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O papel da autenticidade na vinculação e na prestação de cuidados nas relações românticas adultas

Tânia Luís Costa Gouveia

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No entanto, a investigação existente demonstra os seus benefícios ao nível dos relacionamentos dos indivíduos e do seu bem-estar psicológico, enfatizando-se a necessidade de mais estudos empíricos acerca deste constructo. A presente tese procura colmatar esta falha. De uma forma geral, procuramos entender a vinculação às figuras parentais como o contexto no qual a autenticidade começa a desenvolver-se, tendo, posteriormente, um possível um papel fulcral em constructos fundamentais nas relações românticas adultas: a vinculação e a prestação de cuidados. Testamos a existência de preditores, mediadores, moderadores e efeitos diádicos nestas relações, utilizando modelos equações de estruturais e modelos de interdependência ator-parceiro. Adicionalmente, traduzimos e adaptamos uma escala de autenticidade para a população portuguesa e realizamos uma análise fatorial confirmatória. Os participantes deste projeto incluíram pessoas casadas ou que viviam juntas pelo menos há um ano. O tamanho das amostras varia entre 205 a 400 participantes. Os resultados da análise fatorial confirmatória da versão portuguesa da Authenticity in relationships scale (Lopez & Rice, 2006) demonstraram a presença dos dois fatores originais. As correlações encontradas na amostra portuguesa são similares às encontradas em investigações prévias com amostras americanas, sugerindo uma consistência intercultural no que respeita à natureza da autenticidade. Outros resultados indicam que a autenticidade nas relações dos indivíduos está positivamente ligada com a vinculação amorosa segura e com a responsividade na prestação de cuidados ao parceiro. De forma a compreender melhor estas conexões no seio das relações de casal, estes efeitos foram também testados através de uma abordagem diádica. Maioritariamente os resultados demonstram efeitos de ator para homens e mulheres. Contudo, os efeitos do parceiro foram apenas encontrados na autenticidade das mulheres com ligações negativas com a vinculação amorosa insegura e efeitos positivos no que diz respeito na prestação de cuidados responsiva dos homens. Enquanto examinamos o papel mediador da autenticidade nas relações entre a vinculação às figuras parentais e a vinculação amorosa adulta, exploramos a possibilidade da vinculação à mãe e ao pai terem conexões específica, consoante o género dos filhos adultos. Os resultados mostram que para participantes do género masculino e feminino, a vinculação à mãe e ao pai se relaciona com as atuais relações de vinculação românicas, mediada pela autenticidade nas relações. Finalmente, discutimos as principais contribuições do nosso trabalho ao nível da investigação e prática clínica, bem como limitações e sugestões para a investigação futura. ABSTRACT Authenticity in relationships is understudied construct; however, the existing studies illustrate its benefits for individuals’ relational and psychological well-being and claim for further empirical work on this construct. The present thesis aims to address this gap. Generally, we aim to understand attachment to parents as the context where authenticity starts to develop with later effects on adulthood relational contexts; and how authenticity might have a vital role in fundamental constructs in the adult romantic relationship: attachment and caregiving. We tested the existence for predicting, mediating, moderating and dyadic effects within these relationships, using structural equation modeling and actor-partner interdependence model techniques. We translated and adapted an authenticity scale to Portuguese and performed a confirmatory factor analysis. Participants addressed in this project included individuals married or living together for at least one year. Our samples sizes varied from 205 to 400 participants. Our results for the confirmatory factor analysis of the Portuguese version of the Authenticity in relationships scale (Lopez & Rice, 2006), established the presence of the original underlying factors. The correlates found in the Portuguese sample are similar to those found in previous research with American samples suggesting cross-cultural consistency in the nature of authenticity. Further findings indicate that individuals authenticity in relationships is positively linked in to romantic attachment security and responsive caregiving to partner. For additional understanding about these connections inside the couple relationship, these effects were also tested within a dyadic approach. Results mostly show actor effects for men and women. However, partner effects appeared only for women’s authenticity with negative effects on men’s insecure attachment romantic attachment and positive effects on responsive caregiving. While examining the mediating role of authenticity in relationships between attachment to parents and romantic attachment, we aimed to explore if mother and father attachment have specific connections to later romantic relationships, considering the offspring gender. Our results show that for male and female participants’ attachment to mother and father was linked to current adult romantic attachment, mediated by authenticity in relationships. We discuss the main contributions of our work for research and clinical practice. Additionally, we approach limitations and directions for future research. Adult romantic attachment system ............................................................. 98 Adult romantic caregiving system ............................................................... 99 Goals of the study ..................................................................................... 100 Method ..................................................................................................... 100 Participants and procedure ............................................................. 100 Measures ........................................................................................ 101 Data analysis ................................................................................... 103 Results ..................................................................................................... 103 Factor Structure of the AIRS-P ......................................................... 103 Testing authenticity as a predictor of romantic attachment and caregiving ........................................................................................ 106 Discussion .............................................................................................. 109 References .............................................................................................. 113 Study 2: The mediator role of authenticity between attachment to parents and romantic attachment: Parents and offspring gender differences ...................................... 119 Abstract .................................................................................................. 121 Introduction ............................................................................................. 123 Authenticity in relationships ............................................................. 123 Attachment to mother and father .................................................... 125 Attachment in romantic relationships .............................................. 127 Goals of the present study ....................................................................... 128 Method ..................................................................................................... 129 Participants and procedure ............................................................. 129 Measurement of constructs ............................................................ 129 Data analysis ................................................................................... 131 Results ..................................................................................................... 132 Preliminary results ............................................................................ 132 Gender differences on attachment and authenticity ....................... 136 The structural equation model ........................................................ 138 Discussion .............................................................................................. 144 Clinical implications ................................................................................ 151 Study 3: A dyadic perspective on authenticity in relationships and romantic partner attachment and caregiving ................................................................................. 155 Abstract .................................................................................................. 157 Introduction .............................................................................................. 159 Authenticity in relationships ............................................................ 159 Dyadic studies focusing on authenticity in relationships ................. 160 Attachment in romantic relationships ............................................... 162 Caregiving to romantic partner ........................................................ 162 Present study ........................................................................................... 163 Method .................................................................................................... 163 Participants .................................................................................... 163 Measures ........................................................................................ 164 Results ..................................................................................................... 165 Preliminary results ............................................................................ 166 Data analysis ................................................................................... 169 Discussion ............................................................................................... 171 Limitations and suggestions for further research ...................................... 173 Clinical implications ................................................................................ 174 PARTE IIII: DISCUSSÃO FINAL ................................................................................ 177 Conclusão: discussão dos resultados principais ................................................. 179 1. Existência de uma medida de autenticidade nas relações românticas para a população portuguesa ............................................................. 179 2. A relevância da vinculação ao pai e à mãe na autenticidade nas relações adultas ................................................................................................ 180 2.1. A Importância da vinculação ao pai e à mãe na vinculação romântica através do papel mediador da autenticidade ......... 181 3. Uma abordagem mais abrangente da ligação da autenticidade com a vinculação nas relações amorosas ................................................... 184 4. A importância da autenticidade nas relações para a prestação de cuidados responsiva na idade adulta ................................................. 186 5. Importância da abordagem diádica no estudo variáveis relacionais ... 189 6. Diferenças entre homens e mulheres ................................................ 189 Limitações e sugestões para a futura investigação ............................................ 190 Implicações práticas ........................................................................................... 194 BIBLIOGRAFIA ...................................................................................................... 199 ANEXOS .............................................................................................................. 217 Anexo I: Questionário demográfico .......................................................... 221 Anexo II: Versão Portuguesa da Authenticity in Relationships Scale ...... 223 Anexo III: Questionário de Vinculação Amorosa – versão breve ............. 227 Anexo IV: Questionário de Vinculação ao Pai e à Mãe ............................ 231 Anexo V: Versão Portuguesa do Caregiving Questionnaire ..................... 237 ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1. Visão geral dos estudos empíricos acera da autenticidade ................. 66 Tabela 2. Número total de participantes incluídos em cada um dos estudos ...... 86 Table 3. Means, standard deviations and Pearson’s correlations between main key variables ............................................................................................................ 105 Table 4. Cronbach’s alpha, means, standard deviations and model fit for confirmatory analysis of the AIRS-P, RAQ and FMAQ subscales for women ...... 131 Table 5. Cronbach’s alpha, means, standard deviations and model fit for confirmatory analysis of the AIRS-P, RAQ and FMAQ subscales for men .......... 132 Table 6: Correlations between attachment to parents, authenticity and attachment to the romantic partner for women and men ........................................................ 135 Table 7. Means, standard errors for authenticity and attachment dimensions for the Mancova, post-hoc comparisons between women and men and variability explained by gender .......................................................................................... 137 Table 8. Total indirect effects of attachment to mother and father on romantic attachment for women trough authenticity in relationships ................................. 140 Table 9. Total indirect effects of attachment to mother and father on romantic attachment for men trough authenticity in relationships ...................................... 143 Table 10. Cronbach’s alphas, means, standard deviations and model fit for confirmatory analysis of the AIRS-P, RAQ and CGQ subscales women ............ 166 Table 11. Cronbach’s alphas, means, standard deviations and model fit for confirmatory analysis of the AIRS-P, RAQ and CGQ subscales for men ............ 167 Table 12. Pearson’s correlations among authenticity, responsive caregiving and romantic attachment dimensions for both couple members ................................ 168 ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1. Diagrama do espaço bidimensional definido pelos eixos da ansiedade e evitamento da vinculação, e pelos modelos internos dinâmicos de si e do outro resultando nos quatro padrões de vinculação no adulto (Bartholomew,1990, adaptado de Mikulincer & Shaver, 2007) ............................................................. 45 Figura 2. Esquema do modelo de equações a ser testado no Estudo 1 ............... 82 Figura 3. Esquema do modelo de equações estruturais a ser testado separadamente para homens e para mulheres no Estudo 2. ............................... 83 Figura 4. Esquema do modelo de interdependência ator-parceiro a ser testado no Estudo 3 .............................................................................................................. 84 Figure 5. Confirmatory factor analysis of the Portuguese version of the Authenticity in Relationships Scale. ...................................................................................... 105 Figure 6. Structural equation model testing unacceptability of deception (UOD) and intimate risk taking (IRT) as predictors of romantic attachment and caregiving dimensions ......................................................................................................... 108 Figure 7. Structural equation model testing the mediator role of authenticity between attachment to mother and father and attachment to romantic partner for women ................................................................................................................. 166 Figure 8. Structural equation model testing the mediator role of authenticity between attachment to mother and father and attachment to romantic partner for men .................................................................................................................... 167 Figure 9. Trimmed actor-partner interdependence model testing authenticity dimensions as predictors of caregiving and romantic attachment dimensions .... 170 E.E. CUMMINGS If freckles were lovely, and day was night and measles were nice and a lie warn’t a lie life would be delight but things couldn't go right for in such a sad plight I wouldn't be I If earth was heaven and now was hence and past was present and false was true there might be some sense but I'd be in suspense for on such a pretense you wouldn't be you. If fear was plucky, and globes were square and dirt was cleanly and tears were glee things would seem fair yet they'd all despair for if here was there we wouldn't be we. “IF” 25 INTRODUÇÃO 32 33 A TEORIA DA VINCULAÇÃO 1. A VINCULAÇÃO COMO BASE DAS RELAÇÕES HUMANAS Inicialmente desenvolvida por John Bowlby (1969/1982) a teoria da vinculação surge primariamente como explicação dos processos pelos quais a criança se torna afetivamente vinculada, isto é, cria laços emocionais de proximidade às suas figuras cuidadoras e se sente angustiada quando é separada delas. Bowlby pretendeu desviar-se das noções psicanalíticas clássicas de impulso 2 e energia psíquica, através da tentativa de substituir estes conceitos e de os aproximar às teorias cognitivas e etológicas, contemporâneas ao seu trabalho. Deste modo, baseando-se no conceito etológico de sistema comportamental - um sistema neuronal biológico, universal a todas as espécies, que aumenta as hipóteses do indivíduo sobreviver e reproduzir-se, apesar das inevitáveis exigências e desafios do meio ambiente - Bowlby propõe a noção de comportamentos de vinculação. A função biológica do sistema comportamental de vinculação é proteger o indivíduo de possíveis ameaças ambientais, principalmente durante a infância, assegurando que a criança mantém proximidade com um indivíduo cuidador e apoiante, ou seja com uma figura de vinculação. Teoricamente, estes comportamentos, que surgem como consequência deste sistema, observam-se quando são adotados pelo indivíduo perante situações de stress ou ameaça (Mikulincer & Shaver, 2007). Bowlby (1969) sugere que os laços emocionais desenvolvidos entre a criança e as figuras parentais (prestadoras de cuidados) são o produto de um desejo inato e biológico, sendo uma função do sistema comportamental de vinculação regular esta predisposição. Estes laços de proximidade estabelecidos desde o nascimento entre a criança e um prestador de cuidados, proporciona-lhe uma maior probabilidade de sobreviver, reproduzir-se e passar o seu património genético à geração seguinte. Embora o sistema comportamental de vinculação seja mais evidente nos primeiros anos de vida, Bowlby assume que este sistema está ativo durante toda a vida e é manifestado através de comportamentos e pensamentos de procura de proximidade às figuras de vinculação em situações de necessidade. Da mesma 2 drive 34 forma que este contacto de proximidade com figuras de vinculação afetuosas, confiáveis e apoiantes é um fenómeno natural e funcional no ser humano, a sua perda torna-se, igualmente, uma fonte natural de ansiedade e sofrimento (Bowlby, 1988). É importante salientar que as figuras de vinculação não surgem de qualquer relação de afetividade ou proteção estabelecida pelo indivíduo. Uma relação de vinculação está psicologicamente concretizada na forma de um laço emocional de vinculação (Bowlby, 1969/1982), que se relaciona especificamente com a