A Utitização de GRC na Renovação de Edifícios. Caso de Estudo: Centro de I&D do IPCA
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A UTILIZAÇÃO DE GRC NA RENOVAÇÃO DE EDIFÍCIOS Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA ANA CLÁUDIA COSTA PEREIRA Dissertação submetida para satisfação parcial dos requisitos do grau de MESTRE EM ENGENHARIA CIVIL — ESPECIALIZAÇÃO EM CONSTRUÇÕES Orientador: Professor Doutor Vítor Carlos Trindade Abrantes Almeida JANEIRO DE 2013
MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL 2012/2013 DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL Tel. +351-22-508 1901 Fax +351-22-508 1446 [email protected] Editado por FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO Rua Dr. Roberto Frias 4200-465 PORTO Portugal Tel. +351-22-508 1400 Fax +351-22-508 1440 [email protected] http://www.fe.up.pt Reproduções parciais deste documento serão autorizadas na condição que seja mencionado o Autor e feita referência a Mestrado Integrado em Engenharia Civil - 2012/2013 - Departamento de Engenharia Civil, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, Portugal, 2013. As opiniões e informações incluídas neste documento representam unicamente o ponto de vista do respetivo Autor, não podendo o Editor aceitar qualquer responsabilidade legal ou outra em relação a erros ou omissões que possam existir. Este documento foi produzido a partir de versão eletrónica fornecida pelo respetivo Autor.
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A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA i AGRADECIMENTOS Nesta fase final de um ciclo na minha vida, gostaria de agradecer a todos aqueles que contribuíram para o meu percurso até este momento e para a realização deste trabalho. Gostaria de destacar o Sr. Professor Vítor Abrantes pela sua orientação, leitura crítica desta dissertação e disponibilidade para o esclarecimento de dúvidas que surgiram ao longo deste processo. À empresa Glasscrete, nomeadamente ao Eng. Rui Abrantes, que me acompanhou durante todo este trabalho, disponibilizando material de apoio essencial à sua realização, pela sua disponibilidade para o esclarecimento de dúvidas e visitas à fábrica, por toda a colaboração prestada. À Professora Ana Sofia Guimarães por toda a sua disponibilidade demonstrada no esclarecimento de dúvidas e discussão de questões fundamentais na realização deste estudo. Ao Eng. Jorge Ferreira, diretor da obra integrante deste estudo, pelo fornecimento de material de apoio para a realização deste trabalho e pela sua disponibilidade para as visitas realizadas à obra em questão. Ao Sr. Isildo, encarregado da obra, pelo acompanhamento nas visitas à obra, esclarecimento de dúvidas e fornecimento de algum material de apoio. Ao Eng, Nuno Monteiro, da Mota Engil Pré-fabricados, pelo fornecimento de material de apoio. Ao colega Eng. Armindo Sousa pelo apoio e esclarecimento de dúvidas na área de orçamentação. À minha amiga Marta, de longa data, pelo voto de confiança para a conclusão deste ciclo de estudos e pela sua amizade. À minha família, especialmente aos meus queridos pais e irmãos que sempre me apoiaram e incentivaram neste longo caminho, apesar de alguns obstáculos surgidos, à minha querida sobrinha Alice pela sua alegria, sorriso e inocência e, finalmente, ao meu namorado André por todo o apoio, incentivo e encorajamento para chegar até aqui, pela preciosa ajuda na realização deste trabalho e pela compreensão da minha ausência durante esta fase.
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A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA iii RESUMO Nas últimas décadas, tem-se verificado um crescimento considerável no recurso a fachadas préfabricadas na área da Construção Civil. Neste paradigma, os painéis de GRC (Glass fiber Reinforced Concrete), assumem um papel preponderante, devido às diversas vantagens que oferecem aquando da sua implementação no projeto de construção. Realçam-se aspetos como o seu baixo peso e o enorme leque de formas e acabamentos possíveis, assim como altos níveis de desempenho. Consequentemente, existe uma grande gama de aplicações possíveis para este material, tornando-se imperativo atender às especificidades de cada cenário convenientemente. Esta dissertação apresenta um estudo sobre o cenário da aplicação do GRC na renovação de edifícios, mais concretamente, na vertente da sua aplicação no revestimento de fachadas de edifícios. Como apoio ao trabalho desenvolvido, foi efetuado um caso de estudo real que consistiu no acompanhamento das principais etapas do revestimento das fachadas do edifício do Centro de I&D do IPCA (Instituto Politécnico do Cávado e do Ave), desde a fase de projeto até à execução em obra. Todo o processo de pré-fabricação dos painéis produzidos para esta obra foi igualmente acompanhado em fábrica. Dentro dos vários tipos de painéis GRC disponibilizados no mercado - tipo casca, sanduíche e stud frame - o último foi abordado com especial ênfase neste trabalho. Isto porque este não só é o aplicado na obra em estudo, como também é o sobre a qual a maior parte da documentação técnica está dirigida, nomeadamente pelo manual de referência fornecido pelo instituto PCI (Precast/Prestressed Concrete Institute). Assim sendo foi efetuada uma análise em termos de projeto e produção dos painéis, caracterizando e interpretando as diversas etapas. Mais especificamente, é abordada a montagem dos mesmos em obra e respetivos pormenores, e ainda, uma análise do desempenho higrotérmico das fachadas do edifício revestidas com este tipo de painéis. Com base neste caso de estudo e nas considerações a levar em conta neste tipo de projetos, é posteriormente estudada e analisada uma solução de fachada alternativa que visa obter ganhos económicos face à solução anterior. Deste modo, procede-se à verificação das conformidades de ambas as soluções com as exigências preconizadas no Regulamento das Características do Comportamento Térmico dos Edifícios (RCCTE). Na parte final é ainda realizada uma análise económica comparativa. Devido à existência de variadas soluções possíveis para a aplicação deste tipo de material em fachadas de edifícios, é ainda proposta na parte final desta tese, uma ferramenta que visa auxiliar a escolha de uma solução para um eventual cenário real. Esta baseou-se numa análise multicritério, onde os critérios a considerar são térmicos, fator económico, execução em obra, peso do painel e respectivas fixações. PALAVRAS-CHAVE: GRC, painéis de fachada, análise multicritério.
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A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA v ABSTRACT In recent decades, there has been considerable growth in the use of prefabricated façades in construction work. Within this paradigm, Glass Fibber Reinforced Concrete (GRC) panels play a key role due to several advantages offered when implemented in building design. Aspects such as its low weight, huge range of possible shapes and finishes, as well as high levels of performance, are among the major benefits offered by this material. Therefore, there exists a wide range of possible applications, making it imperative to conveniently address the specifics of each scenario. This thesis presents a thorough study on the application of GRC in buildings’ renovation, more specifically, its application on the cladding of buildings façades. In order to support the developed work, a real-world case study was carried out. It consisted in monitoring the main steps in cladding of a new building - the R&D Center of the IPCA Institute (Instituto Politécnico do Cávado e do Ave) - from the design phase, up to its implementation at the construction site. Moreover, all the prefabrication processes performed to produce the panels for this work, were also closely followed in factory environment. Among the various existing sorts of GRC panels available in the market – mainly “integral rib”, “sandwich” and “stud frame” – a special emphasis on the latter was given on this work. This is not only because it was the one applied in the case study, but also because most of the technical documentation is targeted to it, in particular, by the reference manual supplied by a renowned institute in this field - the Precast/Prestressed Concrete Institute (PCI). Therefore, an analysis in terms of panels design and production was performed, characterizing and interpreting the various steps. More specifically, their in-site assemblies, as well as its respective details are addressed, along with a thermal and hygrothermal performance analysis of the building façades which were clad with such panels. Based upon this case study, and taking into account the design specifications, an alternative solution seeking economic gains is subsequently examined and studied, and proper comparison between the former solution is drawn. For this purpose, special attention is paid into verifying the compliance of both solutions with the requirements outlined in the Portuguese RCCTE regulation (Regulamento das Características do Comportamento Térmico dos Edifícios). In the final part, a comparative economic analysis of both solutions is also presented. Since there are various possible options on how this kind of material can be applied on building façades, it is further proposed in the final part of this thesis, a tool that aims to assist in choosing one solution for a possible real world scenario. Such tool is based on a multi criteria method, where the factors to be considered are: thermal, economic, its execution work, weight of the panels and their respective attachments. KEYWORDS: GRC, façade panels, multi-criteria analysis.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA xii Fig. 3.18 – Edifício de habitação, Guimarães, 2007 [17]. ..................................................................... 29 Fig. 3.19 – Stand, Montemor-o-Velho, 2008 [17]. ................................................................................. 29 Fig. 3.20 – Creche, Estoril, 2007 [17]. ................................................................................................... 30 Fig. 3.21 – Centro Comercial Mar Shopping, 2008 [18]. ....................................................................... 30 Fig. 3.22 – Zona comercial, Lisboa, 2007 [17]. ..................................................................................... 31 Fig. 3.23 – Colégio S. Tomás, Lisboa, 2007 [17]. ................................................................................. 31 Fig. 3.24 – Espaço comercial (palas), Vila do Conde, 2008 [17]. ......................................................... 31 Fig. 3.25 – Escola, Vila Viçosa, 2010 [17]. ............................................................................................ 32 Fig. 3.26 – UPTEC (Polo Asprela), Porto, 2012 [17]. ............................................................................ 32 Fig. 3.27 – Edifício de habitação, Maia, 2007 (à direita, exemplo da produção de um dos painéis aplicados na obra) [17]. ......................................................................................................................... 33 Fig. 3.28 – Hospital, Alfena, Valongo, 2008 [17]. .................................................................................. 33 Fig. 3.29 – Escola Secundária Rainha Santa Isabel, Estremoz, 2009 [17]. .......................................... 33 Fig. 3.30 – Centro paroquial, Caxias, 2010 [17]. ................................................................................... 34 Fig. 3.31 – Creche, Vila do Conde, 2010 [17]. ...................................................................................... 34 Fig. 3.32 – Novo Hospital de Lamego, 2011/2012 [18]. ........................................................................ 34 Fig. 3.33 – San Francisco Marriott Hotel,Califórnia, EUA [19]. ............................................................. 35 Fig. 3.34 – School of Health Studies Building, University of Bradford, West Yorkshire, Inglaterra [6].. 36 Fig. 3.35 – Dalston Square Project, Londres, Inglaterra [6]. ................................................................. 36 Fig. 3.36 – Dalston Square Project, Londres, Inglaterra - pormenor das fixações dos painéis [6]. ...... 37 Fig. 3.37 – Canada Water residential, Londres, Inglaterra – à direita, pormenor do painel de fachada de uma varanda [6]. ............................................................................................................................... 37 Fig. 3.38 – Aeroporto Charles de Gaulle, Terminal 4, Paris, França [17]. ............................................ 37 Fig. 3.39 – Estádio Nueva Condomina, Murcia, Espanha [17].............................................................. 38 Fig. 3.40 – Painéis stud-frame aplicados na obra do Campus Universitário de Jussieu, Paris, França [17]. ........................................................................................................................................................ 38 Fig. 3.41 – Edifício de habitação, Madrid, Espanha, 2007 [17]. ............................................................ 39 Fig. 3.42 – Laboratórios, Toledo, Espanha, 2006 [17]. ......................................................................... 39 Fig. 3.43 – Edifício de habitação, Gijón, Espanha, 2007 [17]. .............................................................. 39 Fig. 3.44 – Painel a colocar no Silo, Alhandra, 2008 [17]. .................................................................... 40 Fig. 3.45 – Empreendimento de habitação, Madrid, Espanha, 2007 [17]. ............................................ 40 Fig. 3.46 – Liceu, Paris, França, 2008 [17]............................................................................................ 41 Fig. 3.47 – Edifício de escritórios, Rua de Rocio, São Paulo, Brasil [16]. ............................................. 41 Fig. 4.1 – Metodologia do projeto de painéis GRC [20]. ....................................................................... 45
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA xiii Fig. 4.2 – Influência da geometria dos painéis sobre a natureza das tensões instaladas na camada de GRC [20]. ............................................................................................................................................... 46 Fig. 4.3 – Relação das juntas entre vãos e painéis de GRC [1]. .......................................................... 46 Fig. 4.4 – Efeito da distância da ancoragem à borda do painel [1] [20]. ............................................... 48 Fig. 4.5 – Soluções para painéis de canto [1]. ...................................................................................... 49 Fig. 4.6 – Detalhe típico de ancoragem flexível [1] [20]. ....................................................................... 50 Fig. 4.7 – Detalhe da almofada de ligação (bonding pad) [1]. .............................................................. 50 Fig. 4.8 – Método de fixação para painéis de pequenas dimensões [1] [20]. ....................................... 51 Fig. 4.9 – Fixações no tardoz e por cavilhas [1]. ................................................................................... 52 Fig. 4.10 – Disposições de ligações típicas [1]. .................................................................................... 52 Fig. 4.11 – Comportamento de painéis altos e esbeltos [1]. ................................................................. 53 Fig. 4.12 – Fixação tipo de um painel stud frame [5]. ........................................................................... 53 Fig. 4.13 – Representação de uma junta aberta (a) e outra selada (b) [2]. .......................................... 55 Fig. 4.14 – Representação do movimento da junta em caso de expansão (a) e retração (b) dos painéis [2]. ............................................................................................................................................. 56 Fig. 4.15 – Detalhe típico de juntas entre painéis GRC [1]. .................................................................. 56 Fig. 4.16 – Detalhe típico de juntas entre painéis GRC [1]. .................................................................. 59 Fig. 5.1 – Edifício Centro de Investigação e Desenvolvimento do IPCA (fotomontagem).................... 61 Fig. 5.2 – Funcionamento da fachada ventilada [11]. ........................................................................... 62 Fig. 5.3 – Corte representativo da fachada ventilada do edifício. ......................................................... 62 Fig. 5.4 – Alçado Poente (fachadas F1, F2 e F3). ................................................................................ 63 Fig. 5.5 – Alçado Sul (fachada F4). ....................................................................................................... 64 Fig. 5.6 – Realização da pesagem da mistura (balança automática). .................................................. 65 Fig. 5.7 – Misturadora. .......................................................................................................................... 65 Fig. 5.8 – Perfis UPE 100, integrantes da face dos painéis. ................................................................. 66 Fig. 5.9 – Montagem do molde do painel. ............................................................................................. 66 Fig. 5.10 – Limpeza da mesa, após montagem do molde. ................................................................... 66 Fig. 5.11 – Após aplicação do descofrante. De notar que a cor amarela deve-se apenas ao facto de se tratar de outra mesa. ........................................................................................................................ 67 Fig. 5.12 – Produção dos painéis por projeção direta (spray-up). ........................................................ 67 Fig. 5.13 – Alisamento com rolo e espátula. ......................................................................................... 68 Fig. 5.14 – Colocação do stud-frame e ligação à camada externa de GRC do painel. ........................ 68 Fig. 5.15 – Pormenor da ancoragem do stud-frame. ............................................................................ 68 Fig. 5.16 – Sequência de imagens que retratam a descofragem dos painéis. ..................................... 69
