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A motivação na aprendizagem de línguas estrangeiras - em que medida pode a utilização do audiovisual aumentar a motivação dos alunos?

Ana Maria Martins Rocha Ferreira

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Departamento de Estudos Germanísticos e Departamento de Estudos Anglo-americanos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto A MOTIVAÇÃO NA APRENDIZAGEM DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS EM QUE MEDIDA PODE A UTILIZAÇÃO DO AUDIOVISUAL AUMENTAR A MOTIVAÇÃO DOS ALUNOS? Ana Maria Martins Rocha Ferreira Professor Orientador: Nuno Ribeiro 2011 Departamento de Estudos Germanísticos e Departamento de Estudos Anglo-americanos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto A MOTIVAÇÃO NA APRENDIZAGEM DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS EM QUE MEDIDA PODE A UTILIZAÇÃO DO AUDIOVISUAL AUMENTAR A MOTIVAÇÃO DOS ALUNOS? Ana Maria Martins Rocha Ferreira Licenciada em Línguas, Literaturas e Culturas Variante: Inglês e Alemão Relatório Apresentado para a Obtenção do Grau de Mestre em Ensino do Inglês e do Alemão no Ensino Básico Professor Orientador: Prof. Doutor Nuno Ribeiro Professoras Co-Orientadoras: Dra. Maria Ellison e Dra. Simone Tomé Orientadoras de Estágio: Dra. Maria Emília Gonçalves e Dra. Júlia Miranda 2011 i RESUMO Com a multiplicação e uso crescente das novas tecnologias já não faz mais sentido ensinar uma Língua Estrangeira recorrendo a um manual ou a fichas de trabalho. É, de todo, importante que se recorra às tecnologias, neste caso às audiovisuais de maneira a motivar os aprendizes. Torna-se assim definitivamente necessária a aplicação de novos métodos de ensino-aprendizagem na sala de aula, que serão benéficos não só para o professor mas também para os seus alunos. No decorrer do ano lectivo 2010/2011 tive a oportunidade de utilizar o meio audiovisual, mais concretamente o vídeo autêntico, com o objectivo de analisar se os níveis de motivação dos alunos para a aprendizagem das duas línguas (Inglês e Alemão) aumentavam aquando a visualização dos mesmos. Apesar de a aplicação do meu Projecto ter seguido caminhos diferentes em ambas as Línguas Estrangeiras o resultado que procurei obter foi o mesmo: Em que medida pode a utilização do audiovisual aumentar a motivação dos alunos na aprendizagem de Línguas Estrangeiras? Por um lado, ao utilizar dois filmes na íntegra tentei analisar o impacto que estes têm na transmissão de aspectos sociais, culturais, geográficos, históricos e políticos e no consequente aumento dos níveis de motivação para a aprendizagem do Alemão. Por outro lado, ao recorrer à passagem de pequenos vídeos procurei observar as consequências que estes provocaram aquando da introdução, revisão, prática e consolidação não só de itens gramaticais como também lexicais e, claro, os respectivos níveis de motivação na aprendizagem do Inglês. Apesar de o tempo ter sido limitado e do contexto ter sido muito específico, pretendo expor de forma qualitativa os resultados obtidos nas duas turmas e enaltecer a importância e a versatilidade da utilização do audiovisual para a ensino-aprendizagem de Línguas Estrangeiras. Palavras-chave: Tecnologia Audiovisual, Vídeos Autênticos, Motivação ii Abstract Due to the proliferation of new technologies it’s important to use other resources besides coursebooks and worksheets as far as the teaching and learning process of foreign languages is concerned. Therefore, it’s important to use audiovisual technologies in order to motivate learners. It is definitively necessary to apply inside classroom new teaching methods that will be beneficial not only for teachers but also for their learners. Alongside the school year 2010/2001 I had the chance to implement the audiovisual technology, more specifically authentic video, with the aim of analysing the students’ levels of motivation towards the learning process of foreign language, which involved two foreign languages: English and German. Although the implementation of this Project has followed two different paths in both languages, the result I tried to get was the same: To what extent can the use of audiovisual increase students’ motivation in the process of learning foreign languages? On one hand, I tried to analyze what the impact of watching a film in full can cause in order to convey a social, cultural, geographic, historical and political meaning and its subsequent increase of students’ levels of motivation towards learning German. On the other hand, I tried to observe the consequences of using short videos extracts in order to introduce, revise, practise and consolidate not only grammar but also lexical areas which allowed me to observe the students’ level of motivation. In spite of being conditioned by lack of time and by the specific context, I intend to explain in a qualitative way the results I got from these two classes and also to enhance the importance and versatility of using audiovisual as far as teaching and learning foreign languages is concerned. Keywords: Audiovisual Technology, Authentic videos, Motivation iii AGRADECIMENTOS Começo por agradecer à minha família por todo o amor, apoio, paciência e carinho que me deram neste ano tão difícil. Obrigada Mãe e Pai por me terem dado tudo o que esteve ao vosso alcance e por me terem proporcionado este sonho. Agradeço, também, ao Ricardo por me ter apoiado incondicionalmente. Quero também agradecer às minhas orientadoras de Estágio, Dra. Júlia Miranda e Dra. Maria Emília Gonçalves. Quero deixar, em especial, um profundo agradecimento à Dra. Júlia Miranda por todo o apoio e alento que me deu perante uma turma tão complicada. Tenho de agradecer também aos meus dois colegas de estágio, João Santos e Vânia Azevedo. Em conjunto, conseguimos sempre encontrar as melhores soluções para os problemas que iam surgindo, encarando as situações menos boas como algo que era importante e inerente ao nosso processo de aprendizagem. Concluo os meus agradecimentos com referência ao meu Orientador do Relatório, o Professor Doutor Nuno Ribeiro, que se disponibilizou sempre a ajudar-me, e às minhas duas Supervisoras de Estágio, Dra. Maria Ellison e Dra. Simone Tomé, por me terem guiado, aconselhado e apoiado neste percurso tão difícil. iv Aos meus pais e ao Ricardo 1 ÍNDICE Introdução .................................................................................................................................... 4 Capítulo 1: Contextualização do Projecto de Investigação-Acção .......................................... 8 1.1. A Escola Secundária de Ermesinde ............................................................................... 8 1.2. O Núcleo de Estágio ...................................................................................................... 9 1.3. As turmas envolvidas no Projecto ............................................................................... 10 1.3.1. O perfil da turma de Alemão ............................................................................... 10 1.3.2. O perfil da turma de Inglês .................................................................................. 11 Capítulo 2: O Projecto de Investigação-Acção ....................................................................... 12 2.1. Processo de escolha do tema ....................................................................................... 12 2.2. A escolha do tema do Projecto de Investigação-Acção............................................... 15 Capítulo 3: O Professor e o Audiovisual como Agentes de Motivação ................................. 16 3.1. Que papel desempenha a motivação na aprendizagem de uma Língua Estrangeira? . 16 3.2. Como deve o professor motivar os seus alunos para a aprendizagem de Línguas Estrangeiras? ........................................................................................................................... 17 3.2.1. Até que ponto estão os alunos intrínseca e extrinsecamente motivados para a aprendizagem de uma Língua Estrangeira? ......................................................................... 18 3.2.2. Para quê aprender uma Língua Estrangeira? ....................................................... 20 3.3. A evolução da utilização do audiovisual no ensino..................................................... 21 Capítulo 4: Métodos de Recolha de Dados .............................................................................. 23 4.1. A recolha de dados Primeiro e Segundo Ciclos .......................................................... 23 4.1.1. Grelha de observação elaborada para o Primeiro Ciclo na turma de Alemão. .... 23 4.1.2. Questionário aplicado na turma de Alemão após conclusão do Primeiro Ciclo. 24 4.1.3. Grelhas de observação elaboradas para o Primeiro Ciclo na turma de Inglês. .... 24 4.2. A Recolha de dados no Segundo Ciclo ....................................................................... 26 4.2.1. Grelha de observação elaborada para o Segundo Ciclo na turma de Alemão. .... 26 4.2.2. Questionário aplicado na turma de Alemão após conclusão do Segundo Ciclo. 26 2 4.2.3. Grelhas de observação elaboradas para o Segundo Ciclo na turma de Inglês. .... 27 4.2.4. Questionário aplicado na turma de Inglês após conclusão do Segundo Ciclo. ... 28 Capítulo 5: A Aplicação do Projecto de Investigação-Acção ................................................ 29 5.1. A fase de planeamento ................................................................................................ 29 5.2. As vantagens da utilização do audiovisual na aprendizagem de Línguas Estrangeiras 30 5.3. Descrição do Primeiro Ciclo de Experimentação ........................................................ 31 5.3.1. O Primeiro Ciclo na turma de Alemão: Im Juli ................................................... 31 5.3.2. O Primeiro Ciclo na turma de Inglês: Goodnight Mr.Bean & Mr. Bean Painted his House 34 5.4. A Descrição do Segundo Ciclo ................................................................................... 37 5.4.1. O Segundo Ciclo na Turma de Alemão: Good Bye, Lenin! ................................ 37 5.4.2. O Segundo Ciclo na Turma de Inglês: Mom, Dad, I’m Scared (Bullying Commercial) & Confessions of a Shopaholic ..................................................................... 38 Capítulo 6: Análise e Interpretação dos Dados Obtidos ........................................................ 42 6.1. O Primeiro Ciclo ......................................................................................................... 42 6.1.1. Análise da grelha de observação de Alemão (Primeiro Ciclo): Im Juli .............. 42 6.1.2. Análise dos resultados obtidos no questionário aplicado na turma de Alemão após conclusão do Primeiro Ciclo ....................................................................................... 44 6.1.3. Análise das grelhas de observação de Inglês (Primeiro Ciclo): Goodnight Mr. Bean & Mr. Bean Painted his House .................................................................................. 47 6.1.4. Análise dos resultados obtidos no questionário aplicado na turma de Inglês após conclusão do Primeiro Ciclo ............................................................................................... 48 6.2. O Segundo Ciclo ......................................................................................................... 50 6.2.1. Análise das grelhas de observação de Alemão (Segundo Ciclo): Good Bye, Lenin! 50 6.2.2. Análise dos resultados obtidos no questionário aplicado na turma de Alemão após conclusão do Segundo Ciclo ....................................................................................... 51 6.2.3. Análise das grelhas de observação de Inglês (Segundo Ciclo): Mom, Dad, I’m scared!Bullyng Commercial ................................................................................................ 53 3 6.2.4. Análise dos resultados obtidos no questionário aplicado na turma de Inglês após conclusão do Segundo Ciclo ............................................................................................... 55 Capítulo 7 – Conclusão ............................................................................................................. 56 Referências Bibliográficas ........................................................................................................ 59 Anexos ........................................................................................................................................ 62 Apêndices ................................................................................................................................... 62 10 1.3. As turmas envolvidas no Projecto 1.3.1. O perfil da turma de Alemão Como já mencionei anteriormente, quando procedi à Iniciação da Prática Profissional não tive opção em relação à escola em que ela se iria inserir, mas a escolha das turmas, nas quais iria aplicar o meu projecto, era também muito limitada. A turma de Alemão teria de ser a de décimo ano (10º G), uma vez que se tratava de uma turma de iniciação, e a de Inglês teria de ser a de sétimo ano (7ºD), pois era a única turma que tinha na parte de Inglês. A turma de Alemão foi sem dúvida uma turma muito peculiar e, por isso, muito marcante. No que respeita ao ensino desta Língua Estrangeira em concreto, penso que não é, de todo, comum encontrar este tipo de alunos. A turma era composta por dezasseis alunos (oito rapazes e oito raparigas) com idades compreendidas entre os catorze e os dezoito anos. Desde o início do ano lectivo que tanto eu como também a minha orientadora de estágio e os meus dois colegas do núcleo reparámos que algo de anormal se passava com aquela turma. Convém mencionar que cerca de metade da turma já andava a repetir o décimo ano de escolaridade pela segunda e, em alguns casos, pela terceira vez. Ou seja, como não tinham tido sucesso nem gostado de outras áreas, e para se desviarem de certas e determinadas disciplinas, viram no curso de Línguas e Humanidades a possibilidade de realizarem o Ensino Secundário com uma certa facilidade. Porém, tal não aconteceu, e porquê? Porque os alunos desta turma queriam fazer as coisas com um certo facilitismo, não havendo por parte de deles qualquer empenho no trabalho sistemático tanto dentro como fora do contexto de sala de aula. Através da observação directa fui verificando que estes alunos, para além da sua falta de interesse e empenho na aprendizagem do Alemão, eram alunos que não tinham qualquer tipo de responsabilidade em certos aspectos básicos, como a assiduidade e pontualidade. Durante as aulas havia sempre conversas paralelas, o que se tornava extremamente desgastante, pois era necessário interromper as aulas para chamar a atenção dos alunos. Estes aspectos que acabei de mencionar vão contra aquilo que está estipulado no Regulamento Interno desta escola, nomeadamente no que diz respeito aos deveres dos alunos, de que passo a citar os mais relevantes: O aluno tem o dever de (…) estudar e empenhar-se na sua educação e formação integral; ser assíduo, pontual e 11 cumpridor de todas as actividades escolares (…) e acatar as orientações dos professores no seu processo de ensino (ver Anexos: Regulamento Interno, 2009: 45). Convém salientar que a média final desta turma não ultrapassou os doze valores, o que para um nível de iniciação é um número baixo. 