adoção de outra pessoa mais forte, conhecedora e sensata 3 como figura de vinculação. Isto é, alguém que cumpra as funções de porto seguro quando surge a necessidade de proteção e de base segura para a exploração (Mikulincer & Shaver, 2007), o que vai ocorrendo ao longo de toda a vida. Deste modo, e de acordo com vários teóricos da vinculação (Ainsworth, 1989, Hazan & Shaver, 1994) uma figura de vinculação define-se por servir três propósitos distintos em situações em que o indivíduo necessita de recorrer a elas: 1) deve ser o alvo de procura e manutenção de proximidade; 2) deve servir como porto seguro 4 (prestar proteção, conforto e apoio em caso de ameaça) e, finalmente, 3) deve constituir uma base segura para que o indivíduo possa explorar, autonomamente, o mundo que o rodeia. O conceito de base segura, introduzido por Ainsworth (1989) surge no contexto de uma relação afetiva que permite e estimula a criança à exploração do seu meio envolvente, com um sentimento de confiança em si própria e no mundo, resultante do conhecimento de que a figura de vinculação está responsiva e acessível, em caso de necessidade ou ameaça para constituir um porto seguro de proteção. O sistema de vinculação funciona baseado em objetivos complexos e dinâmicos, isto é, o indivíduo (seja qual for a sua idade) avalia os seus próprios progressos indo ao encontro de um conjunto de metas de proximidade ou proteção e, posteriormente, poderá alterar o seu comportamento para produzir ações mais efetivas. Segundo Bowlby (1973) esta natureza dinâmica e mutável dos comportamentos de vinculação requer o armazenamento de memórias na forma de representações mentais das transações do indivíduo com o ambiente (incluído as figuras de proximidade que nele se inserem) – os modelos internos dinâmicos. Através dos laços emocionais com as figuras cuidadoras e como resultado do 3 stronger and wiser 4 safe haven 35 feedback das suas próprias ações, a criança desenvolve os seus próprios modelos, ou seja, estruturas individuais de memória, expectativas e significados relativos a si próprio e aos outros. Estes modelos regulam o controlo de processos comportamentais e as relações de vinculação, e parecem alicerçar a forma como o indivíduo se vê a si próprio e aos outros. Adicionalmente, operam a um nível subconsciente e influenciam qual informação será codificada, processada, interpretada, armazenada, o que se reflete nas ações individuais transversalmente aos acontecimentos de vida. De acordo com o autor, estas representações internas servem como um guião da forma como o indivíduo vai estabelecer outras relações de vinculação ao longo da vida (Bowlby, 1988). Os modelos internos dinâmicos do próprio parecem ser baseados na crença subjetiva do quão aceitável é o seu self na perspetiva das figuras de vinculação primárias, isto é, no reflexo da responsividade das mesmas. Assume-se que crianças com figuras de vinculação responsivas, confiáveis e prontamente disponíveis desenvolvem representações de um self aceite e validado. Por outro lado, crianças com figuras de vinculação inconsistentes ou não responsivas tendem a desenvolver uma visão negativa de si como não aceites ou sem valor (Cassidy, 2000; Pietromonaco & Barrett, 2000). Os modelos internos dinâmicos do outro incluem expectativas acerca de quem poderá funcionar como figura de vinculação, isto é, a quem o indivíduo poderá recorrer quando necessita de segurança, qual a acessibilidade dessas figuras, mas principalmente acerca de como a figura de vinculação irá responder em caso de ativação do sistema de vinculação (Main, 1995). As variações nas respostas dos prestadores de cuidados aos apelos de proximidade e proteção de uma pessoa vinculada, não só alteram as operações do sistema de vinculação numa interação particular, ou uma série de interações a curto prazo, mas também gradualmente produzem mudanças duradouras no funcionamento deste sistema. Estes efeitos duradouros são explicáveis pelo seu armazenamento na memória associativa de longo termo das representações mentais das interações significativas com as figuras de vinculação (Bowlby, 1973). Interações repetidas resultam em representações mentais crescentemente estáveis do self, dos outros e das relações. Dado que o padrão de interações com os cuidadores primários é bastante consistente durante a infância, os modelos internos dinâmicos prototípicos destas interações tornam-se parte integrante do conhecimento processual implícito individual e tendem a operar de forma automática e inconsciente, sendo 36 resistentes, mas suficientemente maleáveis e permeáveis, à mudança. A consolidação de modelos internos dinâmicos relativamente permanentes e acessíveis será um processo psicológico fundamental, uma vez que terá efeitos duradouros no funcionamento da personalidade em relações de vinculação durante a infância e a adolescência (Bowlby, 1973, Waters, Merrick Treboux, Crowel & Albershiem, 2000). Considerando que os modelos internos dinâmicos guiam comportamentos, cognições e sentimentos, podem, por consequência, enviesar as formas como o indivíduo perceciona, interpreta e armazena memórias de interações subsequentes. Deste modo, as representações de interações específicas com um cuidador primário durante a infância tornar-se-ão características essenciais de personalidade, sendo posteriormente aplicados a novas situações sociais e relacionais, dando forma ao funcionamento do sistema de vinculação na idade adulta. 2. VINCULAÇÃO AO PAI E À MÃE A mãe e o pai são, normativamente, as figuras cuidadoras por excelência, tornando-se nas primeiras figuras de vinculação com quem a criança estabelece um laço emocional. Antes de terem acesso à linguagem verbal, as crianças experienciam e expressam sentimentos intensos de alegria perante a segurança associada a uma figura cuidadora disponível e responsiva, que coexistem com sentimentos de raiva e ansiedade perante a separação destas figuras e sentimentos de tristeza e depressão aquando da sua perda. Bowlby (1969, 1973, 1980, 1988) argumentou que estes sentimentos intensos e os modelos internos dinâmicos subsequentes que são moldados por eles, influenciam a informação que o indivíduo recorda e à qual reage e as atribuições e interpretações que faz acerca dos acontecimentos de vida. Estes modelos internos dinâmicos operam a um nível inconsciente, funcionando como filtros através dos quais o indivíduo monitoriza a informação que lhe chega e tendem a ser reforçados pelas circunstâncias do estilo de relação interpessoal. Ao longo do tempo, e depois de operarem repetidamente numa relação particular, por excelência a família ou os cuidadores primários, o sistema comportamental do indivíduo torna-se único e moldado por padrões relacionais específicos. Quando a criança se sente assustada, doente, ou num ambiente estranho o seu sistema de vinculação será ativado e a criança irá procurar proteção e conforto 37 junto das suas figuras parentais (Bowlby, 1982). Esta capacidade da criança de procurar apoio na sua figura de vinculação como um porto seguro é considerada como uma componente chave de laços emocionais funcionais e um preditor chave de um desenvolvimento emocional saudável e adaptado (Collins & Feeney, 2000). Deste modo, as interações reais ou esperadas com figuras de vinculação responsivas e disponíveis contribuem para a formação de autorrepresentações positivas. As crianças cujas figuras parentais funcionam como uma base segura, mostrando sensibilidade às suas necessidades de vinculação, serão mais capazes de desenvolver uma vinculação segura, construindo uma imagem positiva de si própria e dos outros, e revelam-se mais competentes na exploração do self e do mundo (Bowlby, 1980), mostrando comportamentos mais responsáveis e criativos. Quando uma figura de vinculação primária é disponível, sensitiva e responsiva aos esforços de procura de proximidade, o indivíduo provavelmente sentir-se-á seguro: que o ambiente é geralmente seguro, que as figuras de vinculação são prestativas quando a sua ajuda é solicitada e que é possível explorar o ambiente de forma confiante e envolver-se de forma recompensadora com outras pessoas. Este sentido de segurança implica que o sistema de vinculação esteja a funcionar eficientemente e que a procura de proximidade seja uma estratégia confiável e efetiva como instrumento de regulação das emoções. Apesar de se destacarem as experiências de vinculação que decorreram no início da vida, vários autores foram enfatizando que as necessidades de vinculação permanecem ao longo da vida. Assim, a qualidade dos laços emocionais estabelecidos com as figuras de vinculação tem uma função a desempenhar ao longo de toda a vida, influenciando os processos de adaptação psicossocial presentes e futuros. Consequentemente, o indivíduo transporta consigo um sistema de crenças e expectativas pré-existentes acerca de como os outros irão satisfazer ou rejeitar as suas necessidades, o que influencia largamente a sua forma de ser e de estar nas relações, sendo o desejo de conquistar a aceitação e evitar a rejeição uma motivação intrínseca inerente à condição humana. No entanto, quando as figuras parentais estão continuadamente indisponíveis, física ou emocionalmente em alturas de necessidade e não responsivas às tentativas de proximidade da criança, não são capazes de apaziguar o seu sofrimento ou de providenciar uma base segura, o funcionamento do sistema de vinculação torna-se disruptivo e os seus objetivos não são atingidos. 38 A qualidade das interações com as figuras de vinculação em situações que a criança necessita da sua responsividade, é, de acordo com a teoria da vinculação, a origem principal das diferenças individuais no funcionamento do sistema de vinculação. Bowlby (1973) refere que quando a criança não desenvolve a confiança de que a sua figura de vinculação está disponível, terá uma maior tendência para apresentar medos intensos ou crónicos, inibidores da exploração. Bowlby (1988) distingue várias formas de funcionamento parental, cujo impacto no desenvolvimento da vinculação e da personalidade é negativo, nomeadamente: uma não responsividade persistente e/ou atitudes de rejeição face aos comportamentos de vinculação da criança; a inconsistência, imprevisibilidade ou negligência dos cuidados parentais; a ameaça constante de deixar de gostar da criança, como forma de controlo; as ameaças de abandono, como forma de coagir a criança; a sugestão de culpa à criança mediante a responsabilização pela doença ou morte da figura parental; inversão de papéis, como pressão da figura parental para que a criança atue como figura de vinculação, atitude assente no encorajamento inconsciente de um sentido prematuro de responsabilidade para com os outros. Segundo o autor, este tipo de experiências podem conduzir a uma vinculação insegura, caracterizada por uma ansiedade constante com medo de perda da figura de vinculação ou por reações evitantes face ao medo de rejeição por parte da figura significativa. Ainsworth e colaboradores (Ainsworth, Blehar, Waters, & Wall, 1978) realizaram os primeiros testes empíricos a uma parte integrante da teoria de Bowlby, ou seja, testaram a premissa de que as crianças tendem a procurar e manter a proximidade com as figuras parentais, especialmente durante períodos de stress. Deste trabalho empírico surge o conceito de estilo de vinculação, inicialmente proposto por Ainsworth (1967), para descrever padrões de respostas das crianças mediante separações e reuniões com as suas mães em laboratório no procedimento da situação estranha. O estilo de vinculação do indivíduo reflete os seus modelos internos dinâmicos mais enraizados e o funcionamento característico do seu sistema de vinculação num relacionamento específico (estilo de vinculação específico da relação) ou transversal a várias relações (estilo de vinculação global ou geral). Mediante os seus padrões de resposta as crianças foram originalmente classificadas em três categorias: seguro, evitante ou ansioso. Como tal, cada estilo de vinculação está intimamente ligado aos modelos internos dinâmicos e refletem uma estratégia de vinculação particular, subjacente e 39 organizadora da ação. Os padrões de vinculação de Ainsworth foram ainda examinados com o intuito de compreender se estes se estenderiam durante fases posteriores da vida e para a criança criar laços noutros relacionamentos, como por exemplo com os pares durante a infância (Waters, Wippman, & Sroufe, 1979). As descrições da autora acerca das crianças e das suas mães sublinham a natureza internacional de estilo de vinculação e fornecem exemplos importantes de como o comportamento, as emoções, e a cognição levam ao desenvolvimento de determinados modelos dinâmicos. Bowlby acreditava que as experiências de vida e o decorrer do tempo não seriam suficientes para dissolver a sua influência, apesar da interferência continua de outras relações significativas ao longo da vida. Consequentemente, as relações emocionais estabelecidas precocemente com as figuras cuidadoras, terão um papel preponderante no desenvolvimento de laços emocionais de qualidade futuros, uma vez que estes laços emocionais têm um impacto duradouro na adaptação psicológica e social do indivíduo e consequentemente influencia a forma como o indivíduo se relaciona consigo próprio e com o mundo (Bowlby, 1980). 3. SISTEMA DE VINCULAÇÃO NA IDADE ADULTA Apesar de se ter focado principalmente nos primeiros anos de vida da criança, Bowlby (1988) reconhece a importância do estudo dos processos de vinculação na idade adulta e que as funções básicas do sistema de vinculação continuam a operar durante toda a vida. Isto implica que o sistema de vinculação na idade adulta será ativado sempre que a segurança individual é ameaçada e o indivíduo adulto, percecionando ameaça ou sofrimento, terá tendência a desejar e/ou procurar contacto com uma figura de vinculação. Portanto, comportamentos de procura de apoio na idade adulta, como por exemplo expressão de sofrimento, podem ser considerados como manifestações do sistema comportamental de vinculação. Adicionalmente, a teoria da vinculação pressupõe que o bem-estar emocional na idade adulta, tal como na infância, depende, em parte, da existência de uma figura de vinculação que sirva como um porto seguro confiável e apoiante em situações de necessidade (Collins & Feeney, 2000). 40 A manutenção de relações seguras é estruturante para o funcionamento individual ao longo de toda a vida. As relações de vinculação que a criança foi desenvolvendo durante os primeiros anos de vida, traduzem-se, mais tarde, em diferenças individuais nos comportamentos de vinculação, havendo uma ativação contínua deste sistema no contacto com o ambiente externo. É de salientar que a maioria da investigação focada nas diferenças individuais relativas ao funcionamento do sistema de vinculação em adultos tem-se debruçado nos padrões de vinculação - protótipos de expectativas, necessidades, emoções, e comportamento social e relacional - que resultam de uma história particular de experiências de vinculação, geralmente a que teve início nas relações com os pais (Fraley & Shaver, 2000). Bowlby (1973) e Ainsworth (1991) interessaram-se profundamente acerca do desenvolvimento dos padrões de vinculação desde a infância até à idade adulta e procuraram compreender os fatores interpessoais e cognitivos responsáveis pela continuidade ou descontinuidade destes padrões. Bowlby (1973) propõe que os padrões de vinculação são o resultado de experiências vividas, especialmente aquelas que ocorreram no contexto familiar de origem durante a infância, e que estes padrões são relativamente estáveis ao longo da vida, mas que são, no entanto, abertos à mudança. As experiências precoces com os prestadores de cuidados primários determinam um conjunto de estratégias comportamentais que ajudam a criança a regular a proximidade às figuras de vinculação e a polaridade, positiva ou negativa, dos seus modelos internos dinâmicos do self e do outro. Estas experiências precoces podem exercer uma influência particular na formação de parâmetros do sistema de vinculação, na sua organização e nos de comportamentos de vinculação em relações subsequentes. Ou seja, estas experiências com as figuras parentais podem determinar quais dos múltiplos percursos de desenvolvimento que o indivíduo efetivamente toma e que padrão de vinculação tende a caracterizar as suas interações futuras, nomeadamente, com o parceiro romântico. Os indivíduos avaliam, interpretam e recordam interações de vinculação e a forma como se adaptam às suas crenças e expectativas. Por exemplo, indivíduos com uma história de vinculação segura provavelmente vão ignorar ou desculpar sinais temporários de falta de atenção ou de indisponibilidade do outro, mas aqueles que recordam uma história de vinculação ansiosa, provavelmente, estarão mais alerta a sinais de indisponibilidade e consequentemente a sentirem raiva ou mágoa quando os percecionam. 41 Na idade adulta as estratégias primárias de vinculação podem não envolver, necessariamente, comportamentos reais de procura de proximidade. Estas estratégias podem incluir a ativação de representações mentais da figura de vinculação (frequentemente o parceiro romântico) que por norma presta cuidados e proteção. Estas representações podem criar um sentimento de segurança e apoio, ajudando o indivíduo a lidar, eficazmente, com situações ameaçadoras. Isto é, a representação mental da figura de vinculação, pode constituir uma forma simbólica de proteção ou de redução do stress (Mikulincer & Shaver, 2007). Apesar de naturalmente nunca desaparecer esta necessidade de proximidade física, geradora de segurança e bem-estar, adolescentes e adultos frequentemente conseguem experienciar conforto apenas por saberem, por exemplo, que a figura de vinculação pode ser contactada em caso de necessidade. Nesta perspetiva, os adultos parecem possuir um leque mais vasto de opções para atingirem um sentido de segurança pessoal do que as crianças. No entanto, umas das dificuldades principais com que os investigadores focados na vinculação adulta se deparam têm sido os vários tipos de relacionamentos que podem ser estabelecidos durante a vida adulta. Enquanto a vinculação na infância tende, primariamente, a envolver a relação entre a criança e as figuras parentais, as relações de vinculação adultas continuam a ocorrer ao longo da vida e podem incluir relações românticas, amizades próximas e a relação com os próprios filhos ou filhas (Ainsworth, 1989; Shaver & Mikulincer, 2002). Consequentemente, os investigadores que estudam a vinculação na idade adulta deparam-se com a necessidade de limitar os seus estudos e capturar as dinâmicas de vinculação contextualizadas num tipo particular de relação de vinculação. No presente trabalho focamo-nos nas relações românticas adultas, mas acedendo ao alicerce da sua construção na relação de vinculação com as figuras parentais. 