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O Sensacionalimo na imprensa em Portugal - estudo de caso dos Jornais CORREIO DA MANHÃ, JORNAL DE NOTÍCIAS e PÚBLICO

Cátia Filipa da Silva Dias

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0 Cátia Filipa da Silva Dias O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal Estudo de Caso dos Jornais Correio da Manhã, Jornal de Notícias e Público Dissertação realizada no âmbito do Mestrado em Ciências da Comunicação – Variante em Estudos dos Média e Jornalismo, orientada pelo Professor Doutor Hélder Bastos Faculdade de Letras da Universidade do Porto Setembro de 2015 O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 1 O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 2 O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal Estudo de Caso dos Jornais Correio da Manhã, Jornal de Notícias e Público Cátia Filipa da Silva Dias Dissertação realizada no âmbito do Mestrado em Ciências da Comunicação – Variante em Estudos dos Média e Jornalismo, orientada pelo Professor Doutor Hélder Bastos Membros do Júri Professor Doutor Hélder Bastos Faculdade de Letras – Universidade do Porto Professora Doutora Helena Lima Faculdade de Letras – Universidade do Porto Professora Doutora Ana Isabel Reis Faculdade de Letras – Universidade do Porto Classificação obtida: 12 valores O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 3 Aqueles que sempre me apoiaram, Aos Meus Pais e ao Meu Irmão! O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 4 Agradecimentos Seja qual for o período da nossa vida temos sempre ao nosso lado pessoas que contribuem para que seja uma meta concluída com sucesso, por isso, é desta simples forma que agradeço a todas as pessoas que, ao longo do meu Mestrado em Ciências da Comunicação me ajudaram, direta ou indiretamente, a cumprir os meus objetivos e a concretizar mais esta etapa da minha formação académica. Tal como Antoine de Saint-Exupéry preconizou: “Ninguém escapa ao sonho de voar, de ultrapassar os limites do espaço onde nasceu, de ver novos lugares e novas gentes. Mas saber ver em cada coisa, em cada pessoa, aquele algo que a define como especial, um objecto singular, um amigo -é fundamental. Navegar é preciso, reconhecer o valor das coisas e das pessoas, é mais preciso ainda!" Desta forma, deixo algumas palavras carregadas de um sentido e profundo sentimento de reconhecimento e gratidão. Ao Professor Hélder Bastos, pela sua orientação, total disponibilidade, apoio, pelas opiniões e críticas e total colaboração em solucionar dúvidas que foram surgindo ao longo da realização desta dissertação. Assim como, um muito obrigado por toda a paciência. Às Minhas Colegas de Casa, Beatriz Rocha, Sofia Monteiro, Susana Laranjeira, Raquel Marques e Tatiana Reis, pela amizade, companheirismo e acima de tudo pela motivação nas alturas de maior desânimo. Obrigado por me terem recebido tão bem durante este período da minha vida e sobretudo, por serem a minha família do Porto. Aos Meus Amigos, em especial à Márcia Gomes e à Joana Neto, obrigado por estarem sempre ao meu lado. Por todos os bons momentos partilhados, pela compreensão de todos os cafés perdidos, pelas conversas intermináveis e pelos desabafos, mas sobretudo pela sincera amizade e pela transmissão de confiança e força em todas as circunstâncias. O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 5 Aos meus Pais e ao meu Irmão, a quem dirijo um agradecimento especial, por serem modelos de coragem. A eles devo a minha vida. Muito obrigado pelo apoio incondicional, por toda a paciência, carinho, perseverança e voto de confiança em toda e qualquer decisão da minha vida. A eles, dedico todo este trabalho. Obrigado a Todos! O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 6 Resumo Hoje, mais do que nunca, o termo „Sensacionalismo‟ é alvo de reflexão e discussão para os profissionais da comunicação ou para o simples cidadão que exige qualidade informativa por parte dos órgãos de comunicação social. Em Portugal é um tema que começa inevitavelmente a invadir as aulas de jornalismo, porém ainda é pouco explorado a nível de investigação, daí a pertinência deste estudo. Jornal de Notícias, Correio da Manhã e Público são alguns dos títulos que se juntam aos milhares de diários que chegam todos os dias às cidades, quiosques e cafés do país de Camões. Todos os jornais obedecem a determinados modelos jornalísticos, uns mais conservadores vistos como credíveis e outros mais impactantes considerados generalistas, independentemente dos seus padrões, todos eles dependem dos leitores, os responsáveis pela sobrevivência do jornal impresso no mercado dos meios de comunicação. A qualidade jornalística é debatida, a crise invade de forma assustadora as redações, jornalistas vão inesperadamente parar ao desemprego e outros nem sequer chegam a exercer a profissão tão ambicionada, mas os meios de comunicação, enquanto negócio, necessitam inevitavelmente de garantir a sua permanência no mercado. Com um público cada vez mais vasto, crítico e exigente os profissionais da comunicação têm uma responsabilidade acrescida de cativar o mesmo, porém aos olhos de quem adquire e exige qualidade de informação, o poder que os meios de comunicação detêm nem sempre é usado de forma viável e credível. Como tal aposta num segmento editorial mais sensível aos problemas sociais e de interesse da população - que joga com o inusitado, as emoções, as fantasias e os medos das pessoas - ou seja, satisfaz as necessidades instintivas do público. O proveito reflete-se posteriormente na venda das publicações, no aumento da tiragem e no lucro ao fim de cada mês. O jornalismo é portanto uma atividade intrinsecamente competitiva. Neste sentido existirão em Portugal jornais tendencionalmente sensacionalistas? Desta forma, a presente investigação centra-se em perceber a dinâmica deste perfil editorial e como é que é manifestado nas primeiras páginas dos jornais. O estudo recai sobre três jornais de circulação diária, Jornal de Notícias, Correio da Manhã e Público, partindo da análise de 268 manchetes ao longo de três meses (janeiro, fevereiro e março de 2015). A aplicação da grelha de Campbell 1 ao universo de análise permitiu confirmar que de facto em Portugal existem jornais com manchetes sensacionalistas, a nível percentual o Correio da Manhã lidera com 74,3% de manchetes sensacionalistas, o Jornal de Notícias contém 53,4% e por último o Público com 28,1%. PALAVRAS-CHAVE: Sensacionalismo, Imprensa Portuguesa, Mercado dos Média, Correio da Manhã, Público, Jornal de Notícias 1 Todos os campos do estudo de Campbell foram integrados na nova tabela, ainda que com ligeiras adaptações à realidade atual. O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 7 Abstract Today, more than ever, the term 'Sensationalism' is reflected and discussed by the communication professionals and by the simple citizen who requires quality information by the media. In Portugal is an issue that inevitably begins to invade the journalism classes, but is still little explored in terms of research, and that‟s the relevance of this study. Jornal de Notícias, Correio da Manhã and Público are some of the titles that join the thousands of daily arriving every day to cities, kiosks and cafes in the country of Camões. All newspapers obey to certain journalistic models, some more conservative but seen as more credible and others are more impactful and are considered generalists, regardless of their standards, they all depend on the readers, who are responsable for the survival of the printed newspaper market of the media. The quality of journalistic is discussed, the crisis breaks so scary the newsrooms, journalists become unexpectedly unemployment and others do not even have a chance to make it to this world , but the media, as a business, will inevitably need to ensure their stay in the marketplace. With a wider, critical and demanding audience the communication professionals have a major responsibility to engage the audience. The power that the media hold is not always used in a viable and credible way. In this context arises an editorial segment more sensitive to social problems and interests of the population - playing with the unexpected, emotions, fantasies and fears of the people - satisfying the instinctual needs of the public. The advantage is reflected later in the sale of this kind of publications, in the increasing of the circulation and profit at the end of each month. Journalism is therefore an inherently competitive activity. In this sense, is there in Portugal some tabloids which tend to be sensionalist? This research focuses in the understanding of the dynamics of this editorial profile and how it is expressed in the headlines. This study rests on three newspapers of daily circulation, Jornal de Notícias, Correio da Manhã and Público, based on an analysis of 268 headlines over three months (January, February and March 2015). The application of the Campbell´s 2 method to the analysis universe was able to confirm that there is indeed newspapers with sensionalists headlines in Portugal. In the percentage level, Correio da Manhã leads with 74.3% of sensational headlines, the Jornal de Notícias contains 53.4% and lastly Público has 28.1%. KEY-WORDS: Sensacionalism, Portuguese Press, Media Market, Correio da Manhã, Público, Jornal de Notícias 2 All fields of study of Campbell were integrated in the new table, albeit with slight adaptations to the current reality. O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 8 Índice Agradecimentos 4 Resumo 6 Abstract 7 Introdução ..................................................................................................................... 10 1.1.Tema e Objetivos ................................................................................................. 10 1.2. Estrutura da Dissertação ..................................................................................... 11 Capítulo 1: Revisão da Literatura .............................................................................. 13 1.1.A Imprensa em Portugal ................................................................................... 13 1.2. Imprensa Sensacionalista ................................................................................. 15 1.2.1 Definição de Sensacionalismo ..................................................................... 15 1.2.2. Caráter Sensacionalista Das Primeiras Folhas Noticiosas aos Jornais de Hoje .................................................................................................................. 21 1.2.3. Torrente de Sensacionalismo ...................................................................... 25 1.3. Quando a Necessidade Leva à Perda de Credibilidade ................................. 32 1.3.1. Comportamento e Fraude no Jornalismo .................................................. 344 1.3.2. Códigos de Deontologia Ética ..................................................................... 35 Capítulo 2: Metodologia ............................................................................................... 39 2.1. Contextualização Histórica dos Periódicos ......................................................... 43 2.1.1. Correio da Manhã ....................................................................................... 43 2.1.2. Público ........................................................................................................ 44 2.1.3. Jornal de Notícias ....................................................................................... 45 Capítulo 3: Resultados e Discussão ............................................................................. 47 3.1.Análise de Conteúdo ............................................................................................ 47 Conclusão ...................................................................................................................... 54 Bibliografia .................................................................................................................... 56 Apêndices ....................................................................................................................... 61 Apêndice 1 ................................................................................................................. 61 Apêndice 2 ................................................................................................................. 66 Apêndice 3 ................................................................................................................. 70 Apêndice 4 ................................................................................................................. 