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Editorial

Ana Maria Seixas,Preciosa Fernandes,Manuel Jacinto Sarmento

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Investigar em Educação - II ª Série, Número 2, 2014 3 Editorial Ana Maria Seixas Preciosa Fernandes Manuel Jacinto Sarmento O número 2 da Revista Investigar em Educação tem como tema central Novas Profissionalidades em Educação. Esta opção insere-se no propósito de contribuir para um debate alargado sobre problemáticas contemporâneas decorrentes das transformações políticas, organizacionais e epistemológicas ocorridas nas sociedades, e suas implicações na reorganização no mundo do trabalho. Na verdade, e no que à educação diz respeito, as alterações nos contextos escolares, o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação e a revalorização simbólica do espaço local, privilegiando o trabalho em rede, a participação e a lógica de projeto, concorreram para a diversificação e multiplicação dos profissionais que atuam nos campos da educação e da formação e para a emergência de novas profissionalidades. O cenário educativo é hoje configurado por rotas profissionais hibridas e disputadas por vários atores, apresentando-se, assim, como um espaço complexo e, simultaneamente, apelativo à investigação. Neste sentido, o principal obejtivo deste segundo número temático da revista Investigar em Educação é contribuir para problematizar e refletir sobre profissionalidades emergentes em educação e formação, constituindo-se, deste modo, num canal de divulgação de conhecimento produzido neste domínio. A diversidade dos enfoques dos artigos aprovados é bem emblemática quer da complexidade que carateriza o campo educacional, quer de problemáticas que têm constituído objeto de estudo das Ciências da Educação. A primeira parte, destinada a artigos por convite, inclui dois textos que possibilitam um enquadramento mais abrangente da temática em foco. No primeiro, Maria Teresa Estrela – investigadora de referência no campo das Ciências da Educação em Portugal - em jeito de nota prévia chama a atenção para a polissemia da investigação educacional e para a importância de uma vigilância epistemológica e ética que credibilize a investigação que se produz. Sob este pressuposto, e cingindo-se aos professores, a autora constrói uma narrativa que constitui um excelente contributo para o aprofundamento dos conceitos de profissionalidade e de profissionalismo e para o debate sobre profissionalidades emergentes no campo educativo. O segundo texto, da autoria de Richard Wittorski - professor do Conservatoire national des arts et métiers (CNAM Paris), i) parte da exploração dos sentidos da palavra profissionalização utilizados nos campos do trabalho e de formação; ii) apresenta, depois, uma proposta de definição que articula profissionalismo e desenvolvimento profissional; iii) discute algumas especificidades da profissionalização das profissões humanas e, finalmente, situa iv) algumas questões de profissionalização relacionadas com as profissões de formação de adultos. O texto, assim organizado, constitui um importante dispositivo para se pensar as profissões ligadas à formação de adultos como profissões relacionais. Ana Maria Seixas & Preciosa Fernandes Investigar em Educação - II ª Série, Número 2, 2014 4 A secção reservada aos artigos submetidos comporta oito textos, abrangendo temáticas, tais como: profissionalidade docente; formação de professores e novas tecnologias de educação. Assim, um conjunto de quatro artigos centra-se nas profissionalidades docentes e nos processos de socialização profissional. Destes, os dois primeiros, da autoria de Maria Leonor Borges e de Cristina Zukowsky, Ana Paula Souza, Elize Keller-Franco e Eunice Bertos, correspondem a estudos cujos resultados permitem compreender o papel dos saberes profissionais dos professores e pedagogos na construção da suas profissionalidades e esclarecer modos como constroem e desenvolvem aqueles saberes e competências profissionais a partir das suas experiências de trabalho. O artigo de Pedro Filipe Cunha coloca a tónica nas narrativas de vida como via para a construção da profissionalidade de um educador musical. Por último Isabel Pizarro Madureira investiga a problemática “ser professor de educação especial”, particularmente: que motivações estão na origem de tal opção e que fatores interferem no processo de socialização deste grupo profissional. Ainda relacionado com o campo de ação do professor situa-se o artigo de Francisco Saias e Isabel Fialho. Os autores, com base num estudo multicaso (estudo de três casos) analisam o trabalho desenvolvido pelas equipas de docentes envolvidas em Programas Integrados de Educação e Formação (PIEF) Tatiana Sanches, num estudo exploratório, estuda a profissionalidade bibliotecária na sua vertente educativa e discute os desafios que se colocam a estes profissionais no campo da educação e formação superior . Seguem-se, finalmente, dois textos centrados na formação de professores, com enfoque nas Novas Tecnologias em Educação. O primeiro, da autoria de de Maria João Macário, Cristina Manuela Sá e António Moreira problematiza o recurso os fóruns on line como dispositivo potenciador do encontro entre professores e do trabalho colaborativo. Por seu lado, o estudo desenvolvido por Maria Helena Vieira Felizardo e Fernando Albuquerque Costa enfatiza o papel dos formadores de professores na utilização pedagógica das tecnologias digitais. Finalmente, na secção Antologia, trazemos um texto do ensaísta e político da educação António Sérgio, que, no princípio do século passado, marcou de forma muito assertiva a agenda educacional, quer pelo seu labor teórico, quer pelo envolvimento direto nas reformas educativas republicanas. Neste texto, Sérgio dirige-se ao coração da conceção da educação como profissão de desenvolvimento humano, ao considerar a educação como trabalho produtivo, deduzindo daí as condições teóricas e praxeológicas de realização adequada da atividade humana de transmissão do conhecimento e da cultura. O conceito de “escola de trabalho” que utiliza é desenvolvido nas suas implicações metodológicas, e, portanto, profissionais, no sentido da edificação de uma educação transformadora, que seja, simultaneamente, promotora do caráter individual dos aprendizes, configuradora do desenvolvimento coletivo e capaz de contribuir para a transformação da sociedade, no sentido da justiça e da igualdade social. Por tudo isto, o texto de António Sérgio ganha uma, quiçá inesperada, atualidade. Respeitamos em todos os textos a norma ortográfica utilizada pelos autores.