Qualidades psicométricas das UWES em bombeiros portugueses
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QUALIDADES PSICOMÉTRICAS DA UWES EM BOMBEIROS PORTUGUESES Jorge Sinval1,2, Natália Vara1,2, Cristina Queirós1,2, Sônia Pasian3 & João Marôco4 1. Introdução 2. Objetivos 3. Método 4. Resultados 5. Conclusões 6. Referências O engagement no trabalho é determinado por uma forte identificação com o trabalho e por elevados índices de energia, sendo caracterizado pelo vigor, dedicação e absorção. O vigor consiste traduz-se em elevados níveis de energia e resistência mental durante o trabalho, enquanto a dedicação se manifesta através de uma forte envolvência no trabalho e a absorção se reflete num estado de total concentração (Bakker, Schaufeli, Leiter, & Taris, 2008). A qualidade dos instrumentos de avaliação utilizados na área da Psicologia da Saúde exige um contínuo aprimoramento no sentido de favorecer a qualificação de propostas interventivas. A Utrech Work Engagement Scale (UWES; Schaufeli & Bakker, 2009; Schaufeli, Salanova, González-Roma, & Bakker, 2002) mostra-se adequada enquanto escala de avaliação do envolvimento dos trabalhadores no trabalho, podendo tornar-se num instrumento relevante para a qualidade das ações institucionais na área da Saúde, caso adequadamente adaptada ao contexto sociocultural existente. Apresentar resultados das qualidades psicométricas da UWES numa amostra de bombeiros portugueses, considerando-se as três dimensões da UWES (vigor, dedicação e absorção) na sua versão de 17 e de nove itens. Amostra: 426 bombeiros voluntários, sendo 71% do sexo masculino e tendo média de idades de 29.4 anos (DP=8.7), e tempo médio de serviço de 8.2 anos (DP = 6.7). Instrumentos: Utrech Work Engagement Scale (UWES; Schaufeli & Bakker, 2009; Schaufeli, Salanova, González-Roma, & Bakker, 2002) composta por 17 itens ordinais (Tabela 1) com 7 pontos (0 - nunca a 6 - sempre) alocados a três dimensões Procedimento: Questionário de autopreenchimento, aplicado após autorização institucional, em 2012, preenchido de forma anónima, confidencial e voluntária. A UWES pode ser aplicada de forma bem-sucedida a bombeiros portugueses. A versão UWES de nove itens parece funcionar melhor do que a versão de 17 itens em bombeiros portugueses, alertando para a necessidade de avaliar as qualidades psicométricas de cada instrumento em função da especificidade da amostra. Por outro lado, é de referir que uma medida compósita é preferível por questões práticas (Schaufeli, Taris, & van Rhenen, 2008). Bakker, A. B., Schaufeli, W. B., Leiter, M. P., & Taris, T. W. (2008). Work engagement: An emerging concept in occupational health psychology. Work & Stress, 22(3), 187–200. doi:10.1080/02678370802393649 Marôco, J. (2010). Análise de equações estruturais: Fundamentos teóricos, software & aplicações. Pêro Pinheiro, Portugal: ReportNumber. Schaufeli, W. B., & Bakker, A. (2009). Escala de engagement no trabalho de Utrecht. (A. M. T. Benevides-Pereira & P. C. Porto-Martins, Trans.). Utrecht: Utrecht University. Schaufeli, W. B., Salanova, M., González-Roma, V., & Bakker, A. B. (2002). The measurement of engagement and burnout: A two sample confirmatory factor analytic approach. Journal of Vocational Behavior, 3(1), 71– 92. doi:10.1023/A:1015630930326 Schaufeli, W. B., Taris, T. W., & van Rhenen, W. (2008). Workaholism, burnout, and work engagement: Three of a kind or three different kinds of employee well-being? Applied Psychology, 57(2), 173–203. doi:10.1111/j.1464-0597.2007.00285.x A UWES (Modelo1) apresentou validade fatorial sofrível na amostra de bombeiros estudada (χ²/gl=4,538; CFI=0,913; GFI=0,865; RMSEA=0,091; IC90 ]0,083; 0,099[). Uma forma reduzida a 9 itens apresentou qualidade de ajustamento aceitável (χ²/gl=4,24; CFI=0,968; GFI=0,950; RMSEA=0,087; IC90 ]0,7; 0,105[). O primeiro fator, vigor teve um elevado índice de fiabilidade compósita (0,90). O segundo fator a dedicação apresenta um nível de fiabilidade compósita elevada(0,96) enquanto o fator 3 – absorção – obteve um elevado valor para a fiabilidade compósita (0,91). Devido às elevadas intercorrelações encontradas entre as três dimensões, testou-se uma solução unidimensional (Marôco, 2010). Assim, no que se refere à análise fatorial de 2ª ordem para a UWES-9 (Modelo 2) revelou: no Vigor (β=0,990; p<0,05); na Dedicação (β=0,952; p<0,05); e na Absorção (β=0,972; p<0,05). [). O primeiro fator, vigor teve um moderado índice de fiabilidade compósita (0,86). O segundo fator a absorção apresenta um nível fiabilidade compósita moderado (0,84) enquanto o fator 3 – dedicação – obteve um elevado valor (0,93). 1 Laboratório de Reabilitação Psicossocial (FPCEUP/ESTSPIPP), Porto, Portugal 2 Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto, Portugal 3 Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Brasil 4 Departamento de Ciências Psicológicas e Unidade de Investigação em Psicologia e Saúde, ISPA - Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida, Lisboa jorgesinv[email protected] [email protected] cqueir[email protected] [email protected] jpmar[email protected]t 10º Congresso Nacional de Psicologia da Saúde Porto, 6-8 Fevereiro 2014 Modelo 1 Modelo 2 1 .No meu trabalho sinto-me cheio de energia 2 . Acho que o meu trabalho tem muito significado e utilidade 3 . O tempo passa a voar quando estou a trabalhar 4 . No meu trabalho sinto-me com força e energia 5 . Estou entusiasmado com o meu trabalho 6 . Quando estou a trabalhar esqueço tudo o que se passa à minha roda 7 . O meu trabalho inspira-me 8 . Quando me levanto de manhã apetece-me ir trabalhar 9 . Sinto-me feliz quando estou a trabalhar intensamente 10 . Estou orgulhoso do que faço neste trabalho 11 . Estou imerso no meu trabalho 12 . Sou capaz de ficar a trabalhar por períodos de tempo muito longos 13 . O meu trabalho é desafiante para mim 14 . “Deixo-me ir” quando estou a trabalhar 15 . Sou uma pessoa com muita resistência mental no meu trabalho 16 . É-me difícil desligar-me do meu trabalho 17 . No meu trabalho sou sempre perseverante (não desisto), mesmo quando as coisas não estão a correr bem Tabela 1