1.3.2. O perfil da turma de Inglês A turma de Inglês envolvida no projecto, o 7ºD, encontrava-se no nível três de aprendizagem desta Língua Estrangeira. Era constituída por vinte alunos sendo que doze eram rapazes e oito eram raparigas. As idades variavam entre os onze e os treze anos. Esta turma também era um pouco peculiar pois a maioria (dezasseis alunos) provinha de um colégio privado localizado também ele na zona de Ermesinde. Eram alunos que estavam habituados a um meio mais pequeno e mais protegido. Após algum tempo de habituação nesta escola notou-se que houve uma mudança no seu comportamento, isto é, os alunos começaram a reagir ao crescimento rápido imposto pelo meio em que estavam inseridos, o que se traduziu não só num comportamento mais irrequieto dentro da sala de aula como também numa maior falta de concentração. Estes alunos eram caracterizados pela sua pouca autonomia na aprendizagem do Inglês, dado que recorriam frequentemente à ajuda do professor e demonstravam também grandes falhas no que diz respeito aos conhecimentos tanto linguísticos como gramaticais da Língua Inglesa, o que pode ser traduzido na média de classificação final desta turma que foi de três valores. 12 CAPÍTULO 2: O PROJECTO DE INVESTIGAÇÃO-ACÇÃO 2.1. Processo de escolha do tema Em Setembro, quando comecei a observar as aulas leccionadas pelas minhas orientadoras, a turma de Alemão foi a que mais rápido sobressaiu (pelo sentido negativo), e logo se pôde perceber que iria ser bastante difícil lidar com aqueles alunos, que estavam a ter Alemão pela primeira vez. Contrariamente, a turma de Inglês era mais calma, serena, e até mais bondosa. Como já fui descrevendo aquando da caracterização das turmas, a turma de Inglês tinha estes traços talvez por estarem numa escola nova e totalmente diferente daquela a que estavam habituados, o que causava uma certa estranheza e também alguma timidez retratada no rosto dos alunos. Daí as aulas da minha orientadora decorrerem sem sobressaltos. Dada a discrepância de comportamentos e atitudes entre as duas turmas, a escolha do meu tema tornou-se muito complicada. Eu sentia que tinha de fazer algo pela turma de Alemão mas também não podia prejudicar a turma de Inglês. Assim sendo, o que fui fazendo na turma de Alemão desde Setembro até Dezembro foi tentar encontrar uma forma de conquistar aqueles alunos mas nunca relegando para segundo plano a minha presença dentro da sala de aula. Embora fosse uma professora estagiária tinha de ser respeitada como tal sempre que estivesse à frente daquela turma. Por isso, achei que deveria optar por uma postura rígida, não só aquando do meu primeiro contacto com eles, ou seja, na minha aula zero, como também no meu primeiro bloco de regências. Confesso que não resultou. Os alunos continuavam com o mesmo comportamento e atitudes. Por outras palavras, quando eram os professoresestagiários a leccionar as aulas de Alemão os alunos eram capazes de chegar à sala de aula dez, vinte ou até mesmo trinta minutos mais tarde, mesmo nos dias em que a supervisora de estágio, a Dra. Simone Tomé, estava lá para assistir às nossas aulas. A par desta falta de respeito pela figura do professor estavam outras faltas de que são exemplos a falta de estudo regular, a falta de participação nas aulas, a falta de interesse pela Língua e Cultura Alemãs. Eu sentia que estes alunos estavam completamente alheios do processo de aprendizagem desta nova Língua Estrangeira. Paralelamente, na turma de Inglês ia confirmando aquilo que constatei logo no início do ano lectivo. Porém, grande parte destes alunos estava a revelar-se, ou seja, deixou de ser tão tranquila e passou a estar mais irrequieta, conversadora e distraída 13 dentro da sala de aula, mas quando estabeleci o primeiro contacto directo com a turma decorreu tudo dentro da normalidade, sem que houvesse qualquer tipo de conflitos ou malícias por parte dos alunos. Durante o mês de Dezembro houve um período de reflexão, pois a minha preocupação era fazer com que os alunos de Alemão se interessassem pela Língua e Cultura Alemãs mas também não podia esquecer-me da turma do sétimo ano, que estava cada vez mais irrequieta e desatenta. Assim sendo, após uma reunião que tive com as minhas supervisoras, achei que como professora-estagiária nada podia fazer em relação ao comportamento e à falta de educação (pois não passo de uma professora-estagiária). Não sou psicóloga nem encarregada de educação dos alunos, por isso não poderia entrar por esses campos dado que só iria com isso sentir-me ainda mais frustrada e infeliz. Ao analisar o trabalho realizado por ambas as turmas durante o Primeiro Período observei que todos os alunos tinham descido as notas dos testes. Entre Setembro e Dezembro tanto uma turma como a outra realizaram dois testes formativos e ambas as turmas sofreram as mesmas alterações nos resultados, ou seja, tanto os alunos de Alemão como os de Inglês desceram nos segundos testes. Então a minha ideia inicial para contornar este problema (em termos gerais) seria formar grupos dentro da turma e criar um género de competição entre eles. Cada grupo iria trabalhar em conjunto durante o Segundo e o Terceiro Períodos e ao fim de cada trabalho de casa realizado ou qualquer projecto feito por eles iriam receber pontos. O resultado dos testes era depois calculado dentro do grupo; fazia-se a média e o resultado era adicionado aos pontos que cada grupo já tinha acumulado até então. No primeiro dia de aulas do Segundo Período, dia 4 de Janeiro, desloquei-me à escola para conversar com os alunos de Alemão e para lhes entregar um questionário com o intuito de saber o que tinha corrido mal durante as fases de preparação e de realização dos dois testes. Dirigi-me aos alunos dizendo-lhes que, como estávamos a iniciar um ano novo, iríamos iniciar também uma fase nova na aprendizagem do Alemão. Disse-lhes também que acreditava neles e que achava que podiam fazer muito melhor. Uma vez que estavam a iniciar uma Língua Estrangeira, havia fortes probabilidades de subirem consideravelmente os resultados dos seus testes, bastava que se aplicassem e que estudassem regularmente para a disciplina. Estive cerca de dez minutos a falar com eles e assim que as palavras saiam da minha boca senti que eles não estavam, de todo, receptivos ao que estava a transmitir-lhes, existindo num silêncio absoluto e a vontade que tinha em estabelecer um diálogo aberto e amigável com estes 14 alunos rapidamente se transformou num monólogo. Pensei que eles iriam colocar questões ou então que iriam querer negociar comigo novas estratégias para melhorarmos em conjunto o interesse e gosto pelo estudo da língua alemã. Mas, infelizmente, tal não se verificou. Após a minha intervenção, entreguei a todos os elementos da turma um questionário com o qual pretendia analisar os hábitos e a regularidade de estudo assim como ver o que havia corrido mal durante a fase de preparação e de execução dos dois testes formativos. Houve três perguntas de resposta aberta que foram fulcrais para este meu Projecto de Investigação-Acção. Ou seja, com este questionário fiquei também a saber se os alunos se sentiam motivados para Alemão e porquê; a razão pela qual haviam escolhido esta Língua Estrangeira e, no final, o que achavam que poderia ser feito nas aulas de Alemão de forma a melhorar o resultado dos testes. Foi então esta última questão que deu origem ao meu Relatório. Ao analisar melhor os questionários notei que a maioria da turma achava que ver filmes era o caminho ideal para alcançar o sucesso nos testes de Alemão. Mais à frente irei analisar mais pormenorizadamente estas três questões (ver Apêndice I: Questionário Geral). Assim, como os alunos ainda não tinham conhecimento do projecto que estava a delinear e como também os ataques por parte destes alunos aos professores-estagiários se intensificaram decidi agradar ao máximo a vontade dos discentes. Outro aspecto que pesou bastante na minha decisão foi a falta ou a escassez de tempo que iria ter, pois acredito que este tipo de competitividade iria ser saudável mas para isso era necessário estar com a turma desde o início até ao final do ano lectivo. A partir desta altura a minha postura foi também mais neutra, procurando não favorecer alarmismos ou conflitos. Desta forma, decidi adaptar as respostas dos alunos às necessidades da realidade de contexto da sala de aula, julgando residir a solução no visionamento de filmes de maneira a tornar-se a aprendizagem do Alemão mais motivadora. O mesmo questionário foi submetido à turma de Inglês e, apesar de os alunos do sétimo ano não terem apontado o vídeo como uma das soluções, resolvi também usar o elemento audiovisual mas com outros objectivos, o que explicarei no capítulo seguinte. 15 2.2. A escolha do tema do Projecto de Investigação-Acção A escolha do meu tema foi um pouco conturbada uma vez que tive de percorrer um longo caminho até ir ao encontro das vontades e desejos dos alunos. Porém, tive de me centrar mais na turma de Alemão, pois era esta a turma que apresentava mais problemas. Assim, tive de partir desta turma para o meu projecto adaptando a turma de Inglês a essa referência. O objectivo do meu trabalho é o mesmo: procurar aumentar os níveis de motivação em ambas as turmas recorrendo à utilização do audiovisual. Desta forma, tanto na turma de Alemão como na de Inglês procurei aumentar os níveis de motivação recorrendo ao uso de filmes, na primeira língua, e de vídeos (anúncios e trailer), na segunda, de forma a obter alunos mais interessados e empenhados na aprendizagem do Alemão e alunos mais concentrados, participativos mais calmos e autónomos na aprendizagem do Inglês. Deste modo, procuro neste trabalho observar o fenómeno motivação na aprendizagem de Línguas Estrangeiras (Inglês e Alemão) em que recorro ao uso do audiovisual procurando responder assim à questão: “Em que medida pode o meio audiovisual ser usado para aumentar a motivação dos alunos?” 16 CAPÍTULO 3: O PROFESSOR E O AUDIOVISUAL COMO AGENTES DE MOTIVAÇÃO 3.1. Que papel desempenha a motivação na aprendizagem de uma Língua Estrangeira? Todos os professores sonham com alunos motivados. Alunos motivados são alunos que se encontram sempre dispostos a trabalhar arduamente, tentam ligar os seus objectivos àqueles já delineados para a disciplina ou para a sala de aula, se concentram nas tarefas a realizar de maneira a desempenhá-las com sucesso, preservam os desafios, não necessitam de um encorajamento contínuo e podem, ainda, estimular os restantes membros da turma promovendo um espírito de colaboração contínua. Contudo, a motivação que está por trás da aprendizagem de cada aluno pode conhecer ampla variação (Winke, 2005). O fenómeno de motivação é muito complexo visto ser individual, variando, assim, de pessoa para pessoa. O termo provém do latim movere, mover e, em termos simples, pode ser definido como um impulso interno que conduz à acção, havendo, portanto, uma orientação para atingir um determinado objectivo. Na área da Psicologia da Educação, estar motivado é mover-se para fazer algo (Ryan & Deci, 2000: 54). Porém, não cabe só ao aluno estar motivado para ter sucesso na aprendizagem de uma Língua Estrangeira. O papel do professor é crucial no que respeita ao ensino, nomeadamente, no ensino de Línguas Estrangeiras. Por isso mesmo, o professor deve passar aos seus alunos todos os conhecimentos que tem não só a nível linguístico mas também a nível cultural e social da língua que representa. Assim, o professor deve ser criativo de maneira a motivar os seus alunos, pois a motivação é o conceito-chave para ter sucesso na aprendizagem de uma nova língua (Dörnyei, 2001; Ellis, 1994). Por outras palavras, o professor deve usar não só materiais autênticos como também recorrer às novas tecnologias, pois assim conseguirá enriquecer tanto o modo de ensino como o modo de aprendizagem. Com o crescimento e uso crescente das novas tecnologias a linguagem escrita já não é suficiente e, também, já não faz mais sentido ensinar uma língua recorrendo somente à leitura e tradução de textos. É preciso inovar e alargar os horizontes tanto do/a professor/a como dos seus alunos. Pois assim todos se sentirão mais motivados e realizados no que respeita à aprendizagem da Língua Estrangeira. 17 Convém salientar que é difícil aumentar a motivação dos alunos numa ou em duas aulas, pois penso que é preciso pelo menos meio ano lectivo para trabalhar de forma intensiva e contínua com os alunos. É preciso que haja, portanto, um trabalho gradual. Porém, o meu Relatório descreve apenas uma pequena e mínima experimentação realizada nas turmas de Inglês (7ªD) e de Alemão (10º G). 