3.1. VINCULAÇÃO AO PARCEIRO ROMÂNTICO Apesar do paralelismo entre os processos de vinculação na infância e na idade adulta, e sendo as funções e dinâmicas deste sistema comportamental, virtualmente, as mesmas, salientam-se também diferenças no que diz respeito à vinculação no adulto face à vinculação na infância (Hazan & Shaver, 1994). Por conseguinte, os laços afetivos no adulto envolvem não só o sistema de vinculação (que visa a procura de cuidados), mas também o sistema de prestação de 48 Apesar de sermos atualmente socializados para estender esta atenção às necessidades do outro num sentido mais lato, a maioria dos indivíduos está mais disponível para prestar cuidados a pessoas de quem são emocionalmente próximos. Sendo o sistema de prestação de cuidados, progressivamente, formado no contexto das experiencias precoces de vinculação com as figuras parentais (Waters et al., 2000), isto é, pelas interações com os seus prestadores de cuidados na infância. Se o desenvolvimento do sistema de prestação de cuidados ocorre em circunstâncias favoráveis, a empatia, a atenção às necessidades do outro e a generosidade tornam-se inerentes ao comportamento do indivíduo. Se, por outro lado, o desenvolvimento do sistema de prestação de cuidados ocorre em circunstâncias adversas, devido à falta de modelos parentais, escassez de apoio e suporte, separação ou perda das figuras cuidadoras, a criança em desenvolvimento terá uma menor tendência para a progressão desta vontade de ser compassiva às necessidades e sofrimento dos outros (Mikulincer & Shaver, 2007). De acordo com Collins, Ford, Guichard, e Allard (2006) uma postura empática inclui sensitividade e responsividade, dois aspetos da prestação de cuidados parentais enfatizados por Bowlby e Ainsworth. A sensitividade inclui uma sintonia e uma interpretação concisa dos sinais de sofrimento, preocupação ou de alguma necessidade explícita, e uma resposta sincronizada com os comportamentos de procura de proximidade e apoio da pessoa. A sensitividade inclui, igualmente, o reconhecimento de sinais implícitos ou explícitos e os constrangimentos contextuais relevantes que determinam que tipo de apoio poderá ser mais benéfico numa situação particular para a pessoa que necessita de cuidados (George & Solomon, 1999). Por sua vez, a responsividade inclui intenções generosas que validam as necessidades e sentimentos da pessoa em sofrimento, respeitando as suas atitudes e valores e ajudá-la a sentir-se amada, cuidada e compreendida (Reis & Shaver, 1988). Um elemento chave das estratégias primárias do sistema de prestação de cuidados é a adoção daquilo a que Batson (1991) denominou de postura empática do indivíduo face às necessidades do outro, como por exemplo tomar a sua perspetiva de forma a poder ajudá-lo de forma efetiva a reduzir o seu stress e sofrimento ou a persistir nos seus objetivos de crescimento. Presumivelmente, estes fatores integram-se nos modelos internos dinâmicos de prestação de cuidados, que os investigadores acreditam que estão interconectados de forma 49 desenvolvimental e comportamental aos modelos internos dinâmicos de vinculação (Collins, Ford, Guichard, Kane & Feeney, 2009; Kunce & Shaver, 1994). Uma vez que o sistema de prestação de cuidados é ativado o indivíduo (responsivo e sensitivo) pode ativamente recorrer a um repertório de comportamentos com o objetivo de restaurar o bem-estar e a segurança do outro (Mikulincer & Shaver, 2007). Estes comportamentos incluem tentativas para aliviar o sofrimento do outro e apoiar os seus esforços para lidar com a situação, por exemplo mostrando um interesse genuíno nos problemas do outro, reforçando a sua capacidade para lidar com a situação, expressar afetividade e providenciar apoio instrumentar, se necessário. Comportamentos de prestação de cuidados podem também incluir a provisão de uma base segura para a exploração, crescimento e desenvolvimento da outra pessoa, apoiando os seus desejos para aceitar novos desafios e adquirir novas capacidades, afirmando a capacidade do outro para empreender novos desafios sem ser intrusivo nas atividades exploratórias do outro e reforçando os sucessos (Collins, et al., 2006; Feeney & Collins, 2004). Prestadores de cuidados insensitivos irão, mais provavelmente recusar ou não interpretar corretamente os sinais da pessoa e ou se escapam do papel de cuidador ou intervém de forma estranha ou intrusiva nas necessidades do outro. A falta de sensitividade e responsividade pode causar que o recetor de cuidados de sinta incompreendido, desrespeitado, o que irá exacerbar o sofrimento em vez de fornecer uma base segura (Collins et al, 2006). 2. SISTEMA DE PRESTAÇÃO DE CUIDADOS NA RELAÇÃO ROMÂNTICA ADULTA Os laços afetivos no indivíduo adulto envolvem não só o sistema de vinculação (que visa a procura de cuidados), mas também o sistema de prestação de cuidados e, por vezes, o sistema sexual/reprodutivo. Nas relações românticas o indivíduo ocupa não só o papel de recetor de cuidados, mas também a função de prestador, na qual é esperado que propicie cuidado e apoio ao parceiro em situações de necessidade (Hazan & Shaver, 1987). Assim, o sistema de prestação de cuidados tem sido visto não só como o componente vital do comportamento parental, mas também um componente essencial das relações românticas adultas e adicionalmente uma parte integrante de todas as formas de comportamento prósocial (Mikulincer & Shaver, 2007). Sob uma perspetiva normativa, o sistema de prestação de cuidados alerta os indivíduos para as necessidades do outro e 50 motiva-os a fornecer proteção, conforto e apoio àqueles que estão dependentes dele ou temporariamente em dificuldade (Collins & Feeney, 2000, 2010; Kunce & Shaver, 1994). Deste modo, cada um dos parceiros está repetidamente envolvido no papel de prestar e receber cuidados numa relação mutuamente apoiante (Hazan & Shaver, 1987; Mikulincer & Shaver 2007). A qualidade do suporte que o parceiro romântico está disponível para fornecer torna-se um importante determinante da qualidade, estabilidade e satisfação relacionais (Collins & Feeney, 2000). De facto, a vinculação e a prestação de cuidados são sistemas interligados e indissociáveis e que se influenciam mutuamente. Da mesma forna que as crianças procuram os seus pais em situações de necessidade, os adultos procuram também o parceiro romântico para proteção, apoio e cuidado quando estão perante alguma adversidade ou desafios pessoais (Collins & Ford, 2010). A ligação entre os sistemas comportamentais de vinculação e prestação de cuidados pode ser conceptualizada em termos de influências distais e proximais (Collins et al., 2009; Collins & Ford, 2010). No que se refere às influências distais, considerase que os indivíduos aprendem, primeiramente, a serem prestadores de cuidados por observação e no contexto da sua própria experiência ao serem cuidados pelas figuras parentais. Deste modo, é razoável assumir que os modelos internos dinâmicos de vinculação, que acompanham a regulação do sofrimento pessoal, irão formar modelos internos dinâmicos de prestação de cuidados, que guiam a atenção para a regulação do sofrimento do outro significativo e que surgem mais tarde no desenvolvimento. Relativamente às influências proximais, Bowlby (1988) sugere que só quando as necessidades de vinculação individuais foram cumpridas é que o indivíduo pode focar a sua atenção para outros sistemas comportamentais como o de prestação de cuidados a outrem. Como consequência, a prestação de cuidados pode estar comprometida se os sentimentos de segurança do prestador de cuidados estiverem atualmente ameaçados, o que pode esgotar os seus recursos e ativar mecanismos autocentrados de proteção. A formação de uma relação segura com um prestador de cuidados primário ou com o parceiro romântico depende da sensitividade e responsividade às necessidades da pessoa vinculada. Um adulto prestador de cuidados responsivo vai ao encontro das necessidades de apoio do parceiro quando o sistema de prestação de cuidados é ativado por sofrimento ou dificuldades. Um prestador de cuidados responsivo providencia cuidado e carinho, compreende os sentimentos 51 do parceiro e as suas atitudes e facilita a autonomia e o crescimento pessoal (Reis & Shaver, 1988). Contrariamente, quando o parceiro não está disponível e não responsivo às necessidades de proximidade, a pessoa pode tornar-se ansiosa, preocupada e hipersensível aos sinais de amor, ou a sua ausência, à aprovação ou à rejeição. De acordo com a teoria da vinculação, a função por excelência do sistema de prestação de cuidados é reduzir o sofrimento do outro, proteger de possíveis ameaças e cuidar do seu desenvolvimento e crescimento (Collins et al, 2006, Guilath, Shaver & Mikulincer, 2005, Kunce & Shaver, 1994). Ou seja, uma primeira função seria ir ao encontro das necessidades de segurança de um parceiro dependente, respondendo aos sinais de sofrimento ou potencial ameaça, isto é, constituir um porto seguro. Uma segunda função seria apoiar a autonomia e a exploração da pessoa vinculada, fora da situação ameaçadora, ou seja, constituir uma base segura apoiando a autonomia e crescimento quando a exploração é sentida pelo recetor de cuidados como segura e desejável. (Bowlby 1969/1982). Além disso, a teoria da vinculação assume que a capacidade do prestador de cuidados para responder de forma efetiva a estas necessidades, desemprenha um papel principal na determinação da qualidade do laço emocional que se desenvolve entre o prestador de cuidados e seu parceiro vinculado (Ainsworth, Blehar, Waters, & Wall, 1978). No momento da ativação do sistema de prestação de cuidados o indivíduo torna-se, momentaneamente, numa figura de vinculação "mais forte e mais sábia", motivando-o a atender às necessidades de proximidade, segurança e proteção do parceiro recetor de cuidados. Isto é, os objetivos do cuidador e do recetor de cuidados tornam-se, totalmente congruentes e ambos têm o objetivo de garantir que as necessidades de segurança e proteção da pessoa dependente são satisfeitas. A adoção de comportamentos de prestação de cuidados tem maior probabilidade de ocorrer em determinadas situações: (1) quando o indivíduo tem que lidar ou se perceciona numa conjuntura de perigo, stress ou desconforto, e procura ajuda ou torna-se claramente visível que poderia beneficiar dela; e (2) quando o indivíduo tem oportunidades de exploração e aprendizagem, ou precisa de ajuda para aproveitar esta oportunidade, se tem vontade de falar sobre ela, ou ainda de ser validado para tentar atingir certas aspirações ou realizações (Collins et al, 2006). Em ambos os casos, o prestador de cuidados torna-se motivado a 52 adquirir comportamentos de assistência e apoio, baseando-se na sua avaliação da necessidade do outro e não, direta e objetivamente, da necessidade em si. Ou seja, o indivíduo não irá adotar o papel de cuidador se não reconhecer expressões de angústia, carência ou necessidades de apoio e encorajamento do recetor de cuidados e se não considerar estas necessidades como legítimas. Adicionalmente, o indivíduo prestador de cuidados pode, por vezes, oferecer apoio e incentivo de forma intrusiva, isto é, adotando o papel de cuidador mesmo na ausência de expressões explícitas de necessidade efetiva de cuidados, o que pode ser causador de irritação e resistência ao invés de gratidão. Collins e Ford (2010) sugerem que a qualidade e a natureza do comportamento de prestação de cuidados é, claramente, sequencial. O recetor de cuidados está sintonizado à responsividade do seu parceiro, sendo mais provável que se sinta confortado quando o apoio do parceiro é oferecido de forma espontânea e apropriado às contingências das suas necessidades. Os autores conduziram um estudo com simuladores de realidade virtual, de onde puderam concluir, que contrariamente ao que acontece com as figuras de vinculação, a mera presença do prestador de cuidados é insuficiente. Para que o recetor de cuidados recorra ao seu parceiro como um porto seguro e uma base segura efetivos, os prestadores de cuidados devem mostrar-se, e serem percebidos, como emocionalmente disponíveis e sensíveis às necessidades do recetor de cuidados. A teoria da vinculação destaca os benefícios de um cuidado responsivo, não só para a saúde individual e bem-estar, mas também para o desenvolvimento e manutenção de relações românticas seguras e felizes. Consistente com esta ideia, Collins e Ford (2010) revelam que pequenos atos de cuidado (ou negligência) podem ter efeitos imediatos no funcionamento relacional. Por exemplo, ao discutir preocupações individuais os recetores de cuidado experienciam uma melhoria imediata no seu bem-estar emocional, quando os seus parceiros são fonte de suporte responsivo (Collins & Feeney, 2000). Consequentemente, a não responsividade do prestador de cuidados pode induzir ao afastamento do parceiro, o que pode ter feitos a longo prazo na proximidade dos parceiros na relação romântica. De forma mais abrangente, os autores sugerem que a importância de determinadas interações de prestação de cuidados podem estender-se além de uma única interação, ou seja, interações apoiantes parecem contribuir para o desenvolvimento de expetativas relacionais específicas, que podem formar 53 interações posteriores. De forma consistente, Collins e colaboradores (Collins, Kane, Guichard & Ford, 2010) revelam que expectativas da responsividade do parceiro, numa relação específica, regulam os comportamentos de procura de cuidados em casais. A maioria dos estudos sobre a prestação de cuidados em relações de intimidade tem-se focado nas diferenças de estilo de vinculação nos padrões de prestação de cuidados. Como seria de esperar, estes estudos revelam consistentemente que adultos seguros têm padrões de prestação de cuidados mais efetivos do que adultos inseguros (e.g., Carnelley, Pietromonaco, & Jaffe, 1996; Feeney & Collins, 2001; Kane et al., 2007; Kunce & Shaver, 1994) e que uma prestação de cuidados responsiva é indispensável para a estabilidade e bemestar relacional (e.g., Collins & Feeney, 2000; Mikulincer & Shaver, 2007). Mas apesar da sua importância, o sistema de prestação de cuidados tem recebido pouca atenção nos estudos empíricos (Collins & Ford, 2010). As relações românticas propiciam uma ótima oportunidade para perceber o modo como os estilos de vinculação dão forma a determinadas orientações de prestação de cuidados. O primeiro estudo empírico a examinar esta ligação foi conduzido por Hazan e Shaver (1994). Baseados numa extensa revisão da literatura acerca da prestação de cuidados dos pais à criança, os investigadores desenvolveram o Caregiving Questionnaire que pretende aceder à prestação de cuidados numa relação romântica adulta, propondo as dimensões de responsividade, num polo positivo e funcional e as dimensões de uma prestação de cuidados controladora e compulsiva, num polo negativo e menos adaptativo. A prestação de cuidados responsiva é composta por duas dimensões correlacionadas: a manutenção de proximidade a um parceiro em dificuldade, e a sensitividade aos sinais e necessidade do parceiro recetor de cuidados. A prestação de cuidados controladora é avaliada pela extensão em que o prestador de cuidados adota um postura de dominância e de não cooperação durante este processo e não consegue respeitar as capacidades do parceiro para a ação que o levará à resolução do problema de forma autónoma. Por sua vez, quando a prestação de cuidados é compulsiva, esta traduz-se num envolvimento excessivo com a dificuldade do parceiro e uma tendência para a fusão com o parceiro em situações de necessidade. Acedendo ao conceito de prestação de cuidados através desta escala a investigação empírica (Feeney & Collins, 2001; Kunce & Shaver, 1994) revela que indivíduos seguros mostram padrões de prestação de cuidados mais favoráveis em casais numa relação de namoro ou casamento. Portanto, 54 comparativamente com indivíduos inseguros, um parceiro seguro mostrou uma maior tendência a prestar apoio adequado ao parceiro, a ser sensitivo às suas necessidades e uma menor probabilidade de adotar uma postura controladora ou compulsiva na prestação de cuidados (Feeney & Collins, 2001; Feeney & Hohaus, 2001; Kunce & Shaver, 1994). 55 AUTENTICIDADE 1. AS RAÍZES DO CONCEITO DE AUTENTICIDADE São inúmeras as descrições e alusões áquilo que significa o que é realmente ser autêntico e que podem ser encontradas em vários trabalhos de diversas disciplinas das ciências e das artes. No entanto, estas definições são frequentemente vagas e limitadas a segmentos de trabalhos maiores e muitas vezes, descontinuadas da sua linhagem original. Adicionalmente, raramente a autenticidade é concretamente conceptualizada, mas pode ser subentendida em vários trabalhos contemporâneos às suas origens na Filosofia Grega, nomeadamente, nos trabalhos de Sócrates e Aristóteles. Diversos escritores e filósofos e procuraram definir o conceito de autenticidade, principalmente naquilo que se refere ao que potencialmente será o nosso autêntico self ou o nosso verdeiro ser. Com o advento da filosofia existencialista no século XIX afirma-se que o funcionamento autêntico seria reflexo da subjetividade das escolhas que envolvem o conhecimento do indivíduo acerca da sua essência e que remetem para os significados mais profundos da sua existência, fora das imposições contextuais e institucionais onde se insere. Coletivamente, nas perspetivas existencialistas a autenticidade ocorre quando as pessoas escolhem, livremente, comprometer-se consigo próprias a diligenciarem as suas atividades num processo de autoria da sua própria maneira de ser (e.g., Kierkegaard, Nietzsche in Kernis & Goldman, 2006). Trilling (1971) descreve a descendência grega de palavra “autêntico”, authenteo: “ter o poder total”, isto é, o indivíduo possui e pode usufruir da capacidade de ser soberano do seu próprio self. Kernis e Goldman, (2006), desenvolvem uma breve abordagem histórica e necessariamente seletiva acerca das perspetivas filosóficas sobre a autenticidade demonstrando riqueza e complexidade deste constructo. Os autores definem integrativamente quatro aspetos fundamentais da autenticidade e de um funcionamento autêntico: 1) A autenticidade reflete uma compreensão do próprio self. Enquanto Sócrates compara o autoexame como o valor intrínseco da existência 56 individual, outros filósofos, como Aristóteles, enfatizam a importância do auto compreensão na organização das ações individuais; 2) Consequentemente, a autenticidade envolve comportamentos enraizados no autoconhecimento. Estes comportamentos refletem ações especificamente expressivas dos valores pessoais (e.g., Nietzsche), que são escolhidos livremente com um sentido de agência (e.g., Sartre, Kierkegaard); 3) Um funcionamento autêntico deve ser um reflexo da vontade e capacidade individual para objetivamente aceitar e reconhecer aspetos do self essencial. Deste modo, a autenticidade reflete uma ausência relativa de autoengano e um reconhecimento imparcial de informação relevante acerca do self ; 4) O funcionamento autêntico envolve uma orientação particular para o outro (e.g., Heidegger), sendo o estar com o outro aquilo que dá significado à existência e que possibilita novas descobertas de ser. 2. DESENVOLVIMENTO INDIVIDUAL E DO CONCEITO PSICOLÓGICO DE AUTENTICIDADE Vários clínicos e teóricos proeminentes na área da psicologia consideram que uma expressão individual autêntica constitui um dos traços chave para um funcionamento individual e relacional saudável. Este conceito, ao longo do desenvolvimento da Psicologia, tem surgido de formas parcialmente explicitas incorporada em várias teorias, mas nem sempre conceptualizada como um constructo especifico. Genericamente, é fundamentado consubstancialmente que objetivos pessoais concordantes com o self são promotores de saúde e bem-estar psicológico (e.g., Erickson, 1959; Maslow, 1970; Rogers, 1951; Winnicott, 1960). Segundo Erickson (1959) a organização do self envolve a forma como o indivíduo ajusta o seu autoconceito para assimilar novas experiências englobandoas na identidade, enquanto lida ativamente com exigências sociais emergentes e desafios desenvolvimentais. Esta organização e ajustamento contínuos do self individual, permeável a influências externas, mas mantendo a sua estrutura nuclear identitária, torna a autenticidade um marco fundamental do desenvolvimento da identidade. 