682,2 124.670,2 126.599,9 127.711,2 129.458,2 131.902,5 131.949,3 128.095,1 Taxa de Variação Anual 3,9% 2,0% 0,8% -0,8% 1,5% 0,9% 1,4% 1,9% 0,0% -2,9% VAB da Construção 8.102,5 5.331,5 7.997,5 7.301,7 7.279,9 7.062,5 6.827,4 6.875,7 6.522,4 5.860,1 Taxa de Variação Anual 6,3% 2,8% -4,0% -8,7% -0,3% -3,0% -3,3% 0,7% -5,1% -10,2%
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 18 Tabela 6 – Volume de Negócios por classe de alvará (2009-2013) [16] Classes Volume de Negócios 2009 2010 2011 2012 2013 1 13,0% 13,7% 13,0% 12,9% 15,7% 2 5,6% 6,2% 6,1% 6,1% 5,8% 3 8,2% 8,4% 8,1% 7,9% 8,0% 4 10,1% 10,3% 10,1% 10,3% 10,2% 5 12,5% 13,2% 13,5% 13,7% 13,2% 6 9,3% 8,4% 8,0% 7,5% 6,0% 7 6,3% 5,8% 6,6% 6,6% 7,0% 8 3,8% 3,1% 2,7% 3,0% 3,5% 9 31,1% 30,9% 32,1% 32,0% 30,6% Total 100% 100% 100% 100% 100% Através da tabela 7 é possível concluir que, o Volume de Negócio das 21.588 empresas existentes em 2012 nas diversas classes de alvará apresentou um decréscimo acentuado ao longo dos últimos anos. Com a crise financeira que se instalou em Portugal, o sector da construção sofreu diversas quedas no Volume de Negócios nos últimos sete anos. Apesar de no período de 2009-2010 terem existido sinais positivos, apresentando um crescimento de 2,23%, este crescimento foi pontual, uma vez que, no ano seguinte, o crescimento já tomou valores negativos, tendo sido este o ano em que ocorreram os piores resultados no sector da construção, apresentando um decréscimo médio de -20% em todas as classes de alvará. É importante salientar que, em 2012 as empresas da Classe 1 apresentaram níveis de crescimento positivos de Volume de Negócios, 5,10%, após um crescimento negativo de -25,82% entre 2010-2011; enquanto, as restantes classes continuam a demonstrar valores negativos. Ao longo dos vários anos é percetível que as empresas que apresentam maiores níveis de Volume de Negócios são as empresas da Classe 1 e da Classe 9, o que se pode explicar pelo tipo de trabalhos que estas empresas realizam. Por último, a variação do crescimento do Volume de Negócios entre 2008-2012 sofreu um elevado decréscimo, a maioria das classes apresenta uma queda de aproximadamente -40%, enquanto, a Classe 1 e a Classe 9 são aquelas em que a descida é menos acentuada, exibindo valores de -30%.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 19 Tabela 7 – Volume de Negócios das empresas (2008-2012) 2.4. A ATUAL CONJUNTURA E AS PERSPETIVAS DA INDÚSTRIA A CURTO E MÉDIO PRAZO 2.4.1. A ATUAL CONJUNTURA DO PAÍS Como foi dito anteriormente, há poucos anos atras, a indústria da construção em Portugal tinha um peso na economia do país superior ao da média europeia, contudo a partir de 2008, este cenário mudou drasticamente, acompanhado a crise financeira que se fazia sentir a nível mundial. Este acontecimento deve-se essencialmente ao facto da indústria da construção ser um sector sensível, o que permitiu que este fosse um dos sectores que mais sentiu os efeitos da crise. É importante salientar que, à medida que aumenta o nível de desenvolvimento económico do país, o peso da construção na economia tende a estabilizar, uma vez que, quanto mais elevado for o nível de desenvolvimento económico, maior será o grau de satisfação em termos de números de obras, quer no que respeita ao parque habitacional, quer a infraestruturas, o que leva a uma menor procura na área da construção [12]. Ao longo dos últimos anos, Portugal tem apresentado um comportamento semelhante ao dos restantes países da europa Ocidental, no que respeita a procura do sector da construção, visto que, apresentam um nível de desenvolvimento da economia semelhante. Este sector está muito dependente da conjuntura económica e do crescimento da despesa pública, a sua evolução depende do investimento noutros sectores [12]. Para superar o período difícil em que a indústria da construção se encontra, é necessário que Portugal encontre novas formas de sustentar o progresso futuro, de modo, a sair da estagnação em que entrou nos últimos anos. No mercado global em que o país se insere atualmente, as empresas são colocadas perante desafios concorrenciais cada vez mais difíceis de superar; face ao ambiente turbulento marcado pela incerteza, que limita a indústria da construção, no qual as empresas do sector deverão responder com soluções inovadoras, preços competitivos e marca de qualidade. De forma a potencializar a recuperação da economia portuguesa, é necessário tomar algumas medidas, tais como, equilibrar as contas públicas e reduzir os impostos cobrados à parte produtiva da economia; o dinheiro dos impostos deve ser utilizado apenas para investimentos públicos que contribuam para reduzir o desequilíbrio externo do país. Aumentar os níveis de poupança dos particulares e reduzir o
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 26 A implementação destes sistemas em Portugal não passou por mera cópia dos sistemas já utilizados em outros países, uma vez que, a realidade da indústria da construção portuguesa, o processo de organização das empresas e a informação disponível e acessível, levaram a que fosse necessário estabelecer indicadores que estivessem de acordo com a situação das empresas do sector [31]. 3.1.2 MODELOS DE REFERÊNCIA 3.1.2.1. BSC - Balanced Scorecard O Balanced Scorecard, BSC, foi desenvolvido inicialmente por Kaplan & Norton em 1992 e, desde então, tem sido frequentemente aplicado em diferentes organizações. Este consiste numa metodologia de medição e gestão de desempenho [32]. O sistema BSC apresenta um conjunto de medidas financeiras e não financeiras, organizando-se à volta de quatro perspetivas distintas, sendo elas, a financeira, os clientes, os processos internos, a aprendizagem e crescimento. Segundo Kaplan e Norton o BSC reflete o “equilíbrio entre objetivos de curto e de longo prazo, entre indicadores financeiros e não financeiros, entre indicadores de resultados ocorridos e de tendências de desempenho futuro, entre uma visão interna de desempenho, que incide sobre processos, aprendizagem, inovação e crescimento, e uma visão externa, voltada para os clientes e acionistas” [32]. A implementação do BSC nas empresas permite analisar duas vertentes, o desempenho de cada atividade e o desempenho global da empresa. Este conjunto de medidas serve de base para o sistema de medição e gestão estratégica, expressando um equilíbrio entre medidas quantificáveis, que tratam fatores que vão influenciar resultados futuros e que precisam de ser medidos no presente [32]. Esta análise permite uma aprendizagem e melhoria continua, através da avaliação de estratégias, de modo, a focarem-se nos seus principais objetivos. Desta forma, as empresas acompanham o seu desempenho financeiro atual, podendo monitoriza-lo e perceber quais as medidas que devem ser tomadas para atingir os seus objetivo, de forma a, melhorarem as suas atividades futuras [32]. 3.1.2.2. KPI – Key Performance Indicators A ideia original dos Indicadores de Desempenho e Produtividade surgiu no Reino Unido, na sequência do relatório “Rethinking Construction – Repensar a Construção” de 1998, a partir deste, foram desenvolvidos vários indicadores – Key Performance Indicators, KPI, que foram utilizados pelas empresas do sector da construção e pelo governo para avaliar o seu nível de desempenho e assim definir metas anuais a alcançar. Neste seguimento, diversos países desenvolveram estudos idênticos, entre os quais, EUA, Chile, Brasil, Holanda, Dinamarca, Hong Kong, Austrália e Nova Zelândia [33]. O relatório referido, anteriormente, ressalta a necessidade de aplicar técnicas de benchmarking e de medição de indicadores de desempenho para se conseguir atingir um crescimento contínuo. O relatório realça que o objetivo principal é alcançar a satisfação do cliente; este torna-se um fator muito importante, uma vez que, até aqui a indústria da construção, raramente se preocupava com as necessidades dos clientes [33]. Pretende-se ainda investir na motivação, aprendizagem organizacional, eficiência de processos internos, meio ambiente, avaliação dos fornecedores e, na avaliação dos indicadores de eficiência técnica, relativos à qualidade dos trabalhos [33].
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 27 Estes indicadores destinam-se a três tipos de empresas do sector da construção, entre as quais se encontram as empresas de construção, consultoria e materiais de construção. No relatório britânico foi salientado, o facto de a satisfação do cliente, ser uma da mais graves deficiências no modo de gestão do processo construtivo do sector da construção britânico, portanto, é necessário potencializar esta área. Para tal, existe uma avaliação da Satisfação, tanto por parte do cliente em relação à prestação dos serviços contratados, como de cada interveniente em relação à prestação de serviços dos restantes intervenientes, incluindo o Dono de Obra [33]. Relativamente, aos inquéritos para avaliação dos indicadores estes serão realizados na própria empresa e solicitados aos seus clientes, sendo a periocidade um fator decidido pela empresa, assim como, a seleção dos trabalhos em estudo que considere mais importante, para alcançar um diagnóstico fiável do seu desempenho [33]. 3.2. CONCEITO GERAL DO ICBENCH Com o objetivo de implantar sistemas de medição de desemprenho, destinados à avaliação da Indústria da Construção em Portugal, em Setembro de 2005, foi criado o Projeto IDP - Indicadores de Desempenho e Produtividade que, posteriormente, evoluiu para icBench; este resulta de um protocolo entre o Instituto do Mercado das Obras Públicas e Particulares e do Imobiliário – IMOPPI (atual InCI), a Agência de Inovação – AdI e a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) [34]. Este projeto teve como objetivo a criação de uma plataforma, que pretende implantar-se como a principal ferramenta para “fornecer às empresas construtoras registadas um diagnóstico anual do seu nível de desempenho, baseado num conjunto de indicadores económicos”. Este estudo terá como base três subsectores da construção civil, os construtores, consultores e empresas de materiais de construção [34]. A primeira fase do projeto consistiu na análise do estado das empresas de construção civil a nível nacional e internacional, para posteriormente se selecionar quais os indicadores que deviam integrar o estudo. Para tal, foi desenvolvido um sistema de recolha de informação via web, que permite às empresas aderentes analisar os seus resultados anuais e os desempenhos nas suas operações realizadas (obras, projetos, vendas). Desta forma é fornecido às empresas uma ferramenta para a autoavaliação da sua situação económica, fundamentada em dados reais e, posteriormente é possível utilizar estes mesmos dados para efetuar comparações com as outras empresas concorrentes que também integrem a plataforma [34]. Este processo permite revelar a posição relativa da empresa em termos de mercado, uma vez, que os dados de todas as empresas são inseridos numa base de dados global. De ressaltar que apenas as empresas e os seus clientes tem acesso aos inquéritos da plataforma, todo o processo se desenvolve com total confidencialidade das informações cedidas pelas empresas aderentes [34]. Na fase de teste-piloto da plataforma apenas foram consideradas empresas de construção e projeto de edifícios. Por existir uma extensa variabilidade de perfis e dimensão deste tipo de empresas, foram feitas várias restrições para as empresas que integraram o teste, como por exemplo, as empresas tem de ter alvará de construção válido; a classe mínima seria a classe 3, já que as empresas de classes mais baixas não iriam ver muitas vantagens na participação deste tipo de estudo, porém não existirá nenhuma restrição a estas empresas na fase final do projeto; as empresas deveriam pertencer à Categoria 1 – Edifícios e Património Construído, uma vez que, são o tipo de empresa mais representativo, e os que
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 28 detém uma maior percentagem das empresas registadas no IMOPPI e por último todas as empresas eram obrigadas a possuir página web e endereços de correio eletrónico em domínio próprio [31]. O projeto prolongou-se até 2007, neste ano surgiu a primeira versão da plataforma icBench, onde se estudaram 32 empresas, entre as quais se encontravam as maiores construtoras a nível nacional, como é o caso, da Soares da Costa, MotaEngil e a Casais [35]. Após o encerramento da primeira fase do projeto, houve uma opinião unânime entre todas as empresas participantes, a maioria reconheceu a importância que estes estudos traziam para o sector da construção civil. Desta forma, a plataforma permite às empresas participantes o cruzamento de dados, de forma a tornar percetível as razões que levam a que um ano seja melhor que outro, assim como, as razões que fazem alterar os níveis de satisfação dos clientes nos diferentes projetos em que a empresa está envolvida [34]. Para aceder aos dados é necessário efetuar uma autenticação de utilizador através de login e password, sendo estes únicos para cada empresa, logo, é percetível que quando se procede à comparação do mercado empresarial, não é possível ligar os dados que foram introduzidos às empresas que os forneceram [34]. A página web está disponível para o público em geral, apresentado diversa informação e um simulador on-line que permite ter contato com os dados fornecidos. Contudo, apenas as empresas aderentes conseguem aceder à recolha e tratamento de informação que permite obter os indicadores de desempenho em tempo real [34]. Apesar dos avanços feitos nesta área entre 2005 – 2007, a crise financeira que se desenvolveu a partir de 2008 no sector da construção, veio dificultar a evolução deste projeto. Entre 2007 e 2010 o projeto não evoluiu como previsto, contudo, esta paragem forçada permitiu efetuar uma nova reflexão, ou seja, veio trazer mais informações sobre o perfil das empresas de construção que existem em Portugal; o que irá permitir modelar o projeto aos vários tipos de empresas, uma vez que, a dimensão das empresas é muito díspar, estando neste momento em vigor 9 classes de alvará para empresas construtoras (Decreto - Lei n.º 12/2004, de 9 de Janeiro). Tendo por base as ideias definidas inicialmente, o projeto icBench foi retomado em 2011 definindo um conjunto de objetivos principais [36]: Definir um conjunto de indicadores económicos básicos, Indicadores de Nível 1, obtidos a partir da informação registada no InCI, fornecida através dos processos de pedido ou revalidação de alvará das empresas; Produzir gráficos de benchmarking para os indicadores de Nível 1, inicialmente para os anos de 2008 e 2009, os primeiros em que existe informação suficiente. Esta análise será feita por classe de alvará; Redefinir a plataforma de modo a permitir que cada empresa possa visualizar os seus resultados individuais de forma confidencial; e dando também acesso às associações empresariais a visualização dos resultados globais; Possibilitar que as empresas possam efetuar comparações com outras classes de alvará ou com as empresas situadas em qualquer distrito; Produzir um Relatório de Indicadores 2009, com a análise dos resultados obtidos e seu significado.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 29 3.3. MODELO DE FUNCIONAMENTO 3.3.1. FINALIDADE DA MEDIÇÃO DE DESEMPENHO A partir da década de 50, as empresas passaram a ter uma maior preocupação com a gestão de qualidade, tendo por base o desenvolvimento e a aplicação de novos conceitos, métodos e técnicas que permitam medir e analisar a qualidade dos produtos e serviços. A qualidade deixou de ser pensada simplesmente como um problema do produto final e com responsabilidade apenas de um departamento específico, para ser considerada a nível global, ou seja, abrange todos os procedimentos necessários para a realização de determinado produto, desde a caracterização física do produto, até às estratégias de gestão a montante do mesmo [27]. As empresas encontram-se atualmente, num mercado dinâmico e competitivo, logo é necessário que a indústria da construção adquira consciência desta realidade, para tal, é importante que estas introduzam procedimentos que as direcionem para fazer o seu melhor a todos os níveis; diagnosticando o que está bem e o que está mal nas suas organizações, tal exige uma monotorização constante dos seus recursos, uma vez que, necessitam constantemente de garantir competitividade, e ao mesmo tempo obter retorno do capital investido. Para tal, as empresas necessitam de saber qual a sua situação, de modo, a poderem identificar os seus problemas, fazer possíveis correções e desta forma obter sucesso. A medição do desempenho das empresas serve, essencialmente, para perceber se estas estão a ser bem geridas; se pode haver melhorias futuras, se as técnicas de gestão implantadas podem ter continuação ou se é mais rentável adotar novas medidas de gestão [37]. Esta medição pode ser efetuada através dos Indicadores de Desempenho e Produtividade - IDP, que consiste em medir fatores críticos que permitem a obtenção do sucesso; sendo estes utilizados pelas empresas para avaliar a sua atividade [31]. Ou seja, os indicadores são, utilizados com a finalidade de quantificar a eficácia ou eficiência dos processos a que são aplicados. A eficácia está associada ao cumprimento dos requisitos dos clientes e a eficiência está ligada à gestão apropriada dos recursos para atingir um determinado grau de satisfação do cliente [23]. 3.3.2. DIFICULDADES DA MEDIÇÃO DE DESEMPENHO A implementação de técnicas de medição de desempenho nas empresas da indústria da construção é na maioria dos casos difícil de executar, uma vez que, as empresas encaram esta situação como algo que não está de acordo com os seus interesses, sendo a questão cultural o que mais dificulta a medição de desempenho [37]. As principais barreiras estão relacionadas com o facto, de alguns, dos indicadores utilizados não estarem integrados no processo das empresas; em muitas situações, os indicadores não são selecionados de acordo com os objetivos estratégicos das empresas, o que dificulta a sua introdução nos processos de gestão das empresas [37]. Outro dos fatores, que faz com que as empresas resistam à implementação destas técnicas, está relacionada com o facto de estas sentirem que a medição de desempenho iria funcionar como uma forma de controlo sobre as suas atividades, resistindo assim, à adoção destas medidas nas suas rotinas de trabalho [37]. Neste sentido, torna-se imprescindível a criação de medidas que mostrem que a implementação dos Indicadores de Desempenho e Produtividade nas empresas irá introduzir oportunidades de melhoria [37].