3.2. Como deve o professor motivar os seus alunos para a aprendizagem de Línguas Estrangeiras? A figura e o desempenho do/a professor/a é extremamente importante no que respeita ao ensino de uma Língua Estrangeira. Ele/a deve desenvolver, por isso, estratégias e adoptar meios que tornem o seu ensino eficaz. Quando se ensina uma Língua Estrangeira é crucial que se vá para além da palavra e do texto escritos. É pertinente que se utilize novos métodos e tecnologias de maneira a que os alunos tenham uma percepção maior e melhor da língua que estão a aprender e, também, tornar as aulas mais motivantes e não tão aborrecidas. Assim sendo, Dörnyei descreve três níveis com diferentes estratégias de motivação que um/a professor/a deve ter em atenção aquando da preparação das suas aulas, sendo eles o nível da língua; o nível dos alunos/ aprendizes e, por último, o nível da situação de aprendizagem. Destes três níveis centrei-me com especial ênfase no nível um, o nível da língua, de forma a aumentar os níveis de motivação na aprendizagem de ambas as Línguas Estrangeiras. Zoltán Dörnyei (2002) apela ao/à professor/a a que ofereça aos seus alunos o máximo de possibilidades de recolha de experiências positivas com a cultura da(s) língua(s)-alvo. Segundo Dönryei, o/a professor/a deve passar filmes ou então mostrar os canais de televisão mais importantes desse(s) país(es), canções, convidar nativos ou então promover o contacto dos seus alunos com falantes nativos através da escrita de emails ou de conferências (idem). Outro dos aspectos mencionados por este professor para motivar os alunos e que funcionou paralelamente ao meu Projecto de Investigação-Acção está relacionado com a organização de uma viagem ao país da língua estrangeira que os alunos estão a aprender, proporcionando-lhes assim um contacto próximo não só com os falantes mas também com a sua cultura e com a sociedade. Assim, em Março de 2011 o Núcleo de Estágio (parte de Alemão) organizou uma viagem à capital alemã. Apesar de a viagem ter sido organizada para a turma de décimo ano de Alemão (sendo posteriormente 18 alargada à turma do décimo primeiro ano) com o intuito de tornar estes alunos mais sensíveis não só à língua mas também à sua cultura, sociedade e história alemãs, só participaram dois dos dezasseis alunos. Mais uma vez, pôde concluir-se que estes alunos não estavam de todo motivados para aprofundar os seus conhecimentos nem estabelecer um contacto mais próximo e real com os vários aspectos que envolvem a aprendizagem da língua alemã. Convém referir que a situação monetária da maioria dos alunos não era um entrave a esta viagem, simplesmente eles não tinham interesse nem gosto em conhecer a cidade de Berlim. Quando se organiza uma viagem numa escola é normal que os alunos fiquem entusiasmados, e quando estão a aprender uma Língua Estrangeira é normal que questionem os professores para saberem se vai haver alguma viagem aos países da língua que estão a aprender. Porém, esta turma nunca questionou essa possibilidade e, quando tiveram conhecimento da viagem a Berlim, os alunos não manifestaram qualquer tipo de entusiasmo, melhor, não mostraram qualquer tipo de reacção. Somente dois ou três alunos que provinham de um contexto socioeconómico mais desfavorecido é que se manifestaram. Na parte do Inglês houve também uma viagem, a qual não foi organizada pelos professores-estagiários mas sim pelas professoras do Ensino Secundário, não tendo sido alargada às turmas de Inglês do Terceiro Ciclo. As viagens escolares são de facto uma ajuda à motivação dos alunos. Eles aprendem uma ou mais Línguas Estrangeiras na sua terra natal, o que não se revela, na generalidade, uma experiência que habilite satisfatoriamente os alunos à prática dessas mesmas Línguas Estrangeiras. Porém, as viagens são uma oportunidade para estes sentirem o prazer de lidarem directamente não só com a língua (através da conversa com falantes nativos) mas também com a cultura e sociedade (através de visitas às cidades, monumentos, museus; observar o modo de estar das pessoas desse país). 3.2.1. Até que ponto estão os alunos intrínseca e extrinsecamente motivados para a aprendizagem de uma Língua Estrangeira? Gardner (1985) escreveu que a motivação para aprender uma Língua Estrangeira pode ser descrita como um complexo de construções que envolve não só um esforço e um desejo mas também uma atitude favorável em relação ao processo de aprendizagem da(s) nova(s) língua(s). 19 Como já referi anteriormente, houve três aspectos extremamente pertinentes na turma de Alemão - aquando a minha análise mais detalhada do questionário que entreguei no início do Segundo Período - que foram fulcrais para a minha pequena investigação. O primeiro aspecto relacionava-se com o porquê da escolha da disciplina, o segundo com a motivação para a aprendizagem da disciplina e, por último, o que podia ser feito nas aulas de maneira a aumentar o resultado dos testes. Analisando o porquê da escolha desta disciplina, constatei que a maioria dos alunos escolheu Alemão porque já sabia falar Francês e não queria continuar com a aprendizagem desta língua ou então porque não gostavam, de todo, da língua francesa. Outra das razões mais fortes pelas quais decidiram iniciar o Alemão prendeu-se com o facto de não existir Espanhol como oferta curricular na Escola Secundária de Ermesinde, ou então, como a língua alemã era uma língua de iniciação viram nela a possibilidade de terem bons resultados. Só uma pequena parte da turma (dois alunos) escolheu Alemão por achar que a Alemanha é um país com uma língua e cultura interessantes e porque nutria um gosto e interesse especial por esta disciplina. Curiosamente numa destas respostas pude constatar que a/o aluna/o escolheu Alemão tendo em vista já o seu futuro profissional. Esta questão não foi colocada ao 7ºD uma vez que a disciplina de Inglês é parte integrante do currículo, o que faz com que esta disciplina seja obrigatória. Após ter analisado de perto estas respostas pude ver que a grande maioria da turma escolheu Alemão sem estar intrinsecamente motivada. Isto é, quando falamos em motivação relacionada com a aprendizagem de uma língua estrangeira é importante que se faça uma distinção entre os dois tipos principais de motivação: intrínseca e extrínseca. Desta forma, a motivação intrínseca provém da alegria ou prazer derivada do processo de aprendizagem da(s) nova(s) língua(s), ou seja, é uma característica muito própria e única da vontade interna dos alunos, o que faz com que estes se dediquem a determinada tarefa em prol do seu próprio bem. Os alunos aprendem com alegria de maneira a satisfazer as suas curiosidades ou para experimentar a sensação de felicidade. (Sund & Bimmel, 2002). A motivação extrínseca, por sua vez, pode ser entendida como tudo o que provém do ambiente de aprendizagem, ou seja, o aluno não se preocupa somente com as consequências externas da aprendizagem de uma nova língua (ser capaz de transmitir a sua opinião sobre determinado assunto na Língua Estrangeira, por exemplo) mas preocupa-se também com o facto de ser recompensado (com boas notas) e/ou evitar punições ou castigos (idem). Assim, posso afirmar que o sucesso ou 26 4.2. A Recolha de dados no Segundo Ciclo No Segundo Ciclo voltei a utilizar os mesmos métodos de recolha de dados que utilizei no Primeiro Ciclo: grelhas de observação e questionário, sendo que ambos foram desenvolvidos inteiramente por mim. 4.2.1. Grelha de observação elaborada para o Segundo Ciclo na turma de Alemão. A grelha da observação que elaborei para a aula de Good Bye, Lenin! era formada por três momentos: antes do visionamento (fase de preparação); durante o visionamento (fase de assimilação); após o visionamento (fase de produção). Desta forma, o primeiro momento remetia para a observação da fase de preparação do filme. Ou seja, nesta fase pretendi saber se os alunos tinham sido capazes de cumprir a tarefa pedida na semana anterior que consistia num pequeno trabalho de pesquisa sobre dados que iriam ser relevantes para a compreensão do filme e se possuíam conhecimentos relacionados com a História e Política Alemãs no Período PósSegunda Guerra Mundial até à década de noventa do século XX. De seguida procurei saber se os alunos tinham julgado relevante a informação relativa à pesquisa transmitida em Powerpoint e se se mostraram interessados e participativos. Por último, procurei saber como reagiriam os alunos quando lhes disse que depois de visionarem o filme teriam de realizar duas tarefas. Na segunda fase procurei analisar se os alunos se mostravam atentos e concentrados durante o visionamento do filme e se recolheram informação nos seus cadernos. Por fim, na fase de pós-visionamento e de produção, tentei saber se os alunos se mostraram satisfeitos com o filme; se mostraram que aprenderam algo da História e Política Alemãs e se foram capazes de fazer um resumo do filme ordenado e bem estruturado (ver Apêndice VI: Grelha de Observação Good Bye, Lenin! Segundo Ciclo de Alemão). 4.2.2. Questionário aplicado na turma de Alemão após conclusão do Segundo Ciclo. Após ter realizado todo o trabalho entreguei nos últimos dez minutos da aula um questionário a cada aluno. O objectivo era dar-lhes tempo para pensar e reflectir sobre a aula, ou seja, sobre o impacto que o filme teve na aprendizagem do Alemão. 27 O questionário era relativamente pequeno, pois continha somente três perguntas, sendo que os alunos tinham de responder afirmativa ou negativamente a cada uma delas justificando sempre as suas respostas. Desta forma, a primeira questão estava relacionada com a aprendizagem de aspectos culturais, históricos e políticos através do visionamento do filme Good Bye, Lenin. Ou seja, quis saber se os alunos gostaram ou não de aprender outros aspectos característicos, para além dos aspectos linguísticos, da aprendizagem da língua alemã. Através da segunda questão pretendi verificar se os alunos se sentiam mais motivados para aprender Alemão depois de terem visionado o filme e porquê. Por último, quis saber se estes alunos gostavam de continuar a aprender Alemão vendo filmes e porquê (ver Apêndice VII: Questionário Segundo Ciclo de Alemão). 4.2.3. Grelhas de observação elaboradas para o Segundo Ciclo na turma de Inglês. Dado que o modelo das grelhas de observação usadas durante o Primeiro Ciclo foi eficaz resolvi adoptar os mesmos parâmetros de análise para o Segundo Ciclo. Desta forma, usei a mesma grelha tanto para a primeira como para a segunda aula da experimentação deste ciclo. As grelhas foram, mais uma vez, entregues aos meus dois colegas de estágio, que as preencheram no decorrer das duas aulas de experimentação. A grelha encontrava-se assim dividida em três fases: antes do visionamento; durante o visionamento e após o visionamento. Na primeira fase (antes do visionamento), procurei observar o modo como os alunos reagiam quando souberam que iam ver um vídeo e saber se ficaram entusiasmados ou não. Na segunda fase (durante o visionamento) pretendi verificar se os alunos estiveram atentos ao vídeo; se se mostraram interessados e se foram capazes de dar resposta ao exercício proposto. Por último, na terceira fase (após o visionamento) tentei observar se os alunos conseguiram produzir o que foi proposto e se se apoiaram no vídeo como suporte de ajuda para a realização da tarefa (ver Apêndice VIII: Grelhas de Observação Mom, Dad, I’m Scared. Bullying Commercial & Confessions of a Shopaholic (trailer) - Segundo Ciclo de Inglês). 28 4.2.4. Questionário aplicado na turma de Inglês após conclusão do Segundo Ciclo. Depois de ter feito a experimentação em duas aulas, entreguei na última um questionário para os alunos responderem de forma anónima e confidencial afirmativa ou negativamente a três questões relacionadas como visionamento de vídeos durante a aprendizagem de Inglês, tendo eles sempre a possibilidade de as justificar. Desta forma, os alunos tinham de responder na primeira questão se gostaram de aprender Inglês através do visionamento de vídeos e de seguida justificavam-na. Na questão seguinte os alunos tinham de dizer se se sentiam mais motivados para aprender Inglês através do visionamento de vídeos e porquê. Na última questão, perguntei aos alunos se gostariam de continuar a aprender Inglês através do visionamento de vídeos. Mais uma vez, pedi-lhes que justificassem as suas respostas (ver Apêndice IX: Questionário Segundo Ciclo de Inglês). 29 CAPÍTULO 5: A APLICAÇÃO DO PROJECTO DE INVESTIGAÇÃO-ACÇÃO 5.1. A fase de planeamento Após o longo percurso percorrido para encontrar o tema e consequentemente a escolha da questão para o meu Projecto de Investigação-Acção houve um período dedicado à preparação do Primeiro Ciclo. A primeira parte de minha Investigação-Acção decorreu entre os meses de Fevereiro e de Março, sendo o primeiro mês dedicado às aulas de Inglês e o segundo às aulas de Alemão. Tanto para uma disciplina como para a outra foram utilizadas duas aulas (um bloco de noventa seguindo-se de mais um bloco quarenta cinco minutos para Inglês e dois blocos de noventa minutos cada para Alemão). O objectivo do meu projecto era usar o mesmo meio (audiovisual) mas para atingir diferentes finalidades, ou seja, há um objectivo comum às duas turmas: o aumento dos níveis de Motivação. Porém, para aumentar esses níveis de motivação tive de recorrer a diferentes metodologias, isto é, na turma de Alemão recorri ao visionamento de filmes na íntegra de maneira a lidar com a dimensão social da língua (Programa de Alemão; 2001: 21) mas na turma de Inglês optei por passar pequenos vídeos, não só para introduzir, praticar e consolidar itens gramaticais, mas também para introduzir e rever, consolidar e praticar vocabulário. O recurso às novas tecnologias é deveras pertinente ao bom funcionamento do processo de ensino-aprendizagem, pois como está descrito no Programa de Inglês do 3º Ciclo do Ensino Básico é desejável a utilização de uma gama tão variada quanto possível de recursos, incluindo os que são oferecidos pelas novas tecnologias (Programa de Inglês; 2001: 143). Desta forma, optei por utilizar no caso do Inglês vídeos do Mr. Bean, pois era o ideal para chamar a atenção dos mais novos. Na turma do Alemão, a escolha do filme foi feita no âmbito do festival de cinema que decorreu no início do ano civil no âmbito do Goethe-Institut KINO numa mostra de “Cinema Jovem” com filmes alemães actuais. Esta mostra tinha como alvo o público jovem e era também adequada a classes escolares. Assim sendo, após ter analisado o programa resolvi escolher uma comédia romântica com conteúdo cultural, social, geográfico e demográfico. O Segundo Ciclo da minha Investigação-Acção não se diferenciou muito do Primeiro no que respeita ao uso dos meios. Voltei a utilizar o audiovisual e a aplicação 30 foi a mesma, embora com produções finais diferentes. Na turma de Alemão foi exibido novamente o filme na íntegra (Good Bye, Lenin!) e na turma de Inglês foram utilizados dois pequenos vídeos (um anúncio publicitário: Mom, Da I’m Scared! Bullying Commercial e um trailer do filme Confessions of a Shopaholic). Na turma de Alemão, a escolha do assunto do filme foi feita pelos alunos aquando do preenchimento do inquérito no final do Primeiro Ciclo, e a escolha do vídeo para a turma Inglês estava relacionada com o tópico da unidade que ia ser leccionada. 