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Relatório de Estágio realizado na Farmácia São João

Raquel de Assunção Piñero Nunes

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Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João I Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas Relatório de Estágio Profissionalizante Farmácia São João Setembro de 2014 a Abril de 2015 Raquel de Assunção Piñero Nunes Orientador: Dr (a) Maria Manuela Amorim ________________________________________________________ Tutor FFUP: Prof. Doutor(a) Beatriz Quinaz ________________________________________________________ Setembro de 2016 Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João II Declaração de Integridade Eu, Raquel de Assunção Piñero Nunes, abaixo assinado, nº 200802232, aluno do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, declaro ter atuado com absoluta integridade na elaboração deste documento. Nesse sentido, confirmo que NÃO incorri em plágio (ato pelo qual um indivíduo, mesmo por omissão, assume a autoria de um determinado trabalho intelectual ou partes dele). Mais declaro que todas as frases que retirei de trabalhos anteriores pertencentes a outros autores foram referenciadas ou redigidas com novas palavras, tendo neste caso colocado a citação da fonte bibliográfica. Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, ____ de __________________ de ______ Assinatura: ______________________________________ Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João III Agradecimentos Terminando esta etapa da minha formação, tenho de agradecer o apoio de todos os membros da equipa da Farmácia São João, que tornaram possível uma excelente experiência profissional, e tanto me ensinaram, tanto a nível científico como pessoal. A promoção da minha autonomia desde cedo e a disponibilidade para ajudar em qualquer situação, sem dúvida fizeram de mim uma melhor profissional. Mais ainda, agradeço o enorme apoio da minha família e do meu marido, que sempre estiveram ao meu lado, e viveram comigo toda esta experiência. Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João IV Resumo Na Farmácia Comunitária, o farmacêutico assume um papel fulcral, em parte pelo conhecimento científico adquirido na sua formação, em parte pela orientação necessária do utente. Sendo a farmácia muitas vezes o local que o utente se encaminha ainda antes de procurar apoio médico, é necessário prestar aconselhamento adequado para guiar à resolução dos seus problemas de saúde. É também no âmbito da Farmácia Comunitária que a maior parte dos Farmacêuticos exerce funções. Assim, é de extrema importância o estágio em Farmácia Comunitária como forma de consolidação de conhecimentos adquiridos, aplicação prática dos mesmos e ainda aprendizagem de novas competências. Neste relatório estão descritas as atividades realizadas por mim na Farmácia São João. Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João V Abreviaturas: AIM – Autorização de Introdução no Mercado AINE – Anti-inflamatório Não Esteroide CGD – Caixa Geral de Depósitos CNP – Código Nacional de Produto CNPEM - Código Nacional para a Prescrição Eletrónica de Medicamentos DCI – Designação Comum Internacional DL – Decreto-Lei DT – Diretora Técnica IECA – Inibidores da Enzima de Conversão da Angiotensina INFARMED – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde IVA – Imposto sobre o Valor Acrescentado MNSRM – Medicamentos não Sujeitos a Receita Médica MSRM – Medicamentos Sujeitos a Receita Médica PVF – Preço de Venda à Farmácia PVP – Preço de Venda ao Público Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João VI Índice Parte I 1. Organização da Farmácia São João……………………………………………………….1 1.1. Localização……………………………………………………………………………………1 1.2. Horário de Funcionamento…………………………………………………………………..1 1.3. Recursos Humanos…………………………………………………………………………..1 1.4. Espaço Exterior da Farmácia……………………………………………………………….2 1.5. Espaço Interior da Farmácia………………………………………………………………...2 1.5.1. Zona de atendimento ao público………………………...………………………..2 1.5.2. Gabinete de Atendimento personalizado…………….………………………….3 1.5.3. Armazém………………………………………………………..…………………..4 1.5.4. Zona de receção de encomendas………………………………...………………5 1.5.5. Laboratório………………………………………………………….………………5 1.5.6. Escritório…………………………………………………………………………….5 1.5.7. Fontes de Informação……………………………………………………………...6 2. Gestão e Administração da Farmácia………………………………………………………6 2.1. Sistema Informático…………………………………………………………………………..6 2.2. Gestão de Stocks……………………………………………………………………………..7 2.3. Encomendas…………………………………………………………………………………..7 2.4. Receção e verificação de encomendas…………………………………………………….8 2.5. Armazenamento e Controlo dos Prazos de Validade…………………………………….10 2.6. Gestão de Devoluções……………………………………………………………………...10 3. Gestão e Administração dos Serviços Farmacêuticos………………………………...11 3.1. Medicamentos……………………………………………………………………………….11 3.1.1. Medicamentos Sujeitos a Receita Médica……………………………………...11 3.1.2. Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica………………………………..12 3.2. Preparações Oficiais e Fórmulas Magistrais……………………………………………...12 3.3. Produtos e Medicamentos Veterinários…………………………………………………...13 3.4. Medicamentos Homeopáticos e Produtos Farmacêuticos Homeopáticos…………….13 3.5. Dispositivos Médicos………………………………………………………………………..14 3.6. Suplementos Alimentares…………………………………………………………………..14 3.7 Produtos Dietéticos e destinados a Alimentação Especial……………………………….15 3.8. Produtos Fitoterapêuticos…………………………………………………………………..15 3.9. Produtos Cosméticos e Dermofarmacêuticos…………………………………………….16 3.10. Artigos de Puericultura…………………………………………………………………….16 4. Dispensa de Medicamentos………………………………………………………………..17 Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João VII 4.1. Dispensa de medicamentos não sujeitos a receita médica – Indicação Farmacêutica.17 4.2. Dispensa de medicamentos sujeitos a receita médica…………………………………..18 4.2.1. Prescrição Médica………………………………………………………………..18 4.2.2. Processamento Informático da Receita………………………………………..20 4.2.3. Regimes de comparticipação…………………………………………………...21 4.2.4. Ato da Dispensa…………………………………………………………………..21 4.2.5. Conferência de Receituário……………………………………………………...22 4.3. Dispensa de medicamentos estupefacientes e psicotrópicos………………………….23 5. Prestação de outros Serviços……………………………………………………………..23 5.1. Determinação de Parâmetros fisiológicos e bioquímicos………………………………..23 5.2. Administração da Vacina da Gripe…………………………………………………………24 5.3. Projeto Valormed…………………………………………………………………………….24 5.4. Programa de recolha de radiografias……………………………………………………...24 5.5. Outros Serviços……………………………………………………………………………...24 6. Conclusão……………………………………………………………………………………..24 Parte II 1. Patologias de Inverno e o papel do Farmacêutico……………………………………...26 1.1. Contextualização da escolha do tema…………………………………………………….26 1.2. Patologias de Inverno……………………………………………………………………….26 1.2.1. Gripe……………………………………………………………………………….26 1.2.2. Constipação……………………………………………………………………….27 1.2.3. Gripe vs. Constipação……………………………………………………………29 1.3. Sintomas e aconselhamento……………………………………………………………….29 1.3.1 Tosse……………………………………………………………………………….29 1.3.2. Congestão nasal e rinorreia……………………………………………………..31 1.3.3. Dores de garganta………………………………………………………………..32 