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O papel do arquitecto na assistência técnica de obras: um estudo de caso Sache Serralves na cidade do Porto, em Portugal

Elis Duarte da Silva

Abstract

O arquiteto, criador dos espaços em que os seres vivem, foi uma figura oculta na sociedade até o Renascimento. Nesse período o desenvolvimento das artes, filosofias e ciências fez com que o papel do arquiteto fosse distinguido na sociedade na relação com os construtores. E assim surgi à profissão. Com o passar dos anos a sua posição teve os seus momentos altos e baixos, com influências diretas no surgir da profissão do engenheiro e na atividade do urbanismo. O ensino formal da arquitetura surgiu apenas no século XVIII, embora os estudos nesta área remontem às primeiras obras construídas. Este ensino é muito abrangente, permitindo um contacto com diversas áreas de atuação, como o design, a construção, o projeto urbano, e em consequência uma formação profissional muito ampla de conhecimentos e técnicas. A assistência técnica de obras é uma atividade obrigatória para o arquiteto em Portugal. A assistência técnica é o apoio ao dono da obra e a todos envolvidos numa construção. Para se evoluir no método de projetar e para facilitar o trabalho do acompanhamento de obra apresenta-se a nova metodologia de trabalho BIM - Building Information Modeling que permite ao arquiteto realizar um trabalho muito mais eficiente. O objetivo desta minha pesquisa é demonstrar que o arquiteto pode utilizar o seu conhecimento para ser um assistente técnico nos processos de construção, gerando edifícios com qualidade arquitetónica. Para a concretização deste objetivo foi utilizada a metodologia de estudo de caso no projeto e obra em curso do conjunto habitacional SACHE - Solidariedade e Amizade, Cooperativa de Habitação Económica - Serralves, na cidade do Porto, em Portugal, com base no projeto e assistência técnica do Arquiteto Manuel Correia Fernandes. No desenvolvimento da obra ocorreram diversos imprevistos. Graças à competência do arquiteto, que esteve sempre presente no seu papel de assistente, foram encontradas as melhores soluções e os resultados foram ótimos. Pode deste modo comprovar-se que através do trabalho da assistência técnica essa obra se tornou viável e com qualidade estética, funcional e arquitetónica.

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ELIS DUARTE DA SILVA O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS: UM ESTUDO DE CASO NO SACHE SERRALVES NA CIDADE DO PORTO, EM PORTUGAL Dissertação de Mestrado do curso de Mestrado Integrado em Arquitetura, da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto – FAUP, ano letivo 2012/2013. Orientador: Profº Carlos Nuno Lacerda Lopes Porto, Portugal 2013 O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS AGRADECIMENTOS AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus pela vida. Ao Professor Carlos Nuno Lacerda Lopes, orientador deste trabalho, por compartilhar conhecimento e pela oportunidade de crescimento profissional, pessoal e de aprendizagem. Ao Arquiteto Manuel Correia Fernandes por ter aberto as portas do seu trabalho e contribuído para a elaboração e a realização desta pesquisa. À Professora Ana Isabel Silva pelas suas contribuições e apoio ao longo do tempo de pesquisa. À minha mãe Cláudia por toda a sua dedicação e carinho, fundamentais para o alcance do sucesso nos meus projetos. Ao meu pai Tair e aos meus irmãos Vinícius e Eduardo pelo apoio nesta etapa da vida. Aos colegas portugueses Arminda e Fernando por todo o apoio neste período em Portugal. Aos meus companheiros de trabalho e amigos do Brasil pela compreensão e paciência com a minha distância. A todos os que, de alguma forma, me ajudaram a vencer esta etapa. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS RESUMO RESUMO O arquiteto, criador dos espaços em que os seres vivem, foi uma figura oculta na sociedade até o Renascimento. Nesse período o desenvolvimento das artes, filosofias e ciências fez com que o papel do arquiteto fosse distinguido na sociedade na relação com os construtores. E assim surgi à profissão. Com o passar dos anos a sua posição teve os seus momentos altos e baixos, com influências diretas no surgir da profissão do engenheiro e na atividade do urbanismo. O ensino formal da arquitetura surgiu apenas no século XVIII, embora os estudos nesta área remontem às primeiras obras construídas. Este ensino é muito abrangente, permitindo um contacto com diversas áreas de atuação, como o design, a construção, o projeto urbano, e em consequência uma formação profissional muito ampla de conhecimentos e técnicas. A assistência técnica de obras é uma atividade obrigatória para o arquiteto em Portugal. A assistência técnica é o apoio ao dono da obra e a todos envolvidos numa construção. Para se evoluir no método de projetar e para facilitar o trabalho do acompanhamento de obra apresenta-se a nova metodologia de trabalho BIM – Building Information Modeling que permite ao arquiteto realizar um trabalho muito mais eficiente. O objetivo desta minha pesquisa é demonstrar que o arquiteto pode utilizar o seu conhecimento para ser um assistente técnico nos processos de construção, gerando edifícios com qualidade arquitetónica. Para a concretização deste objetivo foi utilizada a metodologia de estudo de caso no projeto e obra em curso do conjunto habitacional SACHE – Solidariedade e Amizade, Cooperativa de Habitação Económica – Serralves, na cidade do Porto, em Portugal, com base no projeto e assistência técnica do Arquiteto Manuel Correia Fernandes. No desenvolvimento da obra ocorreram diversos imprevistos. Graças à competência do arquiteto, que esteve sempre presente no seu papel de assistente, foram encontradas as melhores soluções e os resultados foram ótimos. Pode deste modo comprovar-se que através do trabalho da assistência técnica essa obra se tornou viável e com qualidade estética, funcional e arquitetónica. Palavras-chave: Arquitetura; Arquiteto; Assistência técnica; Gestão de obras; SACHE; Serralves; Manuel Correia Fernandes; BIM. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS ABSTRACT ABSTRACT The architect, creator of buildings for living beings, had been a hidden figure from society until the Renaissance. This period the development of the arts, sciences and philosophies. The architect’s role in society was honored by the builders. In this way a new profession was accepted by the public. Over the years its position has had its ups and downs with the direct influences that came from the engineering profession and the expanding activity of urbanism. The formal teaching of architecture emerged only in the XVII century. Although this field was based on the earlier work of architecture from ages passed. Teaching of this subject is an all encompassing endeavor that draws from the broad knowledge and techniques of the fields of design, construction, and urban design. The architect’s job in Portugal is to provide on site technical help and advice in the design phase of construction. The technical assistance is supported to the developer and all that is involved in that is need to complete the construction. A new methodology has been introduced named Building Information Modeling. It has been developed to design and facilitate the work of monitoring a building’s progress. The objective of this research is to demonstrate that the architect can use his or her knowledge to be a technical assistant in the construction of creating buildings with architectural quality. To achieve this goal, we used the case study methodology to design and development project for the housing SACHE - Solidariedade e Amizade, Cooperativa de Habitação Económica - Serralves in Porto, Portugal. Architect Manuel Correia Fernandes gave the project his technical assistance. In the development of this work, there arose several unforeseen problems. Mr. Fernandes was always there to advise. He helped by providing better solutions that achieved greater results than expected. One can thus verify that through the work of the technical advisor, this building became viable with aesthetic, functional and architectural qualities. Key-words: Architecture; Architect; Technical assistance; Construction management; SACHE; Serralves; Manuel Correia Fernandes; BIM. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS RÉSUMÉ RÉSUMÉ L'architecte, créateur d’espaces dans lesquels vivent les êtres, a été un personnage occulté dans la société jusqu'à la Renaissance. Pendant cette période, le développement des arts, de la philosophie et des sciences a contribué à ce que le rôle de l'architecte soit distingué dans la société au regard de sa relation avec les constructeurs. Et c’est ainsi que la profession a émergé. Au fil des années, sa position a eu ses moments de hauts et de bas, avec des influences directes sur l'émergence du métier d'ingénieur et de l'urbanisme. L'enseignement formel de l'architecture n’est apparu qu’au XVIIIe siècle, bien que les études dans ce domaine aient débuté dès les premiers chantiers.. Cet enseignement est très englobant, permettant ainsi de nouer un lien avec divers domaines d’activités, tels le design, la construction, l'aménagement urbain, ce qui rend la formation professionnelle très complète en termes de connaissances et de techniques. L’assistance technique de chantiers est un devoir de l'architecte au Portugal. L’assistance technique est l’appui au propriétaire et à tous ceux qui sont impliqués lors de la construction d’un bâtiment. Afin de développer la méthode de conception et de faciliter le travail d’accompagnement du chantier, il est apparu une nouvelle méthodologie de travail BIM - Building Information Modeling qui rend le travail de l'architecte beaucoup plus efficace. L'objectif de la présente recherche est de démontrer que l'architecte peut utiliser ses connaissances pour être un assistant technique lors des processus de construction, en gérant des bâtiments avec une qualité architecturale. Afin d’atteindre cet objectif, nous avons utilisé la méthodologie de l'étude de cas du projet et du chantier en cours relatif au complexe d’habitation SACHE - Solidariedade e Amizade, Cooperativa de Habitação Econômica – Serralves, à Porto, au Portugal, basé sur le projet et l’assistance technique de l'architecte Manuel Correia Fernandes. Pendant le chantier, il y a eu plusieurs imprévus. Grâce à la compétence de l'architecte, qui a toujours été présent dans son rôle d'assistant, plusieurs solutions ont été trouvées et ont permis d’atteindre de grands résultats. Il est ainsi possible de vérifier qu’à travers le travail de l'assistance technique, cette construction est devenue viable tout en présentant une qualité esthétique, fonctionnelle et architecturale. Mots-clés: Architecture; Architecte; Assistance technique; Maîtrise d’œuvre; SACHE; Serralves; Manuel Correia Fernandes; BIM. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 16 NOTA JUSTIFICATIVA 17 NOTA JUSTIFICATIVA O tema estudado no presente trabalho é sobre o papel do arquiteto na assistência técnica de obras, inserido numa linha de pesquisa de tecnologia da construção, desenvolvido através de um estudo de caso. Inicialmente abordará uma análise histórica da arquitetura, como ensino e profissão, podendo compreender melhor a importância histórica do arquiteto e a sua formação académica. A profissão de arquiteto permite que o profissional atue em diversos campos, pois a sua formação académica é abrangente e as opções de áreas de trabalho são diversas, desde o projeto arquitetónico, interiores, pormenores, até a execução de obras. Dentro desse leque, a assistência técnica de obras é uma dessas atividades. E particularmente como profissional arquiteta gosto dessa atividade, na qual já tive a oportunidade de atuar na assistência de obras em execuções, no Brasil. Nesses acompanhamentos pude vivenciar a importância que o arquiteto possui dentro da construção civil, indo muito além das concepções e dos projetos, fazendo o acontecer. Desse modo o meu interesse por obras aumentou. Este estudo do papel do arquiteto na assistência técnica de obras tem como objetivo aprofundar e melhor reconhecer o papel do arquiteto nesse ramo de atividade. O acompanhamento da obra do conjunto habitacional SACHE Serralves na cidade do Porto em Portugal é uma oportunidade única para contribuir na ampliação do meu conhecimento como profissional. Podendo analisar e acompanhar de perto e na prática os métodos utilizados, as tecnologias implantadas, a maneira de gestão de todos os processos, desde o lançamento da ideia inicial do projeto, a maneira de projetar, passando por todas as execuções, até quase à conclusão da edificação. O arquiteto é um profissional que ao longo da história foi conquistando o seu posicionamento e reconhecimento na sociedade. Na Idade Média era uma figura anónima no meio de todos. No Império Romano eram os imperadores que recebiam os méritos. Com o Renascimento na Itália surge a profissão de arquitetura. Na Idade Contemporânea o arquiteto intensifica a sua importância. No século XXI o profissional passa por momentos de altos e baixos. Quando a construção civil está numa fase alta surgem outros profissionais no ramo. O arquiteto possui a sua valorização no ramo de projetos, porém, quando chega à execução, algumas vezes ele perde o seu valor, passando o comando para o engenheiro ou construtor. Por isso a assistência técnica do arquiteto é fundamental para intensificar a valorização da profissão. É aqui que se encaixa a temática desta pesquisa, O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 18 com o objetivo de demonstrar a capacidade e reconhecer a valorização do arquiteto na assistência técnica da execução das obras dos seus projetos. Com o seu trabalho alia-se aos demais profissionais, como a fiscalização e a direção da obra. Integra-se numa equipa multidisciplinar, com o comando do mentor do projeto, gerando assim edifícios com maior qualidade arquitetónica. Ao acompanhar e refletir sobre o papel do arquiteto na assistência técnica de obras espero assim contribuir para a valorização do profissional, demonstrando a sua capacidade no ramo da assistência técnica, gestão e execução de obras. OBJETIVOS, DELIMITAÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO E MÉTODO DE PESQUISA 19 OBJETIVOS E DELIMITAÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO Esta pesquisa está vinculada à linha de investigação em tecnologia da construção. O seu enfoque é sobre o papel do arquiteto na assistência técnica de obras, exemplificado com uma obra em execução e seu respetivo arquiteto na cidade do Porto em Portugal. Questão de pesquisa Qual o papel do arquiteto na assistência técnica de obra? Objetivo final Demonstrar que o arquiteto pode utilizar o seu conhecimento para ser um assistente técnico do processo de construção de obra gerando edifícios com qualidade arquitetónica. Objetivos específicos  Analisar aspetos do desenvolvimento do ensino de arquitetura em todas as épocas.  