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Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias

António Luís Silvério Pinto

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AVALIAÇÃO DO EFEITO DE ALGUNS ASPETOS DE ÍNDOLE CONSTRUTIVA NA PRODUTIVIDADE DO ASSENTAMENTO DE ALVENARIAS ANTÓNIO LUÍS SILVÉRIO PINTO Dissertação submetida para satisfação parcial dos requisitos do grau de MESTRE EM ENGENHARIA CIVIL — ESPECIALIZAÇÃO EM CONSTRUÇÕES Orientador: Professor Doutor Hipólito José Campos de Sousa JULHO DE 2016 MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL 2015/2016 DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL Tel. +351-22-508 1901 Fax +351-22-508 1446  [email protected] Editado por FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO Rua Dr. Roberto Frias 4200-465 PORTO Portugal Tel. +351-22-508 1400 Fax +351-22-508 1440  [email protected]  http://www.fe.up.pt Reproduções parciais deste documento serão autorizadas na condição que seja mencionado o Autor e feita referência a Mestrado Integrado em Engenharia Civil - 2015/2016 - Departamento de Engenharia Civil, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, Portugal, 2016. As opiniões e informações incluídas neste documento representam unicamente o ponto de vista do respetivo Autor, não podendo o Editor aceitar qualquer responsabilidade legal ou outra em relação a erros ou omissões que possam existir. Este documento foi produzido a partir de versão eletrónica fornecida pelo respetivo Autor. Aos meus Pais É melhor que fale por nós a nossa vida, que as nossas palavras. Mahatma Gandhi Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias i AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar, gostaria de agradecer aos meus pais e irmão por sempre estarmos juntos, nos bons e maus momentos, e que sempre fizeram o máximo para que tudo isto fosse possível, acreditando sempre em mim e nas minhas capacidades. Agradeço ao meu orientador, Professor Doutor Hipólito Sousa pelo apoio e tempo disponibilizado na concretização desta dissertação, bem como pela orientação, conselhos e conhecimentos transmitidos. A todos os profissionais das empresas consultadas pela disponibilidade, informações fornecidas e experiência transmitida. À Carlota pela cumplicidade, amizade, amor e apoio incondicional desde o princípio. A todos os meus amigos e companheiros de curso que de alguma forma fizeram com que estes últimos anos fiquem para sempre na memória, por todas as aventuras e desventuras vividas e recordadas. Por todas as horas de estudo, brincadeiras e noites mal dormidas que levarei comigo. Aos meus amigos de sempre por me fazerem a vida muito melhor e mais feliz. Muito Obrigado! Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias ii Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias iii RESUMO Esta dissertação visa o estudo e avaliação de alguns aspetos construtivos, na produtividade do assentamento de alvenarias. Dessa forma, inicialmente procurou-se expor a realidade do setor da construção em Portugal em termos de produtividade e economia. Abordando-se a temática da estrutura de custos na construção, bem como rendimentos e produtividade, mais precisamente na execução de alvenarias. Com o desenrolar do trabalho foram apresentados os sistemas correntemente usados em Portugal, bem como aqueles considerados inovadores, demonstrando as claras diferenças e melhorias de uns em relação aos outros, em termos de produtividade. O tradicionalismo que existe na forma de executar as alvenarias e a resistência do setor a novos materiais e novas formas de trabalhar originam a baixa produtividade. De forma a perceber como as empresas trabalham, se utilizam ou não esses sistemas inovadores, são apresentados dois casos de estudo onde o autor acompanha o desenrolar das tarefas a executar pela equipe encarregue das alvenarias. A partir desse acompanhamento será então possível comparar sistemas construtivos, desde os materiais até à execução propriamente dita, e ainda compará-los com valores teóricos de livros de rendimentos normalmente utilizados no planeamento das obras. PALAVRAS-CHAVE: Alvenaria, Produtividade, Rendimento, Obra, Inovação. Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias x Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias xi ÍNDICE DE FIGURAS FIGURA 2.1 – DESEMPREGO EM PORTUGAL [3] ........................................................................................... 4 FIGURA 2.2 – EVOLUÇÃO EM VOLUME DO PIB EM PORTUGAL – TAXA DE VARIAÇÃO HOMÓLOGA [5] ............... 5 FIGURA 2.3 – EVOLUÇÃO EM VOLUME DO VAB DA CONSTRUÇÃO EM PORTUGAL – TAXA DE VARIAÇÃO HOMÓLOGA [5] .................................................................................................................................. 5 FIGURA 2.4 – EXEMPLO DE DIFERENTES DOMÍNIOS DO ESTUDO DA PRODUTIVIDADE [15] ............................. 15 FIGURA 2.5 – CURVA DE APRENDIZAGEM .................................................................................................. 17 FIGURA 2.6 – REPARTIÇÃO DOS TEMPOS GASTOS NAS DIFERENTES FASES DA CONSTRUÇÃO; (%) [17] ......... 17 FIGURA 2.7 – SUGESTÕES ERGONÓMICAS NO TRABALHO [23].................................................................... 19 FIGURA 3.1 – EXIGÊNCIAS DAS PAREDES DE ALVENARIA ............................................................................ 22 FIGURA 3.2 – VARIAÇÃO DA IMPORTÂNCIA RELATIVA DE ALGUMAS EXIGÊNCIAS DAS PAREDES DE ALVENARIA AO LONGO DO TEMPO [25] ..................................................................................................................... 23 FIGURA 3.3 – TIPOS DE TIJOLOS CERÂMICOS [29] ...................................................................................... 24 FIGURA 3.4 – TIPOS DE BLOCOS DE BETÃO [30] ......................................................................................... 24 FIGURA 3.5 – EXECUÇÃO DE ARGAMASSA EM OBRA COM AUXILIO DE BETONEIRA [29] .................................. 26 FIGURA 3.6 – EXECUÇÃO MANUAL DE ARGAMASSA EM OBRA [29] ............................................................... 26 FIGURA 3.7 – PLACAS DE ISOLAMENTO EPS [36] ...................................................................................... 28 FIGURA 3.8 – PLACAS DE ISOLAMENTO XPS [37] ...................................................................................... 28 FIGURA 3.9 – TIPOS DE LIGADORES CORRENTES. [38] ............................................................................... 29 FIGURA 3.10 – GRAMPOS DE REABILITAÇÃO DE ALVENARIAS [39] ............................................................... 29 FIGURA 3.11 – GRAMPOS DE LIGAÇÃO ALVENARIA/ESTRUTURA [38] ........................................................... 30 FIGURA 3.12 – ARMADURAS DAS JUNTAS HORIZONTAIS EM PANOS DE ALVENARIA SIMPLES E DUPLO [38] ...... 30 FIGURA 3.13 – CONJUNTO DE FERRAMENTAS TRADICIONAIS DE CONSTRUÇÃO DE ALVENARIAS [40] ............. 31 FIGURA 3.14 – EQUIPAMENTOS AUXILIARES DE CONSTRUÇÃO – BALDE, CARRO-DE-MÃO E ANDAIME [41] ...... 31 FIGURA 3.15 – EVOLUÇÃO DAS ALVENARIAS AO LONGO DOS TEMPOS [42] .................................................. 32 FIGURA 3.16 – ESPESSURA DOS TIJOLOS USADOS PARA COMPARTIMENTAÇÃO DO INTERIOR DE EDIFÍCIOS, SEGUNDO UM ESTUDO ...................................................................................................................... 33 FIGURA 3.17 – TRÊS TIPOS FUNDAMENTAIS DE PAREDES INTERIORES DE ALVENARIA DE TIJOLO [45] ............ 33 FIGURA 3.18 – TABELA DE RENDIMENTOS III.3 – ALVENARIA DE TIJOLOS CORRENTES [13] .......................... 34 FIGURA 3.19 – FICHA DE RENDIMENTOS DE ALVENARIA DUPLA DE TIJOLOS DE BARRO VERMELHO COM PANOS DE 11CM [14]................................................................................................................................... 35 FIGURA 3.20 – CRESCIMENTO DAS ARGAMASSAS FABRIS EM PORTUGAL, COM A DIMINUIÇÃO DE CONSTRUÇÃO NOVA E AUMENTO DE REABILITAÇÃO [48] ........................................................................................... 37 FIGURA 3.21 – MISTURADORAS ELÉTRICAS DE ARGAMASSA [49]; [50] ........................................................ 39 FIGURA 3.22 – SISTEMA ETICS [52] ........................................................................................................ 40 FIGURA 3.23 – FIXADORES MECÂNICOS DE ETICS [53] ............................................................................. 40 FIGURA 3.24 – EQUIPAMENTO AUXILIAR DE PEGA DE UNIDADES DE ALVENARIA [54] ..................................... 41 FIGURA 3.25 – EQUIPAMENTOS DE ELEVAÇÃO E TRANSPORTE DE BLOCOS E ARGAMASSAS [55]; [56] ........... 41 FIGURA 3.26 – EXEMPLO DE ANDAIMES COM DOIS NÍVEIS DE ALTURA. [55] .................................................. 41 FIGURA 3.27 – SERRAS ELÉTRICAS DE CORTE DE UNIDADES DE ALVENARIA [57] ......................................... 42 FIGURA 3.28 – SISTEMA DE PRÉ-FABRICAÇÃO COMPLETO (TRANSPORTE DE BLOCOS, ESPALHAMENTO DE ARGAMASSA) [58] ............................................................................................................................ 44 FIGURA 3.29 – MOVIMENTAÇÃO E APLICAÇÃO DOS PAINÉIS EM OBRA [59] ................................................... 45 FIGURA 3.30 – SAM100 [60] ................................................................................................................... 45 FIGURA 3.31 – SEQUÊNCIA DO SAM100 NA APLICAÇÃO DE BLOCOS [60] .................................................... 46 FIGURA 3.32 – VISTAS DO MODELO PRODUZIDO PELA GRAMAZIO KOHER [61] ............................................. 47 Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias xii FIGURA 3.33 – CONSTRUÇÃO DA PAREDE PELO ROBOT PROGRAMADO [61] ................................................. 47 FIGURA 3.34 – PAREDE DE BLOCOS DE BETÃO CELULAR AUTOCLAVADO [62] .............................................. 48 FIGURA 4.1 – LOCALIZAÇÃO DA OBRA A [63] ............................................................................................. 50 FIGURA 4.2 – UNIDADES DE ALVENARIA USADOS NA OBRA A ...................................................................... 50 FIGURA 4.3 – OFICIAIS DA EQUIPA DE ALVENARIA A EXECUTAR PANOS EXTERIORES E INTERIORES ............... 51 FIGURA 4.4 – CORTE DE TIJOLOS E PREPARAÇÃO DA ARGAMASSA, PELO SERVENTE .................................... 52 FIGURA 4.5 – GRAMPOS DE LIGAÇÃO ALVENARIA/ ESTRUTURA ................................................................... 52 FIGURA 4.6 – PLANTA DO PISO 1 - PÁTIO INTERIOR E ALVENARIAS EXTERIORES ........................................... 53 FIGURA 4.7 – COLOCAÇÃO DE PALETES DE TIJOLOS NO LOCAL DE APLICAÇÃO POR MEIO DE GRUA ............... 53 FIGURA 4.8 – DIAGRAMA DE FLUXOS DAS UNIDADES DE ALVENARIA ............................................................ 54 FIGURA 4.9 – EXECUÇÃO DE PANO EXTERIOR DE ALVENARIA, VOLTADO PARA O PÁTIO INTERIOR .................. 54 FIGURA 4.10 – PLANTA PISO 1 - 1ª FASE DE CONSTRUÇÃO DOS PANOS EXTERIORES DO 1º PISO ................... 55 FIGURA 4.11 – PLANTA PISO 1 - 2ª FASE DE CONSTRUÇÃO DOS PANOS EXTERIORES DO 1º PISO ................... 55 FIGURA 4.12 – PLANTA PISO 1 - 3ª FASE DE CONSTRUÇÃO DOS PANOS EXTERIORES DO 1º PISO ................... 55 FIGURA 4.13 – EXECUÇÃO DE PANOS INTERIORES POR PARTE DO OFICIAL .................................................. 56 FIGURA 4.14 – EXECUÇÃO DE PANOS INTERIORES, COM AUXÍLIO DE ANDAIMES SIMPLES .............................. 57 FIGURA 4.15 – MARCAÇÃO DE COTAS COM AUXÍLIO DE MAGUEIRA DE NIVEL ................................................ 57 FIGURA 4.16 – ESQUEMAS DAS PADIEIRAS USADAS E ARMAZENAMENTO DAS MESMAS NO ESTALEIRO ........... 58 FIGURA 4.17 – PORMENORES CONSTRUTIVOS DE PADIEIRAS EXECUTADAS ................................................. 58 FIGURA 4.18 – EXECUÇÃO DE PADEIRAS DE PANOS INTERIORES ................................................................ 58 FIGURA 4.19 – LOCALIZAÇÃO DA OBRA B [63] ........................................................................................... 59 FIGURA 4.20 – UNIDADES DE ALVENARIA USADOS NA OBRA B .................................................................... 59 FIGURA 4.21 – SISTEMA DE TRANSPORTE E AMASSADURA DE ARGAMASSA – FASSA BARTOLO ..................... 60 FIGURA 4.22 – ESTALEIRO DE OBRA E MATERIAIS ...................................................................................... 61 FIGURA 4.23 – PLANTA DO PISO 0 - PAREDES EXTERIORES ........................................................................ 62 FIGURA 4.24 – COLOCAÇÃO DE PALETES DE ALVENARIA NOS LOCAIS DE APLICAÇÃO, POR MEIO DE GRUA ..... 62 FIGURA 4.25 – DIAGRAMA DE FLUXOS DAS UNIDADES DE ALVENARIA .......................................................... 63 FIGURA 4.26 – FASES DE EXECUÇÃO DOS PANOS EXTERIORES DO PISO 0 ................................................... 64 FIGURA 4.27 – LIGAÇÃO ALVENARIA/ ESTRUTURA ...................................................................................... 65 FIGURA 4.28 – ESQUEMA EM PLANTA COM A CONSTITUIÇÃO DOS PANOS INTERIORES EXISTENTES ............... 65 FIGURA 4.29 – MARCAÇÃO DOS PANOS INTERIORES E MATERIAL COMPRESSÍVEL UTILIZADO PARA ESSE EFEITO ....................................................................................................................................................... 