1.3.4. Febre, cefaleias e mialgias………………………………………………………33 1.4. Intervenção durante o estágio……………………………………………………………...35 1.5. Conclusão……………………………………………………………………………………35 2. Mixomatose……………………………………………………………………………………37 2.1. Contextualização da escolha do tema…………………………………………………….37 2.2. Etiologia………………………………………………………………………………………37 2.3. Sinais clínicos………………………………………………………………………………..38 2.4. Tratamento e prevenção……………………………………………………………………38 2.5. Confusão com Doença Hemorrágica Viral………………………………………………..39 2.6. Vacinas bivalentes contra Mixomatose e Doença Hemorrágica Viral…………………40 Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João VIII 2.7. Intervenção durante o estágio……………………………………………………………...40 2.8. Conclusão……………………………………………………………………………………40 Referências Bibliográficas……………………………………………………………………….41 ANEXOS Anexo 1 – Índice de Tabelas Tabela 1 – Cronograma de atividades desenvolvidas………………………………..25 Tabela 2 – Principais diferenças entre gripe e constipação…………………………29 Tabela 3 – Expetorantes mais aconselhados na Farmácia São João………………30 Tabela 4 – Antitússicos mais aconselhados na Farmácia São João……………….30 Tabela 5 – Produtos descongestionantes de aplicação tópica mais aconselhados na Farmácia são João…………………………………………………………………...32 Tabela 6 – Produtos mais aconselhados para a garganta inflamada na Farmácia São João………………………………………………………………………………….33 Tabela 7 – MNSRM mais aconselhados para febre e estados gripais na Farmácia São João………………………………………………………………………………….34 Anexo 2 – Panfleto Doenças de Inverno..................…………………………………………..48 Anexo 3 – Panfleto Mixomatose………………………………………………………………...50 Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 1 Parte I 1. Organização da Farmácia São João 1.1. Localização A Farmácia São João está localizada na Rua Manuel Bernardino Carvalho, 39, freguesia de São João de Ovar, concelho de Ovar, distrito de Aveiro. Anteriormente localizada em Cabanões, sofreu uma mudança de instalações que veio proporcionar um apoio mais central à comunidade, visto que se situa perto de uma área urbana, mas também perto de áreas rurais. A proprietária e Diretora Técnica é a Dra. Maria Manuela Amorim. 1.2. Horário de Funcionamento O horário de funcionamento da Farmácia São João é das 9h às 13h e das 14h às 20h de 2ª a 6ª feira, e das 9h às 13h e das 15h às 19h30 aos Sábados. Normalmente está encerrada nos feriados religiosos e cumpre o horário de Sábado nos feriados em que abre. A Farmácia São João funciona em regime de disponibilidade e devido ao número de habitantes não faz turnos de serviço permanente [1]. 1.3. Recursos Humanos À equipa da farmácia pertencem os seguintes elementos:  Diretora Técnica – Dra. Maria Manuela Amorim  Farmacêutica – Dra. Isabel Teixeira  Farmacêutica – Dra. Ana Raquel Sá  Responsável pela limpeza, arrumação, receção de encomendas e devoluções – Cátia Fragoso Desta forma a farmácia cumpre o disposto na legislação que define que as farmácias disponham de pelo menos dois farmacêuticos, do DT e de um farmacêutico que o substitua nas suas ausências e impedimentos [2,3]. Aquando do meu estágio curricular na farmácia também estava a realizar estágio profissional na altura a Dra. Neuza Machado. Normalmente de duas em duas semanas contávamos com a presença de uma nutricionista que fazia acompanhamento de várias clientes. Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 8 tem um papel essencial no auxílio da elaboração das mesmas. Sempre que é efetuada uma venda o sistema atualiza o stock do produto, então, no momento da realização da encomenda (que normalmente é feita duas vezes por dia) o produto é adicionado automaticamente a uma proposta de nota de encomenda, que é analisada e, se necessário, retificada pelo funcionário responsável. Assim, de acordo com a sazonalidade da média de vendas, podem ser adicionados ou retirados produtos e as quantidades a encomendar podem ser alteradas. Diariamente surge também a necessidade de fazer encomendas aos armazenistas através do telefone ou do gadget informático. Isto pode acontecer porque os produtos se encontram esgotados ou rateados, porque não são produtos que a farmácia já tenha tido ou porque já foram dispensados nessa manhã ou tarde, procurando-se assim dar uma resposta mais rápida ao utente. Estas foram as formas de encomenda que mais usei durante o estágio, visto que não era eu a responsável pelas encomendas diárias, mas no entanto precisava de garantir certos produtos aos meus utentes, e dar-lhes um prazo para os virem levantar. Para além das encomendas efetuadas aos armazenistas, são adquiridos alguns produtos diretamente ao Laboratório ou a um representante de marca. Este tipo de aquisição processa-se mediante apresentação de propostas de compra pelos delegados e representantes dos laboratórios à DT que analisa e avalia estas oportunidades de negócio. Normalmente estas compras são feitas em quantidade, uma vez que um maior volume de encomenda está associado a maiores bonificações à farmácia, justificando-se assim a adoção desta modalidade para aquisição de produtos de elevada rotatividade. Em algumas situações de rotura de stock no armazenista, pode recorrer-se diretamente aos laboratórios para suprimir a falta de medicação. 2.4. Receção e verificação de encomendas Esta operação é realizada cada vez que chega uma encomenda, o que, dependendo se foi solicitado mais que um fornecedor, pode chegar a acontecer até cinco vezes por dia. Existe uma série de procedimentos que é necessário cumprir de forma a agilizar o processo e minimizar erros. Os produtos chegam acondicionados em caixas de plástico ou cartão, sendo que os produtos de frio vêm em caixas isotérmicas com termoacumuladores, de maneira a garantir as boas condições de armazenamento durante o transporte (estes têm prioridade sobre os outros produtos para serem armazenados rapidamente no frigorífico). As caixas vêm sempre acompanhadas de fatura ou guia de remessa e duplicado e, caso haja medicamentos psicotrópicos e/ou estupefacientes, também vem o documento de Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 9 requisição dos mesmos, também em duplicado [8] (para serem assinados e carimbados pelo farmacêutico responsável, já que o original tem de ser arquivado na farmácia por um período de 3 anos e o duplicado reenviado ao fornecedor). Na fatura consta o número e data da fatura, identificação do fornecedor e da farmácia, valor total a pagar e a identificação dos produtos entregues, incluindo o Código Nacional de Produto (CNP) e designação dos produtos, quantidades pedidas e quantidades enviadas, Preço de Venda à Farmácia (PVF), Preço de Venda ao Público (PVP) (quando aplicável) e a taxa de IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado). Caso algum produto não seja enviado consta também da fatura a justificação, que pode ser por estar esgotado, retirado do mercado ou não comercializado. A partir daqui convém fazer a conferência de forma rápida e precisa, de forma a disponibilizar rapidamente os produtos para venda. Neste ponto em diante o sistema informático volta a ser de grande importância e ajuda, pois basta selecionar o pedido relativo à encomenda recebida através do fornecedor correspondente e utilizar o leitor ótico para ler o CNP dos produtos