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA xiv Fig. 5.17 – Aspeto da mesa após descofragem dos painéis (pormenor das tiras de silicone removidas). ............................................................................................................................................ 70 Fig. 5.18 – Acabamentos e pormenorização dos painéis. .................................................................... 70 Fig. 5.19 – Armazenamento dos painéis na fase de pré-fabricação. .................................................... 71 Fig. 5.20 – Cantoneira tipo 2 (fixações superiores). .............................................................................. 71 Fig. 5.21 – Cantoneiras tipo 2 (fixações superiores) aplicadas na fachada. ......................................... 72 Fig. 5.22 – Cantoneira tipo 1 (fixações inferiores), em perspetivas diferentes. .................................... 72 Fig. 5.23 – Cantoneiras tipo 1 (fixações inferiores) aplicadas na fachada. ........................................... 73 Fig. 5.24 – Cantoneiras tipo 1 (fixações inferiores) com a colocação de calços. ................................. 73 Fig. 5.25 – Corte da fachada F1. ........................................................................................................... 74 Fig. 5.26 – Pormenores 1 e 2. ............................................................................................................... 74 Fig. 5.27 – Pormenor 3. ......................................................................................................................... 75 Fig. 5.28 – Ancoragem do painel à estruturadetalhe da fixação superior. .......................................... 75 Fig. 5.29 – Ancoragem do painel à estruturadetalhe da fixação inferior. ............................................ 76 Fig. 5.30 – Sequência de montagem de um painel. .............................................................................. 76 Fig. 5.31 – Pormenor de alguns painéis em que se pode observar a saliência ou reentrância do studframe. ..................................................................................................................................................... 77 Fig. 5.32 – Posicionamento dos vãos na fachada. ................................................................................ 79 Fig. 5.33 – Pormenor ligação vão-painel. .............................................................................................. 79 Fig. 5.34 – Cantoneira tipo 3 (fixações inferiores na ligação vão-painel). ............................................ 80 Fig. 5.35 – Exemplos de zonas sujeitas a pontes térmicas planas [25]. ............................................... 82 Fig. 5.36 – Perfil da fachadacamadas intervenientes no cálculo do U. .............................................. 85 Fig. 5.37 – Ligação da fachada com padieira ou peitorilpontes térmicas lineares [25]. ..................... 88 Fig. 5.38 – Troço representativo da planta da fachada do edifício orientada a poente. ....................... 88 Fig. 5.39 – Zona de ponte térmica plana de pilar intermédio. ............................................................... 89 Fig. 5.40 – Diagrama psicrométrico para determinação da humidade relativa interior (HRi). .............. 91 Fig. 5.41 – Gráfico obtido pelo programa de cálculo automático para a quantificação de condensações internas. Nota: As linhas verticais correspondem às interfaces entre camadas. .................................. 92 Fig. 5.42 – Cantoneira de fixação dos painéis sanduíche para a solução alternativa. ......................... 94 Fig. 5.43 – Pormenor da junta dos painéis. ........................................................................................... 95 Fig. 5.44 – Pormenor de corte transversal da parede de fachada, em zona corrente. ......................... 95 Fig. 5.45 – Pormenor de corte longitudinal da parede de fachada, em zona de junta vertical da solução alternativa. ................................................................................................................................ 96 Fig. 5.46 – Correção da junta vertical em EPS (disposição construtiva) [2]. ........................................ 98 Fig. 5.47 – Zona de ponte térmica plana de pilar intermédio. ............................................................. 101
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA xv Fig. 5.48 – Gráfico obtido pelo programa de cálculo automático para a quantificação de condensações internas na zona corrente da parede da solução alternativa para o caso mais desfavorável de θe = -4 ºC. ........................................................................................................................................................ 103 Fig. 5.49 – Gráfico obtido pelo programa de cálculo automático para a quantificação de condensações internas na zona maciça da parede da solução alternativa para o caso de θe = -4 ºC. ..................... 104
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A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA xvii ÍNDICE DE QUADROS Quadro 2.1 – Valores tipicos médios de algumas propriedades do GRC [5] ....................................... 15 Quadro 2.2 – Formulação típica de GRC [5] ......................................................................................... 16 Quadro 5.1 – Coeficientes de transmissão térmica superficiais máximos admissíveis de elementos opacos [23] ............................................................................................................................................ 86 Quadro 5.2 – Coeficientes de transmissão térmica de referência [23] ................................................. 86 Quadro 5.3 – Níveis de qualidade térmica da envolvente opaca ......................................................... 87 Quadro 5.4 – Coeficientes de transmissão térmica de paredes exteriores em função do nível de qualidade ............................................................................................................................................... 87 Quadro 5.5 – Características higrotérmicas das camadas (parâmetros introduzidos no programa de cálculo) .................................................................................................................................................. 92 Quadro 5.6 – Características higrotérmicas das camadas (parâmetros introduzidos no programa de cálculo) ................................................................................................................................................ 103 Quadro 5.7 – Orçamento solução A vs solução B .............................................................................. 106 Quadro 5.8 – Ponderação dos critérios para a análise multicritério ................................................... 107 Quadro 5.9 – Escala de classificação para o critério 1 (desempenho térmico) .................................. 108 Quadro 5.10 – Escala de classificação para o critério 2 (fator económico) ........................................ 108 Quadro 5.11 – Escala de classificação para o critério 3 (modo de execução) .................................. 109 Quadro 5.12 – Escala de classificação para o critério 4 (peso dos painéis) ..................................... 109 Quadro 5.13 – Escala de classificação para o critério 5 (fixações) ................................................... 109 Quadro 5.14 – Aplicação da análise multicritério ................................................................................ 110
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A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA xix SÍMBOLOS E ABREVIATURAS J – largura mínima da junta [mm] x – largura da junta [mm] ϕ – diâmetro do limitador de junta [mm] Δl – deslocamento térmico do painel [mm] F – tolerâncias de construção do material [mm] C – considerações sísmicas ou outras que se considerem apropriadas [mm] α – coeficiente dilatação térmica [ºC-1] ΔT – variação térmica [ºC] L – comprimento do painel [mm] εmáx – deformação máxima do selante [%] q – fluxo de calor [W/ m2] U – coeficiente de transmissão térmica do elemento [W/(m2ºC)] Rsi – resistência térmica superficial interior [(m2.ºC)/W]; Rj – resistência térmica da camada j [(m2.ºC)/W]; Rse – resistência térmica superficial exterior [(m2.ºC)/W] dj – espessura da camada j [m] Uref – coeficiente de transmissão térmica de referência [W/(m2ºC)] Umáx – coeficiente de transmissão térmica máximo admissível [W/(m2ºC)] Ψ – coeficiente de transmissão térmica linear [W/m. °C] λj – condutibilidade térmica do material da camada j [W/(m.ºC)] π – permeabilidade ao vapor de água [kg/m.s.Pa] Pe – permeância ao vapor de água [kg/m2.s.Pa] UZC – coeficiente de transmissão térmica da zona corrente [W/(m2ºC)] UZPTP – coeficiente de transmissão térmica da zona de ponte térmica [W/(m2ºC)] RZPTP – resistência térmica da zona de ponte térmica [(m2ºC)/W] ω – produção de vapor de água no interior de um local [g/h] Rph.v – caudal de ventilação [m3/h] Rph – taxa horária de renovação de ar [h-1] v – volume interior [m3] πar – permeabilidade ao vapor de água do ar[kg/m.s.Pa] µ – fator de resistência à difusão de vapor de água [adimensional]
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA xx RD – resistência à difusão de vapor de água [m2.s.Pa/kg] θe – temperatura ambiente exterior [ºC] HRe – humidade relativa do ar exterior [%] θi – temperatura do ar interior [ºC] HRi – humidade relativa interior [%] θsi – temperatura superficial interior [ºC] θpo – temperatura ponto de orvalho (HR= 100%) [ºC] U1 – coeficiente de transmissão térmica da zona corrente [W/(m2ºC)] U2 – coeficiente de transmissão térmica da zona maciça [W/(m2ºC)] U3 – coeficiente de transmissão térmica da zona da junta [W/(m2ºC)] πGRC – permeabilidade ao vapor de água do GRC [kg/m.s.Pa] d – espessura do reforço [m] λEPS – condutibilidade térmica do reforço, em EPS [W/m.ºC] ext GRC e – espessura da camada exterior de GRC [m] λGRC – condutibilidade térmica do GRC [W/m.ºC] eiso – espessura do isolamento interior do painel [m] λiso – condutibilidade térmica do isolante térmico [W/m.ºC] int GRC e – espessura da camada interior de GRC [m] epainel – espessura total do painel de GRC [m] GRC – Glassfibre Reinforced Concrete GRCA – Glassfibre Reinforced Concrete Association PCI – Precast Concrete Institute RCCTE – Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios BRE – Building Research Establishment MOR – Resistência à flexao na rotura LOP – Limite elástico de flexão UTS – Resistência de tração na rotura BOP – Limite elástico à tração ASTM – American Society for Testing and Materials ISO – International Organization for Standardization LNEC – Laboratorio Nacional de Engenharia Civil
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA xxi ITE – Informações científicas e Técnicas de Edifícios EPS – Poliestireno expandido moldado PEF – Espuma de polietileno expandido extrudido XPS – Poliestireno expandido extrudido STC – Sound transmission class UTS – Resistência de tração na rotura EPUL – Empresa Pública de Urbanização de Lisboa INL – International Iberian Nanotechnology Laboratory UPTEC – Parque da Ciência e da Tecnologia da Universidade do Porto AEFEUP – Associação de Estudantes da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto IPCA – Instituto Politécnico do Cávado e do Ave IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 6 2.3.1. GRC NA ARQUITETURA Na arquitetura, é um material que se adequa aos mais ambiciosos e variados projetos que podem ser criados, desde os projetos mais modernos e futuristas até à reprodução das características mais tradicionais e históricas. O GRC fornece ao projetista a completa tecnologia que poucos outros materiais conseguem corresponder pela versatilidade. Pode ser pintado, colorido ou, simplesmente, apresentado sobre a sua cor natural, branco ou cinzento, com acabamento liso ou texturado. Os produtos deste material são leves, em termos de peso, de fácil manuseamento e fáceis de erguer. Ao nível da estrutura do edifício, as cargas são reduzidas, com a aplicação de GRC, sendo, deste modo, uma solução mais económica em termos de superestrutura e fundações. É um material ideal para aplicação na restauração e reabilitação de edifícios, para além de ser amigo do ambiente. Em termos de revestimentos arquitetónicos pré-fabricados, o GRC é dos materiais mais utilizados, pelo facto de ser facilmente moldável, de forma a criar diferentes formas, pormenores e texturas, proporcionando o desenho de elementos de revestimento leves e finos, pela sua elevada resistência, ser colorido através de pigmentos, tintas ou revestimentos de pedra natural. O revestimento com GRC pode substituir o betão não-estrutural pré-moldado, para o qual a questão do peso e formas são alguns dos problemas apresentados [7]. A figura 2.2 representa alguns dos exemplos de aplicação do GRC, nesta área. Fig. 2.2 – Exemplos de aplicações em GRC, a nível da arquitetura [7]. 2.3.2. GRC NA CONSTRUÇÃO No âmbito da construção, a necessidade de construir edifícios com menor peso associada à escassez de trabalhadores qualificados levou a grandes avanços no uso de elementos pré-fabricados em GRC. Construtores de todo o mundo valorizam o aumento da velocidade na construção que o GRC proporciona. O betão reforçado com fibra de vidro é fácil de moldar, como já foi referido, facilmente fixável, durável e resistente à fissuração. É aplicado em estruturas para coberturas de edifícios, pelo seu reduzido peso, mas também por ser fácil de fixar e não ser afectado pelas condições climatéricas e ambientais. Consegue imitar os materiais tradicionais de aplicação em coberturas, tais como ardósia, argila/barro ou pedra natural, mas ao contrário destes, o GRC não é pesado nem frágil, é um material não-combustível e apresenta uma elevada resistência ao impacto [8]. Pode ser aplicado com fins decorativos, nos peitoris e envolventes das janelas, cornijas, portas, que para além do efeito decorativo, responde às necessidades funcionais, ou até mesmo sobre o isolamento externo das paredes, de modo a melhorar as características térmicas do edifício, diretamente sobre a alvenaria, ou através de ripas metálicas, proporcionando o desempenho duradoiro e livre de fissuras do elemento construtivo. É um material ideal para aplicação na restauração e reabilitação de edifícios, devido à facilidade de aplicação de painéis que apresentam baixo peso e contribuem, deste modo, para minimizar o peso imposto à estrutura existente e contribuem para a manutenção das formas iniciais da arquitetura
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 7 tradicional [9]. Em muitos casos, esta oportunidade é tomada não só com a finalidade de melhorar a componente estética do edifício, mas também para melhorar as suas propriedades térmicas e acústicas [10]. Alguns destes exemplos são preconizados na figura 2.3. O GRC pode ser aplicado na construção de fundações e pavimentos, nomeadamente no caso de pavimentos betonados in situ, sendo uma solução vantajosa em termos económicos aliada ao excelente aspeto final. Nas lajes de betão em pisos térreos, a cofragem de isolamento com bordas em GRC pode ajudar na minimização das perdas de calor nos edifícios, sobretudo em zonas de clima frio. Na área da pré-fabricação ou construção modular, o GRC apresenta grandes vantagens, devido às suas qualidades, neste caso dos painéis de GRC, como o seu baixo peso, fácil transporte e resistência. Pequenas unidades, tais como módulos de instalações sanitárias e postos de equipamento de telecomunicações podem ser executados apenas numa peça e facilmente encaminhados para a sua localização. Devido à resistência do GRC, pequenos edifícios modulares podem ser projectados sem ser necessário recorrer a uma estrutura pesada. As paredes em GRC podem incorporar isolamento térmico, se assim for exigido, enquanto a ausência de reforço em aço pode ser uma vantagem em aplicações eléctricas e de telecomunicações [7]. Fig. 2.3 – Aplicações em telhados, aspetos decorativos, na reabilitação de edifícios, pavimentos, entre outros [7]. 2.3.3. GRC NA ENGENHARIA As propriedades deste material podem ser concebidas para satisfazer diversas aplicações, desde produtos para cofragem permanente, que requerem alta resistência a curto prazo, até utilitários e produtos de drenagem, cuja durabilidade e baixo peso são as características chave. A maior aplicação de GRC na cofragem permanente é no âmbito da construção de pontes, através da colocação dos painéis entre as vigas de betão pré-fabricadas antes das armaduras de aço e o betão serem aplicados. Estes painéis, para além de serem fáceis e rápidos de instalar, fornecem uma proteção contra a corrosão da armadura de aço. Também são aplicados em sistemas de drenagem de águas residuais (esgotos), na cofragem permanente da alvenaria de esgotos, na medida em que, ao conferir uma superfície mais lisa e regular às condutas de esgotos, contribui para um melhor desempenho hidráulico. Na indústria ferroviária, são aplicadas condutas em GRC ao longo das bermas das linhas férreas como proteção de cabos eléctricos e de comunicação. Este material, para além de fornecer soluções funcionais em cada aplicação, proporciona aos engenheiros e projectistas a oportunidade de realçar o meio envolvente. Muitos produtores disponibilizam uma vasta série de acabamentos desde texturas naturais até imitação de pedra. Na área da acústica, o GRC é a principal escolha, a nível mundial, na construção de barreiras e quadros acústicos, tanto a nível interno como externo. Devido às suas propriedades de alta densidade,
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 8 superfície lisa e habilidade de ser facilmente moldado, o GRC tem sido utilizado em benefício de salas de espectáculos e outro tipo de auditórios. Na construção de estradas e caminhos-de-ferro, são construídas barreiras acústicas em GRC, com o objetivo de dispersar ou absorver o som, de modo a contribuir para um melhor ambiente, principalmente para os residentes mais próximos da área da construção em causa, como uma forma de minimização do ruído [7]. Este material de baixo peso e durabilidade elevada é frequentemente usado no mundo das pontes e túneis, assim como em sistemas de drenagem de águas. A figura 2.4 retrata alguns destes exemplos. Fig. 2.4 – Exemplo de algumas aplicações, no âmbito da engenharia [7]. 2.4. TIPOS DE PAINÉIS Existem diversas aplicações de GRC, mas cerca de 80% da produção a nível mundial corresponde à produção de painéis de fachadas pré-fabricadas. São três os principais tipos de painéis existentes no mercado: tipo casca (nos EUA denominado por nervurado), stud frame e sanduíche. São estes os principais tipos, na medida em que também existe um quarto tipo de painel, o painel simples, formado por uma lâmina de reduzida espessura (10 a 15 mm), utilizado, habitualmente, na produção de peças planas de pequenas dimensões. Esta solução pode necessitar da existência de saliências que aumentam a rigidez do painel. Fig. 2.5 – Painel tipo Casca [12]. O painel do tipo casca (ou nervurado), representado pela figura 2.5, é formado por uma reduzida camada de GRC (no mínimo, aproximadamente 12 a 13 mm) na qual são solidarizadas nervuras de reforço, no tardoz do painel, de forma a garantir a estabilidade estrutural do elemento construtivo. A introdução destas nervuras proporciona o aumento da rigidez. Este tipo de painel apresenta reduzida espessura e grandes dimensões, o que pode levar a deformações exageradas. As nervuras, em poliestireno, são usadas para fixação dos painéis, mas podem originar limitações ao nível das formas. Outra limitação está relacionada com as dimensões máximas, pois este tipo de painéis é de pequenas
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 9 dimensões, cuja superfície máxima é, em formas planas, cerca de 7 m2 (7x106 mm2). As nervuras devem estar distanciadas no máximo de 1000 mm e as suas dimensões devem estar compreendidas entre 20 e 100 mm, dependendo das dimensões do painel. Este tipo de painel é normalmente aplicado em placagem e cornijas e é, correntemente, o tipo de painel mais utilizado nos EUA [1] [2] [11]. O painel stud frame é o método de reforço de painéis mais económico e preferencialmente usado nos EUA. Na Europa, a aplicação deste método é mais reduzida, pelo facto do custo do aço ser superior, mas simultaneamente circunstancial. Neste caso, em vez de nervuras, o painel é reforçado por uma estrutura metálica, no tardoz. Portanto, existe uma camada de GRC, cuja espessura mínima é cerca de 10 mm, e uma estrutura metálica de reforço à estrutura. Os elementos metálicos, tanto os verticais como os horizontais, devem estar distanciados, no máximo, de 600 mm ao eixo. Este tipo de painel permite a realização de painéis de dimensões superiores à solução com nervuras, podendo atingir dimensões máximas, em superfície, de 22 m2. A estrutura metálica, para além da função de reforço, também facilita a fixação do painel. Este sistema proporciona uma cavidade, entre o painel e o elemento do edifício, para instalação de condutas eléctricas, mecânicas, de telecomunicações e de isolamento [1] [2] [11]. A figura 2.6 esquematiza este tipo de painéis. Fig. 2.6 – Painel tipo Stud-frame [12]. Fig. 2.7 – Painel tipo Sanduiche [12]. O painel sanduiche é uma variante do painel nervurado, em que as faces interiores das nervuras se generalizam a toda a superfície, permitindo a inclusão de placas de material isolante entre as faces de GRC. Deste modo, este tipo de painel consiste, essencialmente, em duas camadas de GRC, separadas por um núcleo leve de material isolante, conforme se pode observar na figura 2.7. A espessura de cada camada é cerca de 13 a 16 mm, sendo painel-tipo mais utilizado constituído por duas camadas de GRC