75 Apêndice 5 ................................................................................................................. 75 O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 15 1.2. Imprensa Sensacionalista 1.2.1 Definição de Sensacionalismo As notícias influenciam naquilo em que as pessoas pensam. Por mais caótica que seja a rotina do dia-a-dia, as notícias difundidas através dos meios de comunicação (imprensa, televisão e rádio) geram discussão, nem que seja o motivo de conversa de manhã no primeiro café do dia ou num encontro com a vizinha do lado. Assim sendo, o jornalismo em si, não só diz no que refletir, mas também como refletir nisso, e consequentemente, o que refletir. Traquina (2002: 9) considera que o jornalismo “ é a vida… É a vida, em todas as suas dimensões como uma enciclopédia. Numa breve passagem pelos jornais diários vêse a vida dividida em secções que vão da sociedade, à economia, à ciência e ao ambiente, à educação, à cultura, à arte, aos media, à televisão (…) e internacional.” Nesta sequência, os media têm como referência uma série de temas que se tornam quotidianos na vida de qualquer um, são “estórias” que se repetem diariamente nas capas dos jornais, e a cada parágrafo novas surpresas surgem para aliciar o leitor ou o telespetador. Dizer e mostrar são necessidades completamente inerentes a todos os meios de comunicação, neste caso em concreto, a todos os jornais. “E é na maneira de dizer e de mostrar que se pode definir o que é informação devida ao público e o que revela da exploração das matérias humanas, da cedência ao horror” (Cornu,1994: 293), surgindo assim a busca do sensacionalismo. A ameaça em desvirtuar a mensagem original da notícia reside no facto dos media quererem transacionar ou aumentar a audiência a qualquer custo, daí frequentemente os jornalistas serem acusados de recorrerem ao sensacionalismo mórbido e voraz, sob o efeito de sedução de fait divers. Um estudo antigo, mas ainda hoje esclarecedor, realizado por Eliseo Veron, relata que o caso do “acidente nuclear de Three Mile Island [no Condado de Dauphin, em 1979] não teria existido. Nada mais se passara na central que um risco de catástrofe nuclear, e não a catástrofe propriamente dita” (Cornu,1994: 303) como foi noticiado nas capas de jornais de todo o mundo. Em 2015, em Portugal, também foi noticiado durante cerca de um mês, em quase todos os suportes informativos de âmbito nacional, um falso arrastão na praia de Carcavelos. A génese das notícias focava que o incidente foi causado por um gang que invadiu a praia, roubou e assaltou os banhistas que lá se O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 16 encontravam. Toda esta informação foi desmentida após uma investigação feita pela jornalista Diana Andringana na qual resultou na emissão do documentário “Era uma vez o arrastão” no dia 1 de julho. A cobertura incorreta destes acontecimentos, que recaem na categoria de notícias visto aparentarem veracidade, cria repercussões na sociedade, uma vez que “ a tipificação de um problema desconhecido com exemplos assustadores democratiza o risco, na medida em que torna a ameaça universal e gera um pico de preocupação social (Fumento, 1990 apud Rosa, 2011). Estes são alguns dos inúmeros casos que retratam as infrações que os media cometem e são nessas infrações ou desvios da informação em que há margem para emergir o sensacionalismo. Apesar de ser um conceito paradoxal de abordagem corrente não é simples explica-lo e sobretudo identifica-lo, “ é mais pressentido do que conhecido” (Ruhl, 1981 apud Cornu, 1994). Numa definição mais global, o sensacionalismo pode ser entendido como um modo editorial antiético de divulgar os factos, assumindo-os como acontecimentos extraordinários, que explora as emoções e fragilidades humanas, usando de forma excessiva determinadas expressões ou fotografias que, por vezes, não são as mais corretas. Recorrendo a uma investigação levada a cabo por Collin Sparks (2000) o jornalismo tabloide ou sensacionalista dá prioridade ao entretenimento, interesse humano e ao lucro comercial, por norma é incompatível com o jornalismo “sério” e socialmente responsável. São diversas as definições, mas o princípio acaba por ser único: a especulação da notícia. Danilo Angrimani (1995) define sensacionalismo como o exagero da realidade de forma pejorativa: “ [...] Sensacionalismo é tornar sensacional um fato jornalístico que, em outras circunstâncias editoriais, não mereceria este tratamento. Como o adjetivo indica, trata-se de sensacionalizar aquilo que não é necessariamente sensacional, utilizando-se para isso de um tom escandaloso, espalhafatoso. Sensacionalismo é a produção de noticiário que extrapola o real, que superdimensiona o fato. Em casos mais específicos, inexiste a relação com qualquer fato e a “notícia” é elaborada como mero exercício ficcional [...] Um noticiário sensacionalista tem credibilidade discutível [...]” (Angrimani, 1995: 16). Já Marcondes Filho considera a existência do jornalismo sensacionalista a dois níveis: sob bases económicas, em que a informação é matéria-prima e a notícia é mercadoria cujo intuito é vender e satisfazer o seu público, e bases psicanalíticas no qual satisfaz as fragilidades psíquicas das pessoas, de “forma sádica, caluniadora e ridicularizadora, apelando e enaltecendo a carga emotiva da notícia” (Souza, 2010: 4). O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 17 Considera ainda que a imprensa sensacionalista – composta por sangue, sexo e escândalos “não informa nem forma o público” - veicula o lado superficial e atraente dos factos, excluindo totalmente o sentido, a história e a essência e o contexto social em que os acontecimentos estão inseridos (Marcondes Filho, 1989 apud Amaral, 2003). Nesta sequência, o autor também descreve o sensacionalismo como uma prática que advém da necessidade de produção da mente em trabalhar com a imaginação do outro, os leitores e deles tirar proveito. Proveito esse que é refletido na venda dos jornais, no aumento da tiragem e no lucro ao fim de cada mês. Foi com o aparecimento de uma imprensa mais sensacionalista, no final do século XIX, nos Estados Unidos, que a informação passou a ser tratada como mercadoria. Este tipo de jornalismo recebeu o nome de yellow journalism (jornalismo amarelo). O que diferencia um jornal sensacionalista de um credível é exclusivamente o grau. Marcondes Filho considera que o sensacionalismo é o grau mais radical da mercantilização da comunicação, “tudo o que se vende é aparência e, na verdade vende-se aquilo que a informação interna não irá desenvolver melhor do que a manchete (Marcondes Filho, 1989: 66). Nem todos os jornais são sensacionalistas e por vezes esses jornais que são considerados credíveis e “sérios” noticiam um facto de forma tão chocante que acaba por ter o momento sensacionalista. Contudo Amaral (2006: 20) considera que “todo jornal é sensacionalista, pois busca prender o leitor para ser lido e, consequentemente, alcançar boa tiragem”. Se partirmos da ideia de que todo os jornais são sensacionalistas estaríamos a subestimar os demais periódicos, credíveis e de referência, que são produtores de conhecimento e edificadores da realidade pública. Um meio de comunicação, seja um jornal ou um canal televisivo, torna-se então sensacionalista quando instala uma “lente de aumento” sobre os factos que não são necessariamente sensacionalistas, mas ao fazer esse movimento, ao valorizar a notícia que traduz um facto violento, o jornal está atender ao desejo do seu público e a “cair na tentação” de ser sensacionalista. Pois como Angrimani refere: “Mesmo um telejornal [ou jornal] nãosensacionalista pode ter em alguns momentos de sua produção momentos sensacionalistas [...] A apresentação deve ser chocante, exigindo o envolvimento emocional do público [...] ” (Angrimani, 1995: 41). A autora Rosa Pedroso, tal como Marcondes Filho (1989), também defende que este tipo de jornalismo satisfaz as necessidades psíquicas do leitor, apelas às emoções e consegue atraí-lo com acontecimentos excêntricos, perversos ou místicos, que são igualmente “desejados, temidos e repelidos; apresentando-se como um meio psicológico O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 18 de solucionar ou suavizar o conflito entre necessidade e satisfação, desejo e lei” (Pedroso, 2008: 49). Pedroso considera ainda que o jornalismo sensacionalista está totalmente afastado da realidade do quotidiano das pessoas, daí muitas vezes chocar o público, uma vez que corresponde “ à exploração desse fascínio pelo extraordinário, pelo desvio, pela aberração, pela aventura, que é suposto existir na classe baixa” (Ibid.). Toda a composição da estratégica sensacionalista implica diretamente o recurso a cinco fatores que são primordiais: 1. A escolha dos temas; 2. A carga emocional a utilizar; 3. A ênfase que a notícia merece ter; 4. A exploração exaustiva de todos os pormenores ligados ao tema; 5. Quais as emoções do público que se pretendem manipular. É ainda pertinente referir que, segundo Dines (1971), o sensacionalismo dividese em três grupos, no qual cada um detém a função determinante de cativar o leitor. 1.Gráfico (dirige-se sobretudo aos leitores que por norma não dedicam muito tempo à leitura, como tal aposta nos títulos em caixa alta e em conceitos ou expressões destacadas a nível cromático, de modo a acentuar o impacto da notícia. As capas dos jornais são assim “ as janelas de contacto com o exterior” (Cardoso, 2012: 38), como tal devem ser chamativas para prenderem a atenção do leitor, nem que seja no mínimo detalhe, nos diários sobretudo nos sensacionalistas há assim uma grande aposta na fotografia, pois como diz a expressão “uma imagem vale mais do que mil palavras.”) 2.Linguístico (inclui palavras vivas, fortes e ricas que despertam aos sentimentos e sensibilidades inerentes aos humanos, através do uso de uma linguagem coloquial exagerada (metáforas, gírias, trocadilhos) que procura o simetria entre a fotografia e a palavra. Pedroso (2008: 9) considera que a narrativa adotada na imprensa sensacionalista “ possui muitas marcas e presenças linguísticas e ideológicas atuais que espelham/refratam/reproduzem o modo de ver a vida e a morte, o sexo, a mulher, a violência, a agressividade e os instintos, na sociedade de controle contemporânea.”) 3.Temático (consiste nos métodos e estratégicas às quais os jornalistas recorrem para explorarem os assuntos que garantem sucesso de vendas. O insólito, o excecional, o atual, a figura proeminente, as guerras, a catástrofe, o ilegal e a morte são as temáticas mais exploradas que vão ao cerne das situações, como se estivesse a contar uma história. O que vai ao encontro de alguns dos valores-notícia de selecção explorados por Traquina, tal como a morte [“Onde há morte, há jornalistas” (Traquina, 2002: 187)] a O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 19 novidade, o inesperado, conflitos e controvérsias. É fundamental ter um critério psicológico para se entrar no pensamento da população e oferecer exatamente aquilo que o leitor quer comprar. O jornalismo praticado no Ocidente difere do jornalismo Oriental no destaque que os profissionais da comunicação dão aos acontecimentos negativos, as sociedades tradicionais tendem mais a banir “ o acontecimento devido aos seus efeitos desestabilizadores.” Enquanto as sociedades ocidentais atuam de forma distinta, “conjuram as perturbações dos acontecimentos integrando o novo em massa, saturandoo pela redundância, com o risco de dar finalmente ao sistema de informação a vocação de se autodestruir” (Nora, 1972 apud Cornu, 1994). Se o mau tempo é notícia na Europa de Leste, é uma tempestade com registo de vítimas mortais que é notícia no Ocidente. Tal como Traquina (1993: 55) teoriza, “ que o jornalismo do mundo livre gira em torno de conflito (…) um acontecimento noticioso típico é a «estória» de um conflito.” Portugal é um dos países mais carentes economicamente na Europa Ocidental e a sua dependência externa afeta diretamente todos os setores de atividade do mercado, as vidas e carteiras dos portugueses – esta é a realidade incontornável do país de Camões. Os órgãos de comunicação portugueses são administrados por grupos económicos líderes, mas a quebra nas receitas totais das empresas de média nos mercados maduros (devido à diminuição da publicidade e do número total de publicações em papel) levou à necessidade de competirem pelo tempo, atenção e atração da audiência. No entanto, as notícias sensacionalistas já invadiam as ruas muito antes da crise se instalar em Portugal, porém a instabilidade económica implicou uma maior aposta por parte dos meios de comunicação. Se o sensacionalismo estiver associado a uma crise de