scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

Avaliação de Riscos na Reparação de Moldes para vidro de embalagem

Cátia Carina Guerra Ferreira

Full text

Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Rua Dr. Roberto Frias, s/n 4200-465 Porto PORTUGAL VoIP/SIP: [email protected].pt ISN: 3599*654 Telefone: +351 22 508 14 00 Fax: +351 22 508 14 40 URL: http://www.fe.up.pt Correio Eletrónico: [email protected].pt MESTRADO EM ENGENHARIA SEGURANÇA E HIGIENE OCUPACIONAIS Dissertação apresentada para obtenção do grau de Mestre Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto AVALIAÇÃO DE RISCOS NA REPARAÇÃO DE MOLDES PARA VIDRO DE EMBALAGEM Cátia Carina Guerra Ferreira Orientador: Professor Doutor João Manuel Abreu dos Santos Baptista (FEUP) Coorientador: Eng.º. Sérgio Alexandre Fonseca Correia de Sousa (BA Vidro) Arguente: Doutor Paulo Antero Alves de Oliveira Presidente do júri: Professor Doutor Carlos Alberto Silva Ribeiro (FEUP) _________________________________________________________________ 2012 Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem i AGRADECIMENTOS A elaboração deste trabalho apenas foi possível graças ao apoio de várias pessoas, que ao longo do trabalho me motivaram das mais diversas formas. Em primeiro lugar, desejo expressar o meu sincero agradecimento à BA Vidro por me ter permitido desenvolver este trabalho, e em especial, ao Engº Sérgio Sousa e à Engª Joana Vieira, pois foi com eles que tive a oportunidade de conviver mais de perto com o lado prático destas matérias. Não posso deixar de apresentar os meus agradecimentos ao meu orientador, Professor João Santos Baptista, pela sua orientação, disponibilidade, apoio fundamentais à realização deste trabalho. A todos os trabalhadores que participaram nas avaliações e fizeram parte da investigação realizada, pois sem eles, este trabalho não era possível de concretizar. A todos aqueles que de uma forma ou de outra, contribuíram para o resultado final deste trabalho. E por último, aos meus país, pelo amor, carinho e por terem possibilitado que chegasse até aqui. Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem iii RESUMO A avaliação de riscos é um dos principais pilares da diretiva-quadro e de outras diretivas em matéria de segurança e saúde do trabalho (SST), é a base de uma gestão eficaz da segurança e da saúde e é essencial para reduzir os acidentes de trabalho e as doenças profissionais. Neste sentido, este trabalho apresenta a avaliação de riscos feita à oficina de reparação de moldes da B.A. Vidro, com o objetivo de testar as metodologias de avaliação de riscos utilizadas atualmente no grupo (MP, ME e MAS), aplicar um método de referência em Espanha (NTP 330) bem como um método desenvolvido recentemente (MIAR). Para verificar se, quando aplicadas nas mesmas condições reproduzem resultados semelhantes ou se, pelo contrário, a subjetividade que caracteriza este tipo de métodos vai sobressair através de resultados pouco coerentes entre ambas as metodologias. Procedeu-se ao levantamento dos perigos existentes na oficina – recolha de informação sobre tarefas/atividades, trabalhadores, equipamentos, legislação e normas, observação in loco – e quantificação dos respetivos riscos através das diferentes metodologias de avaliação de riscos. Para avaliação dos parâmetros mensuráveis considerados mais críticos como o ruido e a iluminação, foram efetuadas medições nos diferentes postos de trabalho. A quantificação destes parâmetros envolveu a utilização de equipamento de leitura direta. o Os resultados obtidos demonstram que existe uma grande variabilidade entre o grau de risco obtido nas diferentes metodologias quando aplicadas nas mesmas condições. As condições gerais de iluminação dos postos de trabalho estão satisfatórias. Quanto ao ruído, existe a possibilidade destes trabalhadores estarem expostos a níveis de ruido superiores ao nível de ação. o As metodologias de avaliação de riscos revelaram que existe necessidade de melhoria de algumas das condições de trabalho, sendo a sensibilização dos trabalhadores para a correta utilização dos EPI’s a peça chave. A análise crítica relativamente à aplicabilidade de todas as metodologias, comparando os resultados obtidos em todas elas, sugere que o MIAR é uma metodologia bastante abrangente e ponderada, apresentando resultados mais consistentes com a realidade laboral. Palavras-chave: Avaliação de riscos, riscos ocupacionais, ruído ocupacional. Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem v ABSTRACT Risk assessment is one of the main pillars of the framework directive and other directives regarding health and safety at work, is the basis of an effective management of safety and health, and is essential to reduce work-related accidents and occupational diseases. Thus, this paper presents the risk assessment made to mold repair workshop of B.A. Glass, with the aim of testing the risk assessment methodologies currently used in the Group (MP, ME and MAS), applying a method of reference in Spain (NTP 330) as well as a recently developed method (MIAR). In order to verify if, in one hand, applied under the same conditions reproduce similar results or if, on the other hand, the subjectivity that characterizes this type of methods will protrude through little consistent results between the two methodologies. Was carried out a survey of the existing hazard in the workshop – gathering information about tasks/activities, employees, equipment, legislation and standards, on-site observation – and the quantification of respective risks through various risk assessment methodologies. For evaluation of measurable parameters considered more critical as the noise and lighting, measurements were made in different jobs. The quantification of these parameters involved the use of direct reading equipment. Risk assessment methodologies showed that there is a need of improvement in some working conditions, being workers awareness to the correct use of individual protective equipment a key piece. Critical analysis regarding the applicability of all methodologies, by comparing the results obtained in all of them, suggests that MIAR is a fairly comprehensive and balanced methodology, showing more consistent results with the work reality. Keywords: Risk assessment, occupational hazards, occupational noise. Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem vii ÍNDICE 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 1 2 BA VIDRO .......................................................................................................................... 3 3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .......................................................................................... 5 3.1 Avaliação de riscos ..................................................................................................... 5 3.2 Iluminação ................................................................................................................... 8 3.2.1 Iluminação adequada ........................................................................................... 9 3.2.2 Iluminação artificial e localizada ..................................................................... 10 3.3 Ruido .......................................................................................................................... 10 3.3.1 Frequência do ruido ocupacional ..................................................................... 12 3.4 Enquadramento Legal e Normativo ......................................................................... 13 3.4.1 Legislação aplicável .......................................................................................... 13 3.4.2 Normas ............................................................................................................... 16 4 ObJETIVOS E METODOLOGIA ................................................................................... 19 4.5 Objetivos da Tese ...................................................................................................... 19 4.6 Metodologia Global de Abordagem ........................................................................ 19 4.7 Materiais e Métodos.................................................................................................. 21 4.7.1 Avaliação de riscos............................................................................................ 21 4.7.2 Iluminação ......................................................................................................... 34 4.7.3 Ruído .................................................................................................................. 34 5 AVALIAÇÃO DE RISCOS NUMA OFICINA DE REPARAÇÃO DE MOLDES DE VIDRO DE EMBALAGEM ................................................................................................... 37 5.1 Descrição da atividade .............................................................................................. 37 6 TRATAMENTO E ANÁLISE DE DADOS .................................................................. 41 6.1 Comparação das metodologias utilizadas ................................................................ 41 6.2 Análise crítica dos resultados da avaliação de riscos ............................................. 42 6.2.1 Variação dos intervalos do grau de aceitação do risco na MP ....................... 46 6.3 Iluminação ................................................................................................................. 47 6.4 Ruído .......................................................................................................................... 49 6.4.1 Análise crítica dos valores da pressão sonora das medições .......................... 