66 FIGURA 4.30 – LEVANTAMENTO DOS PANOS INTERIORES ........................................................................... 66 FIGURA 4.31 – LEVANTAMENTO DOS PANOS INTERIRORES COM AUXÍLIO DE ANDAIMES SIMPLES ................... 67 FIGURA 4.32 – EXECUÇÃO DE PADIEIRAS COM VARÕES DE 10 MM .............................................................. 67 FIGURA 4.33 – PALETES DE ALVENARIAS .................................................................................................. 68 FIGURA 4.34 – FORNECEDORES DAS UNIDADES DE ALVENARIA, PRECERAM NORTE [64] E FABEL [65] .... 68 FIGURA 4.35 – ABASTECIMENTO DA ARGAMASSA SECA DA FASSA BORTOLO NA OBRA B [66] ....................... 69 Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias xiii ÍNDICE DE QUADROS QUADRO 2.1 – COMPOSIÇÃO DO CRESCIMENTO DO PIB EM VOLUME – TAXAS DE VARIAÇÃO HOMÓLOGAS (%) [2] ..................................................................................................................................................... 3 QUADRO 2.2 – PESO EM PERCENTAGEM DOS TRABALHOS REALIZADOS EM PORTUGAL, POR TIPO DE OBRA [3] 6 QUADRO 2.3 – SECÇÕES, DIVISÕES E GRUPOS DA ENGENHARIA CIVIL [7] ..................................................... 7 QUADRO 2.4 – COEFICIENTES E FATORES DE CORREÇÃO DOS VALORES DAS TABELAS DE RENDIMENTOS [13] ....................................................................................................................................................... 13 QUADRO 2.5 – EXECUÇÃO DE ARGAMASSAS DE BETÃO [13] ....................................................................... 14 QUADRO 3.1 – CARACTERÍSTICAS DOS BLOCOS DE BETÃO CORRENTES EM PORTUGAL [31] ........................ 25 QUADRO 3.2 – MATERIAIS FREQUENTEMENTE UTILIZADOS NA EXECUÇÃO DE REVESTIMENTOS ..................... 27 QUADRO 3.4 – TIPOS DE BLOCOS DE ARGILA EXPANDIDA – ARTEBEL [46] .................................................. 36 QUADRO 3.5 – VANTAGENS DAS ARGAMASSAS FABRIS EM RELAÇÃO ÀS TRADICIONAIS [48] .......................... 38 QUADRO 3.6 – VANTAGENS DA PRÉ-FABRICAÇÃO [19] ............................................................................... 43 QUADRO 4.1 – FICHA DE OBRA Nº A.1 ....................................................................................................... 69 QUADRO 4.2 – FICHA DE OBRA Nº A.2 ....................................................................................................... 70 QUADRO 4.3 – FICHA DE OBRA Nº A.3 ....................................................................................................... 72 QUADRO 4.4 – FICHA DE OBRA Nº A.4 ....................................................................................................... 73 QUADRO 4.5 – FICHA DE OBRA Nº A.5 ....................................................................................................... 75 QUADRO 4.6 – FICHA DE OBRA Nº A.6 ....................................................................................................... 76 QUADRO 4.7 – FICHA DE OBRA Nº A.7 ....................................................................................................... 77 QUADRO 4.8 – FICHA DE OBRA Nº A.8 ....................................................................................................... 79 QUADRO 4.9 – FICHA DE OBRA Nº A.9 ....................................................................................................... 80 QUADRO 4.10 – FICHA DE OBRA Nº B.1 ..................................................................................................... 82 QUADRO 4.11 – FICHA DE OBRA Nº B.2 ..................................................................................................... 84 QUADRO 4.12 – FICHA DE OBRA Nº B.3 ..................................................................................................... 85 QUADRO 4.13 – FICHA DE OBRA Nº B.4 ..................................................................................................... 86 QUADRO 4.14 – FICHA DE OBRA Nº B.5 ..................................................................................................... 88 QUADRO 4.15 – LISTAGEM DE VALORES DOS PARÂMETROS A UTILIZAR NO CÁLCULO DE RENDIMENTOS, SEGUNDO O LIVRO DO AUTOR JOSÉ DA PAZ BRANCO [13] .................................................................. 90 QUADRO 4.16 – RESULTADOS TEÓRICOS OBTIDOS .................................................................................... 90 Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias xiv Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias xv SÍMBOLOS, ACRÓNIMOS E ABREVIATURAS A - Área total construída A - Armazenagem a’ - Encargos com os locais e pessoas destinadas a armazenar os equipamentos AM - Amortização c.m.u.t. - Custo médio por unidade de tempo CC - Custos com consumo – estatísticas (óleo, gasolina, eletricidade ...) CCR - Custos com conservação e reparação – estatísticas CCRC - Custo unitário de conservação, reparação e consumo (€/hora) Cd - Custos diretos CEQ - Custos de equipamentos Ceqj - Custo unitário do equipamento “j” Cm - Custo unitário de manobra do equipamento = somatório dos Cmoi dos diversos homens que trabalham com o equipamento (€/hora) CMAT - Custos de materiais Cmatk - Custo unitário do material “k” CMO - Custos de mão-de-obra Cmoi - Custo unitário da mão-de-obra “i” Cp - Custo unitário de posse do equipamento (€/ano) Cp´- Custo com o manobrador por um ano incluindo encargos CT - Custo total do equipamento para a obra CTMD - Custo de transporte, montagem e desmontagem (€/ano) DT - Desvalorização total E - % de encargos a considerar g - Encargos com pessoal e instalação que gere o equipamento G - Gestão H - Horas de trabalho real previsto para o equipamento na referida obra Hh - Horas Homem despendidas na totalidade H - Horas previstas (para o período T) de funcionamento do equipamento heq - Horas da equipa hof - Horas dos oficiais hserv - Horas dos Serventes Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias xvi J - Juro j - Taxa de juros k - Parâmetro de imobilização do equipamento em estaleiro central K´- Eventual parâmetro de imobilização do manobrador (normalmente K´ = 0) N - Vida útil do equipamento (anos) P - Quantidade de tarefa a executar na obra Pr - Produtividade de uma obra R/C - Rés do chão reqj - Rendimento do equipamento “j” Rm - Rendimento médio do equipamento na execução da tarefa rmatk - Rendimento do material “k” Rmoi - Rendimento da mão-de-obra “i” S - Seguro s - Valor total dos seguros do equipamento T - Período de análise (normalmente 1 ano) T - Tempo de permanência do equipamento em obra (anos) t - Tempo que os manobradores estão afetos ao equipamento; t = H sendo 1,0 ― H t T Tof - Tempo de oficial Tserv - Tempo de servente VA - Valor de aquisição Vmi - Vencimento mensal do tipo de mão-de-obra “i” VR - Valor residual X - Produto final Y - Recursos utilizados APFAC - Associação Portuguesa de Fabricantes de Argamassas e ETICS DEC - Departamento de Engenharia Civil EPS - Poliestireno expandido ETICS - External Thermal Insulation Composite System EU - European Union EUA - Estados Unidos da América FEUP - Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto IMA - Investimento médio anual Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias xvii LNEC - Laboratório Nacional de Engenharia Civil PIB - Produto Interno Bruto SAM - Semi-Automated Mason VA - Valor Agregado VAB - Valor Acrescentado Bruto XPS - Poliestireno extrudido % - percentagem €/hora - euros por hora ∑ - somatório cm - centímetro h - horas kg - quilograma m - metros m/h - metros por hora m2 - metro quadrado m2/h - metro quadrado por hora m2K/W - metro quadrado kelvin por watt m3/h - metro cúbico por hora mm - milímetro nº - número Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias xviii Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 1 1 1. INTRODUÇÃO 1.1. ENQUADRAMENTO Desde a antiguidade que a indústria da construção tem um papel fundamental no desenvolvimento das civilizações e do Homem. Inicialmente aproveitando os abrigos naturais que encontravam, como grutas e cavernas, e mais tarde, empregando os recursos regionais para construir estruturas de abrigo, levando ao aparecimento das primeiras alvenarias. Estas alvenarias eram resistentes sendo utilizadas na envolvente das construções e também na compartimentação. Nesta altura o material mais utilizado era a pedra pela sua abundancia na natureza, utilizada em diferentes obras, para além dos edifícios, como pontes, templos e estradas. [1] Com o passar dos anos e a normal evolução do conhecimento do Homem, a pedra foi sendo substituída ou complementada por outro material criado pelo ser humano, o tijolo. A sua simplicidade, durabilidade e resistência fez com que este passasse a ser bastante utilizado, substituindo em muitos anos a pedra nas edificações mais correntes. [1] Na 1ª metade do século XIX, com a invenção do cimento Portland e os refinamentos na produção do aço, as soluções tradicionais de alvenaria caíram em desuso. De facto, com o aparecimento do betão armado as alvenarias resistentes deixaram de fazer sentido na maior parte das aplicações, uma vez que o betão armado confere ao edifício uma boa solução estrutural, dando espaço a introdução de outros elementos nas paredes que se revelem melhores do ponto de vista do conforto (quer seja térmico, higrotérmico, etc.) e qualidade de vida habitacional. A execução de edifícios, nomeadamente com recurso a alvenarias, é uma atividade onde a mão-deobra tem um peso significativo nos custos, já que estas são, normalmente, executadas sem auxílios de equipamentos mecânicos, e requerem inúmeros subprocessos, técnicas e materiais onde a produtividade é baixa e, por conseguinte, o tempo de execução é grande. Esta baixa produtividade é também resultado da utilização de elementos fabricados por diferentes empresas, pouco compatíveis, resultando em incompatibilizações na alvenaria e/ou improvisos em obra. [1] Deste modo, é fácil entender que há ainda bastante para melhorar no que concerne à produtividade em obra, nomeadamente no que diz respeito à construção de alvenarias. Com efeito verifica-se em algumas construções mais recentes a introdução de tecnologias com auxílio de máquinas e sistemas de automatização de processos, ou simplesmente aumentando o rendimento de algumas tarefas através de pré-fabricação, por exemplo. Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 8 2.3.2 A IMPORTÂNCIA DA MÃO-DE-OBRA NO CUSTO FINAL DAS OBRAS É fato conhecido que a mão-de-obra representa uma percentagem sempre elevada, relativamente ao gasto total de uma obra de construção. Por conseguinte, é necessário ter cuidado no estudo e controlo desta em todas as fases do trabalho. Devido às condições temporais das obras, a mão-de-obra desta indústria é considerada muito instável, também por ser muito variada e flutuante ao longo do tempo. Apesar das evidentes diferenças que se verificam na prática, o cálculo antecipado de um custo em função de um rendimento e de um salário a pagar deve ser efetuado por forma a estimar os custos correspondentes à mão-de-obra e dessa forma controlar melhor os trabalhos realizados. As diferenças relativas aos rendimentos da mão-de-obra teóricos e práticos ocorrem porque o rendimento depende do Homem e por isso é muito variável, pois o estado de espirito do trabalhador nessa altura tem consequência direta nesse rendimento. Sendo que só se consegue estar em plena concentração no trabalho se não tivermos preocupações em mente, como despedimentos, doenças ou acidentes, e nos sentirmos emocionalmente estáveis. O ambiente familiar é ainda outro fator relevante e com peso significativo no bem-estar do trabalhador, condicionando positiva ou negativamente as suas ações no trabalho. No entanto, estes não são os únicos fatores que influenciam o rendimento das tarefas. O meio ambiente é também bastante importante para o rendimento pois, condiciona a execução de tarefas consoante as condições meteorológicas, quer seja através de precipitações ou de temperaturas demasiado elevadas. [8] Portanto na realização da orçamentação é necessária atenção redobrada pelas razões antes expostas. O rendimento vai depender bastante, podendo, na prática, o trabalhador não conseguir corresponder às expectativas consideradas na orçamentação, provocando discrepâncias tanto no valor orçamentado, como no planeamento e consequentemente um aumento de custos que não estava previsto. 2.4 CONCEITOS DE EFICIÊNCIA, EFICÁCIA E PRODUTIVIDADE – CONCEITOS ECONÓMICOS Os conceitos de eficiência, eficácia e produtividade são conceitos que se relacionam entre si nas várias atividades do dia-a-dia de trabalho, não só na construção, mas em qualquer outra indústria. Em termos económicos a produtividade caracteriza-se por ser a relação entre o que é produzido e os recursos utilizados para essa produção (seja mão-de-obra, materiais, energia, etc.). Desta forma, a produtividade é associada à eficiência e ao tempo, pois para a mesma quantidade de produto final, quanto menos tempo gasto, melhor será a produtividade do sistema. [9] A eficiência relaciona-se com a capacidade de usar os meios dos quais se dispõe para se atingir um objetivo previamente definido. [10] Por outro lado, a eficácia define-se como sendo a aptidão de cumprir aquilo que se deseja, através da realização de uma tarefa. [11] Em geral a combinação destes dois últimos conceitos está relacionada com a forma ótima de atingir o objetivo. Como a eficiência de Pareto [10] refere, uma situação económica é ótima se não for possível melhorar a situação, ou, por outras palavras, a utilidade de um agente económico, sem degradar a situação ou utilidade de qualquer outro agente, ou seja, o objetivo será alcançado com o mínimo de recursos disponíveis e tempo, atingindo o êxito. Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 9 2.5 A ESTRUTURA DE CUSTOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL [12] Como já foi referido anteriormente, uma estrutura de custos consiste na organização de custos de determinada empresa de construção com o intuito de aumentar o rigor associado aos orçamentos efetuados. Dessa forma, na construção civil, é comum usar-se uma estrutura de custos com a seguinte organização:  Custos Diretos  Custos Indiretos  Custos de Estaleiro Custos Diretos: os custos diretos referem-se a tudo o que é diretamente imputável às obras e em particular às respetivas tarefas (por exemplo os materiais como tijolos, argamassa; as subempreitadas como pedreiros ou carpinteiros; equipamentos como as gruas, entre outros). A obtenção dos custos diretos compostos é dada pela seguinte fórmula: C + C + C = CEQMATMOd (2.1) Custos Indiretos: os custos indiretos são custos associados à empresa, mas que não são diretamente imputáveis às obras (por exemplo os custos com a sede ou os salários do pessoal administrativo) Custos de Estaleiro: os custos de estaleiro são custos imputáveis a uma dada obra particular, mas que não podem ser relacionadas às tarefas do orçamento com clarividência e, portanto, não podem ser considerados custos diretos (por exemplo a água ou eletricidade, as vias de comunicação provisórias, entre outros) 2.5.1 CUSTOS DE MÃO-DE-OBRA ( CMO ) c × r = Cmoi n 1=i moi MO ∑ (2.2) Sendo o n o número de operários que realizam as tarefas. O rendimento do operário ( rmoi ) pode determinar-se a partir das informações estatísticas resultantes do trabalho do sector de controlo de execução da empresa. Sendo estes valores património das empresas de construção civil, constituem um dos principais componentes de trabalho. Existem publicações de listas de rendimentos e custos que contém informações importantes para a realização de tarefas de construção civil. Em Portugal, as tabelas usadas foram publicadas pelo LNEC e servem de auxilio a qualquer engenheiro, pelo que as publicações de tabelas estrangeiras são dificilmente aplicáveis. A informação do custo unitário de mão-de-obra do operário ( cmoi ) é determinada recorrendo-se à lista de vencimentos ( Vmoi ) da empresa por categoria e à percentagem de encargos ( E ) a considerar. )E+1(× 52×40 12× V = Cmoi moi (2.3) Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 10 Todos os anos, o valor de encargos a aplicar é enviado pela AICCOPN aos seus associados bem como a lista dos salários/hora das categorias profissionais que constam da lista existente do CCT. 2.5.2 CUSTOS DE MATERIAIS ( CMAT ) Os custos de materiais representam o conjunto das despesas inerentes aos materiais necessários à execução de uma unidade de tarefa. O seu cálculo é possível a partir da seguinte expressão matemática: c × r = Cmatk matk k,MAT (2.4) O conjunto de todos os materiais necessários a realização de uma unidade de tarefa terá uma pequena variação da expressão acima transcrita onde m representa o número de materiais necessário à realização da mesma: c × r = Cmatk m 1=k matk MAT ∑ (2.5) No entanto, estes custos unitários dos materiais ( cmatk ) são calculados tendo em conta alguns aspetos:  Custo de cada unidade de compra de um material simples  O transporte, se está incluído ou não?  Se existem descontos?  Quem paga o transporte dentro do estaleiro?  Quebras de material Os rendimentos de materiais são calculados atendendo aos seguintes pontos:  São calculados a partir de considerações geométricas, dosagens, etc;  Devem ser incluídos desperdícios;  Devem ser incluídas quebras e sobreposições;  Através de tabelas que já incluem os cálculos necessários para diversas situações. 2.5.3 CUSTOS DE EQUIPAMENTOS ( CEQ ) c × r = Ceqj t 1=j eqj EQ ∑ (2.6) Existem duas formas de calcular os custos de equipamentos ( ceqj ): para uma dada obra; para o conjunto da empresa para um dado período de tempo. Custos para uma dada obra H C = cT eq (2.7) Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 11 sendo, R P =H m (2.8) em que H são as horas de trabalho real previsto para o equipamento na referida obra, P corresponde à quantidade de tarefa a executar na obra e Rm ao rendimento médio do equipamento na execução da tarefa. Os custos totais de equipamentos ( CT ) são custos compostos por várias parcelas. Entre elas, custos unitários de posse ( Cp ), custos unitários de conservação, reparação e consumos ( CCRC ), custos unitários de manobra ( Cm ) e custos unitários de transporte, montagem e desmontagem ( CTMD ). O valor destes custos unitários é contabilizado em €/hora. A introdução da variável tempo na expressão, transforma-a limitando a equação de custos totais a apenas um equipamento: C +H× C +t× C +T)k+1( C = CTMDCRCmpT (2.9) sendo o custo unitário de posse resultado da soma das amortizações ( AM ), juros ( J ), gestão ( G ), armazenagem ( A ) e seguros ( S ): S+A+G+J+AM= Cp (2.10) a amortização é calculada através da razão entre a desvalorização total ( DT ) e a vida útil do equipamento ( N ), em anos: N D =AM T (2.11) A desvalorização total é igual à diferença entre o valor da aquisição ( VA ) e o valor residual ( VR ) do equipamento: VV = DRAT - (2.12) ainda na equação 2.10: IMA×j=J (2.13) IMA×g=G (2.14) IMA×'a=A (2.15) IMA×s=S (2.16) as variáveis “ j ”, “ g ”, “ 'a ” e “ s ” representam a taxa de juros, os encargos com o pessoal e instalação que gere o equipamento, os encargos com os locais e pessoas destinadas a armazenar os equipamentos e o valor total dos seguros do equipamento, respetivamente, são percentagens e por isso entram nas expressões como decimais. Já o investimento médio anual ( IMA ) é calculado pela equação 2.17: D × N2 1+N + V =IMA TR (2.17) voltando à equação 2.9: 𝑘 = ℎ𝑜𝑟𝑎𝑠 𝑚á𝑥𝑖𝑚𝑎𝑠 𝑑𝑒 𝑡𝑟𝑎𝑏𝑎𝑙ℎ𝑜−ℎ𝑜𝑟𝑎𝑠 𝑝𝑟𝑒𝑣𝑖𝑠𝑡𝑎𝑠 ℎ𝑜𝑟𝑎𝑠 𝑝𝑟𝑒𝑣𝑖𝑠𝑡𝑎𝑠 (2.18) Cm = salários com encargos de pessoal afeto ao equipamento (2.19) Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 12 “ t ” corresponde ao tempo que os manobradores estão afetos ao equipamento e os custos unitários de conservação, reparação e consumo são constituídos pela soma de custos com consumo ( CC ) e custos com conservação e reparação ( CCR ): C + C = CCRCCRC (2.20) Nota importante: Se o manobrador do equipamento for especializado a parcela ( t× Cm ) será substituída por: )'k+1(×T×' Cp sendo, ' Cp o custo com o manobrador por um ano incluindo encargos e 'k um eventual parâmetro de imobilização do manobrador, mas normalmente é inexistente ( 'k = 0). Custos para toda a empresa para um dado período de tempo )H,T(.t.u.m.c= Ceq (2.21) sendo T o período de análise, geralmente 1 ano, e H as horas previstas de funcionamento do equipamento para este período de análise, e o custo médio por unidade de tempo ( .t.u.m.c ): H C =)H,T(.t.u.m.c T (2.22) 2.6 RENDIMENTOS E PRODUTIVIDADE 2.6.1 CONCEITO DE RENDIMENTO Rendimento é definido por ser uma proporção entre o resultado final obtido e os meios envolvidos para atingir esse resultado. Por outras palavras, é a quantidade de um determinado componente (mãode-obra, equipamento ou material) requerida para a obtenção de uma unidade realizada numa atividade. Os rendimentos de equipamentos e de mão-de-obra podem ser calculados de forma simples através da expressão seguinte, onde R significa rendimento, P a produção e H corresponde às horas gastas na realização da atividade. [12] H P =R (2.23) Já várias pessoas exploraram este tema com o intuito de melhorar o rendimento, diminuindo atrasos e erros de planeamento e assim criar uma forma mais correta e realista de prever os tempos de obra. Pois, apesar dos atrasos serem particulares de obra para obra, existem algumas regras criadas e publicadas em alguns livros como Rendimentos de Mão-de-Obra, Materiais e Equipamento em Edificação e Obras Públicas do autor José da Paz Branco [13] ou as publicações do LNEC – Informação Sobre Custos – Fichas de Rendimentos [14] que podem servir de guia para um melhor planeamento quer a nível de tempos quer ao nível da orçamentação, no caso do livro do José da Paz Branco. [13] Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 13 2.6.2 FICHAS DE RENDIMENTOS As fichas de rendimentos são elementos que servem de apoio ao cálculo de rendimentos de obra. Existem fichas de rendimentos de vários tipos de tarefas, que consoante as características dos materiais a utilizar apresentam valores diferentes. E existem também quadros de correção dessas fichas tendo em conta as circunstâncias ambientais e a eficiência dos quadros superiores – de chefia, e dos meios tecnológicos disponíveis. Estes quadros são resultado de décadas de contato direto com rendimentos medidos e estudados de trabalhos de todos os tipos e dimensões deste setor. Na elaboração das fichas de rendimentos de mão-de-obra, inicialmente procedeu-se a uma simples observação dos fatos, originando um vasto número de resultados particulares que se demonstram diferentes e incoerentes até então. Em seguida, por observação metódica entre os meios de origem e os resultados obtidos, no que diz respeito às condições técnicas e fisiológicas dos locais de trabalho, ainda às características especificas inerentes às tarefas, e ao comportamento dos trabalhadores relativamente à denúncia dos rendimentos verificados. Por fim, impondo deliberadamente perturbações, medindo e tirando nota do seu efeito e o tipo de reações produzidas, foi possível comprovar a coerência da variedade de resultados obtidos e isolar e avaliar a incidência dos parâmetros diversificantes de rendimentos observados. [13] Quadro 2.4 – Coeficientes e fatores de correção dos valores das tabelas de rendimentos [13] Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 14 Quadro 2.5 – Execução de argamassas de betão [13] No que concerne às fichas de rendimentos de materiais, estas não têm uma componente subjetiva como as anteriores, pelo fato de nos materiais as tabelas apresentarem os mínimos necessários. Isto significa que, só são contabilizadas as quebras inevitáveis, ou seja, devem procurar-se nos materiais a partir de uma gestão cuidada e consequente atenção para garantir a informação permanente junto dos trabalhadores. [13] Assim, analisados e medidos os rendimentos dos tipos de trabalhos possíveis dentro deste setor, percebe-se a importância das fichas de rendimentos no planeamento e orçamentação da obra, já que a grande diferença entre as obras não tem a ver com o tipo de materiais a utilizar ou o número de trabalhadores, mas sim com o planeamento efetuado previamente e com o controlo de rendimentos e produtividades em obra. 2.6.3 COMO MEDIR RENDIMENTOS Os rendimentos são valores que representam uma razão entre o que foi produzido e o tempo que demorou para que uma unidade seja realizada. Este principio, levou a que numa fase inicial fossem cronometrados o maior número de trabalhos realizados, apontando todos os tempos de realização dessa atividade e no maior número possível de Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 15 amostras para se poder ter perceção mais realista e poder então utiliza-los aquando da orçamentação e planeamento da obra. No entanto, é de notar, como foi referido anteriormente, que os rendimentos têm também um caracter subjetivo pois dependem diretamente dos operadores (mão-de-obra) e, portanto, o planeamento e orçamentação devem ser acompanhados de fichas de rendimento que já incluem ponderações que aproximam o rendimento teórico ao real. [13] 2.6.4 CONCEITO DE PRODUTIVIDADE Considera-se que a produtividade seja a eficiência em se transformar entradas em saídas num processo produtivo. Figura 2.4 – Exemplo de diferentes domínios do estudo da produtividade [15] É a redução do tempo gasto para executar um serviço ou o aumento da qualidade de produtos elaborados, com a manutenção dos níveis de qualidade, sem o acréscimo de mão-de-obra ou aumento dos recursos necessários. Produtividade não é somente maior quantidade. É preciso avaliar a qualidade. [16] Produtividade é a obtenção de uma produção maior com a mesma quantidade de recursos empregues, ou de outra forma, quando se emprega menos recursos para obter a mesma produção. 