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 30 No que respeita à plataforma icBench, as empresas que aderirem terão de suportar um custo de adesão, no entanto, é um preço reduzido, não será este fator que vai influenciar as empresas a aderirem ou não. Custo esse que será compensado pelas melhorias que se irão fazer sentir-se na economia das empresas [35]. Por outro lado, para se conseguir manter o projeto do icBench é necessário ter disponibilidade por parte das empresas para introduzirem a informação necessária, o que envolve um risco elevado de existir pouca representatividade. Porém, é importante salientar que o perfil da indústria da construção em Portugal engloba um elevado número de empresas de pequena dimensão, em que o nível de gestão empresarial é muito limitado, o que as afasta da possibilidade de implantação das técnicas de benchmark, uma vez que, tem reduzida capacidade para entender a importância destas ferramentas [36]. Já as empresas de maior capacidade tendem a perceber melhor a importância da aplicação destas técnicas, logo, estão mais disponíveis em fornecer informação confidencial, como por exemplo, o número de empregados, prazos de execução. Nestas é possível aplicar um nível de benchmarking mais avançado, como é o casos dos indicadores de Nível 2 (N2) que serão abordados neste capítulo [36]. É percetível que o sector da construção em Portugal encontra-se em descrédito devido aos frequentes e excessivos aumentos de custos e de prazos, logo é necessário melhorar e implementar medidas que potenciem o seu desempenho. Para ser possível, num futuro próximo, todas as empresas do sector da construção terem a possibilidade de implementarem medidas de desempenho e produtividade, tem de existir uma maior consciencialização da importância destas ferramentas; assim como maior facilidade de fornecimento dos dados, tirando às empresas a responsabilidade de fornecer as informações e obtendo estes valores em documentos financeiros disponíveis [34]. Desta forma, será permitido uma expansão alargada do sistema e da base de dados da plataforma do icBench, existindo assim um aumento do recurso a processos de benchmarking que irão ajudar a indústria da construção a alcançar novos patamares de eficiência [34]. O InCI, como entidade reguladora da indústria, necessita de informação completa sobre o desempenho das empresas com alvará de construção, de modo a tomar as decisões estratégicas que são da sua responsabilidade. Este organismo é depositário de alguma informação económica de todas as empresas, o que permitirá desenvolver um conjunto de indicadores que representam todo o sector dos construtores. Existindo a possibilidade desta informação ser utilizada posteriormente nos estudos da plataforma do icBench, segundo um processo de total confidencialidade [36]. 3.3.3. MODO DE FUNCIONAMENTO DA PLATAFORMA A plataforma icBench integra dois conceitos na sua análise de dados, os Indicadores e o Benchmarking. Os Indicadores são parâmetros que descrevem o estado em que se encontra uma atividade e estão ligados à eficiência no desempenho dessa atividade, como por exemplo, rentabilidade, satisfação do cliente ou número de reclamações [34]. Por outro lado, o Benchmarking consiste num processo contínuo e sistemático que permite o estabelecimento de novos patamares de desempenho e oportunidades de melhoria. O benchmarking executa uma comparação, quer interna, quer externa. A comparação interna, identifica as operações com maior sucesso e outras com menor desempenho, analisando as razões que estão na origem desses resultados, fornecendo informações de apoio à gestão empresarial.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 31 Na comparação externa, é realizada uma comparação com outras empresas do sector, possibilitando que cada empresa conheça o seu posicionamento em relação às outras empresas concorrentes, num determinado indicador. Por exemplo, uma empresa que, num dado indicador, atinja um Benchmark de 55% ficará a saber que existem 55% de empresas que atingiram um resultado igual ou pior e 45% que atingiram resultados melhores. Contudo, não é possível identificar quais são essas empresas [38]. Os Indicadores de Desempenho e Produtividade escolhidos dizem respeito a cinco áreas distintas, sendo divididos nas seguintes categorias [31]: Cliente / Satisfação; Económicos / Financeiros; Processos Produtivos / Segurança; Recursos Humanos / Aprendizagem; Inovação / Ambiente. A informação utilizada na plataforma icBench é obtida a partir das declarações IES – Informação Empresarial Simplificada, que estão ao abrigo da Autoridade Tributária e Aduaneira, contudo, esta tem um protocolo com o InCI, o que permite a este organismo ter acesso aos dados confidenciais pelas empresas [39]. O InCI recebe todos os anos as informações fornecidas pelas empresas nos seus “processos de pedido ou revalidação de Alvará” [38]. A partir destas informações, a plataforma icBench, consegue calcular os indicadores definidos para cada empresa, gerando análises e diagnósticos, baseados no conceito de benchmarking, daqui, resulta um relatório que é enviado para todas as empresas com alvará InCI. Porém, os resultados de cada empresa, são enviados em relatórios individuais, a que só a empresa em questão tem acesso; estes contêm informação sobre os resultados globais e os benchmarks atingido pela empresa [38]. Os indicadores podem ser representados de duas formas, através de um quadro inicial ou através de gráficos de evolução de classes. O quadro inicial contêm todas as empresas analisadas, divididas por classe; apesentando também os valores máximos e mínimos obtidos por cada classe, considerando a totalidade das empresas que tenham um valor de benchmark entre 10 – 90%. Os gráficos de evolução por classes (Fig.4), demonstram as curvas de benchmark de cada ano estudado. A curva de benchmarking representada a azul, corresponde ao desempenho da indústria durante o ano anterior em relação a certo indicador, obtido pela compilação de resultados enviados pelas empresas do sector com alvará InCI [31]. Normalmente, neste tipo de gráficos no eixo vertical – Valores do Indicador - está representado a escala do indicador em causa, enquanto o eixo horizontal diz respeito à escala de benchmarks, representada de 0 – 100%. A curva de benchmark é obtida a partir dos resultados das empresas ordenados por ordem crescente, correspondendo, o valor de benchmark igual a 0% à empresa com pior de desempenho e o de 100% à empresas com melhor desempenho [19]. Contudo, é importante salientar que em muitas situações os gráficos de evolução apresentam no eixo horizontal uma escala a variar entre 10 – 90%, isso deve-se ao facto de, geralmente, as empresas que se situam em valores de benchmark entre 0 – 10% e 90 – 100% apresentarem valores do indicador muito díspares, logo para facilitar a leitura dos gráficos opta-se por colocar a escala horizontal a variar apenas entre 10 – 90% [19].
