Editorial
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5 Este número da revista Educação, Sociedade & Culturas apresenta um caderno temático que se constrói com vários artigos a propósito da investigação em educação no Brasil. Aproveita-se, com este dossier, para assinalar a colaboração, muitas vezes estreita, entre centros de pesquisa e cursos de formação dos dois países, agora mais firmada através do Programa Doutoral em Ciências da Educação da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP) – a que o Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE) está organicamente ligado – com a Universidade Estadual do Rio de Janeiro(UERJ). Com este número, pretende-se prosseguir com objectivos da Revista, que são, entre outros, a disseminação da produção científica da pesquisa realizada em contextos internacionais diversos, tendo também em mente que, com os processos de globalização, teremos de pensar crescentemente num público mais alargado, situado em diferentes pontos do mundo, e de perceber como muitos dos processos que os seres humanos vão percorrendo lançam questionamentos geradores de novas produções científicas, de muito relevo para as ciências da educação. Odossier inicia-se com o texto, que se constituirá certamente numa referência, de Alice Casimiro Lopes, intitulado «Teorias pós-críticas, política e currículo», que, de alguma forma, partindo de distinções conceptuais que se denominam de pós-estruturais, pós-coloniais, pós- -modernas, pós-marxistas, procura, com base na teoria do discurso, contra-argumentar relativamente a perspetivas que veem na contemporaneidade apenas posições de despolitização. Acontribuição seguinte – «Formação superior em saúde e demandas educacionais atuais», da autoria de Viviane Laudelino Lopes, Carlinda Leite e Ana Maria Cervato-Mancuso – discute a formação superior de nutricionistas na complexidade de articulação entreconteúdos teóricos e odesenvolvimento de saberes práticos para uma atuação profissional como formação e forma de influência no campo das políticas públicas que promovam o direito humano a uma alimentação adequada. Também a formação superior é focada no estudo de Leila Cury Tardivo, EDITORIAL
6 Rodrigo Jorge Salles e Luiz Gabriel Filho, intitulado «Uma proposta de formação do psicólogo em saúde mental: ensino, pesquisa e intervenção», através de sentidos e significados atribuídos àvivência do estágio e sua importância na formação dos/as futuros/as profissionais e da formação académica para docência e pesquisa dos/as profissionais que acompanham o estágio. Com relação à educação de jovens (mas também de adultos), no artigo de Suely F. C. Lemos, Solange G. Costa e Rita C. P. Lima, intitulado «Representações sociais: aplicabilidade nos estudos sobre a educação de jovens e adultos», propõe-se o estudo das representações sociais na sua articulação entre dimensões social e psicológica como contributo para formas de mudança da realidade socioeducacional, concorrendo para uma maior concretização do direito à educação, à participação e à vida social. Oartigo de Érica C. Zanardi e Teodoro C. Zanardi – «Integração e acolhimento: uma perspectiva freireana para a questão do Outro» – analisa o projeto de integração das diferenças nos países europeus, diferenças que são vividas na escola e que são frequentemente percorridas entre tensões. Paulo Freire é aqui um referencial no intuito, como dizem os autores, «de estabelecer princípios para um processo de integração que seja transformador tanto do Outro como do Eu, com a superação do projeto civilizatório eurocêntrico». Na seção Outros Artigos,incluem-se ainda três artigos. Um deles, o de Isaura Reis – «Governança e regulação da educação: perspetivas e conceitos» –, argumenta que os dois conceitos «governança» e «regulação», ainda que distintos, são relevantes na análise de sistemas sociais e na compreensão das políticas educativas atuais. Os dois artigos que se seguem têm alguma dimensão comum, já que ambos se debruçam sobrejovens da classe trabalhadora, sexualidade e masculinidade: o de Andrea Thompson debruça-se sobre as reconfigurações da sexualidade operadas por conteúdos curriculares específicos, ensinados em escolas da África do Sul; o outro, de Manuela Carrito, aborda a construção da masculinidade em jovens portugueses nos seus percursos escolares e educativos. OArquivo é constituído por um texto bem marcante da autoria de Luiza Cortesão, com título fascinante – «Guliver entregigantes: na tensão entre estrutura e agência, que significados para a educação?» –, aproveitando aqui a direção da Revista para agradecer à autora, a Boaventura de Sousa Santos e às Edições Afrontamento a sua cedência para republicação. Adireção da Revista agradece ainda todos os contributos e todo o trabalho de revisão, como forma de garantir a qualidade da revista Educação, Sociedade & Culturas epara um aprofundamento da pesquisa e debate em educação. Helena C. Araújo