5.2. As vantagens da utilização do audiovisual na aprendizagem de Línguas Estrangeiras O vídeo é um meio muito mais dinâmico do que um texto estático ou do que uma gravação de som. Aprender uma Língua Estrangeira através do visionamento de filmes ou de vídeos pode mudar as mentalidades de alguns alunos que têm já ideias préconcebidas em relação à forma como esta aprendizagem é feita. Ou seja, eles pensam que esta acontece através da leitura de textos ou então seguindo o manual adoptado pela escola, havendo assim um enfoque especial na forma e não no significado, na correcção e não na comunicação. (King; 2002). Na verdade, e não querendo generalizar os casos, este tipo de ensino-aprendizagem de Línguas Estrangeiras é consagrado na maioria das escolas portuguesas. É deveras importante que se “dê uma lavagem” nestes materiaispadrão de ensino, uma vez que falham a realidade e não providenciam um contexto significativo, acabando por falhar a transmissão de assuntos contemporâneos que são relevantes para a vida destes alunos. O uso do meio audiovisual neste contexto de aprendizagem permite que o professor dê vida à(s) nova(s) língua(s), proporcionando assim aos seus alunos uma experiência diferente e refrescante que possibilita uma quebra na rotina, por vezes enfadonha, de que são exemplos a aprendizagem de vocabulário, a leitura de textos e a repetição oral de vocábulos. Através da transmissão de filmes ou de vídeos na sala da aula o professor e, consequentemente, os seus alunos podem ir mais além, ou seja, favorece-se a transmissão de algo realista, uma dimensão que não é abrangida pelos manuais escolares. Foi também esta uma das minhas preocupações principais. Tanto numa turma como noutra queria proporcionar aos alunos uma quebra nessa rotina, dando-lhes algo de novo e mais estimulante para as suas aulas. Assim, na turma de Alemão ainda fui 31 mais longe e para além da quebra na rotina de aprendizagem, operei também uma quebra no programa desenhado para este ano lectivo. Todos os vídeos utilizados quer na língua alemã quer na língua inglesa são autênticos. Ou seja, entende-se por vídeos autênticos todo o tipo de programas que vemos no cinema, na televisão ou em DVD: filmes, documentários, anúncios, etc. (Sherman, 2003: 1). 5.3. Descrição do Primeiro Ciclo de Experimentação 5.3.1. O Primeiro Ciclo na turma de Alemão: Im Juli O Primeiro Ciclo do meu Projecto de Investigação-Acção aplicado na turma de décimo ano de Alemão ocorreu nos dias catorze e quinze de Março. Como já referi, decidi usar o filme nesta turma para ir ao encontro da vontade dos alunos, o que logo à partida concorreria para que eles se sentissem mais motivados. Com a autorização da minha supervisora e da minha orientadora de estágio, fugi um pouco à planificação convencional das aulas, porque os parâmetros em que estas eram leccionadas contribuía para a desmotivação dos alunos. Basicamente o que eles faziam era: liam um texto e depois faziam exercícios de compreensão. De seguida resolviam exercícios gramaticais e, por fim, produziam algo de acordo com a temática abordada no início e no decorrer da aula. Desta forma, senti uma necessidade de fazer algo completamente diferente. Escolhi o filme Im Juli por ser um filme autêntico, próprio para um público jovem, engraçado e, sobretudo, por retratar uma cidade alemã (Hamburgo) que no fundo retrata o panorama das maiores cidades da Alemanha que se prende com a forte imigração de turcos no país. Apesar de ter utilizado dois blocos de noventa minutos este projecto foi planeado como somente de uma aula se tratasse. Foi em português o que foi abordado, discutido e escrito nestas duas aulas, excepto o filme, que era em alemão. Porém o filme encontrava-se legendado em português. Fiz todo o projecto recorrendo ao português porque, primeiro, como os alunos estão ainda a iniciar a língua, não tinham vocabulário nem estruturas suficientes para expressar os seus conhecimentos e opiniões sobre a realidade alemã e, segundo, não iriam perceber com clareza o conteúdo das aulas e do filme. Daí o meu plano escrito estar também ele redigido em português. Outro dos aspectos que mais pesaram para que as aulas fossem dadas em português prendeu-se com o facto de os alunos terem apontado no inquérito como uma das soluções para o sucesso da aprendizagem desta língua as aulas serem leccionadas em português. Ou 32 seja, o que fiz foi reunir todas as condições para que os alunos se sentissem motivados e interessados não só durante o visionamento do filme mas também durante toda a aula. Passando à parte prática da aplicação do projecto, dividi os dois blocos de noventa minutos, ou seja, cento e oitenta minutos, em três partes. A primeira parte da aula foi dedicada a uma fase de preparação do filme, considero pois esta fase como a fase de Pré-visionamento. Esta parte da aula foi dedicada à apresentação do plano das aulas que iríamos ter à nossa frente durante esses dois dias. De seguida, disse-lhes que íamos ver um filme mas antes disso teríamos de discutir alguns aspectos característicos de dois países. Convém salientar que os alunos não tiveram de se preparar para esta aula, pois não conheciam o título do filme nem o seu conteúdo. De acordo com o que está estipulado nos objectivos gerais no Programa de Alemão - utilizar adequadamente, dentro dos limites possíveis, as novas tecnologias de informação e comunicação na aprendizagem da língua alemã; seleccionar e gerir a informação recolhida através das novas tecnologias (Programa de Alemão, 2001: 7) -, fiz uma apresentação em Powerpoint de alguns aspectos que se encontravam retratados no filme como, por exemplo, aspectos socioculturais; demográficos; geográficos e cinematográficos, tanto do mundo alemão como do mundo turco. Embora esta parte tenha sido expositiva tentei sempre que os alunos não desempenhassem um papel passivo e somente receptivo mas tentei sempre questioná-los e pedi-lhes que transmitissem todas as suas ideias e opiniões sobre o que estava a ser discutido de maneira a torná-los activos e no centro da discussão. Ou seja, por um lado, tentei apelar e, consequentemente, valorizar os seus conhecimentos prévios e, por outro lado, deilhes a oportunidade de adquirirem e desenvolverem novos conhecimentos. Após a parte expositiva da aula, afixei no quadro onze expressões-chave em Alemão (das Schicksal, o destino; die Sonne, o sol; der Mond, a lua; die Liebe, o amor; der Strand, a praia; sich verlieben, apaixonar-se; die Reise, a viagem; die Verkäuferin, a vendedora; der Ring, o anel; die Türkin, a turca; im Juli, em Julho) que seriam pertinentes à compreensão do enredo do filme. Pedi-lhes que olhassem com atenção para o quadro e para, em pequenos grupos, tentassem criar uma história com aquelas palavras. Pedi-lhes, portanto, que tentassem criar a história do filme; que tentassem antecipar o seu conteúdo. Esta parte da aula foi também leccionada em português, porque os alunos não iriam ser capazes de produzir frases oralmente que expressassem as suas antevisões do conteúdo do filme. 33 Após a apresentação oral em português disse aos alunos que iam ter a oportunidade de observar que grupo se tinha conseguido aproximar mais da história do filme. Desta feita, dei início à segunda fase da aula – durante o visionamento. Os alunos viram, então, a comédia romântica Im Juli datada do ano de 2000 realizada por Fatih Akin (um realizador alemão de ascendência turca). Para passar o filme na sala de aula optei por inserir o DVD no computador e por projectá-lo no quadro, o que produziu um efeito muito semelhante à da tela do cinema. Contudo, o estado já muito degradado dos estores não contribuiu para a ausência de reflexos de luz mas penso que permitiu que se visse o filme com as mínimas condições. Im Juli teve a duração de cento e vinte minutos e os alunos viram-no na íntegra sem que houvesse qualquer pausa. Porém, como a aula era de noventa minutos foi necessário continuar a exibição na aula seguinte. Na terceira e última fase da aula (pós-visionamento) pedi aos alunos que me dessem um feedback do filme. Primeiro pedi-lhes que, oralmente e em conjunto, fizessem um resumo do filme e depois se tinham gostado ou não do que viram. Tivemos também aqui oportunidade para identificar o grupo que saiu vencedor com a sua história, o grupo se tinha aproximado mais do enredo do filme. De seguida, fiz perguntas gerais para verificar se os alunos tinham compreendido o filme. Houve ainda tempo para discutir o filme. Coloquei questões de carácter mais específico e pessoal de maneira a que houvesse troca de ideias e de opiniões sobre o haviam visto, como por exemplo: Acreditam no destino?; Acham que vale a pena deixarmo-nos levar pelo destino?; Eram capazes de cometer as loucuras que Daniel e Juli cometeram? Ou seja, o que pretendi nesta fase foi que houvesse uma discussão saudável entre os elementos da turma. Para concluir a aula, pedi aos alunos que, individualmente, escrevessem um pequeno texto no qual expressavam as suas opiniões em relação ao filme; ou então podiam sempre escolher uma parte que tivesse sido marcante para eles, e que a comentassem. Após ter recolhido os textos, entreguei os questionários de maneira a obter de forma anónima e confidencial as opiniões dos alunos sobre o visionamento do filme e, consequentemente, sobre o que aprenderam de novo através deste meio. Neste primeiro ciclo tinha assim como principal objectivo aumentar os níveis de motivação dos alunos através do alargamento do (…) conhecimento do mundo em que estão integrados, do conhecimento sociocultural em relação à(s) comunidades(s) na(s) 34 qual/quais a língua que aprendem é falada (hábitos, condições de vida, relações interpessoais, valores, atitudes, convenções sociais) (Programa de Alemão, 2001: 20) (ver Apêndice X: Aula do Primeiro Ciclo de Alemão). 5.3.2. O Primeiro Ciclo na turma de Inglês: Goodnight Mr.Bean & Mr. Bean Painted his House Apesar de ter usado o mesmo meio – o meio audiovisual – tive de o adaptar às características desta turma. A aplicação do meu Projecto de Investigação-Acção na turma D de Inglês do sétimo ano ocorreu nos dias vinte e dois e vinte e cinco de Fevereiro que corresponderam respectivamente a uma aula de quarenta e cinco e a outra de noventa minutos. Recorri ao uso de vídeos que não excedessem os dez minutos pois, como estava a lidar com pré-adolescentes com idades compreendidas entre os onze e os treze anos, parecia-me mais fácil motivá-los e conseguir mantê-los atentos e concentrados por esse período de tempo do que apresentar um vídeo com mais de cem minutos. Portanto, queria experienciar o poder persuasivo que este tem, (…) um poder que ainda é mais forte quando há uma concentração em pequenas sequências. O olhar é fixado, despertando assim um interesse no significado das palavras. A autenticidade, por si, é persuasiva – há pois uma emoção especial quando se é capaz de perceber e desfrutar o real (Sherman, 2003: 2). Como estes alunos apresentavam imensas dificuldades na aprendizagem do Inglês e como nessa semana iria cobrir dois itens gramaticais, as Preposições de Lugar e de Movimento (Prepositions of Place and Movement) e o Passado de alguns verbos regulares e irregulares (The Past Simple Tense – regular and irregular verbs), resolvi usar o vídeo como meio de revisão e consolidação na primeira aula; como meio de apresentação e prática na segunda. Vi, assim, no vídeo a melhor forma de motivar os alunos mostrando-lhes que podem aprender gramática de uma forma mais apelativa e até divertida do que estarem simplesmente com a cabeça baixa a resolver exercícios nos manuais. A aprendizagem e a sua consequente prática devem ser ajustadas às necessidades do real; do imediato. Os alunos não deviam aprender uma Língua Estrangeira através da resolução de exercícios como se de algo matemático se tratasse. É deveras importante que os alunos quando aprendem uma ou mais línguas vejam alguma utilidade nelas. 35 Assim sendo, utilizei o vídeo autêntico como forma de aprendizagem do Inglês. O vídeo é um recurso maravilhoso para a abertura do mundo da língua inglesa e pode ser usado com um grande prazer e lucro – e com pouco suor (Sherman, 2003: 1). Desta feita, a primeira aula de experimentação foi dedicada à revisão e consolidação das preposições de lugar e de movimento. Como a aula era só de quarenta e cinco minutos o uso do vídeo foi deixado para o final. Primeiro houve uma exposição da matéria seguindo-se a prática oral e um curto exercício de escolha múltipla no qual os alunos tinham de escolher a melhor preposição que se encaixava na frase. Após esta parte resolvi introduzir o vídeo Goodnight Mr. Bean para praticarem e consolidarem o que haviam feito até à altura. Uma vez que o quadro existente na sala de aula era de ardósia, portanto preto, foi necessário afixar uma tela branca no quadro de maneira a que o vídeo fosse projectado nela. A qualidade de visionamento foi aceitável, porque nesse dia não estava sol, caso contrário iria ter dificuldades em controlar os efeitos de luz e/ou de sombra, porque os estores da sala de aula estavam em péssimo estado de conservação. O vídeo durou cerca de sete minutos e foi transmitido directamente de um sítio da internet (youtube). Como os alunos tinham estudado o vocabulário do quarto na aula anterior, aproveitei este vídeo não só para rever as preposições mas também para dar aos alunos uma oportunidade para aplicarem o vocabulário que havia sido aprendido. Esta parte da aula foi dividida em três fases: visionamento um; visionamento dois e pós-visionamento,o que passo já a explicar. No primeiro visionamento pedi aos alunos para prestarem muita atenção ao que iam ver, pois depois do visionamento teriam de nomear os objectos que estavam no quarto do Mr. Bean. Os alunos viram o vídeo e em conjunto foram dando respostas à actividade pedida. No segundo visionamento entreguei-lhes uma ficha de trabalho na qual tinham seis frases soltas sobre o mesmo vídeo e todas elas tinham a preposição de lugar ou de movimento errada. Os alunos tinham então de corrigir as preposições de acordo com o que iam vendo. De seguida deu-se a correcção oral das frases sendo que eu escrevi as soluções no quadro de forma a que os alunos tivessem a prova de que tinham o exercício correcto. Por último, na fase pós-visionamento, tinha planeado pedir aos alunos que construíssem frases orais em que descreviam o quarto do Mr. Bean recorrendo não só ao vocabulário mas também às preposições de lugar e de movimento. 42 CAPÍTULO 6: ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS OBTIDOS 6.1. O Primeiro Ciclo Neste capítulo vou dar especial atenção à análise dos dados recolhidos através dos dois métodos de investigação previamente descritos no Capítulo 4 deste Relatório: grelhas de observação e questionários. Vou também fazer algumas considerações gerais referentes a cada aula dada nestes dois ciclos. Começo, então, por descrever os resultados obtidos na turma de Alemão e de Inglês no Primeiro Ciclo deste Projecto de Investigação-Acção. Como já mencionei, aquando da descrição das turmas envolvidas neste projecto, a turma de Alemão tem contornos muito especiais. Os alunos que dela fazem parte não se sentem de todo motivados para a aprendizagem desta Língua Estrangeira. Então, procurei encontrar um meio para tentar conquistar estes alunos. Como o modelo de aulas leccionadas tanto pela orientadora como pelos professores-estagiários seguia quase sempre os mesmos parâmetros, decidi fazer algo completamente diferente e sair, assim, um pouco da rotina. Depois de ter falado com a minha orientadora, supervisora e colegas e de lhes ter pedido que reajustassem as aulas, uma vez que o meu projecto não iria cobrir directa e unicamente aspectos linguísticos, elaborei um programa alternativo para esta turma. Desta forma, procurei observar se uma aula completamente diferente daquelas a que estes alunos estavam habituados, nomeadamente a passagem de um filme na sala de aula, iria aumentar os seus níveis de motivação para a aprendizagem da língua alemã. O filme Im Juli, uma comédiaromântica de 2001, foi a escolha certa para transmitir outro tipo de conhecimentos para além dos linguísticos, indo desde os sociais e geográficos, passando pelos demográficos e chegando até aos culturais e cinematográficos de dois países: da Alemanha e da Turquia. 