49 Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem xv GLOSSÁRIO/ SIGLAS/ABREVIATURAS/… CAE Classificação das Atividades Económicas MP Metodologia de avaliação de riscos utilizada nas empresas portuguesas do Grupo BA ME Metodologia de avaliação de riscos utilizada nas empresas espanholas do Grupo BA MAS Metodologia Ambiente e Segurança desenvolvida pelo Grupo BA NTP 330 Sistema simplificado de avaliação de riscos de acidentes MIAR Metodologia integrada de avaliação de riscos ambientais e ocupacionais OSHA European Agency for safety and Health at work ILO International Labour Organization ISTAS Institut Sindical de trabajo, Ambiente y Salud ISO International Organization for Standardization REAI Regime de exercício da atividade industrial INSHT Instituto Nacional de Seguridad e Higiene en el Trabajo Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 1 1 INTRODUÇÃO A avaliação de riscos é uma ferramenta essencial para tornar os locais de trabalho seguros e saudáveis, se for feita de maneira adequada a grande parte dos acidentes e doenças do trabalho podem ser evitas ou prevenidas (OSHA 2009). A cada 15 segundos, um trabalhador morre devido a um acidente de trabalho ou doença profissional e 160 têm um acidente de trabalho. Por ano, mais de 2.3 milhões de trabalhadores morrem e ocorrem mais de 317 milhões de acidentes, muitos deles resultando em ausências prolongadas por parte do trabalhador. Os custos humanos destas adversidades diárias rondam 4% do produto interno bruto anual. Segundo as estatísticas do Eurostat (2010), 3.2 % dos trabalhadores com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos sofreram um acidente de trabalho nos últimos 12 meses na UE27. Segundo as mesmas estatísticas, 41% dos trabalhadores afirmam estar expostos a fatores de risco que afetam a sua saúde física (ILO 2012b). Estes acidentes de trabalho e doenças profissionais acarretam custos: humanos, para o Sistema Nacional de Saúde e para a própria empresa, pois afetam a sua produtividade. Estes custos podem ser evitados ou mesmo reduzidos, através da aplicação de uma boa avaliação de riscos, podendo assim as empresas aumentar o seu desempenho através de uma gestão eficaz da Segurança e Saúde (Dastous et al. 2008). Na nossa sociedade o trabalho, para o homem, constitui uma necessidade económica, uma motivação, um direito e um dever para satisfazer as suas necessidades e manter uma vida digna. Estando assim associados ao trabalho valores económicos e valores simbólicos. O trabalho é uma condição para o desenvolvimento das capacidades físicas e psíquicas das pessoas, no entanto, por vezes, pode também ser uma fonte de degradação dessas mesmas capacidades (Monteiro 2002). O regime juridico da promoção da segurança, higiene e saúde no trabalho, Lei nº102/2009 de 10 de setembro, incumbe o empregador a integrar nas actividades da empresa a avaliação de riscos para a segurança e saúde e a planificar as medidas de prevenção e protecção necessárias, para a que o trabalhador possa desenvolver o seu trabalho em condições de segurança e saúde. No entanto a caracterização do risco e a determinação da sua magnitude não constituem fins em si mesmos, nem devem entender-se como uma imposição burocrática associada ao cumprimento da lei. A avaliação de riscos é, antes de tudo, um passo fundamental para balizar a qualidade de ajuste da decisão de adotar medidas de controlo. Assim a avaliação de riscos para além de potenciar um desenvolvimento económico das empresas, através da redução dos custos relacionados com os acidentes e doenças profissionais, vai acima de tudo garantir que a saúde do trabalhador não irá sofrer uma degradação, através da adoção de estratégias preventivas que permitam, também, um aumento de motivação dos trabalhadores, contribuindo assim para um bem-estar geral em toda a organização. Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 3 2 BA VIDRO O presente estudo foi realizado na BA Vidro. O grupo BA Vidro desenvolve, produz e comercializa embalagens de vidro para a indústria alimentar e de bebidas. Sendo uma referência no sector das embalagens, comemora este ano o seu centenário, distinguindo-se pelos seus elevados níveis de qualidade e permanente atitude de inovação e flexibilidade para dar resposta às necessidades específicas dos clientes. Atualmente, fazem parte do Grupo BA sete fábricas (figura 1) que produzem diariamente mais de catorze milhões de unidades - garrafas, frascos e boiões - para clientes das indústrias alimentar e de bebidas. Todas as fábricas estão certificadas pela Norma ISO 9001 (Sistema de Gestão de Qualidade) assim como pela Norma ISO 22.000 (Sistema de Gestão de Segurança Alimentar). Figura 1 - Fábricas do grupo BA (Fonte: BA Vidro) O processo produtivo de fabricação de vidro de embalagem é caracterizado por 6 fases que podem ser observadas na figura 2. Figura 2 - Esquema do processo produtivo de uma unidade fabril de embalagens de vidro. (Fonte: BA Vidro) Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 5 3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 3.1 Avaliação de riscos A avaliação de riscos Ocupacionais é baseada, tradicionalmente, nos perigos do local de trabalho. No contexto da segurança dos processos industriais, tem como objetivo prever os riscos causados por falhas, desvios, erros no sistema industrial ou operação que possam levar a consequências indesejáveis (Koivisto et al. 2009). O desenvolvimento da análise de riscos no contexto industrial foi desencadeado pela indústria nuclear, da aviação civil e militar e da tecnologia espacial na década de 1960. Estas áreas são conhecidas pelos seus sistemas complicados, onde possíveis acidentes podem ter consequências de longo alcance. Durante os anos 1970, uma tendência mundial de aumento das perdas causadas por acidentes nas fábricas foi reconhecida. Muito associado a esta tendência, está o aumento quer da complexidade das operações dos processos industriais quer do aumento de volumes de produtos químicos utilizados. Ao mesmo tempo, houve uma crescente conscientização do público e preocupação com a ameaça às pessoas e ao meio ambiente devido às atividades industriais. Vários acidentes graves na indústria de processo na década de 1970 (por exemplo Flixborough, 1974; Seveso, 1976), deram impulso para o desenvolvimento de novas ações de prevenção. A utilização da análise de risco tornou-se uma prática comum para avaliar a segurança do processamento, armazenamento ou transporte de produtos químicos perigosos (Koivisto et al. 2009). A avaliação de riscos, formalmente, é muitas vezes descrita como um processo caracterizado por três fases distintas: identificação dos perigos, estimativa dos riscos e avaliação dos riscos (figura 3) (ISO/IEC 1999). As técnicas de análise e avaliação de riscos podem ser classificadas em três categorias: qualitativa, quantitativa ou técnicas hibridas (semi-quantitativas e qualitativasquantitativas). As técnicas quantitativas, consideram o risco como uma quantidade, que pode ser estimada e expressa por uma relação matemática, sob a ajuda de acidentes reais ou dados recolhidos no local de trabalho. As técnicas híbridas, apresentam uma grande complexidade devido ao seu carácter ad hoc que impede uma ampla divulgação. A análise estatística mostra que os métodos quantitativos apresentam a maior frequência relativa de utilização (65,63%), enquanto a qualitativa apresenta valores um pouco inferiores (27,68%), os métodos híbridos permanecem constantes a um nível muito baixo (6,70%). Estas metodologias estão concentradas, na sua maioria (53,71%), na área industrial (Marhavilas, Koulouriotis, and Gemeni 2011). Risco é definido como a combinação da probabilidade (frequência dos eventos) e consequências associadas (Milazzo and Aven 2012; Koivisto et al. 2009). Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 6 Revisão Bibliográfica Inicio Definição da utilização prevista, bem como da previsível má utilização Identificação dos perigos Estimativa dos riscos Avaliação dos riscos O risco é aceitável? Fim sim Redução do risco Análise derisco Avaliação de risco Não Figura 3 – Caracterização do processo de avaliação de riscos (Fonte: (ISO/IEC 1999)) Dados de probabilidade relevantes raramente estão disponíveis e, como tal, as estimativas de risco totalmente quantitativos não são normalmente realizados na indústria. Em vez disso, métodos semi-quantitativos são tipicamente aplicados. As categorias de risco são definidas de acordo com grupos de consequência e probabilidade, e são geralmente representados em forma de matriz. De acordo com esta estimativa, os riscos podem ser classificados como catastróficos, grandes, graves ou menores, e priorizados. Os riscos são Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 7 então avaliados segundo os critérios de aceitabilidade e as medidas de controlo de risco são planeadas e aplicadas com base nesta definição de prioridades (Koivisto et al. 2009). Existem várias técnicas de análise de riscos, referenciadas em vários documentos científicos. Para instalações industriais Tixier et al. (2002) identifica 62 metodologias distintas que podem ser utilizadas para efetuar a avaliação de riscos deste tipo de estabelecimentos. As metodologias utilizadas, para a avaliação de riscos, nas indústrias não estão estandardizadas. Abrangem contudo, de uma forma geral os seguintes itens:  identificação de perigos, que visa identificar as causas dos acidentes e os cenários relacionados, que podem ser incêndios, explosões, estes eventos constituem o cenário para os quais o risco será avaliado;  determinação da frequência de cada cenário e as estimativa das consequências dos vários cenários;  cálculo do risco que resulta do cruzamento entre a estimativa da frequência e das consequências e comparação com os critérios de aceitabilidade definidos. À identificação de perigos deve ser adicionada também a identificação de riscos, de modo a realçar que o foco da análise não deve ser prioritariamente o produto (perigos), mas sim a interação das pessoas com o produto. Um entendimento geral sobre o conhecimento, perceção e comportamento de diferentes grupos de usuários podem ser usados para gerar hipóteses sobre atividades que envolvem um produto perigoso ou sistema e para descrever cenários de acidentes plausíveis. Quando se realiza uma análise de riscos existe sempre uma lacuna entre a “realidade” quotidiana e a teoria, que não se consegue reduzir, mesmo existindo uma informação adequada disponível para gerar cenários de acidentes de trabalho (van Duijne, van Aken, and Schouten 2008). Reniers et al. ( 2005) apresenta uma visão global das técnicas de análises de riscos, realçando as seguintes técnicas: a) Checklists: são frequentemente utilizadas para verificar o cumprimento de requisitos legais. A lista é uma enumeração de questões sobre a operação, organização, manutenção e outras áreas de interesse que podem afetar a segurança da instalação e dos seus utilizadores. b) Auditorias de segurança: procedimentos pelos quais a segurança operacional de uma instalação ou processo são inspecionados. c) Análise de Árvores de falhas (FTA): é uma técnica dedutiva que se centra num acidente particular e permite determinar as causas que poderão ter conduzido à ocorrência do acidente. Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 14 Revisão Bibliográfica Numa dimensão organizacional, a função Segurança e Saúde do trabalho tem como objetivo a gestão da prevenção, que é regulamentada pela Lei nº 102/2009 de 10 de Setembro, que estabelece o regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho, este diploma tem como enfoque o trabalhador e não a atividade económica. Esta lei deve ser complementada com o Decreto-Lei nº347/93, de 1 de Outubro e correspondente Portaria nº 987/93, de 6 de Outubro, que estabelece as prescrições mínimas de Segurança e Saúde nos Locais de Trabalho. Tendo um carácter Universal estes diplomas legais aplicam-se a todas as atividades, dos sectores privado ou cooperativo e social. Decreto-Lei nº209/2008: A atividade económica enquadrada numa dimensão Organizacional O Regime de Exercício da Atividade Industrial (REAI) encontra-se regulado pelo DecretoLei nº 209/2008 de 29 de Outubro, tendo sido revogado o Decreto-Lei nº 69/2003, de 10 de Abril, Decreto-Lei nº 183/2007 de 09 de Maio e restantes diplomas regulamentares. O REAI aplica-se a três tipos de atividades: industrial, produtiva local e produtiva similar. O REAI pretende assegurar, que a atividade industrial é exercida adotando medidas de prevenção e controlo no sentido de eliminar ou reduzir os riscos suscetíveis de afetar as pessoas e bens, garantindo as condições de segurança e saúde no trabalho bem como o respeito pelas normas ambientais, minimizando as consequências de eventuais acidentes (ponto 1 artigo 6º do DL nº 209/2008). Portaria nº 53/71 alterado pela Portaria nº702/80: Enquadramento sectorial da Higiene e Segurança no trabalho Na indústria de produção de vidro de embalagem, sem prejuízo do disposto no DL nº 102/2009, a SHST encontra-se regulada por legislação sectorial e específica, nomeadamente pelo Regulamento Geral de Segurança e Higiene nos estabelecimentos industriais – Portaria nº53/71, 3 de Fevereiro posteriormente alterada pela Portaria nº702/80, 22 de Setembro. Este regulamento representa um diploma de extrema importância, sendo específico para a indústria e abordando, de forma muito completa, os aspetos fundamentais para a prevenção de riscos profissionais e atuação em caso de acidente ou situações de emergência. Ele define o quadro geral de requisitos necessários para assegurar as boas condições de higiene e segurança e a melhor qualidade de ambiente de trabalho, em todos os locais onde se desenvolvam atividades industriais, para as fases de conceção, projeto, instalação e laboração (ou funcionamento). Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 15 Componentes materiais do trabalho Segundo a Lei nº102/2009 de 10 de Setembro, entende-se por componente material de trabalho o “local de trabalho, o ambiente de trabalho, as ferramentas, as máquinas equipamentos e materiais, as substâncias e agentes químicos, físicos e biológicos e os processos de trabalho”. Assim, nas componentes materiais de trabalho, incluem-se todos os aspetos relacionados com o trabalho que vão interagir com o trabalhador, podendo meter em causa ou afetar a sua segurança e saúde. Existem vários diplomas legais associados a este tema de maneira a englobar, mais pormenorizadamente, cada um dos fatores de risco a que o trabalhador está exposto, garantindo assim que o trabalho é desenvolvido em condições de segurança a todos os níveis. Os principais fatores de risco presentes nas mais diversas atividades de trabalho são: 1 Fatores de risco associados a agentes físicos: ruído, vibrações, ambiente de térmico e radiações ionizantes; 2 Fatores de risco associados a agentes químicos: substâncias químicas utilizadas nos processos produtivos (contaminantes ou poluentes químicos); 3 Fatores de risco associados a agentes biológicos: a presença no ambiente de trabalho de microrganismos como os vírus, bactérias, fungos, parasitas, germes, microrganismos geneticamente modificados, etc. 4 Fatores de risco associados ao posto e local de trabalho: qualidade das instalações elétricas, das vias de circulação e evacuação, da ventilação, do isolamento térmico, da iluminação, dos vestiários e balneários, etc. 5 Fatores de risco associados a equipamentos: manutenção, reparação, limpeza, uso do equipamento na execução das tarefas, etc. 6 Fatores de risco associados à movimentação de cargas: estão dependentes da forma como é efetuada a movimentação, manualmente ou com a ajuda de meios mecânicos. 7 Fatores de risco associados a posturas incorretas: Posturas adotadas durante o dia de trabalho, esforço físico, a manipulação das cargas, os movimentos repetitivos, as atividades monótonas. 8 Fatores de risco organizacional: a precariedade dos vínculos laborais, os ritmos de trabalho, a rotatividade dos postos de trabalho, as exigências de produtividade ou obrigação de determinados resultados, trabalho por turnos, trabalho noturno, número de horas de trabalho, trabalho ao fim de semana; 9 Fatores de risco psicossocial: violência no trabalho, intimidação ou assédio moral, a descriminação, as relações hierárquicas, os fatores relacionados com o stresse, o consumo de álcool e drogas no local de trabalho, a satisfação profissional, as exigências muito altas ou muito baixas em relação às competências. Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 16 Revisão Bibliográfica 10 Fatores de risco pessoal ou individual: são os fatores de risco associados diretamente ao individuo, como o género, idade, tempo de trabalho, etc. A grande maioria dos fatores de risco enumerados anteriormente possui diplomas legais. Devido à diversidade de diplomas, apenas serão citados aqueles que foram relevantes para o estudo, nomeadamente: 1 Decreto-Lei nº141/95, de 14 de Junho – Prescrições mínimas para a sinalização de segurança e de saúde no trabalho; 2 Decreto-Lei nº 348/93, de 1 de Outubro – Prescrições mínimas de segurança e de saúde para a utilização de equipamento de proteção individual no trabalho pelos trabalhadores; 3 Decreto-Lei nº 330/93, de 25 de Setembro – Prescrições mínimas de segurança e de saúde na movimentação manual de cargas; 4 Decreto-Lei nº 182/2006, de 6 Setembro – Prescrições mínimas de segurança e de saúde em matéria de exposição dos trabalhadores aos riscos devidos aos agentes físicos (ruído); 5 Decreto-Lei nº 46/2006, de 24 de Fevereiro – Prescrições mínimas de proteção da saúde e segurança dos trabalhadores em caso de exposição aos riscos devidos a agentes físicos (Vibrações); 6 Decreto-Lei nº226/2005, de 28 de Dezembro e Portaria nº949-A/2006, de 11 de Setembro – Regras técnicas das instalações elétricas de baixa tensão; 7 Decreto-Lei nº50/2005, de 25 de Fevereiro – Prescrições mínimas de segurança e saúde para a utilização pelos trabalhadores de equipamento de trabalho; 8 Decreto-Lei nº 24/2012, de 6 de Fevereiro – Prescrições mínimas em matéria de proteção dos trabalhadores contra os riscos para a segurança e a saúde devido à exposição a agentes químicos no trabalho; 9 Decreto-Lei nº220/2008, de 12 de Novembro – Regime jurídico da segurança contra incêndios em edifícios. 3.4.2 Normas As normas definem regras mínimas de segurança e qualidade, a grande maioria dos fatores de risco referidos anteriormente encontra-se abrangido por normas que definem regras, metodologias e orientações a adotar. Abaixo faço referência a algumas das normas de maior relevo para o estudo, no entanto existem muitas mais. 1 ISO 8995:2002 – Iluminação dos locais de trabalhos realizados no interior de edifícios para as diferentes tarefas ou atividades. Os valores são em função das exigências Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 17 visuais da tarefa, da experiência prática e da necessidade de uma utilização ótima da energia ao menor custo. (não existe normalização nacional); 2 NP EN ISO 9612:2011 – Acústica: Determinação da exposição ao ruído ocupacional; 3 NP 1796:2007 – Segurança e saúde do trabalho valores limite de exposição profissional a agentes químicos. Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 19 4 OBJETIVOS E METODOLOGIA 4.5 Objetivos da Tese A avaliação de riscos é a base para a prevenção de acidentes e doenças profissionais. Esta deve ser adequada à realidade da empresa, garantindo que todos os riscos relevantes são tidos em conta e não apenas os mais imediatos ou óbvios. Neste sentido, a utilização de uma adequada metodologia é essencial. Assim, com o presente trabalho tentou-se avaliar as diferentes metodologias de avaliação de riscos utilizadas no Grupo BA, no sentido de encontrar um método de avaliação de riscos potencialmente mais adequado às necessidades da organização bem como validar a escolha recorrendo à análise dos resultados da sua aplicação. O presente estudo tem ainda como objetivos específicos: 1 Avaliar um caso prático, identificando os riscos da oficina de reparação de moldes, com aplicação de diferentes metodologias; 2 Comparar os resultados obtidos pelos diferentes métodos utilizados; 3 Analisar criticamente os resultados relativamente à fiabilidade e aplicabilidade dos métodos; 4 Analisar a exposição dos trabalhadores da oficina de moldes ao ruído e caracterizar a iluminação dos postos/locais de trabalho; 5 Analisar o espectro de frequências do ruído ocupacional durante a realização da tarefa de soldadura oxiacetilénica, no sentido de tentar estabelecer um padrão entre os trabalhadores. 4.6 Metodologia Global de Abordagem Antes de iniciar a análise e avaliação de riscos, realizou-se uma preparação do trabalho a desenvolver. Nesta fase recolheram-se informações sobre a empresa nomeadamente ao nível da organização (postos de trabalho, atividades e tarefas realizadas, pessoal com necessidades especiais, entre outros), das características do trabalho (movimentação de materiais e pessoas, exposição ao ruído, utilização de produtos inflamáveis, entre outros), dos equipamentos, máquinas e instalações, de modo a verificar se estes podem constituir uma fonte de perigo para o trabalhador. Efetuou-se também a estruturação da avaliação, optando-se pela divisão do trabalho por atividades/tarefas garantindo assim um tratamento apropriado na avaliação dos riscos. Deste modo tornou-se essencial efetuar o levantamento de todas as atividades que se desenvolvem na empresa incluindo: atividades de rotina e ocasionais. Foi necessário também, recolher alguma informação relativamente a legislação e referenciais técnicos aplicáveis, manuais das máquinas e fichas de dados de segurança. Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 20 Objetivos e Metodologia Toda esta informação é essencial para a tomada de decisão relativamente à avaliação de riscos. Considerou-se essencial, para poder fazer uma correta identificação dos perigos, a realização de observações in loco das atividades. Deste modo, aproveitaram-se os dias em que se realizaram as medições de ruído e iluminação para fazer estas observações. Através de pequenos diálogos com os trabalhadores, pode recolher-se algumas informações sobre os perigos que estes consideram mais relevantes nas suas tarefas, bem como as situações que já possam ter ocorrido e que colocaram a sua segurança em causa. Após a recolha de todos os dados relevantes para a avaliação e da observação minuciosa do trabalho desenvolvido, finalizou-se uma lista dos perigos. Na posse desta informação procedeu-se à quantificação dos riscos previamente identificados. Para a avaliação dos riscos da atividade, recorreu-se aos métodos utilizados atualmente nas empresas do grupo (MP, ME e MAS), um método de referência em Espanha (NTP330) e ainda um outro método integrado para avaliação de riscos ambientais e ocupacionais (MIAR), com o objetivo de obter algumas elações sobre as diferentes metodologias. Todas as metodologias foram aplicadas nas mesmas condições. Para a avaliação dos parâmetros mensuráveis considerados mais críticos como o ruído e a iluminação, foram efetuadas medições nos diferentes postos de trabalho. Estes parâmetros possuem leis ou normas específicas que estabelecem as metodologias mais adequadas para a sua avaliação. Para a medição de ruído, utilizou-se um sonómetro e as medições foram baseadas no posto de trabalho ou atividade (2ª estratégia de medição definida pela Norma NP EN ISO 9612:2011). As medições apenas foram efetuadas às duas funções (serralheiros e torneiros) consideradas mais críticas no que se refere ao ruído ocupacional. A primeira medição efetuada realizou-se junto de um dos serralheiros e teve a duração de 8 horas. A partir do gráfico obtido, para a medição de 8 horas, tentou-se encontrar um período que pudesse ser representativo da nossa amostra, isto é, dividiu-se o gráfico em intervalos de tempo, com o objetivo de encontrar um tempo mínimo representativo para a amostragem. Esta busca iniciou-se com períodos de meia hora os quais foram sendo sucessivamente aumentados. Como estamos, na presença de um trabalho que não tem padrões definidos, os períodos de tempo mais pequenos demonstram variações de ruído bastante significativas. Só para um intervalo de três horas se conseguiu obter um valor de erro inferior a 2dB para diferentes períodos de 3 horas. Daí conclui-se que as três horas seriam o tempo necessário para a realização das próximas medições, se destas novas medições de 3 horas o valor encontrado fosse idêntico (+/- 2 dB) ao valor obtido no gráfico de 8h então poder-se-ia afirmar que os serralheiros estariam expostos no seu dia normal de trabalho àquele nível de ruído. Procedeu-se da mesma maneira para o torneiro. Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 21 As medições da iluminância na oficina foram realizadas em cada um dos postos de trabalho, recolhendo-se para cada um deles várias amostras ao longo do dia de trabalho. Com o objetivo de tentar perceber a existência de um padrão na realização da soldadura oxiacetilénica, realizaram-se ainda várias medições ao processo de soldadura em cada um dos postos de trabalho onde se realiza esta tarefa. 4.7 Materiais e Métodos 4.7.1 Avaliação de riscos Para a avaliação de riscos utilizaram-se as três metodologias utilizadas pelo grupo BA. Estas metodologias são adaptações, tendo sido criadas dentro do grupo. Foram também utilizadas mais duas metodologias, uma delas, um método de referência utilizado em Espanha (NPT 330) e a outra, um método recente (MIAR) que oferece uma aproximação à integração dos Sistemas de Gestão da Qualidade, Ambiente e Segurança. Todos os métodos foram aplicados nas mesmas condições, de modo aos resultados poderem ser comparáveis. a) Metodologia de avaliação de riscos utilizada em Portugal (MP) Esta metodologia pretende:  Identificar os perigos associados às diversas atividades/elementos/tarefas da BA;  Avaliar os riscos que afetam cada posto de trabalho, agrupando os postos de trabalho por tarefas/atividades. Na figura 4 é apresentado o fluxograma, com as várias etapas do processo, que se inicia com a identificação do perigo por atividade / tarefa e termina quando o risco se encontra controlado. A identificação dos perigos, engloba todas tarefas presentes nas diversas atividades, quer sejam de rotina, ocasionais ou situações de emergência. Garantindo desta maneira que aquelas tarefas menos frequentes não são esquecidas. A identificação dos perigos é a primeira etapa desta metodologia, porque, só depois de termos todos os perigos devidamente identificados podemos avaliar os riscos associados a eles. Esta avaliação, segundo esta metodologia é o resultado da multiplicação de três fatores, nomeadamente: Consequência/Severidade, Exposição e Probabilidade (figura 5). Cada um destes fatores encontra-se valorado, de acordo com as tabelas de 2 a 5. Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 22 Objetivos e Metodologia Perigos Identificação por actividade/tarefa Riscos Avaliação Acções de Controlo Processo Seguro? Não Risco controlado Sim Responsabilidade Modo de Proceder Registos Equipa de projecto Equipa de projecto Equipa de projecto Equipa de projecto CT SHG 003 (pt) CT SHG 003 (pt) Figura 4 – Fluxograma da avaliação de riscos utilizada pela BA nas empresas portuguesas (Fonte: BA Vidro) Figura 5 - Avaliação de risco segundo a metodologia (Fonte: BA Vidro) A valoração das consequências é atribuída segundo o que é mais gravoso, isto é, se os danos humanos forem superiores aos materiais utiliza-se a valoração da tabela 2. Caso contrário utilizam-se os valores da tabela 3. Consequência / Severidade Exposição Probabilidade Risco Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 23 Tabela 2 – Valoração das consequências humanas (MP) Consequências Humanas (C) (Resultado mais provável de um acidente potencial) Lesões ligeiras sem incapacidade (1) Lesões moderadas com ou sem incapacidade (5) Lesões graves (15) Morte (25) Várias Mortes (50) (Fonte: BA Vidro) Tabela 3 – Valoração das consequências materiais (MP) Consequências Materiais (C) (Resultado mais provável de um acidente potencial) Lesões ligeiras sem incapacidade (1) Lesões moderadas com ou sem incapacidade (5) Lesões graves (15) Morte (25) Várias Mortes (50) (Fonte: BA Vidro) A avaliação de risco é feita através da multiplicação da valoração atribuída para cada um dos parâmetros: Os resultados obtidos são avaliados segundo a tabela 6, que nos define se o risco é aceitável ou não. Se os riscos forem considerados não aceitáveis, podem requerer ações imediatas. Estabelecem-se então, medidas preventivas e corretivas com o objetivo de eliminar, reduzir ou controlar o risco. Aqui devem ser tidos em conta os princípios gerais de prevenção, estabelecendo-se prioridades com base na gravidade do risco, os resultados prováveis de um incidente, o número de pessoas que poderão ser afetadas e o tempo necessário para tomar medidas preventivas. Tabela 4 – Valoração da Exposição ao perigo (MP) (Fonte: BA Vidro) O ruído, a iluminação, a exposição a contaminantes químicos e as posturas/esforços, possuem métodos de avaliação específicos e mais precisos, logo não vão ser avaliados segundo esta metodologia. Exposição (E) Muito raro (A exposição ao perigo ocorre menos que uma vez num ano ou o processo funciona menos que quatro horas por ano). 0,5 Raro (A exposição ao perigo ocorre uma ou duas vezes num ano ou o processo funciona menos que vinte e quatro horas por ano). 1 Ocasional (A exposição ao perigo ocorre uma ou duas vezes por semana ou o processo funciona menos do que 8 horas por semana) 3 Frequente (A exposição ao perigo ocorre varias vezes num dia ou o processo funciona mais do que duas horas dia) 6 Continuamente (A exposição ao perigo ou o processo ocorre várias vezes num dia, mais do que quatro horas/dia) 10 Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 30 Objetivos e Metodologia Tabela 16 – Valoração do nível de deficiencia (NTP 330) Nível de deficiência ND Significado Muito deficiente (MD) 10 Foram detetados perigos significativos que terminam como muito possível a ocorrência de falhas. O conjunto de medidas preventivas existentes face ao risco torna-se ineficaz. Deficiente (D) 6 Foram encontrados alguns fatores de risco significativos que precisam de ser corrigidos. A eficácia do conjunto de medidas preventivas existentes torna-se reduzida de forma apreciável. Melhorável (M) 2 Foram detetados fatores de risco de menor importância. A eficácia do conjunto de medidas preventivas existentes face ao risco não se vê reduzida de forma apreciável. Aceitável (A) - Aceitável. Não foram detetados anomalias. O risco está controlado. Não se valora. (Fonte: NTP 330) Tabela 17 – Valoração do nível de exposição (NTP 330) Nível de Exposição NE Significado Continuada (EC) 4 Continuamente. Várias vezes no dia de trabalho com tempo prolongado. Frequente (EF) 3 Várias vezes no dia de trabalho, ainda que seja com tempos curtos. Ocasional (EO) 2 Alguma vez no dia de trabalho e com períodos de tempo curto. Esporádica (EE) 1 Irregularmente. (Fonte: NTP 330) Tabela 18 – Determinação do nível de Probabilidade (NTP 330) NP = NE × ND Nível de Exposição (NE) 4 3 2 1 Nível de deficiência (ND) 10 MA – 40 MA - 30 A – 20 A – 10 6 MA - 24 A – 18 A – 12 M – 6 2 M - 8 M - 6 B – 4 B - 2 (Fonte: NTP 330) Tabela 19 – Enquadramento do nível de probabilidade encontrado (NTP 330) Nível de Probabilidade NP Significado Muito Alta (MA) [24 - 40] Situação deficiente com exposição continuada, ou muito deficiente com exposição frequente. Normalmente a materialização do risco ocorre com frequência. Alta (A) [10 - 20] Situação deficiente com exposição frequente ou ocasional, ou ainda, situação muito deficiente com exposição ocasional ou esporádica. A materialização do risco é possível que suceda várias vezes no ciclo da vida laboral. Media (M) [6 - 8] Situação deficiente com exposição esporádica ou situação melhorável com exposição continua ou frequente. É possível que suceda o dano alguma vez. Baixa (B) [2 - 4] Situação melhorável com exposição ocasional ou esporádica. Não se espera que se materialize o risco, ainda que possa acontecer. (Fonte: NTP 330) Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 31 Tabela 20 – Valoração das consequências pessoais e materiais (NTO 330) Nível de consequência NC Danos Pessoais Danos Materiais Mortal ou catastrófico 100 Morte Destruição total do sistema (dificilmente renovável) Muito Grave (MG) 60 Lesões graves que podem ser irreparáveis Destruição parcial do sistema (reparação complexa e custosa) Grave (G) 25 Lesões com incapacidade laboral transitória Requer paragem do processo para se efetuem reparações Leve (L) 10 Pequenas lesões que não requerem hospitalização Reparações sem necessidade de paragem de todo o processo (Fonte: NTP 330) Tabela 21 – Determinação do Nivel de risco (NTP 330) NR = NC * NP Nível de Probabilidade (NP) 40 -24 20 - 10 8 -6 4 - 21 Nível de Consequências (NC) 100 I 4000 – 2400 I 2000 – 1200 I 800 – 600 II 400 – 200 60 I 2400 – 1440 I 1200 – 600 II 480 – 360 II 240 III 10 25 I 1000 – 600 II 500 – 250 II 250 – 150 III 100 - 50 10 II 400 – 240 II 200 III 100 III 80 - 60 III 40 IV 20 (Fonte: NTP 330) A cada nível de risco está associado um nível de intervenção (tabela 22). Tabela 22 – Nível de intervenção para cada um dos NR (NTP 330) Nível de Intervenção NR Significado I 4000 – 600 Situação Critica. Necessita de correção urgente. II 500 – 150 Corrigir e adotar medidas de controlo. III 120 – 40 Melhorar se possível. Seria conveniente justificar a intervenção e sua rentabilidade. IV 20 Não necessita de intervenção. (Fonte: NTP 330) Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 32 Objetivos e Metodologia e) Método integrado de Avaliação de Riscos Ocupacionais e de Impactes Ambientais (MIAR) O MIAR é um método recente ainda em fase de estudo, que permite integrar a avaliação de riscos ocupacionais com os impactes ambientais. As atividades da organização são detalhadas através da identificação das entradas (input), as funções e as saídas (output) de cada processo. Esta metodologia adota assim, princípios da abordagem por processos utilizada em NP EN ISO 9001:2000 (Antunes, Baptista, and Diogo 2010). Numa primeira fase para a sistematização e organização da informação