valores, então o jornalismo já está em crise de valores desde o século XVI, quando surgiram os primeiros periódicos que relatavam fait divers. O sensacionalismo consiste basicamente numa “forma diferente de passar uma informação uma opção; uma estratégia dos meios de comunicação” (Angrimani, 1995: 41), esta prática, não é de modo algum produto da informação moderna, é recorrente na imprensa internacional nos dias de hoje. Como tal, Portugal não é exceção. Os jornais possuem políticas editoriais díspares, o Público e o Expresso são caraterizados como periódicos de referência, “ tendo, portanto uma particular responsabilidade na relação entre o poder informativo e os processos de cidadania” (Lima, H., & Reis, Ana, 2014: 669). Enquanto o Jornal de Notícias e o Correio da Manhã têm linhas editoriais semelhantes, “com temáticas e estilos narrativos que tendem a suscitar a participação do O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 20 público” se bem que o Correio da Manhã aproxima-se “mais do formato tabloide, incorporando as típicas temáticas escândalo, desporto, vida privada” (Ibid.). Neste momento, o jornalismo tabloide, ou jornalismo sensacionalista, é o que mais reage, sem perdas, à atual crise de vendas que a imprensa escrita defronta. Conboy (2002) considera que o sucesso dos jornais populares, tal como os seus antecessores de impressão populares, advém de uma articulação real entre o leitor e o empreendimento comercial, permitindo um envolvimento eficaz e simbólico do leitor nesse empreendimento. E se esta linha editorial sensacionalista está cada vez mais presente nos meios de comunicação é porque de facto existem leitores e espetadores para esse tipo de jornalismo. O Correio da Manhã, líder de tiragem e circulação, é o jornal português que mais se aproxima do perfil sensacionalista. Apesar de ser “amado”, dado que é o mais adquirido, é também o mais “odiado”, uma vez que é constantemente alvo de críticas por parte dos leitores e também das entidades de regulação dos meios de comunicação. Segundo Cornu (1994: 303) o sensacionalismo “ uma prática que todos os media – todos os jornais na escolhas das suas palavras e das suas fotos – se for o que diz B. Béguin: «a escalada dos estímulos que um jornal julga necessário aplicar na epiderme do seu público para o obrigar a reagir» ”. Nesta sequência, podemos referir uma situação que reflete com completo este juízo defendido pelo autor, visto que por vezes esta prática também é adotada, não por completo, por alguns meios de comunicação de referência. A atual crise migratória de refugiados com rumo à Europa tem sido um dos assuntos de destaque na imprensa nacional mas também internacional, capaz de originar um debate sobre a publicação da foto de um menino sírio que foi encontrado morto numa praia na Turquia, na sequência de um naufrágio de um barco de imigrantes. A maioria dos jornais, sobretudo britânicos, publicou a fotografia (tal como o Times, Guardian, Independent, Washington Post, Los Angeles Times e o Público em Portugal). Grande parte dos jornais e das televisões publicaram e noticiaram a fotografia, contudo evitando a associação ao sensacionalismo, justificaram o seu uso referindo que é uma imagem capaz de pressionar uma solução. Este exemplo permitiu-nos refletir que por mais que a imprensa tente não recorrer ao sensacionalismo o facto é que este é sinónimo de tentação, que pode ser cometida inesperadamente por qualquer meio de comunicação, seja ele credível ou popular. O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 21 1.2.2. Caráter Sensacionalista Das Primeiras Folhas Noticiosas aos Jornais de Hoje O Sensacionalismo não é de modo algum um produto da informação moderna, enraizado na imprensa desde os seus primórdios, começou a dar os primeiros passos já nos séculos XVI e XVII, entre 1560 e 1631 em França. Já na Idade Média os aedos 6 , os trovadores, os quimbandas 7 e os autores de baladas eram homens fascinados pelas histórias do maravilhoso e da mitologia, em que o desejo de saber e por sua vez de contar narrativas criaram condições para que surgissem os “ primeiros circuitos de informação, florescem os lais, faits divers postos em música”. Cornu (1994) acrescenta ainda “ esses lais, muitas vezes cruéis, desafiam alguns interditos sociais. São um tecido de assassínios, adultérios, violações e incestos” (285). Com a era de Gutenberg intensificou-se a capacidade de circulação e de divulgação, quer fosse opinião ou informação, por intermédio de diversos instrumentos – ocasionais, libelos, almanaques e pasquins – que invadiam as ruas e relatavam “factos sem grande relação com a actualidade, histórias sobrenaturais, acontecimentos extraordinários, crimes, catástrofes” (Cornu, 1994: 285). Portanto, no final do século XVI e início do século XVII predominavam narrativas “sanguinárias ou prodigiosas, discursos cruéis ou maravilhosos, todos dados como verídicos e edificantes”, cenário não muito dispare daquele que se vê nas capas dos jornais atualmente (Lever, 1993 apud Cornu, 1994). Os progressivos avanços tecnológicos, desde o século XV, vieram intensificar a massificação da informação, numa primeira fase a tecnologia permitiu a “impressão de 50 páginas/hora”, mais tarde “a invenção de Koenig em 1814 (os prelos com cilindros), no qual possibilitava “a impressão de 1100 páginas/hora” posteriormente em 1871, “com as rotativas de Marinoni, tornou-se possível imprimir 95000 páginas/hora” (Traquina, 2007: 23). “Livros populares, almanaques e outras publicações eram levados a todas as regiões do campo por vendedores ambulantes, que carregavam suas mercadorias de aldeia em aldeia e as ofereciam a bom preço”, apesar de empresas primitivas, o princípio do lucro já estava presente (Thompson, 2012: 92). Nos séculos XVI e XVII, entre 1560 e 1631, em França, os primeiros periódicos relatavam portanto fait divers – “fatos diversos que cobrem escândalos, curiosidades e bizarrices, carateriza-se como sinónimo da imprensa popular e sensacionalista” 6 Artistas gregos que cantavam as epopeias. 7 Curandeiros indígenas. O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 22 (Dejavite, s/d: 1) - eram feitos para que fossem lidos em voz alta e em espaços públicos, devido à reduzida taxa de literacia da maioria da população. Nesta altura, o recurso ao sensacionalismo já incidia numa forma estratégia, ainda que primária, para garantir empatia e uma vasta circulação das folhas: “Nesse jornalismo popular – que será escrito em grande parte visando à difusão oral, para ser „lido, declamado, cantado‟ em lugares públicos como o mercado, a estação de trem ou mesmo pelas ruas –, já se encontram as chaves do jornal sensacionalista. Estão lá os grandes títulos chamando a atenção para o principal fato narrado em versos, importância assumida pela parte gráfica, com desenhos ilustrando o texto, a melodramatização de um discurso que parece fascinado pelo sangrento e o macabro, o exagero e até a atração pelos ídolos de massa dos esportes ou dos espectáculos” (Martín-Barbero, 2009: 248). Para Machuco (2008: 40), um dos exemplos que melhor retrata este modelo jornalístico em França é o jornal Le Petit Journal: “ um diário baseado em folhetins populares sobre aventuras, romances policiais, etc, tendo sempre como fundo as relações humanas vistas fora do seu enquadramento civilizacional, político, institucional e jurídico.” Os pasquins, canards, brochuras e os outros meios de informação predominantes contavam histórias sobre a atualidade, crimes, assassínios, catástrofes e dramas esmiuçados ao pormenor, alguns dos quais eram rimados: “… Os mais procurados eram os que relatavam fait divers criminais: crianças martirizadas ou violadas, parricídios, cadáveres cortados aos pedaços, queimados, enterrados. Os vendedores de canards saíam às ruas aos gritos chamando atenção do público para suas manchetes” (Angrimani, 1995: 19). Daniel Defoë, escritor e jornalista inglês do século XVIII, interessava-se por ladrões e evasões, que se aliavam ao jornalista no fornecimento de informações para a suas narrativas. Jack (“Estripador”), Landru (“Barba Azul”) e Richard Speck (“Monstro de Chicago”), que em 1966, aos 24 anos, assassinou oito enfermeiras em Chicago, foram alguns dos criminosos mais mediáticos que causavam algum fascínio aos jornalistas e aos leitores. No entanto, estes circuitos de informação começaram a ter concorrência com os jornais populares, para contornar o fenómeno foram adotadas algumas estratégias, tais como, recolha e publicação de várias histórias em vez de somente uma e títulos aliciantes na página de capa, tudo para que se assemelhassem a jornais. Desta forma, O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 23 estas intervenções foram estrategicamente suficientes ao ponto de chamar a atenção da grande imprensa que acabou por adota-las. “Os primeiros semanários especializados «em sangue na primeira página» ” (Cornu, 1994: 286) nascem então em Inglaterra e em França, países industrializados e pioneiros na comunicação. Um dos melhores exemplos que retrata o início do modelo sensacionalista nos media é o jornal Detéctive que desde a sua origem deixou bem explícita a linha editorial legitimada. Joseph Kessel, diretor e chefe de redação, expôs: “ O projecto redactorial no primeiro número, publicado em 1 de Novembro de 1928: «Para vós, leitores, ele espiará, seguirá as pegadas do criminoso, a pista da polícia. Umas vezes de pantufas, outras de chinelos…Se necessário, usará o maçarico para arrombar os segredos.» (…) [Os faits divers continuavam] a exercer o seu fascínio sobre escritores, poetas, artistas…e sociólogos” (Cornu:1994: 286). O sensacionalismo foi, particularmente, mais influente nas publicações na Europa do século XVIII que precederam o jornal. Nelson Traquina faz referência a Matthew Engel (1996), autor britânico, que descreve as publicações em Inglaterra nessa época: “Assuntos carnais e pecados secretos eram o tema dos jornais populares de domingo”. E uma quadra britânica do século XIX sobre o jornalismo reza assim “Faz cócegas ao público, fá-lo sorrir/Quanto mais as cócegas mais ganhas;/Ensinando o público, nunca serás rico/Vives como um mendigo, e morres na valeta” (Traquina, 2002: 39). O trágico, fatídico, horrível, pavoroso e maravilhoso –fait divers - eram os temas que predominavam e que por sua vez acompanharam a evolução da imprensa. Naturalmente ainda prevalecem no século XXI, contudo há uma menor atenção conferida no tratamento que lhes reservam e ao espaço que lhes destinam relativamente ao conjunto de informação, que propicia diferenciar os média na sua relação com os fait divers. No final do século XIX, início do século XX, advém a consolidação da penny press com os jornais de cariz popular, criando assim condições para que o sensacionalismo permaneça efetivamente consistente enquanto estratégia mercantil. O surgimento de grandes impérios da imprensa, como o de Hearst e de Pulitzer, são o reflexo do sucesso rentável desta prática editorial adotada inicialmente nos Estados Unidos e logo depois na Europa, pois o jornalismo europeu deixou de ser, sobretudo, veículo de opinião. Os grupos económicos investiam cada vez mais no negócio dos O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 24 meios de comunicação, visto que “ a lógica preponderante já era a da empresa capitalista, com objetivo de lucro. A imprensa tornava-se efetivamente uma indústria” (Ribeiro, 1994: 22). “ Se não fosse a SONAE a suportar os prejuízos o Público ainda existia? Se não fosse o investimento brutal que Joaquim Oliveira fez e que procura, desesperadamente recuperar, será que o DN ainda estaria nas bancas? Se não fosse a força comercial da marca JN, será que ainda existia o único diário do Norte de Portugal?” (Sá, 2013: s/p) 8 . Independentemente das opções editoriais, grande parte dos jornais sobreviveu desde a sua criação até aos dias de hoje e deve-se em grande parte à intervenção dos líderes dos grupos económicos. Nos séculos XX e XXI, o sensacionalismo prosseguiu, mas de forma mais moderada, começaram-se a delimitar padrões no acesso ao mundo dos meios de comunicação no que diz respeito aos interesses económicos que os resguardam e à institucionalização da profissão de jornalista. Porém, são inclusive levantadas algumas questões relativas à qualidade informativa associada ao sensacionalismo, adaptação das tecnologias aos meios de comunicação, estratégias editoriais e regras temáticas distintas. “Os diferentes modelos jornalísticos que foram surgindo ao longo da história não tiveram (nem têm) fronteiras rígidas” (Sousa, 2006: 153), o que faz com que por vezes haja demasiada independência na manifestação da liberdade de imprensa. Contudo, Barros (2002: 26) explica que os jornalistas agem assim porque “são profissionais de comunicação e, hoje, trabalhando pautados por índices de audiência e pesquisas quantitativas e qualitativas de circulação de jornais e revistas, adotam ou perpetuam estilos de comunicação que geram mercado para seus veículos.” Como exemplo representativo, Nuno de Almeida (2013: s/p) 9 relata a indignação de Francesca Borri, uma correspondente de guerra na Síria que foi raptada juntamente com outros jornalistas, durante o seu cativeiro recebe um email do editor a dizer “ Se conseguires uma ligação podes tweetar durante o teu cativeiro?”