57 Winnicot (1960), elabora uma distinção entre o possível desenvolvimento, durante a infância, de um self verdadeiro e de um self falso. Quando os primeiros prestadores de cuidados não são capazes de reforçar, positivamente, e apoiar as necessidades e sentimentos únicos da criança, esta pode divergir das suas próprias experiências autênticas do self e desenvolver um self falso, alicerçado na sua perspetiva daquilo serão os desejos das figuras parentais ou no medo de desaprovação. Esta tentativa de ser aceite pelos outros significativos pode tornarse parte integrante de uma autoimagem em formação e transformar-se uma estratégia protetora que provavelmente será generalizada a outras relações significativas com o intuito de evitar consequências semelhantes. Similarmente, Rogers (1970) enfatizou esta tendência de atualização do self como uma tendência direcional evidente na vida humana. Deste modo, a urgência do ser humano para expandir-se, desenvolver-se e amadurecer, na sua perspetiva corresponde à tendência para expressar e ativar todas as capacidades do self. Esta tendência é aquilo a que o autor chama de self real, mas distingue-o de conceitos do self ideal. O self ideal é um traço que foi sendo criado pelo indivíduo em resposta à experiencia condicional de aprovação dos outros significativos e o consequente desenvolvimento de atributos condicionais de valor próprio. O seu conceito de congruência ou incongruência reportam ao grau de equilíbrio entre o self real e o self ideal: manifestamente a congruência refere-se a um alinhamento entre o self real e o self ideal, que será promotora de comportamentos e experiências de autenticidade. É cada vez mais evidente que a autenticidade, lida à luz destes teóricos do desenvolvimento, se foi estabelecendo cada vez mais um constructo psicológico indissociável de diversas relações e suas características com que o indivíduo se depara ao longo da vida, mas aqui com ênfase na qualidade da relação com as primeiras figuras cuidadoras. Deste modo, vai surgindo a primazia dada às relações precoces com as figuras cuidadoras, que terão um impacto mais tardio na segurança percebida para a revelação de um self autêntico. Consequentemente, as relações emocionais estabelecidas na infância com as figuras parentais, tem um papel preponderante no desenvolvimento de laços emocionais futuros, que por sua vez têm um impacto duradouro na adaptação psicológica e social individual, que influenciará a forma como o indivíduo se relaciona consigo próprio e os outros significativos (Bowlby, 1980). Deci e Ryan (2004), com base na sua teoria da autodeterminação sugerem que o comportamento autêntico pode apenas surgir 64 que inicialmente a autenticidade não tinha ainda “conquistado” o patamar de constructo delimitado e conceptualizado. Surgindo os primeiros trabalhos verificamos que a autenticidade estava indubitavelmente nas entrelinhas ao ser interpretada através da congruência e diferenciação da visão individual dos múltiplos selves (e.g., Harter & Mounsor, 1992; Harter, Marold, Whitesell, & Cobbs, 1996). Adicionalmente, nos trabalhos iniciais não existia um instrumento de medida especificamente direcionado para este constructo, sendo muitas vezes perguntado diretamente participante qual o seu nível da autenticidade, ou comportamento verdadeiro ou falso, percebido em determinado contexto. Transversalmente, nos vários estudos apresentados na Tabela 1 a autenticidade tem sido sempre ligada a um largo conjunto de benefícios psicológicos, pessoais e relacionais e mesmo com um impacto indireto na saúde física (Impett, Breines & Strachman, 2010). Sheldon, Ryan, Rawsthorne e Ilardi (1997) procuraram aceder às reflecções individuais acerca dos diversos papéis de vida (como por exemplo, estudante, amigo, parceiro romântico) desempenhados por estudantes universitários. Os autores concluíram que os papeis com que os participantes de sentiam mais satisfeitos, e nos quais reportaram menores níveis de stress, foram aqueles que lhes permitiam ser mais autênticos. Adicionalmente, participantes que relataram níveis de autenticidade superiores transversais a todos os papéis de vida estudados, reportaram uma autoestima geral mais elevada e menores níveis de ansiedade, depressão e de stress percebido. Wood e colaboradores (2008) introduziram um modelo de autenticidade tripartido focando-se em três fatores: vivência autêntica, aceitação de influências externas e autoalienação. Paralelamente, os autores desenvolveram uma escala “Authenticity Scale”, cuja análise fatorial espelha estas 3 dimensões. Os autores efetuaram análises correlacionais em quatro grupos de participantes diferentes, que indicaram que maiores níveis de autenticidade se associam, em conformidade com o estudo anterior, a uma maior autoestima, satisfação com a vida, afetos positivos e menores níveis de stress e ansiedade. Paralelamente os resultados de Heppner e colaboradores (Heppner, Kernis, Lakey, Campbell, Goldman, Davis, & Cascio, 2008) revelaram que os participantes reportaram maiores níveis de autoestima nos dias em que se sentiam mais autênticos e que estes resultados se mantiveram mesmo controlando os afetos positivos e negativos com os quais os participantes se deparam diariamente. 65 Goldman e Kernis (2002) revelam, igualmente ligações positivas entre a autenticidade, a autoestima e com avaliações maior satisfação global com a vida e ligações negativas com a autoestima contingente e a frequência com que o indivíduo experiencia afetos negativos. Outros investigadores suportam estes efeitos adaptativos, conectando a autenticidade a uma menor tendência defensiva quando os indivíduos descrevem experiências passadas que foram ameaçadoras para a sua auto estima (Lakey, Kernis, Heppner, & Lance, 2007). Adicionalmente, Lakey e colaboradores obtiveram correlações positivas entre a autenticidade e o minfdulness (atenção plena, capacidade de estar totalmente no momento presente) e que níveis mais elevados nestas duas variáveis se relacionam com um discurso verbal menos defensivo e tendencialmente com uma informação mais relevante acerca do self. Nos estudos supracitados de Sheldon et al, (1997) e de Wood e colaboradores (2008) os autores procuraram também analisar os níveis de autenticidade em função dos cinco grandes fatores de personalidade 11 , Ambos os estudos indicam que indivíduos mais autênticos tendem a ser mais extrovertidos, agradáveis, conscienciosos, abertos a novas experiências e menos neuróticos. Vários estudos suportam também a ligação entre a autenticidade e estados de humor positivos mais constantes (Goldman & Kernis, 2002) e níveis superiores de otimismo (Harter et al., 1996; Harter et al., 1997). Na sua generalidade, estes resultados providenciam um suporte empírico para a ligação entre a autenticidade e várias características de um funcionamento psicológico saudável e do bem-estar individual subjetivo, o que contribuí, adicionalmente, para fundamentar a importância do estudo deste conceito. 11 Big Five Personality Traits 66 Tabela 1. Visão geral dos estudos empíricos acera da autenticidade Ano Autores Outras variáveis estudadas Participantes Medida de autenticidade Resultados principais 1994 Swann,, De La Ronde & Hixon  Atributos do self percebidos pelo próprio e pelo parceiro  Intimidade Adultos numa relação de namoro ou casamento Self atributes questionnaire (Pelham & Swan, 1989) Em relações de compromisso as avaliações externas:  Auto-verificadas são vistas como confirmação da própria autenticidade.  Não auto-verificadas associadas a sentimentos de desconfiança, sejam de cariz positivo/ negativo. 1996 Harter, Marold, Whitesell, & Cobbs  Apoio parental  Apoio dos pares  Auto estima Adolescentes Autenticidade baseada nos comportamentos individuais congruentes/ incongruentes com o self. Maior autenticidade:  Maiores níveis de autoestima, afetos positivos, otimismo e apoio percebido dos pais e pares;  Participantes menos autênticos reconhecem que o são para obter aprovação externa. 1997 Sheldon, Ryan, Rawsthorne & Ilardi,  5 Grandes traços de personalidade  Satisfação com os papéis de vida  Auto estima Estudantes universitários 5 itens criados pelos autores  Indivíduos mais autênticos são mais extrovertidos, agradáveis, conscienciosos, abertos a experiências e menos neuróticos.  Maior autenticidade nos papéis de vida refletem maior autoestima e bem-estar. 67 Ano Autores Outras variáveis estudadas Participantes Medida de autenticidade Resultados principais 2001 Leak e Conney  Padrões de vinculação romântica Estudantes universitários Self-Determination and authenticity scale (Sheldon & Deci, 1996)  Seguro: maior de autenticidade, bemestar psicológico, motivos relacionais autónomos12;  Desinvestido: maior autenticidade, razões intrínsecas13 para estar na relação, menor bem-estar;  Preocupado: menor autenticidade, razões autónomas para estarem na relação e bem-estar;  Amedrontado: menor autenticidade, autonomia relacional e bemestar. 2002 Goldman & Kernis  Autoestima  Funcionamento psicológico saudável Estudantes universitários Authenticity inventory  Desenvolvimento do inventário e qualidades psicométricas;  Maior autenticidade:  Maiores níveis de autoestima, otimismo e satisfação com a vida;  Menores níveis de autoestima contingente14 e afetos negativos 12 Ao invés de motivos centrados no parceiro 13 Por oposição a motivos relacionados com aprovação exterior 14 Baseada em avaliações e contextos pontuais 68 Ano Autores Outras variáveis estudadas Participantes Medida de autenticidade Resultados principais 2002 Neff & Harter  Papéis de género  Conflito interpessoal  Bem-estar psicológico Casais adultos Conflict resolution questionnaire - inclui escala de autenticidade percebida Menor autenticidade:  Nas mulheres que tendem a aceitar as ideias do parceiro na resolução de conflitos, em vez de seguirem as suas próprias opiniões;  Em conjunto com a falta de validação do parceiro relaciona-se com menor bem-estar psicológico. 2005 Kim  Vinculação adulta  Inteligência emocional Estudantes universitários Self-determination and authenticity scale (Sheldon & Deci, 1996)  Autenticidade mediou a relação entre vinculação e inteligência emocional.  Vinculação segura: associou-se com self autêntico que se associa com maior inteligência emocional.  Vinculação ansiosa-ambivalente: associou-se com menor autenticidade do self e menor inteligência emocional 2006 Neff & Suizzo  Género  Cultura  Poder  Autoestima e depressão associadas à relação Estudantes universitários americanos de descendência europeia e mexicana Escala de 3 itens elaborada por Harter et al., 1992 Menor autenticidade:  Associou-se a maiores desigualdades de poder entre géneros nas duas populações;  Tem um impacto negativo na saúde psicológica (sobretudo em indivíduos de descendência mexicana) 69 Ano Autores Outras variáveis estudadas Participantes Medida de autenticidade Resultados principais 2006 Lopez & Rice  Autoestima  Autoengano  Vinculação romântica  Satisfação relacional Estudantes universitários Authenticity in Relationships scale (AIRS)  Desenvolvimento da AIRS e estudo das qualidades psicométricas; Maiores níveis de autenticidade:  Menor evitamento e ansiedade e autoengano;  Maiores níveis de autoestima e satisfação na relação. 2007 Lakey, Kernis, Heppner, & Lance  Mindfulness  Comportamento verbal defensivo Estudantes universitários Authenticity inventory (Kernis & Goldman, 2006) Maior autenticidade correlaciona-se com o mindfulness e menores comportamentos verbais defensivos. 2008 Downing  Vinculação romântica  Satisfação relacional  Papéis de género  Intimidade Adultos Authenticity in Relationships scale (Lopez & Rice, 2006) Associações positivas entre a autenticidade nas relações e perceções individuais de intimidade, a maior satisfação relacional e os níveis de igualitarismo referente aos papéis de género. 2008 Heppner, Kernis, Nezlek, Foster, Lakey, & Goldman  Auto-estima Estudantes universitários Dois itens criados pelos autores acedendo à autenticidade diariamente  Participantes revelaram maiores níveis de autoestima nos dias em que se sentiam mais autênticos  Estes resultados mantiveram-se mesmo controlando os afetos positivos e negativos com os quais os participantes lidam diariamente. 70 Ano Autores Outras variáveis estudadas Participantes Medida de autenticidade Resultados principais 2008 Wood, Linley, Matltby, Baliousis & Joseph  5 grandes traços de personalidade  Autoestima  Bemestar psicológico Estudantes universitários Adultos Authenticity Scale  Desenvolvimento da escala e estudo das qualidades psicométricas;  Indivíduos mais autênticos tendem a ser mais extrovertidos, agradáveis, conscienciosos, abertos a novas experiências e menores níveis de neuroticismo;  Mais autenticidade associa-se a maior autoestima, satisfação com a vida, afetos positivos e menores níveis de stress, ansiedade e depressão. 2010 Brunell, Kernis, Goldman, Heppner, Davis, Cascio, & Webster  Funcionamento relacional  Bem-estar Psicológico Estudantes universitários numa relação de namoro/ casamento Authenticity inventory (Kernis & Goldman, 2006)  Participantes com maiores níveis de autenticidade relacional reportaram um comportamento relacional mais íntimo e construtivo  Autenticidade dos homens está ligada ao funcionamento relacional saudável nas mulheres.  A autenticidade das mulheres parece promover as suas próprias perceções de um funcionamento relacional saudável que, por sua vez, contribui para a perceção do parceiro de uma qualidade relacional positiva. 71 Ano Autores Outras variáveis estudadas Participantes Medida de autenticidade Resultados principais 2010 Impett, Breines & Strachman  Autenticidade nas relações  Uso de preservativo Estudantes universitárias do sexo feminino numa relação Inauthentic self in Relationships subscale of the Adolescent Femininity Ideology Scale (Tolman & Porche, 2000)  Mulheres menos autênticas, reportam menor uso de preservativo, principalmente em dias com acontecimentos negativos na relação;  Mulheres mais autênticas na relação reportaram uso de preservativo mais frequente, uma vez que sentiam uma maior abertura para dizer aquilo que sentem. 2010 Gillath, Sesko, Shaver, & Chun  Vinculação romântica  Honestidade Estudantes universitários Authenticity Inventory (Goldman & Kernis, 2004)  Vinculação insegura: ligada à inautenticidade, e desonestidade;  Vinculação segura: maior autenticidade e honestidade 2013 Impett, Javan, Le, AsyabiEshghi, & Kogan  Objetivos dos sacrifícios na relação  Bem-estar pessoal e relacional Casais adultos Foi perguntado aos participantes de se sentiam autênticos numa situação de sacrifício  Objetivos de aproximação (procura de solução positiva) predizem maior autenticidade, enquanto objetivos de evitamento de uma solução negativa predizem maior inautenticidade.  Objetivos para o sacrifício na relação influenciam o bem-estar e a qualidade relacional através da autenticidade 72 Ano Autores Outras variáveis estudadas Participantes Medida de autenticidade Resultados principais 2013 Wickham  Satisfação e compromisso na relação  Objetivo e qualidade da relação  Vinculação romântica Casais adultos Authenticity in Relationships scale (Lopez & Rice, 2006)  Indivíduos que percecionaram o parceiro mais autêntico tendem a identificar-se mais com objetivos relacionais e menos com objetivos de auto proteção;  Maior autenticidade individual relaciona-se com menos desconfiança no parceiro e, maior propensão para se focarem em aspetos positivos e integrativos da relação, mesmo quando a influência da vinculação insegura foi controlada.  A autenticidade percebida do parceiro foi um preditor mais forte dos objetivos e qualidade da relação do que a autenticidade individual reportada pelo parceiro. 2015 Tou, Baker, Hadden, YiCheng Lin  Resolução de conflitos  Objetivos compassivos vs. autocentrados Estudantes universitários Authenticity inventory (Kernis & Goldman, 2006)  Indivíduos mais autênticos em situação de conflito  Tem uma maior tendência para ter em perspetiva não só as suas necessidades mas igualmente as do parceiro;  Reportar níveis mais altos de objetivos compassivos para a sua resolução. 73 Ano Autores Outras variáveis estudadas Participantes Medida de autenticidade Resultados principais 2015 Wickham, Reed & Williamson  Satisfação relacional  Compromisso Estudantes universitários Casais adultos 1. Authenticity in Relationships scale (Lopez & Rice, 2006) 2. Perceived Partner authenticity in relationships  Estudo das qualidades psicométricas da segunda escala;  Perceção individual da autenticidade do parceiro tem maior contribuição para um menor evitamento, maior confiança e satisfação relacional, do que a própria autenticidade percebida. 80 anteriores, confirma-se a propensão para um comportamento e expressão mais autênticos e a segurança da vinculação no adulto. Adicionalmente, vários estudos mostram a ligação entre vinculação ansiosa e evitante e a autenticidade, além de outros efeitos relacionais tendencialmente mais disfuncionais. Vários investigadores na área da vinculação realçam que entre todos os tipos de relações na idade adulta, as relações românticas serão aquelas que mais espelham as dinâmicas de vinculação da infância (Mikulincer & Shaver, 2007). No entanto, a demonstração destes processos necessita de mais investigação empírica, uma vez que existem muito poucos estudos que se debrucem na influência das relações parentais na autenticidade nas relações adultas. Ainda, atendendo a que o impacto dos estilos de vinculação romântica adultos tem sido empiricamente demonstrado de forma consistente, bem como a origem destes estilos nas experiências de vinculação precoces, é impossível negar o impacto parental como raízes do comportamento autêntico. 81 METODOLOGIA Nesta secção iremos apenas concretizar uma breve apresentação geral da metodologia utilizada e dos objetivos de cada um dos estudos. Em cada um dos estudos apresentados apresentaremos a metodologia aplicada de forma mais detalhada. 1. OBJETIVOS Dada a importância da autenticidade nas relações no bem-estar psicológico e relacional do indivíduo, o presente trabalho estudo pretende, principalmente, contribuir para um aumento do conhecimento empírico acerca da autenticidade nas relações românticas. Tal como foi demonstrado na revisão da literatura os estudos empíricos nesta área são escassos e sugerem, justamente, a necessidade de um maior investimento na investigação acerca deste conceito. A pesquisa bibliográfica efetuada sugere que não parecem existir estudos empíricos acerca da autenticidade que procurem saber mais acerca das suas raízes nas relações de vinculação precoces com o pai e com a mãe. De uma forma geral, pretendemos compreender a vinculação às figuras parentais como contexto de alicerce da autenticidade dos indivíduos que irá repercutir-se posteriormente em contexto relacional na idade adulta; e como essa autenticidade poderá ter um papel preponderante em constructos basilares e vitais à relação romântica adulta, como a vinculação e prestação de cuidados. Que tenhamos conhecimento, não existe qualquer investigação que estude a ligação entre a autenticidade na relação romântica e os cuidados que o individuo perceciona prestar ao parceiro romântico. O presente trabalho inclui três estudos distintos e interconectados, cujos objetivos descrevemos brevemente: ESTUDO 1: Authenticity in relationships: Predicting caregiving and attachment in adult romantic relationships 1. Traduzir, adaptar, realizar uma análise fatorial confirmatória e estudar as qualidades psicométricas da AIRS – P, versão portuguesa da Authenticity in Relationships Scale (Lopez & Rice, 2006), atendendo a que não existe 82 nenhuma medida deste constructo para a população portuguesa, de que tenhamos conhecimento. 