relativa à identificação dos aspetos ambientais e ocupacionais, o método sugere a utilização das tabelas apresentadas em anexo V. Nesta avaliação não foram utilizadas as tabelas porque os riscos já tinham sido identificados através da metodologia MP. Os parâmetros que devem ser tidos em conta na avaliação da significância do impacte são cinco: 1) Gravidade / quantificação do aspeto conjugada com o nível de perigosidade; 2) Extensão do impacte; 3) Exposição/frequência de ocorrência do aspeto; 4) Desempenho dos sistemas de prevenção e controlo; 5) Custos e complexidade técnica das medidas de prevenção/correção do aspeto Em função do tipo de impacte em estudo, ambiental ou ocupacional, devem ser considerados os respetivos critérios de avaliação. Na tabela 24 encontram-se sistematizados os critérios de avaliação em função dos impactes ocupacionais, a tabela com os impactes ambientais não é apresentada pois esta vertente da avaliação não foi avaliada (Antunes, Baptista, and Diogo 2010; Antunes 2009). A pontuação do Índice de Risco (IR) é obtida pela multiplicação da pontuação de cada um dos parâmetros IR= G x E x EF x PC x C, onde G é a gravidade (quantificação do aspeto, Q, conjugada com o nível de perigosidade, P); E é a Extensão do impacte; EF é a exposição/frequência de ocorrência do aspeto; PC é o desempenho dos sistemas de prevenção e controlo; C os custos e complexidade técnica das medidas de prevenção / correção do especto (Antunes 2009). A pontuação total varia entre 1 e 1800 dentro de 4 níveis de risco em função da pontuação da tabela 23. Tabela 23 – Níveis de riscos (MIAR) Índice de risco (IR) Índice de risco (IR) Menor 1-90 Médio 91 – 250 Elevado 251 – 500 Muito elevado 501 - 1800 (Fonte: Antunes, 2010) Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 33 Tabela 24 - Parâmetros de avaliação para os riscos de segurança e higiene ocupacionais (MIAR) (Fonte: Antunes, Baptista, and Diogo 2010) Parâmetros de avaliação Tipo de Aspeto Descrição Valor Gravidade do aspeto Todos os aspetos - Substâncias explosivas, oxidantes, muito Tóxicas (T+), Cancerígenas e com efeitos na reprodução. - Substâncias associadas às frases de risco: R1 a R9, R14, R16, R18, R19, R26 a R28, R32, R33, R39, R45 a R49, R60 a R64, R26/27, R26/28, R26/27/28, R27/28, R39/26, R37/27, R39/28, R39/26/27, R39/26/28, R39/27/28, R39/26/27/28. - Excede em mais de 250% o valor limite aplicável / valores de referência. - Aspetos que podem causar morte ou lesão com incapacidade permanente absoluta. 10 - Substâncias Extremamente inflamáveis, Tóxicas (T), sensibilizantes e corrosivas. - Substâncias com identificação de risco: R12, R15, R23, R24, R25, R29, R31, R34, R35, R40, R41, R42, R43, R14/15, R15/29, R23/24, R23/25, R23/24/25, R24/25, R39/23, R39/24, R39/25, R39/23/24, R39/23/25, R39/24/25, R39/23/24/25, R42/43, R48/23, R48/24, R48/25, R48/23/24, R48/23/25, R48/24/25, R48/23/24/25. - Entre 151% e 250% do valor limite aplicável / valores de referência. -Aspetos que podem causar lesões graves, com incapacidade temporária absoluta ou permanente parcial, mas de pequena percentagem; 5 - Substâncias facilmente inflamáveis e Nocivas (Xn). - Substâncias com identificação de risco R11, R17, R20, R21, R22, R65, R20/21, R20/22, R20/21/22, R21/22, R48/20, R48/21, R48/22, R48/20/21, R48/20/22, R48/21/22, R48/20/21/22, R68/20, R68/21, R68/22, R68/20/21, R68/20/22, R68/21/22, R68/20/21/22. - Entre 101% e 150% do valor limite aplicável / valores de referência.- Aspetos causadores de lesões menores com incapacidade temporária parcial mas de baixa gravidade; 3 - Substâncias inflamáveis. - Substâncias Irritantes (Xi) ou produtos sem identificação de risco mas com limites aplicáveis (entre 51 % até 100% do valor limite aplicável). - Substâncias com identificação de risco R10, R36, R37, R38, R66 a R68, R36/37, R36/37/38, R37/38. - Aspetos que podem causar lesões pequenas sem qualquer tipo de incapacidade; 2 - Substâncias que não apresentam perigosidade. - Até 50% do valor limite aplicável / valores de referência. - Aspetos que não causam lesões. 1 Extensão do impacte Aplicáv el a todos os aspetos Aspeto cuja extensão atinge mais do que 80% dos trabalhadores afetos a esse processo. 4 Aspeto cuja extensão atinge entre 51 a 80% dos trabalhadores afetos a esse processo. 3 Aspeto cuja extensão atinge entre 11 a 50% dos trabalhadores afetos a esse processo. 2 Aspeto cuja extensão atinge até 10 % dos trabalhadores afetos a esse processo. 1 Exposição/fre quência de ocorrência do aspeto Aplicáv el a todos os aspetos Ocorrência contínua ou c/ periodicidade alta, correspondente às condições normais de operação (N). 3 Ocorrência periódica – operação de arranque, paragem, ou condições de operação anormais (P). 2 Ocorrência reduzida – correspondente a situações de emergência, acidentais ou pontuais (A). 1 Desempenho dos sistemas de prevenção e controlo Aplicáv el a todos os aspetos Não existe um sistema de Prevenção e Controlo implementado. 5 Existe um sistema de controlo implementado mas sem evidências da sua adequada funcionalidade. 4 Não existe um sistema de prevenção mas sim um sistema de controlo implementado que é funcional. 3 Existe um sistema de Prevenção e Controlo implementado mas não existem evidências objetivas da sua adequada funcionalidade. 2 Há um sistema de Prevenção e Controlo implementado e evidências da sua adequada funcionalidade. 1 Custos e complexidade técnica de prevenção/ correção do aspeto Aplicáv el a todos os aspetos Metodologia de prevenção/correção com custo e complexidade técnica reduzidas. 3 Metodologia de prevenção/correção com custo e complexidade técnica médias. 2 Metodologia de prevenção/correção com custo e complexidade técnicas elevadas. 1 Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 34 Objetivos e Metodologia 4.7.2 Iluminação As medições foram realizadas com um luxímetro de marca Gossen, modelo Mavolux 5032C/B USB (figura 6). Figura 6 - Luxímetro Mavolux 5032C/B USB (Fonte: Manual de utilização do Luxímetro) As medições das luminâncias efetuaram-se com uma sonda de luminâncias, focando, de um modo geral, o campo de visão do operador. Realizaram-se durante o período diurno, período de funcionamento normal da oficina, com a intenção de se obter valores representativos da exposição real em cada posto/local de trabalho. Procurou-se que, durante as medições, os trabalhadores desempenhassem as suas tarefas usando os métodos e as cadências habituais, a fim de assegurar a sua representatividade. 4.7.3 Ruído Foi utilizado o sonómetro integrador 01dB Solo MASTER (figura 7), de classe de exatidão 1. Antes de cada medição, foi efetuada a calibração do sonómetro através do calibrador NC-74 Rion. O equipamento foi sujeito, a uma verificação, no local de trabalho, antes de cada série de medições, de acordo com o disposto no nº 2 do anexo 1 do Decreto-Lei nº182/2006. Figura 7 - Sonómetro 01dB Solo MASTER (Fonte: Manual de utilização Sonómetro) Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 35 As sonometrias (análise de frequência em bandas de uma oitava dos tipos de ruído mais frequentes em cada posto de trabalho, abrangendo as bandas de oitava de 63 Hz a 8000Hz) foram efetuadas com o sonómetro integrador nos respetivos locais de trabalho. Realizaramse durante o horário normal de trabalho, tendo em vista a obtenção de valores representativos da exposição real. O aparelho foi colocado junto aos postos de trabalho mais expostos ao ruído, serralheiros e torneiros. Procurou-se que durante a avaliação, os trabalhadores desempenhassem as suas tarefas usando os métodos e as cadências habituais a fim de assegurar representatividade à avaliação. Utilizou-se o filtro de ponderação A, pois traduz um resultado mais semelhante à resposta do ouvido humano, apesar de o filtro C dar um valor mais próximo do valor real. Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 37 5 AVALIAÇÃO DE RISCOS NUMA OFICINA DE REPARAÇÃO DE MOLDES DE VIDRO DE EMBALAGEM 5.1 Descrição da atividade Pela oficina de reparação de moldes (figura 8 e 9), passam em média 85 moldes por dia, levando cada um deles aproximadamente uma hora até ficar finalizado. Na oficina trabalham 8 serralheiros de moldes, 1 fresador, 3 torneiros, um soldador, 4 torneiros CNC, 1 encarregado, 1 controlador de qualidade e 5 formandos. Distribuídos por três postos de trabalho. Figura 8 – Oficina de reparação de moldes (Vista exterior) Figura 9 – Oficina de reparação de moldes (vista interior) O processo de trabalho depende do estado de degradação do molde a reparar. O processo inicia-se com a chegada dos moldes à oficina, sendo estes inspecionados. Todos eles passam pelos:  Posto de trabalho do Serralheiro (figura 10) - soldadura oxiacetilénica nos vértices das arestas, ajuste dos moldes com lima, retificador elétrico e/ou pneumático e polimento dos moldes; Figura 10 – Posto de trabalho dos Serralheiros Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 38 Avaliação de riscos numa oficina de reparação de moldes de vidro de embalagem  Posto de trabalho do Torneiros (figura 11) / CNC (figura 12) – Tornear os moldes para o devastar nas arestas horizontais; Figura 11 – Posto de trabalho dos torneiros Figura 12 – Posto de trabalho dos torneiros de CNC  Postos de trabalho do Controlador de qualidade (figura 13) – Verificar o estado final dos moldes. Figura 13 – Posto de trabalho do Controlador de qualidade Só determinados moldes necessitam de passar pelos seguintes equipamentos:  Forno (figura 14) – aquecimento dos moldes antes de realizar a soldadura oxiacetilénica de longa duração. Figura 14 – Forno para aquecimento dos moldes Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 39  Granalhadora (figura 15) – limpeza dos moldes para remoção de partículas de vidro e óleos. Figura 15 – Granalhadora para limpeza dos moldes  Fresadora (figura 16) – reabrir escapes e retificar arestas verticais. Figura 16 - Fresadora  Furadora (figura 17) – Abertura dos buracos do molde. Figura 17 - Furadora A oficina funciona de segunda a sexta, das 8:00h às 17:00h. Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 46 Tratamento e Análise De Dados como necessitando de intervenção urgente. De acordo com esta metodologia 60% das situações analisadas são de muito elevado risco (figura 18). No extremo oposto está a avaliação feita com recurso à metodologia integrada de avaliação de riscos (MIAR), que apresenta apenas 2% com necessidade de intervenção imediata (figura 22). Este método é também o que considera um maior número de situações com um grau de risco aceitável. Os resultados obtidos através de um dos métodos da BA Vidro, MAS e do método validado NTP 330, gráficos da figura 20 e 21, respetivamente, são muito semelhantes. Ambos apresentam 50% dos casos analisados na zona amarela, isto é que necessitam de ser melhorados a longo prazo, para além disso têm também aproximadamente 43% dos valores na zona crítica (soma do vermelho com laranja), onde se encontram os riscos que têm que ser corrigidos imediatamente ou a curto prazo e 7% no nível em que os riscos são aceitáveis: No entanto a metodologia MAS apresenta um maior número de casos na zona vermelha 21%, gráfico da figura 20. 