2.6.5 COMO MEDIR PRODUTIVIDADE A forma mais direta de medir produtividade diz respeito à quantificação da mão-de-obra necessária para se produzir uma unidade de saída em questão. Assim, no que respeita às entradas, o cálculo no nº de homens-hora necessários resulta da multiplicação do nº de homens envolvidos pelo período de tempo de serviço. [15] 2.6.6 PRODUTIVIDADE DE UMA TAREFA A produtividade de uma tarefa e o rendimento são dois conceitos que se confundem. Como já foi exposto anteriormente, o rendimento, que pode ser traduzido pela equação 2.23, é proporção entre o Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 16 resultado final obtido e os meios envolvidos para atingir esse resultado. Deste modo, e como a mãode-obra é a componente principal da construção de muros de alvenaria, faz sentido dizer-se que a produtividade de uma tarefa (Pd) é a razão entre a produção (P) e o tempo gasto (h), em horas. A produtividade de uma tarefa vem normalmente em m/h, m2/h ou m3/h e, portanto, é fácil deduzir a partir daqui as unidades da produção (P). h P =Pd (2.24) O tempo despendido para a produtividade de uma tarefa é um pouco mais complexo do que o exposto em cima. Uma vez que a maioria das tarefas são realizadas por mais do que um operário, muitas vezes até de categorias diferentes – oficiais e serventes – este tempo deixa de ser um tempo simples e de contagem direta, e passa a ser composto pelo número de operadores que a executam. Sabendo que o número ótimo de homens da equipa por tarefa corresponde ao número de elementos que garanta a realização do trabalho com a máxima eficiência, a equação seguinte corresponde à composição do tempo ( T ) a utilizar no cálculo da produtividade de uma tarefa. [12] ∑ ∑Tserv+Tof=T (2.25) sendo, “ Tof ” o tempo dos oficiais, e o “ Tserv ” o tempo dos serventes. No entanto, apesar da produtividade da tarefa estar diretamente ligada e dependente da mão-de-obra, existem técnicas e soluções que servem para melhorar a produtividade da mão-de-obra e por sua vez das tarefas, que consequentemente melhoram a produtividade final da obra. 2.6.6.1 Pré-fabricação A construção com elementos pré-fabricados caracteriza-se por ser composta por processos industrializados, ou seja, fabricados mediante a organização programada e mecanizada, de elementos de construção funcionais, por forma a realizar as montagens rapidamente, reduzindo as operações de estaleiro. A pré-fabricação é, assim, uma alternativa para se conseguirem tempos de construção mais curtos, reduzindo o custo da obra e aumentando a produtividade. [17] Sabe-se que com o passar do tempo e repetição de tarefas, os trabalhadores vão absorvendo conhecimento e experiência que conduz ao aumento de produtividade nas tarefas e, por conseguinte, nas obras. Esta ideia de incremento de conhecimento através de repetições transporta-nos para o efeito de aprendizagem e para a curva de aprendizagem. Esta última, reflete as dificuldades sentidas no inicio das tarefas pelos trabalhadores, apresentando baixa produtividade, e que, com o tempo despendido nessas tarefas se traduz em maior capacidade e habilidade na execução dessas mesmas tarefas de execução tornando-se mais eficientes. [18] Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 17 Figura 2.5 – Curva de aprendizagem A pré-fabricação é, assim, uma alternativa viável para aumentar as produtividades das tarefas e da obra. Apesar de não ser utilizada com muita frequência em termos de construção de painéis de alvenarias, é bastante utilizada no arranjo das armaduras, que são armazenadas e montadas previamente (no estaleiro central, ou até mesmo previamente no estaleiro de obra) sendo transportadas e aplicadas no local final quando necessárias. Desta forma, o tempo que os operadores iriam despender na execução das armaduras na obra é rentabilizado para outras tarefas, já que as armaduras foram previamente laboradas. Pelo exposto anteriormente, e com vista à redução de custos, pode-se afirmar que é espectável que haja uma industrialização crescente na construção, diminuindo as tarefas a realizar em obra e aumentando os trabalhos industriais e fabris como se pode ver no gráfico seguinte. [18] Figura 2.6 – Repartição dos tempos gastos nas diferentes fases da construção; (%) [17] 0% 20% 40% 60% 80% 100% Passado Presente Futuro Escritório Estaleiro Fábrica Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 24 embora sejam utilizados também blocos de betão normal ou leve ou ainda pedra natural, no pano exterior. No grupo dos tijolos cerâmicos encontramos diferentes tipos e formas, mas o mais utilizado e mais comum nas paredes de alvenaria é o tijolo de furação horizontal, que é o predominantemente usado nos panos interiores de alvenaria em Portugal. Existem ainda os tijolos perfurados, de furação vertical utilizados no pano exterior, assim como o tijolo maciço muito frequente usado em soluções de face à vista. [28] Figura 3.3 – Tipos de tijolos cerâmicos [29] No que concerne às unidades de betão, estas são fabricadas por moldes onde o betão é vibrocompactado, de forma a apresentar a compressão certa para a sua secagem. Em seguida são expostos os tipos de blocos de betão existentes e as características dos que são correntemente utilizados em Portugal. Figura 3.4 – Tipos de blocos de betão [30] A pedra natural tendo vindo a cair em desuso cada vez mais, pois dá origem a paredes pesadas e requerem bastante esforço por parte da mão-de-obra. São também unidades com caracter mais regional, uma vez que não são fabricadas industrialmente, mas sim extraídas de pedreiras naturais, nas zonas de maior abundância. Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 25 Quadro 3.1 – Características dos blocos de betão correntes em Portugal [31] 3.3.1.2 Argamassas de assentamento As argamassas são geralmente produzidas no local da obra e são realizadas preferencialmente à base de água e cimento, com o desuso da cal hidráulica em argamassas de assentamento. O cimento mais frequentemente utilizado é o cimento Portland II 32,5, mas muitas vezes o cuidado na obra é pouco no que diz respeito à escolha do cimento para fabricar a argamassa desejada. [25] Na obra, as argamassas podem ser preparadas de duas formas. A forma mais ergonómica e produtiva é conseguida com auxilio de betoneira, pois para além de ter menos perdas de materiais também é um processo mais rápido do que quando são executadas manualmente. Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 26 Figura 3.5 – Execução de argamassa em obra com auxilio de betoneira [29] Figura 3.6 – Execução manual de argamassa em obra [29] Ao contrário do que seria de esperar, dada a quantidade de cimento despendida no fabrico das argamassas, ainda não existe uma atenção devida no estudo das argamassas. Sabendo que as propriedades pretendidas nas argamassas são distintas daquelas aplicáveis aos betões, seria espectável que se desenvolvessem produtos específicos para melhorar as argamassas tendo em vista parâmetros como a trabalhabilidade, aderência modulo de elasticidade, entre outros, tornando-os industriais de forma a combater a diversidade indesejada das propriedades presentes nas argamassas. Em termos de traços em volume não existe uma solução ótima, pelo que as propriedades das alvenarias variam consoante inúmeros fatores como as exposições ambientais de cada local por exemplo. Ainda assim, existe uma gama de valores, entre os traços 1:3 e 1:5 em volume, de cimento por areia, que se tomam como valores resistentes e que são correntemente utilizados. 3.3.1.3 Revestimentos No passado os revestimentos eram constituídos por rebocos tradicionais simples, normalmente pintados e com caracter regional, como foi referido anteriormente. No entanto, em ambientes mais húmidos eram usados outros revestimentos, como azulejos por exemplo, ou reforçavam-se os rebocos tradicionais nesse sentido. [25] Como o custo de manutenção e a mão-de-obra especializada eram caras e difíceis de conseguir, e ainda existia a ideia errónea de que alguns materiais de revestimento se comportavam melhor na resposta às humidades prevenindo grande parte das patologias associadas, levou ao uso de outros Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 27 materiais como elementos de revestimento, como se pode ver no seguinte quadro, tornando-se frequente a sua aplicação nos edificados. Quadro 3.2 – Materiais frequentemente utilizados na execução de revestimentos Ladrilhos Cerâmicos [32] Pedras Naturais [33] Monomassas [34] Paredes de Alvenaria de Face à Vista [33] Sistemas de Isolamento Térmico pelo Exterior [35] 3.3.1.4 Isolamentos Os isolamentos são elementos imprescindíveis quando procuramos o conforto higrotérmico das nossas habitações, limitando as trocas de temperaturas entre os meios exteriores e os meios interiores. De facto, sensivelmente a partir dos anos 80 com a publicação da regulamentação do conforto térmico em edifícios, foi generalizada a aplicação de isolamentos térmicos na caixa de ar de paredes duplas, preenchendo parcial ou totalmente a mesma [25]. Os materiais mais utilizados na construção são o Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 28 poliestireno extrudido (XPS), o poliestireno expandido (EPS), e a espuma de poliuretano. Os dois primeiros elementos são empregues na forma de placas enquanto que o último é projetado. Figura 3.7 – Placas de isolamento EPS [36] Figura 3.8 – Placas de isolamento XPS [37] 3.3.1.5 Acessórios complementares para paredes de alvenaria Os acessórios complementares para paredes de alvenaria são de inúmeras formas e com diversos fins. O emprego destes acessórios resulta de aproveitamentos de outros materiais usados na obra que são empregues como ligadores de panos duplos de alvenaria, de elementos de ligação à estrutura, dispositivos de drenagem, ventilação ou estanquidade e armaduras de reforço. Neste ponto apenas serão abordados os ligadores ou grampos de ligação de panos de alvenaria, ligadores de alvenaria/estrutura e as armaduras de reforço, por serem muito pouco utilizados na construção portuguesa. [25] Grampos de Ligação entre Panos Existem ligadores constituídos por metal e por plástico. Naturalmente, os grampos metálicos são mais resistentes ao fogo e garantem a transmissão de esforços de compressão, ao contrário do que se passa com os seus homólogos de plástico. Por outro lado, os ligadores plásticos não apresentam a desvantagem existente pelos de metal em relação à corrosão e, portanto, tem uma durabilidade maior. Em Portugal, não existe produção deste tipo de acessórios nem sequer existe a sua aplicação regular na construção de alvenarias. Os elementos aplicados em obra, como já foi referido, são geralmente adaptações de materiais metálicos existentes na obra, como por exemplo sobras de armaduras. Nesse sentido, a utilização de grampos plásticos é praticamente inexistente, razão pela qual apenas serão expostos e abordados com mais cuidado os ligadores metálicos. Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 29 Figura 3.9 – Tipos de ligadores correntes. [38] Existem vários tipos de ligadores metálicos, mas os que são normalmente aplicados em paredes de alvenaria corrente são os semi-rígidos e os flexíveis, no entanto não em Portugal como já foi referido. Para prevenir o problema da corrosão abordado anteriormente, os ligadores ferrosos devem ser totalmente galvanizados, ou equivalente, para resistirem não só aos óbvios problemas de humidade e do ataque das argamassas, mas também do manejo em obra, com eventuais dobragens, que são de evitar. No que concerne à sua colocação, esta deverá acompanhar a construção da alvenaria, sendo que os grampos devem ser colocados com espaçamentos de 1 metro em altura e 0.60 metros na horizontal e devem ser cuidadosamente fixados com inclinação para o exterior. Caso sejam aplicados horizontalmente, estes devem ser munidos de pingadeira que impossibilita a escorrência de água para o pano interior. No caso de a parede estar já construída, e no caso de necessitar de ligadores, ou ainda de trocar os existentes, é possível introduzir grampos com características especiais para o efeito através da furação da parede, atravessando a caixa de ar e fixando-se no pano interior com auxilio de argamassa fina, resinas, buchas especiais ou metálicas expansivas. Figura 3.10 – Grampos de reabilitação de alvenarias [39] Ligadores alvenaria/estrutura A execução de paredes de enchimento deve ter especial atenção na zona de ligação com a estrutura resistente (betão armado). Dessa forma, existem acessórios capazes dessa ligação da alvenaria com os elementos estruturais. O tosco da superfície de betão que estará em contacto com a alvenaria, em conjunto com os ligadores embebidos na junta horizontal da argamassa dos elementos verticais, faz a associação dos Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 30 componentes de preenchimento e estruturais. Ao nível das juntas horizontais de contacto entre as lajes e as alvenarias interiores, estas deverão ser flexíveis permitindo a deformação da laje sem causar danos na parede. Figura 3.11 – Grampos de ligação alvenaria/estrutura [38] Armaduras das juntas horizontais Estes acessórios servem de reforço nas paredes de alvenaria. São constituídas por varões longitudinais e transversais. Estes últimos, têm a função resistente, tal como nos grampos, quando se trata de paredes de alvenaria duplas pois a armadura liga os dois panos através da sua forma treliçada. Existem diversos tipos de armaduras de aço para as juntas horizontais da argamassa. Estas diferenças têm em conta o tipo de junta de argamassa existente. Nas juntas mais delgadas deve ser aplicada uma armadura de barra plana pelo facto da necessidade do embebimento da armadura na argamassa, apesar deste tipo de armaduras apresentar fracas condições de aderência. Como o caso anterior (dos ligadores), também as armaduras das juntas horizontais têm problemas na sua durabilidade devido às mesmas razões de humidade quando não são fabricadas em aço inox. Por essa razão, as armaduras devem passar pelos mesmos processos de galvanização dos grampos, não diminuindo as condições de aderência, que são de grande importância. Figura 3.12 – Armaduras das juntas horizontais em panos de alvenaria simples e duplo [38] Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 31 3.3.1.6 Ferramentaria usada na execução dos trabalhos A execução dos trabalhos