2. Testar um modelo de equações estruturais, conforme o esquema abaixo, com os seguintes objetivos: a. Avaliar o papel preditor da autenticidade nas relações nas dimensões da vinculação adulta ao parceiro romântico. b. Analisar a importância da autenticidade como preditora da prestação de cuidados responsiva na relação romântica adulta. Figura 2. Esquema do modelo de equações estruturais a ser testado no Estudo 1 ESTUDO 2: The mediator role of authenticity between attachment to parents and romantic attachment: Parents and offspring gender differences 3. Testar dois modelos de equações estruturais idênticos: um para homens e outro para mulheres, com o intuito de analisar o papel mediador da autenticidade nas relações entre a vinculação ao pai e à mãe e a vinculação ao parceiro romântico, conforme se ilustra na Figura 3. a. Perceber o papel da relação de vinculação com as figuras parentais que os participantes recordam da sua adolescência (acedendo Vinculação romântica Confiança Dependência Ambivalência Evitamento Autenticidade nas relações Rejeição do engano Tomada de risco na intimidade Prestação de cuidados Manutenção da Proximidade Sensitividade 83 retrospetivamente às memórias dos participantes) na autenticidade nas relações românticas adultas; b. Analisar possíveis os efeitos diretos da vinculação ao pai e à mãe na adolescência na vinculação romântica adulta; c. Analisar possíveis os efeitos indiretos diretos da vinculação ao pai e à mãe na adolescência na vinculação romântica adulta, através do papel mediador da autenticidade; 4. Compreender se o género dos participantes e das figuras parentais poderá estar subjacente a eventuais diferenças na vinculação ao pai e à mãe, como prováveis pedidoras da autenticidade e da vinculação na relação romântica adulta. Figura 3. Esquema do modelo de equações estruturais a ser testado separadamente para homens e para mulheres no Estudo 2. Vinculação à mãe Qualidade do laço emocional Inibição da exploração e individualidade Ansiedade de separação Autenticidade nas relações Rejeição do engano Tomada de risco na intimidade Vinculação ao Pai Qualidade do laço emocional Inibição da exploração e individualidade Ansiedade de separação Vinculação romântica Confiança Dependência Ambivalência Evitamento 84 ESTUDO 3: A dyadic perspective on authenticity in relationships and romantic partner attachment and caregiving 5. Estudar o papel preditor da autenticidade nas relações na vinculação amorosa e na prestação de cuidados responsiva ao parceiro romântico, estendendo-se a unidade de análise do individual para o casal. a. Compreender se a autenticidade de um dos parceiros contribui para a vinculação amorosa e para a prestação de cuidados responsiva do outro. b. Analisar a importância da autenticidade como preditora da prestação de cuidados responsiva e da vinculação romântica adulta individualmente, em cada um dos membros do casal. Figura 4. Esquema do modelo de interdependência ator-parceiro a ser testado no Estudo 3 Vinculação romântica mulher Confiança Dependência Ambivalência Evitamento Autenticidade mulher Rejeição do engano Tomada de risco na intimidade Prestação de cuidados mulher Manutenção da Proximidade Sensitividade Vinculação romântica homem Confiança Dependência Ambivalência Evitamento Autenticidade homem Rejeição do engano Tomada de risco na intimidade Prestação de cuidados homem Manutenção da Proximidade Sensitividade 85 2. PARTICIPANTES E PROCEDIMENTO As amostras dos três estudos são constituídas por participantes voluntários (não foi oferecido qualquer compensação), que estivessem casados ou a viver em união de facto há um ano ou mais, sendo este um critério de exclusão. Este critério surge uma vez que, teoricamente é necessário um determinado tempo para que numa relação se crie um laço emocional de vinculação (e.g., Zeifman & Hazan, 1997). Adicionalmente, inicialmente as relações tendem a ser menos autênticas, numa tentativa de agradar e ir de encontro aos desejos do outro. De facto investigação (e.g., Downing, 2008) sugere que o constructo da autenticidade nas relações românticas parece ser grandemente permeável às fases em que a relação romântica se encontra (namoro, casamento/ união de facto), pelo que no presente trabalho pretendemos minimizar este possível viés recorrendo a uma amostra de participantes casados ou em união de facto. Os participantes foram contactados e os instrumentos foram recolhidos de duas formas distintas: 1. Online pelo email dinâmico da Universidade do Porto, sendo a maioria dos participantes estudantes ou funcionários das várias faculdades desta universidade. Deste modo, foi enviado email aos participantes, explicativo dos objetivos do estudo com um link para os questionários online (Google forms) caso estivessem dispostos a responder, garantindo-se o total anonimato e confidencialidade dos dados recolhidos. È de salientar que todos os itens dos questionários online eram de resposta obrigatória, sendo que a sua omissão não permitia que o participante avançasse, facilitando a inexistência de valores omissos; 2. Pelo método da bola de neve, principalmente no que se refere à amostra de casais. De forma a e garantir a confidencialidade e o anonimato, o protocolo foi entregue, com a ajuda de colaboradores externos, num envelope fechado, não sendo solicitada nenhum tipo de informação que permitisse identificar os participantes. Foram fornecidos mais dois envelopes numerados aleatoriamente, de forma a agrupar os questionários, tendo sido solicitado aos participantes que os fechassem mal terminassem de responder. 86 Tabela 2. Número total de participantes incluídos em cada um dos estudos Unidade de análise N Estudo I Individual 400 Estudo II Individual 442  2 amostras 233 Mulheres 209 Homens Estudo III Casal 205 3. INSTRUMENTOS DE MEDIDA QUESTIONÁRIO SOCIODEMOGRÁFICO (Anexo I) Este questionário foi desenvolvido pela equipa de investigação solicitando ao participante que fornecesse dados relativos ao sexo, idade, escolaridade, estado civil, duração da relação e número de filhos. ESCALA DE AUTENTICIDADE NAS RELAÇÕES – AIRS (Anexo II; Lopez & Rice, 2006) É um questionário de autorrelato composto por 24 itens 18 . Este questionário procura avaliar se os participantes percecionam que os benefícios de uma exposição honesta e verdadeira de si próprios perante o parceiro romântico, compensa claramente os riscos e potenciais consequências que daí possam advir. Esta escala é composta por duas dimensões: Rejeição do engano (13 itens): reflete uma recusa do indivíduo em mostrar ao parceiro romântico um self inautêntico, bem como uma preferência que o parceiro manifeste igualmente um self autêntico, independentemente de que a revelação autêntica possa não ir de encontro às expectativas que os parceiros tenham um do outro. Os itens desta dimensão que são revertidos de forma a traduzirem uma tendência para a autenticidade (e.g., “Se o (a) 18 O processo de tradução e adaptação desta escala para a versão portuguesa é apresentada detalhadamente no Estudo 1. 87 meu (minha) companheiro(a) conhecesse o meu verdadeiro eu, provavelmente ficaria surpreendido(a) e desapontado(a)”); Tomada de risco na intimidade (11 itens): procura avaliar uma tendência individual para a abertura e para a autorrevelação íntima e autêntica, com o parceiro romântico, coerente com os pensamentos individuais. Esta dimensão parece ser o reflexo de avaliações baseadas na relação, de segurança e confiança com o parceiro romântico. (e.g., Quando estou com o (a) meu (minha) companheiro(a), sou completamente eu mesma(o). As respostas são solicitadas numa escala tipo Likert de que varia desde “1 – não me descreve de forma alguma” a “9 – descreve-me muito bem”. QUESTIONÁRIO DE VINCULAÇÃO AMOROSA – QVA: VERSÃO REDUZIDA (Anexo III; Matos, Cabral & Costa, 2008) Trata-se uma medida de autorrelato especificamente desenvolvida para a população Portuguesa (Matos, 2002). Este questionário baseia-se na conceção da vinculação adulta de Bartholomew e Horowitz (1991), permitindo, adicionalmente à abordagem dimensional, que as dimensões sejam organizadas (através da análise de clusters) de modo a traduzir os quatro padrões de vinculação propostos pelas autoras. A versão reduzida engloba 25 itens que medem quatro dimensões distintas da vinculação ao parceiro romântico: Confiança (6 itens): esta dimensão procura aceder às perceções dos participantes acerca da responsividade e sensitividade do parceiro romântico às suas necessidades específicas (e.g., “Sei que posso contar com a (o) minha (meu) companheira(o) sempre que precisar dela (dele)”); Dependência (6 itens): concerne as necessidades dos participantes de proximidade física e emocional com o parceiro romântico, procurando também avaliar a ansiedade de separação e medo de perder o parceiro (e.g., Só consigo enfrentar situações novas, se ele (ela) estiver comigo); Evitamento (6 itens): esta dimensão pretende demonstrar que o parceiro romântico é visto como tendo um papel secundário para satisfazer as necessidades de vinculação dos participantes (e.g,. “Não preciso dos cuidados do (da) meu (minha) companheiro(a)”); 88 Ambivalência (7 itens): pretende avaliar a possível insegurança sentida pelos participantes, expressa pela dúvida da validade do seu próprio papel como parceiro romântico e das suas próprias emoções dirigidas ao parceiro. Esta ambivalência surge, pois o indivíduo deseja e receia, ao mesmo tempo, tornar-se próximo do parceiro romântico (e.g., “Às vezes acho que ela (ele) é fundamental na minha vida; outras vezes não”). As respostas às questões estão organizadas numa escala de Likert de 6 pontos que varia desde “1 – discordo totalmente” a “6 – concordo totalmente”. QUESTIONÁRIO DE VINCULAÇÃO AO PAI E À MÃE – QVPM: VERSÃO RETROSPETIVA (Anexo 4; Matos & Costa, 2001) Este instrumento de autorrelato, desenvolvido especificamente no contexto da população portuguesa, permite aceder às representações de vinculação na relação com cada uma das figuras parentais separadamente. Apesar de inicialmente ter sido desenvolvido para adolescentes e jovens adultos, alguns estudos (cf. Gouveia & Matos, 2011) já utilizaram esta versão retrospetiva, onde os itens são colocados no passado, sendo pedido aos participantes que recordem a sua relação com os seus pais na adolescência. À semelhança do QVA, este instrumento permite aceder a abordagem dimensional da vinculação, contudo a sua elaboração assentou igualmente numa abordagem prototípica, sendo possível através de procedimentos de análise de clusters, obter os quatro padrões de vinculação de Bartholomew (1990; Bartholomew & Horowitz, 1991). Este instrumento engloba três dimensões, cada uma composta por 10 itens: Qualidade do Laço Emocional: avalia a recordação do participante acerca da importância do pai e da mãe como figuras de vinculação na sua adolescência, ou sejam se era vista como única e fundamental para o seu desenvolvimento, a quem recorreu em situações de dificuldade e com quem projetou uma relação duradoura (e.g., “Tinha confiança que a minha relação com os meus pais se iria manter no tempo.”).; Inibição da exploração e individualidade: avalia retrospetivamente a perceção dos participantes relativamente às restrições impostas à expressão da sua individualidade durante a adolescência. Estas exteriorizam-se pelas dificuldades sentidas na revelação de opiniões divergentes das da figura parental, pela ausência de apoio a tentativas de 89 exploração, e pela intromissão indesejada em assuntos pessoais (e.g., “Os meus pais estavam sempre a interferir em assuntos que só têm a ver comigo”; Ansiedade de Separação: possibilita aceder à memória dos participantes, relativamente a experiências de ansiedade e medo da separação da figura parental durante a sua adolescência, que possivelmente seriam reveladoras de uma relação de dependência (e.g., Pensava constantemente que não podia viver sem os meus pais). As respostas às questões estão organizadas numa escala de Likert de 6 pontos que varia desde “1 – discordo totalmente” a “6 – concordo totalmente”. QUESTIONÁRIO DE PRESTAÇÃO DE CUIDADOS – CGQ (Anexo 5; Kunce & Shaver, 1994; versão portuguesa: Torres & Oliveira, 2010) É um instrumento de autorrelato que permite aceder às perceções dos próprios participantes como prestadores de cuidados, na sua relação romântica. É constituído por 32 itens, 8 por dimensão e engloba 4 dimensões distintas: Manutenção da Proximidade: avalia a perceção dos participantes acerca da sua disponibilidade de proporcionar conforto físico ao parceiro romântico, quando surge esta necessidade (e.g., “Quando o (a) meu (minha) companheiro(a) chora ou está aflito(a), o meu primeiro impulso é abraçálo(a) ou tocar-lhe”); Sensitividade: pretende aceder às capacidades dos participantes em reconhecerem os sentimentos do parceiro romântico e as suas necessidades de apoio e conforto (e.g., “Sou muito atenta(o) aos sinais não-verbais que o(a) meu (minha) companheiro(a) utiliza para me demonstrar que procura ajuda e apoio”); Prestação de cuidados controladora: avalia a extensão em que o participante adota uma postura dominante e não cooperante durante o processo de prestação de cuidados, não conseguindo respeitar as capacidades do parceiro para a resolução do problema (e.g., É frequente dizer à (ao) minha (meu) companheira(o) o que deve fazer quando ela(e) está a tentar tomar uma decisão”); 96 97 Introduction Many prominent psychological theorists and clinicians consider authentic selfexpression a key feature of healthy individual and relational functioning (e.g., Erickson, 1968; Maslow, 1970; Rogers, 1951; Winnicott, 1960). There is, however, a lack of empirical study of authentic self-expression, and important questions remain about the best way to conceptualize it (e.g., Kernis & Goldman, 2005; Lopez & Rice, 2006). Harter (1999, 2002) defined authenticity as acting and expressing oneself in ways that are consistent with inwardly experienced values, desires and emotions. Authenticity has often been conceptualized as an individual personality trait, yet the capacity to act authentically also arises in interactional contexts with others. In particular, authenticity appears to depend on the perceived safety to reveal one’s inner thoughts and feelings in specific social or relational contexts (Neff & Suizzo, 2006). Researchers have begun to approach authenticity in a more relationally oriented framework and to identify its multiple components. Kernis and Goldman (2006) defined dispositional authenticity as the unconstrained operation of an individual’s true self in everyday interactions. They delineated four dimensions of authenticity: being aware of one’s own intrinsic motives, feelings and cognitions; being able to evaluate the self in an unbiased way despite others’ opinions; behaving according to one’s inner values and needs rather than external expectations, and engaging with close others in ways that reflect openness and sincerity so that others see one’s real self. In conceptualizing authenticity in relationships, Lopez and Rice (2006) expanded these last two dimensions in the context of adult romantic relationships, defining authenticity in relationships as a “relational schema that favors the benefits of mutual and accurate exchanges of real self-experiences with one’s intimate partner over the attendant risks of personal discomfort, partner disapproval or relationship instability” (p. 364). The Authenticity in Relationships Scale (AIRS; Lopez & Rice, 2006), that assesses this construct is the central measure of the present study. Based on literature and emerging ideas Lopez’s research team developed an initial item pool, with the underlying goal of capturing perceived beneficial or adverse consequences of authentic interactions within a romantic relationship. They did an exploratory factor analysis with these items on half of their sample (total n = 487) and two factors emerged. Using the other half of their sample, they conducted confirmatory factor analyses, which provided support for the two factor 98 solution. The factors were: unacceptability of deception and intimate risk-taking. Unacceptability of deception (UOD) reflects resistance to maintaining and showing inauthentic self and partner’s representations; intimate risk-taking (IRT) describes a personal tendency for openness and intimate self-disclosure with a romantic partner (Lopez & Rice, 2006). While dispositional conceptions consider authenticity measurement as an approach to individual differences, possibly linked to relational backgrounds, the AIRS characterizes authenticity as a relational phenomenon that is facilitated when interactions undertake a truthful open communication with one’s partner which will be mutually valued despite potential risks. Authenticity has been linked to a number of beneficial psychological and relational qualities. Studies using the Big Five Personality traits have found that individuals with a more authentic self tend to be more extroverted, agreeable, conscientious, open to new experiences, and non-neurotic (Wood, Linley, Maltby, Baliousis, & Joseph, 2008). Research also supports the links between authenticity and greater life and role satisfaction (Wood et al., 2008), positive affect (Goldman & Kernis, 2002), self-esteem (Kernis, 2003), optimism (Harter, et al., 1997) and less depressive symptomatology (Wood et al., 2008). Several studies have found associations between authenticity and more fulfilling intimate relations, suggesting that authenticity may promote relationship satisfaction (Lopez & Rice, 2006) and adjustment (Brunell et al., 2010). Individuals with higher levels of authenticity also report being more motivated to attain intimacy (Kernis, 2003). Other research supports these adaptive relational effects by connecting authenticity to less defensiveness when describing experiences that threaten self-esteem (Lakey, Kernis, Heppner, & Lance, 2007) and to less self-concealment and disorganization (Lopez & Rice, 2006). Authenticity in relationships is closely linked to current partner characteristics and relational dynamics such as support and acceptance of the other’s self. Harter et al. (1997) suggested that individuals’ perceptions of partner validation were connected to the individuals’ own perceived authenticity in the relationship. Adult romantic attachment system The attachment system, which helps to maintain proximity to a partner, may be an important contributor to authenticity. While infants’ attachment involves emotional bonds 99 with parental figures (Bowlby, 1969), adults’ attachment needs transform, and the main attachment figure tends to become one’s romantic partner (Hazan & Shaver, 1987). Bartholomew and Horowitz (1991) argued that romantic attachment could be understood in terms of the positivity or negativity of one’s views about the self and others. These models of self and others can be combined to capture the four adult attachment styles that are widely emphasized in the literature: secure, preoccupied, fearful and dismissive. The secure attachment style, linked with early experiences of supportive relationships, is characterized by a positive model of the self and others. Secure individuals tend to be capable of developing intimate relations with low levels of avoidance and high levels of trust (Matos, 2002). The preoccupied style is characterized by a positive model of others and negative view of the self. Preoccupied individuals tend to seek other’s attention constantly, leading to high anxiety and dependence in their relationships. The dismissive style is marked by a positive model of the self and negative view of others. This style is thought to arise as a way to cope with rejection from an attachment figure, and is associated with the avoidance of intimacy and reports of low levels of anxiety about relationships. Finally, fearfully attached individuals are characterized by a negative model of the self and others. They tend to have high anxiety levels about relationships while they simultaneously avoid intimacy due its inherent risks, leading to ambivalence (Matos, 2002; Bartholomew & Horowitz, 1991). From this