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 10 de 10 mm e no núcleo poliestireno expandido (EPS) de 100 mm. Estas peças são fabricadas em formas planas, podendo atingir 12 m2 de superfície. Uma das dimensões máximas do painel deve ser limitada a 3,5 m devido ao transporte das peças, da fábrica até à obra [1] [2] [11] [13]. 2.5. PROPRIEDADES FÍSICAS As propriedades físicas do GRC dependem, essencialmente da composição da mistura, do conteúdo da fibra de vidro e do seu comprimento ou orientação no compósito, e de toda a qualidade da mão-deobra incorporada durante o processo de fabrico. Deste modo, as propriedades físicas do GRC a serem usadas no projeto devem ser determinadas para cada produto, individualmente, e para cada mistura usada. As propriedades do GRC aos 28 dias são tipicamente usadas na determinação de adequados parâmetros de projeto e na monitorização do controlo de qualidade do fabrico. É de notar que, quando exposto a um ambiente exterior, ou seja, ao longo do seu envelhecimento natural, o GRC exibirá reduções graduais e permanentes na sua resistência e capacidade de deformação. Assim sendo, os produtos em GRC devem ser projectados de forma a assegurar que os esforços e tensões resultantes das condições em serviço são mantidos dentro dos limites de resistência e deformação do material completamente envelhecido [1]. 2.5.1. FATORES QUE AFETAM AS PROPRIEDADES FÍSICAS DO GRC Variações na composição da mistura podem resultar em alterações das propriedades físicas do composto. A relação cimento/areia variando de 1:1 até 3:1, tem vindo a ser usada na indústria. A granulometria da areia usada na mistura também não é estandardizada. O desempenho do cimento Portland, normalmente utilizado, pode variar entre fornecedores distintos. As diferentes emulsões de polímeros estão, normalmente, disponíveis para o uso como agentes de cura. Deste modo, as proporções da mistura do composto, os constituintes e as propriedades físicas podem variar de um produtor para outro. O teor, comprimento e orientação das fibras afetam, principalmente, as resistências à tração inicial e à flexão última. O teor de fibra de vidro em 5% do seu peso é o valor óptimo para a mistura do GRC. Teores inferiores de fibra resultam em resistências últimas inferiores e teores superiores podem originar problemas na consolidação e compactação do composto. O teor do composto em fibra de vidro é controlado e monitorizado durante a produção do GRC através da realização dos testes do saco, balde e desgaste. O comprimento da fibra também afeta a resistência última do composto, assim como a sua consolidação e compactação, sendo o valor óptimo para o comprimento cerca de 1 a 2”, ou seja, 25 a 51 mm, como já foi referido anteriormente, no início do capítulo. Tal como o teor e comprimento da fibra de vidro, a sua orientação também é importante ser considerada, pois afeta as propriedades do composto. As fibras de vidro no GRC devem estar orientadas aleatória e bidimensionalmente. No entanto, se tal não é tido em conta durante a produção, as fibras podem tornar-se acidentalmente alinhadas paralelamente, numa ou noutra direção, obtendo-se um composto com propriedades significativamente diferentes quando testadas ao longo dos diferentes eixos. Os compostos de GRC devem ser também compactados e consolidados de forma a atingir a adequada penetração da fibra e densidade do composto, assim como a espessura definida no projeto. Caso contrário, podem ocorrer alterações nas propriedades do material, como resposta a questões de
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 11 temperatura e humidade. A permeabilidade da superfície do GRC pode ser negativamente afectada. A resistência à flexão e tracção e o módulo de elasticidade variam com a densidade. Uma consolidação deficiente pode levar à deterioração do composto, quando submetido a ciclos de gelo/degelo. A cura adequada resulta numa hidratação apropriada do cimento e é necessária para atingir as propriedades desejadas dependentes da fibra e matriz do composto. Nos dias de hoje, a cura do GRC tem vindo a ser simplificada através do uso de emulsões de polímeros na matriz de cimento. 2.5.2. RESISTÊNCIA À TRAÇÃO E FLEXÃO As principais propriedades do GRC usadas para estabelecer esforços limite de projeto são o limite à tracção e a resistência à tracção na rotura, aos 28 dias. A figura 2.8 representa o diagrama tensão-deformação do material GRC, aos 28 dias, submetido à tração e flexão. O limite elástico à tração (BOPBend Over Point) e o limite elástico à flexão (LOPLimit of Proportionality) são influenciados, principalmente, pela composição da matriz, mas, também, pela densidade, teor em polímeros e procedimentos de cura. A resistência à tração na rotura (UTSUltimate Tensile Strength) e a resistência à flexão na rotura (MORModulus of Rupture) dependem fortemente das propriedades das fibras de vidro, nomeadamente do seu conteúdo, comprimento e orientação na matriz, assim como do conteúdo de polímeros e da densidade do composto. Fig. 2.8 – Diagrama tensão-deformação representativo do comportamento do GRC, à flexão e tração [1]. 2.5.3. MÓDULO DE ELASTICIDADE As curvas de tensão-deformação à flexão são usadas na determinação de valores do módulo de elasticidade, para fins de projeto. O módulo de elasticidade varia com a composição da matriz, densidade, conteúdo de polímeros e processos de cura. 2.5.4. RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO A resistência à compressão deste material depende, essencialmente, das características da matriz. A resistência à compressão no plano é um pouco menor do que a no plano perpendicular, devido às
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 12 camadas das fibras de vidro afectarem a continuidade da matriz. A resistência à compressão no plano perpendicular não é influenciada pela presença das fibras de vidro e aproxima-se dos valores da resistência à compressão obtidos nos testes de amostras cúbicas e cilíndricas. 2.5.5. RESISTÊNCIA AO IMPACTO A resistência ao impacto do GRC depende fortemente das propriedades das fibras de vidro. Esta propriedade aumenta com o aumento do comprimento da fibra. O GRC de cura aos 28 dias apresenta maior resistência ao impacto do que outras pastas de cimento não reforçadas ou outros cimentos. Normalmente, esta propriedade não é um parâmetro importante para projeto. 2.5.6. RESISTÊNCIA AO CORTE Os painéis produzidos pelo processo de pulverização contêm fibras de vidro distribuídas aleatoriamente pelo plano da secção. Deste modo, os valores da resistência ao corte variam com o tipo de carga aplicada. Existem, assim, dois tipos de resistência ao corte: a interlaminar e a no plano. A resistência ao corte interlaminar depende, essencialmente, das características da matriz e as forças correspondentes aparecem, normalmente, nas faces laterias dos painéis e nos blocos de ligação do plano de ação de cargas. A resistência ao corte no plano depende das propriedades das fibras de vidro e as forças correspondentes podem ser geradas por ligações aparafusadas nas proximidades dos bordos do painel. A figura 2.9 representa, esquematicamente, estas forças. Fig. 2.9 – Representação esquemática das forças de resistência ao corte e compressão [1]. 2.5.7. DEFORMAÇÕES PROVOCADAS POR VARIAÇÃO DE HUMIDADE Assim como outros betões, o GRC está sujeito a retracção por secagem e a uma recuperação parcial em ambiente molhado/húmido. A deformação induzida pela humidade depende de diversos fatores, incluindo as proporções água/cimento e cimento/areia, o teor de polímeros, o processo de cura, densidade e a idade do composto. A Figura 2.10 ilustra o efeito da variação do teor de humidade no painel e a sua consequência em termos de dimensões. A integração da areia reduz a quantidade de retrações. No entanto, a retração continua a ser mais elevada no GRC do que na maior parte de produtos em betão, devido à maior quantidade de cimento. A capacidade de deformação e a habilidade de inibir a propagação da fendilhação por retracção deve
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 13 ser antecipada de modo a reduzir gradualmente quando exposto ao ambiente exterior, isto é, ao longo do seu envelhecimento natural. Fig. 2.10 – Estabilidade dimensionalmovimento do GRC induzido pela humidade [1]. No caso de existir ligação de materiais de revestimento a elementos em GRC, devem ser desenvolvidos testes sobre estes materiais de modo a determinar a retracção e outras deslocações provocadas pela humidade, de forma a que as características de movimento de ambos os materiais sejam semelhantes. Diferenças significativas entre eles podem originar tensões elevadas na pele do painel, resultando no impedimento do movimento de um material, provocado pelo outro. Assim, é necessário compreender que certos materiais de revestimento não devem ser ligados ao GRC, devido à incompatibilidade entre variações de volume. 2.5.8. EXPANSÃO TÉRMICA Tal como acontece com a maior parte dos materiais, o GRC dilata, expande, com o aumento da temperatura. Esta expansão térmica pode ser contrariada através da retracção provocada pela perda de humidade, durante o aquecimento do painel. A retracção e expansão térmicas são condicionadas pelas características da matriz, principalmente pela densidade e a quantidade de areia ou relação areia/cimento. Esta propriedade deve ser considerada no projeto de elementos de GRC. 2.5.9. DEFORMAÇÃO NA ROTURA O GRC é capaz de sustentar cargas durante períodos prolongados. O comportamento da deformação na rotura deste compósito é semelhante ao de outros materiais em que o cimento entra na sua composição. A deformação elástica inicial é seguida por uma lenta deformação até à rotura, sob carga contínua. A variação da fluência diminui com o tempo, numa escala logarítmica. Diversos estudos realizados com compósitos, indicam que esta propriedade é controlada pelas características da matriz, devido à pequena proporção da fibra de vidro no compósito (tipicamente, 5% do seu peso).
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 14 2.5.10. RESISTÊNCIA AO FOGO O GRC é um material ignífugo, não combustível, e obedece aos requisitos impostos pela ASTM E136. Quando usado como um material superficial, o seu índice de propagação de chamas é zero. Testes realizados de não-combustibilidade, inflamabilidade e propagação de chamas, foram conduzidos na Inglaterra de acordo com a Norma Inglesa em “Fire Tests on Building Materials and Structures”, BS 476, Partes 4, 5 e 6. Quanto à sua classificação de resistência ao fogo, o GRC é um material de classe A1, segundo as especificações do sistema europeu, em vigor (que corresponde à antiga classe M0, classificação das especificações do LNEC). 2.5.11. PROPRIEDADES ACÚSTICAS O isolamento acústico de um material homogéneo depende, principalmente, de três propriedades físicas: massa de superfície (peso por unidade de área), rigidez (dependente da forma do painel) e amortecimento. Este material compósito segue o conjunto de leis para a redução de som. Para camadas exteriores de projeto semelhantes, mas pesos distintos, o índice de redução sonora (STCsound transmission class, nos EUA) aumenta aproximadamente 5 dB por cada duplicação do peso. O GRC de alta densidade apresenta boas características de redução sonora. 2.5.12. DENSIDADE A densidade seca do GRC de pulverização (o chamado spray-up) depende, principalmente, da quantidade de fibra, da relação água/cimento, do teor de polímeros e de areia, da compactação e das técnicas de pulverização. Tipicamente, a densidade varia entre 1920 e 2240 kg/m3. O conhecimento desta propriedade proporciona a informação acerca da qualidade geral da produção do material e é usada como uma medida dos procedimentos de controlo de qualidade. 2.5.13. CONDUTIBILIDADE TÉRMICA A condutibilidade térmica do GRC é dependente da densidade do compósito e do teor de humidade. Esta propriedade varia entre os valores 0.5 e 1.0 W/mº C. 2.5.14. PERMEABILIDADE A matriz de GRC tem tendência a absorver e distribuir água por todo o composto uniforme e rapidamente, mas não parece dar passagem de água através da espessura da camada exterior. A permeabilidade ao vapor de água (π) do GRC varia entre 7.3 a 16x10-12 kg/m.s.Pa para materiais de GRC produzidos com 0.25 e 0.35 de relação água-cimento, respetivamente. A maioria das formulações deste material apresenta uma permeância ao vapor de água (Pe) inferior a 1.7x10-10 kg/m2.s.Pa. A permeância ao ar e ao vapor de água do GRC diminuem em função do tempo e são armazenadas sob condições ambientais naturais.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 15 No Quadro 2.1 é apresentada uma tabela resumo de intervalos de valores para algumas propriedades referidas anteriormente. Quadro 2.1 – Valores tipicos médios de algumas propriedades do GRC [5] Propriedade Unidade Spray-up GRC Premix GRC Teor de fibra de vidro, por peso, na mistura % 5% 3% Densidade seca ton/m3 1,9-2,1 1,8-2,0 Resistência à compressão MPa 50-80 40-60 Resistência ao impacto kJ/m2 10-25 10-15 Módulo de elasticidade GPa 10-20 10-20 Strain to failure % 0,6-1,2 0,1-0,2 Flexão: Resistência à flexão na rotura (MOR) MPa 20-30 10-14 Limite elástico à flexão (LOP) MPa 7-11 5-8 Tracção: Resistência à tracção na rotura (UTS) MPa 8-11 4-7 Limite elástico à tracção (BOP) MPa 5-7 4-6 Corte: Resistência ao corte interlaminar MPa 3-5 N.A. Resistência ao corte no plano MPa 8-11 4-7 2.6. PRODUÇÃO E CURA Os painéis de GRC, utilizados no revestimento de fachadas de edifícios, devem ser produzidos por produtores experientes, de modo a obter um produto fiável e de qualidade. Para tal, devem disponibilizar de um espaço físico adequado para tal (fábrica), o equipamento específico e processos de controlo de qualidade necessários ao fabrico de painéis de um determinado tamanho e desempenho, à taxa de produção requerida. Seguidamente, são apresentados os processos que decorrem ao longo de
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 22 Outro exemplo é o empreendimento da obra de habitação da EPUL (Empresa Pública de Urbanização de Lisboa), realizada em 2006/07, em Lisboa, na qual foram aplicados painéis GRC, pigmentados, do tipo casca, numa área de 3030 m2 de fachada, representado na figura 3.2. Fig. 3.2 – Empreendimento de habitação da EPUL, Lisboa [17]. Os painéis GRC podem ser aplicados com fins decorativos, como é o caso de uma vivenda, na Praia d’El Rei, na qual a implementação dos painéis foi efetuada numa caleira decorativa, em 2007, como se pode ver na figura 3.3. Fig. 3.3 – Vivenda, Praia d’El Rei, Óbidos [17]. Mais um exemplo de aplicação de painéis casca, é um museu, na Batalha, revestimento efectuado em 650 m2 de superfície, obra realizada em 2008 (ver figura 3.4).
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 23 Fig. 3.4 – Museu da Batalha, Batalha [17]. O revestimento da fachada do edifício do INL (International Iberian Nanotechnology Laboratory), situado em Braga, representado pela figura 3.5, obra realizada em 2010, foi efetuado com painéis casca, nervurados no tardoz, fixados à estrutura diretamente com cantoneiras metálicas. A área de fachada correspondente à aplicação de painíes de GRC totaliza 5042 m2. Fig. 3.5 – INL, Braga [18]. Outra obra na qual foram implementados painéis casca é o caso de uma vivenda, em Águeda, em 2011, como se apresenta na figura 3.6.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 24 Fig. 3.6 – Vivenda, Águeda [17]. No projeto de reabilitação da envolvente exterior dos edifícios da urbanização de “habitação de custos controlados” de Vila d’Este, em Vila Nova de Gaia, o revestimento das fachadas, ao nível do r/chão, foi efetuado com painéis GRC, cuja área foi 3250 m2, exemplo de aplicação ilustrado na figura 3.7. Esta obra foi realizada em 2011/12. Fig. 3.7 – Reabilitação das fachadas dos edifícios da urbanização de Vila d’Este, Vila Nova de Gaia [17]. 3.3. APLICAÇÕES COM PAINÉIS STUD-FRAME São apresentados, ao longo desta secção, exemplos de obras nas quais foram implementados painéis stud-frame, em Portugal. O edifício mais recente da Sede da Vodafone, em Lisboa, construído em 2001, foi revestido com painéis GRC, do tipo stud-frame, de dimensões 2,00x1,00 m2, totalizando uma área de 3358 m2 (ver figura 3.8). O cimento utilizado na produção de GRC tem a particularidade da sua cor, por ser branco. É de referir que nesta obra existiram diversas singularidades relacionadas com a colocação dos painéis, na medida em que havia painéis inclinados, levando a ligações do tipo esquadro rígido [15]. Mais um exemplo em Lisboa, o edifício da Estação Quinta das Mouras, do Metro de Lisboa, construído em 2003, foi revestido com 702 m2 de painéis GRC do tipo stud-frame, apresentado na figura 3.9.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 25 Fig. 3.8 – Edifício Vodafonesede, Lisboa [16]. Fig. 3.9 – Estação Quinta das Mouras, Metro de Lisboa, Lisboa [16]. A implementação das peças decorativas “Donuts”, em Lisboa, obra realizada em 2005, são um exemplo da versatilidade a nível de formas e geometria do GRC, apresentado na figura 3.10. Fig. 3.10 – Peças decorativas “Donuts”, Lisboa [17].
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 26 O Mosteiro de Santa Clara, em Coimbra, popularmente conhecido pelo Convento de Santa Clara-aVelha, fundado nos finais do século XIII, localizado na margem esquerda do rio Mondego, foi submetido a intervenções de restauro e recuperação, logo no início do século XX, devido aos lodos e areias do Mondego que invadiam este espaço, deixando este monumento imerso nos sedimentos. Após diversos projectos de recuperação, nomeadamente o último, um concurso internacional para a recuperação do monumento, vencido pelo “Ateliê 15”, em 2001, foi possível, após vários séculos, libertar este antigo convento das águas do rio e abrir ao público em 2009. Nestas obras de recuperação, esteve incluída a implementação de painéis stud-frame, numa área total de 160 m2, projeto concluído em 2008, representada na figura 3.11. Fig. 3.11 – Recuperação do Mosteiro de Santa Clara, Coimbra, 2008 [17]. O Hotel Holiday Inn (anteriormente Meliá, cujo ano de construção data 2004), localizado em Vila Nova de Gaia, sofreu uma última renovação no ano de 2010 (ver figura 3.12). O revestimento da sua fachada foi realizado em painéis do tipo stud-frame (casca de GRC apoiada em bastidor metálico), totalizando a área de fachada de 18 000 m2. Fig. 3.12 – Hotel Holiday Inn, V. N. Gaia [18]. A fachada de uma moradia em Valongo, no Grande Porto, foi revestida com este tipo de painéis, com uma superfície de 320 m2, projetada pelo arquiteto Ricardo Moreira, em 2012. Na figura 3.13 é possível verificar a fachada da moradia.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 27 Fig. 3.13 – Fachadas da moradia em Valongo, 2012 [17]. 3.4. APLICAÇÕES COM PAINÉIS SANDUICHE São diversas as aplicações de painéis sanduiche, das quais algumas vão ser referenciadas nesta secção. O centro comercial Parque Nascente (ver figura 3.14), situado em Rio Tinto, junto à Estrada da Circunvalação, representa um dos exemplos de revestimento de fachada através de painéis do tipo sanduiche, com uma camada de isolamento térmico EPS (poliestireno expandido) no seu interior. A área total de fachada revestida em GRC corresponde a 14 500 m2. Fig. 3.14 – Centro Comercial Parque Nascente, 2003 [18]. Na construção de um pavilhão industrial, em Vendas Novas, foram implementados 117 m2 de painéis sanduiche, obra realizada em 2005. Na figura 3.15 é possível visualizar os painéis aplicados.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 28 Fig. 3.15 – Pavilhão industrial, Vendas Novas, 2005 [17]. Em Lisboa, nas fachadas de um edifício de escritórios, ver figura 3.16, foram aplicados 117 m2 de painéis sanduiche, no revestimento de gabinetes em terraço, obra realizada em 2005. Fig. 3.16 – Edifício de escritórios, Lisboa, 2005 [17]. Na renovação da fachada das Urgências do Hospital de Santo André, em Leiria, foram implementados 60 m2 de painéis sanduiche (ver figura 3.17). Fig. 3.17 – Urgências Hospital de Santo André, Leiria, 2007 [17].