das soluções atuais é ainda pobre em termos tecnológicos, com a utilização de ferramentas manuais e sistemas pouco mecanizados. Estas formas de execução de trabalhos baseada maioritariamente em componentes manuais e que dependam da mão-de-obra, têm muitos problemas em obras aos quais respondem com improvisos, quer de materiais quer de soluções. Mesmo com o uso de ferramentas certas, para que as soluções sejam bem executadas, os operadores têm de ter o conhecimento necessário e uma boa prática no assentamento e marcação da primeira fiada por exemplo. Uma boa execução das tarefas depende sempre da prática e mestria do operador, o que não acontece com a execução de trabalhos nas soluções inovadoras como será explicado mais a frente. Figura 3.13 – Conjunto de ferramentas tradicionais de construção de alvenarias [40] Para auxiliar os trabalhos de construção de alvenarias são normalmente utilizados outro tipo de ferramentas como balde ou carro de mão, destinados a transporte de água, argamassa, unidades de alvenaria, entre outros. Já os andaimes servem de auxilio nos trabalhos em altura. Figura 3.14 – Equipamentos auxiliares de construção – balde, carro-de-mão e andaime [41] Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 32 3.3.2 PAREDES EXTERIORES As paredes exteriores em Portugal têm sofrido algumas mudanças ao longo dos anos. Estas mudanças têm por base a mudança das exigências que impomos às alvenarias, e à medida que o tempo tem passado, e com a descoberta de novos materiais e soluções, essas exigências vão sendo cada vez maiores e rigorosas. Em síntese pode ver-se essa mudança de soluções ao longo do tempo na imagem seguinte, a partir dos anos 40. Figura 3.15 – Evolução das alvenarias ao longo dos tempos [42] Atualmente, os sistemas de alvenaria mais utilizados são os seguintes [43]:  Paredes duplas de tijolo cerâmico de furação horizontal, sendo que o pano ode maior largura não ultrapassa os 15 cm. Na caixa de ar, isolamento térmico projetado ou em placas, normalmente XPS ou EPS.  Paredes duplas com um pano de tijolo de alvenaria em tijolo de furação horizontal com espessura de 11 cm ou 15 cm no máximo. O outro pano, o exterior, é destinado a ficar à vista, podendo ser realizado em tijolo maciço, furado horizontalmente ou em blocos de betão correntes. Neste sistema, geralmente o pano interior é reforçado por uma pintura ou barramento na face exterior para melhorar a estanquidade à água, nalguns casos é ainda utilizada rede de fibra de vidro como reforço. O isolamento é realizado da mesma forma que o ponto anterior.  Paredes duplas com unidades de betão corrente no pano exterior e tijolo no pano interior. Este sistema é de emprego diminuto quando comparado com os anteriores. Mais uma vez, o isolamento pode ser projetado ou em placas, como mencionado anteriormente.  Paredes simples de blocos não tradicionais com furação vertical ou maciços e com espessuras superiores às ordinárias, de 25 cm ou mais. Nestas soluções as juntas de assentamento vertical são parcialmente preenchidas ou inexistentes. Nos sistemas de paredes duplas, existe ainda pouco cuidado e atenuação no que diz respeito aos acessórios de drenagem da caixa de ar, da ligação à estrutura, dos ligadores entre panos e da fixação e posicionamento do isolamento. 3.3.3 PAREDES INTERIORES No que concerne às paredes interiores, a sua execução é bastante mais simples. Havendo uma distinção entre paredes divisórias simples e paredes de separação de fogos e zonas comuns. As paredes divisórias simples são na sua maioria realizadas com tijolos de furação horizontal, com espessuras entre os 7 e os 15 centímetros, sendo que alguns autores consideram que devem ser Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 33 utilizados sempre as unidades de 15 centímetros para permitir a passagem de canalizações e instalações quando necessário. Na figura seguinte, é apresentado um gráfico de um estudo realizado em 1998 que demonstra que as paredes divisórias nem sempre tiveram o cuidado mencionado pelo autor J. Mascarenhas [44], em relação à espessura das mesmas. Figura 3.16 – Espessura dos tijolos usados para compartimentação do interior de edifícios, segundo um estudo estatístico de 1998 [44] As paredes de separação de fogos e zonas comuns são constituídas por duplo pano, com especial atenção ao conforto térmico e acústico dos ambientes interiores. A caixa de ar é então totalmente preenchida, visto tratar-se de paredes interiores e não existirem condensações significativas. Figura 3.17 – Três tipos fundamentais de paredes interiores de alvenaria de tijolo [45] Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 40 Figura 3.22 – Sistema ETICS [52] Como podemos ver na imagem, o sistema ETICS é composto do interior para o exterior pelos seguintes elementos:  Elemento de suporte (tijolos ou blocos);  Produto de colagem (argamassa);  Isolamento térmico (placa de EPS ou cortiça);  Camada de base armada com rede de fibra de vidro;  Camada de primário;  Revestimento final. Os acessórios necessários (fixadores mecânicos) à sua execução são fornecidos pelas empresas fabricantes. Estes fixadores são aplicados nas junções das placas de isolamento, completando a colagem prévia e evitando o desprendimento das placas que pode originar anomalias. Figura 3.23 – Fixadores mecânicos de ETICS [53] Acessórios para aumentar a produtividade existem vários e para diversas tarefas, como por exemplo um simples carrinho de transporte de unidades de alvenaria para que o operador não exceda o peso de 15 kg de cargas, que é o limite de cargas a suportar para casos repetitivos. Também o uso de pegas de unidades de alvenaria ou de sistemas de elevação, servem para o aumento da produtividade e para Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 41 proteção da saúde dos operadores, resguardando-os de fadigas acumuladas e lesões musculares, que a médio longo prazo podem trazer problemas mais graves. Figura 3.24 – Equipamento auxiliar de pega de unidades de alvenaria [54] Figura 3.25 – Equipamentos de elevação e transporte de blocos e argamassas [55]; [56] O uso de andaimes com dois níveis de altura distintos é economizador de tempo real, permitindo o trabalho normal de um andaime e ainda facilitando o operador com um nível de auxilio onde se colocam os tijolos a uma altura prática para o manuseamento do trabalhador sem grande esforço. Figura 3.26 – Exemplo de andaimes com dois níveis de altura. [55] Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 42 Existem ainda equipamentos de auxilio de corte de unidades de alvenaria, para os casos onde as unidades especiais para pontos singulares sejam inexistentes, ou quando nem essas podem ser aplicadas diretamente. Estas serras permitem diminuir o desperdício de material, cortando o bloco sem estilhaçar ou destruir, como quando é feito do modo tradicional, à base da pancada com a colher de pedreiro. Figura 3.27 – Serras elétricas de corte de unidades de alvenaria [57] Pré-Fabricação Como já foi referido no 2º capítulo a pré-fabricação é uma solução que pode levar o setor da construção a evoluir para a industrialização, e nesse sentido deve ser tida em conta. Apesar de em Portugal não ser ainda muito frequente como noutros países europeus, a pré-fabricação conta com inúmeras vantagens, como se pode ver no quadro 3.6. Através da pré-fabricação é possível fabricar painéis de alvenaria de diversos tamanhos, pelo que seria importante estandardizar as dimensões de forma a incrementar a competitividade económica. Nestes processos de pré-fabricação, são utilizados sistemas mecanicamente completos que transportam as unidades de alvenaria e espalham a argamassa nas juntas com a quantidade certa para o assentamento dos blocos. Sistemas como este permitem salvaguardar os trabalhadores de trabalhos pesados, evitando lesões e fadigas acumuladas que depois se refletem na produtividade. Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 43 Quadro 3.5 – Vantagens da pré-fabricação [19] Vantagens Justificação Melhoria das condições de segurança estrutural A possibilidade de fazer os ensaios não destrutivos antes das peças serem aplicadas, permitindo a sua correção caso seja necessário. Melhoria das condições de segurança de acidentes de trabalho O número de horas de trabalho em estaleiro diminui com a préfabricação e este fator é ainda acompanhado pela mão-de-obra mais especializada e com a eficácia do equipamento. Estes parâmetros são essenciais para a diminuição da probabilidade de acidentes em obra. Rapidez de execução das estruturas em obra A capacidade de armazenamento dos produtos em fábrica e os elevados ritmos de montagem dos produtos conseguidos com o planeamento e sistematização das tarefas. Maior facilidade de cumprimento de prazos Com a rápida montagem e com a independência dos efeitos atmosféricos na produção e montagem dos elementos préfabricados. Produção em unidades industriais Os processos rotinados de produção e pessoal especializado possibilitam e facilitam no controle de qualidade eficiente ao longo do ciclo produtivo. Reaproveitamento das cofragens, em fábrica Pela semelhança e igualdade dos elementos que se fabricam. Redução do estaleiro significativa Redução da necessidade de elementos auxiliares como andaimes e cimbres que, pelas dimensões que ocupam, implicam custos elevados Alternativa capaz de suprimir a escassez de mãode-obra especializada e experiente em obra O recurso a elementos pré-fabricados implica uma equipa de montagem especializada, eficiente e com outro tipo de comportamento Diminuição de custos de manutenção e fiscalização Os elementos pré-fabricados são analisados antes de serem aplicados. A partir desse estudo (através de ensaios não destrutivos com ultrassons, ensaios de carga de leituras diretas e indiretas) os eventuais erros são corrigidos. Redução da produção de resíduos ou ruídos em obra e diminuição de gastos de energia A maior parte das tarefas de uma obra de pré-fabricados é executada em fábrica, libertando o estaleiro de diversas tarefas e equipamentos de construção. Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 44 Figura 3.28 – Sistema de pré-fabricação completo (Transporte de blocos, espalhamento de argamassa) [58] O transporte e colocação dos painéis é feito com recurso a camiões e a gruas, para as funções de transporte e colocação em obra respetivamente. Durante o processo de colocação dos painéis pré-fabricados em obra, os trabalhadores auxiliam manualmente, colocando argamassa como base de assentamento e também alinhando os painéis nas posições exatas, evitando erros que mais tarde se verificam no comportamento do edifício face às exigências pretendidas previamente. Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 45 Figura 3.29 – Movimentação e aplicação dos painéis em obra [59] Nos EUA foi criada uma empresa – Construction Robotics – com o objetivo de avançar na construção através da robótica e automação de processos, desenvolvendo equipamentos automáticos para a indústria da construção. Comprometida a antecipar a construção através das novas tecnologias e os mesmos princípios de fabrico utilizados há décadas noutras indústrias, criam o SAM100. O SAM100 é resultado de vários anos de pesquisa, desenvolvimento, engenharia e testes de campo. O Semi-Automated Mason é montado no estaleiro de obra, pronto a trabalhar como um elemento altamente produtivo da equipa de trabalho. Foi concebido usando todos os padrões da indústria e de segurança na construção, permitindo uma interação fácil com os trabalhadores já que foi projetado para trabalhar ao longo da alvenaria. [60] Figura 3.30 – SAM100 [60] Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 46 Figura 3.31 – Sequência do SAM100 na aplicação de blocos [60] Na Suíça existe a instituição Gramazio Koher [61] que faz pesquisas e investigação sobre técnicas de fabricação de aditivos digitais utilizados para construção de componentes. De forma simplificada, pode-se dizer que o aditivo de fabrico pode ser descrito como um processo de impressão tridimensional. Apresentando uma eficácia enorme, consegue-se colocar os elementos de construção nas posições exatas, entrelaçando qualidades estéticas e funcionais numa estrutura. Com o objetivo de desenvolver critérios para um novo sistema construtivo, experimentam diversos materiais e técnicas. De facto, em termos produtivos, juntar a informática e a tecnologia ao setor da construção é um importante passo para mecanizar processos e para a industrialização do sector. Dentro de vários estudos já realizados nesta instituição, destacam-se dois no contexto das alvenarias. O primeiro, realizado em 2006, experimentando blocos de tijolo perfurado e construído por um robot industrial. Ao contrário de um pedreiro, o robot tem a capacidade de posicionar cada unidade de tijolo de forma diferente, sem esforço extra. Foram então desenvolvidos métodos e fórmulas que informam o robot de como construir a parede de maneira lógica e não indicando a posição de cada tijolo individualmente. Ou seja, o robot constrói seguindo uma lógica construtiva, sendo que desta forma conseguiu assentar mais de 400 unidades alvenaria. Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 47 Figura 3.32 – Vistas do modelo produzido pela Gramazio Koher [61] Figura 3.33 – Construção da parede pelo robot programado [61] Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 48 No segundo caso experimental, em 2007, decidiram experimentar blocos de betão celular autoclavado, mas com diferentes tamanhos. O tempo despendido pelo robot a colocar cada bloco é independente do seu tamanho pois o caminho que tem de percorrer para pegar na unidade e aplica-la é o mesmo. [62] Figura 3.34 – Parede de blocos de betão celular autoclavado [62] Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 49 4 4. CASOS DE ESTUDO 4.1 NOTA INTRODUTÓRIA Conhecidos os sistemas construtivos tradicionais e inovadores, resta então perceber em termos práticos como é que estes se comportam e qual se revela mais produtivo no final. Através do contacto com várias empresas de construção foi possível visitar, estudar e acompanhar a execução de duas obras no distrito do Porto. Estas ainda se encontram em execução, e foi possível acompanhar de perto a execução de algumas paredes de alvenaria. Ambas as obras são destinadas a serviços/unidades hoteleiras, no entanto apresentam estruturas e sistemas construtivos diferentes. Por razões de confidencialidade das empresas, as obras serão intituladas “A” e “B”. 4.2 OBRA A 4.2.1 IDENTIFICAÇÃO DA OBRA A Como já foi referido na nota introdutória, o dono de obra e da entidade executante serão omitidas por razões profissionais. Ainda assim serão revelados alguns dados informativos da obra. A obra A está localizada na baixa do Porto, na intersecção das ruas do Bonjardim, Sampaio Bruno e Travessa dos Congregados. A natureza desta obra é de reabilitação do edificado existente, sendo, portanto, uma adaptação do edifício para a sua utilização final de hotelaria. Os tipos de obras a executar passam pela alteração e ampliação do existente, compreendendo uma área total de construção de 4.324 m2, um volume de 14.891 m3 e uma área de implantação de 1.103 m2. O hotel não possui pisos abaixo da cota de soleira, mas tem 4 pisos acima da cota de soleira (R/C mais 3 pisos superiores). O hotel será dotado de 74 quartos individuais distribuídos por todos os pisos. A altura da construção atinge os 15 metros. A obra teve início em dezembro de 2015 e estima-se que fique terminada no final de 2016. Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 56 Para cada uma destas situações foi criada uma ficha de obra onde se indica o tipo de alvenaria em questão, a quantidade executada, o tempo despendido e os rendimentos associados. Através da análise de cada situação será então possível comparar rendimentos e retirar algumas conclusões sobre o trabalho efetuado, como será exposto mais à frente. 4.2.3.2 Paredes Interiores No caso das paredes interiores, pelo simples facto de existir um volume de construção bastante superior ao volume das paredes exteriores, estas não são planeadas da mesma forma que as anteriores. Como já foi mencionado, as equipas de alvenaria trabalhavam na mesma zona sempre que possível, e enquanto dois oficiais estão a executar as paredes exteriores do pátio interior, o terceiro oficial vai executando as paredes interiores existentes nessa zona de trabalho, pois sempre que necessitar, o servente que se encontra a auxiliar nas paredes exteriores é chamado para ajudar com alguma tarefa. No entanto, aquando da execução das paredes exteriores, o oficial que se encarrega das paredes interiores evita a ajuda do servente para que este não deixe de abastecer os oficiais dos panos exteriores que se situam afastados das tinas de argamassa, situadas em salas interiores mais amplas e de melhor acesso para a grua descarregar. Assim, este oficial fica sozinho a executar paredes interiores, abastecendo-se de argamassa com recurso a carro de mão e de tijolos a partir das paletes que se situam ao seu redor, procedendo ao seu corte com serra elétrica quando necessário. Figura 4.13 – Execução de panos interiores por parte do oficial Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 57 Acabando as paredes exteriores, os oficiais que executavam os panos das paredes exteriores passam a executar panos de paredes interiores, por forma a terminar as paredes interiores existentes naquela zona, para posteriormente passarem para a zona seguinte de paredes exteriores e interiores. Em termos construtivos são aplicados os mesmos princípios nos dois tipos de paredes, ou seja, a argamassa é colocada da mesma forma, a ligação do pano de alvenaria com a estrutura é efetuada da mesma forma de 3 em 3 fiadas, é utilizado o fio de prumo e o nível para verificar a verticalidade da alvenaria. O recurso aos andaimes só se verifica após a conclusão de 7 ou 8 fiadas do pano, dependendo da altura do oficial. E este vai sendo aumentado por forma a acompanhar a evolução da alvenaria. Para verificar e marcarem cotas de padieiras e outras que sejam necessárias, é utilizada uma mangueira de nível. As extremidades da mangueira são usadas para fazer a marcação, enquanto um operário segura uma extremidade colocando-a numa cota previamente medida e marcada, mantendo-se estático, o outro operador usa a outra extremidade para efetuar a nova marcação e perceber onde se situa a cota pretendida, que será posteriormente usada na colocação de padieiras por exemplo. Figura 4.14 – Execução de panos interiores, com auxílio de andaimes simples Figura 4.15 – Marcação de cotas com auxílio de magueira de nivel A principal diferença existente, entre os panos exteriores e interiores, tem a ver com a realização das padieiras das portas, que são inexistentes nas paredes de fachada. Estas padieiras são pré-fabricadas no local utilizando 4 tijolos de 15 cm, varões de 10 mm e betão. Os tijolos são partidos nas cavidades de uma face até ao interior compreendendo um total de 4 cavidades, por forma a inserir os varões na zona central do tijolo e betonar seguidamente. O facto de pré-fabricarem as padieiras desta forma traz algumas vantagens entre as quais, a diminuição de tempo de execução de padieiras aquando do levantamento do pano de alvenaria, por não precisar de cofragens nem de curar no local, outra vantagem tem a ver com a forma de como são feitas estas padieiras, permitindo corrigir cotas ou alturas de assentamento das padieiras com a simples demolição de uma, ou em caso extremo das duas, cavidades de tijolo em volta do betão armado previamente executado, como podemos ver nas seguintes figuras. Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 58 Uma das desvantagens deste sistema construtivo é que a padieira se torna numa peça pesada e, portanto, são necessários dois homens para colocar a padieira no local, forçando a um maior desgaste dos trabalhadores e ainda por vezes torna-se complicado posicioná-las à cota desejada, pela sua forma rígida e maciça. Figura 4.16 – Esquemas das padieiras usadas e armazenamento das mesmas no estaleiro Figura 4.17 – Pormenores construtivos de padieiras executadas Figura 4.18 – Execução de padeiras de panos interiores 4.3 OBRA B 4.3.1 IDENTIFICAÇÃO DA OBRA B No caso da obra B, esta situa-se no Concelho da Maia, distrito do Porto, na Avenida do Aeroporto. Ao contrário da obra A, esta obra é uma construção, nova, apesar de ser também uma ampliação do hotel existente nessa localidade. A construção teve inicio em 12 de maio do presente ano e a sua conclusão está prevista para fevereiro de 2017. A natureza desta obra é de ampliação do edificado existente, sendo, portanto, um módulo semelhante ao existente e destinado a serviços de hotelaria. Esta obra Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 59 compreende uma área total de construção de 1.538 m2, um volume de 5.749 m3 e uma área de implantação de 678 m2. A ampliação do hotel será dotada de 62 quartos individuais (31 por piso) e respetivos wc. Tem 2 pisos acima da cota de soleira, apresentando diferentes pés direitos, 4 m e 2,5 m, para os pisos do R/C e o primeiro piso respetivamente. A altura de construção atinge os 7,5 m acima da cota de soleira. Figura 4.19 – Localização da Obra B [63] 4.3.2 SISTEMA E PRINCÍPIOS CONSTRUTIVOS Nesta obra, tal como na obra A, são utilizadas unidades tradicionais de alvenaria. No entanto, para além dos tradicionais tijolos cerâmicos de 15, 11 e 7 cm, são ainda usados tijolos cerâmicos de furação vertical com encaixe e 24 cm de largura, o chamado tijolo térmico, pela diferença estrutural, comparando com os tradicionais, apresentando mais espaços vazios e uma largura superior. Esta diferença estrutural traduz-se numa diferença de resistência térmica de 0,49 m2K/W quando comparado com o tijolo cerâmico de 22 cm usados nas paredes voltadas para o pátio interior da obra A. Figura 4.20 – Unidades de alvenaria usados na obra B As paredes interiores de alvenaria existentes, correspondem às paredes dos wc dos quartos e às paredes de separação dos quartos com corredor central, sendo então constituídas em 53,5% por tijolo Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 60 de 7 cm, 33% por tijolo de 11 cm e 13,5 % por tijolo de 15 cm, da totalidade de m2 de alvenaria cerâmica interior. As paredes de separação entre quartos são constituídas em betão armado. A argamassa de assentamento utilizada neste sistema construtivo é uma argamassa seca pré-misturada composta por cimento Portland, areias classificadas e aditivos para melhorar a trabalhabilidade e a adesão. Esta é amassada através de um silo de pressão bombeando o material por um misturador horizontal tipo (MEC 30) para o local de aplicação. Com este sistema de transporte e amassadura da argamassa, os desperdícios são insignificantes, já que é um sistema bastante preciso e que descarrega em carros de mão quando necessário, sendo controlada por operários que só ligam a máquina quando o carro de mão já se encontra na posição correta e desligam-na antes de mover o carro de mão para que as últimas ‘’gotas’’ de argamassa caiam dentro do carro e não no chão provocando desperdícios. Figura 4.21 – Sistema de transporte e amassadura de argamassa – Fassa Bartolo Com a exceção deste último sistema de amassadura e transporte de argamassa para o local de aplicação, todos os restantes materiais de trabalho são de natureza tradicional, correspondentes à execução de alvenarias, tal como na obra A, como já foi referido:  Fio de Prumo;  Nível;  Esquadro;  Bitola;  Colher de Pedreiro;  Tabuleiro de argamassa;  Carro de mão;  Balde;  Pá;  Talocha;  Sachola;  Fita métrica;  Martelo;  Serra elétrica;  Martelo elétrico;  Andaimes simples. Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 61 4.3.3 ACOMPANHAMENTO E ESTUDO DA EXECUÇÃO DAS ALVENARIAS Na execução das alvenarias, esta obra revelou-se mais organizada, tanto em termos de equipas de trabalho como de organização espacial e de material. Esta organização tem também a ver com a diferença de localização e de estaleiro, pois visto esta se situar numa zona mais ampla que a obra anterior, que se situa na baixa do Porto e por isso apresenta alguma dificuldade na organização do estaleiro e do material. Figura 4.22 – Estaleiro de obra e materiais Nesta obra existe uma equipa de 5 homens encarregues dos trabalhos de alvenarias, no entanto, estes dividem-se em dois grupos de trabalho distintos. Uma equipa é constituída por um servente e três oficiais, enquanto o outro oficial faz outra tarefa, no caso, a equipa de 4 homens fica encarregue de levantar as paredes de alvenaria exteriores de enchimento enquanto o outro começa as marcações das paredes interiores e posterior levantamento das mesmas. Como é de esperar, a equipa de trabalho maior completa o seu serviço mais rapidamente e nessa altura, passam a auxiliar na execução das paredes interiores para que outras equipas de outras especialidades possam proceder à instalação dessas mesmas especialidades, como por exemplo eletricidade, águas e saneamento. 4.3.3.1 Paredes Exteriores Ao contrário da outra obra, como já foi referido, esta é uma construção de raiz para fazer a ampliação das instalações do Hotel existente. Isto significa que a construção toma princípios um pouco diferentes comparativamente com a obra A. As paredes foram projetadas com tijolo térmico cerâmico de 30x19x24 que em comparação com os tijolos tradicionais de 30x20x22 utilizados na obra do caso anterior, são mais pesados (3 kg de diferença para cada unidade), no entanto são melhores do ponto de vista acústico, térmico e mecânico resultado da sua configuração e características. Tem ainda a vantagem de eliminarem a junta vertical de assentamento devido aos seus encaixes. Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 62 Figura 4.23 – Planta do piso 0 - paredes exteriores Neste novo bloco, a construção à partida prevê-se que será mais produtiva dadas as estruturas de ambas as obras. Aqui existe uma completa simetria dos espaços, que facilita a construção pela fácil compreensão de toda a equipe em relação ao trabalho que irão executar. Ora, como já foi mencionado previamente, a equipe encarregue de levantar os panos exteriores do hotel é constituída por três oficiais e um servente. Da mesma forma que na obra A, o servente abastece os oficiais de material necessário, colocando os tijolos em zonas de melhor e fácil acesso a quem assenta a fachada, cortando unidades de alvenaria quando necessário e abastecendo os carros de mão com argamassa proveniente da máquina misturadora [MEC30] como explicado no ponto 4.3.2. Pela sua forma geométrica do estaleiro e do bloco a ser construído, percebe-se a facilidade de organização e separação de tarefas na obra. Os materiais estão posicionados na zona da frente do edifício, num espaço onde será o parque de estacionamento futuro, e por isso existe bastante espaço para organizar os materiais, os escritórios e wc constituintes do estaleiro. As paletes de alvenaria estão armazenadas ao ar livre em frente ao futuro bloco hoteleiro e antes de iniciar a execução das alvenarias, com a ajuda da grua existente, as paletes são colocadas próximos dos locais onde surgirão os panos, para diminuírem o tempo de transporte de tijolos desde o local de armazenamento até ao local de implantação. Figura 4.24 – Colocação de paletes de alvenaria nos locais de aplicação, por meio de grua Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 63 Figura 4.25 – Diagrama de fluxos das unidades de alvenaria Por apresentar uma forma simples, retangular, o plano de construção passou por fazer a marcação e posterior levantamento da fachada das traseiras do edifício até à sexta fiada, sensivelmente 1,20 m de altura. Depois, com auxílio a andaimes simples montados pelo interior, levantam-se mais quatro fiadas fazendo os contornos das janelas de cada quarto e só depois se volta a subir os andaimes e se conclui o resto do pano de fachada. Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 64 Figura 4.26 – Fases de execução dos panos exteriores do piso 0 No entanto, como são 3 oficiais a executar as paredes exteriores, quando a fachada das traseiras está a ser executada, já na fase posterior à marcação das janelas, quase a ser concluída, os outros operários encontram-se a iniciar e a desenvolver a fachada da frente. Enquanto estas tarefas se desenvolvem, o servente auxilia quem vai precisando de material ou de ajuda para alguma tarefa específica, dando clara prioridade aos oficiais que se encontram em patamares superiores (andaimes) e por isso tem mobilidade reduzida. Tal como na obra A, a ligação entre os panos de alvenaria e a estrutura resistente é feita através de varões de 6 mm com aproximadamente 40 cm. Com um martelo elétrico fazem-se furações nas paredes de betão armado e introduz-se o varão que é posteriormente embebido na junta horizontal de Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 65 assentamento dos tijolos. Este procedimento é repetido de três em três fiadas como nas outras situações. Figura 4.27 – Ligação alvenaria/ estrutura 4.3.3.2 Paredes Interiores As paredes interiores, nesta obra, são um pouco mais complicadas no que concerne a sua construção, como veremos mais à frente. Esta obra apresenta paredes interiores de alvenaria apenas nos wc dos quartos e nas paredes do corredor central de cada piso. As paredes de separação dos quartos são constituídas de betão armado comportando-se como paredes estruturais resistentes. Assim, na constituição de cada wc existem panos de 3 diferentes tipos de alvenarias de tijolo cerâmico, de 7, 11 e 15 cm como se pode ver na seguinte imagem. Figura 4.28 – Esquema em planta com a constituição dos panos interiores existentes Passando à construção propriamente dita, e começando pelos materiais, estes são posicionados nos locais de implantação da mesma forma que no caso das paredes de fachada. Então, como já foi mencionado, a marcação é feita por um oficial, que inicia pelo mesmo lado que os seus colegas iniciaram a fachada para ter acesso aos materiais a partir do lado oposto, ainda livre de alvenarias, e dessa forma facilitar o seu abastecimento quando necessário. Na marcação dos panos, é utilizada um material compressível, da mesma forma que normalmente se coloca uma camada maior de argamassa na colocação da primeira fiada, evitando que as alvenarias fiquem sujeitas a ações resultantes de movimentações das lajes, e que podem provocar vários problemas patológicos nas alvenarias. Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 72 Quadro 4.3 – Ficha de obra nº A.3 Ficha de obra nº A.3 Identificação da Obra Obra Obra A Localização Rua do Bonjardim Destino Serviços/ unidade hoteleira Nº de Pisos 4 Descrição Técnica Piso 1 Pé Direito 3 metros Aberturas Sim, irregulares Tipo de Alvenaria 30x20x22 Material Cerâmico Tipo de Juntas Horizontais e verticais Argamassa Pré-doseada, com aditivo retardante de 48 horas Andaimes Simples, só de um lado do pano Padieiras Pré-fabricadas no local com dois ferros de 10 milímetros Condições de Trabalho As condições de trabalho são boas, sendo os trabalhadores munidos das ferramentas necessárias e que facilitam os seus trabalhos, como serras elétricas e furadoras de auxilio. Tem ainda acesso a água sempre disponível para consumo e ainda um local onde podem descansar e comer na hora de almoço. Condições Meteorológicas As condições meteorológicas são favoráveis visto que estamos na época de verão e, portanto, a chuva é inexistente, para além disso o sol que se faz sentir não afeta os trabalhos das alvenarias uma vez que estas são executadas sempre a partir do interior e, portanto, ao abrigo de lajes superiores. Cálculo de Rendimentos Equipa (nº de oficiais + nº de serventes) 2+1 Quantidade de executada ( m2 ) (2,5+2,68+0,63+2+0,78) x2,55=21,9 Tempo despendido (h) Aprox. 6 horas (inicio 11h; fim 18h do mesmo dia) Rendimento da equipa ( heq / m2 ) 27,0= 9,21 6 Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 73 Rendimento médio (Hh/ m2 ) 3x 81,0= 9,21 6 Rendimento dos oficiais ( hof / m2 ) 54,0=81,0x 3 2 Rendimento dos serventes ( hserv / m2 ) 27,0=81,0x 3 1 Tempo do transporte de materiais desde o fornecedor ao estaleiro Unidades de Alvenaria Aproximadamente 48h (PRECERAM Norte) Argamassa Aproximadamente 24h a 48h (Betão Liz) Esquema demonstrativo do(s) pano(s) Quadro 4.4 – Ficha de obra nº A.4 Ficha de obra nºA.4 Identificação da Obra Obra Obra A Localização Rua do Bonjardim Destino Serviços/ unidade hoteleira Nº de Pisos 4 Descrição Técnica Piso 1 Pé Direito 3 metros Aberturas Sim, irregulares Tipo de Alvenaria 30x20x22 Material Cerâmico Tipo de Juntas Horizontais e verticais Argamassa Pré-doseada, com aditivo retardante de 48 horas Andaimes Simples, só de um lado do pano Padieiras Pré-fabricadas no local com dois ferros de 10 milímetros Condições de Trabalho Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 74 As condições de trabalho são boas, sendo os trabalhadores munidos das ferramentas necessárias e que facilitam os seus trabalhos, como serras elétricas e furadoras de auxilio. Tem ainda acesso a água sempre disponível para consumo e ainda um local onde podem descansar e comer na hora de almoço. Condições Meteorológicas As condições meteorológicas são favoráveis visto que estamos na época de verão e, portanto, a chuva é inexistente, para além disso o sol que se faz sentir não afeta os trabalhos das alvenarias uma vez que estas são executadas sempre a partir do interior e, portanto, ao abrigo de lajes superiores. Cálculo de Rendimentos Equipa (nº de oficiais + nº de serventes) 2+1 Quantidade de executada ( m2 ) (2,18+1,71+0,65+1,97) x2,55=16,6 Tempo despendido (h) Aprox. 5 horas (inicio 12h; fim 18h do mesmo dia) Rendimento da equipa ( heq / m2 ) 30,0= 6,16 5 Rendimento médio (Hh/ m2 ) 90,0= 6,16 5x3 Rendimento dos oficiais ( hof / m2 ) 60,0=90,0x 3 2 Rendimento dos serventes ( hserv / m2 ) 30,0=90,0x 3 1 Tempo do transporte de materiais desde o fornecedor ao estaleiro Unidades de Alvenaria Aproximadamente 48h (PRECERAM Norte) Argamassa Aproximadamente 24h a 48h (Betão Liz) Esquema demonstrativo do(s) pano(s) Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 75 Quadro 4.5 – Ficha de obra nº A.5 Ficha de obra nºA.5 Identificação da Obra Obra Obra A Localização Rua do Bonjardim Destino Serviços/ unidade hoteleira Nº de Pisos 4 Descrição Técnica Piso 1 Pé Direito 3 metros Aberturas Sim, irregulares Tipo de Alvenaria 30x20x15 Material Cerâmico Tipo de Juntas Horizontais e verticais Argamassa Pré-doseada, com aditivo retardante de 48 horas Andaimes Simples, só de um lado do pano Padieiras Pré-fabricadas no local com dois ferros de 10 milímetros Condições de Trabalho As condições de trabalho são boas, sendo os trabalhadores munidos das ferramentas necessárias e que facilitam os seus trabalhos, como serras elétricas e furadoras de auxilio. Tem ainda acesso a água sempre disponível para consumo e ainda um local onde podem descansar e comer na hora de almoço. Condições Meteorológicas As condições meteorológicas são favoráveis visto que estamos na época de verão e, portanto, a chuva é inexistente, para além disso o sol que se faz sentir não afeta os trabalhos das alvenarias uma vez que estas são executadas sempre a partir do interior e, portanto, ao abrigo de lajes superiores. Cálculo de Rendimentos Equipa (nº de oficiais + nº de serventes) 1+0 Quantidade de executada ( m2 ) (2,91+3,16-0,60+1,64+0,29+2,26+0,49) x3=30,45 Tempo despendido (h) Aprox. 12 h (inicio: 8h30; fim: 12h30 dia seguinte) Rendimento da equipa ( heq / m2 ) 39,0= 45,30 12 Rendimento médio (Hh/ m2 ) 39,0= 45,30 12 Rendimento dos oficiais ( hof / m2 ) 39,0=39,0x 1 1 Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 76 Rendimento dos serventes ( hserv / m2 ) 0 Tempo do transporte de materiais desde o fornecedor ao estaleiro Unidades de Alvenaria Aproximadamente 48h (PRECERAM Norte) Argamassa Aproximadamente 24h a 48h (Betão Liz) Esquema demonstrativo do(s) pano(s) Quadro 4.6 – Ficha de obra nº A.6 Ficha de obra nºA.6 Identificação da Obra Obra Obra A Localização Rua do Bonjardim Destino Serviços/ unidade hoteleira Nº de Pisos 4 Descrição Técnica Piso 1 Pé Direito 3 metros Aberturas Sim, irregulares Tipo de Alvenaria 30x20x15 Material Cerâmico Tipo de Juntas Horizontais e verticais Argamassa Pré-doseada, com aditivo retardante de 48 horas Andaimes Simples, só de um lado do pano Padieiras Pré-fabricadas no local com dois ferros de 10 milímetros Condições de Trabalho As condições de trabalho são boas, sendo os trabalhadores munidos das ferramentas necessárias e que facilitam os seus trabalhos, como serras elétricas e furadoras de auxilio. Tem ainda acesso a água sempre disponível para consumo e ainda um local onde podem descansar e comer na hora de almoço. Condições Meteorológicas Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 77 As condições meteorológicas são favoráveis visto que estamos na época de verão e, portanto, a chuva é inexistente, para além disso o sol que se faz sentir não afeta os trabalhos das alvenarias uma vez que estas são executadas sempre a partir do interior e, portanto, ao abrigo de lajes superiores. Cálculo de Rendimentos Equipa (nº de oficiais + nº de serventes) 1+0 Quantidade de executada ( m2 ) (0,20+0,29+3,41+2,69-0,60) x3=17,97 Tempo despendido (h) Aprox. 6,5h (inicio: 13h30; fim: 11h dia seguinte) Rendimento da equipa ( heq / m2 ) 36,0= 97,17 5,6 Rendimento médio (Hh/ m2 ) 36,0= 97,17 5,6 Rendimento dos oficiais ( hof / m2 ) 36,0=36,0x 1 1 Rendimento dos serventes ( hserv / m2 ) 0 Tempo do transporte de materiais desde o fornecedor ao estaleiro Unidades de Alvenaria Aproximadamente 48h (PRECERAM Norte) Argamassa Aproximadamente 24h a 48h (Betão Liz) Esquema demonstrativo do(s) pano(s) Quadro 4.7 – Ficha de obra nº A.7 Ficha de obra nºA.7 Identificação da Obra Obra Obra A Localização Rua do Bonjardim Destino Serviços/ unidade hoteleira Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 78 Nº de Pisos 4 Descrição Técnica Piso 1 Pé Direito 3 metros Aberturas Sim, irregulares Tipo de Alvenaria 30x20x15 Material Cerâmico Tipo de Juntas Horizontais e verticais Argamassa Pré-doseada, com aditivo retardante de 48 horas Andaimes Simples, só de um lado do pano Padieiras Pré-fabricadas no local com dois ferros de 10 milímetros Condições de Trabalho As condições de trabalho são boas, sendo os trabalhadores munidos das ferramentas necessárias e que facilitam os seus trabalhos, como serras elétricas e furadoras de auxilio. Tem ainda acesso a água sempre disponível para consumo e ainda um local onde podem descansar e comer na hora de almoço. Condições Meteorológicas As condições meteorológicas são favoráveis visto que estamos na época de verão e, portanto, a chuva é inexistente, para além disso o sol que se faz sentir não afeta os trabalhos das alvenarias uma vez que estas são executadas sempre a partir do interior e, portanto, ao abrigo de lajes superiores. Cálculo de Rendimentos Equipa (nº de oficiais + nº de serventes) 2+1 Quantidade de executada ( m2 ) (0,70+1,39-0,60+0,82+0,67+2,24-0,60) x3=13,86 Tempo despendido (h) Aprox. 3,5h (inicio: 13h30; fim: 17h do mesmo dia) Rendimento da equipa ( heq / m2 ) 25,0= 86,13 5,3 Rendimento médio (Hh/ m2 ) 75,0= 86,13 5,3 x3 Rendimento dos oficiais ( hof / m2 ) 50,0=75,0x 3 2 Rendimento dos serventes ( hserv / m2 ) 25,0=75,0x 3 1 Tempo do transporte de materiais desde o fornecedor ao estaleiro Unidades de Alvenaria Aproximadamente 48h (PRECERAM Norte) Argamassa Aproximadamente 24h a 48h (Betão Liz) Esquema demonstrativo do(s) pano(s) Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 79 Quadro 4.8 – Ficha de obra nº A.8 Ficha de obra nºA.8 Identificação da Obra Obra Obra A Localização Rua do Bonjardim Destino Serviços/ unidade hoteleira Nº de Pisos 4 Descrição Técnica Piso 1 Pé Direito 3 metros Aberturas Sim, irregulares Tipo de Alvenaria 30x20x11 Material Cerâmico Tipo de Juntas Horizontais e verticais Argamassa Pré-doseada, com aditivo retardante de 48 horas Andaimes Simples, só de um lado do pano Padieiras Pré-fabricadas no local com dois ferros de 10 milímetros Condições de Trabalho As condições de trabalho são boas, sendo os trabalhadores munidos das ferramentas necessárias e que facilitam os seus trabalhos, como serras elétricas e furadoras de auxilio. Tem ainda acesso a água sempre disponível para consumo e ainda um local onde podem descansar e comer na hora de almoço. Condições Meteorológicas As condições meteorológicas são favoráveis visto que estamos na época de verão e, portanto, a chuva é inexistente, para além disso o sol que se faz sentir não afeta os trabalhos das alvenarias uma vez que estas são executadas sempre a partir do interior e, portanto, ao abrigo de lajes superiores. Cálculo de Rendimentos Equipa (nº de oficiais + nº de serventes) 1+1 Quantidade de executada ( m2 ) (1,53+0,45+1,53+0,50+0,73) x3=14,22 Tempo despendido (h) Aprox. 