perspective, secure attachment would contribute to authenticity in selfpresentation and be a source of accurate self-perceptions (Leak & Cooney, 2001). Past research confirms that greater authenticity is linked to less attachment avoidance and anxiety (Gillath, Sesko, Shaver, & Chan, 2010; Lopez & Rice, 2006). Attachment anxiety might lead to an over concern about partner’s approval and a questioning about one’s own value, which in turn could contribute to the avoidance of real exchanges. Individuals, who are avoidant in their attachment, tend to hide their vulnerabilities and emotions, thus reducing their authentic self-disclosure (Neff & Harter, 2002). Adult romantic caregiving system Adult romantic relations do not only involve the attachment system, but also the caregiving system. In fact, attachment and caregiving are linked and reciprocally influence each other. Just as needy children seek their parents, adults look to their romantic partner 100 for protection, support and care when faced with adversity or personal challenges (Collins & Ford, 2010). A responsive adult caregiver meets a partner’s needs for support when the caregiving system is activated by suffering or distress. A responsive caregiver provides care and love, understands partner’s feelings and attitudes, and facilitates autonomy and personal growth (Reis & Shaver, 1988). Research findings suggest that responsive caregiving is vital for fulfilling and stable relationships (Collins & Feeney, 2000) and is related to attachment security (Mikulincer & Shaver, 2007). Despite the fact that the caregiving system has been viewed as a vital component of adult emotional bonds, it has received little empirical attention (Collins & Ford, 2010). This study is intended to address this gap as well as the understudied link between authenticity in relationships and caregiving to partner. Goals of the study The primary purpose of this research is to examine associations between authenticity in relationships and romantic attachment and caregiving. It is expected that dimensions of authenticity will be positively linked with attachment security and caregiving responsiveness. Past research on authenticity has focused mostly on adolescents or undergraduate samples from North America (e.g., Brunell, et al., 2010; Gillath, et al. 2010; Impett, et al., 2013; Lopez & Rice, 2006; Neff & Suizzo, 2006) like the sample in the AIRS validation study by Lopez and Rice (2006). As adult participants may have different experiences in intimate relationships (Waldinger, Cohen, Schulz, & Crowell, 2015), this study intends to explore the applicability of the AIRS to older individuals. By examining authenticity in a Portuguese sample, this study provides an opportunity to explore the cross-cultural consistency of the construct of authenticity and its linkage to relevant relationship characteristics. Method Participants and procedure Participants were all volunteers (no compensation was given) and were required to be married or living together for at least one year. Since a certain amount of time is 101 needed to create an attachment bond (Zeifman & Hazan, 1997), participants were limited to those already in a committed relationship. Past research (e.g., Downing, 2008) has also found differences in authenticity due to relationship status (single, dating, married/living together), so the study sought to minimize this possible bias. The majority of the participants were graduate students or employees (academic and non-academic) from various departments of the University of Porto, the larger public university in Portugal. The study was advertised through the university email service and participants were informed about the research goals, data confidentiality and anonymity. Other participants were recruited through a snowball method. Questionnaires were completed online or on paper at the University facilities. The small number of participants with missing data (all completed paper questionnaires) were excluded from analyses (n = 27). The final sample consisted of 400 participants, (200 women and 200 men) between 23 and 71 years of age (M = 43.31, SD = 13.90). All of the participants were married or living together from 1 to 52 years (M = 18.46, SD = 14.68). Regarding education, 41.3% of the participants reported that they had not completed high-school, 19.5 % of the participants reported high-school completion, and 39.3% reported completing college. Measures Authenticity in Relationships Scale (AIRS; Lopez & Rice, 2006) is a 24-item selfreport questionnaire that assesses one’s perception of whether the benefits of honest selfpresentations with an intimate partner outweigh their potential risk or costs. The original AIRS is comprised of two subscales: unacceptability of deception (UOD, 13 items) and intimate risk taking (IRT, 11 items). In previous work (Lopez & Rice, 2006), the internal consistency of both subscales was high (α UOD = .88, α IRT = .86), and the AIRS had good test-retest reliability (r = .76, p < .001). Participants are asked to respond using a 9-point Likert scale ranging from 1 (not at all descriptive) to 9 (very descriptive). UOD reflects motivation to engage in honest self-disclosure and relational exchanges. UOD items are reverse scored in order to index a tendency toward authenticity (e.g., “I would rather be the person my partner wants me to be than who I really am”). The IRT items capture selfperceptions of safety and trust in self-disclosing to one’s romantic partner (e.g., “I answer my partner’s questions about me honestly and fully”). For this study, the AIRS was translated into Portuguese following established recommendations for cross-cultural research (Hambleton, Merenda & Spielberger, 2005). First, three Portuguese native 102 speakers with research experience and English proficiency translated the measure to Portuguese. The items were then compared, discussed and edited into final version that was culturally and linguistically sensitive but also remained faithful to the original items. This final version was translated back into English by a bilingual professional translator. Issues regarding the back translated English versions were identified and the Portuguese version was corrected accordingly. The final Portuguese items (the AIRS-P) were discussed with 10 native speakers similar to our target participants, who verified that the intended meaning of the items was captured. Romantic Attachment Questionnaire - Brief version (RAQ; Matos, Cabral, & Costa, 2008) is a self-report questionnaire assessing attachment to one’s romantic partner. The RAQ was built on Bartholomew’s model of adult attachment (Bartholomew & Horowitz, 1991) and its dimensions were conceived in order to cluster into the four patterns of adult attachment. Specifically developed and validated for Portuguese samples (Matos, 2002), this measure has 24 items (6 per dimension) organized in 4 dimensions: Trust taps participants’ perceptions of partners as a source of consistent emotional support (e.g., “I know I can count on my partner every time I need him”); Dependence assesses participants’ needs for physical and emotional proximity and fears about separation and loss (e.g., “I can only face new situations if my partner is with me”); Avoidance asks about the importance of romantic partners in satisfying ones’ attachment needs (e.g., “I don’t need my partner’s care”) and Ambivalence captures participants’ doubts about one’s role as a romantic partner and one’s feelings toward the partner (e.g., “Sometimes I see my partner as a fundamental part of my life, but other times I don’t”). Responses are provided on a 6-point Likert scale ranging from 1 (totally disagree) to 6 (totally agree). Several studies have established that the RAQ has strong psychometric properties (e.g., Ávila, Cabral, & Matos, 2012; Oliveira, & Costa 2009). Ávila et al. (2012) found strong and expected links between the RAQ and the widely used Experiences in Close Relationships Scale (ECR; Brennan, Clark, & Shaver, 1998). Expected associations were found between RAQ’s dependence and ECR’s anxiety scales (r = .61, p < .001), between avoidance on both scales (r = .31, p < .001), and between RAQ’s trust and ECR’s avoidance (r = -.71, p < .001). The Caregiving Questionnaire (CGQ; Kunce & Shaver, 1994; Portuguese version: Torres & Oliveira, 2010) has two subscales (each with 8 items) that measure dimensions of responsive caregiving (Mikulincer & Shaver, 2007). Proximity maintenance taps 103 participants’ perceptions of being available to comfort their romantic partner physically when needed (e.g., “When my partner cries or is distressed, my first impulse is to hold or touch him/her”). The sensitivity subscale assesses one’s ability to recognize a partner’s feelings and needs for comfort and support (e.g., “I can always tell when my partner needs comforting even when he/she doesn’t ask for it”). Responses are requested on a 6point Likert scale varying from 1 (Not at all descriptive of me) to 6 (Very descriptive of me). Two other subscales from the Caregiving Questionnaire, which are conceptually less relevant and which have shown lower reliabilities in past research in Portuguese samples (Torres & Oliveira, 2010; Gouveia, Schulz, & Costa, 2014), were not analyzed in this study. Data analysis Using IBM SPSS Statistics 21 descriptive statistics and Person’s correlations between subscales were calculated. Also a t-test for independent samples was performed to address gender differences. Structural equation modeling (SEM) was used to examine the role of authenticity’s unacceptability of deception and intimate risk taking in predicting attachment and responsive caregiving in romantic relationships. A confirmatory factor analysis (CFA) was performed to test the AIRS-P factor structure. The SEM and the CFA were performed using IBM AMOS 21. To evaluate significance, a p < .01 cut-point was used. Established fit criteria for evaluating the CFA and the SEM were utilized, including the Hu and Bentler (1999) two indices combination strategy using a SRMR under .09 and a RMSEA of .06 or less as indicators of adequate fit. In addition, Kline’s (2010) recommendation that the chisquare ratio (χ2/DF) to be 5 or less and the CFI be around .95 or higher were used for assessing model fit. Results Factor Structure of the AIRS-P CFA was performed to assess the AIRS factor structure in the Portuguese sample. CFA provides the opportunity to explicitly test a hypothesized factor structure. An oblique, 104 two-factor structure reflecting the original structure of the AIRS (Lopez & Rice, 2006) was tested by specifying a model with a covariance path between the two factors and allowing all items to load on only one factor. The initial model did not yield acceptable fit indices (χ2 (251) = 905.35; χ2/DF = 3.6; CFI = .87; RMSEA = .07, 90% confidence interval (CI): [.07 - .08]; SRMR = .06). Five items (two for the IRT dimension and three for UOD 19 ) with low factor loadings (.21 to .37) were removed from further models. Examination of the residual covariance matrix and modification indexes (Jöreskog & Sörbom, 1984) indicated that there were some items within scales that intercorrelated more than others. These items had content that substantially overlapped. A new model was estimated (Figure 5) in which the errors for these items were specified to covary: three for IRT and two for UOD 20 . This model indicates that, with these minor modifications, the data were an adequate fit to the specified original factor structure (χ 2 (148) = 406.20; χ 2 /DF = 2.7; CFI = .94; RMSEA = .06, 90% CI: [.06-.07]; SRMR = .05). These CFA fit indices are close to the one’s found in the original English version of the AIRS (CFI = .93; RMSEA = .06, 90% CI: [.05-.07]; SRMR = .07). The standardized factor loadings for the final 19 items were all significant and large (Figure 1). The -.53 correlation amongst the two factors was similar to the original AIRS and confirmed that the two dimensions are related but distinct constructs. The final AIRS-P version comprised 19 items: 9 for the Intimate risk taking subscale and 10 for unacceptability of deception. Means, standard deviations and alphas for each subscale are presented in Table 3. 19 Removed items: IRT “There are no topics that are “off limits” between my partner and me”, “I will confront my partner if I suspect that he/she is not being completely open with me”; UOD “I avoid raising certain topics for discussion with my partner”, “There are certain things about my partner I’d rather not know much about”, “I’d rather my partner to keep certain thoughts and feelings to him/herself if this will help us avoid an argument. 20 For the IRT dimension, the errors for the items “I am totally myself when I am with my partner” and “I share my deepest thoughts with my partner even if there’s a chance that he/she won’t understand them” were specified as covarying as were the errors for the latter item and “I answer my partner’s questions about me honestly and fully”. Two items from the UOD dimension were specified as having covarying errors: “I’m willing to tell a “white lie” about myself if it will keep my partner happy” and “I suspect that what my partner likes best about me is not really part of who I am”. 105 )LJXUH &RQILUPDWRU\ IDFWRU DQDO\VLV RI WKH 3RUWXJ XHVH YHUVLRQ RI WKH $XWKHQWLFLW\ LQ 5HODWLRQVKLSV6FDOH   1RWH 82' 8QDFFHSWDELOLW\ RI GHFHSWLRQ ,57 ,QWLPDWH ULVN WDNLQJ 3DWKV DUH VWDQGDUGL]HGDQGVLJQLILFDQWDW S    112 respond sensitively to each other’s needs. A number of couple’s therapy interventions (e.g., Johnson, 2012; Schulz, Cowan, & Cowan, 2006) build on ideas from attachment theory and emphasize the key roles of authentic self-expression and validation of experience by a partner. The strong links found in this study between authenticity and romantic attachment suggest the importance of understanding attachment dynamics when trying to help couples improve their communication and interaction patterns. For example, efforts to enhance authentic communication within a distressed couple relationship might focus on building trust and encouraging self-acceptance. Exploration of and work on motives for being less authentic in their relationship might help clients to understand potential concerns and conflicts they have about intimacy. Research suggests that secure individuals have the most adaptive pattern of caregiving and receiving within relationships (e.g., Mikulincer & Shaver, 2007). A feeling of trust and safety in one’s partner, typically associated with secure attachment, facilitates being available to provide physical and emotional comfort. Authenticity seems to permit greater closeness, allowing exchanges through honest self-disclosure and sharing leading to a better understanding of each other’s needs. 113 References Ávila, M., Cabral, J., & Matos, P.M. (2012). Identity in university students: The role of parental and romantic attachment. Journal of Adolescence, 35, 133-144. doi:10.1016/j.adolescence.2011.05.002. Bartholomew, K., & Horowitz, L. (1991). Attachment styles among young adults: A test of a four category model. Journal of Personality and Social Psychology, 61 (2), 226-244. doi:10.1037/0022-3514.61.2.226. Bowlby, J. (1969). Attachment and loss. Attachment (Vol. 1). New York: Basic Books. Brennan, K., Clark, C. L., & Shaver, P. (1998). Self-report measures of adult romantic attachment. In J. A. Simpson & W. S. Rholes (Eds.), Attachment theory and close relationships (pp. 46-76). New York: Guilford Press. Brunell, A., Kernis, M., Goldman, B., Heppner, W., Davis, P., Cascio, E., & Webster, G. (2010). 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It is considered that early attachment relationships have a key role for the development of future emotional bonds, which in turn have a long lasting impact on psychological and social adaptation, influencing how the individual relates to him/herself and to significant others (Bowlby, 1980). The Authenticity in Relationship Scale (AIRS, Lopez & Rice, 2006), was administered along with the Father and Mother Attachment Questionnaire – retrospective version (FMAQ - R, Matos & Costa, 2001) and the Romantic Attachment Questionnaire (RAQ - Matos, Cabral & Costa, 2008). Two independent samples of participants were inquired: one comprising 233 women aged between 24 to 69 years and the other 209 men aged between 24 to 70 years, all married or living together for at least one year. The same structural equation model was tested for men and women. For male and female participants separation anxiety and quality of emotional bond to father and inhibition of exploration and individuality to mother was linked to current adult romantic attachment, mediated by authenticity in relationships. Keywords: attachment to mother and father, authenticity, romantic attachment, gender, adulthood. 128 about relationships while they simultaneously avoid intimacy due its inherent risks, leading to ambivalence (Bartholomew & Horowitz, 1991). Past research confirms that greater authenticity is linked to less attachment avoidance and anxiety (Gillath, Sesko, Shaver, & Chan, 2010; Lopez & Rice, 2006). Attachment anxiety might lead to an over concern about partner’s approval and questioning one’s own value, which in turn could contribute to the avoidance of real exchanges. Individuals who are avoidant in their attachment tend to hide their vulnerabilities and emotions, thus reducing their authentic self-disclosure (Neff & Harter, 2002). Goals of the present study Within an attachment framework, this study represents an effort towards a wider view of authenticity in relationships as conceptualized by Lopez and Rice (2006). The main goal of the present work is to test a model separately for men and women, in which retrospective characteristics of the attachment relationships with parents (asking participants to recall their relationship during adolescence) may have an effect on adult romantic attachment through the mediating role of authenticity in the current relationship (Figure 3). Bowlby (1969) himself was largely focused in attachment to mother and in reality most of the earlier studies about attachment to parental figures are largely focused on mother’s role. Relatively few studies examined the unique and different relationships that mothers and fathers may have with their sons and daughters (Laible & Carlo, 2004). However, several works show the attachment relationships to mother and to father are qualitatively different, and that both parents contribute to their offspring emotional security (Bretherton, 2010; Grossmann et al., 2005; Paquette & Bigras, 2010). Given these results, this work also aims to understand if participants’ attachment to mother or to father might have different contributions on adult relational outcomes, such as authenticity and attachment, considering if the participant is a men or a woman. 