6.2.1 Variação dos intervalos do grau de aceitação do risco na MP De todas as metodologias utilizadas na realização deste estudo, a MP é a única que não possui no mínimo 4 níveis de valoração do risco. Logo considerou-se importante verificar, como ficariam os resultados desta avaliação se a metodologia possui-se mais níveis de aceitação do risco. Para isso, aplicou-se à MP os intervalos de pontuação existentes no MIAR, ficando o novo grau de aceitação do risco da MP de acordo com a tabela 30. Tabela 30 - Novo grau de aceitação do risco MP Índice de risco (IR) Índice de risco (IR) Menor 1-90 Médio 91 – 250 Elevado 251 – 500 Muito elevado 501 - 5000 Aplicando a tabela 30 aos resultados obtidos na avaliação de riscos da MP obtém-se o gráfico da figura 23. Os resultados obtidos com os novos níveis de risco são bastante mais agradáveis que os obtidos anteriormente. Para além de ter havido uma melhoria do índice de risco verde, que passou de 40% (figura 18) para 45% (figura 23) houve uma grande diminuição dos vermelhos. Passamos de 60% de vermelhos para apenas 9%. Estes dados, colocam uma metodologia que inicialmente tinha os piores resultados para a avaliação de riscos como uma das que apresenta melhores resultados. Esta situação vem realçar a importância, da Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 47 adequada escolha dos graus de aceitação dos níveis de risco. Esta nova divisão torna o método mais credível e adequado com a atividade analisada. Figura 23 - Distribuição percentual dos perigos e riscos avaliados segundo a MP Analisados todos os resultados das avaliações, o Miar é o método que aparentemente apresenta resultados mais agradáveis pois temos 81% dos perigos analisados na zona verde e apenas 2% na zona crítica, que carecem de intervenção urgente (figura 22). Estes resultados parecem adequados à atividade analisada, pois na oficina de reparação de moldes a grande maioria das situações perigosas não são preocupantes. A maioria dos perigos tidos em conta na avaliação, apenas pode causar pequenas lesões. Consultando os dados relativos aos acidentes de trabalho ocorridos nas restantes oficinas de reparação de moldes do grupo BA, constata-se que nos últimos anos apenas foram registados quatro acidentes: dois por projeção de partículas, uma queda e um entalamento no torno. O MIAR atribui à projeção de partículas a cor verde. Esta cor é justificada pela existência de medidas de controlo já implementadas. Todos os trabalhadores utilizam óculos de proteção nas atividades em que existe projeção de partículas. Esta situação de perigo só se concretiza se o EPI não for utilizado ou for utilizado inadequadamente. O MIAR é dos poucos métodos que tem em conta as medidas de controlo já existentes. 6.3 Iluminação No anexo II encontra-se um quadro com os resultados das medições das iluminâncias obtidos nos diferentes locais da oficina de reparação de moldes da empresa BA, nos postos/locais de trabalho mais relevantes. É também apresentada uma comparação entre o valor médio de iluminância registado, Emédio adiante designado por Em, e o valor recomendado, Erecomendado adiante designado por Er, para cada local de medição. Para a obtenção do valor de iluminância recomendado para cada local de medição, teve-se em consideração a norma ISO 8995:2002, a qual apresenta valores recomendados para diferentes tipos de trabalho ou tarefas consoante o nível de exigência visual requerido, de Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 48 Tratamento e Análise De Dados modo a evitar a ocorrência de acidentes de trabalho e de doenças profissionais e, também, com o objetivo de garantir os melhores índices de produtividade em função dos objetivos a que a BA se propõe. Salienta-se que o valor médio de iluminância representa a média aritmética de todos os valores medidos em cada local de medição. Os resultados da comparação acima referida são definidos de acordo com a Tabela 31, em função dos quais se estabelece uma hierarquização temporal dos níveis de intervenção que visem a melhoria dos níveis de iluminação em cada posto/local de trabalho: Tabela 31 - Razão entre o valor médio e o valor recomendado em cada local de medição Cor % Nível de intervenção ≥ 100 Não é necessário introduzir melhorias. [50 – 100[ A melhorar a breve prazo. [10 – 50[ A melhorar urgentemente. <10 Requer uma intervenção muito urgente. (Fonte: Estudo de iluminação BA Glass 2012) Para que se verifique uma boa iluminação é necessário que exista uma distribuição uniforme da luz. Assim, a uniformidade resultante da razão entre o valor mínimo, Emínimo adiante designado por Emin, e o valor médio (Em) não deve ser inferior a 0,7. Complementarmente, a uniformidade da iluminância na área circundante imediata do posto/local de trabalho não deve ser inferior a 0,5. Deste modo, nos quadros seguintes, os valores do campo respetivo que não satisfaçam estas condições para local de medição, serão apresentados a vermelho, o que significará que seja recomendado, a realização de um estudo técnico sobre a possibilidade de alteração da disposição do sistema de iluminação artificial existente no respetivo local de trabalho, tendo em vista a melhoria das condições de uniformidade dos níveis de iluminação. Nos gráficos das figuras 24, 25 e 26 podem ver-se os resultados das medições de iluminação efetuadas à oficina de moldes. Figura 24 - Resultado percentual da comparação entre os valores médios medidos e os valores recomendados (Em/Er) das iluminâncias nos diferentes postos/ locais de trabalho . Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 49 Figura 25 - Resultado percentual da comparação entre os valores mínimos e os valores médios medidos (Emin/Em) das iluminâncias nos diferentes postos/ locais de trabalho. Figura 26 - Resultado percentual da comparação entre os valores medidos no campo visual próximo (Zona de trabalho) e/ou campo visual afastado (zona periférica) das luminâncias nos diferentes postos/locais de trabalho De acordo com os dados apresentados no gráfico da figura 24, aproximadamente metade dos postos de trabalho (52%) possuem os níveis de iluminância adequados face aos valores recomendados. Os restantes 48% possuem níveis de iluminação abaixo dos valores recomendados e, de entre estes, 32% necessita de uma intervenção urgente, por apresentarem a razão Em/Er, inferior a 50%. No que se refere à uniformidade da iluminância e de acordo com o gráfico da figura 25, apenas 20% dos postos/locais de trabalho avaliados revelam insuficiências quanto às condições de uniformidade dos níveis de iluminação. Quanto aos valores das luminâncias medidos nos postos/locais de trabalho, em 24% dos postos/locais de trabalho avaliados é constatada a existência de contrastes excessivos entre o campo visual próximo (Zona de trabalho) e/ou campo visual afastado (Zona periférica). 6.4 Ruído 6.4.1 Análise crítica dos valores da pressão sonora das medições a) Posto de trabalho do serralheiro Os resultados obtidos para a primeira e segunda medição do posto de trabalho do serralheiro, que decorreram durante 8h e 3h respetivamente, encontram-se descritos:  Na Tabela 32 encontram-se os valores globais de Leq, Lmin e Lmax, com filtro de ponderação A, obtidos na medição de 8h realizada junto do posto de trabalho dos serralheiros. Os dados recolhidos são apresentados no gráfico da Figura 27.  A Tabela 33 e o gráfico da Figura 28, têm o mesmo conteúdo descrito anteriormente, mas com os valores obtidos na medição de 3horas. Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 50 Tratamento e Análise De Dados Tabela 32 - Valores Globais Leq, Lmin e Lmax, da 1ºavaliação (8h) ao posto de trabalho dos serralheiros Tabela 33 - Valores Globais Leq, Lmin e Lmax, da 2ºavaliação (3h) ao posto de trabalho dos serralheiros Interpretação fenomenológica do sinal No gráfico da Figura 27, identificam-se facilmente três períodos em que o ruído é consideravelmente menor. Nas pausas para lanche o ruído é praticamente constante, havendo apenas um pico durante o lanche da tarde, provavelmente provocado por uma perturbação (interior ou exterior) de amplitude mais elevada. Já no período de almoço, apesar de o ruído ser menor a amplitude do sinal não é constante, como seria de prever visto que, durante esta pausa todos os equipamentos se encontram desligados. Nesta medição o sonómetro encontrava-se junto à parede da oficina, que tem no lado exterior a sala de compressores, o sistema de aspiração (ventilador, sopragem e mangas) e os quadros de gás, estes equipamentos poderão ter provocado estas oscilações na amplitude do sinal. Antes da pausa para o lanche da manhã, nota-se uma frequência de ruído maior, explicado pela realização de tarefas ruidosas simultaneamente, pelos vários trabalhadores, elevando assim níveis de pressão sonora. Figura 27 - Valores de Leq (A) em dB, na 1 avaliação (8h) no posto de trabalho dos serralheiros No gráfico da Figura 28 identifica-se, rapidamente a pausa efetuada para lanche. No entanto apesar de o ruído ser mais ou menos constante ao longo da pausa o seu valor encontra-se bastante elevado, estando inclusive acima de alguns períodos de ruído durante Arquivo Medição soldadura_7_03_2012 (8h) .CMG Início 07-03-12 09:30:05 Fim 07-03-12 16:59:44 Canal Tipo Peso Unidade Leq Lmin Lmax #1817 Leq AdB 84,7 66,3 109,4 Arquivo medicoes Soldadura 16-03-2012 (3h).CMG Início 16-03-12 08:55:52 Fim 16-03-12 11:55:52 Canal Tipo Peso Unidade Leq Lmin Lmax #1817 Leq AdB 86,8 75,0 107,1 65 70 75 80 85 90 95 100 105 110 09h 10h 11h 12h 13h 14h 15h 16h Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 51 a execução do trabalho. Este ruído tão elevado, pode vir de uma máquina que esteja a trabalhar e que emita um som constante ou pode provir do exterior da oficina. Figura 28 - Valores de Leq (A) em dB, na 2ª avaliação (3h) no posto de trabalho dos serralheiros Legenda: Codigo1: Ar comprimido/marteladas no molde Codigo 2: Retificação elétrica e pneumática Código 3: Soldadura oxiacetilénica A tarefa de retificação poder ser realizada eletricamente ou de forma pneumática, estas duas situações foram identificadas no gráfico da Figura 28 com a cor verde. Os picos verdes de maior amplitude, cerca de 100dB (A), correspondem à realização do desbaste do molde com a retificadora pneumática, já a retificação elétrica corresponde aos valores de ruído com menor amplitude. A marca vermelha representa a realização da soldadura oxiacetilénica, correspondendo os picos com amplitude mais elevada ao início da tarefa, quando a chama do equipamento é ligada. A marca amarela corresponde à utilização do ar comprimido na limpeza dos moldes ou a pancadas dadas no molde com um martelo ou ao próprio manuseamento do molde (tanto a estrutura que prende o molde como a própria bancada são metálicas, logo só o facto de se pousar o molde provoca um pico na medição). b) Posto de trabalho do Torneiro Os valores obtidos na primeira e segunda medição, para o posto de trabalho dos torneiros, tiveram a duração de 8h e de 30 minutos respetivamente, encontrando-se descritos: Código 1 Código 2 Código 3 Residual Espectro 70 75 80 85 90 95 100 105 110 09h 10h 11h Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 52 Tratamento e Análise De Dados  Na Tabela 34 os valores globais de Leq, Lmin e Lmax, com filtro de ponderação A, obtidos na medição de 8h realizada junto do posto de trabalho dos torneiros. Estes valores são apresentados com intervalos de 1 min, para uma perceção mais rigorosa no gráfico da Figura 29.  