6.1.1. Análise da grelha de observação de Alemão (Primeiro Ciclo): Im Juli No dia em fiz a aplicação do projecto apenas metade da turma compareceu na aula, o que alterou consideravelmente os resultados do meu estudo. No início ainda estava com esperanças de que os restantes elementos fossem comparecer mas tal facto não se registou. Ainda fiz um compasso de espera de cerca de vinte minutos mas como 43 tinha tudo planeado ao milímetro para esta aula resolvi avançar. Só quero fazer aqui um pequeno parêntesis para explicar o modo com fiz esse tal compasso de espera. Na semana anterior tínhamos chegado da viagem que organizámos a Berlim e, como só foram duas alunas do 10ºG, resolvi trazer-lhes umas guloseimas em forma de ursinho, visto que os ursinhos (Bären) são um símbolo característico da Alemanha. Então durante esse tempo andei a distribuir uma guloseima por cada aluno. O que quero aqui salientar é que apesar de ter tido a preocupação de mostrar aos alunos que não tiveram a oportunidade de participar na viagem que não foram esquecidos durante a nossa estadia na capital alemã, não houve qualquer manifestação ou palavras de agradecimento por parte deles. Posto isto, decidi então avançar para a primeira parte do projecto. Distribuí as grelhas de observação aos meus dois colegas do núcleo que foram observando as reacções e atitudes dos alunos à medida que a aula ia decorrendo. Assim sendo, a primeira fase da aula foi dedicada à preparação do filme (antes do visionamento). A julgar pelo que os meus dois colegas registaram nas grelhas de observação constatou-se que quando disse aos alunos que iam ver um filme ficaram todos muito entusiasmados e até foram receptivos a um género de aula diferente. Porém, quando lhes disse que antes de passarmos ao visionamento do filme íamos fazer umas breves considerações sobre aspectos que giravam à volta do mesmo já não ficaram tão entusiasmados. Esta reacção aconteceu porque os alunos pensaram automaticamente que iriam sentar-se confortavelmente nas suas cadeiras e bastava assistir ao filme adoptando a atitude observada na aula passada, ou seja, queriam adoptar uma postura somente passiva e receptiva ao invés de se demonstrarem activos e sedentos de adquirir e partilhar conhecimentos. Como o filme retratava aspectos sociais, culturais, demográficos e geográficos característicos da Alemanha e da Turquia resolvi fazer uma pequena apresentação em Powerpoint para retratar de forma sucinta esses aspectos esperando que os alunos fossem contribuir com os seus conhecimentos. Contudo, os alunos demonstraram poucos conhecimentos no que respeita aos aspectos acima descritos sobre a Alemanha e ainda menos sobre a Turquia. Quando questionados, os alunos davam poucas respostas correctas o que revelou uma falta de informação básica. Embora os alunos se tivessem mostrado interessados e colaborantes durante a apresentação feita em Powerpoint, houve, por vezes, participações muito pouco consistentes e muito pouco coerentes. 44 Na segunda fase da aula (durante o visionamento), os meus colegas constataram que uma parte dos alunos parecia seduzida pelo filme. Verificou-se também que alguns alunos estiveram atentos a todo o filme, enquanto que outros evidenciaram momentos de desconcentração, pois conversavam frequentemente. Na fase pós-visionamento, constatou-se que os alunos teceram comentários positivos sobre o filme. Notou-se, portanto, que os alunos gostaram do filme devido ao facto de haver muitas coincidências no desenvolvimento da acção representada. Foi também a primeira vez que todos viram um filme em Alemão e até ficaram um pouco surpreendidos pois, no início, estavam um pouco receosos; mas acabaram por gostar. Por último, os alunos mostraram-se participativos e até foi possível discutir alguns momentos e aspectos do filme. Constatou-se, de igual modo, que os alunos ficaram a saber algo de novo, como por exemplo: ficaram a saber que Istambul e Ancara são cidades turcas, sendo que a última é capital. Tomaram, também, conhecimento de que a Alemanha tem uma elevada taxa de imigração turca. 6.1.2. Análise dos resultados obtidos no questionário aplicado na turma de Alemão após conclusão do Primeiro Ciclo Após a conclusão do meu projecto, entreguei um questionário. Embora tivesse registado uma ausência considerável de alunos na aula anterior, não fiz qualquer distinção e entreguei o questionário a todos os elementos da turma, visto que as duas últimas questões relacionavam-se com sugestões para o Segundo Ciclo. Desta feita, quando questionados se acharam uma boa ideia eu ter utilizado o filme Im Juli na aula de Alemão, todos responderam afirmativamente. Os alunos acharam na sua totalidade que o filme foi motivante alegando que foi uma maneira divertida de aprender um pouco sobre a cultura alemã, o que poderia ajudá-los nas aulas, como afirmaram também, que em qualquer tipo de aula, um filme é sempre motivante. Quando interpelados a justificarem o que aprenderam de novo sobre a vida e cultura alemãs, os alunos não foram muito além nas suas respostas dizendo que é um povo com muitos habitantes da Turquia; que tem um porto muito famoso em Hamburgo; e que o povo é muito amigável e que os imigrantes são uma parte significativa da Alemanha. Uma parte da turma alega ter também aprendido bastante sobre a vida dos alemães. Contudo, não especificam em que medida. Por último, as duas questões que compreendiam uma resposta aberta destinavam-se ao estudo e planeamento do próximo ciclo de investigação. Assim sendo, 45 os alunos teriam de mencionar que temas gostariam de ver retratados nas aulas de Alemão e que meio é que gostariam que eu utilizasse para retratar esses mesmos aspectos. A grande maioria da turma respondeu querer conhecer mais aspectos da cultura e história da Alemanha, sendo que o filme foi novamente o meio mais apontado. 6.1.2.1. Considerações gerais sobre o Primeiro Ciclo na turma de Alemão Como já referi, estes alunos no que respeita a conhecimentos de cultura geral demonstram poucos saberes. Agora, no que respeita às actividades propostas nesta aula em particular, os alunos mostraram-se também pouco generosos no que respeita à discussão do filme. Um dos problemas relacionado com o uso do DVD como ferramenta pedagógica prende-se com o modo como este é usado na esfera privada dos alunos. Em casa, os aprendizes usam o DVD como forma de entretenimento, escape e de relaxação, o que contribui para uma forma passiva de visionamento (Keene, 2006: 223). Daí a postura passiva que os alunos adoptaram assim que souberam que iam ver um filme. Contudo, procurei motivá-los tentando retirar deles os conhecimentos prévios que tinham sobre a Alemanha e a Turquia, nisso não tendo sido bem sucedida uma vez que a cultura geral destes alunos era fraca. Convém salientar que a maioria dos aspectos expostos em relação à Alemanha já havia sido leccionada no início do ano lectivo pela minha orientadora, assim como outros aspectos relacionados com a Turquia, que foram leccionados em anos anteriores, nomeadamente na disciplina de Geografia. Analisando agora a segunda actividade proposta aos alunos (tinham de antecipar o conteúdo do filme através de palavras afixadas no quadro), notei que as histórias por eles criadas não estavam dotadas de muita criatividade mas antes de infantilidade. Nessa aula foram formados três grupos sendo que somente um criou, surpreendentemente, uma história muito parecida com a do filme. No decorrer do trabalho de grupo houve sempre conversas paralelas, gargalhadas e provocações entre os elementos dos grupos, o que me obrigou a intervir frequentemente para chamar os alunos à atenção. Também observei que durante a exposição das histórias não houve qualquer respeito entre grupos, pois quando um grupo estava a contar a sua verão do filme, os outros colegas estavam a tecer comentários, a rirem e a desvalorizarem os trabalhos que eram apresentados. Estes comentários, característicos de um comportamento um pouco infantil, apesar de alguns destes alunos já terem dezoito anos, fizeram-se também ouvir 46 aquando do visionamento do filme. Mais uma vez era recorrente ouvir-se comentários juntamente com risos. Na segunda aula continuámos com o visionamento do filme e confesso que foi um pouco complicado, porque parte dos alunos que estavam em falta no dia anterior apareceram, não tendo, uma vez mais, a totalidade da turma presente nesta aula. Faltavam sensivelmente quinze minutos para acabar o visionamento do filme, o que alterou um pouco o meu plano. Ou seja, assim que comecei a aula tive de pedir aos elementos que estiveram presentes que resumissem o que estivéramos a fazer no dia anterior, o que resultou numa confusão total. Ainda nem sequer vinte e quatro horas haviam passado e os alunos já não se lembravam do que havíamos discutido, e confundiram e baralharam, ainda, momentos do filme. Tentei ajudá-los e guiá-los da melhor forma para não confundirem os colegas que estiveram em falta nem a eles próprios. Seguiu-se, então, o visionamento do filme. Acto contínuo, tentei provocar uma discussão entre os alunos. Contudo, como foi também constatado pelos meus colegas e já descrito aquando da análise da grelha de observação, apenas disseram que o filme foi engraçado, que gostaram das coincidências, que acreditavam no destino e na força de vontade para alcançar um determinado objectivo. Como reparei (e apesar do meu esforço) que os alunos não estavam dispostos a partilhar e a discutir opiniões e pontos de vista em conjunto, optei por passar para o nível seguinte, o da fase de produção. Então, pedi aos alunos que individualmente escrevessem um pequeno texto no qual teriam de redigir as suas opiniões sobre o filme em geral ou então somente sobre um aspecto em particular. Aquando da análise dos textos, vejo que há comentários interessantes ao filme e que foram ao encontro do que era de esperar de alunos com aquele nível de ensino, isto é, os alunos aprenderam, de facto, um pouco da cultura alemã. Contudo, há também textos que não podem ser definidos como tal, pois os alunos limitaram-se a escrever o que mais/menos gostei; terias feito o mesmo?/ achas que o filme foi importante? o que dá para denotar uma certa falta de prática de escrita assim como a incapacidade de produzir um pequeno texto com uma estrutura simples mas lógica e organizada (ver Apêndice IV: Textos dos Alunos). Ao responder à questão do meu projecto: Em que medida pode a utilização do audiovisual aumentar os níveis de motivação dos alunos? e ao fazer a análise do Primeiro Ciclo posso afirmar que os resultados obtidos não foram positivos mas também penso que não houve um retrocesso. Porém, o aumento dos níveis de motivação 47 não foi muito evidente. Apesar de os alunos terem dito que aprenderam algo sobre a cultura alemã, quando questionados em que medida o fizeram as respostas que deram foram muito básicas e superficiais. Acredito que estes alunos aprenderam algo sobre a Alemanha e sobre a Turquia e o que há de comum entre estes dois países mas creio que mais tarde não vão conseguir transmitir esses mesmos conhecimentos. O trabalho que foi desenvolvido antes e depois do visionamento traduziu-se não só na falta de conhecimentos gerais e capacidade de adquirir saberes novos assim mas também numa fraca capacidade de relacionamento e respeito para com os colegas de turma. Também durante o visionamento do filme a maioria dos alunos estava constantemente a conversar. Ou seja, quando procuro analisar o aumento dos níveis de motivação procuro fazê-lo através não só dos dados recolhidos mas também da observação directa destas duas aulas e posso afirmar que não vi interesse, atenção, empenho e dedicação por parte destes alunos. Quer isto dizer que a participação dos alunos neste projecto foi fraca, dado que não contribuíram com os seus conhecimentos antes de verem o filme e os que contribuíram denotava-se que o que ofereciam eram conhecimentos muito pouco consistentes; estiveram na sua maioria distraídos aquando do visionamento do filme e não foram muito bem sucedidos nas actividades finais de pós-visionamento. Contudo, no que respeita à minha figura dentro da sala de aula sublinho que tive o cuidado de facilitar o processo de aprendizagem desta língua através da selecção de materiais que despertassem o interesse dos alunos assim como o desenho de actividades diferentes, mais abertas à discussão. Daí ter encontrado um plano alternativo de maneira a ir ao encontro da vontade dos alunos, mas mesmo assim penso que não funcionou na sua totalidade. 6.1.3. Análise das grelhas de observação de Inglês (Primeiro Ciclo): Goodnight Mr. Bean & Mr. Bean Painted his House Embora tenha elaborado duas grelhas de observação, ambas seguiram os mesmos parâmetros de análise. Começando pela análise da primeira grelha de observação elaborada para a aula de Goodnight Mr. Bean, os meus dois colegas de estágio constataram que no início os alunos não mostraram qualquer reacção, estavam tranquilos quando lhes disse que iam ver um vídeo. Porém, assim que souberam que se tratava de um vídeo de Mr. Bean ficaram imediatamente entusiasmados, dado que todos os alunos já conheciam esta personagem tão caricata e engraçada. 