129 Method Participants and procedure All participants were volunteers (no compensation was offered) and were married or living together for at least one year. This criteria emerges since a certain amount of time is needed to create an attachment bond (e.g., Zeifman & Hazan, 1997) and for couples adaptation to their new conjoint life. The majority of the participants were graduate students or employees (academic and non-academic) from various departments at the University of Porto. The study was advertised through the university email service and participants were informed about the research goals, data confidentiality and anonymity. Additional participants were recruited through a snowball sampling method. Questionnaires were completed online or on paper at the university facilities. Participants who did not have a relationship with both or one of their parents, or whose mother or/and father died or were absent during adolescence years were removed from further analysis (n = 62). Participants were divided by gender and two different samples were assembled. The sample of women comprises 233 participants, married or living together for 1 to 48 years (M = 16.33, SD = 14.40) and aged between 24 to 69 years (M = 40.58, SD = 13.18). The majority (68.7%) of the women had one or more children. Concerning education, 33.5% of the female participants did not complete high school, 18% had a high school diploma and 48.5% completed a college degree. The sample of men includes 209 participants, with an age range between 24 and 70 years (M = 45.47, SD = 13.65), all married or living together from 1 to 52 years (M = 19.89, SD = 14.55). The great majority (80%) of men reported to have one or more children. Regarding education, 47.8% of the men reported that they had not completed high school, 21.1 % reported high school completion, and 31.1% had a college degree. Measurement of constructs Demographics: Participants were asked to report on their gender, age, education, marital status, years of marriage and number of children. Authenticity in Relationships Scale (Lopez & Rice, 2006) - Portuguese version (Gouveia, Schulz & Costa 2016): AIRS-P is a 19-item self-report (24 in the original version) questionnaire that assesses one’s perception of whether the benefits of honest 130 self-presentations with an intimate partner outweigh their potential risk or costs. Both American and Portuguese versions are comprised of two subscales: unacceptability of deception (UOD), with 10 items, and intimate risk taking (IRT) with 9 items. Participants are asked to respond to items using a 9-point Likert scale ranging from 1 (not at all descriptive of me) to 9 (very descriptive of me). UOD reflects motivation to engage in honest self-disclosure and relational exchanges. UOD items are reverse scored in order to index a tendency toward authenticity (e.g., “If my partner knew the real me, he or she would probably be surprised and disappointed”). The IRT items capture self-perceptions of safety and trust in self-disclosing to one’s romantic partner (e.g., “I answer my partner’s questions about me honestly and fully”). Romantic Attachment Questionnaire - Brief version (RAQ –BV; Matos, Cabral & Costa, 2008) is a self-report questionnaire assessing attachment to one’s romantic partner. The RAQ builds on Bartholomew’s model of adult attachment (Bartholomew & Horowitz, 1991). Specifically developed and validated for Portuguese participants (Matos, 2002), this measure comprises 24 items organized in 4 dimensions, with 6 items each: trust taps participants’ perceptions of partners as a source of consistent emotional support (“I know I can count on my partner every time I need him”); dependence assesses participants’ needs for physical and emotional proximity and fears about separation and loss (e.g., “I can only face new situations if my partner is with me”); avoidance asks about the importance of romantic partners in satisfying participants’ attachment needs (“I don’t need my partner’s care)”; and ambivalence captures participants’ doubts about one’s role as a romantic partner and one’s feelings toward the partner (“Sometimes I see my partner as a fundamental part of my life, but other times I don’t ”). Responses are provided on a 6 - point Likert scale ranging from 1 (totally disagree) to 6 (totally agree). Several studies have established that the RAQ has strong psychometric properties (e.g., Ávila, Cabral, & Matos, 2012; Oliveira & Costa 2009, Santos & Matos, 2007). Father and Mother Attachment Questionnaire – Retrospective version (FMAQ–R; Matos & Costa, 2001) is a self-report 30-item questionnaire, developed in order to assess adults’ parental attachment during their adolescent years, framed in Bowlby’s theoretical work. This questionnaire derives from an original version designed for Portuguese adolescents that was hence adapted by the authors and asks participants to recall their adolescent period tapping into their attachment orientations to father and to mother separately. The FMAQ-R comprises 3 dimensions, with 10 items each: inhibition of 131 exploration and individuality (IEI) assesses the perceived limitations in expressing individuality and exploratory behaviors (e.g., “If I wanted to experience something new, my father/ mother would discourage me”); quality of emotional bond (QEB) addresses the perceived function played by father/mother as an attachment figure (e.g., “I knew I could count on my father/mother every time I needed him/her”); and separation anxiety (SA) assesses the experience of separation anxiety and fear and the degree of dependence on the attachment figure (e.g., “I did everything to please my father/mother”). Responses are provided on a 6 - point Likert scale ranging from 1 (totally disagree) to 6 (totally agree). Separate response scales are provided for mother and father. It should be noticed that one parent’s behavior seems not to influence the other parent’s attachment relation with the child and that a child’s attachment with one parent is formed relatively independently from the other (Benware 2013). For all the presented measures, a confirmatory factor analysis (CFA) was performed for each one of dimensions. Overall, the dimensions, equally for men and women, presented appropriate model fitting indices, as well as good reliability coefficients. Data analysis Descriptive statistics, Person’s correlations and the multivariate analysis of covariance (MANCOVA) were performed using IBM SPSS Statistics 21. Confirmatory factor analyses for each one of the subscales were performed using IBM AMOS 21. Also with AMOS 21, two structural equation mediation models were tested, one for women and one for men. These models were drawn to examine the role of authenticity’s unacceptability of deception and intimate risk taking as a mediator variable between attachment to mother and father and attachment to romantic partner for men and women. To evaluate statistical significance, a p < .01 cut-point was used. Established fit criteria for evaluating the confirmatory factor analysis and the SEMs were utilized, including the Hu and Bentler (1999) two-index combination strategy using a SRMR (standardized root mean square residual) under .09 and a RMSEA (root mean square error of approximation) of .06 or less as indicators of adequate fit. In addition, Kline’s (2010) recommendation that the chi-square ratio (χ2/DF) to be 5 or less and the CFI (comparative fit index) be around .95 or higher were used for assessing model fit. 132 As we are testing a mediational model, indirect effects were also estimated and assessed. To test the significance level of indirect effects Shrout and Bolger (2002) recommendations were followed, and bootstrap procedure was used. Bootstrap methods offer an empirical method of testing the significance of statistical effects. A total of 1000 bootstrap samples were used in calculating the indirect effects (Mallinckrodt, Abraham, Wei, & Russell, 2006). According to Shout and Bolger’s suggestion, for a 95% confidence interval if the indirect effect estimates does not include zero, it can be concluded that the indirect effect is statistically significant at p < .05 level and there is therefore evidence of mediation. Following Kline (1998), we describe standardized path coefficients as small (<.10), medium (around .30), and large (.50). Results Preliminary results Regarding the small number of participants in each sample and the number of parameters to be estimated a structural equation model with observed variable was build. The observed variables to include in the model were computed after performing a CFA for each subscale of the instruments and regression weights were used to calculate dimensions’ means more accurately. Instead of a mean average measure of each dimension, a weighted mean was used, multiplying item´s scores by the standardized regression weights, and divided by the sum of all the regression weights. The confirmatory factor analysis, performed for each dimension retrieved adequate model fitting and reliability coefficients for women (Table 3) and men (Table 4). Pearson’s correlation coefficients were calculated amongst the variables to enter the model, for both women and men, as presented on Table 5 For women, authenticity dimensions showed weak to moderate associations with the dimensions of attachment to mother and to father (ranging from -.21 and – 35). The correlations between intimate risk taking and separation anxiety for both parents were not significant, and neither was the association with quality of emotional bond to father. The Person’s correlations between attachment to mother or father and romantic attachment where mostly weak and significant (ranging from -15 and .31). 133 Table 4. Cronbach’s alpha, means, standard deviations and model fit for confirmatory analysis of the AIRS-P, RAQ and FMAQ - R subscales for women Authenticity in Relationships Scale - Portuguese version: AIRS-P α M SD χ2 DF χ 2/ DF CFI SRMR IRT .87 7.41 1.22 42.04 19 2.12 .969 .040 UOD .91 7.13 1.75 48.97 25 1.96 .981 .033 Romantic attachment questionnaire: RAQ α M SD χ2 DF χ 2/ DF CFI SRMR Trust .81 4.98 .75 10.90 4 2.72 .980 .031 Dependence .78 3.72 .99 14.60 8 1.83 .977 .035 Avoidance .82 2.42 1.03 17.20 8 2.15 .980 .034 Ambivalence .85 2.28 1.08 9.14 5 1.83 .991 .026 Father and Mother Attachment Questionnaire: FMAQ-R α M SD χ2 DF χ 2/ DF CFI SRMR QEB .92 5.12 .83 65.53 33 1.99 .976 .037 Mother IEI .90 3.31 1.13 57.12 26 2.2 .965 .044 SA .87 3.85 1.05 38.35 18 2.13 .965 .040 QEB .91 5.04 .86 51.22 26 1.97 .975 .036 Father IEI .89 3.20 1.04 52.98 26 2.04 .968 .041 SA .84 3.81 .96 33.53 19 1.76 .970 .040 Note. IRT: Intimate risk taking, UOD: Unacceptability of deception; QEB: Quality of emotional bond, IEI: Inhibition of exploration and individuality, SA: Separation anxiety. 134 Table 5. Cronbach’s alpha, means, standard deviations and model fit for confirmatory analysis of the AIRS-P, RAQ and FMAQ - R subscales for men Authenticity in Relationships Scale - Portuguese version: AIRS-P α M SD χ2 DF χ 2/ DF CFI SRMR IRT .89 7.11 1.24 40.17 27 1.82 .973 .037 UOD .89 6.50 1.65 69.47 34 2.04 .958 .045 Romantic attachment questionnaire: RAQ α M SD χ2 DF χ 2/ DF CFI SRMR Trust .79 4.99 .69 9.09 4 2.27 .981 .033 Dependence .66 3.91 .86 14.21 9 1.58 .960 .046 Avoidance .81 2.42 .99 15.27 9 1.7 .982 .033 Ambivalence .83 2.39 1.07 11.38 5 2.28 .982 .029 Father and Mother Attachment Questionnaire: FMAQ-R α M SD χ2 DF χ 2/ DF CFI SRMR QEB .90 4.89 .85 68.12 34 2.0 .964 .042 Mother IEI .89 3.08 .97 39.14 19 2.1 .958 .047 SA .87 3.69 1.05 43.80 20 2.2 .960 .048 QEB .91 4.70 .94 26.21 13 2.02 .978 .032 Father IEI .83 3.09 .95 39.25 19 2.16 .955 .049 SA .87 3.66 1.02 43.64 20 2.18 .960 .044 Note. IRT: Intimate risk taking, UOD: Unacceptability of deception; QEB: Quality of emotional bond, IEI: Inhibition of exploration and individuality, SA: Separation anxiety. 135 Table 6. Correlations among attachment to parents, authenticity and attachment to the romantic partner for women and men Women 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 1. QEB mother - 2. IEI mother ns - 3. SA mother .48 .34 - 4. QEB father .60 -.23 .14* - 5. IEI father -.29 .58 .17* -.49 - 6. SA father .23 .16* .68 .48 ns - 7. IRT .27 -.21 ns ns -.21 ns - 8. UOD .32 -.34 -.27 .27 -.35 -.28 .50 - 9. Trust .28 -.15* ns .19 -.19 ns .58 .48 - 10. Dependence ns .24 .31 ns .25 .30 ns -.27 .19 - 11. Avoidance -.25 .21 ns -.21 .24 ns -.50 -.73 -.56 ns 12. Ambivalence -.29 .23 .19 -.26 .27 .19 -.46 -.75 -.60 ns .82 Men 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 1. QEB mother - 2. IEI mother -.41 - 3. SA mother .36 .20 - 4. QEB father .60 -.32* .17* - 5. IEI father -.43 .74 .14* -.40 - 6. SA father .19 .18* .75 .50 ns - 7. IRT .25 -.36 ns .24 -.29 ns - 8. UOD .17* -.39 -.32 ns -.36 -.34 .41 - 9. Trust .37 -.39 ns .30 -.31 ns .58 .45 - 10. Dependence ns .17* .19 ns .24 .22 .18 -.17 .27 - 11. Avoidance -.26 .44 .24 -.25 .38 .18 -.46 -.65 -.58 -ns - 12. Ambivalence -.25 .48 .27 -.22 .42 .26 -.46 -.69 -.60 ns .79 Note. All correlations are significant at p < .001; * p < .05; ns = non-significant. QEB: quality of emotional bond, IEI: inhibition of exploration and individuality, SA: Separation anxiety. IRT: Intimate risk taking, UOD: unacceptability of deception 136 However the correlations between separation anxiety with trust and avoidance; and as well as quality of emotional bond with dependence were not significant, for both parents. The associations between romantic attachment and authenticity tended to be moderate to strong (ranging from -.27 to -.75). The associations between unacceptability of deception with avoidance and ambivalence are negative and have especially large magnitude. Also moderately large correlations were found between both authenticity dimensions and romantic attachment trust. Authenticity variables show correlations with smaller magnitude with dependence and for women the association between intimate risk taking and dependence was not significant. For men the authenticity dimensions showed weak to moderate associations with the dimensions of attachment to mother and to father (ranging from .17 to -.39). The correlations between intimate risk taking and separation anxiety for both parents were not significant, neither was the linkage amongst unacceptability of deception and quality of emotional bond to father. The Person’s correlations between attachment to mother and father and romantic attachment where generally weak to moderate and significant (ranging from .17 and .48). However, the link between trust and separation anxiety as well as the association of quality of emotional bonds with dependence were not significant, for mother and father. The associations between romantic attachment and authenticity are mostly moderate to strong (ranging from .45 to -.69) but weaker for dependence. The correlations between unacceptability of deception, avoidance and ambivalence have a particularly large magnitude. Also moderately large linkages were found between unacceptability of deception and intimate risk taking and attachment trust. Gender differences on attachment and authenticity A multivariate analysis, MANCOVA, was performed in order to examine if gender could contribute for differences on all the variables included in models, controlling for participant’s age, given its large variability. The analysis revealed a main effect of gender (F (12, 428) = 6.59, p = .000 Wilk's Λ = .74, partial η2 = .16) on unacceptability of deception and for attachment to mother and father dimensions. No gender differences appeared for romantic attachment dimensions, for intimate risk taking and for quality of emotional bond to mother. 137 Table 7. Means, standard errors for authenticity and attachment dimensions for the Mancova, posthoc comparisons between women and men and variability explained by gender Women (W) Men (M) Post-hoc comparison* Adjusted R2 M SE M SE Authenticity in relationships: AIRS - P Intimate risk taking 7.33 .08 7.20 .08 ns - Unacceptability of deception 7.03 .11 6.62 .11 W > M .16 Romantic attachment: RAQ - BV Trust 4.93 .05 5.03 .05 ns - Dependence 3.75 .06 3.88 .06 ns - Avoidance 2.48 .06 2.35 .07 ns - Ambivalence 2.34 .07 2.32 .07 ns - Attachment to mother: FMAQ - R QEB mother 5.08 .05 4.92 .06 ns - IEI mother 3.35 .07 3.03 .07 W > M .058 SA mother 3.88 .07 3.65 .07 W > M .030 Attachment to father: FMAQ -R QEB father 5.03 .06 4.72 .06 W > M .042 IEI father 3.24 .06 3.05 .07 W > M .044 SA father 3.84 .06 3.64 .07 W > M .043 Note. * LSD. All differences were significant at p < .05. QEB: Quality of emotional bond; IEI: Inhibition of exploration and individuality, SA: Separation anxiety As presented in Table 7, women reported higher scores than men for all the variables whose differences were significant. Gender explained 16% of unacceptability of deception variability. For attachment to mother and father dimensions (except for quality of emotional bond to mother) gender explained smaller but still significant amounts of variance, ranging between 3% and 6%. 144 deception and avoidance, and also between inhibition to mother, UOD and ambivalence. There are significant direct paths of inhibition to mother on avoidance (ᵦ = .17) and on ambivalence (ᵦ = .19), a direct effect on unacceptability of deception (ᵦ = -.19) and from UOD to ambivalence (ᵦ = -.55) and avoidance (ᵦ = -.51). For inhibition of exploration and individuality to mother the effects were smaller, and positive for dependence, avoidance and ambivalence and negative for trust. The indirect effects of inhibition of exploration and individuality via intimate risk taking are relatively larger and negative on trust and dependence. In turn the effects observed for inhibition to father were smaller and positive for avoidance and ambivalence, through intimate risk taking. Men’s quality of emotional bond, inhibition of exploration and individuality and separation anxiety with father revealed significant indirect effects through unacceptability of deception on the four romantic attachment dimensions. It should be noted that these two dimensions of attachment to father had especially large effects on romantic attachment avoidance and ambivalence (negative for QEB and positive for SA), particularly for separation anxiety. There were smaller indirect effects of attachment to father on trust (positive for QEB and negative for SA) and smaller for dependence (negative for QEB and positive for SA). Discussion The major goal of this study was to test the mediator role of unacceptability of deception and intimate risk taking between attachment to parents and romantic attachment for men and women, separately. In addition, we aimed to understand if there were different roles of recalled attachment during adolescence to mother and to father, during adolescence in predicting adult relational outcomes, such as authenticity and romantic attachment for men and women. Our results show that recalled adolescent attachment to mother and father had an effect on authenticity in relationships for men and women later in life. Intimate risk taking showed less variability explained by attachment to parents than unacceptability of deception for men and women. For men intimate risk taking was negatively connected with inhibition of exploration and individuality to mother. For women, was also the mother who contributed the most but with a positive link to quality of emotional bond and negative 145 for separation anxiety. Unacceptability of deception was connected to separation anxiety and inhibition to mother for both men and women, but quality of emotional bond to father had an effect only for women. The paths’ coefficients observed in these linkages were mostly moderate and negative for separation anxiety and inhibition of exploration and individuality and positive for quality of emotional bond. Overall, women seem to have more significant paths from attachment to parents to authenticity dimensions than men did. However, these coefficients’ were especially weak for inhibition of exploration and individuality to mother and UOD and larger for and separation anxiety to father. This association between attachment to parents and authenticity seems not to have been studied before. Nevertheless, the first experiences of acceptance are traditionally lived inside the parental relationship and therefore the construction of the positive or negative internal working models of the self and others. Relationships with parents are the first context where the individual internalizes if self-revelation is safe. When parents openly