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 32 Fig. 4 – Gráfico de análise de desempenho A interseção da curva de benchmark com o eixo horizontal, permite obter a avaliação do desempenho em comparação com as restantes empresa do sector, neste caso, é possível concluir que uma empresa que apresente uma Liquidez Geral de 150 terá um benchmark de 55%, ou seja, dentro da sua classe 54% das empresas concorrentes tiveram um resultado igual ou inferior, enquanto 46% obteve um resultado superior neste indicador. Relativamente aos resultados globais, a plataforma icBench proporciona a visualização das curvas globais de benchmarking em função do distrito, classe de alvará e ano, para todos os indicadores estudados. Na plataforma é ainda disponibilizado gráficos de radar, neste tipo de gráficos é possível visualizar uma síntese de todos os resultados obtidos pela empresa em função dos filtros utilizados. O gráfico permite observar os benchmarks obtidos em todos os indicadores reunidos num único gráfico de radar, permitindo uma maior perceção dos pontos fortes e fracos do desempenho económico da empresa. O gráfico de radar apresentado na fig. 5 fornece uma imagem de fácil perceção e interpretação da panorâmica global da empresa analisada, ao nível dos indicadores, identificando de forma percetível quais os indicadores que obtiveram resultados mais ou menos favoráveis. A partir da observação do gráfico é possível concluir que apesar de a empresa demonstrar resultados satisfatórios em alguns indicadores, essencialmente, no Índice de Produtividade, na Rentabilidade do Ativo Total e na Rentabilidade do Capital Investido, terá de ter em atenção os restantes indicadores, de forma a melhorar a sua posição no mercado o que lhe permitirá uma continuação no mercado da construção.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 33 Fig. 5 – Gráfico de radar 3.4. INDICADORES NÍVEL 1 E NÍVEL 2 3.4.1. INDICADORES NÍVEL 1 Os indicadores que representam o Nível 1 (N1) da plataforma icBench utilizam a informação disponível na base de dados do InCI relativamente a todas as empresas com alvará de construção; não sendo necessário as empresas fornecerem qualquer tipo de dados complementares. A partir dos dados que as empresas apresentam nas declarações anuais de rendimentos, é possível desenvolver um conjunto de indicadores que traçam o perfil económico das empresas de construção portuguesas, radiografando o desempenho das mesmas [34]. Até o ano de 2008 a plataforma icBench disponha de seis indicadores, contudo o método contabilístico associado à Informação Empresarial Simplificada - IES, sofreu grandes mudanças entre 2009 e 2010, tendo o Plano Oficial de Contas (POC) passado para o Sistema de Normalização Contabilística (SNC), o que potenciou algumas alterações nos dados fornecidos [40]. Estas alterações proporcionaram mudanças nas informações extraídas dos documentos IES, o que levou a algumas mudanças no cálculo dos indicadores icBench, por isso, existiu uma reprogramação dos indicadores, como é o caso do indicador “I1.02 – Rentabilidade” e do “I1.04 - Índice de Custos e Perdas Operacionais” [40]. As novas alterações possibilitaram também a criação de novos indicadores, visto que, se disponha de mais informação sobre a economia das empresas, com isto, em 2009 surgiram dois novos indicadores, o “I1.07 – Rentabilidade de Ativo Total” e “ I1.08 – Rentabilidade do Capital Investido”, passando a partir desse ano a existirem oito indicadores económico-financeiros de Nível 1 [40]. 1. Índice de Produtividade 2. Rentabilidade de Vendas 3. Potencial do Ativo Corrente 4. Índice de Gastos e Perdas Operacionais 5. Autonomia Financeira 6. Liquidez Geral 7. Rentabilidade do Ativo Total 8. Rentabilidade do Capital Investido
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 34 Tabela 8 – Indicadores do icBench N1 a partir de 2009 3.4.2. INDICADORES NÍVEL 2 Em 2011 surgiu um novo nível de indicadores, os indicadores do Nível 2 (N2), estes são mais abrangentes, englobando várias áreas funcionais de uma empresa, permitindo a estas, uma análise mais completa dos seus níveis de desempenho. É efetuada uma recolha e armazenamento de dados que possibilita a avaliação interna das empresas e permite fazer o seu posicionamento em relação aos seus concorrentes. O Nível 2 carateriza-se através de trinta e um indicadores que enquadram diferentes áreas, como por exemplo, Clientes/Satisfação, Empresas/Satisfação Económico/Financeiro, Recursos Humanos, Inovação, Ambiente e Segurança. Para este nível a obtenção dos dados não é tão fácil como no Nível 1, neste caso a informação necessária deve ser introduzida pela própria empresa, uma vez que, se tratam de dados apenas conhecidos ao nível interno da empresa, mas como já foi dito anteriormente, é garantida a total confidencialidade. Para facilitar a recolha destes dados, tentou-se que a maioria das informações fosse retirada de documentos oficiais, como é o caso do IES ou do Relatório Único [36]. Referência Indicador I1.01 Índice de Produtividade I1.02 Rentabilidade de Vendas I1.03 Potencial do Ativo Corrente I1.04 Índice de Custos e Perdas Operacionais I1.05 Autonomia Financeira I1.06 Liquidez Geral I1.07 Rentabilidade do Ativo Total I1.08 Rentabilidade do Capital Investido
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 35 Tabela 9 – Indicadores do icBench N2 a partir de 2009 Os dados recolhidos para fazer face aos indicadores de Nível 2 (N2), resultam posteriormente na produção de gráficos que apresentam a evolução de cada indicador, para determinada empresa ao longo Referência Indicador I2.01 Cliente / Satisfação Satisfação cliente – produto I2.02 Satisfação cliente – serviço I2.03 Impacto dos defeitos I2.04 Empresas / Satisfação Satisfação da empresa – colaboração do cliente I2.05 Satisfação da empresa – disponibilização de pagamentos I2.06 Satisfação da empresa – trabalho colaborativo I2.07 Satisfação da empresa – subempreiteiros I2.08 Económico / Financeiro Produtividade I2.09 Subcontratação I2.10 Crescimento das vendas I2.11 Faturação pendente I2.12 Angariação de novos clientes I2.13 Propostas com sucesso I2.14 Processos Produtivos Desvio do custo I2.15 Desvio do prazo I2.16 Recursos Humanos Pessoal permanente I2.17 Rotatividade dos trabalhadores I2.18 Horas de trabalho I2.19 Ausências I2.20 Igualdade e diversidade I2.21 Satisfação dos trabalhadores I2.22 Segurança Incidência de acidentes I2.23 Formação Qualificações/Área de atividade I2.24 Formação I2.25 Inovação Investimento em tecnologia I2.26 Investimento em informação I2.27 Sistemas de gestão certificados I2.28 Ambiente Consciência ambiental I2.29 Gestão de resíduos sólidos I2.30 Consumo de energia I2.31 Consumo de água
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 42 relativamente baixo encerram, ou se por outro lado, as empresas conseguem-se manter ativas apesar de terem uma grande dependência em relação a terceiros. Já a Liquidez Geral fornece informação relativa às vendas, o que permitirá perceber se as empresas que conseguem vender as suas obras no prazo de um ano, demonstram valores positivos o que poderá influenciar a continuidade das mesmas no mercado da construção, ou se o facto de demorar mais tempo a efetuar estas vendas pode levar ao seu encerramento. Nas fichas apresentadas em seguida, serão analisados os dados relativos às empresas que encerraram entre os anos de 2008-2012, mais concretamente aquelas que terminaram a sua atividade nos anos de 2011 e 2012, uma vez que, estes são os anos para os quais se possui mais informação, relativa aos anos anteriores, sendo o objetivo, analisar o percurso das mesmas ao longo dos anos que antecederam o seu encerramento. Em cada uma das fichas é apresentado um conjunto de gráficos; o gráfico central representa as empresas que encerraram a sua atividade no ano analisado (2011 ou 2012) para determinado indicador, repartidas pelas quatro gamas de benchmark. Cada um dos restantes quatro gráficos apresentados quer acima, quer abaixo do gráfico central representam a distribuição das empresas um ano antes do seu encerramento; sendo que cada um destes gráficos está associado a apenas uma gama de benchmark do gráfico central, o que permite perceber se as empresas têm mantido a mesma gama de benchmark ou se nos anos anteriores ao seu encerramento apresentavam valores mais positivos. Esta análise possibilita concluir qual o estado das empresas ao longo dos anos, tomando como ponto de partida o ano em que encerraram, e fazendo um estudo sobre o seu passado.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 43 4.2.1.1. Classe 1 – I1.01 - Índice de Produtividade - 2008-2010 ANÁLISE DO DESEMPENHO DE EMPRESAS CONSTRUTORAS Universo Empresas que encerraram atividade em 2011 Perfil de análise Evolução do Indicador I1.01 – Índice de Produtividade – entre 2008 e 2010 1. DADOS BASE Classe 1 Empresas com alvará em 2010 13319 (VN>0 = 10072) Empresas que encerraram em 2011 4544 (34,1%) Encerramentos por distrito Lisboa – 16%; Porto – 9%; 8% - Faro; Leiria – 8%; Viseu – 7% Empresas com alvará em 2011 11519 (VN>0 = 9031) 2. COMENTÁRIOS Uma percentagem apreciável das empresas C1 que encerraram em 2011 tinham iniciado a atividade muito recentemente, permanecendo menos de 3 anos no mercado (20% das empresas que encerraram em 2011 não existiam em 2009 e 51% das empresas que encerraram em 2011 não existia em 2008); O encerramento afetou todos os níveis de produtividade (embora com maior incidência – 37% - na gama mais baixa), o que traduz outro tipo de dificuldades além da simples angariação de trabalho; A gama mais baixa, [0-25[, e gama mais alta, [75-100], de benchmark são aquelas em que existem menores alterações de mudança de gama de benchmark entre 2009 e 2010; nestas duas gamas cerca de 50% das empresas que lhe pertenciam em 2010 estavam na mesma gama no ano anterior, enquanto nas outras duas gamas a permanência ronda os 40%; As empresas que apresentam valores de benchmark entre [0-50[ no ano 2010 são aquelas que demonstram maior tendência a encerrarem, cerca de 65% do total de empresas que encerraram em 2011 pertenciam esta gama; A percentagem total de empresas que encerraram que apresentavam valores de benchmark entre [50-100], 35%, é semelhante às empresas que encerraram e se situavam na gama [0-25[, 37%.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 44 3. RESULTADOS I1.01 2008 - 2010 – C1 2008 47% Não existiam 12% Pioraram 23% Não existiam 2009 2010 2009 2008 58% Não existiam 14% Pioraram 58% Não existiam 22% Pioraram
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 45 4.2.1.2. Classe 4 – I1.01 - Índice de Produtividade - 2008-2010 ANÁLISE DO DESEMPENHO DE EMPRESAS CONSTRUTORAS Universo Empresas que encerraram atividade em 2011 Perfil de análise Evolução do Indicador I1.01 – Índice de Produtividade – entre 2008 e 2010 1. DADOS BASE Classe 4 Empresas com alvará em 2010 1493 (VN>0 = 1486) Empresas que encerraram em 2011 230 (15,4%) Encerramentos por distrito Lisboa – 29%; Setúbal – 11%; Porto – 10%; Leiria – 9% Empresas com alvará em 2011 1345 (VN>0 = 1301) 2. COMENTÁRIOS Uma percentagem apreciável das empresas C4 que encerraram em 2011 tinham iniciado a atividade muito recentemente, permanecendo menos de 3 anos no mercado (27% das empresas que encerraram em 2011 não existiam em 2009 e 7% das empresas que encerraram em 2011 não existia em 2008); O encerramento afetou todos os níveis de produtividade (embora com maior incidência – 39% - na gama mais baixa), o que traduz outro tipo de dificuldades além da simples angariação de trabalho; A maioria das empresas que não existiam em 2009 estavam em 2010 na gama de benchmark [0-25[, 35%; As empresas que apresentam valores de benchmark entre [0-50[ no ano 2010 são aquelas que demonstram maior tendência a encerrarem, cerca de 62% do total de empresas que encerraram em 2011 pertenciam esta gama; A percentagem total de empresas que encerraram e apresentavam valores de benchmark entre [50-100], 38%, é semelhante às empresas que encerraram e se situavam na gama [0-25[, 39%.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 46 3. RESULTADOS I1.01 2008 - 2010 – C4 2008 5% Não existiam 11% Pioraram 23% Não existiam 2009 2010 2009 2008 11% Não existiam 26% Pioraram 9% Não existiam 25% Pioraram
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 47 4.2.1.3. Classe 9 – I1.01 - Índice de Produtividade - 2008-2010 ANÁLISE DO DESEMPENHO DE EMPRESAS CONSTRUTORAS Universo Empresas que encerraram atividade em 2011 Perfil de análise Evolução do Indicador I1.01 – Índice de Produtividade – entre 2008 e 2010 1. DADOS BASE Classe 9 Empresas com alvará em 2010 101 (VN>0 = 101) Empresas que encerraram em 2011 12 (11,9%) Encerramentos por distrito Lisboa – 33%; Braga – 17%; Setúbal – 17% Empresas com alvará em 2011 91 (VN>0 = 91) 2. COMENTÁRIOS A percentagem de empresas C9 que encerram é significativamente reduzida; O encerramento afetou todos os níveis de produtividade, apesar ter maior incidência – 33% - na gama de benchmark [25-50[, o que traduz outro tipo de dificuldades além da simples angariação de trabalho.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 48 3. RESULTADOS I1.01 2008 - 2010 – C9 2008 33% Não Existiam 100% Existiam 2009 2010 2009 2008 50% Não Existiam 50% Não Existiam
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 49 4.2.1.4. Classe 1 – I1.01 - Índice de Produtividade - 2009-2011 ANÁLISE DO DESEMPENHO DE EMPRESAS CONSTRUTORAS Universo Empresas que encerraram atividade em 2012 Perfil de análise Evolução do Indicador I1.01 – Índice de Produtividade – entre 2009 e 2011 1. DADOS BASE Classe 1 Empresas com alvará em 2011 11519 (VN>0 = 9031) Empresas que encerraram em 2012 1954 (16,9%) Encerramentos por distrito Lisboa – 24%; Porto – 14%; Setúbal – 9%; Braga – 8%; Faro – 8% Empresas com alvará em 2012 10573 (VN>0 = 9772) 2. COMENTÁRIOS Das empresas C1 que encerraram em 2012, ao contrário do que aconteceu em 2011, apenas 11% tinham iniciado a sua atividade no ano anterior; e 24% das empresas que encerraram em 2012 não existia em 2009; O encerramento afetou todos os níveis de produtividade (embora com maior incidência – 34% - na gama mais baixa), o que traduz outro tipo de dificuldades além da simples angariação de trabalho; A gama mais elevada foi aquela que demonstrou menos alterações entre 2011 e 2010, cerca de 80% estava na mesma gama, o facto de manterem bons resultados não as impediu de encerrarem; A gama mais instável é a dos [25-50[, nesta ocorreram diversas mudanças entre 2011-2010, cerca de 36% estava na gama acima no ano anterior; No ano 2011 a gama [50-75[ recebeu uma significativa percentagem de empresas que no ano anterior estava na gama [75-100], 28%.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 50 3. RESULTADOS I1.01 2009 - 2011 – C1 2009 28% Não existiam 24% Pioraram 29% Não existiam 2010 2011 2010 2009 23% Não existiam 34% Pioraram 20% Não existiam 35% Pioraram