dos quais se atualiza os preços (se necessário) e o prazo de validade, desde que este seja inferior ao já registado, ou se o stock anterior à receção seja zero. Aqui confirma-se também se as quantidades enviadas correspondem às quantidades pedidas e a integridade das embalagens, pois se houver algum erro ou algum dano grave nas embalagens há que contatar o fornecedor e proceder prontamente à reclamação. Durante este processo, sempre que, ao passar o produto pelo leitor, se verificar que o stock está em valor negativo, o produto é diretamente encaminhado para uma seção especial na farmácia pois isto significa que já foi efetuada a venda e pagamento deste produto, ou seja, tem de ser etiquetado e separado para as gavetas dos produtos já pagos. No que toca aos produtos de venda livre (NETT), introduz-se o PVA e a margem estipulada pela farmácia para cada tipo de produto, que varia consoante o valor de IVA. Depois de dar entrada de todos os produtos, verifica-se se ficou feita corretamente ao confirmar o valor total da encomenda e o número total de unidades. Estando tudo conferido, grava-se então a receção, finalizando por introduzir o número de fatura/guia de remessa e a data. O sistema possibilita ainda a impressão de etiquetas para os produtos NETT. A partir daqui os stocks ficam atualizados. Quando uma encomenda é efetuada diretamente por telefone/gadget ou ao laboratório, a mesma não se encontra “por rececionar” automaticamente no sistema, sendo necessária a sua inserção manual. A receção e verificação de encomendas foi uma responsabilidade que me foi atribuída desde cedo, o que me permitiu familiarizar-me tanto com o sistema informático como com a variedade de produtos. Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 10 2.5. Armazenamento e Controlo dos Prazos de Validade Uma vez terminada a receção da encomenda, procede-se rapidamente ao armazenamento dos produtos recebidos, de forma a garantir a sua disponibilidade para dispensa. Há certos parâmetros de conservação que devem ser seguidos, nomeadamente o facto de a temperatura dever ser inferior a 25ºC e a humidade deve ficar abaixo dos 60% para a generalidade dos produtos, com exceção dos que têm de ser conservados entre os 2ºC e os 8ºC, que são guardados no frigorífico. O armazenamento dos produtos no local próprio (descrito do ponto 1.5.3.) deve ser feito com atenção e diligência, de forma a evitar medicamentos no lugar errado e indução do operador em erros de stock. Deve-se também ter sempre em atenção a verificação dos prazos de validade dos medicamentos. Durante a receção das encomendas, deve-se verificar se o prazo de validade informático corresponde ao real. Mensalmente é gerada uma lista de controlo dos prazos de validade que servirá para fazer as retificações necessárias no sistema (caso os prazos estejam errados) ou proceder à devolução dos produtos que se estejam a aproximar dos mesmos (caso estejam certos). Os produtos com PVP fixo, normalmente são aceites pelos laboratórios, sendo enviada à farmácia uma nota de crédito dos mesmos, ao contrário dos produtos de venda livre, que normalmente acarretam um prejuízo económico para a farmácia, daí a importância da verificação e constante atualização dos prazos de validade. Sempre que possível o armazenamento dos produtos na Farmácia São João segue a metodologia “FEFO” – First Expired First Out, ou seja, os medicamentos são armazenados e dispensados segundo o seu prazo de validade, com exceção dos que não possuem prazo de validade, nos quais se aplica o princípio “FIFO” – First In First Out. A verificação de prazos de validade e armazenamento de produtos foram as primeiras tarefas que recebi na farmácia, uma vez que me permitiram ter contato com a grande variedade de produtos da farmácia, compreender que algo confirmado hoje já pode estar desatualizado amanhã (sendo necessária vigilância e atenção constantes) e, principalmente, ficar a conhecer o local onde são armazenados os produtos. Este último aspeto tornou-se particularmente importante aquando do atendimento ao público, visto que me permitiu tornar o atendimento menos moroso. 2.6. Gestão de Devoluções Ao longo do meu estágio houve a necessidade de proceder várias vezes à devolução de produtos e foi-me possível também realizar esta tarefa e todas as suas etapas. Esta operação é sempre alvo de ponderação e análise da rotatividade dos produtos. Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 11 A devolução pode ser necessária pelos mais diversos motivos, entre os quais: aproximação do prazo de validade, embalagem danificada, alteração do aspeto do produto, produto trocado, pedido efetuado por engano ou recolha obrigatória por ordem do INFARMED ou detentor do AIM. Sempre que surge a necessidade de uma devolução, começa-se por criar uma nota de devolução através do SPharm, que contém a identificação do fornecedor, o valor dos produtos, as quantidades, o número da fatura/guia de remessa e o motivo da devolução. O documento é impresso em triplicado, assinado e carimbado, sendo que o original e duplicado seguem junto com os produtos de volta ao fornecedor, e o triplicado é arquivado na farmácia para posterior resolução. Quando a devolução é aceite pelo fornecedor procede-se à regularização da situação através do envio de uma nota de crédito, quando não é aceite, os artigos são reenviados à farmácia, que tem de assumir o prejuízo e enviar os produtos para quebras. 3. Gestão e Administração dos Serviços Farmacêuticos Segundo o Artigo 33º do DL nº 37/2007, 31 de agosto, as farmácias podem fornecer ao público os seguintes produtos: [2] 3.1. Medicamentos Segundo o artigo 3º do Estatuto do Medicamento, o mesmo é ”toda a substância ou associação de substâncias apresentada como possuindo propriedades curativas ou preventivas de doenças em seres humanos ou dos seus sintomas ou que possa ser utilizada ou administrada no ser humano com vista a estabelecer um diagnóstico médico ou, exercendo uma ação farmacológica, imunológica ou metabólica, a restaurar, corrigir ou modificar funções fisiológicas” [9, 10]. Os medicamentos podem ser:  Medicamentos Sujeitos a Receita Médica (MSRM)  Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM) 3.1.1. Medicamentos Sujeitos a Receita Médica São definidos como MSRM todos aqueles que possam constituir um risco para a saúde do doente quando utilizados sem vigilância médica ou quando utilizados com frequência em quantidades consideráveis para fins diferentes daquele a que se destinam; medicamentos que contenham substâncias, ou preparação à base dessas substâncias, Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 12 cuja atividade ou reações adversas seja indispensável aprofundar, e ainda medicamentos que se destinem a administração parentérica. Os MSRM podem ainda ser classificados em: I. Medicamentos de Receita Médica Renovável – medicamentos que se destinem a determinadas doenças ou tratamentos prolongados e possam ser adquiridos mais do que uma vez sem necessidade de nova prescrição médica. Nestes casos, a receita médica tem validade de 6 meses e é normalmente composta por 3 vias. II. Medicamentos de Receita Médica Especial - medicamentos que contenham substâncias estupefacientes ou psicotrópicas ou outras que, em caso de utilização anormal, possam provocar abuso medicamentoso ou criar condições de toxicodependência. III. Medicamentos de receita estrita – medicamentos cuja utilização deva ser reservada a certos meios; medicamentos que se destinem a uso hospitalar, ou a patologias unicamente diagnosticadas em meio hospitalar, ou que se destinem a doentes em tratamento ambulatório e que a sua utilização possa desencadear efeitos adversos graves. Os MSRM apresentam um PVP fixo, sendo obrigatória a sua menção na embalagem dos artigos [7, 9, 10] 3.1.2. Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica Nesta classificação incluem-se todos os medicamentos que não preencham os requisitos de MSRM. São medicamentos que apresentam uma margem de segurança razoável quando devidamente utilizados, sendo usualmente destinados à prevenção, alívio ou tratamento de sintomas ou patologias menores. Regra geral, os MNSRM não são comparticipados pelas entidades de saúde e o seu PVP é estipulado pela farmácia. 3.2. Preparações Oficiais e Fórmulas Magistrais Um “preparado oficial” é definido, segundo o Estatuto do Medicamento, como “qualquer medicamento preparado segundo as indicações compendiais de uma farmacopeia ou de um formulário oficial, numa farmácia de oficina ou em serviços farmacêuticos hospitalares, destinado a ser dispensado diretamente aos doentes assistidos por essa farmácia ou serviço”. [9, 10] Assim, preparados oficiais e fórmulas magistrais correspondem a um medicamento manipulado, preparado e dispensado sob a responsabilidade de um farmacêutico. De acordo com o DL n.º 95/2004, de 22 de abril, que regula a prescrição e a preparação de Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 13 medicamentos manipulados, é da total competência do farmacêutico garantir a segurança e qualidade dos medicamentos preparados, por adoção das Boas Práticas a observar na preparação dos mesmos. [11,12] Na Farmácia São João tive a oportunidade de assistir à preparação de uma Solução Saturada de Borato de Sódio. 3.3. Produtos e Medicamentos Veterinários O Decreto-Lei n.º 148/2008, de 29 de julho, que regula todo o circuito dos produtos veterinários define medicamento veterinário como aquele destinado a administração em animais e cuja substância ativa, ou associação de substâncias, apresente propriedades curativas ou preventivas de doenças em animais ou dos seus sintomas, ou ainda que pela sua utilização se estabeleça um diagnóstico médico-veterinário ou seja exercida uma ação farmacológica, imunológica ou metabólica com vista a restaurar, corrigir ou modificar funções fisiológicas.[13] A Farmácia São João tem uma variedade razoável destes produtos e ao longo do meu estágio denotei uma grande procura destes medicamentos, pois a farmácia encontrase numa zona relativamente rural. Os medicamentos mais procurados eram pílulas contracetivas (Pilusoft®), desparasitantes internos e externos (TenilVet®, Drontal® e Eliminall®), Terramicina® (injetável, spray e pó) e vacinas contra a Mixomatose (Mixohipra®-H e Mixohipra®-FSA). Ocasionalmente também eram procurados antibióticos orais ou tópicos, leite em pó para gatinhos e cachorros e complexos vitamínicos. Considero ser uma mais-valia os conhecimentos que adquiri e uma área a aprofundar, pois ao longo do curso não focamos muito estes temas, que na vida real são de elevada importância. 3.4. Medicamentos Homeopáticos e Produtos Farmacêuticos Homeopáticos Medicamento Homeopático é todo o medicamento “obtido a partir de substâncias denominadas stocks ou matérias-primas homeopáticas, de acordo com um processo de fabrico descrito na farmacopeia europeia ou, na sua falta, em farmacopeia utilizada de modo oficial num Estado Membro, e que pode conter vários princípios”. [9, 10] Na Farmácia São João a quantidade e variedade de produtos homeopáticos é reduzida, sendo que os mais comercializados são também os mais conhecidos devido a grandes campanhas de marketing, como os produtos dos Laboratórios Boiron. Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 14 3.5. Dispositivos Médicos Os dispositivos médicos são regulados pelo DL nº 145/2009, de 17 de junho, e são importantes instrumentos de saúde que englobam um vasto conjunto de produtos. São destinados a serem utilizados para fins comuns aos dos medicamentos tais como prevenir, diagnosticar ou tratar uma doença humana, no entanto devem atingir os seus fins através de mecanismos que não se traduzem em ações farmacológicas, metabólicas ou imunológicas. [14,15] Têm uma definição muito abrangente, o que se traduz numa enorme variedade deste tipo de produtos. A procura destes produtos na Farmácia São João é grande e variada, sendo que os mais procurados são material de penso, testes de gravidez, equipamentos de medição de glicémia, preservativos e acessórios ortopédicos, em especial meias de compressão e de descanso. Tive a oportunidade várias vezes de fazer as medições necessárias para ajudar na escolha do tamanho certo de meias de compressão e aconselhar na melhor forma de as vestir e manter. 3.6. Suplementos Alimentares Os suplementos alimentares são considerados géneros alimentícios comuns apesar de possuírem uma forma de apresentação doseada. De acordo com o DL n.º 560/98, de 18 de dezembro e o DL n.º 136/2003, de 28 de junho, os suplementos alimentares, tal como os alimentos, não podem apresentar propriedades profiláticas, de tratamento ou cura de doenças, nem fazer referência a essas propriedades. Destinam-se assim a completar e/ou suplementar o regime alimentar normal, não devendo ser utilizados como substitutos de um regime alimentar variado e saudável. Podem conter um leque bastante variado de substâncias nutrientes e destinam-se, essencialmente, a suprimir carências nutricionais ou solucionar e melhorar alguns estados fisiológicos. [16, 17] Ao longo do estágio verifiquei uma procura crescente deste tipo de produtos, justificada em grande parte pela ausência de um regime alimentar equilibrado e variado. Os que mais dispensei foram suplementos vitamínicos, como Absorvit® e Cerebrum®, e produtos da marca BioActivo®, destinados ao emagrecimento. O número e a diversidade de suplementos alimentares existentes no mercado são enormes, estando normalmente associados a estratégias de marketing muito eficazes que chamam desde logo a atenção dos utentes. Os suplementos existentes na atualidade visam dar resposta às mais variadas situações – deficiências nutricionais, fadiga física e psicológica, diminuidores do apetite, aumento da líbido, estimuladores do bronzeado, entre muitos outros. Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 15 O papel do farmacêutico na dispensa destes produtos passa, essencialmente, por alertar os utentes de que a toma destes suplementos não substitui uma alimentação equilibrada e variada e que a ingestão destes produtos deve ser sempre realizada de forma responsável e segura não estando, de todo, ausente a ocorrência de efeitos adversas e contraindicações. 3.7 Produtos Dietéticos e destinados a Alimentação Especial O Decreto-Lei n.