question or contradict the legitimacy of children’s authentic thoughts and feelings it might lead the children to ignore or discard these experiences, in order to please parents and possibly adopt their viewpoints (Kernis, 2003).Our results point to the potential important influence of attachment to parents on authenticity as a construct mediating the construction of attachment to romantic partners. Considering the indirect effects from attachment to parents on romantic attachment throughout the mediator role of authenticity, the same variables of attachment to mother and father appear as predictors for romantic attachment for men and women. That is, inhibition of exploration and individuality to mother, separation anxiety and quality of emotional bond to father had indirect effects via unacceptability of deception on the four romantic attachment dimensions in both genders. Only for men, there were also effects through intimate risk taking, linking inhibition of exploration and individuality to mother to the four romantic attachment dimensions. For men and women a higher quality of the emotional bond to father leads to greater unacceptability of deception, with in turn is associated with greater trust on romantic partner and lower levels of avoidance, ambivalence and dependence. Quality of emotional bond relates to the importance and uniqueness of the parent, in this case the father, as an attachment figure, and how is seen by the individual as fundamental for development and to whom he/she will turn to in situations of need, that is, as a safe haven (Gouveia & Matos, 2011). These results seem to be in conformity with the literature, as 146 the core feature of early attachment security is an emotional bond that will enhance a positive view of the self and others (Mikulincer & Shaver, 2007). Without the fear of being rejected, individuals become more prone to be authentic and develop secure romantic relationships Research shows that in young adulthood fathers are still used as a safe haven and a secure base (Markiewicz, Lawford, Doyle, Haggart, 2006), suggesting that a safe haven is a central feature of quality of emotional bond. Furthermore, research suggests that during childhood interactions with the father while playing an exploratory game, the child grows a sense of security through encouragement, guidance, and support, promoting collaboration and problem-solving skills (Grossmann et al. 2005) and probably seeing fathers in a more playful approach. Furthermore, it appears that fathers are more likely than mothers to encourage autonomy and exploration, and the approaching of new situations (Paquette & Bigras 2010). The influence of this encouragement seems to reach greater importance in adolescence as the individual is struggling for autonomy and exploration is an important mean to achieve identity (Grossmann et al. 2005). This could explain why quality of emotional bond to father and not to mother predicts adult romantic outcomes. For men only a positive direct effect appears between quality of emotional bond to mother and romantic attachment trust, probably because the safe haven was provided when in need and a positive model of the others is created, leading to trust even in relationships in adulthood. Quality of emotional bond to mother also had a positive effect on women’s intimate risk taking, which seems plausible given that the establishment of an emotional bond in adolescence allows participants to be authentic without the fear of losing the others affection. Separation anxiety to father was related to lower levels of unacceptability of deception, and indirectly to greater dependence, avoidance, and ambivalence and lower levels of trust in the romantic partner. Separation anxiety relates to experiences of anxiety and fear facing separation from the attachment parental figure, which might reveal a relationship of dependence with the parent, in this case, the father (Gouveia & Matos, 2011). If participants, in their adolescence, felt anxious about losing the attachment figure, it may foster inauthenticity, as they might tend to try to please their fathers in order not to lose them and to seek proximity. Additionally, literature reveals that fathers are used during adolescence and young adulthood as a safe haven and secure base (Markiewicz et al, 2006). In the case of insecurity, anxiety about attachment might emerge, since the adolescent fears that the safe haven function might not be available in case of need. 147 Furthermore, if the father fails to meet his functions as a secure base for exploration (Paquette & Bigras 2010), a sense of secure autonomy may not develop, and will to explore might decrease. In this case, adolescents will probably tend to be more dependent due to a fear that the father would not value exploration. This dimension of attachment to parents usually roots insecurity in adult romantic relationships, especially anxiety and dependence (Matos, 2002). Inhibition of exploration and individuality concerns individuals’ perceptions about parental restrictions to the expression of his/her own individuality (Gouveia & Matos). As the perception of safety about being authentic is one of the most important factor for honest self-disclosure (Neff & Suizzo, 2006), if mother was particularly restrictive and nonaccepting participants ideas in adolescence, this might lead to a tendency not to authentically disclose. These perceptions might be manifested by felt difficulties on manifesting points of view or opinions that might be divergent from the ones of the parental figure. Inhibiting parents tend not to support exploration initiatives and to be overly interfering in issues that the adolescent considers private (Gouveia & Matos, 2011; Matos, 2002). These behaviors from the parents can lead to low autonomy and later attachment insecurities. In fact, the presented results show that higher inhibition to mother is linked to greater dependence, avoidance and ambivalence, but also to lower levels of trust in the romantic attachment relationship. Furthermore, participants who showed more unacceptability of deception have greater trust in the romantic partner, and report less dependent, avoidant or ambivalent behaviors. For men only there is an indirect effect of inhibition of exploration and individuality to mother, through intimate risk taking, on romantic attachment, leading to greater avoidance and ambivalence, and less trust on adult romantic attachment. Research, in young adults, show that for individuals with attachment insecurity to mother, the secure base function was the most affected; that is, in the absence of a secure base exploration may be inhibited (Markiewicz et al., 2006), possibly explaining the link between inhibition to mother and adulthood romantic attachment outcomes. Surprisingly the effect on dependence does not go in the expected direction, due the positive association of intimate risk taking with dependence that was also observed for women, despite the absence of mother’s inhibition indirect effect. IRT requires that the individual be authentic, but willing to take possible risks or costs of relationship conflicts (Lopez & Rice, 2006). The possible costs of being authentic are very explicit in the scale’s content and formulation (e.g., I 148 share my deepest thoughts with my partner even if there is a chance he/she will not understand them; Appendix II). This result may reflect the potential influence of social desirability, as individuals with higher dependence fear conflict or disapproval. Another possibility is that because attachment dependence relates to one’s fears of being abandoned and the desire to be close to partners, it may drive people to engage in certain types of authenticity more frequently (Downing, 2008). This might also explain the positive effects of separation anxiety to mother, for women, on intimate risk taking, where anxiety to mother might be transferred to the adult relationship, leading women to fear of loss, and in consequence to share selected information, possibly more related to this dimension of authenticity. Predicted by attachment to mother and father, authenticity dimensions were linked to attachment to romantic partner. Unacceptability of deception had significant effects in all the romantic attachment outcomes: dependence, ambivalence, avoidance. Besides the effects in dependence, intimate risk taking also showed effects on trust, avoidance and ambivalence, and for women evidenced significant effects on trust as well as a small contribution on avoidance. In conformity to the results’ presented in study 1, the paths between Unacceptability of deception to avoidance and ambivalence showed an especially large magnitude for women and men. Previous research has noticed the strong link between UOD and attachment avoidance (Downing, 2008, Lopez & Rice, 2006). Unacceptability of deception reflects one’s motivations to engage in authentic selfdisclosure and relational exchanges and intimate risk taking represents a choice of being authentic despite the possibility of relational costs. These motivations conflict with a central characteristic of avoidantly attached individuals - an unwillingness to share emotions with others (Bartholomew & Horowitz, 1991), which would hinder one’s ability to be authentic (Gouveia, Shulz & Costa, 2015). Ambivalence about attachment is distinguished by an individual’s reluctance to become close to another due an apprehension about not being loved by the partner. This concern about not being loved is also a key element of dependence, but here it appears linked to the fear of losing the significant other. This fear might motivate an individual to refrain from authentic selfexpression and instead lead the individual to selectively disclose thoughts and opinions that are perceived as more appealing to the partner or as a way to avoid conflict or maintain approval (Mikulincer & Shaver, 2007). Consistent with this argument is the combined significant role of unacceptability of deception and intimate risk taking in 149 predicting greater trust, which is a core dimension of attachment security. The strong link between intimate risk taking and trust is consistent with the underlying conceptualization of both constructs, as they both emphasize perceived support and trust in a reliable romantic partner. Similarly, a certain degree of trust in a secure self and a trustworthy partner may be crucial for scoring high on the unacceptability of deception scale. Some studies of authenticity in romantic relationships (Gouveia, Schulz & Costa, 2015; Lopez & Rice, 2006; Neff & Suizzo; 2006) have reported gender differences in authenticity where women tend to report greater authenticity than men. More specifically, such that women were found in this study to have higher mean scores in unacceptability of deception than men. Gender was responsible for 16% of the variability in unacceptability of deception. However, no gender differences were found for attachment with romantic partner, or for quality of emotional bond to mother, but these differences appeared for the remaining dimensions of attachment to mother and father, with women consistently reporting higher scores than men. Nevertheless, these differences did not count for more than 6% of attachment to parents’ dimensions variability. These differences might be linked to gender socialization that could orient women to view relationships as more important than men (Cross & Madson, 1997, Del Giudice, 2011, Hook et al., 2003). Men have been described as restricted in emotional expression and lower in emotionality (Consedine, Magai, & Krivoshekova, 2005). Because the vast majority of attachment research in adulthood has been conducted with young adults, relatively little is known about attachment processes later in life (Magai, 2008). The present work, including participants aged between 25 and 70 years old, contributes to diminish this empirical gap, as well as the lack of research on authenticity, especially including the parents. Overall, the present work seems to suggest that attachment to parental figures remains important even beyond young adulthood, underlying features of latter romantic relationships. Our results are consistent with the idea that parental figures have a role to play in the construction of an authentic self, and inside this relationship the individual will learn the degree in witch is safe to express authentically with significant others. Furthermore, authenticity in relationships appeared to be an important mediator between attachment to parents and romantic attachment, and that some features of participants’ recalled relationships with parents in adolescence, tend to be echoed in the romantic relationship. In general, features of insecure attachment to parents in adolescence seem to contribute to insecure dimensions of attachment and 150 these links are possibly mediated by inauthenticity. In conclusion, this study helps address the lack of empirical work on authenticity in relationships and extends it to new relational contexts. However, some limitations of the present work should be noticed as well as important directions for future research. Our work relies only in self-report measures, no observational data or multiple informants were used enhancing the possibility of social desirability to take place, especially in these relational and intimate variables. Our sample, while including adult individuals, integrated a large proportion of college educated participants, especially for women (48.5%, and 31.1% for men). The national rate of college educated Portuguese is below 15% (INE, 2011), so the disproportionally high participation rate of college educated individuals might limit the generalizability of the results. Cross-sectional studies make it difficult to draw causal inferences or even conclusions about the direction of these influences. Assuming that individuals’ internal working models were formed in early relationships with mother and father and that this information is still continuously influencing meanings underlying the relationship, it must be noticed that the current participants’ relationships with parents might change in their retrospective vision of attachment as they age. It becomes critical to acknowledge that retrospective attachment measures may not reflect sharply early experiences. Furthermore, these measures might in part reflect current experiences of participants’ relationships with parents and even be influenced by present romantic experiences and attachment. We limited our study to Individuals whose both parents were present during their adolescence, asking beforehand if parents were enrolled in participants’ lives during those years. The FMAQ is a retrospective questionnaire, and established on memories of relational features with parents that occurred in adolescence, but these features might change due other variables that might occur during parents and participants’ life’s. For instance if parents, or one of the parents, were already deceased some degree of idealization of these figures might occur. Contrarily if there is a situation of current conflict with mother or father there might also be a negative bias when recollecting teenage years. Furthermore, parents (or usually mothers) are no longer the primary attachment figures in hierarchy of attachment for long, what is also likely to change participants’ perceptions. As the individual develops and their attachment needs shift and the romantic partners 151 become figures to attend to accomplishing attachment needs. These factors illustrate well some of the limitations of a cross-sectional study. Usually the existing longitudinal studies of attachment do not go beyond young adulthood. For instance, the impressive study by Grossmann, Grossmann & Kindles (2005), which illustrate attachment processes from childhood until participants’ where 22 year of age. In their unique longitudinal study, Waldinger and Schulz (in press), addressed participants in their adolescence, and who are now, after impressive 60 years, in their later life. The authors’ findings support the hypothesis that childhood experiences in the family are extended across the entire adult life with effects on relationship functioning in later life. These findings are consistent with the hypothesis that nurturing relationships inside one’s family support the development of adaptive emotion regulation processes in early adulthood witch, are important foundations for intimate relationships functioning in later life, particularly regarding attachment security. We suggest that a longitudinal study starting in adolescence or young adulthood would shed a new light on authenticity development in later adulthood. Particularly when several normative social and familiar events take place, for instance as leaving parents’ house, partnering, becoming a parent, should be included in a study of this nature. Also, giving the lack of empirical work on authenticity in relationships and parental relational predictors, would also be interesting to study these processes in adolescence, where the parents are still important figures, and so are the peers that might turn in a romantic partner. Clinical implications Given the pivotal role of early acquired insecure working models in the genesis of emotional and relational impediments (Mikulincer & Shaver, 2007), Bowlby (1988) proposed a model of therapeutic change based on helping clients to understand their own cumulative attachment experiences, identify and revise insecure working models to be transformed into more secure ones, and learn about ways to achieve a the comfortable balance between autonomy and intimacy. However, there are no published studies on the efficacy of Bowlby’s applied models in the revision of insecure working models (Mikulincer & Shaver, 2007). Considering authenticity in relationships as a more accessible intervention target as it keeps being developed and reintegrated later in life, would probably be more permeable 152 to change. We believe that approaching and encouraging authenticity in therapy might help to promote self-knowledge around one’s own personality and feelings and a sense of security to let those traits and feelings be shown. Exploring and working on clients’ motives for being less authentic in their relationship might help them to understand potential concerns and conflicts they have about intimate relationships. Authenticity in relationships is an important foundation for constructing intimacy in romantic relationships and a potentially important focus in interventions to promote relationship well-being. Since that authenticity in romantic relationships arises from this specific context, this construct seem to play a fundamental role in facilitating and enhancing couples’ interactions, as it helps partners to recognize and respond appropriately to each other’s needs. A number of couple’s therapy interventions (e.g., Johnson, 2012; Schulz, Cowan, & Cowan, 2006) build on ideas from attachment theory and emphasize the key roles of authentic self-expression and validation of experience by an intimate partner. The strong links found in this study among authenticity and romantic attachment suggest the importance of understanding attachment dynamics when trying to help couples improve their communication and interaction patterns. For example, efforts to enhance authentic communication within a distressed couple relationship might focus on building trust and encouraging self-acceptance and help to reach issues that probably the couple would not approach. 155 STUDY 3 A DYADIC PERSPECTIVE ON AUTHENTICITY IN RELATIONSHIPS AND ROMANTIC PARTNER ATTACHMENT AND CAREGIVING (Submitted to Journal of Counseling Psychology)