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 51 4.2.1.5. Classe 4 – I1.01 - Índice de Produtividade - 2009-2011 ANÁLISE DO DESEMPENHO DE EMPRESAS CONSTRUTORAS Universo Empresas que encerraram atividade em 2012 Perfil de análise Evolução do Indicador I1.01 – Índice de Produtividade – entre 2009 e 2011 1. DADOS BASE Classe 4 Empresas com alvará em 2011 1345 (VN>0 = 1301) Empresas que encerraram em 2012 197 (14,6%) Encerramentos por distrito Lisboa – 30%; Porto – 19%; Faro – 8%; Setúbal – 7%; Leiria – 6% Empresas com alvará em 2012 1184 (VN>0 = 1172) 2. COMENTÁRIOS Das empresas C4 que encerraram em 2012, apenas 3% tinham iniciado a sua atividade no ano anterior; e 27% das empresas não existia em 2009); O encerramento afetou todos os níveis de produtividade (embora com maior incidência – 38% - na gama mais baixa), o que traduz outro tipo de dificuldades além da simples angariação de trabalho; 60% das empresas que em 2010 estavam na gama [0-25[ mantinham-se na mesma gama no ano seguinte; Uma percentagem significativa das empresas que em 2010 estavam na gama [50-75] em 2011 tinha descido um nível, 41%; A gama [75-100] manteve-se estável durante 2010 e 2011.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 58 3. RESULTADOS I1.02 2008 - 2010 – C4 2008 12% Não existiam 10% Pioraram 6% Não existiam 2009 2010 2009 2008 100% Existiam 32% Pioraram 10% Não existiam 44% Pioraram
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 59 4.2.1.9. Classe 9 – I1.02 - Rentabilidade de Vendas - 2008-2010 ANÁLISE DO DESEMPENHO DE EMPRESAS CONSTRUTORAS Universo Empresas que encerraram atividade em 2011 Perfil de análise Evolução do Indicador I1.02 – Rentabilidade das Vendas – entre 2008 e 2010 1. DADOS BASE Classe 9 Empresas com alvará em 2010 101 (VN>0 = 101) Empresas que encerraram em 2011 12 (11,9%) Encerramentos por distrito Lisboa – 33%; Braga – 17%; Setúbal – 17% Empresas com alvará em 2011 91 (VN>0 = 91) 2. COMENTÁRIOS A percentagem de empresas C9 que encerram é significativamente reduzida; O encerramento afetou todos os níveis de rentabilidade, à exceção da gama mais elevada; estando repartida de forma igual pelas restantes gamas – 33%; Das empresas que em 2010 estão na gama [0-25[, no ano anterior estavam todas em gamas superiores ou não existiam.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 60 3. RESULTADOS I1.02 2008 - 2010 – C9 2008 50% Não existiam 2009 2010 2009 2008 25% Não existiam 50% Pioraram 25% Não existiam 75% Pioraram
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 61 4.2.1.10. Classe 1 – I1.02 - Rentabilidade de Vendas - 2009-2011 ANÁLISE DO DESEMPENHO DE EMPRESAS CONSTRUTORAS Universo Empresas que encerraram atividade em 2012 Perfil de análise Evolução do Indicador I1.02 – Rentabilidade das Vendas – entre 2009 e 2011 1. DADOS BASE Classe 1 Empresas com alvará em 2011 11519 (VN>0 = 9031) Empresas que encerraram em 2012 1954 (16,9%) Encerramentos por distrito Lisboa – 24%; Porto – 14%; Setúbal – 9%; Braga – 8%; Faro – 8% Empresas com alvará em 2012 10573 (VN>0 = 9772) 2. COMENTÁRIOS Das empresas C1 que encerraram em 2012, ao contrário do que aconteceu em 2011, apenas 11% tinham iniciado a sua atividade no ano anterior; O encerramento afetou todos os níveis de rentabilidade, demonstrando maior incidência na gama de benchmark [0-25[, 40%, seguido pela gama [75-100], 22%, ou seja, apesar das empresas possuírem capacidade financeira para cobrir os seus encargos, este facto não as impede de encerrarem, o que permite concluir que as mesmas tem outros problemas; Aproximadamente 66% das empresas que em 2010 estavam na gama de benchmark [0-25[ conseguiram subir várias gamas, mas apesar de, no período de 2010-2011 conseguirem mostrar melhores resultados que nos anos anteriores, isso não influenciou a sua permanência no sector. Ao contrário do que aconteceu no Índice de Produtividade, existe uma variação mais acentuada das gamas de benchmark entre 2009 e 2010; existiram muitas trocas entre gamas, neste período; A percentagem total de empresas que encerraram que apresentavam valores de benchmark entre [50-100], 40%, é semelhante às empresas que encerraram e se situavam na gama [0-25[, 40%.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 62 3. RESULTADOS I1.02 2009 - 2011 – C1 2009 24% Não existiam 13% Pioraram 28% Não existiam 2010 2011 2010 2009 27% Não existiam 24% Pioraram 22% Não existiam 42% Pioraram
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 63 4.2.1.11. Classe 4 – I1.02 - Rentabilidade de Vendas - 2009-2011 ANÁLISE DO DESEMPENHO DE EMPRESAS CONSTRUTORAS Universo Empresas que encerraram atividade em 2012 Perfil de análise Evolução do Indicador I1.02 – Rentabilidade das Vendas – entre 2009 e 2011 1. DADOS BASE Classe 4 Empresas com alvará em 2011 1345 (VN>0 = 1301) Empresas que encerraram em 2012 197 (14,6%) Encerramentos por distrito Lisboa – 30%; Porto – 19%; Faro – 8%; Setúbal – 7%; Leiria – 6% Empresas com alvará em 2012 1184 (VN>0 = 1172) 2. COMENTÁRIOS Das empresas C4 que encerraram em 2012, ao contrário do que aconteceu em 2011, apenas 3% tinham iniciado a sua atividade no ano anterior; O encerramento afetou todos os níveis de rentabilidade, demonstrando maior incidência na gama benchmark [0-25[, 35%, ou seja, apesar das empresas possuírem capacidade financeira para cobrir os seus encargos, este facto não as impede de encerrarem, o que permite concluir que as mesmas tem outros problemas; Das empresas que estavam na gama [75-100] em 2011, cerca de 76% estavam também nesta classe, apesar de possuírem valores elevados de rentabilidade ao longo dos anos, isso não preveniu que encerrassem.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 64 3. RESULTADOS I1.02 2009 - 2011 – C4 2009 21% Não existiam 23% Pioraram 22% Não existiam 2010 2011 2010 2009 18% Não existiam 43% Pioraram 33% Não existiam 38% Pioraram
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 65 4.2.1.12. Classe 9 – I1.02 - Rentabilidade de Vendas - 2009-2011 ANÁLISE DO DESEMPENHO DE EMPRESAS CONSTRUTORAS Universo Empresas que encerraram atividade em 2012 Perfil de análise Evolução do Indicador I1.02 – Rentabilidade das Vendas – entre 2009 e 2011 1. DADOS BASE Classe 9 Empresas com alvará em 2011 91 (VN>0 = 91) Empresas que encerraram em 2012 8 (8,8%) Encerramentos por distrito Braga – 25%; Porto – 25%; Leiria – 13%; Lisboa – 13%; Madeira – 13%; Setúbal – 13%; Empresas com alvará em 2012 77 (VN>0 = 77) 2. COMENTÁRIOS Das empresas C9 que encerraram em 2011 existiam todas nos anos anteriores; O encerramento afetou todos os níveis de rentabilidade, à exceção da gama mais elevada, apesar de ter uma importância mais significativa – 62% - na gama de benchmark [0-25[; A empresa que em 2011 está na gama [25-50[, em 2010 estava numa gama inferior; Em 2012 não encerrou nenhuma empresa que estivesse na gama de benchmark [75-100].
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 66 3. RESULTADOS I1.02 2009 - 2011 – C9 2009 100% Existiam 50% Pioraram 2010 2011 2010 2009 100% Não existiam 100% Existiam 80% Pioraram
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 67 4.2.1.13. Classe 1 – I1.05 - Autonomia Financeira - 2008-2010 ANÁLISE DO DESEMPENHO DE EMPRESAS CONSTRUTORAS Universo Empresas que encerraram atividade em 2011 Perfil de análise Evolução do Indicador I1.05 – Autonomia Financeira – entre 2008 e 2010 1. DADOS BASE Classe 1 Empresas com alvará em 2010 13319 (VN>0 = 10072) Empresas que encerraram em 2011 4544 (34,1%) Encerramentos por distrito Lisboa – 16%; Porto – 9%; 8% - Faro; Leiria – 8%; Viseu – 7% Empresas com alvará em 2011 11519 (VN>0 = 9031) 2. COMENTÁRIOS Uma percentagem apreciável das empresas C1 que encerraram em 2011 tinham iniciado a atividade muito recentemente, permanecendo menos de 3 anos no mercado; O encerramento afetou todos os níveis de autonomia financeira, de salientar que, a percentagem de empresas que encerraram quer na gama mais baixa, quer na gama mais elevada, foi igual – 27%.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 74 3. RESULTADOS I1.05 2009 - 2011 – C1 2009 26% Não existiam 7% Pioraram 21% Não existiam 2010 2011 2010 2009 21% Não existiam 14% Pioraram 27% Não existiam 24% Pioraram
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 75 4.2.1.17. Classe 4 – I1.05 - Autonomia Financeira - 2009-2011 ANÁLISE DO DESEMPENHO DE EMPRESAS CONSTRUTORAS Universo Empresas que encerraram atividade em 2012 Perfil de análise Evolução do Indicador I1.05 – Autonomia Financeira – entre 2009 e 2011 1. DADOS BASE Classe 4 Empresas com alvará em 2011 1345 (VN>0 = 1301) Empresas que encerraram em 2012 197 (14,6%) Encerramentos por distrito Lisboa – 30%; Porto – 19%; Faro – 8%; Setúbal – 7%; Leiria – 6% Empresas com alvará em 2012 1184 (VN>0 = 1172) 2. COMENTÁRIOS Das empresas C4 que encerraram em 2012, ao contrário do que aconteceu em 2011, apenas 3% tinham iniciado a sua atividade no ano anterior; O encerramento afetou todos os níveis de autonomia financeira (embora com maior incidência – 40% - na gama mais baixa), o que traduz outro tipo de dificuldades além da capacidade das empresas conseguirem recorrer a meios próprio de forma imediata, caso seja necessário fazer investimentos e cumprir compromissos.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 76 3. RESULTADOS I1.05 2009 - 2011 – C4 2009 20% Não existiam 24% Pioraram 27% Não existiam 2010 2011 2010 2009 26% Não existiam 28% Pioraram 33% Não existiam 30% Pioraram
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 77 4.2.1.18. Classe 9 – I1.05 - Autonomia Financeira - 2009-2011 ANÁLISE DO DESEMPENHO DE EMPRESAS CONSTRUTORAS Universo Empresas que encerraram atividade em 2012 Perfil de análise Evolução do Indicador I1.05 – Autonomia Financeira – entre 2009 e 2011 1. DADOS BASE Classe 9 Empresas com alvará em 2011 91 (VN>0 = 91) Empresas que encerraram em 2012 8 (8,8%) Encerramentos por distrito Braga – 25%; Porto – 25%; Leiria – 13%; Lisboa – 13%; Madeira – 13%; Setúbal – 13%; Empresas com alvará em 2012 77 (VN>0 = 77) 2. COMENTÁRIOS Das empresas C9 que encerraram em 2012 existiam todas nos anos anteriores; O encerramento afetou todos os níveis de autonomia financeira, apesar se ter uma importância mais significativa - 50% - na gama de benchmark [0-25[.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 78 3. RESULTADOS I1.05 2009 - 2011 – C9 2009 100% Existiam 100% Pioraram 100% Existiam 2010 2011 2010 2009 50% Não existiam 50% Pioraram 100% Existiam 25% Pioraram
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 79 4.2.1.19. Classe 1 – I1.06 – Liquidez Geral - 2008-2010 ANÁLISE DO DESEMPENHO DE EMPRESAS CONSTRUTORAS Universo Empresas que encerraram atividade em 2011 Perfil de análise Evolução do Indicador I1.06 – Liquidez Geral – entre 2008 e 2010 1. DADOS BASE Classe 1 Empresas com alvará em 2010 13319 (VN>0 = 10072) Empresas que encerraram em 2011 4544 (34,1%) Encerramentos por distrito Lisboa – 16%; Porto – 9%; 8% - Faro; Leiria – 8%; Viseu – 7% Empresas com alvará em 2011 11519 (VN>0 = 9031) 2. COMENTÁRIOS Uma percentagem apreciável das empresas C1 que encerraram em 2011 tinham iniciado a atividade muito recentemente, permanecendo menos de 3 anos no mercado; O encerramento afetou todos os níveis de liquidez financeira (embora com maior incidência – 35% - na gama mais alta), o que traduz outro tipo de dificuldades além do nível de risco que está associado às obrigações que a empresa tem de cumprir num certo período de tempo; As empresas que em 2011 estavam na gama [75-100] demonstravam bons resultados no ano anterior, aproximadamente 63% destas estavam na mesma gama, o que demonstra apesar dos bons resultados não se conseguiram manter no mercado; Existiu uma grande variação das gamas de benchmark entre 2009-2010; muitas empresas trocaram de gama no decorrer destes dois anos, não existindo uma percentagem muito elevada de empresas que se mantiveram na mesma gama.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 80 3. RESULTADOS I1.06 2008 - 2010 – C1 2008 57% Não existiam 9% Pioraram 68% Não existiam 2009 2010 2009 2008 38% Não existiam 19% Pioraram 31% Não existiam 24% Pioraram
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 81 4.2.1.20. Classe 4 – I1.06 – Liquidez Geral - 2008-2010 ANÁLISE DO DESEMPENHO DE EMPRESAS CONSTRUTORAS Universo Empresas que encerraram atividade em 2011 Perfil de análise Evolução do Indicador I1.06 – Liquidez Geral – entre 2008 e 2010 1. DADOS BASE Classe 4 Empresas com alvará em 2010 1493 (VN>0 = 1486) Empresas que encerraram em 2011 230 (15,4%) Encerramentos por distrito Lisboa – 29%; Setúbal – 11%; Porto – 10%; Leiria – 9% Empresas com alvará em 2011 1345 (VN>0 = 1301) 2. COMENTÁRIOS Uma percentagem apreciável das empresas C4 que encerraram em 2011 tinham iniciado a atividade muito recentemente, permanecendo menos de 3 anos no mercado; O encerramento afetou todos os níveis de liquidez, demonstrando maior incidência nas gamas [0-25[, 35%, e na gama [25-50[, 24%, o que traduz outro tipo de dificuldades além do nível de risco que está associado às obrigações que a empresa tem de cumprir num certo período de tempo.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 82 3. RESULTADOS I1.06 2008 - 2010 – C4 2008 12% Não existiam 9% Pioraram 15% Não existiam 2009 2010 2009 2008 6% Não existiam 28% Pioraram 4% Não existiam 25% Pioraram
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 83 4.2.1.21. Classe 9 – I1.06 – Liquidez Geral - 2008-2010 ANÁLISE DO DESEMPENHO DE EMPRESAS CONSTRUTORAS Universo Empresas que encerraram atividade em 2011 Perfil de análise Evolução do Indicador I1.06 – Liquidez Geral – entre 2008 e 2010 1. DADOS BASE Classe 9 Empresas com alvará em 2010 101 (VN>0 = 101) Empresas que encerraram em 2011 12 (11,9%) Encerramentos por distrito Lisboa – 33%; Braga – 17%; Setúbal – 17% Empresas com alvará em 2011 91 (VN>0 = 91) 2. COMENTÁRIOS A percentagem de empresas C9 que encerram é significativamente reduzida; O encerramento afetou todos os níveis de liquidez, à exceção da gama de benchmark mais elevada; apesar apresentar maior incidência – 58% - na gama de benchmark [0-25[, o que traduz outro tipo de dificuldades além da capacidade das empresas conseguirem recorrer a meios próprio de forma imediata, caso seja necessário fazer investimentos e cumprir compromissos.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 90 3. RESULTADOS I1.06 2009 - 2011 – C9 2009 100% Existiam 100% Pioraram 100% Existiam 2010 2011 2010 2009 33% Não Existiam 100% Existiam