. Depois de libertada a jornalista descreve a sua experiência como “um manifesto contra o fim do jornalismo morto pelo sensacionalismo, pelo simplismo e pela perda de qualidade a coberto do economicismo tacanho”, refere Nuno de Almeida. Atualmente o sensacionalismo enquanto género jornalístico adotado correntemente por uma parte da imprensa está presente explicitamente nas capas de 8 Artigo “O Jornalismo e o Sensacionalismo” da autoria de Fernando de Sá, disponível em: http://aventar.eu/ 9 Artigo “ Quando a Comunicação Social se suicida” da autoria de Nuno de Almeida, disponível em: http://www.ionline.pt/ O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 31 Tal como aconteceu com a penny press também agora os jornais comprometiam sem limites a veracidade dos factos em nome da carga dramática e sensacional das narrativas, com vista na obtenção de novos públicos. Emery (1965: 448) faz o retrato do jornalismo nesta altura: “ (…) Era uma espécie de jornalismo gritante, espalhafatoso, sensacional e temerário que seduzia o leitor por todos os meios possíveis. Fazia do elevado drama da vida um significante melodrama e torcia os fatos da vida quotidiana em qualquer coisa que melhor conviesse para promover a venda dos jornais pelos pequenos jornaleiros a gritaram suas manchetes.” Os leitores queriam a essência da notícia, ou a história, destilada tão rapidamente e de forma clara quanto possível. Quanto mais anómalo e detalhado o acontecimento, maior o interesse e consequentemente a audiência. O jornal sensacionalista de Hearst, para se tornar líder de audiência, não media esforços em recorrer aos meios tecnológicos da época, ou seja, ferrovias, telégrafos e correios, não esquecendo ainda os recursos humanos, apostando assim na contratação de uma vasta equipa de jornalistas. O objetivo sempre foi amplificar a cobertura sensacionalista, até porque era o trunfo que sustinha a empresa, bem como as vendas e a publicidade. Desta forma, Hearst não abdicava dos meios que tinha para a edição do seu jornal e como tal não deixava de “ inventar factos, mesmo que fossem desmentidos em duas linhas no dia seguinte” (Sousa, 2006: 156). Esta prática era infalível, é incontornável, alguns números comprovavam o êxito da mesma, “ por volta de 1895 estava o jornal instalado num edifício de 2 milhões e quinhentos mil dólares e o seu valor era estimado em cerca de 10 milhões de dólares. Era um grande negócio” (Emery, 1965: 417). No fim do século XIX, sobretudo nos Estados Unidos, o segredo dos jornais populares estava mais do que evidente, “ os anúncios só nos jornais diários eram avaliados em 21 milhões de dólares. Em 1900, eles chegaram 95 milhões e em 1910, 200 milhões de dólares” (Emery, 1965: 240). Os jornais de Pulitzer e de Hearst foram uma referência para outros jornais, que acolheram o formato sensacionalista e abandonaram a linha editorial “séria” e credível, como é o caso dos jornais americanos Boston Globe e do Philadelphia. A arrojada ousadia e as extravagâncias do World e do Journal davam frutos e isso refletia-se nas vendas e na publicidade, assim sendo este sucesso começou a despoletar interesse por parte dos outros jornais. Por isso, alguns periódicos considerados “sérios” mergulharam no “sistema amarelo em vários graus em todo o país” (Emery, 1965: 449). O mundo do O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 32 jornalismo tornou-se portanto num conjunto empresarial multinacional, cujas sedes estavam localizadas em Nova Iorque, uma grande parte dos proprietários dos jornais mais influentes, do final do século XIX, era homens de negócios. Nas primeiras décadas do século XX “os jornais – e até certo ponto outros setores da imprensa – tornaram-se grandes empreendimentos comerciais que exigem relativamente grandes quantidades de capital inicial e de sustentação em face à intensa e sempre crescente competição”, lembra Thompson (2012: 111). No século XX chegam os jornais populares em massa, cerca de um terço dos diários metropolitanos seguia a tendência sensacionalista instituída pelo Journal em Nova Iorque. A contínua rivalidade entre os jornais reunia condições para que voltassem a incidir em conteúdos familiares do sensacionalismo, tais como sexo, crime, celebridades, desastres e novas guerras. Um estudo, realizado por Thomas Patterson, revela que no início de 1980 cerca de 25% das notícias das agências noticiosas americanas possuíam um nível moderado a elevado de sensacionalismo. Já em 1998 verifica-se um aumento significativo para 40% com notícias que destacam o interesse humano, relacionadas assim com “incidentes dramáticos, crimes e desastres” (Patterson, 2000: 4). Os artifícios estratégicos da imprensa sensacionalista continuaram a ser aplicados em pleno século XXI: manchetes alarmantes; histórias lúgubres, muitas delas forjadas; notícias sem relevância, mas excitantes; suplementos coloridos e ilustrações com fotografias cada vez mais contestadas (Emery, 1965: 448). 1.3. Quando a Necessidade Leva à Perda de Credibilidade Sempre que referenciamos o termo „sensacionalismo‟ confrontamo-nos com uma linha editorial pejorativa que fomenta uma visão negativa do órgão de comunicação que a tenha usado, a partir do início do século XX quem ousasse seguir esta via sensacionalista entrava automaticamente em rota de colisão com a credibilidade. O direito fundamental de todos os cidadãos à liberdade de expressão é um sustentáculo imprescindível da atividade dos órgãos de comunicação, “mas não se resume nem esgota nele” antes pelo contrário, é aplicado “como um meio essencial à prossecução do fim mais ambicioso que se propõe, que é o de garantir e concretizar o direito de todos à informação”, (Fidalgo, 2009: 306) daí a extrema importância da O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 33 função social que será eternamente atribuída aos jornalistas Assim sendo, todos os cidadãos estão no direito de acederem a uma informação rigorosa, abrangente, credível, independente, coesa e portadora de confiança e não apenas “no exercício do direito à liberdade de expressão sem mais”, portanto a exigência ética e os escrúpulos deontológicos jamais deveriam ser adereços para os media (Fidalgo, 2009: 297). A célebre frase “a liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro”, da autoria do filósofo inglês Herbert Spencer, serve como filosofia para muitos, contudo no caso dos meios de comunicação não se aplica esta moral. A verdadeira liberdade respeita o próximo e os seus direitos mas no que diz respeito aos profissionais da comunicação estes por vezes não detêm limites no uso da liberdade, consequentemente acabam por ter que aceitar “certos limites à sua liberdade, seja porque o poder que exercem não é sem consequências, seja porque há certos conteúdos e práticas socialmente desaprovados” nas sociedades modernas (McQuail 2005: 250). Um jornal, revista ou televisão têm a sua credibilidade questionada porque recorrem às mais diversas estratégias para “fabricar” as notícias que posteriormente serão adquiridas e consumidas pelos leitores e telespetadores. No que diz respeito à produção de informação sensacionalista Cornu (1994: 303) considera que “ este estado de sobreinformação perpétua e de subinformação crónica caracteriza as nossas sociedades contemporâneas” acrescenta ainda que “multiplicar o novo, fabricar acontecimentos, degradar a informação são de certeza meios de se defender dela.” Quando esta prática se torna recorrente o público acaba por perder o interesse na informação, porque desconhece a sua veracidade, o que implica a perda direta da confiança depositada no respetivo órgão de comunicação. Ao mesmo tempo que este tipo de jornalismo é alvo de injúrias, numa imprensa manipuladora diante de um público passivo, também assegura um alto índice de audiências. As regras de moral e de ética são menosprezadas na procura de audiências criando assim espaço de abrangência para o sensacionalismo, quer seja através da irreverência, imprecisão, distorção, deturpação e da incorreta averiguação dos factos (Angrimani, 1995). Estes métodos de processamento e tratamento convertem as notícias em moldes de informação mais sensacionalistas, contribuindo assim, para que o “jornalismo cínico sustente que uma prática ética ou não interessa, ou é impossível” (Sanders, 2003: 30). O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 34 1.3.1. Comportamento e Fraude no Jornalismo A questão da ética e da credibilidade torna-se delicada quando o jornalista não mede as consequências ao ponto de fazer o uso abusivo do off the record, plagiar notícias, fraudar informações, ou até mesmo manipular dados, operando, desta forma contra a ética jornalística. Ao longo dos anos, sobretudo desde 1990, ocorreram, em vários pontos do mundo, casos de fraude jornalística, no qual os jornalistas publicavam intencionalmente informações falsas como verdadeiras. O primeiro caso de infração do princípio da verdade nesta profissão registou-se em 1998, nos Estados Unidos, quando alguns jornalistas da revista Time divulgaram que o exército dos EUA teria usado gás Sarin, uma arma química de destruição em massa, contra desertores 15 americanos na guerra do Vietname. Após uma denúncia averiguouse que os jornalistas tinham inventado os acontecimentos. Stephen Glass, ex-jornalista americano, com apenas 25 anos ficou conhecido por fraudar artigos na revista semanal The New Republic, entre 1995 e 1998 inventou 27 reportagens. O terceiro caso ocorreu na cidade de Boston, onde uma colunista do Boston Globe Patrícia Smith, finalista do Prémio Pulitzer, inventou acontecimentos, fontes de informação e conteúdos nos seus artigos. Uma das fraudes mais polémicas no mundo do jornalismo foi o célebre caso de Janet Cooke, jornalista do Washington Post e vencedora do prémio Pulitzer, que escreveu a reportagem intitulada “O Mundo de Jimmy”, na qual relata a história de vida de um menino de oito anos viciado em heroína. Algum tempo depois a história foi averiguada e descobriu-se que o caso era realmente fruto da imaginação da jornalista, esta acabou por devolver o Prémio Pulitzer que tinha recebido em 1981. Na Alemanha, no ano de 2000, o jornalista freelancer Tom Kummer da revista Sueddeutsche Zeitung, inventou entrevistas com figuras públicas de Hollywood, inclusive com Brad Pitt, Robert Redford, Bruce Willis, Kim Basinger, entre outros. Em 2003, o conceituado The New York Times, sofreu um pequena crise interna quando descobriu que um dos seus jornalistas de destaque, Jayson Blair, durante meses seguidos “fabricou” reportagens sem que qualquer elemento do controlo editorial se apercebesse. 15 Americanos que abandonavam o serviço militar. O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 35 Por vezes, as fraudes jornalísticas não dependem somente do comportamento do próprio produtor da informação, mas também dos interesses económicos inerentes aos grupos económicos que lideram os meios de comunicação, o que por sua vez propicia a deturpação ou até mesmo omissão dos factos. Em algumas exceções quando os jornalistas têm conhecimento destes casos acabam por se despedir e/ou denunciar a situação publicamente. Como tal, no mês de fevereiro do ano corrente, Peter Oborne, comentador político do Telegraph, abandonou o jornal e denunciou uma fraude, para com os seus leitores, na cobertura do caso SwissLeaks, declarou que os jornalistas foram impedidos de investigar no passado devido a contratos de publicidade. Nora (1972: 164) considera que por vezes os media de massas, pela maneira como agarram o real e o estruturam em espectáculo fazem “da história uma agressão, e tornaram o acontecimento monstruoso.” O caso recente da repórter Petra László é a prova de que em algumas situações o jornalista não tem meios a medir para alcançar as suas finalidades, para tornar um facto já por natureza delicado no mais dramático possível, rejeitando assim os códigos profissionais, éticos e até humanos. Em setembro deste ano, uma repórter de imagem húngara, Petra László, foi filmada por outro profissional a pontapear duas crianças refugiadas e um homem que carregava outra criança nos braços. O canal N1TV acabou por despedir a repórter de imagem, considerando inaceitável o comportamento da húngara. 