48 Durante o visionamento do vídeo, constatou-se que os alunos estavam a gostar e até se mostraram inconformados por verem tão pouco; queriam ver mais vídeos. Aquando da recolha de informação, os alunos mostraram-se descontraídos e relaxados, e entre o primeiro visionamento e o segundo a maioria dos alunos conseguiu dar respostas às actividades pretendidas. Contudo, os meus colegas registaram que houve um aluno que não tinha completado pelo menos duas preposições. Na fase de pós-visionamento, os colegas constataram que os alunos se mostraram satisfeitos e despreocupados em relação à recolha de informação para as actividades propostas; denotou-se que a grande maioria da turma foi capaz de compreender e de resolver com sucesso as actividades propostas. Por último, os colegas não registaram qualquer tipo de informação referente à parte final desta grelha, porque não consegui chegar à parte final da aula devido a uma falta de tempo decorrente da instabilidade vivida na sala de aula na última fase da sessão. Na segunda grelha de observação, que foi dedicada à aula de Mr. Bean Painted his House, os meus colegas constaram que os alunos não demonstraram qualquer tipo de reacção quando souberam que iam ver um vídeo. Porém, surgiu nos alunos a preocupação de saber se se tratava do mesmo vídeo visionado na aula anterior. Durante o visionamento, observou-se que os alunos gostaram muito do vídeo mostrando-se muito interessados e concentrados no mesmo. Aquando do visionamento para recolha de informação, constatou-se que os alunos foram capazes de memorizar grande parte da informação e conseguiram sem grande dificuldade dar respostas às actividades pretendidas. Na fase final da aula, os colegas registaram que os alunos se mostraram muito satisfeitos com o vídeo e com as actividades propostas, sendo que a maioria da turma foi capaz de dar respostas aos exercícios propostos. Porém, a fase final de produção ficou por se realizar. Mais uma vez, não foi possível concluir o plano devido à falta de tempo, motivada pela irrequietude dos alunos nos últimos momentos da aula. 6.1.4. Análise dos resultados obtidos no questionário aplicado na turma de Inglês após conclusão do Primeiro Ciclo Como já mencionei anteriormente, o questionário entregue a esta turma serviu para analisar mais pormenorizadamente a opinião dos alunos em relação às aulas em que visionaram os vídeos de Mr. Bean. 49 Assim sendo, quando questionados sobre a utilização dos vídeos de Mr. Bean na aula de Inglês todos os alunos acharam que foi uma ideia proveitosa. A totalidade da turma também gostou de aprender Inglês através do visionamento dos vídeos, adiantando que assim podem aprender Inglês de uma forma diferente, divertida e interessante. Também houve alunos que alegaram não ser costume ver filme nas aulas e porque o Mr. Bean é engraçado. Outros alunos ainda disseram que é mais divertido, dinâmico, e que assim se aprende mais. Os alunos afirmaram na sua totalidade, e mais uma vez, a sua adesão à continuidade na utilização dos vídeos na aula de Inglês, defendendo que os alunos com estas actividades divertidas estão mais atentos nas aulas; é divertido e diferente; é mais divertido do que as aulas normais. Por fim, na última questão pedi aos alunos que indicassem o que poderia ser utilizado na sala de aula de maneira a facilitar-lhes a aprendizagem do Inglês e a tendência apontou para o visionamento de mais filmes. 6.1.4.1. Considerações gerais sobre o Primeiro Ciclo na turma de Inglês Apesar de ter utilizado o audiovisual de maneira diferente e ter realizado tarefas diferentes para ambas as turmas intervenientes neste projecto, quando estabeleço uma comparação entre os resultados obtidos observo que há diferenças consideráveis entre ambas. Não falo somente nos resultados relacionados com a língua em si mas dos resultados do que foi construído dentro da sala de aula e entre mim e os alunos. Ao contrário dos alunos de Alemão, facilmente se constatou que os alunos de Inglês ficaram contentes com a aula e satisfeitos com o modo de aprendizagem, pois possibilitei-lhes uma aula e uma maneira de aprendizagem diferentes. Embora não tenha conseguido concluir o meu plano desenhado para ambas as aulas, fiquei de facto muito satisfeita com a prestação destes alunos. Na verdade, o que foi mais difícil de controlar foi o comportamento dos alunos nos períodos em que não estavam e visionar o vídeo. Pois, quando tinham de estar atentos ao vídeo para recolher informação, observei que estavam todos muito concentrados e atentos, havendo um silêncio absoluto durante aqueles dois e quatro minutos, querendo depois a grande parte da turma responder. Portanto, estas duas aulas contribuíram não só para introduzir/rever, praticar e consolidar aspectos gramaticais mas também para melhorar a concentração, o interesse e a participação dos alunos na aprendizagem do Inglês. Visto que estes alunos não demonstravam grandes conhecimentos linguísticos e eram na sua maioria fracos no 50 que respeita à participação, estas duas aulas foram muito proveitosas, vi que os alunos ficaram contentes não só por terem tido uma aula diferente mas também por se sentirem capazes de realizar as tarefas propostas e de sentirem que aprenderam de facto Inglês. Tive também a oportunidade de ver uma aluna que desde o início do ano dizia que ia reprovar à disciplina porque não gostava do Inglês e, por isso, nunca participava nas aulas, a ser a primeira a concluir a ficha de trabalho, e até foi ela quem corrigiu o exercício para os colegas. Em que medida pode a utilização do audiovisual aumentar os níveis de motivação dos alunos? Após ter analisado todos os dados, penso que posso afirmar que neste contexto específico e com estes alunos o aumento dos níveis de motivação registaram-se a vários níveis. Aquando do visionamento dos vídeos os alunos mostraram-se concentrados e atentos sendo capazes de participar activamente nas actividades propostas. 6.2. O Segundo Ciclo Depois de ter realizado o Primeiro Ciclo do meu Projecto de InvestigaçãoAcção, houve um período dedicado à procura de novos materiais, ao planeamento e, como é óbvio, a novas maneiras de agir. Antes de aplicar a segunda fase do meu projecto procurei sempre planear tudo de forma a corresponder à vontade dos alunos e ir ao encontro das suas necessidades. Desta feita, voltei a utilizar o elemento audiovisual seguindo os mesmos parâmetros mas com conteúdos e objectivos diferentes, tanto no ensino do Inglês como no ensino do Alemão. Por outras palavras, na turma de Alemão voltei a recorrer ao visionamento na íntegra de um filme mas desta vez para alargar os conhecimentos históricos e políticos dos alunos sobre a Alemanha no Período Pós Segunda Guerra Mundial (entre as décadas de sessenta e noventa do século XX), e na turma de Inglês voltei a utilizar pequenos vídeos de maneira a introduzir, rever, praticar e consolidar determinadas áreas lexicais. 6.2.1. Análise das grelhas de observação de Alemão (Segundo Ciclo): Good Bye, Lenin! Mais uma vez, foram os meus dois colegas do núcleo de estágio quem preencheu as grelhas de observação elaboradas para o Segundo Ciclo do meu Projecto de Investigação-Acção. 51 Começo a minha análise por afirmar com grande desagrado e tristeza que, conforme os dois colegas registaram nas grelhas de observação, nenhum aluno fez a pesquisa pretendida. Aquando da fase de preparação para o visionamento do filme, grande parte dos alunos não demonstrou qualquer tipo de conhecimento sobre a história alemã no Pós-Guerra, dando informações erradas sobre os nomes que constavam na lista a pesquisar (por exemplo: Mikhail Gorbatchov teria sido astronauta). Para tentar ajudar os colegas pedi às duas alunas que participaram na viagem a Berlim que descrevessem o que viram no museu Checkpoint Charlie. Porém, foi inútil, pois estas alunas responderam que já não se lembravam do que viram sobre este período. Quero só voltar a recordar que estou a falar de alunos que frequentam o décimo ano de escolaridade, com idades superiores a quinze anos, e que já tiveram a oportunidade de estudar este Período na disciplina de História no ano anterior. Os colegas constataram também que durante a apresentação em Powerpoint os alunos mostraram-se atentos. No entanto, não participaram muito. Quando lhes marquei duas tarefas para a fase do pós-visionamento, os colegas observaram que os alunos não gostaram muito de saber que tinham duas tarefas para realizar, acabando por tecer comentários negativos e mostrando uma atitude de aborrecimento. Passando para a fase seguinte da aula, para a fase de visionamento do filme, os alunos portaram-se melhor neste filme do que no anterior. Ou seja, estiveram atentos e pareceram interessados no filme. Contudo, não se preocuparam em recolher informação para possível aplicação nas tarefas que se avizinhavam, optando por uma postura passiva na qual se limitaram, apenas, a assistir ao filme. Após terem visionado o filme e de acordo com o que está descrito nas grelhas de observação, a grande maioria admite ter gostado do filme, mas houve uma parte que admitiu não gostar por achar o filme muito sentimental. Contudo, os alunos mostraram que aprenderam algo da história e política alemãs entre as décadas de sessenta e noventa do século passado. No entanto, só dois grupos conseguiram terminar a tarefa pedida, que consistia em fazer um resumo do filme. 6.2.2. Análise dos resultados obtidos no questionário aplicado na turma de Alemão após conclusão do Segundo Ciclo Após a conclusão das actividades propostas, pedi aos alunos que preenchessem um questionário de maneira a que eu pudesse analisar com mais precisão o impacto do visionamento do filme na aprendizagem do Alemão. 58 plano curricular. Mas os alunos de Alemão tiveram a oportunidade de uma escolha que acabou, infelizmente, por se revelar tanto para eles como para a orientadora e professores-estagiários uma má escolha, pois estes alunos não se sentiram realizados durante este ano lectivo, fazendo o mínimo dos esforços para apurar um resultado positivo, embora baixo. No início deste processo senti-me bastante frustrada pois tentava planear e leccionar aulas interessantes para todos os alunos e via que a turma de Inglês ia correspondendo às minhas expectativas, mas o mesmo já não se fazia sentir na turma de Alemão, pois os alunos não retribuíam o esforço, o empenho, a dedicação, o gosto pela aprendizagem desta língua, mantendo um comportamento e atitudes inalteráveis perante aulas diferentes. Contudo, fui deixando de culpabilizar-me e desempenhei as minhas funções adoptando uma postura mais neutra, não me deixando desencorajar por estes alunos. No que respeita à minha atitude, sinto que este ano lectivo que passou foi um enorme processo de crescimento. Sinto que foi, até agora, a maior aprendizagem da minha vida. Em tão pouco tempo tive a possibilidade de aprender tanta coisa! E, por um lado, até foi bom ter tido uma turma tão problemática pois isso permitiu-me tirar partido das coisas menos boas, o que me fortaleceu não só como professora mas também como pessoa. Apesar de os alunos do 10º G não terem dado qualquer valor ao trabalho que desempenhei, vou continuar a utilizar o audiovisual de forma a aumentar os níveis de motivação dos alunos para a aprendizagem de Línguas Estrangeiras, pois este meio demonstrou-me ser de facto versátil e adaptável às diversas situações de aprendizagem. 59 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Allan, M. (1985). Teaching English with Video (1ª Ed.). Longman Handbooks for Language Teachers. England: Longman. Bell, J. (1997). Como Realizar um Projecto de Investigação (1ª Ed.). Lisboa: Gradiva. Benavente, A. (1989). Mudança de Escola e Formação de Professores: Audio-Visuais, Que Contributo?. Benavente & Ponte (1989). A Escola e os Auiovisuais (Projecto INFRA). Lisboa: Faculdade de Ciências da Univeridade de Lisboa. Brown, H. (1987). Principles of Language Learning and Teaching (1ª Ed.). New Jersey: Prentice-Hall. Cloutier, J. (1975). A Era do Emerec ou a Comunicação Audio-scripto-visual na hora dos self-media. Lisboa: I.T.E. Dieuzeid, H. (1973). As Técnicas Audiovisuais no Ensino. Lisboa: Europa-América. Dörnyei, Zoltán (2002). Motivational Strategies in the Language Classroom. Cambridge, Cambridge University Press Hamze, A. (s.d.). Linguagem Audiovisual e a Educação. Recuperado em 2008, Dezembro 30, de http://www.educador.brasilescola.com/gestaoeducacional/ linguagem.htm Harmer, J. (1998), How to teach English: an introduction to the practice of English language teaching, Harlow, Longman Harmer, J. (2002). The Practice of English Language Teaching (3ª Ed.). England: Longman. Keene, M. (2006). Viewing Vídeo and DVD in the EFL Classroom. Recuperado em 60 2009, Janeiro 23, de http://www.lib.ubunkyo. ac.jp/kiyo/2006/kyukiyo/KENKYU217234.pdf King, J. (2002). Using DVD Feature Films in the EFL Classroom. The Weekly Column, 88. Recuperado em 2009, Janeiro 30, de http://www.eltnewsletter.com/back/February2002/art882002.htm Lapa, C., Mota, L. & Vilela, M. (2001). Programa de Alemão: Nível de Iniciação: 10º, 11º e 12ºs anos; Formação Específica; Cursos Científico-Humanísticos de Línguas e Literaturas, de Ciências Socioeconómicas e de Ciências Sociais e Humanas. Ministério da Educação. Masterman, L. (1993). La Revolución de la Educácion Audiovisual. In Roberto Aparici (coord.), La Revolución de los Medios Audiovisuales. Madrid, Ed. de la Torre. Moderno, A. (1992). A Comunicação Audiovisual no Processo Didáctico. Aveiro: Universidade de Aveiro. Plano Anual de Actividades da Escola Secundária de Ermesinde (2010/2011) Projecto Educativo da Escola Secundária de Ermesinde (2009/2013) Regulamento Interno da Escola Secundária de Ermesinde (2009/2013) Sherman, J. (2003). Using Authentic Video in the Language Classroom (1ª Ed.). Cambridge Handbooks for Language Teachers. Cambridge: University Press. Sund, Katja und Bimmel, Peter (2002). Extrinsische Motivation und Intrinsische Motivation. In Bimmel, Peter; Krumm, Hans-Jürgen, Fremdsprache Deutsch – Zietschrift für die Praxis des Deutschunterrichts; Klett International. 61 62 ANEXOS Anexo I: Projecto Educativo da Escola Secundária de Ermesinde (2009/2013) Páginas 5, 6 e 7 Anexo II: Regulamento Interno da Escola Secundária de Ermesinde (2009/2013) Páginas 45, 46 e 47 APÊNDICES Apêndice I: Questionário Geral Apêndice II: Grelha de Observação (Im Juli) – Primeiro Ciclo de Alemão Apêndice III: Questionário do Primeiro Ciclo de Alemão Apêndice IV: Grelhas de Observação (Goodnight Mr. Bean & Mr. Bean Painted his House) – Primeiro Ciclo de Inglês Apêndice V: Questionário do Primeiro Ciclo de Alemão Apêndice VI: Grelha de Observação (Good Bye, Lenin!) – Segundo Ciclo de Alemão Apêndice VII: Questionário do Segundo Ciclo de Alemão Apêndice VIII: Grelhas de Observação (Mom, Dad, I’m Scared. Bullying Commercial & Confessions of a Shopaholic) – Segundo Ciclo de Inglês Apêndice IX: Questionário do Segundo Ciclo de Inglês Apêndice X: Aulas do Primeiro Ciclo de Alemão Apêndice XI: Aulas do Primeiro Ciclo de Inglês Apêndice XII: Aulas do Segundo Ciclo de Alemão Apêndice XIII: Aulas do Segundo Ciclo de Inglês Apêndice IV: Textos dos alunos de Alemão Apêndice V: Resumo dos alunos de Alemão 63 ANEXO I 64 65 66 ANEXO II 67 74 APÊNDICE IV Escola Secundária de Ermesinde Inglês III – 7º D (22.02.2011) Ana Rocha Goodnight Mr.Bean – Grelha de Observação 1 1. Antes do visionamento do vídeo 1.1. Como reagiram os alunos quando a professora disse que ia passar um excerto de um vídeo? 1.2. Os alunos já conheciam o Mr. Bean? 2. Durante o visionamento do vídeo 2.1. Os alunos gostaram/ não gostaram do vídeo? 2.2. Os alunos sentiram-se nervosos/ preocupados/ descontraídos/ relaxados aquando o visionamento do vídeo para recolha de informação? 2.3. Entre o primeiro e o segundo visionamento os alunos conseguiram/ não conseguiram dar resposta às actividades pretendidas? 3. Após o visionamento do vídeo 3.1. Os alunos mostraram-se satisfeitos/ insatisfeitos com o vídeo e com as actividades propostas? 