A Tabela 35 e o gráfico da Figura 30, tem o mesmo conteúdo descrito anteriormente, mas com os valores obtidos na medição de 30 minutos. Tabela 34 - Valores Globais Leq, Lmin e Lmax, da 1ºavaliação (8h) para o posto de trabalho dos Torneiros Tabela 35 - Valores Globais Leq, Lmin e Lmax, da 2ª avaliação (30 min) para o posto de trabalho dos Torneiros Interpretação fenomenológica do sinal No gráfico da Figura 29, identificam-se três períodos em que o ruído é praticamente constante. Os períodos de menor duração (10 min) correspondem às pausas para lanche e o de maior duração à pausa de almoço. Durante a pausa de almoço o ruído diminui drasticamente, pois grande parte dos equipamentos fica desligada durante este intervalo de tempo. Verifica-se também um pico, durante este período, provavelmente provocado pela abertura de um dos portões ou uma pancada mais forte em algum lugar da oficina ou no seu exterior. Após o período de almoço regista-se um pico de ruído bastante elevado quando a máquina é novamente ligada, para dar início ao trabalho. Figura 29 - Valores de Leq (A) em dB, na 1ª avaliação no posto de trabalho dos Torneiros (8h) Arquivo Ruido Torno_8_3_2012 (8h).CMG Início 08-03-12 08:37:05 Fim 08-03-12 17:07:05 Canal Tipo Peso Unidade Leq Lmin Lmax #1817 Leq AdB 80,2 63,3 115,0 Arquivo 1 (202) - Torno.CMG Início 16-03-12 13:52:52 Fim 16-03-12 14:22:53 Canal Tipo Peso Unidade Leq Lmin Lmax #1817 Leq AdB 79,1 68,4 101,3 60 65 70 75 80 85 90 95 100 105 110 09h 10h 11h 12h 13h 14h 15h 16h 17h Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 53 O gráfico da Figura 30 não apresenta grandes variações ao longo do tempo. Apresenta no entanto um grande pico provocado pela rotação do molde a uma velocidade mais elevada, fazendo um som semelhante a um chiar bastante elevado. Os restantes picos correspondem a marteladas dadas no molde pelo torneiro. Figura 30 - Valores de Leq (A) em dB, na 2ª avaliação no posto de trabalho dos Torneiros (30min) 6.4.2 Análise crítica das frequências da banda de oitava das medições a) Posto de trabalho do serralheiro Os resultados obtidos para a primeira e segunda medição do posto de trabalho do serralheiro, que decorreram durante 8h e 3h respetivamente, encontram-se descritos:  Na tabela 36 encontram-se, para a 1ª medição, os valores da gama audível, dividida em 10 grupos de frequências: de 63 Hz a 8 KHz, subdivididos por frequência de oitavas (Hz) para a primeira medição (8h) o respetivo espectro de frequências é apresentado no gráfico da figura 31.  A tabela 37 e o gráfico da figura 32,tem o mesmo conteúdo descrito anteriormente, mas com os valores obtidos na medição de 3horas. Comparando o gráfico da figura 31 como gráfico da figura 32, que correspondem à medição do posto de trabalho do serralheiro durante 8h e 3h, respetivamente, verifica-se que são parecidos. Os gráficos apresentam diferenças mais significativas nas baixas frequências (63Hz), onde o gráfico da figura 31 apresenta níveis de ruido mais elevados, e nas frequências de 1000Hz e 2000Hz onde o gráfico da figura 32 apresenta valores de ruído mais elevados. Os dois níveis de frequência referidos anteriormente são aqueles que Espectro 60 65 70 75 80 85 90 95 100 105 110 13h55 14h00 14h05 14h10 14h15 14h20 Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 54 Tratamento e Análise De Dados apresentam valores de ruido mais elevado, verificando-se esta situação nos dois gráficos, logo esta é a faixa de frequência que carece de maior atenção. Tabela 36 - Valores na Gama audível, dividida em 8 grupos de frequências, 1 avaliação do posto de trabalho dos serralheiros Tabela 37 - Valores na Gama audível, dividida em 8 grupos de frequências, 2ª avaliação do posto de trabalho dos serralheiros Figura 31 - Valores em dB (A) na frequência das oitavas (HZ), da 1ª avaliação (8h) do posto de trabalho dos serralheiros Figura 32 - Valores em dB (A) na frequência das oitavas (HZ), da 2 ª avaliação (3h) do posto de trabalho dos serralheiros b) Posto de trabalho do Torneiro Os valores obtidos na primeira e segunda medição, para o posto de trabalho dos torneiros, tiveram a duração de 8h e de 30 minutos respetivamente, encontrando-se descritos:  Na tabela 38 encontram-se os valores da gama audível, dividida em 10 grupos de frequências: de 63 KHz a 8 KHz, designados por frequência de oitavas (Hz), para a primeira medição de 8h o respetivo espectro de frequências é apresentado gráfico da figura 33.  A tabela 39 e o gráfico da figura 34, tem o mesmo conteúdo descrito anteriormente, mas com os valores obtidos na medição de 30 minutos Arquivo Medição soldadura_7_03_2012 (8h) .CMG Início 07-03-12 09:30:05 Fim 07-03-12 16:59:44 Canal Tipo Peso Unidade Leq Lmin Lmax #1817 Oit 63Hz Lin dB 70,9 59,2 98,7 #1817 Oit 125Hz Lin dB 70,5 60,5 98,0 #1817 Oit 250Hz Lin dB 71,3 61,9 105,3 #1817 Oit 500Hz Lin dB 75,2 63,0 105,8 #1817 Oit 1kHz Lin dB 76,9 59,7 103,6 #1817 Oit 2kHz Lin dB 81,0 58,1 103,6 #1817 Oit 4kHz Lin dB 75,7 55,0 104,9 #1817 Oit 8kHz Lin dB 74,4 49,2 106,6 Arquivo medicoes Soldadura 16-03-2012 (3h).CMG Início 16-03-12 08:55:52 Fim 16-03-12 11:55:52 Canal Tipo Peso Unidade Leq Lmin Lmax #1817 Oit 63Hz Lin dB 69,3 62,5 94,0 #1817 Oit 125Hz Lin dB 70,3 64,9 94,5 #1817 Oit 250Hz Lin dB 72,9 68,6 99,2 #1817 Oit 500Hz Lin dB 75,1 70,6 96,9 #1817 Oit 1kHz Lin dB 80,6 71,2 100,7 #1817 Oit 2kHz Lin dB 83,0 66,5 105,0 #1817 Oit 4kHz Lin dB 76,5 62,7 95,8 #1817 Oit 8kHz Lin dB 75,1 57,6 100,7 60 62 64 66 68 70 72 74 76 78 80 82 84 63 125 250 500 1 k 2 k 4 k 8 k 60 62 64 66 68 70 72 74 76 78 80 82 84 63 125 250 500 1 k 2 k 4 k 8 k Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 55 Tabela 38 - Valores na Gama audível, dividida em 8 grupos de frequências, 1 avaliação do posto de trabalho dos Torneiros medição de 8h Tabela 39 - Valores na Gama audível, dividida em 8 grupos de frequências, 2ª avaliação do posto de trabalho dos Torneiros medição de 30 min Figura 33 - Valores em dB (A) na frequência das oitavas (HZ), da 1ª avaliação do posto de trabalho dos Torneiros medição de 8h Figura 34 - Valores em dB (A) na frequência das oitavas (HZ), da 2 avaliação do posto de trabalho dos Torneiros medição de 30 min Os gráficos obtidos da medição de ruído no torno, durante 8h e durante 30 minutos, respetivamente, apenas são semelhantes nas frequências intermédias, entre os 250 e os 2000 Hz, que correspondem às médias frequências, o que nos leva a que estas são as bandas de frequência que correspondem à realização da tarefa. O gráfico da medição de 8 horas apresenta as altas e as baixas frequências muito mais elevadas do que as apresentadas no gráfico 34. Este facto carece de um estudo mais aprofundado para identificar a sua origem. 6.4.3 Exposição diária ao ruído, ponderada em A, LEx,8h Os valores do nível sonoro contínuo equivalente (Leq (A)), obtidos durante as medições, para serem comparados com os valores presentes na legislação vigente, devem ser alterados para valores de Exposição Pessoal Diária – LEx,8h, através da aplicação da equação 1. Arquivo Ruido Torno_8_3_2012 (8h).CMG Início 08-03-12 08:37:05 Fim 08-03-12 17:07:05 Canal Tipo Peso Unidade Leq Lmin Lmax #1817 Oit 63Hz Lin dB 79,4 50,2 109,9 #1817 Oit 125Hz Lin dB 74,4 55,0 102,4 #1817 Oit 250Hz Lin dB 71,3 60,7 98,0 #1817 Oit 500Hz Lin dB 74,7 61,7 108,8 #1817 Oit 1kHz Lin dB 75,8 56,7 115,1 #1817 Oit 2kHz Lin dB 72,8 54,5 100,6 #1817 Oit 4kHz Lin dB 70,4 49,1 102,5 #1817 Oit 8kHz Lin dB 72,1 37,3 101,3 Arquivo 1 (202) - Torno.CMG Início 16-03-12 13:52:52 Fim 16-03-12 14:22:53 Canal Tipo Peso Unidade Leq Lmin Lmax #1817 Oit 63Hz Lin dB 65,6 59,0 79,2 #1817 Oit 125Hz Lin dB 67,6 62,0 82,5 #1817 Oit 250Hz Lin dB 70,3 65,2 82,7 #1817 Oit 500Hz Lin dB 73,5 66,0 87,9 #1817 Oit 1kHz Lin dB 74,0 63,0 94,6 #1817 Oit 2kHz Lin dB 73,1 59,6 97,1 #1817 Oit 4kHz Lin dB 70,3 56,8 94,0 #1817 Oit 8kHz Lin dB 67,0 51,9 85,1 60 62 64 66 68 70 72 74 76 78 80 63 125 250 500 1 k 2 k 4 k 8 k 60 62 64 66 68 70 72 74 76 78 80 63 125 250 500 1 k 2 k 4 k 8 k Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 62 Tratamento e Análise De Dados muito semelhantes. No entanto quando se relaciona este coeficiente com a experiencias profissionais, verifica-se que não existe qualquer tipo de relação entre a qualidade do ajuste e a experiência dos trabalhadores, como se observa na tabela 41. O trabalhador que realiza esta tarefa à menos tempo (Bancada 7) é aquele que possui melhor qualidade de ajuste e trabalhadores com a mesma experiência conseguem obter ajuste diferentes (bancada 3 e 6). Foram também realizadas algumas medições noutra oficina do grupo, na BA Vidro da Marinha Grande, para numa análise posterior tentar perceber, se existem diferenças na realização da mesma tarefa em diferentes instalações. Os resultados destas medições podem ser observados nos Gráficos 55 ao 62. Tabela 41 – Experiencia Profissional Bancada Experiência Profissional realização Soldadura Idade (anos) R2 Bancada nº1 ------ ----- Bancada nº2 12 anos 30 0,92 Bancada nº3 1 ano 27 0,72 Bancada nº5 ---------- ---------- Bancada nº6 1 ano 0,94 Bancada nº7 3 meses e meio 33 0,97 Bancada nº9 1 ano 0,86 Bancada nº10 1 ano 23 0,75 Bancada nº11 4 meses 32 0,91 Grande soldadura 10 anos (TIG e MIG/MAG) 30 0,93 Os dados completos da realização das medições de ruído à tarefa de soldadura oxiacetilénica na Marinha Grande são apresentados no anexo IV. Figura 55 - Valores de Leq (A) em dB no posto de Bancada nº 1 MG durante a realização da soldadura Figura 56 - Linha de tendência valores do gráfico da figura 55 Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 63 Figura 57 - Valores de Leq (A) em dB no posto de Bancada nº 2 MG durante a realização da soldadura Figura 58 - Linha de tendência valores do gráfico da figura 57 Figura 59 - Valores de Leq (A) em dB no posto de Bancada nº 4 MG durante a realização da soldadura Figura 60 - Linha de tendência valores do gráfico da figura 59 Figura 61 - Valores de Leq (A) em dB no posto de Bancada nº 4 MG durante a realização da soldadura Figura 62 - Linha de tendência valores do gráfico da figura 61 Tal como anteriormente foi também recolhida informação relativamente à experiência profissional de cada um, apresentada na tabela 42. Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 64 Tratamento e Análise De Dados Tabela 42 – Experiência profissional trabalhadores oficina MG Bancada Experiência Profissional realização Soldadura Idade (anos) R2 Bancada nº1 10 anos 35 0,85 Bancada nº2 15 anos 47 --- Bancada nº4 2 anos 35 0,88 Bancada nº5 27 anos 52 0,93 O espectro obtido para a bancada 2 da MG (figura 57) tem uma configuração um pouco diferente dos outros espectros, essencialmente nas baixas frequências. Para a configuração apresentada nenhuma das funções de ajuste disponíveis no Excel se adapta a esta disposição de dados. No entanto a proximidade entre os dados das quatro medições para cada uma das frequências indica que existe a possibilidade de ter boa reprodutibilidade. Nesta bancada a soldadura oxiacetilénica é realizada sobre moldes quentes, podendo esta diferença no espectro, estar associada à diferença das propriedades do material comparativamente com as outras medições. Os restantes gráficos (figuras 55, 59, 61) vêm confirmar o que tinha sido referido anteriormente para os dados obtidos na primeira oficina, isto é, a possibilidade da existência de um padrão na realização desta tarefa. Efetuando uma análise de variância aos dados obtidos na tarefa de soldadura oxiacetilénica na Marinha Grande, os resultados indicam que a frequência poderá ser um bom indicador de reprodutibilidade. Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 65 7 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Depois de efetuada a avaliação dos riscos segundo várias metodologias verifica-se que todas elas são subjetivas, pois para a mesma situação de risco apresentam valorações bastante diferentes. O facto de a maioria dos métodos não ser validado, não nos permite ter uma base de comparação para os resultados obtidos por outras entidades em trabalhos publicados. Na avaliação de risco utilizada pela BA em Portugal, os resultados adquiridos são, aparentemente, mais preocupantes pois foram indicadas 60 situações que requereriam, de acordo com o método, intervenção imediata. O facto de esta metodologia apresentar apenas dois níveis de atuação perante o grau de risco obtido conduz a estes resultados, aparentemente, tão alarmantes. Na realidade algumas destas situações não aparentam ser tão críticas pelo que poderiam ser resolvidas num espaço de tempo mais alargado. Numa situação deste tipo, em que a opinião do avaliador se pode sobrepor aos resultados obtidos pelo método configura uma ineficácia seletiva e desadequação do próprio método relativamente às situações que pretende avaliar. Nestas condições, pelo menos para situações do mesmo tipo das aqui avaliadas, será aconselhável a utilização de um outro método que, com um esforço idêntico, conduza a uma maior discriminação e hierarquização dos resultados. Neste aspeto todas as outras metodologias são mais eficazes, pois apresentam 4 a 5 graus de atuação e, por isso, têm uma melhor hierarquização dos níveis de intervenção. A metodologia portuguesa oferece muito pouca descretização do grau de risco, para além disso possui uma lacuna bastante importante, falta-lhe estabelecer um grau de risco perante o qual assumam que caso este seja atingido o processo deve deixar de funcionar imediatamente até que sejam criadas condições de segurança. Apresenta uma situação um pouco contraditória, ao afirmar que quando as consequências do dano apresentarem valoração igual ou maior a 25, mesmo que o fator R seja aceitável a situação deverá ser considerada como não aceitável, o que não parece de todo muito coerente, pois as tabelas de exposição e probabilidade servem para avaliar este tipo de situações. Na metodologia portuguesa para a valoração da Exposição (E), existe uma diferença temporal bastante significativa ente o Raro (a exposição ao perigo ocorre uma ou duas vezes num ano ou o processo ou o processo funciona menos que 24 horas) e o ocasional (a exposição ao perigo ocorre uma ou duas vezes por semana ou o processo funciona menos que 8 horas semana), deveria existir um período intermédio entre elas. Na metodologia espanhola quando se faz a estimativa da frequência com que um dado evento pode ocorrer, através da probabilidade da ocorrência de um dano, os parâmetros de seleção muitas e algumas são bastante subjetivos, cada pessoa interpreta estes termos de maneira diferente. Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 66 Discussão dos resultados O MIAR e o MAS apresentam uma mais-valia em relação aos outros métodos pois permitem avaliar também os riscos ambientais. Na avaliação de riscos efetuada os riscos ambientais não foram avaliados, pois o objetivo era comparar as diferentes metodologias, quando aplicadas nas mesmas condições e como as outras não tinham esta componente de análise não se efetuou a avaliação dos riscos ambientais. O MIAR inclui na sua avaliação um parâmetro fundamental nas organizações e empresas, os custos e a complexidade técnicas de prevenção/correção do aspeto, permitindo assim uma análise mais aproximada da realidade laboral. O ruído e a iluminação foram avaliados segundo a respetiva metodologia específica. A iluminação da oficina encontra-se bastante satisfatória, não apresentando nenhuma situação que requeira intervenção muito urgente e em 52% dos postos analisados não é necessário introduzir melhorias. O facto de o pavilhão possuir bastante iluminação localizada em detrimento da iluminação geral da oficina, aliado ao facto de não possuir praticamente luz natural confere-nos a perceção de estarmos perante um pavilhão bastante escuro, no entanto quando avaliada a iluminação do posto de trabalho/arredores os resultados foram bastante satisfatórios, com 76% das situações com contrastes aceitáveis. Como o número de medições de ruído foram muito reduzidas, não se pode afirmar, se os trabalhadores estão ou não expostos aos níveis de ruído obtidos, no entanto os resultados indicam que os serralheiros podem estar expostos a níveis de ruído superiores ao nível ação superior (85 dB (A)), já os torneiros poderão estar exposto a um nível de ruído igual aos valores de ação inferiores (80 dB (A)). Da medição de 8 horas realizada junto do posto de trabalho do serralheiro e do torneiro, obteve-se um nível de ruído diferente, na hora de almoço. Junto do torneiro foi obtido um valor mais baixo e sem oscilações, já junto do posto de trabalho do serralheiro os valores encontram-se mais elevados, cerca de 5 dB (A), e com bastantes oscilações. Sendo o período do almoço, caracterizado pela inexistência de atividade na oficina e a grande maioria das máquinas se encontrar desligada, seria expectável encontrar valores de ruído semelhantes e sem grandes variações. No entanto existe uma diferença que caracteriza estes dois postos de trabalho, o posto do torneiro encontra-se numa zona central da oficina enquanto o do serralheiro está encostado a uma parede. No exterior, junto a essa parede encontra-se a “casa das máquinas” com os geradores e todos os sistemas de apoio aos equipamentos pneumáticos, também existe juntos a essa parede o sistema que regula a extração localizada. A proximidade do sonómetro à parede pode ser a explicação para as diferenças obtidas. A análise dos espectros de ruído, vem revelar que uma análise mais prolongada devolve resultados mais detalhados. Medições de curta duração em que apenas se engloba a Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 67 realização da tarefa, podem ser insuficientes para a análise mais detalhada do local de trabalho. Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 69 8 CONCLUSÕES Face aos resultados apresentados é possível concluir que os objetivos propostos foram alcançados. A avaliação de riscos é essencial para qualquer atividade económica, sendo fundamental no processo de Gestão do Risco. Apesar da avaliação de riscos constituir uma obrigação legal, não existem regras fixas sob a forma como esta deve ser realizada. Os métodos de avaliação utilizados neste processo prático são: semi–quantitativos, estes métodos são simples, de fácil aplicação e generalistas, podendo ser aplicados para diferentes riscos, situações e sectores de atividade. A subjetividade intrínseca dos métodos, um pouco dependente da experiência do analista e a sua regulação de forma mecânica, na ausência de um ambiente de participação e consulta, podem constituir um constrangimento à sua praticabilidade. Após a análise dos resultados da avaliação feita para a oficina de reparação de moldes ficou constatada a necessidade de algumas intervenções no sentido de colmatar as situações mais críticas detetadas, melhorias das condições de trabalho, nomeadamente ao nível de alguns dos equipamentos de trabalho, necessidade de acolhimento, formação e sensibilização profissional inicial e continua, mudança de hábitos de trabalho enraizados e alteração das condições psicossociais dos trabalhadores, mais especificamente na produtividade exigida e apoio dado aos trabalhadores. Toda a equipa é nova e com pouca experiência na realização das tarefas, é natural, que o seu rendimento não seja igual ao obtido por trabalhadores experientes. A análise crítica relativa à aplicabilidade de todas as metodologias, pela comparação dos resultados obtidos em todas elas, sugere que o MIAR é uma metodologia bastante abrangente e ponderada. Comparando os graus de risco para as várias metodologias, com os dados relativos aos acidentes de trabalho ocorridos nas restantes oficinas de reparação de moldes do grupo, verifica-se que o MIAR é o método que apresenta resultados mais consistentes com a realidade laboral. De acordo com os resultados obtidos nas avaliações de risco, são sugeridas algumas propostas de melhoria, de complexidade e custos de implementação reduzidos:  Elaboração de um plano de formação abrangente e contínuo;  Elaborar instruções de trabalho para as diversas tarefas/atividades;  Consciencialização dos trabalhadores para a importância da correta utilização dos EPI’s;  Criação de métodos de trabalho e instruções de segurança;  Colocação de sinalização em toda a oficina. Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 70 Conclusões Da análise do espectro de frequências para a tarefa de soldadura oxiacetilénica, obteve-se a evidência da existência de um padrão na realização da tarefa para o mesmo trabalhador, pelo menos para a população analisada. Este padrão varia de acordo com o trabalhador, bem como com as características do material Avaliação de riscos na reparação de moldes para vidro de embalagem Ferreira, Cátia 71 9 PERSPECTIVAS FUTURAS Como trabalhos futuros propõe-se o alargamento do estudo das frequências do espectro do ruído para a tarefa de soldadura oxiacetilénica a uma população mais abrangente e vasta. Para confirmar se o padrão detetado neste estudo se mantem para outras oficinas onde se realize a mesma tarefa. Será também interessante investigar a possibilidade de este padrão poder ser relacionado com aspetos não auditivos do trabalho. Relativamente às medições de ruído ocupacional será interessante averiguar a origem do ruido de baixas frequências, mas com elevadas amplitudes, obtido durante a pausa para o almoço na medição de 8h para o posto de trabalho do serralheiro. Deverá ser confirmado também a exposição diária efetiva dos trabalhadores.