º 227/99, de 22 de junho, define estes produtos como correspondendo a “produtos alimentares que, devido à sua composição ou a processos especiais de fabrico, se distinguem claramente dos géneros alimentícios de consumo corrente”. Estes produtos são formulados com vista a solucionarem uma carência nutricional específica e são comercializados com a indicação de que correspondem a esse objetivo. [18] Ao longo do estágio tive contato com vários produtos que se enquadram neste género. São exemplos os leites infantis adaptados às diferentes carências e idades da criança, produtos adaptados a dietas especiais (como sem glúten ou sem lactose), produtos para pessoas que devem ingerir baixas quantidades de sódio, etc. Existem também produtos adaptados a todo o tipo de transtornos menores, neste caso, da criança (produtos hipoalergénicos, anti obstipantes, anticólicas, anti regurgitação, dietas adaptadas a bebés prematuros ou recém-nascidos de baixo peso). Pude também presenciar situações em que este tipo de produtos era destinado a preencher as necessidades nutricionais de pessoas idosas em condições especiais. 3.8. Produtos Fitoterapêuticos O Estatuto do Medicamento define este tipo de produto, denominado de medicamento à base de plantas, como “qualquer medicamento que tenha exclusivamente como substâncias ativas uma ou mais substâncias derivadas de plantas, uma ou mais preparações à base de plantas ou uma ou uma ou mais substâncias derivadas de plantas em associação com uma ou mais preparações à base de plantas”. [9, 10] A procura deste tipo de produtos na Farmácia São João também é razoável e assenta na ideia ainda presente na população em geral que este tipo de medicamentos não apresenta contraindicações e interações, porque são mais “naturais”. Cabe ao farmacêutico informar o utente que isto não é tão linear assim e utilizar o seu conhecimento técnico e científico ao partilhar com o utente a informação necessária para uma terapêutica segura. Ao longo do meu estágio os produtos que mais contactei foram tisanas para o Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 16 melhor funcionamento do trato intestinal (com sene) e cápsulas para fins distintos (da Arkocápsulas®), como diminuir a flatulência (Carvão Vegetal) e melhorar o funcionamento do coração (Ómega 3). 3.9. Produtos Cosméticos e Dermofarmacêuticos Na Legislação produto cosmético é definido como “qualquer substância ou preparação destinada a ser posta em contacto com as diversas partes superficiais do corpo humano, designadamente epiderme, sistemas piloso e capilar, unhas, lábios e órgãos genitais externos, ou com os doentes e as mucosas bucais, com a finalidade de, exclusiva ou principalmente, os limpar, perfumar, modificar o seu aspeto, proteger, manter em bom estado ou de corrigir os odores corporais”. A segurança de um produto cosmético é da inteira responsabilidade do fabricante ou seu representante legal, uma vez que este tipo de produtos dispensa a criação de uma autorização de colocação no mercado. [19 e 20] A Farmácia São João dispõe de várias linhas de produtos de dermocosmética, de forma a oferecer resposta às necessidades dos seus utentes. As principais marcas expostas são a Avene®, LaRochePosay®, Ducray®, entre outras. A variedade de linhas comerciais existentes e a cada vez maior especificidade deste tipo de produtos obrigam a uma constante formação e atualização dos conhecimentos. É essencial conhecer os produtos que estão disponíveis na farmácia por forma a adequar o melhor produto a cada tipo de pele ou patologia subjacente. Há uma série de fatores que condicionam a escolha do produto que mais se adequa às necessidades do utente e cabe ao farmacêutico a correta avaliação dessas necessidades por forma a garantir a prestação de serviços com qualidade e eficácia. Durante o início do meu estágio tive algumas dificuldades no aconselhamento deste tipo de produtos, devido à grande variedade de marcas e gamas, no entanto, ao longo do tempo fui-me sentindo cada vez mais apta. 3.10. Artigos de Puericultura Artigo de puericultura é “qualquer produto que se destine a facilitar o sono, o relaxamento, a higiene, a alimentação e a sucção das crianças”. [21] São constantes as inovações e novidades neste tipo de produtos, surgindo com frequência novos artigos com vista a solucionarem os mais específicos problemas dos bebés. Existem biberões desenhados especificamente para eliminarem as cólicas, chupetas ortodonticas adaptadas à faixa etária da criança e dispositivos que permitem a adesão mais fácil das crianças à ingestão de alimentos sólidos sem descuidar o correto desenvolvimento da dentição. Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 17 Os biberões e chupetas eram os produtos mais requisitados, especialmente da Chicco®, e ajudei a escolher vários, tenho em conta a idade do bebé e experiências anteriores dos pais com produtos semelhantes. O farmacêutico revela um papel muito importante nesta área, no aconselhamento do produto mais adequado a cada criança. 4. Dispensa de Medicamentos A dispensa de medicamentos é o ato farmacêutico com mais expressão a nível da farmácia comunitária e deve ser conduzido com a máxima responsabilidade. Tem como objetivo principal providenciar a melhor terapêutica ao doente, pela cedência do medicamento correto, na quantidade e qualidade certas - por cumprimento da prescrição médica proposta, pela dispensa de MSRM, ou por escolha fundamentada nos conhecimentos técnicos e científicos do farmacêutico, pela dispensa de MNSRM. [22] Isto deve estar sempre aliado a uma correta interação social, fazendo uso de uma linguagem adaptada a cada tipo de utente e fornecendo sempre toda a informação necessária ao correto uso dos medicamentos e à importância da adesão ao tratamento. 4.1. Dispensa de medicamentos não sujeitos a receita médica – Indicação Farmacêutica A farmácia surge, cada vez mais, como o local de primeira escolha do doente para resolver os seus problemas de saúde, nomeadamente, no que se refere a patologias caracterizadas por sintomas ligeiros e para prevenção e alívio de queixas autolimitadas. O farmacêutico é solicitado muitas vezes a prestar os seus serviços através da transmissão de informação e na indicação e aconselhamentos adequados por forma a oferecer ao utente a melhor solução adaptada ao seu problema. Assim, a dispensa de medicamentos de venda livre, resultantes de indicação farmacêutica ou de decisão do próprio utente, acarretam responsabilidades acrescidas ao farmacêutico que tem o dever de garantir ao utente uma terapêutica segura e eficaz. Perante a solicitação de medicamentos decorrente da apresentação de queixas ou sintomas pelo doente, é da responsabilidade do farmacêutico recolher o máximo de informação sobre o utente e o seu estado fisiopatológico, avaliando criteriosamente o problema ou situação que apresenta. O farmacêutico deve ter conhecimento da duração dos sintomas ou queixas do utente, da sua persistência ou recorrência e de outros sintomas ou sinais que apresente, bem como da existência de outros problemas de saúde e medicação que tome habitualmente. A formação técnica e científica do farmacêutico, bem como os deveres éticos pelos quais rege a sua profissão, permitem-lhe avaliar adequadamente as situações e saber delinear limites quanto às ações a adotar. Ou seja, nem sempre associada à indicação farmacêutica Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 24 certas patologias e verificar a eficácia da medicação. Solicitavam também a opinião dos farmacêuticos acerca dos valores obtidos. Pude realizar estas medições inúmeras vezes e em todas elas tentei sempre fornecer o máximo de informação acerca dos valores obtidos e discutir medidas farmacológicas e não farmacológicas de como modificar os mesmos. 