3.2. Os alunos foram capazes de resolver as actividades propostas? 3.3. Os alunos foram capazes de reproduzir oralmente o que viram no filme? 75 Escola Secundária de Ermesinde Inglês III – 7º D (25.02.2011) Ana Rocha Mr. Bean Painted His House – Grelha de Observação 2 1. Antes do visionamento do vídeo 1.1. Como reagiram os alunos quando a professora disse que ia passar um excerto de um vídeo? 1.2. Ficaram entusiasmados por verem novamente um vídeo do Mr. Bean? 2. Durante o visionamento do vídeo 2.1. Os alunos gostaram/ não gostaram do vídeo? 2.2. Como se sentiram os alunos aquando o visionamento do vídeo para recolha de informação? 2.3. Os alunos conseguiram/ não conseguiram dar resposta às actividades pretendidas? 1ºVisionamento – 2º Visionamento – 3º Visionamento - 3. Após o visionamento do vídeo 3.1. Os alunos mostraram-se satisfeitos/ insatisfeitos com o vídeo e com as actividades propostas? 3.2. Os alunos foram capazes de resolver as actividades propostas? 3.3. Os alunos foram capazes de reproduzir através da escrita de um e-mail o que viram no filme? 76 1. Achas que foi um boa ideia a professora ter utilizados os vídeos do Mr. Bean na aula de Inglês? Sim Não 2. Gostaste de aprender Inglês através do visionamento dos vídeos do Mr. Bean? Sim Não 2.1. Porquê? ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 3. Gostavas de continuar a ver vídeos na aula de Inglês? Sim Não 3.1. Porquê? ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 4. Para além do vídeo, o que achas que podia ser utilizado na sala de aula de maneira a facilitar a aprendizagem do Inglês? Dá algumas sugestões! ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ Muito obrigada pela tua colaboração! Ermesinde, 4 de Março de 2010 Ana Rocha APÊNDICE V Questionário O presente questionário tem como objectivo saber a tua opinião em relação às aulas em que viste os vídeos do Mr. Bean na sala de aula. Não existem respostas certas nem erradas. Os dados obtidos são anónimos e confidenciais. 77 APÊNDICE VI Good Bye, Lenin! – Grelha de Observação 1. Antes do visionamento do filme 1.1. Os alunos fizeram a pesquisa pretendida? 1.2. Os alunos demonstraram conhecimentos relacionados com a História Alemã no Período Pós-Guerra até à década de 90? 1.3. Os alunos acharam relevante a informação mostrada em Powerpoint antes do visionamento do filme? Mostraram-se interessados e participativos? 1.4. Como reagiram os alunos quando a professora disse que tinham de realizar duas tarefas após o visionamento do filme? 2. Durante o visionamento do filme 2.1. Os alunos mostraram-se atentos e concentrados? 2.2. Recolheram alguma informação? 3. Após o visionamento do filme 3.1. Os alunos mostraram-se satisfeitos com o filme? 3.2. Os alunos mostraram que aprenderam algo da História Alemã (décadas de 80 e 90)? 3.3. Alunos foram capazes de fazer um resumo do filme ordenado e bem estruturado? Escola Secundária de Ermesinde Alemão I – 10º G (03.05.2011) Ana Rocha 78 APÊNDICE VII Questionário O presente questionário tem como objectivo saber a tua opinião em relação ao uso do filme nas aulas de Alemão. Não existem respostas certas nem erradas. Os dados obtidos são anónimos e confidenciais. Muito obrigada! 1. Para além dos aspectos linguísticos, gostas de aprender aspectos relacionados como a cultura, história e política alemãs através do visionamento do filme Good Bye, Lenin! ? Sim Não 1.1. Porquê? ________________________________________________________ _______________________________________________________. 2. Sentes-te mais motivado para aprender Alemão depois do visionamento deste filme? Sim Não 2.1. Porquê? ________________________________________________________ _______________________________________________________. 3. Gostavas de continuar a aprender Alemão através do visionamento de filmes? Sim Não 3.1. Porquê? ________________________________________________________ _______________________________________________________. Ermesinde, 4 de Maio de 2011 Ana Rocha 79 APÊNDICE VIII Mom, Dad, I’m scared. Bullying Commercial – Grelha de Observação 1. Antes do visionamento do vídeo 1.1. Como reagiram os alunos quando a professora disse que ia passar um excerto de um vídeo? 1.2. Ficaram entusiasmados por verem novamente um vídeo? 2. Durante o visionamento do vídeo (1) 2.1. Os alunos estiveram atentos ao vídeo? 2.2. Os alunos mostraram-se interessados no vídeo? 2.3. Os alunos foram capazes de resumir o que viram? 2.3.1. Se sim, com muita ou pouca dificuldade? 2.3.2. Com ou sem a ajuda da professora? 3. Após o visionamento (3) 3.1. Os alunos foram capazes de produzir o que foi proposto baseando-se no que viram no vídeo? Escola Secundária de Ermesinde Inglês III – 7º D (26.04.2011) Ana Rocha 80 Confessions of a Shopaholic (trailer) – Grelha de Observação 1. Antes do visionamento do vídeo 1.1. Como reagiram os alunos quando a professora disse que ia passar um excerto de um vídeo? 1.2. Ficaram entusiasmados por verem novamente um vídeo? 2. Durante o visionamento do vídeo (1) 2.1. Os alunos estiveram atentos ao vídeo? 2.2. Os alunos mostraram-se interessados no vídeo? 2.3. Os alunos foram capazes de resumir o que viram? 2.3.1. Se sim, com muita ou pouca dificuldade? 2.3.2. Com ou sem a ajuda da professora? 3. Após o visionamento (3) 3.1. Os alunos foram capazes de produzir o que foi proposto baseando-se no que viram no vídeo? Escola Secundária de Ermesinde Inglês III – 7º D (31.05.2011) Ana Rocha 81 APÊNDICE IX Questionário O presente questionário tem como objectivo saber a tua opinião em relação ao uso do vídeo nas aulas de Inglês. Não existem respostas certas nem erradas. Os dados obtidos são anónimos e confidenciais. Muito obrigada! 1. Gostas de aprender Inglês através do visionamento de vídeos? Sim Não 1.1. Porquês? ________________________________________________________ _______________________________________________________. 2. Sentes-te mais motivado para aprender Inglês quando a professora mostra algum vídeo na aula de Inglês? Sim Não 2.1. Porquê? ________________________________________________________ _______________________________________________________. 3. Gostavas de continuar a aprender Inglês através do visionamento de vídeos? Sim Não 3.1. Porquê? ________________________________________________________ _______________________________________________________. Ermesinde, 31 de Maio de 2011 Ana Rocha 82 APÊNDICE X Mestrado em Ensino FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO Studienjahr 2010/11 15. März 2011 Ana Rocha Raster für die Verlaufsplanung Artikulation/Phase Strategien/Aktivitäten Kommentar SFA Fertigkeiten Material/ Medien Einstieg/ Motivation (5 Min.) Vorbereitung des Films (20 Min.) A professora cumprimenta os alunos e diz-lhes que hoje vão ter uma aula completamente diferente. Hoje vamos ver um filme mas antes de passarmos ao seu visionamento gostaria de explorar alguns aspectos que giram à volta do mesmo, nomeadamente alguns aspectos geográficos e sócioculturais característicos de dois países: da Alemanha e da Turquia. Ziel dieser Phase ist, preparar os alunos para o visionamento do filme. A professora projecta no quadro o primeiro slide com o mapa da Alemanha e pede aos alunos para dizerem o que sabem sobre este país, por exemplo: a capital, quantos estados tem, a cidade maior do país, se acham que há ou não muitos imigrantes e de onde provêm etc. …. Plenum Plenum Sprechen Sprechen Tafel Computer Data show PowerPoint Slide (1) 83 Ziel dieser Phase ist, activar os conhecimentos que os alunos já têm sobre a Alemanha; especular um pouco sobre o país. De seguida a professora mostra outro slide com imagens da cidade de Hamburgo. Pergunta aos alunos se já estiveram lá alguma vez e o que já sabem desta cidade, por exemplo: a cidade é muito conhecida pelo porto. Ziel dieser Phase ist, preparar os alunos para o que vai aparecer retratado no filme sobre a cidade de Hamburgo; dar-lhes a possibilidade de expressarem o que já sabem e/ ou conhecem sobre esta cidade alemã. Nos dois slides seguintes, a professora mostra, primeiro, o mapa da Turquia e faz algumas considerações sobre este país e, de seguida, mostra o mapa da Europa para que os alunos consigam ver a distância a que estão ambos os países. Ziel dieser Phase ist, mostrar aos alunos a distância a que ambos os países se encontram; ajudá-los a compreenderem o percurso que as personagens principais do filme (Daniel und Juli) fazem desde a Alemanha até à Turquia. Plenum Plenum Sprechen Sprechen Slide (2) Slide (3, 4) 90 GOODNIGHT MR. BEAN A. The following Prepositions of Place and Movement are false. Write the correct preposition on the right side of the table. Source: Teacher produced Escola Secundária de Ermesinde Inglês III – 7º D (22.02.2011) Ana Rocha × False Preposition of Place and Movement  Correct Preposition 1. Mr. Bean is on the bedroom. 2. The window is under the bed. 3. The teddy bear is in the bed. 4. The book is next to the bedside table. 5. The teddy bear sleeps over Mr. Beans’ bed. 6. The chair is on the right of the bed. 91 LESSON PLAN PRELIMINARY INFORMATION ENGLISH LANGUAGE TEACHING PRACTICE School: Escola Secundária de Ermesinde Student-teacher: Ana Rocha Date: 25/02/2011 Length of lesson: 90 min Time: 11:45 – 13:15 Class level: 7th year Class size: 20 Girls: 8 Boys: 12 Bb summary: The Past Simple – Irregular verbs. Mr. Bean Painted his House: watching and describing a short video extract. Writing a short email. Main aim(s): 1. To recognise and to apply the Past Simple Tense in the affirmative, in the negative and in the interrogative forms – Regular and Irregular Verbs; 2. To watch and describe a short video extract using the verbs in the Past Simple Tense. Language focus: The Past Simple Tense - Irregular verbs:  to bring;  to choose;  to come;  to do;  to find;  to get;  to go;  to have;  to make;  to put;  to run;  to see;  to take. Assumptions: Students have already learnt the affirmative, negative and interrogative forms of the Past Simple Tense – the regular verbs. Anticipated problems and solutions: 3. Some Ss may not contribute – teacher intervention might be required; 4. Some Ss may not understand some questions and explanations – reformulation might be required. Aids: Blackboard, Chalk, Computer, Data show, DVD, Flashcards, Worksheet, Sheet. Homework: Workbook: page 45. 92 Stage/ Time/ Interaction Procedure Aims Aids Lesson opening (2 min.) T a) T greets Ss and writes the number of the lesson on the blackboard. a) To settle the class down. a)Blackboar; Chalk Homework correction (5 minutes) b) T asks Ss: “Did you do the homework?”; then T checks Ss’ coursebooks. Ss say the correct answers orally and T writes them on the board. b) To recall the language learnt in the last lesson. b) Blackboard; Chalk; coursebook: page 91, exercise 1 Lead-in (5 minutes) c) T tells Ss: “You are going to watch a video today. I want you to watch this video carefully because after you watch it you have to describe what you saw.” c) To prepare Ss for the viewing of the video; to give them a reason for viewing. c) Computer; OHP; Video: Mr. Bean Painting his House. While-viewing 1 (10 minutes) T--->Ss S T<---> Ss d) Ss watch the video (4:49 minutes); after viewing T asks Ss: “What did you see?” T writes the question and also the answers on the board. Elicit:  What did Mr. Bean paint?  Why did he use his teddy bear to paint?  What did he use to cover the furniture and the fruit? Feedback:  Mr. Bean painted his house (living room).  He used his teddy bear because he didn’t have a paintbrush.  He used newspaper to cover the furniture and the fruit. d) To describe orally what they saw. d) Blackboard; Chalk. Revision of the Language (10) e) T asks Ss to identify the verbs in the questions/ in the answers; T underlines the verbs and asks Ss to identify the tense of those verbs. Feedback:  The verbs are in the Past Simple and are all regular verbs. T elicits: 1. How do we form the Past Simple Tense? 2. How do we form the negative form of the Past e) To recall and to identify the form of regular verbs in the Past Simple Tense. e)Blackboard; Chalk. 93 Simple? 3. How do we form the interrogative form of the Past Simple? Feedback: 1. We usually add –ed to the infinitive. 2. We use the subject + auxiliary did not (didn’t) + infinitive 3. We use the auxiliary did + subject + infinitive Introduction of the New Language 20 minutes T<---> Ss f) T asks Ss to focus their attention on the question and answer: “What did you see?” – “We saw a video.” T elicits: Can you identify the verb and the tense in this question? Feedback:  Auxiliary – did  Main verb – see  Tense – Past Simple What do you think? Is the verb to see a regular or an irregular verb? How do we form the past tense of this verb? Feedback:  The verb to see is an irregular verb. This is an irregular verb and the past tense is saw. g) T writes some verbs in the infinitive on the board: beat; bring; choose; come; do; find; get; go; have; leave; make; put; run; say; see and take. Then T hands out flashcards with the same verbs in the past simple tense. T asks Ss to stick the flashcards (the past simple) next to the infinitive verbs. Oral drill. Time limit: 5 minutes. h) T tells Ss: As you can see the irregular verbs do not use –ed. They make the past in different ways. But we form the negative and the interrogative forms of regular verbs in the same way. Open your books on page 96. Ss analyse the tables in order to see the affirmative, the negative and the interrogative forms. f) To introduce the irregular verbs of the Past Simple Tense. g) To introduce/ revise some irregular verbs in the Past Simple Tense. h) To help Ss to develop their study habits. f) Blackboard; Chalk g) Flashcards h) coursebook: page 96 94 Practice of the Language While viewing 2 (6 minutes) S While Viewing 3 (10 minutes) S T<---> Ss i) T tells Ss: “I’m going to play the video again and you’re going to watch it twice. On the first viewing you really need to pay attention to the sequence of events. Then I’m going to hand out a worksheet with jumbled sentences and all you have to do is to put those sentences in the correct order. Ss watch the video.” j) T hands out a worksheet. Ss read the sentences. T asks them to turn over the worksheets and to pay attention to the video. Ss watch Mr. Bean’s video again. After that they do the exercise. Time limit: 3 minutes. i)To set the viewing activity and to explain what Ss have to do. j) To test Ss’ memory; to reorganize the video sequence using sentences in the Past Simple. i) Video: Mr. Bean painting his house. j) worksheet Post viewing (20 minutes) S k) T asks Ss: Imagine you are Mr. Bean’s neighbour and you witnessed the explosion. All you have to do is to write an email to a friend telling him/ her everything you saw. T sets time limit: 10 minutes. k) To reproduce what they saw; to use correctly the Past Simple Tense (regular and irregular verbs). k) a sheet. Contingency Plan If time to spare: T and Ss reflect on the lesson; what Ss found most difficult and why. If lack of time: Ss finish their work at home. To give Ss the opportunity to share their opinions. T is able to improve the way she teaches. 