1.3.2. Códigos de Deontologia Ética “A ética jornalística é influenciada pelas ideias dominantes em nossa sociedade. Por isso, ela será muito influenciada pelo pensamento neoliberal, que se subordinará aos princípios capitalistas, idolatrando o mercado, valorizando o egoísmo e o individualismo" Jairo Faria Mendes, Jornalista e Professor O trabalho jornalístico está subordinado, em todas as sociedades, a um conjunto de regras, regulamentos, leis, princípios e códigos de conduta, que em diferentes perspetivas mediante os protótipos de organização económica, social e política, “ O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 36 procuram algum ponto de equilíbrio no binómio liberdade - responsabilidade com que eles permanentemente lidam” (Fidalgo, 2009: 305-306). Os códigos de deontologia ética tiveram origem no início do século XX, aquando do procedimento inicial de profissionalização da área da comunicação, o seu surgimento foi determinante e esteve sobretudo ligado a dois fatores. O primeiro centrase na preocupação demonstrada por parte de alguns diretores e editores americanos no que diz respeito à falta de ética de alguns jornais da época e pelos danos que os mesmos causavam quanto à credibilidade e à imagem que passavam da imprensa no geral. O segundo fator estava relacionado diretamente com o próprio jornalista, pois apelava à sua tomada de consciência relativamente ao estatuto profissional e aos deveres deontológicos a ele associados (Aznar, 2005: 34). Como tal, em países como Madagáscar, Sri Lanka e nos Camarões as normas deontológicas estão inseridas nas próprias leis. Já nos EUA, Turquia, Chile, Dinamarca, Paquistão, Birmânia e Japão a iniciativa deontológica partiu da iniciativa dos proprietários e editores da imprensa escrita. Em outros casos, os códigos deontológicos nasceram a partir da associação de editores e jornalistas, como é o exemplo dos códigos deontológicos jornalísticos da Bélgica, Israel, Suécia Áustria, Canadá, Líbano Coreia do Sul, Alemanha, bem como os códigos deontológicos mais recentes nos EUA (Antunes, s/d: 9). Apesar destes princípios serem os pilares orientadores dos códigos deontológicos, nem todos contêm as mesmas especificidades, uns são mais percetíveis a determinados aspetos e outros mais percetíveis a outros, uma vez que cada um está dependente de parâmetros profissionais, políticos, culturais e históricos. Em 1995 a autora Laitila realizou um estudo que incidiu na análise de 31 códigos deontológicos de 29 países europeus, os resultados revelaram a existência de dez princípios comuns a mais de 75 por cento dos códigos examinados: 1. Verdade, honestidade e rigor da informação; 2. Imperativo de correção dos erros; 3. Proibição de discriminação com base em raça, etnia ou religião; 4. Respeito pela privacidade; 5. Proibição da aceitação de subornos ou outros benefícios; 6. Meios honestos de recolha de informação; 7. Recusa de pressões exteriores sobre o trabalho jornalístico; 8. Proibição de discriminação com base no sexo e classe social; O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 37 9. Liberdade de expressão, de comentário e de crítica; 10. Sigilo profissional. (Fidalgo, 2009: 395) A nível mundial existe uma panóplia de leis e códigos adaptados à realidade de cada país, em Portugal o trabalho jornalístico é pautado pelo Código Deontológico do Jornalista, no entanto Cooper (1989: 20-21) aponta três elementos básicos primordiais que deveriam estar na base de uma “ética global da comunicação de massas”: 1. “Procura da verdade” (que abrange uma preocupação com a “objectividade” e com o “rigor”); 2. “Desejo de responsabilidade” (que reúne o profissionalismo, a justiça, a imparcialidade, a lealdade e o dever de “prestação de contas” – ou também designado por accountability 16 ); 3. “Apelo à livre expressão” (ligada à livre corrente de informação, às questões de regulação, da censura e à liberdade de expressão). Quando recorremos à ética da informação automaticamente questionamos a atividade dos jornalistas e como tal não se pode excluir os fait divers, pois estes situamse numa zona eminentemente crítica. Cornu (1994: 294) considera que os fait divers “estão mais que as outras categorias de notícias, expostos a um tratamento jornalístico que, respeitando os factos, não respeita necessariamente as pessoas.” Como tal, é necessário existirem precauções, ainda que insuficientes, a seu respeito por alguns códigos deontológicos, especialmente pelos códigos da Grã-Bretanha e em diferentes países do norte da Europa, onde o sensacionalismo é explorado ao mais alto grau. Relativamente aos códigos éticos nos países da Europa, destaca-se a Bélgica e a Alemanha, uma vez que possuem códigos orientados para particulares práticas no jornalismo. No que diz respeito à Bélgica, país da Europa Ocidental possui seis códigos éticos: Código de princípios jornalísticos, Diretrizes para embargos de notícias, Diretrizes para lidar com vítimas na imprensa, Diretiva de deontologia financeira, Diretrizes para a manipulação de imagens e uso de fotografias de arquivo e por último, Orientações para o jornalismo disfarçado. 16 McQuail (2000: 180) define [accountability dos media] como o conjunto dos processos, voluntários ou involuntários, através dos quais os media respondem, directa ou indirectamente, perante a sua sociedade, pela qualidade e/ou pelas consequências daquilo que publicam, com particular referência a matérias do bem público geral.” (In Fidalgo, 2009: 312) O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 38 A Alemanha é dos poucos países, senão o único, que detém um código de imprensa, designado de Pressekodex, que apela à renúncia de uma “ apresentação exageradamente sensacionalista da violência, da brutalidade e sofrimento” (cit in Pressekodex) 17 . Sponholz (2010: 151) considera que “ os princípios deste código servem hoje como base consensual para a avaliação da atuação da imprensa. Embora não tenha valor legal, é utilizado até mesmo pela Justiça como parâmetro.” A trajetória dos jornalistas tem sido feita de progressos e de retrocessos, de dúvidas e certezas, de coerências e de contradições, podendo dizer-se que ainda hoje perduram importantes desafios por resolver. O jornalismo só estará cimentado numa verdadeira base moral quando o jornalista aceitar e tiver a noção do compromisso para consigo próprio e para com os outros, caso contrário terão que ser “ os tribunais a envolverem-se na regulamentação da prática jornalística” (Voakes, 2000: 41). Se bem que quando se fala em ética (códigos), as sanções a aplicar são meramente morais ou simbólicas, já quando se trata de infrações relacionadas com o direito (leis) as sanções são materiais. Tendo em conta o panorama atual da imprensa a nível mundial conclui-se que ainda há um longo caminho a percorrer no campo da ética e de facto “a ética da imprensa fica reduzida a pouca coisa quando se reduz tudo apenas à liberdade de expressão” (Giroux, 1991: 134). 17 Excerto do Código de Imprensa Alemão (disponível no Anexo B). O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 39 Capítulo 2: Metodologia Uma investigação pode ser definida como sendo o melhor processo para se chegar a soluções fiáveis para problemas, mediante a recolha delineada, metódica e a respetiva interpretação dos dados. Consideramos que, tal como Bell (1997: 14) “ uma investigação é conduzida para resolver problemas e para alargar conhecimento sendo, portanto, um processo que tem por objectivo enriquecer o conhecimento já existente”. Em Portugal o sensacionalismo é alvo de discussão por parte de alguns profissionais e leitores, contudo ainda não é muito explorado a nível de investigação, daí a pertinência da temática de abordagem. Todos os dias chegam às bancas portuguesas milhares de diários, uns mais conservadores vistos como credíveis e outros mais impactantes considerados generalistas, independentemente dos seus padrões a sobrevivência de todos eles tem como base principal as carteiras dos leitores. Portugal, como qualquer outro país, possui uma densidade populacional heterogénea cada vez mais exigente, portanto é natural que “as pessoas podem sentir-se predispostas a ler mais ou menos um jornal em função da impressão que lhes produz a primeira página” (Larequi, 1994: 77), o enquadramento informativo da capa detém assim uma importância extrema. Desta forma, os jornais mais adquiridos serão eventualmente os que unifiquem a sua forma de escrita em parâmetros mais populares, e por sua vez aproximam-se de conteúdos mais sensacionalistas. Segundo a APCT 18 no primeiro e segundo bimestres de 2015 os diários Correio da Manhã, Jornal de Notícias e Público foram líderes de tiragem e circulação. Como já foi referido na parte introdutória, este estudo procura dar resposta a duas questões primordiais que estão na origem da investigação: Em Portugal existem jornais tendencionalmente sensacionalistas? Como é que esse perfil editorial é manifestado nas primeiras páginas? Neste sentido, para dar resposta às perguntas formuladas, a presente investigação incide sobre um estudo comparativo entre três jornais generalistas diários, o Correio da Manhã, o Jornal de Notícias e o Público, a periodicidade diária e a liderança de tiragem e circulação coloca-os em pé de igualdade, simplificando assim a respetiva recolha de dados. O período da amostra abrange os meses de janeiro, fevereiro e março de 2015, no 18 Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação, disponível em http://www.apct.pt/ O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 40 qual equivale a um universo de 268 capas dos jornais. Como tal, a análise de conteúdo foi iniciada a 1 de janeiro e finalizou a 31 de março. O sensacionalismo não é um fenómeno recente do capitalismo contemporâneo, pelo contrário, sempre esteve enraizado no mundo do jornalismo, desde as primeiras folhas noticiosas que marcam assim a evolução da imprensa escrita. Como tal, Portugal não é exceção. Segundo um estudo realizado pela Freedom House atualmente o país de Camões ocupa o 25º lugar no ranking mundial no que diz respeito à liberdade de imprensa, esta tornou-se assim num mercado económico e lucrativo, cada vez mais influente e capaz de reconstruir noções e procedimentos do „antigo jornalismo‟, como é o caso dos fait divers, que dão origem à adoção de uma postura editorial sensacionalista. Mas como é que esse perfil editorial é manifestado nas primeiras páginas dos jornais? Neste sentido, como resposta à pergunta de partida, a presente investigação mostra que o sensacionalismo manifesta-se sobretudo através de manchetes fortes com acentuada carga emocional. “A primeira página é o escaparate do periódico, o primeiro elemento que indica ao leitor qual vai ser o conteúdo do jornal” (Larequi, 1994: 77), mas a comunicação entre o jornal e o leitor é estabelecida através da manchete, inclusive “vende-se nas manchetes aquilo que a informação interna não irá desenvolver” (Marcondes Filho, 1989: 66). Como se identifica uma manchete num jornal? A manchete, corresponde ao título de destaque na primeira página que normalmente aparece no topo do jornal, contudo não assume uma posição estática a nível de localização. Tem assim como objetivo chamar a atenção do leitor e retê-la, isto é, “tem de saltar à vista e de mexer connosco”, (Ricardo, 2003: 101) “ deve dizer algo de novo, «piscar o olho» ao leitor ou as duas coisas ao mesmo tempo” (Ibid.). Se assim não for, de pouco serve, ignoramos a manchete ou até mesmo o jornal e olhamos para outros na busca de algo que nos desperte interesse e emoção. Muitas vezes, o uso abusivo de recursos para tornar a matéria interessante desvinculaa do tema central da matéria. É uma armadilha preparada para capturar a atenção do leitor. (Longhi, 2005), persuadindo-os a comprar o jornal em vez do seu rival. A metodologia utilizada tem como sustentação a seguinte sequência: na primeira fase procedeu-se à recolha e levantamento de todas as manchetes 19 , pois é através das mesmas que “ o leitor tem o primeiro contato com a notícia” (Pedroso, 2008: 4). Numa segunda fase, para tentar comprovar as hipóteses levantadas, foram elaboradas grelhas 19 Disponível nos Apêndices 1, 2 e 3. O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 47 Capítulo 3: Resultados e Discussão 3.1.Análise de Conteúdo Das 268 manchetes analisadas, a categoria informativa “Crimes e escândalo” foi a que deteve maior número de manchetes de cariz sensacionalista, sobretudo no Correio da Manhã (69,8%) e no Jornal de Notícias (42,2%), já no Público (23,6%) 23 o destaque foi consideravelmente menor ( ver Gráfico I). Gráfico I. Representação percentual das categorias noticiosas nos três periódicos. Mesmo que tenhamos feito a divisão e identificação das diversas manchetes que constituíram os três jornais, a verdade é que em alguns casos foi difícil associar a qual categoria pertencia a manchete. A situação obrigou-nos assim a avaliar cuidadosamente cada manchete e tentar perceber qual a categoria que mais se identificava com a mesma, ainda que nos surgissem muitas dúvidas se seria a escolha adequada. Mediante a leitura do gráfico I verifica-se que pelo facto da esmagadora maioria das manchetes, do Correio da Manhã, concentrarem-se numa só categoria não cria margem para que haja uma diversidade de manchetes alusivas a outras temáticas. No 23 Valores disponíveis no Apêndice 7. 