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 29 No revestimento de edifícios de habitação, a aplicação de painéis sanduiche é notável, como é o caso de uma habitação em Guimarães, obra de implementação de 400 m2 de painéis, como ilustra a figura 3.18. Fig. 3.18 – Edifício de habitação, Guimarães, 2007 [17]. Seguem-se mais exemplos de aplicação de painéis sanduiche, como o caso do stand, em Montemor-oVelho, numa área de 110 m2, apresentado na figura 3.19, e o revestimento da fachada do edifício de uma creche, no Estoril, totalizando 150 m2 de superfície, demonstração da versatilidade do GRC, a nível de cores (ver figura 3.20). Fig. 3.19 – Stand, Montemor-o-Velho, 2008 [17]. Como mais um exemplo de um centro comercial, aparece o Mar Shopping, do grupo inter Ikea, situado em Leça da Palmeira, Matosinhos, cuja fachada foi revestida com painéis GRC do tipo sanduiche (com uma camada de EPS no seu interior), totalizando 9 134 m2, apresentado na figura 3.21.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 30 Fig. 3.20 – Creche, Estoril, 2007 [17]. Fig. 3.21 – Centro Comercial Mar Shopping, 2008 [18]. Existem muitos outros exemplos de aplicação não mencionados neste trabalho, mas dos quais se podem destacar mais alguns, por serem mais recentes ou cuja área de painéis implementada é mais elevada. São o caso, por exemplo, de uma zona comercial, em Lisboa, obra na qual esteve envolvida a implementação de 1100 m2 de painéis GRC, do tipo sanduiche, ver figura 3.22, a introdução de 770 m2 no Colégio S. Tomás, também em Lisboa, imagens apresentadas na figura 3.23, ou de outro espaço comercial, mas em Vila do Conde, na construção de palas para o edifício, representado na figura 3.24, uma escola em Vila Viçosa, cuja obra abrangeu a aplicação de 3400 m2 de painéis sanduiche (ver figura 3.25) e, para finalizar com mais um caso, aparece, recentemente, o edifício do UPTEC (Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto), localizado no Polo Universitário da Asprela, próximo do edifício da AEFEUP (Associação de Estudantes da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto), estrutura da UP (Universidade do Porto) dedicada à incubação de Startups e ao acolhimento de Centros de Inovação Empresarial, revestido com painéis sanduiche em 300 m2 de fachada, apresentado na figura 3.26.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 31 Fig. 3.22 – Zona comercial, Lisboa, 2007 [17]. Fig. 3.23 – Colégio S. Tomás, Lisboa, 2007 [17]. Fig. 3.24 – Espaço comercial (palas), Vila do Conde, 2008 [17].
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 38 O Estádio Nueva Condomina, em Múrcia, Espanha, ver figura 3.39, projetado pelo arquiteto Jaime Lopez Amor, cuja obra foi concluída em 2006, foi revestido exteriormente por painéis stud-frame, totalizando uma área de 2300 m2. Fig. 3.39 – Estádio Nueva Condomina, Murcia, Espanha [17]. Ainda por território europeu, é apresentado o caso do Campus Universitário de Jussieu, em Paris, França, que contou com a aplicação de 80 m2 de painéis stud-frame, obra realizada em 2007. A figura 3.40 representa os painéis aplicados na obra em questão. Fig. 3.40 – Painéis stud-frame aplicados na obra do Campus Universitário de Jussieu, Paris, França [17]. O revestimento das fachadas de um edifício de habitação em Madrid foi efetuado com 1800 m2 de painéis stud-frame coloridos, exemplo que demonstra a versatilidade do material GRC a nível de cores, representado na figura 3.41.Também em Espanha, em Toledo, a fachada de um edifício de laboratórios foi revestida com painéis sanduiche, com acabamento pétreo, numa superfície total de 147 m2, representada na figura 3.42. No revestimento de um edifício de habitação, em Gijón, foram aplicados 2000 m2 de painéis de GRC do tipo sanduiche, representado pela figura 3.43.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 39 Fig. 3.41 – Edifício de habitação, Madrid, Espanha, 2007 [17]. Fig. 3.42 – Laboratórios, Toledo, Espanha, 2006 [17]. Fig. 3.43 – Edifício de habitação, Gijón, Espanha, 2007 [17]. a) Painéis para aplicar na fachada do edifício b) Fachada do edifício revestida com os painéis
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 40 Na construção de um silo, em Alhandra, foram aplicados 450 m2 de painéis sanduiche, cujo pormenor que evidencia a diferente geometria é apresentado na figura 3.44. Fig. 3.44 – Painel a colocar no Silo, Alhandra, 2008 [17]. O empreendimento de habitação, construído em Madrid, em 2007, representado pela figura 3.45, é composto por fachadas revestidas com painéis do tipo casca e sanduiche, totalizando uma área de 2500 m2. Fig. 3.45 – Empreendimento de habitação, Madrid, Espanha, 2007 [17]. O Lycée du Parc des Loges, Evry, em Paris, é mais um exemplo, a nível europeu, de um edifício revestido com painéis casca e sanduiche, numa área total cerca de 1120 m2, em 2008, apresentado na figura 3.46.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 41 Fig. 3.46 – Liceu, Paris, França, 2008 [17]. Fora da Europa, no Brasil, um edifício de escritórios, localizado na Rua de Rocio, em São Paulo, foi revestido com 1000 m2 de painéis GRC, do tipo stud-frame, em 2004, representado na figura 3.47. Fig. 3.47 – Edifício de escritórios, Rua de Rocio, São Paulo, Brasil [16]. 3.7. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo foram apresentados apenas alguns exemplos, dos muitos existentes, a nível nacional e internacional, de aplicação de fachadas pré-fabricadas em GRC. O recurso a este tipo de solução, quando existe um conjunto de condições para sua implementação, é cada vez mais notória, devido às principais vantagens deste material. Os painéis de GRC, comparativamente com o revestimento em betão tradicional, reduzem o peso e a espessura até dez vezes. O betão reforçado com fibra de vidro é um produto compósito de alto desempenho, moldável e de elevada duração, apresentando um peso típico cerca de 70 kg/m2. A vida da construção e durabilidade do GRC é significativamente aumentada em consequência da resistência do produto à corrosão, raios UV, fogo e variações de temperatura.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 42
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 43 4 O PROJETO DE PAINÉIS DE GRC 4.1 INTRODUÇÃO Neste capítulo pretende-se fazer uma abordagem dos principais aspetos incluídos desde a fase de projeto dos painéis GRC até à sua implementação em obra. Os painéis a analisar são do tipo studframe, uma vez que são os aplicados no revestimento das fachadas no caso a estudar. 4.2 PROJETO Em linhas muito gerais, até chegar à fabricação dos painéis, o procedimento para o projeto de painéis GRC passa pelas seguintes fases: o arquiteto fornece as diretrizes para a fase de projeto; a geometria e modulação são estabelecidas através da interação com o fabricante; com base nas informações anteriores, define-se o tipo de painel mais adequado para a construção em questão; efetua-se o dimensionamento dos painéis e das respetivas juntas, tendo em conta as solicitações a que ficarão sujeitos ao longo da sua vida útil; procede-se à execução dos pormenores necessários para a execução da obra; e, finalmente, inicia-se a produção dos painéis, em fábrica [2]. O projeto de painéis de revestimento em GRC baseia-se nas propriedades do material, e a sua alteração ao longo do tempo, e no desempenho em construções em climas variados. Os painéis estão sujeitos a uma variedade de solicitações e condições ambientais, resultando na produção de esforços internos e externos. As forças devido à ação do vento e gravidade, assim como a redução da retração devido à alteração de volume, resultante de alterações de humidade e de temperatura, são considerações importantes a ter no projeto do GRC. Existem algumas anomalias, frequentes neste tipo de fachadas pré-fabricadas, as quais foram detetadas numa série de fachadas em GRC (investigadas nos EUA pelo CTL (Construction Technology Laboratories)), tais como: - fissuração prematura, nem sempre visível à vista desarmada, que originou a penetração de água e consequentes danos dos componentes internos, em algumas situações; - empenamento dos componentes, normalmente precedente ao aparecimento de fissuras visíveis; - descoloração superficial dos painéis, resultante da carbonatação do GRC; - descolamento do revestimento da interface. Algumas destas situações foram detetadas logo após a instalação dos painéis de fachada, não sendo relacionadas apenas com o envelhecimento do compósito. Falhas de origem no projeto, principalmente nos casos em que houve dano imediato, e falhas nas operações de desmoldagem e içamento, que introduziram tensões superiores ao limite elástico do
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 44 compósito e resultaram em defeitos latentes que se manifestaram anos após a conclusão da fachada, à medida que avançavam os mecanismos de envelhecimento do GRC, podem ser as principais causas destes problemas mencionados, exceto no caso da questão da carbonatação [20]. Voltando um pouco atrás, fazendo referência à própria mistura de GRC, pode-se salientar que apesar da implementação de composições de fibra de vidro resistentes ao álcalis do cimento, AR (alkaliresistant), se a humidade estiver presente durante a hidratação do cimento, o GRC vai perder resistência e ductilidade ao longo do tempo. Este fenómeno deve-se ao facto de o produto da hidratação do cimento, o hidróxido de cálcio (Ca(OH)2), penetrar nas fibras e preencher os espaços intersticiais entre os filamentos do vidro, aumentando assim a ligação da fibra de vidro à matriz de cimento e levar a uma redução da saída da fibra, reduzindo a deformação até à rotura. Isto implica também a diminuição da resistência à tração ao longo do tempo. Em ambientes secos, interiores, onde a hidratação do cimento e o ataque químico é significativamente lento, as propriedades iniciais do compósito permanecem por mais tempo. No entanto, em ambientes normais, o uso de cimento Portland proporciona a redução de deformações até à rotura. Com o reforço de fibra de vidro AR, estes sistemas exibem substancialmente menor perda de ductilidade na condição de totalmente envelhecido. As propriedades do GRC envelhecido são normalmente determinadas em laboratório, submetendo amostras a um banho quente, ou outro regime que tente simular, num ritmo acelerado, os efeitos do envelhecimento, em tempo real, num ambiente natural, com o objetivo de manter os esforços do GRC abaixo da força de rotura, com uma margem considerável [1]. As peças desenhadas do projeto devem demonstrar a localização dos painéis, assim como secções e dimensões necessárias para definir o tamanho e modulação dos painéis, indicando a disposição das juntas, em termos funcionais e estéticos, ilustrando pormenores entre as unidades. 4.2.1. METODOLOGIA DO PROJETO A orientação do projeto de painéis GRC é baseada, essencialmente, em dois princípios: por um lado no dimensionamento do painel de modo que as tensões sejam sempre mantidas abaixo do limite elástico do compósito (LOP) e por outro permitir a movimentação livre da camada de GRC, submetida a alterações ambientais. O projeto de painéis GRC consiste numa sequência de ações, mencionadas anteriormente, em linhas muito breves, e podem ser ordenadas da seguinte forma: 1. O arquiteto fornece as primeiras entradas para o processo de projeto, ao definir a parte estética da fachada; 2. A geometria e modulação são estabelecidas através da interação com o fabricante e, com base nisto, é definido o tipo de reforço mais adequado; 3. Dimensionamento do GRC, segundo solicitações mecânicas: envolvem a ação do vento, peso próprio e esforços durante a desmoldagem/descofragem, manuseamento, transporte e içamento dos painéis; todo o histórico de carregamento é importante, para evitar que os esforços superem a tensão de fissuração da matriz; 4. Dimensionamento do GRC, segundo solicitações físicas, introduzidas por influências ambientais: as alterações de temperatura e humidade do meio externo têm reflexos significativos sobre o compósito, não raro capazes de provocar tensões que superam inclusive a ação do vento; a restrição imposta pelas fixações e acabamentos tem, frequentemente, influência decisiva na solução final e requer que os
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 45 efeitos das alterações de temperatura e humidade sejam considerados como de alta probabilidade de ocorrência simultânea na combinação de cargas adotada; 5. Dimensionamento dos sistemas de reforço e fixação; 6. Dimensionamento das juntas; 7. Graduação dos níveis de desempenho térmico, acústico e resistência ao fogo, conforme os critérios previamente estabelecidos; 8. Pormenorização final do sistema e interfaces. Esta sequência de ações é sistematizada no fluxograma da figura 4.1. Fig. 4.1 – Metodologia do projeto de painéis GRC [20]. 4.2.2. GEOMETRIA E MODULAÇÃO DOS PAINÉIS A definição da geometria do painel é importante para o traçado dos sistemas de reforço e de fixação, refletindo-se, também, no dimensionamento do GRC. Diferentes formas, relevos, reentrâncias, relacionam-se diretamente com o peso próprio do painel, interferindo com tensões de compressão e flexão, influenciando, por outro lado, áreas de sombreamento e posicionamento em relação à incidência da chuva, por exemplo. No caso de um painel apresentar relevos profundos, criam-se regiões de flexão no GRC (figura 4.2, situação 2), sendo necessário o reforço adequado dos mesmos. Quando o perfil é complexo, as ancoragens de ligação tornam-se mais longas e lateralmente instáveis sob a ação do vento (figura 4.2, situação 1). Por outro lado, ancoragens muito curtas têm tendência a restringir o movimento e originar tensões de flexão no GRC (figura 4.2, situação 4). Podem, ainda,
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 46 surgir áreas parcialmente sombreadas ou protegidas da incidência direta da chuva, devido à geometria do painel, que originarão tensões diferenciais, representada pela situação 3, na figura 4.2 [20]. a) Geometria do painel e ancoragens b) Aplicação de barras em “C” Fig. 4.2 – Influência da geometria dos painéis sobre a natureza das tensões instaladas na camada de GRC [20]. Relativamente ao posicionamento das aberturas na fachada, é preferível, sempre que possível, ter aberturas mais reduzidas e completamente envolvidas pelo GRC, de modo a minimizar as preocupações relacionadas com o encaixe do painel e vedação das juntas. Para aberturas maiores (grandes vãos), os painéis devem ser configurados de modo a que as aberturas sejam menos afetadas pelo movimento da estrutura. Neste último caso, a área de GRC deve ser dividida em panos menores, dando prioridade à continuidade das juntas horizontais. A figura 4.3 demonstra exemplos da disposição dos painéis, modulação correta e incorreta, no caso de aberturas reduzidas (figs. 4.3a e 4.3b) e no caso de aberturas maiores (figs. 4.3c, 4.3d e 4.3e) [1] [20]. Fig. 4.3 – Relação das juntas entre vãos e painéis de GRC [1].