Conhecer a posição ocupada pelo arquiteto como profissional, ao longo da história.  Compreender a atual inserção do arquiteto no mercado da construção civil.  Contribuir com a valorização da função do profissional arquiteto.  Analisar o processo de trabalho do arquiteto.  Perceber as qualidades do arquiteto como a sensibilidade, a análise estética, a organização e compreensão.  Estudar a nova metodologia de trabalho BIM (Building Information Modeling) para desenvolvimento de projetos.  Registar a maneira de trabalho do arquiteto na assistência técnica a obra.  Visitar e acompanhar obras de construção civil na cidade do Porto a partir da visão de arquiteto.  Registar a maneira de trabalho do arquiteto na assistência técnica de obra.  Identificar as caraterísticas e relevâncias de obras assistidas por arquiteto. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 20 MÉTODO DE PESQUISA A metodologia utilizada nesta pesquisa foi o Estudo de Caso. Um método que se refere a um estudo e análise intensiva de uma situação particular, gerando uma descrição da determinada situação analisada. É um estudo de um contexto da vida real. Para Yin (2005) trata-se de uma forma de se fazer pesquisa investigativa de fenómenos atuais dentro do seu contexto real, em situações em que as fronteiras entre o fenómeno e o contexto não estão claramente estabelecidos. Pretendeu-se, através dessa metodologia, acompanhar a obra do Conjunto Habitacional SACHE Serralves em execução na cidade do Porto, em Portugal e analisar o processo de assistência técnica e gestão nesta obra realizada pelo profissional arquiteto Manuel Correia Fernandes, para através de essa análise responder à pergunta de pesquisa: qual o papel do arquiteto na assistência técnica de obra? De acordo com Yin (2005), esse método é apropriado quando a pergunta a ser respondida engloba as seguintes características: qual, como ou porquê. O estudo de caso será definido em cinco fases, conforme os roteiros genéricos de pesquisa que Gil (1991) e Yin (2005) propõem: a) Fase 1 – Definição do Problema b) Fase 2 – Preparação e Coleta dos Dados c) Fase 3 – Análise Inicial d) Fase 4 – Análise Final e Conclusões e) Fase 5 – Relatório Para começar o estudo de caso foi realizada uma entrevista semi-estrutura com o arquiteto responsável pelo projeto e assistência técnica da obra, a fim de coletar todas as informações e dados necessários para compreensão do seu trabalho. Após os dados coletados foi feita a análise do conteúdo. Segundo Berelson (1984) a análise de conteúdo é uma técnica de pesquisa que visa uma descrição do conteúdo manifesto de comunicação de maneira objetiva, sistemática e quantitativa. Com essa análise será elaborada a pesquisa para alcançar os seus objetivos. 1 – ABORDAGEM HISTÓRICA DA ARQUITETURA COMO ENSINO E PROFISSÃO 21 CAPÍTULO 1 – ABORDAGEM HISTÓRICA DA ARQUITETURA COMO ENSINO E PROFISSÃO 1.1 A arquitetura, o arquiteto e a história. Na Antiguidade Clássica e na Idade Média os arquitetos eram figuras anónimas, a quem pertenciam as oficinas e somente por elas é que eram conhecidos. Acompanhavam, como trabalhadores braçais, o desenvolvimento do seu próprio trabalho arquitetónico, sem uma distinção entre projetistas e executores. O projeto de um edifício concluía-se espontaneamente durante a execução e ninguém pensava em definir antecipadamente todos os pormenores da obra. O trabalho intelectual não era reconhecido, nem era diferenciado da atividade operária, apenas havia uma hierarquia de responsabilidades entre as pessoas executoras. A conclusão de um edifício ganhava mérito somente pela ação coletiva das oficinas, sem destaque para o projeto ou para o seu idealizador. As figuras políticas, sociais e a comunidade em cada região do mundo eram quem levava as menções pelas realizações dos monumentos. No Império Romano os imperadores é que ganhavam os méritos pelas elaborações dos grandes edifícios monumentais, mesmo em Roma, que se tornou o maior centro propulsor da atividade da construção. E assim o arquiteto era uma figura oculta, sendo conhecido como o artesão, ou o especialista em alguma determinada tarefa. O surgimento de tecnologias, como por exemplo, o cimento, permitiu o trabalho mais simplificado de operários com menos qualificação na construção, incidindo na perda do valor artístico das construções. As Figuras 01 e 02 representam edifícios dessas épocas, em que não é registado o arquiteto, autor dos projetos. Figura 01 – Templo grego Partenon, Atenas. Século V a.C. Arquitetura Clássica. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 22 Figura 02 – Catedral Gótica, Colónia. 1278-1880. Arquitetura Medieval. No final do século XIII, com o início do Renascimento na Itália, o arquiteto começa a surgir como figura de destaque e importância. As atividades relacionadas com a arquitetura, que até então não eram distintas em projeto e execução, começam a ser separadas. Começa a falar-se do ato de projetar, de desenhar. Benevolo (1987, p.144) afirma que “a atividade de projeto era até aqui considerada de um modo estritamente empírico, como uma sucessão de escolhas entre muitas possibilidades igualmente contingentes”. Surge a necessidade de uma adaptação a um conjunto de regras. Scott (apud Benevolo, 1987, p.144) levanta a questão: “a questão que se levanta já não é apenas: - Será esta forma bela e adequada? – mas, acima de tudo: - Estará correta?” A parte intelectual se torna área de responsabilidade do arquiteto e a braçal dos operários. O arquiteto atinge nessa época o prestígio social nunca antes alcançado, com liberdade e espontaneidade de projetar. Os grandes nomes da arquitetura renascentista remeteram para o esquecimento o trabalho coletivo e anónimo dos artistas medievais e tornaram-se personagens centrais. Surgem os novos estudos do intelecto, o desenho arquitetónico, a descoberta das perspetivas, o uso do ponto de fuga gerando a ideia do infinito, a elaboração de maquetes como método de desenvolvimento de projeto, a relação com a engenharia e com a matemática, o desenvolvimento de pesquisas científicas permitindo um avanço nas técnicas construtivas através de novas experiências e a concepção de novos espaços. 1 – ABORDAGEM HISTÓRICA DA ARQUITETURA COMO ENSINO E PROFISSÃO 23 A Catedral de Florença (Figura 03) representa muito bem a arquitetura desse período a qual possui não somente um arquiteto no seu projeto, mas sim vários e arquitetos renomados na história. Figura 03 – Catedral Santa Maria del Fiore, Florença. Arnolfo di Cambio (projeto base); Filippo Brunelleschi (cúpula); Giotto di Bondone (campanário), 1296-1436. Arquitetura Renascentista. Em meados do século XIX surgem as Revoluções Industriais na Europa e na América, e a sociedade moderna começa a voltar-se para as construções de arranha-céus (Figuras 04 e 05) e de pontes. A arquitetura tradicional, artística e estética da lugar a arquitetura funcional. Com o crescimento urbano, nesta época, torna-se prioritária a habitação em espaço vertical. Novos métodos construtivos e estruturais são descobertos, e novos materiais passam a ser usados no lugar da pedra e da madeira, como o betão, o betão armado e o ferro, e assim eis que surge a engenharia estrutural. Com o amadurecimento de projetos de estruturas civis, a engenharia civil torna-se uma especialidade técnica autónoma. Desde então as profissões e responsabilidades dos arquitetos e dos engenheiros começam a ser distintas e a profissão de arquiteto-engenheiro começa a ser extinta. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 24 Figura 04 – Conjunto Lake Shore Drive, Chicago. Mies van der Rohe, 1951. Arranha-céus. Figura 05 – Stock Exchange Tower, Montreal. Luigi Moretti e Pier Luigi Nervi, 1965. Arranha-céus. Com a abolição dos elementos ornamentais no início do século XX a necessidade de dar relevância aos novos materiais e técnicas e o interesse de ressaltar o facto construtivo, marcou profundamente a formação do arquiteto nesse período. O arquiteto deixou de se sentir o artesão da sua obra, com a eliminação dos componentes simbólicos e referenciais que constituíam a obra de arte na arquitetura antiga. A arquitetura moderna é assim marcada com as características de paredes lisas, em betão aparente, linhas sóbrias, uso do ferro, paredes e coberturas transparentes em vidro, enfim uma arquitetura desligada de qualquer regra. É uma arquitetura funcionalista, que resolve de um modo mais racional os problemas da habitação, do trabalho e da diversão, atendendo, de forma mais equilibrada, às diversas componentes materiais e espirituais. Com esta arquitetura tão racional as profissões do engenheiro e do arquiteto começam a tornar-se imprecisas, levando a confundir as funções de cada um. O arquiteto do século XX não pode abandonar seu lado artístico e criador e deixar-se substituir pelo engenheiro. Cada qual possui a sua função e tem responsabilidades distintas, trabalhando paralelamente um com o outro. 1 – ABORDAGEM HISTÓRICA DA ARQUITETURA COMO ENSINO E PROFISSÃO 25 A obra dos arquitetos modernos fez mudar não só o conteúdo, mas também o significado e o enquadramento conceptual da experiência arquitetónica [...] o arquiteto deve prestar à sociedade um serviço bem definido, isto é, ocupar-se das modificações do cenário físico em que se desenrola a vida quotidiana de cada um: assim sendo, deve considerar simultaneamente as qualidades e as quantidades, e satisfazer, na globalidade, as exigências relativas à vida ativa e à vida contemplativa (BENEVOLO, 1987, p.12). Figura 06 – Villa Savoye, Poissy. Le Corbusier, 1928. Arquitetura Moderna Na Idade Moderna com essa revolução nas cidades que começam a crescer de maneira inédita, com rapidez, transformação da paisagem urbana e rural, o controle e o planeamento do espaço urbano surgem como novas necessidades e responsabilidades dos governantes. “O surgimento da arquitetura moderna identifica-se com a pressão e com a consciência do problema urbanístico” (FILGUEIRAS, 1962, tradução nossa). Nessa era pós-moderna surge então a disciplina do planeamento urbano, responsável pelo processo de criação e desenvolvimento do urbanismo, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida da população nas áreas urbanas existentes ou de planear as novas. O urbanismo é então incrementado nos ensinos de arquitetura formando o profissional arquiteto e urbanista. Deste modo surge uma nova área de atuação e especialização para o arquiteto. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 32 A atividade arquitetónica no sentido tradicional alarga-se até abranger todas as técnicas de projeto que contribuem para formar o ambiente urbano e rural, desde a planificação urbanística até à produção de utensílios. “Os seus campos de atividade são múltiplos – porque múltiplas são as facetas do espaço organizado” (TÁVORA, 1962, p. 74). O conjunto de ideias que envolvem a arquitetura é designado como a síntese de todas as artes, pois é ela quem define e dá lugar aos acontecimentos da vida quotidiana, englobando todo o ambiente habitável. A arquitetura não se enquadra numa definição única, linear e restrita, mas, como toda a arte, está aberta a possibilidades praticamente infinitas. Bem mais do que planear uma construção ou dividir espaços para sua melhor ocupação, a Arquitetura fascina, intriga e, muitas vezes, revolta as pessoas envolvidas pelas paredes. Isso porque ela não é apenas uma habilidade prática para solucionar os espaços habitáveis, mas encarna valores. A Arquitetura desenha a realidade urbana que acomoda os seres humanos no presente. É o pensamento transformado em pedra, mas também a criação do pensamento. Do seu, inclusive. É bom conhecê-la melhor (LEMOS, 1980). A formação em arquitetura abrange diversas áreas de estudos e aperfeiçoamentos que permitem a ampliação de conhecimentos para a elaboração de projetos, estruturas e desenvolvimento de tecnologias, além de capacitar para o design, a decoração de interiores das edificações e o paisagismo. Esse contexto possibilita ao arquiteto uma visão ampliada do todo da obra. Todos estes campos, do urbanismo, à arquitetura, à construção e ao design, ainda estão hoje, em grande parte, a cargo dos arquitetos, porém podemos convencer-nos de que se trata de uma situação em fase de transição; a divisão do trabalho vai determinar a existência de competências especializadas. Profissões como o designer, por exemplo, faz com que estas atividades sejam divididas. Mas essa divisão tem que ser funcional, flexível e sempre variável, não uma divisão estável e conceptual. As tarefas tendem a repartir-se por mais competências, transferindo-se do trabalho individual para o trabalho de grupo, exigindo assim uma integridade cooperativa entre os profissionais. A ligação com outras disciplinas científicas e ramos das artes ocorre de maneira acentuada na arquitetura. A sua associação com a engenharia possibilitou elevar a qualidade técnica das construções e ampliar as dimensões práticas e funcionais das 1 – ABORDAGEM HISTÓRICA DA ARQUITETURA COMO ENSINO E PROFISSÃO 33 mesmas. De forma análoga, o artista plástico, criador de formas e imagens, relaciona-se estreitamente com o arquiteto e chega, muitas vezes, a confundir-se com ele. Com o urbanismo, a arquitetura assumiu um papel social, onde se envolve com outros ramos da ciência, como a sociologia, a ecologia ampliando os seus conhecimentos sobre os fenómenos urbanos e naturais. O arquiteto possui uma formação de base, diversificada e muito sólida, tendo o conhecimento e o entendimento mínimo necessário de todos os setores com que se relaciona para poder identificar e assimilar todas as necessidades que seu projeto pode necessitar e englobar. O arquiteto deve “de saber ver e descrever o todo e as suas partes constituintes ‘ao mesmo tempo’” (PORTAS, 2005, p.432). Dentro desse contexto de amplitude de conhecimentos e de diversidade de áreas de atuação, concordo com Lima (2004) quando cita que esse é um aspecto muito difícil na formação do arquiteto: saber dosear, saber até que ponto aprofundar determinadas áreas do conhecimento que vão ser necessárias. O arquiteto precisa encontrar o seu caminho, e decidir em que direção continuar. Lima (2004, p.31) complementa: O arquiteto é um generalista, não um especialista, tem que estar culturalmente preparado para exercer a sua profissão de uma forma abrangente. Não pode ficar na minúcia, no detalhe. Não deve ficar numa única especialidade, porém, ao mesmo tempo tem que ter o cuidado para não cair na armadilha do saber tudo e ao mesmo tempo não saber nada. As possibilidades são muitas, cabe a cada um identificar-se e aprofundar na direção atraente. As possibilidades são imensas, é necessário o arquiteto saber identificar o que gosta, saber dosear o nível necessário de aprofundamento nas áreas envolventes de atuação para poder ter um diálogo com os demais profissionais e aliado a isso compreender o que se é necessário para a sociedade e o meio em que atua e para assim poder tornar-se um profissional competente e completo dentro das necessidades do mercado. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 34 2 – O ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 35 CAPÍTULO 2 – O ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 2.1 As características positivas do arquiteto. O arquiteto possui sensibilidade e vitalidade para elaborar projetos com criatividade e competência, agindo desde os primeiros contactos com o cliente para compreender todos os seus desejos, interesses, ideias e aspirações até ao resultado final do projeto concluído, pronto para ser executado, conduzindo todas as expectativas, conceções e funcionalidades desejadas pelo dono da obra até torná-lo viável na execução. Um edifício bem concebido é energeticamente eficiente e tem um custo de construção e manutenção menor. Outro aspecto que merece destaque é a capacidade de escuta do profissional para compreender o que o dono da obra pretende com esse projeto e distinguir o que é viável do que não é viável. Esse esclarecimento facilita a manutenção da harmonia entre todas as figuras envolvidas no acompanhamento de uma construção: do dono da obra ao engenheiro, do empreiteiro ao pedreiro. “[...] harmonia é a palavra que traduz exatamente equilíbrio, jogo exato de consciência e de sensibilidade, integração hierarquizada e correta de fatores” (TÁVORA, 1962, p. 14). O papel do arquiteto mostra-se estratégico para a integração de todos os agentes envolvidos no processo da construção. A estética é outra caraterística importante do processo. A preocupação da qualidade estética deve estar presente desde a apresentação de um layout de prancha até a conclusão do interior de uma obra. Uma edificação vista e executada sobre um olhar estético resulta em mais sensibilidade para o lado humano. O arquiteto é um profissional que trabalha para si e para toda a sociedade. Nesse cenário, a organização e a disciplina estão acima de tudo e são as peças chave na assistência e na gestão de uma obra. “Ordem significa a disposição regular e perfeita de todas as partes que contribuem para a constituição de um todo belo; a ordem é, portanto, o oposto da confusão” (BENEVOLO, 1987, p.18). A elaboração de organogramas, cronogramas, fluxogramas, planilhas, controles e fichas são instrumentos que possibilitam o controle da execução do projeto e ajudam a desencadear os encaminhamentos necessários. O poder de organizar decorre da caraterística da personalidade individual de cada pessoa e das suas competências e habilidades. Saber organizar uma obra é fazer a descentralização das ações e designar as atividades necessárias para as figuras mais apropriadas e capacitadas para desenvolver as respetivas O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 36 atividades. Távora (1962) já afirmava que o espaço é contínuo, não pode ser organizado com uma visão parcial. Os princípios básicos da administração são fundamentais para a elaboração de uma construção. Como planeamento, organização, comando, coordenação, direção e controle. Primeiramente faz-se planeamento dos produtos, ou seja, os projetos, a coordenação dos projetos. E na sequência do planeamento vem o acompanhamento dos processos de produção, ou seja, os materiais e a obra propriamente dita. Ao utilizar os referidos fundamentos, o arquiteto contribui decisivamente para a qualidade arquitetónica de uma obra. O arquiteto está tradicionalmente ligado ao desenho, à funcionalidade e à estética das edificações. O seu trabalho fica num meio termo entre o rigor construtivo da engenharia e os conceitos de beleza herdados das tradicionais Escolas de belas artes, devidamente reformulados pelos teóricos do século XX, sem falar de outros aspetos técnicos que têm mais a ver com ele do que com outras especializações como: o conforto térmico, a circulação, a ventilação, a insolação e o bem-estar humano como um todo. (Cf. CAMPOS, 2012) Em 1986 ocorreu o Encontro Nacional sobre Qualidade na Construção, em Lisboa e para ilustrar este Encontro escolheram dois ideogramas representados nas Figuras 12 e 13: a flor e o diamante. Com a flor pretende-se exprimir a forma global pela qual deverão ser tratados os problemas da construção. A ciência da construção deve apoiar-se em todo um conjunto de domínios científicos e técnicos, constituindo um todo harmonioso. Paralelamente, o diamante, evidencia quais as principais atividades que podem e devem contribuir para a qualidade da construção. Quanto mais abrangentes forem o ensino de arquitetura, as áreas de conhecimentos e a atuação do profissional arquiteto mais a sua construção será de qualidade. (Cf. BORGES, 1988) 2 – O ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 37 Figura 12 – Flor da qualidade da construção civil. Figura 13 – Diamante da qualidade da construção civil. A arquitetura envolve uma prática criativa, humana, e sensorial a qual os arquitetos possuem o conhecimento e a capacitação. E após compreender as caraterísticas e qualidade do arquiteto pode-se perceber o quão importante é tê-lo no seu processo de construção, desde o princípio do projeto até à conclusão da obra. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 38 2.2 Assistência técnica: o apoio do fazer acontecer. Decreto Lei n.º 31/2009 de 3 de Julho: Assistência técnica é o conjunto de serviços a prestar pelo autor de projeto ao dono da obra, ou seu representante, sem prejuízo do cumprimento de outras obrigações legais ou contratuais que lhe incumbam, que visam, designadamente, o esclarecimento de dúvidas de interpretação do projeto e das suas peças, a prestação de informações e esclarecimentos a concorrentes e empreiteiro, exclusivamente através do dono da obra, e ainda o apoio ao dono da obra na apreciação e comparação de soluções, documentos técnicos e propostas. Conforme a Lei, o assistente técnico de obras tem como função dar apoio técnico ao dono da obra, ao executor, ao diretor da obra e a todas as pessoas envolvidas nos aspectos técnicos da execução dos seus projetos. O arquiteto possui as diversas caraterísticas positivas já mencionadas para poder atuar como assistente técnico, gerenciador, coordenador, gestor ou fiscal de uma construção. O arquiteto, como representante técnico, é um referencial para uma edificação, na medida em que utiliza as suas habilidades e competências para garantir a qualidade arquitetónica da execução da obra. O assistente técnico colabora com a obra no sentido de auxiliar no cumprimento dos objetivos preestabelecidos de qualidade, custo e prazo, auxiliando na superação das dificuldades decorrentes de mudanças no planeamento e da ocorrência de problemas durante a execução, dando o seu apoio técnico em todos os momentos. É um dever do arquiteto acompanhar toda esta fase da materialização do trabalho desenvolvido nos projetos, certificando-se de que o seu próprio projeto está a ser cumprido a risca. Nesta fase, como o autor e possuindo uma visão muito clara do projeto no seu todo, o seu papel é o de esclarecer dúvidas de interpretar e de prestar informações complementares do seu projeto, auxiliando a todos e cada qual em sua especificidade. Um arquiteto tem um olho clínico para identificar pequenos detalhes, defeitos ou deficiências, e mais afinado ainda para detalhes de acabamento que os engenheiros, que por sua própria formação, não se sentem na obrigação de os perceber tão minuciosamente. Este tipo de percepção do detalhe está embutido na alma do arquiteto (Cf. CAMPOS, 2012). 2 – O ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 39 Caminhemos, sim, do geral para o particular mas que o estudo do geral não invalide o estudo do particular, pois que um não pode viver sem o outro por indissociáveis e a dificuldade está exatamente no equilíbrio sábio e harmónico destes extremos, aparentemente opostos mas realmente complementares (TÁVORA, 1962, p. 19). As atividades dentro de uma obra têm de se conjugar, numa mesma linha e direção, embora cada qual com suas especificidades, num intercâmbio de informações e em equilíbrio harmónico no sentido de concretizar o geral, o todo, a obra. A dimensão da equipa profissional das diversas especialidades não influi diretamente na qualidade e eficiência do trabalho. Uma equipa grande não quer dizer que terá sempre qualidade positiva, como também uma equipa pequena não será sempre negativa. Tudo está relacionado com a qualidade, nível de competência, experiências e especificidades dos membros. É necessário que uma obra seja coordenada através de boas relações, de modo a estabelecerem-se sinergias de trabalho, onde cada um desempenha a sua função sem interferências negativas nos trabalhos que estão a decorrer em simultâneo. Lima (2004, p.31) afirma que “o instrumento para realizar uma obra é um instrumento técnico. [...] Quando o arquiteto domina o suficiente para dialogar com os especialistas, tem um instrumento muito mais forte de realização para seu projeto”. É isto que assenta o ensino da arquitetura. Quando o arquiteto possui uma base abrangente de conhecimentos técnicos, o diálogo com todas as envolventes é facilitado. Para além do conhecimento técnico para dialogar, o arquiteto precisa de saber lidar com o ser humano, pois ele é a figura central e principal de todo o seu trabalho. “Que a par de um intenso e necessário especialismo ele coloque um profundo e indispensável humanismo” (TÁVORA, 1962, p. 74). Saber conversar, compreender, formar parcerias, desenvolver bons contactos para, a partir disto, poder desenvolver um bom trabalho. Conforme afirma Benevolo (1987, p.9) ao “arquiteto interessa principalmente a distribuição das forças empregues e a sua relação com o resultado, onde o crítico toma em consideração o resultado”. No caso, o crítico é o cliente e dono da obra; o resultado final da edificação é o que ele irá avaliar. Para esse resultado com qualidade ser alcançado o seu desenvolvimento tem que ser com alto desempenho. É função do arquiteto relacionar as forças do desenvolvimento do trabalho com o resultado final desejável e qualificado. É comum as pessoas pensarem na construção apenas como um empreendimento, O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 40 esquecendo-se de que aquele edifício vai abrigar seres humanos, que vão exercer as suas atividades naquele espaço durante décadas a fio. (Cf. CAMPOS, 2012) Deste modo o papel do arquiteto é também o de manter preocupações com o ambiente construído, pensando no futuro dos humanos que habitarão aquele espaço, como se fosse um espaço que ele próprio um dia poderia habitar. Benevolo (1987) considera ainda que não existe nenhum momento decisivo em que a obra possa considerar-se perfeita. Uma obra sempre poderá ser melhorada, reformada, ampliada, mudada. O que existe é o momento em que o profissional acha satisfatório finalizar um projeto e colocá-lo em execução, não dependendo apenas de uma análise estética, mas também de uma decisão prática organizacional de todo o processo de seu trabalho. Na visão de Lima (2004) uma obra só deixa o arquiteto realizado quando está bem ocupada, funcionando, pois um processo de arquitetura é composto por quatro etapas: o anteprojeto, o projeto em si, a execução e, por último, a ocupação. É somente após essas quatro etapas cumpridas que o processo se pode dizer concluído. 2.3 Uma evolução no método de projetar: BIM – Building Information Modeling. A modernização do setor da construção civil tem exigido a necessidade de evolução e modernização organizacional, tecnológica e produtiva no processo da elaboração de projetos. Estas ações devem ter responsabilidades tanto dos profissionais de projeto, como pelos profissionais da promoção e produção das edificações, através da coordenação e compatibilização de soluções de projetos e verificação de conformidades com as análises críticas (Cf. NOVAES, 1998). Esse avanço vem exigindo que as construtoras reorganizem o modo de pensar, elaborar estratégias e agir. Torna-se necessário estabelecer uma rede de conexão entre quem constrói e os projetistas, através de um intercâmbio de informações cada vez mais eficientes, onde os projetos dos arquitetos e/ou projetistas são mais elaborados, completos e adequados aos sistemas de construção, gerando uma maior gama de informações para a obra e assim a execução possa ser sempre fiel ao projeto. Torna-se ainda necessário por parte da construtora a troca de informações para o projetista sobre os sistemas construtivos, das tecnologias em evidência e o desenvolvimento da obra. Assim se estabelecerá uma parceria completa através de uma rede de informações (Cf. FABRICIO e MELHADO, 1988). 