3,25h (inicio: 14h; fim: 17h15) Rendimento da equipa ( heq / m2 ) 23,0= 22,14 25,3 Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 80 Rendimento médio (Hh/ m2 ) 46,0= 22,1425,3 x2 Rendimento dos oficiais ( hof / m2 ) 23,0=46,0x 2 1 Rendimento dos serventes ( hserv / m2 ) 23,0=46,0x 2 1 Tempo do transporte de materiais desde o fornecedor ao estaleiro Unidades de Alvenaria Aproximadamente 48h (PRECERAM Norte) Argamassa Aproximadamente 24h a 48h (Betão Liz) Esquema demonstrativo do(s) pano(s) Quadro 4.9 – Ficha de obra nº A.9 Ficha de obra nºA.9 Identificação da Obra Obra Obra A Localização Rua do Bonjardim Destino Serviços/ unidade hoteleira Nº de Pisos 4 Descrição Técnica Piso 1 Pé Direito 3 metros Aberturas Sim, irregulares Tipo de Alvenaria 30x20x11 Material Cerâmico Tipo de Juntas Horizontais e verticais Argamassa Pré-doseada, com aditivo retardante de 48 horas Andaimes Simples, só de um lado do pano Padieiras Pré-fabricadas no local com dois ferros de 10 milímetros Condições de Trabalho Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 81 As condições de trabalho são boas, sendo os trabalhadores munidos das ferramentas necessárias e que facilitam os seus trabalhos, como serras elétricas e furadoras de auxilio. Tem ainda acesso a água sempre disponível para consumo e ainda um local onde podem descansar e comer na hora de almoço. Condições Meteorológicas As condições meteorológicas são favoráveis visto que estamos na época de verão e, portanto, a chuva é inexistente, para além disso o sol que se faz sentir não afeta os trabalhos das alvenarias uma vez que estas são executadas sempre a partir do interior e, portanto, ao abrigo de lajes superiores. Cálculo de Rendimentos Equipa (nº de oficiais + nº de serventes) 1+1 Quantidade de executada ( m2 ) (2,5+1,8) x3=12,90 Tempo despendido (h) Aprox. 3h (inicio: 14h30; fim: 17h30) Rendimento da equipa ( heq / m2 ) 23,0= 90,123 Rendimento médio (Hh/ m2 ) 46,0= 90,12 3 x2 Rendimento dos oficiais ( hof / m2 ) 23,0=46,0x 2 1 Rendimento dos serventes ( hserv / m2 ) 23,0=46,0x 2 1 Tempo do transporte de materiais desde o fornecedor ao estaleiro Unidades de Alvenaria Aproximadamente 48h (PRECERAM Norte) Argamassa Aproximadamente 24h a 48h (Betão Liz) Esquema demonstrativo do(s) pano(s) Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 88 Quadro 4.14 – Ficha de obra nº B.5 Ficha de obra nºB.5 Identificação da Obra Obra Obra B Localização Avenida do Aeroporto, Maia Destino Serviços/ unidade hoteleira Nº de Pisos 2 Descrição Técnica Piso R/C Pé Direito 4 metros Aberturas Sim, 31 regulares de 0,9x2,0 Tipo de Alvenaria 30x20x7 Material Cerâmico Tipo de Juntas Horizontais e verticais Argamassa Pré-doseada Andaimes Simples, só de um lado do pano Padieiras Fabricadas no local com dois ferros de 10 mm Condições de Trabalho As condições de trabalho são boas, sendo os trabalhadores munidos das ferramentas necessárias e que facilitam os seus trabalhos, como serras elétricas e furadoras de auxilio. Tem ainda acesso a água sempre disponível para consumo e ainda um local onde podem descansar e comer na hora de almoço. Condições Meteorológicas As condições meteorológicas são favoráveis visto que estamos na época de verão e, portanto, a chuva é inexistente, para além disso o sol que se faz sentir não afeta os trabalhos das alvenarias uma vez que estas são executadas sempre a partir do interior e, portanto, ao abrigo de lajes superiores. Cálculo de Rendimentos Equipa (nº de oficiais + nº de serventes) 2+1 Quantidade de executada ( m2 ) 31x(1,75+0,4+0,67+0,9)x2.2=229,15 Tempo despendido (h) 8,5x8= (8 dias e meio de trabalho) Rendimento da equipa ( heq / m2 ) 30,0= 15,229 68 Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 89 Rendimento médio (Hh/ m2 ) 3x 90,0= 15,229 68 Rendimento dos oficiais ( hof / m2 ) 60,0=90,0x 3 2 Rendimento dos serventes ( hserv / m2 ) 30,0=90,0x 3 1 Tempo do transporte de materiais desde o fornecedor ao estaleiro Unidades de Alvenaria Aproximadamente 48h (PRECERAM Norte) Argamassa Aproximadamente 48h (Fassa Bortolo Portugal) Esquema demonstrativo do(s) pano(s) Síntese de resultados da obra B Analisando os resultados obtidos nesta obra é fácil retirar duas conclusões imediatas:  A diferença de rendimentos entre os blocos térmicos (de maior peso e volume) apresentam um rendimento médio melhor, mais pequeno, do que os rendimentos obtidos nas outras unidades, pelo simples facto de serem aplicadas em paredes compridas e sem cantos, ou seja, a sua aplicação é corrida na amplitude do edifício, não sendo necessários cortes significativos como no caso das restantes paredes.  A outra conclusão visível à primeira vista é que a utilização de andaimes faz com que o rendimento dos trabalhadores diminua um pouco. Esta situação acontece, pois, nos andaimes, o oficial necessita do servente para o auxiliar e abastecer de material, ficando algumas vezes à espera dessa ajuda quando o servente está ocupado com outra tarefa, visto ser apenas um servente a auxiliar quatro oficiais. Para além dessas duas primeiras conclusões, pode ainda referir-se que nas paredes interiores, wc’s, os valores obtidos são um pouco elevados por se tratarem de paredes pequenas e com muitos cantos, que implicam um esforço extra para o corte das unidades de alvenaria como já foi explicado, e ainda por se Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 90 tratarem de paredes de diferentes tipologias, mas que se ligam umas às outras, quase que misturando as suas unidades. Isto implica que as paredes sejam construídas não de acordo com o tipo de unidade, como seria de esperar, mas wc a wc individualmente. É por esta razão também que não foi possível analisar separadamente a construção de paredes de tijolo 15 que se podem ver na figura 4.26, visto serem muito pequenas em cada wc e por não serem todas feita ao mesmo tempo. Cálculo de rendimentos teóricos Utilizando o livro Rendimentos de Mão-de-Obra, Materiais e Equipamento em Edificação e Obras Públicas [13], é possível determinar rendimentos teóricos como já foi referido em capítulos anteriores. Dessa forma, e de maneira a poder comparar valores obtidos na prática com aqueles que seriam de esperar, foi realizado um quadro onde são expostos esses valores teóricos utilizados no cálculo dos rendimentos teóricos: Quadro 4.15 – Listagem de valores dos parâmetros a utilizar no cálculo de rendimentos, segundo o livro do autor José da Paz Branco [13] Tipo de alvenaria Tipo de material Peso (kg) f k1=40+𝑘𝑔 42,5 k2 k3 k5 30x20x22 Cerâmico 7,5 0,597 1,118 1,34 1,32 1,17 30x20x15 Cerâmico 5,2 0,561 1,064 1,31 1,30 1,19 30x20x11 Cerâmico 3,9 0,525 1,033 1,28 1,30 1,18 30x20x7 Cerâmico 3 0,444 1,012 1,28 1,28 1,24 50x20x20 B. Betão 18 0,554 1,600 1,34 1,32 1,21 O fator K3 foi excluído por não existirem panos de alvenaria curvos em nenhuma das obras. E o resultado da multiplicação destes fatores corresponde ao rendimento médio da mão-de-obra em Hh na execução de 1 m2 de alvenaria. Assim, sendo o fator k5 correspondente ao uso de andaimes, o quadro seguinte apresenta os resultados. Quadro 4.16 – Resultados teóricos obtidos Tipo de alvenaria Sem Andaime (Hh/ m2) Com Andaime (Hh/ m2) 30x20x22 1,18 1,38 30x20x15 1,02 1,21 30x20x11 0,90 1,06 Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 91 30x20x7 0,74 0,91 50x20x20 – 1,86 Comparação dos resultados obtidos com os resultados teóricos Depois de se conhecerem os resultados teóricos e reais obtidos nas diferentes obras, é possível verificar que os rendimentos teóricos obtidos se revelam todos bastante superiores aos que foram calculados através do acompanhamento das obras. Ora, este facto só é possível explicar com a falta de interesse e evolução neste aspeto relativo aos rendimentos por parte do país, quer por parte das entidades competentes da construção quer pelas próprias empresas que não investem no sentido da produtividade e rendimentos. Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 92 Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 93 5 5. CONCLUSÃO 5.1 CONSIDERAÇÕES FINAIS A presente dissertação teve como objetivo a avaliação e análise prática de rendimentos de mão-deobra na construção de paredes de alvenaria. Essa análise passa pelo acompanhamento em obra das tarefas ligadas às alvenarias, observando aspetos como condições de trabalho, materiais utilizados e técnicas de construção utilizadas. Como já foi referido, para fazer esse acompanhamento e análise foi possível visitar duas obras distintas e também dessa forma perceber as diferenças entre equipas de trabalho, em vez de obtermos comparações apenas a partir de fundamentos teóricos. Assim, após analisadas várias tarefas de ambas as obras e calculados os rendimentos teóricos, é possível tirar as seguintes conclusões acerca do trabalho desenvolvido:  Quando comparamos rendimentos médios de diferentes equipes de trabalho, neste caso utilizando andaimes, para que a comparação seja mais correta, percebe-se que a equipe da obra A consegue ser mais produtiva do que a equipe da obra B, no que concerne aos tijolos de 11cm. Estas, quando comparadas com rendimento teórico calculado revelam-se melhores, apresentando um menor rendimento médio Hh/m2.  No que diz respeito aos restantes tipos de alvenaria, não se podem comparar diretamente entre as obras analisadas uma vez que não existem de igual forma em ambas as construções.  Os rendimentos teóricos calculados revelaram-se todos superiores em termos de Hh/m2. Este facto sugere duas interpretações distintas. A primeira, parte do principio que o livro de rendimentos utilizado já não esteja correto visto que já tem mais de 20 anos, e neste período houve bastante evolução em termos construtivos e, portanto, os princípios que foram utilizados para a elaboração do livro podem, hoje em dia, não ser os mais corretos, permitindo esta diferença de resultados. A segunda, sugere que os tempos de realização das tarefas tem erros associados que possam adulterar os resultados obtidos, visto que as medições das quantidades produzidas foram calculadas a partir de documentos de projeto e não existiu medição propriamente dita no local de execução. 5.2 PROPOSTAS PARA MELHORAR A PRODUTIVIDADE Em termos práticos, pelo que foi acompanhado nas obras, verificou-se que existia ainda muitos processos executados da forma tradicional. Este fato leva a considerar que talvez se alguns dos sistemas construtivos ou máquinas auxiliares fossem utilizadas na prática, os rendimentos Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 94 aumentariam, pois, a mão-de-obra tinha menos desgaste físico e psicológico, libertando-os de trabalhos pesados e complicados. O que parece faltar neste momento é uma aposta em sistemas inovadores como os robots mencionados no 3º capitulo, ou a aposta em novos materiais e mais leves, como por exemplo os blocos de argila expandida, que são de construção fácil e lógica. Com este estudo, foi possível verificar, que os sistemas que são mais frequentemente utilizados não são normalmente a melhor escolha em termos de produtividade, e para que esta produtividade tenha avanços significativos é necessário que os construtores e as grandes empresas comecem a apostar mais no desconhecido e arriscar em novos métodos e novas formas de trabalho, pois a evolução da construção de alvenarias passa por essa aposta nas novas ideias e métodos construtivos. 5.3 DESENVOLVIMENTOS FUTUROS Para o futuro, e visto que a procura de novas soluções tem sido inexistente no que concerne à avaliação de rendimentos em obra, ficam algumas sugestões de trabalhos que podem ajudar a obter melhores rendimentos, e também a atualizar os livros existentes:  A criação de estudos contínuos onde a mesma equipa de trabalho efetue trabalhos nos vários cenários possíveis, tanto meteorológicos como de condições de trabalho, e com e sem métodos inovadores de construção, como os que foram expostos no capítulo 4. Nesses estudos terão de ser analisados todos os sistemas de construção existentes e terão de ser executadas várias obras, ou repetições caso seja um estudo feito em laboratório, por forma a obter vários resultados e a partir desses conseguir encontrar um padrão que defina o rendimento associado a determinada tarefa.  O investimento na formação de trabalhadores, para que seja uma obrigatoriedade em todas as empresas, grandes ou pequenas, instruindo o pessoal operário para melhorar a sua performance enquanto trabalhador de construção civil. Avaliação do efeito de alguns aspetos de índole construtiva na produtividade do assentamento de alvenarias 95 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS [1] Sousa, H. Construções em alvenaria. Apontamentos FEUP, Porto, 2003. http://paginas.fe.up.pt/~earpe/conteudos/TPPC/Sebenta.pdf 15/02/2016. [2] Gil, C. 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