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 47 A disposição dos painéis deve ser coordenada com as ligações à estrutura, para que a direção da própria fachada não esteja em conflito com a disposição das juntas dos painéis. Tal como já foi referido anteriormente, as juntas horizontais devem ser contínuas, não interrompidas. Para painéis de grandes dimensões (acima dos 6m), é necessário segmentar a camada externa GRC da face do painel com juntas controladas (juntas controladas calafetadas), com o fim de minimizar a limitação da camada. Por vezes, certas formas do painel são destacadas da camada principal, de modo a limitar esforços de variação diferencial de volume [1]. 4.2.3. DIMENSIONAMENTO DO PAINEL No dimensionamento de painéis de fachada em GRC é necessário considerar as ações às quais estes elementos vão estar sujeitos, as designadas ações de projeto. Deste modo, devem ser consideradas as cargas de serviço no painel: efeitos devido ao peso próprio, vento, sismos, se aplicável, e os efeitos da temperatura e humidade. Uma vez que os painéis GRC são leves, apresentam baixo peso, o vento é uma ação importante a ser considerada, contabilizada na carga total de projeto, mais relevante do que no caso de painéis de betão, de peso bastante mais elevado. Quando aplicável a ocorrência de sismos, são desenvolvidas forças de inércia nos painéis. As variações de volume devido a alterações de temperatura e humidade são a três dimensões e volumétricas. Os painéis devem ser dimensionados para contrações e expansões, horizontal e verticalmente, sem encurvadura, abertura de juntas seladas, tensões excessivas entre os componentes do painel ou parafusos, ou outros efeitos prejudiciais. Devem ser considerados fatores de carga e combinações de ações, esforços limite para flexão, corte e tração e deformação por flexão, para os quais a geometria do painel deve ser tida em conta. É de realçar que a resistência à tração do GRC é menor que a sua resistência à flexão. 4.2.3.1. Métodos de suporte e reforço de painéis: o sistema stud-frame Normalmente, não é usual executar a camada externa GRC do painel muito espessa. Para permitir painéis maiores, recorre-se ao uso dos chamados reforços, como é o caso da ancoragem da camada de GRC do painel a uma estrutura de aço (stud-frame), com nervuras integrais, incorporadas no tardoz do painel. Existem dois métodos de fixação do painel à estrutura de aço (stud-frame), em que o primeiro é constituído por âncoras flexíveis, isoladas, para transferir cargas da face do painel para a estrutura de aço. O segundo, e preferível, utiliza ancoragem flexível, para a carga ação do vento, mas transfere o peso da camada externa do painel para a estrutura de aço, através de ancoragem gravítica, em separado. A ancoragem é soldada à estrutura stud-frame e ligada à camada externa do painel, através de GRC adicional (a chamada almofada de ligação de GRCbonding pad, ver pormenores na figura 4.7). Ao projetar painéis GRC do tipo stud-frame, é importante manter em separado a estrutura de aço da camada externa GRC, para não criar nenhuma resistência às alterações de volume no plano. A distância entre eles deve ser adequada, de forma a permitir um acesso não restrito dos trabalhadores para completa integração do quadro de aço à face do painel. A constituição do sistema Stud-frame divide-se, essencialmente, em quatro partes: a) a camada externa GRC do painel; b) a ancoragem, que faz ligação da camada externa à estrutura de aço (stud-frame); c) a própria estrutura de aço (stud-frame);
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 54 Para atingir uma superfície exposta de agregados, os excedentes de pasta GRC na superfície do painel devem ser removidos através de processos químicos, com retardadores ou uma espécie de ácido de decapagem, ou métodos mecânicos, tais como jateamento/decapagem abrasiva ou mesmo por polimento e aperfeiçoamento. Podem ser obtidos três diferentes níveis de exposição, a partir dos métodos referidos: - Exposição leve, na qual apenas a camada mais superficial de cimento e areia é removida de modo a expor a areia e as bordas mais próximas do agregado mais grosseiro. A cor da areia influencia a cor do painel no seu todo; - Exposição média, em que o agregado mais grosso aparece praticamente na mesma proporção da matriz de cimento; - Exposição profunda, na qual o agregado mais fino e o cimento foram removidos, prevalecendo o agregado mais grosso na superfície do painel. Primeiramente, o painel deve ser limpo com diluente, ou outro tipo de solução ácida. A solução deve ser aplicada numa superfície pré molhada, de modo a não ocorrer a penetração do ácido. Após a limpeza do painel com a solução referida, este deve ser lavado com água limpa, para remover vestígios da solução que possam ter ficado na superfície. Durante esta fase de limpeza, todas as superfícies de aço devem ser protegidas, para não serem danificadas. Para um acabamento liso, tipo cerâmico, são normalmente usados revestimentos plásticos. Metais ou madeiras altamente polidas também produzem o efeito de uma superfície lisa e regular. Por questões de maximização económica, aos painéis que são aplicados estes tipos de acabamentos, não se efetua qualquer tipo de tratamento na sua superfície, após desmoldagem do painel. No entanto, é necessário tomar certos cuidados, tais como ter em atenção o detalhe das arestas e cantos, o escorrimento de água e outros problemas relacionados com fatores ambientais, moldes bem construídos, pois caso contrário todas as imperfeições serão realçadas no painel, o agente desmoldante ou descofrante deve ser o mesmo ao longo de toda a produção dos painéis e o método da sua aplicação deve ser o mais semelhante possível em todos as unidades e relativamente à mistura do compósito, a sua granulometria deve apresentar na maioria agregado fino e a cura deve ser uniforme, de modo a retardar a fissuração. Materiais como pedra natural (granito, mármore, calcário), cerâmica, azulejo, terracota, proporcionam uma grande diversidade de texturas para os painéis de GRC. Mais uma vez, é importante referir que é necessário ter particular atenção à compatibilidade dos materiais no que diz respeito à diferença de expansões e retrações provocadas por variações higrotérmicas. É imperativamente necessário considerar as alterações de volume diferenciais da camada superficial, dependente do tipo de acabamento, e da mistura de GRC. Se ambos materiais não tiverem propriedades físicas semelhantes, o projeto final deve incluir medidas de compensação para qualquer interação dos diferentes materiais. A aplicação de tintas no acabamento de painéis deve ser usada apenas por razões decorativas. Quando aplicadas em superfícies exteriores, devem ser permeáveis ao vapor de água, mas impermeáveis à água, no estado líquido, como é o caso das tintas com latex ou flúor. Revestimentos com agregado exposto ou camadas superficiais podem contribuir substancialmente para o aumento do peso do painel e deve ser permitido no projeto do painel, ancoragens, ligações e equipamento de elevação. Com revestimento em pedra, é corrente a utilização de ancoragem mecânica, evitando a ligação ao suporte do GRC. Os painéis durante o seu transporte e elevação sofrem danos, que têm que ser reparados em obra, processo que deve ser realizado antecipadamente à limpeza final e selagem das juntas dos painéis [1] [5] [22].
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 55 4.2.4. DIMENSIONAMENTO DAS JUNTAS 4.2.4.1. Abordagem geral O dimensionamento das juntas entre painéis de revestimento de GRC é parte integrante do projeto da fachada no seu todo. Normalmente, estas costumam ser o ponto crítico das fachadas uma vez que estão expostas a perturbações ambientais e submetidas a um grande número de solicitações. Os critérios para o seu dimensionamento incluem o acomodar das tolerâncias de fabricação dos componentes e dos movimentos cíclicos frequentes, e de alta densidade, aos quais os painéis estão sujeitos, a garantia da estanqueidade e contribuição no isolamento termo-acústico da fachada, aspeto e requisitos arquitetónicos, função a que se destina o empreendimento, exposição (orientação e condições climáticas) e aspetos económicos. Com base nestes fatores, as juntas são dimensionadas, definindo o tipo de junta a utilizar, a localização e número de juntas a executar em obra, a sua largura e profundidade, o tratamento arquitetónico e a seleção dos materiais constituintes [1] [2]. 4.2.4.2. Tipos de juntas O tipo de juntas a ser aplicado depende do tipo de painel usado na fachada e da função que desempenham, existindo dois tipos: juntas abertas e juntas seladas., conforme esquema representativo na figura 4.13. a) b) Fig. 4.13 – Representação de uma junta aberta (a) e outra selada (b) [2]. Nas juntas abertas existe uma espécie de descontinuidade na fachada, espaço entre a ligação dos dois elementos que não é preenchido com qualquer tipo de material de enchimento e que permite acomodar as variações dimensionais dos painéis devido às alterações higrotérmicas e também controlar as tolerâncias de fabricação e de montagem. Normalmente, este tipo de juntas é aplicado em fachadas sem exigências a nível térmico e acústico, de resistência ao fogo e estanqueidade, como no caso de varandas [2]. Por outro lado, as juntas seladas têm como funções garantir a estanqueidade, contribuir para o isolamento térmico e acústico da fachada, acomodar as tolerâncias de fabrico e montagem e permitir os movimentos cíclicos frequentes aos quais os painéis estão sujeitos [2]. O princípio de funcionamento deste último tipo de juntas consiste em criar uma região, na fachada, que permita absorver os esforços transmitidos pelos painéis, que são dissipados através da deformação do selante. As solicitações aos quais os painéis estão sujeitos podem provocar a perda de aderência e/ou rotura do selante por cisalhamento e, nestas condições, os selantes elásticos, como os casos do poliuretano e da silicone, tornam-se os mais indicados, portanto, o selante deve possuir capacidade de responder eficazmente a todas estas solicitações [2] [20].
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 56 A figura 4.14 mostra o comportamento dos painéis quando submetidos a aumento e diminuição de temperatura, resultando na expansão e retração dos mesmos, respetivamente. É possível observar o comportamento do selante em ambos os casos: quando os painéis aumentam de tamanho, o selante também tem tendência a expandir, no entanto sujeita-se ao movimento contrário e permite o fechamento da junta, compensando, assim, as variações dimensionais do sistema; o contrário ocorre no caso de diminuição de temperatura, para a qual os painéis têm tendência a diminuir, ocorrendo o alargamento da junta, formando-se esforços de tração no material de enchimento [2]. a) b) Fig. 4.14 – Representação do movimento da junta em caso de expansão (a) e retração (b) dos painéis [2]. 4.2.4.3. Requisitos de desempenho e dimensionamento de juntas seladas As juntas seladas devem satisfazer vários requisitos de desempenho, relacionados com a sua durabilidade, dissipação de tensões, estanqueidade e estética. O sistema de selagem de juntas é composto, essencialmente pelo próprio selante, material de enchimento e um primário, conforme as características do selante e das superfícies, para melhorar a aderência [20]. De modo a acomodar adequadamente os elementos referidos, é necessário cumprir certos requisitos, dos quais serão mencionados os principais, seguidamente. Os painéis devem formar uma aba lateral com, no mínimo cerca de 38 mm, que deve ser adotada, preferencialmente, com 50 mm, como indicado na figura 4.15a, assim como o espaçamento mínimo entre os painéis deve ser de 19 mm (ver figura 4.15b) [1]. Fig. 4.15 – Detalhe típico de juntas entre painéis GRC [1].
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 57 Quando utilizadas nas arestas do edifício (ver figura 4.15a), as juntas a 45º deverão ter, pelo menos, 25 mm de largura para acomodar as deformações acumuladas, os empenamentos e desalinhamentos frequentes nos encontros de planos de fachada [1] [20]. O dimensionamento final das juntas deve ser definido a partir do gradiente térmico (gradiente de temperatura à qual os painéis estarão sujeitos), da capacidade de deformação do selante, da temperatura inicial à qual este será aplicado, das dimensões nominais dos painéis e desvios toleráveis na fabricação [1] [20]. Portanto, juntas subdimensionadas originam tensões de tração capazes de provocar falhas de aderência ou rotura do selante, as peças adjacentes entrarão em contacto e estarão submetidas a esforços mecânicos que podem levar a distorções, fissuração e esmagamentos localizados. O dimensionamento de juntas seladas consiste, entre outros aspetos, na determinação da largura das juntas, que segue uma metodologia de cálculo. Primeiramente, é determinado o deslocamento térmico do painel (Δl), através da equação (1). Δ TL l (1) em que α – coeficiente de dilatação térmica ΔT – variação da temperatura em relação à aplicação do selante (ºC) Δl – alteração dimensional prevista (mm) L – comprimento da peça (mm) Passa-se à seleção do selante, de forma a que a sua capacidade de deformação atenda à relação entre a movimentação do componente (Δl) e a largura da junta (x). Uma vez que a deformação máxima do selante (εmáx) é dada pelo quociente entre a alteração dimensional prevista, ou seja, o deslocamento (Δl), e a largura da junta (x), em percentagem, como indica a equação (2), pode-se chegar à expressão traduzida pela equação (3): x L máx (2) ; x TL máx (3) Deste modo, facilmente se deduz a largura da junta, calculada a partir da equação (4): máx TL x (4) No cálculo para o dimensionamento das juntas, a variação térmica representa a diferença entre a temperatura de aplicação do selante e os extremos de temperatura típicos locais, de modo a evitar que, caso o selante tenha sido aplicado durante a estação de aquecimento (Inverno), por exemplo, a junta se feche no Verão. A temperatura superficial varia com a estação do ano, a orientação, o grau de exposição e a cor da fachada, e pode ser entre 11º C a 45º C superior à temperatura ambiente exterior [1] [20].
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 58 A aplicação de painéis escuros implica um aumento da absorção da radiação solar e a camada de isolamento usualmente aplicada impede a dissipação do calor em direção à face interna, aumentando ainda mais a temperatura superficial. Relativamente à orientação do edifício, as fachadas voltadas para Sul experimentam temperaturas e movimentações superiores, enquanto que com as fachadas voltadas a Norte acontece o oposto. Para painéis de grandes dimensões, as juntas devem ser maiores, de modo a serem capazes de absorver tolerâncias realistas no que toca à planeza do painel e ao alinhamento das bordas. O manual PCI sugere uma alteração na expressão de cálculo da largura da junta (equação 4) considerando um parâmetro relacionado com as tolerâncias dimensionais dos painéis de GRC (o parâmetro F), obtendose, assim, a expressão representada pela equação 5. Por exemplo, para uma junta de 19 mm, deve ser especificada uma tolerância de ± 6 mm [1] [20]. F máx TL x (5) O dimensionamento de juntas seladas, segundo as especificações da ASTM C719, refere as seguintes regras: - os selantes devem acomodar deformações de ± 25 mm da largura original da junta; - nos casos em que o cálculo resulta em juntas muito grandes, consumindo, assim, quantidades excessivas de selante, proporcionando dificuldades de cura, ou comprometam o resultado estético da fachada, deve-se optar por um selante com maior capacidade de deformação; - uma vez que a profundidade do selante é função da largura da junta, adota-se , normalmente, profundidade igual a 1/2 da largura para juntas com até 25 mm e para juntas mais largas deve-se utilizar profundidade igual a 13 mm; - o selante, depois de aplicado, deve ser moldado segundo uma secção que permita bordas espessas combinadas a uma faixa central mais fina, com o objetivo de maximizar a área de aderência, sem prejuízo da flexibilidade [1] [20]. É de referir que, antes da colocação do selante na junta, e depois de aplicação do primário, primeiro material a ter em conta na fase de execução da junta selada, é inserido um limitador de junta, que consiste numa peça de material compressível, normalmente de polietileno ou poliestireno, sendo mais adequado o polietileno, pois apresenta melhor compatibilidade com o selante e o primário e adequa-se mais eficazmente aos movimentos de expansão e contração da junta. Este componente tem como funções permitir controlar mais facilmente a profundidade desejada para a junta especificada em projeto, evitando, deste modo, a utilização de quantidades superiores à necessária de selante, permitir a não adesão do selante à face do limitador de junta (terceira face), proporcionando um comportamento mais adequado do selante a movimentos de expansão e retração, pois quando existe adesão às três faces, podem ocorrer tensões no selante que levem à rotura do mesmo por falha de coesão ou adesão, e finalmente, proteger e apoiar o selante durante a sua aplicação. Na figura 4.16 é possível identificar os principais componentes das juntas seladas [1] [2]. A forma e profundidade do selante aplicado são controladas pela aplicação do material de enchimento com superfície não adesiva, que, após instalação, permanece comprimido a cerca de 30 a 50% do seu tamanho original [1].
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 59 Fig. 4.16 – Detalhe típico de juntas entre painéis GRC [1]. 4.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS O sistema de reforço de painéis GRC, sistema stud frame, é intensamente utilizado desde a década de 80, principalmente nos EUA, mas também na Europa, incluindo Portugal. No entanto, existem algumas patologias associadas a este tipo de sistema, que são necessárias ter em conta durante a fase de projeto. Os dois princípios básicos para as principais diretrizes de projeto de painéis GRC são: 1) dimensionar o painel de modo que as tensões sejam sempre mantidas abaixo do limite elástico do compósito; 2) permitir a movimentação livre da camada GRC em resposta às alterações ambientais. Para tal, é importante cumprir certos requisitos, dos quais são referidos alguns, tais como: 1. Trabalhar com painéis lisos, planos, pois a geometria do painel interfere nas tensões geradas no GRC; 2. Não utilizar modulação que resulte em painéis em formato em “L”, pois restringe a deformação do GRC; 3. Esquadrias inscritas num único painel, evitando bordas estreitas e propensas à fissuração; 4. A ligação de esquadrias, peitoris e rufos ou chapeamento de platibanda deve ser feita à estrutura de reforço metálico e não diretamente à camada GRC; 5. Análise das compatibilidades entre revestimento de acabamento e camada GRC, nomeadamente no âmbito das características de alterações de volume de cada material; 6. Aguardar que a maior parcela de retração dos painéis ocorra antes de proceder a instalação, para minimizar a movimentação diferencial em relação à estrutura; 7. Nos painéis com sistema de reforço em aço (stud-frame) deve ser garantida a flexibilidade das ancoragens, através da combinação de diâmetro, comprimento efetivo e orientação das barras em “L”; ter em atenção a distribuição homogénea das ancoragens, contemplando o balanço nos bordos do painel, cuja distância deve ser no mínimo 7.5 cm e 30 cm, no máximo; manter um afastamento considerável entre a camada GRC e a estrutura de aço, no mínimo 13 mm; para painéis de canto, devem ser aplicadas estruturas de reforço em aço, independentes; as abas laterais dos painéis, em geral, não devem ter mais de 30 cm.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 60
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 61 5 ESTUDO DO CASO 5.1. DESCRIÇÃO GERAL DO PROBLEMA Neste trabalho pretende-se acompanhar o projeto do Centro de Investigação e Desenvolvimento do IPCA (Instituto Politécnico do Cávado e do Ave), no contexto do revestimento das fachadas com painéis GRC. Uma vez que se pretende pormenorizar ao máximo todas as fases do projeto, este foi feito desde a fase de produção dos painéis até à sua implementação em obra, passando por uma análise do projeto destes elementos. Posteriormente, foi feita uma análise do seu desempenho na construção em causa. Para finalizar, será proposta uma solução alternativa à solução aplicada no projeto, e efetuada a sua análise comparativa. Na parte final deste capítulo, é realizado um estudo de uma solução alternativa que visa minimizar o fator económico da solução inicialmente estudada. Tal solução, proposta para estudo ao autor desta dissertação, foi devidamente analisada seguindo os mesmos parâmetros da solução efetivamente implementada e uma comparação convenientemente ponderada foi posteriormente obtida. Apesar de se tratar de um edifício novo, e não de uma obra de renovação, uma vez que o revestimento das fachadas do edifício através dos painéis de GRC é aplicado posteriormente à fase de conclusão das alvenarias, este caso enquadra-se no tema deste trabalho, no âmbito de uma obra de renovação. O edifício do projeto em estudo localiza-se em Barcelos, no Campus do IPCA. A figura 5.1 representa uma fotomontagem da obra em questão, na qual são visíveis as fachadas revestidas pelos painéis de GRC. Fig. 5.1 – Edifício Centro de Investigação e Desenvolvimento do IPCA (fotomontagem). As paredes de fachada do edifício são caracterizadas como fachadas ventiladas, isto é, a envolvente vertical do edifício é composta por, essencialmente, três componentes ou subsistemas: o revestimento
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 62 ou camada exterior; uma subestrutura auxiliar que suporta o revestimento; e uma cavidade ou caixade-ar incorporando, eventualmente, o isolamento térmico. Esta solução insere-se numa das diferentes estratégias para evitar a penetração da humidade. A caixa-de-ar da fachada ventilada é dimensionada de forma a permitir a remoção do ar aquecido da zona inferior da caixa-de-ar através do chamado efeito chaminé. Dessa forma, as pequenas quantidades de água infiltradas ou condensadas na caixa-dear são evaporadas pela ventilação da mesma, como exemplifica a figura 5.2. A caixa-de-ar é responsável pelo desempenho higrotérmico da envolvente, através de um fluxo constante de ar, permitindo assim: interrupção da capilaridade, drenagem por gravidade e remoção da humidade [11]. Fig. 5.2 – Funcionamento da fachada ventilada [11]. O corte representado na figura 5.3 mostra as camadas constituintes das fachadas ventiladas do edifício deste estudo, sobre as quais é aplicado o revestimento em painéis de GRC (já incluído na figura). Fig. 5.3 – Corte representativo da fachada ventilada do edifício. Os painéis de GRC são implementados apenas nas fachadas orientadas a Sul e Poente, essencialmente por questões estéticas e arquitetónicas. As figuras 5.4 e 5.5 representam respetivamente, os alçados poente e sul, dos quais fazem parte as fachadas numeradas de 1 a 4 (F1, F2, F3 - tal como pormenorizado nas Figuras 5.4b, 5.4c e 5.4d - e F4). De salientar a aplicação de painéis de GRC do Painel de GRC do tipo studframe Bloco térmico Laje XPS
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 63 tipo casca em certas zonas da fachada Sul, mas, uma vez que as áreas correspondentes são zonas exteriores, o estudo vai debruçar-se apenas sobre os painéis de GRC do tipo stud-frame, aplicados no revestimento da envolvente de zonas interiores do edifício. a) Panomara geral do alçado poente b) Pormenor da fachada F1 c) Pormenor da fachada F2 d) Pormenor da fachada F3 Fig. 5.4 – Alçado Poente (fachadas F1, F2 e F3).