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 91 4.2.2. COMENTÁRIOS O ano de 2011 foi um ano trágico para o sector da construção civil em Portugal, como já era espectável há algum tempo, neste ano ocorreu um elevado número de encerramentos de empresas nas várias classes de alvará de construção. Apesar da crise financeira se ter intensificado em 2008, muitas empresas conseguiram suportar os primeiros anos de crise, daí os piores resultados se apresentarem apenas em 2011. 4.2.2.1. Análise das empresas da Classe 1 que encerraram em 2011 e 2012 A Classe 1 foi uma das que mais se fez ressentir durante o ano de 2011, sendo que, nesta classe ocorreu a maior percentagem de encerramentos, cerca de 34% das empresas existentes em 2010 encerraram no ano seguinte. Contudo, em 2012 a situação acalmou-se e o número de encerramentos na Classe 1 diminuiu substancialmente, correspondendo a apenas 17% do total de empresas existentes em 2011. A partir dos gráficos apresentados anteriormente, relativos à Classe 1 de alvará de construção, é percetível que uma elevada percentagem das empresas que encerrarem em 2011 na Classe 1, não existiam em 2009, aproximadamente 20%. Sendo ainda mais representativa esta percentagem se se comparar o ano 2011 com o de 2008, neste caso, 51% das empresas que encerraram em 2011 não existiam em 2008. Ou seja, uma grande percentagem das empresas que desapareceram do mercado tinha iniciado a sua atividade muito recentemente. Relativamente ao ano de 2012, apenas 11% das empresas que encerraram não existiam no ano anterior e 24% não existia em 2009. Estas empresas mantiveram-se no mercado durante um período relativamente curto, entre um e três anos, consequência de terem sido criadas em plena crise financeira, quer do país, quer do sector da construção civil. Estas empresas tentaram integrar o mercado num período em que o investimento era complicado; até as empresas que já existiam, e que apresentavam sinais de estarem solidificadas no sector demonstravam dificuldades para manterem a sua atividade. A criação de um número tão elevado de empresas, num período em que nada fazia prever tal crescimento, pode estar relacionado com diversos fatores que foram proporcionados pela crise financeira. Muitas destas novas empresas podem estar relacionadas com a junção de várias empresas que encerraram nos anos anteriores, e que tentaram novamente integrar o mercado da construção, tendo como ideia base, que juntas poderiam conseguir fazer face às novas dificuldades no sector. As novas empresas podem ainda, ter sido criadas por trabalhadores da construção civil que ficaram sem emprego e que se juntaram a pequenos construtores que também tinham abandonado a atividade nos anos anteriores, deste modo, juntaram a mão-de-obra e os equipamentos que tinham disponíveis e criaram novos negócios, de forma a entrarem novamente no mercado. Relativamente, aos dados da Classe 1 em 2010 e 2011, os quatro indicadores estudados não se comportaram todos da mesma forma. Sendo que os valores da Rentabilidade de Vendas são semelhantes aos da Autonomia Financeira quer em 2010, quer em 2011; porém o Índice de Produtividade e a Liquidez Geral apresentam valores diferentes dos restantes indicadores em 2010, mas em 2011 estes dois últimos, apresentam valores idênticos entre si. Os valores de benchmark relativos ao Índice de Produtividade, de 2010 demonstram que as empresas com índices mais baixos tendem a desaparecer da indústria da construção, contudo, os encerramentos manifestam-se em todas as gamas de benchmark, ainda que 65% das empresas que encerraram apresentem valores de benchmark inferior a 50%.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 92 Em 2011 a situação do IP, é idêntica ao ano de 2010, também as empresas que encerraram em 2012 pertenciam, essencialmente, à gama de benchmark dos [0%-25%[, 34% e 58% tinham valores de benchmark situados abaixo dos 50%. Estes valores permitem demonstrar que apesar das empresas terem trabalho, esta não é uma condição substancial para se manterem na atividade, uma vez que, 35% das empresas que encerraram em 2011 e 42% das empresas que encerraram em 2012 demonstravam bons resultados de produtividade, mas mesmo assim não se conseguiram manter no sector, o que prenuncia outros problemas. Os encerramentos das empresas que apresentavam valores de produtividade elevados, podem estar relacionados, com o extenso número de obras que as empresas têm a decorrer em simultâneo, uma vez que, as classes de alvará limitam apenas o valor da contratação, mas não condicionam o número de contratos que as empresas podem celebrar em simultâneo. Apesar de possuírem um extenso número de obras, estas empresas não conseguem fazer face aos custos inerentes aos diversos trabalhos, o que lhe proporciona dificuldades em outras áreas, além da produtividade. As empresas que tiverem sujeitas a um acréscimo da atividade produtiva, terão de fazer um maior investimento em máquinas, equipamentos e mão-de-obra, o que aumenta os fundos que são necessários para financiar a atividade produtiva, e influenciará negativamente as finanças das empresas. Daí, que os níveis de produtividade não sejam por si só um indicador que permita concluir se as empresas têm tendência a encerrar, mas conjuntamente com outros poderá ter uma grande influência. No que respeita, à Rentabilidade de Vendas das empresas que encerraram no ano 2010, estas encontramse repartidas pelas diversas gamas de benchmark, de forma bastante distinta da que foi apresentada no IP. Neste indicador as empresas com maior tendência para encerrar estão situadas na gama de benchmark dos [0%-25%[, 29%, e na gama [75%-100%], 28%. O que representa que as empresas apesar de conseguirem cobrir os seus encargos e de possuírem capacidade financeira, tem outros problemas. As empresas que apresentavam valores de rentabilidade baixos, possivelmente, encerraram devido à falta de capital para gastos com o financiamento, amortizações, depreciações e impostos, ou seja, após liquidarem todos os custos relacionados com a sua atividade operacional, não conseguiram dar respostas aos encargos financeiros. O facto de, as empresas não terem margem para outros gastos, nem para o crescimento da própria empresa, levaram a que muitas destas se endividassem ao longo dos anos, e que possuíssem cada vez menos recursos para desenvolverem a sua atividade operacional, o que lhes impossibilitou a sua continuação na indústria da construção. Por outro lado, um elevado número de empresas mostraram bons resultados de rentabilidade, porém, tenderam também a encerrar. O que pode estar relacionado, com o próprio processo de crescimento da atividade e com o esforço de investimento e de modernização, levado a cabo pelas empresas para fazer face, a um conjunto de obras tecnologicamente mais exigentes. Tal como, aconteceu no indicador da produtividade, para se investir no crescimento e modernização da produção, esta tem de ser acompanhada pelo acréscimo do investimento e dos capitais próprios, o que nem sempre é possível, e poderá influenciar negativamente a economia da empresa. Por sua vez, o ano de 2011 apresentou valores relativamente diferentes dos obtidos em 2010, neste ano existiu uma gama de benchmark em que a tendência de encerramento foi mais acentuada, a gama mais baixa, [0%-25%[, esta apresentou uma percentagem de encerramentos de, aproximadamente, 40%; enquanto as restantes gamas tinham uma percentagem de 20% cada. O que demonstra que em 2012 muitos dos encerramentos foram influenciados pela falta de capacidade financeira das empresas; estas
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 93 apesar de terem trabalho não conseguiram suportar os gastos financeiros inerentes às obras que realizaram, a maioria da sua faturação foi utilizada para pagar todas as despesas associadas a materiais, recursos humanos e equipamentos, o que levou à rotura das empresas. Em relação aos valores do indicador da Autonomia Financeira em 2010, tal como na Rentabilidade de Vendas, as empresas que sofrem mais encerramentos situava-se na gama mais baixa e na gama mais alta de benchmark, ambas representavam 27% de encerramentos. No ano de 2011, os valores foram bastante diferentes dos apresentados no ano anterior, porém, mantevese a tendência de os valores da Autonomia Financeira serem semelhantes aos da Rentabilidade de Vendas, a gama mais baixa foi aquela que sofreu uma maior percentagem de encerramentos, aproximadamente 42%. Os encerramentos na gama mais baixa podem estar associados à falta de capitais próprios, apesar de as empresas apresentarem trabalho e rentabilidade, não conseguem obter capitais que lhe permitam fazer face a todas as despesas que lhe estão associadas, facto que pode estar relacionado, com dívidas de terceiros, o que dificulta as contas das empresas. As empresas com valores benchmark [75%-100%], apesar de demonstrarem bons resultados não se conseguiram manter, estas empresas por terem mais meios do que a maioria das restantes empresas da Classe 1, possivelmente, apostaram em trabalhos mais elaborados e em maior quantidade, o que envolveu maiores quantias de dinheiro despendido por parte da empresa; se este dinheiro não for reposto pelas entidades contratantes, as empresas ficam com muito dinheiro em falta, o que influência o encerramento. Nos últimos anos, o tecido empresarial tem estado sujeito a situações de grande vulnerabilidade, o financiamento das empresas tem ocorrido à custa de um maior endividamento, com uma redução do autofinanciamento e com um menor peso relativo dos aumentos de capital. Estando evidenciado uma forte dependência financeira das empresas perante os seus credores e um acréscimo de dívidas a instituições financeiras. O peso das dívidas no ativo das empresas torna o sector mais vulnerável nas fases de contração do ciclo económico, como por exemplo, atrasos nos pagamentos por parte dos clientes. Já a Liquidez Geral das empresas que encerraram em 2011 apresenta valores bastante díspares dos restantes indicadores em estudo. Neste indicador, as empresas com maior tendência para encerrar situavam-se na gama de benchmark dos [75%-100%], 35%, enquanto, as restantes gamas demonstravam valores semelhantes, aproximadamente 20%. Já as empresas que encerraram em 2012 apresentaram valores de liquidez muito distintos dos resultados de 2011, neste ano a gama mais baixa foi aquela que sofreu mais perdas de empresas, cerca de 34%. E tal como no IP de 2011, também aqui 58% das empresas que encerraram tinham um benchmark inferior a 50%. Estes valores mostram que até as empresas que se encontravam numa situação mais estável, não se conseguiram manter no mercado, porque ao contrário do que acontecia nos anos anteriores, as empresas não conseguiram vender as suas obras no espaço de um ano, período de análise da liquidez geral, na atualidade este período de venda apresenta valores superiores, são poucas as empresas que conseguem vender os seus produtos neste espaço de tempo. Como foi referido no Capitulo 2, durante a década de 80 e 90 existiu um elevado nível de construção, no que respeita, ao parque habitacional, situação influenciada pela facilidade de adquirir créditos à habitação. Porém, nos últimos anos esta vertente de engenharia tem vindo a cair, sendo que a construção de edifícios está, relativamente, estagnada. O que influenciou negativamente as micro e pequenas
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 94 empresas de construção, como é o caso da Classe 1, uma vez que, estas tinham como principal atividade a construção de pequenos empreendimentos, normalmente, edifícios residenciais. Muitas destas empresas são negócios familiares, constituídas por apenas um ou dois intervenientes, que desenvolvem todo o tipo de trabalhos de construção de edifícios desde as fundações até aos acabamentos finais, todavia, não conseguiram manter a sua atividade devido à falta de trabalho que existe nesta área específica. Embora, este tipo de empresas não ponha em causa a qualidade dos trabalhos efetuados, são muitas vezes ignoradas as questões relacionadas com a inovação e com políticas de gestão, que poderiam influenciar a sua continuação no mercado. As empresas da Classe 1 sofreram também com a queda de diversas empresas de classes mais elevadas, uma vez que, em muitas situações estas empresas delegavam subempreitadas a empresas de menor dimensão, porém, as dificuldades financeiras que todas as classes de alvará de construção sofreram, proporcionou com que este tipo de trabalhos também diminui-se significativamente. 4.2.2.2. Análise das empresas da Classe 4 que encerraram em 2011 e 2012 Abordando agora a Classe 4, esta também sofreu uma acentuada quebra no número de empresas, tal como aconteceu na Classe 1, o ano de 2011 influenciou de forma negativa, o que levou a um elevado número de encerramentos; aproximadamente 16% das empresas existentes em 2010 encerraram. Nesta classe, as diferenças entre o número de empresas que encerraram em 2011 e 2012 já não é tão significativa, em 2012 encerraram também cerca de 15% das empresas existentes em 2011. As empresas que encerrarem em 2011 na Classe 4, também apresentam um valor considerável de empresas que não existiam no ano anterior, aproximadamente 27% das empresas que encerraram não existiam em 2009, e em relação a 2008, 7% das empresas não existiam. Já as empresas que encerraram em 2012 tem um comportamento distinto, apenas 3% das empresas não existiam em 2010, ou seja, no ano anterior ao encerramento, mas por outro lado 27% das empresas que encerraram em 2012 não existiam em 2009. Ao analisar o IP em 2011 e 2012, da Classe 4, é percetível que as empresas que apresentaram valores de benchmark inferior a 50%, são aquelas com maior tendência para encerrar, representando cerca de 60% do total de encerramentos. De salientar que, apenas, aproximadamente, 15% das empresas que encerraram apresentavam valores de benchmark superior a 75%. As empresas que desapareceram em 2011, apresentam no ano anterior valores de Rentabilidade de Vendas, semelhantes, quer na gama de benchmark mais baixa, quer na gama mais alta, cerca de 60% das empresas que encerraram pertenciam a estas duas gamas. Por outro lado, cerca de 35% as empresas que encerraram em 2012, tinham valores de benchmark inferior a 25%, enquanto as outras gamas representavam cerca de 20% de encerramentos, individualmente. Tal como sucedeu na Classe 1, também na Classe 4 o indicador da Rentabilidade de Vendas, não tem grande influência no encerramento de empresas, a maioria das empresas que encerraram em 2011 e 2012 possuíam capacidade financeira para fazer face a todos os seus encargos. Relativamente à Autonomia Financeira, este é o indicador que melhor retrata as empresas do sector da construção, em ambos os anos em estudado, este indicador apresenta percentagens, relativamente, elevadas de encerramentos nas gamas de benchmark mais baixas, 40% das empresas que encerraram pertenciam à gama de [0%-25%[ e aproximadamente 65% tinham um benchmark inferior a 50%.