2 – O ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 41 BIM, Building Information Modeling, é uma evolução na informação e no modo de se trabalhar, no ramo da arquitetura e engenharia. É uma nova metodologia de trabalho de projeto para a construção civil, aplicado na arquitetura e engenharia, onde se agregam todas as informações do ciclo de vida de uma edificação, desde a elaboração inicial dos projetos e processos construtivos, até às instalações e ao uso do edifício, envolvendo a geometria, as relações espaciais, as informações geográficas, as planificações, as quantidades e propriedades construtivas dos componentes da construção. Diversos softwares podem ser utilizados para trabalhar com essa metodologia, como por exemplo, Revit, Archicad, Sketchup, VectorWorks, entre outros. A Figura 14 apresenta um esquema do funcionamento da metodologia BIM. Figura 14 – Esquema gráfico da metodologia BIM. A construção é um trabalho de equipa e a metodologia BIM está a reformular a forma como as equipas de projeto trabalham juntas para aumentar a produtividade e melhorar os resultados para todos. Este é o motor da evolução mais transformadora que a indústria da construção já experimentou (Cf. YOUNG, JONES e BERNSTEIN, 2008, tradução nossa). As vantagens do uso dessa metodologia são: a análise do todo e das suas partes envolventes, a praticidade e a agilidade no desenvolvimento dos projetos, na elaboração dos desenhos, no planeamento e orçamento da construção e na constituição das equipas de projeto e obra. Assim através de uma única ferramenta, todas as partes e os elementos envolvidos para a validação e execução de uma edificação estão inseridos, interligados e O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 48 A pesquisa exploratória consiste em proporcionar maior familiaridade com o problema, tendo em vista torná-los mais explícitos ou construir hipóteses (GIL, 2002). De acordo com Diehl e Tatim (2004) a pesquisa descritiva tem como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenómeno. Na elaboração desta pesquisa foram utilizadas fontes científicas como referência bibliográfica, entre eles: livros, legislações, dicionários, artigos, dissertações e teses, referentes à arquitetura, a história da arquitetura, engenharia, construção civil, assistência técnica, gestão, fiscalização e direção de obra, como também literaturas voltadas para metodologias de trabalhos acadêmicos. 3.1.2 Sujeito da pesquisa e a colheita de dados A primeira colheita de dados foi realizada através de uma entrevista com um roteiro de perguntas semi-estruturadas (APÊNDICE A) com o profissional Arquiteto Manuel Correia Fernandes, autor do projeto e responsável pela assistência técnica da obra. Essa entrevista foi gravada e posteriormente transcrita. Juntamente com a entrevista foi preenchido um quadro com os dados da obra, com o objetivo de resumir informações mais sucintas da obra (APÊNDICE B). Para as visitas à obra foi elaborada uma tabela de diário de obra, preenchida em cada visita (APÊNDICE C). Como também um roteiro semiestruturado de itens para análises e questionamentos para as visitas técnicas com o arquiteto (APÊNDICE D). O planeamento para a coleta de dados foi baseado na sistematização do esquema da Figura 19: Figura 19 – Sistematização para o planeamento da coleta de dados. 3 – ESTUDO DE CASO: SACHE SERRALVES 49 A entrevista significa uma conversa despretensiosa e neutra, uma vez que se insere como meio de colheita dos factos relatados pelos atores, enquanto sujeitos-objeto da pesquisa que vivenciam uma determinada realidade que está sendo focalizada, podendo ser denotadas formas objetivas e subjetivas nos dados coletados (Cf. NETO, 1994). O mesmo autor traz observações quanto às estratégias que podem ser utilizadas na pesquisa no registo das falas que pode ser trabalhado com um sistema de anotação simultânea da comunicação, ou fazer uso de gravação. Nessa pesquisa foi utilizado o uso de gravação da entrevista na íntegra, como também foram feitas algumas anotações simultâneas de tópicos em destaques. O roteiro de entrevista, para Minayo (2007, p. 187) “é uma lista de temas que desdobram os indicadores qualitativos de uma investigação. [...] deve apresentar simplicidade de alguns tópicos que guiam uma conversa com finalidade”. 3.1.3 Análise de dados O método escolhido para análise de dados foi a análise de conteúdo. Segundo Minayo (1994) através da análise de conteúdo, pode-se encontrar respostas para as questões formuladas e também se pode confirmar ou não as afirmações estabelecidas antes do trabalho de investigação. Cronologicamente, a análise de conteúdos pode abranger as seguintes fases: préanálise, exploração do material, tratamento dos resultados obtidos e interpretação. Na primeira fase, organiza-se o material a ser analisado, faz-se a leitura do mesmo e divide-se por categorias. Na segunda fase, aprofunda-se mais o material coletado. Na terceira fase, tenta-se desvendar o conteúdo subjacente ao que está sendo manifesto (MINAYO, 2007). Para a análise de dados da entrevista transcrita conforme a fala do participante, as questões foram minuciosamente colocadas em categorias e subcategorias, a fim de as dividir em temas e subtemas a serem abordados, de acordo com os objetivos da pesquisa. Para ressaltar aspectos relevantes do projeto e da execução da obra do SACHE Serralves foi importante abordar pontualmente a vida profissional do arquiteto Manuel Correia Fernandes e a sua atuação na assistência técnica à obra em Serralves. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 50 Foram estabelecidas previamente as seguintes categorias na análise dos dados:  Perfil académico do Arquiteto Manuel Correia Fernandes.  Perfil profissional do Arquiteto Manuel Correia Fernandes.  Linguagem arquitetónica do arquiteto.  Informática na profissão do arquiteto.  Valorização do profissional arquiteto.  Características do projeto SACHE Serralves.  Concepção do projeto SACHE Serralves.  Gestão de obras em Portugal.  Assistência técnica da obra do SACHE Serralves.  Relações dos profissionais.  Problemáticas do projeto e da obra SACHE Serralves. 3.2 O Arquiteto: Manuel Correia Fernandes Figura 20 – Arquiteto Manuel Correia Fernandes Manuel Correia Fernandes, português, nasceu na cidade de Espinho no ano de 1941. A sua vontade de estudar arquitetura surgiu muitos anos antes mesmo de concluir o Liceu com a ideia de que gostaria de fazer casas. “Fascinava-me o trabalho do carpinteiro, o trabalho do pintor e à medida que o tempo foi passando nasceu em mim a ideia de que fazer casas, era uma atividade muito interessante, porque eu via nascer coisas” 3 – ESTUDO DE CASO: SACHE SERRALVES 51 (FERNANDES, 2013). Porém na época o curso de arquitetura não era bem visto pela sociedade e assim ingressou no curso de engenharia, mas sempre com a ideia de mudar para a arquitetura. Cursou engenharia, por um período de somente dois anos e, enfim, mudou e reiniciou o curso de arquitetura. Em 1966 licenciou-se em arquitetura pela Escola Superior de Belas Artes do Porto. Ao concluir o curso iniciou o exercício da profissão de arquiteto de imediato. Fernandes (2013) afirma que na verdade a sua inserção no mercado de trabalho começou ainda antes do fim do curso, como estudante: aos fins de tarde, quando saía das aulas ia para os escritórios ou ateliers de arquitetos mais velhos. O seu primeiro emprego, durante dois anos, foi numa empresa de construção. A sua entrada no mercado de trabalho foi demasiado fácil, em certo sentido, porque os projetos que fazia na empresa de construção eram feitos num contexto de muito apoio técnico. “Cheguei a pensar que fazer arquitetura era muito fácil” afirma Fernandes (2013). Mas quando saiu da empresa verificou que não era bem assim. Criou o seu próprio atelier de arquitetura. No início com as dificuldades comuns, mas sempre evoluindo. “A vida é que nos vai trazendo e levando as oportunidades” (FERNANDES, 2013). Em 1999, o atelier converteu-se na sociedade Manuel Correia Fernandes, Arquitecto & Associados, Lda. – MCF.A&A a qual se mantém até hoje. “A minha profissão é fazer obras e não é fazer projetos” (FERNANDES, 2013). A sua maneira de trabalhar é sempre fazer os projetos e acompanhar as obras, pois a função principal do arquiteto é projetar para fazer obras e construir, fazer acontecer o projeto, e não acumular diversos projetos que não saem do papel. Durante três anos, entre 1969 e 1971, esteve na guerra de Angola onde exerceu, juntamente com um colega, a atividade de arquiteto militar. Quando regressou ao Porto começou a dar aulas no curso de arquitetura, na Escola de Belas Artes, passando depois para a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. Aí, Fernandes, ao mesmo tempo que lecionava, fez outro curso acadêmico concluído em 2009, ano em que se reformou. Começou como assistente e acabou como professor catedrático. As sua atividade foi sempre a de professor que ensina e produz mantendo ativo o seu atelier de arquitetura. Além de transmitir os seus conhecimentos nas aulas e de orientar o seu atelier o arquiteto Fernandes já foi dirigente da Associação dos Arquitetos e da Ordem dos Arquitetos Portugueses. Atualmente é vereador da Câmara do Porto, onde Fernandes (2013) afirma que é intenso o seu envolvimento na perspectiva do urbanismo, em questões O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 52 de ordem social e nas questões da ordem da participação dos cidadãos, seja no seu espaço de habitação, seja no das suas instituições, seja na forma como a cidade está ingerida em termos gerais. Com frequência participa em atividades diversas, como em colóquios e conferências em Portugal e no estrangeiro. Escrever na imprensa diária é também um interativo que faz parte das suas atuações como profissional. O arquiteto foi membro da Comissão Executiva do Conselho de Administração da Sociedade Porto 2001, tendo sido responsável do Pólo de Reabilitação Urbana, definindo os critérios para os projetos da Baixa do Porto. “Eu dediquei muito da minha atividade profissional, por razões que a vida determinou à habitação” (FERNANDES, 2013). A habitação é o ramo da arquitetura em que Manuel Correia Fernandes mais atua e se destaca. No século XX, em função do enorme crescimento das cidades, a habitação era algo essencial e necessário. O SAAL, Serviço Ambulatório de Apoio Local, foi um programa de habitação económica, que se desenvolveu durante dois anos na década de 70, onde o arquiteto esteve presente na organização geral do movimento e do serviço. Com o objetivo de fazer casas, ajudar a fazê-las, ajudar a criar espaços habitáveis para construir algo que até o momento não existia. Desta forma Fernandes (2013) afirma que a habitação foi uma daquelas temáticas que mais o interessou profissionalmente. Nessa área foi ganhando experiência, a ponto de ser reconhecido como o arquiteto ideal para trabalhar principalmente em habitações de caráter cooperativo. Figura 21 – Conjunto de habitação económica da Bouça. Projeto do Arquiteto Álvaro Siza Vieira. 3 – ESTUDO DE CASO: SACHE SERRALVES 53 Em simultâneo com os projetos habitacionais cooperativos, ligou-se a questões relacionadas com a cidade e o urbanismo: construiu habitações individuais, chamadas vivendas, casas de férias ou sem ser de férias, fez recuperação de casas, construção de fábricas e de hotéis. Portanto, tenho um perfil que está muito ligado em termos temáticos à habitação, em termos técnicos construtivos a construção nova; mas há muita reabilitação também, muita intervenção. Tenho intervenção pontual, maior ou menor, a nível estratégico do urbanismo, portanto, das políticas de cidades (FERNANDES, 2013). Entre os seus inúmeros trabalhos executados pode-se destacar o conjunto habitacional cooperativo SACHE Aldoar (Figura 22), que integra três cooperativas de habitação construídas em três épocas distintas, entre 1979 e 1996: a Cooperativa Habitacional Nova Ramalde e a Cooperativa de Habitação Económica do Ilhéu, ambas no Porto, e o conjunto habitacional de Telheiras, em Matosinhos. Figura 22 – SACHE Aldoar. A respeito da linguagem arquitetónica do arquiteto, ou seja, da sua forma de expressão própria, Fernandes (2013) diz que não escolhe antes o que vai fazer. As escolhas partem de um conjunto muito indefinido de intuições. Isto é, qualquer coisa que só posteriormente se pode definir. O que não quer dizer que em determinados momentos não O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 54 tenha escolhido qualquer coisa que fosse a raiz do projeto. A sua maneira de conceber um projeto é determinada pelo sítio e pelo tipo de cliente, que é quem vai viver na casa. Tem em conta os seus interesses, os seus desejos, o que pretende relativamente a ambientes e espaços. Segundo a posição do arquiteto as ideias de projeto estão sempre ligadas ou as obras que se conhece ou aos personagens que se associam a determinado contexto ou as experiências próprias vivenciadas. Tudo isso validado depois de um conjunto de raciocínios em torno de quem usará o edifício, de quanto custará e de qual será a durabilidade. A qualidade de um projeto precisa ser analisada como um todo, e as suas partes individuais, pois a ineficiência em uma parte pode prejudicar a qualidade global, e a análise somente do global pode gerar deficiências nas partes. Quando concluídas as construções das edificações elas não se tornam elementos estagnados. Há sempre vida nos edifícios, a ocupação dos humanos faz o edifício a estar sempre em movimento. “Esse processo comunica-se através da escrita rigorosa de todos os componentes que integrarão a edificação e só se termina e se esclarece quando, uma vez construído o projeto, é permitida a sua experimentação e fruição vivenciais, quer espacial, quer funcional” (BASTOS, 2006, p.2). E deste modo faz-se necessário pensar-se na ocupação e consequentemente na manutenção e conservação dos edifícios, onde tudo gera custos para os utilizadores. Baseado nisso o arquiteto sensibiliza-se muito para a questão da durabilidade da construção, da facilidade de manutenção e para o baixo custo pósocupação, através do uso de materiais de qualidade para que a vida da construção se torne mais simples. O arquiteto deixa sempre a livre arbítrio do dono da casa as decisões pósocupação, pois para ele “é uma forma de eu entender que na arquitetura, eu faço obra, obra é pra alguém que vai viver nela” (FERNANDES, 2013). A característica projetual que marca as obras de Manuel Correia Fernandes é o tema do pátio, tanto para conjuntos habitacionais, como também para pequenas residências; sempre que viável o pátio está presente. Caracteriza também os contrastes de materiais e volumes, com o uso de formas com relação entre o forte e o fraco; o seu marcos é, por exemplo, uma costa de pedra e uma frente de vidro. “Olhando agora para tudo quanto fiz, eu quase que posso dizer que eu fiz sempre o mesmo projeto” conclui Fernandes (2013). O projeto é que vai assumindo formas diferentes de acordo com todas as influências. Os seus projetos possuem normalmente as 3 – ESTUDO DE CASO: SACHE SERRALVES 55 mesmas características marcantes como o pátio e os contrastes, sempre muito bem resolvidos, evidenciando e caracterizando assim a sua própria arquitetura. 