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 70 Fig. 5.17 – Aspeto da mesa após descofragem dos painéis (pormenor das tiras de silicone removidas). a) Execução dos acabamentos dos painéis b) Pormenor do perfil de um painel, identificado e etiquetado Fig. 5.18 – Acabamentos e pormenorização dos painéis. Após descofragem de um painel, é feita a limpeza da mesa para montagem do molde do painel seguinte, iniciando assim um novo ciclo de produção. Os painéis são, como já foi referido, armazenados em cavaletes (ver figura 5.19), suportados e amarrados pela parte estrutural do painel, não submetendo a face do painel a qualquer tipo de carga. Seguidamente, são empilhados com cuidados especiais pois, na sua fase de maturação inicial, os painéis encontrarem-se muito sensíveis a deformações. Posteriormente, são transportados para a obra, de tal forma que a sua posição de carga e ligações de segurança introduzam apenas esforços complanares moderados. Os cuidados a ter no armazenamento dos painéis na fase de pré-fabricação também se aplica ao longo do armazenamento em obra, de modo a que estes não sejam danificados.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 71 Fig. 5.19 – Armazenamento dos painéis na fase de pré-fabricação. 5.2.3. MONTAGEM DOS PAINÉIS NA OBRA Tal como já foi mencionado anteriormente, no Capítulo 2, a montagem eficiente dos painéis em obra será resultado do planeamento de todas as fases e entre os intervenientes desta operação, nomeadamente entre o produtor, transportadores, operadores da elevação e instalação dos painéis e o empreiteiro geral. A primeira etapa deste processo incidiu sobre a aplicação das fixações de ligação dos painéis à estrutura rígida. Os painéis possuem quatro pontos de apoio: dois na parte superior e dois na base. Para a aplicação das fixações superiores, foram realizados rasgos na camada de isolamento exterior de poliestireno extrudido (XPS), colada à fachada, de modo a que as cantoneiras de fixação fiquem embutidas nesta camada. A ancoragem das cantoneiras de fixação à fachada é feita através de apenas um parafuso M16, aparafusado num furo de 18 mm de diâmetro (ver Anexo A1). A figura 5.20 representa uma amostra do perfil das fixações superiores, correspondentes à cantoneira tipo 2 (5.20a), incluída nas peças desenhadas do projeto dos painéis de GRC, cujo pormenor é apresentado também na mesma figura (5.20b). O número de furações dos perfis foi alterado após o projeto, daí a divergência entre a imagem da cantoneira aplicada em obra e o desenho de projeto. a) Amostra da cantoneira tipo 2 (fase de execução) b) Desenho de pormenor da cantoneira tipo 2 (fase de projeto) Fig. 5.20 – Cantoneira tipo 2 (fixações superiores).
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 72 Na figura 5.21 é apresentada uma das fachadas do edifício com as fixações executadas. Fig. 5.21 – Cantoneiras tipo 2 (fixações superiores) aplicadas na fachada. Os painéis encontram-se ancorados à estrutura através de mais dois pontos, na sua base. As fixações inferiores são ancoradas à fachada pelo mesmo método descrito anteriormente para as superiores e representadas pelas figuras 5.22 e 5.23, nas quais é possível observar o pormenor do perfil correspondente, designado em projeto por cantoneira tipo 1, e a sua aplicação na obra, numa das fachadas, respetivamente. Mais uma vez, a diferença no número de furações entre o desenho de projeto e a amostra do perfil deve-se ao facto de ter ocorrido a alteração, após o projeto, para apenas um furo (ϕ18), com aplicação de um parafuso M16. A ficha técnica, da empresa Hilti, com os cálculos correspondentes ao parafuso aparece em anexo (ver anexo A1). a) Desenho de pormenor da cantoneira tipo 1 (fase de projeto) b) Amostra da cantoneira tipo 1 (fase de execução) Fig. 5.22 – Cantoneira tipo 1 (fixações inferiores), em perspetivas diferentes. Fixações superiores (cantoneira tipo 2) Camada de isolamento térmico (XPS)
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 73 Fig. 5.23 – Cantoneiras tipo 1 (fixações inferiores) aplicadas na fachada. A ancoragem das cantoneiras da base dos painéis posicionados mais inferiormente na fachada é feita diretamente à fachada, sem abranger a camada de XPS. Na base destes apoios são colocados calços (ver figura 5.24) para o nivelamento na colocação dos painéis, de modo a ficarem todos alinhados entre eles. Fig. 5.24 – Cantoneiras tipo 1 (fixações inferiores) com a colocação de calços. Num corte da fachada F1 do edifício, orientada a poente, ver figura 5.25, é possível observar a disposição das fixações dos painéis à estrutura, na qual são destacados três pormenores para melhor visualização, representados pelas figuras 5.26 e 5.27. Calços
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 74 Fig. 5.25 – Corte da fachada F1. Fig. 5.26 – Pormenores 1 e 2.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 75 Fig. 5.27 – Pormenor 3. Na semana seguinte à colocação de todas as fixações, dá-se início à montagem propriamente dita dos painéis. Estes, inicialmente, encontram-se armazenados nos cavaletes, mas agora na obra, depois de terem sido transportados da fábrica onde foram produzidos. Posteriormente, são erguidos e deslocados até à fachada na qual são implementados com o auxílio de uma grua-torre disponível na obra. A montagem dos painéis inicia-se pela fachada orientada a poente, encaixando-os nos perfis de fixação, efetuando a ligação à estrutura de aço stud-frame, realizando, deste modo, a ancoragem dos painéis à estrutura rígida (edifício). No caso das fixações superiores, é apertado um parafuso M16 autoblocante, que faz ligação ao stud-frame através do furo ϕ18, existente na cantoneira tipo 2. Na figura 5.28 é possível observar o detalhe de uma das fixações superiores, que representa a ancoragem de um painel de topo, vista da cobertura do edifício. Fig. 5.28 – Ancoragem do painel à estruturadetalhe da fixação superior.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 76 Quanto às fixações inferiores, correspondentes às já descritas cantoneiras tipo 1, os painéis apoiam sobre a base de abertura da cantoneira, na qual são colocados os calços para nivelamento dos painéis, conforme se pode ver na figura 5.29. Fig. 5.29 – Ancoragem do painel à estruturadetalhe da fixação inferior. A sequência de imagens da figura 5.30 (leitura na horizontal) pretende demonstrar a montagem de um dos painéis stud-frame, na fachada orientada a poente, desde o momento em que foi erguido até à colocação na fachada, através da grua-torre existente no estaleiro da obra. Fig. 5.30 – Sequência de montagem de um painel.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 77 A área de fachada revestida com painéis de GRC totaliza cerca de 500 m2, utilizando 56 painéis, aplicados nas fachadas orientadas a poente e sul do edifício. A interrupção do painel não é realizada na laje (espessura da laje 0,30 m), isto é, a junta do painel não coincide com a zona da laje do edifício, caso contrário seria necessário introduzir uma junta adicional, situação que não agradaria ao arquiteto deste projeto. Alguns painéis possuem a estrutura stud-frame saliente, prolongada, da camada de GRC e outros reentrante, de modo a efetuar o encaixe e apoio entre estes. Na figura 5.31 é possível observar esta ocorrência. De facto, os painéis armazenados nos cavaletes do lado esquerdo possuem o stud-frame prolongado e os do lado direito, que se observam pelo tardoz do painel, recuado. Fig. 5.31 – Pormenor de alguns painéis em que se pode observar a saliência ou reentrância do stud-frame. Relativamente à fixação do painel à estrutura rígida, é feita uma observação na medida em que o painel é fixado através de quatro pontos (dois na parte superior e dois na parte inferior do painel), sendo as fixações inferiores, pontos de fixação com graus de liberdade, que suportam principalmente o peso próprio dos painéis e as superiores, fixas, têm como função fixar o painel devido a ações do vento ou sísmicas, que não são aplicadas neste caso. A ação do vento, apesar da sua consideração ser muito importante no dimensionamento dos painéis de GRC, é considerada para as fixações dos painéis, mas desprezada no dimensionamento dos painéis devido a tratar-se de um edifício de reduzida altura, apenas com dois pisos. Poderá surgir a questão: então porque não prescrever apenas 3 pontos de fixação para cada painel? É necessário introduzir mais um suporte, obtendo três fixos e um deslizante, de forma a não comprometer a linearidade da fachada. Quanto à duração do período de montagem dos painéis na obra, são contabilizados os trabalhos desde a aplicação das fixações até aos relacionados com a própria aplicação dos painéis nas fachadas do edifício. Foram dedicados dois dias de trabalho para a aplicação das fixações (dias 22 e 23 de Novembro), dando-se início à montagem dos painéis no dia útil seguinte (segunda-feira, dia 26/11). A previsão do período de montagem dos painéis era de 15 dias, no entanto, por razões alheias à vontade dos participantes, este intervalo de tempo prolongou-se mais um pouco. Após conclusão da montagem de todos os painéis, estes devem sofrer um tratamento/acabamento na obra, pois devido ao transporte, elevação e aplicação os painéis sofrem desgaste e alguns danos que são necessários reparar.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 78 5.3. ANÁLISE DA SOLUÇÃO DE FACHADA IMPLEMENTADA NO PROJETO DO EDIFÍCIO As fachadas do edifício orientadas a poente e sul são revestidas por painéis do tipo stud-frame, como já foi mencionado anteriormente. Esta análise vai incidir sobre uma destas fachadas, em termos de: 1. Geometria e modulação dos painéis; 2. Sistema de reforço (stud-frame) e fixações; 3. Juntas dos painéis; 4. Desempenho higrotérmico; 5. Acabamentos e pormenorização final; 6. Vantagens e desvantagens da solução. Centrando a atenção na fachada F1, integrada na fachada do edifício orientada a poente, serão, seguidamente, caracterizados e descritos os itens acabados de referir. 5.3.1. GEOMETRIA E MODULAÇÃO DOS PAINÉIS O painel adotado para o revestimento das fachadas do edifício não apresenta a face completamente plana, possui reentrâncias referentes às zonas dos perfis UPE 100, integrados na sua face. Se estas formas fossem em GRC, poderia ocorrer a formação de zonas de flexão e para tal ser necessário o dimensionamento de métodos de reforço adequado. Uma vez que se trata de perfis de ferro, este problema não se deverá verificar, devido à sua elevada resistência. Este aspeto foi questionado na medida em que se os perfis integrados teriam sido dimensionados como método de reforço nas zonas de reentrância dos painéis, mas de facto trata-se apenas de um pormenor em termos arquitetónicos e estéticos. No caso de painéis cujo perfil é mais complexo, as ancoragens tornam-se mais longas, o que pode ser um problema na medida em que podem-se tornar mais instáveis sob a ação do vento. Como o edifício em estudo possui apenas dois pisos, a ação do vento não é relevante para o projeto dos painéis, tendo sido desprezada. Quanto à localização das aberturas na fachada, esta possui um vão, que se repete nas zonas F2 e F3, da fachada orientada a poente, com as dimensões 5,97x0,90 m2, e os painéis que fazem ligação ao vão apresentam dimensões mais reduzidas que os restantes painéis, de modo a dar prioridade à continuidade das juntas horizontais, sem serem interrompidas, como se pode ver na figura 5.32. A ligação dos painéis aplicados superiormente e inferiormente ao vão (painéis SF-042, SF-045 e SF041, SF-044, respetivamente) é realizada através da soleira, em chapa de alumínio lacado, na cor RAL 7021, conforme se pode observar no pormenor representado na figura 5.33.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 79 Fig. 5.32 – Posicionamento dos vãos na fachada. Fig. 5.33 – Pormenor ligação vão-painel. 5.3.2. SISTEMA DE REFORÇO DO PAINEL (STUD-FRAME) E FIXAÇÕES A estrutura de reforço (stud-frame) é fabricada em aço galvanizado a quente e posteriormente ancorada à camada de GRC, após a conclusão da projeção direta do painel na sua totalidade, através
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 86 Quadro 5.1 – Coeficientes de transmissão térmica superficiais máximos admissíveis de elementos opacos [23] Elemento da envolvente Zona Climática (*) I1 I2 I3 Elementos exteriores em zona corrente (**): Zonas opacas verticais 1,80 1,60 1,45 Zonas opacas horizontais 1,25 1,00 0,90 Elementos exteriores em zona corrente (***): Zonas opacas verticais 2,00 2,00 1,90 Zonas opacas horizontais 1,65 1,30 1,20 (*) Ver anexo III. (**) Incluindo elementos interiores em situações em que τ > 0,7. (***) Para outros edifícios e zonas anexas não úteis. Quadro 5.2 – Coeficientes de transmissão térmica de referência [23] Elemento da envolvente Zona Climática (*) I1 I2 I3 RA (**) Elementos exteriores em zona corrente: Zonas opacas verticais 0,70 0,60 0,50 1,40 Zonas opacas horizontais 0,50 0,45 0,40 0,80 Elementos exteriores em zona corrente (***): Zonas opacas verticais 1,40 1,20 1,00 2,00 Zonas opacas horizontais 1,00 0,90 0,80 1,25 Envidraçados (****) 4,30 3,30 3,30 4,30 (*) Ver anexo III. (**) Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, apenas para edifícios na zona I1. (***) Para outras zonas anexas não úteis. (****) Valor médio dia-noite (inclui efeito do dispositivo de proteção noturna) para vãos envidraçados verticais; os vãos envidraçados horizontais consideram-se sempre como se instalados em locais sem ocupação noturna.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 87 Quadro 5.3 – Níveis de qualidade térmica da envolvente opaca Nível de Qualidade Limites de U N1 U = Uref N2 U ≈ 0,75.Uref N3 U ≈ 0,60.Uref N4 U ≈ 0,50.Uref Quadro 5.4 – Coeficientes de transmissão térmica de paredes exteriores em função do nível de qualidade Elemento da envolvente opaca Nível de Qualidade Zona Climática I1 I2 I3 RA (I1) Paredes exteriores N1 0,70 0,60 0,50 1,40 N2 0,55 0,45 0,40 1,05 N3 0,45 0,35 0,30 0,85 N4 0,35 0,30 0,25 0,70 Relativamente à questão de pontes térmicas, neste caso, como as juntas dos painéis não são seladas, mas sim abertas, trata-se de zonas que não apresentam fragilidades sujeitas a pontes térmicas. Portanto, para esta solução as zonas de pontes térmicas podem estar relacionadas com as zonas de fixação do painel à estrutura rígida, no entanto estas são desprezáveis, devido a serem praticamente insignificantes, e as zonas de pilar intermédio, talão de viga e pontes térmicas lineares referidas anteriormente. Salienta-se, também, a possibilidade de ocorrência de ponte térmica linear na ligação da fachada com padieira, ombreira ou peitoril. A tabela IV.3, situação H, do anexo IV, do RCCTE, refere estes casos. A solução de projeto analisada corresponde à situação com isolamento pelo exterior e o valor a considerar para o coeficiente de transmissão térmica linear, Ψ (em W/m. °C), é nulo. A figura 5.37 pretende retratar a informação disponível no RCCTE sobre este caso. Contudo, é referido, em nota, que se não houver contacto do isolante térmico com a caixilharia, deve-se considerar o valor de Ψ= 0,2 W/m. °C. A fachada do edifício orientada a poente, revestida com painéis de GRC, apresenta três vãos, ao longo de todo o seu desenvolvimento. De facto, a ligação do painel à caixilharia (ver pormenor representado pela figura 5.33) é efetuada através de soleira em chapa de alumínio, interrompendo assim o contacto entre a camada de isolamento exterior XPS da parede e a caixilharia da janela. Deste modo, deve ser considerado o coeficiente de transmissão térmica linear Ψ= 0,2 W/m. °C, que deve ser contabilizado no cálculo das perdas de calor lineares unitárias através das pontes térmicas (Lpt). Para o cálculo destas perdas, consultar o anexo IV, ponto 2.3, do RCCTE.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 88 Fig. 5.37 – Ligação da fachada com padieira ou peitorilpontes térmicas lineares [25]. Nas zonas de ponte térmica plana é necessário proceder à verificação da condição regulamentar imposta pelo RCCTE, no anexo IX, ponto 2 (“Zonas não correntes da envolvente”), impondo que o coeficiente de transmissão térmica (U), calculado de forma unidimensional na direção normal à envolvente, não ultrapasse o dobro do dos elementos homólogos (verticais ou horizontais) em zona corrente, respeitando sempre, no entanto, os valores máximos indicados no Quadro 5.1 (correspondente ao Quadro IX.1 do RCCTE). Em relação à zona da fachada que abrange pilares intermédios, para o caso da solução implementada no projeto, a junta do painel nunca coincide com a zona do pilar, situação possível de se observar na figura 5.38 que representa um troço da planta estrutural da fachada orientada a poente do edifício. Fig. 5.38 – Troço representativo da planta da fachada do edifício orientada a poente. A figura 5.39 representa o caso de zona de ponte térmica plana, de pilar intermédio, existente nas fachadas poente e sul do edifício em análise. Os pilares inseridos nas paredes de fachada, em betão armado (coeficiente de condutibilidade térmica adotado λ= 2,3 W/mºC), possuem dimensões de 0,50x0,25 m2 (isto é, 0,25 m de espessura). Ψ= 0 W/m. °C