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 95 Estes dados retratam que, apesar de as empresas possuírem obras para realizar e apresentarem bons níveis de rentabilidade, não conseguem recorrer aos seus meios próprios de forma imediata, caso seja necessário fazer investimentos e cumprir compromissos; as empresas para se financiarem precisam que sejam realizados os pagamentos que estão em falta por parte de terceiros, todavia, nem sempre estas dívidas são repostas no tempo estipulado e não entram imediatamente nas contas da empresa; o que leva a que muitas empresas não se consigam manter em atividade devido à falta de capital. Estes fatores, permitem concluir que os clientes têm um papel fundamental na sustentabilidade financeira das empresas. Já a Liquidez Financeira em ambos os anos, apresenta uma maior percentagem de empresas que encerraram na gama de benchmark [0%-25%[, aproximadamente 35%, demonstrando nas restantes três gamas uma divisão semelhante, cerca de 20% em cada. De salientar que, 60% das empresas que encerraram tinham valores de benchmark inferior a 50%. O crescente ceticismo quer dos investidores nacionais, quer dos internacionais; a perda de poder de compra das empresas e das famílias, não favorece o investimento na construção. As empresas pertencentes à Classe 4, como já foi referido, podem construir obras até um limite de 1.328.000 €, em muitas situações estas empresas de média dimensão, autoconstruem e, só, posteriormente são reembolsadas. Com a crise financeira que se instalou nos últimos anos, a indústria da construção entrou num estado recessivo, o que proporcionou um excessivo atraso nos pagamentos. Muitas empresas vêem-se impossibilitadas de honrar os seus pagamentos às instituições financeiras, sendo a fragilidade financeira uma das maiores dificuldades com que as empresas de construção se confrontam presentemente. Por outro lado, a falta de perspetivas de trabalho e de novos contratos, cria um sentimento de desconfiança, sendo cada vez, mais restritivo o financiamento bancário. Atualmente, os bancos apresentam condições mais restritivas e montantes de crédito mais baixos do que aqueles que eram concedidos antigamente. A crise influenciou também a dificuldade de pagamento, hoje em dia, as empresas têm de esperar muito tempo para receberem os pagamentos por parte dos seus clientes, referentes a obras executadas, agravando-se em muitos casos quando o Dono de Obra é o Estado, sendo este um cliente pouco aliciante, devido à existência de atrasos sistemáticos nos pagamentos. Os atrasos proporcionam a longo prazo, graves problemas nas finanças das empresas, criando uma cadeia de endividamento, uma vez que, as empresas vêem-se impossibilitadas de cumprir as suas obrigações para com os fornecedores e subempreiteiros. A maioria das empresas ficou endividada e perdeu a capacidade de investimento, o que pôs em causa a sustentabilidade das mesmas. As dificuldades sentidas pelas empresas vieram ainda criar um novo paradigma, que consiste na baixa de preços por parte de algumas empresas, para conseguirem ganhar obras e para fazer frente à elevada concorrência. Tal como, aconteceu na Classe 1, também a Classe 4 era muitas vezes contratada por empresas de maior dimensão para realizarem subempreitadas, contudo, este tipo de trabalho diminuiu, uma vez que, muitas das empresas de grande dimensão estavam associadas às grandes obras públicas que nos últimos anos foram canceladas, o que levou a uma quebra no trabalho destas empresas.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 96 4.2.2.3. Análise das empresas da Classe 9 que encerraram em 2011 e 2012 Para finalizar, a Classe 9 é uma classe bastante diferente das abordadas anteriormente, por se tratar de uma classe que detêm apenas as grandes empresas nacionais; apresenta uma representatividade muito mais reduzida, quando comparada com as outras classes. Tal como aconteceu nas situações analisadas anteriormente, o ano de 2011 provocou uma ligeira diminuição do número de empresas. Neste ano encerraram cerca de 12% das empresas existentes em 2010. Já no ano 2012, simplesmente, despareceram 9% das empresas que existiam em 2011. Das empresas que encerraram em 2011 na Classe 9, aproximadamente 33% não existiam em 2009. Por outro lado, todas as empresas que encerraram em 2012 existiam nos três anos que antecederam o seu desaparecimento do sector da construção. No ano 2010, em relação ao IP, os encerramentos fizeram-se sentir maioritariamente nas gama de benchmark dos [25%-50%[, 33%, seguido das gamas mais altas. Cerca de 50% das empresas que encerraram apresentavam um valor de benchmark superior a 50%, o que rejeita a ideia de que a falta de trabalho poderia estar na base do encerramento. Por outro lado, o ano de 2011 apresentou valores diferentes, sendo a gama de benchmark mais baixa aquela que apresentou uma maior percentagem de encerramentos, 30%. Enquanto as gamas superiores [50%-100%] apenas representavam 15% do total de empresas que deixaram de existir. Mais uma vez, os valores da Rentabilidade de Vendas em 2010, não permite tirar grande conclusões, uma vez que, os encerramentos se distribuem de forma uniforme por três gamas de benchmark, sendo elas, [0-25[, 34%,[25-50[, 33%, e [75-100], 33%. A gama mais alta de benchmark apresenta um número elevado de enceramentos, o que pode estar relacionado com a diminuição dos lucros que podem ser reinvestidos, uma vez que, empresas de classes mais altas têm nos seus quadros mais recursos humanos, o que se traduz em maiores gastos com a mão de obra. Por outro lado, os valores de 2011 evidenciam que as empresas com valores de rentabilidade mais baixos tendem a desparecer, aproximadamente 75% das empresas que encerraram tinham um benchmark inferior a 50%, o que traduz que as empresas apresentavam várias dificuldades para conseguirem cobrir os seus encargos; não conseguiram atingir a capacidade financeira, suficiente para manterem a sua atividade. A Autonomia Financeira apresenta valores semelhantes em 2010 em 2011, nos dois anos estudados é percetível que este indicador tem uma grande influência sobre a percentagem de encerramentos; tal como aconteceu no indicador da rentabilidade, cerca de 75% das empresas que tinham um benchmark inferior a 50% encerraram, ou seja, eram empresas que apesar de terem meios próprios não conseguiram obter receitas, de forma a equilibrar as finanças da empresa. A Liquidez Geral em 2010 mostra valores semelhantes aos da Autonomia Financeira no mesmo ano, também neste indicador cerca de 75% das empresas que encerraram tinha um benchmark inferior a 50%, ou seja, as empresas com piores resultados foram aquelas que demonstraram maiores dificuldades para conseguirem vender as suas obras no espaço de um ano. Contudo, 2011 apresentou valores de Liquidez Geral relativamente diferentes, neste ano as empresas com maior tendência para encerrar foram as que tinham um valor de benchmark superior a 25%, o que pode significar que as empresas apesar de terem bons valores de liquidez em 2011, no ano seguinte podem não ter conseguido atingir as metas necessárias para se manterem na atividade, fator influenciado pelas dificuldade de venda no sector imobiliário.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 97 É possível concluir, que o indicador que mais influenciou os encerramentos das empresas nas diferentes classes de alvará foi a Autonomia Financeira, este indicador pode estar muitas vezes associados a dívidas de terceiros; as empresas que encerraram apesar de apresentarem bons valores de produtividade e rentabilidade e de possuírem meios próprios, não se conseguiram manter por apresentarem valores de Autonomia Financeira relativamente baixos. Ao contrário das classes mais baixa, nas empresas de classes superiores, a maioria do seu trabalho está associado às grandes obras públicas. O que permite relacionar muitos dos encerramentos da Classe 9, com o elevado número de cancelamentos que muitas das obras públicas sofreram nos últimos anos, como por exemplo, a linha de alta velocidade, o segundo aeroporto de Lisboa, a terceira travessia sobre o Tejo, o Túnel do Marão, assim como, outros projetos de menor dimensão, como foi o caso da requalificação da EN 125 no Algarve e os lanços da A26 entre Sines e Beja. Estes cancelamentos influenciaram negativamente o volume de negócios destas empresas; com a diminuição de grandes obras em Portugal as empresas depararam-se com uma redução significativa do número de trabalhos. 4.2.3. EMPRESAS QUE SE MANTIVERAM NO MERCADO NO PERÍODO DE 2008-2012 Para estudar o comportamento das empresas construtoras que se mantiveram no mercado no período de 2008-2012, optou-se por incidir a análise, apenas, nas empresas que existiram durante os cinco anos e que se conservaram sempre na mesma classe de alvará. Nesta análise comtemplou-se os indicadores do Índice de Produtividade e da Rentabilidade de Vendas. Durante os cinco anos consecutivos que se estudaram, mantiveram-se em atividade e na mesma classe de alvará, 4934 empresas na Classe 1, 670 na Classe 4 e 54 na Classe 9. A análise pretendeu concluir quantas empresas aumentaram ou diminuíram de benchmark, quer no Índice de Produtividade, quer na Rentabilidade de Vendas, durante os cinco anos, dividindo a análise em dois grupos, entre 2008-2010 e 2010-2012, de forma a perceber as variações que foram ocorrendo ao longo dos anos. Posteriormente efetuou-se a análise do número de empresas que se mantiveram com benchmark superior a 50% só num dos indicadores estudados ou nos dois simultaneamente. 4.2.3.1. Empresas que diminuíram ou aumentaram de benchmark entre 2008-2010 A Classe 1, representa empresas de menor dimensão, que normalmente realizam trabalhos de menor complexidade e envergadura; as suas obras apresentam um menor tempo de realização, o que permite a estas empresas iniciarem e concluírem vários contratos ao longo de um ano; o que justifica os bons resultados de produtividade nesta classe. Algumas empresas da classe mais baixa, apesar de serem constituídas por quadros técnicos reduzidos, conseguem traduzir bons resultados e apresentar uma evolução ao longo dos anos, readaptando-se ao tipo de procura existente no mercado, o que permite encontrar-se boas empresas nas classes mais baixas. São empresas que, apesar de terem menos funcionários apostam na qualidade, a redução do número de trabalhadores permite um maior investimento na especialização dos mesmos, e ao apostarem na eficiência, conseguem diminuir os erros nos trabalhos de construção civil, o que leva a uma redução de gastos. Das empresas que se conseguiram manter em atividade durante os cinco anos em estudo na Classe 1, apenas 27 empresas estavam em 2008 na gama de benchmark [0-25[, relativo ao IP, e na Rentabilidade de Vendas, esta gama estava representada por 87 empresas. Esta é a faixa que sofreu mais alterações
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 98 com saída e entradas de empresas, por se tratar de uma gama muito frágil que sofre com todas as variações do mercado. As restantes gamas apresentavam valores consideravelmente superiores, quer na produtividade, quer na rentabilidade, estando repartido da seguinte forma em 2008, a gama [25-50[ tinha 1528 empresas no IP e 1604 empresas na RENT, a gama [50-75[ representava 1801 empresas no IP e 1760 na RENT e a gama superior [75-100] continha 1578 empresas no IP e 1483 na RENT. Como foi referido, anteriormente, no IP em 2008 apenas existiam 27 empresas na Classe 1 na gama de benchmark [0-25[ que se conseguiram manter ativas até 2012. Analisando o seu percurso até o ano de 2010 (tabela 12), apenas 8 empresas se mantiveram na mesma gama, sendo que as restantes (71%) conseguiram aumentar a sua produtividade e alcançar valores superiores de benchmark. Relativamente, à Rentabilidade de Vendas, das 87 empresas existentes na gama de benchmark mais baixa em 2008, cerca de 37%, 32 empresas, mantinham-se na mesma gama entre 2008 e 2010, enquanto as restantes aumentaram as suas performances. Das empresas que em 2008 tinham um benchmark do IP situado na gama [25-50[, cerca de 47% das empresas mantiveram-se na mesma gama, e 36% sofreu uma ligeira quebra na produtividade, o que lhes proporcionou a descida de uma gama de benchmark, situando-se em 2010 na faixa mais baixa. Por outro lado, 17% das empresas conseguiram subir um ou dois patamares nos seus níveis de benchmark. Comparativamente, aos valores de Rentabilidade de Vendas, a permanência na mesma gama foi mais reduzida, apresentado um valor de 36%; e a descida de gama também foi menos acentuada, apresentado apenas 23%. Em relação às empresas que subiram de gama é notório que esta é mais pronunciada no indicador da rentabilidade, uma vez que, 41% das empresas conseguiram aumentar os seus valores de benchmark. A gama de benchmark [50-75[ do IP, representava 1801 empresas em 2008, destas empresas apenas 56% se mantinha na mesma gama de benchmark em 2010; 16% conseguiu aumentar os seus valores de produtividade, enquanto 30% sofreu um ligeira descida de gama, dividindo-se pela duas gamas mais baixas. Em relação, ao indicador da Rentabilidade de Vendas, este não se encontra repartido de forma semelhante ao da produtividade, neste apenas 33% das empresas se mantiveram na mesma gama de benchmark; 24% aumentou a sua rentabilidade, mas a percentagem mais significativa diz respeito às empresas que desceram de gama, aproximadamente 46% desceu comparativamente a 2008. A gama de benchmark mais alta, [75-100], foi a que se manteve mais constante no indicador da produtividade apesar de ter apresentado várias alterações ao nível da rentabilidade. Relativamente ao IP, 81 % das empresas mantiveram-se na mesma gama e apenas 19% reduziram de gama de benchmark, sendo que destas, aproximadamente 15%, desceu apenas um patamar, situando-se em 2010 na gama [50-75[. Enquanto, na rentabilidade mantiveram-se na mesma gama, somente, 36% das empresas. As empresas da Classe 1 representam micro e pequenas empresas, e como foi referido anteriormente, apesar de existirem muitas empresas familiares nesta classe, muitas outras, são empresas especializadas, que apesar de possuírem uma estrutura limitada, mantêm um quadro técnico com elevada capacidade técnica, incidindo num mercado uniforme ao longo do tempo, de tal forma que, existem várias empresas que se conseguem manter com níveis elevado de produtividade e de rentabilidade durante os cinco anos estudados. Estas empresas têm custos fixos mais baixos que as outras classes, visto que, a maioria dos seus trabalhos é financiado pelo próprio cliente sob a forma de adiantamento. Em muitos casos, estas empresas juntamse com outras de dimensão semelhante, de forma a diminuírem a concorrência e a ajudarem-se mutuamente, garantindo, assim, a sua permanência no mercado.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 99 Tabela 12 – Empresas que se mantiveram na Classe 1 durante 2008-2012 analisadas no período entre 20082010 Classe 1 2008 2010 IP RENT Gama Gama Nº % Nº % [0-25[ [0-25[ 8 30% 32 37% [25-50[ 10 37% 12 14% [50-75[ 4 15% 21 24% [75-100] 5 19% 22 25% [25-50[ [0-25[ 553 36% 361 23% [25-50[ 718 47% 571 36% [50-75[ 216 14% 472 29% [75-100] 41 3% 200 12% [50-75[ [0-25[ 93 5% 271 15% [25-50[ 450 25% 500 28% [50-75[ 971 54% 574 33% [75-100] 287 16% 415 24% [75-100] [0-25[ 18 1% 227 15% [25-50[ 40 3% 319 22% [50-75[ 242 15% 407 27% [75-100] 1278 81% 530 36% Em relação às 670 empresas da Classe 4 que se conseguiram manter em atividade durante os cinco anos em estudo, apresentaram a seguinte distribuição, 108 empresas estavam em 2008 na gama de benchmark [0-25[, relativo ao IP, e na Rentabilidade de Vendas, esta gama apresentava 133 empresas. As restantes gamas apresentavam valores muito semelhantes em ambos os indicadores, a gama [25-50[ tinha 199 empresas no IP e 194 empresas na RENT, a gama [50-75[ representava 186 empresas no IP e 183 na RENT e a gama superior [75-100] apresentava 177 empresas no IP e 160 na RENT. Como se pode observar na tabela 13, as empresas da Classe 4 que em 2008 estavam na gama de benchmark [0-25[, cerca de 56% continuam na mesma gama em 2010 e apenas 48% das empresas aumentaram os seus valores de produtividade. A Rentabilidade de Vendas desta classe apresenta uma variação semelhante à que ocorreu na Classe 1, cerca 34% das empresas mantiveram-se na gama mais baixa, enquanto 66% das empresas conseguiram aumentar a sua rentabilidade.