95 MR. BEAN PAINTED HIS HOUSE The following sentences are all jumbled. Watch the video carefully and find the right order. a) He covered the furniture and the fruit with newspaper. b) He hit the hammer against the paintbrush. c) The rocket exploded. d) He ran out of his house. e) He used his teddy bear as a paintbrush. f) A man got into his house. g) He chose a rocket to paint his house. h) He found the door knob. i) Mr. Bean brought a can of paint to the living room. _____ _____ _____ _____ _____ _____ _____ _____ _____ Source: Teacher produced 96 A. Write an email to a friend and tell him/ her what you saw last night. Source: Teacher produced APÊNDICE XII From: To: Cc: Subject: 97 Mestrado em Ensino FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO Studienjahr 2010/11 16. März 2011 Ana Rocha Raster für die Verlaufsplanung Artikulation/Phase Strategien/Aktivitäten Kommentar SFA Fertigkeiten Material/ Medien Feedback des Films (10 Min.) Diskussion des Films (20 Min.) A professora pede aos alunos para, oralmente, fazerem o resumo do filme e pergunta-lhes, também, se gostaram ou não de ver o filme. Ziel dieser Phase ist, relembrar o que viram na aula passada; dar a oportunidade aos alunos de manifestarem o seu contentamento ou desagrado em relação ao filme. Depois de ter tido um feedback geral do filme, a professora faz algumas questões de carácter geral:  O que gostaram?  O que foi novo?  O que aprenderam? De seguida, a professora faz perguntas de carácter mais específico, de maneira a que haja troca de ideias e de opiniões acerca do filme.  Acreditam no destino? Plenum Plenum Sprechen Sprechen 98 Textproduktion (die Meinung ausdrücken) (10 Min.) Fragebogen (5 Min.)  Acham que vale a pena deixarmo-nos levar pelo destino?  Eram capazes de cometer as loucuras que Daniel e Juli cometeram?  … Ziel dieser Phase ist, partilhar ideias, opiniões e até mesmo crenças relacionadas com problemáticas que surgiram no filme. Após a discussão, a professora pede aos alunos para escreveram numa folha separada a sua opinião acerca do filme (história; aspectos socioculturais; linguísticos…) Ziel dieser Phase ist, dar a oportunidade aos alunos para, individualmente, reflectirem sobre o filme e sobre o que discutiram em grupo. A professora entrega aos alunos um questionário, de forma a estudar as suas opiniões em relação ao uso do filme na aula de Alemão. EA Schreiben 99 A. Faz uma breve pesquisa e encontra informação para os seguintes dados: Alemão I – Maio 2011 Ana Rocha Nomes e Datas Respostas sucintas 1) Wolfgang Becker 2) Daniel Brühl 3) Katrin Sass 4) Erich Honecker 5) Mikhail Gorbatchov 6) Helmut Kohl 7) Sigmund Jähn 8) RDA 9) RFA 10) 1961 – 1989 11) 3/ 10/ 1990 106 APÊNDICE XIII LESSON PLAN PRELIMINARY INFORMATION ENGLISH LANGUAGE TEACHING PRACTICE School: Escola Secundária de Ermesinde Student-teacher: Ana Rocha Date: 26/04/2011 Length of lesson: 45 min Time: 9:00 – 9:45 Class level: 7th year Class size: 20 Girls: 8 Boys: 12 Bb summary: ‘Mom, dad, I’m scared’ Bullying Commercial: watching a video. Describing three types of bullying: emotional, verbal and physical. Main aim(s): 1. To introduce and revise vocabulary related to bullying; 2. To watch a short video extract in which students identify the new and/ revised vocabulary. 3. To write a short paragraph in which students describe someone being bullied like the examples they have seen and heard. Language focus:  Vocabulary related to bullying: 1. Emotional bullying:  silent treatment: staring; laughing at the victim; 2. Verbal bullying:  gossip;  rumors;  criticizing the victim’s manner of dress/speak/ talk;  sending insulting messages/ emails... 3. Physical bullying:  throwing things;  slapping;  punching;  hitting;  stabbing;  pulling hair;  stealing personal things... Assumptions: Students know already some of the vocabulary related to bullying. Anticipated problems and solutions: 1. Some Ss may not contribute – teacher intervention might be required; 2. Some Ss may not understand some questions and explanations – reformulation might be required. Aids: Blackboard, chalk, computer, data show, video: ‘Mom, dad, I’m sacred’ Bullying Commercial, flashcards, sheet. Homework: --- 107 Stage/ Time/ Interaction Procedure Aims Aids Lesson Opening (1 minute) T a) T greets Ss and writes the number of the lesson on the blackboard. a) To settle the class down. a)Blackboard; chalk Lead-in While – Viewing 1 (5 minutes) T---> Ss Ss b) T tells Ss: You are going to watch a video and you have to be really concentrated because after you watch it you have to tell me what you saw and guess the theme of our lesson. Time limit: 2 minutes. Feedback: I saw children talking about the problems they have at school. The theme of our lesson is ‘Bullying’. b) To prepare Ss for the viewing of the video; to give them a reason for viewing; to introduce the new theme: Bullying; b)Computer; data show; Video: Mom, Dad, I’m scared. Bullying Commercial. Introduction / Revision of the Vocabulary (25 minutes) T<--->Ss c) T divides the class into four groups. She sticks a flashcard on the board with the word Bullying = peer abuse written on it and says: I want you to think in your groups and together answer this question: What is bullying? Time limit: 5 minutes. Feedback: Bullying or peer abuse is an act of repeated aggressive behavior (in order) to hurt another person. d) Tasks Ss: There are three types of Bullying. Can you name them? Feedback: 1. Emotional; 2. Verbal; 3. Physical. T sticks these words o the board. e) Now, talk to your classmates and think of some c) To develop group work and interaction between Ss. d) To expand the vocabulary area related to Bullying. c) Blackboard; flashcards. d) Blackboard; Flashcards. e) Blackboard. 108 examples for each type of Bullying. I’m going to give you five minutes and then you have to tell me your ideas. I can help you. For example: exclusion (from activities) is an example of emotional bullying; name calling is an example of verbal bullying and kicking is an example of physical Bullying. Time limit: 5 minutes. Feedback: 4. Silent treatment: staring; laughing at the victim; 5. Gossip; rumors; criticizing the victim’s manner of dress/speak/ talk; sending insulting messages/ emails. 6. Throwing things; slapping; punching; hitting; stabbing; pulling hair; stealing personal things... T writes their answers on the board and gives them 5 minutes to write the vocabulary in their exercise books. e) T o make Ss think about the violence of bullying. Practice of the new vocabulary WhileViewing 2 (5 minutes) T T <---> S f) T hands out a worksheet and tells: I’m going to give you two minutes to read these nine sentences. Read them carefully! Now, you are going to watch the video again and I want you to do exercise A. You have to pay really attention to what they say. Tick the sentences you identify/ hear. Feedback: Oral correction - sentences: 1; 3; 6; 7; 8 Time limit: 7 minutes e) To recognize the vocabulary learnt/ revised. e) Worksheet; Video: Mom, Dad, I’m scared. Bullying Commercial. Post - Viewing (10 minutes) S g) T tells Ss: Imagine a friend of yours is being bullied and he/ she sends you a text message. Write down that message describing his/her problem like the ones you saw and heard. Ss read their sentences aloud. g) To apply the new/ revised vocabulary. If time to spare: T and Ss reflect on the lesson; what Ss To give Ss the opportunity to share their opinions 109 Contingency plan found most difficult and why. If lack of time: Ss do the post viewing exercise as homework. about the revised language. T is able to improve the way she teaches. 110 Escola Secundária/ 3 de Ermesinde English III – Ana Rocha 2010/2011 Mom, Dad, I’m scared. Bullying Commercial. A. Watch the video and tick () the sentences you identify. Source: Teacher produced 1. Mom, dad, I’m scared! 2. I am very shy. 3. I cannot go back to school. 4. There is a new girl in my class. 5. I haven’t got any friends. I’m selfish. 6. There is a boy and some of his friends who are after me. 7. They hate my clothes, the way I talk, everything about me. 8. Did you hear me? I’m scared! 9. My classmates laugh at me. 111 LESSON PLAN PRELIMINARY INFORMATION ENGLISH LANGUAGE TEACHING PRACTICE School: Escola Secundária de Ermesinde Student-teacher: Ana Rocha Date: 31/05/2011 Length of lesson: 45 min Time: 09:00 – 09:45 Class level: 7th year Class size: 20 Girls: 8 Boys: 12 Bb summary: “Confessions of a Shopaholic” – watching the trailer. Main aim(s): 1. To revise and consolidate vocabulary related to shopping; 2. To encourage Ss to develop viewing skills (skimming and scanning). 3. To talk about shopping habits. 4. To help Ss to improve their writing. Language focus:  Vocabulary related to shopping:  I’m a shopaholic because …/ I’m not a shopaholic because …  I like/ I don’t like going shopping because .../ when ...  I usually buy...  I like going shopping with ...  I usually buy my clothes in ...  a clothes shop  a boutique  a supermarket  a department store  I like shopping for clothes because .../ I don’t like shopping for clothes because ...  I usually buy expensive clothes Assumptions: Students know already some of the vocabulary related to topic (shopping). Anticipated problems and solutions: 5. Some Ss may not contribute – teacher intervention might be required; 6. Some Ss may not understand some questions and explanations – reformulation might be required. Aids: Blackboard, picture, chalk, computer, data show, video: “Confessions of a Shopaholic”, worksheet. Homework: --- 112 Stage/ Time/ Interaction Procedure Aims Aids Lesson Opening (1 minute) T a) T greets Ss and writes the number of the lesson on the blackboard. a) To settle the class down. a)Blackboard; chalk Lead-in (Pre-viewing) T <---> Ss (5 minutes) b) T turns the computer on and projects a picture on the board. Then she asks: What do you see? Feedback: 1. I see a girl: 2. I see many shoes; 3. I see clothes b) To introduce the video. b) A picture. WhileViewing 1 T T <---> S (10 minutes) c) T tells Ss: Now you are going to watch a short video extract twice. On the first viewing you have to be really concentrated because after you watch it you have to tell me what you saw and guess the theme of today’s lesson. And on the second viewing you have to do a worksheet while you watch the video. After Ss watched the video T asks: 1. Do you know this film? Have you already seen this film? 2. What did you see? 3. What is the theme of today’s lesson? Feedback: 2. I saw the trailer of the video: ‘Confessions of a Shopaholic’. I saw a girl who liked shopping/ wasted all of her money buying things. 3. Today we are going to talk about shopping. T asks Ss if they know the meaning of shopaholic and sticks a card on the board (Shopaholic = addicted to shopping) Then T explains: Shopaholic is a term used to describe individual who consider themselves as addicted to shopping. 3. Today we are going to talk about shopping. c) To prepare Ss for the viewing of the video; to give them a reason for viewing; to introduce the new theme: Shopping; c) Video: Confessions of a Shopaholic. 113 While-viewing 2 S (5 minutes) d) We are going to watch the video again and now you have to answer these questions by choosing the correct answer. T hands out a worksheet. Ss do the exercise while watching the video. T gives them 2 minutes to do the exercise. Feedback: Oral correction: 1.b) 2.c) 3.a) 4.a) 5.b) 6.c) Time limit: 7 minutes d) To see if Ss are able to select the information needed. d) Video: Confessions of a Shopaholic; Worksheet. Post-viewing T <---> Ss (20 minutes) S e) T asks Ss: 1) Are you shopaholic too? Why? 2) Do you like going shopping? Why? / When? 3) What products do you usually buy? 4) Who do you like going shopping with? 5) Where do you usually buy your clothes? In a clothes shop? In a boutique? In a supermarket? In a department store? 6) Do you like shopping for clothes? Why? Why not? 7) Do you usually buy expensive clothes? Now I’m going to give you these worksheet and you have to complete these sentences according to your shopping habits. Time limit: 7 minutes. Feedback: Oral correction: Ss read their answers aloud. e) To give Ss the opportunity to share their likes and interests (through speaking and writing). e) Worksheet Questionnaire (5 minutes) f) Ss fill in a questionnaire about the use of the video in classroom. f) To check if Ss feel more motivated when they learn English through video. f) Questionnaire. Contingency plan If time to spare: T and Ss reflect on the lesson; what Ss found most difficult and why. If lack of time: Ss do the post reading exercise as homework. To give Ss the opportunity to share their opinions about the revised language. T is able to improve the way she teaches. 114 A) Confessions of a Shopaholic: watch the trailer and circle the correct answer. 1. When did she start believing in magic? a) When she was 5. b) When she was 7. c) When she was 10. 2. What did people use to buy things? a) Credit cards. b) Paper cards. c) Magic cards. 3. How did she feel when she saw a store? a) Happy. b) Angry. c) Sad. 4. Why couldn’t she use the credit card? a) She had no money so the credit card was declined. b) She didn’t have any credit card with her. c) It was broken. 5. What happened when the girl opened the closet? a) The clothes disappeared. b) The clothes jumped out. c) Nothing happened. 6. Where was her credit card? a) In the car. b) In the closet. c) In the fridge. Source: Teacher produced Escola Secundária de Ermesinde Inglês III – 7th year May 2011 115 Escola Secundária de Ermesinde Inglês III – 7th year May 2011 Name: ______________________________________________________ A) Are you a shopaholic? Write about your shopping habits. I’m a shopaholic/ I’m not a shopaholic because… _______________________________________________________ I (don’t) like going shopping because… ________________________________________________________ ________________________________________________________. I usually buy… ________________________________________________________. I like going shopping with … ________________________________________________________. I (don’t) like shopping for clothes because… ________________________________________________________ ________________________________________________________. I usually buy my clothes… ________________________________________________________. I usually/ rarely buy expensive clothes because… ________________________________________________________ Source: Teacher produced