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% 80,00% 90,00% 100,00% Correio da Manhã Jornal de Noticias Público Percentagem Jornais Categorias Informativas do Jornalismo Sensacionalista Crime e escândalo Desastres Guerra Política Economia Desporto Sociedade Outras O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 48 Jornal de Notícias e no Público o panorama é relativamente diferente, pois as manchetes estão mais distribuídas pelas respetivas categorias, os jornais dão relevância a outro tipo de temáticas que estão por detrás das suas manchetes. Destaca-se assim no JN a categoria “Outras (22,2%) que contém manchetes não sensacionalistas, credíveis e “discretas” e a “Sociedade” (12,2%) com manchetes referentes às problemáticas nos organismos de saúde em Portugal. O Público aposta sobretudo na “Economia” (28,1%) dando destaque a manchetes sobre a crise económica e às consequências da mesma nomeadamente as dívidas públicas e dinâmicas dos bancos e das empresas, não esquecendo ainda a importância atribuída à categoria “Outras” (24,7%) que abarca manchetes relativas às inúmeras realidades atuais em alguns países da Europa e do Mundo. No que concerne à dinâmica de cada categoria é importante fazer alusão a algumas manchetes que compõem cada uma delas, até para que seja mais fácil assimilar quais as manchetes que devemos associar ou não à linha editorial sensacionalista. Categoria “Crime e escândalo”: No Correio da Manhã, no total de 89 manchetes, 62 abordavam assuntos relacionados com homicídios, julgamentos, burlas, corrupção, crimes e escândalos, sobretudo políticos 24 . Eis alguns exemplos de manchetes: “Português degola médica brasileira”, “Falsos GNR roubam em operação STOP”, “Políticos e banqueiros na lista VIP” 25 . No Jornal de Notícias, em 90 manchetes, 38 enquadravam-se nesta categoria 26 . Exemplos de manchetes: “Investigação a Sócrates centrada entre 2000 e 2005”, “Pedófilos aliciam crianças de 8 anos através de telemóvel”, “Santa Casa denuncia compra de prémios para lavar dinheiro” 27 . No jornal Público, no total de 89 manchetes, 21 estavam inseridas nesta categoria 28 . Exemplos de manchetes: “Taxa de mortes nas cadeias portuguesas é o dobro da europeia”, “Um em cada dez condenados por abusos de crianças é menor” “Protecção de Dados investiga e-factura após queixas de contribuintes” 29 . Categoria “Desastres”: O número de manchetes desta índole é minorado, uma vez que se tratam de temas que quando ocorrem têm repercussões à escala até global, são assim reflexo de acontecimentos sobre desastres naturais, o que é mais habitual, 24 Disponível no Apêndice 4. 25 Disponível nos Apêndices 1, 2 e 3. 26 Disponível no Apêndice 5. 27 Disponível nos Apêndices 1, 2 e 3. 28 Disponível no Apêndice 6. 29 Disponível nos Apêndices 1, 2 e 3. O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 49 químicos e nucleares. No Correio da Manhã foi identificada apenas uma manchete 30 , no Jornal de Notícias três 31 e nenhuma no Público. Exemplo no CM: “Frio e gripe matam mais 2767 pessoas”; Exemplos do JN: “Frio fez do natal a semana mais mortal de 2014”, “Frio e gripe causam 1900 mortes acima das previsões” 32 . Categoria “Guerra”: Foram identificadas manchetes que registavam a ocorrência de massacres, atentados terroristas (inclusive à liberdade de expressão dos média) e movimentos de grupos extremistas. No Correio da Manhã foram identificadas três manchetes 33 , no Jornal de Notícias sete 34 e no Público quatro 35 . Exemplo do CM: “Massacre bárbaro em Paris”, “Terror mata 17 em três dias”, “Tragédia no céu da Europa“; Exemplos do JN: “Militar deserta da Força Aérea para combater Estado Islâmico”, “Somos Todos Charlie - 12 Mortos em atentado à liberdade “, “Prova de União antecipa novas medidas contra o terrorismo”; Exemplos do Público: “Somos Charlie”, “Não ao terror Sim à liberdade”, “Charlie Hebdo: França persegue irmãos Kouachi e enfrenta a jihad nas suas ruas” 36 . Categoria “Política”: É um tema incontornavelmente recorrente na sociedade portuguesa, devido à instabilidade económica do país a opinião pública gera grande discussão à volta das funções exercidas pelos governantes e da má gestão dos mesmos. Todavia, durante o período de análise não se verificou muita afluência a nível de abordagem desta temática. No Correio da Manhã foi registada uma manchete 37 , no Jornal de Notícias duas 38 e no Público cinco 39 . Exemplo do CM: “Governo abusa da sobretaxa de IRS”. Exemplos do JN: “Governo bloqueia casino no Porto”, “ Governo vai vender 60 quartéis e fortes”. Exemplos do Público: “Costa defende discurso polémico que levou à saída de fundador do PS”, “Costa bate com a porta ao bloco central: “Ou nós ou eles”, “Nomeações do Governo deixam de fora candidatos socialistas” 40 . Categoria “Economia”: Uma grande porção das manchetes desta categoria espelha as adversidades que a economia enfrenta fruto da crise, portanto a dívida 30 Disponível no Apêndice 4. 31 Disponível no Apêndice 5. 32 Disponível nos Apêndices 1 e 2. 33 Disponível no Apêndice 4. 34 Disponível no Apêndice 5. 35 Disponível no Apêndice 6. 36 Disponível nos Apêndices 1, 2 e 3. 37 Disponível no Apêndice 4. 38 Disponível no Apêndice 5. 39 Disponível no Apêndice 6. 40 Disponível nos Apêndices 1, 2 e 3. O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 50 pública, receitas e negociações do Estado marcam posição sobretudo no jornal Público, correspondendo assim a 28,1%. No Correio da Manhã 41 e no Jornal de Notícias 42 foram identificadas seis manchetes, enquanto no Público 43 predominaram 25. Exemplos do CM: “Fisco leiloa 10 casas por dia”, “Dívida pública dá fortuna a pensões”, “Caça à multa dobra receitas”. Exemplos do JN: “2015 Austeridade alivia no IRS e IRC mas”, “Novo imposto lança caos no preço dos combustíveis”, “Reformas antecipadas ameaçam contas na Segurança Social”; Exemplos do Público: “Portugueses apostam na “raspadinha” seis vezes mais do que antes da crise”, “Comprador da TAP não pode despedir enquanto o Estado for accionista”, “Choque do petróleo ameaça negócios de empresas com Angola” 44 . Categoria “Desporto”: Quando se fala nesta categoria, referimo-nos a todas as modalidades desportivas existentes, contudo nos meios de comunicação e nas manchetes analisadas o futebol é o desporto unicamente noticiado. Ao contrário do previsto os valores não foram astronómicos em comparação à “febre” do futebol. No Correio da Manhã foi identificada apenas uma 45 manchete, no Jornal de Noticias três 46 e nenhuma 47 no Público. Exemplo do CM: “Milhões do futebol nas contas secretas”; Exemplos do JN: “FC Porto 3-0 Sporting: Tello Tello Tello”, “Sem tempo para perder”, “FC Porto 4-0 Basileia: quatro para os quartos” 48 . Categoria “Sociedade”: Quanto a esta categoria reuniram-se particularmente manchetes de assuntos que envolvem a saúde e o bem-estar público, o Jornal de Notícias e o Público são os que mais apostam nestas temáticas. No Correio da Manhã registaram-se nove 49 manchetes, no Jornal de Notícias onze 50 e no Público doze 51 . Exemplos no CM: “Vacina da gripe sem eficácia”, “Férias de médicos agravam caos na saúde”, “Médicos tarefeiros ganham 300 euros por dia”. Exemplos do JN: “Falta de médicos deixa urgências em risco de colapso”, “INEM não atende bombeiros e põe socorro em perigo”, “Maiores hospitais juntam-se contra farmacêutica”; Exemplos do Público: “Novo medicamento para hepatite C só chegou a 70 doentes”, “Pressão nas 41 Disponível no Apêndice 4. 42 Disponível no Apêndice 5. 43 Disponível no Apêndice 6. 44 Disponível nos Apêndices 1, 2 e 3. 45 Disponível no Apêndice 4. 46 Disponível no Apêndice 5. 47 Disponível no Apêndice 6. 48 Disponível no Apêndice 3. 49 Disponível no Apêndice 4. 50 Disponível no Apêndice 5. 51 Disponível no Apêndice 6. O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 51 urgências leva Ministério da Saúde a reabrir 569 camas”, “Ministério fecha acordo sobre medicamento inovador para hepatite C” 52 . Categoria “Outras”: Reuniu-se nesta categoria todas as manchetes que não são consideradas sensacionalistas, cenário claramente favorável para o Público, visto que é a categoria pela qual o diário de destaca de forma positiva, colocando-o no estatuto de jornal com menor cariz sensacionalista com 24,7%. No Correio da Manhã foram apuradas seis 53 manchetes, no Jornal de Notícias vinte 54 e no Público vinte e duas 55 . Exemplos do CM: “Herdeira angolana tem 2 mil milhões em Portugal”, “ Maior euromilionária ainda não gastou um tostão”, “Ameaça de despedimentos na função pública”; ” Exemplos do JN: “Forças Armadas perdem metade dos generais”, “Grécia – o princípio do fim da austeridade”, “Chumbos disparam no Básico com exames obrigatórios”. Exemplos do Público: “Estudo inédito: Ciganos estão mais saudáveis mas ainda pouco escolarizados”, “Grécia vira a página da austeridade e deixa Europa a fazer contas”, “Erros de professores na prova de avaliação são parecidos com os dos alunos” 56 . No campo das devidas temáticas das manchetes, pode ser deduzido que nos três meses em análise, como se pode verificar no gráfico I, as mais pertinentes foram “Crime e escândalo ”e “Sociedade” com 69,8% e 10,1% 57 , respetivamente no tabloide Correio da Manhã. No Jornal de Notícias o cenário é ligeiramente diferente, com níveis percentuais inferiores, visto que é o diário cujas opções editoriais são mais diversificadas. Lidera portanto a categoria “Crime e escândalo” com 42,2% e de seguida a categoria “Outras” com 22,2% 58 , correspondendo assim a uma pegada mais favorável, em relação ao CM, relativamente à presença de manchetes predispostas à ausência de sensacionalismo. Já o Público, a categoria “Crime e escândalo” (23,6%) não possui uma percentagem considerável em comparação com os outros jornais, permitindo assim concluir a escassa publicação de matérias relacionadas com fait divers, pois este diário faz o tratamento da informação de forma mais séria e rigorosa. As notícias são o reflexo dos factos que sucedem no seio da humanidade, como tal é natural que algumas manchetes não sejam sinónimo de notícias agradáveis. O período 52 Disponível nos Apêndices 1, 2 e 3. 53 Disponível no Apêndice 4. 54 Disponível no Apêndice 5. 55 Disponível no Apêndice 6. 56 Disponível nos Apêndices 1, 2 e 3. 57 Disponível no Apêndice 7. 58 Disponível no Apêndice 7. O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 52 de análise da investigação foi marcado por uma altura em que em Portugal e na Europa acontecimentos sonantes invadiam as ruas (progressos do escândalo político de José Sócrates, a queda de um Airbus nos Alpes franceses, o atentado contra o jornal Charlie Hebdo em Paris, os sucessivos ataques do Estado Islâmico, entre outros) como tal, propiciou que algumas manchetes de jornais incidissem e explorassem esses acontecimentos ao máximo, em algumas situações até à exaustão. O Público inclusive no espaço de uma semana fez três vezes abertura de página com manchetes alusivas ao atentado no jornal parisiense 59 . Já o Correio da Manhã faz uma cobertura constante dos desenvolvimentos do caso Sócrates 60 em média surgem três manchetes por mês relativas a este assunto 61 . Quanto ao Jornal de Notícias este detém uma panóplia diversificada quanto às categorias de informação, daí não haver tendência para a exploração e repetição das manchetes. Apesar de termos em conta todos estes condicionantes do meio que servem como palco dos factos convertidos depois em notícias é importante reforçar que fica ao critério de cada jornal fazer o tratamento da informação de modo a ir ao encontro dos seus objetivos. Daí que seja frequente encontrar-se a mesma notícia explorada de forma diferente em diversos meios de comunicação. E é nessa diferença de tratamento da informação que surgem as manchetes sensacionalistas. Recorrendo novamente ao exemplo do atentado ao jornal satírico parisiense, denota-se que as manchetes do Jornal de Notícias e do Público são mais simples, a nível gráfico e linguístico, já no Correio da Manhã é possível identificar uma manchete mais emotiva a nível linguístico (grafia e cor das letras) e visual (recurso a uma fotografia aquando da captura de um dos homicidas.) 