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 106 Segundo a análise da tabela 17, nesta classe de alvará, os valores de permanência das empresas na mesma gama de benchmark, relativos ao IP, entre os anos 2010-2012, é de aproximadamente 60% nas três gamas iniciais, enquanto, a gama superior [75-100] apresenta uma permanência de 94%. As alterações que ocorreram na produtividade são pouco significativas e em pequena escala. Apenas ocorreram subidas de benchmark na gama [0-25[, 43% e na gama [25-50[, 23%. Enquanto, as descidas mais acentuadas dizem respeito à gama [25-50[, 23% e à gama [50-75[, 38%. Como em todas as outras situações estudadas, anteriormente, a Rentabilidade de Vendas, da Classe 9 entre 2010 e 2012, apresenta valores muito díspares, e grandes alterações de gamas de benchmark entre os dois anos. A permanência das empresas na mesma gama é mais baixa do que no IP, na rentabilidade, apenas, 30% das empresas se mantem na mesma gama, à exceção da gama superior, neste caso a permanência é de 80%. Tabela 17 – Empresas que se mantiveram na Classe 9 entre 2010-2012 Classe 9 2010 2012 IP RENT Gama Gama Nº % Nº % [0-25[ [0-25[ 4 57% 3 27% [25-50[ 3 43% 3 27% [50-75[ 0 0% 1 9% [75-100] 0 0% 4 36% [25-50[ [0-25[ 3 23% 2 17% [25-50[ 7 54% 3 25% [50-75[ 3 23% 7 58% [75-100] 0 0% 0 0% [50-75[ [0-25[ 3 19% 6 38% [25-50[ 3 19% 4 25% [50-75[ 10 63% 5 31% [75-100] 0 0% 1 6% [75-100] [0-25[ 0 0% 2 13% [25-50[ 0 0% 0 0% [50-75[ 1 6% 1 7% [75-100] 17 94% 12 80% A tendência de subida e descida dos valores de benchmark, ao longo dos anos, no indicador do IP é semelhante nas três classes de alvará analisadas. As gamas mais baixas são aquelas que apresentam maior tendência para a subida, maioritariamente, as empresas que apresentam valores de benchmark até 25%, enquanto, as gamas superiores apresentam uma tendência contrária.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 107 Em relação, ao indicador da Rentabilidade de Vendas, este é muito variável, as empresas apresentam uma grande variação de gamas de benchmark ao longo dos anos analisados. As subidas e descidas de gama apresentaram as mesmas tendências que a produtividade, contudo, as subidas nas gamas mais baixas foram em maior número do que na produtividade. 4.2.4. EMPRESAS QUE MANTIVERAM BENCHMARK SUPERIOR A 50% ENTRE 2008-2012 Neste ponto, irá analisar-se quantas empresas se mantiveram com benchmark superior a 50% só num dos indicadores estudados ou nos dois simultaneamente, durante os cinco anos. Nas classes de alvará analisadas é visível que o indicador da produtividade é o que apresenta uma maior percentagem de empresas que conseguiram manter a produtividade sempre com valores de benchmark superior a 50%, durante o período estudado. Como foi referido no ponto anterior, o indicador da rentabilidade é pouco constante, existindo ao longo dos anos uma grande variação dos valores da rentabilidade, o que leva a muitas mudanças de valores de benchmark. Das 10.573 empresas da Classe 1 existentes no ano 2012, apenas 18% destas conseguiram manter um valor de benchmark do IP superior a 50 % durante os cinco anos analisados. Sendo este valor relativamente mais baixo na Rentabilidade de Vendas, neste indicador somente 8% das empresas conseguiram manter entre 2008-2012 um valor de benchmark superior a 50%. Ao analisar os dois indicadores em simultâneo é percetível que a percentagem de empresas é ainda mais reduzida, só 4% das empresas conseguiram manter durante os cinco anos valores superiores a 50% nos dois indicadores. A Classe 4 mostrou um desenvolvimento semelhante à Classe 1; apenas 17% das 1184 empresas que existiam em 2012 conseguiram manter nos cinco anos uma produtividade com valores de benchmark superior a 50%. Enquanto, as empresas com rentabilidade superior a 50% apresentaram um valor relativamente mais baixo, 7%. E simplesmente 2% das empresas conseguiram manter valores de benchmark superior a 50% nos dois indicadores entre 2008-2012. Em 2012 existiam 77 empresas na Classe 9, destas 29% possuíram um benchmark do Índice de Produtividade superior a 50% durante os últimos cinco anos. Porém, apenas, 5% das empresas manteve valores de rentabilidade superiores a 50% e apenas 4% mantiveram ambos os indicadores com valores acima de 50%. Tabela 18 – Empresas que se mantiveram entre 2008-2012 com benchmark superior a 50% Classe 1 Classe 4 Classe 9 Nº % Nº % Nº % IP 1898 18% 203 17% 22 29% RENT 805 8% 80 7% 4 5% IP e RENT 427 4% 28 2% 3 4% É possível concluir que, apesar das empresas se conseguirem manter no mercado durante 2008-2012, os seus resultados não apresentam estabilidade; foram poucas as empresas que conseguiram manter níveis de benchmark de produtividade ou de rentabilidade sempre acima dos 50%. E quando conjugado os dois indicadores em simultâneo é percetível que apenas 4% das empresas apresentou bons resultados nos cinco anos consecutivos.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 108 4.2.5. EMPRESAS QUE MUDARAM DE CLASSE DE ALVARÁ Como foi referido anteriormente, as classes de alvará de construção civil estão definidas na Portaria nº1371/2008 de 2 de Dezembro. A alteração da mudança de classe de alvará pode ocorrer das seguintes formas: Elevação da classe, a empresa fica habilitada a executar os mesmos trabalhos para obras de valor superior; Diminuição da classe, a empresa fica habilitada a executar os mesmos trabalhos para obras de valor inferior. Existe ainda a possibilidade de no processo de revalidação dos alvarás as empresas requererem novas subcategorias, ou seja, a empresa fica habilitada a executar novos tipos de trabalhos; apesar de poderem continuar na mesma classe de alvará. Para as empresas procederem à revalidação dos alvarás é necessário que apresentem um conjunto de requisitos, onde se engloba a idoneidade, a capacidade técnica e a capacidade económica e financeira. Em relação, ao universo das empresas estudadas, o número de empresas que mudaram de classe de alvará foi bastante variável ao longo dos anos, o período entre 2009-2010 foi aquele que sofreu o maior número de alterações. Nas três classes de alvará analisadas, foi percetível que, neste período o número de empresas que mudou de classe foi substancialmente superior ao que sucedeu quer no ano anterior, quer nos anos seguintes. Como se pode observar na tabela 19, a Classe 1 foi a que sofreu mais alterações, uma vez que, também é a classe que representa um maior número de empresas. Entre 2009-2010, esta classe perdeu 582 empresas, que conseguiram subir para classes superiores. A classe 4, também sofreu diversas alterações, entre 2009-2010, neste período, 246 empresas mudam de classe de alvará, destas, 111 empresas conseguiram melhorar subir de classe, enquanto, 135 empresas desceram de classe. Em relação, às empresas que existiam na classe 9, a maioria manteve-se na mesma classe, tendo existido algumas descidas de classe, mas pouco significativas. Tabela 19 – Número de empresas que mudaram de classe de alvará entre 2008-2012 2008-2009 2009-2010 2010-2011 2011-2012 Subiram Desceram Subiram Desceram Subiram Desceram Subiram Desceram C1 24 - 582 - 121 - 250 - C4 2 22 111 135 21 9 39 56 C9 - 2 - 1 - 2 - 5 As empresas da classe 1 que alteraram a sua classe de alvará durante os anos em estudo, conseguiram subir até cinco classes acima daquela que representavam, sendo que, as subidas mais significativas registaram-se para uma classe superior à que representavam. A maioria das empresas da classe 1 que conseguiram subir uma classe, aproximadamente, 70% apresentavam valores de benchmark de produtividade superiores a 50%, contudo, a maioria destas empresas apresentam valores de rentabilidade inferiores a 50%, ou seja, apesar de terem um número elevado de obras, a falta de capital impossibilita-lhes uma subida mais acentuada de classe. Relativamente, às empresas que subiram duas classes, cerca de 90% apresentavam valores de benchmark
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 109 de produtividade superiores a 50%, porém cerca de 40% destas empresas mostravam valores benchmark de rentabilidade inferiores a 50%. Em relação, às empresas que subiram três classes ou mais, apresentavam um benchmark do IP superior a 75%, e valores de benchmark de Rentabilidade de Vendas superiores a 50%. Entre 2008 e 2012, as empresas da classe 4, sofreram algumas alterações, neste período existiram algumas subidas e descidas de classe de alvará. Nesta classe sentiu-se que o número de empresas que desceram foi sempre superior ao das que subiram de classe, à exceção do ano 2010 em que os valores se inverteram. Algumas empresas para se conseguirem manter no mercado, tiveram a necessidade de se restruturar, o que proporcionou várias descidas de classe de alvará; estando este facto, diretamente relacionado com a recessão económica que Portugal sentiu ao longo dos últimos anos. A cerca de 60% das empresas que desceram da classe 4, instalaram-se na classe anterior, classe 3, e as restantes distribuíram-se pela classe 1 e 2. A maioria das empresas apresentava valores de produtividade, relativamente, baixos, mostrando valores de benchmark de produtividade e de rentabilidade inferiores a 50%, contudo, existiram alguma empresas que exibiam valores de rentabilidade altos, mas apesar de terem capacidade financeira, a falta de trabalho não lhes permitiu manterem a mesma classe de alvará. Por outro lado, das empresas que estavam na classe 4, mas que subiram de classe, no ano seguinte situavam na sua maioria na classe 5, apesar de uma percentagem muito pequena ter conseguido subir para a classe 6. Destas empresas a maioria possuía um benchmark de produtividade superior a 50%, apesar dos valores de produtividade serem altos, a rentabilidade apresentava valores bastante variáveis. Tornando-se visível que um dos fatores que mais influencia a subida ou a descida de classe de alvará de construção é o IP, empresas com baixa produtividade acompanhada por baixa rentabilidade tendem a descer de classe, enquanto, empresas com elevada produtividade têm possibilidade de subir de classe. Em relação, às empresas que desceram da classe 9 nos diversos anos analisados, apresentavam todas benchmark do IP inferior a 50% e a maioria exibia também valores de benchmark de rentabilidade inferiores a 50%, à exceção de 22% que possuíam valores entre 50 e 75%. 4.3. CONCLUSÕES Ao contrário do que era espectável, as empresas que encerraram ao longo dos últimos anos exibiam características muito distintas. Pelos resultados apresentados no subcapítulo anterior, foi percetível que não existiu uma tendência clara de encerramento; as empresas que abandonaram o mercado apresentavam diferentes níveis de sustentabilidade. Os encerramentos incidiram nos dois tipos de empresas existente, ou seja, nas empresas com maus resultados de produtividade e de rentabilidade e nas que apresentavam bons valores, relativamente, a estes indicadores. Estes resultados demonstram uma deficiente organização do sector da construção civil em Portugal, o número excessivo de empresas existentes não é proporcional ao trabalho, existe muita oferta e pouca procura. O que permite conclui que o sector está sobredimensionado e pouco qualificado; a indústria da construção precisa de menos empresas e por outro lado necessita, urgentemente, de empresas melhores. A correção tardia do excesso de empresas de construção, obrigou a que o impacto fosse muito mais penoso, o que levou a elevados cortes orçamentais. Associado ao desmedido número de empresas, que estão presentes nas diversas classes de alvará de construção, está a falta de capacidade de algumas delas, muitas nunca deveriam ter entrado no mercado
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 110 da construção. Ao estarem incorporadas no sector, “roubam” trabalhos às empresas que têm boas condições para se manterem em atividade. As empresas em piores situações económicas, concorrem a obras, apresentando valores muito a baixo do preço base, com o intuito de conseguirem ganhar sobre aquelas empresas que apresentam preços “ditos normais”, que estão próximos dos valor estipulado pela entidade contratante. Muitas destas empresas estão no limite da sua capacidade financeira, ao apresentarem preços relativamente baixos, não vão conseguir fazer face a todas as despesas associadas à obra adjudicada, em vários casos, estas empresas abandonam o trabalho, antes de estar tudo finalizado, sendo a principal razão, a falta de dinheiro. A menor procura de trabalhos da construção civil e a prática de orçamentos mais baixos, colocou as empresas do sector numa situação frágil; o que levou a uma diminuição dos seus lucros ou a situações não permitem sequer a obtenção de lucros. Em muitos casos, aquilo que a empresa recebe e aquilo que ela tem de pagar no mesmo período de tempo, é relativamente semelhante, daí, a possibilidade de lucro ser muito reduzida, o que proporciona também uma diminuição do Volume de Negócios. As empresas que apresentam bons níveis de produtividade não conseguem obter lucro nos diversos trabalhos realizados, devido aos baixos preços praticados. Por outro lado, as empresas que apresentam índices de rentabilidade elevados, em muitas situações não têm obras para realizar, devido à falta de trabalho que se sente no sector da construção e ao excesso de empresas que existem para fazer os mesmos tipos de trabalhos. De salientar que, um dos maiores problemas das empresas diz respeito ao aumento do tempo médio de pagamentos, com as dificuldades financeiras que o país atravessa, os atrasos nos pagamentos são cada vez maiores, dificultando assim, a tesouraria das empresas. Os Clientes têm menos possibilidades económicas e tendem a atrasar o pagamento dos serviços prestados. O que leva, as empresas a perderem flexibilidade financeira, tornando-se cada vez mais difícil fazer investimentos; não há entrada de dinheiro nas finanças da empresa e, mais grave que isso, apresentam dificuldades em liquidar a partir do resultado operacional do seu exercício, os gastos financeiros e os impostos. O mercado da construção necessita urgentemente de uma restruturação, as más empresas conseguem-se sobrepor, em muitos casos, às boas empresas, ficando estas sem trabalho, apesar dos bons resultados apresentados. Num futuro próximo, o sector terá de sofrer várias mudanças, as associações que representam esta indústria terão de tomar medidas, de forma a salvaguardar a qualidade do mercado e dos trabalhos oferecidos pelas empresas às entidades contratantes. A indústria da construção necessita de conceber uma estratégia, mas primeiramente, devem-se analisar as capacidades e as condições do sector, de forma a possibilitar a criação de novas linhas de ação sustentadas nos pontos fortes e com maior tendência de evolução no mercado nacional e internacional. Estas linhas dinamizadoras do sector devem promover o desenvolvimento económico, social e ambiental, de forma a ser possível apostar numa estratégica voltada para o futuro e claramente alinhada com as políticas definidas ao mais alto nível. É importante que as empresas adotem melhores práticas em termos de sustentabilidade e apostem em trabalhos de elevada qualidade, assentes em recursos humanos altamente qualificados, na tecnologia, na inovação e nas parcerias com escolas, universidades associações e entidades públicas.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 111 A estratégia do sector passa, essencialmente, por uma estratégia de competitividade e sustentabilidade, mostrando às empresas os benefícios do investimento na construção sustentável, nas tecnologias da construção, na internacionalização e na qualificação da mão-de-obra.