3.3 O uso da informática no trabalho do arquiteto. O escritório MCF.A&A do arquiteto Manuel Correia Fernandes utiliza programas relacionados com a metodologia BIM – Building Information Modeling, porém o próprio arquiteto não faz uso destes programas. “Isso para mim é uma área que eu devo dizer que muitas vezes e momentos me cria mais problemas do que resolve” (FERNANDES, 2013). O seu método de trabalho é o desenho à mão, possui o hábito do desenho e tem preferência por ele. Com os anos de experiências, o seu desenho é feito com certo rigor. Para o arquiteto ainda há poucos métodos que resolvam melhor o problema da coordenação das várias peças de projeto do que o processo do papel transparente. Utiliza o computador para ter informações mais rigorosas, como por exemplo, fazer a verificação com exatidão das ventilações, insolações, volumetrias. Porém Fernandes afirma que não possui grandes dificuldades em fazer essas mesmas avaliações, de modo sensitivo e distintivo e não quantitativo, sem o uso de tais ferramentas. Na sua opinião as ferramentas que elaboram modelos em 3D funcionam mais para quando o cliente quer ver a imagem mais real de seu projeto, quando quer mostrar para o cliente aquilo que está a pensar e não para o uso na elaboração dos seus projetos. Esses mecanismos servem como facilitadores do trabalho; antigamente era necessário fazer diversas maquetes físicas ao longo do processo, e agora tem facilmente estes recursos para serem utilizados. Mas Fernandes afirma que tais ferramentas devem ser utilizadas, porém não em excesso. Para Fernandes o uso de programas de computadores não são muito importantes, exceto em casos muito complicados em que para se compreender algo é preciso uma ferramenta que nos dê uma informação mais fiável e mais rápida, para poder dar continuidade no processo do projeto. Fernandes (2013) assume que tais tecnologias da informática são instrumentos, são preciosos, mas presume que não sabe dizer grandes coisas sobre as mesmas, por não fazer parte de seu trabalho no cotidiano. Arquitetos que não possuem muito contacto direto com as ferramentas da informática costumam encaixar-se na mesma visão do arquiteto Manuel Correia Fernandes. A metodologia BIM é uma evolução do método de trabalhar com programas de O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 56 informática. Desenhos, planilhas, modelos em 3D, entre outras atividades relacionadas com projetos que antes eram cada uma delas desenvolvidas em programas diferentes, hoje são incorporadas num único sistema. Portanto, para quem já não possui a afinidade com o uso de programas distintos, é mais difícil compreender a facilidade e a evolução que tem no trabalho ao utilizar um software da metodologia BIM. 3.4 O papel do arquiteto e a sua valorização na perspectiva de Manuel Correia Fernandes. “É quase impensável que uma obra possa ser feita sem a presença do arquiteto” (FERNANDES, 2013). A figura do arquiteto sempre esteve presente, desde os primórdios da história, no ramo das construções. Inicialmente ela era oculta no meio da sociedade, mas ao longo dos séculos foi surgindo e ganhando destaque. Atualmente não se pode pensar na elaboração de um projeto e sua construção sem a figura do arquiteto. A função do arquiteto é fazer obras, é construir, pois a arquitetura é efetivamente a obra. O projeto é uma parte desse grande processo, é a parte responsável por fazer a comunicação. É dentro dessa função do profissional que entra, então, a responsabilidade por fazer o acompanhamento e a assistência técnica à obra (FERNANDES, 2013). Até o século XVIII as profissões de arquitetura e engenharia não estavam destrinçadas. Com a criação da Escola de Pontes e Calçadas de Chaussées em Paris é que surge essa distinção. Até então, o arquiteto confundia-se com o engenheiro, que, por sua vez, se confundia com o militar, hoje em dia, chamado engenheiro militar. Porém, na antiguidade os nomes e as funções não existiam especificamente para cada profissão e então eram chamados indistintamente de construtores, mestres de obras, arquitetos. Somente após a criação da escola que se separa as profissões é que começa uma nova tradição no ramo da construção civil. Passou-se então por uma época de clarificação das funções de cada um. Nos anos 50, 60 deste século, o curso de arquitetura ainda era um curso pouco valorizado, do ponto de vista social. Somente a partir dos anos 70, 80, com a função do arquiteto totalmente distinta da do engenheiro, é que a profissão ganha um estatuto social. 3 – ESTUDO DE CASO: SACHE SERRALVES 57 Ganha muita importância, sobretudo com o surgimento da área do urbanismo. Fernandes (2013) afirma que, com a vontade de construir muito, em quantidade e com qualidade, com diversificação de programas, já não era apenas a casa, mas sim todo o seu equipamento, tornou-se necessária a existência de um técnico com o perfil do arquiteto. Assim ele tornou-se também necessário na construção da própria cidade, em função de critérios qualitativos e não estritamente quantitativos ou físicos. A industrialização trouxe o crescimento das grandes cidades, o que gerou um problema da habitação. A necessidade de alojar toda a população que se mudou para as cidades, fez com que os arquitetos a assumissem de forma muito frontal. A profissão do arquiteto é abrangente a ponto de abordar a construção, o urbanismo, o designer, a cenografia, a produção industrial; e a partir desses campos ainda se especializar em determinadas áreas como, projetos de fábricas, hospitais, móveis, etc. Todas as envolventes do mundo sempre necessitarão da presença de um arquiteto para construir o necessário e o desejado. Deste modo Fernandes (2013) conclui que o arquiteto se assemelha a um Deus. 3.5 O projeto: SACHE Serralves. A SACHE – Solidariedade e Amizade, Cooperativa de Habitação Económica, é uma cooperativa da cidade do Porto, Portugal, que tem o objetivo de construir edificações residenciais económicas nesta região. Após a construção do conjunto habitacional SACHE Aldoar, de grande destaque arquitetónico na cidade, o empreendimento em construção é o Conjunto Habitacional SACHE Serralves. Localizado nos terrenos da antiga Fábrica de Lanifícios do Lordelo, próximo a Fundação de Serralves, na Rua de Serralves e Travessa da Mouteira, na Freguesia de Lordelo do Ouro, cidade do Porto, em Portugal. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 64 E, desta forma, unindo a função, a estética e a técnica adaptado ao sítio e às condicionantes, nasceu o plano para este conjunto habitacional (Figura 26), que está em construção. Figura 26 – Conjunto habitacional SACHE Serralves em construção. 4 – ACOMPANHAMENTO DA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DO ARQUITETO NA OBRA 65 CAPÍTULO 4 – ACOMPANHAMENTO DA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DO ARQUITETO NA OBRA 4.1 Gestão de obras em Portugal. De acordo com a legislação portuguesa, o processo de construção de uma edificação, sendo ela privada ou pública, possui alguns personagens que sempre deverão existir. São eles o dono da obra, o autor do projeto, a assistência técnica, o diretor de obra e o diretor de fiscalização de obra. Tais figuras são definidas pelo Decreto Lei n.º 31/2009 de 3 de julho como:  Dono da obra: a entidade por conta de quem a obra é realizada [...] bem como qualquer pessoa ou entidade que contrate a elaboração de projeto.  Autor de projeto: o técnico ou técnicos que elaboram e subscrevem, com autonomia, o projeto de arquitetura, cada um dos projetos de engenharia ou o projeto de paisagismo, os quais integram o projeto, subscrevendo as declarações e os termos de responsabilidade respectivos.  Assistência técnica: os serviços a prestar pelo autor de projeto ao dono da obra, ou seu representante, sem prejuízo do cumprimento de outras obrigações legais ou contratuais que lhe incumbam, que visam, designadamente, o esclarecimento de dúvidas de interpretação do projeto e das suas peças, a prestação de informações e esclarecimentos a concorrentes e empreiteiros, exclusivamente através do dono da obra, e ainda o apoio ao dono da obra na apreciação e comparação de soluções, documentos técnicos e propostas.  Diretor de obra: o técnico habilitado a quem incumbe assegurar a execução da obra, cumprindo o projeto de execução e, quando aplicável, as condições da licença ou comunicação prévia, bem como o cumprimento das normais legais e regulamentares em vigor.  Diretor de fiscalização de obra: o técnico, habilitado nos termos da presente lei, a quem incumbe assegurar a verificação da execução da obra em conformidade com o projeto de execução e, quando aplicável, o cumprimento das condições da licença ou da comunicação prévia, bem como o cumprimento das normas legais e regulamentares aplicáveis, e ainda o desempenho das competências previstas no Código dos Contratos Públicos, em sede de obra pública. De acordo com tais definições pode concluir-se que o dono da obra é o pivô de todo o processo, sendo a pessoa com quem todos os demais terão relações diretas e terão os seus O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 66 contratos feitos; é ele quem assume dentro das condições legais todas as responsabilidades. O autor do projeto é a primeira figura a aparecer no princípio do processo, e normalmente é o dono da obra que o escolhe, de acordo com afinidades, estilos e conhecimentos. A assistência técnica é feita pelos autores do projeto, dando o apoio necessário para o dono da obra e para as demais figuras na compreensão de seu projeto, sendo essa atividade a única obrigatória a ser feita pelo arquiteto, ou seja, pelo autor do projeto. Na gestão das obras as tarefas são divididas legalmente em duas grandes categorias, que são a direção técnica da obra e a fiscalização da obra. A direção da obra é o personagem que dirige o estaleiro e que dirige a obra propriamente dita. A atividade da fiscalização pode ser feita pelos autores do projeto, mas, por funções de logística de trabalho, normalmente não é, sendo realizada por empresas especializadas em fiscalizar obras. Portanto mesmo todos esses personagens possuindo as suas funções distintas eles estão diretamente sempre interligados com um objetivo único que é a execução e a conclusão da obra com qualidade, de acordo com o projeto, cumprindo as normas e leis impostas. 4.2 Assistência técnica no SACHE Serralves segundo o Arquiteto Manuel Correia Fernandes. O arquiteto, ou seja, o autor do projeto é o primeiro personagem a aparecer num processo de construção. E geralmente como é o dono da obra que faz a escolha pelo arquiteto é natural que esta relação seja uma relação de confiança e parceria. Fernandes (2013) diz que se as relações pessoais, institucionais e empresariais correm bem, a relação de confiança se mantém ao longo de todo processo. Porém, afirma que às vezes é o contrário, correm mal, por qualquer razão e a consequência natural disso é uma obra, de certeza, mais cara, que demora mais tempo, com menos qualidade, portanto, o fruto de uma relação pouco feliz. Essa relação de confiança influi diretamente na qualidade do projeto e no seu desenvolvimento. A qualidade do projeto e sua coordenação bem elaborada têm influência direta no resultado final positivo de um empreendimento. Um projeto deficiente poderá gerar problemas e conflitos, às vezes imprevisíveis, ao longo de todo o processo, causando 4 – ACOMPANHAMENTO DA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DO ARQUITETO NA OBRA 67 prejuízos e insucesso. Um empreendimento necessita de garantir a sua qualidade antes, durante e após a sua execução (Cf. COUTO, TEIXEIRA, 2006). A assistência técnica é o acompanhamento da obra feito pelo autor do projeto, no caso do SACHE Serralves, do arquiteto Manuel Correia Fernandes, ou pelos demais colaboradores de seu escritório MCF.A&A. Nesta obra, especificamente, é o próprio arquiteto que costuma ir, sendo ele o único agente por onde passam todas as decisões, por razões de controle da situação. Os outros colaboradores vão para fazer trabalhos pontuais, mas ele é que é o filtro. O trabalho da assistência técnica decorre desde o princípio das obras e continua nos seis ou sete meses que ainda restam de execução, até a sua conclusão, com visitas, de duas ou três vezes por semana, que duram duas a três horas cada uma, excer quando há necessidade de uma ida pontual para prestar assistência a algo que está a decorrer. Essa assistência tem como objetivo acompanhar e garantir que o projeto seja cumprido e executado corretamente. Nesta obra em Serralves o arquiteto possui somente a responsabilidade da assistência técnica. A fiscalização e a direção da obra são feitas por outras pessoas. As relações entre as várias personagens são feitas através do dono da obra. Quando o arquiteto lá vai, dirige-se a fiscalização para saber como estão a decorrer as execuções, pois é ela que tem por missão garantir o exato cumprimento do projeto. “Para este mundo tecnológico contemporâneo, o arquiteto projeta segundo uma ideia de construção, em que o nível de perícia dos vários executantes da obra é uniformemente elevado” (BASTOS, 2006, p.1). Normalmente, num dia da semana há uma reunião de obra, envolvendo o dono da obra, o arquiteto, a fiscalização e o diretor da obra para se fazer a coordenação geral dos trabalhos. O diálogo entre o arquiteto, os engenheiros, os diretores e todos os demais responsáveis pelas especialidades envolvidas no processo é muito direto e tranquilo. Hoje em dia faz-se muito diálogo à distância, e em permanência, de modo online. Na maioria dos casos, como aconteceu em Serralves, o arquiteto tem a liberdade para escolher a equipa com quem gostaria de trabalhar, para facilitar as boas relações. Conforme a Figura 27, o ciclo de entidades envolvidas num empreendimento imobiliário é muito grande e, para que ele funcione e flua as boas relações entre todas as partes envolvidas é primordial para daí resultar uma construção feliz e com qualidade. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 68 Figura 27 – O ciclo da qualidade da incorporação imobiliária. É preciso ter em conta que ao longo do processo de construção de um empreendimento o tempo vai passando, os materiais vão se alterando e as técnicas também vão evoluindo. Materiais que existem no momento em que o projeto é elaborado, podem já não existir na hora da sua execução e outros melhores que podem ser usados para substituir aqueles. Desta forma se criam circuitos múltiplos. E aqui está um ponto de extrema importância onde se encaixa o papel da assistência técnica. A ele compete estar sempre a acompanhar esse passar do tempo e analisar e prevenir as mudanças necessárias e possíveis, para serem planeadas com qualidade. A diversidade de materiais que se encontra no mercado, atualmente, para o setor da construção civil coloca aos arquitetos o dilema complexo no momento de fazer a seleção daqueles que deverá usar porque, além do circuito de materiais que entram e saem do mercado a todo instante, há questão do domínio das técnicas de aplicação de cada material e também a garantia do controle de qualidade dos mesmos. O arquiteto deve ter pleno conhecimento das possibilidades oferecidas pelos materiais e sistemas construtivos para se decidir pelas melhores soluções para o seu projeto e a qualquer momento, no desenrolar da obra, ter a capacidade de fazer a sua substituição. A escolha do material e da tecnologia construtiva a utilizar têm um caráter importantíssimo no conjunto arquitetónico do projeto. No caso da obra de Serralves, que está em execução no momento, o projeto já foi elaborado há cerca de dez anos. E essa particularidade dos materiais é muito evidente. A todo o momento é necessário fazer alguma substituição, pois há materiais que já não 4 – ACOMPANHAMENTO DA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DO ARQUITETO NA OBRA 69 existem, há outros que embora se mantenham no mercado estão a ser substituídos por outros ainda melhores, embora com dimensões e características diferentes, etc. A assistência técnica deve fazer revisões sistemáticas de todo o projeto, redesenhar ou reprojetar quando necessário e fazer afinações no próprio sítio. Este trabalho transforma-se numa fonte de complicações e problemas, na medida em que gera novas demandas na própria obra. Fernandes (2013) diz que quando se vai a obra se pode ver o clima de indefinição, de dificuldades de decisão, de substituição de materiais. Um exemplo que Fernandes relata dessas mudanças é que nesse período de dez anos muita legislação mudou também e se tornou obrigatório de se colocar painéis solares nas coberturas dos edifícios. Isto fez com que tivesse de alterar o remate da caixa de escadas, elevando-as e fazendo um remate inclinado, para a colocação dos painéis que devem estar instalados na posição inclinada. Como isto foi identificado pela assistência técnica rapidamente, foi possível tirar partido arquitetónico dessa decisão, dando ênfase a esse remate inclinado incorporando os painéis à arquitetura, sem a estragar. Quando o arquiteto é questionado a respeito da sua satisfação com os resultados que encontra no projeto e na obra, Fernandes (2013) afirma que está relativamente satisfeito, porque tem sempre essa sensação desagradável de ver só agora aplicado o seu projeto que já foi elabora há dez anos. Entretanto houve um hiato muito grande. Aquilo que para nós significa qualidade, não é total. “(...) o que ainda hoje era ordem pode amanhã ser desordem” (TÁVORA, 1962, p.35). Figura 28 – Construção SACHE Serralves – Julho/2012. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 70 Figura 29 – Edifício da antiga Fábrica do Lordelo em recuperação – Construção SACHE Serralves – Fevereiro/2013. 4.2.1 Problemáticas do percurso da obra SACHE Serralves. As obras do Conjunto Habitacional em Serralves começaram em 2011 com o trabalho de um empreiteiro. Porém, devido à atual crise financeira no país, a construtora faliu. Assim a continuidade da obra teve que ser garantida por uma segunda construtora. Deste modo, a obra já se iniciou de forma complicada, pois os trabalhos que deveriam ser concluídos em dezoito meses ainda se estendem por muito mais. Já se passaram vinte e oito meses, até maio de 2013 e mesmo assim as obras ainda continuarão por mais uns seis meses. O prazo de término foi adiado por duas vezes e, desse modo, duplicou o período de tempo estipulado inicialmente. Já que a obra está a demorar tanto tempo sem muita certeza da data para sua conclusão, agora decidiu-se tentar fazer tudo melhor, fazer tudo muito bem, já que não é preciso correr. Em virtude destes impasses no tempo, pode verificar-se hoje a falta de um trabalho minucioso na preparação do edifício. Fernandes (2013) cita que acha que foi Le Corbusier quem disse que a diferença entre a boa e a má arquitetura é de mais ou menos três centímetros. E nesta obra percebe-se essas falhas em execução em diferenças de poucos centímetros. 4 – ACOMPANHAMENTO DA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DO ARQUITETO NA OBRA 71 Hammarlund e Josephon (1992) apontam as fases iniciais de um empreendimento (estudo de viabilidade, concepção e projeto) como aquelas com maior capacidade de influenciar os custos totais da construção, por meio da identificação e correção de falhas e defeitos precocemente, conforme apresentado na Figura 30. Figura 30 – Capacidade das fases de um empreendimento em influenciar os custos totais da construção. A partir da observação da Figura 30 pode-se dizer que um projeto com decisões e informações adequadas, dentro do seu prazo correto, é capaz de influenciar o custo global do empreendimento. Relacionando este gráfico com o empreendimento em estudo podemos concluir que automaticamente o seu custo de construção será elevado, pois quanto maior for a distância entre o projeto e a construção e quanto maior o prolongamento do tempo da obra, que é o que ocorre neste estudo de caso, os seus custos serão maiores. E esse tempo prolongado entra num impasse em relação à crise financeira do país, onde é necessário reduzir custos da obra, porque atualmente é muito difícil aplicar dinheiros em obras. Há muita gente que há cinco anos tinha créditos bancários e hoje em dia já não tem. As decisões e o planeamento devem ser elaborados ainda na fase de projeto, pois a falta de tal planeamento entre o projeto e a produção da edificação podem levar a que sejam tomadas decisões indevidas e não planeadas durante a execução, gerando assim um detrimento da qualidade do produto e da eficiência do processo, muitas vezes aumentando custos (Cf. NOVAES e FRANCO, 1997). O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 72 A gestão do empreendimento em causa é algo que está um pouco complicado e ocorre de forma relativamente lenta. Primeiro, o dono da obra, por ser uma cooperativa, envolve diversas pessoas diferentes e não se sabe ao certo em nome de quem a direção está a atuar. É uma entidade abstrata, sem capacidade de decisão. Segundo, a fiscalização da obra existe, porém, não atua de forma eficiente, atua com alguma negligência. Depois, os contratos entre as partes não foram muito bem elaborados, causando relações de préconflitos e falhas no percurso. A falta de definições do processo gera dificuldades na maneira de como fazer o acompanhamento da obra. Outro obstáculo é o da legislação sobre obras em Portugal, Fernandes (2013) diz que a legislação portuguesa é anacrônica porque está sempre a mudar. Mais de 50% da legislação é relativa a vendas de materiais novos no mercado. E no caso de Serralves, por ser um projeto feito há muitos anos e só agora esta a ser executado, isso implica a necessidade de estar a ajustar modificações às leis impostas. Como exemplo, a questão dos painéis solares já mencionada. O arquiteto diz que já está arrependido de ter tomado a decisão de fazer restauro dos edifícios da antiga fábrica, em virtude das exigências das legislações, e da a evolução tecnológica que ocorreu no hiato entre o projeto e a construção. No fundo teve que modificar tudo o que existia e refazer, pois as paredes não podiam ser como eram, as esquadrias necessitam de outro tipo de vedação, e assim por diante. A Figura 31 mostra como estão relacionadas a evolução tecnológica com a racionalização, com a organização e com a otimização de todo o processo construtivo. Cada inovação nas tecnologias influencia diretamente todo o processo. Figura 31 – O processo de evolução tecnológica. 4 – ACOMPANHAMENTO DA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DO ARQUITETO NA OBRA 73 “Podemos dizer que o projeto no essencial está cumprido, embora com trucagens muito grandes digamos. O essencial está lá, mas há muita coisa que não está bem” (FERNANDES, 2013). E é esse conjunto de circunstâncias que tornam esta reta final da obra em algo muito sofrido e não muito feliz. Fernandes (2013) finaliza: “Tenho que ter aqui equilíbrios e pronto”... 4.3 A relação da assistência técnica com a direção e a fiscalização da obra. Para compreender melhor a relação da assistência técnica do Arquiteto Manuel Correia Fernandes com a direção e a fiscalização da obra do SACHE Serralves realizou-se três entrevistas, com roteiros semi-estruturados, com os engenheiros envolvidos nos processos: o Engenheiro Carlos Moreira, responsável pela direção da obra, a Engenheira Marta, também da direção de obra e a Engenheira Rosário, responsável pela fiscalização da obra. Ambos os engenheiros afirmam que as relações com o arquiteto acontecem de forma direta sempre que necessárias. Em determinados períodos da obra esse contacto foi mais constante e em outros períodos não se fazia tão necessário. Por exemplo, no bloco 7, que é o edifício que foi recuperado da antiga fábrica para uso de habitação, o contacto teve que ser intenso. O facto de ser um restauro, muitas coisas eram descobertas só no momento em que estava a se mexer na obra. Assim, descobria que muitas definições de projeto não eram viáveis de ser executadas; foi necessário conciliar o projeto com o existente e para isso fazia necessário o acompanhamento intenso do arquiteto para tomar decisões. Quando o arquiteto não estava disponível para ir à obra, faziam-se desenhos e enviava para ele aprovar ou não as propostas do diretor da obra. Já nos blocos 1 ao 6, que são os blocos novos, não foi necessário a assistência ser da mesma forma intensa, pois a execução é mais simples por se tratar de edifícios novos. O projeto arquitetónico do conjunto habitacional de um modo geral é muito claro e compreensivo, porém os engenheiros da direção de obra se queixam pela falta de pormenores do projeto. O que dificulta a execução de detalhes da obra. A qualidade da arquitetura está nos pormenores das construções, mas a falta de pormenores complica a realização do real desejo do arquiteto para a construção. Assim sempre que se fazia O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 80 Figura 38 – Aberturas com pedras conservadas. Figura 39 – Aberturas na parte nova do edifício. 4 – ACOMPANHAMENTO DA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DO ARQUITETO NA OBRA 81 4.4.3 Seis edifícios novos: área externa. O projeto para o conjunto composto por seis edifícios novos (Figura 40) de uso habitacional surgiu nos interstícios de todas as condicionantes impostas para o terreno, aliados a um cadastro muito irregular. As habitações são de caráter diferente, com algumas repetições, possuindo fogos T3, T4 e T5. Figura 40 – Edifícios novos. Os edifícios são todos elevados do chão, ou seja, possuem o rés do chão livre, tornando o ambiente dos edifícios mais leve e transparente com muita permeabilidade visual. Permite vistas mais amplas e abertas do conjunto habitacional. Na Figura 41 e na Figura 42 do projeto pode se ter essa noção de permeabilidade. O esforço neste projeto com essas áreas coletivas é muito generoso, pensando sempre na qualidade de vida dos futuros inquilinos. Outro destaque é que essa área central e permeável, é reservada apenas para pedestres, os carros circulam somente por trás dos edifícios. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 82 Figura 41 – Rés do chão livre com permeabilidade visual. Figura 42 – Projeto pavimento rés do chão livre. A composição e a articulação entre os blocos gera um efeito de movimento no conjunto, perceptível na Figura 43. Os blocos tiveram a localização correta dentro do terreno conforme o projeto, sem necessidade de alteração, tornando perceptível o efeito já referido. 4 – ACOMPANHAMENTO DA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DO ARQUITETO NA OBRA 83 Figura 43 – Composição dos volumes gera movimento. Entre o projeto e a execução da obra à legislação foi alterada e agora é obrigatório a colocação de placas fotovoltaicas nos edifícios. A assistência tomou conhecimento de tal necessidade antecipadamente e alterou o remate dos edifícios ainda em projeto para que as placas fossem incorporadas nos edifícios de forma harmônica. Foi criado um plano mais inclinado no remate das escadas para fixar essas placas, conforme apresentado nas Figuras 44 e 45. Figura 44 – Placas fotovoltaicas. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 84 Figura 45 – Remate do edifício com plano inclinado para placas fotovoltaicas. Quanto a cor dos edifícios, a ideia era serem totalmente brancos, porém a execução utilizou uma tinta que ficou levemente amarelado. O arquiteto para melhorar tal percepção pensa utilizar posteriormente cores vivas em alguns lugares, para formar uma composição agradável. A Figura 46 mostra a cor final da parede amarelada, comparada com uma pintura prévia branca. E a Figura 47 apresenta os testes de cores vivas. Figura 46 – Cor final dos edifícios comparado com a cor branca. 4 – ACOMPANHAMENTO DA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DO ARQUITETO NA OBRA 85 Figura 47 – Teste de cores. Há falhas que a assistência técnica percebe com antecedência, pelo que pode fazer ajustes antecipadamente, porém são tantos os detalhes que há erros identificados somente depois da execução estar quase completa. Um exemplo que se pode ver na Figura 48 executada, comparando com o detalhe de projeto da Figura 49; onde o arquiteto identificou um desalinhamento entre o vão do rés do chão e o do portão do estacionamento que estão fora do projeto. Figura 48 – Desalinhamento identificado pelo arquiteto. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 86 Figura 49 – Projeto do alçado com aberturas alinhadas. A maior alteração dos edifícios novos foram as palas e varandas das fachadas laterais. Uma das alterações que não chegou a ser realizada no projeto, o arquiteto decidiu a modificação direto em obra. Hoje é possível analisar nas Figuras 50 e 51 que no resultado ficou somente uma pala superior e uma pequena varanda em ponta em cada pavimento, com as esquadrias todas no mesmo alinhamento, somente sendo esquadrias sem peitoril na área da varanda. Diferente do projeto original apresentado na Figura 52. Esta modificação ocorreu na gestão do primeiro empreiteiro; fizeram uma revisão de projeto sem a participação do arquiteto com o intuito de reduzir custos, e chegaram à conclusão que não fazer todas as palas previstas seria economia financeira; porém, quando o arquiteto através da assistência técnica começou a perceber que o seu projeto não estava a ser executado corretamente ficou atento à situação; foram então reestudadas as fachadas e foi decidir fazer tais alterações, para ajustar o que tinha sido iniciado. 4 – ACOMPANHAMENTO DA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DO ARQUITETO NA OBRA 87 Figura 50 – Alçados com pala superior e varandas. Figura 51 – Detalhe da pala superior e varandas. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 88 Figura 52 – Projeto do alçado com palas. 4.4.4 Seis edifícios novos: área interna. Os edifícios novos têm com seis / sete pavimentos com fogos T3 e T4 (Figuras 53 e 54; 55 e 56), muito semelhantes; a variação diz respeito ao número de quartos e a uma varanda maior no T4. Existe ainda por bloco, um fogo T5 na cobertura, sendo esse duplex (Figuras 57 e 58). Os pavimentos dos apartamentos foram os locais que tiveram mais alterações de acordo com o projeto inicial. O esquema da casa é de dois níveis, com uma sala relativamente grande, integrada com o escritório através do fogão de sala: a cozinha, já mobilada, é integrada com a lavandaria e com um prolongamento para a varanda maior que faz a articulação com a sala. O quarto do casal tem casa de banho privativa. Uma casa de banho diferenciada para servir os outros quartos, tendo sido projetada de modo que três pessoas possam utilizá-la ao mesmo tempo, de modo independente. 4 – ACOMPANHAMENTO DA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DO ARQUITETO NA OBRA 89 Figura 53 – Interior do apartamento T3. Figura 54 – Interior do apartamento T3. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 96 Figura 67 – Madeira Kambala clara em armários. A diminuição da qualidade do trabalho geral na obra é perceptível nos pequenos detalhes de remates e acabamentos; a assistência técnica tem o objetivo de identificar e indicar esses detalhes para serem corrigidos. A Figura 68 apresenta um exemplo da falta de cuidado. As Figuras 69 e 70 demonstra a pequena diferença de centímetros que Le Corbusier citava e que é o que faz com que a arquitetura perca qualidade; num fogo o acabamento foi bem feito, e no outro não. Figura 68 – Falta de acabamento no interior do apartamento. 4 – ACOMPANHAMENTO DA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DO ARQUITETO NA OBRA 97 Figura 69 – Acabamento da madeira com execução bem feita. Figura 70 – Acabamento da madeira com execução mal feita. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 98 A grande qualidade da obra nota-se no esforço em sempre ter iluminação natural em todos os compartimentos, desde a caixa de escadas, ao átrio central, todos os ambientes do apartamento, gerando qualidade arquitetónica para os edifícios. Figuras 71 e 72. Figura 71 – Iluminação e ventilação natural na caixa de escada. Figura 72 – Iluminação natural em todos os compartimentos do apartamento. 4 – ACOMPANHAMENTO DA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DO ARQUITETO NA OBRA 99 De acordo com as exigências de prevenção de incêndios o átrio central possui ductos para ventilação permanente com entrada e saída de ar. A esquadria existente não pôde ser utilizada para ventilação, apenas para iluminação. Conforme Figuras 73 e 74. Figura 73 – Ducto de entrada de ar e iluminação natural no átrio central. Figura 74 – Ducto de saída de ar no átrio central. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 100 O hall de acesso aos edifícios (Figura 75) terá o teto rebaixado e revestido para acabamento de todas as instalações, perceptíveis na Figura 76. Figura 75 – Hall de acesso dos edifícios. Figura 76 – Detalhe do teto do hall de acesso dos edifícios. 4 – ACOMPANHAMENTO DA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DO ARQUITETO NA OBRA 101 4.4.5 Dois pavimentos para estacionamentos. Fazendo parte do projeto, existem dois pavimentos destinados ao uso de estacionamentos (Figura 77); estes atenderão todos os edifícios e fogos. Estes pavimentos são caves, aproveitando parte da topografia do terreno, bem como parte da cave da antiga fábrica já existente. O primeiro pavimento pode-se considerar nível 0 e -1 pois parcialmente não fica coberto por terra; o segundo é totalmente cave. Figura 77 – Acesso aos pavimentos de estacionamentos. As caves são áreas amplas e com vistas livres de ambos os lados, usando portões com grades abertas (Figura 78). Pretende-se que elas não sejam somente espaços isolados para automóveis, mas sim que tenham vivências e transparências. As caves são as áreas em que a assistência técnica menos teve que intervir, pois estão a ser executadas e mantidas conforme os projetos do arquiteto, sem alterações (Figura 79). O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 102 Figura 78 – Visuais livres nas caves. Figura 79 – Vista interna das caves. 4 – ACOMPANHAMENTO DA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DO ARQUITETO NA OBRA 103 É muito evidente a preocupação com o uso da luz natural e da ventilação natural em ambos os pavimentos, mesmo sendo caves. Em qualquer canto que se passe são perceptíveis as aberturas para tais funções. As Figuras 80 e 81 apresentam estas propostas do arquiteto. Figura 80 – Iluminação e ventilação natural nas caves. Figura 81 – Iluminação e ventilação natural nas caves. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 104 4.4.6 Ribeira de Grijó. A Ribeira de Grijó sempre passou pelo terreno, porém era canalizada, e servia de fonte de energia à fábrica através do moinho de água até a chegada da energia elétrica, como também do abastecimento de água para o funcionamento da mesma. A proposta inicial do arquiteto no seu projeto era deixá-la a céu aberto (Figura 82), renaturalizando integralmente a água e recuperando o seu curso natural; esta proposta está executada e posteriormente foi transformada numa obrigação a ser realizada. Figura 82 – Vista geral da Ribeira de Grijó. O arquiteto pretendia fazer uma ligação hidráulica entre os dois lados da ribeira para ter a conexão hidráulica de todos os edifícios, porém tal, não foi permitido. Outra proposta sua, enfocada principalmente a partir do momento que efetivamente começaram as obras e ele começou prestar à assistência a obra e pode perceber a necessidade, era fazer um sistema de bypass que funcionasse enquanto a água não fosse totalmente despoluída, pois o cheiro é muito desagradável. A água passaria por baixo e com uma drenagem uma parte seria destinada para cima, compondo somente uma linha de água limpa, isolando a água poluída em fase de tratamento, e também as águas não seriam tão profundas em relação ao nível do piso (Figura 83), porém não quiseram aderir à sua proposta e assim o curso d’água segue a céu aberto, o que pode ocasionar complicações no momento em que as habitações começarem a ser ocupadas. Fernandes afirmou “Vocês querem isso 4 – ACOMPANHAMENTO DA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DO ARQUITETO NA OBRA 105 descoberto, mas vocês vão ter um dia de tapar isto porque vai ser impossível viver aqui”. O arquiteto fez a sua parte ao avisar e propor, agora as consequências são da responsabilidade da cooperativa. Figura 83 – Profundidade a que se encontra a água em relação ao piso. Os muros da ribeira, bem como os muros externos do conjunto habitacional, estão a ser executados com pedras do próprio terreno. Quando começou mexer-se no terreno foram encontradas muitas pedras, que agora estão a ser aproveitadas. O trabalho de execução quanto à qualidade é irregular; é perceptível o trabalho de diferentes pedreiros, pois há áreas muito bem trabalhadas, e outras muito mal acabadas, perceptível nas Figuras 84 e 85. O início dos muros na parte inferior foi a parte menos cuidada; foi executada pela primeira construtora e após esse mau trabalho a assistência técnica interveio e exigiu mais qualidade no assentamento das pedras, tendo daí resultado melhorias. O mesmo aconteceu com alinhamento dos muros; parte está bem feito e reto, contudo outros muros, que deveriam ser retos, estão curvos, Figura 86. Colocar pedra sobre pedra é um trabalho primário que qualquer pessoa pode fazer; mas saber executar com alinhamento significa trabalhar com sabedoria. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 112 envolve muitas ideias, para tal o arquiteto deve ter qualidades e competências para gerir todas as ideias ao iniciar o seu processo de trabalho. Possui a sensibilidade e vitalidade para elaborar projetos com criatividade e competência, agindo desde os primeiros contatos até torná-lo o projeto viável na execução. São características importantes do arquiteto a capacidade de escuta, organização e disciplina, preocupação com a qualidade estética, integralizador de todos envolvidos e compreensão dos princípios básicos de administração. O arquiteto como assistente técnico de obras tem como função dar apoio técnico ao dono da obra, ao executor, ao diretor da obra e a todas as pessoas envolvidas no processo através do esclarecimento de dúvidas de interpretação do projeto, prestação de informações e esclarecimentos, apoio nas decisões de soluções, documentos técnicos e propostas. Colabora com a obra no sentido de auxiliar no cumprimento dos objetivos preestabelecidos de qualidade, custo e prazo, auxiliando na superação das dificuldades e problemas durante a execução, dando o apoio técnico. A modernização do setor da construção civil tem exigido a necessidade de evolução e modernização organizacional, tecnológica e produtiva no processo da elaboração de projetos. BIM, Building Information Modeling, é uma nova metodologia de trabalho de projeto para a construção civil, onde agrega todas as informações do ciclo de vida de uma edificação. As vantagens do uso dessa metodologia são: a análise do todo e das suas partes, a praticidade e a agilidade no desenvolvimento dos projetos, na elaboração dos desenhos, no planeamento e orçamentos da construção e na constituição das equipas de projeto e obra. Como consequência desta base teórica, a dissertação foi dividida em duas partes relacionadas com o estudo de caso do conjunto habitacional SACHE Serralves de autoria do Arquiteto Manuel Correia Fernandes, português que sempre teve a ideia de fazer casas e ao concluir o curso iniciou a profissão de imediato e hoje tem o seu próprio atelier. Este estudo de caso foi utilizado para representar, num contexto da vida real, qual é o papel do arquiteto na assistência técnica de obras. Estas duas partes foram a explicitação do projeto e da vida do arquiteto e depois a apresentação do acompanhamento da assistência técnica do arquiteto. Com esta pesquisa pretendeu-se conhecer qual o papel do arquiteto na assistência técnica de obras. Dividi esta experiência em três áreas de aprendizagem com diferentes objetivos: a) a compreensão da valorização do arquiteto, b) a concepção de projeto de arquitetura, c) assistência técnica de obras. CONSIDERAÇÕES FINAIS 113 Compreensão da valorização do arquiteto: Ao longo de anos de formação e da qualificação profissional, o arquiteto procura adquirir conhecimentos para materializar as aspirações dos clientes. O arquiteto tem vindo a ganhar destaque perante a sociedade, fazendo com que as pessoas tomem consciência da necessidade do seu papel ao decidirem fazer uma construção. A qualidade arquitetónica, estética e funcional das edificações geridas por um arquiteto é explícita nos seus pormenores, o que torna o profissional a peça chave da construção. Concepção de projeto de arquitetura: A arquitetura é uma envolvente com o nosso cotidiano; em todos os ambientes que os seres habitam, circulam e vivem está presente sempre à arquitetura. Deste modo o projeto de arquitetura é uma raiz das vivências. Para o arquiteto poder elaborar os projetos é necessário começar pelo estudo e análise dos seres vivos que terão envolvimento em tais projetos. E para partir deste ponto colocar no papel o conceito do projeto e tornar real a aspiração do dono da obra. A relação entre o arquiteto e o dono da obra influencia diretamente no resultado do projeto e da construção. Assistência técnica de obras decorre desde o principio das obras até a sua conclusão. O contacto com os materiais, os instrumentos, os processos de trabalhos e