5.2. Administração da Vacina da Gripe A Farmácia São João põe ao serviço dos seus utentes a administração da vacina da gripe, sendo que a mesma é administrada pela Diretora Técnica, que possui formação necessária para o efeito. 5.3. Projeto Valormed Este projeto consiste na recolha de resíduos de embalagens e medicamentos fora de uso, realizada de forma segura e eficaz, com o intuito de contribuir para o uso racional do medicamento e para a prevenção de danos ambientais. [37] Os utentes já se encontravam muito familiarizados com o projeto, havendo sempre uma grande quantidade de medicamentos recolhidos. 5.4. Programa de recolha de radiografias A Farmácia São João adere também a este programa, que consiste na recolha anual de radiografias que os utentes trazem à farmácia. Este programa ocorre em parceria com a AMI, permitindo a angariação de fundos para fins humanitários. 5.5. Outros Serviços A Farmácia São João tem também ao dispor dos seus utentes consultas de nutrição por parte de uma profissional de saúde, que tem grande adesão por parte dos utentes. Esta parceria é complementada com o aconselhamento de produtos dietéticos comercializados na farmácia, tornando o processo vantajoso para todas as partes. 6. Conclusão Concluído o estágio apercebi-me que desconhecia muito do que realmente se realiza numa farmácia. O estágio foi realizado de maneira a que a integração fosse gradual, de forma a ganhar competências em todas as áreas. No início houve uma certa dificuldade Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 25 para entrar no ritmo, no entanto com o tempo e a prática essa mesma dificuldade foi desaparecendo. Agora compreendo que para além da prestação de serviços de saúde, são realizadas tarefas de gestão e administração de extrema importância, que suportam todo o processo de dispensa de medicamentos. A tarefa mais gratificante foi a do atendimento ao público, em que aprendi que a comunicação, ajustada e adaptada a cada utente, é essencial para a prestação dos melhores cuidados farmacêuticos. Tudo o que vivi e aprendi na Farmácia São João tornou-me numa melhor futura farmacêutica, e vou-me sempre lembrar daquilo que me foi ensinado e transmitido. Como conclusão apresento um cronograma das atividades que desenvolvi ao longo do estágio. Tabela 1 – Cronograma de atividades desenvolvidas Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Controlo de Prazos de Validade X X X X X X X Receção de Encomendas X X X X X X X X Medição de Parâmetros Bioquímicos X X X X X X X Conferência de Receitas X X X X X X X Atendimento ao Público (com acompanhamento) X X Atendimento ao Público (sem acompanhamento) X X X X X X Elaboração e Distribuição do Panfleto das Doenças de Inverno X X X X Elaboração e Distribuição do Panfleto da Mixomatose X X Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 26 Parte II 1. Patologias de Inverno e o papel do Farmacêutico 1.1. Contextualização da escolha do tema O meu estágio na Farmácia São João iniciou a meio do mês de setembro que, para além de ser altura do regresso às aulas, também é o regresso ao frio. Por volta desta altura o calor abranda, começando com as noites mais frias, forçando-nos a tirar os casacos do armário. Esta altura é também caraterizada pela crescente procura na farmácia de diversos MNSRM, quer seja para sintomas de constipações, dores de garganta, rinorreia ou até mesmo “qualquer coisa para parar a gripe, um antibiótico ou assim”. Pareceu-me assim o tema ideal a desenvolver, tendo em conta a sensibilização da comunidade para as várias patologias associadas ao Inverno e ao frio, a diferença entre elas e a melhor maneira de atuar perante as mesmas. Para além do aconselhamento personalizado, decidi realizar um panfleto informativo para esclarecer certas dúvidas que muitos utentes colocavam, algo que pudessem levar para casa e divulgar às suas famílias, difundindo assim a informação. 1.2. Patologias de Inverno As patologias mais comuns de ocorrerem no Inverno são a gripe e a constipação, e com elas vêm uma série de sintomas que podem ser tratados com a ajuda do farmacêutico. 1.2.1. Gripe A gripe é causada por vírus influenza, pertencentes à família Orthomyxoviridae, que podem ser dos tipos A, B ou C. Os tipos A e B são os responsáveis pela gripe sazonal, enquanto que o tipo C está associado a doença suave ou assintomática. O vírus influenza A é o mais patogénico, já que infeta o Homem e alguns animais, enquanto que o vírus influenza B afeta apenas o Homem. O vírus apresenta na sua superfície as proteínas hemaglutinina e neuraminidase que, interagindo com o ácido siálico da superfície das células epiteliais, vai permitir a sua entrada e libertação nas mesmas. A variação nos tipos de hemaglutinina (H) e neuraminidase (N) é o que possibilita dar a nomenclatura às várias estirpes de vírus da gripe (ex: H1N1, H3N2). O vírus da gripe A é geneticamente instável, Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 27 o que leva a elevadas taxas de mutação, o que está na origem dos surtos epidémicos anuais de gripe sazonal. A transmissão do vírus ocorre por aerossol quando há contacto com as emissões de muco de uma pessoa ou animal infetado. Isto pode acontecer facilmente através de espirros, apertos de mão e até contacto com superfícies contaminadas pela pessoa afetada (dinheiro, corrimão, maçanetas, etc.). O tempo de sobrevivência do vírus nas partículas de muco diminui com a humidade do ar e maior exposição a radiação ultravioleta, o que, tendo em conta as condições caraterísticas do inverno, vem ajudar à sua sobrevivência. O facto de a transmissão poder acontecer antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas torna este vírus muito contagioso, especialmente entre as crianças. A forma mais eficaz de evitar a transmissão da gripe é através de boas práticas de higiene e saúde pessoal, entre as quais evitar tocar nos olhos, nariz e boca, lavar e desinfetar frequentemente as mãos, usar lenços de papel descartáveis, cobrir a boca e nariz durante a tosse e espirros, uso de máscaras cirúrgicas, não fumar e higienizar superfícies. Os sintomas surgem dois a três dias após o contacto com o vírus e são febre alta (superior a 38,5ºC), arrepios, cefaleias, mialgias, tosse não produtiva e cansaço extremo, e podem durar até duas semanas. O que é aconselhado a fazer a pessoas com gripe é repouso, ingestão de bastantes líquidos, evitar o consumo de álcool e se necessário pedir aconselhamento com o farmacêutico em relação a MNSRM para redução dos sintomas. Medicamentos antivirais (inibidores da neuraminidase e da proteína M2) são eficazes nalgumas situações, sendo que há preocupações em relação à resistência aos fármacos, e medicamentos antibacterianos apenas estão recomendados no caso do aparecimento de uma infeção secundária como a pneumonia, visto não terem qualquer ação contra os vírus. A vacinação é o meio mais efetivo de prevenir a gripe sazonal, e é especialmente recomendada pela Organização Mundial de Saúde a