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 112
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 113 5 CONCLUSÕES E DESENVOLVIMENTOS FUTUROS 5.1. CONCLUSÕES DO ESTUDO REALIZADO 5.1.1. ASPETOS GERAIS As crises financeiras são cíclicas e apresentam dinâmicas próprias, no último ano a economia nacional já começou a revelar alguns sinais positivos, embora muito ténues, pelo que, é necessário tomar medidas para estabilizar as consequências negativas que a crise trouxe nos últimos anos a Portugal, de forma, a estimular e incentivar o investimento. Neste momento, com a situação económica que o país atravessa, Portugal necessita de encontrar estratégias para dinamizar o sector da construção, utilizando modelos de desenvolvimento e novos padrões de competitividade. Nesta fase, de adaptação a novos paradigmas de desenvolvimento, em que o país é obrigado a reposicionar os diferentes sectores da economia, alterando os papéis de relevância de cada uma delas, há sectores que se reforçaram, como é o caso do turismo, e outros que perderam a relevância adquirida em outros tempos. O turismo foi um dos sectores da economia que mais se destacou nos últimos anos em Portugal, sendo aquele que mais contribui para o crescimento do país. Os recursos naturais e culturais constituem condições para apostar no sector, seja pela falência das atividades tradicionais, seja pelas transformações sociais, económicas e comportamentais que se observam no país [26]. Outros sectores podem vir também a ganhar relevância, como é o caso, das indústrias ligadas à exploração de fontes de energia renováveis, a indústria petroquímica, as indústrias ligadas à biotecnologia e as baseadas na inovação e conhecimento [26]. Perante as politicas adotadas nos últimos anos, relativas a restrições monetárias, é de prever que a economia portuguesa nos próximos anos, ainda está longe de voltar aos seus tempos de glória. Durante um longo período de anos, o sistema financeiro português, facilitou a aquisição do crédito à habitação, apresentado taxa de juros, substancialmente, baixas; que foram encaminhando as famílias e a economia para uma situação insustentável, durante as últimas décadas a solução apresentada às famílias portuguesas foi a aquisição de casa própria, diminuído assim o sector de arrendamento. A indústria da construção não apresenta resultados positivos desde 2002, porém, ao longo dos últimos anos, continuou-se a construir sem existir preocupação com o escoamento do produto, principalmente, na construção de edifícios residenciais. Este fator está na base de crise da construção, apesar de este sector ter sofrido muito com a crise financeira, este não foi o único fator que influenciou o encerramento de milhares de empresas, uma vez que, a construção desenfreada quer de edifícios, quer de
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 114 infraestruturas, que ocorreu ao longo das últimas décadas levou a uma saturação da indústria, ou seja, construiu-se em demasia e criaram-se empresas num número excessivo, comparativamente ao tamanho do país. O desenvolvimento praticado no parque habitacional português na década de 90 foi largamente superior ao dos restantes países europeus, o que levou a um excesso de casa vagas. As famílias encontram-se muito endividadas, pelo que não haverá muita procura no sector privado de investimento a curto prazo, para tal é necessário adotar medidas e estratégias de intervenção, para perceber o estado das construções e as necessidades que existem no país ao nível do parque edificado. O futuro próximo da construção portuguesa não se prevê favorável, nos ultimos dez anos, o peso da construção tem vindo a diminuir de uma forma muito expressiva na economia portguesa; para as empresas de construção se conseguirem manter no mercado, terão de perceber em que ponto se encontra a Engenharia Civil em Portugal. É urgente que este sector invista em novos segmentos, como por exemplo, a reabilitação e manutenção de edifícios. Por outro lado, o investimento do Estado na indústria da construção está estagnado, contudo, prevê-se o investimento público num grande número de pequenos projetos na área da construção civil. A indústria da construção tem de se restruturar, de modo, a manter no sector apenas as empresas que apresentem maiores capacidades, para permitir que estas tenham a possibilidade de prosseguir em atividade com melhores condições, quer ao nivel da produtividade, quer de rentabilidade. Desta forma, afastam-se do sector as empresas que mais descredibilizavam este tipo de indústria. O número excessivo de empresas, contribui para a degradação dos preços e da qualidade da oferta. Numa altura em que as empresas do sector da construção em Portugal se conforntam com uma conjuntura interna muito desfavorável, é necessário que exista uma limpeza do mercado através da exclusão das empresas em situação económica desfavorável. 5.1.2. O PERFIL DAS EMPRESAS O estudo efetuado não recorreu a técnicas estatísticas complexas. Limitou-se a procurar organizar a informação existente tentando encontrar padrões que pudessem explicar o que pode contribuir para que algumas empresas se mantenham no mercado enquanto que outras desapareceram. Talvez a conclusão mais marcante deste estudo seja a aparente inexistência dessa orientação. O número de empresas que atingem benchmarks mais elevados de forma constante é muito reduzido e, em paralelo, os indicadores de desempenho da quase totalidade da amostra variam de muito bom a muito mau de um ano para o outro ou, ainda, resultados excelentes numa vertente são acompanhados por outros dececionantes numa outra. Esta constatação pode levar a duas conclusões: (i) o modo como as empresas construtoras têm operado no mercado tem carecido de um nível de gestão empresarial adequada, traduzido por desempenhos inconstantes e, em alguma medida, contraditórios e (ii) o perfil e o modo de atuação das empresas é demasiado variável para permitir retirar diretrizes demasiado vincadas sobre o que deverão fazer para que o seu futuro seja melhor. De qualquer modo, e olhando para o resultado apresentado na Tabela 18 - Empresas que se mantiveram entre 2008-2012 com benchmark superior a 50% - verifica-se que cerca de 20% das empresas conseguem manter um nível de atividade relativamente elevado (medida pelo Índice de Produtividade); no entanto, tal está associado a rentabilidades reduzidas, ou seja, o trabalho que conseguem pouco mais
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-2012 115 que assegurar a manutenção da atividade. Será, possivelmente, mais um sinal para que a situação da indústria seja encarada de forma estratégica, procurando – como já atrás se disse – auxiliar os bons profissionais a manter-se no mercado com remuneração satisfatória, ao mesmo tempo que se apoiem as empresas que já nele não têm lugar sustentável, a mudar de atividade. 5.2. ASSOCIAÇÕES EMPRESARIAIS As associações da indústria da construção não têm aplicado estratégias para defender o sector dos ataques que sofreu, devido à crise que se instalou em Portugal; nem aplicou medidas para melhorar os níveis de qualidade e de competitividade desta indústria. Estas associações já previam, a situação desfavorável pela qual o sector da construção passa atualmente. Em 2012, a Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas, AICCOPN, abordou o assunto, alertando para a situação catastrófica em que as empresas do sector da construção se encontravam, prevendo a possibilidade da falência de mais de 12 mil empresas em 2012, contudo, não foram tomadas medidas para prever futuros encerramentos [48]. Segundo, esta associação, em 2012, o número de falências de empresas foi de 14 por dia e cerca de 360 trabalhadores perderam o seu emprego diariamente. As principais razões apontadas para estes números, são a falta de pagamento por parte do estado, aos empreiteiros e as dificuldades que as entidades financiadoras estão a colocar à aquisição de novos créditos [48]. Devido ao abrandamento de investimento, quer público, quer privado, verificado nos últimos anos, devese tomar medidas que visem minorar os entraves e dificuldades existentes e impulsionar o sector, de forma, a gerar riqueza e emprego. Sendo o sector da construção civil, um sector elementar quer para economia dos paises, quer para o desenvolvimento das sociedades; é necessário que os países recorram à construção. O governo terá de delegar competências nas associações empresariais, de forma, a defenderem os interesses das empresas de construção, perseverar a flexibilização e adequação das leis laborais às exigências da economia global e na redução do peso da Administração Pública e dos seus efeitos sobre a carga fiscal. É fundamental que as diversas medidas de suporte e de apoio financeiro disponibilizadas pelo Governo cheguem, efetivamente, aos seus destinatários. A crise exige das empresas uma nova atitude, para tal, é necessário incutir otimismo nos empresários e contribuir para que adotem uma atitude positiva, de ação permanente e de inovação. Ao longo de 2014, os empresários da construção demonstraram confiança na recuperação do sector, prevendo melhorias no número de obras, no emprego e na situação financeira das empresas. As associações que representam as empresas de construção civil, deverão ter atenção às obras de reabilitação, visto que, a legislação atual não abrange este tipo de trabalhos, o regime jurídico de ingresso e permanência na atividade da construção do Decreto-Lei nº 12/2004, de 9 de Janeiro, foi criado apenas para legislar a construção nova, não tendo em conta a reabilitação de obras já existentes [1]. Devido à falta de legislação, não existe atualmente nenhum documento que exija que os trabalhos de reabilitação sejam feitos por empresas devidamente qualificadas, pondo em risco a qualidade e eficácia dos trabalhos. Segundo, o regime de contratação pública, Decreto-Lei nº 18/2008, de 29 de Janeiro, os trabalhos de reabilitação são tratados como qualquer obra de construção. Ou seja, não existem critérios de seleção de empresas para este tipo de obras, o que leva a que em muitas situações, os trabalhos não decorram da melhor forma. É por isso urgente que as associações conjuntamente com o governo tomem medidas,
Evolução do perfil das empresas construtoras nacionais no período 2008-20012 122 [45] IcBench. Autonomia Financeira. Sítio da Internet: https://www.icbench.net/docs/def_indicadores/icBench2010_Ficha_I1_05.pdf. Consultado em Março de 2015. [46] M. da Costa, J. Indicadores 2009 – Construtores – Relatório. Sítio da Internet: http://www.inci.pt/Portugues/Noticias/Documents/icBench_Indicadores2009.pdf. Consultado em Março de 2015. [47] IcBench. Liquidez Geral. Sítio da Internet: https://www.icbench.net/docs/def_indicadores/icBench2010_Ficha_I1_06.pdf. Consultado em Março de 2015. [48] Sítio da Internet: http://pt.blastingnews.com/internacional/2015/02/crise-angolana-ja-faz-mossaem-portugal-00257047.html. Consultado em Junho de 2015. [49] Sítio da Internet: http://www.jornaldaconstrucao.pt/index.php?id=10&n=4430. Consultado em Junho de 2015. [50] InCI. O Sector da Construção em 2014. Sítio da Internet: http://www.inci.pt/Portugues/inci/EstudosRelatoriosSectoriais/EstudosRelatrios%20Sectoriais/Re lConst_2014_S1.pdf. Consultado em Junho de 2015. [51] Sítio da Internet: http://www.bureauveritas.pt/wps/wcm/connect/bv_pt/local/services+sheet/certificacao-np-4457. Consultado em Julho de 2015