a linguagem do mundo da construção faz com que o aprendizado de arquitetura se torne muito mais simples e esclarecedor. O arquiteto acompanhar os trabalhos dos profissionais de todas as especialidades faz com que o seu conhecimento aumente e se torne cada vez mais capacitado para ter diálogos técnicos em seus trabalhos. O trabalho de assistência perante as mudanças necessárias ao longo do período de construção faz com que os materiais e os sistemas que sejam necessários alterarem, sejam feitos sem colocar em risco a questão da qualidade da edificação. Para que um trabalho gere satisfação, essa satisfação tem que ser funcional, ou seja, a arquitetura deve representar o que é necessário. As etapas do processo que foram desenvolvidas para gerar como resultado a satisfação do cliente foram primeiramente o estudo das necessidades humanas e da cooperativa, o estudo das expressões desejadas, ou seja, a linguagem arquitetónica da edificação, a análise física, legal e cultural do sítio, a verificação dos custos estipulados no momento de executar; foram sendo analisadas, perante a crise financeira, e os meios técnicos viáveis e disponíveis ao longo do decorrer do período de construção. A construção, não é um conjunto de regras, mas antes um sistema onde existem diferentes soluções para um mesmo fim. O trabalho da assistência técnica do arquiteto se O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 114 enquadra no saber guiar esse sistema, fazendo adequar a melhor solução do leque de hipóteses para cada determinada situação e a qualificação profissional. A tipologia do estudo qualitativo com o estudo de caso sobre o empreendimento em construção SACHE Serralves, que é uma cooperativa de habitação económica da cidade do Porto, Portugal, revelou-se pertinente na explicitação do fenômeno “assistência técnica do arquiteto à obra”. A utilização de roteiro de entrevista semi-estruturada ao arquiteto propiciou o acesso a dados de interesse significativo. As ilustrações com imagens e fotografias permitiram identificar aspectos históricos de obras arquitetônicas e a visualização de procedimentos de acompanhamento de relevância deste conjunto para características da obra do conjunto habitacional SACHE. O aprofundamento dos dados remanescentes pode representar um valor agregado, quer para se aprofundarem novas perspectivas da assistência técnica à obra, quer pelo desenvolvimento de novos projetos de pesquisa. Para concluir essa pesquisa apresento uma citação de Távora (1963, p.75) a qual representa o meu orgulho da profissão arquiteto: “Que seja assim o arquiteto – homem entre os homens – organizador do espaço – criador de felicidade”. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 115 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADESSE, E. e SALGADO, M. (2006). Importância do coordenador do projeto na gestão da construção - a visão do empreendedor. In: NUTAU - Núcleo de Pesquisa em Tecnologia da Arquitetura e Urbanismo - Seminário Internacional, São Paulo. 10 p. ______ (2010). Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto: Manuel Correia Fernandes. Porto. [Consult. 14 Abril 2013]. Disponível em: ˂http://sigarra.up.pt/up/pt/web_base.gera_pagina?P_pagina=1005929˃. AZHAR, S., HEIN, M. e SKETO, B. (2007). 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Engenheira Rosário. 11 de julho, 2013. Porto. LISTA DE FIGURAS 119 LISTA DE FIGURAS Figura 01 – Templo grego Partenon, Atenas. Século V a.C. Arquitetura Clássica. http://employees.oneonta.edu/farberas/arth/arth209/parthenon_gallery.html Figura 02 – Catedral Gótica, Colónia. 1278-1880. Arquitetura Medieval. http://eposnoblog.blogspot.pt/2011/02/turismo-cultural.html Figura 03 – Catedral Santa Maria del Fiore, Florença. Arnolfo di Cambio (projeto base); Filippo Brunelleschi (cúpula); Giotto di Bondone (campanário), 1296-1436. Arquitetura Renascentista. http://tribodejacob.blogspot.pt/2010/04/15-de-abril-de-1446-morre-o-arquitecto.html Figura 04 – Conjunto Lake Shore Drive, Chicago. Mies van der Rohe, 1951. Arranha-céus. http://www.archdaily.com/54260/mies-van-der-rohe-lake-shore-drive-restoration-kruek/ Figura 05 – Stock Exchange Tower, Montreal. Luigi Moretti e Pier Luigi Nervi, 1965. Arranha-céus. DORFLES (1986) Figura 06 – Villa Savoye, Poissy. Le Corbusier, 1928. Arquitetura Moderna. Elis Duarte da Silva Figura 07 – Sony Tower. Philip Johnson, 1984. Arquitetura Pós-moderna. http://www.wikipedia.org/wiki/sony_tower Figura 08 – Plano Piloto para Brasília. Lúcio Costa, 1957. Urbanismo. http://memoria811.blogspot.pt/2010/10/plano-piloto-original.html Figura 09 – Soluções para cidade de Bolonha. Kenzo Tange, 1981. Urbanismo. DORFLES (1986) Figura 10 – Edifício da Bauhaus fundado em 1919. http://historyofads.the-voice.com/http:/historyofads.the-voice.com/advertising/bauhaus Figura 11 – Planimetria e planta do piso térreo da Bauhaus, Dessau. DORFLES (1986, p.53) Figura 12 – Flor da qualidade da construção civil. BORGES (1988, p.126) Figura 13 – Diamante da qualidade da construção civil. BORGES (1988, p.127) Figura 14 – Esquema gráfico da metodologia BIM. http://communities.autodesk.com/brazil/blog/curso-de-bim Figura 15 – Fluxo dos envolvidos na metodologia BIM. http://www.bimrevit.com Figura 16 – A integração dos desenhos de projeto com o uso do BIM. http://www.bimrevit.com/ Figura 17 – Engenharia Sequencial x Engenharia Simultânea FABRÍCIO (2002) Figura 18 – Sistematização da pesquisa qualitativa. http://www.osarrafo.com.br/v1/2012/05/03/essa-estava-guardada-embaixo-de-7-capas/ O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 120 Figura 19 – Sistematização para o planeamento da coleta de dados. http://www.portalaction.com.br/content/12-coleta-de-dados Figura 20 – Arquiteto Manuel Correia Fernandes http://sigarra.up.pt/up/pt/web_base.gera_pagina?P_pagina=1005929 Figura 21 – Conjunto de habitação económica da Bouça. Projeto do Arquiteto Álvaro Siza Vieira. www.buildingbutler.com/bd/%C3%81lvaro-Siza-Vieira/Porto/Bou%C3%A7a-Casas-Sociais/3880 Figura 22 – SACHE Aldoar. http://www.sache.pt/index.php?opcao=21&id=2&id_img=1 Figura 23 – Estudos de projeto do Arquiteto Manuel Correia Fernandes do projeto do SACHE Serralves. http://www.sache.pt/index.php?opcao=11 Figura 24 – Antiga fábrica de lanifícios do Lordelo. http://monumentosdesaparecidos.blogspot.pt/2010/02/fabrica-de-lanificios-de-lordelo-cidade.html Figura 25 – Planta baixa do pavimento tipo do SACHE Serralves. http://www.sache.pt/index.php?opcao=11&id=1&id_img=2 Figura 26 – Conjunto habitacional SACHE Serralves em construção. Elis Duarte da Silva Figura 27 – O ciclo da qualidade da incorporação imobiliária. CTE (1999) apud FONTENELLE (2002, p.49) Figura 28 – Construção SACHE Serralves – Julho/2012. JCT Consultores de Engenharia Figura 29 – Edifício da antiga Fábrica do Lordelo em recuperação – Construção SACHE Serralves – Fevereiro/2013. PONTAL - Instalações Eléctricas para todo o País. Figura 30 – Capacidade das fases de um empreendimento em influenciar os custos totais da construção. HAMMARLUND e JOSEPHSON (1992) Figura 31 – O processo de evolução tecnológica. MELHADO (1994) apud NOVAES; FRANCO (1997, p.3). Figura 32 – Edifício recuperado da antiga fábrica para uso comercial. Elis Duarte da Silva Figura 33 – Detalhe da janela mal acabado. Elis Duarte da Silva Figura 34 – Edifício recuperado da antiga fábrica para uso habitacional. Elis Duarte da Silva Figura 35 – União entre parte do edifício recuperada e parte nova. Elis Duarte da Silva Figura 36 – Vista superior do edifício recuperado e ampliado. Elis Duarte da Silva Figura 37 – Pedras conservadas. LISTA DE FIGURAS 121 Elis Duarte da Silva Figura 38 – Aberturas com pedras conservadas. Elis Duarte da Silva Figura 39 – Aberturas na parte nova do edifício. Elis Duarte da Silva Figura 40 – Edifícios novos. Elis Duarte da Silva Figura 41 – Rés do chão livre com permeabilidade visual. Elis Duarte da Silva Figura 42 – Projeto pavimento rés do chão livre. MCF.A&A – Manuel Correia Fernandes, Arquitecto e Associados, Lda. Figura 43 – Composição dos volumes gera movimento. Elis Duarte da Silva Figura 44 – Placas fotovoltaicas. Elis Duarte da Silva Figura 45 – Remate do edifício com plano inclinado para placas fotovoltaicas. Elis Duarte da Silva Figura 46 – Cor final dos edifícios comparado com a cor branca. Elis Duarte da Silva Figura 47 – Teste de cores. Elis Duarte da Silva Figura 48 – Desalinhamento identificado pelo arquiteto. Elis Duarte da Silva Figura 49 – Projeto do alçado com aberturas alinhadas. MCF.A&A – Manuel Correia Fernandes, Arquitecto e Associados, Lda. Figura 50 – Alçados com pala superior e varandas. Elis Duarte da Silva Figura 51 – Detalhe da pala superior e varandas. Elis Duarte da Silva Figura 52 – Projeto do alçado com palas. MCF.A&A – Manuel Correia Fernandes, Arquitecto e Associados, Lda. Figura 53 – Interior do apartamento T3. Elis Duarte da Silva Figura 54 – Interior do apartamento T3. Elis Duarte da Silva Figura 55 – Interior do apartamento T4. Elis Duarte da Silva Figura 56 – Interior do apartamento T4. Elis Duarte da Silva Figura 57 – Interior do apartamento T5. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 128  Objetivo Específico 7 - Estudar a nova metodologia de trabalho BIM (Building Information Modeling) para desenvolvimento de projetos. Bloco 1 Objetivo das perguntas: avaliar o conhecimento e o uso do arquiteto da metodologia BIM (Building Information Modeling). 27) Utilizou alguma ferramenta na metodologia BIM (Building Information Modeling)? 28) Se sim. Qual? Como decorreu o processo de trabalho com essa metodologia? 29) Se não. Possui conhecimento sobre o BIM (Building Information Modeling)? Está interessado em começar a trabalhar com a mesma metodologia?  Objetivo Específico 8 - Registar a maneira de trabalho do arquiteto na assistência técnica a obra. Bloco 1 Objetivo das perguntas: conhecer a linha de trabalho do profissional arquiteto. 30) Como está a decorrer a assistência técnica a obra na execução deste projeto? 31) Quantos profissionais têm envolvidos nesta assistência? 32) Como foram elaborados os planejamentos para esta assistência?  Objetivo Específico 9 - Identificar as características e relevâncias de obras assistidas por arquiteto. Bloco 1 Objetivo das perguntas: identificar o processo de trabalho do arquiteto. 33) Está satisfeito com o desenvolvimento da execução da obra? 34) Quantas vezes por semana visita a obra? 35) Por quanto tempo permanece na obra em cada visita? 36) Quais os pontos positivos dessa execução? 37) Essa execução possui algum diferencial? 38) O uso ou não, da metodologia BIM, tem influências na assistência e na execução? APÊNDICES 129 APÊNDICE B – Planilha de Dados da Obra. Capítulo 3 – Estudo de Caso: SACHE – Solidariedade e Amizade, Cooperativa de Habitação Económica – Serralves, na cidade do Porto, em Portugal. 1) Planilha para coleta de Dados da Obra: Dados da Obra Obra SACHE Serralves Endereço Rua de Serralves e Travessa da Mouteira, na Freguesia de Lordelo do Ouro, Porto, Portugal. Cliente SACHE – Solidariedade & Amizade. Cooperativa de Habitação Económica Arquiteto Manuel Correia Fernandes Engenheiros José Cardoso Teixeira Construtor Lúcios Início da obra Janeiro 2010 Previsão término da obra Novembro 2013 Fases da obra Maio 2013: Conclusão externa e interna. Execução da ribeira. Interiores, cozinha, móveis. Nº pavimentos Rés do Chão livre + 5 e 6 pavimentos Metragem construída 17.618,76 m² Metragem terreno 14.134,00 m² Freqüência acompanhamento 2 a 3 dias por semana Projetos envolvidos Projeto Profissional Arquitetónico MCF.A&A Paisagismo MCF.A&A Interiores MCF.A&A Estrutural JCT Elétrico JCT Hidrosanitário JCT Preventivo de Incêndio JCT Ar condicionado JCT Comportamento Térmico JCT Acústica JCT Rede de Gás JCT Resíduos Sólidos JCT Energia Solar JCT Elevadores Automação Tecnologias Construção convencional O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 130 APÊNDICE C – Planilha de Diário de Obra. Capítulo 4 – Acompanhamento da assistência técnica do arquiteto a obra.  Visitar e acompanhar obras de construção civil na cidade do Porto a partir da visão de arquiteto.  Registar a maneira de trabalho do arquiteto na assistência técnica de obra. 2) Planilha para elaboração do Diário de Obra: Diário de Obra Obra Número da visita Data Dia da semana Arquiteto responsável Engenheiro responsável Condições climáticas Dias decorridos Pavimento em execução Funcionários efetivos em atividade Funcionários de empreitadas em atividade Equipamentos utilizados Descrição das atividades Ocorrências Anexos APÊNDICES 131 APÊNDICE D – Roteiro semi-estruturado para o acompanhamento de obra – SACHE Serralves  Informações sobre o funcionamento da assistência técnica.  Em que momentos na obra precisaram da assistência técnica para execução de algo.  Em que momentos na obra precisaram da assistência técnica para compreensão do projeto ou do pormenor.  O que foi decidido em obra pelo arquiteto através da assistência técnica. E quais foram os resultados.  Quais foram as decisões de mudança de materiais durante a execução da obra, sem alteração do projeto.  Quando foram tomadas as decisões de mudança de materiais durante a execução da obra, houve tempo de alterar previamente o projeto  Houve mudança de técnica construtiva durante o percurso.  Análise de serviços com mão de obra qualificada ou não.  Análise do uso de materiais tradicionais X materiais inovadores.  Análise da qualidade da execução da obra. O PAPEL DO ARQUITETO NA ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE OBRAS 132 APÊNDICE E – Roteiro semi-estruturado para entrevista com os profissionais da direção e fiscalização de obra – SACHE Serralves  Como é a relação da direção / fiscalização de obra com a assistência técnica? Fazem contactos constantes?  Quais foram / são os momentos em que precisaram da assistência do arquiteto?  Tiveram necessidade de ajuda do arquiteto em algum momento para compreensão de algum projeto?  Quais as mudanças que houve na obra em relação a materiais, estruturas, métodos construtivos, tecnologias, projetos?  Qual a sua visão em relação à importância e necessidade da assistência técnica do arquiteto a obra?