62 . Este é apenas um dos vários exemplos que ilustram a clara distinção de diferenciação editorial entre os três diários nacionais. No que diz respeito ao Público, mantem-se ainda fiel aos seus princípios primitivos, possuindo somente 28,1% 63 de manchetes sensacionalistas (ver Gráfico II). Contudo, uma das práticas recorrentes deste diário é a aposta na imagem, na fotografia, pode a manchete ser discreta mas a fotografia marca o destaque da capa 64 . 59 Disponível nos Anexos C, D e E. 60 Disponível nos Anexos F, G e H. 61 Disponível nos Apêndices 1, 2 e 3. 62 Disponível no Anexo I. 63 Disponível no Apêndice 8. 64 Disponível no Anexo J. O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 53 Gráfico II. Representação percentual das manchetes dos jornais. O Jornal de Notícias apesar de ainda apostar em diversas categorias informativas está cada vez mais perto do perfil editorial do CM, no qual 53,4% das suas manchetes são sensacionalistas. Podemos então alegar que o Correio da Manhã é o jornal mais sensacionalista (74,3%) que apela aos instintos humanos e às emoções primitas com recurso a manchetes sobre a morte, violência, sexo, crimes, agressividade e homicídios, conteúdos que despertam medo e preocupação. Deduções que vão ao encontro dos resultados obtidos nos gráficos I e II. 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% 80,00% 90,00% 100,00% Correio da Manhã Jornal de Noticias Público Percentagem Jornais Caráter Informativo das Manchetes dos Três Jornais Manchetes Sensacionalistas Manchetes Não Sensacionalistas O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 54 Conclusão O sensacionalismo está longe de ser um fenómeno recente do capitalismo contemporâneo, esta forma caraterística de abordagem da informação já invadia as ruas desde as primeiras folhas noticiosas até à estabilização do jornal enquanto produto social e económico de extrema relevância na sociedade. De facto, o jornalismo sensacionalista tem invadido cada vez mais as redações internacionais e portuguesas, no sentido destas serem “mais agressivas, apostando naquilo a que se chama o «espectáculo jornalístico» ” (Saraiva, 2007). A própria rivalidade entre os meios – canais de televisão, jornais e revistas – gera uma concorrência, desmedida por vezes, que conduz ao sensacionalismo. De uma forma geral esta prática é cada vez mais discutida e censurada, uma vez que é fraudulento para o leitor que exige qualidade jornalística e acaba por passar “gato por lebre através da distorção dos factos.” (Saraiva, 2007). Assim sendo, numa sociedade cada vez mais culta, universal e exigente o modelo de abordagem sensacionalista é classificado como pejorativo, uma vez que é usado para delatar um deslize informativo por parte dos meios de comunicação (quer seja uma fotografia ousada ou um título impactante). Portugal também aposta nesta linha editorial, de uma forma mais subtil em comparação com alguns países europeus, mas já vai deixando as suas pegadas ao ponto de alguns jornais serem criticados quanto ao tipo de jornalismo exercido, referimo-nos assim ao periódico Correio da Manhã. Uma vez que a análise incidiu num elemento discutível e preocupante ligado diretamente à imprensa portuguesa, importa referir se de facto os resultados permitem confirmar ou refutar as hipóteses colocadas ainda na fase embrionária que orientaram todo o processo da investigação. A primeira pergunta de partida (Existirão em Portugal jornais tendencionalmente sensacionalistas?) foi verificada através da confirmação da primeira hipótese (Portugal, à semelhança de outros países da Europa, também possui jornais de caráter sensacionalista), nesta sequência pode-se afirmar que a constatação desta hipótese criou assim condições para que a segunda hipótese também fosse averiguada com sucesso (O diário Correio da Manhã é o que mais se aproxima do perfil sensacionalista). Como tal, o Correio da Manhã lidera, no qual 74,3% das manchetes são sensacionalistas. Em segundo lugar está o nortenho Jornal de Notícias, cada vez mais próximo do perfil editorial do Correio O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 55 da Manhã, detém assim 53,4% de manchetes sensacionalistas. Já o Público apresenta resultados mais favoráveis no que diz respeito às suas posturas editoriais envolvendo diretamente a sua credibilidade, detém apenas 28,1% de notícias de caráter sensacionalista. Assim sendo, as duas hipóteses da primeira linha orientadora da investigação foram comprovadas na totalidade. A segunda pergunta de partida (Como é que esse perfil editorial é manifestado nas primeiras páginas?), que implicou uma análise de conteúdo, foi verificada através da confirmação da sua única hipótese (O sensacionalismo manifesta-se sobretudo através de manchetes fortes com acentuada carga emocional). Facto verificável sobretudo nas manchetes que abordam temáticas ligadas a crimes e escândalos, com maior presença nos jornais tendencionalmente sensacionalistas, no qual se destaca o jornal Correio da Manhã. Porém, deve-se salientar ainda que o Público é o único que detém teoricamente de forma bem clara e explícita que não recorre ao sensacionalismo, o Público 65 “ inscreve-se numa tradição europeia de jornalismo exigente e de qualidade, recusando o sensacionalismo e a exploração mercantil da matéria informativa. Incorrer no sensacionalismo desacredita um jornal e desqualifica quem o pratica.” Em forma de conclusão, todas as perguntas e hipótese que orientaram esta investigação foram confirmadas com sucesso mediante a análise de conteúdo, e como ela mesma comprova o Correio da Manhã de facto é o jornal português que detém mais manchetes de teor sensacionalista. Independentemente da manchete noticiar a morte do vizinho ou até mesmo de um familiar. É uma tentação irresistível consumir informação de caráter sensacionalista, como diz o ditado popular “o fruto proibido é o mais apetecido”, tal como a imprensa sensacionalista. 65 Disponível no site http://www.publico.pt/ O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 56 Bibliografia Amaral, M. F. (2006). Jornalismo popular São Paulo: Editora Contexto, 2006. Angrimani, S. (1995). Espreme que sai sangue: um estudo do sensacionalismo na imprensa. São Paulo: Summus, Coleção Novas Buscas em Comunicação; v. 47. Antunes, Marco. (S/D). Ética da comunicação e ética da informação: teoria sistemática. Universidade da Beira Interior. Disponível em: http://www.bocc.ubi.pt/pag/antunes-marco-etica-da-comunicacao-eetica-da-informacao.pdf Araújo, S. (1988). Vamos falar de Jornalismo. Temas de Comunicação Social, Direcção-Geral da Comunicação Social, Lisboa. Aznar, Hugo (2005). Comunicación Responsable – Dentologia y autorregulación de los médios. Barcelona: Ariel Comunicación. Baecque, A. (1996). Panfletos – libelo e mitologia política. In: DARNTON, Robert e ROCHE, Daniel (orgs). Revolução Imprensa: a imprensa na França 1775-1800. Tradução de Marcos Maffei Jordan. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1996. Barbosa, M. & Enne, A. (2005). O jornalismo popular, a construção narrativa e o fluxo do sensacional. ECO-PÓSv.8, n.2, agosto-dezembro, pp.67-87. Bardin, I. (1994). Análise de conteúdo. Lisboa: Edições Setenta,1994. Barros, L. (2002). O Sensacionalismo da imprensa na cobertura de crimes de natureza psicopatológica e suas consequências. R. CEJ, Brasília, n. 20. Disponível em: http://www.jf.jus.br/ojs2/index.php/revcej/article/viewFile/518/699 Bell, J. (1997). Como realizar um projecto de investigação. Lisboa, Gradiva. Cádima, F. (2002). A Comunicação Social em Portugal no Século XX - Fragmentos Para a História de um Servidor de Dois Amos. Porto. O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 63 Segunda-feira, 5 janeiro “Função Pública encolheu o dobro do exigido pela troika” Terça-feira, 6 janeiro “Falta de médicos deixa urgências em risco de colapso” Quarta-feira, 7 janeiro “Minipreço já provocou mil falências” Quinta-feira, 8 janeiro “ Somos Todos Charlie - 12 Mortos em atentado à liberdade” Sexta-feira, 9 janeiro “Pesca proibida da sardinha deixa 2500 sem emprego” Sábado, 10 janeiro “Tempos de espera disparam no INEM” Domingo, 11 janeiro “Rendas por pagar duplicam despejos” Segunda-feira, 12 janeiro “Prova de União antecipa novas medidas contra o terrorismo” Terça-feira, 13 janeiro “INEM não atende bombeiros e põe socorro em perigo” Quarta-feira, 14 janeiro “Tribunal anula multas de quem não pagou portagens” Quinta-feira, 15 janeiro “Câmaras param no Carnaval sem decisão do Governo” Sexta-feira, 16 janeiro “Sócrates recebeu meio milhão do amigoSantos Silva” Sábado, 17 janeiro “Investigação a Sócrates centrada entre 2000 e 2005” Domingo, 18 janeiro “Forças Armadas perdem metade dos generais” Segunda-feira, 19 janeiro “Salários da Função Pública caem o dobro dos privados” Terça-feira, 20 janeiro “Menos multas por álcool na estrada” Quarta-feira, 21 janeiro “Frio e gripe causam 1900 mortes acima das previsões” Quinta-feira, 22 janeiro “Condutores gastaram mais 26,7 milhões a pagar portagens” Sexta-feira, 23 janeiro “Hospital engana doentes com falsas cirurgias” Sábado, 24 janeiro “Colégios inflacionam notas e dão 90% de vantagem a alunos” Domingo, 25 janeiro “Presos exibem-se no Facebook com fotos ilegais” Segunda-feira, 26 janeiro “Grécia – o princípio do fim da austeridade” Terça-feira, 27 janeiro “Governo vai vender 60 quartéis e fortes” O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 64 Quarta-feira, 28 janeiro “Maiores hospitais juntam-se contra farmacêutica” Quinta-feira, 29 janeiro “Chefe das penhoras detido por desviar dinheiro de credores” Sexta-feira, 30 janeiro Presidente do INEM compra formação dada pela mulher” Sábado, 31 janeiro “Ex-mulher avisou Sócrates de que ia ficar em preventiva” PÚBLICO Janeiro 2015 Data de Publicação Manchete Quinta-feira, 1 janeiro Não houve publicação Sexta-feira, 2 janeiro “Portugueses apostam na “raspadinha” seis vezes mais do que antes da crise” Sábado, 3 janeiro “ José Sócrates compara investigação de que é alvo a “ficção científica” ” Domingo, 4 janeiro “70% das escolas fechadas na última década têm novas utilidades” Segunda, 5 janeiro “Novo medicamento para hepatite C só chegou a 70 doentes” Terça-feira, 6 janeiro “ Ministros falham prazo para resolver atrasos nas nomeações de dirigentes” Quarta-feira, 7 janeiro “Governo cria carreira especial para aumentar alguns funcionários” Quinta-feira, 8 janeiro “Somos Charlie” Sexta-feira, 9 janeiro “Charlie Hebdo: França persegue irmãos Kouachi e enfrenta a jihad nas suas ruas” Sábado, 10 janeiro “Taxa de mortes nas cadeias portuguesas é o dobro da europeia” Domingo, 11 janeiro “Fisco só vendeu 18% das penhoras anunciadas durante o ano passado” Segunda-feira, 12 janeiro “ Não ao terror Sim à liberdade” Terça-feira, 13 janeiro “Governo quer transferir 1220 investigadores do Estado para as empresas” O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 65 Quarta-feira, 14 janeiro “ Há quem vá receber menos na requalificação do que no desemprego” Quinta-feira, 15 janeiro “ Comprador da TAP não pode despedir enquanto o Estado for accionista” Sexta-feira, 16 janeiro “ PS propõe fim das barreiras à procriação e à adopção por gays ” Sábado, 17 janeiro “ Debate quinzenal: Passos admite “ revisão de acordo técnico” das Lajes” Domingo, 18 janeiro “ Fenprof convoca greve de um mês para evitar avaliação de professores” Segunda-feira, 19 janeiro “ Ministério manda analisar maiores desvios de notas nas escolas” Terça-feira, 20 janeiro “ Estudo inédito: Ciganos estão mais saudáveis mas ainda pouco escolarizados” Quarta-feira, 21 janeiro “ Pressão nas urgências leva Ministério da Saúde a reabrir 569 camas” Quinta-feira, 22 janeiro “ Jardim pediu em segredo mais um ano de austeridade na Madeira” Sexta-feira, 23 janeiro “ Acção do BCE em Portugal limitada por intervenções anteriores” Sábado, 24 janeiro “ Choque do petróleo ameaça negócios de empresas com Angola” Domingo, 25 janeiro “ Nova lei prevê regime de “liberdade condicional” para menores condenados” Segunda-feira, 26 janeiro “ Grécia vira a página da austeridade e deixa Europa a fazer contas” Terça-feira, 27 janeiro “ Privados vão gerir dez mil desempregados em Lisboa e no Porto” Quarta-feira, 28 janeiro “ Angola limita importações e Portugal perde 207 milhões” Quinta-feira, 29 janeiro “ Defesa de Sócrates acusa procurador de querer usar “provas proibidas” Sexta-feira, 30 janeiro “ Erros de professores na prova de avaliação são parecidos com os dos alunos” Sábado, 31 janeiro “ Governo rejeita retirar nacionalidade a jovens jihadistas portugueses” O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 66 Apêndice 2: Recolha das manchetes do mês