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 89 Fig. 5.39 – Zona de ponte térmica plana de pilar intermédio. O coeficiente de transmissão térmica da zona corrente foi calculado anteriormente, tomando o valor CmWUZC º/ 394,0 2 , sendo necessário efetuar o cálculo do da zona de ponte térmica plana (UZPTP), cujos cálculos são demonstrados seguidamente: WCmRZPTP /º 715,113,0 30,0 020,0 3,2 250,0 55,0 010,0 037,0 050,0 04,0 2 CmWUZPTP º/ 583,0 715,1 12 Neste momento, é necessário proceder às verificações regulamentares: UZPTP ≤ 2xUZC 0,583 ≤ 0,788 W/m2 ºC OK! UZPTP ≤ Umáx 0,583 ≤ 1,60 W/m2 ºC OK! Portanto, as duas condições regulamentares são verificadas para este caso de ponte térmica plana, não sendo necessário recorrer a qualquer tipo de correção. 5.3.4.3. Condensações superficiais Nesta secção é analisada a possibilidade de ocorrência de condensações superficiais interiores nas paredes de fachada do edifício, apenas nas paredes revestidas com painéis de GRC, durante a estação de aquecimento. Para tal, são necessários alguns dados climáticos, nomeadamente temperaturas interiores e exteriores e níveis de humidade relativa do ar. Deste modo, foi efetuado o levantamento da temperatura mínima do ar verificada em Barcelos, para a caracterização do cenário mais desfavorável, durante a estação de aquecimento. Os parâmetros necessários foram obtidos através das informações de dados climáticos disponíveis no site do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) [31] para a estação convencional de aquecimento, que abrange os meses de Outubro a Abril, cuja duração é de 6,7 meses. Com base nesta informação, a temperatura mínima do ar verificada para a estação de aquecimento, em Barcelos, foi de -4ºC, respeitante ao mês de Fevereiro de 2012. Deste modo, foi considerada uma temperatura exterior (θe), necessária para os cálculos posteriores da análise higrotérmica, correspondente ao valor da temperatura mínima verificada. O valor da humidade relativa do ar exterior (HRe) também foi obtido pelos dados disponíveis no IPMA, sendo o valor apresentado para esta zona de 80%. Para a temperatura do ar interior (θi) foi adotado o valor de 20 ºC, que corresponde ao valor de referência do RCCTE para a temperatura interior de conforto na estação de aquecimento. UZC UZC UZPTP
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 90 Uma vez que a obra ainda não foi concluída e, portanto, os espaços interiores não se encontram ocupados, não é possível determinar a humidade relativa interior (HRi). Deste modo, o problema é colocado ao contrário, ou seja, determina-se qual o valor limite de HRi, com base nos dados disponíveis, para o caso de não ocorrerem condensações superficiais interiores. Para tal, é imposta a seguinte condição: posipo t si (no limite) (3) Em que: θsi – temperatura superficial interior [ºC]; θpo – temperatura ponto de orvalho (HR= 100%) [ºC]. O cálculo da temperatura superficial interior é efetuado através da aplicação da Lei de Fourier, pois o fluxo de calor que atravessa a parede é constante, expressa pela seguinte relação: sii si ei R U 1 (4) Em que: U – coeficiente de transmissão térmica da parede exterior [W/(m2.ºC)]; Rsi – resistência térmica superficial interior [m2.ºC/W]; θi – temperatura do ambiente interior [ºC]; θe – temperatura do ambiente exterior [ºC]; θsi – temperatura superficial interior [ºC]. Para a solução de fachada implementada no edifício em questão, os dados, anteriormente determinados, para o cálculo da temperatura superficial interior (θsi) são os seguintes: U = 0,394 W/(m2.ºC) θe = -4 ºC θi = 20 ºC HRe = 80% Pela aplicação da expressão (4), obtém-se o valor da temperatura superficial interior correspondente à temperatura exterior -4ºC ( C si º4 ): C, C sisi º8,1820 13,0 1 4203940º4 Considerando a temperatura ponto de orvalho (θpo) igual à temperatura superficial interior (θsi) é possível determinar a humidade relativa interior (HRi) recorrendo ao diagrama psicrométrico e tomando o valor da temperatura do ambiente interior (θi) igual a 20º C. Este processo encontra-se representado pelas linhas vermelhas no diagrama da figura 5.40.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 91 Fig. 5.40 – Diagrama psicrométrico para determinação da humidade relativa interior (HRi). O valor limite de humidade relativa interior (HRi) obtido é de aproximadamente 92%, valor este bastante elevado e pouco habitual. Nestas condições, é possível afirmar que não haverá risco de condensações superficiais interiores, pois a humidade relativa interior dificilmente atingirá este valor, normalmente ronda os 60 a 70%. Humidade relativa interior inferior a 25% (HRi<25%) pode ser prejudicial à saúde, associada ao aumento do desconforto. Se, por exemplo, a humidade relativa interior (HRi) tomar o valor 50%, a temperatura ponto de orvalho (θpo) será cerca de 9º C o que significa que θsi = 18,8º C > θpo = 9º C, logo não haverá risco de condensações superficiais (ver figura 5.40, A-A’, para a determinação da temperatura ponto de orvalho, representada pela sigla ts). 5.3.4.4. Condensações Internas Até agora, realizou-se a análise em termos de condensações superficiais. Nesta fase do estudo procede-se à quantificação de condensações internas no elemento construtivo, neste caso na parede de fachada em análise, recorrendo ao programa de cálculo automático Condensa 2000. Para tal, foram introduzidos no programa os seguintes dados base: temperatura exterior θe = -4ºC; humidade relativa do ar exterior HRe = 80%; temperatura do ar interior θi= 20ºC; humidade relativa interior HRi= 50%. A humidade relativa interior (HRi) foi considerada igual a 50% uma vez que o edifício vai possuir sistema de “ar condicionado” (sistema AVAC), resultando no teor de humidade do ar interior inferior.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 92 Foram preenchidos os campos relacionados com as caraterísticas das 4 camadas contabilizadas para o cálculo do coeficiente de transmissão térmica que compõem o elemento (ver figura 5.36), tais como espessura (e), coeficiente de condutibilidade térmica (λ) e coeficiente de permeabilidade ao vapor de água (π) de cada material correspondente. Os valores deste último parâmetro para cada material foram retirados da NIT002. O Quadro 5.5 resume os parâmetros introduzidos na folha de cálculo do programa. Quadro 5.5 – Características higrotérmicas das camadas (parâmetros introduzidos no programa de cálculo) Nº Camada Espessura [m] λ [W/mºC] π [g/m.h.mmHg]x10-5 1 0,050 0,037 86,4 2 0,010 0,55 864 3 0,250 0,327 1200 4 0,020 0,30 816 O programa fornece os resultados dos fluxos de entrada e saída do elemento construtivo, assim como o fluxo condensado, na presença de condensações, sendo possível, deste modo, quantificar e localizar as condensações entre camadas da parede, através do gráfico apresentado na figura 5.41, no qual é representado no eixo das abcissas a resistência à difusão de vapor de água (RD) acumulada para cada camada do elemento construtivo, neste caso, da parede de fachada em questão, e em ordenadas a pressão (pressão instalada e saturada, representada pelas curvas a vermelho e azul, respetivamente). Fig. 5.41 – Gráfico obtido pelo programa de cálculo automático para a quantificação de condensações internas. Nota: As linhas verticais correspondem às interfaces entre camadas. Pela análise do gráfico da figura 5.41 é possível afirmar que neste caso, para a solução implementada no projeto, não ocorrem condensações internas, entre camadas da parede de fachada do edifício, uma vez que a curva das pressões instaladas não interseta a curva de pressões de saturação. RD [m2.h.mmHg/g] Pressão [mmHg]
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 93 5.3.5. ACABAMENTOS E PORMENORIZAÇÃO FINAL O acabamento dos painéis da solução implementada consiste apenas, como já anteriormente mencionado, na aplicação de um hidrorrepelente Sika Gard 700 S [27]. Na obra, após conclusão da aplicação de todos os painéis de revestimento nas fachadas, são efetuadas algumas correções de modo a corrigir os possíveis danos provocados durante as fases de transporte, elevação e montagem. 5.3.6. VANTAGENS E DESVANTAGENS DA SOLUÇÃO Este tipo de solução, em painéis stud frame, apresenta algumas vantagens assim como desvantagens. Como vantagens podem ser referidos os seguintes aspetos: - É possível a produção de painéis com maiores dimensões, como é o caso de alguns dos painéis aplicados nesta construção; - Formas arquitetónicas mais ousadas; - Os sistemas de fixação são simplificados; Este tipo de solução também pode apresentar algumas desvantagens, relacionadas com: - o custo do aço em Portugal, que é circunstancial (neste momento, o custo do aço encontra-se mais acessível relativamente há uns anos atrás); - grande variedade de perfis de aço galvanizado no mercado, no entanto aqueles que interessam para a produção dos painéis não são tão diversos, o que pode originar algum prejuízo em detrimento da produção. 5.4. ESTUDO DE UMA SOLUÇÃO ALTERNATIVA No âmbito deste estudo e após análise da solução de fachada implementada no projeto, é analisada uma solução alternativa e, posteriormente, realizada uma análise comparativa entre as duas soluções. Esta solução, proposta ao autor desta dissertação, consiste na construção das paredes de fachada do edifício através de painéis de GRC do tipo sanduíche, existindo uma camada de ar da espessura dos pilares do edifício (0,250 m), preenchendo o espaço entre estes e o revestimento interior, de modo a que os pilares não fiquem à vista, o que caso contrário não seria do agrado do Arquiteto, com blocos de alvenaria de tijolo furado de 7 cm. O principal objetivo do estudo desta solução está relacionada com questões económicas, na medida em que com este tipo de painel seria possível, através da instalação prévia dos painéis, vedar a obra, de modo a serem construídas as alvenarias para o revestimento do paramento interior posteriormente, poupando custos de estaleiro. Deste modo, a aplicação dos painéis de GRC funcionaria como uma obra de renovação. Os parâmetros analisados para esta solução são semelhantes aos seguidos anteriormente para análise da solução implementada no projeto, salvo algumas diferenças como sistemas de reforço do painel que neste tipo de painéis não é aplicado e relativamente ao tipo de fixações, mais simples neste caso. 5.4.1. GEOMETRIA E MODULAÇÃO DOS PAINÉIS O painel de GRC escolhido para a solução alternativa é do tipo sanduíche, apresentando face plana, sem relevos e qualquer reentrância. É constituído por duas camadas de GRC que limitam
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 94 exteriormente o painel e uma camada de isolamento térmico EPS no seu interior, interrompido nos bordos do painel e na zona de união dos painéisnas juntas. Os limites dos painéis são constituídos exclusivamente por GRC, funcionando como nervuras de reforço da peça. A disposição dos painéis nas fachadas orientadas a sul e poente assim como as suas dimensões são semelhantes às apresentadas no projeto, no caso dos painéis stud-frame. 5.4.2. FIXAÇÕES DO PAINEL À ESTRUTURA A fixação dos painéis é realizada através de ancoragem no tardoz, por meio de cantoneiras muito simples, diretamente à laje do edifício. A figura 5.42 pretende exemplificar o tipo de cantoneiras aplicadas nesta situação. Fig. 5.42 – Cantoneira de fixação dos painéis sanduíche para a solução alternativa. 5.4.3. JUNTAS DOS PAINÉIS As juntas correspondem às zonas de união dos painéis de GRC ao longo da fachada do edifício. Neste caso, para painéis do tipo sanduíche, estamos perante juntas seladas. A largura das juntas estabelecida foi 1,5 cm (15 mm). O dimensionamento da largura deve ser efetuado através da expressão (4) referida anteriormente no capítulo 4 deste trabalho, respeitando o valor mínimo de 19 mm, requisito imposto pelo PCI e referido nesse mesmo capítulo, no entanto, para painéis deste tipo e com as dimensões referidas adota-se o valor mencionado de 15 mm. Como se trata de juntas seladas, é necessário calcular a profundidade do selante e o diâmetro do limitador de junta a aplicar. Uma vez que a largura das juntas não ultrapassa 25 mm e a profundidade do selante é função desta variável, adota-se profundidade igual a ½ da largura. Deste modo, a profundidade do selante é igual a 7,5 mm. Mastique de silicone será o material escolhido para o selante das juntas. Relativamente ao limitador de junta, o seu diâmetro (ϕ) deve ser aproximadamente superior a 25% da largura da junta (J), ou seja: mmJ75,181525,125,1 Dado que o valor comercial de diâmetros disponível imediatamente superior ao valor obtido é 20 mm, então será este o diâmetro adotado para o limitador de junta. O material constituinte do cordão
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 95 utilizado é espuma de polietileno expandido extrudido (PEF). De salientar que antes da aplicação do selante, é inserido o material limitador de junta. A figura 5.43 representa o pormenor das juntas dos painéis, assinalando os materiais constituintes, referidos anteriormente, através de um corte longitudinal, em zona de junta vertical. Fig. 5.43 – Pormenor da junta dos painéis. 5.4.4. DESEMPENHO HIGROTÉRMICO DA SOLUÇÃO ALTERNATIVA 5.4.4.1. Cálculo térmico Para a solução alternativa, é seguidamente efetuada a análise a nível térmico da heterogeneidade existente na fachada, devido a aparecerem três zonas distintas: zona corrente, que abrange todas as camadas do painel sanduíche de GRC e da parede, zona maciça, correspondente ao bordo do painel e camadas da parede e, finalmente, a zona da junta, que abrange apenas a junta do painel e a as camadas constituintes da parede de fachada. A figura 5.44 representa o pormenor de um corte transversal da parede de fachada, em zona corrente, na qual é possível distinguir as diferentes camadas constituintes desta solução. Fig. 5.44 – Pormenor de corte transversal da parede de fachada, em zona corrente. Em que: 1Camada exterior de GRC (espessura= 0,015 m; λ= 0,60 W/mºC); 2Isolamento térmico EPS (espessura= 0,095 m; λ= 0,042 W/mºC); 3Camada interior de GRC (espessura= 0,010 m; λ= 0,60 W/mºC); 15 mm 95 mm 10 mm Limitador de junta Selante (silicone) 15 mm 4 3 2 1 5 6 U1 Exterior Interior 7
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 102 5.4.4.2. Condensações superficiais Para a solução alternativa de fachada, os dados, anteriormente determinados, para o cálculo da temperatura superficial interior ( C si º4 ) para o caso mais desfavorável, correspondente a θe = -4 ºC, em zona corrente da parede são os seguintes: UZC = 0,341 W/(m2.ºC) θe = -4 ºC θi = 20 ºC HRe = 80% Pela aplicação da Lei de Fourier, representada pela expressão (4), obtém-se o valor da temperatura superficial interior ( C si º4 ): C, C si C si º9,1820 13,0 1 4203410º4º4 Considerando a temperatura ponto de orvalho (θpo) igual à temperatura superficial interior (θsi), no limite, é possível determinar a humidade relativa interior (HRi) recorrendo ao diagrama psicrométrico e tomando o valor da temperatura do ambiente interior (θi) igual a 20º C, processo semelhante ao representado anteriormente pela figura 5.40. O valor limite de humidade relativa interior (HRi) obtido é de aproximadamente 92%, valor este bastante elevado e pouco habitual. Nestas condições, é possível afirmar que não haverá risco de condensações superficiais interiores, pois a humidade relativa interior dificilmente atingirá este valor, normalmente ronda os 60 a 70%. Para as zonas maciça e de junta da parede, incluindo correções térmicas, os valores limite obtidos para a humidade relativa interior (HRi) não variam muito, atingindo cerca de 90% e 93%, respetivamente, sendo possível concluir, deste modo, que não ocorrerá risco de condensações superficiais interiores, devido a dificilmente a humidade relativa no interior do edifício alcançar estes valores. 5.4.4.3. Condensações internas A quantificação do risco de ocorrência de condensações internas na parede de fachada para a solução alternativa foi efetuada com base nos resultados fornecidos pelo programa de cálculo Condensa. Neste caso, os painéis de GRC são contabilizados para a componente térmica da fachada e o valor da permeabilidade ao vapor do GRC (πGRC) considerado para os cálculos foi o estabelecido pelo manual do PCI, referido no capítulo 2 deste trabalho, correspondente a 16x10-12 kg/m.s.Pa (7,68x10-3 g/m.h.mmHg). Os dados introduzidos no programa relacionados com as características das camadas, para além dos já mencionados anteriormente, relativos a temperaturas e humidades relativas, foram os seguintes, apresentados no Quadro 5.6.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 103 Quadro 5.6 – Características higrotérmicas das camadas (parâmetros introduzidos no programa de cálculo) Nº Camada Espessura [m] λ [W/mºC] π [g/m.h.mmHg]x10-5 1 0,015 0,60 768 2 0,095 0,042 300 3 0,010 0,60 768 4 0,250 - 8640 5 0,010 0,55 864 6 0,070 0,37 499 7 0,020 0,30 816 Para a zona corrente da parede, obteve-se os resultados expressos pelo gráfico da figura 5.48. Fig. 5.48 – Gráfico obtido pelo programa de cálculo automático para a quantificação de condensações internas na zona corrente da parede da solução alternativa para o caso mais desfavorável de θe = -4 ºC. Pela análise do gráfico é possível afirmar que para a zona corrente desta solução não ocorre risco de condensações internas, entre camadas da parede de fachada do edifício, uma vez que a curva das pressões instaladas não interseta a curva de pressões de saturação. Para a zona maciça da fachada, após aplicação de reforço térmico, os resultados obtidos de modo a quantificar a ocorrência de condensações internas são os representados pelo gráfico da Figura 5.49. Pressão [mmHg] RD [m2.h.mmHg/g]
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 104 Fig. 5.49 – Gráfico obtido pelo programa de cálculo automático para a quantificação de condensações internas na zona maciça da parede da solução alternativa para o caso de θe = -4 ºC. Neste caso, para a zona maciça, após aplicação de reforço térmico em EPS, há risco de ocorrência de condensações internas na interface das camadas 1 e 2, isto é, entre a camada de GRC e a placa de EPS do reforço, pois a curva das pressões instaladas interceta a curva das pressões saturadas nesta zona. O fluxo condensado estimado, obtido pelo programa de cálculo é aproximadamente igual a 32,204 mg/m2.h. No caso da zona de junta dos painéis, uma vez que as juntas são seladas com silicone, pode-se estimar que não haverá risco de ocorrência de condensações internas, uma vez que o silicone é um material impermeável à água, apresentando coeficiente de permeabilidade ao vapor de água reduzido (π ≈ 0 kg/m.s.Pa). 5.4.5. ACABAMENTOS E PORMENORIZAÇÃO FINAL O acabamento dos painéis no caso da solução alternativa, com painéis sanduíche de GRC é semelhante ao realizado para a solução executada na obra, através da aplicação do hidrorrepelente Sika Gard 700 S. Na obra, tal como realizado para a solução executada, são efetuados os acabamentos e correções necessários finais, devido a algum desgaste ocorrido durante o transporte e aplicação dos painéis. 5.4.6. VANTAGENS E DESVANTAGENS DA SOLUÇÃO Assim como qualquer outra solução, esta alternativa com painéis sanduíche de GRC apresenta vantagens e desvantagens. Como vantagens é possível referir: - Isolamento térmico e acústico já inserido no interior do painel, de acordo com especificações do projeto; - Execução de uma parede de fachada mais simples, mais económica, na medida em que o isolamento já está inserido no interior do painel, sendo assim dispensável recorrer à aplicação de alvenarias com desempenhos térmicos elevados; Pressão [mmHg] RD [m2.h.mmHg/g]