grupos de risco, como mulheres grávidas, crianças entre os 6 meses e os 5 anos, idosos, prestadores de cuidados de saúde e pessoas com doenças crónicas específicas. [38-47] 1.2.2. Constipação A constipação é uma doença infeciosa vírica muito comum, que afeta as vias aéreas superiores e que apresenta na maior parte das vezes um curso benigno. Na grande maioria é causada por rinovírus, no entanto também são conhecidos casos de infeção por coronavírus, adenovírus, parainfluenza e enterovírus, o que vai influenciar a gravidade e duração dos sintomas. Os sintomas estão relacionados sobretudo com a resposta Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 28 imunológica à presença do vírus, mediante a libertação de mediadores inflamatórios. Este processo na mucosa nasal e faríngea leva à vasodilatação que origina a rinorreia. O vírus é transmitido da mesma forma que a gripe, nomeadamente por inalação de secreções infetadas, ou contacto com objetos contaminados. O vírus pode sobreviver até 3 horas fora da mucosa nasal, o que os torna bastante contagiosos, podendo ficar assim alojado nas mãos, que são posteriormente levadas aos olhos, à boca e ao nariz. Para a prevenção devem ser adotadas as mesmas medidas que na gripe. Novamente, a transmissão é aumentada em crianças, devido ao seu contacto e confinamento a creches e escolas e, frequentemente, a maus hábitos de higiene associados a imunidade reduzida. Ambientes fechados ou poluídos, convívio com crianças, alergias e sistema imunitário debilitado são todos fatores de risco para as constipações. Os sintomas surgem dois a quatro dias após o contacto com o vírus e são garganta irritada, espirros, rinorreia que evolui para congestão nasal, febre baixa (até 38,5ºC), dor de cabeça, mal-estar geral e tosse não produtiva que evolui para produtiva, e podem durar de uma semana até treze dias. Há uma grande semelhança entre a constipação e a gripe, no entanto as diferenças mais marcadas são a gravidade, a evolução e a intensidade dos sintomas, que são muito mais marcados na gripe. Os sintomas são tratados da mesma forma que os sintomas da gripe. Antibióticos não são eficazes contra infeções víricas, logo não devem ser utilizados em situações de constipação. A prevenção através de vacinação não existe devido à grande diversidade de serotipos só de rinovírus, havendo uma grande dificuldade em estabelecer uma vacina que se prove eficaz e duradoura para todos. [38, 48-51] Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 29 1.2.3. Gripe vs. Constipação Tabela 2 – Principais diferenças entre gripe e constipação [52, 53] Caraterísticas / Sintomas Gripe Constipação Início Súbito Lento Febre Elevada Baixa ou ausência Mialgia Moderada a intensa Ligeira Congestão nasal Pode ocorrer Considerável Tosse Intensa Ligeira Dores de garganta Existente Existente Dor de Cabeça Forte Raramente Fadiga / Fraqueza 2-3 semanas Ligeira Complicações Bronquite; Pneumonia Congestão dos seios nasais ou dor de ouvidos Prevenção Vacinação anual Não existe 1.3. Sintomas e aconselhamento É no alívio dos sintomas causados pela gripe e constipação que o farmacêutico tem um papel preponderante. Como referido anteriormente, estes são variados e podem ter intensidades diferentes. No entanto, e tendo em conta o ato de atendimento ao balcão, o aconselhamento e orientação do utente são essenciais. Claro que o farmacêutico deve ter em conta as queixas do utente, assim como a qualidade dos seus sintomas, duração dos mesmos, idade do utente, medicação habitual e patologias crónicas. 1.3.1 Tosse A tosse é um sintoma frequente de gripe ou constipação, no entanto não é exclusivo e pode ter outras causas (doenças crónicas como doença pulmonar obstrutiva crónica - DPOC, asma, insuficiência cardíaca congestiva, etc., congestão nasal, inalação de fumo, corpos estranhos na garganta, medicamentos - IECA). Ainda assim, a tosse passível de indicação farmacêutica deve ser apenas aquela que é sintoma da gripe ou constipação. A tosse pode ser classificada em aguda ou crónica, consoante a sua duração. A tosse inicia-se quando há estimulação química ou mecânica dos recetores da mucosa do trato respiratório superior, ativando assim estímulos dirigidos ao centro da Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 30 tosse. Ao receber estes estímulos, este emite nova estimulação através dos nervos colinérgicos, dando origem à contração do diafragma, dos músculos abdominais e intercostais, o que resulta numa rápida expulsão de ar dos pulmões. Desta forma há um arrastamento das partículas irritantes presentes na superfície da mucosa respiratória. Na maioria dos casos a tosse serve como proteção natural do corpo, facilitando a remoção de partículas estranhas e do excesso de secreções – esta é chamada tosse produtiva. Nestes casos a tosse não deve ser suprimida com antitússicos pois corre-se o risco de acumulação de secreções que podem infetar e formar rolhões ou mascarar os sintomas de uma doença subjacente. Nos casos mais graves em que a expetoração já é amarelo-esverdeada ou possui sangue, na gravidez ou na tosse persistente com mais de uma semana deve-se referenciar a consulta médica. Ora, nos casos de tosse produtiva derivada de gripe ou constipação o farmacêutico pode aconselhar expetorantes, sendo que os mais utilizados e aconselhados na Farmácia São João são os descritos na Tabela 3. Tabela 3 – Expetorantes mais aconselhados na Farmácia São João. [56-61] Nome Comercial DCI Fluimucil® Acetilcisteína Mucosolvan® Ambroxol Bisolvon® Bromexina Pulmiben® e Mucoral® Carbocisteína Vicks Xarope Expectorante Mel® Guaifenesina A tosse não produtiva é a resposta a estímulos irritativos sobre a faringe, laringe e vias respiratórias superiores e não tem efeito protetor. Pode então ser suprimida com antitússicos (Tabela 4), se for incomodativa, desde que não se suspeite de alguma situação mais grave. Tabela 4 – Antitússicos mais aconselhados na Farmácia São João. [62-65] Nome Comercial DCI Sinecod® Citrato de Butamirato Bisoltussin Tosse Seca® Dextrometorfano Levotuss® Levodropropizina Vicks Vaporub® Cânfora + Óleo de terebentina + Levomentol + Óleo de Eucalipto Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 31 Para além destes são também muito utilizados dispositivos médicos como Supracare® xarope para a tosse, que cria uma película de proteção sobre as mucosas irritadas na zona da boca, garganta e faringe devido ao seu alto teor em mucilagens. [66] Juntamente com o aconselhamento de MNSRM, o farmacêutico tem a função de fazer aconselhamento não farmacológico, que passa por beber muitos líquidos, evitar o álcool, cafeína e tabaco e evitar esforçar a voz. [54, 55] 1.3.2. Congestão nasal e rinorreia Para além da constipação, a congestão nasal pode ter outras causas como alergénios, fatores físicos (fumo, ar frio e seco), gravidez ou outros medicamentos (anti hipertensores, estrogénios, descongestionantes nasais tópicos, etc.) A mucosa do nariz encontra-se enervada por fibras nervosas colinérgicas e simpáticas. A estimulação simpática causa vasoconstrição, enquanto que a estimulação colinérgica causa vasodilatação e aumento da secreção glandular. Um ataque vírico à mucosa nasal ativa os mecanismos de defesa do organismo, levando a uma resposta inflamatória local, com produção de bradiquininas, leucotrienos e prostaglandinas (que produzem vasodilatação e aumentam a permeabilidade vascular, causando um aumento das descargas e a obstrução nasal). Os sintomas nasais de constipação iniciam-se com rinorreia, sendo o corrimento nasal límpido e tornando-se gradualmente mais espesso e purulento. A dilatação dos vasos sanguíneos da mucosa leva a tumefação e à produção excessiva de muco, o que eventualmente origina a congestão nasal. Os produtos de aplicação tópica mais aconselhados na Farmácia São João estão representados na Tabela 5. Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 32 Tabela 5 – Produtos descongestionantes de aplicação tópica mais aconselhados na Farmácia são João. [65, 69-72] Nome Comercial DCI Ação Rhinomer® Água do mar isotónica e estéril indicada para a limpeza nasal diária e ajuda natural em caso de congestão Vibrocil® Maleato de dimetindeno + fenilefrina Vasoconstritor nasal por estimulação dos recetores α-adrenérgicos e antagonista dos recetores histamínicos H1 Nasorhinathiol® Cloridrato de oximetazolina Vasoconstritor nasal por estimulação dos recetores α-adrenérgicos Vicks Vaporub® Cânfora + Óleo de terebentina + Levomentol + Óleo de Eucalipto Estimulação dos recetores aferentes, causando alívio da congestão nasal Vibrocil ActilongDuo® Xilometazolina + Brometo de ipratrópio Vasoconstritor por estimulação dos recetores α-adrenérgicos e anticolinérgico O aconselhamento não farmacológico passa novamente por ingestão de líquidos, evitar o álcool, a cafeina e o tabaco, evitar locais com humidade reduzida (menor que 30%), fazer a limpeza das fossas nasais e descansar. [67, 68] 1.3.3. Dores de garganta A inflamação da garganta requer também a identificação da causa para melhor aconselhamento farmacêutico, ou referência médica. Pode ser um dos primeiros sintomas a desenvolver-se no caso de constipação, nomeadamente faringite (que é caraterizada por dor na faringe, com ou sem dificuldade em engolir) e laringite (caraterizada por alterações na voz, como disfonia ou afonia). Outras causas podem ser esforço da voz, inalação de fumos ou gases irritantes, trauma, doenças crónicas, certos medicamentos ou infeções. A irritação da garganta de origem viral pode ser caraterizada por sensação de secura, prurido e desconforto, particularmente ao engolir, que pode evoluir para dor ou sensação de queimadura. Normalmente evolui positivamente no espaço de uma semana. Estes são os casos em que pode e deve haver aconselhamento farmacêutico. Já nos casos em que a garganta fica muito vermelha e dolorosa repentinamente, e se estiver acompanhada de halitose, febre alta, dores de cabeça, nódulos linfáticos aumentados e exsudado purulento das amígdalas são sinais de infeção por Streptococcus sp. e requerem antibioterapia, pelo que devem ser referenciados a uma consulta médica. Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 33 Tabela 6 – Produtos mais aconselhados para a garganta inflamada na Farmácia São João [66, 73-77] Nome Comercial DCI Ação Strepsils® Álcool diclorobenzílico + amilmetacresol Antisséptico com propriedades antibacterianas, antifúngicas, antivirais e anestésicas Strepfen® Flurbiprofeno AINE com propriedades analgésicas e antipiréticas Drill® Tetracaína + Clorohexidina Antisséptico local com propriedades antifúngicas e anestésicas locais Mebocaína AntiInflam® Álcool diclorobenzílico + cloridrato de benzidamina Antisséptico com propriedade antiinflamatórias e analgésicas Mebocaína Forte® Tirotricina + Cloreto de Cetilpiridínio + Cloridrato de oxibuprocaína Propriedades antibacterianas, antissépticas e anestésicas Supracare® xarope Cria uma película de proteção sobre as mucosas irritadas na zona da boca, garganta e faringe devido ao seu alto teor em mucilagens Podem ainda ser recomendados elixires e colutórios com propriedades antissépticas e rebuçados com propriedades emolientes para ajudar na recuperação. O aconselhamento não farmacológico passa pelos mesmos pontos dos da congestão nasal. [78, 79] 1.3.4. Febre, cefaleias e mialgias Estes três sintomas ficam agrupados visto que podem ter causas diversas, e podem ser sintomas de outras patologias, no entanto estão associados entre si e quando relacionados com a gripe e constipação têm o mesmo método de tratamento, e os MNSRM indicados também são os mesmos. A febre é um mecanismo de defesa do organismo, em que há um desequilíbrio do processo homeostático por aumento da temperatura corporal de forma a combater os fatores causadores, que podem ser endógenos ou exógenos. Normalmente é autolimitada e tem uma duração curta. Juntamente com a febre normalmente estão associados arrepios, suores, falta de apetite, prostração, mal-estar geral, cefaleia e mialgias. Há que avaliar a causa da febre, pois pode ter outras causas que exijam recomendações médicas, Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 40 idade ou, no caso de infestação, no desmame. A revacinação é feita após 12 meses, ou caso haja aparecimento da doença na zona, imediatamente, evitando assim riscos desnecessários. [97, 100] 2.6. Vacinas bivalentes contra Mixomatose e Doença Hemorrágica Viral Tem vindo a ser feito o desenvolvimento de vacinas contra a mixomatose e a doença hemorrágica viral, no entanto ainda não se encontram à venda em Portugal. Uma vacina bivalente facilitaria o controlo de ambas as doenças, por parte dos criadores, de forma a evitar contaminações frequentes e elevados custos económicos. [101-103] 2.7. Intervenção durante o estágio A realização de um panfleto informativo sobre a mixomatose (Anexo 3) foi a forma mais prática de transmitir informações úteis aos criadores de coelhos sobre a importância da vacinação como prevenção da doença e não como cura. A confusão com a doença hemorrágica viral também leva a que tentem adquirir a vacina contra a mixomatose para esta patologia, o que é uma prática errada. A todos os utentes que requeriam este tipo de vacinas era-lhes entregue um panfleto. Muitas vezes era lido na hora, visto ser pequeno. Foi recebido com expressões de surpresa por parte dos criadores, pois nunca tinham recebido algo assim antes. Na maior parte das vezes seguiam-se questões sobre a confusão com a doença hemorrágica viral, dado era o espanto por não ser a mesma doença que a mixomatose. 2.8. Conclusão Tendo em conta a virulência das variadas estirpes do vírus da mixomatose e a sua capacidade de dizimar populações, é necessária a sensibilização dos criadores de coelhos para a adesão à vacinação de prevenção e para a sua correta administração. O papel do farmacêutico como profissional de saúde é de advertir para a rápida identificação dos sintomas e alertar para a confusão entre diferentes patologias, evitando uma má administração de produtos de saúde. Raquel Nunes| Relatório de Estágio Profissionalizante – Farmácia São João 41 Referências Bibliográficas [1] Legislação Farmacêutica Compilada. Decreto-Lei n.º 172/2012, de 1 de agosto. Diário da República, 1ª série, nº 148. [2] Ministério da Saúde. Portaria n.º 307/2007, de 31 de agosto. Diário da República, 1ª série, nº 168. [3] Ministério da Saúde. Decreto-Lei n.º 171/2012, de 1 de agosto. Diário da República, 1ª série, nº148. 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