de fevereiro dos três diários. CORREIO DA MANHÃ Fevereiro 2015 Data de Publicação Manchete Domingo, 1 fevereiro “Frio e gripe matam mais 2767 pessoas” Segunda-feira, 2 fevereiro “ Segurança Social faz 374 mil penhoras” Terça-feira, 3 fevereiro “Mulher mata sogra em fogo” Quarta-feira, 4 fevereiro “Fisco abusa nos juros de Mora” Quinta-feira, 5 fevereiro “Falsos GNR roubam em operação STOP” Sexta-feira, 6 fevereiro “Desvendada causa da morte do filho de Judite” Sábado, 7 fevereiro “Grupo LENA ganhou 200 milhões com Sócrates” Domingo, 8 fevereiro “Padre acusado de violação” Segunda-feira, 9 fevereiro “Mulher regada com ácido após queixas” Terça-feira, 10 fevereiro “Motorista revela barriga de aluguer” Quarta-feira, 11 fevereiro “Saúde da função pública paga 240 milhões a privados” Quinta-feira, 12 fevereiro “Fisco no rasto de milhões do ouro” Sexta-feira, 13 fevereiro “Milionários do ouro declaram prejuízo” Sábado, 14 fevereiro “Assalto revela offshore milionária de tio de Sócrates” Domingo, 15 fevereiro “Vistos Gold lavam mais de 500 milhões” Segunda-feira, 16 fevereiro “ Corruptos arrependidos com direito a perdão” Terça-feira, 17 fevereiro “Bancários do BPN dão 23 milhões a clubes” Quarta-feira, 18 fevereiro “Sócrates confrontado com novas provas” Quinta-feira, 19 fevereiro “Governo corta 500 milhões no subsídio de desemprego” O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 67 Sexta-feira, 20 fevereiro “Maior euromilionária ainda não gastou 1 tostão” Sábado, 21 fevereiro “Justiça arquiva guarda-noturno mata” Domingo, 22 fevereiro “ Dois idosos mortos em assaltos” Segunda-feira, 23 fevereiro “Contrato na saúde lava meio milhão” Terça-feira, 24 fevereiro “Mais três meses na cadeia” Quarta-feira, 25 fevereiro “Polícias suspeitos de matar em rusga” Quinta-feira, 26 fevereiro “Jovens polícias morrem em ação” Sexta-feira, 27 fevereiro “ Professora lança terror na escola” Sábado, 28 fevereiro “Caça à multa dobra receitas” JORNAL DE NOTÍCIAS Fevereiro 2015 Data de Publicação Manchete Domingo, 1 fevereiro “ Crimes na estrada dominam penas de prisão com pulseira” Segunda-feira, 2 fevereiro “ Espanha alerta para jiadistas em Portugal” Terça-feira, 3 fevereiro “ Europa bloqueia camionistas e compromete exportações” Quarta-feira, 4 fevereiro “ Galp apanha multa de nove milhões por lesar clientes de gás” Quinta-feira, 5 fevereiro “ Casas para estudantes escapam ao Fisco” Sexta-feira, 6 fevereiro “ Hospital pára operação por falta de material” Sábado, 7 fevereiro “ Incêndios em casa já mataram mais de 200 pessoas” Domingo, 8 fevereiro “ Tomara eu imitar o Papa Francisco” Segunda-feira, 9 fevereiro “ Petição para investigar submarinos desaparece no Parlamento” Terça-feira, 10 fevereiro “ Desemprego ameaça 600 professores dos politécnicos” O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 68 Quarta-feira, 11 fevereiro “Três portugueses com 585 milhões em contas na Suiça” OUT Quinta-feira, 12 fevereiro “ Câmaras com más contas obrigadas a trabalhar 40 horas” Sexta-feira, 13 fevereiro “ Procuradoria denuncia rotura dos tribunais” Sábado, 14 fevereiro “Guiava autocarro escolar com 2,31 de álcool” Domingo, 15 fevereiro “PJ investiga fraude com expropriações em autoestradas” Segunda-feira, 16 fevereiro “Desperdiçamos milhões a comprar genéricos caros” Terça-feira, 17 fevereiro “Bens apreendidos a criminosos apodrecem na PJ” Quarta-feira, 18 fevereiro “Governo bloqueia casino no Porto” Quinta-feira, 19 fevereiro “Políticos e chefias ganham mais do que em 2011” Sexta-feira, 20 fevereiro “Toxicodependentes usados em fraude com empréstimos” Sábado, 21 fevereiro “Novo Banco esconde promessa de pagar a clientes lesados” Domingo, 22 fevereiro “Sistema informático bloqueia hospitais” Segunda-feira, 23 fevereiro “Ex-governantes do PS investigados no Caso Sócrates” Terça-feira, 24 fevereiro “Chumbos disparam no Básico com exames obrigatórios” Quarta-feira, 25 fevereiro “Reformas antecipadas ameaçam contas na Segurança Social” Quinta-feira, 26 fevereiro “Cinco mil “provas” contra polícias e magistrados” Sexta-feira, 27 fevereiro “Câmaras donas de 100 mil casas” Sábado, 28 fevereiro “Militar deserta da Força Aérea para combater Estado Islâmico” PÚBLICO Fevereiro 2015 Data de Publicação Manchete Domingo, 1 fevereiro “ Um em cada dez condenados por abusos de crianças é menor” O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 69 Segunda-feira, 2 fevereiro “ Valor das remessas de Angola para Portugal cai 39 milhões de euros” Terça-feira, 3 fevereiro “ Fisco incapaz de cobrar 10,7 milhões de euros de multas de transportes” Quarta-feira, 4 fevereiro “ Metade dos doentes com cancro morre sem ter cuidados paliativos” Quinta-feira, 5 fevereiro “ BCE aumenta pressão sobre a Grécia ao cortar apoios aos bancos” Sexta-feira, 6 fevereiro “ Ministério fecha acordo sobre medicamento inovador para hepatite C” Sábado, 7 fevereiro “ Despesa com fármacos inovadores mais do que duplicou desde 2011” Domingo, 8 fevereiro “ Carnaval é ainda feriado obrigatório nos contratos do privado” Segunda-feira, 9 fevereiro “ Pagamentos declarados a amigo de Sócrates não chegaram a 4,7 milhões” Terça-feira, 10 fevereiro “ Franceses aproximam-se dos chineses na compra de imóveis em Portugal” Quarta-feira, 11 fevereiro “ Governo quer impor limite máximo de alunos ao ensino superior” Quinta-feira, 12 fevereiro “ Personalidades apelam a Passos para rever posição sobre a Grécia” Sexta-feira, 13 fevereiro “ Tsipras defende “solução mútua viável”, Merkel diz que “regras são regras” “ Sábado, 14 fevereiro “ Hipermercados fazem negócio com nova lei dos sacos de plástico” Domingo, 15 fevereiro “ Estado paga mais para cantinas sociais do que para RSI” Segunda-feira, 16 fevereiro “ Ucrânia: Uma pausa na guerra com um pouco de futebol e muitos nervos” Terça-feira, 17 fevereiro “ Eurogrupo dá quatro dias à Grécia para aceitar extensão do resgate” Quarta-feira, 18 fevereiro “ Grécia pede extensão do empréstimo mas não do programa da troika” Quinta-feira, 19 fevereiro “ Hospitais têm cinco dias para decidir tratamento a doentes com hepatite C” Sexta-feira, 20 fevereiro “ OPA dos espanhóis ao banco BPI gera tensão com Isabel dos Santos” Sábado, 21 fevereiro “ Grécia ganha tempo mas tem de negociar austeridade” Domingo, 22 fevereiro “ Acordo com Eurogrupo “deixa a austeridade para trás”, diz Tsipras” Segunda-feira, 23 fevereiro “ Oito milhões de euros afastam Portugal da Expo Universal de Milão” O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 70 Apêndice 3: Recolha das manchetes do mês de março dos três diários. Terça-feira, 24 fevereiro “ Portugueses nunca emprestaram tanto dinheiro ao Estado ” Quarta-feira, 25 fevereiro “ Politécnicos propõem fim de exames no acesso ao ensino superior” Quinta-feira, 26 fevereiro “ Ex-fumadores podem vir a receber dinheiro gasto para deixar tabaco” Sexta-feira, 27 fevereiro “ Costa defende discurso polémico que levou à saída de fundador do PS” Sábado, 28 fevereiro “ Passos esteve cinco anos sem pagar contribuições à Segurança Social” CORREIO DA MANHÃ Março 2015 Data de Publicação Manchete Domingo, 1 março “Multas das portagens com perdão fiscal” Segunda-feira, 2 março “Militares ganham novo suplemento” Terça-feira, 3 março “Passos escapa a penhoras de 744 milhões” Quarta-feira, 4 março “Ex-PJ espia e gang assalta” Quinta-feira, 5 março “Passos a contas com o fisco” Sexta-feira, 6 março “Salgado suspeito de 30 crimes” Sábado, 7 março “‟Mustafá‟ conta tudo sobre Cristóvão” Domingo, 8 março “Assaltos renderam meio milhão” Segunda-feira, 9 março “Perseguição leva soldado à morte” Terça-feira, 10 março “Novo banco paga 13 milhões à equipa de Salgado” Quarta-feira, 11 março “Banca retém descida de juros” O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 71 Quinta-feira, 12 março “Buscas apuram viagens de Sócrates e amigo” Sexta-feira, 13 março “Chefe das finanças com milhões na Suiça” Sábado, 14 março “Salgado saca 34 milhões em perdões fiscais” Domingo, 15 março “Lista VIP lança caça às bruxas no fisco” Segunda-feira, 16 março “Juiz arrasa justiça de Sócrates” Terça-feira, 17 março “ Crimes praticados durante 11 anos” Quarta-feira, 18 março “Relação confirma indícios de crime” Quinta-feira, 19 março “Políticos e banqueiros na lista VIP” Sexta-feira, 20 março “ “Manipulador e pouco sério “ ” Sábado, 21 março “Sócrates ameaça INEM por 4 milhões” Domingo, 22 março “ „Gato‟ entalado com 150 mil € no BES” Segunda-feira, 23 março “Disparam queixas contra o fisco” Terça-feira, 24 março “ Costa sabia do BES 1 ano antes da queda” Quarta-feira, 25 março “ Tragédia no céu da Europa” Quinta-feira, 26 março “ CM revela escutas de Sócrates” Sexta-feira, 27 março “ Milhões do futebol nas contas secretas” Sábado, 28 março “ Mulher de Araújo avança 229 mil €” Domingo, 29 março “Professores perdem tempo de serviço” Segunda-feira, 30 março “ Queiroz perde 700 mil € numa noite” Terça-feira, 31 março “ Futebolista alvo de chantagem sexual” O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 72 JORNAL DE NOTÍCIAS Março 2015 Data de Publicação Manchete Domingo, 1 março “ Sem tempo para perder” Segunda-feira, 2 março “ FC Porto 3-0 Sporting: TelloTelloTello” Terça-feira, 3 março “ Governo corta 9500 lugares de professores” OUTR Quarta-feira, 4 março “ Ex-vice do Sporting indicava alvos para assaltos” Quinta-feira, 5 março “ INEM atrasa socorro a doente grave para fazer de táxi a enfermeira” Sexta-feira, 6 março “ Rede rouba carros de luxo para vender no estrangeiro” Sábado, 7 março “ Gasolina aumenta há sete semanas” Domingo, 8 março “ Pedófilos aliciam crianças de 8 anos através de telemóvel” Segunda-feira, 9 março “ Fim da cláusula do IMI traz aumentos de 500%” Terça-feira, 10 março “ Luta contra tráfico salva menina de ser vendida pelo pai” Quarta-feira, 11 março “FC Porto 4-0 Basileia: quatro para os quartos” Quinta-feira, 12 março “ Jiadista português morto em combate” Sexta-feira, 13 março “ Polícia decide quem vê lista de pedófilos” Sábado, 14 março “ Empresas distribuem lucros e deixam dívidas por pagar” Domingo, 15 março “ Facebook ajuda a recuperar centenas de carros roubados” Segunda-feira, 16 março “ Santa Casa denuncia compra de prémios para lavar dinheiro” Terça-feira, 17 março “ Há 200 portugueses a dever mais de um milhão ao Fisco” Quarta-feira, 18 março “ Salgado acusado de arruinar banco clientes e investidores” Quinta-feira, 19 março “ Secretário de Estado conhecia lista VIP” Sexta-feira, 20 março “ Presidente do INEM usa helicóptero para transportar amiga” O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 79 Anexo B Pressekodex 66 : “A imprensa dispensa a representação inadequada sensacionalista de violência, brutalidade e sofrimento.” Diretriz 11.1Representação indequada “O sensacionalismo inadequado é uma representação degradada do relato humano. Este é particularmente o caso quando ele é relatado sobre a morte, física ou psiquicamente.” “A colocação de representações pictóricas de violência e acidentes nas primeiras páginas da imprensa pode considerar possíveis efeitos sobre as crianças e adolescentes.” Diretriz 11.3 – Os acidentes e catástrofes “A cobertura de desastres e catástrofes encontra o seu limite no respeito pelo sofrimento das vítimas e os sentimentos dos parentes.” 66 Disponível em http://www.presserat.de/pressekodex/pressekodex/ O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 80 Anexo C. Manchete do Público, 8 janeiro. Fonte: Arquivo do site „ O Leme‟ disponível em http://www.leme.pt/ O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 81 Anexo D. Manchete do Público, 9 janeiro. Fonte: Arquivo do site „ O Leme‟ disponível em http://www.leme.pt/ O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 82 Anexo E. Manchete do Público, 12 janeiro. Fonte: Arquivo do site „ O Leme‟ disponível em http://www.leme.pt/ O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 83 Anexo F. Manchete do Correio da Manhã, 16 janeiro. Fonte: Arquivo do site „ O Leme‟ disponível em http://www.leme.pt/ O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 84 Anexo G. Manchete do Correio da Manhã, 18 fevereiro. Fonte: Arquivo do site „ O Leme‟ disponível em http://www.leme.pt/ O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 85 Anexo H. Manchete do Correio da Manhã, 21 de março. Fonte: Arquivo do site „ O Leme‟ disponível em http://www.leme.pt/ O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 86 Anexo I. Montagem das manchetes dos três diários, 8 janeiro (CM, Público e JN). Fonte: Produção própria a partir do arquivo do site „ O Leme‟ disponível em http://www.leme.pt/ O Sensacionalismo na Imprensa em Portugal – Cátia Dias 87 Anexo J: Manchete do Público, 28 março. Fonte: Arquivo do site „ O Leme‟ disponível em http://www.leme.pt/