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 105 - Possibilidade de vedação da obra, aquando da aplicação dos painéis para o fechamento das fachadas do edifício previamente, possibilitando a execução das restantes tarefas no interior da obra, do edifício, sem a preocupação das questões climáticas, como principalmente a ocorrência de precipitação, um dos fatores preponderantes para o atraso de certas tarefas. Desvantagens: - Formas arquitetónicas mais limitadas; - Devido a variações de temperatura entre as faces externa e interna são geradas tensões no perímetro do painel que une as duas faces podendo assim ocorrer o risco de fissuras nessa região; - Esta solução com painel sanduíche pode sofrer empenamentos rigorosos devido a diferenças de temperatura e humidade entre as faces do painel; - Ocorrência de pontes térmicas na zona da junta dos painéis, o que pode originar patologias, nomeadamente condensações e formação de bolores na superfície interior de elementos construtivos do edifício. 5.5. ANÁLISE ECONÓMICA DAS DUAS SOLUÇÕES Após a análise técnica de ambas as soluções anteriormente descritas, procede-se à estimativa de preços para ambas as soluções de fachada, de modo a concluir qual a solução mais económica. Este estudo foi realizado tendo como base os preços disponíveis na ferramenta informática “Gerador de Preços” do CYPE [30], ferramenta que permite obter preços para a construção com previsões de custos ajustadas à realidade. São disponibilizados os dados relativos ao mapa de trabalhos e quantidades, para execução de um elemento de construção específico e material característico, fornecendo uma estimativa orçamental. Deste modo, os preços estimados para a execução da fachada executada no edifício do Centro de I&D do IPCA e para a solução alternativa são sistematizados no quadro 5.7. O orçamento inclui os custos de mão-de-obra, equipamentos e materiais necessários à execução da solução de fachada correspondente. Para detalhes relativos a estes valores, ver anexos A6, A7, A8 e A9. Chama-se a especial atenção para o facto de o preço de execução da alvenaria aplicada, de bloco térmico proETICS da “Artebel” de 250 mm, não se encontrar disponível na base de dados desta ferramenta. Procedeu-se, assim ao contacto com o fabricante “Artebel”[28] para fornecimento destes dados, mais especificamente, o valor de preço unitário do bloco térmico. Relativamente à execução da alvenaria, foram considerados os mesmos valores de orçamento que os relativos à execução de alvenaria de tijolo de 7 cm, ajustando apenas o preço unitário. No âmbito do GRC, os preços dos painéis foram fornecidos por parte do fabricante []. O preço fornecido é o mesmo para ambos os tipos de painel, no qual são contabilizadas a produção, fixações, execução e montagem na obra dos diferentes tipos de painel de GRC. Para a solução B, o preço do reforço em placas de EPS (espessura 40 mm, massa volúmica 13 a 15 kg/m3 – anexo A5) para a correção térmica na zona das juntas dos painéis é também contabilizado para o orçamento final da solução em painéis sanduíche [29][30]. Como se pode observar pela leitura do Quadro 5.7, a solução B apresenta um ganho significativo na vertente económica, por ser uma solução mais barata, em termos relativos. Considerando apenas a área total da fachada do edifício correspondente às fachadas revestidas com painéis de GRC, que atinge cerca de 500 m2, a diferença de custos é significativa ao se optar pela solução B.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 106 Quadro 5.7 – Orçamento solução A vs solução B Solução A Preços [€/m2] Solução B Preços [€/m2] Painel de GRC stud-frame 128 Painel de GRC sanduíche 128 XPS 17,45 Correção térmica EPS 7,16 Reboco exterior 19,55 Reboco 19,55 Bloco térmico 21,62 Alvenaria tijolo 7 8,18 Gesso projetado 8,45 Gesso projetado 8,45 Total 195,07 Total 171,34 O custo das fachadas executadas com a solução A atinge então cerca de 97 500€. Relativamente à solução B, convém notar que, tal como explicado anteriormente, a correção térmica em EPS é apenas aplicada nas juntas. Assim, para o cálculo do custo efetivo da solução B, dois procedimentos de cálculo distintos têm de ser realizados: o cálculo para os 500m2 de fachada sem correção térmica em EPS (164,18 €/m2), adicionando posteriormente o custo da aplicação da correção térmica apenas para a área correspondente às juntas verticais e horizontais. Para este fim, medem-se as alturas e desenvolvimento das juntas verticais e horizontais, respetivamente, ao longo das fachadas na qual são aplicados os painéis de GRC. Toma-se o valor da largura do reforço em EPS de 0,375 m, resultante do somatório das distâncias exemplificadas na figura 5.46. Assim, chega-se a uma estimativa dos valores do custo da aplicação do reforço térmico, em ambos os casos. Para as juntas verticais obtém-se 370€ e para as horizontais 179 €, o que totaliza 549€ para o reforço de todas as juntas. Deste modo, o custo da fachada executada com a solução B atinge 82 639€, refletindo-se numa poupança de aproximadamente 15 000€ relativamente à execução das fachadas com a solução A, em painéis stud-frame. 5.6. ANÁLISE MULTICRITÉRIO 5.6.1. DEFINIÇÃO A análise multicritério é um instrumento de apoio à decisão, aplicada na análise comparativa de projetos alternativos ou medidas heterogéneas. Pode ser organizada com vista a produzir uma conclusão sintética simples no final da avaliação ou, pelo contrário, com vista a produzir conclusões adaptadas às preferências e prioridades de diferentes parceiros O objetivo desta técnica consiste em estruturar e combinar as diferentes análises a ter em consideração no processo de tomada de decisão, sendo que a tomada de decisão se baseia em escolhas múltiplas e o tratamento dado a cada uma das escolhas condiciona, em grande medida, a decisão final. Para implementação desta técnica é necessário definir, em primeiro lugar, os projetos ou ações para apreciação. Seguidamente, são definidos os critérios de apreciação e atribuída uma ponderação a cada um. Finalmente, é efetuado o cálculo das pontuações globais das medidas através de uma média ponderada e a agregação das apreciações e conclusões.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 107 5.6.2. DEFINIÇÃO DOS CRITÉRIOS (EXEMPLIFICAÇÃO PARA O ESTUDO DO CASO) Para a exemplificação deste método, a análise multicritério, proposta pelo autor desta dissertação, é aplicada às duas soluções de fachada: solução do projeto, designada por solução A, e a solução alternativa, solução B. Os critérios definidos estão relacionados com: 1) Desempenho térmico; 2) Fator económico; 3) Modo de execução; 4) Peso; 5) Fixações. A avaliação do critério relacionado com o desempenho térmico diz respeito ao valor do coeficiente de transmissão térmica calculado para a solução de fachada correspondente. O fator económico está relacionado com os custos das soluções e o terceiro critério definido, relacionado com a execução, refere-se à ordem da execução das camadas da parede de fachada, isto é, se são montadas as alvenarias em primeiro lugar ou os painéis de GRC. O quarto critério definido refere-se ao peso médio dos painéis, numa e noutra solução de fachada, e no último o caso das fixações utilizadas na ancoragem dos painéis à estrutura rígida aplicadas nas diferentes soluções. 5.6.3. PONDERAÇÃO DOS CRITÉRIOS A ponderação atribuída a cada critério está relacionada com a ordem de importância no caso de fachadas executadas em GRC. Esta ponderação baseia-se no cariz prático, tendo como base informações obtidas por parte do fabricante de painéis de GRC, relativamente à importância dos critérios mais relevantes na escolha da solução para execução deste tipo de fachadas. Deste modo, o desempenho térmico é o que prevalece, seguindo-se o fator económico e em terceiro lugar o critério relacionado com a execução. Quanto à ponderação atribuída aos critérios peso do painel e fixações será semelhante entre ambas. A ponderação proposta pelo autor deste estudo para cada critério será, assim, a apresentada pelo Quadro 5.8. Quadro 5.8 – Ponderação dos critérios para a análise multicritério Critérios Ponderação (%) 1 35 2 30 3 25 4 5 5 5 5.6.4. CONDICIONANTES É importante referir e incluir nesta análise as condicionantes relacionadas com os requisitos mínimos regulamentares preconizados pelo RCCTE, no âmbito do desempenho térmico, tais como:
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 108 A primeira verificação consiste na comparação dos coeficientes de transmissão térmica obtidos com os valores máximos indicados pelo Regulamento (I); Nas zonas de ponte térmica, o coeficiente de transmissão térmica (U), calculado de forma unidimensional na direção normal à envolvente, não ultrapasse o dobro do dos elementos homólogos (verticais ou horizontais) em zona corrente, respeitando sempre, no entanto, os valores máximos indicados no Quadro 5.1 (II). 5.6.5. ESCALAS DE CLASSIFICAÇÃO PARA OS DIFERENTES CRITÉRIOS Para cada critério definido é apresentada a escala de classificação correspondente, para a aplicação posterior da análise multicritério a este exemplo e decisão final. Os quadros 5.9 a 5.13 apresentam as respetivas escalas de classificação. Quadro 5.9 – Escala de classificação para o critério 1 (desempenho térmico) U Nível U = Uref 1 U ≈ 0.75Uref 2 U ≈ 0.60Uref 3 U ≈ 0.50Uref 4 A escala de classificação atribuída ao critério 1, relacionado com o desempenho térmico, tem como base a classificação de níveis de qualidade térmica da envolvente opaca proposta pelo Professor Vasco Freitas, nos apontamentos da disciplina Térmica de Edifícios, no âmbito do MIEC [25]. O nível 4 corresponde à melhor classificação e, portanto o nível 1 equivale à classificação mais fraca. O coeficiente de transmissão térmica de referência (Uref) corresponde ao valor de referência para a zona climática de Inverno na qual se encontra inserido o edifício em análise (I2), mencionado anteriormente, de 0,60 W/m2ºC. O critério 2, relacionado com o fator económico, mais particularmente com o custo/m2 para as fachadas de edifícios, é classificado segundo a escala proposta no quadro 5.10. Quadro 5.10 – Escala de classificação para o critério 2 (fator económico) Custo €/m2 Nível > 175 1 130175 2 < 130 3 Salienta-se o facto de o valor limite inferior para o custo/m2 proposto ser de 130€/m2 uma vez que é este o preço base aproximado, por excesso, para a execução de painéis de GRC. Relativamente ao terceiro critério, referente à forma de execução da fachada, a classificação consiste apenas em dois níveis. O nível 1 é atribuído à execução da fachada de modo a que os painéis de GRC
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 109 são aplicados como revestimento, na fase após conclusão de alvenarias e isolamentos. Por outro lado, o nível 2 corresponde ao caso em que os painéis de GRC são executados em primeiro lugar, efetuando a vedação da obra, em que a fase de execução de alvenarias e revestimentos é posterior. O quadro 5.11 sistematiza estes conceitos. Quadro 5.11 – Escala de classificação para o critério 3 (modo de execução) Modo de execução Nível 1º alvenarias + 2º painéis 1 1º painéis + 2ºalvenarias 2 O critério 4 refere-se ao peso médio dos painéis, em kg/m2. Quanto mais leve for o painel, melhor a solução. Deste modo, a classificação máxima corresponde ao menor peso. Para o caso particular em análise o peso médio dos painéis do tipo stud-frame é cerca de 50 a 70 kg/m2 enquanto que os painéis sanduíche são um pouco mais pesados, atingindo valores que rondam os 80 kg/m2. De qualquer modo, estes valores são significativamente inferiores ao peso de painéis de betão que podem atingir, no caso de painéis com 15 cm de espessura, 400 kg/m2. O quadro 5.12 apresenta a escala de classificação proposta para o critério 4. Quadro 5.12 – Escala de classificação para o critério 4 (peso dos painéis) Peso dos painéis [kg/m2] Nível 7090 1 5070 2 Finalmente para o último critério proposto, o critério 5 relativo às fixações dos painéis, é também aplicada uma escala de classificação segundo dois níveis. Estes níveis correspondem à simplicidade ou complexidade do tipo de fixações implementado, relacionados com o número de furações, geometria, entre outros aspetos, apresentado no quadro 5.13. Quadro 5.13 – Escala de classificação para o critério 5 (fixações) Fixações Nível Complexas 1 Simples 2 5.6.6. ANÁLISE E DECISÃO FINAL Segue-se a aplicação da análise proposta para a situação de estudo, como método de comparação entre as duas soluções de fachada analisadas. Para o critério 1 relembram-se os coeficientes de transmissão térmica para cada solução, calculados anteriormente: UA= 0,394 W/m2ºC; UB= 0,341 W/m2ºC. Acontece que para ambas as soluções a relação U/Uref é muito semelhante, no entanto a relação U/Uref da solução A encontra-se entre os níveis 2 e 3, enquanto que a da solução B situa-se entre os níveis 3 e 4. Deste modo, para haver distinção entre estas, atribui-se a classificação de nível 3 para a solução A e nível 4 para a solução B.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 110 Outra questão importante salientar é o facto de ter sido efetuada a correção térmica nas zonas das juntas de painéis sanduíche para a solução B, cumprindo assim os requisitos referidos. O resultado da aplicação da análise multicritério proposta ao caso de estudo é o apresentado no Quadro 5.14. Quadro 5.14 – Aplicação da análise multicritério Critérios Ponderação (%) Solução A Solução B 1 35 3 4 2 30 1 2 3 25 1 2 4 5 2 1 5 5 1 2 Cond. I OK OK Cond.II OK OK Média 1.75 2.65 No caso deste exemplo, a solução escolhida seria a solução B, que obteve melhor classificação final.
A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 111 6 CONCLUSÕES 6.1. CONSIDERAÇÕES FINAIS O betão reforçado com fibra de vidro (GRC) é um material que oferece características muito atrativas a vários níveis, nomeadamente na engenharia, arquitetura e construção. Assim, múltiplas aplicações poderão ser contempladas com este material, com ganhos bastante prometedores face a soluções convencionais. O GRC é aplicado a nível mundial principalmente na execução de fachadas préfabricadas, sob a forma de painéis de revestimento. Este trabalho incidiu sobre a caracterização das diretrizes de projeto para a aplicação de painéis de GRC do tipo stud frame, aplicadas ao caso de estudo do revestimento de fachadas do edifício do centro de I&D do IPCA, particularmente na análise da solução de fachada executada. Foi realizado o estudo do desempenho térmico e higrotérmico da solução implementada e ainda, analisada uma solução alternativa, com base nos mesmos parâmetros, viabilizando a redução de custos de execução e estaleiro. No final, foi efetuada uma análise comparativa entre as duas soluções, tendo sido proposta pelo autor uma análise multicritério para aplicação em situações reais de decisão da melhor solução de fachada com painéis de GRC a ser implementada. Para o desenvolvimento deste trabalho, inicialmente foi necessário a recolha de toda a informação possível acerca deste material, relativamente à caracterização do compósito GRC, assim como acerca das diretrizes do projeto de aplicação de painéis de GRC, nomeadamente do tipo stud frame. Foi também elaborada uma pesquisa intensiva sobre exemplos de aplicação de painéis de GRC em obras, em Portugal e a nível internacional. A leitura cuidada do RCCTE, particularmente no âmbito das exigências no caso de pontes térmicas foi relevante para o estudo do desempenho térmico de ambas as soluções descritas ao longo deste documento. Surgiram algumas dificuldades no decorrer deste trabalho, tal como a verificação da conformidade das fachadas revestidas com painéis de GRC entre a fase de projeto e a fase de execução, no âmbito de materiais aplicados e dimensões das camadas constituintes das fachadas. Como principais conclusões da análise do caso de estudo, é essencial acrescentar uma vantagem à solução B, solução alternativa, relativamente à questão do custo da solução, por apresentar uma solução mais económica. Para além deste facto, esta solução promove todas as vantagens de obra, ou seja, é possível executar a fachada do edifício imediatamente a seguir à estrutura, proporcionando a realização de tarefas no interior com o edifício fechado. Como impacto ambiental e comercial, o edifício permanece em aspeto "de construção" por muito menos tempo. Relativamente à solução A, a implementada nas fachadas do edifício em questão, esta apresenta mais uma desvantagem relacionada com a questão da aplicação de uma solução mais dispendiosa com painéis stud frame que não estão a exercer qualquer papel no desempenho térmico da fachada. Este
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A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 123 A2 – Ficha técnica de hidrorrepelente Sika Gard 700 S
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A utilização de GRC na renovação de Edifícios. Caso de estudo: Centro de I&D do IPCA 125 A3 – Ficha técnica do bloco térmico “proETICS” da “Artebel”
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